Categoria Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas

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O que trazemos de volta, ao fim da nossa jornada evolutiva?

Pergunta: O que trazemos de volta, ao fim da nossa jornada evolutiva? Se o Espírito é perfeito desde o início, o que poderemos acrescentar-lhe?

Resposta: Aprendemos que no início da manifestação, Deus, o Grande Espírito, diferencia dentro de Si (não vindo de Si) vários Espíritos que são como faíscas de uma chama e participantes da natureza divina. Assim mesmo, ninguém afirmará que uma faísca seja tão boa e iluminadora quanto a chama, embora seja da mesma substância. Antes da diferenciação, esses Espíritos possuíam e participavam da plena consciência divina, a onisciência, e de outros atributos. Tais faculdades divi­nas estão latentes neles e a peregrinação através da ma­téria, a jornada evolucionária, tem como finalidade ati­çar essas faíscas para que se tornem chamas e, assim, desenvolvam e transformem os atributos latentes em potentes para que possam ser energias dinâmicas, pron­tas para serem usadas, individualmente, por cada Es­pírito.

Contudo, uma coisa a mais que foi conquistada. Quando o vento sopra em um campo de feno recém-ceifado, ele absorve e carrega consigo a fragrância de miríades de flores, assim como se impregna com o aroma peculiar do campo. Em outro lugar, quando sopra sobre um jardim de rosas ou flores de laranjeira, recolherá um aroma diferente. O mesmo ocorre com os Espíritos em evolução. Cada um de nós, durante as rajadas de vento sentidas no processo evolucionário, recolhe o aroma da sua experiência individual e, no fim da evo­lução, como Filhos Pródigos, retornamos ao seio do Pai levando o aroma da experiência particular e indi­vidual vivida durante a jornada evolucionária. Então, essa essência composta será amalgamada no grande Espírito Divino do Pai e, dessa forma, seremos participantes da experiência uns dos outros, assim como o Pai partici­pará de toda a nossa experiência. Em consequência, haverá um benefício distinto para todos os envolvidos, pois, além da nossa própria individualidade ter-se desenvolvi­do, teremos aprendido a compartilhar do conhecimento e experiência acumulados por todos os outros Espíritos da nossa onda de vida.

(Pergunta nº 32 – “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

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Será errado interferir no karma ou devemos susten­tar a nossa divindade?

Pergunta: Será errado interferir no karma ou devemos susten­tar a nossa divindade e nos elevar acima das circuns­tâncias pela afirmação da nossa natureza divina?

Resposta: Uma pergunta semelhante foi formulada ao Sr. Heindel, em uma de suas recentes conferências em Los Angeles. Ele respondeu da forma abaixo.

“Embora todas as grandes religiões tenham sido dadas por Deus, há uma religião ocidental para os povos do ocidente da mesma forma que o hinduísmo existe para o povo da Índia e não vejo razão válida que nos faça copiar a ter­minologia deles e forçar as pessoas daqui a aprender o sânscrito, quando temos nossa própria e excelente lin­guagem com termos apropriados para ser usados em tudo aquilo que desejarmos transmitir. Para deixar a questão mais clara, vamos nos referir a um caso ocor­rido alguns anos atrás. Havia então uma con­trovérsia em determinada sociedade, que cometeu o erro de promover os ensinamentos orientais usando seus próprios termos, mas aqui, no ocidente. A discussão surgiu a respeito da palavra ‘AVYAKTAM’.

“Nem os próprios hindus têm certeza a respeito do significado da sua terminologia. Toneladas de papel e barris de tinta foram consumidos para chegarem a um acordo e parecem ter resolvido a disputa, adotando a se­guinte definição: Avyaktam é Parabramah revestido de Mulaprakiti, do qual são feitos seus UPAHHIS durante a Manvantara e no qual são novamente transformados, quando da chegada do Arolaya”.

O Sr. Heindel disse em seguida que esperava que a plateia tivesse entendido o significado de Avyaktam. Quando a plateia começou a rir e movimentou suas cabeças, o orador expressou seu pesar pela falta de compreensão de uma explicação tão elevada e resolveu tentar a variação comum do inglês para ver se essa explicaria. “Avyaktam é a Deidade reves­tida da Substância Essencial Cósmica da qual são feitos os seus veículos durante o Dia da Manifestação e que se transformam novamente, quando da chegada da Noite Cósmica”.

