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Cartas de Max Heindel: Preparativos para a Mudança para Mount Ecclesia

Preparativos para a Mudança para Mount Ecclesia

No sábado, 28 de outubro[1], às 12h40 P.M. pontualmente, horário do Pacífico, iniciamos as atividades para a abertura do terreno com o objetivo de construir o primeiro edifício em Mount Ecclesia[2], a sede da The Rosicrucian Fellowship. A casa será relativamente pequena, e estamos nos esforçando para gastar o mínimo possível, ou não seremos capazes de construí-la totalmente. Estou fazendo o trabalho de arquiteto e empreiteiro para economizarmos nessas atividades. Entretanto, consideramos esse primeiro ponto de partida como um momento da maior importância para a vida jovem da nossa sociedade, pois, embora nossos aposentos privados sejam apertados, teremos uma grande sala de trabalho e acomodações para vários assistentes, até que hajam recursos financeiros para a construção da Ecclesia[3] e das outras estruturas que pretendemos construir e que serão mais dignas para a nossa missão no mundo.

Reconhecemos perfeitamente que a magnitude do nosso trabalho no mundo depende, em grande parte, do apoio e da cooperação dos nossos colaboradores e, portanto, solicitamos sinceramente o seu auxílio para participar das atividades que necessitam da força física e da sua presença nesse momento importante, a fim de que a nossa associação possa se tornar um poder bem maior para o bem do que qualquer outro que já existiu.

Sabemos que os pensamentos são coisas; que são forças de uma grandeza proporcional à intensidade do propósito neles ocultos. Não há um método mais fácil nem mais eficaz para harmonizar todo o nosso ser com certos desígnios e lançar um poderoso pensamento na direção desejada do que a oração cristã séria e sincera.

Portanto, tenho dois pedidos distintos para vocês nos ajudarem por meio das orações, e espero e confio que vocês darão os seus mais calorosos e intensos auxílios. Em primeiro lugar, apesar de totalmente indigno, será meu dever, como líder, preparar o terreno para a nossa futura Sede no tempo estabelecido e, se for possível, quando vocês se recolherem para os seus aposentos, por favor, dedique-se à oração séria e sincera para que a Sede, então iniciada, possa crescer e prosperar em todos os sentidos; pois as orações conjuntas dos nossos Estudantes ao redor do mundo nos darão uma imensa força nesta direção.

Contudo, vocês podem fazer mais; dia após dia, o acúmulo de pensamentos de muitos amigos em direção a um lugar comum proporcionará um trabalho maravilhoso. Vocês poderiam nos enviar uma oração todas as noites para fortalecer a Sra. Heindel, os trabalhadores da Sede e a mim mesmo, para que nós possamos crescer na pureza, na eficácia e na eficiência em sermos melhores trabalhadores no serviço à humanidade e, assim, podermos nos tornar mais fortes para aliviar o sentimento de profunda tristeza, o sofrimento e a angústia de todos que procuram nossa ajuda?

Além disso, vocês poderão me escrever, de vez em quando, me fortalecendo com a certeza da simpatia e cooperação que tenham para comigo? Talvez eu não consiga responder e agradecer individualmente, mas podem estar certos de que apreciarei suas expressões de boa vontade.

(Por Max Heindel – Livro: Cartas aos Estudantes – nº 11)

[1] N.T.: de 1911

[2] N.T.: Localizada na cidade de Oceanside, Califórnia, EUA.

[3] N.T.: O Healing Temple, o Templo de Cura.

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O Vício da Limpeza e Higiene Corporal para Sua Saúde

O Vício da Limpeza e Higiene Corporal para Sua Saúde

Foi dito que a Limpeza está próxima da Piedade e todos parecem concordar inteiramente com isso; algumas das antigas Religiões até prescreveram certas abluções do corpo como parte dos Serviços religiosos de cada indivíduo, porque a humanidade, nos primeiros estágios da infância do seu desenvolvimento, não era excessivamente higiênica, comportando-se igual às crianças de hoje em relação ao banho e higiene. Elas preferem andar com as mãos e o rosto sujos, à provação de água e sabão, até que gradualmente adquirem o hábito e, afinal, gostem de água. Como acontece a uma criança, o mesmo ocorreu com o ser humano em tempos antigos. Ele realizou as abluções quando forçado pela ordenança religiosa e temendo a punição, caso isso fosse negligenciado. Portanto, encontramos no Tabernáculo no Deserto – a primeira igreja construída pelo ser humano, como ditada diretamente por Deus -, por exemplo, no mar fundido (ou Altar de Bronze) onde os sacerdotes eram ordenados a se lavar, antes de comparecer ao Serviço do Templo, e a penalidade por negligenciar tal dever era a morte. Ritos semelhantes prevaleceram também em outras religiões.

