Arquivo mensal dezembro 2019

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A Princesa Sibele

A Princesa Sibele

Era uma vez uma solitária Fada princesinha que ansiava por alguém para brincar com ela. Morava no Reino do Faz de Conta e fiava completamente sozinha com seu pai, o Rei Amor, e sua mãe, a Rainha Beleza. Claro que haviam muitas pessoas no castelo onde ela morava e ela tinha muitas damas de companhia para servi-la. Mesmo assim, ficava sozinha, porque era a única criança no reino. As outras pessoas eram adultas e crianças não conseguem brincar muito bem com adultos, não é? Claro que se eles são apenas crianças grandes, é diferente.

Bem, ela estava cada dia mais triste por estar sozinha e finalmente foi até seu pai, o Rei Amor, e lamentou-se para ele:

— Oh, Majestade, meu Pai, eu não quero mais ser uma princesa Fada! Eu sou tão solitária e infeliz aqui nesse castelo enorme, sem ninguém para brincar comigo!

A Rainha Beleza, que estava sentada ao lado do Rei num trono dourado, pegou a princesa nos braços e tentou acalmá-la. O Rei Amor pensou um pouco e disse:

— Você sabe, Sibele querida, há uma lei que diz que ninguém pode ficar aqui se não estiver satisfeito e feliz, e eu não posso mudar essa lei, nem para minha própria filha princesa. Por isso, tente ficar contente ou terei que expulsá-la para o Mundo Terra, para viver como uma das crianças da Terra.

Ele disse isso com amargura, pois o deixava infeliz saber que sua única princesinha estava descontente no seu lindo reino. Ele sabia que seria melhor para ela ficar lá, onde estava protegida de qualquer perigo, mas por outro lado, ela ganharia muita experiência se saísse do seu lar.

A princesa pediu ansiosa:

— Oh, deixe-me ir, deixe-me ir. Eu imploro! Deixe-me ser uma menininha da Terra, ter irmãos e irmãs e brincar com outras crianças. Por favor, Majestade.

— Meu amor, o Rei respondeu tristemente. Você nem imagina que terá muitas mágoas e muitos problemas se for morar na Estrela Triste (Às vezes, no Reino do Faz de Conta, as pessoas chamavam a Terra assim).

— Mas vocês, Amor e Beleza, não podem ir comigo?, perguntou Sibele. Certamente vocês dois compensariam toda a infelicidade.

— Não, querida, nós devemos ficar aqui para governar este reino – Afirmou Amor.

— Mas, nós podemos mandar uma centelha de nossa varinha de condão para iluminar os lugares escuros de seu coração, se ela realmente quiser ir, disse a Rainha Beleza para o Rei Amor.

Então, eles enviaram à Terra a Princesa Sibele, que queria ir à busca da felicidade. Todos lhe disseram que ela esqueceria seus amigos Fadas quando se tornasse uma criança da Terra. Isso a preocupou, porque ela os amava e não queria esquecê-los, nem a seus pais. Por isso, ela procurou sua mãe, a Rainha, que lhe deu um conselho enquanto a abraçava docemente:

— Querida, ouça-nos na canção dos pequenos riachos que correm por entre as árvores. Procure-nos nas flores dos bosques. E sinta-nos nas suaves mantas de musgo verde.

Assim, Sibele tornou-se uma pequena criança da Terra, como todos nós.

* * * * * *

Alguns anos se passaram e ela já estava crescida o suficiente para correr, brincar e querer conhecer as coisas quando, um dia, enquanto colhia margaridas, encontrou uma minúscula criaturinha, cheia de brilho, de orvalho e de graça, dançando no centro amarelo da maior margarida que Sibele já havia visto. Dançando, cantando, e acenando uma varinha de condão, a pequena Fada cantou para Sibele, com exuberante alegria:

“Deus me ama e a você eu tenho amor.

Oh, diga que me ama, por favor”.

Depois a Fada saltou da margarida, arrastou-se para dentro do ouvido de Sibele e sussurrou:

“Não se esqueça de nós, querida,

Nunca, nunca à esqueceremos.

Amor, Beleza e as Fadas também,

Nunca, nunca a deixaremos”.

Dessa forma, a faísca da varinha de condão que o Rei Amor e a Rainha Beleza haviam colocado dentro do coração de Sibele resplandeceu por um momento e a partir de então, a princesa na Terra sentia a presença deles para protegê-la e alegrá-la sempre que ficava sozinha; pois ela muitas vezes estava só, porque na Terra as crianças também ficam sozinhas. De vez em quando, Sibele sentia-se triste porque as crianças que brincavam com ela não acreditavam em Fadas. Ela sabia que as Fadas eram bem reais e ficava preocupada ao pensar na alegria e felicidade que estas crianças estavam perdendo.

Bem, todos os dias, Sibele encontrava uma mensagem do Rei Amor e da Rainha Beleza — sim, todos os dias. Um dia, ela viu uma pequena nuvem branca sendo lentamente perseguida por duas nuvens cor de rosa no céu azul; e ela riu docemente ao ver as nuvens brincando.

— Obrigada, Rainha Beleza, por me mostrar uma coisa tão bela hoje.

Um outro dia, ela estava passeando, um pouco cansada e descontente — era um dia escuro e abafado e todos pareciam estar muito ocupados para brincar com ela — quando viu uma mocinha passando. Tinha aproximadamente dezoito anos e havia um brilho de felicidade em seus olhos. Talvez alguém lhe tivesse dito alguma coisa agradável. Ela sorriu-lhe tão docemente, que Sibele sentiu um estranho arrepio por todo o corpo. Ninguém poderia sentir-se triste ao receber um tal sorriso, cheio de amor, felicidade e compreensão.

Então, Sibele sorriu também com toda a coragem que possuía. Ela gostaria de saber se aquela jovem sabia que estava sendo enviada pelo Rei para trazer-lhe uma mensagem de amor.

Amor e Beleza se comunicam conosco todos os dias e de várias maneiras. Se abrirmos os olhos e o coração e deixarmos que eles transmitam o que desejam, saberemos que existe um Deus maravilhoso que nos ama e que nos deu esse mundo para vivermos, para sermos felizes e para crescermos em sabedoria, que é o conhecimento com amor.

À medida que Sibele crescia, procurava cada vez mais ajudar as pessoas a perceberem que ninguém é esfarrapado, sujo ou feio demais para ser ajudado, pois não podemos avaliar, pela aparência de uma pessoa, que alma brilhante possa ter. Jesus Cristo disse que o que fizermos para os outros, estamos fazendo para Ele. Não é maravilhoso podermos servir a quem faz tanto por nós? A melhor maneira de demonstrarmos nosso amor por Ele é procurarmos ajudar e sermos bons para todos.

Sibele cresceu e tornou-se adulta. Todos que se aproximavam dela abençoavam-na por sua doçura, sabedoria e bondade. Quando chegou a hora de deixar a Terra, Sibele voltou para o Reino do Faz de Conta. Quanta alegria e felicidade houve quando a Princesa Sibele voltou; ela aprendera que a verdadeira felicidade está em servir os outros!

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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Fé: a confiança n’Ele

Fé: a confiança n’Ele

Não é estranho que poucos seres humanos possuam uma fé real e viva em Deus? Mesmo entre os cristãos professos, há relativamente poucos que realmente confiem no Pai Celestial. Fé não significa simplesmente a crença na existência de Deus; Fé significa confiança — é nos colocar em Suas mãos.

A fé, como todas as outras qualidades e virtudes, só cresce por meio do exercício. Aprenda a confiar no Pai em tudo, tanto nas menores coisas da vida quanto nas maiores. Isso significa libertação dos cuidados, medos e preocupações dos quais o mundo está tão cheio: Mente e Coração abertos para receber a verdade de qualquer fonte que venha, acreditando que o bom Deus nos tenha em Sua guarda. Pois quando depositamos nossa confiança em Deus, fazemos uso de uma Lei Divina que nos apoia em todas as provações e problemas da vida. É como se tivéssemos agarrado a Mão Todo-Poderosa, que é capaz de fazer tudo e superar todas as coisas por nós. Estabelece a conexão entre nossa fraqueza e Sua força, que é maior que tudo.

A fé é fraca no início e às vezes é necessário estarmos em estado extremo, antes de podermos pedir ajuda a Deus; porém até mesmo a menor medida de fé fará com que o Pai Celestial venha em nosso auxílio. “A fraqueza do homem é a oportunidade de Deus.”. Ele é O sempre fiel. Lembre-se do que Ele disse: “Nunca te deixarei nem te desampararei”.

A simplicidade desse caminho o faz parecer fácil demais para a maioria dos homens. É que eles procuram grandes dificuldades para superar, no caminho do estabelecimento de uma fé que os conecte ao Pai Celestial. Isso, no entanto, requer alguma simplicidade de caráter, uma Mente semelhante à infantil. Você lembra que o Cristo disse que devamos nos tornar criancinhas? Trata-se, em grande parte, de relaxar, de deixar ir, de afastar da Mente e do coração qualquer fardo ou problema que surgir, olhando simplesmente para Ele e aceitando da Sua Mão o que vier. E não podemos fazer algo mais agradável a Ele ou mais útil a nós mesmos do que exercer essa confiança em todas as condições. E nossa capacidade de fé cresce com esse exercício. Quanto mais o praticarmos, mais fé teremos. Então chegará um momento em nosso crescimento onde não temeremos qualquer coisa — seja neste mundo ou em qualquer outro. Atingiremos o equilíbrio, a paz de espírito e a serenidade de alma, uma tranquilidade de coração que deva ser a antecipação da bem-aventurança Celestial. Perceberemos a suprema sabedoria de permitir que todas as coisas sejam ordenadas pela perfeita Sabedoria e pelo Amor perfeito; perceberemos que nossa própria vontade, devido ao nosso entendimento imperfeito, seja propensa a contrariar Sua Vontade, que sempre objetiva nossa perfeição e felicidade.

“O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que n’Ele confiam.”

“Eu, o Senhor, seguro a tua mão direita, dizendo: não temas; Eu te ajudo.”

“Em todos os teus caminhos, reconheça-O e Ele direcionará teus passos.”

“Quem muito confia no Senhor, feliz é.”

“Embora Ele me mate, eu ainda confio Nele.”

“Tu manterás em perfeita paz aquele cuja Mente esteja firme em Ti, porque ele confia em Ti.”

Há muitas, muitas passagens na Bíblia que nos pedem para confiar n’Ele. Leia o vigésimo terceiro Salmo e o nonagésimo primeiro. O escritor desse texto pode ser muito crédulo, mas acredita que essa confiança seja o remédio soberano para todos os problemas ou perigos, sejam eles ocultos ou não, e que, ao nos apegarmos a Ele, somos mantidos em segurança até o fim.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de 05/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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Uma exposição elementar sobre o seu desenvolvimento e o da humanidade

Uma exposição elementar sobre o seu desenvolvimento e o da humanidade

Quando abrimos o Conceito Rosacruz do Cosmos, lemos na página do título que o livro professa ser uma exposição elementar da evolução passada do ser humano, da sua constituição atual e do seu desenvolvimento futuro; em outras palavras, uma solução para o enigma da existência. — De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? Uma olhada nas páginas e no índice revela o fato de que o livro aborda os assuntos de um ponto de vista que esteja acima e além do conhecimento da maioria das pessoas e, portanto, a questão surge de modo natural na Mente dos sérios: o que há neste livro que justifique o seu estudo? Não é melhor e mais seguro evitar as visões e imaginações de alguém? Estou cansado dos ditados e dogmas que exigem que eu tenha fé e sinto que a única base segura é confiar na rocha da razão e depender dos fatos exatos, desenvolvidos pela ciência. Os cuidadosos investigadores científicos não usam sentimentalismo, fé ou imaginação, mas dependem apenas do que descobrem por meio de pesquisas sobre os segredos da natureza; eles não nos dão sentimentos obscenos, mas FATOS científicos.

À primeira vista, tal atitude parece razoável e lógica, mas uma inspeção um pouco mais detalhada mostrará em breve sua falsidade e seus pontos fracos. Durante vários anos temos acreditado que a ciência seja infalível, que ela nos dê fatos e não requeira fé, que seja absolutamente desprovida de imaginação e dependa apenas de resultados que são demonstrados em vários ramos por experiências de pesquisadores qualificados; no entanto, com certeza esse não é o caso, como o leitor verá quando abrir The Riddle of the Universe (O Enigma do Universo), de Ernst Haeckel, um dos principais expoentes de uma ciência monística que visa  explicar tudo o que há no mundo por meio de causas físicas, negligenciando inteiramente o sobrenatural, como o chama. A propósito, esta é uma de suas principais falácias: tudo o que é, é natural, não há qualquer coisa que seja antinatural, não pode haver, nem existe algo sobrenatural.

O que essas pessoas realmente querem dizer é que elas explicam tudo a partir de uma base física e não reconhecem algo metafísico ou além do mundo físico. Porém, em relação ao conhecimento supostamente extenso e preciso da ciência, temos uma ideia muito diferente nas páginas 299 e 300 do livro mencionado. O Professor Haeckel diz:

“Quando não temos certeza de algo, nós dizemos eu acredito nisso. Nesse sentido, somos obrigados a fazer uso da fé mesmo na própria ciência; conjeturamos ou assumimos que existe uma certa relação entre dois fenômenos, embora não a conheçamos com certeza. Quando se trata de uma causa, formamos uma hipótese: a explicação de muitos fenômenos conectados pela suposição de uma causa comum é chamada de teoria. Tanto na teoria quanto na hipótese, a “fé” (no sentido científico) é indispensável, pois aqui novamente é a imaginação que preenche as lacunas deixadas pela inteligência, em nosso conhecimento sobre a conexão das coisas. Portanto, uma teoria deve sempre ser considerada apenas uma aproximação à verdade; deve-se entender que ela possa ser substituída por outra que seja melhor fundamentada. Mas, apesar dessa incerteza admitida, a teoria é imperativa para toda verdadeira ciência; ela elucida fatos postulando uma causa para eles.”

Teorias importantes, de primeira classe:

— Teoria da gravitação, em Astronomia (Newton);

— Teoria Nebular, na cosmogonia (Kant e Laplace);

— Princípio de energia, em Física (Meyer e Helmholtz);

— Teoria atômica, em Química (Dalton);

— Teoria vibratória, em óptica (Huyghens);

— Teoria celular, em Histologia (Schleiden e Schwann);

— Teoria em Descida, em Biologia (Lamarck e Darwin).

As teorias acima explicam um mundo inteiro de fenômenos naturais pela suposição de uma causa comum a todos os vários fatos de suas respectivas áreas, mostrando que todos os fenômenos estejam interconectados e sejam controlados por leis que resultam da causa comum, ainda que a causa em si possa permanecer obscura em caráter ou ser apenas uma “hipótese provisória”. A “força da gravidade”, na teoria da gravitação e cosmogonia; a própria “energia”, em sua relação com a matéria; o “éter” da óptica e da eletricidade; o “átomo” do químico; o “protoplasma” vivo da histologia; a “hereditariedade” do evolucionista — essas e outras concepções semelhantes de outras grandes teorias podem ser consideradas por um filósofo cético “meras hipóteses” e o resultado da “fé” científica; contudo, elas são indispensáveis para nós até serem substituídas por melhores hipóteses.

Haeckel afirma, como uma necessidade indispensável, o uso livre e irrestrito da imaginação com o objetivo de completar lacunas entre fatos isolados que foram descobertos pelo cientista; ele também denuncia, em termos não-qualificados, como estúpidos os cientistas que se recusam a fazer uso da fé e da crença.

Imaginação e fé são um “bom molho” para o ganso científico e, de fato, não pode prosperar sem elas; no entanto, quando são usadas na religião, lemos na página 301 que a “A diferença essencial entre essa superstição e a fé racional está no fato de que ela pressuponha forças e fenômenos sobrenaturais que são desconhecidos e inadmissíveis para a ciência e que são o resultado de ilusão e fantasia; sendo, portanto, irracional”. Assim, de acordo com o Prof. Haeckel, que pode ser considerado, hoje, um representante do mundo científico, a fé e a imaginação são indispensáveis à ciência e os cientistas que se esforçam para sobreviver sem elas são “mal-intencionados”; entretanto, a fé religiosa é o resultado de ilusões e fantasias; além disso, é superstição.

Assim, a religião parece não ser o único autor de ditados e dogmas; aqueles que se curvam diante do santuário científico ouvem, sem que haja vergonha ou pedido de desculpas, que, embora todas essas teorias possam se tornar, mais tarde, enganosas, hoje são a única fonte de crença correta e a ciência exige que sejam aceitas sem reservas por qualquer um que tenha o selo científico de sanidade.

O capítulo de abertura do Conceito Rosacruz do Cosmos é intitulado “Uma palavra para o sábio” e é literalmente significativo, pois aqueles que são ignorantes também são, nessa medida, ensináveis, por isso o Cristo apontou uma criança pequena como ideal. Quanto mais completamente perdermos o senso de nossa própria grandeza e conhecimento, melhor estaremos em posição de adquirir informações. Este escritor recorda, a esse respeito, ter chegado à pequena cidade de S. há alguns anos, pretendendo oferecer um curso feito de palestras. Estava preparado para pagar suas próprias despesas com o aluguel de salas e outras coisas, mas procurou obter ajuda de uma certa sociedade da cidade […] e uma reunião foi realizada com o objetivo de discutir alguns assuntos. Só alguns membros compareceram, mas foram bastante unânimes e capazes de expressar os sentimentos da sua sociedade, que foram os seguintes: tivemos o Sr. X aqui, bebemos vinho, jantamos e contratamos um teatro para ele, mas ele não pôde ensinar qualquer coisa para nós. Também tivemos a Sra. Y — ela não foi melhor. Então o Sr. Z. apareceu, não sabia coisa alguma e, portanto, não lhe queremos nem queremos suas palestras: você não pode nos ensinar qualquer coisa! E, na verdade, estavam certos: quem tem opiniões tão definidas, que é tão sábio em sua própria opinião presunçosa, que condena um ensinamento sem sequer ouvi-lo ou ponderá-lo pelo equilíbrio da razão, é incapaz de ser instruído nos Mistérios da Vida. Portanto, nosso Salvador insistiu apropriadamente em que todo aquele que não receber o Reino dos Céus como criança não entrará nele com sabedoria. A criança pequena não é prejudicada por opiniões pré-concebidas, não se sente obrigada a esconder sua ignorância; portanto, é notavelmente ensinável e assume tudo com confiança até que sua experiência de vida, que vem mais tarde, prove ser verdadeiro ou falso. Então a criança utiliza sua razão para se apegar àquilo que é bom, descartando o que for preciso ignorar. Essa é a atitude mental que todos devem cultivar, antes de poder estudar adequadamente e com lucro alguma filosofia de vida.

O Conceito Rosacruz do Cosmos vai um passo além: ele sustenta que o ser humano, sendo criado à imagem do seu criador divino, não se limita necessariamente aos cinco sentidos com os quais ele agora é dotado. Atrás de nós, na escala da evolução, encontramos criaturas que carecem de vários sentidos com os quais fomos abençoados e, logo, é razoável deduzir que devamos ter em nós mesmos a capacidade de desenvolver outros sentidos com os quais poderemos saber algo em que agora temos de acreditar. Esse é o caso, como afirmado pelo Conceito Rosacruz do Cosmos; ele diz que tais sentidos estejam latentes em todos e cada um de nós e que é possível, por exercícios científicos e apropriados, desenvolvê-los antes que estejam disponíveis para uso, no curso normal da evolução. Alguns experimentaram esses métodos e verificaram que sejam verdadeiros; outros, com a persistência e perseverança necessárias, descobrirão que seja possível seguir os seus passos.

O Estudante Rosacruz deve ler o capítulo “Uma palavra para o sábio” para entender completamente a fonte de informação subjacente ao Conceito Rosacruz do Cosmos, devendo também compará-lo aos métodos declaradamente especulativos da ciência. Sobre isso é digno de nota que as “fotografias” do Prof. Haeckel de um feto em diferentes estágios, que professam apresentar um panorama pictórico da vida intrauterina, sejam parcialmente “inventadas” pela especulação sobre o que deve ter ocorrido para conectar os desenvolvimentos mostrados pelas fotografias genuínas da série. Nenhuma palavra foi dita sobre essa interpolação de “elos perdidos” por desenhos teóricos, quando a série foi publicada e anunciada como a maior das realizações científicas; e quando o professor foi acusado mais tarde de métodos fraudulentos, ele se defendeu apelando à “necessidade científica” que tornou mandatório preencher com especulação o que não pôde ser aprendido pela observação.

Quando o Estudante Rosacruz domina completamente os fundamentos das asserções científicas e as compara à fonte de informação do Conceito Rosacruz do Cosmos, não deve ser difícil escolher ou mostrar aos outros como escolher.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross em 05/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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O Problema da Memória e da Recordação

O Problema da Memória e da Recordação

Com a intensidade do seu entusiasmo, ao estudar pela primeira ver os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental da Rosacruz, os Estudantes experimentam muitos despertares breves nos planos internos da Natureza. Frequentemente regressam ao corpo pela manhã, depois de uma noite de trabalho nos planos internos, com recordações confusas, recordações de ter visto o Mestre ou os Irmãos Leigos, e entre suas experiências mais comuns está a de lhes terem sido mostradas linhas ou páginas impressas, as quais esperava-se que lessem. Algumas vezes isso é lido exatamente como se lê um livro com os olhos no Mundo Físico. Outras vezes o impresso desaparece e o leitor encontra-se vivendo ele mesmo à narração que havia começado a ler nos planos astrais. Tudo é excessivamente claro e vívido no momento em que sucede, mas ao despertar começa a se desvanecer na memória e causa decepção perceber que se pode recordar apenas um esboço muito pobre do que foi visto e, às vezes, nem isso. Outras vezes a experiência não é totalmente lembrada ao despertar, e logo, no curso do dia, ou talvez, dias ou semanas depois, recorda-se subitamente que tal ou qual acontecimento sucedeu no mundo da alma, durante as horas em que o corpo esteve adormecido.

O Estudante acredita firmemente que quando chegue a ser Probacionista, sua memória será mais brilhante e que recordará tudo o que experimente nos planos internos. Agora, é certo que o Probacionista que vive uma vida intensamente devocional, ao mesmo tempo que conserva sua Mente alerta e concentrada, descobrirá certamente que tenha feito algum progresso, mas novamente deparar-se-á com a decepção ao perceber que a memória e a consciência estão bloqueadas. Poderá, então, desiludir-se e chegar à conclusão de que não alcançará a meta nesta vida, e voltar aos caminhos do mundo.

É bom, portanto, que o Estudante saiba que a memória plena da experiência do mundo interno é raramente alcançada, e isso não acontece senão muito tempo depois da primeira Iniciação, e que ainda assim, é necessário algum esforço para alcançar a plenitude da recordação do mundo da alma, no Mundo Físico.

Max Heindel mesmo nos fala a respeito disso em seus primeiros escritos, e como esses nem sempre são acessíveis ao Estudante de hoje, queremos aproveitar a oportunidade e copiar de nossa revista Rays from the Rose Cross, de novembro de 1945, em que esse problema foi tratado:

Pergunta: — Algumas vezes tenho recordações do trabalho que faço no mundo da alma, durante a noite, mas me incomoda o fato de não poder lembrar sempre a experiência completa. Quanto tempo se passará antes de que possa recordar inteiramente as experiências noturnas?

Resposta: — Essa aberração da memória da alma continua até depois da primeira Iniciação e ainda por esse tempo não é imediatamente corrigida. Max Heindel relata que, depois de sua Iniciação na Europa, encontrou certo número de Irmãos Leigos presentes ao Serviço do Templo em seus Corpos-Almas, entre eles um homem a quem designa como Sr. X. Max Heindel escreve: “Falamos a respeito de muitas coisas em comum interesse e o Sr. X disse ao que escreve que vivia em certa cidade da América do Norte e que esperava que nos encontrássemos ali em alguma oportunidade. Isso foi cordialmente acolhido por mim, porque eu acreditava que quando me encontrasse com o Sr. X, no corpo físico, tal cavalheiro explicaria multas coisas que eu, sendo um jovem neófito, não sabia, porque nesta época não estava preparado para recordar todas as experiências do mundo invisível com a consciência física”.

Note-se que essa afirmação foi feita depois que Max Heindel havia já tomado sua primeira Iniciação: ele, contudo, chamava-se a si mesmo um jovem neófito, e disse que, todavia, não estava preparado para recordar todas suas experiências dos planos internos. Essa capacidade é adquirida mediante a prática contínua, e a primeira Iniciação não confere automaticamente a plena memória contínua das experiências obtidas fora do corpo. Podemos esclarecer dizendo que o desenvolvimento da memória total do Espírito é parte do trabalho da Iniciação; mas a Iniciação propriamente dita não acontece subitamente, mas é a culminação de uma série ascendente de experiências com seu desenvolvimento espiritual concomitante.

O Estudante deve entender que a Iniciação é algo mais que ser liberado do corpo pela primeira vez. Esse é unicamente o primeiro passo da primeira Iniciação. Segue muito trabalho ulterior, como o elevar-se a planos mais altos, e ler nos registros da Memória da Natureza concernentes à Época Polar e à Revolução de Saturno, deste Período Terrestre. Essa leitura da Memória da Natureza não é feita simplesmente como um estudo de história: faz surgir na consciência as forças que trabalharam, então, no ser humano e as faz atuantes mais uma vez, com a vontade de vigília do neófito. Deve-se notar também que o simples fato de sair do corpo, ainda que com plena consciência de vigília, não é a Iniciação. A Iniciação consiste em fazer com que o neófito saia do corpo à vontade e com plena consciência. Há algumas pessoas que foram iniciadas em vidas anteriores e se recordam da maneira de fazer isso; mas esses casos são raros.

Recordação do trabalho feito nos planos internos durante a noite é registrada no Átomo-semente e é lembrado inteiramente depois da morte, quando o Espírito é liberto do corpo.

Contudo, Max Heindel adverte muitas vezes que o fato de ser simplesmente um membro da Fraternidade Rosacruz não abrirá nunca, nem nesta, nem em mil vidas, as portas das faculdades superiores, inclusive a falha recordação das experiências noturnas no Mundo do Desejo. Deve-se fazer um trabalho definido. As faculdades intelectuais e imaginativas devem ser treinadas, e a intuição espiritual que é o dom do Espírito do Cristo Interno, o Princípio do Espírito de Vida, deve Ser conduzida a certo grau de maturidade.

Todo o trabalho é feito pelo Espírito Virginal, que é o verdadeiro Ser Humano, o Eu Sou, feito à imagem e semelhança de Deus. Esse Espírito, como sabemos, possui três “potências” ou “princípios” que se ativam nos planos cósmicos correspondentes à sua natureza, e em cada um desses planos revestem-se a si mesmos com o que pode ser chamado “envolturas” da substância do plano, ainda que à palavra envoltura não expresse adequadamente a ideia pretendida. Essas três potências do Espírito Virginal são o Espírito Divino, o Espírito de Vida (Amor) e o Espírito Humano. Desses, tem se dito outras vezes nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que: o Espírito Humano trabalha na Mente como Razão; o Espírito de Vida trabalha na Mente sob a forma de Intuição e que o Espírito Divino trabalha na Mente como Epigênese, que é o poder criador da Divindade, o poder mediante o qual o Espírito faz nascer novas iniciativas e progressos para a evolução. A Epigênese é a que torna possível que o Espírito inicie novas linhas de progresso e desenvolvimento. É ela que capacita o ser humano para “reger suas estrelas”.

Assim como o Espírito Humano se manifesta como Razão, e o Espírito de Vida como Amor e Intuição, assim O Espírito Divino se manifesta como Vontade Criadora.

Em todos os casos a Mente é a ponte, e a essência anímica de toda experiência chega ao Espírito por essa ponte. Não há outro caminho, diz Max Heindel. Com um pouco de reflexão, perceberemos como isso é certo. Se a Mente é descartada, o ser humano regride a um estado animal, ou ainda vegetal.

A Mente humana funciona no Mundo do Pensamento, que está dividido nas duas “regiões”: a Região do Pensamento Concreto e a Região do Pensamento Abstrato. A Memória da Natureza pertencente ao Período Terrestre encontra-se na região intermediária do Mundo do Pensamento, onde também têm seu lugar as forças arquetípicas. Essa Região das Forças Arquetípicas, que é o lugar da Memória da Natureza pertencente o Período Terrestre é, consequentemente, a “memória” do Espírito da Terra. As primeiras nove Iniciações dos Mistérios Menores revelam tudo que está oculto nesse registro. A primeira Iniciação Maior, que faz do Iniciado um Adepto, revela, então, o mistério da própria Mente. Esse é um mistério que pertence a “Deus, O Pai” — O aspecto Pai dos Logos Solar, que é o Líder dos Senhores da Mente. Nesse “mistério da Mente” está a solução dos problemas do Bem e do Mal, da “Queda do Homem” e da Ilusão.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul./ago./88)

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As Atividades do Irmão Maior Jesus de Nazaré

As Atividades do Irmão Maior Jesus de Nazaré

Durante os últimos 2000 anos, o Mundo Ocidental vem celebrando o nascimento do Cristo-Menino, o nascimento do Menino Jesus. Anualmente, inúmeros seres humanos relembram esse maravilhoso acontecimento que marcou a aurora de uma nova era. O fim de uma velha ordem de coisas, o começo de um novo regime.

Desde o início, observada à luz da sabedoria material, essa nova Religião foi vítima de perseguições. Nem o próprio nascimento pôde ter lugar em um ambiente humano e normal. Esse Espírito brilhante, essa joia da coroa da humanidade, “ao entrar no cenário de Sua provação e agonia, não teve sequer os menores confortos de um modesto lar camponês”.

O perigo rondou Sua vida infantil, Herodes tentou O matar; mas apesar de todos os obstáculos, esse Ego escolhido levou avante, de forma resoluta, o trabalho que devia executar.

A atenção de todos os que respondem aos Raios do Cristo tem sido concentrada nos incidentes da infância de Jesus. E, particularmente pelo Natal, tais incidentes tornam-se profunda realidade na consciência do Mundo Ocidental. Tal consciência é retrospectiva. É uma percepção, por intermédio do estudo da vida do nosso grande Irmão Maior, Jesus, da distante mudança que deverá ter lugar antes que qualquer progresso real possa ser feito durante Seu regime. Mais ainda, por esse estudo, temos um vislumbre do que vem sendo feito por Jesus atualmente para nos auxiliar, Sua atividade nos negócios da complicada vida e evolução humanas.

Poucos Egos existem no Plano Terrestre que estão além da massa humana. Esses poucos desenvolveram poderes e faculdades além da compreensão da maioria não-desenvolvida. À frente desse grupo de pioneiros está nosso Irmão Maior, Jesus, O Exemplo da nossa onda de vida. Tais pioneiros, com seus poderes e faculdades adquiridos por sua aplicação ao serviço, podem atingir os Planos nos quais Jesus age. Devido a esse contato, eles conhecem o trabalho levado a efeito e obedientemente transmitem seus conhecimentos aos Estudantes sinceros que trilham o Caminho.

Desde o sacrifício do Gólgota, Jesus tem continuado o ministério de curar os doentes e de ensinar a humanidade pecadora. Seu auxílio nunca foi negado.

Muitas pessoas conhecem o quadro intitulado “O Companheiro Branco”. Descreve um campo de combate de Flandres durante a guerra de 1914, pejado de cadáveres. Um soldado ajuda seu companheiro ferido. Ao seu lado está Jesus, branco e glorioso, olhando com sublime compaixão para a vítima do ódio humano. Realmente, o artista mostrou conhecer algo do serviço realizado por nosso Irmão Maior.

Jesus visita os hospitais e irradia amor e compaixão a todas as almas que sofrem. Ele sente a dor que as abate, pois estão pagando as dívidas que contraíram pela violação das leis de Deus e Seu compassivo coração pulsa forte, ao testemunhar tanta agonia. Na verdade, está onde a necessidade é maior. No entanto, caminha sem ser visto.

O Natal é a ocasião especial para Jesus entrar em contato com Seus fiéis seguidores. Como a Noite Santa veste-se de paz e os seres humanos e Anjos cantam “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”, lá, no ambiente do primeiro aniversário do cristianismo, abre-se aos nossos olhos uma visão gloriosa, se realmente pudermos “ver”.

Ele é uma forma radiante que ultrapassa qualquer descrição terrestre; Sua voz soa como a música das esferas, ressoa nos Éteres do espaço e o grupo de almas enlevadas em adoração experimenta viva alegria e harmonia.

Aos corações ansiosos, Ele envia uma mensagem: “Bem-aventurados vós, que trilhais os caminhos das penas e misérias terrenas; vós que estais engajados na batalha entre o bem e o mal; vós que tendes lutado na luta aparentemente desigual, por vezes permanecendo eretos e outras vezes caídos no pó da humilhação e do fracasso, mas que levantais de novo e travais o combate interminável pelo vosso objetivo. O caminho que agora trilhais, Eu o percorri há muitos anos. Conheço vossas tristezas e sofro convosco”.

“Vossa paciência foi provada ao máximo, mas permanecestes firmes, firmes até a morte. Mas agora o tempo de provações acabou. A vitória das Hostes de Deus desponta no horizonte. Coragem e paciência são as palavras de passe. Os Poderes da Luz juntam-se para a destruição final daquilo que impede a vinda do Reino de Cristo. Sedes calmos e equilibrados para que as sutilezas do inimigo não vos confundam. Esperai em prontidão para que, quando vier o chamado, estejais prontos para responder.”

“As infalíveis leis de retidão e de justiça dirigirão o curso de todos os acontecimentos e dessa escuridão e dessa tristeza surgirá a aurora de um NOVO DIA.”

Que as bênçãos de Deus e a paz do Natal possam renovar em vós a força para ganhardes a batalha.

(Traduzido de “Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 12/1971)

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Como serão os atrasados e os pioneiros na Sexta Época, a Nova Galileia? Os atrasados estarão no mesmo campo de evolução dos pioneiros?

Pergunta: Agradeceria sua opinião sobre eu estar certo ou errado no seguinte: De acordo com os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, a Terra toda será etérica na Sexta Época, a Nova Galileia, incluindo humanos, animais, plantas e minerais. De fato, o processo de eterilização já está em andamento, tendo nós passado o nadir da materialidade “alguns milhões de anos atrás”. Isso significa que mesmo os atrasados humanos, que não tiverem desenvolvido o Corpo-Alma à altura da segunda chegada, também serão etéricos, possuindo apenas os dois Éteres inferiores. Assim não sendo, a Terra não seria toda etérica. Os pioneiros, pelo contrário, só terão os Éteres superiores compondo seu Corpo-Alma, e habitarão a atmosfera da Terra do futuro podendo assim: “Encontrar o Senhor no Ar”?

Resposta: Não cremos que aos humanos que não tenham desenvolvido um Corpo-Alma lhes seja permitido permanecer na Terra chegando a Sexta Época. Parece-nos ter sido deixado bastante claro nos Ensinamentos da Fraternidade que o Corpo-Alma, o Traje Dourado de Bodas, será essencial para os humanos poderem viver na Nova Galileia. Extraímos do livro Coletâneas de um Místico uma informação bem pertinente sobre o assunto.

“Tem sido ensinado em nossa literatura que quatro grandes épocas de desenvolvimento precederam a ordem atual das coisas; que a densidade das condições atmosféricas da Terra e as leis naturais prevalecentes numa época eram tão diferentes das de outras épocas quanto a constituição fisiológica correspondente da humanidade de uma época ou era da de outras.”

“.. Carne e Sangue teriam torrado no terrível calor de então (Lemúrica), e embora adequadas às presentes condições, diz-nos São Paulo que não poderão herdar o Reino de Deus. É então manifesto que antes que possa ser inaugurada uma nova ordem de coisas, a constituição da humanidade deve ser radicalmente alterada, sem se falar da atitude espiritual. Íons serão necessários para “regenerar a inteira a onda de vida humana e adequá-la à vida em Corpos Vitais.”.

“Por outro lado, nem um novo ambiente vem à existência num momento, mas Terra e povo envolvem-se juntos desde os menores e mais primitivos primórdios. Quando as névoas da Atlântida começaram a dissipar-se, alguns de nossos antepassados tinham desenvolvido pulmões embrionários e foram forçados para as terras altas muito antes de seus companheiros. Vagaram ‘Na Vastidão Deserta’, enquanto ‘A Terra Prometida’ estava emergindo das brumas mais leves, e ao mesmo tempo seus pulmões em desenvolvimento propiciavam-lhes a viver sob as atuais condições atmosféricas.”

“Mais duas raças nasceram nas bacias da Terra antes que uma sucessão de inundações os dirigisse para as terras altas; a última deu-se quando o Sol (por precessão) entrou no aquático Câncer, cerca de há dez mil anos, conforme relataram os sacerdotes egípcios a Platão. Vemos assim não haver mudança improvisada em constituição ou ambiente para a inteira raça humana ao alvorecer de uma nova época, mas um sobrepor-se de condições que torna possível para a maioria, por ajuste paulatino, ingressar nas novas condições, embora a mudança possa parecer repentina ao indivíduo quando a alteração preparatória tiver sido realizada inconscientemente.”

No livro Interpretação Mística do Natal diz Max Heindel: “Assim como os Atlantes cujos pulmões estavam subdesenvolvidos pereceram no dilúvio, também a Nova Era, a de Aquário, encontrará alguém sem o ‘Traje de Bodas’, portanto, despreparado para entrar, até qualificar-se em ocasião posterior”.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – nov/dez/88)

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 6

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 6 – O Ponto, a Linha e o Círculo – O Espectro – O Ritmo – O Esquema, A Proposta, O Plano Geral, O Projeto, O Desenho – A Cor – A Arquitetura – A Dança – A Música

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 6

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO

CAPÍTULO II – O ESPECTRO

CAPÍTULO III – O RITMO

CAPÍTULO IV – O ESQUEMA, A PROPOSTA, O PLANO GERAL, O PROJETO, O DESENHO

CAPÍTULO V – A COR

CAPÍTULO VI – A ARQUITETURA

CAPÍTULO VII – A DANÇA

CAPÍTULO VIII – A MÚSICA

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO

 

Por muito tempo é uma das mais profundas convicções pessoais do autor a de que a Astrologia é a suprema arte interpretativa da humanidade. “Suprema” porque seus elementos de estrutura e simbolismo compõem os elementos estruturais e simbólicos das outras artes. Ela é a representação simbólica dos princípios cósmicos “expressando-se humanamente”; como tal, representa tudo o que a própria humanidade busca expressar nas belas artes. Ela é o padrão de ações e reações, e essas duas palavras juntas são o macrocosmo do que chamamos “experiência humana”, a qual, por sua vez, é a “destilação da consciência espiritual”. A arte, em qualquer forma, serve para intensificar e vivificar a consciência do Ser Humano, consciência de si próprio, de outras pessoas e do mundo em sua volta.

A simplicidade fundamental do simbolismo Astrológico tem o efeito de alcançar profundamente a nossa consciência por causa de sua qualidade arquetípica; por isso suas mensagens – por meio dos Astros, Signos, Casas e Aspectos – nos alcançam continuamente enquanto nós próprios desenvolvemos nossos recursos de sabedoria e percepção. Todos os artistas, tidos universalmente como grandes, são considerados assim por causa de um alto e excepcional desenvolvimento em pelo menos um ramo de sua arte em particular; o grande astrólogo é aquele que tem efetuado uma harmoniosa integração do intelecto com o amor e com a intuição. Ele é, por causa da natureza do seu talento, um instrumento, um estimulador e um refletor, um pai, uma mãe e um irmão. Conhece a escuridão, mas sua consciência está centrada na Luz; ele serve para iluminar a consciência dos outros a despeito da real identidade deles como expressões da Lei de Causa e Efeito, que é a polaridade cósmica em ação por meio do arquétipo humano.

Esta dissertação introdutória sobre “o ponto, a linha e o círculo” tem o propósito de preparação mental para consideração das analogias entre as belas artes e a Astrologia. Qualquer obra de arte é uma organização “quimicalizada” de elementos, abstratos e concretos, que serve para incorporar uma ideia arquetípica. A concepção da ideia é ação da polaridade feminina do artista; representa seu funcionamento como um focalizador de poderes inspiradores e um preceptor do arquétipo, por intuição. Pelo exercício da força de vontade e da destreza técnica (polaridade masculina) ocorre uma fusão vibratória que torna possível a gestação da incorporação – o arquétipo é condensado e objetivado através do meio artístico particular – e a perfeição inerente ao arquétipo é proporcionalmente manifestada em tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, palavras, etc. A fusão da intuição com a vontade é o exercício da bipolaridade – o artista é, a um e ao mesmo tempo, o “pai-mãe” de sua obra. Os seres humanos não CRIAM – nem podem criar – tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, etc. Temos, contudo, a faculdade de nos fazer cientes da existência e natureza dos arquétipos, e nossos talentos nos permitem manifestar nossos conceitos dos arquétipos, os quais habitam, e sempre habitaram na Mente Divina. Nós, como indivíduos, simplesmente damos expressões individualizadas a eles. A transcendente qualidade da obra de um autêntico grande gênio artístico tem seu recurso na clareza com que ele percebe o arquétipo e a eficiência com que lhe dá expressão. Pense sobre isto em relação àquelas obras de arte que você mais ama e que o tem inspirado mais intensamente. Elas vivem sempre em sua consciência e servem para simbolizar realidades internas para você. Sua resposta a elas é parte e quinhão do seu Corpo-Alma; a essência delas viverá nele enquanto você existir. Elas são, em qualquer forma, manifestações vibratórias da verdade. A “criatividade” do manifestador artístico é a originalidade com que ele incorpora o arquétipo.

Alguns poucos exemplos – para ilustrar a qualidade arquetípica da grande arte: a música de Johann Sebastian Bach[1]; o canto de Marian Anderson[2]; o balé artístico de Isadora Duncan[3], Vaslav Nijinsky[4] e Mary Wigman[5]; as atuações de Eleonora Duse[6] e John Barrymore[7]; os dramas de Shakespeare[8]; a escultura de Rodin[9]; as novelas de Pearl Buck[10], a arquitetura do Egito antigo; a poesia de Verlaine[11], etc.

Sem “o ponto, a linha e o círculo” não pode haver representação astrológica. Sem compreendermos o significado arquetípico desses três não podemos entender o significado arquetípico nem de uma obra de arte, nem de um horóscopo. No composto “ponto, linha e círculo”, como uma sequência, se vê o símbolo da emanação – macrocósmica e microcósmica, divina e humana. Você já se perguntou sobre o que fazer para criar um símbolo do “nada”? Bastante simples. Você subsiste por meio da palavra, e não faz nada. Deixe em branco uma folha de papel. A partir do momento em que indicar qualquer coisa nesse papel você terá dado incorporação a “algo”. O fator mais fascinante na simbologia é o estudo do ponto – porque o ponto é o começo de toda exteriorização. Você pode traçar uma linha “de imediato”? Não – você tem que começar com um ponto. Contestar dizendo: “mas eu posso usar um carimbo e traçar a linha imediatamente” é um equívoco; o carimbo (feito para traçar a linha) foi propriamente feito pelo processo de um ponto.

As pessoas, em sua grande maioria tendem a pensar que um zero (círculo) é símbolo de “nada”. O simples fato de que o zero é uma “coisa traçada” invalida automaticamente tal interpretação (“Um e Zero” – escritos – não é “um”, mas sim “dez”). Consideremos a natureza do “círculo do zero” sob o ponto de vista de como ele é essencialmente feito; a partir disso, talvez possamos conseguir uma percepção mais clara do que ele simboliza essencialmente (Note que, na soma e na multiplicação, nossos “resultados numéricos” emanam para a esquerda – do mesmo modo que a linha do Ascendente “emana” do centro do Grande Mandala em espaço-tempo específico. O número mais afastado para a esquerda no resultado aritmético é análogo ao ponto do Ascendente).

No momento em a ponta do seu lápis toca o papel você estabelece o ponto. Pela sequência de movimento no espaço-tempo, você traça a linha desde aquele ponto. Então o ponto é a origem da linha, quanto à representação. A polaridade é representada assim: sua vontade e sua mente se impõem sobre as substâncias materiais do lápis e do papel; o pensamento de traçar a linha é sua ação subjetiva; o traçado é a ação objetiva que resulta na manifestação da linha. Dos dois instrumentos, o lápis é masculino porque sua substância é qualificada para fazer a marca; o papel é feminino porque sua natureza é a de “receber” a impressão da ponta do lápis e refleti-la como imagem de sua ideia. Por correspondência você, nessa ação, é Deus; o lápis e o papel são a matéria, e a linha é o resultado específico da ação de sua vontade sobre a substância material; novamente por correspondência – assim como Deus Pai-Mãe (Vontade e Imaginação criadoras) utiliza o universo o material para manifestar arquétipos – e estes arquétipos podem ser a “humanidade”, o “gato”, o “carvalho” ou o “beija-flor” (humanos, quadrúpedes, vegetais ou aves). A ação da ponta do lápis no papel é análoga à ação da polaridade cósmica sobre e através do universo material, resultando em uma manifestação especializada.

Do mesmo modo que você, como uma “emanação” do Deus Pai-Mãe, é a fonte de suas expressões, assim também o ponto que você fez é a fonte de todas as linhas, todos os planos e (teoricamente) sólidos que podem, ou poderiam emanar dele. Assim sendo, ele é o símbolo abstrato da subjetividade infinita; a partir desse ponto as linhas podem ser traçadas no espaço infinito e no tempo infinito. Porque a linha “viva” é evidente que o ponto existe; porque somos sustentados na manifestação, fica evidente que nossa fonte existe. A linha, então, é o efeito específico de uma causa específica; o traçado dela é um processo “quimicalizante”; o comprimento dela é o exercício de sua vontade para manifestar, perfeitamente, o arquétipo em sua Mente (uma linha indefinida é manifestação não realizada do arquétipo; uma linha com medida é, definitiva e especificamente, qualificada como uma exteriorização arquetípica). Na realidade, o ponto é um “pequenino círculo”; abstratamente, e agora estamos tratando de abstrações, ele simboliza o composto puro de todas as dimensões. Reflita muito sobre a palavra “arquétipo” – ela poderia ser matéria de estudo de uma vida inteira, porque é uma das palavras mais fascinantes e iluminadoras.

Vemos agora que o ponto – como um símbolo abstrato – é o arquétipo da origem: Deus, a causa, a essência subjetiva, o núcleo, a semente, etc. Correspondentemente, a linha é a primeira emanação da fonte em potencial porque nenhuma outra linha foi, até o momento, traçada a partir do ponto. Quando a linha é completada por uma medida, então ela está completamente “quimicalizada”, sendo, pois qualificada, por seus atributos de “linearidade”, para emanar planos e sólidos (do mesmo modo que um filho, “emanado” por seus pais, possui os atributos de se tornar, ele próprio, um pai quando alcança a maturidade; sua maturidade, de corpo e emoção, o qualifica para uma identidade específica – paternidade – assim como a medida da linha a qualifica especificamente).

Aplicando-se ao texto dessa dissertação, o ponto é a ideia arquetípica do artista. O traçar da linha é a ação de manifestação do arquétipo. A linha medida, completa, é a obra terminada e agora qualificada por seus atributos para ser vista, ouvida e apreciada – para ser respondida. No Grande Mandala Astrológico o ponto central é a Divindade inerente ao arquétipo humanidade; a linha traçada para a esquerda é o Ascendente abstrato, Áries, o “EU SOU” de todos os seres humanos. No horóscopo individual do ser humano, o ponto central é sua “centelha de Deus”, sua “porção” individualizada de Divindade, a “quimicalização” da qual é a linha traçada horizontalmente para a esquerda a partir do ponto; o contato dela com a circunferência do círculo é seu nascimento físico – a objetivação de seu “EU SOU”. Como só existe um raio em cada círculo, esta “linha do Ascendente” é o composto das quatro identidades básicas do ser humano: macho e/ou fêmea; complementação (e esses dois compreendem a identidade sexual); gêneros masculino e feminino (esses dois compreendem as identidades de ser Causadores e Efeitos de Causas ou Expressores e Reatores).

A palavra “Arte” corresponde à palavra “Artista”, assim como a palavra “Humanidade” corresponde a palavra composta “Homem-Mulher”. Existem muitas formas de expressão da Arte, assim como existem vários tipos de seres humanos. Arte, como uma palavra arquetípica, significa: a manifestação de arquétipos por meio do tom, da cor, da substância, da palavra, do movimento e dos elementos abstratos do desenho e do ritmo. “Humanidade” significa: a manifestação, nesse Planeta, de uma ideia arquetípica de Pai-Mãe Deus; ela é expressa por meio dos dois sexos, masculino e feminino, que aparecem nas “dimensões evolutivas” do descumprimento e do relativo cumprimento dos potenciais Divinos. Agora, trataremos as emanações da linha como uma “fonte” (origem) em si mesma.

