Categoria Um Estudante

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Livro: As Bem-aventuranças

O “Sermão da Montanha” é um dos mais importantes trechos da mensagem cristã; um código universal de conduta, cabível a qualquer religião ou credo.

Cabe a cada um de nós, segundo o nível de compreensão, extrair desses princípios gerais as consequências práticas.

As bem-aventuranças são uma síntese do espírito cristão e não meramente da letra.

É uma sinopse espiritual e não literária.

Uma súmula geral, semelhante àquelas que, na velha maneira oriental, sintetizavam os ensinamentos religiosos e filosóficos

1. Para fazer download ou imprimir:

Por um Probacionista – As Bem-aventuranças

2. Para estudar no próprio site:

 

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz do Centro de São José dos Campos – SP

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

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Apresentação

Felicidade é SER.

Ser o que?

Ser o que essencialmente somos, mas sem condicionamentos da persona; uma Centelha Divina sem deturpações da natureza inferior.

Quando conseguirmos SER, nossa evolução decorrerá sem dores e muito mais rapidamente.

No entanto, estamos fascinados pelo materialismo; condicionados pelos conceitos falsos de que somos uma personalidade à parte e separada de Deus, dependentes de nossos recursos pessoais e externos.

Isso nos vem desviando e retardando a evolução. Urgente se faz retornar ao próprio íntimo, e lá encontrar e desenterrar o “tesouro escondido”, que dissolverá o sentido humano e nos devolverá a verdadeira identidade, na unidade do Espírito.

Mas há um caminho a percorrer; há uma verdade a realizar acerca de nós mesmos, como já enunciada naquela antiga frase (a um tempo convite e desafio), inscrita na fachada do templo de Delfos: “Homem, conhece-te a ti mesmo”.

Os enganos e a astúcia estão no labirinto da personalidade falsa. O “fio de Ariadne” que nos orientara nesse labirinto, para descobrirmos a ilusão e retornar à liberdade é o “Sermão da Montanha”, notadamente as “bem-aventuranças”, que são como “setas nas encruzilhadas” do Peregrino, em busca do próprio SER.

Neste amoroso desejo de SERVIR, o CRISTIANISMO ESOTÉRICO, exposto pela Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, lhe oferece este trabalho.

Nota: não leia de um fôlego só. Medite uma por uma das exposições e acrescente sua própria experiência e sentir, valorizando-as com seu dom epigenético; pois, são temas inesgotáveis.

Oração do Estudante Rosacruz

“Aumenta o meu amor por ti, Ó Deus

Para que eu possa servir-Te melhor a cada dia que passa

Faze que as palavras de meus lábios

E as meditações do meu coração

Sejam agradáveis a Tua presença

Ó Senhor, minha força e meu redentor.”

 

         ÍNDICE

Apresentação.. 3

INTRODUÇÃO.. 6

Primeira Bem-Aventurança.. 10

Segunda Bem-Aventurança.. 21

Terceira Bem-Aventurança.. 30

Quarta Bem-Aventurança.. 40

Quinta Bem-Aventurança.. 49

Sexta Bem-Aventurança.. 56

Sétima Bem-Aventurança.. 65

Oitava e Nona Bem-Aventuranças. 73

                                           

 

INTRODUÇÃO

O “Sermão da Montanha” é um dos mais importantes trechos da mensagem cristã; um código universal de conduta, cabível a qualquer religião ou credo.

Mahatma Gandhi o considerou “o documento máximo da espiritualidade”. Outros seres humanos ilustres são de opinião que ele unirá, futuramente, todas as religiões e filosofias, concretizando o ideal do Cristo: “Um só rebanho e um só Pastor”. Disseram mais: se se perdessem todos os documentos do mundo e apenas se salvasse o “Sermão da Montanha”, a humanidade não ficaria prejudicada, porque ele constitui, por si só, um completo método de orientação espiritual.

De fato: qual a solução para a paz mundial? Qual o modo de restabelecer a harmonia entre os seres humanos? Só mesmo levando cada indivíduo a conhecer-se, reconduzindo-o ao próprio íntimo, para retomar contato com sua Divina Essência, e entrar na posse de sua herança de Filho de Deus. Mas isto pressupõe – como sugerem as bem-aventuranças – que sejamos:

  • desprendidos e servidores;
  • puros de coração;
  • coerentes na reta justiça, apesar de perseguições;
  • mansos, pacificadores e misericordiosos;
  • amorosos com os que nos odeiam sem razão; e
  • retribuidores de bem, mesmo aos que nos fazem mal.

Segundo as normas atuais de conduta, isto parece impossível de ser praticado. Pedimos que o leitor conserve a Mente livre e caminhe conosco através desta análise. Depois, meditando, certamente concordará conosco, dispondo-se a praticar também, com nova compreensão, estes maravilhosos princípios.

Notem que, ao contrário das diversas religiões e correntes espiritualistas, Cristo não dá instruções pormenorizadas acerca do que devemos ou não fazer. Ele foi antiritualístico e antidogmático. Rebatia severamente os fariseus, esclarecendo que as normas externas de nada valem. Sua mensagem se constitui de princípios gerais, para educar nosso estado mental. Ele mostrou que a causa da ação humana está na Mente: se o pensamento (a causa) é puro, logicamente os atos (os efeitos) serão corretos e edificantes.

Cabe a cada um de nós, segundo o nível de compreensão, extrair desses princípios gerais as consequências práticas.

Dos quatro Evangelistas que recolheram material para instituir seus métodos de Iniciação, foi São Mateus quem nos deu a versão mais completa do “Sermão da Montanha”, iniciando pelas bem-aventuranças.

Segundo São Mateus, as bem-aventuranças se constituem de nove passos. Nove é um número cabalístico, representativo do gênero humano, do que se deduz tratar-se de uma síntese para a libertação humana. Por seu profundo sentido, é compreensível que a maioria não a possa penetrar inteiramente. É um desafio, mesmo aos mais preparados internamente, porque sua prática prevê o despojamento do sentido humano vicioso.

As bem-aventuranças são uma síntese do espírito cristão e não meramente da letra. É uma sinopse espiritual e não literária. Uma súmula geral, semelhante àquelas que, na velha maneira oriental, sintetizavam os ensinamentos religiosos e filosóficos, tais como: os oito caminhos de Buda; os dez mandamentos de Moisés, etc.

Em comparação a São Mateus, São Lucas omite a 3ª, 5ª, 6ª e 7ª bem-aventuranças. Só apresenta as demais, com as respectivas condenações: “ai de vós…”.

Salmo da Segurança pela União com o Cristo Interno

Aquele que habita no esconderijo secreto do Altíssimo,

à sombra do Onipotente descansará.

Direi ao meu Senhor: És o meu Deus, meu refúgio,

minha fortaleza; em ti confiarei!

Tu me livras do laço do passarinheiro

e da peste perniciosa.

Tu me cobrirás com tuas penas!

Debaixo de tuas asas estarei seguro:

tua verdade é escudo e broquel!

Não temerei espanto noturno,

nem seta que voe de dia;

nem peste que ande na escuridão;

nem mortandade que assole ao meio-dia.

Mil cairão ao meu lado

e dez mil à minha direita,

mas nunca serei atingido!

Somente com meus olhos olharei,

e verei a consequência dos ímpios.

Porque Tu, ó meu Deus, és meu refúgio

E o Altíssimo é Tua habitação.

Nenhum mal me sucederá,

nem praga alguma chegará à minha tenda.

Porque aos Anjos darás ordem a meu respeito,

para me guardarem em todos os meus caminhos.

Eles me sustentarão nas suas mãos,

para que eu não tropece em pedra alguma.

Pisarei o leão e o áspide;

calçarei aos pés o filho do leão e a serpente.

Pois tão encarecidamente Te amei

Também Tu me livrarás!

Pôr-me-ás num alto retiro

porque conheci o Teu Nome!

Eu Te invocarei e Tu me responderás.

Estarás comigo na angústia;

livrar-me-ás e glorificar-me-ás;

dar-me-ás abundância de dias

e mostrar-me-ás a Tua salvação!

 

Primeira Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” (Mt 3:5)

“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus.” (Lc 6:20)

“Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação!” (Lc 6:24)

São Jerônimo[1] fez constar na “Vulgata”: “pobres PELO espírito” ou “pobres SEGUNDO o espírito”. Talvez desejasse evitar a palavra “mendigos”, mas com isso induziu a um afastamento maior do sentido real, pois as versões atuais ao português registram: “Bem-aventurados os pobres EM espírito”.

Na linguagem corrente, “pobre em espírito” é um indivíduo tolo. Ninguém poderá supor que seja esse o sentido. Todavia, na melhor das hipóteses, nas mãos de pessoas simples, a leitura dessa bem-aventurança poderá sugerir que a pobreza é uma virtude e a riqueza um pecado. Não é de admirar que, ante essas traduções, os comunistas acusem os cristãos de estarem disseminando o conformismo à miséria, para servirem aos poderosos.

Nada mais errado. A tradução exata do texto original grego do primeiro século é: “pobres em espírito” (ptôchoi tôi pnêumati), como fizemos constar acima. “Ptôchoi” quer dizer: “aquele que caminha a mendigar”. É o mesmo que dizer: “O indivíduo internamente aberto para receber de seu Espírito interno o de que necessita para sua evolução diária”. O Cristo não se refere, pois, a pobrezas ou riquezas materiais, senão, à necessidade de a pessoa se abrir à Fonte interna para dela receber mais amplos e justos recursos. Se Ele ensinou isso é porque NOS fechamos. Vejamos como e porque acontece isto, a fim de tomarmos consciência e buscarmos a solução indicada nesta bem-aventurança.

O ser humano é uma Centelha Divina em evolução, ou, como disse São Paulo, um “Cristo em formação”. O Gênesis ensina que “fomos feitos a Imagem e Semelhança de Deus” – o que levou os esoteristas a compreenderem que o ser humano é um microcosmo, tendo em si, em potencial, tudo o que tem o Macrocosmo. A evolução consiste em dinamizar ou transformar em consciência, as faculdades que se acham adormecidas no íntimo. Todos receberam igual herança divina, inesgotável, infinita. Mas a quantidade maior ou menor que cada um de nós dinamiza em seu íntimo, dessas faculdades divinas, é o que determina o grau de evolução. Ainda mais: cada qual desperta e utiliza esses talentos de um modo próprio, original. A isso os Rosacruzes chamam individualidade, consequência da Epigênese.

Acontece que o ser humano foi induzido a transgredir as leis da Natureza. Influenciado pela “falsa luz”, se tornou egoísta e pretensioso. Caiu (vibracionalmente) e perdeu contato com sua essência. Assim viciado, uniu a Mente Concreta ao Corpo de Desejos e formou uma espécie de “alma animal”, uma personalidade que, embora dependendo do Espírito para viver e atuar neste plano tem a ilusão de ser Algo à parte, separada e independente do Espírito.

Nesta ilusão condicionadora, toma os recursos evolutivos já dinamizados (Alma) como seus (da persona) e os usa segundo seus interesses deturpados.

Fá-lo por ignorância – o único pecado. Simplesmente não percebe que o Espírito é a CAUSA e os seus veículos (a Mente, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso) são MEIOS de expressão. Julga-se a persona (a máscara) e se arroga o DONO, com o direito de conceder ou negar, de dar ou reter, de reclamar honrarias e retribuições. Sua consciência comprometida, instintivamente, teme a morte. Ouve falar de um céu e procura fazer caridades que, ao mesmo tempo, promovam sua “fama de bom”. A estas pessoas – uma grande maioria, infelizmente – são bem oportunos e atuais os símbolos evangélicos: “tendes olhos e não vedes” (cegos que não veem as realidades suprafísicas circundantes); “tendes ouvidos e não ouvis” (surdos que não ouvem as verdades a respeito de seu próprio ser). Daí que sejam também “coxos” (vacilantes), “paralíticos” (que não caminham pela reta senda), “leprosos” (moralmente impuros), obsessionados (condicionados pelos vícios) etc.

Ora, se todos têm uma Alma – que é a soma das faculdades despertadas, do “tesouro desenterrado”, que convertemos em consciência, para uso do Espírito – todos podemos e devemos SERVIR. SERVIR é verter os recursos internos, para edificação dos outros e, em última análise, para nossa evolução.

É verdade que estamos em níveis evolutivos diferentes e variados; é verdade que, os que mais têm deveriam dar mais, como foi dito: “Ao que mais é dado (o que mais evoluiu) mais lhe será exigido” (tem maior responsabilidade no uso de seus talentos). Mas não temos nada com a vida dos outros; cada qual responde por seus atos e não pelos dos outros. Em vez de estarmos de mãos vergonhosamente estendidas, sempre a pedir aos mais aquinhoados, sempre a depender de sua proteção e ajuda, façamos nossa parte e recebamos por nossos esforços o que nos é devido, pois “digno é o trabalhador de seu salário”.

Se nos colocamos na consciência da verdadeira identidade, isto é, UM ESPÍRITO, AGINDO COMO UMA PESSOA – e não uma pessoa a depender de seu espírito (muito menos uma pessoa a depender de outras pessoas), NÃO PRECISAMOS DESTA BEM-AVENTURANÇA. Cristo endereçou este ensino àqueles que se situam na persona, que pensam ser uma pessoa a depender de um Divino separado e distante, para mostrar-lhes que eles SÃO UM COM O DIVINO, QUE AGE COMO OU SENDO ELES. Portanto, é apenas questão de romper a ilusão da separatividade. Este esforço, para a religação exige persistência, anelo, ardente aspiração, esforço metódico. A isto é que se chama MENDIGAR O ESPÍRITO, expressão forte para esclarecer que nessa busca devemos ter consciência de que, como pessoa, não somos nada e que dependemos inteiramente d’Ele, que não é Ele, mas é EU, verdadeiro e superior, único.

A propósito, lembramos que há muito espiritualista sincero que tropeçando nesta e noutras bem-aventuranças, como o mancebo rico, cumprem a Lei, mas não querem deixar suas riquezas. Estão ricos de verdades espirituais, de idealismo, de boa vontade e até de desprendimento material; mas, por falta de um paralelo cultivo interno caíram na vaidade intelectual e outras manhas da personalidade. O Cristo ama-os, porque realizam bom serviço; mas lamenta que se afastem, com seus muitos bens, da verdadeira realização.

Este ponto nos lembra de um formoso relato Rosacruz: um ser realizado, iluminado, chegou ao cimo da montanha e bateu à porta do “Castelo”, o “Guardião” apareceu, levou-o para dentro, mostrou-lhe as acomodações vazias.

– Vai ficar?

– Não. Quero voltar para encaminhar os que veem atrás.

– Compreendo Irmão. Quando se alcança a realização, não se quer usufruí-la. Essa renúncia é superior à renúncia do sentido humano.

É preciso meditar nisto todos os dias, até que uma nova consciência nos torne administradores fiéis, isto é, sabendo que todos têm, podem e devem DAR: amor altruísta, experiência, conhecimento, dons, habilidades várias e até recursos materiais, de modo JUSTO, AMOROSO, DESPRENDIDO, DISCRETO – reservando para nossa manutenção o que as justas necessidades reclamam. Entendamos bem: isto não é indiferença para as coisas do mundo nem omissão nas atividades. Ao contrário, é trabalhar como um ambicioso, mas estar desapegado dos resultados; administrar seriamente, de modo competente e equilibrado, corrigindo falhas, aprimorando normas, sem nos considerarmos DONOS, mas simplesmente administradores, com responsabilidade proporcional ao que recebemos, de fazer fluir os recursos na edificação de todos.

Já imaginaram um mundo assim? Já viram pessoas agirem assim? Houve e há muitos servos e amorosos; firmes e serviçais; justos e nobres. São pobres porque se sentem desapegados, isentos do sentido de POSSE. Não buscam glorificação por meio das realizações e se a fama os distingue, não se deixam corromper por ela. Fazem o melhor que podem e se o poder os bafeja, não o usam para benefício próprio ou de seus apadrinhados. Ao contrário, usam a fama e o poder para promover o progresso coletivo, sofrendo coações dos que se sentem prejudicados por sua atuação honesta. Estes “acumulam tesouros no céu” (Alma), mas “não entesouram na Terra (personalidade), que o ladrão rouba, a ferrugem corrói e a traça destrói”. Eles têm a serena convicção de que, o que é plantado na persona, com ela morre e nada acrescenta a sua evolução. Não se apoiam no externo, mas permanecem internamente abertos ao fluxo interno da única Fonte. Isto é ser autossuficiente, apoiado em SI (no “Eu” real e não na persona). Se algumas coisas recebem de fora, é aparente: receberam realmente de dentro, indiretamente, como resposta de sua atuação correta: “O que dá, recebe”.

Guardemos bem: não há virtude na pobreza nem pecado na riqueza. Os valores materiais, morais, mentais, etc., em si mesmos não são bons nem maus; são apenas MEIOS evolutivos: dependem do USO que deles se faça. O dinheiro pode ser maldito ou abençoado; a inteligência pode ser maquiavélica ou serviçal. A pobreza pode ser sinônimo de preguiça, de um mal-entendido desapego, de indiferença, de omissão de responsabilidade ou omissão de esforço ante as inúmeras possibilidades do mundo moderno. As restrições mentais, morais e físicas são meros efeitos de abusos anteriores e reclamam ainda mais um esforço de recuperação. Neste sentido é que devemos ajudar os carentes: a não precisarem dos outros; a servirem, em vez de serem servidos; a carregarem, em vez de serem carregados. Se desvirtuarmos o uso de nossos recursos diversos, eles se tornam um entrave e um prejuízo para nós e, às vezes, para os outros também, a quem eventualmente prejudicarmos. Se omitirmos a aplicação de nossos talentos, deixamos de evoluir, cristalizamo-nos e cortamo-nos da “videira” interna: deixamos de receber-lhe a seiva renovadora do progresso.

Um rico pode ser muito virtuoso, quando vence a tentação da POSSE egoísta e bem emprega o que o Divino lhe deu para administrar. Neste caso será um rico na Terra e um rico no céu. Inversamente, um pobre pode ser mesquinho e mau, invejoso e desonesto, avaro e egoísta. Em tal hipótese, será um pobre na Terra e um pobre no céu.

Grande é a tentação dos quatro gigantes do mundo: o Poder, a Fama, o Dinheiro e o Amor.

Daí que o Cristo tenha dito: “Quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus”. Ele se referia genericamente ao sentido de apego e de posse (minhas ideias, meu prestígio, minha inteligência, meus bens, etc.) em relação ao que o Espírito põe como meios evolutivos. Não quis dizer que devamos fugir a essas tentações. Isto seria covardia, omissão comodista. É preferível cair em tentação a omitir-se. A omissão não faz evoluir; ao contrário, anestesia e cristaliza. O erro ensina profundamente, pela dor. Marca mais a consciência do que os êxitos. No entanto, o normal é evoluir sem dor. E há mais mérito no que tem e usa bem.

De toda maneira, independentemente das riquezas morais, mentais e materiais que estejamos a gerenciar (por mérito, é lógico, mas não da persona), é importante compreendermos que TUDO nos vem do Divino interno, que somos NÓS, num correto sentido. Se agirmos como Espíritos, SOMOS POBRES (referidos por São Lucas). Mas se humanamente nos apegamos e nos arrogamos os possuidores, somos ricos, sofrendo (“ai de vós…”) as consequências de seu uso egoísta e prejudicial. O dinamismo, a confiança em si, deve estar firmemente alicerçado nesta compreensão.

A virtude não está só no fazer grandes bens; o crime não está só no praticar grandes males. Além do fator quantidade, pesa muito a intenção. Os Evangelhos ensinam que o óbolo da viúva foi mais valioso do que as vultosas ofertas dos ricos, porque estes, além de darem do que sobrava, fizeram-no com ostentação; já a viúva deu com amor o pouco que tinha e lhe fazia falta. O dar de si, com sacrifício e amor, valoriza os pequenos atos. O bom observador, pelas pequenas coisas conhece as pessoas. A sabedoria popular o comprova: “ladrão de tostão; ladrão de milhão”. Não que “a ocasião faça o ladrão”, mas, sim, que a oportunidade enseja os pendores (bons e maus).

Há pessoas que trazem grandes conquistas espirituais de outras vidas ou já alcançaram o contato com o Eu real ou falta pouco. Com pequeno esforço o conseguem. Outras, que se empenharam menos no cultivo interno, têm maior caminho a percorrer se bem que isto dependa, também, da proporção do empenho, na intensidade da busca, até que se torne, no dizer de São Francisco de Assis: “um instrumento do Espírito”.

A parábola do fariseu e do publicano ilustra bem que o reconhecimento dos erros, o sincero propósito de emenda, a conscientização dos limites e funções da persona, face ao Espírito, ajudam a alcançar o contato e o influxo do Divino. O fariseu, de pé no templo, proclamava suas condições de bom religioso e a contrastava com o publicano, que considerava indigno. O publicano se ajoelhou e rogou misericórdia reconhecendo suas faltas. Com a pretensão e a crítica o fariseu se fechou internamente à graça. Pela humildade e sincero reconhecimento, o publicano esvaziou sua personalidade, formando um vácuo de aspiração que o Divino preencheu de luz. A genuflexão é interna: não importa o lugar nem a postura o essencial é que a personalidade se torne passiva, fiel, obediente, amorosa para reconhecer e honrar o “Único”.

Somos sementes divinas. Trazemos no íntimo as potencialidades divinas, cujo despertar far-nos-á “perfeitos como o nosso Pai celestial”, conforme o convite evangélico. Assim como a semente tem em si a árvore mãe em potencial, mas precisa mergulhar na terra e nela transformar-se, para converter-se, no devido tempo, numa árvore igual, assim também somos nós em relação ao Criador. Devemos igualmente deixar-nos transformar pelo Divino interno para alcançar essa gloriosa meta evolutiva. Identificar-se com a personalidade; julgar-se algo à parte e separado de Deus; condescender com a personalidade nos abusos, vícios e auto endeusamento é negar-se a transformação e retardar a evolução. Corresponde ao fato da semente permanecer na superfície; procurando ser ela, para não ser árvore, acaba se ressecando e nada produzindo. Felizmente, a dor nos protege da própria ignorância e seus prejuízos. A vida se incumbe de nos fazer evoluir contra vontade, embora lentamente. Felizes os que SE AJUDAM pela compreensão, ou melhor: “felizes os que mendigam o espírito”.

Se vocês meditarem seriamente sobre “Os dez mandamentos” e o magnífico resumo que deles fez o Cristo em Mt 22:37-40, poderão tomar consciência de como ainda vivemos a incensar nossa persona, julgando-nos bons e virtuosos; arrepiando-nos com os elogios, em verdade estamos morrendo em idolatria, adorando um falso deus e pondo-o acima de nosso Eu verdadeiro e superior.

Observemos como vive o mundo e quais as consequências: conflitos, doenças, preocupações, ansiedades, dores, etc.

Não nos deixemos condicionar pelos métodos comuns de vida. Os erros dos outros não justificam o nosso. Tenhamos a coragem de ser autênticos; de viver em coerência e harmonia com o Cristo Interno.

Certa vez uma pessoa me disse: “há muita gente que goza a vida toda, explora, prejudica os outros e depois morre feliz”. Engano! São Paulo diz claramente na Epístola aos Gálatas 6:7: “Não se deixem enganar; de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. Em algum tempo, em algum lugar, colheremos os frutos de nossas ações, boas e más. Se não nesta vida, nas vindouras. A morte não cancela dívidas. Isso explica porque nascem crianças com restrições físicas, morais ou mentais. Deus não castiga. Se for verdade que a ciência explica as anomalias e tendências buscando suas razões nos “gens”, a ciência oculta acrescenta: MAS NÃO POR ACASO…

Ninguém pode fugir de seu próprio bem. Ninguém pode escapar a Deus, pois “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. É mais fácil conhecermos a natureza e buscarmos trabalhar em harmonia com ela, para que ela trabalhe a nosso favor, do que a desafiarmos. Ninguém jamais levou qualquer vantagem nisso. É teimosia estúpida.

Cumpre-nos, pois, conhecer a verdade a respeito de nosso ser, nossa relação com Deus e empreender decididamente a regeneração. Feliz de quem chegou a esse ponto, como diz este passo: “Bem-aventurados os pobres em espírito!”. Não que precisamos mendigar ao Eu superior a religação consciente conosco.

Ao contrário: ele a deseja ardentemente. A personalidade é que, ignorantemente, se esquiva, vencida pelos condicionamentos; ela é que SE nega à religação. Por isso que o encontro se protela. Ele respeita nosso livre arbítrio. Como no famoso quadro de Sallman[2]: “Ele está sempre à porta de nossa consciência e bate. SE… ouvirmos; SE… abrir-lhe-emos a porta, Ele entra e se une conosco (vislumbres) e até pode ficar morando conosco (contato permanente)”. A relutância é nossa. Por fraqueza, Lhe fazemos ouvidos moucos. Só quando as coisas apertam é que nos lembramos dele. Então, supondo que esteja fora de nós olhamos para cima e rezamos, fazendo pedidos egoístas. E os Evangelhos explicam: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal”. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus…”. “Ele está dentro de vós”. Ora existe algo que o Divino interno não esteja fazendo, aqui e agora mesmo? Se não faz mais é porque não Lho permitimos, com nossa resistência, com nossos bloqueios, com nossos desvirtuamentos e egoísmos! Basta desejar Deus e buscá-Lo dentro de nós, pelo prazer de sentir-Lhe a Presença. Existe algo maior que possamos desejar?

Tudo depende da regeneração e aspiração do encontro. O Cristo jamais falha. Ele está buscando sempre a manifestação em e através de nós, ou melhor, COMO ou SENDO realmente nós, UNO. O galho e a videira são um, a menos que o galho se negue e se feche ao fluxo da seiva: então seca e é cortado. Mas o galho que se abre internamente recebe na proporção de sua abertura. Recebe amor para compreender e aceitar tudo como é, sem mágoas nem ressentimentos; amor para fazer sua parte independentemente da conduta dos demais; intuição para agir cada vez mais corretamente, segundo a circunstância; desapego para não atribuir a personalidade a que pertence ao Divino em cada um; etc. Por isso é que foi dito: “Ele sabe o que melhor lhe convém, antes mesmo de pedir-lhe”.

Busquemos equilíbrio de ação, sem cair nos extremos de omissão e de comissão viciosa; façamos fluir os recursos de nossa ação como um rio que se une a outros, para dessedentar, fertilizar, produzir, no curso que nos leva ao grande mar. Saibamos: tudo o que oferecemos aos demais e deles recebemos é mútua edificação e trabalho do Divino. É sempre o Divino quem dá e quem recebe, no intercâmbio de recursos individuais, para que se cumpra a divina lei de DAR e RECEBER. É claro que devemos ser gratos à pessoa que serviu de Canal ao divino suprimento. A gratidão se torna virtude quando o Divino em nós rende reconhecimento ao Divino de nosso irmão. Não se trata de enaltecer a personalidade de quem ajudou, mas ao Divino que dá e que recebe em cada um, realizando a ética do DAR.

Finalizando: a mensagem desta bem-aventurança define o conceito de SER e de TER.

O que julga TER é o que deseja “ser visto pelos homens”. Mas o que sabe SER é mendigo de espírito; anseia LUZ, almeja e busca o influxo da Graça. O que TEM sacia-se no que acumulou e se fecha ao Cristo interno vindo a sofrer insatisfação, que lhe advém da mais atroz das fomes: a fome d’alma. Mas o que é, deixa de sê-lo humanamente, sendo e tendo para o seu Senhor.

Termino contando uma pergunta que um garoto de oito anos me fez há alguns anos:

– De quem são as casas e terras desta cidade?

– São da Prefeitura, dos moradores da cidade.

– E daqui a mil anos, de quem serão?

Lembrei-me de um passo bíblico: “A Terra é do Senhor e sua plenitude também”.

E respondi-lhe:

– Tudo, sempre, é do Pai do céu.

Esperamos que até lá as pessoas já tenham entendimento para tudo atribuir ao Divino.

 

Segunda Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.” (Mt 5:5)

 “Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.” (Lc 6:21)

“Ai de vós, que agora rides, porque conhecereis o luto e as lágrimas!” (Lc 6:25)

Vejamos, primeiramente, o sentido esotérico de CHORAR e RIR. Logicamente o Mestre não se referia aos choros superficiais e astutos, como o “choro chantagem”, o “choro-moleza”, o “choro masoquista” e outros choros bem conhecidos, com seu fundo vicioso. Chorar por chorar não conduz a nada. Se o chorar valesse, os que choram para não enfrentar um desafio necessário; os que choram para atrair atenção e consolo; os que choram para diluir resistências; os que choram por males imaginários; etc. seriam os mais aquinhoados por Deus e os mais perfeitos dentre os humanos.

Nada disso. Este passo refere-se ao choro redentor, ao choro transformador, marcado pela consciência que reconhece e aceita seus erros; aquele que dissolve a crosta da relutância egoísta e abre a alma para nova e melhor etapa. São as lágrimas que extravasam dos olhos ao coração, amolecendo a carapaça do egoísmo para que a semente do amor possa germinar e produzir a cento por um.

E o RIR? Será o rir sem motivo; a alegria solta dos instintos? A euforia suscitada pelo álcool? O riso malicioso e turvo provocado por uma piada indecente? Será o sorriso hipócrita? O bom humor daquele que se sente mui seguro com seus recursos materiais? Será a alegria superficial, efêmera, das diversões mundanas? Esse rir é o condenado pelo versículo 25 de São Lucas.

Mas há um riso legítimo, uma alegria sã, natural, desejável, citada por Cristo: “Dou-vos a minha paz para que minha alegria esteja em vós e seja perfeita a vossa alegria e ninguém mais tire de vós a vossa alegria”! Chama-se alegria perfeita a esta alegria interna, pura, saudável, para destacar da outra alegria imperfeita que brota da natureza inferior. Essa alegria do Cristo interno pode ser experimentada por todos; suposto que se sobreponham aos aspectos viciosos do ser. O mundo é um “vale de lágrimas”, porque é uma escola de experiências. Mas é também um monte ensolarado de alegrias. Tristeza de constatar a resistência dos condicionamentos viciosos; alegria pelos lampejos de natureza real. Tudo o que passar desses naturais e compreensíveis estados, de tristeza e alegria conscientes, é manifestação do vício, dos instintos, da malícia. Sócrates[3] observou sabiamente: “As expressões ruidosas de alegria são outra forma de violência”. Ora, tudo o que seja vicioso há de ser corrigido no decorrer da evolução humana. Infelizmente, como os maus hábitos são, regra geral, muito velhos e profundamente enraizados, resistem à correção. Não que estejamos recomendando a violência com eles. Seria desastroso: violência gera violência. O Cristo recomendou: “Não resistir ao maligno”[4] (em nós). Quer dizer: não lutar contra os vícios de nossa natureza inferior; apenas tomar consciência deles para saber que eles existem em nós; para reconhecer que são indesejáveis e retardantes da evolução, e não permitirmos que nos prejudiquem. Por outro lado, buscar, paciente, diária e persistentemente, cultivar novos e melhores hábitos.

Disse São João Batista: “Lançai o machado à raiz da árvore”[5] (que não dá frutos: as vivências que não edificam). Se cortarmos apenas os galhos, tornam a crescer. A natureza inferior é muito astuta e, como a Hidra de Lerna[6] derrotada por Hércules, tem muitas cabeças falsas e apenas uma verdadeira. Às vezes pensamos haver superado um mau hábito e, na verdade, apenas fomos induzidos a substituí-lo por outro igualmente vicioso: cortamos uma cabeça falsa e nasce outra. O egoísmo é assim: a única real cabeça da Hidra; com essas camuflagens e trocas provisórias nos ilude. E continuamos a sofrer.

“O único pecado é a ignorância; a única salvação é o conhecimento aplicado”. A verdade nos liberta quando a cultivamos na espiritualidade autêntica pelo estudo, meditações, observação de si. Só assim podemos dissolver, aos poucos, nossas limitações (cegueira, surdez da persona às realidades espirituais), abrindo-nos à intuição, à Verdade que nos iluminará de dentro.

Para o ser de nível comum (nos quais incluímos os espiritualistas teóricos) só a dor, o sofrimento, são os meios frequentes de despertar. Não que Deus castigue; não que Deus imponha o sofrimento; senão que há leis universais mantenedoras da Harmonia e, onde quer que haja uma quebra dessa Harmonia, tais Leis buscam restaurá-la. A isso chamamos dor, sofrimento, mal, porque pretendemos que nosso egoísmo prevaleça sobre a Ordem Universal. Ninguém pode alegar ignorância das leis: quer do ponto de vista humano, jurídico, quer do espiritual. Mas, como a liberdade é um sagrado direito através dela exercemos nossa ação e vamos aprendendo a fazer parte do Macrocosmo divino. Deus não nos quer títeres ou fantoches, senão seres conscientes que se convertam em Filhos destinados a tomar posse, (quando maduros internamente) da herança que Ele nos destina. Ora, nessa liberdade de ação só podemos nos certificar de nossa correção pelas consequências que atraímos à nossa experiência. A consequência é da mesma natureza da causa. Não há consequência sem causa. As leis divinas, atuando fielmente pelas árvores, fazem-nas produzir os frutos conforme as sementes. Não há o caso de plantarmos limão e colhermos abacaxi.

Assim, relacionando os efeitos às causas, podemos compreender que, se nossa vida anda mal, o motivo está nas causas, nos atos passados. E o único modo de melhorá-la é corrigir as falhas.

Para darmos uma ideia global da humanidade ante as Leis divinas, consideremo-la em três grupos:

  1. O ser humano comum, que pratica superficialmente a religião na esperança de agradar a Deus e merecer uma vida isenta de aflições.
  2. O consagrado, sinceramente devotado à reforma do próprio caráter, que busca agir com retidão fazendo o bem pelo bem; que trabalha conscientemente pela evolução, segundo as Leis divinas. É o que já sente lampejos da Essência interna, a Quem procura amar honrar e Neste grupo incluímos alguns pseudo-ateus (assim se consideram porque não concordam com os padrões hipócritas da maioria “religiosa” e não acreditam no Deus do vulgo. Estão próximos da verdade).
  3. Finalmente, os que já se acham às portas da Iniciação, ou seja, os que estão prestes a estabelecer uma comunhão permanente com o Eu real para serem cidadãos dos dois mundos, em mais amplo serviço.

Em relação a cada um desses graus de consciência, há um CHORAR e um RIR de naturezas diferentes.

O ser comum é triste porque não goza de harmonia interior. Não conhece a meditação. Evita o isolamento e silêncio porque, neles, afloram nitidamente as desarmonias – as preocupações, as ansiedades, as frustrações, galopando em sombrios pensamentos. Por isso, busca as alegrias externas, as distrações ruidosas, as músicas estimulantes, o sensacionalismo, programas movimentados de rádio e TV – em grande maioria tola e vazia – numa fuga constante de si mesmo. Em fase mais aguda, recorre a tratamentos condicionadores com psicanalistas ou a um vício. Atualmente, a sede de sensação conduz aos entorpecentes, de efeitos ruinosos sobre as glândulas, a psique e a vontade; termina em suicídio, ponto extremo da capitulação e da fuga. Outras vezes acabam numa instituição de moléstias mentais.

Há, sim, um valor pedagógico da dor, como sábia advertência e prevenção dos abusos humanos. De fato, que seria do corpo se a dor não fizesse tirar a mão que inadvertidamente pusemos numa chapa quente? Que seria da saúde se os órgãos não acusassem pelas cólicas e incômodos nossos abusos? Sem essa amorosa advertência pereceríamos pelas transgressões convertidas em males sorrateiros. Isso se aplica aos males físicos, morais e mentais. A dor, a adversidade, é sempre um convite e um desafio para descobrirmos a causa viciosa e eliminarmos seu efeito.

Mas a maioria das pessoas é teimosa e fraca. Apegam-se desarrazoadamente aos vícios e condicionamentos, malgrado os conselhos dos outros e as consequências da própria vida. Estão sempre enfermando por causa dos abusos ou negligências. A sabedoria de sua natureza instintiva luta, mas acaba fracassando e “entregando os pontos”. Aí, que fazem? Vão fazer um acurado estudo das causas de sua enfermidade? Vão programar um esforço de regeneração? Longe disso! Vão à farmácia e pedem algo que ponha termo à dor, ao incomodo, à fraqueza. Querem um paliativo de efeito rápido. A questão é simplesmente esta: “não quero sofrer; não quero dores” – como se a dor fosse um inimigo e não uma conselheira extraordinária. Aí amordaçam a dor e VOLTAM AS MESMAS CAUSAS ERRÔNEAS, que fatalmente provocarão os mesmos efeitos dolorosos – ainda mais agravados, até que sejam mutilados numa operação ou “obrigados a perder tempo” num hospital.

O certo é que, em proporção à teimosia, serão a sua dor e prejuízos, até que despertem para uma vida equilibrada. Felizes dos que ouvem de início as advertências da dor! São poucos. Outros ouvem um pouco tarde e salvam-se estropiados, contentando-se em viver com suas deficiências para o resto da vida. Outros, enfim, acabam com o corpo – uma maneira lenta de suicídio. Não obstante, todos eles são bem-aventurados, até mesmo os últimos, porque a infalível lei do renascimento fá-los-á renascer de “gens” doentios, para continuarem a lição da regeneração, num corpo cheio de problemas, em circunstâncias morais e mentais limitadoras – até finalmente retornarem ao ajustamento consciente com o Cosmos de que fazem parte.

Os consagrados, do segundo grau de consciência, geralmente passaram pelo primeiro grau e subiram mercê da dor. Poucos, como dissemos, não precisam de extremas advertências – enveredando pela via mais curta e mais racional do entendimento. Como diz o ditado: “viram as barbas do vizinho arder e puseram as suas de molho”. Estes, vendo os benefícios de sua conduta, buscam orientar os demais à mesma desejável condição. É o que fazem as Escolas espirituais, mostrando que não há necessidade de sofrer se aprendemos a exercitar nosso livre arbítrio dentro das leis divinas, das quais ninguém pode fugir.

Todavia, como o erro é natural no curso da ação humana; como os condicionamentos viciosos são muito fortes – a dor é quase sempre inevitável e nos açoita com frequentes advertências, até que alcancemos a perfeição. Por isso, as pessoas do 2º e 3º graus também sofrem, uma vez que se encontram em pleno processo de regeneração. Sem serem masoquistas, eles compreendem e aceitam a função da dor, como um termômetro para avaliar as deficiências pessoais.

Aceitam e carregam a cruz de suas deficiências, mas aspiram e procuram a glória da ressurreição que um dia lhes virá. Com vistas ao amanhecer, suportam estoicamente as longas trevas da noite. Daí não se revoltarem, como os do primeiro grau, que não sabem ou teimam em não saber por que sofrem, queixando-se de que Deus não lhes deu um corpo de ferro, nervos de aço e um coração de pedra, para poderem gozar impunemente as delícias da vida mundana. Ainda bem que as divinas Leis lhes impedem o retrocesso e a perdição. Os consagrados (segundo grau) aprendem a fazer o exame retrospectivo noturno de seus atos, para conscientizarem as intenções; as causas das falhas e dos êxitos do dia – entregando os despojos da luta diária a seu Melquisedeque – o Cristo interno. Pela manhã concentram-se e meditam sobre assuntos elevados – predispondo-se a servir de canais conscientes à orientação divina interna – como fazem os membros do Probacionismo Rosacruz.

