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A Astrologia, uma fase da religião, dela não podendo se separar

A Astrologia, uma fase da religião, dela não podendo se separar

Meus amigos, mais uma vez estamos aqui para conversarmos sobre este assunto tão palpitante, tão atraente, que é a Astrologia, como ensinada pela Fraternidade Rosacruz.

Pretendemos demonstrar a veracidade da Astrologia não apenas como ciência positiva, possível de ser comprovada na vida quotidiana, mas principalmente como ciência espiritual. Oportunamente, os amigos que continuarem a nos honrar com a sua atenção chegarão a esta conclusão: verificarão que a Astrologia é, na realidade, uma fase da religião, dela não se podendo separar, e por isso nós, os Estudantes de Filosofia Rosacruz, a consideramos como “SAGRADA”, não a desvirtuando fazendo dela passatempo, nem meio divinatório.

Vamos hoje apresentar aos nossos amigos uma interessante conferência pronunciada pelo nosso muito estimado Max Heindel, que consideramos como o maior conhecedor de Astrologia sob o ponto de vista espiritual. Max Heindel jamais profanou os seus conhecimentos de Astrologia, dela se servindo apenas para explicar “Mistérios” religiosos e para cumprir o sagrado mandamento de Cristo Jesus: “CURAR OS ENFERMOS”. Essa é, por certo, a mais recomendável e a mais legítima das suas aplicações. Mas deixemos esse assunto para quando chegar sua oportunidade e passemos à conferência do nosso maior Amigo e melhor Servidor, Max Heindel:

A ASTROLOGIA, SUA POSSIBILIDADE E SUAS LIMITAÇÕES

Em nossos tempos começou-se a considerar a Astrologia como uma superstição, assim como o clarividente e o astrólogo são considerados como charlatões, não sem razão, muitas vezes. Na maioria dos jornais e revistas se encontram anúncios oferecendo horóscopos que abarquem desde o nascimento até o túmulo, pela ínfima soma de $ 10,00, e às vezes até em troca de um selo do correio.

O propósito dessa conferência é mostrar outro aspecto da Astrologia, que geralmente é desconhecido: mostrar suas possibilidades e limitações.

Há duas classes de Astrologia e duas classes de astrólogos: uns não levantam nunca o horóscopo do solicitante, senão que somente perguntam o mês do nascimento para saber em que Signo estava o Sol quando nasceu a pessoa. Então copiam de um livro ou tomam uma série de doze folhas mimeografadas que correspondem aos doze meses do ano, e que dão a “sorte” da pessoa.

Para qualquer Mente que raciocine é evidente que há mais do que doze classes de pessoas no mundo, e de acordo com esse método haveria completa semelhança de vida no caso de cada doze pessoas, porém sabemos que nem duas pessoas têm as mesmas experiências, que cada vida é diferente de todas as demais e que qualquer método que não faça tais distinções deve ser completamente falso.

O “astrólogo” de $ 10,00 é uma boa pessoa de negócios. Seus horóscopos mimeografados, gastos de correio, etc., não vão além de $ 5,00 ou menos; assim ela tira um bom lucro em cada horóscopo (?). Porém embora seja esse um bom negócio, não é o mais importante. O fato é que quando esses “astrólogos” obtêm a direção de uma pessoa qualquer inexperiente, se aproveitarão para iniciar um negócio muito mais rendoso. De tempos a tempos notificam aos seus clientes que certos fatos futuros irão ocorrer, e que mediante o pagamento de uma certa importância ele poderá revelá-los e ensinar como evitá-los. Continuam assim explorando as suas vítimas, sistematicamente, até que a experiência tenha ensinado a esses pobres ingênuos o valor nulo dessas predições. Essas vítimas são as que depois gritam contra a astrologia, tachando-a de fraude, de charlatanismo e de loucura.

O método científico exige em primeiro lugar o DIA, o MÊS e o ANO do nascimento, pois leva em conta todos os nove corpos celestes do Sistema Solar, e sabe que em cada momento eles ocupam entre si certas posições relativas. A mesma posição não se repetirá outra vez senão depois de um Ano Sideral, que compreende 25.868 anos comuns. Assim, se uma criança nascesse hoje, seria necessário esperar 25.868 anos antes que pudesse nascer outra com o mesmo horóscopo. Porém esses dados ainda não são suficientes, pois, se calcularmos que em cada segundo nasce uma criança, em um dia teriam nascido 86.400 crianças cujas experiências na vida seriam iguais, se fosse tomado em consideração apenas o dia do nascimento. Por conseguinte, o Astrólogo científico pede também a hora e o lugar do nascimento, além do dia, mês e ano, pois há pessoas que nascem na mesma hora, mas em lugares muito afastados um do outro; até mesmo os gêmeos podem nascer com diferenças de minutos e mesmo de horas, e isso produz também uma grande diferença.