Assim como o número Arquetípico é “um”, do mesmo modo só existe um centro e um raio para qualquer horóscopo – embora, consequentemente, dois diâmetros. O artista possui – manifesta e/ou interpretativamente – um dote artístico, que é sua habilidade para perceber arquétipos e manifestá-los. Mas pode haver muitas maneiras pelas quais ele pode exercitar seu “EU SOU” artístico – tanto por participação em diferentes formas de arte quanto em diferentes fases de uma forma particular. Existem na Astrologia três expressões das quatro identidades básicas já mencionadas anteriormente. Em cada uma dessas doze identidades o ser humano expressa seus potenciais especializados; em cada uma das fases do dote artístico (gêneros dos quais – masculino e feminino – são o manifestador e o intérprete, respectivamente) ele expressa seus potenciais artísticos especializados; o dramaturgo expressa por meio de várias formas dramáticas, e a atriz aprende a interpretar vários tipos de papéis; o músico lida, ou pode lidar, com diferentes instrumentos e formas musicais; o arquiteto e o escultor aprendem a adaptar diferentes substâncias para dar corpo a suas ideias. O artista realiza o “raio da roda” em cada demonstração satisfatória de seu dote manifestador e/ou interpretativo; o ser humano como indivíduo realiza “seu raio” quando se conscientiza dos princípios espirituais envolvidos em seus padrões de experiência e expressa aquela realização em seu viver diário. Como é o “fim” de tudo isto que é simbolizado? Consideremos a realização do ponto – o círculo:

A inefável beleza de um círculo perfeito é o símbolo humano supremo da realização espiritual e da realização perfeita de potenciais. Após a realização e cumprimento dos potenciais, vem a liberação perfeita da escravidão à forma no tempo certo. A “forma” pode significar um relacionamento específico, um padrão de experiência específico ou uma oitava particular, um estado específico de manifestação, ou um ciclo evolutivo específico. Para ilustrar:

Desenhe numa folha de papel a seguinte forma geométrica mais simples – um triângulo equilátero. Os pontos médios dos lados são os três pontos mais próximos do centro (da figura). À medida que se move ao longo do triângulo, a partir de qualquer um desses três pontos, você se afasta do centro até alcançar o próximo ponto angular. Faça o mesmo com o quadrado – os pontos médios de seus lados são os quatro pontos mais próximos do centro, sendo que os pontos angulares ficam mais distantes do centro. Todas as figuras fechadas de três ou mais lados são símbolos do cristal – representam estados estáticos. O movimento em volta delas, embora rítmico em figuras equiláteras, não é constante em relação ao centro.

A este respeito o círculo difere de todas as outras figuras fechadas. Percorra com a ponta do seu lápis, a partir de qualquer ponto de um círculo perfeito, a circunferência da roda até chegar novamente ao ponto de partida: a ponta de seu lápis esteve à mesma distância do centro em todos os momentos. Por conseguinte, a “perfeição espiritual” do círculo e sua perfeição estética (um “fluxo” contínuo, perfeitamente controlado, a partir de determinado ponto) representam o ideal de expressão rítmica e harmoniosa de potenciais e de suas perfeitas realizações no Amor-Sabedoria.

Uma vez que o triângulo equilátero – o “Grande Trígono” – é o próximo símbolo espiritual mais significativo (em virtude da “proximidade” dos seus pontos médios ao centro), temos nele a imagem da perfeição relativa do ser humano exercitando, de tempos em tempos, o mais elevado e melhor dos seus atributos. Sendo humano, ele não permanece nesses pontos elevados (os mais próximos do centro, e que têm certa analogia com os pontos médios de um diâmetro horoscópico); ele tende a se afastar do seu centro em direção ao próximo ponto angular – que simboliza uma nova identidade para mais liberação de poderes do Amor-Sabedoria. Estude os quatro Trígonos genéricos, cada um encerrado em um círculo, com os pontos médios ligados ao centro – para representar a “proximidade”. Os pontos angulares, sendo os mais afastados do centro, são, em cada um dos quatro símbolos, os tríplices poderes da identidade (Cardeal) a ser expresso e realizado através do amor (Fixo) e da sabedoria (Comum). O encerramento de um círculo menor pelos três pontos médios representa o “retorno” da individualização (Adão-e-Eva) à unidade (Paraíso) pela redenção através do Amor-Sabedoria (Cristo). Continuando esse processo de criar círculos menores da mesma maneira reduziria eventualmente, do ponto de vista abstrato e simbólico, o círculo original ao seu ponto Central original, o término das experiências de um arquétipo manifestado: “da Subjetividade à Objetividade e de volta à Subjetividade”. Concluindo:

O círculo não é um “símbolo químico”. É a manifestação da perfeição inerente a uma expressão “quimicalizada”. Ele é o ideal da objetivação perfeita e da realização perfeita. É o infinito do efeito perfeito assim como o ponto central é a perfeição infinita do arquétipo. O círculo da roda horoscópica é o arquétipo humano a ser manifestado (Maestria); é a verdade, a bondade e a BELEZA – o poder inspirador – da obra de arte realizada. Ele é a consciência refinada e sensibilizada do artista como manifestador-intérprete – e “intérprete” significa “instrutor”, bem como “representador” – e o cumprimento de seu sagrado dote como um instrumento espiritual. O ponto central do círculo é a fonte divina de manifestação – em todos os planos, oitavas e ciclos.

 

CAPÍTULO II – O ESPECTRO

“Espectro” é uma das mais importantes palavras arquetípicas envolvidas em um estudo de expressões da arte; a palavra, na aplicação arquetípica ou concreta, é derivada de uma palavra em latim que significa “olhar para”. “Emanação” é o processo pelos quais os potenciais de uma coisa se põem em manifesto: “espectro” é o resultado – o total de potenciais, qualidades, e partes PERCEPTÍVEIS. Geralmente usamos a palavra “espectro” para designar a aparência de um raio de luz que foi refratado em suas cores (partes) componentes, e isso é um excelente exemplo para os propósitos desse estudo porque a Astrologia, em si mesma, é percebida visualmente. O arco-íris é um exemplo concreto perfeito. Ele é um espectro natural; porém é mais que isso – ele é um símbolo perfeito do “espectro” como uma palavra arquetípica. O raio de luz solar é macrocosmo, o arco-íris é microcosmo; o arco-íris como um espectro é macrocosmo para cada uma de suas cores designáveis, seus “microcosmos”; “Espectro”, como uma palavra arquetípica, se aplica a cada uma das cores como “macrocosmo” de cada um de suas tonalidades ou das gradações ou qualidades. Em outras palavras, ele é o produto da luminosidade e refração; suas características básicas são as “cores designáveis”; essas, por sua vez, são qualificadas por gradações e matizes que também podem ser designados por palavras específicas.

No que se diz respeito ao nosso Sistema Solar, o espectro original está na imaginação criadora do Deus Pai-Mãe. A Mente Divina, sendo a Fonte de cada arquétipo (ex.: o arco-íris) manifestado neste Sistema, é a fonte de todos os “espectros em manifestação” (exe.: o total e as cores em separado, e suas gradações, de cada arco-íris). Por analogia, então, a Mente Divina corresponde ao raio de luz solar em nosso exemplo; um arquétipo é o arco-íris (uma manifestação de Luz); um sub-arquétipo é uma das cores designáveis que se encontram no arco-íris.

A manifestação arquetípica da Mente Divina (a imaginação criadora do Deus Pai-Mãe) é percebida como nosso próprio Sistema Solar. O “espectro de emanação” vem a ser a gradação dos Planetas, desde o tempo em que o primeiro foi emanado até a emanação do último. O espectro de suas qualidades ocultas seria a gradação evolutiva dos Logos Planetário do Sistema, análogo às cores diferenciadas do arco-íris. A cor tem um espectro de frequência vibratória (tonalidades específicas) e também um espectro de qualidade vibratória (brilho relativo ou ausência de brilho). O espectro de qualidade vibratória do Sistema Solar inteiro vem a ser a soma total de gradações de todos os habitantes do Sistema em termos de exercícios de consciência espiritualizada do “máximo ao mínimo” (ou do “mínimo ao máximo”). A mesma classificação deveria designar o espectro de qualidade vibratória dos habitantes de qualquer Planeta em particular e, por sua vez, o agrupamento deles por raça e/ou nação. Essa analogia também é aplicável ao tom do arquétipo – material essencial para o manifestador e intérprete musical.

O tom é o arquétipo de todos os sons, uma vez que, por sua natureza, é vibração rítmica percebida audivelmente. “Fraterno” com a cor, o tom tem um duplo espectro: frequência vibratória (baixa e alta) e qualidade vibratória; o espectro de qualidade vibratória tonal também é duplo: o Dinâmico (suave e forte) e o Potente (monótono e brilhante). O espectro da “frequência tonal” é a manifestação completa da escala tonal desde a velocidade mais baixa vibratória (a mais lenta) até a mais alta (a mais alta). Essa “escala total” é dividida em “oitavas”, assim como o arco-íris é dividido em “cores” (as cores são simplesmente as “oitavas” em um raio de luz). Assim como cada cor do arco-íris é, em si mesma, um “espectro de tons”, do mesmo modo cada oitava tonal é um “espectro”. Cada tom perceptível e designado para uma cor específica, soma total dos quais é a “matriz” da cor específica, é análogo a cada harmônico da nota musical; os harmônicos de uma nota musical específica, em conjunto, são as “matrizes” da nota, assim como o envoltório do ser humano, dos animais, das plantas e dos minerais é sua matriz. O tom, em relação aos seus harmônicos, e “expressão vibratória condensada” – um fator específico de um sistema musical.

O espectro dinâmico da cor é sua gradação do branco até a máxima densidade; o espectro dinâmico do tom é a gradação que representa o “suave e forte”. O espectro de potência de ambos, cor e tom, é a gradação desde a “mínima força aplicada” (monotonia) até a “máxima força aplicada” (brilho da qualidade transportada). Um grande pianista, mediante a ação controladora da mão, do punho ou do dedo ao comprimir totalmente uma tecla, pode criar um “pianíssimo” de delicada suavidade, cuja potência alcançará os lugares mais remotos do auditório. Outros, menos habilidosos, podem tocar o mais potente possível que os sons produzidos soarão ásperos ou sem vida. A analogia disso com a “monotonia” ou com o “brilho” do Astrólogo na interpretação de princípios, quando representados em um horóscopo, é uma das coisas para as quais você deveria levar em grande consideração; a analogia é exata.

O artista manifestador usa um espectro de meios para suas expressões. Esse espectro abrange do meio abstrato mais concreto (desenho) ao meio abstrato mais evanescente (o ritmo). Inclui também os três meios concretos: tom, cor e substância. A linha é o meio abstrato entre o desenho e o ritmo. A linha é o símbolo arquetípico do “processo de manifestação”. O traçado de uma linha pode ser “espaçado” (ritmado), e dela derivam todas as formas (desenhos) incorporadas (envolvidas); assim como a própria linha emanou de sua fonte, o ponto.

Letra e palavra; tom e acorde; linha e desenho (incorporação bidimensional) e massa (desenho tridimensional) compõem os meios de o artista exteriorizar seus conceitos de arquétipos, quer de modo manifestador quer do modo interpretativo. O ritmo, espaçamento de sequência ou de manifestação sequencial, é um “denominador comum” de todas as formas de arte, porque o ritmo é o arquétipo da natureza de todo movimento.

A analogia do “espectro na Astrologia” com o “espectro na arte” é fascinante em virtude de sua clareza. O recurso arquetípico de ambas as formas de interpretação é a consciência humana; o propósito arquetípico de ambas é interpretar a natureza dos arquétipos divinos por meio dos conceitos manifestados desses arquétipos; a ação arquetípica de ambas é intensificar, vivificar e iluminar a consciência que o ser humano tem em si mesmo, de outras pessoas e do mundo ao seu redor; a reação arquetípica a ambas partes é da combinação do sentimento instintivo do ser humano com o conhecimento instintivo.

A palavra “artista” é arquetípica; suas duas principais “emanações” são o: artista manifestador (criador) e artista intérprete. O primeiro ser humano que moveu ou posicionou seu corpo de certa maneira para dar expressão a um estado emocional específico foi o “primeiro” dançarino manifestador. O primeiro ser humano a reconhecer que “o ponto, a linha e o círculo” poderiam ser utilizados para simbolizar o ser, a consciência e a existência da humanidade – ou do ser humano – foi o “primeiro” astrólogo manifestador (nesse caso se pode observar que “ponto, linha e círculo” são os “ingredientes” arquetípicos dos símbolos astrais bem como do desenho estrutural da roda). O astrólogo manifestador – à semelhança do artista manifestador – incorpora seu conceito de arquétipo por meio de um símbolo concebido originalmente; o símbolo é sua forma de exteriorizar a natureza, o propósito e a objetivação de um princípio cósmico. O astrólogo intérprete estuda e percebe, intuitivamente, os significados dos símbolos já manifestados; ele cumpre sua função aplicando sua compreensão desses símbolos à interpretação do horóscopo. Como exemplo, o autor sugere considerar o seguinte como um símbolo “manifestador” para o Planeta Plutão: um círculo envolvendo a seta apontada para cima usada no símbolo de Marte; a seta é a expressão da energia potencial; o círculo é o subconsciente coletivo da humanidade – a força arquetípica do desejo como um “fluido congelado” à espera de liberação mediante a expressão; é a concepção do autor do significado da Regência de Escorpião por Plutão e da co-Regência do mesmo Signo por Marte (A letra P é uma inicial).

A palavra arquetípica espectro tem polaridade. A polaridade masculina é “espectro de qualidade vibratória”; a polaridade feminina é “espectro de formas manifestadas”, que é a cristalização do desenho arquetípico. Essas duas polaridades de espectro são vistas em Astrologia desse modo: a polaridade masculina (subjetividade) é toda a “extensão vibratória” dos doze Signos zodiacais, desde o primeiro segundo de Áries até o último segundo de Peixes. Esse é o espectro da consciência, humanamente falando; e é o espectro dos poderes cósmicos, divinamente falando. Do ponto de vista da polaridade quando se manifesta nos atributos da natureza humana, ele é o espectro da qualidade genérica – um composto de “atividade” e “reatividade” do qual todo ser humano, masculino ou feminino, participa. Compõe a essência de nossa projetividade e de nossa reflexibilidade, nossa expressão e nossa percepção. Como a polaridade é um composto, reconhecemos que esse aspecto “masculino-subjetivo” da roda é uma “extensão de pontos”, quaisquer dos quais é um potencial pelo qual nos expressamos de acordo com as nossas percepções e percebemos de acordo com a nossa capacidade de expressar. Expressão é o processo pelo qual a individualidade é manifestada; percepção é a polaridade experimentada. Essas ações ocorrem numa sequência de tempo, mas sua fonte é uma unidade – a consciência.

A polaridade objetiva “negativa” ou “feminina” do espectro astrológico é a sequência das doze Casas, da primeira à décima segunda, no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio. Essas descrevem designações de experiências específicas nas quais, e através das quais, a consciência tanto é expressa quanto percebida. Elas se referem à “objetividade” da Vida. Cada Casa é um “mecanismo” para focalizar (como a paternidade focaliza a identidade de uma criancinha) as expressões de nossas percepções dos princípios específicos de vida. Cada Casa é um sub-arquétipo da palavra-arquétipo “matriz”; ela nutre nossa experiência e crescimento, assim como o corpo materno nutre internamente a gestação da criança e o poder do pai proporciona externamente o bem-estar da mãe e da criança. Assim, esses doze padrões de experiência “patrocinam” nosso desenvolvimento espiritual no tempo-espaço. Na congestão (expressão não regenerada da percepção cristalizada) nós permanecemos “atados” à matriz da experiência; através da expressão regenerada de percepções descristalizadas obtemos domínio sobre o ambiente do mesmo modo que, com a maturidade, obtemos “domínio” sobre nossas dependências de nossa matriz bipolar: pai e mãe. Assim nos capacitamos para funcionar mais e mais com a consciência individualizada de princípios, ao invés de em conformidades repetitivas da limitação das aparências. Lembre-se de que esse “espectro de Casas” é uma polaridade do arquétipo da experiência humana; por conseguinte, nada dele é “mau” ou “mal”. As Casas, em combinação, são materiais a serem usados; elas são designações de princípios que devemos aprender – assim como o estudo das cores nos ajuda a entender a natureza da luz.

Os Astros são focalizadores dos Signos que eles regem; eles são posicionados especificamente, pela Lei de Causa e Efeito, nas duas representações do espectro Astrológico – Signo e Casa. Assim como cada cor tem suas próprias gradações e cada tom tem seus próprios tons harmônicos, do mesmo modo cada Astro tem um “espectro pessoal” de dupla natureza. Uma é o “espectro do padrão” – todos os Aspectos possíveis com todos os outros Astros; a outra é o “espectro de foco” – todos os posicionamentos possíveis nos Signos e nas Casas como especificações dos “pontos” genéricos significativos no horóscopo individual. Um Astro sem Aspecto é como um tom “surdo” em música – tem pouco “poder de influir”. Uma congestão da relação do Astro com outro é como qualquer problema técnico em qualquer arte – a pessoa tem de “aprender os princípios” envolvidos, do mesmo modo que o artista tem de vencer sua ignorância ou sua incapacidade para manifestar ou interpretar mais perfeitamente seus conceitos dos arquétipos. “Superar seu problema”, da parte do artista, é análogo à pessoa com um Aspecto congestionado se tornando ciente dos princípios envolvidos no seu particular padrão de experiência e entrando em ação a partir da base de uma consciência dilatada.

O principal espectro do “padrão astrológico” é duplo: o sub-espectro das três Quadraturas (Cardeal, Rixa e Comum) e o sub-espectro dos quatro Trígonos genéricos (Fogo, Terra, Ar e Água). A tríplice Quadratura, em quatro variações, é o símbolo primitivo do atributo Deus Pai-Mãe a tomar forma. O quádruplo Trígono, em três variações, é o símbolo primitivo do potencial divino inerente a toda forma (manifestação ou identidade). A Conjunção de dois Astros é realmente o símbolo arquetípico do Casamento; dois Astros se “fundem” para iniciar uma série inteira de relacionamentos de Aspectos mútuos durante muitas encarnações seguintes (do mesmo modo que no matrimônio, duas pessoas se “fundem” para uma série de relacionamentos mútuos durante os anos seguintes. Pense nisso.). Em outras palavras, o Aspecto Conjunção é análogo ao ponto central do círculo porque o ponto central “emana” os potenciais para o Ascendente; o Aspecto Conjunção vai emanar uma série de Aspectos astrais enquanto a pessoa progride ao longo de sucessivas encarnações.

Todos os Aspectos astrais têm “espectro”, do modo seguinte: pela significância da “órbita” dois Astros formam Aspecto exato entre eles, ou estão se aproximando do Aspecto ou não formam Aspecto entre si. Isso é o espectro de “espectro exato” – a exatidão de um Aspecto determina a intensidade de seus efeitos, por congestão ou expressão. O Aspecto Quadratura tem polaridade no sentido de que ele, em si mesmo, simboliza arquetipicamente congestão de expressão (masculina) ou congestão de percepção (feminina). A Quadratura, o Sextil (alquimia, regeneração dinâmica), a Conjunção (fusão de forças) e a Oposição (focalização astral de um diâmetro) têm espectro somente no sentido de que quaisquer Signos, Casas ou Astros podem aparecer nesses padrões. O símbolo do Trígono tem um duplo espectro de polaridade:

Usamos aqui o triângulo equilátero que repousa em sua base horizontal (os três Signos de Terra do Grande Mandala) como símbolo do “Aspecto Trígono”.

Usamos os Signos de Terra porque essa é a representação mais estática do Trígono; essa é realmente a polaridade feminina do Trígono; é o resultado de se ter exercitado relativo amor-sabedoria no passado, e isso é uma outra maneira de se dizer “Maestria relativa”. A pessoa com um Aspecto Trígono desfruta de certa harmonia, ou abundância ou integração nessa encarnação devido a seus esforços no passado. A polaridade masculina do Trígono é o Trígono de Fogo: Áries-Leão-Sagitário. Esse é o exercício dinâmico da consciência espiritualizada e é a oitava superior do Aspecto Sextil. Em virtude de causa e efeito terem a mesma origem, podemos ver que esta representação dupla da polaridade do Trígono nos diz: “Sim, goze os frutos desse Aspecto, mas lembre-se de que você está evoluindo; você também deve usar o Trígono como um poder dinâmico para elevar a qualidade de sua Mestria relativa para maiores percepções no futuro.

Seu horóscopo terá mais “brilho” e “resplendor” se você pensar nele em termos de espectros, do mesmo modo que sua apreciação da arte se aprofunda ao ponto de você se tornar consciente dos valores e belezas de seus diversos atributos e essências. “Veja” os quatro Trígonos genéricos se desdobrarem a partir dos pontos estruturais Cardeal, Fixo e Comum; “veja” a conversão química do espírito em objetivação desdobrando as quatro cruzes estruturais a partir dos três Signos de: Fogo, Terra, Ar e Água. Pense em espectro a respeito de tudo que chame sua atenção – arquétipos, sub-arquétipos e assim por diante. Você desenvolverá, ao mesmo tempo, uma notável esfera de percepção dos valores das posições Astrológicas e padrões. “Pensar em espectro” é pensar arquetipicamente. “Pensar arquetipicamente” é exercitar a Mente ritmicamente.

 

CAPÍTULO III – O RITMO

Nesse estudo sobre Ritmo vamos tentar compreender a natureza e essência do mais intangível e evanescente atributo da manifestação cósmica. Discutiremos esse assunto de um ponto de vista tanto quanto possível arquetípico; é necessário fazermos assim para que nós percebamos o significado desse atributo tão essencial às artes.

Movimento é a palavra arquetípica que significa a ação da alquimia cósmica. As manifestações do universo estão continuamente em um estado de mudança de uma forma para outra, de um grau, tamanho para outo, de uma qualidade para outra, de um volume, ciclo para outro e de uma oitava para outra. Nenhuma coisa manifestada permanece exatamente a mesma de um ano para o outro – ou mesmo de um dia para outro. Tudo responde à essência dinâmica das forças evolutivas em direção à meta em que as potencialidades inerentes serão liberadas e cumpridas. Seu corpo cresce em tamanho e capacidade para se expressar ou se deteriora e diminui em capacidade; qualquer que seja a direção, você, em seu veículo, muda de um estado para outro. Sua consciência “move” de um estado para outro, e esse movimento está diretamente dependente de duas coisas:

  • Sua reação a uma experiência específica,
  • Sua ação subsequente sobre o estimulador de sua reação.

Quando sua repetição de uma reação negativa é manifestada em expressão pela ação correspondente, você produz uma outra causa negativa e então você se movimenta para trás. Isso é assim porque os padrões de experiências se manifestam em sequência; se você deixa de aprender de um efeito anterior de uma causa específica e novamente age com ignorância, sua “linha de vida” retrocede ao invés de avançar. Uma repetição de uma reação negativa contrariada pela ação construtiva do exercício da inteligência move sua direção evolutiva para frente e para o alto. Pense sobre isso em termos de seu movimento de consciência ao longo de sua encarnação. A liberdade completa de se mover para frente a partir de um aspecto específico de um padrão de experiência específico significa que você aprendeu a aplicar o princípio inerente ao padrão de experiência em termos de sua posição no ciclo.

Ritmo é a lei cósmica de causa e efeito trabalhando por meio do movimento. No ritmo todos os efeitos ocorrem em intervalos naturais. Pelo ritmo, toda emanação específica “nasce” no tempo condizente com os seus atributos.

A referência à “Alquimia Cósmica” é aplicável ao corpo humano desse modo: respiração é a inalação que torna possível a oxidação; exalação é a expulsão do resíduo desnecessário. O batimento do coração possibilita ao Corpo inalar para alimentar e refrescar seus tecidos pela ação arterial; a ação venosa retira aquilo que é desnecessário. Essas duas ações do Corpo, além da “inalação” de materiais alimentares e da “exalação” dos resíduos, são exemplos primordiais da ação rítmica na alquimia do Corpo. Embora o corpo seja programado para o cumprimento de suas necessidades, nós comemos e bebemos de acordo com ações conscientes; a respiração e o batimento cardíaco são dirigidos pelo subconsciente – eles “continuam” automaticamente. Pense um pouco sobre os ritmos naturais de sua vida física – alquimia é o propósito que está sendo cumprido por esses processos programados. A humanidade tem outros modos de ser alertada para os ritmos do universo. Consideremos alguns exemplos das evidências do ritmo no mundo natural:

Aquela indicação métrica na música que chamamos de ritmo “dois por quatro” – dois tempos completos para cada compasso (um-e-dois-e) – não somente ilustra a polaridade do tempo, mas também o arquétipo de toda ação rítmica. O tempo “um” é macho-masculino, o “e” é a conclusão feminina do tempo; o tempo “dois” é feminino-masculino, seu “e” é a conclusão feminina (o masculino-feminino de macho-fêmea é a polaridade cósmica em expressão quádrupla – o Universal “Adão-e-Eva”). Nessas circunstâncias:

  • A RESPIRAÇÃO: O tempo “um” é o começo da inalação; “e” é a conclusão da inalação; o tempo “dois” é o começo da exalação; seu “e” é a conclusão da exalação.
  • AS ONDAS: Tempo “um”, a “inalação, é o “ajuntamento das forças aquosas”, quando elas recuam da costa; “e” é a subida para frente até o máximo da onda; tempo “dois” é o impacto da onda; “e” é o ponto mais distantes alcançado pela onda em sua ação de avançar contra a costa. Isso ilustra a “respiração” da onda, mas a música da onda é contada pela “pulsação” do seu som; tempo “um” é a rebentação – o som alto do impacto; “e” é a subida para frente até o ponto mais alto da costa; o tempo “dois” é o “ruído da coleta”; seu “e” é a subida para a frente até o pico da onda. O ruído do “impacto” é análogo ao da rebentação do tempo “um” no compasso musical, o “acerto” mais forte.
  • OS DIAS: O espectro dos dias do ano tem polaridade rítmica de vários modos. Uma é a polaridade do dia (existência consciente), outra é a polaridade da noite (existência subconsciente). Tempo “um” é o nascer-do-sol; seu “e” é o meio-dia; tempo “dois” é o pôr-do-sol; seu “e” é a meia-noite. Quanto às estações, o Equinócio de Março – Áries – é análogo ao nascer-do-sol; Câncer é análogo ao meio-dia; Libra é análogo ao pôr-do-sol; Capricórnio é análogo à meia-noite (essa analogia não se refere ao Grande Mandala, que tem Câncer no ponto da meia-noite e Capricórnio no ponto do meio-dia; é uma analogia dos poderes da luz do sol durante cada dia com seu significado oculto durante as sequências no ano).
  • O CICLO DE VIDA: Uma ilustração perfeita do ritmo “dois por quatro”; tempo “um” é o nascimento; “e” é a adolescência; tempo “dois” é a maturidade; “e” é a transição. Esse “processo” é, naturalmente, um padrão cósmico; é a ação da Vida manifestada em Si Mesma.
  • O AMOR HUMANO: Tempo “um” é o reconhecimento de amor mútuo; “e” é a geração; tempo “dois” é o cumprimento das responsabilidades assumidas; “e” é a realização dos princípios envolvidos na experiência (cumprimento do Relacionamento).
  • A EDUCAÇÃO: Tempo “um” é a ação que inicia uma experiência de estudo; “e” é o processo do aprendizado; tempo “dois” é a ação de aplicar aquilo que foi aprendido intelectualmente; “e” é o aprendizado mediante o trabalho e/ou mediante a aplicação do que foi aprendido intelectualmente. Se “dois por quatro” é o arquétipo rítmico da marcação de tempo, “três por quatro” é o sub-arquétipo básico. “Dois por quatro” e “três por quatro” são as indicações métricas das quais derivam todas as outras medidas. O ritmo “dois por quatro” é simbolizado em Astrologia pelo símbolo arquetípico da cruz, quatro para cada um dos Signos Cardeais, Fixos e Comuns.

A cruz é a conversão alquímica da consciência por meio da reação à (ou de interpretação da) experiência encarnada.

O ritmo “três por quatro” é simbolizado pelo símbolo arquetípico do Trígono, que é o potencial espiritual inerente; esse potencial é liberado é expresso pelo Sextil à – e na – Quadratura, que é a cruz congestionada. Os seis raios – três diâmetros – do símbolo Sextil, que representam os seis Signos de Fogo e de Ar, descrevem o Cardeal, Fixo e Comum desses Signos masculinos, o macho do qual é o Fogo, a fêmea do qual é o Ar.

O Sextil, portanto, é “dois três”; cada um desses “três”, na forma fechada, é o triângulo equilátero, metade do grande Trígono duplo, o poder-amor-sabedoria do macho ou da fêmea individualizados. Os quatro pontos da Cruz arquetípica são os relacionamentos humanos básico: macho e fêmea como “dadores”, macho e fêmea como “recebedores”; ou macho e fêmea como “iniciadores de causas”, e macho e fêmea como “reatores aos efeitos de causas”. Esse grande símbolo representa as identidades da interação e do intercâmbio entre todos os seres humanos. O Trígono (fechado) é um potencial de irradiação espiritual individualizada; esse potencial é o “fruto” daquilo que foi “fermentado” pela cruz, congestionado pelo medo-ignorância, descristalizado pelos opositores do Sextil e resultando no resíduo puro do poder, do amor e da sabedoria espirituais. O Trígono é “aquilo que a alma tem guardado após a inalação da experiência e ter sido efetuada a descristalização das congestões”. Pense na analogia entre o Corpo físico e o Corpo-Alma – cada um “inala e se alimenta”, “alquimisa-se, lança fora o que não é necessário e retém a essência do que precisa”.

O significado oculto do Trígono tem muito a dizer sobre o poder místico de cura definitiva do ritmo “três por quatro”. A Astrologia ilustra isso na sequência dos Signos Cardeal-Fixo-Comum. Cada Signo “abarca” três decanatos e cada elemento “abarca” três Signos. Os Trígonos de elemento genérico são ritmos cósmico “três por quatro” se expressando a partir das quatro identidades básicas; isso ilustra o “abarcamento” da roda horoscópica assim como a divindade abrange o universo. Por conseguinte, o ritmo “três por quatro” transmite ao nosso conhecimento instintivo a recordação da eterna Presença do Divino. Há uma sutil, quase indescritível, graça e charme no ritmo “três por quatro” que os ritmos “dois por quatro” e “quatro por quatro” não têm. O significado oculto dos dois últimos é estrutural; até no ritmo “três por quatro” as frases são construídas basicamente em grupos de dois ou quatro compassos, excluindo assim a associação do Trígono à cruz. Na musicoterapia o ritmo “três por quatro” tem provado possuir um poder maior para aliviar e acalmar. O ritmo “três por quatro”, na estrutura arquetípica das frases de quatro compassos, é o poder divino em manifestação.

Quando aplicamos os significados ocultos do ritmo à Astrologia-em-ação vemos coisas notáveis. A respiração básica da ação vibratória é o tempo para baixo e o tempo para cima da Lunação e sua Lua Cheia. Essa ação é análoga à inalação-exalação de ar pelo ser humano; é a conversão alquímica de vibração no corpo arquetípico inteiro – a humanidade – assim como a oxidação e o comer é composto dos processos alquímicos físicos individuais. De acordo com a nossa consciência, nossos Corpos “se movimentam”, harmoniosamente ou não, com as ações de se sustentar. Correspondentemente, nossas almas se desenvolvem (se movimentam) com nossas respostas à ação da vibração. Uma extensão da “Lunação-respiração” se vê no estudo do eclipse solar, que é macrocósmico para a Lunação microcósmica. Um padrão de eclipse solar é o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal por dois eclipses separados por seis meses (seis Signos). Tal padrão cobre um ano; um ciclo de eclipse solar (duas vezes o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal) cobre um período de dois anos e é notavelmente análogo à uma completa composição musical – no ritmo “três por quatro”.

O tempo “um” é o primeiro eclipse; os tempos “dois” e “três” desse primeiro “compasso” são as duas Lunação que se seguem; o tempo “um” do segundo compasso é “ponto médio” da Lunação que forma uma Quadratura com o ponto do eclipse; os tempos “dois” e “três” são as Lunações que se seguem ao “ponto médio”; o tempo “um” do terceiro compasso é o próximo eclipse; as cinco Lunações seguintes repetem a sequência dos dois primeiros compassos; o total dos dois eclipses e suas dez Lunações compreende um “padrão”; o “ciclo” se completa com os dois eclipses seguintes e suas dez Lunações – perfazendo uma composição vibratória completa; a Lua Cheia do quarto eclipse de um ciclo ocorrerá em Conjunção aproximada com o primeiro eclipse. Resumindo: um ciclo de dois estímulos a dois Signos de um diâmetro zodiacal; cada eclipse tem seu “ponto médio da Lunação”; em música isso é análogo a vinte e quatro compassos no ritmo “três por quatro” – duas frases de oito compassos, quatro frases de quatro compassos. O “e” de cada “tempo separado” é, naturalmente, a Lua Cheia de cada eclipse ou Lunação.

Exemplo:

  • Eclipse nos 20º de Escorpião em novembro de 1947;
  • Ponto médio da Lunação os 20º de Aquário, em fevereiro de 1948;
  • Eclipse nos 19º de Touro, em maio de 1948;
  • Ponto médio os 13º de Leão em agosto de 1948.

As Lunações em Virgem e Libra, em setembro e outubro de 1948, completam o “padrão” na primeira metade do “ciclo”, Escorpião-Touro.

  • Eclipse nos 9º de Escorpião, em novembro de 1948;
  • Ponto médio da Lunação nos 9º de Aquário em fevereiro de 1949;
  • Eclipse nos 9º de Touro, em maio de 1949, seguida por cinco Lunações após o eclipse em Libra (Touro-Libra regido por Vênus – estímulo de uma vibração astral) em outubro de 1949, que foi seguido por cinco Lunações ao eclipse nos 28º de Peixes em março de 1950, o qual, por sua vez, iniciou um outro “ciclo de música vibratória” intitulada “Peixes-Virgem”;

Esse ciclo levará a 1952 dois eclipses em Peixes, dois em Virgem, com seus pontos médio das Lunações.

Como você reagiu aos estímulos à sua Carta no ciclo de Escorpião-Touro? Como está se preparando para enfrentar as condições representadas em sua Carta pelos quatro eclipses em Peixes-Virgem? Estamos agora (agosto, 1950) terminando a primeira metade do primeiro padrão desse ciclo; o segundo padrão será iniciado no dia 12 de setembro pelo eclipse nos 19º de Virgem. Como você está tocando a sua “música”? Está praticando arduamente?

Concluindo, umas poucas observações sobre o ritmo quando aplicado a outras artes. A música e dança são as duas artes em que o atributo ritmo se manifesta mais concreta e obviamente. A música é a percepção de arquétipos pela audição intuitiva e pela manifestação dessa percepção em artifícios tonais. A dança é a conversão alquímica de posturas corporais arquetípicas por meio do ritmo, isso como manifestação de percepção de arquétipo; é a pintura (ou desenho) e a escultura “mobilizadas”, em razão de que a escultura é um “ponto congelado”. A pintura é manifestada, basicamente, por linhas. Reconhecemos que o lineamento que coordena o tema básico de um retrato a seus fatores secundários é ritmo exteriorizado, porque a linha, em um desenho ou pintura, é emanação de pontos estruturais – exatamente como em Astrologia. O tema de um quadro é, naturalmente, o arquétipo que o artista procura manifestar. Objetivamente, contudo, o “tempo para baixo” de uma pintura é o ponto focal da expressão interpretativa. O “movimento rítmico” em uma pintura está na gradação das direções das linhas e na gradação da distribuição das cores. A sequência (movimento) das harmonias inter-relacionadas do desenho e da vibração compõem a essência do “ritmo na pintura”. A arte dramática tem ritmo no compasso da leitura das linhas, saídas e entradas (movimentos “para dentro e para fora”), atuações no palco, e o elemento tempo proporcionado na relação mútua entre as cenas (de cada ato) e entre os atos. A escultura e a arquitetura têm ritmo do mesmíssimo modo que a pintura e o desenho, exceto que a harmonia na relação de massa, em vez da harmonia na relação de cor, é o fator importante.

Belas ilustrações de ritmo em Astrologia são vistas no “espaçamento” das cúspides das doze Casas e seu agrupamento em sequências de quadrantes e semicírculos; o “dois por quatro” dos Signos alternados e Signos opostos – também do padrão de Lunação e Lua Cheia; o “três por quatro” das cúspides em cada quadrante e dos Signos em cada Trígono; o “quatro por quatro” dos pontos de cada cruz e o grande padrão de ação de “Conjunção, Sextil, Quadratura e Oposição” da Lua progredida e dos Astros em Trânsito.

Existe a dança do Sol a cada ano, e da Lua a cada vinte e oito dias, e de cada um dos Planetas em seus próprios “compassos” através do Zodíaco; as poderosas “marcações” do dia-e-noite, do diâmetro zodiacal e da Dignidade-e-Detrimento dos Astros.

Os poderosos Urano, Netuno e Plutão conduzem o influxo de grandes ondas de vida vibratórias de seres humanos que encarnam na entrada – e passagem através – dos Signos zodiacais e seus decanatos pela alquimia rítmica desses Poderes Magistrais.

Naturalmente que existe a sua própria entrada rítmica em cada padrão básico de experiência durante sua encarnação; os “espaçamentos” dos Aspectos em sua Carta Natal conforme são ativados ritmicamente desde a hora do seu nascimento.

Abra seus olhos, mais do que nunca, para a sua percepção sobre o significado rítmico harmonioso da simbologia astrológica; ele é, em forma especializada, a representação da beleza da polaridade cósmica padronizada em ação.

 

CAPÍTULO IV – O ESQUEMA, A PROPOSTA, O PLANO GERAL, O PROJETO, O DESENHO

No Capítulo I desse tomo nós discutimos sobre o ponto, a linha e o círculo como os três fundamentos da arte simbólica. O ponto é subjetividade infinita; por correspondência ele pode ser o irreconhecível; pode ser o Deus Pai-Mãe e pode ser o potencial de Divindade do ser humano individual. A linha horizontal para a esquerda, desde o ponto, é o processo de tornar químicos os potenciais do ponto. O fim da linha simboliza o estado de máxima expressão dos princípios químicos correspondentes à máxima densidade da matéria no Universo, do nosso Sistema Solar ou do total do Corpo físico do ser humano: a soma total de seus potenciais manifestados. O círculo é símbolo da perfeição infinita da objetividade. Lembre-se de que a linha horizontal tem polaridade; suas terminações são dois pontos dos quais pode ocorrer a emanação. Na simbologia astrológica, o primeiro Ponto (o Centro) inicia a emanação pelo processo de tornar químico; o segundo ponto (a extrema esquerda da linha) inicia a emanação pelo processo de realizar os potenciais do centro. O traçado da linha horizontal para a esquerda, a partir do centro, simboliza a involução; o traçado do círculo, usando aquela linha como raio, simboliza a evolução; o círculo completo simboliza as perfeições inerentes a todos os potenciais do ponto central em manifestações realizadas; ele simboliza a essência da idealidade que o ser humano procura perceber em todas as suas experiências evolutivas; o círculo, em sua beleza perfeita, simboliza a manifestação realizada de um arquétipo – no caso de nosso assunto, aquele arquétipo é a humanidade. Estes três símbolos são (como símbolos) arquétipos; deles são derivados todos os outros símbolos arquetípicos.

O esquema é a Lei da Ordem cósmica aplicada ao formato e a estrutura das manifestações. O formato é a aparência externa, a condensação da forma da matriz; a Estrutura é o inter-relacionamento das partes e fatores etéricos e físicos de uma manifestação. A Estrutura é o resultado total das emanações do centro-matriz e forma é aquilo que se percebe visualmente da estrutura.

Todos os fatores de uma manifestação são projetados pelo motivo de que cada fator é significativo para os propósitos da manifestação total. Em outras palavras, o esquema de todas as partes está de acordo com as leis da natureza essencial da manifestação; o esquema de uma manifestação completa é a aparência externa objetivada do arquétipo subjetivo. Pense sobre o “esquema das partes” e sobre o “esquema externo” do mamífero (ser humano, cavalo, baleia – sendo o “mamífero” um arquétipo). Em que se assemelham seus esquemas internos e externos? Pense nos quadrúpedes (leopardo, castor, antílope, iaque); nas aves (águia, pato, avestruz, beija-flor); nos répteis, insetos, peixes, etc. Considere o tremendo significado do esquema no mundo natural. As flores é um belo assunto para esse tipo de estudo, porque a beleza dos seus esquemas inclui a forma, a cor e a fragrância; a fragrância da flor faz parte de seu esquema, tanto quanto o fazem sua forma e cor: Toda vida animal tem um esquema em seu programa de reprodução e gestação; a vida humana tem esquemas de: relacionamentos e atividades de trabalho, desenvolvimento intelectual e iluminações espirituais. Divirta-se pensando sobre os múltiplos esquemas pelos qual a vida expressa seus poderes.

Em virtude de ser a astrologia o tema principal de nosso estudo, limitaremos por uma arte pictórica (gráfica) nossas observações sobre desenho às analogias entre a astrologia e a arte de pintar que tem, como abstração, a arte de traçar linhas. O esquema se evidencia por toda parte nas artes da música, dança, poesia, do drama, etc. – mas, para sermos breves, devemos nos limitar a essas duas artes, que correspondem mais diretamente à astrologia.

Se pudéssemos nos imaginar exercitando a faculdade da visão pela primeira vez, e estando totalmente inconscientes das identificações e propósitos das coisas materiais nesse Planeta, nós veríamos, tanto quanto nos permitisse nossa consciência, pedaços disformes de cores. Nós “vemos tridimensionalmente” só porque temos exercitado a visão por muitas encarnações e, excetuando o breve período da infância em que nos orientamos a nós mesmos no plano, estamos acostumados às perspectivas. Mas, hipoteticamente por enquanto, estando absolutamente desacostumados às perspectivas, veríamos tudo em termos de duas dimensões. Olhando seu quarto você vê o que reconhece como “grande ou pequeno”, entre vidraça, roupas, móveis, etc. Esquecendo identidade e perspectiva, a única “substância” que você vê é a cor manifestada pelas formas delineadas das coisas que percebe. A cor é inerente à substância, mas o esquema da substância dá forma a cor ou cores.

Passemos agora ao esquema em astrologia, que é uma matéria muito atraente!

Como um fator na essência pictórica do simbolismo astrológico, o círculo do mandala astrológico é a estrutura daquilo que o astrólogo estuda. Lembre-se de que a estrutura de nossas percepções visuais é a extensão circular da esfera de ação dos nossos olhos. Nós não vemos através de uma moldura quadrada ou retangular – o formato dos nossos olhos torna possível vermos tudo através de um círculo.

O “ver” ocorre em dois modos – ou em duas “oitavas”. Uma é a “visão física” – a percepção das coisas físicas pelo exercício de uma faculdade física, que é o foco de dois órgãos semelhantes sobre uma coisa ou um “ponto”. A outra é a visão “intuitiva” ou “espiritual”, que se efetua pelo foco da “bipolaridade”, sendo que o círculo da roda astrológica é também o símbolo da “estrutura” dessa “visão”. O astrólogo olha para o horóscopo com um enfoque de ambos de seus elementos genéricos – esse enfoque é o único olho da compreensão; ele se vale de seus recursos intelectuais para calcular a Carta e estudar seus elementos sob um ponto de vista técnico, mas conta também com os recursos da sua memória de experiências em encarnações passadas, como homem e como mulher, para perceber os valores espirituais dos fatores contidos na Carta. Um astrólogo funciona como um composto de ambas as polaridades quando suas percepções intuitivas são acesas pela concentração em uma Carta; ele entende a consciência de ambos os sexos, e assim é capaz de avaliar apropriadamente as indicações astrológicas. Leste-Oeste, Norte-Sul, devem ser estudados em qualquer Carta de qualquer ser humano. Todos somos causadores e reatores aos efeitos de causas – e sempre o temos sido. O astrólogo, focalizando a bipolaridade – o Ponto Central – de sua consciência, é capaz de perceber as avaliações objetivas e subjetivas das colocações e padronizações astrológicas; em outras palavras, ele percebe, através do círculo de seu discernimento espiritual, as tendências da pessoa, cuja Carta está sendo estudada do ponto de vista dele como “Causador” e um “Reator” para efeitos das causas”. O astrólogo deve conhecer a vida do Espírito tão bem quanto a vida do corpo (Consciência e Ação) – “vida subjetiva” e “vida objetiva”.

Devido a um horóscopo ser o que é (uma representação simbólica de interpretação dos princípios da vida por uma consciência individualizada na encarnação), nós não fazemos horóscopos de pessoas desencarnadas ou de arquétipos sub-humanos. Grave em sua Mente esse pensamento: o círculo não é o desenho básico do horóscopo; a cruz dos diâmetros vertical e horizontal sim. O círculo é somente porque o raio do Ascendente é, e o raio do Ascendente é porque o ponto é. O círculo é, de fato, o último fator no simbolismo astrológico, porque representa as perfeições manifestadas inerentes aos potenciais do ponto. Um círculo em branco não mostra a ação da bipolaridade, pelo que não pode ser considerado o esquema básico. O esquema deve preencher o propósito de indicar a ação da bipolaridade, pois tal ação é o que a vida é. Com todos os outros fatores ao alcance, pode-se fazer um horóscopo sem traçar um círculo; mas para se ter qualquer horóscopo completo, o grau do Ascendente se faz imperativo – dispondo do grau do Ascendente você dispõe automaticamente da cúspide da sétima Casa. Tendo-se esses dois fatores, o quadro da complementação básica se apresenta, e tal fator, mais que qualquer outro, é o esquema da bipolaridade essencial da consciência individualizada – a essência vital da própria vida.

Por ser uma linha, o diâmetro horizontal não é em si mesmo – e nem pode ser – um esquema; mas porque suas extremidades tocam a circunferência do círculo ele serve para criar um esquema dentro da roda. Esse desenho de dois semicírculos é o arqui-símbolo da simetria, e a simetria é a bipolaridade do esquema; “macho-fêmea” é a simetria do sexo, e “masculino-feminino” ou “dinâmico-receptivo” ou “expressivo-reflexivo” são as simetrias do GÊNERO. A linha horizontal, que serve para “ativar” os potenciais contidos no interior do círculo, é o símbolo de todas as diferenças entre as expressões polares do universo ou, correspondentemente, da natureza humana. Um diâmetro de um círculo não “divide” o círculo em “duas coisas”; ele ativa a polaridade de tudo o que é representado pelo conteúdo do círculo, que são, por sua vez, emanações do ponto central. E mais: o diâmetro, que é o aspecto duplo do raio do Ascendente, é a representação da bipolaridade do ponto central “desdobrada” na maneira mais simples e direta possível. Os semicírculos inferior e superior são, por conseguinte, a expressão cumprida de cada polaridade – os dois, reunidos, formam o círculo completo, que é composto total da polaridade. “Macho e Fêmea” são as palavras que simbolizam a “quimicalização” das diferenças de polaridade no plano gerador do ser. Consideremos agora o esquema da bipolaridade de cada polaridade; tenha sempre em mente que todas as coisas representadas num horóscopo é emanação do ponto central.

O relacionamento entre dois Astros que identificamos pelo ângulo de noventa graus é a Quadratura – arqui-símbolo da congestão de potenciais. Em sua aparência, conforme a usamos, ela repousa sobre uma base horizontal, e seus dois lados são verticais – variações do símbolo arquetípico da Cruz – “comprimidos” dentro das limitações impostas pela circunferência do círculo.

Esse registro do desenho da Quadratura é chamado “mau” por alguns, porque representa uma tendência de permanecer “inexpressivo” – portanto “morto”, que significa “anti-Vida”. A “dor” implicada nesse registro é a ignição de potenciais pelas forças evolutivas que atuam por meio da consciência humana, com o objetivo de que os potenciais de vida possam ser liberados contra uma inércia “embutida”. Essa Quadratura, aplicada ao conteúdo de um círculo, toca este círculo em quatro pontos (que correspondem aos pontos médios da segunda, quinta, oitava e décima primeira Casas), os Signos Fixos[12] do Zodíaco, os recursos de poder do amor-desejo.

A regeneração desses recursos é a grande “mágica integral” da alquimia – o pico do esforço espiritual. Mas sendo esses pontos os “pontos médios”, eles não coincidem com as cúspides que, por sua vez, são emanações do “EU SOU” do raio do Ascendente. Só existe uma representação do símbolo da Quadratura que não apenas coincide com as cúspides das Casas, mas também é estruturalmente simétrica e equilibrada: a Quadratura cujos pontos angulares são as cúspides da primeira, quarta, sétima e décima Casas – os Signos Cardeais[13] do Grande Mandala, os quais são os pontos estruturais do relacionamento humano básico.

E a “inércia” e a “contra-ativa-a-inércia” (a polaridade dos processos de vida) são representadas nessa Quadratura de forma incrivelmente iluminadora, uma vez que trata diretamente da “humanidade do relacionamento”.

Marque um ponto exatamente no centro de uma folha de papel. Partindo desse ponto, trace uma linha horizontal de aproximadamente 5 centímetros de comprimento para a esquerda; retroceda ao ponto e trace outra linha do mesmo comprimento, essa verticalmente para cima; retroceda ao ponto. Escreva a palavra “macho” no lugar superior da horizontal e no lado esquerdo da vertical. Agora, partindo do ponto, trace uma linha de 5 centímetros para a direita, retroceda ao ponto e trace uma linha vertical de duas polegadas para baixo; volte ao ponto; você acaba de criar as “linhas de força” no esquema do relacionamento humano básico. Ponha os símbolos dos Signos Cardeais de modo apropriado, de acordo com o Grande Mandala. Agora o ângulo formado por cada par de linhas sucessivas a partir do ponto é um ângulo reto, o mesmo que se encontra nos pontos estruturais do quadrado dos Signos Fixos. Áries e Capricórnio representam “inércia” e “ação” nesse modo: Áries é o “macho gerado”; Capricórnio é o macho gerador.

