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Sol transitando pelo Signo de Peixes (fevereiro-março)

Diz-se que a constelação de Peixes será o lar da onda de vida humana quando todos alcançarem a perfeição. Peixes é chamada a constelação da onda de vida humana, assim como a de Aquário é a dos Anjos. Aqueles que seguem a Cristo até o mais elevado objetivo se libertam do ciclo de encarnação mortal; eles estão livres da roda de nascimentos e mortes. “Não saem mais”, e é então, que como seres espirituais, por assim dizer, agrupam-se entre as estrelas da constelação de Peixes.

Seus débitos de destino maduro estão pagos e todos os seus vínculos terrestres são desfeitos. Tais humanos são conhecidos como Seres Compassivos, os Irmãos Maiores da onda de vida humana que não mais necessitam de lições terrestres. Eles estão livres para passar para uma existência gloriosa dentro da constelação de Peixes. Entretanto, esses grandes Seres podem retornar, por livre vontade, e em obediência ao preceito de que aquele que ama deve servir melhor, frequentemente eles desistem dessas oportunidades bem-aventuradas daquele plano divino, para servir os seres humanos menos evoluídos que estão, ainda, lutando nas labutas com seus próprios destinos maduros. Humildade, obediência e serviço são as notas chaves de suas vidas.

Durante o mês de março, com o passar Sol pelo Signo de Peixes, que é o Signo da dor e do sofrimento, a Igreja Cristã entra nos sacrifícios quaresmais, e na participação do sofrimento de Cristo no Gólgota. Peixes é o Signo da Crucificação, o Signo do Messias.

Peixes é o último Signo do Zodíaco, é um lugar de pesar, um jardim de lágrimas, o Getsemani no Caminho. Suas portas se fecham e apenas abrem no primeiro Signo zodiacal, Áries, anunciando a chegada do recém-nascido.

O Aspirante que reflita seriamente sob o significado dos 12 Signos Zodiacais que envolve nosso cosmos próximo consegue correlacionar corretamente a meditação de Peixes com as experiências dos 12 imortais durante a estação que precede a “crucificação” anual de Cristo. Assim como a dor e o sofrimento no Gólgota são tragados pela glória dourada da manhã de Páscoa, o Discípulo que conseguiu suplantar seu “eu pessoal” e que percorre, até o final, o Caminho da Santidade, por meio de Peixes, descobrirá que ele trocou sua cruz pela glória dourada do “vestido de bodas” no qual funciona, livre e triunfante, com o Cristo Ressurreto.

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Por que foi necessário que o Cristo entrasse no corpo de Jesus e fosse tentado para sentir compaixão por nós? Um grande Ser como Ele não poderia sentir compaixão sem passar por isso?

Pergunta: Por que foi necessário que o Cristo entrasse no corpo de Jesus e fosse tentado para sentir compaixão por nós? Um grande Ser como Ele não poderia sentir compaixão sem passar por isso?

Resposta: Não, evidentemente. Para que a tentação se torne tentação é preciso que a pessoa tentada veja algo desejável naquilo que a tenta. Faltando essa condição, não pode haver tentação. A carne não é motivo de tentação para esse autor, pois até o pensamento de comê-la lhe causa náuseas. Portanto, não há virtude em abster-se dela. Ele não precisa dominar o desejo pela carne, mas terá de dominar a repugnância para comê-la. O grande Espírito Solar, o Cristo, por Sua própria natureza, não podia sentir-Se tentado em transformar pedra em pão para aplacar a fome. O ato de recusar obediência a um poder que O teria tornado soberano da nossa pequena Terra não seria para Ele um sacrifício; contudo, assim como quando olhamos através de uma lente colorida vemos tudo colorido, assim também quando a consciência do Cristo estava focalizada no corpo de Jesus, Ele percebia as coisas deste mundo através dos olhos de Jesus, um ser humano. Do ponto de vista desse último, o pão era algo extremamente desejável, quando sentia fome. Portanto, isso constituía uma tentação.

