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Poderiam esclarecer o problema da percepção? Como o vidente sabe a respeito dos planos superiores?

Pergunta: Poderiam esclarecer o problema da percepção? Como o vidente sabe a respeito dos planos superiores? Isto é, (a) como ele distingue entre um pensamento-forma emanado da sua própria Mente, (b) o pensamento-forma emanado de alguma outra pessoa quer esteja encarnada ou não, (c) de entidades espirituais reais?

Resposta: Contrariamente à opinião das pessoas que nada sabem a esse respeito, isto é puramente uma questão de treinamento. É absolutamente errado supor que, pelo fato de uma pessoa ter desenvolvido a visão espiritual, tornando-se capaz de ver coisas nos Mundos geralmente invisíveis à visão humana comum no presente estágio de evolução, essa faculdade a leve também a saber tudo. Na realidade, ela nada sabe até ter adquirido o conhecimento através da investigação. A Lei de Analogia, que é a chave-mestra para todos os mistérios, deverá tornar isto claro. “Assim como é em cima, assim é embaixo”. Vemos o aparelho de telefone, sabemos como fazê-lo funcionar tirando o receptor, colocando-o no nosso ouvido e falando através do transmissor. Sabemos até, de forma vaga, que ele opera por meio da eletricidade, mas o mecanismo permanece um mistério para a grande maioria.

Similarmente, podemos voltear um interruptor elétrico, as luzes cintilarem, e os motores começarem a funcionar. Vemos o fenômeno, mas não conhecemos as forças subjacentes até que tenhamos investigado e adquirido o posterior conhecimento. As mesmíssimas condições prevalecem e num grau muito maior no Mundo do Desejo, devido à plasticidade superlativa da matéria de desejo e à facilidade com que ela se modifica assumindo as mais diferentes formas segundo a vontade do Espírito que a anima, seja ele super-humano ou elemental. Por essa razão, mesmo a pessoa que tem controle voluntário da sua visão espiritual requer um treinamento completo e deve desenvolver a faculdade de ver além da forma, a vida que a anima. É somente após ter desenvolvido essa faculdade que ela estará livre de engano e capaz de distinguir a verdadeira natureza e estado de todas as coisas e seres que vê no mundo invisível. Para tornar isto o mais eficiente possível e ter e certeza de não haver ilusões, é necessário cultivar o grau de visão espiritual que pertence à região concreta do Mundo do Pensamento, onde os arquétipos podem ser vistos.

Para tornar isto claro, podemos recordar que a visão física varia, de forma que há certos seres que veem perfeitamente em condições que para nós pareceriam obscuras. Por exemplo, as corujas e morcegos. Os olhos dos peixes são estruturados de maneira a poderem ver debaixo da água. Os órgãos da visão espiritual são também capazes de sintonizar diversas vibrações. Cada frequência de vibração produz um grau diferente de visão e revela ao pesquisador um determinado reino da natureza. Por uma extensão ligeiramente maior da visão física, os Éteres e os seres tornam-se ali plenamente visíveis. Esse grau da visão pode ser comparado ao raio-X, pois os objetos que aparecem sólidos à visão física são facilmente penetrados pela visão etérica.

Quando alguém olha para uma casa com a visão etérica, vê diretamente através da parede. Se quiser saber o que está ocorrendo num aposento no lado mais distante da casa em relação ao ponto em que se encontra, os raios etéricos dos seus olhos atravessarão as paredes e os objetos que se encontrarem no caminho, e ele passa a vê-los tão claramente como se a casa fosse de vidro. Esse grau de visão pode ser aplicado ao corpo humano, e é possível, com essa faculdade, ver através de toda a estrutura orgânica e observar as suas funções em plena atividade. O autor também achava, até recentemente, que o estratagema comum de se ler uma carta encerrada num envelope selado, talvez no bolso de outra pessoa, realizava-se da mesma maneira. No entanto, estimulado pelos artigos sobre psicometria da nossa revista, pegou uma carta endereçada a ele mesmo e tentou a experiência, no que teve sucesso total, pois foi-lhe mostrada, sentada em seu quarto, tanto a pessoa que tinha escrito a carta como todo o seu conteúdo. Logo depois, ele tentou a visão etérica com outra carta para averiguar como diferir o resultado, e teve grande dificuldade em decifrar o que estava escrito porque a carta havia sido dobrada. Parecia haver uma massa conglomerada de riscos de tinta, e foi necessário o uso do grau mais elevado de visão que penetra o Mundo do Desejo antes da carta poder ser lida.

Quando alguém olha para um objeto com a visão necessária para ver o Mundo do Desejo, mesmo os objetos mais sólidos podem ser vistos por e através de todos os lados, com a diferença de que quem os vê, é como se estivessem vindo de todas as direções. Pensamentos-forma, tais como os que foram mencionados pelo consulente, provavelmente são revestidos deste material, porque nenhum pensamento-forma pode compelir à ação a não ser por intermédio desta força — a substância que chamamos matéria de desejo — e ninguém, a não ser quem tenha estudado a questão, pode imaginar quantas pessoas são movidas por pensamentos-forma que acreditam ser seus, mas que, na realidade, se originaram no cérebro de outrem. É dessa forma que a opinião pública é formada. Grandes pensadores, que possuem ideias definidas a respeito de algo particular, irradiam aqueles pensamentos-forma. Outros pensadores, menos positivos e não contrários à opinião expressa nesses pensamentos-forma errantes, conseguem captá-los pensando que se originaram dentro de si. Assim, gradualmente, o sentimento cresce e o que começou na Mente de um único homem, passa a ser aceito por grande parte de uma comunidade.

Para conhecer positivamente a origem de tais pensamentos-forma errantes, seria necessário um estudo por meio do grau de visão apropriada para atuar na Região do Pensamento Concreto, onde a ideia original tomou forma. Ali, todos os objetos sólidos aparecem como cavidades vazias de onde uma nota-chave básica é continuamente tocada, assim, quem os vê, também ouve deles a história completa da sua existência. Pensamentos-forma que não se cristalizaram ainda em ação concreta ou ser físico, não se apresentam ao observador como uma cavidade, mas ali, os pensamentos não são silenciosos. Eles falam uma linguagem inconfundível e transmitem, de uma forma muito mais precisa do que as palavras, a sua intenção, até que a energia despendida pelo seu criador se esgote. Como vibram no tom peculiar à pessoa que lhes deu origem, é comparativamente fácil para o ocultista treinado investigar sua fonte.

Quanto ao parágrafo “c” da sua pergunta, não ficou muito claro o que questionou. Se deseja saber como distinguir os pensamentos das verdadeiras entidades espirituais dos nossos próprios pensamentos, o método anterior pode ser aplicado a todos os seres sem qualquer distinção. Mas, se quer saber como podemos distinguir as entidades espirituais reais dos pensamentos-forma, a resposta é que os pensamentos-forma são destituídos de espontaneidade. Eles são mais ou menos parecidos a autômatos. Eles movimentam-se e agem em uma única direção, de acordo com a vontade do pensador que é a força motivadora que os impulsiona. As ações objetivas das entidades espirituais são espontâneas e mutáveis, da mesma forma que o são as nossas ações ou táticas sempre que o desejarmos ou quando nos pareça desejável mudá-las.

 (Perg. 64 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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Nós somos o que pensamos de nós mesmos e não o que os outros pensam de nós!

Nós somos o que pensamos de nós mesmos e não o que os outros pensam de nós!

Um dos grandes mistérios da vida em nossa Terra é a separação entre o Mundo físico e o espiritual. Vivemos em um mundo material, de que nos apercebemos através de nossos sentidos, os quais, não obstante, possuem consciência limitada desse Mundo físico. Por essa razão, a maioria da humanidade não se apercebe dos reinos invisíveis e não parece particularmente interessada em aprender coisas que a eles digam respeito. Isso deve-se em parte, indubitavelmente, ao fato de que os cientistas se têm negado sistematicamente a considerar a existência de qualquer coisa que não possa ser registrada pelos sentidos ou por dispositivos mecânicos inventados para tal fim.

