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O Poder do Pensamento expresso nas Reuniões de Cura: exercite-o!

O Poder do Pensamento expresso nas Reuniões de Cura: exercite-o!

Um único carvão não produz fogo; mas onde vários carvões estão amontoados, o calor latente em cada um pode ser transformado em chama, emitindo luz e calor. Foi em obediência a essa mesma lei da natureza que nos reunimos aqui, esta noite, porque ao acumular nossas aspirações espirituais para curar e ajudar nossos companheiros sofredores, poderemos realizar nossa modesta parte no sentido de levantar o manto de tristeza que agora paira sobre a vida deles e apressar o dia do Reino vindouro, onde o sofrimento e a tristeza serão abolidos e mesmo a morte deixará de ter domínio sobre os homens.

As Reuniões de Cura são realizadas nas noites em que a Lua esteja em um Signo Cardeal, porque neste momento o máximo de energia cósmica é infundido no trabalho que iniciamos; assim, existem as melhores chances de um problema ser resolvido. Portanto, estamos aproveitando as forças do universo e o pensamento é o veículo que usamos para transmitir esse poder de cura.

No entanto, antes que a energia possa ser transmitida, ela deve ser gerada e, para fazer isso com eficiência, devemos entender com precisão qual é o método. Há um ditado sobre o Cristo que explica completamente o assunto. Ele disse: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é”. Isso vai ao fundo do assunto, pois, embora possamos confessar com a boca acreditar em certas coisas e, logo, enganar os outros ou, sim, até nós mesmos, apenas aquilo em que realmente acreditamos em nosso interior, o que pensamos no fundo do coração, é válido. Se professamos com a boca que cremos em Deus, que vivemos a vida correta, que fazemos aos outros o que é certo, independentemente do que façam conosco, ou que sigamos outros altos padrões de conduta, ainda poderemos viver uma vida ambígua e sermos hipócritas. Contudo, se realmente aceitarmos isso em nosso cerne, não será necessário que façamos declarações. Cada um dos nossos atos proclamará exatamente o que pensamos em nosso íntimo e no que acreditamos. Rapidamente, as pessoas descobrirão justamente que tipo de pessoa somos, observando nossas ações, em vez de ouvir o que dizemos.

Devemos perceber que todo pensamento é uma centelha emitida pelo Ego, que quando nasce, atrai para si um determinado tipo de material apropriado à sua natureza. Esse pensamento-forma pode ser enviado a outras pessoas, visando ao seu bem ou mal; mas haverá uma reação sobre nós mesmos, boa ou má, dependendo do que foi canalizado aos outros. É um fato  e não apenas mero provérbio poético afirmar que “pensamentos, como galinhas, voltam para o poleiro”. Qualquer pessoa que tenha a visão espiritual despertada vê em cada um de nós uma atmosfera áurica sutil, colorida de acordo com nossa particular tendência de pensamento; embora, é claro, a cor básica seja determinada por características raciais e nacionais.

Se depositarmos em nossos corações pensamentos de otimismo, bondade, benevolência, ajuda e serviço, então esses pensamentos gradualmente vão colorir nossa atmosfera de certa maneira que é muito expressiva de todas essas diferentes qualidades ou virtudes desejáveis. E, à medida que nossos corpos são construídos pela mente em uma expressão de nossa atitude mental, isso reage em nosso Corpo Denso, trazendo para nós saúde e bem-estar. Por essa razão, os ensinamentos do Novo Pensamento são verdadeiros, quando afirmam que dessa maneira a saúde e a prosperidade sejam alcançadas; ainda que ninguém com mente espiritual realmente use tais meios para obter riqueza material. Mas essa é apenas outra maneira de provar a verdade das palavras de Cristo: se procurarmos primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, todas as outras coisas nos serão acrescentadas.

O profeta de Israel também deu essa garantia, quando afirmou: “Eu fui jovem e agora sou velho; porém nunca vi a semente dos justos implorando por pão”. É uma lei do universo que, se trabalharmos com Deus, Ele certamente cuidará de nós de maneira material. “Dois pardais não são vendidos por pouquíssimo valor? No entanto, nenhum deles cai na terra sem que seu Pai Celestial o saiba; porventura não valem mais do que muitos pardais?” Por toda a palavra de Deus temos a promessa de que, se trabalharmos com fidelidade, honestidade e o melhor da nossa capacidade, lutando pelos interesses do Rei, trabalhando em Sua vinha, Ele cuidará de nós.

