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O Planeta Plutão: as lições mais significativas

O Planeta Plutão: as lições mais significativas

 

Embora descoberto há apenas 40 anos e sendo de lenta locomoção, Plutão tem atualmente uma considerável quantidade de dados astrológicos coletados, presumivelmente fidedignos. Inserindo-se Plutão em antigas cartas e tomando-se as chaves fornecidas pela mitologia, foi possível modelar muitas palavras e frases-chaves que permitiram aos astrólogos interpretarem corretamente a influência desse Planeta em qualquer Signo, Casa ou Aspecto.

Essas palavras-chaves são numerosas, incluindo as tão bem conhecidas como transformação, transmutação, redenção, regeneração, degeneração, morte, renascimento, unidade, cooperação, ditadura, desaparecimento, submundo, bandido, coerção. Veremos que elas estão muito relacionadas com a oitava Casa, a da herança e da morte.

Na mitologia, ele foi o deus do mundo inferior, Hades, ou o Inferno da ortodoxia onde arde o Fogo Eterno. O fogo corresponde ao sexo e como as atividades sexuais são as mais fortes em matéria de vida e morte, esse Planeta pode muito bem ser chamado de a Casa de força da família planetária. Não se deve, propriamente, chamá-lo de adverso, cremos nós, mas de não-compromissado, não propiciando favores e exigindo que os benefícios sejam remunerados.

Plutão pode muito bem ser enquadrado no submundo, porque essa palavra significa riqueza, sendo a ele aplicada, porque o milho, a riqueza dos tempos antigos, era representado como a cegueira, indicando que, quando o ser humano focaliza sua atenção nas coisas materiais, deixa de ver as coisas mais valiosas em torno de si. Na verdade, “a paixão pelo dinheiro é a raiz de todo mal”.

A palavra plutocracia deriva-se de Plutão e significa a força ou a dominação através da riqueza derivada de forças diferentes das do esforço próprio. Tal riqueza encontra-se sob a jurisdição da oitava Casa, a posição zodiacal natural de Escorpião. Origina-se de heranças, legados, bonificações, “bolas-de-neve”, seguros e outras fontes similares. Foi conquistada em encarnações prévias e provém de fontes ocultas, como uma herança na vida presente.

Na mitologia romana Plutão e Prosérpina, sua esposa, governam os espíritos dos mortos, nos Mundos inferiores: temos aqui uma analogia direta com a oitava Casa, que governa a morte. Plutão e Prosérpina correlacionam-se com os princípios macho e fêmea da Natureza, princípios, esses, da procriação.

Outra correlação com os assuntos da oitava Casa é bem evidente quando se considera a junção de Ceres, a deusa do milho e mãe de Prosérpina, da qual se deriva o termo cereal. No ciclo de crescimento do milho, como no da maioria das plantas, uma planta velha morre, porém, sua semente é espalhada, enterrada e regenerada — da morte provém o renascimento.

Plutão, geralmente aceito como governante ou corregente, juntamente a Marte, do Signo de Escorpião, governa os órgãos da excreção, que controlam o sistema de eliminação do corpo como um sistema de esgoto. Aqui vemos o papel de Plutão como regenerador e transformador, porque todas as substâncias excretadas, quando enterradas, transformam-se, regeneram ou redimem, reaparecendo, como a “Fênix”, sob outras formas.

No seu lado positivo, Plutão trabalha no sentido da unidade através da organização. A regeneração do corpo e da mente ocorre quando se interrompe a gratificação dos sentidos; então as forças da vida ascendem através do serpentino cordão espinal como um fluido ou gás e vitalizam a glândula pineal, que se encontra sob a liderança do espiritual Netuno. Assim, o ser humano pode elevar-se a grandes alturas por força de uma mente renovada. Como resultado, a regência plutoniana é convertida ou transferida ao Signo da cabeça, Áries (regido por Marte), a sede do pensamento e da glândula pineal.

No seu lado negativo, Plutão engendra a tirania, a ditadura e a organização com fins de domínio. Dessa forma, influencia os senhores do submundo, bandidos e assassinos. Quando surge na oitava Casa de um horóscopo natal, pode indicar morte misteriosa, possivelmente por meio de cirurgia ou após desaparecimento.

Em seus Aspectos adversos, Plutão relaciona-se com o Guardião do Umbral, a entidade elementar e composta que foi criada nos Planos invisíveis por nossos pensamentos e atos malévolos e não transmutados, em vidas passadas. Em seus Aspectos positivos, compara-se ao Santo dos Santos. Nenhum outro Planeta poderá indicar condições mais depravadas, drásticas ou, inversamente, alturas exaltadas de espiritualidade.