Entretanto, quando duas crianças nascem ao mesmo tempo e no mesmo lugar há também uma semelhança marcada em suas vidas. São conhecidos vários casos desses. Um exemplo bastará: um senhor chamado Samuel Hemmings nasceu no mesmo lugar, em Londres, e na mesma hora e quase no mesmo minuto em que nascia o Rei Jorge III, em 4 de junho de 1738. Estabeleceu-se como negociante em ferragens no mesmo dia em que o Rei Jorge III foi coroado, casou-se no mesmo dia que Sua Majestade, morreram ambos no mesmo momento, e todos os acontecimentos das suas vidas se pareceram uns com os outros.

A diferença de estado social impediu que ambos fossem reis, porém no mesmo dia que um era coroado como monarca de um reino, o outro se convertia num homem de negócios independente.

A Astronomia difere da Astrologia tanto quanto a Anatomia da Fisiologia. A Anatomia nos diz onde se encontram os órgãos do corpo, nos ensina a sua estrutura, e a Astronomia nos informa a respeito dos corpos celestes. Porém compete ao fisiólogo explicar a utilidade das diferentes partes orgânicas do corpo, porque isso é a única coisa que pode dar valor àquele conhecimento. E assim também é a parte que corresponde à Astrologia: explicar os significados das mudanças das posições relativas dos corpos celestes e a influência que elas possam ter sobre os atos da humanidade.

Não se necessita de nenhuma argumentação para provar que as condições químicas da atmosfera terrestre durante a manhã diferem das da tarde, ou das do meio dia. Vemos também as mudanças que se produzem nas diversas estações do ano, e sabemos que são devidas às mudanças de posição do Sol. Todos reconhecem o efeito da Lua sobre as marés, etc. Esses corpos celestes movem-se muito depressa e estão produzindo constantemente mudanças nas condições atmosféricas da Terra. Nos dias de hoje em que se verificam os extraordinários fenômenos da rádio, não é difícil compreender que outros corpos celestes também produzem seus efeitos. Como já vimos, essas alterações são tão numerosas que as mesmas condições químicas não se repetem senão depois de um intervalo de 25 mil e tantos anos. Vemos, pois, que as condições eletrostáticas da atmosfera no momento em que a criança aspira o seu primeiro alento, imprime em cada átomo do pequeno corpo sensitivo uma característica individual. É como se se carregasse uma bateria elétrica nova, qualquer mudança nas condições atmosféricas afetará esse cérebro diferentemente de todos os demais, porque sua característica ou condição original é distinta da de todos os outros.

Muitas pessoas pensam que a Astrologia é fatalista. Se bem que possa parecer assim à primeira vista, um estudo mais aprofundado demonstrará que essa ideia é errônea, que todas as nossas penas e tristezas são o resultado da ignorância e que o conhecimento poderá prevenir qualquer infortúnio, se for aplicado em tempo. Com o objetivo de compreender a finalidade do nosso livre arbítrio, devemos reconhecer o fato de que o resultado de nossas ações passadas é obtido mediante um tríplice processo de amadurecimento.

Em primeiro lugar, há causas que seguiram o seu curso sem serem modificadas por outros atos, e estão tão próximas de produzir efeitos, que são semelhantes à bala disparada de uma arma: está fora do nosso alcance poder detê-la, e temos de deixar que siga o seu curso, para o bem ou para o mal. A isso se chama em ocultismo uma “causa madura” que pode ser vista claramente no horóscopo quando ele é feito devidamente. Por suposto, nem sempre nos será de benefício conhecê-las quando não podemos evitá-las, porém algumas vezes podemos alterar as condições pelas quais essa causa madura se esgota a si mesma, e nisso reside a nossa maior esperança. Vemos as nuvens passageiras, sabemos quando terminará a sua fúria, e isso nos dá novas esperanças, que não teríamos a não ser pelo estudo do nosso tema astrológico.

A segunda classe de causas gera-se e produz seus efeitos cada dia: é uma espécie de “negócio à vista”. Essas causas podem anular-se ou modificar-se, quando se conhece a Astrologia. As tendências individuais também podem ser vistas no horóscopo.

A terceira classe de causas é a que estamos pondo em movimento, porém, que não podemos notar os seus efeitos por agora. Dessas, podemos nos salvar mediante o cuidado apropriado nos últimos anos da vida, e em vidas futuras, quando chega o momento do ajuste das contas.

O horóscopo nos ajudará, mostrando-nos nossas tendências, de maneira tal que possamos ter cuidado nos momentos críticos, trabalhando com todo o nosso poder para aproveitar as boas oportunidades, e fazendo os esforços possíveis para livrar-nos de qualquer má tendência.

Para dar um exemplo de como age a Lei de Consequência, com relação às predições, podemos citar alguns casos que conhecemos pessoalmente.