Pense cuidadosamente nisto: a “tendência para o mal”, simbolizada pelo desenho da Quadratura, significa isso: a tendência para continuar se expressando em um nível de inércia espiritual prolongada. Quando não crescemos nem nos desenvolvemos, nós voltamos a uma situação anterior, pior do que estamos – degeneramos – e a degenerescência é a suprema blasfêmia porque representa uma oposição aos cumprimentos da vida. Os potenciais estáticos da imaturidade precisam ser liberados e cumpridos, e a “imaturidade” é o relativo NÃO-cumprimento em qualquer nível, oitava ou ciclo. Vamos olhar novamente nosso desenho, os ângulos e linhas de força na figura Cardeal e na Quadratura dos Signos Fixos:

Na figura Cardeal trace um pequeno arco próximo ao ponto que liga as linhas que representam Áries e Capricórnio; trace outro pequeno arco ligando a horizontal superior e a vertical esquerda da Quadratura fixa. Estes dois arcos envolvem duas expressões de “ângulo reto”; o Cardeal é “aberto”, o Fixo é “fechado” – pelo menos até onde as relações estão ligadas ao desenho inteiro. O ângulo reto Áries-Capricórnio forma o quadrante superior esquerdo de sua roda; o ângulo reto da Quadratura Fixa focaliza o quadrante superior esquerdo de sua roda. Você vê como o desenho do Aspecto Quadratura, em sua natureza essencial, retrata o potencial para desenvolvimento e o potencial para congestão? Trace em ambas as figuras arcos análogos a estes dois, relacionando Capricórnio-Libra com o quadrante superior direito do quadrado Fixo, Libra-Câncer com o quadrante inferior direito e Câncer-Áries com o quadrante inferior esquerdo; cada ângulo reto central aberto da “cruz” Cardeal tem seu potencial para congestão mostrado nos ângulos correspondentes do quadrado (ou Quadratura) Fixo arquetípico. Estes dois Aspectos (polaridades) do desenho da Quadratura mostram o “contragolpe” recíproco das tendências dinâmicas e de inércia da consciência humana. Toda “imaturidade” (“infantilidade”) de consciência deve transcender a tendência inercial para se realizar no simbolismo do círculo. Os “ângulos”, dinâmico e congestivo nessas duas figuras – posto que cada ângulo seja um relacionamento de dois fatores dos potenciais do ponto – é o eterno impulso da polaridade cósmica por meio da consciência do relacionamento humano para realizar os potenciais do arquétipo “humanidade”.

O estudo dos símbolos astrológicos como imagens é um exercício mental e estético fascinante. Esses símbolos, em sua maior parte, têm sido usados desde os tempos antigos como delineações de concepções dos princípios de vida. Esse raciocínio diz respeito à essência geométrica desses símbolos, como eles podem ser correlacionados com os valores geométricos da Arte Gráfica do Desenho, a abstração da Arte da Pintura.

Após havermos experimentado muitas encarnações, nós temos uma reação subconsciente ou instintiva aos desenhos geométricos como representações de princípios, ações, processos Cósmicos – e suas cristalizações na Forma. Os desenhos essenciais que o artista usa para apresentar seus conceitos de arquétipos são eles próprios arquetípicos. Como uma arte gráfica, a astrologia retrata a consciência do arquétipo “humanidade” – o recurso básico de toda a conceituação humana. A qualidade arquetípica do simbolismo astrológico (“simplismo”) é tal que os significados dos princípios representados por eles se tornam basicamente mais compreensíveis, enquanto a consciência do ser humano é esclarecida pelas alquimias da regeneração. Esse esclarecimento resulta em uma destilação de poder que, através da manifestação ou interpretação artística, serve para estimular, vivificar e iluminar a consciência de pessoas menos evoluídas. Assim como a consciência do artista fica “impregnada” por se sintonizar com as forças inspiradoras, do mesmo modo o poder de sua consciência, liberado através de seu trabalho artístico, “impregna” a consciência (conhecimento interno) dos indivíduos; o resultado, em ambas as oitavas, é o “nascimento” de um novo nível de realização. A resposta do artista e dos indivíduos ao impacto das forças inspiradoras é a alquimia de um tipo sutil, mas muito poderoso. É uma magia intimamente afim à magia do amor porque, em ambas os arquétipos, são percebidos até certo ponto. A inércia do auto-isolamento é descristalizada e o divino é vislumbrado. Cada experiência semelhante de uma pessoa respondendo ao poder inspirador da beleza manifestada é um grau de “Matrimônio Hermético” – realização da “(re)união com o Eu Superior”.

Em virtude dos desenhos emanarem da linha, consideremos o gênero das linhas retas, que são as abstrações das linhas curvas. A vertical é dinâmica e estimulante; a horizontal é imóvel e receptiva. Como tais, as duas simbolizam causa e reação a, ou efeito de causa respectivamente. A diagonal que liga a vertical à horizontal é o reflexo duo-genérico de ambas (o gênero das linhas curvas é determinado pela qualidade da linha reta que liga as duas extremidades). A vertical, por si mesma, estimula o quê? A horizontal, por si mesma, reage a quê ou é afetada por quê? Quando os lados de um triângulo retângulo são uma vertical e uma horizontal a hipotenusa (diagonal) é oposta ao ângulo reto e reflete aquilo que é gerado pela junção das duas linhas. Assim sendo, ele é análogo à relação de uma criança com seus pais e reflete, até certo ponto, as qualidades de ambos, pai e mãe. Toda linha reta encerrada num círculo incendeia os potenciais dos conteúdos do círculo; portanto, os diâmetros vertical e horizontal incendeiam os conteúdos do círculo de maneira quádrupla – os quadrantes iniciados pelos Signos Cardeais; cada semicírculo é, portanto, “incendiado” de modo duplo, o que resulta no quadro da vibração simpática que atrai e junta Pai-Mãe-Filho-Filha para formar o “recinto” do padrão da família humana. Dois tipos de vertical e horizontal são qualificados pelas quatro diagonais, assim como “homem-mulher” está qualificado como “paternidade/maternidade” pelos filhos que geram.

Os desenhos e formações de linhas não somente implicam em formato e forma, mas também em ação, liberação, congestão, involução, estática, radiação, gravitação e muitos outros tipos de ação da vida. Estar estático significa “se estabilizar entre os movimentos precedentes e os movimentos sucedentes” – e movimento é alquimia cósmica. Nada na vida manifestada é eternamente estático, mas essa condição de estabilidade ou equilíbrio é justamente tão importante quanto o movimento, porque a radiação de poder se segue ao foco de poder. O Universo tornado químico é o meio da Natureza enfocar seus poderes, assim a palavra “estático” significa realmente “focalização”; não significa nem pode significar “morte” ou “ausência de vida”. Partindo desse ponto de vista, consideremos uns poucos símbolos astrológicos “estáticos”.

Todos os símbolos simétricos carregam uma impressão de serem estáticos por serem lateralmente equilibrados, mas existe um mundo de diferença entre os símbolos simétricos abertos e os ditos fechados. Os símbolos astrológicos mais estáticos são os do Aspecto Quadratura e o do Astro Sol.

Desses dois, o Aspecto Quadratura é o mais estático porque carece completamente de curva ou de diagonal. Esse quadrado, com a base horizontal, é “todo para cima e para baixo, cruzando direto” com ângulos “inflexíveis” e com uma completa falta de fluidez ou estabilidade. Ele é a solidificação de quatro ângulos retos inerentes ao ponto central, de forma que sua “personalidade” pode ser descrita como: compressão, rigidez, poder contido, implacabilidade, peso, imobilidade, cristalização, presunção de retidão, obstinação, preconceito, ignorância do medo, “letra da Lei”, e insipidez. Uma vez que seu significado astrológico, como um símbolo, é congestão de potenciais, nós temos uma impressão de “força” do Aspecto Quadratura, mas ele sugere força que não está sendo utilizada, músculos e inteligência que não estão sendo exercitados. O potencial de amor desgastado pelo ódio e pelo interesse próprio (do tipo errado). A Quadratura é “precisa” e “nítida”, assim como seus efeitos. Quando experimentamos o estímulo de nossos Aspectos de Quadraturas (as forças da vida tentando nos fazer lutar para nos libertarmos das congestões da inércia e imaturidade), a Quadratura nos fala por “seu” modo brusco, violento e intransigente. “Inativo” é como uma “pessoa quadrada” que se expressa com precisão e muita eficiência verbal, mas com falta de tato ou graça. A Quadratura é a imagem do “dois-vezes-dois” – a essência da estrutura formal e, portanto, a essência daquilo que é conhecido como “classicismo” na arte. A arte clássica se preocupa com a simetria da estrutura e com a clareza do contorno, qualquer que seja seu meio. A arte clássica medíocre é “congestão na forma” e “ausência de poderes inspiradores”; a grande arte clássica, felizmente, junta as duas. Aspectos, arte, natureza humana ou no que quer que seja, Quadradura é poder em um estado de relativa inércia; estude os traçados focalizados no desenho da Quadratura; qual a sua reação a eles?

Os desenhos circulares, por sua natureza essencial, são de dois tipos principais; a circular estática é radiativa e a circular móvel é convoluta. Os três símbolos astrológicos arquirradiativos são os do Sol, da própria Roda Astrológica e do Aspecto Sextil; os dois primeiros são fechados, o terceiro é aberto.

Dos três, o Sextil é o mais radiativo, porque seus “raios” não estão confinados. Somente o ponto no centro do símbolo do Sol o faz sugerir radiação; o círculo do símbolo é, na realidade, uma representação do desempenho dos potenciais de um arquétipo específico. A Roda Astrológica é um “símbolo do Sol em grande escala” – as linhas de força da qual são as doze oitavas básicas do “Eu Sou” que, por sua vez, é o potencial “quimicalizado” do ponto central. Os três diâmetros, ou seis raios, representados no símbolo Sextil são a Trindade Espiritual dos Signos de Fogo e Ar – a polaridade masculina dos sexos masculino e feminino da humanidade. E representa, por sua “iluminação”, a universalidade da alquimia centralizada no Incognoscível, no Deus Pai-Mãe ou no ser humano individual. O efeito do desenho radiativo é de impacto e iluminação – a “sensação” que acompanha o exercício alquímico. Quando você experimenta o “impacto” de um esforço alquímico, seu plexo solar é análogo ao centro do símbolo Sextil, em relação ao seu corpo. A emanação proveniente de sua consciência vitalizada ou regenerada pode se estender indefinidamente ao mundo de outras pessoas e condições. Se você focaliza sua consciência vitalizada em uma coisa ou em uma condição, então você “as circunscreve num círculo”. Olhe para o Sol, a Lua a as estrelas quando estão brilhando com luz plena; olhe para o rosto das pessoas quando sorriem; o que fazemos para expressar um cumprimento amistoso? Nós irradiamos ao estendermos uma mão para outra pessoa, que a segura e aperta. Isso é o entrelaçamento dos Trígonos de Fogo e Ar das linhas de força do Sextil para criar um duplo intercâmbio magnético. O desenho radiativo nos alcança a partir do centro de seu tema assim como as pessoas nos alcançam e nós as alcançamos. Um desenho radiativo que representa um assunto extremamente desagradável pode nos repelir assim como as pessoas desagradáveis nos repelem e nós repelimos quando somos desagradáveis. Quando o assunto em si é de natureza inspiradora a “irradiação do Sextil” pode nos fortalecer com um impacto de beleza e inspiração que transmite uma sensação de exaltação e renovação. Estude os desenhos radiativos em quadros. Permita-se sentir os arquétipos deles.

O desenho circular convoluto simboliza a ação recorrente em torno do ponto central. Ele é mais “móvel” que o tipo radiativo, e seu significado interno apresenta um arquétipo totalmente diferente. Na astrologia temos dois desenhos circulares convolutos básicos: o Signo de Câncer e o Aspecto de Oposição.

Esse tipo de desenho talvez seja o único que transmita mais claramente a impressão de “graciosidade” – é muito feminino em qualidade, é rítmico e inteiramente curvo. O símbolo original de Câncer foi o símbolo Tauista chamado “Yin e Yang”; o envolvimento das duas figuras curvas por um círculo o faz o símbolo da bipolaridade da semente (aquela encerrada no útero, ou na matriz), a palavra-mãe arquetípica; Câncer, Cardeal e gerador, é regido pela Lua, cujo símbolo básico é um semicírculo vertical; a linha que liga suas extremidades é a vertical das quarta e décima Casas astrológicas – “linha de parentesco”. O desenho circular convoluto, embora sugira movimento, também transmite uma impressão de monotonia – recorrência contínua para o centro e a partir do centro. Não é congestão, como na Quadratura; em uma figura fechada como a do “Yin e Yang” ele é a latência de energias ainda não expressas, ou o fluxo e refluxo Cósmico a partir do centro e de volta a ele através de oitavas evolutivas, como no símbolo do Aspecto Oposição. A essência desse tipo de desenho transmite à nossa percepção interna a rítmica “volta ao repouso” – que é uma transição, ou sono, que é uma “pequena transição”; é calmante em seu efeito, se estendendo para fora, mas se curvando eternamente em si mesmo em graciosas “dobras” de linha.

O símbolo do Aspecto Oposição tem algo da mesma monotonia do símbolo Yin-e-Yang com o acréscimo de um fator dinâmico; a “linha básica” desse símbolo é a diagonal para cima, pelo que está implicado o “germe da aspiração”. Como um fator astrológico, esse desenho focaliza-se em três pontos: os pontos médios das segunda e oitava Casas e o ponto central da Roda; seu significado essencial é: escolha entre as expressões não regeneradas e as regeneradas, ou transmutação dos dois polos do diâmetro do desejo (Touro-Escorpião). Esse símbolo, por seu “fluxo” contínuo a partir do ponto central para as segunda e oitava Casas, implica em repetição de padrões de experiência, em oitavas cada vez mais elevadas, até que a regeneração da natureza de desejos seja destilada. Esse símbolo, como um desenho artístico de dois círculos tangentes entre si no ponto central, representa as transmutações, por pessoas de ambos os sexos, do desejo de posse por meio da capacidade de administrar os bens materiais (Touro-segunda Casa); e por meio do amor (Escorpião-oitava Casa); cada um desses pontos representa uma oitava do potencial de desejo e do atributo de amor – esse diâmetro é polarizado pelo diâmetro complementar Leão-Aquário, Signos que são as oitavas pessoais e impessoais do Poder-Amor. Pense numa película cinematográfica de uma pessoa em um balanço: “duas balançadas para cima” e “duas balançadas para baixo” – começando e terminando no centro gravitacional; existe um ritmo e pulsação no “sobe-e-desce” desse tipo de símbolo; é o eterno impulso aspirativo da humanidade, “irrompendo” do “começo” estático de cada oitava.

O mais dinâmico de todos os desenhos circulares é a espiral vertical; esse é um desenho linear da essência do círculo perpetuado no tempo, no espaço e na consciência.

Ele é aberto, simétrico, rítmico e, mais que qualquer outro desenho, transmite a sensação de progresso eterno. É o mais estático de todos os símbolos porque (e quando o estudarmos nós veremos isso) simboliza a ação eterna do fogo cósmico, involutiva e evolutivamente. O “pir” de “pirâmide” significa “fogo”, e a pirâmide equilátera é a forma “quimicalizada” do triângulo equilátero.

Esse, por sua vez, é o formato essencial daquilo que é representado pelas espirais involutivas e evolutivas em representação bidimensional. Imagine uma pirâmide: quatro triângulos equiláteros, cujas bases são os lados de um quadrado; um círculo circunscrevendo o quadrado pode ser tido como o primeiro nível básico da espiral.

Em sua imaginação, do topo da pirâmide olhe para baixo: esse ponto de vista do topo da pirâmide apresenta um ponto central, o quadrado dinâmico dos Signos Cardeais do Grande Mandala, com suas quatro linhas diagonais bipolares. Os quatro ângulos retos desse quadrado são os reflexos inclusos dos ângulos centrais da Roda formados pela intersecção dos diâmetros Touro-Escorpião e Leão-Aquário; eles correspondem aos quatro ângulos do quadrado estático, que são os reflexos inclusos dos ângulos centrais formados pela intersecção dos diâmetros Áries-Libra e Capricórnio-Câncer. Você reconhece a Roda Astrológica nesse “ponto de vista”? A partir de qualquer um desses pontos de estrutura Cardeais (filho, filha, pai e mãe – macho e fêmea de causador e reator imaturos e maduro aos efeitos de causas) a “gerada de Deus” – a humanidade incluída, encarnada – começa seu retorno ao seu “Éden perdido”, o ponto central do círculo, o topo da pirâmide. A humanidade, em seu Corpo Manifestado, evolui por meio do exercício do Amor-Sabedoria destilado, não para um “ponto evanescente”, mas para a realização da fonte, que é ser perfeito. A linha espiralada contínua, encarnação após encarnação, volta após volta, através dos padrões de relacionamento humano, através de sucessivos ciclos de experiência e de oitavas de consciência – mas sempre para o alto e a partir do círculo básico que circunscreve o quadrado básico. Enquanto os círculos espiralados se afastam da diferenciação do quadrado básico vão se tornando cada vez menores – prosseguindo continuamente em direção à unidade indiferenciada do ponto apogeu, o ponto central do círculo. Trace uma espiral circular, começando no que corresponderia ao ponto do Ascendente de um horóscopo; reconheça, à medida que “evolui” a linha espiral em direção ao ponto central, que você está se libertando da separatividade “quimicalizada” e se tornando cada vez mais consciente de sua origem espiritual, sua “Deidade”. Na representação “quimicalizada” nós não vemos o círculo básico ou linha espiral. Olhando a pirâmide “de frente”, o que vemos? O triângulo da identidade e atributo espirituais – o poder-amor-sabedoria inerente a cada uma das identidades humanas básicas, de que todos partilham em nossa jornada evolutiva em espiral.

Por conseguinte, verticalidade, horizontalidade, diagonalidade, radiatividade, convolução, estática, congestão, abertura, estática espiralada e todas as outras muitas qualidades sugeridas ao nosso conhecimento interno, pelas direções de todas as emanações a partir dos pontos estruturais do desenho, são os atributos daquilo que o artista-que-desenha e o astrólogo-que-interpreta exercitam suas habilidades manifestadoras e interpretativas.

Estude novamente os símbolos astrológicos com a “consciência aberta”, para se conscientizar melhor da qualidade do desenho deles. Sua percepção astrológica se tornará cada vez mais sensível e iluminada. Você descobrirá, com o tempo, que está desenvolvendo uma percepção sensitiva dos desenhos cósmicos inerentes à personalidade, experiência e relação humanas e a todos os processos pelos quais ocorrem as realizações espirituais. Seu próprio viver, no dia a dia, será visto como um recurso para expressão de sua consciência da beleza. Outras pessoas, representadas pelos horóscopos que você estuda, passarão a ter, em sua consciência, uma beleza e um valor mais intensos.

 

CAPÍTULO V – A COR

A cor é o atributo da Manifestação da Perceptibilidade. Uma vez que o Universo manifestado é o veículo ou instrumento do Espírito, ele tem de ser concebido e então percebido antes que possa ser posto em uso; nós como “centelhas do Espírito” em forma manifestada, nos tornamos conscientes desse instrumento pela nossa faculdade de visão. Os outros sentidos são meios pelos quais nós completamos nossa percepção, mas é por meio da visão que “damos o primeiro passo”.

Portanto, como “perceptibilidade” (vemos as coisas como “retalhos de cores”), a cor tem um grande significado em relação à natureza oculta da manifestação. Se estamos aqui para desenvolver a consciência dos princípios da vida, devemos aprender sobre as funções das coisas materiais e também sobre o que elas significam como “quimicalizações” de arquétipos. Entender a natureza de uma coisa material, bem como sua função, é entender o propósito de seu arquétipo; entender o propósito de um arquétipo é entender, em certa medida, um princípio de vida. Os arquétipos, em conjunto, são as manifestações primárias da vida; a vida do arquétipo é o “ciclo de vida” de sua “quimicalização” manifestada. “Arquétipo e manifestação” é a referência mais direta que podemos fazer à Lei Cósmica de “causa e efeito”.

Após centenas de encarnações estamos tão acostumados a ter como certas as cores do mundo que tendemos a nos esquecer (se é que já o conhecemos) o significado desse atributo no ciclo de vida das coisas manifestadas. Uma vez que todas as coisas afetam e são afetadas por todas as outras coisas, será possível que a cor possa representar um aspecto da natureza do intercâmbio vibratório universal? As cores são emanadas e se responde a elas; afetam as coisas que reagem a elas e são afetadas pelas coisas que atuam sobre suas formas “quimicalizadas”. Portanto, se tivermos “olhos para ver” podemos estudar esse aspecto de emanação vibratória das coisas manifestadas e aprender sobre a natureza e significado de seus arquétipos – suas realidades.

O estudo da cor sempre teve um lugar naquelas abordagens pelas quais os seres humanos têm almejado entender a natureza interna e externa de seu próprio arquétipo, a humanidade, e naquelas das outras oitavas de manifestação. Pode-se dizer, com alguma justificação, que o estudo da vida é o estudo da vibração, a qual é a ação essencial da vida. Os Grandes Seres são os que nos ensinam servir para acender em nossa consciência a percepção da vibração, pois eles sabem que a matéria não é uma “coisa morta”, mas sim a manifestação de algo que está eternamente vivo, pulsando ritmicamente, sempre liberando e cumprindo seus potenciais, mas nunca mudando em essência.

Uma vez que nos ocupamos aqui, nesse estudo, com a cor como um fator na expressão da arte, com a simbologia astrológica e com as verdades concernentes à natureza do arquétipo Humanidade, vamos recordar, em parte, o que tem sido dado como instrução pertinente às cores da aura humana. O autor, não estando ainda qualificado, nunca teve a experiência de perceber a aura humana, mas vários conhecidos seus, e talvez muitos de vocês, estudantes, têm essa percepção. O único fato destacável na informação transmitida por essa experiência é o atributo cor deste corpo vibratório. Não importando tamanho, brilho ou embotamento se entende que a cor é vista em toda aura. De fato, sem o atributo da cor a aura não poderia ser vista absolutamente, muito menos estudada e analisada; embora seu poder possa ser “sentido” por pessoas sensitivas, por meio das reações dessas à qualidade vibratória da “aura-pessoa”. Em outras palavras, aquilo que é “sentido” (por reação de sentimento) é aquilo que se vê pela clarividência como cor da aura.

O composto dos Corpos Vitais da constituição humana é uma das muitas formas do estado arquetípico “matriz”; uma outra forma de “matriz” é o ar, que envolve a todos nós; outra, ainda, é a água (gestação), lugar das manifestações geradoras. O ar e a água, como se diz, são “incolores”. Contudo, se o ar e a água não possuíssem, em certa medida, o atributo de vibração da cor, como poderia a luz ser dirigida através deles? Como poderiam eles, refletirem as cores? Como poderiam as cores ser percebidas através deles? Diz uma máxima oculta que, para se manifestar em qualquer plano, um veículo apropriado é necessário; então, como pode a cor se manifestar em e através do ar e da água se estes, como “elementos”, não possuíssem em sua natureza essencial aquilo que corresponde à natureza da cor? Será que a qualidade “incolor” do ar e da água é o único branco verdadeiro que existe, e que aquilo que designamos como “branco puro” corresponde à qualidade “incolor”, assim como o Corpo físico corresponde à matriz etérica? Ou como qualquer manifestação realizada corresponde a seu arquétipo, como uma rosa na plena formosura de sua perfeita maturidade corresponde ao “arquétipo da rosa”, ou como o tipo mais altamente evoluído de uma espécie animal pode corresponder ao seu arquétipo grupal? (Alimento para o pensamento!). A cor é verdadeiramente um dos mistérios da manifestação porque, por ela, a divina essência das manifestações é percebida de modo especializado. A cor corresponde ao desenho, assim como a verdade filosófica corresponde à cerimônia ou ritual que a transmite simbolicamente ao conhecimento interno da humanidade; como o amor entre esposo e esposa corresponde à encarnação de um filho; como a aspiração corresponde ao serviço.

Precisamos usar analogias:

Se pudermos considerar a qualidade “incolor” do ar e da água como o branco arquetípico (e, como tal, a “cor-símbolo” do Incognoscível, do Infinitamente Subjetivo), então o mais puro daquilo que chamamos “branco” é o branco em manifestação. Esse, por sua vez e por correspondência, é a cor do Deus Pai-Mãe em sua essência e em suas duas expressões: de “Espírito Virginal” e de “Consciência Aperfeiçoada” (por que associamos “branco” com pureza?). Pureza é “não diferenciação”; inocência é “não refratado pela experiência”; perfeição é realização de unicidade (unidade). Qualquer coisa que descrevemos como “aperfeiçoadas” é consumada, harmoniosa e completa no relacionamento de suas partes entre si e com o total. O branco é a “inocência antes da refração da luz” e a “re-unidade aperfeiçoada após a refração”. Em seu relacionamento com as cores do espectro, o branco simboliza a relação entre a consciência aperfeiçoada e a diferenciação das qualidades anímicas que designamos por palavras tais como coragem, paciência, integridade, etc. Em seu relacionamento com o preto, o branco é a fonte espiritual e o preto é o máximo de “quimicalidade” das emanações provindas da fonte. Considere essa analogia: o branco arquetípico é causalidade universal; o branco em manifestação é a bipolaridade universal; o preto é a mais densa “quimicalidade” universal. O preto é um assunto muito interessante para se pensar e estudar, e um fascinante assunto para meditações filosóficas. Tem sido usado (coitado) por séculos para simbolizar os conceitos humanos de inferno, morte e mal – resumindo: a cor-símbolo do Demônio. Nada menos que uma injustiça. O preto, como uma “cor” no universo material, é a compressão do marrom (composto de todas as cores do espectro), e o marrom é a cor-símbolo da terra produtiva – nosso lar na encarnação. O preto então é a congestão de forças de vida produtivas, mas congestão não significa morte no sentido absoluto – congestão é uma pequena morte que pode, que deve, e que será descristalizada (“redimida”). Uma cor que simbolizasse a morte absoluta teria de corresponder ao branco arquetípico, assim como o preto corresponde ao branco em manifestação. E tal “cor” não existe, porque o preto é o “ponto médio” entre branco e branco. O Aspecto Quadratura (congestão) entre dois Astros em um horóscopo representaria duas cores que, por sua relação, têm o efeito de “denegrir” o tom de cada uma delas – você conhece o “vermelho escuro”, ou “verde escuro”, não é?  Esses tons representam graus de congestão de potencial de cor em direção a um ponto comum de “estática”. O preto não é reconhecível como o “vermelho” ou como o “verde” ou como qualquer outra cor – ele é a densidade MÁXIMA (a mais baixa vibração) de todas as cores, assim como o branco em manifestação é a descristalização máxima dos poderes da cor. No “Inferno” da Divina Comédia, de Dante, a região mais inferior desse lugar infeliz é descrito como o lugar do “perdido para sempre”, “sem esperança”, “impossível de redimir”, “absolutamente sem potência, “negação total” e “completamente sem vida”. É verdade, nos diz a filosofia oculta, que existem uns poucos membros das ondas de vida que se congestionam a tal ponto que não podem progredir com os outros na “onda” que pertence; mas também nos é ensinado que, embora possam se atrasar bastante, eles finalmente começam de novo em outra “onda” e assim avançam para a realização. Por conseguinte, o “inferno”, como o lugar do totalmente perdido, é uma ilusão, um falso conceito de vida. Cremos que a “misericórdia da vida” (ou do Deus Pai-Mãe) se expressa na verdade de que todos os potenciais vão ser redimidos totalmente – ninguém, nem nada é “separado e descartado para sempre”. A “cor” preta poderia, naturalmente, simbolizar o estado de “congestão a tal ponto que o progresso é interditado por certo tempo”, mas o eventual progresso será representado pela liberação (em um novo ciclo) dos potenciais congestionados do preto. Seus Aspectos Astrológicos se aproximarão do “negrume da cor” na medida em que as Quadraturas se aproximem dos noventa graus exatos e não sejam aliviadas pelo auxílio de Sextis ou Trígonos.  Na medida em que as Quadraturas sejam afastadas dos noventa graus a cor delas será mais evidente. E na medida em que seus Astros formem Trígonos suas cores astrais brilharão com esplendor, poder e beleza.

O autor não tem a presunção em apresentar “verdades absolutas” nessas simbólicas representações da cor; contudo, nós, como estudantes de astrologia, nos acostumamos tanto a ver a arte astrológica apresentada pelos “riscos pretos no papel branco” que esquecemos o valor de “pensar cromaticamente”. Já que estamos lidando com os espectros de desenhos e vibrações, nós devemos, de vez em quando, exercitar nossas Mentes nas cores implicadas nos símbolos traçados; essas “cores implicadas”, por sua vez, simbolizam os espectros da consciência e da experiência humanas, e devemos perceber “gradativamente” se estamos desenvolvendo nossa compreensão de “qualidades de posicionamento”, “qualidades de relacionamento” e da “natureza arquetípica” dos Astros, como focalizadores dos Signos zodiacais. Um pouco mais de alimento para o pensamento: o branco arquetípico como se “manifesta” nas cinco oitavas de cor das três oitavas do ponto, da linha e do círculo da simbologia astrológica.

As cinco oitavas manifestadas do branco arquetípico são:

  • O Branco Manifestador;
  • O Cinza (neutro);
  • As Cores do Espectro;
  • O composto das Cores do Espectro, o Marrom;
  • A congestão do Marrom, o Preto.

As três oitavas do ponto, da linha e do círculo são:

  • A Cósmica (o Incognoscível);
  • A Solar (o Deus Pai-Mãe);
  • A Humana (o Grande Mandala do Arquétipo, a Humanidade, e o mandala pessoal do horóscopo individual).
  • Cósmica – o ponto, a linha e o círculo da ideação cósmica; o centro é o branco arquetípico; a linha do Ascendente é o branco manifestador e o ponto do Ascendente é o cinza neutro, a abstração do marrom e do “composto” dos extremos do branco manifestador e do preto. Não podemos saber a extensão daquilo que é manifestado pelo Incognoscível, portanto sua “aparência” no ponto Ascendente deve ser o indefinido, o neutro, o “ilimitado”, do cinza. O cinza é “sem limites”; ele combina e se mistura com todas as cores e é, mais que qualquer outro “tom”, o que pode transmitir uma sensação de manifestação indefinida e infinita, não focalizando nada, mas simbolizando “Tudo que é”.
  • Solar – a ação Manifestadora do Deus Pai-Mãe; o centro é o branco manifestador; a linha do Ascendente modula desde o branco manifestador, através do cinca e do marrom (composto de todas as cores do espectro) até o ponto do Ascendente que é preto; o ponto Ascendente preto simboliza a total manifestação “quimicalizada”, ao mais denso grau, desse Sistema Solar; no preto se encontram todas as expressões de cor simbolicamente inerentes às naturezas de todos os seres desse Sistema e que vão ser “liberadas” como símbolos específicos de cores de gradações de consciência durante a evolução desses seres em ciclos de encarnações.
  • Humana:
  1. a) O Grande Mandala Astrológico do arquétipo, Humanidade; o centro é o branco manifestador, a linha do Ascendente modula a partir do branco e através do cinza e do marrom; o ponto do Ascendente, o “Eu Sou” do arquétipo individualizado, é vermelho, a primeira cor cardeal que corresponde ao primeiro Signo Cardeal do mandala – Áries. As três variações do “Eu Sou” da Humanidade são as cúspides das décima, sétima e quarta Casas (no sentido dos ponteiros do relógio); o total desses quatro “Eu Sou” é o Eu Sou da família humana básica: geradores macho e fêmeo; gerado macho e fêmeo; macho e fêmea de causa e macho e fêmea de reação a/ou efeito de causa”. Como os cientistas que estudam e analisam a cor nos dizem que existem quatro cores primárias básicas (vermelho, amarelo, verde e azul), atribuiremos cada uma delas a um ponto cardeal do Grande Mandala: o vermelho a Áries; o amarelo a Capricórnio; o verde a Libra (complemento de Áries) e o azul a Câncer (complemento de Capricórnio e iniciador do último Trígono do espectro genérico). O Trígono de Fogo será representado pelas gradações desde o vermelho puro até o laranja; o amarelo da Terra, passando por seus tons mais escuros, até o ar; o verde, modulando até a água; o azul, prosseguindo até completar o espectro em Peixes, a púrpura, cor símbolo das qualidades divinas e última cor da sequência básica do espectro. Esta é uma das abordagens. Você pode descobrir outra ou muitas outras, mas descubra alguma coisa!
  2. b) o horóscopo pessoal de um ser humano individual: na humanidade pouco evoluída o centro é vermelho do sangue; na humanidade evoluída é o vermelho do “Eu Sou” individualizado mesclado com a redenção do branco; a linha do Ascendente modula através do cinza e da cor do raio até a cor que pode ser identificada com o regente astral do Signo Ascendente. Essa cor representa a variação temporária (para essa encarnação) do vermelho-branco do centro. A cor do raio é uma cor “básica” para cada ser humano durante a totalidade de seu progresso evolutivo na encarnação. O conhecimento filosófico ou oculto revela, cedo ou tarde, a natureza do raio de alguém e a cor que lhe pertence. Pode-se supor que, nos casos de seres humanos pouco evoluídos, a cor do ponto do Ascendente pode ser o marrom da Terra, que será “descristalizado” ou diferenciado como pessoa que inicia sua evolução espiritual. Nas Cartas individuais de seres humanos, o negrume pode estar implicado, conforme observado antes, em Aspectos astrais congestionados, mas nunca no ponto do Ascendente.

Provavelmente existem tantas “soluções” para esse estudo da cor na simbologia quantas são as pessoas que a estudam. Contudo, quando nos livramos das limitações da reação do sentimento pessoal às cores ficamos mais capacitados para focalizar nossa consciência das cores como fatores na simbologia abstrata – para correlacionar a essência da vibração da cor com o essencial das figuras simbólicas. Uma outra abordagem ao estudo das “cores básicas” em um horóscopo individual é sintetizar as posições astrais pela “dispositariedade”[14] – e criar uma composição das posições astrais por posicionamento em Signo. Em tal síntese, todos os Astros Dignificados transmitirão um sentido de maior pureza de cor; aqueles em Detrimento (opostos ao Signo de sua Dignificação) são neutralizados até certo ponto e suas cores tenderão para uma mistura com o cinza. Para correlacionar a cor com o desenho, estude também a sua Carta do ponto de vista de ver como os seus agrupamentos astrais formam padrões específicos – uma grande cruz, um grande Trígono, uma Quadratura com a “alquimicalização” de um Astro por um terceiro com o qual forma Sextil, e assim por diante. Seu horóscopo, em qualquer forma ou arranjo e em branco e preto, é a abstração de um retrato pintado – em símbolos. Olhe os Astros que estão mais ao norte, ao sul, a leste e a oeste – eles são pontos estruturais em seu “Astro-retrato”; os Aspectos de Oposição são “verticais, horizontais e diagonais” em seu retrato, etc. Contudo, se permita se conscientizar mais da importância de “colorir” mentalmente os símbolos astrológicos – é o mais valioso e benéfico exercício de seus poderes intuitivos.

 

CAPÍTULO VI – A ARQUITETURA

A arquitetura é, em essência, arte manifestadora como expressão da consciência humana que tem a qualidade ou função de proteção cósmica.

O que quer que o ser humano construa, se expressando nessa arte, é um símbolo do seu desejo instintivo de rodear, envolver e proteger aquilo que ele aprecia. Essa arte difere das outras artes tridimensionais – a dança, a escultura e o drama – naquilo que ela preenche e encerra espaços. Há uma certa utilidade na natureza essencial dessa arte que também a diferencia das outras artes. As edificações, para cumprirem sua razão de ser, devem ser ocupadas por alguma coisa ou habitadas por alguém. Assim, de todas as artes, a arquitetura é a menos abstrata, a mais útil, e a mais básica às necessidades da humanidade.

Uma analogia: o azul do céu e o marrom da terra são o teto e o assoalho da morada do ser humano nesse Planeta, a vasta casa do nosso viver físico provida como expressão criadora de Deus. Em virtude de todos compartilharem desse teto e desse chão, o ser humano tem uma individualização de consciência e, como uma “centelha do Fogo Divino”, deve reproduzir microcosmicamente esse padrão como uma expressão de sua Deidade. Portanto, ele constrói “teto e assoalho” para abrigar o coração de suas criações (lar e trabalho) e a de sua reverência, a igreja. Como lar e igreja simbolizam o âmago da consciência de relação do ser humano para com a espécie humana e para com Deus desde tempos imemoriais, essas “edificações” perduram como os dois fundamentos essenciais do esforço arquitetônico.

A Deidade da espécie humana é o Átomo-semente permanente que perdura através dos ciclos de encarnações. A primeira casa construída para ele está dentro do corpo materno, antes do nascimento. O corpo materno é o envoltório que tem a função e qualidade de proteção como alimento para o Ego encarnante. A matriz etérica é o “corpo externo” em que vivemos durante a encarnação, e nosso corpo carnal físico possui os envoltórios da pele, do esqueleto e da estrutura orgânica em que o Átomo-semente é enclausurado como num santuário. O pai funciona em correspondência com sua companheira proporcionando segurança ao lar para proteger seus dois “seres amados”; e o lar é uma especificação de espaço em que se perpetua a vida do relacionamento das pessoas atraídas reciprocamente por específicos requerimentos vibratórios. Todas essas “construções” (a matriz etérica, o útero, o envoltório físico e o lar) são a “humanidade” daquilo que é “arquitetura” na arte manifestadora. O ser humano nunca construiu só para si mesmo – ele sempre construiu, como Deus constrói, como uma expressão de sua oitava com Função e Qualidade de Proteção Cósmica. Assim como a água e, subsequentemente, o ar foram os “lares” originais em que vivemos como involuções físicas, do mesmo modo o grande “mar de magnetismo elétrico” é o “lar” de nossa consciência de relacionamento, e “lar” é a expressão química individualizada da consciência de relação do ser humano focalizada na oitava geradora do ser. Durante a encarnação, o ser humano habita, ou pode habitar, em muitas casas, mas o relacionamento com outros seres humanos é a “vida doméstica” de sua consciência. Sentimo-nos “no lar” (e isso não é uma figura de retórica) com aqueles que amamos; sentimo-nos “fora de (nosso verdadeiro) lugar” com aqueles de quem não gostamos. Com aqueles a quem amamos nós “construímos facilmente” os cumprimentos do relacionamento – qualquer que seja a oitava de experiência ou de consciência. Construir belamente é expressar amor. “Construir sem beleza” é enfatizar (empilhar) as congestões do desejo-ignorância na consciência; as edificações resultantes são “santuários da fealdade”. O ser humano expressa “o melhor de sua arquitetura” quando constrói (qualquer coisa) como uma expressão do mais elevado e melhor que existe em seu Coração e em sua Mente. Os arrojados pináculos dos templos e catedrais são figuras que simbolizam as aspirações espirituais do ser humano voltadas para o seu “Éden perdido” – para o qual ele retorna nas espirais ascendentes do progresso evolutivo. Esses pináculos são variações do desenho básico da pirâmide, que discutiremos nesta dissertação.

Aquilo que para nós é intimamente externo é o reflexo exterior da edificação interior. Consciência – e nada mais – é o material que usamos para edificar qualquer coisa em qualquer oitava, ciclo ou dimensão. O resultado da construção material é o efeito da maneira com que o ser humano impôs sua Mente, seus talentos e suas habilidades nas substâncias maleáveis; e Mente, talento e habilidade são todas oitava de consciência. Ele impõe sua consciência nos “materiais de arte” para incorporar seus conceitos de arquétipos na obra de arte manifestadora; ele impõe sua consciência nos “materiais de relacionamento” como suas “incorporações de consciência de relação”, isto para envolver, proteger e perpetuar aquilo que está não regenerado ou regenerado nos relacionamentos humanas. Podemos construir “tocas para chacais e covis para ladrões”, assim como podemos construir “lares para os que amamos e santuários para o que adoramos”. Tudo isso, em suas miríades de expressões, são construções com os materiais da consciência.

Uma vez que cada ser humano é uma consciência individualizada, nós somos os construtores de tudo que é manifestado em nossas vidas. Pela encarnação servimos para construir uma nova identidade para nossos pais, já que eles foram instrumentos na construção de um veículo para nós. Cada criança contribui como material e experiência de relacionamento para a “construção” de seus pais como indivíduos e como casal. Ela expressa sua consciência, os pais reagem; estes expressam, aquela reage nos anos de seu desenvolvimento e enquanto dure o relacionamento com seus pais. A criança foi atraída aos seus pais pela lei, e eles constroem a qualidade particular de consciência de paternidade por seus exercícios como pai e como mãe nas encarnações passadas. Em outras palavras, seus pais são uma expressão “quimicalizada” de sua consciência de “pais”; eles, em certo sentido e em relação a ela, são algo que ela próprio construiu. Cada ser humano é, portanto, o arquiteto de sua própria ascendência. Concretamente isso é representado no horóscopo pelo diâmetro vertical das cúspides das quarta e décima Casas. A “paternidade” do arquétipo humanidade é o diâmetro zodiacal Capricórnio-Câncer focalizado pelos arquitetos astrais, Lua e Saturno, os “construtores da forma” de nosso arquétipo vibratório. Esse diâmetro é, obviamente, complementado pelo de Áries-Libra, já que o diâmetro vertical de um horóscopo é complementado pelo diâmetro horizontal do Ascendente e sétima cúspide.

Mais uma ilustração astrológica: podemos considerar a Carta como a planta de um edifício, de modo que a parte arquitetônica sejam os símbolos.

Um círculo de diâmetro vertical e horizontal; os símbolos dos Signos Cardeais nos pontos estruturais, Áries como Signo Ascendente. Ligue os pontos estruturais com linhas retas formando uma Quadratura. Os quatro ângulos retos são as “envolturas” dos ângulos formados no centro pelos diâmetros dos pontos médios das Casas Fixas (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); os ângulos retos das Quadraturas dos Signos Fixos são as envolturas do ângulo central formado pelos diâmetros vertical e horizontal. Os lados das duas Quadraturas têm o mesmo comprimento. Os pontos cardeais formam uma bissecção com quatro semicírculos; os pontos Fixos formam uma bissecção com quatro quadrantes.

O círculo é, a um e ao mesmo tempo, a ideia perfeita de “Humanidade” na Mente Divina, a manifestação perfeita daquela ideia na forma, as objetivações perfeitas de todos os potenciais inerentes no Ponto Central; pela perfeição de sua beleza ele é o símbolo arquetípico do Dourado Manto Nupcial que será usado pelo arquétipo humanidade no alvorecer da libertação dessa manifestação, ou que é usado por cada indivíduo no tempo de sua libertação. O Dourado Manto Nupcial é a morada perfeita do Átomo-semente – todos os humanos têm uma matriz etérica, mas nem todos vestem uma matriz formosa; é o embelezamento perfeito e a pureza dessa matriz que identifica o Dourado Manto, resultado de toda a nossa construção na encarnação.

Já se fez referência à convicção do autor de que o círculo que circunscreve a Quadratura Cardinal e suas “linhas de força” (a Cruz Cardinal), em combinação com o Ponto Central, é uma “visão de pássaro” (olhada de cima para baixo) de uma pirâmide. O arquétipo humanidade evolui da inocência – estado do Espírito Virginal – para o máximo de “quimicalização” por um processo espiralado para baixo desde o ponto, em voltas circulares cada vez mais largas (separativas). O perfeito potencial essencial permanece do princípio ao fim, mas o ser humano, encarnado e novo nesse plano, só vê a “quimicalidade” da vida e da sua própria natureza. Ele não conhece sua unidade com a vida, sentindo-a apenas vagamente em suas sensações de convivência instintiva com outros seres humanos, aos quais ele está intimamente ligado por laços de sangue ou por afiliação de clã. Ele está consciente da maior parte das diferenças entre ele próprio e seu pai, sua mãe e outras pessoas: mais forte e mais fraco, mais velho e mais novo, masculino e feminino, etc., mas suas semelhanças com outras pessoas, não importando a aparência externa, não são reconhecidas até que os processos evolutivos tenham sido efetuados. Conhecer o relacionamento é perceber o “interior” da vida humana, e essa percepção é o começo da sabedoria. A consciência da humanidade não está ciente do formato circular essencial do facho de luz em que ela está viajando; ele é sempre circular, mas quando “atinge a tela da materialidade” a consciência humana não desenvolvida vê somente o quadrado – as enganadoras diferenças entre as pessoas, não a unidade pela qual todas estão afiliadas em espírito.

As duas representações da Quadratura simétrica em nosso mandala simbolizam a estrutura da família humana e o material com o qual se constrói aquela estrutura. A família é externamente o macho e a fêmea da manifestação geradora humana; internamente é o masculino e feminino da consciência genética. Os pontos estruturais da Quadratura dos Signos Fixos simbolizam as focalizações dos diâmetros desejo-amor, que são a substância alimentícia da totalidade de nosso relacionamento humano na vida – o equipamento que usamos para construir cada lar no intercâmbio de relações. Os pontos estruturais Cardeais são os quatro enfoques da identidade humana – madura e imatura do macho e da fêmea – Pai, Mãe, Filho e Filha; também o macho e a fêmea como causadores dos, e reatores aos efeitos de causas. Partindo dessa Cruz da Polaridade de Identidade, e alimentada pelos recursos do desejo-amor dos diâmetros dos Signos Fixos distribuídos pelos diâmetros assimétricos das oitavas de sabedoria da cruz Comum, começa a espiral ascendente da evolução. Enquanto precisar encarnar, o ser humano participa dessas três cruzes; mas na medida em que a identidade separativa é transmutada em unidade, o desejo em amar, e a ignorância em sabedoria, as Quadraturas se tornarão cada vez menores, se aproximando continuamente da semelhança com o círculo, o qual, por sua vez, é a perfeita representação pictórica do menor de todos os círculos, o ponto. Você pode obter uma imagem desse desaparecimento do quadrado traçando um círculo suficientemente grande para envolver o quadrado Cardinal. Trace um círculo dentro do quadrado, e dentro desse círculo trace outro quadrado, e assim por diante até que as figuras fiquem tão pequenas que você não possa traçar nenhuma menor.

Lembre-se de que o “quadrado” é um desenho arquetípico; que a “Quadratura Cardinal”, a “Quadratura Fixa” e a “Quadratura Comum” são três variações de um só desenho; que o Fixo e o Comum são sub-arquétipos do Cardinal, como desenho arquetípico da identidade e dos relacionamentos humanos. Portanto, traçando esses quadrados cada vez menores dentro de círculos cada vez menores, você está representando realmente, em essência, todas as três formas do quadrado em todas as oitavas evoluintes. Quando você traçou o primeiro círculo para essa ilustração (com a Quadratura Cardinal envolvida) você representou a humanidade pronta para evoluir; cada sucessivo quadrado e círculo menores, em pares, representam uma oitava mais alta – como os pavimentos de um edifício de formato piramidal. Se você pode traçar ou imaginar uma pirâmide cortada por planos horizontais sobrepostos, você obterá a essência de como cada nível, em forma de espiral do círculo-e-cruz, é análogo aos andares de um edifício, tendo cada andar muitos aposentos onde ocorrem diferentes atividades – ou nos quais têm lugar diferentes expressões de Consciência. Nesse desenho indique “primitivo” no primeiro nível e designe os diversos níveis da pirâmide, cortada por planos, como representando diferentes períodos da história em que os seres humanos alcançaram notável progresso evolutivo.

Em cada nível, a cruz Cardinal do intercâmbio dos relacionamentos humanos, a cruz fixa do recurso do desejo-amor e a cruz Comum de destilação da sabedoria se encontram em Conjunção, ou sincronizadas, com o eterno ideal que as envolve e interpenetra. Aproximando-se do ponto do vértice (o ponto central da roda astrológica, como sabemos) o amor e a sabedoria se fundem cada vez mais, e as quatro identidades perdem sua qualidade separativa e são absorvidas cada vez mais pelo ideal de relacionamento da fraternidade, que é o que nosso relacionamento de uns com os outros realmente é. Todos nós somos fraternais uns com os outros porque somos “filhos e filhas” do Deus Pai-Mãe; nossa qualidade de “filho” e de “filha” é nossa natureza essencial bipolar – “macho e fêmea” pertencem à nossa natureza somente quando estamos encarnados, e nas oitavas superiores do ser isto se aplica somente ao nosso estado gerador espiritual, e os poderes de bipolaridade se fundem quando o aperfeiçoamento de consciência do “amor único” é alcançado. Somos conscientes dos “amores” enquanto estamos nos níveis inferiores da espiral ascendente – identificamos a existência do amor com a existência de outras pessoas em nossas vidas e experiências. Realmente, o amor é um aspecto do círculo e é onipresente em perfeita pureza em todos os níveis do ser. Na medida em que o cume da pirâmide se aproxima, a “separatividade dos amores” é transcendida e o ponto no topo da pirâmide – fim da espiral ascendente – é a consciência aperfeiçoada da “uni-dade” do amor como Atributo Divino. Na medida em que a sabedoria é destilada das experiências na espiral, as congestões de medo e de ódio são dissipadas pela luz da razão e da compreensão, as quais, por sua vez, são as iluminações da Mente pelo poder do amor e da inspiração da beleza.

Faça uma cópia da roda de doze Casas, ligue os pontos das cúspides em sequência por linhas retas formando doze triângulos isósceles.

Cada um desses triângulos é metade de um triângulo equilátero, cujos lados são cúspides de Casas alternadas. Existem dois grupos desses equiláteros: o das triplicidades do Fogo e do Ar e o das triplicidades da Terra e da Água. Pense no “equilátero de Áries” como sendo: “Áries masculino e Touro feminino”, e assim por diante em volta da roda. Esses equiláteros, três de cada elemento genérico, tendo polaridade pela divisão em duas partes iguais, são as Casas básicas reais da roda no que tange à consciência genérica. Em virtude de cada uma das doze Casas mundanas focalizarem os princípios de um dos Signos zodiacais, reconhecemos que elas são especializações das secções genéricas duplas de cada triplicidade. Obtenha essa imagem desenhando quatro rodas e destacando em negrito cada um dos três Signos de um elemento e o Signo seguinte (há muito em que pensar nessa representação das Casas como divisões genéricas de experiência). A aparência regular das doze Casas ilustra uma representação muito mais objetiva de experiência por ciclos durante os anos de encarnação. Elas são, qualquer que seja sua forma, apartamentos em um andar particular do edifício de sua vida. Na medida em que os elementos vibratórios de sua Carta ficarem congestionados, você estará “vivendo em um andar mais baixo do edifício de sua vida”.

