Categoria Histórias da Fraternidade Rosacruz

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Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

 

Café da manhã — 7:30 A. M.

Melão;

Flocos de milho torrados e creme;

Ovos mexidos com torrada;

Café e/ou leite.

——

Almoço — 12:00

Feijão de corda cozido;

Abobrinhas fritas;

Batatas marrons frescas;

Pão de trigo integral, manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

——

Ceia — 5:30 P. M.

Salada de aspargos;

Rabanetes frescos;

Pão quente com manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

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Um Homem Misterioso

Um Homem Misterioso

O Conde de St. Germain, a quem o grande filósofo e escritor francês, Voltaire, chamou de “O homem que tudo sabe e que nunca morre”, é sem dúvida alguma, uma das mais surpreendentes e misteriosas figuras da história.

A Enciclopédia Britânica qualifica-o de “Homem Milagroso” e realmente não se conhece a sua origem até os dias de hoje. Sua vida, sua obra e seu desaparecimento final estão tão velados, que seu nome já é sinônimo de misterioso e de incógnito.

Nas cartas e memórias dos grandes vultos da história podemos encontrar os motivos que o animaram em seus fins e ações. Só dessa forma poderemos ter uma ideia estimativa desse homem que procurou apagar suas pegadas e as de sua obra.

Aparentemente, viveu durante centenas de anos um homem que parece ter podido transmutar metais comuns em ouro fino e seixos em pedras preciosas. Por centenas de testemunhas dignas de confiança sabemos que ele não envelhecia durante um período de cem anos. Parecia até tornar-se mais jovem. Temos também relatos de que o Conde poderia abandonar seu corpo físico à vontade, aparecendo, em questão de momentos, a seus amigos localizados a milhares de quilômetros de distância.

Nada se sabe do seu nascimento nem de sua linhagem. Rumores não autênticos indicavam-no como filho do príncipe Racoczy da Transilvânia. Outros acreditavam ser o rei de Portugal seu pai. Mas isso nunca foi confirmado. Apenas podemos descobrir que o conde apareceu cedo nos círculos das cortes europeias, pelo século XVIII. E desde seu aparecimento tornou-se pessoa célebre; fabulosamente rico, formoso e culto, possuindo aparentemente poderes sobrenaturais e conhecimentos incríveis.

Em seu fascinante livro “’Souvenirs de Marie Antoinette”, a Condessa d’Adhemar descreve a apresentação do St. Germain na corte de França: “No ano de 1743 correu o rumor de que havia chegado de Versailles um estrangeiro enormemente rico, a julgar pela magnificência de suas joias. De onde veio jamais se soube. Sua figura era agradável e graciosa. Suas mãos delicadas e seus pés pequenos. Suas pernas bem proporcionadas, realçadas por umas meias bem ajustadas. Seu sorriso mostrava dentes magníficos, barba muito bem tratada, cabelos negros, um olhar suave e penetrante, e seus olhos, oh! Nunca vi olhos semelhantes! Parecia ter 40 anos. Frequentemente era encontrado nos apartamentos reais, onde era admitido sem restrições…”.

Nos perigosos dias que precederam a revolução francesa, vamos encontrá-lo como constante conselheiro e confidente de Luís XVI, Maria Antonieta e de Madame Pompadour. Ele lhes predisse exatamente a revolução e os dias de terror. Apesar de deplorar os sofrimentos e o derramamento de sangue e as injustiças que se aproximavam, procurou fazer com que compreendessem o inevitável e a grande necessidade de mudanças como parte da evolução humana.

Profetizou o dia e a hora em que Maria Antonieta deveria morrer na guilhotina. E, mais tarde, temos o testemunho da própria rainha de que ele lhe apareceu na prisão em seus corpos sutis, assegurando-lhe que a guiaria no país além da morte. Por isso foi ela capaz de caminhar com soberba altivez para a guilhotina, sendo admirada por todos que a viram.

Madame de Pompadour o menciona repetidamente em suas memórias. Em uma delas disse: “Ele possui um conhecimento sólido de todas as línguas, antigas e modernas; uma memória prodigiosa; uma erudição da qual se vislumbra algo entre o esmero de sua conversação. Ele contava anedotas da corte de Valois e de príncipes ainda mais antigos, com detalhes tão preciosos, dando a impressão de ter sido testemunha ocular do que contou. Viajara por todo o mundo e o rei gostava de ouvir as narrativas de suas viagens pela Ásia, África, pelas cortes da Rússia, Turquia e Áustria. Parecia estar mais a par dos segredos dessas cortes do que os próprios embaixadores do rei. Em uma ocasião manifestou ter conhecido pessoalmente Cleópatra e de ter conversado com a rainha de Sabá”.

De qualquer maneira, essa é uma pretensão assombrosa, mas a nota de autenticidade é dada pelo famoso compositor Rameau, que declara tê-lo conhecido em Veneza no ano de 1710 e que, em 1795, o Conde St. Germain parecia consideravelmente mais jovem do que o era 85 anos antes.

Em sua biografia de Maria d’Antonieta, a Condessa d’Adhemar conta ter ouvido uma conversação entre St. Germain e a Condessa de Gergy, uma senhora já idosa:

“Há cinquenta anos, fui embaixatriz em Veneza. Lembro-me de tê-lo visto naquela ocasião, chamando-se Marquês Balleti. Sua aparência era como a atual. Só parecia estar em idade mais madura, pois agora é mais jovem do que antes”.

“Madame — respondeu o conde sorrindo —, tenho muita, mas muita idade.

— Mas então deve ter centenas de anos! Exclamou a condessa surpreendida.

— “É possível que eu seja muito mais velho”, respondeu ele, e fez Madame de Gergy lembrar-se de uma porção de detalhes que ambos conheciam do Estado de Veneza. Como a Condessa ainda não acreditasse, fez-lhe lembrar certas circunstâncias e observações.

— “Não! Não! Interrompeu a velha embaixatriz com voz trêmula. Já estou convencida; por certo sois um deus ou um diabo!”.

Marquês Balleti foi apenas um de tantos nomes assumidos pelo conde. Entre os anos de 1710 e 1822 esse homem surpreendente andou pelo mundo sob os mais diferentes nomes e títulos.

Lemos dele como sendo um agente jacobino em Londres; um conspirador em St. Petersburgo; um alquimista e perito artista em Paris; um aventureiro no México e um general russo em Nápoles. Também temos crônicas a seu respeito relatando que fundou e influenciou grandemente a muitas sociedades espirituais e entre elas estão os Francomaçons, os Rosacruzes, os Cavaleiros da Luz, os Cavaleiros Templários, os Illuminati, etc. Esses últimos foram dirigidos por ele nas suas reuniões nas cavernas do rio Reno.

Esse homem praticamente encontrou-se e conversou com todas as figuras históricas de alguma importância durante o século XVIII. Existem cartas pessoais indicando que o conde fez muitas pessoas jurarem que se calariam. Mas existem suficientes relatos indicando que ele deu conselhos altamente significativos a cada um. Horácio Walpole falou-lhe em Londres no ano de 1745; Clive, o conquistador da Índia, conheceu-o intimamente naquele pais em 1756; Madame d’Adhemar afirma que ele a visitou cinco vezes depois de sua suposta morte, ou seja, trinta e seis anos depois; o famoso Mesmer confessou que St. Germain era seu instrutor. E o escritor Bulwer Lintton era um dos seus amigos.

Uma indicação dos seus poderes telepáticos está contida em Recordações de Viena, de Franz Graffer: “St. Germain pouco a pouco fez-se esquisito. Por uns momentos ficou rígido como uma estátua; seus olhos, sempre expressivos, mais do que se poderia descrever, tornaram-se sem brilho e sem cor., mas, de repente, todo seu ser tornou a se animar; fez um aceno com a mão como se despedisse e afirmou: ‘Devo partir imediatamente. Precisam de mim em Constantinopla e depois na Inglaterra, para preparar as invenções que lhes serão entregues no próximo século: trens e barcos a vapor'”.

Considerando que isso foi escrito muito antes da invenção das duas máquinas a vapor, não podemos duvidar que ele operava em dimensões e sob leis desconhecidas do homem comum.

Notícias pouco fidedignas anunciam a morte do conde de St. Germain no ano de 1784, no Palácio de Carlos de Hesse (Alemanha). Uma autoridade escreveu: “Uma grande incerteza cerca os últimos anos de St. Germain, pois não se pode depositar nenhuma confiança no anúncio da morte de um iluminado feito por outro, pois pode ter servido aos interesses da sociedade, que se fizesse crer na morte do conde”.

