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Propósitos e Condições Favoráveis para o seu Desenvolvimento Espiritual

Propósitos e Condições Favoráveis para o seu Desenvolvimento Espiritual

Mais revelações espirituais são oferecidas ao Aspirante, conforme ele gradativamente fornece provas de que está, fortemente, percorrendo o caminho da realização espiritual. Caberá a ele estar atento para observar e compreender os ensinamentos oferecidos.

Qualquer comportamento humano consciente e direcionado necessita de um propósito subjacente que guie ou forneça sentido para as ações. Por exemplo, um empresário que objetiva tornar seus negócios bem-sucedidos poderá permanecer meses, anos, até mesmo a vida toda, com esse objetivo que fornece sentido para todas as demais ações. O fato desse empresário ficar todos os dias até tarde no escritório, passar finais de semana planejando e executar ações para melhorar os rendimentos da empresa, terá sua explicação se conseguirmos enxergar o propósito que ele acredita ser o correto de buscar. Outro exemplo seria a pessoa que deseja fazer uma aquisição material qualquer, mas não possui o dinheiro imediato para comprar.  Ela procurará um segundo emprego ou realizará horas extras no trabalho para conseguir o dinheiro. Com o tempo e sacrifício, conseguirá acumular o dinheiro e concretizará seu desejo.

Desse modo, verifica-se que é o propósito subjacente que faz uma pessoa elaborar diversas estratégias e ações para concretização dele. Sem o propósito, não haverá sentido para as ações. Caso o propósito esteja ausente na consciência, não haverá motivação necessária para um indivíduo agir em uma determinada direção, mas apenas respostas automáticas a estímulos ambientais. Isto é claramente verificado em pessoas que sofrem de algumas demências ou de doenças que tem como sintoma a abulia.

O maior propósito que um Aspirante sincero à vida superior tem é aquele de cumprir os preceitos Esotéricos do Cristianismo em sua vida diária. É exatamente esse propósito que fornece sentido às ações que normalmente pratica em seu cotidiano. Dentre as ações, destacamos aquelas relacionadas a sacrifício do eu inferior, de retidão, perdão, serviço desinteressado ao próximo, vigília e oração. Ele não se preocupa com a redenção particular ou seu desenvolvimento pessoal, pois seu objetivo prioritário é o auxílio ao alheio. Se um terceiro conseguir enxergar esse propósito subjacente, compreenderá o sentido pelo qual um Aspirante sincero realiza todos esses atos tão “sem sentidos”, de acordo com os parâmetros materialistas e individualistas comumente observados no atual contexto que vivemos.

É exatamente a não observação ou compreensão desse propósito, pelas pessoas que não estão percorrendo o caminho, que gera o julgamento equivocado e que contribui para o Aspirante caminhar cada vez mais sozinho. Apesar de aparentemente sozinho, conforme se torna uma fonte de água da vida (que jorra sem parar, não importando quem se aproxima para dela beber), novos horizontes e novas companhias de propósito lhe aparecem automaticamente.

Cada evento vivenciado é, então, observado cuidadosamente sob a direção dos propósitos espirituais que escolheu para sua vida. O Aspirante deverá, então, utilizar suas faculdades tais como: percepção, atenção, inteligência, aprendizado vicário (aprendizado por observação) e sua experiência prévia, para realizar o discernimento necessário para agir. Além disso, deve também contar com sua força de vontade para conseguir concretizar, no Mundo Físico, aquilo que julga ser correto. Desse processo, ocorre a evolução ou produção de poderes anímicos.

Além de sua vontade e propósito espiritual, há, durante o todo o ano, condições propícias para que o Aspirante consiga amalgamar poderes dinâmicos ao seu Espírito. É também sobre essas condições que o presente artigo objetiva descrever.

De modo a concentrar forças e ter uma maior eficácia no processo de produção de poderes anímicos, os Estudantes Rosacruzes de todo o mundo da Fraternidade Rosacruz se reúnem, todos os dias, atendendo suas aspirações espirituais e oficiam o Ritual do Serviço do Templo. Essa reunião tem o objetivo de gerar pensamentos-formas de amor, de fraternidade e de cura. Os pensamentos-formas gerados são concomitantemente envolvidos com sentimentos de igual natureza, que fornecem a força necessária para que os pensamentos-formas cheguem ao seu propósito. Essa é a primeira condição favorável que o Aspirante pode unir aos seus propósitos espirituais, para conseguir maior eficácia em seu trabalho no mundo.

Uma segunda condição favorável ocorre quando a órbita da Lua atravessa o raio de vibração de uma Hierarquia Criadora Cardinal (Signos Zodiacais cardinais ou cardeais). Nessa situação, há favorecimento de produção de pensamentos-formas e sentimentos direcionados à CURA e é o dia para oficiar o Ritual do Serviço de Cura. É como se houvesse um forte vento a favor, e se aproveitarmos esse vento que sopra para a direção da cura, nossas orações serão muito mais eficazes e, consequentemente, a produção anímica também. Todo aquele que quiser contribuir para esse serviço, automaticamente também recebe a cura que necessita, seja física ou mental. Mas a recompensa particular desse trabalho não deve ser prioridade para o Aspirante, mas sim, a certeza de que irmãos que buscam esse auxílio estão recebendo essas bênçãos.

Juntamente a esses serviços, o Aspirante busca, onde quer que esteja, ser útil como canal de amor e de trabalho. Por mais trabalhoso e árduo que esse tipo de vida parece ser, ele o faz porque compreendeu que os demais propósitos oferecidos pela vida material são estéreis – “…Senhor, para quem iremos? Só tu tens as palavras de vida eterna” (Jo 6:68). Cada trabalho que consegue realizar nesse sentido produz materiais invisíveis que alimentam três pessoas diferentes: a (as) pessoa (as) envolvida (as) que recebeu (eram) o produto desse trabalho; a si próprio (pois esse material invisível para seus olhos fará parte do radiante Dourado Manto Nupcial, seu Corpo-Alma) e, finalmente, o Cristo, que aguarda pelo dia de Sua Libertação (Segunda Vinda) – “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mt  25:40).

Como sabemos, o exercício de Retrospecção representa o momento do dia em que realizamos nosso Purgatório e Primeiro Céu. Mas há um período em cada mês, que é propício para que o Aspirante possa realizar essa alquimia espiritual, ou seja, transformar cada ato de serviço acumulado durante o mês em poderes dinâmicos utilizáveis instantaneamente pelo Aspirante. É o período de Lua Cheia e ela está a leste no céu. No entanto, a menos que o Aspirante tenha acumulado material para realização do processo, ele não poderá fazer a alquimia. O tempo de acúmulo se dá nos 15 dias precedentes à Lua Cheia.

Analogicamente, a posição da Lua durante o período de Lua Cheia, a Sala Leste do Tabernáculo do Deserto continha toda a parafernália para o desenvolvimento da alma. Havia nela os pães da proposição, o candelabro de sete braços e o altar com o incenso. Assim, nesse dia de Lua Cheia, o Aspirante entra na Sala Leste do Tabernáculo, e assimila todo o produto dos ensinamentos que a mesma sala o ensinou a praticar fora dela.

Nos dias procedentes, a Lua vai gradativamente tornando-se escura no céu. Quando ocorre de ficar totalmente escura, também fica a Oeste no céu. Nessa data, ocorre a noite mais escura do mês. Apesar da escuridão física, esse período encerra momentos de maior espiritualidade de todo um mês. O Aspirante então fica mais próximo dos Mundos Internos, se souber aproveitar essa corrente favorável. Mas deverá estar preparado com os requisitos necessários para poder aproveitar essa maré de força espiritual. Do contrário, pouco resultado alcançará.

Analogicamente, a Sala Oeste do Tabernáculo do Deserto era totalmente escura fisicamente. Mas havia nela uma Luz Espiritual. Essa era a sala conhecida como o Santo dos Santos, que continha a Arca da Aliança. Sobre a arca, havia um FOGO INVISÍVEL ou a presença de Deus manifestada entre os homens.

Há, portanto, um período em cada mês, que é propício para que o Aspirante possa ficar conscientemente em maior contato com os Planos Internos devido à forte corrente espiritual presente nessa época do mês. É exatamente o período em que a Lua fica escura ou Nova no céu. O requisito para se por em contato com essa corrente é a produção prévia de luz interna, pois há muita obscuridade exterior. A luz interior é gerada pelo acúmulo de serviço amoroso que realizamos no Serviço de Lua Cheia, que transformou os materiais invisíveis de serviço em Corpo-Alma. Assim, o Serviço de Lua Cheia é requisito para o Serviço de Lua Nova.

Desse modo, há 12 ou 13 (depende do ano) oportunidades anuais de realização do Serviço de Lua Cheia, e 12 ou 13 (depende do ano) oportunidades de Serviço de Lua Nova. Mas, o Aspirante deve gravar em sua memória que esses períodos constituem a culminação de processos que devem ser realizados diariamente. Sem esse requisito (serviço diário e Retrospecção), não há como aproveitar esses momentos abençoados que ocorrem durante a Lua Cheia e a Lua Nova.

Vê-se, portanto, que há muitas oportunidades dadas para que o Aspirante possa se desenvolver com maior eficácia. Mas, como já mencionado no início deste artigo, deve estar atento para observar e compreender os ensinamentos oferecidos e as condições mais favoráveis.

Possa o Aspirante aproveitar todas essas oportunidades que lhe são constantemente apresentadas.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

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Os Exercícios Noturno de Retrospecção e Matutino de Concentração

Os Exercícios Noturno de Retrospecção e Matutino de Concentração

Exercício Noturno – Retrospecção

Muitos Estudantes Rosacruzes têm dificuldade em realizar convenientemente os exercícios da Noite e da Manhã. Vamos, por essa razão, indicar um bom método a seguir. Começaremos pelo exercício da Noite.

É errado supor que deveis pensar minuto por minuto durante vossa retrospecção a tudo quanto tendes feito durante o dia que passou, controlando assim todos os atos automáticos e todas as ações diárias. Tendo uma tal concepção desse exercício, descobrireis que o sucesso é nulo ou que perdereis um tempo precioso. Há Estudantes Rosacruzes que desejam voluntariamente fixar seu pensamento sobre ideais elevados, a fim de que a passagem seja tão harmoniosa quanto possível. É muito prosaico, ou indesejável, que vosso exercício noturno se detenha sobre o fato de ter comido uma fatia de pão com goiaba ou de ter amarrado vosso calçado.

O êxito de vosso exercício noturno depende de uma vida diária consciente e do poder de pensar de maneira abstrata. Uma vida diária consciente é uma condição e pensar de maneira abstrata não toma quase tempo.

Deveis refletir sobre a beleza deste método, ele justifica-se por si mesmo; o exercício Noturno não pode tornar-se um meio para atingir a Iniciação a não ser que esse mesmo exercício se torne a este respeito, um serviço diário. Se esse último ponto não for atingido milhões de exercícios não darão nenhum resultado.

Um Estudante Rosacruz sério desempenhará conscientemente toda ação diária; ele será igualmente consciente de suas palavras, pensamentos, atos, baseando-se sempre sobre a lei Santa para o Estudante Rosacruz. Esse fundo místico de toda sua manifestação torna-se semelhante a uma segunda natureza e ele notará sem demora que, cada erro em palavra, ato ou pensamento, toma imediatamente sua desforra e que a consciência de sua falta se impõe imediatamente. É por essa razão que alguns Estudantes Rosacruzes sérios que realmente vivem a vida, dizem: “o exercício noturno é para mim um serviço diário”, o que prova que se acham “no caminho”. Entretanto, quando tiverdes feito essa experiência, não deveis cometer a falta de crer que o exercício da Noite é supérfluo. Assim seria se o exercício da Noite não fosse mais do que um meio para atingir o conhecimento de si mesmo; ele é igualmente um dos meios dados pelos Irmãos Maiores para chegar à Iniciação.

Consideremos agora o exercício na suposição que vós o fazeis como um serviço diário.

Depois de entrar no leito, tomai uma posição a mais confortável possível e estendeis o corpo. Fixai vosso pensamento sobre o emblema da Rosacruz e deixai aproximar-se de vós mais e mais a Cruz com as Rosas até que ela se imponha a vós de maneira luminosa. Depois disso examinai rapidamente tudo o que se passou durante o dia (o que é fácil pelo pensamento abstrato). Isso supera o trabalho do cérebro e vereis como as experiências importantes e notáveis do dia se apresentarão com a rapidez do relâmpago tocando vosso coração e vossa cabeça, conforme sejam as experiências de natureza mística ou intelectual.

