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A Necessidade de Difundir os Ensinamentos Rosacruzes

A Necessidade de Difundir os Ensinamentos Rosacruzes

Ao reler a lição mensal que acompanha essa carta, incorporando o resultado das investigações feitas há algum tempo atrás, eu estava extremamente impressionado de novo pelo fato da existência das tais condições muito assustadoras que pairam sobre nós. Atualmente, quando os horrores da Primeira Guerra Mundial apontam números sem precedentes daqueles que passam do mundo visível para os reinos invisíveis sob condições angustiantes, parece que um esforço extraordinário deve ser feito para compensar e minimizar o mal. A Fraternidade Rosacruz é somente uma gota de água no oceano da humanidade, mas se fizermos a nossa parte, devemos receber maior oportunidade para servir.

Não há melhor remédio para as presentes condições do que o conhecimento da continuidade da vida e, do fato de renascermos de tempos em tempos, sob a imutável Lei de Consequência. Se esses grandes fatos com tudo o que eles implicam pudessem ser levados aos lares de um grande número de pessoas, esse fermento deveria, no final das contas, agir de tal maneira que alteraria as condições em todo o mundo. Um homem, chamado Galileu, mudou a visão do mudo em relação ao Sistema Solar e, embora sejamos apenas alguns poucos milhares, não será possível exercer alguma influência sobre a opinião do mundo, quando sabemos que isso é a verdade?

É normal dizer que as pessoas não se interessam pelos assuntos espirituais e que não conseguimos que nos ouçam, mas, na realidade, não é isso que acontece. Notem o caso de centenas de milhares de pessoas que foram ouvir Billy Sunday[1], o notável evangelista: muitos sim foram lá por curiosidade ou para zombar e desdenhar,  mas outros milhares sentiram um forte desejo de algo que, talvez, nem eles mesmos pudessem definir, e nem mesmo explicar o motivo porque estavam lá. Recentemente houve um debate entre um evangelista nova-iorquino e um advogado sobre o assunto: “Onde estão os mortos?”. Esse debate aconteceu num grande auditório que comportava milhares de pessoas e que prolongou por três dias. Todos os lugares do auditório estavam ocupados e, se bem me lembro, muitos permaneceram em pé por falta de cadeiras.

Não, o mundo está buscando alguma coisa; procurando isso com o coração faminto, e só depende unicamente de nós se vamos fazer a nossa parte; apresentando ao mundo a explicação racional de vida que os Irmãos Maiores nos transmitiram. É um grande privilégio e certamente, devemos tirar aproveitar tudo isso.

Contudo, a questão é: Como? Eu pergunto a você: seu jornal não publicaria, ocasionalmente, um artigo sobre esse assunto? Certamente, existem várias pessoas dentro da Fraternidade Rosacruz com capacidade para escrever tais artigos. Poderia ser formado um comitê para receber os artigos e fornecê-los aos Estudantes que solicitassem E, também, poderiam ser entregues aos editores dos jornais das suas respectivas cidades, e se esforçando, por meio desse veículo, a divulgar os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Se um artigo é bem escrito, raramente é recusado quando há espaço disponível, pois, os editores ficam satisfeitos em receber algo que eles acham que possa interessar ao público leitor, mesmo que eles mesmos não simpatizem com o assunto.

Alguns estudantes que têm facilidades em escrever, envie pequenos artigos sobre “A Continuidade da Vida”, e aqueles que estão dispostos a se comprometerem na publicação de tais artigos nos jornais da sua localidade, podem nos escrever e deixar seus dados para que possamos entrar em contato? Enviem seus artigos sobre esse assunto ao Departamento de Publicidade, Mt. Ecclesia.

Espero que esse apelo tenha uma calorosa resposta.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 56)

[1] N.T.: William Ashley Sunday (1862-1935) era um atleta americano que, depois de ser um popular defensor da Liga Nacional de beisebol durante a década de 1880, se tornou o evangelista americano mais célebre e influente durante as duas primeiras décadas do século XX.

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Sol transitando pelo Signo de Sagitário (novembro-dezembro)

A força Crística dourada, descendo da fonte do Sol, passa pela Região Etérica do Mundo Físico durante dezembro (Sagitário).