Não obstante, existem atualmente muitos cientistas, psicólogos e pessoas letradas de gabarito, em qualquer campo de atividade, que demonstraram, por meio de seus escritos, terem aceito a premissa de um Espírito imortal no ser humano, que não perece com o corpo. Encontram-se alusões a verdades esotéricas na prosa e na poesia tanto do passado como do presente. O ser humano, atualmente, está se tornando maduro, espiritualmente, e, nas poucas décadas vindouras deste século, essas verdades tornar-se-ão as mais vastamente conhecidas e disseminadas. No crescente interesse quanto à astrologia e à filosofia esotérica em todo o mundo, evidencia-se ter chegado o tempo em que a ciência deverá iniciar sérias investigações nesse domínio.

Quando deixamos nosso corpo físico, por ocasião da morte, nascemos no Mundo do Desejo, a região mais próxima da Terra. O Mundo do Desejo compreende sete Regiões, das quais, as três mais inferiores constituem a área onde está o Purgatório, onde somos purgados de nossos pecados e quedas, quando morremos nessa vida. Há alguns que não deverão despender tempo algum nessa região: dessa maneira, é justo do mesmo modo considerarmos de quando em vez o que lá nos poderia acontecer. A matéria de desejos envolve todas as sete regiões do Mundo do Desejo e serve de material para a encarnação do desejo. O desejo é o grande incentivo da ação e, à medida que o ser humano se esforça em preencher os seus desejos, ganha experiência e conhecimento e, esperançosamente, alguma sabedoria. O desejo não pode ser realizado sem o pensamento e os pensamentos assim engendrados tomam forma e perduram conforme a intensidade do desejo. O Mundo dos Desejo é uma região de luz e cor eternamente mutáveis, na qual as forças dos animais e do ser humano misturam-se com as forças de muitas Hierarquias de seres espirituais.

Do mesmo modo que os nossos corpos físicos se derivam do mundo material em que vivemos, assim também a nossa existência mental e espiritual depende da presença mental e espiritual de outros seres além de nós. Embora não possamos vê-los, nossas proximidades estão repletas de presenças espirituais, boas e más, de acordo com o tipo que atrairmos, em virtude de nossas atitudes perante a vida e nossos semelhantes.

Toda nossa atividade mental é devida aos estímulos que atraímos, tanto do reino espiritual como do físico. E mesmo o que poderíamos considerar como sendo um pensamento único e original, passou a existir em decorrência de sugestão vinda dos mundos invisíveis ou do nosso próprio mundo material. O campo de consciência do ser humano é, em grande parte, uma zona elétrica passiva em torno dele, até que as vibrações nele penetrem graças a algum estímulo externo.

Cada vibração engendrará uma resposta nessa zona e se incorporará às vibrações congêneres, formando, desta maneira, combinações que fazem nascer um pensamento. Desse modo, cada pensamento está sujeito a crescer, como uma planta, à medida que procura afinidades, interna e externamente. Se o ardor e a intensidade do interesse desvanecem, o pensamento debilita-se e morre, por falta de nutrição. Poderá, contudo, deixar nódulos na memória, que poderão tornar a despertar, se alguma ocasião assim o exigir. Muitos pensamentos estão pairando e não são lembrados; mas, quando os nossos pensamentos forem atiçados pelo interesse e pela concentração, tornam-se parte viva da consciência, existindo mesmo após terem sido expelidos da Mente originadora e podem se manifestar novamente, quando invocados, ou afetar algumas outras Mentes receptivas.

Destarte, podemos ver rapidamente como a atenção concentrada de muitas pessoas fortalece as vibrações de uma forma de pensamento, e isso é a base dos desvarios coletivos e da psicologia que influencia a Mente das massas. Uma forma de pensamento viva, embora possa não estar mais ligada ao seu criador, persistirá durante tempo em que ache um campo de atenção. Torna-se uma realidade no Mundo do Desejo, através da atenção concentrada de uma ou mais Mentes. Assim, é impossível ao ser humano impingir no Éter formações de pensamento que possam existir mais ou menos independentemente dele. Essas formações poderão ser poderosas, tanto para o bem como para o mal, na conformidade de seus conteúdos.

Uma vez que os pensamentos similares criados se unem e crescem, e podem tornar-se contínuos e até mesmo permanentes, no Mundo do Desejo, certas ideias implantadas na Mente do ser humano poderão afetar sua evolução e retardar o seu desenvolvimento espiritual, durante algum tempo. Exemplo disso são as crenças religiosas incutidas nas Mentes humanas durante séculos, por parte de um sacerdócio dominador. Uma Religião que não propicia modificações ou aceitações de novas ideias manterá os seus membros unidos doutrinariamente, bem como ligados à Terra. Felizmente, mesmo sob uma crença desorientada, a verdadeira adoração e aspiração espiritual são reconhecidas e obterão uma justa recompensa.

Se a atividade mental de alguém, na Terra, tiver sido prejudicial ou ignóbil, a própria pessoa se encontrará em uma condição dolorosa quando tiver de deixar o corpo físico. As formas ruins de pensamentos vêm em detrimento, não apenas dos viventes, mas também dos nossos mortos, que devem permanecer durante certo tempo na região contígua à nossa Terra, no Purgatório. Muitos, embora fora do corpo, são tão involuídos, que procuram agir lá do mesmo modo que fizeram no Corpo Denso. Podem avaliar os nossos pensamentos e vibrações etéricas, que se misturarão com as suas, caso se harmonizem. No Mundo do Desejo somos como pensamos, e criamos o nosso próprio céu ou inferno lá, conforme o modo em que pensarmos aqui. Tanto o bem como o mal vivem após a morte, ocorrendo que nosso sofrimento no Purgatório é autoinfligido, porque é resultado de nossa própria criação.

A Atração e a Repulsão são as forças ativas no Mundo do Desejo. A afinidade de pensamento é a única coisa que governa a condição do Espírito quando ele adentra essa região. Ali nenhum pensamento poderá ser ocultado. Uma ideia torna-se visível a todos no momento de seu início. Poderá atrair apenas formas de pensamentos com as quais esteja de acordo; o bem atrairá a sua própria espécie, misturar-se-ão e fortalecerão um ao outro. Os pensamentos maus tentarão unir-se com outros maus pensamentos, mas, sendo auto-afirmativos, têm um efeito oposto e tornam-se mutuamente destrutivos. Desse modo o mal é reprimido. No Purgatório, a força repulsiva é dominante, porém a força de Atração ganhará à medida que o Espírito se limpar. Até mesmo na região mais inferior dos desejos sexuais encontra-se algum bem e os Anjos procuram desenvolvê-la.

Não há modificação na natureza de uma pessoa, após a morte. O mentiroso poderá tentar enganar ainda, mas como nada pode ser ocultado, o seu verdadeiro caráter será revelado. O louco ainda é um louco, o autoindulgente ainda procura gratificar os seus desejos. Um sacerdote cerimoniosamente piedoso procurará criar uma atmosfera de pavor reverente para si próprio, tal como gozou na terra e, desse modo, estultificar realmente o seu próprio progresso, bem como o de seus seguidores. Muitos sacerdotes e pregadores religiosos pertencem a essa categoria. Conforme procurem desempenhar o mesmo papel no Mundo do Desejo, por eles desempenhados na Terra, convocam um seguidor e ensinam a letra da lei entre os perversos, que suportam o seu ministério antes com paciência, do que com agrado. Alguns Espíritos, cujas posições na Terra permitiram-lhes fazer algum bem inadvertidamente, dali colherão pouco benefício, mas sofrerão severamente devido a não terem aproveitado muitas oportunidades de praticar o bem, por eles desprezadas. Os que apregoaram as suas caridades perante o público ou visaram adquirir a boa vontade dos seres humanos, procurarão desesperadamente atingir o final dos seus castigos, fazendo promessas extravagantes a fim de conseguir os seus intentos. Uma vez que suas verdadeiras atitudes não podem ser escondidas, recebem pouca atenção. Todas as emoções negativas que uma pessoa possa abrigar são aqui exibidas.

