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Cristo, o indivíduo do Período Solar, é o Espírito da nossa Terra? Se sim, quando o Espírito de Cristo for libertado do seu cativeiro, qual será o Espírito que habitará a Terra?

Pergunta: Cristo, o indivíduo do Período Solar, é o Espírito da nossa Terra? Se a Terra era apenas uma massa inanimada até 2.000 anos atrás, onde está o ocupante anterior? Se é apenas um Raio do Cristo Cósmico, o qual, como fonte purificadora, está trabalhando dentro e através da Terra, há outro Espírito cujo corpo seja a Terra? Quando o Espírito de Cristo for libertado do seu cativeiro, qual será o Espírito que habitará a Terra?

Resposta: A Lei da Analogia é válida em todo lugar. É a chave mestra para todos os mistérios e você verá que aquilo que se aplica ao homem microcósmico, aplica-se também ao Deus macrocósmico ou ao Poder Divino. Atualmente, animais estão sendo guiados por Espíritos de fora. Num período posterior, eles se tornarão Espíritos internos e aprenderão a guiar os seus veículos sem ajuda proveniente de qualquer fonte. Foi o que ocorreu com a Terra, como é mencionado no Conceito Rosacruz do Cosmos e em vários outros textos da nossa literatura. Até há 2.000 anos, Jeová era responsável e guiava a Terra de fora, da mesma forma que os animais são guiados pelos Espíritos-Grupos. A Terra foi mantida em sua órbita graças ao Seu poder e Ele foi o Deus Supremo até aquela época.

No entanto, após a transformação realizada no Gólgota, o Espírito de Cristo penetrou na Terra para que Ele pudesse nos ajudar a desenvolver faculdades que estavam fora das atribuições de Jeová. Esse nos deu as leis para refrear, mas o Cristo nos deu o amor. A primeira é uma força restritiva aplicada de fora; a outra é uma energia impulsora aplicada de dentro. Assim, o Cristo está hoje guiando a Terra em sua órbita, internamente, e assim continuará até que tenhamos aprendido a vibrar aquele atributo, o amor, por meio do qual seremos capazes de aplicar esse poder ao nosso próprio planeta, guiando-o em sua órbita a partir de dentro.

Cristo é o maior Iniciado do Período Solar e, como tal, Ele tem a Sua morada no Sol. Ele é o Sustentáculo e o Preservador de todo o sistema solar. Em certo sen­tido, é correto dizer que Ele more no interior da nossa Terra como um Raio, embora isso não transmita uma ideia exata do que ocorre. Talvez compreendamos me­lhor o assunto mediante uma ilustração. Comparemos o grande Espírito Solar a um refinador de metais. Ele tem sobre o seu forno vários cadinhos e os observa. O calor funde esses metais e lança suas impurezas para cima. O refinador gradualmente pule os cadinhos até que o metal esteja totalmente lim­po e brilhante a ponto de se poder ver o rosto refleti­do neles. Similarmente, podemos ver Cristo direcionar Sua atenção de um planeta a outro e, ao voltar-Se para o nosso, por exemplo, Sua imagem reflete-Se nele. Não é, contudo, uma imagem inanimada. É um ser vivo, ardente, sensível, tão cheio de vida e sentimento que nós mesmos, em nosso atual estado mortal de quem habita em corpos terrenos, não podemos ter sequer uma pequena ideia dessa faculdade de sentimento possuído pelo Espírito que mora na Terra.

Por essa razão, durante um certo período, Ele fo­caliza Sua energia sobre essa imagem como um foco e, embora estando realmente no Sol, o Cristo Cósmico sente tudo o que acontece na Terra como se Ele estivesse realmente aqui. Essa imagem interna deve ser bem compreendida, pois não é uma imagem no sentido co­mum da palavra, mas uma contraparte, um elemento do Cristo Solar e, por meio dela, Ele sabe, sente e percebe tudo que acontece na Terra como se Ele mesmo estivesse verdadeiramente presente. Note que já repeti isto, mas trata-se de um assunto que possa ser repetido inúmeras vezes até tor­nar-se inteiramente compreendido. Isso é o que realmente significa onipresença. Enquanto Cristo é o Espírito interno do Sol, Ele também é o Espírito interno da Terra e deve continuar a exercer a missão de nos auxiliar — sentindo com Sua presença real e sofrendo tudo aquilo que ocorre ou acontecerá, por nossa causa.