Seguem-se primeiramente sensações de alegria e de paz ou sensações de tristeza e desespero (pelas boas ou más ações). Em seguida, pelo choque ocasionado, importantes órgãos latentes do corpo material recebem vibrações mais elevadas graças às quais o caminho da liberação desenha-se de mais em mais. (Quando a Cruz luminosa se acha diante de vós, podeis pronunciar uma pequena prece antes de começar a retrospecção).

Depois do exercício que não dura mais do que alguns instantes, elevai-vos no abstrato, e depois de um certo tempo vos será possível passar conscientemente ao estado de sono, onde o outro Mundo vos acena. Estamos persuadidos de vos ter dado uma outra visão desse serviço bem conhecido do Estudante Rosacruz. Temos refletido muito tempo para saber se podíamos falar disso; os numerosos pedidos a esse respeito nos indicaram que o tempo era chegado.

Esperamos que compreendereis bem o que foi explicado acima; nós rogamos para que nossos Estudantes Rosacruzes possam rapidamente franquear a porta de ferro do Serviço diário para ir ao verdadeiro exercício da Noite que é de ouro. Assim vós transformareis o ferro em ouro e vos tornareis um alquimista da Rosacruz.

Exercício Matutino – Concentração

Em nosso artigo precedente nós vos demos esclarecimentos sobre o exercício Noturno.

Muitos Estudantes Rosacruzes que antes quebravam a cabeça para preencher o exercício da noite acham-se capacitados agora de se submeterem harmoniosamente ao plano estabelecido pelos Irmãos Maiores para nos auxiliarem em nossos esforços para atingir uma consciência mais elevada.

Esperamos poder vos auxiliar igualmente, submetendo-vos uma nova perspectiva sobre o exercício da Manhã.

Sabeis que o exercício da Noite, depois que o neófito atingiu a prática do serviço diário, é uma penitência para desenvolver uma mais alta vibração em certos órgãos do corpo físico. É a Glândula Pituitária que é mais especialmente atingida pelo exercício da Noite. O exercício da Manhã age por sua vez sobre a Glândula Pineal, excitando-a a mais elevadas vibrações.

Não há nenhuma razão em se abster de um dos exercícios e de crer conveniente realizar o outro. Um exercício feito sem o outro é perfeitamente inútil e mesmo prejudicial. Trata-se de um só exercício com dois aspectos. Uma metade é feita antes de dormir, a outra, depois. Trata-se de poder evadir-se conscientemente da chamada consciência de vigília para o inconsciente e de poder voltar conscientemente para poder em seguida, como bem vos parece, ir de um mundo a outro.

Antes de falar do segundo aspecto desse importante exercício mágico, nós chamamos novamente vossa atenção sobre o “serviço diário”. Reledes o que temos dito acima; economizaremos tempo.

Quando o Estudante Rosacruz vive verdadeiramente a vida e na mais elevada expressão da palavra, toda sua vida, suas idas e vindas, todas suas ações estarão em concordância com o Fim Essencial de toda existência humana e tudo o que ela deve atingir; e dessa maneira, todo pensamento se dirigirá para esse Ideal. Cada dia ele vê diante de si sua vocação crescer em natureza, com todas as consequências relativas.

Podeis, pois, facilmente imaginar que um tal Estudante Rosacruz não tem falta de assuntos de reflexão para seu exercício matinal, esse exercício baseando-se sobre a verdadeira vida. Não deve perder-se nas origens de um palito de fósforo, de um vestido ou de qualquer outro objeto empregado, pois quando vós aspirais à realidade do ato em todas as coisas o fato de ser pioneiro pode levar a situações grotescas nas quais nós podemos nos perder. Agora o método!

Depois da penitência consciente que levou o trabalho do fogo purificador ao Estudante Rosacruz, ele terá uma noite de atividade intensa, não obstante o Estudante Rosacruz novato não se lembrar de nada disto, a lembrança virá mais tarde.

Assim passam-se as horas da noite até o momento de despertar. Voltamos lentamente ao inconsciente na vida material. Cada um conhece esse estado passageiro. A vida que se aproxima traz-nos seus conflitos, suas necessidades e suas forças, em relação aos deveres diários; o Estudante Rosacruz experimenta fora dessa multidão de coisas que se defrontam o que se acha em relação com sua tarefa particular, sua vocação e é isso que ele estuda durante esses momentos encantadores que precedem o despertamento real. Resulta disso um movimento oscilatório, um movimento ritmado; um retorno ao sono depois a aproximação do despertar. Depois vê uma formidável visão sobre seu trabalho, sua tarefa, sua vocação; um transporte da verdadeira essência espiritual sobre a personalidade toda, inteira, um verdadeiro banho espiritual, um afastamento de fronteiras.

Qual é, pois, o resultado de tudo isso? A glândula pineal foi levada pelo processo descrito a uma atividade intensa. A ação radiante desse órgão se amplifica e ele vibra em uníssono e entra em contato com a ação radiante do corpo pituitário. É um turbilhão de forças agindo o fluxo e o refluxo: é uma união contínua devida a uma reação constante; de onde resulta segundo a perspectiva idealizada um alargamento de consciência.

É o que há de mais importante no exercício da manhã. Tenhais presentes nossas observações que nós resumimos abaixo.

Não deveis separar nunca o exercício da Manhã do da Noite. Colocai-vos na vida real e vosso exercício da Manhã se tornará igualmente uma pluralidade de realidades. Ele vos sustenta na vida e vos dá as mais altas possibilidades.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mai-jun/88)

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Preparação para se encontrar com o Mestre, um Adepto da Ordem Rosacruz

Preparação para se encontrar com o Mestre, um Adepto da Ordem Rosacruz

O Estudante dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz recebe a instrução de que num certo ponto de seu desenvolvimento espiritual encontrará o Mestre, um Adepto da Ordem Rosacruz, que é uma das Escolas de Mistérios Menores que trabalham incessantemente pelo progresso evolutivo da humanidade. Quando o Aspirante tenha feito suficiente progresso na senda da conquista espiritual, como para merecer a assistência individual de um Ser tão augusto, lhe é dada a necessária assistência a fim de dar passos ulteriores, adiante e acima.

A nota-chave da Senda Rosacruz de Aquisição, na qual o Estudante a seu tempo encontra o Mestre, é “serviço amoroso e desinteressado aos demais”, e a divisa dada como guia é: “Mente pura, Coração nobre e Corpo são”. Para alcançar o florescimento de consciência necessária para chegar à plenitude destes ideais, o Aspirante deverá seguir uma regra de conduta designada pelos Sábios para seu próprio benefício.

Primeiramente, após obter alguma compreensão das leis divinas que governam nosso universo, vem uma dedicação consciente e uma vida de conformidade com estas leis. Para observar esta dedicação requer-se autodisciplina e sacrifício, uma purificação dos Corpos e da Mente e o uso da vontade para desenvolver as faculdades internas latentes em todo ser humano.

Entre os primeiros passos específicos da Senda, baseados na aceitação da unidade de toda a Vida e a santidade dessa Vida, estão a abstinência de comer a carne de nossos irmãos menores, os animais, de usar couro, peles e plumas ou qualquer outro produto que utilize partes dos Corpos dos nossos irmãos menores, os animais (mamíferos, aves, peixes e quaisquer outros ser vivo dessa onda de vida) ou, ainda, que sejam sacrificados em testes para a obtenção desses produtos. A abstinência do uso do tabaco e de quaisquer bebidas alcoólicas segue à compreensão de que o Corpo é o templo do Espírito que mora em nós — o Deus Interno. Até que o Aspirante desenvolva a consciência de largar facilmente e voluntariamente estas práticas prejudiciais, não deve esperar que o Mestre seja atraído para ele.

O neófito que tenha entrado na Senda da Aquisição Espiritual deve também começar a conservar a divina força criadora interna, antes de que possa fazer maior progresso espiritual. Mediante o sacrifício e a vida reta (incluindo o reto sentir e o reto pensar), deve purificar e elevar este fogo criador ao cérebro, onde pode ser usado e convertido em poder anímico por meio dos órgãos espirituais, a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário. Todo trabalho criativo (serviço), incluindo o trabalho físico, a composição musical e artística, a arte de escrever e as ciências materiais, elevam a força ou fogo criador a canais superiores. Todo Aspirante deveria dedicar uma parte de seu tempo a tais atividades criadoras.

Devem ser praticados diariamente esforços para controlar as emoções e sentimentos, transformando-os em canais construtivos. A perda da paciência é muito prejudicial para o crescimento interno: é dissipação em grande escala de energia que pode ser proveitosamente usada no serviço. Mais ainda, envenena o Corpo, arruína-o e obstaculiza enormemente a aquisição. Todo Aspirante sincero luta por dominar sua natureza de desejos, mediante o seguimento dos preceitos do Mestre dos Mestres, Cristo-Jesus, quem manda que amemos a nossos inimigos, que façamos o bem a quem nos aborrece e que amemos a nosso próximo como a nós mesmos. Com o tempo se converterá em um guardião seguro de seu poder de pensamento, por meio do qual poderá formar ideias exatas, que estarão imediatamente prontas para cristalizar-se em coisas úteis.

Como ajuda específica para os que estão no Caminho, a Fraternidade Rosacruz dá dois exercícios, conduzindo ambos à intuição e à visão espiritual. Um é chamado Concentração, e para maiores resultados deveria ser praticado imediatamente ao despertar de manhã. Desenvolve o controle e o poder de pensamento, essenciais para desenvolver os poderes do Espírito para dirigir a vida em direção a metas escolhidas. O segundo exercício chama-se Retrospecção, devendo ser executado cada noite precisamente antes de recolher-se. Desenvolve a devoção, a compaixão e as outras qualidades do coração, especialmente necessárias para aqueles que se encontram no caminho do ocultismo.

Ao Estudante da Fraternidade Rosacruz aconselha-se que faça seus exercícios no retiro e na solidão de sua própria habitação. Pode ser que os resultados sejam obtidos mais lentamente por este método, mas quando aparecerem se manifestarão como poderes cultivados por si mesmo, usados independentemente das demais pessoas. Este método constrói o caráter ao mesmo tempo que desenvolve as faculdades espirituais e assim protege o discípulo de cair na tentação de prostituir os poderes divinos por prestígio mundano.

O tempo requerido para obter resultados da execução dos exercícios varia de acordo com cada indivíduo e depende de sua aplicação, seu estudo evolutivo e de seu registro no Livro do Destino ou Memória da Natureza. Por conseguinte, não é possível fixar-se um tempo determinado. Alguns, que estão quase prontos, obtêm resultados em poucos dias ou semanas, outros têm que trabalhar por meses, anos, ainda sua vida inteira sem resultados ‘visíveis’. Não obstante resultados estarão ali e o Aspirante que fielmente persista, contemplará, algum dia, nesta ou numa vida futura, a recompensa de sua paciência e fidelidade.

O Estudante deveria ter sempre presente que está sendo emancipado da dependência dos demais. Está sendo educado, fortalecido e convertido em um colaborador altamente confiante em si mesmo, da vinha de Cristo. Assim está aprendendo a caminhar sozinho sob todas as circunstâncias, a fazer frente a todas as condições e a render sabiamente o serviço amoroso, que dele se requer. Os Mestres não podem fazer por nós as boas obras requeridas para o crescimento anímico, nem as assimilar, nem nos dar para usar o poder resultante, assim como não podem nos dar fortaleza física comendo nossa comida.