Todas as invejas e ciúmes, ódios e animosidades serão exibidos e o Espírito sofrerá, em consequência. A pessoa insincera achar-se-á em uma prisão de fadiga e frustração. Destarte, devemos compreender que o nosso modo de pensar e as nossas atitudes secretas em relação a nossos semelhantes devem ter mais influência em nossa situação após a morte do que o fariam nossos bons atos.

Inclinamo-nos a pensar que todos os seres espirituais sejam de uma ordem elevada: existem, porém, muitos seres de variados estágios evolutivos cuja missão é a de servir a seu Deus, ajudando no processo purgativo. As suas tarefas parecem repreensíveis e cruéis, mas tudo é governado por leis divinas. Podem eles fatigar suas vítimas e delas zombar até que elas, em desespero, apelam a uma força mais alta, pedindo auxílio. Os seus trabalhos fazem parte necessária da purga. Os próprios elementais permanecem inocentes e não contaminados por essas atividades. Muitas vezes o alcoólatra, quando sofre o “deliruim tremens”, ou o toxicômano, quando estiver fortemente afetado, veem esses elementais sob estranhas formas; também são vistos por aqueles que procuram os reinos elevados, através da meditação ou de certos exercícios, sem o necessário respaldo de uma vida construtiva.

Somos esclarecidos de que no Mundo do Desejo não há tempo e nem espaço, da forma que conhecemos aqui.  Considerou alguma vez o que isso significa realmente? Lemos essas palavras e talvez as aceitemos como verdades, mas pensamos realmente no que elas desejam exprimir? Ausência de TEMPO significa que nada do passado, presente e do futuro poderá ser trazido, agora, e ausência de ESPAÇO denota que nada poderá se manifestar, de modo algum. Então há de existir alguma força que governa o que deve manifestar-se em um dado lugar, em um certo momento: é o PENSAMENTO. Essa força do pensamento, que é uma atividade constante e contínua do Ego humano, através da Mente, permanece ainda indisciplinada e é utilizada de modo mais descuidado. Cada vez mais ouvimos afirmações como “Os pensamentos são coisas”, “um ser humano é aquilo que pensa em seu coração”. Somente o pensamento poderá controlar a nossa situação no outro lado e, realmente, também no mundo material. Os hábitos de pensamentos que tivermos cultivado durante o nosso período de vida na Terra controlarão a nossa condição após a morte.

Por isso é muitíssimo importante adquirirmos um controle sobre nossos pensamentos negativos. A pessoa amedrontada encontrará, com a maior certeza, elementais que a manterão em servilismo e em sofrimento até que, em desespero, sobrepuje seu temor e descubra que ele desaparece fazendo isso. Se uma pessoa acolhe, continuamente, pensamentos desagradáveis e grosseiros, em relação a seus semelhantes, atrairá outra entidade desagradável para atormentá-lo, até que percebe o que deverá vencer em si própria a fim de livrar-se deles.

Todas as formas de pensamento más aguardarão no purgatório para encarar seu criador, e este deverá viver com elas até que possa desintegrá-las por meio de um arrependimento e regeneração sinceros. Max Heindel se refere a essa região como um lugar de criaturas demoníacas, que se dilaceram e despedaçam de modo terrível.

Somente o espírito de abnegação apresenta um modo de se escapar desses reinos obscuros. Embora caído, um vislumbre de amor e de compaixão trará um anelo interior à procura do “caminho da ascensão”.

A alma caída deverá desenvolver determinações benévolas em seu próprio pensamento. “Semelhante atrai semelhante” é a lei gravitacional que cria a condição do Espírito, em conformidade com suas inclinações na Terra. Assim é realizada a divisão dos aptos e dos inaptos, dos puros e dos impuros e dos santos dos não santos. Porém, eles não ficam separados eternamente, porque pode-se encontrar uma presença, um chamado que trará um novo acréscimo de formas de pensamento, tanto para o santo como para o pecador. É essa abundância de oportunidades, ofertadas por meio do amor de Deus, a esperança do pecador e a mortificação do santo. O ser humano pode aceitar a direção de Anjos ou de demônios e a sua escolha cria seu céu ou inferno.

O eterno ajustamento da vontade do ser humano à vontade de Deus é ativo em todas as fases do ser, a física, a emocional, a mental e a espiritual. O sacrifício ou expiação, por meio do Corpo de Desejos através da dor e no qual o ser humano pode sobrepujar o seu sofrimento, está agindo sempre. Não há descanso ou escapatória. Há ministros amorosos no Mundo do Desejo, aguardando poderem ajudar ao ligado às coisas terrenas, àqueles que ainda se encontram na Terra. Tão logo uma pessoa se inteire de seu Eu espiritual e realize o seu “status”, seja na Terra ou no Purgatório, recebe oportunidade de progredir. A interatividade de um Espírito avançado com outro menos avançado melhorará os pensamentos criados pelo último. Foi-nos dito que há um ministério de Anjos para auxiliar esse esforço. Aqui na Terra, atraímos os visitantes angélicos em todos os nossos momentos de esforços espirituais.

No Mundo do Desejo não há uma pessoa segregada de outra: todas são uma só, cada uma dentro da aura da presença da outra e são vistas ou deixam de sê-lo de acordo com a sensitividade de cada um. Somente o nosso desenvolvimento espiritual separa-nos dos seres dessa região. Devemos imaginar o Espírito individual como um sol em torno do qual giram os pensamentos criados por ele próprio. O Espírito é o criador de cada pensamento e está sujeito ao seu comando. O pensamento está separado de seu criador, porém a ele está ligado pela Lei de Atração. Em nosso cosmos de pensamentos desempenhamos o mesmo papel de Deus em relação à Sua criação. Está à nossa escolha se nossa atividade mental nos torna colaboradores ou não do plano de Deus.

Um Deus de Amor não pune por vingança; desse modo, está ao nosso alcance mitigar ou eliminar a experiência purgatorial, mediante o exercício da Retrospecção e do arrependimento e da reforma sinceras. A citação “Ame teu próximo como a ti mesmo” é mais do que uma simples máxima: trata-se de uma lei científica e obedecê-la deve ser o primeiro mandamento nos assuntos relativos a nossas vidas.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970)

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Desenvolvimento Equilibrado: como está o seu?

Desenvolvimento Equilibrado: como está o seu?

No Livro “Ensinamentos de um Iniciado”, Max Heindel afirma que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz concluíram que o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência ante as restrições seriam os “pecados” mais comuns nos tempos modernos.

Uma visão crítica do mundo atual confirma com exatidão essas palavras proféticas. O intelecto tornou-se uma faca de dois gumes. É, sem dúvida, o instrumento mais útil à disposição do ser humano para conquistar e exercer domínio sobre a matéria. Por outro lado, tem sido a causa de muita miséria individual e social. Frio como é, e não raro impermeável ao calor dos sentimentos, o intelecto induz decisões sem o respaldo do amor.

A intolerância e a impaciência ante as restrições são também filhas do intelecto, desse dominador, pronto a se rebelar quando algum obstáculo parece se interpor em seu caminho.

A Mente é o veículo mais recente adquirido pelo ser humano, encontrando-se ainda no primeiro estágio de seu desenvolvimento. Não estando a cargo de outras Hierarquias, deve ser dominada e desenvolvida pelo próprio indivíduo, sem qualquer ajuda externa.

O intelecto gera o egoísmo e o egocentrismo. Fomenta um espírito de superioridade conducente à intolerância em relação a algo de que discordamos ou consideramos intelectualmente indigno de nós mesmos.

Existindo para si mesmo, o intelecto é frio e calculista, procurando reforçar o conhecimento com adicional conhecimento para promover os interesses pessoais do Ego.

Dessa forma chega a ser tanto um instrumento como fonte de incentivo ao egoísmo. O desenvolvimento equilibrado do Coração e da Mente constitui o único meio para neutralizar esse risco. É mister que o amor inerente ao primeiro dirija por canais universalmente construtivos o conhecimento adquirido pelo último. Nossas capacidades mentais e devocionais devem se unir e esse equilíbrio só atinge a perfeição quando o indivíduo atinge o nível evolutivo de um Adepto, conforme nos ensina o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Importante, também, que se faça este esclarecimento: não fazemos nenhuma objeção ao conhecimento em si mesmo. Particularmente nesta época de grande avanço científico é essencial uma diversidade de conhecimentos para que as inovações beneficiem efetivamente a humanidade. O uso que o ser humano faz de seu intelecto é que determina se está seguindo linhas materiais ou espirituais de desenvolvimento.

