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Adaptabilidade: o grande segredo para o seu avanço ou o seu atraso

Adaptabilidade: o grande segredo para o seu avanço ou o seu atraso

 

Adaptabilidade não quer dizer estagnação; significa, isto sim, acomodação às novas condições e o encontro do fio da meada para agir, descortinando sempre os novos horizontes. Quem é facilmente ADAPTÁVEL é também FLEXÍVEL; portanto, EMINENTEMENTE ENSINÁVEL e funciona no campo da inteligência de maneira sábia e amorosa, assimilando os ensinamentos que lhe chegam de toda a criação, obra de nosso Pai Comum — DEUS.

Para melhor elucidar o presente tema, ouçamos a palavra de Max Heindel que, em seu laborioso trabalho e ajudado pelos Irmãos Maiores, adquiriu a capacidade de investigar os Mundos internos e ler a Memória da Natureza, esclarecendo-nos em O Conceito Rosacruz do Cosmos da seguinte maneira:

“Nas escolas, todos os anos alguns Estudantes não se adiantam o necessário para passar a um grau superior. Analogamente, em cada Período de Evolução, alguns ficam atrás por não poderem alcançar o desenvolvimento necessário e ir ao próximo grau superior. Foi o que aconteceu já no Período de Saturno. Naquele estado, a vida com a qual trabalharam os Seres Superiores era inconsciente de si, mas essa inconsciência não era obstáculo para o retardamento de alguns dos Espíritos Virginais MENOS FLEXÍVEIS, MENOS ADAPTÁVEIS que os demais.

“Nessa palavra, ADAPTABILIDADE, temos O GRANDE SEGREDO do atraso ou do progresso. Todo adiantamento depende de FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE do ser em evolução, da capacidade que tem de se acomodar às novas condições ou estacionar e cristalizar-se, tornando-se incapaz de qualquer transformação. A ADAPTAÇÃO É A QUALIDADE QUE FAZ A ENTIDADE PROGREDIR, ESTEJA EM UM GRAU SUPERIOR OU INFERIOR DE EVOLUÇÃO. A falta de adaptação é causa de atraso para o espírito e de retrocesso para a forma. Isso se aplica ao passado, ao presente e ao futuro”.

Dispensa comentário a lapidar orientação de Max Heindel, apontando a adaptabilidade como a palavra-chave em nossa evolução. Trata-se de uma instrução que ele mesmo extraiu da Memória da Natureza, auxiliado pelo Mestre, e que resiste à lógica mais apurada; portanto, merece nossa particular atenção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 03/70)

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O Problema da Memória e da Recordação

O Problema da Memória e da Recordação

Com a intensidade do seu entusiasmo, ao estudar pela primeira ver os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental da Rosacruz, os Estudantes experimentam muitos despertares breves nos planos internos da Natureza. Frequentemente regressam ao corpo pela manhã, depois de uma noite de trabalho nos planos internos, com recordações confusas, recordações de ter visto o Mestre ou os Irmãos Leigos, e entre suas experiências mais comuns está a de lhes terem sido mostradas linhas ou páginas impressas, as quais esperava-se que lessem. Algumas vezes isso é lido exatamente como se lê um livro com os olhos no Mundo Físico. Outras vezes o impresso desaparece e o leitor encontra-se vivendo ele mesmo à narração que havia começado a ler nos planos astrais. Tudo é excessivamente claro e vívido no momento em que sucede, mas ao despertar começa a se desvanecer na memória e causa decepção perceber que se pode recordar apenas um esboço muito pobre do que foi visto e, às vezes, nem isso. Outras vezes a experiência não é totalmente lembrada ao despertar, e logo, no curso do dia, ou talvez, dias ou semanas depois, recorda-se subitamente que tal ou qual acontecimento sucedeu no mundo da alma, durante as horas em que o corpo esteve adormecido.

O Estudante acredita firmemente que quando chegue a ser Probacionista, sua memória será mais brilhante e que recordará tudo o que experimente nos planos internos. Agora, é certo que o Probacionista que vive uma vida intensamente devocional, ao mesmo tempo que conserva sua Mente alerta e concentrada, descobrirá certamente que tenha feito algum progresso, mas novamente deparar-se-á com a decepção ao perceber que a memória e a consciência estão bloqueadas. Poderá, então, desiludir-se e chegar à conclusão de que não alcançará a meta nesta vida, e voltar aos caminhos do mundo.

É bom, portanto, que o Estudante saiba que a memória plena da experiência do mundo interno é raramente alcançada, e isso não acontece senão muito tempo depois da primeira Iniciação, e que ainda assim, é necessário algum esforço para alcançar a plenitude da recordação do mundo da alma, no Mundo Físico.

Max Heindel mesmo nos fala a respeito disso em seus primeiros escritos, e como esses nem sempre são acessíveis ao Estudante de hoje, queremos aproveitar a oportunidade e copiar de nossa revista Rays from the Rose Cross, de novembro de 1945, em que esse problema foi tratado:

Pergunta: — Algumas vezes tenho recordações do trabalho que faço no mundo da alma, durante a noite, mas me incomoda o fato de não poder lembrar sempre a experiência completa. Quanto tempo se passará antes de que possa recordar inteiramente as experiências noturnas?

