Categoria Cartas Max Heindel

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A Guerra Mundial e a Fraternidade Universal

A Guerra Mundial e a Fraternidade Universal

Em quase todas as correspondências, nós recebemos cartas comentando sobre a guerra[1], e com raras exceções, não encontramos nelas expressão de partidarismo, mostrando que os autores têm um ponto de vista mais elevado do que o inculcado pelos vários Espíritos de Raça e que, normalmente, recebem o nome de “patriotismo”. Essa é a única atitude coerente com os princípios da Fraternidade Rosacruz. Nós estamos todos unidos numa associação internacional; estamos todos procurando pelo Reino que deve substituir todas as já superadas nações, e o fato de termos nascido em diferentes partes do mundo e nos expressarmos em línguas diferentes, não revoga o mandamento de Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, nem nos escusa por desempenharmos o papel de “ladrão”, e não de “samaritano”. Cabe a cada um de nós, na Fraternidade Rosacruz, se elevar acima das barreiras da nacionalidade e aprender a dizer o mesmo que Thomas Paine[2]: “O mundo é a minha pátria e fazer o bem é a minha religião”. Devemos deixar de ser meramente nacionalistas e nos esforçarmos para nos tornarmos universais em nossas percepções, compreensões e reações aos sofrimentos dos outros.

Contudo, há uma guerra que vale a pena lutar, uma guerra na qual podemos, legitimamente, empregar toda a nossa energia, uma guerra que devemos persistir com zelo implacável, e um dos Estudantes coloca isso tão bem que o melhor que podemos fazer é transcrever sua carta:

“Ao refletir sobre a guerra, surge esse pensamento: quando os seres humanos se cansarem da desagradável e chocante luta entre as diferentes nações vizinhas e semelhantes, largarem suas armas e a paz predominar, então a partir desse continente, sobrecarregado com o pó dos amigos e adversários, com seus rios correndo avermelhados com o melhor sangue dos impérios, surgirá uma nova Europa e uma civilização superior substituirá a destruída.

E um grande número de mortos desconhecidos, moribundos, revelará um poder muitíssimo maior para a paz mundial do que o vivido anteriormente. Assim, das paixões desenfreadas dos seres humanos, a Deidade, justa e amorosa, traz o bem final.

Se os homens e as mulheres tivessem também uma décima parte da vontade para travar uma guerra contra o seu verdadeiro inimigo, que está dentro do seu coração, ao invés de pegar em armas contra um suposto inimigo de um lado da fronteira imaginária inexistente na boa face do mundo de Deus, então o Príncipe da Paz poderia reinar. Todas as armas mortíferas seriam jogadas no limbo e a promessa gloriosa se realizaria: “Paz na Terra e Boa Vontade entre os Homens”.

E assim, por mim mesmo, resolvi não cessar com meus esforços até que o último vestígio de maldade, erro e ódio sejam eliminados, e a sublime Trindade de “Bondade, Verdade e Amor reinem sem contestação interior”. Nessa luta real, me considero um pobre soldado e, geralmente, a curso da batalha se coloca na direção errada, contudo, não importa se eu falhe dez mil vezes, a lição deve ser aprendida e será aprendida. Algum dia, com um coração robusto, uma vontade indomável e uma persistência infalível, a vitória será conquistada e a paz reinará – a paz que ultrapassa toda a compreensão.

Unamo-nos todos ao nosso irmão nessa nobre luta, recordando as palavras de Goethe:

“De todo poder que mantém o mundo agrilhoado,

o homem se liberta quando o autocontrole há conquistado”.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 48)

[1] N.T.: a Primeira Grande Guerra Mundial.

[2] N.T.: Thomas Paine (1737-1809) foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América.

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Carta de Max Heindel: “Almas Perdidas” e Atrasadas

“Almas Perdidas” e Atrasadas

Pediram-nos uma lição sobre as “Almas Perdidas” e Atrasadas. Nosso correspondente quer saber dos Ensinamentos Rosacruzes como esse assunto é tratado. Como essa questão foi tratada anteriormente nesse livro, na Carta de Abril de 1912 (nº 17), a replicamos aqui:

“Pelos ensinamentos da lição do mês passado, compreendemos que não há absolutamente qualquer fundamento em relação ao ponto de vista, comumente aceito, sobre as almas perdidas. Não há uma só palavra na Bíblia que leve em si a ideia que costumamos atribuir à palavra “para sempre”. A palavra grega é aionian e significa “um período de tempo indefinido, uma era”, e quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente e para sempre”, deveríamos interpretá-las “por séculos e séculos”. Além disso, como é uma verdade da natureza que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, uma alma perdida significaria que uma parte de Deus se havia perdido e, naturalmente, isto é inconcebível.