Vamos analisar, por um momento, aquilo que cha­mamos de Terra — ou seja, a sua origem. A solidificação começou no Período Solar, quando éramos incapazes de vibrar na alta frequência exigida por aí permanecermos. Deslocamo-nos, gradualmente, afastando-nos do Sol e fomos arremessados no espaço. A frequência vibrató­ria diminuiu aos poucos até a metade da Época Atlante e a Terra cristalizou-se, por assim dizer, em uma massa pétrea. Assim, nós próprios fizemos a Terra e se não tivéssemos recebido ajuda, teríamos sido incapazes de nos livrar das malhas da matéria. Jeová, de fora, procurou ajudar-nos por meio das leis. O fato de conhecer a lei e segui-la nos teria, portanto, auxiliado, desde que tivéssemos a força necessária. Mas nenhum homem é justificado pela lei e por meio dela todo espírito se torna envolvido, enredado. Por conseguinte, havia a ne­cessidade de um novo impulso que gravasse a lei dentro dos corações dos homens. Há uma grande diferença en­tre o que fazemos por sermos obrigados, pelo medo de um mestre externo que nos dê uma justa retribuição para cada ofensa, por exemplo, e o impulso interno que nos impele a agir certo porque é certo.

Reconhecemos o que é certo quando a lei está inscrita em nossos corações e obedecemos aos seus ditames sem discutir, ainda que isso faça todo o nosso ser vibrar de dor.

Desse modo, somos coletivamente os Espíritos da Terra. Algum dia, teremos de guiar o veículo que cria­mos. Jeová o guiou de fora por meio de leis. Como isso não era suficiente para nos levar ao ponto de individualização que nos tornará capazes de cuidar de nós mesmos, o Cristo veio até nós como Salvador e nos ajudará até que tenhamos desenvolvido internamente uma natureza amorosa que seja suficiente para fazer a Terra flutuar. Logo, não houve quaisquer outros Espíritos dentro da Terra. O Cristo está aqui temporariamente para nos aju­dar e, no tempo devido, será privilégio nosso rece­ber a tarefa de conduzir o nosso planeta como quisermos. O aumento da força vibratória já tornou a Terra muito menos densa, bastante mais leve e, com o pas­sar do tempo, ela se tornará novamente etérica, como já foi. Ela então cessará de estar morta no pecado, que é o ego. E se tornará viva no amor.

(Perg. 99 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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A Panaceia Espiritual

A Panaceia Espiritual

Sendo uma emanação do Princípio Crístico, é o Espírito Universal que compõe o Mundo do Espírito de Vida que restaura a harmonia sintética do corpo.

O autor viu uma substância, no Templo dos Rosacruzes, com a qual o Espírito Universal poderia ser combinado tão rapidamente como grandes quantidades de amônia combinam-se com a água. Dentro da esfera central havia uma menor que continha certo número de pacotes cheios com aquela substância.

Quando os Irmãos se colocaram em certa posição e a harmonia de certa música preparou o caminho, subitamente os três globos começaram a brilhar com as cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Foi claro, à visão do autor, que durante a encantação, a esfera que continha os pacotes já mencionados começou a brilhar com uma essência espiritual que antes lá não estava. Alguns daqueles pacotes foram usados posteriormente pelos Irmãos com sucesso imediato. Diante deles, as partículas cristalizantes que envolviam os centros espirituais dos pacientes, caiam como que por um passe de mágica, e o paciente sentia bem-estar recuperando a saúde física.

Na ocasião da vinda do Cristo à Terra temos uma analogia entre esse acontecimento e a administração da Panaceia Espiritual, de acordo com a lei “como é em cima, assim é embaixo”… Como a imersão da Vida do Cristo no Gólgota começou a desmanchar a camada de temor acumulada pela lei inexorável que pendia como um manto sobre a Terra; como essa imersão iniciou para milhões de seres humanos o caminho da paz e da boa vontade, assim  também quando a Panaceia é aplicada, a Vida do Cristo concentrada nela contida, imerge no corpo do paciente e infunde em cada célula um ritmo que desperta o Ego aprisionado da sua letargia, devolvendo vida e saúde ao seu envoltório físico.

(Por Max Heindel, publicado na Revista Serviço Rosacruz – jul/ago/88)

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O Altruísmo: ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos

O Altruísmo: ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos

Quando Max Heindel falava acerca de Cristo, usava, habitualmente, o termo ALTRUÍSMO. Essa qualidade nobilíssima, fundamental à evolução humana, encontra-se indissociavelmente ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos.

Um estudo, mesmo à ligeira, da Antiguidade Clássica, revela como o “direito da força” regia o relacionamento entre as pessoas e principalmente entre os povos. Predominava a “lei do mais forte”, com a sobrevivência dos mais aptos em detrimento dos mais débeis. Aos últimos, caso lograssem escapar à morte, só restava uma alternativa: submissão incondicional, quando não o cativeiro.

Todas essas distorções do sentimento humano — a crueldade, a opressão a injustiça — têm suas raízes no egoísmo. O sentimento de posse exclusiva, a luta pelo interesse próprio sem levar em consideração os demais, os preconceitos, encontram-se num extremo diametralmente oposto ao altruísmo.

O interesse pessoal, mesmo desenvolvido inconscientemente, desempenhou um importante papel durante a chamada “involução”. De outra forma não teríamos avançado tanto, de um modo geral. Todos os esforços do passado concentraram-se na formação de veículos para que o Espírito pudesse utilizá-los em seu progresso, gigantesca escalada de Chispa Divina, a Chama Criadora.