Considere seu horóscopo como uma planta de um andar da mansão evolutiva (edifício) em que você reside agora. Sua Carta representa, simbolicamente, seu potencial para ser um arquiteto espiritual; os conteúdos de sua roda representam os materiais anímicos que você está usando para construir sua pirâmide – seu Dourado Manto – o composto do melhor de sua consciência destilado de todos os níveis anteriores de experiência e realização. Torne-se mais consciente que nunca da beleza da arte arquitetônica – permita-se apreciar os valores estéticos dos lindos edifícios e, filosoficamente, se conscientize mais que nunca do seu significado para a experiência humana.

 

CAPÍTULO VII – A DANÇA

Dançar é expressar, pelos movimentos rítmicos do Corpo, nossa consciência de participar no mundo da Natureza. Dançar é fazer do corpo físico um instrumento para manifestação de arquétipos como expressões de estados emocionais e de conceitos espirituais. Esses estados emocionais são pontos focais de consciência espiritual de tal intensidade que devem “se exteriorizar” por meio da instrumentalidade do corpo físico.

Assim como o ser humano se dedicou a manipular as substâncias materiais para expressar, pela construção, sua oitava de “proteção envolvente” para abrigar aqueles que amavam e veneravam, do mesmo modo ele dança para expressar a vida interior daquilo que seu corpo encerrava – sua consciência e seu coração com seus sonhos, temores, amores, desafios, aspirações e entendimentos. “Viver” não é só se mover através do tempo e do espaço, de um lugar para outro. É se mover em consciência, de um ponto a outro, através da evolução. Dançar significa se identificar com o movimento cósmico, que é a ação alquímica da vida, pelas sequências rítmicas das posturas corporais arquetípicas. Dançar não significa, como pensam alguns, “exteriorizar música”. O ser humano moveu seu corpo físico nesse plano bem antes de ter inventado um instrumento musical; a música e o vestuário são acompanhamentos vibratórios que servem para intensificar e clarear as expressões do artista da dança, as quais são, por sua própria natureza, extremamente pessoais. Contudo, a dança expressa essencialmente através de seus próprios méritos – ela não precisa de outros complementos para preencher seu propósito básico. A dança é vista em toda parte no mundo natural; particularizemos um pouco estudando alguns exemplos:

A dança natural das expressões de vida é a sequência de desenvolvimento que se segue ao nascimento e que termina na transição. Todo fator manifestado no mundo natural tem seu tempo para desenvolvimento de potenciais e quando esse desenvolvimento se realiza sem interferência artificial, a planta ou o animal alquimicaliza sua forma física através de todos os estágios de experiência consoante o ritmo de seu padrão básico. O mesmo se dá com os seres humanos; nós temos um “padrão de tempo” para o desenvolvimento de nossos potenciais nos estágios de crescimentos, mas as qualificações individuais variam de tempo para o preenchimento de padrões de experiência. Contudo, humanos ou sub-humanos, todos nós dançamos através dessas fases de desenvolvimento do crescimento natural.

Se pensamos na “dança” como movimentos de um organismo físico, então nós vemos sua evidência por toda parte no mundo da Natureza. Os galhos de uma árvore se movem, para um lado e para o outro, respondendo às forças do vento que atuam neles – então dizemos que a árvore está executando belos movimentos com seus braços. As ondas do mar dão a impressão de dançarem por seus intermináveis avanços para a praia e recuos em sequências de movimentos pulsantes, se assemelhando cada onda a uma linha de dançarinos atravessando um palco para frente e para trás. A Lua executa à noite, cruzando o céu, um longo “bourrée[15]” (sereno e constante). O esportivo golfinho salta da água em arcos graciosos; quem pode dizer que ele não sente a mesma “alegria de viver” que os meninos e meninas que “dançam” ao correr e pular em brincadeiras de rua. Pular e saltar são movimentos arquetípicos que simbolizam o desafio à gravidade e, como símbolos de movimento, representam impulsos de aspiração. Os rodopios no ar e quedas em espirais das folhas do outono são ótimos exemplos dos movimentos de dança – se arrastando, deslizando, flutuando, se agitando e parando no chão para um descanso momentâneo, e então se levantam outra vez em novas espirais e novos arcos. As nuvens ondulantes dançam uma eterna dissolução e remodelação de formas, à medida que o vento as dirige pelo palco do céu; as nuvens são expressões perfeitas das mudanças alquímicas – silenciosas e suaves, elas se fundem umas com as outras passando de um a outro aspecto em uma incomparável beleza de movimento. Uma galáxia de flores coloridas, se curvando e se balançando em seus ramos, é um “corps-de-ballet[16]” natural. Pense nos muitos tipos de movimentos dos animais e aves; o desfile orgulhoso do pavão; o deslizar circular do peixe e da foca dentro d’água; o voo saltitante da borboleta; os passos fluídicos dos gatos e o saracoteio viril dos cavalos.

Como os seres humanos dançam? Todos nós dançamos de acordo com o plano cósmico para o desenvolvimento de nossos potenciais físicos e psíquicos através das várias fases do nosso crescimento como organismos. Entretanto cada indivíduo dança de acordo com a qualidade de sua consciência. Algumas pessoas, harmoniosamente integradas, dançam na vida com extraordinária beleza de ritmo. Elas aceitam a experiência como essa se apresenta, lidam com ela e dela aprendem o melhor em favor de suas habilidades; então, sendo esperançosas por natureza, elas passam ritmicamente a novas experiências. Exercitam um mínimo de congestão interna e um máximo de expressão dinâmica; o período inteiro de sua encarnação é um formoso arco de progresso evolutivo. Trabalham com integridade e idealismo – sua contribuição de trabalho é um verdadeiro serviço, uma irradiação de bondade e de valor verdadeiro a todos os que são afetados por ele. Amam com intensidade, amplitude e alegria; possuem uma Mente aberta e são receptivas aos valores das novas ideias. Kahlil Gibran[17], inspirado artista e poeta tinha a alma de um “dançarino autêntico”; ele disse: “Dance com liberdade e alegria, mas não pise nos pés dos outros”.

No sentido metafórico, a “dança pobre” é resultado de congestões internas. No sentido físico, uma pessoa é afligida com timidez excessiva, consciência de si ou com defeito físico, não dança – e nem pode – dançar graciosamente, com espontaneidade e alegria. As “inaptidões espirituais” são causadas por congestão emocionais e psicológicas tais como a ignorância, o negativo egoísmo, o medo, o ódio, a ganância, a inveja, o materialismo, a possessividade, a frustração e crueldades afins, os padrões de decepção, a inércia, o cinismo e a congestão na identidade da forma. Essa última é uma das fontes mais profundas que existe de “dança fora do ritmo”. Sua essência é uma congestão na aparência como realidade; isto faz a consciência se focalizar mais na forma que na essência, servindo, pois, para lançar a avaliação completamente fora de linha. As pessoas que “dançam de acordo com a forma”, ao invés de dançarem “de acordo com o Espírito”, são as que aceitam a imposição de normas e avaliações da parte dos outros, ao invés do estabelecimento de normas próprias pelo exercício da individualidade. São aquelas para quem aquilo que tem sido estabelecido é o símbolo da segurança e do direito; elas são crucificadas pela consciência de casta; tendem a avaliar a personalidade, o caráter e a experiência humanos pela filosofia materialista que as congestiona no externo às expensas das consciências e apreciação das verdades internas. Os corruptos padrões social e religioso dos séculos passados retratam esse tipo de congestão. O valor hereditário ao invés do valor pessoal, a família, a tradição e a posição social representavam o foco de apreciação, ao invés de sê-lo o mérito individual. Observe qualquer lugar em qualquer época e você verá a congestão na forma como fonte de perversão e desvio do fluxo rítmico natural do desenvolvimento e cumprimento humano. Um exemplo perfeitamente soberbo se vê na má interpretação de certa alegoria espiritual que teve o efeito de subjugar as mulheres durante séculos – um plano de destino maduro[18] pelo qual a congestão do ser humano na forma reagia sobre ele mesmo durante suas encarnações femininas.

Esta congestão na forma é simbolizada astrologicamente pela esfera astral de “Lua-para-Saturno”. As pessoas que estão cumprindo um destino maduro ou evolutivamente condicionadas a viver dentro dos limites dessa “esfera” são aquelas para quem a individualidade é praticamente um livro fechado. O padrão de normas pelo qual elas vivem está, na maior parte, de acordo com aquilo que foi estabelecido por outros no passado. A educação, o trabalho, o pensamento religioso e as cerimônias, o casamento, a educação dos filhos, os fatores de relacionamento, etc., são prescritos para todos de geração em geração. O sistema feudal da Europa e o efeito da filosofia de Confúcio na China são bons exemplos dessa formalização da experiência humana. As expressões estéticas (e todas as pessoas as têm em certo grau, porque o impulso estético é basicamente demasiado instintivo para ser completamente negado por qualquer um) são, na maior parte, altamente formalizadas e tradicionalizadas. As essências esotéricas da religião estão submersas nos acréscimos de rituais e cerimônias que são praticadas, ou das quais se participa, com sentimentos de reverência e medo, ao invés de ser como exercícios de inteligência espiritualizada. O matrimônio – que em essência deveria ser a expressão mais intensamente individualizada da vida humana – para a grande maioria, só serve para a perpetuação dos bens e do nome.

Reconhecemos, claro, que não existe “injustiça” no fato de pessoas encarnarem sob tal regime; a consciência delas está alinhada à estruturação de Lua-e-Saturno, caso contrário não poderiam serem atraídos à encarnação por meio dela. Entretanto, justiça por destino maduro à parte, tais formalizações estritas inibem o livre fluxo da expressão e do desenvolvimento, porque o medo é o fator poderoso inerente às mesmas. Em todo ciclo evolutivo “Lua-e-Saturno” puxam as rédeas por algum tempo; juntos eles simbolizam o “suporte principal formal” de toda experiência cíclica; mas, eventualmente, os potenciais individuais devem ser liberados pela transcendência de “aquilo que foi”; os Planetas Urano e Netuno são as vibrações que representam a “descristalização da forma antiquada” e a “revelação da essência espiritual inerente”, respectivamente.

Nosso assunto à mão é a dança, mas lembremos que todos os participantes de uma particular expressão de arte são membros de uma família espiritual – uma “fraternidade” de esforço artístico semelhante. Como qualquer outro grupo humano, a família artística (seja qual for a classe) está tão sujeita à tendência para formalização (e cristalização) quanto qualquer outro grupo de família. Quando a forma, a estrutura, a regra e a norma tradicional são enfatizadas às expensas da inspiração e da manifestação espontânea, se estabelece a congestão do valor artístico. Procure em qualquer parte da história do esforço artístico da família humana e irá encontrar muitos pontos periódicos de congestão na forma e na tradição, em cujas épocas era evidente uma escassez de poder inspirador. A dança folclórica teve origem na tentativa de se perpetuar a história tribal e a crença e tradições religiosas em uma espécie de representação dramática. Esses “dramas” se formalizaram, subsequentemente, pela repetição de fatores do movimento rítmico e vocal ou acompanhamento instrumental naquilo que chamamos “dança tradicional”, sendo que algumas dessas formas de dança são antiquíssimas em várias partes do mundo.

O balé é uma expressão das mais cultivadas e intrincadamente estilizadas do “drama ritmado” europeu. Originando-se na Itália, como um fator na representação de óperas, ele foi levado à França e desenvolvido em primorosa técnica formal como uma parte indispensável das representações do drama musical. Os enredos desses “dramas dançados” eram, em sua maior parte, centralizados em fantasias de um romantismo “fora desse mundo” que representavam temas alegóricos ou místicos. Nos últimos anos do século passado o balé, como uma expressão artística cultivada, foi adotado pela Rússia e por meio dos poderes inspiradores e dramáticos de artistas dessa nação foi ampliado tremendamente pela exploração de seus próprios recursos como arte de dança, divorciado da dependência da ópera. Assim falamos do melhor dessa forma de arte como sendo o “Balé Russo”; os artistas manifestadores e intérpretes desse país lhe imprimiram a marca de seu particular de gênios. As companhias de balé das principais cidades da Rússia foram reconhecidas como as expoentes máximas dessa arte, e seus grandes solistas ocupam eminentes posições nas galerias dos famosos, imortalizados pelos amantes da arte em todo o mundo.

Então, nos últimos anos do século dezenove um meteoro incandescente cruzou o céu da cultura e esforço artístico da Europa e da América, espalhando uma fulgurância de inspiração intensa no mundo da dança para descristalizar a excessiva formalidade do balé tradicional o convertendo em uma nova oitava de consciência da dança. Esse “meteoro” foi Isadora Duncan[19], uma inspirada, inspiradora e intrépida artista, e que, por meio de seu serviço na dança, foi também uma das mais notáveis “descristalizadoras” do século dezenove.

Os estudantes de astrologia poderão se interessar por seu horóscopo; é um estudo muito valioso. Dados: 27 de maio de 1878, aproximadamente 01h00min AM, 38 graus Norte, 122,5 graus Oeste. Júpiter deve se posicionar na décima segunda Casa, o Sol na terceira Casa; Peixes, regido por Netuno, é o Signo Ascendente e Sagitário no Meio-do-Céu. Leituras sugeridas para informações relativas às suas experiências de vida e ideais artísticos: sua autobiografia Minha Vida e sua A Arte da Dança; também muitos livros e folhetos da autoria de outros escritores são disponíveis na maior parte das bibliotecas e livrarias.

Observe que o regente da Carta, Netuno, é o princípio do uso da instrumentação, e a opinião artística básica de Isadora era considerar o corpo físico como um veículo para os poderes inspiradores. Ela era intensamente sensitiva à música, mas diz que ela poderia dançar sem música, porque seus movimentos eram tão harmoniosos e “certos” que “tornava a música visível”. Dois fatores em sua Carta descrevem a universalidade de sua influência: Júpiter, regente do Meio-do-Céu, na décima segunda Casa e no Signo de Aquário está em Trígono com o seu Sol em Gêmeos, sem aflição. Seu poder espiritual era enorme, quer como executante quer como mestra; este Aspecto retrata o propósito religioso básico de sua encarnação. Você pode reconhecer isso quando ler testemunhos escritos por pessoas que a viram dançar. Ela encarnou para reestimular, através da arte e da beleza (foi pessoalmente uma das mais belas mulheres), o impulso puro de aspiração religiosa por meio da contemplação do corpo humano como um “instrumento do Divino” e como um veículo para gestos e movimentos puramente inspirados. Ela trouxe às congestões sociais e estéticas de sua época o frescor de uma consciência que tinha sua morada na beleza, na verdade e no amor. Ela lembrava aos homens e mulheres da pureza e bondades essenciais de seu ser espiritual e visava, de muitas maneiras, encorajarem as pessoas a recobrar a naturalidade de suas próprias verdades íntimas ao viver em termos de sinceridade, amizade e inspiração.

No mundo da dança de concerto sua influência foi quase catastrófica em seu efeito regenerador. Sua verdade artística era a da inspiração sincera, não a da tradição. Muitos outros dançarinos tomaram suas partes na regeneração dos conceitos da dança, mas Isadora iluminou o caminho pelo exercício de seus poderes inspiradores individuais (Vênus em Trígono com Urano e em Signos de Fogo).

De fato, ela disse: “Viva plena e corajosamente; livre-se do medo das tradições arcaicas; ame desde o centro de sua consciência com alegria, respeito e generosidade; viva com cortesia e graça; defenda o pobre e o oprimido, e cure as feridas do espírito; guie as crianças à percepção de suas belezas inatas de corpo e alma e as ajude a respeitar seus poderes e habilidades individuais; que as mulheres percebam, como nunca, seus poderes para inspirar pelo exercício das formosuras de Coração e Mente; que os homens abram seus corações a uma renovada adoração das Belezas da Natureza e da Humanidade; que a fraternidade dos artistas realize uma consagração da vida humana por meio da irmandade e dos esforços sinceros”.

Este grande Ego faria a todos nós “dançar” com alegria, graça, saúde e inspiração. Nós percebemos em nossas Cartas os movimentos rítmicos dos Astros, desde a hora do nascimento e através dos ciclos de desenvolvimento e maturidade, os padrões de nosso relacionamento na vida, os desafios que criamos para nós próprios e os poderes que temos desenvolvido para transmutar esses desafios em triunfos. Os cumprimentos desses padrões incluem nossa “dança da vida”; vamos nos mover ritmicamente com as forças cósmicas, com alegria, com coragem e com a inspiração da fé e da compreensão. Essa é a dança na espiral, sempre ascendente, do progresso evolutivo.

 

CAPÍTULO VIII – A MÚSICA

A composição musical é a manifestação dos arquétipos pelo arranjo formalizado e rítmico do tom. É a representação daquilo que é percebido pelo ouvido interior; é a linguagem pela qual a intuição do artista se comunica com as intuições da humanidade. Por correspondência, podemos dizer que a prosa está para a poesia assim como a poesia está para a música – três “oitavas” da arte comunicativa. Música é a “linguagem transcendentalizada”; se as palavras são símbolos sonoros das identidades, os tons são os arquétipos dos sons, de modo que sua manifestação artística em padrão e estrutura pela combinação de melodia, harmonia, ritmo e tempo é uma “fala que transcende, em poder, a linguagem das palavras”. A linguagem da palavra é uma comunicação relativamente limitada; sua compreensão depende de um exercício especializado do intelecto. A linguagem do tom, essencialmente arquetípico, depende do exercício da intuição e da resposta emocional; seu apelo é para o impulso instintivo humano realizar a idealidade. A magia – e ela é uma das maiores de todas as magias – da melodia e da harmonia transcende a separatividade da consciência nacionalista, da qual deriva a variedade separada da linguagem da palavra. Responder a música é ouvir a idealidade, e as faculdades especializadas dos músicos compositores e intérpretes do mundo são “canais” pelos quais as mensagens de grande beleza são comunicadas à consciência anímica da humanidade.

A triplicidade astral da “comunicação” se constitui de Lua, Mercúrio e Netuno. Estes três Astros representam as três oitavas da mentalidade: a Mente subconsciente do instinto e da sensação, a Mente consciente do intelecto e a Mente Supraconsciente da percepção de arquétipos, respectivamente. Todos os seres humanos, até mesmo os primitivos, participam das duas primeiras dessas oitavas, porque são capazes de formular opinião (a Lua) pela sensação subconsciente, e todos os que podem falar têm a faculdade do exercício intelectual (Mercúrio). Somente aqueles que são capazes de perceber e expressar arquétipos são os que funcionam consciente e construtivamente na terceira oitava (Netuno) como “focalizadores” da vibração de Peixes, Signo Comum da triplicidade da Água, iniciada pela Lua através de Câncer, da polaridade de Mercúrio em Virgem e do Signo da décima Casa, Mercúrio em Gêmeos. Em suas qualidades regeneradas e especializadas, Netuno simboliza as faculdades a mais transcendentais faculdades da consciência humana – a de comunicação com o Eu Superior e a de percepção da existência do arquétipo. Vamos estudar o símbolo astrológico de Netuno:

Exotericamente, esse símbolo representa o tridente do deus dos oceanos; como tal ele efetua a representação literal, personalizada, pela qual eram ensinados os princípios de vida aos não Iniciados, pessoas de mentalidade limitada dos tempos antigos. Esotericamente, ele não é um tridente, de fato; o semicírculo voltado para cima é o “cálice” ou os braços erguidos do diâmetro horizontal da cruz Cardeal do Grande Mandala – o “macho-fêmea gerado” da humanidade. A linha vertical é a mesma do Grande Mandala – a linha da paternidade/maternidade geradora, humana ou divina. O pequeno círculo na base do símbolo é a “semente” do Corpo-Alma da humanidade, que é “estimulado para a nova vida” pelos poderes divinos. Esse pequeno círculo é análogo ao “ponto de Câncer” do Grande Mandala, e nesse símbolo está a “semente” de todas as realizações aperfeiçoadas, a matriz do “Dourado Manto Nupcial”. Esse símbolo é verdadeiramente um dos mais belos da astrologia. Ele é simétrico, e sua verticalidade é contrabalançada pelo encanto dos braços abertos, levantados do semicírculo como uma árvore com seus galhos erguidos ou como um ser humano com seus braços levantados em êxtase de reverência, de aspiração ou de alegria. Agora, vamos correlacionar esse símbolo com o de Vênus, cuja exaltação está em Peixes:

A cruz na base do círculo de Vênus é fechada (arredondada), para formar o círculo perfeito da “consciência anímica”; o círculo do símbolo de Vênus é aberto ao cálice que recebe o divino. Nesta “abertura de Vênus” vemos o segredo da natureza transcendental de Netuno: a beleza da manifestação perfeita que Vênus simboliza é realmente a formalização da beleza essencial de Netuno. Se Vênus é a beleza da simetria, do desenho e ritmo na arte, Netuno é a beleza da simetria, do desenho e ritmo cósmico; se Vênus é a beleza da manifestação perfeita, Netuno é a beleza do arquétipo; se Vênus é o altar ou o santuário, Netuno é o deus para quem o santuário é dedicado; se Vênus é o mito exotérico criado para transmitir uma alegoria espiritual, Netuno é o princípio da vida personificado pelo mito; se Vênus é a melodia que move o coração, Netuno é a memória arquetípica da experiência que é estimulada pela melodia; se Vênus é o belo gesto ou movimento do dançarino, Netuno é a essência da realização emocional ou espiritual expressa pelo gesto; se Vênus é a progressão harmoniosa das cores, que é a “vida” da pintura, Netuno é a visão interna do pintor; se Vênus é beleza composta de melodia, harmonia, ritmo e texto de uma canção perfeitamente criada, Netuno é aquilo que é transmitido como estímulo espiritual do compositor, por meio do cantor para o expectador.

A feminilidade de Netuno é representada pelo semicírculo voltado para cima. A linha horizontal é abstratamente feminina como a essência de “aquilo que é afetado por uma causa”, mas esse semicírculo focaliza uma sensação muito mais intensa de “receptividade”.

Geometrizando: se encerrarmos a estrutura do símbolo de Netuno em um círculo cujo ponto central seja a junção do semicírculo com a vertical, e se usarmos toda a vertical do círculo como a vertical do símbolo de Netuno, é interessante e iluminador notar que os dois braços do semicírculo cortam o círculo externo nos pontos correspondentes a Escorpião e Peixes do mandala astrológico. Estes dois Signos, mais o “ponto de Câncer” do pequeno círculo na base do símbolo de Netuno, compreendem a triplicidade dos Signos de Água – o feminino – o princípio fêmea do Zodíaco e a faculdade trina da resposta simpática, da qual a vibração de Peixes representa a oitava mais impressionável e hipersensível. Por conseguinte, temos a aspiração do homem-mulher se abrindo para o fluxo de poderes inspiradores para incendiar a “semente” da consciência anímica. Isso, em suma, é o retrato da inspiração em ação; é o retrato daquele fator sutil na natureza humana pelo qual o instrumento humano se torna um veículo do divino (conscientemente) através de processos espiritualizados. Netuno, então, é o princípio da instrumentação, e seu poder consiste em fazer os instrumentos de todos os artistas, pelos quais as comunicações arquetípicas possam ser efetuadas[20].

Todos os artistas manifestadores (criadores) são sacerdotes, uma vez que todos eles são “mediadores” entre o divino e o mortal na espécie humana. E em nenhuma outra arte o intérprete desempenha mais profundamente o papel de acólito do que o cantor ou o músico instrumentista. A fusão do valor musical com o valor da palavra, que é inerente na arte da canção, é a composição da abstração da música com o concreto da linguagem. As palavras das sentenças poéticas e as notas das frases musicais se misturam em uma estranha alquimia mágica pela qual a palavra poética é intensificada e a ideia musical é “concretizada”. Uma vez que o tom é o arquétipo do som e as palavras são sequências da arte composta da canção, vê-se então que essa arte da canção é o arquétipo da arte da leitura poética. O grande criador de canções é alguém que percebe, intuitivamente, o valor musical inerente ao texto literário e, pelo exercício de uma fusão de percepções estéticas, o cantor amalgama esses fatores na apresentação completa das artes literária e musical misturadas. O solista instrumental e o regente de orquestra desempenham um “acolitado” semelhante nos reinos da música mais puramente abstrata; a orquestra sob regência é um composto de muitos “acólitos” que contribuem (cada um à sua maneira) para uma total perfeição musical. Agora você pergunta: a que tudo isso tem a ver com a astrologia? Onde e como se acha a música em um horóscopo? Vamos ver:

Uma partitura musical (linhas e espaços agrupados em compassos) poderia ser escrita de forma circular, sendo todas as notas apêndices verticais apontando para o centro do círculo. A nota mais baixa[21] da partitura seria análoga à circunferência do círculo astrológico, a nota mais alta seria idêntica a um círculo perto do centro da roda. Nas pautas de Sol e de Fá da linha musical comum temos cinco linhas para cada pauta mais a linha média do “Dó médio” – onze linhas ao todo[22]. Faça um círculo suficientemente grande para conter dez círculos concêntricos, e o subdivida em doze secções do mesmo modo que o mandala astrológico é seccionado em doze Casas.

Temos aqui o “Sol menor” da pauta de Fá correspondendo à circunferência astrológica como a “emanação” do ponto Ascendente – o atributo físico, a vibração mais densa. O “Fá maior” da pauta de Sol é o mais interno dos círculos encerrados, e poderia ser tomado para corresponder, simbolicamente, à vibração mais espiritual da consciência humana – análoga à vibração de Peixes no Grande Mandala.

A metade superior desse diagrama – um semicírculo abarcando dez outros semicírculos e um quadro simbólico do arco-íris – o espectro de cor natural que tem o vermelho, a mais densa vibração de cor, como “lado externo” do arco, e tem a púrpura, a mais rápida vibração, no lado interno dele – mais próximo do (que seria o) “centro do círculo do qual o arco-íris é o maior arco”. E aqui temos o espectro de cor, o espectro de tom, e o espectro astrológico da consciência da humanidade, tudo em um só desenho. Separe esse quadro e pense nele como “gradação de cor”, “gradação de tom” e “gradação de consciência”.

Posicionando-se o raio de Áries na vertical e se desdobrando o círculo composto em uma reta horizontal, o quadro nos fornece o espectro tonal numa secção específica da “grande escala musical” (Mude os sinais das claves[23] e substitua por um Signo zodiacal e você tem o Ascendente astrológico, que “determina” o tipo de personalidade de um indivíduo exatamente como a armadura de clave e a métrica chave “determinam” a “personalidade” da composição musical). Outra analogia: as duas pautas musicais[24] poderiam ser consideradas símbolos de todos os tons usados em nossa tradição musical; poderiam também ser considerados, simbolicamente, como a gama tonal inteira de toda vibração audível, do mesmo modo que cada cor específica do arco-íris tem suas miríades de gradações, se misturando, imperceptivelmente, umas às outras por efeito da refração da luz. Astrologicamente, esse quadro mostra a gradação da evolução humana, individualmente ou como um arquétipo, desde a mais densa vibração do máximo primitivismo (consciência física, separatista) até o máximo de consciência espiritualizada do domínio. O estado primitivo é o vermelho e seu tom é o mais baixo em qualquer símbolo que você use; o estado de domínio (ou soberania) é a púrpura na cor e seu tom é o mais alto em qualquer escala tonal que você use para ilustração simbólica. Se você sabe escrever a notação simples, tente um exemplo simples de “astro-musicalidade”: um círculo encerando outros quatro círculos concêntricos; subdivida-os em quatro quadrantes (compassos); no ponto correspondente ao Ascendente astrológico indique, no lado externo da roda, uma Clave de Sol, uma armadura de Clave e o “ritmo de três por quatro”.

Cada um dos três Signos de cada quadrante é, naturalmente, um “tempo”. Usando somente a pauta de Sol para simplificar, escreva as notas de uma melodia no ritmo três por quatro – por exemplo, os quatro primeiros compassos[25] da “Valsa Missouri”[26]; cada um dos quatro compassos representa uma “volta” completa no círculo. Vamos ainda fazer de conta que o diagrama é realmente espiralado. Quando você termina os quatro primeiros compassos, em sua imaginação, escreva os quatro compassos seguintes nos (que seriam) “degraus” (ou lances) seguintes da espiral, e assim por diante na canção toda. Outra ilustração: subdivida os quatro quadrantes em três, criando as doze Casas astrológicas ou doze compassos de música; destaque as cúspides da primeira, quinta e nona Casas, criando três fases de quatro tempos (Fogo, Terra, Ar, Água) cada; indique um compasso de “quatro-por-quatro”, e assim por diante. Você pode variar seus padrões de muitas maneiras – o ponto é esse: a simbologia astrológica, a simbologia musical e o espectro de cores são desenhados essencialmente do mesmo modo. Um círculo suficientemente grande para encerrar vários pentagramas poderia, teoricamente, ser usado para se compor um solo vocal com acompanhamento de piano ou de um conjunto instrumental.

Assim como cada instrumento musical tem os seus próprios e particulares limite tonal e qualidade tonal, do mesmo modo cada Astro tem sua qualidade essencial como focalizador de um dos doze Signos zodiacais. As “oitavas” de um Astro são os níveis de consciência que a pessoa tem para o princípio de vida específico em ciclos de evolução sucessivos, do mesmo modo que existem sete notas “dó” no teclado do piano[27].

Se pudermos dizer, por imaginação, que todo ser humano evolui através de sete ciclos maiores de desenvolvimento, esses seriam análogas às sete oitavas começando no “Dó” mais baixo do teclado do piano; os doze meio-intervalos de cada oitava seriam análogos aos doze Signos zodiacais. O Regente de cada Signo poderia ser análogo à tríade maior de cada uma das doze escalas – Vênus e Mercúrio regendo dois cada.

Você pode experimentar essa ideia de muitas maneiras; fazendo um pequeno exercício de imaginação você pode comparar, por analogia, diversos fatores musicais e astrológicos. Por exemplo: a dissonância musical e o Aspecto Quadratura; a modulação da dissonância até a harmonia e o Aspecto Sextil (a modulação desde a dissonância até a harmonia é alquimia expressa em música); a tríade maior baseada em um tom específico e o grande Trígono baseado em um Signo específico; a nota-chave de uma tríade maior e um Astro Dignificado; os sons harmônicos de duas notas tocadas juntas e as órbitas de dois Astros em Aspecto entre si; o solista de uma apresentação musical e o Regente astral de uma Carta; o acompanhamento instrumental ou outros acompanhamentos a um solista e todos os outros Astros além do Regente da Carta. Há uma profusão de tipos de pesquisa imaginativa quando se formulam títulos de composições musicais pelo estudo dos agrupamentos astrais por posicionamento nas Casas e nos Signos, particularmente o do Regente da Carta, como “nota-chave” do horóscopo. Tais analogias podem ser muito fascinantes. Seu interesse em ambas as artes será intensificado e suas percepções dos valores de ambas podem ser grandemente revivificadas em consequência de tal prática.

Agora, o astrólogo como “músico”:

Assim como o grande cantor ou instrumentista interpreta através do meio tonal os conceitos arquetípicos inspirados do criador musical, do mesmo modo o astrólogo, pelo poder da palavra, apresenta suas interpretações de arquétipos – princípios de vida – quando verbaliza para alguém ou para um grupo de estudantes de astrologia. Assim como o músico desenvolve seu veículo físico por meio do exercício técnico, do mesmo modo o astrólogo desenvolve seu veículo mental na exatidão de cálculos e estudo de técnicas astrológicas. A “composição” que o astrólogo interpreta é sempre o ser vibratório (a Consciência) da humanidade. O nativo é o “compositor” de um arranjo astrológico específico e o astrólogo é o “acólito” que serve ao sacerdote latente do nativo. O criador musical e o intérprete exercitam seu conhecimento dos meios estéticos (tonais e rítmicos) para objetivar seus conceitos de arquétipos; o astrólogo exercita seu conhecimento dos meios da vida humana quando ele especializa princípios cósmicos. O astrólogo reflete a essência daquilo que está no horóscopo do nativo, do mesmo modo que o cantor ou o instrumentalista refletem aquilo que percebem na partitura do compositor.

Os astrólogos “compõem” quando inventam novos símbolos e novas abordagens à interpretação astrológica. Contudo, a maior parte deles – e dos músicos intérpretes – comunicam aquilo que já foi criado para os horóscopos ou para as partituras musicais. Assim como o trabalho dos músicos compositor e intérprete abrem o ouvido intuitivo da humanidade, o mesmo faz o astrólogo por meio da fala. A “capacidade artística” do serviço astrológico depende da clareza com que tal trabalho é feito. Isso, em essência, é o propósito de sua “canção estelar” como também é o propósito dos outros em sua “canção tonal”. Ambas tocam, como talvez quaisquer outras duas artes não possam fazê-lo, as vizinhanças do espírito interno. Ambas estão consagradas ao serviço de “tocar o Espírito” por meio do som nas maneiras mais belas, eficazes e inspiradoras possíveis.

[1] N.T.: Johann Sebastian Bach (1685-1750) foi um compositor, cravista, Kapellmeister, regente, organista, professor, violinista e violista oriundo do Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha.

[2] N.T: Marian Anderson (1897-1993) foi uma contralto norte-americana que se tornou a primeira estrela de ópera americana e se firmou como uma das maiores intérpretes de concerto do século XX, destacando-se em um variadíssimo repertório que ia do lied ao spiritual americano.

[3] N.T.: Angela Isadora Duncan (1877-1927) foi uma coreógrafa e bailarina norte-americana, considerada a precursora da dança moderna.

[4] N.T.: Wacław Niżyński, em polaco, Vatslav Fomitch Nijinski, em russo (1889-1950) – foi um bailarino e coreógrafo russo de origem polaca. Considerado um dos maiores bailarinos de seu tempo, viveu a dança desde muito cedo.

[5] N.T.: Mary Wigman (nome de batismo Marie Wiegmann, 1886-1973) foi uma importante coreógrafa alemã, uma das fundadoras da dança expressionista e da dançaterapia. É considerada uma das mais importantes figuras na história da dança moderna.

[6] N.T.: Eleonora Duse (1858-1924) foi uma atriz italiana. Nascida numa família ligada ao teatro, interpretou Julieta aos 14 anos, atingindo marcante sucesso aos vinte anos interpretando Thérèse Raquin (1878), de Zola, e também no papel de Santuzza, na Ópera Cavalleria Rusticana de Giovanni Verga (1895).

[7] N.T.: John Sidney Blyth Barrymore (1882-1942) foi um ator americano. Inicialmente ganhou fama como ator teatral em comédias ligeiras, depois em paéis dramáticos, acabando por tornar-se grande intérprete de personagens shakespearianos (Ricardo III, 1920 e Hamlet, 1922). Seu sucesso continuou no cinema, em filmes de gêneros variados tanto na era do cinema mudo como na do falado.

[8] N.T.: William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo.

[9] N.T.: François-Auguste-René Rodin (1840-1917), mais conhecido como Auguste Rodin, foi um escultor francês.

[10] N.T.: Pearl Sydenstricker Buck, nascida Pearl Comfort Sydenstricker (1892-1973), também conhecida por Sai Zhen Zhu foi uma sinologista e escritora estadunidense.

[11] Paul Marie Verlaine 1844-1896) é considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.

[12]   N.T.: Touro, Leão, Escorpião e Aquário, respectivamente.

[13] N.T.: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio, respectivamente.

[14] N.T.: Um Astro está “dispositado” quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[15] N.T.: é uma dança de origem francesa comum na província de Auvérnia e Biscaia na Espanha do século XVII. É dançada com dois tempos rápidos, de alguma forma semelhante a gavotte. Já a gavotte ou gavota se baseia em um compasso a quatro tempos bem marcados e começando no terceiro tempo do compasso. A linha melódica da gavota deve ser clara, elegante e refinada, com acompanhamento tão sutil e refinado quanto a linha melódica principal. Entre os compositores que se dedicaram a esta forma de dança estão Bach, Padre Martini, Handel, Gluck e Puccini.

[16] N.T.: No balé é um grupo de dançarinos que não são solistas.

[17] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883–1931), também conhecido como Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.

[18] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[19] N.T.: Angela Isadora Duncan (1877-1927) foi uma coreógrafa e bailarina norte-americana, considerada a precursora da dança moderna, aclamada por suas apresentações em toda a Europa. Nascida na Califórnia, viveu na Europa Oriental e na União Soviética dos 22 anos até a data de sua morte, na França.

[20] Nota: O que foi dito acima é um pleno reconhecimento do fato de que “o raio de Netuno transporta o que os ocultistas conhecem como o Fogo do Pai, a luz e vida do Espírito Divino, que se expressa como vontade”. Como todos os outros Astros, Netuno tem sua oitava “reflexiva” assim como sua oitava “expressiva”. A polaridade feminina da qualidade de Netuno é a da nossa capacidade para responder aos estímulos da oitava superior através de sintonia inspiradora. Netuno, a esse respeito, é o símbolo arquetípico de nossas qualidades místicas. Um grande ator ou músico se projeta (dinamicamente) por sua atuação, interpretação ou composição. Isto representa seu Netuno “dinâmico”. A sintonia com os arquétipos e a resposta aos impulsos inspiradores provenientes do Alto é a polaridade feminina desse funcionamento.

[21] N.T. Importante entender, aqui, o conceito de “alto” e “baixo” na música: altura do som é um termo utilizado para definir se um som é agudo ou grave. Sons altos são agudos e sons baixos são graves. O que faz um som ficar agudo ou grave é a frequência do som. Quanto maior a frequência, mais agudo (alto) é o som; e quanto menor a frequência, mais grave (baixo) é o som. Essa frequência corresponde aos ciclos (oscilações por segundo) da onda sonora. É importante não confundir altura do som com volume (ou intensidade) do som.

[22] N.T: Notação: C é o Do; D, o Re; E, o Mi; F, o Fa; G, o Sol; A; o La; B, o Si; C; o Do. O último Do (C) da Clave de Fá (mais alta) e o primeiro Do (C) da Clave de Sol é conhecido como Do médio (C médio):

[23] N.T.: as 3 Claves mais utilizadas na música ocidental:

[24] N.T.: Exemplo de uma pauta (um pentagrama) musical na Clave de Sol com as Notas:

[25] N.T.:

[26] N.T.: a Valsa Missouri (Missouri Waltz) é a canção oficial do estado do Missouri, EUA. Música de John Valentine Eppel; arranjo de Frederic Knight Logan e letra de James Royce Shannon.

[27] N.T.:

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Livro: A Interpretação Mística do Natal

Esse livro se refere ao nascimento místico e à morte do grande Espírito Cristo, abordados sob o ponto de vista de um Clarividente.

O mais pronunciado materialista deve se convencer da divindade do ser humano, após ler as revelações do autor sobre o significado profundo do Cristo e os princípios por Ele proclamados.

Esperamos que a leitura cuidadosa e atenta desse volume sobre a vida sagrada de Cristo incentive uma maior veneração pela Religião Cristã, tornando-a mais aceitável à razão por meio da obra inspirada desse autor, cujo principal objetivo, enquanto viveu, foi o de trazer o ideal de Cristo e a vida simples de servir mais próximo dos corações das pessoas.

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel – A Interpretação Mística do Natal

2. Para estudar no próprio site:

 

A Interpretação Mística do

Natal

Seis Dissertações Sobre a Questão do Natal do Ponto de Vista Místico, mostrando o Significado Oculto desse Grande Evento

Por

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1920, The Mystical Interpretation of Christmas, editada por The Rosicrucian Fellowship

10ª Edição em Inglês, 2012, The Mystical Interpretation of Christmas, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

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fraternidade@fraternidaderosacruz.com

ÍNDICE

PREFÁCIO.. 5

CAPÍTULO I – A SIGNIFICÂNCIA CÓSMICA DO NATAL

CAPÍTULO II – LUZ ESPIRITUAL – O NOVO ELEMENTO E A NOVA SUBSTÂNCIA

CAPÍTULO III – O SACRIFÍCIO ANUAL DE CRISTO

CAPÍTULO IV – O Místico Sol da Meia-Noite

CAPÍTULO V – A Missão de Cristo e o Festival das Fadas

CAPÍTULO VI – O Cristo Recém-Nascido (incluído na 10ª edição)

 

PREFÁCIO

O conteúdo desse livro foi enviado periodicamente pelo autor, em forma de lições, aos Estudantes. Abrange somente cinco das suas noventa e nove cartas. A principal característica dessas lições é se referir ao nascimento místico e à morte do grande Espírito Cristo, abordados sob o ponto de vista de um Clarividente. O autor recebeu essas preciosidades raras da verdade por meio da iluminação divina. O mais pronunciado materialista deve se convencer da divindade do ser humano, após ler as revelações do autor sobre o significado profundo do Cristo e os princípios por Ele proclamados.

Dezessete das noventa e nove lições foram editadas em forma de livro sob o título: A Teia do Destino, incluindo os temas: O Efeito Oculto das Nossas Emoções, Oração – Uma Invocação Mágica e Métodos Práticos para se Alcançar o Sucesso; nove foram publicadas sob o título: Maçonaria e Catolicismo, como tudo é visto por de trás do cenário. As restantes sessenta e oito lições publicaremos no segundo volume da coletânea, conforme o tempo o permita[1].

Esperamos que a leitura cuidadosa e atenta desse volume sobre a vida sagrada de Cristo incentive uma maior veneração pela Religião Cristã, tornando-a mais aceitável à razão por meio da obra inspirada desse autor, cujo principal objetivo, enquanto viveu, foi o de trazer o ideal de Cristo e a vida simples de servir mais próximo dos corações das pessoas.

28 de outubro de 1920

                                                                          Augusta Foss Heindel

 

 

CAPÍTULO I – A SIGNIFICÂNCIA[2] CÓSMICA DO NATAL

Mais uma vez, no decorrer de um ano, estamos às vésperas de Natal. A visão de cada um de nós sobre essa festividade difere uma da outra. Para o religioso devoto é um período santificado, sagrado e repleto de mistério, não menos sublime por ser incompreendido. Para o ateu é uma tola superstição. Para o puramente intelectual é um enigma, pois está além da razão.

Nas igrejas a história é narrada de como na noite mais santa do ano, Nosso Senhor e Salvador, imaculadamente concebido, nasceu de uma virgem. Nenhuma outra explicação é fornecida; o assunto é deixado a critério do ouvinte que o aceita ou rejeita, de acordo com o seu temperamento. Se a Mente e a razão prevalecem, a fé é excluída; se ele pode acreditar apenas no que pode ser demonstrado aos sentidos, então, é forçado a rejeitar a narrativa como absurda e desarmônica com as várias e imutáveis leis da natureza.

Várias interpretações diferentes foram fornecidas para satisfazerem a Mente, principalmente às de natureza astronômica. Elas estabelecem de como na noite de 24 para 25 de dezembro, o Sol começa sua jornada do sul para o norte. Ele é a “Luz do Mundo”. O frio e a fome inevitavelmente exterminariam a onda de vida humana se o Sol permanecesse sempre no Sul[3]. Por isso, é um motivo de grande regozijo quando ele começa sua jornada em direção ao norte. Ele é, então, aclamado o “Salvador”, pois vem “salvar o mundo”, vem para dar o “pão da vida”, quando amadurece “o grão e a uva”. Assim, “Ele dá a sua vida” na cruz (quando cruza) do equador (no Equinócio de Setembro) e começa sua ascensão no céu (norte). Na noite em que começa sua jornada em direção ao norte, o Signo de Virgem, a Virgem Celestial, a “Rainha do Céu”, está no horizonte oriental à meia-noite e é, então, astrologicamente falando, seu “Signo Ascendente”. Portanto Ele “nasce de uma virgem”, sem intermediários, sendo assim “concebido imaculadamente”.

Essa explicação pode satisfazer a Mente quanto à origem da suposta superstição, mas o dolorido vazio que existe no coração de todo cético, esteja ou não ciente do fato, deve permanecer até que a iluminação espiritual seja alcançada, a qual fornecerá uma explicação aceitável tanto ao Coração como à Mente. Derramar tal luz sobre esse mistério sublime será nosso esforço nas páginas seguintes. A Imaculada Concepção será o assunto de uma lição futura; por hora queremos mostrar como as forças materiais e espirituais fluem e refluem alternadamente no decurso do ano, e porque o Natal é verdadeiramente um “dia santo”.

Digamos que concordamos com a interpretação astronômica como sendo válida, desse ponto de vista, como o que se segue é verdadeiro, quando contemplamos o mistério do nascimento sob outro ângulo. O Sol nasce, ano após ano, na noite mais escura. O Salvador do Mundo Cristo também nasce, quando a escuridão espiritual da humanidade é a maior. Há um terceiro aspecto de suprema importância, isto é, não há nenhuma futilidade nas palavras de São Paulo quando ele fala do Cristo sendo “formado em você”[4]. É um fato sublime que todos somos Cristos-em-formação, de modo que quando compreendemos que temos que cultivar o Cristo interno antes que possamos perceber o Cristo externo, mais apressaremos o dia da nossa iluminação espiritual. Nesse sentido, novamente citamos o nosso aforismo preferido, de Angelus Silesius[5], cuja sublime percepção espiritual fê-lo proferir:

“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nascer dentro de ti, tua alma segue extraviada.

Olharás em vão a Cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se erguer dentro de ti mesmo novamente.”

No Solstício de Junho a Terra está mais distante do Sol, mas o raio solar a atinge quase em ângulo reto, em relação ao seu eixo no Hemisfério Norte, assim resultando no alto grau da atividade física. Nessa ocasião, as radiações espirituais do Sol são oblíquas nessa parte da Terra e são tão fracas como os raios físicos, quando esses são oblíquos.

Por outro lado, no Solstício de Dezembro, a Terra está mais perto do Sol. Os raios espirituais caem em ângulos retos na superfície da Terra no Hemisfério Norte, promovendo a espiritualidade, enquanto as atividades físicas diminuem devido ao ângulo oblíquo em que o raio solar atinge a superfície dessa parte da Terra. Por esse princípio, as atividades físicas estão no seu mais baixo nível e as forças espirituais no seu mais elevado fluxo na noite entre 24 e 25 de dezembro, por isso, ela é chamada a “noite mais santa” do ano. Por outro lado, no meio do verão é a época de divertimento para os duendes e para as entidades semelhantes compromissadas com o desenvolvimento material do nosso Planeta, conforme demonstrado por Shakespeare no seu Sonho de Uma Noite de Verão.

Se nadarmos quando a maré está mais forte, alcançaremos uma distância maior e com menos esforço do que em qualquer outra ocasião. É de grande importância para o Estudante esotérico saber e compreender as condições particularmente favoráveis que prevalecem na época do Natal. Sigamos a exortação de São Paulo, no Capítulo 12 da Epístola aos Hebreus[6], jogando fora toda carga à mais, como fazem as pessoas que participam de corridas. Batamos no ferro enquanto ele está quente; isso significa que devemos, nessa época do ano, concentrar todas as nossas energias nos esforços espirituais e para colher o que não conseguiríamos obter em nenhuma outra ocasião do ano.

Lembremo-nos, também, que o auto-aperfeiçoamento não deve ser a nossa única consideração. Nós somos Discípulos de Cristo. Se aspirarmos a tal distinção, lembremo-nos do que Ele disse: “Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos”[7]. Há um sentimento muito grande de tristeza e sofrimento à nossa volta; há muitos corações solitários e doloridos em nosso círculo de conhecidos. Busquemo-los de maneira discreta. Em nenhuma outra época do ano eles serão mais acessíveis aos nossos apelos. Espalhemos a luz do Sol em seus caminhos. Desse modo, ganharemos suas bênçãos e também as dos nossos Irmãos Maiores. Por sua vez, as vibrações resultantes promoverão um crescimento espiritual impossível de ser atingido de qualquer outro modo.

 

CAPÍTULO II – LUZ ESPIRITUAL – O NOVO ELEMENTO E A NOVA SUBSTÂNCIA

No ano passado, nosso Curso de Cristianismo Místico, por correspondência, começou com uma lição sobre o Natal, do ponto de vista cósmico. Explicamos que os Solstícios de Junho e Dezembro, juntamente com os Equinócios de Março e Setembro, constituem os momentos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, assim como a concepção assinala o começo da descida do espírito humano ao Corpo físico, resultando no nascimento, o qual inaugura o período de crescimento até que a maturidade seja alcançada. Neste ponto se inicia uma época de sobriedade e amadurecimento, juntamente com um declínio das energias físicas que terminam em morte. Este acontecimento liberta o ser humano dos tresmalhos da matéria e o conduz a um período de metabolismo espiritual, por meio do qual nossa colheita de experiências terrenas é transmutada em poderes anímicos, talentos e tendências, a fim de serem multiplicados e utilizados nas vidas futuras e, assim, termos condições para crescer mais rica e abundantemente com tais tesouros e sermos considerados dignos, como “administradores fiéis”, para assumirmos postos cada vez mais elevados entre os servos da Casa do Pai.

Essa ilustração se apoia sobre o firme alicerce da grande Lei de Analogia, tão sucintamente expressa pelo axioma hermético: “Assim como é em cima, é em baixo”. Baseados nisso, que é uma chave-mestra para todos os problemas espirituais, dependemos também de um “abre-te sésamo” para as nossas lições do Natal desse ano, que nós esperemos poder corrigir, confirmar ou completar os pontos de vista dos nossos Estudantes, conforme requeira cada caso.

Os corpos, originalmente cristalizados na terrível temperatura da Lemúria, eram demasiado quentes para conter umidade suficiente que permitisse ao espírito acesso livre e irrestrito a todas as partes da anatomia deles, doe mesmo modo que o espírito consegue, atualmente,  por meio do sangue circulante. Mais tarde, no começo da Atlântida, de fato os corpos continham sangue, mas se moviam com dificuldade, e teriam se ressecados rapidamente, em razão da alta temperatura interna, não fora o fato de prevalecer naquela atmosfera aquosa uma farta umidade. A inalação desse solvente atenuava grandemente o calor e abrandava o Corpo, até que uma quantidade suficiente de umidade pudesse ser retida dentro dele, permitindo a respiração na atmosfera comparativamente seca que mais tarde ocorreria.