Depois que escrevi a lição anterior, ocorreu-me outro ponto que mostrará como a “perda” de um Período está relacionada com o próximo. Devem lembrar-se que falamos dos espíritos de Lúcifer como atrasados do Período Lunar, e dissemos que não poderiam achar campo para a sua evolução no presente esquema de manifestação. Os Arcanjos habitam o Sol, os Anjos têm a seu cargo todas as Luas, mas os espíritos de Lúcifer foram incapazes de residir em qualquer desses luminares. Não podiam ajudar na geração, pura e desinteressadamente, como o fazem os Anjos, uma vez que atuavam sob as forças da paixão e dos desejos egoístas, pelo que houve necessidade alojá-los num lugar separado. Assim, foram colocados no Planeta Marte, fato bem conhecido pelos antigos astrólogos, que atribuíam à Marte a Regência sobre Áries, que tem domínio sobre a cabeça (lembrem-se que o cérebro é construído por forças sexuais subvertidas), e também comprovaram que aquele Planeta é o Regente de Escorpião, que governa os órgãos de reprodução. Áries está na primeira Casa de um horóscopo e denota o princípio da vida; Escorpião está na oitava, significando a morte; nisso está contida a lição de que tudo o que é gerado pela paixão e pelos desejos está condenado à dissolução. Assim, Marte é esotericamente e astrologicamente “o Diabo”; e Lúcifer, o chefe entre os Anjos caídos, é realmente o adversário de Jeová, que dirige a força de fecundação vinda do Sol por meio da atividade lunar.

No entanto, os Espíritos de Lúcifer estão ajudando o processo de evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só, torna possível viver numa atmosfera oxigenada. Foram e continuam sendo os agitadores para o progresso material, portanto, não temos o direito de antagonizá-los. A Bíblia tacitamente proíbe-nos de ultrajar os deuses. Conforme lemos na Epístola de São Judas, nem o Arcanjo Miguel ousou ultrajar Lúcifer, e no livro de Jó fala-se como estando entre os filhos de Deus. O seu Embaixador na Terra, Samael, é o Anjo da morte, representado por Escorpião, mas é também o Anjo da vida e da ação simbolizada por Áries. Se não fossem pelos ativos impulsos marcianos, talvez não sentíssemos as dores tão agudamente como as sentimos, nem tão pouco poderíamos progredir na mesma proporção, e é seguramente melhor “cansar-se do que enferrujar-se”.

Deste modo, podemos constatar que estas “ovelhas perdidas” de uma era anterior, recebem todas as oportunidades de recuperar o seu atraso no atual esquema de evolução. Estão atrasadas, e como atrasadas aparecem sempre como más, mas não estão “perdidas para além da redenção”. Podem salvar-se servindo-nos, provavelmente mediante a transmutação de Escorpião em Áries, quer dizer, a geração em regeneração.”

Nós confiamos que essa leitura possa esclarecer o assunto para ele. Ficaríamos felizes se outros Estudantes formulassem perguntas de interesse geral e nos enviassem para elucidações nessas cartas, embora exista uma sessão para perguntas na revista “Rays”, onde nem todos os Estudantes são assinantes. Também, os problemas colocados aqui, talvez devessem ter uma abordagem um pouco mais íntima aqui do que é possível numa revista que, eventualmente, será lida por um público menos conhecedor da Filosofia do que nossos Estudantes.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 76)

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Carta de Max Heindel: A Razão das Provas que assolam o Estudante Ocultista

A Razão das Provas que assolam o Estudante Ocultista

De tempos em tempos recebemos algumas Cartas de Estudantes lamentando que, desde que começaram os estudos superiores, estão procurando viver em consonância com eles, porém, tudo parece dar errado com suas obrigações. Alguns enfrentam uma oposição determinada em seus lares, outros sofrem em seu trabalho, e alguns até são afetados em sua saúde. Alguns, de acordo com seu temperamento, estão quase no ponto de desistir, e outros usam toda a sua determinação para continuar, apesar das dificuldades, em perseverar para seguir o método de São Paulo na “paciente perseverança em fazer o bem”, somando a isso as provações. Contudo, todos são unânimes em perguntar as causas dessas mudanças marcantes em seus relacionamentos. Cada um recebe a melhor ajuda que se pode oferecer para resolver os seus problemas individuais, porém, como sabemos que há muitos Estudantes que são, similarmente, colocados a prova, nos parece prudente explicar a razão dessa situação.