O egoísmo, tal como o conhecemos, não se manifestara, até o nosso surgimento da nevoenta atmosfera atlante. Começamos, daí em diante, a perceber-nos como seres separados. Tal não ocorria anteriormente, quando nossa consciência estava enfocada nos planos internos.

Procuramos, então, fazer valer nossos desejos estritamente pessoais. Tornamo-nos avaros. Era espantosa nossa avidez em possuir bens materiais, porque, sob o regime de Jeová, essas “posses” convertiam-se em sinais externos de que estávamos vivendo consoante Suas Leis.

Essa situação, contudo, chegou a extremos perigosos, capazes de comprometer nossos passos evolutivos. Afinal, se em “Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, se constituímos células divinas de Seu Grande Corpo Macrocósmico, não poderíamos viver tanto tempo apartados e inconscientes dessa grande realidade. Uma providência seria tomada pelas Hierarquias Divinas, ao assegurar-nos uma ajuda efetiva por intermédio do Cristo, o Senhor do Amor.

As grandes transformações, porém, ocorrem lentamente. O altruísmo encontrava-se em estado latente na humanidade, até o momento em que o Cristo obteve acesso ao coração da Terra, quando Seu sangue fluiu no Gólgota. A partir desse magnífico evento, a semente do princípio altruísta começou a germinar no interior do ser humano. Gradativamente passamos a ampliar nossa área de interesse, para incluir mais alguém, mantendo-nos alertas quanto às necessidades de outrem.

Do sentimento tribal ou de clã, tão comum nos tempos antigos, avançou-se para um espírito nacional. As tribos, superando diferenças decorrentes de suas peculiaridades, serenaram suas querelas, conseguindo organizar-se em nações. O interesse coletivo passou a sobrepujar, dessa maneira, o sentimento individualista ou de grupos minoritários. Todos os esforços deveriam convergir para o bem-estar comum. Mais recentemente, as nações estreitaram mais ainda essa união, aglutinando-se em uma organização internacional, visando a preservar a paz e debater problemas os mais diversos.

Mas, todo esse processo desenvolveu-se, e se desenvolve, a passos de tartaruga. Portanto, não nos surpreende tanta demonstração de violência e egoísmo nos dias que correm. A maioria dos fumantes queixa-se das dificuldades encontradas em abandonar o vício do fumo, cultivado ao longo de alguns anos. Que dizer então de um vício moral, arraigado há milênios?

Os modernos meios de comunicação realizaram o milagre de estreitar o relacionamento entre os povos, tornando conhecidos os problemas e anseios de muitas nações. Contudo, ao mesmo tempo chocam pela veiculação de tanta crueldade e frieza.

Desiludidos, muitos relutam em acreditar num futuro melhor para a humanidade, onde as guerras e o egoísmo sejam substituídos pela paz, cooperação e altruísmo. A visão da atualidade não lhes permite conceber uma sociedade cujos componentes deixem de lado seus interesses pessoais, para cuidar das carências alheias ou dos problemas comunitários. Descreem da bondade humana.

Esse ceticismo, todavia, existe há muito tempo. Conta-se que certa vez, Thomas Jefferson, o grande estadista norte-americano, viajava por uma estrada na Nova Inglaterra, acompanhado de um amigo, quando a carruagem parou diante de uma cancela, aguardando sua abertura. Enquanto os cocheiros esperavam, apesar da chuva pesada e da lama lá fora, Jefferson interrompeu a conversa, saltando na estrada para libertar um leitãozinho que guinchava desesperadamente, preso entre os varais de uma cerca. Voltando à carruagem, molhado e enlameado, seu amigo admirou-se: “Mas, então, logo você que vive dizendo que as ações humanas têm sua origem no egoísmo e no interesse próprio, sai nesta chuva para soltar um porquinho preso numa cerca?” Jefferson redarguiu: “Eu só fui lá porque os guinchos do animal incomodavam-me. Não veja nenhum altruísmo num gesto que, na verdade, foi egoísta e destinou-se essencialmente a fazer com que eu mesmo me sinta bem e, quem sabe, durma melhor hoje à noite”.

Ora, Thomas Jefferson, isso nós sabemos, era um homem de sentimentos nobres. E, paradoxalmente, não estava seguro de suas próprias qualidades.

Mas há outro exemplo digno de menção. Adam Smith, grande pensador e escritor, contemporâneo de Jefferson, mostrou-se contraditório na abordagem desse mesmo assunto. Em uma de suas obras afirmou que a felicidade e a virtude humanas fundavam-se no sentimento de companheirismo que o ser humano nutre em relação aos seus semelhantes e, portanto, em natural impulso para o mútuo amparo e socorro. Já em outra obra assevera: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que há de vir o nosso jantar, mas, sim, da preocupação deles com seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio e não lhes falamos das nossas necessidades e sim das vantagens que podem obter”.