H.P. Blavatsky escreve em data posterior: “Acaso não é absurdo supor que, se ele realmente morreu no lugar e no tempo indicados, fosse sepultado sem pompa nem cerimônias, nem supervisão oficial e sem o registro policial que acompanha os funerais de personagens da sua envergadura? Onde estão esses dados? Ele desapareceu da vida pública faz mais de um século, mas não existe registro desse acontecimento. Um homem, em torno de quem se fez tanta publicidade, não pode desaparecer sem deixar pegadas.

“Além disso, temos provas positivas atestando que ele continuou vivendo durante outros anos depois de 1784. Teve uma conferência particular muito importante com a Imperatriz da Rússia em 1785. Apareceu à princesa de Lombelle, quando ela esteve ante o tribunal, minutos antes de ser executada. Da mesma forma apareceu a Jeanne Du Barry, a concubina de Luiz XVI, quando, no cadafalso da guilhotina, durante os dias de terror, no ano de 1793”.

Inúmeras outras personalidades declararam ter visto e conversado com o Conde de St. Germain depois de sua morte.

Entre esses, encontra-se o Conde de Challon que declarou, numa reportagem, ter conversado com ele, longamente, em diferentes ocasiões, depois de 1784; aí está também a asserção de Madame de Genlis, de que lhe falou durante as negociações para o Tratado de Viena em 1821; afirmação de Madame d’Adhemar, dos seus diálogos com ele até o ano de sua morte em 1822 e da doutora Annie Besant, no órgão ‘Theosofist’ de janeiro de 1912, de que ela o encontrara e falara pela primeira vez em 1896.

Nos documentos oficiais da Franco Maçonaria, consta que ele foi eleito representante dos francos maçons franceses em 1785, detalhe esse mencionado na Enciclopédia Britânica. Na Grande Biblioteca Ambrosiana, de Milão, está registrado que ele presidiu a uma reunião da Grande Loja, juntamente com Cagliostro, St. Martin e Mesmer, no ano de 1867. Logo, devemos forçosamente deduzir que não existe um documento autêntico sobre a morte de St. Germain. Sua partida deste mundo é tão misteriosa como seu aparecimento. Se é que partiu realmente.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – de maio/1959 e na de maio/jun/1988)

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Max Heindel e a Grandiosidade da Sua Obra

Max Heindel e a Grandiosidade da Sua Obra

Toda e qualquer atividade sempre apresenta certos aspectos que se constituem em requisitos fundamentais para que seja executada com perfeição. Assim, para comprovar tal afirmativa vamos apresentar um exemplo ilustrativo. Um homicídio é cometido em um ponto qualquer da cidade. É óbvio que os primeiros movimentos em torno do caso partem das autoridades policiais, as quais após efetuarem as diligências costumeiras, descobrem o autor do crime e o detêm. Logo em seguida entram em ação os repórteres, pois um fato dessa natureza, invariavelmente, será publicado nos jornais, no dia subsequente àquele em que ocorreu. É lógico que o público tomará conhecimento da ocorrência conforme a exatidão, clareza, precisão e fidelidade com que for narrada. Indiscutivelmente, esses fatores pesam de maneira decisiva na elaboração de qualquer reportagem, porém, esta só poderia adquirir algo substancioso ou apresentar um conjunto harmônico, caso viesse a se estruturar na resposta às seguintes perguntas: Quem cometeu o crime? Quando? Onde? Como? Por quê? Este “por quê?” assume uma importância capital na análise da questão, pois, como todo efeito é gerado por uma causa, respondendo-se à tal pergunta, inevitavelmente atinge-se o cerne do acontecimento.

No campo espiritual a situação se nos depara em circunstâncias mais ou menos análogas, pois somente o conhecimento das causas, e dos efeitos decorrentes delas, é que pode levar o ser humano à solução de diversos problemas e do grande enigma que se resume nestas três indagações: donde viemos? Quem somos? Para onde vamos?

Atualmente a nau da humanidade singra um mar revolto, encapelado pelas ondas do materialismo e de doutrinas que, embora revestidas de belos princípios morais, ainda não demonstraram a seus seguidores que eles possuem dentro de si uma essência divina. Sim, o ser humano é espírito, mas já se convenceu inteiramente disso?

Felizmente, para contrabalançar esse estado de coisas, existem os movimentos impulsionados por comunidades espiritualistas-filosóficas no mais elevado sentido do termo, as quais procuram despertar, emancipar, esclarecer, mostrando ao ser humano o maravilhoso caminho da evolução, sua ascendência em espiral, os diversos veículos através dos quais o Ego se manifesta, os diversos mundos interpenetrando-se, proporcionando um apreciável estudo de Cosmogênese e Antropogênese, analisando os mais intrincados problemas que a humanidade encontra pela frente.

Sem querer expressar qualquer julgamento que se constitua em demérito aos demais movimentos filosóficos, colocamos a Fraternidade Rosacruz na vanguarda do neo-espiritualismo, porque embora as outras organizações lutem por um ideal semelhante, esse será alcançado com mais segurança por meio dos métodos rosacruzes, que diferem dos outros métodos num ponto básico: emancipam espiritualmente o estudante.

Além disso, a Filosofia Rosacruz concilia as exigências da razão com os ditames do coração, por meio de preceitos lógicos, simultaneamente científicos e devocionais.

Num mundo como o de hoje, onde ciência e religião permanecem divorciadas, muitos podem julgar que o ideal Rosacruz constitua mera utopia.

Aos que hesitam em acreditar na veracidade de tão maravilhosos preceitos, recomendamos que leiam a obra básica da filosofia Rosacruz: O Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.

Mas, quando principiarem a leitura, dispam-se de todo juízo prematuro, abandonem quaisquer rasgos de unilateralismo e, ao penetrarem na essência de cada tópico, poderão constatar realmente que essa obra se fundamenta no conhecimento. Não foi o resultado de vãs divagações ou simples pretensão de se lançar ao mundo mais um ramo filosófico, entre tantos já existentes. Não foi um livro escrito para ser lido como outro qualquer, porque a profundidade encerrada em suas linhas denota um trabalho meticuloso, consciencioso e repleto de amorosidade. Qualquer ser humano, possuidor de pelo menos uma inteligência mediana, logo verificará que o Conceito Rosacruz do Cosmos não é uma obra dogmática, mas respeita a sagrada liberdade que cada um tem de aceitar ou não uma proposição conforme o que decide a consciência.

O autor teve o especial cuidado de, ao iniciar a obra, tecer considerações alusivas às possíveis interpretações dos conceitos emitidos, pois o entendimento errôneo por parte de alguns ou uma distorção maldosa por parte de outros poderiam suscitar uma ideia de infalibilidade na exposição efetuada sobre diversos temas. Porém, Max Heindel ressaltou sobremaneira tal fato, afirmando que, dizer-se que a referida exposição fosse infalível seria o mesmo que lhe atribuir onisciência, quando até os seres mais elevados às vezes se enganam nos juízos que fazem. O Conceito Rosacruz do Cosmos encerra apenas a compreensão do autor sobre os ensinamentos Rosacruzes, sobre o mistério do mundo, revigoradas por suas investigações pessoais nos mundos internos e sobre os estados antenatal e post-mortem do ser humano, concluindo por afirmar que não considera tal obra como sendo o alfa e o ômega, o último conhecimento oculto. Isso é prova fatal de que o autor não possuía nenhum outro interesse a não ser prestar um serviço digno ao gênero humano.

A leitura pausada de cada tópico tratado no O Conceito Rosacruz do Cosmos, acompanhada de profunda meditação, faz-nos concluir que essa notável obra é verdadeiramente um “alimento sólido”. Aqueles que procuram a luz, encontrá-la-ão no O Conceito Rosacruz do Cosmos, pois a necessidade premente de cada ser humano é de olhos para ver o esplendor que realmente existe.

Muitos podem objetar — apesar de todos os prós encontrados a favor de Max Heindel: quem nos pode proporcionar uma garantia definitiva da fidelidade dos relatos contidos no livro e das intenções íntimas do autor?

A esses responderemos aconselhando que estudem a biografia de Max Heindel. Ele nos deixou, como aval de sua magnífica obra, uma vida repleta de lutas, dificuldades, sofrimentos, estudos, pesquisas incessantes, e um coração transbordante de amor, coroando a modéstia que o caracterizava. Somente um homem assim, dotado de extraordinária envergadura espiritual, poderia suportar e vencer provas tão difíceis, que facilmente aniquilariam o indivíduo comum, pois, a vulgar tentativa de se alcançar uma glória perecível ou uma projeção egoísta, fatalmente ocasionaria a inexorável derrota ante os sérios obstáculos impostos pela própria vida. Daí concluirmos que unicamente um ideal impulsionou Max Heindel a encetar essa gigantesca obra: servir a humanidade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1967)

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Augusta Foss de Heindel

Augusta Foss de Heindel

A data de 27 de janeiro é muito significativa para a comunidade Rosacruz. Ela marca o nascimento, em 1865, de Augusta Foss de Heindel, esposa do iluminado místico-ocultista, fundador da Fraternidade Rosacruz.