As qualidades essenciais da “natureza espiritual” de um Planeta devem coincidir com as qualidades essenciais do Signo que ele rege. Destarte, em um estudo de Plutão, também é necessário considerar-se o Signo de Escorpião, sobre o qual obteve-se, durante os séculos passados, considerável quantidade de informações autênticas e do qual Plutão e Marte são geralmente aceitos, pelos principais astrólogos como corregentes.

Como Signo Fixo e de Água, podemos comparar Escorpião ao gelo, que é comprimido e imóvel. Como significativo emocional, nós o sentimos em sua forma mais intensa. É a fonte do desejo — origem da qual toda a humanidade deriva todo o seu alimento para ser transformado pelo amor, buscando a regeneração da Vida. Todas as substâncias vivas retiram dessa fonte as suas expressões criativas e sua perpetuação. Em virtude de termos utilizado essa força de muitas maneiras, durante muitas encarnações, todos os seres humanos têm uma grande área de desejos “submersos” — potenciais que não são vistos no atual período de vida e que provém diretamente da nossa filiação a esse recurso. Essa filiação natural tem sido classificada por muitos pensadores como a “inconsciência coletiva”.

Do ponto de vista convencional ou ortodoxo, podemos dizer que Escorpião representa ou simboliza a “fonte do mal”. Isso expressa a atitude de pessoas que encaram a vida como preta ou branca, essencialmente boa ou má. Tal conceito foi e ainda é necessário porque serve como marco para a conduta da humanidade evolutiva.

À medida que o ser humano se desenvolve, contudo, sua consciência amorosa torna-se mais espiritualizada e sua inteligência, mais desenvolvida. O amor a si mesmo torna-se o amor ao cônjuge, aos descendentes e, eventualmente, o “amor fraterno”; as forças da sexualidade crescem em qualidade vibratória e estendem-se a níveis de criatividade e força mental. Através dele, toda consciência do indivíduo sazona e amadurece em desejo de aperfeiçoamento e expansão relativa a um conhecimento mais amplo do universo e de outras pessoas; por último, para a sabedoria e a realização dos ideais. Dessa forma, a vida não é “inteiramente preta” ou “inteiramente branca”, mas, sim, um processo de desenvolvimento. Escorpião, através dos modelos da oitava Casa, torna possível a extensão da experiência até as expressões transcendentes da nona, décima, undécima e duodécima Casas — as que governam a mente, a posição social, os amigos e a aflição.

Escorpião somente parece malfazejo à mente que encara o mal como uma “entidade estática”. Quando visto num contexto mais dinâmico, Escorpião é a fonte de todo o amor, todas as aspirações e, através do preenchimento das experiências oriundas do relacionamento, a fonte de toda a sabedoria.

Existe um fator psicológico desagradável envolvido na vibração de Escorpião e deve ser considerado: trata-se da frustração oriunda da não liberação das solicitações genésicas. Isso cria uma congestão na natureza do desejo que resulta males emocionais, nervosos e mentais que são miríficos e podem afligir a humanidade em quase toda fase de desenvolvimento. É verdade que existem algumas pessoas encarnadas que não necessitam, em momento algum, dessa forma particular de liberação; porém são raras.

É natural e muito bom que as pessoas, genericamente falando, experimentem o preenchimento das solicitações de acasalamento, na companhia de uma relação amorosa. Não muitos Egos estão ainda fisiologicamente ou emocionalmente prontos para uma vida de celibato e seria perigoso ao indivíduo e à sociedade que a maioria das pessoas vivessem uma vida dessa natureza, em seu atual estágio de desenvolvimento.

Isso, contudo, não é um argumento para o uso indiscriminado da força sexual destinada a fins de propagação ou de prazer. Essa mesma força, quando conservada, pode ser transmutada em força espiritual e liberada na forma de criatividade mental e Epigênese. As pessoas que estiverem cientes da verdadeira natureza, da finalidade última do agente criador, aqui chamado de “força sexual”, e dos meios de canalizá-la para cima não têm necessidade de experimentar a frustração e as penas que ocorrem, se essa for completamente represada.

