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O corpo de pecado do homem e um exemplo de ações destrutivas

O corpo de pecado do homem e um exemplo de ações destrutivas

Aqui está outra história que me foi transmitida. Alguns Auxiliares Invisíveis foram enviados a um local nas montanhas da parte sul dos Estados Unidos, a uma casa. Eles foram instruídos a ir e impedir que um homem espancasse sua família. Foi dito a um dos Auxiliares Invisíveis que fosse muito cuidadoso e ficasse bastante próximo à sua parceira para que ela não se assustasse o suficiente para voltar para casa e entrar em seu corpo tão repentinamente ao ponto de sofrer um choque.

Quando os Auxiliares Invisíveis chegaram ao lugar, encontraram um homem batendo na esposa. Ele já havia espancado a filha até que ficasse negra, azul e inconsciente. Quando o homem viu o Auxiliar Invisível na sala, parecia que estivesse louco. Os Auxiliares Invisíveis olharam para trás e viram o corpo do pecado mais macabro e horrível que se possa imaginar.

O corpo de pecado rosnou para os Auxiliares Invisíveis.

“Vamos embora”, disse a Auxiliar Invisível. “Eu não quero ver corpo de pecado algum”.

“Não podemos sair agora, não até livrarmos este homem do seu corpo de pecado”, disse o outro Auxiliar Invisível.

O corpo de pecado tinha uma cabeça do tamanho de um barril de cerveja, seus quadris e estômago pareciam um barril enorme e os dentes eram como as presas de um javali. Suas mãos possuíam aproximadamente setenta centímetros de diâmetro e pendiam até o chão. Seus pés pareciam grandes remos.

O corpo de pecado tinha uma lança afiada com a qual cutucava o homem na nuca, fazendo-o continuar seus atos. O homem estava bêbado, mas parecia ter sido bonito antes de começar a beber uísque.

O Auxiliar Invisível ordenou que o elemental parasse e ele parou. Então ele o fez ficar em um canto da sala. Depois, o Auxiliar Invisível fez o homem parar de bater na esposa, que estava quase inconsciente. O Auxiliar Invisível perguntou ao homem por que ele estava espancando a esposa.

“Eu não sei”, ele disse e limpou a testa como se estivesse limpando a Mente. “Eu não sei por que fiz isso. Algo me levou a fazer”. O homem olhou surpreso para os Auxiliares Invisíveis, que estavam materializados e brilhando intensamente.

Os Auxiliares Invisíveis voltaram sua atenção para a esposa e pediram que ela se levantasse. Ela estava em um estado lamentável, muito machucada, e suas roupas, em pedaços, pois o homem as tinha rasgado e deixado a filha inconsciente, sob a influência do corpo de pecado.

“Anjos, deixem-me morrer”, disse a esposa. “Já sofri o suficiente e não quero viver. A morte será bem-vinda para mim. Deixem-me morrer”.

Enquanto os Auxiliares Invisíveis conversavam com a mulher, que estava no chão, o corpo de pecado avançou contra o homem e o tornou a manipulá-lo. O homem então pulou na esposa, que perdeu a consciência e tornou-se rígida. Logo, estava ao lado do próprio corpo.

“O que aconteceu?”, ela perguntou.

A Auxiliar Invisível se virou para o parceiro e disse: “Ela está morta?”.

“Ela está desmaiada”, respondeu ele.

O Auxiliar Invisível fez o corpo de pecado deixar o homem e, assim, a criatura correu para atingi-lo, mas ele a atravessou e ordenou que se fosse. Uma chama azul acendeu onde ela estava; os Auxiliares Invisíveis não a viram mais. Foi o Éter da terra que os Auxiliares Invisíveis viram queimar. O corpo de pecado havia reunido o suficiente desse Éter em seu Corpo Vital para mantê-lo unido ao de desejos, enquanto ele o usasse. O Corpo de Desejos voltou ao Mundo do Desejo para se desintegrar.

O homem gritou e caiu desmaiado; três pequenos elementais saíram dele e o Auxiliar Invisível os destruiu em um só golpe. O homem gemeu e se retorceu em muitas formas diferentes, depois se tornou rígido e reto.

“Oh, ele está morto!”, afirmou a Auxiliar Invisível.

“Espere”, disse o seu parceiro, “e você verá se está morto ou não”.

O Auxiliar Invisível atravessou o homem novamente, um elemental de tamanho grande saiu dele e correu para um cachorro que estava agachado embaixo da mesa. O cachorro pulou pela janela e correu na direção de um penhasco íngreme; os Auxiliares Invisíveis sabiam que ele pularia e seria morto; assim, o elemental seria forçado a ir para o Purgatório e ser punido por suas más ações.

Os Auxiliares Invisíveis colocaram a menina e a mãe na cama esfarrapada e fizeram o que puderam para restaurar suas forças e aliviar as dores. Eles se aproximaram do homem, depois disso, trouxeram-no de volta à consciência e mostraram o que havia feito contra a própria família. Ele olhou surpreso para sua esposa e filha. “Quem fez isso?”, perguntou. Depois abraçou as duas e beijou. Era um homem diferente agora, pois tinha sido atormentado por anos, impulsionado por seu corpo de pecado. Ele não sabia qualquer coisa do que havia feito e disse que seria melhor se afastar daquele lugar o mais rápido que pudessem.

Um Auxiliar Invisível perguntou ao outro o que havia causado todo o problema. Eles se aproximaram da mulher, da filha e seguraram suas mãos. O homem estava do outro lado da esposa, segurando a mão dela. Os Auxiliares Invisíveis pediram para ver a vida dessas pessoas e o que as colocou nessa condição.

O panorama de suas vidas remontava a três existências, quando a esposa começou a praticar bruxaria com a filha, que na época era outra mulher e não era parente dela. O marido era um sujeito que procurava pessoas ricas para empregá-lo. Essas pessoas, porém, tornaram-se muito malvadas e praticavam atos muito baixos.

Elas destruíram muitas casas e aniquilaram muitas vidas. Finalmente, morreram em condição lamentável. O homem se tornou o pior, depois que começou. Foi então que construiu o terrível corpo de pecado, por meio de pensamentos perversos e más ações.

Na vida seguinte, tiveram uma encarnação marcada pela doença e pobreza; a mãe e a atual filha, embora milhares de quilômetros uma da outra, começaram a expiar suas ações malvadas do passado fazendo o que podiam para aconselhar as pessoas a cuidar de sua saúde e não levar vidas imprudentes. Não sabiam, contudo, por que razão estavam tão ansiosas para ajudar os outros.

Eram homens, mas não podiam trabalhar por causa de sua saúde precária. Ambos sofreram muito com a pobreza. O homem era, nessa vida, mulher. E foi de uma coisa para outra, afundando cada vez mais, até que a doença a venceu e ela morreu sem se arrepender. O destino os uniu como marido, mulher e filha para pagarem tal dívida.

Dezesseis anos antes dessa época, o homem e a mulher se conheceram e casaram; mais tarde, a menina nasceu. Logo depois tornou-se vítima de obsessão e tratou muito mal sua família, desde então.

A mulher disse que não podia abandonar o marido, porque já o amara e viveram felizes até ele começar a beber. O homem ficou obcecado por doze anos e gradualmente pior, até a vida se tornar um inferno para eles.

As três pessoas viram suas vidas passadas à medida que o panorama se desenrolava e prometeram viver uma existência melhor, deixando as montanhas. O homem se assustou e queria saber se aquilo aconteceria novamente.

“Não, você ficará bem; a menos que comece a beber de novo”, afirmou o Auxiliar Invisível.

O homem revelou que não era ele mesmo havia doze anos, porém sabia que não tinha acesso ao próprio corpo, porque ficava fora dele a maior parte do tempo; também disse que muitas vezes desejava ser melhor, no entanto, algo sempre o levava a fazer o que tinha feito. O pobre homem falou que quando estava fora do seu corpo, todo tipo de coisa o atormentava. Essas coisas eram os elementais, que variavam, nesse caso, de quinze centímetros de altura a quase três metros ou mais e sua aparência era horrível.

Esses elementais o sufocavam e, quando recuperava o corpo, tinha medo de que algo o estivesse observando. Ele nunca viu, mas isso o levou à bebedeira; assim, costumava ver-se de pé, ao lado do próprio corpo, enquanto alguém estava dentro dele, batendo na sua esposa ou na filha. Quando recuperava o corpo, não sabia nada disso e se perguntava o que havia acontecido. Também falou que os estrangeiros deixaram tudo claro e que, por intermédio de orações e serviço à humanidade, esperava expiar seus pecados do passado.

Esta é uma história triste; no entanto, isso acontece em todas as partes do mundo e é nosso dever tentar entender os motivos pelos quais ocorrem, buscando fazer o que pudermos para contar aos outros, a fim de que a humanidade possa conhecer a verdade. Portanto, quando conhecemos os perigos da bebida forte ou outros males, estamos menos sujeitos à obsessão, essa condição terrível.

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Atrás da Máscara: “não ponha a mão no arado e olhe para trás”!

Atrás da Máscara: “não ponha a mão no arado e olhe para trás”!

“Os homens disputarão pela religião; escreverão por ela; pelejarão por ela; morrerão por ela; tudo menos que viver por ela” – Colton

Não importa quão a miúdo possamos presenciar uma convenção política, sempre nos surpreende algo, e talvez nos desagrada, observar as faltas e recriminações que são apontados por vários candidatos e seus partidários. Não é de todo infrequente que os insultos se expressem livremente, ainda que algo disfarçados, e o ouvinte se pergunta seriamente se algo bom pode sair de tudo isto.

Sem dúvida — para surpresa de muitos — é sempre manifesto que uma vez que a voz do público foi claramente ouvida na assembleia dos delegados eleitos presentes, que fazem a eleição final, o recém nomeado candidato, de repente — e como por arte de magia — se converte em amigo de todos e em campeão do partido. Ainda aqueles que eram seus mais severos críticos durante a convenção acalorada agora o aclamam a uma só voz como seu elegido, também, a convenção inteira logo esquece os sentimentos feridos e as acusações da batalha política; todo gira em volta do novo candidato; todos se unem em um propósito comum de apresentar a seu candidato e seu programa ao público: e de seu apoio e trabalho unidos dependem a vitória ou a derrota nos comícios. E nunca, nenhum membro responsável do partido permite que as diferenças externas de opinião, personalidade e convicção, lhe impeçam promover os ideais, propósito e princípios do partido.

Podemos aprender uma boa lição de nossos amigos da vida pública. Existe um paralelo mui real entre a campanha política e a perturbação que impediu o crescimento externo da Fraternidade Rosacruz. Muitos observaram esta disputa e muitos, também, identificaram esta disputa com a Fraternidade Rosacruz mesma. Muitos olvidaram que há uma fraternidade espiritual aqui e que esta controvérsia não é mais parte deste ensinamento que os argumentos políticos do partido político antes de que seja eleito o candidato.

Finalmente, sem dúvida, a voz do povo da Fraternidade há falado, a este povo se confia o direito de governar este corpo; e este povo há decretado que a Fraternidade Rosacruz permaneça livre para dedicar seu tempo todo a promover no mundo os ensinamentos dos Irmãos Maiores.

É um estranho paradoxo que a maioria daqueles que eram parte desta controvérsia já não estejam ativos na liderança da Fraternidade. Em última análise todo Estudante, Probacionista ou Discípulo, e qualquer que se considere membro ao menos em espírito — e existem muitos destes — deve perguntar-se se há perdido na batalha ou se há mantido sua atenção fixa sobre o ensinamento, que é a única parte real e duradoura desta obra.

No Conceito Rosacruz do Cosmos ensina-se que o mundo que está imediatamente além dos limites deste Mundo Físico — que interpenetra a esse Mundo Físico — é o Mundo do Desejo. Aqui os desejos, aspirações e sentimentos do ser humano, do animal e dos seres mais altamente desenvolvidos, tomam forma e cor e encontram expressão. Aqui a força e a matéria estão quase contrabalançadas, nivelados, porém a coisa mais desconcertante acerca deste reino é que a vida ou inteligência real de qualquer manifestação particular, se oculta — por assim dizer — atrás de um labirinto de cor e de forma que muda com grande rapidez.

Requer muita concentração e habilidade ver atrás desta máscara e ver o princípio de vida pelo qual existe. Os que recém-entram a este reino conscientemente, têm grande dificuldade em manter sua atenção enfocada sobre esta vida real, parando serem iludidos ou enganados pela emanação externa de cor de forma desta inteligência. É de maior interesse saber que o Mundo do Desejo não interpenetra somente o Mundo Físico, senão que está presente onde queira como a causa invisível de todo o que sucede no Mundo Físico.

Conservando na Mente o que foi dito, o ser humano está se preparando, inconscientemente, para a existência neste e em outros reinos da natureza. O ser humano está aprendendo lições nesta vida que serão de imenso valor nas expressões subsequentes. Talvez uma das mais importantes lições é a que agora é evidente; porque onde queira, a cada momento, se nos obriga a separar em nossas mentes o real do irreal; o que é importante do que não é importante. A todos nos consta a verdade daquilo de que “os pensamentos são coisas”, e que ver a negação e o mal só robustece a este mal, enquanto que, pelo contrário, ver o bem nas coisas ajuda o bem a crescer e a destruir com o tempo ao mal.

O mal evidente desta controvérsia há sido demasiado patente para a maioria de nós; sem dúvida, quantos de nós havíamos permitido que isto obscurecesse o bem que podia e devia haver sido feito, se soubéssemos manter nossas mentes fixas no verdadeiro propósito destes ensinamentos?

Os Irmãos Maiores são os mentores desta “Fraternidade”, e podemos estar certos, já que sua obra existiu secretamente por séculos antes do estabelecimento da Fraternidade — e é consideravelmente mais espiritual que física — se encontra além da possibilidade de que alguém a destrua. Os Auxiliares Invisíveis sob a direção destes Irmãos, disto podeis estar seguros, não passaram por alto nenhum pedido de ajuda, todos os Departamentos da Fraternidade continuaram trabalhando, incluindo a obra esotérica. Que eu saiba, a nenhuma alma foi negada o privilégio destes ensinamentos. A Correspondência de nossos departamentos estrangeiros continuou fluindo de todas as partes da terra. Queria que muitos de nossos houvessem estado mais ativos para disseminar estes ensinamentos durante o período passado de desilusão e aflição.

Alguns perderam a fé e haviam renunciado, porém, um momento mais preciso de pensamento, sobre a parte real dos ensinamentos dos Rosacruzes, não revelaria que a essência desta obra estava sempre em evidência e que a oportunidade sempre estava a nosso alcance para ajudar a nosso semelhante, porque este é o único propósito válido ao recebermos estes ensinamentos? Ainda que penoso, talvez isto foi uma benção no fundo, porque deu-nos uma oportunidade de provar nossas próprias convicções, para permanecer sinceros aos ideais que professamos crer.