Quando o Sol passa por Sagitário, no mês de dezembro, Cristo ilumina os reinos internos e forma um verdadeiro traje espiritual para o nosso Planeta.

Visto com visão espiritual, a partir do espaço sideral, a Terra aparece como uma bola de ouro fundida.

O Discípulo que vê este resplendor, a partir da superfície do Planeta, caminha em um oceano de luz dourada.

Todo o brilho e cor das festividades de Natal são apenas um pálido reflexo da luz e da glória dos reinos planetários internos quando a Glória de Cristo está operando ali dentro.

Se um Discípulo no Caminho da Santidade tem trabalhado fiel e efetivamente com as forças da transmutação, sob a influência de Escorpião, ele se encontrará atraído para aquele grande e glorioso esplendor.

Sagitário tem sido simbolizado por uma série de lâmpadas acesas, e o Discípulo que tem sido persistente em seus trabalhos espirituais agora descobre que estas lâmpadas foram acesas dentro de sua própria aura, e até mesmo dentro de seu próprio corpo-templo. Estas são as lâmpadas que iluminam o seu percurso para o centro da Terra. Lá ele estará na presença do Senhor Cristo, a Luz do mundo. Lá ele receberá a Sua bênção e O ouvirá entoar o mantra que tem sido utilizado em cada Templo de Iniciação, antiga ou moderna: “Muito bem, servo bom e fiel… entra tu para a alegria do teu Senhor.” (Mt 25:21).

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Sugestão para o seu Exercício Esotérico de Meditação nesse período: “Vós sois a luz do mundo”

A dedicação durante o mês solar de novembro, que vai de 23 de novembro a 22 de dezembro, corresponde à Hierarquia de Sagitário.

O padrão cósmico mantido por esses gloriosos Seres é o da Terra como um vasto altar irradiando a dourada aura da suprema Luz do Mundo.

A meditação para o mês solar de Sagitário é o pensamento-núcleo bíblico do Evangelho Segundo São Mateus 5:14:

“Vós sois a luz do mundo”

Grandiosos são os significados ocultos dessa passagem. Um Aspirante deveria meditar sobre eles durante o mês solar de Sagitário, enquanto ela foca seu ritmo sobre a Terra.

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Carta de Max Heindel: O Medo Desnecessário da Morte

O Medo Desnecessário da Morte

É realmente patético ver o sentimento de grande tristeza e de falta de esperança das pessoas enlutadas pela morte de alguém próximo e querido, e ver como, em casos extremos, elas dedicam o resto de suas vidas lamentando por aquele que já faleceu. Vestem-se de roupas pretas e mesmo um sorriso é considerado um sacrilégio à memória do falecido, sem considerar que, com essa atitude mental, prolongam a permanência da pessoa que dizem amar, nas regiões inferiores do Mundo invisível, onde tudo o que é mau vive, movimenta-se e permanece em contato estreito com a parte mais inferior e egoísta da humanidade. Isso não é uma mera fantasia, mas um fato real, e pode ser demonstrado a qualquer pessoa que tenha uma mínima visão espiritual.

Uma das maiores bênçãos conferidas àqueles que estudam e acreditam nos Ensinamentos Rosacruzes é de que, gradualmente, são emancipados do medo da morte e do sentimento de que uma enorme calamidade acontece quando alguém muito próximo e querido passa para os Mundos invisíveis. Uma bênção flui tanto para os chamados “vivos”, como para os chamados “mortos”, quando o Espírito que está partindo recebe a ajuda e os devidos cuidados durante essa transição. Será, então, capaz de assimilar o panorama da vida, o que tornará a sua existência ‘post-mortem’ plena e proveitosa, por não ter sido perturbado por um grande pesar, uma grande tristeza e pelo choro histérico dos que estão ainda encarnados, ao seu redor. Durante os anos seguintes, poderá ser auxiliado por meio das orações deles.

