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Livro: Os Dez Mandamentos – Por um Estudante

Os Dez Mandamentos são indicações conducentes à consciência crística.

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós.

Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”.

Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização.

1. Para fazer download ou imprimir:

Por um Estudante – Os Dez Mandamentos

2. Para estudar no próprio site:

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz do Centro de São José dos Campos – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ÍNDICE

 

APRESENTAÇÃO.. 4

INTRODUÇÃO.. 5

O Decálogo. 11

Primeiro Mandamento. 12

Segundo Mandamento. 19

Terceiro Mandamento. 25

Quarto Mandamento. 27

Quinto Mandamento. 29

Sexto Mandamento. 31

Sétimo Mandamento. 36

Oitavo Mandamento. 39

Nono Mandamento. 42

Décimo Mandamento. 44

Conclusão. 45

 

APRESENTAÇÃO

 

Os iluminados que escreveram a Bíblia, sob orientação superior, não tiveram a intenção de oferecer a verdade de uma vez e para sempre. Não que a desejassem ocultar. Se assim fosse não a teriam escrito. Mas, sabendo que ela deveria atender, ao mesmo tempo, a vários níveis de consciência, através de milênios usaram propositadamente “palavras” e “expressões-chave” que podem ser interpretadas de vários ângulos, segundo o preparo interno do Aspirante.

Se em Direito devemos distinguir a letra da lei, do espírito da lei, por mais profundas razões quando se trata da Lei superior, pelos graus de mistérios que encerra nas entrelinhas.

A Fraternidade Rosacruz – uma Escola de Cristianismo Esotérico – apresenta esta contribuição na esperança de que ela suscite a fiel observância da Lei – único meio de antecipar o usufruto da Graça do Cristo, reservada a todos.

 

INTRODUÇÃO

Os Dez Mandamentos são indicações conducentes à consciência crística.

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós. Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”. Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização. São Paulo foi bem claro: “Deveis inscrever as Leis na tábua de carne de vosso Coração”. É um convite para que cada ser humano seja uma lei em si mesmo.

Cristo não veio revogar a Lei e os profetas, senão complementá-los com a nova lei do Amor (ou da Graça), que Ele exprimiu em Mt 22:37-40: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu Coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. E em Jo 1:17, lemos: “A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.

João Batista veio como precursor, pregar a metanoia (mal traduzida por “arrependimento dos pecados”). Metanoia significa transcender o intelecto, ou melhor ir além da Mente concreta e vivenciar a Mente Abstrata. Por quê? A Mente Concreta está comprometida, desde que se uniu ao Corpo de Desejos, em meados da Época Atlante, formando uma espécie de “alma animal”, que nos dá a ilusão de vivermos separados e à parte do Espírito. Embora não possamos viver sem Ele, esta ligação com a natureza de desejos nos concentra na persona e desvirtua os intentos do Cristo interno.

A Mente Abstrata é a fonte da ideia pura do Espírito Humano; e o plano em que funciona o paráclito, o consolador prometido. Devemos aprender a funcionar plenamente nesse plano mental abstrato – o mais elevado de nosso atual campo evolutivo – antes de podermos reencontrar o Cristo Interno – que funciona no Espírito de Vida, além da Mente Abstrata. Lembremos que o Cristo disse: “para onde vou não podeis seguir-me agora, seguir-me-eis depois” (Jo 13:36).

A maioria da humanidade é incapaz de abstrair-se porque não formou a Mente Abstrata. A Filosofia Rosacruz indica aos Estudantes, como eficazes meios: a meditação em assuntos elevados, a música pura, a matemática, a astrologia espiritual, Esquema, Caminho e Obra da Evolução no desenvolvimento da Mente Abstrata, impessoal e verdadeira, que nos põe acima dos condicionamentos da personalidade. Nela podemos compreender e viver a lei espiritual. Dela podemos acompanhar as manhãs da natureza inferior, aprendendo a ser mais alertas, compreensivos, prudentes e não resistentes conosco mesmos, no trabalho de uma inteligente transfiguração. Só então, podemos “inscrever a Lei na tábua de carne de nosso Coração”, ou seja, praticá-la espontaneamente, através do serviço amoroso altruísta, que por si constitui a síntese ensinada por Cristo.

Até lá estaremos sob o efeito doloroso da Lei e não podemos nos considerar autênticos Cristãos, pois ainda não vivemos estes princípios. O sofrimento e as limitações do mundo aí estão a testemunhar eloquentemente que ainda não aprendemos a viver em harmonia com as Leis do Universo. Há muita gente que se denomina cristã. Mas não se trata de uma aceitação superficial. Gandhi aceitava e reverenciava o Cristo dos Evangelhos, mas recusava o Cristo ensinado pelas Igrejas. São bem distintos. Sabemos que mal estamos engatinhando no Cristianismo, cuja expressão mais pura e formosa nos virá na Época de Aquário, a iniciar-se daqui uns 600 anos. A Fraternidade Rosacruz promulga esse Cristianismo Esotérico as almas atualmente preparadas. Ele nos leva a busca e consciente encontro do Cristo interno, através do “Corpo-Alma” (que São Paulo chamou “soma psuchicon” numa de suas Epístolas). Este novo veículo de expressão é a chave de entrada na “Nova Época” evolutiva que nos espera e se forma por um método definido de espiritualização da criatura. Constitui-se dos dois Éteres Superiores[1], quando estes estejam devidamente desenvolvidos e possam desligar-se dos dois Éteres inferiores, para cumprir sua função sensorial nos voos da alma.

Até agora estivemos peregrinando no deserto evolutivo (aridez interna da condição humana comum, carente), armando e desarmando as tendas de nossos corpos (renascimentos) nesta escalada pela imensa “escada de Jacó”, numa abertura gradual de consciência, como bem exprimiu São Paulo: “Morro todos os dias; Despojai-vos do velho ser com seus vícios e revesti-vos do novo ser, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem d’Aquele que vos criou; Em Cristo só há virtude o que importa é ser uma nova criatura” (ICo 15:31; Col 3:10; Gl 6:15).

Cristo não veio, como se supõe, para salvar a humanidade. Ele purificou nosso Globo conspurcado pelas transgressões humanas, possibilitando-nos material mais elevado, mental, emocional e físico, que assegure a evolução nos renascimentos. Deste modo indireto é que Ele nos ajudou; além do impulso altruístico que Ele comunica aos que Lhe estejam afins nos períodos do Natal à Páscoa. A rigor, a tarefa de cristificação é individual e interna.

Há uma razão profunda para que a Bíblia enfeixe o Velho e o Novo Testamento: sem superarmos conscientemente a velha dispensação, não podemos atuar dinamicamente na nova.

Max Heindel descreve os passos da evolução religiosa, através da qual se foi aprimorando nossa concepção de Deus e descortinando-se nosso entendimento da verdade universal.

Primeiramente concebemos um Deus terrível, vingativo, cruel, ciumento, cuja ira aplacava com sacrifícios sangrentos. Só tal Deidade imporia respeito à incipiente humanidade. Depois nosso conceito de Deus se ampliou um pouco e concebeu-se o Deus dos Exércitos que impunha derrotas e propiciava vitórias sobre o inimigo; que punia, arrasando rebanhos e plantações e premiava, multiplicando-os. Daí que se Lhe oferecessem sacrifícios no templo, com objetivos egoístas. Era o Deus de Israel. Mais tarde veio o Deus dos católicos populares, que primeira vez promete um céu após a morte, aos bons, mas continua ameaçando com castigos na terra e tormentos no inferno, os transgressores. Agora já estamos concebendo um Deus que se manifesta por Leis justas, não interferindo diretamente no livre arbítrio humano; o ser humano, por seus atos, é que suscita consequências boas ou más, em virtude da ação das Leis Divinas. Vamos tomando consciência de nossa natureza e da natureza de Deus, agindo por dever, até que possamos fazê-lo espontaneamente, por Amor.

Esses passos da evolução religiosa estão descritos simbolicamente na Bíblia e correspondem à história humana até nossos dias:

  1. Perdemos a condição inocente e protetora do Paraíso. Fomos embrutecendo pelo materialismo até que perdemos a consciência interna e sentíamos saudades de Deus, um vácuo indefinível, uma falta daquela antiga ligação com as Hierarquias. O íntimo nos acusava de faltas. As condições evolutivas eram mui adversas e a consciência mui obscura.
  2. Passamos ao jugo do Faraó do Egito (escravos de nossa personalidade egoísta e viciosa). Sofríamos as limitações de uma vida material duríssima (quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo Zodiacal de Touro). Só mesmo o caráter e resistência passiva de Touro (boi Ápis) nos possibilitava suportar as vicissitudes dessa época de violência e egoísmo.
  3. Aí fomos libertados por Moisés e passamos a peregrinar no deserto, durante os simbólicos quarenta anos (período indeterminado de tempo) rumo a Terra Prometida de leite e mel. Moisés e o impulso evolutivo que nos leva a algo mais. No deserto, muitas vezes nos sentíamos inclinados a retornar ao passado, que se nos afigurava mais seguro do que a livre aventura de um porvir incerto fundia com o ouro de nossas possibilidades internas o bezerro de ouro já ultrapassado. Mas o irresistível impulso interno (Moisés) nos renascia, mostrando-nos que a nova dispensação de Áries (o Cordeiro) nos esperava. E contava como a vara de Arão transformada em serpente (sabedoria de Áries) havia devorado as serpentes dos sábios do Faraó (dispensação de Touro), revelando, assim, sua superioridade. Com muita dificuldade chegamos à Terra Prometida e, fato expressivo, Moisés não pode entrar nela com seu povo, porque atribuiu a si os méritos de seus prodígios e liderança, em vez de atribui-los ao Divino; condescendendo com a personalidade, foi castigado. É um bom símbolo: a Lei que Moisés havia recebido na Montanha para orientação de seu povo, não pode por si mesma, levar à realização É preciso ser complementada pelo Amor. Sua missão terminava ali. Assim com nosso desenvolvimento interno a Mente, sozinha, inclina a vaidade, à pretensão, à ambição. Mas unida ao Coração, gera a Sabedoria.
  4. Entramos na Terra Prometida e, com o Advento da Dispensação de Pisciana chegou o Cristianismo, cujo precursor – João Batista (reencarnação do mesmo espírito que havia animado Moisés e Elias) veio pregar a metanoia (já mencionada atrás), de modo a alcançarmos a verdade interna (Mente Abstrata) e compreensivamente corrigirmos a intenção causal, para que nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atos sejam conforme a Lei. E, quanto aos hábitos, “com paciência ganharemos nossas almas”, compreendendo os vícios gravados e persistindo no Bem, a pouco e pouco as trevas da noite ir-se-ão dissipando, para que surja a alva. Por enquanto estamos sofrendo as justas e automáticas reações da Lei. Mas, na medida de nossa espiritualização, a Lei se vai convertendo em colaboradora nossa, como bem observou Max Heindel: “antes era o Espírito Santo como Lei corretiva, um Deus terrível e implacável; no futuro o Consolador prometido, que revela as bênçãos dos céus aqueles que vivem em harmonia com o Universo”.

É importante, pois, conhecermos a Lei conducente à Graça. Se a conhecemos bem e a vivemos, ela nos será o Paráclito. Lembremos que o moço rico (internamente prendado) foi interrogado por Cristo se cumpria a Lei. Ele disse que sim, mas em realidade só a cumpria no aspecto literal, como veremos pelo sentido esotérico do Decálogo. Se a compreendemos e vivemos realmente, estaremos aptos a nos consagrarmos com segurança ao “serviço amoroso e altruísta”, sem os vícios de seu mau entendimento.

 

O Decálogo

Eis o Decálogo dado a Moisés na “montanha”:

  1. Não terás outros deuses diante de mim;
  2. Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás;
  3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
  4. Lembra-te do dia do sábado e santifica-o, porque é o dia do Senhor teu Deus;
  5. Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os dias na terra que o Senhor teu Deus te deu;
  6. Não matarás;
  7. Não adulterarás;
  8. Não furtarás;
  9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; e
  10. Não cobiçarás coisa alguma de teu próximo: nem a casa, nem a mulher, nem o servo ou a serva, nem o boi ou

Este decálogo figura em Ex 20:3-17.

 

Primeiro Mandamento

 “Não terás outros deuses diante de mim”

Notem que a Lei, como as normas dos seres humanos, em sua maioria se constituem de proibições. Por quê? Porque a Lei é uma súmula do que devemos observar obrigatoriamente. O resto fica por conta do livre arbítrio de cada indivíduo e seu modo de ser.

O primeiro mandamento é básico. Deixa subentender a onipresença de Deus. De fato, Ele está infuso em toda a Sua Criação e além dela, no misterioso Caos. Manifesta-se de forma diferente, conforme o grau de consciência do reino ou do indivíduo em evolução.

Quanto a nós, a Bíblia é claríssima: “Não sabeis que sois o santuário de Deus que em vós habita?” (ICor 3:16). “O Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21).

Apesar destas e outras afirmações da Bíblia, a humanidade o tem buscado fora de si, num céu distante e inacessível, à semelhança de “Sir Launfal” em busca do Graal. Se o tivesse buscado no único lugar em que pode e deve ser encontrado, por certo já o teria realizado nestes vinte séculos. Mas a evolução é lenta mesmo. Estamos num progressivo acordar e ressuscitar para a realidade de nós mesmos e de Deus: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti” (Ef 5:14).

Eis a mensagem do primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”; nem riquezas, nem poder, nem amor, nem fama. Ninguém pode servir a dois senhores: ou servimos a Deus ou a Mamom – o deus da cobiça. E isto não quer significar que devemos ser materialmente pobres; que recusemos cargos influentes; que fujamos da fama; que nos afastemos do amor. Busquemos o sentido na intenção, no íntimo estarmos desapegados; exercermos a administração dos talentos que Deus nos põe à disposição, como meios evolutivos que não nos pertencem, mas que devemos gerenciar zelosamente. A pobreza material não é virtude; antes, na maior parte das vezes é sinal de omissão, irresponsabilidade ou má fé em vidas anteriores. Virtude é ter e não possuir; é trabalhar como um ambicioso e manter-se desapegado dos frutos, não obstante administrar o melhor possível para o Senhor, a quem tudo atribui.

A ausência de poder ou de fama pode ser sinônimo de egoísmo, de comodismo, de restrição de destino, etc., no exercício do poder e da fama em vidas anteriores.

A carência de amor é quase sempre uma resposta do desamor.

Mas é feliz quem vê em tudo o provimento de Deus no atendimento perfeito à necessidade interna e coletiva: E, sabendo que nada nos pertence, buscar devolver os bens acrescidos de nossa administração, à Fonte que os jorrou. Tal é o sentido da evolução na Terra. De fato, não há mal em nada, mas no mau uso que fazemos de tudo.

Max Heindel diz que os Probacionistas são os que “tomaram consigo mesmos uma obrigação definida, pela qual o eu pessoal (personalidade) compromete-se a amar, honrar e obedecer ao EU verdadeiro e Superior, dedicando-se a uma vida de serviço, como meio de se aproximarem do véu e atingirem a realização consciente do Deus interior”.

Notem que esse compromisso refere diretamente ao primeiro mandamento: “não terás outros deuses (personalidade) além do Eu verdadeiro e Superior o mesmo que foi dito em Mt 6:33: “Busca em primeiro lugar o Reino de Deus (que está dentro de ti) e teu ajustamento a Ele, a Ele, pois tudo o mais te virá por acréscimo”. Buscar o Reino interno e o conhecer a si mesmo; ajustar-se a Ele é o compromisso de viver segundo as Leis do Ser (reto pensar, reto sentir e reto agir) – o correto modo de amar, honrar e obedecer ao Eu verdadeiro e Superior, manifestado pelo mesmo amar, honrar e obedecer ao divino de cada irmão, cujos defeitos devemos esquecer, lhe buscando a Divina Essência – pois isto constitui a verdadeira fraternidade.

A personalidade está atualmente ativa, comandando nossa vida de forma egoísta e contraditória. Deve tornar-se passiva, serva fiel do Espírito. Para chegarmos a esse ponto e mister exercitar paciente e perseverantemente a observação de si; praticarmos o discernimento; aprendermos a não nos identificarmos com as manobras sutis da natureza inferior em seus constantes esforços de justificação. Sobretudo, a prática da meditação ficando como testemunhas da atividade interior. Ainda não sabemos silenciar. Podemos estar calados e, ao mesmo tempo, numa intensa atividade interior. Silenciar é aquietar internamente para que “a pequenina e silenciosa voz” se faça ouvir e nos intua. É a promessa do Salmo 91: “Aquele que habita o esconderijo secreto (interno) do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”. É o convite do Salmo 46:10: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”.

Atentemos à exortação do primeiro mandamento e busquemos a única fonte de nosso bem: o EU SOU em nós.

O método Rosacruz procura desenvolver, desde o princípio, no Aspirante, a confiança em si (no Eu superior); o domínio próprio (pela não identificação com a natureza inferior); o esclarecimento a respeito de sua própria natureza intrínseca e de Deus que o criou; para que cada um se torne um pilar no templo universal de Deus e se coloque em condições de servir de forma esclarecida, amorosa e altruísta o seu próximo, ajudando-o a atingir as mesmas desejáveis condições.

Somos o Melquisedeque, sem genealogia, a quem a personalidade (Abraão) deve render seu tributo e despojos a luta diária para que se cumpra mais rapidamente nossa realização evolutiva. Esta soberania do Eu verdadeiro e superior se exerce pela união da Mente e do Coração, que geram a Sabedoria. E se não nos devemos submeter aos desmandos da natureza inferior, igualmente não devemos ensejar qualquer domínio externo pela mediunidade, hipnose ou outra qualquer forma de alienação, pois seria contrário ao primeiro mandamento.

A personalidade não ama. Ela se caracteriza pela busca de retribuição: ama para ser amada; ama quando é amada. Não compreende que o amor é a própria recompensa; o dar gera o receber, mas não depende do receber para viver no amor, porque é Deus quem ama através de nós. Buscar a retribuição do amor é um reclamo da personalidade por aquilo que lhe não pertence. À medida que nos fundimos ao Eu superior vamos desenvolvendo um autêntico sentido de fraternidade, porque Ele é amor e quem vive em amor vive n’Ele e Ele nos leva a perceber e Amar o Divino em cada semelhante.

A verdadeira liberdade pressupõe a vivência no Espírito. Enquanto não alcançamos essa liberdade, ficamos condicionados pela falsa segurança que nos leva ao apoio nas coisas externas. Ora, ter outros deuses significa também acreditarmos nos falsos valores e deixar que eles nos possuam, em vez de os possuirmos.

Se usarmos todos os valores externos e internos como meios evolutivos provisórios, a serviço do Eu superior; tornamos impossível qualquer interferência negativa em nossa harmonia básica ou no justo usufruto de uma vida plena, harmoniosa, aqui e agora mesma.

Isto requer preparo interno, através de método adequado. A raiz de todo o mal está na identificação com a personalidade; está no ignorante modo de conduzir nossas faculdades. A chave da libertação está no conhecimento de si e no retorno da Presença e do Poder internos, esse espírito da verdade que o Cristo nos prometeu.

Não há, pois, nenhuma outra presença ou poder além da Consciência Universal que se expressa individualmente como uma consciência individual. Cada um de nós existe como um Infinito dentro de outros Infinitos.  Funcionamos como Consciência Espiritual individualizada. Não somos o corpo, nem as emoções, nem os hábitos, nem a Mente. Somos o criador e dono deles. Por isso dizemos: meu corpo, minhas emoções, meus hábitos, minha Mente. A posse não pode ser maior que o possuidor.

A posse não pode dominar o possuidor. Eis o significado do primeiro mandamento: há somente um poder. Temer o que? “Se Deus é por mim, quem é contra mim”? Odiar por quê? Quem odeia é a personalidade e não o Eu divino, que é amor. Quem ama ao Divino ama também a seu irmão. Temer, odiar, é negação do único poder. Se aprofundarmos este sentido pela meditação, veremos que o bem e o mal existem apenas no campo da personalidade, como um nível provisório de consciência, que pode e deve ser transcendido. Aí chegaremos a um ponto em que não haverá um bem superando o mal – porque simplesmente existe um único Poder. O que parece mal e um esforço do Bem para devolver a harmonia. Portanto, é um convite de regeneração, uma advertência amorosa e sabia do que devemos corrigir.

Toda a grandiosidade do Cristo estava em Sua excelsa condição de Servo perfeito: “Eu de mim mesmo nada posso, mas tudo posso n’Aquele que me fortalece; o Pai em mim é Quem faz as obras”. Quando os discípulos Lhe perguntaram do Pai, Ele esclareceu: “Quem vê a Mim, vê ao Pai que me enviou”. Sua personalidade era um canal perfeito.

São Paulo compreendeu e aproveitou esta lição. Ele disse: “Quando sou fraco, quando sou nada, aí é que sou forte e sou tudo”. Ele sabia que a personalidade deveria tornar-se passiva e fiel serva do Eu superior.

Quando Cristo foi a Nazaré não pode curar muitas pessoas porque se detiveram na pessoa d’Ele: “Não é este o filho de José, o carpinteiro?”. Contudo, Pedro, iluminado pelo Espírito Santo (Mente Abstrata) disse-Lhe: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; ao que o Mestre lhe responde: “Bem-aventurado és tu, Simão Bar-Jonas, porque não foram os olhos que te revelaram”. Essa é, também, a verdadeira identidade do ser humano, que chamamos homem ou mulher.

É certo que devemos ser prudentes, porque a maioria das pessoas vive condicionada a falsa personalidade com sua violência e egoísmo. Mas isto não nos deve distanciar da realidade essencial das criaturas, confiando no bem imanente.

Ao mesmo tempo, a conscientização da verdadeira a identidade, ou seja, do Deus individualizado como eu ou como tu, não nos dissolve o sentido de individualidade nem exige que matemos nossa personalidade, como sugerem algumas filosofias. Ao contrário, a personalidade (constituída pela Mente Concreta, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso) é indispensável a nossa evolução. Através dela é que haurimos experiências e dinamizamos as faculdades latentes, convertendo-as em Alma ou Consciência Espiritual. A conscientização da verdadeira identidade consiste numa inversão do atual materialismo, situando o ser humano como um Eu divino a manipular uma personalidade – e não uma personalidade à parte e independente de Deus. Não imaginemos que ocorra um vácuo; ao contrário, há aumento de consciência própria nessa transição gradativa da persona ao Eu real. Não se trata de nós perdermos no Todo o que nos confundimos. Éramos inconscientes de nós mesmos, como Centelhas, quando iniciamos a evolução no estado de consciência mineral. Depois disso, fomos desenvolvendo a consciência até o estado de vigília consciente atual, rumo a oniconsciência que nos espera. Deus exprime como individualidades n’Ele separadas, cujas consciências se formam pela dinamização das faculdades divinas herdadas. Pela eternidade afora seremos mantidos na própria individualidade pelo exercício da Epigênese. Somos notas próprias, na sinfonia universal. Importante é que estejamos afinados ao Divino Concerto.

Afirmar a Deidade interna é definir sua identidade espiritual pela união ao Eu superior. Não deve ser confundida com a afirmação da personalidade que a maioria busca para o êxito mundano, em apoio na persona ativa. O verdadeiro êxito parte de dentro. Não há outra autoridade, senão aquela que nos vem de dentro e de cima.

O único modo de vivenciarmos esta profunda verdade é o estudo das verdades espirituais, a prática dos exercícios recomendados e sua expressão em nossa vida diária. Eles nos guindarão a níveis gradativamente mais elevados e claros. Então compreenderemos a afirmação do Batista (persona) referindo-se ao Cristo (Eu superior): “É preciso que eu diminua e Ele cresça”. Só assim nos converteremos em valioso e fiel precursor do Eu real neste mundo, tendo-o como Único Deus, em nós e nos outros.

 

Segundo Mandamento

“Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás.”

Os protestantes acusam ferozmente os católicos de usarem imagens e esculturas em seus templos; algumas, por sinal, maravilhosas, verdadeiras obras-primas concebidas por artistas notáveis como Raphael, Michelangelo, Rubens, etc.

A nosso ver, não reside aí a mensagem principal deste mandamento. A pedagogia e a psicologia educacional afirmam que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Modernamente exploram as ilustrações e com elas enriquecem os planos de aula, a fim de que o aprendizado se torne mais completo: áudio visual.

Nossa Mente ainda está num estágio mineral. Só as pessoas mais elevadas podem conceber ideias abstratas e atingir outra esfera ou cosmos da verdade essencial das coisas. Daí a necessidade dos símbolos, desde que bem escolhidos. O mal não está nos símbolos, mas no tomar os símbolos pela realidade que transmitem. Se conhecemos a essência de uma verdade e, no esforço de transmiti-la buscamos as representações mais fieis estamos prestando uma ajuda a outros menos aquinhoados.

Quando o iniciado atinge o conhecimento direto das realidades espirituais, nos planos suprafísicos verifica a dificuldade de transmiti-las. Max Heindel observa, por exemplo: “Quando falo dos Mundos em que o Universo se divide e os represento num diagrama, uns acima dos outros, não quero dizer que se achem assim nos planos espirituais. Em verdade eles se compenetram em graus diferentes de densidade e vibração”. E deu o exemplo da esponja, da água e da areia. Depois acrescenta: “Os diagramas podem ser uma ajuda e um entrave ao mesmo tempo, porque involuntariamente podemos induzir uma ideia falsa da realidade”.

Isto nos leva a meditação das palavras. Vivemos num universo de palavras e, neste século de comunicação entendemo-nos através de palavras e de símbolos. Você já pensou que representam as palavras? Já observou como os seres humanos discutem e pelejam em torno de palavras? Às vezes discutem por usarem palavras diferentes para a mesma coisa; outras vezes divergem pela mesma palavra, com a qual pensam em coisas diferentes. Ora as palavras não são as coisas: constituem apenas um esforço de representação e devemos ter muito cuidado com elas, porque podem ser uma ajuda e um entrave na comunicação. Melhor ainda, as palavras são a nossa interpretação das coisas e não as coisas mesmas. Tanto é assim que, à medida que nossa compreensão vai melhorando, nossa representação por palavras também muda. A evolução em tudo, é uma gradativa transformação das definições anteriores.

No futuro Período de Júpiter será diferente. A mentira será impossível, pois teremos a capacidade de materializar a ideia em nossa aura mental, sem necessidade de palavras. Os Mestres espirituais possuem por conquista antecipada, de sua evolução, esta capacidade: projetam com as palavras a imagem do que falam. Essa capacidade é uma das provas de um verdadeiro Mestre.

Já que entramos na meditação sobre as palavras, consideremos outro ponto: a “onda portadora”. Além das palavras que pronunciamos, comunicamos a outra pessoa algo mais: a intenção como uma “onda portadora” que muitas vezes o interlocutor capta. E, como vivemos num mundo hipócrita, é comum que a pessoa diga uma coisa e pense outra. Ouvimos as palavras e sentimos uma indefinível divergência, uma estranha incoerência. Além disso notamos sinais externos confirmadores da hipocrisia, na mudança do tom de voz, no evitar nosso olhar, etc.

Mas, que relação tem tudo isto com o segundo mandamento?

É que este mandamento trata da idolatria, em muitos sentidos. De maneira geral, sabemos que a idolatria consiste em tomar uma forma em lugar da realidade que ela representa; e considerar a letra e não a ideia essencial que ela busca expressar; é tomar o corpo pelo ser humano integral, como fazem os materialistas.

O fato de os nossos sentidos estarem limitados à forma, não justifica nossa ignorância das verdades essenciais, numa época de tão rica literatura a respeito. A evidência lógica tem levado eminentes cientistas a reverenciar o Divino Arquiteto, cuja Presença é indiscutível em toda a Criação. Anteriormente as Sociedades de Pesquisas Psíquicas; agora a Parapsicologia; demonstram à sociedade revelações confirmadas por meios científicos, de realidades além da capacidade sensorial. Na Suécia e na Alemanha, principalmente, se estabelecem ligações com os planos espirituais com auxílio de aparelhos eletrônicos sensíveis. Hoje não é mais uma questão de crença, mas de atualização, o conhecimento dos planos espirituais, causais, que sustentam este plano visível.

Contudo, se não temos possibilidades de conhecer a realidade última das coisas, somos todos idólatras? Não, este mandamento não refere ao esforço louvável de buscarmos entender as verdades divinas, embora estejamos sempre aquém delas. Não há como evitá-lo no desenvolvimento da consciência. Tudo evolui assim. A ciência foi deixando os conceitos ultrapassados, com sua verdade relativa, substituindo-os por outros mais corretos e atualizados. Mas foram as verdades relativas que serviram de degraus nesta escala evolutiva de aprimoramento. Isto se dá em todos os assuntos, se bem que nas questões espirituais temos o testemunho avançado de altos Iniciados que podem ver as realidades suprafísicas com muita amplitude. Esse testemunho serve de orientação segura, não excluindo, no entanto, o esforço de cada Aspirante e a liberdade de cada um ir confirmando o que recebeu.

As teologias e doutrinas várias andaram antropomorfizando Deus. Na impossibilidade de subir a Ele, forçaram-no a descer à sua limitada concepção. Isto é idolatria.

Cristo ensinou à mulher samaritana: “Deus é Espírito e Verdade e cumpre adorá-lo em Espírito e Verdade”. O espírito é intangível. E que é a verdade? Cristo respondeu a Pilatos? Não. Porque todos nós estamos limitados a nosso nível de evolução e não podemos admitir a Realidade total e absoluta.

Idolatria é o pecado do materialismo, que toma a manifestação pela Essência que a vivifica. Por isso, o primeiro passo no Ocultismo é o estudo dos Mundos Invisíveis.

Querem um exemplo simples para destacar o corpo do ser humano?

Observem uma pessoa dormindo; ela não pensa, não vê, não age, não ama, não tem consciência de si nem dos outros; apenas as funções vitais, involuntárias estão mantendo o corpo que respira, digerem e fazem circular o sangue ritmicamente, etc. Depois ela acorda, abre os olhos e algo estranho ocorre: toma consciência de si, vê-nos, reconhece-nos, abraça-nos, ama-nos, fala-nos. Que aconteceu? ALGO que não estava no corpo enquanto ela dormia; voltou e o despertou dando-lhe todas as capacidades que antes não manifestava. Esse algo é o ser humano REAL que anima o corpo que construiu. Tanto assim que, ao abandoná-lo definitivamente, o corpo se decompõe.

O Espírito é a causa; a matéria e é a consequência. Primeiramente existiu a luz; depois a luz criou o olho que a pudesse ver. O poder está no Espírito criador e sustentador da forma e não nesta. O galho que se destaca da árvore, seca-se. A matéria é mutável e transitória; mas o Espírito é eterno, manifestando-se gradativamente melhor, à medida do crescimento de consciência (alma) e originalmente, segundo seus pendores epigenéticos.

Assim, não devemos adorar nem temer nem odiar o externo, a forma.

Vemos uma cobra e a associamos com a ideia de perigo, sentimos repulsa e violência e vamos matá-la. Podemos vê-la como ela é, sem preconceitos, com toda a sua beleza e respeitando-lhe o instinto de defesa?

Vemos a figura de Sócrates e a imagem nos suscita, no íntimo, tudo o que dele sabemos. Vêm-nos sentimentos de admiração, de reverência, de gratidão. Podemos vê-lo como ele é, apenas gratos pela mensagem que ele trouxe, e não pela pessoa em si? O mesmo deverá sentir em relação a Jesus; o Buda, a Einstein: não o canal, mas a Essência que através deles fluiu de forma diferente, para alimentar a Humanidade.

É a essência que valoriza a forma e não a forma que valoriza a essência. “A letra mata, mas o Espírito vivifica”. Devemos ir além da forma limitadora e sentir a amplitude da Essência Universal.

A infinitude de Deus está oculta em cada coisa criada, mas nossos sentidos não na percebem. As realidades objetivas se tornam em realidades subjetivas, por causa de nosso conceito finito delas. Estamos condicionados pelos preconceitos e por nosso nível de consciência. A melhor atitude mental é admitir todas as coisas como possíveis. Embora firmados no sentir e saber internos, mantenhamos a humilde atitude de nossa limitação.

O 1º e 2º mandamentos abordam, pois, a única realidade, o único poder essencial. Mas o primeiro mandamento nos adverte a não nos apoiarmos nas realidades evanescentes deste mundo; a não dependermos delas, não as temer nem as odiar: o único valor ou poder que elas têm são os que nós mesmos lhes atribuímos por nossas crenças.

Já o segundo mandamento se refere especificamente as representações e seus perigos para que não nos detenhamos nelas, mas busquemos a essência que desejam comunicar, como diziam os autores do Torah – o livro sagrado: “Ai daquele que toma as vestes do Torah pelo próprio Torah! Os mais simples só notam os ornamentos e versos do Torah, mas os esclarecidos não prestam atenção alguma ao exterior, senão à essência que ele encerra”.

 

Terceiro Mandamento

“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”

Cristo confirmou no “Pai Nosso” ou “Oração do Senhor” esse mandamento de forma positiva, ao ensinar: “santificado seja o teu Nome”.

Para o povo hebreu, o “nome” (shem) tinha significação mais ampla e profunda do que a que lhe atribuímos hoje para identificar uma pessoa ou coisa. Embora se fale de “bom nome”, referindo-nos à reputação ou ao caráter de uma pessoa, a palavra “shem” dá a entender a natureza, a essência ou a honra do indivíduo.

A locução “em vão” significa, basicamente “de forma inútil” ou “por nada, por vaidade, por falsidade, por leviandade”.

“Tomar” era usado no sentido de “elevar, carregar, proferir ou aceitar”.

Assim, o “proferir ou aceitar o nome ou a natureza de Deus” é, ao mesmo tempo, uma honra e um desafio que não devem ser tomados levianamente.

O uso da palavra era, é e será algo sagrado. Empregada conscientemente e de forma ajustada, a vibração de uma palavra tem poder. Hoje, infelizmente, é deplorável o abuso nesse campo.

Deus é inominado. Quando Moisés recebeu a revelação e a missão na “montanha”, sabendo que tinha de enfrentar pessoas comuns que só conheciam a forma e o nome, perguntou: “Senhor, se me perguntarem quem foi que me enviou que direi?”. E o Senhor respondeu-lhe: “Dize que foi o “EU SOU”.

Basta ser. Eis a mais expressiva conjugação: “eu sou, tu és, nós somos . . . espíritos. Simplesmente.

Entretanto, o mundo precisa de identificação. Quem nomeou as coisas foi Adão. É um esforço de isolar o que parece isolado.

Não devemos confundir a realidade espiritual com um conceito mortal. Dizemos: raios de Sol, porque sabemos que eles continuam unidos a sua Fonte, apesar de haverem caminhado 149 milhões e 400 mil quilômetros em 8 minutos, quando chegam à Terra. E nós, não somos também, por acaso, centelhas divinas, uma vez que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”?

Não tomemos, pois, levianamente, os nomes pelas coisas que representam, principalmente em relação à verdadeira identidade de semelhante. Em que ele é semelhante a ti? Senão pelo Espírito?

Ainda mais quando nos referimos a Deus: se a palavra Deus foi tomada para representá-lo (e a palavra “Deus” está ligada a ideia de Luz e Dia: “Deus é Luz”), usemo-la de forma sagrada, erguendo nossa Mente ao Inominado, ao Imanente e Transcendente, ao Onisciente, Onipotente e Onipresente Criador.

A essência desse mandamento nos exorta a não tomar a aparência pela realidade. Ainda que surjam as pessoas, coisas e lugares, por meio do testemunho dos cinco sentidos, saibamos que são expressões provisórias do real e divinamente infinito.

 

Quarto Mandamento

 “Guarda o sábado, pois é a Dia do teu Senhor”

Eis outro ponto de muitas controvérsias e discussões. Exceto os sabatistas, os Cristãos adotaram a o Domingo para dia de descanso e adoração.

Antes de Cristo, a evolução humana era regida pela Lua. O Calendário e as festas religiosas se baseavam nos movimentos lunares. Os povos árabes ainda conservam símbolos lunares. A Lua está associada à Saturno (ambos regem a Corpo Denso e se caracterizam pela tendência cristalizante), Regente do Sábado (Saturday).

A dispensação cristã, ao contrário, está relacionada com o Sol. Todas as religiões falavam de alguém “que havia de vir…do Sol”. O Sol é a morada dos Arcanjos, dos quais o Cristo é o maior Iniciado. Ele é o Leão de Judá, o Cristo Solar, ligado à positiva Luz que veio conquistar a Terra por dentro.

Sábado quer dizer “descanso”; por extensão: “Dia de descanso”. Foi instituído na lei mosaica com finalidade bem definida: obrigar o povo a deixar seus negócios e atividades e, um dia por semana, ir à Sinagoga ouvir as leituras de textos sagrados. Só por obrigatoriedade da Lei a o povo, eminentemente materialista, iria à sinagoga assimilar as verdades adequadas ao seu nível (o nível da pedra, da letra, da Lei).

Domingo significa “Dia do Sol” (Sunday). Etimologicamente, a palavra “Sol” está ligada aos sentidos de “Deus, Júpiter, Luz e Dia”. Perto do fim do primeiro século, a igreja cristã primitiva transferiu para o domingo o dia semanal de descanso e adoração, preceituado no quarto mandamento, por ser o dia da Ressurreição de Cristo Jesus e, por isso, denominado “o Dia do Senhor” (Ap 1:10). Assim como fez Deus no trabalho criador, também nós trabalhamos seis dias e no sétimo devemos descansar no Senhor, aquietando-nos, ouvindo, lendo coisas sagradas, para nutrir e desenvolver o nosso íntimo, pois tudo depende de exercício e de alimento. Tudo se desenvolve em períodos setenários: seis dias criamos e evoluímos na atividade externa, e um dia dedicamos para entregar a essência dessa Obra à Deus em nós, em comunhão, saindo fortalecidos para uma semana ainda melhor que a anterior.

Note-se que   Cristo costumava curar nos sábados. Os fariseus, ignorantes do interno sentido do sábado, atacavam-no por isso. Mas disse o Mestre: “Eu sou o Senhor do sábado”; “O sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado”. Ele quis   que isso significasse que nesse dia o ser humano abdicasse de si mesmo, de sua parte humana, e deixasse que Deus laborasse em e através de si, no restabelecimento de suas forças internas, na definição de sua natureza divina, no entendimento das coisas sagradas. Portanto, nenhum dia seria mais indicado para a Cura. Curar e pregar a boa nova são a mesma coisa, pois, ambas restituem a integralidade do  Ser. Sabemos que a palavra “são” quer dizer sadio e santo: ambas são  expressões de integralidade, e  de harmonia global do ser. Assim; não importa o dia e lugar, sempre que nos dedicamos às coisas sagradas,  estamos realizando essa finalidade (prevista na lei mosaica aos sábados, e pela igreja cristã aos domingos – para disciplina dos rebeldes que não compreendem e nem avaliam a graça dessa comunhão interna).

 

Quinto Mandamento

 “Honra teu pai e tua mãe”

Os ensinamentos de Cristo parecem contradizer este mandamento. Disse Ele: “Não chameis a ninguém de Pai sobre a Terra, pois um só é vosso Pai, a saber: o vosso Pai Celestial”. E mais: “Aquele que não deixar pai, mãe e irmãos, não pode ser meu Discípulo”.

Em verdade não há contradição. Cristo vem ampliar e definir o real sentido do mandamento. Ele, a personificação do Amor, jamais iria recomendar que descuidássemos, ingratamente, dos nossos deveres filiais. Referia-se aqui como em outros passos evangélicos, ao amor e dever desapegados.

A paternidade e a maternidade são funções divinas: transcendem o humano. A mãe durante o aleitamento é uma pessoa diferente, mais estreitamente ligada ao Divino. Há algo de transcendental na maternidade. Mesmo entre os animais há o chamado “pudor orgânico”, pelo qual a mãe e os filhotes não são atacados nesse período.

O pai e a mãe, meramente como seres humanos nada são, porque não podem manipular a vida. Lembremos que no “Paraíso” comemos da “Árvore do Conhecimento, do bem e do mal”, mas não da “Árvore da Vida”. Por isso não podemos vivificar nada. É função dos Anjos a vida, porque são hábeis manipuladores da força vital.

Que sabe um animalzinho da maravilhosa criaturinha que o gerou? Vemos graciosos gatinhos buscando andar, procurando mamar, manifestando vida e instintos, e isso nos ressalta a manifestação de um Criador que labora através de suas Hierarquias. Mesmo o ser humano, que sabe a mãe da complexidade do ser que gera? Meditem nisso.

Existe apenas um princípio criador, que é o PAI-MÃE – seja para judeus, para gentios, brancos, negros ou índios, feras, animais ou plantas. Max Heindel trata muito bem dessa dual força criadora – os dois polos referidos pelo primeiro versículo do Gênesis. Essa dupla energia manifestada sabiamente por Deus em tudo, é que reverenciamos, sabendo que nada somos de nós mesmos como pessoas, como pais ou mães. O que nos enobrece como canais dessa manifestação criadora é a Vida Divina:

“Eu, de mim mesmo, nada posso; o Pai em Mim é quem faz as obras”.

Portanto, não vamos subestimar nossa mãe e pai carnais, aqueles que amorosamente serviram de canais para o suprimento de material físico em nosso renascimento na Terra. O Esoterismo é claro: “assumimos um dever de gratidão por tudo que recebemos de nossos semelhantes e um dia, nesta ou em outras vidas na Terra, teremos ensejo de lhes retribuir para que se cumpra a lei: dar e receber”.

Mas, a grandiosidade de um pai ou mãe humano está, indubitavelmente, na compreensão de que eles, por si, nada são – predispondo-se a servir ao Divino Universal e ao Divino que deseja renascer – fazendo tudo o que possam no cumprimento de seu trabalho evolutivo.

Para honrar este causal princípio Pai-Mãe, devemos aprender a vê-lo e reverenciá-lo em todas as coisas e pessoas.

 

Sexto Mandamento

“Não Matarás”

Houve esforço para desvirtuar o sentido genérico deste mandamento, refundindo-o para: “Não cometerás homicídio”. Mas o sentido é claro e genérico: “Não matarás”!

O primeiro sentido que salta a nossa mente é o literal. Aí surgem as polemicas sobre a “pena de morte”; a “eutanásia”; o “aborto”; o “carnivorismo”, etc. Mas há também o sentido mais profundo e espiritual.

A Filosofia Rosacruz desaprova a “pena de morte” e fornece a razão esotérica: ela destrói o corpo, mas liberta o criminoso no Mundo do Desejo. Como a morte não transforma ninguém, lá ele continua odiando a sociedade e, com a velocidade do pensamento pode locomover-se à vontade, impune, influenciando caracteres afins, maus para que através deles vingar-se dos seres humanos. Desse modo aumentam os crimes sobre a Terra. Logo, é mais conveniente para a segurança humana manter os criminosos presos, apesar dos gastos e cuidados. A solução é o aprimoramento do sistema penitenciário e a laborterapia para recuperação dos primários e dar tempo de arrependimento aos pertinazes. A estória do “homem de Alcatraz” é um impressionante exemplo de que não há indivíduo inteiramente mau; que todos têm a essência divina, que torna o ser possível de recuperação. Mas não pela violência.

Não se justifica a eutanásia, do ponto de vista esotérico. Vemos o ser humano como um ser complexo, constituído de três corpos que o Espírito procura manipular por intermédio da Mente. Quando vemos um demente ou um ser deformado, sabemos que o Espírito o anima ainda que não se possa expressar (no caso do louco). O espírito não é demente. A forma é que não lhe permite expressar-se, por alguma anomalia que ele mesmo assume, por causa gerada em vida pregressa. Mas há sempre uma razão para o Espírito suportar aquelas condições. Lá dentro do corpo está assimilando sua lição, apesar das aparências. Não temos o direito de impedi-lo. Com esta compreensão, cumpriremos melhor nosso dever para com eles.

O aborto é igualmente injustificável, salvo nos casos de gravidez nas trompas e outros que perigam a vida da mãe. O aborto, como outros problemas humanos, tem sua solução no começo; se os casais fossem mais equilibrados em seus impulsos; se os conjugues fossem mais cônscios e respeitadores um do outro, evitariam o choque de consciência que decorre desta violência contra alguém que não se pode defender. A literatura esotérica ilustra muitas consequências observadas nos Mundos Invisíveis, de abusos neste campo, incluindo as parteiras e médicos que se prestaram a esse fim, quase sempre para enriquecimento fácil.

Os Rosacrucianos são vegetarianos. Muita gente nos pergunta: “por quê?”. Respondemos sucintamente aqui: não comemos carne para não sacrificar vidas e interromper um programa evolutivo. Nisto se inclui o sentimento de fraternidade em relação a nossos irmãos menores, os animais. A planta tem vida, mas não sofre, porque não tem Corpo de Desejos. Além disso, os vegetais foram designados na Bíblia para alimento natural do ser humano. Não há perigo de que os animais, uma vez poupados, aumentem demais, comprometendo o alimento e segurança do ser humano. Está provado de que Deus sabe conservar o equilíbrio do mundo e não precisa do ser humano para isso. O que temos feito, com nossa ignorância, é quebrar a harmonia do conjunto, como bem prova a moderna ciência de ecologia.

A carne animal é carregada de toxinas e compromete, com os instintos inferiores, nossa evolução emocional.

Quanto ao leite e aos ovos, sabemos que os bezerros estão sendo compensados cientificamente na alimentação, não obstante receberem uma cota racional de leite.

Os ovos não são galados. Poderíamos aduzir outras razões. Não o fazemos para não nos alongarmos e nem fugirmos do tema central. Já os conhecemos pela Filosofia Rosacruz.

Abordemos a seguir o aspecto mais profundo deste mandamento.

As chamadas pessoas e coisas más não justificam destruição. Cada coisa tem seu papel no conjunto do Universo. No futuro recuperaremos a harmonia perdida, quando exercermos a “não resistência”, a “não violência” interior, que impedirá qualquer reação exterior. Mas esta “não resistência”, esta “não violência” deve ser isenta de temores, baseada num claro assentamento à verdade espiritual que anima todas as criaturas. A estória de Daniel na cova dos leões, a estória de Francisco de Assis e de outros iluminados comprovam esta verdade.

Ora se Deus é onipresente; se há um fio oculto unindo todos os reinos e este elo é a Consciência Universal, quando matamos, quando destruímos algo (aparentemente externo) estamos em realidade agredindo uma parte de Deus e, em última análise, agredindo a nós mesmos, porque n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.

Embora por enquanto, não tenhamos consciência disto, aprendamos e busquemos intuir este princípio dos Mestres; nossa consciência está ligada à Consciência Universal e, através d’Ela, a todos os seres. Só mesmo a personalidade separatista, nesta fase de materialismo é que nos faz crer na inevitabilidade de defesa e de ataque, de preservação e destruição. Desse modo se justificam as leis da persona, que são as leis dos seres humanos – leis de violência que geram violências, numa cadeia inevitável de causas e efeitos.

Agora vejamos o aspecto interno, psicológico; podemos (e constantemente o fazemos) matar mentalmente, emocionalmente com palavras. Matamos até mesmo quando não esboçamos a menor reação externa. Do ponto de vista esotérico – do espírito da Lei – isso é matar.

Matamos também pela mentira. Que é a mentira? É tudo que esteja contrário a verdade Universal. Inconscientemente, somos todos mentirosos porque não conhecemos a Verdade total e, inevitavelmente desfiguramos algum aspecto da verdadeira imagem das coisas. Mas referimo-nos as mentiras propositais, conscientes.

Elas produzem um efeito nocivo e especial no Corpo de Desejos: matam alguma coisa em nós e ao mesmo tempo se suicidam nesse embate. Max Heindel o explica bem: ao dar uma versão falsa de um acontecimento, esta falsa versão é atraída (pela lei de atração de semelhantes) à versão verdadeira, mas como suas vibrações divergem na parte desvirtuada, entram em choque e mutuamente se destroem. Não apenas nos livramos da mentira (cuja tendência nos fica), mas perdemos uma verdade que ela destruiu. Perdemos nesse embate, além de nos remanescer uma desagradável sensação psíquica – da Essência que sofre – quando temos sensibilidade e correção de caráter.

Esta nova compreensão nos leva a compreender como o mandamento, em seu aspecto esotérico, está presente nos mínimos atos de nossa vida e o como é importante sermos verazes. Não nos referimos à sinceridade idiota, grosseira, mas à sinceridade inteligente e amorosa. Se não podemos usá-la, é melhor calar.

Este problema da mentira surgirá sob novo aspecto no 9º Mandamento, quando tratarmos do falso testemunho.

Para finalizar este Mandamento, queremos dizer que existe uma destruição legítima, do ponto de vista espiritual: é a destruição dos falsos conceitos que se evidenciam à medida de nossa abertura de consciência. Este é o sentido do Armagedom. Não que lutemos contra a ignorância, mas que não mais a alimentemos, detendo-nos, tão somente, na verdade atual que apreendemos; é como tirar as escórias do diamante bruto para que se revele em luz, o brilhante do puro ser espiritual.

 

Sétimo Mandamento

“Não adulterarás”

Adulterar significa “misturar”, desvirtuar alguma coisa pela mistura com outra que lhe compromete a pureza original. Este é o sentido esotérico na Bíblia: o mesmo que prostituir, prejudicar a autenticidade. Como já vimos anteriormente, adulteramos a realidade das coisas, ou por ignorância ou por maldade. Como disse Sócrates: “O homem pratica o mal porque não sabe o que é o Bem”.

Todos nós, segundo o nível evolutivo e correspondente abertura de consciência, temos restrições compreensíveis e verdades relativas, não podendo, por isso, abranger a verdade total. Por isso erramos.

Isto é inevitável. Daí que o 7º Mandamento não considere esse aspecto. Seria exigir demais.

Mas há uma parte viciosa, há uma natureza condicionada, há preconceitos arraigados que podem e devem ser corrigidos no processo de espiritualização do ser.

Em primeiro lugar, aproveitemos as verdades espirituais que nos foram reveladas por Aqueles que atingiram os altiplanos da espiritualidade e descortinaram realidades imensas a respeito de nossa natureza e relação com Deus. Nossa razão e lógica sancionam essas verdades porque já temos algo interno, um “saber interior” que nos leva a reconhecer, aceitar e apreciar o que é genuíno.

Em segundo lugar: sabemos por esses mesmos ensinamentos comprovados na experiência de nossa vida diária, que a personalidade viciosa é a prostituta, a adúltera, que nos magnetiza com seu “canto de sereia” em seu ciclo de prazeres desvirtuados. Sabemos que ela nos empana a razão, tirando-nos a visão de justa proporção das coisas; condicionando-nos os pareceres com as crenças errôneas preconcebidas.

Isto não nos prejudica apenas espiritualmente, senão também materialmente, porque nos impede ter uma visão real das coisas e fatos que nos cercam.

Num computador eletrônico é fácil substituir dados falsos por verdadeiros, mas na complexa natureza humana é uma tarefa difícil, porque nos envolvemos nas vivências viciosas e, considerando-as como a nossa própria e real natureza, defendemo-las, por instinto de conservação, que é o mais forte em nós. O trabalho de transformação e depuração do ser exigem, pois, um cuidadoso preparo.

Como vimos, adulteramos não só a realidade divina de Deus e do ser humano, como a visão real das coisas que nos cercam. O que vemos vai sempre mesclado de nossas próprias impressões, que falseiam a imagem da coisa, tal como ela é.

Vejamos como isto se dá internamente.

A ideia pura do espírito, a respeito de qualquer assunto, vem-nos da Mente Abstrata à Mente Concreta (intelecto). Aí, essa ideia mercê de vontade espiritual que a anima, procura revestir-se de matéria mental concreta e converter-se num pensamento-forma ou imagem mental. Mas nesse revestimento, o espírito já sofre a primeira traição: o intelecto condicionado e preconcebido, acrescenta, por sua conta, numa associação indevida, coisas que seu passado lhe dita, às vezes gratuitas, como, por exemplo: ver uma pessoa cujos traços lembram outra que nos prejudicou e imediatamente adulterar a imagem com esta correlação negativa.

Da Mente Concreta, a ideia transformada em pensamento-forma vai ao Corpo de Desejos (emocional) e aí a vontade espiritual que anima o pensamento busca envolver-se de matéria emocional que lhe dá impulsos para chegar à ação. Então, sofre a segunda adulteração, juntando a matéria emocional de atração ou repulsão, segundo as correlações preconcebidas. E, quando chega à ação está longe de ser a pura impressão que o espírito ditou ao intelecto.

A mensagem esotérica deste mandamento é: tornemos nossa personalidade passiva e fiel ao Eu real, para que não lhe traia os desígnios; não preterir o Cristo interno às conveniências e solicitações da natureza inferior; não conferirmos às coisas e realidades mundanas os méritos e virtudes que pertencem ao Divino.

“O único pecado é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado”. Enquanto não temos possibilidades internas para limpar os canais de expressão do Divino, estaremos prostituindo a verdade. Na ignorância não há pecado, mas há dor, gerada pela consequência que nos procura acordar. Nós, porém, que estamos alargando a consciência da verdade, assumimos responsabilidade maior porque “a quem muito é dado, mais lhe será exigido”. Não devemos fugir à transformação que a consciência nos exige. O método Rosacruz objetiva precisamente isso, de modo inteligente e gradual, através da espiritualização do Corpo Vital, que pressupõe reeducação nos vários aspectos.

 

Oitavo Mandamento

“Não furtarás”

Sigamos a mesma linha de pensamento esotérico: Deus é onipresente. O ser humano, feito a Sua imagem e semelhança, é um cosmos dentro do Macrocosmos. Assim como a gota do oceano tem as mesmas propriedades do Oceano inteiro; assim como algumas gotas de sangue revelam as condições do organismo todo; assim devemos compreender que o Criador se acha sintetizado potencialmente em suas criaturas. A semente é da mesma natureza da árvore e se converte numa árvore igual. Isso explica o convite evangélico: “Sede vós perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.

Isso nos leva a compreender que Deus, como Consciência Infinita, é o único e perfeito suprimento e não falha em dar a cada criatura ou agrupamento, aquilo que corresponde legitimamente as suas necessidades internas de evolução.

Deus é como uma Usina que supre energia às “casas” (indivíduos). Há energia à vontade, mas só nos vem aquela que podemos suportar. Se entra mais energia que os fios podem suportar, queima-se a instalação. Ora, na medida da evolução, os cabos se tornam mais potentes para receberem mais luz. Se nos parece faltar luz, revisemos nosso íntimo; só ali pode haver falha: um fusível queimado, interrupção de cabos ou outra qualquer irregularidade. É preciso corrigir a falha. Ela está sempre dentro de nós. Não há injustiça no plano perfeito de Deus.