O grande caráter bíblico, David, bem pode ser a história de toda alma aspirante e as inevitáveis tentações que devem vir a nós para provar estas aspirações. David em sua idade temporão teve aspirações para a música e as artes, e sem dúvida teve em seu coração unicamente propósitos nobres e elevados. Todavia, no transcurso de sua vida fracassou em manter-se fiel a sua primeira visão e chegou a ser um rei de conquista e de guerra e tudo o que isto implica. Quando finalmente tratou de conhecer-se a si mesmo no ocaso de sua vida e desejou cumprir o desejo de seu coração — construir o templo — Jeová lhe negou este privilégio por ter sido um “homem de guerra” e não de paz. Havia gasto muito tempo pelejando tanto, que não estava nem física nem espiritualmente preparado para construir o templo.

Se conservamos os nossos olhos sempre fixos na verdadeira parte espiritual desta obra, o qual é assistir a Cristo a estabelecer Seu Reino, e se permanecemos fiéis aos ideais que em primeiro lugar nos atraíram a este ensinamento, podemos ser instrumentos da verdadeira virtude e colher um desenvolvimento espiritual maravilhoso deste modo. Por outro lado, se unicamente vemos faltas nos demais e pretendemos ter uma perfeição que realmente não temos dentro de nós mesmos, estamos, de fato, retraindo-nos de ser uma parte de um núcleo espiritual que será o instrumento para criar uma obra espiritual maior que nos capacitaria para administrar a panaceia curativa ao que toda pessoa estará de acordo em chamar um mundo enfermo. Que de uma vez para todas extirpemos a comiseração de si mesmo, a crítica não dirigida a si mesmo, as demoras que nos impedem promover nossa própria obra na Fraternidade, e acharemos que em lugar de ser belicosos e de negarmos a causa disto, nos será dada uma oportunidade dourada de serviço como talvez nunca foi oferecida na história.

Admite-se que existem os que dizem que qualquer organização que se compromete em batalhas legais, etc., não é digna de realizar a obra ou de ser apoiada. E existem os que dizem que o poder nos há sido retirada. De onde lhes vem sua autoridade, não o sabemos, nem nos interessa. Contudo — sabendo talvez que algum dia seus Estudantes necessitariam esta certeza — Max Heindel escreveu, faz aproximadamente quarenta anos, numa carta a seus Estudantes que se acha agora em seu livro de “Ensinamentos de um Iniciado” que “E triste contemplar… deve vir o dia em que a Fraternidade Rosacruz seguirá o caminho de todos os outros movimentos; que se ligará por meio de leis, e a usurpação do poder o fará desintegrar-se e cristalizar-se. Porém então teremos o consolo de que de suas ruínas surgirá algo maior e melhor. Uma pequena ajuda da parte dos Irmãos Maiores me capacitou para pôr-me em contato com a quarta região, onde se acham os arquétipos, e para receber ali os ensinamentos e compreensão do que se contempla como o mais alto ideal e missão da Fraternidade Rosacruz. Vi nossa sede central e uma procissão de gentes vindo de todas as partes do mundo para receber os ensinamentos. Vi-as logo sair dali, para levar bálsamo aos afligidos de perto e de longe”.

O que poderia em realidade eclipsar o imenso significado do que antecede? Desde as trevas do angustioso passado surgirá um luminoso poder espiritual que brilhará, que de certo modo pode comparar-se à vida de Cristo, cuja vida sobre a terra foi um caminho de espinhos, perseguição, dor, e ainda traição e negação de parte dos seus próprios seguidores escolhidos! Esta é nossa fé, nossa vida e nossa única resposta aos que nos interrogam.

A nossa esperança e oração é que num futuro não mui distante — quando a oportunidade e os meios o permitam — possamos fazer de tudo o que pudermos para promover estes Ensinamentos Rosacruzes.

“Ninguém que põe a mão ao arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” – (Lc 9:62).

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/jun/88)

 

 

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Corinne Heline – A Terapia das Cores

O Estudante mediano está familiarizado com a escala diatônica de sete tons e com a escala cromática de doze tons na música.

Ele também está familiarizado com a escala de cores de sete tons conhecida como espectro.

Poucas pessoas, no entanto, sabem que à medida que a visão humana se sensibiliza e se desenvolvem instrumentos mais refinados para a investigação, uma escala de cores de doze tons será revelada.

Aqueles que possuem capacidade de explorar reinos internos veem neles muitas cores bonitas que são, atualmente, invisíveis para os olhos físicos comuns, algumas delas muito requintadas para descrição.

1. Para fazer download ou imprimir:

Corinne Heline – A Terapia das Cores

2. Para estudar no próprio site:

A TERAPIA DAS CORES

Por

Corinne Heline

 

 

Fraternidade Rosacruz

 

 

 

 

 

 

Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1962, Color Therapy – Issued by New Age Interpreter

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

ÍNDICE

O ESPECTRO E A AURA HUMANA.. 5

O VALOR TERAPÊUTICO DAS CORES. 10

A Aura Protetora. 11

TEMPLOS DE CORES DO FUTURO.. 13

A PSICOLOGIA DAS CORES NA VIDA DIÁRIA.. 17

A Cor na Roupa e no Lar. 17

As Cores na Educação da Nova Era. 19

As Cores na Indústria. 20

Prognóstico Baseado nas Cores. 22

Meditação Baseada nas Cores. 26

Cor e Música na Nova Era.. 29

Equivalentes Tonais de Forma e Cor. 31

A Dança do Arco-íris. 33

Lumia — Uma Nova Forma de Arte. 35

O ESPECTRO E A AURA HUMANA

 

O Estudante mediano está familiarizado com a escala diatônica de sete tons e com a escala cromática de doze tons na música. Ele também está familiarizado com a escala de cores de sete tons conhecida como espectro. Poucas pessoas, no entanto, sabem que à medida que a visão humana se sensibiliza e se desenvolvem instrumentos mais refinados para a investigação, uma escala de cores de doze tons será revelada. Aqueles que possuem capacidade de explorar reinos internos veem neles muitas cores bonitas que são, atualmente, invisíveis para os olhos físicos comuns, algumas delas muito requintadas para descrição.

No entanto, o poder e a magia da cor estão no limiar de revelações de longo alcance. À medida que os músicos da Nova Era estão experimentando uma escala musical de doze tons, os artistas, sintonizados com os ritmos da Nova Era, em breve começarão a trabalhar com um espectro de doze tons. O professor Nicholas Roerich[1], possivelmente o principal artista de nosso tempo em razão de sua alta realização espiritual, empregou, como somente um artista mestre poderia, cores astrais anteriormente desconhecidas em suas criações magníficas. Ele colocou a impressão de sua luminosidade em suas telas usando a luz de uma maneira nunca tentada. Para citar suas próprias palavras: “A cor soa o comando do futuro. Tudo de preto, cinza e enevoado já sublima a consciência da humanidade. É preciso refletir novamente sobre as lindas cores das flores que sempre anunciaram as épocas do renascimento”.

Talvez a definição mais profundamente mística de cor seja a dada por Goethe nestas palavras: “As cores são os sofrimentos da luz”. À medida que os ritmos vibratórios da luz branca e pura — que contém todas as cores dentro de si — são reduzidos, as cores se manifestam. Portanto, é definitivamente um fato que as cores nascem através dos sofrimentos da luz.

Existem três cores principais: azul, amarelo e vermelho. É através do azul que Deus-Pai manifesta o Princípio da Vontade, enquanto Cristo manifesta o Princípio da Sabedoria através do amarelo. Vermelho é a cor pela qual o Espírito Santo manifesta o Princípio da Atividade. Portanto, temos uma Santíssima Trindade de cores em toda a Terra.

As cores secundárias do espectro são laranja, verde, roxo e índigo. Laranja é uma combinação de vermelho e amarelo. Verde é uma combinação de amarelo e azul. Roxo é uma combinação de vermelho e azul. Índigo é uma combinação de laranja, verde, azul e roxo. Um estudo das várias combinações de cores em relação ao desenvolvimento físico, mental, moral e espiritual do ser humano é um assunto muito fascinante.

Vermelho

  • Marrom avermelhado indica avareza, ganância, egoísmo.
  • Vermelho-tijolo: raiva.
  • Vermelho escuro profundo: sensualidade.
  • Escarlate revela um excesso de orgulho pessoal.
  • Carmim — um vermelho puro e claro indica força, resistência e elevado estado de perfeição física.
  • Rosa claro e brilhante indica afeição humana que foi suavizada pela tristeza.

Laranja

  • Como observado anteriormente, laranja é uma combinação de vermelho e amarelo. O vermelho tipifica a personalidade; o amarelo, a mentalidade.
  • Tons avermelhados ou alaranjados indicam que as forças da personalidade controlem a Mente.
  • Tons alaranjados revelam o que os praticantes da Ciência Cristã descreveriam como o domínio da Mente sobre a matéria.
  • Todos os tons claros e laranja-dourados revelam um despertar para os valores da verdadeira sabedoria.

Amarelo

  • Amarelo puro indica alta inteligência e sabedoria.
  • Amarelo-dourado luminoso denota adaptabilidade para a recepção e a disseminação da sabedoria.
  • Amarelo-limão dá evidência de uma Mente espiritualizada ou Crística.

Verde

  • Verde é a cor que tipifica equilíbrio e descanso. No espectro, é a ponte, por assim dizer, entre a personalidade representada por vermelho ou laranja e o espírito representado por azul ou roxo. Verde é sereno, restaurador, curativo. É composto, como já foi dito, de amarelo, a cor de Cristo, e azul, a cor atribuída a Deus-Pai.
  • Aquele delicado verde prateado visto em uma floresta após o primeiro sopro da primavera é a cor da vida. Poderia haver uma definição de vida mais bonita do que dizer que ela é concebida pela mistura da Sabedoria Crística com o Amor do Pai?
  • Verde-oliva pálido indica simpatia e compaixão. Os tons de cinza esverdeado revelam pessimismo, pois o cinza pálido indica medo.

Azul

  • O azul está em sintonia com o mistério do preto. Pensamos nele como uma cor nebulosa ou intangível. Está associado a mechas de fumaça azul em espiral acima da chaminé, topos e névoas azuladas envolvendo altas montanhas. É através do azul que nos esforçamos para penetrar nas misteriosas profundezas do mar ou nos confins do céu. Então dizemos que Deus fala ao ser humano a partir do Infinito e através da cor azul.
  • Azul também denota aspirações religiosas e devoção. Se tem um leve toque de lavanda, significa devoção a um ideal elevado e nobre.
  • Azul azulado denota uma alta fase de espiritualidade, um alcance em direção ao Infinito.
  • Azul acinzentado denota sentimentos religiosos motivados pelo medo.
  • Quando o azul é misturado ao marrom avermelhado escuro, as tendências religiosas são estreitas e preconceituosas.

Roxo

  • Para repetir, o roxo é uma combinação de vermelho e azul. Em outras palavras, significa purificação e transmutação da personalidade em espiritualidade. Como esse caminho também é marcado pela tristeza, o roxo tem sido associado a roupas de luto.
  • Roxo claro e profundo indica poder espiritual. Por esse motivo, as roupas púrpuras já foram associadas à realeza e a frase “nascido para a púrpura” sugere majestade, poder de rei.
  • A cor violeta revela uma natureza espiritualizada, tornada nobre pela tristeza. Em muitos países onde é costume usar preto como sinal de pesar pela morte de um ente querido, a cor violeta é frequentemente chamada de cor do “segundo luto”.
  • Lilás indica um amor abrangente pela humanidade.
  • Orquídea é uma cor aquariana — que tipifica o belo idealismo pertencente à Nova Era. Ele ganhará maior destaque quando o idealismo aquariano atingir uma expressão mais ampla na vida da humanidade. Nesse sentido, é significativo notar que um dos mais recentes desenvolvimentos em rosas é um requintado tom de orquídea.

Índigo

  • Repetimos: o índigo é derivado de uma combinação de laranja, verde, azul e roxo.
  • O raio índigo ainda não é bem entendido, portanto não é de uso geral. O ser humano não tem plena consciência do poder concentrado na mistura das cores secundárias. Um maior uso do Raio Índigo se prolonga até algum dia futuro.

Preto

  • O ser humano não entende o grande mistério do preto e, portanto, tende a associá-lo ao mal. Ele deve possuir sabedoria suficiente para rasgar o Véu de Isis, antes que seu mistério possa ser compreendido.
  • Como toda criação é inerente ao próprio Deus, a grande luz branca contém em si todas as cores do espectro. E ela brinca [no original, it plays] diretamente com a divindade dentro do ser humano. Quando sua divindade latente é despertada, ele entra em sintonia com a luz branca como um poder.

Deus, o Pai do nosso universo, manifesta-Se através do Raio Azul; portanto, azul é uma cor infinita. O Glorioso que Se manifesta através do Raio Branco está além de todos os Planetas, estrelas e constelações. Ele, nós identificamos apenas como o Ser Supremo.

 

O VALOR TERAPÊUTICO DAS CORES

 

Do ponto de vista de seu valor terapêutico, os vermelhos são estimulantes e revigorantes para o Corpo Denso do ser humano. Os amarelos vitalizam e aceleram suas atividades mentais. Os verdes são tranquilos e calmantes para o sistema nervoso. Os azuis são inspiradores, dando tom espiritual a toda sua composição. Os roxos aceleram e sublimam todos os processos de seu Corpo, Mente e Espírito. Cada indivíduo possui seu próprio espectro, o índice de cores de seu personagem, conhecido como sua aura.

Uma pessoa de elevado idealismo, cujos pensamentos, palavras e ações são dedicados à melhoria do mundo, não terá em sua aura os vermelhos escuros do sensualismo, os cinzas sem graça do medo e do pessimismo ou os tons escuros e enlameados do ódio e da malícia. Sua aura será luminosa com vermelho claro e brilhante, amarelo claro, azul delicado, roxo vibrante.

A aura humana é um identificador preciso de caráter. Nela não pode haver subterfúgios, hipocrisia, engano. O sábio americano Ralph Waldo Emerson[2], certa vez, escreveu algo nesse sentido: “Eu não consigo ouvir o que você diz porque o que você ‘é’ está gritando muito alto nos meus ouvidos”. Em um estudo da aura humana, podemos parafrasear essa afirmação em: “Não consigo ouvir o que você diz, porque o que vejo em sua aura proclama bem alto o que você realmente é”.

Assim, é evidente que cada experiência e todo evento da vida de um ser humano estejam em sintonia com a cor. O poeta mais requintado da Inglaterra, John Keats[3], escreveu que a vida é uma cúpula de muitas cores iluminada pela luz branca da Eternidade.

A Aura Protetora

Em todas as verdadeiras escolas esotéricas, os Estudantes aprendem uma técnica para criar e manter uma aura de luz como proteção do Corpo, da Mente e da Alma contra todas as influências malignas, sejam elas dirigidas consciente ou inconscientemente. Essa aura é uma armadura eficaz contra todas as formas de ataque psíquico ou invasão. Embora o método seja simples, ele fornece um meio eficaz e poderoso para afastar influências psíquicas adversas, como magnetismo mental malicioso, magia negra e vampirismo psíquico, sendo este último a retirada da força magnética.