Através de seu treinamento para uma consciência espiritual mais elevada, o neófito deve cultivar o amor e a fé como princípios governantes de sua existência. Não pode esperar converter-se em Discípulo de um Mestre que está representando uma certa Ordem, se não tem fé nesta Ordem e se não tem o valor e a fortaleza para resistir à investida do inimigo. Será provado uma e outra vez em seus pontos mais débeis, seja o egoísmo, o egocentrismo, os ciúmes, a intolerância, o amor ao poder, a vaidade, etc. As particulares tentações, quando vencidas, servirão como degraus para subir mais acima. Ao fazer frente a estas provas e tentações, não deve perder de vista a máxima que diz: “Não existe fracasso, senão em deixar de lutar”. Ao fracassar, deve tentar de novo, ou do contrário não haverá graus que subir. O ser humano deve elevar-se a si mesmo. Mesmo que possa receber ajuda dos Seres Superiores, ninguém pode fazer seu trabalho espiritual por ele, e quando tenha aceso a chama do Espírito ao escolher este caminho, não pode voltar atrás. Deve prosseguir. A guerra do eu superior e inferior traz desarmonia e dor, mas neste crisol das experiências diárias arde o fogo do Espírito sobre as escórias. Desta forma o neófito aprende a parar de responder ao lado da forma da vida, o qual é um véu que oculta a Luz de Deus, e começa a abrir-se rumo ao superior.

Jesus Cristo disse a Nicodemos: “Vos é necessário nascer outra vez”, e isto se aplica ao Aspirante que se prepara conscientemente para encontrar o Mestre que está guiando e ajudando o neófito da Escola Rosacruz.

Com referência ao Mestre e a relação do neófito com Ele, Max Heindel nos diz: “Favor recordar que havendo vindo como resposta à oração (a qual não é apenas palavras, senão uma vida de aspiração), o Mestre dá prova indiscutível de Seu poder e capacidade de ensinar, guiar e ajudar. Então, fazemos o pedido de que em diante deve-se ter absoluta fé nele; do contrário torna-se impossível para ele trabalhar com o Aspirante. O Mestre deve provar sua capacidade e a provará. Ele é conhecido por seus frutos, e a sua vez pede lealdade. A menos que esta fé, esta lealdade, esta prontidão em servir, esta vontade de fazer o que se requer, venha do Aspirante, a relação terminará. Além disso, não há perigo de que o Mestre descuide de alguém que tenha alcançado o desenvolvimento requerido. Toda boa e desinteressada ação aumenta a luminosidade e poder vibrante da aura do candidato enormemente, e tão seguramente como o ímã atrai a agulha, assim o brilho da luz áurica atrai o Mestre”.

“O Aspirante nunca deve temer que por falta de um Mestre seja demorado em dar os passos espirituais; nem necessita preocupar-se em buscar um Mestre. Tudo o que é necessário para ele é começar a melhorar-se a si mesmo e, seriamente e persistentemente, continuar assim. Desta forma purificará seus veículos. Estes começarão a brilhar nos Mundos internos e não pode deixar de chamar a atenção do Mestre, que está sempre buscando estes casos e está mais que ansioso e alegre em ajudar àqueles que, às custas de seus sinceros esforços pela purificação de si próprios, obtiveram o direito de receber ajuda. À humanidade está urgentemente necessitada de auxiliares que sejam capazes de trabalhar nos mundos internos; portanto, ‘buscais e encontrareis’”.

(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mai/jun/88)

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Vivendo uma Vida Espiritual: Exercícios Importantes e Necessários

Vivendo uma Vida Espiritual: Exercícios Importantes e Necessários

O que devemos fazer para viver uma vida espiritual? Neste artigo consideraremos alguns dos exercícios que são importantes para o indivíduo que deseja viver uma vida espiritual. Na introdução do livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” lemos: “O ser humano que percebe a sua ignorância deu o primeiro passo na direção da sabedoria. O caminho que leva ao conhecimento de primeira mão, não é fácil. Nada realmente valioso se consegue sem esforço persistente. Nunca é demais repetir que não existem tais coisas como especiais dons naturais ou “sorte”. Tudo o que qualquer pessoa é ou tem é o resultado de esforço. O que a alguém falta em comparação com outros está latente dentro de si mesmo e susceptível de desenvolvimento por métodos apropriados”.

“Se o leitor, tendo compreendido esta ideia completamente, se interrogasse sobre o que deveria fazer para obter o aludido conhecimento de primeira mão, a história a seguir pode servir para imprimir essa ideia, que é a ideia central em ocultismo: “Um jovem, certa vez, procurou um sábio e perguntou-lhe, “Senhor o que devo fazer para me tornar sábio? O sábio não se dignou dar resposta. O jovem depois de repetir esta pergunta algumas vezes, com o mesmo resultado, foi-se embora, por fim, para voltar no dia seguinte com a mesma pergunta. Novamente nenhuma resposta recebeu e o jovem retornou no terceiro dia, ainda repetindo a sua interrogação, “Senhor, o que devo fazer para me tornar sábio?”.

“Finalmente o sábio voltou-se e desceu na direção dum rio próximo. Entrou na água e convidou o jovem a segui-lo. Após ter chegado a uma determinada profundidade, o sábio segurou o jovem pelos ombros e empurrou-o para debaixo da água a despeito de seus esforços para se libertar. Não obstante, após certo tempo deixou-o vir à tona e quando o jovem já tinha recobrado a respiração, o sábio perguntou-lhe: “Filho, quando estavas debaixo da água o que é que anelava mais intensamente? “O jovem respondeu sem hesitação: “Ar, ar! Eu queria ar.”

“Você não preferiria antes ter tido riqueza, prazer, poder ou amores, meu filho? Não pensou em nada disto? Inquiriu o sábio.

“Não, Senhor! Eu queria ar e só pensava em ar”, veio a resposta imediata. “Então”, disse o sábio, “para se tornar sábio você deve desejar Sabedoria com tão grande intensidade como agora desejou ar. Deve lutar por ela com exclusão de qualquer outra finalidade na vida. Ela deve ser sua única aspiração dia e noite. Se procurar ser sábio com tal fervor, meu filho garanto-lhe que o será.”

Aqueles que querem viver uma vida espiritual devem procurá-la da mesma maneira que o pobre rapaz procurava ar. Devemos querê-la com toda a nossa vontade.

Há algumas coisas que devemos conservar em mente em relação com os exercícios espirituais e com a prática duma vida espiritual. Nós estamos desejando integrar-nos numa escola Cristã de ocultismo. Uma das mais importantes virtudes do ocultismo ocidental é a confiança em si próprio. Existe, todavia, um paradoxo. Somos instados a cultivar a confiança em nós próprios, e, no entanto, ao mesmo tempo, dizem-nos que Cristo é o poder por detrás de tudo que fazemos. Muitas pessoas, na realidade, nunca pensaram sobre isto. Mas temos que pensar acerca desse paradoxo se quisermos viver uma vida espiritual: vamos tentar fazer tudo que nos for possível por nós próprios, mas ao mesmo tempo não podemos fazê-lo sozinhos.

CRISTO DENTRO DE NÓS

Existe uma solução simples para esse paradoxo. Muitas pessoas encaram Cristo só como uma pessoa fora de nós. Quando estudamos ocultismo ocidental, porém, nós descobrimos que há algo mais poderoso do que simplesmente o Cristo externo. É verdade que Ele existe em todo o mundo. Como está escrito no Evangelho de S. João: “Eu sou a videira e vós os ramos”. A mesma seiva que corre através da videira corre também pelos ramos.

As pessoas que aspiram a viver uma vida espiritual descobrem que despertaram dentro de si mesmo, exatamente o ideal a que aspiram. Cristo disse “Procurai primeiro o Reino dos Céus,” e Ele disse que o Reino dos Céus está dentro de nós. Do mesmo modo, Cristo está dentro de todos e cada um de nós. O Poder e a Força com os quais cada indivíduo pode obter confiança em si próprio vêm de Cristo.

Aquilo a que estamos aspirando com a ajuda da confiança em nós próprios é a mesma coisa que nos ajudará a obter a autoconfiança. Cristo é a força e o poder por detrás de nossas atividades espirituais. Os indivíduos que aspiram à compreensão do Cristo dentro de suas próprias almas terão o amparo, o apoio e a força necessários para obter essa autoconfiança e serem os indivíduos que querem ser — e não aquilo que o mundo tenta fazer deles.

OS TRÊS PASSOS

O que podemos então fazer para nos tornarmos mais espirituais? Podemos começar com três passos, o primeiro dos quais é o pensamento. A nossa capacidade de pensamento é a ponte entre os mundos espiritual e material. Através de nosso pensamento podemos pôr em contato tanto a parte interna como externa do ser humano. Assim devemos começar por compreender Cristo em nossos pensamentos. Nós estudamos, vemos, escutamos. Obtemos e criamos ideias. Estudamos o Conceito e tentamos compreender o Cristo como um poder cósmico espiritual.

Começamos a compreendê-lo em pensamento. Compreendemos que Ele é um Ser cósmico. Ele veio à terra para fazer algo pela humanidade. Quando o compreendermos mentalmente, daremos um grande passo na vivência duma vida espiritual.

Mas isto não é suficiente. Devemos também sentir. Nossos pensamentos, em certo sentido, atingem o cosmos e atraem as coisas para baixo na nossa direção, ou penetram no mundo e extraem as coisas para nós. Nossos sentimentos vêm de nossos corações, de dentro de nós. Então consideramos nossos pensamentos — nossas ideias sobre o que Cristo representa, nossas ideias sobre o que significa viver uma vida espiritual — e tentamos impregná-los com os nossos próprios sentimentos. “Como o ser humano pensa assim é no seu coração”.

O Sr. Heindel diz-nos que o desejo é a mola propulsora da ação. O próximo passo, portanto, é a ação. Quando pensamos a respeito de algo e impregnamo-lo com nossos sentimentos, estamos prontos a pô-lo em ação. De que nos vale demonstrar amor se não o sentimos? Essas coisas, então, são as molas mestras da atividade humana: o modo como pensamos; o modo como sentimos; o modo como agimos. Se vamos compreender o que Cristo significa para nós sob o ponto de vista espiritual, temos que pensar nele, senti-lo e temos que agir como Ele agiu.

A capacidade do ser humano para viver uma vida espiritual é proveniente do sacrifício de Cristo, a dois mil anos atrás. Em virtude do poder que Ele infundiu no mundo, o ser humano tem-se tornado cada vez mais forte em sua individualidade. Em virtude de sua individualidade espiritualizada, ele pode, como Cristo disse “Alegrai-vos, porque Eu venci o mundo”. Cristo deu-nos o poder com que podemos vencer o mundo: não deixar o mundo, mas vencê-lo e espiritualizá-lo — para o transformar.

RETROSPECÇÃO

Daqui damos outro passo para compreender e crescer na vida espiritual. Este exercício deve ser feito ao mesmo tempo em que se intentam os outros. Chama-se Retrospecção. Os alquimistas aqueciam os metais no fogo do cadinho e de todas as vezes tiravam as escórias. Isto era um processo de purificação. Os metais eram então muito puros. O nosso corpo é um cadinho e o fogo que ateamos sob ele é a consciência. A Retrospecção, que fortalece a consciência, é parte de nosso processo de purificação.

Para que os indivíduos possam tornar-se canais efetivos para as forças espirituais, devem ser purificados. A Retrospecção é um exercício que cada pessoa pode usar para tornar seus pensamentos, sentimentos e ações mais puros. A Retrospecção é um exercício sugerido ao Sr. Heindel pelos Irmãos Maiores, mas não pode ser considerado, de maneira nenhuma, um exercício novo. Era usado na Escola Pitagórica como um guia seguro para a autocompreensão. A Igreja Católica tem-no praticado há longo tempo sob o nome de “Confissão”. A Retrospecção, na Escola Rosacruz é, porém, um pouco mais científico.

É feito à noite, antes de dormir. O indivíduo relembra os acontecimentos do dia em ordem inversa, desde a hora em que se deitou até à hora em que acordou de manhã.

Nós devemos, como São Paulo disse, “morrer diariamente”. A Retrospecção é um método de morrer diariamente. Se morrermos diariamente, sob o ponto de vista do Espírito, adquiriremos a capacidade de viver. Cristo morreu e Ele viveu. Ele foi ressuscitado através do poder da morte e ficou mais forte em virtude dele. Com isto queremos dizer que através de Sua capacidade em aceitar a morte e fazê-lo voluntariamente, Ele foi capaz de usar as forças criadas pelo morrer e transmutá-las no poder de viver, só que em grau mais elevado. Cada vez que nos deixamos morrer para um velho hábito que seja de natureza negativa e o vencemos, o poder que tinha sobre nós é transformado no poder de fazer o Bem, de forma ainda melhor. Através do morrer, transmutamos o velho poder em novo poder que é vida. Tal como São Paulo fazia quando morria diariamente. A seguinte citação do livro de George McDonald “A Chave de Ouro” é uma excelente ilustração desse ponto.