Mantém-se em vigilância e oração. Após cada fracasso, sofrimento ou discórdia, acalmam-se e buscam a Essência, para intuírem a causa da falha, que deve ser removida. Reconhecem-na humildemente, sem justificações e, no sincero propósito de emenda, alcançam a graça de dissolver o erro e retornar à paz.

Eles sabem que a Lei conduz à Graça. Estão alertas contra o perigo do orgulho da personalidade, que reclama razões e procura atribuir as falhas a outrem. Eles sabem que o simples fato de termos experiências negativas com alguém já revela que nos sintonizamos com ele, através de algo parecido e inferior; o semelhante atrai o semelhante. Eles sabem que, se se mantivessem harmoniosos e prudentes, suscitariam algo semelhante nos outros e promoveriam neles a paz.

Se alguém retrucar que o Cristo e santos foram perseguidos e judiados, lembraremos que isso pertence à etapa superior, em que ainda não estamos. Trataremos deste ponto mais adiante.

As pessoas do terceiro grau estão quase aptas para a união com o “Eu” real. Estão plenamente convictas da Verdade Espiritual. Cultivaram o discernimento para separar o joio do trigo; as motivações egoístas da persona e os reclamos superiores do espírito. É o fio da navalha, a nítida distinção do que lhes convém ou não. Este contraste lhes produz sofrimento. Desejam ardentemente alcançar a libertação dos condicionamentos viciosos, sabendo que “lá onde habita o Espírito, lá é que existe liberdade”. Mas sentem os esforços de sobrevivência da personalidade viciosa e astuta. Aí choram! Choram sentidamente, pedindo a Graça do Alto e do íntimo. Pedem-na com toda a alma, esforçando-se para que seus atos diários sejam uma reiterada confirmação desse anseio. Seus pequenos desvios são, proporcionalmente à sua consciência, grandemente dolorosos. E choram a hemorragia branca, na crucifixão da personalidade. São Paulo, Apóstolo, nos deu uma amostra eloquente desse estado. Depois de iluminado às portas de Damasco e de haver recebido “uma nova visão da realidade”, experimentou os ataques de sua antiga natureza, do “velho homem”, e exclamou cheio de angustia: “Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa. Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. 18Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado que habita em mim. Verifico, pois, esta lei: quando eu quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Eu me comprazo na lei de Deus segundo o homem interior; mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros. Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo Senhor nosso.” (Rm 7:15-25).

Quanto tempo durou isto? Sabemos que São Paulo esteve três anos num mosteiro Essênio da Arábia e, depois, sete anos em Tarso, sua cidade natal. Dois números cabalísticos: 3 (relativo aos três corpos e sua regeneração) e 7 (natureza integral), mostrando um período variável, segundo o empenho de cada Aspirante para, como Arjuna, recuperar o “reino perdido” e nele reinar com o Divino, como atestou São Paulo desta vez aos Gálatas (2:19-20): “Se torno a edificar o que arrasei, constituo-me prevaricador. Pela lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. JÁ NÃO SOU EU QUEM VIVE – CRISTO É QUE VIVE EM MIM!”.

Tal é o CHORAR consciente, seguido do RIR triunfante. A Chama divina que nos anima reclama o despertar e nos move irresistivelmente ao Destino evolutivo, como a Prometeu encadeado, que ansiava voar e finalmente foi libertado por Hércules.

 

Terceira Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”  (Mt 5:4)

Por que São Lucas não incluiu essa bem-aventurança, tão afim a seu misticismo? Justamente ela, que figura entre a meia dúzia de textos mais importantes da Bíblia – pois encerra o segredo para dominar todas as espécies de dificuldades!

Parece-nos que seja porque o método de Iniciação de São Lucas já é, todo ele, MANSIDÃO. Ao método ocultista de São Mateus é que falta esse princípio e ele o inclui para equilibrar sua forma dinâmica de preparação.

Salienta essa bem-aventurança que a mansidão ou doçura (pralís, no grego), dá-nos a herança da Terra. Já o Velho Testamento o prometera também: “Os mansos herdarão a Terra e se deleitarão na abundância da paz” (Sl 37:11). Mais tarde escreveu Isaias: “Meus escolhidos herdarão a Terra e meus servos nela habitarão” (Is 65:9). Há, pois, uma constante no Antigo e Novo Testamento: uma Terra, cheia de paz, reservada aos mansos. Por que não prometem o céu, mas a Terra? É porque o “Reino dos Céus está dentro de nós” aqui mesmo, na Terra, para ser desfrutado, se formos mansos.

Querem alguns estudiosos, que essa bem-aventurança se refere a um estado evolutivo futuro, quando aprendermos, por meio de muitos renascimentos, a ser mansos. Então, faremos jus à herança de paz.

Não estamos de acordo com eles porque sempre haverá os malvados, que não serão expulsos do planeta, senão que todos continuaremos “viajando no mesmo trem”, provando-nos e ajudando-nos. Só que os malvados se consumirão ante as consequências das próprias maldades, pois as reações da lei se tornam proporcionalmente mais fortes, na medida da evolução.

Essa mansidão não tem sentido geral nem externo: ela deve ser individual e interna. A heterogênea massa humana, em evolução na Terra, apresentará sempre as diferenças de níveis evolutivos, tal como os alunos de uma escola ou de uma classe. Conforme esse nível e índice individual é que essa mansidão vai sendo conquistada.

Para compreendermos o sentido dessa bem-aventurança, analisemos as palavras-chave: MANSOS e TERRA.

O vocábulo “manso” pode sugerir, a um leitor contemporâneo, um indivíduo “mole”, “morno”, que se omite ou não se arrisca a contraditar ninguém; uma pessoa falta de coragem e de dignidade, servil e até hipócrita, empenhada em cultivar um relacionamento sem conflito, ainda que isso exija a bajulação, mentiras “brancas” etc.

Alguns agem assim, buscando não se chocar com ninguém, julgando ser um esforço virtuoso. Em Verdade é uma sutil manobra da persona: de parecer bonzinho.

Não! Jamais poderíamos atribuir ao Cristo essa deformação. O verdadeiro significado da palavra MANSO vem de uma atitude mental de “não resistência” recomendada pelo Cristo no “Sermão do Monte”: “Não resistais ao maligno (ou ao mal)” (Mt 5:39). É a mesma atitude inofensiva que os orientais chamam AHIMSA ou “não violência”, com a qual Gandhi venceu a Inglaterra e libertou a Índia.

A psicologia afirma que a agressividade é sinal de complexo, de recalque. E é mesmo. Só é manso quem se baseia no “Eu” real – aquele que se mantém num estado de receptividade, de Mente aberta, de canal consciente, numa amorosa atitude de entrega; no desejo de que o Divino interno se lhe manifeste; intuindo-o em tudo. Ora, toda solução que nos venha da Fonte interna será melhor do que a melhor solução meramente humana, mental, ditada pelas conveniências. Além disso, as circunstâncias e as pessoas em jogo estão sempre a compor situações diferentes.

Só o Divino interno pode intuir-nos e harmonizar cada necessidade, conduzindo cada dia do melhor modo. Tal atitude, complexa em sua análise, mas simples em si mesma, é a CHAVE DO ÊXITO NA VIDA.

Mais uma vez confirmamos: o que interessa ao Cristo, é a CAUSA interna: se o íntimo é manso, é doce, é receptivo à sabedoria interna, os atos – que são os efeitos, logicamente serão acertados e conducentes a infalível êxito.

Agora vejamos o sentido de “Terra”. Significa a esfera material, o exterior, a manifestação, a consequência, o lado humano pelo qual o Eu real se expressa. No “Pai Nosso”, a frase: “Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu,” – por exemplo – indica que a vontade do Cristo interno deve ser feita nos assuntos externos da personalidade (pelos pensamentos, palavras, emoções e atos); que são a Terra como já é feita, de modo perfeito, no aspecto espiritual do ser; pois “o Reino dos Céus está dentro de nós”[7].

Desse modo se completa o sentido, para uma coerente cadeia de ação: se revelamos mansidão interna, pela reverente entrega (“Seja feita a Tua vontade”), o Cristo interno intuir-nos-á, assegurando-nos êxito através de correto agir. Não obstante sua franqueza, coragem, decisão e estoicismo, São Paulo foi manso: “Quando sou fraco é que sou forte”[8], “não eu quem vive, mas o Cristo vive em mim”[9]. Sua personalidade se despojava de qualquer pretensão e se submetia, como canal consciente e fiel, ao Espírito. Cristo, a mais esplendorosa Luz que jamais conhecemos; pois é o mais alto Iniciado dos Arcanjos, em perfeita unidade com o Pai – atribui toda a Sua imensa possibilidade ao Divino: “Não eu quem faz as Obras, mas o Pai, que habita em mim, é quem faz as obras”[10]. Isso revela que, na medida em que reconhecemos nossa real Identidade (Divina), vamos diluindo todo sentido humano de ser pela evidência da UNIDADE no Divino interno e, uma vez como Espírito, unimo-nos essencialmente a todos os semelhantes, a toda a Criação e ao Pai Universal.

A parábola da videira é um convite dos mais expressivos, nos Evangelhos, para alcançarmos essa mansidão e, por meio dela, realizarmos uma intensa e frutífera ação em prol da elevação do mundo (e, em última análise, em prol de nós mesmos). Aqueles que se apoiam nos recursos humanos egoístas e violentos tornam-se um galho separado da videira interna do Cristo e só podem colher os frutos de discórdia e ignorância que geraram, porque não são frutos do Espírito. Mas o “manso” liga-se internamente a Videira e recolhe a seiva que o sustenta numa ação reta e edificante. Ele sabe que o Eu real é quem pensa, ama, fala e age em e através dele, ou melhor, COMO ELE – sendo ele. Para chegar a essa entrega não é fácil; deve haver um total despojamento do sentido humano egoísta, separatista, criado pela “falsa luz”.

Felizmente os falsos frutos são ilusórios, transitórios e só vivem enquanto alimentados por nossa ignorância. Já os frutos espirituais são eternos porque nascem da essência imortal.

Regra geral, desvirtuamos as mensagens internas, verdadeiras e mansas, do Cristo interno: colhemos repetidos fracassos e teimamos em não compreender e aceitar os claros ensinamentos do Messias. Fazemo-lo por pura ignorância, como disse Sócrates: “o homem faz o mal porque não conhece o bem”. De fato, se confiássemos que, ao seguir os ditames do Espírito poderíamos “herdar a Terra”, ou seja, alcançar êxito autêntico em todas as circunstâncias, por certo procuraríamos com mais afinco, alcançar essa “mansidão”. Temos tido mostras disto pela ação de pessoas conhecidas com alguma dose dessa mansidão – elas se destacam nos trabalhos de equipe, nos conclaves, nas mesas-redondas, nos difíceis misteres de conduzir homens –, possibilitando que o bom senso prevaleça em benefício de todos.

Alguém pode objetar que essa mansidão é impraticável no mundo egoísta, competitivo, materialista, agressivo, interesseiro, de nossos dias. Dizem que a ideia pode parecer muito bonita em teoria, no papel, na boca do filósofo, e, todavia, inexequível. Analisemos esse argumento que naturalmente há de acorrer a muitos leitores. O reino animal é dominado pela lei de “sobrevivência dos mais aptos”; a supremacia do mais forte.  E a que sabemos existir na vida da floresta e do oceano: a maior, a mais forte, domina e devora o menor e mais fraco. Spencer diz que na sociedade humana é a mesma coisa. Mas, é esse o padrão ideal? A mansidão não pode medrar e levar ao êxito?

Relanceando os olhos pelo panorama mundial, vemos agrupamentos humanos em vários estágios de desenvolvimento nos mais variados graus de consciência desde as selvagens, próximos aos irracionais – que se regem pela força – até os ditos civilizados que apenas sofisticaram sua forma de violência: a violência mental, conhecida por eufemismos curiosos, tais como: sagacidade, astúcia, diplomacia, inteligência. Em todos esses degraus há uma constante: essas diferentes classes servem, de modo variado, a PERSONALIDADE EGOÍSTA. Todos se situam em nível puramente humano, separatista, anticristão.

Esse egoísmo, na busca de todos os recursos, tem invadido a espiritualidade, para ver em que medida os fenômenos, as forças psíquicas e mentais podem servir a seus propósitos. Atualmente existem muitos movimentos e líderes que ministram cursos (bem caros) para alcançar êxito através de poderes.

Esclareçamos bem: isso não é espiritualidade, e, sim, materialidade, de desastrosas consequências porque a maioria não tem base moral para bem empregar poderes. Em primeiro lugar o Reino dos Céus e o ajustamento às leis…

Ora, toda forma de egoísmo é manifestação da persona, com sua crença de separatividade. Toda forma de egoísmo é violenta, de algum modo.

À medida que o ser humano evolui, reconhece que a violência é sinal de fraqueza. É preciso ser forte para diluir o egoísmo e sua violência inerente. O ser humano verdadeiramente forte é manso e, portanto, inofensivo. Requer muito mais de nós dominarmos os impulsos do que os seguir. Nisso se inclui a magia negra, uma forma personalista e covarde de interferir no livre arbítrio de outrem.

São Paulo comparou: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança.[11]. Ele se referiu aos graus de consciência evolutiva: há crianças, há rapazes e há adultos espirituais. Tal como o livre arbítrio vai sendo concedido aos filhos, na medida em que se processa seu desenvolvimento interno, até que possam responder juridicamente por seus atos, exercendo direitos e deveres; assim na espiritualidade. Quando necessária, as crianças e rapazes são punidos pedagogicamente pelos pais; quando precisa também os adultos são punidos pela lei social e até perdem seus direitos de cidadão. São formas de educar o egoísmo e a violência.

A história nos ensina que a violência jamais dominou, senão temporariamente, ao passo que a força mansa do Espírito exerce domínio permanente. Onde está o domínio de Dario[12], de Alexandre Magno[13], de Júlio Cesar[14], de Gêngis Khan[15], de Napoleão[16], de Hitler[17] e outros adeptos da força e da agressão? Comparem-se esses feitos militares com o espírito de mansidão e de amor de Cristo, de São Francisco de Assis, de Mahatma Gandhi e outros. “Violenta non durant” – diziam os romanos; e eles mesmos o comprovaram.

A diferença entre a mansidão espiritual e a violência da persona é clara: a mansidão conquista mansamente, a pouco e pouco, seguramente, ao passo que a violência domina pela destruição. Hoje em dia, arrasando uma cidade em pouco tempo, com uma bomba de alto potencial. Mas, domina? Conquista?

Dirão alguns: “se a violência é própria do egoísmo humano, porque seres iluminados usaram de violência? A Bíblia relata inúmeros casos de agressão, como, por exemplo, as pragas do Egito, a destruição de Sodoma e Gomorra etc. o próprio Cristo expulsou os vendilhões do templo a chicote!”.

Aproveitemos essas dúvidas e pela meditação alcançaremos compreensão mais profunda.

O plano divino de manifestação e evolução se desenvolve em ciclos de CRIAÇÃO, PRESERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO. Tudo, seja uma coisa, uma ideia, um sentimento, uma circunstância – tudo – é criado, e preservado para cumprir sua tarefa e colher os frutos de experiência e, finalmente, é destruído, quando se torna ultrapassado e inútil; porque a natureza não conserva o que seja inútil. Ora, tudo o que é criado e mantido, luta para conservar-se, mormente no campo humano, em que o “instinto de conservação” é o mais poderoso. Luta um governo para manter-se; luta uma ideia para prevalecer; luta um hábito para não morrer. E essa luta gera uma consequência cósmica: a dissolução violenta. Não que a violência venha do Divino, mas da resistência ao Divino, pela coisa criada.

Se o ser humano não resistisse ao Divino, jamais haveria destruição, mas apenas transformação constante para melhor.

A lei de evolução não permite que algo ultrapassado venha comprometer o natural desenvolvimento; que venha entravar a necessária e constante renovação. Ela interfere e quebra a resistência e cristalização. Quanto mais forte seja a resistência, mais dor. Isto ocorre em tudo. Até nas menores coisas da vida.

Pois bem, todas as aparentes agressões e violências bíblicas foram motivadas pela resistência do egoísmo humano, que buscava impedir as indispensáveis transições. As pragas do Egito não se referem a simples libertação de um povo cativo, senão a mudança de uma época evolutiva para outra. A destruição de Sodoma e Gomorra foi provocada pelo materialismo – como o foi à queima da Lemúria e o afundamento da Atlântica. Foi a culminância de um destino coletivo, de extrema desobediência às leis evolutivas. Assim também na esfera individual; muitas vezes recusamos as oportunidades e convites de elevação; então nos sobrevêm circunstâncias adversas que nos obrigam a mudar: depois vemos que foi para nosso próprio bem. Outras vezes chegamos a extremos de abuso e, como um fogo, a força divina surge como enfermidade, queimando as cristalizações acumuladas em nosso organismo, por causa de nossos desvios das leis naturais.

O Novo Testamento não diz que o Cristo chicoteou os vendilhões do templo: diz que Ele fez e usou o chicote, do que se infere que expulsou os homens com palavras e os animais com o chicote, porque não podiam compreender as palavras. Num sentido interno significa a decisão serena que não exclui a mansidão para expulsar do templo de nosso corpo, os instintos (animais) e egoísmos (mercadores).

Moisés e outros iluminados usaram de poder espiritual, mas não a serviço da personalidade deles, senão a mandato divino, pois eram fieis mensageiros, mandatários para cumprir difíceis missões. Pessoalmente foram mansos. Lot não pode converter os cidadãos de Sodoma e Gomorra para evitar a destruição dessas cidades. Não os forçou. Respeitou-lhes o livre arbítrio. Nem mesmo pode converter sua mulher, que, contrariando a recomendação dos Anjos, olhou para trás, para ver as cidades em chamas: é símbolo do apego ao passado vicioso que nos cristaliza; por isso ela se converteu numa estatua de sal.

O Direito na esfera humana; o legislativo na constituição busca preservar o interesse coletivo. Erram porque são humanos e agem em função da personalidade, ao passo que a Lei divina é infalível, é sábia.

Assim, a Deus cumpre a justiça; aos seres humanos a mansidão – se bem que a mansidão perfeita seja muito rara, porque pressupõe a orientação global do Eu divino, sem interferência egoísta da persona. Mas é um dever nosso buscar atingi-la, cultivando-a pouco a pouco, pois, só ela nos pode assegurar a verdadeira posse, a herança da Terra.

Entende-se por posse o agarrar, segurar, apropriar-se, isolar algo para nós, seja pessoa, direito ou coisa. Não é isso. A verdadeira posse subentende a concordância de ambas as pessoas na união: os dois são possuidores e possuídos, ao mesmo tempo. Não se trata de dominar externamente, como o domínio militar, a força para assegurar a posse. Já vimos que essa conquista é ilusória, transitória, porque suscita insatisfação e reação contrária. Também não é conquista a sedução egoísta, porque o egoísmo tem curta duração. Só possui quem conquista o íntimo e internamente se dá voluntariamente. E só permanece a conquista mútua quando cada parte procura edificar a outra, em vez de explorá-la, pois a mansidão é baseada no Amor e o Amor sempre dá: é centrífugo e altruísta.

Ser manso é viver em amor, estabelecendo harmonia conosco mesmos e daí com os demais e o Universo. Damos inofensividade e recebemo-la de volta, como um eco, de todos os reinos, infra e supra-humanos. Tal era a linguagem de São Francisco de Assis, que os pássaros entendiam, que os peixes escutavam; é a ação do que dá mansidão e a recebe, numa posse autêntica e efetiva.

Isso é herdar a Terra, para glória de Deus.

 

Quarta Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”  (Mt 5:6)

“Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados.” (Lc 6:21)

“Ai de vós, que agora estais saciados, porque tereis fome!” (Lc 6:25)

Atualmente para nós a palavra justiça sugere o sentido jurídico. Em francês, “justice” tem igualmente o sentido de JUSTESSE – em português: JUSTEZA ou AJUSTAMENTO. Tal é o exato sentido do texto original grego dos evangelhos (1º século). Daí havermos preferido adotar: “famintos e sequiosos de perfeição”, para remover qualquer dúvida – advertindo que o significado é: “felizes os que têm fome e sede de ajustamento”.

Ajustamento a que? Está claro: às divinas leis; à vontade divina em nós. Neste verdadeiro sentido, a palavra JUSTIÇA é uma das chaves com a qual o leitor poderá desvelar o sentido esotérico de muitas passagens da Bíblia.

Justiça não é meramente uma conduta reta, mas, sobretudo, uma INTENÇÃO reta, em cada assunto e aspecto da vida. Notem a reiteração de Cristo: o que interessa é a causa, o pensamento, a intenção. Se esta é reta, os efeitos (impulsos sentimentais, palavras e atos) também o serão. O ser humano interno se expressa (ex + pressar ou impulsionar para fora) e retrata sua intenção – pressupondo coerência e sinceridade, conforme a citação evangélica: “Assim como o ser humano pensa em seu coração (íntimo) assim ele é”. Caso contrário, a pessoa pensa ou sente uma coisa, mas fala ou age diferentemente. Nesse caso é insincera e hipócrita. A manifestação está em desacordo com a intenção.

Esta bem-aventurança é prometida e assegurada aos que têm fome e sede (forte aspiração, sincero propósito) de verdade. Ora, como que as bem-aventuranças constituem um conjunto completo de condições interdependentes deduzimos que a realização da justiça depende também de “sermos mansos”, “mendigos de espírito”, “chorando” sinceramente quando obstados por nossos condicionamentos viciosos. Buscando sinceramente viver as bem-aventuranças podemos receber os lampejos do Eu real, cuja vontade desejamos OUVIR e CUMPRIR em todas as nossas manifestações. Com a prática sincera os contatos se amiudarão, até que ocorra o Pentecostes. Todavia, as práticas iniciais, se bem-feitas, trarão as primeiras respostas da “pequenina e silenciosa voz”, em forma de intuição ou sabedoria interna, se preenchermos este anseio de ajustamento.

O divino Mestre proclama felizes os que têm essa fome e sede da experiência de Deus; um forte e sincero propósito de cumprir Sua vontade na vida de todos os dias.

Muitos podem pensar: “Ainda estou verde; longe da meta; como saber se estou fazendo a vontade de meu Eu real ou de minha personalidade?”.

Até que alcancemos a iluminação, não é fácil distinguir. O que importa, no entanto, é que cada um aja segundo seu nível de consciência. Se preenchermos os requisitos de humildade, desapego, sinceridade, exame de nós mesmos, mansidão etc., os resultados virão. Além disso, há sempre um “sabor interno”, um senso intuitivo do que é certo ou não. Vamos usando do melhor modo nossos recursos atuais e desenvolvendo outros, para atingir a meta. Importante, nesta bem-aventurança, é cultivar o hábito da coerência, pois, como bem observou Emerson[18]: “O que um homem é, grita tão alto, que não chegamos a ouvir o que ele mesmo diz”. A incoerência, mentira, hipocrisia têm pernas curtas. A convivência desmascara as intenções. Mas, os que se ajustam ao íntimo, em coerência consigo mesmos, serão saciados, satisfeitos, em todos os sentidos.

São Lucas registrou: “ter fome” e “estar farto”. Apenas isso. Referiu-se especialmente a “ter fome” do Divino interno, para experimentar a satisfação, gradativamente maior, da religação. Ao mesmo tempo desaprova os que se satisfazem, intensa e exclusivamente nos gozos da personalidade, lhe prevendo pela Lei de Consequência, a insatisfação, o vazio, a frustração e até mesmo a carência, a miséria, pelo uso injusto e egoísta dos recursos que o Cristo interno lhes deu para administrar.

A maioria dos ocidentais vive engolfada nos afazeres de sua vida predominantemente materialista. Não sentem necessidade de Deus, nem tem problemas de consciência com seus egoísmos, hipocrisias, deslealdades e desonestidades. Acostumaram-se a ver tudo isso como “males necessários” da vida moderna. Ora, o apego material é escravizador. Ele nos envolve num ciclo de progressão geométrica: se temos 1, queremos 2; se temos 2, esforçamo-nos para conseguir 4; se temos 4, tudo fazemos para conquistar 8; e assim por diante. Se há ‘X’ de prazeres, o usufruto aumenta o desejo de gozos maiores. Desse modo, vão se entretendo com seus pequenos finitos, sem desejar nem buscar o infinito em si mesmo, que é o objetivo da evolução: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai Celestial”. Permanecem na faixa grosseira da personalidade e pagam um alto preço por essa degradação do ser; não raro perecem com um infarto ou um derrame. Quando são mais felizes, uma úlcera nervosa ou um esgotamento nervoso os lança num hospital. Inútil, ficam remoendo mentalmente suas preocupações; pensando nas contas, nos negócios etc., sem ajudar o organismo em seu desesperado esforço de restauração.

Quem não conhece esses casos? Essas pessoas? São muito comuns! E todas elas se julgam insubstituíveis!

Certa vez ouvi uma estória de um homem assim: não tinha tempo para nada sério ou elevado a que um bom amigo o convidava. Um dia esse amigo insistiu: “Dê-me, pelo menos, dez minutos, agora!”. O homem ascendeu com relutância e o amigo o levou de carro, encosta acima, até que pararam defronte ao cemitério”. O homem o olhou com estranheza e perguntou: “Que é isto? Por que me trouxe ao cemitério?”. Sem responder, o amigo o levou para dentro e, estendendo os braços, apontou para os túmulos e disse: “Todos eles se julgavam eternos e insubstituíveis! Como você! E a maioria deles só viveu para a carcaça! Agora voltemos e em cada enterro em que for obrigado a ir, lembre-se de minhas palavras”.

Felizmente, o egoísmo, a desonestidade, a mentira, os abusos e orgias, pela lei de atração dos semelhantes, se incumbem de aproximar pessoas de índole igual ou pior, para que ambos se tornem fartos de tudo isso. Deus não tem pressa. Seus moinhos moem devagar, mas moem fino, “É da vontade d’Ele que ninguém se perca”. Mas, felizes dos que acordam mais cedo à realidade de si mesmos. Aí chorarão arrependidos, e serão consolados; tornar-se-ão mansos e verão a promessa de Deus cumprida; ficarão famintos e sequiosos de perfeição a mendigar o Espírito, alcançando a satisfação do Reino.

Há outra classe de “fartos” ou “satisfeitos” que se encontra numa perigosa estagnação. Referimo-nos aos espiritualistas e religiosos que SE JULGAM superiores, “filhos de Deus” realizados; julgam estar em dia com sua consciência e com Deus. Pecam por orgulho espiritual, por uma presunção luciferina.

A meta é a perfeição. Ninguém deve estar satisfeito com o que é sob pena de estagnar. Estagnar é retroceder, porque a natureza não conserva coisas paradas. No rio da vida, ou remamos e subimos, ou a correnteza nos carrega.

No livro e no filme de “Fernão Capelo Gaivota”[19] há um pormenor que se adapta a este ponto quando o mestre Chang disse a Jonathan: “Todo limite é um limite; até mesmo o voar a velocidade da luz é um limite; a meta é a perfeição! Não podemos parar nos limites, por altos que sejam”!

Bem-Aventurados os famintos e sequiosos como a mulher samaritana que, tendo capacidade para retirar a profunda sabedoria tradicional (tirar água do poço de 33 metros: veja o símbolo: 3 x 3 = 9) buscou e entrou em contato com o Cristo interno, pedindo-lhe da água Viva, para que não mais tivesse sede das coisas e verdades humanas. Isto é normal no caminho da Espiritualidade: um constante esforço de superação. A cada lance de subida abrem-se novos horizontes, que nos suscitam o desejo de mais subir.

O impossível é alcançado por pequenos e sucessivos possíveis. Eis o convite da persistência diária, do esforço de aprimoramento, que tem feito os grandes atletas, os grandes artistas, os grandes seres humanos. Em todos eles havia, em comum, um desejo de perfeição, uma insatisfação pelo que haviam realizado antes.

Há seres humanos ultrapassados, mas não ideias ultrapassadas – diz uma norma da moderna empresa. Tudo pode e deve ser constantemente aprimorado. Quem para de criar, de crescer, de inovar, de ampliar é logo substituído numa empresa. Há sempre ideias novas no ar, a nossa espera.

Do ponto de vista espiritual é a mesma coisa. Max Heindel diz que a Epigênese (ou gênio) é o mais importante fator evolutivo.

Abordemos, a seguir, a relação desta Bem-aventurança com as atividades mentais:

É uma lei universal: o que concebemos em nossa Mente é automaticamente expresso em nossa experiência diária. Iludem-se e prejudicam-se aqueles que julgam pensar impunemente. Aqueles que tenham estudado o “Conceito Rosacruz do Cosmos” hão de lembrar-se de que tudo o que existe na natureza, ao nosso redor, bem como aquilo que compõe nossa atmosfera ou circunstâncias, é o resultado de um pensamento. Cada pensamento cultivado forma um arquétipo na região mental: um modelo vivo que sustenta vibracionalmente a forma criada. Se penso em miséria, acabo construindo a mesma. Se penso que estou doente, acabo gerando a doença.

Sabendo que ao pensar estamos formando um arquétipo mental – algo que vai influir em nosso destino futuro, porque criará e sustentará a condição mentalizada (seja de bem, seja de mal) – podemos avaliar a responsabilidade no ato de pensar.

Somos seres racionais. Nisto nos distinguimos dos reinos inferiores. Mas também assumimos com a capacidade da razão, uma responsabilidade maior. Somos os criadores de nosso destino, pelo ato de pensar e de exteriorizar os pensamentos na vida. Portanto, PODEMOS E DEVEMOS APRENDER A PENSAR CORRETAMENTE, conforme as leis divinas para nosso próprio bem.

As coisas e circunstâncias são obras do pensamento. Se desejarmos mudá-las, é preciso deixar de alimentar o pensamento que as sustentam, para que se dissipem com o tempo. A citação evangélica: “Se tiveres fé do tamanho de um grão de mostarda e disseres a um monte: remove-te para lá! Crendo em teu coração, crê que assim será feito”[20], tem explicação esotérica: sendo uma manifestação material de um arquétipo mental, só modificando PRIMEIRAMENTE o arquétipo é que podemos mudar o monte, fisicamente. Isto se aplica a tudo! Mas leva algum tempo.

As profecias e premonições se baseiam nisto: se a pessoa tem vidência ou sensibilidade para sentir a mudança arquetípica, pode anunciar antecipadamente o fato, que depois ocorrerá no plano físico.

Agora, tome esta chave esotérica e aplique-a na regeneração mental: os arquétipos são alimentados pela repetição do pensamento que o criou. Eles se debilitam quando o deixamos de alimentar e podem ser dissolvidos pela conscientização da falha, pelo sincero desejo de emenda, pela correção e compensação no diário viver.

Troquemos em miúdos: não se pode pensar uma coisa e criar outra. É absurdo. Pensamos numa casa e construímos uma casa. Pensamos e criamos algo correspondente. Só podemos mudar nossa vida quando mudamos nossos pensamentos. Pretender que nossa vida mude, sem a transformação de nossos hábitos mentais, seria o mesmo que imaginar uma favela e criar um palacete. Impossível. Aqui está a raiz da infelicidade humana. Se estivermos sofrendo carências, infortúnios, enfermidades, depressões, pessimismo, fracassos etc., a causa é mental. É sinal vermelho! Temos de parar e retomar o caminho certo. Isto se chama conversão. Temos de reconsiderar nosso modo de pensar, para que mudem nossos hábitos e, desse modo, cheguemos um dia a SER BEM-AVENTURADOS PELA FOME E SEDE DE AJUSTAMENTO às leis de harmonia.

Aparentemente é muito simples. Mas a prática não é fácil como se nos afigura. Por que? A explicação está no extraordinário poder do hábito, no automatismo dessa segunda natureza que nos exige conscientização cuidadosa. Assim, o estudo do hábito é fundamental no processo da iniciação ou comunhão com Deus.

Como se forma o hábito? Pela REPETIÇÃO. Como enfraquecemos um hábito? Deixando de repeti-lo, ao mesmo tempo em que o substituímos por outro hábito melhor. Mas aí está a dificuldade. O hábito é o que está “farto” e não deseja ser privado de sua satisfação. No esforço de alimentar-se pela repetição, desencadeiam as mais curiosas reações como medos, intimidação, dores, etc., através de nosso corpo etérico. É uma reação de sobrevivência.

Por isso, antes de inteligentemente encetar nossa reforma, tornemos nítida consciência mental do que é certo. Enchamo-nos de convicção e confiança. Depois podemos começar a formar os novos hábitos tomando muita consciência para não cair no automatismo dos hábitos antigos. É questão de persistente conscientização e de observação de nós mesmos. Saibamos que o Cristo interno está dirigindo esse esforço de transformação, pois Ele mesmo no-lo suscitou. Deste modo, estejamos seguros, iremos levando de vencida os pequenos hábitos inconvenientes. A promessa é bem clara: SERÃO SATISFEITOS!

Não nos impacientemos com a aparente lentidão. Uma transformação efetiva exige segurança; consolidação de cada passo. Não nos detenhamos a lamentar nossas falhas. Isto é masoquismo, sofrimento falso. Conscientizemos o melhor e busquemo-lo. Cada vez que pensamos no passado estamos a alimentá-lo. É o que ele quer. O exame noturno de Retrospecção é de outra natureza: é tomar consciência de nosso comportamento mental e emocional, para desarraigar as falhas no próprio ato em que desejam medrar.

Saiba compreender e aceitar os outros como eles são e não como desejaria que eles fossem. Sobretudo, compreenda e se aceite, em cada nível de consciência, a realidade é que devemos partir do que somos para algo sempre melhor! Se você vê os erros do passado é sinal de que se elevou um pouco e de lá os vislumbra. Você é o hoje e não o ontem. Não lamente.

Livre-se dos pensamentos negativos, em relação aos outros e a si mesmo. Você não sabe como isso influi em sua felicidade, em sua harmonia interna e como se reflete em seu lar!

Se você tem real fome e sede de ajustamento ao Cristo esteja seguro; passo a passo, grau a grau, será satisfeito o seu anseio. Não é possível que a busca da verdade e da justeza, com todo o coração, com persistência, observação de si, conscientização imparcial e serena das falhas, não seja coroada de êxito. Não se zomba de Deus nem Ele zomba de seus filhos!

 

Quinta Bem-Aventurança

“Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia.”  (Mt 5:7)

Também essa bem-aventurança não foi incluída por São Lucas, pela mesma razão que seu evangelho, como método de Iniciação e místico, já a subentende.

Aqui fala Cristo dos misericordiosos, isto é, daqueles que, segundo São Paulo “se revestem das entranhas da misericórdia” (Col 3:12). É o amar, pelo amar espontâneo; é o SERVIÇO altruísta em seu mais amplo sentido. Esta bem-aventurança constitui um sumário da Lei da Vida, que o Cristo apresentou no próprio Sermão do Monte (Mt 7:1-5).

A semelhança das anteriores bem-aventurança, o essencial desta, é a causa, a intenção, o íntimo. Importa que sejamos misericordiosos em PENSAMENTO, em SENTIMENTO, já que o pensar e o sentir precede o agir amoroso: uma Mente Pura e um Coração amoroso, unidos no propósito de SERVIR. Infelizmente, muitas vezes o coração pede misericórdia e compreensão, mas a Mente discorda e impõe pela fria e egoística argumentação, o “olho por olho e dente por dente”. O coração vai à frente, com o novo mandamento do Cristo: “amai os vossos inimigos”!

A Mente fica atrás, no Velho Testamento, na “lei de Talião”[21]. É preciso conciliá-los, estabelecendo uma ponte que os ligue, no abismo que se criou. E essa ponte é a misericórdia, que compreende e aceita cada um, como ele é, fazendo o que pode para edificá-lo.

Cristo deixou bem claro a transição da Lei à Graça: “Ouvistes o que foi dito aos antigos” (Lei mosaica); porém, eu vos digo...” (Cristo)[22]. Se ficamos na Lei, recebemos o efeito doloroso da Lei; se vamos para o Amor, para a Graça, então, recebemos a Graça. Não há como fugir: “SÓ OBTÉM MISERICÓRDIA O QUE DÁ MISERICÓRDIA”.

As ações e as atitudes podem ser delicadas e jeitosas; mas, se estiverem ligadas a pensamentos maldosos, hipócritas, ditados pelo medo ou o desejo de ser “bem-visto pelos homens”, são falsas e não abençoam ninguém: nem ao que dá, nem ao que recebe. O amar não são palavras, nem atitudes, nem gestos vazios. “Deus é Amor”. Portanto, o amor é divino, é nossa própria Essência. A personalidade não pode ser misericordiosa, senão como canal consciente do Cristo interno.

Sabemos que a personalidade é falha. Humanamente falando, quem é bom? Quem é perfeito? Como disse Cristo: “Por que me chamas bom? Bom é só um, a saber: o Pai celestial[23]. Ele queria significar justamente isso: só o divino expressa amor.

Estamos todos na escola do mundo, num processo evolutivo, num desdobramento de faculdades latentes e aprendizagem de seu justo uso. Ora, a espiritualização do ser é o atingimento gradativo do amor; a vivência cada vez mais autêntica desse amor, que é o Eu verdadeiro e superior.

Quem julga se julga, porque será fatalmente julgado segundo o julgamento que faz. Devemos manter, vigilantemente, nosso pensamento na verdade do ser: o VERDADEIRO ser é espiritual, é divino, é eterno, imagem e semelhança de Deus e, portanto, é AMOR. Já a personalidade, como explicamos, está presa na ignorância; ofuscada pela falsa luz; condicionada pela ilusão de separatividade – apesar de mantida pela Centelha que a criou: o Espírito interno. A personalidade constitui a Mente concreta, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso. Ela está se debatendo entre os pares de opostos de bem e de mal, até que se situe no convicto SER que ele é em unidade com o Eu verdadeiro e superior, nem bem nem mal, senão simplesmente a expressão da justiça e do amor.

Todos, sem exceção, podemos e devemos dar e receber misericórdia, na mútua edificação. Para receber é preciso, primeiramente, dar; a causa gera o efeito. Se a misericórdia está na origem, na causa, no pensamento, se continuar nos sentimentos e terminar coerentemente, fielmente, nas palavras e ações, então, é autêntica; não foi desvirtuada pela personalidade. Tal como a recebeu do Espírito, assim a revelou.

Observem o próprio comportamento. Notem quantas vezes somos faltos de misericórdia, sobrecarregando, com a influência de nosso pensar, de nosso sentir, de nossos comentários desamorosos, um pobre semelhante curvado ao peso da tentação, da aflição. Ao contrário, se pelo menos, buscarmos ver o Cristo dentro dele – que o torna nosso irmão – já estaremos contribuindo para que nele se desperte a vontade espiritual de erguimento; ficaremos livres de atrair sobre nós a falta de misericórdia de outras pessoas.

Quando exercemos misericórdia autentica, profunda, nascida de um pensamento de compreensão e de bondade, por certo, colheremos os frutos de misericórdia que plantamos, segundo a lei infalível que diz: “Aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá[24]. Não que exerçamos a misericórdia interesseira, premeditada; fazer PARA receber; PARA parecer bom. Não! Em tal caso ela já está viciada. A personalidade nada tem a reclamar, porque a misericórdia nasce do Espírito. O entregador não tem méritos. Deixemos de lado a motivação interesseira.