Quando os ouvintes declararam ter entendido a ex­plicação, o Sr. Heindel disse que o mesmo era válido no que se referia à palavra karma. Todos na América e grande parte das pessoas no mundo sabem o que é “dívida de destino”, sem a necessidade de qualquer explicação, e há várias outras palavras comuns que podem ser usadas com maior eficácia do que a expressão hindu karma, que não tem sentido para a maioria dos ocidentais. O orador afirmou também que palavras como astral e en­carnação ficassem deslocadas por terem sido ideadas para significar algo que não foi justificado. Ele lamentava que a palavra encarnação tivesse sido usada em nossa lite­ratura mais recente, notavelmente no Conceito Rosacruz do Cosmos. Os Irmãos Maiores que lhe ministraram os ensi­namentos na língua alemã sempre usaram a palavra Wiedergeburt, que significa renascimento, e há muita diferença entre os dois termos, diferença que não nota­mos à primeira vista.

É possível para um Espírito encarnar em um corpo adulto, expulsando o dono do seu veículo, possuindo esse corpo. No entanto, quando dizemos renascimento, só há um significado. Por essa razão, ele insiste para que os Estudantes nunca usem o termo encarnação, mas sempre a palavra renascimento. Em seguida, continuou.

“Responderemos agora à primeira parte da pergunta; isso é, será errado interferir no destino? Para chegarmos a uma conclusão, verifiquemos primeiramente quem criou o destino! Nós mesmos o criamos. Nós movimentamos a força que se transformou agora em destino e, por isso, temos indubitavelmente o direito de transformá-lo, na medida da nossa capacidade. Na realidade, essa é a marca autêntica da Divindade: governar-nos a nós mesmos. A maior parte da humanidade é regida pelos Astros, que podem ser chamados de ‘Relógio do Desti­no’. Os doze Signos do Zodíaco marcam as doze horas do dia e da noite, sendo que os Astros podem ser compa­rados aos ponteiros do relógio, indicando o ano em que certa dívida do destino amadureceu para poder expressar-se em nossas vidas. A Lua indica o mês e atrai determinadas influências que sentimos sem ter a consciên­cia de que estejam sendo exercidas ou sem notarmos sua finalidade.

“Contudo, essas influências permitirão alinhar nos­sas ações ao destino que criamos nos anos ou vidas anteriores e, invariavelmente, o acontecimento pressagia­do ocorre.

“Isso está marcado, a menos que nos esforcemos para mudar. Graças a Deus, há um a menos que, porque se não houvesse a possibilidade de alterar o destino, a única coisa a fazer seria sentar-se e dizer: ‘Vamos comer, beber e gozar a vida, já que amanhã morreremos’. Estaríamos, então, nas mãos de um destino inexorável e seríamos incapazes de nos aju­dar. Pela bondade de Deus há um fator que não está indicado pelo horóscopo. É a VONTADE humana, que tem condições de afirmar-se e frustrar o Destino. Recor­demos aquele lindo poema transcrito no Conceito Rosacruz do Cosmos.

“Um barco sai para Leste e para Oeste outro sai,

Com o mesmo vento que sopra em uma única direção;

É a posição certa das velas e não o sopro do vento

Que determina por certo o caminho em que eles vão.

É da máxima importância que estabeleçamos o rumo do barco das nossas vidas, conforme o desejarmos. Nunca tenhamos escrúpulos em interferir no destino.

Esse proceder também refuta a ideia de “afirma­ções” como sendo um fator na vida, pois isso, em si mesmo, é uma tolice. É de trabalho e ação que preci­samos na vida, como tentarei explicar por meio de uma ilustração. Suponhamos que uma pequena semente de lindos cravos pudesse falar e viesse a nós, dizendo: “Sou um cravo”. Por certo, nós responderíamos: “Não, você não é um cravo. Você tem a potencialidade interna para ser um cravo, mas terá que ir ao jardim e ficar enterrada durante algum tempo para crescer. Somente assim po­derá tornar-se um cravo, nunca pela afirmação”. Da mesma forma sucede conosco. Todas as “afirmações” da Divindade serão em vão, a menos que sejam acompanhadas por ações de caráter divino. Os atos provarão a nossa Divindade de uma forma que nunca as palavras possam fazê-lo.