Em primeiro lugar, a alma aspirante deveria perceber que as situações adversas ocorrem para o bem, de acordo com uma Lei da Natureza firmemente estabelecida, pela qual Deus quer ajudá-la em sua busca. As provas são um sinal de progresso e uma causa de grande regozijo. É assim que a lei atua: durante todas as nossas vidas anteriores, criamos laços e contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito. Essas dívidas continuam a aumentar à medida que, a cada existência, continuamos a viver de maneira egoísta e agindo e fazendo coisas de maneira não planejada e desorganizada, e podemos comparar cada uma destas dívidas a uma gota de vinagre. Quando chegar a hora do acerto e deixarmos de fabricar o vinagre, a lei da justiça exigirá que tomemos todo o vinagre que produzimos. Porém, podemos optar por tomá-lo em grandes doses e acabar depressa com essas dívidas ou em pequenas doses e prolongar esse pagamento por várias vidas. Essa escolha não é feita por palavras, mas por atos. Se assumirmos o trabalho de aperfeiçoamento interno com entusiasmo, se cortarmos os nossos vícios pelas raízes e vivermos a vida que professamos, os Grandes Seres que conhecemos como os Anjos do Destino[1] nos darão uma dose maior de vinagre do que nos daria se apenas exaltássemos as belezas da vida superior. Eles agem assim para nos preparar para o dia da libertação de nossas dívidas contraídas por nós mesmos e não para nos prejudicar ou nos atrapalhar.

Em vista desses fatos, podemos compreender a exortação de Cristo para nos regozijar quando os irmãos ou irmãs nos insultam e nos acusam falsamente por Seu amor. Os meninos passam indiferentes por uma árvore estéril, porém, se estão carregadas de frutos, eles estarão prontos para atirar pedras e roubá-los. Assim também, é com os seres humanos: enquanto seguirmos com a multidão e agirmos como ela, não somos molestados; agora, no momento em que fazemos o que ela reconhece em seus corações que é correto, nos transformamos numa reprovação vivente para ela, mesmo que nunca tenhamos proferido uma só palavra de censura, e, com o objetivo de justificar-se aos seus próprios olhos, começam a encontrar falhas em nós. A esse respeito, aqueles que estão mais próximos de nós, quer no lar ou no trabalho são mais incisivos do que os estranhos, que não têm nenhuma conexão conosco. Contudo, seja qual for a causa dessas dificuldades, devemos nos congratular por eles, pois isso demonstra que estamos fazendo algo que é efetivamente progressista. Portanto, continuemos animados e com entusiasmo incansável.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 72)

[1] N.T.: também conhecidos como Anjos Relatores ou Senhores do Destino.

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A Epigênese e o Destino Futuro

A Epigênese e o Destino Futuro

Quando estamos estudando a “Teia do Destino – Como se Tece e Destece”, é conveniente e absolutamente necessário que não percamos de vista da nossa Mente o fato de que a vida não é somente um desenrolar de causas estabelecidas em existências anteriores. O espírito, quando está de volta via o renascimento, tem uma quantidade variável de livre-arbítrio – de acordo com a vida vivida anteriormente – para preencher os detalhes. Além disso, ao invés de apenas transformar causas passadas em efeitos, há também causas novas geradas a cada passo dado pelo espírito e que, então, atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto muito importante. É uma verdade evidente em si mesma, pois se assim não fosse, as causas que já foram definidas, em algum momento, devem terminar, e isso significaria o término da existência. Desta forma, não somos absolutamente forçados a agir de uma certa maneira, só porque estamos em um determinado ambiente e porque toda a nossa experiência anterior nos deu uma tendência em direção a um determinado fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano tem o poder da Epigênese ou iniciativa, de forma que possa começar em uma outra direção, a qualquer momento que desejar. Ele não pode, imediatamente, se afastar da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, progressivamente, ele se prepara arduamente para o ideal que ele uma vez semeou.

Portanto, a vida avança não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse sublime Ensinamento da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes explica muitos mistérios que, de outro modo, não teriam uma solução lógica, e entre eles está um que ocasionou o recebimento de muitas cartas à Sede Mundial da The Rosicrucian Fellowship. Esse assunto é abordado com alguma relutância, já que o autor não gosta de falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do inimigo feita prisioneira de guerra por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia, por causa da maternidade indesejada.

A investigação de um certo número de casos mostrou que esse é um novo desafio para certa classe de espíritos que estão de volta via o renascimento. Todos tinham sido incorrigíveis em suas encarnações anteriores e parecia que nada de bom poderia mantê-los ali, para a tristeza daqueles que se relacionavam com eles. As condições da atual guerra[2], ainda que não tenha sido criada para esse propósito, oferecem uma oportunidade para transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, através desta ação, os frutos dos erros cometidos por ela mesma em existências anteriores.

