Arquivo mensal março 2020

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Preparando as pessoas para a Nova Dispensação

Preparando as pessoas para a Nova Dispensação

Uma recente visitante de Mount Ecclesia assistiu, pela primeira vez, a um Ritual de Serviço Devocional na Pro-Ecclesia, também conhecida como Capela. Ficou muito impressionada com a legenda na parede: “DEUS É LUZ”. E com o período de meditação. Ela observou que a luz enchia literalmente a Capela e esse sentimento de “estar” na luz a acompanhou por muito tempo.

E não é verdade? Essa “é” uma Capela de luz. Tem sido reverenciada ao longo dos anos pela prece, amor, pensamentos de cura, paz, adoração, anseios e lutas daqueles que prestaram culto. Na verdade, o lugar em que oferecemos culto é um local “sagrado”’ e a ele viemos “procurar a Luz”.

Max Heindel menciona em seus escritos que o Apóstolo inspirado, São João, fez uma esclarecedora descrição da luz quando escreveu “Deus é luz”. E o Sr. Heindel continua: “Todo aquele que tomar essa passagem para meditação encontrará uma rica recompensa, pois não importa quantas vezes nos ocupamos desse assunto, nosso próprio desenvolvimento durante os anos assegura-nos mais profunda e melhor compreensão. Todas as vezes que mergulhamos nessas três palavras nós nos banhamos em uma fonte espiritual de inesgotável profundidade e cada vez melhor sondamos as profundezas divinas, tanto mais nos aproximando de nosso Pai Celeste”.

Quando começamos a estudar este assunto, surge naturalmente a pergunta: “De onde vem a luz?”. No primeiro capítulo do livro do Gênesis dizem-nos que: “O Espírito de Deus movia-Se sobre as águas. Deus disse: ‘Faça-se a luz’ e fez-se a luz. Deus viu que a luz era boa e separou a luz da escuridão. Então chamou a luz de dia e a escuridão, noite. […] Assim, Deus criou o Homem à Sua própria imagem; à imagem de Deus Ele o criou”.

Dizem-nos os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que a luz passou a existir em nosso esquema setenário de evolução no segundo Período, ou Solar, quando a nebulosa que contém o Sol e os planetas havia alcançado um estado de incandescência. Este Período é descrito no terceiro versículo do primeiro capítulo do Gênesis: “Faça-se a luz.”

No entanto, o ser humano ainda não tinha um Espírito ou Ego perfeitamente individualizado e para saber quando ele, como Ego, pela primeira vez teve contato com a luz, temos as palavras de Max Heindel: “A primeira vez que nossa consciência foi dirigida para a luz foi pouco depois de termos sido dotados de inteligência e entrado definitivamente na evolução como seres humanos, na Atlântida, a terra da névoa situada profundamente nas bacias do globo terrestre, onde a tépida neblina desprendida da Terra em arrefecimento flutuava sobre esta como um denso nevoeiro. Nesse tempo, nunca se observava as estreladas alturas do universo nem podia a prateada luz da Lua penetrar a densa, a enevoada atmosfera que flutuava sobre essa antiga Terra. Mesmo o ardente esplendor do Sol quase desaparecia, pois quando pesquisamos na Memória da Natureza sobre esse tempo, aparece-nos ele aproximadamente com o aspecto de uma lâmpada de arco situada num alto poste, quando há nevoeiro. Era imensamente escuro e tinha uma aura de várias cores, similar àquelas que observamos à volta de uma lâmpada de arco”.

Mas esta luz fascinava. Os antigos atlantes foram ensinados pelos divinos hierarcas, que andavam entre eles, a aspirar à luz e como a vista espiritual já estivesse em decadência, desejavam o mais ardentemente possível a nova luz, pois temiam a escuridão da qual haviam tido consciência através da dádiva da inteligência.

“Veio então o inevitável dilúvio, quando a umidade se arrefeceu e condensou”. O excesso de água inundou o continente, destruindo uma grande parte da população; porém muitas das pessoas escolhidas foram salvas — aquelas que haviam trabalhado “dentro” de si próprias para construir os órgãos necessários à respiração, em harmonia com a nova atmosfera. Durante estes tempos, do Velho Testamento, todo o gênero humano estava sob a direção dos Espíritos de Raça cujo chefe era Jeová. Foi um regime de “lei” dado pelos Dez Mandamentos e a obediência às leis era assegurada através do medo do castigo por desobediência e pelas recompensas pelo bom procedimento.

Durante todo esse tempo o Ser Humano tinha procurado luz fora de si. Tornar permanente a condição de estar na luz foi o próximo passo de Deus na evolução do gênero humano.

Vemos, lendo o Velho Testamento, que o Ser Humano foi levado a temer Deus. Sob o regime de Jeová, a cristalização era inevitável, mas a vinda de Cristo introduziu uma Nova Dispensação pela qual ele aprenderia a despertar seu Cristo interno.

Devemos, contudo, lembrar-nos de que, ao deixar a Atlântida, os Grandes Mestres levaram consigo os ensinamentos esotéricos das antigas Escolas de Mistérios. Essas foram perpetuadas noutras terras pelos chefes e sacerdotes: Egito, China, Índia, Tibete. A sabedoria antiga nunca foi completamente esquecida pelo mundo. Ao passo que nem sempre esteve viva na consciência das raças como um todo, sempre existiu entre alguns e encontrava-se em retiros seguros, onde os qualificados podiam encontrar “a luz” necessária para o seu caminho. Por conseguinte, o Tabernáculo do Deserto foi dado pelos sacerdotes aos antigos atlantes e “a luz de Deus desceu sobre o Altar do Sacrifício”. Isso foi de grande significação, pois indicou que o Ego havia descido até ao seu próprio Tabernáculo, o Corpo Denso.

Talvez agora seja bom recordar que o século anterior ao nascimento de Jesus viu o mundo civilizado mergulhado em uma orgia de imoralidade, traição e maldade. Roma, o maior poder desse tempo, era o centro do deboche e da intriga perversa. Roma havia conquistado a Palestina no ano 63 a. C. Na década seguinte, veio a rápida ascensão de Júlio César ao poder. A depravação e corrupção da corte e do governo eram disfarçadas sob a mais magnificente ostentação de fausto e opulência que o mundo já tinha visto. Nesse tempo, Herodes foi nomeado governador da Galileia e de Jerusalém. Foi sucedido pelo seu filho, que continuou sua perseguição ao povo e exterminou tudo que fosse virtuoso e puro. A evolução humana tinha quase chegado a um ponto morto. A vida espiritual do mundo estava em decadência. Foi esse reinado de perversidade que precedeu a vinda de Cristo.

Por conseguinte, a vinda de Cristo assinala o mais importante acontecimento da evolução humana. Seu sentido e objetivo iriam florir o enigma dos Mistérios Cristãos, porque esta encarnação de um Raio do Cristo Cósmico na Terra tornou possível ao Ser Humano avançar na senda espiritual. O Corpo de Desejos da Terra foi purificado e o Princípio de Cristo, que Se encontra dentro de todo ser humano, chocou-Se contra aquele e foi consequentemente levado a expandir-Se.

O Cristo Cósmico é representado no Evangelho de São João pela Palavra, o Verbo sem o qual nada do que foi feito se fez. Tal é o Segundo Princípio do Deus Trino e Uno do nosso Sistema Solar e, uma vez que o ser humano foi feito à imagem do seu Criador, também ele é trino e uno, tendo latente o Poder de Cristo dentro de si. Nós somos todos Cristos em essência e só podemos cumprir nosso elevado destino através dos novos ensinamentos do Cristo: o Evangelho do Amor.

Buscando a luz na Escola da Sabedoria Ocidental, sabemos que Amor e Serviço, como foi exemplificado por Jesus Cristo, devem ser o nosso lema. Amando e servindo aos outros, atraímos a nós os dois mais elevados Éteres que formam o Corpo-Alma, o radioso Traje de Luz usado por toda pessoa verdadeiramente espiritual.

Aprendemos algo sobre como o poder da luz espiritual e do amor podem agir em nossas vidas. Alguns acariciaram vislumbres dessa luz, lampejos momentâneos de qualquer coisa dentro de si, deixando um brilho na sua consciência. Uma vez que somos abençoados com tal sensação, sabemos que temos tocado as orlas exteriores de algo que não seja físico, emocional ou mesmo mental; no entanto, com certeza, algo profunda, real e verdadeiramente espiritual. Experimentamos um sentimento nascente de companhia, talvez a razão pela qual algumas pessoas nunca se sintam sós e jamais necessitem de prazeres exteriores para se sentirem feliz.

O que devemos fazer para que a luz se manifeste através de nós, em toda a Sua glória? Amar e servir; sim — após haver expulsado da nossa mente todos os pensamentos de medo, egoísmo, ódio, cobiça. Se usarmos nossa força de vontade para fazer isso repetidas vezes, uma modificação alquímica se realizará, gradualmente. Certos átomos do nosso corpo vão transmutar-se de modo que poderemos nos tornar sensíveis a vibrações mais elevadas de abnegação, paciência, tolerância, amor. Morreremos para a antiga vida, porque estaremos “caminhando na Luz”.