O método consiste em formar uma imagem mental de si mesmo cercado por uma aura de pura, clara e cintilante de luz. Essa imagem deve ser alimentada com a determinação de que sirva ao propósito para o qual foi criada. Um pouco de prática nos permitirá sentir que na presença e no poder dessa luz branca esteja realmente a radiação do Espírito Divino — o Espírito que é o mestre de todas as coisas.

Um Mestre disse uma vez: “O ensino oculto mais elevado e mais profundo é o de que a luz branca nunca deve ser usada com a finalidade de um ataque ou ganho pessoal, mas pode ser adequadamente empregada por qualquer pessoa a qualquer momento para autoproteção contra influências psíquicas adversas, independentemente de quem as tenha usado. É uma armadura espiritual e pode ser empregada de maneira construtiva quando e onde for necessária” [4].

 

TEMPLOS DE CORES DO FUTURO

 

Em nossos escritos, tem sido frequentemente afirmado que a religião da Nova Era estará centrada na Iniciação. Tanto a cor quanto a música terão um papel importante em seu trabalho. Haverá Templos de Cores em que os Discípulos e os Iniciados receberão ensinamentos mais avançados do que o público em geral que não está pronto para receber. A instrução espiritual de toda a civilização contém “carne para os fortes e leite para bebês”[5].

Esses Templos de Cores consistirão em sete estruturas com as sete cores do espectro e cada edifício será dividido em sete compartimentos.

O desenvolvimento das cores sempre esteve em harmonia com a evolução humana. O mais primitivo dos povos não tinha senso de cor; ele estava ciente apenas do preto e do branco. Dizem que na época de Homero[6], por volta de 900 a.C., a humanidade se tornou consciente de três cores: vermelho, laranja e amarelo. Também no épico escandinavo, o Edda[7], o arco-íris é referido como tendo apenas três cores. Só na Idade de Ouro da Grécia a adorável luz verde foi claramente percebida. As cores mais altas e espirituais se tornaram visíveis muito mais tarde. Isso não ocorreu até o ser humano ter desenvolvido certas faculdades espirituais que lhe permitissem estudar as leis espirituais.

Entre os Templos de Cores do futuro, haverá um Templo Vermelho que consistirá em sete compartimentos, desde tons fundamentais de vermelho claro até delicados tons de rosa suave. Aí, um Discípulo aprenderá como transformar pureza em poder. Pensamos na pureza como uma virtude, nunca como um poder. No entanto, o Cristo ensinou que somente os puros de coração teriam a capacidade de ver Deus. Dizia-se de Sir Galahad[8], o Cavaleiro perfeito, tinha o poder de dez porque seu coração era puro.

No Templo Laranja será travada a batalha entre a personalidade (vermelho) e a sabedoria (amarelo). Essa será a arena da Grande Superação. Em um compartimento de laranja-ouro ou laranja-ouro luminoso, um Discípulo acabará por compreender o significado das palavras proferidas por Salomão, o grande rei da sabedoria: “Aquele que é lento para irar-se é melhor que o poderoso; e aquele que governa uma cidade, melhor do que aquele que toma uma cidade”.

O trabalho do Templo Amarelo será dedicado em grande parte ao desenvolvimento da Mente. Na pura glória de seu compartimento mais elevado, um Discípulo aprenderá o significado completo de iluminar ou Cristificar a Mente e compreenderá o significado da instrução de São Paulo para seus Discípulos: “Que essa Mente esteja em você, a qual também estava em Cristo-Jesus”[9].

Tanto os Discípulos quanto os Iniciados estudarão as maravilhas da vida no Templo Verde, onde aprenderão a extrair certas forças vitais da natureza e serão ensinados a transferir essas forças vitais para os Corpos Densos através do baço, com o objetivo de rejuvenescê-los e regenerar. Assim, eles serão capazes de superar as doenças e a cristalização agora vistas como os estragos da velhice. Em meio à glória da luz verde prateada que ocupa o compartimento mais elevado desse Templo, um Iniciado estará diante do próprio mistério da vida mesma e compreenderá o profundo significado das palavras do Mestre: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância”[10].

Trabalhos de lei espiritual serão estudados no Templo Azul. As operações dessa lei são hoje consideradas milagres. Banhados nos requintados tons de azul do compartimento mais elevado do Templo Azul, os Iluminados estudarão o funcionamento dessa lei nos reinos mais elevados com os quais o Planeta Terra está sintonizado.

Afirmamos anteriormente nesse texto que todo o poder do Raio Índigo ainda não se manifestou. Nos Templos de Cores da Nova Era, no entanto, esse Raio entrará em pleno funcionamento. Desse modo, os Iniciados viajarão à vontade pelo espaço cósmico para entrar em contato e comungar com os moradores de outros Planetas. Então, Saturno não será mais considerado o Planeta da obstrução como é hoje, mas será visto como o descobridor e o caminho para os Iluminados.

A lei espiritual que governa os reinos mais elevados continuará sendo estudada no Templo Roxo, mas agora essa lei será rebaixada, trazida para o plano terrestre e aqui manifestada. Sensibilizado pelo requintado Raio Orquídea de seus compartimentos superiores, o ser humano se tornará um cidadão autoconsciente de dois mundos. Ele será capaz de passar à vontade da Terra para o Céu e atender pedidos de serviço em qualquer domínio onde for necessário. Ele então se juntará a São Paulo e outras almas emancipadas no canto triunfante: “Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó sepultura, onde está a tua vitória?”[11].

Nesse estudo dos Templos das Cores do futuro, propositadamente, ilustramos os vários passos por meio de citações da Bíblia, porque desejávamos demonstrar quão verdadeiramente a Bíblia é o Grande Livro do Mistério da Vida.

Com tanta frequência ouve-se os Estudantes avançados observar: “Deixei a Bíblia para trás quando deixei a Igreja Ortodoxa. Agora que sou estudante de pensamento oculto ou superior, superei a Bíblia”. Tal declaração evidencia um completo mal-entendido do propósito e da mensagem da Bíblia. Nunca se pode superar esse livro maravilhoso. Quanto mais se desenrola o progresso espiritual, mais a Bíblia revela seus maravilhosos tesouros espirituais.

Para o ser humano, a Bíblia será o livro supremo da vida até o fim de sua evolução nesse Planeta. Não antes da conclusão desse grande ciclo encarnacional, ele compreenderá totalmente o significado da promessa bíblica: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”[12].

 

A PSICOLOGIA DAS CORES NA VIDA DIÁRIA

A Cor na Roupa e no Lar

Pelo pedido da Sabedoria Divina, a Natureza circunda a humanidade com uma variedade infinita de cores, um fato maravilhoso que muitas vezes é dado como certo. A riqueza de cores da natureza é tanto o resultado de um projeto inteligente quanto as cores de uma tela. No entanto, elas nunca foram tão ricas e significativas como são hoje. A evolução pertence a toda a natureza e isso inclui seu esquema de cores, que passou por muitas mudanças desde o primeiro amanhecer da vida neste planeta.

Somente quando o ser humano se torna conhecedor da psicologia das cores ele começa a perceber a beneficência divina que adapta os tons naturais ao seu status no tempo, lugar e na circunstância. A própria humanidade é parte integrante do grande esquema da natureza; ela não é uma coisa à parte e intuitivamente toma para si o que a natureza fornece abundantemente. As tendências das cores usadas na vida cotidiana parecem triviais; mas na realidade, elas têm suas raízes profundas na psique humana.

Toda mulher possui uma afinidade com certas cores. Essas são as cores com as quais ela deve se cercar não apenas usando-as em seu vestuário, mas na decoração de sua casa; e, se possível, no seu escritório ou local de trabalho.

Nunca tenha medo de experimentar cores até encontrar a mais agradável. Ao subirmos a escada da conquista espiritual de modo mental, moral e físico, descobrimos que também estamos elevando nosso grau de sensibilidade à cor e à luz. A escritora certa vez conheceu uma jovem que era bastante materialista em sua visão da vida. Ela se vestia em grande parte com vermelho e tinha o apartamento pintado de vermelho claro. Mais tarde, tornou-se estudante de filosofia, passando a maior parte do dia nas bibliotecas da cidade em que vivia. Ela não sabia qualquer coisa sobre a psicologia das cores naquela época, porém intuitivamente mudou a decoração de sua casa para amarelos dourados e brilhantes. Mais tarde, ela se tornou uma estudante de metafísica e mudou suas cores para o mais suave azul e azul-marinho. Nos seus últimos anos, ela se tornou uma estudante profunda do ocultismo e escreveu muitas coisas sobre as verdades suprafísicas. Foi então que ela viveu, se moveu e se voltou apenas pelo delicado, quase tênues, tons da Nova Era simbolizados pelos tons das orquídeas, de roxo acinzentado passando por rosa púrpura até o roxo avermelhado forte. Tão bonito e espiritual foi a atmosfera do seu apartamento que qualquer um podia quase ouvir a música dos seus acompanhantes angelicais.

À medida que as pessoas percebem cada vez mais a importância de se cercar das cores psicologicamente certas, a decoração de interiores se torna uma profissão mais popular para homens e mulheres. Por exemplo, um decorador pegará uma sala com exposição ao norte e, em vez de paredes brancas ou cinzas que apresentam uma aparência fria e triste em uma luz norte, pintará as paredes de amarelo pálido e brilhante. A luz de um fogo ardente em uma lareira abrirá à sala uma atmosfera tão encantadora e aconchegante que a falta da luz solar direta dificilmente será perceptível.

Uma pessoa nervosa ou que sofra de insônia se beneficiará muito pintando o cômodo ocupado com os suaves tons de verde da floresta no início da primavera. Uma pessoa solitária, que não faz amigos com facilidade e deixa de atrair companheirismo, será beneficiada por um ambiente feito em tons de rosa, variando de matizes brilhantes a entretons de flor de pêssego. Para uma pessoa envolvida em trabalhos criativos ou para um estudante metafísico que fique muito tempo em oração ou meditação, recomenda-se o azul mais suave, uma cor que pareça conter em si a chave do infinito.

As Cores na Educação da Nova Era

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a cada ano tem-se demonstrado um interesse crescente pela experimentação de cores em várias escolas, tanto públicas quanto privadas. Em algumas de nossas cidades americanas, as escolas foram construídas de acordo com especificações elaboradas em conjunto por arquitetos, educadores e psicólogos. Os especialistas posteriores cuidaram para que a cor e a luz fossem adequadamente incorporadas nas estruturas. As lousas eram verdes, o giz era amarelo, as paredes tinham três tons delicados. Almoços infantis eram servidos em pratos de plástico de muitos tons. A luz entra nas salas através de paredes e tetos construídos em grande parte com tijolos de vidro. Assim, a beleza e o brilho estão chegando com o amanhecer de um dia verdadeiramente novo. Durante as próximas décadas, à medida que o ser humano chegar a uma percepção maior da potência da cor nos assuntos humanos, certamente ela será usada cada vez mais nas salas de aula.

O tema da cor seguirá o padrão do espectro solar, mas com a adição da flor de pêssego, do roxo, preto e branco. Nas primeiras séries serão dadas instruções em salas de escarlate claro e brilhante. À medida que as faculdades mentais das crianças sejam despertadas e estimuladas, as séries intermediárias serão ensinadas em salas de amarelo claro ou verde claro. Quando os Estudantes estiverem prontos para estudos científicos e abstratos, estes serão ministrados em salas decoradas com vários tons de azul, índigo e roxo. A essa altura, os estudos sobre percepção extra-sensorial terão se tornado uma parte essencial do currículo escolar regular. Os estudantes que estiverem prontos para estudar assuntos como o desenvolvimento de telepatia, clarividência, clariaudiência e afins receberão instruções em salas de cor malva mais suave e todas as requintadas tonalidades das orquídeas (do roxo acinzentado, passando pela rosa púrpura até o roxo avermelhado forte).

Declarações e sugestões de inovações tão interessantes e de longo alcance ecoaram mais de uma vez através dos tempos. Um poeta do século XI canta:

“Sol, Nuvem e Chuva geram o Arco —

Que moral está chamando aqui?”

 

As Cores na Indústria

As cores estão sendo usadas nas fábricas por seu efeito psicológico nos trabalhadores. Descobriu-se que ambientes mais claros significam maior produção de trabalho de alta qualidade e menos acidentes. Um caso grave de “tristeza” deve-se frequentemente à grande quantidade de cinzas ou marrons deprimentes nos arredores.

Em uma fábrica perto de Londres, a falta entre as mulheres empregadas subiu a um ritmo alarmante. Um especialista em cores foi chamado e percebeu que a iluminação fizesse o rosto das mulheres parecer azul e doentio. Um olhar no espelho e elas sentiram-se doentes. Uma camada de bege quente sobre as serpentinas de cor cinza-ferro neutralizou esse efeito e o problema das ausências foi resolvido.

Os seguintes e interessantes trechos da Revista Popular Science Monthly são ilustrativos da crescente conscientização da indústria sobre o poder e a eficácia das cores:

“As garotas de uma fábrica no centro-oeste com ar-condicionado reclamavam de sentir frio, embora a temperatura fosse mantida em 22,2º C. Quando as paredes verde-azuladas foram repintadas com uma cor quente de coral, no entanto, suas queixas cessaram. Em outra fábrica, os trabalhadores que levantavam caixas pretas de metal, cheias de canos de sarça, reclamavam que doía as costas. Em um fim de semana, o chefe pintou as caixas com um tom de verde pálido. Na segunda-feira de manhã, vários homens comentaram: ‘Essas novas caixas são leves e fazem uma diferença real’”.

Tais evidências dos poderes enganosos e persuasivos da cor não são novidade para a ciência. A pessoa comum subestima a temperatura de uma sala azul e superestima a temperatura de uma sala vermelha, julgando que os objetos de coloração escura sejam mais pesados do que realmente são. Nos últimos dez anos, a ciência da engenharia de cores aplicou esses e outros fenômenos de cor a trabalhos práticos de larga escala.

Enquanto o vermelho induz à ação, o verde — a cor da natureza — parece promover uma sensação de bem-estar. A Ponte Blackfriars[13], em Londres, era famosa por suicídios. Quando o ferro preto foi repintado de verde brilhante, os suicídios da ponte caíram em mais de um terço.

Os proprietários de navio economizam milhões de dólares por causa da descoberta feita pela Scripps Institution of Oceanography de que as cracas, organismos marinhos que sujam os navios ao se prenderem no casco, gostam particularmente de cores escuras e se instalam em número muito menor em cascos verdes claros ou brancos. Uma maneira simples, certamente, de diminuir a “conta de craca” anual de US$ 100.000.000,00 dos navios americanos.

A experiência em tempo de guerra desenvolveu um programa completo de cores para a indústria, com resultados tão impressionantes que centenas de fábricas estão adotando. Os gerentes atribuem aumentos de produção de 15% a 30% apenas à seleção científica de cores.