São enfoques pessimistas, sombrios, carregados de tonalidade cinzenta. Mas não resistem à análise profunda dos ensinamentos rosacruzes, pérolas de sabedoria, primando por nos mostrar uma outra realidade, mais alvissareira por sinal.

A despeito de tudo, a humanidade pouco a pouco desperta para o clarão de novos horizontes. À medida que o tempo passa, o Cristo, por meio de Seu benéfico trabalho, atrai uma quantidade cada vez maior de éter interplanetário para a Terra, tornando seu Corpo Vital mais luminoso. Esse contacto com as poderosas vibrações crísticas também nos tornará luminosos. Cabe-nos o relevante papel de colaboradores conscientes nesse processo regenerador.

Se as manifestações de egoísmo chegam a assustar, lembremo-nos que no passado eram bem mais acentuadas. Temos de admitir, portanto, que houve um considerável progresso. O quotidiano pode oferecer-nos ou revelar fatos que, pela sua natureza inferior, abalem o melhor dos nossos sentimentos. Mas é inegável que as expressões de solidariedade, mesmo observadas em raros e até fugidios momentos, nos animam de esperanças.

O altruísmo, tal como uma planta, germina, desponta e cresce lentamente. Mas é certo que produzirá frutos. Por seu intermédio o Cristo nascerá dentro de cada um de nós, fazendo irradiar Sua Luz. Então, andaremos na Luz, como Ele na Luz está.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978)

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O Sangue do Redentor

O Sangue do Redentor

Muito se tem falado e escrito sobre o sangue redentor, derramado no Gólgota, em holocausto aos nossos pecados. Tal é a versão do cristianismo popular e não chegamos a compreender como o simples ato de derramamento de sangue de um mártir, tenha alcançado tão grande repercussão. Houve muitos mártires, antes e depois de Jesus-Cristo. Por que o sacrifício deles foi diferente? Ou estes sacrifícios não foram aceitos? Sabemos que muitos desses mártires foram canonizados e, portanto, foram reconhecidos. Qual, então, a diferença?

A explicação está no lado oculto, exposto pelo Cristianismo Esotérico. Oculto porque ainda não pode ser compreendido pela massa; no entanto, a disposição daqueles que se disponham a conhecer com mais profundidade os mistérios do Cristianismo.

O sangue é a mais alta expressão do Corpo Vital e através dele se manifesta o Espírito interno. Se, através da Filosofia Rosacruz, observamos os reinos em evolução na Terra, vemos que o sangue acompanha os níveis evolutivos.

No reino Vegetal o sangue é a selva, cheia de força vital. Sua circulação depende do polo positivo do éter luminoso, que vem da luz solar. Na primavera e verão a circulação da seiva é ativa e promove a vida na planta, ajudando-a a retirar os meios de sobrevivência do solo, encaminhando-os para os galhos. Essa atividade é governada pelos Espíritos-Grupo dos vegetais, os Anjos, que são hábeis manipuladores da vida. Eles é que se incumbem de alimentar as partes carentes das plantas, mandando mais água às ramagens quando o demasiado calor ameaça queimá-las; e dosam a água em clima ameno. Quando vem o outono a seiva diminui e no inverno chega a paralisar-se (nos países frios) por falta de luz solar.

No reino animal, os insetos apresentam a circulação de um líquido, a linfa. Não têm Corpo de Desejos e sua ação é dirigida pelos Espíritos-Grupos dos Animais, os Arcanjos, cuja sabedoria explica a extraordinária ordem comunitária que se nota nos formigueiros e colmeias, etc.

Os animais de sangue Vermelho e frio (peixes, anfíbios e répteis) são mais evoluídos que os insetos e já possuem Corpo de Desejos separado, sentindo emoções, se bem que num grau pequeno. Menos dependentes dos Espíritos-Grupo Arcangélicos.

Os animais de sangue vermelho e quente (aves, mamíferos) sentem mais plenamente. Estão ainda menos dependentes dos Espíritos-Grupo. Os animais superiores (mamíferos), principalmente o cão, o cavalo etc., estão perto da individualização: seus espíritos individuais já estão parcialmente dentro da forma.

O ser humano passou por estágios semelhantes, pois as condições jamais se repetem, havendo a tendência geral de melhora constante, devido as espirais que se elevam.

E quando fizemos a transição para o reino humano, em fins da época Lemúrica, libertamo-nos da influência do Espirito-Grupo, o que amenizou sua orientação, passando a atuar como Espíritos de Raça. A influência do Espírito de Raça e através do ar da respiração.

Ele paira sobre a região ou país que rege, através do ar, unificando as aspirações de seus protegidos e insuflando-lhes o amor racial (nacionalidade), o patriotismo, etc. Essa transição, de Espírito-Grupo para Espírito de Raça é marcada por uma transformação sanguínea: o sangue do animal é nucleado; através do núcleo o Espirito-Grupo exerce influência direta. Quando passámos para o Reino Humano, o sangue continuou nucleado até meados da Época Atlante, porque não tínhamos o sangue quente. Só quando se liberou o ferro marciano para formarmos a hemoglobina do sangue é que preenchemos os requisitos de Espírito individualizado (laringe vertical, caminhar ereto, fígado e sangue quente). Entramos nos corpos e começamos a vida individual, eliminando os núcleos sanguíneos de influência externa e iniciando nosso livre arbítrio.