Logo, nada temos a roubar nem a quem roubar. Tudo pertence a Deus e Ele não esconde nem nega coisa alguma a seus filhos. Ao contrário, ele está ansioso para expressar-se cada vez mais amplamente por nós. Ele disse: “Filho, tudo o que é meu é teu”. Existe em nós um bem infinito e potencial à espera do despertar para tomar a forma de nossa necessidade. Cada vez que nos abrimos em consciência formamos um vácuo que chupa do suprimento infinito de Deus, o bem de que está necessitando. Esta lei não falha: como uma vasilha só podemos conter a água viva correspondente à nossa interna capacidade; o que ultrapassa, transborda e se vai. Há os que se apropriam indebitamente das coisas e parecem manter os bens a serviço de seus gozos impunes. Engano. Ninguém pode segurar o que não corresponda a seu nível de consciência. Cedo ou tarde a Lei agirá com o efeito correspondente ao caso. Não nos cabe julgar nem calar, mas compreender e confiar no mecanismo de Consequência.

A solução não está, pois, em puxar as escondidas, um fio da instalação vizinha, que parece ter mais luz do que necessita. Na evolução, cada qual tem de resolver, o seu problema. A seiva da “Grande Árvore” está à disposição de todos os galhos e ramos, na medida dos canais internos deles. Todos vivemos e nos movemos em Deus e n’Ele temos o nosso Ser. Portanto, o divino suprimento é comum. Roubar desse suprimento é o mesmo que roubar a nós mesmos. O ambicioso e inescrupuloso ladrão é como o guloso que tem os olhos maiores que o estômago; pode dilatar seu estômago com grandes quantidades de comidas, mas o organismo reterá apenas o que pode assimilar. O demais se perderá, comprometendo-lhe a saúde.

O desejo de furtar ou de cobiçar e desejar qualquer coisa é uma ilusão. Tudo está à nossa disposição, aqui e agora mesmo, desde que preenchamos as condições de interna receptividade. Nisto há uma divina sabedoria; o que não está de acordo com nossas reais necessidades é inútil e prejudicial, porque não temos consciência suficiente para aproveitá-lo e convertê-lo em efeitos evolutivos.

Superemos a crença de separação. Não há Deus de um lado e o ser humano de outro; há seres humanos em Deus e há Deus expressando-se como consciências individuais: eu e tu. A crença de separatividade é que nos leva, muitas vezes, à tentação de roubar, partindo do princípio materialista de que a posse de qualquer coisa depende de nossa iniciativa pessoal e humana; de nossa esperteza ou de nossa “sorte”. Com isto vem a ideia de uma pessoa roubada e outra que rouba, quando, na verdade, há Deus nessas duas pessoas, à disposição delas, para supri-las. Não há nada que Deus possa fazer e não esteja fazendo agora mesmo. Quanto mais roubamos, quanto mais cobiçamos e desejamos, tanto mais nos fechamos e menos recebemos de nossa fonte interior. Quanto mais aumenta o nosso materialismo, tanto mais reduzimos nosso canal de ligação com a única Fonte: em última análise estamos roubando a nós mesmos.

Este mandamento nos revela a verdadeira Fonte de Suprimento, que traz em si, em potencial, tudo o de que necessitamos. Nada há a cobiçar, nada a desejar nem roubar. O que não é nosso hoje, pode ser amanhã, quando nos pomos em condições de recebê-lo. Não fora assim, não se teria afirmado: “Somos filhos e, portanto, herdeiros de Deus e coerdeiros com o Cristo”. Não apenas nas coisas espirituais, pois, “se buscamos o Reino interno e nosso ajustamento a Ele, tudo o mais nos virá de acréscimo”.

 

Nono Mandamento

“Não dirás falso testemunho”

Que é o verdadeiro? Que é o falso?

Verdadeiro é Deus e Sua obra. Verdadeira é a centelha divina que constitui nossa autêntica identidade.

Falso é o desvirtuamento do natural, por causa de nossa ignorância ou vício. Já vimos que a personalidade falsa, por sua ignorância e condicionamentos, é a prostituta, a testemunha falsa.

Quando a lei nos pede um testemunho, ele deve estar baseado na verdade. E juramos afirmá-lo, com a mão sobre a Bíblia – que prevê esse mandamento.

Ora, testemunhar é ver sem interpretar, sem mesclar no fato a nossa opinião. A opinião, o julgamento e interferência da falsa personalidade é, por conseguinte, prostituição do fato. Aí tomamos partido contra alguém e a favor de outrem. Não estamos sendo imparciais; não estamos dizendo o fato em si, tal como o observamos, despido de opiniões.

Transpondo o que dissemos ao campo espiritual, tomando por base o testemunho dos Seres iluminados, sabemos que o ser humano é permanentemente divino; se conseguimos desligar qualquer opinião pessoal ou sentimento de simpatia ou antipatia, encarando simplesmente. O Ser propriamente dito, na convicção de que ele é um filho de Deus e, portanto, nosso irmão, algo acontece de maravilhoso: tocamos o seu íntimo, atingimos sua Essência, derrubamos os muros que tenham existido entre nós e realizamos a prova da Fraternidade Universal.

Mas se o vemos como algo à parte de Deus e de nós mesmos, com todos os seus defeitos, sem compreendê-lo no estágio atual de consciência, estamos dando um falso testemunho dele.

 

Décimo Mandamento

“Não cobiçarás”

Notem as sutis diferenças e correlações; observem a ligação deste com o 8º Mandamento: “Não furtarás”. Desejar, cobiçar, já é um roubo, porque há um movimento interno, emocional e mental, que nos põe numa injusta relação com a pessoa ou coisa. É uma incompreensão de nossa relação com o único suprimento, da Única Fonte e de nossa inevitável ligação com o Todo. Cristo esclarece: “Se alguém olhar uma mulher e em pensamento a cobiçar, já cometeu adultério”. Notem bem: adulterou uma verdade e roubou. E quem faz isso? A personalidade viciosa.

 

Conclusão

Esses Dez Mandamentos constituem a Lei de Moisés, “a letra da verdade”. Em seu sentido literal, adequado ao povo daquela época, era o primeiro estágio da verdade, a “pedra”. Tal como apresentamos aqui, em seu aspecto mais profundo, é o segundo estágio, a “água viva” – que cada um há de transformar em vinho – terceiro estágio – pela vivência e assimilação conscientizada. Tal é o convite e desafio que apresentamos ao leitor.

Em essência, esses Dez Mandamentos devem ser amalgamados pela consciência e sintetizados, como nos ensinou o Mestre: “Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu Coração, de todo o teu entendimento e com toda a tua alma” (Coração e Mente fundidos na Sabedoria que se expressa como Alma). E como isso se cumpre?

“Amai o próximo como a vós mesmos”!

Para chegar à síntese consciente, é preciso vivenciar a análise. Desejamos que esses pontos lhes suscitem outros, conducentes a uma profunda compreensão deste magno assunto.

FIM

[1] Éteres Luminoso e Refletor

poradmin

Como podemos caminhar na Luz? Significa isto que temos comunhão com o Cristo, ou uma pessoa com outra, ou a temos com o Cristo e simultaneamente com outras pessoas? Significará que todas as pessoas, caminhando na Luz, receberão iluminação?

Pergunta: Estou intrigado sobre o significado do verso da escritura utilizado em relação ao Emblema Rosacruz: “Se andarmos na Luz como Ele na Luz está, teremos comunhão uns com os outros”. Como podemos caminhar na Luz? Significa isto que temos comunhão com o Cristo, ou uma pessoa com outra, ou a temos com o Cristo e simultaneamente com outras pessoas? Significará que todas as pessoas, caminhando na Luz, receberão iluminação?

Resposta: A “Luz” em questão é a do Corpo-Alma, aquela vestimenta luminosa que tecemos pelo amor e sacrifício desinteressado ao próximo. Compõe-se dos dois Éteres superiores (de Luz e Refletor) do Corpo Vital e é o veículo particular do Cristo em nós. O Princípio Crístico é o Princípio de Unidade, estando relacionado ao Mundo do Espírito de Vida, o primeiro dos mundos universais e, portanto, quando construímos o Corpo-Alma e caminhamos em sua luz (é de fato luminoso) estamos andando num mar de UNIDADE, por assim dizer. Assim “temos comunhão” ou sentimos uma união com todas as criaturas de Deus.

Relativamente ao Corpo-Alma, é-nos ensinado nos Ensinamentos Rosacruzes, que: “A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, é o que podemos chamar de Corpo-Alma, isto é, é mais diretamente ligado com o Corpo de Desejos e a Mente e também mais maleável para o contato com o Espírito, que os dois Éteres inferiores. É o veículo do intelecto, e responsável por tudo o que faz do ser humano um indivíduo. Nossas observações, aspirações, carácter, etc. são devidos ao trabalho do Espírito nestes dois Éteres superiores, os quais se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza de nosso carácter e hábitos. Também, conforme o Corpo Denso assimila partículas de alimento ganhando assim carne, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações, crescendo de volume. De acordo com nossas ações aumentamos ou diminuímos, nesta vida, aquilo que trouxemos conosco ao nascer”.

“Conforme novas formas vão sendo propagadas através do segundo Éter (de Vida), o Ser Superior, o Cristo Interno, forma-se através deste mesmo veículo de geração, o Corpo Vital, em seus aspectos superiores incorporados aos dois Éteres superiores.

“Mas à semelhança de um bebê que requer nutrição, também o Cristo ao nascer é um bebê precisando de alimento para se tornar um pleno adulto. E assim como o corpo físico cresce por contínua assimilação de material da região química (sólidos, líquidos e gazes), semelhantemente, conforme o Cristo cresce, crescerão os dois Éteres Superiores, formando uma nuvem luminosa em volta do ser humano que seja suficientemente merecedor de apontar para o céu seu rosto; revestirá o peregrino com luz tão brilhante que ele “andará na luz”, literalmente”.

“São Paulo enfatiza que nós temos — um “soma psuchicon” (traduzido erradamente como corpo natural), um “Corpo-Alma”, feito de éter, que é mais leve que o ar e, portanto, capaz de levitar. Este é o Dourado Traje de Bodas, a Pedra Filosofal, ou a Pedra Viva, mencionada em algumas antigas filosofias como a Alma Diamantina, pois é luminosa, brilhante e faiscante — uma gema sem preço …. Este veículo eventualmente evoluirá na humanidade em seu todo, mas durante a mudança da Época Ária para as condições etéricas da Época Nova Galileia, haverá pioneiros como os Semitas originais fizeram na mudança da Época Atlante para Época Ária”.

“O Corpo-Alma ou ‘Traje de Bodas’ está latente em todos nós. Fica mais resplandecente pela alquimia espiritual, pela qual o serviço é transmutado em crescimento de alma. É a casa ‘feita sem mãos’, eterna nos céus, com a qual São Paulo aspirava cercar-se”.

O “Corpo-Alma” não deve ser confundido absolutamente com a alma que o interpenetra. O Auxiliar Invisível que o utiliza em voos anímicos sabe ser tão real e tangível como o corpo de carne e sangue. Mas dentro deste traje dourado de bodas há um “algo intangível” reconhecido pelo espírito de introspecção. E indescritível; foge aos mais persistentes esforços da imaginação, contudo, lá está tão certamente quanto está o veículo que ele preenche — sim, e ainda mais. Não é vida, amor, beleza, sabedoria, nem outro conceito humano que possa dar a ideia do que seja, pois é a soma de todas as faculdades, atributos e conceitos do bem imensamente intensificados. Se tudo o mais fosse-nos tirado, esta realidade suprema ainda permaneceria, e estaríamos ricos por sua posse, pois através dela sentimos o poder arrebatador de nosso Pai no Céu, o incentivo interior que todo aspirante conhece tão bem”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jan/fev/88)

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O Processo Alquímico: Corpo e Alma, alma do corpo

O Processo Alquímico: Corpo e Alma, alma do corpo

Os antigos Rosacruzes eram conhecidos como grandes filósofos, curadores e alquimistas. Estes Rosacruzes eram Iniciados na Escola dos Mistérios Rosacruzes, onde eles recebiam as instruções e Treinamento que os faziam sábios. À compreensão das leis que governam as manifestações, tornava possível abandonar seus corpos físicos quando quisessem, contatavam com a Memória da Natureza para qualquer informação de acordo com sua vontade, curavam doenças, e muitos outros milagres que eles faziam em benefício da Humanidade.

Hoje, um mundo de medo do poder material indevidamente usado, muitas pessoas têm se apressado em procurar dentro de si um alívio, para este medo, e procurar refúgio na “paz que ultrapassa toda compreensão”, encontrada no caminho da Iniciação, como ensinavam os antigos Rosacruzes. Infelizmente, muitos não sabem como entrar no caminho, ou estar lá, mas somente sabem usar como vantagem qualquer informação assim que as recebem.

Antes de se tornar membro das Escolas de Mistérios, é necessário saber que o desenvolvimento espiritual é feito de maneira individual. A Fraternidade Rosacruz é uma Escola Preparatória, e dá treinamento e instruções necessárias ao aspirante, para beneficiar o próprio desenvolvimento interior, o qual é a chave para abrir a porta da Verdade da Escola de Mistérios Rosacruz.

Nós sabemos que as leis são ativas em todos os planos do ser. A grande lei é revelada no plano físico através do axioma “Como é em cima, é em baixo”. Isso significa que os princípios que operam nos planos superiores, com certeza, operam de maneira similar nos planos inferiores. Sendo isto uma verdade, podemos também dizer que o inverso também é verdade, assim a partir de nossas observações das coisas nestes planos inferiores, podemos compreender os princípios que operam nos planos superiores.

Nós devemos nos familiarizar com a Região Química do Mundo Físico, a região que nós conhecemos por meio dos cinco sentidos. Portanto, pelo estudo das coisas do nosso dia-a-dia do Mundo Físico poderemos tornar conhecedores das leis das Regiões Espirituais Superiores.

Os antigos Rosacruzes ensinavam conceitos e princípios pertencentes ao desenvolvimento espiritual na estrada da iniciação. Eles encontraram muitos obstáculos porque ensinavam a doutrina que cada indivíduo poderia ser seu próprio sacerdote nas relações com Deus para o perdão dos pecados, e outros ensinamentos considerados não ortodoxos pela igreja da época. Consequentemente, eles perceberam a necessidade de disfarçar suas escrituras e ensinamentos de um jeito que aqueles que possuíam a chave poderiam facilmente entender o que lhes estavam explanando, e ao mesmo tempo estes ensinamentos tornariam não inteligíveis para os que não tivessem a chave.

Por isso, todos os estudantes que estão nos verdadeiros caminhos que conduzem à Iniciação, são também familiarizados com a terminologia da Astrologia, a linguagem das estrelas que eram usadas como código, no qual escreviam e ensinavam as verdades interiores. De qualquer maneira, muitos dos quais não eram merecedores de receber os mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, estavam bem familiarizados com a terminologia astrológica. Assim uma simples expressão de princípio em termos de Astros e Signos, não serviria para disfarce dos ensinamentos. Os Rosacruzes, após isto, usaram sinais astrológicos para os seus objetivos.

Nos escritos dos Antigos Rosacruzes, nas constantes referências às atividades e às leis em um laboratório físico onde diziam que estas pessoas eram tentadas a obter ouro de metais básicos. Esta ideia foi prometida àqueles que não possuíam a chave. A verdade de tudo, é que os antigos estavam falando não na obtenção de ouro físico, mas sim do “ouro espiritual”. Aqui nós encontramos a chave. Os elementos da alquimia, são para ser interpretados como fábricas na construção da “roupa de casamento com Deus”, fora das bases das experiências dos metais do dia a dia.

De acordo com os símbolos astrológicos, as substâncias e os métodos de procedimento na Região Química, cada uma delas está sob uma regência de certo Astro. As condições e métodos de procedimentos em regiões superiores também estão debaixo de regência de certos Astros. Este é o código usado pelos escritos alquímicos. Escritores escreveram sobre substâncias alquímicas e métodos. Isto foi entendido por aqueles que tinham a chave destas substâncias e métodos colocando-os em seus considerados Astros Regentes, e estes determinados, eram para serem interpretados em termos de condições e métodos os quais eles regiam em planos superiores.

De acordo com as normas da química, nós devemos ter um laboratório de reagentes químicos, com os metais básicos e instrumentos. O mesmo é verdade na observância das leis do desenvolvimento espiritual.

De acordo com os símbolos astrológicos, as substâncias e os métodos de procedimento na Região Química, cada uma delas está sob uma regência de certo Astro. As condições e métodos de procedimentos em regiões superiores também estão debaixo de regência de certos Astros. Este é o código usado pelos escritos alquímicos.

Escritores escreveram sobre substâncias alquímicas e métodos. Isto foi entendido por aqueles que tinham a chave destas substâncias e métodos colocando-os em seus considerados Astros Regentes, e estes determinados, eram para serem interpretados em termos de condições e métodos os quais eles regiam em planos superiores.

A contribuição de ensinamentos superiores da Fraternidade Rosacruz: “Os alquimistas sabiam que a natureza moral e física do ser humano se tornou densa e grosseira, de acordo com a paixão apontada pelos Espíritos Lucíferos, e que depois, um processo de destilação e refinação foi necessário para eliminar estas características, e levar o ser humano ao alto, onde o esplendor do Espírito não é seduzido pelas coisas materiais o qual esconde, digo, mantém seus olhos distantes disto. Eles depois disseram, que o corpo é como um laboratório, e falaram de processos espirituais em termos químicos”.

As ferramentas do alquímico são suas capacidades e habilidades mentais, espirituais e emocionais. A história bíblica dos talentos e como são relatadas em Mateus 25:13-31 é uma discussão esotérica das ferramentas, dos processos alquímicos onde está indicado, que todas as ferramentas fornecidas devem ser usadas, e também, para conseguir outras ferramentas para o desenvolvimento.

Um estudo cuidadoso de nossa própria carta natal, mostra nossas ferramentas que possuímos, e também, pontos e direções, em quais os esforços podem estar vantajosamente expedidos, para o desenvolvimento de ferramentas adicionais. O grande Criador, está construindo, mas ele não faz isto sozinho, ele deve ter a ajuda de muitas hierarquias espirituais e que nós como Espíritos Virginais, somos como uma hierarquia e estamos ajudando nas atividades da grande construção. Como toda obra requer muitas atividades, muitos tipos de trabalhos como uma larga variedade de ferramentas, assim na grande construção espiritual, nós temos diversos tipos de trabalhadores com diversos tipos de ferramentas.

O químico deve ter certos reagentes químicos, para fazer desejadas reações nos metais básicos, os quais ele está trabalhando. Os antigos alquimistas constantemente diziam que quatro eram os reagentes químicos, a saber, o mercúrio, nitrogênio, sal e o enxofre, os alquimistas dizem, que o ângulo da Lua é que regem as correntes salinas, com o elemento sal; e os Espíritos Lucíferos de Marte o enxofre, e os Mercurianos de Mercúrio o metal mercúrio. Eles também falaram de um quarto elemento, denominado Azoto, um nome composto da primeira e última letra de nosso clássico idioma, que intenciona conduzir a mesma ideia, do Alfa e o Ômega, que inclui tudo. Esta referência como conhecemos agora, como o raio espiritual de Netuno, que é também a oitava superior de Mercúrio, é essência sublimada do poder Espiritual. Eles sabiam na seção simpática da espinha dorsal, que governa as funções que tem que ser feitas particularmente com a SUBLIMAÇÃO ou REFORMA, e o bem-estar do corpo, os Anjos Lunares eram especialmente ativos, e este segmento foi depois designado como elemento sal. O segmento que governa os nervos motores que libera a energia motora, do corpo, pelos alimentos, viram que estavam claramente debaixo da regência dos Espíritos Lucíferos marcianos, e depois eles o chamaram de enxofre. O segmento restante, o qual, registra e marca as sensações, trazidas pelos nervos, foi chamado Mercúrio, porque era dito que estavam sobre regência dos Espíritos de Mercúrio. O nervo espinhal, ao contrário que os anatomistas dizem, não é preenchido por fluído, mas por um gás, que é igual a um vapor, o qual, pode ser condensado quando exposto na atmosfera, mas que pode ser superaquecido, pelas atividades vibratórias do Espírito, e de acordo com estas vibrações, tornar-se-á cada vez mais brilhante, como de aparência de um ardente fogo, o fogo da purificação e da regeneração. Este é o campo de ação da grande hierarquia de Netuno, e denominado de Azoto pelos alquímicos.

Os antigos alquimistas também fizeram referência sobre sete metais, os quais, seriam para ser usados para fazer o ouro desejado. Estes sete metais básicos sem impurezas, a saber: o ouro, a prata, o cobre, o mercúrio, ferro, chumbo e o estanho. Agora seguindo as regras de interpretação que foram ditas, nós determinaremos os Astros que regem estes metais básicos: O Sol, o ouro; a Lua, a prata; Mercúrio, o mercúrio; Marte, o ferro; Júpiter, o estanho; Vênus, o cobre; Saturno, o chumbo.

A “VESTIMENTA DE CASAMENTO COM DEUS”, que já falamos anteriormente, é chamada de alma do corpo (Corpo-Alma), na linguagem Rosacruz. Novamente as contribuições de certos ensinamentos Rosacruzes vem a coincidir com o que São Paulo disse: “carne e sangue não pode herdar o Reino dos Céus”, mas ele também nos mostra que nós temos uma SOMA PSUCHICON, que quer dizer, o Corpo-Alma. Este é feito de Éter, que é mais claro ainda que o ar, e de qualquer forma capaz de levitar. Essa é a VESTIMENTA DE CASAMENTO COM DEUS, a pedra filosofal, ou a pedra da vida, e escritas pelos, digo, por alguns filósofos da antiguidade, como diamantes da alma, e por este ser luminoso, e resplandecente, luzente, brilhante, pedra inestimável, se constrói similarmente aos nossos bons feitos, durante a vida e seu crescimento em volume é tão bom que o feito mais espiritualizado, lustra-o e resplandece em beleza esculpida, pelas obras e serviços altruístas. Eventualmente, essa alma do corpo é transmutada em alma do interior do espírito. Nós adicionamos em nossa alma as experiências vividas durante toda vida, e depois de termos vividos muitas vidas, particularmente se elas tiverem sido bem vividas, nós seremos ricos em alma.

Todas as experiências de nossas vidas diárias, estão sendo utilizadas durante o processo de evolução, e consta dentro de nossas almas para nosso uso em vidas futuras, também em planos superiores.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)

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O Guardião do Umbral: uma entidade criada por você mesmo

O Guardião do Umbral: uma entidade criada por você mesmo

Sempre ressaltamos e insistimos no que representa a retidão no bem servir, desde o ponto de vista espiritual e também material, do estudante que está no caminho do desenvolvimento e isto se deve a muitas razões que existem para que esta nossa insistência tenha justificação. Quiçá um dos pontos ou temas mais analisados, uma vez que estamos imbuídos do que representa o transitar pela senda, seguindo uma vida espiritual, mediante o conhecimento que nos brindam os Instrutores da Filosofia Rosacruz, ou seja, o tema do Guardião do Umbral.

Como seres eternos que somos, viemos desenvolvendo através do tempo, experiências diferentes, umas boas outras más, e tem uma implicância grandiosa no desenvolvimento evolutivo do ser humano, sendo que os resultados dessas ações sejam passadas ou presentes, o que constitui o Guardião do Umbral, o qual analisaremos à luz dos conhecimentos que nos proporciona à Filosofia Rosacruz, e a maneira como tratá-lo, por assim dizer.

O Guardião do Umbral é um elemental evidentemente. E uma entidade criada por nós mesmos, com nossos maus pensamentos, com nossas más ações, incluso também com ações que pertencem à vida atual.

Seu principal alimento constitui-se de nossas más ações e estará presente como um grande obstáculo no momento quando, conscientemente, queiramos ingressar nos planos suprafísicos, tratará de deter-nos, querendo evitar nossa elevação espiritual.

Seu alimento também se constitui do temor que sempre estamos lhe acrescentando ao invés de diminuir-lhe. Queridos irmãos: eis aqui o motivo pelo qual sempre estamos inculcando a eliminação do temor, porque o mesmo, não conduz a nada de bom, e vencê-lo é uma das chaves para que o Estudante consiga um triunfo positivo nesta senda. Outros alimentos deste elemental também constituem de nossas dúvidas, nossas maldades — sejam pequenas ou grandes — o egoísmo, a hipocrisia e todas as circunstâncias negativas em que vivamos ou que simplesmente sejam pensamentos.

Uma vez que estamos conscientes de que o Guardião do Umbral é um elemental criado por nós mesmos e que está sendo alimentado para sua existência, por nossas más ações durante vidas e vidas, podemos fazer o contrário para ir diminuindo sua força pouco a pouco até eliminá-lo por completo, através do equilíbrio e com muita força de vontade, para, desta forma permitir-nos chegar até o “Anjo Guardião”, que é produto de todas as coisas boas que temos feito, sendo este Anjo o que nos guiará pelas maravilhosas experiências dos mundos espirituais de forma consciente.

O trabalho da eliminação deste elemental negativo, é muito árduo, mas é uma tarefa que todos teremos que realizar algum dia, quando chegar o momento indicado, diz Max Heindel.

Falar da transmutação ou da redenção desta entidade elemental, implica num trabalho que se inicia neste plano físico, sendo impossível o acesso aos mundos suprafísicos se não começarmos aqui, na materialidade. Talvez o mais difícil é cuidar de nossas emoções, cuidar de nossos sentimentos, porque controlar o Corpo de Desejos, é sumamente trabalhoso, por isso nos fala nosso instrutor de equilíbrio, de força de vontade. Equilíbrio para que, chegado o momento de ascender à espiritualidade, estejamos preparados para enfrentar à situação delicada que indubitavelmente se nos apresentará, e força de vontade para transmutar as circunstâncias. Esta força de vontade a obteremos aqui neste plano físico mediante nosso trabalho cotidiano como Auxiliares Visíveis, trabalhando com as coisas que elevam o espírito.

Como sabemos, todo desenvolvimento espiritual do estudante ocidental, se inicia no Corpo Vital, que está composto por Éteres superiores e inferiores. À vida material e social, sem dedicá-la à parte espiritual, desenvolve unicamente os dois Éteres inferiores, ou seja, o Éter Químico e o Éter de Vida. Isto não é ruim, mas desde o momento que iniciamos o esforço de ingressar a espiritualidade, temos a necessidade de desenvolver os outros dois Éteres, que são o de Luz e o Refletor.

Nesta parte, cabe prevenir um pouco ao estudante, de que quando chegue a desenvolver a vida espiritual e se sinta seguro com seus benefícios, não deve, no entanto, abandonar a vida material, porque aqui deve seguir atuando como Auxiliar Invisível, desenvolvendo os dois Éteres Superiores e criando assim seu Corpo-Alma, desempenhando assim um grande papel a serviço da humanidade.

Então aqui também devemos manter o equilíbrio e cuidar da vida espiritual, sem abandonar nenhuma delas, e assim como alimentamos nosso Corpo Denso, também alimentar a sensibilidade despertada no plano espiritual, tendo em conta por outro lado, que as ações espirituais constantes desgastam o corpo físico, pela crescente sensibilidade do sistema nervoso, que pode ocasionar enfermidades. Para evitar isto, devemos apelar sempre para o equilíbrio para cuidar dos requerimentos de ambos os planos, porque é errôneo, em detrimento de nossa vida material, que elevemos nosso potencial espiritual.

Um dos maiores problemas do estudante e de todos os que escolheram o caminho da espiritualidade, é o egoísmo, sendo este o maior alimento que recebe o Guardião do Umbral, mas temos a opção de transmutá-lo. Talvez alguns pensem que não são egoístas, e o primeiro que devemos buscar, é reconhecer nosso egoísmo. Para isto é necessário a autoanálise, e autocrítica, para que vejamos sinceramente em que ponto estamos colocados, para logo melhorarmo-nos, porque se nós mesmos não o reconhecermos, então não poderemos melhorar. O assunto não se trata de ler livros e mais livros e fazer orações e logo gozar a vida, como se diz. O assunto é de suma responsabilidade, mais ainda quando já tem algum conhecimento espiritual.

Por tudo isto, dizemos que o caminho espiritual é para as almas fortes e decididas, e só os fortes e decididos tratam de buscar o caminho superior e ascender um pouco mais a cada vida. Daí meus queridos irmãos, que devemos juntar ao equilíbrio e à força de vontade, outra virtude mui especial que é a persistência. Podemos nos enganar e cometer erros, mas devemos levantar e continuar o caminho, devemos persistir sem descanso, e não dizer de um irmão: “para 99 quedas, 100 levantadas”, e ter presente que o mestre Jesus, o Cristo, sempre nos acompanha, diariamente, apoiando nossos esforços e mais ainda, devemos ter presente que há uma legião de seres espirituais, de Irmãos Maiores e de entidades superiores, que simpatizam e tratam de nos levar adiante, que se regozijam com nossos sucessos e se entristecem com nossos erros, e que chegam a atormentar-se muito mais, quando veem que não nos levantamos da queda quando esta acontece.

Tendo em conta o que antecede, recomendamos aos estudantes que ponham muita força na parte devocional, a parte anímica, porque aí está o “alimento” para o “Soma Psuchicon”, esse Corpo-Alma ao que, nos conhecimentos meramente mentais e materiais não lhe serve de nada. Devemos fortalecer devocional e animicamente por meio da devoção ao mais elevado, ao bem e ao espiritual.

Se dão conta então porque há tão poucas pessoas que uma vez no caminho, progridem pouco ou não avançam? Porque abandonam a parte devocional, muito útil para ir deixando “sem alimento” o Guardião do Umbral. Pois então, deverá dar a real transcendência, a nota chave que nos levará adiante, ou seja, a devoção, o poder anímico, que está na oração, no perdão, no positivismo, em todo ato que eleva a alma.

Consequentemente, devemos guardar em nossa memória os três pontos necessários para avançar no caminho: o Equilíbrio, a Força de Vontade que nos permitirá ascender ao terceiro ponto, que é a Persistência.

(Traduzido da Revistas Joyas Espirituales e Publicado na revista Serviço Rosacruz – 03 e 04/87)

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A Consciência do Auxiliar Invisível – Parte I

A Consciência do Auxiliar Invisível
Parte I

A Fraternidade Rosacruz ensina que os Auxiliares Invisíveis são aqueles que vivem uma vida digna de altruísmo, durante o dia, em seus corpos físicos. Aqueles cujo desenvolvimento evolutivo já ultrapassou de muito o ser humano comum e conquistaram o privilégio de se tornarem úteis, durante a noite, quando seus corpos estão repousando, agindo em benefício da humanidade, por meio da instrumentalidade dos Irmãos Maiores da Rosacruz.

Assim, enquanto estão funcionando em seus veículos superiores poderão ser vistos trabalhando fielmente na Vinha do Cristo.

Os Auxiliares Invisíveis são reunidos em grupos, de acordo com seus temperamentos e habilidades, sob a orientação de outros Auxiliares que são médicos. O trabalho global dos grupos sob a direção dos Irmãos Maiores são os espíritos propulsores da Equipe.

Max Heindel nos instrui sobre os dois graus de Auxiliares Invisíveis: os conscientes e os inconscientes. Estes últimos são os que trabalham inconscientemente nos Mundos invisíveis enquanto seus corpos dormem.
A experiência de um Auxiliar Invisível inconsciente pode ser comparada a um sonho que não é recordado quando desperta. Contudo, é uma experiência perfeitamente real e, como tal, forma parte do panorama da vida e é presenciada pelo Ego quando, no estado post-mortem, revive sua existência inteira.

Toda a evolução, incluindo a Iniciação, é um problema de expansão de consciência. A lagarta não rasteja ao longo do galho, transforma-se em crisálida e finalmente emerge na borboleta alada, fendendo o espaço azul?

São três realidades num mesmo mundo. Contudo, sob o ponto de vista de consciência a vida-borboleta passou através de três mundos diferentes. Da mesma forma, o Espirito Virginal existe somente num mundo: o Universo de Deus em sua infinita manifestação. Somos uma ideia Epigênese espiritual na Mente de Deus, uma criação eternamente perfeita, que foi, é e será. Entretanto, como a consciência se desenvolve no caminho da evolução, vemos passar através de vários planos ou mundos, cada qual representando um estado particular de consciência.

De cada plano, como Egos, aprendemos uma infinita variedade de sensações. Sob um aspecto vemos o Mundo de Deus à semelhança do Universo Físico que, aos cinco sentidos, parece algo inerte, sujeitos à impiedosa ação das leis naturais e do domínio de inteligências cruéis. Neste plano físico estamos envoltos em um casulo da materialidade, um corpo inerte. Podemos facilmente imaginar, como Max Heindel, que a Iniciação vem pela prática dos preceitos.

Em que consiste essa prática?

No uso adequado das leis do pensamento. Ainda é Max Heindel quem nos diz: “A Mente é o caminho”. De fato, a totalidade do caminho da Iniciação está sob a direção dos Senhores de Mercúrio, cujo trabalho de individualização e libertação pela razão se vai tornando cada vez mais potente na evolução humana, na medida em que seu Planeta vai emergindo da Noite Cósmica. Daí que o Caduceu seja usado como símbolo de Iniciação, pois Mercúrio rege o poder da razão pura (Gêmeos), bem como a Virgindade do Espírito Virginal puro e não contaminado pela materialidade. Eis a chave de completo método de desenvolvimento espiritual, tal como nos é dado pela Ordem Rosacruz.

Desnecessário é dizer que a consciência do Auxiliar Invisível de modo algum é idêntica à do Iniciado. Todavia, é um dos aspectos subsidiários do desenvolvimento ascendente. Não se trata de uma consciência definida, porém, já é algo maravilhoso para ser grandemente desejado por todo Aspirante a esferas mais amplas de serviço. O Auxiliar Invisível é um aspecto do esforço pelo qual a borboleta emerge, com as asas pintadas, do casulo da materialidade. Nesse grau temos uma noção de nosso lugar no caminho, percebendo o grau em que a luz se manifesta nos lugares sombrios da alma, durante o sono.

A consciência do Auxiliar Invisível é comparável ao Arco-íris pelo qual os heróis ancestrais cavalgam para atingir o Valhala, pois representa uma transição para a consciência espiritual e não a consciência integral em si mesma.

Há também na consciência do Auxiliar Invisível certa gradação de conhecimento, que poderá ser avaliada quando comparada com a consciência ordinária de vigília. Observe o leitor, fisicamente, como se dá o despertar diário. Um indivíduo se desperta completamente e logo depois se situa em seu ambiente, reconhecendo-se perfeitamente distinto de tudo o que rodeia. Esse é um extremo. O outro é um completo despertar de consciência noturna do Ser.

O Ego fica completamente desperto e consciente durante o sono, podendo observar e raciocinar, conversar com outros Seres Invisíveis, mais ou menos conscientes do que ele mesmo pode investigar trechos da superfície Terrena, ver a história em formação no outro lado do mundo. Esta última consciência é como a completa consciência de vigília no Mundo Físico, porém, em ambiente diferente.

“Lá”, as leis da natureza nos aparecem como reflexos de nossa própria alma; são fenômenos psíquicos e não fenômenos materiais, objetivos. Contudo, operando nesse estado de consciência, o neófito está apto a relacionar-se com acontecimentos materiais, a viajar para países estrangeiros e mesmo produzir impressões sobre o mundo da matéria. Eis porque o mundo integral da matéria é meramente um efeito de causas operantes nos Mundos superiores.

Max Heindel comparava relacionamento de causa e efeito a uma imagem lançada sobre uma tela por um estereoscópio. Se você muda o “slide”, a imagem da tela automaticamente se muda. É inútil tentar mudar a imagem sem previamente mudar o “slide”, porque o “slide”, em tal caso, é o arquétipo da imagem projetada na tela. Ora, as coisas e circunstâncias deste mundo são as imagens da tela.

Por isso devemos aprender a, primeiramente, olhar o que temos na mente. Ali é que devemos mudar o arquétipo mental. Os mínimos resultados seguirão os efeitos daquela causa. Se o “slide” que introduzimos na consciência é uma imagem do mal e do sofrimento, a imagem, na tela material, é correspondente. Esse é o segredo do Auxiliar Invisível, a Chave da Iniciação e da Libertação final.

A consciência do Auxiliar Invisível varia de acordo com o desenvolvimento das qualidades anímicas citadas em “O Conceito Rosacruz do Cosmos”: Vida Anímica, Luz Anímica e Poder Anímico (planos superiores do Mundo do Desejo).

Isso é assim explicado para atender à tendência de separação, de acordo com os conceitos de espaço e tempo que nos limitam neste Mundo.

Mas, as coisas espirituais têm um sentido global. Por isso, tanto os estudos metafísicos como os matemáticos exigem amor e muita dedicação. Quando hajamos conquistado um completo despertar nos planos internos, não haverá má compreensão a respeito. Mas até lá tomamos muita confusão mental como realidade e semi-despertamentos serão confundidos com verdadeiras experiências comum ou de um sonho real (passeio anímico).

Certa vez foi feita uma pergunta a uma Probacionista sobre seu trabalho nos planos internos, à noite. A descrição que ela fez foi a de um sonho comum ou de um sono real (passeio anímico?).

-“Oh, era real eu sei que era! Exclamou ela veementemente – “porque depois fiz uma verificação”.

A questão era saber se ela havia estado consciente quando o “sonho” se realizou, pois, sua descrição era de um sonho real. Mas verificamos que ela não estava consciente nessa ocasião e nem em outras ocasiões embora conhecesse teoricamente bem estas questões.

A respeito de sonhos esclarece-nos Max Heindel: “antes que o aspirante aprenda a deixar voluntariamente o corpo pode trabalhar em Corpo de Desejos durante o sono, porque em certas pessoas o Corpo de Desejos pode organizar-se antes da separação dos Éteres Superiores. Sob tais condições é impossível ter a memória de nossa atividade fora do Corpo Denso e observar, conscientemente, o que lá fazemos, porque não nos acompanham os Éteres Luminoso e Refletor, veículos dos sentidos e da memória. Todavia, se trabalhamos fora, embora inconscientemente, temos como sinal a ausência de sonhos confusos. Cessarão os sonhos desconexos; depois de um lapso variável de tempo os sonhos se tornarão mais vívidos e perfeitamente lógicos. O Aspirante sonhará que esteve em certos lugares com determinadas pessoas conhecidas ou não, conduzindo-se de modo tão razoável com se estivera em estado de vigília aqui. Se lhe aparece um lugar no sonho, ser-lhe-á possível, quando voltar ao Corpo e já em estado de vigília, comprovar a realidade do sonho, dirigindo-se àquele lugar e comprovando “in loco” certos detalhes que tenha observado no sonho. Verificará, também, que poderá visitar, durante suas horas de sono, qualquer lugar que deseje sobre a face da Terra, investigá-lo mais completamente do que estando no seu corpo material, em virtude da facilidade de acesso a todos os Lugares, não importando estejam fechados. Persistindo mais, chegará um tempo em que não precisará mais das horas de sono para anular a conexão entre os veículos, mas poderá deixar o corpo voluntariamente quando queira.

As experiências de muitos Probacionistas se enquadram nos “sonhos reais” ou “voos anímicos”. Sonhos reais são acontecimentos astrais. Todavia o inteiro despertar depende do desenvolvimento do Corpo-Alma, por meio de um reto viver e serviço altruísta. Aquele que se preocupar muito com seu desenvolvimento, a miúdo esquece a chave dele, que é o esquecimento de si e a amorosa entrega aos demais. Só os dois Éteres Superiores, convenientemente desligados, podem formar, com a parte superior do Corpo de Desejos, o veículo em que se funciona desperto, imprimindo no cérebro físico a imagem de uma jornada nos planos internos.

Convém advertir: há um sonho comum em que sonhamos que estamos despertos. Ocorre com bastante frequência.

Estamos no leito, dormindo, sonhando que nos levantamos, nos vestimos e estamos pronto para ir ao serviço.

Nisso soa pela segunda vez o despertador (na verdade a primeira vez), abrimos os olhos e, admirados, descobrimos que nem tínhamos levantado, pois estávamos dormindo. O mesmo pode suceder ao neófito que sonha que está desperto como um Auxiliar Invisível. É o que Du Maurier chama de “sonhos verdadeiros”, causados pelo mencionado fato de em algumas pessoas o Corpo de Desejos organizar-se antes da separação do Corpo Vital.

Naturalmente tais sonhos são reais, acontecimentos astrais, mas o neófito, em tais casos, não está realmente desperto fora de seu corpo. Apenas sonha que o está, como Auxiliar Invisível. Sob tais sutis condições, como saber se o neófito estava ou não desperto? Para responder a essa pergunta devemos fazer outra. Pela manhã, quando você despertou, estava mesmo desperto ou sonhando que o estava? Só poderá perceber a diferença quando se levanta, desperto. Nada sabe a respeito enquanto está sonhando. Isto é precisamente o que acontece em relação à consciência do Auxiliar Invisível.

Há definição para a consciência de Vigília? É descritível? Não. Apenas podemos mencioná-la, porque é uma experiência conhecida de todos.

Nossa opinião é que a maioria dos Auxiliares Invisíveis opera nessa consciência do sonho verdadeiro. Sonham real e acuradamente que são Auxiliares Invisíveis. Comparamos esse tipo de conhecimento com o do sonâmbulo que sonha que se levantou, vestiu-se e se pôs a descer as escadas. Está ele desperto, consciente, no lato sentido do termo? Naturalmente que não! Ele está apenas sonhando que está desperto. No entanto, está em condições de executar não somente as ações normais, peculiares a pessoas despertas, como também, muitas vezes, a fazer proezas que demonstram coragem e capacidade inexistentes em seu estado normal. Diz Max Heindel que o Auxiliar Invisível, à semelhança do sonâmbulo, é hábil e aparentemente inteligente em seu trabalho, mas, como o sonâmbulo que desperta subitamente, muitas vezes fica paralisado pelo medo, diante de situações imprevistas.

O vago estado do sonâmbulo é também comum ao Auxiliar Invisível que, em sentido oposto, é um sonâmbulo. A diferença é que o Auxiliar Invisível caminha, enquanto sonha, com um corpo que, de fato, se tornou um canal de ação onírica.

Tal corpo é o “Soma Psuchicon” (soma psíquico ou corpo psíquico) a que alude São Paulo, e que os Rosacruzes chamam de “o Corpo-Alma”. Neste ponto surge, outra pergunta: se tal sonho é real, será ele visível a outra pessoa que, desperta embora em seu Corpo físico, disponha de capacidade visual para perceber o Mundo do Desejo? Sim, pode e acontece. Sabemos de exemplos em que o “sonho” de um homem foi visto mentalmente por outro, à distância e no tempo comprovado, pois o sonhador despertou e olhou o relógio.

Porém, mesmo a consciência de sonho real não é a consciência média dos Auxiliares Invisíveis, em sua totalidade.

Para alguns, apenas, pois eles são, geralmente, inconscientes. Sua lembrança, pela manhã, quando despertam, é de que simplesmente sonharam, nada mais.

Max Heindel disse que a primeira parte (primeiras horas) do período de sono é dedicado à restauração das energias perdidas e preparação para o dia seguinte. “O Mundo do Desejo é um oceano de harmonia. Nele o Ego mergulha, deixando os veículos inferiores no sono. Seu primeiro cuidado é restaurar o ritmo, a harmonia do Corpo de Desejos e a Mente. Essa restauração é obtida gradualmente à medida em que as harmoniosas vibrações do Mundo do Desejo fluem através deles. Há lá uma essência que corresponde ao fluído vital que interpenetra o Corpo físico por intermédio do Corpo Vital. Esses veículos superiores (Mente, Corpo de Desejos), mergulham, por assim dizer, nesse “Elixir de Vida”. Quando já se encontram restaurados e vigorizados, eles iniciam o trabalho sobre o Corpo Vital, deixado com o Corpo Denso, sobre o leito. Então, o Corpo Vital começa a especializar a energia solar novamente, reconstruindo o Corpo Denso, usando, particularmente nisso, o Éter Químico. Essa atividade durante o sono é que forma a base para a atividade do dia seguinte.

Não nos devemos deter em sonhos comuns, embora vívidos, belos e convincentes, porque são puramente fenômenos astrais, conforme demonstramos no decorrer deste trabalho. A consciência de sonho real e desenvolvimento superior seguinte, que constitui a consciência desperta do Auxiliar Invisível, apresenta muitas armadilhas sobre as quais é de nosso dever prevenir o neófito. Tal advertência é de suma importância. Porque de seu conhecimento depende a ativação dos dois Éteres Superiores, na formação do Corpo-Alma.

Max Heindel enfatiza o ponto que o medo poderá ser eliminado da consciência, pelo amor. Ele confessa haver encontrado nesse medo um sério obstáculo, nos períodos iniciais de seu trabalho Iniciático. E recomenda ao Estudante e Probacionista, que pensem bastante e muitas vezes sobre o trabalho do Auxiliar Invisível, a fim de se irem habituando com a ideia de ficarem ausentes do Corpo, sem receios, porque a estocada do medo corta imediatamente a consciência psíquica, precipitando o neófito de volta ao Corpo Denso.

Um Probacionista nos conta como, na aurora de um dia, despertou com uma recordação fresca e aguda, de algum contato com os irmãos da Rosacruz. Estava perfeitamente consciente e ainda sentia o penetrante perfume de rosas em seu quarto. Enquanto estava deitado, as correntes perfumadas pareciam fluir através de seu corpo, de tal forma que lhe parecia flutuar nelas. Subitamente, porém, viu que “estava flutuando”, flutuando acima de seu próprio corpo, que jazia no leito. Sentiu a cutilada do medo e teve a consciência de que mergulhava no corpo. “Era como entrar numa nuvem de pontos; maiores do que aqueles que vemos no ar; quando tudo se normalizou, a nuvem se fechou sobre a cabeça, quase como acontece com a água. Ao abrir os olhos se encontrava no Mundo Físico.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1966)

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Qual a diferença entre Alma e Corpo-Alma?

Pergunta: Qual a diferença entre Alma e Corpo-Alma?

Resposta: Esta é uma das perguntas mais profundas que já foi feita, e não pode ser respondida diretamente, mas unicamente por meio de uma ilustração. Da mesma forma que as crianças aprendem certas verdades intelectuais, que estão além do seu alcance, por ilustração pictórica, a humanidade nascente aprendeu profundas verdades religiosas por meio dos mitos e alegorias.

O Corpo Vital é composto de quatro Éteres. Os dois Éteres inferiores são as vias particulares de crescimento e propagação. No Corpo Vital de uma pessoa, cujo interesse principal é a vida física e que vive, por assim dizer, inteiramente voltada para o prazer sensual, estes dois Éteres predominam, enquanto numa pessoa que é indiferente ao prazer material da vida, mas que procura progredir espiritualmente, os dois Éteres superiores formam a maior parte do Corpo Vital. Eles representam o que Paulo chamou de “soma psuchicon”, ou Corpo-Alma, que permanece junto ao ser humano durante as suas experiências no Purgatório e no Primeiro Céu, onde a essência da vida vivida é extraída. Esse extrato é a Alma, cujas duas qualidades principais são a consciência e a virtude.

O sentimento da consciência é o fruto dos erros em vidas terrenas passadas, os quais, no futuro, guiarão o Espírito corretamente e ensiná-lo-ão como evitar tais erros semelhantes. A virtude é a essência de tudo o que houve de bom em vidas passadas, e atua como um incentivo que mantém o Espírito em seu esforço ardente no caminho da aspiração. No Terceiro Céu, essas duas qualidades amalgamam-se totalmente com o Espírito tornando-se parte integrante dele. Desse modo, no decorrer de suas vidas, o ser humano eleva-se e as qualidades anímicas de consciência e de virtude tornam-se mais fortemente atuantes como princípios orientadores de conduta.

Talvez consigamos ter uma ideia melhor da diferença entre a Alma e o Corpo-Alma se considerarmos a alegoria contida no antigo Templo Atlante de Mistérios, o Tabernáculo no Deserto. Esse símbolo, dado por Deus, era provido com todos os elementos de crescimento da Alma necessários ao desenvolvimento da humanidade. Entre eles havia no Tabernáculo, a Mesa dos Pães da Proposição. Sobre esta mesa havia doze pãezinhos dispostos em duas pilhas de seis pães cada uma, e sobre cada pilha havia um pequeno monte de incenso. Lembremos que o grão, dos quais se originaram esses pães, foi dado por Deus ao ser humano, mas era necessário que o ser humano o plantasse, arasse o solo, regasse e alimentasse as minúsculas plantinhas. Devia colhê-las, debulhar o grão e triturá-lo transformando-o em farinha. Em seguida, devia preparar a massa e assar o pão antes de poder trazê-lo para o templo e apresentá-lo como produto do seu trabalho, executado com o grão ofertado por Deus. Esse grão dado por Deus representa a oportunidade.

Doze tipos de oportunidades apresentam-se ao ser humano a cada ano através dos doze departamentos da vida representados pelas doze casas em seu horóscopo. Mas muitos podem descuidar dessas oportunidades, da mesma forma que os antigos israelitas lançavam seu grão a um canto, esquecendo-o. Sendo assim, o ser humano não terá pão para apresentar ao Senhor. Será comparado ao servo que pegou seu único talento e o enterrou. Por outro lado, se ele arasse o solo e alimentasse o grão da oportunidade por serviços na vinha do Senhor, teria, como resultado, um acréscimo que poderia colher e preparar para ofertá-lo no templo do Senhor no momento apropriado, demonstrando ter cultivado fielmente todas as oportunidades de serviço, fazendo o máximo de acordo com a sua capacidade.

Observamos, no entanto, que estes doze pães da Proposição não eram realmente oferecidos ao Senhor, mas que sobre cada pilha de seis havia um pequeno monte de incenso, que representava a essência do pão. Por analogia, esta é a essência do nosso serviço; compreenderemos a razão disto por meio de outra pequena ilustração encontrada nas experiências pelas quais passamos para adquirir as faculdades físicas.

Todos nos lembramos de como na época em que íamos à escola e aprendíamos a escrever, fazíamos os mais desajeitados movimentos e contorções com o braço e o corpo tentando desenhar as letras sobre o papel.

Manchávamos os nossos cadernos de textos, que ficavam com uma aparência horrível, e nossas tentativas para escrever não eram nada bonitas. Não obstante, aos poucos, fomos adquirindo a faculdade e, ao longo dos anos, esquecemos tudo que se refere à experiência dos dias iniciais, quando nos esforçávamos em cultivá-la. Aqui está o ponto: se não tivéssemos passado por essa experiência incômoda, não possuiríamos hoje a faculdade de escrever, e há outro ponto a considerar: após termos adquirido a faculdade, é desnecessário recordar os métodos enfadonhos na sua aquisição. Similarmente, a substância física grosseira, o grão do Pão da Proposição, não devia ser ofertado ao Senhor, mas apenas a essência ou aroma dela, a faculdade do serviço hábil, a benevolência cultivada por nós ao fazer o bem aos outros.

As duas pequenas pilhas de incenso eram, então, levadas ao altar do incenso, em frente ao segundo véu e aí eram acesas. Erguia-se dali uma nuvem de fumaça para o exterior ou parte leste do templo, mas apenas o aroma, puro e livre da fumaça, penetrava através do véu para dentro do santuário interno. Por analogia, podemos comparar os Pães da Proposição às experiências pelas quais passamos ao servir e auxiliar os outros; o incenso, que se encontra no topo da pilha de pães, pode ser comparado à essência da simpatia e dos préstimos que extraímos desses serviços, o crescimento da Alma neles contido. Vemo-lo ao nosso redor como uma aura dourada, a qual constitui o Corpo-Alma. Mas, embora esse veículo glorioso seja feito dos dois Éteres mais sutis, não poderia, por qualquer processo que seja, amalgamar-se com o Espírito em si, da mesma forma que o incenso não pode queimar sem desprender a fumaça e deixar um resíduo de cinzas. Por conseguinte, pela alquimia espiritual do exercício noturno da Retrospecção, ou no processo na purgação após a morte, este Corpo-Alma é queimado sem o véu (no primeiro céu), e o aroma ou a Alma penetra o véu até o mais recôndito santuário como alimento para o Espírito.

Desse modo, o Espírito leva consigo o aroma de todas as suas vidas passadas. Uma Alma mais jovem, que só teve poucas existências das quais pudesse tirar experiências e alcançar o crescimento anímico, é cruel e egoísta, pois não prestou serviço aos outros. Mas, alguém que já teve muitas vidas, que aprendeu, através da amargura e do sofrimento, a sentir e auxiliar os demais, responde instantaneamente ao grito de dor, pois nesse alguém, a Alma é a quintessência do serviço, portanto, está sempre pronto a ajudar seu semelhante a despeito do conforto e dos prazeres pessoais.

(Perg. 159 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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Mais uma vez o maior de todos os eventos do ano

Mais uma vez o maior de todos os eventos do ano

Mais uma vez atinge o seu ponto culminante o maior de todos os eventos cósmicos: o Natal, a renovação do impulso Crístico na Terra.

Na Noite Santa, o solene tanger dos sinos invoca a presença dos fiéis para reverenciar a magna data. É a colimação cíclica de um processo irresistível e irreversível.

Novamente, o acendrado amor de Cristo pela humanidade faz-se sentir por meio da reinfeção de sua energia, sensibilizando os corações para as esferas superiores da vida. É a observação fiel de um compromisso, cujo término condiciona-se ao nosso próprio livre arbítrio, perdurando até que uma boa parte do gênero humano desenvolva o Corpo-Alma, o “soma psuchicon”, identificando-se então com o próprio Cristo.

Hoje, tal promessa é tão viva, tão real, tão sonora como há dois mil anos! Sentimos a presença do Cristo em cada ato de benevolência. Ouvimos sua voz nas palavras consoladores, nas pregações sinceras, nas músicas sublimes.

Observamos seus milagres na ação pura dos idealistas. Cada novo cristão é um Lázaro que ressurge. Cada novo cristão é um participante da multidão alimentada com o pão da vida.

Vinte séculos são decorridos e as vitórias do Cristianismo se sucedem. Forjado com o sangue dos mártires imolados em Roma e na Ásia Menor, resistiu a todas as procelas: aos tenazes perseguidores, às incompreensões e divergências internas, ao materialismo dos nossos tempos.

