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Efeitos Psicofisiológicos da Oração

Efeitos Psicofisiológicos da Oração

A oração atua sobre o espírito e sobre o corpo de uma forma que parece depender de sua qualidade, de sua intensidade e de sua frequência.

É fácil conhecer qual a frequência da oração e, numa certa medida, sua intensidade.

Quanto à qualidade, mantém-se desconhecida, visto não possuirmos meios de medir a fé e a capacidade de amor de outrem. No entanto, a maneira como vive aquele que ora pode esclarecer-nos sobre a qualidade das invocações que ele dirige a Deus. Mesmo quando a oração é de fraco valor inconsciente, principalmente na recitação de fórmulas, exerce um efeito sobre o comportamento do indivíduo: fortifica, ao mesmo tempo, o sentido do sagrado e o senso moral.

Os meios onde se ora caracterizam-se por certa persistência do sentimento do dever e da responsabilidade, por menos inveja e maldade, e por certa bondade para com os outros.

Parece estar demonstrado que, em igualdade de desenvolvimento intelectual, o caráter e o valor moral sejam mais elevados entre os indivíduos que oram, mesmo de forma medíocre, do que entre os que não oram.

Quando a oração é habitual e verdadeiramente fervorosa, sua influência torna-se mais manifesta e podemos compará-la à de uma glândula de secreção interna, como, por exemplo, a tireoide ou a suprarrenal. Consiste numa espécie de transformação mental ou orgânica, transformação essa que se opera de modo progressivo. É dito que que no mais profundo da consciência se acende uma chama. O ser humano vê-se tal qual é. Põe a descoberto seu egoísmo, sua cupidez, seus juízos errados e seu orgulho. E, então, verga-se ao cumprimento do dever moral, procurando adquirir a humildade intelectual. Assim, abre-se perante ele o reino da graça. Pouco a pouco, vai-se produzindo um apaziguamento interior, uma harmonia das atividades nervosas e morais, uma resignação maior perante a pobreza, a calúnia e a canseira, bem como a capacidade de suportar sem enfraquecimento a perda dos seus, a dor, a doença e a morte.

Por esse motivo, o médico que vê seu doente orar deve regozijar-se com isso, pois a calma proveniente da oração é uma poderosa ajuda para a terapêutica.

No entanto, não devemos assemelhar a oração à morfina, visto que a prece origina, ao mesmo tempo que acalma, uma integração das atividades mentais e uma espécie de floração da personalidade. Por vezes, produz até mesmo o heroísmo e marca os seus fiéis com um selo particular. A pureza do olhar, a tranquilidade do porte, a alegria serena da expressão, a virilidade do comportamento e, se for necessário, a simples aceitação da morte do soldado ou do mártir traduzem a presença do tesouro que se oculta no íntimo dos órgãos e do espírito.

Sob essa influência, mesmo os ignorantes, os retardados, os fracos e os maus dotados utilizam melhor as suas forças intelectuais e morais.

A oração, segundo parece, eleva os homens acima da estatura mental que lhes pertence em harmonia com a sua hereditariedade e sua educação. Esse contato com Deus impregna-os de paz. E a paz irradia deles. E levam a paz para toda parte aonde vão.

Infelizmente, não há, hoje em dia, senão um número ínfimo de indivíduos que saibam orar de uma maneira eficiente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)