Por que são esse poder e essa luz de Cristo tão práticos? Porque nós podemos, tanto no Plano visível como no invisível, aprender a usá-los para alimentar os que têm fome, fazer que os cegos vejam, expulsar demônios ou dominar os elementos, exatamente como fez Jesus Cristo durante Seu ministério na Terra. Dizem-nos que o Cristo Cósmico, o mais poderoso dos Arcanjos, pode penetrar todo átomo cristalizado com o poder de Suas próprias emanações, do Seu Mundo, o Espírito da Vida. Essas emanações são tão poderosas que até aqueles que tocavam Suas vestes eram curados.

Como Estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental e buscadores da luz nós devemos colocar essa claridade em evidência, espiritualizando o vestuário que agora usamos e que determinará o que usaremos na próxima passagem pela Terra. Por que não ser sensatos? Por que não nos esforçar para purificar e construir corpos de forma que nos permitam servir melhor dia-a-dia? No passado, sem dúvida, erramos por ignorância, porque não compreendíamos a inexorável Lei do semear e colher, nem imaginávamos as distantes consequências da nossa maneira de proceder; entretanto, hoje compreendemos tudo isso. Sabemos como viver acertadamente: a nossa tarefa é dominar o eu inferior e nos guiar pela Luz interior da Presença de Cristo.

É dito que o núcleo da nova raça será tirado de gente de todas as terras — aqueles que adquiriram o Corpo de ouro da alma, ou Corpo-Alma e, assim, aprenderam a pôr em evidência a Luz de Cristo que trazem dentro de si. Essa Luz é o Principio unificador que nos eleva acima das diferenças de credo, raça, casta ou cor.

A Fraternidade Rosacruz é a Escola Preparatória para a Escola dos Mistérios Ocidentais dos Rosacrucianos. Seus ensinamentos são especificamente destinados a preparar pessoas para a Nova Dispensação, que está, mesmo agora, a se formar. Por direito e virtude do seu enorme sucesso em difundir os Ensinamentos da Nova Era durante os últimos cinquenta anos, a Fraternidade Rosacruz está destinada a desempenhar uma parte ativa entre as forças espirituais que agora formam a próxima Era, a de Aquário.

(Traduzido da “The Rosicrucian Fellowship Magazine” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de Agosto/1970)

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O Desabrochar da Divindade Interna

O Desabrochar da Divindade Interna

O ser humano possui o poder da divindade dentro de si. Cabe-lhe, e tão só a ele, perceber essa potencialidade e se tornar uma Inteligência Criadora — tornar-se, em suma, um deus.

Pare e pense por uns instantes o que isso realmente significa. Significa que, em algum momento do futuro distante, cada um de nós será tão onipotente quanto o Grande Ser ao qual chamamos de Deus; que realizaremos as façanhas a que se referiu Cristo “e maiores do que essas”; que viveremos permanentemente livres do peso de um corpo físico ou da obstrução da matéria; que, tendo aprendido as lições da evolução, conheceremos tanto o bem quanto o mal, ficaremos perfilados ao lado de Deus e nos tornaremos tão puros que o mal não terá possibilidade de nos atingir. Significa tudo isso, sem dúvida — mas está tão distante de nós, atualmente, que se torna imperscrutável.

Todavia, significa também que poderemos, apenas quando desejarmos tentá-lo exercer grande parte do potencial divino latente em cada um de nós, no presente momento. Não é necessário aguardarmos até o advento de uma era da evolução, dourada e remota. A maior parte das pessoas ficaria bastante surpreendida quanto ao grau de “divindade” que já no presente estágio do seu desenvolvimento está pronto para se manifestar.

Quais, então, seriam alguns desses atributos “divinos” a serem expandidos? Em primeiro lugar, estão os três que vêm talvez mais rapidamente à memória — a onisciência, a onipotência, a onipresença. Esses, sem dúvida, estão muito além de nosso alcance atual; por isso, para os fins deste artigo, podem deixar de ser levados em conta. Muito além de nós, inclusive, está a divina Força criadora que produz manifestações de grandeza tal como a dos corpos celestes.

Mas nós temos certo grau de força criativa dentro de nós, hoje, devendo ser exercida a fim de que, afinal, venha a conquistar o seu grande potencial.

Deveríamos aproveitar toda oportunidade para fazer desabrochar a Epigênese e utilizar a capacidade criadora que já possuímos, de forma que, pouco a pouco, ela pudesse aumentar. Um enfoque positivo e entusiasta em relação à vida, acompanhado pela determinação ativa de enfrentar os nossos problemas, de utilizar inteiramente quaisquer aptidões que tivermos e fazermos tudo o que pudermos para melhorar nossa situação e a de nossos companheiros é o contexto no qual a nossa capacidade criadora pode e deve ser desenvolvida. Convencer a nós mesmos de que não possamos fazer algo ou, alheios ao potencial que nos cabe desenvolver, que devamos deixar o “Zé” realizar as tarefas a serem cumpridas, enquanto nos dedicamos unicamente à busca do lazer e ócio, não nos aproximará sequer um pouco do objetivo final. Somente a contínua persistência, o trabalho árduo e a percepção refletida no que devamos fazer desabrochar nos levarão diretamente a esse objetivo.

Existe outro atributo divino, contudo, e ainda mais importante do que a capacidade criadora, que muitas pessoas, independentemente do estado de seus talentos ou aptidões, podem aprimorar no atual período de vida, com resultados compensadores — se apenas quiserem! Trata-se da qualidade relativa ao amor divino com suas características resultantes de compaixão e altruísmo. Novamente aqui, acontece que nenhum humano possa atualmente chegar ao ponto de conquistar a inescrutável profundidade, beleza, onipresença e força do Amor do nosso Pai Celestial ou do Cristo. Mas podemos, quase todos, desenvolver nossas naturezas amorosas e compassivas muito mais do que estamos fazendo.

Os requisitos necessários à realização disso não são os mesmos que proclamam ao mundo um material individual ou habilidade intelectual. Não serão as condições que tenham sido aperfeiçoadas durante anos de trabalho manual ou mental, em encarnações anteriores. São atributos espirituais, caso assim for desejado, e é garantido admitir-se que, em toda a humanidade — com exceção de pequena porcentagem —, eles não foram cultivados em grau considerável, em encarnações anteriores.

Esses predicados não podem ser aperfeiçoados, a menos que o indivíduo desenvolva um interesse autêntico em relação a outras pessoas e um desejo de começar a conhecê-las melhor. Isso não significa necessariamente “sociabilidade” no sentido comum da palavra, nem sequer espírito gregário. Significa o anseio de observar as pessoas e, após uma observação praticada de forma considerável, a capacidade de penetrar em suas características superficiais para chegar até o “homem interno”, discernindo suas verdadeiras naturezas. Em outras palavras, quer dizer a capacidade de procurar e achar a “divina Essência dentro de nós”.

Concomitantemente, deve desejar servir às pessoas que estiver se esforçando para conhecer tão bem. A percepção de que muitos dos problemas possam ser aliviados com uma espécie de assistência de camarada, ou que muitas pessoas, a despeito disso, tenham problemas tão irresistíveis que lhes pareçam insuperáveis, é o requisito para este desejo. Quanto mais estivermos conscientes dessa condição e pensarmos a seu respeito de modo positivo, tanto mais poderemos nos inculcar com a aspiração de ajudar a fazer algo. Não é suficiente o pensar vagamente, embora com a melhor das intenções, sobre os infortúnios de outrem, no contexto geral de “Não é isso terrível? Pobre criatura”, e em seguida volver os pensamentos a assuntos mais agradáveis. À reflexão “Isso não é terrível?” deve seguir o esforço determinado para pensar-se na situação e ver se podemos auxiliar. Não importa quão enorme seja o problema ou como possa parecer remota a solução. Do ponto de vista das nossas possibilidades, é sempre admissível prestar um amoroso apoio moral. Caso não pudermos fazer algo além disso, nossa presença compassiva e serena se mostrará, muito frequentemente, uma força sustentadora que ajudará a pessoa aflita a enfrentar o seu período de provas.

O desejo de ficar a serviço deveria ser, e pode, caso fosse perseguido sinceramente, expandir-se desde o círculo limitado de amigos e conhecidos pessoais até à área muito mais vasta da humanidade em geral. De fato, é bem mais fácil nos colocar inteiros e depositar a nossa completa simpatia no esforço fervoroso de ajudar um conhecido. Sentir a mesma dedicação pessoal no caso de, digamos, um grupo de pessoas sobre as quais a única coisa sabida é que sejam pobres, ou doentes, ou foram escravizadas, ou tenham sofrido uma calamidade ou qualquer outra coisa desse tipo, é mais difícil. É possível ainda, quando a compaixão relativa a seres próximos e prezados tenha sido cultivada, expandir esse sentimento para incluir em um rol de pessoas que necessitem de ajuda os que possam ser apenas “nomes” ou “estatísticas”.