Quando alguém cria sobre si mesmo uma atmosfera áurica de utilidade, bondade e serviço real — porque não basta desejarmos prestar o serviço, mas devemos nos esforçar dia após dia para servir ao máximo — deita toda noite cansado, na feliz consciência de ser um verdadeiro servo de Cristo. Contudo, quando tivermos feito isso, encontraremos um mundo mudado. Acharemos em outras pessoas as mesmas qualidades que possuímos, porque essa atmosfera áurica é como um vidro através do qual devemos olhar para todos. O mundo inteiro é colorido por nossa própria aura, como se estivéssemos em uma sala com janelas de vidro vermelho e o mundo lá fora, então, as árvores, casas e tudo o mais, parecesse vermelho.

Para mencionar um fato, vemos o mundo em que vivemos através dessa atmosfera áurica e, se ela for vibrante pela benevolência e bondade, encontraremos sobre nós pessoas que sejam benevolentes e gentis, pois atraímos delas as qualidades que nós mesmos expressamos, seguindo o mesmo princípio científico do diapasão: quando um é tocado, ele desperta as vibrações de outros diapasões de tom idêntico; assim, as pessoas que nos conhecem são sempre atraídas e respondem àquilo que temos em nós mesmos.

Portanto, um ser humano que é benevolente, como dito, sente a benevolência e a bondade de outras pessoas. Um que dispõe de pensamentos mesquinhos e preocupantes, que é pessimista ou habitualmente tem pensamentos de crueldade para com os outros, invocará sobre si próprio os mesmos traços de caráter que envia. Estamos todos vibrando em determinado tom e o Átomo-semente do coração é a base da existência física e das vibrações que saem de nós para o mundo físico.

É de imenso benefício conhecer essa evidência científica, já que podemos controlar nossos pensamentos e, através deles, todas as condições da vida. Cabe a nós, portanto e diariamente, cultivar o otimismo, a utilidade, a benevolência e a bondade para podermos ter maior valor no trabalho do mundo. A menos que tenhamos essas qualidades em algum grau, é impossível realizar a tarefa para a qual viemos aqui, hoje à noite: ou seja, ajudar outras pessoas e curar.

Milhares de Estudantes em todo o mundo concentraram seus pensamentos aqui, durante este dia, como fazem todos os dias, quando há uma reunião de cura na sede. Essa agregação de pensamentos agora flutua sobre a Pro-Ecclesia, uma força poderosa. O emblema Rosacruz na parede oeste é o instrumento ou foco através do qual devemos enviá-la ao mundo. Temos ali a estrela dourada de cinco pontas e a cruz trilobada de quatro pontas. Os números cinco e quatro formam o místico nove, que é o número de Adão, a humanidade. A cruz é branca e pura, símbolo que indica que quem deseja se tornar um Auxiliar Invisível da humanidade deve se purificar de todo o mal e, embora tentando fazer isso caiamos repetidas vezes, lembremos que não exista falha, exceto desistir da missão. As sete rosas que enfeitam este símbolo representam o sangue purificado.

Enquanto a humanidade e os animais que têm sangue quente e vermelho estão cheios de paixão e desejo, a planta não tem paixão. A rosa vermelha, sendo o órgão gerador da planta, permanece como um símbolo da imaculada concepção que ocorre quando o Cristo nasce em nosso interior, purificando-nos dos pecados do passado e santificando-nos para a obra do futuro. Esse é o grande ideal ao qual aspiramos. Concentremos nosso pensamento na rosa branca do centro do emblema, que representa o coração puro do Ajudante Invisível, que é tão desinteressado. Oramos para que nossos pensamentos sejam tão puros quanto aquela rosa, para que possamos gerar conceitos de pureza, força, utilidade e confiança em Deus, apesar de todos os desânimos.

Acima de tudo, depois que fizermos nossa parte, confiemos os resultados a Deus, eliminando nossa própria personalidade. Somos fracos demais para lutar contra forças cósmicas; entretanto, Deus é onipotente. Não tentaríamos atravessar o oceano em um barco a remo que, muito provavelmente, afundasse; no entanto, se formos de avião, grande e bem construído, as chances serão muito favoráveis à sobrevivência contra qualquer vento forte que nos possa assolar. Essa metáfora também pode ser aplicada à viagem em direção ao nosso objetivo espiritual. Se nos esforçarmos para manter as próprias forças, estaremos muito aptos a cair; porém, se nos comprometermos com Deus e orarmos a Ele por orientação, descobriremos que as chances de sucesso aumentam bastante. E por oração não se entende apenas a dos lábios, mas a do coração.

