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Livro: A Teia do Destino

Esse livro se refere ao nascimento místico e à morte do grande Espírito Cristo, abordados sob o ponto de vista de um Clarividente.

O mais pronunciado materialista deve se convencer da divindade do ser humano, após ler as revelações do autor sobre o significado profundo do Cristo e os princípios por Ele proclamados.

Esperamos que a leitura cuidadosa e atenta desse volume sobre a vida sagrada de Cristo incentive uma maior veneração pela Religião Cristã, tornando-a mais aceitável à razão por meio da obra inspirada desse autor, cujo principal objetivo, enquanto viveu, foi o de trazer o ideal de Cristo e a vida simples de servir mais próximo dos corações das pessoas.

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel – A Teia do Destino

2. Para estudar no próprio site:

 

 

A TEIA DO DESTINO

 

Como se tece e destece

Também

O Efeito Oculto das Nossas Emoções

A Oração – uma Invocação Mágica

Métodos Práticos de se Alcançar o Sucesso

Por

Max Heindel

(1865-1919)

Uma Série de Lições sobre o Lado Oculto da Vida, Mostrando as Forças Ocultas que Moldam o Nosso Destino

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1920, The Desire Body, editada por The Rosicrucian Fellowship

2ª Edição em Inglês, 2011, The Desire Body, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO EM 1911

A série de dezessete lições impressas nesse volume é parte das noventa e nove lições mensais enviadas pelo autor a seus Estudantes, durante os últimos anos de sua vida no corpo. Elas são, agora, publicadas pela primeira vez em forma de livro.

Uma série já foi publicada sob o título “Maçonaria e Catolicismo”, como é visto por trás do cenário.

Esses livros contêm os tesouros inestimáveis das últimas investigações desse grande místico, e levam uma mensagem de amor Cristão impregnada de sabedoria divina, que somente um Iniciado nos mais profundos mistérios poderia nos transmitir.

Esperamos que essas lições sejam o meio de reintegrar muitas pessoas de volta à Deus e de fortalecer sua reverência e seu amor por Cristo.

Os Santos Sacramentos, Cristo e Sua Missão, A Significância Oculta das Óperas de Wagner e outros assuntos muito interessantes serão publicados mais tarde.

 

 

ÍNDICE

A TEIA DO DESTINO

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA

PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTO-CRIADOS – ELEMENTAIS

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL

 

A TEIA DO DESTINO

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA

Embora muitos esclarecimentos e muita informação foram fornecidos sobre esse assunto no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras nossas obras, temos recebido muitas cartas de Estudantes nos pedindo mais esclarecimentos sobre alguns pontos, tais como obsessão, mediunidade, insanidade, condições anormais do caráter, etc. Isso tem dado ao autor uma motivação para investigar o assunto mais profundamente que antes. A máxima que diz que “a prática leva à perfeição” pode se aplicar, com a mesma propriedade, tanto aos reinos espirituais como para as coisas físicas. Assim, esperamos que a luz derramada sobre estes assuntos, nas páginas que se seguem, possa ajudar o Estudante a perceber, com mais clareza, as causas que produzem os efeitos observados nessa vida.

A fim de que possamos compreender perfeitamente o problema, será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação. No momento exato em que o espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente. Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido. Se esta ação for física, isto é, realizada pelo espírito em um Corpo físico, a reação deverá ser, forçosamente, também física. Se é assim de fato, é evidente que devemos renascer neste Mundo, de tempos em tempos, pois é um fato comprovado que, quando geramos causas nesse Mundo, na existência diária, e essas causas não apresentam uma reação adequada, e, também, quando não nos é possível colher o que tivermos semeado, devemos necessariamente voltar em um Corpo novo; do contrário, a lei seria invalidada. Se a lei de Causa e Efeito é verdadeira, então o renascimento periódico é uma consequência lógica de absoluta necessidade. Assim, pois, tanto se o compreendermos ou não, tanto se nos agrade ou não, estamos encerrados dentro de um círculo, e, devido as nossas próprias ações do passado, constrangidos a que estas ajam e reajam sobre nós, até que desenvolvamos uma força superior à que agora nos subjuga. O que é esta força, Goethe, o grande místico alemão, nos revela em poucas palavras:

“De todas as forças que encadeiam o mundo,

 o ser humano se liberta quando adquire o domínio de si mesmo”.

E, como o conhecimento é poder, é evidente que quanto mais completo seja o nosso conhecimento, em relação a cada detalhe e não superficial ou parcial, de como operam as leis gêmeas de Consequência e do Renascimento, mais facilmente encontraremos o caminho da libertação, mais facilmente nós encontraremos o caminho da libertação, e também melhor saberemos como ajudar aos demais.

A ciência deve ser muito elogiada pelo talento, pela paciência e a persistência que ela exibe na invenção de instrumentos para descobrir os segredos da natureza. Porém, enquanto isso se consegue com êxito no que concerne à matéria, os segredos da vida e do espírito são um livro fechado para o sábio, segundo diz Mefistófeles, com fina ironia ao Estudante que bate à porta de Fausto, solicitando admissão a sua escola:

“Qualquer pessoa que quiser conhecer e tratar com alguma coisa viva,

Busque, primeiro, o espírito vital que a anima.

Pois tem somente em suas mãos fragmentos inertes,

A ele falta, ai!, o alento do espírito vital”.

Há somente um instrumento adequado para investigar as coisas do espírito, e este, é o próprio Espírito. Assim como é necessário preparar um ser humano para a pesquisa científica aqui no mundo material, também é necessário um longo e lento processo para adaptá-lo às investigações do Mundo espiritual. Do mesmo modo como o cientista deve pagar o preço de seu conhecimento com meses e anos de trabalho constante e tenaz, o investigador místico também deve sacrificar muitos anos de sua vida para compreender e se capacitar a respeito das suas investigações espirituais.

Como você sabe, o que agora é o nosso Corpo Físico foi o primeiro veículo que o ser humano adquiriu como pensamento-forma, tendo sobre si um imenso período de evolução e organização até chegar ao que é agora, ou seja, o esplêndido instrumento que tão bem lhe serve conquanto seja pesado, difícil de governar e de agir com ele. O veículo adquirido logo após, foi o Corpo Vital, que também atravessou um longo período de desenvolvimento, até se condensar e tomar consistência etérica. O terceiro veículo, o Corpo de Desejos, foi adquirido, relativamente, muito mais tarde, achando-se ainda em estado fluídico. Por último, o ser humano tomou posse da Mente, que é apenas uma nuvem informe e não merece ainda o nome de veículo, servindo, entretanto, de união ou de laço entre os três veículos mencionados e o espírito.

Estes três veículos, o Corpo Denso (o físico), o Corpo Vital e o de Desejos ligados à Mente, são os instrumentos do espírito em sua evolução. E, ao contrário da crença geral, a habilidade do espírito para investigar os planos superiores, não depende tanto dos Corpos mais sutis, como depende do mais denso de todos. A prova dessa asserção é evidente e está ao alcance de nossas mãos, e, sem dúvida alguma, todo aquele que quiser tentar com seriedade, poderá confirmá-la por si mesmo. E terá resultados imediatos se seguir certas determinações para mudar as condições de sua Mente. Suponhamos que uma pessoa formou certos hábitos de pensamento que ele não gosta. Talvez, após uma experiência religiosa, ele percebe que, a despeito de todos seus desejos, esses hábitos de pensamentos não o deixam. Porém, se ele decidir limpar completamente a Mente de forma que só contenha pensamentos bons e puros, ele poderá conseguir o que pretende simplesmente recusando admitir pensamentos impuros. Notará então que, depois de uma ou duas semanas de esforços, sua Mente está, notadamente, mais pura do que quando começou tal esforço; que isso se mantém se preferir e procurar gerar pensamentos de caráter religioso nela. Até uma Mente a mais anormal ou degenerada pode ser totalmente purificada em poucos meses de esforço. Este resultado já foi comprovado por muitos que fizeram isso, e, qualquer pessoa que o deseja e seja suficientemente tenaz para tentá-lo pode ter a mesma experiência e gozará de uma Mente pura e limpa, em muito pouco tempo.

Entretanto, enquanto os nossos pensamentos purificados nos fazem avançar consideravelmente no caminho da perfeição, as emoções e os desejos do nosso Corpo de Desejos não são dominados com tanta facilidade, por ser este veículo muito mais desenvolvido do que a Mente. Enquanto a Mente regenerada está pronta a aceitar a ideia de que devemos amar a nossos inimigos, a natureza passional e emocional do Corpo de Desejos anseia pela vingança, com todas as suas forças, aferrando-se ao “olho por olho e dente por dente”. Algumas vezes até depois de anos e anos de luta, quando supomos que a serpente adormecida foi realmente dominada e que nós temos, finalmente, obtido o domínio sobre isso e, que isso não poderá mais transtornar a nossa paz, inesperadamente ela desperta, desvanecendo as nossas esperanças; e, arrebatada por um acesso de raiva, pode morder-nos, clamando vingança por qualquer agravo real ou imaginário. Então, será necessário empregar todo o poder da natureza superior para dominar esta parte rebelde do nosso ser. Isso, acha o escritor, é o espinho da carne sobre o qual São Paulo suplicou ao Senhor três vezes e recebeu a resposta: “Minha graça é suficiente para ti”[1]. Certamente se necessita toda a graça que se possa conceber, para vencer, e, como uma vigilância permanente é o preço da segurança, vamos “vigiar e orar”[2].

O Corpo de Desejos é o responsável por todas as nossas ações, quer sejam boas, más ou indiferentes. Por esta razão, os filósofos orientais prescreveram algumas instruções a seus discípulos com o objetivo de matar o desejo, ensinando-os a se absterem de agir, bem ou mal, dentro do possível, com o objetivo de se libertarem da lei do nascimento e da morte. Porém, esses mesmos arroubos que constituem tão séria ameaça quando nos dominam, podem ser muito eficazes para o serviço, se forem conduzidos sob nossa própria orientação. Jamais pensaríamos em tirar o gume de uma faca, pois ela nada cortaria. O temperamento do Corpo de Desejos deve ser controlado, mas nunca, de nenhum modo, ser morto. O poder dinâmico do movimento e da ação no Mundo invisível está armazenado no Corpo de Desejos e, a menos que este permaneça intacto não podemos nos controlar, do mesmo modo que um transatlântico, cujas máquinas estiverem funcionando mal, não poderia enfrentar os embates numa tempestade. Existem certas sociedades que ensinam métodos negativos de desenvolvimento, e uma de suas primeiras instruções para o aluno é afrouxar o maxilar e se tornar perfeitamente negativo. Qualquer pessoa que se dirigir do Mundo material ao Mundo espiritual equipada com tais métodos estará como uma tábua abandonada em pleno oceano, ao sabor das ondas, joguete de toda a espécie de correntes. E, como acontece aqui, existem, nos Mundos internos, seres que nada tem de bondosos e que estão dispostos a se aproveitarem de quem se aventure ao seu Mundo sem estar devidamente preparado para se proteger deles. Vemos, assim, que é de primordial importância sujeitar nossos desejos ao domínio do espírito aqui nesse mundo e reforçar o Corpo de Desejos antes de tentarmos penetrar nos Mundos internos. Aqui está, em grande medida, mantido sob controle pelo fato de que ele é interpolado dentro do Corpo Denso e, portanto, não pode nos jogar de um lado para outro, da mesma forma quando se liberta da prisão física.

Porém, ainda assim, o governo do Corpo de Desejos, mesmo sendo difícil de conseguir, não servirá para tornar o ser humano consciente nos Mundos invisíveis. Isso porque o Corpo de Desejos ainda não evoluiu até o ponto em que possa servir como um instrumento de consciência. Na grande maioria dos seres humanos se encontra, ainda, em estado informe e nebuloso. Existem nele somente uma quantidade de vórtices como centros de sentidos ou centros de consciência; esses não estão suficientemente desenvolvidos para que possam servir a um propósito, sem qualquer ajuda extra. Portanto, é necessário trabalhar sobre e educar o Corpo Vital para que possa ser utilizado nos voos da alma. Este veículo, como já sabemos, é composto de quatro Éteres. É pela ação deste Corpo que podemos manipular o mais denso dos nossos veículos, o Corpo físico, que geralmente supomos constituir o ser humano, como um todo. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz dos nossos Corpos físicos. Cada molécula do Corpo físico está submersa numa rede de Éter que a interpenetra e lhe infunde vida. É por meio destes Éteres que as funções do corpo, tais como a respiração e outras, se realizam, e, a consistência e densidade destas matrizes de Éter determinam o estado da nossa saúde. Porém, a parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres Superiores, o Éter Luminoso e o Refletor, constituem o que em nossa doutrina denominamos de CORPO-ALMA; isto é: é mais intimamente ligado com o Corpo de Desejos e com a Mente e é mais sensível ao contato espiritual do que os dois Éteres inferiores. É o veículo do intelecto, responsável por tudo o que faz o ser humano verdadeiramente um ser humano. Nossas observações, aspirações, caráter, etc., são devidos ao trabalho do espírito sobre os Éteres Superiores que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e de nossos hábitos. Assim como o Corpo Denso assimila partículas de alimento, ganhando sustância física, os Éteres Superiores também assimilam as boas ações durante a vida, aumentando, consequentemente, de volume. Desta forma, em harmonia com os nossos atos durante a vida terrestre, aumentamos ou diminuímos a bagagem que trazemos ao nascer. Se tivermos nascido com um caráter doce, expressado pelos Éteres Superiores, não nos será fácil mudar esta condição, porque o Corpo Vital já se consolidou durante os milhares de anos em que tem durado a sua evolução. Por outro lado, se temos sido preguiçosos e negligentes, se fomos muito indulgentes com os hábitos considerados prejudiciais, se formamos um mau caráter em nossas vidas passadas, também nos será muito difícil dominar devido à natureza do Corpo Vital, e serão necessários vários anos de esforço constante. Para mudar a sua estrutura. Esta é a razão dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmarem que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.

 

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA

 

Há muitas pessoas associam espiritualidade com um grande show de emocionalismo, mas, como vimos no capítulo anterior, esta ideia não tem nenhum fundamento; ao contrário, o tipo de espiritualidade que é desenvolvida e associada à natureza emocional do Corpo de Desejos é extremamente enganadora; esse é um dos tipos que é gerada em reuniões de revivificação, onde o emocionalismo é elevado ao seu mais alto grau, provocando em uma pessoa grande fervor religioso, que logo se desfaz e a deixa exatamente como era antes, para desconsolo dos revivalistas e outras pessoas empenhadas nos trabalhos evangélicos. Mas, o que mais podiam esperar? Eles se propõem a salvar as almas ao som de tambores e cornetas, com cânticos rítmicos revivificantes, com invocações feitas em um tom de voz que se eleva e abaixa em ondas harmônicas, e que têm sobre o Corpo de Desejos o mesmo poder efetivo das tormentas que encrespam o mar e depois se acalmam. O Corpo Vital é muito mais consistente, e ele é afetado somente quando a conversão se firma e permanece no homem ou na mulher durante toda a vida. Aqueles que possuem verdadeira espiritualidade não se consideram salvos em um só dia, nem se sentem no sétimo céu de êxtase, para, em seguida, se sentirem deprimidos e miseráveis pecadores incapazes de serem perdoados; isso porque a sua religião não está apoiada sobre a natureza emocional que provoca tais reações, mas sim enraizada no Corpo Vital, que é o veículo da razão, sempre firme e persistente no caminho escolhido. Assim como as formas novas são propagadas por meio do segundo Éter do Corpo Vital, o EU SUPERIOR, o CRISTO INTERNO é formado por intermédio desse mesmo veículo de geração, o Corpo Vital, em seus aspectos mais elevados, incorporados nos dois Éteres superiores.

No entanto, da mesma forma que uma criança necessita de nutrição ao nascer neste mundo, assim também o Cristo, que nasce internamente, é como uma bebê e precisa ser nutrido para que alcance o desenvolvimento característico de adulto. E como o Corpo físico cresce mediante a assimilação contínua de matérias pertencentes à Região Química – sólidos, líquidos e gases – assim também, à medida que o Cristo cresce, os dois Éteres superiores aumentam em volume e formam uma nuvem luminosa em torno do homem ou da mulher suficientemente esclarecidos, que olham em direção do céu; isso revestirá o peregrino com uma luz tão brilhante, que ele, na verdade, “caminha na luz”. Por meio dos exercícios dados pela Escola Ocidental de Mistérios dos Rosacruzes, se torna possível, com o tempo, separar os dois Éteres superiores e, então, o ser humano poderá sair de seu Corpo físico, deixando-o momentaneamente revestido e vitalizado somente pelos dois Éteres inferiores; ele é, então, o que nós chamamos de um AUXILIAR INVISÍVEL.

Há vários graus de visão espiritual. Um deles habilita o ser humano a ver o Éter, normalmente invisível, com as miríades de seres que habitam esse reino. Outros e mais elevados graus lhe proporcionam a faculdade de ver o Mundo do Desejo e até o Mundo do Pensamento, permanecendo, não obstante, no seu Corpo físico. Entretanto, essas faculdades, ainda que valiosas quando se exercem sob o controle da vontade humana, não são suficientes para se ler na “MEMÓRIA DA NATUREZA” com absoluta exatidão. Para que isto seja possível e também para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo físico e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, o qual já dissemos é formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Desse modo, o investigador se achará na posse total de suas faculdades; ele sabe tudo que conheceu no Mundo físico e tem a habilidade de trazer novamente à consciência física, as coisas que aprendeu fora. Quando ele obtém essa capacidade, deve aprender também a se examinar, para compreender as coisas que vê do lado de fora, para que fica claro o seguinte: não é suficiente ser capaz de abandonar o Corpo para entrar em outro mundo e ver o que lá existe; nós não nos tornamos oniscientes por esse fato, nem sabemos o uso de tudo, ou como tudo funciona aqui nesse mundo físico, só porque vivemos aqui, dia após dia, ano após ano. Necessita-se de muito estudo e aplicação para se familiarizar com os fatos do Mundo invisível, da mesma maneira que com os fatos do mundo em que estamos vivendo com nossos Corpos físicos. Por isso, o livro, a “Memória da Natureza”, não é fácil de ser lido à primeira ou à segunda tentativa, porque, da mesma forma que uma criança necessita empregar muito tempo para aprender a ler nos livros escolares, muito esforço e tempo são necessários para aprender a decifrar esta maravilhosa película.

É um fato conhecido por todos Estudantes de ciência, que a história da Terra está escrita em caracteres inconfundíveis sobre as rochas e geleiras; sobre cada pedra se encontra algum sinal que guia o investigador treinado a decifrar sua mensagem concernente ao desenvolvimento da Terra nas épocas passadas e é maravilhoso ler nos livros que tratam deste assunto, o modo como os investigadores científicos são capazes de reconstruir a história, se valendo desses muitos indícios. Da mesma forma, é sabido que cada movimento individual que fazemos, deixamos, atrás de nós, vestígios que podem ser reconhecidos, ainda que sejam invisíveis a nós mesmos. A grande capacidade dos índios em perseguir e descobrir amigos ou inimigos através da selva virgem, guiados por arbustos quebrados etc., segundo citações de Fenimore Cooper[3] e de outros, é superada extraordinariamente pelos cientistas atuais, os quais são capazes de identificar criminosos pelas impressões digitais. As façanhas aparentemente fantásticas de Sherlock Holmes estão comprovadas mediante as atuais experiências de averiguação criminal. Os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores; e, assim, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza. Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho. No que se refere ao indivíduo, este registro começa no momento exato em que ele emite sua primeira respiração, prosseguindo até que o último sopro de vida tenha esvaziado as artérias do sangue. Nós sabemos que todo o universo vibra com vida, que cada objeto emite, constantemente, ondas vibratórias que revelam sua natureza e sua presença. Também sabemos que, quando um recém-nascido efetua sua primeira respiração, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame oval é fechado e o sangue é forçado a circular através do coração e dos pulmões. Dessa forma, entra em contato com o ar que tem a imagem do ambiente que o cerca. Então, o sangue, que é o veículo do Ego, absorve pelos pulmões essa imagem completa do mundo exterior. Quando passa através do ventrículo esquerdo do coração, imprime os acontecimentos sobre o diminuto Átomo-Semente situado no ápice, o que corresponde a um filme da câmara fotográfica. Não devemos duvidar de ser possível se imprimir tão grande quantidade de imagens sobre uma superfície tão pequena. Quando consideramos que a imagem da Lua, que vemos em nossa retina, é menor do que cinco centésimas partes de cada centímetro de diâmetro, concluímos que uma pequena imagem pode ser muito clara, pois mesmo dentro desse pequeno espaço notamos na Lua, a olho nu, grande número de montanhas e vales. A imagem de um homem, à distância de trinta e um metros, segundo fonte autorizada, não chega à centésima parte de um centímetro e, no entanto, nessa diminuta imagem podemos distinguir a expressão do rosto, o traje do homem, etc. Analogamente, existe sobre este pequeno Átomo-Semente uma imagem de todas as ações realizadas, de todas as cenas em que tomamos parte durante a nossa vida, desde o nascimento até a morte. George du Maurier[4] e Jack London[5] descrevem em “Peter Ibbetson” e em “The Star Rover”, como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas. Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato, como está provado pelos médiuns. Porém, enquanto se pode ler os acontecimentos recentes e atuais com relativa facilidade, se torna, gradualmente, mais difícil fazê-lo à medida que retrocedem. Isso porque os registros gravados no Éter são pouco nítidos, quando comparados com os que se encontram nos planos superiores, e, por isso, se desvanecem gradualmente.

Quando um vidente observa uma pessoa que está para adoecer, percebe que o Corpo Vital vai se tornando mais tênue, e quando este atinge um ponto de fragilidade em que já não é possível sustentar o Corpo físico, os sintomas da enfermidade começam a se manifestar. Da mesma forma, antes de se constatar o restabelecimento físico, o Corpo Vital começa a adquirir mais densidade, e aí começa o período de convalescença. Sabemos que as vítimas de acidentes não sofrem tanto quando acabam de ser acidentadas, como vão sofrer logo depois; isso acontece porque o Corpo Vital, no momento do acidente, permanece ileso e, portanto, o efeito total não se nota até que esse veículo se tenha tornado mais tênue e incapaz de manter o processo vital. Assim, podemos ver que existem mudanças no Éter de um ser humano e, de acordo com o axioma místico “Como é em cima, assim é embaixo” e vice-versa, existem também mudanças no Éter planetário, que constitui o Corpo Vital do Espírito Terrestre. Como a Memória consciente dos acontecimentos recentes, que é intensa no ser humano, esmaece gradualmente, assim também o registro etérico, que é o aspecto mais inferior da Memória da Natureza, esmaece com o tempo.

Na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, justamente na linha divisória entre o espírito puro e a matéria, se efetua uma impressão das coisas e dos acontecimentos deste mundo mais límpida e duradoura que a do registro etérico; porque, enquanto as ocorrências inscritas nesse registro etérico se desvanecem em manchas no decurso de algumas centenas de anos, e até os acontecimentos importantes podem durar somente mil ou dois mil anos, o registro impresso na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto permanece durante o Período Terrestre. Enquanto as imagens gravadas no Éter Refletor podem ser lidas por alguém destituído de treinamento, mas que possui um pouco de visão espiritual, é necessário passar por várias Iniciações antes que seja possível, a quem quer que seja, ler as imagens conservadas na elevada Região citada acima. Compreenderemos facilmente a relação que existe entre este registro e o impresso no Éter, e também entre as recordações absolutamente permanentes inscritas no Mundo do Espírito de Vida, se examinarmos o Diagrama N° 1 do “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

Paracelso chama o registro feito no Éter de Luz Sideral, e Eliphas Levi, o grande cabalista, fala dessas gravações como as que estão conservadas na Luz Astral. Esta é uma definição verídica, pois, mesmo que não tenha nada a ver com as estrelas, como se poderia interpretar pelo seu nome, as impressões se acham na Região Etérica, fora da atmosfera da Terra. O médium ou a vítima hipnótica, que abandona o corpo por um método negativo sob controle alheio, levita por essas regiões tão naturalmente como nosso Corpo físico gravita na Terra.

Como já dissemos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” com referência à constituição de nosso Planeta, o caminho da Iniciação passa através da Terra, da periferia ao centro, um estrato de cada vez, e, mesmo que nossos Corpos físicos sejam impelidos naquela direção pela força de gravidade, sua densidade evita que a trespassemos, assim como eficazmente faz a força de levitação que repele a classe despreparada, citada acima, dos recintos sagrados. Somente quando, pelo poder de nosso próprio espírito, nós tenhamos deixado o nosso Corpo Denso, instruídos por, e em consequência da reta maneira de viver, seremos capazes de ler o registro etérico com proveito. Em um ponto mais avançado do progresso, o “estrato aquoso” da Terra será aberto ao Iniciado, que se colocará num estado conveniente para ler o registro dos acontecimentos passados, impressos permanentemente na substância vivente da Região das Forças Arquetípicas[6], onde o tempo e espaço praticamente não existem, e onde tudo é um eterno Aqui e Agora.

 

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA

 

Enquanto estivermos estudando este Livro “A Teia do Destino, Como se Tece e Destece”, será conveniente dedicarmos alguma atenção ao misterioso “Guardião do Umbral”, um assunto que é tão mal compreendido. Nossas investigações sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio da Fraternidade Rosacruz para se livrar da assim chamada obsessão, provaram que seus problemas são devidos a uma fase que foi chamada, equivocadamente por investigadores anteriores, de “O Guardião do Umbral”. Quando esses casos são examinados simplesmente por meio da visão espiritual ou pela leitura dos registros etéricos, se pode cair, facilmente, em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que analisamos esses casos nos registros imperecíveis que se encontram na Região das Forças Arquetípicas[7], o assunto se esclarece imediatamente, e as conclusões tiradas dessas investigações podem ser assim resumidas:

No momento da morte, quando o Átomo-semente no coração é interrompido, e que contém todas as experiências da vida que acaba de findar em um quadro panorâmico, o espírito abandona o Corpo físico[8], levando consigo os veículos mais sutis. Ele flutua, então, sobre o Corpo Denso, que agora está morto, como assim dizemos, por um período de tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante desta variação de tempo é o vigor do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma[9] de que fala a Bíblia. Há, em seguida, uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, desde a morte até o nascimento, e as imagens são impressas sobre o Corpo de Desejos, por meio do Éter Refletor neste Corpo Vital. Durante esse tempo a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital, ou pelo menos deveria ser assim, e por isso nada sente deste processo. A imagem que foi impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, é a base do subsequente sofrimento no Purgatório, em consequência das más ações, e também a base do regozijo que sentiremos no Primeiro Céu, em virtude do bem praticado na vida passada.