O poder é também almejado pela maioria da humanidade. Consequentemente, saber que pelo poder dentro de Si, Ele poderia satisfazer esse desejo constituía uma tentação. Somente pela perspectiva humana de Jesus, o Getsemani poderia parecer terrível o suficiente para que Ele desejasse evitar a provação que se aproximava. Podemos opinar, baseados no adágio “Cada um é que sabe onde os calos lhe apertam”, que o Espírito de Cristo aprendeu, através das limitações corporais de Jesus, a ter compaixão por nossas fraquezas de um modo que não teria sido possível pela simples observação externa. Tendo uma vez usado um corpo e sentido a fraqueza da carne, Ele sabe melhor como nos ajudar e é, portanto, o Supremo Mediador entre Deus e o ser humano.

(Pergunta nº 91 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

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O Lado Oculto da Oração

O Lado Oculto da Oração

Na noite em que a Lua[1] está transitando por em torno do décimo quinto grau de Signo Cardinal[2], realizamos nosso Ritual do Serviço Devocional de Cura. Nesse sentido, é muito importante ter em mente que os Estudantes da Fraternidade Rosacruz, que residem em várias partes do mundo, concentram nesse dia dirigindo seus pensamentos para a Pró-Ecclesia, com o mesmo objetivo que estamos agora tentando realizar, ou seja: gerar pensamentos de auxílio e de cura e concentrá-los em uma única direção: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para que os utilizem no seu benéfico Serviço em prol da humanidade.

Porém, se realmente queremos realizar algo naquele sentido, devemos ter uma compreensão clara e definitiva do que é o nosso ideal e quais são os meios para alcançá-lo. Não é suficiente sabermos de modo vago que existem no mundo a doença e o sofrimento, nem que façamos uma ideia, também vaga, de auxílio para aliviar esse sofrimento, seja ele físico ou mental. Devemos fazer algo definido para atingir nosso objetivo e, portanto, será bom colocar diante de nossas Mentes uma ilustração que possa nos ajudar.

Vamos supor, que um de nossos prédios está em chamas. Muito lixo se acumulou em um canto e, por combustão espontânea, finalmente pegou fogo. Temos mangueira, água e um bico para que possamos esguichar sobre o fogo e tentar apagá-lo. Contudo, para fazer isso, precisamos primeiro ligar a água e apontar o bico para o fogo; além disso, o fluxo de água deve ser adequado para enfrentar o fogo. Não nos ajudará em nada se apenas abrirmos a torneira pela metade ou se tivermos um fluxo fraco e esguicharmos aqui e ali. Devemos apontá-lo diretamente para o centro do fogo e devemos ter força e volume adequado para lidar com o material em chamas. Se tivermos esses requisitos, seremos capazes de apagar o incêndio no edifício e, portanto, teremos cumprido nosso propósito pelo uso adequado de meios eficientes.

A cura de enfermidades oferece uma analogia perfeita, pois em qualquer patologia, podemos dizer, há realmente um incêndio, o invisível fogo que é o Pai tentando dissolver as cristalizações que acumulamos em nossos corpos. Reconhecemos a febre como sendo um fogo, mas os tumores, como o câncer e outras doenças, são, também em realidade, o efeito desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.

Agora, os pensamentos de cura.

Este mesmo poder que está procurando, lentamente, purificar o Corpo pode ser aumentado, em alto grau, pela concentração adequada, o que é realmente uma prece, desde que tenhamos as condições apropriadas.

Para ilustrar essas condições tomaremos como exemplo a tromba marinha. Talvez nenhum de nós tenha presenciado este fenômeno da natureza, que, embora maravilhoso, inspira pavor.

Em geral, quando ele ocorre o céu parece aproximar-se da água; há no ar um tenso estado de concentração.

Gradualmente, um ponto do céu desce até a superfície das águas e as ondas, em certa extensão, parecem saltar para cima até que, ambos, céu e água, unem-se formando um redemoinho de voragem vertiginosa.

Algo semelhante ocorre quando uma pessoa ou várias pessoas estão em prece fervorosa. Todas as forças da natureza que realizam o trabalho conosco estão trabalhando apenas no éter – eletricidade, força expansiva no vapor etc. – todas são etéreas. Contudo, existem forças no universo muito mais potentes e sutis, entre elas, o poder do pensamento. Quando uma pessoa se absorve numa intensa súplica a um Poder superior, sua aura parece afunilar-se em forma semelhante à parte inferior da tromba marinha. Isso eleva-se no espaço a uma grande distância e, sintonizando-se com a vibrações do Cristo, do Mundo Interplanetário do Espírito de Vida, atrai para si uma força divina que penetra na pessoa ou num grupo de pessoas e vivifica o pensamento-forma que elas criaram. Desse modo, o fim pelo qual se uniram, será atingido.