Foi uma mulher incomum. Sua vida está indissociavelmente ligada a The Rosicrucian Fellowship. Graças ao seu espírito altruísta e sua elevada compreensão dos ideais rosacruzes, logrou cumprir importante missão. Sua colaboração decisiva tornou possível as obras da sublime realidade que se chama “Mount Ecclesia”. Augusta vendeu as propriedades e valores recebidos por herança e, espontaneamente, investiu esse dinheiro na compra do terreno e na construção dos primeiros edifícios da Sede Mundial. Como só acontece com as almas avançadas, naquela obra ela empregou também suas energias, seus brilhantes talentos, sua vida, enfim.

Heindel e Augusta Foss conheceram-se em 1898, numa conferência teosófica realizada na cidade de Los Angeles. Ele, vivendo uma fase das mais difíceis, buscava incessantemente respostas convincentes às dúvidas que o atormentavam. Já naquela época, como aconteceu até o final de seus dias, procurava o significado mais profundo da vida, na esperança de vislumbrar um alívio para o sofrimento humano. Notando a ansiedade que dominava a natureza perscrutadora dele, ela lhe facilitava livros capazes de ampliar seus conhecimentos.

Anos mais tarde, Max Heindel seria escolhido o mensageiro da Ordem Rosacruz, pelos Irmãos Maiores, cujos ensinamentos e método deveria trazer ao conhecimento do mundo ocidental.

Nessa epopeia maravilhosa, sempre pôde contar com o apoio e colaboração incondicionais de Augusta Foss.

Em 10 de agosto de 1910, contraíram matrimônio na cidade de Santana, Califórnia. Os anos seguintes revestiram-se de lutas e ingentes esforços. A consolidação de uma obra assim, de tamanha envergadura, só seria possível mediante uma dedicação plena e ininterrupta de energias. Tempos heroicos aqueles, em que um pequeno grupo de idealistas manteve uma fé inabalável no futuro grandioso da Fraternidade Rosacruz. Foram os alicerces espirituais daquele empreendimento.

Em 6 de janeiro de 1919, Max Heindel passava para o além. Muito havia ainda por fazer. Mas os trabalhos não sofreram solução de continuidade. A Senhora Heindel, com a ajuda de fieis Probacionistas, prosseguiu dirigindo todas as atividades esotéricas da Fraternidade.

Infatigável na lida diária, jamais deixou de orientar-se pelas diretrizes que seu falecido esposo recebera dos Irmãos Maiores. Sempre zelosa no trato dos negócios da The Rosicrucian Fellowship, portou-se com admirável firmeza quando alguns fatos ameaçaram abalar a unidade existente em Mount Ecclesia.

Sua vida constituiu um verdadeiro hino de caridade, uma vivência real do serviço amoroso e desinteressado. A esse respeito, destacamos algumas palavras contidas em sua última carta dirigida aos estudantes: “Todos têm a mesma oportunidade de servir. O serviço é o único caminho conducente à grandeza. Não importa quão eficientes sejamos para servir. Se nos vangloriamos de obras que realizamos, caber-nos-á somente nossa efêmera glória pessoal. Outra direção não devemos reconhecer a não ser a do Cristo. Nem sequer a dos Irmãos Maiores, porquanto eles não determinam, mas aconselham como amigos que são. Devemos trabalhar incansavelmente para remover os blocos de pedra que atravancam o caminho da humanidade. Isso pode ser feito da melhor maneira, seguindo a obra iniciada pelos Irmãos Maiores.”

O desenlace de Augusta Foss de Heindel ocorreu em 9 de maio de 1949, após algumas décadas preenchidas generosamente com incansável labor na Seara do Cristo.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 02/1978)

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Uma Fonte de Inspiração

Uma Fonte de Inspiração

O último dia 23 de julho foi uma efeméride marcante para os Estudantes Rosacruzes. Nessa data, os Centros e Grupos comemoram o aniversário de nascimento de Max Heindel. Não se trata de mera homenagem póstuma. Muito mais do que isso, procura-se evocar, reverentemente, a figura e o trabalho do fundador da Fraternidade, como fontes perenes de inspiração em que se converteram.

Rememorando aspectos de sua obra, passagens de sua vida e traços de seu caráter, sentimos como que renovada nossa disposição em trilhar tão áspero e, ao mesmo tempo, luminoso caminho. Áspero, porque o crescimento anímico não prescinde do sacrifício e da renúncia para tornar-se uma realidade na vida do aspirante. Jornada pouco convidativa para os débeis e acomodados, ascese gloriosa para os espíritos intimoratos, essa é a vereda da evolução, iluminando pelo conhecimento e experiência os passos corajosos dos idealistas.

A contribuição espiritual de Max Heindel em benefício da humanidade constitui algo de valor inestimável. Dia a dia seus ensinamentos são corroborados pela ciência oficial, abrindo, ao ser humano, horizontes de maior amplitude.

À medida que o tempo passa, acentuam-se os conflitos humanos, exigindo rápidos e eficazes remédios. Não há mais lugar para paliativos. Não se concebe, definitivamente, recursos protelatórios. O mundo deve conhecer as causas de seus sofrimentos e neutralizá-las por meio de persistentes esforços.

Atualmente, a nau da humanidade singra um mar revolto, encapelado pelas ondas do materialismo. No campo oposto encontramos doutrinas que, embora revestidas de belos princípios morais, ainda não demonstraram a seus seguidores a realidade da Essência Divina que as anima. São incompletas.

O ser humano é espírito. Mas quantos já se convenceram inteiramente disso?

Ciência e religião permanecem divorciadas, embora a distância que as separa tenha sofrido considerável redução. Cientistas e religiosos ainda não lograram conciliar os pontos de vista que defendem, chegando a um denominador comum.

Diante de uma análise superficial desse quadro, alguém pode até julgar mera utopia o ideário da Rosacruz. Puro engano. Os ensinamentos rosacruzes constituem, justamente, fatores capazes de tornar a religião científica e a ciência religiosa, por promover a união entre o intelecto e o coração. Satisfazem a Mente tanto quanto a natureza devocional do ser humano. Aos hesitantes em crer na veracidade e poder de transformação desses maravilhosos preceitos, tomamos a liberdade de recomendar uma leitura atenta, seguida de profunda meditação, da obra básica Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.

Contudo, ao principiarem a leitura, sugerimos despirem-se de todo juízo prematuro. Abandonem quaisquer rasgos de unilateralismos. Ao penetrarem na essência de cada tópico constatarão como a obra acima referida fundamenta-se num conhecimento de ordem superior. Ela não se configura como o resultado de prolongadas divagações filosóficas ou exaustiva especulação intelectual. Não brotou da pretensão de lançar ao mundo mais um ramo filosófico, entre tantos já existentes. Não é um livro escrito para ser lido como outro qualquer.

Um ser humano dotado de uma inteligência mediana logo verificará que o Conceito Rosacruz do Cosmos não é uma obra dogmática, mas respeita a sagrada liberdade de cada um aceitar ou não uma proposição conforme delibere sua consciência.

O autor teve o especial cuidado de, ao iniciar a obra, tecer considerações alusivas às possíveis interpretações dos conceitos nela emitidos. Admitia que o entendimento errôneo de alguns ou uma distorção maldosa por parte de outros poderia suscitar uma ideia de infabilidade na exposição efetuada sobre diversos temas. Porém, Max Heindel acautelou-se, afirmando que dizer-se que a referida exposição é infalível seria o mesmo que atribuir-lhe onisciência, quando até os seres mais elevados às vezes se enganam nos juízos que fazem. O Conceito encerra apenas a compreensão dele sobre os ensinamentos rosacruzes a respeito do mistério do mundo, revigorada por suas investigações pessoais nos mundos internos e sobre os estados antenatal e pós-morte do ser humano. Concluiu afirmando que não considera tal obra como sendo “o alfa e o ômega”, o último conhecimento oculto.

Percebe-se, daí a honestidade de propósitos do autor, cuja única meta consistia em prestar um digno serviço ao gênero humano. Todas as suas obras constituem um “alimento sólido”, capaz de nutrir o espírito em suas necessidades essenciais.

Todavia, apesar dessa argumentação alguém ainda pode objetar: — afinal, quem pode oferecer uma garantia cabal e definitiva da fidelidade dos relatos contidos no livro e das intenções íntimas do autor?