Por outro lado, aqueles a quem chamamos “vivos” e que estudam esses Ensinamentos, estão aprendendo a praticar essa atitude altruísta em relação à morte, tão necessária para o crescimento anímico, porque eles percebem, como um fato real, que a morte do corpo, no momento oportuno, é a maior bênção que pode acontecer com a humanidade. Nenhum de nós possui um Corpo Denso que seja tão perfeito e apropriado para viver eternamente. Na maioria dos casos, os anos marcam os pontos fracos dos nossos veículos em grau crescente, cristalizando-os e endurecendo-os, cada dia mais, até tornarem-se um fardo que ficaremos muito satisfeitos em repousá-los. Temos, então, a esperança e o conhecimento de que a nós deve ser fornecido um novo Corpo e um novo começo numa época futura, e assim poderemos aprender muito mais das lições na escola da vida.

Essa é a época do ano[1] quando a Morte Mística, que todos estamos celebrando naturalmente, leva os nossos pensamentos e os da humanidade em geral para a questão da morte e do renascimento. Não há outro ensinamento que seja tão importante e de valor vital como o do renascimento. Atualmente e mais do que nunca, a humanidade precisa disso devido a carnificina de crueldade e matança que foi posto em prática nos últimos dois anos e meio na Europa[2].

A família humana está tão intimamente interligada que, comparativa e provavelmente, há poucas pessoas no mundo que não tenham perdido algum parente nesse conflito titânico. Ao mesmo tempo, é um dever e um privilégio daqueles que conhecem a verdade sobre a morte disseminar tal verdade ao máximo possível, entre aqueles que ainda estão na escuridão em relação a esse fato.

Portanto, eu fortemente sugerido aos Estudantes da Fraternidade Rosacruz a perceberem que somos todos guardiões de tudo o que possuímos, quer sejam bens físicos ou mentais, e que é nosso dever, na medida do possível, explicar esses importantes fatos da vida e do ser com tato e diplomacia para dar a conhecer àqueles que ainda os ignoram. Nunca sabemos quando teremos a oportunidade de fazer o bem sem olhar a quem. É certo que, mais cedo ou mais tarde, esses Ensinamentos, temporariamente esquecidos, devem retornar ao conhecimento de toda a humanidade, e devemos, sempre que possível, compartilhar com outras pessoas a pérola do conhecimento que encontramos. Se negligenciamos isso, realmente, estaremos cometendo um pecado de omissão, pelo qual, em algum momento, seremos cobrados.

Espero que você faça isso de coração e se dedique a difundir esse conhecimento, não somente quando o momento se oferecer, mas aproveitando todas as oportunidades propícias – porém, com toda a diplomacia e tato apropriado, para que o nosso objetivo não seja frustrado pela utilização de um método inadequado. Além disso, não é necessário rotular esse conhecimento. A Bíblia está cheia de exemplos que podem ser mostrados que essa doutrina era aceita pelos Mestres de Israel, que acreditavam nessa doutrina os quais enviaram mensageiros a João Batista perguntando se ele era Elias. Também especulando se Cristo era Moisés, Jeremias ou outro profeta demonstram evidências de sua crença. Cristo acreditava no renascimento, pois afirmou definitivamente que João Batista era Elias. Essa doutrina foi enunciada por São Paulo no capítulo 15 da 1ª Epístola aos Coríntios e também em outros trechos.

Você não pode prestar um serviço maior à humanidade do que lhes ensinando essas verdades.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 77)

[1] N.T.: próximo à Páscoa.

[2] N.T.: refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.

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Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915

 

Café da manhã — 7:30 A. M.

Melão;

Flocos de milho torrados e creme;

Ovos mexidos com torrada;

Café e/ou leite.

——

Almoço — 12:00

Feijão de corda cozido;

Abobrinhas fritas;

Batatas marrons frescas;

Pão de trigo integral, manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

——

Ceia — 5:30 P. M.

Salada de aspargos;

Rabanetes frescos;

Pão quente com manteiga

e mel;

Torta de creme;

Chá e/ou leite.

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Um Homem Misterioso

Um Homem Misterioso

O Conde de St. Germain, a quem o grande filósofo e escritor francês, Voltaire, chamou de “O homem que tudo sabe e que nunca morre”, é sem dúvida alguma, uma das mais surpreendentes e misteriosas figuras da história.