(Pergunta nº 31 – “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

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Durante o embalsamamento, o sangue é extraído do corpo enquanto ainda está quente e substituído por outro fluido, que é injetado nas artérias. Qual o efeito dessa operação?

Pergunta: Durante o embalsamamento, o sangue é extraído do corpo enquanto ainda está quente e substituído por outro fluido, que é injetado nas artérias. Qual o efeito dessa operação?

Resposta: O Espírito sente dor durante o embalsamamento e é, consequentemente, perturbado na mais importante de todas as coisas: a observação do panorama da vida terrestre recém-terminada. Devemos compreender que, quando morremos, a colheita começa. Semeamos durante toda uma vida, e, quando chega a morte, começa a safra. O primeiro e mais importante fruto da messe provém do estudo do panorama da vida, à medida que se desdobra, em ordem inversa, mostrando primeiro os acontecimentos da vida passada, os efeitos e, depois, as causas que os produziram. Se o Corpo Denso, físico, for perturbado pelas lamentações dos parentes ou pela remoção para o enterro, o Espírito será perturbado na mesma proporção. Torna-se evidente que um exame post-mortem ou embalsamamento trará efeitos bem mais prejudiciais. É errado, portanto, fazer qualquer um dos dois.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz, traduzido da Revista Rays from Rose Cross, de outubro/1973)

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Aqueles que estão passando, agora, para o Além voltarão a renascer antes da Era de Aquário? Se eles têm lições a aprender para se tornarem capazes de viver naquela Era, voltarão para aprender?

Pergunta: Aqueles que estão passando, agora, para o Além voltarão a renascer antes da Era de Aquário? Se eles têm lições a aprender para se tornarem capazes de viver naquela Era, voltarão para aprender?

Resposta: Isso tudo depende. O tempo usual entre dois nascimentos é de mil anos, de modo a dar a todos uma oportunidade de renascer uma vez como homem e outra, como mulher, enquanto o Sol transita por cada Signo do Zodíaco pela Precessão dos Equinócios, o que demora, aproximadamente, 2.100 anos.

Isso é feito porque as lições desse período são tantas e tão diferentes que não podem ser efetivamente aprendidas pelo mesmo tipo sexual de corpo. As experiências, do ponto de vista masculino, são muito diferentes das do feminino.

Essa lei, porém, é semelhante a todas as outras leis da natureza: não é cega. Ela está sob o domínio de quatro grandes Seres chamados de Anjos do Destino e Eles têm que preparar todos os detalhes da evolução humana. Providenciam para que todos possam ter a oportunidade de conseguir tanta experiência quanto possam suportar.

Se for necessário que uma pessoa permaneça mil anos, inteiramente nos Mundos invisíveis, ela permanecerá. Se não, voltará mais cedo. Algumas voltam após poucas centenas de anos, porque já evoluíram até ao ponto em que aprendem rapidamente.

Pessoas que “vivem a vida”, como os Probacionistas ativos e fiéis à obrigação, que já assimilaram sua experiência de vida antes de saírem daqui e estão fazendo uma boa parte do seu trabalho nos Mundos invisíveis, não necessitam ficar muito tempo no outro lado.

Elas se puseram definitivamente do lado das Leis de Deus e, portanto, a elas são dadas maiores oportunidades para evoluir pelo serviço.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1973)

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Se Cristo era divino, um Arcanjo, o Iniciado mais elevado do Período Solar, conforme você diz, por que foi Ele chamado “O Filho do Homem”?

Pergunta: Se Cristo era divino, um Arcanjo, o Iniciado mais elevado do Período Solar, conforme você diz, por que foi Ele chamado “O Filho do Homem”?

Resposta: Para entender convenientemente o título “O Filho do Homem”, é necessário conhecer a lenda Maçônica sobre a criação do mundo e do ser humano que nele habita, e também a história bíblica. Visto que nem todos os Estudantes leram as lições contidas no livro “A Maçonaria e o Catolicismo”, repetiremos esta lenda, ou melhor, os seus pontos essenciais.

