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	<title>Arquivos Ouroboros - Fraternidade Rosacruz em Campinas - SP - Brasil</title>
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		<title>Conhecimento do Processo Alquímico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fraternidade Rosacruz de Campinas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jul 2018 13:42:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Método e Leis cósmicas que regem a evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Basile Valentin]]></category>
		<category><![CDATA[Jacques Coeur]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecimento do Processo Alqu&#xED;mico De uns tempos para c&#xE1;, observa-se, j&#xE1; em maior n&#xFA;mero, obras tratando sobre &#x201C;alquimia&#x201D; &#xE0; venda nas livr</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Conhecimento do Processo Alquímico</strong></p>
<p>De uns tempos para cá, observa-se, já em maior número, obras tratando sobre &#8220;alquimia&#8221; à venda nas livrarias. A procura parece estar crescendo. É sinal de interesse, obviamente. Mas, o público, de um modo geral, não faz uma ideia precisa de quem eram os alquimistas, a que se dedicavam, qual sua filosofia e seus objetivos verdadeiros. Não há, diga-se, a bem da verdade, muitas informações a respeito. E o que certas revistas de caráter puramente comercial divulgam por aí reveste-se de confiabilidade duvidosa.</p>
<p>Perseguidos por reis e clérigos, em sua ânsia de glória, os alquimistas da Idade Média foram alvos do fogo da Inquisição, da prisão e da tortura. Quando suas descobertas contrariavam ideias muito arraigadas na época, e sabendo que o conhecimento é uma arma perigosa nas mãos daqueles cujos Corações e Mentes não são temperados com a pureza, sabedoria e compaixão, os alquimistas enterravam seus segredos em lendas e mistérios.</p>
<p>Eis aí, de uma certa forma, uma das causas da inexistência de informações mais amplas. Além disso, cremos que só mesmo na intimidade das escolas filosóficas sérias, tais como a Rosacruz, pode-se haurir conhecimentos profundos sobre o &#8220;processo alquímico&#8221;. O grande público prefere as publicações superficiais, tais como as encontradas nas bancas, à rígida disciplina das Escolas Ocultistas.</p>
<p>Porém, algumas vezes deparamos com a publicação de trabalhos de nível muito bom abordando o assunto. Na edição de 23/05/77 do JORNAL DA TARDE, Luiz Carlos Lisboa, por sinal um excelente crítico literário, escreveu um artigo interessante sob o título &#8220;A GRANDE TAREFA&#8221;. Desse artigo transcrevemos alguns trechos contendo informações muito elucidativas:</p>
<p>&#8220;Grande quantidade de mitos e relatos fúteis dissimulam, na história da alquimia, sua finalidade maior que é a transformação do ser humano. É o próprio alquimista o operador e a matéria trabalhada.</p>
<p>&#8220;A fabricação do ouro, a procura da pedra filosofal, são lendas que reforçaram a incompreensão a respeito do assunto. A alquimia, de fato, esteve sempre voltada para a mesma busca que motivou as grandes religiões do mundo, em todas as épocas, divergindo delas no fato de não possuir um corpo de doutrina ou regulamentação de ordem moral. Com a mesma proposta fundamental de transformar basicamente o ser humano, a alquimia propunha um caminho individual, embora ascético e também contemplativo, como o das organizações religiosas. A compreensão do fenômeno é difícil, considerando que fomos condicionados para ver na alquimia qualquer coisa como um conjunto de operações complicadas e inúteis levadas a efeito por ignorantes precursores da moderna química, tendo em vista um fim prático jamais alcançado, aliás&#8221;.</p>
