Categoria Treinamento Esotérico

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Porque aprendemos a fumar e como deixamos tal hábito

Porque aprendemos a fumar e como deixamos tal hábito

 

Tínhamos dezoito ou dezenove anos, quando começamos a fumar. E por quê? Pelos mesmos motivos que movem todos os adolescentes a adquiri esse hábito: imitação e vaidade.

Fazíamos nessa época o serviço militar e, como voluntários, éramos mais jovens do que os demais soldados, na sua maioria com vinte e um ou mais anos; por isso, sentíamos um certo complexo de inferioridade. Eles eram “mais” homens do que nós. Assim foi que, pega hoje um cigarro deste amigo, pega amanhã outro daquele, começamos a fumar. Fumar não é bem o termo; seria melhor dizer “queimar cigarros”, já que a fumaça não nos passava da boca, pois não tragávamos.

Cumprido o tempo de serviço, tivemos baixa, fomos trabalhar e residir na cidade de Santos, perto do mar. Lá, à vaidade se acrescentou o esnobismo — só fumávamos cigarros americanos e ingleses. Como o salário era pequeno e os cigarros estrangeiros eram, para o ano de 1920, caríssimos, pois custavam $ 2.500, o maço, nós os comprávamos nos botequins das redondezas do porto por $ 1.200. Juntava-se, assim, à vaidade e ao esnobismo, a emoção do perigo. Os cigarros comprados nos botequins entravam no país por contrabando. Marujos americanos e ingleses, na falta de dinheiro, trocavam-nos por cerveja, por preços vis, dando grandes lucros ao dono do botequim. Ser apanhado quando comprávamos nos fazia correr o risco de ser presos. Como isso era emocionante! E como os compradores se sentiam “grandes” com os olhares de admiração dos circunstantes, ao puxarem um maço de Camel ou uma lata de Wild Woobdine para oferecer um cigarro ao amigo ou metê-lo na piteira de bambu que acompanhava os Woobdines.

Dentro de pouco tempo começamos a tragar. As primeiras tragadas nos faziam ver “mosquitos” luminosos e provocavam tosse e náuseas. Mas, pouco a pouco, o organismo reagiu e estabeleceu-se a tolerância. No fumar propriamente não havia prazer. Mas como sentíamos prazer, ao discutir na rodinha de amigos um problema importante como, por exemplo, a resposta que havíamos dado à uma garota! Nós então parávamos e, frente à ansiedade de auditório por saber qual fora a resposta, sacávamos do bolso a caixa de fósforos e um maço de Lucky Strike que batíamos na caixa para, com um gesto de displicência, acender, produzir a baforada, tragá-la e, enfim e só então, dar a resposta em que as sílabas, escondidas, misturavam-se às baforadas azuis. Como aquilo nos tornava importantes! As frases mais vulgares adquiriam, assim, foros de sábios conceitos.

Depois, quando nos aborrecíamos porque o mundo não fora feito de encomenda para nós, segundo a nossa fórmula, acendíamos um cigarro e o aborrecimento se desfazia nas volutas da fumaça. A irritação, causada pela contrariedade, produzia um acúmulo de energia nervosa que desejávamos expandir, arrebentando o nariz de alguém que nos houvesse atrapalhado os planos. O ritual de fumar — tirar o maço do bolso, retirar o cigarro, tirar a caixa de fósforos, bater nela o tubinho de papel recheado de tabaco, riscar o fósforo, fechar as mãos em concha para proteger a chama, aspirar o ar através do cigarro para acendê-lo na labareda do fósforo, soltar a baforada — era feito de movimentos em que aquela energia represada se esvaía, destruindo-se desse modo a angústia.

Naquela época, porém, nada sabíamos disso e dizíamos apenas que o cigarro nos acalmava os nervos.

Então, quando tínhamos por volta de trinta e seis anos, começamos a nos interessar por psicanálise e filosofia. Principiamos a meditar sobre o porquê de nossas ações. Seriam elas inspiradas por algum motivo real e justo ou seriam mera questão de hábito?

Lemos, então, o livro de J. Ralph, Conhece-te pela Psicanálise, em que o autor conta que certos náufragos, na falta de fumo, fumaram, em seus cachimbos, fibras de cânhamo retiradas de cabos para atracação do navio.

Coincidiu essa leitura com a verificação de que, ao fumar no escuro para que ficássemos satisfeitos, era preciso que soprássemos a fumaça na brasa do cigarro a fim de vê-la. O prazer do fumar não vinha, pois, do sabor da fumaça e, sim, do “ritual”. No entanto, o fascínio de um ritual está no mistério. Desfeito o mistério, o encanto se dilui e desaparece. Foi o que nos sucedeu. O estudo da psicanálise, embora superficial, a tentativa do nosce te ipsum (conheça a ti mesmo), conquanto em grande parte infrutífera, puseram-nos em contato com a realidade da vida. Trocamos a lira de Apolo pela lanterna de Diógenes.

Conta-se que esse filósofo grego quebrou a cuia em que bebia água, ao ver uma menina bebê-la na concha das mãos. Desde que se podia beber na concha das mãos, a cuia era uma inútil complicação na vida.

Assim acontece com o fumante que encontrou a realidade, que se convenceu de que as coisas são como são e que de nada vale querermos que sejam como gostaríamos que fossem. Ele se livra da angústia sem precisar da “muleta” do cigarro. O ritual do fumo perde o encanto e a significação: torna-se uma coisa tola, absurda.

Por isso, hoje, quando vemos uma pessoa caminhando pelas ruas de ventre e cabeça erguidos, puxando as fumaças de um imenso charuto que traz, à guisa de chupeta, entalado nos lábios, ficamos penalizados. Pobre ser humano! É o complexo de inferioridade dele que o condiciona a andar pendurado num Havana fabricado na Bahia para estar seguro de sua importância no rol das coisas.

Quem se põe a meditar, diariamente, em como é tolo e ridículo o vício de fumar, está a meio caminho de abandonar o vício. Mas quem diz a si mesmo “no dia que eu quiser, deixarei de fumar”, provavelmente continuará fumando pela vida toda, pois essa afirmação é uma prova de que esteja realmente escravizado pelo vício e tenta se enganar por sentir-se envergonhado de ser escravo de um rolete de tabaco.

É uma desculpa que dá a si próprio para não ter que confessar a incapacidade de abandonar o vício.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 03/70)

 

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O Tomate

O Tomate

O tomate, popularmente, alguns o chamam de “maçã do paraíso”; outros o têm qualificado como o “pomo de ouro” de onde os italianos fizeram o seu “pomidoro” para demonstrar seu enorme valor.

O tomate é um magnífico purificador do sangue e excelente revigorante do organismo em geral, por sua riqueza em vitaminas e sais minerais.

Está classificado como o primeiro entre os alimentos protetores, tanto por defender-nos contra as infecções de bactérias, a debilidade geral, as perturbações digestivas e pulmonares, como por exercer, dentro do nosso corpo, um efeito antisséptico e neutralizar poderosamente os resíduos ácidos. Também possui a propriedade de dissolver a fleuma, os coágulos de mucosidade sanguínea, de amolecer os conteúdos endurecidos do intestino e do fígado e até de ajudar a desintegrar as massas de tumor, as pedras e os cálculos renais. Atua, portanto, como um forte dissolvente junto ao limão, pinhão e outros.

O maior valor do tomate reside na sua riqueza em magnésio, pois contém, mais do que qualquer outro alimento comum, esse importante mineral orgânico que endurece os ossos e os dentes humanos.

Enquanto o cálcio forma a base da estrutura óssea, o magnésio endurece o cálcio para fazer os ossos resistentes e firmes. Nossos dentes contêm somente 0,5% a mais de sais de magnésio que nossos ossos, mas essa pequena fração faz com que os dentes sejam muito duros.