“Vós que sentistes o gosto da morte” disse o ancião “como é ele?”

“É bom”, disse Mossy “é melhor do que a vida”.

“Não”, disse o ancião; “é só mais vida”.

Quando revisamos os acontecimentos em ordem inversa, estamos seguindo um padrão cósmico. Após a morte, o indivíduo revê o panorama de sua vida em ordem oposta, desde que morreu até a data de seu nascimento. Este desenrolar tem um efeito poderoso sobre seus veículos espirituais. Se ele revê os acontecimentos do dia em ordem oposta, como no panorama da vida, liberta forças internas e purifica seus veículos. É verdade que “um vaso sujo não pode conter água pura e saudável”. Nós devemos, no fim de contas, purgar-nos de tudo que for negativo, lenta, mas seguramente.

Se fizermos a Retrospecção corretamente, aprendemos a sentir em nossos corações o perdão aos nossos inimigos. Do mesmo modo, aprendemos a reconhecer o que fizemos de mal. Isto é um dos mais poderosos argumentos a favor da Retrospecção. Nós não sentimos somente dor pelas coisas erradas que fizemos. Também tentamos sentir o que a outra pessoa sentiu. Além disso, tentamos sentir o bem que fizemos, por pouco que tenha sido. Se fizermos algo que possa ter dado a alguém felicidade, tentamos senti-la. Nós experimentamos como ela se sentiu em sua satisfação.

O fato importante é que o exercício é impessoal. Quando estamos sentindo o que outra pessoa sentiu, estamos pensando em outrem e não em nós próprios. Eis uma das razões porque o exercício é importante. Quando pensamos no próximo, começamos a compreendê-lo.

A Retrospecção é um exercício para uma vida inteira. Quanto mais fazemos este exercício, mais desenvolvemos a nossa capacidade de conhecer as pessoas que nos rodeiam. Quanto mais puros nos tornemos, mais claras veremos as coisas.

CONCENTRAÇÃO

Além da purificação, este exercício traz-nos muitos benefícios. A falta de Concentração é, talvez, para qualquer de nós, a coisa mais difícil de dominar. A despeito das dimensões de nossos corpos físicos, nossas mentes ainda flutuam lá longe nas nuvens. A Concentração, no mundo ocidental, é uma das coisas mais difíceis de conseguir. Por quê? Sabê-lo-emos se olharmos à roda de nós próprios. Na televisão, por exemplo, de instante a instante surge um comercial. Os jornais com os seus muitos artigos superficiais em suas páginas — na escola somos obrigados a aprender inúmeros pequenos fatos e informações.

Esse tipo de dispersão vai insidiosamente enfraquecendo a capacidade do ser humano se concentrar. Devemos fazer tudo que nos seja possível para combater isso. A ideia dos exercícios espirituais é que obtenhamos controle sobre nós próprios, que aprendamos a não permitir que circunstâncias exteriores controlem nossas vidas. Quando seguimos os acontecimentos do dia em ordem inversa, durante a Retrospecção, tal prática exige Concentração. A mente torna-se mais perspicaz. A Concentração, então, é um dos benefícios paralelos da Retrospecção. É difícil no início, mas quanto mais uma pessoa persiste, mais capaz se tornará. A palavra-chave de todo o exercício espiritual é a persistência.

Quantas pessoas têm uma memória fraca? As nossas memórias também estão sendo seriamente enfraquecidas. Estamos tão imbuídos com a ideia de que devemos ser como gravadores e computadores que nos esquecemos de nossa própria humanidade. Em consequência, nossas memórias tornam-se gradualmente enfraquecidas. A memória não é uma fita de gravação. A memória é uma coisa viva.

A Retrospecção trabalha sutilmente na memória. Esta não é mais simplesmente um repositório de conceitos intelectuais. Devemos também lembrar os sentimentos que circundam nossas ações. Devemos lembrar as ações em si e os pensamentos por detrás delas. No pensamento temos a razão por que fazemos alguma coisa. No sentimento, temos o incentivo para a ação que cometemos. Então, finalmente, temos a ação. A pessoa que persistir no exercício da Retrospecção, verificará como sua memória se torna mais aguda e clara. Ele não mais verá o mundo em esboços vagos e nebulosos ou com a consciência normalmente confusa, ao contrário, o mundo físico começará a ter mais sentido, a ser mais claro. Nós só vemos o mundo claramente, quando é claro o nosso interior.

ORGANIZAÇÃO

Um outro benefício paralelo é a organização — algo que, frequentemente, achamos muito difícil. Nos negócios pode ser que seja fácil nos organizarmos, mas para organizar nossas vidas requer-se uma grande faxina. Na Retrospecção também aprendemos organização porque, novamente, também temos de seguir uma sequência.

A Retrospecção ajuda a organizar a memória consciente em relação à memória subconsciente.

Se começarmos conscientemente a controlar nossas vidas e tentar ver tão claramente quanto possível aquilo em que o nosso procedimento foi correto e não mais tentar justificar-nos relativamente às coisas erradas que fizemos, a verdadeira memória que faz parte de nosso Corpo Vital, começará a organizar-se com a consciência. Nós, afinal, teremos mais controle sobre nossos impulsos subconscientes. Muito de nossas vidas é controlado por pensamentos reprimidos e indisciplinados. Purificando-nos, lenta mas seguramente, desses pensamentos e organizando a nossa maneira de pensar, podemos começar a viver melhores vidas espirituais. Podemos, também, fazer a Retrospecção de acontecimentos de dias e anos passados, encará-los e saber o que significam exatamente. Isso também nos ajudará a purificar-nos, permitindo que Cristo faça em nós sua morada.

MEDITAÇÃO

O próximo exercício a considerar é a Meditação, uma palavra não muito usada nos dias atuais a não ser combinada com uma moldura oriental de referência. Todavia, os verdadeiros fundamentos do Cristianismo têm a sua base na Meditação. A Meditação e a oração são as duas coisas que ajudaram os monges a obter o discernimento espiritual que lhes era peculiar. Mas, agora, fora da Meditação transcendental e de alguns exercícios de ioga, a Meditação, sob o ponto de vista ocidental é quase inexistente.

A Meditação inclui uma forma muito mais profunda de pensar e de sentir do que o que estamos habituados. Existem muitas experiências individuais de Meditação que não podem ser definidas, mas os seus benefícios rapidamente se tornam óbvios, nas vidas daqueles que a praticam.

A Meditação, podemos dizer, é a Concentração sobre uma ideia, em tal grau, que a sentimos como uma ideia externa e, simultaneamente, como uma realidade interna. Uma pessoa pode meditar numa frase como “Deus é Luz” ou “Deus é Amor”. Existe muito poder nessas frases que pode seguramente dar uma força interna para enfrentar a vida.

Uma pessoa pode meditar sobre uma frase elevada, como as que se encontram na Bíblia ou em livros devocionários. Essa não é a espécie de Meditação através da qual obtemos sabedoria. Em vez disso, ela é uma Meditação de suporte, de amparo, de apoio — a Meditação que nos dá o poder e a capacidade de viver no mundo físico ao mesmo tempo que estamos sintonizados com o mundo e a vida do Cristo.

A Meditação para ser eficiente, porém, não deve ser praticada irregularmente. A persistência é a chave. Devemos fazê-la todos os dias, se queremos tirar algum benefício.

Deve-se reservar uma determinada hora diariamente, de maneira disciplinada, para fazer a Meditação. A disciplina está na base duma vivência espiritual efetiva. Sem disciplina não teríamos arte ou música, nem roupas ou mobílias. Para adquirir disciplina na Meditação, devemos efetuá-la à mesma hora, diariamente. Uma vez de manhã e uma vez antes de deitar são boas horas para fazê-lo — mais particularmente de manhã, que é quando precisamos de mais força.

VISUALIZAÇÃO

A visualização é também importante na compreensão de certos conceitos. Por exemplo, nós podemos imaginar uma rosa e visualizá-la. Isso pode ajudar no controle da imaginação, que é, também, muito descontrolada, atualmente. Quando meditamos, pela primeira vez, muitas figuras, imagens e ideias podem passar por nossas mentes como água por uma peneira. Se persistirmos, porém, podemos, gradualmente aprender como reter um pensamento particular. Para algumas pessoas as frases funcionam muito bem. Outras são mais visuais, portanto para elas as visualizações funcionam muito bem. Através da visualização, pode-se criar certos sentimentos e efeitos sutis. Quando meditamos sobre a rosa branca, por exemplo, começamos a ter consciência da pureza da planta e a alcançar o significado de nossa própria pureza potencial.

É claro que devemos meditar sobre coisas nobres. Podemos meditar sobre Cristo, visualizando-o curando os doentes, e sentindo dentro de nós essa Sua força curativa. Podemos visualizá-lo na ressurreição quando ele veio para junto de Seus discípulos e sentir que o poder que nos sustem está ali. O importante é que escolhamos assuntos que ajudem a elevar as nossas vidas e que chamem a nossa atenção, durante esses momentos, para o caminho que leva a Deus.

Com a Meditação, plantamos sementes para o futuro. O desenvolvimento do ser humano é muito sutil. Não mudamos de uma dia para o outro. As nossas vidas têm sido endurecidas através dos anos com muitas tendências cristalizantes. Vivemos num mundo físico que basicamente não compreende a alma do ser humano e frequentemente a nega. Vivemos num mundo onde a tecnologia, gradativamente, está tomando conta do desenvolvimento da consciência do ser humano. Agora existem máquinas que, dizem-nos “ajudá-lo-ão a desenvolver-se espiritualmente”. É impossível que máquinas façam isso. Elas podem fazer algo por nossa natureza psicológica, mas não podem fazer-nos crescer espiritualmente. Espiritualidade é um assunto do Espírito manifestando-se através da consciência, e nenhuma máquina pode acordar o Espírito em quem quer que seja, a menos que o faça através do sofrimento. Então o Espírito clama.

Pela Meditação, vamo-nos lentamente afastando de todas as coisas artificiais que temos edificado através de nossas vidas. Pode ser que, por vezes, meditemos sobre algo durante meses e nada aconteça. Mas depositamos a semente e um ano mais tarde, ou mais ou menos talvez, subitamente nós podemos perceber e experimentar o sentimento que estávamos perseguindo.

EXERCÍCIO ESPIRITUAL

A intenção dos exercícios espirituais, então, não é fazer-nos retirar do mundo, mas tornar-nos melhores pessoas. Que bem colhemos em fazer os nossos trabalhos no mundo se não há nenhuma força de espírito por traz de nossos esforços? A Meditação dá-nos a força para suportar o mundo físico — e nós devemos sofrê-lo. Estamos aqui para ficar muito tempo e temos muitas lições para aprender. Não podemos fazê-lo sozinhos. Devemos sintonizar-nos com as forças espirituais que nos deem a força para ser como Cristo. “Pois no mundo haveis de ter tribulações; mas alegrai-vos, pois eu venci o mundo”.

A Meditação, a Retrospecção e a atenção aos nossos pensamentos, sentimentos e ações são os meios pelos quais seremos amparados para vencer o mundo físico e quebrar as cadeias que nos sujeitam. Devemos fazer a Retrospecção antes que possamos colher os benefícios da Meditação. Precisamos de purificação porque, se meditamos sem estar purificados, chamamos a nós forças espirituais que só intensificarão nossa impureza. Assim, antes de nos dedicarmos francamente à Meditação, é aconselhável a prática de, pelo menos, seis meses de Retrospecção.

A nossa consciência é como um campo. As terras foram-nos dadas por Deus, mas depende de nós cultivá-las. Isto é o que estes exercícios fazem. Primeiro fazemos a Retrospecção e aramos o campo. Livramo-nos dos pedregulhos e das ervas daninhas. Preparamos um bom solo e regamo-lo. Então, através da Meditação, plantamos as sementes, fileira por fileira. E, lenta, mas seguramente as sementes começam a produzir fruto. É lento, mas seguro. Novamente, a persistência é a palavra-chave.

