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Um dos mais Preciosos Frutos do Discernimento

Um dos mais Preciosos Frutos do Discernimento

Os modernos meios de comunicação, com sua ação muitas vezes massificante, podem induzir as pessoas a uma compreensão muito superficial dos fatos e coisas que as rodeiam. Condicionam o ser humano a pautar sua vida e definir metas e ideais calcados em valores discutíveis, face à sua transitoriedade.

Não constitui exagero, nem exacerbado criticismo, afirmarmos que o ser humano moderno aprendeu, inconscientemente, a conviver com o artificialismo, perigoso criador de rótulos. O tratamento superficial que se dá mesmo aos mais importantes aspectos da existência humana, permite grassar uma lamentável tendência de tudo rotular.

As pessoas comuns, cada vez mais influenciadas por telenovelas e contos folhetinescos, deixam-se levar por uma distorcida visão maniqueísta do mundo. Assim, habituam-se a dividir as pessoas e as coisas em rigorosamente boas e rigorosamente más. Essa rotulação, atitude precipitada e eivada de conceitos injustos, na maior parte das vezes, não dá margem a um meio-termo. Nem enseja uma acurada verificação de, até que ponto algo é inteiramente mau ou bom, ou se verdadeiramente apenas aparenta ser assim.

Tal maneira de encarar os fatos pode constituir-se na gênese de muitos preconceitos. As ideias preconcebidas, os juízos prematuros encontram sua origem nessa visão caricata e apressada das coisas.

Somente o desenvolvimento de uma segura capacidade de discernir pode evitar o cometimento de equívocos. A ação de discernir envolve análise profunda, conhecimento intuitivo, julgamento sereno, caso contrário não passará de mero exercício de ilação ou simples raciocínio.

Isenção de ânimo e independência interior são, entre outros, fatores decisivos a embasar nossa faculdade de discernimento. Discernir é um processo completo, simultaneamente objetivo e subjetivo, expectante e ativo. É o degrau que antecede a “sabedoria interna”,

Todo indivíduo dotado de “Mente aberta ou arejada” no sentido real da palavra, logrou desenvolver, em certa extensão, esse dom admirável. Soube, dessa forma, conquistar o privilégio de poder analisar os fatos, penetrando-lhes o âmago, conhecendo-lhes sua verdadeira natureza.

Diz Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos que “é evidente a grande vantagem dessa atitude mental quando se estuda um assunto, uma ideia ou um objeto determinado. Afirmações que pareciam positivamente contraditórias, e que determinaram intermináveis discussões entre os respectivos partidários, podem conciliar-se. Só a Mente aberta descobre a concordância”.

Não nos é difícil imaginar como uma visão periférica das coisas gera o oposto, isto é, o encontro da contradição, da discrepância, em pontos onde elas positivamente não existem. Além disso, corre-se o risco de consagrar “fatos definitivamente estabelecidos” pela conceituação puramente humana, como parâmetros para a avaliação de tudo. Essa atitude mental induz a erros, porque denota um flagrante desconhecimento de que todas as coisas podem apresentar facetas variadas em sua natureza, tornando-se suscetíveis de enfoques através de diversos ângulos.

Mais uma vez citamos Max Heindel: “Ainda que se lho afirme, não se pede ao discípulo que admita, a priori, ser negro um determinado objeto que observou ser branco, porém que cultive uma atitude mental suscetível de “admitir todas as coisas como possíveis”. Isto lhe permitirá deixar de lado, momentaneamente, até mesmo aquilo que geralmente se considera um fato estabelecido — a brancura do objeto — e verificar se há algum outro ponto de vista sob o qual o objeto em referência possa parecer negro. Certamente ele nada considerará como fato estabelecido porque compreende perfeitamente o quanto é importante manter a mente no estado fluídico de adaptabilidade, característico da criança. Compreenderá que, agora vê as coisas como por espelho, obscuramente, e como Ajax, permanecerá sempre alerta, aspirando ‘luz, mais luz’”.

Quem atingiu esse nível de entendimento sempre revelará uma atitude de compreensão para com os outros seres humanos. Nunca será exigente em relação ao comportamento alheio. Pelo contrário, manter-se-á vigilante quanto à sua própria postura moral. Afinal, cumpre-nos entender que todo ser humano é um diamante em lapidação. Cada um, na medida de suas experiências e evolução, brilha a seu modo e à intensidades diferentes.

Todos são animados por uma Essência Divina, procurando expressar o que de mais elevado possuem, não importando a diferença de níveis de desenvolvimento individual.

Procurar essa Divina Essência nos demais e sintonizar-se com sua bondade inata constitui um dos mais preciosos frutos do discernimento.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977)

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O Caminho da Perfeição: desenvolvendo a visão e os poderes espirituais

O Caminho da Perfeição: desenvolvendo a visão e os poderes espirituais

No caminho da perfeição, desenvolvemos a visão e os poderes espirituais. Da visão espiritual fala-se muitas vezes, como sendo o sexto sentido. A humanidade comum tem cinco sentidos, porém, todos temos o sexto sentido latente e alguns, na vanguarda, o têm desenvolvido. No passado, tínhamos só quatro sentidos, desenvolvidos.

