Arquivo de tag Anjo Gabriel

poradmin

Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Ao treinar suas crianças (os da onda de vida humana), nosso Criador colocou-as sob os cuidados de sete Mestres, cuja missão é aplicar as leis governando o universo, cuidando para que todo ser humano viva, seguindo-as. Os Planetas são os corpos visíveis desses grandes mestres, ao redor do Trono de Deus ministrando à humanidade sob sua direção suprema. Irradiam-nos influências conforme as merecemos. Não há mal algum no bom universo de Deus. O que assim parece-nos é devido à nossa percepção imperfeita.

Todas as coisas da natureza tendem a um movimento progressivo, para o alto e para a frente, culminando num afastado “Evento Divino”, conforme planejado pelo originador. Um exame do simbolismo dos Planetas e seus mútuos aspectos (a cruz, o quadrado, o compasso, o círculo, o semicírculo) nos revelarão grandes lições quanto à missão dos Planetas relativamente à humanidade. Os Espíritos Planetários lidam com a humanidade através de seus embaixadores; estudaremos resumidamente suas finalidades.

O Sol é o centro e o coração do inteiro sistema, portanto, é análogo ao coração humano. Seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Miguel. Seu símbolo é o círculo, sinal do espírito, indicando nossa natureza essencial. Sua palavra-chave é Vida, e sua missão para o ser humano é proporcionar-lhe individualidade, lembrá-lo de sua ancestral realeza, sua descendência divina, e torná-lo consciente de seus poderes adormecidos, aguardando o toque do mestre a despertá-los para a vida. Ele cria a consciência “EU” e torna-nos donos de nós mesmos e do mundo externo.

O segundo na ordem desde o centro é o belo Mercúrio, tão próximo do Sol que diz estar no colo do Pai. É o Mensageiro dos Deuses, e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Rafael. Seu símbolo é o círculo do espírito com o sinal da alma, um semicírculo em cima, e o sinal da matéria, uma cruz, embaixo. Sua influência é da maior potência na atual fase da evolução humana, como se vê de sua palavra-chave Razão. Sua missão é cultivar no ser humano essa faculdade e assim ampará-lo a emancipar-se dos grilhões da matéria, sob os quais está debatendo-se agora; é ajudá-lo a reunir conhecimento e ganhar crescimento anímico pela observação, evitando, assim, experiências penosas. Desenrola-nos as maravilhas da natureza e de nós mesmos e entrega-nos a chave do armazém da sabedoria do mundo. Ele inicia seus pupilos fiéis nos ensinamentos arcanos sublimes, e treina-nos no cultivo da omnisciência escondida em nós.

Na sequência temos a bela Vênus, cujo embaixador para a Terra é o Arcanjo Anael. O símbolo dela é o do espírito (círculo) sobrepondo-se à matéria (cruz), indicando assim a conquista do evanescente por parte do eterno. É chamada a Deusa do Amor, sua suave influência desperta-nos para a realização da ligação unificadora entre todos os membros da humana família, estejam em quais relacionamentos estiverem. Com laços de seda ela prende homem com homem, e homem com mulher, em traços afetivos. Sua palavra-chave é, portanto, Coalizão. Ela acende e mantém dentro do coração humano o amor que vive querendo servir e aliviar os sofrimentos humanos pela harmonia, beleza e música.

O dominador Marte envia seu raio de fogo desde além da órbita de nossa Terra, tendo-nos dado o fogo e o ferro. Sem ele a humanidade careceria de empreendimento e energia vitoriosa. O orgulho dominante que não se detém diante de obstáculos, e as forças ousadas e batalhadoras construtivas, continuamente realizando tarefas de progresso, devem seu nascer à interferência dos espíritos Lucíferes habitantes de Marte. Seu embaixador é o Arcanjo Samael. O símbolo de Marte é a cruz sobre o espírito, indicativo da sujeição ao chamado da natureza superior, do espírito egoísta, autoafirmativo, do Ego inferior. A palavra-chave é Energia. Ele desperta no ser humano as paixões inferiores: desejos, ira, orgulho e egoísmo, mas contribui para o instinto criador do ser humano.

Circulando em sua órbita, além de Marte está o gigante Júpiter, o dador de presentes, e o Deus favorito de toda humanidade. Seu embaixador é o Arcanjo Zacariel, e seu símbolo é o sinal da alma (semicírculo) sobre a cruz da Matéria mostrando a essência sublimada extraída da experiência na escola da vida. Sua palavra-chave é Expansão. Ele inclina o ser humano a altos ideais, nobreza de caráter, filosofia e religião. É o espírito do otimismo, opulência e generosidade.