A tal indagação respondemos: estudando a biografia de Max Heindel. Ele nos deixou, como aval de seu magnífico trabalho, uma vida repleta de lutas, dificuldades vencidas, sofrimentos pacientemente suportados, estudos, pesquisas incessantes, e um coração transbordante de amor. Era um ser humano modesto. Nada reivindicava a seu favor. Riquezas materiais e honrarias nunca o deslumbraram. Foi trabalhador infatigável, companheiro de todas as horas, o primeiro a servir.

Somente alguém assim, dotado de extraordinária envergadura espiritual, poderia suportar e vencer provas tão difíceis, que facilmente aniquilariam o ser humano comum.

Os resultados de seus esforços estão aí, beneficiando tantos quantos se integraram à Fraternidade Rosacruz e mesmo outros que nunca se propuseram a fazê-lo. “Pelos seus frutos vós os conhecereis”, afirmou o Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1978)

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A inauguração do boletim periódico “Echoes” e o motivo desse nome

A inauguração do boletim periódico “Echoes” e o motivo desse nome

Embora o corpo estudantil da Fraternidade Rosacruz esteja espalhado pelo mundo, livre de juramentos ou promessas no que diz respeito à sua conexão com a Fraternidade Rosacruz, o poder titânico da ardente aspiração une tudo em um propósito comum: construir, “sem o som de martelo”, o templo da alma que é a verdadeira Ecclesia. Portanto, eles olham para o Mount Ecclesia como o foco físico das forças que visam levar todos à estatura de Cristo, o “Amigo do Homem”, e todos estão ansiosos por notícias das atividades na Sede, particularmente no que diz respeito à Escola de Filosofia e Cura que, agora, estão prestes a abrir. Há pouco espaço nas cartas e lições para conter os ensinamentos; portanto, essa pequena folha será dedicada a “novidades”. Mantenhamo-la! Anos mais tarde, quando teremos grandes jornais e revistas, terá valor como uma lembrança dos “primeiros dias”.

Muitos pensam que todos os que se envolvem em atividades espirituais são parasitas que não fazem nada, além de flutuar na terra nebulosa e meditar. Se essas pessoas pudessem ouvir a fumaça do nosso motor, o ranger das prensas, o clique das máquinas de escrever, com o som acrescentado do martelo de carpinteiro, elas logo constatariam a veracidade da frase conhecida: o edifício do templo é incompatível com ambos, a preguiça e o silêncio. Monte Ecclesia é o último lugar no mundo para um sonhador preguiçoso.

Todos, de Max Heindel até a última pessoa que aqui chegou, trabalham duro de sol a sol. Trabalhamos tanto fisicamente como mentalmente, e não há como fugir do “barulho”; esse é o motivo de nomearmos nossa pequena folha de notícias com o nome de “Echo”. Um dia pode se tornar um fator importante na elevação do mundo, pois Max Heindel pretende publicar um artigo que dê as notícias do mundo, boas e más, com a lição moral contida em cada item, mas sem parecer pregar e sem o rótulo de “religião”, tão desagradável para a maioria das pessoas. Acredita-se que ao revestir o ponto de vista espiritual com uma vestimenta de “senso comum”, podemos despertar o “eco da aceitação” em milhares de corações. Esse plano, é claro, requer pessoas, dinheiro e tempo para amadurecer, mas será realizado.

(Traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Brasil do Echoes From Mt. Ecclesia – nº 1 – de junho de 1913)

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O Destino e o Futuro da Fraternidade Rosacruz

O Destino e o Futuro da Fraternidade Rosacruz

A Fraternidade Rosacruz, como todo agrupamento formal de indivíduos no plano material, tem suas provações e privações. Tais dificuldades se situam na própria natureza da existência terrestre e na falibilidade humana. Estamos aqui reeditando um artigo da revista Rays From the Rose Cross sobre certas críticas sobre a Fraternidade Rosacruz precisamente para mostrar que elas são permanentes na sua natureza e amplas devido aos julgamentos humanos desequilibrados e restritos e a expectativa implausível de que toda organização satisfaz completamente as diversas necessidades e ideias de todos os seus membros. As questões colocadas nesse artigo, quando apareceram pela primeira vez em 1936, são atuais – e também o são as respectivas respostas.

Agora é o tempo de novas ideias, novos programas revolucionários e inícios de novas maneiras de agir em todo lugar e para todas as coisas. As pessoas que atacam crenças e instituições estão ocupadas, e isso é bom, porque onde há completa autossatisfação sabemos que também há sempre a crescente inércia e a crescente ineficiência.

Um estado de inteira autossatisfação é, realmente, a única coisa que nós deveríamos estar alertas. Enquanto há um espírito de questionamento, investigação e de progresso, nós sabemos que, decididamente, chegaremos a algum lugar. A Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel há 25 anos atrás sob as diretas orientações de um Mestre, um dos treze membros da Ordem Rosacruz, é alvo de uma quantidade de críticas construtivas e muitas outras destrutivas. O objetivo desse artigo é examinar os fatos desses casos e apresentar alguns pontos de vistas e expor algumas conclusões que, acredita o autor, têm uma influência vital sobre o assunto em questão.

Para começar, vamos considerar a Fraternidade Rosacruz em si mesma: ela é os Ensinamentos de Sabedoria Ocidental para as pessoas que vivem no ocidente, porque a Ordem Rosacruz, de onde ela se originou, é encarregada da evolução do ocidente. Vários ensinamentos Orientais, que surgem no continente americano, de tempos em tempos, tem seu mérito, mas eles são, particularmente, adequados para as pessoas do oriente, e não são apropriados para o tipo de Mente do ocidental. A Filosofia Rosacruz é essencialmente uma filosofia Cristã, explanando a doutrina Cristã do ponto de vista esotérico. Portanto, está melhor adaptada às necessidades do povo do ocidente. Max Heindel disse a um amigo do autor, que estava presente na primeira Escola de Verão em Mount Ecclesia em 1913, que a Filosofia Rosacruz estava destinada a, dentro de 500 anos, a se tornar a religião dominante em toda a parte ocidental. Isso gerou uma profunda impressão no autor, e à luz disso, sempre lhe pareceu particularmente valioso poder ajudar a disseminar essa Filosofia, além dos próprios benefícios derivados da aplicação dessa mesma Filosofia.

A Fraternidade Rosacruz foi elaborada de modo a ser o instrumento da Ordem Rosacruz e seu representante exotérico para apresentar a Filosofia ao mundo. Portanto, ela tem um grande destino, antes de que isso alcance todas as suas possibilidades. Mais do que isso, ela tem todo o aparato material e um quarto de século de experiência e treinamento, o que lhe fornece um grande impulso e a faz, particularmente, um instrumento útil para a obra a que foi designada.

Há uma grande necessidade de oferecer a Filosofia Rosacruz para toda a América e para as outras partes do ocidente. Há uma nova leva de sensitivos sendo desenvolvidos a cada ano que podem utilizar a Filosofia com grande vantagem. O mundo, atualmente, está repleto de pessoas que buscam a Luz e uma solução para os seus problemas. Elas estão prontas para a nossa Filosofia. E para servir a sua necessidade, temos, na opinião do autor, o melhor do mundo filosófico atual.

Quero considerar, brevemente, algumas das sugestões e críticas que surgiram no decorrer do ano, para a melhoria do trabalho da Fraternidade e para a eliminação das características consideradas indesejáveis. Essas críticas e sugestões serão analisadas somente com o desejo de averiguar a verdade.

Primeiro: nós ouvimos dizer, em alguns lugares, que a Fraternidade está tão cristalizada que, como qualquer outra coisa que se cristaliza a tal ponto, ela está se acabando. Contudo, a Fraternidade está, de fato, apenas em sua infância. Um movimento que está destinado a revolucionar a religião do mundo ocidental não nascerá e nem se realizará em um pequeno período de 25 anos. A Igreja Católica existe há mais de 1500 anos e não se pode dizer que está se cristalizando a ponto de se acabar. É verdade que devemos distinguir entre a Filosofia Rosacruz e Fraternidade Rosacruz; já que a Fraternidade Rosacruz foi precisamente criada para executar o trabalho pioneiro de oferecer a Filosofia Rosacruz ao mundo e estabelecer a Fraternidade Rosacruz por meio de um trabalho de base, durante esse tempo de agora, e é completamente injustificável falar sobre cristalização nessa fase. A Fraternidade Rosacruz terá seus altos e baixos, seus ciclos de fortaleza e fraqueza, como qualquer outra instituição humana. Daqui a cem ou duzentos anos as influências cristalizantes poderão até se tornar sérias a ponto de significar uma dissolução, caso em que será substituída por outro movimento melhor adaptado para continuar o trabalho. No entanto, com certeza, esse estágio ainda não foi nem remotamente abordado.