Os corpos dos primitivos Atlantes eram de uma substância granulosa e fibrosa, não diferentes dos nossos atuais tendões, e também semelhante a madeira; contudo, com o tempo, o hábito adquirido de comer carne, capacitou o ser humano a assimilar a quantidade de albumina suficiente para construir tecidos elásticos necessário à formação dos pulmões e das artérias, assim permitindo a livre circulação do sangue, conforme se verifica agora em todo o sistema humano. Na época em que aconteceram essas mudanças interna e externamente, o grande e glorioso arco de sete cores surgiu no céu carregado de nuvens para assinalar o advento do Reino do Homem, aonde as condições viriam a ser tão variadas como os matizes que colorem a atmosfera ao refratar a luz solar de uma só cor. Então, o primeiro aparecimento do arco-íris nas nuvens marcou o início da era de Noé, com suas estações e períodos alternantes, dos quais o Natal é um deles.

Entretanto, as condições prevalecentes nesse período não são permanentes, como não o eram as dos períodos anteriores. O processo de condensação que transformou o nevoeiro ardente da Lemúria na atmosfera de umidade densa da Atlântida, e mais tarde se liquefez em água, que inundou as cavidades da Terra e impeliu a humanidade para as montanhas e os altiplanos, ainda continua. Ambas, a atmosfera e a nossa condição fisiológica estão mudando, assinalando, aos que sabem ver e compreender, que a aurora de um novo dia no horizonte virá ou acontecerá em breve, uma era de unificação, mencionada na Bíblia como o Reino de Deus.

A Bíblia não nos deixa dúvidas a respeito das mudanças. Cristo disse que, como nos dias de Noé, assim deverá ser nos dias vindouros. Ambos, a Ciência e os descobrimentos, agora encontram condições que não existiam anteriormente. É um fato científico que o oxigênio está sendo consumido em quantidades alarmantes, alimentando os fornos e outros processos que necessitam desse combustível das indústrias; os incêndios nas florestas também sorvem em grande escala o nosso estoque desse elemento importante, além de aumentar o processo secante a que a atmosfera está naturalmente submetida. Eminentes cientistas ressaltam que chegará o dia em que o globo não poderá sustentar a vida que depende da água e do ar para existir. Suas ideias não nos afligem tanto, pois a data que apontam ainda está muito distante; mas, mesmo que seja assim, o destino da Época Ária é tão inevitável quanto o da Atlântida inundada.

Pudesse um Atlante ser transferido para nossa atmosfera ele seria asfixiado, como um peixe fora de seu elemento natural. Quadros vistos na Memória da Natureza provam que os aviadores pioneiros, daquela Época, de fato desmaiavam quando encontravam essas correntes de ar que desciam, gradualmente, sobre a terra que habitavam, e tais experiências suscitavam muitos comentários e especulações. Os aviadores de hoje já estão encontrando o novo elemento e experimentando a sensação de asfixia, do mesmo modo que experimentaram os seus ancestrais Atlantes e, por razões análogas, encontraram um novo elemento descendo do alto, o qual tomará o lugar do oxigênio da nossa atmosfera. Há também uma nova substância se introduzindo na constituição humana e que substituirá a albumina. Ademais, assim como os aviadores da Atlântida desmaiavam e eram impedidos, pela corrente descendente de ar, de penetrar na Época Ária, a terra prometida, dessa maneira prematura, também assim o novo elemento desafia os aviadores de hoje e a humanidade em geral, até que todos tenham aprendido a assimilar seus aspectos materiais. E tal como os Atlantes, cujos pulmões não estavam desenvolvidos e sucumbiram na inundação, assim também a nova Era encontrará alguns sem o “Manto Nupcial”, e, portanto, incapacitados para entrar nela, até que se qualifiquem num período posterior. Por isso, é da maior importância para todos saber a respeito do novo elemento e da nova substância. A Bíblia e a Ciência, unidas, fornecem ampla informação a respeito do assunto.

Como mencionamos anteriormente, na Grécia antiga, a Religião e Ciência eram ensinadas nos templos de mistério, juntamente com a belas-artes e as habilidades manuais, como uma doutrina única de vida e de ser; contudo, essa condição foi temporariamente suspensa para facilitar determinadas fases do desenvolvimento. A união das linguagens religiosa e científica na Grécia antiga facilitava a compreensão dessas matérias; no entanto, hoje em dia, as complicações repousam no fato de que a religião traduziu e a Ciência simplesmente transferiu seus termos do Grego original, o que tem causado muitas divergências e uma perda do elo entre as descobertas da Ciência e os ensinamentos da Religião.

Para chegarmos a uma desejada compreensão das mudanças fisiológicas que continuam agora em nosso sistema, podemos lembrar que, segundo a Ciência, os lóbulos frontais do cérebro estão entre as estruturas humanas de mais recente desenvolvimento e que, proporcionalmente, este órgão é muito maior no ser humano do que em qualquer outra criatura. Agora, a pergunta: existe no cérebro alguma substância peculiar, e se existe, qual pode ser a sua signifância?

A primeira parte da pergunta pode ser respondida por qualquer obra científica relativa ao assunto, mas o livro O Conceito Rosacruz do Cosmos fornece mais subsídios, conforme transcrevemos abaixo:

“O cérebro (…) é constituído pelas mesmas substâncias que as demais partes do Corpo, mas, além delas, tem o fósforo, peculiar somente ao cérebro. Conclusão lógica a tirar: o fósforo é o alimento particular mediante o qual o Ego pode expressar pensamentos… A quantidade desta substância é proporcional ao estado de consciência e ao grau de inteligência do indivíduo. Os idiotas têm muito pouco fósforo. Os profundos pensadores têm muito. (…) Portanto, é de suma importância que o Aspirante ansioso de se empregar em trabalhos mentais e espirituais dê ao cérebro esta necessária substância”.

A indiscutível religiosidade dos Católicos é verificável, em parte, na prática de comer peixe, alimento rico em fósforo, às sextas-feiras e durante a Quaresma. Ainda que o peixe pertença a uma ordem de vida inferior, O Conceito Rosacruz do Cosmos não aprova a sua matança, indicando ao Estudante certas verduras por meio das quais pode conseguir, fisicamente, abundância dessa desejável substância. Existem outros e melhores meios para essa obtenção, embora não mencionados em O Conceito Rosacruz do Cosmos.

Não foi por acaso que os instrutores da Escola de Mistério Grega denominaram assim essa substância luminosa que conhecemos por fósforo. Para eles era patente que “Deus é Luz” – a palavra grega designativa de luz é phos. Portanto, muito apropriadamente, eles denominaram a substância do cérebro, que é a avenida de ingresso do impulso divino, phos-phorus, literalmente “portador da luz”. Na medida em que formos capazes de assimilar essa substância, nos tornamos cheios de luz e começamos a brilhar a partir de dentro, nos circundando, então, de um halo como uma marca de santidade. O fósforo, contudo, é apenas um meio físico que possibilita a luz espiritual se expressar por meio do cérebro físico, sendo a luz, em si mesma, um produto do crescimento anímico. Entretanto, o crescimento anímico capacita o cérebro a assimilar quantidades crescentes de fósforo; assim, o método para a aquisição dessa substância, em maiores quantidades, não deve ser pelo metabolismo químico e sim pelo processo alquímico do crescimento anímico, o que foi totalmente esclarecido por Cristo quando Ele disse a Nicodemos:

“Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo… Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado.

… Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram mais trevas à luz…

… Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”

(Jo 3:17-21)

O Natal é a época do ano da luz espiritual mais intensa que há. Durante esta Época de ciclos alternantes há marés altas e baixas de luz espiritual, como acontece com as águas do oceano. A primitiva Igreja Cristã marcou a concepção no mês de setembro, de modo que até hoje o evento é celebrado pela Igreja Católica, quando a grande onda de vida e luz espirituais começa a sua descida na Terra. O ponto máximo de maré é alcançado no Natal, que é verdadeiramente a época santa do ano, a ocasião em que essa luz espiritual é mais facilmente contatada e especializada pelo Aspirante, por meio dos atos de compaixão, gentileza e amor. As oportunidades para praticar esses atos não faltam, nem mesmo para os mais pobres, porque, conforme enfatizam frequentemente os Ensinamentos Rosacruzes, o serviço conta mais que os auxílios financeiros, que pode até ser prejudicial a quem o recebe. Todavia, a quem muito é dado, muito será exigido e, se alguém foi abençoado com abundância de bens do mundo, uma cuidadosa distribuição dos mesmos deveria, necessariamente, ser observada em qualquer oportunidade de servir. Recordemos, ainda ,as palavras de Cristo: “Em verdade vos digo, sempre que fizerdes isto a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fazeis”[8]. Então, nós devemos segui-Lo como luzes ardentes e brilhantes, mostrando o caminho para a Nova Era.

 

CAPÍTULO III – O SACRIFÍCIO ANUAL DE CRISTO

Você já esteve ao lado do leito de um amigo ou parente que se encontrasse preste a passar desse Mundo para o além? Muitos de nós já tivemos essa experiência, pois qual o lar que não foi visitado pelo Pai Tempo? Nem é incomum a fase que se segue ao ocorrido, à qual devemos prestar atenção especial. A pessoa prestes a passar desse Mundo para o além, muitas vezes fica em estado de estupor[9]; então desperta e vê não apenas esse Mundo, mas também o Mundo em que está preste a entrar; é muito significante que nesses momentos ela vê as pessoas que foram suas amigas ou parentes durante a parte da sua vida – filhos, filhas, esposa (ou marido) ou qualquer pessoa que lhe tenha sido realmente muito próxima ou muito querida – postadas ao redor do seu leito e aguardando o momento da transição. A mãe poderá estender os braços: “Oh! É o João e como ele cresceu! Que rapaz esplêndido e enorme ele está!”. E, desse modo, ela reconhecerá, um após outro, todos os filhos já falecidos. Estes estão reunidos em volta da sua cama à espera que ela vá se unir a eles, animados pela mesma sensação que assalta as pessoas quando uma criança está prestes a nascer nesse Mundo: o regozijo pela chegada de alguém que eles sentem, instintivamente, ser um amigo que está voltando para eles.

Assim, o mesmo se dá com as pessoas que, tendo passado antes ao além, se reúnem para receber um amigo (ou uma amiga) que está prestes a cruzar a fronteira e se juntar a eles do outro lado do véu. Vemos, assim, que o nascimento em um Mundo é morte, sob o ponto de vista do outro Mundo, isto é, a criança que vem a nós morre para o Mundo espiritual, e a pessoa que sai do alcance dos nossos olhos, ao transpor o véu pela morte, nasce em um novo Mundo e se junta a seus amigos lá.

Como é em cima, assim é em baixo; a Lei da Analogia, que é a mesma para o microcosmo e para o macrocosmo, nos diz que aquilo que acontece aos seres humanos sob determinadas condições, também deve se aplicar ao super-humano, em circunstâncias análogas. Estamos nos aproximando do Solstício de Dezembro, os dias mais escuros do ano, a época em que a luz brilha com menos intensidade, quando o Hemisfério Norte se torna frio e melancólico. Porém, na noite mais longa e mais escura do ano, quando o Sol retoma o seu caminho ascendente, a luz de Cristo nasce de novo na Terra e o mundo inteiro se rejubila. Conforme a nossa analogia, quando Cristo nasce na Terra, Ele morre no céu. Assim como o espírito livre está, no momento do nascimento, firme e fortemente enclausurado no véu da carne, que o restringe por toda a vida física, assim também o Espírito de Cristo é agrilhoado e tolhido, toda vez que Ele nasce na Terra. Esse grande Sacrifício Anual começa quando soam os nossos sinos de Natal, quando os alegres sons do nosso louvor e gratidão ascendem aos céus. No mais literal sentido da palavra, Cristo é aprisionado desde o Natal até a Páscoa.

O ser humano pode zombar da ideia de que existe, nessa época do ano, um influxo de vida e luz espirituais, não obstante, isso é um fato, creiamos ou não. Nessa época do ano, no mundo inteiro, todos se sentem mais leves, diferentes, algo como se um fardo fosse tirado dos seus ombros. O espírito de “paz na terra e boa vontade entre os homens” prevalece, e o espírito de que nós também deveríamos dar algo se expressa nos presentes de Natal. Esse espírito não pode ser negado, já que é evidente a qualquer observador; e isso é um reflexo da grande onda de dádiva divina. Deus tanto amou o mundo, que Ele deu Seu Filho único ou unigênito. O Natal é a época das dádivas, mesmo que a consumação do sacrifício aconteça apenas na Páscoa; aqui está o ponto crucial, o momento decisivo, o lugar onde sentimos que alguma coisa aconteceu e que garante a prosperidade e a continuidade do mundo.

Quão diferente é o sentimento do Natal daquele que se manifesta na Páscoa! Nesse último há uma expressão de desejo, uma energia que se expressa em amor sexual, visando à perpetuação de si mesmo como nota-chave; quão diferente disso é do amor que se expressa no espírito de dar ao invés de receber, que sentimos no Natal.

Agora, observe as igrejas; nunca suas velas brilham tanto quanto nesse dia mais curto e mais escuro do ano. Em nenhuma outra ocasião os sinos ressoam tão festivos, do que quando proclamam para o mundo a mensagem para o mundo esperançoso: “O Cristo nasceu!”.

“Deus é Luz”[10], diz o inspirado Apóstolo e nenhuma outra descrição é capaz de comunicar ou expressar tanto da natureza de Deus quanto essas três pequenas palavras. A luz invisível, que se encontra envolvida pela chama sobre o altar, é uma representação apropriada de Deus, o Pai. Nos sinos, temos um símbolo muito apropriado de Cristo, a Palavra, pois suas línguas metálicas proclamam a mensagem do Evangelho da paz e boa vontade, enquanto o incenso, simbolizando um maior fervor espiritual, representa o poder do Espírito Santo. Por conseguinte, a Trindade é simbolicamente parte da celebração que faz do Natal a época do ano de maior regozijo espiritual, sob o ponto de vista da onda de vida humana que está envolvida e trabalhando, atualmente, no Mundo Físico.

Todavia, não se deve esquecer, conforme dissemos no terceiro parágrafo desse capítulo, que o nascimento de Cristo na Terra é a Sua morte para a glória dos céus; que, quando nos rejubilamos pelo Seu regresso anual a nós, de fato Ele toma novamente sobre Si o pesado fardo físico que cristalizamos ao nosso redor, e que é agora a nossa habitação – a Terra. Nesse pesado corpo, Ele é incrustado e espera, ansiosamente, pelo dia da libertação final. Podemos compreender, naturalmente, que existem dias e noites, tanto para os maiores espíritos quanto para os seres humanos; que, do mesmo modo que vivemos em nossos Corpos durante o dia, cumprindo o destino que nós mesmos criamos no Mundo Físico e somos liberados à noite para nos recuperarmos nos Mundos superiores, assim também existe essa alternância para o Espírito de Cristo. Parte do ano Ele habita o interior do nosso globo, e depois se retira para os Mundos superiores. Assim, o Natal é para Cristo o começo de um dia de vida física, o início de um período de restrição.

Qual deveria ser, portanto, a aspiração do místico devotado e iluminado, que percebe a grandeza do Seu sacrifício, a grandeza desse dom que está sendo concedido à humanidade por Deus nessa época do ano; que percebe esse grande sacrifício de Cristo por nossa causa; essa dádiva de Si mesmo Se sujeitando a uma morte virtual para que possamos viver esse maravilhoso amor que está sendo derramado sobre a Terra nessa época? Unicamente a de imitar, mesmo que em pequena escala, as maravilhosas obras de Deus! Ele deveria aspirar fazer de si mesmo um servo da Cruz como jamais o fora antes; mais disposto a seguir o Cristo em todas as coisas, se sacrificando pelos seus irmãos e irmãs; colaborando, dentro de sua esfera imediata de trabalho, para a elevação da humanidade, de modo a apressar o dia da libertação pela qual o Espírito de Cristo está esperando, gemendo e trabalhando penosamente. Estamos aqui falando de uma libertação permanente, do dia e do advento de Cristo.

Para alcançarmos essa aspiração na medida mais ampla, avancemos pelo ano que está a nossa frente plenos de autoconfiança e fé. Se até aqui temos sentido que não há esperanças sobre a nossa capacidade de trabalhar para Cristo, ponhamos de lado esse sentimento, pois afinal Ele não disse: “Maiores obras que estas vós o fareis!”[11]. Ele, que era a Palavra da Verdade, teria dito tais coisas, se elas não fossem possíveis de serem alcançadas? Todas as coisas são possíveis àqueles que amam a Deus. Se realmente trabalharmos em nossa própria pequena esfera, não buscando coisas maiores até havermos feito aquelas que estão à mão, então descobriremos que um maravilhoso crescimento anímico pode ser atingido, de forma que as pessoas que nos rodeiam possam ver em nós algo que não saberão definir, mas que, não obstante, lhes será evidente – elas verão a luz do Natal, a luz do Cristo recém-nascido brilhando dentro da nossa esfera de ação. Isso pode ser conseguido; depende apenas de nós mesmos aceitá-Lo por meio da Sua palavra, cumprindo o que Ele ordenou: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus”[12]. A perfeição pode parecer uma longa caminhada; nós podemos perceber mais agudamente quando olhamos para Ele quão longe estamos de viver de acordo com nossos ideais. Mesmo assim, é pelo esforço diária, hora após hora, que finalmente chegaremos lá, e a cada dia algum progresso pode ser feito, algo pode ser realizado; de um modo ou de outro podemos deixar a nossa luz brilhar para que os seres humanos possam vê-la como faróis na escuridão do Mundo. Possa Deus nos ajudar durante o próximo ano a alcançar uma semelhança com Cristo maior do que jamais conseguimos antes. Possamos viver a vida de tal modo que, quando outro ano tiver passado, quando contemplarmos novamente as luzes do Natal e ouvirmos os sinos chamando para as cerimônias da Noite Santa, possamos sentir que não temos vivido em vão.

Cada vez que nos damos ao serviço em benefício dos outros, acrescentamos brilho aos nossos Corpos-Alma, que são feitos de Éter. É o Éter de Cristo que permite esse nosso globo flutuar, e recordemos que, se quisermos trabalhar por Sua libertação, devemos, juntos com uma quantidade suficiente de pessoas, desenvolver nossos Corpos-Alma até ao ponto em essa quantidade de pessoas possa fazer flutuar a Terra. Desse modo poderemos tomar o Seu fardo e O livrar da dor da existência física.

 

CAPÍTULO IV – O MÍSTICO SOL DA MEIA-NOITE

Exotericamente, e desde tempos imemoriais, o Sol é venerado como o dador de vida, porque a multidão era incapaz de ver, além do símbolo material, uma grande verdade espiritual. Contudo, além daqueles que adoravam a órbita celeste, que é vista com os olhos físicos, sempre houve e continua a haver uma pequena, mas crescente minoria, um sacerdócio consagrado mais pela retidão do que pelos rituais, que viu e vê as eternas verdades espirituais, por trás das formas temporais e evanescentes que revestem essas verdades, nas mudanças das vestes cerimoniais, conforme o momento, e às pessoas a que foram, originalmente, destinadas. Para eles, a lendária Estrela de Belém brilha todos os anos como o Místico Sol da Meia-Noite, quando os três atributos divinos: Vida, Luz e Amor penetram em nosso Planeta no Solstício de Dezembro e começam a irradiar do centro do nosso globo. Esses raios de esplendor e poder espirituais inundam o nosso globo com uma luz sobrenatural que envolve todos sobre a Terra, do mais insignificante ao mais importante, sem distinção alguma. Todavia, nem todos podem participar desse maravilhoso dom na mesma medida; alguns conseguem mais, outros menos e alguns nem participam da grande oferta de amor que o Pai preparou para nós em Seu Filho Unigênito, porque ainda não desenvolveram o imã espiritual, o Cristo menino interno, que sozinho pode nos guiar ao Caminho, à Verdade e à Vida.

“Que adianta o Sol brilhar,

 Se eu não tiver olhos para ver?

Como saberei que o Cristo é meu,

a não ser através do Cristo em mim?

Essa voz silenciosa dentro do meu coração

é o penhor do pacto

entre Cristo e eu – ela transmite

para a fé a força do Feito”

Essa é, sem dúvida, uma experiência mística que soa verdadeira para muitos de nossos Estudantes, tão verdadeira como a noite segue ao dia e ao inverno segue o verão. A menos que tenhamos Cristo dentro de nós, a menos que um maravilhoso pacto fraternal de sangue tenha sido consumado, não podemos ter parte no Salvador, embora os sinos de Natal nunca parem de soar. Contudo, quando Cristo se formar em nós, quando a Imaculada Concepção se tornar uma realidade em nossos próprios corações, quando nós nos prostrarmos aos pés do Cristo recém-nascido, para Lhe oferecer os nossos presentes, dedicando a natureza inferior ao serviço do Eu Superior, então, e só então, as festividades natalinas serão compartilhadas por nós, ano após ano. E, quanto mais arduamente tenhamos trabalhado arduamente na “vinha do Mestre”, mais clara e distintamente poderemos ouvir a voz silenciosa dentro dos nossos corações, sussurrando o convite: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo… porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve”[13]. Então, ouviremos uma nova nota nos sinos de Natal como nunca ouvimos antes, pois em todo ano não há dia mais feliz do que o do Nascimento de Cristo, quando Ele renasce na Terra, trazendo com Ele presentes para os filhos dos seres humanos – presentes que significam a continuação da vida física; porque sem essa vitalizante e energizante influência do Espírito de Cristo, a Terra permaneceria fria e árida; não haveria uma nova canção da primavera, nem os pequeninos coristas da floresta para alegrar os nossos corações à chegada do verão; a pressão gélida dos polos Boreais manteria a Terra agrilhoada e muda para sempre, nos impossibilitando de prosseguir em nossa evolução material, tão necessária para aprendermos a usar o poder do pensamento por meio de apropriados canais criativos.

O espírito de Natal é, pois, uma realidade viva para todo aquele que já desenvolveu o Cristo interno. O homem e a mulher comum sentem esse espírito somente nas proximidades das festas natalinas, mas o místico iluminado pode vê-lo e senti-lo meses antes e meses depois do seu ponto culminante na Noite Santa. Em setembro ocorre uma mudança na atmosfera terrestre; uma luz começa a reluzir nos céus; essa luz parece permear todo o universo solar; gradualmente, vai crescendo em intensidade, parecendo envolver o nosso globo; então, ela penetra na superfície do Planeta e, pouco a pouco, se concentra no centro da Terra, onde os Espíritos-grupo das plantas residem. Na Noite Santa ela alcança o mínimo de seu tamanho e o máximo de seu esplendor. Então, começa a irradiar a luz concentrada, fornecendo nova vida a Terra para que essa prossiga com as atividades da Natureza no ano entrante.

Isso é o começo do grande drama cósmico “do Berço à Cruz”, que acontece anualmente durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

Cosmicamente, o Sol nasce na mais longa e escura noite do ano, quando o Signo zodiacal Virgem, a Virgem Celestial, está no horizonte oriental à meia-noite, para dar à luz o filho Imaculado. Durante os meses que se seguem, o Sol transita pelo violento Signo de Capricórnio onde, miticamente, todos os poderes das trevas se concentram em frenético esforço para matar o Portador-da-Luz, uma fase do drama solar que é apresentado, misticamente, no episódio da perseguição movida pelo Rei Herodes, e da fuga para o Egito, a fim de escapar da morte.

Quando o Sol entra no Signo de Aquário – o Portador-da-Água –, em fevereiro, temos a época das chuvas e tempestades; e do mesmo modo que o batismo misticamente consagra o Salvador à sua obra de serviço, assim também a abundância de umidade, que desce sobre a Terra, a torna amaciada e pronta para que possa produzir frutos que preservam a vida de todos os que nela habitam.

A seguir, o Sol transita pelo Signo de Peixes – os peixes. Nessa altura, os estoques de alimentos do ano anterior já foram quase totalmente consumidos, de forma que as provisões dos seres humanos ficam escassas. Temos, por conseguinte, o longo jejum da Quaresma, que misticamente representa para o Aspirante o mesmo ideal mostrado cosmicamente pelo Sol. Nesse momento do ano ocorre o carne-vale, o adeus à carne, pois todo aquele que aspira a vida superior precisa, algum dia, se despedir da natureza inferior com todos os seus desejos e se preparar para a Páscoa que, então, se aproxima.

Em abril, quando o Sol cruza o equador celestial e entra no Signo de Áries – o Cordeiro – a cruz se ergue como um símbolo místico que o candidato à vida superior precisa aprender e, em seguida, aprender a abandonar o veículo mortal e começar a escalada para o Gólgota, o lugar na caveira; e daí cruzar o limiar do Mundo invisível. Finalmente, imitando a subida do Sol para os céus do norte, ele precisa aprender que o seu lugar é com o Pai e, com todo fervor, deve se elevar até aquele exaltado lugar. Assim como o Sol não permanece naquele elevado grau de declinação, mas ciclicamente desce para o Equinócio de Setembro e Solstício de Dezembro a fim de completar novamente o círculo para benefício da humanidade, do mesmo modo todo aquele que aspira se tornar um Caráter Cósmico, um salvador da humanidade, precisa ser preparado para se oferecer, muitas vezes, como um sacrifício em benefício de seus semelhantes.

Esse é o grande destino colocado diante de nós; cada um é um Cristo-em-formação, se o quiser ser, porque como disse Cristo aos Seus Discípulos: “Aquele que crer em Mim fará também as obras que faço, e maiores ainda”[14]. Além disso, e de acordo com a máxima: “A necessidade do homem é a oportunidade de Deus”, nunca houve tão grande oportunidade de imitar o Cristo, de fazer as obras que Ele fez, como nos dias atuais, quando todo o continente europeu vive sob o paroxismo de uma guerra mundial[15] e quando o maior de todos os cânticos de Natal: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”[16] parece mais longe de se concretizar do que nunca. Temos em nós o poder de apressar o dia da paz ao falar, pensar e viver em PAZ, pois a ação conjunta de milhares de pessoas transmite uma impressão ao Espírito de Raça, quando a ele é direcionada, especialmente quando a Lua está em Câncer, Escorpião ou Peixes, que são os três grandes Signos psíquicos mais apropriados para trabalhos ocultos dessa natureza. Usemos os dois dias e meio que a Lua transita por cada um desses Signos para propósito de meditar sobre a paz – “paz na Terra e boa vontade entre os homens”. Todavia, ao fazê-lo, estejamos certos de não tomar partido, a favor ou contra, por quaisquer das nações conflitantes; lembremos a todo instante que cada um dos seus membros é nosso irmão. Cada um merece o nosso amor tanto quanto o outro. Vamos manter o foco do pensamento de que nós queremos é ver a Fraternidade Universal ser realizada sobre a Terra, ou seja, “a paz na Terra e boa vontade entre os homens”, a despeito de terem os combatentes nascidos de um lado ou de outro das linhas imaginárias traçadas nos mapas, ou como eles se expressam nesse, naquele ou em qualquer outro idioma. Oremos para que a paz possa reinar sobre a Terra; uma paz duradoura e uma boa vontade entre todos os seres humanos, não importando quaisquer diferenças de raça, cor ou religião. Na medida em que tenhamos êxito em formular com os nossos corações, e não apenas com os nossos lábios, essa prece impessoal a favor da paz, estaremos antecipando a chegada do Reinado de Cristo para recordar que é a Ele que estamos todos destinados na época oportuna – o Reino dos Céus, onde Cristo é “Rei dos reis e Senhor dos senhores”.

 

CAPÍTULO V – A Missão de Cristo e o Festival das Fadas

Sempre que nos defrontamos com um dos mistérios da natureza que não conseguimos explicar, simplesmente acrescentamos um novo termo ao nosso vocabulário, uma espécie de truque para ocultar a nossa ignorância a respeito do assunto. Tal ocorre com a palavra ampère que utilizamos para medir o volume da corrente elétrica, o volt que usamos para medir que empregamos para medir a força da corrente, e o ohm que empregamos para demonstrar o grau de resistência que um dado condutor oferece à passagem da corrente. Dessa maneira, depois de muito estudar a respeito de palavras e figuras, as Mentes mestras da Ciência elétrica tentam se persuadir e persuadir aos demais que compreenderam o que significa tais coisas após pensarem muito sobre tal penetrando no mistério dessa força difícil de descrever e que desempenha um papel tão importante no trabalho do mundo; mas, depois de tudo dito e eles entrarem em consenso, esses seres humanos iminentes admitem que as mais brilhantes luzes da Ciência elétrica não conhecem senão um pouquinho mais do que uma criança da escola primária, quando começa a experiência com pilhas e baterias.

O mesmo se passa com as outras Ciências; os anatomistas não podem distinguir o embrião de um cão do de um ser humano durante um longo período, e enquanto o fisiologista discorre com autoridade sobre o metabolismo, não pode deixar de admitir que as experiências de laboratório, pelas quais se esforça para imitar nosso processo digestivo, devem ser e são muito diferentes das transmutações que se operam no laboratório químico do corpo, pela alimentação que ingerimos. Isso não é dito para desacreditar ou menosprezar as maravilhosas descobertas da Ciência, mas para demonstrar que existem fatores por detrás de todas as manifestações da natureza – inteligências de diversos graus de consciência, construtivas e destrutivas, que desempenham parte importante na economia da natureza – e até que esses agentes sejam reconhecidos e suas atividades estudadas, nós não podemos ter um conceito adequado do modo como atuam essas forças da natureza, as quais chamamos: calor, eletricidade, gravidade, ação química, etc.. Para os que cultivam a visão espiritual, é evidente que os chamados mortos empregam parte de seu tempo em aprender a construir corpos sob a direção de certas Hierarquias espirituais. Eles são os agentes metabólicos e anabólicos; eles são os fatores invisíveis na assimilação e é, portanto, literalmente exato que seríamos incapazes de viver sem a importante ajuda daqueles que nós chamamos mortos.

Para conceber a ideia de como esses agentes trabalham e da sua relação conosco, podemos citar um exemplo mencionado no Livro Mistérios Rosacruzes: “suponhamos que um carpinteiro está construindo uma mesa, e um cachorro, que é um espírito em evolução pertencente à outra onda de vida, está observando-o. Ele vê o processo de cortar tábuas; gradualmente a mesa é formada desse material e finalmente fica pronta. No entanto, ainda que o cachorro esteja atento ao trabalho do carpinteiro, ele não tem um conceito claro de como esse trabalho foi feito, nem do uso final da mesa. Suponhamos, ainda mais, que o cachorro estivesse dotado somente de uma limitada visão e incapaz de perceber o carpinteiro e suas ferramentas; veria somente as tábuas de madeira, gradualmente, sendo divididas em partes, depois se juntarem e ficarem dispostas de outra maneira até a mesa tomar forma e ficar pronta. Ele veria o processo da formação e o objeto terminado, mas não teria ideia que a ação ativa do carpinteiro foi necessária para transformar a madeira em mesa”. Se o cachorro pudesse falar, explicaria a origem da mesa como Topsy[17] se referiu a si mesma dizendo: “simplesmente cresceu”.

Nossa relação com as forças da natureza é semelhante àquela do cachorro com o invisível carpinteiro, e também nós somos tão capazes de explicar os mistérios da natureza, como Topsy o fez. Nós, cultamente, narramos às crianças como o calor do Sol evapora a água dos rios e oceanos, fazendo que esse vapor ascenda às regiões mais frias do ar onde se condensa em nuvens, que se tornam, finalmente, tão saturadas de umidade que elas gravitam em direção à terra em forma de chuva para encher os rios e oceanos, e novamente a água é evaporada. É tudo perfeitamente simples: um belo processo automático de movimento contínuo. Contudo, é só isso? Não há, nessa teoria, um número de omissões? Sabemos que sim, embora não possamos nos desviar muito do nosso assunto para discuti-lo. Uma coisa que está faltando explicar completamente é a ação das, nomeadamente, semi-inteligente Sílfides[18] que levantam as delicadas partículas da água volatilizada em vapor de água preparadas pelas Ondinas, e que as levam o mais alto possível antes que aconteça a condensação parcial e as nuvens são formadas. Essas partículas de água são guardadas pelas Sílfides, até que as Ondinas as forcem a libertá-las. Quando dizemos que há tempestades, na verdade, batalhas estão sendo travadas na superfície do mar e no ar, algumas vezes com a ajuda das Salamandras, para acender a tocha do relâmpago da separação entre hidrogênio e oxigênio, e enviar seu aterrorizante zigue-zague através da negra escuridão, seguida do poderoso troar do trovão na atmosfera clareada, enquanto as Ondinas, triunfalmente, lançam as resgatadas gotas de água sobre a terra, para que elas possam novamente se unir ao seu elemento materno.

Os pequenos Gnomos são necessários para construir as plantas e as flores. Seu trabalho é pintá-las com matizes inumeráveis de cor, que deleitam os nossos olhos. Eles, também, cortam os cristais em todos os minerais e elaboram as gemas valiosas que cintilam nos diademas preciosos. Sem eles não haveria ferro para nossas máquinas e nem ouro com que pagá-las. Eles estão em todas as partes e a proverbial abelha não é tão atarefada como eles. Enquanto para a abelha é dado todo o crédito pelo trabalho que ela faz, os pequenos espíritos da natureza, que desempenham uma parte imensamente importante no trabalho do mundo, são desconhecidos, salvo por alguns que são chamados de sonhadores ou loucos.

No Solstício de Junho, as atividades físicas da natureza estão no apogeu ou zênite, portanto, é na “Noite do meio do Verão” que se realiza o grande festival das Fadas, que trabalharam para construir o universo material;  nutriram o gado, cultivaram o grão e estão saudando com alegria e dando graças à onda de força, que é a sua ferramenta, para colorir as flores, na assombrosa variedade de delicados matizes requeridos por seus arquétipos, pintando-as em inúmeras tonalidades que são o prazer e o desespero do artista.

Na maior de todas as noites da alegre estação do verão, as Fadas se reúnem vindas dos pântanos e das florestas, dos estreitos e pequenos vales para o Festival das Fadas. Elas realmente cozem e preparam seus alimentos etéricos e, mais tarde, dançam em êxtases de alegria – a alegria de terem realizado o seu trabalho e desempenhado importante papel na economia da natureza.

É um axioma científico que a natureza não tolera o que é inútil; os parasitas e os zangões são uma abominação; o órgão que se torna supérfluo se atrofia, assim também acontece com o membro ou o olho que não é usado. A natureza tem um trabalho a fazer e necessita da colaboração de todos que se propuseram a justificar suas existências, pois todos são partes desse trabalho. Isso se aplica à planta, ao Planeta, ao ser humano, ao animal e também às Fadas. Elas têm seu trabalho a cumprir; elas são hostes ativas e suas atividades são a solução para muitos mistérios da natureza, como já foi explicado.

Nós estamos agora no outro polo do ciclo anual, quando os dias são curtos e as noites mais longas[19]; fisicamente falando, a escuridão cai sobre o Hemisfério Norte, mas a onda espiritual de luz e vida, que será à base do crescimento e progresso do próximo ano, agora está na maior altura e força. Na Noite de Natal, no Solstício de Dezembro, quando o celestial Signo da Virgem Imaculada está no horizonte oriental à meia noite, o Sol do novo ano nasce para salvar a humanidade do frio e da fome, que continuariam se a manifestação dessa luz fosse suprimida. Nessa ocasião, o Espírito Cristo nasce na Terra e começa a fermentar e fertilizar os milhões de sementes que as Fadas prepararam e regaram para que possamos ter alimento físico. No entanto, “o homem não vive somente de pão”. Importante como é o trabalho das Fadas, se torna insignificante comparado com a missão de Cristo, que nos traz, a cada ano, o alimento espiritual necessário para que avancemos no caminho do progresso, para que possamos alcançar a perfeição no amor com tudo o que ele implica.

É o advento dessa maravilhosa luz de amor que nós simbolizamos pelas lamparinas acesas no altar e pelo soar dos sinos do Natal que, a cada ano, anunciam as boas novas do nascimento do Salvador, pois no sentido espiritual, luz e som são inseparáveis; a luz é colorida e o som é modificado de acordo com o tom vibratório. A luz do Natal que brilha sobre a Terra é dourada, induzindo os sentimentos de altruísmo, alegria e paz, os quais nem mesmo a grande guerra consegue obscurecer.

A guerra passou e como normalmente damos mais valor ao que perdemos, esperemos que toda a humanidade se una nesse Natal para o canto dos cantos: “Paz na Terra e Boa Vontade entre os homens”.

 

CAPÍTULO VI – O CRISTO RECÉM-NASCIDO (incluído na 10ª edição)

Temos repetido com frequência em nossa literatura, que o sacrifício de Cristo não foi um acontecimento que teve lugar no Gólgota, nem foi consumado de uma vez por todas em poucas horas, mas que os nascimentos e mortes místicas do Redentor são contínuas ocorrências cósmicas. Concluímos que esse sacrifício é necessário à nossa evolução física e espiritual durante a presente fase do nosso desenvolvimento. Como se aproxima a época do nascimento anual de Cristo, mais uma vez é-nos apresentado um tema para meditação, um tema que nunca envelhece e é sempre novo. Podemos tirar muito proveito refletindo sobre ele e dedicando-lhe uma oração, para que faça nascer em nossos corações uma nova luz que nos guie no caminho da regeneração.

O Apóstolo deu-nos uma maravilhosa definição da Divindade quando disse: “Deus é Luz”, pelo que a “Luz” tem sido usada para ilustrar a natureza do Divino nos Ensinamentos Rosacruzes, especialmente o mistério da Trindade na Unidade. As Sagradas Escrituras de todos os tempos ensinam claramente que Deus é uno e indivisível. Ao mesmo tempo verificamos que, do mesmo modo que a luz branca una se refrata nas três cores primárias – vermelho, amarelo e azul – Deus também se revela em papel tríplice durante a manifestação pelo exercício de três funções divinas: criação, preservação e dissolução.

Quando Ele exercita o atributo criação, Deus se revela como Jeová, o Espírito Santo; Ele é o Senhor da lei e da geração, projetando a fertilidade solar indiretamente através dos satélites lunares de todos os Planetas em que seja necessário fornecer Corpos para seus seres evoluintes.

Quando Ele exercita o atributo preservação, com o propósito de sustentar os Corpos gerados por Jeová sob as leis da Natureza, Deus se revela como Redentor, Cristo, e irradia os princípios de amor e regeneração diretamente a qualquer Planeta onde as criaturas de Jeová requeiram essa ajuda para se libertarem das malhas da morte e do egoísmo, e alcançarem o altruísmo e a vida sem fim.

Quando do exercício do divino atributo dissolução, Deus aparece como o Pai; quem nos chama de volta ao lar celestial, para assimilarmos os frutos das experiências e do crescimento anímico que acumulamos durante o dia de manifestação. Esse Solvente Universal, o raio do Pai, emana então do invisível Sol Espiritual.

Esses processos divinos de criação e nascimento, preservação e vida, dissolução, morte e retorno ao Autor de nosso ser, nós os vemos em toda parte, em tudo o que nos cerca. Então, reconhecemos o fato de que são atividades do Deus Trino em manifestação. Porventura já nos demos conta de que no Mundo espiritual não existem acontecimentos definidos, nem condições estáticas; que o começo e o fim de todas as aventuras, de todas as eras estão presentes no eterno “aqui” e “agora”? Do seio do Pai há um fluxo eterno de semeadura de coisas e eventos que incorporam o reino do “tempo” e do “espaço”. Lá gradualmente cristaliza-se e torna-se inerte, necessitando dissolução para que haja espaço para outras coisas e outros eventos.

Não há como escapar dessa lei cósmica, que se aplica a tudo no reino do “tempo” e do “espaço”, inclusive ao raio Crístico. Como o lago que se derrama no oceano volta a se encher quando a água que o abandonou se evapora e a ele retorna em forma de chuva, para tornar novamente a correr incessantemente em direção ao oceano, assim o Espírito do Amor que nasce eternamente do Pai se derrama incessantemente, dia após dia, hora após hora, no universo solar para nos libertar do Mundo material que nos prende em seus grilhões mortais. Portanto, onda após onda parte do Sol em direção a todos os Planetas, o que proporciona um impulso rítmico às criaturas que neles evoluem.

No sentido mais verdadeiro e literal, é um Cristo recém-nascido que saudamos em cada festa natalina, e o Natal é o mais importante acontecimento anual para a humanidade, quer tenhamos consciência disso ou não. Não se trata meramente de comemorar o aniversário de nascimento do nosso amado Irmão Maior, Jesus, mas sim da chegada da rejuvenescente vida-amor do nosso Pai Celestial, por Ele enviada para libertar o mundo do glacial abraço da morte. Sem essa nova infusão de vida e energia divinas, logo pereceríamos fisicamente, frustrando o nosso progresso no que tange às atuais linhas de desenvolvimento. Precisamos nos esforçar por compreender muito bem esse ponto, a fim de que possamos aprender a apreciar o Natal, da maneira mais profunda possível; a esse respeito, como em muitos outros, podemos aprender uma lição observando nossos filhos ou recordando a nossa própria infância. Como eram fortes nossas expectativas quando da aproximação dos festejos natalinos! Como ansiosamente esperávamos pela hora de receber os presentes que pensávamos serem deixados pelo Papai Noel, o misterioso benfeitor universal que distribuía os brinquedos! Como nos sentiremos se nossos pais nos dessem apenas as bonecas estragadas e os tamborzinhos já gastos do ano passado? A sensação seria certamente de infelicidade total, além de uma profunda quebra de confiança em tudo, sentimentos que os pais achariam cada vez mais difícil restaurar. Isso nada seria comparado à calamidade cósmica que se abateria sobre a humanidade, se o nosso Pai Celestial deixasse de enviar como Presente Cósmico de Natal, o Cristo recém-nascido.

O Cristo do ano anterior não nos pode livrar da fome física, como as chuvas daquele ano não podem agora encharcar o solo e desenvolver os milhões de sementes que dormitam na terra, à espera que as atividades germinadoras da vida do Pai as façam crescer. Assim como o calor do último verão já não nos pode aquecer, o Cristo do ano passado não pode acender de novo em nossos corações as aspirações espirituais que nos impelem para cima em busca de algo mais. O Cristo do ano passado nos deu seu amor e sua vida sem restrições ou medidas. Quando Ele renasceu na Terra no Natal anterior, Ele impregnou de vida as sementes adormecidas, que cresceram e muito gratamente encheram os nossos celeiros com o pão da vida física. O amor que o Pai Lhe deu, Ele o derramou profusamente sobre nós, e do mesmo modo que a água do rio volta para o céu pela evaporação, assim também Ele se eleva outra vez ao seio do Pai, após esgotar toda a sua vida e morrer na Páscoa.

Entretanto, o amor divino jorra infinitamente. Como um pai se apieda de seus filhos, assim também nosso Pai Celeste se compadece de nós, pois Ele conhece a nossa fragilidade e dependências física e espiritual. Por conseguinte, esperamos mais uma vez, confiantemente, o nascimento místico do Cristo que virá com renovada vida e renovado amor. O Pai O envia à nós acudindo a fome física e espiritual que sofreríamos, se não tivéssemos d’Ele essa amorosa oferenda anual.

As almas jovens, via de regra, acham difícil separar em suas Mentes as personalidades de Deus, de Cristo e do Espírito Santo, de modo que algumas podem amar apenas a Jesus, o homem. Esquecem Cristo, o Grande Espírito, que introduziu uma Nova Era na qual as nações estabelecidas sob o regime de Jeová serão destroçadas, a fim de que a sublime estrutura da Fraternidade Universal possa ser edificada sobre as suas ruínas. No devido tempo, o mundo inteiro saberá que “Deus” é espírito, para ser adorado em “espírito e em verdade”. É bom que amemos Jesus e O imitemos; desconhecemos ideal mais nobre e alguém mais digno. Se pudesse ter sido encontrado alguém mais nobre, não teria sido Ele o escolhido para ser o veículo do Grande Unigênito, Cristo, em que reside a Divindade. Fazemos bem em seguir “Seus passos”.

Ao mesmo tempo devemos exaltar Deus em nossas próprias consciências, aceitando a afirmação bíblica de que Ele é espírito e que não podemos tentar representar a Sua imagem, nem retratá-Lo, pois Ele a nada se assemelha, quer nos céus quer na Terra. Podemos ver os veículos de Jeová circulando como satélites em volta de diversos Planetas. Também podemos ver o Sol, que é o veículo visível de Cristo. Contudo, o Sol invisível, que é o veículo do Pai e fonte de tudo, esse só pode ser visto pelos maiores Clarividentes e apenas como a oitava superior da fotosfera do Sol, revelando-se como um anel de luminosidade azul-violeta por trás do Sol. Contudo, nós não precisamos vê-Lo. Podemos sentir Seu amor e essa sensação nunca é tão grande como na época do Natal, quando Ele nos está dando o maior de todos os presentes: o Cristo do novo ano.

FIM

[1] N.T.: Depois de 1920: dezenove no livro Os Mistérios das Grandes Óperas; vinte e quatro sob o título: Coletâneas de Um Místico.

[2] N.T.: a riqueza da experiência.

[3] N.T.: para o Hemisfério Norte e para os extremos do Hemisfério Sul isso é um fato inquestionável. Para o restante do Hemisfério Sul, também, só que aqui seria pelo fortíssimo calor e pela fome, por sua resultante escassez.

[4] N.R.: Gl 4:4

[5] N.R.: Pseudônimo de Johannes Scheffler (1624-1667) – Místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista alemão.

[6] N.T.: Hb 12:1-2 – “também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o autor e realizador da fé, Cristo Jesus”.

[7] N.R.: Mt 20:27; Lc 22:26; Mc 9:15

[8] N.T.: Mt 25:40

[9] N.T.: estado de inconsciência profunda, com desaparecimento da sensibilidade ao meio ambiente e da faculdade de exibir reações motoras. A pessoa não consegue pensar, falar, ver ou ouvir com clareza.

[10] N.R.: IJo 1:5

[11] N.R.: Jo 14:12

[12] N.R.: Mt 5:8

[13] N.R.: Mt 11:29-30

[14] N.T.: Jo 14:12

[15] N.T.: Refere-se à Primeira Grande Guerra

[16] N.T.: Lc 2:14

[17] N.R.: Personagem do romance A Cabana do Pai Tomás, (em inglês: Uncle Tom’s Cabin; or, Life Among the Lowly), livro da escritora estadunidense Harriet Beecher Stowe.

[18] N.R.: ou Silfos

[19] N.R.: Para o Hemisfério Norte

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 5

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 5 – Astrólogo como Cientista – Discussão do Governo – Estudo das Polaridades – Experiência Militar – Dádiva de Presentes – Regra de Ouro – Astrólogo Estadounidense

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 5

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – O ASTRÓLOGO COMO CIENTISTA, ARTISTA E SACERDOTE-PROFESSOR

CAPÍTULO II – A ASTROLOGIA-FILOSOFIA DISCUTE O GOVERNO

CAPÍTULO III – ESTUDO DAS POLARIDADES

CAPÍTULO IV – EXPERIÊNCIA MILITAR INVOLUNTÁRIA

CAPÍTULO V – A DÁDIVA DE PRESENTES

CAPÍTULO VI – A REGRA DE OURO

CAPÍTULO VII – O ASTRÓLOGO ESTADUNIDENSE

 

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – O ASTRÓLOGO COMO CIENTISTA, ARTISTA E SACERDOTE-PROFESSOR

Os símbolos do círculo, seus quadrantes, os Signos zodiacais, os Astros e seus Aspectos devem ser entendidos como sendo símbolos essenciais da vida, seus objetivos e funções, isso se colocarmos a Astrologia no justo lugar da família das iluminações. A abordagem que considera qualquer coisa descrita na astrologia como essencialmente má torna, relativamente, impossível se realizar adequadamente o trabalho construtivo; e mais, tal abordagem tem quase tanta correspondência com a verdade astrológica como o tem a versão cristã do “inferno-fogo-e-condenação” com os ensinamentos básicos e luminosos de Jesus.

Filosofia significa “Amor à Sabedoria” e são vários os caminhos que se oferecem aos seres humanos para alcançar o conhecimento. Considerando que a Astrologia é um dos principais caminhos por onde a humanidade pode obter a iluminação, dedicamos este trabalho a todos os Estudantes para que possam obter um reconhecimento mais claro dos três caminhos que deveria ser percorrido por eles, em algum grau, se eles estão firmes em realizar seus objetivos como “astro-filósofos”.

A roda do horóscopo e seus “ingredientes vibratórios” contém os segredos essenciais de toda classe dos esquemas humanos em todas as suas formas, níveis e graus. A progressão da roda, do Ascendente à décima segunda Casa, caminhando na ordem inversa à dos ponteiros do relógio, abre à nossa visão o “para frente e acima” do desenvolvimento evolucionário, que se expressa pela canção do “EU SOU”, em seus quatro quadrantes. A “Trindade Cósmica” é fisicamente manifestada no que usualmente chamamos “as três dimensões” de comprimento, largura e altura, mas nenhuma dessas três dimensões pode se manifestar sem as outras duas. Essa tri-unidade de uma dimensão física composta tem sua correspondência astrológica na tri-unidade da divisão de cada quadrante de três Casas; os quatro quadrantes são então vistos para expressar a totalidade da roda em doze Casas – os quatro níveis de consciência e desdobramento tridimensional. Essa é a representação simbólica do “Progresso do Peregrino”.

Já que os esquemas da roda de doze Casas descrevem o progresso essencial de todo o desenvolvimento humano, então, naturalmente, seus símbolos podem ser relacionados às nossas experiências, como astrólogos. Em outras palavras, certas faculdades e qualidades específicas da consciência, abarcam, em conjunto, o aspecto “astrológico” de nosso ser; e por um determinado número de encarnações esse ramo de consciência é empregado de um certo modo, como um fator da nossa evolução. 