Força irresistível! Sobreviveu a todas as tentativas de destruição que lhe fizeram.

Força irreversível! Produziu homens como S. Francisco de Assis, Giordano Bruno, Henry Dunant (fundador da Cruz Vermelha Internacional), Abrão Lincoln, Max Heindel, Albert Schweitzer, Mahatma Gandhi (embora sendo de formação religiosa hinduísta, estudou na Inglaterra, sofrendo, portanto, influência do Cristianismo).

Estamos atravessando um momento crítico em nossa evolução. Nunca carecemos tanto da presença de Cristo como agora, e nunca Ele esteve tão próximo, empenhando-se em nos despertar a nossa verdadeira vocação espiritual.

Somos uma massa heterogênea. Formamos um conglomerado de virtudes e defeitos, de injustos, justos e injustiçados, de crentes e indiferentes, de altruístas e egoístas, de explorados e exploradores. A cada Natal, a força Crística reinicia o processo de transmutação dessa massa, sensibilizando as nossas faculdades espirituais. É essa energia dinâmica na verdadeira acepção da palavra que procura romper a barreira das nossas limitações. É ela que nos inspira no aprimoramento do nosso caráter. Ela nos enleva ante uma estátua esculpida na algidez de uma pedra. Ali não deparamos meramente com a figura estática, mas sentimo-la vivente, palpitante.

Essa energia nos deixa extasiados ao examinarmos um quadro, onde os contornos e as cores sugerem sentimentos. Ela nos eleva e aquieta ao som de uma sinfonia de Beethoven, de uma composição de Bach ou Haendel.

Nessas contemplações transcendemos a forma, penetramos no âmago, no espírito das coisas.

A esse propósito, queridos irmãos e irmãs, almejemos cada vez mais penetrar no Espírito do Natal, identificando-nos com ele. O verdadeiro Natal é interno. Consiste no nascimento do Cristo em nosso mundo interior.

Convertamos nossos corações em humildes manjedouras para receber Aquele que salva. E quais Reis Magos, depositemos aos Seus pés nossas oferendas, o ouro, o incenso e a mirra, traduzidos simbolicamente no Corpo, na Alma e no Espírito. Reverentes e gratos, entreguemos nossas dádivas Àquele que em si mesmo é a dádiva perpétua, a oferta perfeita, o Cristo que salva, que redime, que consola, que eleva, que encontra uma réplica microcósmica em cada ser humano, e que ano após ano, generosamente, oferece-nos sua ajuda no sentido de ampliarmos sua imagem em nós, até que todas formem uma só aura, uma só força, um só poder, no grande dia das Bodas Místicas.

Que este Natal nos encontre unidos em torno do nosso ideal, o ideal do Cristo!

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/73 – fraternidade Rosacruz – SP)

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Livro: Cristo ou Buda?

“Quando o Ensinamento Oculto oriental foi apresentado para o Mundo Ocidental, quarenta anos atrás, suas explicações sobre o universo foram aceitas como razoáveis por muitos estudantes. O Conceito Rosacruz do Cosmos,  publicado em 1909, era similar em alguns aspectos no que se refere às leis que governam o universo. A questão que, naturalmente, surge sobre seu escopo e propósito, o motivo pelo qual foi dado, e porque seus ensinamentos e métodos de desenvolvimento são mais adequados para uma civilização mais avançada e moderna. Este tratado foi escrito em resposta a esse questionamento e para corrigir as conclusões errôneas, baseadas em exames superficiais, que ambos os ensinamentos são iguais.”

Alcance aqui um excelente material para estudar sobre: algumas diferenças entre os Ensinamentos do Ocidente e do Oriente com ênfase em particular no método Ocidental de desenvolvimento da alma.

1. Para fazer download ou imprimir:

Cristo ou Buda? – de Annet C. Rich

2. Para estudar no próprio site:

 

CRISTO OU BUDA?

Por

Annet C. Rich

Com Prefácio de

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, Christ or Buddha?, 1914, editada por The Rosicrucian Fellowship

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO

O seguinte tratado foi escrito pela autora a meu pedido, com o objetivo mencionado nos dois primeiros parágrafos, e tendo ela dedicado anos nos estudos de ambos os sistemas Religiosos Orientais e Ocidentais, na minha opinião, ela tem uma visão mais abrangente do tema. Ela se simpatizou mais com o ensinamento oriental e assim se tornou uma alma iluminada. Assim, o espírito deste pequeno livro não é controverso em nenhum sentido, pois nós não acreditamos em tentar construir nossa própria Religião lançando aspersões sobre a Religião de outras pessoas. Estamos tão certos de que a Religião do Oriente é perfeitamente adequada para as pessoas que vivem lá como que a Religião Cristã é a Religião para o povo Ocidental. Se Buda estivesse ensinando hoje e um estudante do Ocidente perguntasse a sua opinião sobre se ele deveria segui-lo ou a Cristo, tenho certeza de que ele iria direcionar o inquiridor para a Luz do Mundo. Este pequeno livro é, portanto, enviado com a esperança de que ele possa mostrar aos estudantes ocidentais que sua Religião é a Religião Cristã, e que eles devem deixar a Religião Oriental para o povo oriental, abraçando com todo o seu coração e alma a Religião do Cristo.

Max Heindel

 

ÍNDICE

Um Retrospecto Histórico. 8

Christian Rosenkreuz. 14

Involução, Evolução e Epigênese. 15

  1. A ausência da descoberta de ligações entre os antropoides superiores mais evoluídos e o ser humano 15
  2. A esterilidade dos híbridos. 16
  3. A supremacia moral e mental do ser humano sobre os animais. 17

Transe. 18

Sono sem sonhos. 18

Sono com Sonhos. 19

O estado de vigília. 20

  1. A existência de órgãos que não são usados por seus possuidores. 20

O Mistério do Sangue. 23

O Mistério do Sexo. 27

O Mistério da Mortalidade Infantil 28

O Mistério da Morte. 31

O Cristo do Ocidente não é o Cristo do Oriente. 33

O Cristo do Ocidente. 37

 

INTRODUÇÃO

Quando o Ensinamento Oculto oriental foi apresentado para o Mundo Ocidental, quarenta anos atrás, suas explicações sobre o universo foram aceitas como razoáveis por muitos estudantes. O Conceito Rosacruz do Cosmos,  publicado em 1909, era similar em alguns aspectos no que se refere às leis que governam o universo. A questão que, naturalmente, surge sobre seu escopo e propósito, o motivo pelo qual foi dado, e porque seus ensinamentos e métodos de desenvolvimento são mais adequados para uma civilização mais avançada e moderna.

Este tratado foi escrito em resposta a esse questionamento e para corrigir as conclusões errôneas, baseadas em exames superficiais, que ambos os ensinamentos são iguais.

O capítulo oito da Epístola de São Paulo aos Hebreus conta sobre um tempo por vir onde não será necessário ensinar ao ser humano sobre como conhecer a Deus, pois todos, do menor ao maior, terão Suas leis inscritas em seus Corações e Mentes, e todos O conhecerão. A percepção espiritual atual está obscurecida em vários graus pelo véu da carne e do sangue que “não poderá entrar no Reino de Deus”. Agora estamos tateando pela verdade que nos libertará dos grilhões da carne e nos trará as faculdades espirituais requeridas para conhecer a Deus. É uma promessa do Cristo que se nós buscarmos, nós encontraremos. Ele não fez exceções; não devemos temer que alguém ficará “perdido”. Mas muito esforço será poupado se buscarmos na direção certa, e por isto nos sentimos impelidos a colocar, diante dos estudantes Ocidentais, algumas diferenças entre os Ensinamentos do Ocidente e do Oriente com ênfase em particular no método Ocidental de desenvolvimento da alma, um método naturalmente adaptado para as pessoas que vivem no Ocidente e que leva em conta as diferenças mentais e raciais entre as civilizações ocidentais e orientais (ou povos).

  • Acreditamos que TODAS as religiões foram divinamente dadas, cada uma perfeitamente adequada para a nação para a qual foi dada; foram originadas por um dos mensageiros de Deus.
  • Nós sabemos que a evolução das civilizações foi do Oriente para o Ocidente, e que as pessoas mais avançadas agora vivem no Ocidente.
  • Acreditamos que a suposição mais razoável é que a Religião mais avançada tenha sido dada para as pessoas mais avançadas, e que, portanto, nossa Religião Cristã é no presente momento a mais elevada forma de adoração.
  • Sabemos que cada uma das religiões antigas tinha Escolas de Mistérios para as almas avançadas, e também que Cristo deu a Seus Discípulos escolhidos conhecimento referente aos “mistérios do Reino dos Céus”, mas para o público deu esse conhecimento em forma de parábolas.
  • No Ensinamento Ocidental a FRATERNIDADE UNIVERSAL é considerada o maior ideal. Nos Ensinamentos de Mistérios Cristãos do Ocidente, a AMIZADE UNIVERSAL é o ideal. O Cristianismo deve ser uma Religião cósmica, ao invés de racial, e seus ensinamentos esotéricos estão destinados a se tornarem universais. De acordo com os ensinamentos Ocidentais, Cristo será o líder da nova Grande Época, e retornará, não em corpo físico, mas em “Corpo Alma” (soma psuchicon), conforme ensinado por São Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios, 15-45. Esse veículo é construído de Éter, e quando o ser humano tiver desenvolvido a consciência etérica para que ele possa encontrar Cristo “face a face”, Ele aparecerá.
  • Se a Religião Cristã é a mais avançada, então, seus ensinamentos ocultos devem ser, necessariamente, mais profundos e de maior alcance do que qualquer outro. Os Ensinamentos de Sabedoria Ocidental incluem métodos de desenvolvimentos do Corpo-Alma para que possamos funcionar, de forma consciente, nos Mundos invisíveis, enquanto que ainda vivemos em Corpo Denso. Estes métodos são, particularmente, adaptados para às necessidades dos Ocidentais, consequentemente eles são eficazes nos seus resultados sem os perigos que decorrem do uso dos métodos Orientais.

Nós queremos acrescentar que após muitos anos de estudo das religiões antigas falamos sem preconceitos e com gratidão pela luz recebida por meio delas. Portanto, nos sentimos livres para dar voz a nossa convicção de que a Religião Cristã é a mais avançada do que qualquer uma de suas predecessores; que os Ensinamentos de Mistérios Cristãos, agora promulgados pela Ordem Rosacruz por meio da Fraternidade Rosacruz, são ambas científicas e especialmente adaptadas para nossa civilização avançada; e que repudiar a Religião Cristã por qualquer sistema antigo é análogo a preferir os textos científicos antigos ao invés das edições que estão atualizadas com as descobertas atuais.

 

Um Retrospecto Histórico

Não precisamos mais ficar relembrando que vivemos em tempos repletos de inovações. Todos os departamentos de nossa civilização são varridos pelo intrépido, invasivo espírito da pesquisa, das investigações e análises. Também não podemos deixar de observar que estamos vivendo em uma época em que o intelecto está atingindo sua expressão mais prática e intensa; que está se arrogando com uma confiança real e autossuficiente, o direito de desafiar qualquer código de ética, qualquer teoria da vida ou Religião, qualquer marco da civilização ou qualquer hipótese da ciência e exigir a prova de seu direito à existência. Nada, no universo é demasiado colossal para sua investigação ou demasiado infinitesimal para sua análise. A sociedade deixou de se encolher dos ataques revolucionários das descobertas científicas que há muitos anos vêm derrotando a ignorância, o preconceito e dogmatismo com força irresistível. Esses tiveram seu dia, e agora são impotentes para retardar o progresso; a humanidade está avançando querendo ou não.

Em nenhum departamento da vida o espírito da pesquisa, do esquadrinhamento da investigação está mais intimamente manifestado do que na Religião. Nesse domínio do mistério e da tradição, nas profundezas de sua origem, no reino de sua autoridade marchou o implacável espírito da pesquisa, que não parou nem se encolheu, nem se voltou, embora todos os baluartes sagrados do credo ameaçavam desmoronar antes da invasão. O intelecto está exigindo um direito superior ao do sacerdote para interpretar a verdade da Religião, afirmando com confiança que se não pode discernir a verdade ou penetrar além das fronteiras do invisível para o conhecimento de Deus, nenhuma outra faculdade existe capaz de conhecer a Deidade.

Se olhamos para trás ao longo dos séculos da história, notamos que a idade intelectual e material atual é fruto de um passado longo e significativo; a crista de uma onda de progresso que seguiu um impulso enviado desde o início da corrida. O nosso vislumbre sobre as civilizações da Índia, do Egito, da Pérsia ou Grécia pode ser vago ou inseguro, no entanto, podemos notar que desde o nascimento da raça Ária a linha de progresso está à disposição da glória do pôr-do-sol.

Quando a Índia atingiu o auge de sua grandeza, a Religião hindu ensinou uma concepção de Deus e Sua onipotência que em toda a história não foi excedida para a espiritualidade elevada. Da crista da onda de progresso brilhou, ao longo dos séculos, a luz da maravilhosa verdade da unidade da vida e de uma Presença divina no universo. Então, com profunda quietude, a onda recuou para reaparecer na Pérsia, acrescentando uma nova luz para estimular o progresso humano.

Não costumamos associar a ideia de desenvolvimento material ao Oriente, mas ele nasceu lá. Como a nota-chave da Religião hindu é a unidade, realizando a Deidade em todas as partes do universo, então a nota-chave da Religião Persa ou Zoroástrica é pureza; pureza de conduta e nos assuntos da vida. Zoroastro veio para afastar o seu povo da preguiça e da ociosidade em que haviam caído e para despertá-los do estado de apatia e contemplação inativa da vida interior, muito comum entre os hindus, à consideração da verdade espiritual adaptada a seu dia. Como todas as grandes religiões enfatizou o lado prático da vida ao invés do metafísico, e seu lema de “pensamentos puros, palavras puras, atos puros” revela quão antiga é a doutrina do pensamento correto e do viver correto.

Séculos mais tarde, o Buda veio para re-anunciar as antigas verdades que estavam ocultas sob os escombros do egoísmo e das castas, e sentindo o sofrimento e o pecado do mundo que está enraizado no desejo não realizado, seu coração compassivo procurou aliviar a tristeza, por meio da doutrina de superar todo o desejo e, assim, alcançar a paz, uma doutrina que caiu como uma benção sobre as vidas perturbadas de seus contemporâneos, e que ainda vive no coração de seus seguidores.

Com a passagem do grande mestre oriental, a glória do Oriente começou a desvanecer. Mais uma vez a onda espiritual recuou para reaparecer entre os gregos. Uma vez que os gregos não conseguiram nenhum tipo mais elevado de intelecto puro do que o deles tinham alcançado; a arte deles, sua filosofia sempre fala na linguagem do repouso, da dignidade, do autocontrole. Para eles, VERDADE e BELEZA eram pérolas de grande valor. Eles inscreveram nos seus templos “Conhece-te a Ti mesmo”, pois se conhecer é conhecer a verdade. Quer se manifestando através do poder consciente de seu deus Apolo, saindo de seu templo para defender pessoalmente o santuário sagrado, quer refletido nas esplêndidas conquistas de Péricles ou a filosofia elevada de Pitágoras, Sócrates ou Platão, encontramos sempre nos gregos a presença do poder intelectual e da autossuficiência, mas a Grécia caiu diante do militarismo organizado de Roma.

Do seu auge da supremacia militar, Roma olhava com complacência para o mundo que conquistara. De forma simples, ela sonhou que derrubaria a força espiritual, deixando uma herança de lei, ordem e justiça para uma geração posterior.

Vislumbrar a miséria e a degradação do mundo aos pés de Roma, escravizada pelo vício, pela apatia e pela superstição, é perceber, embora vagamente, até que ponto a humanidade se afastou dos altos preceitos dos antigos Instrutores. As antigas notas-chave de unidade e pureza soou, ainda em tudo muito fraco, entre o murmúrio do preconceito da raça e da separação entre raças. O Egito estava envolto na escuridão de um sacerdócio degenerado; a Índia estava encadeada por castas; Pérsia dormia debaixo de suas coberturas de joias; a glória da Grécia estava ofuscada; Roma, fervente com vício e dissipação, afrontava os deuses com seus fogos de acampamento; e quase parecia como se Deus tivesse esquecido Seu mundo. Mas, “Ele permanece imóvel ainda que dentro da sombra, vigiando acima do Seu próprio”[1]. Novamente chegou a hora de uma dessas manifestações divinas que, de tempos em tempos, ocorrem para ajudar a humanidade. Tal manifestação invariavelmente ocorre quando a opressão das trevas parece muito pesada e um novo impulso é necessário para acelerar o crescimento espiritual.

Nesse lamaçal de um império em decadência, no cansaço de um mundo desesperado, no meio de um povo perdido e desprezado, desceu o Espírito do Sol, Cristo, manifestando “a maior das medidas divinas ainda postas para a elevação do mundo”[2]. Cristo não veio sozinho para resgatar a verdade do esquecimento, para trazer de volta os antigos ensinamentos ou para restabelecer a lei, mas para lhes acrescentar o maior princípio de todos – o Amor; para revelar à humanidade a doutrina do coração; como podemos alcançar uma sabedoria mais sublime pelo caminho do amor do que podemos alcançar pela razão. Ele veio para substituir as Religiões de Raça que foram instituídas por e sob a orientação de Jeová, com uma RELIGIÃO CÓSMICA, promovendo a Amizade Universal bem como a Fraternidade Universal; uma Religião em que o reinado da Lei deve ser substituído pelo reinado do Amor, e onde o espírito de antagonismo e separação, que está na raiz de todas as Religiões de Raça, seja transmutado em serviço desinteressado; cada um para todos; para que as nações possam transformar suas espadas em arados e o reinado da Amizade e da Paz comece.

Em todas as religiões anteriores haviam verdades mais profundas do que foram dadas às massas. Os sacerdotes eram os guardiões desse conhecimento interior, e a Iniciação estava aberta apenas a alguns. A humanidade, como um todo, não estava suficientemente avançada para recebê-la. Aqueles que foram iniciados nos antigos Mistérios necessitavam da mediação dos sacerdotes, e somente o Sumo Sacerdote podia entrar no mais íntimo Templo de Deus. Quando Cristo veio, gerado do Pai, Ele trouxe diretamente para a humanidade a luz e o poder do Sol espiritual. Ele derramou na vida humana o Raio Cósmico de Si mesmo. Ele é o elo entre Deus e o ser humano, o Caminho, a Verdade e a Vida, preenchendo em si o ofício de Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, Ele mesmo Iniciador; e agora “todo aquele que quiser, tome a água da vida livremente”.

Parece paradoxal considerar o crescimento material e a supremacia da civilização moderna como, em qualquer sentido real, o resultado de um impulso enviado pelo gentil Nazareno, mas o nascimento da Religião Cristã deu um estímulo direto e especial para a realização INDIVIDUAL, pois ela quebrou as barreiras de casta e raça e revelou o fato de que todos os seres humanos são iguais aos olhos de Deus. Que todos são irmãos é um fato na natureza, mas sob o regime de Jeová alguns eram preferidos e outros não; portanto, Cristo veio para nivelar as diferenças. A própria Galileia era um lugar mais apropriado para uma nova ordem das coisas do que a princípio parece. Obscuro como é hoje, há dois mil anos, a Galileia era a Meca dos viajantes que se reuniam lá de todas as partes conhecidas do mundo. Era tão cosmopolita quanto a própria Roma, uma espécie de “caldeirão”, proporcionando condições favoráveis ​​ao nascimento de um corpo e de um cérebro diferentes do tipo comum, e um ambiente onde a adaptabilidade aos novos impulsos pudesse encontrar alcance e de onde novas concepções poderiam ser enviadas para o mundo.

Na nova Religião Cristã, os antigos ideais de escravo e mestre, judeus e gentios, sacerdotes e povos, brâmanes e párias foram substituídos pelos ideais de IGUALDADE, INDEPENDÊNCIA e LIBERDADE INDIVIDUAL. Até os mais humildes começaram a erguer a cabeça como pessoas livres e a alcançar a realização individual e o desenvolvimento individual; e com essa nova sensação de liberdade em seus corações, é de admirar que começaram a saciar sua primeira sede de auto expressão por meio das águas da prosperidade material, que nunca antes haviam fluido tão abundantemente aos seus pés. Nossa civilização moderna é uma consequência normal desse impulso dado ao desenvolvimento individual, tanto no pensamento quanto na ação.

As realizações materiais e intelectuais da civilização moderna evoluíram naturalmente o espírito crítico e analítico que acompanha sempre o crescimento individual. Isso foi acentuado pelo nascimento da ciência moderna. Hoje, o intelecto está entronizado no conhecimento que adquiriu e se recusa a aceitar qualquer coisa como verdade que não pode ser vista, medida ou analisada. Mas, embora a ciência física possa zombar da Religião Cristã de amor e auto sacrifício, como sendo não-científica e contrária às leis de autopreservação e sobrevivência dos mais aptos, os ensinamentos do humilde Nazareno inocentaram silenciosa e quase imperceptivelmente o Mundo Ocidental com um espírito de altruísmo, impelindo a humanidade a suportar os fardos uns dos outros e tornar a causa do bem-estar individual a causa do todo.

 

Christian Rosenkreuz

Todo estudante sabe que a civilização moderna não foi alcançada por estágios de crescimento constante e uniforme. Seguindo o impulso inicial do Cristianismo veio a horrível Idade das Trevas com seu manto de superstição e intolerância. A Religião Cristã foi usada como uma escada para a ganância e ambição, e os ensinamentos ocultos de Cristo foram submergidos sob o dogmatismo teológico que ameaçou prender o progresso humano por causa da supremacia eclesiástica. Os grilhões do sacerdócio autocrático foram, por fim, quebrados pela ciência moderna, e a RAZÃO saltou para a perigosa e tirânica supremacia que mantém ainda hoje.

O intelecto, em sua revolta contra a superstição, logo mostrou uma inclinação para o ultra-materialismo. Para que esse poder não engolisse a verdade espiritual, surgiu no século XIV um grande Mestre com o nome simbólico de Christian Rosenkreuz para lançar nova luz sobre os incompreendidos ensinamentos Cristãos, preservá-los e guiá-los por meio das iminentes controvérsias materialistas e científicas. Ele é um guardião da Sabedoria Oculta do Ocidente, que sozinha pode satisfazer, AMBOS, Coração e Mente.

Estamos hoje no meio de uma civilização nascida do estresse, da luta e da ultra-atividade; uma civilização cortada pela espada e arrastada pelo sangue humano. Verdadeiramente, Cristo refuta a prosperidade física ou saudável do seu povo. Para o conhecimento desse e de outros ramos da ciência, o Ensinamento da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes fornece certas explicações, novas e abrangentes, que orienta a uma solução racional para muitos dos problemas da evolução.

 

Involução, Evolução e Epigênese

Além de apresentar a teoria da Involução da VIDA e a Evolução Sincrônica da FORMA, o ensino ocidental inclui um terceiro fator, a Lei da EPIGÊNESE. O ser humano é ele mesmo um fator na construção de seus corpos. Durante a vida pré-natal, ele trabalha inconscientemente, construindo na “quintessência da formação de Corpos”; mais tarde ele começa a trabalhar conscientemente, e quanto mais avançado ele é, melhor pode construir. Em cada encarnação ele faz algum TRABALHO ORIGINAL, de modo que “há um afluxo de causas novas e originais o tempo todo”, e este processo de tomar a iniciativa, de criar novas possibilidades de crescimento, é chamado de “Epigênese”. Isso permite que o ser humano se torne um GÊNIO e um colaborador das Hierarquias Criadoras do Mundo. Se a evolução consistisse simplesmente no desenvolvimento de possibilidades germinais ou latentes, o ser humano não poderia se tornar um criador. O ensinamento oriental não diz nada sobre este princípio de longo alcance.

Logo após a promulgação da teoria da evolução de Darwin, foram apresentadas certas objeções que nunca foram respondidas satisfatoriamente pela ciência, mas que recebem uma explicação razoável no Ensinamento da Sabedoria Ocidental. Estas objeções à teoria darwiniana da evolução são:

1. A ausência da descoberta de ligações entre os antropoides superiores[3] mais evoluídos e o ser humano

Há sempre um movimento na natureza, e como o ser humano passou por vários reinos, ele evoluiu e ocupou formas adaptadas a cada estágio de desenvolvimento. “É uma lei na natureza que ninguém pode habitar um Corpo mais eficiente do que ele é capaz de construir”. Quando a forma atinge o limite de sua capacidade de utilidade, começa a degenerar, tendo servido seu propósito como um veículo de crescimento. Ao longo do caminho sempre houve alguns que se recusaram a avançar e foram deixados para trás, como retardatários. À medida que os pioneiros passavam para os Corpos mais adequados para o progresso, os modelos arquetípicos de seus veículos desgastados e degenerados eram ocupados pelos menos evoluídos e pelos retardatários, que os utilizavam como trampolins até que os Corpos correspondentes cristalizassem ao ponto de serem inúteis para a possibilidade da vida em evolução. A ciência fala da evolução das formas, mas há também essa linha de formas degeneradas usada pelos menos evoluídos e pelos retardatários. Os Antropóides superiores pertencem a esta última classe e, em vez de serem os progenitores do ser humano, são, na realidade, retardatários que ocupam as formas degeneradas, já utilizadas pelo ser humano no passado. O ensino oriental atribui sua existência às relações impróprias do ser humano primitivo com os animais.

2. A esterilidade dos híbridos

Esse é outro problema na evolução, completamente omitido pelo ocultismo oriental, nem explicado satisfatoriamente pela ciência, mas recebe uma solução racional no Ensinamento da Sabedoria Ocidental. Resumidamente:Até que os animais se tornem animados por espíritos individuais habitados dotados de razão para guiá-los conscientemente ou subconscientemente DE DENTRO, a Mãe Natureza designa sabiamente um Espírito-Grupo que os guia DE FORA em harmonia com a lei cósmica; e o que chamamos de “instinto” é uma manifestação da sabedoria deste Espírito-Grupo. Quando os animais de diferentes espécies se acasalam, sua progênie não está totalmente sob o controle de qualquer um dos Espíritos-Grupo que guiam seus pais. Se os híbridos pudessem se propagar, eles ficariam ainda mais longe da orientação e do controle do Espírito-Grupo; seria uma onda desamparada no mar da vida, não tendo nem instinto nem razão. Portanto, os Espíritos-Grupos retiram beneficamente o Átomo-semente necessário à fertilização dos híbridos, que são, portanto, estéreis.O fato observado cientificamente de “hemólise”, ou destruição de sangue quando misturado artificialmente, também tem um importante papel nesse assunto. Isso é totalmente elucidado no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, para o qual os estudantes que desejam investigar o assunto em profundidade farão bem em se referir.

3. A Supremacia Moral e Mental do Ser Humano sobre os Animais

Este fato, tão aparente que não pode escapar da percepção do observador mais superficial, não é claramente explicado pelo ocultismo oriental, mas recebe tratamento completo e lógico no Ensinamento da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes.

As plantas extraem seu sustento do solo, os animais se alimentam das plantas e os seres humanos tomam seu alimento dos reinos inferiores. Assim, em última análise, todas as formas minerais, vegetais, animais e humanas são compostas dos mesmos constituintes químicos da Terra.

Além deste mundo de forma física que vemos, há domínios invisíveis aos olhos, mas perceptíveis por um sexto sentido latente na maioria, mas despertado em alguns. Esta visão espiritual revela a existência de:

  • Uma Região Etérica, promotora do crescimento e da percepção sensorial.
  • Um Mundo do Desejo.
  • Um Mundo do Pensamento.

Como uma forma construída de matéria química é necessária para a vida no Mundo Físico, também é necessário ter um veículo feito da substância dos outros reinos da natureza, a fim de expressar suas qualidades. Além disso, a vida em evolução está sempre buscando a expansão da consciência. Para isso, as formas se tornam mais complexas à medida que subimos na escala do mineral para o ser humano, e veículos invisíveis também são adicionados à forma física. O ser humano só tem veículos que o correlacionam a todos os quatro reinos, o que resulta em quatro estados de consciência análogos aos possuídos pelos quatro reinos:

Transe

Em sessões espirituais, entidades invisíveis realizam a proeza de materialização extraindo do corpo de um médium, formando-o como desejam, e enchendo essa urdidura a qualquer densidade desejada com uma trama de partículas físicas flutuando na atmosfera. O corpo do médium é assim separado dos veículos superiores que o ligam ao espírito, daí o médium está em um estado de profunda inconsciência que chamamos de “transe”. Como o mineral tem apenas um corpo físico, pode-se dizer que ele tem uma consciência de transe.

Sono sem sonhos

Quando olhamos para uma pessoa envolvida em um sono sem sonhos, o corpo parece inerte; mas quando focalizamos nossa visão espiritual sobre a pessoa dormindo, vemos uma atividade interior. Os processos de digestão, assimilação, secreção, etc., são levados a um propósito ainda melhor do que no estado de vigília. Isto é porque o Corpo Denso é interpenetrado por um Corpo Vital feito do Éter, mas os veículos superiores flutuam alguns metros acima do Corpo Denso. Quando examinamos as plantas, descobrimos que elas também têm um Corpo Denso e um Corpo Vital, que lhes permite digerir e assimilar alimentos, respirar o ar, etc., e podemos, portanto, dizer que as plantas têm uma consciência análoga ao sono sem sonhos.

Sono com Sonhos

Às vezes, quando estamos indevidamente atentos aos assuntos deste mundo, os veículos superiores não se separam adequadamente quando vamos dormir. Os Corpos Densos e Vitais são então parcialmente interpenetrados pelo Corpo de  Desejos que gera emoção e incentivo ao movimento. Devido aos centros de sentido de nossos veículos mais elevados estarem inclinados em relação ao nosso cérebro, vemos uma galáxia de imagens de sonhos selvagens, e somos atirados sobre a cama sob o balanço das emoções causadas por essas visões. Não podemos raciocinar sobre eles, pois a Mente está fora do Corpo Denso e, portanto, aceitamos inquestionavelmente até as situações mais impossíveis.

Um Corpo Vital e um Corpo de Desejos interpenetram o Corpo Denso de animais, mas não são concêntricos com ele. Imagens são projetadas pelo sábio Espírito-Grupo nesses Corpos, e os animais, sem Mente, seguem cegamente o curso sugerido por essas imagens. Assim, vemos que a consciência dos animais é análoga ao nosso próprio estado de sonho, com a importante diferença de que as imagens sugestivas projetadas pelo Espírito-Grupo não são irracionais, mas encarnam uma sabedoria maravilhosa que chamamos de instinto.

A inteligência supernormal e a razão observável em animais domesticados são induzidas pela associação com o ser humano, no mesmo princípio que a eletricidade da baixa tensão é induzida quando um fio não carregado é trazido próximo a outro que carrega uma corrente da tensão elevada.

O Estado de Vigília

No estado de vigília todos os veículos do ser humano são concêntricos, e ele tem a capacidade da vontade e razão. O mineral não pode escolher se cristalizará ou não, nem a planta tem a livre vontade; ela é obrigada a florescer por condições fora de seu controle. O leão deve caçar, e o coelho deve entrar na toca. Cada espécie tem certos hábitos genéricos, e todas as plantas ou animais separados de uma determinada família agem da mesma forma sob condições semelhantes, porque é impelido à ação pelo Espírito-Grupo comum. Portanto, se conhecemos os hábitos de qualquer animal, conhecemos as características de toda a família. Não é assim com o ser humano, QUE É GUIADO DE DENTRO. Cada um é uma espécie, uma lei em si mesmo, e não importa quanto estudamos, nunca podemos dizer o que alguém fará em um determinado caso, sabendo como outro agiu. Nem podemos escrever a biografia de uma rosa, ou de um leão. Apenas um ser humano, cuja vida é diferente de todos os outros, pode ser assim esboçado.

Assim, a supremacia mental e moral do ser humano sobre os animais e os reinos inferiores se deve ao fato de que ele é um ego individual, habitante, conhecendo a si mesmo como “EU SOU”, uma denominação não aplicável a um animal. O ser humano é capaz de iniciar a ação de dentro por um “EU QUERO”, enquanto os animais são guiados de fora por um Espírito-Grupo e não têm vontade própria.

4. A existência de órgãos que não são usados por seus possuidores

Aqui também os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental é mais abrangente e explícito que o ocultismo oriental. Distingue-se entre:

  1. Partes que estão atrofiando porque deixaram de ser úteis, como os músculos que movem a pele e as orelhas em animais. Estes estão presentes no ser humano, mas não utilizados.
  2. Órgãos como a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário, que desempenharam um papel importante na nossa evolução passada, e embora dormente agora estão destinados a desempenhar uma parte ainda maior no futuro.

Durante o período de involução, quando o ser humano estava construindo seus Corpos e estava em contato mais íntimo com os Mundos espirituais do que agora, esses órgãos eram veículos de consciência por meio dos quais ele entrava em contato com os mundos internos que eram, então, tão reais para ele quanto o mundo físico é hoje. Mas à medida que mergulhava mais profundamente na matéria e começava a focalizar sua consciência aqui, esses órgãos eram um obstáculo, pois por meio deles sua atenção era desviada da obra do Mundo Físico. Por isso ficaram adormecidos. O ser humano, no entanto, evolui em espiral, e à medida que ele se eleva para cima, esses centros tornar-se-ão novamente ativos para lhe permitir recontatar os Mundos espirituais. Portanto, eles não se atrofiaram como teriam feito se seu propósito tivesse sido inteiramente servido.

Depois de muitos anos de estudo das glândulas de secreção interna, o Dr. C. E. de Sajons publicou um profundo tratado sobre o Corpo Pituitário, onde ele mostra que este órgão exerce um controle central sobre todo o nosso organismo físico; que, em vez de ser um órgão rudimentar ou atrofiado, como os fisiologistas têm afirmado há muito tempo, serve como ponto de controle sobre o Corpo. O sistema nervoso simpático, as secreções vitais da Glândula Tireoide e as Suprarrenais são reguladas por conexão direta com o Corpo Pituitário, bem como o trato digestivo e os nervos vasodilatador e vasoconstritor. Estas declarações científicas sobre a importância do Corpo Pituitário para o nosso sistema físico são especialmente interessantes à luz dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre a função futura deste órgão.

  1. Órgãos ainda não completamente desenvolvidos

O coração pertence a esta classe. É um músculo involuntário, mas é investido com as listras transversais peculiares aos músculos voluntários, e estas listras transversais tornar-se-ão mais e mais fortes, como o Ego ganha o controle sobre este órgão. Todos os músculos são a expressão do Corpo de Desejos, e quando o ser humano evolui os desejos espirituais e cresce em poder espiritual, o coração se tornará um músculo voluntário e a circulação do sangue passará sob controle voluntário. Então, ele terá o poder de reter o sangue das áreas do cérebro dedicadas a propósitos egoístas e dirigi-lo para outros centros dedicados a ideais altruístas.

 

O Mistério do Sangue

Nas escrituras cristãs as doutrinas seguintes recebem grande destaque:

  1. Contaminação do sangue por geração.
  2. Limpeza do sangue por “Re-generação”.

A doutrina do sangue é escrita em todas as páginas da Bíblia desde Gênesis até o Apocalipse. É inegável que o sangue é a base de todas as formas com vida senciente; mas até onde a escritora tem sido capaz de aprender, o ocultismo oriental não tem uma palavra sobre esse assunto importante. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, por outro lado, lança uma luz sobre o “Mistério do Sangue” que esclarece muitos dos problemas mais intrincados da vida. Tais Ensinamentos apresentam várias ideias extensas e profundas sobre o sangue. Eles denominam o sangue de “terreno vantajoso do espírito”, o veículo direto e individual pelo qual o ser humano, por meio do seu calor, controla e dirige seu corpo físico.

Quando o ser humano entrou no reino humano e estava desenvolvendo sua individualidade, o controle sobre suas ações foi, em certa medida, exercido pelo ESPÍRITO DE RAÇA, que, de uma maneira um tanto análoga ao controle do Espírito-Grupo sobre o reino animal, manteve o domínio sobre eles preservando a pureza do sangue tribal ou familiar; quanto mais íntimo o entrelaçamento de sangue pelo casamento no clã, casta ou tribo, mais forte o poder do Espírito de Raça. Como o sangue é o veículo do Ego, o portador de seus sentimentos e emoções e o gravador de sua memória, o entrelaçamento do sangue da família teve o efeito de reproduzir as imagens mentais dos pais em seus descendentes, que se viam nessa Memória da Natureza, através de uma longa linhagem de antepassados. Os acontecimentos na vida de seus antepassados ​​assim pareciam ter acontecido a si mesmos. Foi através dessa consciência comum ou memória que se disse que um indivíduo viveu muitas gerações. Quando lemos que Adão viveu 900 anos e os patriarcas viveram durante séculos, significa que eles não viveram tanto tempo, mas que seus descendentes se sentiram como Adão, Matusalém, etc., porque o sangue ancestral, transmitido diretamente através de casamentos dentro da tribo, clã ou nação, era o armazém de toda a experiência, e carregava os retratos da memória da vida destes patriarcas. Assim, certas faculdades e traços foram construídos e o tipo fortalecido até que a humanidade pudesse caminhar com seus próprios pés, sem o auxílio do espírito da família ou da raça. Nos princípios da evolução do ser humano na busca do estado de consciência de si mesmo, ele viveu sob o reinado da lei, que submeteu o indivíduo à nação, tribo ou família.

Há evidências de que os primeiros judeus tinham um ensinamento especial sobre o sangue, como mostrado no versículo 14 do capítulo 17 do Livro de Levítico, onde foram proibidos de comer o sangue porque a “alma de toda a carne está no sangue”. Entre eles, o Espírito de Raça era mais forte do que o indivíduo, pois todo judeu pensava em si próprio primeiro como pertencente a uma certa tribo ou família, e seu maior orgulho era ser “semente de Abraão”.

Os Semitas originais foram os primeiros a desenvolver o livre arbítrio. Em certa medida, romperam com o Espírito da Raça ao se casarem com outras tribos, e essa introdução de sangue estranho interrompeu a consciência comum que compartilhavam com seus antepassados ​​e que foi substituída pela consciência individual. Mas por esse ato, também, gradualmente perderam a chamada “segunda visão”, mantida até hoje por muitos escoceses que se casam dentro do clã.

O grande significância da Religião Cristã reside no ensinamento de que Cristo veio preparar o caminho para a emancipação da humanidade da influência do Espírito de Raça e unir a multiplicidade das raças numa fraternidade universal; para substituir o reino da lei pelo reino do amor e auto sacrifício; para incutir na nova raça o ideal da AMIZADE UNIVERSAL, um ideal que acabará por nivelar todas as distinções e trazer paz sobre a terra e boa vontade entre os seres humanos. Ele trouxe uma espada por causa da paz final, pois o Reino de Deus só poderá ser construído depois que o reino dos homens seja destruído – o Reino de Deus, que é construído DE DENTRO mediante o livre arbítrio do ser humano como um indivíduo auto-governante, cooperando com a vontade divina.

O ser humano está construindo em todos os Mundos e, apesar de, às vezes, parecer que ele está apenas construindo para o eu separado, existe no mundo atual um ideal de amizade e altruísmo que era pouco conhecido nas civilizações antigas. Através desta expressão de altruísmo, o ser humano está evoluindo para a perfeição de seu CORPO VITAL, QUE É A MAIOR EXPRESSÃO DO SANGUE. Este veículo é também o assento da memória e está correlacionado com o Espírito de Vida unificador. Os corpúsculos sanguíneos dos animais inferiores são nucleados, e esses núcleos são a base para a atuação dos Espíritos-Grupo, que controlam cada espécie por meio  desses centros de vida. Quando a individualidade evolui, os núcleos desaparecem, como nos mamíferos superiores que estão se aproximando da individualização. No feto humano os corpúsculos sanguíneos são nucleados durante as primeiras semanas, enquanto a mãe trabalha no corpo; mas estes, o Ego, que renascerá nesse corpo, desintegra esses núcleos, quando toma posse de seu corpo como um indivíduo, pois não pode haver outro princípio governante onde o espírito é residente. Assim, o sangue de cada ser humano é diferente do sangue de qualquer outro indivíduo, fato esse que logo será descoberto pela ciência. Nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos é ensinado que o Corpo Vital será nosso veículo mais denso no próximo ciclo ascendente, portanto a necessidade de seu desenvolvimento apropriado é prontamente necessária. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem explicações claras sobre os Éteres constituintes do Corpo Vital, suas funções no desenvolvimento do ser humano e a relação do desenvolvimento do Corpo Vital com a segunda vinda de Cristo. Inclui instruções para esse desenvolvimento, purificando o sangue, e este método é adequado à Mente e ao Corpo que evoluímos sob os ideais modernos e progressistas do Ocidente. É um MÉTODO OCIDENTAL PARA POVOS OCIDENTAIS; portanto, é seguro e certo, como a escritora sabe por experiência.

À medida que estudamos mais de perto esses ensinamentos maravilhosos, podemos entender o intrincado problema do sangue racial que tem desempenhado um papel tão importante na história do mundo e na perpetuação de ideias familiares, tribais e nacionais. A ciência ainda está procurando seu significado; reconhece o fato de que a transfusão de sangue de um animal de uma espécie superior para um de espécie inferior mata o último (hemólise). Contudo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental explica que à medida que a humanidade evolui para a estatura divina, a mistura do sangue humano se tornará impossível. Em uma idade distante, a propagação da raça não será mais necessária, pois o ser humano terá aprendido a criar a partir de dentro de si, PELA PALAVRA. Ainda hoje o ser humano está construindo um Corpo mais sutil e melhor do que no passado, mais flexível, mais adaptável; ele está aprendendo a conhecer suas funções e está começando a se libertar da influência cristalizadora do sangue racial e a se tornar um cidadão do mundo.

 

O Mistério do Sexo

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental também dão a solução do problema do sexo e seu propósito. “O próprio Ego, ao contrário da ideia geralmente aceita, é bissexual”. Essa dualidade não se manifesta como sexo nos mundos internos, mas como vontade e imaginação, representando as forças solar e lunar, respectivamente. Durante a época em que a Terra estava dentro do Sol “as forças solares abasteciam o ser humano com todas as substâncias necessárias, e ele, inconscientemente, irradiava o excedente para o propósito da propagação”. Mas quando o Ego começou a habitar dentro do corpo e a controlá-lo, foi necessário usar parte dessa força criadora para construir um cérebro e uma laringe para que o ser humano pudesse ser equipado com instrumentos para a auto expressão.  À medida que o corpo físico se tornava ereto, a dupla força criadora foi dividida, uma parte sendo dirigida para cima para construir o cérebro e a laringe e a outra para baixo para construir os órgãos que servem para a procriação. Como resultado dessa mudança, apenas uma parte da força essencial para a criação de outro corpo estava disponível em cada indivíduo e a cooperação de outro se tornou necessária para a propagação. Assim, o ser humano obteve a consciência do cérebro ao custo de metade de seu poder criador, mas ganhou um instrumento com o qual ele poderia criar no Mundo do Pensamento, nos domínios da música, poesia e arte e entrar na herança da beleza do mundo; e se por esse ato seus olhos foram abertos ao conhecimento da morte, dor e tristeza, eles também foram abertos ao conhecimento de sua própria divindade e ao conhecimento da lei do sacrifício, amor e serviço. O ocultismo oriental ensina o fato da separação em sexos, mas os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental MOSTRAM O PROPÓSITO DA SEPARAÇÃO.

 

O Mistério da Mortalidade Infantil

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental também têm uma explicação lógica para a mortalidade infantil, que provocado tanta tristeza e sofrimento ao mundo; é realmente uma ação misericordiosa da lei beneficente que previne uma calamidade maior ainda. Uma compreensão do funcionamento dessa lei nos mostrará como podemos prevenir essa anormalidade e nos salvar do incidente de sofrimento da partida prematura desses raios de sol muito amados, os quais, aliás, frequentemente deixam nossa terra fria e desolada.

Imediatamente após a morte o panorama da vida que acaba de finalizar passa diante do espírito. Pela contemplação, o panorama é gravado no Corpo de Desejos, e quando o Ego entra no Mundo do Desejo, ele sente, de uma forma incompreendida por nós neste presente estado, os erros da vida passada, enquanto passa pelas cenas onde fez algo de errado. Isto é o Purgatório, e com o sofrimento a alma tece a CONSCIÊNCIA para se proteger de maus atos em vidas futuras. Ele também goza as virtudes com uma intensidade inacreditável das boas obras feitas na vida passada. Isto é o Primeiro Céu, e por meio dessa alegria vem o incentivo para viver até IDEAIS ainda maiores no futuro. Assim, o Espírito colhe os frutos de consciência e de aspiração elevada da contemplação imperturbável e do panorama, imediatamente após a morte.

Quando essa contemplação é perturbada, como no caso de morte no campo de batalhas, ou por fogo, afogamento ou outros acidentes, as circunstâncias angustiantes fazem com que seja impossível para o espírito que possa dar a devida atenção ao panorama revisto da vida passada. Esse é também o resultado quando explosões histéricas de familiares agem de forma igualmente desconcertantes. Em tais condições a gravação no Corpo de Desejos é fraca, e consequentemente as sensações de alegria e tristeza não são sentidas com o entusiasmo na existência post-mortem para gerar a consciência, e que servirá para guiar o espírito em sua próxima vida na terra, ou ideais para encorajá-lo adiante. Semeou, mas não colheu; a vida foi vivida em vão, e em sua próxima vida na Terra o ser humano ainda estará sujeito aos vícios da vida que acabou de passar; as virtudes adquiridas na vida anterior teriam que ser trabalhadas novamente. Assim, o Espírito seria lançado ao mar da vida como um navio sem bússola para guiá-lo em seu refúgio de descanso, e seria condenado a uma vida à deriva e sem rumo. Estranho como possa parecer, a mortalidade infantil, sob tais circunstâncias, foi desenhada pela bondade amorosa de Deus, para evitar essa calamidade causada pela selvageria, descuido ou falta de consideração, e dar ao espírito entrante um começo justo na vida. O método para atingir esse objetivo é o seguinte:

Em seu caminho para o renascimento o espírito recolhe material para sua nova Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso. Como o período de gestação precede ao nascimento do Corpo Denso, assim acontece com as vestes mais finas. O nascimento do Corpo Vital, aos sete anos, inaugura o crescimento rápido; do Corpo de Desejos, aos catorze anos, traz a adolescência e emerge a idade emocional; e aos vinte e um anos, quando a Mente nasce, a razão ilumina o caminho para subjugar as emoções e guiar-nos pela vida.

O que não nasceu também não pode morrer; e quando um Corpo Denso de uma criança morre antes da idade da adolescência, a gestação do Corpo de Desejos será completada no Primeiro Céu, uma parte do Mundo do Desejo (chamado de “Terra do Verão” por alguns) onde os ideais nobres e a aversão ao mal são instilados por professores devotados. Ali são ensinadas às crianças a moralidade superior, enquanto ficam engajadas em brincar com cores e brinquedos vivos tão lindos, que se pudéssemos vê-los, nós iríamos esquecer nosso sofrimento e agradecer a Deus por Sua bondade. Após alguns anos esses sortudos, muitas vezes, renascem na mesma família, mais nobres do que eles seriam se eles não tivessem a experiência resultante de uma morte na infância.

O Ocultismo Oriental nos diz que não devemos lamentar por aqueles que passam, porque o nascimento é tão certo para os que morrem como a morte é para os que nasceram. Isto é verdadeiro, mas é tão frio como o ocultismo em si. A mortalidade infantil é tão triste, aparentemente é uma anormalidade da natureza, que desejamos um raio de esperança para confortar nossos corações doloridos quando o Anjo da Morte toma o sol de nossos lares. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental falam para o Coração e a Mente igualmente; nos mostram uma lei trabalhando para o bem, para corrigir nossos erros; iluminam o caminho do sofrimento com um raio de esperança, e nos mostram como podemos nos salvar desse sofrimento em vidas futuras, abolindo a Guerra, cuidando para evitar acidentes, e sendo atenciosos com a partida de amigos na hora de sua morte, não os distraindo com lamentações egoístas.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dão inestimáveis instruções no cuidado dos moribundos e mostram como podemos ajudá-los, na hora da passagem, a realizar o maior crescimento de alma possível da vida que acaba de terminar. Portanto, esses ensinamentos são de benefício prático em cada contingência da vida e da morte.

 

O Mistério da Morte

Embora a ideia de que a morte é apenas um deslocamento de atividades deste Mundo Físico para Mundos mais sutis, o Mundo celestial, é aceita pelos estudantes mais sérios, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental explica o funcionamento da lei natural, em relação à duração da vida terrena e ao colapso do Corpo Denso. O ser humano constrói o arquétipo de seu Corpo Denso no Mundo Celestial. Este arquétipo é, naturalmente, construído de acordo com suas capacidades inerentes. Às vezes, uma vida se prolonga para além da duração normal, quando os Seres Compassivos percebem que ela pode colaborar mais, mas de modo geral o arquétipo persiste até que a vibração, iniciada no nascimento, cesse.

Quando a vida física chega ao fim, a ascensão do Espírito é retardada pela matéria do desejo que se agarra a ele, depois que o Cordão Prateado foi rompido. A partir disso, ele procura se libertar por força centrífuga, seguindo a mesma lei natural pela qual um Planeta se liberta da parte que está se cristalizando em si mesmo. Então, primeiramente, a matéria mais inferior do Corpo do Desejos é descartada. Ela é eliminada pela força centrífuga da PURGAÇÃO, que arranca o mal e permite que o espírito ascenda às regiões superiores, que constituem o Mundo celeste. Nessa conexão, o ensinamento mais importante dado é a necessidade de gravar corretamente o panorama da vida passada no Corpo de Desejos, para que o Ego possa ver seus sucessos e seus fracassos, onde era forte e onde era fraco; para que ele possa ver o propósito da dor e o caminho que leva à sua erradicação.Cada geração, ao ascender ao Mundo celeste, canta um cântico de suas realizações que ela fez na terra. Assim, cada uma entoa um canto diferente na harmonia de nossa esfera, e da mesma forma que sementes quando colocadas sobre uma placa de vidro são organizados de maneira diversas, quando tons definidos fazem a placa vibrar, assim estas variações na canção mundial são as causas que mudam o clima, a flora e a fauna terrestre. Se fôssemos aplicados durante a nossa vida anterior, ao chegarmos ao Mundo celeste, cantaríamos sobre uma terra de abundância, e seria isso que nós encontraríamos quando retornassem.  Se negligenciarmos a nossa terra e passarmos nosso tempo na especulação metafísica, nossa canção no Mundo celeste será muito diferente, e quando retornamos à vida terrena, nos encontraremos em uma terra de fome, inundação e desolação. Todas as coisas no céu e na terra são governadas pela Lei de Consequência, que é imutável e  que mantém o equilíbrio do mundo.

 

O Cristo do Ocidente não é o Cristo do Oriente

Enquanto os pontos anteriores são importantes para mostrar os conceitos superiores dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental em relação aos do ocultismo Oriental, eles se tornam insignificantes em comparação com as diferenças entre os dois ensinamentos referentes ao Cristo, a Sua identidade, a Sua missão, e a natureza do Seu advento. Sobre este ponto importante, diz Edith Ward em The Occult Review[4], há uma diferença tão radical e irreconciliável ​​que ambos não podem ser, simultaneamente, verdadeiros. Ela chega a esta conclusão comparando o Livro Conceito Rosacruz do Cosmo, de Max Heindel, com os escritos de um líder da principal sociedade que promulga o hinduísmo entre os povos do Ocidente.

Até novembro de 1909, quando o Conceito Rosacruz do Cosmo foi publicado, esta sociedade tinha muito pouco a dizer sobre um Cristo; mas desde então eles têm feito disto uma característica. Em um de seus livros mais recentes, seu líder afirma que as vidas de Cristo sempre tiveram uma relação muito estreita com os membros mais dedicados desta sociedade. Jesus é dito ter recentemente renascido como um hindu, e no momento está à cargo desse líder, que afirma estar preparando-o para o governo espiritual do mundo.Nós não temos nenhuma discussão com aqueles que acreditam nisso. É contrário à política da Fraternidade Rosacruz falar de forma depreciativa de pessoas de outra crença ou burlar de suas crenças sinceras; mas reivindicamos o direito ético de comparar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, que está em pleno acordo com as escrituras cristãs em que acreditamos, com os Ensinamentos da escola do Oriente, que tem o propósito de mostrar que o Cristo a quem todos os cristãos procuram por luz e esperança NÃO é o Cristo proclamado por esta sociedade.Com esse objetivo há referências mais volumosas, mas a seguinte será suficiente. As letras “X” e “Z” são usadas para designar duas citações de escritores da escola do Oriente.De acordo com “X”, afirma-se que “quando chegou o momento em que era esperado que a humanidade estivesse pronta para cuidar de si mesma, os mais avançados que haviam alcançado o estágio de adeptos eram dois amigos ou irmãos cujo desenvolvimento tinham o mesmo grau. Estes foram Lord Gautama e Lord Maitreya. O primeiro foi quem atingiu o estágio primeiro, o outro o seguiu, porém, centenas de anos mais tarde …. Buda cedeu seu cargo de governante da Religião e educação para Lord Maitreya, a quem o povo ocidental chama de Cristo, e que tomou o corpo do discípulo Jesus, durante os últimos três anos de sua vida no plano físico …. Senhor Maitreya teve vários nascimentos antes de ter o ofício que possui agora”. “Z” traça uma linha semelhante de nascimentos -“O Senhor Maitreya, no devido tempo, apareceu como Shri Krishna, e faleceu em idade adulta precocemente, voltando para sua casa no Himalaia. Então ele veio novamente, usando o corpo de seu querido discípulo, Jesus, o hebreu, e por três anos brilhou na perfeita ternura de Cristo…. e agora novamente nós estamos esperando, por Sua vinda”.Mas que essas pessoas não esperam o Cristo dos Evangelhos, ou do mundo cristão e dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental é um fato que se há de se cuidar de imprimir sobre seus leitores, como se segue:“Z” Escreve:“Ao considerar o retorno do Cristo quero distinguir claramente entre o Cristo dos evangelhos e a quem eu me refiro. Tudo o que eles têm em comum é o nome Jesus…. É necessário enfatizar o fato que o Jesus, cujo imediato retorno eu espero, não pode de forma alguma ser confundido com o seu Cristo …. Se você permanecer fiel em suas escrituras – cuja autenticidade eu nego – eles irão protegê-lo contra …. confundindo o profeta cujo imediato retorno proclamo e o Cristo dos Evangelhos”.“X” diz:“Quando examinamos através da clarividência a vida do fundador do Cristianismo…. nós não encontramos vestígio dos doze Apóstolos…. O autor dos evangelhos parece ter concebido a ideia de lançar alguns dos grandes fatos da iniciação em um forma narrativa e misturando-os com alguns pontos fora da vida do Jesus real, que nasceu 105 a.C”.Com isto “Z” concorda:“Sua fé na sua divindade surge de sua fé na história de sua vida, como registrado por seus discípulos. Mas tanto quanto eu sei, estes Discípulos nunca existiram, e a história de sua vida, e a deles é uma criação da IMAGINAÇÃO…. o Cristo a quem me refiro…. viveu na terra cerca de um século antes do tempo que se supõe que esses eventos ocorreram na Palestina, mas não foi assim”.Não parece estranho que escritor a que repudia as escrituras Cristãs e qualifica a história de Cristo e Seus Apóstolos como uma invenção da imaginação, exclama pateticamente como segue, o motivo pelo qual o novo Cristo é repudiado por muitos membros de sua sociedade:“Será que a história irá se repetir e a história da Judeia, de Jerusalém, e até mesmo do calvário mais uma vez acontecerá?”.Como pode repetir-se algo que nunca aconteceu? E não é estranho que um líder que faz uma campanha mundial repudiando o Cristo do Mundo Ocidental e das escrituras Cristãs e que anuncia outro Cristo, assumindo dizer:“Eu quase nada sei deste Jesus, cujo retorno eu prevejo”.Não é estranho que alguém que diz sem rodeios e sem reservas, “Eu não sou um Cristão”, deveria ter sido confiada a grande missão de proclamar o retorno de Cristo?Deixe o leitor responder a estas perguntas e ele pensar nas evidências dos méritos. Mas nós acreditamos, ou melhor, nós sabemos que o Cristo de todos os Cristãos devotos e crentes é totalmente diferente do anunciado pelos novos líderes da escola oriental do ocultismo.

