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A Relação dos Tríplices Espíritos, Almas e Corpos em cada um de nós

A Relação dos Tríplices Espíritos, Almas e Corpos em cada um de nós

O ser humano é um tríplice Espírito que possui uma Mente, governando com ela um Tríplice Corpo que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se transforma em Tríplice Alma, da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência.

O Espírito Divino emanou de si Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.

O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.

O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.

O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.

Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução do espírito na matéria e onde começa o processo evolutivo pelo qual o espírito é extraído da matéria. A Involução significa a cristalização do espírito em corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o espírito.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)

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Por que Cristo nasceu, para nós, durante a passagem do Sol por Capricórnio em dezembro?

Pergunta: Por que Cristo nasceu, para nós, durante a passagem do Sol por Capricórnio em dezembro?

Resposta: Enquanto o Sol entra em Câncer, no mês de julho o Senhor Cristo ascende ao Seu próprio mundo, o Mundo do Espírito de Vida. Esse é o reino onde a unidade e a harmonia reinam supremas, onde cessa toda a separatividade, onde reina a Fraternidade Universal. Cristo vive nesse Mundo cotidianamente, exatamente como nós vivemos aqui, no Mundo Físico, quando estamos encarnados.

O Mundo do Espírito de Vida também é a esfera de consciência que os primeiros Discípulos de Cristo contataram no Dia de Pentecostes. Isso será alcançado por toda a humanidade avançada no fim do presente Período Terrestre.

Por meio da operação do Cristo Cósmico é aqui que o Filho ou o princípio da Palavra e o segundo aspecto da Trindade, nosso Abençoado Senhor, contata a Hierarquia de Câncer, Querubins. Esses Seres celestiais são os guardiões de todos os lugares Sagrados no céu e na terra. Eles guardam até mesmo o maior mistério da vida. Sob a orientação do Senhor Cristo esse mistério sagrado é transmitido para baixo, de Câncer para o seu Signo oposto, Capricórnio, e fornecido para os Arcanjos.

Foi por essa razão que o Salvador do Mundo, que veio para a Terra proclamando o mistério do Espírito Santo, teve o início da Sua primeira vinda sob o Signo de Capricórnio.

Para isso ter ocorrido, houve um tempo em que as forças de Capricórnio permearam a Terra para que fosse possível a encarnação do Mestre Jesus, da descendência de David, que se converteu no portador do Cristo.

E assim, desde a Sua primeira vinda, a força Crística dourada, todo ano, recomeça o seu trabalho de auxílio para nos salvar, descendo da fonte do Sol, tocando a partir do lado externo da atmosfera terrestre no Equinócio de Setembro, passando pelo Mundo do Desejo durante novembro (Escorpião), passando pela Região Etérica do Mundo Físico durante dezembro (Sagitário) e chegando ao centro da Terra no Solstício de Dezembro (Capricórnio).

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Servir a Divina Essência em cada um de Nós

Servir a Divina Essência em cada um de Nós

O lema “Servir à divina essência em cada um de nós” merece um estudo profundo para que seu expressivo conteúdo não fique limitado por uma análise e compreensão superficiais. Inicialmente devemos compreender o que é “divina essência”, pois, do contrário, não poderíamos servi-la convenientemente. As palavras “divina essência”, por si, revelam ser de caráter abstrato e subjetivo e só por esse meio poderá o espiritualista penetrar-lhe o sentido. Realmente, os processos comuns, intelectivos, não podem atingir os planos abstratos.