Resposta: — Essa aberração da memória da alma continua até depois da primeira Iniciação e ainda por esse tempo não é imediatamente corrigida. Max Heindel relata que, depois de sua Iniciação na Europa, encontrou certo número de Irmãos Leigos presentes ao Serviço do Templo em seus Corpos-Almas, entre eles um homem a quem designa como Sr. X. Max Heindel escreve: “Falamos a respeito de muitas coisas em comum interesse e o Sr. X disse ao que escreve que vivia em certa cidade da América do Norte e que esperava que nos encontrássemos ali em alguma oportunidade. Isso foi cordialmente acolhido por mim, porque eu acreditava que quando me encontrasse com o Sr. X, no corpo físico, tal cavalheiro explicaria multas coisas que eu, sendo um jovem neófito, não sabia, porque nesta época não estava preparado para recordar todas as experiências do mundo invisível com a consciência física”.

Note-se que essa afirmação foi feita depois que Max Heindel havia já tomado sua primeira Iniciação: ele, contudo, chamava-se a si mesmo um jovem neófito, e disse que, todavia, não estava preparado para recordar todas suas experiências dos planos internos. Essa capacidade é adquirida mediante a prática contínua, e a primeira Iniciação não confere automaticamente a plena memória contínua das experiências obtidas fora do corpo. Podemos esclarecer dizendo que o desenvolvimento da memória total do Espírito é parte do trabalho da Iniciação; mas a Iniciação propriamente dita não acontece subitamente, mas é a culminação de uma série ascendente de experiências com seu desenvolvimento espiritual concomitante.

O Estudante deve entender que a Iniciação é algo mais que ser liberado do corpo pela primeira vez. Esse é unicamente o primeiro passo da primeira Iniciação. Segue muito trabalho ulterior, como o elevar-se a planos mais altos, e ler nos registros da Memória da Natureza concernentes à Época Polar e à Revolução de Saturno, deste Período Terrestre. Essa leitura da Memória da Natureza não é feita simplesmente como um estudo de história: faz surgir na consciência as forças que trabalharam, então, no ser humano e as faz atuantes mais uma vez, com a vontade de vigília do neófito. Deve-se notar também que o simples fato de sair do corpo, ainda que com plena consciência de vigília, não é a Iniciação. A Iniciação consiste em fazer com que o neófito saia do corpo à vontade e com plena consciência. Há algumas pessoas que foram iniciadas em vidas anteriores e se recordam da maneira de fazer isso; mas esses casos são raros.

Recordação do trabalho feito nos planos internos durante a noite é registrada no Átomo-semente e é lembrado inteiramente depois da morte, quando o Espírito é liberto do corpo.

Contudo, Max Heindel adverte muitas vezes que o fato de ser simplesmente um membro da Fraternidade Rosacruz não abrirá nunca, nem nesta, nem em mil vidas, as portas das faculdades superiores, inclusive a falha recordação das experiências noturnas no Mundo do Desejo. Deve-se fazer um trabalho definido. As faculdades intelectuais e imaginativas devem ser treinadas, e a intuição espiritual que é o dom do Espírito do Cristo Interno, o Princípio do Espírito de Vida, deve Ser conduzida a certo grau de maturidade.

Todo o trabalho é feito pelo Espírito Virginal, que é o verdadeiro Ser Humano, o Eu Sou, feito à imagem e semelhança de Deus. Esse Espírito, como sabemos, possui três “potências” ou “princípios” que se ativam nos planos cósmicos correspondentes à sua natureza, e em cada um desses planos revestem-se a si mesmos com o que pode ser chamado “envolturas” da substância do plano, ainda que à palavra envoltura não expresse adequadamente a ideia pretendida. Essas três potências do Espírito Virginal são o Espírito Divino, o Espírito de Vida (Amor) e o Espírito Humano. Desses, tem se dito outras vezes nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que: o Espírito Humano trabalha na Mente como Razão; o Espírito de Vida trabalha na Mente sob a forma de Intuição e que o Espírito Divino trabalha na Mente como Epigênese, que é o poder criador da Divindade, o poder mediante o qual o Espírito faz nascer novas iniciativas e progressos para a evolução. A Epigênese é a que torna possível que o Espírito inicie novas linhas de progresso e desenvolvimento. É ela que capacita o ser humano para “reger suas estrelas”.

Assim como o Espírito Humano se manifesta como Razão, e o Espírito de Vida como Amor e Intuição, assim O Espírito Divino se manifesta como Vontade Criadora.

Em todos os casos a Mente é a ponte, e a essência anímica de toda experiência chega ao Espírito por essa ponte. Não há outro caminho, diz Max Heindel. Com um pouco de reflexão, perceberemos como isso é certo. Se a Mente é descartada, o ser humano regride a um estado animal, ou ainda vegetal.