Prognóstico Baseado nas Cores

A consciência de massa expressa sua percepção das cores sobretudo em roupas, iluminação, decorações e outras mídias. E os eventos também têm seus elementos de cores próprias. Quando são de caráter universal e carregados de profundo significado, rapidamente se traduzem através da consciência humana em cores correspondentes no plano da expressão. As constantes conversas sobre guerra durante 1939 e seu surto real antes do final daquele ano fizeram do vermelho a moda predominante no uso de roupas. À medida que a guerra se espalhou em 1940, o vermelho ganhou popularidade. Chapéus, vestidos, casacos e bolsas escarlates eram visíveis em qualquer grande aglomeração. Isso estava de acordo com as exigências da natureza, pois o vermelho brilhante é a cor relacionada à força, coragem, iniciativa e atividade física. É a radiação do próprio valor, uma qualidade necessária para o êxito do julgamento do conflito.

Vermelho é uma cor marcial. Quando o deus da guerra paira sobre uma nação, ele acena uma bandeira vermelha. Quando pensamentos-formas de guerra envolvem um povo, sua reação psicológica se manifesta como predominância do escarlate no mundo da moda.

À medida que a guerra avançava, era necessário algo mais. O estresse e a tensão de 1942 e 1943 tendiam a quebrar o espírito de luta do ser humano. Os construtores da moral se tornaram outra necessidade. Aqui, novamente, a cor teve um papel indispensável. Os tons mais brilhantes que se possa imaginar vieram à tona; quanto mais flagrantes e vívidos, melhor. Então, seguiu-se uma temporada de roxos reais, fúcsias brilhantes e magentas ricas, frequentemente usados juntos nas combinações mais impressionantes. Alguns eram bastante chocantes e serviam para dar vibração ao espírito humano, elevando-o acima da dúvida e da tristeza, da depressão e do desespero. Eles tiveram o efeito de desviar o olhar mental para a direção do revestimento prateado das nuvens. Tudo isso foi um indicativo dos dias mais brilhantes do outro lado da provação.

O ano de 1944 foi um ano de cor pastel. As combinações de cores brilhantes e climáticas foram sucedidas por tintas requintadamente suaves e macias. A necessidade de seu efeito curativo havia chegado. Após longos meses de guerra, o suspense, a agonia de esperar por notícias e o desgosto evidenciado pela exibição muito frequente de uma estrela dourada — as pessoas não podiam mais tolerar o efeito galvânico de cores vivas. A vitória na frente de batalha já foi concedida, sua realização é só uma questão de tempo. Portanto, em vez de um incitamento contínuo à ação, uma atitude de equilíbrio era essencial para concluir o conflito e fazer as pazes. Essa postura foi a mensagem que os tons pastéis introduziram nesse importante trabalho.

As tonalidades da cor pastel encontraram uma bela expressão nas decorações da época de Natal de 1944. Em algumas de nossas mais famosas lojas de departamento nas grandes cidades, os temas decorativos para as vitrines e os interiores não estavam nos vermelhos e verdes convencionais, nem nos delicados tons de arco-íris. De acordo com essa tendência, houve pelo menos um exemplo importante em que o tradicional Papai Noel foi substituído por Anjos de prata. Comentando a mudança, o gerente de um desses empórios expressou a esperança de que essa inovação em seu esquema de cores diminuísse nos compradores de Natal o estresse e a ansiedade da tensão nervosa.

Com a conclusão da guerra em 1945, os pensamentos estavam sendo direcionados para curar as rachaduras que ela havia trazido e para efetivar unidades maiores entre pessoas e nações. Um Mundo se tornou quase um lema da época. Portanto, embora a necessidade de consolo e cura em matizes de cor pastel ainda estivesse presente e ficasse na vanguarda da moda, a cor que então veio a dominar foi um lindo azul, o azul descrito como azul empoeirado ou cinza. Esta é a sombra suave e enevoada de um céu de junho, a cor que pertence à cura, ao idealismo, aspiração e sonhos de dias melhores em um mundo melhor.

Pode-se dizer que o ano de 1946 viu o nascimento de um novo mundo, pois a bomba atômica soara a morte do antigo. O pensamento principal em muitas Mentes e a palavra em milhares de lábios era que tivéssemos chegado a um ponto de virada em que a escolha era entre um mundo ou nenhum. A consciência do povo estava tão preocupada como nunca com as relações internacionais. E mais uma vez a tendência no pensamento dos seres humanos se refletiu nos modos predominantes da estética. Citamos uma nota de moda daquele dia: “As estampas da primavera contam sua própria história. Existem as viagens de Gulliver e a influência chinesa foi fortemente marcada. Um estilista exibiu uma blusa chinesa com decorações russas para ser usada com uma faixa espanhola.” — Outra evidência de que nos vestimos como sentimos e pensamos.

Como dissemos, o vermelho foi a cor dominante durante os primeiros anos da guerra, o vermelho da destruição. Mas o vermelho também é a cor da iniciativa e da ação; portanto, para a construção de um novo mundo, o vermelho ainda tinha trabalho a fazer e estava em evidência. Agora, porém, ele apareceu em uma combinação apropriada à sua função construtiva. Amarelo dourado é a cor unificadora, aquilo que aglutina. Uma nota da moda nesse período afirma que o vermelho dourado (tomate) estava sendo mostrado extensivamente e fez com que a feira se tornasse extremamente popular. A influência do amarelo fundido com o vermelho se refletiu nos esforços para estabelecer as Nações Unidas como uma organização que funcionasse com sucesso; outra evidência das forças da cor que estão em ação sob a superfície, tornando-se expressamente manifestas em nosso ambiente cotidiano.

Agora, o ouro no coração da humanidade deve transmutar o vermelho da guerra e conquistar o vermelho dourado da estrela do dia em que a humanidade possa “andar na luz como Ele está na luz”[14] e assim ter uma comunhão verdadeira e duradoura, uns com os outros.

Em outubro de 1949 as últimas notas da moda listavam vermelho como a cor mais popular. Mulheres elegantemente vestidas usavam conjuntos completos de vermelho — chapéu, paletó, bolsa e sapatos. Azul marinho, preto e marrom, antes tão amplamente usados no inverno, estavam sendo substituídos pela cor marciana. Foi então lembrado que a última vez que o vermelho foi o decreto da moda foi no inverno de 1940 e 1941; e que, fiel à sua significação, anunciou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, imediatamente após o ataque do Japão a Pearl Harbor. Perguntou-se, então, se um retorno ao vermelho na moda feminina pressagiasse eventos de natureza semelhante ou se fosse apenas uma transferência dos anos sanguinários tão recentemente encerrados. “O tempo dirá” foi a conclusão do artigo.

E assim foi. Em 1950, os Estados Unidos se envolveram em outro conflito sangrento, na Coréia. As cores certamente falam uma linguagem profética, se pudermos interpretá-las corretamente.

Nesses dias de extremo perigo e estresse, se de repente a moda decretar que o vermelho brilhante seja o tom da cor predominante da próxima temporada, à luz dos prognósticos de cor do passado, poderíamos supor que o deus da guerra esteja pairando muito perto.

Meditação Baseada nas Cores

Até que chegue o momento em que algum inventor da Nova Era traga à Terra um verdadeiro órgãos de cores, os Aspirantes considerarão necessário fazer seu próprio trabalho de experimentação, seguindo os passos do músico ou clarividente que possa estabelecer algumas regras básicas e simples. Mostramos em outro lugar as correlações entre os esquemas de cores e atividades de vários tipos. Resta dar uma técnica simples para fazer uso pessoal e direto da cor, uma arte que possa ser combinada com a música que o próprio Aspirante escolher.

É sempre possível comprar lâmpadas coloridas da cor que se deseja usar. No entanto, os Estudantes da Verdade que estejam aprendendo a entender algo dos maravilhosos poderes de concentração e visualização estão começando, criativamente, a partir de “banhos de cores” diários na mediação, pois as cores físicas são as sombras mais simples das formações vitais e poderosas de cores do mundo espiritual.

As cores mais propícias à meditação espiritual estão na faixa entre as cores violeta e ametista; também azul-violeta e azul-escuro profundo do índigo; essas cores correspondem aos centros espirituais de força, na cabeça. Leonardo da Vinci disse que o poder da meditação aumentaria 10 vezes, se ela fosse feita sob os raios de luz violeta que caíam através dos vitrais de uma igreja tranquila.

O azul é uma cor calmante, tranquilizante e, portanto, excepcionalmente boa para meditação, especialmente em assuntos espirituais e altruístas. Incentiva uma tranquilidade mental altamente receptiva à inspiração espiritual. É especialmente a cor do humor devocional e estimula o desejo de exercícios devocionais. É a cor da Madonna – a Virgem Maria com o Menino Jesus.

No trabalho da meditação, o ambiente deve ser tão calmo quanto as condições permitirem e sempre, se possível, deve haver um plano de fundo para música relaxante e tranquila. Deve-se assumir uma postura completamente relaxada, reclinando-se em um sofá ou sentando-se em uma cadeira confortável. Depois que as tensões corporais são relaxadas, devemos visualizar a cor apropriada ao tema escolhido para a meditação e imaginá-la em ritmos suaves, como as ondas do mar. Primeiro, as ondas cobrem os pés; depois, sobem para os joelhos; a seguir, para a cintura, o coração, a garganta; finalmente, elas cobrem a cabeça. Assim, nós nos banhamos e lavamos nessa harmonia de cores por 10, 15, 20 ou mesmo 30 minutos de cada vez, fechando-nos completamente ao mundo exterior e vivendo em um verdadeiro mar de cores. O efeito é estimulante e renovador.

Até que nos familiarizemos completamente com a arte do banho de cor, é melhor manter a Mente completamente inativa. No entanto, depois de ficar à vontade com o processo, ele nos ajudará a meditar sobre algum poema inspirador e favorito ou uma passagem bem amada das Escrituras, como: “Fique quieto e saiba que Eu sou Deus.”[15]; “Ele me leva ao lado das águas tranquilas.”[16]; “Certamente, a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para sempre.”[17].

Esse método de meditação baseado nas cores é aplicável à cura de outras pessoas e de nós mesmos. Pode ser usado em clínicas de cura espiritual onde cada um dos 12 Signos, os nove Planetas (mais a Lua) sejam representados por um Curador que trabalhe com os pacientes cujos horóscopos sejam harmoniosos com o seu próprio[18]. Esses grupos de cura se tornarão centros focais para um influxo de tremendo poder espiritual: um poder tão vasto e um espírito tão poderoso que os que zombam permanecerão para louvar e, talvez, até orar!

 

Cor e Música na Nova Era

Para o esoterista a visão de cores significa que o olho espiritual da Clarividência se tornou consciente das cores vivas, que são um fenômeno básico do Mundo do Desejo. No Mundo do Desejo – emoções, sentimentos e desejos são visíveis em formações objetivas —, nuvens de cores exibem as qualidades da vida da alma de toda a raça humana. Aqui também são vistas as formações de cores criadas pelas emoções cósmicas de Anjos, Arcanjos e outros seres cósmicos, bem como pelos animais e pelos espíritos da natureza que trabalham nos reinos vegetal e mineral.

No mais elevado dos Mundos suprafísicos pelos quais passamos nesse atual momento da evolução, o Mundo do Pensamento, a qualidade básica é o som, pois esse é o reino da Música das Esferas e aqui as canções arquetípicas da criação ressoam no espaço. O Mundo de Desejo e o Mundo do Pensamento não são separados um do outro. Em vez disso, eles se interpenetram e os padrões de cores vistos no Mundo do Desejo são, de fato, “animados” pelas harmonias do Mundo do Pensamento.

Onde pensamentos e emoções são complexos e altamente civilizados, o som e os padrões de cores são correspondentemente intrincados. Esses padrões do Mundo do Desejo, que variam a partir de simples manchas de cor como pequenas nuvens que, quando agrupadas, assemelham-se a massas ondulantes de nuvens, são nuvens de emoções coletivas que, às vezes, surgem e rolam sobre vastas multidões de pessoas. É nesses blocos de nuvens que os grandes Arcanjos que guiam a evolução das raças e nações podem, de vez em quando, ser vistos dirigindo suas acusações aos da raça ou nação — como muitos videntes os descreveram na literatura sagrada em todo o mundo.

A emocionante música marcial de canções patrióticas envia exércitos para a batalha em uma onda de escarlate, vermelho e dourado combinados com lâminas de luz reluzente e mutável, representando a justa indignação e um forte espírito de autodefesa. Não é de surpreender que essas lâminas de luz, na aura, sejam confundidas com lanças e espadas reais nas mãos de guerreiros sobrenaturais, embora geralmente essas lâminas circundem seus corpos em uma espécie de auréola. Tal é a representação da alta coragem moral, mas não da excitação de raiva mostrada como relâmpagos na aura contra um fundo preto e escarlate.

Onde os processos de pensamento são claramente definidos, como em um intelecto treinado, as formas de pensamento são nítidas e claras. A aura humana também revela essa linha de desenvolvimento, sendo nublada e indefinida nos contornos das pessoas comuns; porém clara de contorno, radiantemente transparente, brilhante e com cores vivas, nas pessoas de cultura superior.

Em um artigo não-assinado e publicado na Revista Rays from the Rose Cross, em outubro de 1915, supostamente escrito por Max Heindel, que era seu editor, lemos: “Quando aprendemos a controlar nosso senso de visão para poder olhar para um ser humano sem ver sua forma física, então sua fotosfera ou aura poderá ser vista em todo o seu esplendor, pois as cores da Terra são opacas em comparação aos fogos vivos e espirituais que cercam todo humano e dele emana. O jogo cintilante da aurora boreal nos dá uma ideia de como essa fotosfera ou sombra age; ela está em movimento incessante, dardos de força e chamas estão constantemente sendo disparados de todas as partes e particularmente ativos ao redor da cabeça; as cores e os tons dessa atmosfera áurica mudam a cada pensamento ou movimento”.

 

 Equivalentes Tonais de Forma e Cor

A pensamento-forma adequada, que tem a ver com ideias dissociadas de um sentimento ou emoção, também mostra que exista uma relação entre a forma (ou o desenho) e o tom, pois os tons arquetípicos soam continuamente no Mundo do Pensamento. Os cientistas ocultos indicam, há muito tempo, que deve haver uma analogia física muito conhecida nesse processo do mundo celestial. Se a areia for colocada sobre uma folha de vidro ou latão e, ao redor da sua borda, for friccionado um arco de violino, o som fará com que a areia forme padrões que, na ciência da acústica, são chamados de “as figuras de Chladni”[19]. As figuras variam quando a placa é curvada em um ponto ou outro.

Nas condições densas e rígidas do Mundo Físico, esses três processos — som, cor e desenho ou forma — são separados um do outro. No Mundo do Desejo, ocorrem simultânea e automaticamente, em consonância com as leis que governam os reinos internos. Assim, pode acontecer que, quando um Auxiliar Invisível estiver acordado no Mundo do Desejo, enquanto seu Corpo Denso dorme na Região Química do Mundo Físico, ele repentinamente pode perceber que a música está fluindo dos objetos a sua volta.