Como Emerson ensina:

Embora seus joelhos nunca estejam dobrados,

Para o céu, de hora em hora, seus pedidos são enviados;

E sejam, para o bem ou para o mal, formados,

Ainda são respondidos e registrados.

 

(De Max Heindel, publicado na Revista “Rays from the Rose Cross”, de maio/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Brasil)

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Uma Conversa na Pro-Ecclesia

Uma Conversa na Pro-Ecclesia

“Apenas uma coisa é necessária”

Lc 10:42

Nesta noite, usaremos a agulha magnética como assunto de meditação, pois ela tem uma lição de suprema importância em nosso caminho espiritual, um ensino que todo Aspirante fiel da Luz Mística deve levar ao coração com seriedade e oração.

A agulha magnética é feita de aço, um metal que possui afinidade com a magnetita. Outros metais são, no máximo, afetados de maneira indiferente; porém o aço, ao ser tocado com a magnetita, tem a sua natureza mudada e torna-se vivo, por assim dizer, imbuído de uma força nova que podemos descrever como um desejo constante, após ser beijado pela magnetita. Agulhas feitas de outros metais e o aço não-magnetizado podem ser colocados em um pivô que permanecerão em alguma posição equilibrada, independentemente de onde forem assentados, porque são insensíveis a qualquer força aplicada externamente. No entanto, a agulha que foi tocada pela magnetita resiste e, não importando quantas vezes ou com que gravidade a empurremos para longe da posição magnética, assim que a força exercida contra ela for removida, ela alterará sua posição instantaneamente e apontará para o polo magnético.

Um fenômeno semelhante é visto na vida do Cristão: depois de ter sentido, sentido completamente, em seu ser o amor do Pai, ele será um ser humano transformado.

As forças mundanas do exterior podem ser exercidas de várias maneiras para desviar seu interesse e atenção, porém cada partícula do seu ser anseia por Deus e está sempre se voltando nessa direção, não-afetado pelo “mundo dos homens” apáticos, alienados. Tudo aquilo que ele possa fazer no mundo (porque é absolutamente necessário participar da obra do mundo) será feito, porque é correto e obediente fazê-lo; entretanto, com todo o seu ser ele anseia pelo Pai, cujo amor, ser e força atraíram sua alma. Para ele, “Apenas uma Coisa é Necessária” — o Amor do Seu Pai e todos os seus esforços são direcionados para obter Sua aprovação.

Quando vamos da Terra para o Céu, encontramos condições quase idênticas. Em todo lugar, no grande Firmamento, milhões e bilhões de quilômetros, sim, espaço infinito, estão cheios de esferas em marcha que se movem a uma velocidade que a Mente humana dificilmente compreenderia. No momento em que entramos na Pro-Ecclesia, as estrelas estavam em determinada posição, mas a cada instante desde que estivemos aqui elas mudaram e agora estão alterando a cada toque do relógio — todas, menos uma. Entre todas as inúmeras estrelas que se movem a uma velocidade tão grande, há uma que é imutável e sempre ocupa a mesma posição: A Estrela do Norte. Não importa a que horas do dia ou da noite — seja no verão ou no inverno, do nascimento à morte — olhemos para o céu, essa estrela sempre será encontrada no mesmo lugar; a qualquer instante, sendo visível aos olhos ou a um telescópio, continuamente ocupará a posição que chamamos de “Norte”.

Agora, realcemos o fenômeno da agulha imutável que sempre aponta para a estrela inabalável, consideremos a conexão entre ambas e a lição que existe para nós, nesse evento. A agulha magnética não é uma seguidora de bom tempo; independentemente de chover ou o sol brilhar, de o clima estar calmo ou tempestuoso, de haver nevoeiro ou muitas nuvens; sob todas as circunstâncias ela aponta com fidelidade invariável para a estrela do norte e, baseado nesse grande fato, o marinheiro aposta suas propriedades e a própria vida, além das da tripulação e dos passageiros. Embora o granizo, a chuva ou a neve possa bater em seu rosto e quase cegá-lo, tornando impossível que veja a frente do navio, enquanto puder ver a agulha fiel, saberá que esteja na direção correta; ele sabe que ela nunca se desviará, que, embora o navio deva afundar e encontrar um túmulo aquático no fundo do mar, ainda permanecerá na mesma posição, mostrando a estrela imutável, até que seu último átomo seja desintegrado pela corrosão.