Exerçamos espontaneamente a misericórdia como uma fonte que jorra, como incontida manifestação do Divino interno. Que mérito tem o cano por conduzir a água? Foi o cano que a produziu? Deve receber gratidão por isso? Tomemos nítida consciência disto para não cairmos no auto-endeusamento e nem nos revoltarmos “quando o ingrato não soube nos retribuir”. Só a ilusão de separatividade nos pode presumir autores das manifestações do Espírito. À medida que nós vamos RE-ligando ao Divino interno, esse sentido humano vai desaparecendo. Sentimo-nos felizes por agir em unidade com Ele, como canais conscientes de serviço. Nessa atitude somos abençoados. Então, a água viva que conduzimos aos outros, molha-nos PRIMEIRAMENTE, purificando-nos para servirmos cada vez mais fielmente.

Enquanto estivermos agindo como se fôssemos uma persona à parte e separada do Espírito, expressaremos, inevitavelmente, os vícios a ela inerentes. Estaremos de olho nos frutos da colheita, reclamando sempre o que não nos pertence. Mas quando começamos a nos situar como Seres espirituais em evolução, compreendemos o que disse Cristo: “Assim também vós, quando tiverdes cumprido todas as ordens, dizei: Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer.[25]. De fato, estamos dinamizando as faculdades potenciais do Espírito. Disso depende nossa evolução. Assim, quando expressamos misericórdia, estamos dinamizando nosso Amor, para alcançarmos a vivência e a realização do Amor – o Amor que devemos ser como Deus é. Logo, o Amor é a própria recompensa.

Aquele que está buscando compreender as Leis divinas e agir em harmonia com elas, tem responsabilidade maior que as pessoas comuns, que ainda vivem na ignorância delas, sofrendo-lhes as reações. Se nossa personalidade, por seus “eu’s” viciosos, vê um erro ou nota uma falha em alguém, que isto nos sirva de alerta: é um chamado do Cristo interno, apelando para nossa misericórdia e dizendo mudamente em nós: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra[26]. Se não exercemos a misericórdia quando ela se faz necessária, quando vamos pô-la em ação? Com nossos amigos e entes queridos? Que mérito há em tolerar, em compreender e aceitar os que agem da mesma forma conosco? “.

Cristo não veio trazer normas de conduta. Sua mensagem é de AJUSTAMENTO ao Divino interno, pelo caminho das BEM-AVENTURANCAS. Nesta sequência maravilhosa, vemos que não é possível sermos MISERICORDIOSOS se, PRIMEIRAMENTE, não formos MENDIGOS DE ESPÍRITO; FAMINTOS E SEDENTOS DE DEUS; MANSOS, etc. As bem-aventurança constitui uma escada de realização e um degrau pressupõe, necessariamente, o outro. Um se completa com o outro. Não é possível sermos misericordiosos sem que Deus se expresse em e pela personalidade. Deus, na medida em que se expressa COMO ou SENDO nós, é que nos torna bons. E se somos realmente bons, não podemos evitar expressarmo-nos em bem. Relembremos a ética do DAR: se Deus age no que dá e no que recebe, sua unidade de amor se refrata na Trindade da ação; um só Deus é o que dá e o que recebe.

Todos teremos algo para dar, porque, como seres espirituais possuímos uma riqueza conquistada pela evolução. Basta expressá-lo, trazê-lo a atividade. Os talentos de Deus abrangem tudo, não apenas os bens materiais, não só o prestígio, a fama, a inteligência como, principalmente, o AMOR, com seu corolário de bênçãos. A personalidade se restringe às coisas de seu imediato interesse; enquanto não se sente um CANAL desvirtua fatalmente as coisas, com seu egoísmo. Mas quando Deus dá em nós, também recebe através da personalidade tudo o que pode torná-la um meio mais eficaz do Espírito; tal é a razão do ser humano na Terra; tal o sentido de fraternidade.

É uma benção ser um canal divino. No mito musicado por Wagner[27] (A “Tetralogia”), as Valquírias, filhas da verdade, iam buscar com seus corcéis brancos, os heróis que haviam sustentado até o fim o “bom combate da vida”, no propósito de autossuperação constante. Era desonra morrer na cama, isto é, desistir ou fugir desse objetivo essencial. Esses heróis eram levados ao Valhala, a terra da BEM-AVENTURANÇA, onde eram alimentados com a carne do javali SCRIMNER (símbolo da Sabedoria). A cada naco que tiravam do javali, nascia imediatamente outro no lugar, de sorte que ele se mantinha sempre inteiro.

Assim é a misericórdia. Ao expressá-la, em seus inumeráveis matizes, jamais ficamos diminuídos do que saiu. Os dons espirituais se alimentam de si mesmos. Se dermos corretamente, recebemos os juros de uma consciência aumentada. Aqui estamos para crescermos (animicamente). Cada vez que o Espírito desce ao renascimento, deve voltar com uma consciência maior, através da qual possa expressar mais dons divinos. Em espiral menor, cada vez que o Espírito desce à personalidade (em cada dia, em cada ato), é para subir a um nível de consciência um pouco mais alto. Como um carro que aproveita a descida para tomar impulso e alcançar um pico mais alto, assim o Espírito nas atividades cíclicas de inspirar e expirar; de plantar e colher. Ora, não é possível que o Espírito se manifeste sem que, naturalmente, SIRVA, a si mesmo e aos outros, na edificação evolutiva. A vida é um SERVIR, uma expressão de MISERICÓRDIA, quando o Espírito, que é Amor, Se exprime puramente.

Fixemos, pois, este ponto: esta bem-aventurança (como as demais) abrange a totalidade de nosso ser, como ESPÍRITO e como PERSONA, desde que haja a unidade e coerência entre esses dois polos do Espírito encarnado. Como Espíritos, somos necessariamente bons; sendo bons, somos decorrentemente misericordiosos. Como diz São João evangelista: “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele; quem ama Deus, ama também o seu irmão[28]. E nisto não há mérito; é simplesmente e naturalmente, ser o que somos: Espíritos.

Ora, o que se faz com amor leva o caráter de gratuidade atendendo ao princípio espiritual: “Dai de graça o que de graça recebestes[29]. Este princípio identifica a verdadeira escola e o verdadeiro instrutor. Não nos referimos à profissão como um médico ou uma enfermeira, podem exercer a sua profissão com ou sem amor. Mas é o amor que valoriza o seu trabalho. Melhor ainda; é o amor que justifica uma atividade qualquer. E toda profissão deve reservar tempo e energia ao SERVIR gratuito, misericordioso que constitui o DÍZIMO, depositado no Banco Divino, a nosso crédito e da humanidade.

 

Sexta Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.”  (Mt 5:8)

Outra bem-aventurança omitida por São Lucas, cujo método, predominantemente místico, constitui, por si, a limpeza de coração.

Vejamos, inicialmente, o sentido esotérico das palavras-chave desse passo: “puros”; “coração”; e “ver”.

PUROS – Não se trata meramente de pureza no sentido de castidade, de não contato sexual, como querem muitos. O sentido é mais amplo e abrange as manifestações todas do ser. A palavra “Katharós”, do original grego, tem sentido de “puro” por não ter mistura; “puro” porque é limpo ou isento de qualquer agregação.

A expressão “limpos de coração” (Katharoi tèi Kardíai) já aparece no Salmo 24:4. Ali surge a pergunta: “Quem subirá ao monte de YHVW e quem estará no lugar santo?”, ou seja: “Quem obterá a realização do encontro com o Divino interno, ultrapassando o véu da personalidade e permanecendo com Ele na “Sancto Sanctorum?”. A resposta diz: “Será aquele que é inocente (sem culpa, limpo) nas mãos (nos atos) e Limpo de Coração”; pureza mental e emocional para não desvirtuar os propósitos do Eu verdadeiro e superior. É o que se sobrepôs aos condicionamentos da personalidade egoísta e a converteu numa serva passiva e fiel do Espírito, tal como Kundry, a serviço dos cavaleiros do Graal, depois que Parsifal[30] dissolveu a ilusão do castelo de Klingsor. Isto só acontecerá quando nos convertermos, de Amfortas em Parsifal, o puro.

CORAÇÃO – tem o sentido que a psicologia moderna chama de “Mente subconsciente”. Comparando-se o ser humano a um “iceberg”, a Mente consciente é a parte menor, visível sobre as ondas, ao passo que o subconsciente constitui a parte maior, mergulhada no oceano – uns 80% de nossa atividade mental. O Mestre mostra o quão importante é a conscientização e limpeza desses “porões da personalidade”. Ele disse: “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”[31]. Chamando a atenção para o mesmo ponto, escreveu Salomão: “Guarda com toda a diligência o teu coração, pois dele procedem às fontes da vida[32].

As psicanálises buscam interpretar, nas ações humanas, as poderosas influências do subconsciente. Estão certos os psicólogos ao buscarem “reeducar o subconsciente humano”. No entanto, alcançariam maior êxito se conhecessem e aplicassem os conhecimentos esotéricos do “Sermão da Montanha”. Não basta a mera apreciação intelectual das falhas e o ajustamento da pessoa aos padrões sociais, que estão longe de ser um modelo de vida. Não é suficiente definir as causas subconscientes de nossos erros atuais e indicar soluções. Muito mais do que isso, é preciso VIVER, REALIZAR a “nova criatura em Cristo”; transformar as verdades intelectuais em CARÁTER; iluminar o subconsciente e convergir os hábitos todos na decidida e persistente regeneração do ser.

Sem essa reforma de base não terminarão as angústias, as insatisfações, as neuroses, as frustrações. E o melhor método de reforma é a prática da conscientização da Divina Presença interna, que deve dirigir o exercício retrospectivo noturno, para assegurar-lhe impessoalidade e eficácia.

VERÃO – Futuro do verbo grego “haráô”, que significa “ver”, não no sentido físico, pois, o Espírito é intangível e invisível. O sentido é interno, isto é: sentir; vivenciar, experimentar a Presença do Cristo interno e vislumbrá-lo entre os olhos de cada semelhante.

Não basta crer. Crer é um estágio inicial e insuficiente para liberar o indivíduo de suas limitações e contatá-lo com a divina Presença. Todos os iluminados atingiram essa meta. O testemunho deles é um aval para nosso empenho e persistência no mesmo sentido.

Moisés “viu” o Senhor na montanha – quer dizer, experimentou o influxo da Presença interna, quando se elevava vibracionalmente. Ele foi incumbido de libertar o “povo eleito”. Todos nós, também, quando chegarmos a esse contato, seremos incumbidos de redimir todos os pequenos “eu’s”, ou hábitos que ainda se encontram sob o jugo da personalidade (Faraó); libertar todos os medos; os apoios nos recursos exteriores; diluir todas as ilusões.

Como Parsifal, em sua primeira visita ao Castelo do Graal, o ser humano era primitivamente puro e inocente. Nada sabia e, por isso, não podia dirigir o Castelo de seu ser. A esse estado de consciência, no início da Época Atlante, a Bíblia chama de Éden ou Paraíso.

Era amorosamente dirigido, de fora, pelas Hierarquias, principalmente os Anjos. Depois foi induzido a transgredir as leis da natureza e comeu da simbólica “árvore do conhecimento, do bem e do mal”. Sob a ilusão da falsa luz luciférica, a consciência humana foi mergulhada em vibrações cada vez mais baixas, até que perdeu a visão primitiva dos mundos espirituais. Perdemos a visão global do Universo e ficamos limitados à grosseira faixa vibratória deste plano material, que passamos a considerar como a única realidade.

Isolados numa personalidade, desenvolvemos a noção falsa do “eu” separado com seu inerente egoísmo e egolatria. Conhecendo as consequências de nossos desvios como um MAL e os prazeres como um BEM, construímos uma cultura baseada nos “pares de opostos”. Estamos sofrendo essas condições e cultivando o discernimento entre “o joio e o trigo”. Essa capacidade de discernimento será o “grande prêmio” que levaremos em nossa libertação final deste período tenebroso. A formação do “eu” personalístico é relatada na Bíblia, pela construção da “Torre de Babel”: o homem tinha a pretensão de forjar os tijolos e edificar uma torre que chegasse ao céu, isto é, a insinuação de Lúcifer de nos igualarmos a Deus com os recursos meramente humanos. Para castigar-nos (castigar significa “tornar casto”, purificar), fez Deus que falássemos individualmente línguas diferentes: a língua do egoísmo que ergue muralhas entre o eu e o tu, entre o meu e o teu.

Essa é a condição ainda prevalecente na grande maioria da humanidade, em graus diversos. A personalidade se tornou ativa e assumiu o comando da ação. Na ilusão de um “eu” separado, julgamos não precisar de Deus, ignorando que somos sustentados nesse “trono” pela ação do Espírito a quem traímos. Assemelhamo-nos a um cego cercado de luz e cores por todos os lados (a ilha da psicologia). E como não vemos a luz nem a cor, negamo-las. O Cristo referiu a essa limitada relação do ser humano comum com o Universo, dizendo: “Tendes olhos e não vedes; tendes ouvidos e não ouvis”. Realmente assim é, embora Deus seja Onipresente, patente em tudo: “mais próximo de nós do que nossos pés e mãos; mais perto do que nossa respiração”. Não o percebemos em nós. Por isso mesmo não o vislumbramos nos demais, nem na Natureza. Ora, para percebê-lo em nós e nos outros, é preciso que tiremos o véu dos olhos, para ver “face a face”. É preciso que sejamos PUROS DE CORAÇÃO, isto é, que nos despojemos de todas as escórias acumuladas em nosso íntimo, através das idades, a fim de revelarmos o brilhante oculto no diamante bruto. São Paulo acena a esse renascer, quando diz: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e o Cristo te alumiará[33].

Nos primórdios do teatro grego, havia um relator a representar todos os personagens, num púlpito aberto, no meio do salão. Para facilitar a identificação de cada personagem, quando representava um deles, usava a máscara adequada, a entonação de voz indicada, o porte, os trejeitos próprios etc. Se era a rainha a falar, o intérprete punha a máscara da rainha, falava como rainha, assumia porte e atitude de rainha. Se era um vilão, punha a máscara do vilão, falava como vilão, assumia atitudes de vilão etc. E, dentre as máscaras diversas, havia uma espécie de “coringa”, que o relator podia usar para representar qualquer personagem numa dificuldade. Essa máscara era lisa (sem feições) e se chamava HIPÓCRITA.

Atualmente acontece o mesmo. A maioria entra no palco do mundo para representar seu papel e acaba se identificando tanto com ele que esquece sua origem e identidade própria, de Centelha Divina que é. Torna-se uma personalidade (persona significa “máscara”). Muitas vezes assumimos uma máscara especial: a do hipócrita. Etimologicamente, a palavra “hipócrita” quer dizer: “o que está oculto sob”, o que desvirtua os propósitos do Espírito.

Todos estão representando um papel, um estado de consciência, uns níveis evolutivos. Todos têm qualidades boas e más; hábitos nobres e inferiores; impulsos elevados e vis. A tudo isso a psicologia chama de “máscaras”. Cada indivíduo tem muitas máscaras ou “eu’s” e as usa segundo as circunstâncias e conveniências. Ignoramos ou fingimos ignorar que somos um SER divino, um “Cristo em formação”, que transita por essas aparências ou máscaras. Somos maus artistas porque nos identificamos com o papel; julgamos ser o papel. E cada vez que deixamos o palco (pela chamada morte) e voltamos aos bastidores, tiramos o “traje” e, livres de sua vibração rebaixada percebemos que somos o ARTISTA, bem distinto dos papéis. Infelizmente, quando renascemos e mergulhamos no corpo físico ainda embrutecido, de baixa vibração, esquecemos nossa identidade celestial, como bem exprime Fernando Pessoa, de alguém que pôs a máscara e ela se ajustou tão bem a face que grudou e não mais pode tirá-la.

É mais fácil nos desligarmos do “meu” do que do “eu”. O “meu” a gente vê, administra e, sem muita dificuldade pode renunciar a ele. Mais difícil é deixar o “eu”, renunciar à personalidade, porque nosso sentido humano é muito forte e tal despojamento se nos afigura um aniquilamento, por falta de conhecimento espiritual. Quando vivenciamos a verdade do Ser sabemos que não existem dois (o Espírito e a persona) senão Um – o Espírito atuando por dois polos, como vida (pura) e matéria (vida cristalizada); como Ser e não ser, como Consciência atuando numa personalidade. Religar-se pela renúncia ao humano é, simplesmente, submeter a persona ao Espírito; e mudar a polaridade da persona, tornando-a, de ativa que é atualmente, em passiva serva do Eu verdadeiro e Superior.

Não desanimemos, pensando que essa libertação é superior às nossas forças. Não é o humano quem vai realizá-la, senão o Divino em nós, como bem disse Cristo: “Não eu quem faz as obras, mas o Pai, que habita em mim, Ele é quem faz as obras”. “Eu, de mim mesmo (como humano) nada posso, mas tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Toda grande dificuldade pode e deve ser decomposta, subdividida em pequenas dificuldades, facilmente vencíveis. Essa cristificação do Ser deve basear-se, em primeiro lugar, na confiante e esclarecida ENTREGA ao Divino interno.

“A batalha não é nossa” (do interprete), mas de Deus (o Diretor da peça). Só Ele pode pôr fim à trágica comédia humana, quando não mais prescindirmos dos aplausos do mundo. Em segundo lugar, a espiritualização se realiza através do Corpo Vital, nosso veículo de hábitos, por meio da repetição sistemática de meios adequados (os exercícios diários de retrospecção noturna, a concentração e meditação matinais, os exercícios de conscientização da Divina Presença em nós, o estudo constante das verdades espirituais, as preces, as músicas elevadas etc.).

Devemos aprender a humilhar-nos, a assumir nossa real pequenez humana, MENDIGANDO o Espírito, despojando-nos do sentido de posse e do senso personalístico, até compreendermos e aceitarmos que “Eu e o Pai somos UM” e não dois. Purifiquemo-nos para nos elevarmos vibratoriamente e atingir verdades mais profundas. Se realizamos as “bem-aventuranças”, o Divino, em nós, seguramente faz o resto. O Cristo interno está sempre à porta de nossa consciência e bate. Ele respeita nosso livre arbítrio. A relutância é nossa e não d’Ele. Segundo seja a colaboração, será o resultado. Como a maioria não faz um décimo do que poderia fazer, a realização se protela para outras vidas. Nem os mais esforçados se empenham como deveriam. É pena que negligenciemos tão raras oportunidades!

Todavia, o que fizermos será contado e conservado, para renascermos em melhores condições e reencetarmos a cristificação iniciada.

Em “Parsifal”, Amfortas sofre porque não soube confiar em Deus; porque não soube manter a mansidão da não resistência; porque usou a lança do poder espiritual para vencer uma ilusão. Lembremos que Hércules (o “homem” realizado) não pôde exterminar a Hidra de Lerna enquanto não lhe atingiu a cabeça verdadeira: a personalidade egoísta. As outras inúmeras cabeças eram falsas, eram as manifestações sem-conta das “máscaras”, das dissimulações.

É mister encarar honestamente nosso íntimo e repetidamente perguntar: “quem sou eu?”. Das profundezas do Ser nos chegarão as respostas para libertar-nos da “caverna de Platão” e mostrar-nos as realidades que interpretamos atualmente de modo errado, porque são projeções, reflexos distorcidos, de nossa real natureza. Agora “vemos como por espelhos, em enigmas – mas depois veremos face a face” (I Cor 13).

A magia dos sentidos deve ser quebrada. Estamos como num “vestíbulo de espelhos”, cercados de imagens ilusórias, porque não sabemos ver objetivamente, senão que enxergamos as projeções de nosso íntimo condicionado. É uma hipnose de que nós devemos despertar. Se não dedicamos o devido interesse a essa libertação, continuaremos dormindo, como a “Branca de Neve” em seu caixão de Cristal (o corpo) sob o efeito anestésico da “maça” (materialismo) até que o Cristo interno nos possa despertar com seu contato.

Quando fomos expulsos do “Paraíso” ficou um Querubim guardando a entrada com uma espada flamígera. Agora, para regressarmos conscientemente ao Paraíso (em nosso íntimo), devemos levar a senha da PUREZA, como indica o Templo de Salomão, a cuja entrada de novo aparece o Querubim, não mais com a espada flamígera: agora segura uma FLOR, formoso símbolo da pureza. Tal é o requisito para nossa RE-ligação; para atingirmos conscientemente o “lugar secreto do Altíssimo”, subindo com a força criadora, pela coluna, ao MONTE de nossa cabeça, o “lugar das caveiras”, o “sancto sanctorum” de nosso tabernáculo corporal. Despertaremos a visão espiritual pela união vibratória dos centros espirituais da pineal e pituitária.

Essa iluminação era muito difícil antes de Cristo. Só depois que Ele purificou a Terra, liberando-a para mais alta vibração e permitiu a formação de veículos mais refinados (aos mais adiantados) é que a iniciação foi aberta a todos, indistintamente (rasgou-se o véu do Templo).

Saímos da escravidão da Lei (ouvistes o que foi dito aos antigos) e entramos no reino da Graça e do Amor (porém, eu vos digo…). A Lei se torna colaboradora e poder, que o Amor utilizará no SERVIÇO amoroso e altruísta.

Salmo do Bom Pastor

O Senhor é meu pastor: não me faltará!

Deitar-me faz em verdes pastos;

guia-me mansamente a águas tranquilas;

refrigera a minha alma;

orienta-me pelas veredas da justiça,

por amor de Seu Nome.

Ainda que eu andasse

pelo vale da sombra da morte,

não temeria mal algum,

porque Tu estás comigo!

Tua vara e teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim,

na presença de meus inimigos;

unges a minha cabeça com óleo;

o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia

me seguirão todos os dias da minha vida:

e habitarei na casa do Senhor

por longos dias!

 

Sétima Bem-Aventurança

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.”  (Mt 5:9)

A palavra “pacificadores” tem o sentido de ‘FAZEDORES DE PAZ’.

A tradução: “pacíficos”, em vez de “pacificadores”, que consta de muitas versões portuguesas não corresponde ao sentido do original grego eirênopoioi e tampouco ao latim “pacifici”. Ser pacífico – conforme essas falhas versões induzem a pensar, seria um estado passivo de paz. Mas o significado original indica um processo ATIVO e dinâmico de “exercer a paz”, de manifestar a paz, de “estabelecer a paz”.

Todavia, essa paz dinâmica ativa e INTERNA, consoante o princípio esotérico: “Tudo vai de dentro para fora”. Daí que o Cristo ensine a irmos da causa para o efeito. Ninguém pode dar o que não tem: só comunica paz aquele que a estabeleceu primeiramente dentro de si. O inverso é verdadeiro: todo conflito exterior nasce dos conflitos interiores: “A boca fala do que está cheio o coração[34]”. Sejam os conflitos individuais, sejam os familiares, os regionais, os nacionais como os mundiais, todos eles são filhos de conflitos internos não pacificados. A paz efetiva é assinada no Tribunal da Consciência. Os acordos externos, assinados pela personalidade falsa, são instáveis como ela. São meros armistícios (repouso de armas), tréguas maiores ou menores entre duas guerras.

É comum interpretarem exotericamente esta bem-aventurança, citando-a para exaltar os que se esforçam por estabelecer a paz e concórdia nas relações individuais, na família, no trabalho, numa pendência jurídica e até estender sua influência à Nação e ao Mundo. Nesse pensamento é que se instituiu o Prêmio Nobel da Paz.

Não se pode negar o mérito de alguém procurar conciliar interesses e dissolver desavenças, num sentido externo. Mas a prática da vida nos tem demonstrado a quão difícil e delicada é essa tarefa. Quase sempre a interferência de terceiros piora as coisas em vez de melhorá-las. Além disso, é humano que o conselheiro se deixe influenciar por seus próprios pontos de vista, levando mais falhas a questão. Melhor seria que, chamados a ajudar, pudéssemos, SEM OPINAR, convencer as partes a sinceramente buscarem um novo ponto de vista. Isso é melhor que convencê-las a um acordo, às vezes com alguma coação; aí a pendência será apenas remendada na superfície; não houve paz; as partes ficaram insatisfeitas e não se perdoarão. Ora, o que vale é o íntimo!

A nosso ver, a ideal atuação do pacificador nessas questões externas é a da ORAÇÃO verdadeira. Se o “conselheiro” tem paz interna poderá aquietar-se, não permitindo que suas próprias opiniões interfiram, não importa o que suceda e malgrado as aparências do caso. Ele pede às partes que se acalmem e orem sinceramente por solução com ele. Essa é a norma: ORAR POR E COM ELAS, para que se estabeleça a regra de Cristo: “Se dois ou três se reunirem EM MEU NOME, ali estarei NELES[35]. O “pacificador” ergue, então, um silencioso pensamento ao PAI, pedindo-lhe sabedoria às partes. Permanecem alguns minutos no anseio e expectativa da luz, sem permitir que os canais internos fiquem “entupidos” com teimosias, opiniões ou com “ordens a Deus”. Então, o que melhor atenda às partes, manifestar-se-á. Em tal caso, essa pacificação tornar-se-á ATIVA.

Devemos adquirir experiência do poder da oração e da conscientização da Divina Presença. Em muitas situações difíceis, entre discussões desagradáveis, em meio a desarmonias, quase sempre se dissolvem as tensões e se estabelece um clima de concórdia, sem que se proclame qualquer solução nem se pronuncie qualquer opinião. O importante, indispensável é que o “pacificador” o seja INTERNAMENTE, em boa medida.

Uma boa ajuda que podemos prestar a muitas pessoas carentes de paz e de equilíbrio, que recorrem à nossa oração é mostrar que a única fonte de luz e de paz é o CRISTO INTERNO. Qualquer pessoa pode ter acesso a essa graça, se buscá-la sinceramente, dentro de si. No entanto, até que a pessoa se equilibre, é mister atendê-la e mostrar como, com sua indispensável colaboração, a “coisa funciona”. Depois elas farão isso sozinhas e, com a devida orientação e assistência podem chegar a serem também outras PACIFICADORAS a serviço do Alto. Infelizmente, a maioria abandona a prática quando se encontra melhor ou vê solucionadas as pendências. Paciência. Não compreenderam ainda a necessidade de uma pacificação permanente, mediante a regeneração do caráter.

Voltemos à consideração da PAZ interna, referida pelos místicos como “o melhor passaporte para Deus”.

Quem nô-la pode dar? A personalidade? Jamais!

A personalidade é incoerente e egoísta, geradora de conflitos e divisões. Só o Cristo nô-la pode dar. É uma verdadeira GRAÇA. Num momento grave, em vésperas de sua crucifixão, Ele declarou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide vosso coração.”[36]. “Dou-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós e seja perfeita a vossa alegria; e ninguém mais vos tire a vossa alegria[37].

Consideremos seriamente essas palavras, embora não as possamos avaliar profundamente, enquanto não as vivermos. É uma “paz que ultrapassa todo o humano entendimento”.

No esoterismo as emoções são representadas pelas águas; e os pensamentos pelos ventos. Todos conhecemos inúmeros casos de pessoas que, num momento difícil, clamaram com toda a alma aos céus e foram assistidas “milagrosamente”. Em qualquer ocasião, como há dois mil anos, o Cristo interno pode erguer-se do fundo da barca de nossos corpos e, estendendo os poderosos braços, comandar: “Ondas, acalmai! Ventos, cessai!”. E, voltando-se, pode recriminar-nos como outrora: “homens de pouca fé!”.

Realmente, aquele que se habitua a buscar silenciosamente o Cristo, várias vezes ao dia, numa serena comunhão, alcança a imperturbável sensação de PAZ.

O Cristo adverte: “Pedis e não recebeis porque pedis mal[38]. A maioria ora apenas para pedir a satisfação de desejos egoístas. Vivem imersos nas atividades materiais, que constituem a motivação de sua vida.  Só se lembram de Deus nos momentos difíceis e oram para livrar-se dos incômodos e provas, não percebendo que são advertências para corrigirem seu modo de viver.

Oremos corretamente. Pratiquemos a conscientização da Presença, acima de instabilidade emocional: relaxando-nos e acalmando-nos para que vibratoriamente nosso elevador nos conduza internamente a Ele. Então, o Cristo se nos manifestará de algum modo, como outrora, andando sobre as águas e dizendo: “Não temas! Sou Eu!”[39]. Tenhamos a coragem e confiança de também pedir-Lhe para andar sobre as ondas (sobrepor-nos ao humano, ultrapassar a Mente concreta) sem vacilar como São Pedro.

Até que essa PAZ estável se estabeleça em nós, aqui e agora, devemos tratar de ir conquistando uma paz relativa e crescente, por meio das práticas espirituais recomendadas na parte final do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, além das indispensáveis e preciosas práticas devocionais: conscientização da presença, orações etc. Não importa que durante muito tempo não tenhamos “sinal”. A semente enterrada deve sofrer um período de transformação e de preparação até que assome à superfície para alegrar-nos a visão. Mas durante todo o tempo ela exige nosso cuidado e colaboração. Assim a prece. A natureza divina, como a Terra, jamais deixa de fazer Sua parte. O Cristo nos ouve e age. Isso nos basta. Os “sinais” são muitas vezes prejudiciais porque excitam o Aspirante e prendem-no em curiosidade estéril e até na vaidade.

É preciso considerar igualmente outros fatores de PAZ, nos intervalos das práticas espirituais, todos os dias. Seja no trabalho, seja no lazer, numa roda de conversa, vigiemos para que essa PAZ continue presente em nosso íntimo e possa ajudar silenciosamente, onde estivermos. Isto exige “orai e vigiar”, ou seja, uma atitude CONSCIENTE, de observação de si, para não permitir a influência e contaminação de fatores negativos da má leitura, da má TV, do sensacionalismo, das piadas maliciosas, das rodas de crítica, cujas impressões nos invadem os sentidos e vão se acumulando em nosso subconsciente, quase sempre como impressões mal digeridas, mal conscientizadas, em quantidade e qualidade prejudiciais à psique humana. O tempo é um talento divino precioso em nossa evolução: não deve “ser morto” em atividades fúteis e negativas. É preciso aproveitar o tempo sobrante de modo mais legítimo. Higiene mental não é malgastar negativa e indolentemente as folgas, senão “fazer coisas que nos edifiquem”.

À medida que vamos conquistando a PAZ interna, sentimos impulso espontâneo de comunicá-la e, com isso, prestar um valioso SERVIÇO. Mas tenhamos cuidado em não a proclamar. Estejamos alerta com a personalidade! Não precisamos buscar oportunidades, porque o Cristo interno atrairá, automaticamente, as pessoas carentes. Nessas ocasiões devemos deixar que a PAZ do Cristo em nós serene as pessoas. Nem precisamos dizer nada. Só devemos saber que não é a persona quem faz. Não devemos “nos esforçar”. O importante é estar vigilante para que não nos deixemos contaminar pelos aspectos negativos da questão exposta pela pessoa. Não nos devemos identificar com o “caso”. Até é melhor que ela não diga de que se trata. Apenas silenciar e orar conosco. Mas se tem necessidade de “desabafar”, não nos deixemos contaminar, por meio és de nossos “eu’s” negativos. Nem permitamos que os encontros de ajuda sejam meros desabafos. A pessoa deve colaborar para que haja uma solução.

Se agirmos firmemente dessa maneira, nossa ajuda começa a ser solicitada. Devemos concedê-la amorosa e desinteressadamente, sem permitir, no entanto, que ela nos prejudique as tarefas essenciais. E que nossa humilde alegria seja a de nos sabermos “canais conscientes do Cristo, a Quem devemos dirigir todo o mérito”.

A pessoa que se abre internamente à sua videira alcança a paz e essa lhe vem como influxo de GRAÇA, com irresistível tendência para jorrar, transbordando em amoroso SERVIR, não apenas aos parentes e amigos, mas a todos com que se põe em contato, inclusive os animaizinhos e plantas. Aí nos tornamos como o “menino do dedo verde”[40], de mão abençoada, cuja imposição tira uma dor de cabeça. Mas é preciso que toda nossa vida seja uma expressão de PAZ, pela qual conquistamos tudo e todos, ao contrário da violência, que gera violência e enfraquece uma defesa justa.

O filósofo americano, Emerson, disse certa vez a um homem que falava muito em paz (mas que não a possuía dentro de si): “Não posso ouvir o que dizes, porque aquilo que realmente és, troveja muito alto”. De fato, ninguém nos pode convencer com palavras. É indispensável que nosso viver seja um testemunho e aval do que dizemos. O exemplo é o mudo e convincente argumento.

Ainda mais: todo sentimento personalístico de vaidade, de atribuir o mérito à persona, tem o efeito de fechar os canais da graça interna.

A conquista gradativa da PAZ interna resulta de um vigilante, persistente e bem orientado esforço. Não é a personalidade quem vai conquistá-la. Ao contrário: impede-a. É mister dissolver as nuvens da personalidade para que o sol brilhe.

Embora sejamos aparentemente pequenos e débeis como David; sempre que nos defrontemos com um desafio materialmente maior (gigante Golias), se temos a pedra da realização interna e a arrojamos para dissolver a ilusão, prostraremos os embaraços e alcançaremos a vitória pela paz. Até chegarmos a esse ponto, de conquistar sem violência as injustiças e dissolvê-las, experimentaremos muitos malogros. Não têm importância: “O único fracasso é deixar de lutar”.

Desses embates, os mais árduos são os internos. Trava-se uma luta real entre as duas naturezas opostas do ser humano, tanto mais árdua quanto mais apercebidos estejamos de nossas tendências viciosas. Elas lutam para sobreviver, como se relata na obra ocultista “Baghavad-Gita”[41]. Mas a vitória é alcançada sem violência, como já mostramos na terceira bem-aventurança. Essa batalha interna, pela regeneração do Ser e soberania de nosso Melquisedeque, é o tema constante de todas as religiões e filosofias, porque constitui a medula da evolução e o interesse maior do ser evoluinte. Entre os Maniqueus, o ensinamento principal é a lenda da guerra entre os filhos das trevas e os filhos da Luz. Entre os manuscritos essênios encontrados em 1947, há um que trata do mesmo assunto. No Velho Testamento há diversas passagens simbólicas, de lutas entre os filisteus (filhos das trevas) contra os filhos de Deus. No evangelho de João há o embate entre as trevas e a luz. Esses são alguns exemplos desse tema fundamental.

Encerraremos este passe com uma lição de São Paulo, acerca de nosso modo de viver, na conquista gradativa e segura da PAZ:

Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor. O que aprendestes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isso praticai. Então o Deus da paz estará convosco”. (Fp 4:8-9).

***

Lema Rosacruz: “Uma Mente Pura, Um Coração Puro e um Corpo São”.

 

Oitava e Nona Bem-Aventuranças

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. “Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.”  (Mt 5:10-12)

“Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem e proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque no céu será grande a vossa recompensa; pois do mesmo modo seus pais tratavam os profetas.”  (Lc 6:22-23)

“Ai de vós, quando todos vos bendisserem, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas.”  (Lc 6: 26)

As sete primeiras bem-aventuranças, anteriormente expostas, representam sete passos definidos na cristificação do ser humano. São os meios para a criação religar-se à sua Fonte, como disse São Paulo: “até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo”. (Ef 4:13)

Essas duas últimas, 8ª e 9ª bem-aventuranças, representam as PROVAS indispensáveis para CONFIRMAR as sete primeiras. Serve de TESTE à legitimidade da evolução alcançada nos sete primeiros passos.

Se o candidato falhar nessas duas últimas bem-aventuranças, deverá voltar e REVIVER as sete primeiras, porque será “sinal” inequívoco de fracasso em um ou mais dos sete passos essenciais. Daí a necessidade de analisarmos cuidadosamente o sentido desses dois passos finais.

São Lucas inclui em seu método místico esse arremate, terminando por uma condenação (versículo 26) ou advertência, à tentação da personalidade aceitar falsa honra. O que a maioria aprova, quase sempre não é o melhor.

Confrontemos os dois sinóticos:

São Mateus fala de perseguição, injúria e mentira.

São Lucas refere-se a ódio, excomunhão, ultraje, rejeição e indignidade.

Que significa tudo isso? É preciso ter muito cuidado com as palavras porque podemos atribuir-lhes sentidos falsos. A personalidade falsa, em nós, é multo hábil para justificar-se e guardar o seu prestígio. Há sempre uma grande dificuldade para admitirmos imparcialmente as próprias falhas, justificando-as com eufemismos curiosos, no esforço de “sermos bem vistos pelos seres humanos”. O trecho é claro: o que se faz contra o Eu real, o que fere os interesses superiores da essência humana. Somos simples aspirantes, pessoas comuns ainda. É preciso cautela para não nos incluir entre os “justos”. As reações desagradáveis que provocamos nos demais têm, quase sempre, uma CAUSA INTERNA. O mal que vemos fora é, muitas vezes, um espelhismo. Se vemos ou suscitamos algo negativo, é sinal de que essa mesma falha se projetou de nós. Nosso “Eu” real a vê e chama nossa atenção para ela, convidando-nos a conscientizá-la e não mais a alimentarmos. Nada surge em nossa experiência, de bem ou de mal a não ser que algo semelhante, em nosso íntimo, o atraia. Assim como um imã atrai apenas as coisas de ferro ou aço (que lhe são semelhantes), também nós atraímos o que nos é afim. Somos como um aparelho transmissor e receptor: transmitimos a mensagem silenciosa de nosso modo de ser e captamos do exterior o que nos é semelhante. É a sintonia automática e fiel da “onda” ou “faixa” vibratória que nos corresponde.

As pessoas imaturas (os espiritualmente infantes) sofrem repetidamente pelas mesmas falhas, porque não as conscientizam e nem as sobrepõem. Então, como a Hidra de Lerna de cabeças falsas, aquela deficiência ressurge disfarçada, em nova curva do caminho, desafiando-as outra vez. Estão cegas, e surdas às advertências da vida; aos convites de regeneração. Querem colher o que não plantam. Gostariam de ser tratadas com simpatia e consideração e como não recebem esse tratamento dos outros, queixam-se de que são invejadas e perseguidas, tanto no trabalho como na sociedade. Para suprir a subconsciente falha (que lhes dá complexo de inferioridade) esforçam-se por demonstrar sua superioridade em alguma coisa, alegando esta e outras razões, como causa dessa atitude hostil dos outros, em relação a elas. “É despeito…” – dizem.

Simples camuflagem. Grande ilusão! Benditas desilusões que vêm demolir essas tolas justificativas da personalidade falsa. Não há justificação. Ninguém pode impedir de recebermos o que o destino traz a nosso encontro, como eco de nosso caráter. Tudo é produto do mérito ou demérito. Se desejarmos Deus em nossa vida; se almejarmos paz e harmonia; se aspirarmos “herdar a terra”, deveremos exercer, conscientemente, as bem-aventuranças descobrindo e levando os evangelhos aos pequenos “eu’s” não regenerados de nosso íntimo, que são as CAUSAS das perseguições, da hostilidade, frustrações, injúrias e calúnias de nossa experiência.