Daí por diante, na medida da evolução, o sangue se vai tornando, cada vez mais, uma expressão individualizada. Chegará a um ponto em que a transfusão será impossível, devido à elevada individualização.

O plano evolutivo se desenvolve sempre com recapitulações maiores e menores. É o que observamos. Sabemos que na fase inicial, o feto humano tem sangue nucleado, porque seu desenvolvimento depende exclusivamente de trabalho externo. Quando o espírito penetra no ventre materno, entre 18 e 21 dias após a concepção, ele começa a dissolver os núcleos do sangue, até que este seja uma expressão individual. Ao nascer, não tendo capacidade para formar os corpúsculos sanguíneos, recolhemos na glândula Timo os corpúsculos fornecidos pelo sangue de nossos pais, para servirem de base na formação do sangue individual. Por isso a glândula Timo é grande na criança que nasce. Depois, a medida que vamos utilizando a essência do sangue dos pais, até chegar a puberdade, ela vai diminuindo. Nesse período a criança, devido a influência do sangue dos pais, tem muita afinidade com eles, sente tudo o que se passa com eles: é a ligação sanguínea. Ao chegar a puberdade, a criança começa a formar seu sangue através da medula óssea e Marte começa a atuar em seu horóscopo individual, dando nascimento ao Corpo de Desejos e início à personalidade, desligando o filho dos pais e explicando porque se vai ele tornando bem diferente deles. É um período de autoafirmação e de conflitos com os pais, mormente quando estes são muito protetores. Ao chegar aos 21 anos (início da capacidade mental individualizada), a Mente regula a temperatura sanguínea para estabelecer normalidade na ação do Espírito interno.

Esta fase, do nascimento à maioridade (21 anos) é uma recapitulação do período evolutivo em que, libertados da ação do Espírito-Grupo, tínhamos, contudo, a influência familiar muito forte. Havia a endogamia (casamento em família, união entre irmãos). O sangue era comum, homogeneizado, para conservar a união da Tribo. Isto fazia com que fôssemos clarividentes involuntários: através do sangue comum guardávamos a lembrança dos ancestrais desencarnados, conservando essa linha de experiência da Tribo (daí a palavra linhagem). Isso explica porque a Bíblia afirma terem os patriarcas vivido centenas de anos. Não que pessoalmente tenham vivido tanto; é que suas experiências se conservaram através dos descendentes.

Quando o casamento começou a ser feito fora da tribo, essa memória interna desapareceu e se diz que os Patriarcas (os cabeças das linhagens) ”morreram”. Desde em tão o casamento em família foi considerado com horror e no Oriente proibiam uniões de parentes próximos, estabelecendo que os primos se chamassem irmãos, para que, na convivência, não pensassem em casamento. No entanto, alguns povos persistiram algum tempo no hábito da endogamia (casamento dentro da Tribo), o que retardou a sua evolução. Os ciganos, com esse hábito, até hoje guardam certa clarividência negativa.

Enquanto essa influência tribal era diluída aos poucos, ainda seus membros tinham certa ligação entre si. Um sinal dessa ligação é o hábito dos sufixos: ”son”, “daughther” (Johnson, Stevenson, Mary-daughter). Pela influência do sangue, a família estava acima do indivíduo e este se sentia, antes, um filho de fulano, do que ele próprio.

Nas Américas não temos Espírito de Raça. Estamos exercitando uma individualidade sadia, não movida pelo egoísmo separatista, em detrimento da ordem social e dos interesses familiares, senão uma ação individual autêntica, fraternal e colaboradora, pela união divina e não sanguínea, como objetiva o Cristo: “um só rebanho e um só pastor” – uma família universal, pelos laços do Cristo interno que identifica superiormente os homens, acima dos preconceitos e influências do sangue, da raça, da cor, da classe, da religião etc.

Que a evolução pode ser contada pela história do sangue, é uma experiência que hoje podemos comprovar em laboratório, pela hemólise: se inoculamos sangue humano em uma ave, ela sucumbe, porque a consciência humana, muito mais evoluída, presente no sangue inoculado, no esforço de afirmar-se e libertar-se, mata a ave, incapaz de superá-la. Que a consciência ou alma está no sangue, a Bíblia o confirma em Levítico 17:14: “A alma de toda a carne está no sangue”. Ora, se a alma é a expressão de nosso nível evolutivo e está presente no sangue, compreendemos que o sangue se transforma na medida de nossa evolução. Ainda mais, todo nosso comportamento se reflete no sangue. Harvey, o descobridor da circulação sanguínea, afirmou que uma circulação deficiente ocasiona enfermidade. O ocultismo vai muito além. Ele diz que uma vida moral, sadia, otimista, torna o sangue limpo e ativo. Contrariamente, uma vida imoral, pessimista, ansiosa, suja o sangue e torna a circulação pobre. A astrologia confirma que os bons Aspectos de Júpiter e Vênus asseguram boa circulação arterial e venosa, enquanto os Aspectos adversos indicam sangue pobre, sujo, circulação deficiente.