Em conclusão, devemos reiterar que as coisas espirituais não são uma fuga. A Meditação não é para ser algo com o qual se fuja do mundo. O mundo ocidental tem de fazer como Cristo fez: vencer o mundo e não deixá-lo, ou escapar dele. Assim, a Meditação, a Retrospecção e os outros exercícios espirituais são processos que usamos para fortalecer-nos, para nos amparar e dar-nos a força para vencer o mundo físico e ingressar no mundo espiritual.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978)

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Os Raios Astrais Entrelaçados em nossos Exercícios Esotéricos

Os Raios Astrais Entrelaçados em nossos Exercícios Esotéricos

Com relação à Concentração da manhã e Retrospecção à noite – dois dos nossos Exercícios Esotéricos – surge frequentemente a seguinte pergunta: qual é o melhor método para se conservar na condição física adequada e desperto na concentração, e para ter certeza que estamos avançando de maneira positiva no desenvolvimento interno?

Os Estudantes Rosacruzes não estão tão interessados no rápido progresso como no tipo de progresso que estão fazendo. Os resultados almejados determinarão a classe de Irmã ou de Irmão Leigo que o Estudante será no futuro. Um exemplo: se agora almejamos fazer um trabalho positivo e escolhemos o caminho mais fácil, como é que poderemos ser firmes, quando chegarem as nossas provas?

Recordemos que o Conceito Rosacruz do Cosmos nos ensina sobre duas correntes que rodeiam a Terra, a saber, uma horizontal e a outra vertical. A corrente horizontal é negativa e a vertical positiva, sendo que nosso pensamento se efetua mais facilmente na posição vertical.

O reino animal, desde a criatura mais inferior, está na corrente horizontal (à exceção de poucos) e sob o controle dos Espíritos-Grupo. Sabemos que a posição horizontal de suas colunas nos mostra que assim é de fato (Conceito). Quando deitamos sobre nossas colunas estamos também na posição horizontal e, portanto, nas correntes negativas, podendo assim mais facilmente sairmos de nossos corpos, sendo que nós, Estudantes positivos, desejamos construir a ponte que conduz o conhecimento consciente quando fora do Corpo Denso.

E assim é que trabalhamos para o controle positivo da corrente negativa.

Nossa preparação fundamental é, assim, a concentração, a observação, o discernimento, a contemplação e a adoração.

Uma das primeiras obrigações em nossa Filosofia é assumir a responsabilidade por cada ato nosso. Devemos julgar a nós próprios. Não temos sacerdotes, portanto, de grande importância é para nós a Retrospecção. Quando executamos nosso trabalho, consultamos o horóscopo em busca de intuições sobre o que fizemos em vidas passadas. Quanto nos ajudaria se estudássemos o horóscopo para o método de Retrospecção?

Dividindo um problema em partes sua solução fica mais fácil. Tomando o problema da Retrospecção levantado acima, num horóscopo, vejamos como poderíamos dividi-lo. Os números místicos são geralmente mais atrativos para esse trabalho, assim, dividamos nosso problema no número doze, anotemos o número nove, e para completar tendo os números mais importantes, adicionemos quatro, ficando treze. Somemos quatro e dois para obter seis.

Sabemos que o Sol a cada ano caminha através dos doze Signos e a Terra se deixa influenciar por seus raios, mudando suas características de acordo com cada Signo. Os raios solares são dirigidos a doze setores de nossas vidas nos doze meses do ano e que a Lua, o minuteiro do relógio do tempo, passa através desses doze departamentos a cada mês.

Mensalmente ocorrem duas Lunações, muito importantes para o Estudante esotérico. Na Lua Cheia olha-se para trás, para o mês passado, e observa-se o progresso entre uma Lua Cheia e outra. Na Lua Nova olha-se para o futuro mês, e planeja-se o trabalho mais próximo em relação ao trabalho que já se realizou. Cada passo da Lua nos Signos Cardeais ou impulsivos (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é o período em que se realiza o melhor trabalho de cura. Nessa época é muito importante meditar sobre a virtude do Signo no qual a Lua transita. Cada um de nós têm um ponto alto em nosso próprio horóscopo, denominado ângulo, que é cruzado pela Lua quatro vezes ao mês. Não importando como estejam aspectados, todos nós temos nove Astros a considerar em nossas vidas.

Agora vejamos o problema e associemos os números mencionados:

12 – Doze Signos

2 – Duas Lunações

4 – Quatro Pontos Cardeais

4 – Quatro Ângulos no horóscopo Individual

9 – Novo Astros em cada horóscopo

Somando tudo temos: 31

Existem trinta é um dias a considerar; assim temos o material suficiente para iniciarmos.

Todos os estudantes de Astrologia sabem que o dia em que ocorre um Aspecto é a ocasião mais propícia para a ação. Assim, o dia em que a influência de Vênus estiver mais forte, será provavelmente a data em que compraremos um traje novo. Se isso é certo, então o dia em que a Lua está em determinado Signo é o tempo para meditar sobre as qualidades desse Signo, não nos esquecendo de que a Lua leva dois dias e meio para passar através de um Signo. Vejamos alguns exemplos:

Vamos supor que a Lua esteja em Peixes. Qual é a natureza desse Signo? É um Signo místico, reservado e generoso; dá oportunidades para meditar sobre as verdades subjetivas da vida, porque Peixes rege os pés, simbolizando o conhecimento do corpo e, num plano mais profundo, esclarece sobre as ações e reações do Destino (Lei de Consequência). Consideremos agora o lugar do Peixes num horóscopo, e vejamos se a Casa é angular ou não. Em caso positivo, então, precisamos meditar sobre nossa própria posição no assunto, ou seja, as qualidades do Signo. Perceberemos, então que muitos assuntos, que para nós poderiam ser de pouca importância, em tais ocasiões assumem grandes proporções, devido às influências dos ângulos existentes.

Perguntamos agora: como uso essas qualidades em minha vida?

Supondo-se que a Lua esteja passando por Libra, por exemplo, e considerando a nota-chave de Libra, o Equilíbrio, refletiremos assim: equilibrei hoje minhas ações, quando os acontecimentos previstos na Lei de Consequência ocorreram?

Mais à frente, a Lua se translada para o agressivo Signo de Áries. As Luas Cheias, quando em Áries, são muito importantes. Devem ser assim consideradas porque iniciam um novo ciclo de Lua Cheia visto astrologicamente, pois Áries é o primeiro Signo do Zodíaco. Nessa fase, devemos considerar como tem sido o nosso mês, e também devemos nos analisar a respeito de que obra positiva temos iniciado.

Se a passagem da Lua pelos Signos Cardeais é muito importante, o quanto não será o da passagem do Sol, o dador da vida, pelos mesmos Signos? Assim, quando o Sol está transitando pelos Signos Cardeais é o tempo em que precisaríamos estar em sagrada comunhão com nossos “Eu’s Superiores” para os próximos três meses, ou seja, desde o atual Signo Cardeal até o próximo.

Meditações semelhantes também encontram campo quando o Sol transita pelo Signo do Equilíbrio (Libra), da Regeneração (Escorpião), e da Aspiração (Sagitário).

Esses períodos que citamos acima, do ingresso do Sol, deveriam ser observados unicamente em relação ao exercício de Retrospecção e da oração, pois o poder desses serviços é grande e está escrito que é por nosso próprio risco que tomamos o pão e o vinho – (ICor 11:23-30).

Nossa preparação espiritual para o trânsito do Sol em Capricórnio, no mês de Dezembro, deve ser feita de maneira cuidadosa e intensamente devocional, já que esse é usualmente o tempo em que geralmente se realiza o trabalho do Discípulo, não nos esquecendo, contudo, que a época mais propícia é no Solstício de Junho, pois no caso do exercício de Retrospecção será sempre mais produtivo para o Discípulo dar seus passos quando o Mundo externo está evocando as forças físicas em nós, ou seja, quando as forças espirituais estão como que estáticas no mundo e o Cristo está com o Pai.

Passemos agora a considerar os Planetas. Vejamos alguns exemplos: alguns de nós temos o Planeta Urano em Libra: assim, de acordo com os Aspectos que tenha, podemos ler exatamente que tipo de provas podemos esperar, enquanto a Lua e o Sol transitam por esse Signo. Você sabe que um Astro não afligido se interpreta de um modo, e que o que está afligido de outro.

O original, altruísta e elétrico Urano nos dá oportunidades para operar com os bons Aspectos, sendo que, além disso, nós todos também temos em nossos horóscopos muitos outros Aspectos, dando um colorido às nossas ações. Agora, se temos alguma aflição que possa levar-nos a tirar vantagem da porta que se nos abre pelo trânsito da Lua sobre um Urano bem aspectado, devemos então vigiar cuidadosamente nossos exercícios de Retrospecção, procurando julgar com acerto. Acontece também, às vezes, que um Astro bem aspectado, digamos Júpiter, pode fazer com que expressemos alguma tendência negativa nossa, como por exemplo o egoísmo, devido ao poder de agregação desse Astro.

Lembremo-nos que somos nossos próprios sacerdotes, sendo nossa Retrospecção o nosso confessionário; por isso, em ocasiões críticas devemos vigiar e analisar os acontecimentos tal como realmente ocorreram em nossas vidas. Nossas provas não costumam apresentar-nos cartão de visitas, para que possamos identificá-las, mas pelo contrário, quando nos chegam, vêm revestidas com nossas inferioridades e são tão disfarçadas que permitimos que entrem e ainda lhes damos o melhor lugar na mesa, por assim dizer.

A Lua, em sua progressão ao redor de cada Astro que temos e os ativando, põe em ação os vários Aspectos e como que se se nos estivesse fazendo as perguntas a respeito de como estamos fazendo uso das vibrações. Faz as mesmas perguntas a cada sete anos, e cada vez revestida de uma nova forma de fazê-la. Primeiramente, põe-se frente ao Aspecto, logo passa por ele e lhe sussurra quando faz a Conjunção, prossegue depois seu caminho e, olhando para trás, produz uma Oposição, de onde mira desde o ápice do problema. Em cada Aspecto faz a mesma pergunta e nos faculta crescer nos anos intermediários para que tenhamos assim, a cada vez que a pergunta for feita, uma resposta diferente.

O discernimento é uma das qualidades que precisamos desenvolver, e não há melhor oportunidade de desenvolvê-lo do que quando vemos a pergunta que a Lua nos faz e formulamos a resposta. Mais à frente, aprenderemos a analisar as Quadraturas, e perceberemos que no que diz a respeito às lições que estão sendo aprendidas, seu poder é muito maior do que qualquer outro Aspecto que tenhamos. Quando chegar o tempo e nossas aquisições se converterem num real saber, então sentiremos que temos algo a oferecer como serviço aos Irmãos Maiores. Então, quando chegarmos a esse ponto, necessitaremos fazer nosso inventário para averiguar tudo o que realmente precisamos para prestar o Serviço.

Vamos supor, agora, que iremos fazer esse pequeno exercício. Começaria de forma, mais ou menos, semelhante à esta:

  • CONCENTRAÇÃO: Quanto posso fazer na concentração? Fiz bem minha última tarefa, ou descuidei de algum detalhe, somente porque alguma pessoa interveio? O quanto conheço a respeito das Artes? Posso fazer um problema de álgebra? Conheço algo de química? Se fosse à Sede Central trabalhar, seria de algum valor para o serviço? Possuo melindres? Suporto a crítica? Gosto do estudo?
  • MEDITAÇÃO: Quantos livros li este ano? Quantos eram uma biografia? Quantos foram ficção? Passei algum tempo sozinho? Que acho dos problemas? Gosto de ficar quieto?
  • OBSERVAÇÃO: Posso entrar num quarto e depois recordar a posição dos móveis? Como seremos capazes de funcionar nos mundos internos, se não conseguirmos realizar aqui esta pequena tarefa? Aqui, onde as coisas são mais ou menos permanentes?
  • DISCERNIMENTO: Quantas vezes tiramos conclusões erradas das coisas e depois averiguamos que alguém mais estava certo? Quantas vezes fracasso na escolha entre um bem maior e um menor? Quantas vezes faço algo simplesmente para agradar alguém, em vez de fazer o que seria justo?
  • CONTEMPLAÇÃO: Sei ler os sinais dos tempos para compreender as profundas operações que estão por trás dos acontecimentos? Alguma vez pego um objeto e trato de ver nele a obra de Deus? Fico em casa às vezes e sozinho, ficando quieto e assim perceber o desenvolver-se do plano divino? Posso obter um sublime e belo êxtase ao ver abrir-se uma rosa?
  • ADORAÇÃO: Toma nossa adoração o antigo hábito de cair de joelhos para adorar o desconhecido, ou tratamos de penetrar nos mistérios para termos maior reverência perante nosso Deus, de modo que consigamos saber de coisas maiores que possamos realizar em Seu Nome?