A qualidade do Amor divino que estamos tentando emular inclui a capacidade de ser compassivo e amoroso com todos, não importando o quão desagradáveis, depravados ou abomináveis possam parecer. Incompreensível que possa ser essa ternura a muitos de nós, não é mais do que aquela que Deus e o Cristo exerceram sempre a favor de toda a raça humana. Quem de nós, não importa o quanto evoluído, iluminado e “bom” possa pensar que seja, pode afirmar positivamente que nunca, numa encarnação passada, tenha atingido um ponto de baixeza degradante?

Afirmamos que, em encarnações anteriores, quase toda a raça humana foi condenada por egoísmo e atos de depravação peremptoriamente repudiados, hoje, pelas pessoas de discernimento. Ademais, foi o Amor sublime de Deus e o incrível Amor redentor do Cristo que nos resgataram, e ainda resgatam, da deterioração evolutiva à qual nos encaminhamos em virtude da corrupção. Esse é o tipo de amor que nós, por nós mesmos, devemos adquirir.

Ademais, é importante relembrar que as próprias pessoas que pareçam “merecer” o nosso amor são as que menos o necessitam prementemente. Se existe algo que possa resgatar alguém do que pareça ser as últimas etapas da degenerescência, é a compaixão oferecida por um amigo, juntamente à simpatia e expressões de confiança que possam fazê-lo perceber a Centelha divina que está oculta por detrás do véu que sua natureza inferior confeccionou. Quando um indivíduo, finalmente, certificar-se de que haja, sem dúvida, “algo bom” em si e sua autoconfiança estiver um tanto solidificada, ele melhorará suas ações paulatinamente e fará com que a Centelha se incendeie cada vez mais brilhantemente. Porém, sem essa compreensão e ajuda compassiva proporcionadas por uma fonte externa que o fez olhar, pela primeira vez, para dentro de si com um olho perscrutador, teria tido dificuldade muito maior para dar o passo inicial na senda do “viver correto”.

Por último e, talvez, o mais importante, vem o predicado da espiritualidade. Ele também deve se desenvolver no contexto do serviço. Max Heindel deu-nos excelente orientação a tal respeito, no Livro Ensinamentos de um Iniciado, capítulo III.

“A ideia mais comumente aceita é que a espiritualidade se manifeste através da oração e da meditação; no entanto, se observarmos a vida de nosso Salvador, veremos que Ele não viveu na indolência. Não permaneceu em reclusão. Não se apartou do mundo e não se escondeu dele. Viveu entre o povo, ajudando-o em suas necessidades cotidianas. Ele o alimentou, quando isso foi necessário. Ele o curou sempre que teve oportunidade de fazê-lo e, inclusive, ministrou-lhe ensinamentos. Assim, foi Ele um servidor da humanidade, no verdadeiro sentido da palavra”.

Max Heindel nos diz, novamente: “Existem muitas pessoas que, aspirando aos poderes espirituais, percorrem de um centro, chamado de oculto, a outro, ingressam em mosteiros e apreciam locais de isolamento. Esperam, afastando-se do clamor e das atrações do mundo, cultivar sua natureza espiritual. Ficam expostos à luz da prece e meditação de manhã até à noite, enquanto o mundo se encontra gemendo em agonia. Então, passam a se admirar pelo fato de não progredirem, não sabendo por que não obtêm mais da senda da aspiração. Certamente, a oração e a meditação são necessárias; absolutamente essenciais ao crescimento anímico. Mas estaremos fadados a fracassar, caso dependamos, para o nosso crescimento anímico, de orações que são apenas palavras. A fim de obtermos resultados, deveremos viver de modo que toda a nossa vida se torne uma prece, uma aspiração. Como nos disse o filosofo Emerson:

Embora teus joelhos nunca tenham se dobrado,

Nos céus tuas orações de cada instante são sentidas,

E, sejam formadas para o bem ou para o mal,

Ainda são registradas e respondidas.

Não são as palavras que proferimos nos instantes de oração que contam; mas, com certeza, é a vida que eleva a prece…

“Há somente um meio de mostrarmos nossa fé e isso é feito pelas nossas obras; não importando em que setor da vida fomos colocados… O fator determinante que decide se um tipo de trabalho é espiritual ou material é a nossa atitude. A pessoa que estende os fios elétricos pode ser muito mais espiritualizada do que a que permanece sobre a plataforma.

Desobstruir um cano de esgoto é uma tarefa muito mais nobre do que viver falsamente atrás da dignidade de um cargo de professor, implicando uma espiritualidade que não existe realmente. Todo aquele que se esforça para cultivar essa rara qualidade espiritual deve começar, sempre, fazendo tudo pela maior glória do Senhor, porque quando fazemos todas as coisas pelo Senhor não importa que espécie de trabalho façamos. Escavando esgoto, inventando dispositivos que poupem trabalho, pregando sermões ou qualquer outra coisa, é tarefa espiritual, quando feita com amor a Deus e à humanidade”.

Vemos assim que o processo de desabrochamento da divindade existente dentro de nós depende do nosso conceito sobre as pessoas, nossas relações com elas e, o mais importante, nosso serviço a elas prestado. A nossa divindade nunca evoluirá no isolamento; embora seja verdade, sem dúvida, que quanto mais nos tornarmos adiantados espiritualmente, pareceremos estar, em certo sentido, mais isolados dos outros humanos, nossos companheiros.

Devemos aprender, todavia, a transcender esse isolamento dentro de nós próprios. De certo modo estaremos sozinhos. Ainda assim, a nossa compaixão cada vez mais abarcante em relação aos outros e a eterna consideração que lhes tivermos nos manterão bem ocupados, evitando que permaneçamos refletindo o fato de estarmos, talvez, não tão cercados de “amigos” como outrora.

Em outro sentido e muito mais significativo, entretanto, estaremos menos sós do que nunca, porque quanto mais desenvolvermos nossos atributos divinos, mais perto de Deus chegaremos e nos tornaremos uma parte mais ativa d’Ele, cada vez mais nos compenetrando da “unidade fundamental de cada um com tudo”. À medida que o Cristo interno nasce e Se desenvolve, sentiremos mais profundamente a bênção celestial se ampliando e nos apoiando em nossa jornada ascendente.

 

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto de 1970)

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Almas perdidas ou atrasadas na evolução?

Almas perdidas ou atrasadas na evolução?

 

Não existe, absolutamente, nenhum fundamento que justifique a ideia generalizada a respeito de “almas perdidas”. Não há, na Bíblia, uma só palavra que exprima a ideia a que todos nos habituamos sobre eternidade com o sentido de para sempre. A palavra grega aionian significa “um período indefinido de tempo”, “um longo período de tempo” e, quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente” ou “para sempre”, deveríamos interpretá-las como “pelos séculos dos séculos”. Além disso, como é uma verdade que “em Deus vivemos, movemos e temos o nosso ser”, uma alma perdida seria o mesmo que se tivesse perdido uma parte de Deus e isto não é possível!

Desde que escrevi a lição anterior ocorreu-me outro ponto que mostrará como a perda de um período de anos está relacionada ao próximo período, sendo até mesmo compreendida por ele. Lembremos que no Período Lunar desse atual Esquema de Evolução  que espíritos lucíferos não puderam achar campo para a sua evolução no presente esquema de manifestação.

Os Arcanjos habitam o Sol; os Anjos têm a seu cargo todas as luas; porém os espíritos de Lúcifer foram incapazes de residir em qualquer desses luminares. Não podiam ajudar a geração pura e desinteressadamente como fazem os Anjos, mas atuavam sob o império do desejo, da paixão vil e egoísta, pelo que foi necessário separá-los dos seus irmãos mais adiantados e fixá-los num lugar apropriado às suas condições.

O ambiente que necessitavam era o de Marte, a quem os antigos astrólogos atribuíram o poder sobre o signo zodiacal de Áries, o Carneiro, que tem domínio sobre a cabeça dos seres humanos — convém recordar que o cérebro foi construído com as energias subvertidas dos órgãos sexuais —, o que comprova que aquele planeta exerce igualmente o seu domínio sobre o signo zodiacal de Escorpião, o regente dos órgãos da reprodução. Carneiro é a primeira casa do horóscopo, regendo o começo da vida; Escorpião é a oitava casa do horóscopo, a que nos fala da morte. Em tudo isso está contida uma lição, ensinando-nos que tudo aquilo que foi gerado pelos desejos vis é chamado à dissolução, à morte.

Assim, pois, Marte é, esotérica e astrologicamente, o que se chama de diabo e Lúcifer, o mais notável dos Anjos caídos, é realmente o adversário de Jeová, quem dirige o poder fecundante do Sol por meio da ação lunar. Todavia, os espíritos de Lúcifer estão ajudando a nossa evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só, torna possível a vida em uma atmosfera oxigenada. Foram e continuam sendo os agitadores das forças que impulsionam o progresso material e, por isso, não temos o direito de os anatemizar. A Bíblia tacitamente nos proíbe ultrajar os deuses. O próprio apóstolo Judas declara que mesmo o Arcanjo Miguel não se atreveu a denegrir Lúcifer — Porém o Arcanjo Miguel, quando, lutando contra o diabo, disputava o corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo blasfemo, mas disse: ‘Repreenda-te o Senhor’. E no livro de Jó vemos Lúcifer como um dos filhos de Deus. O seu embaixador na Terra, Samael, é o Anjo da morte, representado pelo signo zodiacal de Escorpião, mas também é o anjo da vida e ação, simbolizado pelo Carneiro: a vida que desabrocha.