Segundo: ouvimos o desejo de muitos para termos mais ensinamentos esotéricos, além do que já nos foi disponibilizado, e a crítica de que nada de novo foi produzido pela Fraternidade Rosacruz. Isso não é verdade, pois há muitas coisas novas chegando. Contudo, de muito maior importância é o fato de que Max Heindel nos deu material de filosofia suficiente para durar por centenas de anos, sem a necessidade de se acrescentar nem uma linha a mais. Nem conseguimos começar a assimilar aquilo que nós já recebemos, então por que a demanda por mais material? A Filosofia Rosacruz, tal como nos foi fornecida, é um esboço e um tratado completo sobre: a história do Cosmos, a natureza básica do ser humano e o treinamento e desenvolvimento esotérico. Por que pedir mais além disso? Parece, ao autor, que somente os buscadores de fenômenos, que necessitam de uma sensação após outra a fim de que possam manter o interesse estimulado, fazem esse tipo de exigência. É algo como as crianças do ensino fundamental que exigem ensinos universitários, quando ainda não aprenderam suas lições básicas. O que se precisa é fornecer a essas pessoas o acesso à literatura Rosacruz já disponível. A literatura Rosacruz fará o trabalho. Nós não precisamos de fenômenos; nós não precisamos de experiências esotéricas sensacionalistas. Nós precisamos, somente, de uma apresentação clara das verdades vitais e fundamentais e que já temos. A seu tempo, conforme declarado pelo próprio Max Heindel, um Instrutor mundial aparecerá. Não sabemos quando. No entanto, não podemos esperar. Na verdade, não precisamos esperar, pois já recebemos tudo o que precisamos da Filosofia agora.

Terceiro: há e sempre houve muitas críticas sobre as pessoas que dirigem o trabalho da Fraternidade Rosacruz. Contudo, tal crítica não é muito filosófica. Ninguém é perfeito. Nenhuma pessoa, ligada à Fraternidade Rosacruz, jamais foi perfeita. Max Heindel não era perfeito. Se tivesse sido, ele não teria estado aqui. A mera presença de um indivíduo nessa esfera terrestre denuncia o fato, já de início, de que sua personalidade é imperfeita e que ele está aqui com o principal propósito de aperfeiçoá-la e desenvolvê-la. Não podemos julgar uma filosofia pelas imperfeições dos seus seguidores. Se a Religião Cristã tivesse sido julgada dessa forma, teria sido descartada do mundo há, pelo menos, mil e quinhentos anos atrás. Se todos aqueles que estão promovendo e dirigindo o trabalho de qualquer organização filosófica são honestos, devotados e consagrados ao trabalho, fazendo o melhor que podem, então logicamente, não podemos criticá-los. Só podemos ajudá-los, sempre que tivermos oportunidade, e pedirmos que Deus nos envie a ajuda necessária, já que só d’Ele pode vir o que precisamos.

Quarto: parece que há alguma confusão, para algumas pessoas do público em geral, quanto à relativa autenticidade, profundidade, alcance e sabedoria intrínseca dos Ensinamentos Rosacruzes, tal como vemos nas obras de Max Heindel e nos ensinamentos de outros escritores metafísicos contemporâneos a ele, que se uniram em um esforço comum e em certa medida, com os escritos dele. Parece que a melhor maneira de esclarecer o assunto seria declarar a fonte e a autoridade espiritual dos Ensinamentos Rosacruzes que nos foram fornecidos por Max Heindel, e depois deixar que o leitor tire suas próprias conclusões.

Max Heindel foi um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, e alcançou, conforme podemos acercar em seus escritos, quatro das nove Iniciações dos Mistérios Menores. Os ensinamentos básicos, que ele incorporou no seu trabalho, foram obtidos diretamente dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, embora, subsequentemente, ele fez muita pesquisa espiritual independente, e que aparece nos seus últimos trabalhos. No início de sua missão ele gastou um tempo considerável no lar material físico dos Irmãos Maiores na Europa central, onde eles ditaram a ele a essência da Filosofia Rosacruz como eles quiseram que fosse fornecida ao ocidente, e ele escreveu e publicou de acordo com as instruções deles.

A Ordem Rosacruz é composta de doze Irmãos Maiores com Christian Rosenkreuz, o décimo terceiro, como Responsável Máximo e Líder. Todos os treze membros da Ordem têm as nove Iniciações dos Mistérios Menores e as quatro Iniciações dos Mistérios Maiores. Portanto, eles alcançaram o estado de “super-homens”. Eles já passaram esse estágio da humanidade comum. Eles têm a sabedoria, o poder e o desenvolvimento que a humanidade alcançará no fim do Período de Vulcano, quando o atual Esquema de Evolução estará completado. Sua sabedoria está completamente além de qualquer pesquisa humana sob linhas ocultistas ou metafísicas.

Relativo ao assunto que estamos considerando, é bem evidente que eles não distribuíram dois ou três diferentes estilos de filosofia para serem disseminados ao mesmo tempo. Portanto, a conclusão é inevitável que os trabalhos de outros escritores metafísicos são o produto de suas próprias experiências ocultas independentes; pelo menos, no que diz respeito a quaisquer características Rosacruzes e, portanto, deve ser julgado de acordo com isso. Não deve, no entanto, haver nenhuma rivalidade entre diferentes linhas de pensamento filosófico. Cada indivíduo deve selecionar e seguir aquilo que o agrada como sendo verdadeiro. Além disso, não deve haver nenhum esforço para atrair ou manter os Estudantes, exceto quando são atraídos e mantidos pelo valor intrínseco da própria Filosofia Rosacruz. Max Heindel disse, em particular, que não devemos fazer o proselitismo, que devemos apresentar nossa Filosofia Rosacruz e depois deixar o restante para a orientação interna do Estudante, se a rejeitará ou a aceitará; também deixar isso para sua orientação interna se ele permanecerá na organização ou se decidirá ir para outro lugar.

A organização não tem, em si, nenhuma importância, exceto por ser um instrumento para servir. A motivação para uma organização não deve ser a de ser construída e mantida a fim de preservar sua própria reputação e prestígio.

Se essa é a motivação, tanto a organização como o prestígio estão condenados. Entretanto, se a motivação é para fornecer a verdade para aqueles que a estão buscando e manter a organização a menor possível e quase desapercebida, então essa organização será forte e se tornará o poder para o bem, porque se tornou um meio e não o um objeto.

Organizações devem, também, aprender a respeitar a lei e se libertar do medo. A lei em questão: “busque o Reino de Deus e sua justiça e o mais vos será dado por acréscimo” se aplica às organizações com exatamente a mesma força que se aplica aos indivíduos. O destino bom – gerado pelo uso sábio de todos os recursos para servir o máximo possível e vivendo pela fé na capacidade e disposição de saber que os Poderes Superiores suprirão as necessidades – demonstrará que qualquer organização, que está fazendo um trabalho verdadeiro, terá sucesso em qualquer situação que se encontrar.

A Fraternidade Rosacruz, como todos os instrumentos humanos, está em evolução; mas não devemos confundir evolução com dissolução. A Fraternidade universal, que é a razão pela qual a Fraternidade Rosacruz foi concebida e que há todos os motivos para se acreditar que ela pode cumprir, pode ser realizada muito mais por ela do que por grupos dispersos. O autor ama a Fraternidade Rosacruz. Ele é membro da Fraternidade Rosacruz e trabalhou, com o melhor que pode fazer, desde 1910 – quase desde a sua criação – tanto nos Centros Rosacruzes locais quando na Sede em Mount Ecclesia, incluindo aqui dois anos proferindo palestras. Portanto, ele teve a oportunidade especial de observar as atividades e toda a evolução da Fraternidade Rosacruz. Ele tem certeza de que ela tem um destino maravilhoso a cumprir. Exigirá autossacrifício e autodisciplina para realizar esse destino, mas estes estarão em evidência, à medida que os períodos críticos aparecerem e a necessidade exigir. Por meio do auxílio das forças ocultas que trabalham para a evolução da Fraternidade Rosacruz, seus vários problemas serão resolvidos no seu devido tempo.

Em vista do exposto, seria muito aconselhável que os amigos da Fraternidade Rosacruz não descartassem sua lealdade e seu apoio devido a informações incompletas ou defeituosas que podem lhe chegar, mas que reconheçam o grande instrumento que a Fraternidade Rosacruz pode e continuará sendo no serviço e na iluminação do ser humano; depois disso, dobre a sua lealdade, o seu apoio e o seu pensamento construtivo, de modo a ajudar o máximo possível aqueles que, a qualquer momento, são incumbidos do dever de dirigir esse trabalho.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross, de Janeiro de 1936 e depois republicado da edição de Julho-Agosto de 1998, de autoria de Joseph Darrow)

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Alguns Rosacruzes e sua Admirável Genialidade

Alguns Rosacruzes e sua Admirável Genialidade

É um fato notável a influência da Ordem Rosacruz no progresso da humanidade. Homens célebres, que revolucionaram vários campos da atividade humana, receberam a inspiração dos elevados ideais da Ordem.

