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	<title>Arquivos bonobo - Fraternidade Rosacruz em Campinas - SP - Brasil</title>
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	<description>Uma Associação de Cristãos Místicos</description>
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	<title>Arquivos bonobo - Fraternidade Rosacruz em Campinas - SP - Brasil</title>
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		<title>Os Espíritos-Grupo dos Animais: quem são e como trabalham</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fraternidade Rosacruz de Campinas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 18:47:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relação do Ser Humano com outros Seres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os animais pertencem a uma <a class="glossaryLink" title="conceito: Onda de Vida" aria-describedby="tt" data-cmtooltip="&#60;div class=glossaryItemTitle&#62;Onda de Vida&#60;/div&#62;&#60;div class=glossaryItemBody&#62; Uma Onda de Vida &#xE9; um conjunto de seres vivos, criada por um&#xA0;&#38;lt;a rel=&#38;quot;noreferrer noopener&#38;quot; href=&#38;quot;https://fraternidaderosacruz.com/glossario/deus/&#38;quot; target=&#38;quot;_blank&#38;quot;&#38;gt;Deus&#38;lt;/a&#38;gt;, que est&#xE3;o em evolu&#xE7;&#xE3;o e que pertencem a uma Hierarquia Criadora ou a um subgrupo de uma Hierarquia Criadora. Os seres humanos(...)&#60;/div&#62;" href="https://fraternidaderosacruz.com/glossary/onda-de-vida/" target="_blank" data-gt-translate-attributes='[{"attribute":"data-cmtooltip", "format":"html"}]' tabindex="0" role="link">Onda de Vida</a> que iniciou sua peregrina&#xE7;&#xE3;o no <a class="glossaryLink" title="conceito: Per&#xED;odo Solar" aria-describedby="tt" data-cmtooltip="&#60;div class=glossaryItemTitle&#62;Per&#xED;odo Solar&#60;/div&#62;&#60;div class=glossaryItemBody&#62;&#xC9; o segundo Per&#xED;odo desse Esquema de Evolu&#xE7;&#xE3;o em que estamos vivendo atualmente. Os sete Globos desse Per&#xED;odo eram esferas luminosas. A B&#xED;blia tamb&#xE9;m menciona esse estado e como &#xE9; poss&#xED;vel(...)&#60;/div&#62;" href="https://fraternidaderosacruz.com/glossary/periodo-solar/" target="_blank" data-gt-translate-attributes='[{"attribute":"data-cmtooltip", "format":"html"}]' tabindex="0" role="link">Per&#xED;odo Solar</a> desse Grande <a class="glossaryLink" title="conceito: Dia de Manifesta&#xE7;&#xE3;o" aria-describedby="tt" data-cmtooltip="&#60;div class=glossaryItemTitle&#62;Dia de Manifesta&#xE7;&#xE3;o&#60;/div&#62;&#60;div class=glossaryItemBody&#62;&#xC9; seten&#xE1;rio. Deus enche com Sua pr&#xF3;pria aura um lugar apropriado do Espa&#xE7;o e compenetra com Sua vida  cada &#xE1;tomo da Subst&#xE2;ncia-Raiz-C&#xF3;smica dessa por&#xE7;&#xE3;o particular do Espa&#xE7;o, despertando dessa(...)&#60;/div&#62;" href="https://fraternidaderosacruz.com/glossary/dia-de-manifestacao/" target="_blank" data-gt-translate-attributes='[{"attribute":"data-cmtooltip", "format":"html"}]' tabindex="0" role="link">Dia de Manifesta&#xE7;&#xE3;o</a>, como denominado na terminologi</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os animais pertencem a uma Onda de Vida que iniciou sua peregrinação no Período Solar desse Grande Dia de Manifestação, como denominado na terminologia Rosacruz.</p>



<p>É importante sabermos que nós, Espíritos Virginais, iniciamos nossa peregrinação no Período de Saturno desse mesmo Grande Dia de Manifestação, que é um Período anterior ao Período Solar.</p>



<p>Por isso que reconhecemos os animais como nossos “irmãos menores” a quem devemos proteger, pois eles têm um nível de consciência muito próximos a nosso nível: enquanto a nossa é Consciência de Vigília a deles é Consciência de Sono com Sonhos.</p>



<p>Lembremos que os Antropoides superiores (bonobo, chimpanzés, gorilas e orangotangos) não pertencem à Onda de Vida dos animais, mas a nossa Onda de Vida! Na verdade, eles são os nossos irmãos e nossas irmãs atrasados da nossa Onda de Vida e poderão, em um futuro, alcançar a nossa evolução, se trabalharem para isso. Atualmente, eles ocupam os exemplares mais degenerados daquilo que foi antes forma humana. Note a forma, não a vida!</p>



<p>Os animais têm os seguintes corpos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Corpo Denso – que o possibilita funcionar na Região Química do Mundo Físico, assim como nós;</li>



<li>Corpo Vital – que o possibilita funcionar na Região Etérica do Mundo Físico, como nós, mas lhe falta o Éter Refletor, que o faz carecer de acesso à memória;</li>



<li>Corpo de Desejos – que o possibilita funcionar no Mundo do Desejo, como nós; contudo, o Corpo de Desejos do animal é inteiramente formado por matéria das regiões inferiores do Mundo do Desejo, ou seja: os sentimentos dos animais focalizam-se inteiramente na satisfação dos desejos e paixões inferiores.</li>
</ul>