A frase “servir a divina essência” faz parte do ritual rosacruz. E julgamos conveniente, neste ponto, explicarmos o que é um ritual: é uma cerimônia introdutória e preparatória de um culto. Todos os cultos usam rituais, inclusive as Ordens Místicas. E por que é importante esta preparação? O ritual é um conjunto de palavras mui significativas, tanto para o celebrante como para os ouvintes, pois leva o VERBO, recriado por aquele, a estes. O Verbo assim pronunciado é transmitido ao íntimo do ouvinte e nele ressoa o valor vital do espírito da palavra, levando o estado de espírito de quem o escreveu, no momento em que se encontrava nos planos superiores (falamos de um verdadeiro ritual, como o da Rosacruz). Realmente, se revivemos, se relembramos, se recapitulamos, por exemplo, as orações de Cristo e de seus elevados Discípulos, experimentamos o mesmo estado em que se achavam, em sua exaltação, esses magníficos personagens; e de certo modo nos ligamos a eles.

Se dizemos: “Deus é Amor e quem vive em amor, vive em Deus e Deus nele”, acontece justamente o que descrevemos, isto é, pela repetição das mesmas palavras sentir-nos-emos, como o Autor, em união com Deus.

Esta forma de cerimônia, portanto, eleva os ouvintes preparados às alturas de quem exprimiu aquela inspiração; ao conhecimento cósmico donde deriva a Força Universal de Deus. Pois é a esse plano universal que nos guindamos ao pronunciar com alma, no ritual rosacruz, essa expressiva frase: “Servir à Divina Essência em cada um de nós”.

Mas, voltando ao exame da frase proposta, perguntemos: o que é “divina essência?”. O verdadeiro ocultista, afeito ao abstrato e deduções lógicas, conclui que a “divina essência” é parte do Espírito Universal, infinita como sua Origem, e que constitui nosso Ego. Vemos assim que o Ego, mesmo aparentemente isolado no indivíduo está intimamente ligado ao Espírito Universal, e este, poderoso na ilimitação de sua universalidade, confere à centelha que d’Ele emana a mesma ilimitação dentro do Universo. Do exposto deduzimos que, sendo essencialmente chispas infinitas de Deus, a Ele estamos vinculados, como também, inversamente, Deus está conosco. É uma verdade insofismável, pois nosso Ego se reflete, como aprendemos, por atributos microcósmicos do Uno, que constituem a triúna centelha do Ego: Espírito Divino (Pai), Espírito de Vida (Filho) e Espírito Humano (Espírito Santo).

Assim, as qualidades com que o Espírito Universal se exprime em nós, são: “Vontade” – “Amor” e “Sabedoria”.

Deus possui estes atributos e o Ego também os possui. Daqui concluímos que a “divina essência” em cada um de nós é a própria natureza divina.

Essas três qualidades abstratas ou atributos, Vontade, Amor e Sabedoria, fundem-se na essência Egóica, e por elas o Ego opera individualmente, exercendo sua capacidade epigenética, pois em nosso Ego reina o Poder de Deus, sujeitando-se a este o “eu” inferior (intelectualidade e desejos), buscando sua libertação dentro de Deus. A pouco e pouco o Ego sublima a inferioridade em superioridade, ou seja, em elevados sentimentos e verdadeira inteligência, passando a reconhecer-se individualmente, dentro do poder de Deus, perfeitamente identificado com o Pai.

Assim o ser humano fará a Vontade de Deus, conforme Cristo o explica ao dizer: NÃO SOU EU QUE FAÇO AS OBRAS, E SIM AQUELE QUE ME ENVIOU. Este fato mostra que a Vontade de Deus agia em Cristo, não sendo Ele, portanto, o autor das obras. Cristo, pela vontade que reinava em Si, dava livre acesso ao seu corpo, para que o Pai executasse as obras, segundo Sua Vontade, em perfeita correspondência espiritual.