Nem tão pouco essa condição é de toda peculiar para a guerra. Muitas vezes, em outras ocasiões, são utilizados meios semelhantes para que possamos colher o que semeamos por meio de outros seres humanos que são aparecem em nossas vidas para seu próprio e nosso sofrimento. Eu me lembro de uma mãe que me disse, há alguns anos, como havia se rebelado contra a maternidade; como, depois de ter passado pelo período da gravidez com ódio e raiva em seu coração se recusou até a olhar para a criança quando nasceu; mas finalmente, ela sentiu piedade pela condição de desamparo daquela criança e mais tarde, a piedade se transformou em amor. A criança tinha todas as vantagens de que o dinheiro poderia lhe proporcionar, mas essas vantagens não poderiam salvar o seu equilíbrio mental, e hoje está preso como assassino em uma cela de um hospício para criminosos, enquanto a mãe foi deixada no seu sofrimento para ponderar sobre o que ela fez ou não fez, durante o tempo em que o bebê estava a caminho.

Inversamente, existe também ocasiões em que um espírito, terminando sua experiência em um ambiente, volta via o renascimento em uma nova esfera de ação, como um raio de Sol e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, merecem receber tais bênçãos. Lembremo-nos, portanto, que não importa quão degradado seja um ser humano, ele tem sempre o poder de semear o bem, mas deve esperar até que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora sujeito ao seu passado, é livre no que diz respeito ao seu futuro.

[1] N.T.: sobre Involução e Evolução, com mais detalhes, veja aqui O Conceito Rosacruz do Cosmos, no Capítulo XIV, no item Involução, Evolução e Epigênese.

[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 55)

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Carta de Max Heindel: Os Auxiliares Invisíveis e o seu Trabalho nos Campos de Batalha

Os Auxiliares Invisíveis e o seu Trabalho nos Campos de Batalha

Mais um mês se passou e ainda a guerra europeia continua fortemente e mostrando que não há sinais de término em toda a sua intensidade. Milhares e milhares de pessoas continuam ultrapassando a fronteira para o reino invisível, e o sofrimento lá, como aqui, é sem precedentes na história do mundo. Como você aprendeu em nossa literatura, o Mundo do Desejo é o mundo da ilusão e da desilusão; e aquelas pobres pessoas que tão repentinamente foram transferidas para aquele reino com feridas terríveis sobre seus corpos físicos, também imaginam (como muito frequentemente é o caso aqui quando ocorre com pessoas que sofreram um acidente) que as lesões do corpo físico ainda estão com elas, e elas sofrem intensamente lá com essas feridas imaginárias como sofreriam aqui. Isto é, claro, inteiramente desnecessário. Muitas dessas pessoas estão se dirigindo para lá com lesões terríveis em seus corpos, em particular àqueles que têm ferimentos causados por explosões de granadas e por baionetas. Certamente, é uma atividade fácil para os Auxiliares Invisíveis mostrar a qualquer uma dessas pessoas que suas lesões são somente imaginárias, contudo, como existem milhares delas, a tarefa se torna gigantesca, e nossos Auxiliares Invisíveis estão tendo um período de atividade sem precedentes neste conflito avassalador.

Entretanto, não é tanto a angústia que resulta tais imaginárias lesões corporais que torna o trabalho mais difícil. A angústia mental – a preocupação por aqueles que foram deixados para trás, o temor dos pais em relação aos seus pequeninos e a tristeza das mães que ficaram sozinhas para criar uma família de crianças pequenas – é a desvantagem mais temerosa para uma solução desse terrível estado de coisas que os Auxiliares Invisíveis têm que enfrentar, e esse é o ponto sobre o qual eu gostaria de pedir sua sincera cooperação.

O Presidente dos Estados Unidos Wilson instituiu o dia 4 de outubro como um dia de oração pela paz. É sempre bom nos unirmos a tais movimentos, porque os nossos pensamentos canalizados produzirão um considerável efeito e fortalecerão extraordinariamente o apelo global. Todo estudante sincero deve dedicar esse dia à oração, para a libertação do mundo dessa terrível carnificina. Nesse momento, todos os pensamentos devem ser particularmente dirigidos para reduzir e aliviar a dor daqueles que estão nesse mundo, e também para aqueles estão aflitos no Mundo invisível devido a separação dos laços familiares. Cada um deve manter o pensamento de que, embora a guerra atual seja dolorosa, é, todavia, apenas um incidente em um longo período de tempo que não tem princípio nem fim. Como espíritos somos imortais, e essas coisas que agora nos parecem de grande importância, quando forem vistas do ponto de vista espiritual e quando considerarmos o fato de que somos realmente imortais, terão uma importância menor nesse momento do que agora parece ser nesse caso para nós. O que quer que aconteça, será incorporado à natureza espiritual como uma lição para nos dar um sentido de horror dessa carnificina que agora está devastando o mundo. Vamos esperar, fervorosamente, que essa guerra seja a última que ferirá a paz da terra; pois, tendo aprendido essa custosa lição, a humanidade destruirá, de uma vez por todas, os arsenais de guerra e transformará suas espadas em arados.