Se não fossem os impulsos marcianos, agitadores e belicosos, talvez não sentíssemos as aflições tão ao vivo como sentimos, mas também não poderíamos progredir na mesma proporção e é seguramente melhor “gastar-se ao criar bolor”.

Desse modo, podemos compreender que a essas “ovelhas perdidas” de uma era anterior foi concedida a oportunidade para recuperar, no atual esquema de evolução, o tempo que perderam. Ficaram atrasadas e, por esse motivo, são consideradas más, como no caso dos Anjos caídos; entretanto, “não se perderam; apenas afastaram-se da redenção”. Podem se salvar e certamente conseguirão, servindo-nos e provavelmente ajudando a transmutar a natureza de Escorpião na de Carneiro, levando-nos a sublimar em nós mesmos tudo que for grosseiro e mau.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970)

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A Hora da Verdade

A Hora da Verdade

“Como vai a sua neurose?”. Lemos essa infeliz manchete na capa de uma revista. É o título de um artigo que aborda um dos males da época. Alarmante, é lamentável, mas não exagero. Retrata fielmente os tempos atuais. A neurose já é quase como o resfriado: quase uma doença comum. Muita gente recorre à Psicanálise, tentando erradicar essa mazela. Os consultórios estão sempre repletos. As fábricas de divãs estão sobrecarregadas de serviço. Cogita-se até mesmo criar um beliche-divã. Tudo por causa da neurose, o mal da época.

Amigo leitor, tudo isso que afirmamos acima pode parecer brincadeira, à primeira vista, porém essa não é a nossa intenção. Neurose, antes de qualquer coisa, é um conflito. E nós não brincamos com conflitos, por mais insignificantes que possam parecer. Neurose é um conflito sério, uma luta interna decorrente da superestima do material em detrimento do espiritual. Vivemos numa época em que o materialismo ainda prepondera. Engodados pelas exterioridades, os seres humanos extravasam loucamente seus desejos, suas paixões, seu imediatismo, seu apego às coisas transitórias. Pouco valor é dado à natureza interna, esse mundo desconhecido. Uma minoria cultiva devocional e racionalmente o lado espiritual da vida, mantendo-se em equilíbrio nos momentos mais desconcertantes, permanecendo incólume a todos os impactos do mundo material, extraindo-lhe pura e simplesmente as lições que eles possam proporcionar.

No frontispício do templo de Delfos, na antiga Grécia, lia-se: “Conhece-te a ti mesmo”. Passaram-se muitos séculos e, no decurso desse tempo, pouco se fez nesse sentido. O conhecimento interno tem sido relegado a um plano secundário. O ser humano parte para a conquista de outros Planetas sem haver conquistado nem conhecido a si mesmo. Seu mundo interior permanece ignoto.

Hoje em dia tudo está mecanizado, tudo obedece a esquemas previamente traçados, tudo é muitíssimo organizado; quando se intenta resolver um problema qualquer, basta apertar um botão; querem condicionar o sentimento humano ao complexo mecânico do computador. Alguém quer levantar um horóscopo? Ora, o computador pode fazê-lo! Dois jovens recém-casados querem saber quantos filhos terão? Isso não é problema! Para que existe o computador? O computador inclusive já indicou qual será o país vencedor do Campeonato Mundial de Futebol a ser disputado no México! É incrível como estamos tão automatizados, tão escravizados pelas máquinas, pelos códigos etc. Nos países mais desenvolvidos, as chamadas “grandes potências”, o panorama é alarmante, surpreendente. Nações organizadas, bem situadas economicamente, primando por grande desenvolvimento educacional, industrial ou tecnológico, apresentam um elevado índice de suicídios, enfartes, lares desfeitos, uso de tóxicos, conflitos entre gerações e NEUROSE. Tudo porque falta alguma coisa. Falta mais espiritualidade, falta equilíbrio entre mente e coração, falta a consciência de que a matéria é consequência. Matéria é espírito cristalizado. A causa de tudo encontra-se nos Planos espirituais. Quando esse conhecimento for de âmbito geral, as coisas mudarão. Quando a vida for encarada como sendo uma grande escola e nós, como alunos, simples administradores dos talentos que são concedidos a nós, os conflitos, as psicoses e as neuroses serão coisas do passado. Já não mais nos desesperaremos pelo temor de perder ou sofrer. Viveremos a vida em toda a sua plenitude.

Muito embora os tempos atuais não sejam luminosos, nós, como ocultistas cristãos, devemos ser otimistas. Lembremo-nos sempre da inspirada frase de Max Heindel: “QUANTO MAIS FORTE É A LUZ, MAIS PROFUNDA É A SOMBRA QUE ELA PROJETA”. O ser humano tem, infrutiferamente, procurado a felicidade fora de si mesmo. Um dia, abatido por tantas decepções, iniciará a jornada de volta para o seu “Eu interno”. Eis que chegará, então, a HORA DA VERDADE.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1970)

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A Luz Mística

A Luz Mística

Max Heindel diz-nos que os Ensinamentos Rosacruzes objetivam o desenvolvimento da nossa Mente e do nosso Coração, de modo igual, fornecendo todas as explicações de tal maneira que a Mente esteja pronta a aceitá-las e, então, o Coração fique possibilitado quanto ao âmbito do trabalho em relação ao material recebido.

Caso o amigo leitor leia um capítulo do Livro O CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS, ou qualquer outro trecho de nossos livros; medite a respeito e considere-o razoável como explicação, e depois é melhor largá-lo e esquecê-lo por completo, uma vez que empregou apenas o intelecto e não o Coração!

Devemos tentar SENTI-LA, porque o sentimento é função do Coração. Devemos procurar visualizar as diversas coisas e matérias absorvidas no que lemos na literatura da Fraternidade Rosacruz. Desse modo podemos, então, vivenciá-las de modo que as mesmas se tornem partes integrantes de nós próprios.

Será muito difícil convencer a outrem a respeito dos ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, a menos que possamos provar-lhes serem o melhor meio de vida.

Em nossa civilização, o abismo que separa a Mente e o Coração abre-se profundo e largo. À medida em que a Mente voa de descoberta a descoberta nos domínios da ciência, a separação torna-se cada vez mais profunda e ampla, e o Coração é deixado cada vez mais para trás. Somente quando se puder manter a cooperação entre Mente e Coração, sem desvios, quando cada qual possa ter o completo campo de ação, nunca praticando violência contra outro e quando ambos possam sentir-se satisfeitos, somente então atingiremos a elevada e verdadeira compreensão de nós mesmos e do mundo do qual fazemos parte.

Eis aqui uma observação admiravelmente feita por Max Heindel: “Falando-se genericamente pode-se dizer que todas as pessoas do Mundo Ocidental pertencem à Escola de Sabedoria Ocidental, dos Rosacruzes, sendo que cometem um erro quando se esforçam em participar de uma escola que pertença ou ensine a filosofia Oriental”.

A Ordem Rosacruz foi estabelecida particularmente para aqueles cujo alto grau de desenvolvimento intelectual os fez repudiarem o Coração, uma vez que o intelecto exige uma explicação lógica de tudo — o mistério do mundo e a questão da vida e da morte.

Contudo, o conhecimento intelectual é por si só, apenas um meio para um certo fim. Destarte, os Ensinamentos Rosacruzes visam, em primeiro lugar, satisfazer o Aspirante ao conhecimento de que tudo no universo é razoável, vencendo-se assim o intelecto rebelde. Quando ele cessar de criticar, estará pronto para aceita, provisoriamente, como PROVAVELMENTE verdadeiro, enunciados que não podem ser verificados imediatamente; então, e não até, então, o treinamento esotérico será eficaz no desenvolver as mais elevadas faculdades pelas quais o ser humano transita da fé até o conhecimento de primeira mão.

A todos os que tencionarem dar os primeiros passos em direção ao conhecimento superior, caso as orientações fornecidas sejam inteiramente seguidas, deve ser ministrada completa confiança, como força destinada a cumprir a sua finalidade; segui-las com pouca vontade seria sem proveito, quaisquer que fossem. A descrença mata até a mais bela flor produzida pelo Espírito.

A ideia geral da Iniciação é a de que se trata meramente de uma cerimônia que torna alguém um membro de uma sociedade secreta — de que ela poderá ser conferida a qualquer um que deseje pagar um certo preço, uma soma monetária na maioria dos casos. Embora isso seja verdade em relação às assim chamadas iniciações de ordens fraternais e também na maioria das ordens pseudo-ocultistas, trata-se de uma ideia completamente errônea quando aplicada à Iniciação a vários graus de Irmandades verdadeiramente ocultas. Uma pequena compreensão das reais necessidades e de sua racionalidade tornará isso bastante claro, rapidamente.