No princípio, o Elohim Jeová criou Eva, e o Elohim Samael, que é o embaixador de Marte na Terra, uniu-se a ela. Caim foi o fruto dessa união. Depois, o Elohim Jeová criou também Adão, e Adão uniu-se a Eva, e Abel foi o produto dessa união. Abel era, portanto, filho de pais humanos, ambos criaturas de Jeová, era dócil e receptivo às ordens de Deus que ele considerava seu Criador; ao passo que Caim era o produto semidivino de uma mãe humana e de um pai divino. Por essa razão, ele tinha o impulso divino da criação. Abel contentava-se em guardar os rebanhos, criados também por Jeová, os quais, como ele, se alimentavam do alimento vegetal que crescia naturalmente sem esforço de sua parte, uma dádiva dos deuses. Caim era diferente. Tinha o desejo dominante de criar algo, esse impulso divino de fazer crescer duas folhas de grama onde antes só havia uma, era uma força dominante irresistível, e ele não se sentia satisfeito enquanto não realizasse algo por iniciativa própria. Portanto, ele plantou as sementes que achou, fez crescer o grão, e ofereceu a Jeová o fruto do trabalho de suas mãos, Não obstante, suas oferendas não agradaram ao Deus Jeová, que via nele um possível rival — alguém que não seria completamente dominado. Em consequência, criou-se uma animosidade entre Caim e Abel, e o sangue desse foi derramado. Adão uniu-se novamente a Eva, e dessa união nasceu Seth. Desde então, sempre houve no mundo duas classes de pessoas, os Filhos de Caim e os Filhos de Seth. Um deu origem à longa linhagem de reis, que exerciam essa função “pela graça de Deus” e que culminou com Salomão. Essa linhagem é a do filho dos homens, isto é, nasceram de pai e de mãe humanos, a saber, Adão e Eva, ambos criados por Deus e obedientes às Suas ordens — ambos total e inteiramente humanos.

Quanto a isto, os Filhos de Seth diferem radicalmente dos Filhos de Caim. Caim era virtualmente o filho de uma viúva, porque Eva foi abandonada por seu divino esposo, Samael, no momento em que se consumou a fecundação. Ele nunca assumiu sua função de marido ou de pai, portanto, o seu filho era, como já foi dito, o filho de uma viúva.

Dessa progênie semidivina, Caim, descendem várias gerações de filhos que originaram todas as indústrias, como poderão verificar consultando a Bíblia. Eles inventaram todas as artes e todas as ciências. Deve-se a eles todo o progresso material do mundo, e sua estirpe culminou na época em que Salomão, o filho do homem, ocupava o trono de Israel, e o nascimento de um filho de uma viúva, chamado Hiram Abiff está também registrado na Bíblia. Não confundir Hiram de Tiro com Hiram, o mestre-artífice, que foi enviado pelo Rei Hiram de Tiro para construir o Templo de Salomão. Vemos que ele era “o filho da viúva”, e Salomão o “filho do homem”. Posteriormente, esses dois personagens do drama mundial renasceram. Salomão tornou-se Jesus de Nazaré, o Filho do Homem. Hiram Abiff tornou-se Lázaro. Ele foi também o Filho da Viúva de Naim, e as duas ressurreições registradas são um acontecimento referentes à Iniciação.

Desde então, esses dois personagens, o Filho do Homem e o Filho de uma Viúva, têm trabalhado para os mesmos objetivos, embora em esferas diferentes. Jesus, o Filho do Homem, trabalhou e trabalha até hoje entre as igrejas. Christian Rosenkreuz é o último nome de Hiram Abiff e de Lázaro, o Filho de uma Viúva. Jesus, o Filho do Homem, é o gênio protetor de todas as igrejas onde a religião seja cultivada e o ser humano seja conduzido de volta a Deus através do caminho sincero da Devoção.

Christian Rosenkreuz, o Filho da Viúva, trabalha com as potências do mundo, as indústrias e a ciência, a fim de efetuar a união das forças temporal e espiritual, a cabeça e o coração, que deve ser realizada antes que Cristo o Filho de Deus, possa vir novamente.