Portanto, ele confia de maneira implícita nesse guia fiel, quando ele “se deita em paz para dormir, embalado no berço das profundezas”.

Existe na devoção inabalável, simbolizada por essa agulha magnética, uma das maiores e mais maravilhosas lições para aqueles que viram a Luz Mística e aspiram ao privilégio de guiar outros, os que ainda não encontraram o caminho. Entendamos que, para fazer isso, o primeiro, o principal e o maior pré-requisito é que nós mesmos estejamos firmemente enraizados e aprofundados para não sermos perturbados pelas mudanças seculares que estejam acontecendo ao nosso redor. Seja quando as nuvens da dúvida, do ceticismo ou da perseguição são lançadas sobre nós por outros ou quando tentam nos prender em nevoeiros ofuscantes de outras doutrinas.

É nossa tarefa manter-se firme no que é bom; sim, mesmo que a vida seja o preço que devamos pagar, devemos imitar essa agulha fiel à medida que o navio afunda e se instala em seu túmulo aquático. Devemos continuar apontando para o único objetivo, Nosso Pai Celestial, nunca desviando para a direita ou a esquerda, não importando o que aconteça. Como a agulha que uma vez foi tocada pela magnetita está impregnada de um anseio por aquela estrela imutável, uma aspiração que não cessa mesmo que encontre uma cova aquática, uma vontade que dura até o último átomo do seu ser, depois que é dissolvido pela ação dos elementos, também devemos nós, se real e verdadeiramente desejamos ser guias competentes para os outros, manter a devoção inabalável no caminho que escolhemos, não olhando para a direita nem para a esquerda, porém mantendo os olhos fixos naquela estrela firme à nossa frente, Nosso Pai no Céu, em quem não há mudança nem alteração, porque o menor desvio da parte da agulha magnética da bússola seria suficiente para arremessar o navegador nos cardumes ou rochas de uma costa perigosa, destruindo o navio e as vidas nele; assim também, se nos desviarmos do caminho que escolhemos, tornamo-nos obstáculos para aqueles que nos procuram para receber orientação e exemplo, estando suas vidas sobre nossas cabeças. “A quem muito foi dado, dele muito será exigido.”. Recebemos muitos dos ensinamentos dos Irmãos Maiores, a Luz Mística nos chamou e podemos notar a grande responsabilidade que temos, junto a nosso exemplo e vida, de orientar fielmente os buscadores com os quais entramos em contato, guiá-los rumo ao refúgio, ao descanso.

(De Max Heindel, Publicado em Rays from the Rose Cross de maio de 1915, e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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O Lado Oculto da Oração

O Lado Oculto da Oração

Na noite em que a Lua[1] está transitando por em torno do décimo quinto grau de Signo Cardinal[2], realizamos nosso Ritual do Serviço Devocional de Cura. Nesse sentido, é muito importante ter em mente que os Estudantes da Fraternidade Rosacruz, que residem em várias partes do mundo, concentram nesse dia dirigindo seus pensamentos para a Pró-Ecclesia, com o mesmo objetivo que estamos agora tentando realizar, ou seja: gerar pensamentos de auxílio e de cura e concentrá-los em uma única direção: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para que os utilizem no seu benéfico Serviço em prol da humanidade.

Porém, se realmente queremos realizar algo naquele sentido, devemos ter uma compreensão clara e definitiva do que é o nosso ideal e quais são os meios para alcançá-lo. Não é suficiente sabermos de modo vago que existem no mundo a doença e o sofrimento, nem que façamos uma ideia, também vaga, de auxílio para aliviar esse sofrimento, seja ele físico ou mental. Devemos fazer algo definido para atingir nosso objetivo e, portanto, será bom colocar diante de nossas Mentes uma ilustração que possa nos ajudar.