Sabemos que a luz branca contém toda a gama do espectro e também que Deus é Luz, e que “se andamos na Luz, como Ele na luz está, seremos fraternais uns com os outros”.

Cada Astro possui uma cor distinta e cada um deles recebe um certo tipo de raio do Sol. Conforme cada um dos Astros recebe mais e mais desta luz, reflete algo da própria cor para mesclar tudo de novo nele mesmo. Somos algo parecidos a isso: quando recebemos um pouco desse maravilhoso conhecimento, crescemos e começamos a emitir “Um raio para o mestre, que é quem verá esta radiação, e também não importa onde estaremos, daremos o próximo passo em nosso progresso sempre e quando estejamos preparados para dá-lo. Muitas provas encontraremos em nosso caminho, e muitos fracassos teremos nesta grande preparação, mas o glorioso é poder dizer que estamos abrindo, ou teremos aberto, outra porta para nosso caminho no progresso, sabendo perfeitamente bem que a senda se faz mais estreita conforme passa o tempo e nossas responsabilidades se fazem maiores. Em verdade, se perdermos o senso comum, também se perde nossa utilidade. O grande dom é manter a habilidade de conservar nossos amigos, mesmo estando realizando esse trabalho. Muitos de nossos conhecidos penetraram o trabalho interno e se descuidaram de conservar os contatos sociais que são necessários para nos mantermos a um nível normal. Devemos vigiar essa tendência, porque nossa utilidade para o Mestre pode ser justamente a de que devemos ser capazes de atrair alguma outra pessoa, e não lhe teríamos acesso caso nos achássemos incultos, grosseiros ou, então, incapazes de um relacionamento em qualquer sala de recepção de pessoas. A sociedade é um produto já pronto dessa era no aspecto material. Aqui é onde se reconhece a arte onde pode ser obtida cultura. Nossos governos estão necessitados de ideais tais como o que nós podemos lhes oferecer. Quem de nós se dispõe a deixar as distrações e adentrar àquelas salas levando seu conhecimento espiritual, o que muito contribuiria para o avanço espiritual da Terra.

Venham, amigos que estejam preparados! Vamos dar uma nova arrancada para a frente!

(“Rays from the Rose Cross”, publicado na revista Serviço Rosacruz – 02/86)

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Exame de Consciência

Exame de Consciência

“Que não caia o sono sobre teus olhos até que tenhas revisado três vezes as memórias do dia passado. Em que me desviei da retidão? Que estive fazendo? Que coisa deixei de fazer, que deveria ter feito? Começas assim desde o primeiro ato e prossegues e, em conclusão, ante o mal que tenhas feito, afliges-te e regozijas-te pelo bem” – Pitágoras.

“Todas as noites deveríamos chamar-nos às contas: Que fraqueza dominei este dia? A que paixão me opus? Que tentação resisti? Que virtude adquiri? Nossos vícios suprimir-se-ão por si mesmos, se são trazidos todos os dias à confissão e ao perdão” – Sêneca.

Como vemos, o fundamento racional da Retrospecção não é novo, nem se originou com os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Os pensadores, no curso da História, têm compreendido o valor dessa forma de exame de consciência. Sua utilidade, como instrumento para melhorar a evolução humana, tem sido evidente para muitos que se beneficiam com sua prática.

A natureza específica das perguntas, tais como as que têm sido sugeridas pelos filósofos – Que deixei de fazer? Em que me apartei da retidão? Que fraqueza dominei? A que paixão me opus? -, é essencial para um bom exame de consciência. Devemos pensar em termos de virtudes, se quisermos dominá-las e confessar as tentações e as paixões, se quisermos vencê-las.

O exame de consciência é necessário para o progresso, uma vez que colocamos nossos pés sobre o caminho espiritual. O casual ordenamento de nossas lições e experiências terrenas e nossa resposta a elas, que caracterizaram nossa experiência passada, já não podem ser tolerados se queremos fazer apreciável progresso na busca espiritual, a que agora nos temos dedicado.

O movimento para adiante, intencional e firme, isto é, crescimento espiritual contínuo, deve ser agora a marca de nossa existência. Isso apenas será logrado se somos plenamente conscientes do que estamos fazendo e como o estamos fazendo e, se então, deliberada e conscientemente, damos os passos necessários para fazer o que sabemos que é correto, em todas as situações. Isso será possível somente se mantivermos um programa sincero e regular de contínuo exame de consciência.

Qualquer pessoa, não importa quão iluminada e progressista pareça, engana-se se crê que a necessidade do estudo de si mesma não se aplica a ela. Nossas provas e aflições multiplicam-se à medida que lutamos pelo progresso espiritual e quanto maior a altura, maior o perigo de uma caída. Nossos atos, nossas palavras, nossas atitudes, as próprias auras que nos rodeiam devem fazer-se mais refinados e elevados, à medida que prosseguimos.

Se temos feito algum progresso, as características que possam haver bastado há dois anos, já não seriam agora completamente adequadas. Pelo fato de havermos feito as necessárias mudanças dentro de nós, já agora devemos ter aprendido a avaliar-nos com mais esmero.

“Conhece-te a ti mesmo!” Uma advertência enganosamente simples! Quantas pessoas se conhecem a si mesmas corretamente, neste mundo? É certo que muitos que nunca se ocuparam em examinar-se a si próprios conscientemente, creem que se conhecem definitivamente e indignar-se-iam em ouvir que muito de suas mais íntimas personalidades, todavia, estão escondidas deles mesmos.

Apenas quando sinceramente nos ocupamos da consciente análise de nossos motivos, reações, metas, hábitos, fortalezas, debilidades e perspectiva integral, tal como o que é muito frutiferamente praticado durante a retrospecção noturna, é quando começamos a compreender quão pouco sabemos acerca do que fazemos, o porquê do que fazemos e que características, hábitos e atitudes devem ser fortalecidos ou mudados, com o objetivo de assegurar um automelhoramento contínuo.

Mais frequentemente do que cremos, o “eu” que tem funcionado tanto tempo e com êxito em um nível predominantemente material, deve ser drasticamente alterado para satisfazer as demandas do avanço espiritual. Unicamente quando nos temos observado a atuar, com um olho tão objetivo e claro quanto seja possível, compreenderemos a total extensão das mudanças necessárias.

O egocentrismo toma muitas e sutis formas e qualquer estudante sério dos Ensinamentos da Fraternidade sabe, por experiência, que uma pessoa pode sinceramente crer que está impulsionada por considerações inegoístas para somente depois, em um exame mais apurado, perceber que os subjacentes impulsos não são, no final, senão os do egoísmo. Não descobrimos isso, todavia, como resultado de observação superficial. Somente um autoescrutínio intenso revela todas as inesperadas e escondidas fraquezas mentais e emocionais a que somos propensos.

Em II Coríntios 13:5, São Paulo advertiu a seus leitores, assim: “Examinais a vós mesmos, se estais em fé; provais a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.       J

Se verdadeiramente estamos “em fé”, isto é, conformando-nos com os princípios do Cristianismo esotérico aos quais professamos termos aderido, o exame de consciência certamente revelará isso. Se estamos simplesmente tributando louvores fingidos aos ideais superiores, enquanto na prática estamos seguindo às ordens da natureza inferior, o exame de consciência também fará essa revelação.

O primeiro dos preceitos dados a todo novo estudante da Fraternidade Rosacruz é a simples, mas omni-inclusiva, afirmação de que “Cristo Jesus será seu ideal”. Se fazemos continua comparação entre nossa conduta e a que sabemos que teria sido observada por Cristo Jesus e atuamos em conformidade com tal comparação, ainda quando o resultado seja, ao princípio, decepcionante ao extremo, podemos esperar fazer um progresso gradual.

“Não reconheceis a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?”. Perguntou São Paulo. Perguntas que poderíamos proveitosamente fazer a nós mesmos cada noite, tais como: Em que grau foi permitido funcionar o Cristo dentro de mim, no dia de hoje?; Tratei de enfrentar esta ou aquela situação como Cristo Jesus teria enfrentado?; Tratei de irradiar a Luz e o Amor de Cristo desde meu interior para os demais?; Foram meus interesses egoístas ou altruístas?; Preguei o Evangelho por meio do exemplo, no dia de hoje?

Um programa conveniente de exame de consciência ajudará, com o tempo, a conseguir os outros elementos de “individualidade” que devem ser alcançados por toda a humanidade evolucionante. O controle de si mesmo, isto é, a sujeição da natureza inferior a superior e a substituição dos desejos pessoais por motivos humanitários desenvolve-se gradualmente, em parte como resultado da profunda avaliação das razões pelas quais fazemos o que fazemos. Se compreendemos plenamente nossos motivos podemos alterá-los, se for necessário, para fazermos nossa conduta mais de acordo com o que se espera de um estudante espiritual. O autossacrifício, a doação de si mesmo, em tempo, pensamento e ação para benefício da humanidade semelhante, é dessa maneira também intensificado.

O exame de si mesmo é também fundamental para o desenvolvimento da autoconfiança. Quanto mais nos estudamos e compreendemos, mais seguros de nós mesmos nos tornamos e somos menos inclinados a nos apoiarmos em outras pessoas.

Certamente, nunca é prejudicial e às vezes ajuda ouvir as diferentes opiniões e bons conselhos, mas devemos gradualmente cultivar o suficiente juízo, discernimento e sabedoria para sermos capazes de tomarmos nossas próprias decisões em toda as coisas. Um programa efetivo de autoexame, repetimos, é fundamental para essa capacidade.

Finalmente, chegaremos à meta final de nossas vidas terrestres, a do domínio de nós mesmos. Nesse ponto o Eu Superior tem completa autoridade: a natureza inferior vencida permanentemente. Aqueles que alcançam esse superior estado de existência levam vidas de serviço irrepreensíveis, impecáveis, virtuosas e completamente inegoístas.

Sabem como conduzir-se, do ponto de vista espiritual, em toda circunstância concebível e o fazem automaticamente, já não tendo que depender de intensos esforços de vontade para manter-se no caminho reto. Alcançam esse mais elevado nível de esforço terreno porque aprenderam a conhecer-se a si próprios completamente e a atuar inteligentemente e de acordo com esse conhecimento.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

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A Saúde e a Lei Divina

A Saúde e a Lei Divina

Nossos pensamentos e emoções influem enormemente na saúde do nosso corpo físico.

Portanto, é preciso que nossos pensamentos sejam limpos, puros e que as nossas emoções sejam controladas.

A oração é um meio eficaz de superar as dificuldades físicas porque, quando elevamos nossa alma a um plano superior, fazemo-nos receptivos ao Poder Curativo Divino, que é tão potente hoje, como o foi nos dias de Cristo Jesus. Esse poder nos rodeia e podemos aproveitá-lo pondo-nos em contato direto com as leis de Deus. Esse poder é abundante em todo o lugar e é da vontade de Deus que nós tenhamos saúde perfeita. Depende só de nós obedecermos ou não às leis naturais que são necessárias para a saúde: ar puro, alimentação pura, pensamentos puros e vida reta.

O poder milagroso de Deus já foi experimentado por tantas pessoas, que a maioria já não põe isso em dúvida. É aceito o fato de que não existe nada que seja impossível para o Poder Curativo do Grande Médico. Porém, nós devemos cumprir a nossa parte. A fé é indispensável, mas é igualmente importante o desejo de corrigir os maus hábitos que nos impedem de alcançar os resultados que buscamos e, no fundo do nosso ser, bem sabemos quais são esses hábitos.

Que contraditória é a natureza humana! Todo paciente deveria buscar a cura, fazendo o possível para cooperar com o trabalho amoroso do Pai Celestial. Porém, os mesmos desejos impuros que provocaram nossas dificuldades desde o princípio, continuam conosco e impedem nossa colaboração total com Deus.

Todos nós presenciamos as manifestações do Amor do Pai e, em nosso interior, podemos sentir a Sua Presença.

Que essa Divina Presença seja nosso guia na vida diária, para que possamos trabalhar com Ele e, assim, conseguirmos “milagres” em todas as esferas e momentos da vida.

