“E a Verdade vos Libertará”: como utilizar esse Ensinamento no seu dia a dia

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“E a Verdade vos Libertará”: como utilizar esse Ensinamento no seu dia a dia

“E a Verdade vos Libertará”: como utilizar esse Ensinamento no seu dia a dia

Algum tempo atrás tive o privilégio de discutir com você sobre o tema “A Nota Chave do Cristianismo” e, no decorrer dessa conversa, evocamos diante de nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, onde a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para esse quadro de novo.

Lá está Pilatos, o representante de César, e em virtude desse fato, uma personificação do mais alto poder temporal, um governante de todo o Mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. E perante ele está o Cristo, manso e humilde, porém muito maior, pois enquanto este homem, Pilatos, tem poder sobre o Mundo atual, que é evanescente e temporal, ele próprio está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião ele disse “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” e “A Verdade vos libertará”.

Não se pode negar que estejamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto, como encontrar a verdade que real e verdadeiramente nos libertará; com o objetivo de encontrar o caminho vamos dar uma olhada no início dos tempos, quando a humanidade infantil veio à Terra pela primeira vez. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do planeta esfriou; ao olharmos para esta época, como retratada na memória da natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra, onde agora está o Oceano Atlântico. Na verdade, era um verdadeiro jardim, porém a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la e a humanidade infantil vivia neste paraíso como os filhos do Grande Pai.

Eles tinham corpos nessa época como temos agora, mas não estavam cientes deles, embora fossem capazes de usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estar conscientes disso. E embora não pudessem ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim, eles viam uns aos outros, alma a alma; não havia dolo nem hipocrisia e a verdade estava com todos.

Gradualmente, no entanto, a névoa se dissipou e acumulou em uma enorme nuvem ao redor da Terra. Simultaneamente, esses filhos da névoa começaram a se ver, vagamente; eles se tornaram cada vez mais incrustados em seus densos corpos físicos e perceberam finalmente que esse veículo seria uma parte do ser humano. Mas, ao mesmo tempo em que gradualmente perderam contato com o mundo espiritual, eles já não viam a alma claramente como até então, e mesmo a voz dos hierarcas espirituais, que até aquele momento os haviam guiado, como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e sombria.

Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre este vale havia se condensado suficientemente na atmosfera de resfriamento, de modo que estourou e lançou sobre a Terra uma inundação que levou essas crianças da névoa até as terras altas, onde, na atmosfera clara, sob a curvatura do arco-íris, eles se viram pela primeira vez.

Gradativamente, a grande ilusão de que “nós somos corpos” tomou posse de todos, a alma não era mais vista nem puderam ouvir a voz do Grande Pai que cuidara deles durante a infância, em seu Estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.

Logo, a maioria da humanidade pareceu esquecer que houvesse um Estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, lendas e habitasse em cada seio humano um profundo reconhecimento inerente a essa verdade, a memória de algo que foi perdido, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E, portanto, existe em todo peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos quando nos identificamos com a nossa natureza inferior. Encontramos uma personificação desse desejo no Tannhauser, que entrou no Monte de Vênus para satisfazer sua vontade inferior. Depois de um tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e pede a Vênus que lhe permita partir para que possa gozar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não-correspondido, porque se cansou daquilo que ela lhe havia dado livremente. Como ele diz:

Um Deus pode amar sem cessar;

Mas sob as leis do alternar,

Nós mortais precisamos mudar de medida

Nossa parcela de dor, bem como de prazer.

Esse foi o propósito, quando a Humanidade foi levada da Atlântida para a atual era do arco-íris: foi-nos dada a lei da alternância para que possamos colher assim como semearmos, que a tristeza e a alegria possam mudar à medida que as estações se sucedam de forma ininterrupta. Assim, isso deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas ofensas tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma presa, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade.

A princípio, a humanidade se deleitava com o poder sobre o mundo e o orgulho da vida nasceu; a luxúria dos olhos era grande, mas embora “os moinhos dos Deuses moam devagar, moem extremamente bem”, e ainda que possamos conseguir o poder e a saúde e prosperidade possam ser, hoje, nossos servos, chegará um dia no qual, como Fausto, sentiremos que a vida não seja valiosa. Então começará a luta mencionada por Fausto a seu amigo Wagner, nas seguintes palavras:

Tu por um único impulso estás possuído,

Inconsciente do outro que ainda permanece,

Duas almas infelizmente estão lutando no meu peito

E lutam lá pelo reino indiviso,

Uma para a terra com desejo apaixonado

E à roupa agarrada rigorosamente ainda adere,

Acima da névoa, o outro aspira

Com ardor sagrado até esferas mais puras.

São Paulo também descobre que exista dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne”, que luta contra os desejos e ânsias do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. “O que devemos fazer para alcançar a libertação”, ele diz:

De todo poder que mantém a alma acorrentada,

Nós nos libertamos quando ganhamos o autocontrole.

Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez uma autoridade não tão grande. Contudo, mesmo supondo que fosse possível que alguém se tornasse um “governante do mundo” e exercesse autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, em que isso lhe beneficiaria, se não fosse capaz de conquistar a si mesmo e controlar? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (quando ele representa), conquistou o mundo, todos lhe pagavam tributos e mesmo assim o seu reinado durou apenas alguns anos. Depois, o espectro sombrio da morte veio para terminar sua vida e seu governo no Mundo Físico.

Observe o outro, o Cristo, que ficou ali, manso e humilde, mas capaz de dizer “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna”. O regulador do mundo, apesar de todo o seu aparente poder e pompa atuais, ainda está sujeito à morte; no entanto, Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo da morte, assim se fez o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos céus. E é dever de todos nós seguirmos os Seus passos, pois Ele disse: “Estas coisas que eu faço, também vós fareis e maiores”. Cada um de nós é um Cristo em formação, um conquistador no sinal da cruz.

E quando será isso? Quando o sentimento do Egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a visão da alma e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de Egoísmo através do Altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos o eu e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos conquistado o grande inimigo. Então estaremos prontos para montar na cruz e subir, dali, para as esferas mais altas com aquele clamor glorioso de triunfo, Consummatum est, foi concretizado.

O Caminho é pelo Serviço. A Verdade é que, pelo Serviço, servimos a nós mesmos, porque somos todos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem vivemos, nos movemos e temos o ser, e em Quem, portanto, não pode haver morte.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross 08/1915 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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