A Enciclopédia Britânica qualifica-o de “Homem Milagroso” e realmente não se conhece a sua origem até os dias de hoje. Sua vida, sua obra e seu desaparecimento final estão tão velados, que seu nome já é sinônimo de misterioso e de incógnito.

Nas cartas e memórias dos grandes vultos da história podemos encontrar os motivos que o animaram em seus fins e ações. Só dessa forma poderemos ter uma ideia estimativa desse homem que procurou apagar suas pegadas e as de sua obra.

Aparentemente, viveu durante centenas de anos um homem que parece ter podido transmutar metais comuns em ouro fino e seixos em pedras preciosas. Por centenas de testemunhas dignas de confiança sabemos que ele não envelhecia durante um período de cem anos. Parecia até tornar-se mais jovem. Temos também relatos de que o Conde poderia abandonar seu corpo físico à vontade, aparecendo, em questão de momentos, a seus amigos localizados a milhares de quilômetros de distância.

Nada se sabe do seu nascimento nem de sua linhagem. Rumores não autênticos indicavam-no como filho do príncipe Racoczy da Transilvânia. Outros acreditavam ser o rei de Portugal seu pai. Mas isso nunca foi confirmado. Apenas podemos descobrir que o conde apareceu cedo nos círculos das cortes europeias, pelo século XVIII. E desde seu aparecimento tornou-se pessoa célebre; fabulosamente rico, formoso e culto, possuindo aparentemente poderes sobrenaturais e conhecimentos incríveis.

Em seu fascinante livro “’Souvenirs de Marie Antoinette”, a Condessa d’Adhemar descreve a apresentação do St. Germain na corte de França: “No ano de 1743 correu o rumor de que havia chegado de Versailles um estrangeiro enormemente rico, a julgar pela magnificência de suas joias. De onde veio jamais se soube. Sua figura era agradável e graciosa. Suas mãos delicadas e seus pés pequenos. Suas pernas bem proporcionadas, realçadas por umas meias bem ajustadas. Seu sorriso mostrava dentes magníficos, barba muito bem tratada, cabelos negros, um olhar suave e penetrante, e seus olhos, oh! Nunca vi olhos semelhantes! Parecia ter 40 anos. Frequentemente era encontrado nos apartamentos reais, onde era admitido sem restrições…”.

Nos perigosos dias que precederam a revolução francesa, vamos encontrá-lo como constante conselheiro e confidente de Luís XVI, Maria Antonieta e de Madame Pompadour. Ele lhes predisse exatamente a revolução e os dias de terror. Apesar de deplorar os sofrimentos e o derramamento de sangue e as injustiças que se aproximavam, procurou fazer com que compreendessem o inevitável e a grande necessidade de mudanças como parte da evolução humana.

Profetizou o dia e a hora em que Maria Antonieta deveria morrer na guilhotina. E, mais tarde, temos o testemunho da própria rainha de que ele lhe apareceu na prisão em seus corpos sutis, assegurando-lhe que a guiaria no país além da morte. Por isso foi ela capaz de caminhar com soberba altivez para a guilhotina, sendo admirada por todos que a viram.

Madame de Pompadour o menciona repetidamente em suas memórias. Em uma delas disse: “Ele possui um conhecimento sólido de todas as línguas, antigas e modernas; uma memória prodigiosa; uma erudição da qual se vislumbra algo entre o esmero de sua conversação. Ele contava anedotas da corte de Valois e de príncipes ainda mais antigos, com detalhes tão preciosos, dando a impressão de ter sido testemunha ocular do que contou. Viajara por todo o mundo e o rei gostava de ouvir as narrativas de suas viagens pela Ásia, África, pelas cortes da Rússia, Turquia e Áustria. Parecia estar mais a par dos segredos dessas cortes do que os próprios embaixadores do rei. Em uma ocasião manifestou ter conhecido pessoalmente Cleópatra e de ter conversado com a rainha de Sabá”.