Certa vez, um conferencista muito popular, o Sr. L. que não havia nunca estudado a Astrologia, sentiu interesse por ela e veio pedir que lha ensinássemos. Para que ele tivesse maior interesse, aproveitou-se como base o seu próprio horóscopo, pois dessa maneira ele poderia comprovar as interpretações do passado e chegar assim a uma melhor compreensão do assunto, do que se fosse empregado o horóscopo de qualquer outra pessoa. No curso dos cálculos, se comprovou que o Sr. L. estava sujeito a frequentes acidentes. Figuravam nos cálculos, acidentes já passados, com indicação dos dias em que os mesmos teriam acontecido, o que foi confirmado e impressionou muito o Sr. L.

Depois, viu-se que a 21 de julho de 1906 teria lugar outro acidente que afetaria a parte superior do peito, os braços, o pescoço e a parte inferior da cabeça, e também que esse acidente se daria no curso de uma viagem curta. Foi, pois, recomendado ao Sr. L. que durante a Lua nova que teria lugar naquele dia e que era o fator que produziria o acontecimento, ficasse em sua casa e que também ficasse em casa no sétimo dia posterior, sendo esse último ainda mais perigoso que o primeiro. Ficou ele tão impressionado que prometeu atender ao conselho.

Um pouco antes do tempo crítico, escrevemos ao Sr. L. para recordar-lhe o assunto e respondeu ele que se recordava muito bem e que teria todo o cuidado.

A próxima notícia que se teve por intermédio de um amigo comum, dizia que no dia crítico, 28 de julho, o Sr. L. havia saído para uma viagem à Serra Madre, em um bonde, e que ao cruzar as linhas da estrada de ferro foi o bonde apanhado por um trem. O Sr. L. foi cuspido por uma janela, ficando ferido nas partes indicadas pela predição, sofrendo além disso uma lesão em um tendão, que não havia sido predita.

Era muito difícil compreender, entretanto, como o Sr. L. havia se descuidado da advertência, tendo ficado antes tão impressionado pela realidade do que havia sido predito. A resposta se obteve três meses depois, quando ele pôde escrever-nos. Dizia ele: “eu julguei que o dia 28 era 29”. Este é um caso de destino maduro, que não podia ser evitado.

Em outra ocasião, prevenimos outras pessoas contra acidentes: elas puderam escapar deles por seguirem as instruções dadas, porém tais pessoas costumam dizer: “você acredita mesmo que eu seria atingido se não seguisse os seus conselhos? ”. Aí está toda a dificuldade! Ninguém considera uma predição seriamente senão quando a experiência amarga os atinge, como aconteceu ao Sr. L. Ele nos escreveu depois: “esses acidentes fizeram-me ter um profundo respeito pela Astrologia”. Porém, se a amarga experiência é o único meio que aceitamos para aprender, então tanto pior para nós mesmos.

É uma verdade dizer-se que “nenhum homem vive para si mesmo”. Todos nos afetamos uns aos outros e isso também se pode ver no horóscopo. A morte dos pais pode-se ver particularmente no próprio horóscopo, pois aqueles foram a fonte do corpo em que vivemos; e em geral, quando não se conhece a hora do nascimento, um bom astrólogo pode comprová-la, deduzindo-a dos principais acontecimentos da vida, especialmente se é indicado o tempo em que morreram os pais. O marido e a esposa estão também tão ligados, que os grandes acontecimentos da vida de um se veem no horóscopo do outro.

Há alguns anos prevenimos uma senhora para o perigo, assinalado em seu horóscopo, de ruptura de relações com o seu marido. Eram pessoas de alta sociedade, e as indicações diziam que teriam de desistir de uma viagem, o que ela certificou imediatamente dizendo que realmente tinham planejado uma viagem à Europa, porém, como não tinha nenhuma intenção de abandonar o seu marido, perguntou se, por acaso, não estava ele em perigo de morte. A nossa resposta foi: “Pior do que isso!” Porém como era assunto delicado e ela era uma estranha, não se podia dizer nada mais, salvo que o desastre teria lugar no mês de novembro. No dia 14 desse mês, o marido dela foi sentenciado a cinco anos de penitenciária por haver cometido um crime infame. A viagem foi suspensa e o ostracismo social se fez sentir imediatamente.

Esse caso demonstra particularmente a delicada posição do astrólogo. Ainda que possa ver e deseje ajudar, os convencionalismos o impedem de dizer o que vê. No caso mencionado isso foi evidente. Desejando impedir o sofrimento, não lhe foi possível evitá-lo. Portanto, sustentamos o princípio de que todos devem estudar a astrologia. Nem o melhor astrólogo, que no fim de contas não é mais do que um estranho, pode olhar tão bem as nossas vidas e a dos nossos queridos como nós mesmos, que conhecemos já muito do caráter deles nem os convencionalismos seriam obstáculo, como quando acontece quando tratamos com um estranho. Além disso “comprar um horóscopo” não poderá nunca engendrar em nós mesmos a capacidade real de auxiliar os outros, que certamente alcançaríamos com o conhecimento pessoal da Astrologia.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1978)