Mais tarde, tornou-se desnecessário exigir do ser humano a limpeza como dever religioso, porque ele a tornou como uma virtude acima de todas as outras. Com o passar do tempo, a prática se espalhou dos estratos mais altos da sociedade para os mais baixos e a limpeza do corpo tornou-se um fetiche, principalmente no mundo ocidental. Ninguém é respeitado se não tomar banho e/ou se higienizar de maneira regular, em intervalos frequentes. Obtemos respeito apenas na medida em que o nosso corpo esteja bem arrumado e bem vestido; ainda que, por dentro, esteja pior do que um sepulcro caiado e a Mente suja de impurezas.

O cuidado com os dentes também tem recebido atenção crescente e, quanto mais para o oeste, mais frequente é o uso da escova de dentes e de outros apetrechos para a higiene pessoal.

Não se pode negar que o exposto pareça muito louvável. A limpeza tem raízes na Religião e certamente só um pai estranho se alegraria ao ver seus filhos carregando sempre as marcas inevitáveis da sujeira, nas mãos, no rosto e/ou no resto do corpo, sem fazer qualquer esforço para removê-los com sabão e toalha. Também não podemos negar que muitas das doenças das quais a humanidade é herdeira estejam relacionadas a dentes defeituosos e que a falta de limpeza seja a principal causa da cárie dentária. O leitor pode, dessa forma, perguntar-se o que queremos dizer com nosso título: “O vício de limpeza”.

A resposta direta a tal pergunta é que, embora a própria limpeza seja uma virtude, ela se torna, como muitas outras coisas boas, um vício, mediante o exagero. A água é o solvente universal e, ingerida em pequenas doses, é boa; mas ingerida na hora errada, junto às refeições, por exemplo, ou de maneira excessiva, torna-se um veneno: dilui os fluidos digestivos e esfria o estômago de modo que a condição necessária ao tratamento adequado dos alimentos seja desajustada; se o hábito persistir, prejudicará a digestão permanentemente. Do mesmo jeito, quando a água é usada em excesso na parte externa do corpo ou em condições inadequadas, ela pode afetar seriamente a saúde.

Isso foi comprovado muitas vezes em nossa experiência em Mount Ecclesia. Várias pessoas que vieram aqui tinham o hábito, antes da chegada, de tomar banho duas, três e até quatro vezes por dia. Elas estavam, sem exceção, em uma condição muito grave, porque o excesso de água aplicado com toalha ou esponja esgotara a pele de sua substância gordurosa e o sistema vasomotor não conseguia operar adequadamente, fechando ou abrindo os poros conforme necessário.

Contudo, havia outro efeito causado pelo abuso de banhos, não visto ou entendido, a menos que se tivesse o conhecimento oculto necessário e visão espiritual para investigar o assunto apropriadamente. Outros podem conhecer a verdade da seguinte explicação por meio de sua própria experiência ao longo das curas pelo magnetismo.

Todos sabemos que, quando pegamos uma bateria galvânica colocamos um eletrodo dentro de uma bacia com água e seguramos o outro eletrodo com a mão, o fluxo de eletricidade através do nosso corpo torna-se bem mais forte ao pormos a outra mão na água do que quando segurarmos os dois eletrodos sem contato com a água. Quando essa evapora, suas moléculas são quebradas e cada fragmento é recolhido em um envoltório de Éter que atuará como almofada, sendo a base da elasticidade do vapor. Quando a condensação ocorre, o excesso de Éter desaparece e a água se torna líquida.

Embora a água tenha um grande anseio pelo Éter, não pode retirá-lo do ar, assim como não podemos absorver o nitrogênio, embora o respiremos continuamente. O fluido é volátil na proporção da quantidade de Éter que contém e temos um exemplo do intenso desejo da água por Éter na avidez com que ela absorve amônia anidra, um fluido tão volátil que ferve a 26 graus abaixo de zero. Isso mostra a razão por que a água causa um fluxo tão volumoso entre o eletrodo da bateria e o corpo, além de explicar muitos fenômenos, entre os quais o motivo de a umidade prestar um amplo auxílio material na transmissão de magnetismo bom, o fluido vital de quem realiza curas, ao paciente e na retirada de magnetismo ruim do corpo desse. Além do mais, é necessário e útil ao curador lavar-se em água corrente para que o Éter venenoso retirado do Corpo Vital do paciente não lhe prejudique. Quando tomamos banho em circunstâncias normais, removemos uma grande quantidade de Éter venenoso do nosso Corpo Vital, desde que fiquemos uma quantidade razoável de tempo no banho. Depois que nos lavamos, o Corpo Vital torna-se um pouco atenuado e, consequentemente, causa-nos uma sensação de fraqueza, porém se estivermos com boa saúde e não tivermos demorado no banho, a deficiência logo é compensada pelo fluxo de força que flui para dentro do corpo humano através do baço. Quando essa recuperação ocorre, sentimos um vigor renovado e o atribuímos ao banho, sem perceber o ato completo, como indicado acima.