Vamos supor, que um de nossos prédios está em chamas. Muito lixo se acumulou em um canto e, por combustão espontânea, finalmente pegou fogo. Temos mangueira, água e um bico para que possamos esguichar sobre o fogo e tentar apagá-lo. Contudo, para fazer isso, precisamos primeiro ligar a água e apontar o bico para o fogo; além disso, o fluxo de água deve ser adequado para enfrentar o fogo. Não nos ajudará em nada se apenas abrirmos a torneira pela metade ou se tivermos um fluxo fraco e esguicharmos aqui e ali. Devemos apontá-lo diretamente para o centro do fogo e devemos ter força e volume adequado para lidar com o material em chamas. Se tivermos esses requisitos, seremos capazes de apagar o incêndio no edifício e, portanto, teremos cumprido nosso propósito pelo uso adequado de meios eficientes.

A cura de enfermidades oferece uma analogia perfeita, pois em qualquer patologia, podemos dizer, há realmente um incêndio, o invisível fogo que é o Pai tentando dissolver as cristalizações que acumulamos em nossos corpos. Reconhecemos a febre como sendo um fogo, mas os tumores, como o câncer e outras doenças, são, também em realidade, o efeito desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.

Agora, os pensamentos de cura.

Este mesmo poder que está procurando, lentamente, purificar o Corpo pode ser aumentado, em alto grau, pela concentração adequada, o que é realmente uma prece, desde que tenhamos as condições apropriadas.

Para ilustrar essas condições tomaremos como exemplo a tromba marinha. Talvez nenhum de nós tenha presenciado este fenômeno da natureza, que, embora maravilhoso, inspira pavor.

Em geral, quando ele ocorre o céu parece aproximar-se da água; há no ar um tenso estado de concentração.

Gradualmente, um ponto do céu desce até a superfície das águas e as ondas, em certa extensão, parecem saltar para cima até que, ambos, céu e água, unem-se formando um redemoinho de voragem vertiginosa.

Algo semelhante ocorre quando uma pessoa ou várias pessoas estão em prece fervorosa. Todas as forças da natureza que realizam o trabalho conosco estão trabalhando apenas no éter – eletricidade, força expansiva no vapor etc. – todas são etéreas. Contudo, existem forças no universo muito mais potentes e sutis, entre elas, o poder do pensamento. Quando uma pessoa se absorve numa intensa súplica a um Poder superior, sua aura parece afunilar-se em forma semelhante à parte inferior da tromba marinha. Isso eleva-se no espaço a uma grande distância e, sintonizando-se com a vibrações do Cristo, do Mundo Interplanetário do Espírito de Vida, atrai para si uma força divina que penetra na pessoa ou num grupo de pessoas e vivifica o pensamento-forma que elas criaram. Desse modo, o fim pelo qual se uniram, será atingido.

Mas gravemos bem em nossas mentes que esse processo de orar ou de concentrar, não é um frio processo intelectual. É preciso haver um grau adequado de sentimento para atingir o fim desejado, pois, se faz necessário uma quantidade de água para apagar o fogo. Se não estiver presente esta intensidade de sentimento, o objetivo não será alcançado, contudo se utilizar apenas uma pequena quantidade de água, isto não apagará um grande incêndio. Este é o segredo de todas as preces milagrosas que já foram registradas: a pessoa que orava, fazia-o sempre com intenso fervor; todo o seu ser se submergia no desejo de obter aquilo por que orava, e dessa forma, elevava-se aos reinos divinos, trazendo de volta a resposta do Pai.

No ano passado, tivemos um caso desse tipo, aqui em Mount Ecclesia. Um dos trabalhadores se feriu em um acidente de automóvel e sofreu um traumatismo craniano. Naquela noite, aqui na Pró-Ecclesia, todos nos juntamos à uma súplica silenciosa ao nosso Pai Celestial para que ele pudesse ser auxiliado na cura.

Claramente, o escritor percebeu a intensidade do sentimento e como ele deu origem àquele canal na parte inferior em forma de funil, que trouxe a resposta divina. Naquela noite, o trabalhador recuperou a consciência, algo muito incomum na história desses tipos de casos. Também descobrimos que em certas comunidades sagradas, como, por exemplo, “a mesa redonda do rei Arthur”, ou em um círculo de espiritualistas, uma condição semelhante é provocada. As pessoas que estão sentadas em círculo, sintonizam com uma vibração comum, cantando certas músicas. E, assim, estando unidas, formam um único funil áurico que traz de volta a resposta do que desejam, de acordo com a intensidade de seus desejos e sua concentração.