Um Escorpião ou Plutão incompleto no tema natal, contudo, — isto é, uma configuração na qual força não parece que será liberada legitimamente, seja para fins de propagação ou criativos — indica a possibilidade de que a pessoa possa entregar-se a manifestações de crueldade, desonestidade, assassínios e outros impulsos destrutivos, como substituto à satisfação dessa coisa que, sendo por natureza feita de desejo, impele à gratificação. Assim como o corpo físico pode apresentar erupções de furúnculos, em virtude das condições tóxicas não-liberadas, na consciência podem irromper toda espécie de necessidades sombrias a fim de libertar um potente apelo do desejo. A história do desenvolvimento da humanidade, como organismo sexual, está crivada com capítulos de medo, perversão, doença e tristeza, porque muitas pessoas viveram emocionalmente segundo padrões que variaram entre o falso puritanismo e a promiscuidade, completamente afastadas do processo da experiência natural e dos preenchimentos sadios e amorosos.

Finalmente, estamos alcançando as raízes dessas doenças emocionais e sendo forçados à conclusão de que a vida não pode ser bem vivida a menos que seja baseada numa filosofia de liberações saudáveis, construtivas, amorosas e felizes. O remédio destinado às doenças emocionais encontra-se na educação esclarecida e espiritualizada, além da determinação vitalizada de vivermos vidas saudáveis, expressivas, bonitas e amorosas em relação a nós próprios e os demais. Desse modo, o recurso dos desejos transmuta-se e exprime em termos tendentes à evolução, assim como a redenção das dívidas de destino maduro, em consciência espiritualizada.

As lições mais significativas que Plutão puder ensinar serão aprendidas e o mais alto potencial de Escorpião será realizado com o desenvolvimento de mente, pensamento e vivência puros. Então, os espectros adversos do Planeta e do Signo serão impotentes em nos afetar e estaremos capacitados a empreender formidáveis evoluções espirituais sob suas benéficas influências.

Se vivermos castamente e encaminharmos para cima a força criadora, para fins de regeneração, eterizaremos e refinaremos os nossos corpos físicos ao mesmo tempo em que fortaleceremos nossos corpos anímicos. Dessa maneira, poderemos materialmente alongar a vida e, assim, aumentar nossas oportunidades de crescimento anímico e avanço na Senda, em grau muito acentuado.

Ao invés de procurar a gratificação física, quando cônscio dos aparecimentos de impulsos de baixa natureza, se o indivíduo focalizar os seus pensamentos e a sua imaginação sobre algo que deseja criar — seja um poema, uma invenção, uma pintura, uma composição musical ou alguma demonstração material tal como uma Casa ou uma nova aventura comercial —, descobrirá que obtém duas finalidades. A demonstração objetiva será acelerada e o processo de transmutação ou regeneração dentro de seu corpo será, ao mesmo tempo, bastante estimulado. O exercício físico, por si só, também é de valia, porém quando acompanhado de pensamentos criadores é muito mais eficaz.

A meditação sobre assuntos elevados e inspiradores tem o poder de transformar as forças, impregnando-as com os fluidos sexuais, uma vez que estes são realmente portadores de forças etéricas, o verdadeiro agente criador. Um poema inspirador ou uma mensagem das escrituras poderá ser o canal para a direção imediata dos pensamentos e da força criadora às correntes ascendentes. Dirigindo-se conscientemente as correntes de amor puro, do coração para os centros criativos do cérebro, a atividade sexual poderá ser transmutada em atividades de mente e espírito, com o correspondente surgimento no Plano mental e espiritual.

Cada célula do corpo é ou pode ser sujeita a um controle absoluto do Ego, por intermédio da mente: é possível elevar o corpo acima das forças da paixão física e entrar em todo o seu próprio ser, nas correntes do espírito. A persistência paciente sempre é bem-sucedida e as recompensas são muitíssimo agradáveis: saúde física permanentemente melhor, desejos mais puros, força mental aumentada, desdobramento das faculdades espirituais inatas e latentes em todo ser humano.

O pervertido ou maníaco sexual é uma prova da legitimidade da afirmação dos ocultistas de que uma parte da força sexual constrói o cérebro. Ele torna-se um idiota devido à extração e à emissão não apenas da porção negativa ou positiva da força sexual, conforme seja masculino ou feminino, que deve normalmente ser utilizada através do órgão sexual para fins de propagação, mas, além disso, de parte da força que devesse construir o cérebro, permitindo-lhe produzir pensamentos — daí a deficiência mental.

Por outro lado, quando a pessoa se dedica a pensamentos espirituais, é pequena a tendência de usar a força sexual para a procriação, sendo que qualquer porção dela que não for utilizada dessa maneira poderá ser transmutada em força espiritual.

O Espírito Santo é a energia criadora na Natureza e a força sexual é o seu reflexo no ser humano. O mau uso ou o abuso dessa força é o pecado que não será perdoado, mas deve ser expiado com o prejuízo da deficiência dos veículos para nos ensinar a santidade da força criadora.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – março/1970)