No entanto, quando uma pessoa que não esteja com a saúde perfeita toma banho duas ou três ou até quatro vezes todos os dias (principalmente de banheira), um excesso de Éter é retirado do seu Corpo Vital. O novo suprimento que entra pelo baço também diminui devido à condição atenuada do Corpo Vital. Assim, é impossível que ela se recupere após repetidos esgotamentos e, como consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; ela perde quase toda a força e gradualmente se torna, com certeza, inválida. Nesse estado delicado, ela é incapaz de comer, de assimilar alimentos verdadeiramente nutritivos e, com o tempo, sua condição pode tornar-se muito, muito grave.

É extremamente difícil lidar com esses casos, porque geralmente ocorrem com pessoas que tenham Signos Comuns nos ângulos do seu horóscopo, com muitos Astros nesses Signos ou com o Sol e o Ascendente. Esse tipo de pessoa se ofende com qualquer interferência em sua dieta e hábito de tomar banho, porque acredita que seja um modelo de limpeza, o que aos seus olhos é uma grande virtude. Supõe que não possa viver sem muitos banhos por dia e, como seu apetite é muito leve e delicado, deduz que saiba melhor que todos como cuidar desses requisitos; contudo, estão erradas em ambos os casos, como mostra o que foi exposto acima.

O primeiro passo para a saúde, em situações assim, envolve a cessação total do banho. O banho seco é o restaurador adequado e, para tal fim, é melhor usar um par de luvas grossas feitas de fio de linho retorcido. Isso pode ser adquirido em qualquer farmácia. Com isso, o corpo pode ser esfregado de manhã e à noite, até a pele apresentar um brilho saudável. Por esse processo, a cutícula supérflua é removida, mas o óleo e o Éter permanecem. Assim, o paciente se desenvolverá muito rapidamente, pois quando o Éter Químico aumenta, o poder de assimilação também revive e há um ganho imediato de força corporal. Se necessário, o paciente pode receber um quente e muito leve banho de esponja uma vez por semana, porém não deve tomar um único banho de banheira até que esteja totalmente recuperado.

Apesar de, muitos de nós, termos feito da banheira um ídolo, também adquirimos um fetiche pela escova de dentes. Em certo sentido, não é tão perigoso quanto a banheira, porque cada pessoa tem sua própria escova de dentes e os germes da doença que nela permanecem, apesar da lavagem mais cuidadosa, entram em contato somente com a pessoa a quem pertencem, enquanto os da banheira são uma ameaça para todos os que a usam. Esses organismos são inofensivos para uma pessoa com boa saúde, mas qualquer um que não esteja em pleno vigor e, portanto, suscetível a doenças, pode contrair uma infecção tomando banho em uma banheira, depois de outra pessoa. Por esse motivo, o banho de esponja deve ser preferido ao de banheira, exceto em famílias onde as condições dos integrantes sejam conhecidas e as devidas precauções sejam tomadas.

Contudo, voltando à escova de dentes, como já foi dito, ainda que possamos limpar esse pequeno instrumento com bastante cuidado, é absolutamente impossível torná-lo asséptico e, quanto mais o usamos, pior sua condição. Esse é um fato reconhecido por todos os dentistas e é uma ameaça da maior magnitude para a higiene do corpo, particularmente entre as pessoas que persistam em se alimentar de carcaças em decomposição de animais assassinados. O processo de putrefação, que começa no momento em que o animal é morto é enormemente acelerado pelo ambiente bucal, e as partículas de carne alojadas entre os dentes rapidamente se tornam uma fonte perigosa de infecção. Essas partículas não são removidas pela escova de dentes e são a causa de várias doenças de caráter muito grave. Daí a importância do uso do fio dental.

Todos nós sabemos como a mastigação é essencial para a digestão adequada; portanto, a importância dos dentes sadios não pode ser subestimada e o perigo à vida e à saúde dos dentes, causado por esses pedaços de carne em decomposição, é, logo, uma das mais graves ameaças à existência humana, seu conforto e bem-estar.

Cada dente perdido nos deixa mais sujeitos a doenças e à morte. A habilidade do dentista pode nos dar um dente novo; contudo, até o melhor produto está muito abaixo do padrão da natureza.

Assim que adotamos uma dieta vegetariana, escapamos de uma das mais graves ameaças à saúde: a putrefação de partículas de carne entre os dentes, como dito no parágrafo anterior, e esse não é um dos argumentos menos importantes para a adoção da alimentação vegetariana. Frutas, cereais e vegetais tem uma constituição que se desfaz muito lentamente; cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e doce por um longo tempo, já o Éter que interpenetrou a carne e compôs o Corpo Vital de um animal foi eliminado com o seu espírito, na hora da morte.

Dessa forma, o perigo de infecção por alimentos vegetais é muito pequeno em primeiro lugar, mas muitos deles, longe de serem venenosos, são realmente antissépticos em um grau muito alto. Isso se aplica particularmente às frutas cítricas — laranjas, limões, toranjas e tantas outras, sem contar o rei de todos os antissépticos, o abacaxi, que tem sido usado com muita frequência e sucesso completo como a cura para a temida difteria, que é apenas outro nome dado à dor de garganta séptica.