A Mente humana funciona no Mundo do Pensamento, que está dividido nas duas “regiões”: a Região do Pensamento Concreto e a Região do Pensamento Abstrato. A Memória da Natureza pertencente ao Período Terrestre encontra-se na região intermediária do Mundo do Pensamento, onde também têm seu lugar as forças arquetípicas. Essa Região das Forças Arquetípicas, que é o lugar da Memória da Natureza pertencente o Período Terrestre é, consequentemente, a “memória” do Espírito da Terra. As primeiras nove Iniciações dos Mistérios Menores revelam tudo que está oculto nesse registro. A primeira Iniciação Maior, que faz do Iniciado um Adepto, revela, então, o mistério da própria Mente. Esse é um mistério que pertence a “Deus, O Pai” — O aspecto Pai dos Logos Solar, que é o Líder dos Senhores da Mente. Nesse “mistério da Mente” está a solução dos problemas do Bem e do Mal, da “Queda do Homem” e da Ilusão.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul./ago./88)

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Como os registros na Memória da Natureza aparecem à visão espiritual? Como os atos da vida anterior de uma pessoa são representados?

Pergunta: Como os registros na Memória da Natureza aparecem à visão espiritual? Como os atos da vida anterior de uma pessoa são representados?

Resposta: Isso depende de onde se leia na Memória da Natureza. No Éter Refletor existem imagens de tudo que aconteceu no mundo, num período de, pelo menos, várias centenas de anos atrás, talvez muito mais em certos casos. Aparecem semelhantes a imagens projetadas numa tela, com a diferença que as cenas se desenrolam em sentido contrário. Portanto, se desejarmos estudar a vida de Lutero ou de Calvino na Memória da Natureza, podemos, por meio da concentração, evocar quaisquer pontos de suas vidas e daí começar mantendo a cena com a qual iniciamos a observação ou outra cena qualquer, pelo tempo que desejarmos pela simples vontade de a contemplar. No entanto, descobriremos que a película se desenrola para trás, assim, se começarmos com a cena em que Lutero, segundo consta, lançou o tinteiro contra a parede a fim de expulsar sua Majestade Satânica, e se quisermos saber o que aconteceu depois disso, nada conseguiremos. Passarão diante de nós todas as cenas ocorridas anteriormente e, para conseguir a informação desejada, deveremos começar a partir de um ponto posterior ao tempo daquele acontecimento. Então as cenas desenrolar-se-ão de frente para trás, numa sequência ordenada, até que cheguemos ao episódio do tinteiro e, em consequência, poderemos mais tarde reconstituir a cena completa da forma progressiva que se obtém diária e habitualmente na vida física.

Contudo, se lermos na Memória da Natureza no reino superior seguinte, onde o registro é guardado, ou seja, na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, obteremos uma visão consideravelmente diferente. Ao concentrarmos o pensamento em Lutero, evocaremos em nossa Mente, de uma só vez como num lampejo, o registro completo de sua vida. Não haverá começo nem fim, mas experimentaremos imediatamente o aroma ou a essência de toda a sua existência. Esse filme — ou pensamento ou conhecimento — não estará localizado fora de nós como se fôssemos simples espectadores assistindo a vida de Lutero. Na verdade, ele estará dentro de nós, e nós nos sentiremos como se fôssemos realmente Lutero. Esse filme falará à nossa consciência interna e dar-nos-á um entendimento completo da vida e dos objetivos dele, o que não poderia ser adquirido através de uma simples visão externa. Saberemos o que ele sabia durante algum tempo. Sentiremos o que ele sentiu e, embora não haja emissão sonora, obteremos um profundo conhecimento desse homem desde o berço até o túmulo.

Cada pensamento e ato, por mais íntimos e ocultos que tenham sido, chegarão ao nosso conhecimento com todos os seus motivos e tudo que os ocasionou. Isso nos levará a uma compreensão mais ampla da sua vida, um entendimento tão íntimo que, provavelmente, nem ele próprio, durante a sua vida, imaginou a extensão do conhecimento que teríamos dele.

Podemos pensar que, tendo adquirido um conhecimento tão profundo e completo sobre Lutero, Calvino, Napoleão ou qualquer outro ser humano, acontecimento histórico ou até pré-histórico antes da história ser escrita, seríamos capazes de escrever livros que explicariam todas essas coisas de maneira maravilhosa. Os que tentarem ler a Memória da Natureza, conforme ela se apresenta nessa Região elevada, confirmarão a declaração do autor, que foi exatamente isso que sentiram quando deixaram a pesquisa e voltaram para a sua consciência cerebral comum. No entanto, o pensamento deve se manifestar através do cérebro e, para se tornar inteligível para os outros, deve ser traduzido em frases que contenham e desenvolvam consecutivamente as ideias a serem expostas, e ninguém que ainda não tenha sentido esta limitação ao voltar do Mundo Celestial com informações tão valiosas, pode avaliar o desapontamento e o desespero que a pessoa sente ao fazer esse esforço. Nessa subdivisão elevada da Região do Pensamento Concreto, todas as coisas estão incluídas num eterno aqui e agora. Não há tempo nem espaço, começo nem fim, e é quase impossível ajustar ordenadamente as ideias sobre o que lá foi visto, ouvido e sentido. Parece simplesmente que o cérebro se recusa a deixar filtrar essas ideias. Nós, que temos visto e ouvido, sabemos o que vimos e ouvimos, mas somos incapazes de expressá-lo. Não há idioma ou língua humana que possa traduzir essas coisas de maneira adequada e só podemos transmitir aos outros uma fraca impressão, uma sombra atenuada da gloriosa realidade.