 

O Cristo do Ocidente

Os ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem uma descrição abrangente da cosmogênese. Três grandes Períodos evolutivos precederam nosso estado atual. O Pai é o Iniciado mais elevado do primeiro ou do Período Saturno. O Filho (Cristo) é o mais elevado Iniciado do segundo ou Período Solar, e Jeová é o mais elevado Iniciado do terceiro ou Período Lunar.

Sob o regime de Jeová e seus Anjos a separação dos sexos ocorreu e também uma divisão da humanidade em tribos e nações. A natureza do desejo era desenfreada, e por isso as Leis foram dadas, e “o temor do Senhor” foi colocado contra “os desejos da carne”. Todas as Religiões de Raça foram concebidas por Jeová, cada uma adaptada à nação particular a quem foi dada. Todas essas formas de culto se destinavam a preparar a humanidade para o reinado de Cristo, cuja missão é nos emancipar do Estado de direito, segundo o qual tudo é pecado; substituindo pelo reino do Amor, onde tudo servirá.

Jeová trabalhou na Terra e na humanidade, DE FORA, da mesma forma que os Espíritos-Grupo trabalham com os animais. Mas há 2.000 anos, no Batismo, o Espírito de Cristo tomou os Corpos Denso e Vital de Jesus e até a tragédia no Gólgota, quando entrou na Terra e tomou posse como Espírito planetário. Imediatamente Cristo começou a purificar o Mundo do Desejo, que estava repleto de brutalidade e do egoísmo gerados sob a Lei, e também a irradiar o amor e o altruísmo, que permeia, lenta e seguramente, o Mundo. Assim, com o tempo, certamente veremos  “paz na terra, boa vontade entre os homens”[5].

Mas o Grande Sacrifício SOMENTE COMEÇOU no Gólgota; o Cristo ainda está “gemendo e trabalhando”, e deve continuar a fazê-lo “até o dia da manifestação dos Filhos de Deus” [6], o dia em que teremos evoluído o suficiente para guiar o nosso próprio Planeta em sua órbita e cuidar dos nossos irmãos mais fracos. Não esqueçamos que podemos acelerar ou retardar o dia da Sua vinda pelos tipos de vidas que vivemos. Se vivemos para o Mundo, prolongamos a Sua prisão e agonia; e, portanto, se deve observar sua última admoestação, para que tudo o que fazemos, seja feito EM MEMÓRIA DELE; pois então estaremos trabalhando para liberá-Lo, acelerando assim o tempo em que O encontraremos “no ar”, à medida que Ele for saindo do centro da Terra em direção à superfície e, então, para o Sol, de onde Ele veio.

O trabalho da raça ariana é a evolução da razão; conseguiu bem cumprir esse propósito. Mas, doravante, a humanidade deve aprender a iluminar a sua razão pela luz interior do espírito e unir o seu CONHECIMENTO CEREBRAL com o conhecimento do CORAÇÃO. Deve aprender a iniciar por meio de seu próprio livre arbítrio toda ação de dentro, e essa ação deve resultar em Serviço.

Foi dito que a “a flor da Religião sempre foi dada para a flor da humanidade”, e que religiões mais gloriosas ainda estão por vir. No entanto, o mundo de hoje está apenas começando a ter fracos vislumbres da elevada missão de Cristo, que é elevar a humanidade para a realidade vivente da FRATERNIDADE UNIVERSAL.

Nos Ensinamentos de Mistérios Atlante, registrado no Antigo Testamento, descobrimos que o ser humano, por sua própria liberdade, comeu da “Árvore do Conhecimento”, que trouxe dor e morte ao Mundo e, como resultado, ele foi “expulso do jardim de Deus, vagou pelo deserto do mundo”[7]; que Deus, por piedade, fez uma aliança com o ser humano; que um Tabernáculo foi construído, dentro do qual foi colocada a Arca, simbolizando o espírito humano, que nunca morre; que os bastões da Arca nunca foram removidos, para que o ser humano, um peregrino, nunca descanse até alcançar, por sua própria vontade, o objetivo humano. Dentro desta Arca estava o “pote de maná dourado”, MAN, caído do céu, juntamente com uma declaração de leis divinas que ele deve aprender em sua “peregrinação pelo deserto da matéria”; havia, também, o “bastão mágico” de Aarão, o símbolo do poder espiritual, que está dentro de cada um, exortando-o a caminhar para Templo Místico de Salomão[8]. No Antigo Testamento é detalhada a descendência do ser humano que desceu do céu, suas transgressões aos mandamentos de Jeová, que o orientaram e o guiaram com dor e tristeza pelo deserto da matéria em direção ao reino da paz, que será conduzido por Cristo.

O mundo já começou a viver os ensinamentos internos do Cristianismo, mas de maneira bem parcial; apenas ligeiramente começou a entender seu significado; ainda que lenta, mas seguramente, estamos a caminho do próximo ciclo de progresso, a grande Sexta Época, da qual Cristo deve ser o líder, uma Época que congregará toda a humanidade, seja “Filhos de Caim” ou “Filhos de Seth”, para trabalhar em harmonia no Reino de seu Senhor; a Época que os raios da Rosacruz derramarão a luz do entendimento sobre todas as instituições dos seres humanos, de modo que toda diferença se transformará em serviço amoroso e desinteressado para o bem de todos, e a amizade unirá as almas dispersas no Reino de Cristo. Quando Ele aperfeiçoar completamente a unificação do Reino, Ele o cederá ao Pai, conforme indicado na Bíblia.

Nos Ensinamentos de Mistérios Ocidental é revelada a missão de Cristo, que veio mostrar e preparar o caminho para o Seu Reino e que não só os atrasados podem ser elevados, mas que todos os que estão prontos para entrar na senda reta e estreita podem encontrar a Luz e o Caminho. Já não é Ele “o que virá”, mas o ÚNICO QUE VOLTARÁ. NUNCA APARECERÁ NOVAMENTE EM CARNE – pois, como disse São Paulo, a carne não pode herdar o Reino – mas em CORPO-ALMA. Quando a humanidade evoluir a consciência etérica poderá encontrá-Lo “no ar”. Mas “daquele dia e hora,  ninguém conhece, nem mesmo os Anjos que estão no céu, nem o Filho, mas o Pai”. Então, a Lei que foi dada por Moisés será substituída pela “graça e verdade que veio por Jesus Cristo”[9], e a humanidade que surgiu no seu curso designado testemunhará como filhos legítimos de Deus que é possível obedecer ao comando divino: “Sede perfeitos, assim como o vosso Pai Celestial é perfeito”[10].

CONCLUSÃO

Nas páginas anteriores, abordamos, um pouco, a riqueza da sabedoria encontrada nos Ensinamentos do Mistério Cristão difundidos por meio da Fraternidade Rosacruz. Mas foi suficiente para convencer qualquer pessoa familiarizada com o ensino do ocultismo oriental e que esteja aberta à convicção. Embora ambos contenham as mesmas grandes verdades básicas comuns a todas as religiões, antigas e modernas, estão muito longe de ser O MESMO e que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental está tão longe do ocultismo oriental como BUDA, a luz da ÁSIA, ESTÁ DISTANTE DO NOSSO GLORIOSO CRISTO, A LUZ DO MUNDO, cuja chegada assistimos e oramos.

Fim de

Cristo ou Buda?

[1] N.T.: do poema: The Present Crisis de James Russell Lowell (1819–1891)

[2] N.T.: do capítulo XV – Cristo e Sua Missão do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel

[3] N.T.: Gorilas, Orangotangos, Chimpanzés e Bonobos são os antropoides superiores.

[4] N.T.: The Occult Review foi uma importante revista britânica que existiu de 1905 até 1951 com Ralph Shirley como editor, este que foi vice-presidente do Instituto Internacional de Investigação Psíquica. A revista foi chamada por algum tempo como The London Forum. A descrição da revista dizia “ Revista mensal devotada a investigação do sobrenatural e o estudo de problemas psicológicos.”.

[5] N.T.: Lc 2:14

[6] N.T.: Rm 8:19

[7] N.T.: do Livro Maçonaria de Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[8] N.T.: Veja mais sobre a simbologia do Tabernáculo do Deserto no livro Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[9] N.T.: Jo 1:17

[10] N.T: Mt: 5:48

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Livro: O Corpo Vital – por Max Heindel

A Escola de Sabedoria Ocidental ensina, como sua máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital”, declara Max Heindel.

É por esse motivo e com o propósito de apresentar, numa forma concisa e de fácil compreensão, todas as informações importantes que Max Heindel escreveu em várias cartas, lições e livros a respeito do veículo etérico, que este material compilado se acha publicado em forma de livro.

Para o leigo em estudos ocultos, assim como para o estudante avançado, seu conteúdo é de enorme valor prático.

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel – O Corpo Vital

2. Para estudar no próprio site:

O CORPO VITAL

Por

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

3ª Edição em Inglês, 2011, The Vital Body, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

ÍNDICE

INTRODUÇÃO.. 5

PARTE I – EVOLUÇÃO PASSADA DO CORPO VITAL DO SER HUMANO   7

Capítulo I – Durante Períodos e Revoluções. 7

Capítulo II – Durante as Épocas. 17

PARTE II – O CORPO VITAL DO SER HUMANO NA ATUAL ÉPOCA ÁRIA   24

Capítulo I – Natureza e Funções. 24

Capítulo II – Na Saúde e na Doença. 46

Capítulo III – No Sono e nos Sonhos. 66

Capítulo IV – Na Morte e nos Mundos Invisíveis. 75

Capítulo V – A Caminho do Renascimento. 99

Capítulo VI – As Crianças. 102

PARTE III – O CORPO VITAL DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS…. 108

Capítulo I – Natureza e Funções. 108

PARTE IV – A RELAÇÃO DO CORPO VITAL COM O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL. 116

Capítulo I – Um Fator Importante. 116

Capítulo II – O Efeito das Orações, Rituais e Exercícios. 129

 

PREFÁCIO[1]

A Escola de Sabedoria Ocidental ensina, como sua máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital”, declara Max Heindel, um Iniciado da Ordem Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. É por esse motivo e com o propósito de apresentar, numa forma concisa e de fácil compreensão, todas as informações importantes que Max Heindel escreveu em várias cartas, lições e livros a respeito do veículo etérico, que este material compilado se acha publicado em forma de livro. Para o leigo em estudos ocultos, assim como para o estudante avançado, seu conteúdo é de enorme valor prático.

Muitos estudantes zelosos dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental deram de modo desinteressado e amoroso, seu tempo e esforços no preparo desse material para publicação, e eles rogam que cada exemplar possa levar sua mensagem de luz e inspiração a todo aspirante espiritual, que esteja se empenhando em seguir o Caminho de Cristo.

 

INTRODUÇÃO

A Filosofia Rosacruz ensina que o ser humano é um Espírito Tríplice, possuindo uma Mente através da qual ele governa o Tríplice Corpo, que ele emanou de si mesmo para adquirir experiência. Ele transmuta esse Tríplice Corpo numa Tríplice Alma, da qual ele avançada impotência à onipotência. O Espírito Divino emana de si mesmo o Corpo Denso extraindo, como alimento, a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana de si mesmo o Corpo Vital, extraindo, como alimento, a Alma intelectual; o Espírito Humano emana de si mesmo o Corpo de Desejos, extraindo, como alimento, a Alma Emocional. O Corpo Vital é feito de Éter e permeia o corpo visível,[2] como o Éter permeia todas as demais formas, com a exceção de que os seres humanos especializam uma maior quantidade do Éter universal que as outras formas. Esse corpo etéreo é nosso instrumento para a especialização da energia vital do Sol.

Também é ensinado pela Filosofia Rosacruz que nosso esquema evolucionário é levado através de cinco dos sete Mundos ou estados de matéria (Físico, do Desejo, do Pensamento, do Espírito de Vida e do Espírito Divino) em sete grandes Períodos de Manifestação (Períodos de: Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, Júpiter, Vênus e Vulcano) durante os quais o Espírito Virginal, ou vida evolucionante, torna-se primeiro, um ser humano e depois, um Deus. Estamos, agora, no quarto período, ou Período Terrestre, que se acha dividido em sete Revoluções, assim como as sete Épocas seguintes: a Polar, a Hiperbórea, a Lemúrica, a Atlante, a Ária, a Nova Galileia e o Reino de Deus, essas últimas duas ainda por vir[3]. No começo do Período de Saturno doze grandes Hierarquias Criadoras estavam ativas no trabalho da evolução. Duas dessas Hierarquias fizeram algum trabalho para ajudar bem no início….  E, então, retiraram-se da existência limitada para a liberação. Mais três Hierarquias Criadoras seguiram-nas no início do Período Terrestre: os Senhores da Chama, os Querubins e os Serafins, deixando sete Hierarquias em serviço ativo quando o Período Terrestre teve início: os Senhores da Sabedoria, os Senhores da Individualidade, os Senhores da Forma, os Senhores da Mente, os Arcanjos, os Anjos e os Espíritos Virginais.

 

PARTE I – EVOLUÇÃO PASSADA DO CORPO VITAL DO SER HUMANO

Capítulo I – Durante Períodos e Revoluções

A evolução do Corpo Vital e do Espírito de Vida, do qual é uma contraparte, se iniciou no segundo Período ou Período Solar dos sete Grandes Dias de Manifestação. Desde então, foi reconstruído e atingirá a perfeição no Período de Júpiter. Num estágio futuro a humanidade não mais terá necessidade desse veículo, mas mesmo assim, sua quintessência será retida.

O Espírito de Vida e o Corpo Vital iniciaram sua evolução no Período Solar e, por conseguinte, são responsabilidades específicas do Filho.

Eles (os Senhores da Chama) forneceram, anteriormente, o germe do Corpo Denso e, na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar estavam ocupados com certos melhoramentos a serem feitos nele.

No Período Solar a formação do Corpo Vital estava para ter início, com todas as decorrentes implicações de capacidade para assimilação, crescimento, propagação, desenvolvimento das glândulas, etc.

Os Senhores da Chama incorporaram no germe do Corpo Denso apenas a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos. Na ocasião, agora em consideração, foi necessário mudar o germe de tal modo que permitisse a interpenetração do Corpo Vital, e também a capacidade de desenvolver glândulas e um tubo digestivo. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama, que forneceram o germe original, e os Senhores da Sabedoria, que se encarregaram da evolução material no Período Solar.

Quando os Senhores da Chama e os Senhores da Sabedoria tinham, na Revolução de Saturno do Período Solar, reconstruído conjuntamente o Corpo Denso germinal, os Senhores da Sabedoria, na Segunda Revolução, deram início ao trabalho propriamente dito, do Período Solar, irradiando de seus próprios corpos o germe do Corpo Vital, tornando-o capaz de interpenetrar o Corpo Denso e dando ao germe a capacidade de crescimento ulterior, de propagação e de sensibilização dos centros sensoriais do Corpo Denso e possibilitando-o a se mover. Em suma, eles deram, em germe ao Corpo Vital, todas as faculdades que ele está agora expandindo para tornar-se um instrumento perfeito e flexível para o uso do Espírito.

Notamos também que, como a Primeira Revolução ou Revolução de Saturno, de qualquer período, diz respeito ao trabalho no Corpo Denso (porque este teve início numa primeira Revolução), assim, a Segunda, ou Revolução Solar, de qualquer período se acha relacionada com melhorias no Corpo Vital, porque este teve início numa Segunda Revolução.

Pode-se dizer que o ser humano, no Período Solar, passou pela existência do vegetal. Ele tinha um Corpo Denso e um Corpo Vital, como têm as plantas. Sua consciência, tal como a dos vegetais, era a de um sono sem sonhos.

Então havia duas classes ou reinos no Período Solar, isto é, os atrasados do Período de Saturno, que ainda eram minerais, e os pioneiros do Período de Saturno, que foram capazes de receber o germe do Corpo Vital e tornaram-se semelhantes às plantas.

No meio da sétima Revolução do Período Solar, os Senhores da Sabedoria se encarregaram do Espírito de Vida germinal, dado pelos Querubins na Sexta Revolução do Período Solar. Eles assim o fizeram com o propósito de conectá-lo ao Espírito Divino. Sua maior atividade, nesse trabalho, foi alcançada na Noite Cósmica intermediária entre os Períodos Solar e Lunar. No primeiro despertar do Período Lunar, à medida que a onda de vida se pôs em marcha em sua nova peregrinação, os Senhores da Sabedoria reapareceram, trazendo com eles os veículos germinais do ser humano em evolução. Na Primeira Revolução, ou de Saturno do Período Lunar, eles cooperaram com os “Senhores da Individualidade”, que tinham como encargo especial a evolução material do Período Lunar. Juntos eles reconstruíram o germe do Corpo Denso trazido do Período Solar. Esse germe tinha desdobrado os órgãos embrionários dos sentidos, os órgãos da digestão, as glândulas, etc. e foi interpenetrado por um Corpo Vital germinal que difundiu certo grau de vida no Corpo Denso embrionário. Certamente, ele não era sólido e visível como é agora, embora numa certa forma já tivesse algo desenvolvido e era perfeitamente distinguível pela visão clarividente treinada do investigador competente, que procure na Memória da Natureza por cenas desse distante passado.

Na Segunda, ou Revolução Solar do Período Lunar, o Corpo Vital foi modificado para tornar-se capaz de ser interpenetrado pelo Corpo de Desejos, e também acomodar-se ao sistema nervoso, muscular, esqueleto, etc. Os Senhores da Sabedoria, que foram os criadores do Corpo Vital, ajudaram também os Senhores da Individualidade em seu trabalho.

Na Sexta Revolução do Período Lunar os Querubins reapareceram e vivificaram o Espírito de Vida daqueles atrasados do Período Solar, mas que desde então tinham alcançado o estágio necessário de desenvolvimento, e também naqueles atrasados do Período Solar que tinham então desenvolvido o Corpo Vital durante sua existência vegetal no Período Lunar.

Os pioneiros da nova Onda de Vida passaram por um estágio inferior da existência vegetal; entretanto a maioria deles desenvolveu o Corpo Vital suficientemente para permitir o despertar do Espírito de Vida.

Portanto, todos os três últimos mencionados possuíam os mesmos veículos no início do Período Terrestre, embora só os dois primeiros mencionados pertençam à nossa onda de vida e têm a chance de até nos ultrapassarem se passarem pelo ponto crítico que virá na próxima Revolução do Período Terrestre. Os que não conseguirem ultrapassar esse ponto ficarão retidos, até que alguma evolução futura alcance um estágio onde eles possam ser incorporados e continuar com seu desenvolvimento em um novo período humano. Eles serão impedidos de prosseguir com a nossa humanidade, porque esta terá avançado muito além de suas condições e seria um sério entrave ao nosso progresso arrastá-los conosco. Eles não serão destruídos, mas, simplesmente retidos esperando por outro período de evolução.

No fim do Período Lunar essas classes possuíam os veículos como estão classificados no Diagrama 10[4] e começaram com eles no início do Período Terrestre. Durante o tempo que transcorreu desde então, o reino humano vem desenvolvendo o elo mental, e tem desse modo logrado total consciência de vigília. Os animais obtiveram um Corpo de Desejos; as plantas um Corpo Vital; os atrasados da onda de vida, que entraram na evolução no Período Lunar, escaparam das duras e pesadas condições de formações de rochas e agora seus Corpos Densos compõem nossos solos mais macios; enquanto que a onda de vida que entrou na evolução aqui no Período Terrestre forma as rochas mais duras e as pedras.

Vemos então, que ao término do Período Lunar o ser humano possuía um Tríplice Corpo em vários estágios de desenvolvimento; e também o germe do Tríplice Espírito. O ser humano possuía Corpos: Denso, Vital e de Desejos, e o Espírito: Divino, de Vida e Humano. Só lhe faltava o elo para conectá-los.

Outra Hierarquia Criadora tinha encargo especial dos três germes dos Corpos: Denso, Vital e de Desejos, conforme estavam evoluindo. Eram aqueles que, sob a direção das mais elevadas ordens fizeram praticamente o trabalho inicial nesses Corpos, usando a vida evolucionante como uma espécie de instrumento. Essa Hierarquia chama-se “Senhores da Forma”.

Eles estavam, então, tão evoluídos que receberam o encargo do terceiro aspecto do Espírito no ser humano, o Espírito Humano, no Período Terrestre que se aproximava.

Vamos, portanto, analisar o assunto e ver o que temos direito de esperar de quem pretende ser um professor. Para fazê-lo temos que primeiro nos indagar: Qual o propósito da existência no universo da matéria? Podemos responder a isso dizendo que é a evolução da consciência. Durante o Período de Saturno, quando éramos como minerais em nossa constituição, nossa consciência era a de um médium afastado de seu corpo por espíritos em uma seção de materialização, onde uma grande parte dos Éteres que compõem o Corpo Vital tenha sido removida. O Corpo Físico fica então num transe bem profundo. No Período Solar, quando nossa constituição era similar a das plantas, nossa consciência era como a de um sono sem sonhos, quando o Corpo de Desejos, a Mente e o Espírito ficam fora do corpo, deixando os Corpos Físico e Vital sobre a cama. No Período Lunar tivemos um quadro de consciência como a que temos nos sonhos, quando o Corpo de Desejos se acha só parcialmente removido do veículo Denso e do Corpo Vital. Aqui, no Período Terrestre, nossa consciência se alargou para sentir os objetos fora de nós, colocando-se todos os veículos numa posição concêntrica, como quando estamos acordados.

O Período Terrestre é proeminentemente o Período da Forma, pois aqui a forma ou a parte material da evolução atinge seu maior e mais pronunciado estado. Aqui o Espírito está mais indefeso e subjugado e a Forma é o fator mais predominante; daí a proeminência dos Senhores da Forma.

Durante essa Revolução (a Segunda ou Revolução Solar do Período Terrestre) o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar o germe da Mente. O Corpo Vital foi moldado para ficar mais semelhante ao Corpo Denso, de modo que pudesse tornar-se adequado para uso como o veículo mais denso durante o Período de Júpiter, quando o Corpo Denso terá se espiritualizado.

Os Anjos, a humanidade do Período Lunar, foram ajudados nessa reconstrução pelos Senhores da Forma. A organização do Corpo Vital acha-se agora em uma eficiência próxima ao do Corpo Denso. Alguns escritores deste assunto chamam o Corpo Vital de um elo, e sustentam que ele é meramente um molde do Corpo Denso e não um veículo separado.

Embora não desejando criticar, e admitindo que essa controvérsia se acha justificada pelo fato de que o ser humano, no presente estágio da evolução, não pode habitualmente usar o Corpo Vital como um veículo separado, porque ele sempre permanece com o Corpo Denso, e retirá-lo totalmente iria causar a morte do Corpo Denso, sem dúvida houve uma época em que ele não estava tão firmemente incorporado a este último, como veremos mais adiante.

Durante essas Épocas da história de nossa Terra, que já foram mencionadas como a Lemúrica e a Atlante, o ser humano era involuntariamente clarividente, e foi precisamente essa debilidade de conexão entre os Corpos Denso e Vital que tornava o ser humano assim (Os Iniciadores daquela época ajudavam o candidato a afrouxar ainda mais essa conexão, como no clarividente voluntário).

Desde então o Corpo Vital tornou-se muito mais firmemente entretecido com o Corpo Denso na maioria das pessoas, mas em todos os sensitivos essa conexão está frouxa. É essa frouxidão que constitui a diferença entre o parapsíquico e a pessoa comum que é inconsciente de tudo, exceto das vibrações captadas pelos cinco sentidos. Todos os seres humanos tiveram que passar por esse período de estreita conexão dos veículos e experimentar a consequente limitação de consciência. Há, portanto, duas classes de sensitivos, aqueles que não se tenham firmemente enredado na matéria, como a maioria dos hindus, indianos, etc., que possuem certo e pequeno grau de clarividência, ou seja, sensíveis aos sons da natureza, e aqueles que se acham na vanguarda da evolução. Os últimos estão surgindo do nadir da materialidade, e estão também divididos em dois tipos, um dos quais se desenvolve de modo passivo e fraco de vontade. Pela ajuda de outros eles tornam a despertar o plexo solar e outros órgãos de conexão com o sistema nervoso involuntário. Esses são, portanto, clarividentes involuntários, médiuns que não possuem controle de sua faculdade. Eles retrocederam. O outro tipo é formado por aqueles que, pela própria vontade, desenvolveram o poder vibratório dos órgãos atualmente conectados com o sistema nervoso voluntário e assim tornaram-se ocultistas treinados, controlando seus próprios corpos e exercendo a faculdade de clarividência como desejem. Eles são chamados de clarividentes voluntários ou treinados.

No Período de Júpiter o ser humano vai funcionar em seu Corpo Vital como agora ele faz em seu Corpo Denso e como nenhum desenvolvimento é súbito na natureza, o processo de separar os dois Corpos já começou. O Corpo Vital irá no futuro alcançar um grau muito maior de eficiência que o que tem o Corpo Físico de hoje. Como ele é um veículo muito mais flexível, o espírito estará então capacitado a usá-lo de um modo impossível de imaginar com nosso atual veículo Denso.

O Corpo Vital começou na Segunda Revolução do Período Solar e foi reconstruído nos Períodos Lunar e Terrestre, e irá alcançar a perfeição no Período de Júpiter, que é o seu quarto estágio, assim como o Período Terrestre é o quarto estágio do Corpo Denso.

Nada é desperdiçado na natureza. No Período de Júpiter as forças do Corpo Denso irão se superpor ao Corpo Vital completado. Este veículo possuirá, então, os poderes do Corpo Denso além de suas próprias faculdades e será, por isso, um instrumento de muito mais valia para o Tríplice Espírito expressar-se do que se fosse construído a partir de suas próprias forças.

De modo similar, o globo D do Período de Vênus está localizado no Mundo do Desejo, e daí nem o Corpo Denso nem o Vital poderiam ser usados como instrumentos conscientes. Por esse motivo as essências dos Corpos Denso e Vital aperfeiçoadas serão incorporadas ao Corpo de Desejos completo, tornando-se assim, este último, um veículo de qualidades transcendentais, maravilhosamente adaptado e assim sensível ao mais leve desejo do Espírito interno do que em nossas atuais limitações, o que se acha além de toda a concepção.

Até mesmo a eficiência desse esplêndido veículo estará superada quando no Período de Vulcano sua essência, junto com as essências dos Corpos Denso e Vital, agregadas a Mente, se tornará o mais elevado dos veículos do ser humano, contendo dentro de si a quintessência do que houver de melhor em todos os veículos. Se o veículo do Período de Vênus está tão além de nosso atual poder de compreensão, que dirá aquele que estará a serviço dos seres divinos no Período de Vulcano!

 

Capítulo II – Durante as Épocas

As Épocas Polar, Hiperbórea, Lemúrica e Atlante foram recapitulações das etapas que os Espíritos Virginais atravessaram. Consequentemente, o Corpo Vital sofreu modificações durante aquelas épocas.

Quando o ser humano apareceu na Terra, o Corpo Denso foi constituído na Época Polar, e vitalizado pela interpenetração do Corpo Vital na Época Hiperbórea. Naquela época, o ser humano era parecido com os Anjos, macho-fêmea, uma completa unidade criadora, capaz de criar por si mesmo projetando toda sua força criadora que é amor.

Quando a Terra surgiu do Caos, encontrava-se primeiramente na etapa vermelho escuro, que conhecemos como Época Polar. Então, a humanidade desenvolveu primeiro, um Corpo Denso que não era, absolutamente, como nosso corpo atual. Quando o estado da Terra se fez ígneo, na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi agregado e o ser humano se converteu em algo similar às plantas, isto é, tinha os mesmos veículos que têm as plantas atualmente, e também uma consciência similar, ou melhor, uma inconsciência parecida à que temos durante o sono sem sonhos, quando só os Corpos Denso e Vital ficam no leito.

Os Senhores da Forma apareceram na Época Hiperbórea, juntamente com os Anjos (humanidade do Período Lunar), e envolveram a forma densa do ser humano com um Corpo Vital.

Como a Época Polar era realmente uma recapitulação do Período de Saturno, pode-se dizer que, durante este tempo, o ser humano passou através do estado mineral; tinha o mesmo veículo – o Corpo Denso – e uma consciência semelhante à do estado de transe. Por razões análogas, o estado vegetal foi atravessado durante a Época Hiperbórea, pois o ser humano tinha um Corpo Denso e um Vital, e sua consciência era semelhante à da de sono sem sonhos.

Absorvendo os cristaloides preparados pelos vegetais, o ser humano desenvolveu um Corpo Vital na Época Hiperbórea, e se converteu em algo semelhante às plantas, tanto por sua constituição como por sua natureza, pois vivia sem fazer esforço algum e tão inconscientemente quanto às plantas.

Na segunda época, a Hiperbórea, um Corpo Vital de Éter foi acrescentado, então, o ser humano, em desenvolvimento, já possuía um corpo constituído como o das plantas atuais. Ele não era uma planta, mas algo semelhante à planta.

Caim, o ser humano desta Época, é descrito como um agricultor; seus alimentos vinham unicamente dos vegetais, pois as plantas contêm mais Éter do que qualquer outra estrutura.

Descreve-se Caim como um agricultor. Ele simboliza o ser humano da Segunda Época. Tinha um Corpo Vital análogo ao das plantas, que o sustentava.

Na segunda Época, a Hiperbórea, Deus disse: “Faça-se a Luz”; o calor se converteu numa massa ígnea luminosa semelhante à do Período Solar, e o Corpo Denso humano foi vestido com um Corpo Vital, flutuando aqui e acolá sobre a Terra ígnea, como uma coisa grande em forma de saco ou bolsa. O ser humano era, então, análogo ao vegetal porque tinha os mesmos veículos que têm as plantas atuais, e os Anjos eram seus auxiliares na organização de seu Corpo Vital, e continuam sendo até os dias atuais.

Isto pode parecer uma anomalia, pois os Anjos são a humanidade do Período Lunar, no qual o ser humano obteve seu Corpo de Desejos. Porém, não é assim, porque, só no Período Lunar, a Terra evolucionante se condensou em Éter, tal como o que agora forma nosso Corpo Vital e, lá, a humanidade, os Anjos atuais, aprenderam a construir seus corpos mais densos com matéria etérea, assim como, estamos aprendendo a formar os nossos com sólidos, líquidos e gases, da Região Química do Mundo Físico. Eles se tornaram especialistas na construção daqueles corpos, assim como nós o seremos na construção de um Corpo Denso, quando finalizar o Período Terrestre.

Na Época Polar, o ser humano tinha somente um Corpo Denso pobremente organizado; era inconsciente e imóvel como os minerais que agora são assim, constituídos. Na Época Hiperbórea, seu Corpo Denso ficou envolto em um Corpo Vital e o Espírito pairava fora. Os efeitos desta natureza podem ser observados nos vegetais, que agora estão constituídos analogamente.

Neles vemos repetição constante, construção de talos e folhas para cima em sucessão alternada, o que continuaria ‘ad infinitum’, se não houvesse outra influência. Porém, como a planta não tem Corpo de Desejos separado, o Corpo de Desejos da Terra, o Mundo do Desejo, endurece o vegetal e freia seu intenso crescimento na medida certa. A força criadora, que não consegue fazer uma determinada planta continuar a crescer, busca outra saída: forma a flor e se acumula na semente, para que possa crescer outra vez em uma nova planta.

Na Época Hiperbórea, na qual o ser humano se encontrava em condições parecidas, seu Corpo Vital o fazia crescer até alcançar um tamanho enorme. O Mundo do Desejo, agindo sobre ele, fazia com que ele produzisse umas sementes semelhantes a esporos, que ou eram apropriadas por outros Egos humanos ou eram empregados pelos Espíritos da Natureza, para formar os corpos animais que começavam a emergir do Caos (A onda de vida superior começa primeiro, no princípio de um período, e é a última que vai ao Caos; as ondas de vida que se seguem – animal, vegetal e mineral – surgem mais tarde e se vão mais depressa).

Deste modo, na Época Hiperbórea, quando o ser humano era análogo aos vegetais, seu Corpo Vital formava vértebra, pós-vértebra, e teria continuado assim se não lhe tivesse sido dado um Corpo de Desejos na Época Lemúrica. Esse corpo começou a endurecer a estrutura e a dominar a tendência a crescer, e, como resultado, o crânio, a flor sobre o “talo” da coluna espinhal, foi incipientemente formado.

Impedida em seus esforços de construir uma forma mais alta, fez-se necessário que a força criadora do Corpo Vital buscasse outra saída, pela qual pudesse continuar crescendo para cima em outro ser humano. Então, o ser humano tornou-se hermafrodita, capaz de gerar um novo corpo de si mesmo.

Então chegamos à segunda época, a Hiperbórea, quando o ser humano possuía um Corpo Denso e um Corpo Vital; que era o seu estágio análogo ao vegetal. Alimentava-se de vegetais e se fala de Caim como de um agricultor. Imediatamente depois, temos a Época Lemúrica, quando o ser humano já tinha um Corpo de Desejos, isto é, possuía três veículos, igual aos animais.

Então chegamos à etapa em que o ser humano necessitava de alimentos para manter seus três Corpos. Ele os obtém de animais viventes e se diz que Abel era um pastor.

Quando o ser humano adquiriu seu Corpo Vital, na Época Hiperbórea, o Sol, a Lua e a Terra estavam ainda unidos e as forças solares-lunares penetravam em cada ser uniformemente, de modo que todos podiam perpetuar sua espécie através de brotos e esporos, como fazem as plantas atuais. Os esforços do Corpo Vital para abrandar o veículo denso e mantê-lo vivo, então, não sofriam intervenção, e esses corpos primitivos, parecidos com as plantas, viviam séculos. Porém, como o ser humano era inconsciente e imóvel como as plantas, não fazia nenhum esforço vigoroso. A inclusão de um Corpo de Desejos agregou estímulos e desejos, e a consciência surgiu como resultado do estado de guerra entre o Corpo Vital que constrói, e o Corpo de Desejos que destrói o Corpo Denso.

Então, a dissolução tornou-se só uma questão de tempo, especialmente porque a energia construtiva do Corpo Vital foi também necessariamente dividida, uma parte ou polo sendo usada nas funções vitais do corpo, e a outra para substituir o veículo perdido pela morte. Porém, como os dois polos de um magneto ou dínamo são requisitos para a manifestação, assim também dois seres de sexos diferentes são necessários para a geração; então, casamento e nascimento foram instituídos para compensar o efeito da morte. A morte, então, é o preço que pagamos pela consciência no mundo atual. O casamento e os nascimentos repetidos são nossas armas contra o maior terror da humanidade, até que mude nossa constituição e nos tornemos seres semelhantes aos Anjos.

Os veículos superiores dos primitivos Atlantes não estavam em posição concêntrica com relação ao Corpo Denso como estão os nossos. O Espírito não era ainda um Espírito interno; estava parcialmente no exterior e, portanto, não podia controlá-los tão facilmente, como quando habita internamente. A cabeça do Corpo Vital estava fora e se mantinha muito mais acima que a do Corpo Físico. Há um ponto entre as sobrancelhas, a meia polegada[5] abaixo da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Esse ponto não é o Corpo Pituitário[6], que está muito mais dentro da cabeça do Corpo Denso. Pode chamar-se de “raiz do nariz”. Quando esses dois pontos, do Corpo Vital e do Físico se colocam em correspondência, como acontece com o ser humano atual, o clarividente treinado os vê como uma pequena mancha negra, ou melhor dizendo, como um espaço vazio, semelhante à parte invisível da chama do gás. Este é o assento do Espírito interno do ser humano, o Santuário dos Santuários (Sanctum Sanctorum) do templo do corpo humano, fechado para tudo o que não seja o Espírito que habita aquele corpo, o Ego. O clarividente desenvolvido pode ver com maior ou menor clareza, de acordo com sua capacidade e treinamento, todos os diferentes corpos que formam a aura humana. Esse ponto está oculto para ele. É a “Isis”, cujo véu ninguém pode levantar. Nem mesmo o ser mais evoluído da Terra pode tirar o véu do Ego da mais humilde ou menos desenvolvida criatura. Isto, e unicamente isto, sobre a Terra, é tão sagrado que está completamente a salvo de toda intrusão.

Estes dois pontos que acabamos de citar – um no Corpo Denso e sua contraparte no Corpo Vital – estavam muito separados no ser humano dos primitivos tempos da Atlântida, como estão nos animais atuais. A cabeça do Corpo Vital do cavalo está muito separada da cabeça de seu Corpo Denso. Esses dois pontos estão mais próximos no cachorro do que em qualquer outro animal, com exceção talvez do elefante. Se chegar a juntar-se, acontece o caso dos animais prodígios que podem contar, soletrar, etc.

Devido à distância entre esses dois pontos, o poder de percepção do Atlante era muito mais agudo nos mundos internos do que no Mundo Físico, obscurecida pela atmosfera de neblina densa e pesada. Com o tempo, no entanto, a atmosfera foi ficando gradualmente mais clara, ao mesmo tempo, que o ponto citado no Corpo Vital foi-se aproximando, pouco a pouco, do correspondente no Corpo Denso. Conforme se iam aproximando, o ser humano ia perdendo seu contato com os mundos internos, que ficavam mais escuros à medida que o físico clareava. Finalmente, na terceira e última parte da Época Atlante, o ponto do Corpo Vital se uniu ao do corpo físico correspondente. Até esse momento, o ser humano não estava plenamente consciente do Mundo Físico, porém, ao mesmo tempo, que se obteve a plena visão e percepção do Mundo Físico, a maioria da humanidade, perdeu gradualmente a capacidade de perceber os mundos superiores.

Durante a existência da Raça dos Semitas Originais a atmosfera da Atlântida começou a clarear definitivamente e o ponto, já mencionado, do Corpo Vital se colocou em correspondência com o respectivo ponto no Corpo Denso. A combinação dos acontecimentos deu ao ser humano a capacidade de ver os objetos com clareza e nitidez, com contornos bem definidos; porém, isto também provocou a perda de sua visão dos mundos internos.

Durante as idades que transcorreram desde a Época Lemúrica, a humanidade desenvolveu, pouco a pouco, o sistema nervoso cérebro-espinhal, que está sob o controle da vontade. Na última parte da Época Atlante, tal sistema se desenvolveu bastante para permitir ao Ego tomar plena posse do Corpo Denso. Então, foi o momento (como já foi mencionado) em que o ponto no Corpo Vital e o ponto no Corpo Denso, se corresponderam na raiz do nariz, e o Espírito interno despertou no Mundo Físico, e a grande maioria da humanidade perdeu a consciência dos mundos internos.

 

PARTE II – O CORPO VITAL DO SER HUMANO NA ATUAL ÉPOCA ÁRIA

Capítulo I – Natureza e Funções

A humanidade está evoluindo atualmente na Época Ária. O Corpo Vital tem funções, cor, forma, estrutura atômica e polaridade. Sua existência pode ser provada.

Vimos que o ser humano é um ser complexo e se compõe de:

  • Corpo Denso, seu instrumento de ação;
  • Corpo Vital, condutor da “vitalidade” que faz possível a ação;
  • Corpo de Desejos, de onde vêm os desejos que compelem à ação;
  • Mente, que controla os impulsos, dando um propósito à ação;

Ego, que age e acumula experiência resultante da ação.

O objetivo da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica, por meio da qual ele poderá controlar, perfeitamente, seus diferentes veículos e atuar como lhe pareça melhor. Sabemos que o Ego não tem completo domínio, pois, se assim fosse, não haveria guerra em nosso interior entre o Espírito e a carne, melhor dizendo, entre o Espírito e o Corpo de Desejos. É esta guerra que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta constrói o músculo físico. É fácil mandar que outros façam isso ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil no mundo, e diz-se, com razão, que “o ser humano que conquista a si mesmo é maior do que o que conquista uma cidade”. Goethe, o grande poeta iniciado, nos dá razão quando diz:

“De todos os poderes que encadeiam o mundo, o ser humano se libertará quando adquirir autocontrole”.

Além do corpo visível do ser humano que vemos com nossos olhos físicos, há outros veículos mais sutis que são invisíveis para a grande maioria da humanidade. No entanto, não são acessórios inúteis do Corpo Físico; pelo contrário, são muito importantes pelo fato de serem impulsionadores de toda ação. Se não existissem esses veículos sutis, o Corpo Físico ficaria inerte, insensível e morto.

O primeiro desses veículos sutis que chamamos de “Corpo Vital” por ser a avenida da vitalidade, que faz fermentar a massa morta de nossa envoltura mortal em seus anos de vida, e nos dá o poder de nos movermos.

Quando nosso corpo visível atual brotou, primeiramente no Espírito, era um pensamento-forma, porém, gradualmente, foi-se condensando e solidificando até se converter na cristalização química atual. O Corpo Vital foi o próximo emanado pelo Espírito, também como um pensamento-forma, e se encontra agora em seu terceiro grau de solidificação, que é o etéreo.

Além do Corpo Denso, visível para todos, existem veículos mais sutis que interpenetram o organismo e que são os impulsionadores de suas atividades. Um deles é o Corpo Vital formado de Éter, o qual tomou a seu cargo a construção do Corpo Denso, por meio dos alimentos que ingerimos em nosso organismo. Ele governa todas as funções vitais, tais como a respiração, a digestão, a assimilação, etc., trabalhando por meio do sistema nervoso simpático. Outro veículo, ainda mais sutil, é o Corpo de Desejos; é o veículo de nossas emoções, sentimentos e desejos que gasta as energias acumuladas no Corpo Denso pelos processos vitais, graças ao controle que exerce sobre o sistema nervoso cérebro-espinhal ou voluntário. Durante sua atividade, o Corpo de Desejos está destruindo e rompendo continuamente os tecidos formados pelo Corpo Vital: é a guerra entre estes dois veículos que produz o que chamamos de consciência no Mundo Físico. As forças etéreas do Corpo Vital operam de tal maneira que convertem em sangue a maior parte possível dos alimentos, e o sangue é a mais alta expressão do Corpo Vital.

A propagação é uma faculdade do Corpo Vital, que é o reflexo do Espírito de Vida, o segundo aspecto do Espírito Tríplice do ser humano.

Conta-se que dois Querubins com espadas flamejantes se converteram em guardiões do Éden, quando o ser humano foi expulso dali, para que não comesse o fruto da Árvore da Vida, tornando-se imortal. Os Querubins são a grande Hierarquia Criadora que se encarregou da Terra no Período Solar, quando o Corpo Vital germinou e o Espírito de Vida foi despertado.

Em nossa Bíblia, há uma descrição dos primeiros seres humanos da Terra. São chamados de Adão e Eva, porém, interpretando corretamente, Adão e Eva querem dizer a raça humana, à qual pouco a pouco se arrogou a faculdade de procriar, convertendo-se assim em seres livres. Dessa maneira, a humanidade obteve sua liberdade e se fez responsável perante a Lei de Consequência, pois, arrogando-se o direito de criar novos corpos, separou-se, então, da Árvore da Vida e de um estado que reconhecemos agora como etéreo. Quando aprendermos que temos um Corpo Vital feito de Éter, e que é a Árvore da Vida de cada ser humano, o qual nos proporciona a vitalidade necessária para nos movermos, então, compreenderemos porque o poder de recriar e regenerar nossos corpos nos foi tirado para que aprendêssemos como vitalizar nosso imperfeito Corpo Denso. E compreenderemos também porque, assim como está na Bíblia, havia Querubins com espadas flamejantes no portão do Jardim do Éden para proteger aquela região.

Foi para um bom propósito que esta faculdade nos foi tirada. Não por maldade, ou para que o ser humano sofresse aflições e dores, mas porque somente por meio de existências ou vidas repetidas em corpos inferiores podemos aprender a construir, para nós, um veículo adequado e bastante perfeito para ser imortalizado. Gradualmente, o ser humano saiu de sua condição etérea até alcançar sua condição sólida atual. Naquela época, podia viver em condições etéreas facilmente, como podemos viver hoje em dia nos três elementos do Mundo Físico. Na sua última etapa etérea estava em contato interno com as correntes de vida que agora contatamos inconscientemente.

Podia, então, centralizar em seu corpo a energia solar, absorvendo-a de uma maneira distinta da que emprega atualmente. Essa faculdade foi sendo retirada gradualmente, à medida que ia entrando na etapa sólida atual.

Esse nosso corpo que é composto de Éter é chamado de Corpo Vital nas Escolas de Mistérios do Ocidente, pois, como já vimos, o Éter é a via de ingresso da força vital, proveniente do Sol, e o campo de ação da natureza que promove as atividades de assimilação, crescimento e propagação.

Este veículo é a contraparte exata de nosso corpo visível, molécula por molécula, órgão por órgão, com uma exceção, da qual falaremos mais tarde. Porém, é um pouco maior e se estende além da periferia de nosso Corpo Denso cerca de uma polegada e meia[7].

O baço é a entrada particular das forças que vitalizam o corpo. Na contraparte etérea desse órgão a energia solar se transmuta em um fluido vital de cor rosa pálido. Daí se estende por todo o sistema nervoso e, uma vez cumprido o seu trabalho no corpo, sai, irradiando torrentes de luz que se eriçam parecidas com os pelos do porco espinho.

Durante o dia, o Corpo Vital especializa o fluido solar incolor que nos rodeia, por meio do órgão a que chamamos baço. Essa força vital permeia todo o organismo e os clarividentes a veem como um fluido de cor rosa pálido, pois foi transmutada ao entrar no Corpo Físico. Flui por todos os nervos e, quando os centros cerebrais a enviam em quantidades particularmente grandes, aciona os músculos governados pelos nervos.

Durante o estado de vigília, há uma guerra constante entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Os desejos e os impulsos do Corpo de Desejos golpeiam continuamente o Corpo Denso, obrigando-o à ação, sem olhar o dano que lhe possa ocasionar, sempre que seja satisfeito o desejo. É o Corpo de Desejos que incita o alcoólatra a encher-se de álcool para que a combustão química acelere as vibrações do Corpo Denso a um diapasão que fará dele um instrumento dócil a todo impulso desenfreado, gastando assim a energia acumulada com imprudente prodigalidade. O Corpo Vital, por outro lado, não tem outro interesse a não ser a conservação do Corpo Denso. Através do baço, especializa a energia solar incolor, que preenche o espaço, e, por meio de um processo químico misterioso, transforma-a em fluido vital em um lindíssimo rosa pálido, enviando-o, então, por todos os nervos e fibras do corpo. O Corpo Vital está sempre tratando de economizar a energia que acumulou no Corpo Denso e, portanto, está constantemente reparando os tecidos que foram destruídos pelos impactos do desenfreado Corpo de Desejos.

Quatro cores do Corpo Vital são indescritíveis, mas a quinta – que fica no meio das cinco – é similar ao matiz da flor de pessegueiro recém-aberta.

Esta é realmente a cor do Corpo Vital.

Os Corpos Denso e Vital do ser humano possuem forma definida, mas seu Corpo de Desejos é, ainda, de forma ovoide.

Já foi demonstrado pela ciência que os átomos de nosso Corpo Denso estão mudando constantemente, de tal maneira que todo o material que atualmente compõe nosso veículo terá desaparecido em uns poucos anos. No entanto, é de conhecimento comum que as cicatrizes e outras manchas se conservem desde a infância à velhice. A razão disto é que os átomos etéreos prismáticos que compõem nosso Corpo Vital permanecem inalterados do berço ao túmulo.

Eles estão sempre nas mesmas posições relativas, isto é, os átomos etéreos prismáticos que fazem vibrar os átomos dos dedos dos pés ou das mãos não mudam de situação e não emigram para as mãos, pernas ou outras partes do corpo, senão que permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão similar nos átomos etéreos prismáticos. A nova substância física que se modela sobre eles continua, então, tomando a forma e a textura similares aos que tinha originalmente.

Estas observações se aplicam exclusivamente aos átomos prismáticos que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico, porque assumem certa forma definida que conservam. Porém, além disso, na atual etapa da Evolução, cada ser humano tem certa quantidade de Éteres Luminoso e Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, entremesclados no seu Corpo Vital. Poderíamos dizer que o Éter Luminoso corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez, a melhor descrição que poderíamos dar ao Éter Refletor é a de chamá-lo hiper-etéreo. É uma substância vácua, de cor azulada, que se parece, por seu matiz, com o centro azul de uma chama de gás. Apresenta-se transparente e parece revelar tudo o que está em seu interior, mas, na realidade, oculta todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele se encontra um registro da Memória da Natureza.

Os Éteres Luminoso e Refletor são de característica exatamente oposta à dos átomos etéreos prismáticos e estacionários. São voláteis e migratórios. Seja qual for a quantidade que o ser humano possua desses Éteres, sempre são a frutificação das experiências da vida. Dentro do corpo, misturam-se com o sangue, e quando vão crescendo pelo serviço e sacrifício na escola da vida, de modo que já não podem ficar contidos dentro do corpo, pode-se observá-los fora deste como um corpo anímico matizado de ouro e azul. O azul é o que mostra o tipo mais elevado de espiritualidade, por ser o menor em volume e pode comparar-se ao núcleo azul da chama de gás, enquanto que a cor dourada forma a parte maior e corresponderia à parte de luz amarela que rodeia o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do corpo, salvo nas pessoas de extraordinária santidade e somente o amarelo é geralmente observado. Na hora da morte, esta parte do Corpo Vital se grava no Corpo de Desejos, com o panorama da vida que contém. Então, imprime-se no Átomo-semente a quintessência de toda nossa experiência na vida, como consciência ou virtude, que é o que nos induzirá a evitar o mal e a realizar o bem nas próximas vidas.

Quando analisamos o ser humano, vemos que os quatro Éteres são dinamicamente ativos no altamente organizado Corpo Vital. Graças às atividades do Éter Químico, o ser humano é capaz de assimilar os elementos e crescer; as forças que trabalham no Éter de Vida permitem-no propagar sua espécie; as forças do Éter Luminoso proveem o Corpo Denso com calor, trabalham sobre o sistema nervoso e sobre os músculos, abrindo assim as portas de comunicação com o mundo externo por meio dos sentidos; e o Éter Refletor permite ao Espírito governar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também guarda as experiências passadas como memória.

O Corpo Vital da planta, do animal e do ser humano se estende além da periferia do Corpo Denso, como acontece com a Região Etérea, que nada mais é do que o Corpo Vital do Planeta, que se estende além da sua parte densa, mostrando uma vez mais a veracidade do axioma hermético: “assim como é acima, é abaixo”. A extensão do Corpo Vital do ser humano além do Corpo Físico é mais ou menos de uma polegada e meia[8]. A parte que está fora do Corpo Denso é muito luminosa e tem uma cor parecida com a de uma flor de pessegueiro recém-aberta. É vista frequentemente por pessoas que possuem alguma clarividência involuntária. O autor, falando com essas pessoas, notou que geralmente elas não estão cientes de que veem algo incomum e não sabem o que se passa diante de sua visão.

O Corpo Denso é construído na matriz deste Corpo Vital, durante a vida pré-natal e com uma única exceção, é a cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Assim como as linhas de força na água são os condutores para a formação dos cristais de gelo, assim também as linhas de força no Corpo Vital determinam a forma do Corpo Denso. Através da vida toda, o Corpo Vital é o construtor e restaurador das formas densas.

Se assim não fosse, se o coração etéreo não restaurasse o coração físico, logo este se romperia sob a tensão contínua com que o sobrecarregamos. Todos os abusos a que submetemos o Corpo Denso fazem o Corpo Vital reagir, no que está em seu poder, e ele está permanentemente lutando contra a morte do Corpo Denso.

A exceção anteriormente mencionada é que o Corpo Vital do homem é feminino ou negativo, enquanto que o da mulher é masculino ou positivo.

Neste fato, temos a chave de numerosos problemas intrincados da vida. A mulher dá saída a suas emoções pela polaridade indicada, porque seu Corpo Vital positivo gera um excesso de sangue e a obriga a trabalhar sob uma pressão interna enorme, que romperia o Corpo Físico se não houvesse uma válvula de segurança, o fluxo periódico, e outra válvula, que são as lágrimas, e que limitam a pressão em ocasiões especiais, pois as lágrimas são realmente uma “hemorragia branca”.

O homem pode ter e tem emoções tão fortes quanto às das mulheres, porém, geralmente, pode suprimi-las sem lágrimas, porque seu Corpo Vital negativo não gera mais sangue do que pode dominar com facilidade.

De modo contrário ao que sucede com os veículos superiores da humanidade, o Corpo Vital não abandona regularmente o Corpo Denso até a morte deste último. Então, as forças químicas do Corpo Denso já não estão mais sob o domínio da vida evolucionante. Elas prosseguem com seu trabalho para restituir a matéria à sua condição primitiva, desintegrando-a e tornando-a apta para a formação de outros corpos na economia da natureza. A desintegração é, pois, devido à atividade das forças planetárias no Éter Químico.