Esses foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte, na época em que lhe foi dado conhecer os primeiros ensinamentos, e quando foi levado, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam atravessando as portas da morte, mas investigações posteriores vieram revelar um fato adicional, isto é, que existe outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Uma grande parte deste veículo, que pode ser chamado “alma”, se une aos veículos superiores e forma a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao Corpo físico e flutua sobre a tumba, na maioria dos casos, como já foi explicado no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Essa separação do Corpo Vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter de quem estiver passando para o além. Em casos extremos, essa divisão varia muitíssimo dos considerados casos normais. Esse ponto importante nos levou a pensar, em muitos casos que foram investigados pela Sede Mundial, em suposta obsessão de espíritos; de fato, foram esses casos que desenvolveram descobertas assombrosas e de alcance extraordinário, efetuadas em nossas investigações mais recentes, relativas à natureza da obsessão sofrida pelas pessoas que nos procuraram. Como seria esperado, logicamente, a divisão, em tais casos, indicou uma preponderância do mal; efetuaram-se, então, grandes esforços para descobrir se havia outra classe de pessoas com uma divisão diferente, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma satisfação reconhecer que assim acontece e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los uns com os outros, podemos fazer uma descrição correta das condições observadas e suas razões:

O Corpo Vital procura sempre construir o Corpo físico, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que produz a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de modo que o Corpo tenro da criança vai se tornando, com os anos, cada vez mais rígido e encolhe na velhice, seguindo-se a morte. A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções atuam de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando a devoção aos ideais elevados é a mola principal de ação, onde a natureza devocional pôde se manifestar durante anos, livre e frequentemente, e, sobretudo, quando isso foi acompanhado dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, há uma diminuição gradual da quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animais desaparecem, e se manifesta um aumento progressivo dos Éteres Luminoso e Refletor. Como consequência, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho superior, como entre aqueles em que a satisfação das paixões inferiores atrai os Éteres Químico e o de Vida, conforme a extensão e a natureza dos vícios, com exclusão parcial ou total dos dois Éteres superiores.

Várias consequências muito importantes relacionadas com a morte acompanham esse acontecimento. Como é o Éter Químico que consolida as moléculas do Corpo Denso, para que permaneçam em seus respectivos lugares e as conservam nele durante toda a vida, quando existe somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, depois da morte, com certeza é muito rápida. Isso o autor não pôde comprovar porque foi muito difícil encontrar seres humanos de vocação espiritual elevada que tivessem falecido na ocasião, mas parece que deve ser assim pelo fato registrado na Bíblia referente ao Corpo de Cristo, que não foi achado na tumba quando o povo foi buscá-Lo. Como já dissemos em relação a este assunto, Cristo espiritualizou o Corpo de Jesus tão altamente, tornando-o tão vibrante, que lhe era quase impossível conservar as partículas no lugar durante o seu ministério. Esse fato já era do conhecimento do autor por meio dos ensinamentos dos Irmãos Maiores e das investigações feitas, por ele mesmo, na Memória da Natureza, porém, a conexão desse fato sobre a morte e a existência “post-mortem”, não era, até então, do seu conhecimento, até recentemente.

O verdadeiro “Guardião do Umbral” é uma entidade elemental criada nos planos invisíveis por todos os maus pensamentos e obras que não se transmutaram durante todo o período passado de nossa evolução. Este “guardião” está guardando a entrada dos Mundos invisíveis e desafia nosso direito para neles penetrar. Esta entidade deve ser, finalmente, redimida ou transmutada. De nossa parte, devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para enfrentá-lo, antes que possamos entrar, conscientemente, nos Mundos suprafísicos.

Como já dissemos, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Da mesma forma, uma pessoa que leva unicamente uma assim chamada “vida pura” e sem excessos, tem uma saúde melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último constroem um Corpo Vital composto, principalmente, dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico e, portanto, o seu instrumento se torna cada vez mais flexível, nervoso e delicado, uma condição sensível que, gradualmente, impulsiona para as coisas do espírito, mas que se torna uma tarefa difícil, do ponto de vista físico.

Na maior parte das pessoas há uma tal preponderância de egoísmo e um desejo de extrair o máximo da vida que, ou estão empenhados em afastar as adversidades de sua porta ou se acham acumulando posses e cuidando delas, e assim elas têm muito pouco tempo ou inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro sucesso na vida. Muitas vezes, o autor as ouvia dizerem que se elas pagassem o ministro para estudar a Bíblia durante os seis dias e no sétimo dia lhes fazer um resumo, então teriam tudo que é necessário para adquirirem um bilhete para o céu. Elas se filiam às igrejas, fazem as coisas normalmente consideradas nobres e retas; no resto do tempo se divertem. Consequentemente, é tão pouco os que persistem, em cada vida, e a evolução é tão desesperadamente lenta que, até que possam ver o ato da morte das regiões superiores do Mundo do Pensamento Concreto e, por assim dizer, olhar para baixo, parece que nada se salva do Corpo Vital. Esse Corpo parece que retorna completo ao Corpo físico, flutuando sobre a tumba até se desintegrar simultaneamente com o último. Na verdade, uma grande parte adere aos veículos superiores e segue com eles até o Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, durante a passagem pelo Purgatório e pelo céu, geralmente permanecendo aí até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às forças da natureza, no esforço de criar, para si mesmo, um novo ambiente. Nessa ocasião, já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo espírito, e qualquer coisa que ali permaneça, de natureza material, desaparecerá rapidamente. Desse modo, a personalidade da vida passada se desvanece e o espírito não voltará a encontrá-la em suas vidas futuras nessa Terra.

Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que apreciam a vida gasta em vícios e práticas degeneradas, vidas brutais, e até se deleitam em fazer sofrer. Algumas vezes, chegam a cultivar artes ocultas com propósitos malignos, para poderem ter maior domínio sobre suas vítimas. Suas artes demoníacas, suas práticas imorais resultam no endurecimento do seu Corpo Vital.

Em tais casos extremos, em que a vida animal predominou; quando na vida terrena precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital, de que falamos antes, não pode ocorrer com a morte, uma vez que não existe linha divisória. Assim, se o Corpo Vital gravitasse de volta ao Corpo Denso e ali se desintegrasse gradualmente, o efeito de uma vida perversa não teria consequências tão sérias, mas, infelizmente, em tais casos existe uma algema interna entre os Corpos Vital e o de Desejos, que evita a separação. Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento do inferior. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Devíamos entender que a vida do Corpo de Desejos não se acaba com a partida do espírito, pois permanece um resíduo de vida e de consciência. O Corpo Vital também é capaz de sentir levemente as coisas durante alguns dias após a morte (daí o sofrimento causado pelo embalsamento, pelas autópsias etc. logo após a morte), porém, quando uma vida grosseira o endureceu e o robusteceu grandemente, ele possui uma tenacidade para se aferrar à vida, e uma habilidade para se nutrir dos odores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes, tal como um parasita, se alimenta das pessoas com quem se põe em contato, como se fosse um vampiro.

Assim, um ser humano que é mau pode viver, invisivelmente, entre nós durante muitos e muitos anos, e tão junto que estará mais perto do que nossas mãos e nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que um criminoso em Corpo físico, porque tem meios para impelir outras pessoas a praticarem atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido e castigado pela lei.

Semelhantes seres são, portanto, uma das maiores ameaças para a sociedade. São culpados de terem causado a prisão de muitos, de dissolver muitos lares e do haver provocado uma quantidade incrível de infelicidades. Sempre abandonam as suas vítimas quando estas caem nas garras da justiça. Saboreiam a dor e a desgraça delas, constituindo isso parte do seu esquema diabólico. Há outras classes que se deleitam em adotar uma postura “angélica” nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam a elas práticas imorais. Os denominados “Poltergeist”[10], que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, levantar os chapéus das cabeças de uma plateia que se deleita, e fazer outras brincadeiras dessa natureza, também estão incluídos nesta classe. A força e a densidade do Corpo Vital de tais seres lhes facilitam essas manifestações físicas muito mais do que para aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo; de fato, os Corpos Vitais desta classe de espíritos são tão densos que quase se aproximam do estado físico, e constitui um mistério para o autor que as pessoas que foram enganadas por tais entidades não as tenham visto. Se pudessem ver seus rostos perversos e assustadores, a ilusão de que fossem anjos logo se dissiparia.

Existe ainda outra classe de espíritos que pertencem a esta mesma categoria e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual fora da linha espiritualista, sugerindo serem mestres individuais, e dão às suas vítimas uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Eles jogam com a credulidade de suas vítimas de uma maneira inacreditável e, mesmo que guardem suas intenções secretas durante anos, algum dia se mostrarão com sua verdadeira aparência. Por conseguinte, nunca será demais repetir que não devemos aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se amoldem, ainda que no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética. É muito perigoso confiarmos em pessoas deste mundo e lhes dar nossa total confiança; nós sabemos disso por experiência e agimos de acordo com nossos princípios. Portanto, nós devemos ser mais cuidadosos quando a questão se refere aos assuntos da alma e não confiar tão importante matéria, como é o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos, pelo menor, ver ou julgar, adequadamente. Há muitos espíritos que não têm aptidão para fazer grande mal às suas vítimas, se contentando em rondá-las durante anos, sem resultados particularmente nefastos. Contudo, a autoconfiança é a virtude essencial a ser cultivada neste estágio de nossa evolução; a máxima mística: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que desejam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos conduzir sempre a nossa vida sem medo e sem ajuda de qualquer espírito.

Quando se pesquisa o passado na Memória da Natureza é espantoso encontrar o quanto tem prevalecido, através de séculos e de milênios, esta ligação dos Corpos Vital e o de Desejos. Nós percebemos, logicamente, de uma forma abstrata, que quanto mais regredimos na história dos seres humanos, mais selvagens os encontramos, contudo, na própria história atual, a selvageria tem sido tão comum e tão brutal que seu poder tem representado a medida indiscutível do que seja o certo, e essa verificação constitui para o autor uma experiência chocante. Já disse que o egoísmo e o desejo foram decididamente estimulados, sob o regime de Jeová, para dar incentivo à ação. Isso com o transcurso do tempo endureceu de tal modo o Corpo de Desejos que, quando o advento de Cristo aconteceu, não existia quase ideia da vida celestial no seio da humanidade daquela época, mas o autor, pessoalmente, não havia percebido o significado desse fato, até que deu início às recentes investigações da “A Teia do Destino”.

Os povos antigos não se contentavam em fazer somente todo o mal possível na vida e seguir adiante, mas eles tinham também que matar seus cavalos de guerra, colocar suas armas em seus esquifes, fazendo tudo para que se conservassem ali, porque o Éter desses instrumentos de guerra que lhes havia pertencido durante a vida, exercia uma atração sobre eles e era um meio de mantê-los presos à esfera terrestre. Isso os permitia assombrar, porque, na verdade, eles vagavam pelos castelos por muitos e muitos anos e, logicamente, essas entidades não pertenciam somente à classe dos ricos ou de guerreiros, mas de outras classes também. Em caso de brigas sangrentas, nas quais as pessoas se matavam uns aos outros, os fantasmas incitavam seus familiares vivos para que os vingassem, permanecendo a seu lado e os ajudando a finalizar os feitos sangrentos. Dessa forma, se perpetuava a maldade, e o mundo permanecia em constante agitação, com sangue e luta; ainda essa condição não se dissipou, inteiramente, em nossos dias, no chamado tempo moderno. Quando morre uma pessoa que manteve em seu coração ódio e maldade, estes sentimentos entrelaçam os Corpos de Desejos e o Vital, a convertendo numa séria ameaça para a comunidade que ninguém que não investigou pode imaginar. Portanto, mesmo que não houvesse outras razões, a pena de morte devia ser abolida, para que não se mantivessem sobre a comunidade essas entidades de características tão perigosas, capazes de incitar os seres humanos moralmente fracos, a seguir as suas pegadas.

 

PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTO-CRIADOS – ELEMENTAIS

 

Os espíritos apegados à Terra, como já foi dito, gravitam nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, o qual interpenetra o Éter, e ficam em constante e estreito contato com pessoas da Terra que se estão em situação mais semelhantes para ajudá-los nos seus maus desígnios. Permanecem nessa situação durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, porém, têm-se visto casos extremos em que tais pessoas permanecem assim durante séculos. Com referência às descobertas do autor até o presente, parece que não há limite para o que eles possam fazer, ou quando deixarão de fazê-lo. Porém, vão amontoando sobre si uma carga horrorosa de pecados, a qual não poderão escapar sem sofrimento, pois o Corpo Vital reflete e grava profundamente no Corpo de Desejos um registro de tais maldades, e quando, finalmente, abandonam a vida errática e entram na existência purgatorial, eles encontram a retribuição e o castigo que merecem. O seu sofrimento será, naturalmente, de uma duração proporcional ao tempo em que permaneceram em suas práticas perniciosas depois da morte do Corpo Denso – o que vem provar mais uma vez que, “os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem”.

Quando o espírito abandonou o CORPO DE PECADO, como chamaremos este veículo para contrastá-lo com o Corpo-Alma, a fim de ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente como acontece com o invólucro deixado para trás, como acontece, normalmente, com as pessoas; isso porque, nele, a consciência se acha aumentada por uma dupla composição, isto é, sendo composto de um Corpo Vital e de um Corpo de Desejos tem uma consciência individual ou pessoal muito marcante. Não pode raciocinar, mas existe uma astúcia inferior que faz com que pareça ter o aspecto de um espírito, um Ego, e isso lhe facilita viver uma vida separada por muitos séculos. Entretanto, o espírito que partiu entra no Segundo Céu, porém, não tendo efetuado nenhum trabalho na Terra que o faça merecer uma prolongada estada ali ou no Terceiro Céu, permanece nesses lugares somente o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si e, então, renasce muito antes do tempo normal, para satisfazer seu desejo de coisas materiais que tão intensamente o atraem.

Quando o espírito retorna à Terra, seu Corpo de Pecado é atraído, naturalmente, para ele e, geralmente, permanece a seu lado toda a sua vida, como um demônio. As investigações demonstraram que esta classe de criaturas sem alma existiu em abundância nos tempos bíblicos e foi a elas que o nosso Salvador se referia como demônios, sendo a causa de diversas obsessões e enfermidades corporais a que se refere a Bíblia. A palavra grega “daimon” os descreve com precisão. Ainda hoje, numa parte do sul da Europa e do Oriente, eles perturbam, sendo que esta situação aflitiva se encontra mais agravada na Sicília, Córsega e Sardenha. Tribos inteiras da África, nas quais prevalece a prática a magia Vodu, têm esses espectros horrorosos; os indígenas dos Estados Unidos da América e os negros do Sul desse país estão, também, sujeitos a eles.

Infelizmente, o mal não está só confinado a essas chamadas raças inferiores ou atrasadas. Mesmo aqui, entre os habitantes que chamamos de países civilizados, no norte da Europa e nas Américas do Norte e do Sul, vemos que possessões demoníacas estão longes de não ser frequentes, mesmo que, logicamente, sua forma não seja de natureza tão miserável como nos casos acima citados, em que a ação demoníaca é acompanhada, frequentemente, de práticas abomináveis e repulsivas.

Em certa época, o autor esteve muito apreensivo com o efeito que a guerra poderia ter no entrelaçamento do Corpo Vital e o de Desejos, pensando que pudesse produzir o nascimento de legiões de monstros que afligiriam as futuras gerações. No entanto, é com grande alegria que reafirmo que não devemos temer por isso. Somente quando o ser humano é, premeditadamente, mau e vingativo, e persistentemente nutrem esse desejo, sentimento e propósito focado em alguém; somente quando tais desejos e emoções são cultivados, estimulados e mantidos é que produzem o endurecimento do Corpo Vital e criam uma ligação interna entre esses veículos. Sabemos, pelos registros da grande guerra, que as tropas não alimentam tais sentimentos umas contra as outras, contudo os adversários se relacionam como amigos, entrando, muitas vezes, em contato e se confraternizando. Ainda que a guerra seja responsável por uma tremenda mortalidade, e, em consequência, acarretando uma deplorável mortalidade infantil em idade futura, não pode ser acusada pelas doenças terríveis engendradas pela obsessão, nem pelos crimes sugeridos por esses demoníacos Corpos de Pecado.

Os Corpos de Pecado abandonados, a que nos referimos anteriormente, habitam, de preferência, as regiões mais inferiores do Éter e se condensam muito próximo à linha da visão física. Algumas vezes, podem fazer uso de alguns constituintes do ar, tornando-se perfeitamente visíveis para as pessoas a quem costumam molestar, embora suas vítimas tenham sempre muito cuidado para evitar que alguém perceba essa presença demoníaca à sua volta, isto é, pelo menos no mundo ocidental; parece não haver tal sutileza na parte sul da Europa.

Seguindo investigações anteriores, o autor tentou várias experiências com espíritos que se encontravam nos reinos superiores do Éter e que acabavam de morrer e, também com pessoas que haviam estado no Mundo do Desejo, por um tempo curto ou longo, e que estavam quase prontos para passar para o Primeiro Céu. Muitos espíritos que haviam partido desta vida procuraram cooperar, bondosamente, sobre o assunto. O objetivo destas experiências era determinar até que ponto lhes seria possível se revestirem nos materiais das regiões etéricas inferiores e mesmo das regiões gasosas. Foi comprovado que aqueles que acabavam de morrer podiam aguentar facilmente as vibrações etéricas inferiores, e, embora sendo seres de bom caráter, não se sentiam satisfeitos em lá permanecer mais tempo do que o necessário, pois aquela situação lhes era desconfortável. Porém, ao fazer a experiência com espíritos vindos das sucessivas regiões superiores do Mundo de Desejo e do Primeiro Céu, notamos que se tornou cada vez mais difícil para eles se envolverem no Éter ou penetrar nele. A opinião geral foi que sentiram uma sensação semelhante a descida ao interior de um poço profundo, chegando até à asfixia. Também se comprovou que foi absolutamente impossível às pessoas do Mundo Físico avistá-los. Tentamos, por todos os meios de sugestão, dar uma sensação da nossa presença às pessoas congregadas em salões que visitávamos, mas não percebemos resposta às nossas manifestações, embora, em alguns casos, as formas que condensamos parecessem ao autor tão escuras como as das pessoas físicas cuja atenção desejávamos atrair. Colocamos nossos elementos experimentais entre as pessoas físicas e a luz, mas, mesmo assim, não obtivemos nenhum êxito, tanto com aqueles que procediam das regiões superiores, como com os que acabavam de morrer e podiam permanecer, durante um tempo considerável, na posição e na densidade que lhes foram dadas.

Além disso, entre as entidades já mencionadas anteriormente, e que moram em um Corpo de Pecado construído por elas mesmas e, por isso, sofrem intensamente durante o período de expiação, encontramos duas classes que, em certo sentido, são iguais entre si, embora, em outros, sejam completamente diferentes. Além das Hierarquias Divinas e das quatro ondas de vida dos espíritos que se acham agora evoluindo no Mundo Físico, por meio dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem outras ondas de vida que se manifestam nos vários Mundos invisíveis. Entre elas há certa classe de espíritos sub-humanos que são chamados elementais. Ocorre, algumas vezes, que um desses elementais se apossa do Corpo de Pecado de alguém de uma tribo selvagem, e, deste modo, acrescenta a tal ser, uma inteligência extra. No renascimento daquele espírito que gerou esse Corpo de Pecado, a atração natural os une; porém, devido ao elemental que anima o Corpo de Pecado, o espírito se torna diferente dos outros membros da tribo e daí o vermos atuando entre os seus como curandeiro ou outras ocupações semelhantes. Estes espíritos elementais que animam os Corpos de Pecado dos indígenas, também atuam como espíritos de controle sobre o médium e, alcançando poder sobre ele durante a vida, quando este morre, estes espíritos de controle elementais expulsam-no dos veículos que contém a sua experiência de vida e, como consequência, o espírito do médium pode se atrasar em sua evolução durante eras, porque não há poder capaz de obrigar os elementais a abandonar suas presas sobre quem obtiveram total controle. Portanto, mesmo que a mediunidade não produza efeito maléfico visível no curso de uma vida, existe um grande perigo, depois da morte, para a pessoa que permitiu que seu corpo fosse assim possuído. O espiritismo prestou ao mundo um serviço necessário. Foi provavelmente o principal meio para provar o materialismo absoluto da ciência, e trouxe consolo a milhares de almas sofredoras que lamentavam a perda de seus entes queridos; fez, também, com que muitos céticos acreditassem numa existência superior. Não temos intenção de menosprezar os militantes deste credo, mas não podemos deixar de emitir nossa advertência, pois acreditamos ser um dever apontar o enorme perigo em que se encontram aqueles que, habitualmente, permitem ser controlados por espíritos que não podem ver e de quem absolutamente nada sabem.

 

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS

 

É um fato curioso como os elementais sub-humanos, algumas vezes, agregam-se a determinadas pessoas, a uma família ou até a sociedade religiosas; mas em tais casos, tem-se visto que os veículos usados por eles não consistem de um corpo de pecado endurecido, composto pela ligação dos Corpos Vital e de Desejos, mas tais veículos são obtidos por meio da mediunidade praticada por uma pessoa normalmente de bom caráter, e o Éter desse veículo estava em estado de desintegração. Para preservar e prolongar o seu domínio sobre tal veículo, pedem àquele a quem servem, que lhes ofereçam regularmente alimento e lhes queimem incenso; ainda que não possam, naturalmente, assimilar o alimento físico, podem e vivem dos vapores e do cheiro que eles exalam, assim como da fumaça do incenso.

Essa é mais uma ilustração de que os motivos, por mais puros que sejam, não nos protegerão quando agimos contra as leis de Deus, assim como não podemos deixar de queimar as mãos se as pusermos no fogo, não importa a razão porque o fizemos. Entretanto, temos observado que quando um médium se deixa dominar por motivos puros ou por uma elevada devoção religiosa, é muito difícil a essas entidades malignas sustentarem a possessão do Corpo Vital por muito tempo; cansam-se depressa do esforço e vão procurar outra vítima mais de acordo com a sua natureza. Sabe-se que no sul da Europa e no Oriente distante existem elementais que se apossam dos Corpos Vitais de uma família por gerações seguidas, deixando um Corpo por outro, realizando certos serviços para a família, como compensação pelo alimento que lhes é dado regularmente. Alguns desses elementais são demasiado malignos para se satisfazerem com simples alimentos e exigem sangue, até sangue humano, sendo responsáveis por tribos como as dos caçadores de cabeças das Filipinas e a dos estranguladores da Índia, que cometem assassinatos como um rito religioso. Isso, também, é a base do Culto aos Antepassados no Oriente.

Estes elementais, assim como os corpos de pecado que não são animados por uma inteligência externa, são denominados “OS GUARDIÃES DO UMBRAL”, devido ao fato de que quando a pessoa, por quem este demônio foi originalmente gerado, renasce esse demônio se agrega a ela e se torna um tentador e um espírito do mal para ele em toda sua vida. Frequentemente se verifica que uma pessoa, que em uma vida gerou tal demônio, mas aprendeu as lições na existência purgatorial, e quando renasce se esforça com o máximo empenho para viver uma vida pura, honesta e decente, ainda assim encontrará ao seu lado esse corpo de pecado para atrapalhá-la. Muitas pessoas torturadas desse modo eram tão sinceras em seus desejos de reforma que entraram para mosteiros e praticaram mortificações severas em seus Corpos, acreditando que o demônio que as rodeava e de cuja presença estavam conscientes, era o próprio diabo ou um dos seus emissários.

Diz-se, na verdade, que o menino é o pai do homem. Similarmente, nossas existências anteriores são progenitoras de nossa vida presente e futura. E é muito certo que, pelo menos nesse sentido, “os pecados dos pais recaiam sobre os filhos”. Não podemos negar a justiça desse fato, pois, as crueldades praticadas pelas pessoas que deram origem a formação dos corpos de pecado foram, geralmente, da natureza mais atroz que se possa imaginar.

Você, provavelmente, já ouviu falar que quando um cachorro buldogue prende uma vítima com seus dentes, não quer largá-la. Isso implica em dizer que o animal tem o poder de fazer o que quiser. O mesmo não acontece com uma cobra; seus dentes são virados para o fundo da boca e, uma vez que os tenha enterrado na carne de sua vítima, não pode desprendê-los e terá, forçosamente, que engolir a presa. Por curioso que nos pareça, acontece algo semelhante com a obsessão.

Lembram-se que o autor tem dito sempre que os espíritos de controle estão do lado de fora do Corpo de sua vítima e por detrás dela, manipulando o órgão da voz ou todo o Corpo, segundo o caso, através do cerebelo e da medula oblongada, onde a chama da vida arde com um som duplo e sibilante, composto de dois tons que indicam a resistência do Corpo às manipulações do intruso. Nossas últimas investigações, entretanto, revelaram o fato de que o espírito de controle que atua pelo lado de fora da vítima, é da classe dos argutos que se acautelam para não serem apanhados numa armadilha. Enquanto estão fora podem abandonar a presa a qualquer momento, e permitem que suas vítimas sigam a própria vida como desejarem, como eles também o fazem. Porém, existem outros espíritos que não são tão sagazes, que são talvez mais arrojados ou que estão ansiosos por penetrar no mundo material e por isso põem de lado qualquer precaução. Penetrando no Corpo de suas vítimas, acham-se quase na mesma situação de uma presa nos dentes de uma cobra; o Corpo de suas vítimas os mantêm firmemente presos e não podem se livrar em circunstâncias normais. Nesses casos, a obsessão se torna permanente e a personalidade da vítima se transforma totalmente.

Se o espírito obsessor for uma entidade elemental ou sub-humana, que não é capaz de usar a Mente ou a laringe, uma vez que esses órgãos foram as últimas aquisições humanas, a pessoa assim obsidiado se converte num lunático irremediável, não raro de natureza perversa, cuja faculdade de linguagem frequentemente se torna danificada. É quase impossível desalojar tal entidade, uma vez que ela tenha entrado. Investigações de vidas anteriores indicam que tal aflição é geralmente o resultado de um desejo de fugir às experiências da vida, pois, aqueles que estão obsidiados, frequentemente, foram suicidas em uma existência anterior. Tiveram um Corpo que desprezaram e, em uma vida posterior, a mentalidade se debilitou como resultado de alguma doença física, de um grande choque ou mesmo de uma obsessão. Em quaisquer desses casos, o espírito foi expulso do seu Corpo, pairando à sua volta ansioso por possuí-lo, mas incapaz de fazê-lo devido à falta da Mente, por meio da qual poderia focar o pensamento sobre o cérebro, ou devido à obsessão de uma entidade alheia.

A dor e o desapontamento são causas frequentes do suicídio, e, muitas vezes, uma grande tristeza foi o motivo para arruinar a Mente; entretanto, o espírito é capaz de compreender e enfrentar a situação, ainda que não seja capaz de usar seus veículos devido ao escasso foco da Mente. Porém, no caso que se tenha desejado fugir da situação pelo suicídio, o indivíduo aprende, pela maneira já descrita, a conhecer o valor de um Corpo e de suas ligações, não havendo no futuro causa suficiente para decidi-lo a romper o Cordão Prateado. Algumas vezes, a dor vem para tentar uma pessoa que cometeu suicídio em vida anterior; e, quando ele resiste à prova, mostra que já está imune à tentação. Sob o mesmo princípio, o alcoólatra de vidas anteriores é tentado a beber para testar sua estabilidade de caráter, ao rejeitar conscientemente a bebida.