Com referência a essa união, lemos no “Conceito” que a segunda vinda de Cristo ocorrerá numa época em que o Estado e a Igreja estiverem unidos, mas reconhecemos que essa não foi uma expressão feliz. Queremos lembrar que recebemos nossos ensinamentos na Alemanha, e em tal quantidade que era muito difícil encontrar imediatamente uma expressão inglesa adequada para cada termo. Muitas vezes, fizemos uma tradução por demais literal. As palavras estado e igreja, da forma usada pelo Mestre, queriam transmitir a ideia de que em algum tempo, os poderes temporal e o clerical deverão trabalhar de mãos dadas e unir-se cada vez mais; pois, na época em que isso acontecer e que aguardamos, o Reino de Cristo, só haverá um regente. Ele será ambos, Rei e Sacerdote e, por essa razão, a raça humana deve ser educada de forma tal que os seus dirigentes humanos se aproximem cada vez mais desse ideal, sendo sábios o bastante para governar um estado, e bons o bastante para guiar os corações dos homens. Assim e somente assim, poderemos aproximar-nos do Reino de Deus, portanto, essa é a condição que Christian Rosenkreuz e Jesus esforçam-se por trazer à Igreja e ao Estado.

(Pergunta nº 92 do livro A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas”, Vol. II)

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Desde que comecei a estudar os Ensinamentos Rosacruzes tentei viver uma vida melhor, mas parece-me que os aborrecimentos desabaram sobre mim de forma jamais experimentada antes. Qual a realidade, e qual a razão dessas provações?

Pergunta: Desde que comecei a estudar os Ensinamentos Rosacruzes tentei viver uma vida melhor, mas parece-me que os aborrecimentos desabaram sobre mim de forma jamais experimentada antes, e parece que são justamente aqueles que estão mais próximos de mim que me põem particularmente à prova. Às vezes, sinto como se estivesse crescendo, outras vezes parece-me que a vida não passa de um fracasso. Qual a realidade, e qual a razão dessas provações?

Resposta: Quando um barco desliza rio abaixo seguindo a correnteza, o motor opera sem esforço aparente, e o barco avança rapidamente. Da mesma maneira, quando um carro desce ladeira abaixo, o motor é capaz de carregar peso sem esforço e o veículo progride sem problemas. Mas, quando o barco deve navegar contra a correnteza e lutar contra a maré, ou quando um carro deve subir uma colina, isso requer um esforço considerável, e o progresso não é tão rápido. Há obstáculos a superar. Cada pedrinha no solo é sentida, etc.

Ocorre o mesmo com o Espírito. Quando deslizamos pela correnteza da vida e vamos a favor da maré da humanidade, tudo parece correr suavemente e não há obstáculos. No entanto, a partir do momento em que formos contra a correnteza e lutarmos por seguir o caminho em direção à vida superior, enfrentamos o desacordo do curso geral da humanidade, e é evidente que aqueles que estão mais próximos de nós serão os que provocarão maior atrito. Eles parecem representar a oposição, retardando o nosso progresso em todas as ocasiões que se apresentarem. Parece até que se empenham ao máximo em obstruir a passagem, fato que sentimos intensamente pois acreditamos que os que nos são mais chegados e mais queridos deveriam ser os primeiros a apreciar os nossos esforços, encorajando-nos nesse sentido. Todavia, não é assim. Não deveríamos ter essa expectativa em relação a eles. Eles estão seguindo a correnteza. Nós estamos indo contra ela, e o atrito é tão intensamente necessário e real quanto o atrito da água contra o barco que está navegando rio acima.

Quando vamos à praia, podemos notar que os pedregulhos são arredondados e lisos e até mesmo polidos, graças à fricção constante – o atrito contra as outras pedras. Durante eras e eras, todas as arestas ásperas foram desgastando-se, passando a apresentar aquela superfície harmoniosa tão peculiar às pedras da orla marítima.

Podemos comparar essas pedras à humanidade em geral.

Pelo atrito mútuo através de eras e eras, os ângulos mais ásperos irão desgastando-se e, finalmente, tornar-nos-emos arredondados, lisos, polidos e tão belos quanto o são as pedras do litoral. Mas, tomemos um diamante bruto. Não podemos conseguir aquele polimento pelo processo lento comum, a exemplo das pedras da praia. O lapidário encarrega-se dele, esmerilha-o e há um ruído estridente sempre que a pedra é tocada pelo esmeril.