Essa vibração espiritual é tão poderosa que, às vezes, pode ser transmitida e permanecer ao redor, mesmo em objetos aparentemente inanimados. Por exemplo, muitas pessoas sentiram, algumas foram até superadas, pelas poderosas vibrações no órgão daqui. Você notará que há sobre o órgão uma cópia do Cristo pintada por Hoffman[3]. Não há dúvida na Mente do orador de que quando Hoffman pintou esse quadro, ele sentiu muito intensamente a posição e o sentimento de Cristo no Getsemani; portanto, impregnou-se a sua imagem, uma representação desse mesmo canal áurico. Isso não seria reproduzido e não permaneceria como uma cópia impressa da imagem.

Contudo, esse quadro que está aqui na Pro-Ecclesia foi pintada por um de nossos membros que solidarizou ao sentimento do artista original e foi tomado de uma compreensão do mistério do sofrimento de Cristo naquela hora solitária. Assim, conseguiu trazer esse mesmo canal a sua imagem e, portanto, as vibrações são emanadas dela.

Tudo isso nos ensina que essa força está disponível e pode ser usada cientificamente com muito maior efeito do que se a usássemos de maneira aleatória, vagamente desejando isso, aquilo ou outra coisa. Todavia, há um grande perigo se fizermos mau uso desse maravilhoso poder; portanto, façamos sempre nossas súplicas em favor dos outros, acrescentando estas palavras de Cristo: “Pai, Faça-se a Tua Vontade e não a minha”. Caso contrário, somos suscetíveis de causar sofrimento onde deveríamos ajudar. Você provavelmente notou que eu disse “nossas súplicas em favor dos outros”. Deixe essa ideia aprofundar em nossas Mentes, de que nunca devemos pedir nada a nós mesmos. Isso é supérfluo. O Cristo nos garantiu que, se buscarmos primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, todas as outras coisas nos serão dadas por acréscimos.

Também temos a promessa da Bíblia: “O Senhor é meu pastor, não me faltará”, e muitos anos de experiências demonstraram ao autor que esse é um fato real, que se trabalharmos com a lei para os outros, então, a lei cuidará de nós, pois somos trabalhadores dela.

A grande razão pela qual a oração não está sendo ouvida hoje é que as pessoas que suplicam estão sempre pedindo algo para si mesmos, contrariamente ao bem comum. Se estamos cuidando de nós mesmos e sempre tentando obter o melhor de nós mesmos, independentemente de todos os outros, então não é necessário que Nosso Pai Celestial cuide de nós. Porém, no momento em que nos colocamos em Suas mãos e pensamos em como podemos realizar Sua obra, como podemos realizar Sua vontade na Terra, assim como está sendo feita no Céu, então nos tornamos colegas de trabalho com Ele, trabalhadores em Sua vinha. Portanto, cabe a Ele cuidar de nós, e então podemos confiar plenamente que tudo o que for necessário de material ou para o nosso conforto espiritual estarão disponibilizados. A providência também não será pequena, escassa ou mesquinha, mas receberemos a medida completa, precisa e transbordante.

Com esses pensamentos, entraremos no silêncio e, por dez minutos, focaremos nossa Mente no objeto para o qual nos reunimos – para ajudar e curar nossos irmãos sofredores, mas particularmente aqueles que se inscreveram à sede para buscar ajuda as suas dificuldades.

(de Max Heindel; publicado na: Rays From The Rose Cross de agosto de 1915 – Traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

[1] Auxiliares visíveis são tão necessários quanto Auxiliares invisíveis, e nossos amigos e pacientes podem compartilhar desse grande privilégio, que além de aumentar muito o poder da força curadora liberada, também juntamos em oração pelos enfermos. Nosso Serviço de Cura é oficiado todas as noites no Templo de Cura às 18h30 (19h30 nas localidades onde vigora o horário de verão) e na Pro-Ecclesia às 16h15 (aberta ao público), quando a Lua estiver em um Signo Cardinal: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio). Relaxe, feche os olhos, faça uma imagem mental da rosa branca pura do centro do emblema Rosacruz na parede oeste de nossa Pró-Ecclesia e concentre-se no amor e na cura divina.
[2] N.T.: Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio
[3] N.T.: Johann Michael Ferdinand Heinrich Hofmann foi um pintor alemão, notável pela vasta obra de representação da vida de Jesus.