Que essa ideia esteja na Mente de todos os Estudantes no dia 4 de outubro; contudo como essa data está tão próxima que, provavelmente, essa carta não chegará a todos a tempo, pedimos a todos os membros da Fraternidade Rosacruz que dediquem o domingo, dia 18, a oração pela paz. Nessa altura, todos os nossos Estudantes terão recebido essa mensagem e, novamente, nós estaremos unidos desde a manhã até a noite, nesse esforço para ajudar a restabelecer a paz no mundo. Que o reino de Cristo supere logo o reino dos seres humanos, pois eles, certamente, têm se mostrado governantes ineficientes.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 47)

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Carta de Max Heindel: O Vício do Egoísmo e o Poder do Amor

O Vício do Egoísmo e o Poder do Amor

Na última lição vimos que o Senhor de Wartburg[1] pediu aos trovadores que descrevessem o amor. Como todos nós aspiramos a desenvolver internamente esta qualidade, talvez seja de grande importância que devamos olhar diretamente para esse assunto e ver onde reside o nosso maior obstáculo, pois certamente não pode haver nenhuma dúvida de que todos nós estamos falhando, lamentavelmente, no que se refere ao amor.

Não importa o que possamos parecer aos outros, quando nós mesmos examinamos os nossos próprios corações ficamos envergonhados, ao reconhecer os reais motivos pelos quais os atos estimulados que os outros acham como ditados pelo amor aos nossos semelhantes. Quando analisamos esses motivos, iremos descobrir que todos foram ditados um traço de egoísmo; ainda que seja uma falha que nunca confessamos.

Tenho ouvido homens e mulheres se levantarem publicamente ou em privado e confessarem a todos os seus pecados cometidos, exceto esse único, o do egoísmo. Sim, nós até nos enganamos imaginando que nós mesmos não somos egoístas. Vemos esse traço de caráter muito claramente nos outros, se somos bons observadores, mas, falhamos em perceber a enorme “trave em nossos olhos”; e enquanto não admitirmos essa grande falha em nós mesmos e nos esforçarmos seriamente para superá-la, não poderemos progredir no caminho do amor.

Thomas de Kempis[2] disse: “Eu prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la”[3]; e podemos bem substituir a palavra amor por contrição. Se pudéssemos apenas sentir o amor em vez de sermos capazes de defini-lo! Contudo, o amor não pode ser conhecido agora por nós, exceto na medida em que removamos do nosso caráter tudo o que é mal ou imoral do grande pecado do egoísmo. A vida é a nossa propriedade mais preciosa, e nesse sentido Cristo disse: “Ninguém tem maior amor <ou altruísmo> do que aquele que dá a vida por seus amigos”[4].

Portanto, à medida que, cultivamos essa virtude do altruísmo, alcançaremos o amor, pois eles são sinônimos, como foi indicado por São Paulo naquele inigualável 13º capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios. Quando um irmão pobre bate à nossa porta, nós lhe damos o mínimo que podemos? Se assim for, somos egoístas. Ou nós o ajudamos apenas porque nossa consciência não nos permitirá deixá-lo ir? Então também isso é egoísmo, pois não queremos sentir as dores da consciência. Mesmo quando damos nossas vidas por uma causa, não existe o pensamento que é o nosso trabalho?

Muitas vezes escondo meu rosto de mim mesmo por vergonha diante deste pensamento em conexão com a Fraternidade Rosacruz, e ainda assim, devemos continuar. Contudo, não enganemos a nós mesmos; vamos lutar contra o demônio do egoísmo e estar sempre vigilantes contra os ataques subtis. Se o encontrarmos sussurrando para que precisamos descansar, que não podemos dar tanto da nossa força aos outros ou se sentimos que não podemos nos esforçar para dar a nossa essência, vamos reforçar a virtude da generosidade. O que importa, realmente, é que nós só guardamos o que damos; nossos corpos se decompõem e nossas posses são deixadas para trás, mas nossas boas ações permanecem conosco por toda a eternidade.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 44)