Mas gravemos bem em nossas mentes que esse processo de orar ou de concentrar, não é um frio processo intelectual. É preciso haver um grau adequado de sentimento para atingir o fim desejado, pois, se faz necessário uma quantidade de água para apagar o fogo. Se não estiver presente esta intensidade de sentimento, o objetivo não será alcançado, contudo se utilizar apenas uma pequena quantidade de água, isto não apagará um grande incêndio. Este é o segredo de todas as preces milagrosas que já foram registradas: a pessoa que orava, fazia-o sempre com intenso fervor; todo o seu ser se submergia no desejo de obter aquilo por que orava, e dessa forma, elevava-se aos reinos divinos, trazendo de volta a resposta do Pai.

No ano passado, tivemos um caso desse tipo, aqui em Mount Ecclesia. Um dos trabalhadores se feriu em um acidente de automóvel e sofreu um traumatismo craniano. Naquela noite, aqui na Pró-Ecclesia, todos nos juntamos à uma súplica silenciosa ao nosso Pai Celestial para que ele pudesse ser auxiliado na cura.

Claramente, o escritor percebeu a intensidade do sentimento e como ele deu origem àquele canal na parte inferior em forma de funil, que trouxe a resposta divina. Naquela noite, o trabalhador recuperou a consciência, algo muito incomum na história desses tipos de casos. Também descobrimos que em certas comunidades sagradas, como, por exemplo, “a mesa redonda do rei Arthur”, ou em um círculo de espiritualistas, uma condição semelhante é provocada. As pessoas que estão sentadas em círculo, sintonizam com uma vibração comum, cantando certas músicas. E, assim, estando unidas, formam um único funil áurico que traz de volta a resposta do que desejam, de acordo com a intensidade de seus desejos e sua concentração.

Essa vibração espiritual é tão poderosa que, às vezes, pode ser transmitida e permanecer ao redor, mesmo em objetos aparentemente inanimados. Por exemplo, muitas pessoas sentiram, algumas foram até superadas, pelas poderosas vibrações no órgão daqui. Você notará que há sobre o órgão uma cópia do Cristo pintada por Hoffman[3]. Não há dúvida na Mente do orador de que quando Hoffman pintou esse quadro, ele sentiu muito intensamente a posição e o sentimento de Cristo no Getsemani; portanto, impregnou-se a sua imagem, uma representação desse mesmo canal áurico. Isso não seria reproduzido e não permaneceria como uma cópia impressa da imagem.

Contudo, esse quadro que está aqui na Pro-Ecclesia foi pintada por um de nossos membros que solidarizou ao sentimento do artista original e foi tomado de uma compreensão do mistério do sofrimento de Cristo naquela hora solitária. Assim, conseguiu trazer esse mesmo canal a sua imagem e, portanto, as vibrações são emanadas dela.

Tudo isso nos ensina que essa força está disponível e pode ser usada cientificamente com muito maior efeito do que se a usássemos de maneira aleatória, vagamente desejando isso, aquilo ou outra coisa. Todavia, há um grande perigo se fizermos mau uso desse maravilhoso poder; portanto, façamos sempre nossas súplicas em favor dos outros, acrescentando estas palavras de Cristo: “Pai, Faça-se a Tua Vontade e não a minha”. Caso contrário, somos suscetíveis de causar sofrimento onde deveríamos ajudar. Você provavelmente notou que eu disse “nossas súplicas em favor dos outros”. Deixe essa ideia aprofundar em nossas Mentes, de que nunca devemos pedir nada a nós mesmos. Isso é supérfluo. O Cristo nos garantiu que, se buscarmos primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, todas as outras coisas nos serão dadas por acréscimos.

Também temos a promessa da Bíblia: “O Senhor é meu pastor, não me faltará”, e muitos anos de experiências demonstraram ao autor que esse é um fato real, que se trabalharmos com a lei para os outros, então, a lei cuidará de nós, pois somos trabalhadores dela.