PENSAMENTO

Se uma pessoa de temperamento nervoso procurar fazer, com calma, os exercícios de Retrospecção e de Concentração experimentará um efeito muito benéfico, particularmente se conseguir relaxar todos os músculos do corpo durante os exercícios. Se a pessoa relaxar completamente seus músculos, não der entrada a pensamentos exteriores e fizer, calmamente, a revisão dos acontecimentos diários – em ordem inversa – no exercício noturno, e se se concentrar sobre um ideal elevado, no exercício matutino, o nervosismo desaparecerá.

Max Heindel

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

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A Consciência do Auxiliar Invisível – II Parte

A Consciência do Auxiliar Invisível
II Parte

Em outra ocasião, o Probacionista mencionado no último parágrafo da primeira parte despertou completamente consciente em Monte Ecclesia, diante do Templo, o qual se apresentava radiante de luz. Tentando aproximar-se foi bloqueado por uma barreira invisível. Porém, nesse momento, a sua atenção foi desviada em direção a um grupo de pessoas que flutuavam (assim imaginou) evidentemente empenhadas no trabalho de cura, visto que reconheceu entre elas, algumas que se dedicavam a tal mister. Todos, inclusive eles, foram impelidos ao longo daquilo que poderia ser designado como um “rio de magnetismo”, rumo ao Norte, em direção à cidade de V.

No caminho, observou que seus companheiros caminhavam e falavam normalmente, entretanto, muitos deles denotavam o olhar vago do sonâmbulo. Não tinham consciência do que estava em derredor, parecendo não notarem que se encontravam fora do corpo físico. O citado grupo e o Probacionista consciente do que se passava, chegando à cidade de V., dirigiram-se a uma casa onde uma senhora de meia idade e uma menina os esperavam, sendo que estas também tinham os olhos sonambúlicos, conduziam-se normalmente como seres humanos, sem, contudo, parecerem cientes de que se encontravam fora do corpo, nem manifestarem surpresa ante a chegada dos Auxiliares.

Muitos relatos dos Mundos internos corroboram as afirmações de Max Heindel a respeito dos vários fluxos e refluxos de correntes que varrem as regiões do desejo e etérica. Tais correntes não são meramente eletricidade física, como poderiam ser admitidas. Elas são forças da envoltura áurica do globo terrestre e da aura humana.

Esses “rios de magnetismo” fluem em todas as direções ao redor do globo, onde os Auxiliares Invisíveis conscientes ou inconscientes neles caminham, atraídos infalivelmente ao longo de linhas definidas de força, em direção específica. À medida que se tornam conscientes, como o já citado Probacionista, pasmam-se ao descobrir que aquelas correntes magnéticas parecem brotar de sua própria consciência e fluir para dentro ou ao longo do Mundo do Desejo, tal como os rios que desaguam no Oceano. Tais correntes, podemos compará-las às correntes conhecidas, como a do Golfo (Gulf Stream) que, percorrendo o Atlântico Norte, toca as Ilhas Britânicas, suavizando um clima que de outra forma seria insuportável.

No “Inferno” de Dante, lemos a descrição de dois amantes, no inferno, isto é, nas regiões inferiores do Mundo do Desejo. Lemos que se ouvia um som como o de um mar revolto, porém tal ruído era provocado pelas rajadas tempestuosas do inferno que “com fúria incessante arrebanhavam os espíritos”. Assim, como ao prenúncio do inverno os estorninhos são levados em suas asas para outras paragens, da mesma forma aquelas almas são levadas, inexoravelmente, para cá e para lá, acima e abaixo. Essas correntes, que fluem e refluem tão suavemente em relação ao Auxiliar Invisível, tornam-se violentas e implacáveis nas regiões inferiores do Purgatório, onde elas são a expressão da violência e da paixão.

Max Heindel afirmou que, assim como é da lei natural gravitar em direção à Terra quando em corpo físico, também o é levitar na Região Etérica. Portanto o Auxiliar Invisível rompe as extensões superiores dos éteres como proa de um navio, enquanto vales, colinas, cidades e planícies passam abaixo dele.

Da costa oeste nos vem um relato de uma Probacionista que numa manhã viu-se levitando acima de seu corpo, flutuando em direção ao mar dizendo: “lá vou eu, lá vou eu”. Porém, vendo que se dirigia em direção ao Oeste, prontamente pensou: “Não, eu quero ir em direção oposta, ao Templo da Rosacruz”. Então imediatamente curvou-se para trás como um siIfo no ar, movimentando-se para cima e para baixo, num longo arco de magnetismo. Entretanto pressionada por uma forte atração magnética que parecia vir de fora (por meio do Cordão Prateado, indubitavelmente) sentiu-se então descendo em direção a seu corpo adormecido, despertando momentos depois, sem perda de consciência, mas também sem compreender como entrou no corpo.

Quando nesses voos pelos Éteres, é comum o Probacionista imaginar-se sozinho, porém isso não acontece, pois há sempre uma vigilância e proteção constantes. Para ele os protetores são invisíveis, visto que agem num nível de consciência mais elevado. Tal fato ratifica a afirmação de Max Heindel, de que parte do trabalho iniciático consiste no esforço para aprender a ascender a níveis mais elevados do que o etérico, depois de ter deixado o corpo físico.

Outro Probacionista relata-nos como sentiu-se levitando, porém, ao perceber que regressava ao corpo, reuniu suas forças tentando subir novamente; logo em seguida sentiu, embora nada visse, que mãos poderosas o seguravam pelos pulsos, mantendo-o no ar.

Outro caso que ilustra a fase transitória de consciência vem dos primeiros períodos da Fraternidade Rosacruz, no tempo de Max Heindel. Esse caso demonstra a relativa inutilidade da fase transitória, mas indica a existência da constante vigilância exercida pelos Mestres Iniciados e Irmãos Maiores sobre aqueles recém-despertos para os planos internos.

Um Probacionista emigrado para a América, certa noite viu-se desperto nos “éteres”, sendo levado por uma magnética atração à cidade onde anteriormente residira na Europa. Percorreu as ruas antigas e os saudosos caminhos, constatando que diversas mudanças se haviam verificado desde sua partida rumo à América. Notou, inclusive em um certo edifício, um anúncio luminoso cujos dizeres despertaram sua atenção. Prosseguindo com o seu passeio, começou a sentir-se seguido por alguém. Mais de uma vez volveu os olhos para trás, nada percebendo, entretanto, isso porque seu protetor vigiava-o de um plano superior. Depois de algum tempo regressou ao seu corpo, voltando ao estado natural de consciência. Com o passar dos tempos, surgiu uma oportunidade para que o nosso Probacionista visitasse sua antiga cidade, em consciência de vigília. E assim ele pode confirmar realmente a existência de todas aquelas inovações introduzidas naqueles saudosos lugares, inclusive o anúncio luminoso já mencionado.

Em geral, as experiências convincentes verificadas com os Auxiliares Invisíveis ocorreram perto da meia-noite ou entre a meia-noite e a aurora, depois do trabalho de restauração do corpo, tal como descreve Max Heindel. É provavelmente durante o ciclo da alvorada que o neófito recebe instruções, se ele as desejou, ou então, frequenta classes semelhantes àquelas do Mundo Físico, com a diferença de que nesse plano os ensinamentos são ministrados por meio de métodos extraordinariamente avançados.

Dentro do assunto tratado, uma outra questão merece ser alvo de comentários: o sonho comum, o qual, embora geralmente confuso e vago, algumas vezes relaciona-se com um fato real ao qual tomamos conhecimento quando despertamos. Novamente seremos auxiliados a compreender como isso acontece, se recorrermos a uma analogia física.

Comumente, todos nós temos tido sonhos que se relacionam com fatos que acontecem em nosso ambiente físico.

Por exemplo: os cobertores podem ter caído da cama, aí então sonhamos que estamos tremendo de frio nas regiões geladas do polo Norte; um cão uiva sob a nossa janela, sonhamos então que está se perpetrando um assassinato. E assim por diante. Da mesma forma, quando o neófito está dormindo, os eventos do Mundo interno estão continuamente pressionando sua Mente, e já sensibilizado pela força de seus estudos esotéricos, começa a despertar sob suas ações, ao passo que o ser humano comum, encerrado em sua prisão de carne, repousa a noite inteira em completa inconsciência em relação a esses impactos. Em relação ao neófito, o seu trabalho como Auxiliar Invisível pode ser-lhe mostrado na forma de sonho grotesco, o qual, a despeito de sua natureza, permanece na memória em forma obcecante.

Os sonhos confusos resultam da carência de alimento entre os Corpos de Desejos, Vital e Denso, e assim permanece o Ego, parte dentro e parte fora desses veículos. Em tais circunstâncias as impressões recebidas dos planos internos ficam falseadas, e mesmo a recordação de uma experiencia verdadeira tende a apresentar-se algo vaga ou indefinida. Mas, um acontecimento que se apresenta ante um espírito de pesquisa, com propósitos de autoinstrução, auxiliará a clarear a totalidade do campo do inconsciente, e, de um modo gradativo, certos fatos emergirão do turbilhão dos sonhos, quase de acordo com um modelo, cujo significado é claro e inequívoco.

À medida que o Probacionista persevera no Caminho, o lento despertar decorrente do desajustamento entre seus veículos é eliminado, e observará que, com o passar do tempo, o seu despertar no corpo será imediato e claro, mesmo ignorando como volta. Pode mesmo acontecer algumas vezes que simplesmente abre os olhos, sem que haja um lapso de inconsciência.

O Conceito Rosacruz do Cosmos, bem como outras obras de Max Heindel, apresenta ensinamentos que auxiliam o estudante no trabalho de espiritualização da consciência. A Concentração e a Retrospecção, entre outros benefícios, servem para focalizar a consciência no momento da saída e da entrada no corpo. Embora as preferências variem de indivíduo a indivíduo, existem certos temas para meditação que adquiriram um caráter quase universal, sendo um deles o símbolo metafisico do Homem Espiritual, a Pirâmide. Não queremos nos referir à Grande Pirâmide de Gizé, mas ao sólido geométrico. É particularmente inspirador para a Mente imaginá-lo luminoso.

O emblema místico que encimava a torre do Castelo do Graal no Parsifal de Wolfram Von Escenbach é sumamente edificante. Tal castelo, de estilo gótico, encerrava em uma de suas câmaras o Altar do Graal. Ornamentado fulgurantemente com esplendor quase oriental, o Castelo apresentava a sua estrutura com mágica luminosidade, realçando luzes indescritíveis. Os materiais empregados na construção eram de origem celestial, pois os Arquitetos Celestiais os trouxeram de planos elevados. O soalho do Templo era feito de ônix, o teto de safira, com joias colocadas em lugar de estrelas dos céus, enquanto em forma espiralada projetava-se acima da grande estrutura uma torre altíssima, em cujo topo estava o Rubi, encimado por uma Cruz de Cristal.

Tomando como tema de meditação essa torre encimada pelo Rubi e este, pela Cruz de Cristal, lembramo-nos das palavras de Max Heindel:

“O Campanário da Igreja é largo na base, porém gradualmente vai se estreitando mais e mais até que no topo fica apenas um ponto com uma cruz. Dessa forma, também é o caminho da santidade: no começo inúmeras coisas nos são permitidas, mas na medida em que avançamos devemos deixá-las de lado, uma após outra. Devemos então nos devotar mais e mais, exclusivamente ao serviço da santidade, até chegar o ponto em que o caminho se nos apresentará estreito como o fio da navalha. Aí então somente poderemos segurar-nos na cruz. Porém, quando chegarmos a tal ponto, quando atingirmos o mais estreito de todos os caminhos, estaremos aptos a seguir Cristo além e servir lá como servimos aqui”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 02/1967)

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Os Efeitos do Remorso

Os Efeitos do Remorso

Como existem muitos estudantes rosacruzes que praticam os exercícios recomendados pelos Irmãos Maiores para o desenvolvimento progressivo da alma e ainda não se sentem inclinados a penetrar no Caminho, parece-nos conveniente considerar o efeito oculto das emoções geradas por esses exercícios.