Com a insuficiência de magnésio, os ossos perdem a firmeza e são facilmente fraturados. O magnésio deve funcionar de acordo com o cálcio; na realidade, se não houver cálcio suficiente, a ingestão do magnésio não alimentará o organismo; por isso, nós, especialmente as crianças, precisamos de alimentos à base de magnésio como o tomate, junto de alimentos ricos em cálcio como a laranja, o espinafre, o queijo e muitos outros. Isso ajuda na construção óssea, previne o enfraquecimento dos ossos e a queda prematura dos dentes. O magnésio também fornece energia, porque ajuda a formar a vitalizante albumina do sangue. Além disso, destrói, elimina os resíduos do organismo que não foram digeridos, opera na construção das células pulmonares e nervosas e é necessitado em grandes quantidades nos músculos e tecidos do cérebro.

O tomate contém também uma rica provisão de vitaminas C, A, B, G e algo da D, essa preciosa vitamina “solar”. Ademais, há no tomate indícios de ácido tartárico, ácido salicílico e ácido succínico.

A substância colorante do tomate, segundo as investigações de Arnaud, seria idêntica ao caroteno, cuja fórmula é C40 H56, porém com propriedades diferentes, as quais Willistatter e Escher denominaram licopeno.

Qualidades terapêuticas do tomate:

O tomate tem as habilidades de: eliminar os coágulos da mucosidade sanguínea; dissolver o catarro; amolecer os conteúdos endurecidos do intestino e do fígado; ajudar a desintegrar as massas de tumor e as pedras nos rins.

O tomate cru é essencialmente um alcalinizador do sangue, razão por que o recomendamos àqueles que padecem de um sangue carregado de ácido, sendo excelente para os que sofrem de reumatismo, artrites, gota, eczema ou erupções da pele originados pela acidez do sangue.

Como contém todas as vitaminas, mas especialmente a importante vitamina C, que é responsável pela construção de ossos fortes e dentes, é magnífico contra o raquitismo, polineurites, escrofulismo, escorbuto ou outras doenças afins e para todos aqueles transtornos causados por deficiência de vitamina, devendo, nesses casos, ser ingerido diariamente em sua forma natural.

O tomate igualmente é excelente para os intestinos e, com esse fim, deve ser comido depois de ser cozido.

É um grande ativador dos fermentos digestivos, dos quais depende o bom processo do metabolismo em nosso organismo. É também um laxante de grande benefício em qualquer transtorno do fígado. Igualmente, o tomate contém iodo.

Uma combinação que se deve evitar é tomate com leite cru, com açúcar, com mel ou com frutas ácidas.

CONTRAINDICAÇÕES: o tomate é contraindicado para as pessoas que sofrem de fermentações gástricas e acidez do estômago.

As folhas dessa planta também têm suas aplicações na medicina popular, pois com elas prepara-se o cataplasma, que fornece ótimos resultados contra as inflamações. Nesse caso, aplica-se à parte afetada a folha do tomate triturada e ligeiramente assada.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de Setembro/1970)

 

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Boas Razões para Ser Vegetariano

Boas Razões para Ser Vegetariano

Muitas vezes me pedem para escrever algo sobre esse assunto. De fato, em uma ocasião recebi de nada menos que quarenta Oficiais Locais um pedido para que explicasse tudo o que eu quis dizer com o que chamei, ao falar em um dos Conselhos, de Evangelho de Mingau. Não creio que eu seja capaz de elucidar isso tudo, mas tentarei responder brevemente a uma pergunta que ouço com frequência: “Por que você recomenda o vegetarianismo?”.

Aqui estão, de qualquer forma, algumas das minhas razões para isso:

  1. Porque eu experimentei uma dieta vegetariana cheia de benefícios, tendo sido, ao mesmo tempo e por mais de dez anos, um vegetariano rigoroso.
  2. Porque, de acordo com a Bíblia, Deus originalmente pretendia que o alimento do ser humano fosse vegetariano: “Deus disse: Eu dei a vocês toda erva que dê semente e está sobre a face de toda a terra; e toda árvore em que há fruto que dê semente; isso será sua refeição” (Gn 1:29).
  3. Porque uma alimentação vegetariana é favorável à pureza, à castidade e ao perfeito controle dos apetites e paixões que costumam ser a fonte de grande tentação, especialmente para os jovens.
  4. Porque a dieta vegetariana é benéfica à força e à saúde robusta. Com pouquíssimas exceções, confirmadas apenas por inválidos, acredito que as pessoas seriam melhores em espírito, mais fortes em músculo e mais vigorosas em energia, caso se abstivessem totalmente do uso de alimentos de origem animal. Os espartanos, que ocupam o primeiro lugar entre todas as nações da história pela capacidade de suportar dificuldades, eram vegetarianos, assim como os exércitos de Roma, quando conquistavam o mundo.
  5. Porque dezenas de milhares de pessoas pobres, que agora têm muita dificuldade de sobreviver, após ter comprado alimentos à base de carne, poderiam, por sua substituição por frutas, legumes e outros alimentos baratos, conseguir conforto material, doar mais dinheiro aos pobres e à obra de Deus.
  6. Porque uma alimentação vegetariana baseada em trigo, aveia e outros grãos como lentilhas, ervilhas, feijões, nozes ou alimentos semelhantes é mais de 10 vezes superior economicamente à comida de origem animal. Metade do peso da carne se deve à água dentro dela, que precisa ser paga como se fosse carne! Uma refeição vegetariana, mesmo que permitamos queijo, manteiga e leite, custa, aproximadamente, só um quarto de uma que misture carne e legume.
  7. Porque a comida vegetariana impede o enorme desperdício de todos os tipos de alimentos de origem animal que são consumidos com quase nenhuma vantagem para quem os come.
  8. Porque a dieta vegetariana é uma proteção contra a bebida, já que o consumo de carne implica o aumento da embriaguez: um mau apetite produz outro.
  9. Porque o alimento vegetariano é oportuno à indústria e ao trabalho duro, enquanto a alimentação baseada em carne favorece a indolência, a sonolência, o aumento de gordura, a falta de energia, a indigestão, a prisão de ventre e outras aflições ou degradações.
  10. Porque está provado que a vida, a saúde e a felicidade são beneficiadas pelo prato vegetariano. Eu já conheci muitos exemplos disso. A maioria dos casos de longevidade pode ser encontrada entre aqueles que, desde a juventude, vivem principalmente, quando não inteiramente, de vegetais e frutas. Pensar em tudo isso é importante.
  11. Eu sou a favor da nutrição vegetariana porque os órgãos digestivos do ser humano não estão bem adaptados à ingestão da carne, a qual contém uma grande quantidade de matéria que, na época em que o animal foi morto, estava mudando e se preparando para ser expulsa do seu sistema. Essa matéria normalmente passa pelo estômago humano sem ser digerida e cai no sangue, causando várias doenças, especialmente reumatismo, gota, indigestão ou afins.
  12. Porque é muito difícil, sobretudo em climas quentes, manter frescos, pelo tempo suficiente para cozinhar e comer, os alimentos à base de carne; assim, uma grande quantidade de carne é consumida depois que começa a decair — ou seja, apodrecer. Esse apodrecimento geralmente começa muito antes que a carne dê qualquer sinal de sua condição real. Nem a aparência nem o cheiro dela são um guia seguro para saber se está saudável.
  13. Porque grande parte da carne que é empregada na alimentação humana já está doente e é quase impossível ter certeza de que qualquer pedaço de carne esteja completamente livre dos germes da doença. Sabe-se que muita carne comum, normalmente de animais velhos, é vendida aos açougueiros porque os animais estão doentes.
  14. Porque eu acredito que o grande aumento do consumo e a alta incidência do câncer nos últimos 100 anos foram causados pelo elevado incremento do uso de alimentos de origem animal e que uma dieta rigorosamente vegetariana muito ajude a afastar as doenças mais terríveis e incuráveis.
  15. Porque suponho que uma alimentação à base de carne provoque muitas doenças dolorosas que, embora possam não representar ameaças diretas à vida, causam bastante sofrimento e perda. Refiro-me às queixas como eczema, constipação, vermes, disenteria, severas dores de cabeça e coisas do gênero. A comida vegetariana ajudaria bastante no alívio ou até na cura dessas enfermidades.
  16. Por causa da terrível crueldade e do terror aos quais dezenas de milhões de animais assassinados em nome da alimentação humana são submetidos, ao viajar longas distâncias de navio, trem ou pela estrada até os matadouros. Deus desaprova qualquer tipo de crueldade — seja contra o ser humano ou os animais.
  17. Por causa das terríveis atrocidades praticadas pela matança de animais, em muitos matadouros. Todo esse comércio de carnificina é cruel, mesmo quando feito com cuidado e sabemos que no caso de milhões de criaturas isso seja feito com pouquíssimo critério. Dez mil porcos são assassinados para se tornar alimento a cada hora, somente na Europa.
  18. Porque o emprego de abate brutaliza quem é obrigado a fazer esse trabalho. “Os sentimentos mais elevados dos homens compassivos”, diz certo escritor, e concordo com ele, “revoltam-se com a crueldade, os pontos de vista degradantes, os gritos angustiantes, o perpétuo derramamento de sangue e todos os horrores que abrangem o massacre de criaturas sofredoras”.
  19. Porque a comida baseada em carne não é necessária para o trabalho duro. Grande parte do trabalho do mundo é feita por animais que sobrevivem de alimentos vegetais, tais como os cavalos, as mulas, camelos, bois e tantos outros.