Portanto, em vez de envenenar o trato digestivo com elementos putrefativos como as carnes fazem, as frutas limpam e purificam o sistema, e o abacaxi é uma das melhores ajudas para a digestão que o ser humano conhece. É muito superior à pepsina e nenhuma crueldade diabólica é usada para obtê-lo. Com esse tipo de alimentação, os perigos da escova de dentes podem ser evitados, pois o seu uso pode ser feito de maneira bem mais adequada, três vezes ao dia – ou todas as vezes que fizer uma refeição – e auxiliada pelo fio dental. E, logicamente, acompanhado sempre de uma boa enxaguada com água limpa.

(da Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1915 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

 

Café da manhã — 7:30 A. M.

Melão;

Flocos de milho torrados e creme;

Ovos mexidos com torrada;

Café e/ou leite.

——

Almoço — 12:00

Feijão de corda cozido;

Abobrinhas fritas;

Batatas marrons frescas;

Pão de trigo integral, manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

——

Ceia — 5:30 P. M.

Salada de aspargos;

Rabanetes frescos;

Pão quente com manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

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Carta de Max Heindel: A Incorporação e os Planos Futuros da Fraternidade

A Incorporação e os Planos Futuros da Fraternidade

Este mês¹ tenho várias comunicações importantes a fazer e, para tal, usarei a carta mensal. Devem estar lembrados de que no ano passado, na série de lições intituladas “Nosso trabalho no Mundo”, falei da incorporação da Fraternidade Rosacruz e de constituir um conselho diretor para a direção de suas atividades. Assim, tudo pertencente à obra poderá ser preservado dentro de seus propósitos altruístas pelos séculos vindouros. Tal incorporação foi realizada estritamente de acordo com as leis da Califórnia, e a Fraternidade possui agora uma posição legal no mundo. O local da Sede, com os edifícios que a constituem, e todo o material e utensílios necessários para a continuidade de seu trabalho são de propriedade exclusiva da Fraternidade e estão a salvo de qualquer ambição individual.

Isso aliviou um pouco a carga sobre os meus ombros e os de Sra. Heindel. Juntamos os donativos e contribuições feitos à Fraternidade, que variam desde um simples selo de correio a modestas importâncias em dinheiro (até agora não recebemos grandes quantias). Com esses exíguos recursos, cuidadosamente empregados, estabelecemos os alicerces de algo tão imensamente grande que está muito além de minha capacidade de narração. Cada um, com sua contribuição voluntária, ajudou Mount Ecclesia sob o ponto de vista material. Ela é de todos, e de todos continuará sendo, pois nem a Sra. Heindel nem eu temos o menor interesse em valores ou propriedades terrenas, mas apenas a glória pelo inestimável privilégio de termos sido úteis. É evidente que muito mais é necessário para que o trabalho possa florescer ao máximo, mas estamos seguros da assistência dos Irmãos Maiores, e confiamos que, quando estivermos prontos para alcançar um desenvolvimento maior, prestando os serviços a que está destinada a Fraternidade Rosacruz, as coisas necessárias chegarão. Entretanto, continuamos trabalhando, dia após dia, com os meios que temos atualmente ao nosso alcance, pois assim e somente desse modo, podemos ser merecedores a um serviço maior.

É também uma grande satisfação informar que, embora não tivéssemos de início grande ajuda, conseguimos reunir agora nesta Sede um grupo de auxiliares capazes e fiéis. Não obstante o nosso corpo de ajudantes ter duplicado nestes últimos meses, também o trabalho aumentou em todos os departamentos e a atividade é tão intensa como sempre. Devemos recordar que a nossa literatura já mencionou que Ciência, Arte e Religião divorciaram-se nos tempos modernos. Esta separação foi necessária para que cada uma pudesse obter o seu completo desenvolvimento. Também dissemos que, assim como a Ciência, a Arte e a Religião foram ensinadas juntas nos antigos Templos de Mistérios, assim também haverá uma nova união no futuro, porque isto é necessário para o nosso crescimento espiritual. Em junho , começará a funcionar uma escola em Mount Ecclesia para nela ministrarmos esses ensinamentos, com ênfase particular sobre a arte de curar. Prospectos e detalhes complementares serão enviados aos estudantes interessados, mediante solicitação feita a esta Sede. As despesas serão cobertas pelos donativos que nos enviarem.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 28)

[1] Ano de 1913

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A Panaceia: o  que é, para que serve e como é feita

A Panaceia: o  que é, para que serve e como é feita

Existem algumas palavras-chave nos ensinamentos da Sabedoria Ocidental, de função bem definida em relação às aspirações do Mundo Ocidental, tais como: panaceia, cosmos, arquétipo, Ecclesia, Epigênese, hierofante, neófito, mistério, misticismo, etc.

A filosofia e mitologia grega, pré-cristã, criaram estas palavras para atender ao significado mais profundo de certas atividades e realizações em suas escolas de mistérios, durante um dos períodos mais, gloriosos da História humana – que fora a Idade Áurea. Os criadores destes termos simbólicos foram: Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Hipócrates e outros iluminados da Grécia antiga.