A primeira evidência do desenvolvimento do sexto sentido está na capacidade de sentir as vibrações de planos, além do físico. Quando chegamos a sentir estas vibrações, ainda que o sexto sentido não esteja desenvolvido ativamente, damo-nos conta da existência desses planos superiores e percebemos a verdade nos sistemas filosóficos que os descrevem.

Neste caso, está a maioria dos estudantes da filosofia esotérica. O fato de serem estudantes desta filosofia já mostra que são capazes de sentir a verdade nela contida e que são, mais ou menos, sensitivos às vibrações suprafísicas.

O sexto sentido, ou visão espiritual, com que obtemos conhecimento direto dos planos superiores, é triplo. O grau mais baixo é a visão etérica que percebe o Mundo etérico com as suas entidades tais como os espíritos da natureza. A visão etérica permite ver através de objetos físicos e observar as condições de qualquer de suas partes. Isso se aplica a todas as substâncias, exceto o vidro. O vidro não é condutor de eletricidade. Este fato sugere uma conexão interessante entre os éteres, a visão etérea e a eletricidade. Vamos deixar este tema à meditação dos estudantes, esperando que dela tirem proveito.

O segundo grau de visão espiritual é a clarividência do Mundo do Desejo. Percebe o Mundo do Desejo e os Corpos de Desejos das entidades que vivem ali. Na clarividência, um objeto aparece completo ante a nossa vista. A clariaudiência é outro meio de entrar em contato com o Mundo do Desejo, capacitando-nos a ouvir as vozes espirituais daqueles que vivem ali e compreender sua misteriosa linguagem.

Pelo terceiro grau de visão espiritual, percebemos as realidades espirituais, no Mundo do Pensamento. Aqui, entramos em contato com os arquétipos de todas as coisas existentes. Estes arquétipos sendo entidades vivas, falam e instruem-nos sobre eles mesmos. É difícil pôr em ordem lógica os conhecimentos obtidos deste modo, porque os percebemos como uma totalidade e não como apresentá-los em partes distintas, como no caso de nossa visão física.

A visão espiritual pode ser positiva ou negativa. A forma positiva a aquela que o estudante de uma escola oculta positiva há de desenvolver. O desenvolvimento se opera pelo despertar da glândula pineal e do corpo pituitário e, além isso, pela conservação da força criadora sexual, que deve ascender para o cérebro.

Certos exercícios fazem vibrar o corpo pituitário, de tal modo a desviar as linhas das forças sexuais ascendentes, fazendo-as passar pela glândula pineal e pelo corpo pituitário, formando, assim, uma ponte entre os dois. Deste modo, obtém-se a visão espiritual positiva, sob o domínio da vontade.

No ocultista, a maior parte da corrente de força sexual flui para cima, pelo canal espinhal e pela laringe, até o cérebro e, dali, para baixo, ao coração. O ocultista desenvolve a parte intelectual da sua natureza em maior proporção que a parte da corrente flui para cima pelo coração e laringe, antes de chegar ao cérebro. O místico desenvolve a parte devocional da natureza, em grau maior que a parte intelectual. Ambas as formas pertencem ao desenvolvimento espiritual positivo e aumentam a visão espiritual.

O caminho negativo de desenvolvimento é o do médium. Este desenvolve sua faculdade por meio do plexo-solar e do sistema nervoso simpático, em vez de fazê-lo pelo cérebro e pelo sistema cérebro-espinhal. A visão do médium não está sob seu domínio, nem sujeita à sua vontade. Além disso, não a retém para as vidas futuras, enquanto a visão espiritual positiva, obtida pelo verdadeiro ocultista ou místico, retém-se para sempre.

O ocultista e o místico terão que obter o desenvolvimento nos dois sentidos: intelecto e coração.

O caminho negativo seguido pelo médium há de ser muitas vezes, entrar no desenvolvimento da visão espiritual positiva. Contudo não devemos, nunca, cultivar a mediunidade.

A visão espiritual e os poderes ocultos só podem ser desenvolvidos, de modo seguro, por uma vida de serviço em favor da humanidade. Se desenvolvemos estes poderes, por qualquer outro motivo que não seja o da colaboração com o grande plano da evolução, estaremos em perigo. Se nosso objetivo é o desejo egoísta de obter poderes, para favorecer, exclusivamente, nossos propósitos e nossas vantagens individuais, abrimos nossa “aura” a entidades más, que nos servirão temporariamente. Breve seremos nós que teremos de servi-las. E, pior, exigirão o pagamento da dívida até ao extremo. Paga a dívida, o aspirante é ainda, muitas vezes, arrastado para baixo, aos abismos da degradação.