O Poder do Pai estava infuso em Cristo e também em seu corpo, a parte humana de Jesus. Assim a VONTADE estava presente em Cristo e Seus veículos, numa prova inequívoca de que o PODER DIVINO tem Seu reino na Humanidade e o Pai estava no Filho como Este no Pai. Tanto isto é verdade que o espírito constantemente se expressa em matéria. Como disse Heindel: “matéria é espírito cristalizado”. Cristo fez sentir esta evidência aos fariseus ao dizer-lhes: “acreditai em Mim, ao menos pelas obras que eu faço, pois não sou eu que faço as obras, mas Aquele que me enviou”. Daí podemos concluir que não conhecemos o Pai, porque não damos ainda livre acesso ao Poder de Sua Vontade em nós. Se nos tornássemos canais, como o foi Jesus, poderia Deus fazer através de nós as Suas obras. Atualmente impedimos essa divina expressão porque desviamos as forças superiores nas atividades inferiores que os maus hábitos impõem. No “Pai Nosso” exprimimos o desejo de alcançar esse estado futuro, quando nosso Espírito Divino se dirige ao Pai, dizendo “Seja feita a Tua Vontade, na Terra como nos Céus”. Quando o alcançarmos, seremos as varas ligadas à Videira, na parábola do Evangelho.

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Até aqui estivemos tratando do primeiro aspecto divino no ser humano: Vontade. Prossigamos, abordando o segundo aspecto, que é Amor.

Essa divina e transcendental qualidade flui eternamente em todo o Universo. Todos os mundos entoam o cântico de Amor que Vibra como parte mesma de toda a imensidão do infinito. Os mundos foram feitos de Amor. As harmonias das esferas, experimentadas pelo iniciado Pitágoras, são hinos de Amor que vibram com indescritível formosura e colorido. Singular a harmonia do amor: Deus ama constantemente Sua criação e fez vivê-la por obra de Seu Amor, porque “Deus é Amor e quem vive em Amor vive em Deus, e Deus nele”. Este é o segundo aspecto de Deus em nós. Quando, no “Pai Nosso”, o Espírito de Vida se dirige à Sua contraparte, o Filho, diz: “Venha a nós o Teu Reino”, anelando a possibilidade de exalar através de nós o perfume do Amor que d’Ele recebemos constantemente. E Deus nos amou de tal maneira que nos deu o Seu Filho Unigênito para que através d’Ele todos nos salvemos. E este nos dignificou ao chamar-nos Seus amigos e ensinando-nos a “amar o próximo como a nós mesmos”. Portanto, o Amor liberta o ser humano de suas próprias limitações para que em seu Ego se manifeste o Pai, como este se manifestou no Filho. E, como segundo aspecto de Deus, o Seu Filho em nós se manifesta, como único salvador, compassivo, amando-nos até a última gota de Seu sangue.

Passemos, em seguida, ao terceiro aspecto de Deus, e também de nosso Ego, que é a Sabedoria. Desejosos de Servir à divina Essência, procuramos dar passagem Aquele que tem sabedoria, a Omnisciência, o conhecimento puro. Como em Deus, também em nosso Ego existe essa maravilhosa panaceia. Existimos por Sua Sabedoria, vivemos por e em Sua Sabedoria e, portanto, também a possuímos. Sua Sabedoria está sempre presente em nós, porque é Omnipresente. Mas devemos aprender a dinamizá-la em nós e, por isso, no “Pai Nosso”, dirigindo-se à sua contraparte, o Espírito Santo, diz nosso Espírito Humano: “Santificado seja o Teu Nome”. Em sua meditação o Aspirante sincero poderá achar essa fonte através do seu Ego, porque vive a Divindade em Si, por Si mesma e nas Suas criaturas.

Finalizando, podemos resumir que as três virtudes estão presentes na ação de Deus. Que:

  • Manifestação da Essência Divina: Vontade, Poder, Querer;
  • Manifestação da Essência Divina: Amor, Caridade, Fraternidade;
  • Manifestação da Essência Divina: Sabedoria, Conhecimento, Princípio do Poder Criador.

Essas três potências, inerentes ao Ego, fazem-nos semelhantes a Deus, conforme nos ensina a Bíblia: que Ele nos criou a Sua Imagem e Semelhança.