A textura do Corpo Vital pode comparar-se, até certo ponto, com uma dessas figuras formadas por centenas de peças de madeira entrecruzadas e que apresentam inumeráveis pontos ao observador. O Corpo Vital também apresenta milhões de pontos ao observador. Estes pontos entram nos centros ocos dos átomos densos e, ao lhes imbuir força vital, vibram muito mais intensamente que os minerais da Terra que não foram ainda acelerados e vivificados.

Quando uma pessoa se afoga, ou cai de uma grande altura, ou fica congelada, o Corpo Vital abandona o Corpo Denso, cujos átomos ficam temporariamente inertes em consequência, mas, quando volta a si, os “pontos” tornam a penetrar nos átomos densos. A inércia dos átomos faz com que resistam um pouco a voltar a vibrar como antes, e esta é a causa dessa sensação de intensa dor e formigamento que se nota em tais ocasiões.

Há certos casos em que parte do Corpo Vital deixa o Corpo Denso, como acontece quando uma mão fica dormente, por exemplo. Então, a mão etérea do Corpo Vital pode ser vista flutuando sobre o braço denso, como uma luva, e os pontos produzem uma sensação especial de formigamento quando ela entra novamente na mão física. Em alguns casos de hipnose, a cabeça do Corpo Vital se divide e fica pendurada do lado de fora da cabeça densa, a metade cai sobre cada ombro, ou permanece em torno do pescoço como a gola de um suÉter. A ausência de formigamento ao despertar em tais casos é devida a que, durante a hipnose, parte do Corpo Vital da vítima foi substituída pela do hipnotizador.

Os átomos do Éter Químico e de Vida reunidos em torno do núcleo do Átomo-semente, localizado no plexo solar, têm uma forma prismática. Estão todos situados de tal maneira que, quando a energia solar entra no corpo pelo baço, o raio que se refrata é vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, regente da Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital do Sol, que penetra no corpo humano pelo baço, se tinge com uma ligeira cor rosada, que muitas vezes os videntes podem observar circulando pelos nervos como se fosse a eletricidade passando pelos condutores de uma instalação elétrica. Assim carregados, os Éteres Químico e de Vida são vias de assimilação, que preservam o indivíduo, e de fecundação, que perpetuam a raça.

Durante a vida, cada átomo prismático penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para se ter uma ideia desta combinação, podemos imaginar uma cesta de arame, em forma de pera, que tivesse paredes de arame curvado espiralmente que fosse de um polo a outro obliquamente. Este é o átomo físico cuja forma é muito parecida com a nossa Terra, e o átomo prismático vital está inserido de cima para baixo, a partir do topo, que é mais amplo e que corresponderia ao polo norte de nossa Terra.

Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao polo sul de nossa terra, e todo o conjunto parece com um pião que gira e bamboleia enquanto vibra intensamente. É desta maneira que nosso corpo se enche de vida e é capaz de se mover (É digno de nota que nossa Terra está compenetrada, de maneira similar, por um corpo cósmico de Éter e as manifestações da natureza que chamamos de Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéreas que circundam a Terra do polo ao Equador como fazem as correntes do átomo físico).

Os Éteres Luminoso e Refletor são as avenidas da consciência e da memória. No indivíduo comum encontram-se um tanto atenuados e não tomaram ainda uma forma definida. Interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja e formam algo assim como uma ligeira atmosfera áurica por fora de cada átomo.

Se tivéssemos dito que o Corpo Vital está formado de prismas ao invés de pontos, teria sido mais exato, pois é pela refração através destes diminutos prismas que o fluido solar incolor se transforma em rosáceo, como foi indicado por outros escritores, além do autor.

Foram feitos outros descobrimentos novos e importantes, por exemplo: agora sabemos que nasce um Cordão Prateado novo a cada renascimento e que uma parte dele brota do Átomo-semente do Corpo de Desejos no grande vórtice do fígado; que a outra parte nasce do Átomo-semente do Corpo Denso no coração, que as duas partes se unem com o Átomo-semente do Corpo Vital no plexo solar e que esta união dos veículos superiores e inferiores produz o despertar do feto. O desenvolvimento posterior do Cordão entre o coração e o plexo solar durante os primeiros sete anos tem uma importante relação com o mistério da infância, assim como o seu desenvolvimento mais amplo do fígado ao plexo solar, que tem lugar no segundo período setenário da vida da criança, contribui para a adolescência.

A realização total do Cordão Prateado marca o final da vida infantil e, desde tal momento, a energia solar, que entra pelo baço e se tinge pela refração através do Átomo-semente prismático do Corpo Vital situado no plexo solar, começa a dar um colorido individual e distinto à aura que observamos nos adultos.

Assim como o Éter leva à placa sensível da câmara escura da máquina fotográfica uma impressão fiel da paisagem, em torno em seus menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim também, o Éter contido no ar que respiramos leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo ao nosso redor e não somente das coisas materiais, como também das condições que existem em cada momento em nossa aura. O mais fugaz pensamento, sentimento ou emoção se transmite aos pulmões onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital porque é o agente que leva alimento a todas as partes do corpo e é também o veículo direto do Ego. As imagens que contém imprimem-se sobre os átomos negativos do Corpo Vital para servir como árbitros do destino do ser humano no estado post-mortem.

Em muitas mulheres, nas quais o Corpo Vital é positivo e nas pessoas mais evoluídas de ambos os sexos, cujos Corpos Vitais estão sensibilizados por uma vida pura e santa, pela oração e concentração, esta memória supra consciente, inerente ao Espírito de Vida, está, até certo ponto, além da necessidade de envolver-se em matéria mental ou de desejos para compelir à ação. Nem sempre necessita correr o risco de ver-se subjugada e até submetida pelo processo de raciocínio. Algumas vezes, em forma de intuição ou de ensinamento interno, imprime-se diretamente sobre o Éter Refletor do Corpo Vital. Quanto mais dispostos nos encontremos para reconhecer e seguir seus ditados, tanto mais amiúde falará, para nosso eterno benefício.

Por suas atividades durante as horas de vigília, o Corpo de Desejos e a Mente estão constantemente destruindo o veículo denso. Cada pensamento e movimento destroem tecidos. Por outro lado, o Corpo Vital se dedica totalmente a restaurar a harmonia e a reconstruir o que outros veículos estão destruindo. No entanto, não é capaz de sempre resistir completamente aos poderosos impactos dos impulsos e dos pensamentos.

Gradualmente, vai perdendo terreno e, por último, chega um momento em que sofre um colapso. Seus “pontos” enrugam-se, por assim dizer. O fluido vital cessa de circular pelos nervos em quantidade necessária; o corpo se torna sonolento; o Pensador se encontra tolhido por sua sonolência e se vê obrigado a sair dele, elevando-se o Corpo de Desejos consigo. Esta saída dos veículos superiores deixa o Corpo Denso, interpenetrado pelo Corpo Vital no estado a que chamamos sono.

Como um sábio general, o Ego segue uma conduta análoga. Não começa sua campanha adquirindo domínio sobre uma das glândulas, pois estas são expressões do Corpo Vital, nem seria possível adquirir domínio sobre os músculos voluntários, porque estão muito bem defendidos pelo inimigo. Essa parte do sistema muscular involuntário que está sob o domínio do sistema nervoso simpático seria também inútil para esse objetivo. O Ego deve conseguir um contato mais direto com o sistema nervoso cérebro-espinhal.

Para fazer isso e assegurar uma base de operações no mesmo campo inimigo, ele deve controlar um músculo que é involuntário e que, não obstante está relacionado com o sistema nervoso voluntário. Este músculo é o coração.

O sangue é a expressão mais elevada do Corpo Vital porque nutre todo o organismo físico. É também, em certo sentido, o veículo da memória subconsciente, e está em contato com a Memória da Natureza, situada na divisão mais elevada da Região Etérea. O sangue carrega as imagens da vida dos antepassados aos descendentes durante gerações quando é um sangue comum como o que se produz pela endogamia.

O amor e a unidade no Mundo do Espírito de Vida encontram sua contraparte ilusória na Região Etérea, à qual estamos relacionados pelo Corpo Vital, sendo este último o que produz o amor e a união sexual. O Espírito de Vida tem seu assento primeiramente no Corpo Pituitário e secundariamente no coração, por onde passa o sangue que nutre os músculos.

Olhando o assunto do ponto de vista oculto, toda consciência no Mundo Físico é o resultado da guerra constante entre os Corpos de Desejos e Vital.

A tendência do Corpo Vital é a de abrandar e construir. Sua expressão principal é o sangue e as glândulas, bem como o sistema nervoso simpático, havendo obtido ingresso na fortaleza do Corpo de Desejos (sistemas: muscular e nervoso voluntário) quando começou a converter o coração em músculo voluntário.

Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na sutil substância da Região do Pensamento Abstrato que especializamos dentro da periferia de nossa aura individual. Dali, obtemos as impressões que nos produz o mundo externo sobre o Corpo Vital através dos sentidos, junto com os sentimentos e emoções gerados por eles no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.

Todas as coisas estão em constante vibração. As vibrações dos objetos que nos rodeiam nos alcançam constantemente e levam, a nossos sentidos, o conhecimento do mundo externo. As vibrações do Éter atuam sobre nossos olhos de maneira a que possamos ver e as vibrações do ar transmitem os sons a nossos ouvidos.

O Sol trabalha no Corpo Vital e é a força que desperta a vida e luta contra as forças lunares relacionadas com a morte.

Assim como nas águas de um lago as árvores aparecem invertidas, parecendo que a folhagem se acha no mais profundo da água, assim também o aspecto mais elevado do Espírito (Espírito Divino) encontra sua contraparte no mais inferior dos três corpos (Corpo Denso). O Espírito imediatamente inferior (Espírito de Vida) se reflete no corpo imediatamente superior (Corpo Vital). O terceiro Espírito (Espírito Humano) e seu reflexo, o terceiro corpo (Corpo de Desejos), aparece como o mais próximo de todos ao espelho refletor, que é a Mente, correspondendo esta à superfície do lago, o meio refletor de nossa analogia.

Assim como os Corpos Vital e de Desejos planetários interpenetram a matéria densa da Terra, assim também os Corpos Vital e de Desejos interpenetram o Corpo Denso da planta, do animal e do ser humano.

Um Corpo Vital de Éter compenetra o corpo visível, como o Éter permeia todas as outras formas, com a exceção de que os seres humanos especializam uma quantidade maior de Éter universal do que as outras formas. Este Corpo Etéreo é o instrumento que usamos para especializar a energia vital do Sol. O Corpo Vital, que finalmente se transforma e se espiritualiza convertendo-se em alma, é de polaridade oposta. Está formado, órgão por órgão, exatamente como o Corpo Denso com uma exceção, o que explica muitos fatos que de outra maneira seriam inexplicáveis. Como a mulher tem um Corpo Vital positivo, ela amadurece antes que o homem, e as partes do corpo que têm certa semelhança com as plantas, como o cabelo, crescem mais e são mais exuberantes. Naturalmente, um Corpo Vital positivo gera mais sangue do que um Corpo Vital negativo, como o que possui o homem, daí que exista na mulher uma pressão sanguínea maior, da qual tem necessidade de se livrar mediante o fluxo mensal, produzindo-se, ao cessar na menopausa, uma espécie de segundo crescimento na mulher a qual adquire os caracteres que chamamos “matrona”.

Os impulsos do Corpo de Desejos empurram o sangue através de todo o sistema com diferentes graus de velocidade, de acordo com a força das emoções. Como a mulher tem um excesso de sangue, ela atua sob uma pressão muito mais elevada que o homem, e, se bem que esta pressão diminua durante o fluxo menstrual, há momentos em que necessita de uma válvula de escape extra: são as lágrimas femininas que, em realidade, constituem uma hemorragia branca, que age como uma válvula de segurança para remover o fluido excessivo. O homem, ainda que seja capaz de sentir emoções talvez tão fortes quanto a mulher, não é tão propenso às lágrimas porque não tem mais sangue do que pode utilizar normalmente.

Em consequência de sua polarização positiva na Região Etérica do Mundo Físico, o campo de ação da mulher tem sido a casa e a igreja, onde está rodeada de amor e paz, enquanto que o homem atua na luta dos fortes para que sobreviva o mais apto, uma luta sem quartel no denso Mundo Físico, onde seu corpo é positivo.

Desta forma, a mulher foi à precursora da cultura, sendo a primeira a desenvolver a ideia de uma “vida boa”, e graças a isso ela se tornou um expoente muito estimado entre os antigos e tem estado nobremente na vanguarda desde então. Como todos os Egos encarnam alternadamente como homens ou como mulheres, não há, na verdade, proeminência alguma. É simplesmente que os que encarnam num Corpo Denso do sexo feminino têm um Corpo Vital positivo e são, portanto, mais sensíveis às coisas espirituais do que quando o Corpo Vital é negativo como o do varão.

A mulher tem um Corpo Vital positivo e, portanto, está em contato intuitivo com as vibrações espirituais do universo. Ela tem mais ideais elevados e uma imaginação mais fértil que o homem. Em consequência, ela se interessa por todas as coisas que ajudam o desenvolvimento moral da raça. E, hoje em dia, é somente pelo crescimento moral e espiritual que a humanidade pode se adiantar e a mulher é, realmente, fator primordial na evolução.

Seria de muito proveito para as raças se a mulher obtivesse direitos iguais aos dos homens, pois somente então podemos esperar ver executadas as reformas que propugnam a união da humanidade. Se, por analogia, olharmos dentro de uma casa, veremos que a mulher é o pilar central, em torno da qual se agrupam o marido e os filhos. De acordo com suas aptidões e habilidades, ela faz a casa à sua imagem e nota-se sua influência aglutinadora, pois é ela quem mantém a harmonia e a paz do lar. O pai pode abandonar a casa, seja por falecimento ou de outra maneira; os filhos também podem ir-se, mas enquanto a mãe está o lar permanece. No entanto, quando a morte leva a mãe, tudo se desmorona.

Já dissemos, anteriormente, que o Corpo Vital é a contraparte exata do Corpo Denso, com uma única exceção: é de sexo oposto, ou melhor dito, de polaridade oposta. Como sabemos que o Corpo Vital nutre o veículo denso podemos compreender que o sangue é sua mais alta expressão visível e também que um Corpo Vital positivo deve gerar mais sangue que um corpo negativo. A mulher, fisicamente negativa, tem um Corpo Vital positivo, daí gerar um excesso de sangue que é aliviado pelo fluxo periódico. Está também mais propensa às lágrimas, uma hemorragia branca, que o homem, cujo Corpo Vital negativo não gera mais sangue do que pode normalmente utilizar. Portanto, não necessita ter as saídas que aliviam a mulher do excesso de sangue.

Os Anjos, a humanidade do Período Lunar, trabalham no ser humano, no animal e na planta, pois no Período Lunar o universo era de consistência etérea e os Corpos Vitais dos três reinos acima citados estão compostos por esta substância. Os Anjos são, portanto, verdadeiros auxiliares para as funções vitais tais como a assimilação, o crescimento e a propagação e em seu trabalho com a humanidade, são espíritos familiares. São eles que aumentam a família, multiplicam os ganhos e dão boa colheita nos campos.

Desde os tempos antigos, os Anjos Lunares se colocaram particularmente a cargo dos Corpos Vitais aquáticos e úmidos formados pelos quatros Éteres, cuidando da propagação e alimentação das espécies, enquanto que a atividade intensa dos Espíritos Lucíferes se desenvolvia nos secos e ígneos Corpos de Desejos. A função do Corpo Vital é construir e sustentar o Corpo Denso, enquanto que a do Corpo de Desejos é a destruição dos tecidos. Deste modo, há uma guerra constante entre o Corpo Vital e o de Desejos, e esta guerra nos céus ocasiona nossa consciência física na Terra.

Por mais estranho que possa parecer nossa afirmação, é verdade que a grande maioria da humanidade está parcialmente adormecida a maior parte do tempo, não obstante seus corpos físicos pareçam estar sumariamente ocupados, trabalhando ativamente. Sob condições ordinárias, o Corpo de Desejos da grande maioria é a parte mais desperta do complexo ser humano, o qual vive quase completamente de emoções e sentimentos, mas raramente pensa no problema da existência além daquilo que necessita para sobreviver. A maioria destes seres provavelmente nunca pensou seriamente nos três grandes problemas da vida: “De onde viemos, por que estamos aqui e para onde iremos?” de uma forma mais séria e consistente. Seus Corpos Vitais estão trabalhando para reparar os destroços feitos pelo Corpo de Desejos no Corpo Físico e subministrando a vitalidade que será logo malgastada na gratificação de seus desejos e emoções.

Este combate intenso entre o Corpo Vital e o de Desejos é que gera a consciência no Mundo Físico e faz homens e mulheres tão ativos que, do ponto de vista do Mundo Físico, nossa afirmação de que eles estão parcialmente adormecidos parece ser uma mentira. No entanto, examinando todos os fatos, chegamos à conclusão de que é assim e podemos acrescentar que este estado de coisas está de acordo com os desígnios das Grandes Hierarquias que estão a cargo de nossa evolução.

Essa destruição efetua-se constantemente e não é possível salvaguardar-se de todos esses destruidores, nem essa é a intenção. Se o Corpo Vital tivesse um poder ininterrupto, construiria cada vez mais, usando toda a energia com esse propósito. Não haveria consciência ou pensamento algum.

A consciência se desenvolve porque o Corpo de Desejos restringe e endurece as partes internas.

O Tríplice Espírito lançou uma Tríplice sombra sobre o mundo da matéria e assim se desenvolveu o Corpo Denso, como contraparte do Espírito Divino, seguido do Corpo Vital, réplica do Espírito de Vida e logo o Corpo de Desejos, imagem do Espírito Humano. Finalmente, formou-se o elo da Mente entre o Tríplice Espírito e o Tríplice Corpo. Este foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde termina a involução do Espírito na matéria e começa o processo evolutivo, através do qual a sua libertação se inicia. A involução envolve a cristalização do Espírito em corpos, porém, a evolução depende da dissolução dos corpos, a extração da substância anímica desses corpos e a alquímica amalgamação da Alma com o Espírito.

Há vários meios para demonstrar a realidade e a existência do Corpo Vital. Em primeiro lugar, existe uma máquina fotográfica. Talvez se possa encontrar entre os espíritas de sua cidade um capaz de tirar fotografia dos espíritos. Embora existam truques bem conhecidos dos fotógrafos para produzir retratos falsos, foi provado que, sob condições, onde a fraude é impossível foram tiradas fotos de pessoas que já haviam morrido. Estas pessoas puderam envolver-se em Éter, matéria com a qual o Corpo Vital é construído e que é visível para a lente fotográfica. Com o próprio autor aconteceu uma vez ser fotografado quando viajava em seu Corpo Vital de Los Angeles a São Pedro para despedir-se de um amigo, a bordo de um navio a vapor. Coincidentemente, ele estava entre aquele amigo e a máquina fotográfica de outro amigo que, naquele momento, fotografava o barco e a semelhança foi tanta que muitos o reconheceram.

Além disso, temos o fenômeno dos cachorros que seguem certas pessoas pelo cheiro de sua roupa usada a qual está impregnada de Éter do Corpo Vital, Éter que se estende mais ou menos uma polegada e meia[9] além do Corpo Denso. Portanto, a cada passo que damos este fluido invisível e radiante penetra a Terra. No entanto, comprovou-se que cães de caça que estavam perseguindo um criminoso em fuga ficaram desnorteados e perderam a pista quando o fugitivo calçou patins e continuou sua fuga sobre o gelo. Os patins o elevaram acima do solo e, então, o Corpo Vital, que se estendia por baixo de seus pés, não pôde impregnar o gelo e, então, ficando sem pista, os cachorros não puderam descobri-lo. Resultados similares foram obtidos com uma pessoa que usou pernas de pau para se afastar do lugar de seu crime.

Temos também o caso do magnetizador que extrai de seu paciente as partes enfermas do Corpo Vital, as quais são substituídas por Éter renovado, permitindo, assim, às forças vitais circular pelo órgão físico enfermo, efetuando-se a cura. Se o magnetizador não tiver cuidado de tirar de si o fluido etéreo escuro e gelatinoso, isto é, os miasmas humanos que extraiu e absorvê-lo em seu próprio corpo, então, ficará enfermo. Se não houvesse aquele fluido invisível, o fenômeno da cura do enfermo e da enfermidade do magnetizador não se produziria.

Finalmente, poderíamos dizer que, se se reúnem as condições necessárias e não falta à decisão, existe uma possibilidade muito grande para que uma grande quantidade de pessoas veja por si mesma o Corpo Vital. É mais fácil nos países do Sul, onde os defuntos são enterrados logo após seu falecimento. Deve-se escolher um dia que seja o mais próximo da Lua Cheia. Então, deve-se ler os avisos fúnebres nos jornais e ir ao cemitério na noite que se segue ao funeral de alguém falecido nas últimas vinte e quatro horas. Provavelmente, veremos sobre o túmulo, oscilando ao clarão da lua, a forma membranácea do Corpo Vital que fica neste lugar e se desintegra sincronicamente com o corpo dentro da sepultura. O clarividente pode ver esta forma em qualquer momento, mas, somente na primeira noite depois do funeral ela está bastante densa para ser visível à pessoa comum. Se a forma não aparece logo, pode-se andar em volta do túmulo, olhando fixamente de diferentes ângulos. Então, você conseguirá a prova ocular mais convincente.

Embora a ciência não tenha observado este Corpo Vital humano diretamente, em várias ocasiões ela postulou sua existência como necessária para explicar certos problemas da vida. Suas radiações foram captadas por vários cientistas em diferentes condições e em épocas distintas. Blondot[10] e Charpentier[11] chamaram a essas radiações raios “N”, nome dado por terem sido observados na cidade de Nantes[12]. Outros as chamaram de “Fluido Ódico”. Investigadores científicos, que conduziram pesquisas sobre fenômenos psíquicos, fotografaram o Corpo Vital quando era extraído através do baço por espíritos materializadores. Dr. Hotz, por exemplo, obteve duas fotografias de uma materialização, graças ao médium alemão Minna-Demmler. Sobre uma delas, vê-se uma nuvem de Éter sem forma saindo do lado esquerdo do médium. A segunda foto, tirada uns instantes mais tarde, mostra o espírito já materializado, de pé ao lado do médium.

Outras fotografias tiradas do médium italiano Eusápia Palladino[13] por cientistas mostram uma nuvem luminosa flutuando sobre seu lado esquerdo.

 

Capítulo II – Na Saúde e na Doença

O Corpo Vital tem um papel importante na saúde e na enfermidade. Ele é afetado por amputações, acidentes, anestésicos, afogamentos, choques, arrependimentos e remorsos. Quando não está em posição concêntrica com relação aos outros veículos do Ego, pode resultar em insanidade ou idiotice.

Se estivermos atentos à higiene e à dieta, o Corpo Denso é principalmente o mais beneficiado, porém, ao mesmo tempo, produz-se também um efeito sobre os Corpos Vital e de Desejos, porque quanto mais puros e melhores forem os alimentos empregados na construção do Corpo Denso, as partículas ficam envoltas em Éter planetário e matéria de desejos mais puros. Desta forma, as partes planetárias dos Corpos Vitais e de Desejos se tornam mais puros. Se se dedica atenção unicamente à higiene e ao alimento, os Corpos Vitais e de Desejos individuais, poderão permanecer quase tão impuros como antes, mas, no entanto, será mais fácil colocar-se em contato com o bem do que se tivessem sido empregados alimentos grosseiros.

Por outro lado, se apesar dos desgostos, cultivar-se um caráter equânime e também interesses literários e artísticos, o Corpo Vital produzirá uma impressão de delicadeza e de refinamento nos assuntos físicos, e engendrará sentimentos e emoções mais nobres no Corpo de Desejos.

O cultivo das emoções também exerce uma reação sobre os outros veículos, e ajuda a melhorá-los.

As tendências positivas e construtivas do Corpo Vital – veículo do amor – não se prestam facilmente à observação. No entanto, pôde-se comprovar que o contentamento aumenta a vida de cada ser que o cultiva. Portanto, podemos dizer sem medo de enganar-nos, que a criança concebida num ambiente de harmonia e amor tem melhores possibilidades na vida do que aquela que foi concebida num ambiente de paixão, bebida e descontentamento.

O Corpo Vital nasce mais ou menos aos sete anos, isto é, na época da segunda dentição da criança.

Há problemas muito importantes que devem e podem ser tratados, somente durante certos períodos da infância e os pais devem saber quais são. Ainda que os órgãos já estejam formados quando a criatura nasce, as linhas de crescimento se determinam durante os sete primeiros anos e, se não estão bem delineadas, uma criança sadia pode converter-se em um homem ou mulher enferma.

Em tudo o que vive, o Corpo Vital irradia torrentes de luz da força que ele despendeu na construção do Corpo Denso. No estado de saúde, estas irradiações afastam todos os venenos do corpo e o mantêm limpo. Condições similares prevalecem no Corpo Vital da Terra, sendo este o veículo de Cristo. As forças venenosas e destrutivas geradas por nossas paixões são afastadas pelas forças vitais de Cristo, porém, cada pensamento ou ato maléfico traz para Ele uma porção de dor, que se torna parte da Sua Coroa de Espinhos – dizemos coroa porque sempre se considera a cabeça como assento da consciência. Devemos nos conscientizar de que cada má ação que praticamos, por menor que seja, tem um efeito sobre Cristo, como já foi citado, e acrescenta outro espinho de sofrimento em sua coroa.

Não podemos assimilar minerais, pois eles não possuem um Corpo Vital e, portanto, o ser humano não pode elevar as vibrações dos minerais ao seu grau de intensidade. As plantas têm um Corpo Vital, mas não são conscientes de si mesmas, portanto são assimiladas facilmente e permanecem no corpo mais tempo, do que as células dos alimentos animais, que são compenetradas por um Corpo de Desejos. Os corpos dos animais vibram intensamente e, portanto, necessita-se de muita energia para assimilar suas células que se escapam rapidamente. Daí que a dieta carnívora exige que a pessoa se alimente mais frequentemente.

A enfermidade aparece primeiramente no Corpo de Desejos e no Corpo Vital; eles ficam mais tênues em sua textura, e não especializam o fluido vitalizador na mesma proporção, como acontece no estado de saúde. Então, o Corpo Denso cai enfermo. Quando o doente se recupera, os veículos superiores denotam melhora antes que a saúde se manifeste no Mundo Físico.

Quando um vidente examina uma pessoa que está para ficar doente, nota-se que o Corpo Vital está atenuando-se e, quando fica tão tênue que já não pode sustentar o Corpo Denso, este começa a manifestar sinal de enfermidade. Por outro lado, um pouco antes da recuperação física, o Corpo Vital, pouco a pouco, fica mais denso em sua estrutura e logo começa o período de convalescença.

Durante a enfermidade, o Corpo Vital especializa muito pouca energia solar, então, por um período, o corpo visível parece alimentar-se do Corpo Vital e, assim, este veículo fica mais transparente e mais tênue, ao mesmo tempo em que o corpo visível demonstra sinais de extenuação. As radiações eliminadoras faltam quase completamente durante a enfermidade e, portanto, as complicações são frequentes.

O homem tendo um Corpo Físico positivo possui um Corpo Vital negativo, e, portanto, não pode resistir à enfermidade tão bem como a mulher, que tem um Corpo Físico negativo, mas seu Corpo Vital é positivo. Esta é a razão pela qual a mulher pode suportar tantas enfermidades, que matariam um homem que tivesse o dobro de seu peso e aparentasse ter muito mais vitalidade. A mulher sofre mais intensamente que o homem, porém, suporta a dor com mais coragem. Quando ela começa a se recuperar, seu Corpo Vital polarizado positivamente parece sugar a energia solar, como se tivesse milhões de bocas. Ele se incha e começa quase que imediatamente a irradiar as torrentes de luz, tão características da saúde e, como resultado, o Corpo Físico se recupera rapidamente.

Por outro lado, quando um homem se debilitou muito por causa de uma enfermidade, uma vez passada a crise, seu Corpo Vital polarizado negativamente, se parece com uma esponja. Absorverá toda a energia solar que possa, mas sem a avidez que caracteriza o Corpo Vital da mulher. Em consequência, demora-se largo tempo no umbral da morte, mas como é mais fácil desistir do que lutar, sucumbe mais frequentemente que a mulher.

Olhando uma pessoa enferma com a visão espiritual, nota-se que o Corpo Vital está muito debilitado e atenuado, em proporção aos desgastes feitos pela enfermidade. Não se vêm mais as irradiações em linhas retas como quando o corpo é são, e sim emanações débeis que se encurvam formando redemoinhos e espirais, em torno do Corpo Denso. A coloração não é rosada purpúreo, como deveria ser, senão cinzento-opaco na maioria das partes do corpo, e a região particularmente enferma está envolta em algo que se parece uma massa negra gelatinosa. Isto é, como poderíamos chamar a vibração de enfermidade, e, quando o enfermo recebe o tratamento magnético, esta venenosa massa negra é absorvida pelas mãos do curador. Quando ele a arremessa de si com um vigoroso movimento, a massa cai no chão e, se o paciente passar por esse lugar, vai absorvê-la. Portanto, o autor sempre teve o costume de jogar estes miasmas pela janela ou numa lareira, onde se queimam, e, então, não podem fazer mal.

Enquanto um órgão está enfermo, sempre gera esta massa venenosa que flutua a seu redor, e impede as correntes do Corpo Vital de penetrar nele. O trabalho do magnetizador consiste simplesmente em limpar o órgão enfermo e, assim, abrir caminho para o fluxo das correntes de vida e saúde. O alívio geralmente é só temporário, pois o órgão enfermo e debilitado continua gerando os miasmas venenosos, e então, em seguida, se necessita de outra “limpeza” por parte do magnetizador. Este estado de coisas subsiste até que as correntes vitais se fortaleçam, o bastante para vencer e jogar fora os eflúvios daninhos, e limpar o órgão por seus próprios esforços. Então, a saúde retorna.

O osteopata vê a enfermidade por outro ângulo, e manipula os nervos que são as avenidas das correntes vitais. Estas massagens fortalecem as correntes e dispersam os miasmas que estão se formando na parte enferma do corpo. No entanto, geralmente, requer uma série de tratamentos da parte do osteopata antes que a saúde seja restaurada, pois o miasma venenoso obstrui outra vez os nervos pouco tempo depois das massagens. Portanto, na opinião do autor, embora ele não tenha experimentado, o melhor seria a combinação dos dois métodos: abrir caminho para as correntes nos nervos, e fortalecê-los por meio de tratamentos osteopáticos, extraindo, ao mesmo tempo, os miasmas envenenados por tratamentos magnéticos, e tendo o cuidado de queimá-los ou jogá-los fora. Estes dois métodos combinados poderiam facilitar extraordinariamente o tratamento da doença.

O baço é a entrada das forças solares, mas, a transmutação da energia solar em um fluido ligeiramente rosado acontece no plexo solar, onde o Átomo-semente prismático do Corpo Vital se localiza.

Com relação ao que ocorre quando o baço foi removido, devemos recordar que o Corpo Físico se acomoda da melhor maneira possível às condições alteradas. Se uma ferida em determinada parte do corpo impossibilita o sangue de fluir por vasos normais, ele encontra outra rede de veias pelas quais possa realizar seu circuito. Porém, um órgão nunca se atrofia enquanto possa servir a um propósito útil. O mesmo acontece com o Corpo Vital formado de Éteres. Quando um membro foi amputado, a parte etérea do mesmo já não é necessária na economia do corpo, e gradualmente se dissolve. Porém, no caso de um órgão como o baço, em que a contraparte etérea tem uma função importante, como porta de acesso das energias solares, naturalmente não se produz semelhante desintegração.

Também, deve ser lembrado que, quando uma enfermidade no veículo físico se manifesta, a parte correspondente do Corpo Vital se debilitou e atenuou previamente, ficou doente e foi sua a impossibilidade de suprir à quantidade necessária de energia vital, que provocou a manifestação dos sintomas físicos da doença. Inversamente, quando a saúde retorna, o Corpo Vital é o primeiro que se restabelece, e esta convalescença logo se manifesta no Corpo Denso. Portanto, se o baço físico fica enfermo, é evidente que a contraparte etérea não está bem e, então, é muito duvidoso que a extração do órgão seja útil. No entanto, se é feita, o corpo tratará de acomodar-se às novas condições, e a contraparte etérea do baço continuará funcionando como antes.

A tendência natural do Corpo de Desejos é endurecer e consolidar tudo quanto se põe em contato com ele. O pensamento materialista acentua esta tendência de tal modo que, geralmente, produz como resultado, em vidas futuras, a horrenda enfermidade chamada tuberculose, que é um endurecimento dos pulmões, os quais devem ser brandos e elásticos. Ocorre, algumas vezes, que o Corpo de Desejos comprime o Corpo Vital, de modo que este não pode contra restar o processo de endurecimento e, então, temos a tuberculose galopante. Em alguns casos, o materialismo torna o Corpo de Desejos frágil, por assim dizer, e, então, ele não pode realizar devidamente seu trabalho de endurecimento do Corpo Denso e, como resultado, produz o raquitismo ou enfraquecimento ósseo. Vemos, portanto, os perigos que corremos ao manter tendências materialistas, que dão origem ao endurecimento das partes brandas do corpo, como na tuberculose, ou o enfraquecimento das partes duras, ósseas, como no raquitismo. Naturalmente, nem todos os casos de tuberculose demonstram que a pessoa foi um materialista em vida anterior, porém, os ensinamentos das ciências ocultas afirmam que esse resultado geralmente é produzido pelo materialismo.

No caso da pessoa que está preparada para receber a Iniciação, a aceleração das vibrações é maior do que para o homem ou mulher comuns. Portanto, não requer exercícios para acelerar esta vibração, mas, necessita de determinados exercícios espirituais, ajustados individualmente para ele, que farão com que se adiante em seu próprio caminho.

Se essa pessoa, neste período crítico, se encontrasse com um indivíduo que, por maldade ou ignorância lhes desses exercícios respiratórios que o interessado cumprisse fielmente, com a esperança de obter resultados rápidos, esses resultados seriam obtidos, mas não da maneira que ele buscava. A vibração dos átomos do corpo, em um período muito curto, teria acelerado de tal maneira que pareceria como se estivesse caminhando sobre o ar. Também poderia produzir-se uma indevida separação do Corpo Vital com o Corpo Denso, o que traria a tuberculose ou insanidade como resultado.

Quando anestésicos são usados, o Corpo Vital é expulso parcialmente do Corpo Físico, junto com os demais veículos e, se a aplicação é demasiadamente forte, produz-se a morte. O mesmo fenômeno pode ser observado no caso dos médiuns materializadores. Na verdade, a diferença entre um médium dessa classe e um homem ou mulher comum é que, nestes últimos, o Corpo Vital e o Corpo Denso estão, no atual estado de evolução, estreitamente interligados, enquanto que no médium esta relação é débil. Não foi sempre assim, e virá um tempo em que o Corpo Vital poderá abandonar normalmente o Corpo Físico, o que, no presente, não acontece. Quando um médium permite que seu Corpo Vital seja usado por entidades do Mundo do Desejo que querem materializar-se, o Corpo Vital sai pelo lado esquerdo através do baço, que é sua “porta” particular. Então, as forças vitais não podem fluir no organismo, como geralmente o fazem, e o médium fica exausto, e alguns deles se vêm obrigados a fazer uso de estimulantes, o que, com o tempo, faz com que se convertam em alcoólatras incuráveis.

A força vital do Sol que nos rodeia como um fluido incolor, é absorvida pelo Corpo Vital por meio da contraparte etérea do baço, onde sofre uma curiosa transformação de cor. Fica rosa pálido e circula pelos nervos através de todo o Corpo Denso. Com relação aos nervos, é o que a eletricidade é para o telégrafo. Ainda que haja fios, aparelhos e telegrafistas se, falta a eletricidade, não se pode enviar as mensagens. O Ego, o cérebro e o sistema nervoso podem estar em perfeita ordem, mas se faltar a força vital que possa levar as mensagens do Ego através dos nervos e dos músculos, o Corpo Denso permanecerá inerte. Isto é precisamente o que acontece quando uma parte do corpo se paralisa; o Corpo Vital fica doente e a força vitalizadora já não pode mais fluir. Em tais casos, como na maioria das enfermidades, a perturbação é dos veículos invisíveis e sutis. O reconhecimento consciente ou inconsciente deste fato, faz com que os médicos mais afamados empreguem a sugestão que trabalha sobre os veículos superiores, como um auxiliar da medicina. Quanto mais fé e esperança possa o médico imbuir em seu paciente, tanto mais rápido se desvanecerá a enfermidade, dando lugar a uma perfeita saúde.

Durante a saúde, o Corpo Vital especializa uma superabundância de força vital a qual, depois de passar pelo Corpo Denso, se irradia em linhas retas em todas as direções desde a sua periferia, como os raios de um círculo irradiam desde o centro; porém, em casos de enfermidade, quando o Corpo Vital se atenua, não pode absorver a mesma quantidade de força e, além disso, o Corpo Denso dela se alimenta. Então, as linhas de fluido vital que se exteriorizam curvam-se e caem, mostrando a falta de força ou a debilidade que se produziu. No estado de saúde, estas irradiações expulsam os germes e micróbios inimigos da saúde do Corpo Denso, mas na enfermidade, quando a força vitalizadora é débil, essas emanações não eliminam tão facilmente os germes nocivos. Portanto, o perigo de contrair uma enfermidade é muito maior quando as forças vitais são escassas, do que quando se está com saúde perfeita.

Nos casos em que se amputam partes do corpo, o Éter planetário é o único que acompanha a parte separada. O Corpo Vital e o Corpo Denso se desintegram sincronicamente depois da morte, e o mesmo acontece com a contraparte etérea do membro ou parte amputada. Ela irá gradualmente se desintegrando na medida em que a parte densa se decompõe, porém, nesse meio tempo, o fato de que o ser humano possui o membro etéreo, faz com que ele afirme sentir os dedos e também dor neles. Existe certa relação entre o membro amputado e a parte etérea, independente da distância. Sabe-se de um caso em que um ser humano sentiu uma forte dor, como se tivesse cravado um prego na perna que fora amputada, dor que persistiu até que o membro foi exumado, e soube-se que tinham cravado um prego quando o encaixotaram para enterrá-lo. O prego foi removido e a dor instantaneamente cessou. De acordo com este fato, estão todos os casos em que as pessoas sofrem dores nos membros amputados, durante dois ou três anos depois da operação. Depois a dor passa. Isto é devido a que a enfermidade ainda permanece na parte etérea do membro amputado, porém, quando a parte densa amputada se desintegra, desintegra-se também a etérea e a dor cessa.

É de conhecimento geral entre aqueles que auxiliam os acidentados, que eles não sofrem tanto na hora do acidente quanto sofrem depois; isto é, devido a que o Corpo Vital está são no momento do acidente e, portanto, todo o efeito do acidente só será sentido quando este veículo se atenuar, e não estiver mais em condições de ajudar os processos vitais. Assim, vemos que se produzem mudanças no Éter do ser humano e, de acordo com o axioma místico, “como é acima, é abaixo” e vice-versa, produzem-se também mudanças no Éter Planetário, que constitui o Corpo Vital do Espírito da Terra. Assim como a recordação consciente dos últimos acontecimentos que são, por algum tempo, muito vivos no ser humano se desvanecem pouco a pouco, assim também o registro etéreo, que é o aspecto inferior da Memória da Natureza, vai apagando-se.

Quando um corpo adquire certa velocidade em sua queda, os Éteres Superiores abandonam o Corpo Físico, deixando a pessoa acidentada insensível. Quando o corpo atinge o chão, ele fica muito machucado, porém, a pessoa pode recobrar a consciência quando o Éter se organizar outra vez. Então, começa a sofrer as consequências físicas da queda. Se a queda continua depois que os Éteres Superiores saíram do corpo, a crescente velocidade da queda acaba por desalojar também os Éteres inferiores, e o Cordão Prateado é tudo o que fica ligado ao Corpo Denso. . . este cordão se rompe ao se produzir o impacto contra o chão e o Átomo-semente passa, então, ao ponto de ruptura, onde se mantém na forma usual.

Com base nestes fatos, chegamos à conclusão, de que é a pressão atmosférica normal que mantém o Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Quando nos movemos com uma velocidade anormal, a pressão fica suspensa em algumas partes do corpo, formando-se assim um vazio parcial, resultando que os Éteres abandonem o corpo e penetrem nesse vazio. Os dois Éteres Superiores, que estão menos aderidos, são os primeiros que desaparecem e deixam a pessoa inconsciente depois de haver produzido, como em um relâmpago, o panorama de sua vida. Então, se a queda continua aumentando a pressão aérea diante do corpo e o vazio atrás, os Éteres Inferiores mais apegados ao corpo, também são impulsionados para o exterior, e então o corpo está realmente morto antes de chegar ao solo.

Examinando certo número de pessoas em estado de saúde normal, descobrimos que cada um dos átomos prismáticos que compõem os Éteres inferiores, irradiavam de si linhas de força que faziam girar o átomo físico, no qual estavam inseridos, dotando todo o corpo com vida. A irradiação de todas estas unidades de força está em direção à periferia do corpo, e constitui o que se denomina “Fluido Ódio”, embora também designado com outros nomes. Quando a pressão atmosférica exterior diminui nas grandes altitudes, manifesta-se certo nervosismo, porque a força etérea é impelida de dentro para fora, sem controle, e, se o ser humano não pudesse conter esse fluxo de energia solar, ao menos parcialmente por um esforço da vontade, ninguém poderia viver nestes lugares.

Agora chegamos ao ponto crucial de nossa explicação. O Éter é uma matéria física e, enquanto os indivíduos feridos no campo de batalha por pequenas armas de fogo, possam às vezes caminhar um pouco atordoados, mas conscientes, as terríveis detonações dos grandes canhões empregados em grande escala, têm o efeito de dar volta aos átomos prismáticos e destroçar a envoltura áurica, formada pelos Éteres Luminoso e Refletor, Éteres que constituem a base da percepção sensorial e da memória. Até que com o tempo tudo volte ao normal, o ser humano fica em estado de choque e em coma, condição que pode demorar semanas. Sob semelhantes condições, a substância sutil etérea não se presta à formação de imagens da vida passada, pois, está congelada até certo grau.

Quando uma pessoa se asfixia ou se afoga, ela se sente muito tranquila e sossegada depois da primeira luta, embora se dê conta, em certa medida, do perigo, o Corpo Vital sai antes da ruptura do Cordão Prateado e, portanto, conserva a capacidade de atrair materiais do Mundo Físico. Por isso, houve casos de pessoas mortas por asfixia ou afogamento, que apareceram a seus parentes a milhares de quilômetros de distância, talvez só por um instante, porém, pareciam estar vivos. Talvez tenha sido o desejo que sentiram por muito tempo de ver seus   entes queridos, e voltar até eles, e o fato de que estavam agora livres de suas cadeias corporais, que os transportou ali imediatamente nas asas do desejo. Ao chegar onde queriam, o Corpo Vital atraiu quantidade suficiente de partículas da atmosfera para se fazer visível ao ser querido. Porém, talvez nesse momento, rompeu-se o Cordão Prateado, o Corpo Vital entrou em colapso e, então, a visão desapareceu.

Não é raro que se vejam fantasmas de seres vivos. Tudo o que é necessário é que o Corpo Físico esteja num sono muito profundo ou inconsciente, como normalmente ocorre quando uma pessoa está perto do umbral da morte. Pode ser que esteja se afogando ou sob o choque de uma queda de um cavalo, de um carro, ou condições similares, ou que haja recebido um golpe na cabeça, ou que esteja muito enferma sobre o leito, muito enfraquecida e extenuada, perto da morte. Então, a maior parte do Éter que constitui o Corpo Vital pode ser extraída do Corpo Físico, deixando este em estado de transe, estado que não se prolonga mais que alguns minutos, mas, como a distância não é uma barreira nos mundos invisíveis, então o desejo da pessoa assim momentaneamente liberado, pode levá-la ao fim do mundo, para aparecer ao ser querido a milhares de quilômetros do lugar onde seu corpo jaz.

É muito mais fácil para o Espírito do caso anterior se materializar, do que para os que já abandonaram seu corpo ao morrer, porque os primeiros têm o Cordão Prateado ainda intacto, subsistindo assim a conexão com o Átomo-Semente no coração.

Exercícios respiratórios indiscriminados não produzem o desdobramento, senão que tendem a desconectar o Corpo Vital do Denso. E, desta maneira, em alguns casos, as conexões entre os centros dos sentidos etéreos e as células cerebrais se rompem, ou se estiram, resultando na loucura. Em outros casos, a desconexão se verifica entre os Éteres Químico e de Vida e, como o Éter de Vida é o material básico da assimilação, e a avenida para a especialização da energia solar, essa ruptura produz a tuberculose.

Unicamente mediante os exercícios apropriados se verifica a separação requerida. Quando a pureza de vida levou a força sexual não usada, gerada no Éter de Vida, ao coração, esta força serve para manter a limitada circulação sanguínea necessária durante o sono. Desta maneira, as funções físicas e o desenvolvimento espiritual correm juntos, seguindo linhas harmoniosas.

O autor esteve muito receoso com relação às consequências que a guerra poderia trazer, quanto ao firme entrelaçamento dos Corpos de Desejo e Vital, dando assim, vida a legiões de monstros para aflição das gerações futuras. Porém, agora está muito satisfeito em poder dizer que não devemos ter este tipo de temor. Somente quando as pessoas são premeditadamente maliciosas ou vingativas, e persistentemente abrigam um desejo e um propósito de desforra, se esses pensamentos e sentimentos são fomentados e mantidos, eles endurecem o Corpo Vital, e o relacionam mais estreitamente com o Corpo de Desejos. Sabemos das lembranças, da grande guerra, que nas fileiras dos exércitos não havia mais sentimentos de ódio de um para o outro, e que os inimigos conversavam como amigos quando, por casualidade, se encontravam em condições propícias. Assim, embora a guerra seja responsável pela terrível mortalidade atual e será a causa de uma deplorável mortalidade infantil no futuro, não será culpada com relação aos terríveis males gerados pela obsessão, e os crimes instigados por Corpos de Pecado demoníacos.

Embora as desordens mentais, quando são congênitas, tenham por causa geral o abuso da função criadora em vidas passadas, existe pelo menos uma exceção notável a esta regra, mencionada no Conceito Rosacruz do Cosmos, e em outros escritos, que é a seguinte: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si, desce para renascer e, ao entrar na matriz sente ou percebe o panorama da vida que vai começar,  e considera essa existência demasiadamente terrível para ser suportada, às vezes, tenta escapar da escola da vida. Naquele momento, os Anjos do Destino ou seus agentes, já tinham feito a conexão necessária entre o Corpo Vital e os centros sensoriais no cérebro do feto em formação, por isso, o esforço do Espírito para escapar da matriz de sua mãe é frustrado, mas, o arranco que o Ego dá, desajusta a conexão entre os centros sensoriais físicos e etéreos, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Físico, fazendo com que a cabeça etérea saia do crânio físico. Então, é impossível que o Espírito possa usar seu veículo denso, encontrando-se atado a um corpo sem Mente, que não pode utilizar e a encarnação fica praticamente perdida.

Também acontecem casos que, mais tarde, na vida, um grande choque faz com que o Espírito tente escapar com os veículos invisíveis, resultando uma torção similar nos centros sensoriais do cérebro, causando desequilíbrio na expressão mental. Nós todos tivemos uma impressão parecida quando levamos um grande susto: uma sensação como se algo tentasse escapar do Corpo Denso, isto é, os Corpos Vital e de Desejos que são tão rápidos em sua ação, que mesmo um trem expresso parece com uma lesma quando comparado, vêm e sentem o perigo antes que o medo haja sido transmitido ao comparativamente inerte Corpo Físico, no qual estão ancorados, e que os impede de escapar em condições normais.

A insanidade é sempre causada pela ruptura na cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Físico. Esta ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o de Desejos, ou entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. Além disso, a ruptura pode ser completa ou somente parcial.

Quando a ruptura se produz entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre este e o Corpo de Desejos, temos os casos de idiotismo. Quando a ruptura é entre o Corpo de Desejos e a Mente, então predomina o violento e impulsivo Corpo de Desejos, e se apresenta o caso dos maníacos desvairados. Quando a ruptura é entre o Ego e a Mente, a Mente é que governa os demais veículos, e este é o caso dos maníacos astutos que podem enganar seus guardiões, fazendo-os crer que são completamente inofensivos, enquanto tramam algum plano diabólico e malicioso. Então, podem demonstrar subitamente sua mentalidade insana e causam uma terrível catástrofe.

Existe uma causa de insanidade que convém explicar, porque, muitas vezes, é possível evitá-la. Quando o Ego regressa do mundo invisível para um novo renascimento, lhe são mostradas as diversas encarnações possíveis. Então, ele contempla sua próxima vida em suas grandes linhas e acontecimentos gerais, como se fosse uma fita cinematográfica passando diante de seus olhos. Geralmente, neste momento, ele pode escolher entre as diferentes vidas. Ele vê as lições que tem de aprender, o destino que criou por si mesmo em vidas passadas, e que parte deste destino pode liquidar em cada uma das reencarnações que lhe são oferecidas. Então, faz sua escolha e logo é guiado pelos Agentes dos Anjos do Destino, para o país e a família em que terá que viver em sua próxima existência.

Esta visão panorâmica lhe é apresentada no Terceiro Céu, onde o Ego está despido de seus veículos, e se sente espiritualmente por cima de toda sórdida consideração material. É muitíssimo mais sábio do que logo parece ser na Terra, onde se encontra fascinado pela carne numa medida quase inconcebível. Mais tarde, quando a concepção já aconteceu e o Ego penetra na matriz da mãe, em torno do décimo oitavo dia depois da concepção, põe se em contato com o molde etéreo de seu novo Corpo Físico, que foi formado pelos Anjos do Destino, para estruturar o cérebro que dará ao Ego as tendências necessárias para a elaboração e liquidação de seu destino.

Ali, o Ego vê novamente os quadros panorâmicos de sua próxima vida, da mesma forma que a pessoa que se afoga vê o panorama de sua vida passada em um relâmpago. Nesse tempo, o Ego já está parcialmente cego com relação a sua natureza espiritual, de modo que sua próxima encarnação pode lhe parecer muito dura e, às vezes, tenta retroceder e não entrar na matriz, estabelecendo as conexões cerebrais adequadas. Pode tentar escapar em seguida e, então, ao invés dos Corpos Denso e Vital ficarem concêntricos, o Corpo Vital, formado de Éter, pode ficar parcialmente fora do crânio físico. Nesse caso, a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Vital e do Corpo Denso fica desajustada e o resultado é o idiotismo, a epilepsia, a doença de San Vito ou outras afecções nervosas congênitas.

A insanidade é a ruptura na cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Físico. Essa desconexão pode ocorrer entre o Ego e a Mente, entre a Mente e o Corpo de Desejos, entre os Corpos de Desejos e o Vital e também entre este último e o Corpo Denso. Se a ruptura de produziu entre o Corpo Denso e o Vital, ou entre o Corpo Vital e o de Desejos, o Ego estará perfeitamente são no Mundo do Desejo imediatamente após sua morte, porque já terá descartado os dois corpos afligidos.

Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos está ainda desenfreado depois da morte, e é causa de muitas calamidades durante sua existência no Mundo do Desejo. O Ego, evidentemente nunca está insano. O que parece insanidade, provém do fato de que o Ego não tem nenhum domínio sobre seus veículos; o pior caso é, sem dúvida, quando a Mente está afetada e o Ego está atado à personalidade por muito tempo, até que os veículos se desintegrem.

Vimos que, no estado de vigília, os Corpos Denso e Vital estão rodeados e interpenetrados por uma nuvem ovoide, formada pelo Corpo de Desejos e a Mente. Todos esses veículos são concêntricos e formam como se fossem elos de uma corrente. É a interpolação de um com o outro, de maneira que os centros sensoriais se ajustem corretamente, o que permite que o Ego manipule este complexo organismo e efetue de uma maneira ordenada, os processos vitais a que chamamos de razão, palavra e ação. Se existe um desajuste em alguma parte, o Ego está obstruído em sua manifestação. Este equilíbrio perfeito é a saúde, o oposto da enfermidade.

A enfermidade tem várias formas e uma é a insanidade que também é de diferentes tipos. Quando a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Denso e do Corpo Vital é oblíqua e quando, às vezes, a cabeça do Corpo Vital eleva-se acima da cabeça do Corpo Denso ao invés de ficar concêntrica, o Corpo Vital está fora de ajuste com os veículos superiores e com o Corpo Denso. Então, nós temos um idiota dócil. Quando os Corpos Denso e Vital estão ajustados, mas a ruptura está entre o Corpo Vital e o de Desejos, a situação é a mesma, mas quando a ruptura é entre o Corpo de Desejos e a Mente, nós temos o maníaco delirante que é mais ingovernável que um animal selvagem, pois este último é controlado pelo Espírito Grupo, e neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.

Enquanto muito poucos defendem o abuso da função criadora, muitas pessoas que seguem os preceitos espirituais em outras coisas, ainda acham que a indulgência frequente do desejo de prazer sexual não faz mal. Alguns acham que é tão necessário quanto o exercício de uma função orgânica. Isto é errado por duas razões: a primeira é que cada ato criador requer uma quantidade de força que queima tecido, o qual deve ser reabastecido por uma quantidade extra de comida. Isto reforça e aumenta o Éter Químico; a segunda, como a força propagadora trabalha através do Éter de Vida, este elemento do Corpo Vital é também aumentado a cada indulgência. Consequentemente, os dois Éteres inferiores, enviando a força criadora para baixo, para a gratificação de nosso desejo por prazer, aderem-se mais aos dois Éteres Superiores que formam o Corpo Alma, e essa aderência se torna maior e mais poderosa à medida que o tempo passa. Como a evolução de nossas forças anímicas e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis, dependem da separação entre os Éteres inferiores e o Corpo Alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em mente, e retardamos o desenvolvimento pela indulgência da natureza inferior.