É curioso como a perpetração do suicídio em uma vida e consequente sofrimento post-mortem ao tempo em que ainda existe o arquétipo, frequentemente gera no suicida um medo mórbido da morte na próxima vida, assim, quando a morte chega, no decurso normal, os suicidas parecem frenéticos depois de abandonar o Corpo e tão ansiosos de voltar ao mundo material que, com frequência, cometem o crime da obsessão da forma mais tola e irrefletida. Entretanto, como nem sempre há pessoas negativas sujeitas à obsessão (e ainda que as houvesse, não é fácil à pessoa que acaba de morrer, e que procura uma oportunidade de voltar, encontrar alguém que a possa abrigar), uma coisa estranha e horrível acontece: o espírito expulsa o verdadeiro possuidor de um Corpo animal e passa a animar este veículo. Acha-se, assim, na horrorosa contingência de viver uma existência pura e simplesmente animal. Se o animal está sujeito a crueldades por parte do dono, o espírito humano obsessor sofre como sofreria o espírito animal; se o animal é sacrificado para prover alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende os preparativos para o abate, vendo-se obrigado a passar pelas horrorosas experiências relacionadas com isso. Casos dessa natureza não são tão raros como se poderia supor; ao contrário, ocorrem frequentemente, como uma visita a alguns dos grandes matadouros da América do Norte, onde o autor tomou conhecimento disso; e compreendeu a situação, chegando à mais dolorosa convicção da necessidade de educar o ser humano com respeito à grande verdade de que a morte, assim como o nascimento, é somente um acontecimento frequente na vida eterna do espírito imortal.

Uma fé total nessa doutrina eliminaria incontáveis misérias da humanidade, e devemos fazer tudo que esteja ao nosso alcance para ajudar a divulgar este Evangelho de Vida.

Algumas vezes, também, um ser humano perverso incorpora um animal feroz e sente um prazer diabólico em aterrorizar uma comunidade. Quando Cristo andou na Terra, casos de obsessão animal por espíritos humanos aconteciam diariamente, e os exemplos registrados na Bíblia não são, em absoluto, mitos ou loucuras para aqueles que são dotados de visão espiritual e capazes de ler na Memória da Natureza, pois veem que essas coisas ocorreram realmente; com efeito, os antigos videntes que observaram essa entrada de pessoas de caráter baixo e vil nos Corpos de animais, ao abandonarem seu próprio Corpo na morte, pensavam que isso era o curso normal da natureza, ao invés de ser uma condição anormal. Daí terem formulado a doutrina da Transmigração.

 

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS

 

É um fato evidente, depois de uma simples observação, que enquanto os animais atuam de modo semelhante, sob as mesmas circunstâncias, por estarem sendo guiados por um Espírito-Grupo, o ser humano não age assim. Na humanidade há tantas espécies quantos são os indivíduos, sendo que cada um é uma lei em si mesmo; e ninguém pode predizer as ações de um ser humano, ou como um outro agirá em circunstâncias análogas; o mesmo indivíduo pode agir distintamente, e provavelmente o fará, diante de condições idênticas e em ocasiões diferentes. Por essa razão, é muito difícil tratar ou elucidar devidamente um assunto como o da “A Teia do Destino”, quando nós, seres humanos, ainda que possuamos Mentes presentemente com capacidade reduzida. Para compreender totalmente esse assunto precisaríamos da sabedoria de grandes seres como são os Anjos do Destino, que têm a seu cargo este intrincado departamento da vida.

No entanto, não se deve pensar que o autor esteja dando, nesse livro, uma ideia superficial de como se faz ou desfaz o destino. Cada ato de cada indivíduo produz uma determinada vibração no universo, que incide sobre ele e sobre os outros ao seu redor; e simples Mente humana não pode ver ou calcular os resultados dessas ações e reações que se produzem em poucos meses, anos ou vidas. Tivemos a oportunidade de ver, graças ao quadro geral impresso em nossa Mente quando desenvolvíamos este tema, o modo de classificar as causas geradas no passado, segundo se nos apresentam, e seus efeitos na vida atual. No decurso desse estudo investigamos centenas de pessoas e, em alguns casos, retrocedemos três, quatro e até mais vidas, com o objetivo de chegar à raiz da questão e determinar como as ações do passado reagem para criar as atuais condições de nossas vidas presentes. Embora tenhamos feito o melhor possível, pedimos aos Estudantes que não considerem isso como uma conclusão definitiva sobre o assunto, mas antes como um início, que confiamos possa ajudá-los a resolver determinados problemas.

No que concerne ao ambiente, parece-nos que as pessoas que são de natureza difícil de conviver com outras e que têm diante de si uma vida árdua, nascem frequentemente entre estranhos, dos quais não receberão simpatia e onde seus sofrimentos não despertarão, nas pessoas do mesmo sangue, nenhum sentimento de apoio apreciável; às vezes, ficam órfãs, ou são abandonadas pelos pais, ou fogem de casa na tenra idade. Quando é esse o caso, essa alma, muitas vezes, anseia pelo afeto que ela recusou dar aos outros em vidas anteriores. Também vimos casos em que determinados indivíduos cometeram atrocidades no passado e levaram a desonra e a vergonha a seus familiares, os quais sofreram muito devido ao grande amor que dedicavam a esses depravados. Quando tal alma errante se dispõe a se emendar e purgar os erros do passado, encontrar-se-á em um ambiente totalmente hostil, com fome e sede por um amor que desprezou anteriormente; então isso lhe causa agora uma vida tão difícil. Se o ser humano não aprendeu a lição em uma só vida, muitas outras vidas com experiências semelhantes lhe ensinarão a ser amável com aqueles que o amam, bem como a agir correta e honestamente com os outros.

Também observamos que, muitas vezes, uma alma que viveu erradamente em vidas passadas, não teve uma assistência bondosa por parte de sua família, que lhe devia ter dado atenção, apoio e amor. Naturalmente, a falta deste ambiente afetivo não foi uma justificativa para os seus erros perante a lei, e a pessoa foi obrigada a expiá-los em vidas posteriores. No entanto, em tais casos, os papéis foram, normalmente, trocados; a família, que em vidas passadas a repudiou, agora a amou profundamente e, então, sentiu intensamente toda a mágoa e todo sofrimento que ela teve que passar por conta de seu passado. Assim, a família também expiou suas ações do passado dando a pessoa o que faltou em simpatia e bondade.

Esses são casos extremos, e, naturalmente, não podemos tirar conclusões definitivas de casos pouco nítidos, pois quanto mais nebulosos eles forem, mais fácil será tabulá-los. A lei aplicada nos casos extremos também se aplica aos de menor importância, com as modificações necessárias às diferenças de ambiente.

Os fatos relatados acima indicam, de forma clara, que somos realmente os guardiães de nossos irmãos e que convém que todos nós exteriorizemos muita simpatia e bondade aos desafortunados, tanto da nossa família como aos demais. Mesmo que vendo as coisas superficialmente e olhando a vida somente sob o ponto de vista da nossa encarnação atual, pode parecer que não temos responsabilidade alguma pelas ações de nossos infelizes familiares; no entanto, se pudéssemos ver mais amplamente o sentido da vida, ver por trás do véu, provavelmente descobriríamos que nós mesmos os ajudamos a se afundarem na degradação.

Frequentemente ouvimos a expressão que uma pessoa é o “pesadelo” em uma certa família; e nós podemos, muito de perto, sempre considerarmos que essa pobre alma é uma estranha entre gente estranha, devendo estar ali por algum desajuste praticado no passado. O “sangue é mais espesso que a água”, diz um velho provérbio; na verdade, o laço de sangue não traz consequências, a menos que as pessoas de uma família estejam unidas entre si pelo amor ou pelo ódio do passado, os quais determinam as verdadeiras relações da vida atual. Uma alma pode nascer em determinada família, pode se sentar à sua mesa, ter o direito legítimo de herança e ser, entretanto, tão estranha a ela como qualquer mendigo que lhe chegue à porta pedindo um prato de comida. Recordemos que Cristo disse: “Eu estava faminto e vós Me destes de comer; Eu estava sedento e Me destes de beber; Eu era um estranho e Me admitistes ao vosso lado”[11]. Depois: “Tudo o que fizestes em favor do menor de meus irmãos, a Mim mesmo o fizestes”[12]. Quando nós encontrarmos tal tipo de alma, “estranha”, solitária e estrangeira em seu meio ambiente, é nosso dever, como cristãos, imitar o exemplo de nosso Senhor; nós devemos nos esforçar para que essa alma estrangeira se sinta em casa e aplique seus conhecimentos pelo amor de Cristo, sem tomar em conta suas excentricidades.

As deficiências que afetam a humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. As perturbações mentais, quando congênitas, são especialmente consequências do abuso da força criadora, com uma só exceção que veremos depois. Pode-se incluir no caso as debilidades dos órgãos vocais. Isso é lógico e compreensível. O cérebro e a laringe foram construídos com a metade da força criadora pelos Anjos, assim, o ser humano, que antes da aquisição desses órgãos era bissexual e capaz de criar por si mesmo, sozinho, perdeu essa faculdade quando esses órgãos foram criados e, agora, depende da cooperação de alguém do outro sexo ou polaridade oposta, a fim de gerar um veículo novo para um espírito que renasce.

Quando usamos a visão espiritual para observar um ser humano na Memória da Natureza, durante a época em que ainda estava em formação, vemos que, onde quer que agora exista um nervo, existia antes uma corrente de desejos; que pelo próprio cérebro foi feito, de início, de substância de desejos, bem como a laringe. Foi o desejo que primeiramente enviou um impulso motivador por meio do cérebro e criou tais correntes nervosas para que o Corpo pudesse se mover e dar ao espírito qualquer gratificação que fosse indicada pelo desejo. A linguagem, da mesma forma, é utilizada com o propósito de obter um objeto ou alcançar uma finalidade desejada. Por meio dessas faculdades, o ser humano alcançou certo domínio sobre o mundo e, se pudesse voar de um Corpo a outro, não teria fim o abuso de seu poder para satisfazer qualquer capricho ou desejo. Porém, sob a Lei de Consequência, ele leva com ele, em um Corpo novo, as faculdades e órgãos semelhantes àqueles que utilizou em Corpos precedentes.

Quando a paixão arruinou o Corpo em uma vida, isso fica gravado no Átomo-semente. Na descida para o próximo renascimento, é impossível para este espírito juntar material puro com o qual possa organizar um cérebro de construção estável. Nesse caso, renasce geralmente sob um dos Signos Comuns[13] e, muitas vezes, os quatro Signos Comuns se acham nos ângulos; porque, através de tais Signos, o desejo passional encontra dificuldade para se manifestar. Em consequência, este poderoso impulso que anteriormente regeu seu cérebro e que poderia ser usado agora com o propósito de renovação, acha-se ausente; ele tem falta de incentivo na vida e, com isso, se converte em um inútil, uma tábua sobre o oceano da vida, e, frequentemente, um insano.

Porém, o espírito não é insano; ele vê, conhece e tem um desejo veemente de utilizar seu Corpo, embora ser uma impossibilidade, pois, muitas vezes, não pode nem sequer enviar um impulso adequado aos seus nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão sob o controle de sua vontade. Isso é devido à falta de coordenação que faz com que o maníaco tenha tão lamentável aspecto. Assim, o espírito aprende uma das mais duras lições da vida, pois é muito pior do que a morte se achar sujeito a um Corpo vivo e ser incapaz de se expressar por meio dele. Isso porque a força de desejos necessária para realizar o pensar, o falar e o se mover, foi dilapidada em uma vida de depravação no passado, deixando o espírito sem a energia necessária para manipular seu atual instrumento.

 

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA

Ainda que as incapacidades mentais, quando congênitas, sejam em geral produzidas pelo abuso da função criadora em vidas passadas, há uma notável exceção a essa regra, como nos casos mencionados no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras partes de nossa literatura, e descritos a seguir: quando um espírito que tem diante de si uma vida particularmente penosa está prestes a renascer, e sente, no momento de entrar no útero materno, que o panorama da vida futura que lhe é exibido naquele momento marca uma existência dura e infeliz demais para ser suportada, algumas vezes tenta fugir à escola da vida. Nessa ocasião, os Anjos do Destino, ou seus agentes, já fizeram no feto em formação as conexões necessárias entre o Corpo Vital e os centros sensoriais do cérebro; portanto, o esforço do espírito para fugir do útero materno é frustrado, mas, o deslocamento produzido pela torção dada pelo Ego, altera a conexão entre os centros sensoriais etéricos e físicos, daí o Corpo Vital não ficar em posição concêntrica com o físico, fazendo com que a cabeça etérica sobressaia do crânio físico. Resulta disto a impossibilidade do Espírito usar seu veículo denso, achando-se ligado a um corpo sem Mente que não poderá utilizar, e o renascimento será inútil.

Temos casos em que uma grande comoção durante a vida faz com que o espírito tente escapar do Corpo com os veículos invisíveis. Como consequência da torção, se produzem emoções iguais nos centros sensoriais etéricos do cérebro e esse choque desorganiza a expressão mental. Provavelmente todos já devem ter experimentados uma sensação semelhante ao receber um susto; há uma agitação como se algo se esforçasse para escapar do Corpo Denso; se trata do Corpo de Desejos e do Corpo Vital, que são tão velozes em seus movimentos, que um trem expresso comparado a eles pareceria uma lesma. Estes Corpos sentem o perigo e se enchem de temor antes que o medo se transmita ao inerte e lento Corpo físico, ao qual estão ligados e do qual não podem fugir em condições normais.

Às vezes, como já dissemos, o susto e o choque são suficientemente fortes e podem atuar com tal impulso que os centros sensoriais etéricos se desorganizam. Isso ocorre mais frequentemente com as pessoas que nasceram sob Signos Comuns, que são os mais fracos do Zodíaco. Tal como um ligamento que foi distendido e rompido pode recuperar gradualmente uma relativa elasticidade, assim também é mais fácil restaurar as faculdades mentais nesses casos do que naqueles onde a insanidade congênita, acarretada por vidas passadas, ocasionou uma conexão indevida.

Comprovou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer são o resultado de tendências errôneas de uma vida passada. Observou-se que muitos indivíduos, que haviam sido quase maníacos na satisfação de sua lascívia em vidas anteriores, possuíam ao mesmo tempo uma natureza altamente devota e religiosa; e em tais casos, parece que o Corpo físico gerado na vida presente era de saúde normal, havendo unicamente incapacidade mental; enquanto que em outros casos onde a indulgência com a natureza passional estava unida a um caráter maligno e a um grande desrespeito aos semelhantes, a epilepsia, o raquitismo, a histeria e uma deformação corporal foram os resultados desses erros, assim como o câncer, em especial no fígado e no seio.

Nessa conexão, entretanto, sentimos o dever de advertir os Estudantes que não tirem conclusões apressadas de que as manifestações citadas anteriormente representem regras fixas e inflexíveis. As muitas investigações levadas a efeito, embora tenham sido árduas para um só investigador, são ainda escassas para que sejam conclusivas e onde estão envolvidos milhões de seres humanos. De qualquer modo, estão em harmonia com os ensinamentos contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” ministrados pelos Irmãos Maiores, que exemplificaram os efeitos do materialismo como produtor do raquitismo, isto é, o amolecimento de uma parte do corpo que deveria ser dura e da tuberculose que endurece tecidos que deviam permanecer moles e flexíveis. O câncer é essencialmente semelhante em seus efeitos; e quando consideramos que o signo de Câncer é regido pela Lua, o Astro da geração, estando a esfera lunar sob o controle de Jeová, o Deus da reprodução, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus, nós compreendemos facilmente que o abuso das funções geradoras pode causar tanto o câncer como a insanidade nas mais variadas formas.

Portanto, com respeito às anormalidades e deformidades físicas, parece ser regra geral que, assim como a indulgência física com as paixões atua sobre o estado mental, os abusos dos poderes mentais em uma vida conduzem à incapacidade física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz que “uma mentira é ao mesmo tempo assassina e suicida no Mundo do Desejo”. Os ensinamentos dos Irmãos Maiores, contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, explicam que sempre que um incidente ocorre, um determinado pensamento-forma gerado no Mundo invisível registra o acontecimento. Cada vez que se fala e se comenta o caso, cria-se uma nova forma de pensamento que se funde com o original e o robustece, desde que ambos possuam a mesma vibração. Se não se diz a verdade acerca do sucedido, então as vibrações do original e da reprodução não serão idênticas e o resultado é que investem uma contra a outra, destruindo-se mutuamente. Se o pensamento-forma verdadeiro e bom for suficientemente forte, conseguirá o domínio da situação e aniquilará os pensamentos-forma baseados na mentira; consequentemente, o bem vencerá o mal. Ao contrário, se os mais fortes forem os pensamentos mentirosos e maliciosos, estes podem vencer o pensamento-forma verdadeiro, destruindo-o. Depois haverá discórdia entre eles e, um a um, todos serão aniquilados.

Deste modo, a pessoa que leva uma vida pura, se esforçando por obedecer às leis de Deus e lutando ardentemente pela verdade e pela justiça criará pensamentos-forma de natureza semelhante; sua Mente trilhará caminhos em harmonia com a verdade; e quando chegar o momento de criar seu próprio arquétipo para a vida futura, essa pessoa, pela força do hábito adquirido em sua vida terrestre anterior, estará pronta, e, intuitivamente, colocar-se-á com as forças da retidão e da verdade. Tais linhas, uma vez somadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos novos veículos e a saúde será a consequência natural em sua próxima vida. Por outro lado, aqueles que formaram uma visão distorcida das coisas em suas vidas anteriores, que desprezaram a verdade, exercitando a astúcia, o egoísmo exagerado e a desconsideração pelo bem-estar dos outros, se acham impelidos, no Segundo Céu, a ver também as coisas de modo oblíquo, já que este é o seu habitual modo de pensar. Consequentemente, o arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e de falsidade; e, consequentemente, ao renascer, vários órgãos de seu Corpo serão fracos, quando não todo o seu organismo.

Novamente advertimos aos leitores que não tirem conclusões apressadas destas regras experimentais. Não é nossa intenção insinuar que todo aquele que possua um Corpo aparentemente sadio tenha sido um exemplo de virtude em sua vida passada, nem que aquele que sofre alguma anomalia ou incapacidade física foi um crápula ou um inútil. Nenhum de nós está capacitado atualmente para dizer “a verdade completa e nada mais que a verdade”. Podemos nos enganar porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa aparenta ser mais estreita à distância, quando em realidade tem a mesma largura, tanto no lugar onde estamos colocados como a um quilômetro de distância. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando estão próximos do horizonte do que quando se encontram no zênite, porém, nós sabemos que, na realidade, não aumentam de tamanho ao descer no horizonte, nem diminuem chegar no zênite. Na verdade, estamos sempre retificando e corrigindo a ilusão de nossos sentidos e também em referência a muitas outras coisas do mundo. O que nos parece certo nem sempre o será, e o que hoje é verdade com respeito às condições da vida, poderá mudar amanhã. É impossível conhecermos a verdade final sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.

Somente quando entramos nos reinos superiores, especialmente na Região do Pensamento Concreto, é que nos apercebemos das verdades eternas; eis porque é natural que uma ou outra vez nos equivoquemos, apesar de nossos mais sinceros esforços em colocar-nos sempre em condições de conhecer e dizer só a verdade. Por tal razão, nos é impossível construir um veículo totalmente harmonioso. Se fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e nós sabemos que a imortalidade na carne não é o desígnio de Deus, pois segundo São Paulo: “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”[14].

Contudo, nós sabemos que, atualmente, apenas um número muito reduzido de pessoas está disposto a viver em harmonia com a verdade, a confessá-la e professá-la diante dos outros, por meio do serviço e de uma vida inofensiva e reta. Nós, também, entendemos que isso aconteceu com muito poucos ao retrocedermos na história, quando o ser humano não havia ainda desenvolvido o altruísmo iniciado em nosso Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus. Nesse tempo, os padrões de moralidade eram muito inferiores e o amor à verdade quase insignificante, para a maior parte da humanidade, a qual estava focada em acumular riquezas e adquirir tanto poder e prestígio quanto fosse possível. Eles desconsideravam os interesses dos demais e dizer uma mentira não parecia um ato censurável, pelo contrário, muitas vezes era admitida como meritória. Consequentemente, os arquétipos estavam cheios de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo atual estão prejudicadas em um grau bastante elevado, porque, particularmente, os Corpos ocidentais estão se tornando mais sensíveis à dor devido ao crescimento da consciência do espírito.

 

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO

 

A assimilação dos frutos de cada vida passada acontece antes que o espírito renasça e, consequentemente, o caráter gerado é totalmente formado e se expressa de imediato na sutil e móvel matéria mental da Região do Pensamento Concreto, onde o arquétipo do Corpo Denso é construído. Se o espírito que procura renascer é amante da música, tentará construir um ouvido perfeito, com os canais semicirculares devidamente situados e com o tímpano mais delgado e sensível à vibração; tentará construir dedos compridos e finos com os quais possa executar os acordes celestes captados por seus ouvidos. Se não aprecia a música, e, em sua vida anterior fechou os ouvidos aos acordes da alegria ou ao pranto da dor, e desejou se afastar da companhia dos demais, isto fará com que se esqueça de construir o arquétipo de seu ouvido e, como consequência, esse órgão será defeituoso em proporção ao grau de negligência exercida em sua existência anterior.

De maneira similar ocorre com os outros sentidos; aquele que bebe de uma fonte de conhecimento e se esforça em compartilhar seu saber com os que o rodeiam, estabelece as bases para adquirir a faculdade da oratória em sua vida futura, porque o desejo de comunicar seu conhecimento vai induzi-lo a prestar atenção especial à formação e fortalecimento de seu órgão vocal, quando estiver construindo o arquétipo de seu futuro corpo. Por outro lado, aqueles que se esforçam para ganhar acesso aos mistérios da vida por simples curiosidade ou para satisfazer o orgulho de seu próprio intelecto, deixam de construir o órgão adequado para sua expressão e ficam sujeitos a debilidades na voz ou a impedimentos da palavra. Deste modo, vem-lhes o reconhecimento de que a expressão é um bem valioso. Embora o cérebro de um indivíduo, assim afligido, não possa compreender a lição, o espírito aprende que somos considerados somente pelo uso que fazemos de nossos talentos e que devemos pagar a dívida, algum dia, em algum lugar, se descuidarmos de transmitir a palavra de Vida para iluminar nossos irmãos e irmãs no caminho, sempre que estivermos, pelo conhecimento, qualificados para isso.

Com respeito à cegueira ou distúrbios do órgão da visão, é de longa data que os investigadores sabem que é o efeito de extrema crueldade praticada em vidas passadas. Investigações recentes vieram demonstrar que muitas afecções dos olhos, agora comum entre os seres humanos, são devidas ao fato de que nossos olhos estão mudando; esses órgãos, de fato, estão se tornando mais sensíveis a uma oitava superior da visão, porque o Éter que rodeia a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade principalmente como o sul da Califórnia e outros certos lugares do mundo. É digno de nota saber que a Aurora Boreal está se tornando cada vez mais frequente e seus efeitos mais poderosos sobre a Terra. Nos primórdios da Era Cristã, esse fenômeno era quase desconhecido, mas, com o decorrer do tempo, com a onda de Cristo descendo para o interior da Terra durante uma parte do ano, infundindo mais e mais Sua própria vida na amortecida e pesada massa terrestre, os RAIOS ETÉRICOS VITAIS vão se tornando cada vez mais visíveis. Posteriormente, eles se tornaram mais e mais numerosos e, agora, já começam a interferir com as atividades elétricas, especialmente com o telégrafo que, por vezes, não funciona bem, devido a essas correntes de irradiação.

É, também, digno de se observar que tais distúrbios estão limitados aos fios que vão para leste e oeste. Se o leitor quiser recorrer ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”, no capítulo II – Os Quatro Reinos[15], poderá entender que existem raios ou linhas de força dos Espíritos-Grupo dos vegetais que irradiam em todas as direções desde o centro da Terra até a periferia e depois para fora, passando através das plantas ou árvores, subindo até suas copas.

Já as correntes de força dos Espíritos-Grupo animais, por outro lado, rodeiam a Terra. As correntes relativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo dos vegetais e os poderosos raios de força gerados pelo Espírito de Cristo, agora se tornando visíveis como a Aurora Boreal, têm sido até aqui quase da mesma natureza que a eletricidade estática, enquanto que as correntes, geradas pelos Espíritos-Grupo animais que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica que deu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Atualmente, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas dão inaugurará uma nova era, e os órgãos dos sentidos que o ser humano possui hoje deverão se adaptar à tal mudança. Em lugar dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem à retina a imagem refletida, o chamado “ponto cego” será sensibilizado e veremos através do olho diretamente sobre a própria imagem, em vez desta se refletir sobre a nossa retina. Assim, não somente veremos a superfície do objeto, como também seremos capazes de ver através dele, da mesma forma que fazem os que já têm cultivada a visão etérica.

À medida que o tempo passa e Cristo, com Seus benéficos ensinamentos, atrai cada vez mais e mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital da Terra mais luminoso, nós estaremos caminhando como se andássemos sobre um mar de luz e quando aprendermos a abandonar nossos modos egoístas e egotistas, por meio do constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo, também nós nos tornaremos luminosos. Então, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos será de utilidade alguma, assim é que está começando a mudar e estamos experimentando os incômodos inerentes a toda reconstrução. Com referência à Aurora e aos seus efeitos sobre nós, podemos dizer que estes raios são irradiados para todas as partes da Terra, a qual é o Corpo de Cristo, desde o centro a periferia, mas, nos pontos povoados do mundo, tais raios são absorvidos pela humanidade, da mesma forma que os raios dos Espíritos-Grupo dos vegetais são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interno”, que está lenta, mas seguramente impelindo a humanidade a adotar uma atitude altruísta. São os raios fecundantes que fertilizam a nossa alma e, algum dia, se manifestará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Quando todos estivermos perfeitamente impregnados por esses raios, a luz de Cristo começará a se irradiar de nós. Então, caminharemos na luz como Ele na Luz está, e seremos fraternais uns com os outros.

Para terminar estas lições, diremos algumas palavras sobre o destino coletivo:

Além do destino individual gerado por nós mesmos em cada vida, existe também um destino coletivo, ao qual estamos sujeitos por sermos membros de uma comunidade ou nação. É bem sabido que as comunidades, algumas vezes, atuam como um todo, tanto para o bem como para o mal, e é compreensível que estas ações coletivas tenham também um efeito coletivo em vidas futuras sobre os membros de tais comunidades ou nações que tomaram parte nelas. Observou-se que, quando tais atos são maus, a dívida assim contraída é geralmente liquidada no curso dos chamados acidentes de grandes proporções. Também já se explicou que não existem acidentes, salvo nos casos em que o ser humano, que tem prerrogativa divina de iniciar causas novas, intervenha na vida de outros, produzindo mudanças em suas condições, ou quando, por negligência, tira a vida de um semelhante. Isso sim, em muitos casos, constitui um acidente. Porém, os grandes cataclismos como os que presenciamos na Sicília, o terremoto em São Francisco, a Grande Guerra Europeia, etc. não são acidentes, mas atos causais da comunidade envolvida ou o resultado de tais atos em vidas anteriores. Conhecendo a lei de mortalidade infantil, podemos compreender por que centenas de milhares de pessoas, vítimas da Grande Guerra, ao passarem dos campos de batalha para o além, não puderam gravar o panorama da vida que findou e, por isso, precisam morrer durante a infância na próxima existência, e como poderá acontecer esta espantosa mortalidade de crianças no futuro, senão por meio de alguma epidemia ou algum cataclismo? Baseados em tal hipótese, podemos ver no terremoto da Sicília, na destruição de São Francisco, na “epidemia” de fome da Irlanda e da Índia e em outras catástrofes nacionais similares a ação do destino vinda do passado, trazendo, à cada nação, os frutos de suas vidas ações passadas, como uma comunidade.