<p>Não possuem uma Mente, o que não os capacita a funcionar na Região do Pensamento Concreto. Portanto, os animais não são capazes de projetar ideias, ou seja: as conclusões que estabelecemos na Região do Pensamento Abstrato, revestindo-as de matéria mental da Região do Pensamento Concreto formando os pensamentos-forma que nos leva a concluir que os animais não são capazes de pensar e agir por esse meio.</p>



<p>Ou, em outras palavras, não são capazes de despertar voluntariamente o sentimento que impele à ação imediata, seja através do Interesse (sentimento presente na quarta Região do Mundo do Desejo), pondo em ação ou a Força de Atração ou a de Repulsão (Forças presentes da primeira a terceira e da quinta à sétima Região do Mundo do Desejo), seja através da Indiferença (o outro sentimento presente na quarta Região do Mundo do Desejo).</p>



<p>E o Cordão Prateado dos animais? Aprendemos que cada animal tem seu próprio e individual Cordão Prateado. Só que diferente do Cordão Prateado de um ser humano. Há, como no ser humano, as duas partes que conectam o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos; mas a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos, localizada na posição relativa do fígado, pertence ao Cordão Prateado do Espírito-Grupo. E é justamente por meio desse vínculo elástico, que o Espírito-Grupo governa os animais da sua espécie, independentemente de onde estejam, com igual facilidade. Lembremo-nos que a distância não existe nos Mundos espirituais e os animais não possuem Mente própria; assim, eles obedecem sem questionar às sugestões do Espírito-Grupo.</p>



<p>Vamos falar um pouco dos sangues dos animais: animais que possuem vitalidade e movimento, mas não possuem sangue vermelho, como, por exemplo, os insetos, não possuem Corpo de Desejos separado. Tal ser encontra-se em um estado de transição da planta para o animal.</p>



<p>Por outro lado, animais que possuem sangue vermelho, mas frio, como por exemplo: peixes e répteis, já possuem um Corpo de Desejos separado. Nesse caso o Espírito que anima tal forma está completamente fora do Corpo Denso.</p>



<p>Finalmente, animais que possuem sangue vermelho e quente também têm um Corpo de Desejos separado, entretanto, nesse caso, o Espírito que anima tal forma está parcialmente fora do Corpo Denso.</p>



<p>É por isso que o animal não é um ser completamente “vivo”, se considerarmos o ponto de vista do Mundo Físico. Eles possuem uma consciência análoga a que possuímos quando sonhamos (consciência análoga a sono com sonhos), vivendo no Mundo do Desejo. Portanto, a consciência dos animais está focada no Mundo do Desejo.</p>



<p>Dali para baixo, ou seja, na Região Etérica e na Região Química do Mundo Físico eles são inconscientes. E é justamente por toda essa condição de dependência de evoluir no Mundo Físico, mas sem terem a Consciência de Vigília nesse Mundo (ainda não possuem o elo que liga o Tríplice Espírito ao Tríplice Corpo – a Mente – o que os tornaria indivíduos separados e únicos) é que os animais precisam ser guiados no seu caminho de evolução. E quem são os responsáveis por isso são os Espíritos-Grupo.</p>



<p>A função de serem Espíritos-Grupo dos animais, atualmente, constitui um dos trabalhos dos Arcanjos, seres especialistas em matéria de desejos, assim como nós seremos especialistas em matéria química do Mundo Físico.</p>



<p>O Corpo mais inferior ou de matéria mais densa de um Arcanjo é o Corpo de Desejos, assim como o nosso é o Corpo Denso.</p>



<p>Há diversos graus de inteligência entre os seres humanos. Do mesmo modo, também acontece entre os seres superiores. Os Arcanjos menos evoluídos governam os animais como Espíritos-Grupo e, dessa maneira, se desenvolvem adquirindo capacidade superior. Podemos entender o que é um Espírito-Grupo fazendo uma analogia com o nosso Corpo Denso. Nosso Corpo Denso é composto de muitas células, tendo cada uma sua própria vida celular, mas todas estão sob o nosso comando, utilizando ainda, o sangue como ponto de aderência ao Corpo Denso.</p>



<p>Assim, também, o Espírito-Grupo é um ser que funciona nos Mundos espirituais e possui um “corpo espiritual” composto por muitos Espíritos animais separados. Guia seus protegidos de fora para dentro. O Espírito-Grupo guia os animais através do sangue. O Espírito-Grupo não funciona no Mundo Físico. Como Arcanjos, eles funcionam no Mundo do Desejo, mesmo lugar aonde o Ego dos animais se encontra.</p>



<p>Recordem-se: no Mundo do Desejo a distância não existe. Por isso o Espírito-Grupo do animal pode influenciar este em qualquer lugar em que o animal se encontre. Sua evolução se dá enviando os diversos Espíritos animais a formas de Corpos Densos que o Espírito-Grupo ajuda a criar, como Arquétipos.</p>



<p>Conjuntos de Corpos Densos compõe uma espécie de animal e os Espíritos-Grupo guiam essa espécie mediante sugestões que chamamos de instinto. Portanto, os animais não estão sujeitos a Lei de Causa e Efeito.</p>



<p>A orientação dos Espíritos-Grupo aos animais é dada pelas fortes correntes de matéria de desejos colocadas pelos Espíritos-Grupo e que giram em torno do Planeta Terra. Por isso que a espinha dorsal do animal se mantém mais na horizontal.</p>



<p>A força vital emanada do Sol, da Lua e dos Planetas é também absorvida pelos animais, mas não diretamente. Isso porque eles possuem somente 28 pares de nervos espinhais e estão harmonizados com o mês lunar de 28 dias dependendo, portanto, de um Espírito-Grupo para preparar os raios astrais, a fim de serem utilizados como força vital para: geração, nutrição, crescimento e ação.</p>