Há ainda outro registro da Memória da Natureza no Mundo do Espírito de Vida que, segundo os Irmãos Maiores da Rosacruz, abrange os eventos que remontam aos primórdios da nossa atual manifestação. São tão sublimes, tão maravilhosos que não encontramos palavras que possam descrevê-los. Há muitos mistificadores que se enganam a si mesmos e aos outros, julgando que são capazes de ler esse registro, mas, segundo os Irmãos Maiores, somente eles próprios e outros Hierarcas de outra Escola de Mistérios, juntamente com os Adeptos que se graduaram nessas instituições, são capazes de ler esse registro.

 (Perg. 66 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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Túlia de Pompeia

Túlia de Pompeia

— Tio Jack, conte-me uma história, pediu Maria Elizabeth.

Tio Jack havia acabado de chegar de uma cidade distante para visitar os pais de Maria Elizabeth. Ele tinha viajado por todo o mundo e conheceu coisas maravilhosas sobre lugares longínquos e exóticos. Maria Elizabeth tinha certeza de que ele poderia contar muitas histórias interessantes para ela.

— Mamãe diz que você conta histórias sobre meninos e meninas que viveram há centenas de anos; é verdade? Perguntou à menina.

— Possivelmente, disse Tio Jack. Talvez eu possa contar-lhe alguma coisa desse tipo.

— Como você faz isso? Perguntou Maria Elizabeth. Como você pode saber sobre meninos e meninas que viveram há tanto tempo atrás?

— Você já ouviu falar da Memória da Natureza? Perguntou Tio Jack. Pois ela existe e é dela que eu tiro o material para algumas de minhas histórias; isto é, eu leio na Memória da Natureza.

— É maravilhoso! Exclamou Maria Elizabeth. Como você faz isso?

— Bem, de certo modo é como olhar para cenas que se movem. É uma espécie de segunda visão que eu possuo. Me concentro de tal maneira que vejo cenas na Memória da Natureza, como um filme passando na frente dos meus olhos.

— Parece muito interessante, disse Maria Elizabeth. Você podia me contar uma história sobre alguns dos meninos e meninas que viveram a centenas de anos?

– Certamente, foi a resposta, aqui vai.

******

A longa rua de Pompeia, sulcada por charretes, que eram carros de duas rodas usados antigamente na guerra e nas corridas, estava cheia de vida. As vozes dos vendedores ambulantes e das flores eram claramente ouvidas. E, bem perto, podia-se ouvir também os sacerdotes no templo celebrando, em cânticos e em música, sua devoção a algum antigo deus ou deusa. De longe, ouviam-se vozes excitadas e o som metálico das rodas das charretes no pavimento de pedras.

As paredes brancas das casas brilhavam à luz do Sol, embora existisse um estranho tom avermelhado sobre tudo, mas isto era talvez causado pela nuvem escura que se espalhava vinda do topo da montanha e que se erguia bem acima da cidade. Essa montanha era o Vesúvio e o seu pico estava coberto de neve.

Era uma cidade quente, rica e resplandecente. Belas casas com suas portas abertas para a rua, grandes templos com suas altas e claras colunas à luz do Sol e, à distância, podia-se perceber o azul do mar.

Multidões de pessoas e charretes estavam passando pelas ruas, correndo para algum jogo no anfiteatro distante. Um escravo saiu para a rua pela larga porta de um palácio. Protegendo os olhos com a mão, ele olhou para a nuvem escura que pairava sobre a montanha. Finalmente, com um meneio ansioso, entrou pelo portão novamente.

Era um amplo e fresco átrio, em comparação com o calor da rua. Havia vasos de flores colocados em nichos nas paredes e, ao fundo, viam-se flores e árvores no peristilo[1], uma espécie de pátio interno. O velho escravo fechou a porta da rua, pisando com cuidado sobre um mosaico que mostrava a figura de um cachorro latindo, mosaico feito com pedras de cores vivas. Sob a figura do cachorro lia-se palavras de advertência: “Cave Canem”, que queria dizer “Cuidado com o cachorro”. Então, andando lenta e pensativamente, com a cabeça baixa mergulhado em pensamentos profundos, ele entrou no peristilo, uma parte do qual era ocupada por um pequeno jardim encantador, cheio de flores.

Árvores verdes lançavam sua sombra refrescante sobre bancos de mármore branco, a passagem estava coberta por tapetes de cores luminosas, estátuas brancas e brilhantes espiavam de seus recantos cheios de flores e de samambaias, e o esguicho fresco da água da fonte sustentada por um fauno branco, alimentava o chafariz onde nadavam peixes dourados. Perto do chafariz e sob a sombra de uma pequena figueira havia um divã e nele, entre montanhas de almofadas macias, recostava-se uma menina frágil e esbelta brincando com um macaquinho branco.

Vagarosamente, o escravo aproximou-se e sentou-se no chão de mármore.

— Por que você está tão intranquilo hoje, Nelo? Perguntou a doce voz infantil, enquanto a menina estendia a mão delgada tocando a face escura do escravo. Você queria ir aos jogos com os outros escravos?

— Não, não é isso, pequena Túlia. Você sabe que eu não gosto de ver homens e feras lutando. Além disso, seu pai pediu-me para tomar conta de você até que ele voltasse.