Dessa maneira, percebe-se quão importante é desenvolver o aspecto devocional da nossa natureza, a caridade e a simpatia, à medida que as faculdades intelectuais são robustecidas.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – set/out/87)

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Somos Espíritos!

Somos Espíritos!

Amigo leitor: somos espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.

Desde que o ser humano completou sua instrumentação com a Mente, com a razão, começou a dirigir-se sozinho. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores de elevação. É bom pensar muito bem nisso. Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em sua vida, não os atribua a Deus. Antes, deve encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo o desejo do Pai: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial”. Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?

“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.

Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.

Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.

Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às leis naturais, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?

Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.

No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Eu poderia desfiar agora mesmo uma série delas, as mais importantes e prováveis ao seu caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso me permito sugerir-lhe: vá conhecer a Fraternidade Rosacruz e a maravilhosa filosofia de viver que ela oferece.

Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a humanidade, por meios cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.

Não lhe exigirão nada, nem compromissos. Não há esforço de proselitismo na Fraternidade. Mas tudo lhe oferecem para que você mesmo encontre a felicidade de seu viver: entrevistas, cursos, revistas, livros, palestras públicas, folhetos informativos, etc. Há até cursos por correspondência ou por e-mail, para os que dispõem de pouco tempo, baseados em sua obra mestra “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, onde você encontrará respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual.

Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.

Reafirmamos que não desejamos convencer ninguém. Apenas, como disse São Paulo Apóstolo: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o”. Nós lho oferecemos. E para isso não precisará sair de sua crença. Como alguém que entra para estudar numa Faculdade qualquer, sem que essa lhe afete a crença religiosa, a Fraternidade Rosacruz também não aconselha a ninguém que abandone o lugar em que está.

Nem é necessário. Seja homem ou mulher, a Filosofia Rosacruz lhe ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios cristãos.

E conforme esses princípios mesmos é que nos dirigimos ao Amigo, oferecendo-lhe de graça o que de graça recebemos. Somos Irmãos, porque filhos de um Pai comum – Deus, em Quem “vivemos, nos movemos e temos nossa existência”. É um simples dever que um Irmão faça pelo outro o que lhe estiver ao alcance. Em nosso caso, fazemo-lo com amor.

Em nome do Senhor aqui me despeço, até próxima oportunidade.

 (De David Dias dos Santos – Publicado na revista Serviço Rosacruz –10/66)

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A Relação entre Conhecimento e Sabedoria: onde está o ponto de partida

A Relação entre Conhecimento e Sabedoria: onde está o ponto de partida

Como quase todos os problemas humanos são, atualmente, observados e pretensamente solucionados através de uma visão materialista. O Aspirante Rosacruz não duvida de que a prática da devoção é um meio de se restabelecer o equilíbrio na vida da humanidade. Nem sempre as soluções encontradas pelas vias convencionais são adequadas ou definitivas, porque não abordam os problemas pelas suas causas. Em tais circunstâncias a vida devocional oferece valiosas oportunidades de uma análise mais profunda. Se antes de tentarmos equacionar uma questão através de fórmulas convencionais ou materialistas, meditássemos ou orássemos, notaríamos como as respostas seriam encontradas mais facilmente. Na realidade a solução seria intuída. Muitos dos grandes cientistas afirmaram que na fase inicial de suas descobertas receberam como que uma “inspiração ou intuição”. Parece-nos que o resultado final é fruto de amálgama entre a intuição e a formação acadêmica. Ao corolário de todo esse processo podemos chamar de sabedoria.

O conhecimento é tão importante em nossa vida que seria um equívoco não reconhecê-lo como um poderoso fator em relação com a sabedoria. A aquisição do conhecimento em todos os níveis e campos de atividade humana tornou-se um fator de sobrevivência na complexa sociedade em que vivemos. Mas, como Max Heindel afirmou no “Conceito Rosacruz do Cosmos”: “Tão seguramente como o pensamento já existia antes do cérebro e o está aperfeiçoando para sua expressão; tão certo como a Mente vem abrindo horizontes mais amplos a desvendando os segredos da natureza pela força de sua ousadia, com igual fortaleza o coração encontrará um meio de romper os grilhões que o prendem e realizar suas aspirações. Atualmente o cérebro o domina. Algum dia manifestará toda sua força, libertar-se-á de sua prisão, se convertendo em um poder maior que a Mente”. Isso já ocorre com muitas pessoas no Ocidente.

Os Ensinamentos Rosacruzes servem de ajuda àqueles inclinados ao intelecto, podendo conduzi-los, pela via racional, ao desenvolvimento de sua religiosidade. Conhecimento é poder, e, em si mesmo não é bom nem mau. Depende do propósito para o qual é utilizado. Partindo desse princípio não é difícil imaginar a responsabilidade que o envolve.

O conhecimento oculto ou religioso em si mesmo não é sabedoria. Trata-se apenas de um conhecimento mais elevado. São Paulo nos ensinou no capítulo 13 de sua Primeira Epístola aos Coríntios: “Ainda que eu conheça todos os mistérios e toda ciência. . . se não tiver amor, nada serei”.

Não há contradições na natureza: o Coração e a Mente devem ser capazes de unir-se. A Mente, auxiliada pelo intuitivo Coração, podendo aprofundar-se nos mistérios do ser com crescente eficácia, o que não seria possível se agisse isoladamente.

Filosofia significa “amor e sabedoria”. A sabedoria é o segundo aspecto do Deus Trino, o princípio crístico que é a meta da humanidade. Assim, quando nosso conhecimento se amalgamar com o amor, surgirá a SABEDORIA — uma expressão do Espírito de Cristo.

(Publicada na revista “Serviço Rosacruz” – 07-08/87)

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Análise do Pai Nosso, a Oração do Senhor

Análise do Pai Nosso, a Oração do Senhor

O Amor pelo qual se deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.

A Fortuna pela qual se deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.

O Poder que se deve desejar é o que atua melhorando a humanidade.

A Fama pela qual se deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.

Podemos comparar a Oração do Senhor (Pai Nosso[1]) como uma fórmula abstrata ao melhoramento e purificação de todos os veículos do ser humano. O cuidado a prestar ao Corpo Denso está expresso nas palavras: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.

A oração que se refere às necessidades do Corpo Vital é: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

A oração para o Corpo de Desejos é: “Não nos deixeis cair em tentação”. O desejo, o grande tentador da humanidade, é o grande incentivo para a ação. É bom quando cumpre os propósitos do espírito, mas quando se inclina para algo degradante, para algo que rebaixa a Natureza, certamente devemos rogar para não cair em tentação.

A oração para a Mente é: “Livrai-nos do mal”. Como vimos, a Mente é a ligação entre as naturezas superiores e inferiores. Admite-se que os animais sigam os seus desejos sem nenhuma restrição. Nisso nada há de bom nem de mau porque lhes falta a Mente, a faculdade de discernir. Os meios de proteção empregados para com os animais que roubam e matam são muito diferentes do empregado em relação aos seres humanos que fazem tais coisas. Mesmo quando um ser humano de Mente anormal faz isso não se considera da mesma forma que ao animal. Agiu mal, mas porque não sabia o que fazia é isolado.

No “Pai Nosso” geralmente usado na igreja, a adoração está colocada em primeiro lugar, o que tem por fim alcançar a exaltação espiritual necessária para proferir uma petição que represente as necessidades dos veículos inferiores.

O Espírito Humano se eleva à sua contraparte, o Espírito Santo (Jeová), dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”. O Espírito de Vida reverencia-se ante sua contraparte, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.

O Espírito Divino ajoelha-se ante sua contraparte, o Pai, e diz: “Seja feita a Vossa Vontade…”.

Então, o mais elevado, o Espírito Divino, pede ao mais elevado aspecto da Divindade, o Pai, para a sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje”.