A vaidade que alguém alimente por ter certo grau de desenvolvimento espiritual pode ser a porta de entrada de elementais na sua aura, o que muitas vezes, produz a queda do indivíduo. Por esta razão, a Bíblia é cientificamente correta, quando nos previne contra o orgulho. Este perigo apresenta-se de modo sério, quando trilhamos o caminho da perfeição. Os veículos do aspirante estão sensibilizados quer pela vida pura, quer pelos exercícios que pratica.

Tem que ser muito mais cuidadoso que as demais pessoas, para evitar sensualismo de qualquer natureza, porque o arrastaria e o esmagaria com maior rapidez que a outros.

Entre os primeiros exercícios que o aspirante ao conhecimento direto deve praticar, está a aguda observação de detalhes. É verdade que a maioria tem olhos e não vê. O aspirante deve se exercitar na arte de observar tudo em volta, com grande minúcia, porque do outro modo, sobrevirá um conflito entre as recordações conscientes, na Mente, e as recordações subconscientes, no Corpo Vital, e isso produzirá desarmonia.

Passando pela rua, podemos melhorar nossa observação, notando, distintamente, todas as casas e seus detalhes, os jardins, o estilo da arquitetura, etc. Mais tarde, deveríamos recordar estes detalhes.

A concentração e os pensamentos positivos são os poderes mentais a desenvolver depois. Nesta prática há que fixar a Mente num só ponto e não permitir que se distraia. A distração destrói o poder do pensamento. A concentração cria-o e fortifica-o. O pensamento positivo alcançará sempre seu objetivo. O pensamento negativo é débil e nunca consegue grande coisa. O pensamento positivo facilitará uma Mente capaz de fazer milagres, em qualquer campo de ação, e nos concederá êxito. O pensamento negativo abre nossa aura às entidades de natureza indesejável.

Exercícios superiores são a meditação, o discernimento, a contemplação e a adoração. Informações sobre eles acham-se no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”. É muito recomendável seu estudo. A repetição sistemática de verdades espirituais faz com que as mesmas se introduzam e se fixem no Corpo Vital. Gradualmente, farão arte do caráter, mormente se reforçados por obras. Deste modo, podemos formar o nosso caráter como quisermos, e caráter é destino.

O aspirante, amiúde, retarda seu progresso por alimentar ansiedade, uma forma de medo. Deve fazer as coisas que sabe serem boas; não deve ter medo do futuro. “O perfeito amor expulsa o medo”.

É necessária esta vitória sobre o amor, antes de desenvolvermos nossos poderes ocultos em geral. Se não a dominarmos, não teremos segurança, para cruzar os planos invisíveis, e nem estaremos em condições, para percorrer esses planos, longe da proteção de nossos corpos físicos. Sentir medo é prova de que não estamos, ainda, completamente capacitados para dominar estas entidades, por conseguinte, é o primeiro grande inimigo que o estudante de ocultismo tem de vencer.

Alguns estudantes caem no erro de desenvolver a vidência espiritual, por meio de drogas, espelhos mágicos ou inadequados exercícios de respiração. Com o tempo, surgirão enfermidades ou obsessões, resultado dessas práticas de caráter negativo. Desenvolvem a visão espiritual, certamente, mas com vibrações irregulares. Os que seguem estas práticas abrem sua natureza ao Mundo do Desejo inferior e às suas entidades viciosas. Os exercícios de respiração orientais não são apropriados aos ocidentais. Algumas vezes, extraem o Corpo Vital do físico, cortando o laço entre os centros sensoriais etéricos e as células cerebrais, produzindo a loucura. Em outros casos produzem ruptura entre o Éter de Vida e o Químico, causa frequente de tuberculose. Nossos estudantes devem desconfiar seriamente dessas práticas; nem sequer fazer o menor ensaio. A respiração higiênica, profunda, e boa, é recomendável.

Finalmente, o equilíbrio, em todos os planos, é o grande objetivo do estudante de ocultismo. Este objetivo é triplo: primeiramente, a concentração mental; em segundo lugar, o equilíbrio emocional e, por último, o poder espiritual.

Todavia, ao obter tudo isto, tendo desenvolvido a visão superior e podendo abandonar seu corpo conscientemente, o aluno não possui a onisciência. Está, somente, no ponto de começar sua educação nos Mundos espirituais. Ali, tem de aprender, num curso de trabalho paciente e de aplicação assídua aos problemas do novo ambiente.

Podemos dar-nos conta, agora, como é tolice seguir os ensinamentos de qualquer mestre que desenvolveu, porventura, um dos três graus da visão espiritual e, talvez, de maneira imperfeita.

Tudo o que se obtém dos Mundos internos, por meio, de qualquer grau de visão espiritual, tem de ser submetido à prova da lógica e do bom senso. Se não resistir a esta prova, devemos rejeitar e fazer novas investigações, antes de aceitar.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1972)