O que foi dito é simplesmente uma indicação de como se faz e desfaz o destino. Por favor, lembremos que as poucas centenas de casos examinados não podem dar base adequada para um ponto de vista geral da ação da Lei, e o Estudante está exposto a encontrar incongruências em casos individuais acerca do que foi dito. Algumas questões indubitavelmente se apresentarão em relação a esse, àquele ou a outro caso específico, e enquanto é relativamente fácil investigar casos individuais e especificar que causas em uma vida produziram certos efeitos em outra vida da mesma pessoa, é diferente quando procuramos estabelecer uma lei geral, como vimos tentando fazer nessa obra. Para desempenhar essa missão de forma perfeita, são necessários conhecimentos e sabedoria super-humanos, e o presente esforço pode talvez ser considerado um caso de ímpeto tolo, onde até os Anjos teriam medo de pôr as mãos. Pessoalmente, o autor conquistou mais conhecimentos do que tem sido capaz de comunicar e confia que estas revelações possam servir de alguma utilidade ao Estudante, no que se refere ao grande mistério da vida.

Que esses estudos na “Teia do Destino” possam suscitar em cada Estudante um intenso desejo de viver, dia após dia, de modo a contribuir para que haja mais paz na Terra e boa vontade entre os seres humanos.

 

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO

 

Aqueles que estão familiarizados com o estudo deste assunto, conhecem os desastrosos efeitos que um sentimento agudo de medo ou de ansiedade que produz sobre o Corpo físico. Sabemos como essas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo, na eliminação dos detritos e, em suma, transtornam todo o sistema, com o resultado que, em alguns casos, a pessoa se vê forçada a ficar de cama por maior ou menor espaço de tempo, conforme a importância da crise e do poder de resistência de sua constituição. Contudo, existe um efeito oculto que pode ser tão sério ou até pior, e que geralmente não é compreendido, e, portanto, pode ser um benefício considerável estudar o efeito oculto do equilíbrio e da paixão, da ira e do amor, do pessimismo e otimismo.

Do estudo do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, aprendemos que nosso Corpo de Desejos foi gerado no Período Lunar. Se você deseja obter uma imagem mental do modo que as coisas se pareciam, veja a figura do feto, como mostrado em qualquer livro de anatomia. Nele há três partes principais: a placenta, que está cheia do sangue da mãe; o cordão umbilical, que conduz esta corrente vital, e o feto, que é nutrido, desde o estado embrionário até o amadurecimento, por aquela corrente. Imagine, agora, naqueles tempos idos, o firmamento com uma imensa placenta da qual pendiam bilhões de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Por toda a família humana, então em formação, circulava a única essência universal do desejo e da emoção, gerando em todos, os impulsos necessários para a ação, que agora se manifesta em todas as fases do trabalho do mundo. Estes cordões umbilicais e apêndices fetais eram moldados de uma úmida substância de desejos pelas emoções dos Anjos Lunares, enquanto as correntes ígneas de desejos que se esforçavam em animar a vida latente da humanidade, então em formação, eram geradas pelos ígneos e marcianos Espíritos Lucíferos. A cor da primeira e lenta vibração que eles puseram em movimento, naquela matéria emocional de desejos, foi o vermelho.

Enquanto aquela coloração de movimento (pois assim é realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que, sem pausa e sem paz, impulsiona os seres humanos) se achava circulando em nosso interior, o Planeta em que nós habitávamos também circundava um sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância que compõe nosso atual universo solar, e nós, por sua vez, circundávamos o globo sobre o qual morávamos, da luz às trevas, do calor ao frio. Deste modo, éramos trabalhados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa consciência adormecida. E houve uma resposta, pois, ainda que nenhum dos espíritos parcialmente separados, habitando uma bolsa fetal individual, pudessem sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de bilhões de espíritos semelhantes eram sentidas como um som do universo, um grito cósmico – a primeira nota da harmonia das esferas – tocada em uma única corda. Entretanto, foi bastante expressiva e adequada aos impulsos latentes e às aspirações da incipiente raça humana daqueles dias distantes.

Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído; o ígneo e marciano substrato de paixão e as bases aquosas lunares da emoção se tornaram capazes de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções vêm mudando a matéria móvel de desejos em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, corredeiras e vórtices que parecem uma torrente no momento em que essa se acha na maior agitação – sendo muito raro ficarem num descanso relativo. Essa matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, foi respondendo a cada uma das sete vibrações astrais emanadas do Sol, de Vênus, de Mercúrio, da Lua, de Saturno, de Júpiter e Marte. Durante aquele tempo, cada Corpo de Desejos individual tem sido tecido sob um único modelo e, como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre o tear do destino, este modelo está sendo aumentado, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tecelão realiza seu trabalho no avesso do tapete, estamos também tecendo o desenho supremo, sem compreender realmente e sem ver a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto a nós o lado oculto da natureza.

Porém, para que possamos compreender melhor, tomemos alguns destes emaranhados fios de paixão e emoção para vermos o efeito que têm neste modelo que Deus, o Mestre Fiandeiro, deseja que teçamos.

Os mitos antigos sempre espalham um brilho luminoso sobre os problemas da alma e nós podemos, com proveito, levar em consideração certa parte da lenda maçônica. Os maçons são uma sociedade de construtores, “tektons” em grego – a mesma sociedade a que pertenciam José e Jesus, pois a eles a Bíblia grega chamava de “tektons” – construtores – e não carpinteiros, segundo a versão ortodoxa. Os maçons, sob Salomão, foram os construtores deste templo místico projetado por Deus, o Grande Archetekton ou Mestre Construtor, construído sem ruído de martelo, a respeito do qual o personagem Manson fala na maravilhosa peça “O Servente da Casa”[16]. Este nos diz que “o templo não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma coisa vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado, isto é, se você tem ouvidos; se você tem olhos, poderá agora ver o próprio templo, um mistério de formas e sombras indistintas, projetando-se verticalmente do solo à cúpula. Ele está ainda sendo construído e reconstruído; às vezes, a obra segue sob escuridão profunda, outras vezes, sob luz ofuscante”. Todo verdadeiro maçom sabe o que significa esse templo e se esforça por construí-lo. A antiga lenda maçônica nos conta que quando Hiram Abiff, o mestre de obras encarregado da construção do templo de Salomão, um edifício de Deus construído sem ruído de martelo, estava terminando os preparativos para executar sua obra mestra, o “mar fundido”, ele reuniu material de todos os recantos da Terra, pondo-os em um forno ardente, porque era um descendente de Caim, um filho do fogo, o qual, por sua vez, era um filho de Lúcifer, o espírito do fogo. Hiram se propunha a fazer uma liga de metais de claridade cristalina, capaz de refletir toda a sabedoria do mundo. Porém, segundo diz a história, houve entre os trabalhadores alguns traidores – espiões do Filhos de Seth – os quais, por meio de Adão e Eva, eram descendentes do Deus lunar Jeová, que tinha afinidade pela água e odiava o fogo. Esses traidores jogaram água na matriz no qual o mar fundido, a Pedra Filosofal, ia ser moldado. No momento do encontro do fogo com a água se produziu uma grande explosão. Hiram Abiff, o mestre de obras, sendo incapaz de harmonizar os elementos em luta, assistiu com indescritível aflição a erupção destruidora de sua obra mestra. Enquanto se achava observando a luta dos espíritos da água e do fogo, Tubal Caim, seu antecessor, apareceu e o convidou a se atirar na massa fervente. Foi, então, levado ao centro da Terra, onde encontrou seu primeiro antecessor, Caim, que lhe deu uma palavra nova e um novo martelo que o tornariam capaz, uma vez que se tornasse proficiente no seu uso, de misturar os elementos antagônicos e extrair deles a Pedra Filosofal, a mais alta aquisição humana possível.

Há nessa história simbólica mais sabedoria do que a que podemos obter em livros que dizem respeito ao desenvolvimento da alma humana. Se o Estudante ler nas entrelinhas e meditar sobre as diversas expressões simbólicas, ganhará muito mais do que podemos dizer, uma vez que a verdadeira sabedoria é gerada interiormente e a missão dos livros é apenas dar um indício.

Desde aqueles dias distantes, os Anjos lunares se encarregaram, principalmente, do aquoso e úmido Corpo Vital, composto dos quatro Éteres e que se relaciona com a propagação e nutrição das espécies, enquanto os Espíritos de Lúcifer se encarregaram, especialmente, do seco e ígneo veículo de desejos. A função do Corpo Vital é a de construir e manter o Corpo Denso, enquanto que a do Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Assim, há uma guerra constante entre os Corpos de Desejos e Vital, e é essa guerra no céu que produz a nossa consciência física na Terra. Durante inumeráveis vidas temos atuado em todos os tipos de climas e de lugares e, de cada vida, extraímos certa quantidade de experiência, reunida e armazenada como força vibratória nos Átomos-sementes de nossos diversos veículos. Por conseguinte, cada um de nós é um construtor, construindo o templo do espírito imortal sem ruído de martelo; cada um de nós é um Hiram Abiff reunindo material para o desenvolvimento da alma e jogando-o no forno da experiência de nossa própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo. Devagar, mas seguramente bem feito, todo o material está sendo expurgado em cada existência purgatorial e a quintessência do crescimento da alma está sendo extraída através de muitas vidas. Dessa maneira, cada um de nós está se preparando para a Iniciação – nos preparando, quer o saibamos ou não, a aprender a amalgamar as paixões do fogo com as mais suaves e gentis emoções. O novo martelo, com o qual o mestre trabalhador dirige seus subordinados, é agora uma cruz de sofrimento e a nova palavra é o autocontrole.

 

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO

 

Vejamos agora como o Corpo de Desejos se modifica sob a ação de variados sentimentos, desejos, paixões e emoções, para que possamos aprender a construir, sabiamente e bem, o templo místico que vamos habitar.

Ao estudarmos uma das ciências físicas, seja anatomia ou arquitetura, que tratam de coisas tangíveis, nossa tarefa é facilitada pelo fato de termos palavras com que descrever as coisas de que tratamos, mas ainda assim, o quadro mental que envolve o significado de uma palavra é diferente para cada indivíduo. Ao falar de uma “ponte”, alguém pode mentalizar uma ponte construída em ferro no valor de um milhão de dólares e outra pessoa pensará numa simples prancha atravessando um córrego. A dificuldade que sentimos em produzir impressões adequadas do que queremos dizer, aumenta logo que tentamos exprimir ideias referentes às forças intangíveis da natureza, tal como a eletricidade. Medimos a intensidade da corrente em volts, o volume em ampères e a resistência dos condutores em ohms, porém, na realidade, tais termos servem somente para encobrir a nossa ignorância sobre a matéria. Todos sabemos o que é um quilo de café, porém, os maiores cientistas do mundo não têm uma concepção mais acurada do que sejam os volts, ampères e ohms – sobre os quais tão sabiamente discorrem – do que a de um Estudante de uma escola que escuta esses termos pela primeira vez.

Não nos surpreendemos quando os assuntos suprafísicos são frequentemente descritos em termos vagos e desorientadores, pois não possuímos palavras, em qualquer linguagem física, para descrever claramente esses assuntos, e temos de confessar a nossa impotência e perplexidade por não encontrarmos termos adequados para expressar-nos a respeito deles. Se fosse possível projetar sobre uma tela cinematográfica, os quadros em cores do Corpo de Desejos e mostrar como esse incansável veículo muda de contorno e de cor conforme as emoções, nem assim seria compreensível para aquele que não é capaz de ver essas coisas por si mesmo. Isso porque os veículos de qualquer ser humano diferem dos demais na medida em que respondem a certas emoções. Aquilo que induz alguém a sentir um intenso amor, ódio, raiva, medo ou qualquer outra emoção, pode deixar um outro absolutamente insensível.

Inúmeras vezes, o autor observou as multidões para estabelecer comparações a este respeito, e encontrou sempre algo surpreendentemente novo e diferente do que havia observado antes. Certa ocasião, um demagogo se esforçava em incitar um sindicato de trabalhadores à greve; ele mesmo se achava vivamente exaltado e, ainda que a cor básica laranja escuro fosse perceptível naquele momento, estava quase obscurecida por uma cor escarlate de matiz mais brilhante e o contorno de seu Corpo de Desejos era quase como o de um porco-espinho com as pontas eriçadas. Existia um potente elemento de oposição naquela reunião e, à medida que falava, podia-se distinguir claramente as duas facções pelas cores de suas respectivas auras. Um grupo de homens mostrava o escarlate da raiva, porém, no outro grupo, esta cor estava mesclada com o cinza, a cor do medo. Era também digno de nota o fato de que, ainda que os homens da cor cinza estivessem em maioria, os outros eram ressaltados, porque cada medroso se acreditava sozinho ou pelo menos com poucos defensores e, por conseguinte, temia defender sua própria opinião. Se alguém que pudesse perceber esta condição estivesse presente, e tivesse se dirigido a cada um que manifestava em sua aura os sinais de dissensão, e assegurado que eles eram a maioria, o curso das coisas caminharia em direção oposta. Muitas vezes isso acontece nos assuntos humanos, já que, atualmente, a maioria das pessoas é incapaz de ver além da superfície do corpo físico e, desta maneira, perceber a verdadeira condição de pensamentos e de sentimentos dos demais.

Noutra ocasião, o autor foi a uma reunião de revivificação, onde milhares de espectadores estavam presentes para ouvir um orador de reputação nacional. No princípio da reunião era evidente, pelo estado das auras das pessoas, que a maior parte delas tinha vindo com o único propósito de passar alguns momentos agradáveis e ver algo divertido. Os pensamentos, sentimentos e emoções da vida comum de cada um eram plenamente visíveis, se bem que, em alguns, a cor azul escuro revelasse uma atitude de preocupação; era como se tivessem sofrido alguma desilusão na vida e estivessem muito apreensivos. Ao aparecer o orador, deu-se um curioso fenômeno: sabemos que os Corpos de Desejos estão usualmente num estado de movimento constante, porém, naquele momento, toda aquela vasta audiência reteve a respiração em atitude de expectativa, e as cores variadas dos Corpos de Desejos individuais cessaram, e uma cor básica, laranja, foi perfeitamente perceptível, por alguns momentos; logo depois, cada um voltou às suas atividades emocionais anteriores, enquanto o prelúdio estava sendo tocado. Em seguida, começou o cântico de hinos e esse fato revelou o valor e o efeito da música, pois todos se uniram, cantando as mesmas palavras e no mesmo tom, e pareciam ser envolvidos pelas mesmas vibrações rítmicas em seus Corpos de Desejos, tornando-os, momentaneamente, quase um ser único. Um bom número deles estava sentado em atitude céptica, se recusando a cantar e a se unir aos demais. À visão espiritual pareciam como homens de aço, vestindo uma armadura daquela cor, e, de cada um deles, sem exceção, desprendia-se uma vibração que expressava mais do que poderiam dizer por palavras: “Deixem-me em paz, vocês não me comoverão”. Algo interior os havia arrastado até ali, porém sentiam-se mortalmente amedrontados de entregar-se e, por conseguinte, toda a sua aura expressava a cor acinzentada do medo, que é uma armadura da alma contra interferências externas.

Terminado o primeiro canto, a unidade de cor e a vibração desapareceram quase imediatamente e cada um revestiu-se de sua atmosfera habitual de pensamentos e, se nada mais tivesse sido feito, cada pessoa teria voltado à sua vida interior habitual. Porém, o evangelista, ainda que incapaz de ver isso, por experiência sabia que seu auditório ainda não estava preparado, e, por conseguinte, uma sucessão de cânticos se elevaram com acompanhamento de palmas, bater tambores e gesticulações do líder, ajudado por um coral treinado. Isso reuniu outra vez as almas dispersas em um laço de harmonia; gradualmente, as pessoas foram dominadas pelo fervor religioso e se estabeleceu a unidade necessária para o trabalho seguinte. Pela música, pelas palmas do regente e pelo apelo dos cânticos, aquela vasta audiência se havia transformado em uma só. Os homens de aço, os céticos de tom cinzento, que se acreditavam demasiado sábios para serem enganados (quando, em realidade, sua emoção era realmente medo) eram agora uma parte insignificante naquela vasta congregação. Todos os outros estavam afinados, da mesma forma que as diversas cordas de um grande instrumento, e o evangelista que se erguia diante deles era um soberbo artista tocando com as emoções. Incitava-os do riso às lágrimas, do pesar à vergonha. Grandes ondas de cores correspondentes pareciam cobrir toda a assistência em um quadro magnífico e assombroso. Vieram, a seguir, as invocações de costume: “Levantai para receber Jesus”; a solicitação para os “que se lamentam”, etc., e cada um desses chamados extraía de toda a audiência uma resposta emocional determinada, mostrada plenamente nas cores dourada e azul. Seguiram-se mais cânticos, mais palmas e gesticulações que, momentaneamente, trouxeram a unidade e deram àquela assembleia uma experiência parecida com o sentimento de fraternidade universal e a realidade da Paternidade de Deus. As únicas pessoas sobre quem a música não surtiu efeito foram os indivíduos revestidos da armadura azul de aço do medo. Esta cor parece ser impenetrável a qualquer emoção e, ainda que o sentimento experimentado pela grande maioria fosse relativamente fugaz, as pessoas se beneficiaram com a revivificação, excetuando aqueles homens de aço.

Pelo que o autor pôde aprender, a sensação interna do medo de se render à emoção – o medo é saturnino em seus efeitos e irmão gêmeo da preocupação – parece exigir um choque, o qual afastará de seu ambiente aquela pessoa que o experimentar e o transportará para um novo lugar, em novas condições, antes que as antigas condições possam ser dominadas.

A preocupação é uma condição na qual as correntes de desejos não circulam em grandes linhas curvas em alguma parte do Corpo de Desejos, porque o veículo está cheio de redemoinhos – só redemoinhos, em casos extremos. A pessoa assim afetada não se esforça por atuar em coisa alguma; vê calamidades onde não existem e, em vez de gerar correntes que a levem à ação para evitar o que lhe produz medo, alimenta pensamentos inquietantes que produzem um redemoinho em seu Corpo de Desejos e, em consequência, ela nada faz. Essa condição de preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparada à água que está próxima do congelamento sob uma temperatura baixa; o medo, que se expressa como ceticismo, cinismo e pessimismo, pode ser comparado a esta mesma água quando já congelada, porque o Corpo de Desejos dessas pessoas está quase sem movimento e nada do que se possa dizer ou fazer terá poder de alterar essa condição. Para usar uma expressão comum que traduz exatamente essa condição, diremos que estão “presos em uma concha” e essa concha saturnina deverá ser rompida antes que se possa chegar a esses indivíduos e ajudá-los em seu deplorável estado.

Essas emoções saturninas de medo e de preocupação são comumente causadas pela apreensão dos que sofrem dificuldades econômicas ou sociais. “Talvez tenha prejuízo nesse investimento que acabo de fazer, pois pode baixar a cotação ou até desvalorizar-se totalmente; posso perder meu emprego e me encontrar subitamente na miséria; tudo o que empreendo parece dar errado; meus vizinhos falam mal de mim e tratam de prejudicar minha posição social; meu marido (ou esposa) não se preocupa mais comigo; meus filhos se mostram displicentes comigo”; e uma centenas de outras sugestões parecidas se apresentam sempre à sua Mente. Ele deveria se lembrar que, cada vez que um desses pensamentos é gerado e introduzido em seu interior, estará ajudando a congelar as correntes de seu Corpo de Desejos e a construir ao seu redor, uma concha de aço de cor azul em que pessoa, que habitualmente alimenta o medo e a preocupação, se encontrará, algum dia, encerrada e isolada do amor, da simpatia e da ajuda de todos. Por conseguinte, devemos nos esforçar por ser alegres, ainda que em circunstâncias adversas, a menos que queiramos correr o risco de permanecer em tristes condições aqui e na vida futura.

“É muito fácil estar contente

Quando a vida flui como uma canção,

Mas o ser humano digno e valente

É aquele que sorri,

Quando tudo é provação”[17].

 

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES

No início da Grande Guerra[18] as emoções na Europa foram se tornando horríveis, primeiro entre os chamados “vivos” e depois entre os que foram mortos – quando despertavam. Esse despertar levava muito tempo devido às detonações dos grandes canhões e, conforme a Guerra corria, mais tempo ainda. Toda a atmosfera dos países envolvidos fervia em correntes de ira e ódio, igual a uma nuvem vermelha-escura que pairasse sobre os seres humanos e sobre a região. Depois, apareceram faixas negras semelhantes a mortalhas, que parecem se gerar sempre em crises de desastres súbitos, quando a razão não trabalha e o desespero domina o coração. Isso, sem dúvida, ocorreu quando os povos envolvidos perceberam que aquela catástrofe era de tal magnitude, que eles não eram capazes de compreender o que estava acontecendo. Os Corpos de Desejos da maioria giravam em alta velocidade, em grandes ondas de pulsações rítmicas que falavam mais alto do que as palavras: “Matar, matar, matar”. Quando dois ou três indivíduos ou uma multidão se encontravam e começavam a discutir sobre a guerra, as pulsações rítmicas, indicando o firme propósito de agir e desafiar, cessavam e os pensamentos e sensações de excitação gerados pela discussão ou conversa tomavam a forma de projeções cônicas, que rapidamente cresciam a uma altura de quinze a vinte centímetros, então, estouravam e emitiam uma língua de fogo. Alguns indivíduos geravam grande número dessas estruturas vulcânicas de uma só vez, outros geravam uma ou duas ao mesmo tempo. Enquanto prosseguia a discussão e quando uma dessas bolhas estourava, aparecia outra em alguma parte do Corpo de Desejos, e as chamas que delas emergiam iam colorir de escarlate a nuvem sobre a região entorno. Quando uma multidão se desagregava ou os amigos se separavam, depois de uma discussão, o borbulhar e as erupções diminuíam e se tornavam menos frequentes, cessando, finalmente, para dar lugar de novo às grandes pulsações rítmicas acima mencionadas.

Essas condições são agora muito raras, se é que são vistas ainda; a ira explosiva para com o inimigo, conforme foi demonstrado, já é uma coisa do passado, pelo menos no que concerne à grande maioria. A cor alaranjada básica da aura dos povos ocidentais é novamente visível, e tanto os oficiais como os seres humanos parecem que se fixaram na guerra como se fosse um jogo; cada um anseia superar o outro e excedê-lo em astúcia. A guerra não é mais do que um canal para a sua habilidade; porém, alguns dos Irmãos Leigos da Ordem Rosacruz creem que a condição de ira voltará a aparecer em uma forma modificada, quando cessarem as hostilidades ativas e começarem as negociações de paz.

A esta forma de emoção podemos chamar de ira abstrata e difere amplamente do que se observa no caso de duas pessoas que se enraivecem entre si, na vida privada, quer comecem a brigar fisicamente ou não. Vistas do lado oculto da natureza, há hostilidades antes que os golpes sejam desferidos. Formas de desejos, em formatos de adagas pontudas, se projetam umas contra as outras como lanças, até que a fúria que as gerou se esgote. Nos casos de ira envolvendo o patriotismo não existem um inimigo pessoal e, por conseguinte, as formas de desejos são mais bruscas e explodem sem abandonar o indivíduo que as gerou.

Os “homens de aço”, tão comuns na vida privada, onde a preocupação por mil e uma coisas, que nunca ocorrem, cristalizam uma armadura ao seu redor, permitindo que o velho Saturno os aprisione, estavam e estão totalmente ausentes. No entanto, o autor crê na hipótese de que a tensão de seu meio-ambiente os forçou a se alistarem e o choque deve ter rompido a concha; então, a familiaridade com o perigo chegou a agradá-los. É certo que essas pessoas se beneficiaram grandemente com a guerra, pois nenhum estado é tão obstrutor para o desenvolvimento da alma do que o medo e a preocupação constante. É um fato igualmente notável que, embora os seres humanos arrastados pela guerra sofram pavorosas privações, a maior parte deles está cultivando um matiz azul celeste pálido que significa esperança, otimismo e um nascente sentimento religioso, dando um toque altruísta ao caráter. Isso vem indicar que aquele sentimento de fraternidade universal, que não reconhece distinção de credo, cor ou nação, está crescendo no coração humano.

No começo da guerra, os Corpos de Desejos dos combatentes giravam a uma espantosa velocidade, e se notava que, enquanto as pessoas que morriam por enfermidade, velhice ou acidentes comuns recobravam sua consciência em curto lapso de tempo, variando de poucos minutos a alguns dias, os mortos na guerra permaneciam na inconsciência por várias semanas e, ainda que pareça estranho, os que foram estraçalhados despertavam muito mais depressa do que os milhares que sofreram somente ferimentos insignificantes. Esse enigma não foi decifrado por muitos meses. Antes de estudarmos as causas que motivavam esse fenômeno, devemos nos recordar que nos primeiros tempos de guerra, quando as pessoas que morriam cheias de ira e despertavam no Mundo invisível, queriam reiniciar suas pelejas com o inimigo, e até que o grande trabalho educativo iniciado pelos Irmãos Maiores e seus Auxiliares Invisíveis produzisse frutos, essas pessoas peregrinavam errantes pelo espaço com seus corpos mutilados e cheios de amargura, sentindo a falta dos seres queridos deixados para trás. Agora, tais acontecimentos são extremamente raros e prontamente solucionados, pois todos aprenderam que o pensamento criará um novo braço, membro ou rosto; o ódio patriótico desapareceu e os “inimigos” que sabem falar a língua do outro, frequentemente, se confraternizam, com proveito para ambos. A nuvem vermelha de ódio está desaparecendo, o véu negro do desespero acabou; não há explosões vulcânicas de paixão, nem nos vivos nem nos mortos, e, até onde o autor pôde ler os sinais dos tempos na aura das nações, existe um propósito determinado por fim a esse jogo. Mesmo nos lares despojados de vários membros, isso parece ser aceito. Existe uma saudade profunda pelos amigos que foram para o além, mas não há ódio pelos inimigos terrenos. Essa saudade é compartilhada pelos amigos invisíveis, e muitos estão atravessando o véu, pois a intensidade de sua saudade desperta no “morto” o poder de se manifestar, atraindo uma quantidade de Éter e gás que, frequentemente, é extraída do Corpo Vital de um amigo “sensitivo”, da mesma maneira que os espíritos materializantes usam o Corpo Vital de um médium em transe. Deste modo, os olhos cegos pelas lágrimas são, muitas vezes, abertos por um coração saudoso, de maneira que os seres queridos, agora no Mundo espiritual, são vistos novamente face a face, coração a coração. Este é um método da natureza para cultivar o sexto sentido que, futuramente, capacitará todos a saber que o ser humano é um espírito imortal e que a continuidade da vida é um fato na natureza.