Sob seu raio beneficente a humanidade vive em abundância, mas Júpiter é também um refinador. Castiga suas crianças para que sejam mais merecedoras de sua benevolência. Esse aspecto de Júpiter está bem ilustrado por Shakespeare, o grande iniciado-poeta e mestre astrólogo, em seu drama místico Cymbeline. Leonatus Posthumus, condenado a morrer no dia seguinte, dorme em sua cela. Sonha que o Deus Júpiter desce montado numa águia e coloca uma placa em seu peito. Ele ouve uma conversação entre o Deus e seus finados pais, e, em resposta à súplica dos pais no sentido de que fosse libertado o filho querido deles, o Deus responde:

“Quem eu mais amo, puno como dádiva,

Quanto mais tarda, mais deleita.

Estejam contentes;

Vosso abatido filho será erguido pela nossa divindade,

Seus confortos em prosperidade, suas provas bem aproveitadas,

Nossa estrela jovial reinava ao nascer dele”.

O Júpiter é também chamado o Trovejador pela mitologia grega. Com seu potente martelo força a natureza inferior para refinadas formas de amor e compaixão.

O assustador (aparentemente) Saturno, ou Satã das escrituras, o poderoso ministro da justiça de Deus, paira com ampulheta e foice. Com rigorosa justiça, seu toque de piedade, pontual, ceifa altos e baixos, bons e maus, quando cada um tiver gastado sua areia. É chamado Velha Dama e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Cassiel. É simbolizado pela cruz sobre o semicírculo mostrando as limitações por ele impostas sobre a aspiração humana. Sua palavra-chave é Contração. Toda demora, desapontamentos e derrotas devem ser atribuídas a seu raio. Contudo, detenham-se de maldizê-lo. No livro de Judas, o Anjo Miguel quando tentado a repreender Satã, declara ser ele um poderoso ministro de Deus sendo-lhe devida reverência.

Na imortal obra-prima de Goethe, Fausto, Mefistófeles, a encarnação humana de Satã, declara-se espírito de negação, que embora planejando o mal executa, contudo, o bem. Essa é uma ilustração apropriada de seu caráter. A missão de Satã é pôr obstáculos no caminho da humanidade, a qual, sob a benéfica influência dos outros astros viveria em conforto e luxo, não se aplicando ao cumprimento de suas particulares missões na vida, que são experiências e crescimento anímico. Saturno é o freio da roda suave da vida. Alterando a metáfora, seu chicote desperta o ser humano para o dever, para a verificação das necessidades de seus semelhantes, da natureza evanescente de toda riqueza e glória terrenas. Ele é o amigo dos que renunciam ao mundo. Por suas tendências obstrutivas, ensina-nos: mentalmente – concentração, cautela, previsão e diplomacia; moralmente – autocontrole e castidade; fisicamente – método, ordem e sistema.

Nosso satélite Lua circula-nos próxima e os raios dos já mencionados Planetas hão de por ela passar para chegarem ao nosso contato. Portanto, a Rainha da Noite é o Astro da fecundação. Ela fertiliza, pela geração, as influências benéficas ou maléficas irradiadas pelos deuses superiores. Portanto, sua missão é de grande importância, e a posição por ela ocupada num horóscopo deve ser bem revelada. Seu embaixador é o Anjo Gabriel, cuja missão mencionada nas Escrituras é anunciar o nascimento de Espíritos no plano terrestre. Sua palavra-chave é Fecundação, ela governa a concepção, gestação e nascimento. Todas as funções femininas estão sob sua lei.

Os sete Planetas (considerando-se a Lua) já estudados relacionam-se com o crescimento do ser humano e sua perfeição na escola da vida. São nossos mestres que moldam nosso caráter para conformá-lo aos requisitos das leis evolutivas. O mundo é um enorme disco de polir pelo qual o diamante bruto, o ser humano não desenvolvido, é multifacetado e polido para assim dar brilho em sua glória, irradiando cores belas de seu coração ardente.

Mas após um longo período de submissão às forças externas, ao Espírito do ser humano, escolado e polido em renascimentos sucessivos, aparece-lhe um Mestre superior aos antes conhecidos: seu nome é Urano e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Ituriel. Urano é chamado o Despertador. Seu símbolo é o sinal da alma dupla, juntas por laço indicando a comunhão de Espíritos, que é sua alta missão concretizar. Sua palavra-chave é Altruísmo, o amor altruísta, acima do sexo — amor que é sacrifício, expiação e autoimolação em favor dos outros; amor que dá pelo prazer de dar e sofre pelo bem do semelhante. Urano desperta o Espírito adormecido para a conscientização de sua origem de realeza, nele instila o “Descontentamento Divino”, solicitando-lhe a nova aspiração e empreendimento; depois disso a duração da escravidão para o Ego terminou. Desde a infância espiritual sob a guia de professores, brotou o espírito para “Estado Adulto” espiritual. Não mais está agrilhoado por leis, mas é uma lei em si. Saturno é quem dá as leis, e Urano é mencionado como pai dele. Sob a influência de Urano o ser humano se ressente de toda restrição, hábitos, regras, regulamentos, proporcionados sob o regime de Saturno. Ele torna o ser humano consciente de seu Ego imortal divino. Mostra ser o indivíduo um eterno escolhedor, que dentro dele está a prerrogativa divina, o livre arbítrio, e que nada na natureza pode acorrentá-lo, obstruí-lo ou limitá-lo