É muito comum, na prática do exercício de Retrospecção, o aspirante à vida superior, ao rever os acontecimentos do dia, em ordem inversa, chegar a um incidente no qual tenha injuriado a alguém ou deixado de ajudar a outro, ou de qualquer forma, não se comportou da maneira que acredita ser o ideal de sua vida. A esse aspirante ensinamos a cultivar um intenso remorso pelo que tenha feito de mal. Isto, com o objetivo de eliminar a imagem negativa impressa no Átomo-semente do coração, e onde permanecerá, até ser eliminada pelo sofrimento purgatorial.

Tal acontecerá, a menos que a imagem tenha sido apagada previamente, por meios artificiais, um dos quais é esse exercício.

No Purgatório, este processo se efetua pela força centrífuga de repulsão, que arrasta e destroça a matéria de desejos onde a imagem se tiver formado por cima de sua matriz de Éter. Nesse justo momento, a alma sofre tal como fez sofrer aos demais por uma singular condição das regiões inferiores do Mundo do Desejo – a região purgatorial.

Alguns videntes, incapazes de colocarem-se em contato com as regiões superiores, falam do Mundo do Desejo como de algo ilusório, e não são enganados no tocante às regiões inferiores, “já que ali todas as coisas aparecem invertidas como se fossem vistas num espelho”. Esta particularidade não é casual. Nada no Reino de Deus é assim. Tudo se destina a um fim sábio e determinado. Esta reversão ou inversão, coloca a alma de injuriador na posição de sua vítima, de maneira que, quando se desenrola na tela uma cena da vida passada em que se conduziu indignamente em relação a alguém, a alma não permanece apenas como simples expectadora, contemplando o quadro repetido.

Naquele momento torna-se a vítima do prejuízo, sentindo a dor do injuriado, pois a força centrífuga de repulsão exercida para destruir a cena e arrojá-la do Corpo de Desejos do pecador, deve, ao menos, igualar ao ódio ou a raiva da pessoa atingida.

Durante a Retrospecção, o aspirante trata de imitar estas condições. Experimenta visualizar as cenas em que fez algo de mal, e o remorso que trata de sentir deve, ao menos, igualar o ressentimento sentido pelo ofendido. Produz-se então o mesmo efeito como se apagasse o registro da injúria, tal os erros cometidos através do fogo do remorso, a substância prejudicial, assim extirpada, deixa lugar a um influxo de matéria de desejos que “moralmente” é mais saudável, e terreno mais propício ao desenvolvimento de ações nobres. Quanto mais nos purguemos pelo remorso, tanto maior será o vazio produzido e melhor qualidade e grau de material novo atrairemos aos nossos veículos sutis.

Por outro lado, entretanto, se nos entregamos ao remorso e aos pesares durante as horas de vigília, como fazem alguns, excedemos o nosso purgatório; pois ainda que esse tempo seja dedicado à extirpação do mal, a consciência volta de um quadro ou cena a outro, mesmo depois de haver sido erradicado pela força de repulsão.

Pois bem: pela conexão dos Corpos de Desejos e Vital podemos reviver o quadro mentalmente, tantas vezes quanto desejarmos. E enquanto o Corpo de Desejos se dissolve gradualmente no purgatório, pelo expurgo do panorama da vida, uma porção determinada se acrescenta durante a existência no Mundo Físico, para substituir o que se expulsa por meio de remorso.

Assim, quando nos entregamos ao remorso e ao pesar exagerados, produz-se o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos, que o banho excessivo sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam exaustos devido a excessiva limpeza. Por esta razão, é tão perigoso para a saúde moral e espiritual comprazer-se, sem discernimento, com sentimentos de pesar e de remorso, como é fatal ao bem-estar físico, o banhar-se demasiado. O discernimento deve predominar em ambos os casos.

Ao praticarmos o exercício de Retrospecção, devemos entregar-nos ao sentimento de pesar e remorso com toda a intensidade possível. Devemos procurar que caiam de nossos olhos lágrimas de fogo, capazes de alcançar até o mais íntimo de nosso ser. O processo de limpeza deve ser levado a cabo tão conscienciosamente como nos seja possível. Porém, uma vez terminado o exercício, devemos fazer o mesmo que se faz no Purgatório, isto é, considerar liquidados os incidentes do dia, esquecendo-os completamente, salvo em casos de necessária restituição, escusas ou atos subsequentes que a consciência nos aponte. Resgatada, assim, a dívida, nossa atitude deve ser a de um inquebrantável otimismo, pois “ainda que vossos pecados sejam vermelhos como escarlate”, tornar-se-ão “brancos como a neve”; e “se Deus é por nós, quem será contra nós”.

Através dessa atitude, morreremos diariamente em relação ao dia anterior para renascer, a cada aurora, para uma nova existência espiritual, pois nossos Corpos de Desejos renovam-se assim, prontos para servir a um fim mais elevado na vida, do que até aquele momento.

Ao falar de pesar e de remorsos aplicados ao problema do desenvolvimento da alma, com seu efeito sobre os nossos corpos sutis, podemos mencionar proveitosa e igualmente o efeito do pesar dirigido em outras direções. Há pessoas que convivem com o pesar como se ele fosse um companheiro agradável. Levam-no ao leito, para despertar com ele na manhã seguinte, leva-nos ao trabalho, aos negócios, a igreja, tratam-no com cuidado como se fosse a coisa mais preciosa que possuíssem. Poderiam antes deixar de viver do que abster-se de manifestar seu sofrimento por todas as suas ninharias.

Tal como um vampiro suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, os pensamentos constantes de pesar e de remorso, concernentes a determinadas coisas, tornam-se um elemental, de desejo, que até como vampiro e extrai a vida das pobres almas que o sustentam. E o pior é que, em virtude da atração do semelhante pelo semelhante, procura a continuação desse mórbido hábito de pesar.

Não será com nossos pesares que socorreremos aos seres queridos que desapareceram do nosso lado. Tentando fazer com que as aparências sejam realidade, não faremos senão prejudicá-los. Eles abandonam a esfera atual de experiência e seguem adiante, para outros reinos, onde existem outras lições a aprender. E nós os detemos em seu caminho com nossos pensamentos, porque os recordamos mais profundamente durante algum tempo depois de passar para o além. Temos de considerar um dever dirigir-lhes pensamentos de carinho e de amor, em lugar do pesar egoísta, que tanto os prejudica, como também a nós. O pesar é contraproducente para o desenvolvimento espiritual, pois, enquanto o pensamento; Elemental assim criado, permanece em torno de nós, como vampiro, não podemos elevar-nos pelo escarpado caminho.

Repugnante e asqueroso como o abutre ou o corvo que se alimentam de restos decompostos de animais mortos, é o vão pesar que vive da nociva contemplação do passado e de seus erros. É, nosso dever expulsá-lo de nosso ambiente mental como expulsaríamos de nosso lar o primeiro abutre que nele tentasse penetrar. Por conseguinte, cultivemos uma atitude de otimismo em todas as coisas, porquanto todas as coisas, porquanto todas trabalham em conjunto para o bem final.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)

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Para você se desenvolver espiritualmente há um “Preço a Pagar”: você está pronto?

Para você se desenvolver espiritualmente há um “Preço a Pagar”: você está pronto?

É comum observarmos como as pessoas se mostram eufóricas quando dão os primeiros passos no Caminho Rosacruz. E não é para menos. Os primeiros contatos com a filosofia divulgada ao mundo por Max Heindel, logo no início já ensejam um raro sentimento de segurança, pelos simples devassar de questões até então ignotas. Causas são penetradas com assombrosa lógica.

Fatos que, aparentemente, nunca guardaram relação alguma entre si são interligados, formando um todo capaz de explicar a razão de ser de muitos fenômenos. De repente, o estudante descobre um sistema, onde esoterismo, religião, astrologia, naturismo e muitos campos do conhecimento humano formam uma unidade coerente nas linhas que a compõem.

Para o pesquisador descortina-se um horizonte amplo, maravilhoso, inusitado até. Sobrevém um ímpeto irresistível de nele mergulhar. É o impulso inicial. Justifica-se, como natural, tamanho entusiasmo. Assume-se (consigo mesmo) o compromisso de fazer os cursos. Lição após lição delineiam-se novas e surpreendentes perspectivas.

Passado algum tempo, porém, essa, às vezes, até exacerbada euforia pode arrefecer-se. Não que o encanto se dissipe. Não que a beleza inerente à Filosofia Rosacruz venha a fenecer. É que os resultados tão ansiosamente esperados tardam a surgir, ou aparentemente nem surgem.

Pode, em tais circunstâncias, o estudante deixar-se abater pelo desânimo. Afinal, ele contava progredir, evoluir espiritualmente, e isto parece não estar acontecendo. Empenha-se nas lições, procura ler as obras rosacruzes, investiga, perscruta. No entanto, sente ter caminhado muito pouco, ou quase nada. Que estará acontecendo?
Sempre há uma ou várias causas entravando o tão almejado progresso.

Alguma coisa, evidente ou sutil, pode estar retardando os passos do aspirante.

Cumpre-lhe constatar o que está ocorrendo.

A Filosofia Rosacruz aponta vários fatores como capazes de impedir a evolução do aspirante. E ele pode verificar em qual ou quais se enquadra, tendo “a tocha da razão por guia”.

Um fator merecedor de toda ênfase é a negligência em praticar o exercício noturno de Retrospecção. O termo “negligência” assume aqui um caráter muito abrangente. Significa: a – praticar o aludido exercício com irregularidade; b – com indiferença; c – automaticamente (por mera obrigação); de não o praticar.

O exercício de Retrospecção proporciona inúmeros benefícios ao aspirante. Em primeiro lugar, oferece-lhe acesso a um invulgar privilégio denominado autoconhecimento. O preceito gravado no tempo de Apolo, em Delfos, “HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO” – indica, subjacentemente, que o conhecimento de tudo é posterior ao conhecimento de si mesmo. O ser humano não pode prescindir dessa verdade. Ela projeta, em grande parte, luz sobre as razões dos conflitos humanos.

O exercício de Retrospecção, tão bem explicado por Max Heindel, sobretudo no “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, constitui uma forma de disciplina que, juntamente com outros exercícios preconizados pela Escola dos Irmãos Maiores, sensibiliza-nos para os vários aspectos da vida. Desperta-nos o sentimento de empatia, base da solidariedade humana. Produz a liberação de cargas emocionais acumuladas pelos impactos e lutas do cotidiano.
Funciona, de um certo modo, como o divã do psicanalista ou como o confessionário católico. Resulta num alivio e nova disposição para enfrentar a vida.

Evita o sofrimento purgatorial. Isto é notavelmente benéfico, todos hão de convir.

Ainda sobre a retrospecção, ela forma a consciência moral do aspirante, estimulando-o a promover uma reforma interior, sem a qual torna-se impossível, repetimos, IMPOSSÍVEL, qualquer avanço no Caminho Rosacruz.
Max Heindel afirmou certa vez que o exercício em exame constitui o mais importante ensinamento da Filosofia Rosacruz. É necessário dizer mais alguma coisa a respeito?

Amigo estudante, se você pondera não estar evoluindo na senda que abraçou, procure analisar atentamente o acima exposto.

E mais ainda: veja como estão seus hábitos.

Você ainda fuma? Ingere bebidas alcoólicas? Alimenta-se de carne?

Irrita-se com facilidade? Angustia-se ao mais insignificante problema? Eis aí alguns seríssimos entraves à sua caminhada.

O fumo e o álcool embrutecem a natureza espiritual do ser humano. A carne consiste-lhe em alimento inadequado, carregado de toxinas, além de exigir a matança cruel de animais. A irritabilidade e a angústia tolhem-lhe a capacidade de pensar com clareza, induzindo-o, não raro, a cometer desatinos.

Você ama seus semelhantes? É capaz de servi-los desinteressadamente?

Você não alimenta preconceitos? Há muitos fatores dignos de uma severa análise. Alguns tão eivados de sutilezas que só podem ser detectados pelo próprio aspirante.

É natural todos desejarem progredir espiritualmente. É admissível aspirarem a, um dia, receberem a iluminação por vias Iniciáticas. Mas isso não se consegue apenas estudando, debruçando-se exaustivamente sobre livros e cursos. É mister sacrificar as más tendências, os hábitos degradantes, o comodismo, a inércia, em favor do Cristo Interno.
O dinheiro, o prestígio e o poder não compram o desenvolvimento espiritual. Somente o sacrifício de si mesmo, em benefício da humanidade, conduz alguém aos portais da Iniciação. Esse é o preço a ser pago.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)