De qualquer maneira, essa é uma pretensão assombrosa, mas a nota de autenticidade é dada pelo famoso compositor Rameau, que declara tê-lo conhecido em Veneza no ano de 1710 e que, em 1795, o Conde St. Germain parecia consideravelmente mais jovem do que o era 85 anos antes.

Em sua biografia de Maria d’Antonieta, a Condessa d’Adhemar conta ter ouvido uma conversação entre St. Germain e a Condessa de Gergy, uma senhora já idosa:

“Há cinquenta anos, fui embaixatriz em Veneza. Lembro-me de tê-lo visto naquela ocasião, chamando-se Marquês Balleti. Sua aparência era como a atual. Só parecia estar em idade mais madura, pois agora é mais jovem do que antes”.

“Madame — respondeu o conde sorrindo —, tenho muita, mas muita idade.

— Mas então deve ter centenas de anos! Exclamou a condessa surpreendida.

— “É possível que eu seja muito mais velho”, respondeu ele, e fez Madame de Gergy lembrar-se de uma porção de detalhes que ambos conheciam do Estado de Veneza. Como a Condessa ainda não acreditasse, fez-lhe lembrar certas circunstâncias e observações.

— “Não! Não! Interrompeu a velha embaixatriz com voz trêmula. Já estou convencida; por certo sois um deus ou um diabo!”.

Marquês Balleti foi apenas um de tantos nomes assumidos pelo conde. Entre os anos de 1710 e 1822 esse homem surpreendente andou pelo mundo sob os mais diferentes nomes e títulos.

Lemos dele como sendo um agente jacobino em Londres; um conspirador em St. Petersburgo; um alquimista e perito artista em Paris; um aventureiro no México e um general russo em Nápoles. Também temos crônicas a seu respeito relatando que fundou e influenciou grandemente a muitas sociedades espirituais e entre elas estão os Francomaçons, os Rosacruzes, os Cavaleiros da Luz, os Cavaleiros Templários, os Illuminati, etc. Esses últimos foram dirigidos por ele nas suas reuniões nas cavernas do rio Reno.

Esse homem praticamente encontrou-se e conversou com todas as figuras históricas de alguma importância durante o século XVIII. Existem cartas pessoais indicando que o conde fez muitas pessoas jurarem que se calariam. Mas existem suficientes relatos indicando que ele deu conselhos altamente significativos a cada um. Horácio Walpole falou-lhe em Londres no ano de 1745; Clive, o conquistador da Índia, conheceu-o intimamente naquele pais em 1756; Madame d’Adhemar afirma que ele a visitou cinco vezes depois de sua suposta morte, ou seja, trinta e seis anos depois; o famoso Mesmer confessou que St. Germain era seu instrutor. E o escritor Bulwer Lintton era um dos seus amigos.

Uma indicação dos seus poderes telepáticos está contida em Recordações de Viena, de Franz Graffer: “St. Germain pouco a pouco fez-se esquisito. Por uns momentos ficou rígido como uma estátua; seus olhos, sempre expressivos, mais do que se poderia descrever, tornaram-se sem brilho e sem cor., mas, de repente, todo seu ser tornou a se animar; fez um aceno com a mão como se despedisse e afirmou: ‘Devo partir imediatamente. Precisam de mim em Constantinopla e depois na Inglaterra, para preparar as invenções que lhes serão entregues no próximo século: trens e barcos a vapor'”.

Considerando que isso foi escrito muito antes da invenção das duas máquinas a vapor, não podemos duvidar que ele operava em dimensões e sob leis desconhecidas do homem comum.

Notícias pouco fidedignas anunciam a morte do conde de St. Germain no ano de 1784, no Palácio de Carlos de Hesse (Alemanha). Uma autoridade escreveu: “Uma grande incerteza cerca os últimos anos de St. Germain, pois não se pode depositar nenhuma confiança no anúncio da morte de um iluminado feito por outro, pois pode ter servido aos interesses da sociedade, que se fizesse crer na morte do conde”.

H.P. Blavatsky escreve em data posterior: “Acaso não é absurdo supor que, se ele realmente morreu no lugar e no tempo indicados, fosse sepultado sem pompa nem cerimônias, nem supervisão oficial e sem o registro policial que acompanha os funerais de personagens da sua envergadura? Onde estão esses dados? Ele desapareceu da vida pública faz mais de um século, mas não existe registro desse acontecimento. Um homem, em torno de quem se fez tanta publicidade, não pode desaparecer sem deixar pegadas.