Nossa “consciência astrológica”, por causa das suas especializações, pode ser admitida como uma “sub-entidade”, na entidade de nossa consciência composta, do mesmo modo que poderíamos dizer, que o “amarelo” ou o “roxo” são sub-entidades de um conjunto que chamamos “cor”.  Cada sub-entidade tem, naturalmente, suas divisões principais que, por sua vez, têm infinidades de formas de expressão. Assim acontece com a roda e os Signos que se subdividem em decanatos, graus, minutos e segundos.

A “parte astrólogo” da consciência do ser humano é um conjunto de fatores que o torna cientista, artista e sacerdote-professor. Assim como as vibrações cardinais de cores estão ligadas entre si pelas suas gradações, então esses três correlativos humanos se misturam para criar o “espectro” da consciência astrológica. Todos os que trabalham em astrologia tendem, em determinado grau, a se alinhar, essencialmente, com uma dessas três categorias, mas devemos atingir a “síntese de nós mesmos”, com todas as três, se queremos que o nosso desenvolvimento astrológico seja completo e organizado.

Os significados essenciais das três primeiras Casas contêm os segredos dos três quadrantes remanescentes: 2ª, 3ª e 4ª sendo “extensões” do primeiro. Considerando como uma visão de “raio-X” do primeiro quadrante, podemos desbloquear o segredo dessas qualidades e capacidades da consciência humana que, em uma expressão especializada, dão uma definição ao nosso “eu astrológico” – a soma de quais imagens da humanidade como “astro-filósofo”.

A primeira Casa: o Ascendente de cada horóscopo é a primeira declaração de “EU SOU”; o envoltório físico que instrumentaliza a consciência é a ciência do ser e da manifestação física; é a consciência da “existência” de todas as coisas; é a consciência exotérica que identifica a humanidade como fator no Universo manifestado; no início o ser humano      percebe essa manifestação como forma exterior a si; subsequentemente, na crisálida da consciência da primeira Casa, ele percebe a multidimensionalidade da vida, por meio do conhecimento e da realização “esotérica” ou “subjetiva”.

Como expressão da primeira Casa, o astro-filósofo é “astrólogo-como-cientista”. Sua abordagem busca se firmar no seu desejo de compreender a expressão física da vida, sob ângulo diferente do que ele já tinha conhecido antes. Sua atenção está focalizada na forma; ele, naturalmente, presta uma atenção cuidadosa na qualidade e mensuração das coisas.  Ele treina a si mesmo, com meticulosa precisão, em relação aos cálculos matemáticos, porque sabe que eles constituem o esqueleto sobre o qual se desenvolverão suas habilidades interpretativas. Ainda mais, ele procura desvendar os segredos dos símbolos abstratos e na proporção em que eles participam dos processos de manifestação do Mundo Físico. Ele reconhece que as funções da humanidade pelos seus princípios especializados, da mesma forma como uma máquina funciona, segundo seus princípios mecânicos. Estuda os eventos na medida em que surgem, dentro do aspecto formal dos esquemas astrológicos em ação. Estuda seu próprio tema em termos sincronizados de eventos com os Aspectos, isto é, procurando relacionar as influências e experiências que sente com os Aspectos de seu tema. Nos primeiros estágios de desenvolvimento identifica seus Aspectos relacionando-os com as vibrações exteriores.

Uma vez que ele é “expressão da primeira Casa”, o astrólogo-cientista é um pioneiro astrológico. Ele é um desbravador no sentido de que ele “projeta” o conhecimento das verdades astrológicas no seu círculo de convivência e de associações. É um “estimulador” que leva o conhecimento de “um novo assunto” a seu círculo imediato de relacionamento ou ao mundo em geral.

Os desenvolvimentos do astrólogo-cientista são mostrados pela primeira Casa do segundo e terceiro quadrante, isto é, da 4ª e 7ª Casas. É através delas que o astrólogo-cientista começa a desenvolver seus conhecimentos subjetivos, porque, nesses níveis, ele deve se converter seus “olhos de astrólogo-cientista” nos temas daqueles a quem ele é projetado nos padrões de família e dos relacionamentos. A “cientificidade” de sua abordagem é impulsionada, naturalmente, para tentar entender os temas daqueles que lhe são mais queridos e próximos, no relacionamento pessoal. O astrólogo-cientista falhará, nesse ponto, se permitir a influência de sentimentos em relação à pessoa cujo horóscopo esteja interceptado. O objetivo, não emocional, científico da parte dele deve ser treinado e disciplinado para se manter naquilo que é verdade, sem se identificar com sentimentos que ele tem pela pessoa cujo tema ele está estudando. Desse modo, o astrólogo-filósofo provará o valor do trabalho “impessoal” da natureza de desejos; torna possível uma técnica em que a Mente pode ser treinada a “ver claramente”, a despeito das solicitações de sua natureza de desejos; como astrólogo-filósofo, nós devemos adquirir e manter essa atitude impessoal e científica em relação a todos os temas.

Na expressão da décima Casa, o astrólogo-cientista expande seus estudos pela inclusão da compreensão de muitos, senão de todos os padrões de interpretação. Ele estuda a astrologia horária[1]; ele estuda os temas de nações e dos governos, dos grupos, de instituições e dos eventos que afetam a muitas pessoas. Estuda a astrobiologia[2] e astrodiagnose[3]; ele sabe alguma coisa de como um mesmo assunto é encarado por “sistemas diferentes” de análise. Em outras palavras, essa cientificidade se amplia a fim de possuir melhor compreensão das vibrações essenciais de todas as espécies de manifestação da vida objetiva da humanidade. O astro-cientista que mantém seu interesse não comercial no assunto tem a melhor chance de se desenvolver de forma rítmica e natural.

A segunda Casa, abstratamente regida por Vênus, é o correlativo feminino da primeira Casa. Ela é a primeira das Casas Fixas. Sua cúspide é o ponto inicial do símbolo-Trígono, que inicia aqueles níveis de consciência pelos quais o astrólogo-artista nasce. É o único Signo feminino do primeiro quadrante e inicia as duas triplicidades dos Trígonos dos Signos de Terra e de Água que abrangem a simbolização dos recursos e afinidades emocionais da humanidade; o impulso para amar, para transmutar, o impulso para beleza, para dar o aspecto estético das visões, inspirações, aspirações, sonhos e ideais de toda ordem.

O termo “astrólogo-artista” é usado para designar aquela parte de nossa consciência que lança a primeira Casa em termos de identidade com as demais e não meramente a “compreensão das coisas”. A segunda Casa é o centro de amor que toda vocação artística cultiva. Por ela, todo serviço verdadeiro é projetado e todo refinamento realizado. O astrólogo-artista vê na astrologia um canal para a liberação de suas necessidades emocionais; também, por meio do conhecimento acumulado em seu “estágio científico”, ele expressa o desejo de harmonizar e embelezar a vida humana, trazendo para os demais um conhecimento da bondade e das belezas essenciais contidas nos grandes Princípios da Vida, tais como esses são simbolicamente expressos.

A mola mestra da motivação do astrólogo-artista é a simpatia, um atributo básico da consciência feminina (segunda Casa: Touro, regido por Vênus, ponto de exaltação da Lua). Ele quer ajudar, encorajar, consolar, elevar e inspirar. Se ele não estiver firmado nos requisitos do “estágio científico”, seu impulso para ajudar e para expressar seu sentimento de simpatia podem ser, até certo ponto, impedidos, porque ele falhou em treinar a si mesmo nas técnicas sobre o assunto. Em outras palavras, por motivação pessoal intensa, do centro dos sentimentos ele deve desenvolver o “lado da forma” do assunto, a fim de que sua interpretação resulte em figuras precisas. Por seu apego à sinceridade de motivação, o astrólogo-artista evita as armadilhas que possam lhe surgir no caminho, oriundas de todos aqueles cuja afinidade emocional é a nota-chave de suas naturezas. Essas armadilhas poderiam ser a simpatia descontrolada pelo conhecimento; a falsa piedade pela qual ele se arrisca a voltar ao ponto de uma nova direção que foi mostrado no tema e o malogro na percepção de como cada indivíduo pode aprender a se ajudar a si mesmo pela compreensão de sua própria natureza.  O astrólogo-artista “completo” cultiva o desapego e neutralidade para evitar o contágio emocional das pessoas cujo horóscopo examina; ele utiliza seu conhecimento do Princípio de Causa e Efeito na conformidade em que ele se manifeste no horóscopo, vendo como essa Lei age nesse horóscopo. Contudo, seu Coração, sua Mente e suas mãos estão abertos e dispostos para receber e ajudar a todos que necessitem de uma orientação; o astrólogo-artista é fiel à verdade e se exercita naquelas áreas de consciência e faculdades, por meios das quais a inspiração e a intuição brotam, para ajudá-lo gradativamente mais.

A terceira Casa é onde o astrólogo-cientista combina as qualidades da primeira e segunda Casa, lhes adicionando o conhecimento da consciência humana e tornando possível a interpretação dos esquemas astrológicos em suas fases mais profundas e subjetivas. Ele tem habilidade, uma mentalidade treinada e uma técnica perfeita. A todas estas qualidades junta um coração compassivo – uma consciência calorosamente receptiva para com as íntimas necessidades de seus semelhantes. Para isso, acrescenta ao anterior, um completo domínio mental do significado de todos os símbolos astrológicos e esquemas, de conformidade com o que exprimem dos estados de ser de relacionamento e de evolução e não apenas para mostrar os acontecimentos e sofrimentos. Considerando que a terceira Casa é polarizada na nona Casa, vemos que o astrólogo-filósofo do tipo da terceira Casa é cientista, artista e professor. A composição de sua consciência lhe permite que seja designado como sacerdote-professor ou astrólogo-sacerdote. É um “irmão mais velho” para todos os que nele buscam orientação, porque passou pelos estágios de experiência pelos quais passaram os que lhe solicitam ajuda e pode, por isso, compreendê-los muito bem. Compreende os outros por meio de suas próprias experiências.

Conhece o sexo e o casamento, em variadas vivências, porque destilou compreensão de suas encarnações passadas, como homem e como mulher; ele conhece a condição de marido e esposa, paixão e sacrifício, infância e paternidade. Sabe que o exterior é um reflexo do interior e busca, sempre, fazer que os outros se familiarizem com essa verdade. Permanece como intermediário amoroso entre a ignorância do ser humano e sua iluminação; o astrólogo-sacerdote desempenha a mesma função em seu serviço astrológico que qualquer sacerdote sincero cumpre suas tarefas de cerimônia religiosa; como sacerdote, “vê o problema” do vantajoso ponto de vista da sabedoria. O astrólogo-cientista conhece o efeito das forças vibratórias sobre os indivíduos e grupos; e o astrólogo-sacerdote compreende a vida vibratória da humanidade. O cientista é objetivo, o sacerdote é subjetivo; o artista pode ser uma coisa ou outra, pois depende de sua ligação a uma ou a outra, em menor ou maior intensidade. Contudo, a motivação do astrólogo-sacerdote não é científica; embora também inclua aquele aspecto, iluminando e valorizando sua consciência, que abrange os mais elevados e transcendentais níveis da Mente e do Coração.

O desenvolvimento do astrólogo-filósofo como sacerdote-professor é muito interessante porque a última fase de sua “cruz” (os Signos Comuns) é a décima segunda Casa: o “final” da roda. Sendo ele um composto dos dois primeiros tipos e mais alguma coisa, seu desenvolvimento é resultado de experiência e de méritos comparativamente maiores dos que os conquistados pelos outros dois aspectos.

Em seu “primeiro estágio”, o astrólogo-sacerdote é o moralista, sub-expressão da nona Casa. Suas interpretações literais são necessárias porque ele ainda não tem suficiente experiência para dar forma à sua compreensão. Nesse nível, o astrólogo-sacerdote vê o tema como um “desenho do bem contra o mal”. Uma vez que permaneça como ponto de diferenciação desses dois fatores na Mente das pessoas a quem orienta, elas são atraídas a ele pelo poder vibratório da simpatia: sua “consciência moral”, ponto focal de suas interpretações. Muitas vezes, nessa posição, ele não pode perceber a “relatividade” daquilo que chama de “bem e mal” e lê no tema de quem lhe procura seus próprios padrões. Ele pode ter o melhor dos dois primeiros tipos, mas, nesse estágio, a verdade lhe é de certo modo vedada. A polaridade da terceira Casa e da nona Casa resulta do quadrante iniciado pela sétima Casa, realizada pelas transmutações da oitava Casa. A compreensão decorrente está representada pela nona Casa. É o que o astrólogo-filósofo, como astrólogo-professor, se empenha em desenvolver, como a porta para um quarto-quadrante.

A terceira Casa “floresce” na sétima e décima primeira Casas; nesses pontos, o astrólogo-sacerdote encontra o “paralelo” entre ele e todas as pessoas; a medida que seu desenvolvimento progride pelas transcendências de suas experiências, ele realiza o amor-sabedoria. Ele reconhece o humano é a suspensão do cósmico em todas as suas expressões e, em si mesmo, ele encontra aquilo que reflete as soluções dos problemas das pessoas a quem deseja ajudar. Então, entende que o objetivo composto do astrólogo-filósofo é perceber que o pior da pessoa a quem deseja ajudar é o seu pior, em algum momento do passado; o melhor é uma iluminação nos cantos escuros das condições e reações da pessoa a quem deseja ajudar daquelas condições. Sua sabedoria e seu amor se tornam, desse modo, insondáveis, no re-direcionamento dos padrões humanos.

 

CAPÍTULO II – A ASTROLOGIA-FILOSOFIA DISCUTE O GOVERNO

 

Governo é o “funcionamento do Universo em conformidade com os Princípios Cósmicos”. É a Única Diretiva que impele a causa da ação criadora e epigenética no Cosmos, e organiza e harmoniza seus efeitos. Uma vez que é a expressão da Vontade Única, o governo cósmico é uma Autocracia arquetípica; é a raiz-padrão pela qual todo Logos, microcosmicamente, ordena vida de sua manifestação e é aquilo que, em termos humanos, designamos como autoridade. Regência, em qualquer oitava, é um aspecto do Poder Diretivo simbolizado pelo Sol; todos os poderes astrais são derivados dessa Unidade.

O desenho simbólico a que chamamos “Aspecto de Quadratura”- um quadrado assentado sobre sua base horizontal – é o arqui-símbolo da congestão comprimida de potenciais.

É feito de duas expressões da vertical dinâmica e de duas expressões da horizontal receptora; representa a sobreposição de diametrais opostas aparentemente em disputa uma com a outra. Uma congestão tem o efeito de empuxo gravitacional para baixo, inibição, supressão de expressivas possibilidades, retardando a ação expressiva e responsiva. Ela representa uma intensificação da tendência para a inércia que, depois de certo ponto, é a morte da forma como um veículo do Espírito. Isso descreve o “reino do Diabo”, o domínio da expressão pela supressão, a submissão do “avanço para frente e para o alto” ao “retrocesso para trás e para baixo”. O Espírito, Poder Solar, em sua expressão bi-Una de Amor-Sabedoria, busca sempre, na consciência humana, derrotar e desintegrar este “reinado da sombra”.

O símbolo do governo como Ordem Cósmica ou Arquetípica é o diagonal do quadrado.  Esse é o quadrado simetricamente balanceado se apoiando em seu ângulo inferior. Cada uma de suas quatro linhas é uma diagonal simétrica, pelo que cada uma se combina vertical e horizontalmente. Nisso se pode ver a diferença, como símbolo de consciência, entre esse quadrado e o quadrado estático. Por conseguinte, a sequência rítmica é demonstrada pelo percurso em torno de sua circunferência. Quando a cruz dos diâmetros horizontal e vertical é acrescentada a este quadrado, cada uma das duas linhas forma, em uma bissecção, um par de ângulos opostos, ficando assim objetivada a polaridade de cada ponto angular.

Pôr esta quádrupla bissecção de ângulos, o Masculino-Feminino do Macho-Fêmea do Imaturo-Maduro do microcosmo de qualquer arquétipo é externado. Estamos preocupados com os seres humanos como individualizações do arquétipo “Humanidade”, de modo que este quadrado diagonal com sua estrutura transversal, retrata, macrocosmicamente, o governo desse arquétipo e microcosmicamente a “consciência do governo” passiva e ativa do ser humano individual.

Agora vamos transferir este símbolo para a oitava do simbolismo astrológico; ponha o símbolo circular do Sol no centro (na junção das linhas da cruz) e os símbolos de Áries, Capricórnio, Libra e Câncer nos pontos angulares da esquerda, de cima, da direita e de baixo, respectivamente.

O resultado é o Grande Mandala sem seu círculo envolvente – o “esqueleto” da Humanidade como um arquétipo evoluinte – não evoluído – e da pessoa humana como um microcosmo evoluindo epigeneticamente. Discutiremos os “problemas” de “Governo dos humanos pelos humanos” conforme se classifique nos três tipos básicos de “sendo governado”.

Considerando-se a essência dinâmica de Áries-Marte como a “personalidade” do arquétipo humano encarnado, somos sensíveis aos “agentes controladores” representados pelos outros três pontos estruturais, os quais são todos, genericamente falando, mais femininos que Áries. A polaridade feminina do Cosmos é aquela que recebe e molda as essências dinâmicas. Como Áries, através de Marte, “explode suas energias a partir do ponto Ascendente”, Capricórnio-Saturno, Libra-Vênus e Câncer-Lua representam os organizadores e coordenadores das expressões vitais. “Aquilo de que Áries provem” – como a “coisa encarnada” neste mandala – é o parentesco (paternidade-maternidade); pelo parentesco é gerada a forma individualizada, e pôr esse mesmo meio a forma é sustentada, protegida e alimentada. Portanto, Câncer-Capricórnio, como parentesco arquetípico, é o primeiro coordenador-governador da expressão do indivíduo. O primeiro desses, contudo, é Câncer – o símbolo da Matriz e o arqui-símbolo da fonte sementeira. Esta, em termos de grupo, é o governo para a perpetuação e preservação das formas; é a mais primitiva forma de governo de grupo. O ser humano primitivo estava inteiramente submetido ao poder diretivo dos mais velhos da tribo, e seu significado não era o de indivíduos, por si mesmos, mas o de fatores da unidade tribal. Era valorizado pela tribo pela sua capacidade física, sua força, suas proezas, sua habilidade combativa e habilidade reprodutora eram as marcas do seu valor para a vida da tribo. Sua identidade era tribal, sua virtude era a obediência à direção dos mais velhos. Em relação a essa diretiva estreita ele era uma “criança”, e como criança permanecia até que, no devido tempo, começou a se dar conta de uma consciência de si mesmo como indivíduo. Aceitar inquestionavelmente, irrefletidamente, a direção externa era se submeter ao princípio paternal de governo, secular ou religioso. E isso se aplica tanto àqueles que habitavam as selvas há milênios atrás como às pessoas da atualidade.

Os governos que estimulam, em seus súditos, atitudes tais como adesão cega, irracional, em qualquer forma, a conceitos tais como “Mãe Igreja”, patriotismo fanático, dependência da opinião grupal e sentimento grupal para sua guia, preconceito e ódio raciais ou, ainda, aceitação habitual de subvenção do governo para sustento material são aqueles que funcionam como moldes externos de uma consciência muito limitada. Eles têm seu lugar de destino maduro[4] e evolutivo e, COMO TAL ELES SÃO BONS. Mas nenhum governo desse tipo foi, é, ou pode ser um padrão permanente para qualquer grupo porque sua função essencial é coordenar e focalizar um primitivismo coletivo. A evolução serve, para transcender o primitivismo em qualquer oitava. Câncer-Capricórnio é uma estrutura arquetípica; é o símbolo da segurança para o subconsciente da Humanidade. Ele simboliza “aquilo que foi”, e as pessoas primitivas (ignorantes, temerosas) se apegam a um externo estabelecido (pais, lar, igreja, conceito nacionalista, etc.) para se sentirem seguras. Um governo congestionado nessa função desencoraja o esforço e o pensamento individual; e nisso está o caminho para a ditadura, que é o “governo paterno”, à qual foi permitido se converter na ferramenta de uma consciência de poder negativa intensamente concentrada (de um indivíduo, de um grupo de indivíduos afins ou nações). Nos tempos primitivos as pessoas prosperavam e progrediam sob a administração protetora de seres humanos relativamente sábios, mas o mesmo tipo básico de governo nas mãos de pessoas sem princípios e sem coração tornava tirânica a qualidade paternal – pelo que os resíduos coletivos de ódios, a cobiça e as crueldades passavam a se concentrar na ambição de poder do governante que personificava tal nação. Esse tipo de governo se torna DEGENERADO a partir do momento em que o bem-estar das pessoas em geral é desrespeitada, ou quando os atributos da iniciativa e expressão individual são enfraquecidos pela prodigalidade. Demasiada proteção e liberalidade estão em desarmonia com os princípios governamentais, tanto quanto o estão a supressão cruel e o desrespeito aos direitos humanos. Ninguém evolui quando copia, em sua vida pessoal, o exemplo degenerado de maus governantes; essa pessoa simplesmente acrescenta poder negativo ao “poder para o mal” do governante e ao mal coletivo, congestionado, de seus semelhantes. Aceitar subvenção nacional ou governamental, como uma “ajuda oportuna”, e usá-la para seu propósito (“prosseguir novamente”) está de acordo com o princípio do tipo de governo; se habituar a aceitar ajuda do “Governo Pai-Mãe” é macular os incentivos para crescimento, realização e maturidade (Pais – governantes de seus círculos familiares – vocês estimulam em seus filhos a dependência? Ou vocês estimulam o exercício da razão e habilidades para que seus filhos possam desenvolver, ritmicamente, o amadurecimento da confiança própria?). É verdade que alguns adultos são tão condicionados que sentem não terem razão para existir a menos que alguém esteja dependendo deles; preferem “se sentir fortes por comparação” que tentar estimular as habilidades individuais do mais fraco. Subconscientemente, eles tentam compensar um complexo de culpa (responsabilidade não cumprida). Ressentem-se de qualquer tentativa da “pessoa mais fraca” de desenvolver seus próprios potenciais, e são, a este respeito, não muito diferentes de alguns políticos que prometem dar tudo em troca de um voto. Pense sobre isso em termos das condições atuais. Ser proeminente e altamente posicionado, ser chamado maravilhoso, grande, amável, generoso, etc., é o tudo e o fim daquilo que chamam felicidade; e eles são condicionados – e desejados – de dar qualquer coisa em pagamento por este tipo de aprovação. Uma família formada por pais que se assemelham a isso, uma nação dirigida por tal governante, alcançarão quase o mesmo tipo de resultados: um filho parasita, inseguro, por um lado, e cidadãos parasitas, inseguros e irresponsáveis, por outro.

A polarização desse tipo de governo é Capricórnio, a vibração de Saturno, símbolo do tipo de governo aristocrático. Sua palavra-chave é a Hierarquia – é o primeiro tipo ampliado em muito maior difusão de expressão por muitas classes, as quais congestionadas e não regeneradas, resultam em desonra de casta. Uma vez cultivado, ele proporciona a manifestação da cultura e do refinamento (pelo menos externamente), e o exercício da abundância para propósitos artísticos e educativos. O vício deste tipo de governo é visto na ênfase que ele dá às suas superficialidades (ancestrais, antecedentes da família, dinheiro), como padrões pelos quais o indivíduo é valorizado. A política ou lema “Enquanto parece certo é bom” é típica da avaliação superficial desse tipo. A ambição de conseguir um posto na hierarquia toma o lugar da aspiração de realizar o auto melhoramento; o apego aos padrões formais cristalizados de conduta, de pensamento e de crença pode designar a identidade de um “membro de bom nível”, mas dificilmente isso pode ser considerado a identidade de uma pessoa que exercita seus valores e capacidades individuais. Saturno, a condensação da matriz, caracteriza esse tipo através da tendência a resistir, obstinadamente, às mudanças necessárias; a conservação das normas estabelecidas se torna um propósito tão fixo que as melhorias benéficas a todos ou são ignoradas ou desprezadas. A prática da riqueza, por longos períodos de tempo, congestionando-se em pontos específicos da hierarquia estimula a corrupção porque desencoraja o exercício individual.  O “fluido” monetário – sangue vital ou intercâmbio prático – é um meio pelo qual os seres humanos podem conseguir certos benefícios usando sua inteligência e suas faculdades individuais. Quando é legado através de gerações em esfera relativamente limitada, ele se converte em uma prova de destino maduro, para os indivíduos tomá-lo e usá-lo para proveito próprio sem fazerem esforço, e deste modo debilitando-se, ou torna possível uma compensação material, de natureza de destino maduro, para aqueles que estão condicionados a usá-lo sabiamente em melhoramentos, em progresso, e no bem-estar de si mesmos e dos outros. Contudo, um autêntico aristocrata não precisa antecedentes familiares, isso e aquilo de linhagem, de tanta riqueza herdada, e de tal-e-tal “posição” para demonstrar o refinamento de sua natureza e de suas inclinações. Ele honra e embeleza qualquer “posto que Deus ache adequado para ele”; sua influência é a de refinamento sobre todos que o conhecem. O governo aristocrático que usa o público, mas que se esquece de que também tem um padrão de serviço a cumprir para esse público, perverte o melhor de suas qualidades. Ter as vantagens de educação e não as usar para uma maior ampliação do bem; ter acesso a grandes somas de dinheiro e se congestionar de trivialidades; desdenhar do semelhante em razão da diferença de posições não é aristocracia, mas somente uma sombra de sua máscara. E a máscara sorri – cínica e repulsivamente. A aristocracia dá à humanidade a oportunidade de observar sua consciência coletiva de separatividade em ação.

O estudo de governos aristocráticos, através de vários períodos históricos e de diferentes nações, nos revela no final o que acontece quando, por um conceito ilusório, procuramos separar nossos padrões de destino comum dos de nossos semelhantes. Esse conceito, difundido pelo mecanismo das religiões organizadas, Cristãs ou não Cristãs, tem resultado em algumas das mais terríveis causas de destino maduro porque, por sua própria natureza, procura lutar contra a mesma coisa que todas as religiões buscam estabelecer: o sempre claro senso de Unidade (de Deus e da Vida) na consciência humana. O pai, separado em consciência de seu filho como um companheiro humano, diz: “Faça o que eu digo. Sou seu pai”. Não há nada em tal ordem que apele para a razão ou para o coração da criança. A ordem serve para intensificar sua sensação de inferioridade no relacionamento subserviente com seu pai, ao invés de aumentar a fraternidade.

A característica do “EU SOU” de Áries como Ascendente desse mandala descreve a Humanidade como um auto-governante em potencial porque é, por atributo, um agente de expressão individualizado. A grande maioria de nós não tem a consciência de poder para governarmos a nós mesmos, menos ainda para governar aos outros. Mas, em virtude de sermos agentes de expressão, nós influenciamos (uma oitava microcósmica de governo) outros em cada coisa ou tudo que pensamos, sentimos, dizemos e fazemos. Existe apenas um Ascendente, arquetipicamente ou concretamente, e como governança é o estabelecimento da ordem do cosmos podemos melhorar a qualidade de nossa influência sobre outras pessoas. É verdade, e, isso é um ponto interessante, que não podemos governar ou influenciar alguém que seja indiferente a nós ou que seja mais perfeitamente organizado do que somos – somos influenciados por aquelas pessoas muito mais do que influenciamos a elas. Portanto, temos de nos governar melhor se quisermos atrair melhor “influência de governança” dos outros. Aplique isto ao relacionamento dos cidadãos de uma nação com seus governantes hereditários ou eleitos. Veja a história da civilização francesa sob os reinados de Luiz XIV, Luiz XV e Luiz XVI. A corrupção e o cinismo dos dois primeiros representavam, perfeitamente, muito do que estava degenerado nos conceitos gerais de vida das pessoas. A ineficácia de Luiz XVI possibilitou às forças desintegradoras da revolta – ele não podia nem mesmo defender a classe que representava – descristalizar aquela forma particular de governo aristocrático e abrir caminho para a forma mais democrática.

Se nosso propósito de vida necessita que exerçamos poder em funções públicas, então saibamos que temos a oportunidade de nos posicionar como símbolos de boa ou de má influência; simbolizaremos o que quer que concebamos como princípios de governo. Podemos permanecer congestionados em nossa ignorância desses princípios, e assim refletir a ignorância das pessoas que representamos, ou podemos nos ajustar ao aprendizado e assim simbolizar uma qualidade cada vez melhor de vibração de poder.

Na consideração do Grande Mandala, vemos que o diâmetro Câncer-Capricórnio – como “a linha dos pais” – exemplifica o padrão de “governo do povo pelo povo”: os dois tipos de governo representados são o comunitário (Câncer) e o aristocrático (Capricórnio). Agora consideremos o significado de Áries como expressão de regência individual:

A qualidade “EU SOU” desse Signo simboliza o sentido da existência individualizada. Desde que é aquela da qual toda expressão, como individualização pessoal, se torna possível, ela é também aquela pela qual todas as oitavas do governo humano se tornam possíveis. Um governante – de qualquer tipo – nunca pode ser mais que ele é como pessoa – sua expressão de governo é projeta por meio da consciência de si mesmo como uma pessoa. Tenha em mente que governança, no sentido político, é uma extensão da paternidade. As mesmas palavras-chave aplicáveis aos diferentes tipos de governantes se aplicam, também, em sentido mais localizado, aos diferentes tipos de pais. Isso é assim porque a qualidade-matriz do diâmetro Câncer-Capricórnio designa nossa cidadania ao grupo-família e ao grupo-nação em que encarnamos por lei de destino maduro e atração vibratória.

A oitava vibratória mais inferior de Marte é notada em sua função como liberador das compressões Plutão-Escorpião. Esse é o governante como ditador autocrático. Seu “EU SOU” e “Eu sou um símbolo personalizado de toda ignorância repleta de ódios e cobiças dos meus governados”. O czar russo Ivan, o Terrível, foi um exemplo perfeito desse tipo de governante; seu povo era uma massa bárbara, ignorante, brutal, e a subserviência desse povo ao seu infame governo despótico foi a síntese da escravidão. A oitava seguinte – sincronizando com as necessidades evolutivas do povo russo – foi exemplificada em Pedro, o Grande. Exatamente tão despótico como foi “o terrível”, este homem funcionou em uma oitava mais alta de percepção e propósito. Sua vontade, intensamente concentrada, serviu para coordenar seu povo, e ele lutou durante anos para desenvolver e expandir o poder econômico de sua nação e para introduzir nela pelo menos vestígios da cultura da Europa ocidental. Nesse tipo de governante as características de insensibilidade, brutalidade impetuosa, egotismo e falta de compaixão são fortemente pronunciadas. Seu egotismo, contudo, serve a um propósito dos mais importantes – o de consolidar a nação em uma identidade e unidade coerentes. O adormecido “Eu sou” da vibração grupal da nação é despertado pelo poder do “Eu sou” pessoal do governante autocrático. O “Eu sou” de um governante aristocrático degenerado é exemplificado pelo caráter e personalidade de Luiz XV, rei de França. A presunção e o cinismo desse homem, regente-símbolo de um dos mais degenerados e corruptos períodos da história dessa nação, retratava perfeitamente os negativos cristalizados desse tipo de governo – o da hierarquia – a forma que provê pontos de concentração de poder dentro do palácio da nação. Um exemplo regenerado desse tipo de governo – e ela foi um exemplo notável – foi o da grande Rainha Elizabeth da Inglaterra. Culta, de enorme erudição, devotada ao progresso e bem-estar de seu país com todas as fibras do seu ser, essa brilhante e intrépida mulher simbolizou as aspirações culturais e econômicas de seu povo vigoroso e empreendedor. Ela estava definitivamente em um nível mais elevado do que muitos desses governantes de sociedades com consciência de classe em que seu intenso amor patriótico a fazia aborrecer a guerra e a destruição; ela é considerada a mais humanamente motivada e iluminada regente de sua época e uma das soberanas de maior projeção na história da humanidade. A uniformidade do seu país como uma potência mundial, sob uma motivação de um intenso orgulho nacional, enfatizou a qualidade capricorniana de superioridade que caracteriza essa nação – um exemplo interessante de peculiaridade de personalidade nacional. Outras degenerações de conceito hierárquico – e isso na forma mais cristalizada – são vistos no velho conceito de casta da Índia, só recentemente descristalizado. Esse conceito (derivado de como o se humano imagina a Hierarquia Cósmica) provocou a escravidão cármica para milhões de seres humanos por muito tempo.

Há diversos exemplos notáveis de governo de Câncer. Esse é o tipo de governo que se concentra na perpetuidade do bem-estar, material ou espiritual. A corrupção desse padrão é vista na dádiva do dinheiro, alimento, da diversão, etc., para a massa por indivíduos tais como os governantes romanos Nero e Calígula. Um gesto ostensivo de preocupação pelo público mascarava, nesses casos, um horrendo medo e terrível cobiça. Eles exemplificaram, com sua política de dar, os piores aspectos desse padrão governamental. Regenerado, nós vemos no governo da religião humanística dos Quakers, um dos melhores exemplos desse tipo, na atualidade. Sua política de pacifismo universal é, naturalmente, uma motivação espiritual de tremendo poder para o bem no mundo. Sua contribuição para o bem-estar humano tem sido patente. A administração do Exército da Salvação é outro exemplo. O serviço de ensino e cura realizado por certas ordens religiosas representa um belo aspecto de conceito de governo. Mesmo aqueles que funcionam inteiramente no que é chamado “ordem contemplativa” dão, se suficientemente evoluídos, uma notável contribuição redentora por meio de seu trabalho nos planos internos; esse serviço não é percebido ou observado pelo mundo externo – é uma alimentação vibratória baseada na renúncia da consciência de personalidade. Com efeito, podemos considerar que a vibração de Júpiter, como significador da 9ª Casa abstrata, se mistura com a vibração Lua-Câncer para indicar a essência do governo pela organização da autoridade religiosa. É possível que você aprecie um estudo biográfico de governantes – desde o iluminado Faraó Aquenáton[5], através dos tempos, e chegar a uma mais clara compreensão de como os governantes, como seres humanos individuais, personificam o inconsciente coletivo, a ignorância e congestão coletivas, e as necessidades evolutivas coletivas da massa. É um estudo fascinante, e é algo que todo Estudante de ocultismo e filosofia deve empregar algum tempo e atenção.

Agora vamos nos incumbir de estudar os princípios de governo quando são simbolicamente indicados quando os Astros estão em seus Signos de Exaltação. Estes representam o governo pela maestria relativo – a expressão, como regência, do poder solar por seres humanos altamente evoluídos (regiamente) a qual tem, como propósito, a iluminação da consciência humana. Esta abordagem à regência revela os atributos espirituais inerentes a cada tipo, assim como as obrigações espirituais concomitantes a essa forma de serviço.

A primeira dessas é a Exaltação do próprio Sol no Signo de Áries. A identidade é “Eu Sou um Filho (ou Filha) Gerado do Pai-Mãe Deus”. Essa é a identidade do nascimento espiritual e da consciência de possuir atributos divinos. A regência indicada por esta vibração é autodomínio, que é a fonte da qual derivam todos os demais governos espirituais e da qual emanam todas as expressões de amor e sabedoria transcendentes. Os sacerdotes-reis do antigo Egito, formosamente descritos por Joan Grant[6] em seu belo livro “O Faraó Alado”, exemplifica esse tipo. Esses grandes regentes eram provados espiritualmente por suas qualificações para servirem como governantes de seus povos naquela que foi uma das épocas espirituais mais notáveis de projeção da história humana. Posto que as especializações emanam do Uno, este ponto de Exaltação do Sol respalda qualquer tipo de governo espiritual. O Regente de Áries, Marte, está exaltado em Capricórnio. Nesse estudo Capricórnio simboliza o conceito hierárquico do governo aristocrático; a especialização de “classes” reflete (o que deveria ser) as graduações da evolução espiritual. Originariamente a religião bramânica[7] da Índia se baseava nesse conceito; Platão falou de “a regulamentação pelo eleito filosófico”. A Exaltação de Marte em Capricórnio, em termos genéticos, é a maturidade do princípio masculino no cumprimento da responsabilidade. Vê-se, dessa maneira, a qualificação espiritual que designa os verdadeiros regentes em um governo hierárquico: a responsabilidade de manter vivo o “Eu Sou” espiritual de tal maneira que a função de governar os menos evoluídos possa ser exercida com positivismo, coragem e senso de amor paternal como a motivação de amor protetor. Dar vida é atributo dos pais; manter princípios de governo que contribuam para o bem-estar e progresso gerais (material, intelectual e culturalmente): é esta a vida que o verdadeiro governante aristocrático dá para o seu povo. Seu atributo marciano lhe possibilita defender a si e, consequentemente, ao seu povo das cristalizações de preconceito, da congestão de casta, e das avaliações superficiais. Mantém vivo em sua consciência – porque Marte é a vibração ultra masculina, como um derivativo do Sol – o senso de se valorizar e se apreciar como um trabalhador no mundo. O vigor, a virilidade e o positivismo de Marte regenerado proporcionam saúde em seus efeitos; o exercício desses atributos neutraliza os perigos de congestão na indolência, no luxo, e no parasitismo que se infiltra numa sociedade fundamentada no princípio do dinheiro, da posição e dos valores herdados. Marte em Capricórnio é vitalização do senso de amor paterno; seu exercício exige autodisciplina e trabalho.

A Exaltação da Lua em Touro, segundo Signo de Terra, desperta o instinto alimentar e proteger o imaturo dentro da consciência de conservação. Os fracos se tornarão fortes. Os imaturos se tornarão maduros. O negativo da vibração de Câncer é superproteger e superalimentar aqueles que são dependentes até certo ponto. A manutenção do desenvolvimento do fraco e imaturo é a oitava exaltada do poder da Lua. Proteger o desenvolvimento é uma contribuição ao progresso evolutivo; fomentar a fraqueza é contribuir para o atraso. A grande Elizabeth da Inglaterra[8] tinha a Lua em Touro, na 4ª Casa, e certamente nenhum governante em nenhuma época foi mais respeitosamente atento e sensível ao vigoroso potencial evolutivo da nação regida. Um fator psicológico mais significativo é visto nessa posição: Touro é o Signo da 11ª Casa da Lua; como tal se relaciona a Câncer-Lua assim como Aquário-Urano se relaciona a Áries. Essa posição da Lua (relação de um Signo da 11ª Casa com a sua Dignificação) impõe, aos espiritualmente maduros, a necessidade de descristalizar a sensação de possuir aos imaturos e fracos. Procurar maternalmente (de uma maneira lunar) possuir a outra pessoa é identificar Touro como a polarização de Escorpião; os dois juntos formam o diâmetro desejo-poder. Qualquer indivíduo ou governante com a responsabilidade de alimentar através da posição da Lua em Touro, é prevenido a se abster de considerar a pessoa mais fraca e imatura como uma posse pessoal. A nação e a riqueza da nação não são posses da função governante. Um governante recebe recompensa por seu trabalho como qualquer outro trabalhador; esta recompensa deve ser uma expressão de troca entre o povo da nação e seu governante, um pagamento pelos serviços deste como guardião coordenador. A “influência protetora” de Urano que se deve encontrar nesse padrão é a descristalização da congestão criada pelo desejo-possessividade na manutenção do crescimento e desenvolvimento, pelo respeito aos potenciais do indivíduo para crescer e se realizar. Aplique essa instrução de modo pessoal ou nacional – o padrão é arquetípico. A aspiração evolutiva do Próprio Logos Solar torna possível a ação epigenética no microcosmos – desse modo é representado o respeito do Pai-Mãe Deus por seus filhos. O poder solar liberado através dos princípios lunares diz: “Deixe o microcosmo gerado crescer, se desenvolver, se expressar e realizar seus potenciais: ajudá-lo, guiá-lo, instruí-lo, alimentá-lo, nutri-lo, protegê-lo, mas deixai o meu poder fluir por ele com força sempre crescente; não o protejam em excesso contra seu ingresso no meu Estímulo Criativo. Encoraje-o sempre a constante expansiva radiação de amor pelo microcosmo; não coloque barreiras a essa expressão por possessividade congestiva”.

A Exaltação de Saturno em Libra de Vênus é a fusão espiritual alquímica da justiça com a misericórdia. É a dissolução da severidade excessiva e da cristalização de conceito pelo exercício dos impulsos humanos. É também (porque Libra, neste mandala, simboliza o conceito de governo democrático) o equilíbrio da autoexpressão na governança por uma consciência de responsabilidade mútua dos cidadãos por meio de sua identidade fraternal como nacionalidades iguais. A Exaltação de Saturno nesse Signo é o símbolo astrológico do conceito de justiça para todos – uma lei se aplica ao pobre e ao rico, ao instruído e ao ignorante, e significa que as verdadeiras leis são cópias das leis divinas no sentido de que ninguém está isento delas. As leis que protegem um às custas de outro representam as características degeneradas da corrupta aristocracia de Saturno – a ilusão de superioridade de casta e as injustiças das avaliações pela posse de riqueza. Nesse sentido, a administração de um certo governo religioso de âmbito mundial parece ser, no que tem de melhor, um devoto dessa lei de justiça para todos. Suas portas ficam abertas para todos, suas medidas corretivas se aplicam a todos, a despeito de posições ou posses mundanas. No que tem de pior, o símbolo de Saturno em Libra contrabalança erros com pagamento material. Nas sociedades em que a posse financeira é considerada o padrão de avaliação, uma transgressão espiritual contra o indivíduo, um grupo ou contra a própria nação é considerada resgatada se uma certa transação financeira for efetuada. Essa congestão de ignorância tem desempenhado um papel infame na história humana – é uma das ações mais blasfemas de que o ser humano é capaz. É uma congestão de tal escuridão que pode ser necessário um destino maduro de uma vida inteira para o governante, a fim de descristalizar e regular o desequilíbrio. Na consciência humana, isto é, na consciência dos indivíduos que governam, essa posição de Saturno no mandala destaca a Luz Branca de Saturno, quando o governante reconhece sua fraternidade – como um concidadão – com seus governados. Essa é a justiça balanceada e o equilíbrio do relacionamento governante-cidadão. Que nenhum governo esqueça esse princípio; dele depende o recurso de valor espiritual do serviço governamental.

Libra, como um significador do princípio de governo democrático, é a fusão dos princípios do matrimônio com os princípios do autodomínio contributivo. Em uma democracia, homens e mulheres têm o privilégio de se expressarem, e esse conceito governamental é um dos quais, provavelmente mais que qualquer outro padrão grupal, tem melhor servido para descristalizar a ilusão de superioridade e inferioridade dos sexos, em relação um ao outro. O matrimônio é uma cidadania de dois pontos de intercâmbio recíproco, o desenvolvimento mútuo e o cumprimento mútuo. A democracia é uma cidadania de muitos pontos de intercâmbio mútuo, de desenvolvimento mútuo e de cumprimento mútuo. Um casal é um microcosmo de todos os homens e mulheres de uma nação em particular; a polaridade da nação é a extensão da polaridade do casal. Encarnar sob um governo democrático é realizar um resultado de muitas encarnações de esforço regenerador como indivíduo; assim como com o Aspecto Trígono, tal conquista impõe a responsabilidade (Saturno) de contribuir para o bem mútuo e para a justiça de todos.

A Exaltação de Vênus (como regente de Libra) em Peixes é a conscientização dos poderes espirituais como instrumentos governantes dos assuntos da humanidade. Perceber as verdades que estão por trás da posição de governantes, as experiências das nações e a alquimia espiritual que atua continuamente para concretizar o ideal da Humanidade que torna possível a realização da fraternidade externa entre a humanidade e outra vida terrena.

A natureza essencial da Cidadania é a “Fraternidade localizada”. Como habitantes desse Sistema Solar, nossa primeira identidade de cidadania é a (que chamaremos) de “solarianos”. Essa identidade é derivada do fato de que todas as expressões de vida desse Planeta e de todas as expressões de vida nos outros Astros deste Sistema são microcosmos de uma fonte comum: nosso Logos Solar. Se houvesse algum modo de identificar nosso Sistema em seu relacionamento com os outros Sistemas Solares de nossa galáxia, poderíamos qualificar nossa identidade como “cidadãos galácticos”, depois “cidadãos arqui-galáticos”, até a identidade final que temos com todas as outras expressões de vida, como “Universarianos” ou “Cosmosianos”. Contudo, nossa localização imediata no Cosmos é pela identidade com a nossa Fonte Criadora imediata, o Manifestador e Governador desse Sistema. Poderíamos designar esta Fonte por um nome personalizado, por exemplo: “Hélios”. Isso poderia especificar a identidade de nossa Fonte na fraternidade externa de outros Logos Solares de nossa galáxia. Então a nossa identidade de cidadania poderia ser, como membros desse Sistema. “Heliosolarianos” para diferençar nossa condição de cidadãos de outros “Solarianos” de nossa galáxia. Como um cidadão americano de antepassado espanhol é um “hispano-americano” (a procedência – derivativa – qualifica a identidade localizada), do mesmo modo seríamos designados como “Heliosolarianos Terrestres” para especificar nossa cidadania imediata no Planeta Terra do Sistema Solar de “Hélios”. Em nossos horóscopos, o tradicional símbolo circular do Sol colocado no centro da roda é o símbolo Astrológico de “Hélios” como nossa Fonte Criadora; o símbolo sugerido do “semicírculo na linha horizontal” (representação simbólica do Sol nascente) é nossa consciência personalizada da existência e natureza de “Hélios”; nós designamos esse símbolo simplesmente como “Sol” porque ele representa uma compreensão relativa da natureza de “Hélios”.

O símbolo Astrológico arquetípico de cidadania democrática (como princípio da fraternidade se manifestando em uma forma de governo) é o Signo de Libra, Signo da 7ª Casa do Grande Mandala e iniciador Cardeal da triplicidade de Ar, da qual todas as especificações de fraternidade são derivadas. Em virtude de os quatro Signos Cardeais indicarem as especificações básicas de nosso Ser polárico-genérico, o mandala com Libra no Ascendente será, agora, considerado como a raiz de nossa consciência de cidadania democrática.

Como “Cosmosianos” o mandala de Libra configura nosso atributo como “Reatores e Refletores” – nós reagimos aos estímulos das expressões de outras pessoas. O mistério oculto do aspecto positivo do poder vibratório de Vênus, como Regente de um Signo Cardeal, é observado no fato de que a ação que expressamos subsequente à reação a uma expressão negativa de outra pessoa pode ser uma expressão de alquimia que transmuta; podemos reagir com dor, mas não temos que projetar novamente de acordo com a reação de dor; podemos projetar de novo de tal maneira que o atrito, a desarmonia ou a condição negativa em geral seja neutralizada. Por conseguinte, nesse mandala, Libra (um dos Signos que é focalizado por Vênus) é o que expressa, mas sua expressão, devido a Libra é a polaridade reflexiva de Áries, é de alquimia contrária ou transmutativa. Nesse mandala, as “transcendências” dos Signos de Libra através de Peixes focalizam os elementos de consciência anímica naqueles capítulos de experiência arquetípicas que geralmente pertencem à consciência do “eu separativo”. Reagir e expressar pela alquimia transmutadora é elevar a consciência do eu separativo a um grau da oitava do “eu inclusivo”. Na medida em que a ação regenerada segue a reação, as forças vibratórias combinadas de duas ou mais pessoas magnetizadas na relação serão transmutadas.

Em termos físicos, esse mandala retrata a mulher como aquela que expressa, e o homem como aquele que reage; retrata, em sentido mais abstrato, a expressividade da consciência anímica e a reatividade da própria consciência. Expressões dinâmicas de egoísmo negativo são coisas que sabotam a receptividade da vibração de Vênus; a expressão reativa de Vênus é para neutralizar o elemento destrutivo e, assim, estabelecer um maior grau de bem unificado. Na fraternidade democrática do matrimônio, esse Ascendente Libra configura não somente a mulher; configura também a composição alma-consciência de ambas as pessoas; simboliza as belezas e perfeições que cada pessoa vê na outra; simboliza as belezas e perfeições de cada uma e que são incendiadas na consciência pela essência dinâmica da outra. Isso é “se elevar no amor” (não “se apaixonar”) pelo qual dois seres humanos, cidadãos no mundo de um relacionamento intensamente concentrado, se capacitam em perceber seus elementos anímicos por meio da ignição mútua de idealidades. A alquimia transmutadora que tem lugar num relacionamento amoroso (e todo relacionamento amoroso é matrimônio nos reinos da consciência) é Libra como iniciador de uma nova consciência de vida e como um originador de um novo mundo de experiência. Esposo e esposa – duplas manifestações de amante-e-amada – são cidadãos fraternos no “país democrático da união que eles estabelecem”; o desenvolvimento epigenético de cada um, por meio da fusão mútua física, mental, emocional e vibratória é o propósito da união; a expressão individualizada de ambos, o respeito mútuo às individualidades e a ação colaboradora no serviço amoroso de gerar e criar filhos constituem as qualidades democráticas da verdadeira união amorosa. Consequentemente, vemos que um governo baseado em princípios democráticos é, entre todos os governos, o mais altamente carregado com a essência da consciência amorosa. Somente pessoas que haviam desenvolvido um alto grau de percepção da unidade do poder do amor foram qualificadas para promulgar princípios de governos democráticos. Eram pessoas que haviam entendido, até certo ponto, o ideal de fraternidade externa dos seres humanos como terráqueos e como cidadãos de um grupo nacional localizado. O respeito aos direitos individuais de homens e mulheres e a criação de oportunidades para a expressão individual configuram os princípios do amor espiritual no matrimônio transpostos para a oitava ampliada da convivência de homens e mulheres nesse Planeta ou num tipo racial específico ou numa forma nacional particular. O ser humano individual, na localização de sua vida familiar pessoal, demonstra o tipo de sua consciência de governo; como ele é em sua consciência é também com sua família e nas suas relações com seus concidadãos.