Espero que este assunto seja digno da séria consideração de nossos Estudantes. Ele é importante não apenas para sua própria saúde e felicidade, mas para sua influência entre as pessoas, como homens e mulheres livres da escravidão dessa gratificação egoísta que frequentemente aflige os professos servos de Cristo. Lembremo-nos da direção do apóstolo: “Se você come ou bebe, ou o que quer que faça, faça para a glória de Deus”.

Pensem nessas coisas!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross em 05/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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Efeitos Psicofisiológicos da Oração

Efeitos Psicofisiológicos da Oração

A oração atua sobre o espírito e sobre o corpo de uma forma que parece depender de sua qualidade, de sua intensidade e de sua frequência.

É fácil conhecer qual a frequência da oração e, numa certa medida, sua intensidade.

Quanto à qualidade, mantém-se desconhecida, visto não possuirmos meios de medir a fé e a capacidade de amor de outrem. No entanto, a maneira como vive aquele que ora pode esclarecer-nos sobre a qualidade das invocações que ele dirige a Deus. Mesmo quando a oração é de fraco valor inconsciente, principalmente na recitação de fórmulas, exerce um efeito sobre o comportamento do indivíduo: fortifica, ao mesmo tempo, o sentido do sagrado e o senso moral.

Os meios onde se ora caracterizam-se por certa persistência do sentimento do dever e da responsabilidade, por menos inveja e maldade, e por certa bondade para com os outros.

Parece estar demonstrado que, em igualdade de desenvolvimento intelectual, o caráter e o valor moral sejam mais elevados entre os indivíduos que oram, mesmo de forma medíocre, do que entre os que não oram.

Quando a oração é habitual e verdadeiramente fervorosa, sua influência torna-se mais manifesta e podemos compará-la à de uma glândula de secreção interna, como, por exemplo, a tireoide ou a suprarrenal. Consiste numa espécie de transformação mental ou orgânica, transformação essa que se opera de modo progressivo. É dito que que no mais profundo da consciência se acende uma chama. O ser humano vê-se tal qual é. Põe a descoberto seu egoísmo, sua cupidez, seus juízos errados e seu orgulho. E, então, verga-se ao cumprimento do dever moral, procurando adquirir a humildade intelectual. Assim, abre-se perante ele o reino da graça. Pouco a pouco, vai-se produzindo um apaziguamento interior, uma harmonia das atividades nervosas e morais, uma resignação maior perante a pobreza, a calúnia e a canseira, bem como a capacidade de suportar sem enfraquecimento a perda dos seus, a dor, a doença e a morte.

Por esse motivo, o médico que vê seu doente orar deve regozijar-se com isso, pois a calma proveniente da oração é uma poderosa ajuda para a terapêutica.

No entanto, não devemos assemelhar a oração à morfina, visto que a prece origina, ao mesmo tempo que acalma, uma integração das atividades mentais e uma espécie de floração da personalidade. Por vezes, produz até mesmo o heroísmo e marca os seus fiéis com um selo particular. A pureza do olhar, a tranquilidade do porte, a alegria serena da expressão, a virilidade do comportamento e, se for necessário, a simples aceitação da morte do soldado ou do mártir traduzem a presença do tesouro que se oculta no íntimo dos órgãos e do espírito.

Sob essa influência, mesmo os ignorantes, os retardados, os fracos e os maus dotados utilizam melhor as suas forças intelectuais e morais.

A oração, segundo parece, eleva os homens acima da estatura mental que lhes pertence em harmonia com a sua hereditariedade e sua educação. Esse contato com Deus impregna-os de paz. E a paz irradia deles. E levam a paz para toda parte aonde vão.

Infelizmente, não há, hoje em dia, senão um número ínfimo de indivíduos que saibam orar de uma maneira eficiente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)

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Todos os buscadores espirituais podem achar útil a Oração do Estudante Rosacruz

Todos os buscadores espirituais podem achar útil a Oração do Estudante Rosacruz

Quando alguém cresce, especialmente alguém que é robusto, com atributos físicos, um amigo pode observar: “Ele não conhece sua própria força”. Como o exercício é necessário para o desenvolvimento do músculo físico, o desenvolvimento da natureza moral é realizado por meio da tentação.

Em qualquer busca da verdade, mesmo as obras mais autoritárias, como os livros da Bíblia Sagrada, contêm contradições desconcertantes. Portanto, embora se comece a entender os mistérios, o conhecimento incompleto pode levar o Ego a tirar conclusões contraditórias.

O Ego habita no Mundo do Pensamento; esse é o seu lar. Estudantes que praticam exercícios mentais, incluindo oração concentrada, adquirem novos pontos fortes; poderes que, embora sejam sutis, podem surpreender o neófito com sua potência. Contudo, até que o Ego desenvolva intensa observação e discernimento, e cresça, por meio da experiência, da inocência à virtude, incertezas podem engolfá-lo, causando confusão e erro.

Os dois atributos que melhor nos ajudam a vencer as tentações de Lúcifer e que nos tiram do deserto são o Amor e o Dever. A Oração do Estudante, embora muito breve, quando recitada com sinceridade, eleva o buscador espiritual ao reino protetor do amor divino e coloca o Ego sobre uma base firme de intenções nobres. Durante os conclaves, os alunos costumam repetir essa oração em uníssono no final de cada apresentação.

A sentença final é o versículo 14 do décimo nono Salmo da Bíblia.

Se você está fazendo a Oração do Estudante Rosacruz sozinho então, você deve proferi-la assim:

“Aumenta o meu amor por ti, Ó Deus

Para que eu possa servir-Te melhor a cada dia que passa

Faze que as palavras de meus lábios

E as meditações do meu coração

Sejam agradáveis a Tua presença

Ó Senhor, minha força e meu redentor.”

Se estiver mais de uma pessoa, então a faça assim:

“Aumenta o nosso amor por ti, Ó Deus

Para que possamos servir-Te melhor a cada dia que passa

Faze que as palavras dos nossos lábios

E as meditações dos nossos corações

Sejam agradáveis a Tua presença

Ó Senhor, nossa força e nosso redentor.”

A oração é como ligar um interruptor elétrico. Não cria a corrente; simplesmente fornece um canal através do qual a corrente elétrica pode fluir. Da mesma maneira, a oração cria um canal através do qual a vida e a luz divinas podem se derramar em nós para nossa iluminação espiritual.

Se o interruptor fosse feito de madeira ou vidro, seria inútil; de fato, seria uma barreira pela qual a corrente elétrica não poderia passar, porque isso é contrário à sua natureza. Para ser eficaz, o interruptor deve ser feito de um metal condutor; então está em harmonia com as leis da manifestação elétrica.

Se nossas orações são egoístas, mundanas e eivadas de desprezo pelo próximo, são como o interruptor de madeira; eles derrotam o próprio propósito a que se destinavam a servir, porque são contrários ao propósito de Deus.

Para ser útil, a oração deve estar em harmonia com a natureza de Deus, que é o Amor.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ

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A Fonte da Amizade

A Fonte da Amizade

Nuvens de poeira moviam-se pela ação das grandes rodas de ferro da diligência, enquanto os fatigados bois subiam a pequena montanha. Priscila correu pela areia quente, grata por uma pequena sombra proporcionada pela cobertura da diligência.