<p>Quando um Corpo Denso de um animal morre o Ego do animal adquiriu, mesmo que inconscientemente, uma quantidade de experiência por ter trabalhado nesse veículo.</p>



<p>E depois de certo tempo, tais experiências também são absorvidas pelo Espírito-Grupo. E é assim que os Espíritos-Grupo dos animais vão evoluindo, assim como vão evoluindo os animais. Os Espíritos-Grupo dos animais são vistos no Mundo do Desejo em uma forma humana e com cabeça de animal. Vemos isso nos templos egípcios, onde se retratam seres com Corpos Densos humanos e cabeças de animal. Aliás, aqueles que possuem visão espiritual do Mundo do Desejo não encontram nenhuma dificuldade em conversar com eles e, muitas vezes, ficam maravilhados pela sabedoria que eles expressam!</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz</em></p>



<p></p>
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		<title>Carta de Max Heindel: Um Apelo à Pureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fraternidade Rosacruz de Campinas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 14:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas Max Heindel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Setembro de 1916 O ponto mais importante da li&#xE7;&#xE3;o do m&#xEA;s passado &#xE9; o poder da paix&#xE3;o para degenerar aqueles que se entregam a ela. Isso n&#xF3;s ilustramo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Setembro de 1916</em></p>



<p>O ponto mais importante da lição do mês passado é o poder da paixão para degenerar aqueles que se entregam a ela. Isso nós ilustramos no caso dos antropoides superiores (orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos)<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>, que ficaram para trás e degeneraram em forma semelhante à dos animais, por causa das ações deles em abusar da força sexual criadora. A responsabilidade dos Espíritos Lucíferos por aquela condição foi detalhada no livro <a href="https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/o-conceito/">Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz</a> e, também, o fato de que os antropoides superiores podem nos alcançar se evoluírem suficientemente antes da metade da próxima Revolução<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>.</p>



<p>Mas, há uma dupla responsabilidade no conhecimento, como ensinado por Cristo: “<em>A quem muito é dado, muito será exigido</em>”<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. E enquanto a transgressão dos que existiram naqueles dias primitivos pode ser perdoada, e isso comporta um atraso de milhões e milhões de anos, a condição daqueles que possuem a iluminação do conhecimento superior, que foi dado à Humanidade de hoje, e que transgridem a Lei<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a> pelo abuso da força sexual criadora, pode se tornar mais sério do que o da classe que agora está evoluindo em formas de antropoides superiores.</p>



<p>A Magia Negra é praticada com muito mais frequência do que se poderia supor, algumas vezes de forma absolutamente inconsciente, pois a linha divisória pode estar unicamente no motivo. No entanto, se abusarmos do nosso conhecimento superior, ainda que sejamos mais refinados na indulgência com as nossas paixões, o resultado será certamente desastroso. Na atualidade, a força vital (exceto a quantidade insignificante que é necessária para a propagação da raça humana) deveria ser transmutada em Poder Anímico. Portanto, vamos continuar, insistentemente, no caminho da pureza, para que não nos vejamos em situação pior que a desses seres humanos degenerados encontrados como escravos de Lúcifer na “cozinha das bruxas” – como representado no mito de Fausto<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a>.</p>



<p>Se, em algum momento, formos tentados por pensamentos impuros, imediatamente voltemos nossas Mentes para outro assunto bem distante da sensualidade. Acima de tudo, respeitemos as leis do nosso país que requer o cerimonial de casamento, antes da união, pois ainda que as palavras da cerimônia de casamento não unam as pessoas, no entanto, são apropriadas para que professemos elevados ideais espirituais e não queiramos escandalizar vivendo juntos sem o casamento. Os que se acham sob as leis de um país, prestam perfeita obediência, como Cristo fez, pois quando cumprimos todas as leis de um país sem protesto porque é certo fazê-lo, então nos elevamos acima da lei e não estamos mais em cativeiro.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>(Cartas aos Estudantes – nº 34 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> N.T.: que pertencem a Onda de Vida humana, a que nós seres humanos pertencemos.</p>



<p><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> N.T.: a quinta Revolução desse Período Terrestre. Hoje estamos na metade da quarta Revolução do Período Terrestre.</p>



<p><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> N.T.: Lc 12:48</p>



<p><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> N.T.: refere-se à Lei de Deus.</p>



<p><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> N.T.: “Cozinha da Bruxa”, também chamado de “caverna de Feiticeira”, em português, faz parte da obra Fausto de Johann Wolfgang von Goethe. Segundo as palavras do próprio Goethe, que Eckermann registrou numa conversa datada de 10 de abril de 1829, a cena “A Cozinha da Bruxa” foi escrita no jardim da Villa Borghese em Roma, na primeira metade de 1788.</p>



<p>QUADRO VII</p>



<p>Vasta caverna de Feiticeira. Ao fundo, uma porta baixa e informe. Do lado esquerdo, uma lareira térrea; por cima dela uma espaçosa chaminé. Na lareira, assente numa trempe, um grande caldeirão. Na fumarada que dele sai, vão vislumbrando várias figuras. Espalhadas pela caverna tripeças, e uma canastra com diversos objetos, entre os quais um copo de dados, archotes, uma bola, uma coroa, um cartapácio encadernado de preto com broches de ferro. Pelas paredes sem reboco e afumadas, pendem desordenadamente vasilhas de mil formas, uma peneira, um espelho, uma vara, um abano de cauda. Uma cantareira com garrafas e copos.</p>