Nos preparativos para o Renascimento, assim que o Corpo Vital é colocado, o Ego renascente, com sua envoltura em forma de sino, paira constantemente perto de sua futura mãe. Ela, sozinha, trabalha sobre o novo Corpo Denso nos primeiros dezoito a vinte e um dias depois da fertilização e, então, o Ego entra no corpo da mãe, dirigindo sua envoltura para baixo e envolvendo o feto. A abertura na parte de baixo fecha-se, e o Ego é uma vez mais encarcerado em seu Corpo Denso.

O momento da entrada no ventre da mãe é de grande importância na vida, pois, quando o Ego renascente primeiro contata a matriz do Corpo Vital, ele vê outra vez o panorama da vida que foi impresso pelos Anjos do Destino, na referida matriz, para dar a ele as tendências necessárias para trabalhar o destino maduro, que deve ser liquidado na vida que se vai iniciar.

Neste momento, o Ego está tão cego pelo véu da matéria que não distingue o benefício final, da mesma maneira imparcial quando fez sua escolha na Região do Pensamento Abstrato e, quando uma vida particularmente dura se revela diante de sua visão, no momento em que ele está entrando no ventre da mãe, acontece às vezes que ele fica tão apavorado que tenta escapar. A conexão não pode ser cortada, no entanto, pode ser forçada, de modo que, ao invés de ficar concêntrica, a cabeça do Corpo Vital pode ficar acima da cabeça do Corpo Denso. Então, nós temos um idiota congênito.

Assim como um vampiro suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, assim também, repetidos pensamentos de arrependimento e remorso se transformam em um elemental de desejo, que age como um vampiro e suga a vida da pobre alma que lhe deu forma e, como semelhante atrai semelhante, ele fomenta a continuidade deste hábito de arrependimento mórbido.

Se nos permitimos arrependimentos e remorsos durante as horas de vigília como certas pessoas o fazem, estamos sobrepujando o Purgatório, pois, embora o tempo que passamos lá seja gasto na erradicação do mal, a consciência surge de cada imagem na medida em que é arrancada pela força de repulsão. Lá, por causa da ligação do Corpo de Desejos com o Corpo Vital, estamos habilitados a dar vida a uma imagem em nossa memória quantas vezes desejamos e, enquanto o Corpo de Desejos é gradualmente dissolvido no Purgatório pela purgação do panorama da vida, certa quantidade foi acrescentada quando nós estávamos vivendo no Mundo Físico, tomando o lugar daquela matéria que foi expulsa pelo remorso. Concluindo, remorso e arrependimento quando continuamente repetidos em nosso interior, têm o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos que os banhos excessivos sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam exauridos por limpeza excessiva, e, por esta razão, é perigoso para a saúde moral e espiritual permitir sentimentos de arrependimento e remorso indiscriminadamente, assim como é fatal para o bem-estar físico tomar banhos demais. O discernimento deve prevalecer em ambos os casos.

Assim como a força latente na pólvora e em substâncias explosivas afins, podem ser usadas para promover os melhores objetivos da civilização, ou os mais selvagens atos de barbarismo, assim também essa emoção de remorso pode ser mal-usada, de modo a causar dano e obstáculo ao Ego ao invés de ajuda. Quando nos remoemos diariamente e a toda hora, nós estamos despendendo um grande poder que pode ser usado para a mais nobre finalidade da vida, pois, o constante arrependimento, afeta o Corpo de Desejos de maneira similar à dos banhos excessivos do corpo físico A água tem uma grande afinidade pelo Éter e o absorve vorazmente. Quando tomamos banho em condições normais, ele remove uma grande quantidade de Éter venenoso e miasmático de nosso Corpo Vital, no caso de ficarmos de molho um espaço de tempo razoável. Depois de um banho, o Corpo Vital fica de certa forma, atenuado e consequentemente nos dá uma sensação de fraqueza, mas se estamos em boa forma e não ficamos no banho muito tempo, a deficiência é logo reparada pela corrente de força que flui para dentro do corpo através do baço. Quando o influxo de Éter fresco substituiu a substância envenenada carregada pela água, sentimos com renovado vigor que atribuímos ao banho, embora não soubéssemos nada do que foi dito anteriormente.

Porém, quando uma pessoa que não está em sua perfeita saúde tem o hábito de tomar banhos diários, duas ou três vezes, um excesso de Éter é retirado do Corpo Vital. O suprimento que entra pelo baço é também diminuído por causa da perda de vibração do Átomo-semente, localizado no plexo solar e do enfraquecimento do Corpo Vital. Daí ser impossível para tais pessoas recuperarem-se entre tais frequentes e repetidos esgotamentos e, como consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; elas perdem força continuamente e podem se tornar inválidas.

 

Capítulo III – No Sono e nos Sonhos

O Corpo Vital é tão ativo nas horas de sono quanto nas horas de vigília e pode ser influenciado pelo poder da sugestão. O sono pode ser induzido pela hipnose.

Nós temos, em nosso Corpo, dois sistemas nervosos, o voluntário e o involuntário. O primeiro é influenciado diretamente pelo Corpo de Desejos e controla os movimentos do Corpo e sua tendência é quebrar e destruir, só parcialmente restringido em sua tarefa cruel pela Mente. O sistema involuntário tem seu campo de ação específico no Corpo Vital. Ele governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o Corpo Denso.

É esta guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que produz consciência no Mundo Físico, mas se a Mente não agisse como um freio sobre o Corpo de Desejos, nossas horas de vigília seriam muito curtas e também nossa vida, pois o Corpo Vital seria logo esgotado em seu trabalho beneficente pelo imprudente Corpo de Desejos, como está evidenciado na exaustão que segue um ataque de nervos, pois a raiva é uma situação em que o ser humano “perde o controle e o Corpo de Desejos reina livremente”.

Apesar de todos os seus esforços, o Corpo Vital, pouco a pouco, perde terreno com o passar do dia, os tecidos envenenados e deteriorados se acumulam e impedem o fluxo do fluido vital e seus movimentos tornam-se cada vez mais lentos. Como consequência, o Corpo visível mostra sinais de exaustão. Finalmente, o Corpo Vital sofre um colapso, o fluido vital cessa de fluir nos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do Corpo Denso e este se rende inconsciente e, portanto, inadequado para ser usado pelo Espírito. É o sono.

O mesmo acontece com o templo do Ego, nosso Corpo Denso, quando fica exausto. É, então, necessário que o Ego, a Mente e o Corpo de Desejos se afastem e deem amplos poderes ao Corpo Vital para que ele possa restaurar o tônus do Corpo Denso e, então, quando o Corpo Denso vai dormir, há uma separação. O Ego e a Mente, envolvidos pelo Corpo de Desejos, se separam do Corpo Vital e do Corpo Denso, estes dois permanecendo na cama, enquanto os veículos superiores pairam sobre ou perto do Corpo adormecido.

O processo de restauração começa agora. Numa luta no Mundo Físico, os ferimentos nunca são de um só lado; o vencedor também tem algumas lesões. Quanto mais violenta é a luta e mais nivelados são os combatentes, mais lesões sofre cada um. Assim acontece com o Corpo Vital e o de Desejos; o Corpo de Desejos vence sempre, embora sua vitória seja sempre uma derrota, pois ele é forçado a deixar o campo de batalha, e o prêmio, o Corpo Denso, nas mãos do derrotado Corpo Vital, retirando-se para reparar sua própria harmonia despedaçada.

Quando o Espírito se afasta do Corpo adormecido, ele entra no mar de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Lá ele repassa as cenas do dia em ordem inversa, dos efeitos para as causas, colocando em ordem o emaranhado do dia, formando imagens verdadeiras para substituir as impressões erradas, devido à limitação da vida no Corpo Denso e, assim como as harmonias do Mundo do Desejo o permeiam e a sabedoria e a verdade substituem o erro, ele readquire seu ritmo e tom. O tempo necessário para a restauração varia de acordo com o dia, se foi ilusório, impulsivo ou extenuante.

Então, e só então, o trabalho de restauração dos veículos deixados na cama começa, e o Corpo de Desejos, restaurado, começa a reavivar o Corpo Vital bombeando energia rítmica dentro dele, e este, por sua vez, começa a trabalhar sobre o Corpo Denso, eliminando os produtos deteriorados, principalmente por meio do sistema nervoso simpático. Como resultado, o Corpo Denso fica restaurado e repleto de vida. O Corpo de Desejos, a Mente e o Ego entram nele pela manhã, fazendo com que ele acorde.

No entanto, às vezes, acontece que nós ficamos tão absorvidos e interessados nas atividades de nossa existência mundana que, mesmo depois que o Corpo Vital entrou em colapso e deixou o Corpo Denso inconsciente, nós não conseguimos nos libertar para que o trabalho de restauração se inicie. O Corpo de Desejos fica aderido, é retirado só parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.

Durante o estado de vigília, quando o Ego está funcionando conscientemente no Mundo Físico, seus diferentes veículos são concêntricos – ocupam o mesmo espaço – mas à noite, quando o Corpo se deita para dormir, a separação acontece. O Ego, vestido pela Mente e pelo Corpo de Desejos, libera-se do Corpo Denso e do Corpo Vital que foram deixados na cama. Os veículos superiores pairam acima e perto. Eles estão conectados com os veículos inferiores pelo Cordão Prateado, um cordão fino e brilhante que tem a forma de dois números seis, com uma extremidade ligada ao Átomo-semente no coração e outra no vórtice central do Corpo de Desejos.

Durante o sono, o Ego também sai do Corpo Denso, mas o Corpo Vital permanece e o Cordão Prateado fica intacto.

O Mundo do Desejo é um oceano de sabedoria e harmonia. Quando os veículos inferiores adormecem, o Ego leva a Mente e o Corpo de Desejos para o Mundo do Desejo. Lá, o primeiro cuidado do Ego é a restauração do ritmo e da harmonia da Mente e do Corpo de Desejos. Esta restauração é realizada gradativamente enquanto as vibrações harmoniosas do Mundo do Desejo fluem através destes veículos. Há uma essência no Mundo do Desejo que corresponde ao fluido que permeia o Corpo Denso por meio do Corpo Vital. Os veículos superiores, por assim dizer, embebem-se neste elixir de vida. Quando fortalecidos, eles começam o trabalho sobre o Corpo Vital que foi deixado com o Corpo Denso. Então, o Corpo Vital começa a especializar a energia solar mais uma vez, reconstruindo o Corpo Denso, usando particularmente o Éter Químico como meio no processo de restauração.

No estado de vigília, os diferentes veículos do Ego – Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso – são todos concêntricos. Eles ocupam o mesmo espaço e o Ego se manifesta no Mundo Físico. Mas, à noite, durante o sono sem sonhos, o Ego revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente, se retira, deixando o Corpo Físico e o Vital sobre a cama, não havendo conexão entre os veículos superiores e os inferiores, salvo por um fino e brilhante cordão chamado de Cordão Prateado. Acontece, no entanto, que, às vezes, o Ego trabalhou tanto no Mundo Físico e o Corpo de Desejos ficou tão agitado que ele se recusa a deixar os veículos inferiores e só se retira parcialmente ou pela metade. Então, a conexão entre os centros sensoriais do Corpo de Desejos e os do cérebro físico ficam rompidos parcialmente. O Ego percebe as visões e as cenas do Mundo do Desejo que são extremamente fantásticas e ilusórias e elas são transmitidas aos centros cerebrais sem serem conectadas pela razão. Daí resulta todos os sonhos tolos e fantásticos que temos.

Acontece, no entanto, que, às vezes, o Corpo de Desejos não se retira completamente e, assim, parte dele permanece conectado ao Corpo Vital, o veículo de percepção sensorial e memória. O resultado é que a restauração é realizada somente em parte e as cenas e ações do Mundo do Desejo são trazidas para a consciência física como sonhos. Naturalmente, a maioria dos sonhos é confusa porque o eixo da percepção está distorcido por causa da relação imperfeita de um Corpo com o outro. A memória é também confusa pela relação incongruente dos veículos e, como resultado da perda da força restauradora, o sono cheio de sonhos não é reparador e o Corpo se sente cansado ao acordar.

O Corpo Vital, pode-se dizer que é formado de pontos que se estendem em todas as direções, para dentro, para fora, para cima e para baixo, através de todo o Corpo, e cada pequeno ponto passa através do centro de um dos átomos químicos, fazendo-o vibrar mais intensamente que sua velocidade natural. Este Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso do nascimento à morte em todas as situações exceto quando, por exemplo, a circulação do sangue para num certo ponto, como quando descansamos a mão sobre a extremidade de uma mesa por algum tempo e ela “adormece”, por assim dizer. Então, se formos clarividentes, poderemos ver a mão etérea do Corpo Vital pendurada sob a mão visível como se fosse uma luva, e os átomos químicos da mão recaída em seu natural e lento grau de vibração. Quando batemos na mão fazendo com que “acorde”, por assim dizer, a sensação peculiar de formigamento que temos é causada pelos pontos do Corpo Vital que, então, entram novamente nos átomos adormecidos da mão, iniciando uma vibração renovada.

O Corpo Vital deixa o Corpo Denso de modo semelhante a quando uma pessoa está morrendo. Afogados que foram ressuscitados experimentam uma intensa agonia causada pela entrada desses pontos que eles sentem como um formigamento.

Durante o dia, quando o fluido solar está sendo absorvido pelo ser humano em grande quantidade, estes pontos do Corpo Vital são estendidos ou expandidos, por assim dizer, pelo fluido vital, mas à medida que o dia passa e os venenos da deterioração obstruem o Corpo Físico cada vez mais, o fluido vital flui menos rapidamente; à noite, chega a hora em que os pontos no Corpo Vital não conseguem um suprimento completo do fluído vital, eles murcham e os átomos do Corpo movem-se mais vagarosamente em consequência. Então, o Ego sente o Corpo pesado e cansado. Finalmente, chega a hora em que, por assim dizer, o Corpo Vital entra em colapso e as vibrações dos átomos densos se tornam tão vagarosas que o Ego não pode mais mover o Corpo. É forçado a retirar-se para que o veículo possa se recuperar. Então dizemos que o Corpo foi dormir.

O sono não é um estado inativo, no entanto; se fosse, não haveria diferença de manhã e nenhum poder de restauração durante o mesmo. A própria palavra restauração implica em atividade.

Quando um edifício ficou dilapidado após uso constante e é necessário renová-lo e restaurá-lo, os moradores têm que se mudar para dar aos trabalhadores liberdade de ação. Por razões semelhantes, o Ego sai da sua moradia à noite. Assim como os operários trabalham no prédio para que fique adequado à reocupação, assim também, o Ego tem que trabalhar sua moradia antes que ela esteja pronta para ser reocupada. E este trabalho é feito por nós durante a noite, embora não estejamos conscientes dele nas nossas horas de vigília. É esta atividade que remove o veneno do sistema e, como resultado, o Corpo está restaurado e vigoroso de manhã, quando o Ego entra na hora do despertar. Depende da maneira pela qual usamos nosso Corpo Denso durante o dia, o tempo que o Corpo de Desejos necessita para realizar o trabalho de restauração do ritmo do Corpo Vital e do Corpo Denso. Se usarmos nosso Corpo estrenuamente durante o dia, naturalmente as desarmonias serão proeminentes e o Corpo de Desejos levará a maior parte da noite para restaurar a harmonia e o ritmo. Em consequência, o ser humano estará atado ao seu Corpo dia e noite. Mas, quando ele aprende a agir inteligentemente, controla sua energia durante o dia e não gasta sua força com palavras e ações desnecessárias, quando ele começa a dominar seu temperamento e para com a desarmonia proveniente de observações incorretas, o Corpo de Desejos não fica ocupado durante todo o sono restaurando o Corpo Denso. Uma parte da noite pode ser usada para trabalhar fora. Se os centros sensoriais do Corpo de Desejos estão suficientemente desenvolvidos, como acontece com a maioria das pessoas inteligentes, o ser humano pode soltar as amarras e penetrar no Mundo do Desejo. Ele percebe as cenas, embora não se lembre delas até que tenha efetuado a separação entre a parte superior e a inferior do Corpo Vital, como foi previamente explicado.

No sono natural, o Ego, revestido pela Mente e pelo Corpo de Desejos, se retira do Corpo Físico e, geralmente, paira sobre o Corpo, ou pelo menos permanece perto dele, conectado pelo Cordão Prateado, enquanto o Corpo Vital e o Corpo Denso estão descansando sobre a cama.

É, então, possível influenciar a pessoa, instilando no seu cérebro pensamentos e ideias que desejamos comunicar. No entanto, não podemos fazer com que ela faça qualquer coisa ou nutra qualquer ideia, exceto aquela que está de acordo com seu temperamento. É impossível dar ordens para que ela faça algo e forçar obediência, como acontece quando alguém foi tirado de seu estado consciente pelos passes de um hipnotizador, pois, é o cérebro que move os músculos; e, durante o sono natural seu cérebro está interpenetrado por seu próprio Corpo Vital e ele está em perfeito controle de si mesmo, enquanto que, durante o sono hipnótico, os passes do hipnotizador afastam o Éter do seu cérebro, em direção aos ombros da vítima; esse Éter fica em volta do pescoço, lembrando a gola de um suéter. O cérebro denso é, então, aberto ao Éter do Corpo Vital do hipnotizador, que substitui o Éter do próprio dono. Consequentemente, no sono hipnótico, a vítima não tem escolha quanto às ideias que tem, ou aos movimentos que faz com seu Corpo, enquanto que, no sono comum, a pessoa é sempre um agente livre. De fato, este método de sugestão durante o sono é algo que as mães acharão extremamente benéfico no tratamento de crianças teimosas, pois se a mãe se sentar perto da cama da criança que dorme, segurar sua mão, conversar com ela como se ela estivesse acordada, instilar em seu cérebro ideias que gostaria que ela tivesse, ela verá que no estado de vigília muitas destas ideias criarão raízes. Também, ao lidar com uma pessoa que é doente ou viciada em bebida, se a mãe, enfermeira ou outra pessoa usar este método, será possível instilar esperança, cura e recuperação futura ou ajudar no seu autocontrole.

Este método pode, naturalmente, ser usado para o mal, mas não podemos deixar de publicá-lo, já que acreditamos que o bem que pode ser feito deste modo irá compensar mais do que os poucos casos em que pessoas, de má índole, possam usar o método com propósito errado.

Do ponto de vista de uma só vida, os métodos, como, por exemplo, aqueles empregados pelos curadores do movimento de Emmanuel[14], são indubitavelmente produtores de um imenso benefício. O paciente, sentado numa cadeira, é posto para dormir e, lá, ele recebe certas “sugestões”, como são chamadas. Ele levanta e está curado de seu mau hábito. Se for um alcoólatra, ele se torna um cidadão respeitável que se preocupa com sua esposa e família e, sob esse aspecto, o benefício é inegável.

Porém, olhando mais profundamente pela ótica do ocultista, que vê essa vida como sendo uma em muitas, e observando o efeito que isso tem sobre os veículos invisíveis do ser humano, o caso é completamente diferente. Quando um ser humano entra num sono hipnótico, o hipnotizado faz passes sobre ele que têm o efeito de expelir o Éter da cabeça do seu Corpo Denso e substituí-lo pelo do hipnotizador. O ser humano fica então sob total domínio do outro. Não tem vontade própria e, por isso, as chamadas “sugestões” são na realidade comandos que a vítima não tem outra escolha senão obedecer. Além disso, quando o hipnotizador retira seu Éter e acorda a vítima, é incapaz de remover todo o Éter que ele colocou nela. Similarmente, assim como uma partícula do magnetismo infundida num dínamo elétrico, antes de ser ligado pela primeira vez, permanece como magnetismo residual para ativar os campos do dínamo toda vez que ele é ligado, assim também lá permanece uma partícula do Éter do Corpo Vital do hipnotizador na medula oblongada da vítima, que é um bastão que o hipnotizador mantém sobre ela em toda sua vida, e é devido a este fato que as sugestões a serem executadas num período subsequente ao despertar da vítima são invariavelmente seguidas.

 

Capítulo IV – Na Morte e nos Mundos Invisíveis

Na hora da morte, há uma separação no Corpo Vital e a parte superior entra nos Mundos invisíveis. Seu Átomo-semente é retido pelo Ego ao passar pelos Mundos celeste para ser usado como um núcleo para o Corpo Vital de um futuro renascimento.

Esta vida na Terra dura até que o ciclo de acontecimentos prenunciados na roda do destino, o horóscopo, tenha se completado. E quando o Espírito de novo alcança o reino de Samael, o Anjo da Morte, a mística oitava Casa, o Cordão Prateado se rompe e o Espírito retorna a Deus, até que a aurora de outro dia na Escola da Terra o chame a um novo nascimento para que adquira mais conhecimento nas artes e ofícios da construção do templo.

Por meio da morte foi possível para os Anjos ensinar a humanidade, entre a morte e um novo nascimento, a construir um Corpo gradualmente melhor. Tivesse o ser humano aprendido, num passado longínquo, a renovar seu Corpo Vital como foi ensinado a gerar um veículo denso à sua vontade, então a morte teria sido de fato uma impossibilidade e o ser humano teria se tornado imortal como os deuses. Porém, ele teria imortalizado suas imperfeições e o progresso teria sido impossível. É a renovação deste Corpo Vital que está expressa na Bíblia como “comer da Árvore da Vida”. Quando o ser humano recebeu esclarecimento relativo à procriação, ele era um ser espiritual cujos olhos não estavam ainda cegos pelo mundo material e podia ter aprendido o segredo da vitalização de seu corpo segundo sua vontade, consequentemente frustrando a evolução. Daí vemos que a morte, quando ela vem naturalmente, não é uma maldição, mas nossa maior e melhor amiga, pois ela nos livra de um instrumento com o qual não mais podemos aprender; ela nos tira de um ambiente que não nos serve mais para que possamos aprender a construir um Corpo melhor em um ambiente de maior amplitude no qual poderemos fazer mais progresso em direção à meta da perfeição.

Durante a vida, o colapso do Corpo Vital à noite limita nossa visão do mundo em torno de nós, e nos perdemos na inconsciência do sono. Quando o Corpo Vital sofre um colapso logo após a morte e o panorama da vida está terminado, nós também perdemos a consciência por um tempo que varia de acordo com o indivíduo. Uma escuridão parece cair sobre o Espírito. Então, após algum tempo, ele acorda e começa indistintamente a perceber a luz do outro mundo, e só se acostuma às novas condições gradualmente. É uma experiência parecida com aquela que temos quando saímos de um quarto escuro para a luz do Sol, que nos cega com seu brilho, até que as pupilas de nossos olhos se contraem de modo a admitir a quantidade de luz suportável por nosso organismo.

Quando um ser humano passa pela morte, ele leva consigo a Mente, o Corpo de Desejos e o Corpo Vital, sendo este último o armazém das cenas de sua vida passada. E, durante três dias e meio após a morte estas cenas são gravadas no Corpo de Desejos para formar a base de sua vida no Purgatório e no Primeiro Céu, onde o mal é expurgado e o bem assimilado. A experiência da vida em si é esquecida, assim como esquecemos o processo de aprender a escrever, mas retemos a faculdade. Assim, o extrato cumulativo de todas as suas experiências, tanto das vidas passadas e das existências anteriores no Purgatório e nos vários Céus, é retido pelo ser humano e formam seu patrimônio no próximo nascimento. As dores que ele suportou falam-lhe como a voz da consciência, e o bem que ele fez lhe dá um caráter cada vez mais altruísta.

Não importa por quantos anos possamos evitar que o Espírito efetue sua passagem, pois, finalmente, chega a hora em que nenhum estimulante pode manter o corpo vivo e o último suspiro é dado. Então, o Cordão Prateado, do qual fala a Bíblia, que mantém os veículos superiores e inferiores juntos, rompe-se repentinamente no coração e faz com que este órgão pare. Sua ruptura liberta o Corpo Vital e ele, com o Corpo de Desejos e a Mente, flutua sobre o Corpo visível por um tempo que vai de um a três dias e meio, enquanto o Espírito está ocupado em rever a vida passada, uma parte excessivamente importante de sua experiência pós-morte. Desta recapitulação depende toda sua existência desde a morte até um novo nascimento.

Todos os povos antigos, tanto no Oriente como no Ocidente, sabiam muito sobre nascimento e morte, o que foi esquecido nos tempos modernos, porque uma segunda visão prevalecia entre eles naquela época. Até o presente (época em que o livro foi escrito), por exemplo, muitos camponeses na Noruega afirmam possuir a capacidade de ver o Espírito saindo do Corpo na morte, como uma nuvem branca e fina que é, naturalmente, o Corpo Vital; e o ensinamento Rosacruz que afirma que os mortos pairam em volta de sua morada terrena, por algum tempo depois da morte, adotam um corpo luminoso e são penosamente afligidos pela dor de seus entes queridos, foi um conhecimento comum entre os antigos que viviam no Norte. Quando o falecido Rei Helge da Dinamarca se materializou para aliviar a dor de sua esposa, e ela exclamou angustiada: “O orvalho da morte banhou teu corpo guerreiro”, ele respondeu:

 

És tu, Sigruna,

A única causa

De que Helge seja banhado

Pelo orvalho da tristeza.

Não queres pôr fim a teu pesar

Nem as amargas lágrimas secar.

Cada lágrima ensanguentada

Cai em meu peito gelada

Elas não me deixam descansar.

 

Quando a autora de “O Ministério dos Anjos”[15] tinha seus dezoito anos, uma amiga chamada Maggie, de repente, ficou muito doente e morreu em seus braços. Imediatamente depois que seu coração parou de bater, ela diz, “E vi, distintamente, algo semelhante à fumaça ou vapor que sobe de uma chaleira, na qual a água está fervendo, ascender de seu corpo. A emanação subiu só até uma certa altura e lá tomou a forma de minha amiga que tinha acabado de falecer. Esta forma, indefinida a princípio, gradualmente se transformou até se tornar nítida e revestida por uma roupagem que parecia uma nuvem branco-perolada, embaixo da qual os contornos da pessoa eram distintamente visíveis. A face era a da minha amiga, mas glorificada sem nenhum traço de espasmo da dor que tinha se apoderado dela momentos antes de sua morte”.

Isto é exatamente o que temos ensinado: no momento da morte, quando o Cordão Prateado se rompe no coração, o Corpo Vital se retira através das suturas do crânio e paira alguns centímetros acima do Corpo.

Quando um Espírito está se desprendendo do Corpo, ele leva com ele o Corpo de Desejos, a Mente e o Corpo Vital, e este é, naquela hora, o armazém das cenas da vida que termina. Estas cenas são então gravadas no Corpo de Desejos durante três dias e meio imediatamente após a morte. Então, o Corpo de Desejos transforma-se no árbitro do destino do ser humano no Purgatório e no Primeiro Céu. Os sofrimentos causados pela purgação do mal e a alegria causada pela contemplação do bem são levados para a próxima vida como consciência, para deterem o ser humano da perpetuação dos erros das vidas anteriores e induzi-lo a fazer o que causou alegria na vida anterior de modo mais abundante.

No momento da morte, quando o Átomo-semente do coração que contém toda a experiência da vida passada em uma imagem panorâmica se rompe, o Espírito deixa seu Corpo físico, levando consigo os Corpos mais sutis. Ele paira sobre o Corpo Denso que agora está morto, como se diz comumente, por um tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante do tempo é a força do Corpo Vital, veículo que constitui o Corpo-Alma de que a Bíblia fala. Há então uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, da morte ao nascimento, e as cenas são gravadas sobre Corpo de Desejos por meio do Éter Refletor neste Corpo Vital. Durante este período, a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital, ou pelo menos deveria estar, e não tem, por isso, nenhum sentimento a respeito. As cenas que são impressas sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, são a base do subsequente sofrimento da vida no Purgatório pelas más ações, e de satisfação no Primeiro Céu, devido ao que foi feito de bom na vida que passou.

Estes foram os principais fatos que o autor foi capaz de observar, pessoalmente, sobre a morte no período em que os Ensinamentos lhe foram dados e quando ele foi apresentado, por ajuda do Mestre, às reproduções panorâmicas da vida de pessoas que estavam passando pelo portal da morte; investigações de anos mais tarde revelaram o fato adicional de que há um outro processo em andamento durante estes dias importantes que seguem o da morte.

Uma separação acontece no Corpo Vital, semelhante àquela do processo de Iniciação. Grande parte deste veículo, que pode ser chamado de “alma”, une-se com os veículos superiores e é a base da consciência nos Mundos invisíveis depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao Corpo físico e flutua sobre o túmulo, na maioria dos casos, como está declarado no Conceito Rosacruz do Cosmos. Esta separação no Corpo Vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter da pessoa que se vai. Em casos extremos, esta divisão é muito diferente do normal. Este ponto importante foi descoberto em muitos casos de suposta obsessão que foram investigados pela Sede Central. De fato, foram estes casos que desenvolveram as extensas e estarrecedoras descobertas reveladas por nossas mais recentes pesquisas sobre a natureza da obsessão, que pessoas que apelaram para nós estavam sofrendo. Como era esperado, naturalmente, a divisão nestes casos mostrava uma preponderância do mal, e esforços foram então feitos para descobrir se não havia também uma outra classe de pessoas onde uma divisão diferente, com preponderância de bem, acontece. É um prazer registrar que isto realmente acontecia e, depois de pesar os fatos descobertos, comparando um com outro, o que segue parece ser a correta descrição das condições e suas razões:

O Corpo Vital tem o objetivo de construir o físico toda vez que nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o Corpo Vital e o de Desejos que produz consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de forma que o corpo brando da criança se torna rijo e encolhido na idade avançada, seguido pela morte. A moralidade ou imoralidade de nossos desejos e emoções age de maneira similar no Corpo Vital. Quando a devoção a elevados ideais é a mola mestra da ação, quando se permite que a natureza devocional se expresse livremente e frequentemente por muitos anos e, particularmente, quando isto foi acompanhado pelos exercícios científicos dados aos Probacionistas na Fraternidade Rosacruz, a quantidade de Éter Químico e de Vida gradualmente diminui, enquanto que os apetites carnais se desvanecem e uma quantidade aumentada de Éter Luminoso e Refletor toma o lugar deles. Como consequência, a saúde física não é tão boa entre aqueles que seguem o caminho superior, como entre aqueles cuja indulgência com a natureza inferior atrai os Éteres: Químico e de Vida numa proporção tal que os leva à parcial ou total exclusão dos dois Éteres Superiores.

Várias consequências muito importantes conectadas com a morte seguem este fato. Como é o Éter Químico que cimenta as moléculas do corpo em seus lugares e as mantém lá durante a vida, quando somente uma mínima parte deste Éter está presente, a desintegração do veículo físico depois da morte é muito rápida.

Na morte, a separação acontece. O Átomo-semente é retirado do ápice do coração pelo saturnino nervo pneumogástrico através dos ventrículos e pelo crânio (Gólgota); todos os átomos do Corpo Vital são liberados da cruz do Corpo Denso pelo mesmo movimento espiral que desatarraxa cada átomo prismático de Éter de sua envoltura física.

Este processo se desenvolve com maior ou menor violência de acordo com a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade foi vagarosamente diminuindo, pode dormir e acordar no outro lado do véu sem a menor consciência de como a mudança acontece; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela prece e meditação sobre o além, também será capaz de fazer uma passagem fácil; pessoas que morrem congeladas encontram o que o autor acredita ser a mais fácil maneira de morrer por acidente, sendo que o afogamento é a segunda melhor situação.

Porém, quando uma pessoa é jovem e saudável, especialmente se tem uma maneira de pensar materialista ou não religiosa, o átomo etéreo prismático está tão fortemente entrelaçado pelo átomo físico que um puxão considerável é necessário para separar o Corpo Vital. Quando a separação entre o Corpo físico e os veículos superiores foi concluída e a pessoa está morta, como normalmente se diz, os Éteres Luminoso e Refletor se separam do átomo prismático. É esta matéria, como está explicado no Conceito Rosacruz do Cosmos, que é modelada em imagens da última vida e gravada no Corpo de Desejos, que então começa a fazer sentir tudo o que houve de sofrimento ou de prazer na vida. A parte do Corpo Vital composta pelos átomos prismáticos Químico e de Vida então retornam ao Corpo físico, pairando acima da sepultura e desintegrando-se sincronicamente com ele.

Os veículos superiores – Corpo Vital, de Desejos e Mente – são vistos deixando o Corpo Denso com um movimento em espiral, levando com eles a alma de um átomo denso. Não o átomo em si, mas as forças que trabalharam através dele. Os resultados das experiências passadas por meio do Corpo Denso durante a vida que terminou foram impressos neste átomo específico. Enquanto todos os outros átomos do Corpo Denso se renovaram de tempos em tempos, este átomo é permanente. Permanece estável não só durante uma vida, mas foi parte de todos os Corpos Densos usados pelo Ego. Ele é retirado na morte só para despertar na aurora de uma outra vida física para servir, outra vez, como núcleo em torno do qual é construído o novo Corpo Denso a ser usado pelo mesmo Ego. É, por isso, chamado de Átomo-semente. Durante a vida, o Átomo-semente está situado no ventrículo esquerdo do coração, perto do ápice. Na morte, ele sobe ao cérebro, passando pelo nervo pneumogástrico, deixando o Corpo Denso juntamente com os veículos superiores, pelo caminho das suturas entre os ossos parietal e occipital.

Quando os veículos superiores deixam o Corpo Denso, eles ficam ainda conectados por um fino, brilhante e prateado Cordão em forma muito parecida a dois seis invertidos, um na vertical e outro na horizontal, conectados nas extremidades do gancho.

Uma extremidade se liga ao coração por meio do Átomo-semente, e é a ruptura deste átomo que faz parar o coração. O Cordão não se rompe até que o panorama da vida, contido no Corpo Vital, tenha sido revisto.

Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não cremar ou embalsamar o Corpo até pelo menos três dias após a morte, pois enquanto o Corpo Vital está com os veículos superiores e eles estão ainda conectados com o Corpo Denso por meio do Cordão Prateado, qualquer exame pós-morte ou ferimento praticado no Corpo Denso será sentido de certo modo pelo morto. A cremação deve ser particularmente evitada nos três primeiros dias depois da morte porque tende a desintegrar o Corpo Vital, o qual deve permanecer intacto até que o panorama da última tenha sido gravado no Corpo de Desejos.

O Cordão Prateado se rompe no ponto em que os dois seis se unem, metade permanecendo com o Corpo Denso e a outra metade com os veículos superiores. No momento em que o cordão se rompe, o Corpo Denso está morto.

No início do ano de 1906 o Dr. Mc Dougall[16] fez uma série de experiências no Hospital Geral de Massachusetts para determinar, se possível, se alguma coisa invisível deixava o Corpo por ocasião da morte. Para este fim, ele construiu uma balança capaz de registrar diferenças de um décimo de uma onça[17].

A pessoa agonizante e sua cama foram colocadas numa das plataformas da balança que foi equilibrada por pesos colocados na plataforma oposta. No exato momento em que a pessoa deu seu último suspiro, a plataforma que continha os pesos, subitamente e surpreendentemente, desceu, elevando a cama e o corpo, mostrando que algo invisível, mas tendo peso, tinha deixado o corpo. Logo após, os jornais de todo o país anunciaram em brilhantes manchetes que o Dr. Mc Dougall tinha “pesado a alma”.

O ocultismo aclama com alegria as descobertas da ciência moderna, quando elas invariavelmente corroboram com o que a ciência oculta vem ensinando há muito tempo. As experiências do Dr. Mc Dougall mostraram conclusivamente que algo oculto para a visão comum deixou o Corpo na hora da morte, como os clarividentes treinados têm visto e tem sido afirmado em palestras e literatura muitos anos antes da descoberta do Dr. Mc Dougall.

Mas esta “coisa” invisível não é a alma. Há uma grande diferença. Os repórteres tiraram conclusões erradas quando afirmaram que os cientistas tinham “pesado a alma”. A alma pertence aos planos superiores e não pode nunca ser pesada em balanças físicas, embora eles tenham registrado variações de um milionésimo de um grão em vez de um décimo de uma onça.

Foi o Corpo Vital que os cientistas pesaram. Ele é formado pelos quatro Éteres que pertencem ao Mundo Físico.

Como vimos, uma quantidade de Éter é adicionada ao Éter que envolve as partículas do corpo humano e é confinada lá durante a vida física, aumentando em pequeno grau o peso do Corpo Denso da planta, do animal e do ser humano. Na morte, ele escapa, daí a diminuição do peso notada pelo Dr. Mc Dougall quando as pessoas que ele observou expiraram.

Esta característica da vida após a morte é similar à que acontece quando alguém está se afogando ou caindo de grande altura. Nestes casos, o Corpo Vital também deixa o Corpo Denso e o ser humano vê sua vida num relance porque ele perde a consciência simultaneamente. É evidente que o Cordão Prateado não está rompido ou ele não voltaria à vida.

Quando a força do Corpo Vital atingiu seu limite, ele entra em colapso da forma descrita quando estávamos considerando o fenômeno do sono. Durante a vida física, quando o Ego controla seus veículos, este colapso interrompe com as horas de vigília; depois da morte, o colapso do Corpo Vital conclui o panorama da vida e força o ser humano a entrar no Mundo do Desejo. O Cordão Prateado se rompe no ponto em que os seis se unem e a mesma divisão que se processa durante o sono é feita, mas com uma importante diferença, a de que embora o Corpo Vital retorne ao Corpo Denso, ele não mais o interpreta, mas simplesmente paira sobre ele. Ele permanece flutuando sobre o túmulo, desintegrando-se sincronicamente com o veículo denso. Daí, para o clarividente treinado ser o cemitério uma visão repugnante e, se mais pessoas pudessem ver, pouco seria preciso para induzir as mesmas a mudar o método não higiênico de acomodar os mortos para o método mais racional da cremação, que retorna os elementos à sua condição primordial sem as desagradáveis características inerentes ao processo de desintegração lenta.

O processo de abandono do Corpo Vital é muito parecido ao do Corpo Denso. As forças vitais de um átomo são levadas para serem usadas como núcleo do Corpo Vital do futuro renascimento. Assim, quando entra no Mundo do Desejo, o ser humano tem os Átomos-semente dos Corpos Denso e Vital além de seu Corpo de Desejos e da Mente.

Quando uma pessoa morre, parece que seu Corpo Vital se avoluma; ela tem a sensação de crescer em imensas proporções. Esta impressão não é devida ao fato de que o Corpo cresça realmente, mas de que as faculdades de percepção recebam tantas impressões de várias fontes, tudo parecendo estar perto e à mão.

Quando o ser humano morre e perde seus Corpos Denso e Vital, a situação é a mesma de quando alguém dorme. O Corpo de Desejos, como foi explicado, não tem órgãos prontos para serem usados. É agora transformado de um ovoide para uma figura que se parece com o Corpo Denso que ele abandonou. Podemos facilmente compreender que deve haver um intervalo de inconsciência parecida com o sono e, então, o ser humano acorda no Mundo do Desejo. No entanto, frequentemente acontece que estas pessoas ficam incapazes de entender o que lhe aconteceu por um longo período. Não compreendem que morreram. Elas sabem que são capazes de se mover e de pensar. É às vezes, muito difícil fazê-las acreditar que estão verdadeiramente “mortas”. Elas sabem que algo está diferente, mas não são capazes de entender o que é.

Quando o momento que marca o fim da vida no Mundo Físico chega, a utilidade do Corpo Denso termina e o Ego retira-se pela cabeça, levando consigo a Mente e o Corpo de Desejos, como acontece todas as noites durante o sono; mas, agora, o Corpo Vital está inútil e se retira também, e quando o “Cordão Prateado” que uniu os veículos superiores com os inferiores se rompe, não pode ser reparado.

Lembramos que o Corpo Vital é composto de Éter, sobreposto ao Corpo Denso da planta, animal e do ser humano durante a vida. Éter é matéria física e, por isso, tem peso. A única razão pela qual os cientistas não podem pesá-lo é porque são incapazes de juntar uma quantidade e colocá-lo numa balança. Mas quando ele deixa o Corpo Denso na morte, uma diminuição de peso acontece, mostrando que algo que tinha peso, embora invisível, deixou o Corpo Denso naquele momento.

O Cordão Prateado que une os veículos superiores e os inferiores termina no Átomo-semente no coração. Quando a vida material finda de maneira natural, as forças do Átomo-semente se desprendem, passam pelo nervo pneumogástrico atrás da cabeça e ao longo do Cordão Prateado, junto com os veículos superiores. É a ruptura no coração que marca a morte física, mas o Cordão Prateado não se rompe em certos casos por vários dias.

Na palestra nº 3, dissemos que o Corpo Vital é o armazém das memórias consciente e inconsciente; sobre o Corpo Vital, todos os atos e experiências da vida que passou são gravados indelevelmente como uma paisagem sobre uma placa fotográfica exposta. Quando o Ego se retira do Corpo Denso, toda a vida registrada na memória é exposta aos olhos da Mente. É o afrouxamento parcial do Corpo Vital que faz com que uma pessoa que está se afogando veja sua vida, mas só de relance, precedendo a inconsciência; o Cordão Prateado permanece intacto, ou não haveria volta à vida. No caso do Espírito passando pela morte, o movimento é mais lento; o ser humano é um espectador enquanto as imagens se sucedem na ordem inversa, da morte para o nascimento, de modo que ele vê primeiro os acontecimentos anteriores à morte e então os anos da vida adulta se desenrolam; juventude e infância seguem até terminar no nascimento. O ser humano, no entanto, não tem nenhum sentimento a respeito. O objetivo é meramente gravar o panorama no Corpo de Desejos, que é o assento do sentimento, e, dessa gravação, o sentimento será extraído quando o Ego entrar no Mundo do Desejo, mas podemos notar aqui que a intensidade do sentimento depende do tempo consumido no processo de gravação e da atenção dada a isso pelo ser humano. Se ele não for incomodado por longo período por barulho ou histeria, uma profunda e clara impressão será feita sobre o Corpo de Desejos. Ele sentirá o mal que fez mais agudamente no Purgatório e suas boas qualidades serão abundantemente reforçadas no Céu e, embora a experiência seja esquecida na vida futura, os sentimentos permanecerão como uma “voz silenciosa”. Quando os sentimentos penetram profundamente no Corpo de Desejos de um Ego, esta voz não falará com palavras vagas ou incertas. Isso, o impelirá, sem dúvida, forçando-o a desistir daquilo que causou sofrimento na vida anterior e compelindo-o a ceder ao que é bom. Por isso, o panorama passa em ordem inversa de modo que o Ego primeiro vê os efeitos e depois as respectivas causas.

No que diz respeito ao que determina a duração do panorama, lembramos que foi o colapso do Corpo Vital que forçou os veículos superiores a se retirarem; assim, depois da morte, quando o Corpo Vital entra em colapso, o Ego tem que se retirar e então o panorama chega ao fim. A duração do panorama depende, por isso, do tempo que a pessoa possa permanecer desperta. Algumas pessoas podem ficar despertas só umas poucas horas, outras aguentam alguns dias, dependendo da força de seu Corpo Vital.

Quando o Ego deixa o Corpo Vital, este gravita de volta ao Corpo Denso, pairando acima do túmulo, desintegrando-se com o Corpo Denso e é realmente uma visão repugnante ao clarividente atravessar um cemitério e observar todos aqueles Corpos Vitais, cujo estado de decomposição claramente indicam o estado de deterioração do que está na sepultura. Se houvesse mais clarividentes, a incineração seria logo adotada como medida de proteção aos nossos sentimentos, além das razões higiênicas.

Nossas últimas investigações indicam que, quando um ser humano espiritualiza seus veículos, a constituição do Corpo Vital, formado de Éter, é transformada. No ser humano comum há sempre uma preponderância dos dois Éteres Inferiores – o Éter Químico e o de Vida – que têm a ver com a construção e a propagação do Corpo físico, e um mínimo de Éter Luminoso e Refletor, que têm relação com a percepção sensorial e com as elevadas qualidades espirituais. Após a morte, o Corpo do ser humano comum é colocado no túmulo e o Corpo Vital paira cerca de dois pés[18] acima do túmulo, gradualmente se desintegrando. O Corpo Denso se desintegra simultaneamente. No entanto, quando dizemos que ele se deteriora, realmente queremos dizer que ele se torna mais vivo do que era quando o ser humano o habitava, pois, cada pequena molécula se encarrega agora de uma vida individual separada. Ela começa a se associar com suas vizinhas e a unidade de uma vida individual é substituída por uma comunidade de muitas vidas.

Portanto, falamos de tais cadáveres em decomposição como estando vivos e cheios de vermes. Quanto mais denso e grosseiro este veículo for, mais tempo ele precisará para se decompor, porque o Corpo Vital pairando acima dele tem um domínio magnético tenaz que mantém as moléculas densas controladas. Os dois Éteres Superiores vibram numa frequência muito mais rápida que os Inferiores e, quando um ser humano, com pensamentos espirituais, reuniu em torno dele um grande volume deste Éter que compõe seu Corpo Vital, as vibrações do Corpo Denso também se tornam mais intensas. Consequentemente, quando um ser humano deixa seu corpo na morte, há pouco ou nada do Corpo Vital deixado para trás para manter os componentes do Corpo físico sob controle. A desintegração é, portanto, muito rápida. Isto não pode ser facilmente provado porque muito poucas pessoas são suficientemente espiritualizadas para que a diferença seja notada, mas você deve se lembrar de que na Bíblia está escrito que certos personagens foram trasladados. O corpo de Moisés era tão vibrante que brilhava e não foi encontrado, etc. Estes foram casos em que o corpo rapidamente retornou aos elementos e, quando o corpo de Cristo foi colocado no túmulo, sua desintegração foi quase instantânea.

No entanto, enquanto o arquétipo do Corpo físico persiste, ele se esforça em atrair para si matéria física que ele modela de acordo com a forma do Corpo Vital. Assim é difícil para o Auxiliar Invisível que sai de seu Corpo abster-se de se materializar. No momento em que ele relaxa a sua vontade de manter longe de si todos os impedimentos físicos, matéria da atmosfera que o circunda se adere a ele, como as limalhas do ferro são atraídas para o ímã, e ele se torna visível e tangível quanto desejar. Consequentemente, ele é capaz de realizar um trabalho físico onde for necessário, não importa que esteja milhares de milhas longe de seu corpo. Por outro lado, o que realmente provoca a morte é o colapso do arquétipo do Corpo Denso. Portanto, os Espíritos que fazem a passagem desta vida terrena são incapazes de se materializar, salvo através de um médium quando eles extraem seu Corpo Vital, revestem-se com ele e, então, atraem as substâncias necessárias para fazê-los visíveis para os espectadores.

Durante a vida e no estado de consciência de vigília, os veículos do Ego estão todos juntos e concêntricos, mas, na morte o Ego, revestido pela Mente e pelo Corpo de Desejos, retira-se do Corpo Denso e, como as funções vitais estão no fim, o Corpo Vital é também retirado do Corpo Denso, deixando-o inanimado sobre a cama. Um pequeno átomo no coração é retirado e o resto do corpo se desintegra a seu tempo. Mas, neste momento, há um processo extremamente importante se realizando e os que velam o Espírito, que se vai, devem ser muito cuidadosos para que a máxima quietude reine lá e em toda a casa, pois as imagens da vida que passou e que estão armazenadas no Corpo Vital estão passando diante dos olhos do Espírito numa lenta e ordenada progressão, em ordem inversa, desde a morte até o nascimento. Este panorama da vida dura de algumas horas até três dias e meio. O tempo depende da força do Corpo Vital, o que determina quanto tempo um ser humano pode ficar desperto sob o mais severo estresse. Algumas pessoas podem trabalhar cinquenta, sessenta ou setenta horas antes de caírem exaustos, enquanto outras são capazes de ficar despertas somente algumas poucas horas. A razão pela qual é importante que deva haver silêncio na casa durante os três dias e meio imediatamente seguintes à morte é: durante este tempo, o panorama da vida está sendo gravado no Corpo de Desejos, que será o veículo enquanto o ser humano permanecer no Purgatório e no Primeiro Céu, onde ele irá colher o bem e o mal que semeou, de acordo com suas ações praticadas quando estava em seu Corpo físico.

Quando a vida está cheia de acontecimentos e o Corpo Vital do ser humano está forte, mais tempo será dedicado à esta gravação do que sob condições em que o Corpo Vital é fraco, mas durante todo este tempo o Corpo Denso está conectado com os veículos superiores pelo Cordão Prateado e qualquer ferimento no Corpo Denso é sentido de certa forma pelo Espírito; assim, embalsamamento, exames pós-morte e cremação são todos sentidos. Portanto, eles devem ser evitados durante os três dias e meio depois da morte, pois quando o panorama foi completamente gravado no Corpo de Desejos, então o Cordão Prateado se rompe, o Corpo Vital gravita de volta ao Corpo Denso e não há mais conexão com o Espírito que está livre para ir para sua vida superior.

Quando o Corpo é enterrado, o Corpo Vital se desintegra vagarosamente junto com o Corpo Denso de forma que, por exemplo, quando um braço se desintegra, o braço etéreo do Corpo Vital que paira sobre o túmulo também desaparece, e assim acontece com todo o Corpo até que o último vestígio desapareça. Mas, quando a cremação é feita, o Corpo Vital se desintegra imediatamente e também as imagens armazenadas da vida que terminou. Estas imagens são gravadas no Corpo de Desejos e formam a base da vida no Purgatório e no Primeiro Céu; se elas forem destruídas pela cremação efetuada antes que três dias e meio tenham passado, será uma grande calamidade para o Espírito. A menos que uma ajuda seja dada, o Espírito não poderá manter o Corpo Vital íntegro. E isto é parte do trabalho que é feito pelos Auxiliares Invisíveis a favor da humanidade. Às vezes, eles são ajudados pelos Espíritos da Natureza e outros indicados pelas Hierarquias Criadoras ou líderes da humanidade. Há também uma perda quando a pessoa é cremada antes que o Cordão Prateado se rompa naturalmente, a impressão sobre o Corpo de Desejos não é tão profunda quanto deveria ser e isto tem um efeito sobre as vidas futuras, pois quanto mais profundas sejam as impressões da vida que passou sobre o Corpo de Desejos, mais agudo será o sofrimento no Purgatório pelo mal cometido e mais forte será o prazer no Primeiro Céu, resultante do bem que foi praticado em vida. É o sofrimento e o prazer de nossas vidas passadas que criam o que chamamos de consciência, de forma que, se deixamos de sofrer, perdemos a noção que nos impedirá, nas vidas futuras, de cometer os mesmos erros repetidamente. Por isso, os efeitos negativos da cremação prematura são incalculáveis.

Um fenômeno similar ao panorama da vida geralmente acontece quando uma pessoa está se afogando. Pessoas que voltaram à vida dizem que viram sua vida toda num relance. Isto é porque, sob tais condições, o Corpo Vital se afasta do Corpo Denso. Naturalmente, não há ruptura do Cordão Prateado, ou a vida não poderia ser restaurada. Nos casos de afogamento, a pessoa se torna inconsciente, enquanto que, na revisão pós-morte, a consciência continua até que o Corpo Vital entra em colapso da mesma maneira como acontece quando vamos dormir. Então, a consciência cessa por um momento e o panorama está terminado.

Portanto, o tempo ocupado pelo panorama também varia de pessoa para pessoa; depende de que o Corpo Vital esteja forte e saudável, ou tenha se tornado fino e definhado por doença prolongada. Quando mais tempo for gasto na revisão e mais silencioso e cheio de paz for o ambiente, mais profunda será a gravação que é feita no Corpo de Desejos.

Como já foi dito, isto tem um efeito importante e incalculável, pois então o sofrimento que o Espírito experimentará no Purgatório, devido aos maus hábitos e más ações, será mais profundo do que se ele tivesse só uma impressão superficial, e, numa vida futura, a voz silenciosa da consciência o avisará mais insistentemente contra os erros que causaram sofrimento no passado.

Desde quando o mundo existe, nunca houve tanto sofrimento universal quanto no presente (1914). E, além disso, não devemos esquecer que estamos armazenando para nós mesmos uma grande quantidade de sofrimento futuro, pois, como foi explicado na literatura Rosacruz, é impossível para estas pessoas que são agora tão cruéis e de repente são afastadas de seu corpo, reverem sua vida que passou porque a gravação do panorama da vida não se processa como deveria. Portanto, estes Egos não colherão o fruto de sua presente existência como deveriam fazê-lo no Purgatório e no Primeiro Céu. Eles voltarão em vida futura com esta experiência a menos e será necessário, para que possam recuperar o que perderam, morrer na infância de modo a terem seu novo Corpo de Desejos e Vital impressos com a essência de sua vida presente.

Vimos que, quando o Ego terminou seu dia na escola da vida, a Força centrífuga de Repulsão expulsou seu Corpo Denso na morte e depois seu Corpo Vital, que é o próximo em densidade. Depois, no Purgatório, a matéria de desejo mais densa acumulada pelo Ego como roupagem pelos seus desejos mais inferiores é purgada por esta força centrífuga. Nos planos mais elevados, só a Força de Atração domina e mantém o bem com ação centrípeta que tende a atrair tudo da periferia para o centro.

No Segundo Céu, tanto quanto no Corpo Vital o Espírito de Vida trabalhou, transformou, espiritualizou, e, portanto, salvou da decomposição a que o resto do Corpo Vital está sujeito, será amalgamado com o Espírito de Vida para garantir um Corpo Vital e um temperamento melhor nas vidas seguintes.

Quando o Ego, em sua peregrinação através dos Mundos invisíveis, chega ao ponto em que alcança o Terceiro Céu, depois de descartar o Corpo Denso na morte, o Corpo Vital logo depois, o Corpo de Desejos ao deixar o Purgatório e o Primeiro Céu e, finalmente, antes de deixar o Segundo Céu, ele também deixa o revestimento da Mente para trás e, então, entra no Terceiro Céu completamente livre de empecilhos. Todos os veículos descartados se desintegram, só o Espírito persiste, banhando-se no grande reservatório de força espiritual a que chamamos de Terceiro Céu, a fim de se fortalecer para o próximo renascimento na Terra.