O estudante Rosacruciano está familiarizado com estes vocábulos, mas, frequentemente, passa por cima do significado mais profundo. Ao compulsar o sentido etimológica, podemos desvelar significados mais sutis, convertendo-os em símbolos vivos e imagens pulsantes do pensamento ocidental.

Deles, o que, talvez, encerre maior significado é PANACEIA.

Na Filosofia Rosacruz há três pedras angulares: curar, servir e propagar. Sobre elas os Irmãos Maiores edificaram seu trabalho em benefício do mundo. Ora, panaceia exprime a atividade de cura.

Em seu simbolismo, panaceia expressa aspiração e desvelo da Fraternidade, no desenvolvimento da arte de curar pelo método Rosacruz.

O dicionário Webster define panaceia como um remédio universal pois pode curar todas as enfermidades.

No grego, PANAKEIAS é um vocábulo composto: Pana (todo ou pão) e o verbo akeistar (curar). Literalmente: o pão da cura, ou seja, o remédio com a fórmula para tudo curar, mental, moral ou fisicamente.

Na mitologia grega Panaceia e Higéia (saúde) eram irmãs, filhas de Asklêpios (em latim Asculapius, em português Esculápio) – o deus da cura. Por sua vez, Esculápio era filho de Apolo (Sol, vitalidade, luz) – o grande Médico.
Desde tempos imemoriais havia templos de cura. Na Grécia eram dedicados a Asclépio, o deus da Cura. Seus sacerdotes compunham grupos de curadores especializados, devotos e espirituais. Praticavam a medicina em o sagrado recinto de cura (asklepión).

Sob configurações estelares favoráveis (pois aliavam os conhecimentos de Astrologia), os enfermos eram levados a este lugar santo (asklepión) onde, em cerimônia religiosa, tomavam tabletes, espécie de hóstia sagrada deixada pelos ex-pacientes agradecidos, após sua cura, na elevação de sua fé ao deus da Cura.

Depois deste serviço religioso os enfermos eram deixados no recinto sagrado a dormir. Durante o sono, os sacerdotes lhes ministravam os remédios – a panaceia – por meios conjuros (ritual especial) e encantamento, regidos por Higéia e Asclépio. Por este meio de cura, muitos, pacientes, ao despertar na manhã seguinte, estavam completamente curados, tal como relatam os manuscritos da época.

Esse ritual é tecnicamente conhecido como “incubação” (em grego Epoas, que quer dizer empolar ou deitar-se sobre ovos).

Há grande semelhança entre o templo grego de cura (asklépión) e a arte de cura Rosacruz. Os dois empregam o método de ajuda espiritual, da Escola Ocidental de Mistérios; ambos ajudam a humanidade a alcançar a saúde do corpo, pela combinação da panaceia espiritual e meios físicos. É a ação do Grande Curador, aproveitada pelos conhecimentos de Astroterapia e auxiliada pela dieta alimentar adequada, exercícios, preparo mental e emocional, etc.

Quando aprofundamos o significado de Higéia (saúde) e Astroterapia, do ponto de vista Rosacruciano, compreendemos porque Max Heindel definiu: “há saúde física apenas quando os órgãos trabalham em perfeita ordem e harmonia”. Quando um órgão diminui sua função, provoca desequilíbrio na harmonia do conjunto e surge a enfermidade.

A enfermidade se prolonga por causa dos abusos e ignorância. Se o paciente sabe aproveitar as configurações estelares favoráveis e colabora com o departamento de cura, cumprindo sinceramente sua parte, então a panaceia lhe é aplicada, coroando seus esforços de viver segundo as leis da natureza. Diz Max Heindel: “A panaceia faz com que a substância concentrada da Vida de Cristo flua através do corpo do paciente, dando a cada célula um ritmo que desperta o Ego preso em sua letargia, devolvendo-lhe vigor e saúde”.

Em que consiste essa panaceia? Como pode ela nos beneficiar?

Max Heindel nos relata o que pôde constatar, quando visitou pela primeira vez o Centro espiritual da Ordem Rosacruz: “É uma visão inolvidável! Ao penetrar no Templo, vi três esferas suspensas no teto, no meio do salão. Na esfera superior observei um pequeno recipiente com vários pacotes cheios de substância do Espírito Universal. Os Irmãos sentaram-se numa certa posição enquanto a música preparava o ambiente”.

Inesperadamente as três esferas começaram a brilhar com as três cores primárias: a de cima, azul; a do meio, amarelo; a de baixo, vermelho.

Durante esse encantamento cheio de beleza, reparei que o recipiente dos pacotes se iluminou de uma essência espiritual. Vi como os Irmãos tomaram essa substância, aplicando-a aos pacientes adormecidos, à medida que os visitavam à noite”. “Quanto ao efeito da panaceia, é maravilhoso! – Continua Max Heindel – quando aquela substância dos pacotes (panaceia) era aplicada, irradiava-se pelo corpo do paciente como uma luz mágica, destruindo toda matéria cristalizada que cobria os centros espirituais do corpo enfermo. A cura era instantânea e o paciente despertava são na manhã seguinte”.