Em primeiro lugar não há uma chave de ouro para o Templo — o mérito conta, porém não o dinheiro. O mérito não é adquirido em um dia; é o produto acumulado das boas ações do passado. O candidato costumeiramente está totalmente inconsciente de ser um candidato; comumente vive a sua vida na comunidade, servindo aos seus colegas durante dias e anos sem qualquer pensamento ulterior, até que certo dia aparece em sua vida o Mestre, um Hierofante dos Mistérios Menores, adequado ao país no qual residia. Nessa época o candidato terá cultivado dentro de si certas faculdades, armazenado certos poderes destinados ao serviço e auxílio, dos quais ele frequentemente não tem consciência ou os quais não sabe como utilizar adequadamente.

A missão do iniciador é a de mostrar ao candidato as faculdades latentes, os poderes adormecidos e de iniciá-lo no uso dos mesmos. Explica e demonstra-lhe PELA PRIMEIRA VEZ como ele poderá despertar a energia dinâmica. Certamente que isso nunca deverá ocorrer até que o necessário desenvolvimento interior tenha sido acumulado, do mesmo modo que o puxar de uma trava não poderá provocar uma explosão em um canhão que não tenha sido carregado anteriormente. Nem há qualquer perigo de que o Mestre possa não atender alguém que tenha atingido o desenvolvimento necessário. Cada ação boa e não egoística aumenta enormemente a luminosidade da aura do candidato e, tão certo quanto o imã atrai a agulha, assim o brilho dessa luz áurica trará o Mestre.

O Livro da Revelação fala do Altar Dourado. O Altar Dourado poderá muito bem simbolizar os nossos corações guiados pelo ouro do Sol e o turíbulo é, na verdade, o nosso serviço amoroso, desprendido, em benefício da humanidade; o incenso, a essência desse serviço que ascende de todo ao trono de Deus e poderá eventualmente atrair o Mestre.

No 4.º capítulo da Revelação, figura: “Diante do trono estavam quatro bestas cheias de olhos dianteiros e traseiros. E a primeira besta era como um leão, a segunda como um bezerro, a terceira parecida com um homem, a quarta como uma águia voadora”. Aqui temos os Signos Fixos: Leão, Touro, Aquário e Escorpião; cada um deles, em tempos remotos, incluía o Signo anterior e o posterior a ele, como nos diz a escritura: com olhos dianteiros e traseiros. Cada Signo Fixo tem um Signo Cardeal antes dele e um Signo Comum lhe seguindo imediatamente.

Um estudo do Tabernáculo no Deserto mostra que isso é um meio de Iniciação. As decorações do Tabernáculo estão colocadas de tal modo que descrevem uma cruz. Trata-se da cruz na qual, nas palavras de Platão, o Iniciado, a Alma Mundana, é crucificada. É o corpo de um ser humano que quando em pé e de braços distendidos, forma uma cruz, cruz esse à qual se prende o Espírito, à medida em que luta através da limitação da matéria, para despertar e desenvolver os poderes divinos latentes dentro de si.

No plano desta Terra, o ser humano é um peregrino, não tendo um lugar de habitação permanente. Trata-se de um plano no qual as experiências são acumuladas, cujos resultados dão-nos a força e a sabedoria que possibilitam o retorno à casa de nosso Pai. A natureza migratória do ser humano está indicada pela natureza portátil de Tabernáculo. Os bordões com os quais a Arca, o seu objeto mais precioso, foi carregada, nunca foram retirados dele. Estiveram posicionados para prestarem serviço a qualquer momento, quando os Israelitas viajassem em direção à Terra Santa – o celestial (mundo).

São Paulo refere-se ao Tabernáculo como sendo o “Símbolo das boas coisas que virão”. Observe-se que o Velho sempre antecipa o Novo.

O Tabernáculo era uma tenda retangular, montada no lado ocidental de uma câmara, cobrindo cerca de três vezes a área do próprio santuário. O Tabernáculo foi dividido em duas secções chamadas de Câmara Interna e Santo dos Santos; a área fechada, na parte exterior, era a Câmara Exterior. As três divisões foram estipuladas de acordo com os três passos que conduzem da primeira indagação relativa à vida espiritual à aceitação da disciplina, do treinamento e da purificação que pertencem ao caminho estreito do Probacionista, até que finalmente seja atingido o estado de iluminação interior. As três divisões correspondem também às massas indiferentes, não meditadoras, os desvendadores sérios e esforçados, e os mestres que tenham conseguido a superação e atingido a Iniciação. Dentro desse Santuário o Deus trino chega para habitar com o ser humano. Neste Tabernáculo com três poderes, o ser humano Trino: Corpo, Alma e Espírito chega para comungar com o seu Criador.

Até mesmo os números contidos nas especificações de construção do Tabernáculo oferecem chaves com as quais se pode abrir os Mistérios do Templo. Existem símbolos e véus, que encobertam segredos inestimáveis aos curiosos e indignos, porém os revela aos que, através de uma busca sincera, ganham acesso a seus tesouros de vida e de luz.

Adentrando-se na Câmara Exterior no lado oriental, o primeiro objeto encontrado foi o Altar dos Sacrifícios. Nesse Altar dois cordeiros eram sacrificados diariamente, um pela manhã e o outro à noite. Era especialmente prescrito de que fosse uma “oferenda contínua”, através das gerações “na porta da tenda de encontro”. O caminho foi aberto, graças ao sangue do Cordeiro, no adorador, para prosseguir e adentrar no local Santo; graças no sangue do Cordeiro, foi aberto o caminho, para toda a humanidade, a fim de recuperar o seu estado perdido e retornar ao Pai. Novamente a simbologia da Antiga Dispensação é idêntica à da Nova e o significado também é o mesmo. O sacrifício animal que deve ser efetuado quando da primeira entrada na Câmara, representa as propensões bestiais que devem ser sacrificadas nos fogos da purificação antes de se progredir no caminho estreito, se possível. E, como os sacrifícios sobre o Altar dos Sacrifícios eram animados por um fogo que não era feito pelo ser humano, porém descia do alto, assim as paixões físicas devem ser purificadas pelos fogos da aspiração, que se originam dentro do Espírito desperto.

Fisiologicamente, isto ocorre no centro sagrado da geração, na terceira divisão inferior do corpo. O trabalho de regeneração começa, adentrou-se no caminho da vida do espírito.

Entre o Altar de Bronze e o Tabernáculo ficava o Lavabo da Purificação no qual os sacerdotes se lavavam. Somente o puro de Coração poderá ver a Deus. Assim, foi feita a provisão na câmara exterior, para uma adequada preparação, pelo fogo e pela água, para se adentrar no Local Santo. A natureza foi limpada; as forças corporais foram erguidas a partir do centro localizado na base da espinha, e levadas para cima através do plexo solar, até os centros do Coração e da garganta. O que busca a luz ficou, então, habilitado a entrar no Local Santo, a sala a leste do Tabernáculo.

Antes da cortina, que cobre o Santo dos Santos, ficava o Altar do Incenso, à direita do qual ficava a Mesa dos Pães da Proposição, e, a esquerda dessa o Candelabro de Ouro, com sete braços.

O Altar do Incenso que ficava no centro do santuário, representava o Coração, o verdadeiro centro de nossa vida. É governado pelo dourado Sol e é para o corpo aquilo que o centro solar representa para nosso sistema planetário.

Os doze pães da proposição, ázimos, sobre a Mesa, representam as doze qualidades ou atributos de caráter que foram armazenados através de muitas vidas, sob a tutela das Escolas Celestiais do Zodíaco. O incenso que foi posto nos doze pães e queimado pelo sacerdote (ou eu superior), como oferenda ao Senhor, significa a agradável fragrância que emana de uma alma consagrada e desenvolvida.

O Candelabro de sete braços simboliza os sete centros do corpo que, quando despertados para a atividade, aparecem a uma vista espiritual como sendo muitos vórtices de luz. Estas luzes foram alimentadas com “azeite puro de oliva”, uma substância que simboliza as forças no corpo do ser humano regenerado.

Da Câmara Interior, o caminho estreito leva ao santuário mais interno, o Santo dos Santos, onde está a Arca da Aliança. Somente o Sumo Sacerdote (o “Eu superior”) era admitido nessa câmara sagrada e ele próprio não tinha permissão de adentrá-la a qualquer tempo. Apenas uma vez por ano ele podia passar pelos recintos santos e cumprir as cerimônias prescritas pelo Senhor (lei). O Ego não habita perpetuamente no puro estado espiritual; ele não poderia fazer isso e perceber seus poderes latentes.

O Santo dos Santos representa o estado onde habita o Espírito, não condicionado pela matéria, à luz de sua natureza divina, não obscura. Nesta câmara não havia luz provinda do exterior, pois não era necessária, uma vez que o espírito iluminado havia nela penetrado.