Seu irmão Herbert encorajou os bois, sua voz soando desafinada e baixa na quietude do deserto. No topo do morro, ele retirou à diligência da estrada e gritou:

— Pare!

Priscila saiu para ver se ele estava dando passagem a outras diligências. Seus olhos azuis atentos perceberam imediatamente a cena que estava à sua frente. O pico da montanha erguia-se sozinho na planície ressecada e marcava o ponto divisório de duas trilhas. Uma, ia para o sul através de um sulco branco e alcalino. A outra, abraçava uma cadeia de montanhas ao norte — montanhas vermelhas e amarelas que cintilavam nas dunas quentes.

Bem abaixo deles, uma cabeça inclinada subia a montanha em que eles estavam. Uma mulher envelhecida e uma garota de rosto redondo, de idade aproximada à de Priscila, caminhavam com dificuldade ao lado dos dois bois magros. A derrota estava escrita em cada linha dos dois estranhos que se aproximavam — nos seus ombros caídos, nos seus semblantes desanimados, nos seus passos lentos.

— Não vá começar um bate-papo, disse Herbert, não temos tempo a perder se pretendemos alcançar a caravana.

Priscila olhou para seu irmão com surpresa. O tom, as palavras, não eram suas. Somente um ano mais velho, ele parecia ter envelhecido anos nessas últimas semanas. Não é de admirar, pensou Priscila. Ele era muito novo para tal responsabilidade. Mas não foi o envelhecimento que preocupou Priscila. A face morena de Herbert tornara-se mais magra, seus olhos mais ansiosos e toda sua amabilidade desaparecera. De alguma forma, ele tinha endurecido e isso era o que preocupava sua irmã, mais do que tudo.

A medida que a diligência se aproximava, Priscila podia ouvir um som áspero e desagradável que, algumas vezes, parecia um grito estridente. Ela notou que a roda traseira direita da diligência que se aproximava, não girava totalmente. Se arrastava pela areia tornando mais difícil o trabalho dos bois.

A mulher e a menina não levantaram suas cabeças quando desviaram os bois para o lado, a fim de passar. O coração de Priscila sensibilizou-se pela indiferença delas, porque ela reconheceu que essa indiferença era devida ao completo cansaço que tinham.

— Perdão, disse Priscila, impulsivamente. Não seria mais fácil se essa roda fosse engraxada?

O chapéu levantou-se e Priscila viu os olhos da mulher brilharem.

— Como você é esperta! – disse ela asperamente.

— Sei que vocês não têm graxa, Priscila respondeu rapidamente, mas nós temos um pouco e tenho certeza que meu irmão teria prazer em ajudá-las.

A mulher encarou a face ansiosa e ruborizada de Priscila, e lágrimas rolaram por seu rosto moreno.

— Perdão, minha filha. Eu estou tão embrutecida que mal reconheço a gentileza. Eu agradecerei muito a seu irmão se ele fizesse isso para mim.

Priscila ficou contente ao ver que a mulher não percebeu o olhar amuado de Herbert. O tempo era tão precioso!

A mulher dirigiu-se à mãe de Priscila, que estava dirigindo os bois, pois estava muito cansada para andar. A garota aproximou-se de Priscila, levantando seus grandes olhos escuros.

— Deve desculpar mamãe, disse ela. Ela não é assim normalmente. Mas… perdemos papai. A garota acenou indefinidamente para as montanhas que estavam à oeste, bem distantes.

— Há muita cólera nos trens de imigrantes, disse Priscila com emoção. Meu pai também pegou cólera… e nada pudemos fazer…

— Eu entendo, disse à menina.

— Perdemos a caravana em que estávamos, Priscila explicou. Quebramos o balancim do carro e tivemos que parar enquanto Herbert fazia outro.

— Planejam pegar a bifurcação sul para Pinnacle Rock? – perguntou a garota.

Priscila concordou.

— Temos só um barril de água. Precisamos conseguir mais em Fonte Sultry.

A outra menina olhou rapidamente.

— Viemos de lá. A Fonte Sultry está seca, ela acrescentou num rouco sussurro. Talvez encontrem água na bifurcação do norte, não sei.

Herbert tinha acabado de engraxar a roda. Sorrindo, a mulher e a garota agradeceram.

— Vocês encontrarão aquela caravana em apenas um dia adiante, disse a menina.

A roda não mais emperrou ou se arrastou. Vendo seu progresso, Priscila observou que a mulher e a menina não mais fixavam o olhar no chão. Elas andavam eretas, olhando para a frente. Ela sentiu um ar de triunfo nelas e ficou contente, percebendo que ajudara a animá-las.

Quando ela voltou, viu Herbert olhando perturbadamente para uma mancha escura debaixo da diligência. De repente, ele correu para os fundos, subiu na diligência e quando Priscila o alcançou, Herbert estava sacudindo um barril, desesperado.

— Saiu a rolha de nosso último barril de água! Nenhuma gota sobrou! Enquanto nossos bois estão quase morrendo, você fica aí tagarelando.

— Devemos chegar a Fonte Sultry antes do anoitecer, vociferou Herbert.

— Aquela mulher e a garota vieram do sul, Herbert. A Fonte Sultry está seca.

Ele derrubou o barril, seus olhos em pânico.

— Seca?

— A garota acha que podemos encontrar água na bifurcação norte.

— Não, disse ele roucamente. Os guias dos imigrantes nada dizem sobre água ao norte. É isso que conseguimos porque você nos atrasa com cada estranho que encontramos.

Os olhos de Priscila entristeceram-se.

— Herbert, você está aborrecido. Além do mais, seguiríamos a bifurcação sul se eu não tivesse falado com aquela menina.

— Talvez seja verdade, disse ele, mas você não tem nenhuma desculpa por ter ficado tagarelando ontem, por meia hora, com aquele comerciante velho e grisalho.

— Mas ele estava ansioso para conversar com alguém, Herbert. Sua face iluminou-se quando parei para conversar com ele. E ele tinha tantas coisas para dizer sobre estas terras que estão adiante.

— Interessante, talvez, mas perda de tempo.

Ela o olhou fixamente quando ele pulou para o chão. Tocou-lhe o braço temerosamente. Ele virou-se, olhando-a carrancudo.

— Herbert, não seja insensível, por pior que estejam as coisas. Se você não pode perder tempo para uma palavra amiga ou um ato gentil durante a viagem, na verdade, você não está vivendo.

Ele olhou para ela, endurecido e imóvel.

— Você deve tomar conta de si mesma. Não pode ficar pegando para si os problemas dos outros.

Ele continuou a caminhar. Nada falou quando pegou a bifurcação norte em direção a Pinnacle Rock, ou durante as horas em que viajaram pela base dos penhascos. O calor que os penhascos refletiam ardia como se fosse um forno. Mais de uma vez, Priscila olhou para sua mãe ansiosamente, pois os lábios dela estavam bem apertados. Mas a garota nada disse. Ela sabia que sua mãe estava com sede, mas nada podia fazer.

Finalmente, Herbert parou os bois. Seus olhos estavam arregalados de medo. Priscila foi para a frente e um calafrio lhe percorreu a espinha. A língua dos bois estava de fora e eles estavam tremendo.

— Só um dia nos separa de nossa caravana, Herbert disse roucamente. Mas os bois não aguentarão se não beberem água.

Os olhos de Priscila passaram rapidamente pela planície e dirigiram-se depois para a colina acima. Viu desfiladeiros secos pela erosão, causada pelas tempestades de séculos, artemísias, cactos e grama queimados com exceção de um desfiladeiro onde havia uma única ponta de árvore verde.

— Desate um dos bois, disse Priscila rapidamente. Prenda um pote sobre seu dorso. Acho que sei onde há água.

Herbert protestou quando ela subiu em direção a um desfiladeiro seco. Duas voltas, três — sem nenhum sinal de água. Mesmo assim, Priscila insistiu em continuar, apesar de Herbert ter cada vez mais dificuldade em dirigir o boi pelas ásperas pedras. Meia hora mais tarde, eles chegaram a uma areia úmida onde a água havia corrido, não muitas horas antes; a uns metros daí havia um córrego de águas límpidas.