(de F. Ph. Preuss – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/1964)

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Qual parte do Espírito Tríplice constitui o Eu Superior? Será o Espírito Divino? Afirma-se no “CONCEITO” que o Espírito Humano é o Ego. O Espírito de Vida não é uma parte do Ego? O Ego inteiro fica no plano físico durante a vida terrena, ou somente parte dele, conforme o ensinamento hindu?

Pergunta: Qual parte do Espírito Tríplice constitui o Eu Superior? Será o Espírito Divino? Afirma-se no “CONCEITO” que o Espírito Humano é o Ego. O Espírito de Vida não é uma parte do Ego? O Ego inteiro fica no plano físico durante a vida terrena, ou somente parte dele, conforme o ensinamento hindu?

Resposta: O Eu superior é o Espírito Tríplice: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, mas não se deve conceber esses três como separados um do outro. O Espírito é indivisível, como a luz branca que vem do Sol através do espaço interplanetário, mas da mesma forma que a luz pode ser refratada em três cores primárias – azul, amarelo e vermelho – ao atravessar a atmosfera mais densa da Terra, o Espírito Virginal também aparece como sendo tríplice durante a manifestação, devido a estar rodeado por envoltórios de matéria de densidade variável.

Quando envolto apenas na substância do Mundo do Espírito Divino, é o Espírito Divino; quando o Espírito Divino recebe em acréscimo um envoltório de material oriundo do Mundo do Espírito de Vida, torna-se o Espírito de Vida; e quando, finalmente, é revestido na matéria da Região do Pensamento Abstrato, torna-se o Espírito Humano – o Ego. É por isso que o Espírito Virginal, enredado nessas três camadas de matéria, está apartado de toda consciência de seu Pai Divino e, estando tão encoberto pela matéria que não consegue mais ver as coisas do ponto de vista cósmico ao atingir o exterior, ele volta sua consciência para dentro e vê-se separado e isolado de todos os outros. Por isso, ele é um Ego – um indivíduo. Nesse ponto nasce o egoísmo, e começa a busca individual.

Quando o Espírito Humano atrai ao redor de si, para uma melhor expressão, os veículos inferiores e mais concretos – a Mente, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital submergindo neles e mesmo descendo até o Mundo Físico, ele adquire novamente a consciência das coisas externas. A partir daquele momento, tendo perdido o conhecimento do Mundo de Deus, de onde veio originalmente, ele começa a conquistar o mundo físico e a dominá-lo para atingir seus próprios fins.

Neste aspecto, ele difere radicalmente dos Espíritos dos outros três reinos – mineral, vegetal e animal. O Espírito-Grupo do reino mineral desceu apenas até a Região do Pensamento Abstrato. Por essa razão, a consciência do mineral assemelha-se ao estado mais profundo de transe. O Espírito-Grupo do reino vegetal desceu para a Região do Pensamento Concreto. Por isso, a consciência do reino vegetal assemelha-se à que possuímos no mais profundo sono sem sonhos. Os Espíritos-Grupo dos animais são encontrados no Mundo do Desejo, que está próximo ao mundo em que vivemos. Consequentemente, a consciência do animal é uma consciência interna pictórica, semelhante àquela que temos nos sonhos, sendo as imagens enviadas pelos Espíritos-Grupo aos animais para que se grave neles o que têm de fazer sob determinadas circunstâncias. Aquilo que chamamos de instinto é, portanto, a sabedoria dos Espíritos-Grupo que se imprime no animal para que este saiba agir. Somente o Espírito Humano, em todos os reinos de vida em evolução na Terra, é um Ego individualizado, e habita os veículos que estão reunidos no mundo físico durante as horas de vigília do dia. Desse modo, atingimos a consciência desperta, e assim tornamo-nos totalmente cientes e despertos para todas as coisas pertencentes ao mundo no qual, então, atuamos e onde somos capazes de usar a nossa própria razão, expressar os nossos desejos e emoções, e agir segundo as diretrizes do nosso Eu individual Superior – o Espírito Interno, o Ego.