Talvez ele acorde em seu Corpo-Alma e se encontre em uma galeria de arte onde vê belas imagens de Cristo reproduzidas através dos poderes reflexivos do Mundo do Desejo. Enquanto ele as contempla, há uma explosão de música como a de um grande órgão de tubos. Ela é derramada pelas imagens e parece preencher todo o espaço. O que é essa música? É a dimensão mais alta das imagens, o equivalente a elas em termos de som — como é conhecido no céu superior, onde o som domina. Em outras palavras, os quadros de Cristo pintados com música.

Como vivemos o tempo todo não apenas no Mundo Físico, porém nas dimensões superiores da alma que o interpenetram, todos nós temos um profundo conhecimento intuitivo desses fatos sobre o Mundo do Desejo. Isso sempre foi conhecido pelos membros das Escolas de Mistério. Platão ensinou que o amor à beleza é apenas a lembrança da alma, daquilo que ela conhecia antes de ser envolta em carne.

O compositor russo Scriabin[20] estava profundamente interessado no estudo da cor e da música. No momento de sua transição, ele estava trabalhando no que esperava ser sua obra-prima, uma sinfonia na qual as duas seriam misturadas. Sua ideia era colocar uma tela no palco, acima da orquestra. À medida que a sinfonia fosse realizada, as cores apareciam simultaneamente na tela. Sua morte foi uma grande perda para a arte da Nova Era de combinar cor e música, pois ele foi um pioneiro talentoso nesse campo de empreendimento tão fascinante. A tabela a seguir é a correlação de Scriabin entre notas musicais e cores, como ele as viu.

Nota Musical

Cor Relacionada
C Vermelho
C# Violeta
D Amarelo
D# Brilho do Aço
E Azul Perolado e Brilho do Luar
F Vermelho Escuro
F# Azul Brilhante
G Laranja Rosado
G# Roxo ou Púrpura
A Verde
A# Brilho do Aço

B

Azul Suave

 

A Dança do Arco-íris

“Você tem seus olhos, você tem seus ouvidos: olhe com seus olhos para as coisas da Natureza, ouça com seus ouvidos o que acontece na Natureza; o espiritual se revela através da cor e do tom, e quando você olha e ouve, você não pode deixar de sentir como ele se revela neles.”

No rádio, a pergunta foi feita recentemente: “O que é a verdade?”. Um cientista físico respondeu: “A verdade é apenas aquilo que possa ser evidenciado através da percepção sensorial”. Como o ser humano pode ser cego e covarde! Toda a Natureza está se esforçando para lhe revelar algo sobre os maravilhosos milagres que o cercam, mas ele se contenta em viver na estreita prisão de seus cinco sentidos.

As pessoas admiram o arco-íris com os olhos abertos. Contudo se você olhar para o arco-íris com um pouco de imaginação, poderá ver seres elementares. Tais seres elementares estão cheios de atividade e demonstram isso de maneira notável. Aqui, no amarelo, você vê alguns deles saindo do arco-íris, saindo continuamente. Eles se movem e, quando atingem a extremidade inferior do verde, são atraídos para o amarelo novamente. Para quem o vê com imaginação, todo o arco-íris manifesta um fluxo que sai do espírito e, desaparecendo, volta novamente para ele, por dentro. É como uma dança espiritual; de fato, uma valsa espiritual maravilhosa para observarmos. E você também pode ver como os Seres espirituais saem do arco-íris com um medo terrível e como entram com uma coragem invencível. Quando você olha para o vermelho-amarelo, vê o medo se esvaindo e, quando olha para o azul-violeta, sente existir muitíssima coragem e bravura no coração desses Seres.

Agora imaginem para si mesmos: diante de mim não existe um simples arco-íris! Seres estão saindo dele e entrando nele, aparecendo e desaparecendo — aqui, ansiedade e medo; lá, coragem… E agora, aqui o arco-íris recebe uma certa espessura e você será capaz de imaginar como isso dá origem ao elemento Água. Nesse elemento aquoso, os seres espirituais vivem, seres que são na verdade uma espécie de cópia dos Seres da Terceira Hierarquia”.

Todas as manifestações de cores que ocorrem nos reinos interno e externo desse Planeta Terra estão sob a supervisão e direção das três grandes Hierarquias, a saber: Sagitário, os Senhores da Mente; Capricórnio, os Arcanjos; Aquário, os Anjos.

Evidentemente, o poeta Robert Browning[21] havia desenvolvido algumas de suas faculdades ocultas, o que lhe permitiu penetrar nos reinos internos, quando escreveu:

“Apenas a obstrução do prisma mostra corretamente

o segredo do raio de sol:

Quebra sua luz em arco de joias para um cobertor branco.

Assim, pode surgir uma glória de um defeito.”[22]

Lumia — Uma Nova Forma de Arte

Durante as últimas décadas, vários instrumentos foram inventados com o objetivo de sincronizar cores e tons. Entre as mais bem-sucedidas dessas invenções está a do Sr. Thomas Wilfred[23], chamado Clavilux. Muitas pessoas, lendo essas linhas, recordam o interesse agradável com que compareceram às apresentações do Clavilux. A descrição do trabalho do Sr. Wilfred foi obtida com permissão da edição de agosto de 1962 do The Journal of Borderland Research (O Jornal de Pesquisa da Fronteira), conforme abaixo.

“Uma forma de arte completamente nova, chamada Lumia, foi criada para a sala de recepção dos escritórios de Clairol, em Nova York, na Quinta Avenida, nº 666, pelo Sr. Thomas Wilfred. As cores em movimento são projetadas em uma tela de três metros para dar a ilusão de uma pintura abstrata sendo criada no espaço, à medida que os matizes e as formas passam por uma série predeterminada de padrões. As cores vivas, movendo-se lenta e constantemente pela tela, em combinação com tons mais delicados, criam uma experiência visual incomum que possa ser vista por segundos, minutos ou horas. A procissão das constelações de cores está programada para durar um ano, 34 semanas, 22 horas e 10 minutos; em seguida, ela recomeça, repetindo exatamente a composição.

A “luz móvel” é chamada Estudo em Profundidade, Obra 152. O Sr. Wilfred criou anteriormente 151 composições. Essas outras obras estão no Museu de Arte Moderna, no Museu Metropolitano de Arte, no Museu de São Francisco e muitas em coleções particulares. A composição Lumia de Clairol é a maior, terá a maior duração e é a primeira em um escritório”.

Uma composição Lumia registrada em 1955, presente do Sr. e da Sra. Julius Stulman para o Museu de Arte Moderna, em Nova York, é interessante:

“Lumia, a arte da luz, foi desenvolvida por Thomas Wilfred, que fez experimentos por anos, durante o primeiro quarto de século. Em 1921, ele completou seu Clavilux, um instrumento que consiste em vários projetores poderosos com um teclado semelhante a um órgão e que controla a forma, a cor e o movimento projetados em uma grande tela branca. Em 1922, em Nova York, Wilfred apresentou seu primeiro recital Lumia usando o Clavilux e, durante 20 anos, ofereceu recitais de Clavilux pelos Estados Unidos, Canadá e Europa. Em 1930, ele fundou o Instituto de Arte da Luz para o estudo e desenvolvimento desse novo método. O Instituto manteve laboratórios e um recital em Nova York até os anos da guerra.”.

Thomas Wilfred continua seu trabalho com Lumia, criando composições e gravando-as para repetição automática em instrumentos do tipo “Aspiração”, como mostrado no Museu de Arte Moderna. O artista descreve esse trabalho como um tema de 397 variações. Os ciclos de forma e cor têm duração diferente. Assim, toda vez que o ciclo da forma se repete, ele o faz com um tratamento diferente de cores — uma coincidência quase ocorre a cada duas horas e 32 minutos. Toda a composição tem uma duração de 42 horas, 14 minutos e 11 segundos.

Sobre Lumia, a arte da luz, diz Wilfred:

“O ser humano construiu com pedra, esculpiu em mármore, pintou com pigmentos moídos, soprou através de juncos, puxou cordas, cantou, dançou, escreveu e falou. Assim, nossas sete belas artes cresceram junto à nossa civilização. Suas ferramentas e meios de comunicação eram simples e próximos. Um meio, porém, desafiava as tentativas de aproveitamento do ser humano: a Luz, a maior força natural que nossos sentidos podem captar, a fonte e a manutenção de toda vida e crescimento.

Mas, com o advento da eletricidade, um caminho se abriu e agora uma grande e nova época começa na estética. Nasceu uma oitava forma de arte importante para se juntar às sete aceitas: a arte da luz. Foi nomeada Lumia. Aqui, a luz é o único meio de expressão do artista. Ele deve moldá-la por meios ópticos, quase como um escultor molda a argila; ele deve adicionar cor e, afinal, movimento à sua criação.

O movimento, que é a dimensão do tempo, exige que o artista seja um coreógrafo no espaço, um dançarino por procuração, cujo corpo não tem peso e pode assumir a forma desejada. Isso ele consegue manipulando as teclas deslizantes da forma, da cor e do movimento no console (mesa de controle) do órgão de um instrumento Clavilux. Um sistema de notação especial é usado. As teclas acionam combinações ópticas em uma bateria de projeções poderosas e o resultado é exibido em uma grande tela branca.

O compositor do Lumia também pode gravar suas obras para repetição automática em armários independentes que se assemelham a aparelhos de televisão. O objetivo do artista é transformar a tela em uma grande janela com vista para o espaço infinito, um palco imaginário de dimensões astronômicas e, por fim, tocar nesse palco uma música visual e silenciosa feita de forma, cor e movimento.

Mais informações podem ser obtidas com Thomas Wilfred, em West Nyack, Nova York”.

Técnicas de Cura para a Era Aquariana

Talvez os sensitivos sejam os mais beneficiados pelos instrumentos de cores da Nova Era e a quantidade de sensitivos está se multiplicando rapidamente — o que significa que toda a população um dia necessitará da cura diretamente trazida do céu para a Terra dessa maneira. Filhos de anos tenros e aqueles que ainda não nasceram podem ser influenciados por cores que afetem a vida de suas mães. Os poderes latentes em cores e tons têm possibilidades quase infinitas para beneficiar a humanidade. Quando esse fato for largamente aceito, o trabalho com as cores e os tons será o fator mais importante nos programas de tratamento diário de hospitais e escolas. Quando pais, médicos e professores forem sábios o suficiente para empregar os valores construtivos das cores no lugar de tecidos opacos e das tendências atuais e flagrantes da música, uma nova era na cultura, na cura e na educação será aberta a todos, especialmente às crianças. Aqueles de inteligência média se tornarão precoces e os problemas de delinquência diminuirão rapidamente. Uma geração mais sábia e mais responsável abençoará a Terra.

Que a seguinte lista de composições ajude os Estudantes a selecionar músicas para seus períodos de meditação. Meditação de Thaïs de Massenet[24]; Ave Maria, Bach-Gounod[25]; Música do Graal de Wagner[26]; Missas[27] e Evangelhos[28] tocados por vários compositores; hinos favoritos de um humor terno[29].

Azul, azul-violeta, lavanda e roxo devem ser usados com as músicas de fundo devocionais acima mencionadas. A meditação para o desenvolvimento do poder interior exige música iniciática e tons de azul, índigo, violeta, roxo ou ametista. Abaixo, algumas composições sugeridas:

O Ciclo do Anel[30] — Wagner; Parsifal, Lohengrin[31] — Wagner;

Orfeu e Eurídice[32], Alceste[33] — Gluck; A Flauta Mágica[34] — Mozart;

Thaïs[35] — Massenet; Aida[36] — Verdi; as Nove Sinfonias de Beethoven[37];

O Lago dos Cisnes[38], A Bela Adormecida[39] — Tchaikovsky.

Além disso, existem ótimas gravações de leituras dos grandes clássicos da literatura e religião, tanto em prosa quanto em poesia, que sejam úteis à meditação, quando acompanhados de cores e composições musicais adequadas.

FIM

[1] N.T.: Nikolai Konstantinovich Rerich (1874-1947), Nicholas Roerich, na grafia inglesa, foi um pintor, escritor, historiador, poeta e professor espiritual (líder intelectual) russo.

[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

[3] N.T.: John Keats (1795-1821) foi um poeta inglês.

[4] N.T.: Os instrutores da Ordem Rosacruz ensinam a seus Discípulos a se protegerem contra as influências malévolas dos demais, mediante a formação e manutenção de uma “aura protetora”, que é para o Corpo, a Alma e o Espírito uma verdadeira armadura impenetrável contra qualquer influência negativa dirigida consciente ou inconscientemente. Essa Aura proporciona um sensível, mas muito poderoso, meio de proteção contra todo o tipo de ataques ou influências psíquicas maléficas, não importa como nem de onde venham.

A formação desta “Aura Protetora” se realiza mediante um esforço de vontade formando uma imagem mental de si mesmo rodeado de uma Aura pura e clara de luz branca brilhante. A luz branca é o símbolo e a radiação do Espírito, e o Espírito tem absoluta potestade sobre todas as coisas. Com um pouco de prática se chega a sentir realmente a presença e o poder desta “Aura Protetora”.

Um Mestre disse: “o mais alto e mais profundo dos ensinamentos ocultistas é que a luz branca nunca dever ser utilizada para atacar ou para ganhos pessoais, mas ser pode ser usada para proteger a si mesmo contra as influências psíquicas adversas, não importa por quem foram exercidas. Essa é a armadura do Espírito, e pode ser empregada de tal maneira, quando e onde quer que seja necessário”.

O “fogo de Cristo” também tem uma elevadíssima potência protetora e é de grande ajuda quando se percebem presenças indesejáveis, pedindo a Cristo que nos rodeie com Seu fogo purificador e protetor.

[5] N.T. ICor 3:2

[6] N.T.: Homero foi um poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia.

[7] N.T.: Eddas, Edas ou simplesmente Edda, é o nome dado a duas coletâneas distintas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia, e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica: A Edda em prosa e a Edda em verso.

[8] N.T.: Galahad (também conhecido por Galaaz ou Gwalchavad) é um personagem lendário das histórias do Ciclo Arturiano. Galahad era um dos Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur e um dos três que conseguiu alcançar o Santo Graal. Era o filho de Lancelote e de Helena de Carbonek.

[9] N.T.: ICor 2:16

[10] N.T.: Jo 10:10

[11] N.T.: ICor 15:55-57

[12] N.T.: Jo 8:32

[13] N.T.: é uma ponte rodoviária e rodoviária sobre o rio Tamisa, em Londres, entre a Waterloo Bridge e a Blackfriars Railway Bridge, que leva a estrada A201.

[14] N.T.: IJo 1:7

[15] N.T.: Sl 46:10

[16] N.T.: Sl 23:2-4

[17] N.T.: Sl 23:6

[18] N.T.: Para isso utiliza-se a metodologia de Cura Rosacruz que é praticada nos Departamentos de Cura de Cada Centro Rosacruz autorizado pelo mundo.