[1] N.T.: Da obra Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg de Richard Wagner (1845). Baseada numa lenda medieval, conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado. Quando Tannhäuser defende deliberadamente o amor carnal de Vênus, é reprimido pelos trovadores e consolado apenas por Isabel, uma virgem que o ama muito. É-lhe dito que sua única chance de perdão é dirigir-se ao Vaticano e rogar o perdão do Papa. Tannhäuser segue, então, com o torneio até Roma, mas de maneira autopunitiva: dormindo sobre a neve, enquanto os demais estão no alojamento; caminhando descalço sobre o chão quente, passando fome, e ainda com os olhos vendados, para não ver as belas paisagens da Itália. Ao chegar diante do papa, em vez de obter o perdão, ouve o papa dizer que é mais fácil o cajado que ele segura florescer do que ele obter o perdão dos pecados, tanto no céu quanto na terra. Odiando a igreja, Tannhäuser volta à Alemanha e Isabel sobe aos céus, rogando a Deus que interceda por ele. Os trovadores voltam com a notícia de que o cajado do papa floresceu, simbolizando que um pecador obteve no céu o perdão que não obteve na terra.

[2] N.T.: Também conhecido como Tomás de Kempis, também conhecido como Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1379 ou 1380-1471), Monge e escritor alemão. Tomás de Kempis produziu cerca de quarenta obras representantes da literatura devocional moderna. Destaca-se o seu livro mais célebre, Imitação de Cristo, composto por quatro volumes, no qual apela a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.

[3] N.T.: Do Livro Imitação de Cristo – Capítulo 1 – 3

[4] N.T.: Jo 15:13

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Carta de Max Heindel: Nossa Responsabilidade em Divulgar a Verdade

Nossa Responsabilidade em Divulgar a Verdade

Em relação à carta do mês passado, um dos Estudantes escreve: “Na sua carta parecia estar pressupondo que não há segredo ou critério por parte do indivíduo que conhece as coisas ocultas, para ser praticada e divulgá-la aos demais, não incorrendo com isso em nenhuma responsabilidade pessoal; pelo menos, para mim, sua explicação não pareceu clara”.

É claro que é impossível abranger um assunto dessa magnitude em uma ou em várias cartas. No entanto, a questão sobre a responsabilidade de divulgar a verdade, realmente, nos preocupa na medida em que o perigo do seu uso indevido acontece. O meu correspondente também diz que: “há certas seitas nesse país que possuem alguns poderes e os empregam com fins egoístas e avarentos”, e pergunta se seria errado reter os poderes ocultos de tais pessoas. Certamente não. Contudo, os Irmãos Maiores cuidam disso, pois são os reais guardiões de tudo que for altamente perigoso. O hipnotismo, certamente, é perigoso, mas não tanto como os poderes ocultos que o nosso correspondente indaga.

Durante a antiga Dispensação dos Israelitas[1], as trevas reinaram no Santo dos Santos e somente era permitido que alguns poucos sacerdotes e Levitas entrassem no Templo. Apenas o Sumo Sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma vez por ano. Contudo, na Crucificação o véu do Templo foi rasgado e o Templo foi inundado de luz e, desde então, nenhum segredo tem vigorado na Iniciação. Entretanto, num certo sentido, ela é tão secreta como sempre o foi, pois como eu disse na Carta do mês passado, ela não consiste em nenhum tipo de cerimônia.

É uma experiência interna, e nós devemos ter o poder dentro de nós mesmos para viver tal experiência, antes que a Iniciação possa chegar até nós. É segredo no mesmo sentido que os mistérios da raiz quadrada o são para uma criança. Nenhuma quantia de dinheiro para a iniciação poderá transmitir o entendimento à uma Mente infantil sobre os mistérios da raiz quadrada; ela deve viver a quantidade de anos suficientes e amadurecer, gradualmente, até que seja possível iluminá-la. Quando este ponto for alcançado, não haverá dificuldade alguma para a iluminação.

Ela compreenderá e verá a verdade facilmente. É exatamente essa verdade de que falei na Carta do mês passado. O Discípulo deve passar por um período de treinamento e por meio dessa preparação se torna maduro e mais calmo para viver a verdade dentro de si. Então, quando chegar a hora, será muito fácil para o Mestre ou Iniciador lhe mostrar, pela primeira vez, como aplicar a verdade que ele encontrou, usar o poder que acumulou, e então, ele é iniciado. Contudo, essa experiência não pode ser comunicada a ninguém. É absolutamente inútil tentar transmiti-la.

Não é através de uma cerimônia ou outra exibição externa que a Iniciação será alcançada pelo ser humano, mas é uma consequência real das suas ações passadas. Portanto, o iniciado pode aplicar sua verdade em sua vida diária, embora, outros possam ser absolutamente incapazes de chegar até ela, tanto quanto a criança é incapaz de entender o que está acontecendo como um exercício de raiz quadrada está sendo feito diante de seus olhos. Portanto, as reais e vitais verdades estão guardadas de todos, até que a chave do mérito abra a caixa do tesouro.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 42)

[1] N.T.: 1ª e 2ª Dispensação.