O próximo aspecto, em elevação, o Espírito de Vida, roga ao Filho, pela sua contraparte em natureza inferior, o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

O aspecto inferior do espírito, o Espírito-Humano, dirige o seu pedido ao aspecto mais inferior da Divindade para o mais elevado do tríplice Corpo, o de Desejos: “Não nos deixeis cair em tentação”.

Por último, os três aspectos do Tríplice Espírito juntam-se para a mais importante das orações, o pedido pela Mente, dizendo em uníssono: “Livrai-nos do mal”.

A introdução, “Pai nosso que estais no Céu” é somente um indicativo de direção. A adição: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi dada por Cristo, mas é muito apropriada como adoração final do Tríplice Espírito por encerrar a diretriz correta para a Divindade.

[1] N.R.: Mt 6: 9-13

 (Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)

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O Correto uso do Pensamento

O Correto uso do Pensamento

Pensar é uma grande responsabilidade. Tudo provém do pensamento, de uma ideia germinal. O pensamento precede toda manifestação. Os pensamentos de Deus expressam-se pela primeira vez em som (Verbo) que construiu todas as formas e se manifesta na vida que as habita.

Uma das finalidades da nossa evolução é aprender a usar o pensamento, a controlá-lo e formulá-lo conforme as Leis Naturais. O emprego indevido e errôneo da nossa capacidade de pensar conduz fatalmente a um destino cheio de sofrimentos e limitações.

O maior privilégio humano consiste em poder exprimir os pensamentos em palavras. A ação resultante desses pensamentos determina o curso que imprimimos às nossas vidas (principalmente as nossas vidas futuras) e às daqueles que nos rodeiam. O pensamento é mais importante do que a ação. Só pensando corretamente podemos agir dignamente.

O pensamento determina o caráter e o tipo de vida que a pessoa leva. Pensamentos otimistas e bondosos conferem ao indivíduo uma sensação de leveza e luminosidade. Isso pode ser comprovado pela observação daqueles que conosco convivem, seja no trabalho, em casa, no clube, etc.

“A pessoa é o que ela pensa em seu coração”. Os pensamentos espirituais são emitidos por pessoas orientadas espiritualmente, fortes, bem ajustadas, verdadeiras fontes de conforto e apoio para aqueles que sofrem.

O pensamento molda a matéria. Muitas vezes uma fisionomia é um reflexo da mente. É indiscutível a ação do pensamento sobre nossos veículos. Pensamentos de medo e preocupação não raro afetam negativamente as correntes de desejo, inibindo totalmente a ação. Um simples pensamento negativo pode causar danos aos nossos corpos. Por outro lado, pensamentos positivos e construtivos contribuem de forma preponderante para uma boa saúde, mais até do que a maioria dos medicamentos receitados pelos médicos.

Os pensamentos materialistas acentuam a tendência cristalizante do Corpo de Desejos, endurecendo tudo aquilo que contatam. Até as feições das pessoas podem tornar-se duras se esses pensamentos converteram-se em hábito.

O pensamento age sobre os arquétipos. Uma pessoa íntegra, habituada a pensar correta e construtivamente em termos de verdade, bondade e justiça, cria formas de pensamento correspondentes. Quando construir os arquétipos de sua próxima existência, fortalecê-los-á com as qualidades acima mencionadas.

Muitas vezes o sofrimento nos leva a ponderar sobre a necessidade de uma mudança substancial em nossas vidas. Se desenvolvermos nossa força de vontade em certa extensão é bem provável até que nos empenhemos em realizar as mudanças necessárias. Mas, é importante ter consciência de que em primeiro lugar devemos mudar nossos pensamentos. Sem isso todo esforço será infrutífero, pois estaremos apenas trabalhando os efeitos, ignorando as causas que os originaram.

É importante, também, que nossa atividade mental não seja dispersiva. Trocando em miúdos, se desejamos obter êxito em alguma atividade, seja ela material ou espiritual, nossos pensamentos devem ser concentrados nessa atividade particular. Profissionalmente isso já está mais do que comprovado. O indivíduo distraído ou carente de concentração acaba comprometendo seu próprio trabalho, perdendo muito em eficiência.

Do ponto de vista espiritual, a concentração do pensamento em objetivos elevados é condição essencial para se chegar ao êxito. Os ensinamentos rosacruzes alertam constantemente para a importância da observação e da atenção como meios de direcionamento correto do pensamento.

Assim, como estudantes da Sabedoria Ocidental não podemos ignorar que o caminho para a perfeição espiritual passa necessariamente pelo correto emprego da nossa capacidade de pensar.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de novembro/86)

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A Mente é o “Mensageiro de Deus”

A Mente é o “Mensageiro de Deus”

Algumas lições antigas da Fraternidade chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.

O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” ao ser humano, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes da Filosofia Rosacruz trabalham com seu Corpo Denso; os Probacionistas com o Corpo Vital; os Discípulos com o Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos com o Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.

Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que o cérebro predomina sobre o coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu coração aquilo que o intelecto sancionou e passam a viver uma vida religiosa.

Quando a humanidade se desviou do esquema original da evolução sob a influência de Lúcifer, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que a humanidade se tornasse menos egoísta.

Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de cristãos místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.

Astrologicamente, Mercúrio é o educador mental da humanidade. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre o Espírito e o corpo em suas manifestações.

Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas pode se elevar ao mundo do Espírito sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.

Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)

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Parece ter havido um grande declínio da fé nestes últimos anos. Qual o remédio para isto do ponto de vista oculto?

Pergunta: Parece ter havido um grande declínio da fé nestes últimos anos. Qual o remédio para isto do ponto de vista oculto?

Resposta: Há uma razão oculta para o declínio da fé, e é inútil discutir qual o remédio antes de ter descoberta a causa. Nenhuma medida casual fará com que a humanidade volte permanentemente ao caminho da retidão. Consideremos, em primeiro lugar, algumas das causas geralmente apontadas, então, entenderemos melhor a razão científica oculta.

Frequentemente ouvimos dizer, de maneira injuriosa, que a razão pela qual as igrejas estão vazias é que o padre não traz nenhuma mensagem nova, mas está continuamente repetindo, sob várias formas, as antigas histórias da Bíblia. A censura perde sua força no momento em que perguntamos: “Sabemos a Bíblia de cor?”. Fazemos com que uma criança repita a tabuada de multiplicação indefinidamente até que a conheça e saiba aplicá-la. É mais importante que conheçamos profundamente a Bíblia do que uma criança lembrar da tabuada, por isso, a repetição é necessária.

Os Atenienses, quando se reuniam na Colina de Marte, sempre buscavam algo novo que lhes dessa matéria para discutir, mas algo mais é necessário para o crescimento da alma. Paulo informa-nos especificamente que, “ainda que eu conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.

A observação relativa aos bancos vazios repousa particularmente nas igrejas protestantes de todas as denominações, e não seria fora de propósito fazer uma comparação entre o seu método e o método empregado pela igreja-mãe. Se estivermos ansiosos por aprender alguma coisa sobre eles, devemos pôr de lado o preconceito e empenharmo-nos em considerar os méritos e os deméritos de cada um de maneira imparcial.

Examinemos primeiramente uma igreja protestante comum, onde o ministro se empenha em transmitir o Evangelho às pessoas. Muitos de seus bancos estão vazios. Entre os presentes, o número de mulheres supera de seis vezes ou mais o número de homens. O ministro é geralmente sincero e esforça-se para ser eloquente quando se dirige a Deus em sua oração, mas ele já ouviu tantas vezes a censura sobre a repetição, que teme sempre que seus ofícios sejam parecidos, não importa a que grau.

Procurará apresentar uma nova oração, um novo sermão, um novo hino coral, tudo tão novo quanto possível a fim de evitar essa terrível censura. Seus nervos estão quase em colapso devido ao pensamento obsessivo de que seus fiéis possam achá-lo “antiquado”.

