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	<title>Arquivos Tibet - Fraternidade Rosacruz em Campinas - SP - Brasil</title>
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	<description>Uma Associação de Cristãos Místicos</description>
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		<title>Recolhimento ao “Deserto”: você sabe onde está o seu?</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 15:34:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estudos Bíblicos Rosacruzes: Novo Testamento]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Quando nossas almas anseiam por um recolhimento no deserto, começa uma etapa expressiva em nossa vida. Não é buscar o Tibet, à Índia ou um lugar isolado qualquer, fora do convívio humano. Não se trata de um ponto geográfico, mas de um recolhimento interno; um estado estéril para a Personalidade, mas produtivo e fértil para a Alma que, saudosa, busca o “paraíso interno” para aquietar-se, restaurar a harmonia interna e crescer, a fim de exercer sua benéfica influência em nossa vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feliz de quem sente esta saudade e apelo do íntimo. Ainda que a pessoa não esteja consciente dessa necessidade interna, quando começa a orar e meditar corretamente, em entrega, abertura e tranquilidade interior, começa a ouvir a “pequenina e silenciosa voz” que sussurra, e sente-se bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos ser bem-sucedidos no trabalho, nas relações com os íntimos e no trato com os amigos, porém isto não é suficiente. Há uma insatisfação interna. E na medida que a saciamos no “deserto” interior, muitas coisas começam a perder o significado &nbsp;para nós. Já não nos dizem nada. Tal insatisfação não significa um convite para buscarmos outras formas de viver. Nada disso. Se o tentamos, logo nos desiludimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De nada nos vale fazer transformações externas. Se temos a graça de sentir essa insatisfação, não cometamos a tolice de comprar uma casinha na praia ou um sítio isolado, para levar amigos e folias de nossa rotina. Saibamos que o “deserto” deve ser buscado, aqui e agora mesmo, num cantinho de nossa casa, onde respeitem nossos momentos de quietude. Isto exige apenas algumas modificações no mundo interior, disciplinando a Mente e o Coração pelas verdades acerca de nossa real natureza e relação com Deus. É uma conscientização do modelo de Cristo; de equilíbrio entre uma atividade ordeira e o refazimento no “deserto” em nós. Afinal, é nosso Deus que nos ensina, por meio do profeta Isaías: “<em>Tornarei o deserto em mananciais de águas</em>” (Is 41:18).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes intervalos no “deserto” nos trazem vislumbres da Mente de Cristo, para reavaliação de conceitos; para constatação de coisas que devemos descartar, porque não servem à nova criatura. São períodos de ajustamento, mas, também, muitas vezes, de solidão, em que nos sentimos perdidos e nos perguntamos se vale a pena esse esforço. Tais vazios são provocados pelo próprio Cristo interno, para experimentarmos se O procuramos, por Ele mesmo ou se “<em>pelos pães e peixes</em>”. Outra razão d’Ele esconder-nos a Sua face é a falta de sentimento em nosso retiro no “deserto”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra seremos chamados a essa experiência maravilhosa, resistir-Lhe, é protelar mudanças positivas em nossas vidas. É melhor ouvir e atender ao tênue convite interno, <em>agora</em>, porque é o tempo certo, determinado pelo íntimo. Portanto, não pense que você ainda não esteja pronto para isso. Se o “deserto” o chama, é porque você já está preparado. Nem receie que isso vá desviá-lo de um viver pleno. Ao contrário: jamais sua vida será completa sem a ligação gradual com o Eu superior. Ele é que lhe dará sentido e significado à existência. Você continuará no Mundo, mas será uma nova pessoa, feliz, para fazer os outros felizes. Jamais estará só: uma Luz encherá sua vida!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tempo dedicado ao exercício do “deserto” nunca é estéril, embora o pareça, no início, a quem tenha um sentido prático do mundo. É tempo ganho, pois enseja um processo interno, que não podemos perceber: de gradual abertura e sintonia à Consciência. Se nos mantemos conscientes, em calma entrega e anseio de Deus, algo ocorre e o processo se realizará!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Moisés estava evidentemente preparado quando foi atraído à Montanha e Deus lhe falou: “<em>Vem tu, pois, e te enviarei ao Faraó para que lhe tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel</em>” (Ex 3:10). Também assim, somos chamados para o “deserto”, incumbidos de nos libertarmos do “Faraó” do mundo materialista, os pensamentos e emoções nobres atualmente apegados e condicionados a valores tolos, adestrando-os para que sirvam a significados mais altos e eternos. Não é fugir do Mundo, e ter uma nova relação com ele. É viver nele e não lhe pertencer. É adquirir melhores significados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristo-Jesus sabia que Levi, o coletor de impostos (que depois chamou de Mateus) estava preparado quando o olhou bem. Convocou-o para o discipulado e ele, deixando tudo, imediatamente O seguiu (Lc 5:27-28). Esta convocação é interna, quando chega o tempo para nós, não devemos hesitar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois passamos meses e anos no deserto, em intervalos de aquietamento e entrega. Não é um tempo “perdido”. Conheço um homem que se empenhou muitos anos a expressar seus talentos numa arte. Ficou longo tempo fazendo seus esboços, sob orientação dos melhores professores. Deu o melhor de si, mas estranhamente, jamais saiu do chão, como se diz, na profissão escolhida. Falava dos sacrifícios que teve de enfrentar nesse período e considerou-o improdutivo e desperdiçado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em conversa posterior descobri que foi precisamente nesse período que ele teve um despertar espiritual, pois se havia agarrado com toda a alma à Verdade e entrega de Deus, na esperança de que seria essa a chave-mestra para lhe destrancar as portas para o sucesso. Porém, o resultado foi diferente do que ele esperava: ele recebeu uma visão totalmente nova de sua vida. Aproveitando os talentos que desenvolvera, aplicou-os num campo inesperado, que lhe abriu meios de expressão criativa e gratificante. “Atirou no que viu e acertou no que não viu” — como diz o ditado popular. Só então, olhando para trás, reconsiderou sua opinião acerca do período “desperdiçado”. Compreendeu que “o período no deserto” o encaminhou à sua verdadeira vocação, dando-lhe, ao mesmo tempo significados novos da existência. Em verdade, foi o período mais rico de sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos notado que a dor, o insucesso, a esperança de mais altos significados, as decepções da vida, etc., são meios constantes que levam as pessoas para o “deserto interior”. Vão em busca de certas coisas e descobrem outras, muito mais altas e duradouras, que transformam radicalmente suas vidas!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Você se sente numa rotina monótona e vazia, sem significado? Talvez seja esse o convite, como foi dito: &#8220;<em>Bem-aventurados os que têm fome, porque serão fartos</em>” (Lc 6:21). Quiçá você pergunte: “por que tenho de passar pela experiência do &#8220;deserto&#8221;? Respondo: porque há um processo interno que só o Cristo, em você, pode realizar, através dessa comunhão. É inútil você procurar libertação para esse estado aí fora. Ninguém pode fazer por você o que a Deus incumbe. Pode o agricultor amadurecer o pêssego, para soltar-lhe o caroço? Não. Só o trabalho interior do próprio pessegueiro!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não adie e nem resista ao convite de encontro com seu verdadeiro Ser. Aceite-o. E quando tiver passado por essa experiência indizível, você poderá retornar do “deserto”, ao encontro dos seres humanos, sob a direção da Mente de Cristo, para que “<em>brilhe a sua luz diante deles, a fim de que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai celestial</em>” (Mt 5:16).</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><em>(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro/1988 &#8211; Fraternidade Rosacruz– SP)</em></p>
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