A Astroterapia, à parte do Astrodiagnóstico e Astroprognóstico, tem sido de grande importância na medicina de todos os tempos. Pelas progressões e trânsitos dos Astros, aplicados a cada enfermo, o médico pode chegar a conclusões importantes e prevenir crises que se anunciam.

Talvez não haja ciência mais estreitamente unida a medicina, que a Astroterapia.

O Astrodiagnóstico, por exemplo, tem sido de uma importância capital na arte de curar. Era o método de diagnóstico ao médico da antiguidade e constitui um auxiliar precioso aos médicos modernos. No Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz é o método básico de diagnóstico. Max Heindel considerava a Astrologia mais importante que a clarividência, porque, baseada na lei Cósmica, muito mais exata e ampla.

Voltando à palavra panaceia, observemos que ela esteve presente no juramento hipocrático, que se estendeu por quase vinte e cinco séculos como guia de ética na profissão médica. Tal juramento se inicia com esta invocação: “Juro, pelo médico Apolo, por Asklépios, por Higéia e por Panaceia, etc. etc.”. Hipócrates viveu no século quinto A.C. e é conhecido como o “Pai da Medicina”. Era um Ego avançado, devotado à arte de curar, com grande amor à humanidade. Ele combinava os esforços e contribuições de médicos e físicos com poderes espirituais em suas práticas de cura, porque sabia que a enfermidade é, ao mesmo tempo, física e mental. Daí tratar do paciente como um todo: corpo, mente e Espírito. Seu tratamento incluía medicina, dieta, massagens, exercícios, estudos e práticas espirituais. Só mesmo quando tudo isto não resultava eficaz recorria à cirurgia.

Hipócrates fez da medicina uma ciência. Não só definiu as funções do Sacerdote e do Médico, combinando sua contribuição, como também destacou a medicina da filosofia.

Atribuem-lhe muitos aforismos famosos, tais como:

“Onde há amor, há humanidade”. “Não há arte de cura sem amor”.

“Nenhuma enfermidade é só divina ou só humana; todas têm sua própria natureza; cada pessoa apresenta sua própria causa. Assim, nenhuma enfermidade se produz sem causa natural”. Deste último a medicina moderna adaptou o asserto: “Não há doenças; há doentes”.

Hipócrates ensinou que a natureza é a grande curadora.

Antes de Hipócrates, os métodos gregos de cura estavam em sua infância e tinham caráter mágico-religioso. No tempo de Hipócrates assumiram feição médico-filosófica, levando em conta todos os fatores que pudessem favorecer a cura. Com o tempo, reduziram-se a uma ciência natural, mais especulativa, limitada aos próprios recursos e reduzida em sua eficácia.

Atualmente, o método de cura Rosacruz está na mesma condição da medicina anterior a Hipócrates: muitas pessoas podem testemunhar a eficiência da panaceia espiritual; seus efeitos são evidentes, mas não podem ser confirmados cientificamente, senão por comparação entre o estado anterior e posterior do paciente. Quer dizer: não se pode explicar praticamente.

A medicina, ao contrário, dá explicações teóricas para quase tudo, sendo mais facilmente aceita por aqueles que desejam evidências.

No entanto, o que vale é o resultado, mais completo e eficaz, de vez que abrange o ser humano integral, consolidando a harmonia física, emocional e mental sem os inconvenientes tóxicos.

O método de cura Rosacruz foi transmitido a Max Heindel pelos Irmãos Maiores e se baseia nos mais puros princípios da medicina natural, combinados com métodos espirituais de harmonização emocional e mental. Concilia, pois, os diversos aspectos: panaceia espiritual, astroterapia, dieta, homeopatia, osteopatia, tratamento quiroprático, etc.

O Conceito Rosacruz de enfermidade, tal como se depreende da filosofia exposta por Max Heindel, deseja contribuir para que a medicina seja restituída a seu lugar exato, deixando seu limitado campo de experiência e combine todos os fatores solicitados pelo ser integral.

Em tal sentido, Max Heindel construiu em Mount Ecclesia um Sanatorium ou Sanitarium (casa para sanar ou curar), onde aplicava todos os recursos na recuperação completa dos enfermos.

Em seu livro “Cartas aos Estudantes”, Carta nº 6, de junho de 1911, último parágrafo, diz Max Heindel: “Denominamos Mount Ecclesia a este maravilhoso recanto da natureza. Iniciamos um fundo para construção de um edifício adequado, uma Escola de Cura, um Sanatorium ou Sanitarium e, por fim, um Templo de Culto, uma Ecclesia onde seja possível preparar a panaceia espiritual, que será aplicada pelos auxiliares devidamente capacitados, aos enfermos que, no mundo inteiro, nos solicitar ajuda”.