Para compreender a lentidão com que os mortos durante a guerra recobravam a consciência no Mundo espiritual, devemos antes de tudo empreender um estudo mais apurado dos quatro Éteres, como descrito no “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

Os átomos dos Éteres Químico e de Vida, reunidos em torno do núcleo do Átomo-semente[19], situado no plexo solar, têm a forma de prismas. Todos estão situados de tal maneira que, quando a energia solar penetra em nosso Corpo, através do baço, o raio refratado é vermelho. Essa é a cor do aspecto criador da Trindade, chamado Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital que vem do Sol e que penetra no corpo humano por meio do baço, toma a cor rosa pálida, frequentemente notado pelos videntes, quando o fluído corre ao longo dos nervos, como a eletricidade corre pelos fios de um sistema elétrico. Assim carregados, os Éteres Químico e de Vida são as avenidas da assimilação, que preservam o indivíduo, e da fecundação, que perpetuam a raça.

Durante a vida, cada átomo vital prismático penetra em um átomo físico e o faz vibrar. Para se ter uma ideia dessa combinação, imaginemos um cesto de arame em forma de pera, cujas paredes de arame torcido em espiral correm obliquamente de polo a polo. Esse é o átomo físico; sua forma é aproximadamente a da nossa Terra; e o átomo vital prismático se introduz por cima, o qual é a parte mais larga e corresponde ao polo norte da Terra. Desta maneira, a ponta do prisma penetra no átomo físico pelo seu ponto mais estreito, que corresponde ao polo Sul de nossa Terra, e o todo se parece a um pião girando, balançando e vibrando. Desse modo, nosso Corpo adquire vida e é capaz de se movimentar (É conveniente notar que nossa Terra é, de modo semelhante, permeada por um corpo cósmico de Éter, e que aquelas manifestações a que chamamos Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéricas circundando a Terra, do polo ao Equador, como fazem as correntes dos átomos físicos).

Os Éteres de Luz e Refletor são avenidas de consciência e de memória. São um pouco atenuados nos indivíduos comuns e ainda não tomaram uma forma definida; interpenetram o átomo como o ar interpenetra uma esponja, e formam uma ligeira atmosfera áurica no exterior de cada átomo.

Com a morte acontece uma separação; o Átomo-semente[20] se retira do ápice do coração ao longo do nervo saturnino pneumogástrico, através dos ventrículos, saindo pelo crânio (Gólgota). Todos átomos do Corpo Vital ficam libertos da cruz do Corpo Denso, pelo mesmo movimento em espiral que desprende cada átomo prismático de Éter do seu envoltório físico.

Esse processo se verifica com maior ou menor violência, conforme a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade declinou lentamente, pode dormir e, ao despertar se achar do outro lado do véu sem a menor consciência de como ocorreu a mudança; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela oração e meditação para ingressar no além, poderá se desligar facilmente; aqueles que morrem de frio encontram o que o autor acredita ser a mais fácil das mortes por acidente, seguindo-se à do afogado.

Porém, quando um indivíduo é jovem e saudável, especialmente se inclinado ao ateísmo e irreligiosidade, o átomo etérico prismático se acha tão estreitamente envolvido pelo átomo físico, que requer um puxão considerável para se separar do Corpo Vital. Quando a separação do Corpo físico dos veículos superiores foi efetuada e o indivíduo morre, como dissemos, os Éteres de Luz e Refletor são separados dos átomos prismáticos. É essa matéria, como se descreve no “Conceito”, que molda as imagens da vida passada e as grava no Corpo de Desejos, o qual, então, começa a sentir tudo que havia de dor ou prazer na vida. A parte do Corpo Vital composta de átomos prismáticos dos Éteres Químico e de Vida retorna ao Corpo físico, flutuando sobre a sepultura e se desintegrando sincronicamente com ele.

Agora chegamos ao âmago da nossa explanação. O Éter é matéria física e enquanto os que morreram por armas menores em combates de menor importância podem, algumas vezes, serem vistos perambulando, aturdidos, mas conscientes, as aterradoras detonações dos grandes canhões, tão extensamente usados, têm o efeito de transformar inteiramente os átomos etéricos prismáticos e destroçar (não esparramar) o invólucro áurico dos Éteres de Luz e Refletor, que são a base do sentido da percepção e da memória. Até que isto seja explicado dentro da sua relatividade original, o ser humano permanece aturdido, numa condição comatosa que perdura, muitas vezes, por semanas. Sob tais condições, essa matéria sutil etérica não pode ser utilizada para a formação das imagens da vida passada – em sua grande parte está congelada.

 

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE

 

Quando o Ego caminha para o renascimento através da Região do Pensamento Concreto, do Mundo do Desejo e da Região Etérica, toma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, baseado no princípio de que o “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade depende do volume da matéria necessária pelo arquétipo construído por nós mesmos no Segundo Céu. Os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica utilizando a quantidade de átomos etéricos prismáticos apropriados por um determinado espírito, que, então, é colocada no útero da mãe e, gradualmente, envolvida de matéria física, formando o Corpo visível da criança recém-nascida.

Somente uma pequena porção de Éter apropriado para um determinado Ego é assim utilizada, e o restante do Corpo Vital da criança, ou melhor dizendo, o material com o qual este veículo será posteriormente feito, fica fora do Corpo Denso. Por esta razão, o Corpo Vital de uma criança sobressai da periferia do Corpo Denso muito mais do que o do adulto. Durante o período do crescimento, essa reserva de átomos etéricos é aplicada para vitalizar os acréscimos dentro do Corpo, até que, quando for atingida a idade adulta, o Corpo Vital sobressai somente 2,5 a 4 centímetros da periferia do Corpo Denso.

A ciência física confirmou que os átomos em nosso Corpo Denso estão mudando constantemente, de maneira que todo o material que compõe nosso veículo no presente desaparecerá dentro de poucos anos; contudo, é um fato conhecido que as cicatrizes e outras manchas de nascença se mantêm da infância à velhice. A razão disso é que os átomos etéricos prismáticos, que compõem nosso Corpo Vital, permanecem imutáveis do berço ao túmulo. Estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos etéricos prismáticos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos nunca chegam às mãos, às pernas ou a qualquer outra parte do Corpo, pois permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados a princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica numa impressão idêntica nos átomos etéricos prismáticos. A nova matéria física, modelada sobre eles, continua a tomar forma e textura semelhantes à que possuíam originalmente.

As observações precedentes se aplicam somente aos átomos etéricos prismáticos, que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico, pelo fato de adotarem uma certa forma definida que eles preservam. Além disso, cada ser humano nesse estado de evolução possui também determinada quantidade de Éteres de Luz e Refletor, que são os veículos dos sentidos da percepção e da memória, mesclados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases de nosso Mundo Físico; talvez a melhor descrição que podemos fazer do Éter Refletor é lhe dar o nome de hiper-etérico. É uma substância vazia, de cor azulada, semelhante em aparência ao núcleo azul de uma chama de gás. Parece transparente, como se revelasse tudo o que contém dentro dele, entretanto, esconde todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele está contido um registro da Memória da Natureza. Os Éteres de Luz e Refletor são de natureza exatamente opostas aos estacionários átomos etéricos prismáticos. São voláteis e migratórios. Uma pessoa pode possuir pouco ou muito desse material, no entanto, ele constituirá sempre um fator de crescimento, como resultado de suas experiências na vida. Dentro do Corpo se mistura com a corrente sanguínea e, à medida que cresce por meio do serviço e do sacrifício da pessoa na escola da vida, e já não pode quase ser contido no Corpo, é visto do lado de fora como um Corpo-Alma azul e dourado. O azul revela o tipo mais elevado de espiritualidade e, por conseguinte, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul de uma chama de gás, enquanto que a matiz dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo da chama de gás. A cor azul não aparece no exterior do Corpo Denso, salvo nos casos dos maiores santos – somente o amarelo é geralmente observado nele. Com a morte essa parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o panorama da vida que ela contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida se imprime, então, no Átomo-semente como consciência ou virtude, que nos levará a evitar o mal e a fazer o bem na próxima vida terrestre. É assim que se altera a qualidade do Átomo-semente de uma vida a outra. A quintessência do bem, extraída da parte migratória do Corpo Vital numa vida, determina a qualidade dos átomos etéricos prismáticos estacionários na próxima vida terrestre. O mais elevado em uma vida será o mais baixo na seguinte e, assim, gradualmente, nós nos elevamos pela escada da evolução até a divindade.

Do que foi dito, se torna evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais deveriam saber que durante os sete primeiros anos da infância, quando esse veículo está sendo gestado, é que as crianças adquirem um hábito atrás do outro. A repetição é a nota-chave do Corpo Vital, assim como os hábitos dependem dessa repetição. Isto é diferente em relação ao Corpo de Desejos, pois ele é o veículo dos sentimentos e das emoções que estão variando constantemente; mesmo que se diga que o Éter que forma nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento comparado com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos até afirmar que o Éter se move como um caracol, comparado com a luz.

O que dissemos anteriormente pode ser assim resumido:

  • A matéria de desejos se move com rapidez inconcebível, comparável somente com a luz.
  • Os dois Éteres superiores viajam também com grande velocidade, embora mais lentamente do que a matéria de desejos.
  • Os átomos etéricos prismáticos que entram na composição dos Éteres inferiores são estacionários, mas possuem um alto grau de movimento vibratório.
  • Os átomos densos permanecem tão estacionários como o cristal na rocha.

Não importa o que as pessoas falem de nós ou para nós; suas palavras carecem de poder intrínseco para ferir – é nossa própria atitude mental com relação ao que elas disseram que determina o efeito de suas palavras sobre nós, para o bem ou para o mal. São Paulo, ao se defrontar com a perseguição e calúnia, afirmou que “nenhuma destas coisas me comove”. Todos que esperam avançar espiritualmente, devem cultivar um estado de equilíbrio, pois, sem ele, o Corpo de Desejos correrá desenfreado ou se congelará, conforme a natureza das emoções geradas pelas relações com os demais, seja preocupação, raiva ou medo. Sabemos que o Corpo Denso é o nosso veículo de ação, que o Corpo Vital dá a ele o poder para agir, que o Corpo de Desejos fornece o incentivo para a ação e que a Mente foi dada como um freio para os impulsos. Aprendemos no Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” que os pensamentos-forma, dentro e fora do nosso Corpo, estão sendo projetados continuamente sobre o Corpo de Desejos, em um esforço para despertar o sentimento que conduzirá à ação, e que a razão deve reger a natureza inferior, deixando que o Ego superior alcance a expressão de suas tendências divinas. Sabemos igualmente que um pensamento habitual tem o poder de modelar inclusive a matéria física, pois a natureza do sensualista é tão facilmente perceptível em seus aspectos vulgares e grosseiros, como são delicados e finos os de uma Mente espiritualizada. O poder do pensamento é ainda maior em sua potência para modelar as vestimentas mais sutis. Acabamos de ver como os pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos da pessoa que seja indulgente com esse hábito, e é igualmente certo que cultivando um estado mental otimista, sob qualquer circunstância, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos a qualquer posição que quisermos. Depois de um tempo isto se tornará um hábito. Admitimos que é difícil sujeitar o Corpo de Desejos sob uma linha definida, porém, pode ser conseguido e essa tentativa deve ser feita por todos os que aspirem o avanço espiritual.

Quanto ao efeito dessa polarização, sob o ponto de vista oculto, podemos aprender muito sobre certos costumes das chamadas sociedades secretas. Como sabemos, tais organizações colocam sempre à porta um guardião com instruções para proibir a entrada daquele que não saiba a palavra-passe e os sinais, e isto surte muito bom efeito até com as pessoas que funcionam unicamente em seus Corpos físicos. No entanto, os chamados segredos dessas organizações não são, em hipótese alguma, segredos para aqueles que são capazes de entrar nesses lugares de reunião em seus Corpos Vitais. De forma muito diversa ocorre numa verdadeira ordem esotérica como, por exemplo, a dos Rosacruzes. Nenhum guardião impede a entrada ao Templo quando é celebrada a Missa Mística da Meia-noite, todas as noites da semana. A porta está escancarada para todos aqueles que aprenderam a pronunciar o “abre-te-sésamo”. Porém, esta não é uma senha falada; o Iniciado que deseja comparecer deve saber como sintonizar seu Corpo-Alma ao grau de vibração particular mantido naquela noite. No entanto, essa vibração difere todas as noites da semana, de maneira que aqueles que aprenderam a se harmonizar com a vibração mantida aos sábados à noite, quando se reúne o primeiro grau, tem sua entrada efetivamente barrada ao Templo quando se reúnem aqueles que executam seu trabalho aos domingos, na segunda-feira, na terça-feira etc., como qualquer outra pessoa comum.

A lei cósmica, sob a qual atua o que foi dito, tem também sua aplicação para o controle e efeito de nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Bem disse São Paulo quando manifestou que nós somos o templo do Deus vivo (nosso Eu Superior). Também criamos uma aura sutil em torno de nós sob a salvaguarda das Divinas Hierarquias que regem os sete Astros: Saturno, Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter e Vênus. O Universo, ou o grande mundo, é chamado misticamente a lira de sete cordas de Apolo. Nosso organismo individual, ou microcosmo, é uma réplica ou imagem de Deus, e devemos despertar em nós um eco dessa música das esferas. Muitos de nós aprendemos a responder bastante às vibrações saturninas de pesar, tristeza, medo e preocupação que congelam nossos Corpos de Desejos e seria um benefício duradouro se tratássemos de cultivar as vibrações espirituais do Sol, enchendo nossas vidas de otimismo e de luz solar que dissipariam a tristeza e o desalento saturninos, impedindo que tais pensamentos penetrassem em nossa aura no futuro.

A primeira necessidade para o adiantamento é o estado de equilíbrio. Todos os que aspiram devem adotar o lema de São Paulo: “Nenhuma dessas coisas me comove”.

 

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS

 

Como existem muitos Estudantes Rosacruzes que praticam os exercícios aconselhados pelos Irmãos Maiores para o desenvolvimento progressivo da alma, mas que ainda não se sentiram inclinados a penetrar no Caminho, nos parece conveniente considerar o efeito oculto das emoções geradas por esses exercícios.

No exercício de Retrospecção quando o Aspirante à vida superior revê os acontecimentos do dia em ordem inversa e chega a um incidente no qual injuriou alguém, deixou de ajudar outro ou não se comportou como crê ser o ideal de conduta, ele aprende a cultivar um intenso remorso pelo que fez de mal, com o objetivo de erradicar esse registro do Átomo-semente do coração, onde ficou impresso aquele ato e onde permanecerá até ser apagado pelo sofrimento no Purgatório, a menos que, previamente, tenha sido eliminado por outros meios, sendo um desses meios esse exercício de Retrospecção.

No Purgatório, o processo de purificação é efetuado pela força centrífuga da repulsão que arrasta e destroça a matéria de desejos, na qual o quadro é formado por cima de sua matriz de Éter, fora do Corpo de Desejos. Nessa ocasião, a alma sofre como fez sofrer os outros, por causa da condição própria das regiões inferiores do Mundo do Desejo, onde está localizado o Purgatório. Alguns videntes, incapazes de contatar as regiões superiores, falam do Mundo do Desejo como ilusório, e estão certos no tocante às regiões inferiores, porque ali todas as coisas aparecem invertidas como nós as vemos em um espelho. Essa particularidade não foi feita sem propósito – nada no Reino de Deus o é; todas as coisas servem a um fim sábio. Essa inversão coloca a alma daquele que errou na posição de sua vítima, de maneira que, quando se desenrola na tela uma cena da sua vida passada, em que fez mal a alguém, a alma não permanece apenas como simples espectadora contemplando a cena representada, mas se torna, naquele momento, a vítima do erro, sentindo a dor do injuriado, já que a força centrífuga de repulsão exercida para destruir o quadro do Corpo de Desejos do pecador, deve, ao menos, igualar ao ódio e à raiva da vítima que imprimiu a cena sobre o Átomo-semente no momento da ocorrência.

Durante a Retrospecção, o Aspirante se esforça por reproduzir essas condições; experimenta visualizar as cenas em que fez algo de errado, e o remorso que procura sentir deve, pelo menos, se igualar ao ressentimento sofrido por aquele que prejudicou. Produz-se, então, o mesmo efeito do apagar o registro da ofensa, como o faz a força centrífuga de repulsão que efetua a erradicação do mal no Purgatório, com o propósito de extrair dali a qualidade de alma que conhecemos com o nome de Consciência, e que age como um dissuasivo na hora da tentação. Assim usada, a emoção do remorso limpa profundamente e purifica o Corpo de Desejos das ervas daninhas e do joio, deixando livre o terreno e favorecendo o desenvolvimento de todas as virtudes que florescem no avanço espiritual e oferecem as maiores oportunidades para o serviço na vinha do Senhor.

Contudo, assim como a força latente da pólvora e substâncias explosivas similares podem ser utilizadas para impulsionar os maiores objetivos da civilização ou para levar a efeito os piores atos de barbarismo, também a emoção do remorso pode ser utilizada de tal maneira que passa a ser um obstáculo e um prejuízo para a alma, em vez de constituir um auxílio. Quando nos entregamos ao remorso diariamente e de hora em hora, estamos desperdiçando um poder imenso que pode ser utilizado para os mais nobres objetivos da vida, já que uma constante mania de se lastimar afeta o Corpo de Desejos, em uma maneira similar à que causam os banhos excessivos no Corpo físico, como já descrevemos em “Vício de Excessiva Limpeza”, um artigo publicado em nossa revista “Rays from the Rose Cross”. Afirmou-se nesse artigo que a água tem grande afinidade com o Éter, absorvendo-o avidamente como se demonstrou em vários exemplos; afirmou-se também que ao tomar um banho em condições normais, expulsamos boa quantidade de Éteres venenosos e miasmáticos de nosso Corpo Vital, desde que permaneçamos na água por pouco tempo. Depois de um banho, o Corpo Vital enfraquece ligeiramente e, por conseguinte, sentimos uma sensação de fraqueza, mas, se gozamos de boa saúde e não permanecemos demasiado tempo na água, aquela deficiência se modifica imediatamente em uma corrente de força que flui para o nosso Corpo por meio do baço. Quando esse influxo de Éter fresco tiver substituído a substância prejudicial levada pela água, sentimos novo vigor que atribuímos ao banho, sem nos darmos conta dos fatos como são detalhados aqui.

Entretanto, quando uma pessoa que não goze de perfeita saúde e adquire o hábito de se banhar todos os dias, inclusive duas ou três vezes por dia, extrai de seu Corpo Vital um excesso de Éter. A provisão que entra pelo baço diminui igualmente pela falta de tonificação do Átomo-semente colocado no plexo solar e pelo enfraquecimento do Corpo Vital. Dessa maneira, é impossível a tal pessoa se recuperar entre tão repetidas abluções e, em consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; perde continuamente as forças e se predispõe a ser um inválido.

“Como é em cima assim é em baixo, e como é em baixo assim é em cima”, diz o aforismo hermético, explicando a grande lei da analogia que é a chave mestra de todos os mistérios. Ao utilizar a força centrífuga do remorso, durante o exercício noturno de Retrospecção, para erradicar de nossos corações as faltas cometidas, o efeito é semelhante à ação da água que remove o venenoso Éter miasmático de nossos Corpos Vitais durante o banho, deixando lugar para um influxo de Éter puro e saudável. Depois de queimarmos os erros cometidos no sacrifício do fogo do remorso, a substância tóxica assim extirpada deixa lugar para um influxo de matéria de desejos, que moralmente é mais saudável, e deixa terreno mais propício para praticarmos as ações nobres. Quanto mais exaustivamente nos purguemos pelo remorso, tanto maior será o vazio produzido e melhor será o grau de material novo que atrairemos para os nossos veículos mais sutis.

Contudo, por outro lado, se nos entregarmos ao remorso e aos pesares durante as horas de vigília, como fazem alguns, excederemos o nosso Purgatório e, ainda que esse tempo seja dedicado à extirpação do mal, a consciência de cada quadro volta, e este já foi extirpado pela força de repulsão. Aqui, devido a conexão entre os Corpos de Desejos e Vital, podemos reviver o quadro mentalmente tantas vezes quanto o desejarmos e, enquanto o Corpo de Desejos se dissolve gradualmente no Purgatório pela expurgação do panorama da vida, uma porção determinada é acrescida durante a existência no Mundo Físico para substituir a que se expulsou por meio do remorso. Quando nos entregamos ao remorso e ao pesar excessivos, se produz o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos que o banho excessivo sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam destituídos de força devido a excessiva limpeza profunda e, por esta razão, é tão perigoso para a saúde moral e espiritual se entregar, indiscriminadamente, aos sentimentos de pesar e remorso, como é fatal ao bem-estar físico o se banhar demasiado. O discernimento deve imperar em ambos os casos.

Quando nós praticamos o exercício de Retrospecção, devemos nos entregar ao sentimento de pesar e remorso com toda a nossa alma; devemos procurar verter lágrimas de fogo que queimem até o mais íntimo de nosso ser; devemos fazer o processo purificador da maneira mais profunda e completa possível, com o objetivo de poder crescer em graça até ao máximo possível. Porém, uma vez terminado o exercício, devemos fazer o mesmo que se faz no Purgatório – considerar os incidentes do dia liquidados e esquecê-los completamente, salvo em casos que necessitem restituição, desculpas ou atos subsequentes que a consciência nos aponte. Resgatada assim a dívida, nossa atitude deve ser de um inquebrantável otimismo. “Ainda que vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão tão brancos como a neve[21]. “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?[22]. Por aquela atitude morremos diariamente para a vida passada, para renascer a cada dia para caminhar em uma nova vida espiritual, já que nossos Corpos de Desejos são assim renovados e preparados para servir a um fim mais elevado na vida, do que o do dia anterior.

E porquanto nós discutimos sobre o pesar e o remorso aplicados ao problema do crescimento da alma, com seu efeito sobre os nossos Corpos sutis, podemos, vantajosamente, também mencionar o efeito do pesar voltado para outras direções. Há pessoas que vivem com o pesar como um companheiro agradável, levam-no para a cama a noite e despertam com ele pela manhã; levam-no ao trabalho, às compras ou à igreja; sentam-se com ele à mesa e tratam-no com cuidado como se fosse a coisa mais preciosa que possuíssem, e deixariam até de viver, mas não de manifestar seu pesar por essa, aquela ou outra coisa.

Como um vampiro que suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, os pensamentos perpétuos de pesar e de remorso, concernentes a determinados fatos, se tornam um elemental de desejo que age como um vampiro e extrai a vida da pobre alma a quem deu forma, e, em virtude da atração do semelhante pelo semelhante, alimenta a continuidade desse mórbido hábito de pesar.

Não será com nossos remorsos que ajudaremos os seres queridos que partiram dessa vida e, embora pensemos que os ajudamos com nossa fidelidade, na verdade, estamos prejudicando-os. Eles abandonaram a esfera atual de experiência e seguem adiante para outros reinos, onde existem outras lições a aprender, e nós os detemos em seu caminho com nossos pensamentos, porque eles nos sentem mais profundamente depois que passaram para o além, e nós temos que considerar um dever lhes dirigir pensamentos de carinho e amor, em lugar do pesar egoísta que os prejudica tanto quanto a nós. O pesar é destrutivo para o desenvolvimento espiritual, porque, enquanto o assim criado pensamento elemental permanece agarrado a nós como um vampiro, não podemos nos elevar pelo escarpado caminho.

Repugnantes como o abutre, que se alimenta de restos decompostos e hediondos dos mortos, são os vãos remorsos que vivem na mórbida contemplação do passado e de seus erros. É nosso dever expulsá-los de nosso ambiente mental como expulsaríamos de nosso lar o primeiro abutre que nele tentasse penetrar.

Ao invés disso, cultivemos sempre e em tudo, uma atitude de otimismo, pois todas as coisas trabalham juntas para o bem – Deus está no leme e nada pode sair realmente errado, e tudo sairá certo, dentro do tempo de Deus.

 

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR

O assunto Oração deve merecer uma profunda atenção e estudo por todos aqueles que aspiram à espiritualidade, e confiamos que as explicações que se seguem possam ajudar nossos estudantes em seus esforços neste sentido.

Há uma só força no Universo, nomeada o Poder de Deus, que Ele enviou através do espaço em forma de uma Palavra; não uma simples palavra, mas o fiat criador, cuja vibração sonora amalgamou milhões de átomos caóticos em uma infinidade de figuras e de formas, desde a estrela do mar à estrela do firmamento, do micróbio ao ser humano, tudo o que constitui e habita o Universo. À medida que as sílabas e os sons dessa Palavra Criadora foram sendo emitidos, uns após outros no transcurso dos tempos, espécies foram sendo criadas e as mais antigas desenvolvidas, tudo de acordo com o pensamento e o plano concebido pela Mente Divina, antes que a força dinâmica da energia criadora fosse enviada para fora, para o abismo do espaço.

Isso, então, é a única fonte de poder na qual real, verdadeira e literalmente vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, tão certo como os peixes vivem na água. Não podemos escapar ou nos afastar de Deus, do mesmo modo que o peixe não pode viver e nadar na terra seca. Não era um mero sentimento poético quando o salmista disse: “Para onde ir, longe do teu sopro? Para onde fugir, longe da tua presença? Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito no túmulo, aí te encontro. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é tua mão que me conduz, e tua mão direita me sustenta.”[23].

Deus é Luz, e nem mesmo o mais potente telescópio moderno, que pode alcançar milhões de quilômetros no espaço, conseguiu descobrir os limites da luz. Contudo, nós sabemos que, se não tivéssemos olhos para perceber a luz e ouvidos que registrassem as vibrações do som, caminharíamos pela Terra em eterna escuridão e silêncio; similarmente, para perceber a Luz Divina, que sozinha pode iluminar nossa escuridão espiritual, e para ouvir a voz do silêncio, que é a única voz que poderá nos guiar, devemos cultivar nossa visão e audição espirituais; e a oração, a verdadeira oração científica, é um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma.

Preparação para a Oração – Ora et Labora

Devemos estar cientes de que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. A menos que nossa vida inteira, tanto despertos como em sono, seja uma oração para a iluminação e santificação, nossas preces jamais penetrarão na Divina Presença, e nem trarão até nós um batismo do Seu Poder. “Ora et labora” – ora e trabalha – é um preceito oculto a que todos os aspirantes devem obedecer ou terão sucesso muito pequeno. Nesse sentido, uma antiga lenda de São Francisco de Assis confirmará o que dissemos. Ela demonstra a luz derramada sobre alguém cuja vida foi inteiramente consagrada ao serviço de Deus.