Não obstante, a cada grito de dor emitido, um pedaço áspero da superfície já sofreu um desgaste e, em seu lugar, aparece uma superfície polida e brilhante. Ocorre o mesmo com o Ego que aspira a algo mais elevado. Deus é o lapidário que dá polimento à pedra, e não é nada agradável quando uma porção áspera está sendo tirada de nós, quando somos pressionados contra o esmeril da dor e da calamidade. Não obstante, em virtude disso, todos viremos a ser cintilantes e brilharemos como diamantes. Portanto, não deixemos que nosso coração fique perturbado, pois os sofrimentos e tribulações que se apresentam e bloqueiam seu caminho representam simplesmente o esmerilhamento da pedra pelo lapidário. Podemos ter certeza de que, qualquer que seja a sensação atual, o resultado será positivo, pois Deus é AMOR. Embora ele aplique as medidas mais drásticas no presente momento, elas servem para tornar-nos, no futuro, realmente polidos e resplandecentes.

(Pergunta 143 do livro “A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” vol. II, de Max Heindel)

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Se trabalharmos dedicadamente com as plantas e os animais para auxiliá-los no seu desenvolvimento e no processo de sua evolução, isso contribuirá para nossa elevação espiritual?

Pergunta: Se trabalharmos dedicadamente com as plantas e os animais para auxiliá-los no seu desenvolvimento e no processo de sua evolução, isso contribuirá para nossa elevação espiritual ou só a conseguiremos mediante serviços prestados à humanidade?

Resposta: Não, todo ato de bondade para com outra criatura e todo pensamento de amor enviado a outros seres, independentemente do reino ao qual pertençam, recai sobre nós de maneira que se torna um fator de crescimento para a nossa alma. Contudo, deve-se notar que se concedemos a nossa bondade e o nosso amor às plantas e aos animais, enquanto os negamos aos nossos irmãos e irmãs humanos, estaremos cometendo um grave erro, pois a verdadeira caridade começa em casa. Que pensaríamos de um homem que negligenciasse sua própria família, dedicando seu amor e cuidados à família de outrem? Com certeza não nos faltariam palavras para qualificar tal conduta, e o mesmo argumento podemos aplicar a quem devota o seu amor aos animais ou a um jardim cheio de flores, mas não faz o mesmo em relação às crianças da sua vizinhança.

Lembramo-nos de um caso: Há alguns anos, havia um homem muito próspero entre os nossos Probacionistas que se queixava muito da morosidade do seu progresso espiritual. Ele pertencia à alta sociedade e participava de todas as atividades sociais ao mesmo tempo que aspirava a seguir o manso e humilde Cristo. Quando quisemos mostrar-lhe a inconsistência do seu comportamento, ele justificou-se dizendo que se sentia obrigado a agir assim por causa de sua mulher. Ele havia-se casado com ela e não podia recusar-se a acompanhá-la em suas reuniões sociais, pois isso iria com certeza acabar com o relacionamento entre os dois. Perguntamos o que ele fazia para promover o crescimento de sua alma; que interesse tinha pelas pessoas menos favorecidas que ele; qual a sua participação em termos de caridade, ou melhor, que estava fazendo pessoalmente no sentido de ajudar os que não ocupavam posição tão privilegiada e necessitavam de sua ajuda? Ele admitiu que nada disso fazia. Então, evidentemente envergonhado pela sua incapacidade de mostrar e fazer algo pelos outros, e tentando merecer o direito de trabalhar numa esfera mais elevada, ele disse enfaticamente: “Às vezes, ao ver um cão faminto, eu o alimento, também gosto muito do meu cachorro, e dedico muito tempo para treiná-lo”.

Entendemos facilmente que qualquer que seja o amor que esse homem tenha demonstrado em relação ao seu próprio cachorro e o gasto de alguns centavos em sobras que tenham servido de alimento, uma ou duas vezes, a um cão faminto – enquanto desprezava a oportunidade de alimentar as almas famintas de seus irmãos e irmãs humanos – não lhe conferirão uma elevação espiritual e, naturalmente, como tantos outros que descobrem não haver estrada régia, ele dedica seus interesses para coisas materiais. O fato de patrocinar a ida de missionários para a China para converter os pagãos, enquanto sua própria família está na escuridão, não representa desenvolvimento espiritual. Não lhe trará benefício nenhum o fato de alimentar todos os cachorros e gatos da sua cidade e cuidar de todos os jardins abandonados, se descuidar de zelar por seus filhos humanos. Se o consulente já tiver feito todo o possível para iluminar seus familiares mais próximos, então, será bom enviar missionários à China, se tiver meios para isso. Se já tiver feito tudo quanto pode para que o amor se integre às vidas das crianças em seu próprio lar e em sua própria cidade, então é meritório cuidar também dos gatos, cachorros e jardins. Nem sempre podemos fazer o bastante, mas seja muito ou pouco, deveríamos primeiro assegurar-nos de despender os nossos esforços numa esfera legítima e adequada.

