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Jonathan e o Anjo

Jonathan e o Anjo

Jonathan não era exatamente medroso, mas, por outro lado, não era muito corajoso. Estava profundamente adormecido quando, de repente, pareceu-lhe ouvir uma música. Sentou-se a tempo de ver seu irmão e os outros pastores descendo a montanha apressadamente em direção à pequena cidade de Belém. Por que estavam indo a Belém a essa hora da noite? — E, se ele tinha que ficar sozinho para vigiar as ovelhas, eles não deveriam tê-lo avisado?

Então, Jonathan percebeu que havia muitas luzes no céu e que a música, que ele pensava ter ouvido em sonho, ainda continuava. Uma música como ele jamais havia ouvido — parecia ser acompanhada de centenas de vozes e era ao mesmo tempo tão doce e suave, que teve vontade de chorar. Mas que tolice! Ele tinha sete anos e certamente não chorava mais.

Entretanto, alguma coisa estava acontecendo que ele não podia entender. Sabia que era noite, mas o que eram todas aquelas luzes vibrando em todos os lugares, principalmente bem em cima de Belém? E de onde vinha aquela música?

As ovelhas não estavam agitadas, mas elas também estavam acordadas. Elas estavam deitadas, de olhos abertos e pareciam escutar a música. Elas, entretanto, não ficariam em silêncio por muito tempo, não com todas aquelas coisas estranhas acontecendo. E quando começassem a perambular, o que ele faria? Por que, oh, por que ele tinha importunado tanto seu irmão para que o trouxesse para as montanhas com os outros pastores? Ele era muito novo para ser pastor. Seus pais haviam dito isso e eles tinham razão. Agora, seu irmão e os outros tinham ido embora para, provavelmente, dar-lhe uma lição.

De repente, Jonathan sentiu seu coração quase parar de bater. Bem na sua frente, surgindo do nada, estava…estava um Anjo! Ele nunca tinha visto um Anjo antes, mas sabia que aquilo era um Anjo. Era alto, vestido todo de branco, com uma linda luz cor de pêssego reluzindo ao seu redor. Seu rosto era sério, mas tão bondoso que imediatamente Jonathan teve vontade de contar-lhe seus problemas.

Então, o Anjo sorriu e pronunciou umas palavras com voz tão profunda e suave, que parecia estar cantando e não falando:

— Seu irmão e seus amigos foram a Belém para ver algo muito bonito. Você gostaria de ir também, Jonathan?

— Sim – sussurrou Jonathan – mas e as ovelhas — ele começou a falar.

— As ovelhas estarão seguras. Venha, meu filho.

E o Anjo desceu o atalho que levava até a vila. Jonathan correu atrás dele e o alcançou, e ficou olhando para Seu rosto. O Anjo não disse nada, mas sorriu para o menino carinhosamente, com tanta beleza e amor, que Jonathan sentiu como se quase pudesse voar, de tão feliz que estava.

Juntos, eles desceram a montanha e atravessaram as estreitas e curvas ruas da vila, passando pelas lojas dos tecelões, pelos lugares onde se vendiam ervas cheirosas, pelo lugar onde se guardavam os camelos, pela loja do homem que fazia tendas e pela árvore sob a qual o velho Malaxai, o escriba, sentava-se todos os dias lendo e escrevendo cartas para as pessoas da vila.

Finalmente, eles chegaram ao outro lado da vila e a luz que tremulava pareceu-lhes ainda mais brilhante. Ali existia uma gruta onde os estrangeiros que ficavam na hospedaria guardavam seus animais. A gruta estava iluminada como se o Sol estivesse brilhando dentro dela. Parecia haver algumas pessoas, mas estava muito silenciosa. Nada podia ser ouvido, exceto a música que não cessava.

Jonathan viu seu irmão e os outros pastores ajoelhados e silenciosos. Viu também pessoas desconhecidas ajoelhadas. E viu que havia algumas vacas, ovelhas e um enorme cachorro que pertencia ao dono da hospedaria. Os animais estavam deitados e eles também estavam muito quietos.

Então, Jonathan viu um homem em pé no meio da gruta. Ele era alto e distinto, tinha cabelos pretos e barba longa. Não era um homem grande, mas parecia muito forte. Tinha na mão um bastão, que geralmente as pessoas que costumavam andar muito, usavam, mas não parecia apoiar-se no bastão.

Perto dele estava sentada a senhora mais bonita que Jonathan já havia visto. Seu rosto era jovem e radiante, seus olhos brilhantes e ternos e a luz brilhava fortemente à sua volta.

Na frente deles, no chão, havia uma manjedoura onde usualmente a comida do gado era posta. Nessa manjedoura, num berço de palha, estava deitada uma criança. E, de repente, Jonathan percebeu que era por causa dessa criança que as luzes estavam brilhando, que a música estava tocando e o Anjo o havia levado lá.

O bebê estava acordado, deitado quietinho, com seus olhos abertos, sorrindo para sua mãe — pois aquela linda senhora certamente era sua mãe — estendendo sua mãozinha para ela que lhe deu o dedo para segurar.