Ella Wheeler Wilcox descreve esse estado nos bonitos versos:

“Não há Planeta, Sol ou Lua, fraco

Ou Signo zodiacal que possa controlar

o Deus em nós. Se nos utilizarmos disso

sobre os eventos, os amoldaremos segundo nossa vontade”.

Urano, portanto, é nosso amigo que nos guia da servidão da matéria para a liberdade do espírito; guia-nos do jardim da infância de Deus, a Terra, dando-nos admissão à universidade do universo; guia-nos de sermos os pupilos obedientes de Deus para amigos e iguais. As forças sublimes do Espírito Humano que realizam essas maravilhas são amor e altruísmo. Urano representa o princípio Cristão dentro de nós. Ele é o iniciador do ser humano para o de “ser super-humano”, Mestre e Adepto.

Isto, em resumo, é o papel de nossos mestres planetários, embora em sua atual ignorância, a humanidade não se dá conta das infinitas capacidades latentes em desenvolvimentos à espera. Bom pode o poeta, desperto à sublime consciência de tais capacidades, declamar:

“Senhor de mil mundos sou Eu,

E reino desde o começo dos tempos;

E noite e dia em ciclos passarão

Enquanto Eu assimilo seus feitos,

E o tempo cessará antes que eu encontre libertação,

Pois, Eu sou a Alma do Homem”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – nov/dez/88)

poradmin

As Chaves do Céu

As Chaves do Céu

Era uma vez um rei muito poderoso, que governava muitas terras. Todos os tesouros da Terra eram dele e todos os dias ele brincava com pedras preciosas de Ofir[1] e com rosas de Damasco, como se elas fossem ninharias. Todavia, com toda sua riqueza, ele não tinha uma coisa: “As Chaves dos Portões do Céu”.

Ele havia enviado milhares de mensageiros pelo mundo a fim de descobrir as Chaves do Céu, mas ninguém foi capaz de trazê-las. A todos os sábios que vinham à sua corte, ele perguntava onde as Chaves do Céu poderiam ser encontradas, mas ninguém sabia a resposta.

Um deles, um homem que veio da Índia, com olhos estranhos, sorrindo, colocou de lado as pedras preciosas de Ofir e as rosas de Damasco com as quais o rei estava prestes a brincar, e disse-lhe que todos os tesouros da Terra poderiam ser possuídos como um presente, mas, as Chaves do Céu, cada um deveria encontrar por si mesmo.

Então, o rei decidiu encontrar as Chaves do Céu, custasse o que custasse. Esta era uma época em que a humanidade era capaz de ver o lugar onde o céu se encontrava com a Terra e todos conheciam a alta montanha, no cume da qual tinham sido construídos os portões do céu. O rei ordenou que seus cortesãos permanecessem em casa e começou a subir a íngreme montanha, até que alcançou os portões do céu. Diante dos portões, cujas muralhas estavam inundadas pelo brilho do Sol, permanecia o Anjo Gabriel, o guardião do eterno jardim de Deus.

— Ser glorioso, disse o rei, todos os tesouros da Terra são meus. Muitas são as terras que têm que me pagar impostos e eu me divirto brincando com as pedras preciosas de Ofir e com as rosas de Damasco. Porém, não me sentirei feliz até que tenha comigo as Chaves do Céu. Se não for assim, como esses portões poderão se abrir para mim, algum dia?

— Isso é bem verdade – disse o Anjo Gabriel – sem as Chaves do Céu você nunca abrirá seus portões, mesmo que possua todas as artes e tesouros da Terra! Mas, tantas são as Chaves do Céu! Elas podem ser encontradas em cada florzinha, quando é primavera na Terra e na alma de cada criatura.

— O que! Exclamou o rei surpreso. É só isso que tenho que fazer, só juntar essas pequenas flores? Os vales e as florestas estão cheios delas e em todo o lugar que você for, você pisa sobre elas.