A Arca é um símbolo da Alma; sua tampa era de ouro maciço e servia de banco de misericórdia. Nas duas extremidades deste banco estavam dois Querubins de ouro, com suas asas distendidas cobrindo a Arca preciosa. Dentro da Arca estavam as duas Tábuas da Lei, o Bastão (ou Vara) Florido de Aarão e o Pote do Maná; o Maná é o “ESPÍRITO HUMANO que desceu desde o nosso Pai do alto para uma peregrinação através de matéria e o Pote de Ouro, no qual era mantido, simbolizava a aura dourada do Corpo-Alma”.

As duas Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos, são as forças gêmeas que operam na Ordem Cósmica as quais, quando harmonizadas na natureza do ser humano, levam-no em suas correntes até o verdadeiro Coração do Ser Infinito. O Bastão de Aarão, que floresceu, é o fogo espiritual espinhal que se levantou desde os centros na base da espinha até os localizados no topo da cabeça. Os fogos internos foram iluminados e a visão abriu-se a uma radiação que, a uma vista física, não passaria de escuridão. Somente os que tiverem atingido este estado entrarão no Santo dos Santos.

Assim como a Câmara Exterior corresponde à região pélvica do corpo, e à Câmara Interior à região torácica, assim o Santo dos Santos se correlaciona com a cabeça. Dentro dela reside o EGO, à presença divina, diante da qual ninguém pode retirar o véu. Isto fica sob o único controle do Deus habitante, o Ego, o “EU SOU”. Os órgãos da cabeça, que quando ativados, proporcionam a percepção dos Mundos espirituais, são a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário.

Entre os Querubins descansava a Glória de Shekinah. Trata-se do centro magnético no qual há a comunicação entre Jeová e Moisés. Era para a Antiga Dispensação o que o Santo Confortador o é para o Novo.

No simbolismo maçônico, o Querubim mantinha entre eles uma pedra mística na qual estava inscrito o NOME inefável. Trata-se da pedra que os construtores rejeitaram, mas que virá a ser a pedra angular no Templo da Nova Civilização. Uma vez que o Santo dos Santos pode ser considerado como idêntico, em seu significado, com o Jardim do Paraíso, os Querubins são também os seus protetores hierárquicos. Os ritmos vibratórios destes guardiães celestiais são atuantes, principalmente, no Mundo do Espírito de Vida, ou lugar da consciência Crística. A fim de participar de seus poderes, é necessário que o ser humano eleve sua onisciência até níveis sublimes.

O significado espiritual das quatro estações sagradas, os Solstícios e os Equinócios, está incorporado no simbolismo do Tabernáculo. O Altar dos Sacrifícios, no sul, corresponde ao Solstício de Dezembro — Capricórnio. O candelabro de sete braços, a leste, correlaciona-se com a vida ressurgido e à luz do Equinócio de Março — Áries. O Santo dos Santos, ao norte, simboliza o Solstício de Junho, a Hierarquia do Querubim — Câncer. As Mesas dos Pães da Proposição, a oeste, correspondem ao Equinócio de Setembro, a época festiva da estação da colheita – Libra.

O Tabernáculo no Deserto foi a escola do mistério da Época Atlante. Conservou, em símbolo e em ritual, a Sabedoria limitada, a medida em que a humanidade passou da civilização da Época Ária.

Os Mistérios (ou as Iniciações) Menores se referem apenas à evolução da espécie humana durante o Período Terrestre. Nas três primeiras Revoluções desse Período Terrestre, em torno dos sete Globos, nós, os Espíritos Virginais da onda de vida humana, ainda não tínhamos atingido a consciência de nós próprios. Ignorávamos como nós iríamos nos tornar do modo como somos hoje. O candidato está prestes a ter esclarecimento sobre esse assunto, de modo que, pela fala dos Hierofantes durante o período da primeira Iniciação, no primeiro grau, sua consciência se volta para essa página da Memória da Natureza que traz os registros da primeira Revolução, quando recapitulamos o desenvolvimento do Período de Saturno. Ele está ainda de posse de sua consciência de todos os dias; conhece e lembra-se de fatos da vida do século XX, mas agora observa conscientemente o progresso das hostes em evolução dos Espíritos Virginais, com às quais formou uma unidade durante o Período de Saturno e sua perfeição latente, na Época Polar.

No segundo grau ele, do mesmo modo, propende a dar atenção às condições da segunda Revolução ou Revolução Solar do Período Terrestre e vigia, em plena consciência, o progresso feito durante esse tempo pelos Espíritos Virginais e também o progresso feito durante sua réplica à Época Hiperbórea.

Durante o terceiro grau ele observa o trabalho executado na Revolução Lunar e verifica como isto foi a base na Época Lemúrica.

Durante o quarto grau ele observa a evolução da última meia Revolução com o seu período de tempo correspondente em nosso estágio atual na Terra.

Na primeira metade da Época Atlante a noite da inconsciência foi ultrapassada, os olhos do Ego habitante foram completamente abertos e ele ficou capacitado a dirigir a luz da razão sobre o problema da conquista do Mundo. Foi o tempo em que o ser humano, tal como o conhecemos, nasceu pela primeira vez.

Em sistemas de Iniciação de tempos remotos, o candidato permanecia em transe profundo durante três dias e meio. Ele é então levado através do desenvolvimento inconsciente da humanidade, durante as Revoluções anteriores e, quando se diz que está desperto no momento da alvorada do quarto dia, é o modo místico de expressar que a sua Iniciação no trabalho da carreira involutiva do ser humano cessou no momento em que o Sol se ergueu acima da clara atmosfera de Atlântida. Então o candidato é saudado como “nascido pela primeira vez”.

O quinto grau leva o candidato ao fim do Período Terrestre, quando uma humanidade gloriosa estará colhendo os frutos desse Período e a afastando dos sete Globos sob os quais ela evoluiu durante cada dia da manifestação no primeiro dos cinco Globos obscuros que é a sua habitação durante as Noites Cósmicas (entre um Período e outro). A mais densa dessas está localizada na Região do Pensamento Abstrato e na realidade é o “Caos” a que se refere o CONCEITO ROSACRUZ DO COSMO.

Portanto, lembremo-nos da advertência escrita na Porta do Templo: “homem, conhece-te a ti mesmo”.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1970)

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O que está errado no Mundo?

O que está errado no Mundo?

A avalanche de mudanças de condições e problemas que se abateu sobre todos nós, supostamente inesperada e repentina, não foi surpresa para os astrólogos, filósofos e estudantes da Bíblia. Eles estavam preparados para isso.

Para os astrólogos, os sinais eram claros, sabendo que as mãos do Zodíaco, o relógio dos céus, operado pela Lei Universal, apontavam para uma nova época – e que grandes mudanças estavam chegando tanto ao universo, como à Terra e aos seus habitantes ao nos aproximarmos da conclusão de um ciclo e do começo de uma nova Era – à medida que passamos da Era de Peixes para a dispensação na Era de Aquário, várias centenas de anos a partir de agora.

Os filósofos, conhecendo a Lei de Causa e Efeito, têm a certeza que dela não se pode fugir sem colher a consequência negativa, já que a presente condição das nações e dos indivíduos tem sido causada por violações lamentáveis ​​e repetitivas da Lei Cósmica. Se nós estivéssemos vivendo e administrando os assuntos mundanos em harmonia com a Lei, agora no final dessa dispensação se poderia misturar à nova dispensação sem essa situação de pensar e fazer as coisas erraticamente e não claramente em harmonia.

O que estamos passando agora não deveria ser chamado de uma depressão ou repressão, mas um despertar, de um modo em pensar como nunca pensamos antes. Estamos começando a usar uma faculdade que há muito tempo estava adormecida e que é altamente essencial para nosso avanço sob essas condições variáveis.

Para entender a causa desses grandes problemas que nos confrontam, devemos voltar à história e desvendar o passado. Há sempre uma solução para cada problema, mas às vezes não é do modo que queremos nem do modo de estamos pensando.

Para chegarmos a uma conclusão lógica, devemos considerar o plano invisível, assim como o visível (também conhecidos como o plano criador e o plano onde se pratica, respectivamente), uma vez que nos manifestamos em ambos os planos, e como são interdependentes, eles não podem ser separados.

O Livro do Gênesis na Bíblia nos fornece o nosso primeiro conhecimento da nossa existência, como ser humano, mostrando que somos uma alma vivente, e como tal fomos criados pela primeira vez no plano Invisível, à imagem de Deus: um ser andrógino, masculino e feminino. Com o tempo, fomos constituídos do pó do chão, uma substância densa e material. Tivemos o auxílio na construção de um corpo para nos manifestar e evoluindo fomos desenvolvendo as qualidades necessárias para dominar um plano material. Então, Deus considerou apropriado nos fornece uma ajuda, não só para que facilitasse a nossa aprendizagem, mas que pudéssemos criar aqui nesse mundo material. Nesse momento, nos tornamos sexuados; quando renascido como homem retemos o polo positivo da força criadora e quando renascido como mulher retemos polo negativo ou intuitivo da força criadora. Quando a assim chamada “serpente” apareceu, ele pôde tentar Eva (o estereótipo da nossa encarnação como mulher), porque era possível se comunicar com ela através de sua faculdade intuitiva. Adão (o estereótipo da nossa encarnação como homem) não poderia ser atingido devido a não ter desenvolvido essa faculdade a bom termo.