Alguns, inclusive, foram Rosacruzes.

Max Heindel assim se refere a essa influência:

“Uma religião espiritual não pode unir-se a uma ciência materialista, assim como o azeite não pode misturar-se com a água. Portanto, oportunamente serão tomadas medidas para espiritualizar a ciência e tornar científica a religião”.

“No século XIII um grande instrutor espiritual, cujo nome simbólico era Christian Rosenkreuz – Cristão Rosacruz – apareceu na Europa para começar esse trabalho. Fundou a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, com o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida religião cristã e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto-de-vista científico, em harmonia com a religião”.

“Muitos séculos se passaram desde o seu nascimento como Christian Rosenkreuz e muitos têm considerado um mito a existência do fundador da Escola de Mistérios Rosacruz. Todavia, seu nascimento como Christian Rosenkreuz marcou o princípio de uma nova era na vida espiritual do mundo ocidental”.

“Esse excepcional Ego tem estado em continuas existências físicas desde aquele tempo, num e noutro dos países europeus. Tomava um corpo cada vez que os sucessivos veículos perdiam sua utilidade, ou que as circunstâncias tornavam necessárias uma mudança no campo de atividade. É um lniciado de grau superior, potente e ativo fator nos assuntos do Ocidente, se bem que desconhecido para o mundo”.

“Trabalhou com os alquimistas durante séculos, antes do advento da ciência moderna. Foi ele que, por um intermediário inspirou as agora mutiladas obras de Bacon. Jacob Boehme e outros receberam dele a inspiração que tão espiritualmente iluminou seus livros. Nas obras do imortal Goethe, nas obras mestres de Wagner, encontramos a mesma influência”.

“Só os Rosacruzes conhecem o irmão Rosacruz. Nem ainda os mais íntimos amigos, ou a própria família, conhecem as relações de um homem com a Ordem. Os lniciados, e só eles, conhecem os escritores do passado que foram Rosacruzes por que através de suas obras brilham as inconfundíveis palavras, frases e sinais indicativos de significação profunda, oculta para os não-iniciados. A Fraternidade Rosacruz é composta de estudantes dos ensinamentos da Ordem. Esses ensinamentos estão agora sendo dados publicamente porque a inteligência do mundo está em desenvolvimento e a nível para compreendê-los. Esta obra é um dos primeiros fragmentos públicos dos conhecimentos rosacruzes. Tudo o que tem sido publicado como tal nos últimos anos é obra de charlatães ou traidores. Os Rosacruzes, tais como Paracelso, Comenius, Bacon, Helmont e outros, deram vislumbres em suas obras e influenciaram a outros”.

Vamos conhecer, então, a vida, obra e pensamento de alguns desses luminares, ligados direta ou indiretamente à Ordem Rosacruz, cujo trabalho em muito beneficiou a humanidade.

 

Comenius

João Amos Comenius (1592-1671) nascido em Niwnitz, na Morávia, foi um dos mais ilustres educadores de todos os tempos. Após estudos demorados e profundos na Alemanha e na Holanda, foi nomeado reitor da escola de Prerau e, em seguida, pastor dos Irmãos Morávios de Fuineck. Tendo sido expulso juntamente com seus companheiros, por decreto oficial, retirou-se para Lissa, na Polônia, onde publicou “Janua Linguarum” que foi traduzida em 15 idiomas. Convidado pela Suécia e pela Inglaterra para reorganizar suas escolas, Comenius optou pela última, mas dificuldades políticas impediram a realização de seus planos. Foi então que publicou a famosa “Didactica Magna”. De volta à Polônia, com grandes honrarias, foi encarregado de redigir livros didáticos. Mas preferiu voltar para Lissa, onde foi feito bispo pelos Irmãos Morávios. A educação, para ele, possuía encantos irresistíveis. Em 1650 organizou a escola de Patak, na Hungria, e publicou “Orbis Pictus”.

Comenius considerava a escola como uma grande dádiva. Na sua opinião ela “é a oficina da humanidade” pois prepara o homem para o seu destino temporal e espiritual, por meio da religião, da virtude, do caráter, da instrução e da educação.

Comenius foi, sem dúvida, o maior pedagogo realista e um dos vultos grandiosos da história da educação e, no seu entendimento, o fim absoluto da educação é a felicidade eterna na contemplação de Deus. Os meios para a consecução desse ideal supremo obtêm-se por meio do conhecimento que o homem pode adquirir de si mesmo e de todas as coisas. É o que Comenius chamava de “pansofia” ou sabedoria universal.

 

Paracelso

Philippus Aureolus Theopharastus Bombastus Von Hohenhein, conhecido como Paracelso (1493-1541), nascido na Suíça, foi alquimista e médico. É considerado o “pai da medicina hermética”. Sua doutrina fundamenta-se na correspondência entre o mundo exterior e as diferentes partes do organismo humano.

A despeito da benéfica influência trazida pelos árabes, a farmacologia tradicional estava por demais estratificada para se deixar abalar. Sobreviveu intocada até o século XVI, quando Paracelso rompeu com a tradição e iniciou a observação cientifica na medicina.

As aulas de Paracelso na Universidade de Basiléia, em 1527, tiveram o significado de uma ruptura com a tradição acadêmica. Paracelso entendia que o princípio alquimista da transformação e depuração das substâncias era aplicável tanto à natureza como ao homem. Toda enfermidade tem seu remédio: basta saber encontrá-lo no mundo natural e aplicá-lo convenientemente. Com esse objetivo, Paracelso viajou muito, adquirindo novos conhecimentos médicos. Seu grande mérito foi ter posto a química a serviço da terapêutica. Desenvolvendo uma alquimia prática, Paracelso procurava instruir-se não só nas universidades, mas também em seus passeios pelo campo entre lavradores, pastores, parteiras, etc.

Mas, a genialidade de Paracelso não se fazia presente apenas no campo da medicina. Trabalhando em seu laboratório, descobriu que certo metal, atacado por ácido, desprendia um gás inflamável ainda desconhecido. Não poderia imaginar, que havia, pela primeira vez, separado um elemento que se transformaria em formidável fonte de energia séculos depois. Muitos cientistas continuaram a estudar o gás descoberto por Paracelso. Somente em 1766, Henry Cavendish conseguiu isolá-lo dentro de outros gases e recolhê-lo, conservando a denominação simplista de “gás inflamável”.

Porém, foi Lavoisier que lhe deu o nome de hidrogênio, quando descobriu que juntamente com outro gás, o oxigênio, aquele gás inflamável formava a água. Atualmente, além se ser empregado na fusão nuclear, o hidrogênio também é usado para outros importantes fins.

E tudo começou com Paracelso, no século XVI.

 

Bacon

Francis Bacon (1561 – 1626), nascido na Inglaterra, foi filósofo, pedagogo, político, ensaísta e Lord Chanceler de seu país. Ingressou no Parlamento aos 23 anos de idade. Durante o inverno de 1584/1585 escreveu a “Carta de Conselhos a Rainha Elizabeth”, revelando grande maturidade e imparcialidade na análise política.

Bacon conferiu grande valor ao estudo da natureza, fazendo dos fenômenos físicos e naturais o fundamento de toda a realidade. Seu ponto-de-vista básico era que as ciências físicas e naturais deviam reger todas as manifestações da atividade e do pensamento humano. Até a moral e a política deviam ser modeladas pelas ciências da natureza.

Em seu “Novum Organum” defendeu intransigentemente a ciência experimental e descreveu em “A Nova Atlântida” uma sociedade dirigida por sábios experimentalistas. No “Novum Organum”, propõe ainda o verdadeiro método científico ou indutivo, pois na sua opinião a realidade só pode ser conhecida e a ciência só pode desenvolver-se mediante o modelo experimental.

Sua obra filosófica mais importante é a “Instauratio Magna”, incompleta e reduzida apenas às suas primeiras partes.
O edifício pedagógico de Bacon foi construído sobre o princípio que ele considerava certo, de que “a ciência humana e o poder humano coincidem”. Sobre a natureza da educação afirmou o seguinte: “Para formar o caráter humano não podemos proceder como o escultor que faz uma estátua, e que esculpe ora o rosto, ora os membros, ora as dobras da roupagem; devemos agir, e isso é possível, como a natureza na formação de uma flor ou de outra de suas criações; ela produz ao mesmo tempo o conjunto do ser e os germes de todas as suas partes”.