A menina riu.

— Então não fique tão ansioso. Você está quase tão intranquilo quanto meu pequenino Nito. Você acha que é este calor sufocante que o faz ficar assim?

Nelo olhou para o macaquinho que estava andando de um lado para outro, mexendo os olhinhos pretos, como se fosse incapaz de decidir qual o lugar melhor ou mais seguro.

— Ele está com medo de alguma coisa, pequena Túlia. Os deuses deram aos animais um senso de perigo mais aguçado do que o nosso.

O rosto da criança tornou-se sério. Ela ergueu-se um pouco nas almofadas e disse:

— Talvez seja por isso que as feras, nas covas do circo, estão rugindo tão alto. Você acha que elas também estão com medo de algo?

O velho Nelo, olhando rapidamente para a criança, sorriu e respondeu:

— Olhe, pequena Túlia, não fique com medo. Sem dúvida alguma, é por causa do calor que elas estão tão intranquilas e também por causa do terremoto que algumas noites atrás assustou-as.

Túlia sorriu e bateu levemente na mão do escravo:

— Claro que eu não sinto medo com você e Adriano tomando conta de mim. Mas gostaria que este calor e essa claridade terríveis cessassem.

O velho escravo levantou os olhos para um jovem alto que havia se aproximado e estava ali parado, ouvindo a conversa. Com uma troca de olhares, eles se afastaram para um canto do pátio.

— O que você acha, meu pai? Perguntou o mais jovem, em voz baixa. Você acha que é melhor deixar à cidade rapidamente levando a criança?

Passando a mão trêmula sobre os olhos, o velho respondeu:

— Eu gostaria que os deuses me dissessem o que fazer. O patrão ordenou que ficássemos aqui até que ele voltasse de Roma, mas ele não podia imaginar O perigo que nos ameaça. Muitas vezes vi montanhas esconderem seus topos em nuvens avermelhadas e não posso deixar de ter medo. Não gosto desta coisa no ar e do rugido dos leões — Oseias disse-me que desde ontem eles vêm recusando todo alimento, procurando fugir de qualquer jeito da sua cova.

Ele pensou mais um pouco e ordenou:

— Vá, meu filho. Junte alimentos e roupas, enquanto eu preparo a pequena Túlia para a viagem. Você tem certeza de que o barco está pronto?

— Aprontei tudo esta manhã como o senhor ordenou, respondeu Adriano, saindo apressadamente.

Nelo voltou para perto da menina, substituindo seu olhar preocupado por um sorriso calmo para evitar que ela ficasse assustada.

— Você gostaria de dar um passeio de barco esta tarde? Talvez esteja mais fresco no mar.

Túlia sorriu e bateu palmas alegremente:

— Claro que gostaria, Nelo. E talvez possamos encontrar papai e mamãe. Você sabe, está quase na hora deles voltarem.

Com movimentos rápidos e delicados, Nelo levantou nos braços o corpinho frágil, envolvendo-o num chalé de seda.

— Algum dia, Nelo, eu andarei como às outras crianças; você não acha? Perguntou Túlia, levantando a cabeça para observar o rosto do escravo.

Ele sorriu, enquanto ajeitou o xale nos pezinhos rosados da menina e disse:

— Com certeza você vai poder andar e correr como qualquer criança da rua se realmente quiser; não foi isso que os grandes médicos disseram a seu pai? E seus pais não oferecem diariamente orações e presentes nos templos, para que os deuses a curem?

Sentindo-se mais confortada, Túlia sorriu alegremente e aconchegou-se nos braços do escravo.

— O senhor está pronto, pai? Perguntou Adriano, parado na porta. Carregando Túlia cuidadosamente, Nelo saiu, seguindo o filho.

Na rua assustaram-se com a rápida mudança: a luminosidade era agora de um vermelho intenso e a nuvem escura tinha-se espalhado num formato de cogumelo sobre toda a cidade.

Nelo olhou para cima e cochichou para o filho:

— Vamos andar mais depressa, pois temo que já seja tarde demais.

De repente, Túlia gritou e agarrou o braço do escravo:

— Nelo, você esqueceu Nito! Eu não posso deixar meu macaquinho aqui. Por favor, Adriano, vá busca-lo.

Por um momento, Adriano hesitou, mas, deixando os alimentos e as roupas no chão, correu apressadamente para a casa. Pareceu a Nelo e a Túlia que ele e demorou muito tempo para voltar. A nuvem tinha-se tornado mais escura e mais pesada e relâmpagos enchiam-na de fogo, fazendo com que a pequena Túlia escondesse o rosto nos ombros de Nelo. Adriano voltou correndo, segurando o macaquinho e explicou:

— Ele estava assustado demais para reconhecer a minha voz e tinha se escondido, murmurou Adriano para o pai, ao mesmo tempo que pegava as coisas do chão.

Desceram a rua rapidamente.

A nuvem tornava-se cada vez mais negra e ruídos abafados e contínuos, como trovões, vinham do chão, sob seus pés, enquanto uma leve chuva de cinzas caía, cobrindo suas cabeças e suas vestes.

A rua que levava ao mar estava quase vazia, mas das outras ruas, das lojas e dos templos apinhados de gente, vinham gritos de pavor, à medida que as pessoas percebiam que corriam perigo.