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Carta de Max Heindel: Um Método para Discernir a Verdade da sua Imitação

Um Método para Discernir a Verdade da sua Imitação

Na carta do mês de fevereiro, nós tratamos da seguinte questão: “Onde devemos encontrar a verdade e como a conhecerei quando tiver encontrado”? Contudo, de nada serve procurar a verdade ou conhecê-la, quando a tivermos encontrado, a menos que a coloquemos em prática em nossas vidas – e isso não significa que faremos isso, meramente, porque a encontramos. Há pessoas, e relativamente são muitas, que esquadrinham o mundo civilizado a procura de tesouros raros, de antiguidades, sejam quadros ou moedas. Há muitos que fabricam imitações de objetos genuínos, assim, o requerente dessas coisas corre o risco de ser enganado por trapaceiros espertos, a menos que tenha meios de distinguir o genuíno do falso.

A esse respeito, ele é assolado pelo mesmo perigo que o buscador da verdade, porque há muitos pseudocultos e invenções astutas que podem nos enganar. O colecionador frequentemente guarda o seu achado com muita dificuldade em um lugar mofado e, na sua solidão, o admira se gabando; e certamente com o passar dos anos, ou talvez quando ele morrer, irão descobrir que algumas das coisas que ele guardava com tamanho zelo e estima eram, na verdade, imitações sem nenhum valor. Do mesmo modo, aquele que pensa ter encontrado o que ele acredita ser a verdade, pode “enterrar seu tesouro” em seu próprio peito, ou esconder dos outros, secretamente, suas boas qualidades e habilidades para descobrir, talvez depois de muitos anos, que ele foi enganado por uma imitação. Assim, há necessidade de uma prova final infalível, que elimine todas as possibilidades de fraude, e a questão é como descobri-la e aplicá-la.

A resposta é tão simples como o método é eficiente. Quando perguntamos aos colecionadores como descobrem se um determinado artigo que apreciam é uma imitação ou não, geralmente respondem que mostram a peça a alguém que tenha visto o original. Podemos enganar todas as pessoas durante algum tempo, e uma parte das pessoas todo o tempo, mas é impossível enganar todas as pessoas o tempo todo; e se o colecionador tivesse mostrado seu achado publicamente, em vez de guardá-lo em segredo, teria logo sabido, pelo conhecimento de outros especialistas de todo o mundo, se ser achado era legítimo ou não.

Agora, lembre-se disso, pois é muito importante: assim como a confidencialidade dos colecionadores ajuda, incentiva e fomenta a fraude por parte dos negociantes de raridades, assim também o desejo de ter e possuir para si mesmo grandes segredos desconhecidos pela “multidão” fomentam os negócios daqueles que comercializam “iniciações ocultas”, com cerimoniais elaboradas para seduzir suas vítimas em gastar o seu dinheiro.

Como podemos provar o valor de um machado, se não for usando-o e, assim, descobrir se ele manterá o seu corte após um trabalho real efetivo? Iríamos comprá-lo se o vendedor exigisse que o colocássemos em um canto escuro onde ninguém pudesse vê-lo e proibindo-nos de utilizá-lo? Certamente não! Nós gostaríamos de usá-lo em nosso trabalho, e constatar a qualidade de sua “têmpera”. Se comprovássemos que era de “aço verdadeiro”, nós iríamos apreciá-lo, caso contrário, diríamos ao vendedor para que ficasse com sua ferramenta inútil.

Seguindo o mesmo princípio, qual é a razão de “comprar” as mercadorias de pessoas que negociam coisas sigilosas? Se suas mercadorias fossem de “aço verdadeiro”, não haveria necessidade de tal sigilo e, a menos que possamos usá-las em nossas vidas diárias, elas não têm valor algum. Nenhum dos dois machados têm valor para nós, a menos que o usemos; ele enferruja e perde sua afiação. Portanto, é dever de cada um que encontra a verdade usá-la no trabalho do mundo, tanto como uma salvaguarda para si mesmo, como para se certificar de que a verdade resistirá à grande prova, dando aos outros uma oportunidade para compartilhar o tesouro que ele acha útil para si mesmo. Portanto, é muito importante que sigamos o mandamento de Cristo: “Deixe a vossa luz brilhar”.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 41)

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Cartas de Max Heindel: A Carne Animal e o Álcool