<p>CENA I</p>



<p>Ao pé do caldeirão, e a escumá-lo, com sentido que não se deite por fora, está sentada uma CERCOPITECA (macaca muito grande, de rabo comprido) (). O CERCOPITECO (o macho) está sentado, com os filhinhos ao pé, a aquecer-se. FAUSTO, MEFISTÓFELES.</p>



<p>FAUSTO (a Mefistófeles)</p>



<p>Este sarapatel de nigromâncias</p>



<p>faz-me nojo, declaro. E projetava</p>



<p>este diabo restaurar-me a vida</p>



<p>em tão vil charco de hediondezes fúteis!</p>



<p>Aconselhem-se lá co’uma carcaça!</p>



<p>Ou tenham fé que possam burundangas</p>



<p>duma cozinha assim descarregar-me</p>



<p>trinta anos do cachaço. A não saberes</p>



<p>receita que mais valha, estou servido.</p>



<p>Pois dar-se-á que não tenha a natureza</p>



<p>algum bálsamo seu, já descoberto</p>



<p>por algum alto engenho?</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Aí ’stão palavras</p>



<p>que mostram não ser parvo o nosso amigo.</p>



<p>Sim senhor; sem sair da natureza</p>



<p>há também com que um homem se remoce.</p>



<p>Vem isso noutra obra; e bem curioso</p>



<p>que ele é, o tal capítulo.</p>



<p>FAUSTO</p>



<p>Declara-o!</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Guapa receita. E curativo grátis,</p>



<p>sem precisar Doutor, nem feiticeira.</p>



<p>Ponha-se fora; vá-se aos campos; are;</p>



<p>cave; enclausure-se, alma e corpo, em solo</p>



<p>dadivoso, mas parco; esteie a vida</p>



<p>com frugal passadio; aprenda e exerça</p>



<p>co’os seus brutinhos o viver nativo;</p>



<p>não julgue desairar-se, em repartindo</p>



<p>por suas mãos o adubo ao chão que o nutre.</p>



<p>Fie-se em mim: se há coisa que descargue</p>



<p>de oitenta anos, é isto.</p>



<p>FAUSTO</p>



<p>Agora é tarde</p>



<p>para me acostumar. Nunca até hoje</p>



<p>peguei num alvião. Para o meu génio</p>



<p>esse viver obscuro era insofrível.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Então, é recorrer à feiticeira.</p>



<p>FAUSTO</p>



<p>Mas porque há-de ser logo a preferida</p>



<p>a tal mondonga velha? Não podias</p>



<p>preparar-me tu próprio a beberagem?</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Belo divertimento! Eu preferia</p>



<p>gastar o tempo em construir mil pontes.</p>



<p>Para arranjar os filtros desta casta</p>



<p>quer-se, além do saber, paciência e muita,</p>



<p>e atenção de anos largos; só co’o tempo</p>



<p>é que se alcança o fermentar completo</p>



<p>do líquido eficaz. Pois a quantia</p>



<p>d’ingredientes raríssimos! É certo</p>



<p>que o diabo é quem os sabe, e ensina tudo;</p>



<p>mas lá para os estar manipulando</p>



<p>é que não tem pachorra.</p>



<p>(Reparando nos animais)</p>



<p>Olhe a gracinha</p>



<p>do casal que ali está! São a criada</p>



<p>e o servo cá da casa.</p>



<p>(Aos animais)</p>



<p>Olá! já vejo</p>



<p>que a velhusca, vossa ama, anda por fora.</p>



<p>OS ANIMAIS</p>



<p>Eh eh eh eh!</p>



<p>Ao fricassé!</p>



<p>Foi pelo cano</p>



<p>da chaminé.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Gasta lá nessas frescatas</p>



<p>muito tempo a feiticeira?</p>



<p>OS ANIMAIS</p>



<p>O tempo em que na lareira</p>



<p>nós aquecemos as patas.</p>



<p>MEFISTÓFELES (a Fausto)</p>



<p>Que tais acha estes nossos bicharecos?</p>



<p>FAUSTO</p>



<p>Ai! de apetite! Nunca os vi mais feios.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>E eu então o meu gosto é conversá-los.</p>



<p>(Aos animais)</p>



<p>Dizei, bonecos danados,</p>



<p>que tendes no caldeirão,</p>



<p>que estais tão azafamados</p>



<p>a mexer co’o colherão?</p>



<p>OS ANIMAIS</p>



<p>Pois não vês? esta iguaria</p>



<p>são as sopas dos mendigos.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Nesse caso, meus amigos,</p>



<p>tereis muita freguesia.</p>



<p>O CERCOPITECO (tira da canastra o copo dos dados, e vai-se chegando a MEFISTÓFELES fazendo-lhe muitas festas)</p>



<p>Joguemos aos dados!</p>



<p>Meu rico parceiro,</p>



<p>não tenho dinheiro,</p>



<p>fazei-mo ganhar.</p>



<p>Ser pobre é ser parvo.</p>



<p>Espírito nobre,</p>



<p>salvai-me de pobre,</p>



<p>salvai-me de alvar.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Este cercopiteco endoidecia,</p>



<p>se pudesse ganhar na loteria.</p>



<p>(Nestes entrementeses, andam os cercopitequinhos a brincar com uma grande bola que tiraram da canastra, e vão rolando diante de si.)</p>