Eles beberam, deixaram o animal beber e encheram seu pote com água. Em uma das vezes que Priscila abaixou sua cabeça para beber, Herbert empurrou-a para a água. Com a cabeça toda molhada Priscila colocou sua mão no córrego para também jogar água em seu irmão. De repente, ela se endireitou, seus olhos estavam brilhantes.

— Ora, Herbert você está sorrindo! Há semanas que…

— Reconheço que tenho uma razão para sorrir! – Com exceção da magreza de sua face, ele parecia quase um menino outra vez – Nossos maiores problemas terminaram! Priscila, como você sabia que havia uma nascente aqui? Não há nenhum sinal de água lá embaixo.

Os olhos de Priscila estavam arregalados e brilhantes!

— Tinha que haver água aqui! Lembra-se daquele velho comerciante grisalho com quem eu conversei ontem? Ele me ensinou muitas coisas úteis. Entre elas, disse-me o seguinte: se você encontrar um grupo de arbustos ou árvores de verde mais escuro do que as da redondeza – como as que existem neste desfiladeiro – saiba que lá deve ter água.

— Oh! Disse Herbert. E eu disse que você perdia seu tempo sendo gentil com as pessoas.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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Pequenas Práticas Cotidianas que interessam à sua Saúde

Pequenas Práticas Cotidianas que interessam à sua Saúde

Ao acordar, depois da noite bem dormida, em quarto de janela aberta, é mau ficar na cama a espreguiçar-se, a dar asas à imaginação; é bom fixar rapidamente a atenção nos primeiros afazeres do dia, deixando o leito sem demora.

Uma vez por dia, sempre à mesma hora, é bom esvaziar o intestino; é bom lavar as mãos e o rosto com sabonete, gargarejar um pouco de água com dentifrício, usar o fio dental e escovar os dentes em movimento circular com escova pequena e dentifrício saponáceo; é mau escovar os dentes com escova grande e em movimento apenas lateral, o que não permite a conveniente limpeza dos espaços interdentários. É mau tomar logo o banho, ainda pior se for com água morna entorpecedora. O que é bom é fazer, primeiro, ao ar livre ou, ao menos, diante da janela aberta, de 15 a 30 minutos de exercícios físicos e só depois tomar o banho frio e rápido, de chuveiro.

Depois do banho, é bom vestir roupa que proteja e não seja apertada; é mau querer trajar-se com elegância e desconforto (vestimentas apertadas, cintos apertados, saltos altos, etc.).

Antes de sair para o trabalho, é bom que o café da manhã seja feito devagar… é mau comer lendo o jornal, engolindo sem mastigar, esquecendo verduras, leite e frutas.

Depois do almoço, é bom usar o fio dental, escovar os dentes e bochechar um pouco de água para limpeza da boca; é mau ficar esgaravatando os dentes com um palito de madeira frágil e mal polido, que fere as gengivas e às vezes se quebra, entupindo o espaço interdentário.

Na rua, é mau correr para tomar um veículo, pois a ginástica já foi feita e, fora de portas, a corrida dificulta o fixar a atenção em outro veículo que possa atropelar.

No ônibus, no trem, na lotação, é mau ler, pois a trepidação dificulta a acomodação visual, concorrendo para aumentar a miopia e astigmatismo (o jornal terá sido lido rapidamente enquanto se esperava o primeiro almoço).

No trabalho é bom ter iluminação e ventilação convenientes; é bom ser prudente em tarefas perigosas; é mau distrair a atenção para focar estranhas preocupações.

Na pausa das doze ou treze horas, é bom que a refeição a se fazer seja leve (leite, uma fruta, um sanduíche), tomada devagar; é mau fazer lanche farto, novo almoço que sobrecarregue o estômago e torne menos fácil o trabalho a prosseguir.

Ao voltar para casa, ao fim do labor cotidiano, é mau tomar aperitivos alcoólicos que nos fazem perder tempo, dinheiro e, sobretudo, saúde; é mau ler no veículo, onde, além da trepidação, a iluminação é inconveniente para a vista; é bom não perder a prudência à hora de buscar a condução.

Se possui automóvel, é mau o excesso de velocidade, por mais pressa que se tenha de voltar para casa (a velocidade excessiva é a grande causa dos desastres de trânsito).

Ao chegar em casa, é bom mudar de roupa; é bom tomar um banho; é mau continuar a se preocupar com o trabalho do dia.

O jantar, é bom que seja comparável ao primeiro almoço, de pratos bem combinados, devendo-se mastigar devagar e despreocupadamente. Depois do jantar é bom usar o fio dental, escovar os dentes e bochechar um pouco de água para limpeza da boca.

Depois do jantar, tanto é bom um breve passeio a pé quanto a reunião em casa amiga para a conversa. Nesta, é bom saber falar, mas também saber escutar; é mau discutir com veemência, coisa que nos faz perder a serenidade e causa irritação.

Depois, é bom lembrar que são necessárias de sete a oito horas de sono, em quarto bem arejado, tendo o corpo convenientemente agasalhado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro de 1968)

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O Valor de uma Peça do seu Vestuário feito de couro ou de pele

O Valor de uma Peça do seu Vestuário feito de couro ou de pele

Sempre no outono ou no inverno (e, atualmente, em alguns dias também do verão e da primavera) temos um clima mais frio e entre outros artigos que muitas pessoas utilizam nesses dias temos as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais e que são exibidos nas vitrines das várias lojas para chamar a atenção dos clientes e os instigar a compra-los.

Caro leitor, você já parou para pensar no custo de, por exemplo, um casaco de couro ou de pele de animal? Não queremos dizer em valor monetário, mas sim, em agonia e sofrimento dos animais, e na degradação daqueles que os caçam, especialmente no estado de selvageria insensível.

Já lhe ocorreu que, ao comprar uma peça de roupa feita de couro ou de peles, você é responsável pelas atrocidades cometidas ao despertar esse desejo desnecessário para tal elegância?

Quando o ser humano mata animais em matadouros ou em locais semelhantes, ele, utiliza métodos para reduzir ao mínimo de sofrimento possível do animal – ainda que, também, totalmente equivocado nessa sua ação de matar o que não pode criar -, mas, pior ainda é quando caça animais para obter sua pele ou couro, ou ainda, outra parte do corpo do animal. Aqui o ser humano mostra uma indiferença absoluta aos sentimentos e sofrimentos de suas vítimas. E, ainda mais, muitas vezes ele parece até se gloriar por isso.

Ficamos sabendo de uma história em que um número de homens e meninos perseguiram um animal por quatro horas e, depois que o animal deu à luz a dois filhotes, ainda foi perseguida por duas horas, antes que finalmente fosse morta.

Há muito couro e peles curtidos para fabricar jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário obtidos capturando animais em armadilhas, e a morte desses animais, geralmente, não ocorre imediatamente e, muitas vezes, leva vários dias de sofrimentos e dores muito intensas para que ele morra.

A armadilha de aço é a ferramenta mais utilizada pelos caçadores profissionais e o poder desse terrível instrumento é tão grande que, muitas vezes, amputa a perna da presa em um único golpe. De fato, é relatado pelos caçadores que muitos animais escapam, assim, por um tempo pelo menos, se diz que, em média, em cada cinco animais capturado um tem apenas três patas. Às vezes, eles têm apenas duas ou uma perna, e há registro de um caso de um rato-almiscarado[1] com apenas uma perna que foi pego pela cauda. Basta pensarmos o tamanho do sofrimento causado àquele pobre animal antes que, finalmente, sua pele caísse nas mãos do selvagem caçador humano. Os inventores modernos voltaram sua criatividade para a tarefa de impedir que os animais capturados escapassem do cativeiro, ou por amputação, ou roendo a perna presa ou torcendo-a para sair, como fazem alguns animais quando estão agonizando; fazendo armadilhas mais equipadas e com um dispositivo para que o membro do animal preso que está diretamente no centro da armadilha será agarrado perto do corpo. Quando isso acontece, nenhuma torção ou mordida libertará o cativo.