Além de filósofo e pedagogo, Bacon foi um pioneiro no campo científico, um marco entre homem da Idade Média, teórico, alheado do mundo, e o homem moderno.

(Publicado na Revista – Serviço Rosacruz – Set/88 – Gilberto Silos)

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Meu Tributo a Max Heindel

Meu Tributo a Max Heindel1

Queridos amigos, meu coração está muito feliz por poder estar aqui com vocês nesta ocasião e prestar minha pequena homenagem a nosso amado Max Heindel. Gostaria de contar-lhes sobre o dia em que conheci este homem extraordinário e, para fazer isso, terei que falar rapidamente sobre a minha vida pessoal. Espero que me perdoem por isso.

Talvez vocês saibam, pela minha maneira de falar, que nasci e fui criada no Sul. Eu era filha única e os meus primeiros anos foram cheios de dedicação por minha adorada mãe. Ela foi sempre para mim como uma linda fada. No entanto, ela era frágil e os dias de minha infância eram envoltos em medo de que algum dia eu poderia perdê-la. 

Assim, decidi, naquela época, que se ela morresse eu iria com ela.

Como podem ver, eu não sabia nada sobre o Renascimento e a Lei de Consequência. Nasci procurando a Luz e respostas para perguntas que nem sequer sabia formular. Não compreendia exatamente o que estava buscando. Consequentemente, não tinha ideia onde achá-las. E, como todos sabem, o Sul é profundamente ortodoxo e conservador, mas uma coisa eu sabia: que em algum lugar devia haver uma resposta mais adequada para os problemas da vida e da morte do que a ortodoxia dava e estava determinada a encontrá-la.

Enquanto isso, minha mãe ficava cada vez mais fraca e eu estava sempre cheia de medo de perdê-la. Alguns meses antes de sua doença fatal, uma amiga me telefonou e disse ter encontrado um livro novo que ela estava certa de que era exatamente o que eu estava procurando. Naquela mesma tarde eu fui à casa dela e vocês podem adivinhar que o livro era o “Conceito Rosacruz do Cosmo”.

Quando vi a Cruz de Rosas e li que nós tínhamos que transmutar as rosas vermelhas em uma rosa branca, eu soube que finalmente tinha encontrado o que queria. Naquela noite, antes de dormir, meu pedido já estava no correio a caminho de Oceanside. Contei os dias até o inestimável livro chegar e, assim que ele chegou, o médico disse que minha mãe tinha que se submeter a uma operação muito séria. Então, esse livro passou a ser meu companheiro inseparável. Dormia com ele debaixo do travesseiro, pois, embora pareça estranho, ele era o único consolo que o mundo poderia me dar. Depois da operação, o médico disse que não havia esperança e que ela só teria alguns meses de vida.

Eu continuava apegada ao meu abençoado livro. Então, de repente, tive um pensamento novo e estranho. Será que eu devia me matar e ir com minha mãe como tinha planejado ou deveria ir para Oceanside e dedicar minha vida ao trabalho de Max Heindel? A segunda parte da pergunta era a resposta. Estava decidida e, dez dias depois que minha mãe me deixou, eu estava em um trem, o Conceito debaixo do braço, a caminho da Califórnia para encontrar Max Heindel. Ele parecia ser o único bálsamo para minha dor que o mundo poderia me dar.

Oh! Quem dera que eu pudesse descrevê-lo realmente no primeiro dia em que o vi aqui em Mt. Ecclesia! Ele veio encontrar-se comigo com as mãos estendidas e sua face iluminada pela ternura, simpatia e compaixão. E, notem bem, eu não tinha tido nenhum contato pessoal com ele. Conhecia-o só por meio de seu livro e vocês podem imaginar minha enorme surpresa quando ele segurou minhas mãos nas suas e disse carinhosamente: “Minha filha, eu estive com você dia e noite durante a provação pela qual você acabou de passar. Eu sabia que quando terminasse, você viria. Agora você pertence ao meu trabalho”.

Aquele, queridos amigos, foi um dia muito significativo em minha vida. Foi o dia em que me dediquei completamente à vida espiritual e à Filosofia Rosacruz. Por cinco anos maravilhosos tive o privilégio de conhecer aquele homem sábio, de estudar e ser treinada sob sua direção e supervisão. Sempre considerei aqueles cinco anos como sendo os mais bonitos e mais espiritualmente frutíferos de toda a minha vida. Queria ser capaz de descrever aquele homem maravilhoso como o conheci. Quando penso em suas admiráveis características, talvez a qualidade que mais profundamente apreciei foi sua extraordinária humildade. Enquanto ele estava ávido em ajudar onde quer que fosse possível, estava sempre firme mantendo no seu interior a personalidade de Max Heindel.

Enquanto eu estudava sua completa dedicação à vida simples, muitas vezes pensava nas palavras de nosso Senhor Cristo: “Eu não sou nada. É o Pai que tudo faz”.

Eu penso, queridos amigos, que Max Heindel demonstrou a mais perfeita combinação do ser místico e prático que já conheci. Ele era simples e humilde. Os serviços domésticos mais simples ele fazia com a maior dignidade e satisfação. Ele descia ao curral e ordenhava a vaca se necessário fosse, pois como sabem, naquele tempo nós tivemos um curral e uma vaquinha aqui em Mt. Ecclesia. Ele tirava mel das abelhas, pois nós tivemos abelhas também. Ele subia nos postes telefônicos e consertava um fio partido; ele plantava árvores, cavava o jardim e colhia vegetais; ele fazia as coisas mais simples com a mesma dedicação e entusiasmo com que ia ao escritório, à sala de aula ou de conferência para expandir sua grande sabedoria ou talvez encontrar o Mestre que o guiou neste grande trabalho.

Nas noites de sábado, era costume manter uma sessão de perguntas e respostas na biblioteca. Havia uma mesa que se estendia por todo o comprimento da sala e os estudantes se reuniam em volta com o Sr. Heindel, de pé, para responder as perguntas. Cada estudante podia fazer uma pergunta e tinha de ser por escrito. Então, o Sr. Heindel recolhia as perguntas e respondia uma a uma. Observando-o cuidadosamente, eu descobri que ele, intuitivamente, sabia a quem cada pergunta pertencia e sempre se dirigia àquele de quem a pergunta tinha vindo. Nas muitas vezes que assisti a essas memoráveis sessões, ele nunca se enganou em identificar a pessoa que tinha feito a pergunta. Era sempre cuidadoso e meticuloso e nunca deixava uma pergunta sem ter certeza de que aquele que perguntara estivesse completamente satisfeito com a resposta.

Foi numa destas maravilhosas reuniões esclarecedoras que eu adquiri meu primeiro entendimento do importante lugar que a cor e a música iriam ocupar na preparação do mundo para a próxima Nova Era. Max Heindel anunciava que dedicaria uma hora para perguntas e respostas nessas reuniões. Entretanto, constantemente, essa hora era estendida para duas ou duas e meia e até três horas. Eram momentos tão estimulantes que o tempo parecia voar nas asas do encantamento.

Queridos amigos, quisera ser capaz de dizer-lhes tudo o que Mt. Ecclesia significava para Max Heindel quando o conheci. Como ele amava este lugar! Ele sabia o grandioso destino que estava guardado para o trabalho que ele fundamentou. Naquela época, havia um banco colocado perto da Cruz de Rosas iluminada que ficava no jardim. Ali ele se sentava cada noite, por alguns minutos ou talvez uma hora antes de se recolher, orando ou meditando, irradiando amor e bênçãos sobre esta terra sagrada e sobre todos aqueles que viviam aqui servindo à Obra fielmente.

Quisera descrever para vocês como seu semblante amigo se iluminava quando ele, com profunda reverência e devoção, olhava a iluminada Cruz de Rosas que tanto significava para ele. Nunca se cansava de nos falar das coisas maravilhosas guardadas em Mt. Ecclesia. Ele falava constantemente da Panaceia, a fórmula da qual os Irmãos Maiores da Rosa Cruz são guardiães e cujos discípulos capacitados terão a permissão de usar na cura e consolo de multidões que chegarão de todas as partes do mundo para esta capela sagrada.

Ele nos falava de seu sonho de um belo teatro grego que seria, em sua visão, construído no cânion abaixo da Capela e no qual seriam apresentadas peças com mensagens espirituais e verdades ocultas tais como os grandes dramas de Shakespeare e outros clássicos inspirados. Ele também via um tempo em que Mt. Ecclesia teria sua esplêndida orquestra composta de estudantes regulares e que apresentaria no teatro obras dos grandes mestres compositores, particularmente Beethoven e Wagner, os quais reconhecia como elevados Iniciados na música. Ele também dizia que haveria aulas de introdução musical. Max Heindel gostava de falar dos Irmãos Maiores e de como eles, em seus estudos sobre a Memória da Natureza, tinham sido capazes de observar através das eras e ver as condições do mundo de hoje. Foi por esta razão que eles deram a Filosofia Rosacruz ao mundo.