Não pode realizar esse objetivo. Durante toda a sua vida o desejou, lamentando não haver encontrado meios para realizá-lo, conforme exprime em a carta n.º 24, de novembro de 1912.

No entanto, formou-se um competente Departamento de Cura, com recurso astrológico, orientação sobre medicina natural (higiene, alimentação, tratamento, etc.) que tem atendido eficazmente a todo o mundo, membro ou não, logrando resultados auspiciosos.

O sonho de Max Heindel permanece como ideal embrionário, uma aspiração germinal. O que se realiza apenas no Templo etérico da Rosacruz, na Europa, será realidade em muitos núcleos futuros, quando houver pessoas devidamente preparadas.

Os gritos de dor e angústia da humanidade carente, chegam à Sede Mundial, pelas milhares de cartas endereçadas ao Departamento de Cura. Também aqui no Brasil fazemos o que nos seja possível para atender a todos os necessitados, encaminhando à Sede Mundial ou oferecendo diretamente nossos recursos. De toda maneira, a ânsia concentrada dos enfermos, sua esperança em um método mais completo, estão criando condições para que os Irmãos Maiores realizem seu ideal de cura, por meio dos homens e mulheres de boa vontade, sensíveis a esse sofrimento.

Max Heindel estava seguro de que um dia os Centros de Cura se estabelecerão sobre linhas científicas, explicando os recursos espirituais que emprega. Em um futuro não muito distante teremos discípulos bem qualificados, movidos pelo amor altruísta, dignos de receberem e encaminharem a panaceia, aos lugares de cura estabelecidos com este propósito.

Ele nos encarece fazermos todo o possível para manter a unidade de esforço, no intento de curar. Insiste sobre a importância de realizarmos com todo o amor as reuniões semanais de cura, apesar de não podermos contar o mecanismo de ação. Aconselha o estudo dos recursos naturais e da Astrologia médica, para sermos úteis a nossos semelhantes. Sobretudo as reuniões de cura geram a panaceia, para os Auxiliares Invisíveis realizarem amplamente sua tarefa.

Era firme crença de Max Heindel: “Qualquer movimento, incluindo a Fraternidade Rosacruz, deve reunir os três atributos divinos: ‘Sabedoria, Fortaleza e Beleza’, para que cresça e perdure. Esses três atributos geraram a Ciência, a Religião e a Arte. Igualmente, cada estudante deve empenhar-se para conquistar e desenvolver em si estes três atributos, até certo grau, aplicando-os no trabalho de conjunto, para que a Fraternidade realize o que os Irmãos Maiores e seu mensageiro (Max Heindel) planejaram. Estudantes médicos devem procurar a conciliação dos recursos espirituais de cura (panaceia e recursos auxiliares, que atendam ao ser integral) com os descobrimentos da medicina moderna, que dê um caráter científico-espiritual ao serviço de Cura, tal como está previsto para a época de Aquário”.

A tarefa é extremamente difícil, tendo em vista a resistência acadêmica, o materialismo e os interesses em jogo. Entretanto, cabe a cada um de nós realizar aos poucos esta sublime aspiração.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1976)

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Cartas de Max Heindel: Fraternidade Rosacruz, um Centro Espiritual

Fraternidade Rosacruz, um Centro Espiritual

Em 28 do mês passado1, fez um ano que escavamos o terreno para a construção do primeiro edifício em Mount Ecclesia. Foi um glorioso dia de Sol, típico na Califórnia, sem uma nuvem que empanasse o céu e cujo azul intenso rivalizava com o azulado do Oceano Pacífico que, dos terrenos da Sede Central onde estávamos, podia ser visto além de cento e sessenta quilômetros. Éramos um pequeno grupo de nove, a maioria visitantes.

Ao olharmos a leste, para o encantador vale verde de San Luis Rey, em direção às grandes montanhas cobertas de neve, e ao contemplarmos as paredes brancas, os telhados vermelhos e a cúpula dourada da Missão Católica de San Luis Rey, onde os padres franciscanos tanto trabalharam ensinando mexicanos e índios durantes séculos, pareceu-nos de bom augúrio.

Aqui estávamos, uns poucos entusiastas, sobre um pedaço de terra vazia onde aspirávamos fundar um Centro Espiritual. Aqueles antigos padres tinham-se encontrado em situação parecida, melhor em alguns casos e pior noutros. Os meios de locomoção e transportes modernos permitem-nos chegar hoje a todas as partes do mundo, enquanto o campo de ação deles se achava, nessa época, limitado às proximidades imediatas. Viram-se obrigados a lavrar a terra, assim como cuidar das almas do seu rebanho, e a trabalhar para obter a sua subsistência. Pediram ajuda para o trabalho físico enquanto delineavam seus planos e, mediante esforços conjuntos, foi erigido um templo onde todos puderam prestar culto. Nesse aspecto estiveram em melhores condições do que nós; todos os seus membros estavam presentes no local, prontos para dar ajuda física na construção da Missão, que era para eles o que nossa Sede será para a Fraternidade Rosacruz. Mas, nós não temos pupilos, não exercemos autoridade e repudiamos a interferência na liberdade individual por ser diametralmente oposta aos Ensinamentos Rosacruzes, que são os mais elevados do mundo. “Se queres ser Cristo, ajuda-te a ti mesmo”, isso é o que se transmite ao candidato que almeja a Iniciação quando ele geme ao peso da prova. Ninguém que for dependente, pode ser ao mesmo tempo um auxiliar; cada um deve aprender a conduzir-se sozinho.