<p>&#8220;A alquimia tradicional, de fato, repousou sempre sobre um conhecimento preciso de todos os ritmos, ciclos e gamas vibratórias daquilo que confusamente ainda alguns chamam de &#8220;energia cósmica&#8221;, ou alma do mundo. Nas retortas e cadinhos do passado, os alquimistas &#8220;procuravam&#8221; &#8211; quando não se tratava de meros sopradores, assim chamados os formalistas que usavam mecanicamente o fole nos seus laboratórios – a essência e o princípio de todo o conhecimento, isto é, o conhecimento de si mesmo. Houve sempre uma noção bastante clara disso no passado. Isaac Newton, por exemplo, escreveu em 1676: &#8220;Existem outros segredos ao lado das transmutações dos metais, e somente os corações grandes têm acesso a eles. Esses segredos são os mais importantes de todos&#8221;.<br />
Mais adiante o articulista desvela com admirável lucidez, mesmo que sucintamente, o significado da alquimia:<br />
&#8220;Basile Valentin, no seu clássico Practica (1618), dizia que &#8220;a alquimia tem uma única finalidade: a regeneração espiritual do ser humano, que conduz à iluminação&#8221;.</p>
<p>&#8220;Jung ressuscitou o Ouroboros, simbolizado pela serpente que engole a própria cauda, e que representa a limitação natural do pensamento, só resolvida através da obra alquímica, isto é, do autoconhecimento. Para o psicólogo suíço, que estudou profundamente a literatura alquimista, a verdadeira &#8220;transmutação dos metais&#8221; era de ordem psicológica e o ouro era o símbolo do ser humano integral.</p>
<p>&#8220;No Oriente, a tradição alquímica desenvolveu-se no seio do Taoísmo e Tsu-Ien (século IV a.C) foi seu primeiro representante. Esse alquimista chinês gostava de repetir uma mesma frase: &#8220;Descobri em mim mesmo a divindade do forno&#8221;.</p>
<p>&#8220;Hoje ele seria desprezado como louco, ou acusado de alienação pelos pragmáticos que brincam com jogos que consideram sérios e gratificantes&#8221;.</p>
<p>Em seguida, Lisboa aponta as dificuldades encontradas pela alquimia no mundo atual, onde o ser humano moderno afivelou em seu rosto a máscara do pragmatismo:</p>
<p>&#8220;De fato, nosso século escolheu atividades que considera dignas de sua atenção, e a elas dedica seus esforços e energia. Ninguém se questiona quanto à prioridade verdadeira das coisas. As religiões dogmáticas, as ideologias salvacionistas, as fórmulas prontas em geral, são todas tentadoras do ponto de vista da Mente humana.</p>
<p>&#8220;Confortáveis porque dispensam a atenção total, oferecem respostas para qualquer questão e parecem providencialmente sábias. Ao espírito preguiçoso do nosso tempo esse prato servido é apetitoso. Tudo aquilo que pareça distante das normas habituais, longe do nosso condicionamento, diverso das nossas certezas enraizadas, merece repulsa imediata. Só a ideia de autoconhecimento já parece suspeita, contraditória, confusa, indigna da mente &#8220;objetiva&#8221;, cartesiana, científica, dos tempos correntes&#8221;.</p>
<p>E conclui:</p>
<p>&#8220;Nos baixos-relevos do grande portal da Notre Dame de Paris são representados alquimistas diante de seu forno, entre cadinhos e alguidares, os olhos postos no alto, à espera da &#8220;graça alquímica&#8221;. A decantação do espírito no forno do autoconhecimento conduziria a um estado no qual &#8220;o autor e a obra são uma só coisa&#8221;. Jacques Coeur, tesoureiro de Charles VII, falava de outra maneira a respeito do resultado da ópera alchimica: &#8220;Só se realiza o fim da Grande Tarefa quando já não há mais o alquimista, mas simplesmente a mistura e o forno. Aí não há mais nada a fazer&#8221;. Linguagem e interesses estranhos num tesoureiro.</p>
<p>O fato é que também aqui há indícios de que a tarefa principal de uma Vida é a descoberta do que se passa no próprio descobridor. Sem isso, que parece obscuro e supersticioso aos fanáticos de todas as seitas e aos escravos do pragmatismo – Jacques Coeur conseguiu ser financista e poeta – a vida carece de beleza e as pessoas vivem de empréstimo, esse empréstimo que se toma às doutrinas que prometem a felicidade amanhã, quando o mundo exterior estiver devidamente consertado&#8221;.</p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;">(de Gilberto Silos, Publicado na Revista &#8216;Serviço Rosacruz&#8217; – 10/77)</span></em></p>
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