<p>O CERCOPITECO</p>



<p>Tal é o mundo!</p>



<p>Rolar, correr,</p>



<p>subir, descer.</p>



<p>Vidro rotundo</p>



<p>sonoro e oco,</p>



<p>a pouco e pouco</p>



<p>fendas a abrir.</p>



<p>Aqui brilhante;</p>



<p>lá coruscante;</p>



<p>sempre cambiante,</p>



<p>sempre a fugir.</p>



<p>Fala-te um ente,</p>



<p>qual tu vivente,</p>



<p>qual tu mortal.</p>



<p>Evita, amigo,</p>



<p>esse inimigo</p>



<p>mundo fatal.</p>



<p>Crê-lo maciço,</p>



<p>e é quebradiço</p>



<p>como cristal.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Que faz aqui esta peneira?</p>



<p>Tem algum préstimo?</p>



<p>O CERCOPITECO (tirando a peneira do prego)</p>



<p>Pois não?</p>



<p>Mostra a verdade nua e inteira.</p>



<p>Supõe que fosses um ladrão,</p>



<p>cara de santo e fala arteira,</p>



<p>logo eu te via a maganeira,</p>



<p>em observando o teu carão</p>



<p>pela peneira!</p>



<p>(Corre para a fêmea, a quem obriga a olhar para Mefistófeles, através da peneira)</p>



<p>Toma a luneta, companheira,</p>



<p>observa, observa o figurão.</p>



<p>Reconheceste-lo à primeira.</p>



<p>Declara o nome do ladrão!</p>



<p>Viva a peneira!</p>



<p>MEFISTÓFELES (aproximando-se do lume)</p>



<p>E este pote?</p>



<p>OS CERCOPITECOS (macho e fêmea)</p>



<p>Fora zote,</p>



<p>burro, estúpido, asneirão.</p>



<p>Não vês que é um caldeirão?</p>



<p>Chama a um caldeirão um pote!</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Bruta corja!</p>



<p>O CERCOPITECO (levanta-se arrebatadamente do chão um abano de rabo e mete-o na mão de Mefistófeles)</p>



<p>O quê! Depressa!</p>



<p>Toma o rabo deste abano!</p>



<p>Assenta-te na tripeça,</p>



<p>e esperta a fogueira, mano!</p>



<p>(Obriga Mefistófeles a sentar-se numa das tripeças, fazendo do abano ventarola)</p>



<p>FAUSTO (que durante todo este tempo, estivera parado defronte de um espelho, ora aproximando-se, ora recuando)</p>



<p>Oh mago espelho! que divina imagem!</p>



<p>Asas, asas, Amor! conduz-me a ela!</p>



<p>Se me acerco, recua, e mal a avisto</p>



<p>sombra de sombra esmorecida em névoa.</p>



<p>Tais graças feminis, dar-se-á que existam?</p>



<p>Estarei vendo neste esbelto corpo</p>



<p>das delícias dos céus a quinta essência?</p>



<p>Cabe ao mundo um tal dom?</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Naturalmente.</p>



<p>Quando lida na obra um Deus seis dias,</p>



<p>ao sétimo a contempla, e exclama: Bravo!</p>



<p>De ver está que executou portento</p>



<p>de costa acima. Farte os olhos, farte!</p>



<p>Deixe-me furoar que tarde ou cedo</p>



<p>lhe hei-de desencantar esse tesoiro.</p>



<p>Feliz quem no obtiver.</p>



<p>(Continua Fausto a olhar para o espelho. Mefistófeles espreguiçando-se na tripeça, e brincando com o abano, continua a falar.)</p>



<p>Que belo assento,</p>



<p>em que eu me estou aqui repetenando!</p>



<p>Nem rei no trono. Empunho um ceptro. Resta</p>



<p>vir a coroa radiar-me a testa.</p>



<p>OS ANIMAIS (que até aqui tem estado, uns com os outros, fazendo trejeitos e momices, trazem da canastra a Mefistófeles uma coroa, com grande algazarra)</p>



<p>Tome-a lá! Grude-a a si bem grudada,</p>



<p>com suores e sangue, oh Senhor!</p>



<p>(Ao brincarem à doida, deixam cair a coroa, que se parte em pedaços. Apanham-nos e atiram-nos por joguete uns aos outros.)</p>



<p>Ih! Quebrou-se a coroa sagrada!</p>



<p>Viva a turba! Acabou-se o temor.</p>



<p>Galrar já podemos,</p>



<p>de ventas no ar.</p>



<p>As zangas que temos,</p>



<p>até poderemos,</p>



<p>querendo, rimar.</p>



<p>FAUSTO (sem se apartar do espelho)</p>



<p>Ui que sanzala! Esvaem-me o juízo!</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Se até eu tenho a bola à roda, à roda!</p>



<p>OS ANIMAIS</p>



<p>E se a coisa desta feita</p>



<p>vinga e dá seu resultado,</p>



<p>das ideias a colheita</p>



<p>torna o mundo afortunado.</p>



<p>FAUSTO (como acima)</p>



<p>Já me arde o coração. Presto, fujamos!</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Já se vê pelo menos que estes mecos</p>



<p>tem para a poesia embocadura.</p>



<p>(Como a macaca tinha largado o caldeirão, começa este a entornar-se, ocasionando grande lavareda que sobe pela chaminé. Pelo meio dessa lavareda, desce a Feiticeira vozeando.)</p>



<p>CENA II</p>



<p>A FEITICEIRA e os MESMOS</p>



<p>FEITICEIRA</p>



<p>Ão, ão, ão, ão!</p>



<p>Maldita mona,</p>



<p>que me entornaste</p>



<p>o caldeirão,</p>



<p>e a vossa dona</p>



<p>incendiaste!</p>



<p>Maldita! ão, ão!</p>



<p>(Repara em Fausto e Mefistófeles)</p>



<p>Que temos? Vós quem sois? Quem teve o atrevimento</p>



<p>de vos deixar entrar? qual era o vosso intento?</p>



<p>Por entrardes sem vénia e a furto aos lares nossos,</p>



<p>má fogo que vos queime, e vos derreta os ossos!</p>



<p>(Mete o colherão na caldeira; tira-o cheio; sacode o líquido, que vai cair, convertido em chamas, sobre Fausto, Mefistófeles e os animais. Os bichos lançam grandes guinchos)</p>