Enquanto olhavam assustados para a nuvem escura, os dois escravos apressaram-se, levando sua carga preciosa em direção ao mar. Finalmente chegaram à praia. Nelo colocou Túlia cuidadosamente no barco, sobre uma pilha de cobertores. Ela abraçava seu minúsculo Nito, enquanto Nelo ajudava Adriano a empurrar a pequena embarcação mar adentro. Foi um trabalho rápido e logo eles se afastaram da cidade condenada.

A escuridão em breve apagou a cena e, apenas de vez em quando, os relâmpagos mostravam muitos outros barquinhos levando aqueles que tiveram a sorte de alcançar a praia.

Depois do que pareceu um longo tempo, começou a clarear de novo e o pequeno barco dirigiu-se para uma caverna pelas ondas, num alto penhasco. Adriano puxou o barco até a praia e, pegando a menina nos braços, levou-a até o refúgio e colocou-a com cuidado no chão.

— Olhe, pai, ela está dormindo. Coitadinha, está cansada. De fato, foi uma noite terrível para alguém tão frágil como ela. Aqui estará segura.

— Amanhã, nós a levaremos para a casa dos parentes, de onde poderemos mandar uma mensagem para nosso patrão. Ele ficará contente em saber que a filha está em segurança, pois ela é o tesouro de seu coração.

Nelo colocou gentilmente outro xale sobre a pequena Túlia adormecida e o macaquinho aconchegou-se mais nos braços da menina, pois ele também estava muito cansado.

*******

— Oh, que bom que eles escaparam! Suspirou Maria Elizabeth. Que bom você ser capaz de ler histórias tão maravilhosas assim na Memória da Natureza. Será que à Pequena Túlia cresceu saudável e forte?

Tio Jack beijou o rosto da sobrinha e sorrindo concluiu:

— Eu tenho a certeza que sim, querida, porque eu segui a história até o fim de sua vida.

Maria Elizabeth exclamou alegremente:

— Estou tão contente! Isto torna a história ainda mais maravilha.

[1] N.R.: Pátio rodeado por colunas.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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Adaptabilidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes

Adaptabilidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes

Adaptabilidade não quer dizer estagnação; significa, isto sim, acomodação à novas condições e o encontro do fio da meada para agir, descortinando, sempre, novos horizontes. Quem é facilmente ADAPTÁVEL, é também FLEXÍVEL, portanto, EMINENTEMENTE ENSINÁVEL e funciona no campo da inteligência, por meio da qual assimila, sábia e amorosamente, os ensinamentos que lhe chegam de toda a criação, obra de nosso Pai Comum – DEUS.

Para melhor elucidar o presente tema, ouçamos a palavra de Max Heindel que, em seu laborioso trabalho e ajudado pelos Irmãos Maiores, adquiriu a capacidade de investigar os mundos internos e ler na Memória da Natureza, nos esclarecendo em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” da seguinte maneira: “Nas escolas, todos os anos, alguns alunos não se adiantam o necessário para passar a um grau superior. Analogamente, em cada Período de Evolução, alguns ficam atrás por não poderem alcançar o desenvolvimento necessário e passar ao próximo grau superior; foi o que aconteceu já no Período de Saturno. Naquele estado, a vida, com a qual trabalharam os Seres Superiores, era inconsciente de si, mas essa inconsciência não era obstáculo para o retardamento de alguns dos espíritos virginais MENOS FLEXÍVEIS, MENOS ADAPTÁVEIS que os demais.

Nessa palavra, ADAPTABILIDADE, temos O GRANDE SEGREDO do atraso ou do progresso. Todo adiantamento depende de FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE do seu ser evolucionante, de ser capaz de acomodar-se, por si, à novas condições ou estacionar e cristalizar-se incapaz de toda transformação. A ADAPTAÇÃO É QUALIDADE QUE FAZ PROGREDIR, ESTEJA A ENTIDADE NUM GRAU SUPERIOR OU INFERIOR DE EVOLUÇÃO. A falta de adaptação é causa de atraso para o espírito e de retrocesso para a forma. Isso se aplica ao passado, ao presente e ao futuro”.

Dispensa qualquer comentário a lapidar orientação de Max Heindel, apontando a adaptabilidade como a palavra CHAVE em nossa evolução. Trata-se de orientação que ele extraiu da Memória da Natureza, auxiliado pelo Mestre, e, ela resiste à lógica mais apurada. Portanto, merece nossa particular atenção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 01/1975)

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O que aconteceu com as pessoas que não tinham ainda desenvolvido os pulmões na época da enchente? Foi-lhes dada uma oportunidade para desenvolvê-los posteriormente?

Pergunta: O que aconteceu com as pessoas que não tinham ainda desenvolvido os pulmões na época da enchente? Foi-lhes dada uma oportunidade para desenvolvê-los posteriormente?

Resposta: Isto se refere ao povo da Época Atlante, quando a neblina começou a condensar-se. Naquele tempo, a humanidade vivia nas bacias enevoadas da Terra.