A grande razão pela qual a oração não está sendo ouvida hoje é que as pessoas que suplicam estão sempre pedindo algo para si mesmos, contrariamente ao bem comum. Se estamos cuidando de nós mesmos e sempre tentando obter o melhor de nós mesmos, independentemente de todos os outros, então não é necessário que Nosso Pai Celestial cuide de nós. Porém, no momento em que nos colocamos em Suas mãos e pensamos em como podemos realizar Sua obra, como podemos realizar Sua vontade na Terra, assim como está sendo feita no Céu, então nos tornamos colegas de trabalho com Ele, trabalhadores em Sua vinha. Portanto, cabe a Ele cuidar de nós, e então podemos confiar plenamente que tudo o que for necessário de material ou para o nosso conforto espiritual estarão disponibilizados. A providência também não será pequena, escassa ou mesquinha, mas receberemos a medida completa, precisa e transbordante.

Com esses pensamentos, entraremos no silêncio e, por dez minutos, focaremos nossa Mente no objeto para o qual nos reunimos – para ajudar e curar nossos irmãos sofredores, mas particularmente aqueles que se inscreveram à sede para buscar ajuda as suas dificuldades.

(de Max Heindel; publicado na: Rays From The Rose Cross de agosto de 1915 – Traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

[1] Auxiliares visíveis são tão necessários quanto Auxiliares invisíveis, e nossos amigos e pacientes podem compartilhar desse grande privilégio, que além de aumentar muito o poder da força curadora liberada, também juntamos em oração pelos enfermos. Nosso Serviço de Cura é oficiado todas as noites no Templo de Cura às 18h30 (19h30 nas localidades onde vigora o horário de verão) e na Pro-Ecclesia às 16h15 (aberta ao público), quando a Lua estiver em um Signo Cardinal: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio). Relaxe, feche os olhos, faça uma imagem mental da rosa branca pura do centro do emblema Rosacruz na parede oeste de nossa Pró-Ecclesia e concentre-se no amor e na cura divina.
[2] N.T.: Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio
[3] N.T.: Johann Michael Ferdinand Heinrich Hofmann foi um pintor alemão, notável pela vasta obra de representação da vida de Jesus.
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Zaqueu, o Publicano

Zaqueu, o Publicano

No Evangelho Segundo São Lucas, Capítulo 19, lemos:

 “Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de baixa estatura. Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-Lo, porque por ali havia de passar. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em sua casa. Ele desceu a toda pressa e o recebeu com alegria. Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que Ele se hospedara com homem pecador. Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e se alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então Jesus lhe disse: Hoje houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.

Amigo leitor, alguém já escreveu a sua biografia? Alguém já escreveu uma peça teatral baseada na sua realidade quotidiana, tendo você como protagonista? Provavelmente você dirá que não. Entretanto, sua história é bem antiga e já foi escrita. Ela se encontra na Bíblia. Aliás, à Bíblia contém sua história desde os primórdios de sua manifestação aqui na Terra. E já vai tempo, muito tempo. É um relato sem ficção ou fantasia. É a pura realidade abrangendo tudo a seu respeito: suas quedas, lutas, alegrias, tristezas, enfermidades, frustrações e vitórias. Os símbolos e alegorias bíblicos falam sobre esses momentos de suas existências. Um símbolo é um sinal de uma ideia. Não é a coisa em si, porém representa-a.

Tudo na Bíblia é significativo. Todos os personagens ilustram e dramatizam certos estados de espírito que podem acontecer e acontecem às pessoas nos dias de hoje, em qualquer lugar do mundo.

Todos os personagens das Sagradas Escrituras simbolizam um estado de nossa alma: Maria, Herodes, Pedro, O Filho Pródigo, Lázaro, Zaqueu, etc. Veja como Herodes se manifesta por meio do egoísmo. O desprendimento de alguém nos faz lembrar a viúva pobre e sua oferenda humilde, mas altruísta.