Agora, considere a “infância da conquista”. Nós nos referimos ao Signo de Gêmeos no Grande Mandala como a imaturidade da consciência de cidadania da Humanidade. Esse é o Signo da 3ª Casa; como um Signo-raiz é o Signo da 12ª Casa do Signo-matriz Câncer – é aquele que “está por trás de toda expressão dos pais”. A esse respeito, o relacionamento de Gêmeos com Câncer (e sua polaridade, Capricórnio) é aquilo que impele à paternidade/maternidade; são os filhos e filhas físicos para um casal específico de marido e mulher; significa filhos e filhas frutos de destino maduro, nascidos por uma polarização específica de base ancestral nacional. Câncer-Capricórnio, em relação a Áries-Libra, é “aquilo de onde se deriva a Forma (manifestação)”. Nós não herdamos traços nacionais; somos atraídos a pais de ancestralidade específica pela qualidade da nossa consciência. “Traço nacional” é apenas outra maneira de se dizer “qualidade vibratória concentrada em um grande número de pessoas”. Usamos palavras como “escandinavo”, “espanhol”, “polonês”, etc., para designar a cidadania do nosso nascimento físico ou do antecedente nacional de nossos pais, mas existem muitas pessoas que não se assemelham a seus pais em qualidade nacionalista; de fato, elas podem não ter afinidade com as tradições e com a ótica nacionalista de seus pais. Essas pessoas provam que, na consciência, são cidadãos de idealismo diferente – elas encontram suas afinidades com pessoas, cujo interesses, ideais e aspirações coincidem com os seus. No entanto, nascidas na área conhecida como “Estados Unidos da América”, todas as crianças, por atração de destino maduro, entram em contato com os ideais e aspirações expressos pelos fundadores com inclinação espiritual dessa nação; a essência da cidadania democrática é a pedra angular do edifício nacional que eles construíram. Como Gêmeos, então, nossos filhos são “americanos jovens, imaturos, em crescimento”.

Pode-se dizer seguramente, nesse ponto, que a encarnação como “cidadão americano” significa que toda criança (não importando seu fundo de destino maduro ou ancestral) é programada para aprender mais sobre o ideal espiritual da vida democrática. Muitos grandes seres humanos com inclinação democrática têm passado pela história humana. Democracia não significa “partidarismo político”; é um estado de consciência espiritual. O imortal Akhenaton, Faraó do Egito, há quase seis mil anos atrás, foi chamado de primeiro governante democrático da história humana; como soberano de seu povo ele visava estabelecer os princípios da liberdade religiosa, igualdade legal dos sexos e a educação espiritual como partes integrantes da vida de seus súditos. Considerando as transcendentes qualidades de sua Mente, seu Coração e Espírito ele foi um verdadeiro “Filho de Hélios”: seus conceitos de regência incluíam seu senso de fraternidade básica com seus súditos e a de seus súditos entre si. Se a educação moderna nesse país puder ensinar, ou vitalizar, uma consciência de fraternidade nas Mentes das crianças de hoje, então ela terá cumprido seu propósito esotérico. Se a educação moderna puder ensinar a Lei de Causa e Efeito terá cumprido seu principal propósito exotérico, pois a compreensão dessa lei é a raiz de toda educação. A educação do intelecto concreto é importante, naturalmente, mas os intelectos brilhantemente dotados podem, e alguns o fazem, viver em um mundo que interpretam como caótico, incoerente, confuso e incompreensível, porque eles próprios são caóticos, incoerentes, confusos e incompreensíveis em seus relacionamentos com eles mesmos e com as demais pessoas. Não sabem que eles próprios causam as condições que se registram como efeitos em suas vidas. Os nativos de Gêmeos, então, como crianças nascidas de pais específicos em um local específico, são cidadãos do mundo do aprendizado, o mundo do lar e da escola. Em uma administração governamental democrática, o reconhecimento é dado pelo direito de toda criança aprender, organizar e coordenar suas faculdades mentais, ampliar seu conhecimento (trazido de encarnações passadas) do mundo objetivo, desenvolver seus talentos e potencialidades para o trabalho e serviço e se tornar mais espiritualmente informado. Esse reconhecimento é dado em virtude do respeito pela existência individualizada da criança nesse Planeta e do respeito pelo bem que ela, potencialmente, pode fazer quando adulta. A essência genérica de Gêmeos, em tal designação, é feminina; o menino e da menina Estudantes funcionam, através dos anos de experiência de estudo, como receptores; funcionam com receptores do e reatores ao estímulo educativo projetado pela essência dinâmica da polaridade planetária de Gêmeos, que é Júpiter (Regente de Sagitário). A polarização jupteriana de Gêmeos de Mercúrio estabelece que toda verdadeira educação é espiritual – o conhecimento dos princípios é o macrocosmo para o conhecimento dos efeitos; o conhecimento da causa-e-efeito clareia os canais para todos os outros conhecimentos. O instinto evolutivo para espiritualizar o conceito de serviço na vida é mostrado pelo diâmetro vertical Virgem-Peixes do mandala de Gêmeos; o ideal de serviço pessoal e impessoal perfeito é aquele que “gesta” a aspiração de aprender. O conhecimento (ou compreensão) que não é usado para o melhoramento contributivo da vida humana é, relativamente, “material morto”. Por conseguinte, como membros de grupo de família e de grupo de escola, as crianças são cidadãos no estado de amadurecimento mental. O princípio administrativo dessa identidade é o diâmetro Câncer-Capricórnio nas cúspides segunda e oitava Casas – a “posse da cidadania de grupo, nação ou família” é para ser transposta para a oitava Casa de administração do grupo humano pelo exercício daquilo que é aprendido intelectual e espiritualmente. Enquanto encarnamos no arquétipo humano, nós teremos cidadania somente como “Terráqueos”; se congestionar na posse da cidadania americana é inibir e restringir o sentido de identidade como cidadania terrestre. O arquétipo humano é nossa família, é a “sociedade” à qual pertencemos, é a especificação de nossa identidade em relação ao nosso “logos solar”, “Hélios”, de cujo poder nós somos a mais alta manifestação epigenética nesse Planeta. Gêmeos é o Signo da 9ª Casa do mandala de Libra – o senso de fraternidade destilado de encarnações passadas representa o aspecto sabedoria de nossa consciência de relação concentrada complementariamente na presente encarnação. Geralmente, injustiças de ponto de vista concernentes a princípios de polaridade no relacionamento humano servem para congestionar o florescimento da relação amorosa, da experiência marital e da cidadania fraternal com compatriotas e colegas de estudo.

Aquário, Signo Fixo e de Ar, é o Signo da 11ª Casa do Grande Mandala e o Signo da 5ª Casa do mandala de Libra. Como o último, ele é a essência transcendente do poder do amor nos relacionamentos humanos. É o “amor pessoal que não conhece barreiras qualificadas como externas”; é o amor que percebe o valor interno e a realidade íntima da individualidade humana. Ele é a descristalização dos aspectos congestionados e egoísticos do amor pessoal de Leão e é amor como “aspecto-coração” da consciência de maestria.

O mandala de Aquário mostra Capricórnio na cúspide da 12ª Casa; o que deve ser redimido é a cristalização do conceito de identidade de grupo humano e separativa. As nações separadas e diferentes umas das outras, competitivas entre si, temerosas e inseguras, hão de ser, pela vibração de Urano, como Regente de Aquário, identificadas novamente como pontos estruturais no edifício da sociedade humana como um todo. Esse mandala, e o posicionamento de Capricórnio-Câncer, retrata definitivamente a influência dos Mestres como aqueles que servem recarregando os conceitos cristalizados de “famílias de nações separadas” pela esfera de ação e poder de suas percepções de amor à realização mais clara de uma só nação e uma só família. A colocação nacional de um Mestre – ou de alguém que tenha o mesmo grau de amor de um Mestre – é a forma vibratória na qual ele encarna para cumprir seu serviço espiritual. Joana d’Arc para França, rainha Elizabeth para a Inglaterra, Khalil Gibran para o povo da Síria, etc.: em todos esses casos, um serviço de inspirada regeneração foi realizado para grupos humanos específicos, mas a raça inteira, no fim, foi beneficiada por aqueles serviços. Se, por exemplo, Gibran pensasse de si mesmo somente como um sírio, e de maneira congestionada, o poder de sua poesia e de sua pintura teria se debilitado. Ele era um sírio apenas pela identidade nacional localizada; ele era, e sabia disso, na realidade um Terráqueo e um “Solariano”. A cidadania fraterna simbolizada por Aquário é a imagem mais completa do princípio democrático em ação, porque a esfera de ação do seu poder e influência inclui todos os humanos, a despeito de aspectos externos, linhagem ou parentesco. Aquário, como Signo da 9ª Casa de Gêmeos, é a fraternidade universalizada; como Signo da 5ª Casa de Libra é a radiação de amor impessoal e intercâmbio amoroso espiritualizado. Todos os que aprendem são concidadãos e todos os que amam são membros da democracia do coração.

 

CAPÍTULO III – ESTUDO DAS POLARIDADES

O horóscopo é, dentre muitas outras coisas, um mandala da sexualidade. A vida de todas as manifestações é o intercâmbio efetuado pelas Forças Cósmicas quando elas expressam as polaridades dinâmica e receptiva. Nós nos referimos as polaridades “positiva”, “ativa”, “masculina” como dinâmico, que designa “aquilo que impregna ou estimula”. Na manifestação física da vida gera organismos que chamamos de “sexo masculino”. Aquilo que é receptivo é aquele sobre o qual se atua; é “passivo”, “resultante”, “aquele que recebe a impregnação ou a estimulação e nutre a nova vida para expressão ativa”. Em termos físicos chamamos a esta expressão de polaridade de “sexo feminino”. As pessoas estão familiarizadas com os termos “sexo masculino” e “sexo feminino”, porque os impulsos geradores são um fator vital em suas próprias experiências e são evidenciados nas experiências da vida de outras formas, tais como a da vida animal e da vida vegetal, percebidas por toda parte.

No entanto, a palavra “sexo” é muito mais extensa em seu significado. É a vida em ação e movimento; o eterno intercâmbio de potências vibratórias, e seus efeitos entre si é o que faz da manifestação aquilo que ela é. E isso se aplica a todos os planos, desde o nível de manifestação material mais denso, de vibração mais lenta, até a verdadeira essência da própria Fonte Criadora. Cada momento da nossa existência é uma expressão da sexualidade cósmica; isso podemos ver se considerarmos umas poucas coisas que demonstram nossa habilidade para estimularmos e sermos estimulados.

Fazemos uma pergunta; somos receptivos à informação dada a nós pela pessoa que responde. Falamos; tomamos fôlego como um pábulo para nossas palavras e projetamos o pensamento que encarnamos em símbolos sonoros chamados palavras. Nossas percepções sensoriais são agentes de receptividade; por seu exercício recebemos impressões pelas quais identificamos o mundo fora de nós mesmos. Fazemo-nos perceptíveis aos outros por nossa ação em movimento e som. Alguém se projeta em nossa consciência; reagimos à sua expressão consoante ao nosso estado vibratório de consciência.

Essas simples ilustrações do cotidiano são apenas um pouco do muito que poderia ser considerado; entretanto, elas são suficientes para mostrar que nós, como expressões de vida, somos expressões compostas da Polaridade Cósmica. Somos de tal modo constituídos que demonstramos por meio de nossas vidas, de uma maneira ou de outra, nossa bipolaridade essencial. Entender “sexo” significando somente os atributos de geração física é manter nosso entendimento em águas turvas. O filósofo compreende mentalmente que um princípio – seja sexual ou de qualquer outra coisa – é onipotente.

A bipolaridade essencial do organismo humano é maravilhosamente ilustrada na atividade criadora. O artista, em sua inspirada reparação, abre sua consciência para as percepções dos padrões perfeitos existentes nos planos internos; ele lança, por assim dizer, a força estimulante que torna possível, para ele, conceber o padrão ideal em termos de sua modalidade artística particular. Pela meditação concentrada ele molda essa concepção em forma, nos planos mentais. Então, por meio de sua técnica física altamente desenvolvida, ele dá à luz a essa versão particular do padrão ideal. Em suma, ele projeta esse conceito manifestado no Mundo Físico, o qual, por sua vez, é percebido por outras pessoas que extraem dele um estímulo para seu próprio idealismo e sua própria inspiração. Deste modo, o artista criativo exercita tanto a polaridade receptiva quanto a polaridade dinâmica; ele funde sua própria “masculinidade e feminilidade” em um só ato criador intensamente concentrado. Aliás, isso é astrologicamente ilustrado pelo Planeta Urano, que está Exaltado em Escorpião; Urano é a fusão de Marte com Vênus – a sincronização dos símbolos essenciais dos Planetas, cujos pontos de regência iniciam nos dois hemisférios horizontais – consciência de si e consciência da alma.

Os alunos – enquanto crianças – estão no processo de integração de suas faculdades por meio de funções envolvidas no “crescimento”. Eles recebem um estímulo do professor e absorvem o efeito desses estímulos; cedo ou tarde dão vida aos seus conhecimentos ao pô-los em ação em seu trabalho como adultos. O professor, que, em relação aos seus alunos, atua como “estimulador”, tem sido por sua vez estimulado por aqueles que lhe transmitiram ensinamentos. Todos somos elos dinâmicos e receptivos na eterna cadeia do vir a ser.

“Masculino e macho” e “feminina e fêmea” são expressões personalizadas da Polaridade Cósmica. A abstração última desses termos – o composto de sua verdade essencial – resume-se na simples frase: CAUSA e EFEITO.

Assim como a masculinidade sexual essencial do organismo humano atua na feminilidade física essencial, do mesmo modo a fonte criadora atua na – e por meio da – manifestação material para o prosseguimento de sua Vida total. A dimensão material – em toda a sua imensidão de expressão espacial – é a fêmea para o macho cósmico. A matéria é definida como o “Polo negativo do Espírito”, “Mãe Terra”, e muitas outras tais expressões feminilizadas, ou figuras de linguagem. Nenhum dos dois polos existe – ou pode existir – sem o outro; o essencial de cada um é inerente a cada expressão de vida. O horóscopo confirma isso de modo simples e belo:

Use três círculos em branco como ilustração; no primeiro ponha um ponto no centro. Isso é análogo à fonte criadora manifestando um universo, uma galáxia, um sistema solar ou um ser humano individual. A “Vida” da roda não é mostrada; exceto pelo ponto, sua área está inteiramente em branco. Medite sobre essa roda, enquanto ela representante de uma expressão de vida específica.

No segundo círculo ponha um ponto no centro e em seguida acrescente o diâmetro vertical; agora o círculo tem “Vida” – sua área é diferenciada na maneira mais simples possível: divisão em dois hemisférios por uma linha.

Essa linha vertical é o símbolo abstrato da polaridade dinâmica do cosmos; é o símbolo essencial do ato sexual gerador; é o símbolo-raiz da causa. Aplique-o a qualquer horóscopo humano e reconheça que essa vertical se compõe de cúspides da 4ª Casa e da 10ª Casa – as “Casas dos pais”. Nossos pais são o “primeiro passo”, os “agentes iniciadores”, a causa de nossa manifestação no plano físico como seres humanos. Mas, note isso claramente: como nossos pais, temos um composto sexual de macho e fêmea; um se concentra na polaridade masculina como sua expressão física e outro se concentra fisicamente na polaridade feminina. Os dois juntos geram nosso veículo físico.

Agora, no terceiro círculo adicione o ponto central e o diâmetro horizontal.

Essa é a representação daquilo sobre o qual atua o agente gerador – o aspecto subjetivo da vida, aquilo que foi gerado e é resultado da geração. A vertical é a causa, a horizontal é o efeito. O terceiro círculo, com o diâmetro horizontal, também é diferenciado em duas metades, mas, como se acham “concentradas horizontalmente”, elas aparecem como “contrapartes” das metades verticais. Esse diâmetro horizontal é, astrologicamente, o composto das cúspides do Ascendentes (1ª Casa) e do Descendente (7ª Casa). A pessoa representada pela Carta – o nativo – está no Ascendente, sua consciência envolvida pela sua indumentária física; ela “olha através da roda” e, no ponto mais afastado, oposto ao seu, vê (do mesmo modo que vemos nosso reflexo num espelho) sua contraparte, seu “outro Eu”, seus necessários cumprimentos, resumindo: sua companheira.

A espantosa e emocionante maravilha da simbologia astrológica em nenhum lugar é mais evidente que no composto das quatro metades de um círculo. Acrescente às segunda e terceira rodas o diâmetro complementar; o resultado apresenta os quatro quadrantes do horóscopo individual, mas, de maneira simples, ele descreve a bipolaridade daquilo que gera e daquilo que é gerado.

Você é um homem; sua 7ª Casa é uma mulher; um de seus pais é um homem e a outra é uma mulher. Agora a linha vertical dos pais representa a bipolaridade da essência dinâmica da vida; a horizontal representa a bipolaridade da essência receptiva. Continuando essa abordagem de modo mais amplo, vemos que cada fator da roda astrológica é um composto das polaridades dinâmica e receptiva. Qualquer macho ou qualquer fêmea pode ter quaisquer dos Signos em quaisquer cúspides; o Regente da Carta, o Sol e a Lua, ou quaisquer das posições planetárias podem ser encontradas em quaisquer dos Signos zodiacais, não importando se os Signos envolvidos sejam considerados “masculinos “ou “femininos”.

Portanto, podemos reconhecer que, se os nossos Corpos são especializações da polaridade para o sexo gerador masculino ou feminino, nossa consciência é um composto vibratório de ambas as polaridades. Entender o relacionamento humano é realmente entender a sexualidade vibratória da consciência humana. O astro-filósofo deve cultivar essa compreensão para poder desvendar os mais profundos segredos dos padrões astrológicos.

O astro-filósofo que seja pai ou mãe começa a compreender as Cartas de seus filhos quando começa a compreender sua própria Carta. Na medida em que “se afaste” de qualquer coisa em sua própria imagem vibratória, ele será deficiente na interpretação da de seu rebento. Sua 8ª Casa é a sua vida geradora, particularmente em relação à sua companheira ou companheiro, mas sua 5ª Casa é a área da consciência de amor, pela qual ele oferece um “convite à vida” a outros Egos que virão como seus filhos.  Todos os pais expressam, em certa medida, o potencial de amor da 5ª Casa, mas os pais astro-filósofos combinam os poderes da 5ª Casa com os de sua polaridade espiritualizada: a 11ª Casa. Eles não são apenas pais, mas são amigos; não são só nutridores do Corpo, mas são também nutridores da Mente e do Espírito; não são simplesmente “o velho “ou a “minha mamãe”, mas são o irmão e a irmã mais velhos que se oferecem para compartilhar sua compreensão da vida com aqueles que chegam através deles. E, como astro-filósofos, eles oferecem aos seus irmãos mais jovens um ponto de vista baseado na compreensão dos princípios mais o calor e consolo de um coração amoroso. Ele, o pai, buscará compreender a constituição vibratória bipolar de cada filho e, contritamente, buscará orientação para lhe clarear a percepção dos padrões das Cartas dos filhos, conforme representem potenciais para desenvolvimento. Ele deve compreender os princípios de vida conforme eles são representados no padrão da 5ª Casa de sua própria Carta e alinhar sua consciência, cada vez mais, com o significado essencial de paternidade como um fator na experiência da Vida.

Chegamos a um ponto em nossa abordagem à natureza humana em que não mais somos os homens em pacotes rotulados de “só qualidades masculinas” e as mulheres com idênticas denominações de “só qualidades femininas”. Essa abordagem obsoleta tem provado estar em desacordo com o espírito da pesquisa verdadeira. Os homens podem manifestar, e às vezes manifestam, uma acentuada tendência para elementos da personalidade feminina, sendo a recíproca verdadeira em muitas mulheres. O astro-filósofo que é pai sabe – e sabe com sua profunda compreensão – que seus filhos e filhas são compostos de polaridades vibratórias, e que seus propósitos na vida e o propósito dele de nutri-los e guiá-los não é para virem a ser “totalmente homem ou totalmente mulher”, mas sim o de lhes cultivar o poder de expressarem o melhor de ambos de acordo com os requisitos essenciais indicados nas Cartas. Aqui vai um ponto significativo, apresentado como básico para um pai determinar seu efeito vibratório na consciência de um filho: compare sua Carta com a da criança, e se você tem um Astro em Conjunção com o Ascendente dela saiba, então, que você estimula acentuadamente a vibração desse Astro na Carta dela. Esse é um exemplo básico do Princípio de Vibração Simpática – o “princípio do diapasão”. Se você, sendo homem, tem seu Marte ou o Sol no Ascendente de sua filha, como astro-filósofo, você está prestes a cultivar as expressões mais construtivas daquele Astro em seu próprio viver. Você é a primeira “imagem viva de homem” que sua filha tem, e na medida em que possa representar o Sol ou Marte regenerados, conforme o caso, você concorre de forma notável para ajudá-la a “registrar” uma reação favorável ao sexo oposto. Outros Astros atuam do mesmo modo, mas o Sol e Marte são usados nesse exemplo porque eles são, no composto, o “padrão masculino de consciência” básico ou essencial. A não regeneração de sua parte, em relação a ela, poderá estimulá-la (sendo criança e impressionável, ela é muito sensível à sua vibração) a intensificar qualquer “imagem masculina “ não regenerada que a Carta dela possa registrar e, correspondentemente, tornar difícil para ela, quando crescer, “clarear suas imagens “do sexo oposto.

O mesmo princípio se aplica a seu efeito sobre seus filhos, o de sua esposa sobre os mesmos, e os das crianças entre si. Esse “Astro no Ascendente “ é um laço vibratório vital, devendo ser estudado com grande cuidado – e os resultados do estudo aplicados conscienciosamente no viver diário. Mais estudos podem ser feitos sobre qualquer inter-relação entre os Astros e Cartas; observe especialmente aquelas mudanças em que os Astros dinâmicos dos meninos formam Conjunções com os Astros das meninas; isto é uma variação do padrão “Astro no Ascendente”. Se uma menina tem um padrão vibratório “mais masculino” e um menino tem um “mais feminino”, e eles parecem ser fortemente atraídos um para o outro enquanto crescem juntos, então estude o Urano de cada um em sua relação recíproca. Urano, conforme já dito, é um “composto masculino e feminino”. Nos relacionamentos entre pessoas ele indica atrações espirituais de grande profundidade e intensidade, e a criança que tem Urano afetando a Carta de outra de modo acentuado pode ser uma “iluminadora” em potencial da outra. Ajude seus filhos a se compreenderem como expressões da Bondade e da Beleza da Vida – que na verdade ele são – e faça de si mesmo um “mediador” – por meio de seu entendimento astro-filosófico – entre aquilo que eles tendem ser instintivamente e aquilo que suas Cartas indicam que podem vir a ser.

Se um dos pais é astro-filósofo, o outro deve tentar aprender alguma coisa sobre o assunto para que possa encontrar um certo grau de mutualidade de compreensão e abordagem como base de treinamento e guia daqueles a quem foi dada a encarnação. Toda criança tem, congenitamente, uma imagem singular de “pai-mãe”: talvez exista um laço de destino maduro profundo e difícil entre um dos filhos e um dos pais, ou entre dois dos filhos. A mutualidade de compreensão astro-filosófica pode ser uma maravilhosa redenção para os pais em seu serviço cooperador como pais. Esses laços devem ser entendidos por ambos os pais como manifestações da Lei da Causa e Efeito – e serem percebidos como padrões de energia no processo de cumprimento regenerado por meio do Amor. Eles não devem ser postos de lado, evitados ou “desprezados”.

A astro-filosofia provê um maravilhoso canal pelo qual os pais que se inclinam a viver excessivamente em seus centros de resposta sentimental e emocional podem obter perspectiva em sua busca para entender seus filhos; além disso ela dá aos pais um maravilhoso “passatempo a dois” – algo que eles podem usar para ajudar a outros pais e desfrutar enquanto viverem. Através disso eles podem se dar conta da verdade de que o matrimônio é fraternidade, sua vida é mutualidade, seu florescimento é a amizade verdadeira.

 

CAPÍTULO IV – EXPERIÊNCIA MILITAR INVOLUNTÁRIA

Desde o começo de nossa experiência como encarnados, o conflito, em qualquer nível ou envolvendo qualquer quantidade de pessoas, não é nada mais do que a dramatização do esforço vigoroso do indivíduo para resistir em evoluir. A destruição, a dor e o sofrimento que a humanidade tem infligido a si mesma nunca foi nada mais do que uma expressão de ação ignorante dos princípios da vida. Essa ignorância sempre foi – e como poderia ser de outro modo? – uma questão individual.

Até que certas diretrizes, para si própria, tenham sido estabelecidas, a humanidade funciona, primeiramente, na base de estímulos do pensamento coletivo, instinto coletivo ou sentimento coletivo subconsciente. Nesse modo, a Natureza proporciona recursos para que um destino maduro possa ser experimentado coletivamente. Um grupo de indivíduos – tribo, nação ou um grupo de nações – ficam sujeitos a enfrentar todos em conjunto, ao invés de individualmente, um padrão de retorno de destino maduro. Todas as pessoas, em determinada situação, afinadas com um negativo vibratório particular – tal como o frenesi sádico dos grupos de linchamento – respondem, por simpatia, e se expressam “em massa”. Desde que nós, como indivíduos, carecemos de expressão ideal, estamos “amarrados”, até certo ponto, a determinados padrões de descumprimento. Isso se deve à nossa ignorância dos princípios e ao havermos expresso a ignorância em ação nas encarnações passadas. A expressão – causa – implica em seu próprio efeito. Um dos efeitos mais fenomenais nos tempos modernos tem sido o âmbito global da guerra, tal como temos visto desde 1914. A Oposição entre Urano, em Capricórnio, e Netuno, em Câncer, precedendo a deflagração da Primeira Guerra Mundial, foi a condição vibratória pela qual os seres humanos em grupos nacionais enfrentaram o retorno de destino maduro coletivo por meio da experiência da guerra. Essa Oposição foi o “padrão de Lua Cheia” da Conjunção de Urano e Netuno em Sagitário-Capricórnio durante os últimos anos do século dezoito e primeiros anos do século dezenove. Foi a contagem de tempo para a descristalização universal, isso para que pudesse haver o progresso universal. Poucos momentos de reflexão é tudo o que se precisa para entender que a humanidade inteira foi afetada de maneira drástica por essa Conjunção e sua resultante Oposição. Novas oitavas de Poder e Sabedoria foram liberadas através das encarnações de muitas pessoas que, durante o passado século e meio, tinham a função de “placas de advertência” para a superação das coisas que não eram mais necessárias. Os poderes expressos por essas grandes pessoas afetaram nossas experiências em todos os planos – intelectual, religioso, filosófico, científico e artístico.

Uma “onda de vida” de encarnações ocorreu nos primeiros anos desse século, quando a Oposição de Urano e Netuno não estava em si mesma incandescente, mas formou Quadratura pela Oposição de Saturno em Áries e Júpiter em Libra. Essa onda de vida – focalizando a Quadratura de Saturno com Urano e Netuno – chegou em um dos momentos mais precários. Esse padrão vibratório foi, na opinião do autor, o desafio máximo da cristalização ao progresso. Talvez o mais importante fator isolado na experiência de vida desses povos fosse o de escolher, em consciência, se apegar ao velho ou seguir o progresso por meio do desenvolvimento individualizado. Um ponto evolutivo crítico, de fato! A deflagração da Rebelião dos Boxers[9] e o estabelecimento do governo republicano na China durante esta era representou aquele padrão planetário aplicando-se ao status evolutivo de uma grande civilização – um exemplo interessante do tremendo significado daqueles anos – e daquele aspecto.

Temos uma história registrada de muitos séculos de experiência, de um estudo do qual podemos encontrar – do mesmo modo como nós podemos encontrar nas nossas experiências atuais – os princípios subjacentes no relacionamento entre as causas individuais e coletivas e seus efeitos. Nos dias atuais as pessoas perguntam: “Depois de duas guerras mundiais em menos de meio século, temos que ter uma outra?”. A resposta: “Se tivermos, será porque nós não temos nos aplicado suficientemente para aprender das experiências anteriores sobre os princípios concernentes ao bem mútuo entre os grupos das nações”. Em suma, o efeito – como sempre o faz – poderá descrever e identificar sua própria causa.

Considere o fundamento do Grande Mandala Astrológico: um círculo com um ponto no centro; uma linha horizontal emana do centro para a esquerda, tocando a circunferência: nesse ponto o símbolo do Signo de Áries na parte externa do círculo.

Esse ponto do Mandala é a imagem essencial dos potenciais de cada ser humano que aparece no corpo infantil na aurora da encarnação. Nesse raio estão implicados todos os outros modos possíveis de se expressar o EU SOU individual durante a vida que se segue. Agora acrescente o seguinte, com um lápis de ponta fina: a vertical superior – Capricórnio; a horizontal à direita – Libra; a vertical inferior – Câncer. Do centro do raio esquerdo a linha de Áries trace três quartos de um círculo no sentido dos ponteiros do relógio (sentido horário), passando por Capricórnio e Libra e terminando no centro do raio de Câncer.

Isso é uma “película cinematográfica” invertida – do nascimento à concepção – os nove meses da gestação humana. Todos os outros quatro pontos genéricos estão incluídos nesse filme: movendo-se para frente, de Câncer até Áries – através dos três quadrantes – vemos um resumo das qualidades genéricas destiladas do passado para o presente. Essa é a maneira mais simples que temos de “reunir” os resíduos de destino maduro de encarnações passadas para redenção na presente, porque os pontos estruturais da encarnação – os Signos Cardeais – são todos representados em sequência, do mais feminino ao mais masculino, e cada Cardeal combina o Fixo e o Comum de seu Elemento genérico particular.

Uma vez que nossa experiência é dual: dinamicamente masculina – uma projeção de nossa consciência genérica – e reflexivamente feminina – uma percepção pela nossa consciência genérica – temos nesse simples mandala a soma total essencial “EU SOU” do indivíduo quando ele veio a essa encarnação particular. Isto significa que sua “qualidade EU SOU” de inconsciência, medo, ódio e ignorância, bem como sua “qualidade EU SOU” de poder, amor, sabedoria – os resíduos e as conquistas espirituais, respectivamente, de suas encarnações passadas como homem e como mulher. Sua atração magnética para seus pais revela fatores muito significativos de sua consciência genérica de relacionamento; sua afinidade com sua raça e com sua nacionalidade revela muito de seus resíduos de destino maduro coletivos. Nessa última se encontra a razão por que ele foi – ou pode ser – convocado para o serviço militar durante essa época de mutação universal; em suma, é um resíduo de serviço não prestado e da compreensão de princípios não cumpridos.

Agora, acrescente ao mandala o raio que representa a cúspide da 12ª Casa – ponha o símbolo de Peixes na cúspide. Conecte os raios de Peixes e Áries por uma linha reta com uma ponta de seta apontando para baixo e tocando a cúspide de Áries.

Esse é o modo mais simples que temos, em Astrologia, de representar a emanação do passado ao presente. Como todo raio de uma roda astrológica é uma emanação do raio único, isso mostra que o “EU SOU” de agora é uma emanação do “EU SOU” do passado. A cúspide da 2ª Casa simbolizaria, em relação à 1ª Casa, o “EU SOU” do futuro a emanação do presente. Portanto, a essência dinâmica do raio de Áries – o “EU SOU AGORA” – simboliza o potencial, a impulsão e necessidade de pôr em ação, nessa encarnação, a soma total de nossos “EU SOU” do passado. Isso significa ação como expressão da ignorância dos princípios assim como da compreensão dos princípios; tal ação, de um ou de outro nível, emana efeitos para o futuro.

Agora falando sobre as seguintes perguntas nas Mentes da maioria das pessoas dos dias atuais: até quando vamos continuar, individual e coletivamente, a pôr em ação causas que terão a guerra como seus efeitos objetivados? Quanto tempo vamos levar – individual e coletivamente – para reconhecer que certas ações – causas – se objetivam em guerra, crime, sofrimento e desintegração? Essas perguntas – e suas respostas – não têm nada a ver com qualquer nação em particular, ideologia política ou forma de governo. Essas perguntas são feitas, cedo ou tarde, por todo ser humano. Suas respostas e suas compreensões são derivadas de cada indivíduo como um resultado de seu desenvolvimento evolutivo. Troque a qualidade das causas aprendendo pela experiência e entre em ação partindo da base da nova sabedoria.

Uma vez que todo raio, numa roda horoscópica, é o único fato de um padrão de polaridade dupla, prolonguemos agora o raio de Peixes, no mandala acima, para completar um diâmetro; o prolongamento deste raio ao ponto oposto forma o diâmetro Peixes-Virgem – cúspides das 12ª e 6ª Casas.

Um diâmetro é a imagem desdobradas dos potenciais de um raio, uma vez que mostra ambas as polaridades. Assim, com o diâmetro Peixes-Virgem temos os Signos femininos da cruz Comum. Virgem (Terra) é masculino; Peixes (Água) é feminina. Com referência ao nosso assunto, esses dois Signos retratam simbolicamente os dois tipos de pessoas que fazem o serviço militar:

  • Aqueles que se alistam – servem voluntariamente – expressam um serviço consciente a partir do nível dinâmico – ou genericamente masculino; essa qualidade é representada por Virgem que, em essência, é serviço amoroso.
  • Aqueles que são recrutados – servem obrigatoriamente – são mobilizados para o serviço militar por forças externas; em outras palavras, eles são empurrados pelas forças do destino maduro que são objetivadas pelos representantes do governo e autoridades militares. Esse tipo de experiência representa a polaridade genericamente feminina do diâmetro do serviço; não somente é passivo, mas a falta de autogoverno implicada faz, dessa classe de experiência, uma possível fonte de grande sofrimento para o indivíduo a menos que, repito: ele faça um ajuste da situação em sua consciência e a aceite em seu íntimo, se movimente com as forças de destino maduro e cumpra suas responsabilidades ao máximo a cada passo do caminho.

Vamos considerar uma prova desse padrão conforme se objetivou em experiências recentes de muitas pessoas.

A convocação para essa recente guerra foi um “ponto de mutação” na vida de todos os que foram afetados por ela; do mesmo modo como, numa escala mais universal, aqueles que encarnam sob as vibrações de certos aspectos astrais mais fortes “se amarram” aos pontos de retrocesso evolutivo. Como a humanidade tende, basicamente, para a inércia – preferindo se apegar àquilo que está estabelecido como um símbolo de segurança – a maioria das pessoas precisa ser movida por forças do destino maduro, a fim de flexibilizar suas abordagens às experiências e abrir novos níveis de consciência de qualidades e capacidades. As autoridades encarregadas da última organização de recrutamento fizeram muito para tentar determinar as qualificações dos indivíduos para o serviço apropriado. O fato de que muitos homens foram designados para trabalho que eram inteiramente novos para eles revelou os meios de destino maduro atuantes em suas vidas. Suas profundas necessidades íntimas de flexibilização de consciência os atraíram para organizações específicas, ramos específicos de serviço e localidades específicas para cumprirem padrões de responsabilidade que podem ter sido, do ponto de vista do tempo, os de velhos tempos. Uma coisa é certa: a oportunidade de serviço obrigatório imposta a cada um foi efeito direto de faltas causadas por ele próprio no passado. Encarnar implica em assumir, voluntariamente ou não, servir a vida melhorando a qualidade da potência vibratória e da resposta; jamais podemos melhorar o que quer que seja a menos que alcancemos uma compreensão maior e mais clara de nossas realidades. Uma de nossas realidades básicas é alcançar o domínio do destino individual; isso se prova na posse de nossa faculdade de escolha. Podemos escolher fazer de qualquer experiência um “ponto de mutação” convergindo para cima ou convergindo para baixo, dependendo isso da qualidade de nossa reação a uma dada situação e nossa atuação na mesma. Podemos aprender a fazer melhores escolhas ao ponto em que nos tornemos, sem emoção, conscientes da qualidade de seus efeitos.

Se no passado deixamos – e todos nós deixamos – de servir consoante o princípio, então temos de reconhecer que a vida, através da consciência, provê a oportunidade de redimirmos a qualidade do serviço deficiente ao nos sintonizar com a experiência de grupo, de tal modo que a consciência combinada do grupo possa acrescentar poder ao esforço regenerador e cada pessoa, que esteja condicionada construtivamente, sirva então a todas as demais que estejam similarmente condicionadas ao estímulo do progresso. O serviço militar é um dos mais importantes exemplos, em períodos de “estresse global”, pelo qual a vida torna possível essa oportunidade, sendo, portanto, cada pessoa colocada onde e com quem seu destino maduro (destino autogerado) decrete.

Seu horóscopo é uma variação do Grande Mandala, mas suas 12ª e 6ª Casa estão no mesmo lugar que as de todas as outras pessoas. Estude os Signos nas cúspides de suas Casas Comuns – terceira/nona, Sexta/décima-segunda – como a cruz vibratória que, em sua Carta, corresponde à Cruz Mutável do Grande Mandala. Concentre sua atenção nos regentes planetários – suas posições, Aspectos e qualidades genéricas – das duas Casas: a 12ª e a 6ª. Estude com muito cuidado todas as Quadraturas e Oposições que envolvam sua 12ª Casa e o Regente dela. O Regente de sua 12ª Casa lhe dá a chave para se sintonizar com as forças de destino maduro; seus Aspectos regenerados representarão suas profundas fortalezas espirituais supraconscientes para enfrentar e transcender as “duras experiências”, representadas por seus Aspectos não regenerados. Em tal experiência você poderá “se embaraçar” com o tanto que representa o astral negativo na consciência humana – as negativas condições vibratórias de sua 12ª Casa descrevem sua atração por pessoas assim representadas, as quais servirão como desafios ao seu profundo desejo de ação e expressão redentoras. Informe-se sobre o princípio desse Astro e de todos os Astros que formem Aspecto com ele; porque você precisa disso e você será provado poderosamente nesse ponto. Lembre-se de que os “Astros são seres”. Sua Carta, em cada assunto, será revelada formosamente ou de outra maneira pelas pessoas com quem você terá de se associar nesse período de “serviço redentor”.

Em momentos de conflito astral o indivíduo pode decidir por uma destas quatro opções:

  • Uma descompromissada abstenção de qualquer forma de participação;
  • Abster-se de combater, mas com boa vontade de servir de outro modo;
  • Alistar-se voluntariamente, como um gesto “auto impelido” de serviço
  • Deixar-se recrutar e fazer o que lhe for ordenado.

Dessas quatro escolhas, a última requer o máximo de adaptabilidade às diretrizes das forças de destino maduro, já que é simbolizada pelo ponto de Peixes do diâmetro Peixes-Virgem. O cumprimento consciente de “tudo o que for ordenado” é a palavra-chave a se ter em mente para se neutralizar das resistências e ressentimentos – porque naquela atitude de cumprimento, o serviço será feito – e é aquele o propósito por trás da coisa toda. Por meio de um expansivo exercício de inteligência e da expressão de habilidades conforme sejam requeridas, a pessoa se verá crescendo de modo surpreendente, porque será obrigada a considerar muitos problemas e situações com os quais nunca lidou antes. A vibração de Peixes simboliza a carência e a necessidade do recrutado se manter em sintonia com o melhor de si mesmo e dos outros; ele deve “alertar” sua idealidade, procurar perceber os melhores potenciais de todos e reconhecer toda oportunidade de projetar o melhor de si; de encorajar e animar quando preciso for; de flexibilizar sua apreciação do valor de cada fato na experiência como uma oportunidade para aprender.

Estudantes, é mais que fútil se congestionar em ressentimento se tal experiência se apresenta a você. Sua vida continua através dela – embora por meios que você jamais pode ter planejado ou esperado conscientemente. Ninguém pode levá-lo a desperdiçar seu tempo, se você faz uso de seu tempo material. Ninguém pode levá-lo a desperdiçar seus talentos, se você exercita suas habilidades e se torna consciente dos mais profundos recursos de fortaleza física, mental e espiritual.

Os “por quês” e os “para quês” dessa experiência são descritos em seu horóscopo. De modos que você nem sequer pode imaginar; você pode, se você deve e quer – se tornar mais cônscio de quem é, o que você realmente é para o melhoramento de sua encarnação inteira e para o seu relacionamento com as pessoas no futuro.

 

CAPÍTULO V – A DÁDIVA DE PRESENTES

Usamos a palavra aniversário para designar uma ocasião para expressarmos nossa apreciação pela vida. Não damos presentes àqueles que amamos, admiramos e respeitamos simplesmente porque conseguiram viver um certo número de anos, pois é natural para cada um permanecer nesse plano tanto tempo quanto possa. Damos presentes nos momentos festivos para expressar nosso apreço àqueles que amamos (cujas qualidades vibratórias representam nossos ideais) por permanecerem aqui conosco. Amamos, admiramos e respeitamos certas pessoas porque sua qualidade vibratória é de tal sorte que estimula algo de mais refinado e regenerado que existe em nossa consciência; o contato com essas pessoas “desperta” nossa percepção da Luz que habita em cada um de nós e da qual somos as expressões manifestadas nesse plano.

Todas as cerimônias pertinentes ao período de experiência humana se originam no impulso primitivo de reconhecer os princípios da vida em sua expressão rítmica durante nossos anos aqui. Como a humanidade tende a objetivar a consciência, os festivais e cerimônias simbólicas são usados para interpretar a percepção do ser humano dos processos da vida. Pode-se observar que todos os povos têm os seus próprios e particulares modos de apresentar suas interpretações de vida; algumas são alegres e extravagantemente emocionais em qualidade, outras são majestosas e solenes. Cerimônias e festivais são dramatizações das reações emocionais do ser humano ao fenômeno da vida, e suas dádivas são expressões de seus apreços e/ou de suas simpatias.

Na festa de Páscoa a humanidade, conforme o lugar e o tempo, celebra sua alegria de viver a resposta primordial à consciência de seu avanço como uma manifestação física; sua gratidão à Terra como uma expressão física de beleza em seu florescimento, fragrância e promessa de fruição. Essa é a ocasião em que a humanidade celebra o Ascendente do horóscopo – a renovação da consciência de EU SOU, a olhadela para o alto, o impulso para a frente. A referência ao Ascendente do horóscopo diz respeito à qualidade dinâmica e energizante do Signo de Áries, o Signo Ascendente do horóscopo abstrato da entidade humanidade. A festa de Páscoa, não importa a variedade de suas formas e rituais, é a “canção de confiança na Vida” da humanidade, a fé indestrutível no bem universal que torna possível sua igualmente indestrutível determinação para progredir. A cada ano a Páscoa é a época de recarregarmos nossa própria consciência – e a dos outros – com renovada vitalidade, renovada coragem, renovada percepção do Potencial Divino e renovado júbilo nas liberações e expressões desse potencial. A história da Ressurreição é o drama da libertação; o dar presentes nessa estação é a nossa gratidão ao agenciamento libertador do Espírito ao se manifestar por meio daqueles que amamos, e a libertação que o amor e o encorajamento destes têm significado em nossas vidas. Páscoa é a “descristalizante” função do Espírito; no horóscopo ela é simbolizada pela vibração e ação do Planeta Urano e pela função do Aspecto Sextil entre dois Astros para descristalizar uma congestão produzida por qualquer dos dois ou por ambos a outros Astros. A transmutação da qualidade de um – ou de ambos – Astros em Quadratura ou Oposição permite uma redistribuição das energias astrais para expressões mais construtivas. Isso é a “Ressurreição” na vida de cada ser humano que progride espiritualmente. Nosso “presente de Páscoa”, como Astro-filósofos, é nossa contribuição à introspecção para desfazer as congestões de nossos companheiros e ajudá-los a se reorientarem para níveis mais elevados de consciência e expressão.

A comemoração do aniversário de um indivíduo é uma valorização – daqueles a quem ama e dos seus amigos – ao modo como ele expressa o Regente de seu Ascendente. Esse Astro, qualquer que seja e onde quer que esteja na Carta, é o símbolo de autoconsciência e potencial da personalidade. Nossa dádiva de presentes em tal data é nossa expressão de apreço pela Luz que aquela pessoa representa em nossas vidas – como uma “centelha de Luz Divina”. Devemos ser gratos pelos esforços que fazem aqueles próximos a nós para melhorar suas qualidades vibratórias e expressões; seus progressos nos ajudam a alcançar os nossos, uma vez que o melhor neles estimula o melhor em nós. Nós objetivamos nosso apreço por uma retribuição material – alguma coisa que poderá elevar ainda mais a consciência da pessoa apreciada.

O autor desconhece se outros povos comemoram datas tais como o “Dia das Mães” e o “Dia dos Pais” ou se essas datas são comemoradas exclusivamente pelos americanos. Contudo, em conjunto, elas são as “festividades da quarta e da décima Casas” – o diâmetro vertical do horóscopo, a Essência dinâmica do universo. No apreço às pessoas que elas comemoram, significamos nossa reverente consciência de radiação de Amor, Sacrifício, Nutrição e Proteção, que são inerentes “bases” regeneradas dos princípios da paternidade/maternidade. Damos amorosamente um presente à Mamãe e ao Papai em “seu dia” para expressar nossa gratidão a eles como indivíduos que, no serviço amoroso, proporcionaram nossa encarnação, nos protegeram e nos guiaram em nossos anos de crescimento. Mas apreciamos algo do qual Mamãe e Papai são expressões humanas individuais: as forças nutrientes e protetoras da própria Vida. As Mães e os Pais que são verdadeiramente amados e respeitados por seus filhos o são porque, em si mesmos, eles simbolizam a obrigadora proteção das Forças Divinas; seu serviço de Amor sacrificado é uma contraparte humana de tudo o que se dá para a perpetuação e progresso da vida humana.

Quando, de fato, a Humanidade não celebrou, como ritual, a união de duas pessoas que se amam? A festa de casamento é a dramatização do diâmetro horizontal do horóscopo, as cúspides das primeira e sétima Casas. O enlevo e beleza inspiradora da união amorosa é o meio pelo qual o ser humano é mais intensamente alertado para a existência de seu próprio ideal – despertado em sua consciência pelas virtudes e graças da pessoa que representa seu complemento. O coração humano reage com alegria absoluta à “beleza que é o Amor”, e aquelas pessoas que vivem essa beleza no relacionamento conjugal se erguem como símbolos, em forma humana, da eternidade da própria beleza. Nós reagimos com uma sensação de profundo arrebatamento à vibração exaltada de uma cerimônia nupcial – e a radiante felicidade da nova esposa e do novo marido despertam os nossos mais sinceros desejos de que a experiência deles, juntos, seja feliz e bem-sucedida em todos os sentidos. Em virtude da qualidade de espírito que eles revelam, nós admiramos casais que têm êxito no casamento porque eles vivem a verdade de amor, e somos gratos a eles pelo que representam. O Astro-filósofo “comemora o diâmetro horizontal” sempre que ele aprenda algo do melhor de outras pessoas e incorpore aquelas qualidades ao seu próprio viver. A outra pessoa representa a sétima Casa – o complemento; ele é o Ascendente – o EU SOU; a fusão do melhor do complemento na consciência do EU SOU é o que a cerimônia do casamento simboliza realmente – o melhoramento da consciência pessoal em um todo mais completo e perfeito. Como esposas e maridos, os Astro-filósofos revivem o amor que os unia sempre que buscam emular as virtudes e qualidades regeneradas de seus parceiros; e usam o modelo simbólico de seus horóscopos para esclarecer o significado íntimo de sua união e obterem perspectivas de como cada um pode ajudar, ensinar e guiar o outro.

Embora não seja considerada na esfera de significado implicada pela Páscoa e pelo Natal, a festa do Dia de São Valentino[10] é uma bela razão para se celebrar a quinta Casa do horóscopo e o Signo de Leão. Essa é a “canção do jovem de coração”, o “brilho da estrela do amor”, o impulso caloroso e afável do coração humano de apreciar as belezas e virtudes do sexo oposto, o reconhecimento da aurora da realização emocional. Àqueles que representam nosso ideal de graça e simpatia oferecemos flores e doces como expressões dos “sentimentos de doçura” em nossos corações. A radiante qualidade implicada no Signo de Leão é aquela pela qual nossa consciência de Amor aquece e abençoa as vidas daqueles que nós temos apreço – a tais pessoas expressamos nosso reconhecimento pelo ideal que representam para nós. A moça que é amada ou o moço que é amado é um símbolo humano da beleza da Vida aos olhos do que ama, e a mensagem apresentada pelo Signo de Leão é: “viva por amor”; “mantenha seu coração renovado e refrescado pelos ardentes impulsos do afeto”; “mantenha viva sua percepção da beleza amando o que há de mais lindo na outra pessoa”. O presente diário dos mais delicados impulsos do nosso coração para uma vida bela em relacionamento, o encanto de uma convivência harmoniosa, e a inspiração da sempre renovada consciência da Luz que é inerente à consciência do ser amado, é a verdadeira comemoração do Dia de São Valentino – o presente anual de flores (ou coisas do gênero) é simplesmente a expressão externa daquilo que o coração humano deve expressar continuamente para a pessoa amada; é nosso apreço por aquilo que a pessoa representa para nós como um ideal de nossos corações.

A festividade do “Dia das Bruxas”[11], no Signo de Escorpião – 31 de outubro, e a celebração do Dia de Todos os Santos – 1º de novembro – combinadas têm uma implicação muito mais solene; é a “Celebração do Ocultista”.