A personalidade é ardilosa no refugiar-se em justificações. Gostamos de nos enganar e nos enfurecemos quando alguém nos desmascara. Podemos perdoar tudo: perda de bens, de amizades etc., mas nunca perdoamos a quem nos desmascare. A psicologia diz que é muito comum uma pessoa ficar inimiga gratuita de outra a quem, num impulso de sinceridade, confessa um segredo importante de sua vida; porque ela se torna depositária de um ponto fraco. Estamos sempre a camuflar nossos vícios, sem coragem de olhá-los de frente e tomar consciência de sua real natureza: uma ilusão. Por isso é que o desmascaramento constitui o maior crime. Por isso condenaram Sócrates a beber cicuta e o Cristo a morrer na cruz.

Soltem Barrabás!

Compreendamos: a origem, a causa de toda adversidade, é INTERNA.

– Contudo – dirá o leitor – parece haver contradição em tudo isso! Se o Cristo manifestou Seu Amor e boa vontade em dar-nos o Reino, assegurando-nos, nas sete primeiras bem-aventuranças, que podemos ganhar o Reino dos Céus mediante o  esvaziamento da personalidade e aspiração do Eu superior; que por meio da conscientização das falhas seremos consolados, que pela mansidão (não resistência) podemos alcançar a felicidade aqui e agora mesmo; que a ardente aspiração de aprimoramento ser-nos-á atendida; que pela misericórdia exercida em relação aos outros (e a nós mesmos) estabeleceremos um reino do amor; que, pela limpeza interna alcançaremos a união com o Eu Superior; que ao realizarmos a paz, seremos chamados filhos de Deus – por que é que, nessas duas últimas bem-aventuranças Ele considera uma felicidade sermos perseguido, injuriados, caluniados, odiados, excomungados, ultrajados, rejeitados e desprestigiados? Por que é que o próprio Cristo, sendo perfeito, sofreu essas coisas todas, se as causas das perseguições são internas? Esclareçamos essa aparente contradição para que o assunto se torne definidamente lógico. Para isso, dividamos a humanidade em três categorias de pessoas:

  1. Os espiritualmente infantis, que se acham no nível de consciência de transgressões ignorantes às leis divinas. Suscitam reações da Lei de Causa e Efeito, sofrem e se revoltam porque não sabem por que sofrem. Para eles, a finalidade da vida é “gozar”, num sentido deturpado. Não compreendem por que não podem “gozar” sem restrições nem dores.
  2. Os Aspirantes à vida superior, que compreendem as verdades espirituais e estão procurando realizá-las, conscientes de que a regeneração há de ser conquistada lenta e seguramente pelo conhecimento e superação de suas falhas.
  3. Os seres realizados, espiritualmente adultos, que já se libertaram das limitações viciosas da personalidade e a transformaram em serva fiel do Eu superior, trabalhando para libertar os demais de sua escravidão.

Agora, raciocinemos: a violenta resistência da natureza inferior se dá DENTRO DE NÓS, na fase de aprimoramento; e acontece FORA, vinda de outros, quando um ser iluminado procura libertá-los. Portanto, ela sempre nasce da personalidade viciosa.

Entre duas pessoas condicionadas, uma vê e atrai, na outra, aquilo que está em si. E quando ela supera todas as limitações, a resistência vem APENAS como reação da natureza inferior, na pessoa a quem se deseja libertar. Ao mesmo tempo, isso serve de teste para o ser iluminado. Nada, nele, a esta altura, deve identificar-se com o mal dos outros. Ele não se deve entristecer pela ingratidão. Ele atribui tudo ao Eu real: êxitos e fracassos aparentes, pois, em realidade, tudo converge para o bem.

Há duas regras esotéricas que deveríamos guardar e praticar, em nossa espiritualização:

  1. Busquemos observar, imparcialmente, nossas reações internas. Mantenhamo-nos livres para receber as palavras e atitudes dos outros, despidas de agressão, analisando em que medida elas se ajustam a nós.
  2. Se uma ofensa ou oposição é justificada, não temos razões para nos aborrecermos. Aproveitemo-la em nossa correção.
  3. Se uma ofensa ou oposição é injustificada (realmente, pois as justificações e amor-próprio dificultam muito essa apreciação), também não nos devemos magoar, porque não cabem a nós.

As injustiças, a agressividade das atitudes e palavras, os agravantes vários em que a outra pessoa tenha incorrido, ficam por conta dela. Ninguém responde pelos erros dos outros. O destino é individual. “A doçura amansa a ira” (Salomão). Se aproveitarmos estar com a razão para amesquinhar a outra pessoa, nossa violência e grosseria debilitam nossas razões.

  1. “Nada pode ferir-me, senão na medida em que admito a ofensa”, ensina São Bernardo. Eis uma regra importante de psicologia. Se admito a ofensa, ela me fere. Se não a admito, permaneço ileso. Não se trata de superficialidade: sorrir por fora e magoar-me por dentro. Não. É não responder por dentro. Embora nossos “eu’s” reajam lá dentro à agressão (porque são semelhantes), não nos deixamos envolver por eles; ficamos à parte, observando sua reação sem nos identificarmos com eles. Não é fácil, mas pode e deve ser conseguido.

Também, nesse caso, é preciso ponderar honestamente se a crítica é fundada ou não. Se de algum modo contribuímos para essa atitude hostil, tenhamos a nobreza de pedir desculpas. Se não temos culpa, esclareçamos a coisa com mansidão e firmeza. Se a pessoa está emocionalmente descontrolada, aguardemos ocasião para esclarecê-la. E se, finalmente, não podemos provar nossa inocência tenhamos confiança de que “nada há em oculto que não venha a ser revelado”. De toda forma, não há motivo de mágoa senão na persona orgulhosa. E se há meios para se ajudar alguém ou esclarecer situações, só pode ser pela verdade AMOROSA.

É interessante observar as reações da personalidade falsa no período de aprimoramento. Ela usa dos mais astuciosos meios e justificações e reclamos, chegando a apelar para reações biológicas: asma, bronquite, diarreias, erupções de pele – de natureza alérgica, como choros e esperneios de uma criança caprichosa e mal-educada. Por quê? Porque deseja sobreviver. Quem está no “trono” luta para permanecer.

Enquanto atendemos aos velhos hábitos arraigados, alimentando-os com a repetição, tudo vai bem – exceto nas pessoas elevadas, nas quais a “pequenina e silenciosa voz” reclama por libertação. Por isso, toda mudança de hábitos é difícil. Os “poderes constituídos” resistem, o que é compreensível, conhecendo-se o instinto de conservação. Daí que toda reforma de caráter deva estar claramente delineada nas verdades do ser, usando-se adequadamente os conhecimentos, a observação de si, a não resistência e persistente realização da “nova criatura”. Não se trata de combater – no sentido comum – e matar a natureza inferior, mas, sim, transmutá-la, despindo-a dos condicionamentos e ilusões de que a revestimos com a “falsa luz”. A resistência, o combate, dão forças à ilusão. Quando combatemos algo é porque o julgamos real. Mas a única realidade é o Espírito. Não se trata de resistir, porque isso põe no palco de nossa consciência os chamados males e eles se fortalecem na luz de nossa atenção. Quanto mais pensamos em nossas falhas mais as alimentamos. Contudo, se lhes observamos as reações, na convicção de que são apenas realidades transitórias, agindo com a vida que lhes emprestamos, deixamos de alimentá-las e elas vão depauperando pela falta do alimento da repetição e da crença nelas.

A reação dos velhos hábitos é bom sinal. É prova de que estamos nos transformando para melhor; por isso reagem. Mas pode ocorrer o contrário, que bons hábitos reclamem dentro de nós, quando começamos a substituí-los por outros piores, numa queda de caráter ao condescender com uma vida fútil e viciosa. Aí já é outro caso. Devemos discernir. O critério seguro é consultar as verdades espirituais que os Iluminados deixaram, como setas nas encruzilhadas. São guias seguros.

O certo é que, na transformação para melhor começarmos a sentir uma alegria pura. Nosso relacionamento melhora, mas também sentimos prazer em ficar a sós, num desejo de comunhão interna. Tornamo-nos sensíveis a um pôr-do-sol, à beleza singela de uma flor, à simplicidade de uma criança. Compreendemos e aceitamos melhor cada pessoa como ela é sem nos deixarmos afetar por suas expressões negativas.

É o abrir-se à graça: as janelas d’alma estão abertas à luz, esperando até que o Sol nos visite. Fazemos o que nos incumbe, e Deus jamais falha em realizar a Sua parte. Depois vemos que foi só Deus Quem agiu; que não somos dois, mas UM.

Automaticamente vamos deixando velhos hábitos; já não nos apetecem. É um subir gradativo de escala vibratória, onde as consonâncias e dissonâncias vão se alterando. Não são as coisas que mudam; nós é que mudamos. Antigos amigos já não se comprazem em nossa companhia e novas pessoas surgem à nossa experiência pela lei de atração dos semelhantes. Não nos entristeçamos nem os seguremos. É preciso que se vão. E recebamos os novos amigos e sua contribuição. Cada encontro é um mistério insondável, de resultados imprevisíveis. Deixemos que o “rio da vida” corra. É claro que estamos em estado de oração, cada vez mais conscientes de nós mesmos, sem perder a visão da meta: um olho no presente e outro na eternidade, mas confiantes na lei divina que assegura a cada grau o suprimento exato.

Essa gradativa cristificação do ser vai alterando nossa relação com o destino passado. À medida que conscientizamos e superamos níveis inferiores de consciência, eles deixam de agir sobre nós como limitações do destino maduro[42]. Há uma gradual libertação e um conquistar de luz, porque somos como um parêntesis na eternidade, deslocando-nos para frente e acima, guardando uma individualidade, um modo próprio de ser.

Contudo, se inversamente deixamo-nos arrastar e escravizar pela “velha criatura com seus vícios”, as reações da Lei serão muito mais severas, como ensina a parábola do “credor incompassivo” (Mt 18:23-34).

Fixemos o brocardo: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

Finalmente, vamos abordar o caso das perseguições externas. Distingamos as duas razões por que um iluminado é perseguido pela sociedade.

O nível de ser, o grau de consciência de cada indivíduo, mostra, em menor ou maior grau, suas tendências viciosas e nobres. O Divino, em cada pessoa, sempre invoca um desejo de aprimoramento, ao passo que a natureza inferior, para justificar-se, reage violentamente contra qualquer coisa que ameaça os velhos hábitos. A simples presença de um indivíduo justo, bom, iluminado, brilhante, assume o caráter de uma ofensa. É um contraste entre o que sabemos ser e o que desejamos ser. Reagimos porque desejamos. É como se a presença da pessoa nos lembrasse: “Se você não é, ainda, a culpa é sua”. É claro que não há palavras, senão uma “conversa interior”, a que podemos denominar inveja, “dor de cotovelo” etc. É uma defesa psicológica, por falta de compreensão. É a personalidade que gostaria de ser destacada, de ser bem vista, prestigiada. Uma reação curiosa: anseio de aprimoramento do Divino que a personalidade desvirtua com uma reação de inveja, de agressão, para justificar-se. Então, que faz a persona? Procura um defeito, “arranja” um ponto fraco na outra pessoa e procura diminuí-la. Para que? Para que ela não seja maior que ela. Os pequenos procuram sempre pisar nos grandes para terem a ilusão de que são maiores que eles. Entre os “civilizados” essa reação assume caráter mais sofisticado, mas igualmente violento e egoísta.

Há também a reação positiva que um ser elevado suscita: sentimos o desejo e fazemos o esforço de também sermos elevados, à nossa maneira.

A segunda razão por que um iluminado é perseguido, é esta: porque abala os fatores “massa” e “tradição” em que se apoia a sociedade.

Essa reação surge em maior grau nos meios religiosos, filosóficos e científicos. É inevitável que, no curso da evolução e dentro do Esquema Divino, de vez em quando surjam luminares para provocar mais um grande avanço. Aparece uma mentalidade brilhante e original, uma “exceção à regra”, um “metido” que se atreve a pôr em dúvidas os conceitos estabelecidos e fica procurando novidades para dar “panca de gênio”.

Ora, o ser humano comum, comodamente ilhado em sua personalidade, vibrando apenas na esfera de sua percepção, sente-se seguro nos condicionamentos, nos costumes ancestrais. Ao mesmo tempo, como uma criança que se amedronta quando não vê conhecidos, nos sentimos seguros em pertencer à nossa massa social. Os fatores tradição e massa nos dão segurança, porque somos dependentes, porque estamos ligados, subconscientemente, por cordões umbilicais, a esses poderosos fatores.

Por isso, quando um indivíduo liberto mostra não necessitar desses fatores e “começa a inventar moda”, provoca um terremoto em nossa estrutura. É um revolucionário! Todos se voltam contra ele, exceto uma elite menor (elite real) que não ousava externar seus pontos de vista, mas que admira um autêntico líder. Não foi o que sucedeu a todos os grandes inovadores? Muitas vezes as grandes ideias nasceram do sangue desses mártires da evolução, destemidos seres que tiveram a coragem de cumprir desígnios superiores para assegurar à evolução humana a rota prevista. A missão tinha de ser realizada. Agindo pelo Divino permanente, mesmo à custa da personalidade transitória, tais seres constituem (talvez uma centena apenas que renasce de tempos em tempos, segundo a necessidade) as molas da evolução humana.

Todas as coisas deste mundo se sucedem umas às outras, como as ondas do oceano que se desfazem na praia. Nascem, crescem, cumprem seu papel e depois começam a cristalizar-se, porque se conservam e não se renovam. Aí se tornam ultrapassadas. Ficam anacrônicas. Então surgem esses grandes seres para cumprir a demolição do velho e lançar as bases da edificação do novo.

Eles constituem o “Governo Oculto do Mundo”. Quando pensamos neles, nossa alma se reabastece na esperança; nossa fé em Deus se reafirma, e dizemos: “BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO PERSEGUIDOS POR CAUSA DA JUSTIÇA!”.

 

FIM

[1] N.T.: Jerônimo (347-420), também conhecido por Jerônimo de Estridão, foi um sacerdote cristão ilírio, destacado como teólogo e historiador. Filho de Eusébio, da cidade de Estridão, na fronteira entre a Dalmácia e a Panônia, é mais conhecido por sua tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata) e por seus comentários sobre o Evangelho dos Hebreus, mas sua lista de obras é extensa.

[2] N.R.: Warner Sallman (1892-1968) foi um pintor americano de Chicago mais conhecido por suas obras de imagens religiosas cristãs. Ele está mais associado ao seu retrato de Jesus, Cabeça de Cristo, dos quais mais de 500 milhões de cópias foram vendidas.

[3] N.R.: Sócrates (469 a.C.-399 a.C.) foi um filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental, é até hoje uma figura enigmática, conhecida principalmente através dos relatos em obras de escritores que viveram mais tarde, especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte, bem como pelas peças teatrais de seu contemporâneo Aristófanes.

[4] N.R.: Mt 5:39

[5] N.R.: Lc 6:3

[6] N.R.: Na mitologia grega era um monstro que habitava um pântano junto ao lago de Lerna. A Hidra tinha corpo de dragão e 3 cabeças de serpente (quando uma delas era cortada cresciam 2 no lugar da cortada) cujo hálito era venenoso e que podiam se regenerar.

[7] N.R.: Lc 17:21

[8] N.R.: IICor 12:10

[9] N.R.: Gl 2:20

[10] N.R.: Jo 14:10

[11] N.R.: ICor 13:11

[12] N.R.: Dario I (“que possui a bondade”) (550 a.C.-486 a.C.), cognominado o Grande, foi o terceiro rei do Império Aquemênida.

[13] N.R.: Alexandre III da Macedônia (356 a.C-323 a.C.), comumente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia.

[14] N.R.: Caio Júlio César (100 a.C- 44 a.C.) foi um patrício, líder militar e político romano.

[15] N.R.: Grafado também como Genghis Khan (1162-1227) foi o título de um conquistador mongol.

[16] N.R.: Napoleão Bonaparte (1769-1821) foi um líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa. Adotando o nome de Napoleão I, foi Imperador dos Franceses.

[17] N.R.: Adolf Hitler (1889-1945) foi um político alemão que serviu como líder do Partido Nazista, Chanceler do Reich (de 1933 a 1945) e Führer (“líder”) da Alemanha Nazista de 1934 até 1945. Como ditador do Reich Alemão, ele foi o principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa e figura central do Holocausto.

[18] N.R.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

[19] N.R.: um romance de Richard Bach, publicado em 1970. Publicado originalmente nos Estados Unidos com o título de “Jonathan Livingston Seagull — a story”, foi lançado neste mesmo ano no Brasil como “A História de Fernão Capelo Gaivota”.

[20] N.R.: Mc 11:23

[21] N.R.: A lei de talião, também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. A perspectiva da lei de talião é o de que uma pessoa que feriu outra pessoa deve ser penalizada em grau semelhante, e a pessoa que infligir tal punição deve ser a parte lesada. Ela pode ser encontrada nos livros do Antigo Testamento do Êxodo, Levítico e Deuteronômio. Mas, originalmente, a lei aparece no código babilônico de Hamurabi (datado de 1.770 antes de Cristo), que antecede os livros de direito judeus por centenas de anos. O rei Hamurabi foi responsável pela compilação dessas leis de forma escrita (em pedras), quando ainda prevalecia a tradição oral. Ao todo, o código tinha 282 artigos a respeito de relações de trabalho, família, propriedade, crimes e escravidão. Dentre elas, a lei do talião.

[22] N.R.: Mt 5:21-48

[23] N.R.: Mc 10:18

[24] N.R.: Gl 6:7

[25] N.R.: Lc 17:10

[26] N.R.: Jo 8:1-11

[27] N.R.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, primeiramente conhecido por suas óperas (ou “dramas musicais”, como ele posteriormente chamou). As composições de Wagner, particularmente essas do fim do período, são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração, e o elaborado uso de Leitmotiv: temas musicais associados com caráter individual, lugares, ideias ou outros elementos. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores, Wagner escreveu simultaneamente a música e libreto, para todos os seus trabalhos.

[28] N.R.: IJo 4:8

[29] N.R.: Mt 10:8

[30] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no Bayreuth Festspielhaus em Bayreuth no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII).

[31] N.R.: Pb 23:7

[32] N.R.: Pb 4:23

[33] N.R.: Ef 5:14

[34] N.R.: Mt 12:34

[35] N.R.: Mt 18:20

[36] N.R.: Jo 14:27

[37] N.R.: Jo 15:11

[38] N.R.: Mc 10:38

[39] N.R: Jo 6:20

[40] N.R.: Tistou les pouces verts (O Menino do Dedo Verde) é um livro infanto-juvenil escrito por Maurice Druon em 1957, sendo este o único livro fictício e de linguagem infantil que o autor escreveu. Foi traduzido para o português por Dom Marcos Barbosa, o mesmo escritor/poeta que traduziu O Pequeno Príncipe. Tistu, desde pequeno era especial, de um modo que ninguém sabia, nem ele mesmo.

Como não conseguiu ficar na escola, Dona Mãe e Sr. Papai (seus pais) resolveram ensinar-lhe tudo que precisava saber na “prática”.

Seu primeiro professor, Bigode (jardineiro da casa de Tistu), descobriu que Tistu tinha o polegar verde, isso significa que onde ele colocasse o polegar iriam nascer flores, pois em cada canto do mundo há sementes, só esperando que um menino especial como Tistu faça elas se transformarem em flores. Por fim, Bigode disse a Tistu que não poderia contar isso a ninguém.

Seu segundo professor, Sr. Trovões, lhe mostrou o que era ordem e onde havia desordem, mostrando-lhe a favela de Mirapólvora, um lugar barrento e nojento. Tistu, achando a favela um lugar sem alegria, não perdeu tempo! Onde passava pela favela colocava seu dedo verde! Fez isso também no lugar onde levavam-no para aprender como na prisão e no hospital.

Um dia, no entanto, Tistu passou dos limites! Estava havendo uma guerra entre duas cidades, e Tistu não querendo que isso acontecesse, fez crescer flores em todos os canhões, o que causou a ira de todos em Mirapólvora, a cidade onde morava. Não havendo escolha, Tistu contou a todos que tinha polegar verde! Todos ficaram surpresos no começo, mas depois, acreditaram.

Após um tempo, uma coisa horrível aconteceu! O grande amigo de Tistu, Bigode faleceu. Como falaram a Tistu que Bigode estava no céu, Tistu fez crescer uma grande planta para que ele pudesse subir e buscar Bigode ou que Bigode pudesse descer.

Enquanto Tistu subia, seu pônei Ginástico, corroía a planta.

Quando Tistu se deu conta, estava subindo sem tocar em nada e viu que em si havia lindas asas brancas!

[41] N.R.: Bhagavad Gita (“canção do bem-aventurado) é um texto religioso hindu.

[42] N.R.: Destino maduro refere-se a consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

poradmin

Livro: Os Dez Mandamentos – Por um Estudante

Os Dez Mandamentos são indicações conducentes à consciência crística.

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós.

Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”.

Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização.

1. Para fazer download ou imprimir:

Por um Estudante – Os Dez Mandamentos

2. Para estudar no próprio site:

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz do Centro de São José dos Campos – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ÍNDICE

 

APRESENTAÇÃO.. 4

INTRODUÇÃO.. 5

O Decálogo. 11

Primeiro Mandamento. 12

Segundo Mandamento. 19

Terceiro Mandamento. 25

Quarto Mandamento. 27

Quinto Mandamento. 29

Sexto Mandamento. 31

Sétimo Mandamento. 36

Oitavo Mandamento. 39

Nono Mandamento. 42

Décimo Mandamento. 44

Conclusão. 45

 

APRESENTAÇÃO

 

Os iluminados que escreveram a Bíblia, sob orientação superior, não tiveram a intenção de oferecer a verdade de uma vez e para sempre. Não que a desejassem ocultar. Se assim fosse não a teriam escrito. Mas, sabendo que ela deveria atender, ao mesmo tempo, a vários níveis de consciência, através de milênios usaram propositadamente “palavras” e “expressões-chave” que podem ser interpretadas de vários ângulos, segundo o preparo interno do Aspirante.

Se em Direito devemos distinguir a letra da lei, do espírito da lei, por mais profundas razões quando se trata da Lei superior, pelos graus de mistérios que encerra nas entrelinhas.

A Fraternidade Rosacruz – uma Escola de Cristianismo Esotérico – apresenta esta contribuição na esperança de que ela suscite a fiel observância da Lei – único meio de antecipar o usufruto da Graça do Cristo, reservada a todos.

 

INTRODUÇÃO

Os Dez Mandamentos são indicações conducentes à consciência crística.

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós. Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”. Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização. São Paulo foi bem claro: “Deveis inscrever as Leis na tábua de carne de vosso Coração”. É um convite para que cada ser humano seja uma lei em si mesmo.

Cristo não veio revogar a Lei e os profetas, senão complementá-los com a nova lei do Amor (ou da Graça), que Ele exprimiu em Mt 22:37-40: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu Coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. E em Jo 1:17, lemos: “A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.

João Batista veio como precursor, pregar a metanoia (mal traduzida por “arrependimento dos pecados”). Metanoia significa transcender o intelecto, ou melhor ir além da Mente concreta e vivenciar a Mente Abstrata. Por quê? A Mente Concreta está comprometida, desde que se uniu ao Corpo de Desejos, em meados da Época Atlante, formando uma espécie de “alma animal”, que nos dá a ilusão de vivermos separados e à parte do Espírito. Embora não possamos viver sem Ele, esta ligação com a natureza de desejos nos concentra na persona e desvirtua os intentos do Cristo interno.

A Mente Abstrata é a fonte da ideia pura do Espírito Humano; e o plano em que funciona o paráclito, o consolador prometido. Devemos aprender a funcionar plenamente nesse plano mental abstrato – o mais elevado de nosso atual campo evolutivo – antes de podermos reencontrar o Cristo Interno – que funciona no Espírito de Vida, além da Mente Abstrata. Lembremos que o Cristo disse: “para onde vou não podeis seguir-me agora, seguir-me-eis depois” (Jo 13:36).

A maioria da humanidade é incapaz de abstrair-se porque não formou a Mente Abstrata. A Filosofia Rosacruz indica aos Estudantes, como eficazes meios: a meditação em assuntos elevados, a música pura, a matemática, a astrologia espiritual, Esquema, Caminho e Obra da Evolução no desenvolvimento da Mente Abstrata, impessoal e verdadeira, que nos põe acima dos condicionamentos da personalidade. Nela podemos compreender e viver a lei espiritual. Dela podemos acompanhar as manhãs da natureza inferior, aprendendo a ser mais alertas, compreensivos, prudentes e não resistentes conosco mesmos, no trabalho de uma inteligente transfiguração. Só então, podemos “inscrever a Lei na tábua de carne de nosso Coração”, ou seja, praticá-la espontaneamente, através do serviço amoroso altruísta, que por si constitui a síntese ensinada por Cristo.

Até lá estaremos sob o efeito doloroso da Lei e não podemos nos considerar autênticos Cristãos, pois ainda não vivemos estes princípios. O sofrimento e as limitações do mundo aí estão a testemunhar eloquentemente que ainda não aprendemos a viver em harmonia com as Leis do Universo. Há muita gente que se denomina cristã. Mas não se trata de uma aceitação superficial. Gandhi aceitava e reverenciava o Cristo dos Evangelhos, mas recusava o Cristo ensinado pelas Igrejas. São bem distintos. Sabemos que mal estamos engatinhando no Cristianismo, cuja expressão mais pura e formosa nos virá na Época de Aquário, a iniciar-se daqui uns 600 anos. A Fraternidade Rosacruz promulga esse Cristianismo Esotérico as almas atualmente preparadas. Ele nos leva a busca e consciente encontro do Cristo interno, através do “Corpo-Alma” (que São Paulo chamou “soma psuchicon” numa de suas Epístolas). Este novo veículo de expressão é a chave de entrada na “Nova Época” evolutiva que nos espera e se forma por um método definido de espiritualização da criatura. Constitui-se dos dois Éteres Superiores[1], quando estes estejam devidamente desenvolvidos e possam desligar-se dos dois Éteres inferiores, para cumprir sua função sensorial nos voos da alma.

Até agora estivemos peregrinando no deserto evolutivo (aridez interna da condição humana comum, carente), armando e desarmando as tendas de nossos corpos (renascimentos) nesta escalada pela imensa “escada de Jacó”, numa abertura gradual de consciência, como bem exprimiu São Paulo: “Morro todos os dias; Despojai-vos do velho ser com seus vícios e revesti-vos do novo ser, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem d’Aquele que vos criou; Em Cristo só há virtude o que importa é ser uma nova criatura” (ICo 15:31; Col 3:10; Gl 6:15).

Cristo não veio, como se supõe, para salvar a humanidade. Ele purificou nosso Globo conspurcado pelas transgressões humanas, possibilitando-nos material mais elevado, mental, emocional e físico, que assegure a evolução nos renascimentos. Deste modo indireto é que Ele nos ajudou; além do impulso altruístico que Ele comunica aos que Lhe estejam afins nos períodos do Natal à Páscoa. A rigor, a tarefa de cristificação é individual e interna.

Há uma razão profunda para que a Bíblia enfeixe o Velho e o Novo Testamento: sem superarmos conscientemente a velha dispensação, não podemos atuar dinamicamente na nova.

Max Heindel descreve os passos da evolução religiosa, através da qual se foi aprimorando nossa concepção de Deus e descortinando-se nosso entendimento da verdade universal.

Primeiramente concebemos um Deus terrível, vingativo, cruel, ciumento, cuja ira aplacava com sacrifícios sangrentos. Só tal Deidade imporia respeito à incipiente humanidade. Depois nosso conceito de Deus se ampliou um pouco e concebeu-se o Deus dos Exércitos que impunha derrotas e propiciava vitórias sobre o inimigo; que punia, arrasando rebanhos e plantações e premiava, multiplicando-os. Daí que se Lhe oferecessem sacrifícios no templo, com objetivos egoístas. Era o Deus de Israel. Mais tarde veio o Deus dos católicos populares, que primeira vez promete um céu após a morte, aos bons, mas continua ameaçando com castigos na terra e tormentos no inferno, os transgressores. Agora já estamos concebendo um Deus que se manifesta por Leis justas, não interferindo diretamente no livre arbítrio humano; o ser humano, por seus atos, é que suscita consequências boas ou más, em virtude da ação das Leis Divinas. Vamos tomando consciência de nossa natureza e da natureza de Deus, agindo por dever, até que possamos fazê-lo espontaneamente, por Amor.

Esses passos da evolução religiosa estão descritos simbolicamente na Bíblia e correspondem à história humana até nossos dias:

  1. Perdemos a condição inocente e protetora do Paraíso. Fomos embrutecendo pelo materialismo até que perdemos a consciência interna e sentíamos saudades de Deus, um vácuo indefinível, uma falta daquela antiga ligação com as Hierarquias. O íntimo nos acusava de faltas. As condições evolutivas eram mui adversas e a consciência mui obscura.
  2. Passamos ao jugo do Faraó do Egito (escravos de nossa personalidade egoísta e viciosa). Sofríamos as limitações de uma vida material duríssima (quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo Zodiacal de Touro). Só mesmo o caráter e resistência passiva de Touro (boi Ápis) nos possibilitava suportar as vicissitudes dessa época de violência e egoísmo.
  3. Aí fomos libertados por Moisés e passamos a peregrinar no deserto, durante os simbólicos quarenta anos (período indeterminado de tempo) rumo a Terra Prometida de leite e mel. Moisés e o impulso evolutivo que nos leva a algo mais. No deserto, muitas vezes nos sentíamos inclinados a retornar ao passado, que se nos afigurava mais seguro do que a livre aventura de um porvir incerto fundia com o ouro de nossas possibilidades internas o bezerro de ouro já ultrapassado. Mas o irresistível impulso interno (Moisés) nos renascia, mostrando-nos que a nova dispensação de Áries (o Cordeiro) nos esperava. E contava como a vara de Arão transformada em serpente (sabedoria de Áries) havia devorado as serpentes dos sábios do Faraó (dispensação de Touro), revelando, assim, sua superioridade. Com muita dificuldade chegamos à Terra Prometida e, fato expressivo, Moisés não pode entrar nela com seu povo, porque atribuiu a si os méritos de seus prodígios e liderança, em vez de atribui-los ao Divino; condescendendo com a personalidade, foi castigado. É um bom símbolo: a Lei que Moisés havia recebido na Montanha para orientação de seu povo, não pode por si mesma, levar à realização É preciso ser complementada pelo Amor. Sua missão terminava ali. Assim com nosso desenvolvimento interno a Mente, sozinha, inclina a vaidade, à pretensão, à ambição. Mas unida ao Coração, gera a Sabedoria.
  4. Entramos na Terra Prometida e, com o Advento da Dispensação de Pisciana chegou o Cristianismo, cujo precursor – João Batista (reencarnação do mesmo espírito que havia animado Moisés e Elias) veio pregar a metanoia (já mencionada atrás), de modo a alcançarmos a verdade interna (Mente Abstrata) e compreensivamente corrigirmos a intenção causal, para que nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atos sejam conforme a Lei. E, quanto aos hábitos, “com paciência ganharemos nossas almas”, compreendendo os vícios gravados e persistindo no Bem, a pouco e pouco as trevas da noite ir-se-ão dissipando, para que surja a alva. Por enquanto estamos sofrendo as justas e automáticas reações da Lei. Mas, na medida de nossa espiritualização, a Lei se vai convertendo em colaboradora nossa, como bem observou Max Heindel: “antes era o Espírito Santo como Lei corretiva, um Deus terrível e implacável; no futuro o Consolador prometido, que revela as bênçãos dos céus aqueles que vivem em harmonia com o Universo”.

É importante, pois, conhecermos a Lei conducente à Graça. Se a conhecemos bem e a vivemos, ela nos será o Paráclito. Lembremos que o moço rico (internamente prendado) foi interrogado por Cristo se cumpria a Lei. Ele disse que sim, mas em realidade só a cumpria no aspecto literal, como veremos pelo sentido esotérico do Decálogo. Se a compreendemos e vivemos realmente, estaremos aptos a nos consagrarmos com segurança ao “serviço amoroso e altruísta”, sem os vícios de seu mau entendimento.

 

O Decálogo

Eis o Decálogo dado a Moisés na “montanha”:

  1. Não terás outros deuses diante de mim;
  2. Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás;
  3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
  4. Lembra-te do dia do sábado e santifica-o, porque é o dia do Senhor teu Deus;
  5. Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os dias na terra que o Senhor teu Deus te deu;
  6. Não matarás;
  7. Não adulterarás;
  8. Não furtarás;
  9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; e
  10. Não cobiçarás coisa alguma de teu próximo: nem a casa, nem a mulher, nem o servo ou a serva, nem o boi ou

Este decálogo figura em Ex 20:3-17.

 

Primeiro Mandamento

 “Não terás outros deuses diante de mim”

Notem que a Lei, como as normas dos seres humanos, em sua maioria se constituem de proibições. Por quê? Porque a Lei é uma súmula do que devemos observar obrigatoriamente. O resto fica por conta do livre arbítrio de cada indivíduo e seu modo de ser.

O primeiro mandamento é básico. Deixa subentender a onipresença de Deus. De fato, Ele está infuso em toda a Sua Criação e além dela, no misterioso Caos. Manifesta-se de forma diferente, conforme o grau de consciência do reino ou do indivíduo em evolução.

Quanto a nós, a Bíblia é claríssima: “Não sabeis que sois o santuário de Deus que em vós habita?” (ICor 3:16). “O Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21).

Apesar destas e outras afirmações da Bíblia, a humanidade o tem buscado fora de si, num céu distante e inacessível, à semelhança de “Sir Launfal” em busca do Graal. Se o tivesse buscado no único lugar em que pode e deve ser encontrado, por certo já o teria realizado nestes vinte séculos. Mas a evolução é lenta mesmo. Estamos num progressivo acordar e ressuscitar para a realidade de nós mesmos e de Deus: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti” (Ef 5:14).

Eis a mensagem do primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”; nem riquezas, nem poder, nem amor, nem fama. Ninguém pode servir a dois senhores: ou servimos a Deus ou a Mamom – o deus da cobiça. E isto não quer significar que devemos ser materialmente pobres; que recusemos cargos influentes; que fujamos da fama; que nos afastemos do amor. Busquemos o sentido na intenção, no íntimo estarmos desapegados; exercermos a administração dos talentos que Deus nos põe à disposição, como meios evolutivos que não nos pertencem, mas que devemos gerenciar zelosamente. A pobreza material não é virtude; antes, na maior parte das vezes é sinal de omissão, irresponsabilidade ou má fé em vidas anteriores. Virtude é ter e não possuir; é trabalhar como um ambicioso e manter-se desapegado dos frutos, não obstante administrar o melhor possível para o Senhor, a quem tudo atribui.

A ausência de poder ou de fama pode ser sinônimo de egoísmo, de comodismo, de restrição de destino, etc., no exercício do poder e da fama em vidas anteriores.

A carência de amor é quase sempre uma resposta do desamor.

Mas é feliz quem vê em tudo o provimento de Deus no atendimento perfeito à necessidade interna e coletiva: E, sabendo que nada nos pertence, buscar devolver os bens acrescidos de nossa administração, à Fonte que os jorrou. Tal é o sentido da evolução na Terra. De fato, não há mal em nada, mas no mau uso que fazemos de tudo.

Max Heindel diz que os Probacionistas são os que “tomaram consigo mesmos uma obrigação definida, pela qual o eu pessoal (personalidade) compromete-se a amar, honrar e obedecer ao EU verdadeiro e Superior, dedicando-se a uma vida de serviço, como meio de se aproximarem do véu e atingirem a realização consciente do Deus interior”.

Notem que esse compromisso refere diretamente ao primeiro mandamento: “não terás outros deuses (personalidade) além do Eu verdadeiro e Superior o mesmo que foi dito em Mt 6:33: “Busca em primeiro lugar o Reino de Deus (que está dentro de ti) e teu ajustamento a Ele, a Ele, pois tudo o mais te virá por acréscimo”. Buscar o Reino interno e o conhecer a si mesmo; ajustar-se a Ele é o compromisso de viver segundo as Leis do Ser (reto pensar, reto sentir e reto agir) – o correto modo de amar, honrar e obedecer ao Eu verdadeiro e Superior, manifestado pelo mesmo amar, honrar e obedecer ao divino de cada irmão, cujos defeitos devemos esquecer, lhe buscando a Divina Essência – pois isto constitui a verdadeira fraternidade.

A personalidade está atualmente ativa, comandando nossa vida de forma egoísta e contraditória. Deve tornar-se passiva, serva fiel do Espírito. Para chegarmos a esse ponto e mister exercitar paciente e perseverantemente a observação de si; praticarmos o discernimento; aprendermos a não nos identificarmos com as manobras sutis da natureza inferior em seus constantes esforços de justificação. Sobretudo, a prática da meditação ficando como testemunhas da atividade interior. Ainda não sabemos silenciar. Podemos estar calados e, ao mesmo tempo, numa intensa atividade interior. Silenciar é aquietar internamente para que “a pequenina e silenciosa voz” se faça ouvir e nos intua. É a promessa do Salmo 91: “Aquele que habita o esconderijo secreto (interno) do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”. É o convite do Salmo 46:10: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”.

Atentemos à exortação do primeiro mandamento e busquemos a única fonte de nosso bem: o EU SOU em nós.

O método Rosacruz procura desenvolver, desde o princípio, no Aspirante, a confiança em si (no Eu superior); o domínio próprio (pela não identificação com a natureza inferior); o esclarecimento a respeito de sua própria natureza intrínseca e de Deus que o criou; para que cada um se torne um pilar no templo universal de Deus e se coloque em condições de servir de forma esclarecida, amorosa e altruísta o seu próximo, ajudando-o a atingir as mesmas desejáveis condições.

Somos o Melquisedeque, sem genealogia, a quem a personalidade (Abraão) deve render seu tributo e despojos a luta diária para que se cumpra mais rapidamente nossa realização evolutiva. Esta soberania do Eu verdadeiro e superior se exerce pela união da Mente e do Coração, que geram a Sabedoria. E se não nos devemos submeter aos desmandos da natureza inferior, igualmente não devemos ensejar qualquer domínio externo pela mediunidade, hipnose ou outra qualquer forma de alienação, pois seria contrário ao primeiro mandamento.

A personalidade não ama. Ela se caracteriza pela busca de retribuição: ama para ser amada; ama quando é amada. Não compreende que o amor é a própria recompensa; o dar gera o receber, mas não depende do receber para viver no amor, porque é Deus quem ama através de nós. Buscar a retribuição do amor é um reclamo da personalidade por aquilo que lhe não pertence. À medida que nos fundimos ao Eu superior vamos desenvolvendo um autêntico sentido de fraternidade, porque Ele é amor e quem vive em amor vive n’Ele e Ele nos leva a perceber e Amar o Divino em cada semelhante.

A verdadeira liberdade pressupõe a vivência no Espírito. Enquanto não alcançamos essa liberdade, ficamos condicionados pela falsa segurança que nos leva ao apoio nas coisas externas. Ora, ter outros deuses significa também acreditarmos nos falsos valores e deixar que eles nos possuam, em vez de os possuirmos.

Se usarmos todos os valores externos e internos como meios evolutivos provisórios, a serviço do Eu superior; tornamos impossível qualquer interferência negativa em nossa harmonia básica ou no justo usufruto de uma vida plena, harmoniosa, aqui e agora mesma.