Queridos amigos, a alma do mundo de hoje está doente, cheia de sofrimento, busca e questionamento. Não há resposta para essas perguntas. O que o mundo está verdadeiramente procurando é uma ciência mais espiritualizada e uma religião mais científica. A Filosofia Rosacruz tem a resposta para essas duas questões. A Filosofia é a continuação do trabalho que nosso Mestre, Cristo, trouxe para a Terra e deu para os Doze Imortais. Ela contém o inestimável presente que Cristo nos trouxe, isto é, as Iniciações Cristãs que contêm o verdadeiro sentido da religião da Era de Aquário que se aproxima. Max Heindel entendeu tudo isto muito bem. Ele sabia do grande destino que está reservado para a sua obra. Desta forma, nunca permitiu que o desapontamento ou as dificuldades o detivessem. Ele sempre manteve seus olhos fixos nas estrelas.

Queridos amigos, é um grande privilégio sermos guardiães deste grande trabalho e deste consagrado lugar, que foi escolhido pelos Grandes Seres como um local de treinamento para aqueles que puderem passar pelos testes rigorosos que os tornarão capazes de ser incluídos entre os pioneiros da Nova Era que se aproxima.

Assim, meus amigos, sigamos, todos, os passos de Max Heindel. Unamo-nos em paz, harmonia e amor para que possamos fazer nossa parte no desempenho da missão para a qual nosso amado líder se dedicou e sacrificou durante toda sua vida. Fixemos nossos olhos na direção das estrelas como ele fez. Vamos encarar este mundo com uma nova luz, um novo poder e uma nova esperança, porque só assim seremos fiéis à nossa busca e veremos o glorioso destino deste grande trabalho ser alcançado. É verdadeiramente a religião que será o coração e a pedra angular da nova Idade de Aquário. Que Deus abençoe cada um e todos no caminho da busca da Eterna Luz.

[1] Este artigo, publicado na revista “Rays from the Rose Cross”, em Jul/Ago. 1997, é baseado na palestra realizada em Mt. Ecclesia em 23 de julho de 1965, na comemoração do centenário do nascimento de Max Heindel. A oradora, Corinne Heline, competente aluna de Max Heindel e prolífica escritora de assuntos místicos e ocultistas. Sua obra mais conhecida é “New Age Bible Interpretation”, uma coleção de sete volumes da qual o sétimo é “The Mystery of the Christos”.

(Publicado na revista “Rays from the Rose Cross”, em Jul/Ago 1997 – baseado na palestra realizada em Mt. Ecclesia em 23 de julho de 1965, na comemoração do centenário do nascimento de Max Heindel)

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Max Heindel, tal como eu o conheci

Max Heindel, tal como eu o conheci

Minha mãe foi secretária de astrologia ao tempo de Max Heindel e Augusta Foss de Heindel, no início de 1914. A Fraternidade Rosacruz era pequena em números, mas era uma família feliz e harmoniosa. Mamãe vinha a Los Angeles todos os fins de semana e numa dessas ocasiões me trouxe um volume de “O Conceito Rosacruz do Cosmos”. Eu fiquei impressionado pela apresentação clara e racional das verdades ocultas e quando Max Heindel veio ao Centro de Los Angeles, lá fui ouvi-lo. Ao nos encontrarmos, senti instantaneamente que já éramos amigos desde vidas anteriores.

Convidado a descer a Oceanside, no seguinte fim de semana, tomei o trem para Santa Fé e ao descer em Oceanside verifiquei que era uma pequena povoação, com apenas uns dois quarteirões e algumas casas dispersas. Caminhei uns dois quilômetros por uma estrada de cascalho até chegar às terras da Fraternidade Rosacruz e percebi que havia somente um edifício de administração (abrigando todas as atividades), uma pequena capela e cerca três pequenas casas.

Depois passei a frequentar Oceanside em todos os fins de semana e me familiarizei com o Senhor e a Senhora Heindel e quando havia acúmulo de trabalho no departamento astrológico eu ajudava a levantar e interpretar horóscopos, cooperando com minha mãe e a Sra. Augusta. Normalmente, depois do Serviços Matinal de Domingo, Max Heindel e eu nos sentávamos próximos ao lugar onde se encontra hoje o Emblema Rosacruz Nós conversávamos sobre várias coisas de mútuo interesse, tais como astronomia, astrologia, filosofia e ciências, entremeadas de reminiscências humanas e reconfortantes gracejos. Tempos felizes foram esses!

Um domingo de manhã, certo visitante aproximou-se de nós para mencionar que havia gostado muito do harmonium da capela. Max Heindel replicou: “Bem, harmonium é seu nome comum, porém o nome clássico é ‘venha a mim, vá a mim'”. Todos rimos cordialmente, e este incidente foi mencionado por mim várias vezes, para mostrar como a gente se prende gostosamente à Fraternidade depois que vem a conhecê-la. Um dia ajudando a Sra. Heindel, chamei-a “Tia Gussie”, o que a alegrou, pois me pediu que sempre a, chamasse assim. Disse-lhe de minha satisfação em chamá-la “tia Gussie”, acrescentando que, neste caso, para completar minha alegria, estenderia o tratamento, chamando a Max Heindel de “Tio Max”, assim foram eles para mim todo o tempo um tio e uma tia muito simpáticos.

Minha colaboração mais direta começou quando, numa viagem à Oceanside, coincidindo no mesmo dia o Serviço Devocional e o de Véspera Lunar, fui convidado a falar, cabendo a Max Heindel dirigir a reunião. Havia uma cadeira vazia à esquerda na primeira fila, e o Irmão Maior está presentemente lá.

Depois procurei o Centro de Los Angeles e comecei a ministrar aulas de Filosofia Rosacruz durante algum tempo, particularmente sobre o Esquema de Evolução. Um dia, ao me sentar ao piano para praticar, percebi, num relance, que o esquema total da evolução, tão belamente retratado no “Conceito”, se relacionava e ampliava, sob meus olhos, com o teclado do piano, mostrando o significado das cinco Hierarquias que nos deram algum auxílio e passaram depois à libertação, bem como as outras sete que trabalharam em nossa involução espiritual e evolução corporal, continuando ainda a nos ajudar na ascensão evolutiva. Tudo isto ali estava, em progressão regular, nos mais mínimos detalhes. Na viagem seguinte a Oceanside contei minha inspiração ao “Tio Max”. Isto o impressionou agradavelmente e sugeriu que eu escrevesse tudo, juntando um diagrama explicativo. Assim o fiz e publiquei o artigo no número de março de 1917 da revista “Rays from the Rose Cross”.

Eu sentia que conhecia Max Heindel melhor que outras pessoas e achava razões para isso. Quando um autor é lido e estudado, a característica predominante de sua natureza é apenas aparente, o que não sucede com as outras facetas de seu ser. Elas se encontram mais ou menos ocultas nos trabalhos em que ele se concentra. Eu tive maior oportunidade ainda: a de privar muito tempo com Max Heindel. Em uma mais íntima e pessoal convivência, outros aspectos de sua pessoa se revelam. Nós fomos capazes de examinar as aspirações reverentes e devocionais, a compreensão das culturas, da música, arte, das ciências e, o mais importante, do aspecto humano, tão essencial para um desenvolvimento equilibrado.

Max Heindel foi um exemplo vivo dos preceitos dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz: “Uma Mente sã, um coração nobre, um corpo são” e da contraparte: “ser prudente como a serpente, forte como um leão, simples e inofensivo como a pomba”.

Ele sabia que os Irmãos Maiores eram contrários a tudo que parecesse organização e, portanto, e procurou cuidadosamente evitar mais do que era necessário para a administração. Além disso, ele estava profundamente ciente de que nosso progresso real no caminho da iluminação era interno – “o templo sem som de martelo”. Ele criticou qualquer forma de arregimentação, e frequentemente enfatizou que não devemos nos esforçar de forma tão brusca para nos tornar tão iluminados que perderíamos o valor da experiência do horóscopo particular que escolhemos para esse propósito.

Ele tentou, valentemente, enfatizar a natureza reverente e devocional do místico, o lado oculto da compreensão intelectual e equilibrá-los com as influências saudáveis e humanas para o desenvolvimento racional. Foi um privilégio ter trabalhado com ele.

(por Art Taylor publicado no Rays from the Rose Cross Magazine, February, 1965, p. 64, 83 – traduzido na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/79 – Fraternidade Rosacruz –SP)