<p>MEFISTÓFELES (levantando-se a súbitas, revira o abano com o cabo para fora, e começa a malhar com ele na caldeira, e em tudo que vê diante)</p>



<p>Ah! tu brincas? Pois eu faço</p>



<p>à tua solfa o meu compasso,</p>



<p>múmia ascosa. Na fogueira</p>



<p>vaso as sopas. A caldeira</p>



<p>ela aí vai tornada estilhas;</p>



<p>e atrás dela estas vasilhas…</p>



<p>Nada inteiro há-de ficar.</p>



<p>(A Feiticeira tem ido retrocedendo, cheia de terror)</p>



<p>Monstro! horror! arcaboiço! Olá! Não reconheces</p>



<p>o teu amo e senhor? Ínfima das refeces,</p>



<p>queres-te opor a mim? Não sei que me tem mão</p>



<p>que vos não leve a pau, desfeitas, de rondão,</p>



<p>tu, e toda a relé da tua bicharia.</p>



<p>Pois já esta demente acaso esqueceria</p>



<p>este cocar de galo? a cor de grã que eu visto?</p>



<p>até o meu semblante? Ainda, após tudo isto,</p>



<p>para saber quem sou precisa que lhe ponha</p>



<p>claro, eu próprio, o meu nome, a biltre sem vergonha!</p>



<p>A FEITICEIRA</p>



<p>Confesso, Grão Senhor, que foi mal-recebido.</p>



<p>Vossa alteza perdoe;… mas tinha-lhe esquecido</p>



<p>o pezinho cabrum e o par de corvos.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Bem.</p>



<p>Por esta inda te passo.</p>



<p>(A Fausto)</p>



<p>Ele havia também</p>



<p>já tantíssimo tempo, a dizer a verdade,</p>



<p>que me não tinha visto!… A lei da humanidade</p>



<p>também se estende a nós: Le monde marche. Um vento</p>



<p>que se chama O Progresso, ora rijo, ora lento</p>



<p>mas constante, que varre e leva a quanto existe,</p>



<p>também por cá chegou. Foi-se o fantasma triste</p>



<p>do nevoento Norte. Onde há já ’í diabo,</p>



<p>que use chavelhos, garra ou pé de cabra e rabo?</p>



<p>Ora eu enquanto ao pé, – membro que não dispenso,</p>



<p>por ser quem me carreia em basta gente assenso –</p>



<p>quanto ao pé, anos há que uso ao disfarce botas,</p>



<p>como usam panturrilha os magrizéis janotas.</p>



<p>A FEITICEIRA (cantando e dançando)</p>



<p>Não caibo em mim d’alegria</p>



<p>por ver meu Dom Santanás</p>



<p>nesta minha cova fria,</p>



<p>tal como outrora soía,</p>



<p>lá quando eu era algum dia</p>



<p>menos velha, e ele rapaz.</p>



<p>Viva o meu Dom Santanás!</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Vedo que nunca mais tal nome se me dê.</p>



<p>A FEITICEIRA</p>



<p>Pois que mal lhe fez ele? explique-se: por quê?</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Nome é que anda há já muito entre outros mil escritos</p>



<p>no volumoso rol das fábulas e mitos.</p>



<p>(A Fausto)</p>



<p>Coisas da espécie humana: o génio mau proscrevem</p>



<p>e ficam-se co’os maus; a esses não se atrevem.</p>



<p>(À Feiticeira)</p>



<p>Chama-me se te apraz «Barão!» «Senhor Barão!»</p>



<p>Não há mais que dizer. Fico um fidalgarrão</p>



<p>como os do sangue azul. Quanto eu sou nobre, escuso</p>



<p>encarecer-to; e aí vão as armas do meu uso!</p>



<p>(Faz certo acionado.)</p>



<p>A FEITICEIRA (rindo a bandeiras despregadas)</p>



<p>Ah ah ah ah!</p>



<p>Ih ih ih ih!</p>



<p>Nunca vi, não há,</p>



<p>não há, nunca vi</p>



<p>brejeiro maior!</p>



<p>Bargante, bargante!</p>



<p>Em moço, tunante;</p>



<p>em velho, pior!</p>



<p>MEFISTÓFELES (a Fausto)</p>



<p>Repare, meu amigo e aprenda! Esta a maneira</p>



<p>como deve tratar co’a súcia feiticeira.</p>



<p>A FEITICEIRA</p>



<p>Que desejam agora estes senhores?</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Mando</p>