Um dia, São Francisco se aproximou de um jovem monge no mosteiro, com o convite: “Vem, irmão, vamos à cidade e a pregar ao povo”. O jovem monge aceitou o convite com entusiasmo, radiante com a perspectiva de um passeio com o santo padre, pois sabia que fonte de elevação espiritual isto seria. Caminharam para a vila, subindo e descendo por várias ruas e praças, absorvidos o tempo todo em uma interessante conversa espiritual, e finalmente regressaram ao mosteiro. Só então o jovem monge percebeu que haviam estado tão profundamente absorvidos na conversa que esqueceram por completo o objetivo de sua ida à vila. Delicadamente lembrou a omissão a São Francisco, ao que esse respondeu:  “Filho, enquanto estávamos caminhando pelas ruas da vila, as pessoas nos observavam, ouvindo trechos da nossa conversa e constatando que falávamos do Amor de Deus e de Seu Filho querido, nosso Salvador; eles notaram nossas carinhosas saudações e as palavras de ânimo e de consolo aos aflitos que encontrávamos, e até o nosso traje lhes falava a linguagem e o chamado à religião; assim, estivemos pregando durante todo o tempo de nossa presença entre eles, de um modo mais efetivo do que se lhes tivéssemos discursado horas e horas em praça pública”. São Francisco não tinha outro pensamento senão Deus e fazer o bem em Seu nome, portanto, estava em grande harmonia com a vibração divina, e não nos devemos surpreender que quando ele fazia suas orações regulares se tornava um poderoso ímã para a Vida e Luz divinas, que se difundiam por todo o seu ser.

Nós que estamos empenhados no trabalho secular do mundo e forçados a fazer coisas que nos parecem mesquinhas, muitas vezes sentimos que estamos afastados e impedidos de sentir a Luz Divina; porém, se “fizermos todas as coisas como se fossem para o Senhor” e “formos fiéis nas coisas pequenas” veremos que, com o tempo, se apresentarão oportunidades como jamais havíamos sonhado. Assim como a agulha magnética, momentaneamente afastada do Norte por uma pressão externa, volta instantaneamente e ansiosamente à sua posição natural quando se liberta da pressão, também nós devemos cultivar tal anseio por nosso Pai, que fará com que nossos pensamentos se voltem imediatamente para Ele ao terminarmos nosso trabalho diário no mundo e ficarmos livres para agir segundo nossa própria inclinação. Devemos cultivar um sentimento similar ao que anima os jovens enamorados quando, depois de uma ausência, voltam a se encontrar e correm para se abraçarem em um êxtase de felicidade. Essa é uma preparação absolutamente essencial para a oração e, se voarmos em direção ao nosso Pai da maneira indicada, a Luz de Sua presença e a doçura de Sua voz nos ensinarão e nos animarão muito além de nossas mais ardentes esperanças.

O próximo ponto que requer consideração se refere ao lugar da oração, e isso é de vital importância por uma razão geralmente desconhecida, até mesmo pelos estudantes de ocultismo. Toda oração, quer falada ou não, todo canto de louvor e toda leitura das passagens da Sagrada Escritura que ensinam ou exortam, se são feitas por um leitor cuidadosamente preparado, que ama e vive o que lê, derrama e difunde a graça do Espírito tanto sobre aquele que ora, quanto sobre o lugar da oração. Desse modo, com o tempo, se constrói uma igreja invisível em torno da estrutura física, a qual, no caso de uma congregação de devotos se torna tão bela que transcende toda imaginação e dispensa descrição. O personagem Manson no livro “Servente da Casa”[24] nos dá um sutil vislumbre do que é isso, quando ele diz ao velho Bispo:

“Eu receio que você não considere esse templo de grande importância. Ele deve ser visto de certo modo e sob determinadas condições. Algumas pessoas nunca o veem na sua totalidade. Você deve compreender que ele não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma COISA VIVENTE. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado. Escute-o bem, e você aprenderá que esse som é feito pelo palpitar de corações humanos, de música não nominadas das almas dos seres humanos, isto é, se você tem ouvidos para ouvir. Se você tem olhos, logo verá o próprio templo, um enorme mistério de muitas formas e imagens, projetando-se verticalmente do solo à cúpula, a obra de um extraordinário construtor. Suas colunas se levantam como vigorosos troncos de heróis; a delicada matéria humana de homens e mulheres é modelada em torno de seus fortes e inexpugnáveis baluartes. Em cada pedra fundamental, rostos sorridentes de crianças; seus espantosos vãos e arcos são as mãos unidas dos companheiros e; em cima, nas alturas e espaços, acham-se inscritas as inumeráveis meditações de todos os idealistas do mundo. Ele se acha ainda em construção e a construção continua. Às vezes, a obra segue sob escuridão profunda – outras vezes, sob luz ofuscante – ora, sob o peso de indizível angústia, ora, com a música de sonoras risadas e aclamações heroicas como o ribombar do trovão. Às vezes, no silêncio da noite, se pode ouvir o suave martelar dos companheiros trabalhando na cúpula, os companheiros que chegaram no alto”.

Contudo, esse edifício invisível não é um lugar meramente fascinante como um castelo de fadas no sonho de um poeta; é, como disse Manson, uma coisa vivente, vibrante com a força divina de imensa ajuda para os fiéis, porque os auxilia no ajuste das caóticas vibrações do mundo que permeiam sua aura quando eles entram em uma verdadeira “Casa de Deus”, em atitude apropriada de oração. Desse modo, são ajudados a se elevarem em aspiração ao trono da graça divina, para oferecer ali seu louvor e adoração, solicitando do Pai uma nova efusão espiritual e recebendo a amorosa resposta: “Este é meu Filho amado em quem Me comprazo”[25].

Tal lugar de adoração é essencial ao crescimento espiritual pela oração científica, e aqueles que são tão afortunados para ter acesso a tal templo deveriam sempre ocupar o mesmo lugar nele, porque este fica impregnado com suas vibrações individuais e eles se adaptam àquele ambiente mais facilmente do que em qualquer outra parte e, consequentemente, lograrão melhores resultados.

No entanto, tais lugares são raros, porque para a oração científica é necessário um verdadeiro santuário. Não deve haver nele, nem em suas proximidades, qualquer rumor ou conversa profana, porque esses fatos alteram as vibrações; as vozes devem ser contidas e as atitudes reverentes; cada um deve ter em mente que está em um lugar sagrado e agir de acordo com ele. Por esta razão, nenhum lugar aberto ao público será apropriado.

Além disso, o poder da oração aumenta imensamente com cada nova pessoa que ali ora. O crescimento pode ser comparado a uma progressão geométrica, se os que ali oram estiverem devidamente harmonizados e habituados à oração coletiva; acontecendo exatamente o contrário se não o estiverem.

Talvez o seguinte exemplo esclareça esse princípio. Suponhamos que um certo número de músicos que jamais tenham tocado com juntos e que não possuam ainda domínio suficiente do seu instrumento fossem solicitados para tocar em um concerto; não é necessária uma imaginação perspicaz para compreender que seu primeiro esforço seria marcado por muita desarmonia, e o mesmo aconteceria se um amador se dispusesse a tocar com eles, ou mesmo com uma orquestra já formada, não importando quão sério e intenso fosse seu desejo, ele, inevitavelmente, estragaria a música. Idênticas condições científicas governam a prece coletiva; para que seja eficaz, os participantes devem estar igualmente preparados, como já explicamos no capítulo anterior; devem ter as mesmas influências harmoniosas em seus horóscopos. Quando um aspecto adverso em um tema astrológico se encontra no Ascendente do outro, estes dois seres não poderão tirar nenhum proveito da oração em comum; eles devem dominar seus Astros e viver em paz, se são almas evoluídas, mas carecem da harmonia básica, que é absolutamente essencial para a oração coletiva. Só a Iniciação remove esse obstáculo.

 

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX

Ficou claro na primeira parte eu há determinadas razões ocultas que não aconselham a oração coletiva, exceto em circunstâncias especiais.

O conhecimento dessas dificuldades foi que levou Cristo a advertir seus Discípulos para que não fizessem suas preces diante de outras pessoas e os aconselhou que, quando necessitassem ou quisessem orar, se recolhessem a seus aposentos. Não podemos ter, individualmente, um edifício bonito e grande para as nossas devoções, nem o necessitamos; com muita frequência, a pompa e a exibição fazem com que afastemos os nossos corações de Deus. Porém, a maioria de nós pode, perfeitamente, dedicar uma pequena parte de nosso aposento para a devoção, o separando com uma cortina ou com um biombo do resto da habitação, ou ainda podemos transformar um cômodo em um santuário completo. Não importa o tipo das paredes que o separem; é a separação e a invisível Casa de Deus que construímos com nossas orações, e a graça divina que recebemos como resposta de nosso Pai que são importantes. Pode-se colocar na parede uma imagem de Cristo e o símbolo da Rosacruz, se o desejarmos, porém isso não é o essencial. O Olho que Tudo Vê é o preferido por alguns ocultistas avançados que conhecemos, como um símbolo do Pai. Porém, recordemos as palavras de Cristo: “O Pai e Eu somos um”, e mesmo não tendo uma imagem autêntica de Cristo, podemos utilizar a que tivermos, já que sabemos que os nossos pensamentos não se perderão por falta de autenticidade. Cristo é o Senhor dessa era; mais tarde, naturalmente, o Pai tomará este lugar, mas agora Cristo é o mediador dos povos.

Cremos ser desnecessário dizer que não importam as dimensões do lugar de oração, pois qualquer cômodo ou habitação do aspirante fiel acha-se compenetrado por uma atmosfera de santidade, pois todos os pensamentos que ele gerou legitimamente, depois de haver cumprido religiosamente suas obrigações com o mundo, provêm do Pai Celestial, assim que o lugar reservado ao santuário logo se encherá de supremas vibrações espirituais; entretanto, qualquer aspirante que pretenda seguir o método científico de oração deve procurar, antes de tudo, um lugar permanente de residência, porque, se se mudar de um lugar para outro, sofrerá uma perda importante e terá que voltar a formar as mesmas vibrações. O templo invisível que ele constrói se desintegra gradualmente quando a adoração cessa.

As Asas e o Poder

É uma máxima mística que “todo o desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital”. Esse é o mais próximo em densidade ao nosso Corpo Denso, sua nota-chave é a repetição, e é o veículo dos hábitos, sendo assim difícil de modificá-lo ou influenciá-lo, mas, uma vez que alguma mudança se tenha operado e um hábito tenha sido adquirido pela repetição, sua atuação se torna, até certo ponto, automática. Essa característica é boa e má com respeito a oração, porque a impressão registrada nos Éteres desse veículo impulsionará o aspirante ao fiel cumprimento de suas devoções nas datas marcadas, ainda que possa ter perdido o interesse no exercício e suas preces sejam meras fórmulas. Se não fosse por esse hábito formando tendências no Corpo Vital, os aspirantes não se fariam conscientes do perigo no momento exato em que o verdadeiro amor começasse a diminuir e não seria fácil recuperar a perda e permanecer no Caminho. Portanto, o aspirante deve se examinar cuidadosamente, de tempos em tempos, para ver se ainda possui as asas e o poder com os quais possa se elevar segura e rapidamente ao nosso Pai que está nos Céus. As asas são duas: Amor e Aspiração são seus nomes, e a força irresistível que as move é um intenso anseio. Sem eles e uma compreensão inteligente para dirigir a invocação, a prece é uma tagarelice, enquanto que bem realizada é o mais poderoso método conhecido para o crescimento da alma.

A Posição do Corpo

A posição do corpo importa pouco para a oração individual; a melhor é aquela que nos proporciona a concentração mais completa; mas, na oração coletiva, os ocultistas experientes têm o costume de permanecerem com a cabeça inclinada e as mãos enlaçadas de maneira apropriada. Isso forma um circuito magnético que une todos espiritualmente, desde o princípio dos exercícios. Em comunidades não tão avançadas, se observa que o canto de hinos feitos de pé, da maneira acima mencionada, produz um grande benefício, desde que todos participem.

A Invocação

Oração é uma palavra da qual se tem abusado tanto, que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos referimos. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário devemos ir como o amante que vai ao encontro de sua amada; nosso espírito deve voar à frente de nosso lento corpo, em ansiosa antecipação das delícias que nos estão reservadas, e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos de adoração que nos ocorrem no caminho. Isso é literalmente verdadeiro; o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante para a sua amada. “Como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus!”[26] é uma experiência real daquele que verdadeiramente é amante de Deus. Se não tivermos esse espírito, podemos cultivá-lo por meio da oração, e uma das mais autênticas orações que deveríamos pronunciar constantemente, é a seguinte: “Aumenta meu amor por Ti, ó Deus, para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. Faze que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis à Tua presença, ó Senhor, minha Força e meu Redentor”[27].

As invocações usadas para pedir coisas temporais são magia negra; pois temos a promessa de: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”[28]. Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso, quando ensinou Seus discípulos a dizer: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos nos resguardar de ultrapassar esse limite na invocação científica. Mesmo quando oramos por bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta, o que destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos testemunharam seus dias de obscuridade, e a consequente depressão, quando o divino Amante oculta a Sua face. Isso depende da natureza e da força da nossa devoção: amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que O seguia pelo alimento que Ele havia fornecido, e agora, como naquele tempo, é necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude para que nos ajoelhemos envergonhados e arrependidos. Felizes somos nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade firme, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam a visão da sua amada estrela.

Dissemos que não devemos orar por coisas temporais e que devemos ter muito cuidado até em nossas orações por dádivas espirituais; portanto, é autêntica esta pergunta: Qual deve ser o objetivo da nossa invocação? E a resposta é, geralmente, louvar e adorar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigimos a nosso Pai Celestial devemos Lhe pedir alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo momento nos pedindo coisas? Entretanto, não podemos imaginar que Deus se desgoste por nossas importunas petições, nem devemos esperar que Ele nos conceda tudo o que pedimos porque, muitas vezes, nos prejudicaria. Por outro lado, quando oferecemos ações de graças e orações, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração, estamos em um estado receptivo no qual poderemos receber uma nova descida do Espírito do Amor e da Luz e, deste modo, ficaremos mais perto do nosso ideal adorado.

O Clímax Final

Não é necessário que a invocação, audível ou não, seja mantida durante todo o tempo da oração. Quando nas asas do Amor e da Aspiração, impelidos pela intensidade de nosso zelo, aproximamo-nos do Trono do nosso Pai, chegará o momento da doce, mas silenciosa comunhão, mais deliciosa do que qualquer outro estado ou condição; é algo análogo ao contentamento dos enamorados que ficam sentados horas e horas, um ao lado do outro, sem romper o silêncio, pois se acham em um estado que transcende, em muito, o estágio onde precisam da fala para se entreterem. Assim também é no clímax final, quando a alma descansa em Deus, com todos os desejos satisfeitos pela sensação de comunhão expressa pelas palavras de Cristo: “Meu Pai e Eu somos Um”[29]. Quando atingimos este clímax, a alma terá provado a quintessência da alegria, e não importa quão sórdido possa parecer o mundo ou quão triste seja o destino que tenhamos de enfrentar, o amor de Deus, que sobrepassa toda a compreensão, é uma panaceia para tudo.

Entretanto, este clímax final só é obtido em toda a sua plenitude em intervalos muito raros. Pressupõe não somente a intensidade de propósito, para se elevar ao divino, como também um fundo de reserva para permanecer fixo naquele ponto, o que a maioria de nós nem sempre consegue. É muito conhecido o ditado de que nada de valor se alcança sem esforço. Tudo o que o ser humano fez, o ser humano poderá fazer, e se começarmos a cultivar o poder da invocação ao longo de linhas científicas aqui especificadas, dia chegará em que colheremos resultados com os quais nem sequer sonhamos.

Que Deus nos Céus abençoe os nossos esforços!

 

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL

É tão impossível alcançar um sucesso verdadeiro e duradouro sem viver em harmonia com as leis da vida, como é para o criminoso viver em paz na sociedade cujas leis ele desrespeitou. E, da mesma forma que ele é castigado, encarcerado e reprimido devido a seus hábitos predatórios, a natureza também nos castiga, encarcera e restringe quando desobedecemos às suas leis. Essa restrição se chama doença e é inimiga da felicidade, pois ninguém pode ser feliz, não importa quão rico seja ou que posição ocupe no mundo, quando se encontra fisicamente enfermo. Então, é preciso termos em conta que uma das condições vitais que deve ser adquirida pelo homem ou pela mulher que aspira a felicidade e o êxito na vida, em sua plenitude, é a saúde, incluindo o vigor, pois somente com boa saúde poderemos ser, suficientemente, otimistas, alegres e vigorosos para alcançar o sucesso que procuramos.

A Bíblia nos diz que a morte e a enfermidade vieram ao mundo por termos comido da “árvore do conhecimento” e ainda que, sob o ponto de vista materialista, isso possa parecer pueril, não desprezemos a história sem a estudarmos profundamente. Poderemos comprovar que se acha em perfeita harmonia com os fatos científicos mostrados atualmente. Consideremos, em primeiro lugar, o significado da árvore do conhecimento, por meio dos seguintes princípios: “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Abel”; “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Seth”, e as palavras de Maria ao Anjo: “Como poderei conceber, se não conheço nenhum homem?”. Por essas e por muitas outras observações semelhantes, se conclui evidentemente que a árvore do conhecimento era uma expressão simbólica do ato gerador. A humanidade foi, como diz a Bíblia, concebida em pecado e, portanto, sujeita à morte da qual não haveria maneira de escapar.

Devemos relembrar que a evolução é uma realidade na natureza; que o ser humano atual é o resultado de um passado distante e que o presente estado não é o ponto final de uma meta de perfeição, mas que existem maiores alturas à nossa frente. Assim, todos estamos em um estado de desenvolvimento perpétuo; não existem paradas ou descansos, pois o caminho é tão ilimitado como a idade do espírito. O que somos hoje é o resultado do que fomos ontem, portanto, o que seremos amanhã, dependerá do modo como utilizarmos, atualmente, as nossas faculdades. Examinemos, pois, o passado, para que, ao conhecermos o que temos sido, alcancemos um vislumbre do que haveremos de ser.

De acordo com a Bíblia, a humanidade foi hermafrodita antes de ser separada em dois sexos distintos como homem e mulher. Ainda temos entre nós hermafroditas que, como pensamos atualmente, têm essa formação anormal para provar a verdade dessa afirmação Bíblica; e fisiologicamente, o órgão do sexo oposto se acha latente em todos nós. Durante o período em que o ser humano esteve assim constituído, a fecundação devia ocorrer dentro de si mesmo; isto não difere muito do que sucede com muitas plantas hoje em dia.

Vejamos, segundo nos diz a Bíblia, qual o efeito da autofecundação nos dias primitivos. Existem dois fatos principais que são muito significativos: o primeiro, havia gigantes na Terra naqueles dias; o segundo, os patriarcas viveram centenas de anos; e essas duas características, grande desenvolvimento físico e longevidade, muitas plantas as possuem atualmente. O tamanho das árvores e a duração de suas vidas são fatos maravilhosos; elas vivem séculos, enquanto o ser humano vive um número reduzido de anos. Daí nos ocorre perguntar:  qual a razão da vida efêmera do ser humano e qual o remédio? Examinemos primeiro os motivos desta razão, e o remédio aparecerá.

É bem sabido pelos horticultores que as plantas param de crescer durante um florescimento muito prolífero. Uma roseira, ao florescer intensamente, pode morrer; por essa razão, o jardineiro sábio poda os brotos da planta para que a força se manifeste, parcialmente, em crescimento, em vez de dar somente flores. Desse modo, conservando a semente dentro de si mesma, guarda a força necessária para o crescimento e a longevidade. Esse é o segredo da altura e da longa vida das raças primitivas, como também é o segredo do tamanho e da longevidade das plantas atuais.

Que a essência criadora na semente é uma substância espiritual é evidente, quando comparamos a intrepidez e impetuosidade do touro e do garanhão, com a docilidade do boi e dos animais castrados. Além disso, sabemos que os libertinos e os degenerados se convertem em estéreis e fracos. Quando esses fatos se fixam em nossa consciência, não nos é difícil entender a verdade da Bíblia quando diz que o fruto da carne, que nos põe sob a lei do pecado e da morte, é antes de tudo e principalmente a fornicação, enquanto que os frutos do espírito, que conduzem à imortalidade, ainda segundo a Bíblia, são especialmente a continência e a castidade.

Consideremos também a criança e como a força criadora empregada internamente e para ela própria, produz um extraordinário desenvolvimento durante os primeiros anos, mas, na puberdade, o nascimento da paixão começa a dominar o desenvolvimento; então a força vital produz a semente com objetivo de alcançar o desenvolvimento e a expressão em outra direção, sendo que, desde aquele momento, termina o crescimento. Se continuássemos crescendo, como acontece na infância, seríamos gigantes, como o foram os divinos hermafroditas do passado.

A força espiritual gerada desde a puberdade e através da vida, pode ser usada com três propósitos: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolheremos; mas a escolha que fizermos terá uma influência importante sobre toda nossa vida, porque o uso dessa força não está confinado ao momento ou à ocasião em que é empregada. Abrange todos os momentos de nossa existência e determina a nossa atitude em cada uma das fases da vida entre nossos semelhantes; com a forma de como enfrentaremos os problemas da vida; se seremos capazes de agarrar as oportunidades ou as deixarmos escapar; se seremos saudáveis ou doentes; e se nós vivemos nossa vida com um propósito satisfatório; tudo isso depende da forma de usar nossa força vital. Esta força é a fonte de toda a existência, o elixir da vida.

A parte da força criadora que é legitimamente sacrificada, sobre o altar da paternidade e maternidade, é tão pequena que pode ser completamente desprezada nessas considerações. Não há razão, sob o ponto de vista espiritual ou físico, para que deva ser imposto o celibato em uma ordem religiosa, e nem essa imposição se encontra em qualquer passagem da Bíblia. A mera supressão da atração sexual não é virtude em si mesma; de fato pode até ser um vício muito sério, pois não há dúvida que milhares de pessoas que foram proibidas ou impedidas de buscar a satisfação natural, acabem caindo nos vícios mais inconfessáveis. Ainda que se abstenham do ato sexual, seus pensamentos serão de tal índole que as converterão em sepulcros caiados, horríveis por dentro, mesmo que externamente possam parecer puros e brancos. O próprio São Paulo, embora não na condição mencionada, disse: “É preferível se casar do que se abrasar”; essa expressão natural é, de longe, preferível ao estado acima descrito.

Embora existam poucas pessoas que defendam o abuso da função geradora, existem muitos indivíduos que, mesmo seguindo os preceitos espirituais em outros aspectos, mantém a crença de que a frequente satisfação dos desejos nos prazeres sexuais não é prejudicial; e existem outros que julgam que esse ato é tão necessário como qualquer outra função orgânica. Isso está errado por duas razões: primeiro, cada ato criador exige e consome uma certa dose de força e o organismo deve ser reabastecido com uma quantidade extra de alimento. Isso fortalece e aumenta o Éter Químico. Segundo, como a força propagadora atua por meio do Éter de Vida, esse constituinte do Corpo Vital também aumenta a cada gratificação dos sentidos. Deste modo, os dois Éteres inferiores do Corpo Vital se fortificam dirigindo a força criadora para baixo, para satisfazer o nosso prazer; e as ligações assim formadas e que oprimem os dois Éteres superiores que formam o Corpo-Alma, vão se tornando mais compactas e mais poderosas com o tempo. Como a evolução dos poderes anímicos e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis dependem da separação que se efetua entre os Éteres inferiores e o Corpo-Alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em vista, retardando o desenvolvimento pela satisfação da natureza inferior.

Se dirigirmos novamente nossa atenção para o jardim, obteremos uma demonstração palpável e luminosa dos resultados em seguir o conselho do Apóstolo, quando disse: “guardai a semente dentro”, considerando as qualidades das diversas variedades de frutas sem semente. As frutas sem semente são maiores e de um sabor mais agradável do que as que possuem sementes, porque naquelas toda a seiva é empregada com o único propósito de tornar a fruta deliciosa e suculenta. Similarmente, se nós, em vez de desperdiçarmos nossa substância, vivermos castamente e dirigirmos a nossa força criadora para a regeneração, refinaremos e eterizaremos nossos Corpos físicos, ao mesmo tempo que fortaleceremos nosso Corpo-Alma. Desse modo, poderemos materialmente prolongar a nossa vida e, como consequência, aumentar nossas oportunidades para o crescimento anímico e avançar no Caminho de forma mais marcante.

Quando tivermos compreendido que o sucesso não consiste em acumulação de riquezas, mas no desenvolvimento anímico, se tornará evidente que a continência é um fator importante para o êxito na vida.

[1] N.T.: IICor 12:9

[2] N.T.: Mt 26:41

[3] N.T.: James Fenimore Cooper (1789-1851) foi um político e popular escritor dos Estados Unidos do início do século XIX.

[4] N.T.: George du Maurier (1834-1896) – cartunista e autor franco-britânico.

[5] N.T.: Jack London foi o pseudônimo de John Griffith Chaney (1876-1916), autor, jornalista e ativista social norte-americano, pioneiro no que era, então, o novo mundo das revistas comerciais de ficção.

[6] N.T.: nome da quarta divisão ou Região do Pensamento Concreto.

[7] N.T.: Quarta Região do Mundo do Pensamento

[8] N.T.: o Corpo Denso

[9] N.T.: Também chamado de: Vestes de Bodas; Vestidos de Bodas, Veste Nupcial, Traje Nupcial. São Paulo chama de soma psuchicon (ICor 15:44).

[10] N.T.: do alemão: poltern (barulho), e geist (fantasma), também chamado por alguns parapsicólogos como Psicocinesia Recorrente Espontânea (em inglês: Recurrent Spontaneous Psychokinesis, RSPK), é um tipo de evento paranormal que se manifesta em um ambiente no qual existem ocorrências físicas, tais quais, chuva de pedras, movimentação, aparecimento e desaparecimento de objetos, sons, pirogenia, luzes, entre outras. Pode envolver até ataques físicos.

[11] N.T.: Mt 25:25

[12] N.T.: Mt 25:40

[13] N.T.: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes

[14] N.T.: ICor 15:50

[15] N.T.: Leia a partir da seguinte sentença: “As relações das plantas, dos animais e do ser humano com as correntes de vida na atmosfera terrestre são representadas simbolicamente pela cruz…”

[16] N.T.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano.

[17] N.T.: do poema: Worth While de Ella Wheeler Wilcox (1850-1919), escritora e poeta estadunidense.

[18] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

[19] N.T.: Átomo-semente do Corpo Vital.

[20] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.

[21] N.T.: Is 1:18

[22] N.T.: Rm 8:31

[23] N.T.: Sl 139:7-10

[24] N.T.: do livro: The Servant in the House por Charles Rann Kennedy

[25] Mt 3:17

[26] N.T.: Sl 42:2

[27] N.T.: Oração do Estudante Rosacruz

[28] N.T.: Mt 6:33

[29] N.T.: Jo 10:30

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Efeitos Psicofisiológicos da Oração

Efeitos Psicofisiológicos da Oração

A oração atua sobre o espírito e sobre o corpo de uma forma que parece depender de sua qualidade, de sua intensidade e de sua frequência.

É fácil conhecer qual a frequência da oração e, numa certa medida, sua intensidade.

Quanto à qualidade, mantém-se desconhecida, visto não possuirmos meios de medir a fé e a capacidade de amor de outrem. No entanto, a maneira como vive aquele que ora pode esclarecer-nos sobre a qualidade das invocações que ele dirige a Deus. Mesmo quando a oração é de fraco valor inconsciente, principalmente na recitação de fórmulas, exerce um efeito sobre o comportamento do indivíduo: fortifica, ao mesmo tempo, o sentido do sagrado e o senso moral.

Os meios onde se ora caracterizam-se por certa persistência do sentimento do dever e da responsabilidade, por menos inveja e maldade, e por certa bondade para com os outros.