Em seguida, vamos a uma igreja “popular” e vejamos que métodos eles usam. O ministro dessas igrejas é sempre “progressista” e está “atualizado”. Há, frequentemente, um ginásio para esportes e um instrutor de educação física ligados ao estabelecimento. Todas as noites da semana há uma reunião ligada a este, àquele ou a outro clube. Há piqueniques, festas ao ar livre, e danças no verão, além de ceias na igreja no inverno. Reuniões masculinas e femininas são geralmente intercaladas, tendo o todo uma fantasmagoria alucinante, sem um momento monótono durante a semana, e no domingo – ah, esse é o verdadeiro deleite, a grande atração – então, é o pastor que os diverte como só ele sabe fazer. Ele é assistido por um coro sem igual, composto de artistas de preço elevado, regidos por um maestro igualmente caro. A música não é particularmente religiosa, exceto que, como toda boa música oriunda do mundo celestial, ela fala do ser humano espiritual e desperta as recordações de nosso lar eterno. É um atrativo para os amantes da música, por isso, atrai centenas de pessoas.

Entre a abertura e o encerramento do programa musical há o que chamam de “sermão”. Um de nossos colaboradores relatou que, certa vez, ficou chocado ao entrar numa igreja e ver no púlpito esta inscrição: “Eu não prego o Evangelho”. As palavras do contexto: “Que a tristeza venha a mim se o fizer”, estavam ocultas do outro lado do púlpito, e o efeito deve ter sido espantoso, é o mínimo que se pode dizer. Contudo, é um lema que pode ser encontrado no púlpito de mais de uma igreja “progressista”, pois, embora o “sermão” possa começar com uma citação bíblica, esta é, geralmente, a única referência à palavra de Deus. O restante é um excelente discurso sobre qualquer tópico mais em evidência no panorama local ou nacional ou, se as fontes sociais e políticas se tornarem escassas, haverá sempre problemas a serem abordados relativos à temperança e a pureza. É bem verdade que são temas gastos como os Evangelhos, mas, se o pastor levar uma garrafa de cerveja ao púlpito e arremessá-la com furor, despedaçando-a como uma coisa maldita, poderá apelar para o gosto ávido de sensacionalismo que será posteriormente desenvolvido pela maioria dos ouvintes do pastor. Mas, de repente, o pastor progressista recebe uma chamada para ir construir uma outra igreja em outro lugar.

É universalmente admitido que sob tutela contínua de um só ser humano, os frequentadores da igreja perdem o interesse. Isto acontece, não porque seus ministros não sejam sinceros e esforçados em sua obra. A grande maioria é exemplar, sob todos os aspectos, mas, de certa forma, não conseguem manter sua influência sobre as pessoas. Algumas seitas distribuem, por um certo período, as igrejas sob sua jurisdição a seus ministros, e esgotado esse tempo, transferem-nos para outra seção onde trabalharão por um outro período.

Pode-se dizer muita coisa a favor e contra esses diversos esquemas, mas isso está além da presente discussão.

Para combater a falta de interesse parece só haver um remédio suficientemente capaz de obter a aprovação geral e de produzir um entusiasmo, nem que seja temporário: a renovação.

As pessoas congregam-se para ouvir um estranho, que sempre possui uma personalidade forte, dominante e agressiva, com uma voz que abrange várias oitavas, que vão desde uma súplica em voz sussurrante que cativa o pecador subjugado, até o som estridente que soa como um golpe de condenação aos ouvidos dos recalcitrantes.

Como o pastor “progressista”, ele é habilmente auxiliado por um pessoal treinado, um coro e orquestra, tudo arranjado para fazer um apelo poderoso às sensações. Milhares de pessoas são “convertidas” e a religião (?) nessa comunidade recebe um novo influxo vital.

Contudo, infelizmente, isso dura pouco. É um fato incontestável que, após um curto espaço de tempo, a maioria, exceto uma diminuta parcela dos convertidos, reincide, e o pobre ministro deve continuar a lutar para dar uma aparência de religião a uma comunidade cada vez mais indiferente aos assuntos espirituais.

Esse estado de coisas tornou-se tão notório que, comparativamente, poucos jovens ingressam, hoje em dia, nos seminários. Há, por isso, um declínio tanto em termos de fiéis na igreja quanto no de ministros, fato que, se continuar, só pode ter um fim – a extinção da Igreja Protestante.

Ao investigarmos os métodos da Igreja Católica, a título de comparação, chegamos à conclusão correta quanto ao seu poder de atração e, em primeiro lugar, notamos o contraste absoluto existente entre o ofício realizado lá e o das Igrejas Protestantes. Se nos detivermos por um instante à porta de uma dúzia de edifícios de seitas protestantes, verificaremos que cada ministro trata de um tópico diferente, mas podemos dirigir-nos a qualquer Igreja Católica neste vasto mundo, e veremos que todas aplicam o mesmo ritual no altar, nas mesmas datas. O que o padre pode dizer do púlpito é irrelevante diante do fato importantíssimo acima mencionado, pois palavras são vibrações. Elas são criadoras, como o demonstram as figuras geométricas formadas na areia e nos esporos pela voz de um cantor, e a Missa, entoada em inúmeras Igrejas Católicas espalhadas por todo o mundo, ecoa com força cumulativa pelo universo como um hino poderoso, influindo sobre todos os que estão sintonizados com ela, elevando seu fervor religioso e sua lealdade para com sua igreja, de uma forma inigualável em relação aos esforços isolados e eventuais de indivíduos, não importa quão sinceros sejam.

Corroborando a afirmativa quanto ao poder acumulativo de um ritual, podemos mencionar a influência fenomenal da Ciência Cristã sobre os seus seguidores. Os Cientistas Cristãos não têm pregadores dispendiosos. Sua música em nada difere da música comum. Não obstante, suas igrejas estão lotadas, e elas multiplicam-se num ritmo surpreendente porque têm, primeiro, uma mensagem de interesse vital, de saúde e bem-estar; segundo, o efeito oculto decorrente do esforço concentrado obtido ao usar textos idênticos em todas as igrejas da Ciência Cristã existentes no mundo, para que o efeito cumulativo possa ser sentido por cada Cientista Cristão que estiver sintonizado com ele. Este efeito seria muito mais forte se o ofício fosse realmente oculto e entoado num determinado tom, como o é na Missa.

Resumindo esse aspecto da questão, vemos que as tentativas individuais persistentemente continuadas dos pregadores protestantes para guiar o seu rebanho com sermões novos e originais são um fracasso, enquanto que esforços combinados centralizados em rituais uniformes, repetidos ano após ano, como os que são praticados pelos Católicos Romanos e Cientistas Cristãos, e até mesmo pela Franco-Maçonaria e pelas Ordens Fraternais, atraem grande assistência.

Para melhor entender este mistério e aplicar a solução inteligentemente, é necessário compreender a constituição do ser humano, tanto durante seu crescimento como quando se torna um adulto.

Além do corpo humano visível, que vemos com nossos olhos físicos, há outros veículos mais sutis que não são vistos pela grande maioria do gênero humano. Contudo, não são apêndices supérfluos do corpo físico, mas, na realidade, muito mais importantes por serem as fontes de toda ação. Sem esses veículos superiores, o corpo físico ficaria inerte, insensível e morto.

Chamamos o primeiro desses veículos de Corpo Vital por ser ele o caminho da vitalidade que fermenta a massa inanimada do invólucro mortal durante os anos de vida, e que nos dá a força para nos movermos.

O segundo veículo é o Corpo de Desejos, a base das nossas emoções e sensações, que galvaniza esse corpo visível a entrar em ação. Esses três veículos (Corpos Denso, Vital e de Desejos) unidos à Mente, constituem a personalidade que é, então, regida pelo Espírito. Cada um dos corpos que citamos tem a sua própria natureza essencial, e podemos dizer que a nota-chave do corpo físico é “inércia”, visto que nunca se move, a menos que seja impelido a isso por esses corpos invisíveis mais sutis. A nota-chave do Corpo Vital é “repetição”. Isso é facilmente entendido, quando consideramos que, embora ele tenha o poder de movimentar o corpo, tais movimentos resultam apenas de impulsos repetidos da mesma espécie. Ele é ensinado a coordenar os movimentos do corpo de acordo com a vontade do Espírito. Se nos sentarmos diante de um órgão pela primeira vez e tentarmos tocar, não seremos capazes de movimentar os dedos de maneira a produzir os sons adequados. Esforços repetidos são necessários para executar até mesmo os mais simples movimentos coordenados dos dedos para resultar em uma harmonia correta. Essa necessidade de repetição revela uma máxima oculta que diz que todo desenvolvimento oculto começa com o treinamento do corpo vital.