Isto requer preparo interno, através de método adequado. A raiz de todo o mal está na identificação com a personalidade; está no ignorante modo de conduzir nossas faculdades. A chave da libertação está no conhecimento de si e no retorno da Presença e do Poder internos, esse espírito da verdade que o Cristo nos prometeu.

Não há, pois, nenhuma outra presença ou poder além da Consciência Universal que se expressa individualmente como uma consciência individual. Cada um de nós existe como um Infinito dentro de outros Infinitos.  Funcionamos como Consciência Espiritual individualizada. Não somos o corpo, nem as emoções, nem os hábitos, nem a Mente. Somos o criador e dono deles. Por isso dizemos: meu corpo, minhas emoções, meus hábitos, minha Mente. A posse não pode ser maior que o possuidor.

A posse não pode dominar o possuidor. Eis o significado do primeiro mandamento: há somente um poder. Temer o que? “Se Deus é por mim, quem é contra mim”? Odiar por quê? Quem odeia é a personalidade e não o Eu divino, que é amor. Quem ama ao Divino ama também a seu irmão. Temer, odiar, é negação do único poder. Se aprofundarmos este sentido pela meditação, veremos que o bem e o mal existem apenas no campo da personalidade, como um nível provisório de consciência, que pode e deve ser transcendido. Aí chegaremos a um ponto em que não haverá um bem superando o mal – porque simplesmente existe um único Poder. O que parece mal e um esforço do Bem para devolver a harmonia. Portanto, é um convite de regeneração, uma advertência amorosa e sabia do que devemos corrigir.

Toda a grandiosidade do Cristo estava em Sua excelsa condição de Servo perfeito: “Eu de mim mesmo nada posso, mas tudo posso n’Aquele que me fortalece; o Pai em mim é Quem faz as obras”. Quando os discípulos Lhe perguntaram do Pai, Ele esclareceu: “Quem vê a Mim, vê ao Pai que me enviou”. Sua personalidade era um canal perfeito.

São Paulo compreendeu e aproveitou esta lição. Ele disse: “Quando sou fraco, quando sou nada, aí é que sou forte e sou tudo”. Ele sabia que a personalidade deveria tornar-se passiva e fiel serva do Eu superior.

Quando Cristo foi a Nazaré não pode curar muitas pessoas porque se detiveram na pessoa d’Ele: “Não é este o filho de José, o carpinteiro?”. Contudo, Pedro, iluminado pelo Espírito Santo (Mente Abstrata) disse-Lhe: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; ao que o Mestre lhe responde: “Bem-aventurado és tu, Simão Bar-Jonas, porque não foram os olhos que te revelaram”. Essa é, também, a verdadeira identidade do ser humano, que chamamos homem ou mulher.

É certo que devemos ser prudentes, porque a maioria das pessoas vive condicionada a falsa personalidade com sua violência e egoísmo. Mas isto não nos deve distanciar da realidade essencial das criaturas, confiando no bem imanente.

Ao mesmo tempo, a conscientização da verdadeira a identidade, ou seja, do Deus individualizado como eu ou como tu, não nos dissolve o sentido de individualidade nem exige que matemos nossa personalidade, como sugerem algumas filosofias. Ao contrário, a personalidade (constituída pela Mente Concreta, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso) é indispensável a nossa evolução. Através dela é que haurimos experiências e dinamizamos as faculdades latentes, convertendo-as em Alma ou Consciência Espiritual. A conscientização da verdadeira identidade consiste numa inversão do atual materialismo, situando o ser humano como um Eu divino a manipular uma personalidade – e não uma personalidade à parte e independente de Deus. Não imaginemos que ocorra um vácuo; ao contrário, há aumento de consciência própria nessa transição gradativa da persona ao Eu real. Não se trata de nós perdermos no Todo o que nos confundimos. Éramos inconscientes de nós mesmos, como Centelhas, quando iniciamos a evolução no estado de consciência mineral. Depois disso, fomos desenvolvendo a consciência até o estado de vigília consciente atual, rumo a oniconsciência que nos espera. Deus exprime como individualidades n’Ele separadas, cujas consciências se formam pela dinamização das faculdades divinas herdadas. Pela eternidade afora seremos mantidos na própria individualidade pelo exercício da Epigênese. Somos notas próprias, na sinfonia universal. Importante é que estejamos afinados ao Divino Concerto.

Afirmar a Deidade interna é definir sua identidade espiritual pela união ao Eu superior. Não deve ser confundida com a afirmação da personalidade que a maioria busca para o êxito mundano, em apoio na persona ativa. O verdadeiro êxito parte de dentro. Não há outra autoridade, senão aquela que nos vem de dentro e de cima.

O único modo de vivenciarmos esta profunda verdade é o estudo das verdades espirituais, a prática dos exercícios recomendados e sua expressão em nossa vida diária. Eles nos guindarão a níveis gradativamente mais elevados e claros. Então compreenderemos a afirmação do Batista (persona) referindo-se ao Cristo (Eu superior): “É preciso que eu diminua e Ele cresça”. Só assim nos converteremos em valioso e fiel precursor do Eu real neste mundo, tendo-o como Único Deus, em nós e nos outros.

 

Segundo Mandamento

“Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás.”

Os protestantes acusam ferozmente os católicos de usarem imagens e esculturas em seus templos; algumas, por sinal, maravilhosas, verdadeiras obras-primas concebidas por artistas notáveis como Raphael, Michelangelo, Rubens, etc.

A nosso ver, não reside aí a mensagem principal deste mandamento. A pedagogia e a psicologia educacional afirmam que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Modernamente exploram as ilustrações e com elas enriquecem os planos de aula, a fim de que o aprendizado se torne mais completo: áudio visual.

Nossa Mente ainda está num estágio mineral. Só as pessoas mais elevadas podem conceber ideias abstratas e atingir outra esfera ou cosmos da verdade essencial das coisas. Daí a necessidade dos símbolos, desde que bem escolhidos. O mal não está nos símbolos, mas no tomar os símbolos pela realidade que transmitem. Se conhecemos a essência de uma verdade e, no esforço de transmiti-la buscamos as representações mais fieis estamos prestando uma ajuda a outros menos aquinhoados.

Quando o iniciado atinge o conhecimento direto das realidades espirituais, nos planos suprafísicos verifica a dificuldade de transmiti-las. Max Heindel observa, por exemplo: “Quando falo dos Mundos em que o Universo se divide e os represento num diagrama, uns acima dos outros, não quero dizer que se achem assim nos planos espirituais. Em verdade eles se compenetram em graus diferentes de densidade e vibração”. E deu o exemplo da esponja, da água e da areia. Depois acrescenta: “Os diagramas podem ser uma ajuda e um entrave ao mesmo tempo, porque involuntariamente podemos induzir uma ideia falsa da realidade”.

Isto nos leva a meditação das palavras. Vivemos num universo de palavras e, neste século de comunicação entendemo-nos através de palavras e de símbolos. Você já pensou que representam as palavras? Já observou como os seres humanos discutem e pelejam em torno de palavras? Às vezes discutem por usarem palavras diferentes para a mesma coisa; outras vezes divergem pela mesma palavra, com a qual pensam em coisas diferentes. Ora as palavras não são as coisas: constituem apenas um esforço de representação e devemos ter muito cuidado com elas, porque podem ser uma ajuda e um entrave na comunicação. Melhor ainda, as palavras são a nossa interpretação das coisas e não as coisas mesmas. Tanto é assim que, à medida que nossa compreensão vai melhorando, nossa representação por palavras também muda. A evolução em tudo, é uma gradativa transformação das definições anteriores.

No futuro Período de Júpiter será diferente. A mentira será impossível, pois teremos a capacidade de materializar a ideia em nossa aura mental, sem necessidade de palavras. Os Mestres espirituais possuem por conquista antecipada, de sua evolução, esta capacidade: projetam com as palavras a imagem do que falam. Essa capacidade é uma das provas de um verdadeiro Mestre.

Já que entramos na meditação sobre as palavras, consideremos outro ponto: a “onda portadora”. Além das palavras que pronunciamos, comunicamos a outra pessoa algo mais: a intenção como uma “onda portadora” que muitas vezes o interlocutor capta. E, como vivemos num mundo hipócrita, é comum que a pessoa diga uma coisa e pense outra. Ouvimos as palavras e sentimos uma indefinível divergência, uma estranha incoerência. Além disso notamos sinais externos confirmadores da hipocrisia, na mudança do tom de voz, no evitar nosso olhar, etc.

Mas, que relação tem tudo isto com o segundo mandamento?

É que este mandamento trata da idolatria, em muitos sentidos. De maneira geral, sabemos que a idolatria consiste em tomar uma forma em lugar da realidade que ela representa; e considerar a letra e não a ideia essencial que ela busca expressar; é tomar o corpo pelo ser humano integral, como fazem os materialistas.

O fato de os nossos sentidos estarem limitados à forma, não justifica nossa ignorância das verdades essenciais, numa época de tão rica literatura a respeito. A evidência lógica tem levado eminentes cientistas a reverenciar o Divino Arquiteto, cuja Presença é indiscutível em toda a Criação. Anteriormente as Sociedades de Pesquisas Psíquicas; agora a Parapsicologia; demonstram à sociedade revelações confirmadas por meios científicos, de realidades além da capacidade sensorial. Na Suécia e na Alemanha, principalmente, se estabelecem ligações com os planos espirituais com auxílio de aparelhos eletrônicos sensíveis. Hoje não é mais uma questão de crença, mas de atualização, o conhecimento dos planos espirituais, causais, que sustentam este plano visível.

Contudo, se não temos possibilidades de conhecer a realidade última das coisas, somos todos idólatras? Não, este mandamento não refere ao esforço louvável de buscarmos entender as verdades divinas, embora estejamos sempre aquém delas. Não há como evitá-lo no desenvolvimento da consciência. Tudo evolui assim. A ciência foi deixando os conceitos ultrapassados, com sua verdade relativa, substituindo-os por outros mais corretos e atualizados. Mas foram as verdades relativas que serviram de degraus nesta escala evolutiva de aprimoramento. Isto se dá em todos os assuntos, se bem que nas questões espirituais temos o testemunho avançado de altos Iniciados que podem ver as realidades suprafísicas com muita amplitude. Esse testemunho serve de orientação segura, não excluindo, no entanto, o esforço de cada Aspirante e a liberdade de cada um ir confirmando o que recebeu.

As teologias e doutrinas várias andaram antropomorfizando Deus. Na impossibilidade de subir a Ele, forçaram-no a descer à sua limitada concepção. Isto é idolatria.

Cristo ensinou à mulher samaritana: “Deus é Espírito e Verdade e cumpre adorá-lo em Espírito e Verdade”. O espírito é intangível. E que é a verdade? Cristo respondeu a Pilatos? Não. Porque todos nós estamos limitados a nosso nível de evolução e não podemos admitir a Realidade total e absoluta.

Idolatria é o pecado do materialismo, que toma a manifestação pela Essência que a vivifica. Por isso, o primeiro passo no Ocultismo é o estudo dos Mundos Invisíveis.

Querem um exemplo simples para destacar o corpo do ser humano?

Observem uma pessoa dormindo; ela não pensa, não vê, não age, não ama, não tem consciência de si nem dos outros; apenas as funções vitais, involuntárias estão mantendo o corpo que respira, digerem e fazem circular o sangue ritmicamente, etc. Depois ela acorda, abre os olhos e algo estranho ocorre: toma consciência de si, vê-nos, reconhece-nos, abraça-nos, ama-nos, fala-nos. Que aconteceu? ALGO que não estava no corpo enquanto ela dormia; voltou e o despertou dando-lhe todas as capacidades que antes não manifestava. Esse algo é o ser humano REAL que anima o corpo que construiu. Tanto assim que, ao abandoná-lo definitivamente, o corpo se decompõe.

O Espírito é a causa; a matéria e é a consequência. Primeiramente existiu a luz; depois a luz criou o olho que a pudesse ver. O poder está no Espírito criador e sustentador da forma e não nesta. O galho que se destaca da árvore, seca-se. A matéria é mutável e transitória; mas o Espírito é eterno, manifestando-se gradativamente melhor, à medida do crescimento de consciência (alma) e originalmente, segundo seus pendores epigenéticos.

Assim, não devemos adorar nem temer nem odiar o externo, a forma.

Vemos uma cobra e a associamos com a ideia de perigo, sentimos repulsa e violência e vamos matá-la. Podemos vê-la como ela é, sem preconceitos, com toda a sua beleza e respeitando-lhe o instinto de defesa?

Vemos a figura de Sócrates e a imagem nos suscita, no íntimo, tudo o que dele sabemos. Vêm-nos sentimentos de admiração, de reverência, de gratidão. Podemos vê-lo como ele é, apenas gratos pela mensagem que ele trouxe, e não pela pessoa em si? O mesmo deverá sentir em relação a Jesus; o Buda, a Einstein: não o canal, mas a Essência que através deles fluiu de forma diferente, para alimentar a Humanidade.

É a essência que valoriza a forma e não a forma que valoriza a essência. “A letra mata, mas o Espírito vivifica”. Devemos ir além da forma limitadora e sentir a amplitude da Essência Universal.

A infinitude de Deus está oculta em cada coisa criada, mas nossos sentidos não na percebem. As realidades objetivas se tornam em realidades subjetivas, por causa de nosso conceito finito delas. Estamos condicionados pelos preconceitos e por nosso nível de consciência. A melhor atitude mental é admitir todas as coisas como possíveis. Embora firmados no sentir e saber internos, mantenhamos a humilde atitude de nossa limitação.

O 1º e 2º mandamentos abordam, pois, a única realidade, o único poder essencial. Mas o primeiro mandamento nos adverte a não nos apoiarmos nas realidades evanescentes deste mundo; a não dependermos delas, não as temer nem as odiar: o único valor ou poder que elas têm são os que nós mesmos lhes atribuímos por nossas crenças.

Já o segundo mandamento se refere especificamente as representações e seus perigos para que não nos detenhamos nelas, mas busquemos a essência que desejam comunicar, como diziam os autores do Torah – o livro sagrado: “Ai daquele que toma as vestes do Torah pelo próprio Torah! Os mais simples só notam os ornamentos e versos do Torah, mas os esclarecidos não prestam atenção alguma ao exterior, senão à essência que ele encerra”.

 

Terceiro Mandamento

“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”

Cristo confirmou no “Pai Nosso” ou “Oração do Senhor” esse mandamento de forma positiva, ao ensinar: “santificado seja o teu Nome”.

Para o povo hebreu, o “nome” (shem) tinha significação mais ampla e profunda do que a que lhe atribuímos hoje para identificar uma pessoa ou coisa. Embora se fale de “bom nome”, referindo-nos à reputação ou ao caráter de uma pessoa, a palavra “shem” dá a entender a natureza, a essência ou a honra do indivíduo.

A locução “em vão” significa, basicamente “de forma inútil” ou “por nada, por vaidade, por falsidade, por leviandade”.

“Tomar” era usado no sentido de “elevar, carregar, proferir ou aceitar”.

Assim, o “proferir ou aceitar o nome ou a natureza de Deus” é, ao mesmo tempo, uma honra e um desafio que não devem ser tomados levianamente.

O uso da palavra era, é e será algo sagrado. Empregada conscientemente e de forma ajustada, a vibração de uma palavra tem poder. Hoje, infelizmente, é deplorável o abuso nesse campo.

Deus é inominado. Quando Moisés recebeu a revelação e a missão na “montanha”, sabendo que tinha de enfrentar pessoas comuns que só conheciam a forma e o nome, perguntou: “Senhor, se me perguntarem quem foi que me enviou que direi?”. E o Senhor respondeu-lhe: “Dize que foi o “EU SOU”.

Basta ser. Eis a mais expressiva conjugação: “eu sou, tu és, nós somos . . . espíritos. Simplesmente.

Entretanto, o mundo precisa de identificação. Quem nomeou as coisas foi Adão. É um esforço de isolar o que parece isolado.

Não devemos confundir a realidade espiritual com um conceito mortal. Dizemos: raios de Sol, porque sabemos que eles continuam unidos a sua Fonte, apesar de haverem caminhado 149 milhões e 400 mil quilômetros em 8 minutos, quando chegam à Terra. E nós, não somos também, por acaso, centelhas divinas, uma vez que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”?

Não tomemos, pois, levianamente, os nomes pelas coisas que representam, principalmente em relação à verdadeira identidade de semelhante. Em que ele é semelhante a ti? Senão pelo Espírito?

Ainda mais quando nos referimos a Deus: se a palavra Deus foi tomada para representá-lo (e a palavra “Deus” está ligada a ideia de Luz e Dia: “Deus é Luz”), usemo-la de forma sagrada, erguendo nossa Mente ao Inominado, ao Imanente e Transcendente, ao Onisciente, Onipotente e Onipresente Criador.

A essência desse mandamento nos exorta a não tomar a aparência pela realidade. Ainda que surjam as pessoas, coisas e lugares, por meio do testemunho dos cinco sentidos, saibamos que são expressões provisórias do real e divinamente infinito.

 

Quarto Mandamento

 “Guarda o sábado, pois é a Dia do teu Senhor”

Eis outro ponto de muitas controvérsias e discussões. Exceto os sabatistas, os Cristãos adotaram a o Domingo para dia de descanso e adoração.

Antes de Cristo, a evolução humana era regida pela Lua. O Calendário e as festas religiosas se baseavam nos movimentos lunares. Os povos árabes ainda conservam símbolos lunares. A Lua está associada à Saturno (ambos regem a Corpo Denso e se caracterizam pela tendência cristalizante), Regente do Sábado (Saturday).

A dispensação cristã, ao contrário, está relacionada com o Sol. Todas as religiões falavam de alguém “que havia de vir…do Sol”. O Sol é a morada dos Arcanjos, dos quais o Cristo é o maior Iniciado. Ele é o Leão de Judá, o Cristo Solar, ligado à positiva Luz que veio conquistar a Terra por dentro.

Sábado quer dizer “descanso”; por extensão: “Dia de descanso”. Foi instituído na lei mosaica com finalidade bem definida: obrigar o povo a deixar seus negócios e atividades e, um dia por semana, ir à Sinagoga ouvir as leituras de textos sagrados. Só por obrigatoriedade da Lei a o povo, eminentemente materialista, iria à sinagoga assimilar as verdades adequadas ao seu nível (o nível da pedra, da letra, da Lei).

Domingo significa “Dia do Sol” (Sunday). Etimologicamente, a palavra “Sol” está ligada aos sentidos de “Deus, Júpiter, Luz e Dia”. Perto do fim do primeiro século, a igreja cristã primitiva transferiu para o domingo o dia semanal de descanso e adoração, preceituado no quarto mandamento, por ser o dia da Ressurreição de Cristo Jesus e, por isso, denominado “o Dia do Senhor” (Ap 1:10). Assim como fez Deus no trabalho criador, também nós trabalhamos seis dias e no sétimo devemos descansar no Senhor, aquietando-nos, ouvindo, lendo coisas sagradas, para nutrir e desenvolver o nosso íntimo, pois tudo depende de exercício e de alimento. Tudo se desenvolve em períodos setenários: seis dias criamos e evoluímos na atividade externa, e um dia dedicamos para entregar a essência dessa Obra à Deus em nós, em comunhão, saindo fortalecidos para uma semana ainda melhor que a anterior.

Note-se que   Cristo costumava curar nos sábados. Os fariseus, ignorantes do interno sentido do sábado, atacavam-no por isso. Mas disse o Mestre: “Eu sou o Senhor do sábado”; “O sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado”. Ele quis   que isso significasse que nesse dia o ser humano abdicasse de si mesmo, de sua parte humana, e deixasse que Deus laborasse em e através de si, no restabelecimento de suas forças internas, na definição de sua natureza divina, no entendimento das coisas sagradas. Portanto, nenhum dia seria mais indicado para a Cura. Curar e pregar a boa nova são a mesma coisa, pois, ambas restituem a integralidade do  Ser. Sabemos que a palavra “são” quer dizer sadio e santo: ambas são  expressões de integralidade, e  de harmonia global do ser. Assim; não importa o dia e lugar, sempre que nos dedicamos às coisas sagradas,  estamos realizando essa finalidade (prevista na lei mosaica aos sábados, e pela igreja cristã aos domingos – para disciplina dos rebeldes que não compreendem e nem avaliam a graça dessa comunhão interna).

 

Quinto Mandamento

 “Honra teu pai e tua mãe”

Os ensinamentos de Cristo parecem contradizer este mandamento. Disse Ele: “Não chameis a ninguém de Pai sobre a Terra, pois um só é vosso Pai, a saber: o vosso Pai Celestial”. E mais: “Aquele que não deixar pai, mãe e irmãos, não pode ser meu Discípulo”.

Em verdade não há contradição. Cristo vem ampliar e definir o real sentido do mandamento. Ele, a personificação do Amor, jamais iria recomendar que descuidássemos, ingratamente, dos nossos deveres filiais. Referia-se aqui como em outros passos evangélicos, ao amor e dever desapegados.

A paternidade e a maternidade são funções divinas: transcendem o humano. A mãe durante o aleitamento é uma pessoa diferente, mais estreitamente ligada ao Divino. Há algo de transcendental na maternidade. Mesmo entre os animais há o chamado “pudor orgânico”, pelo qual a mãe e os filhotes não são atacados nesse período.

O pai e a mãe, meramente como seres humanos nada são, porque não podem manipular a vida. Lembremos que no “Paraíso” comemos da “Árvore do Conhecimento, do bem e do mal”, mas não da “Árvore da Vida”. Por isso não podemos vivificar nada. É função dos Anjos a vida, porque são hábeis manipuladores da força vital.

Que sabe um animalzinho da maravilhosa criaturinha que o gerou? Vemos graciosos gatinhos buscando andar, procurando mamar, manifestando vida e instintos, e isso nos ressalta a manifestação de um Criador que labora através de suas Hierarquias. Mesmo o ser humano, que sabe a mãe da complexidade do ser que gera? Meditem nisso.

Existe apenas um princípio criador, que é o PAI-MÃE – seja para judeus, para gentios, brancos, negros ou índios, feras, animais ou plantas. Max Heindel trata muito bem dessa dual força criadora – os dois polos referidos pelo primeiro versículo do Gênesis. Essa dupla energia manifestada sabiamente por Deus em tudo, é que reverenciamos, sabendo que nada somos de nós mesmos como pessoas, como pais ou mães. O que nos enobrece como canais dessa manifestação criadora é a Vida Divina:

“Eu, de mim mesmo, nada posso; o Pai em Mim é quem faz as obras”.

Portanto, não vamos subestimar nossa mãe e pai carnais, aqueles que amorosamente serviram de canais para o suprimento de material físico em nosso renascimento na Terra. O Esoterismo é claro: “assumimos um dever de gratidão por tudo que recebemos de nossos semelhantes e um dia, nesta ou em outras vidas na Terra, teremos ensejo de lhes retribuir para que se cumpra a lei: dar e receber”.

Mas, a grandiosidade de um pai ou mãe humano está, indubitavelmente, na compreensão de que eles, por si, nada são – predispondo-se a servir ao Divino Universal e ao Divino que deseja renascer – fazendo tudo o que possam no cumprimento de seu trabalho evolutivo.

Para honrar este causal princípio Pai-Mãe, devemos aprender a vê-lo e reverenciá-lo em todas as coisas e pessoas.

 

Sexto Mandamento

“Não Matarás”

Houve esforço para desvirtuar o sentido genérico deste mandamento, refundindo-o para: “Não cometerás homicídio”. Mas o sentido é claro e genérico: “Não matarás”!

O primeiro sentido que salta a nossa mente é o literal. Aí surgem as polemicas sobre a “pena de morte”; a “eutanásia”; o “aborto”; o “carnivorismo”, etc. Mas há também o sentido mais profundo e espiritual.

A Filosofia Rosacruz desaprova a “pena de morte” e fornece a razão esotérica: ela destrói o corpo, mas liberta o criminoso no Mundo do Desejo. Como a morte não transforma ninguém, lá ele continua odiando a sociedade e, com a velocidade do pensamento pode locomover-se à vontade, impune, influenciando caracteres afins, maus para que através deles vingar-se dos seres humanos. Desse modo aumentam os crimes sobre a Terra. Logo, é mais conveniente para a segurança humana manter os criminosos presos, apesar dos gastos e cuidados. A solução é o aprimoramento do sistema penitenciário e a laborterapia para recuperação dos primários e dar tempo de arrependimento aos pertinazes. A estória do “homem de Alcatraz” é um impressionante exemplo de que não há indivíduo inteiramente mau; que todos têm a essência divina, que torna o ser possível de recuperação. Mas não pela violência.

Não se justifica a eutanásia, do ponto de vista esotérico. Vemos o ser humano como um ser complexo, constituído de três corpos que o Espírito procura manipular por intermédio da Mente. Quando vemos um demente ou um ser deformado, sabemos que o Espírito o anima ainda que não se possa expressar (no caso do louco). O espírito não é demente. A forma é que não lhe permite expressar-se, por alguma anomalia que ele mesmo assume, por causa gerada em vida pregressa. Mas há sempre uma razão para o Espírito suportar aquelas condições. Lá dentro do corpo está assimilando sua lição, apesar das aparências. Não temos o direito de impedi-lo. Com esta compreensão, cumpriremos melhor nosso dever para com eles.

O aborto é igualmente injustificável, salvo nos casos de gravidez nas trompas e outros que perigam a vida da mãe. O aborto, como outros problemas humanos, tem sua solução no começo; se os casais fossem mais equilibrados em seus impulsos; se os conjugues fossem mais cônscios e respeitadores um do outro, evitariam o choque de consciência que decorre desta violência contra alguém que não se pode defender. A literatura esotérica ilustra muitas consequências observadas nos Mundos Invisíveis, de abusos neste campo, incluindo as parteiras e médicos que se prestaram a esse fim, quase sempre para enriquecimento fácil.

Os Rosacrucianos são vegetarianos. Muita gente nos pergunta: “por quê?”. Respondemos sucintamente aqui: não comemos carne para não sacrificar vidas e interromper um programa evolutivo. Nisto se inclui o sentimento de fraternidade em relação a nossos irmãos menores, os animais. A planta tem vida, mas não sofre, porque não tem Corpo de Desejos. Além disso, os vegetais foram designados na Bíblia para alimento natural do ser humano. Não há perigo de que os animais, uma vez poupados, aumentem demais, comprometendo o alimento e segurança do ser humano. Está provado de que Deus sabe conservar o equilíbrio do mundo e não precisa do ser humano para isso. O que temos feito, com nossa ignorância, é quebrar a harmonia do conjunto, como bem prova a moderna ciência de ecologia.

A carne animal é carregada de toxinas e compromete, com os instintos inferiores, nossa evolução emocional.

Quanto ao leite e aos ovos, sabemos que os bezerros estão sendo compensados cientificamente na alimentação, não obstante receberem uma cota racional de leite.

Os ovos não são galados. Poderíamos aduzir outras razões. Não o fazemos para não nos alongarmos e nem fugirmos do tema central. Já os conhecemos pela Filosofia Rosacruz.

Abordemos a seguir o aspecto mais profundo deste mandamento.

As chamadas pessoas e coisas más não justificam destruição. Cada coisa tem seu papel no conjunto do Universo. No futuro recuperaremos a harmonia perdida, quando exercermos a “não resistência”, a “não violência” interior, que impedirá qualquer reação exterior. Mas esta “não resistência”, esta “não violência” deve ser isenta de temores, baseada num claro assentamento à verdade espiritual que anima todas as criaturas. A estória de Daniel na cova dos leões, a estória de Francisco de Assis e de outros iluminados comprovam esta verdade.

Ora se Deus é onipresente; se há um fio oculto unindo todos os reinos e este elo é a Consciência Universal, quando matamos, quando destruímos algo (aparentemente externo) estamos em realidade agredindo uma parte de Deus e, em última análise, agredindo a nós mesmos, porque n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.

Embora por enquanto, não tenhamos consciência disto, aprendamos e busquemos intuir este princípio dos Mestres; nossa consciência está ligada à Consciência Universal e, através d’Ela, a todos os seres. Só mesmo a personalidade separatista, nesta fase de materialismo é que nos faz crer na inevitabilidade de defesa e de ataque, de preservação e destruição. Desse modo se justificam as leis da persona, que são as leis dos seres humanos – leis de violência que geram violências, numa cadeia inevitável de causas e efeitos.

Agora vejamos o aspecto interno, psicológico; podemos (e constantemente o fazemos) matar mentalmente, emocionalmente com palavras. Matamos até mesmo quando não esboçamos a menor reação externa. Do ponto de vista esotérico – do espírito da Lei – isso é matar.

Matamos também pela mentira. Que é a mentira? É tudo que esteja contrário a verdade Universal. Inconscientemente, somos todos mentirosos porque não conhecemos a Verdade total e, inevitavelmente desfiguramos algum aspecto da verdadeira imagem das coisas. Mas referimo-nos as mentiras propositais, conscientes.

Elas produzem um efeito nocivo e especial no Corpo de Desejos: matam alguma coisa em nós e ao mesmo tempo se suicidam nesse embate. Max Heindel o explica bem: ao dar uma versão falsa de um acontecimento, esta falsa versão é atraída (pela lei de atração de semelhantes) à versão verdadeira, mas como suas vibrações divergem na parte desvirtuada, entram em choque e mutuamente se destroem. Não apenas nos livramos da mentira (cuja tendência nos fica), mas perdemos uma verdade que ela destruiu. Perdemos nesse embate, além de nos remanescer uma desagradável sensação psíquica – da Essência que sofre – quando temos sensibilidade e correção de caráter.

Esta nova compreensão nos leva a compreender como o mandamento, em seu aspecto esotérico, está presente nos mínimos atos de nossa vida e o como é importante sermos verazes. Não nos referimos à sinceridade idiota, grosseira, mas à sinceridade inteligente e amorosa. Se não podemos usá-la, é melhor calar.

Este problema da mentira surgirá sob novo aspecto no 9º Mandamento, quando tratarmos do falso testemunho.

Para finalizar este Mandamento, queremos dizer que existe uma destruição legítima, do ponto de vista espiritual: é a destruição dos falsos conceitos que se evidenciam à medida de nossa abertura de consciência. Este é o sentido do Armagedom. Não que lutemos contra a ignorância, mas que não mais a alimentemos, detendo-nos, tão somente, na verdade atual que apreendemos; é como tirar as escórias do diamante bruto para que se revele em luz, o brilhante do puro ser espiritual.

 

Sétimo Mandamento

“Não adulterarás”

Adulterar significa “misturar”, desvirtuar alguma coisa pela mistura com outra que lhe compromete a pureza original. Este é o sentido esotérico na Bíblia: o mesmo que prostituir, prejudicar a autenticidade. Como já vimos anteriormente, adulteramos a realidade das coisas, ou por ignorância ou por maldade. Como disse Sócrates: “O homem pratica o mal porque não sabe o que é o Bem”.

Todos nós, segundo o nível evolutivo e correspondente abertura de consciência, temos restrições compreensíveis e verdades relativas, não podendo, por isso, abranger a verdade total. Por isso erramos.

Isto é inevitável. Daí que o 7º Mandamento não considere esse aspecto. Seria exigir demais.

Mas há uma parte viciosa, há uma natureza condicionada, há preconceitos arraigados que podem e devem ser corrigidos no processo de espiritualização do ser.

Em primeiro lugar, aproveitemos as verdades espirituais que nos foram reveladas por Aqueles que atingiram os altiplanos da espiritualidade e descortinaram realidades imensas a respeito de nossa natureza e relação com Deus. Nossa razão e lógica sancionam essas verdades porque já temos algo interno, um “saber interior” que nos leva a reconhecer, aceitar e apreciar o que é genuíno.

Em segundo lugar: sabemos por esses mesmos ensinamentos comprovados na experiência de nossa vida diária, que a personalidade viciosa é a prostituta, a adúltera, que nos magnetiza com seu “canto de sereia” em seu ciclo de prazeres desvirtuados. Sabemos que ela nos empana a razão, tirando-nos a visão de justa proporção das coisas; condicionando-nos os pareceres com as crenças errôneas preconcebidas.

Isto não nos prejudica apenas espiritualmente, senão também materialmente, porque nos impede ter uma visão real das coisas e fatos que nos cercam.

Num computador eletrônico é fácil substituir dados falsos por verdadeiros, mas na complexa natureza humana é uma tarefa difícil, porque nos envolvemos nas vivências viciosas e, considerando-as como a nossa própria e real natureza, defendemo-las, por instinto de conservação, que é o mais forte em nós. O trabalho de transformação e depuração do ser exigem, pois, um cuidadoso preparo.

Como vimos, adulteramos não só a realidade divina de Deus e do ser humano, como a visão real das coisas que nos cercam. O que vemos vai sempre mesclado de nossas próprias impressões, que falseiam a imagem da coisa, tal como ela é.

Vejamos como isto se dá internamente.

A ideia pura do espírito, a respeito de qualquer assunto, vem-nos da Mente Abstrata à Mente Concreta (intelecto). Aí, essa ideia mercê de vontade espiritual que a anima, procura revestir-se de matéria mental concreta e converter-se num pensamento-forma ou imagem mental. Mas nesse revestimento, o espírito já sofre a primeira traição: o intelecto condicionado e preconcebido, acrescenta, por sua conta, numa associação indevida, coisas que seu passado lhe dita, às vezes gratuitas, como, por exemplo: ver uma pessoa cujos traços lembram outra que nos prejudicou e imediatamente adulterar a imagem com esta correlação negativa.

Da Mente Concreta, a ideia transformada em pensamento-forma vai ao Corpo de Desejos (emocional) e aí a vontade espiritual que anima o pensamento busca envolver-se de matéria emocional que lhe dá impulsos para chegar à ação. Então, sofre a segunda adulteração, juntando a matéria emocional de atração ou repulsão, segundo as correlações preconcebidas. E, quando chega à ação está longe de ser a pura impressão que o espírito ditou ao intelecto.

A mensagem esotérica deste mandamento é: tornemos nossa personalidade passiva e fiel ao Eu real, para que não lhe traia os desígnios; não preterir o Cristo interno às conveniências e solicitações da natureza inferior; não conferirmos às coisas e realidades mundanas os méritos e virtudes que pertencem ao Divino.

“O único pecado é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado”. Enquanto não temos possibilidades internas para limpar os canais de expressão do Divino, estaremos prostituindo a verdade. Na ignorância não há pecado, mas há dor, gerada pela consequência que nos procura acordar. Nós, porém, que estamos alargando a consciência da verdade, assumimos responsabilidade maior porque “a quem muito é dado, mais lhe será exigido”. Não devemos fugir à transformação que a consciência nos exige. O método Rosacruz objetiva precisamente isso, de modo inteligente e gradual, através da espiritualização do Corpo Vital, que pressupõe reeducação nos vários aspectos.

 

Oitavo Mandamento

“Não furtarás”

Sigamos a mesma linha de pensamento esotérico: Deus é onipresente. O ser humano, feito a Sua imagem e semelhança, é um cosmos dentro do Macrocosmos. Assim como a gota do oceano tem as mesmas propriedades do Oceano inteiro; assim como algumas gotas de sangue revelam as condições do organismo todo; assim devemos compreender que o Criador se acha sintetizado potencialmente em suas criaturas. A semente é da mesma natureza da árvore e se converte numa árvore igual. Isso explica o convite evangélico: “Sede vós perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.

Isso nos leva a compreender que Deus, como Consciência Infinita, é o único e perfeito suprimento e não falha em dar a cada criatura ou agrupamento, aquilo que corresponde legitimamente as suas necessidades internas de evolução.

Deus é como uma Usina que supre energia às “casas” (indivíduos). Há energia à vontade, mas só nos vem aquela que podemos suportar. Se entra mais energia que os fios podem suportar, queima-se a instalação. Ora, na medida da evolução, os cabos se tornam mais potentes para receberem mais luz. Se nos parece faltar luz, revisemos nosso íntimo; só ali pode haver falha: um fusível queimado, interrupção de cabos ou outra qualquer irregularidade. É preciso corrigir a falha. Ela está sempre dentro de nós. Não há injustiça no plano perfeito de Deus.

Logo, nada temos a roubar nem a quem roubar. Tudo pertence a Deus e Ele não esconde nem nega coisa alguma a seus filhos. Ao contrário, ele está ansioso para expressar-se cada vez mais amplamente por nós. Ele disse: “Filho, tudo o que é meu é teu”. Existe em nós um bem infinito e potencial à espera do despertar para tomar a forma de nossa necessidade. Cada vez que nos abrimos em consciência formamos um vácuo que chupa do suprimento infinito de Deus, o bem de que está necessitando. Esta lei não falha: como uma vasilha só podemos conter a água viva correspondente à nossa interna capacidade; o que ultrapassa, transborda e se vai. Há os que se apropriam indebitamente das coisas e parecem manter os bens a serviço de seus gozos impunes. Engano. Ninguém pode segurar o que não corresponda a seu nível de consciência. Cedo ou tarde a Lei agirá com o efeito correspondente ao caso. Não nos cabe julgar nem calar, mas compreender e confiar no mecanismo de Consequência.

A solução não está, pois, em puxar as escondidas, um fio da instalação vizinha, que parece ter mais luz do que necessita. Na evolução, cada qual tem de resolver, o seu problema. A seiva da “Grande Árvore” está à disposição de todos os galhos e ramos, na medida dos canais internos deles. Todos vivemos e nos movemos em Deus e n’Ele temos o nosso Ser. Portanto, o divino suprimento é comum. Roubar desse suprimento é o mesmo que roubar a nós mesmos. O ambicioso e inescrupuloso ladrão é como o guloso que tem os olhos maiores que o estômago; pode dilatar seu estômago com grandes quantidades de comidas, mas o organismo reterá apenas o que pode assimilar. O demais se perderá, comprometendo-lhe a saúde.

O desejo de furtar ou de cobiçar e desejar qualquer coisa é uma ilusão. Tudo está à nossa disposição, aqui e agora mesmo, desde que preenchamos as condições de interna receptividade. Nisto há uma divina sabedoria; o que não está de acordo com nossas reais necessidades é inútil e prejudicial, porque não temos consciência suficiente para aproveitá-lo e convertê-lo em efeitos evolutivos.

Superemos a crença de separação. Não há Deus de um lado e o ser humano de outro; há seres humanos em Deus e há Deus expressando-se como consciências individuais: eu e tu. A crença de separatividade é que nos leva, muitas vezes, à tentação de roubar, partindo do princípio materialista de que a posse de qualquer coisa depende de nossa iniciativa pessoal e humana; de nossa esperteza ou de nossa “sorte”. Com isto vem a ideia de uma pessoa roubada e outra que rouba, quando, na verdade, há Deus nessas duas pessoas, à disposição delas, para supri-las. Não há nada que Deus possa fazer e não esteja fazendo agora mesmo. Quanto mais roubamos, quanto mais cobiçamos e desejamos, tanto mais nos fechamos e menos recebemos de nossa fonte interior. Quanto mais aumenta o nosso materialismo, tanto mais reduzimos nosso canal de ligação com a única Fonte: em última análise estamos roubando a nós mesmos.