Contudo, os fatos bíblicos também significam alguma coisa ou algo que pode nos ocorrer: a peregrinação pelo deserto, a tentação, o Getsemani, São Paulo na estrada de Damasco. Por exemplo, veja como você já foi tentado em sua vida. Você nunca derrotou o Golias? Sim, o Golias, representação de sua natureza inferior, que aos olhos do mundo parece invencível.

Os nomes da Bíblia não fogem dessa regra. Indicam certas faculdades ou condições da alma humana, Moisés, para exemplificar, significa “salvo das águas”. As águas esotericamente simbolizam o Mundo do Desejo, a natureza emocional. Quem consegue dominar suas paixões é um “salvo das águas” e por certo se fará merecedor de cumprir uma elevada missão, tal como Moisés.

Na Bíblia, os rios, as montanhas, lagos e desertos representam certos estados de consciência. Cristo-Jesus foi tentado no deserto. Moisés recebeu o decálogo na montanha.

Fixemo-nos agora em um personagem da Bíblia: Zaqueu, o publicano. Analise-o. Observe-o. Veja como você tem algo a ver com ele. Veja se você se encontra nele.

Zaqueu tinha consciência de sua baixa estatura, mas almejava ver o Cristo. Para tanto deveria subir, elevar-se ao nível daquele Ser Superior. Procurou um meio de atingir seu objetivo, empenhou-se a fundo e encontrou um sicômoro. O Mestre é sempre atraído pela luz que o discípulo irradia. O Cristo observou Zaqueu no sicômoro e correspondeu àquela procura: ”Zaqueu desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”.

Casa, templo, tabernáculo, tudo isso simboliza o próprio ser humano. A partir daquele momento decididamente o Cristo foi despertado no íntimo de Zaqueu.

“Hoje houve salvação nesta casa”. Salvação esotericamente quer dizer evolução. O esforço de Zaqueu em elevar-se à altura do Cristo representa um grande passo no caminho da evolução. Às vezes o indivíduo está pronto. Basta apenas a sintonia com o ideal, o encontro. O mesmo ocorre com todo estudante sincero. Quando estiver pronto e resolver subir no sicômoro, seguramente viverá a maior experiência de sua vida: o encontro com Cristo, o Cristo no seu íntimo.

(De Gilberto A V Silos – Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mar/abr./88 )

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A Páscoa e as 9 Iniciações Menores e as 4 Maiores

A Páscoa e as 9 Iniciações Menores e as 4 Maiores

Feliz Páscoa! – Dizemos todos os anos, trocando cartões, coelhinhos e ovos. Mas, aproveitemos a pausa da semana santa e meditemos seriamente: por que “Feliz Páscoa”? Que sentido tem ela para nós?

Um religioso nos dirá: “Comemoramos gratamente a Páscoa, em homenagem Àquele que se sacrificou por nós; que demonstrou a vitória sobre a morte, ao ressurgir do túmulo, três dias depois da crucifixão, conforme prometera; que, finalmente, ascendeu aos céus, quarenta dias após. Está à direita de Deus-Pai, intercedendo por nós”.

Insatisfeitos, perguntamo-nos: que significa isto para nós?

A Filosofia Rosacruz ensina que as nove Iniciações Menores representam os nove principais passos da vida de Jesus, pois a biografia do Mestre foi tomada para velar, em cada Evangelho, o caminho de iluminação de cada Aspirante. Os nove passos ou mistérios de Jesus, são:

  1. Batismo;
  2. Tentação;
  3. Transfiguração;
  4. Última Ceia e Lavapés;
  5. Getsemani ou Jardim da Agonia;
  6. Estigmata;
  7. Crucifixão;
  8. Ressurreição; e
  9. Ascensão.

Duas etapas se distinguem nessa luminosa ascese:

  1. a) – a primeira vai da 1ª à 5ª Iniciação Menor. Corresponde à conscientização de toda a evolução humana, desde o Período de Saturno até meados da Época Atlante ou metade do atual Período Terrestre. É a tomada de consciência do que acumulamos na Memória Supraconsciente, contida no Átomo-semente, da primeira metade deste Grande Dia de Manifestação. No fim desta etapa o candidato atinge o grau de primogênito.
  2. b) – a segunda vai da 6ª à 9ª Iniciação Menor (a última). Este período corresponde ao desabrochar da consciência do Iniciado, para o trabalho a ser desenvolvido na metade Mercurial (segunda metade) deste Período Terrestre.