[19] N.T.: Os nós de vibração de uma placa elástica fina formam linhas caracteristicas da frequência específica que foi animada. A materialização dessas linhas com um pó, geralmente o pó de lycopodium, forma as figuras de Chladni. O nome das figuras origina-se do físico alemão Ernst Chladni.

[20] N.T.: Alexander Nikolayevich Scriabin (1872-1915) foi um compositor e pianista russo que iniciou com um estilo de composição tonal semelhante à linguagem harmônica de F. Chopin e desenvolveu, de forma independente à Segunda Escola de Viena, mas através de suas crenças espirituais, uma linguagem musical altamente atonal que pode atualmente ser comparada com composições dodecafônicas e serialistas. Ele hoje é considerado uma das figuras mais importantes da escola russa de composição do início do período moderno, tendo influenciado outros compositores como Sergei Prokofiev e Igor Stravinsky.

[21] N.T.: Robert Browning (1812- 1889) foi um poeta e dramaturgo inglês.

[22] N.T.: do poema Deaf and Dumb de Robert Browning.

[23] N.T.: Traduzido do inglês-Thomas Wilfred, nascido em Richard Edgar Løvstrøm, foi músico e inventor. Ele é mais conhecido por sua arte leve, que ele chamou de lumia, e seus projetos para órgãos de cores chamados Clavilux. Wilfred não gostava do termo “órgão colorido” e cunhou a palavra “Clavilux” do latim, que significa “luz tocada por chave”.

[24] N.T.: Thaïs é uma ópera em três atos de Jules Massenet (1842-1912 – foi um compositor francês) para um libreto em francês de Louis Gallet, com base no romance homônimo de Anatole France. Foi apresentada pela primeira vez no teatro da Ópera de Paris em 16 de março de 1894, com a soprano norte-americana Sybil Sanderson, para quem Massenet escreveu o papel-título. Ambientada no Egito durante a época romana, conta a história de Athanaël, um monge cenobita que tenta converter Thaïs, uma cortesã de Alexandria e devota de Vênus, à Cristandade, embora sem muito êxito. A meditação, passagem mais famosa da ópera, é executada como interlúdio entre duas cenas do segundo ato, e faz parte do repertório clássico tradicional, sendo executada normalmente como peça de concerto.

[25] N.T.: A Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto em latim da Ave Maria. A peça é composta por uma melodia do compositor romântico francês Charles Gounod especialmente projetada para se sobrepor ao Prelúdio No. 1 em C maior, BWV 846, do Livro I de J.S. Bach, O Cravo Bem Temperado, escrito cerca de 137 anos antes.

[26] N.T.: da ópera Parsifal, ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no Bayreuth Festspielhaus em Bayreuth no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII).

[27] N.T.: Algumas das mais importantes Missas são a Missa em Si Menor, de Bach; a Missa Nelson, de Haydn; a Grande Missa em dó menor, de Mozart; a Missa Solemnis, de Beethoven; a Petite Messe Solennelle, de Rossini; a Deutsche Messe, de Schubert; a Missa em Fá Maior, de Bruckner e a Missa Glagolítica, de Janáček (esta, de maneira nada ortodoxa, é cantada em eslavo antigo). Compositores como Palestrina, Charpentier, Bach, Haydn, Mozart, Gounod e Bruckner escreveram um grande número de missas. Michael Haydn compôs mais de 40 missas.

Outra espécie de missa é o Réquiem, a Missa de Defuntos (o Requiem, de Mozart, o Requiem für Mignon, de Schumann, o Requiem, de Verdi, o Réquiem Alemão, de Brahms, o War Requiem, de Britten e o Requiem, de Webber).

Além disso, há obras sobre partes da missa ou outros textos litúrgicos, como o Gloria (Vivaldi e Poulenc), o Magnificat (Bach), o Te Deum (Charpentier, Purcell, Haydn, Mozart, Nunes Garcia, Berlioz e Bruckner), o Stabat Mater (Vivaldi, Pergolesi, Rossini e Dvořák) e o Exsultate, jubilate (Mozart), entre outros.

[28] N.T.: Alguns exemplos: A Paixão segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como Paixão segundo São Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus.

Baseado no Evangelho de São João: O Oratório de Natal BWV 248, é um oratório de Johann Sebastian Bach compilado para ser apresentado na igreja durante a época do Natal.

Paixão Segundo São Mateus composta em 1746 por Georg Philipp Telemann.

[29] N.T.: Exemplos: Hinos Rosacruz de Abertura e de Encerramento dos Rituais do Templo e de Cura.

[30] N.T.: Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos) é um ciclo de quatro óperas épicas do compositor alemão Richard Wagner. Elas são adaptações dos personagens mitológicos das sagas nórdicas e do Nibelungenlied.

[31] N.T.: Lohengrin é uma ópera romântica em três atos de Richard Wagner, que também foi responsável pelo libreto. A história de Percival (ou Parsival) e seu filho Lohengrin, o cavaleiro do cisne, provém da literatura medieval germânica, especialmente do Parzival, de Wolfram von Eschenbach, e da sua continuação anônima, Lohengrin, inspirada na saga de Garin Le Lorrain (ou Garin le Loherin), a qual integra a Gesta dos Lorenos, ciclo de cinco canções de gesta dos séculos XII e XIII, escritas em loreno românico.

[32] N.T.: é uma ópera de Christoph Willibald Gluck (1714-1787 – compositor musical alemão) baseada no mito de Orfeu, com libreto por Ranieri de’ Calzabigi.

[33] N.T.: Alceste, Wq. 37, é uma ópera de Christoph Willibald Gluck de 1767. O libreto foi escrito por Ranieri de ‘Calzabigi e baseado na peça Alcestis de Euripides.

[34] N.T.: é uma ópera (singspiel) em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto alemão de Emanuel Schikaneder.

[35] N.T.: Thaïs é uma ópera em três atos de Jules Massenet (1842-1912 – foi um compositor francês) para um libreto em francês de Louis Gallet, com base no romance homônimo de Anatole France. Foi apresentada pela primeira vez no teatro da Ópera de Paris em 16 de março de 1894, com a soprano norte-americana Sybil Sanderson, para quem Massenet escreveu o papel-título. Ambientada no Egito durante a época romana, conta a história de Athanaël, um monge cenobita que tenta converter Thaïs, uma cortesã de Alexandria e devota de Vênus, à Cristandade, embora sem muito êxito. A meditação, passagem mais famosa da ópera, é executada como interlúdio entre duas cenas do segundo ato, e faz parte do repertório clássico tradicional, sendo executada normalmente como peça de concerto.

[36] N.T.: é uma ópera em quatro atos, com música de Giuseppe Verdi e libreto de Antonio Ghislanzoni.

[37] N.T.: as nove sinfonias de Ludwig van Beethoven são um dos pilares de sua obra, representando todas as suas fases composicionais e estéticas e sendo também um fundamento de toda a música sinfônica mundial. Sinfonia nº 1, em Dó Maior; Sinfonia nº 2, em Ré Maior; Sinfonia nº 3, em Mi bemol Maior, “Eroica”; Sinfonia nº 4, em Si bemol Maior; Sinfonia nº 5, em Dó menor; Sinfonia nº 6, em Fá Maior, “Pastoral”; Sinfonia nº 7, em Lá Maior; Sinfonia nº 8, em Fá Maior; Sinfonia nº 9, em Ré menor, “Coral” (é uma das mais aclamadas obras da história da música. Finalizada em 1824 após sete anos de composição, sendo a única sinfonia de seu terceiro e último período composicional, a obra prima conclui sua carreira reunindo toda a sua inspiração, criatividade e capacidade. A estreia ocorreu em Viena, regida por Beethoven que, agora plenamente surdo, voltava aos palcos após 12 anos de afastamento. A obra e o compositor foram ovacionados. A orquestração desta sinfonia é a maior de todas, incluindo agora também uma percussão mais encorpada e, é claro, o coro e os quatro solistas vocais. A escolha da poesia “Ode à Alegria”, de Friedrich Schiller, mostra a preocupação de Beethoven a respeito do conteúdo que sua sinfonia deveria oferecer. A poesia, assim como a música, é positiva, esperançosa e repleta de idealismo.).

[38] N.T.: é um balé dramático em quatro atos do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski e com o libreto de Vladimir Begitchev e Vasily Geltzer.

[39] N.T.: é um balé de um prólogo e três atos do compositor russo Tchaikovsky, o libreto de Marius Petipa e Ivan Vsevolojsky, e coreografia de Marius Petipa baseado no conto de fadas do escritor francês Charles Perrault.

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Vidas Passadas

Vidas Passadas

Pergunta: As vidas passadas poderão ser lembradas?

Resposta: Embora muitas pessoas não sejam capazes de se lembrar de suas vidas anteriores, há algumas que podem. Todas as pessoas poderão ter essa possibilidade se se dispuserem a viver a vida para a obtenção de tal conhecimento.

Pergunta: Quais os requisitos que envolvem tais conhecimentos?

Resposta: Requer-se grande força de caráter, pois essa realização proporciona o conhecimento do destino que poderá estar pendendo, negro e sinistro, sobre nós na forma de trágico acidente.

Pergunta: Qual o bem que proporciona às pessoas comuns o desconhecimento antecipado desses fatos?

Resposta: Amavelmente a Natureza oculta-nos o passado e o futuro a fim de que não nos seja tirada a paz.

Pergunta: Como o desenvolvimento nos auxilia a sobrepormo-nos às dificuldades da vida?

Resposta: Na medida em que obtivermos maior desenvolvimento aprenderemos a nos sobrepor a todos os fatos com equanimidade, admitindo que todas as dificuldades resultam dos males passados. Há então um sentimento de gratidão no fato de que as obrigações decorrentes estão sendo anuladas, sabendo-se ainda que houve uma redução entre o ponto em que estamos e o dia da nossa libertação da roda do nascimento e morte.

Pergunta: Por que algumas pessoas se lembram de sua vida passada?

Resposta: Quando em uma existência uma pessoa morre na infância, com alguma frequência lembra-se da existência passada, no novo renascimento.

Pergunta: Por que a diferença de idade é a causa dessa possível recordação?

Resposta: Porque crianças ao redor dos quatorze anos ainda não jornadearam em um ciclo completo de vida. Esse impõe a formação de uma série completa de novos veículos entre a morte num corpo e o renascimento no seguinte.

Pergunta: O que constitui esse “ciclo inteiro de vida”?

Resposta: Quando uma pessoa em seus quatorze anos de vida abandona seu corpo físico, encontra-se funcionando no Mundo do Desejo, em seu Corpo de Desejos (vide Cap. III do Conceito Rosacruz do Cosmos). No tempo necessário também esse Corpo é abandonado naquele Mundo e a pessoa passa para o Segundo Céu (O Mundo do Pensamento) onde começará a funcionar em seu veículo Mental até que chegue o período em que o Espírito deve entrar em seu Lar: o Terceiro Céu, a Região do Pensamento Abstrato. Permanece aí até que esteja apto a uma nova imersão na matéria.

Pergunta: Como relaciona-se esse acontecimento cíclico com a memória de vidas passadas?

Resposta: O ser humano deixando cada um de seus veículos, incluindo o mental, deve construir uma nova Mente ao renascer, a qual naturalmente relaciona-se somente com a nova vida.

Pergunta: Aplica-se isso àqueles que morrem quando criança?

Resposta: As crianças simplesmente passam para as regiões superiores do Mundo do Desejo, retendo (ao contrário do que se passa com o adulto) seus Corpos de Desejos e veículo mental. Nessas regiões aguardam a ocasião para um novo renascimento, o qual usualmente efetua-se depois de um a vinte anos após a morte. Quando voltam a renascer surgem não com uma nova Mente e um novo Corpo de Desejos como acontece com o adulto, mas com o mesmo Corpo de Desejos e a mesma mente. Daí, se prestarmos atenção às crianças estaremos em condições de depararmos com a evidência de recordações de experiências e de relacionamentos com personalidades de prévias existências na Terra.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1973)

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A eletricidade é estritamente física e o processo mencionado na Bíblia como a “segunda morte” pode ser compreendido mais facilmente sob esse ponto de vista?

Pergunta: A Filosofia Rosacruz faz referência a quatro Éteres: Químico, de Vida, Luminoso e Refletor. Para mim, eles constituem um campo elétrico. A dissolução do corpo físico parece ser uma função dos Éteres depois da morte, pois acredito ser a eletricidade a última fase da chamada matéria, onde a Física termina e a Metafísica principia. Contudo, ainda para mim, a eletricidade é estritamente física e o processo mencionado na Bíblia como a “segunda morte” pode ser compreendido mais facilmente sob esse ponto de vista. Parece-me que a base de tudo seja a eletricidade (simplesmente um aumento de vibração do mais inferior dos Éteres ao mais superior).

Resposta: No século XIX, todos os físicos admitiam a existência do Éter no espaço, como transportador da luz em forma ondulatória. Outros cientistas aventavam a hipótese da existência de uma espécie de Éter funcionando como veículo de forças ondulatórias eletromagnéticas. Hoje, entretanto, a eletricidade, o magnetismo e a luz estão incluídos no termo “espectro eletromagnético”. Os indivíduos de ciência também não admitem uma linha de demarcação real entre a matéria vivente-orgânica e a inorgânica, embora o ocultista saiba que a diferença esteja situada no Éter de Vida. Para o biofísico, contudo, a vida pertence ao fenômeno eletromagnético. Porém, não é correto correlacionar eletricidade e vida, embora alguns ocultistas o tenham feito. O abandono da “concha” etérica, depois da morte, poderia ser conceituado como uma “segunda morte”. O Ego, porém, muito raramente fica ciente desse processo, pois nessa ocasião sua atenção focaliza-se no “panorama” ou em suas primeiras experiências nos planos internos.

O Éter de Vida é o elemento que, antes de qualquer coisa, mantém a totalidade do corpo durante a vida. Depois da morte, não há algo que imponha a ação desse Éter às moléculas e átomos do organismo. Assim, o corpo se decompõe sob a ação das forças químicas pertencentes à esfera terrestre.

Outra interpretação da “segunda morte” pode ser sugerida pelo fato sucedido quando o Ego ascende das regiões inferiores do Mundo do Desejo, ingressando no Primeiro Céu (região superior do Mundo do Desejo). Sabemos que as alegrias próprias do Primeiro Céu sejam alegrias de ordem pessoal, consistindo na satisfação de todos aqueles desejos bons e inocentes, dos sonhos e aspirações não concretizados na vida terrestre. Isso leva o Ego a tomar a aparência corporal que mais o alegra, ressaltando-se o formato de uma cabeça (que tende a desaparecer rapidamente).

O passo seguinte consiste na entrada no Segundo Céu (Região do Pensamento Concreto), onde há uma espécie de morte, mas de nenhuma forma comparada à mudança de corpos.