Este mandamento nos revela a verdadeira Fonte de Suprimento, que traz em si, em potencial, tudo o de que necessitamos. Nada há a cobiçar, nada a desejar nem roubar. O que não é nosso hoje, pode ser amanhã, quando nos pomos em condições de recebê-lo. Não fora assim, não se teria afirmado: “Somos filhos e, portanto, herdeiros de Deus e coerdeiros com o Cristo”. Não apenas nas coisas espirituais, pois, “se buscamos o Reino interno e nosso ajustamento a Ele, tudo o mais nos virá de acréscimo”.

 

Nono Mandamento

“Não dirás falso testemunho”

Que é o verdadeiro? Que é o falso?

Verdadeiro é Deus e Sua obra. Verdadeira é a centelha divina que constitui nossa autêntica identidade.

Falso é o desvirtuamento do natural, por causa de nossa ignorância ou vício. Já vimos que a personalidade falsa, por sua ignorância e condicionamentos, é a prostituta, a testemunha falsa.

Quando a lei nos pede um testemunho, ele deve estar baseado na verdade. E juramos afirmá-lo, com a mão sobre a Bíblia – que prevê esse mandamento.

Ora, testemunhar é ver sem interpretar, sem mesclar no fato a nossa opinião. A opinião, o julgamento e interferência da falsa personalidade é, por conseguinte, prostituição do fato. Aí tomamos partido contra alguém e a favor de outrem. Não estamos sendo imparciais; não estamos dizendo o fato em si, tal como o observamos, despido de opiniões.

Transpondo o que dissemos ao campo espiritual, tomando por base o testemunho dos Seres iluminados, sabemos que o ser humano é permanentemente divino; se conseguimos desligar qualquer opinião pessoal ou sentimento de simpatia ou antipatia, encarando simplesmente. O Ser propriamente dito, na convicção de que ele é um filho de Deus e, portanto, nosso irmão, algo acontece de maravilhoso: tocamos o seu íntimo, atingimos sua Essência, derrubamos os muros que tenham existido entre nós e realizamos a prova da Fraternidade Universal.

Mas se o vemos como algo à parte de Deus e de nós mesmos, com todos os seus defeitos, sem compreendê-lo no estágio atual de consciência, estamos dando um falso testemunho dele.

 

Décimo Mandamento

“Não cobiçarás”

Notem as sutis diferenças e correlações; observem a ligação deste com o 8º Mandamento: “Não furtarás”. Desejar, cobiçar, já é um roubo, porque há um movimento interno, emocional e mental, que nos põe numa injusta relação com a pessoa ou coisa. É uma incompreensão de nossa relação com o único suprimento, da Única Fonte e de nossa inevitável ligação com o Todo. Cristo esclarece: “Se alguém olhar uma mulher e em pensamento a cobiçar, já cometeu adultério”. Notem bem: adulterou uma verdade e roubou. E quem faz isso? A personalidade viciosa.

 

Conclusão

Esses Dez Mandamentos constituem a Lei de Moisés, “a letra da verdade”. Em seu sentido literal, adequado ao povo daquela época, era o primeiro estágio da verdade, a “pedra”. Tal como apresentamos aqui, em seu aspecto mais profundo, é o segundo estágio, a “água viva” – que cada um há de transformar em vinho – terceiro estágio – pela vivência e assimilação conscientizada. Tal é o convite e desafio que apresentamos ao leitor.

Em essência, esses Dez Mandamentos devem ser amalgamados pela consciência e sintetizados, como nos ensinou o Mestre: “Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu Coração, de todo o teu entendimento e com toda a tua alma” (Coração e Mente fundidos na Sabedoria que se expressa como Alma). E como isso se cumpre?

“Amai o próximo como a vós mesmos”!

Para chegar à síntese consciente, é preciso vivenciar a análise. Desejamos que esses pontos lhes suscitem outros, conducentes a uma profunda compreensão deste magno assunto.

FIM

[1] Éteres Luminoso e Refletor

poradmin

Livro: A Escala Musical e o Esquema de Evolução

A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus.

Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.

1. Para fazer download ou imprimir:

A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Compilado por Um Estudante

2. Para estudar no próprio site:

A ESCALA MUSICAL

E O

ESQUEMA DE EVOLUÇÃO

 

Compilado por

Um Estudante de Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

The Musical Scale and the Scheme of Evolution

1ª Edição em Inglês, 1949, The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, Fraternidade Rosacruz-SP.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

 

DEDICATÓRIA

 

Este pequeno volume é dedicado a Max Heindel, em reconhecimento aos maravilhosos ensinamentos transmitidos por ele a seus estudantes, que não conseguem como expressar em palavras sua gratidão.

 

 

MAX HEINDEL

 

ÍNDICE

DEDICATÓRIA.. 3

MAX HEINDEL.. 3

PREFÁCIO.. 5

Capítulo I – Assim como era no Princípio. 6

Capítulo II – O Monocórdio do Ser Humano. 11

Capítulo III – O Poder da Música. 14

Capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar 19

Capítulo V – Nossos Arquétipos Musicais. 26

Capítulo VI – As Oitavas Musicais e o Esquema Cósmico. 32

Capítulo VII – Nosso Espírito-Grupo, Jeová e Nossa Própria Onda de Vida  43

Capítulo VIII – A Harmonia das Esferas. 51

Capítulo IX – O Arquétipo e o Corpo Denso. 56

Capítulo X – O Poder Curador da Música. 59

Capítulo XI – Os Auxiliares Invisíveis e a Cura. 63

Capítulo XII – A Música como um Poder Construtor 69

Capítulo XIII – O Cérebro, a Oficina Física do Ser Humano. 74

Capítulo XIV – Desenvolvendo a Eficiência da Mente e do Cérebro. 80

Capítulo XV – Os Veículos do Ser Humano, um Instrumento Musical Composto  89

 

PREFÁCIO

 

A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus. Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.

 

Mount. Ecclesia

 Novembro 1949

 

Capítulo I – Assim como era no Princípio

 

Todo o Sistema Solar é um imenso instrumento musical, citado na mitologia grega como sendo a “Lira de Sete Cordas de Apolo”. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa sonora da harpa cósmica e os sete Planetas são as cordas; emitem sons diferentes conforme passam pelos diversos Signos e, portanto, influenciam a humanidade de diferentes maneiras. Se essa harmonia falhasse por um só instante ou se se produzisse a menor dissonância nessa orquestra celestial, todo o Universo será destruído.

Max Heindel

 

O método usado pelas Hierarquias Criadoras para ajudar o ser humano a desenvolver seus poderes latentes foi planejado de acordo com os veículos que ele necessitava para contatar as várias regiões, onde o trabalho ligado ao seu desenvolvimento devia ser realizado. Os veículos necessários eram um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente; e o método usado pelos grandes Seres para construir esses veículos estava e está correlacionado com os diferentes Períodos evolucionários na Terra, e cada um foi e continua sendo permeado por uma determinada nota‑chave.

A arquitetura, que se relaciona com a construção das formas, foi a primeira lição dada à humanidade. O ser humano iniciou essa tarefa no Período de Saturno, quando começou a reunir o material necessário para construir um Corpo Denso. Nesse período, sua consciência era o mais profundo estado de transe. Ele trabalhava, automaticamente, sob a direção dos Senhores da Chama, a onda de vida de Leão, cuja nota‑chave é Si bemol Maior (Bb ou Sib M). A arquitetura está, portanto, correlacionada com o Período de Saturno da existência terrestre, e o Corpo Denso, que começou a se desenvolver no início daquele Período, foi impregnado daquele tom particular.

Toda construção arquitetônica, da mais diminuta célula até Deus, está baseada na lei cósmica e é executada consoante a certos modelos prescritos, e qualquer desvio do plano geral é a causa das anomalias e incongruências. Tais desvios produzem o mesmo efeito que tocar uma nota falsa em um acorde musical.

A escultura, que determina o contorno das formas, foi a segunda tarefa de desenvolvimento dada à humanidade. Esse trabalho teve seu início no Período Solar da existência do mundo, quando a formação do Corpo Vital se tornou necessária para dar forma ao Corpo Denso.

A consciência do ser humano, naquela época, era de sono profundo e ele desempenhava seu trabalho, automaticamente, sob a direção das seguintes ondas de vida: os Senhores da Chama (Leão), os Senhores da Sabedoria (Virgem) e os Querubins (Câncer). A escultura está correlacionada ao Período Solar e ao Corpo Vital; e esse veículo sempre determina a direção em que uma determinada força é usada e, portanto, ela procura dar o contorno correto para todas as formas. A nota‑chave de Leão é Si bemol Maior (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)), a de Virgem é Dó natural (C ou Do), e a nota‑chave de Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior).

A pintura foi a terceira arte que o ser humano começou a desenvolver. Seu impulso se deve à tentativa de reproduzir os quadros vistos no Período Lunar da existência da Terra, dos quais o ser humano se recorda vagamente através da sua visão de consciência pictórica. O trabalho do Período Lunar era feito, automaticamente, sob a direção das seguintes ondas de vida: os Senhores da Sabedoria (Virgem), os Senhores da Individualidade (Libra) e os Serafins (Gêmeos). A nota‑chave de Virgem é Dó natural (C ou Do), a de Libra é Ré Maior (D ou Ré), e a de Gêmeos é Fá Sustenido Maior (F sharp ou F# ou Fá sustenido).

A pintura está correlacionada ao Período Lunar e ao Corpo de Desejos, e ambos começaram seu desenvolvimento neste Período. Pitágoras, um mestre ocultista, afirmou que o mundo surgiu do caos pela harmonia do som e foi construído de acordo com os princípios da escala musical: que os sete Planetas, que regem o destino dos mortais, têm um movimento harmonioso e intervalos que correspondem aos intervalos musicais, tornando os vários sons tão perfeitamente harmonizados que eles produzem a mais doce melodia, que é de tal grandeza sonora que se torna inaudível para o ser humano, pois sua audição é incapaz de recebê‑la.

Pitágoras representou a distância da Terra à Lua como um tom inteiro; da Lua a Mercúrio um semitom; de Mercúrio a Vênus um semitom; de Vênus ao Sol um tom inteiro e um semitom; do Sol a Marte um tom inteiro; de Marte a Júpiter um semitom; de Júpiter a Saturno um semitom; de Saturno ao Zodíaco um tom inteiro e um semitom. Isso forma um intervalo de sete tons, a base da harmonia universal.

Max Heindel afirmou que Pitágoras não estava romanceando quando falava da música das esferas, pois cada uma das órbitas celestes tem seu tom definido, e juntas entoam uma sinfonia celestial. Ele corrobora as declarações de Pitágoras, isto é, que cada estrela tem sua própria nota‑chave e viaja ao redor do Sol em velocidades tão variadas, que sua posição não pode ser repetida a não ser depois de aproximadamente vinte e seis mil anos. A harmonia celeste muda a cada momento da vida. À medida que ela muda, também as pessoas no mundo alteram suas ideias e ideais. O movimento circular dos Planetas ao redor do Sol, no tom da sinfonia celestial criada por eles, marca o progresso do ser humano ao longo do caminho da evolução. Os ecos, desta música celestial, chegam até nós aqui no Mundo Físico. São nossas posses mais preciosas, muito embora sejam tão fugazes quanto uma quimera e não possam ser permanentemente criados. No Primeiro Céu, esses ecos são, naturalmente, muito mais belos e permanentes, e no Mundo do Pensamento, onde o Segundo e Terceiro Céus estão localizados, se encontra a esfera do som.

Em nossa vida terrena estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons de nosso limitado meio‑ambiente, que somos incapazes de ouvir a música produzida pelas esferas em marcha. O verdadeiro músico, quer consciente ou inconscientemente, sintoniza‑se com a Região do Pensamento Concreto[1], onde ele pode ouvir uma sonata ou uma sinfonia inteira como um único acorde resplandecente que, mais tarde, transpõe para uma composição musical de sublime harmonia, graça e beleza. O ser humano tem sido comparado a um monocórdio – instrumento musical de uma única corda – que se estende da Terra aos confins longínquos do Zodíaco.

A vontade do ser humano teve sua origem na vontade de Deus, e o músico, por meio de sua própria força de vontade, ouve esse poder da vontade de Deus, expressa em sons e tons, permeando o Sistema Solar. E, através de sua própria habilidade criadora, nascida da vontade e da imaginação, ele é capaz de reproduzir em sons e tons, tanto os tons do poder‑vontade de Deus, que criou o Sistema Solar, quanto Suas ideias tonais imaginativas, por meio das quais Ele materializou o Sistema Solar. A Arquitetura, a escultura e a pintura foram impressas no ser humano pelos grandes Seres espirituais, e essas artes se tornaram parte da sua natureza. Entretanto, é através do poder da própria vontade do ser humano que o músico é capaz de perceber os tons expressos pela vontade de Deus e, até certo ponto, reproduzi‑los. Essa é a origem de nossa música no Mundo Físico, criação própria do ser humano.

A música produz expressões de tom que procedem do poder mais elevado de Deus e do ser humano, isto é, da vontade e, portanto, podemos facilmente ver que o ser humano está construindo para si uma terrível causa, ao profanar a música, ao introduzir nela todos os tipos de dissonâncias, ruídos estridentes e penetrantes, gemidos e desarmonias que afetam os nervos. Um conhecido filósofo expressou bem uma grande verdade cósmica quando disse: “Deixem‑me escrever a música para uma nação e não me preocuparei com quem faça suas leis”. O termo músico aqui usado não se aplica ao cantor ou ao executante musical comum, mas a mestres criadores de música, tais como Beethoven[2], Mozart[3], Wagner[4], Liszt[5], Chopin[6] e outros da mesma classe. A arquitetura pode ser comparada à música congelada; a escultura à música aprisionada; a pintura à música lutando para se libertar; a música à livre e flutuante manifestação do som.

 

Capítulo II – O Monocórdio do Ser Humano

 

A corda única do monocórdio encontra sua contraparte na medula espinhal do ser humano, cuja parte inferior está conectada aos órgãos de reprodução, e a parte superior ao cérebro, órgão físico que está relacionado ao pensamento. Os Espíritos de Lúcifer estão trabalhando particularmente com a medula, e governam a parte da medula espinhal que controla os nervos motores (ação) e que consomem a energia dinâmica armazenada no corpo pelo sangue. A seção da medula que governa a função responsável pela manutenção e o bem-estar do corpo está sob controle dos Anjos. A parte da medula que marca e registra as sensações transmitidas pelos nervos é controlada pelos Mercurianos. O gás espiritual espinhal, que enche o canal central da medula espinhal, é o campo de ação da grande Hierarquia espiritual de Netuno.

Os Espíritos Lucíferos fazem seus trabalhos através do poder da nota chave soada por Marte. Os Anjos fazem seu trabalho através do poder da nota chave soada pela Lua. Os Netunianos fazem através do poder da nota chave soada por Netuno. As vibrações produzidas por essas quatro notas chave estão, continuamente, interferindo na medula espinhal e com a essência do espírito espinhal, no canal central da medula. Na humanidade comum, o fogo espiritual espinhal se encontra, por assim dizer, adormecido, e permanecerá assim até que o Espírito seja capaz de obter melhor controle de dois de seus veículos, o Corpo de Desejos e a Mente; e essa essência ígnea é uma força de vida que constrói ou destrói, dependendo da maneira como é usada.

De acordo com o precedente, é fácil perceber que os Astros que mais rigorosamente afetam a medula espinhal – o monocórdio do ser humano – na parte física são Marte, Lua e Mercúrio; e que, nos mais avançados da raça Ária, a vibração de Netuno está começando a ser sentida. A música é composta de três elementos primários: melodia, harmonia e ritmo. A melodia se compõe de uma sucessão de sons harmoniosos sentidos pelos nervos auditivos que estão conectados ao cérebro – um órgão físico que contata a Mente. Portanto, é através do veículo Mente que o Espírito é capaz de sentir a melodia produzida no plano físico. Um idiota ou uma pessoa insana não respondem à melodia.

A harmonia consiste em uma agradável mistura de tons e está relacionada aos sentimentos ou emoções. Sentimentos ou emoções são expressões do Corpo de Desejos, em consequência, a harmonia pode ter um efeito tanto sobre o ser humano como sobre os animais, pois ambos possuem Corpos de Desejos. O ritmo é um movimento medido e balanceado, e é expresso pela força vital que aciona gestos e outros movimentos físicos. O Corpo Vital absorve uma superabundância de força vital (energia solar) que transmite ao Corpo Denso para mantê-lo vivo e em funcionamento. Assim, o ritmo está correlacionado ao Corpo Vital. As plantas têm um Corpo Vital e, portanto, são sensíveis ao ritmo.

O ser humano tem dentro de seu cérebro sete cavidades que durante a vida são comumente consideradas vazias. Na realidade, essas cavidades estão cheias de uma essência do espírito, sendo que cada cavidade tem seu próprio tom e cor. Os tons produzidos por essas cavidades estão correlacionadas àqueles dos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio. As cavidades ou ventrículos, começando pela frente do cérebro, são:

(1) ventrículo olfativo,

(2) ventrículo lateral,

(3) terceiro ventrículo,

(4) quarto ventrículo,

(5) Corpo Pituitário,

(6) Glândula Pineal.

A sétima cavidade é o crânio, que reúne todos os elementos em um grande todo.

O sistema solar é um vasto instrumento musical. Assim como existem doze semitons na escala cromática, temos no céu doze Signos do Zodíaco e, assim como temos as sete teclas brancas ou tons no teclado do piano, temos os sete Planetas. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa de ressonância da harpa cósmica, e os sete Planetas são as cordas influenciando a humanidade de diversas maneiras. Na Bíblia notamos como a lira de sete cordas de Davi representa, astrologicamente, as notas chave da corrente planetária sétupla. A nota chave de cada Planeta é composta da quintessência de seus sons agregados.

Uma amalgamação das tristezas e alegrias de nossa Terra, os sons de seus ventos e mares, o ritmo de toda as suas forças viventes combinadas, formam seu tom ou nota-chave. Da mesma maneira, e em escala sempre ascendente, soam as notas de toda a corrente planetária, sendo que sua união constitui a sublime Música das Esferas … “Não existe a menor orbe que observes que, em seu movimento, não cante como um Anjo”. Assim escreveu o grande poeta iniciado, Shakespeare. Essa música celestial é o produto daquele Verbo ao qual São João se referia quando escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus … e nada do que foi feito, foi feito sem Ele” (Jo 1:1-3).

 

Capítulo III – O Poder da Música

A música é, portanto, na saúde a mestra da perfeita ordem e é a voz da obediência dos Anjos, a companheira do curso das esferas celestes; e na depravação, ela é também a mestra da perfeita desordem e desobediência.

Ruskin

Na música, entre a melodia e o ritmo, encontramos a harmonia, que pode ou se elevar e se misturar com a vibração do pensamento puro, melodia, ou descer se misturando com o movimento puro da atividade impulso. Se o puro elemento melódico na música, que carrega a vibração da vontade de Deus e do Espírito, for omitido em uma composição, então, o poder diretor não estará lá para controlar as atividades dos Corpos de Desejo e Denso e, então, os desejos se revelam em excitação e, estando sem o poder controlador da razão, o resultado provavelmente será um desastre. É a probabilidade da harmonia se misturando com o impulso que explica a razão pela qual é possível para a chamada música moderna, que tende a trazer confusão ao invés de coerência unificante, poder se tornar realidade.

Antes da 1ª Guerra Mundial, as condições psíquicas do ser humano eram tão malignas, e suas emoções tão inconscientemente excitadas e a um nível tão alto, que foram compelidas a encontrar uma saída e se exteriorizar em ação, mas de alguma forma intensificada. Como os Espíritos de Lúcifer se regozijam e crescem por meio da intensidade de sentimentos, foi essa a sua oportunidade de penetrar e insinuar na consciência humana uma forma intensificada de atividade rítmica e, como um resultado, apareceu o “ragtime”[7]. A guerra chegou. As emoções se elevaram ainda mais e condições desconcertantes introduziram o “blues”[8] – reclamações, prantos e lamentos; tudo agitando febrilmente. A tendência descendente estava agora em plena liberdade de ação, e o “jazz”[9] apareceu como música – afoitamente fantástico e delirantemente grotesco.

O “swing”[10], considerado um degrau mais baixo, seguido do “jazz”, vindo depois o “jitterbug”[11] que, em toda sua atordoante e maníaca histeria de massa, arrebatou o país. Desde então, esses barulhentos ruídos, mais ou menos demoníacos, têm, gradualmente, tomado o lugar da música celestial, e os nervos das vítimas, desgastados e estimulados, devido a esses barulhos cruciantes, rapidamente se rompem, causando uma variedade de formas sem esperanças de demência. Agora, a menos que alguma força seja acionada em uma ação que, literalmente force as massas a um estado de espírito de mais tranquilidade e reflexão, certamente condições ainda piores prevalecerão. Se isso não puder ser feito, ou for considerado desaconselhável pelos grandes Seres que estão dirigindo a evolução da humanidade, então, alguma forma de salvação terá que ser providenciada para os que a merecem. E os restantes serão simplesmente eliminados por uma tremenda conflagração cósmica de algum tipo, em data mais adiante – possivelmente em um outro Dia de Manifestação, e a estes desafortunados serão dados oportunidades para recuperar suas perdas.

Enfrentando tais fatos tremendamente aterrorizantes, em que direção o ser humano deverá procurar o remédio e o mais rapidamente possível? É possível procurar e encontrar no passado ou no futuro, podendo encontrar uma pista que, quando aplicada, salvará a situação.

A história sempre se repete. O continente lemuriano foi destruída por cataclismos vulcânicos, quando uma parcela de seu povo deixou de progredir. A Atlântida foi destruída pela água quando seu povo mergulhou de tal forma no mal, que se tornou insensível para receber às instruções que lhe foram dadas por seus líderes sábios. A Época Ária se ergueu do grande abismo, e outra oportunidade foi dada à humanidade para continuar com sua evolução. Agora, o ser humano, novamente se vê escorregando perigosamente próximo ao final de uma descida. Pitágoras, considerado um dos maiores videntes, dizia a seus alunos que a lira era o símbolo secreto da estrutura humana – que o Corpo representava a forma física, as cordas, os nervos e o músico que a reproduziu, representavam o Espírito do ser humano. “Tocando em seus nervos”, ele dizia, “o Espírito criou uma função harmoniosa e normal que, porém, a qualquer momento, pode ser facilmente modificada para a dissonância, se a natureza do ser humano se tornar corrompida”. Nota‑se aqui o aviso oculto.

Novamente, Platão, um grande filósofo grego e estudante dos Mistérios, desaprovou a ideia de que a música se destinava unicamente a criar emoções alegres e agradáveis, contudo sustentou que ela deveria inculcar o amor por tudo que é nobre, e uma aversão por tudo que é mesquinho, degradante e baixo, e que nada poderia influenciar mais fortemente o íntimo do ser humano do que a melodia e o ritmo. Estava tão firmemente convencido desse fato, que não concordou com a introdução de uma nova e presumivelmente enervante escala musical, pois acreditava que ela iria pôr em perigo o futuro de toda uma nação; que não era possível alterar uma única nota, sem abalar os próprios alicerces do Estado.

Mais tarde, Platão afirmou que a música que enobrece a Mente (melodia) é de uma categoria mais elevada do que aquela que simplesmente apela para os sentidos. Insistiu, energicamente, que era dever supremo da Legislatura suprimir toda música de caráter lascivo, e encorajar somente a que fosse pura e dignificante. O máximo cuidado deveria ser tomado na seleção de toda música instrumental, porque a ausência de palavras poderia tornar seu significado duvidoso, tornando difícil prever se ela exerceria uma influência benéfica ou prejudicial sobre as pessoas; o gosto popular, sempre sendo estimulado para a parte sensual e, aparentemente atraente, mas tendo na realidade nenhum valor ou integridade (barulhento), devia ser tratado com o merecido desprezo. Temos aqui a resposta para a maneira sensível de mudar as condições indesejáveis: substituir as práticas do mal, às quais produzem resultados mais ou menos calamitosos, por atividades positivas, de vibrações elevadas, que levem maiores benefícios para um maior número de pessoas.

Evitando o “ragtime”, o “jazz”, o “swing”, o “bebop”[12] e outros sons, nada da verdadeira música seria perdida. Em seu apelo para os desejos sensuais e sentimentais, por meio de uma variedade excessiva das denominadas combinações harmônicas, de sucessões dissonantes de intervalos entre notas, provenientes da complexidade da música moderna e seus acordes perturbadores, nenhum elemento novo foi realmente introduzido, mas simplesmente uma confusão e um excesso de elaboração dos elementos antigos. No elemento musical rítmico, super-enfatizado, encontrado em certos tipos da chamada música popular, a verdadeira experiência musical não pode descer, por meio da harmonia, para uma atividade de movimento artístico, mas é forçada a baixar para rotações físicas ao extremo.

As três divisões primárias da música – melodia, harmonia e ritmo – estão correlacionadas aos três poderes primários de Deus: Vontade, Amor‑Sabedoria e Atividade. A Vontade, que inclui intelecto e razão, unida ao Amor-Sabedoria, produz um modo de Atividade correlacionado ao equilibrado, balanceado ritmo (atividade) celestial de Deus, que ordenou os átomos de nosso Sistema Solar, na matriz das várias formas preparadas para elas pelos poderes da energia de amor do Criador. Separando‑se a Vontade (melodia) do Amor (harmonia), e se unindo o Amor com a Atividade (ritmo), e os dois, sendo privados do poder dirigente da Vontade (intelecto e razão), podem produzir qualquer tipo de monstruosidade que as forças do mal podem desejar formar. Descontroladas, suas atividades maléficas certamente poderão destruir, com o tempo, uma nação. Nenhuma tentativa de revolucionar a arte da música pode produzir resultados desejados, a menos que comece com o princípio artístico de coerência, e com um equilíbrio correto dos três elementos dos quais a música é composta: melodia, harmonia e ritmo.

 

Capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar

Elementos da Música

Triplicidade de Deus Aspectos de Deus

Expressão

1 – Melodia Pai Vontade Inteligência
2 – Harmonia Cristo Amor Sentimento
3 – Ritmo Jeová Atividade Movimento

Melodia, o mais elevado poder da música, inclui razão, intelecto e julgamento. Quando a harmonia e o ritmo se unem e se divorciam da melodia, temos uma sucessão de tons não dirigidos pela inteligência, que despertam os sentimentos (harmonia) e se expressam em uma série de movimentos (moções) giratórios, fora da realidade e sensuais. Isso pode levar à forma mais baixa de excessos emocionais (atividade), alguns dos quais o regente de banda de jazz, Benny Goodman[13], descreve como o tipo de indivíduo que chuta o que encontra pela frente; o tipo valentão que arremessa garrafas, que grita, que parece ter a doença de São Vito[14]; quando os pés sapateiam fora do tempo e os braços se sacodem com o ritmo, girando como um moinho de vento em um furacão; e a histeria das massas, um tipo de pesadelo – e tudo como reação da música que está sendo tocada em algumas de nossas escolas, na maioria das vezes em lugares públicos e universalmente nos salões de dança.

Exatamente aqui se situa a forma de música enervante (que reduz o vigor da força mental ou moral) mencionada por Platão, como um perigo para o futuro de qualquer nação. O Sr. Goodman menciona, particularmente, como quando Ziggy Elman[15], ao soprar em seu trompete “uma nota aguda e prolongada que penetrava na pessoa, lhe arrepiando a espinha”, fazia os dançarinos perderem o autocontrole, e quando Gene Krupa[16] produzia uma série de notas em sua bateria, semelhantes a uma metralhadora, eles agitavam seus olhos esbugalhados e começavam a sacudir freneticamente a cabeça e os braços.

Do ponto de vista físico, há um grande perigo em tocar uma nota prolongada e aguda em um instrumento.

Cada pessoa tem sua própria nota-chave localizada na parte inferior detrás da cabeça, na base do cérebro. Se essa nota for tocada lenta e calmamente, ela construirá e descansará o Corpo, tonificará os nervos e restaurará a saúde. Se, por outro lado, se esta nota-chave for tocada de uma maneira dominante, barulhenta e prolongada, ela matará, do mesmo modo que uma bala disparada de uma arma; portanto, em uma multidão, existe sempre o perigo de ser tocada uma nota aguda, dominante e prolongada em qualquer instrumento; e o contínuo ruído das explosões de jazz nos tímpanos das crianças, provavelmente, desenvolverá uma raça de neuróticos.

Notemos que a chamada música “jazz” é uma profanação da força de Cristo (harmonia) e da Egoística energia criadora (ritmo). A primeira profanação da força Jeovística ocorreu durante a Época Lemúrica e é designada como a “Queda do Homem”. Esse desvio do caminho da evolução, projetada e apresentada por Jeová foi causado pelos Espíritos Lucíferos (prestemos atenção) que se revelam e evoluem por meio da intensidade do sentimento. A natureza de uma emoção não lhes é tão essencial como a intensidade, de acordo com seu propósito. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso estágio atual de evolução do que os sentimentos de alegria e amor.

Consequentemente, esses seres não hesitam em profanar ambas as forças de Deus, do amor (Cristo) e as da vida (Jeová), para realizar seus propósitos. Eles são hábeis ao apresentarem, inteligentemente, discórdias dissimuladas em nossa música, e enfatizando-as com instrumentos de sons altos e barulhentos como corneta, trompete, trombone, saxofone, bateria e outros. Quando conseguem introduzi-las, vemos sua influência nefasta se manifestando em todos os lugares. Em nossa literatura, encontramos essas dissonâncias mostradas nas formas de sexo e em todos os tipos criminosos de histórias excitantes; na pintura, em figuras distorcidas e grotescas de todos os tipos; na escultura, a nudez desnecessária retratando toda sorte de incongruências. A beleza, habilidade artística e estética, em todos os lugares induzindo para o mau gosto e indo para o lado grosseiro – muitas vezes se aproximando da verdadeira vulgaridade, na forma mais baixa de indecência.

À medida que a visão espiritual do ser humano se torna mais clara e sua vontade individual mais forte, ele vai, gradualmente, se libertando da influência dos Espíritos Lucíferos e se alinhando com a força de Cristo, que é o Amor. Então, a Vontade (melodia) e o Amor (harmonia) desenvolverão a Atividade (ritmo), um novo poder (Epigênese), cuja força promoverá o progresso espiritual do ser humano com uma rapidez até agora desconhecida. Os Espíritos Lucíferos percebem que a humanidade, por meio do poder combinado da Vontade e do Amor, será capaz de se libertar de suas influências e do seu controle parcial.

Eles sabem, também, que o corpo do ser humano é construído e sustentado pelo poder da música. Agora, se os seres humanos podem perverter essa música até ao ponto em que desordene seu Corpo Denso por meio do sistema nervoso, não sendo mais capaz de obter a quantidade necessária da essência da Alma Consciente para desenvolver seu poder de vontade, esses seres podem continuar a retê-lo em parcial servidão e usá-lo para seu próprio benefício; e isso é, exatamente, o que eles têm feito. Esses seres não têm qualquer desejo de prejudicar a humanidade, mas como precisam dos corpos dos seres humanos para trabalhar, não pretendem liberá-los enquanto necessitarem desses veículos e tiverem o poder de dominá-los. Aqueles que aceitam a chamada nova música e permitem que ela penetre neles, são os que terão seu desenvolvimento espiritual atrasado.

Aqueles que se recusam a aceitá-la e permanecem fora de sua influência, o quanto for possível, terão seu progresso espiritual pouco ou nada prejudicado. Os que são responsáveis pela produção dessa chamada música, e aqueles cujos nervos se tornaram irremediavelmente alterados por ouvi-la, serão permitidos a irem para a guerra como soldados e enfermeiras a fim de serem afastados das atuais condições terrestres e lhes dar uma oportunidade futura para recomeçar a vida em um ambiente melhor. Os Espíritos Lucíferos, através da desobediência absoluta ao plano cósmico, malograram enormemente seu esquema de evolução, e agora estão aproveitando todos os meios possíveis para reaver seu estado perdido.

Toda essa informação foi dada à humanidade por meio dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, e uma libertação do domínio de Lúcifer é oferecida a todos por meio do desenvolvimento do poder de amor de Cristo e de sua união com a vontade do Pai, ambos encontrados, como réplica, em toda a humanidade. Relembremos que o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, o livro dado à humanidade pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que, dirigidos pelo Arcanjo Cristo, estão incumbidos da atual evolução da humanidade, e este livro foi miraculosamente espalhado pelo mundo, e seu preço foi mantido tão baixo que está disponível para todos que estejam prontos para receber as verdades reveladas nele.

A Vontade melódica do Pai, unindo-se com o Amor harmônico do Cristo tem o poder de produzir uma ativa vibração rítmica, cuja força não pode ser detida e nem seu objetivo desviado, pois é essa mesma energia manifestada pelo Deus de nosso Sistema Solar que trouxe tudo o que É como criação, e tem o poder de levar tudo ao Caos a qualquer momento que Ele o desejar. Portanto, é absolutamente impossível para qualquer das criações de Deus, das mais avançadas em Suas ondas de vida até as mais jovens em evolução, definitivamente frustrar o pleno desenvolvimento de Seus planos, pois eles são tão eternos e inabaláveis em Seus processos como o é Deus em Si mesmo.

É possível, no entanto, que membros de uma determinada onda de vida, ou mesmo indivíduos dela, se rebelem e, consequentemente, frustrem seu próprio progresso evolutivo, apesar de toda a assistência que lhes está sendo dispensada por aqueles que são mais sábios e mais avançados que essa onda de vida. Em tais casos, os responsáveis por essa evolução, às vezes, permitem que esses seres prossigam e destruam seus próprios físicos por sua própria desobediência, causada pela própria ignorância dos resultados benéficos obtidos por meio da administração divina; tudo isso acontece para que possam retornar à Terra em uma data futura, sob uma influência melhor e um ambiente mais aperfeiçoado, isento de todo ódio e do desejo de destruir seus semelhantes. Essas mudanças são realizadas na Região do Purgatório[17], por agentes benfeitores, purificadores e ativos.

Quando uma onda de vida, uma nação, uma comunidade ou mesmo um indivíduo se esforçam ao máximo para seguir o exemplo do Cristo, manifestando Seus preceitos em suas vidas diárias, todos podem ficar certos de que as coisas necessárias para ajudar no seu próprio desenvolvimento, sejam, aparentemente boas ou más, virão até eles. Se as lições são aprendidas e praticadas corretamente resultarão em um bem inestimável e num efeito benéfico, não só para si próprio como também para as pessoas que se relacionam nas suas vidas diárias.

Todas as condições no mundo de hoje estão sendo levadas a mudanças enormes, tão grandes em sua magnitude que quase não podem ser concebidas por nossa atual consciência limitada. Mais duas sub-raças vão evoluir e cada uma irá trilhar seu próprio percurso, que será curto; os preparativos já começaram para o desenvolvimento dos precursores da sexta grande raça, cujo aumento de consciência, desenvolvimento físico e mental, e surpreendentes realizações espirituais os colocarão na dianteira dos super-seres humanos da Terra. Então, um grande continente certamente emergirá do leito do Oceano Pacífico, cuja vastidão, beleza tropical e abundância material que não podem ser concebidas e nem imaginadas pelo atual ser humano mortal.

Como existe uma razão definida entre a quantidade de terra e de água a ser mantida para que a Terra preserve seu equilíbrio gravitacional, será necessário que certa quantidade de terra imerja no oceano para equilibrar o que emergiu dele. Essa terra levará consigo muitos de seus habitantes, que se envolveram na materialidade e tal método terá que ser aplicado para quebrar essa condição cristalizada e adaptar o ser humano para um crescimento futuro. No entanto, nada é perdido no Reino de Deus. Os atrasados e mesmo fracassados poderão retornar, pois tão generoso é o Criador que, na plenitude do tempo, Ele reúne até mesmo aqueles desafortunados e os ajuda a começar, novamente, em um ambiente apropriado sob a direção de grandes Seres que, com infinita paciência tomaram a seu cargo a tarefa hercúlea de redimir e reconstruir aquilo que parecia estar perdido.

Antes de prosseguirmos, é conveniente explicar algo do processo de criação em relação ao nosso Sistema Solar, como foi revelado pela Ordem Rosacruz, que diz o seguinte: o Deus do nosso Sistema Solar criou sete regiões distintas, nas quais Ele está conduzindo a evolução de todas as coisas criadas por Ele. Os nomes dessas regiões (dito Mundos), começando com os primeiros desenvolvidos são: o Mundo de Deus, o Mundo das Espíritos Virginais, o Mundo do Espírito Divino, o Mundo do Espírito de Vida, o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico. O Mundo do Pensamento é dividido em duas partes: Região do Pensamento Abstrato e Região do Pensamento Concreto. O Mundo Físico também tem duas divisões: Região Etérica e Química.

O Deus do nosso Sistema Solar cria ondas de vida que consistem em um incontável número de Espíritos Virginais e classificados por Ele de acordo com a época em que foram criadas. O nome da primeira onda de vida criada por Ele é Áries, a segunda Touro, a terceira Gêmeos, a quarta Câncer, a quinta Leão, a sexta Virgem, a sétima Libra, a oitava Escorpião, a nona Sagitário, a décima Capricórnio, a décima primeira Aquário, e a décima segunda Peixes. Esses mesmos nomes são, também, usados no Zodíaco, mas se referem a um esquema de criação totalmente diferente. As mencionadas ondas de vida dos seres estão espalhadas pelos sete Mundos. A décima segunda onda de vida, a Pisciana, é composta da nossa atual humanidade, e quando habitam os Corpos Densos se encontram no Região Química do Mundo Físico. O tempo necessário para prosseguir o trabalho de certas fases da evolução é dividido em períodos: o Período de Saturno, seguido do Período Solar, Período Lunar, Período Terrestre, Período de Júpiter, Período de Vênus, e por último, o Período de Vulcano, que é seguido por uma noite cósmica de repouso.

Capítulo V – Nossos Arquétipos Musicais

No alvorecer da criação nada existia, até que um arquétipo foi construído pela primeira vez. Ao formar um Sistema Solar, o primeiro poder de Deus é a Vontade, desejo de criar, e ela desperta o segundo poder, Amor Sabedoria. Esta segunda força, através do poder da Imaginação, concebe a ideia (arquétipo) de um Sistema Solar; então, o terceiro poder, Atividade, trabalhando na substância Cósmica, produz o movimento, e o poder melódico, harmônico e rítmico constrói um arquétipo distinto para tudo que adquire forma, desde o barro até Deus. Na Quarta Região do Pensamento Concreto são encontrados os arquétipos de todas as formas que se manifestam aqui no Mundo Físico. Lá, porém, todos os objetos sólidos da Terra aparecem como cavidades vazias (oca), de onde o som de uma nota chave básica é continuamente emitido. Um arquétipo é uma cavidade oca que vibra e canta, que vive, se move e cria, da mesma forma que um instrumento mecânico produzido pelo ser humano que trabalha sem ter compreensão disso. Parece como um molde de gesso aqui nesse Mundo. Assim como o gesso é colocado no molde de gesso e ali forma uma estátua, também os átomos físicos são dispostos em um molde idêntico e formam um corpo vivente, seja ele de uma planta, de um animal ou de um ser humano. Cada arquétipo emite um tom musical harmonioso, e é esse som que atrai e modela os átomos físicos, dando-lhes a forma.