Nossos associados são hoje, em número, quatro vezes maiores do que há um ano atrás, por conseguinte, o trabalho aumentou consideravelmente. O sistema e a maquinaria possibilitam a três de nós, que trabalhamos nas oficinas, fazer o trabalho que exigiria um grande número de colaboradores. Os trabalhos caseiros e os de jardinagem são pagos. Mesmo assim, o trabalho normal de preparação de cartas e lições dos vários cursos, a correção das lições, o envio mensal de umas 1.500 cartas individuais para ajudar os nossos estudantes a ultrapassar as suas dificuldades; além dos cursos por correspondência, algumas vezes, sobrecarregam-nos. Há momentos em que nos julgamos impossibilitados de atender todas as solicitações por falta de ajuda na parte mecânica do trabalho. Mas, milagrosamente, parece que o céu de repente se abriu, inventamos um método novo para fazer uma certa parte do trabalho com maior rapidez e menor esforço, e sentimo-nos preparados para um novo crescimento. Como dissemos, temos hoje quatro vezes mais trabalho do que há um ano, com menos ajuda e menos esforço.

Mas, enquanto a Fraternidade pôde ser atendida, a Sede em si sofreu algum descuido. A pretendida Escola de Cura, o Sanatorium, e o mais importante de tudo, a Ecclesia- onde a Panaceia deve ser preparada para os poderosos serviços de cura espalharem por todo o mundo a saúde física e moral – tudo isto são ainda ideias germinais. Como o grito de sofrimento da humanidade chega até nós através de milhares de cartas, nosso desejo pela realização dos planos dos Irmãos Maiores torna-se cada vez mais intenso, e é tão agudo que parece incorporar a vontade concentrada de todos aqueles que apelam para nós por se encontrarem tristes e enfermos.

A nossa Fraternidade está espalhada por todo o planeta. Não podemos seguir o exemplo dos padres espanhóis e pedir aos nossos estudantes que façam tijolos físicos e os venham colocar, um a um, em um trabalho de amor.

Nunca solicitei um centavo de ninguém – o trabalho da Fraternidade Rosacruz vem sendo inteiramente mantido por donativos voluntários e pelo modesto produto da venda dos meus livros – nem tampouco farei um apelo para obter um fundo para a construção do edifício. Isto deve partir do coração dos amigos. Mas, quando o sentimos aqui na Sede o intenso grito de dor no mundo, sou forçado a procurar os meios para realizar o plano de fazer da Sede da Fraternidade Rosacruz um Centro Espiritual o mais eficiente possível.

Há um ano escrevi aos estudantes indicando-lhes o momento exato em que abriríamos o terreno em Mount Ecclesia, e pedia todos que entrassem nos seus quartos e estivessem conosco em oração, já que não o podiam fazer pessoalmente. Foi maravilhoso sentir a elevação espiritual daquele esforço coletivo. O impulso inicial favoreceu e, por essa razão, sinto-me outra vez inclinado a pedir a ajuda de todos.

O movimento Cientista Cristão “demonstrou” quando quis erguer edifícios, como o dinheiro aluiu aos seus cofres; os prosélitos do Novo Pensamento enviam um “pedido” e os cristãos de todas as denominações “rezam” por fundos. Todos eles usam o mesmo método, mas empregam nomes diferentes. Todos querem colunas magníficas de pedras e vidros, e conseguem obtê-las. Eu sei que são necessários um lugar e um edifício apropriados à dignidade de nosso trabalho, mas, apesar de ter tanta necessidade deles, não posso pedir colunas de pedras, nem posso rogar aos estudantes que as façam; mas posso, quero e suplico a todos, para que se unam comigo em oração para que a sede da Fraternidade Rosacruz possa tornar-se o mais eficaz e poderoso Centro Espiritual. Rezem com toda a sua alma para que os que trabalham na Sede alcancem a graça de levar este trabalho adiante. Focalizem-nos em seus amorosos pensamentos para que sejamos capazes de irradiar essa graça para o mundo faminto de tal amor. Nós mesmos somos fracos, mas, com as orações de todos e a Graça de Deus, poderemos ser uma poderosa força no mundo e, se procurarmos primeiro o Reino de Deus, os pedidos para a construção de edifícios necessários ao nosso trabalho surgirão no momento oportuno, sem que degrademos a oração ao convertê-la num meio para adquirir posses materiais.

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[1] N.R.: outubro de 1912

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 24)