(Pergunta 141 do Livro “A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” vol. II, de Max Heindel)

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Na Sexta Época: os atrasados humanos, que não tiverem desenvolvido o Corpo-Alma à altura da segunda chegada, também serão etéricos, possuindo apenas os dois Éteres inferiores?

Pergunta: Agradeceria sua opinião sobre eu estar certo ou errado no seguinte: de acordo com os ensinamentos da Fraternidade, a Terra toda será etérica na Sexta Época, a Nova Galileia, incluindo humanos, animais, plantas e minerais. De fato, o processo de eterificação já está em andamento, tendo nós passado o nadir da materialidade “alguns milhões de anos atrás”. Isso significa que mesmo os atrasados humanos, que não tiverem desenvolvido o Corpo-Alma à altura da segunda chegada, também serão etéricos, possuindo apenas os dois Éteres inferiores. Assim não sendo, a Terra não seria toda etérica. Os pioneiros, pelo contrário, só terão os Éteres superiores compondo seu Corpo-Alma, e habitarão a atmosfera da terra do futuro podendo assim “Encontrar o Senhor no Ar”.

Resposta: Não cremos que aos humanos que não tenham desenvolvido um Corpo-Alma lhes seja permitido permanecer na Terra chegando à Sexta Época. Parece-nos ter sido deixado bastante claro nos Ensinamentos da Fraternidade que o Corpo-Alma, o Traje Dourado de Bodas, será essencial para os humanos poderem viver na Nova Galileia. Extraímos da “Coletâneas de um Místico” uma informação bem pertinente sobre o assunto.

“Tem sido ensinado em nossa literatura que quatro grandes épocas de desenvolvimento precederam a ordem atual das coisas; que a densidade das condições atmosféricas da Terra e as leis naturais prevalecentes numa época eram tão diferentes das de outras épocas quanto a constituição fisiológica correspondente da humanidade de uma época o era da de outras.”.

“…Carne e sangue teriam torrado no terrível calor de então (Lemúrica), e embora adequadas às presentes condições, diz-nos São Paulo que não poderão herdar o Reino de Deus. E então manifesto que antes que possa ser inaugurada uma nova ordem de coisas, a constituição da humanidade deve ser radicalmente alterada, sem se falar da atitude espiritual. Éons serão necessários para regenerar a inteira raça humana e adequá-la à vida em Corpos Vitais.

Por outro lado, nem um novo ambiente vem à existência num momento, mas terra e povo envolvem-se juntos desde os menores e mais primitivos primórdios. Quando as névoas da Atlântida começaram a dissipar-se alguns de nossos antepassados tinham desenvolvido pulmões embrionários e foram forçados para as terras altas muito antes de seus companheiros. Vagaram ‘na vastidão deserta’, enquanto “A Terra Prometida” estava emergindo das brumas mais leves, e ao mesmo tempo seu pulmão em desenvolvimento propiciava-lhes a viver sob as atuais condições atmosféricas.

“Mais duas raças nasceram nas bacias da Terra antes que uma sucessão de inundações as dirigissem para as terras altas; a última deu-se quando o Sol (por precessão) entrou no Áqueo Câncer, há cerca de dez mil anos, conforme relataram os sacerdotes egípcios a Platão. Vemos assim não haver mudança improvisada em constituição ou ambiente para a inteira raça humana ao alvorecer de uma nova época, mas um sobrepor-se de condições que tornam possível para a maioria, por ajuste paulatino, ingressar nas novas condições, embora a mudança possa parecer repentina ao indivíduo quando a alteração preparatória tiver sido realizada inconscientemente”.