O “spring pole” é outro mecanismo que os caçadores usam para impedir a fuga de suas presas, uma vez que tenham caído na armadilha. Consiste em uma barra flexível fixada no chão próximo à armadilha, com a extremidade superior dobrada e presa de maneira que possa ser liberada por qualquer chave inglesa. A corrente da armadilha de aço é presa ao mastro, e quando o pobre animal é pego e luta para escapar, ele quebra o cordão que solta o mastro e a armadilha com sua vítima é empurrada para cima, onde a pobre vítima fica pendurada e morre de fome, ou congela, lutando e sofrendo até que a morte a liberta, ou o caçador cruel aparece e dá o último golpe que põe fim à sua miséria.

Porém, de todos os métodos atrozes usados ​​pelos caçadores para capturar suas presas, o empregado na caça do arminho[2] é talvez o grau mais cruel. Consiste em pegar um pedaço de ferro muito pesado, deve revesti-lo com graxa e colocá-lo onde o arminho o ache.

O arminho lambe a graxa, e o frio intenso do ferro faz com que a língua congele instantaneamente, como se tivesse sido colocada numa prensa. Não há possibilidade de escapar, a não ser arrancando fora a língua do animal; e as lutas frenéticas do pobre animal fazem com que uma área cada vez maior da língua se adere ao ferro e, assim, todo o interior da boca irá se congelar devido a exposição prolongada ao frio intenso do Ártico. Preferencialmente, se usa este método de armadilha ou a bala de espingarda para não danificar a pele, pois este será o casaco de uma personagem da alta sociedade. De fato, a pele do arminho é cara, não pelo valor monetário, mas, principalmente pelo uso da atrocidade empregada para garantir a pele daquele pobre animalzinho.

Nenhuma língua pode dizer ou retratar na escrita, nem podemos jamais compreender, o que as pobres vítimas da vaidade humana devem suportar durante as longas horas e dias de terríveis sofrimentos lá em cima no silêncio do grande Norte em neve. Apenas pensemos nisto!

Estima-se que trinta milhões de animais sejam mortos anualmente por causa de suas peles (veja mais detalhes no anexo abaixo). Se todos esses milhões de animais pudessem ser reunidos com seus corpos despedaçados e mutilados numa montanha de mortes; esta seria a prova da nossa brutalidade e crueldade contra eles!

E lembre-se, todo mundo que usa essa elegante roupagem de jaquetas, blusões, calças, casacos, calçados, cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais é parcialmente responsável pela crueldade e pelo sofrimento causado a essas pobres vítimas da ganância (ou egoísmo) humana, pois se as pessoas se recusassem a usar esses objetos, a demanda cessaria e os pobres animais ficariam em paz para viver suas vidas da maneira adequada.

Às vezes, ou com frequência, as pessoas contestam que, se não matássemos esses animais ou mesmo o gado, os porcos, as galinhas, os peixes e outros animais “comestíveis” e os comêssemos, o Planeta Terra seria dominado por eles.

Porém, esse não é o caso! Não é usual comermos cães ou gatos, coiotes ou gambás, nem mesmo são caçados por sua pele, couro ou pela carne.

Por exemplo, os cavalos estão na mesma categoria, contudo, esses animais não se multiplicam além do limite, e o ocultismo nos ensina que cada espécie de animal é a expressão, no Mundo Físico, do Espírito-Grupo[3] deles que os dirige de fora, a partir do Mundo do Desejo. Daí o notável instinto com que são dotados. Quando esses animais são mortos, antes do tempo da sua morte por causa natural, o Átomo-semente, que forma o núcleo do Espírito-Grupo, é liberado do animal moribundo e usado pelo Espírito-Grupo para fertilizar rapidamente outro de sua espécie.

Assim, quanto mais matamos, dentro de certos limites, é claro que, mais rapidamente a espécie se multiplica, mas se abstermos de matar, não será necessário que o Espírito-Grupo fertilize os animais com tanta frequência. O nascimento diminuirá na mesma proporção que a morte.

Mas, voltando à questão das peles e do couro usados para vestuário, sustentamos que as peles são luxuosas, assim como muito tipo de couro, e não se pode dizer, na extenuação do crime envolvido e em torná-los essenciais à vida humana, que é a mesma reivindicação relativa à carne de mamíferos, aves, peixes e quaisquer outros animais “comestíveis” como alimento.

Aqueles que aspiram viver a vida superior e alcançar a ativação dos seus poderes anímicos não podem se dar ao luxo de usar essas coisas caras, nem se encher desse egoísmo, nem matar o que não pode criar, nem se ausentar de praticar a compaixão e a misericórdia com os nossos irmãos menores.

Algum tempo atrás, uma senhora chegou à Mount Ecclesia (sede mundial da Fraternidade Rosacruz) professando estar entediada e desgostosa pela sociedade, exceto tudo aquilo que se referia ao progresso espiritual; mas quando lhe foi dito que ninguém seguiria a Cristo em um casaco de pele, ela admitiu que tinha um casaco de pele de mil dólares e que não desistiria dele sob nenhuma consideração; se retirou de lá no dia seguinte, irritada com a ideia de que lhe havia exigido um sacrifício tão grande e que havia se colocado sob um professor que era mais complacente em seus pontos de vista sobre a vida e os luxos.

Todos sabemos que, de fato, é possível obter roupas totalmente quentes (por maior que seja o frio) que não são feitas com peles ou coro de animais. Max Heindel foi testemunha ocular desse fato, quando disse que ele mesmo, tendo viajado lugares de altas latitudes, tanto para o norte e como para o sul, mesmo na Sibéria e no Polo Ártico, onde as temperaturas eram extremamente baixas não utilizava nada de couro. E isso no início do século XX!

O que foi dito sobre as peles e o couro também se aplica às penas e outras partes do corpo de um animal, tanto no que diz respeito ao custo de crueldade quanto à falta de necessidade de uso. Roupas bonitas, artísticas e quentes podem ser feitas sem o uso de couro, peles ou penas, para o bem-estar econômico e espiritual de quem se abstém de usá-las.

Mesmo calçados, como sapatos, sandálias, chinelos e outros tipos já podemos obter no mercado atual a preços acessíveis para todas as camadas da sociedade. Com o advento da internet e de revistas especializadas para vegetarianos e veganos o acesso a informação é muito fácil. Basta querer!

Se você é um Estudante que já despertou para o Evangelho da Compaixão já compreendeu que deveria ser considerado um crime tirar a vida de um animal, assim como agora é considerado crime tirar a vida de um ser humano.

Temos certeza que com a aproximação da Era de Aquário essas peças de vestuário serão substituídas por outros produtos da indústria que servirão a esse propósito de maneira completa ou melhor.

É aqui que os Estudantes Rosacruzes podem ajudar a moldar os pensamentos do mundo, tanto por suas ações em se abster do uso de couro, peles, penas e outras partes dos animais, quanto por defender a ideia de que são desnecessários, chamando a atenção dos outros para as atrocidades cometidas para obter essas coisas. Assim, o Estudante Rosacruz pode ajudar a acelerar o dia de “paz na terra e boa vontade entre os homens” – e também os animais.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – out/1917, traduzido e atualizado pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

Anexo sobre “animais ainda são usados para fazer casacos de pele”

Desde focas e chinchilas até raposas e linces, milhões de animais são mortos todos os anos para a confecção de casacos de pele no mundo. Só na França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para esse fim. Mas a indústria dos casacos de luxo é alvo de críticas. Para as organizações de defesa dos animais, mais do que injustificada – há tecidos sintéticos e naturais que cumprem a função -, a atividade é extremamente cruel. O sofrimento já começaria na captura do bicho, que pena nas mãos dos caçadores – as focas, por exemplo, são mortas a pauladas na cabeça, para não danificar a pele. Mesmo quando criados em cativeiro, os animais viveriam em condições degradantes e padeceriam horrores na hora de extrair a pele.

Os produtores, por sua vez, contestam o que chamam de sensacionalismo das entidades. “No caso da chinchila, a morte ocorre pelo destroncamento de uma das vértebras cervicais. É um processo indolor, sem sangue ou sofrimento”, diz Carlos Perez, presidente da Associação dos Criadores de Chinchila Lanífera (Achila). Para os defensores dos bichos, porém, a crueldade fica óbvia quando se leva em conta que, ao contrário do que rola com vacas e frangos – mortos para alimentar pessoas -, no caso da indústria da moda os animais são sacrificados apenas para alimentar a vaidade alheia.