(Perg. 153 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)

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Sinfonia Anual: a música silenciosa

Sinfonia Anual: a música silenciosa

Pode o leitor imaginar música silenciosa? Sim, é essa provavelmente a melhor forma de descrevê-la, se tentarmos compará-la com os vulgares sons do mundo e dos sentidos físicos, pois essa música nunca pode ser ouvida por aqueles que se encontram limitados ao plano físico. Contudo, é sem dúvida uma realidade, e é possível entrar em contato com ela se tivermos desenvolvido um pouco os nossos sentidos mais elevados. Nada existe criado que não esteja continuamente fazendo soar a sua tônica especifica, reunindo todas as suas partículas.

Essa nota tônica é um som musical que deve a sua origem à Palavra dita por Deus.

Esta música silenciosa — sentimo-la tão suavemente, como o som de uma distante melodia lentamente se tornando realidade! Certamente nos espantaria se não fosse a sua indescritível beleza e a sua nunca ultrapassada consonância de sons.

E depois, também, parece não vir de parte alguma — contudo, encontra-se em toda a parte. Sua origem é a revivificante força da vida anualmente desprendida pelo grande Espírito Cristo, d’Ele próprio, quando se extingue o ano velho e o novo ano nasce alegremente.

As suas meias-vozes são os suspiros do ano que finda, ao dar lugar ao novo.

Os seus sons elevados expressam a liberdade da revivificante força da vida, tão generosamente dada a toda a criação. A melodia entoa o poder protetor do Pai, dando sentido a toda a criação concedendo a vontade necessária para fazê-la fruir nesse sentido. As incitantes palpitações desta música silenciosa entoam o harmonioso chamamento de amor de Cristo, envolvendo tudo o que se encontra dentro da Sua amorosa proteção, do ser mais elevado ao mais humilde, a todos igualmente saudando: “Vinde a mim, todos vós que lutais e suportais uma pesada carga, e Eu vos darei repouso… Pois o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

Há, também, um movimento rítmico para diante que por toda a parte demanda ação, expressando-se por uma ordenada manifestação. Criação por toda a parte, criações novas e aperfeiçoadas substituindo o que é velho e já não tem valor na economia da natureza — vibração rítmica, incessante, avançando sempre em frente, sempre construindo tudo o que existe.

Mas escutai! Gradualmente, o tema sinfônico vai-se modificando; o tom é mais elevado, mais coercivo; arrebata e redemoinha; subitamente, a força da vida despertada em seres adormecidos brota impetuosamente num glorioso panorama de cor, vida e beleza, enquanto os negros portais da prisão da Terra se abrem de par em par, e se ergue um Cristo radioso para saudar a nascente órbita do dia. Manhã de Páscoa, e o prelúdio à vida renovada entoada pelos espíritos da natureza vão-se modificando enquanto o Cristo vivo começa lentamente a elevar-se.

A música, suave e lenta, ganha volume e tempo, enquanto as hostes angélicas, que literalmente enchem o ar permeado de Éter, se lhes sobrepõem. Soa uma oitava mais alta, e o poder, beleza e ação da música intensificam-se, sem, todavia, perder nada de delicadeza da execução.

O tema, flutuando em frente e para cima, sugere um sentimento de delicadeza, adaptabilidade, inocência, bondade, paz, amparo afetuoso, tudo qualidades inatas das hostes angélicas, delas fluindo em sons musicais, vibratórios, entrelaçando-se em inúmeros desenhos formados pela combinação de harmoniosos sons.