Sem saber exatamente por quê, Jonathan ajoelhou-se no chão na frente da manjedoura. O Anjo veio, parou a seu lado e disse baixinho numa voz terna:

— Este é o Menino Jesus. Maria e José são seus pais. Um dia, quando o pequeno Jesus crescer e for adulto, o grande Espírito Cristo vindo do Sol descerá, entrará nele e ele se tornará o Salvador do Mundo.

O Anjo afastou-se, mas Jonathan continuou ajoelhado. Não estava certo de ter entendido exatamente o que o Anjo quis dizer. Mas entendeu que Deus havia enviado aquela criança como um presente para ele, para seu irmão, para as pessoas da vila — enfim, para todas as pessoas do mundo. E que, por causa daquela criança, o mundo seria um lugar melhor e mais feliz para todos morarem nele.

Então, o bebê virou a cabecinha olhou para Jonathan e sorriu. Jonathan também sorriu, estendeu a mão e tocou de leve a madeira da manjedoura. Em seguida, um pouco assustado com o que tinha feito, tirou rapidamente a mão e ficou em pé, olhando para a mãe da criança.

— Estou contente por você ter vindo – ela disse com amor, exatamente com a mesma expressão de ternura que sua mãe o olhava sempre.

— E eu estou contente por ser um pastor essa noite e ter visto o bebê – disse Jonathan.

Ele se virou e foi saindo lentamente da gruta. Quando ele voltou para a vila, o Anjo apareceu de repente a seu lado:

— Voltarei para a montanha com você. Assim poderá dormir em paz quando chegar lá. Nada acontecerá às ovelhas nessa noite.

Eles andaram silenciosamente pelas ruas de Belém e Jonathan começou a perceber que, ao passar pela casa de pessoas conhecidas, pensava nelas com amor. Ele amava de fato todas as pessoas da vila e não se importava mais por Levi ter-lhe jogado uma pedra no outro dia, nem por seu irmão, às vezes, puxar o seu cabelo ou xingá-lo. Essas coisas não eram importantes. O importante era que todos aprendessem a amar-se uns aos outros e assim não haveria mais sofrimento no mundo. E Aquela Criança tinha vindo para dizer isso a todos.

Quando alcançaram o topo da montanha, Jonathan estava com muito sono. Sabia que devia dizer algo gentil ao Anjo e agradecer-Lhe por tê-lo levado para ver a criança, mas antes que pudesse falar alguma coisa, o Anjo disse:

— Agora, deite-se e durma Jonathan. Pela manhã, haverá um lindo nascer do Sol.

Jonathan deitou e cobriu-se com o cobertor. Logo adormeceu, mas, durante toda a noite, ouviu a música divina e viu a luz abençoada brilhando sobre Belém. Ele e suas ovelhinhas estavam seguros na companhia dos Anjos.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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As Três Cidades Que Hospedaram o Cristo

As Três Cidades Que Hospedaram o Cristo

Três pequenas cidades podem orgulhar-se de haver hospedado o Cristo — a maior Luz que a Terra jamais conheceu: Belém, Nazaré e Cafarnaum.

Cafarnaum significa “cidade do Consolador”. Ficava no território da tribo de Neftali, limítrofe do da tribo de Zabulon. Mateus aproveita-se disso para aplicar a Cristo o trecho de Isaías (8:23 a 9:1): “No passado, o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali. No futuro, glorificará o caminho do mar, a outra margem do Jordão e a Galiléia dos gentios: o povo que caminhava nas trevas viu grande luz; sobre os habitantes da terra das sombras uma luz brilhou”.

O “caminho do mar” ia de Damasco ao Carmelo, através do Jordão (também chamada “Peréia”, do grego peran, que significa “além”, e que hoje é denominada “Transjordânia”).

A Galileia dos gentios é a cidade de Cafarnaum, porque nela havia grande mistura de judeus e gregos e constituía um forte entreposto comercial, com ligações por terra e mar com os distritos circunvizinhos e que demandavam Horã, Tiro, Sidon, Síria e Egito. Daí serem tidos os cafarnaitas, pelos ortodoxos da Judeia, como “livres-pensadores” e como “heréticos sincretistas”. Mas justamente por isso o terreno era fértil para a pregação de Cristo, com almas sinceras, sem hipocrisia, podendo manifestar livremente suas crenças.

Dentre as interpretações bíblicas, a que se relaciona com a Astrologia espiritual diz que Jacó tinha 4 esposas (Lia, Raquel e suas Amas) que representam as 4 fases da Lua. Com elas gerou 13 filhos, sendo uma filha, Diná, que representa o único Signo feminino: Virgem. Dois filhos, Simeão e Levy, representam o Signo de Gêmeos; e os demais 10 filhos, os outros Signos do Zodíaco. A região de Neftali está ligada a Capricórnio; Neftali era um dos filhos de Jacó, representado por uma corça que partia em corrida até vencer um ano (iniciado pelo Solstício de Dezembro). Deduzimos, pois, dentro dessa simbologia, que Neftali era um lugar de provas, de séria concentração, de análise, atributos saturninos valiosos na evolução espiritual.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977)