As fases para se fazer as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário:

  1. Os animais usados para fazer casacos de pele podem ser criados em cativeiro (como chinchilas, coelhos e martas) ou ser caçados em seu habitat (como focas, ursos e lontras). O abate rola quando o bicho atinge a maturidade e ocorre sempre no inverno, quando o pelo é mais longo, brilhante e abundante
  2. Há vários modos de abater o bicho. Eles podem ser mortos a pauladas, ser estrangulados – método indolor, segundo os produtores – ou, entre outras técnicas para resguardar a pele, ser eletrocutados com a introdução no ânus de ferramentas que fritam os órgãos internos.
  3. Depois que o animal é morto, é hora de extrair sua pele. Há várias formas de escalpelá-lo, algumas mais profissionais e outras rudimentares e violentas.

Escalpelamento profissional:

  1. Nas fazendas de criação de chinchilas, faz-se um pequeno corte no lábio inferior do animal e outro próximo ao órgão genital
  2. Em seguida, é introduzida uma vareta de ferro de um ponto a outro. Ela funciona como um suporte-guia para o corte
  3. Com um bisturi, se desprega a pele do animal, evitando danificá-la. Quanto mais intacto o couro, maior o seu valor de mercado

Escalpelamento amador:

  1. Nos modos mais cruéis, como rola em alguns locais da China, o animal é morto a pauladas e suas patas são decepadas
  2. O bicho então é dependurado pelo coto da pata, e seu couro é extraído a partir desse ponto com a ajuda de uma faca
  3. A pele é puxada com força, como se fosse tirada ao avesso. Em muitos casos, o animal ainda está vivo durante esse processo
  4. Uma vez retirada, a pele é presa com alfinetes ou pregos numa tábua, onde ficará por alguns dias no processo de secagem. Nessa etapa, ela ganha forma definitiva e não vai mais encolher nem sofrer deformações
  5. O passo seguinte é o curtimento da pele. Num curtume, ela passa por banhos químicos para retirada de sujeiras, cheiro e gordura, evitando que apodreça mais tarde. Ela também pode ser tingida
  6. Após o curtimento, as peles vão para as confecções, onde são costuradas umas nas outras até tomarem a forma de um casaco. No acabamento, é aplicado um forro, em geral de cetim, na parte interna.

(Artigo publicado na Revista Mundo Estranho, em 28 jul 2009)

[1] N.T.: O rato-almiscarado é a única espécie do gênero Ondatra, é um roedor semi-aquático de porte médio nativo da América do Norte.

[2] O arminho é um carnívoro mustelídeo de pequeno porte pertencente ao grupo das doninhas. A espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e sub-árticas da Europa, Ásia e América do Norte.

[3] N.T.: Um Arcanjo, uma onda de vida muito superior a nossa e extremamente sábia. Lembrando: Cristo é um Arcanjo, o mais elevado entre eles.

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Jonathan e o Anjo

Jonathan e o Anjo

Jonathan não era exatamente medroso, mas, por outro lado, não era muito corajoso. Estava profundamente adormecido quando, de repente, pareceu-lhe ouvir uma música. Sentou-se a tempo de ver seu irmão e os outros pastores descendo a montanha apressadamente em direção à pequena cidade de Belém. Por que estavam indo a Belém a essa hora da noite? — E, se ele tinha que ficar sozinho para vigiar as ovelhas, eles não deveriam tê-lo avisado?

Então, Jonathan percebeu que havia muitas luzes no céu e que a música, que ele pensava ter ouvido em sonho, ainda continuava. Uma música como ele jamais havia ouvido — parecia ser acompanhada de centenas de vozes e era ao mesmo tempo tão doce e suave, que teve vontade de chorar. Mas que tolice! Ele tinha sete anos e certamente não chorava mais.

Entretanto, alguma coisa estava acontecendo que ele não podia entender. Sabia que era noite, mas o que eram todas aquelas luzes vibrando em todos os lugares, principalmente bem em cima de Belém? E de onde vinha aquela música?

As ovelhas não estavam agitadas, mas elas também estavam acordadas. Elas estavam deitadas, de olhos abertos e pareciam escutar a música. Elas, entretanto, não ficariam em silêncio por muito tempo, não com todas aquelas coisas estranhas acontecendo. E quando começassem a perambular, o que ele faria? Por que, oh, por que ele tinha importunado tanto seu irmão para que o trouxesse para as montanhas com os outros pastores? Ele era muito novo para ser pastor. Seus pais haviam dito isso e eles tinham razão. Agora, seu irmão e os outros tinham ido embora para, provavelmente, dar-lhe uma lição.

De repente, Jonathan sentiu seu coração quase parar de bater. Bem na sua frente, surgindo do nada, estava…estava um Anjo! Ele nunca tinha visto um Anjo antes, mas sabia que aquilo era um Anjo. Era alto, vestido todo de branco, com uma linda luz cor de pêssego reluzindo ao seu redor. Seu rosto era sério, mas tão bondoso que imediatamente Jonathan teve vontade de contar-lhe seus problemas.

Então, o Anjo sorriu e pronunciou umas palavras com voz tão profunda e suave, que parecia estar cantando e não falando:

— Seu irmão e seus amigos foram a Belém para ver algo muito bonito. Você gostaria de ir também, Jonathan?

— Sim – sussurrou Jonathan – mas e as ovelhas — ele começou a falar.

— As ovelhas estarão seguras. Venha, meu filho.

E o Anjo desceu o atalho que levava até a vila. Jonathan correu atrás dele e o alcançou, e ficou olhando para Seu rosto. O Anjo não disse nada, mas sorriu para o menino carinhosamente, com tanta beleza e amor, que Jonathan sentiu como se quase pudesse voar, de tão feliz que estava.

Juntos, eles desceram a montanha e atravessaram as estreitas e curvas ruas da vila, passando pelas lojas dos tecelões, pelos lugares onde se vendiam ervas cheirosas, pelo lugar onde se guardavam os camelos, pela loja do homem que fazia tendas e pela árvore sob a qual o velho Malaxai, o escriba, sentava-se todos os dias lendo e escrevendo cartas para as pessoas da vila.

Finalmente, eles chegaram ao outro lado da vila e a luz que tremulava pareceu-lhes ainda mais brilhante. Ali existia uma gruta onde os estrangeiros que ficavam na hospedaria guardavam seus animais. A gruta estava iluminada como se o Sol estivesse brilhando dentro dela. Parecia haver algumas pessoas, mas estava muito silenciosa. Nada podia ser ouvido, exceto a música que não cessava.

Jonathan viu seu irmão e os outros pastores ajoelhados e silenciosos. Viu também pessoas desconhecidas ajoelhadas. E viu que havia algumas vacas, ovelhas e um enorme cachorro que pertencia ao dono da hospedaria. Os animais estavam deitados e eles também estavam muito quietos.

Então, Jonathan viu um homem em pé no meio da gruta. Ele era alto e distinto, tinha cabelos pretos e barba longa. Não era um homem grande, mas parecia muito forte. Tinha na mão um bastão, que geralmente as pessoas que costumavam andar muito, usavam, mas não parecia apoiar-se no bastão.

Perto dele estava sentada a senhora mais bonita que Jonathan já havia visto. Seu rosto era jovem e radiante, seus olhos brilhantes e ternos e a luz brilhava fortemente à sua volta.

Na frente deles, no chão, havia uma manjedoura onde usualmente a comida do gado era posta. Nessa manjedoura, num berço de palha, estava deitada uma criança. E, de repente, Jonathan percebeu que era por causa dessa criança que as luzes estavam brilhando, que a música estava tocando e o Anjo o havia levado lá.

O bebê estava acordado, deitado quietinho, com seus olhos abertos, sorrindo para sua mãe — pois aquela linda senhora certamente era sua mãe — estendendo sua mãozinha para ela que lhe deu o dedo para segurar.