O Corpo Vital é composto de quatro Éteres. Os dois Éteres Inferiores são avenidas de crescimento e propagação. No Corpo Vital de uma pessoa cuja preocupação principal é a vida física, que vive inteiramente para o prazer sensual, estes dois Éteres predominam, enquanto que numa pessoa que é bastante indiferente à satisfação material e procura avançar espiritualmente, os dois Éteres Superiores formam a parte mais volumosa do Corpo Vital. Eles são o que São Paulo chama de soma psuchicon ou Corpo-Alma que permanece com o ser humano durante suas experiências no Purgatório e no Primeiro Céu, onde a essência da vida é extraída. Este extrato é a alma, cujas principais qualidades são consciência e virtude. A consciência é o fruto dos erros das vidas passadas que, no futuro, guiará o Espírito corretamente e o ensinará como evitar passos errados semelhantes. Virtude é a essência de tudo o que foi bom nas vidas anteriores e age como um incentivo para manter o Espírito se esforçando ardentemente no caminho da aspiração. No Terceiro Céu a virtude é amalgamada e se torna parte do Espírito. Consequentemente, no curso de suas vidas, o ser humano se torna mais espiritualizado e as qualidades anímicas, consciência e virtude, tornam-se mais fortemente operantes guiando os princípios de conduta.

Porém, há pessoas de natureza tão inferior que levam uma vida de vícios e práticas degeneradas, uma vida brutal, tendo prazer em produzir sofrimento. Às vezes, elas cultivam as artes ocultas por propósitos de maldade para que possam ter mais poder sobre suas vítimas. Então, sua perversidade e práticas imorais resultam em um endurecimento do Corpo Vital.

Em tais casos extremos, quando a natureza animal foi predominante, onde não houve expressão de alma na última vida terrena, a divisão no Corpo Vital a que nos referimos antes não acontece na morte, pois não há linha divisória. Neste caso, se o Corpo Vital pudesse gravitar de volta ao Corpo Denso e lá gradualmente se desintegrar, o efeito da vida demoníaca não seria tão grande, mas, infelizmente, há, nestes casos, um entrelaçamento do Corpo Vital e do Corpo de Desejos que evita a separação. Vimos que, quando um ser humano vive mais sua natureza superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento dos inferiores. Inversamente, quando sua consciência está centrada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Deve-se compreender que a vida do Corpo de Desejos não termina pela partida do Espírito; ele tem uma vida residual e consciência. O Corpo Vital é também capaz de sentir, de certo modo, por alguns dias depois da morte nos casos comuns (daí o sofrimento causado pelo embalsamamento, exames pós-morte, etc., imediatamente depois da morte), mas quando uma vida inferior o endureceu e o alimentou com grande força, ele tem um tenaz apelo à vida e uma habilidade de se alimentar de odores e bebidas. Às vezes, como um parasita, ele age como um vampiro em pessoas com as quais entra em contato.

Estes seres, são, portanto, uma das grandes ameaças à sociedade. Eles já mandaram incontáveis vítimas para a prisão, destruíram lares e causaram uma quantidade inimaginável de infelicidade. Sempre abandonam suas vítimas quando elas são apanhadas pelas garras da lei. Regozijam-se com o sofrimento e a desgraça de suas vítimas, sendo isso uma parte de seu esquema diabólico. Há outras classes de seres que de deleitam em fazer-se passar por “anjos” nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam-lhes práticas imorais. O chamado “Poltergeist”, que se diverte quebrando pratos, levantando mesas, fazendo voar chapéus sobre as cabeças de um público que vibra com estas brincadeiras, está também incluído neste grupo. A força e a densidade do Corpo Vital de tais seres facilitam mais as manifestações físicas do que naqueles que entram no Mundo do Desejo; de fato, o Corpo Vital deste grupo de Espíritos é tão denso que eles são quase físicos e tem sido um mistério para o autor que pessoas que são incorporadas por tais entidades não as possam ver. Fossem elas descobertas, a visão de suas faces demoníacas e zombeteiras apagariam a ilusão de que são anjos.

Toda vez que morre uma pessoa que abrigou malícia e ódio em seu coração, estes sentimentos entrelaçam o Corpo Vital e o de Desejos, e ela se transforma numa ameaça mais séria para a comunidade do que se pode imaginar.

Espíritos apegados à Terra são atraídos para as regiões inferiores do Mundo do Desejo que interpenetram o Éter e estão em constante contato com pessoas encarnadas mais favoráveis a ajudá-los em seus desejos maléficos. Em geral, eles ficam apegados à Terra por 50, 60 ou 75 anos, mas casos extremos foram encontrados em que tais seres permaneceram por séculos. Segundo o que o autor foi capaz de pesquisar até o presente, parece que não há limite para o que possam fazer ou por quanto tempo permanecerão. Porém, eles estão amontoando para si próprios uma terrível carga de pecado da qual não escaparão sem sofrer, pois, o Corpo Vital reflete e grava profundamente no Corpo de Desejos todas as suas más ações. E quando finalmente entrarem na existência purgatorial, encontrarão a retribuição que merecem. Este sofrimento é naturalmente longo, na proporção ao tempo em que eles continuaram suas práticas nefastas depois da morte do Corpo Denso – outra prova de que “Embora os moinhos de Deus moam vagarosamente, eles não deixam nada sem moer”.

A nuvem vermelha do ódio[19] está se desvanecendo, o véu negro do desespero se foi, não há explosões vulcânicas de paixão nem nos vivos nem nos mortos, mas de acordo com os sinais dos tempos, que o autor é capaz de ler na aura das nações, há um propósito definido de levar o processo até o fim. Mesmo nos lares privados de muitos membros, isto parece ser válido. Há uma intensa saudade dos amigos que estão no além, mas não há ódio pelo adversário na Terra. Esta saudade é compartilhada pelos amigos no Mundo invisível e muitos estão penetrando o véu, pois a intensidade da sua saudade está despertando nos “mortos” o poder de se manifestar, atraindo o Éter e o gás que frequentemente é tirado do Corpo Vital de um amigo “sensível”, da mesma forma como os Espíritos que se materializam usam o Corpo Vital de um médium incorporador. Assim, os olhos cegos pelas lágrimas são frequentemente abertos por um coração terno, de modo que pessoas queridas, agora no mundo do espírito, encontram-se outra vez face a face, coração a coração. Este é o método que a Natureza usa para cultivar o sexto sentido que, finalmente, capacita todos saber que o ser humano é um Espírito imortal e a continuidade da vida é uma realidade na natureza.

Em toda morte, as lágrimas derramadas servem para dissolver o véu que esconde o Mundo invisível de nossa contemplação saudosa. O sentimento de profunda saudade e a dor na partida de pessoas que se amam, tanto as que ficam como as que se vão, estão rasgando o véu e, num dia não muito distante, o efeito acumulado de tudo isto revelará o fato de que a morte não existe, e que aqueles que passaram além deste véu estão mais vivos do que nós. A potência destas lágrimas, desta dor e desta saudade não é igual em todos os casos. Os efeitos diferem muito, de acordo com o despertar do Corpo Vital de pessoas por atos de altruísmo e serviço, e de acordo com a máxima de que todo desenvolvimento ao longo das linhas espirituais começa no Corpo Vital. Ele é a base e nenhuma estrutura pode ser construída sem que esta fundação tenha sido colocada.

 

Capítulo V – A Caminho do Renascimento

Quando um Ego está no caminho para o seu renascimento o Átomo-semente do Corpo Vital reúne novo material. A polaridade deste material determina seu sexo na próxima vida.

O Átomo-semente do Corpo Vital é o próximo a entrar em atividade, mas o seu processo de formação não é tão simples como no caso no caso da Mente e do Corpo de Desejos, pois é preciso lembrar que estes veículos estavam comparativamente não organizados, enquanto que o Corpo Vital e o Corpo Denso são mais organizados e muito complexos. O material de quantidade e qualidade determinadas, é atraído de mesma maneira e sob a obediência da mesma lei como no caso dos corpos superiores, mas a construção do novo corpo e sua colocação no ambiente adequado são feitas por quatro grandes Seres de incomensurável sabedoria, que são os Anjos do Destino, os “Senhores do Destino”. Eles impressionam o Éter Refletor do Corpo Vital de tal maneira que nele se refletem os quadros da próxima vida. Ele (o Corpo Vital) é construído pelos habitantes do mundo celestial e os espíritos elementais de tal modo a formar um tipo particular de cérebro. Mas note que, o Ego que retorna, ele próprio, incorpora então a quintessência de seus Corpos Vitais anteriores e além disso ainda realiza um pequeno trabalho original. Isso é feito de modo que na próxima vida possa haver lugar para expressão original e individual, não predeterminada por ações passadas.

O Corpo Vital, tendo sido moldado pelos Senhores do Destino, dará forma ao Corpo Denso, órgão por órgão. A matriz ou molde é então colocada no útero da futura mãe. O Átomo-semente do Corpo Denso está na cabeça triangular de um dos espermatozoides no sêmen do pai. Só isso torna a fertilização possível e aqui está a explicação para o fato de tantas vezes as uniões sexuais serem infrutíferas. Os componentes químicos do fluído seminal e dos óvulos são os mesmos todo o tempo e se fossem só esses os requisitos, a explicação do fenômeno da infertilidade, se procurada só no mundo material visível, não seria encontrada. Quando compreendemos que assim como as moléculas d’ água se congelam segundo as linhas de força na água e se manifestam como cristais de gelo em vez de se congelarem numa massa homogênea, torna-se evidente, portanto, como seria o caso se não existissem as linhas de força previamente à coagulação, não poderia assim existir a construção do Corpo Denso enquanto não houvesse um Corpo Vital no qual se construir o material; além do mais precisa haver um Átomo-semente para o Corpo Denso agir como padrão de qualidade e quantidade do material que será moldado naquele Corpo Denso. Também, no atual estágio do desenvolvimento nunca há total harmonia nos materiais do corpo, porque aquele que a tivesse seria um corpo perfeito, porém a desarmonia não pode ser tão grande a ponto de ser destruidora do organismo. Uma vez realizada a impregnação do óvulo, o Corpo de Desejos da mãe trabalha sobre ele de dezoito a vinte-e-um dias, o Ego permanece fora em seu invólucro do Corpo de Desejos e da Mente, embora sempre em estreito contato com a mãe. Após a expiração desse tempo o Ego entra no corpo da mãe. Os veículos em forma de sino dirigem-se para sobre a cabeça do Corpo Vital e o sino fecha-se em baixo. Dessa hora em diante o Ego paira sobre o seu futuro instrumento até o nascimento da criança e a nova vida terrena do Ego, que retorna, começa.

Acha-se escrito no Conceito Rosacruz do Cosmos que o Corpo Vital da mulher é positivo e que o Corpo Vital do ser humano é negativo. Quando os agentes dos Anjos do Destino estão assistindo um Ego que vai renascer, o tipo do sexo já foi determinado, tanto pela lei de alternação como por uma modificação dessa lei por circunstâncias específicas na vida individual do Espírito, e o Ego é então ajudado a captar para si quantidade suficiente de diferentes tipos de Éteres exigidos pelo seu desenvolvimento. Esses materiais são de uma certa polaridade, seja positiva ou negativa. Quando a matriz feita apenas de átomos etéricos positivos é colocada no útero da futura mãe, estes átomos irão infalivelmente atrair para si átomos físicos negativos, e o corpo resultante da criança, torna-se, em consequência, feminino. Se, de outro modo, a matriz que for colocada no útero da mãe for composta de átomos etéricos negativos, irá atrair os átomos densos positivos e o resultado é que os órgãos sexuais masculinos são mais desenvolvidos e, portanto, o sexo é masculino. A vida, como a eletricidade, necessita ambas expressões positiva e negativa, de outro modo não se pode manifestar.

Quando o Ego no seu caminho para renascer passa pela Região do Pensamento Concreto, o Mundo de Desejo, e a Região Etérica, ele atrai uma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, pelo princípio de que semelhante atrai semelhante. A quantidade depende da quantidade de matéria requerida pelo arquétipo por nós mesmos construído no Segundo Céu. Da quantidade dos átomos etéricos prismáticos que são apropriados para um certo Espírito, os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica que é então colocada no útero da mãe e gradualmente revestida com matéria física que depois forma o corpo visível do recém-nascido.

O Cordão Prateado que cresceu do Átomo-semente do Corpo Denso (localizado no coração) desde a concepção, é preso à parte que brotou do vórtice central do Corpo de Desejos, (localizado no fígado), e quando o Cordão Prateado é preso pelo Átomo-semente ao Corpo Vital, (localizado no plexo solar), o Espírito morre para a vida no mundo supersensível e anima o corpo que vai usar em sua futura vida na Terra.

 

Capítulo VI – As Crianças

O Corpo Vital de uma criança ao nascer não se acha organizado. Daí, até aproximadamente a idade de sete anos, quando o Corpo Vital individual nasce, ela se abastece do Corpo Vital macrocósmico.

No período logo após o nascimento os diferentes veículos se interpenetram entre si, como, em exemplo anterior, a areia penetra na esponja e a água penetra tanto a areia quanto a esponja. Mas, embora eles estejam todos presentes, como na vida adulta, acham-se meramente presentes. Nenhuma de suas faculdades positivas acha-se presente. O Corpo Vital não pode usar as forças que operam pelo polo positivo dos Éteres. A assimilação, que trabalha pelo polo positivo do Éter Químico, é muito delicada durante a infância, e o que dela existe é devido ao Corpo Vital macrocósmico, cujos Éteres atuam como um útero para o Corpo Vital da criança até aos sete anos, amadurecendo gradualmente durante esse período. A faculdade de propagação, que funciona pelo polo positivo do Éter de Vida, também está latente. O aquecimento do corpo, que é efetuado através do polo positivo do Éter Luminoso, e a circulação sanguínea são devidos ao Corpo Vital macrocósmico, os Éteres agindo na criança e desenvolvendo-a lentamente até o ponto em que ela possa controlar, por si mesma, essas funções. As forças, operando pelo polo negativo dos Éteres, são sem dúvida as mais ativas. A excreção de sólidos efetuada pelo polo negativo do Éter Químico (correspondendo à subdivisão sólida da Região Química) é muito desenfreada, como é também a excreção de fluidos, que é executada pelo polo negativo do Éter de Vida (correspondendo à Segunda ou divisão fluida da Região Química). O sentido passivo da percepção, que é devido às forças negativas do Éter de Luz, é também excessivamente proeminente. A criança é muito impressionável e é “toda olhos e ouvidos”.

Embora o Corpo Vital de uma criança esteja ainda comparativamente não organizado pela ocasião do nascimento, o Éter que deverá ser usado para o seu completamente está dentro da aura pronto para ser assimilado; e se alguém a sua volta acontecer de estar fraco ou anêmico, um vampiro inconsciente, ele ou ela retira do armazenamento não assimilado de Éter do recém-nascido muito mais facilmente do que do de um adulto, cujo Corpo Vital está totalmente organizado. Naturalmente a pessoa fraca retira mais facilmente Éter que está negativamente polarizado, como no corpo de um bebê do sexo masculino, do que Éter positivo de uma menina recém-nascida… Massagem do baço e estímulo dos nervos esplênicos, cuidadosa e conservadoramente praticada, irá ajudar a contraparte etérea deste órgão, em suas atividades de especialização da energia solar da qual os processos vitais são tão dependentes quanto os pulmões são de ar.

Normalmente pensamos que quando uma criança nasce, ela nasce e isso é tudo; mas, assim como durante o período de gestação o Corpo Denso acha-se protegido do impacto do mundo externo, por estar situado dentro do útero protetor da mãe até chegar à maturidade suficiente para enfrentar as condições externas, assim também estão o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente num estado de gestação e nascem em ocasiões posteriores, porque eles ainda não têm atrás de si uma evolução tão longa quanto a do Corpo Denso e, portanto, para eles chegarem a um estado suficiente de maturidade, para tornarem-se individualizados, leva mais tempo. O Corpo Vital nasce no sétimo ano, quando o período de excessivo crescimento marca a sua vinda.

Apenas uma pequena porção do Éter adequada para um determinado Ego é, então, usada e o Corpo Vital remanescente da criança, ou melhor o material do qual esse veículo será feito, fica então fora do Corpo Denso. Por esse motivo, o Corpo Vital de uma criança projeta-se para muito além da periferia do Corpo Denso do que o do adulto. Durante o período de crescimento esse armazenamento de átomos de Éter é retirado para vitalizar os crescimentos dentro do corpo até que ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital se projeta apenas de uma a uma-e-meia polegada[20] além da periferia do Corpo Denso.

Do primeiro ao sétimo ano o Corpo Vital cresce e, vagarosamente, amadurece dentro do útero do Corpo Vital macrocósmico e devido à superior sabedoria desse veículo do macrocósmico o corpo da criança é mais roliço e bem construído, que posteriormente na vida.

Enquanto o Corpo Vital macrocósmico guiar o crescimento do corpo da criança ela é resguardada dos perigos que mais tarde a ameaçam quando a insensato Corpo Vital individual descontrola desenfreado. Isso acontece no sétimo ano quando tem início o perigoso período de excessivo crescimento que continua pelos próximos sete anos. Durante esse período o Corpo de Desejos macrocósmico realiza a função de útero para o Corpo de Desejos individual.

Tivesse o Corpo Vital preponderância contínua e irrestrita no reino humano, como tem no vegetal, o ser humano cresceria a um tamanho enorme. Houve ocasião, num passado distante, em que o ser humano tinha a constituição semelhante à de um vegetal, e possuía apenas o Corpo Denso e o Corpo Vital. As tradições da mitologia e folclore em todo o mundo, com respeito a existência de gigantes em tempos remotos, são absolutamente verdadeiras, porque então os seres humanos eram tão altos quanto as árvores, e pelos mesmos motivos.

O Corpo Vital da planta constrói folha após folha, levando o tronco a ficar cada vez mais alto. Não fosse pelo Corpo de Desejos macrocósmico, o crescimento continuaria assim indefinidamente, mas o Corpo de Desejos macrocósmico interfere num ponto determinado e restringe a continuação do crescimento. A força não mais necessária para o crescimento fica disponível então para outros propósitos e é usada para construir a flor e a semente. De igual modo o Corpo Vital do ser humano, quando o Corpo Denso fica sob sua preponderância, após os sete anos, faz o Corpo Denso crescer muito rapidamente, mas por volta dos quatorze anos o Corpo de Desejos individual nasce do útero do Corpo de Desejos macrocósmico e fica, então, livre para trabalhar sobre o Corpo Denso. O crescimento excessivo é, então, restringido e a força, anteriormente usada para este propósito, torna-se disponível para a propagação, para que a planta humana floresça e se multiplique. Portanto o nascimento do Corpo de Desejos pessoal marca o período da puberdade. Desse período em diante é sentida a atração pelo sexo oposto, sendo especialmente ativa e desenfreada no terceiro período setenário da vida: dos quatorze aos vinte e um anos, porque a Mente controladora ainda não nasceu. Vale lembrar que a assimilação e o crescimento dependem das forças operando pelo polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é libertado no sétimo ano, junto com o equilíbrio do Corpo Vital. Só o Éter Químico está totalmente maduro por essa época; as outras partes necessitam de mais amadurecimento. No décimo quarto ano o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, acha-se completamente amadurecido. Durante o período dos sete aos quatorze anos de idade a excessiva assimilação armazenou uma quantidade de força que vai para aos órgãos sexuais e está pronta, na ocasião em que o Corpo de Desejos é libertado.

Por volta do sétimo ano o Corpo Vital da criança alcançou suficiente perfeição para lhe permitir receber impactos do mundo exterior. Ela perde sua camada protetora de Éter e começa uma vida livre. E agora tem início a época em que o educador pode trabalhar sobre o Corpo Vital e ajudá-lo na formação da memória, da consciência, dos bons hábitos e um temperamento harmonioso.

Autoridade e Discipulado são os lemas dessa época, quando a criança deve aprender o significado das coisas. Na primeira fase ela aprende como as coisas são, mas não deve ser incomodada sobre os seus significados, exceto naquilo que ela capta por livre vontade; mas na segunda fase, dos sete aos quatorze anos, é essencial que a criança aprenda o significado das coisas, mas deverá aprender a apanhá-las sob a autoridade dos pais e professores, memorizando as explicações, em vez de raciocinando por elas mesmas, pois raciocínio pertence a um desenvolvimento posterior, e pois deve fazê-lo de livre vontade, com proveito. É prejudicial nessa fase forçá-la a pensar.

Não se deve imaginar, entretanto, que quando o pequeno corpo de uma criança nasceu está completo o processo do nascimento. O denso Corpo Físico tem a evolução mais longa, e como um sapateiro que trabalhou no seu ofício por muitos anos é mais especializado que um aprendiz e pode fazer melhores sapatos e mais rápido, assim também o Espírito que construiu muitos Corpos físicos os produz com mais rapidez, mas o Corpo Vital é uma aquisição mais tardia do ser humano. Portanto, não estamos tão especializados na construção deste veículo. Consequentemente demora mais construí-lo a partir de materiais não consumidos na confecção do revestimento do arquétipo, e assim o Corpo Vital não nasce antes do sétimo ano.

Quando o Corpo Vital nasce, na idade de sete anos, um período de crescimento tem início e um novo lema, ou uma relação preferencial, é estabelecida entre os pais e a criança. Isso tem que ser expresso em duas palavras Autoridade e Discipulado. Nesse período é ensinada a criança certas lições que a faz ter fé na autoridade de seus educadores, quer em casa ou na escola e como a memória é uma faculdade do Corpo Vital ele pode, agora, memorizar o que aprendeu.

É, portanto, eminentemente suscetível ao aprendizado, particularmente porque ela é sem preconceito às opiniões preconcebidas que são um obstáculo para que muitos de nós aceitemos novos pontos de vista. No final desse segundo período, por cerca dos doze aos quatorze anos, o Corpo Vital está tão bem desenvolvido que a puberdade é alcançada.

As crianças que morrem antes dos sete anos só nascem no que diz respeito ao Corpo Físico e ao Corpo Vital e não são responsáveis ante a Lei de Consequência. Mesmo depois dos doze ou quatorze anos o Corpo de Desejos acha-se em processo de gestação, como será melhor explicado noutra ocasião. E, como o que ainda não despertou, não pode morrer, apenas os Corpos Denso e Vital entram em decomposição quando uma criança morre. Ela retém seu Corpo de Desejos e a Mente para o próximo nascimento. Portanto, ela não percorre todo o caminho que o Ego normalmente faz num ciclo de vida, mas apenas ascende ao Primeiro Céu para aprender lições necessárias, e depois de esperar de um a vinte anos ela renasce, frequentemente, na mesma família como um filho mais novo.

 

PARTE III – O CORPO VITAL DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS

Capítulo I – Natureza e Funções

Os animais e as plantas também possuem um Corpo Vital. Embora esse veículo falte ao mineral, a desintegração de duras rochas, etc. afeta o Corpo Vital da Terra.

Quando consideramos a planta, o animal e o ser humano, em relação à Região Etérica, notamos que cada um tem um Corpo Vital separado além de serem penetrados pelo Éter planetário que forma a Região Etérica. Há, entretanto, uma diferença entre os Corpos Vitais das plantas e os Corpos Vitais do animal e do ser humano. No Corpo Vital da planta só os Éteres Químico e de Vida estão completamente ativos. Por isso a planta pode crescer pela ação do Éter Químico e propagar suas espécies através da atividade do Éter de Vida do Corpo Vital separado que ela possui. O Éter Luminoso acha-se presente, mas está parcialmente latente ou adormecido e o Éter Refletor está faltando. Então é evidente que as faculdades de percepção sensorial e memória, que são as qualidades desses Éteres, não podem ser expressas pelo reino vegetal.

Dirigindo nossa atenção para o Corpo Vital do animal vemos que nele os Éteres Químico, Vital e Luminoso acham-se dinamicamente ativos. Portanto, o animal tem as faculdades de assimilação e crescimento, proporcionadas pelas atividades do Éter Químico e a faculdade de propagação por meio do Éter de Vida, sendo estas de igual modo que nas plantas. Além disso, em relação à ação do terceiro Éter, o Luminoso, ele tem a faculdade de gerar calor interior e gerar o sentido da percepção. O quarto Éter, entretanto, acha-se inativo no animal, por isso ele não pode pensar, nem possuir memória. O que aparece como tal, mais tarde, será mostrado ser de uma natureza diferente.

O Ego separado está definitivamente segregado dentro do Espírito Universal na Região do Pensamento Abstrato. Isso demonstra que só o ser humano possui a cadeia completa de veículos correlacionando-o a todas as divisões dos três Mundos. Ao animal falta um elo da cadeia: a Mente; à planta faltam dois elos: a Mente e o Corpo de Desejos; e ao mineral faltam três elos na cadeia de veículos necessários para que funcione de modo autoconsciente no Mundo Físico: a Mente, e os Corpos Vital e de Desejos.

Quando um animal está para nascer, o Espírito-Grupo, ajudado pelos espíritos da natureza e os Anjos, moldam o Corpo Vital do animal que vai nascer, que é então depositado no útero da mãe e os Átomos-sementes são depositados no sêmen do macho; então ocorre a gestação e um animal nasce. Sem a presença do Átomo-semente e a matriz do Corpo Vital, o Corpo Denso do animal não pode ser formado. Condições similares governam a fecundação no caso de um ovo, ou de uma semente. Eles são como o óvulo da fêmea: eles são inúmeras oportunidades. Se um ovo é colocado numa incubadora ou sob uma galinha, o Espírito-Grupo envia a vida indispensável, aceitando a oportunidade de Corporificação. Se uma semente é jogada no solo, é também fertilizada, quando as condições adequadas forem conseguidas para o seu desenvolvimento, nunca antes. Quando um ovo é quebrado ou cozido ou de algum modo desqualificado para a sua designação primordial, ou quando uma semente é armazenada por anos talvez, não há vida, e consequentemente não agimos mal ao usarmos estes produtos como alimento. É até um benefício para as plantas quando os seus frutos maduros são arrancados, porque assim eles deixam de retirar desnecessariamente a seiva da árvore.

O animal ainda não possui Espírito “individual”, mas possui o chamado Espírito-Grupo, que passa informação a todos os membros de uma espécie. Os animais em separado têm três Corpos: um Denso, um Vital e um de Desejos; mas não têm um elo da cadeia: a Mente. Em consequência, os animais normalmente não pensam, mas do mesmo modo que “induzimos” eletricidade num fio colocando-o junto a outro que se acha carregado, assim de forma análoga, quando em contato com o ser humano, algo semelhante ao pensamento está sendo “induzido” nos animais domésticos superiores como o cachorro, o cavalo e o elefante. Os outros animais obedecem ao estímulo (ao que chamamos de instinto) do Espírito-Grupo animal. Eles não vêm os objetos claramente delineados como o ser humano. Nas espécies inferiores, a consciência animal se expressa cada vez mais numa “consciência pictórica” interna, semelhante ao estado de sono do ser humano, exceto que seus quadros não são confusos, mas transmitem perfeitamente para o animal os estímulos do Espírito-Grupo.

O Espírito animal atingiu, na sua descida, apenas o Mundo de Desejo. Ainda não evoluiu ao ponto de poder “entrar” num Corpo Denso. Por esse motivo o animal não tem um Espírito individual, mas um Espírito-Grupo, que o dirige de fora. O animal tem o Corpo Denso, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos, mas o Espírito-Grupo que o dirige está de fora. O Corpo Vital e o Corpo de Desejos de um animal não se acham inteiramente dentro do Corpo Denso, especialmente no que se diz respeito à cabeça. Por exemplo, a cabeça etérea de um cavalo se projeta bem além e acima da cabeça do Corpo Denso.

Quando, como acontece em casos raros, a cabeça etérea de um cavalo entra na cabeça do Corpo Denso, esse cavalo pode aprender a ler, contar e resolver exemplos de aritmética elementar. Essa peculiaridade é também devida ao fato de que cavalos, cães, gatos e outros animais domesticados sentem o Mundo do Desejo, embora nem sempre percebendo a diferença entre este e o Mundo Físico. O cavalo se assustará com a visão de uma figura invisível para o cocheiro; um gato fará movimentos de se esfregar em pernas invisíveis. O gato vê o espírito, entretanto, sem perceber que não existem pernas densas disponíveis para o atrito. O cão, mais esperto que o gato e o cavalo, frequentemente perceberá que há algo que ele não compreende na aparência de um dono morto, cujas mãos ele não pode lamber. Vai latir num lamento e retirar-se para um canto com seu rabo entre as pernas.

Dr. McDougall[21] também pesou em suas balanças animais morrendo. Nesse caso não houve diminuição, embora um dos animais fosse um enorme cão São Bernardo. Isso foi feito para demonstrar que os animais não possuem almas. Pouco tempo depois, entretanto, o Professor La V. Twining, chefe do Departamento de Ciência da Escola Politécnica de Los Angeles, fez experiências com ratos e gatinhos que ele encarcerou em vidros hermeticamente fechados. Suas balanças eram as mais sensíveis conseguidas e foram colocadas dentro de uma caixa de vidro da qual foi removida toda a umidade. Descobriu-se que todos os animais estudados perderam peso ao morrer. Um rato bem grande pesando 12,886 gramas, subitamente perdeu 3,1 miligramas ao morrer.

Um gatinho usado em outra experiência perdeu 100 miligramas ao agonizar, e quando exalou seu último alento perdeu mais 60 miligramas. A seguir foi perdendo peso lentamente, devido â evaporação.

Deste modo os ensinamentos da Ciência Oculta relativos aos Corpos Vitais dos animais foram também comprovados quando se empregaram balanças suficientemente sensíveis. O caso mencionado – o das balanças que não acusaram qualquer diminuição de peso quando morreu o cão São Bernardo – deve-se ao fato de que o Corpo Vital dos animais é proporcionalmente mais leve que o do ser humano.

Os Anjos são particularmente ativos nos Corpos Vitais das plantas, porque o sopro de vida vivificando este reino começou sua evolução no Período Lunar, quando os Anjos eram humanos, e trabalhavam com as plantas como hoje trabalhamos com os nossos minerais. Há, portanto, uma afinidade específica entre os Anjos e o Espírito-Grupo das plantas. Assim podemos explicar a enorme assimilação, crescimento e fecundidade das plantas. O ser humano também ficou enorme na Segunda Época, ou Hiperbórea, quando os Anjos tiveram então responsabilidade especial. Assim é com a criança em sua segunda setenária época de vida, porque é quando os Anjos têm total influência, e no final dessa época, aos quatorze, a criança alcança a puberdade e está apta a reproduzir sua espécie; também devido ao trabalho dos Anjos.

Eles foram os modelos que extraíram de si mesmos o material denso para formar os Corpos das plantas atuais e também as formas das plantas do passado, que estão incrustadas nas camadas geológicas de nosso Globo Terrestre.

Essas formas etéreas vegetais foram ajudadas em suas formações quando o calor veio do exterior, após a separação da Terra do Sol e da Lua. Esse calor deu-lhes a força vital para extraírem para elas próprias a substância mais densa. O Corpo Vital é o princípio mais importante da planta é ele que faz a planta crescer o caule e as folhas em sucessão alternada, fazendo a planta crescer mais e mais; mas não há variedade, a planta segue repetindo o tempo todo. Caule, folha e galho: sempre a mesma coisa.

As plantas têm apenas um Corpo Denso e um Corpo Vital; daí não poderem sentir, nem pensar. Elas não têm Corpo de Desejos nem Mente, e assim um maior distanciamento existe entre a planta e seu Espírito-Grupo do que entre o animal e seu Espírito-Grupo; daí a consciência das plantas ser correspondentemente mais fraca, assemelhando-se ao nosso estado de sono sem sonho.

O mineral possui apenas o Corpo Denso. Faltam-lhe três ligações para conectá-lo com seu Espírito-Grupo. Portanto, ele é inerte e sua inconsciência assemelha-se à do Corpo Denso humano no estado de “transe”, quando o Espírito humano, o Ego, passou correspondentemente além dele.

Como conclusão, notemos que os três Mundos no qual vivemos não se acham separados pelo espaço. Estão todos por aí, como a luz e a cor, encravados na matéria física, como as linhas de clivagem no mineral. Se deixarmos congelar um prato de água, e examiná-lo num microscópio, veremos os cristais de gelo divididos uns dos outros por linhas. Elas estavam presentes na água embora sem serem vistas como linhas de força, invisíveis até que condições adequadas fizeram-nas aparecer. Então um Mundo acha-se encerrado no próximo-superior, sem ser visto por nós até provermos as condições apropriadas; mas quando nos tivermos adaptados, a Natureza, que está sempre pronta a nos revelar suas maravilhas, expressa ardente alegria por todos aqueles que, como auxiliares na evolução, dessa forma alcançam a cidadania nos reinos invisíveis.

Como vimos na Conferência no. 3[22], as plantas têm um Corpo Denso e um Corpo Vital, que as capacitam a executar os seus trabalhos; suas consciências vimos também, eram tão profundas como somos sem sonhos. Assim é fácil para o Ego dominar as células vegetais e subjugá-las por longo tempo; daí o grande poder nutritivo dos vegetais. Para funcionar em qualquer dos Mundos e expressar as qualidades peculiares a cada um, precisamos primeiro possuir um veículo feito do material de cada Mundo. Para funcionarmos no denso Mundo Físico precisamos possuir um Corpo Denso adaptado ao nosso meio ambiente. De outro modo seriamos fantasmas, como comumente são chamados os invisíveis para a maioria dos seres físicos. Portanto, temos primeiro que ter um Corpo Vital para que possamos expressar vida, crescimento ou exteriorizar as demais qualidades da Região Etérea.

Quando examinamos os quatro reinos em relação à Região Etérica, vemos que o mineral não possui um Corpo Vital separado, e logo constatamos a razão dele não poder crescer, propagar-se ou mostrar vida consciente. Como uma hipótese necessária para justificar outros fatos conhecidos, a ciência material sustenta que no sólido mais denso, assim como no gás mais rarefeito e tênue, não há dois átomos que se toquem; que há um invólucro de Éter em cada átomo; e que os átomos no universo flutuam num oceano de Éter[23].

Assim como a sensação nos animais e no ser humano é devida a seus Corpos Vitais serem separados, assim também a sensibilidade da Terra é particularmente ativa em sua sexta camada, que corresponde ao Mundo do Espírito de Vida. Para compreender o prazer que ela sente quando a rocha dura é desintegrada por processos de mineração, e a dor quando jazidas se acumulam, precisamos lembrar que a Terra é o Corpo Denso de um Grande Espírito, e para nos fornecer um ambiente no qual possamos viver e adquirir experiências, ela teve que cristalizar seu Corpo na atual condição sólida.

O Corpo Vital da planta é composto por apenas dois Éteres mais densos: o Éter Químico e o Éter de Vida, que possibilitam à planta crescer e propagar-se, mas faltam-lhe, os dois Éteres superiores: o Éter Luminoso e o Éter Refletor. Por isso ela não tem sensação ou memória do que se passa à sua volta. Por esse motivo, a amputação de um ramo não será sentida pela planta, e no caso do rochedo que é dinamitado, só o Éter Químico se acha presente, por isso os cristais nada sentem. Ainda estaria errado inferir que não há sentimento em ambos os casos; já que plantas e minerais não possuem veículos individuais de sentido, eles acham-se envoltos e interpenetrados pelos Éteres e o Mundo do Desejo do Planeta, e o Espírito Planetário sente tudo pelo mesmo princípio de que nosso dedo não pode sentir, por não possuir Corpo de Desejos individual, mas nós, os Espíritos internos que habitamos o Corpo sentimos qualquer corte sofrido pelo dedo.

 

PARTE IV – A RELAÇÃO DO CORPO VITAL COM O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

Capítulo I – Um Fator Importante

 

Para progredir espiritualmente o ser humano precisa desenvolver mais ainda o seu Corpo Vital.

Estamos agora nos preparando para a rápida aproximação da Era de Aquário com seu grande desenvolvimento intelectual e espiritual. Isso requer um despertar do adormecido Corpo Vital, cuja palavra-chave é Repetição.

O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estas são as suas ferramentas e da qualidade e condição delas depende o quanto, para mais ou para menos, o Ego poderá realizar seu trabalho de colher experiência em cada vida. Se os instrumentos são pobres e apáticos vai haver pouco crescimento espiritual e a vida será improdutiva, no que diz respeito ao Espírito.

A vida superior (Iniciação) não começa, entretanto, até que o trabalho no Corpo Vital tenha início. O meio usado para dar início a essa atividade é o amor, ou melhor, o altruísmo. A palavra Amor tem sido tão deturpada que não tem mais o significado requerido aqui.

A segunda ajuda que agora a humanidade possui é a Religião do Filho, a Religião Cristã, cujo objetivo é a união com o Cristo, pela purificação e o controle do Corpo Vital.

Enquanto os veículos invisíveis, especialmente o Corpo Vital, estiverem adormecidos, o ser humano poderá seguir numa carreira materialista; mas uma vez que esses veículos sejam despertados e provem do pão da vida, é como o Corpo Físico: fica sujeito à fome, fome da alma, e seus anseios não serão negados, a não ser após uma luta extremamente dura.

Tem sido dito aqui que a humanidade, pelo menos a maior parte dela, está trabalhando hoje em dia sobre seus Corpos de Desejos, e tentando refrear seus desejos por meio da lei. Quando o desenvolvimento oculto ocorrer, quando o ser humano se tornar um pioneiro, será no Corpo Vital que se irá trabalhar. O Corpo Vital é particular e peculiarmente desenvolvido pela repetição.

É necessário educar e trabalhar o Corpo Vital de tal modo que ele possa ser usado em voos da alma. Este veículo, como sabemos, é composto de quatro Éteres. É por meio deste corpo que manipulamos o mais denso de todos os nossos veículos, o Corpo Físico, o qual normalmente imaginamos ser o ser humano completo. O Éter Químico e de Vida formam uma matriz para os nossos Corpos físicos. Cada molécula do Corpo Físico acha-se encerrada numa rede de Éter que o permeia e o impregna de vida.

Através desses Éteres as funções corporais, tais como respiração, etc., são executadas e a densidade e consistência dessas matrizes de Éter determinam o estado de saúde. Mas a parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, é a que podemos chamar de Corpo-Alma; quer dizer, ela é a que está mais intimamente ligada ao Corpo de Desejos e a Mente e também a mais receptiva ao toque do Espírito do que se acha a parte formada pelos dois Éteres inferiores. O Corpo-Alma é o veículo do intelecto, e responsável por tudo que faz do indivíduo, um ser humano. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito nesses dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e hábitos. Outrossim, do mesmo modo que o Corpo Denso assimila partículas de alimento e assim adquire carne, os dois Éteres superiores assimilam nosso bem agir durante a vida e assim também crescem em volume.

De acordo com nossos feitos nessa vida atual, aumentamos ou diminuímos desse modo à bagagem que trouxemos ao nascer. Se nascermos com um bom caráter, expresso nesses dois Éteres superiores, não nos será fácil mudá-lo porque o Corpo Vital tornou-se muito, muito firme durante as miríades de anos em que o desenvolvemos. Por outro lado, se fomos frouxos, negligentes e indulgentes em relação aos hábitos que consideramos maus, se formamos um mau caráter em vidas anteriores, aí vai ser difícil superá-los porque isso estabeleceu a natureza do Corpo Vital, e anos de constante esforço serão precisos para mudar sua estrutura. É por isso que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico tem início no Corpo Vital.

Cada vez que prestamos serviço a alguém nós aumentamos o brilho de nosso Corpo-Alma, que é construído de Éter. É o Éter de Cristo que atualmente movimenta o nosso globo, e é bom lembrar que se desejamos um dia trabalhar pela Sua libertação, precisamos que um número suficiente desenvolva seus Corpos Alma ao ponto em que eles possam fazer a Terra flutuar. Então, poderemos carregar Seu fardo e libertá-Lo da dor da existência física.

Além do fato de que a Escola Oriental de Ocultismo baseia seus ensinamentos no Hinduísmo, enquanto que, a Escola de Sabedoria Ocidental promulga o Cristianismo, a religião do Ocidente, há uma grande, fundamental, irreconciliável discrepância entre os ensinamentos dos modernos representantes do Leste e o dos Rosacruzes. De acordo com a versão do Ocultismo Oriental o Corpo Vital, que é chamado Linga Sharira, é comparativamente pouco importante, por ser ele incapaz de se desenvolver como um veículo de consciência. Serve somente como um canal para a força solar “prama”, e como uma ligação entre o Corpo Físico e o Corpo de Desejos, que é chamado Kama Rupa, e também de “corpo astral”. Este, eles dizem, é o veículo do Auxiliar Invisível.

A Escola da Sabedoria Ocidental ensina, como sua máxima fundamental, que todo desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital, e o autor, como seu representante público, tem estado, por esse motivo, muito ocupado desde o início do nosso movimento tentando reunir e disseminar o conhecimento sobre os quatro Éteres e o Corpo Vital. Muita informação foi dada no Conceito Rosacruz do Cosmos e nos livros que o sucederam, mas as lições e cartas mensais transmitem os resultados de nossas atuais pesquisas. Estamos constantemente exibindo este Corpo Vital (vital em um duplo sentido) para as Mentes dos estudantes para que aprendendo e pensando sobre ele, assim como, lendo e observando os agradáveis “pequenos sermões” que usamos para veicular essa informação, eles possam, consciente e inconscientemente, tecer o Dourado Manto Nupcial. Advertiremos a todos que estudem essas lições cuidadosamente ano após ano; pode haver muito refugo, mas há ouro entre elas.

Temos aqui a descrição de como os estigmas ou perfurações foram produzidas no Herói do Evangelho, embora as localizações não estejam perfeitamente descritas, e o processo esteja representando em forma de narrativa diferindo amplamente da maneira pela qual esses fatos realmente ocorreram. Mas deparamos aqui com um mistério que deve continuar secreto para o profano, embora os fatos místicos fundamentais estejam claros como o dia para aqueles que têm o conhecimento. O Corpo Físico não é de modo algum o ser humano verdadeiro. Tangível, sólido e pulsante de vida como o vemos, é realmente a parte mais morta do ser humano, cristalizado numa matriz de veículos superiores que são invisíveis à nossa visão física comum. Se colocarmos uma bacia com água numa temperatura de congelamento, a água em pouco tempo vira gelo, e quando examinamos o gelo, descobrimos que é feito de inúmeros pequenos cristais em variadas formas geométricas e linhas de demarcação. Há linhas etéreas de forças que estão presentes na água antes dela congelar.

Assim como a água endureceu e moldou-se entre essas linhas, assim também os nossos Corpos Físicos congelaram e solidificaram em meio às linhas etéricas de força de nosso invisível Corpo Vital, que está assim no curso normal da vida, indissoluvelmente vinculado ao Corpo físico, acordado ou adormecido, até que a morte traga a dissolução dessa amarra. Mas como a Iniciação acarreta a libertação do ser humano real do Corpo do Pecado e da morte, de modo a que ele possa se elevar às esferas mais sutis e retornar ao Corpo se desejar, é óbvio que antes que isso aconteça, antes que o propósito da Iniciação seja alcançado, o tenaz entrelaçamento entre o Corpo Físico e o veículo etéreo, que é muito forte e rígido na humanidade comum, tem que ser dissolvido. Como eles estão mais fortemente unidos nas palmas das mãos, nos arcos dos pés e na cabeça, as escolas ocultas concentram seus esforços em romper a conexão nesses três pontos, e produzir os estigmas de modo invisível.

A Maçonaria Esotérica, que é apenas a capa da Ordem Mística formada pelos Filhos de Caim, tem nos tempos modernos atraído o elemento masculino e seus veículos físicos positivamente polarizados, e os educados na indústria e nas funções de Estado, controlando assim o desenvolvimento material do mundo. Os filhos de Seth, que constituem o clero, têm lançado seus encantos sobre os Corpos Vitais positivos do elemento feminino para dominarem o desenvolvimento espiritual. E, enquanto que os filhos de Caim, trabalhando através da Franco-Maçonaria e movimentos congêneres, têm brigado abertamente pelo poder temporal, o clero tem brigado arduamente, e talvez de modo mais efetivo sub-repticiamente, para reter seu domínio sobre o desenvolvimento espiritual do elemento feminino.

À medida que a humanidade avança na evolução, o Corpo Vital se torna mais permanentemente polarizado de maneira positiva, dando a ambos os sexos uma maior aspiração de espiritualidade e, embora mudemos do masculino para o feminino, em encarnações alternativas, a polaridade positiva do Corpo Vital está se tornando mais pronunciada, independente do sexo. Isso explica a crescente tendência ao Altruísmo que ainda está vindo à luz pelo sofrimento vinculado à grande guerra que estamos lutando agora (1918), pois todos concordam que as nações estão buscando obter uma paz duradoura, onde as espadas possam ser transformadas em relhas de arado e as lanças em podões.

Sabemos que nosso Corpo Denso gravita na direção do centro da Terra, portanto, uma mudança precisa acontecer; além disso, São Paulo nos diz que carne e sangue não podem herdar o Reino dos Céus. Mas ele também chama a atenção de que temos um soma psuchicon (traduzido incorretamente por corpo natural), um Corpo-Alma, e este é feito de Éter, o qual é mais leve que o ar e por isso capaz de levitar. Isto é o Manto Dourado de Bodas, a Pedra Filosofal, ou a Pedra da Vida, mencionado em algumas filosofias antigas como a Alma de Diamante, por sua luminosidade, brilho e resplendor – uma gema de valor incalculável. Era também chamado de corpo astral pelos alquimistas medievais, por causa da habilidade por ele conferida, ao que o possuía, de poder transpor as regiões estreladas. Mas não se deve confundi-lo com o Corpo de Desejos que alguns pseudos-ocultistas modernos, erroneamente, chamam de corpo astral. Esse veículo, o Corpo-Alma, irá posteriormente ser desenvolvido pelo total da humanidade, mas durante a mudança da Época Ariana para as condições etéreas da Nossa Galileia, haverá pioneiros que antecederão seus irmãos, assim como os Semitas Originais foram os precursores durante a mudança da Época Atlântica para a Ariana. Cristo mencionou esse grupo em Mateus, Capítulo XI, versículo 12, quando disse: “O Reino dos Céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. Esta não é uma tradução correta.

Deveria ser, “O Reino dos Céus foi invadido” (em grego está biaxetai) e os invasores apoderaram-se dele. Os homens e as mulheres já aprenderam, por meio de uma vida santa e útil, a abandonar o Corpo de carne e sangue, intermitente ou permanentemente, e a caminhar nos céus com pés alados, atentos aos trabalhos do seu Senhor, vestidos pelo manto etéreo de bodas da nova dispensação.

Repetição é a palavra-chave do Corpo Vital e o extrato do Corpo Vital é a Alma Intelectual, que é o alimento do Espírito de Vida, o verdadeiro Princípio Crístico no ser humano. Como o trabalho particular do Mundo Ocidental é desenvolver esse Princípio Crístico, para formar o Cristo interno que poderá brilhar através da escuridão material atual, é absolutamente essencial à reiteração de ideias.

Um impacto muito pequeno é feito sobre o Corpo Vital quando ideias e ideais nele penetram através do invólucro da aura, mas o que ele recebe de estudos, sermões, conferências ou leituras é de natureza mais duradoura, e muitos impactos na mesma direção criam impressões poderosas para o bem ou para o mal, segundo sua natureza.

Não podem ser obtidas informações dos Anjos; eles trabalham com o Corpo Denso, mas não diretamente; eles usam o Corpo Vital como transmissor, e não podem se fazer compreendidos por seres que raciocinam por meio de um cérebro. Eles obtêm conhecimento sem raciocinar, pois, irradiam todo o seu amor em sua obra e a sabedoria cósmica flui de volta. O ser humano também cria por meio do amor, mas seu amor é egoísta; ele ama porque deseja cooperação na reprodução; pois ele usa apenas metade de sua força criadora para a procriação, a outra metade ele guarda egoisticamente para construir seu próprio órgão de raciocínio, o cérebro, e também usa essa metade de forma egoísta para pensar, porque deseja conhecimento. Por conseguinte, ele tem que trabalhar e raciocinar para obter sabedoria, mas com o tempo ele atingirá um estágio muito mais elevado que os Anjos ou Arcanjos. Terá então superado a necessidade dos órgãos de procriação inferiores; ele criará por meio da laringe, e será capaz de “fazer da palavra, carne”.

A razão é o produto do egoísmo. É criada pela Mente recebida pelos “Poderes das Trevas”, num cérebro construído pelo egoísmo, guardando metade da força sexual, e impelido pelos Lucíferos egoístas, pois ela é “o fruto da serpente”, e embora transmutada em sabedoria por meio da dor e o sofrimento, ela precisa dar lugar a algo mais elevado: a intuição, que significa ensinamento brotado de dentro. Esta é uma faculdade espiritual, também presente em todos os Espíritos, que embora funcionando no momento presente, tanto em homens como em mulheres, se expressa de maneira mais marcante nos encarnados em corpos femininos, pois neles a contraparte do Espírito de Vida, o Corpo Vital, é masculino e positivo. Intuição, a faculdade do Espírito de Vida, pode, portanto, ser chamada apropriadamente de “semente da mulher”, de onde todas as tendências altruísticas brotam, e por meio da qual todas as nações estão sendo lentamente, mas firmemente, trazidas juntas numa Fraternidade Universal do amor, não importando a raça, o sexo ou a cor.

O que é agora o Corpo Físico foi o primeiro veículo adquirido pelo ser humano como uma forma de pensamento; tem passado por um imenso período de evolução e organização até ter se tornando no esplendido instrumento que é agora, servindo-o tão bem aqui; mas é resistente, rígido e difícil de ser trabalhado. O veículo adquirido em seguida foi o Corpo Vital, que também passou por um longo período de desenvolvimento e foi condensado à consistência de Éter. O terceiro veículo, o Corpo de Desejos, foi comparativamente adquirido mais recentemente e acha-se num estado comparativo de fluxo. Por fim, vem à Mente, que é apenas como uma nuvem sem forma, não merecendo ser chamada de veículo, sendo ainda apenas uma ligação entre os três veículos do ser humano e o Espírito.

Esses três veículos, o Corpo Físico, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, juntos com o vínculo da Mente, são as ferramentas do Espírito em sua evolução, e, contrariamente à ideia comum, a habilidade do Espírito para investigar os reinos superiores não depende dos mais sutis desses corpos tanto quanto do mais denso. A prova dessa afirmação não está muito longe do alcance de qualquer um, e certamente, alguém que já tenha tentado seriamente, já obteve essa prova por si mesmo. Senão ele vai tê-la dentro em breve simplesmente mudando as condições de sua Mente. Digamos que uma pessoa adquiriu certos hábitos de pensamento dos quais ela não goste. Talvez, após uma experiência religiosa, ela descubra que apesar de toda a sua vontade, esses hábitos de pensamento não vão abandoná-la. Mas, se ela decide limpar sua Mente de maneira que ela só tenha puros e bons pensamentos, ela pode fazer isso simplesmente se recusando a admitir pensamentos impuros. Ela vai descobrir que após uma ou duas semanas sua Mente está notadamente mais limpa que no começo de seu esforço; que sua Mente guarda de preferência os pensamentos religiosos que a pessoa vem buscando gerar em sua Mente. Até a Mente mais anormalmente degenerada pode ser totalmente limpa dentro de poucos meses. Isto é conhecimento verdadeiro para os muitos que já o tentaram, e alguém que queira e for suficientemente persistente pode passar pela mesma experiência e apreciar uma Mente limpa em bem pouco tempo.

A parte do Corpo Vital que tenha sido trabalhada pelo Espírito de Vida, converte-se na Alma Intelectual, e esta constrói o Espírito de Vida, porque aquele aspecto do Tríplice Espírito tem sua contraparte no Corpo Vital.

Na vida comum muitas pessoas vivem para comer, elas bebem, gratificam a paixão sexual de modo desenfreado, e se descontrolam à menor provocação. Embora aparentemente essas pessoas possam ser bem “respeitáveis”, elas estão quase todos os dias de suas vidas, causando uma confusão quase que ilimitada em sua estrutura. Todo o período que passam dormindo é gasto pelos Corpos de Desejos e Vital na reparação do dano causado durante o dia, não sobrando, de nenhum modo, tempo para o trabalho exterior. Mas se o indivíduo começa a sentir a necessidade de uma vida superior, controla a força sexual e o temperamento, e cultiva uma disposição serena, assim menos perturbação é causada nos veículos durante as horas que passa acordado; consequentemente menos tempo é requerido durante o sono, para reparar os danos. Assim torna-se possível deixar o Corpo Denso por longos períodos durante as horas de sono, e funcionar nos Mundos internos por meio dos veículos superiores. Como o Corpo de Desejos e a Mente não se acham ainda organizados, eles não são de utilidade como veículos separados da consciência. Nem pode o Corpo Vital deixar o Corpo Denso, pois isso causaria a morte. É evidente que medidas precisam ser tomadas para se proporcionar um veículo organizado, que seja fluído e construído de modo a preencher as necessidades do Ego nos Mundos internos, como assim faz o Corpo Denso no Mundo Físico.

O Corpo Vital é um veículo tão organizado que se de algum modo puder vir a ser separado do Corpo Denso, sem provocar a morte, o problema poderá ser resolvido. Além disso, o Corpo Vital é à base da memória, sem a qual seria impossível trazer de volta à nossa consciência física as lembranças das experiências suprafísicas e delas obterem, assim, total benefício.

Lembremos que os Hierofantes dos antigos Mistérios dos Templos segregaram algumas pessoas em castas e tribos como os Bramanes e Levitas, com o propósito de fornecer Corpos para o uso desses Egos que já estavam avançados o bastante para a Iniciação. Isso foi feito de tal modo que o Corpo Vital ficou separado em duas partes, como eram os Corpos de Desejos de toda a humanidade no princípio do Período Terrestre. Quando o Hierofante tirou os alunos para fora de seus Corpos, ele deixou uma parte do Corpo Vital, correspondente ao primeiro e segundo Éteres, para exercer as funções puramente animais (elas são as únicas ativas durante o sono); o aluno levou consigo um veículo capaz de percepção, por causa de sua conexão com os centros sensoriais do Corpo Denso; e também capaz de memória. Ele possuía essas capacidades porque era composto pelo terceiro e quarto Éteres, que são os meios de percepção sensorial e memória.

Essa é, de fato, a parte do Corpo Vital que o aspirante retém vida após vida, e imortaliza como a Alma Intelectual.

Desde que Cristo veio e “levou embora o pecado do mundo” (não o individual), purificando o Corpo de Desejos de nosso Planeta, a conexão entre todos os Corpos Densos e Vitais dos humanos tem se afrouxado de tal maneira que, pelo treinamento, eles são capazes de separação como acima descrita. Portanto a Iniciação é possível a todos.

A parte mais sutil do Corpo de Desejos, que constitui a Alma Emocional, é capaz de separação na maioria das pessoas (de fato, elas possuíam esta capacidade antes mesmo da vinda de Cristo). É então, quando, pela concentração e o uso da fórmula apropriada, as partes mais sutis dos veículos terem sido segregadas para uso durante o sono, ou em qualquer outra ocasião, as partes inferiores dos Corpos de Desejos e Vital são, ainda, deixadas para executar o processo de restauração no veículo denso, uma parte meramente animal.