Quando olhamos para o céu e observamos o glorioso Sol, a Lua e as estrelas movendo-se em perfeito equilíbrio; os maravilhosos oceanos, lagos, rios e florestas sobre a terra, respondendo às leis naturais; os animais, pássaros e insetos cumprindo seu destino, vivendo em liberdade e se alimentando; o nascer do Sol, a neve e a chuva para variar o clima e nutrir nossa vegetação; os vastos recursos sob a nossa disposição, com as riquezas nas montanhas e nos vales – quando vemos tudo isso, somos inundados de êxtase pelo maravilhoso sistema criado e pelo plano estabelecido pelo Criador.

E perguntamos, por que tudo isso foi criado e com que finalidade?

Novamente, consultando o Gênesis, vimos que nós deveríamos ser o Regente dessa Terra. Tudo deveria estar sob nossa tutela. Certamente, deveríamos ter feito alguma coisa, em nossa existência passada, para sermos merecedores de uma herança tão grande – mas, com esse presente generoso, veio a responsabilidade e um teste de integridade.

Repetidamente, em cada dispensação espera-se que nós entendamos e aprendamos o que é ensinado e necessário. A história registra as oportunidades que nos foram dadas para resolver os nossos problemas, mas nós escolhemos o nosso próprio caminho, e, ao fazê-lo, sofremos tristezas e misérias incalculáveis, e impérios caíram, para nunca mais se levantar.

Deus nos deu uma ajuda para nos confortar, nos inspirar e para equilibrar nossas decisões e nossos deveres; contudo, nós nunca a reconhecemos como tal, nem mesmo as qualidades que antes eram nossas. Durante séculos, quando renascidos como homem consideramos a mulher inferior, esmagamos as aspirações dela e a tratamos como um brinquedo para o nosso prazer e nossa diversão, a considerando necessária apenas para povoar a Terra – tornando-a, assim, nossa dependente. Quando renascidos como mulheres permanecemos sem voz nos problemas mundiais, fomos forçados a nos embelezar e a recorrer a todo tipo de subterfúgios para agradar aos renascidos como homens e obter favores; pois nossa própria vida e existência, quando renascidos como mulheres, dependiam do nosso tato, da nossa astúcia e do nosso poder de enganar. Como o renascimento é, normalmente, alternado, cada um de nós praticamos isso, ora como homem, ora como mulher!

Mesmo em nossos dias, frequentemente, a pergunta é feita: será que quando renascidos como mulher chegaremos a expressar aqui a capacidade intelectual de quando renascido como homem? Por que não perguntar, também, se quando renascido como homem chegaremos a expressar aqui as qualidades intuitivas de quando renascido como mulher?

O homem real é positivo e criativo e possui excelentes qualidades de força, bravura e nobreza, enquanto a mulher real tem as qualidades adoráveis da bondade, simpatia e generosidade. Tudo isso é essencial e necessário – uma combinação maravilhosa para governar e promover uma administração harmoniosa no lar e fora dele.

Contudo, nós preferimos viver no paraíso dos tolos – lutando contra a guerra e o crime, que são filhos de uma força concentrada e positiva na sua pior forma. Nós, ainda, estamos usando a força para tentar trazer paz e harmonia. Nada jamais produzirá o oposto de seu tipo!

Os cientistas nos dizem que o Universo adquire seu equilíbrio por meio da combinação harmoniosa entre as forças positivas e negativas. Nós temos usado a força positiva apenas em nossa decisão. Agora tornou-se pesado e fora de seu controle e é como uma locomotiva correndo a esmo. Tudo o que precisa é da força negativa, para reverter o acelerador e, assim, evitar a completa destruição.

Guerra, armamento para defesa, manutenção de exércitos e marinhas: esses são os obstáculos mais estupendos para o avanço de uma nação, minando a própria vida dos cidadãos; esvaziando suas bolsas e enchendo o mundo de tristeza, pobreza e dependentes desamparados chorando por pão em meio à abundância – tudo por causa da nossa visão errada e da administração de um sistema desequilibrado.

Mais uma vez, algo está fadado a fracassar ou a ser destruído, devido a presença de certos “sinais ruins” ou “maus presságios”. Estamos no momento em que as implicações positivas e negativas desses atos estão sendo considerados e decisões estão sendo tomadas e, para complicar, nos encontramos carentes. Traímos nossa grande confiança. No entanto, continuamos a fazer Conferências, participando de reuniões entre nações e de alianças diplomáticas secretas – o que apenas o fará se envolver ainda mais e que não dará em nada, a menos que revertamos as rodas de ação da força para a razão, e a menos que cada um de nós, em nossa vida cotidiana, assim como no governo, reconheçamos as nossas responsabilidades, não apenas para com o outro ser humano – nosso irmão e semelhante-, mas para com o nosso Criador, pela parte que assumimos no Seu plano.

A menos que ajudemos a construir, em vez de destruir, e nos tornemos mais abrangentes em nossas ideias, mais amáveis em nossos corações, a história se repetirá e a civilização será novamente destruída. Grandes e nobres mestres vieram em cada ciclo para nos ajudar a emancipar e nos provar a imortalidade da nossa alma e a existência de uma vida eterna. Porém, eles receberam apenas a nossa ingratidão. Eles receberam o cálice do veneno e foram queimados na fogueira e até mesmo o glorioso corpo de Cristo-Jesus foi crucificado por nós!

Todos foram mal compreendidos, quando tentavam nos poupar exatamente pelo que estamos passando agora. Contudo, Deus é misericordioso e compassivo, e nos fornece a chance de se redimir em cada Era. Não podemos alegar desconhecimento de um Plano para nos guiar. A astrologia, a ciência das estrelas, revela a nossa vida desde o seu nascimento e através de nossas vidas anteriores. Isso nos revela nossas características individuais e, a partir delas, podemos saber no que mais encaixamos e qual a vocação deveríamos seguir para ser bem-sucedido. Para as nações, mostra um “plano azul” de seu destino; os eventos importantes na vida, os seus dirigentes e os problemas que eles enfrentarão.

Os arqueólogos nos dizem que nas paredes internas da Grande Pirâmide do Egito as mudanças dos ciclos estão escritas em sinais e símbolos, quando esperá-los, também o passado, presente e futuro das raças dos seres humanos e das nações. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento na Bíblia nos mostra a ascensão, o declínio e a queda das nações, e as causas disso; e a história comprova isso. Patriarcas, filósofos, profetas, de uma vida exemplar e antiga, nos deram um modelo, um projeto, e nos disseram como lidar com o nosso próximo. Todos eles esperavam que a gente despertasse no devido tempo o conhecimento da verdade e encontrasse a sua filosofia de vida.

Do mesmo modo que a rosa tenta insistente e firmemente se desenvolver nesse solo nada fértil e consegue, finalmente, desabrochar as suas pétalas uma a uma até alcançar a beleza suprema, também assim as nossas glórias serão manifestas e surgirão da noite longa e escura, quando percebermos que Deus tem um propósito para nós, bem como para o universo do qual nós, permanentemente, fazemos parte, e compreenderemos o valor das qualidades positivas e negativas e as utilizaremos para equilibrar e harmonizar nossos assuntos materiais e nossa vida cotidiana. Assim, a paz e a felicidade serão a nossa recompensa na Nova Era, cujo amanhecer já vislumbramos!

(Publicado na Revista ‘The Rosicrucian Magazine’ – “Rays from the Rosecross” de fevereiro/1940 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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Prazeres e Pontos de Vista

Prazeres e Pontos de Vista

Muitas vezes, ao longo da vida, batalhamos sob o efeito de uma profunda e falsa compreensão das verdades mais claras. Verdades que, se realmente fossem entendidas, ajudar-nos-iam a resolver problemas grandes e desconcertantes; além disso, auxiliariam a limpar os céus da nossa mente. Saber exatamente como viver, no que acreditar diante de todos os escombros desconcertantes das formas voláteis de pensamento, dos sistemas filosóficos e das ideias religiosas: está aí o grande problema de hoje. É uma dificuldade maior que a industrial ou a social, se não procurarmos de maneira ampla o suficiente para encontrar suas raízes na vida universal. Tais raízes nos levam a um único Plano — o espiritual. Não é por meio de ensinamentos errôneos que entendemos o espiritual. Muito do nosso ensino, oferecido nessa acepção, levou-nos a considerá-lo irreal e vago: a antítese direta da vida prática. Como entendemos agora, o Plano dos sentidos da vida objetiva é que é irreal, um fantasma.

Vida e Verdade são bastante simples, quando bem entendidas. Nós as tornamos complexas pelas ilusões e estimativas falsas. Nossos preconceitos e opiniões nos influenciam. Afastamos nossos rostos da Luz e nos divertimos com insignificantes brinquedos dos sentidos — as brincadeiras de adultos infantis. Vemos alguns raios refletidos dessa Luz em nosso mundo de sentidos e imagens sombrias. Aqui e ali, ela se refrata e cai, em brilhos quebrados, sobre esses brinquedos, os quais dignificamos pelo nome de negócio ou prazer. Pegando um raio de vez em quando imaginamos, como as crianças tolas que somos, ver e conhecer.