— É verdade que as pessoas esmagam muitas dessas lindas flores sob os pés, disse o Anjo. Entretanto, encontrar as Chaves não é tão fácil como pode parecer. Há apenas três chaves que podem abrir os portões do céu e todas as três somente serão suas se brotarem a seus pés — e para você. Todas as outras milhares de prímulas que brotam na Terra e que no reino das Fadas são conhecidas como as Chaves do Céu, servem apenas para relembrar os seres humanos de fazer florescer às verdadeiras Chaves do Céu, pois estas são as flores sobre as quais todos estão pisando.

Neste momento, apareceu uma criança diante dos portões do céu segurando três pequenas chaves em sua mão. As flores exalavam uma fragrância deliciosa nas mãos da criança. Enquanto ela tocava os portões do céu com as três chaves, esses se abriram e o Anjo Gabriel a conduziu para dentro. Mas, os portões fecharam-se novamente e o rei permaneceu sozinho diante dos portões fechados. Então, desceu pensativamente a montanha em direção à Terra e, em todos os lugares, os campos e os prados estavam cheios das mais belas e douradas Chaves do Céu. O rei tomou muito cuidado para não pisar sobre elas, mas nenhuma das flores brotou aos seus pés.

– Será que não conseguirei achar as verdadeiras Chaves do Céu, o rei perguntou a si mesmo, quando uma criança pode encontrá-las?

Mas, ele não as encontrou e muito tempo se passou.

Um dia, quando estava saindo de seu Castelo acompanhado pelos seus cortesãos e em todo seu esplendor, uma criança suja e rejeitada, que não tinha pai nem mãe, estava pedindo esmolas no caminho.

— Ah, mande-a pedir esmolas em outro lugar, disseram os servos, puxando-a de lado quando ela se aproximou do rei com as mãos estendidas.

Mas o rei puxou para si a criança. Todos esses anos desde que havia descido da montanha, ele havia pensado muito sobre as Chaves do Céu. Então, ele levantou a criança e colocou-a diante dele, sobre seu cavalo, e a levou para o castelo. Quando chegou à casa ordenou que a criança fosse alimentada e vestida; ele mesmo a auxiliou e a enfeitou, colocando uma pequena coroa sobre sua cabeça.

De repente, floresceu aos seus pés uma pequena Chave dourada do Céu. Então, o rei proclamou que em todo o seu reino, todos os pobres e todas as crianças seriam seus irmãos.

Muitos anos se passaram. Um dia, o rei cavalgava pela floresta com seus nobres. Vendo um lobo doente e ferido, ele desmontou e descobriu que o animal estava desamparado e impossibilitado de se mover.

— Oh, deixe-o morrer, disseram os cortesãos, pondo-se entre o rei e a miserável criatura.

Mas o rei pegou o pobre animal e o colocou em uma das carruagens e, quando chegou ao seu lar, carregou-o em seus braços para o palácio. Cuidou dele diariamente até que lhe devolveu a saúde e, desde esse dia, o lobo o seguia por todos os lados. Então, brotou a seus pés a segunda Chave Dourada. Daí para frente, o rei declarou todos os animais viventes em seu reino, como seus irmãos mais jovens.

Passaram-se mais alguns anos e um dia, andando pelos jardins do palácio, o rei regozijava-se ao admirar as plantas e flores raras, tão artística e zelosamente cuidadas e nutridas, o que tornava seu jardim o mais belo de toda a nação. Olhando para baixo, o rei viu, à beira do caminho, uma flor de aparência feia, quase murcha pela ação do Sol, suas folhas cheias de pó decaídas, com sede.

– Vou buscar água, disse o rei.

Mas o jardineiro o reteve.

— É feia como erva daninha, ele disse. Deixe-me arrancá-la e queimá-la. Não há lugar para ela em seu jardim, com todas essas flores maravilhosas.

Mas o rei, pegando seu capacete dourado, encheu-o com água fresca da fonte e o levou para a planta. A planta bebeu a água e começou a respirar, a viver e a florescer novamente.

Então, a terceira Chave do Céu floresceu aos pés do rei, enquanto a pequena mendiga e o lobo olhavam para ele. O rei, olhando para a montanha, viu os portões do céu se abrirem amplamente e na luz radiante do Sol estava o Anjo Gabriel e a pequena criança que há muito, muito tempo já havia encontrado o caminho do céu.

As três Chaves do Céu ainda hoje florescem e brilham mais e são mais belas que todas as pedras preciosas de Ofir e todas as rosas de Damasco.

[1] Ouro de Ofir era um tipo de ouro da mais alta qualidade, que podia ser encontrada em uma região chamada Ofir. Esse ouro era muito puro e muito raro. Por isso, o ouro de Ofir se tornou símbolo de raridade e preciosidade.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. III – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)