Ora, Júpiter rege a benevolência, o otimismo, o altruísmo, o idealismo, etc. Vênus governa a coalizão, o amor, a compreensão, a adaptabilidade, etc.

Se o sangue é puro e a circulação ativa, a ação do Espirito nos corpos é muito mais eficaz e sua evolução mais rápida. Como a memória está no sangue, que registra as cenas pelo éter da respiração, ao pensar o sangue aflui ao cérebro e leva para lá todas as imagens d’a memória, possibilitando um perfeito correlacionamento de ideias e de recursos internos. Um sangue puro defende perfeitamente o sistema, promove normal digestão e assegura harmonia geral do corpo. Como decorrência, sendo a mais alta expressão do Corpo Vital, começamos a torná-lo mais positivo e refinado, podendo ter acesso à memória supraconsciente e de lá trazer ao coração, como intuição, a sabedoria interna.

E o sangue impuro? Cheio de impurezas, de medo, de ira, frequentemente provoca anormalidades físicas, morais e mentais. O medo retrai o sangue para o interior do corpo, provocando a palidez, fazendo cair a temperatura do sangue até a ponto de expulsar o Ego. A ira esquenta o sangue e igualmente chega a expulsar o Espirito interno, que não pode agir senão em equilibrada temperatura sanguínea, já que seu ”assento” no corpo é o sangue.

O tema do sangue assume, assim, um caráter geral. O sangue redentor deve acontecer em cada um de nós, pela gradual libertação de todos os fatores externos. Em tal ascese, nossa consciência se expande e ocorre uma transformação física: o coração começa a formar estrias e a tornar-se cada vez mais controlado pelo Corpo Vital, ou melhor, controlado pelo Cristo interno que atua do Espirito de Vida, através de sua contraparte, o Corpo Vital. Então o Cristo interno poderá dirigir a circulação sanguínea para ‘os centros espirituais e a desvia-la dos centros do egoísmo, para redimir-nos da “queda”.

De fato, quando o gênero humano descambou, houve uma transformação em seu sangue e circulação. O sangue passou a fluir mais para o hemisfério esquerdo, onde estão os centros do egoísmo, do personalismo. A isto a Bíblia refere alegoricamente, dizendo que queríamos construir uma torre que fosse até o céu: a torre de Babel.

Babel ou Babilônia significa contusão, que o Senhor estabeleceu entre os trabalhadores da Torre, para que não pudessem termina-la, fazendo com que cada um falasse uma língua diferente. Quer dizer: jamais podemos alcançar a realização espiritual (o céu) através do meio separatista do egoísmo (a língua do personalismo).

Com a libertação individual, que afeta o sangue, o coração, dirigido pelo Divino interno, poderá aos poucos alimentar com o sangue os centros de altruísmo localizados no hemisfério direito cerebral, que esotericamente chamamos: ”A Nova Jerusalém” – o novo lugar de onde nos virá a paz interna. Essa Nova Jerusalém é citada no livro da revelação de João Evangelista (Apocalipse) como “a noiva ataviada que desceu dos céus” para o casamento com o cordeiro (requisito para a Iniciação).

Através dos graus Iniciáticos menores o sangue sofrerá ainda outras mutações, até que desapareça todo vestígio de humanidade, de ignorância, de erro. É o símbolo da degola de João Batista, quando foi sucedido pelo Cristo. Enquanto estivermos na personalidade (João Batista) deveremos nascer do ventre materno (nascer da água da placenta). É o iniciado menor, “chamado filho de mulher.

“Dos filhos de mulher – disse Cristo – João Batista é o maior” (quer dizer que ele devia ter alcançado a 9ª Iniciação Menor). “Mas o menor no Reino dos Céus (a primeira Iniciação Maior, já é ”Filho do Homem”, porque não tem mais necessidade do ventre materno para formar seus veículos: domina as leis da Terra e manipula as forças do metabolismo para constituir seus veículos, por método alquímico) é maior do que João”.

Voltando, agora com estes recursos de compreensão, ao sangue redentor de Jesus-Cristo, que tinha ele de diferente?

Jesus, embora tenha nascido de Maria, passou pelas Iniciações Maiores no seu preparo de 30 anos. Era o Ser mais evoluído entre nossa humanidade. Com isto ele atingiu o centro de nosso Planeta e entrou em ligação com o Espírito Planetário. Só Ele podia ter um sangue, cuja consciência podia servir de veículo ao Cristo para adentrar nosso Planeta, até o Centro e, de lá o Cristo purificar este Globo conspurcado pelas paixões acumuladas dos homens. Nenhum outro sangue poderia fazê-lo, porque a evolução está no sangue e a consciência de Jesus tinha atingido o Centro do Globo. Logo, só este sangue poderia servir de veículo ao Cristo, no grande ato redentor da humanidade. E aquele Corpo Vital sublime permaneceu, para meio de ingresso ao planeta, quando o Raio Crístico retorna pelo Natal, todos os anos.