Desejaríamos deter-nos aqui e sentirmo-nos parte de toda esta maravilhosa harmonia, mas já uma modificação se opera no tema sinfônico. O Espírito Cristo chegou ao Mundo Celestial e as hostes arcangélicas cercam-No de um harmonioso poder vibratório que agita a alma e que se expressa em inúmeras cores que coruscam e cintilam com uma estonteante rapidez, formando indescritíveis desenhos de formas celestiais. Aqui, o som torna-se cor, e a cor torna-se som, interpenetrando-se e intercambiando-se num todo vasto, vibrante, que glorifica e vivifica todas as coisas tocadas pelo seu incessante movimento. A avassaladora sinfonia se expressa agora em formas de arte, altruísmo e filantropia, em tão estranhas cores e sons como só esta tão elevada região pode produzir. Esta música desenvolve no individuo a capacidade artística enquanto se encontra neste Primeiro Mundo Celestial, entre as encarnações no plano físico, despertando o altruísmo, expresso em filantropia.

Não obstante sentirmo-nos já maravilhados, o grande Espírito Cristo eleva-se mais alto, e alcança a região da pura música, o Segundo Mundo Celestial, onde são feitas as formas arquetípicas de tudo o que existe neste mundo, por meio do poder e harmonia incorporados na Palavra de Deus. Aqui, os sons vibratórios da Música das Esferas introduzem na grande sinfonia o seu poder construtivo e as suas harmonizantes vibrações, e o alcance do tema aumenta, indo para além do espaço ilimitado, glorioso, supernal, divino, transformando ideias em formas e colocando notas tônicas da grande escala arquetípica, de acordo com as missões que lhes são destinadas. Aqui, por meio do poder incorporado na Palavra, padrões vivos, vibrantes, não só constroem, mas também sustêm todas as formas materializadas do mundo físico.

Enquanto nós, sustendo a respiração, ouvimos e meditamos no estupendo alcance do plano divino, o grande Espírito eleva-se ainda mais alto, e os poderosos sons fundem-se numa grande, gloriosa unidade, no mundo de Cristo, a Região do Espírito da Vida, e num esmagador, supernal acorde musical, ouvimos a voz de Cristo ascendido, a personificação do amor, proferir, em tons da mais suave música celestial, “Consummatum est” (Foi consumado). E, enquanto as últimas e arrebatadoras notas flutuam para além do espaço visível, aparece uma visão apenas vista pelos seres humanos bons. É o glorificado, compassivo Cristo, penetrando na Região do Espírito Divino, o verdadeiro lar do Pal. Quem, vendo-O ao longe, for ao Seu encontro, certamente louvará as palavras encantadas: “Tu és o meu amado Filho, no qual eu tenho muita satisfação”.

Insuspeita por muitos, no alto do Pai, uma melodia ainda mais sublime se faz ouvir, em preparação para ser trazida à Terra por Cristo no seu próximo momentoso regresso, por altura do Natal, para aqui desprender novamente o seu formidável poder construtivo, beneficiando todas as criaturas. Se esta harmonia celestial deixasse de vibrar por um só momento, todo o Sistema Solar seria destruído, mas tal não pode suceder, pois a sinfonia celestial é tão duradoura como o próprio Deus. A Palavra musical criadora e a harmoniosa enunciação de cada sílaba consecutiva é que marcam os sucessivos graus na evolução do mundo e do ser humano.

Além disso, quando a última sílaba tiver sido pronunciada e a Palavra completa tiver soado, teremos alcançado a perfeição como seres humanos e uma duradoura união com o Criador do plano divino, para nos tornarmos membros permanentes do grande coro orquestral cujo Diretor e Guia é Deus. Então, não só ouviremos a música divina, melodiosa, infinita, como seremos também um em verdade com o grande e harmonioso poder criador de Deus.

Poucos conhecem o fato de que o poder e a harmonia da Música das Esferas são a base de toda a evolução. Sem ela não existiria progresso. Poucos são que presentemente compreendem que uma vez os ouvidos humanos se tenham sintonizado com essa grande sinfonia celestial, o ser humano terá a “chave” de todo o progresso, e a sinfonia anual da Páscoa será para ele uma alegria antecipada, demasiado grande para ser expressa por palavras mortais. Então, verdadeiramente, o seu eu espiritual proclamará: “Glória a Deus nos céus”.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de março/72 – Fraternidade Rosacruz – São Paulo – SP)

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Algumas Correlações do Signo de Leão

SIGNO: Leão, o leão

 QUALIDADE: fixo; ou consciência dirigida regular e consistentemente para estabelecer um centro estável.