Parece estar demonstrado que, em igualdade de desenvolvimento intelectual, o caráter e o valor moral sejam mais elevados entre os indivíduos que oram, mesmo de forma medíocre, do que entre os que não oram.

Quando a oração é habitual e verdadeiramente fervorosa, sua influência torna-se mais manifesta e podemos compará-la à de uma glândula de secreção interna, como, por exemplo, a tireoide ou a suprarrenal. Consiste numa espécie de transformação mental ou orgânica, transformação essa que se opera de modo progressivo. É dito que que no mais profundo da consciência se acende uma chama. O ser humano vê-se tal qual é. Põe a descoberto seu egoísmo, sua cupidez, seus juízos errados e seu orgulho. E, então, verga-se ao cumprimento do dever moral, procurando adquirir a humildade intelectual. Assim, abre-se perante ele o reino da graça. Pouco a pouco, vai-se produzindo um apaziguamento interior, uma harmonia das atividades nervosas e morais, uma resignação maior perante a pobreza, a calúnia e a canseira, bem como a capacidade de suportar sem enfraquecimento a perda dos seus, a dor, a doença e a morte.

Por esse motivo, o médico que vê seu doente orar deve regozijar-se com isso, pois a calma proveniente da oração é uma poderosa ajuda para a terapêutica.

No entanto, não devemos assemelhar a oração à morfina, visto que a prece origina, ao mesmo tempo que acalma, uma integração das atividades mentais e uma espécie de floração da personalidade. Por vezes, produz até mesmo o heroísmo e marca os seus fiéis com um selo particular. A pureza do olhar, a tranquilidade do porte, a alegria serena da expressão, a virilidade do comportamento e, se for necessário, a simples aceitação da morte do soldado ou do mártir traduzem a presença do tesouro que se oculta no íntimo dos órgãos e do espírito.

Sob essa influência, mesmo os ignorantes, os retardados, os fracos e os maus dotados utilizam melhor as suas forças intelectuais e morais.

A oração, segundo parece, eleva os homens acima da estatura mental que lhes pertence em harmonia com a sua hereditariedade e sua educação. Esse contato com Deus impregna-os de paz. E a paz irradia deles. E levam a paz para toda parte aonde vão.

Infelizmente, não há, hoje em dia, senão um número ínfimo de indivíduos que saibam orar de uma maneira eficiente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)

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Todos os buscadores espirituais podem achar útil a Oração do Estudante Rosacruz

Todos os buscadores espirituais podem achar útil a Oração do Estudante Rosacruz

Quando alguém cresce, especialmente alguém que é robusto, com atributos físicos, um amigo pode observar: “Ele não conhece sua própria força”. Como o exercício é necessário para o desenvolvimento do músculo físico, o desenvolvimento da natureza moral é realizado por meio da tentação.

Em qualquer busca da verdade, mesmo as obras mais autoritárias, como os livros da Bíblia Sagrada, contêm contradições desconcertantes. Portanto, embora se comece a entender os mistérios, o conhecimento incompleto pode levar o Ego a tirar conclusões contraditórias.

O Ego habita no Mundo do Pensamento; esse é o seu lar. Estudantes que praticam exercícios mentais, incluindo oração concentrada, adquirem novos pontos fortes; poderes que, embora sejam sutis, podem surpreender o neófito com sua potência. Contudo, até que o Ego desenvolva intensa observação e discernimento, e cresça, por meio da experiência, da inocência à virtude, incertezas podem engolfá-lo, causando confusão e erro.

Os dois atributos que melhor nos ajudam a vencer as tentações de Lúcifer e que nos tiram do deserto são o Amor e o Dever. A Oração do Estudante, embora muito breve, quando recitada com sinceridade, eleva o buscador espiritual ao reino protetor do amor divino e coloca o Ego sobre uma base firme de intenções nobres. Durante os conclaves, os alunos costumam repetir essa oração em uníssono no final de cada apresentação.

A sentença final é o versículo 14 do décimo nono Salmo da Bíblia.

Se você está fazendo a Oração do Estudante Rosacruz sozinho então, você deve proferi-la assim:

“Aumenta o meu amor por ti, Ó Deus

Para que eu possa servir-Te melhor a cada dia que passa

Faze que as palavras de meus lábios

E as meditações do meu coração

Sejam agradáveis a Tua presença

Ó Senhor, minha força e meu redentor.”

Se estiver mais de uma pessoa, então a faça assim:

“Aumenta o nosso amor por ti, Ó Deus

Para que possamos servir-Te melhor a cada dia que passa

Faze que as palavras dos nossos lábios

E as meditações dos nossos corações

Sejam agradáveis a Tua presença

Ó Senhor, nossa força e nosso redentor.”

A oração é como ligar um interruptor elétrico. Não cria a corrente; simplesmente fornece um canal através do qual a corrente elétrica pode fluir. Da mesma maneira, a oração cria um canal através do qual a vida e a luz divinas podem se derramar em nós para nossa iluminação espiritual.

Se o interruptor fosse feito de madeira ou vidro, seria inútil; de fato, seria uma barreira pela qual a corrente elétrica não poderia passar, porque isso é contrário à sua natureza. Para ser eficaz, o interruptor deve ser feito de um metal condutor; então está em harmonia com as leis da manifestação elétrica.

Se nossas orações são egoístas, mundanas e eivadas de desprezo pelo próximo, são como o interruptor de madeira; eles derrotam o próprio propósito a que se destinavam a servir, porque são contrários ao propósito de Deus.

Para ser útil, a oração deve estar em harmonia com a natureza de Deus, que é o Amor.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ

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Efeitos da Oração

Efeitos da Oração

A oração é sempre seguida de um resultado, desde que feita em condições convenientes. “Nunca homem algum orou sem aprender alguma coisa.”, escreveu Ralph Waldo Emerson. No entanto, o orar é considerado pelos homens modernos um hábito que caiu em desuso, uma superstição ou um resto de barbarismo. Por isso, ignoramos quase que completamente os seus efeitos.

Quais são, de fato, as causas dessa ignorância? Em primeiro lugar, a raridade da oração. O sentido do sagrado está prestes a desaparecer entre os civilizados, sendo provável que o número dos franceses que oram não vá além de 4 ou 5% da população. Depois, a oração é muitas vezes estéril, visto que a maior parte dos que oram seja egoísta, mentirosa, orgulhosa e farisaica, incapaz de fé e de amor. Por último, os seus efeitos, quando se chegam a produzir, escapam-se muitas vezes. A resposta aos nossos pedidos e ao nosso amor é dada usualmente de forma lenta, insensível e quase inaudível. A débil voz que murmura essa resposta, no mais íntimo de nós, é facilmente abafada pelos ruídos do mundo e os próprios resultados materiais da oração são obscuros, pois são confundidos geralmente com outros fenômenos. Poucas pessoas, mesmo entre os padres, têm tido ocasião de observá-los de forma precisa. Os próprios médicos, por falta de interesse, deixam muitas vezes sem estudo certos casos que se encontram ao seu alcance.

Por outro lado, os observadores ficam muitas vezes desnorteados pelo fato de que a resposta esteja, em muitos casos, longe de ser aquela que se esperava.

Assim, aquele que implora a cura de uma doença orgânica, continua doente, mas sofre uma profunda e inexplicável transformação moral. No entanto, o hábito da oração, embora seja uma exceção no conjunto da população, é relativamente frequente nos agrupamentos. E é nesses agrupamentos que se torna ainda possível estudar a sua influência. Entre os seus inumeráveis efeitos, o médico tem a oportunidade de observar, sobretudo, aqueles que se chamam psicofisiológicos e curativos.

São os efeitos curativos da oração que, em todas as épocas, têm despertado principalmente a atenção dos homens. Hoje ainda é corrente, nos meios em que se reza, ouvir-se falar de curas obtidas graças às súplicas dirigidas a Deus e aos seus Santos. Mas, quando se trata de doenças suscetíveis de se curarem espontaneamente ou com ajuda de medicamento vulgar, é difícil saber qual foi o verdadeiro agente da cura.

Apenas em casos em que a terapêutica é inaplicável ou em que ela não produziu efeitos é que os resultados da oração podem ser verificados de forma segura. A repartição médica de Lourdes tem prestado grande serviço à ciência, demonstrando a realidade dessas curas. A oração tem, por vezes, um efeito que poderemos chamar de explosivo. Há doentes que têm sido curados quase que instantaneamente de afecções tal como o Lupus facial, o câncer, as infecções renais, a tuberculose pulmonar, a tuberculose óssea, a tuberculose peritoneal e tantas outras doenças. O fenômeno produz-se quase sempre da mesma maneira: uma grande dor e, em seguida, a percepção de que se esteja curada. Em alguns segundos ou, quando muito, em algumas horas, os sintomas desaparecem e as lesões orgânicas cicatrizam-se.

O milagre é caracterizado por uma extrema aceleração dos processos normais de cura. E nunca tal aceleração foi observada, até o presente, no decorrer de experiências feitas por cirurgiões e fisiologistas.

Para que esses fenômenos se produzam não há necessidade de que o doente ore, pois foram curadas em Lourdes criancinhas que ainda não falavam e até pessoas descrentes; alguém, porém, orava por elas. A oração feita por outrem é sempre mais fecunda do que a feita pela própria pessoa. É da intensidade e da qualidade da prece que parece depender o seu efeito. Em Lourdes, os milagres são muito menos frequentes do que eram há 100 anos. É que os doentes já não encontram aquela atmosfera de profundo recolhimento que reinava outrora: os peregrinos tornaram-se turistas e suas preces são ineficazes.

Tais são os resultados da oração de que eu tenho um conhecimento certo. No entanto, ao lado desses, há muitos outros. A história dos Santos, mesmo dos mais modernos, relata-nos muitos fatos maravilhosos e não há dúvida de que a maior parte dos milagres atribuídos, por exemplo, ao Cura d’Ars, sejam absolutamente verídicos. Esse conjunto de fenômenos conduz-nos a um novo, cuja exploração não foi ainda iniciada, mas que será fértil em surpresas. O que já sabemos, de forma segura, é que a oração produza efeitos palpáveis. Por muito estéril que isso nos possa parecer, devemos considerar como verdadeiro: quem pede, recebe; a porta sempre se abre a quem bate.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar

Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar

Todo o Cristão ora. A Oração é um ato generalizado em toda a coletividade cristã e em toda a coletividade que crê em Deus. Orar é agir com a Mente e com o Coração ao mesmo tempo, em comunhão com as coisas superiores: é elevar a alma aos planos superiores, num movimento de aproximação.

Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar e, pode-se dizer que tanto mais eficaz é a oração, quanto mais sereno estiver o espírito nessa hora, ou nesse momento. A aflição, a impaciência, um movimento forte de emoção, neutralizam a intensidade da oração, por isso se aconselha que por mais forte que seja a necessidade ou a vontade de orar, quando se está em desespero, é melhor esperar a calma para depois se fazer uma oração em ordem. A oração é um trabalho interno, de grande valor, porque é a concentração de forças espirituais no sentido de um entendimento com espíritos que estão em planos muito mais elevados.

Se não houver uma harmonia perfeita do pensamento que dita a expressão de uma oração e dos sentimentos que traduzem essa expressão, a oração não tem intensidade, portanto perde muito de seu valor. Ela é tanto mais perfeita, quanto mais consciente e mais sentida for.

Muita gente tem as suas orações decoradas. Se elas forem compreendidas no seu verdadeiro sentido e levarem a força do sentimento, essas orações levam o efeito da sua repetição, que é um efeito infalível e a correspondência de seus sentimentos, mas, é preciso dizer que as orações que estão apenas no domínio da memória são vazias, sem consistência e, portanto, sem resultado. O que não é consciente é inconsequente. Essas orações decoradas têm, geralmente, palavras muito bonitas e de uma força de expressão, mas, de nada valem essas expressões, se não levarem um pouco da alma, se não produzirem um contacto do nosso Espírito, com o Espírito de Deus, num entendimento mútuo, num reconhecimento.

Deus está em nós e nós sentimos profundamente a Sua presença quando oramos com consciência e sentimento, com calma e confiança. E as orações conscientes, plenamente esclarecidas, são as orações espontâneas, criadas no momento, num esforço de elevação da alma, em confissão, clara e sincera, numa comunhão dos sentimentos mais elevados com o Espírito, o Deus Interno. Essas são as orações do verdadeiro cristão e devem ser adotadas pelos estudantes esotéricos. “Esoterismo”, no seu sentido gramatical, quer dizer “íntimo” de “dentro”.

No sentido espiritual, “Esoterismo” quer dizer desenvolvimento das faculdades mais íntimas, mais profundas do Espírito. Então, para que uma oração seja esotérica, é preciso que ela venha do íntimo de nossa consciência, numa força natural e pura, numa exposição clara de nossos pensamentos. E o nosso Espírito fala nessas ocasiões, fala à nossa consciência, e muitíssimas vezes, em meio de uma meditação profunda, em forma de oração, nós sentimos a nossa ignorância, os enganos da nossa conduta, dos nossos modos de agir, e percebemos o caminho mais certo.

É fato comum entre os Estudantes de espiritualismo perceber, intuitivamente, os enganos existentes numa questão já começada e decidida, e então fazer as modificações adequadas. Isso porque o nosso Espírito, em comunhão com os Espíritos Guias da humanidade, dirige e ajuda os nossos atos, a nossa atuação na vida, quando sinceramente o procuramos.

É pensando, refletindo, com a consciência aberta que nós atinamos com os nossos próprios defeitos e com os erros de nossas ações, e, é orando, pedindo a Deus, (o nosso Deus Interno) que nos ilumine, que a nossa consciência se torna clara.

A oração é, como se diz comumente, um ato de Fé e de Confiança em Deus. Por isso mesmo, é preciso que leve um pouco de nós mesmos, num sentimento maior ainda, que é o de AMOR A DEUS. Não basta a confiança, é preciso amá-lo.

Toda a criatura tem direito de orar, de pedir a Deus, de se socorrer na grandeza e na bondade Divina, mas como o Direito, é em grande parte, a consequência do Dever cumprido. É preciso que sejamos dignos dos pedidos que fazemos, mesmo porque, nada que não seja justo, não pode ser concedido, por efeito das Leis Superiores.

Dentro delas, muita coisa nos pode ser dado, mas fora delas, nada pode ser dado, e, tem que ser assim para que haja equilíbrio e para que se dê o desenvolvimento da consciência, o aperfeiçoamento das faculdades do Espírito, o nosso progresso, enfim.

Esse progresso é tão certo, é tão infalível, que os ensinamentos Rosacruzes, ao contrário de outros ensinamentos conhecidos, não aconselham a resignação total, a passividade em relação aos sucessos da nossa vida, sucessos que nós chamamos de fatalidade. A resignação deve ser relativa. Sabemos que muitas coisas de nosso Destino são imutáveis; que nós mesmos as criamos e que temos de suportá-las. Sabemos que o nosso Destino é como uma casa que construímos para nossa moradia. Se ela tem defeitos, nós mesmos somos culpados, e, temos de suportar, porque para corrigir os seus defeitos, ou para remover as portas, janelas, o teto, etc., seria preciso desfazê-la toda, pedra por pedra, para não promover mais desordem ainda, e construí-la de novo, pedra por pedra, outra vez. No entanto, pode-se suportar os seus defeitos, arrumando-a com jeito, enfeitando-a, ajeitando o seu interior de acordo com nossas necessidades presentes. Além disso, justamente por conhecermos e não nos resignarmos com os nossos defeitos maiores, irremediáveis, nós vamos, nela mesmo, trabalhando para a construção de uma casa melhor, mais aperfeiçoada, mais a gosto. Vamos reunindo o necessário e construindo devagar, uma casa mais cômoda e mais fácil, de modo que não devemos rebelar-nos com a nossa situação na vida, mas também não devemos nos resignar completamente e deixarmos que as coisas corram por si só. O que é preciso é nos acomodarmos na situação atual e trabalharmos para criar uma melhor. Isso tanto no sentido material como no espiritual. Vivemos sempre a pedir a Deus, e, de nossos pedidos, quase todos são de ordem material, por isso mesmo é que muitas vezes ficamos desapontados e tristes. Pedíssemos mais em favor do nosso entendimento, da nossa luz espiritual, em favor de nossos semelhantes, e nossa vida terrena correria mais suavemente, sem tantos solavancos. É que o progresso do Espírito traz progresso material, na sua justa proporção, na sua medida adequada às nossas verdadeiras necessidades. “Buscai primeiro o Reino de Deus e o demais lhe será dado por acréscimo”, disse Cristo.

Saber “querer” é uma das condições mais importantes da nossa vida e do nosso progresso. “Querer” o que é justo é meio caminho andado para se obter. Querer dentro dos limites do nosso merecimento é obter naturalmente, mas, acontece que não sabemos ser justos nos nossos deveres. Estamos sempre falhando com eles ou deixando-os incompletos, já pensando em receber o pagamento. Somos como as crianças de escola, que com a pressa de ver a nota no caderno, entregam a lição sem terminar.

Se pensássemos mais, procuraríamos, em primeiro lugar, corrigir os nossos próprios defeitos, porque então faríamos tudo mais bem feito, e pela Lei de Causa e da Consequência, teríamos também recompensas mais completas. Se somos imperfeitos, como queremos ter causas perfeitas?

De outro lado, quanto melhor um indivíduo é, maior é o seu centro de atração simpática e mais facilidades ele encontra na vida, como aconteceu com São Francisco de Paula, que sendo uma criatura humílima, conquistou toda a simpatia de uma aristocracia orgulhosa e privilegiada ao ponto de ser convidado para assumir um cargo na Corte. Ele recusou esse cargo, mas aproveitou a simpatia daquela gente rica e de prestígio para aumentar a sua caridade, para intensificar a prática do Bem. A oração, é, pois, um dos nossos maiores auxiliares, não resta a menor dúvida. É um esforço, um trabalho da alma, numa elevação da Mente e do Coração às esferas mais altas, onde as forças espirituais são concentradas, mas é preciso que sejamos dignos, profundamente dignos em pensamentos e ações, das palavras que elevamos a Deus.

Examinando a nossa consciência, notamos que em nossas orações, poucas vezes nos lembramos dos outros e, no entanto, se quisermos, elas podem ser um veículo do nosso altruísmo. Se se faz orações coletivas em benefício de todos, porque é que a sós, não podemos repartir com eles o que de bem desejamos a nós.

Orar, pedindo para os outros também, aquilo que desejamos para nós, é orar com Amor e Fraternidade.

Max Heindel aconselha-nos ainda mais: tudo o que pedimos a Deus, que seja para servir aos outros também. Tudo o que recebermos, que não seja guardado unicamente para o nosso próprio bem; que tenha utilidade para os que também precisam.

Tudo o que de graça se recebe, de graça deve-se dar, diz o Evangelho, e tudo que se consegue a custo de esforço e trabalho, também não deve servir ao nosso egoísmo e sim ao nosso altruísmo, porque então, além da boa vontade, leva também um pouco de nós, da nossa energia e da nossa capacidade.

Dar a sobra, não quer dizer nada, repartir o pouco que se tem, isto sim é caridade.

A oração, pois, elevada com amor a Deus e com amor aos nossos semelhantes, no silêncio, no recolhimento da nossa consciência, pode-se dizer que é mais um ato de Fé; é um ato de reconhecimento de Deus em nós mesmos; no íntimo de nosso ser, no âmago de nossa Natureza. E Max Heindel aconselha-nos também, com insistência, a Meditação; voltar nossos pensamentos para dentro de nós mesmos. Perguntar à nossa consciência o que temos feito. Ela com certeza responderá: pouco ou nada; sentir dentro de nós essa união com Deus, é o principal objetivo de uma Meditação, é fazermos à nossa consciência, o compromisso de uma conduta louvável e útil à coletividade.

Cristo legou-nos a Oração “Pai Nosso”, uma oração completa, que pronunciada com convicção e sentimento, atende a todas as nossas necessidades, espirituais, materiais e sentimentais, que, segundo a interpretação de Max Heindel, tem, em cada uma de suas partes, vibrações apropriadas a cada um dos nossos veículos internos.

Essa oração interpreta as nossas necessidades de subsistência para prosseguirmos na luta de todos os dias, o desejo de redimir os nossos erros e compreender os erros dos outros, o pretexto de confiança, de fé e reconhecimento da vontade divina, infalível e sábia nos seus desígnios; a preservação do erro e das fraquezas, que são sempre provocados pelo Corpo de Desejos; a claridade da Mente para discernir o bem do mal e assim por diante.

Ao pronunciarmos o Pai Nosso, meditando e analisando cada uma de suas expressões, com intensidade de sentimento, com calma e clareza de ideia, podemos dizer que estamos sentindo em nós o Espírito de Deus. Max Heindel proporcionou-nos um presente do Céu, um bem inefável, ensinando-nos a interpretação dessa Oração de Cristo.

Ela fala a todo o nosso mundo interno e coloca-nos junto a Deus, como um filho que procura a mão protetora do pai. Essa oração deve nos servir de guia para todas as outras que fizermos, por nossas próprias palavras, de acordo com o estado de alma do momento. Ela nos ensina a falar com a consciência aberta, diretamente ao nosso Cristo Interno, na mais plena e absoluta confiança.

A palavra é uma força, e toda a palavra pronunciada com convicção, mesmo que fique solta no ar, é uma semente a germinar e um dia dará frutos. Nada se perde no Universo, nem mesmo um som qualquer, isolado perdido no espaço. Esses, conduzidos pelas ondas hertzianas, são conduzidos até onde podem ser reproduzidos.

Assim são as palavras. Uma vez pronunciadas com sentimento, provocam, infalivelmente, o efeito, como a resposta, muito embora demore um pouco. Boas ou más, elas vão e voltam trazendo a consequência, por isso devemos ter muito cuidado com as expressões, principalmente com aquelas que se diz em momentos de emoção, e com as que se pronuncia em forma de pedido às forças superiores.

Por grande que seja a nossa necessidade, por premente que seja a situação do momento, é melhor não a fazer se não se conseguir um pouco de calma. Quando a angústia alvoroça o nosso coração, é melhor, num pensamento único e confiante, entregar a Deus a questão. Confiar absolutamente, porque muitas vezes, o tumulto das emoções nos leva a pensamentos e palavras disparatadas, que sentidas e ditas com intensidade, podem provocar reação equivalente. O nosso Corpo de Desejos é impaciente e, na maioria das vezes, perturba a nossa Mente, mormente em casos difíceis, e nos leva a perturbar também as ideias, a palavra, o que nos leva a reações indesejáveis. O melhor meio de se aguentar um vendaval é parar junto a um apoio seguro, como fazem os africanos que, durante os temporais de areia, que eles chamam de Simim, se agasalham junto às muralhas e ficam imóveis enquanto o vendaval lhes passa por cima das cabeças. Do mesmo modo, um revés, uma dessas borrascas na vida que acontece a toda gente, deve ser suportado com a concentração das forças e com o pensamento firme em Deus.

Voltando à oração, há trabalhos na vida, trabalhos altruísticos, que valem por uma oração profunda. Há trabalhos, mesmo na nossa vida diária, em nossas profissões, que feitos com honestidade e interesse pela coletividade, também são orações oferecidas a Deus. A oração comum, a prece é um trabalho da Mente e dos sentimentos elevados a Deus, diretamente, mas há ainda outros meios de elevar o nosso espírito, estimular as nossas faculdades superiores e orar: é amar os nossos semelhantes e respeitá-los, proceder em tudo o que fizermos, com boa fé, com amizade, com vontade de ser útil. Essa é a melhor maneira de se orar, servir amorosa e desinteressadamente ao próximo, e servir a Deus.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz –12/80)

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O que é a oração? Ela é equivalente à concentração e meditação, ou é apenas uma súplica a Deus?

Pergunta: O que é a oração? Ela é equivalente à concentração e meditação, ou é apenas uma súplica a Deus?

Resposta: Infelizmente, da maneira como é praticada na maioria das vezes, a oração torna-se somente uma súplica para que Deus interfira a favor do suplicante e permita que ele possa atingir um objetivo egoísta. É, sem dúvida, uma calamidade que as pessoas se empenham em violar o mandamento de Deus “não matarás”, e rezem pela vitória sobre seus inimigos. Se medirmos a maioria das orações comparando-as ao padrão estabelecido por Cristo na Oração do Senhor, elas certamente não merecem o nome de oração. São blasfêmias, e seria mil vezes melhor que nunca tivessem sido proferidas.

A Oração do Senhor foi-nos dada como modelo, e faremos bem em analisá-la se quisermos chegar a uma conclusão adequada. Se o fizermos, veremos que três das sete orações que a compõem referem-se à adoração da Divindade. “Santificado seja o Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade”. Em seguida, vem a petição pelo pão diário, necessário para conservar vivo o nosso organismo, e as outras três orações são para livrar-nos do mal e perdoar as nossas ofensas. Esses fatos tornam evidente que toda oração, digna desse nome, deve conter uma quantidade preponderante de adoração, louvor e reconhecimento dos nossos poucos méritos, isso aliado a uma firme resolução de esforçar-nos para sermos agradáveis ao nosso Pai que está no Céu. Portanto, o principal objetivo da oração é estabelecer, tanto quanto possível, uma estreita comunicação com Deus, para que a Vida e a Luz Divina possam fluir para dentro de nós, iluminar-nos e fazer com que cresçamos à Sua imagem e semelhança.

Este é um ponto de vista diametralmente oposto à ideia comum sobre a oração, segundo a qual sendo Deus o nosso Pai, podemos ir a Ele em oração e Ele tem que nos conceder o que o nosso coração deseja. Se não formos atendidos da primeira vez, devemos continuar a rezar, pois importunando-O e insistindo, nosso desejo será atendido. Tal visão repugna o místico iluminado e, se colocarmos o assunto numa base mais prática, veremos ser evidente que um pai sábio, que tem um filho capaz de sustentar-se sozinho, ressentir-se-ia se esse filho aparecesse diante dele várias vezes ao dia, importunando-o com variadíssimos pedidos, coisas que poderia facilmente obter se trabalhasse para merecê-las. A oração, não importa quão fervorosa e sincera seja, nunca pode substituir o trabalho. Se trabalharmos por uma boa finalidade com todo o coração, alma e corpo e, ao mesmo tempo, orarmos para que Deus abençoe o nosso trabalho, não há dúvida que essa petição será sempre atendida.

No entanto, a menos que nos esforcemos, não temos o direito de pedir o auxílio de Deus.

Como dissemos anteriormente, a essência das nossas orações deveria consistir em louvar a Deus “de Quem dimanam todas as bênçãos”, pois os nossos Corpos de Desejos são formados de matéria proveniente de todas as sete regiões do Mundo do Desejo na proporção das nossas exigências, as quais são determinadas pela natureza dos nossos pensamentos. Cada pensamento reveste-se de matéria de desejos análoga à sua natureza. Isto se aplica aos pensamentos formados e expressos na oração. Se forem egoístas, atrairão para si um envoltório composto da substância existente nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, mas se forem nobres, altruístas e desinteressados, eles vibrarão no grau mais elevado das regiões de luz anímica, vida anímica e poder anímico. Eles irão revestir-se desse material, conferindo mais vida e luz à nossa natureza espiritual. Mesmo quando oramos por outros, é prejudicial pedir algo material ou mundano. É admissível pedir saúde, mas não prosperidade econômica.

“Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua justiça” é o mandamento. Ao obedecer essa ordem, podemos ficar seguros que “ tudo o mais” ser-nos-á dado também. Portanto, ao rezarmos por um amigo, ponhamos todo o nosso coração e alma na súplica para que ele permanentemente busque o Caminho, a Verdade e a Vida, pois tendo encontrado uma vez esse tesouro maior, nenhuma necessidade real ser-lhe-á jamais negada.

Isto não é uma teoria, absolutamente. Milhares de pessoas, incluindo o autor, descobriram que “Nosso Pai no Céu” cuida das nossas necessidades materiais quando nos esforçamos por viver uma vida espiritual. Contudo, numa análise final, verificamos que não é a oração falada que ajuda. Há pessoas que podem dirigir uma congregação numa prece que se revela perfeita tanto em termos de linguagem quanto em sentimento poético. Eles podem até amoldar suas orações aos princípios estabelecidos pelo Senhor, como mencionados nos parágrafos iniciais, e ainda assim essa oração pode representar uma abominação por ser destituída da única condição essencial. A menos que toda a nossa vida seja uma oração, não podemos agradar a Deus, não importa quão maravilhosas sejam as nossas petições. Por outro lado, se lutarmos dia após dia e ano após ano para viver de acordo com a Sua vontade, então, mesmo que saibamos o quanto estamos longe de atingir o nosso ideal, e embora, a exemplo do publicano no Templo, sejamos de poucas palavras e possamos apenas bater em nosso peito, dizendo: “Deus, tende piedade de mim, um pecador”, veremos que o Espírito, conhecedor das nossas necessidades, intercederá por nós murmurando palavras sentidas, e a nossa modesta súplica diante do Trono da Graça será mais eficaz do que todos os discursos floreados que poderíamos pronunciar.

Nosso correspondente também pergunta: A oração é equivalente à concentração e à meditação?

A concentração consiste em focalizar o pensamento sobre um único ponto, tal como os raios do Sol são focalizados através de uma lente. Quando difusos sobre a superfície da Terra, eles produzem apenas um calor moderado, mas bastam alguns raios solares, focalizados por meio de uma lupa comum de leitura, para atear fogo a qualquer material inflamável sobre o qual são focalizados. Da mesma forma, o pensamento, ao passar rapidamente através do cérebro, como a água através de uma peneira, é de pouco valor, mas quando concentrado sobre um determinado objetivo, ele aumenta de intensidade e realizará o propósito desejado, seja para o bem ou para o mal. Membros de uma certa ordem concentraram-se sobre seus inimigos durante séculos, e verificou-se que a desgraça ou morte sempre alcançaram o objeto de sua inimizade. Ouvimos falar hoje, entre determinados grupos, em “magnetismo maléfico” aplicado por meio da concentração do pensamento. Por outro lado, o poder da concentração do pensamento pode, também, ser usado para curar e ajudar, e não faltam exemplos para comprovar essa afirmação. Portanto, podemos dizer que a concentração é a aplicação direta do poder do pensamento para a consecução de um objetivo definido, que pode ser bom ou mau, de acordo com o caráter da pessoa que o pratica e o propósito para o qual ela deseja empregá-la.

A oração assemelha-se à concentração em certos pontos, mas difere radicalmente em outros. Embora a eficiência da oração dependa da intensidade da concentração atingida pelo devoto, ela é acompanhada por um sentimento de amor e devoção de intensidade igual à profundidade da concentração, o que torna a oração bem mais eficaz do que uma concentração fria. Além disso, é extremamente difícil à maioria das pessoas concentrar seus pensamentos de uma maneira serena, calma, sem a menor emoção, excluindo todas as outras considerações da sua consciência. A atitude devota é mais facilmente cultivada, pois a mente centraliza-se, então, na Divindade.

A meditação é o método de obter, pelo poder espiritual, conhecimento sobre coisas com as quais não estamos geralmente familiarizados.

Há, no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, um capítulo que trata de forma bem abrangente do método de adquirir o conhecimento direto, elucidando minuciosamente esses pontos, e aconselharíamos um estudo completo desse capítulo.

(Pergunta 135 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

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A Saúde e a Lei Divina

A Saúde e a Lei Divina

Nossos pensamentos e emoções influem enormemente na saúde do nosso corpo físico.

Portanto, é preciso que nossos pensamentos sejam limpos, puros e que as nossas emoções sejam controladas.

A oração é um meio eficaz de superar as dificuldades físicas porque, quando elevamos nossa alma a um plano superior, fazemo-nos receptivos ao Poder Curativo Divino, que é tão potente hoje, como o foi nos dias de Cristo Jesus. Esse poder nos rodeia e podemos aproveitá-lo pondo-nos em contato direto com as leis de Deus. Esse poder é abundante em todo o lugar e é da vontade de Deus que nós tenhamos saúde perfeita. Depende só de nós obedecermos ou não às leis naturais que são necessárias para a saúde: ar puro, alimentação pura, pensamentos puros e vida reta.

O poder milagroso de Deus já foi experimentado por tantas pessoas, que a maioria já não põe isso em dúvida. É aceito o fato de que não existe nada que seja impossível para o Poder Curativo do Grande Médico. Porém, nós devemos cumprir a nossa parte. A fé é indispensável, mas é igualmente importante o desejo de corrigir os maus hábitos que nos impedem de alcançar os resultados que buscamos e, no fundo do nosso ser, bem sabemos quais são esses hábitos.

Que contraditória é a natureza humana! Todo paciente deveria buscar a cura, fazendo o possível para cooperar com o trabalho amoroso do Pai Celestial. Porém, os mesmos desejos impuros que provocaram nossas dificuldades desde o princípio, continuam conosco e impedem nossa colaboração total com Deus.

Todos nós presenciamos as manifestações do Amor do Pai e, em nosso interior, podemos sentir a Sua Presença.

Que essa Divina Presença seja nosso guia na vida diária, para que possamos trabalhar com Ele e, assim, conseguirmos “milagres” em todas as esferas e momentos da vida.

PENSAMENTO

Se uma pessoa de temperamento nervoso procurar fazer, com calma, os exercícios de Retrospecção e de Concentração experimentará um efeito muito benéfico, particularmente se conseguir relaxar todos os músculos do corpo durante os exercícios. Se a pessoa relaxar completamente seus músculos, não der entrada a pensamentos exteriores e fizer, calmamente, a revisão dos acontecimentos diários – em ordem inversa – no exercício noturno, e se se concentrar sobre um ideal elevado, no exercício matutino, o nervosismo desaparecerá.

Max Heindel

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

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Vigilância e Oração

Vigilância e Oração

Não se pode deixar as coisas acontecerem à vontade em nossas vidas. Temos que ter o controle de nossas vidas nas mãos. Mesmo aquilo que não se pode mudar, pode pelo menos ser atenuado, pela atenção e o cuidado que dermos ao fato. Isso faz com que nos tornemos mais atentos de nossas coisas, mentalmente mais ativos. Mesmo as pessoas com quem convivemos diariamente ou mesmo acidentalmente, podem ter suas atitudes para conosco controladas, se soubermos tomar as rédeas das situações.

Já explicaremos isto: quando se diz que devemos amar a nossos irmãos, não significa que nos tornemos tolerantes em relação a todas as pessoas que nos cercam. Amar não é aceitar a um e outro com seus erros, suas implicâncias, com todos os seus desafios. Amar é saber controlar a situação, de tal modo, que nós não ajamos errado em relação aos outros, mas também, da mesma forma, não permitamos que eles procedam errado conosco.

Porque só assim estaremos cumprindo o mandamento de amar-nos uns aos outros, e, principalmente, de amar ao próximo como a nós mesmos, e não MAIS do que a nós mesmos. É acertando estas disparidades que equilibramos a nossa vida.

Quando, por exemplo, sentimos que amanhecemos contrariados, com ou sem razão aparente, e reconhecemos que nossos Astros devem estar adversos, atentemos para a renovação de nossos valores, procurando nos fixar no BEM e no CERTO. Não se deve deixar a situação piorar em torno de nós ou em nós mesmos, ao ponto de não ter mais forças para orar, como muitas pessoas, às vezes, ficam. Deixam então que o nervosismo tome conta e não encontram refúgio nem mais em Deus.

Só chegaremos a este ponto crucial, se nos faltar a vigilância, a permanente atenção ao que se passa conosco, com o que sentimos, às vezes, já no início do dia. Temos que evitar, se possível, sair à rua quando estivermos negativos, porque este descuido poderá facilitar e até atrair algum acontecimento desagradável e até prejudicial.

Reajustemos primeiro nosso estado de espírito no Bem, através da oração, de um pequeno relaxamento, de uma curta meditação, antes de qualquer iniciativa, quando isto acontecer.

Melhor é orar diariamente, entregando-nos a Deus, e pedir-Lhe que tome conta de nós, sem esperarmos pelos maus momentos para só então rogar proteção. Porque se facilitarmos, afrouxando o cuidado com nosso equilíbrio interno, acabaremos agravando a situação de abandono a Deus e vamos aos poucos nos separando de Sua Presença. Ele está sempre em nós, mas nós devemos estar sempre n’Ele. E é este cuidar-se permanente para estarmos com o pé na linha reta, que nos aproxima de Deus e nos coloca permanentemente a Seu lado. Estar em Deus é isso mesmo: vigilância e oração.

Quanto às causas de nossos desajustes que julgamos, às vezes, imprevistos, bem podem ter origem em coisas simples e malfeitas, até numa raivinha de véspera, alguma crítica mental menos bondosa, enfim, qualquer coisa que se possa ter feito contra a ordem natural das coisas, contra as leis da natureza que são Deus. Porque viver certo é um modo-contínuo que não pode ser quebrado a fim de conservar a harmonia, o que se consegue pela vontade atuante e permanente no Certo que é Deus.

Por isso, o que tanto se fala e se aconselha sobre o Amor ao semelhante, não deve ser encarado como algo longínquo e transcendental.

O amor é algo bem próximo de nós, efetivo e constante, e depende da nossa própria atividade, até na defesa dos nossos interesses. Porque, procurando estar equilibrado, atentos para não errar, por nossa segurança e pela dos outros, certamente esta preocupação nos levará a bem viver com o próximo. E este bem viver, essa tentativa de acertar permanentemente, é Amor.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Os Desafios do Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz baseado nos Preceitos para o Estudante Rosacruz

Os Desafios do Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz baseado nos Preceitos para o Estudante Rosacruz

Os Preceitos para o Estudante Rosacruz (originalmente publicados pela The Rosicrucian Fellowship – Precepts for the Rosicrucian Student) são em número de 10:

1. Cristo-Jesus será seu ideal;
2. Recordando a exortação do Cristo – “que o maior entre vós seja o servo de todos” – se esforçará diariamente por servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade;
3. Tendo fé inquebrantável na sabedoria e bondade de Deus, trabalhará de acordo com a Lei de Evolução, se esforçando para falar, agir e ver somente o bem nas relações diárias com seus semelhantes e com tudo que o rodeia;
4. Sendo a Verdade, a Honestidade e a Justiça qualidades fundamentais da Divindade Interior procurará expressá-las em seus pensamentos, suas palavras e ações;
5. Sabendo que suas condições atuais são um resultado das ações que praticou no passado e que pode construir o seu futuro destino, melhorando-o por meio de uma atuação reta no presente, não gastará seu tempo invejando os outros, dedicando, pelo contrário, suas aspirações a exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio, semeando boas sementes para o amanhã;
6. Considerando que o silêncio é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma, procurará sempre que, no ambiente onde se encontre predomine a paz, a harmonia e a calma;
7. Sendo a autossuficiência uma virtude fundamental para o Aspirante Espiritual, fará o possível por praticá-la tanto em pensamentos como em atos;
8. Sabendo que a Divindade Interior é o único Tribunal Real da Verdade, se esforçará para estabelecê-lo submetendo todos os assuntos ao seu Verdadeiro Final;
9. Reservará, todos os dias, um certo período à Meditação e à Oração, procurando se elevar nas asas do Amor e da Aspiração ao próprio Trono do Pai;
10. Sabendo que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo, procurará paciente e persistentemente atingir o alvo proposto, procurando realizar os elevados ideais ensinados por Cristo.

Desses preceitos advêm os desafios. Vamos detalhá-los a seguir.

O Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz deve prestar a atenção e estar pronto, vigilante e encarar os seguintes desafios: ter sempre o Cristo, nosso Salvador e Redentor, como o seu ideal. Aquele que ele procura imitar na sua vida cotidiana. Para isso o Aspirante precisa conhecê-Lo. O Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos já fornece TODA a informação necessária e suficiente sobre quem Ele é e qual é a Sua missão para com o Aspirante, um ser da onda de vida humana. O Aspirante precisa conhecer o que Ele fez na sua primeira vinda. Os 4 Evangelhos da Bíblia fornecem farto material para ele saber e entender como Cristo se portou, o que ensinou, como ensinou e o que deixou para ele aprender e praticar. Afinal, como enfatiza Max Heindel: “os Evangelhos são fórmulas de Iniciação” e “cada passagem da vida do Cristo é exatamente cada passagem que o Aspirante viverá no seu caminho”. Assim, o bom Aspirante é um assíduo estudante da Bíblia, todos os dias.

Seguindo um dos dois Mandamentos do Cristo, que é enfatizado na Fraternidade Rosacruz, o Aspirante tem o desafio de um dia chegar a ser um Auxiliar Invisível Consciente que tem a principal missão de Curar definitivamente a doença e a enfermidade de cada pessoa (ou seja, curar o Corpo, a Alma e o Espírito). É a Cura Espiritual.

Para isso precisa conhecer o que realmente é isso, se preparar e praticar. Para conhecer, ele começa por entender como isso é feito. Volta aos Evangelhos e aos Milagres de Cura executados por Cristo e estuda os seus tipos, quando pode ocorrer e quando não pode, quando é obsessão e não é doença ou enfermidade e todos os outros detalhes de cada um deles. Para se preparar, ele começa com a leitura de livros e textos da Literatura da Fraternidade Rosacruz sobre a Cura Rosacruz, qual é o método utilizado, os diversos papéis que se exercem, o que é a Panaceia Espiritual e os outros detalhes do processo. O livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura é a base e o Livro Astrodiagnose e Astroterapia: um Guia de Cura é o melhor para entender como se deve (e não de outra maneira) ser aplicada a Astrologia Rosacruz. Há muito outros em assuntos como O Mistério das Glândulas Endócrinas, O Papel da Música na Cura, A Teia do Destino, Princípios Rosacrucianos de Educação Infantil e outros.

Para praticar, ele faz, todos os dias, os exercícios para o seu treinamento esotérico denominados Rituais (Devocional do Templo, todos os dias; o de Cura nos dias específico; Equinócios e Solstícios nas vésperas desses acontecimentos cósmicos e de Véspera de Natal e outros específicos, dependendo do ponto onde está no Caminho da Preparação Rosacruz). Concomitantemente, faz, todos os dias, os dois Exercícios, o noturno de Retrospecção e o matutino de Concentração. Com o tempo de repetições e persistências em fazê-los cada vez com maior qualidade, sobrará tempo, à noite, para fazer parte das atividades como Auxiliar Invisível Inconsciente, nos trabalhos de Cura espiritual. Esse é o começo!

Outro Desafio é o sublimar o modo como é feito o seu relacionamento com as outras pessoas (independentemente de gênero, posição social, financeira, emocional, simpatia/antipatia, se tem algo que lhe interessa ou não, profissionalmente ou não). Aprende a olhar e somente considerar nos outros a “divina essência”, oculta em cada um, que é a base da Fraternidade, que será uma realidade para cada um na próxima Época, a 6ª, a Nova Galileia, onde o amor se fará altruísta e a razão aprovará seus ditames. E é somente nessa “divina essência” que ele foca quando se relaciona em pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e/ou atos com alguém. Assim, e somente assim, ele garante que qualquer relacionamento é o servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade.

Mais um desafio é a pratica da fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. No início de Estudante e no início de cada etapa se esforça por praticar a “fé infantil”, típica de quando se é criança, na qual não existe sombra de dúvida, conservando os Ensinamentos que recebe até comprovar para si mesmo a certeza ou o erro. Com certeza absoluta ele nada considera como fato estabelecido, porque compreende perfeitamente quanto é importante manter a sua Mente no estado fluídico de adaptabilidade que caracteriza a criança. Compreende, com todas as fibras do seu ser, que “agora vemos como em espelho, obscuramente” e está sempre alerta, anelando por “luz, mais luz”. E é assim que chegará à fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. E é por meio dela que ele chega ao ponto de viver amando o bem por ser o bem.

Procura ordenar sua conduta de acordo com este princípio, sem ter em conta seu benefício ou sua desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. E é por meio dela que demonstrará a sua “fé por obras”, trabalhando de acordo com a Lei de Evolução, procurando falar, atuar e ver somente o Bem nos relacionamentos diários com seus semelhantes e com tudo que o rodeia. E aqui cabe salientar que o Aspirante já entendeu e procura viver sabendo que primeiramente satisfaz, buscando se provar no entendimento de que, no universo tudo é razoável. Isso o ajudará a triunfar sobre o seu rebelde intelecto. E, junto a isso, não mais fazer crítica a nada.

Junto à fé inquebrantável, cultiva e executa a verdadeira disposição de aceitar, provisoriamente, como verdade provável, afirmações que, de imediato, não pode constatar. Pois já sabe que então, e somente então, desenvolverá as faculdades superiores pelo treinamento esotérico. É nesse ponto que ele deixa de ser um simples ser humano de fé, para passar ao conhecimento direto.

Apesar disso, conforme progride no conhecimento direto e se habilita a investigar por si próprio, o Aspirante entende que há sempre outras verdades além do seu alcance. Sabe serem verdades, mas seu insuficiente avanço não lhe permite investigar. Ou seja, pratica a máxima de “um véu atrás do outro é levantado para se encontrar um véu após o outro por detrás”. E enquanto estiver usando somente a sua Mente concreta é isso que encontrará.

Outro Desafio é o de seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos serem sempre norteados pela Verdade, Honestidade e Justiça que são as qualidades fundamentais do Espírito Virginal, o “você verdadeiro”, quando não manifestado em Ego (o Tríplice Espírito). E o fato de cair na tentação, não conseguindo expressá-los nos seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos será um dos principais motivos de purgação quando fizer o Exercício de Retrospecção. Tendo uma certeza absoluta e inexorável de que ele é o que ele próprio escolheu; ele tem exatamente o que precisa, em bens materiais e suprafísicos; o que ele não tem é porque não precisa, no momento; quando ele precisar de mais alguma coisa, ela lhe será dada na medida e no momento exato; se ele a tivesse agora, lhe atrapalharia e o impossibilitaria de aprender o que precisa para dar um passo à frente, pelo que não inveja a nada e nem a ninguém. E se prepara para lançar sempre boas sementes para o amanhã, pois sabe que deve exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio. Enquanto o Aspirante não alcança a capacidade de poder ver, de um só relance, o passado e o presente e assim determinar as causas, as crises e as condições atuais para diagnosticar, conhecer a si mesmo e saber exatamente que lições tem a aprender, utiliza as muletas que tem – diagramas, livros, infográficos – dentre elas a Astrologia Rosacruz (vejam mais detalhes sobre isso no livro Cartas aos Estudantes nº 57). E aqui está a razão principal para todo e verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz se esforçar por aprender, por si só, a levantar seu tema astrológico, utilizando a Astrologia Rosacruz, desde o início até o seu final, com suas Progressões e Trânsitos, tanto para lhe ajudar, como para lhe dar a segurança necessária quando trabalhar na Cura Rosacruz.

Pratica o silêncio. Como um exercício bem preliminar que irá exercer como um voto quando for Iniciado, já na 1ª Iniciação Menor da Ordem Rosacruz. Entende e vivencia o ensinamento que nos diz que o silêncio, em verdade, é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma. Está convicto que está aqui encarnado para adquirir experiência, conquistar o mundo, se sobrepor ao eu inferior (criado, alimentado por ele mesmo) e alcançar o domínio próprio. E é por esse domínio próprio que busca, incessantemente, praticar o bom hábito da autossuficiência, repetidamente, de modo a transformá-la em uma virtude fundamental. Para isso procura se emancipar de toda dependência dos outros, se tornando autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Isso é o que difere o Método da Fraternidade Rosacruz de todos os outros sistemas existentes de desenvolvimento cristão espiritual.

Afinal, somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil. Eis a razão do porquê de todo Estudante da Fraternidade Rosacruz efetuar seus exercícios esotéricos de Retrospecção, Concentração, Observação, Discernimento, Meditação, Contemplação e Adoração sozinho. Seguindo este método, se obtêm resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem se manifestarão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais.

Com essa técnica apurada, consegue retirar dos Ensinamentos Rosacruzes o que precisa para construir um caráter que, ao tempo em que desenvolve suas faculdades espirituais, lhe resguarda da tentação de perverter os poderes divinos, em busca do prestígio mundano.

Outro desafio muito importante é o estabelecimento do seu Tribunal Real da Verdade. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz já chegou à conclusão de que o Eu Interno é o único tribunal da verdade.

Leva, consciente e persistentemente, todos os seus problemas e dificuldades ante este tribunal. Pois entendeu que assim desenvolve, com o tempo, um senso superior da verdade que, instintivamente, onde ouvir uma ideia avançada, sabe se ela é ou não correta e legítima. A Bíblia, em várias passagens, exorta para que ele esteja atento a todas as espécies de doutrinas que flutuam no ar e ao nosso redor, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenha estabelecido ou começando a estabelecer este Tribunal Interno da Verdade, ele pode ficar vagueando de um lugar para outro, sem encontrar descanso na sua vida e, no final, sabendo pouco mais ou talvez até menos do que no princípio. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz nunca aceita, nunca rejeita ou nunca segue cegamente qualquer autoridade. Ele se esforça para estabelecer internamente o Tribunal Interno da Verdade.

Remete todos os assuntos a esse tribunal. Comprova todas as coisas e absorve firmemente tudo o que nele existir de bom. Dentre os instrumentos que são fornecidos pela Fraternidade Rosacruz, os Exercícios de Retrospecção noturna e de Concentração matutina são os melhores para ajudá-lo a construir e desenvolver esse Tribunal Interno da Verdade (veja mais detalhes no livro Cartas aos Estudantes nº 83).

Sabe que o assunto Oração merece uma profunda atenção e estudo. E pratica a verdadeira oração científica, pois já entendeu ser ela um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma. “Ora e Labora” é seu jeito de ser, pois também aprendeu que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. Mas sim a sua vida inteira, tanto desperto como em sono, se torna uma oração para a iluminação e santificação.

Sabe que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo. Como diz Max Heindel muito bem: “O único fracasso é deixar de lutar”. Por isso, procura, paciente e persistentemente, atingir o alvo proposto, ou seja, realizar os elevados ideais ensinados por Cristo através da sua vivência diária. Afinal, o Aspirante Espiritual só pode mostrar o que é na hora de adversidade. Pois, como se lê: “Deus prova aqueles a quem ama”, mas também lemos que “se Ele dá o fardo, dá juntamente, as forças para suportá-lo”. A luta valoriza o esforço e a vitória do Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz. E, se vez por outra ele cai, que importa?

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

poradmin

Qual a atitude Rosacruz para com a oração, à luz das recomendações bíblicas?

Pergunta: Qual a atitude Rosacruz para com a oração, à luz das recomendações bíblicas?

Resposta: Num certo trecho, a Bíblia nos manda orar constantemente. Em outro, Cristo repudia a prática, dizendo que não deveríamos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos pela quantidade de palavras proferidas. É evidente que não pode haver qualquer contradição entre as palavras de, Cristo e as de Seus Discípulos, portanto, devemos reconstruir as nossas ideias sobre a oração, de tal forma que estejamos sempre orando, sem empregarmos vastas quantidades de expressões verbais ou mentais. Emerson disse:

“Embora teus joelhos nunca se dobrem,
De hora em hora ao céu tuas preces sobem,
E sejam elas para o bem ou para o mal formuladas,
Ainda assim são respondidas e gravadas”.

Em outras palavras, cada ato nosso é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Obtemos exatamente o que queremos. A expressão oral, sob forma de palavras, é desnecessária, mas uma ação sustentada num certo sentido indica o que desejamos, mesmo que nós mesmo não o realizemos e, com o tempo, mais cedo ou mais tarde, de acordo com a intensidade do nosso desejo, realiza-se aquilo pelo qual rezamos.

As coisas assim adquiridas ou atingidas podem não ser o que real e conscientemente desejamos. De fato, às vezes conseguimos algo que teríamos sem dúvida dispensado, algo que consideramos uma desgraça, um tormento, mas o ato-oração nos trouxe isso e teremos que conservá-lo até que consigamos nos livrar dele de forma legítima.

Quando lançamos uma pedra para o ar, o ato só se completará quando a reação trouxer a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito segue a causa tão rapidamente que não é difícil relacionar os dois.

No entanto, se dermos corda a um despertador, a força fica armazenada na mola até que um certo mecanismo a liberte. Então, se produz o efeito – o som da campainha – e, embora tenhamos mergulhado no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu da mesma forma. Similarmente, atos que há muito esquecemos em algum momento irão produzir os resultados consequentes, e assim obteremos uma resposta aos nossos atos-orações.

Contudo, há a verdadeira oração mística – a oração em que encontramos Deus, face a face, como Elias o encontrou. Não é no tumulto do mundo, no vento, no terremoto, ou no incêndio que O encontramos, e sim quando tudo se aquieta, e uma voz silenciosa nos fala vinda de dentro. O silêncio requerido para esta experiência não é um mero silêncio de palavras. Nem há as imagens interiores que passam geralmente diante de nós na meditação.

Tampouco há necessidade de pensamentos, mas todo o nosso ser assemelha-se a um calmo lago tão límpido quanto um cristal. Nele, Deus Se espelha, e experimentamos a unidade que torna a comunicação desnecessária, seja por palavras seja por qualquer outro meio. Sentimos tudo aquilo que Deus sente. Ele está mais próximo de nós do que nossas mãos e nossos pés.

Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais no céu”, etc. Esta oração encerra a mais sublime forma de expressão encontrada sob forma de palavras, mas a oração da qual me refiro pode, no instante da união suprema, ser expressa numa única palavra não pronunciada: “Pai”. O devoto, quando está realmente submerso em oração, nunca vai mais longe. Ele não faz pedidos, para que? Não tem ele a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará?”. Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino do Céu, e que tudo o mais lhe será acrescentado? Talvez sua atitude possa ser melhor entendida se fizermos a comparação com um cão fiel olhando para a face do seu dono com uma devoção muda, com toda a sua alma transparecendo através de seus olhos cheios de amor. De forma semelhante, naturalmente com intensidade muito maior, o verdadeiro místico olha para o Deus interno e se derrama todo em muda adoração. Desse modo, podemos orar sem cessar, internamente, enquanto trabalhamos como servos diligentes no mundo externo; pois nunca esqueçamos que o objetivo não é desperdiçar nossas vidas sonhando. Enquanto rezamos a Deus internamente, devemos também trabalhar para Deus externamente.

(Perg. 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)