Se você, caro leitor (a), estudou mesmo o ”Conceito Rosacruz do Cosmos”, poderá meditar proveitosamente sobre este artigo, a fim de ponderar a grande responsabilidade de sua vida, de seus pensamentos, emoções, palavras e ações, na espiritualização de seus corpos, na transubstanciação de seu sangue, até que possa atingir o centro mesmo de seu SER.

  (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro de 1976)

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E o Véu do Templo rasgou-se de Alto a Baixo

E o Véu do Templo rasgou-se de Alto a Baixo      

É tempo de Natal. Mais uma vez o Espírito de Cristo, amorosamente, esparge sua energia em nosso Planeta, renovando-o espiritualmente. A época é muito propícia ao recolhimento e introspecção.

Perguntemo-nos sobre nossas vidas. Inquiramo-nos sobre o que temos feito das oportunidades colocadas em nossas mãos. Elas estão sendo aproveitadas edificantemente, tais como os talentos da parábola evangélica, multiplicando-se por seu emprego justo e apropriado?

Não neguemos: temos tido oportunidades. A despeito das cruezas e incertezas da era que vivemos, podemos considerar-nos privilegiados. Quantas bênçãos e oportunidades de crescimento anímico são postas ao nosso alcance.

Contemplemos essa admirável Filosofia Rosacruz! É uma fonte inesgotável de sabedoria, assentada sobre bases adequadas ao nosso desenvolvimento. O  aspecto racional dela projeta luz sobre os mais intrincados problemas da vida, facultando-nos encontrar Deus em todas as coisas e em nós mesmos. Enseja-nos respostas. Delineia-nos um caminho. Disciplina o fluxo das nossas energias.

O aspecto devocional da Filosofia Rosacruz fortalece nossa fé no supremo BEM. Alenta-nos nos difíceis momentos dos desafios: “O único fracasso é deixar de lutar”. Prepara-nos, inspira-nos, revela-nos nossa vocação espiritual.

Ensina-nos, a Filosofia Rosacruz, a dignidade do bom relacionamento, evidenciando a regra de ouro: “não fazer a outrem o que não queremos que nos façam”. Exorta-nos à pureza, advertindo que “o salário do pecado é a morte”.

Estimula o estudo como um meio de conhecermos as Leis da Natureza: “O único pecado é a ignorância, e a única salvação o conhecimento aplicado”. Das entrelinhas de seus ensinamentos faz emergir o Evangelho do Serviço: “O serviço amoroso e desinteressado para com os demais é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que nos conduz a Deus”.

Seu método de desenvolvimento, se observado com fidelidade, conduz ao portal do Templo da Iniciação. Basta “viver a vida” e amar a todos os seres da criação.

Mas nem sempre essas preciosíssimas oportunidades estiveram ao alcance de todos.

Nos tempos pré-cristãos, o caminho Iniciático era uma realidade para uma minoria. As portas do Templo eram abertas exclusivamente para uns poucos escolhidos, preparados e guiados pelos Hierofantes. A natureza de desejos era muito forte e o egoísmo constituía o denominador comum do relacionamento humano. Um número insignificante de pessoas mostrava-se em condições de acercar-se das realidades espirituais por meio da Iniciação.

Com o advento do Cristianismo, as coisas passaram por substanciais modificações. Quando o sangue fluiu no Gólgota, o “véu do templo rasgou-se de alto a baixo”. E o Cristo tornou-se assim o regente da Terra, iniciando um trabalho de, periodicamente, infundir energia e purificar o Corpo de Desejos planetário. O fim desse ciclo está condicionado ao nosso próprio adiantamento. Abria-se, assim, o caminho da Iniciação para todos aqueles que se dispusessem a trilhá-lo, acumulando para tanto o necessário mérito; agora, só ele conta.

Sensibilizados pelo Amor Universal, sentimos brotar em nosso interior as primícias dessa ação cósmica: a caridade, o sentimento de empatia, o espírito de sacrifício, a fraternidade.

Diariamente somos prodigalizados com inúmeras oportunidades de servir.

Que fazemos delas? A menos que as traduzamos em obras, continuaremos a retardar o dia da libertação, o “consumatum est” coletivo.

O Cristo Cósmico aguarda pacientemente o nascimento, em cada um de nós, de sua réplica microcósmica. É um trabalho árduo, exigindo paciente persistência em praticar o bem. As oportunidades estão aí, mas o mundo com suas ardilosas solicitações ainda nos exerce um perigoso fascínio. O nascimento do Cristo em nós, por certo, resultará de um parto doloroso. Um dia, porém, deverá acontecer.