Em todo ser humano, na região da medula oblongada[18], na parte superior da medula espinhal, há uma chama que pulsa e vibra de uma maneira maravilhosa. É colorida, com raios diferentes de acordo com a natureza individual de cada ser humano. Esse fogo emite um som cantante como o zumbido de uma abelha, e este som é a nota chave do Corpo Denso, emitida também pelo arquétipo. O tom do arquétipo muda durante a vida e, como ele muda, assim também o Corpo Denso sofre certas mudanças.

Todo ato do ser humano tem um efeito direto sobre o arquétipo de seu corpo. Se o ato praticado está em harmonia com as leis da vida e evolução, ele fortalecerá o arquétipo e o proporcionará uma vida mais longa, na qual o indivíduo terá o máximo de experiência e alcançará o crescimento anímico em proporção à sua condição de vida e à sua capacidade de aprender. Assim, uma menor quantidade de renascimentos será necessária para que ele alcance a perfeição que para alguém que se esquiva do desafio da vida e tenta escapar de suas responsabilidades ou empregam seus esforços de maneira destrutiva. Nesse último estilo de vida, o arquétipo é forçado e se rompe mais cedo. Como foi citado, aqueles cujos atos são contrários à lei, abreviam suas vidas e têm que procurar novos renascimentos, muito mais vezes do que os que vivem em harmonia com a lei. Isso é aplicado a todos, sem exceção, mas tem maior significado nas vidas daqueles que estão trabalhando conscientemente com as leis da evolução do que na dos outros que não estão. O conhecimento desses fatos deveria aumentar uma centena de vezes o nosso zelo e entusiasmo para fazer o bem. Mesmo que comecemos, como se pode dizer, “tarde na vida”, ainda assim podemos facilmente acumular mais “tesouros” nesses últimos poucos anos do que o fizemos em muitas vidas anteriores. Acima de tudo, também estamos nos preparando para começar mais cedo na próxima vida.

Existem doze ondas de vida distintas, que trabalham com a humanidade, algumas, desde o início do Período de Saturno. Seus nomes são: Áries (Xeophim), Touro (Teraphim), Gêmeos (Serafim), Câncer (Querubim), Leão (Senhores da Chama), Virgem (Senhores da Sabedoria), Libra (Senhores da Individualidade), Escorpião (Senhores da Forma), Sagitário (Senhores da Mente), Capricórnio (Arcanjos), Aquário (Anjos), Peixes (Espíritos Virginais, ou humanidade). Cada uma dessas ondas de vida tem uma nota-chave diferente: Áries, Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior); Touro, Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior); Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior), Leão é Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior), Virgem Dó natural (C ou Do), Libra é Ré Maior (D ou Re), Escorpião Mi Maior (E ou Mi), Sagitário Fá Maior (F ou Fá), Capricórnio Sol Maior (G ou Sol), Aquário Lá Maior (A ou Lá), Peixes Si Maior (B ou Si). A nota-chave de uma peça musical é a tônica ou o tom fundamental sobre o qual a composição musical é construída.

Todo o período da involução e evolução do ser humano está fundamentado na escala musical, que é de origem celestial. Max Heindel nos diz que a humanidade passou por três estágios elementares antes do Período de Saturno, e esses estágios estão representados no lado esquerdo do teclado do piano por Lá, Lá sustenido e Si. O Período de Saturno começa com o som representado por Dó baixo no teclado do piano e sobe até Si, cujo tom está incluído, perfazendo 12 notas, 7 das quais são brancas e 5 pretas[19]. Os Sete Irmãos da Ordem da Rosacruz saem pelo mundo e trabalham entre a humanidade. Cinco não são vistos no mundo. Antes da humanidade perder o contato com a Região Espiritual do Pensamento Concreto, ela sabia que essa era uma região de tons musicais e que esses tons permeavam e construíam todos os arquétipos de todas as coisas existentes nos mundos inferiores, incluindo ela própria; portanto, tinha todos esses tons dentro de si mesma. Sabia que todos os seres humanos eram instrumentos musicais vivos, cujos tons eram ouvidos por eles próprios através de um tipo de percepção sensorial interna.

A superconsciência do ser humano sabe tudo isso, como também conhece o poder tremendo contido nesses tons musicais. Tendo perdido o poder de controlar essa força interior ou mesmo de contatá-la verdadeiramente dentro de si, o ser humano procurou, por meio de instrumentos musicais, reproduzir os tons vagamente percebidos em sua memória meio submersa. No lugar do ser humano, um instrumento musical internamente consciente, temos agora instrumentos musicais criados pelo ser humano; e esses instrumentos expressam alguma fase de sua natureza interna. Os instrumentos de sopro estão correlacionados à melodia – a vontade o intelecto, a cabeça, o pensamento – e o ar ou a melodia que emitem é facilmente memorizada. Os instrumentos de cordas estão correlacionados à harmonia – a emoção, a imaginação, o coração – e despertam sentimentos de felicidade, alegria, prazer, dor, tristeza, saudade e arrependimento. Os instrumentos de percussão estão correlacionados com o movimento do ritmo – músculos, ação dos membros superiores e inferiores – e estimulam, em seus ouvintes, o desejo da ação, tais como marchar, dançar, bater palmas, bater os pés em tempo rítmico.

O próprio ser humano é realmente um tríplice instrumento musical, mas, em seu estado atual de consciência, ele perdeu o contato com o conhecimento de seus poderes internos temporariamente. No entanto, em algum ponto no futuro, ele irá restabelecer esse contato, primeiro pelo sentido, depois por uma percepção interna, ouvindo realmente a nota chave de seu próprio Corpo Denso soando na parte de trás e inferior de sua cabeça. Esse tom o conectará com a lira de sete cordas localizada no cerebrum[20]. Portanto, somente é uma questão de tempo de desenvolvimento até que ele seja capaz de criar por meio do poder musical da palavra falada. Além do mais, será capaz de contatar os tons musicais usados na construção dos seus Corpos Vital e de Desejos e, através de uma consciência objetiva de seu trabalho, se tornará tão consciente desses veículos e de como eles funcionam, como agora o é de seu Corpo Denso.

É o Espírito que vê, ouve, cheira, saboreia e sente, e não os seus órgãos dos sentidos. Na verdade, eles são totalmente inúteis para tais propósitos quando o Espírito está ausente do Corpo. Eles são apenas instrumentos por meio dos quais o Espírito entra em contato com o Mundo Físico; contudo, o Espírito em si mesmo é dotado de todas essas faculdades, e mais ainda quando está funcionando nos planos invisíveis, durante o tempo em que o Corpo está dormindo, ou ainda quando, como um Iniciado, deixa o Corpo conscientemente e funciona nas regiões mais elevadas. Quando a consciência de vigília diária contatar, conscientemente, os sentidos do Espírito, o ser humano estará preparado para iniciar o trabalho referente à Iniciação, pois os sentidos de seu Espírito vão lhe revelar, passo a passo, conscientemente, tudo o que se passou desde que iniciou seu trabalho de desenvolvimento no Período de Saturno, e tudo isso será realizado por meio do poder da palavra falada – som musical.

Então, o ser humano aprenderá, conscientemente, por meio da visão, como os grandes Anjos Estelares, dirigidos e auxiliados pelo Deus do Sistema Solar, criaram tudo o que nele existe. Verá como, pelo poder do som musical, as várias ondas de vida foram criadas e trazidas até seu atual estado de evolução. Ele não deve parar aqui, pois, por seus próprios esforços, poderá progredir e aprender sobre o desenvolvimento futuro que está reservado a futuras revoluções e períodos. Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, que é Deus. No Período de Saturno, os tons emitidos por Ele e Seus auxiliares são representados pelos sons produzidos pela oitava mais baixa da escala musical. Foram esses tons, começando com o mais baixo, que construíram sucessivamente os sete Globos nos quais toda a vida existia e iniciou, assim, seu lento desenvolvimento.

As teclas brancas de todas as oitavas musicais produzem os tons construtores, positivos; e as teclas pretas produzem os tons assimilativos, negativos; ambos os tons são necessários para produzir os resultados (vontade, amor, atividade   pai, mãe, filho/filha; assim como é em cima, assim é embaixo). As ondas de vida que trabalharam conosco durante o Período de Saturno foram Áries, Touro e Leão. A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). A nota chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) e a nota chave de Leão é Si Maior. Note que as teclas pretas no piano são assimilativas, e foi durante a Primeira Revolução do Período de Saturno que os leoninos, Senhores da Chama, conseguiram implantar na estrutura evoluinte do ser humano, o germe do Corpo Denso. Nessa época, o ser humano era Espírito diferenciado puro, colocado na Região do Espírito Divino, que é a região da vontade pura.

São os sentidos internos do ser humano, tomados coletivamente, que no tempo devido, o capacitarão para se manifestar em qualquer plano, sem ajuda de órgãos especializados que tenham relação com esse plano, e o farão compreender a consciência objetiva de vigília. Quando esse estado de desenvolvimento for alcançado, o ser humano poderá ver, ouvir, cheirar, degustar e sentir o tato com todo o seu Corpo Denso. Mais tarde, ele será capaz de exercitar os mesmos sentidos da mesma maneira (controle pela vontade) em relação ao seu Corpo Vital, depois em relação ao seu Corpo de Desejos e, ainda mais tarde, em relação ao seu veículo mental. Todo esse desenvolvimento se manifestará por meio do poder da palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.

O primeiro sentido interno ou espiritual a ser contatado pela consciência objetiva de vigília do ser humano será a audição (som); em seguida o tato, depois o paladar, o olfato, e finalmente a visão. O método usado para fazer esse contato com os sentidos internos ou espirituais, é a concentração. A concentração é uma manifestação unidirecional, realizada pelo Espírito por meio do poder de sua vontade, pelo qual o Espírito é capaz de excluir, absolutamente, todas as condições físicas da consciência objetiva de vigília e de fazer essa consciência ciente de seus (do Espírito) poderes espirituais internos, enquanto o Espírito ainda está dentro de seus quatros veículos interpenetrados – os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente.

Capítulo VI – As Oitavas Musicais e o Esquema Cósmico

O piano não é o resultado do esforço do ser humano para reproduzir os tons do seu próprio eu interior, mas é um produto da percepção do ser humano materializada na música, e, consequentemente, é um instrumento puramente terrestre. Portanto, não é apenas um instrumento interessante, mas um instrumento valiosíssimo para aqueles verdadeiros músicos que são capazes de contatar a autêntica música do mundo celestial, trazê-la à Terra e fazendo com que o ser humano produza um instrumento capaz de reproduzi-la[21]. Ainda que todos os instrumentos mecânicos e o rádio sejam de grande utilidade, nunca substituirão o piano, para aqueles que aprenderam o valor dos acordes correlacionados ao desenvolvimento do Espírito e de todos os seus veículos.

O teclado do piano disponibiliza, bem à frente do músico, suas 88 teclas (52 brancas e 36 pretas), que produzem 124 tons. As teclas brancas produzem 52 (7[22]) dos 124 (7[23]) tons e as teclas pretas produzem 72 (9[24]) tons. Nove (9) é o número da humanidade e sete (7) é o número dos três (3) poderes espirituais do ser humano[25], mais seus quatro (4) veículos: Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso. Existem cinco (5) linhas na pauta musical e quatro (4) espaços – novamente, cinco (5) e quatro (4) igual a nove (9), o número da humanidade. Há sete (7) letras na escala musical: C, D, E, F, G, A, B[26]; que ocupam a mesma posição na pauta musical. Há 7 notas na escala musical, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si; que mudam de posição na pauta. Por exemplo, se a escala é Dó natural, o primeiro Dó é encontrado na linha abaixo da pauta.

Se há um sustenido do Dó[27], ele pode ser colocado na segunda linha da pauta. Se assim o for, então um bemol do Dó[28] deve ser colocado no primeiro espaço da pauta, etc. Cada uma das ondas de vida pertencente ao nosso Sistema Solar -Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes – tem sua própria nota-chave.

A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior) que tem cinco bemóis, a saber: Sol bemol, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.

A nota-chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior), que tem 3 bemóis, a saber: Lá bemol, Si bemol e Mi bemol.

A nota-chave de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), que tem 6 sustenidos, a saber: Lá sustenido, Dó sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido.

A nota-chave de Câncer é Lá sustenido Maior, que tem 4 bemóis, a saber, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.

A nota-chave de Leão é Si sustenido Maior, que tem 2 bemóis, a saber, Si bemol e Mi bemol.

A nota-chave de Virgem é Dó natural Maior e não tem sustenido ou bemol.

A nota-chave de Libra é Ré Maior, e tem 2 sustenidos, ou seja, Fá sustenido, Dó sustenido.

A nota-chave de Escorpião é Mi Maior e tem 4 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido e Ré sustenido.

A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem 1 bemol, a saber, Si bemol.

A nota-chave de Capricórnio é Sol Maior e tem 1 sustenido, a saber, Fá sustenido.

A nota-chave de Aquário é Lá Maior e tem 3 sustenidos, Fá sustenido, Dó sustenido e Sol sustenido.

A nota-chave de Peixes é Si Maior, e tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido, Ré sustenido, Lá sustenido (Mi e Si são as únicas não sustenidos).

Os 12 semitons da oitava estão em conformidade com os 12 meses do ano e as 12 ondas de vida criadas pelo Deus do nosso Sistema Solar, como, também as 12 Hierarquias Criadoras que compõem o Zodíaco. Os 7 tons, representados por Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, estão de acordo com os 7 Espíritos diante do Trono. As 5 teclas escuras na oitava representam as cinco ondas da vida, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão, que primeiro trabalharam com nossa humanidade. As 7 teclas claras representam as ondas de vida hierárquicas, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, que ainda estão trabalhando com a humanidade durante o Período Terrestre. À medida que os mistérios ocultos são revelados, compreendemos, de imediato, o significativo fato de que, do princípio ao fim das complexidades do mundo, existe um princípio metódico verdadeiro que nunca se desvia nas suas manifestações.

Uma das primeiras coisas a se tornar aparente para o verdadeiro estudante do ocultismo é o fato de que o Cosmos é construído sobre os aspectos 1-3-5-7-10 e 12, e que os 12 semitons da oitava musical correspondem, em todos os detalhes, ao esquema cósmico – de fato, isso confunde um pouco: quando lembramos que na oitava musical é necessário contatar o mundo do tom, o Segundo Céu, localizado na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que, embora comparativamente intangível aos sentidos físicos, ainda é a verdadeira base da manifestação material. Vemos esse mesmo esquema numérico representado tanto no Espírito individualizado como em Deus, o Criador do nosso Sistema Solar. Por exemplo: Deus é um (1). Seus três (3) poderes são Vontade, Amor-Sabedoria e Atividade. Seus sete (7) auxiliares planetários, na Bíblia, são chamados os Sete Espíritos diante do Trono.

O ser humano possui três (3) poderes, designados como Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, um elo (1) da Mente, e seus três (3) veículos inferiores – os Corpos de Desejos, Vital e Denso – dos quais ele extrai uma essência Tríplice (3) chamada Alma[29]. Antes de prosseguir, é bom rever os seguintes fatos: a escala cromática inclui todos os tons da oitava, tanto as teclas brancas como pretas, tomadas em ordem regular começando pelo Dó. O Dó está sempre antes de duas teclas pretas agrupadas no piano. Existem doze (12) tons na escala cromática[30]. A escala diatônica é composta apenas pelos tons produzidos pelas teclas brancas do piano – nenhuma tecla preta. Há sete (7) tons (teclas) na escala diatônica[31]. Notemos outras semelhanças com essas escalas: existem doze (12) cores, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis à visão física. Existem doze (12) orifícios no corpo, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis.

Existem doze (12) grandes ondas de vida evoluindo em nosso esquema de evolução, cinco (5) das quais completaram seu trabalho e se retiraram da manifestação: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão. As outras sete (7) estão ativas durante o Período Terrestre: Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. A regra geral para um acorde na música é: duas notas na clave de Fá (positiva e negativa) e três na clave de Sol, a trindade. Dois mais três (2+3) somam cinco (5), o número dos sentidos do ser humano, como estão desenvolvidos atualmente. Um acorde na música é composto de uma combinação de tons que se misturam harmoniosamente quando tocados juntos, sendo que o tom mais baixo é a raiz ou nota-chave, e as outras duas notas, que formam o acorde, devem estar em harmonia com essa determinada nota, do contrário o resultado será uma dissonância.

Em toda parte da natureza encontramos o tom manifestado, como também o número, a cor e a forma; e isso sem exceção. A primeira oitava completa da escala cromática contendo 12 tons, dos quais procedem todos os temas celestiais, forneceu os tons usados durante o Período de Saturno. Durante cada um dos Sete Períodos, nossa onda de vida mergulha na matéria e sai dela novamente sete (7) vezes. Na aurora do Período de Saturno os Senhores da Mente (onda de vida de Sagitário) eram a humanidade; a onda de vida Arcangélica estava em um estágio semelhante à do animal; a onda de vida Angélica estava no estágio semelhante à do vegetal e a nossa própria onda de vida estava em um estágio semelhante aos minerais. O veículo mais inferior de cada onda de vida era constituído da substância da Região do Pensamento Concreto, e o único veículo do ser humano, o germe de seu atual Corpo Denso, também era feito dessa substância.

A onda de vida Ariana trabalhou com os vários veículos dessas quatro ondas de vida, – Senhores da Mente, Arcanjos, Anjos e nossa própria onda de vida (Peixes) – por meio do poder incorporado no tom Ré bemol, a onda de vida Taurina pelo poder produzido por Mi bemol, e a onda de vida Leonina pela força contida em Lá sustenido. As ondas de vida de Ariana e Taurina foram as primeiras a aparecer, preparando as condições apropriadas para o futuro desenvolvimento das quatro ondas de vida que evoluíram durante o Período de Saturno. Então, durante a primeira imersão (Revolução) de nossa própria onda de vida (Pisciana), quando essa tinha alcançado o ponto mais inferior (Região do Pensamento Concreto), por meio do poder da nota-chave Lá sustenido, os Leoninos[32] irradiaram de seus próprios corpos para os nossos, o germe do nosso atual veículo Denso. Mais tarde, durante nossa sétima imersão (Revolução) na Região do Pensamento Concreto, essa mesma onda de vida dos Leoninos, pelo poder da nota-chave Lá sustenido, despertaram a passiva força do nosso Espírito Divino.

Assim, a humanidade, ao final do Período de Saturno, possuía o germe do Corpo Denso, construído da substância da Região do Pensamento Concreto, e um Espírito Divino desperto, que mais tarde se desenvolveria no poder da Vontade. Durante o Período de Saturno, as várias ondas de vida envolvidas começaram a trabalhar no Mundo do Espírito Divino, depois entraram no Mundo do Espírito de Vida, em seguida na Região do Pensamento Abstrato e, finalmente, na Região do Pensamento Concreto (4). Após cada imersão completa (Revolução) na matéria que foram 7 em 7 globos, descansaram no Mundo dos Espíritos Virginais (1) assimilando tudo o que tinham contatado e preparando-se para outro Dia de Manifestação. Quatro (4) Mundos e mais um são cinco (5), o número de Cristo, indicando o tremendo poder que esse grande Ser se tornou no esquema da evolução.

Depois que todas as sete (7) imersões (revoluções) se completaram ao longo período de assimilação e descanso, onde toda a vida evoluinte se juntou, se misturando livremente desde a mais elevada até a mais inferior, as altas vibrações, por indução, elevaram as mais inferiores a um grau considerável. Isso aconteceu entre cada um dos Sete Períodos: Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. A segunda oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Solar, e as primeiras ondas de vida a aparecer foram as de Leão, Senhores da Chama, nota-chave Lá sustenido, Virgem, Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó em segunda oitava; Libra, Senhores de Individualidade, nota-chave Ré; Escorpião, Senhores da Forma, nota-chave Mi. Seguiram-se as de Sagitário, Senhores da Mente, nota-chave Fá, depois Capricórnio, Arcanjos, nota-chave Sol; Aquário, Anjos, nota-chave Lá, e depois Peixes, nossa própria onda de vida, nota-chave Si. Os Arcanjos foram a humanidade do Período Solar.

Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria de nossa atual humanidade, a onda de vida de Câncer, os Querubins, cuja nota-chave é Sol sustenido, reapareceu e por meio do poder incorporado em sua nota-chave, despertou a passiva força do nosso Espírito de Vida. Ao final do Período Solar, nossa onda de vida possuía o germe aperfeiçoado do que se tornaria um Corpo Denso; depois o germe de um Corpo Vital, um Espírito Divino que despertou e um Espírito de Vida também despertado, que mais tarde se manifestaria como poder do Amor-Sabedoria. Durante o Período Solar, as várias ondas de vida começaram seu trabalho no Mundo do Espírito de Vida, depois entraram na Região do Pensamento Abstrato, depois na Região do Pensamento Concreto e, por último, no Mundo do Desejo. Após cada imersão completa na matéria (Revolução) – 7 delas sobre 7 globos – todas descansaram no Mundo do Espírito Divino, novamente assimilando tudo o que haviam contatado, e se preparando para outro Dia de Manifestação.

O veículo mais inferior da onda de vida evoluinte era, então, composto de substância do Mundo do Desejo. Notemos que, após o término do Período Solar, seguiu outro grande período de descanso assimilativo. A terceira oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Lunar. Na aurora do Período Lunar, começaram a aparecer as várias ondas de vida em evolução. Primeiro surgiram os Senhores da Sabedoria, Virgem, trazendo consigo os veículos germinais do ser humano em evolução; os Senhores da Individualidade, Libra, foram os seguintes imediatos e tiveram a tarefa especial da evolução material do Período Lunar. Durante o Período de Saturno, o Corpo Denso germinal do ser humano começou a desenvolver os órgãos dos sentidos. A música era no tom Lá sustenido, a nota-chave de Leão (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)). Para sustenizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo acima dela.

Para bemolizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo abaixo dela. Se a chave de Lá sustenido (ou Si bemol) foi usada para desenvolver os órgãos dos sentidos no germe do Corpo Denso, então, os tons da escala de Lá sustenido (ou Si bemol) podem ser usados para fornecer a continuidade desse desenvolvimento. A escala Lá sustenido contém quatro notas sustenidas: Lá sustenido, Si sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido e três notas dobradas sustenidos: Fá dobrado sustenido, Dó dobrado sustenido, Sol sobrado sustenido. Os acordes são:

A escala Si bemol contém duas notas bemolizadas, mas observem que as notas, exceto os sustenidos e bemóis, são exatamente as mesmas. As notas são bemolizadas são Si e Mi.

Os Senhores da Chama exerceram a liderança durante o Período de Saturno; e como sua escala musical, Lá sustenido (ou Si bemol), continha os tons usados ​​para despertar o poder do Espírito Divino, que é a Vontade, então, esses mesmos tons possuem um imenso valor para futuramente desenvolver ainda mais esse poder tão elevado do Espírito, a Vontade.

Na segunda imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a onda de vida de Virgem (Senhores da Sabedoria) irradiou de seus próprios corpos o germe do Corpo Vital do ser humano, incluindo todas as possibilidades que ele possuía, e o implantou no próprio corpo do ser humano. A onda de vida de Virgem tem Dó natural como sua nota-chave; e consequentemente, os acordes pertencentes a essa escala, a escala de Dó natural, quando tocados, ajudarão no desenvolvimento futuro das potencialidades do Corpo Vital. Esses acordes são:

Algumas das potencialidades do Corpo Vital são crescimento, desenvolvimento das percepções sensoriais, propagação, desenvolvimento e ação das glândulas e de todos os órgãos físicos, que utilizem da substância etérica, possuídos pelo Corpo Físico. Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a onda de vida de Câncer despertou o germe do Espírito de Vida. A nota-chave de Câncer é Sol sustenido Maior (Lá bemol), e os tons de acordes pertencentes a essa onda de vida é que foram usados ​​para obter os resultados.

Os acordes pertencentes a Sol sustenido Maior são:

Se os tons de Sol sustenido Maior (Lá bemol) despertaram o germe do Espírito de Vida, esses mesmos tons musicais ajudarão a estimular e a desenvolver poderes potenciais do Espírito de Vida. A terceira oitava da escala cromática forneceu os tons musicais usados durante o Período Lunar. No Período Lunar, durante a terceira imersão (Revolução) em substância mais densa do corpo, a onda de vida de Libra, Senhores da Individualidade, irradiaram de si mesmos o germe que mais tarde se desenvolveu no Corpo de Desejos do ser humano. O nota-chave de Libra é Ré Maior, e os tons pertencentes a essa escala, representados pelos seus acordes, é que foram usados para realizar esse trabalho. Os acordes pertencentes a Ré Maior são encontrados na escala que usa dois sustenidos. As notas sustenidas são Dó e Fá.

Os acordes dessa escala são:

Os tons encontrados nos acordes em Ré Maior ajudarão a desenvolver o Corpo de Desejos, de acordo com o perfeito padrão cósmico. Durante a quinta imersão (Revolução) em substância mais densa no Período Lunar, a onda de vida de Gêmeos, os Serafins, reapareceram e despertaram, até então passivo, o Espírito Humano. A nota-chave da onda de vida de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). As notas sustenidas são: Lá, Dó, Ré, Mi, Fá e Sol (todas sustenidas, exceto o Si). Os acordes de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) são:

Os tons usados para estimular e ajudar a promover o desenvolvimento do Espírito Humano são encontrados nos tons de acordes pertencentes à tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior).

No final do Período Lunar, o terceiro grande Dia Cósmico, encontramos as seguintes condições: as ondas de vida, por meio do poder de seus respectivos tons musicais incorporados em escalas e acordes, trabalharam sobre o desenvolvimento do ser humano: Áries Ré bemol; Touro, Mi bemol; Gêmeos, Fá sustenido; Câncer, Sol sustenido Maior; Leão, Lá sustenido; Virgem, Dó natural; Libra, Ré Maior. Como resultado de seus trabalhos, o espírito-ser humano possuía despertos os poderes do Espírito: Divino e de Vida e Humano os Corpos: Denso, Vital e de Desejos, muito pouco desenvolvidos, e que estavam ainda no início de sua manifestação. Os tons usados pelas ondas de vida em seus trabalhos são encontrados no piano, começando com Ré bemol na extremidade inferior do teclado e se estendendo até ao Dó central, no meio do teclado. Nessa época, o ser humano ainda estava fora de seus veículos e, todo o trabalho que executava era automático e dirigido pelos grandes Seres mencionados acima, que estavam encarregados de sua evolução.

Capítulo VII – Nosso Espírito-Grupo, Jeová e Nossa Própria Onda de Vida

No final do Período Lunar houve uma divisão no Globo ou no Planeta na qual estávamos evoluindo, e esse Planeta menor foi arremessado ao espaço. Esse Planeta se condensou muito rapidamente e permanecendo o campo da nossa evolução até o final do Período Lunar. Com relação a essa época, Max Heindel diz: “Imagine um imenso globo girando no espaço como um satélite ao redor de globo de origem. É o Corpo do Grande Espírito, Jeová. Assim como agora somos constituídos de carne macia e ossos duros, assim também a parte central do Corpo de Jeová era mais densa que a externa, que era nebulosa e semelhante à nuvem. Embora sua consciência interpenetrasse o todo, ele próprio aparecia principalmente na nuvem, juntamente com seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Desse grande firmamento de nuvens pendiam milhões de cordões, cada um com sua própria bolsa fetal, pairando próximo à densa parte central da nuvem. E, assim como a corrente vital da mãe humana circula por meio do cordão umbilical, nutrindo o embrião durante a vida pré-natal com o propósito de desenvolver um veículo onde o espírito possa habitar independentemente quando o período de gestação for completado, também, a vida divina de Jeová nos cobria na nuvem e acompanhou toda a família humana durante aquele estágio embrionário de nossa evolução. Éramos, então, tão incapazes de iniciativa como o feto o é hoje”.

No final do Período Lunar, as partes divididas do globo original foram dissolvidas e imersas no Caos geral, que precedeu a reorganização do globo para o Período Terrestre. No Período Terrestre, a onda de vida de Virgem, os Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó natural (também Dó central do Piano), se encarregaram do desenvolvimento do Espírito Divino, o poder-vontade do ser humano. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI. A onda de vida de Libra, os Senhores da Individualidade, estava suficientemente avançada para despertar o segundo poder do ser humano, o poder do amor do Espírito de Vida de atração e coesão, colocado sob seus cuidados. Sua nota-chave é Ré Maior e, também, os acordes de Ré Maior podem ser encontrados no Capítulo VI.

A onda de vida de Escorpião, os Senhores da Forma, se encarregaram do terceiro poder do ser humano, o Espírito Humano, que é o poder da sua atividade e se manifesta como fecundação – o poder de produzir e crescer. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior, e tem 4 sustenidos, a saber, Dó sustenido, Ré sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido. Os acordes são:

Durante a quarta imersão na matéria (ou Revolução), na Época Atlante, a onda de vida de Sagitário, os Senhores da Mente, irradiaram de si mesmos para o interior do nosso ser, o núcleo do material com o qual estamos, agora, procurando construir uma Mente organizada. A Mente é formada pela substância das quatro Regiões do Pensamento Concreto. A segunda Região contém os arquétipos da vitalidade universal; a terceira contém os arquétipos do desejo e da emoção; a quarta região contém as forças arquetípicas da mente humana, sendo que a primeira, ou região mais inferior, contém os arquétipos da forma.

A Região das Ideias Germinais, na Região do Pensamento Abstrato, é refletida na primeira Região do Pensamento Concreto. As Ideias Germinais de Vida, na Região do Pensamento Abstrato, são refletidas na segunda Região do Pensamento Concreto, e a Região das Ideias Germinais Abstratas do Desejo e das Emoções são refletidas na terceira Região de Pensamento Concreto. Na última parte da Época Lemúrica uma pequena parte da nossa humanidade estava suficientemente desenvolvida para que pudesse receber o germe da Mente. A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem um bemol, que é o Si. Os acordes são:

Observe que esse acorde está correlacionado com a Mente, o último veículo adquirido pelo ser humano e o menos desenvolvido dos quatro que possui: Denso, Vital, de Desejos e Mente. Aqui temos a chave para o rápido desenvolvimento mental, os acordes de Fá Maior, que contém Si bemol (Sib). Max Heindel afirma que as tonalidades musicais ou encantamentos são usadas em todas as ordens ocultas e para todos os propósitos. Nas ordens ocultas, como a dos Rosacruzes, a nota-chave do encantamento entoado em cada grau é de uma medida vibratória diferente da nota-chave de todos os outros graus e aquele que não possuir a chave é incapaz de se harmonizar nesse grau, se sentindo paralisado, como se houvesse uma muralha invisível de vibração circundando o Templo.

Max Heindel afirma ainda que a música tem uma missão maior do que simplesmente a de nos proporcionar prazer. De fato, a Harmonia das Esferas é a base de toda evolução, pois sem ela não poderia haver qualquer progresso; e no momento em que nossos ouvidos estabelecem harmonia com ela, alcançaremos a “chave” para todo avanço. Ele diz que no Segundo Céu o Espírito possui o conhecimento dos sete Planetas, que formam a caixa de ressonância e as sete cordas da lira de Apolo. Os Senhores da Mente, Sagitário, só trabalham com a humanidade no plano terrestre, pois não tratam com nada que seja inferior à substância mental. Os Arcanjos são especialistas em construir Corpos a partir da substância do desejo e, portanto, são capazes de ensinar o ser humano e aos animais a moldar e usar o Corpo de Desejos. A nota-chave dos Arcanjos, a onda de vida de Capricórnio, é Sol Maior. Sua escala tem um sustenido, a saber, Fá sustenido (Fá#). Seus acordes são:

Os Anjos são extremamente experientes na construção do Corpo Vital, pois no Período Lunar, quando eram humanos, o Éter era o estado mais denso da matéria. Devido a sua habilidade de construir e modelar o Éter, eles são realmente os instrutores do ser humano, do animal e das plantas, em relação às funções vitais, incluindo a propagação e nutrição. A nota-chave dos Anjos, os Aquarianos, é Lá Maior. Sua escala tem 3 sustenidos, ou seja, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#). Seus acordes são:

Nossa própria onda de vida humana está aprendendo a se tornar perita na construção de Corpos a partir da substância física e, portanto, as pessoas estão ficando aptas a se tornarem instrutoras para o reino mineral, quando os membros desse reino estiverem suficientemente individualizados para utilizar formas distintas.

Já estamos começando a modelar vários minerais em formas individuais. A nota-chave da humanidade, os piscianos, é Si Maior. Sua escala tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#), Ré sustenido (Ré#) e Lá sustenido (Lá#). Seus acordes são:

A nota-chave da onda de vida de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Sua escala contém 5 bemóis, a saber, Sol bemol (Solb), Si bemol (Sib), Ré bemol (Réb), Mi bemol (Mib), Lá bemol (Láb). Seus acordes são:

A nota-chave da onda de vida de Touro é Mib maior. Sua escala contém 3 bemóis, a saber, Láb, Sib, Mib. Seus acordes são:

Cada parte do corpo do ser humano foi construído pelas notas-chave vibratórias das doze grandes ondas da vida assistidas pelos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus, Mercúrio, mais a ação de Netuno, Lua terrestre. Os poderes espirituais do ser humano foram despertados por algumas das doze grandes ondas da vida, como mencionado nos capítulos anteriores.

Esse trabalho foi e continua sendo executado em toda a humanidade, independentemente do Signo Solar planetário do indivíduo. Todos esses grandes Auxiliares Invisíveis estavam, ou estão agora, executando suas atividades sob a direção do Deus do nosso Sistema Solar, e são, por assim dizer, Seus embaixadores terrestres. O Deus do nosso Sistema Solar cria em ondas de vida, como já mencionado. Doze dessas ondas de vida têm os mesmos nomes que os Signos do Zodíaco e serão usadas mais tarde por Eles como Signos de Seu próprio Zodíaco, quando Ele se dissolver na unidade para formar o invólucro de um Sistema Solar para um outro Deus.

As ondas de vida de Áries e Touro estão agora no Mundo de Deus; as ondas de vida de Gêmeos, Câncer e Leão estão no Mundo dos Espíritos Virginais; a onda de vida de Virgem está no Mundo Espírito Divino; a onda de vida de Escorpião está na Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento; a onda de vida de Sagitário está na Região do Pensamento Concreto no Mundo do Pensamento; a onda de vida de Capricórnio está no Mundo do Desejo; a onda de vida de Aquário está na Região Etérica do Mundo Físico; e a onda de vida de Peixes está na Região Química do Mundo Físico. Isso não significa que os seres pertencentes a essas doze ondas de vida estejam confinados dentro dos limites de uma determinada Região ou Mundo.

Essas regiões são simplesmente seus lares; eles estão livres para prestar serviço em muitas outras localidades ou em outros planos, da mesma forma que nossa própria onda de vida, durante a atual manifestação, funciona em Mundos tão elevados quanto o Mundo do Pensamento Abstrato. Quanto mais compreendermos a criação, melhor entenderemos a música e vice-versa. Por exemplo, um acorde perfeito é formado da primeira, terceira e quinta letras ou notas na escala. As letras são C, E, G; as notas são Dó, Mi, Sol, sendo que tanto as letras quanto as notas representam o mesmo tom. Para sabermos qual a onda de vida planetária que rege espiritualmente um Período devemos primeiro atentar para a onda de vida humana daquele período.

Os Sagitarianos ou Senhores da Mente eram a humanidade do Período de Saturno. Agora, começando por Sagitário conte mais cinco ondas de vida para cima e chegaremos à onda de vida de Leão ou Senhores da Chama, que tinham aos seus cuidados os impulsos espirituais começando a agir sobre a humanidade do Período de Saturno. Lembremos que a nota-chave de Leão é Lá sustenido (musicalmente usado: Sib Maior – Bb Major), cuja música está relacionada com o trabalho feito para o crescimento do Corpo Denso e o despertar do Espírito Divino. Assim, qualquer música escrita na tonalidade de Lá sustenido (Bb Major) favorecerá o trabalho executado durante o Período de Saturno. A humanidade do Período Solar eram os Capricornianos ou Arcanjos.

Começando aqui e contando para cima até cinco, encontramos os Virginianos ou Senhores da Sabedoria, como a onda de vida encarregada dos impulsos espirituais que estavam começando a atuar sobre a humanidade do Período Solar. A nota-chave de Virgem é Dó natural. O trabalho especial que estava sendo feito se relaciona com o crescimento do Corpo Vital e o despertar do Espírito de Vida. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Dó natural ajudará o trabalho iniciado no Período Solar. A humanidade do Período Lunar era a dos Aquarianos ou Anjos. Começando com eles e contando para cima até cinco, encontramos a onda de vida de Libra ou dos Senhores da Individualidade, encarregados dos impulsos espirituais que estavam agindo sobre a humanidade do Período Lunar. A nota-chave de Libra é Ré Maior. O trabalho especial que estava sendo feito se refere ao crescimento do Corpo de Desejos e o despertar do Espírito Humano.

Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Ré Maior ajudará o trabalho iniciado no Período Lunar. A humanidade do Período Terrestre é a dos Piscianos, nossa própria onda de vida. Começando com Peixes e contando para cima até cinco, encontramos as ondas de vida de Escorpião ou Senhores da Forma, encarregados dos impulsos espirituais que agora estão sendo dirigidos para nós, a humanidade do Período Terrestre. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior. O trabalho especial que está sendo feito durante o Período Terrestre se refere ao desenvolvimento do veículo Mente. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Mi Maior ajudará o crescimento da Mente, que é o trabalho do Período Terrestre. O propósito da regência espiritual é principalmente dar os impactos necessários para que atuem como um estímulo de ação na onda de vida inferior, sobre a qual o impacto é dirigido, pois todo desenvolvimento é o resultado de algum tipo de atividade musical.

Resumindo o que foi dito, encontramos:

  • O Espírito Divino – nota-chave: Lá sustenido (musicalmente Si bemol) maior, regendo a Onda a Vida de Leão.
  • Espírito de Vida – nota-chave: Sol sustenido maior (musicalmente Lá bemol), regendo da Onda e Vida de Câncer.
  • Espírito Humano – nota-chave: Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), regendo a Onda de Vida de Gêmeos.
  • Corpo Denso – nota-chave: Lá sustenido Maior (musicalmente Si bemol), regendo a Onda de Vida de Leão.
  • Corpo Vital – nota-chave: Dó natural, regendo a Onda de Vida de Virgem.
  • Corpo de Desejos – nota-chave: Ré Maior, regendo a Onda de Vida de Libra.
  • Mente – nota-chave: Fá Maior, regendo a Onda de Vida de Sagitário.

Os acordes relacionados aos três poderes do Espírito e aos quatro veículos do ser humano, como também, toda música escrita na nota-chave dos acordes, podem ser efetivamente usados para desenvolver os três poderes espirituais do ser humano e os seus quatro veículos.

Capítulo VIII – A Harmonia das Esferas

A Harmonia das Esferas não está composta de tom único; varia de dia a dia e de mês a mês, conforme o percurso do Sol e dos Planetas através de cada Signo. Há, também, variações anuais periódicas devido à Precessão dos Equinócios. Há real e uma infinita variedade na Música das Esferas, e que realmente deve acontecer, pois a constante mudança da vibração espiritual é a base de toda a evolução física e espiritual. Nos meses de março e abril predominam os tons de Áries e Marte, propícios à germinação, renovação de vida e crescimento nos reinos humano e vegetal. Se pudéssemos ter uma leve ideia da Música das Esferas nessa época, ouviríamos canções de Páscoa como:

Jesus Cristo ressuscitou hoje, Aleluia!

