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Aquário: Cooperação

Aquário: Cooperação

Com olhar fixo e desafiante, mãos na cintura e cabelos em desalinho esvoaçando ao vento, Art discursava para os estudantes reunidos ao seu redor, nos degraus do ginásio.

Sem que ele soubesse, o diretor, Sr. Hodges, estava ouvindo tudo da janela do seu escritório.

– Nós temos regras para isto, regras para aquilo, exclamava pretensiosamente Art. Daqui a pouco, vamos ter que pedir permissão até para respirar. A minha opinião é que se as regras podem ser dispensadas na faculdade, também podem ser dispensadas aqui.

Nesse momento bateu o sinal e os estudantes começaram a se encaminhar para a porta e Art disse:

– Está vendo? Assim que bate o sinal, vocês todos se enfileiram docilmente como um bando de carneiros. Eu declaro, abaixo os sinais – nós não precisamos deles.

Depois da última aula, Art foi chamado a diretoria.

O Sr. Hogdes disse:

– Sente-se Art, eu soube que você não está muito de acordo com as regras daqui. Quais as que você não gosta?

– De nenhuma delas, murmurou Art.

– Bem, cite uma e diga-me o que você não aprova nela, insistiu o Sr. Hodges.

– Eu não gosto de ter de parar o que estou fazendo cada vez que esse sinal dispara e tem que fazer outra coisa. Eu não gosto de não poder ter rádio com fone de ouvido na sala de estudos. Eu não gosto de ter que esperar até ser chamado nas aulas quando quero dizer alguma coisa. Eu não gosto de não podermos enforcar uma aula sem uma nota de autorização de casa – é como se estivéssemos no jardim da infância.

Art parecia não acabar mais, mas o Sr. Hodges o interrompeu.

– Muito bem, Art. Dá para perceber que você esta nervoso com isto. O que você está querendo dizer é que você acha que os alunos não tem a liberdade de agir como tem direito. Não é?

– Sim, disse Art brevemente.

– Muito bem, continuou o Sr. Hodges. Quer você acredite ou não, eu compartilho de seu ressentimento pela repressão. É muito comum nos jovens e eu mesmo já tive essa reação. Contudo, nossas regras foram elaboradas pelo corpo docente com a colaboração – como você bem sabe – dos membros do Conselho dos Alunos, porque nós todos achamos que elas são necessárias para a escola cumprir seu objetivo planejado. Bem, eu vou dar-lhe uma tarefa para executar nos próximos dias e espero que você seja absolutamente honesto – com você mesmo e comigo. Quero que você pegue cada uma dessas regras com as quais você não concorda, analise o mais objetivamente que você puder, porque quem as redigiu as considerou necessárias, e anote essas razões. Depois, exponha por que você acha que elas não são necessárias, e o que você honestamente acha que seria o resultado se elas não fossem aplicadas. Lembre-se, eu confio que você seja objetivo e justo, e eu tentarei igualmente ser objetivo e justo quando ler o seu ponto de vista.

Habitualmente, Art teria dito que não haveria razão válida para nenhuma das regras, sentia-se ressentido e, a despeito de si próprio, percebeu que o pedido do Sr. Hodges para que fosse objetivo e honesto, mexeu com sua consciência. Meditou sobre o assunto por muitos dias e só uma semana depois voltou ao escritório do Sr. Hodges, de papel na mão. Ele examinou-o cuidadosamente, depois levantou os olhos.

– Não foi fácil para você escrever isto, não foi Art? – perguntou com bondade.

Art arrastou seus pés desconfortavelmente.

– Não, senhor, disse baixinho.

Mas você foi honesto e objetivo, e você deixou de lado suas próprias emoções violentas, e eu o admiro por isso. Se eu posso resumir todos os seus excelentes pontos de vista em uma única frase, diria que você chegou a conclusão de que todas as regras são necessárias – não para serem arbitrárias, mas porque não é razoável esperar que sem elas todos os alunos, em todas as ocasiões, comportem-se com responsabilidade. Você concorda?

– Sim, senhor, disse Art.

– Bem, então, Art, qual você acha que deva ser a atitude dos estudantes com respeito às regras?

– Bem – eu acho que antes que eles tomem uma atitude, deveria ser-lhes explicada por que as regras foram feitas. Quero dizer, poderia haver regras que não fossem realmente necessárias – a voz de Art foi diminuindo e ele olhou indeciso para o diretor.

– Com certeza que poderiam – Art concordou o Sr. Hodges. Eu não vou discutir isso com você. Continue.

– Então, eu acho que eles deveriam cooperar e seguir as regras. Mesmo que eles achem que poderiam fazer o mesmo sem regras, a escola não funcionaria direito se todos não cooperassem, e algumas pessoas precisam de mais regras do que outras, por isso é justo que todos as obedeçam para que possam se habituar.

– Bem apresentado, Art. Você usou uma palavra realmente importante duas vezes. Você lembra qual foi?  – perguntou o diretor.

– Ah! Cooperar?

– Sim, Se nós vamos aprender a conviver pacificamente, nós todos temos que cooperar uns com os outros. O Sr. Hodges olhou para Art pensativamente, depois continuou.

– Que tal participar de uma assembleia de estudantes sobre a questão das regras e cooperação em geral ou, e sorriu, você acha que isso mancharia muito a sua imagem?

Art riu.

– Talvez esteja na hora de eu fazer uma nova imagem para mim mesmo, disse.

(do Livro Histórias da Era Aquariana para Adolescentes – Vol. VI – Compilado por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)