É possível a aparição de Egos na Terra, quando ainda estejam no Primeiro Céu para a realização de um propósito especial, revestidos com a aparência dos antigos corpos usados na esfera física. Entretanto, isso raramente acontece após o ingresso no Segundo Céu.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)

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Poderiam esclarecer o problema da percepção? Como o vidente sabe a respeito dos planos superiores?

Pergunta: Poderiam esclarecer o problema da percepção? Como o vidente sabe a respeito dos planos superiores? Isto é, (a) como ele distingue entre um pensamento-forma emanado da sua própria Mente, (b) o pensamento-forma emanado de alguma outra pessoa quer esteja encarnada ou não, (c) de entidades espirituais reais?

Resposta: Contrariamente à opinião das pessoas que nada sabem a esse respeito, isto é puramente uma questão de treinamento. É absolutamente errado supor que, pelo fato de uma pessoa ter desenvolvido a visão espiritual, tornando-se capaz de ver coisas nos Mundos geralmente invisíveis à visão humana comum no presente estágio de evolução, essa faculdade a leve também a saber tudo. Na realidade, ela nada sabe até ter adquirido o conhecimento através da investigação. A Lei de Analogia, que é a chave-mestra para todos os mistérios, deverá tornar isto claro. “Assim como é em cima, assim é embaixo”. Vemos o aparelho de telefone, sabemos como fazê-lo funcionar tirando o receptor, colocando-o no nosso ouvido e falando através do transmissor. Sabemos até, de forma vaga, que ele opera por meio da eletricidade, mas o mecanismo permanece um mistério para a grande maioria.

Similarmente, podemos voltear um interruptor elétrico, as luzes cintilarem, e os motores começarem a funcionar. Vemos o fenômeno, mas não conhecemos as forças subjacentes até que tenhamos investigado e adquirido o posterior conhecimento. As mesmíssimas condições prevalecem e num grau muito maior no Mundo do Desejo, devido à plasticidade superlativa da matéria de desejo e à facilidade com que ela se modifica assumindo as mais diferentes formas segundo a vontade do Espírito que a anima, seja ele super-humano ou elemental. Por essa razão, mesmo a pessoa que tem controle voluntário da sua visão espiritual requer um treinamento completo e deve desenvolver a faculdade de ver além da forma, a vida que a anima. É somente após ter desenvolvido essa faculdade que ela estará livre de engano e capaz de distinguir a verdadeira natureza e estado de todas as coisas e seres que vê no mundo invisível. Para tornar isto o mais eficiente possível e ter e certeza de não haver ilusões, é necessário cultivar o grau de visão espiritual que pertence à região concreta do Mundo do Pensamento, onde os arquétipos podem ser vistos.

Para tornar isto claro, podemos recordar que a visão física varia, de forma que há certos seres que veem perfeitamente em condições que para nós pareceriam obscuras. Por exemplo, as corujas e morcegos. Os olhos dos peixes são estruturados de maneira a poderem ver debaixo da água. Os órgãos da visão espiritual são também capazes de sintonizar diversas vibrações. Cada frequência de vibração produz um grau diferente de visão e revela ao pesquisador um determinado reino da natureza. Por uma extensão ligeiramente maior da visão física, os Éteres e os seres tornam-se ali plenamente visíveis. Esse grau da visão pode ser comparado ao raio-X, pois os objetos que aparecem sólidos à visão física são facilmente penetrados pela visão etérica.

Quando alguém olha para uma casa com a visão etérica, vê diretamente através da parede. Se quiser saber o que está ocorrendo num aposento no lado mais distante da casa em relação ao ponto em que se encontra, os raios etéricos dos seus olhos atravessarão as paredes e os objetos que se encontrarem no caminho, e ele passa a vê-los tão claramente como se a casa fosse de vidro. Esse grau de visão pode ser aplicado ao corpo humano, e é possível, com essa faculdade, ver através de toda a estrutura orgânica e observar as suas funções em plena atividade. O autor também achava, até recentemente, que o estratagema comum de se ler uma carta encerrada num envelope selado, talvez no bolso de outra pessoa, realizava-se da mesma maneira. No entanto, estimulado pelos artigos sobre psicometria da nossa revista, pegou uma carta endereçada a ele mesmo e tentou a experiência, no que teve sucesso total, pois foi-lhe mostrada, sentada em seu quarto, tanto a pessoa que tinha escrito a carta como todo o seu conteúdo. Logo depois, ele tentou a visão etérica com outra carta para averiguar como diferir o resultado, e teve grande dificuldade em decifrar o que estava escrito porque a carta havia sido dobrada. Parecia haver uma massa conglomerada de riscos de tinta, e foi necessário o uso do grau mais elevado de visão que penetra o Mundo do Desejo antes da carta poder ser lida.

Quando alguém olha para um objeto com a visão necessária para ver o Mundo do Desejo, mesmo os objetos mais sólidos podem ser vistos por e através de todos os lados, com a diferença de que quem os vê, é como se estivessem vindo de todas as direções. Pensamentos-forma, tais como os que foram mencionados pelo consulente, provavelmente são revestidos deste material, porque nenhum pensamento-forma pode compelir à ação a não ser por intermédio desta força — a substância que chamamos matéria de desejo — e ninguém, a não ser quem tenha estudado a questão, pode imaginar quantas pessoas são movidas por pensamentos-forma que acreditam ser seus, mas que, na realidade, se originaram no cérebro de outrem. É dessa forma que a opinião pública é formada. Grandes pensadores, que possuem ideias definidas a respeito de algo particular, irradiam aqueles pensamentos-forma. Outros pensadores, menos positivos e não contrários à opinião expressa nesses pensamentos-forma errantes, conseguem captá-los pensando que se originaram dentro de si. Assim, gradualmente, o sentimento cresce e o que começou na Mente de um único homem, passa a ser aceito por grande parte de uma comunidade.

Para conhecer positivamente a origem de tais pensamentos-forma errantes, seria necessário um estudo por meio do grau de visão apropriada para atuar na Região do Pensamento Concreto, onde a ideia original tomou forma. Ali, todos os objetos sólidos aparecem como cavidades vazias de onde uma nota-chave básica é continuamente tocada, assim, quem os vê, também ouve deles a história completa da sua existência. Pensamentos-forma que não se cristalizaram ainda em ação concreta ou ser físico, não se apresentam ao observador como uma cavidade, mas ali, os pensamentos não são silenciosos. Eles falam uma linguagem inconfundível e transmitem, de uma forma muito mais precisa do que as palavras, a sua intenção, até que a energia despendida pelo seu criador se esgote. Como vibram no tom peculiar à pessoa que lhes deu origem, é comparativamente fácil para o ocultista treinado investigar sua fonte.

Quanto ao parágrafo “c” da sua pergunta, não ficou muito claro o que questionou. Se deseja saber como distinguir os pensamentos das verdadeiras entidades espirituais dos nossos próprios pensamentos, o método anterior pode ser aplicado a todos os seres sem qualquer distinção. Mas, se quer saber como podemos distinguir as entidades espirituais reais dos pensamentos-forma, a resposta é que os pensamentos-forma são destituídos de espontaneidade. Eles são mais ou menos parecidos a autômatos. Eles movimentam-se e agem em uma única direção, de acordo com a vontade do pensador que é a força motivadora que os impulsiona. As ações objetivas das entidades espirituais são espontâneas e mutáveis, da mesma forma que o são as nossas ações ou táticas sempre que o desejarmos ou quando nos pareça desejável mudá-las.

 (Perg. 64 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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A relação entre a Água e as Emoções

A relação entre a Água e as Emoções

No Evangelho Segundo São Mateus 8:23-27 lemos:

“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”

No Evangelho Segundo São Mateus 14:22-33:

“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.

Nessas passagens desse Evangelho observamos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas. Ele não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, ventos e ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura ocultista a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.

À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo cuja substância encontra-se em constante movimento. Max Heindel afirma em suas obras que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou Pedro no capítulo 14 de São Mateus.

Pedro deixou o barco (o corpo) e aventurou-se na região das emoções. Porém, ainda não conseguia manter-se sereno para lá permanecer, tendo assim que receber a ajuda do Cristo. Caminhar sobre as águas é dominar os elementos do Mundo do Desejo.

Max Heindel diz no Conceito Rosacruz do Cosmos: “A lei que rege a matéria da Região Química é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que se mova um corpo em repouso ou para deter um que esteja em movimento. Tal não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades”.

No Conceito Rosacruz do Cosmos lemos: “A característica principal dos globos lunares pode-se descrever como ‘umidade’. Os ocultistas-cientistas chamam ‘água’ aos globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea”.

No mesmo livro dessa obra básica dos Ensinamentos Rosacruzes, Max Heindel afirma que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés, etc.

O domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.

Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, você cruzou o Jordão.

A arca de Noé, esotericamente interpretada representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.

As Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento água: o batismo com água nas igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.

Na próxima Era — Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em um homem, o aguador, despejando a água do seu cântaro.

Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Apocalipse: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeiro terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – mar/abr – 88)

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A Canção do Ser

A Canção do Ser

A música é a canção do ser, cantada por Deus, o Mestre Supremo, através do tempo e do espaço. O primeiro versículo do Evangelho de São João revela a importância do tom ou música em nossa criação ou evolução espiritual, pois as palavras: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”, podem ser interpretadas desta forma: “No princípio era a Música e a Música estava com Deus e a Música era Deus”, pois São João ao usar o termo o ‘Verbo’, sugere tom ou vibração harmoniosa e toda vibração ou tom harmonioso pode se chamar de música. Esse foi o Fiat Criador que fez com que o mundo existisse.

O Deus de nosso Sistema Solar se manifesta em três aspectos: Vontade, Sabedoria e Atividade.

A vontade de Deus trouxe à existência a melodia ou o tom: depois, em Sua Sabedoria, harmonizou esta melodia em forma e depois, por Sua Atividade, fez que esta forma do tom se fizesse movimento ou ritmo, pulsando com rítmica cadência a tudo o que vive e se move.

De modo que através da Criação tudo canta, tudo é música, ou foi criado por ela. Assim sucede com o compositor quando toma uma melodia, harmoniza-a e lhe dá ritmo, fazendo que sua composição seja uma reprodução infinitesimal de criação do arquétipo todo poderoso de Deus.

O “Conceito Rosacruz do Cosmos” diz que as formas que vemos ao nosso redor são sons-figuras cristalizadas das forças arquetípicas que trabalham no Mundo Celeste. Quão ignorante encontra-se a humanidade, em sua quase totalidade, sobre o fato de que o mesmo veículo em que cada qual funciona e vive neste mundo físico, foi construído por meio da música na Região do Pensamento Concreto! Sem essa música nós não teríamos um Corpo Denso no qual funcionar neste mundo físico, ainda que a maior parte das pessoas sejam ignorantes desta realidade e pensem que a música seleta é somente para os poucos escolhidos que a compreendem. Algum dia, em algum renascimento, cada um de nós teremos que despertar as vibrações dessa música, teremos que nos fazer conscientes de seu poder etéreo e espiritual. Antes de que tenhamos terminado de viver na Terra através de seus diferentes períodos, teremos que nos tornar músicos, pois teremos em nosso esquema de evolução que nos converter em criadores de verdade por meio do som e da palavra para podermos emanar o tom do Fiat Criador. Isto teremos que fazer para complementar nosso destino.

Existem três classes de seres humanos que não são músicos, mas ocupam uma escala diferente dentro desta possibilidade.

Primeiro: os que manifestam abertamente que a música não lhes interessa para nada; em seu estado presente, estes seres ficam fora de nossa consideração por enquanto.

Segundo: aqueles que manifestam certa inclinação e a escutam com agrado, mas dizem que não a entendem; para estes há uma esperança de que cheguem a ser músicos num futuro próximo.

Terceiro: os que ainda sem ser músicos, todavia, mostram uma grande ansiedade por ela e frequentam os lugares de concerto para escutar com verdadeira devoção; estas pessoas acham-se muito próximas de alcançar o talento musical. Elas despertaram em vidas passadas algum interesse musical, aumentando-o até certo grau e convertendo-se em amantes intensos de sua sublime beleza. Estes seres, através da sublimada essência acumulada, poderão tocar repentinamente algum instrumento musical, ou faculdade para cantar. Desenvolverão assim este talento por várias vidas até converterem-se em criadores de música, isto é, em compositores. Então, começam a penetrar mais além do físico, afinando-se às vibrações musicais do Segundo Céu, a Região do Pensamento Concreto, especialmente durante a vida que existe entre os renascimentos.

Existe um regozijo na criação da música que é somente comparável com uma coisa: a Iniciação Mística. Ela é em sua própria expressão, um grau menor desta Iniciação, quando o compositor se torna o suficientemente avançado para compor grandes obras; chega, então, às vibrações Cósmicas mais elevadas que as que alcança o compositor ordinário e neste exaltado estado, encontra-se mais perto de Deus, assim como o Iniciado Místico está mais perto de Deus que o ser humano ordinário. Quando o compositor penetra nestas elevadas vibrações do Segundo Céu, está escutando realmente a palavra de Deus. A verdade está ainda a uma grande distância, mas já se encontra em grande adiantamento em sua evolução, uma posição conquistada com o esforço de muitas vidas; não um privilégio como muitos creem, mas uma recompensa ao trabalho empreendido.

É certo que o escultor, o poeta e o pintor também se afinam às vibrações celestiais, mas as vibrações que eles empregam situam-se na Região mais elevada do Mundo do Desejo, conhecida como Primeiro Céu, enquanto que os músicos vão mais alto, ou seja, à Região do Pensamento Concreto, no Segundo Céu, onde o tom é o originador da cor e da forma. Assim, de todas as artes e credos em questões de arte, a música e o músico são os que chegaram mais alto e, portanto, é a mais elevada expressão da vida da alma que temos em nossa existência e é lógico pensar que tem uma mais refinada influência sobre o Corpo de Desejos que qualquer outra das partes. Como diz Max Heindel: “Não há outra classe superior à do músico. A ele corresponde a mais alta missão, porque como um modo de expressão para a vida da alma, a música reina suprema”. Também diz: “Somente na Região do Pensamento Concreto, onde os arquétipos de todas as coisas se unem no grande coro celeste de que falou Pitágoras: A harmonia das esferas; encontramos a verdade revelada em toda sua beleza”. Vemos, portanto, que é ali, naquela Região da Verdade em toda sua beleza, onde se acha o lugar da música.

Pergunta-se por que, se a música é tão bom estímulo para o crescimento espiritual, frequentemente encontramos músicos cujas vidas, no sentido moral e ético, não estão de acordo com suas habilidades artísticas. Acredita-se que um músico devesse se encontrar, em todos os aspectos, ao nível de seu gênio criador, mas não é assim. A razão disto é que os gênios dedicaram o melhor de suas vidas passadas ao desenvolvimento da música exclusivamente, abandonando outras fases morais da vida e outros detalhes importantes. Assim, gravando constantemente esta devoção em seus átomos-semente espirituais e os desenvolvendo mais e mais em cada vida, fica tão profundamente impressa que a pode expressar nos planos superiores musicalmente, apesar de suas deficiências gerais em muitos outros aspectos humanos.