É Natal. Meditemos sobre isso.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/74)

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O Significado Oculto da Sexta-feira, conhecida como “da Paixão”

O Significado Oculto da Sexta-feira, conhecida como “da Paixão”

Disse São João da Cruz, em um dos seus poemas:
“Oh Deus! Oh Deus meu! Quando será o dia
Que poderei dizer com toda a certeza
Que estou vivendo e vivo, deixando de morrer.”

A resposta a esse poema foi dada por Cristo Jesus, na hora de sua crucificação, há quase dois mil anos. Seguindo os Seus passos, no caminho do Gólgota, encontramos o Caminho da Vida, apesar que, aos nossos olhos, a morte ainda parece o fim de tudo. Mesmo se aparentemente isso é verdade, a morte é o fim, porém verdadeiramente se trata da morte para as ilusões do mundo, que consistem somente na casca, no invólucro de verdades reais. Esse é, realmente, o ponto de libertação almejado por todos os cristãos.

“Ninguém tem maior amor do que este dar a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos” (Jo 15:13-14). Não há exemplo maior de como vivenciar essas palavras do que a própria vida do Cristo quando habitava o corpo de Jesus. O seu amor era tão forte e tão puro a ponto de permitir que fosse crucificado, provando, assim, em atos, o que pregava. Verdadeiramente, o Cristo é o Senhor do Amor. Esse fogo que queimava em seu interior era tão potente, o Seu amor tão divino, que na hora da Sua libertação do corpo físico, o mundo julgou que o Sol estivesse obscurecido.

Dois mil anos passados desse evento, os nossos corações estão sentindo, em vez de júbilo, os pesares deste mundo efêmero. Isso evoca desespero dentro de algumas pessoas, em vez de Luz. Porque nessas dores há intenso júbilo, gritando para ser libertado, e intenso amor, esperando a sua realização final.

Mostra claramente que o Cristo interno está crescendo e que o evento passado, ainda pode acontecer hoje em cada coração aspirante. Quando reverenciamos a Sua morte, estamos nos preparando para a Sua promessa: Vida.
Quando observamos a natureza, o paradoxo do binômio beleza e dor é evidente. A beleza pertence à natureza, enquanto a dor foi produzida por nós. Chamamos essa Sexta-Feira, a Sexta-Feira da PAIXÃO. Consultando o dicionário, veremos que essa palavra tem dois sentidos: primeiro, de intensa emoção e segundo, de intenso sofrimento. Um sentido é ligado ao outro. O amor que inunda o coração do cristão devoto em relação às dores da humanidade produz grande dor. Não é, porém, o mesmo tipo de sofrimento, como o sofrimento egoísta e carregado de sentimento inferior da humanidade em geral.

Foi dito que quanto mais acentuado o sentimento, tanto a pessoa sente também a realidade do oposto. Isso pode ser dito também sobre a Paixão, porque há, ao mesmo tempo, a realização do júbilo, um júbilo que transcende todo o entendimento, sentimento para o qual não há palavras. É o júbilo da Verdade, a Verdade que liberta o ser humano. É por isso que na Sexta-Feira Santa a natureza veste as suas melhores roupagens e toda a dor do mundo se condensa em imenso regozijo que parte do espírito e farta os nossos corações. O espírito das dores do mundo foi transmutado e liberado como o júbilo do Céu. Nesse ponto a natureza inferior foi vencida e purificada pela dor, e a Verdade afasta o véu de ilusões do mundo, mostrando ao espírito o Caminho de volta a seu lar. Nesse Caminho estamos andando todos nós, procurando observar o mandamento do Cristo, de amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a alma e com toda a Mente. Nós, pela virtude de Cristo, temos a oportunidade de continuar com os nossos passos na evolução, deixando para traz os assuntos mundanos, aproximando-nos das regiões espirituais. Como sabemos, os nossos esforços elevam o resto da humanidade e como um balão de hélio levanta uma carga pesada, também podemos erguer o mundo, trazendo, ao mesmo tempo, a sua consciência para pensamentos mais elevados. É uma grande responsabilidade, como bem o sabemos, e não deve haver lentidão em nosso passo evolutivo. Não deve haver paradas quando as frivolidades do mundo nos acenam. Devemos tratar dos negócios de nosso Pai.

Enquanto progredimos, trabalhando e orando sem cessar, sem que o sintamos, sem que nisso pensemos, o dia da libertação se aproxima. Há três dias de manifestação nos esperando, se nos provarmos dignos. Caso contrário, fazemos o papel de Judas, em relação a nós mesmos e a todo o mundo. AGORA é o tempo certo. Amanhã será tarde demais. Esforcemo-nos em VIVER o amor.

Guardemos o Cristo dentro dos nossos corações, empenhando-nos em não magoar ninguém, e cumprir o nosso dever, para o bem da humanidade.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/76 – Fraternidade Rosacruz – SP)