ELEMENTO: fogo; ou um entusiasmado e inspirado estado de consciência. Entre outras coisas, o elemento fogo corresponde ao Éter, o Corpo Vital, a Região Etérica do Mundo Físico e o Tríplice Espírito.

NATUREZA ESSENCIAL: coragem

ANALOGIA FÍSICA: incandescência, fluorescência e outras formas de energia radiante.

PLANETA REGENTE: O Sol. Porque ele é capaz de expressar suas funções mais facilmente livremente quando ele está situado nesse signo. O Sol representa o ímpeto para expressar a individualidade, para experimentar um senso de propósito e o esforço para o crescimento pessoal.

CASA CORRESPONDENTE: a 5ª casa corresponde a Leão e representa o desejo para confidenciar e a confiabilidade com respeito à própria consciência e à capacidade de ser determinado.

ANATOMIA ESOTÉRICA: representa o Espírito de Vida.

ANATOMIA EXOTÉRICA: específica: coração, pericárdio, região dorsal, aorta e a veia cava inferior e superior e pons varoli. Geral: as costas, medula espinhal e coluna vertebral, o sangue e o sistema circulatório, o sistema glandular e endócrino e os órgãos do corpo.

FISIOLOGIA: Governa o processo fisiológico da circulação sanguínea; a manutenção da temperatura constante interna do corpo; a distribuição dos recursos de energia do corpo e a distribuição do fluído etérico (do Sol) que entra no corpo por meio do baço.

TABERNÁCULO NO DESERTO: representa o Candelabro de Sete Braços que se encontrava na Sala Leste do Tabernáculo. O Candelabro de Sete Braços simboliza os Sete Espíritos diante do Trono. Indica a luz do conhecimento e do entendimento sobre o Plano de Evolução que guia o aspirante espiritual para que sirva mais eficazmente no seu ambiente.

MITOLOGIA GREGA: Dois primitivos deuses solares são Apolo e Hélios. Hélios foi o deus que dirigiu sua carruagem flamejante sobre o arco do paraíso todos os dias, fornecendo a luminosidade e o aquecimento para os habitantes da terra. Apolo continha dentro de si, muitos atributos diferentes, simbolizando a síntese das forças no Sol e indicando as muitas facetas do Espírito quando em manifestação. Ele era o deus da música, da arte, da ciência, da profecia, da educação e do valor físico.

CRISTIANIDADE CÓSMICA: Enquanto o Sol está em Leão, o Espírito de Cristo está reconstruindo o Seu veículo Espírito de Vida e imbuindo dentro dele com o poder que Ele deve trazer para a Terra no próximo ano. Nesse tempo do ano nós podemos glorificar a Deus pelos nossos afazeres, demonstrando nossa apreciação do Seu Amor através de um esforço extra para transformar nossos elevados ideais em realidades concretas. Agora é o tempo para reafirmar nosso propósito na vida em ser um servo útil na vinha do Cristo.

LIÇÃO A APRENDER: A fim de perceber os altos potenciais da influência positiva (generosidade, honrável, aberta, liderança) de Leão e evitar o desenvolvimento das negativas (orgulho, desrespeito, arrogância) o cultivo da modéstia e da humildade é essencial. Não somente aparecer modesto, mas ser verdadeiramente modesto. Toda glória deve ser dada a Deus, percebendo que não importa o quão grande nós podemos parecer para nós mesmos, há sempre aqueles que são muito maiores e que mesmo com nossos melhores esforços não somos capazes de servir a Deus eficazmente nem por um dia sequer. Deve procurar desenvolver o discernimento e o cuidado em gastar energias a fim de diminuir a tendência a ser ineficaz e indolente em seus esforços.

(traduzido da Revista: Rays from the Rose Cross – jul/77 pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)