“Além disso, temos provas positivas atestando que ele continuou vivendo durante outros anos depois de 1784. Teve uma conferência particular muito importante com a Imperatriz da Rússia em 1785. Apareceu à princesa de Lombelle, quando ela esteve ante o tribunal, minutos antes de ser executada. Da mesma forma apareceu a Jeanne Du Barry, a concubina de Luiz XVI, quando, no cadafalso da guilhotina, durante os dias de terror, no ano de 1793”.

Inúmeras outras personalidades declararam ter visto e conversado com o Conde de St. Germain depois de sua morte.

Entre esses, encontra-se o Conde de Challon que declarou, numa reportagem, ter conversado com ele, longamente, em diferentes ocasiões, depois de 1784; aí está também a asserção de Madame de Genlis, de que lhe falou durante as negociações para o Tratado de Viena em 1821; afirmação de Madame d’Adhemar, dos seus diálogos com ele até o ano de sua morte em 1822 e da doutora Annie Besant, no órgão ‘Theosofist’ de janeiro de 1912, de que ela o encontrara e falara pela primeira vez em 1896.

Nos documentos oficiais da Franco Maçonaria, consta que ele foi eleito representante dos francos maçons franceses em 1785, detalhe esse mencionado na Enciclopédia Britânica. Na Grande Biblioteca Ambrosiana, de Milão, está registrado que ele presidiu a uma reunião da Grande Loja, juntamente com Cagliostro, St. Martin e Mesmer, no ano de 1867. Logo, devemos forçosamente deduzir que não existe um documento autêntico sobre a morte de St. Germain. Sua partida deste mundo é tão misteriosa como seu aparecimento. Se é que partiu realmente.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – de maio/1959 e na de maio/jun/1988)

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Carta de Max Heindel: A Guerra Mundial e a Fraternidade Universal

A Guerra Mundial e a Fraternidade Universal

Em quase todas as correspondências, nós recebemos cartas comentando sobre a guerra[1], e com raras exceções, não encontramos nelas expressão de partidarismo, mostrando que os autores têm um ponto de vista mais elevado do que o inculcado pelos vários Espíritos de Raça e que, normalmente, recebem o nome de “patriotismo”. Essa é a única atitude coerente com os princípios da Fraternidade Rosacruz. Nós estamos todos unidos numa associação internacional; estamos todos procurando pelo Reino que deve substituir todas as já superadas nações, e o fato de termos nascido em diferentes partes do mundo e nos expressarmos em línguas diferentes, não revoga o mandamento de Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, nem nos escusa por desempenharmos o papel de “ladrão”, e não de “samaritano”. Cabe a cada um de nós, na Fraternidade Rosacruz, se elevar acima das barreiras da nacionalidade e aprender a dizer o mesmo que Thomas Paine[2]: “O mundo é a minha pátria e fazer o bem é a minha religião”. Devemos deixar de ser meramente nacionalistas e nos esforçarmos para nos tornarmos universais em nossas percepções, compreensões e reações aos sofrimentos dos outros.

Contudo, há uma guerra que vale a pena lutar, uma guerra na qual podemos, legitimamente, empregar toda a nossa energia, uma guerra que devemos persistir com zelo implacável, e um dos Estudantes coloca isso tão bem que o melhor que podemos fazer é transcrever sua carta:

“Ao refletir sobre a guerra, surge esse pensamento: quando os seres humanos se cansarem da desagradável e chocante luta entre as diferentes nações vizinhas e semelhantes, largarem suas armas e a paz predominar, então a partir desse continente, sobrecarregado com o pó dos amigos e adversários, com seus rios correndo avermelhados com o melhor sangue dos impérios, surgirá uma nova Europa e uma civilização superior substituirá a destruída.

E um grande número de mortos desconhecidos, moribundos, revelará um poder muitíssimo maior para a paz mundial do que o vivido anteriormente. Assim, das paixões desenfreadas dos seres humanos, a Deidade, justa e amorosa, traz o bem final.