<p>que nos tragas já já um copo trasbordando</p>



<p>da sabida mistela, e quanto mais anosa</p>



<p>a tiveres, melhor, mais eficaz.</p>



<p>A FEITICEIRA</p>



<p>Gostosa</p>



<p>obedeço já já.</p>



<p>(Tira uma garrafa e um copo da cantareira)</p>



<p>Nesta garrafa tenho</p>



<p>com que dar ao seu mando óptimo desempenho.</p>



<p>Desta é que eu muita vez mato o bicho. Fortum</p>



<p>nem por onde ele passe. Um copo! e mais do que um</p>



<p>se quiser, essa é boa!</p>



<p>(Baixo a Mefistófeles)</p>



<p>Olhe que o sujeitinho,</p>



<p>se traga aquilo assim como quem bebe vinho,</p>



<p>sem se ter preparado, estoira antes de um’hora,</p>



<p>bem sabe.</p>



<p>MEFISTÓFELES (baixo à Feiticeira)</p>



<p>O teu receio é mal cabido agora.</p>



<p>Eu sou amigo dele e não lhe quero a morte.</p>



<p>Podes-lhe dar sem medo o que haja de mais forte</p>



<p>no teu laboratório. A l’obra, presto, a l’obra!</p>



<p>Risca-me nesse chão o círculo da cobra.</p>



<p>Reza lá o conjuro, e dá-lhe um copo cheio.</p>



<p>(A Feiticeira com solenes ademães, risca um círculo e põe-lhe dentro coisas esquisitas. Para logo principiam os utensis e os copos a traquinar, com certa afinação. Traz afinal um cartapácio. Mete no círculo os cercopitecos. Um deles fica a servir-lhe de estante. Os outros archotes tirados da canastra, e que per si se acenderam simultaneamente. A Feiticeira acena a Fausto, que se lhe acerque)</p>



<p>FAUSTO (a Mefistófeles)</p>



<p>Mas tudo isso a que vem? Patranhas vãs! Descreio</p>



<p>de quanto vejo aqui: visagens estudadas,</p>



<p>imposturas sem sal, tontices, meros nadas.</p>



<p>Sei tudo isso de cor; tenho-lhe nojo.</p>



<p>MEFISTÓFELES,</p>



<p>Asneira!</p>



<p>É forte bravejar contra uma brincadeira!</p>



<p>Pois não vês que a mulher não faz em tudo aquilo</p>



<p>senão seguir à risca o medical estilo?</p>



<p>para que te aproveite e preste a beberagem,</p>



<p>põe muito palavrão, muitíssima visagem.</p>



<p>A FEITICEIRA (empurra Fausto para dentro do círculo; e põe-se a ler no livro, declamando com grande ênfase)</p>



<p>Agora me explico,</p>



<p>Do um, dez fareis;</p>



<p>o dois deixareis;</p>



<p>o três uguareis;</p>



<p>e já sondes rico.</p>



<p>Lançar quatro fora.</p>



<p>Dos cinco e dos seis,</p>



<p>sete e oito fareis.</p>



<p>São estas as leis,</p>



<p>e andai-vos embora.</p>



<p>E os nove são um;</p>



<p>e os dez são nenhum.</p>



<p>E tenho acabada,</p>



<p>segundo cumpria,</p>



<p>toda a tabuada</p>



<p>da feitiçaria.</p>



<p>FAUSTO (a Mefistófeles)</p>



<p>Ela estará com febre? A modo que extravaga.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Ai! de pouco se admira. Inda por ora a saga</p>



<p>do introito não passou; e todo o calhamaço</p>



<p>vai no mesmo teor. Eu já o li de espaço;</p>



<p>por sinal que até fiz sobre o seu conteúdo</p>



<p>o estudo mais cabal, mais sério, mais miúdo,</p>



<p>do que vim a inferir o que lhe exponho franco:</p>



<p>no que é contraditório, o sábio fica em branco,</p>



<p>assim como o ignorante. Esta arte, meu amigo,</p>



<p>é velha e nova; há nela, a par do imenso antigo,</p>



<p>algo também moderno. Inda não houve idade,</p>



<p>que, a bem de traficar co’a pobre humanidade,</p>



<p>não andasse a espalhar, com rara impavidez,</p>



<p>erros de três por um, ou erros de um por três.</p>



<p>Onde havia ensinar-se o claro, o verdadeiro,</p>



<p>mentiu-se adrede ao vulgo estólido e crendeiro.</p>



<p>Contra a superstição e audácia, era preciso</p>



<p>combater e suar; e a gente de juízo</p>



<p>preferiu sempre a tudo um bom viver pacato.</p>



<p>Nos mortais em geral dá-se um pendor inato</p>



<p>para absorverem crença. Era melhor primeiro</p>



<p>pensar, e crer depois; crer só no verdadeiro.</p>



<p>A FEITICEIRA (continuando)</p>



<p>A potência da ciência</p>



<p>que anda oculta em névoa escura,</p>



<p>só revela a sua essência</p>



<p>ao mortal que a não procura.</p>



<p>FAUSTO</p>



<p>Que absurdo nos diz ela? A tantos disparates</p>



<p>já se me oira a cabeça; oitenta mil orates</p>



<p>não doidejavam mais.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>Nobre sibila, basta!</p>



<p>Venha o copo e bem cheio. Um homem desta casta,</p>



<p>um famoso Doutor em tanta faculdade,</p>



<p>pode beber sem risco e sem dificuldade.</p>



<p>Mal imaginas tu que tragos de alto engodo</p>



<p>ele já tem provado.</p>



<p>(Notando em Fausto alguma hesitação, continua.)</p>



<p>Abaixo! abaixo! Todo!</p>



<p>Animo! escorripicha! E tu verás em breve</p>



<p>como esse coração bate contente e leve.</p>



<p>Ora gosto de ti! Convives co’o demónio</p>



<p>tu cá, tu lá, e agora estás como um bolónio</p>



<p>com medo a um fogachinho!</p>



<p>(Fausto acaba de beber resolutamente o copo apesar de saírem dele pequenas chamas.)</p>