O “eu”, o “eu” pessoal, confirma-nos em nossa ignorância cega, pois clama incessantemente: “Eu, eu…”. É tão fácil acreditar no que se alinha aos nossos desejos. Logo aprendemos a aceitar tudo que o “eu” diz e a adorá-lo em frenesi alucinado. Aqui, é onde todos os nossos problemas começam. A bela e divina Luz está brilhando o tempo todo no centro de nosso ser, mas viramos as costas para ela e adoramos nossos ídolos. Esses ídolos não são ao menos argila, porém meras ilusões; portanto, um aspecto estúpido é dado à nossa idolatria.

O mal é apenas relativo, de modo que o plano aonde chegamos resolve a questão da nossa responsabilidade. O hotentote (pastor nômade e indígena) não é um criminoso, de acordo com o código de ética mais elevado, quando se afasta para matar. Seu senso moral está totalmente desperto e ele não tem consciência espiritual. É uma criatura não-desenvolvida, não-desabrochada.

Algum dia ele também acordará; então, começará sua luta com os problemas desconcertantes da vida. Entre ele e as inteligências que quase resolveram esses problemas estão passos imensuráveis de progresso. Cada etapa aproxima a consciência espiritual do seu perfeito desenvolvimento, quando todas as coisas se destacam em suas verdadeiras relações com a Luz clara e branca da Verdade.

A criança não é totalmente responsável por seus lapsos até que sua razão se desenvolva. Os filhos adultos da humanidade são apenas relativamente culpados, ao produzir discórdia na sinfonia da vida. Eles tocam o tambor dos movimentos cantáveis, a corneta dos devaneios em tom baixo e, quando o motivo exige um silêncio reverente, tocam as chaves da vida em frenesi louco. Naturalmente, as almas superiores tremem de agonia. Mas a aflição é parte da dor universal que as almas superiores devem compartilhar com toda a humanidade. Não consideramos essas almas infantis totalmente responsáveis por sua parte no aumento da miséria da Terra. Eles não sabem; portanto, agem como forças cegas, elementais travessos.

Quem, então, é responsável por toda a agitação e a confusão da vida? Principalmente aqueles que pertencem a um plano superior, mas que não vivem nem agem aí. Aqueles que deveriam ser os guardiões e dispensadores das verdades superiores.

Em nossa civilização ocidental, são os que professam a fé cristã — em virtude do impulso recebido das esferas superiores e destinados a aliviar as trevas da humanidade. É pateticamente trágico que muitos seguidores de Cristo, seguidores professos, sejam obstruções ao brilho total da Luz. Produzir sombras em vez de irradiar luz é uma qualidade que pertence a outro reino que não o de Cristo. Uma espada foi colocada nas mãos do inimigo. Isso atrasou o trabalho que o Cristo veio fazer.

Muito do errado é devido à má compreensão e a concepção errônea sobre a Verdade. A Igreja, tendo perdido bastante da sua herança inestimável mediante o mundanismo e a adoração aos sentidos, está realmente perdida dentro de um labirinto de tristeza e dúvida. Muitas vezes, seus ministros e professores são apenas líderes cegos que guiam cegos. Aqui e ali, almas dedicadas erguem suas pequenas lâmpadas. Elas captaram alguns vislumbres da Verdade e, com o amor a Deus e à humanidade como força controladora, esforçam-se para elevar seu padrão de vida. Seu trabalho é testemunha da sua pureza de motivo, porém frequentemente está marcado por algum elemento de fraqueza. Um toque de sensacionalismo, de apelo ao egoísmo espiritual ou ensino incipiente o torna menos eficaz do que poderia ser.

Em vez de vidas equilibradas com os elementos mentais e espirituais em harmonia, existe histeria emocional ou negação fria. Em vez de a razão estar totalmente desenvolvida e prestar a suprema homenagem à intuição, a Luz interior e divina, encontramos vontades fracas sendo alimentadas por estimulantes artificiais e caprichos fúteis do pensamento — que não são pensados. Ouve-se expressões fracas e estereotipadas, emprestadas de várias fontes, divorciadas do seu contexto. Estremece-se com as banalidades repetidas com profunda solenidade, trivialidades cuja inaptidão as condena ao pensador. Estão satisfeitos com a visão estreita, centrada em meias-verdades, enquanto a alma anseia pela visão ampla, pelas claras altitudes, as visões longínquas da Verdade que nunca se estreitam na linha do horizonte.

A Igreja, como guardiã dos mistérios superiores, deve oferecer essa Verdade ao povo. Caso contrário, o castiçal será removido do seu lugar. Deve haver portadores da tocha: a Verdade deve ser proclamada. Os que estão na vanguarda da onda de vida humana têm uma responsabilidade terrível, seja na Igreja ou fora dela. Simplesmente deixar brilhar a Luz interior e dedicar a vida ao mais alto ideal de serviço, que é o de Cristo, é o próximo passo no caminho ascendente.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross de julho/1917 pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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Como podem conciliar a declaração da Bíblia, ou seja, que José só conheceu Maria após ela ter dado à luz ao seu primogênito Jesus que foi concebido pelo Espírito Santo, com os Ensinamentos Rosacruzes que dizem que Jesus era o filho de um pai humano, José,

Pergunta: Como podem conciliar a declaração da Bíblia, ou seja, que José só conheceu Maria após ela ter dado à luz ao seu primogênito Jesus que foi concebido pelo Espírito Santo, com os Ensinamentos Rosacruzes que dizem que Jesus era o filho de um pai humano, José, e de Maria, sua mãe?

Resposta: Se procurarmos as genealogias de Jesus nos Evangelhos segundo São Mateus e São Lucas, verificaremos que o parentesco é traçado desde José até Adão, e nenhuma palavra encontramos a respeito de Maria. Como já o dissemos numa resposta anterior, um copista pode ter interpolado a passagem citada para provar o sentido materialista da Imaculada Concepção.

Contudo, se considerarmos a doutrina esotérica da Imaculada Concepção, tal suposição torna-se desnecessária.

Jeová, o Espírito Santo, o guia dos Anjos, aparece em várias partes da Bíblia como o dador de filhos. Seus mensageiros foram a Sarah anunciar-lhe o nascimento de Isaac; para Hannah anunciaram o nascimento de Samuel; para Maria anunciaram o advento de Jesus, cujos veículos (Corpo Denso e Vital) foram, posteriormente, dados ao Cristo. O poder do Espírito Santo fecunda tanto o óvulo humano como a semente do grão na terra, e o pecado original ocorreu quando Adão conheceu a sua mulher, contrariando a recomendação de Jeová.

Essa transgressão acarretou a marca do pecado sobre uma função sagrada, mas quando uma vida santa purifica os desejos, o ser humano se inunda com esse espírito puro e pode efetuar a função procriadora sem paixão. A concepção torna-se, assim, Imaculada. A criança que nasce sob tais condições é naturalmente superior, porque a concepção realizou-se como um rito sagrado de autossacrifício e não como um ato de autossatisfação.

(Do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Perg. Nº 106 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Uma Mensagem de Saúde Inspirada no Amor

Uma Mensagem de Saúde Inspirada no Amor

Uma atitude corajosa e otimista é essencial para manter a nossa saúde, bem como para ajudarmos outros que estejam doentes. Há uma razão científica para isso, mas só será revelada plenamente pela filosofia oculta.

A energia do Sol flui constantemente em nosso Corpo Denso por meio do baço, um órgão especialmente adaptado para a atração e assimilação desse Éter universal. No plexo solar esse Éter é convertido em um fluído rosado que banha o sistema nervoso. Por meio deste fluído vital os músculos se movem e os órgãos desempenham suas funções vitais.

Quanto melhor for a saúde, maior será a quantidade deste fluído solar que poderemos absorver, mas dele só utilizamos uma parte; o excesso é irradiado do corpo em linhas retas. Os germens das doenças não poderão entrar do exterior devido a essas invisíveis torrentes de força e os microrganismos que entrem no corpo com o alimento são rapidamente expelidos. Não obstante, toda a vez que tivermos pensamentos de medo ou de ódio, o baço funciona mal e deixa de especializar o fluído vital em quantidade suficiente. As linhas de força se curvam, permitindo assim o acesso fácil aos organismos deletérios que podem então se alimentar nos nossos tecidos, sem nenhuma oposição, causando as doenças.

Além disso, os pensamentos de medo e de ódio tomam forma e com o decorrer do tempo se cristalizam naquilo que nós conhecemos como micróbios das doenças infecciosas são particularmente, a incorporação do medo e do ódio e por isso, só poderão ser vencidos pela força contrária — coragem e amor. Se estamos perto de uma pessoa infectada por doença contagiosa, temendo o contágio, é quase certo atrairmos para nós os micróbios venenosos, mas se pelo contrário, nos aproximarmos de tal pessoa em atitude mental sem nenhum temor escaparemos à infecção, particularmente se o fizermos inspirados pelo amor.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978)