Na vida que segue à morte finalizar sua existência na Região inferior do Mundo do Desejo, onde o ser purga seus erros da vida passada, o ser humano ascende ao Primeiro Céu para receber a recompensa das ações de sua vida anterior. Então, purifica-se e está pronto para gozar do descanso que existe entre renascimentos.

Ao deixar o Primeiro Céu, encontra-se envolto em uma beatífica quietude, uma paz absoluta, tão perfeita e completa que é difícil explicar.

Pela primeira vez, desde que começou seu último renascimento, goza a plenitude desta paz, que o absorve todo.

Todos conhecemos a paz que pode existir neste mundo físico, até certo ponto, mas quando o Ego chega a este Segundo Céu percebe pela primeira vez o verdadeiro sentido do termo PAZ, ainda que sem nenhum de seus sentidos, pois já não os necessita.

Quando seu espírito se banha nesta profunda tranquilidade e absorve da mesma tudo o que é capaz, segundo seu alcance espiritual, encontra-se pronto para as atividades do Segundo Céu. O fato de ter desenvolvido no passado sua capacidade musical o recompensará grandemente, porque suas experiências neste reino estão todas relacionadas com sua capacidade para compreendê-la.

A partir daí começa a preparação para seu próximo renascimento por meio da absorção espiritual.

No umbral do Segundo Céu é despertado o estado de paz e quietude, no qual está submerso por meio do som da música perfeita. Conforme cruza este umbral, entra no lugar de trabalho de Deus, envolto neste maravilhoso som da música. Para o músico, principalmente, este é o paraíso perfeito.

O Segundo Céu está situado na Região do Pensamento Concreto; todo pensamento aqui é uma expressão do som. Tudo o que existe chega à existência por meio do som. É a vibração de vida, ritmo pulsante, melodioso e harmonioso.

Este Reino molda todas as coisas e lhes dá forma: as rochas, areias, flores, aves, animais e o ser humano. Aqui o Ego é recebido pela música mais sublime que possa experimentar, algo que transcende a tudo que tenha escutado na Terra. Este é o paraíso dos compositores, onde podem se entregar ao sonho do som vívido, como sonhava na Terra sem o lograr.

Se deseja renascer como músico, prepara-se para isto enquanto está neste Reino. Aprende a desenvolver o sentido do ouvido, mãos e nervos que sejam super sensitivos. Para isto, é ajudado pelas mais elevadas Hierarquias.

Max Heindel nos diz que a habilidade musical depende do ajuste dos canais semicirculares do ouvido e que é necessário não só ter o ajuste apropriado destes canais, mas que também há que ter extremadamente delicadas as “fibras de corti”, das quais existem umas dez mil no ouvido humano, sendo cada uma capaz de interpretar umas vinte e cinco gradações de tom.

Estas fibras no ouvido da maioria das pessoas não respondem a mais de três ou dez das possíveis gradações. Um músico ordinário não possui mais de quinze sons em cada fibra, mas o mestre musical requer uma categoria superior. Portanto, é fácil compreender porque os Mestres das mais elevadas Hierarquias ajudam o músico, especialmente o compositor, durante o tempo em que se encontra construindo seu arquétipo para seu próximo corpo físico, como diz Max Heindel: “o mais alto grau de seu desenvolvimento, torna-o merecedor, além de requerer ajuda, e o instrumento por meio do qual o ser humano se faz sensível à música é o órgão mais perfeito do corpo humano”.

O ouvido do ser humano começou seu desenvolvimento no Período de Saturno, de modo que é o mais perfeito do tempo presente.

Enquanto pode compor esta música perfeita quando se encontra no Segundo Céu, o compositor não pode expressá-la com a mesma pureza neste plano físico, pois se encontra impelido pelas baixas vibrações do Corpo Denso e a Mente não pode alcançar até as mais altas regiões do som.

Não obstante, com o tempo chegaremos tão alto em nossa evolução que poderemos vibrar facilmente com esse mundo e expressar seus sons em nossas vidas diárias. É a música a que faz o arquétipo individual e quanto mais desenvolvemos esse sentido, mais glorioso é o tom e a harmonia que o criam.

A nota-chave individual do corpo humano situada na parte de trás da cabeça é um tom, um definido tom musical, que constrói e mantém unida a massa de células que compõem nosso corpo.

Quando nos submergimos na música, ela permanece entre nós e as coisas desagradáveis da vida, a sordidez do materialismo que geralmente oprime nosso coração, diminui por meio do toque gentil da música.

É um grande tônico para os nervos. Se alguém se sente cansado e esgotado e deixa seu corpo em repouso para escutar música clássica seleta, as vibrações do corpo podem, em uns poucos momentos, elevar-se e desfazer a fadiga.

Quando aprendermos a usar a música em sua relação apropriada como nossos distintos veículos: Mente, de Desejos, Vital, por meio do Corpo Físico ou Denso, não necessitaremos mais de medicinas para nos curar.

Em Deus tudo é Melodia, Harmonia e Ritmo, porque os pensamentos de Deus são todos Melodia; as criações de Deus são Harmonia e os movimentos (ou gestos) de Deus. Se Deus emprega a música como meio criador, porque não havemos de imitá-lo, empregando-a para formar nosso Eu Superior espiritual?

Max Heindel diz: “Sobre as asas da música a alma podo voar do mesmo trono do Deus, onde o mero intelecto não pode chegar”.

Temos estas inspiradas mensagens que nos foram dadas para nossos corações e para nosso estimulo, sem ter em conta qual seja o grau de interesse presente pela música.

A música é sempre um aliciante para a alma e para apressar a formação de uma maior consciência.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jan/fev/88)

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Os animais, tanto selvagens quanto domésticos, sofrem em muitas situações, e ensinam-nos que os Espíritos-Grupo sofrem mais intensamente. Por que será? Os Espíritos-Grupos, da mesma forma que nós, sofrem as consequências de suas más ações?

Pergunta: Os animais, tanto selvagens quanto domésticos, sofrem em muitas situações, e ensinam-nos que os Espíritos-Grupo sofrem mais intensamente. Por que será? Os Espíritos-Grupo, da mesma forma que nós, sofrem as consequências de suas más ações?

Resposta: Parece muito difícil conceber que seres tão gloriosos quantos os Arcanjos — que são Espíritos-Grupo e Espíritos de Raça — possam cometer más ações, pelo menos no sentido que o nosso entendimento limitado confere a essa palavra. Cristo é o maior Iniciado dentre os Arcanjos e como sabemos que “Ele sofreu em todos os aspectos da mesma forma que nós, sendo tentado embora isento de pecado”, há evidentemente uma lei superior. Perceberemos essa lei ao considerarmos a relação dos Espíritos-Grupo com os animais de sua espécie à luz da Lei de Analogia, que é a chave-mestra de todos os mistérios.

A seguinte ilustração do “Conceito” provavelmente demonstrará com clareza a diferença entre o ser humano com seu Espírito Interno e os animais com seus Espíritos-Grupo.

Imaginemos um quarto dividido ao meio por uma cortina, um lado representando o Mundo do Desejo e o outro o Mundo Físico. Há dois homens, um em cada divisão; eles não podem ver-se nem passar para a mesma divisão. Mas, na cortina há dez furos pequenos e o ser humano que se encontra na divisão que representa o Mundo do Desejo pode meter seus dez dedos por esses furos para o outro lado que representa o Mundo Físico.

Ele pode dar uma excelente representação do Espírito-Grupo que está no Mundo do Desejo. Os dedos representam os animais pertencentes a uma espécie. Ele pode movê-los a seu gosto, mas não pode empregá-los tão livre e tão inteligentemente quanto o ser humano que se encontra na divisão física move seu corpo.

Esse último vê os dedos que atravessam a cortina e observa que todos se movem, mas não pode ver a relação que existe entre eles. Para ele todos parecem separados e distintos uns dos outros. Não pode ver que são os dedos do ser humano que, atrás da cortina, governa seus movimentos com sua inteligência. Se fere um desses dedos, não é ferido somente o dedo, mas principalmente o ser humano que está por trás da cortina. Se um animal é ferido ele sofre, mas não tanto quanto o Espírito-Grupo, pois o dedo não tem consciência individualizada.

O Corpo Denso, no qual funcionamos, é composto de numerosas células, cada uma tendo uma consciência celular separada, embora de uma ordem muito inferior.

Enquanto essas células fazem parte do nosso corpo, elas estão sujeitas a ser dominadas pela nossa consciência.

Um Espírito-Grupo animal funciona num corpo espiritual constituído de um número variado de Espíritos Virginais, imbuídos, por enquanto, da consciência do Espírito-Grupo. Esse último dirige-os, vigiando-os e ajudando-os a evoluir. À medida que seus protegidos progridem, o Espírito-Grupo também evolui passando por uma série de metamorfoses, de uma forma similar à de quando crescemos e adquirimos experiência, recebendo nos nossos corpos as células do alimento que ingerimos, elevando, por esse meio, a consciência delas ao dotá-las com as nossas por um tempo.

Esse Espírito-Grupo domina a ação dos animais sob sua responsabilidade até que os Espíritos Virginais tenham adquirido autoconsciência e se tornem humanos.

Então, eles manifestarão gradualmente uma vontade própria, adquirindo mais e mais liberdade em relação ao Espírito-Grupo e tornando-se responsáveis por suas próprias ações. O Espírito-Grupo continuará a influenciá-los, embora numa proporção decrescente, como Espíritos de Raça, Tribo, Comunidade e Família, até que cada um se torne capaz de agir em plena harmonia com a Lei Cósmica. Então, cada Ego será livre e independente de interferência, e os Espíritos-Grupo iniciarão uma fase mais elevada de evolução.

À luz da explicação anterior, sobre a relação entre o Espírito-Grupo e os animais, torna-se evidente que os sofrimentos experimentados de seus representantes têm a mesma finalidade que os sofrimentos experimentados por nós devido aos nossos erros diretos, isto é, ensiná-los a evitar, sempre que possível, situações indesejáveis que gerem dor. O ser humano sem uma arma vê muitos animais quando passeia pelos campos; eles refugiam-se em Mt. Ecclesia e em outros lugares onde, segundo são instruídos pelo Espírito-Grupo, estarão a salvo. O ser humano que carrega uma arma terá que caçar, sendo assim, o Espírito-Grupo previne seus protegidos de sua aproximação.

Além disso, o Espírito-Grupo reveste as suas espécies com peles ou penas com cores parecidas às da terra, das árvores ou das folhas, para disfarçá-las tanto quanto possível dos olhos de quem as caçaria e lhes causaria dor. Devido ao desejo de evitar a dor para si mesmo, ele exercita à sua engenhosidade no sentido de defender seus protegidos. No entanto, não estamos preparados para afirmar que o desejo de escapar à dor seja o motivo principal do Espírito-Grupo ao defender os seus protegidos, mas os dois estão ligados como a causa e o efeito.

E quanto aos animais abatidos para servirem de alimento, e as pobres criaturas torturadas nos infernos da vivissecção? E quanto aos pobres cavalos submetidos à fome e surrados por cavaleiros desumanos? O que o Espírito-Grupo faz para protegê-los, poupando-os da dor inerente a essa situação? Ele pode instruir os animais selvagens a salvar-se por meio de vários métodos, mas o problema que surge em função dos animais domésticos deve apresentar uma dificuldade considerável para o Espírito-Grupo. Ele tem o poder de reter o Átomo-semente necessário à fertilização para preservar a pureza de sua tribo, e é o que faz no caso dos híbridos. O propósito principal da existência é a experiência, por isso, é forçado a deixar os Espíritos sob sua guarda nascerem através de seus canais legítimos, embora fiquem mais expostos a um tratamento cruel nas mãos do ser humano. Futuramente, o ser humano deve e irá ajudar os animais para assim compensar a sua maldade atual, e terá de ajudar os atuais minerais quando eles se tornarem animais. A Lei de Consequência é justa e podemos confiar nela para equilibrar os pratos da balança. Enquanto isso, os Espíritos-Grupo estão aprendendo a possuir simpatia e compaixão. Os Espíritos de Raça estão aprendendo a mesma coisa por meio do sofrimento humano, provocado pelas contendas industriais e nacionais. Dia virá em que o leão se deitará ao lado do cordeiro, pastará junto ao boi, a criança poderá brincar com a serpente sem correr risco, quando as espadas serão transformadas em arados e as lanças em podadeiras, e haverá “paz na terra e boa vontade entre os homens”. De fato, tudo isso demandará grandes mudanças tanto mentais como morais e físicas, mas “embora os moinhos de Deus moam devagar, moem extraordinariamente bem”. O poder divino moldou o Cosmos a partir do Caos; portanto, temos razão para confiar em seu propósito benevolente e acreditar em sua onipotência ao remover todos os obstáculos para a realização do que hoje nos parece uma utopia.

 (Perg. 60 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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O “Conceito” diz que o Mundo do Desejo é fluídico e composto de luz e cor em contínua mudança. Será correto imaginar as cores mais escuras nas regiões inferiores fundindo-se, gradualmente, com as cores mais claras, e encontrar na região do poder de alma a luz branca e pura?

Pergunta: O “Conceito” diz que o Mundo do Desejo é fluídico e composto de luz e cor em contínua mudança. Será correto imaginar as cores mais escuras nas regiões inferiores fundindo-se, gradualmente, com as cores mais claras, e encontrar na região do poder de alma a luz branca e pura?

Resposta: Sim, num certo sentido o consulente tem razão. A cor depende da vibração, da velocidade, da frequência e do comprimento de onda. Por exemplo, nas cores do espectro, o vermelho tem um comprimento de onda bem maior e uma frequência de vibração mais lenta do que a cor violeta, a qual se encontra no outro extremo do espectro solar. Mas as cores no Mundo do Desejo não são iguais às que vemos aqui. Aqui, a cor é causada pelo reflexo dos raios do Sol na atmosfera. Ali, a luz é uma propriedade da matéria. Poderíamos dizer que, do ponto de vista desse Mundo, a matéria de desejo é luz, e luz é matéria de desejo. Não é assim exatamente, mas aproxima-se disso.

Além do mais, as cores que aqui consideramos escuras, lá são mais brilhantes do que a mais brilhante luz solar daqui. Por isso, não podemos vê-las. Nossos olhos não podem responder a essa frequência de vibração. Não devemos supor que o Mundo do Desejo esteja acima e mais elevado que o Mundo Físico, no sentido do espaço envolvido. A matéria de desejo está aqui. Ela interpenetra todo átomo físico. Mesmo o Éter é penetrado por ela, e o escuro – para a visão espiritual quase preto – Éter Químico, parece quase inseparável do grau mais baixo da matéria de desejo. São tão densos que parecem quase gasosos e, muitas vezes, têm sido motivo de surpresa para o autor que as pessoas não consigam enxergá-los, assim como os seres que se movimentam aí.

 (Perg. 61 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)