<p>(A Feiticeira desfaz o círculo. Fausto sai dele.)</p>



<p>Estás liberto. Agora,</p>



<p>exercício que farte.</p>



<p>A FEITICEIRA</p>



<p>Em muito boa hora</p>



<p>que tomasse o meu filtro.</p>



<p>MEFISTÓFELES (à Feiticeira)</p>



<p>E tu, se me quiseres</p>



<p>alguma coisa, velha, é bom que lá me esperes</p>



<p>na Valburga esta noite.</p>



<p>A FEITICEIRA (a Fausto)</p>



<p>Aprenda outra cantiga</p>



<p>antes de se ir embora; e é dadiva de amiga.</p>



<p>Toda a vez que a entoar, há-de sentir no peito</p>



<p>um certo não lho digo; enfim um certo efeito</p>



<p>(Fausto dá-lhe costas enjoado, com ar desprezativo)</p>



<p>MEFISTÓFELES (a Fausto)</p>



<p>Vem comigo, eu te guio. A fim de que a poção</p>



<p>no interior e por fora opere a sua ação,</p>



<p>não há que estar à espera; é necessário e urgente</p>



<p>medir terra, correr, suar copiosamente.</p>



<p>Depois te ensinarei como se logra a vida</p>



<p>no suave far niente em flores envolvida,</p>



<p>e como o deus de amor brinca, borboleteia,</p>



<p>e oferta aos lábios mel pela áurea taça cheia.</p>



<p>FAUSTO (querendo tornar-se ao espelho)</p>



<p>Deixem-me inda uma vez mirar nesse brilhante</p>



<p>venturoso cristal a que é sem semelhante,</p>



<p>da graça o non plus ultra.</p>



<p>MEFISTÓFELES</p>



<p>À fé, que a imagem dela</p>



<p>era de todo o ponto e em todo o extremo bela;</p>



<p>mas que não dirás tu, em vendo o original?</p>



<p>vivinho! em carne e osso! ao pé de ti!</p>



<p>(À parte)</p>



<p>Que tal!</p>



<p>Co’a dose que tomou, qualquer mulher que aviste</p>



<p>vai julgá-la outra Helena.</p>



<p>Ah, sábio, alfim caíste!</p>



<p>A cozinha da bruxa levará Fausto a completar seu grande “livramento” no âmbito da materialidade. Ele deveria rejuvenescer para que sua aparência lhe proporcionasse maior mobilidade no mundo das suas aspirações. Porém, rejuvenescer para o doutor fazia parte de um aspecto bem maior. A magia lhe proporcionava vencer a finitude do corpo do herói velho sem mobilidade. Ele necessita agora de energia para pôr em prática sua ânsia de conhecimento. Precisa de disposição para o amor, e assim recobrar o tempo perdido. A poção da bruxa confere um novo conteúdo à sua forma. Fausto assume o ímpeto da juventude e sua alma fáustica está agora em perfeita conformidade com suas forças físicas.</p>



<p></p>
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		<title>Pergunta: Por que há almas novas e almas velhas se todos iniciamos na evolução ao mesmo tempo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fraternidade Rosacruz de Campinas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2020 19:13:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas]]></category>
		<category><![CDATA[Adeptos]]></category>
		<category><![CDATA[almas novas]]></category>
		<category><![CDATA[almas velhas]]></category>
		<category><![CDATA[bonobo]]></category>
		<category><![CDATA[chimpanzés]]></category>
		<category><![CDATA[Espíritos Virginais]]></category>
		<category><![CDATA[gorila]]></category>
		<category><![CDATA[Irmãos Maiores]]></category>
		<category><![CDATA[orangotango]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pergunta: Lemos sobre almas novas e almas velhas. N&#xE3;o nos iniciamos todos nesta vida terrena ao mesmo tempo, ou alguns j&#xE1; vieram para c&#xE1; em uma onda de </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Pergunta</strong>: Lemos sobre almas novas e almas velhas. Não nos iniciamos todos nesta vida terrena ao mesmo tempo, ou alguns já vieram para cá em uma onda de vida anterior? Não são os de cor branca da mesma idade anímica?</p>



<p><strong>Resposta:</strong> Começamos ao mesmo tempo como Espíritos Virginais, em nossa peregrinação evolutiva; entretanto, desde o início alguns adaptaram-se mais ao ambiente. Portanto, desde os primórdios, alguns atrasaram-se nessa escola da vida, da mesma forma que acontece atualmente com as crianças, em nossas escolas. Alguns são mais precoces que outros, e estes, naturalmente, são mais capazes de passar, na escola da vida, pelas fases da evolução, atingindo um grau de consciência mais elevado.</p>



<p>Assim, a onda de vida que hoje é humana dividiu-se automaticamente em várias classes que agora conhecemos como raças branca, negra, vermelha e amarela; os mais atrasados da escola são atualmente os antropoides superiores (bonobos, chimpanzés, orangotangos e gorilas). Por outro lado, há os que se revelaram particularmente precoces e galgaram mais degraus, em termos de evolução, do que a maior parte da humanidade. São pouquíssimos, comparativamente falando; no entanto, encontramo-los entre os Iniciados, Adeptos e os Irmãos Maiores da humanidade, que estão no topo da escada da onda de vida humana. Por conseguinte, é certo que todos nós estamos percorrendo a estrada da evolução no mesmo período de tempo, mas alguns foram mais adaptáveis, mais diligentes. Consequentemente, acumularam para si mais experiência. É isso que constitui realmente a idade da alma, de forma que aqueles que alcançaram maior conhecimento podem ser chamados “almas velhas”, enquanto aqueles que estão atrás são, falando em termos comparativos, “almas novas”. Os Espíritos que habitam os antropoides podem ser considerados “sem alma”.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>(Pergunta nº 35 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. 2)</em></p>
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