O “Dia das Bruxas” se converteu em uma festa de “disfarces e macaquices” – uma pálida imagem do profundo significado espiritual que tinha originariamente. Sua perpetuação através da história tem sido uma expressão da percepção humana de vida nos planos internos, e seu padrão astrológico, através do Signo de Escorpião, é a 8ª Casa – a regeneração do mal em Bem – o arqui-símbolo dos Poderes do Ocultista Branco. O “Dia das Bruxas”, de acordo com as antigas tradições, é aquela noite do ano em que é dada aos mortos uma folga de sua escravidão aos túmulos e a liberdade para perambular pelas casas dos vivos. A representação de feiticeiros, demônios, esqueletos, e toda sorte de criaturas sobrenaturais são dramatizações da imaginação do ser humano, de sua percepção do preso à terra e condenado; elas simbolizam seu medo do desconhecido – desconhecido porque não compreendido. A sequência do “Dia das Bruxas” com o Dia de Todos os Santos completa o sentido dessa festividade e dessa celebração: a subjugação das forças das trevas (medo e ignorância) pelas Forças da Luz (Virtude e Verdade). Com relação a isso, e nesse ponto, uma palavra do mais profundo apreço a:

Sr. Walt Disney, cujo trabalho no cinema tem provado ser ele um dos maiores agentes de inspiração para o coração da humanidade no mundo de hoje. Nas duas últimas partes de sua monumental produção “Fantasia” – “Uma Noite no Monte Calvo”[12] e “Ave Maria”[13] – o Sr. Walt Disney e seus auxiliares apresentaram esse “Festival Escorpiônico” de forma magnificamente dramática. Vemos as sombras de Egos que, enquanto na Terra, acumularam qualidades negativas de orgulho, luxúria, ganância, crueldade, ira e inveja. Nesse filme “Fantasia”, os personagens que servem para representar essas qualidades vivem em um mundo onde tudo é escuro, enfumaçado, fétido, doloroso e angustiante. Esses níveis de consciência, em qualquer ser humano, são verdadeiramente as regiões do inferno, e em tais regiões nós estamos perdidos sob o poder do Príncipe das Trevas, sem esperança e sem auto orientação. A luminosa música “Ave Maria” introduz o advento da aurora, que é a Luz da Verdade, da Pureza e da Virtude, dissipando as condições e poderes pervertidos e sombrios do “Anjo Negro”. O ocultista, ou Astro-filósofo, que enfrenta sua experiência pessoal com coragem e fortaleza, cumpre-a com o melhor de sua habilidade e por meio da regeneração de seus impulsos negativos purifica suas intuições e ilumina seu Conhecimento Interno, condicionando-se para ser um “lançador de Luz” nas áreas sombrias da consciência de do outro. Podemos dar festas e desfrutar de jogos e divertimentos no “Dia das Bruxas” e ir à igreja em tributo de reverência a nossos santos na manhã seguinte, mas como filósofos nós celebramos essa ocasião em nosso viver diário quando nós regeneramos e qualificamos a nós próprios para sermos doadores de Luz à humanidade. Todo Astro-filósofo tem uma condição astral particular como agente governante de sua 8ª Casa – e esse Astro lhe dá a chave quanto aos principais requisitos de suas experiências regeneradoras. Cada esforço nessa direção contribui para iluminar mais o corpo vibratório coletivo da humanidade – e isso é o grande presente espiritual com o qual a parte contribui para o bem-estar do todo.

A grande festa de Natal é a mais “Composta” de todas as nossas comemorações atuais. Ela é a dramatização das mais profundas realizações, esperanças, ideais e aspirações espirituais da humanidade – o ponto focal para expressão do amor ao semelhante.

É marcante que o relato do primeiro Natal envolva, em sua apresentação, a vida nesse plano, desde os “animais humildes” até as hostes angelicais – o âmbito completo das expressões de vida, da mais humilde à mais exaltada. Reis e sábios, humildes pastores, vozes angelicais, os pais humanos transfigurados – todos agrupados em volta da representação do Espírito Divino incorporado na pureza da criança recém-nascida. Essa festa é a dramatização da 11ª Casa 11 e 12ª Casa do Horóscopo Abstrato como o impulso por trás da manifestação da cruz Cardeal; o símbolo formado pelos diâmetros vertical e horizontal da roda é o Poderoso Símbolo da Encarnação.

A 11ª Casa é a consciência de Amor universal espiritualizada – a polarização, ou oitava superior – da 5ª Casa. Sua regência abstrata por Urano é Amor por todos, Amor que não reconhece limitações ou obstáculos, Amor que descristaliza e transforma todas as condições limitadas. A 12ª Casa é a voz da redenção – o impulso (e necessidade) de reencarnar para novo cumprimento por meio dos processos evolutivos e das experiências. O que seja manifestado pelos poderes dessas duas Casas é expressão, na dimensão material, do veículo bipolar por meio do qual a Deidade latente é revelada.  “…e Ele assumiu a semelhança de um homem…” é o que declara o Espírito manifestado, e diz respeito ao aparecimento de toda expressão de Vida nesse plano.

Na consciência da humanidade, o símbolo de uma criança sempre representou a inocência de um novo começo; na adoração da Criança que estava para ser Cristificada vemos a dramatização de um olhar da humanidade à sua própria pureza esquecida. Nossos corações ficam profundamente sensibilizados pelo poder vibratório dessa festividade porque, no mundo inteiro, a alegria e o bem-estar das crianças e, em geral, de todas as pessoas que são dependentes, são pontos focais de nossa atenção emocional. Procuramos manifestar o poder da benevolência para melhorar as condições dos outros.

Uma vez que as encarnações acontecem diariamente em todo o mundo, damo-nos conta de que o espírito em manifestação é um processo sem fim e que o Princípio de Luz, encarnada, está implicado em todo nascimento nesse plano. O darmos presentes nessa época do ano é a nossa dramatização da homenagem ao Divino, que se manifesta através de miríades de formas pelo ciclo inteiro de evolução, e nossas expressões de amizade e boa-vontade para com nossos irmãos e irmãs constitui nosso reconhecimento de que eles são expressões da luz divina e do amor divino.

A realidade do Natal só pode ser perpetuada se funcionamos diariamente nessa consciência – nunca perder de vista a luz essencial em todos os outros seres humanos. A contínua expressão de tal consciência torna cada vez mais evidente o sentido subjacente do que foi dito: “Ele veio para que o Reino da Paz e da Justiça fosse estabelecido na Terra”. Como com o Mestre, assim também conosco; todos somos agentes desse poder iluminador e transfigurante; nossa reverência pela Criança, por Seus pais humanos e pelas Hostes Angelicais é nossa reverência ao amor e à luz que nos envolve a todos.

 

CAPÍTULO VI – A REGRA DE OURO

 “Façais aos outros o que quereis que eles vos façam”

Esse Grande Mandamento foi dado como uma diretriz para conduta a fim de que a humanidade pudesse se conscientizar da ação da Lei universal da Causa e Efeito em suas experiências, seus relacionamentos e negócios. Aderindo-se a ele, apela-se de tal modo para o instinto de conservação que a consideração ao bem-estar, à felicidade e ao sucesso de outra pessoa é estimulada, e os desejos naturais, normais, de realização do indivíduo são estendidos à oitava superior de realização do eu e do “outro eu” – que significa “todas as pessoas”.

Na consideração do “eu e o outro eu”, vamos reescrever, rapidamente, esse Mandamento: “Eu faço aos outros; assim eles fazem a mim” e combine essa frase com o seguinte mandala simples: um círculo com o diâmetro horizontal; o símbolo do Signo de Áries no ponto que corresponde ao Ascendente; o símbolo do Signo de Libra no ponto correspondente à sétima cúspide.

Coloque a ponta de um lápis na cúspide de Áries enquanto você diz “Eu faço”; enquanto diz “aos”, corra com a ponta do lápis em volta da circunferência da roda passando (pelo que seriam) as cúspides das 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª Casas, chegando à cúspide da 7ª Casa,  quando você disser “outros”; permanecer aí enquanto você diz “assim eles fazem”; corra, com a ponta do lápis, o semicírculo superior – as cúspides das 8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª Casas, enquanto você diz “a” e alcance outra vez o Ascendente, quando você disser “mim”.

Repita essa operação várias vezes para alertar sua consciência a uma maior compreensão do funcionamento contínuo e rítmico da Lei de Causa e Efeito na evolução humana; resumindo, você está representando, como um filme, a Regra de Ouro.

O diâmetro horizontal da roda o horóscopo é uma das mais importantes fases da simbologia astrológica, porque ele é o “arqui-símbolo” de coisas tais como: a essência oculta do Aspecto Oposição; a representação do “eu” e dos outros “eu’s”; a ilustração da ação e reação , a força e a contraforça; o casamento como uma fusão das qualidades e expressões masculinas e femininas do relacionamento amoroso; o casamento como a atração magnética entre os indivíduos e qualquer ou todo modelo de relacionamento, quer sejam individuais ou coletivos; o desafio ao eu separativo  pelas forças vibratórias que buscam descristalizar a separatividade em prol da Vida e Consciência mais amplos por meio da união, do intercâmbio e da miscigenação; o reflexo da imagem do indivíduo por meio de sua reação sentimental àqueles que o complementam, quer não regenerada quer regenerada; é a representação astrológica da Lei física cujo enunciado começa assim: a toda ação corresponde uma reação e em sentido contrário ; em termos físicos, essa é a maneira da Vida estabelecer equilíbrios nas pressões e tensões.

Uma vez que os Astros são os focos ativos dos princípios, e as posições e Aspectos astrais descrevem a nossa consciência individual dos princípios, então fica demonstrado claramente que todo foco astral tem sua contraparte no grau zodiacal oposto à sua posição no horóscopo natal. Preste muita atenção: isto lhe ajudará a entender muito mais claramente por que certas pessoas que não podem ser identificadas especificamente pelos padrões de sua 7ª Casa podem aparecer – e em suas reações sentimentais – como suas contrapartes. Algo em suas Cartas pode estar oposto a um ponto em suas configurações astrais. Em outras palavras, o Astro da outra pessoa pode servir para refletir a contraparte de alguma coisa em sua própria Carta. Ela é então, em parte, um reflexo de você mesmo, quer para puxá-lo mais para baixo em suas congestões – por reações de tentação, fricção e inimizade – quer pelas qualidades regeneradoras dela, para erguê-lo de suas congestões ao amor e idealismo.

Desde que EU SOU e EU FAÇO compreende a “canção do eu individualizado”, conforme ilustrado pelo Ascendente do horóscopo abstrato, a Regra de Ouro se refere especificamente ao “ser e fazer” da humanidade. É o começo do percurso em volta da roda pelos padrões de experiência e níveis de desenvolvimento. A Regra diz, de fato: a vida é para ser vivida; vou lhe mostrar como ela pode ser vivida em termos da neutralização de atritos internos e do estabelecimento de harmonias e integrações a cada passo do caminho. Vejamos como o mandala pode ser ampliado para ilustrar a Regra através da roda.

Acrescente os outros diâmetros, formando assim as doze Casas. Acrescente os símbolos dos Signos às cúspides das respectivas Casas (de Áries a Peixes).

Execute o “ritual” de recitar a Regra – conforme o fizemos com o diâmetro Áries-Libra – começando com cada cúspide, uma vez. Por exemplo, quando você “começa o filme” em Touro está impressionando sua consciência com o valor da Regra como uma base subjacente de conduta em todas suas experiências pertinentes à administração material e intercâmbio financeiro e para com todas as pessoas envolvidas em sua vida por meio dessas experiências. E assim com todas as outras Casas e Signos; a Regra dirige sua conduta no relacionamento com todas as pessoas que figuram como “expressões vibratórias” em seus padrões de experiência – passados, presentes e futuros.

Como cada ponto zodiacal nos seis primeiros Signos do horóscopo abstrato tem sua contraparte no ponto oposto, sugere-se o seguinte como exercício para que você fique mais familiarizado com o “padrão de oposição”. Ponha a ponta do lápis na cúspide da 1ª Casa e percorra com ela o diâmetro horizontal dizendo: “Áries é a contraparte de Libra”; gire, então, a roda de modo que Libra fique no Ascendente e percorra novamente o diâmetro dizendo: “Libra é a contraparte de Áries”. Continue esse procedimento com cada par de Signos opostos até que cada par se estabeleça em sua mente como “as duas partes da mesma coisa” ao invés de “duas coisas diferentes”.

Cada um dos doze Signos é, então, visto como um ponto de partida em potencial para uma jornada em volta da roda. As cúspides das doze Casas – quando o horóscopo é construído – formam o que parece ser seis diâmetros; realmente a ação cíclica da “vida dentro da roda” indica doze diâmetros representando a ação de polaridade do horóscopo como uma imagem da Lei de Causa e Efeito em ação através da evolução humana. Esses diâmetros não são completos em si mesmos até que o retorno seja feito, já que cada um é simplesmente um atalho entre um ponto zodiacal e seu oposto; os dois opostos formam um segmento estrutural sobre o qual o círculo completo é construído. Portanto, de Áries a Libra e de volta a Áries – via diâmetro – é a representação do atalho da viagem em volta da roda desde Áries até Libra e desde Libra até Áries, pela circunferência do horóscopo. A ação cíclica está implicada em ambos os percursos.

Em virtude de pormos o conhecimento astrológico a serviço de uma iluminação específica ou do objetivo de regeneração, devemos aprender como aplicar ao horóscopo individual essas representações dos “pontos zodiacais e suas contrapartes”. Em outras palavras, devemos procurar sempre tornar práticas nossas conclusões filosóficas – na interpretação astrológica ou no viver.

Devemos aprender a reconhecer nossos padrões de consciência identificando nossas reações a outras pessoas e sincronizando essas conclusões com os quadros em nossos horóscopos. Quando isso é alcançado – se o for – temos aplicado nosso conhecimento astrológico no uso construtivo e prático para transcender as reações de inveja, ódio, ciúme, medo, etc. de nossas Mentes e Corações. Não podemos amar ao nosso próximo (a humanidade) enquanto tais qualidades permanecerem em nosso “interior”. Não amar (a Luz interna) nosso próximo significa não cumprir. Sua Luz também é a luz dele, e as sombrias congestões da reação degradante devem ser dissipadas, se a Luz em você mesmo e nele se converter numa realidade vivente em sua consciência. Portanto, vamos estudar nossas Cartas natais a partir desta base de “contraparte” e chegar a uma compreensão mais clara do fato de que nossas reações aos outros formam o barômetro vibratório de nossa Consciência; abordaremos este estudo renovando a nossa percepção de que os Astros são expressões dos princípios; portanto eles são a “benevolência da Vida em ação”; o propósito de nossa vida é aprender como viver esses princípios como desenvolvimento de potenciais divinos.

A vida nos dá muitas oportunidades para lidar com cada padrão astral, e essas oportunidades nos são apresentadas por meio de nosso contato com outras pessoas cujas configurações astrais se sincronizam com as nossas diferentes maneiras. Agora nos interessa os “problemas”, portanto vamos tratar de “contraparte” do Aspecto Oposição.

Até o momento de você reconhecer que a sua Luz e a Luz da humanidade são uma só, você tende a “classificar” as outras pessoas principalmente de três maneiras:

  • a má – aquela que estimula suas não regenerações;
  • a má-boa – aquela que estimula tanto as suas não regenerações quanto suas regenerações;
  • a boa – aquela que você ama porque estimula somente o melhor de sua consciência.

O “envoltório” não importa – relacionamento, sexo, idade, nós estamos considerando agora o “outro indivíduo” apenas como um mecanismo vibratório, expressando-se na encarnação humana, como um fator em sua experiência vibratória.

Reconheça que todo Aspecto Oposição entre Astros em sua Carta forma um padrão de polaridade ativo; até que esses elementos na consciência sejam harmonizados por cada fator regenerador prevalecerá uma condição de cabo de guerra. Qualquer pessoa que entre em sua vida de modo significativo, e cujo Regente – Astro Regente do Signo Ascendente – esteja em Conjunção com um dos seus Astros em Oposição, é pessoalmente identificada por essa vibração astral em sua consciência e se ajusta a sua vida em uma das três classes acima mencionadas. Qualquer pessoa que tenha qualquer outro Astro que não seja o regente da Carta em Conjunção com um de seus Astros em Oposição pode ser tida como uma identificação secundária ou variação daquela vibração. Não importa como a outra pessoa seja identificada, ela está em sua vida para lhe dar uma oportunidade de regenerar sua expressão dos dois Astros em Oposição; estimulação de um, automaticamente, estimula o outro. Se o Astro dela está não regenerado na qualidade, então a lição é clara: você deve usar o princípio espiritual representado por aquele Astro com o objetivo de harmonizar e realizar com êxito o relacionamento. Se o Astro dela é “adverso/bom”, em qualidade, então você deve expressar o melhor de ambos os seus Astros em Oposição – em outras palavras, você deve fundir os melhores elementos de ambos os Astros para estabelecer maior harmonia com todas as condições astrais dela, condições essas representadas por aquele Astro em particular. Se o Astro dela está inteiramente regenerado, então ela é um “agente” para fazê-lo cônscio do melhor do Astro especial em seu padrão com o qual ela se identifica e ajudá-la a expressar o melhor do outro Astro de sua Oposição. Se o Astro dela estiver regenerado, ela será sua “amiga”, pois sua qualidade estimula você a expressar sua Luz; se for o contrário ela será seu “tentador”.

Por conseguinte, uma vez que o Aspecto Oposição parece antagonizar os dois Astros entre si, a solução é não “manipular um Astro às custas do outro”. A solução se encontra em transladar ou transpor para uma oitava mais elevada a qualidade da expressão astral, se redimindo, assim, a fraqueza significada pela congestão, e o atrito da ignorância para uma maior expressão de Luz. Isso pode ser feito por diferentes abordagens:

  • usando-se a qualidade regenerada de um terceiro Astro que faça Aspecto benéfico – por Trígono ou Sextil – com os dois Astros em Oposição;
  • usando-se as qualidades regeneradoras dos Astros que dispositam[14] – regem os Signos em que se situam os dois Astros em Oposição;
  • translado direto – pela aplicação da Regra de Ouro – das qualidades dos dois Astros em Oposição.

Isso é uma disciplina filosófica direta, uma vez que as qualidades dos dois Astros são projetadas dinamicamente do seu “centro de Luz”.

Na ilustração acima, o Astro de auxílio que ajuda a Oposição pode estar congestionado por um aspecto de Quadratura dado por um quarto Astro. Se o caso é este, preste muita atenção ao ponto zodiacal que é oposto ao Astro de auxílio. Qualquer pessoa em sua vida cujo Regente esteja dentro da órbita desse ponto será como, por meio de suas qualidades regeneradas, um símbolo vivo do “Eu superior” do Astro de auxílio. Estude cuidadosamente esta pessoa. Por que você a ama? Como ela elevará você? Por que você sente que precisa dela? A resposta é claramente mostrada pela astrologia e pode ser percebida no relacionamento pessoal; o melhor desta pessoa é o eu superior do Astro que torna possível uma regeneração dos seus dois Astros em Oposição. Esta pessoa é pessoalmente identificada como uma de suas “indicadoras da Luz” nessa encarnação. Não perca um só momento do seu tempo invejando tal pessoa; procure imitar o bem que existe nela, tanto quanto for possível. Assim fazendo, você estará aprendendo do seu próprio eu superior. Cultive, assiduamente, em sua própria natureza toda qualidade que inspire naquela pessoa sentimentos de amor e respeito por você; deste modo, a Luz dela se mistura com a sua Luz em um “matrimônio do plano interno” e as luzes fundidas de ambos é acrescentada à expressão de Luz da humanidade.

A pessoa cujo Astro primário (Regente da Carta), ou secundário, forma Quadratura com seus Astros em Oposição é também sua professora, mas em um “nível” diferente. Se a qualidade astral dela é negativa, seu efeito em você é acender ou friccionar a qualidade negativa de seus Astros em Oposição. Tal pessoa proporciona a você um exame rigoroso de sua habilidade para regenerar sua Oposição; os negativos dela tendem a “pegar nas mãos dos seus Astros em Oposição e arrastá-los consigo em direção à sua própria descida”; como os Astros dessa pessoa podem formar Quadraturas com a sua Oposição a partir de dois pontos – os Signos que forma Quadratura com a sua Oposição – não é factível que os Astros em sua própria Carta e que regem os Signos da Quadratura possam ser o poder vibratório pelo qual você pode se livrar do “efeito” da influência degradante dessa pessoa sobre você? Em outras palavras, pelo uso das expressões regeneradas desses dois Astros em sua própria Carta você se livra dos padrões dela e estabelece sua própria contraparte regenerada. Assim ela não mais aparece como sua inimiga, porque você elevou a uma oitava superior de expressão a qualidade vibratória que tem em comum com ela, e assim fazendo você faz de você mesmo – se o padrão de relacionamento é de intimidade – uma “Luz” para regeneração do Astro dela. Você estabelece um “soerguimento” para si próprio, mas também estende o soerguimento ao próximo e o processo regenerador resulta na formação de um “círculo completo” – que a inclui – simplesmente não se detendo na sua regeneração. A pessoa cujo Regente ou Astro descongestionado forma Quadratura com a sua Oposição tem o efeito de “freios” sobre você; a qualidade vibratória dela serve para protegê-lo de continuar em seu caminho fricativo ou degradante. Consciente ou inconscientemente ela serve para lhe mostrar o erro de seus passos. Como vocês são duas pessoas, este Astro em sua própria Carta expresso, regenerativamente, é a maneira da sua Luz “dar as mãos à Luz dela”. Em outras palavras, a vibração astral retira a aflição dela e alerta você para aquilo que em sua própria natureza contrabalança, regenerativamente, sua Oposição. Torne-se receptivo, em consciência, ao bem que existe nesta pessoa; ela é sua amiga, sua professora, sua guia, sua indicadora de caminho; ela não é – conforme você pode tender a sentir subconscientemente – sua inimiga ou antagonista. Dê as mãos a essa pessoa num gesto de boa vontade para aprender dela, assim o poder dela será visto como um meio de elevar seus Astros em Oposição a uma oitava superior de expressão.

Outra forma de “contraparte” é observada quando você contata uma pessoa que tem dois Astros em Trígono, os quais você os tem em Quadratura ou Oposição. Isso pode ser chamado de “contraparte da qualidade do Aspecto”; ela “complementa” você ao representar um cumprimento regenerado de algo em sua consciência que precisa de regeneração. Essa pessoa, então, prenuncia o cumprimento que você, cedo ou tarde, há de efetuar. Se, de modo particular, um dos Astros dela em Trígono estiver em Oposição a um dos seus em Quadratura, ela representará uma personificação do seu próprio Eu Superior; então, por qualidade do Aspecto e padrão de polaridade, ela faz sua contraparte em um nível mais elevado de expressão. Se ela tem qualquer Astro em Trígono dando Oposição a um Astro sob Quadratura em sua Carta, aquele Astro, em sua qualidade regenerada, é contraparte de seu Aspecto. Atente para aquele Astro em sua própria Carta e providencie, do interior de sua própria Carta e de sua própria consciência, a redenção e regeneração de sua Quadratura.

Meditemos mais e mais sobre o grande princípio da polaridade, não sob o ponto de vista de nós mesmos “versus” todos os demais, mas sob o de que todos somos reflexos uns dos outros. O pior e o melhor de cada um são complementado pelo melhor e pelo pior dos outros; o reconhecimento estabelecido, na consciência, de nossa participação conjunta na LUZ BRANCA única é o objetivo de todos.

 

CAPÍTULO VII – O ASTRÓLOGO ESTADUNIDENSE

O horóscopo dos Estados Unidos da América:

10ª Casa – Aquário, 14º;

11ª Casa – Peixes, 13º;

12ª Casa – Áries, 23º;

Ascendente – Gêmeos, 7º;

2ª Casa – Câncer, 1º;

3ª Casa – Câncer, 21º.

Astros:

Urano – Gêmeos, 9º;

Marte – Gêmeos, 21º;

Vênus – Câncer, 3º;

Júpiter – Câncer, 6º;

Sol – Câncer, 13º;

Mercúrio – Câncer, 24º;

Cabeça do Dragão – Leão, 7º;

Netuno – Virgem, 24º;

Saturno – Libra, 15º;

Plutão – Capricórnio, 27º;

Lua – Aquário, 18º.

Mercúrio em Câncer é o Regente da Carta, e o poder numérico cinco (a soma dos algarismos representados por 4 de julho de 1776) é o número de Mercúrio. Os três principais poderes astrais são, em ordem de valor relativo:

1) Lua em Aquário;

2) Mercúrio em Câncer;

3) Urano em Gêmeos.

Todos os outros Astros, por disponente[15], estão relacionados à Lua (Vênus, Júpiter e Sol em Câncer, Saturno em Libra, Plutão em Capricórnio, nenhum Astro em Touro, Sagitário ou Leão) e a Mercúrio (Marte em Gêmeos, Netuno em Virgem; nenhum Astro em Áries ou Peixes).

A “regência pessoal” por Mercúrio designa essa nação como uma “mensageira dos deuses”, no sentido de que os Estados Unidos da América têm, como propósito evolutivo, a fusão de raças, nacionalidades e religiões para a gestação da Era de Aquário. Nós encarnamos aqui nesse tempo – durante os últimos 174 anos – para aprender mais sobre os princípios da vida em termos de nossa natureza arquetípica como humanos. Somos, em virtude de nosso Ascendente em Gêmeos e Mercúrio na 3ª Casa, um composto de Estudantes da vida, uma síntese nacional de relações de irmandade entre seres humanos. O Regente da Carta focaliza a identidade do Ascendente no Signo da 3ª Casa, Câncer; a terceira cúspide é, portanto, o Ascendente vibratório; seu Regente, a Lua em Aquário, é o regente vibratório, Câncer é a “matriz”, “semente”, o “ninho”, “mãe”, “envoltura”, “proteção do imaturo, do embrionário e daquele em crescimento”. O diâmetro Câncer- Capricórnio é o diâmetro vibratório dos pais, e nessa Carta seus Regentes, a Lua em Aquário e Saturno em Libra (Exaltado), Signos Fixo e Cardeal da triplicidade de Ar, estão em Trígono entre si. Aquilo que está em gestação – a Raça da Nova Era – amadurecerá na aristocracia espiritual da democracia verdadeira e viva se, repito se, certas realizações vitais forem executadas por cada indivíduo progressista. O padrão da Lua em Trígono com Saturno é ampliado por Urano em Gêmeos (Conjunção com o Ascendente), Trígono com Saturno e por Marte em Gêmeos, Trígono com Saturno e Lua. Temos aqui um grande Trígono formado por quatro Astros e o Ascendente nos Signos das três oitavas da fraternidade, como o “paralelismo em relacionamento humano”.

Em virtude da Carta ter um grande Trígono como seu padrão astral básico, fica demonstrado que essa nação está provida de um pábulo espiritual, destilado a ser usado em progressivas – e necessárias – regenerações para cumprir seu propósito evolutivo especializado. O “pábulo” é o resíduo da consciência de cada indivíduo que encarna como um cidadão americano, ou quem, por qualificação evolutiva, se torna um cidadão americano por meio da naturalização.

Como a “horizontal vibratória” (terceira e nona cúspides) da Carta é o diâmetro da educação (terceira – aprendizado, nona – ensino), fica demonstrado que somos um composto de Estudantes da vida e professores da vida.

Esse diâmetro está focalizado pela Oposição de Mercúrio em Câncer a Plutão em Capricórnio, e o significado dessa Oposição – como um “padrão de consciência” – é revelar o tempo para regenerar a “mente prática” a uma oitava de “espiritualidade prática”.

Essa Oposição é “canalizada” por Netuno em Virgem, uma vez que Netuno forma um Sextil com Mercúrio e um Trígono com Plutão. Netuno não é apenas Regente da 11ª Casa, mas está no Signo e Casa de sua própria polaridade, Virgem, 5ª Casa. O autor entende que essa posição de Netuno, em virtude da 5ª Casa estar no semicírculo inferior da roda, é um dos fatores mais significativos em toda a roda. Está “dispositado” pelo Regente da Carta e em Sextil (o “mecanismo da alquimia”) com ele. É o ideal de fraternidade que deve ser realizado, mais cedo ou mais tarde, por cada americano, individualmente, e expresso como um fator daquilo que está implicado em “ser um americano”. O posicionamento de Netuno na 5ª Casa é irradiação pessoal do poder do amor, e, provavelmente, em nenhuma outra nação o ideal de fraternidade é mais enfatizado no padrão de vida familiar. Democraticamente, os americanos estão inclinados a reconhecerem e respeitarem a individualidade dos filhos e a relação fraternal entre membros dos grupos de famílias é, definitivamente, uma transcendência da “velha imagem” da rígida hierarquia de família, em que os filhos não eram companheiros dos pais de família, mas sim subordinados deles. Devido a Mercúrio reger a 5ª Casa e também o Ascendente, reconhecemos que como pais os americanos dão uma contribuição dinâmica à evolução espiritual do nosso plano nacional ao quererem aprender das experiências de seus ancestrais, que seus filhos estudem e estudar com seus filhos. A onda de interesse pela psicologia infantil nesse país é a evidência desse Aspecto planetário em ação – e são os pais com propensão democrática que constituem a vanguarda dessa atividade. Que os pais e filhos americanos sejam companheiros e amigos entre si – como uma expressão do Poder do Amor – é uma antecipação daquilo que vai ser estabelecido na Nova Era.

Por meio dos ensinamentos ocultos, temos informações de que os americanos progressistas dessa era seguem o curso de sua descendência evolutiva desde antigas encarnações no Egito. Uma característica dessa antiga civilização iluminada era que os sacerdotes-iniciados e os reis-sacerdotes não foram “apenas regentes” de seus súditos – eles foram pais espirituais. O ensino espiritual aos cidadãos estava disponível a todos – a qualquer hora. Somente o valor espiritual qualificava um homem ou uma mulher para funcionar como um guia espiritual naqueles tempos – todos os aspirantes eram provados ao máximo para demonstrar suas qualificações como professores, videntes, curadores, “vigilantes”, “guerreiros nos planos internos”, etc. Todos eram fraternais a esse respeito, não importando o plano de desenvolvimento; todos eram “Estudantes da vida”, que tinham de se qualificar por meio de exames para cumprir os padrões de serviço espiritual. Portanto, a fraternidade de pais e professores americanos com os filhos e Estudantes é a canalização, por Netuno, do posicionamento de Mercúrio em Oposição a Plutão da terceira para a nona Casa. Os pais focalizados nesse ideal de relacionamento são aqueles que mais claramente se qualificam para fornecer a encarnação das personalidades da Nova Era.

O astrólogo, como um fator contributivo na vida espiritual dessa nação, está basicamente mais no “raio da filosofia” do que no da “religião devocional”. Ele pode ser protestante, hebreu, católico, ou seguidor de qualquer outra forma de devoção, no que diga respeito ao seu “molde religioso” imediato, mas seu foco de atenção é o estudo dos princípios da vida através de símbolos. O Planeta Urano, Regente do Signo de Ar e Fixo Aquário, é o significador planetário daqueles elementos da consciência que capacitam um ser humano a “se tornar um astrólogo”. Como um Signo Fixo, Aquário é um dos pontos estruturais do quadrado de recursos; como Signo de Ar, ele é um dos pontos estruturais do triângulo da consciência fraternal. Sua quadruplicidade se inicia por sua própria polaridade, Leão (Signo de Fogo), princípio do Poder irradiante do Amor; sua triplicidade se inicia pelo Signo Cardeal de Ar Libra, arqui-princípio da complementação reflexiva.

Dinamicamente, Aquário é o potencial de amor liberado para expressão universal; reflexivamente ele é a percepção do potencial de amor de todas as pessoas, o que chamamos de “espiritualização da fraternidade”. A “parte de Leão em você” o alerta para seus atributos como uma expressão do amor divino; a “parte de Aquário em você” o alerta para sua capacidade de expressar ilimitadamente esse potencial, e percebê-lo eternamente como um atributo de todo ser humano. A “Psicologia” (que também é designada por Urano) é o “estudo da alma”, ou o “estudo das leis da alma”. O que é a alma senão a destilação de passadas expressões de amor? A “Psiquiatria” é o estudo dos efeitos da congestão de poderes anímicos nas oitavas do desejo – uma função semelhante à de Gêmeos, de estudar uma especialização da Lei de Causa e Efeito. O psicólogo lida com a “parte Leão-Aquário em você”; o psiquiatra com a “parte Touro-Escorpião em você”.

É interessante notar que na Carta dos Estados Unidos não há Astros em Touro-Escorpião; esse diâmetro está interceptado na 12ª Casa e 6ª Casa. A Carta contém, contudo, uma ênfase muito pronunciada nos padrões da 2ª Casa: o Regente, Mercúrio, no Signo da sua própria 2ª Casa; Vênus, Júpiter e Sol na 2ª Casa; Vênus dignificado, por posição; a horizontal vibratória (terceira e nona cúspides) está duplicada nas segunda e oitava cúspides, e a Lua, como Regente vibratório da Carta, é o principal significador astral; os outros dois significadores astrais são, em ordem de significação, Mercúrio e Urano. Vênus “disposita” Saturno em Libra, que forma Quadraturas com Júpiter e Sol na 2ª Casa. As violações do Princípio da Administração de materiais e dinheiro é um dos destacados fatores que originam a condição psiquiátrica dos indivíduos americanos. A intensa compressão de atenção na avaliação por critérios financeiros com seus consequentes complexos, tensões, ansiedades e neuroses sexuais (a consciência sexual está atada de pés e mãos pela consciência de posse, porque o diâmetro Escorpião-Touro é a polaridade), resulta no elevado índice atual da população de hospitais psiquiátricos. Tais pessoas aflitas trazem à presente encarnação, resíduos congestionados de muitas encarnações passadas, de avaliação materialista da vida. Contudo, a encarnação americana é indicativa de um tempo para evoluir dessa avaliação ilusória, se preparando para a avaliação de fraternidade da Nova Era. Está nas mãos dos astrólogos americanos alertar as pessoas para o significado da administração de coisas materiais e intercâmbio equilibrado como princípios de vida. Sempre que uma pessoa procura orientação de um intérprete ou analista astrológico sobre “dinheiro, lucros, propriedades e investimentos” ela está, em suas mais altas motivações, procurando realmente uma compreensão mais clara do princípio do equilíbrio por trás dessas coisas. Que todo astrólogo praticante que leia essa matéria refresque sua percepção dessa verdade. Não ousamos contribuir para a fraqueza dos outros, lhes satisfazendo o desejo de informações a respeito de “dias bons e maus para negócios financeiros”. Aspiramos mais contribuir para o fortalecimento deles alertando-os para os princípios da vida quimicamente expressos por meio do intercâmbio, do sistema monetário, da permuta, do investimento, etc. Todos os dias são bons para a expressão do princípio; quando o Princípio do Equilíbrio está compreendido, o exercício financeiro se torna um canal dador de vida para o bem da sociedade, da nação e da raça de um modo geral.

Em virtude de os cidadãos americanos, como crianças, desfrutarem do intercâmbio e crescimento mútuos com crianças originárias de muitas nações, reconhecemos que o poder de Aquário na Carta dos Estados Unidos, indica cada astrólogo americano como um “ponto de estrutura” no edifício do entendimento internacional. O astrólogo que funciona com a consciência iluminada de Branco, sabe que os “traços nacionalistas” são especializações coletivas temporárias da personalidade humana. Devido a que tanta gente vive congestionada em padrões de destino maduro de medos, animosidades e atritos nacionalistas e raciais, é privilégio do astrólogo, que também é um cidadão americano, alertar a consciência de seus irmãos e irmãs para o fato de que a identidade de ninguém é “nacional”, mas sim “vibracional”. Interessante exemplo de alquimia é mostrado na Carta dos Estados Unidos da seguinte maneira: Netuno, Regente da 11ª Casa, está em Quadratura com Marte em Gêmeos, mas em Sextil com o Regente da Carta, Mercúrio, que “disposita” a ambos os Astros. Quando nossas simpatias internacionais são tocadas, abrimos nossos lares, nossas carteiras e nossos recursos àqueles que precisam. Quando nossos preconceitos nacionais localizados são tocados, tendemos a esquecer que todos os americanos são concidadãos, e então expressamos animosidades baseadas em diferenças externas (Marte, Regente de Áries, Signo da 12ª Casa) de “cor, superioridade, inferioridade”, etc. Uma vez que o Regente do Ascendente e da quinta cúspide é o agente alquímico para a Quadratura Marte-Netuno, cabe, individualmente, a cada cidadão americano descristalizar os resíduos de preconceitos e ódios nacionalistas e de casta. Cada um deve fazer para si próprio a este respeito, em virtude mesmo do fato de que a democracia – no sentido espiritual da palavra – reconhece o direito do indivíduo de exercitar seus potenciais, de cometer seus próprios erros e de aprender com os resultados desses erros. A Lua em Aquário, como Regente vibratório da Carta, nos diz que uma profunda compreensão de nossa identidade exotérica, como “Terráqueos”, é a chave que devemos usar para desintegrar aqueles traços negativos de orgulho nacionalista, rivalidade destrutiva, violação dos princípios de intercâmbio e princípios da administração, etc., para que os requisitos uranianos do Meio-do-Céu possam ser cumpridos. A qualidade de “cadinho” da cidadania e civilização americanas é a identidade microcósmica terráquea em gestação. O astrólogo americano, a quem em seu serviço é o poder de Urano em ação, muito pode fazer para ajudar aos outros a esclarecerem suas consciências sobre o significado da “nacionalidade” como um “mecanismo modelador” evolutivo.

Em outras palavras, devido ao fato do Regente da Carta reger também a 5ª Casa e o Signo de Leão estar na quarta cúspide (a “base psicológica”), as posições de Mercúrio e Sol, em Câncer, identificam o princípio de nutrição da vibração do amor como o impulso esotérico por trás dessa gestação de “identidade” terráquea. Aquário, devido a Urano estar em Trígono com Saturno (regente da 8ª e 9ª Casas) é o objetivo esotérico a ser cumprido. O Sol está em Quadratura com Saturno nessa Carta; cegueira, quanto aos valores filosóficos, impele a um excesso de atenção para os valores monetários como compensação. Pense sobre isso à luz dos fatos históricos. Orgulhamo-nos de ser a nação mais rica do mundo, mas com toda justiça não podemos sentir outra coisa a não ser vergonha pelo modo com que temos administrado mal os nossos vastos recursos. Inversamente, contudo, a adesão aos princípios de administração inteligente e previdente seria uma demonstração de verdadeiro poder, porque então a Luz Branca do Sol combinaria com a Luz Branca de Saturno como cumprimento do “poder da responsabilidade de administração”.

Outro fator dos mais importantes nessa Carta é o Signo de Libra na sexta cúspide; Vênus, seu focalizador, está na 2ª Casa, em Conjunção com Júpiter, o qual, com o Sol, recebe uma Quadratura de Saturno. Libra é o arqui-símbolo do Princípio do Intercâmbio por cooperação, então vemos que a cooperação como um fator de nosso padrão de trabalho nacional é um “dever” se nós percebemos o ideal da verdadeira abundância. Vênus é um resultado, a destilação das qualidades da expressão de energia; quando a cooperação entre os iniciadores do trabalho (empregadores) e os instrumentos do trabalho (empregados) não se apoiam numa base de bem mútuo, então o poder de Vênus é desmagnetizado, com o consequente enfraquecimento do poder de Saturno. Júpiter, como Regente da 7ª Casa, em Conjunção com o Sol e ambos em Quadratura com Saturno, se converte no “oponente” – as satisfações ilusórias da cobiça material. Júpiter negativo é “ganância”, como um foco intenso sobre compensações ilusórias para as perdas reais. Isto se converte no estabelecimento de uma falsa segurança por meio da abundância ilusória. Individual ou coletivamente nós não possuímos qualquer coisa material – exercitamos sim nossos intelectos e consciência como trabalhadores administradores.

Além disso, Netuno em Virgem, está em Quadratura com Marte e retrata os defeitos de consciência, tanto dos empregadores quanto dos empregados no que tange aos princípios de serviço. Quando Netuno, como Regente da 11ª Casa, é contaminado por um Marte negativo, o objetivo Aquariano do Meio-do-Céu é impedido de cumprimento. Enquanto o lema “Capital versus Trabalho” for interpretado como uma realidade, essa Quadratura – como uma congestão na consciência nacional – há de prevalecer. O Sextil de Mercúrio, Regente da Carta, a Netuno, mais Libra na sexta cúspide, ordena que todo trabalhador cidadão americano, quer empregador quer empregado, seja encarregado evolutivamente de exercitar o princípio do serviço amoroso cooperativo em trocas equilibradas. O empregador que se baseia negativamente, por ignorância, na exploração se desqualifica como identidade criadora de “empresário”; o empregado que se baseia na “falta de princípio” do não melhoramento se desqualifica para promoções – ele adia o tempo de se qualificar como um funcionário criativo ou administrativo.

Nesse país, o astrólogo que se focaliza no contínuo esclarecimento de sua consciência quanto aos princípios da vida, tem um serviço evolutivo especializado para contribuir com a raça nesse tempo “modulador, de gestação”. Nos Estados Unidos ele pode lidar com quase todo tipo de camada social evolutiva, todo tipo de padrão de retorno de destino maduro e, em virtude da re-polarização do arquétipo durante o século passado, ser capaz de contribuir para o esclarecimento dos princípios de relacionamento por meio da compreensão ampliada dos princípios pertinentes à nossa natureza sexual e genérica. Ele próprio – mediante seus atributos como uma “identidade Uraniana” – representa uma identidade Terráquea microcósmica, não apenas porque é um habitante desse Planeta, mas porque a impessoalidade de seu ponto de vista, de sua esfera de percepção, da radioatividade do poder de amor de Urano, o qualifica, em certa medida, para personificar o Ser Humano da Nova Era.

[1] N.T.: Veja mais sobre astrologia horária no Livro Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[2] N.T.: É o estudo das origens, evolução, distribuição e futuro da vida em um contexto cósmico.

[3] N.T.: Veja mais sobre astrodiagnose no Livro Astrodiagnose – Um Guia para a Cura – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[4] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[5] N.T.: conhecido antes do quinto ano de seu reinado como Amenófis IV ou em egípcio antigo Amenhotep IV, foi Faraó da XVIII dinastia do Egito que reinou por dezessete anos e morreu em 1336 ou 1334 a.C.

[6] N.T.: Joan Marshall Grant Kelsey (1907-1989) foi uma autora inglesa de romances históricos e uma reencarnacionista.

[7] N.T.: Ou bramanismo ou brahmanismo é a antiga filosofia religiosa indiana que formou a espinha dorsal da cultura daquela civilização por milênios. Se estende de meados do segundo milênio a.C. até o início da era Cristã. Persiste de forma modificada, sendo atualmente chamada de hinduísmo.

[8] N.T.: Rainha Elizabeth I (1533-1603) ficou conhecida como “Isabel, A Rainha Virgem” por nunca ter se casado e não ter deixado herdeiros. Sob seu reinado a Inglaterra se tornou a maior potência econômica, política e cultural da Europa: “Era de Ouro” inglesa.

[9] N.T.: O Levante, Rebelião ou Guerra dos boxers (1899-1900), chamado também de Movimento Yijetuan, foi um movimento popular antiocidental e anticristão na China.

[10] N.T.: Valentine’s Day – o Dia dos Namorados

[11] N.T.: Halloween – conhecido como Dia das Bruxas – é uma celebração popular de culto aos mortos.

A popularidade do Halloween é maior em alguns países de língua anglo-saxônica (especialmente nos EUA), cujo significado se refere à noite sagrada de 31 de outubro, véspera do feriado religioso do Dia de Todos os Santos. Antigamente, no dia 31 de outubro, acontecia uma vigília de preparação denominada “All Hallow’s Eve” (Véspera de Todos os Santos). Após transformações, a expressão permaneceu na sua forma atual.

[12] Segmento de Modest Mussorgsky; é ilustrado pelo demônio Chernabog que vive no alto de uma montanha, e que na noite de Halloween vem atormentar as almas de um vilarejo.

[13] Segmento de Franz Schubert; o segmento apresenta uma procissão religiosa que segue até uma capela gótica; é a continuação do segmento anterior: “Uma Noite no Monte Calvo”.

[14] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[15] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

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O Método Socrático e a Educação para a Era de Aquário

O Método Socrático e a Educação para a Era de Aquário

No advento da Era de Aquário é de principal importância a atenção que se deve dispensar à educação das crianças, preparando-as para o futuro, e não para um presente efêmero, que aliás é de uma rápida mudança e que por isso quase nem se pode caracterizar com certeza. Sabemos a Idade de Ouro que espera a humanidade e, portanto, as sementes de uma sociedade mais livre e fraterna, uma geração que sinta os valores do espírito como realidade eterna, deve aparecer diretamente com ação no plano físico. Mesmo entre nós, Estudantes Rosacruzes, deveríamos dar mais ênfase a este Aspecto, seja nos nossos contatos pessoais, quer mesmo dentro da nossa filosofia no que diz respeito à preparação de programas adequados às crianças, visando de um modo particular a atividade movimento-som-expressão, atendendo a Aspectos astrológicos como o Ascendente, posição da Lua, Vênus e Mercúrio.

Não é tarefa fácil educar plena e harmonicamente se tivermos em consideração a responsabilidade da palavra educar, e sobretudo se pensarmos que podemos atrasar ou acelerar esse aparecimento do ser humano novo, equilibrado de mente e corpo, do ser humano que possa ver em todo o conhecimento a Unidade, o sentido sagrado de todo e qualquer ato. Parece-nos, creio, ser este o ponto mais importante de educação para a Nova Era, a parte de outro: o desenvolvimento da criatividade. Esse, deveras amplo e atraente, é sempre tema inesgotável. Assim, numa perspectiva humana, criatividade será sinônimo de autêntica liberdade interior, fator epigenético por excelência, e talvez das poucas vias para um convívio fraterno aquariano sem atropelos de ideias e empreendimentos postos em ação, pois que seremos ainda mais individualizados, o que quer dizer que cada qual pensará cada vez mais por si mesmo, e só no campo criativo poderá haver maior libertação.

Ao longo da História têm aparecido pedagogos e pedagogistas que têm trabalhado para a educação. A sua preocupação básica tem incidido principalmente na questão do que é educar e quais os melhores processos e métodos, não esquecendo os estudiosos da chamada psicologia do desenvolvimento — etapas do crescimento mental-emocional da criança. Não podemos ignorar que a despeito do avanço das ideias pedagógicas, os sistemas econômicos e os governos têm condicionado certas descobertas, atropelado tal investigação ou ignorando certa iniciativa. É certo que tudo isto é um problema complexo, mas fundamentalmente sabemos que é o “pão” da idade sombria que atravessamos. Considerando esta análise, e para nosso espanto paradoxal, encontramos hoje em dia ideias e métodos de séculos passados, plenamente prontos a serem levados à prática. Mais uma vez nos certificamos que, antes de mais, tudo nasce no pensamento, variando depois o tempo e o modo como serão realizados no mundo material. Um indivíduo de hoje pode conceber algo que só venha a ser materializado séculos depois. É também o caso da expansão e vivência da Filosofia Rosacruz; sendo divulgada no princípio deste século, só agora começa a ser mais e mais reconhecida.

Tudo isto a propósito da educação e do grande pedagogo Sócrates (460-369 A.C.). O que Max Heindel aconselhou para o desenvolvimento da criança pode encontrar aplicação e harmonia no método socrático. Vamos ver sucintamente alguns pontos fundamentais desta via pedagógica. Aliás é Jäeger que na sua grande obra “Paideia”, considera esse grande educador grego (e universal por vocação) como o fenômeno mais extraordinário da História do Ocidente. Logo de início, deparamos com um aspecto interessante, tanto mais se atendermos ao fato da criança nos primeiros anos de vida pode e deve ser educada sem livros. Sócrates ensinava aos seus discípulos tomando como ponto de partida a consciência da própria ignorância; depois cada qual devia aprender por si mesmo. Relacionamos isto com a absoluta necessidade de desenvolver na criança o sentido do trabalho pessoal e consequente responsabilidade e independência; vejamos o alcance que isto poderá ter quando for adulta, se no seu horóscopo Netuno estiver “aflito”, criando condições para o assalto de espíritos-controladores. Educada de certa maneira a criança poderá ganhar confiança em si mesma, o que se adquire quando aprende à sua custa. A forma do método socrático assenta no diálogo (o qual será muito salutar na próxima Era de Aquário) e tem por objetivo a autorreflexão crítica. Apresenta duas fases: uma negativa — a ironia; outra positiva — a maiêutica. A maiêutica é coro que uma arte obstétrica, faz nascer na mente do interlocutor as verdades latentes. O Discípulo era assim encaminhado para procurar as soluções dentro de si, partindo dele próprio. Isto é de capital importância no ser humano e particularmente no Aspirante Rosacruz. A verdade oscila e vive sempre entre o mundo externo (plano objetivo) e a arquetípica realidade interior no Mundo do Pensamento (chamada de plano subjetivo, embora seja esta a real). Os Discípulos e Aspirantes da Escola Rosacruz sabem da imperiosa atitude que se deve ter em relação a atitude mental: partindo da ignorância e humildade, procurar a verdade (Lei) dentro de si, admitindo todas as coisas como susceptíveis de acontecer. Desta analogia entre o método socrático e o caminho do desenvolvimento espiritual, concluímos que o caminho preconizado pelo pensador grego leva necessariamente ao aparecimento de uma pedagogia ativa interior. Não devemos confundir o método, como técnica que é, com a divulgação de valores ideológicos que podem ser transmitidos através daquele. Portanto, a via socrática pode ser utilizada ao serviço de várias causas, mais plenamente se forem de vocação universal, o que é o nosso caso, isto é, a Filosofia Rosacruz. Max Heindel, na sua humildade e sabedoria, deixou-nos dois bons exemplos de livros em Perguntas e Respostas, o que constitui, discretamente, um modo socrático de aprofundar conhecimentos[1].

Como o nosso processo evolutivo é em espiral, pois verdadeiramente nada se repete, resta-nos utilizar, tanto hoje como no futuro próximo (salvaguardando a hipótese de aparecer melhor processo — o que não será de todo impossível), todo o avanço técnico e outros meios que possuímos em vários campos, para à nossa educação, isto é, para a nossa descoberta — a beleza e totalidade da Vida.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05/06/88)

 

[1] Embora saibamos que a edição dos referidos livros só tenha sido feita depois da passagem de Max Heindel aos planos invisíveis.