A penetração da consciência do Iniciado na obra evolutiva referente aos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano, dizem respeito às 1ª, 2ª e 3ª Iniciações Maiores. Na 4ª Iniciação Maior, o Iluminado candidato atinge a condição de Libertador, optando entre permanecer ajudando seus irmãos na Terra ou partir para uma evolução mais alta, em Júpiter. A Páscoa trata da segunda etapa. É o processo de libertação do Período Terrestre. É a superação de todo o trabalho deste Período. É o cortar do cordão umbilical que nos condiciona ao Planeta, quando nos conscientizamos de todas as suas leis ou mistérios.

Começa a Páscoa quando o candidato, no plano mental abstrato, na 5ª Iniciação, deve transcender sua personalidade. São Paulo, o Apóstolo que conheceu essa experiência, que dura mais ou menos tempo, conforme o Candidato. Ele se refere a si próprio quando diz “conhecer um homem que foi arrebatado ao 3º céu e lá viu e ouviu coisas que não lhe é lícito contar”. Estava no plano mental abstrato, onde a universalidade do Espírito se limita a uma consciência egóica.

São Paulo sentiu agudamente o Horto da Agonia, nos embates entre a personalidade e o Divino interno. Mas venceu a prova, pois afinal exclama triunfante: “Não mais eu quem vivo, mas o Cristo vive em mim!”.

O próximo passo – a 6ª Iniciação Menor – foi vivenciada por São Francisco de Assis, que apresentou os sinais interiores das estigmatas (dos ferimentos), naqueles pontos físicos em que o Espírito fica preso ou crucificado à cruz do corpo.

Na 7ª Iniciação Menor, o Candidato experimenta o morrer para o sentido humano. Esse processo dura certo período, simbolizado pelos três dias no túmulo. São três etapas em que dissolvemos os traços humanos dos corpos físico, emocional e mental. Então elevamos o grau vibratório de nossa tripla instrumentação e podemos ressurgir para mais alto estado. Não que a gente suba aos céus. Isto é um sentido simbólico. Não subimos para nenhum lugar, senão que experimentamos uma expansão de consciência e alcançamos mais profundamente os mistérios de nosso ser e de nosso Planeta.

Vem a Ressurreição – a 8ª Iniciação – na qual o Candidato adquire a capacidade de sutilização do corpo, a faculdade plena de materializar-se e desmaterializar-se, mediante o domínio da vontade e poder excepcional de concentração. Eis a explicação de o Mestre haver passado através das paredes e entrado na habitação fechada onde se achavam reunidos dez Apóstolos (Tomé estava ausente); e depois aos onze (Tomé junto). Mas ainda remanescem os sinais da estigmata – os últimos vestígios de influência terrena, que devem ser definitivamente dissolvidos, nos simbólicos quarenta dias (período indeterminado de tempo).

Aí vem a última etapa ou 9ª Iniciação Menor, em que estava João Batista: a Ascensão. Seu mesmo espírito havia animado, em anterior encarnação, a expressiva figura de Elias – o profeta – que subiu aos céus num carro de fogo (Ascensão). João Batista, estava a ponto de passar à primeira Iniciação Maior, como Adepto. Por isso foi dito dele, por Cristo: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior” – isto é, dos que ainda têm de nascer do ventre materno, porque ligado às leis da Terra, João Batista era o mais alto Iniciado. Quando o Iniciado passa à primeira Iniciação Maior, adquire o mistério da Alquimia Espiritual. Ele domina todas as leis da matéria, e pode reunir elementos restantes da assimilação dos alimentos e conservá-los, para ir formando outro corpo, além do que ocupa. Quando ele termina sua missão num certo país e deve começar outra num país diferente, deixa o corpo antigo e toma o novo, para surgir como uma nova pessoa. Então se diz que “fulano morreu”. Esses elevados Iniciados trabalham no mundo, em missão de equilíbrio, para assegurar os rumos do destino evolutivo humano, dentro de certos limites de respeito ao livre arbítrio.

Todos teremos de passar, a nosso modo, por esses estágios.

 (Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/76 – Fraternidade Rosacruz – SP)