Por outro lado, o Corpo de Desejos, que sentimos como sendo a nossa natureza emocional, está sempre procurando algo novo. Esse desejo por mudança de condição, mudança de ambiente, mudança de humor, amor à emoção e à sensação, deve-se às atividades do Corpo de Desejos, o qual é semelhante ao mar durante uma tempestade, com ondas que se agitam sem destino, cada qual mais poderosa e destrutiva quando estão desenfreadas e sem ligação com o poder diretor central.

A Mente, na realidade, é o foco através do qual o Espírito tenta subjugar a personalidade inferior e guiá-la de acordo com a habilidade durante seu período evolucionário. Mas, atualmente, este foco é tão vago e indefinido que a maioria das pessoas não o percebe, portanto, são guiadas principalmente pelos seus sentimentos e emoções, sem muita obediência à razão ou ao pensamento.

Reconhecendo o grande e maravilhoso poder do corpo emocional e sua receptividade ao “ritmo”, que se pode considerar sua nota-chave, a teologia progressista dirigiu-se e focalizou seus esforços em direção a esse veículo. É esta a parte da nossa natureza que se diverte com os espetáculos do sensacional pastor de vaudeville. É esse veículo que vibra e geme sob a linguagem bombástica do pregador, vibrante de emoção, que se eleva e decai conforme a cadência bem calculada da voz do orador. Uma unidade vibratória é logo estabelecida, como um estado real de hipnose, onde a vítima não pode evitar de juntar-se aos demais “no banco das lamentações”, da mesma forma que a água não pode deixar de correr encosta abaixo. Nesse momento, eles pensam intensamente na enormidade de seus pecados e todos anseiam pelo início de uma vida melhor. Infelizmente, a próxima onda de simpatia gerada pela sua natureza emocional, esquece tudo o que foi dito pelo pregador assim como todas as suas resoluções, e eles encontram-se exatamente no mesmo ponto onde estavam antes, para o dissabor e pesar do evangelista interessado.

Consequentemente, todos os esforços realizados para elevar a humanidade, agindo sobre o instável Corpo de Desejos, são e serão sempre inúteis. Este é um fato reconhecido por todas as escolas ocultas de todas as épocas, por essa razão, elas têm-se dedicado à mudança do Corpo Vital operando com sua nota-chave, que é a repetição.

Para esse fim, escreveram vários rituais adequados à humanidade nos diferentes estágios do seu desenvolvimento e, dessa forma, promoveram, lenta, mas seguramente, o crescimento da alma, independentemente do fato do ser humano estar ciente ou não de estar sendo trabalhado dessa maneira. O Antigo Templo de Mistérios Atlante, ao qual nos referimos como sendo o Tabernáculo no Deserto, tinha determinados rituais prescritos no monte pelo Divino Hierarca, que era seu mestre particular. Certos ritos eram realizados durante os dias da semana. Outros no Sabbath, e outros ritos por ocasião da Lua Nova e nos grandes festivais solares. Nenhum sacerdote, seja qual fosse o grau a que pertencesse, tinha o poder de alterar esse ritual, sob sofrimento e penalidade de morte.

Encontramos também, mesmo entre outros povos antigos – os hindus, os caldeus e os egípcios – a evidência de um ritual que usavam em seus ofícios religiosos. Entre os egípcios, por exemplo, encontramos o chamado Livro dos Mortos, como evidência do valor oculto e do objetivo de tais ofícios ritualísticos. Mesmo entre os gregos, embora fossem notoriamente individualistas e ansiosos para expressar suas próprias concepções, encontramos o ritual nos mistérios. Posteriormente, durante a chamada Era Cristã, encontramos o mesmo ritual, ocultamente inspirado, na Igreja Católica, como meio de promover o crescimento da alma através do trabalho sobre o Corpo Vital.

É verdade que houve abusos no âmbito desses vários sistemas religiosos. Nem sempre os sacerdotes foram homens santos, e nem sempre suas mãos encontravam-se limpas e imaculadas quando ministravam o sacrifício ou ritual. É bem verdade que os abusos, às vezes, se intensificaram tanto, que foram necessárias reorganizações, e o movimento Protestante foi iniciado por Martinho Lutero a fim de acabar com os abusos que haviam surgido dentro da Igreja Católica. Não obstante, todos esses sistemas tinham em si a semente da verdade e do poder, visto que trabalhavam para o desenvolvimento do Corpo Vital, portanto, a despeito do sacerdote ser corrupto, os rituais sempre mantinham o seu grande poder. Por isso, quando os reformadores abandonaram o ritual, eles achavam-se exatamente na mesmo posição que a dos Atenienses na Colina de Marte – viram-se forçados a buscar algo novo.

Em cada seita há um desejo pela verdade. Cada uma delas existentes na atualidade luta a seu modo para resolver o problema da vida. No entanto, cada uma está tocando uma nova nota de uma forma casual e, por essa razão, estão todas falhando. A Igreja Católica, com todos os seus abusos, ainda conserva uma ascendência admirável sobre seus adeptos devido ao poder combinado do seu ritual.

Para que possamos aprender com eles como encher nossas igrejas e promover o crescimento anímico entre nosso público Protestante, devemos primeiramente considerar que “a união faz a força”. Devemos cessar nossas disputas a respeito de pormenores. Se “aspergimos” ou “imergimos” ou se somos “predestinados” ou “livres” o que isso importa realmente? Jamais alguém foi salvo em consequência dessas disputas por tais ninharias. As palavras de Abraão Lincoln: “Unidade nas coisas essenciais, liberdade nas não essenciais e caridade em tudo”, devem ser adotadas antes que alguma coisa possa ser feita. A anuência a essa proposição, numa consagração verdadeira ao grande objetivo a ser alcançado, deve ser a pedra fundamental e, de acordo com esse princípio básico, poder-se-ia formar uma Federação das Igrejas Protestantes. Os detalhes do sistema poderiam ser elaborados pelos membros.

Tendo alcançado esse ponto, a questão importante do ritual poderia ser trabalhada em duas, ou talvez, três maneiras:

1) Poderiam consistir em determinados textos da Bíblia dispostos de tal maneira que formassem um ofício concatenado e consecutivo. Vários desses rituais poderiam ser escritos para que cada um fosse adequado para uma determinada festa, e nos domingos comuns, outro ritual poderia ser usado em todas as Igrejas Protestantes do mundo.

2) O ritual da Igreja Episcopal poderia ser adotado tal como existe ou em forma modificada.

3) Poder-se-ia encontrar um ocultista capaz de entrar em contato com as fontes cósmicas do conhecimento, e persuadi-lo a escrever um ritual que contenha em si um poder difícil de ser atingido por qualquer outra forma.
O primeiro desses métodos seria o menos eficiente. O último seria o mais eficaz para atingir-se o fim desejado, mas, conseguir-se um ritual por esse último método seria muito mais difícil.

Antes que um ritual possa produzir seu máximo efeito, aqueles que devem utilizá-lo para crescer precisam sintonizar-se com ele. Isto exige trabalho em seus Corpos Vitais enquanto esses veículos ainda estão em formação.

É matéria de conhecimento oculto que o nascimento é um acontecimento quádruplo, e esse nascimento do corpo físico é apenas um passo dentro do processo. O Corpo Vital submete-se também a um desenvolvimento análogo ao crescimento intrauterino do Corpo Denso. Ele nasce, aproximadamente, no sétimo ano de vida. Durante os sete anos seguintes, o Corpo de Desejos amadurece e nasce, aproximadamente, aos quatorze anos, quando se atinge a adolescência. A Mente nasce aos vinte e um, quando se inicia a vida adulta.