No livro “Interpretação mística do Natal”, diz Max Heindel: “Assim como os Atlantes cujos pulmões estavam subdesenvolvidos pereceram no dilúvio, também a nova idade encontrará alguém sem o ‘Traje de Bodas’, portanto despreparado para entrar, até qualificar-se em ocasião posterior”.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – nov/dez/88)

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Na literatura oculta menciona-se o Templo de Lhassa no Tibet. A que Fraternidade ou Ordem pertence esse Templo, e será verdade, conforme relatado, que lá a “Palavra Perdida” é conhecida e cuidadosamente guardada?

Pergunta: Na literatura oculta menciona-se o Templo de Lhassa no Tibet. A que Fraternidade ou Ordem pertence esse Templo, e será verdade, conforme relatado, que lá a “Palavra Perdida” é conhecida e cuidadosamente guardada?

Resposta: Segundo todas as declarações, e até onde o autor conhece por meio do contato mantido com os membros dessa comunidade nos Mundos invisíveis, a elevação espiritual atingida por alguns dos irmãos dessa Ordem é de um grau muito elevado. Eles estão realizando um nobre trabalho com seu povo no Oriente, mas, como qualquer outra instituição do Mundo Físico que é percebida pelos sentidos e aberta aos visitantes, por maiores que sejam as restrições, não é uma escola de mistérios. As escolas de mistérios são todas na Região Etérica, e são visitadas apenas por Iniciados que aprenderam a deixar os seus corpos físicos.

Com relação à parte da pergunta que diz: “Será verdade que lá, a ‘Palavra Perdida’ é conhecida e cuidadosamente guardada”, podemos dizer que todas as probabilidades indicam que sim. Não obstante, ela é também conhecida e cuidadosamente guardada em muitos outros lugares do mundo fora das escolas de mistérios, e para esclarecer plenamente esse ponto, é necessário que entendamos o que constitui os diferentes graus do dom espiritual e do poder dos quais são dotadas várias classes da humanidade e que marcam o seu estágio de evolução.

Há, em primeiro lugar, os Clarividentes Involuntários, que têm, às vezes, o poder de perceber coisas e acontecimentos nos Mundos invisíveis. Quando o poder se manifesta, eles veem tudo que se apresente diante de sua visão, independentemente de eles gostarem ou não, e eles são incapazes de evitar essas visões e cenas. A seguinte categoria, mais elevada, é a do Clarividente Voluntário, que é capaz de ver quando quiser e apenas o que desejar, além de poder evitar a visão a qualquer instante voltando à sua consciência física normal. Logo acima dele, na escala ascendente, encontra-se o Iniciado, que aprendeu a deixar voluntariamente o seu corpo físico e a entrar como espírito livre nos Mundos invisíveis. Ele atua lá tão normalmente como o faz neste reino da natureza.

Ele vê e ouve tudo que desejar, mas, além disso, ele foi Iniciado nos mistérios dos Mundos invisíveis. Ele não só vê e ouve, mas sabe o que são as coisas e o que significam.

O Clarividente Voluntário, que é apenas capaz de ver e ouvir, está sujeito à ilusão no que se refere aos elementos que surgem diante da sua visão. Os elementais, que têm o poder de revestir-se da mutável matéria de desejos, deleitam-se particularmente em iludir e até atemorizar os Clarividentes de ambas as categorias, os Voluntários e os Involuntários. Eles podem tomar a forma de amigos falecidos dessas pessoas, e são responsáveis por grande parte dos disparates e falsas informações emitidas nas reuniões espíritas. É impossível a uma dessas entidades iludir um Iniciado, pois ele foi instruído nas escolas de mistérios a respeito de tais assuntos.

Num grau de espiritualidade ainda mais elevado encontra-se o Adepto, que não só é capaz de ver e saber, mas tem também o poder sobre as coisas dos Mundos invisíveis. Ele graduou-se na escola de mistérios e aprendeu a usar a Palavra Criadora, a palavra do poder, que foi perdida pela humanidade em sua descida para a matéria.

Pode haver um ou mais desses Adeptos no Templo de Lhassa no Tibet, como também em outros lugares no mundo. Assim, essas pessoas detêm, naturalmente, a palavra do poder e guardam-na cuidadosamente, pois é um segredo perigoso, uma faca de dois gumes, que seria com certeza uma arma suicida nas mãos de uma pessoa que não esteja evoluída até ao ponto em que possa estar espiritualmente apta a possuí-la.

 (Pergunta 140 do Livro “Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II”, de Max Heindel)