Sem saber exatamente por quê, Jonathan ajoelhou-se no chão na frente da manjedoura. O Anjo veio, parou a seu lado e disse baixinho numa voz terna:

— Este é o Menino Jesus. Maria e José são seus pais. Um dia, quando o pequeno Jesus crescer e for adulto, o grande Espírito Cristo vindo do Sol descerá, entrará nele e ele se tornará o Salvador do Mundo.

O Anjo afastou-se, mas Jonathan continuou ajoelhado. Não estava certo de ter entendido exatamente o que o Anjo quis dizer. Mas entendeu que Deus havia enviado aquela criança como um presente para ele, para seu irmão, para as pessoas da vila — enfim, para todas as pessoas do mundo. E que, por causa daquela criança, o mundo seria um lugar melhor e mais feliz para todos morarem nele.

Então, o bebê virou a cabecinha olhou para Jonathan e sorriu. Jonathan também sorriu, estendeu a mão e tocou de leve a madeira da manjedoura. Em seguida, um pouco assustado com o que tinha feito, tirou rapidamente a mão e ficou em pé, olhando para a mãe da criança.

— Estou contente por você ter vindo – ela disse com amor, exatamente com a mesma expressão de ternura que sua mãe o olhava sempre.

— E eu estou contente por ser um pastor essa noite e ter visto o bebê – disse Jonathan.

Ele se virou e foi saindo lentamente da gruta. Quando ele voltou para a vila, o Anjo apareceu de repente a seu lado:

— Voltarei para a montanha com você. Assim poderá dormir em paz quando chegar lá. Nada acontecerá às ovelhas nessa noite.

Eles andaram silenciosamente pelas ruas de Belém e Jonathan começou a perceber que, ao passar pela casa de pessoas conhecidas, pensava nelas com amor. Ele amava de fato todas as pessoas da vila e não se importava mais por Levi ter-lhe jogado uma pedra no outro dia, nem por seu irmão, às vezes, puxar o seu cabelo ou xingá-lo. Essas coisas não eram importantes. O importante era que todos aprendessem a amar-se uns aos outros e assim não haveria mais sofrimento no mundo. E Aquela Criança tinha vindo para dizer isso a todos.

Quando alcançaram o topo da montanha, Jonathan estava com muito sono. Sabia que devia dizer algo gentil ao Anjo e agradecer-Lhe por tê-lo levado para ver a criança, mas antes que pudesse falar alguma coisa, o Anjo disse:

— Agora, deite-se e durma Jonathan. Pela manhã, haverá um lindo nascer do Sol.

Jonathan deitou e cobriu-se com o cobertor. Logo adormeceu, mas, durante toda a noite, ouviu a música divina e viu a luz abençoada brilhando sobre Belém. Ele e suas ovelhinhas estavam seguros na companhia dos Anjos.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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A importância do Fósforo para Aspirante ansioso de se empregar em trabalhos mentais e espirituais

A importância do Fósforo para Aspirante ansioso de se empregar em trabalhos mentais e espirituais

Como lemos no livro O Conceito Rosacruz do Cosmos: “O cérebro, órgão coordenador que domina os movimentos do corpo e expressa as ideias, é constituído pelas mesmas substâncias que as demais partes do corpo, mas, além delas, tem o fósforo, peculiar somente ao cérebro.

Conclusão lógica a tirar: o fósforo é o alimento particular mediante o qual o Ego pode expressar pensamentos e influenciar o Corpo Denso. A quantidade desta substância é proporcional ao estado de consciência e ao grau de inteligência do indivíduo. Os idiotas têm muito pouco fósforo. Os profundos pensadores têm muito. No Reino Animal o grau de consciência e de inteligência está em proporção direta à quantidade de fósforo contida no cérebro.

Portanto, é de suma importância que o Aspirante ansioso de se empregar em trabalhos mentais e espirituais dê ao cérebro esta necessária substância.”

Apesar de pouco lembrado, ele é extremamente importante e tem um mecanismo delicado que precisa de um mínimo de atenção por parte dos veganos e vegetarianos.

Vamos ver para o que serve o fósforo: ingerir alimentos que são fontes de fósforo é importante porque assim você garante estrutura e força para ossos e dentes. O fósforo também compõe os ácidos nucleicos DNA e RNA, responsáveis pelo código genético e pela reprodução e reparação celular, e ainda faz parte da composição de muitas enzimas e hormônios. Ele participa do metabolismo de músculos, carboidratos e gorduras. Também equilibra o pH do sangue e é necessário para a produção de energia e o transporte de ácidos graxos (gorduras). Todas as células do corpo contêm o mineral, mas 85% dele você encontra depositado nos ossos e nos dentes.

Encontramos o fósforo na maioria dos vegetais (principalmente legumes, leguminosas, sementes, nozes e cereais integrais, mas também em verduras), frutas, quinoa, amaranto contém certa quantidade de fósforo. Maiores concentrações: uvas, cebolas, sálvia, feijões, abacaxi, alhos, e nas folhas e talos de muitos vegetais. Também no suco da cana de açúcar, mas não no açúcar refinado. A maior quantidade se encontra sempre nas folhas, geralmente desprezadas. Isso porque as plantas retiram o fósforo disponível no solo para fortalecer raízes, folhas e frutos.

O Corpo Denso de um adulto tem de 600 g a 900 g de fósforo: 85% presentes em ossos e dentes na forma de fosfato e o restante dividido entre tecidos e líquido extracelular. Quando você consome alimentos que são fontes de fósforo, entre 55% e 70% do mineral será absorvido no intestino. Em uma dieta vegetariana, essa porcentagem vale inclusive para o fósforo presente nos ovos (orgânicos) e leite (orgânico).

Para melhor absorvimento do fósforo o pH do  intestino tem que estar certo e saudável. Após a absorção, o fósforo cai na corrente sanguínea onde se junta ao cálcio, magnésio, sódio e às proteínas para chegar aos ossos, onde se deposita.

Deixar as leguminosas de molho na água por oito horas antes de cozinhar é fundamental para eliminar o fitato, um antinutriente que atrapalha a absorção do ferro, do cálcio e do zinco. Isso reduz o fitato, mas também o fósforo. Por isso que é importante uma alimentação baseada em vegetais. Entretanto, alguns alimentos, as bactérias intestinais e o levedo utilizado na fabricação de pães possuem a enzima fitase que decompõe o fósforo do fitato, sendo que esses alimentos e essas bactérias contribuem para tornar disponível certa quantidade de fósforo para absorção no trato gastrointestinal. Assim:cuide bem da flora intestinal e garanta um bom aporte de fósforo.

Além do mais, o fósforo melhora o desempenho físico porque ele faz um papel importante na produção de energia e atua na contração muscular, reduzindo a fadiga, quando você faz um esforço muscular muito grande.

Agora, como tudo, o excesso faz mal. Seu excesso no sangue é associado a maior risco de doença cardiovascular e mortalidade em pessoas com ou sem doença renal.

Seu excesso também prejudica a síntese da vitamina D e acelera o funcionamento da tireoide, que, por sua vez, pode atrapalhar a vida dos ossos, principalmente, se a ingestão de cálcio for inadequada.

Aparentemente as pessoas estão consumindo mais fósforo do que o necessário, porque aditivos fosfatos aparecem em alimentos industrializados e refrigerantes.

As deficiências do fósforo são raras, exceto em doenças que afetam a absorção do mineral, como diabetes, ou em casos extremos de fome total. Alguns sintomas de deficiência: perda de apetite, fraqueza muscular, fragilidade óssea, dormência nas extremidades, suscetibilidade a infecções e raquitismo em crianças.

Lembremos sempre que antiácidos contendo alumínio reduzem a absorção de fósforo na dieta pela formação de fosfato de alumínio, que o corpo é incapaz de absorver. Quando consumidos em altas doses, esses antiácidos podem produzir níveis muito baixos de fósforo no sangue, bem como agravar a deficiência do mineral. Também: redução da acidez estomacal, reposição hormonal em mulheres na pós-menopausa e doses excessivamente altas de forma ativa da vitamina D podem provocar uma diminuição dos níveis do fósforo no Corpo Denso.

Que as rosas floresçam em vossa cruz