Eram os Niebelungos1, ou filhos da névoa, e respiravam por meio de guelras. Verificamos isso na Memória da Natureza, e também no desenvolvimento pré-natal da criança, no estágio em que ela respira por meio de brânquias. Para subir às terras mais altas e viver na atmosfera purificada que temos hoje, era necessário que eles desenvolvessem pulmões, do contrário ficariam asfixiados. Alguns trabalharam de acordo com a lei da evolução e criaram os pulmões, outros não.

No decorrer dos vários períodos, desenvolvemos o Corpo Tríplice. Esse trabalho realizou-se até chegarmos à Época Atlante, que marcou o tempo da involução. Naquela época, não enxergávamos externamente como o fazemos hoje, mas internamente. Todas as nossas forças voltavam-se para dentro, para a criação dos órgãos. Esses eram os nossos meios de evolução. Atualmente, estamos dirigindo essa força criadora para fora, construindo navios, casas e coisas semelhantes e crescendo nessa direção.

Todavia, naquele tempo tínhamos que formar os órgãos, e aqueles que não o fizeram foram deixados para trás.

Chegamos agora à pergunta sobre o que lhes aconteceu. Eles têm de esperar até conseguir alcançar-nos?

Terão uma oportunidade de construir esses órgãos posteriormente, pois estão entre as raças inferiores. Contudo, não sabemos se eles conseguirão alcançar-nos, tornando-se aptos para entrar na próxima época quando construiremos o Corpo Vital. Estamos transformando o mundo por meio da Epigênese. Estamos prosseguindo na trilha da evolução, elevando-nos acima da matéria e espiritualizando esses corpos em alma. Pelo serviço que prestamos, serviço voluntário, estamos construindo um Corpo-Alma, e aqueles que não o desenvolverem, serão deixados para trás. Lemos na Bíblia que aqueles que não tiverem tecido o Dourado Manto Nupcial, não participarão da festa. Assim, essas pessoas ficarão para trás, e algumas dentre elas são os Espíritos dos quais Pedro se referiu como sendo os desgarrados, e para quem Cristo pregou durante o período entre a morte corporal de Jesus e o que conhecemos como a Ressurreição. Se eles nos alcançarão é uma pergunta cuja resposta não sabemos, mas esperamos que o façam.

_________________

[1] N.R.: da obra “O Anel do Niebelungo”, o grande poema épico do norte da Europa. Relata a história do ser humano, desde o tempo em que vivia na Atlântida até ao dia em que este mundo chegaou ao fim por uma grande conflagração e também alude ao Reino dos Céus que será estabelecido, como é relatado na Bíblia.

(Perg. 129 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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Os Pergaminhos do Mar Morto

Os Pergaminhos do Mar Morto

O Cristianismo, tal qual todas as religiões, tem dupla natureza interna, oculta, esotérica, verdadeiro repositório de ensinamentos profundos, e uma exterior, exotérica, superficial, formal, contendo princípios cuja finalidade é manter a união do agrupamento e coibir, as mais das vezes, coercitivamente, os arroubos da natureza inferior.

Ao arcabouço esotérico de uma religião só tem acesso seus membros mais avançados, aqueles já iluminados pela pureza e desinteresse. Os menos evoluídos se satisfazem em gravitar em torno de cerimoniais – que raramente entendem – e aspectos exteriores de culto. Assim, permanecem atados a letra que mata e não ao espírito que vivifica, até capacitarem-se a dar um passo maior. São Paulo, Apóstolo, dava “leite as criancinhas” e “alimento sólido” aos fortes na fé.

Cristo se dirigiu as multidões por meio de parábolas, mas aos Discípulos revelava o conteúdo transcendental de Sua Doutrina.

Por suposto, o Cristianismo Esotérico contém a essência dos ensinamentos do Mestre, princípios esses encontráveis nas entrelinhas dos Evangelhos, por quem possui a “chave” para tal.

Tanto as traduções do Antigo como do Novo Testamento, sofreram interpolações e modificações, involuntária ou propositadamente, por parte de copistas e tradutores. Encontramos referências a isso no Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, e na Patrologia Grega, de Orígenes . Não é difícil imaginar como houve confusões e distorções.

Os Rosacruzes, porém, mercê de suas investigações na Memória da Natureza, oferecem o sentido real dos ensinamentos bíblicos.

Em 1947, ocorreu um fato muito auspicioso: foram descobertos oito rolos de pergaminhos numa gruta localizada nas proximidades do mosteiro de Qunram, as margens do Mar Morto. Sete desses documentos foram decifrados e estudados, revelando importantes informes a respeito do Cristianismo, confirmando muita coisa ensinada pela Fraternidade Rosacruz.

Sabe-se que foram elaborados pelos Essênios. Estes, constituíam uma terceira seita entre os judeus. As outras duas eram os saduceus e os fariseus.

A comunidade essênia, todavia, era bem diferente. Formada de pessoas mais devotas e espiritualizadas, vivia uma vida de pureza e serviço, em contraste com as outras. Sabe-se, também, que vários apóstolos e alguns personagens destacados dos Evangelhos, pertenceram a essa seita.

Agora, outra informação: o oitavo e último rolo de pergaminho foi, finalmente, decifrado e estudado, conforme notícia abaixo transcrita, publicada no jornal Folha de São Paulo, edição de 25 de fevereiro de 1979.