Esses fatos ocultos são bem conhecidos da Hierarquia Católica e, enquanto os ministros protestantes trabalham sobre a natureza emocional, que está sempre à procura de algo novo e sensacional sem imaginar a futilidade da luta e o fato de que é este veículo descontrolado que afasta as pessoas das igrejas em busca de novidades mais sensacionais, a Hierarquia Católica, ocultamente informada, concentra seus esforços nas crianças. “Deem-nos crianças até aos sete anos, e elas serão nossas para sempre”, dizem eles, e estão corretos. Durante esses sete anos tão importantes, eles inculcam suas ideias nos Corpos Vitais plásticos dos que estão sob sua tutela, por meio da repetição. As orações repetidas, o tempo e o tom dos vários cânticos, o incenso, tudo exerce um poderoso efeito sobre o Corpo Vital em desenvolvimento. Não importa que o ritual seja celebrado numa língua desconhecida, pois, para o Ego, esta mensagem vibratória é um cântico de cor divina, inteligível para todos os Espíritos. Também não importa que a criança repita como um papagaio, sem entender, contanto que repita o que lhe é dado. Quanto mais, melhor, pois estas vibrações ocultas incorporam-se em seu Corpo Vital antes que este se consolide, e permanecem com ela por toda a vida. Cada vez que a Missa é entoada pelos servos da Igreja em qualquer parte do mundo, o poder vibratório cumulativo do seu esforço agita os que têm suas linhas de força em seus Corpos Vitais, de maneira tal que são atraídos para a igreja por uma força geralmente irresistível. Isto se baseia no mesmo princípio que, ao ser vibrado um diapasão, todos os outros de tom idêntico também começam a vibrar.

Alguns católicos voltaram-se contra a Igreja Católica, mas, subconscientemente e no fundo, eles permaneceram católicos até a morte, pois é extremamente difícil mudar o Corpo Vital, e as linhas de força construídas dentro dele, durante seu período gestatório, são mais fortes do que quase todas as vontades individuais.

Disso se infere que, se nós quiséssemos mudar a tendência do mundo de perseguir o prazer e a satisfação dos sentidos em detrimento da religião, faríamos bem em começar com as criancinhas. Se as reunirmos ao pé do altar e as ensinarmos a amar a casa de Deus, incorporando determinadas orações universais e partes do ritual em seus Corpos Vitais em formação, evitando posturas impróprias para um Tempo, mas cultivando em todos os que entrarem ali o ideal de reverência para com um lugar santo, aos poucos construiremos em volta da estrutura física de pedra, um templo invisível de Luz e Vida, tal como descrito pelo personagem Manson em “O Servo na Casa”.

(Pergunta 161 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

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A Almejada Resposta: cultivar a parte espiritual e cuidar dos negócios desse mundo

A Almejada Resposta: cultivar a parte espiritual e cuidar dos negócios desse mundo

A humanidade passa atualmente por momentos de grande tensão. Vivemos numa época em que a insegurança aparenta ser o denominador comum da vida. As manchetes dos jornais e as notícias veiculadas pelo rádio e televisão, dão conta de crises em quase todos os quadrantes da terra. Crises monetárias, políticas, religiosas, morais. Crises e mais crises. Crise é a palavra que define todas as anormalidades e inseguranças.

Mas afinal, o que acontece com o mundo? Em uma época de racionalismo, de progresso tecnológico assombroso, de definições mais amplas, por que o estranho paradoxo dos desencontros? Por que dubiedades e incertezas se o logismo fundamenta as análises e o estabelecimento de teorias? O ser humano já vai à Lua, em empreendimentos orçados em milhões de dólares, e por incrível que pareça seus empreendedores ainda alimentam dúvidas quanto aos benefícios que a humanidade possa auferir. Se a automatização promove o conforto, por outro lado, ameaça o ser humano, substituindo-o, escravizando-o e desempregando-o.

Vivemos uma realidade de aparentes contrastes ou paradoxos. Nos países mais desenvolvidos do globo, onde o racionalismo e a automatização ditam normas, localizam-se os problemas mais complexos. Não é estranho?

Algumas das chamadas superpotências ou sociedades superorganizadas, a despeito de seu alto nível social e cultural, enfrentam males crônicos traduzidos em dissolução da família, suicídio em grande escala, enfartes, uso indiscriminado de drogas alucinógenas, erotismo etc., caracterizando uma agressão ou fuga aos deveres impostos pelo meio social. Acontece, porém, que quase todas estas sociedades «modernas» foram plasmadas no materialismo em suas variadas formas (competição, pragmatismo, utilitarismo, etc.), impondo o seu próprio ritmo à vida humana. Dispondo dos recursos oferecidos por uma sociedade organizada e abastada, vivendo dentro de um padrão de vida invejável, que elemento pode induzir um ser humano a pôr termo à própria existência, a ser derrubado por um enfarte ou a consumir-se pelo uso de entorpecentes? As nações desenvolvidas estão empregando verbas fabulosas em estudos e pesquisas visando encontrar a resposta.

A Filosofia Rosacruz proporciona-nos a resposta completa, subentendendo causa e solução. Em um versículo dos Evangelhos o Cristo também responde a essa indagação: “EU NÃO SOU DESTE MUNDO, COMO VÓS DESTE MUNDO NÃO SOIS”. O ser humano é em realidade e essência, um ser divino, um Espírito, célula indestrutível do grande corpo de Deus. Não é meramente uma forma mortal que pulsa, respira e anda. Manifesta-se no plano da matéria mais densa através de um corpo formado de elementos químicos. Este corpo, por sua vez, é vitalizado e sensibilizado por uma vestidura mais refinada, composta de Éter. Seus desejos, emoções, sentimentos e incentivo para ação, têm origem em um corpo mais sutil ainda, denominado Corpo de Desejos pela Filosofia Rosacruz. E para coordenar essa cadeia de veículos, o Espírito utiliza a Mente.

Sendo o Espírito potencialmente divino, sua imortalidade é um fato indiscutível, porém, encontra-se temporariamente sujeito a renascer várias vezes no plano material, onde se exercita e adquire experiências pelo uso de seus veículos, extraindo-lhes uma alma. Essa alma é o seu, alimento primordial, promovendo o desabrochar de suas faculdades latentes, tornando-o cada vez mais senhor de seus poderes, ampliando-se a consciência. À medida que for aprendendo as lições pertinentes a cada veículo e ao mundo correspondente, renascerá em mundos sucessivamente superiores. Logo, todas circunstâncias próprias do mundo físico são transitórias, porém indispensáveis à nossa evolução. Atualmente ele constitui nossa grande escola, mas temos de almejar escolas superiores. Muitos não lhe dão o devido valor, e outros o superestimam. Algumas religiões orientais apresentam o plano da matéria como sendo degradante, preconizando dedicação completa ao mundo do Espírito. É um lamentável desperdício de oportunidades de progresso e tal falha deverá ser corrigida futuramente. Em contraposição, muitos ocidentais apagaram-se de tal modo ao materialismo, a ponto de identificarem-se com ele. Não reconhecem outra realidade a não ser a das formas que os rodeiam. É outro equívoco a exigir reparação. É mister encontrar-se um ponto equilibrante. Se é verdade que NEM SÓ DE PÃO VIVE O SER HUMANO, não é menos verdade QUE DEVEMOS DAR A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR. Isto trocado em miúdos quer dizer que devemos cultivar as faculdades do Espírito (através da oração, da devoção, do estudo de filosofias espiritualistas, do aprimoramento do caráter, do serviço amoroso e desinteressado aos demais, etc.) e paralelamente cuidar dos negócios deste mundo (cumprindo nossos deveres sociais, familiares, profissionais, procurando ser atuantes em nosso meio ambiente, estimulando o progresso em todos os sentidos). Assim, equilibradamente, contribuiremos para tornar o mundo melhor, material e espiritualmente, divulgando pelo exemplo, a necessidade de procurar um ideal superior, utilizando os impactos do mundo físico como meios de crescimento anímico. Quando houver conscientização desse fato, o mundo deixará de ser um turbilhão de conflitos e então, caminharemos a passos largos rumo à Fraternidade Universal.

(de Gilberto A.V. Silos – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/71)