Esta parte do Corpo Vital que se retira é altamente organizada, como vimos. Ela é uma perfeita contraparte do Corpo Denso. O Corpo de Desejos e a Mente, não sendo organizados, são de uso apenas por estar conectados com o Corpo Denso, altamente organizado. Quando estão separados dele são apenas pobres instrumentos. Portanto, antes que o ser humano possa retirar-se do Corpo Denso, os centros sensoriais do Corpo de Desejos precisam ser acordados.

O aspirante à vida superior cultiva a faculdade de se absorver, quando desejar, qualquer assunto de sua escolha, ou melhor, não a um assunto normalmente, mas a um simples objeto, que ele imagine. Então, quando as condições apropriadas ou o ponto de absorção tenham sido alcançados com seus sentidos completamente serenos, ele concentra seu pensamento sobre os diferentes centros sensoriais do Corpo de Desejos e eles começam a girar.

Deveríamos ser muito agradecidos pelo instrumento material que temos, pois é o mais útil de todos os nossos veículos. Enquanto, que é perfeitamente verdade que nosso Corpo Físico é o mais inferior de nossos veículos, é também um fato que esse veículo é o mais completo de nossos instrumentos, e sem ele os demais veículos seriam de pouco uso para nós no momento. Pois, enquanto que este esplendidamente bem organizado instrumento nos possibilita enfrentar mil e uma condições na Terra, nossos veículos superiores acham-se praticamente não organizados. O Corpo Vital é formado órgão a órgão como o nosso Corpo Denso, mas até estar treinado pelos exercícios esotéricos ele não é um instrumento adequado para funcionar sozinho. O Corpo de Desejos tem apenas certo número de centros sensoriais que não são realmente ativos na grande maioria das pessoas, e quanto à Mente, ela é uma nuvem sem forma para a grande maioria. No momento devemos ter como objetivo espiritualizar o instrumento físico, e deveríamos compreender que temos que treinar nossos veículos superiores antes que possam ser de utilidade. Para o maior número de pessoas isso vai levar muito, muito tempo. Portanto, o melhor é cumprirmos com as obrigações que estão ao nosso alcance. Assim apressamos o dia em que estaremos capacitados a usar os veículos superiores, pois, esse dia depende de nós.

Todos nós nos tornamos muito mais impregnados de materialismo mais do que percebemos, e isso é um obstáculo em nossa conquista. Como estudantes da filosofia transcendental, nos acostumamos a considerar a vida individual e intermitente num Corpo etéreo como uma conquista possível para poucos, mas o total da humanidade poderá viver permanentemente por toda uma época no ar! Verdadeiramente, isso me faz prender o fôlego quando percebo que a Bíblia significa exatamente o que diz quando afirma que encontraremos o Senhor no ar e com Ele ficaremos por toda essa Época.

Quando o Cristianismo tiver completamente espiritualizado o Corpo Vital, um degrau ainda mais alto será a Religião do Pai, que como o mais alto Iniciado do Período de Saturno vai ajudar o ser humano a espiritualizar o Corpo Denso que foi iniciado no Período de Saturno. Então até a Fraternidade será ultrapassada; não haverá nem eu nem vós, pois todos serão Unos em Deus conscientemente, e o ser humano terá se emancipado pela ajuda dos Anjos, Arcanjos e Poderes Superiores.

 

Capítulo II – O Efeito das Orações, Rituais e Exercícios

Orações, rituais e exercícios são importantes na espiritualização do Corpo Vital.

Se, pelas orações frequentes, obtivermos o perdão pelas injúrias que fizemos aos outros e se fizermos toda reparação possível, purificando nossos Corpos Vitais perdoando aqueles que erraram contra nós, e eliminarmos todo mal sentimento, nos livraremos de muitos infortúnios post-mortem, além de prepararmos o lugar para a Irmandade Universal, que depende em particular da vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Em forma de memória, o Corpo de Desejos impressiona no Corpo Vital a ideia de vingança. Um temperamento sereno diante dos vários aborrecimentos da vida diária significa vitória, por isso o aspirante deve procurar controlar o seu temperamento, pois isso inclui trabalho em ambos os corpos. A Oração do Senhor inclui isso também, pois quando vemos que estamos fazendo alguém sofrer, nós observamos e procuramos encontrar a causa. Perda de controle é uma dessas causas com origem no Corpo de Desejos.

Muitas pessoas abandonam a vida física com o mesmo temperamento que trouxeram, mas o aspirante tem que sistematicamente subjugar todas as tentativas do Corpo de Desejos de assumir o comando. Isso pode ser feito concentrando-se em ideais elevados, que fortalecem o Corpo Vital, sendo muito mais eficaz que as orações comuns da igreja. Os cientistas ocultos usam concentração em vez da oração, porque aquela está acompanhada da ajuda da Mente, que é fria e sem sentimento, enquanto que a oração é normalmente ditada pela emoção. Quando ditada por uma devoção pura e altruísta a elevados ideais, a oração é muito superior a uma fria concentração. A oração nunca pode ser fria e sim deve apoiar-se nas asas do Amor para levar os eflúvios do místico para a Divindade.

O Espírito de Vida, na oração do Pai Nosso, roga à sua contraparte, o Filho, pela sua contraparte na natureza inferior, o Corpo Vital: “Perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

A oração que trata das necessidades do Corpo Vital é “Perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

O Corpo Vital é o assento da memória. Nela estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida, bons ou maus, incluindo todos os sofrimentos infligidos ou sofridos, e os benefícios recebidos, ou os dados. Lembramos que o registro da vida é feito a partir dessas imagens logo após a saída do Corpo Denso por ocasião da morte, e que todos os sofrimentos da existência post-mortem são os resultados dos acontecimentos registrados nessas imagens.

O Corpo Vital sendo o depósito do panorama de nossas vidas, nossos próprios pecados e os erros que sofremos nas mãos dos outros lá estão gravados, daí que a quinta oração, “Perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos quem nos tenha ofendido”, anuncia as necessidades do Corpo Vital. Ressalta-se que essa oração ensina a doutrina da remissão dos pecados nas palavras ‘perdoa-nos’, e a Lei de Consequência nas palavras ‘assim como nós perdoamos’, fazendo da nossa própria atitude para com os outros a medida de nossa emancipação.

Essa (A Oração Rosacruz) é o modelo de oração que eleva, que enobrece o ser humano, e quanto mais o ser humano cultive essa atitude mental, e alimente essas elevadas aspirações, mais ele estará elevando os dois Éteres superiores para fora do Corpo Vital. As igrejas dizem “ore, ore, ore”, e elas estão bem em sintonia com o ensinamento oculto, pois desse modo o Corpo Vital está sendo trabalhado pela constante repetição das elevadas aspirações.

É desse modo que age tudo aquilo que tem Corpo Vital; então quando queremos atuar sobre o Corpo Vital devemos fazê-lo pelo método da repetição. Temos os quatro Éteres presentes no Corpo Vital, e os dois Éteres inferiores cuidam das funções físicas, como nos lembramos em particular da conferência sobre Visão e Intro-visão Espiritual. Vimos nela que os dois Éteres superiores tinham que ser levados conosco quando queríamos funcionar nos Mundos superiores; e é esse repetido impacto que torna a divisão entre os dois Éteres inferiores e os dois superiores possível. É nesse aspecto que as igrejas são ainda fatores do desenvolvimento espiritual, porque elas dizem para os devotos que eles têm que orar sem cessar. Mas não devemos orar de modo egoísta, temos que orar altruisticamente, e em harmonia com o Bem Universal. Quando rezamos para chover e nosso vizinho reza pela estiagem, tem que prevalecer o caos, se as orações forem atendidas. Nem devemos supor que seja para se negociar com Deus, como parece ser a concepção daqueles que bradam mais alto nas reuniões de oração. Existe certa atitude espiritual a ser alcançada que o místico conhece muito bem quando ele entra em seus aposentos.

A lei é um freio para a natureza de desejos, mas quando o progresso oculto, ou melhor, dizendo, o espiritual é almejado, a espiritualização do Corpo Vital deve ser também realizada. E isso é conseguido por meio da arte da religião, em impactos repetidos com frequência, pois a nota chave do Corpo Vital é Repetição, como podemos ver, observando as plantas que possuem apenas um Corpo Denso e um Corpo Vital. Seus galhos e folhas seguem uns aos outros em sucessão contínua; as plantas os fazem crescer alternadamente. Foi o Corpo Vital que construiu as vértebras da coluna espinhal dos seres humanos, uma após a outra em constante repetição. E a memória, por exemplo, que é uma das faculdades do Corpo Vital, é fortalecida e desenvolvida pela iteração e reiteração constantes.

Quando os Protestantes saíram da Igreja Católica, eles em verdade deixaram muitos abusos para trás, mas também abandonaram quase tudo de valor. Eles abandonaram o ritual que todos deviam conhecer e compreender, apesar da má enunciação por parte do padre. Conhecendo o ritual, o leigo poderia enviar seus pensamentos na mesma direção do pensamento do padre que tivesse lendo, e assim uma enorme quantidade de pensamentos espirituais idênticos seriam reunidos juntos e projetados sobre a comunidade para bem ou para mal.

Aqueles que vão a uma igreja Católica compreendendo o ritual são, ainda hoje, capazes de unir seus pensamentos em conclave espiritual e guardar na memória o que se passou. Então, eles estão a todo o momento adicionando um pouco mais à espiritualização de seus Corpos Vitais, enquanto que os membros da igreja Protestante foram afetados apenas em suas naturezas emocionais cujo efeito é logo perdido. A Bíblia nos diz para orarmos sem cessar, e muitos escarneceram dizendo que se Deus é omnisciente e Ele sabe do que necessitamos sem orarmos, e se Ele não o é, provavelmente não é onipotente, e por esse motivo nossas orações não serão atendidas, sendo então inútil orar. Mas, aquele mandamento foi estabelecido a partir do conhecimento da natureza do Corpo Vital, que necessita daquela repetição para que seja espiritualizado.

Antes de um ritual atingir seu efeito máximo, entretanto, aqueles que desse modo se destinam a crescer, precisam tornar-se afinados com ele. Isso envolve trabalho em seus Corpos Vitais, enquanto esses veículos estão ainda em formação.

É assunto de conhecimento oculto que o nascimento é um feito quádruplo, e que o nascimento do Corpo Físico é apenas um passo no processo. O Corpo Vital também passa por um desenvolvimento análogo ao do crescimento intrauterino do Corpo Denso. Ele nasce em torno do sétimo ano de vida.

Durante os sete anos seguintes o Corpo de Desejos amadurece e nasce em torno do décimo quarto ano, quando se atinge a adolescência, e a Mente nasce aos vinte e um, quando tem início a idade adulta.

Esses fatos ocultos são bem conhecidos pela Hierarquia Católica, e enquanto os ministros Protestantes trabalham sobre a natureza emocional, que está sempre procurando algo novo e sensacional sem perceber a inutilidade da luta e o fato de que é esse seu veículo mais exuberante que leva as pessoas das igrejas em busca de algo novo e mais sensacional, a Hierarquia Católica ocultamente informada concentra seus esforços nas crianças. “Dê-nos as crianças até sete anos e serão nossas para sempre”, eles dizem, e eles estão certos. Durante esses importantes sete anos eles impregnam os plásticos Corpos Vitais, de que estão encarregados nesse propósito, através da repetição. As orações repetidas, a duração e o tom dos vários cantos, e o incenso, tudo tem um poderoso efeito sobre o Corpo Vital em crescimento.

Então, todos os esforços para elevar a humanidade trabalhando-se sobre o instável Corpo de Desejos são e sempre serão inúteis. Isso foi reconhecido por todas as escolas ocultas em todos os tempos e elas têm, portanto, se dirigido para a mudança do Corpo Vital, trabalhando com sua nota chave que é a repetição. Para esse propósito, elas escreveram vários rituais adequados à humanidade nos diferentes estágios de seu desenvolvimento e desse modo elas têm favorecido o crescimento anímico, lenta, mas firmemente, sem se importar se o ser humano estava ou não ciente de estar sendo influenciado desse modo. O Antigo Templo de Mistério Atlante, do qual falamos no Tabernáculo do Deserto, tinha certos ritos prescritos no Monte pela divina Hierarquia que foi seu Mestre particular. Alguns rituais eram realizados durante os dias úteis. Outros ritos eram usados no Sábado, e ainda outros nas épocas de Lua Nova e nos grandes festivais solares. Ninguém abaixo do mais alto sacerdote tinha poder de alterar o ritual, sob pena de punição por morte.

Durante o sono as correntes do Corpo de Desejos fluem, e seus vórtices movem-se e giram com enorme rapidez. Mas logo que entra no Corpo Denso suas correntes e vórtices quase que são parados pela matéria densa e pelas correntes nervosas do Corpo Vital que levam e trazem as mensagens do cérebro. É o objetivo do exercício de retrospecção aquietar o Corpo Denso no mesmo grau de inércia e insensibilidade que prevalece durante o sono, embora o Espírito interno esteja perfeitamente desperto, alerta e consciente. Por isso estabelecemos uma condição onde os centros sensoriais do Corpo de Desejos podem começar a girar, enquanto permanece dentro do Corpo Denso.

Esses exercícios (Concentração e Retrospecção) serão improdutivos em resultados se não forem acompanhados por atos de amor, pois o amor será a nota-chave da idade que se aproxima, assim como a lei é a norma atual. A intensa expressão da primeira qualidade aumenta a luminosidade fosforescente e a densidade dos Éteres em nossos Corpos Vitais, as correntes de fogo rompem a ligação com o traje mortal e o ser humano, uma vez nascido da água ao emergir da Atlântida, agora nasce do espírito no Reino de Deus. A força dinâmica de seu amor abriu um caminho para a terra do amor, e indescritível é o júbilo entre os que já se encontram quando chegam novos invasores, pois cada um que chega apressa a vinda do Senhor e o estabelecimento definitivo do Reino dos Céus.

É uma máxima mística que “todo desenvolvimento espiritual começa com o Corpo Vital”. Esse Corpo é o mais próximo ao Corpo Denso em densidade. Sua nota-chave é a Repetição, e é o veículo dos hábitos sendo isso de certo modo difícil mudá-lo ou influenciá-lo, mas uma vez que a mudança tenha sido feita e um hábito adquirido pela repetição, seu desempenho torna-se automático de algum modo. Essa característica tanto é boa quanto má em relação à oração, pois a impressão gravada nos Éteres desse veículo vai impelir o estudante a ser fiel à sua devoção em ocasiões estabelecidas, mesmo que ele tenha perdido o interesse no exercício e suas orações se tornado meras fórmulas. Se não fosse por essa tendência do Corpo Vital de formar hábitos, os aspirantes acordariam para o perigo logo que o verdadeiro amor começasse a diminuir e seria, então, mais fácil reparar a perda e permanecer no Caminho. Por esse motivo o aspirante deveria se examinar cuidadosamente de tempos em tempos para ver se ele ainda tem asas e poder com os quais sem hesitação e com firmeza possa se elevar ao Pai no Céu. As asas são em número de duas. Amor e Aspiração são seus nomes, e o poder irresistível que as impele é intensa ânsia. Sem esses e uma compreensão inteligente para direcionar a invocação, a oração é apenas um murmúrio; se realizada apropriadamente é o método mais poderoso de crescimento da alma.

Os átomos nos Corpos dos menos evoluídos vibram num ritmo extremamente lento, e quando no decorrer do tempo, uma dessas pessoas se desenvolve ao ponto em que seja possível favorecê-la no caminho da realização, é necessário aumentar essa frequência vibratória do átomo de modo que o Corpo Vital, que é o meio do crescimento oculto, possa de algum modo ser liberado das forças enfraquecedoras do átomo físico. Esse resultado é obtido por meio de exercícios respiratórios, que com o tempo aceleram as vibrações do átomo, e possibilita o crescimento espiritual necessário para o indivíduo realizar-se.

Anos atrás, quando o autor se iniciou no Caminho e estava imbuído da impaciência comum aos buscadores ardentes do conhecimento ele leu sobre os exercícios respiratórios publicados por Swami Vivekananda[24] e começou a seguir as instruções, e o resultado foi que depois de dois dias o Corpo Vital foi expulso do Corpo Físico. Isso produziu uma sensação de andar no ar, de ser incapaz de pôr os pés no chão duro; o Corpo todo parecia estar vibrando em enorme frequência. O bom senso veio em seu auxílio. Os exercícios foram interrompidos, mas foram necessárias duas semanas inteiras até a recuperação da condição normal de andar no chão com passo firme, e até o cessar das vibrações anormais.

O Corpo Vital é como um espelho, ou melhor, como a película de um filme; ele retrata as imagens do mundo externo segundo nossa faculdade de observação, e as ideias internas do Espírito que o habita segundo a clareza e o treino da Mente. Devoção e discernimento, ou ainda emoção e intelecto, determinam a nossa atitude para com essas imagens, e sua ação equilibrada leva a um desenvolvimento harmonioso. Quando suficientemente desenvolvidos, eles inevitavelmente trazem à tona o processo de purificação. O ser humano compreenderá que para alcançar o objetivo ele precisa abandonar tudo o que entrava as rodas do progresso. Um bom mecânico almeja ter as melhores ferramentas e mantê-las em perfeita ordem, pois ele sabe o valor delas na execução de um bom trabalho. Nossos corpos são ferramentas do Espírito e dependendo de como estejam desajustadas, impedem sua manifestação. O discernimento nos ensina o que está entravando o progresso e a devoção a uma vida superior ajuda a eliminar os hábitos os traços de caráter indesejáveis, suplantando o mero desejo.

FIM

[1] Nota ao leitor: Este livro O Corpo Vital é uma compilação de materiais de vários livros. Um espaço entre os parágrafos indica que o próximo parágrafo é de um livro diferente ou de uma sessão diferente do mesmo livro – os dois parágrafos não estão relacionados. Se não há espaço entre os dois parágrafos, então o próximo parágrafo continua do parágrafo anterior.

[2] N.T.: Corpo Denso

[3] N.T.: Veja no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – cap. XII

[4] N.T.: Do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos

[5] N.T.: Em torno de 1,3 cm

[6] N.T.: Ou Glândula Pituitária ou Hipófise: pequena glândula situada na cabeça

[7] N.T.: Aproximadamente 4 cm.

[8] N.T.: Aproximadamente 4 cm.

[9] N.T.: Aproximadamente 4 cm.

[10] N.T.: Prosper-René Blondlot foi um físico francês

[11] N.T.: Augustin Charpentier foi um físico francês

[12] N.T.: Uma cidade francesa

[13] N.T.: Eusápia Palladino (1854 – 1918) foi uma médium italiana. Foi a primeira médium de efeitos físicos a ser submetida a experiências pelos cientistas da época.

[14] N.T.: O movimento Immanuel ou Emmanuel é uma abordagem baseada na psicológica para a cura religiosa introduzida em 1906, como uma extensão da igreja Emmanuel em Boston, Massachusetts.

[15] N.T.: Mrs. Joy Snell

[16] N.T.: Dr. Duncan “Om” MacDougall (c.1866-1920) – médico americano

[17] N.T.: Medida de peso inglesa equivalente a 28,349 g.

[18] N.T.: aproximadamente 60 cm

[19] N.T.: da 1ª Guerra Mundial

[20] N.T.: 2,54 cm a 3,8 cm, aproximadamente

[21] N.T.:  Dr. Duncan “Om” MacDougall (c.1866-1920) – médico americano

[22] N.T. do Livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel

[23] N.T.: Esse conceito de Éter prevaleceu na ciência oficial no início do século XX.

[24] N.T.: foi o principal discípulo do místico do século XIX Sri Ramakrishna Paramahamsa e fundador da Ordem Ramakrishna. É considerado uma figura chave na introdução da Vedanta e da Yoga no Ocidente, sobretudo na Europa e América.

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Livro: Como Conheceremos Cristo quando Voltar? – por Max Heindel

Isso continua sendo um assunto de interesse para todos que, pela graça de Cristo, intitulam-se Seus amigos.

Tem sido um tema de entusiástica e constante indagação: Quando Ele virá novamente, e como O conheceremos quando Ele voltar?

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel – Quando Conheceremos Cristo quando Ele voltar?

2. Para estudar no próprio site:

 

 

COMO CONHECEREMOS CRISTO QUANDO VOLTAR

 

Relatório Taquigrafado de uma Palestra Proferida em Los Angeles Study Center, Rx. F., em 18 de maio de 1913, por Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, How shall we know Crist at his coming, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

ÍNDICE

INTRODUÇÃO.. 4

PARTE I – QUEM É CRISTO?. 7

PARTE II – POR QUE CRISTO VEIO À TERRA PELA PRIMEIRA VEZ?. 9

PARTE III – POR QUE ELE DEVE VIR OUTRA VEZ.. 10

PARTE IV – COMO CONHECEREMOS CRISTO QUANDO ELE VOLTAR?. 15

 

INTRODUÇÃO

Relatório Taquigrafado de uma Palestra Proferida em Los Angeles Study Center, Rx. F., em 18 de maio de 1913, por Max Heindel

Existe um quadro em minha Mente, ele está lá há anos; algumas vezes, quando tenho tempo disponível para voltar-me para dentro de mim mesmo e olhar aquele arquivo, este aparece. Deixe-me descrevê-lo: Acompanhe-me, regredindo no tempo, cerca de dois mil anos. A cena passa-se na Palestina; as colinas estão desertas; vê-se um pequeno grupo de homens e no rosto de cada um reflete-se a tristeza. Eles estão pranteando. Aquele que, pensavam, tinha vindo para fazer grandes coisas foi-lhes tirado por mãos implacáveis e Sua vida parecia-lhes destruída, e eles perguntavam-se: “Será este o fim”? Isto emocionava-os profundamente. Ele os tinha chamado de amigos. Disse-lhes: “Vós sois meus amigos”[1], e eles choravam por Ele, como a um amigo. Disse-lhes também: “Se Eu for embora, Eu virei novamente”[2], e eles discutiam, ansiosamente, procurando saber quando esse advento ocorreria.

Assim foi o início, mas, desde então, isto continua sendo um assunto de interesse para todos que, pela graça de Cristo, intitulam-se Seus amigos. Tem sido um tema de entusiástica e constante indagação: Quando Ele virá novamente, e como O conheceremos quando Ele voltar?

Ele disse a Seus seguidores na Palestina que muitos viriam para enganar: que se lhes fosse dito para irem ao deserto, a este ou aquele lugar para procurá-Lo, eles não deveriam ir. Disse-lhes, também, que os Anjos no céu não sabiam o dia em que Ele retornaria; que mesmo o Filho não sabia, mas somente o Pai. Como descrevi antes, eles estavam discutindo, procurando saber o tempo aproximado do advento e, particularmente, como cada um poderia conhecê-Lo quando Ele aparecesse.

Pretendentes – têm havido muitos desde aquele dia – têm alegado ser Cristo; alguns enganam-se a si próprios e aos outros, acreditando que são realmente aquele exaltado e elevado Mestre. Existem outros que, deliberada e maliciosamente, procuram usurpar Seu lugar. Portanto, há um interesse permanente na pergunta: Como vamos reconhecê-Lo?

Há um ano atrás, apareceu em uma revista inglesa, um artigo intitulado “Arautos Ocultos”. Nele foram apresentados resumos dos Ensinamentos dos Mistérios Ocidentais como são dados no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e do Ocultismo Oriental, representado por uma sociedade que promulga aquela doutrina. Os líderes das duas sociedades e suas obras foram comparados. Semelhanças foram encontradas, mas o autor do artigo também percebeu, com notável perspicácia, o que estudantes superficiais dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental não perceberam, isto é, a diferença Vital e irreconciliável nos dois ensinamentos, no que diz respeito a Cristo e Sua vinda. Foi mostrado que, de acordo com os ensinamentos Orientais, tanto Cristo quanto Buda foram homens de vida comum, enquanto nos ensinamentos do Mistério Ocidental diz-se, com ênfase, que Cristo é um Hierarca divino, não de nossa evolução, mas, “que por nós, homens, veio” e que, tendo uma vez deixado o Corpo Denso, Ele jamais aparecerá em um veículo físico.

Como esta é uma das principais diferenças entre a Sabedoria do Ocidente e os Ensinamentos Orientais, constituindo isto um dos maiores problemas atuais, parece Vital que todos os estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental compreendam perfeitamente o assunto.

Para sistematizar nossa exposição, vamos dividi-la em quatro partes, cada uma dedicada à consideração de uma questão que tenha relação definida com nosso assunto:

  1. Quem é Cristo?
  2. Por que Cristo veio à Terra pela primeira vez?
  3. Por que Ele deve vir outra vez?
  4. Como conheceremos Cristo quando Ele voltar?

Deste modo, será mais fácil para aqueles que não estudaram os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, compreenderem a ideia.

 

 PARTE I – QUEM É CRISTO?

O primeiro ponto que precisamos colocar é a identidade de Cristo, como é ensinada na Escola dos Mistérios Ocidentais. De acordo com o quadro “Os Sete Dias da Criação, o ser humano passou por um período de involução compreendendo os Períodos de Saturno, Solar e Lunar, como também metade do Período Terrestre. Nesta peregrinação através da matéria, ele adquiriu os veículos que hoje possui.

Durante o Período de Saturno, quando éramos semelhantes aos minerais, alguns seres eram humanos como nós somos hoje, mas eram de uma onda de evolução diferente. Desde então, eles têm avançado e tornaram-se os Senhores da Mente. O mais elevado daquela evolução – da onda de vida que estava, então, no estágio humano – é chamado no esoterismo de o Pai.

O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando aqueles seres, que agora são Arcanjos, eram humanos, é chamado o Filho, ou seja, o Cristo.

Os Anjos atuais eram humanos no Período Lunar e o mais elevado Iniciado, que agora chamamos de Jeová, é também chamado Espírito Santo.

Temos aqui a categoria dos três mais ativos grandes seres – os líderes da evolução.

A humanidade do Período Solar não podia descer mais no mar da matéria além do Mundo do Desejo (veja o quadro acima), portanto, seu veículo inferior era o Corpo de Desejos e, como é uma lei cósmica que nenhum ser pode criar um veículo que não aprendeu a construir durante sua evolução, era impossível para o Espírito Cristo nascer em um Corpo físico. Ele não poderia formar tal veículo. Nem poderia formar o Corpo Vital, feito de Éter. Faltava-Lhe também a habilidade de funcionar na última substância, pois Ele nunca a havia adquirido em Sua evolução. Para fornecer os veículos necessários para Cristo, Jesus, um ser humano de nossa evolução – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos altos Iniciados, que fizeram do ato criador um sacrifício e chagaram à concepção imaculada sem paixão – entregou seus Corpos Denso e Vital no Batismo para o Espírito Sol, Cristo, que, então, entrou no mundo material e tornou-se mediador, possuindo todos os veículos necessários para funcionar entre Deus e o ser humano. Cristo Jesus é, portanto, absolutamente único, e a Bíblia nos diz que não há nenhum outro nome pelo qual devemos ser salvos, a não ser pelo nome de Cristo Jesus. Este é o único Credo Cristão autorizado.

Tendo explicado a identidade de Cristo e de Jesus, como é apresentada nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, nosso problema seguinte é:

 PARTE II – POR QUE CRISTO VEIO À TERRA PELA PRIMEIRA VEZ?

No Gólgota, o Corpo físico de Jesus foi destruído, ao mesmo tempo em que se manifestavam certos fenômenos relatados na Bíblia, e o Espírito de Cristo penetrou na Terra. Até aquele momento, a Terra vinha sendo governada de fora. Do mesmo modo que os espíritos-grupo guiam os animais de fora, também a Terra foi guiada em sua órbita e a humanidade também o foi, no caminho de evolução, dirigida quase que inteiramente por Jeová, mas, desde aquele momento, o Cristo se tornou nosso Espírito Interno da Terra. Agora, Ele guia nosso planeta em sua órbita e está procurando substituir o regime de guerra, inaugurado por Jeová de um lado e pelos marciais espíritos Lucíferos de outro, por um regime de altruísmo, um reino de Fraternidade Universal. Ouvimos falar muito sobre Fraternidade Universal, mas não é necessário formarem-se sociedades para proclamar que somos irmãos. Todos sabemos disto, não há necessidade de chamar atenção para este fato. Irmãos e irmãs nem sempre são harmoniosos, mas devem procurar sê-lo, se pretendem ser amigos. Cristo instituiu um ideal muito mais elevado, quando chamou Seus Discípulos de amigos: “Vós sois meus amigos se fizerdes tudo que Eu vos mandar”.

 PARTE III – POR QUE ELE DEVE VIR OUTRA VEZ

Enquanto temos a promessa enfática do retorno de Cristo, existem muitos Cristãos que não acreditam no Segundo Advento, de maneira que será melhor, analisar se existe alguma razão compelindo Seu retorno.

Para elucidar este ponto, tomemos um episódio iluminador de “Fausto”. Embora escrito por Goethe, este drama não foi uma ficção, pois a lenda de Fausto é mais velha que a história; é um dos mitos que expressa, em termos fantasiosos, pictóricos, a história da alma em busca da luz. Estes contos foram transmitidos à humanidade infantil para que pudesse, subconscientemente, absorver os ideais que, em épocas posteriores, deveria viver. Na verdade, usamos o mesmo método de instrução quando damos a nossos filhos livros com ilustrações para inculcar-lhes ideias que não podem captar intelectualmente, por serem muitos novos.

Fausto leu livros durante sua vida inteira e, gradualmente, aprendeu que nós sabemos somente o que vivemos. Se não for para aplicação prática na vida diária, o aprendizado através de livros não terá nenhum valor. Quando a alma desperta para este fato, coloca-se no limiar do verdadeiro conhecimento olhando em direção à LUZ. Mas, a estrada se bifurca: um caminho é tranquilo e fácil, por toda sua extensão existem guias serviçais e risonhos prontos para encorajar o viajante e assisti-lo em tudo que desejar, e, no final, está Lúcifer, o portador da luz, disposto a dar honras mundanas àqueles que lhe prestam culto. O outro caminho é áspero, escarpado e perigoso; algumas vezes é muito escuro; muitos corações doloridos estão nele e, frequentemente, podemos ouvir o grito de angústia: “Quanto tempo mais, Ó, Senhor! Quanto tempo”? Mas, ainda que a alma lute aparentemente sozinha, sempre escuta uma voz interior, suave, tênue e silenciosa, mas inconfundivelmente clara: “Vinde, vós que estais fatigados e sobrecarregados e Eu vos darei repouso”. Às vezes, a “Verdadeira Luz”, Cristo, a meta da alma que procura, é vista através de uma brecha nas nuvens tempestuosas, que precisam ser transpostas para que o aspirante alcance o topo da realização e, a partir da visão beatificada, a alma que busca reúne novas forças.

No caminho escuro, Lúcifer favorece todos os apetites sem restrições ou reserva. Enquanto a alma é levada pela correnteza, tudo aparenta ser fácil e o prazer parece estar a espera a cada passo. No entanto, quanto a alma finalmente chega ao fim do rio da vida, em lugar de voar muito alto em direção à própria meta, é arrastada para baixo pelos apetites vis que se uniram a ela, como a polpa de sua fruta verde está colada na presente; e ela experimenta, com uma intensidade mil vezes maior, a dor que sobrevém quando pretende se libertar dos grilhões consolidados pelo pecado.

Thomas A. Kempis menciona o desejo da maioria de viver uma longa vida e como poucos se preocupam em viver uma boa vida. Eu posso parafrasear isto, exclamando: “Oh, quantos desejam alcançar poderes espirituais, mas como são poucos os que se esforçam para cultivar a espiritualizada”! A história de Fausto dá-nos uma visão daquilo que pode acontecer, se exclamássemos com toda a intensidade de nosso ser, como ele o fez:

“Oh! Há Espíritos no ar,

Que flutuam entre o céu e a terra em domínio atuando?

Inclinai-vos aqui de vossa atmosfera dourada,

Para cenários, nova vida e plena rendição ides me guiando.

Se eu possuísse um manto mágico, simplesmente,

Para transportar-me como que em invisíveis asas, largamente,

Muito mais do que custosas vestes eu prezaria,

E nem por um manto real o trocaria”.

Por esta impaciência e desejo de obter alguma coisa em troca de nada, de colher onde não semeou, ele atrai para si um espírito de natureza indesejável, pois os habitantes dos Mundos invisíveis não são, de modo algum, diferentes das pessoas daqui. Um filantropo não é encontrado a cada curva do caminho neste mundo, nem encontramos Anjos por todos os lados quando atravessamos fronteira, e a única proteção é esforçar-nos para sermos dignos de entrar conscientemente naqueles reinos. Quando tivermos alcançados o caráter requerido, não teremos que esperar.

Não precisamos referir-nos ao tipo de barganha que foi proposta a Fausto por Lúcifer, que seguiu sua vítima em perspectiva até seu gabinete; mas, quando ele se volta para a porta e está prestes a sair, ele vê, aflito, uma estrela de cinco pontas, com duas pontas viradas para a porta e uma ponta à sua frente. Esta, ele pede a Fausto que a remova, mas ao ser rigorosamente interpelado e convidado a sair pela janela ou chaminé, Lúcifer finalmente confessa:

“Para os fantasmas e espíritos é uma lei

Por onde entrarmos, por aí sair devemos”.

Isto é um ponto muito importante, pois, assim como Lúcifer entrou no gabinete de Fausto pela porta e é forçado a sair pelo mesmo caminho, Cristo entrou na Terra por meio do Corpo Vital de Jesus e precisa, em Seu retorno, sair da Terra redimida por esse mesmo caminho em direção ao Sol, Seu lar celestial. Nenhum outro veículo o fará.

Mas existem mais coisas de interesse nesta situação e na ligação entre Fausto e Lúcifer. A porta está aberta, então, por que a estrela de cinco pontas iria barrar a saída de Lúcifer, especialmente quando ele a havia transposto ao entrar no gabinete?

A estrela de cinco pontas é o emblema do ser humano com seus membros separados e braços estendidos; uma ponta está no topo, representando a cabeça que é a porta natural do espírito. Por aí ele entra em seu futuro Corpo cerca de 18 dias depois da concepção, daí saindo quando o Corpo dorme, retornando pela mesma passagem pela manhã. Para os Auxiliares Invisíveis esta é, também, a saída e a entrada. Finalmente, quando a morte chega, o espírito se retira por meio da cabeça.

Por esta razão, a estrela de cinco pontas, com uma ponta para cima, como está representada no emblema da Fraternidade Rosacruz, é o símbolo de magia branca, que trabalha por meios naturais, em harmonia com a lei de evolução.

O estudante de uma Escola de Mistérios aprende a dirigir a força criadora para cima, para o cérebro e transmutá-la em poder anímico através de uma vida de castidade e auto sacrifício. Esse poder anímico ele o usa para projetar-se nas esferas superiores por meio da cabeça. O seguidor da magia negra, incapaz de auto sacrifício, obtém o poder através do uso pervertido da força de vida de suas vítimas, que o projetam para baixo por meio dos pés, e ele deve retornar pelo mesmo caminho. O Cordão Prateado, então, projeta-se através do órgão inferior. Portanto, a estrela de cinco pontas, com duas pontas apontando para cima e uma para baixo, é o símbolo da magia negra. Foi fácil para Lúcifer entrar no gabinete de Fausto porque as duas pontas da estrela estavam apontando para a entrada, mas, quando ele quis sair e defrontou-se com uma ponta do símbolo, sua alma pervertida foi repelida pelo emblema da pureza e do amor.

Realmente, não temos qualquer prova legal de que Cristo tenha entrado na Terra e esteja lá parcialmente confinado, como estamos confinados em nossos Corpos Densos, mas existe nisto muita evidência mística e, pela lei da analogia, está evidente que Cristo, passa Seus dias-santos, parte dentro e parte fora da Terra.

Câncer, regido pela Lua, é o Signo que rege a concepção. Os Egípcios o retrataram como um besouro e, para eles, o escaravelho era o símbolo da alma. Quando a Luz do Mundo, o Sol, entra em Câncer, em Junho, o poder criador do último ciclo que deu vida à Terra foi gasto e, para renovar esta vida, que caso contrário se desvaneceria, o Sol precisa descer novamente. No Equinócio de Setembro, a balança se inclina e a força germinativa entra em nossa Terra, alcançando o Centro no Natal, quando o Sol está em seu ponto mais baixo de declínio, o Solstício de Dezembro. Daí a força germinante, o raio de Cristo, se irradia para frutificar novamente a matéria e alcançar a periferia da Terra no momento em que o Sol cruza o equador celeste, no Equinócio de Março. Então, o Salvador, o Cordeiro de Deus, morre para o Mundo, mas se torna vivo para as esferas superiores.

Assim como estamos confinados em nossos Corpos Densos, de manhã até a noite pelas atividades do dia, também Cristo está confinado na Terra, do Equinócio do Setembro até o Equinócio da Março, que é o período em que as atividades físicas estão bastante inativas, mas onde os esforços espirituais trazem melhores resultados. E, da mesma forma que somos libertados de nossos Corpos à noite e entramos nos Mundos invisíveis para recuperar-nos (para o espírito) das condições difíceis da existência física, o Cristo também é temporariamente libertado da Terra na cruz (-cificação) quando vemos o Sol passar o equador celeste e elevar-se às alturas celestiais. Esta é, portanto, a ocasião em que sentimos o impulso espiritual enfraquecer e utilizamos nossa energia nas atividades físicas, no cultivo do solo, fazendo crescer duas folhas de erva onde havia apenas uma.

De acordo com a opinião comum sobre o assunto, Cristo completou o Sacrifício no Gólgota, mas, na verdade, aquilo foi só o início. Ele ainda está confinado à Terra como nós estamos em nossos “Corpos de Morte”. Ele sofre como nós sofremos, mas com uma intensidade que não podemos avaliar. Ele ainda está “gemendo e labutando esperando pela manifestação dos Filhos de Deus”, que somos nós mesmos. Quando um número suficiente de pessoas sentir o nascimento do Cristo interno, de modo que possam suportar a carga de seus irmãos e dar suas vidas como Cristo está agora dando a Sua, então, a hora da libertação soará e Cristo poderá retornar permanentemente para o Sol. Mas, da mesma forma que Ele entrou na periferia da Terra quando veio, assim também, sob a lei que acabamos de explicar, Ele deve voltar para a superfície da Terra e isto, em si, é o que constitui a Segunda Vinda.

Não existe na Bíblia aviso mais enfático do que aquele dado por Cristo contra os que pretendem ser Cristos. Ele declarou que alguns produziriam sinais e maravilhas que poderiam enganar o próprio escolhido, e nós devemos lembrar-nos de Suas palavras, quando começamos a considerar nossa última pergunta:

 

PARTE IV – COMO CONHECEREMOS CRISTO QUANDO ELE VOLTAR?

Cristo disse: “Tende cuidado para que nenhum ser humano vos engane; pois muitos virão em meu nome, dizendo, Eu sou Cristo; e enganarão muitos. E, se algum ser humano vos disser, olhai, aqui está Cristo, ou olhai, ele está lá, não acrediteis nele. Pois falsos Cristos e falsos profetas surgirão e produzirão sinais e milagres para enganar, se isto fosse possível, o verdadeiro escolhido… então, eles verão o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória … Ele enviará Seus Anjos e juntará Seu escolhido dos quatro ventos …, mas, deste dia e hora, nenhum ser humano o sabe, nem os Anjos que estão no céu, nem o Filho, mas só o Pai”.[3]

Por essas passagens, vemos como precisamos ser cuidadosos para não sermos atraídos por impostores. Existe, também, muita luz a guiar-nos para o caminho certo e alguns sinais são os indicadores pelos quais podemos, certamente, reconhecer Cristo dos imitadores. O sinal mais conclusivo dos impostores é que, não importa quanto seu argumento possa ser inteligente, eles vêm revestidos em um Corpo físico. Existem boas razões para entendermos que:

Cristo Não Virá em um Corpo Físico

Nenhum veículo poderia suportar a tremenda vibração de tão grande espírito. Pelas Escrituras, sabemos que Cristo frequentemente afastava-Se de Seus Discípulos. Nessas ocasiões, Ele levava o Corpo de Jesus para os Essênios, que eram homens de nossa evolução e hábeis médicos esotéricos, peritos nos cuidados com o Corpo. Eles restauravam o seu vigor e energia e, dessa forma, mantiveram o Corpo de Jesus unido por três anos. Do Gólgota, o Corpo foi levado para o túmulo e, como a influência coesiva foi retirada, os átomos espalharam-se em todas as direções e quando o túmulo foi aberto, somente a vestimenta foi encontrada.

Para obter outro veículo físico para a Segunda Vinda, da mesma maneira que o primeiro foi preparado, seria muito difícil, mas poderia ser conseguido. No entanto, sob a lei de que um espírito deve sair por onde entrou, somente aquele único Corpo de Jesus seria utilizado e, como foi destruído, é impossível que Cristo apareça em um veículo físico. Portanto, como já foi dito, possuir tal Corpo revela o impostor.

Supondo que essa “lei” seja uma invenção da imaginação do autor e que a lei de analogia, citada como defesa, seja somente uma coincidência, nossa argumentação é ainda apoiada pela Bíblia, não obstante todas as outras evidências. Cristo disse: “Se eles disserem para vós; Olhai, Ele está no deserto; não ides. Olhai, Ele está nas câmaras secretas; não acrediteis”. Assim Cristo não deve ser encontrado em nenhum lugar físico. São Paulo também declara enfaticamente que “carne e sangue” não herdarão o reino. Se nós estamos para ser “revestidos com uma casa que nos vem do céu”, por que o líder da Nova Dispensação deveria Ter um veículo físico?

A Bíblia não abandona o assunto e diz-nos onde não procurar Cristo. Ele disse enfaticamente: “O Filho do Homem virá nas nuvens”[4]. Quando Ele finalmente deixou Seus Discípulos, “Ele foi levado para cima, e uma nuvem O recebeu, sem ser visto por eles. E, enquanto eles olhavam fixamente para o céu, à medida que Ele subia, dois homens permaneceram perto deles em trajes branco, os quais também disseram: Ele voltará do mesmo modo que O vistes ir para o céu (At 1:10-11). São Paulo diz: “O Senhor, Ele mesmo descerá do céu… depois nós … seremos arrebatados por entre nuvens para encontrar o Senhor, no ar” (ITes 4:16-17). São João viu o primeiro céu e terra desaparecerem – o mar secou e uma cidade santa desceu do céu, da qual Cristo era o regente. Estas coisas são, evidentemente, impossibilidades físicas. Um Corpo de carne e sangue não pode elevar-se no ar, e São Paulo afirma, categoricamente, que “carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Se nós não podemos entrar naquele traje, como pode Cristo, o líder, usar um Corpo físico em um universo de lei?

Se pudéssemos, agora, descobrir que tipo de veículo Ele usou, saberíamos como reconhecê-Lo e também como seremos constituídos, pois “seremos como Ele” de acordo com São João: “Amados, agora nós somos os filhos de Deus, e não aparece ainda o que seremos: mas nós saberemos que, quando Ele aparecer, nós seremos como Ele” (IJo 3:2). São Paulo diz: “nossa comunidade (não conversação, como foi traduzido; a palavra grega é “politeuma” – forma de governo ou comunidade e é usada pelo apóstolo para se referir ao novo céu e terra) está no céu, de onde também estamos esperando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso Corpo vil, fazendo-o semelhante ao Seu Corpo glorioso” (Fp 3:20-21).

O Corpo que Cristo usou depois do evento do Gólgota era também capaz de entrar em uma sala com portas fechadas, pois Ele assim apareceu para Seus Discípulos e deixou Tomás tocá-lo. Podem pseudo-Cristos, em um Corpo físico, fazer isto? Acredito que não.

Este fato requer um veículo mais sutil que o físico e nenhum sofisma poderá invalidar este argumento, isto é, de que Cristo usará um veículo mais sutil que o físico. A Bíblia diz que Cristo usou um Corpo tão sutil depois da ressurreição, que Ele ascendeu ao Céu dentro dele, que Ele deverá voltar neste mesmo Corpo e que, neste aspecto, nós mudaremos para um estado onde seremos como Ele.

Surge a pergunta final: Ensina-nos a Bíblia que veículo é esse e existe alguma informação pela qual possamos obter conhecimento completo e definitivo com respeito a este novo veículo? Devemos procurar a resposta no inimitável capítulo XV da 1ª Epístola aos Coríntios, onde São Paulo ensina a doutrina do renascimento por meio dos átomos-semente, tão claramente quanto a dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental de hoje.

Na versão inglesa, o versículo 44 diz: “Existe um Corpo natural e um Corpo espiritual”; mas o Novo Testamento não foi escrito em inglês e, como os tradutores nada sabiam dos ensinamentos internos, não tinham ideia de como traduzir a palavra grega que para eles parecia sem sentido, por isso, a traduziram como a compreenderam. Contudo, deixarei que vocês a traduzam, mesmo que não sejam estudantes de grego. A palavra que é usada e traduzida como “Corpo natural” é soma psuchicon. Soma é uma palavra grega que, todos concordam, é Corpo – não há dúvidas quanto a isto. Mas Psuchicon – psuche – (psyche) – a alma – um Corpo-Alma do qual nunca ouviram falar; provavelmente pareceu-lhes tolice, de maneira que traduziram a palavra como “Corpo natural”. É verdade que São Paulo diz na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:23, que o ser de todo ser humano é Espírito, Alma e Corpo, mas, provavelmente, eles interpretaram alma e espírito como sinônimos. Existe, porém, uma grande diferença, como é explicado nos Mistérios Rosacruzes:

Este Corpo-Alma é o veículo a que São Paulo se refere e no qual encontraremos Cristo. É composto de Éter e, portanto, capaz de levitação e de passar por paredes, uma vez que toda matéria densa é permeada com Éter. Os Auxiliares Invisíveis o usam hoje, como Cristo o fez.

De início, parece muito estranho saber que encontraremos o Senhor “no ar”, que esta terra vai ser deixada para trás. Mas não é estranho se considerarmos que o caminho da evolução sempre foi de dentro para fora. Na última parte da Época Lemúrica, quando esta terra estava em um estado ígneo, o ser humano vivia na crosta que estava sendo formada próxima ao centro ígneo, em um Corpo que começava também a ser formado. Ele viveu na Época Atlante, nas bacias da Terra, sob a densa neblina que se levantava da terra que se esfriava, como é mencionado no Gênesis 2. Então, a humanidade foi chamada, como relata a história folclórica alemã “Niebelungen”- Niebel, que significa neblina e Ungen, filhos: Filhos da Neblina. A Bíblia conta-nos como eles foram guiados por seus mestres e, gradualmente, como esta atmosfera nebulosa da terra condensou-se quando o planeta resfriou e, finalmente, como as águas desceram do céu no chamado “o dilúvio”.

Nessa ocasião, sabemos que o ser humano deixou as terras baixas, que estavam submergidas pela neblina condensada, o mar, e entrou em uma nova era de desenvolvimento sob as atuais condições. Então, ele viu o arco-íris pela primeira vez, quando o Sol brilhou sobre as nuvens e foi-lhe dito que, enquanto aquele sinal permanecesse, a sucessão de mudanças, que conhecemos como estações, continuaria. Enquanto tivermos as atuais condições atmosféricas, esta era de alternâncias continuará. Devagar, mas seguramente, estamos subindo em direção aos cumes da terra; procuramos níveis cada vez mais altos.

Quanto mais elevada for a evolução das raças, mais elas quererão subir em direção ao ar e, gradualmente, vão deixando as terras baixas.

Como aconteceu na época de Noé, dia virá que ocorrerá uma grande mudança cósmica. Cristo refere-se a isto ao falar de Sua vinda: “Assim como foi nos dias de Noé, assim será nos dias do Filho do homem”. Pessoas movimentavam-se como sempre o haviam feito. Casavam-se e eram dadas em casamento; comiam e bebiam e viviam suas vidas mundanas. Mas, de repente, o dilúvio desceu sobre a antiga Atlântida e os veículos que tinham não lhes eram mais úteis. Necessitavam de veículos onde pudessem adaptar-se às novas condições atmosféricas, da mesma maneira que o bebê, quando nasce, precisa instantaneamente adaptar-se, da respiração que tinha dentro da água, à respiração no ar. Se não puder fazer isto, ele morrerá e foi o mesmo no caso dos Atlantes que estavam acostumados a respirar em sua atmosfera aquosa e nebulosa. Aqueles que não estavam fisiologicamente ajustados para esta mudança, afogaram-se.

Cristo disse que uma condição semelhante ocorrerá à Sua vinda. Aqueles que viviam na Atlântida, talvez não tenham percebido o desenvolvimento fisiológico que ocorreu em alguns e que os preparou para mudar da respiração aquosa para a respiração do ar, usando diretamente os pulmões. Do mesmo modo, há uma mudança acontecendo na humanidade, não observável por aqueles que não cultivam a visão espiritual. É um fato que uma atmosfera áurica envolve todo ser humano. Sabemos que, frequentemente, sentimos a presença de uma pessoa que não vemos e sentimos isto porque existe esta atmosfera fora de nossos Corpos Densos. Ela está, pouco a pouco, mudando; está se tornando cada vez mais dourada no Oeste. Quanto mais caminhamos com Cristo, mais esta cor dourada aumentará – esta que é a cor do Cristo e dos semelhantes a Ele: os Santos que os pintores retrataram com uma auréola. Gradualmente, estamos nos tornando mais semelhantes a Ele e essa “soma psuchicon” ou Corpo-Alma está adquirindo forma, está sendo preparada como nosso “traje nupcial”.

Um número crescente de pessoas está se tornando capaz de funcionar neste veículo e muitos estão se preparando para o dia da vinda de Cristo. Esta mudança não é realizada por processo físico, mas pelo serviço, pelo amor, pelo que conhecemos no mundo ocidental como altruísmo, que está se difundindo cada vez mais na sociedade. Estamos ficando mais humanos; cada vez mais iguais a Cristo, embora longe de sermos perfeitos. Talvez o dia da vinda de Cristo não seja neste século ou no outro, nem no próximo milênio, não obstante, podemos observar uma mudança espiritual acontecendo na humanidade e depende de nós apressarmos o dia da vinda de Cristo, pois como Ele mesmo disse: “Este dia nenhum ser humano conhece”. Nenhum ser humano está habilitado a dizer quando e quantas pessoas terão desenvolvido o soma psuchicon, de tal forma que estejam capacitados a fazer a obra que Ele está agora fazendo para nós.

Descemos até ao vale da matéria e, por nossa causa, foi necessário que Cristo entrasse na Terra para nos ajudar de dentro. Por nossa causa, Ele está agora sofrendo e labutando lá, esperando pela manifestação dos filhos de Deus e depende de nós apressarmos ou retardarmos este dia. Cada ato nosso tem algum efeito nesse sentido – cada um de nós tem seu trabalho neste mundo e quanto mais cedo aprendermos a fazê-lo, melhor será para nós. Não deveríamos procurar o Cristo fora – Ele não se encontra lá. Ele mesmo disse, “Não vás para o deserto”. Não O procuremos nestes lugares: o Cristo é formado de dentro. O Corpo-Alma que está, gradualmente, tornando-se capaz de elevar-se sobre as montanhas, é o resultado do esforço de cada aspirante que esforça para ser admitido à vida superior. Como diz Fausto:

“Duas almas, oh! Moram dentro do meu peito,

E aí lutam por um indivisível reino;

Uma aspira pela terra, como vontade apaixonada

À íntimas entranhas ainda está ligada.

Acima das névoas, a outra aspira, de certeza,

Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.

Amigos, em cada um de nós há esta luta travada entre a natureza superior e a inferior. São Paulo teve que lutar esta batalha e toda alma que procura deve lutar, também. Mas, não pensem que é saindo para o extenso mundo e nele lutar, que encontraremos o que procuramos. Sir Launfal saiu de sua casa ainda jovem, passou toda uma vida procurando o Graal. Quando voltou para seu castelo, encontrou o mesmo mendigo que ele havia desdenhosamente ignorado quando partiu de casa, mas, quando agiu certo, quando o amoroso espírito do serviço entrou nele, então, o Cristo se manifestou.

“Ele partiu em duas, sua única côdea de pão,

Ele quebrou o gelo da beira do córrego;

E ao leproso deu de comer e beber pela mão”.

O Salvador, diante dele, disse: “Este é meu Corpo e este é meu sangue”.

“Santa Ceia é mantida, na verdade,

Por tudo que ajudamos o outro em sua necessidade”

Não é o que damos, mas é o que compartilhamos que realmente tem valor. Aqueles que dão somente quando têm em abundância, quando dão coisas que não necessitam – coisas que são realmente um peso para eles, coisas de que não sentem falta – não sabem o que é dar a vida por um amigo. Enquanto não se derem, suas dádivas serão estéreis. “Não há maior amor que o do ser humano que dá sua vida por um amigo”. Este não deve ser um único ato – o dar a vida por um amigo – mas sim um auto sacrifício constante, diário. “Eu estava com fome e tu me deste de comer; eu estava com sede e tu me deste de beber … eu estava doente e tu me visitaste”. Este é o único requisito. Que nós possamos aprendê-lo, amigos. Não precisamos procurá-Lo tão longe: está perto de nós, ao nosso lado.

Conhecemos aquele pequeno poema sobre deixar nossa luz brilhar exatamente onde estamos. Nem todos podem ser uma estrela, nem podem brilhar, nem ser um líder, mas cada um pode fazer algo, acender sua própria velinha e deixar que ela dissipe um pouco a escuridão ao redor. Isto é o que temos que fazer e se fizermos somente este tanto, descobriremos que aquela vela será como uma estrela ardente para guiar-nos para o Cristo, na Sua próxima vinda. Então, teremos certeza de reconhecê-Lo, pois encontraremos a resposta dentro de nós. Diz-se que O conheceremos porque seremos como Ele e, como Ele não tem Corpo físico para vir, temos que desenvolver aquele veículo da alma, o soma psuchicon. Para que, quando Ele aparecer, nós possamos encontrá-Lo, mas deveremos estar trajados com o “Dourado Manto Nupcial”.

FIM

[1] Jo 15:14

[2] Jo 14:3

[3] N.T.: Mt 24 4-36 e Mc 13:5-32

[4] N.T.: Mt 24:30; Lc 21:27 e Mc 13:26