“BERKELEY, CALIFORNIA, (UPI)”
– Os últimos e mais completos pergaminhos do Mar Morto foram finalmente publicados e fizeram revelações novas e importantes a respeito da origem da doutrina cristã sobre o sexo, o casamento e o divórcio, disse o professor Jacob Milgrom, da Universidade da Califórnia.

Denominado “Pergaminho do Templo” por se referir em grande parte à reconstrução do templo de Jerusalém, o documento recentemente publicado, contém um código de comportamento ético que proíbe o divórcio e a poligamia. É também a favor do celibato, pais proíbe o uso do sexo dentro dos muros de Jerusalém.

O novo rolo de pergaminhos e o último dos oito documentos muito bem preservados encontrados por um jovem beduíno em uma caverna perto do Mar Morto, em 1947. Sete outros rolos de pergaminhos já foram decifrados e estudados durante a década de 50, mas o “Pergaminho do Templo” só foi descoberto quando Israel ocupou os territórios árabes, na guerra dos seis dias, em 1967.

O pergaminho foi encontrado em uma caixa de sapato escondida debaixo do assoalho de uma loja árabe, cujo proprietário tinha sido envolvido na compra de documentos antigos.

Nos últimos dez anos o pergaminho foi cuidadosamente desenrolado e decifrado por Yigael Yadin, professor universitário e atualmente vice primeiro ministro de Israel.

Trata-se do mais longo rolo de pergaminho até hoje encontrado, com 19 páginas e 8,53 metros de extensão. O professor Milgrom foi o assistente de Yadin na obra de restauração do documento.

“Em minha opinião, este é provavelmente o pergaminho mais importante”, disse Milgrom numa entrevista. “Antes de mais nada, neste pergaminho Deus fala na primeira pessoa. Isso quer dizer que se trata de revelação. É sua palavra autorizada”.

Milgrom disse que o “Pergaminho do Templo” “vem lançar nova luz sobre as origens de muitas doutrinas cristãs”.
O documento diz, por exemplo, que todos os que “aspirarem viver à sombra do templo, em permanente estado de santidade, devem viver uma vida de solteiro”. Proíbe também a prática de relações sexuais em qualquer parte dentro da cidade de Jerusalém.

Os rigorosos mandamentos de pureza em torno do templo e dos sacrifícios excluem a satisfação de necessidades higiênicas dentro de Jerusalém e até mesmo a defecação em qualquer lugar durante sábado judaico. Proíbe, também “ao rei mais de uma mulher e diz que ele não se deve casar novamente, enquanto sua mulher estiver viva”, disse Milgrom. “As implicações são evidentes. O divórcio é proibido”.

Pela primeira vez, vemos que as opiniões sobre o matrimônio e o divórcio expressas dentro de certas tendências nos Evangelhos do Novo Testamento, podem traçar sua origem nos ensinamentos desta seita, anterior a época de Jesus Cristo pelo menos um século e meio”. Milgrom observou que o divórcio e poligamia não eram proibidos no Antigo Testamento.

Os pergaminhos foram encontrados perto da comunidade de Qunram, que floresceu desde mais ou menos a metade do século segundo antes de Cristo até, a época da Invasão Romana, no ano 67 de nossa era. Essa comunidade era formada “por uma seita marginal dentro do judaísmo”.

Os dissidentes da seita se refugiaram nas cavernas do Mar Morto para escapar a “poluição” que afetava Jerusalém por causa dos líderes fariseus, disse Milgrom.

O pergaminho do templo não apenas traça os planos para a reconstrução do templo de Jerusalém, quando a seita voltasse ao poder, após uma guerra catastrófica, mas “prescreve leis totalmente novas e dá interpretações também novas sobre as leis antigas”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/79 – fraternidade Rosacruz – SP)

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Livro: Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – Ger Westenberg – 2ª EDIÇÃO – Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil

Aqui está a ótima obra de um trabalho histórico-jornalista que demandou 50 anos (com algumas pausas) de pesquisa, organização, datilografia e digitação feita por um Probacionista holandês, Ger Westenberg, que nos enviou os originais em holandês dessa 2ª EDIÇÃO e nos autorizou a tradução para o português e a publicação.

Nessa 2ª EDIÇÃO há complementos, correções e revisões que enriquecem de sobremaneira a 1ª EDIÇÃO.

Trata-se da história da Fraternidade Rosacruz, desde seus primórdios, ainda no século XIII, até os tempos de Max Heindel, o representante da Ordem Rosacruz do Século 20, focando aqui na sua biografia desde o seu nascimento.

O nome Rosacruzes parece mexer com a imaginação de muitas pessoas. Existem muitos grupos que utilizam esse nome em seu brasão para grande confusão dos forasteiros. Portanto, dediquei um capítulo à história da Ordem Rosacruz e um resumo das organizações mais importantes onde o nome Rosacruzes aparece de uma ou outra forma, com no final uma visão esquemática de onde se originaram. E porque a Fraternidade Rosacruz é a única que leva à Ordem Rosacruz, na Região Etérica do Mundo Físico.

A Ordem Rosacruz é uma das 7 Escolas de Mistérios Menores de Iniciação que foi especialmente desenvolvida para os Ocidentais com Religião Cristã.

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – Ger Westenberg – 2ª EDIÇÃO – Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que ilustram muito bem e tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):