Se os homens e as mulheres tivessem também uma décima parte da vontade para travar uma guerra contra o seu verdadeiro inimigo, que está dentro do seu coração, ao invés de pegar em armas contra um suposto inimigo de um lado da fronteira imaginária inexistente na boa face do mundo de Deus, então o Príncipe da Paz poderia reinar. Todas as armas mortíferas seriam jogadas no limbo e a promessa gloriosa se realizaria: “Paz na Terra e Boa Vontade entre os Homens”.

E assim, por mim mesmo, resolvi não cessar com meus esforços até que o último vestígio de maldade, erro e ódio sejam eliminados, e a sublime Trindade de “Bondade, Verdade e Amor reinem sem contestação interior”. Nessa luta real, me considero um pobre soldado e, geralmente, a curso da batalha se coloca na direção errada, contudo, não importa se eu falhe dez mil vezes, a lição deve ser aprendida e será aprendida. Algum dia, com um coração robusto, uma vontade indomável e uma persistência infalível, a vitória será conquistada e a paz reinará – a paz que ultrapassa toda a compreensão.

Unamo-nos todos ao nosso irmão nessa nobre luta, recordando as palavras de Goethe:

“De todo poder que mantém o mundo agrilhoado,

o homem se liberta quando o autocontrole há conquistado”.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 48)

[1] N.T.: a Primeira Grande Guerra Mundial.

[2] N.T.: Thomas Paine (1737-1809) foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América.

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Max Heindel e a Grandiosidade da Sua Obra

Max Heindel e a Grandiosidade da Sua Obra

Toda e qualquer atividade sempre apresenta certos aspectos que se constituem em requisitos fundamentais para que seja executada com perfeição. Assim, para comprovar tal afirmativa vamos apresentar um exemplo ilustrativo. Um homicídio é cometido em um ponto qualquer da cidade. É óbvio que os primeiros movimentos em torno do caso partem das autoridades policiais, as quais após efetuarem as diligências costumeiras, descobrem o autor do crime e o detêm. Logo em seguida entram em ação os repórteres, pois um fato dessa natureza, invariavelmente, será publicado nos jornais, no dia subsequente àquele em que ocorreu. É lógico que o público tomará conhecimento da ocorrência conforme a exatidão, clareza, precisão e fidelidade com que for narrada. Indiscutivelmente, esses fatores pesam de maneira decisiva na elaboração de qualquer reportagem, porém, esta só poderia adquirir algo substancioso ou apresentar um conjunto harmônico, caso viesse a se estruturar na resposta às seguintes perguntas: Quem cometeu o crime? Quando? Onde? Como? Por quê? Este “por quê?” assume uma importância capital na análise da questão, pois, como todo efeito é gerado por uma causa, respondendo-se à tal pergunta, inevitavelmente atinge-se o cerne do acontecimento.

No campo espiritual a situação se nos depara em circunstâncias mais ou menos análogas, pois somente o conhecimento das causas, e dos efeitos decorrentes delas, é que pode levar o ser humano à solução de diversos problemas e do grande enigma que se resume nestas três indagações: donde viemos? Quem somos? Para onde vamos?

Atualmente a nau da humanidade singra um mar revolto, encapelado pelas ondas do materialismo e de doutrinas que, embora revestidas de belos princípios morais, ainda não demonstraram a seus seguidores que eles possuem dentro de si uma essência divina. Sim, o ser humano é espírito, mas já se convenceu inteiramente disso?

Felizmente, para contrabalançar esse estado de coisas, existem os movimentos impulsionados por comunidades espiritualistas-filosóficas no mais elevado sentido do termo, as quais procuram despertar, emancipar, esclarecer, mostrando ao ser humano o maravilhoso caminho da evolução, sua ascendência em espiral, os diversos veículos através dos quais o Ego se manifesta, os diversos mundos interpenetrando-se, proporcionando um apreciável estudo de Cosmogênese e Antropogênese, analisando os mais intrincados problemas que a humanidade encontra pela frente.