A Carne Animal e o Álcool

Uma das características mais vulgares do gênero humano é a de elogiar aquilo que lhe agrada e depreciar o que lhe causa aversão, mas, espero que os Estudantes tenham aprendido, na lição do mês passado, que o único fato verdadeiro e glorioso é que no Reino do Pai todas as coisas trabalham juntas para o bem. Aqueles que estão satisfeitos por terem uma alimentação baseada em vegetais e não sentem desejos por bebidas alcóolicas, geralmente menosprezam nossos irmãos e irmãs que ainda adotam a carne de animais como alimento e ingerem bebidas alcóolicas, com o sentimento de “eu sou mais santo do que ele”; mas, devem ter percebido, indubitavelmente, pelo que ficou dito na lição anterior, que tal suposição é completamente gratuita. A carne animal e o álcool foram de primordial importância no progresso do mundo, e se não fossem eles, não desfrutaríamos hoje de muitas comodidades, nem dos aparelhos mecânicos que dispensam a mão de obra e fazem com que a vida no Mundo Ocidental seja mais fácil do que nos tempos primitivos. Nem chegou o momento em que esse tipo de alimentação e o uso do álcool deixou de serem necessários; eles são necessários para a vida de muitas pessoas. Além disso, e como diz a Bíblia, não é o que entra pela boca o que mancha, mas o que sai dela; e a atitude de desdém contra aqueles que continuam consumindo carne animal na sua alimentação ou que estão dominados pelo alcoolismo, é muito mais nociva para o crescimento espiritual do que o fato de ainda utilizá-los.

Portanto, não censuremos os outros, pelo contrário, procuremos ver o assunto sob o ponto de vista deles, permitindo-lhes o pleno uso do seu livre arbítrio, tal como desejamos usar o nosso. Tampouco devemos impor nossos pontos de vista, nem procurar converter ao nosso modo de viver os que não estão preparados para isso. A mudança deve partir de dentro, e não deve ser ditada pela consideração de que os alimentos vegetais são saudáveis, nem tampouco pela aceleração espiritual que se obtém mediante a alimentação sem carne. O objetivo maior deveria ser a compaixão pelas pobres vítimas que são assassinadas para satisfazer os nossos apetites.

De qualquer forma, podemos dizer que comemos carne animal em demasia e, como todos os compostos de nitrogênio, tais como a nitroglicerina, o algodão-pólvora e outros explosivos, os alimentos carnívoros são extremamente nefastos e perigosos para o sistema. Por isso, aconselhamos a moderação no consumo para as pessoas com quem estamos em contato. A ciência está suficientemente consciente desses fatos e preparada para dar apoio a quem empreender esse caminho. Podemos não salvar as vidas de muitos animais pregando moderação aos nossos irmãos, como faríamos se pudéssemos convertê-los a uma dieta sem sangue, mas se o nosso motivo é evitar a tragédia dessas mortes, esse será o caminho mais sábio. Também, se pudéssemos incutir um espírito de compaixão pelos animais, o desejo pela carne animal acabaria ante o espírito do amor.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 10)

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Cartas de Max Heindel: Um Apelo pela Igreja

Um Apelo pela Igreja

No mês passado, prometi dar continuidade à explicação sobre a Ordem Rosacruz a sua relação com a Fraternidade, mas não me lembrei que a Páscoa estava próxima e que essa data deveria merecer uma atenção especial. Espero que concordem que é muito importante estudar esse grande acontecimento cósmico, particularmente por vivermos numa terra Cristã e por sermos, espero, Cristãos de coração. Na verdade, a palavra-chave deste mês é: um apelo pela Igreja. Foi com este propósito que publiquei no final da lição o poema “Credo ou Cristo”.

Todos somos Cristos em formação. A natureza do amor está desabrochando em todos nós, portanto, por que não nos identificarmos com uma ou outra das igrejas cristãs que acalentam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores obreiros da Fraternidade são membros e ministros de igrejas. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles mantendo-nos afastados. Prejudicamo-nos pela negligência em não aproveitar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja.

Naturalmente, não há coação nisso. Não pedimos que se unam ou cuidem da Igreja, mas se formos até ela com espírito de ajuda, afirmo-lhes que experimentarão um maravilhoso crescimento de alma em um curto espaço de tempo. Os Anjos do Destino, que dão a cada nação a religião mais apropriada às suas necessidades, colocaram-nos em uma terra Cristã, porque a religião Cristã favorece um amplo crescimento anímico. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida pelo credo e pelo dogma, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, porque isso seria tão infrutífero como centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol recusando ver a sua luz gloriosa.

Medite sobre este assunto, querido amigo, e tomemos por lema deste mês: Maior Utilidade, para que possamos crescer, empenhando-nos sempre no aperfeiçoamento das oportunidades surgidas.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 04)