Sem querer expressar qualquer julgamento que se constitua em demérito aos demais movimentos filosóficos, colocamos a Fraternidade Rosacruz na vanguarda do neo-espiritualismo, porque embora as outras organizações lutem por um ideal semelhante, esse será alcançado com mais segurança por meio dos métodos rosacruzes, que diferem dos outros métodos num ponto básico: emancipam espiritualmente o estudante.

Além disso, a Filosofia Rosacruz concilia as exigências da razão com os ditames do coração, por meio de preceitos lógicos, simultaneamente científicos e devocionais.

Num mundo como o de hoje, onde ciência e religião permanecem divorciadas, muitos podem julgar que o ideal Rosacruz constitua mera utopia.

Aos que hesitam em acreditar na veracidade de tão maravilhosos preceitos, recomendamos que leiam a obra básica da filosofia Rosacruz: O Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.

Mas, quando principiarem a leitura, dispam-se de todo juízo prematuro, abandonem quaisquer rasgos de unilateralismo e, ao penetrarem na essência de cada tópico, poderão constatar realmente que essa obra se fundamenta no conhecimento. Não foi o resultado de vãs divagações ou simples pretensão de se lançar ao mundo mais um ramo filosófico, entre tantos já existentes. Não foi um livro escrito para ser lido como outro qualquer, porque a profundidade encerrada em suas linhas denota um trabalho meticuloso, consciencioso e repleto de amorosidade. Qualquer ser humano, possuidor de pelo menos uma inteligência mediana, logo verificará que o Conceito Rosacruz do Cosmos não é uma obra dogmática, mas respeita a sagrada liberdade que cada um tem de aceitar ou não uma proposição conforme o que decide a consciência.

O autor teve o especial cuidado de, ao iniciar a obra, tecer considerações alusivas às possíveis interpretações dos conceitos emitidos, pois o entendimento errôneo por parte de alguns ou uma distorção maldosa por parte de outros poderiam suscitar uma ideia de infalibilidade na exposição efetuada sobre diversos temas. Porém, Max Heindel ressaltou sobremaneira tal fato, afirmando que, dizer-se que a referida exposição fosse infalível seria o mesmo que lhe atribuir onisciência, quando até os seres mais elevados às vezes se enganam nos juízos que fazem. O Conceito Rosacruz do Cosmos encerra apenas a compreensão do autor sobre os ensinamentos Rosacruzes, sobre o mistério do mundo, revigoradas por suas investigações pessoais nos mundos internos e sobre os estados antenatal e post-mortem do ser humano, concluindo por afirmar que não considera tal obra como sendo o alfa e o ômega, o último conhecimento oculto. Isso é prova fatal de que o autor não possuía nenhum outro interesse a não ser prestar um serviço digno ao gênero humano.

A leitura pausada de cada tópico tratado no O Conceito Rosacruz do Cosmos, acompanhada de profunda meditação, faz-nos concluir que essa notável obra é verdadeiramente um “alimento sólido”. Aqueles que procuram a luz, encontrá-la-ão no O Conceito Rosacruz do Cosmos, pois a necessidade premente de cada ser humano é de olhos para ver o esplendor que realmente existe.

Muitos podem objetar — apesar de todos os prós encontrados a favor de Max Heindel: quem nos pode proporcionar uma garantia definitiva da fidelidade dos relatos contidos no livro e das intenções íntimas do autor?

A esses responderemos aconselhando que estudem a biografia de Max Heindel. Ele nos deixou, como aval de sua magnífica obra, uma vida repleta de lutas, dificuldades, sofrimentos, estudos, pesquisas incessantes, e um coração transbordante de amor, coroando a modéstia que o caracterizava. Somente um homem assim, dotado de extraordinária envergadura espiritual, poderia suportar e vencer provas tão difíceis, que facilmente aniquilariam o indivíduo comum, pois, a vulgar tentativa de se alcançar uma glória perecível ou uma projeção egoísta, fatalmente ocasionaria a inexorável derrota ante os sérios obstáculos impostos pela própria vida. Daí concluirmos que unicamente um ideal impulsionou Max Heindel a encetar essa gigantesca obra: servir a humanidade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1967)