Nosso dia sagrado e triunfante, Aleluia!

Aquele que na Cruz pregado, Aleluia!

Sofreu para nos resgatar da perdição, Aleluia![33]

Cristo Jesus é a personificação do amor espiritual; portanto, a música composta na tonalidade de Libra (Ré Maior), regida por Vênus, o Planeta do amor, está em total harmonia com a Sua vibração, e com a desse grande Ser. Em junho e julho, os tons produzidos por Câncer e pela Lua predominam, auxiliados pelos tons de Leão e pelo Sol, os quais tendem a amadurecer os processos iniciados pelos tons energizantes de março, abril, maio e junho. Durante junho, julho, agosto e setembro, o amor e a vida agem intensamente nos corações em regozijos, pois são Mestres na luta pela existência, enquanto o Sol é exaltado nos céus do norte até ao máximo de seu poder na época do Solstício de Junho. Essa é a época em que o Cristo, tendo alcançado o trono do Pai (o Mundo do Espírito Divino), depois de ter completado Seu trabalho terrestre por mais um ano, é saudado pelas hostes celestiais, os Senhores da Sabedoria, que também habitam lá.

Em honra a esse grande Ser, que deu a Sua vida até a exaustão, é apropriado nos juntarmos àquele coro celeste cantando:

Aclamem todos o poder do nome de (Cristo) Jesus!

Deixe os Anjos prostrarem-se;

Tragam o diadema real

E como o Senhor de todos, coroem-No[34].

A nota-chave de Leão é Lá sustenido Maior (musicalmente Si bemol). O Sol, seu Regente, e sua palavra-chave é Vida. A nota-chave de Câncer é Sol Maior e sua palavra-chave é a fecundação. Em setembro, outubro, novembro e dezembro os tons de Virgem, cuja nota-chave é Dó natural, e a palavra-chave de Mercúrio, razão energizada pelos tons de Escorpião, nota-chave é Mi Maior e pela palavra-chave de Marte, energia dinâmica, se prepararam para o encontro com a força dos raios do Cristo que se aproxima, na sua descida anual à Terra, e cujas poderosas vibrações espirituais estão na atmosfera da Terra e a humanidade seria capaz usá-las, com maior proveito, se conhecesse os fatos e redobrasse seus esforços para prestar o serviço amoroso e desinteressado aos seus semelhantes.

Apresentamos aqui a letra e a música que podem ser de grande valia a cada um de nós para o seu desenvolvimento evolutivo:

Oh, adorem o Rei, todos que são gloriosos no além,

E com gratidão, cantem Seu maravilhoso amor;

Nosso Amparo e Defensor, o Venerável dos Dias vem,

Envolvido em grande luz e cingido com louvor[35].

Verdadeiramente é assim; pois a medida em que Cristo desce para à Terra, uma canção harmoniosa, rítmica e vibratória, uma hosana é cantada pelas hostes celestiais enchendo a atmosfera da Terra e atuando sobre todos, como um impulso em direção à aspiração espiritual. Durante dezembro, janeiro, fevereiro e março, os tons do filantrópico Sagitário, nota-chave Fá Maior, regido pelo otimista e benevolente Planeta Júpiter, cuja palavra-chave é idealismo, e o quieto e metódico Capricórnio, nota-chave Sol Maior, regido pelo conservador e perseverante Saturno, cuja palavra-chave é obstrução, com suas sistemáticas atividades construtivas, preparam a Terra para receber o raio do amor de Cristo e nutri-la, até que esteja preparada para a liberação, até o centro da Terra e, então, começa sua viagem para fora, em direção a periferia da Terra, alcançando-a na época do Equinócio de Março.

Quando os dias são curtos e as noites longas, na Noite Santa[36], o raio do Espírito de Cristo alcança o centro da Terra. Aqui Ele permanece por três dias e três noites liberando de Si mesmo a germinante força do Espírito Santo que, lentamente, vai permear a Terra e frutificá-la para o próximo ano. Sem esse poder vitalizante e energizante liberado pelo Cristo, a Terra permaneceria fria, estéril e sombria; todos os seres viventes pereceriam e todo progresso ordenado seria frustrado, no que se refere ao nosso atual esquema de desenvolvimento. Portanto, seria mais apropriado que na época Santa do Natal emanássemos nosso sincero reconhecimento e adoração, juntando-nos às hostes celestiais, entoando canções de louvor sintonizadas à música celestial, dada a nós pelo grande músico e mestre Felix Mendelssohn[37]:

Ouçam! Os Anjos mensageiros cantam;

Glória ao recém-nascido Rei;

Paz na Terra e suave misericórdia,

Deus e pecadores reconciliados;

Alegre, que todas as nações se elevam,

Junta-te ao triunfo dos céus; com a hoste angelical proclamar, Cristo nasce em Belém.[38]

As ondas de vida Hierárquicas e os Signos zodiacais não são os únicos auxiliares da humanidade para ajudá-la em sua evolução. Os Sete Espíritos ante o Trono: Marte, Mercúrio, Vênus, Terra, Saturno, Júpiter e Urano prestaram e estão prestando um grande serviço à humanidade e, no momento, em contato muito íntimo com a humanidade. Cada um desses Planetas têm uma nota-chave própria, e é através do poder vibratório delas que os Planetas são capazes de prestar auxílio. Quando o Espírito inicia os preparativos para o renascimento, ele constrói o arquétipo criativo de sua forma física no Segundo Céu, a Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento, com a assistência dos Sete Espíritos ante o Trono. Esse arquétipo é um modelo ou um molde sonoro, vibrante, uma cavidade oca posta em ação pelo Espírito, com uma certa força que é proporcional ao tempo a ser vivido na Terra.

Até que o arquétipo cesse de vibrar, a forma correspondente, construída dos elementos químicos da Terra, continuará a existir. A Região do Pensamento Concreto é o reino do som, onde a Harmonia das Esferas, uma música verdadeiramente celestial, impregna tudo que lá existe, assim como a atmosfera da Terra circunda e envolve tudo aqui. Podemos dizer que todas as coisas nessa região estão envolvidas e permeadas por música – vivem e crescem por meio da música. Tudo isto demonstra, claramente, que nossa música terrena não aconteceu por acaso, mas foi estabelecida sobre bases encontradas nos Mundos espirituais mais elevados, cuja origem está na palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.

Capítulo IX – O Arquétipo e o Corpo Denso

Observemos que as notas da escala musical são: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si[39], que formam um intervalo de sete tons, a base da Harmonia das Sete Esferas. As vibrações de Urano e Netuno só atuaram no progresso material do ser humano muito depois da época de Pitágoras, quando começou a sentir suas vibrações. Os tons desses dois Planetas, acrescentados aos sete, perfazem nove, o número da humanidade.

Os sete tons maiores da escala, quando tocados corretamente, possuem dentro de si os poderes criativos e construtores de Deus. A manifestação dos tons menores é subjetiva ou assimilativa por natureza, portanto, não criativa. O lar dos cinco tons menores é o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato).

Quando o Espírito abandona o Corpo Denso (físico) no momento da morte, ele passa pelo Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento Concreto (Segundo Céu) e Mundo do Pensamento Abstrato (Terceiro Céu), onde permanece algum tempo antes de voltar a renascer na Terra. Quando chega o momento do renascimento, ele deixa o Mundo do Pensamento Abstrato e penetra no Mundo do Pensamento Concreto. Ali, a Música das Esferas põe, imediatamente, o Átomo-semente do Corpo Denso em vibração, e um desses sete Planetas vibra, em particular harmonia com o Átomo-semente do Corpo Denso do Espírito. Cada tom planetário é modificado para se adaptar ao tom básico desse Planeta, em harmonia com o denso Átomo-semente do Corpo físico do Espírito, tornando-se, assim, o Regente planetário dessa próxima vida terrena do Espírito.

Quando os tons dos vários Planetas se chocam com o Átomo-semente do Corpo Denso, cada um deles ajuda a construir o arquétipo do Espírito, e mais tarde, as linhas de força vibratórias formadas no arquétipo, atraem e ordenam adequadamente os átomos densos do Corpo físico. Assim, tanto o arquétipo quanto o Corpo Denso expressam, de forma acurada, a Harmonia das Esferas exatamente como foi tocada durante o período da construção arquetípica. O período de tempo transcorrido desde o momento em que o Espírito deixa o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento), até que penetre no Corpo de sua futura mãe, é muito mais longo do que o período de gestação (9 meses) e varia de acordo com a complexidade da estrutura necessária pelo Espírito que procura renascer.

Nem o processo da construção do arquétipo é contínuo; pois sob certos Aspectos (Quadraturas, Oposições, Trígonos, Sextis, Conjunções e Paralelos), os Astros podem produzir notas às quais os poderes vibratórios do Átomo-semente podem não responder; e, mais uma vez, o Espírito simplesmente sussurra tons que já aprendeu e, assim empenhado, aguarda um novo tom que possa utilizar para construir melhor o organismo pelo qual deseja se expressar. Também é necessário tempo para atrair o material que se precisa nas várias regiões do Mundo do Desejo (7 Regiões), para construir um novo Corpo de Desejos, onde o arquétipo controla a quantidade do material e o Átomo-semente do Corpo de Desejos controla a sua qualidade.

Na Região Etérica do Mundo físico, esse material precisa ser atraído para um novo Corpo Vital, mas fica a cargo do Anjos do Destino e seus agentes a separação de uma parte desse material para formar a matriz etérica para o Corpo Denso, que será construído mais tarde. Lembremo-nos de que estamos agora trabalhando sob influência dos sete tons no meio do teclado do piano, que é a oitava do meio, havendo três oitavas de cada lado dela. As lições pertencentes às três oitavas abaixo devem ser, por nós, completadas. As lições pertencentes à oitava do meio são as que estamos aprendendo. Note que as lições pertencentes aos tons da oitava mais inferior no teclado do piano – Período de Saturno – estavam empenhadas na construção do Corpo Denso e no despertar dos poderes negativos do Espírito Divino. As lições pertencentes à segunda oitava do teclado do piano – Período Solar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava e estavam empenhadas na construção do Corpo Vital (Virgem, nota-chave Dó natural), e no despertar dos poderes negativos do Espírito de Vida, a onda de vida de Câncer, nota-chave Sol sustenido Maior (musicalmente Lá bemol). As lições, pertencentes aos tons da terceira oitava no teclado do piano – Período Lunar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava. Elas dizem respeito à construção do Corpo de Desejos (Libra, nota-chave Ré Maior) e ao despertar dos poderes negativos do Espírito Humano (Gêmeos, nota-chave Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# Maior)). As lições pertencentes aos tons da quarta ou oitava do meio – Período Terrestre – se relacionam com a construção do veículo Mente e com o seu desenvolvimento; o mais importante desses tons para a humanidade atual é Fá Maior, a nota-chave dos Senhores da Mente, os Sagitarianos.

O ser humano tendo adquirido seus Corpos: Denso, Vital, de Desejos e o veículo Mente, precisa aprender a cuidar deles e mantê-los em condições saudáveis durante o Período Terrestre, o que depende quase inteiramente do estado da Mente. Em geral, a Mente forma uma perfeita conexão entre o Espírito e seus quatro veículos, mas é possível que essa conexão se torne falha ou mesmo completamente rompida, e então, sérios transtornos mentais poderão advir. As doenças mentais podem ocorrer na união da Mente descontrolada com o Corpo de Desejos, ou pelo prolongado som violento de uma ou de todas as vibrações astrais, sejam da Lua, de Mercúrio, Urano ou Netuno. Usadas dessa maneira, elas têm o poder de destruir não só a própria Mente, mas também o Corpo Denso, Vital e de Desejos, enquanto que vibrações de baixa intensidade, suaves e rítmicas desses Astros suavizam e curam.

Capítulo X – O Poder Curador da Música

A vibração é vida manifestada, e é a origem de todas as coisas criadas que existem ou sempre existiram. A inércia, seu oposto, resulta em separação, desintegração e deterioração. Música e cor, ambas, são o produto de certos graus do poder vibratório. Os graus vibratórios harmoniosos são saudáveis, criadores e construtivos; os discordantes são destrutivos, fazem perder a integridade e são susceptíveis à dissolução. O som é a origem da cor e tão somente um som claro e melodioso pode produzir uma cor bela, atraente e inspiradora.

O espectro solar reflete sete cores distintas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Existem sete tons produzidos no teclado do piano pelas teclas brancas de uma oitava. Dó corresponde ao vermelho, Ré ao laranja, Mi ao amarelo, Fá ao verde, Sol ao azul, Lá ao índigo e Si ao violeta. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride exatamente com duas vezes mais vibrações que as usadas na primeira oitava, e as mesmas notas são repetidas em uma escala mais delicada. É o mesmo que ocorre com o olho normal: quando essa escala é completada na cor violeta, outra oitava mais delicada de cores, invisíveis, com duas vezes mais vibrações, terá início e progredirá de acordo com a mesma lei. Áries tem a regência geral da cabeça e dos vários órgãos dentro da cabeça e sobre os olhos; mas o nariz está sob a regência de Escorpião. Assim, uma doença de algum desses órgãos, exceto o nariz, será beneficiada pela música tocada suavemente na escala de: Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Áries são: a dor de cabeça, a nevralgia, o coma e as condições de transe, as doenças do cérebro e hemorragias cerebrais. O tratamento para combater essas doenças é a música tocada suavemente na tonalidade de: Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior). Touro rege o pescoço, a garganta, o palato, a laringe, as tonsilas, a mandíbula inferior, os ouvidos, a região occipital do cérebro, o cerebelo, a vértebra atlas[40], as vértebras cervicais, as artérias carótidas, as veias jugulares e os vasos sanguíneos menores. A música tocada suavemente na tonalidade de Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) é de grande benefício quando um desses órgãos começa a mostrar sinais de doença. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Touro são: o bócio, a difteria, a crupe e a apoplexia. Como cada Signo sempre reage sobre o Signo oposto, as aflições em Touro também podem produzir as doenças venéreas, a constipação ou menstruação irregular. Gêmeos rege os braços e as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo e a caixa torácica superior. Qualquer doença em uma dessas partes pode ser tratada por música tocada suavemente na tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Gêmeos são: a pneumonia, as doenças pulmonares, a pleurisia, o bronquite, a asma e a inflamação do pericárdio. Música tocada suavemente na nota-chave de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) é benéfica para neutralizar a atividade dessas doenças. Câncer rege o esôfago, o estômago, o diafragma, o pâncreas, as mamas, os vasos lácteos, os lóbulos superiores do fígado e o ducto torácico. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Câncer são a indigestão, o gás no estomago, a tosse, os soluços, a hidropisia, a melancolia, a hipocondria, a histeria, os cálculos biliares e a icterícia. Doenças mencionadas sob a regência de Câncer são neutralizadas por música tocada suavemente em Sol sustenido (musicalmente: Lá bemol) Maior[41]. Leão rege o coração, a região dorsal da coluna vertebral, a medula espinhal e a aorta. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Leão são: a regurgitação, a palpitação, os desmaios, o aneurisma, a meningite espinhal, a curvatura da coluna vertebral, a arteriosclerose, a angina do peito, a hiperemia, a anemia e a hidremia. Música tocada suavemente na nota-chave de Lá sustenido (musicalmente Si bemol) Maior[42] traz alívio para quem sofre dessas doenças. Virgem rege a região abdominal, os intestinos grosso e delgado, os lobos inferiores do fígado e o baço. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Virgem produzem: a peritonite, a tênia e desnutrição, a interferência na absorção do quilo, a febre tifoide, a cólera e o apendicite. A melhor música tocada para aliviar qualquer uma das aflições mencionadas é a de Dó natural[43] suavemente executada. Libra rege os rins, as suprarrenais e a região lombar da espinha, o sistema vasomotor e a pele. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Libra são: a poliúria ou supressão da urina, a inflamação dos ureteres, que conectam os rins com a bexiga, a doença de Bright[44], o lumbago, a eczema e outras doenças de pele. A música para o tratamento dessas doenças deve ser tocada suavemente na tonalidade de Ré Maior[45]. Escorpião rege: a bexiga, a uretra, os órgãos genitais em geral, também o reto e o cólon descendente, a flexura sigmoide, a próstata e os ossos nasais. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Escorpião são: o catarro nasal, as adenoides, o pólipo, as doenças do útero e dos ovários, as várias doenças venéreas, o estrangulamento e alargamento da glândula da próstata, as irregularidades da menstruação, a leucorreia, a hérnia, os cálculos renais e a litíase. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior[46]. Música tocada suavemente nesse tom dissipa as doenças de Escorpião. Sagitário rege: os quadris e as coxas, o fêmur, o íleo, as regiões do cóccix e sacral da coluna vertebral, as artérias e veias ilíacas e os nervos ciáticos. Música tocada suavemente na tonalidade de Fá Maior[47] é o melhor tratamento quando alguma dessas partes do corpo sofrem das doenças próprias dessas partes. Capricórnio rege: a pele, os joelhos e tem também uma ação reflexa sobre o estômago, que é governado pelo Signo oposto, Câncer. Música tocada suavemente na tonalidade de Sol Maior[48] é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Capricórnio, que são: o eczema e outras doenças de pele, a erisipela, a hanseníase e os distúrbios digestivos. Aquário rege: os tornozelos, os membros desde os joelhos até os tornozelos, e tem uma ação reflexa em seu Signo oposto, Leão; daí aflições em Aquário produzirem as varizes, provocar a entorse de tornozelo, as irregularidades da ação do coração e a hidropisia. A nota-chave de Aquário é Lá Maior[49]. Música tocada suavemente nesse tom é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Aquário. Peixes governa os pés e os dedos dos pés. Também exerce efeito reflexo sobre região abdominal governada pelo Signo oposto Virgem; portanto, as aflições neste Signo indicam os problemas e as deformações dos pés, as doenças intestinais e a hidropisia; também desejo por bebida e drogas que podem levar ao delirium-tremens. Música tocada suavemente na tonalidade de Si Maior[50] é melhor para as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Peixes.

Capítulo XI – Os Auxiliares Invisíveis e a Cura

O Serviço de cura espiritual da Fraternidade Rosacruz é realizado pelos Probacionistas que trabalham à noite, enquanto estão fora de seus Corpos Densos que ficam adormecidos. Eles são chamados de Auxiliares Invisíveis porque não podem ser vistos pela visão física. Seu trabalho de cura depende dos seguintes fatores principais: o tom do Corpo Vital do paciente e do Probacionista Auxiliar Invisível curador devem estar em perfeita harmonia (isso está sob os cuidados dos Irmãos Maiores).

O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, deve ter decidido se tornar um Auxiliar para a cura no plano invisível. Esses Auxiliares Invisíveis devem ser Probacionistas, porque ao estarem nesse degrau eles começam a vibrar em uníssono com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e, a cada manhã, quando realizam seu exercício matinal de Concentração, eles fortalecem essa vibração.

Os Auxiliares Invisíveis são de valor inestimável pela seguinte razão: o Corpo Vital do paciente, sobre o qual os Auxiliares Invisíveis trabalham, tem um tom particular (que é determinado pelo Signo Ascendente), e os Auxiliares Invisíveis são selecionados pelos Irmãos Maiores e enviados para trabalhar nos pacientes cujo grau de vibração, ou tom do Corpo Vital, esteja em perfeita harmonia com o do Auxiliar Invisível. Essa é a chave para o sucesso do trabalho efetuado pelos Auxiliares Invisíveis.

O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, conformou sua Mente para estar disposto a ser um trabalhador no plano invisível, e estando sintonizado com a vibração dos Irmãos Maiores, estes supervisionam o seu trabalho. Essa é a razão pela qual um (a) enfermeiro (a) Probacionista, em nosso estabelecimento para o tratamento de pessoas que estão convalescendo ou estão doentes (ou enfermo), é de valor inestimável, pois esse (a) enfermeiro (a) está sintonizada tanto com a nota-chave do Corpo Vital do paciente, como com a vibração (o tom) dos Irmãos Maiores, que são os mentores de todo o trabalho espiritual realizado aqui.

Como ninguém nunca se torna um Auxiliar Invisível até que conforme a sua Mente para se tornar um, e uma vez que o desenvolvimento da Mente é o principal trabalho do Período Terrestre, é absolutamente necessário considerarmos como esse desenvolvimento mental é alcançado. Nenhum desenvolvimento espiritual pode ser alcançado sem a ajuda da Mente, pois a Mente é o elo entre o Espírito e seus veículos inferiores. Os poderes do Espírito são desenvolvidos pela essência da alma, pábulo, alimento extraído do Tríplice Corpo; a Mente é o único meio de transmitir essa essência alimentar para o Espírito.

Quanto mais desenvolvida for a Mente, mais eficiente ela se tornará como condutora do pábulo dos três veículos – Corpo Denso, Vital e de Desejos – para o Espírito. No Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para dentro dos seres humanos, o germe da Mente. A nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitarianos) é Fá Maior. Sua escala tem um bemol, a saber, Si bemol. Qualquer música escrita no tom de um bemol tenderá a influenciar e a desenvolver os poderes mentais da humanidade. Exemplos: America; Work, for the Night is Coming[51]; Where He Leads Me I Will Follow[52].

Os acordes de Fá Maior são:

O Espírito está inteiramente no Mundo Físico enquanto vive sua vida terrena, exceto quando o Corpo está adormecido ou inconsciente por qualquer causa. Durante as horas de vigília, o Espírito está habitando e contatando conscientemente o Mundo exterior por meio do poder da Mente. Quanto mais desenvolvida for a Mente, melhor o Espírito será capaz de contatar o Mundo exterior. No momento atual, a Mente é uma nuvem disforme, que penetra e circunda a cabeça.

A Mente ainda não desenvolveu nenhum órgão. Age como um espelho que reflete o Mundo exterior e capacita o Espírito a transmitir seus comandos por meio de pensamentos e palavras, e compelir à ação. O Espírito gera o pensamento e injeta-o na Mente, a Mente passa-o para os centros cerebrais e estes transmutam-no em incentivos à ação. Entretanto, atualmente, a Mente não está focada de um modo a ser capaz de dar uma clara e verdadeira imagem daquilo que o Espírito imagina. Não está concentrada em um ponto, excluindo todo o resto. Consequência: produz imagens distorcidas e nebulosas.

Daí a necessidade de experiências para mostrar as imperfeições de uma primeira concepção, e em seguida, efetuar novas concepções e ideias, até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental, seja reproduzida na substância física. Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar por meio da Mente apenas aquelas imagens relacionadas à forma, porque a Mente só começou a atuar no Período Terrestre e, portanto, está agora em sua forma ou estágio mineral, daí; portanto estamos limitados às formas minerais em nossas ações.

Podemos imaginar maneiras e meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com Corpos vivos. É certo que enxertamos galhos vivos em árvores vivas, partes vivas de animais ou seres humanos em outras partes vivas, mas não é com a vida que estamos trabalhando; é somente com a forma. Na verdade, estamos fazendo condições diferentes, mas a vida, que já habitou a forma, faz as conexões permanentes e não é o ser humano que faz.

Todas as formas criadas pelo ser humano são inanimadas e, continuarão a ser assim até que a Mente se torne viva – isto é, até que alcance um estágio semelhante ao da planta em seu desenvolvimento. Três das Glândulas Endócrinas estão intimamente ligadas à Mente do ser humano. As sete Glândulas Endócrinas, mencionadas por Max Heindel como as sete rosas na cruz do Corpo Vital, são centros espirituais correlacionados com Netuno, Urano, Mercúrio, Vênus, Sol e Júpiter. Netuno é o regente da Glândula Pineal[53], Urano da Pituitária[54], Mercúrio da Tiroide, Vênus do Timo, Sol do Baço e Júpiter das duas Suprarrenais.

A nota-chave de cada um desses Astros, ao tocar continuamente seu tom, aos poucos está despertando o centro espiritual correspondente à Glândula com o qual está relacionado. Quando o centro espiritual em cada uma dessas Glândulas se tornar desperto e em atividade dinâmica, as sete Glândulas endócrinas conectarão o Espírito ao plano invisível com o qual cada Astro está correlacionado.

O tom de Júpiter, regente das duas suprarrenais, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessas duas Glândulas e, assim, ajudará o ser humano a aprender a lição pertencente à Região Química do Mundo Físico.

O tom do Sol, regente do baço, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes à Região Etérica do Mundo Físico.

O tom de Vênus, regente da Glândula timo, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Desejo. O tom de Mercúrio, regente da Glândula tiroide, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Pensamento.

O tom de Urano, regente do Corpo Pituitário, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito de Vida.

O tom de Netuno, regente da Glândula Pineal, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito Divino.

Capítulo XII – A Música como um Poder Construtor

No progresso evolutivo da humanidade existem, atualmente, quatro classes distintas de pessoas, a saber: os fracassados, que são aqueles que definitivamente fracassaram no esquema atual e terão que voltar ao início (em outro Período de Saturno) e começar tudo novamente; os atrasados, que se trabalharem com afinco o suficiente, terão a oportunidade de alcançar nosso atual esquema de evolução e prosseguir nele; as massas, que estão lentamente aprendendo suas lições e, sem dúvida, serão bem sucedidas; e os pioneiros, aqueles que avançaram e, consequentemente, são a vanguarda da evolução.

Os seres do último grupo estão se tornando instrutores e líderes da humanidade. Os principais, entre eles, são os Irmãos Leigos, os Adeptos e os Irmãos Maiores que compõem os membros das sete Escolas de Mistérios Menores e as cinco de Mistérios Maiores que hoje existem na Terra. No passado longínquo, as principais lições do ser humano estavam relacionadas à construção do Corpo, incluindo os Corpos Denso, Vital e de Desejos, e enquanto realizava esse trabalho, ele era dirigido e ajudado pelas onze Hierarquias Criadoras das ondas de vida que precederam as suas próprias, e pelas mais avançadas pertencentes a ela também.

Do Período de Saturno até a Época Lemúrica do Período Terrestre o ser humano era hermafrodita e capaz de produzir Corpos por meio do duplo poder de sua própria força criadora, isto é, seu poder de atividade germinadora. Ele era insensato e, portanto, fazia seu trabalho de forma automática, estando o Espírito inteiramente fora de seus veículos. Um registro de todo o trabalho feito era fielmente impresso nos Átomos-semente de seus três veículos: Corpos Denso, Vital e de Desejos, que ele então possuía.

Haviam somente três Átomos-semente, um para cada um de seus três veículos, até que lhe foi dado o germe da Mente, o que resultou em quatro veículos e quatro Átomos-semente. Todos os Corpos são construídos por meio do poder incorporado dentro de seu próprio Átomo-semente, que é uma partícula minúscula, invisível e sonora da substância do Espírito, e é propriedade exclusiva daquele a quem foi dada.

Quando os membros da nossa onda de vida progrediram o suficiente para estarem prontos para o próximo passo na evolução, houve uma separação dos poderes positivos e negativos da força da atividade germinadora em cada um deles, sendo que metade dessa força foi dirigida para cima, para construir um cérebro e uma laringe, e o ser humano, então, cessou de ter o poder de produzir novos corpos sem o auxílio de outro ser humano. Na metade da onda de vida, a força vital positiva foi dirigida para cima e, na outra metade, a força negativa foi canalizada para cima. Aqueles em que a força positiva foi dirigida para cima foram chamadas fêmeas, e aqueles em que a força negativa foi voltada para cima, foram denominados machos.

Como resultado, a mulher é positiva no plano mental (Região Concreta do Mundo do Pensamento), e o homem é negativo; enquanto a mulher é negativa no plano físico, o homem é positivo. Uma das razões para construção de um cérebro e de uma laringe era que a humanidade estava prestes a receber o germe da Mente e precisava de um veículo físico com o qual pudesse conectá-lo com o Mundo Físico, pois, o Espírito ainda não havia sido capaz de contatá-lo, exceto em uma consciência de sono com sonhos.

Outra razão foi que a força geradora também tinha que ser elevada à cabeça e os atuais órgãos da geração iam se atrofiar e, gradualmente, se tornarem extintos. O Espírito, então, reproduziria o seu veículo denso através do poder do pensamento e da palavra falada, usando o cérebro e a laringe como seus instrumentos. O Espírito, guiado e dirigido pelos Anjos, construiu o cérebro e a laringe pelo poder do amor. A nota-chave da humanidade é Si Maior (5 sustenidos).

A nota-chave dos Anjos é Lá Maior (3 sustenidos), e a nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitário), que irradiaram o germe da Mente de si próprios para dentro de nós, é Fá Maior (1 bemol). Portanto, estas notas-chave, seus acordes e qualquer música escrita na escala pertencente à nota-chave de Fá Maior, Si Maior e Lá Maior ajudarão o desenvolvimento dos poderes da Mente e do cérebro, de maneira que possam expressar as coisas que o Espírito deseja objetivar no Mundo Físico.

Os Senhores da Mente (Sagitário), nota-chave Fá Maior (1 bemol), os acordes e a canção, Nearer, my God, to Thee[55]:

A onda de vida Angélica, nota-chave Lá Maior (3 sustenidos), os acordes e canção, The Home Over There[56]:

A nota-chave da humanidade é Si Maior (5 sustenidos), e os acordes e canção, Star-Spangled Banner[57]:

 

Músicas escrita no tom de Si Maior (5 sustenidos) é difícil de ser encontrada.

Exemplos de música escrita em Lá Maior (3 sustenidos), nota-chave da onda de vida Angélica) são: Will There Be Any Stars in My Crown?[58], O Think of a Home Over There[59] e O Come All Ye Faithful[60]. Era intenção das Hierarquias Criadoras que quando o cérebro do ser humano estivesse completo, os Senhores de Mercúrio, Irmãos Maiores de nossa atual humanidade que sobressaíram em inteligência, deveriam ensinar a humanidade a usar o cérebro como um veículo da Mente; mas esse plano foi frustrado pelos Espíritos Lucíferos, que eram os atrasados da onda de vida Angélica.

Esses seres de Marte obtiveram acesso ao cérebro do ser humano por meio da medula espinhal, na qual eles, por serem etéricos, entraram; e agora regem o hemisfério esquerdo do cérebro. Esta parte da onda de vida Angélica que manteve seu trabalho na evolução no Período Lunar, desenvolveu o poder de raciocínio e o de obter conhecimento sem o uso de um cérebro; mas os atrasados da onda de vida Angélica, tendo se rebelado contra o plano evolucionário de Jeová, não desenvolveram esse poder.

No Período Terrestre, as condições haviam mudado; para desenvolver o poder da razão e obter conhecimento, era necessário um cérebro para associar os Lucíferos com as atividades do Mundo Físico, a fim de desenvolver neles esse poder. Assim, após a humanidade desenvolver um cérebro, os Lucíferos entrando no canal espinhal da humanidade e, dessa maneira, ganharam acesso ao seu cérebro (que os associou ao Mundo Físico) e assim, atraíram a atenção do ser humano para seu Corpo Denso, do qual não havia ainda tomado consciência, bem como para o Mundo Físico ao seu redor, onde agora iria ganhar conhecimento para progredir em seu desenvolvimento.

Eles assim procederam para que pudessem se beneficiar, pois, estando ligados ao cérebro do ser humano, estavam capacitados a ganhar o conhecimento que o ser humano adquiriu e, assim, evoluir através dele.

Marte trabalha com as forças solares, e seus raios agem diretamente sobre o terceiro poder da humanidade, a atividade. Esses raios, sendo positivos, desenvolvem uma forte constituição, resistência física, energia, coragem e autoconfiança.

Uma das manifestações da atividade é a germinação – uma força vital – na qual os marcianos instilaram intenso desejo e paixão que, por sua vez, despertaram essas emoções na humanidade. Fizeram isso com um propósito egoísta. Os Espíritos Lucíferos deleitam-se com a intensidade de sentimento e desenvolvem-se por meio dessa vibração. A natureza do desejo ou da emoção não tem importância para eles, mas a intensidade sim. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso atual estágio de evolução do que nossos sentimentos de regozijo ou amor.

De acordo com o exposto, observamos que os Lucíferos se associaram à humanidade por duas razões principais, a saber: para obterem contato com seu cérebro e assim adquirirem conhecimento através de suas experiências no Mundo Físico, e para poderem induzir forte paixão e assim, fazê-la evoluir pela intensidade do sentimento despertado.

Capítulo XIII – O Cérebro, a Oficina Física do Ser Humano

O cérebro está dividido em três partes principais: o cérebro (grande cérebro superior), o cerebelo (pequeno cérebro central) e a medula oblongata (pequeno cérebro inferior). O cérebro é usado pelo Espírito para expressar a consciência física e pensamento direto. É o instrumento usado pelo Espírito para expressar seus poderes mais elevados no plano físico – a vontade. O cerebelo é a parte do cérebro que o Espírito usa para realizar a coordenação em relação aos movimentos do corpo, ligando as separadas atividades nervosas a uma ação equilibrada e harmoniosa através do poder unificante da coesão.

O cerebelo está correlacionado ao segundo aspecto do ser humano, o poder do amor-sabedoria. A medula oblongata é aquela parte do cérebro usada pelo Espírito para controlar o batimento cardíaco, a contração dos vasos sanguíneos e a respiração. Sem essa atividade cerebral, os processos da vida física não poderiam continuar. A medula oblongata é, portanto, ligada ao terceiro poder do ser humano, sua atividade em manifestação. O cérebro é permeado pela substância do Corpo Vital, do Corpo de Desejos e pela substância do Pensamento Abstrato e Concreto.

É, portanto, a oficina física particular do Espírito com seu material próprio e com todos os seus vários veículos, convenientemente reunidos e prontos para serem usados. Impressões causadas pelo Mundo exterior atingem o Espírito por meio de um ou dos cinco sentidos físicos, por meio do canal do Corpo Vital.

O Espírito, o ser humano real, é o pensador. O processo de pensar é o seguinte: a vontade desperta a imaginação e visualiza uma ideia composta de substância de Pensamento Abstrato, que permeia o cérebro; essa ideia de Pensamento Abstrato é então projetada pelo poder da vontade na lente da Mente, que transfere a ideia para a substância de Pensamento Concreto contida naquela parte do veículo mental do indivíduo, que permeia o cérebro.

Aqui, a ideia é revestida pela substância do Pensamento Concreto e é agora um pensamento-forma. O pensamento-forma, assim criado, é projetado na substância do Mundo do Desejo, que permeia o cérebro. Essa substância do Mundo do Desejo dá ao pensamento-forma poder para agir, o que geralmente resulta em algum tipo de manifestação. No estudo do pensamento e da Mente, lembremo-nos que o pensamento é um poder do Espírito, e o veículo mental ou Mente – composto de substância do Pensamento Concreto – é o veículo que liga o Espírito ao seu cérebro etérico e físico. O veículo mental está harmonizado com Fá Maior ou um Bemol, e sua escala começa com Fá. O Corpo Vital está harmonizado com Dó natural e sua escala começa com Dó.

O Corpo Denso está em sintonia com Lá Sustenido Maior, que tem dois bemóis. Portanto, toda música escrita nesses três tons tem um efeito decisivo sobre a Mente, sobre o cérebro do Corpo Vital e sobre o cérebro do Corpo Físico, e todos estão intimamente conectados com o Espírito e com o desenvolvimento de seus poderes potenciais que são: vontade (poder do Espírito Divino), amor-sabedoria (poder do Espírito de Vida) e atividade de germinação (poder do Espírito Humano). O pensamento está correlacionado com a vontade, o primeiro poder do Espírito. Ele se expressa primeiro como uma ideia, que ainda não adquiriu forma. Depois o segundo poder do Espírito, o amor, atrai substância do Pensamento Concreto para a ideia e, então, temos um pensamento-forma.

Um pensamento-forma pode ser puramente mental, se não for alterado pelo desejo. No entanto, no nosso presente estágio de evolução, poucos pensamentos estão isentos de algum grau de desejo. O Mundo do Pensamento é o reino da música e o lar da onda de vida Sagitariana, os Senhores da Mente; consequentemente, seria completamente impossível produzir um pensamento-forma separado da música. Quando o pensamento-forma está revestido pela substância de desejo, a cor é acrescentada a ele, uma vez que o Mundo do Desejo é o reino da cor. Para resumir a construção do pensamento-forma: o Espírito desperta sua vontade. O poder da vontade produz uma vibração irradiante, musical, que se manifesta como som. O som produz uma ideia.

A ideia toma forma e um pensamento passa a existir. O pensamento-forma é colorido pela substância do desejo. Uma forma flutuante colorida é produzida. Os pensamentos não são silenciosos. Eles falam em uma linguagem inconfundível e transmitem com muito mais precisão do que com as palavras, e permanecem até que a força que seu criador empregou para produzi-los tenha sido gasta. Como eles soam em um tom peculiar à pessoa que os deu o gerou, é comparativamente fácil para o ocultista treinado descobrir sua procedência, buscando a fonte que os originou. Falta espontaneidade aos pensamentos-forma; eles agem mais ou menos como autômatos. Eles se movem e atuam somente em uma direção, de acordo com a vontade do pensador, que é o poder motivador interno. Quem estudou este assunto, sabe quantas pessoas são ativadas pelos pensamentos-forma que pensam ser delas mesmas, mas que, na verdade, se originaram na Mente de outra pessoa.

É dessa maneira que o que chamamos de opinião pública é formada. Pensadores poderosos que possuem determinadas ideias sobre algum assunto em particular, criam e irradiam pensamentos-forma de si próprios, e outros menos positivos ou simpatizantes à ideia expressa naqueles errantes pensamentos-forma, julgam que os pensamentos se originaram dentro deles e os adotam como seus. Assim, gradualmente, um certo sentimento cresce até que o pensamento original iniciado por um único indivíduo pode se tornar não somente aceito, mas também defendido por toda uma comunidade, um estado ou mesmo uma nação. Pensamentos expressos em palavras faladas se tornam muito mais poderosos, particularmente, se pronunciados por um orador vigoroso.

Os Pensamentos-forma diminuem em poder, na proporção da distância percorrida por eles. A distância percorrida e a persistência que os tornam efetivos dependem da força, da exatidão e clareza do pensamento original. De maneira geral, os pensamentos-forma podem ser agrupados em três classes específicas:

  1. Um pensamento-forma pode ter a aparência do pensador. Isso frequentemente acontece. Uma pessoa pode desejar intensamente estar em um determinado lugar e, como resultado, o pensamento adquire forma e viaja para aquele lugar determinado. Muitos clarividentes inexperientes viram tais pensamentos-forma de amigos ou parentes e, não conhecendo a natureza do que viram, ficaram muito perturbados por eles. O clarividente treinado reconhece-os imediatamente.
  2. O pensamento-forma que adquire a forma de algum objeto material. Por exemplo, uma pessoa pode pensar em um livro favorito, e imediatamente aquele livro, quando ela o invoca, aparece em sua aura como o pensamento-forma de um livro; ou pode ser de uma flor predileta, ou até mesmo um amigo. O arquiteto constrói um pensamento-forma da casa que ele deseja construir; o artista constrói um pensamento-forma do quadro que deseja pintar; o escritor constrói um pensamento-forma dos personagens, do cenário, etc., que ele deseja usar em seu livro. Lembremos que é a vontade do indivíduo que origina pensamentos-forma, e esses têm uma certa quantidade de vontade incorporada neles. Frequentemente, depois que são criados, eles procuram se manter dentro da consciência do pensador, a ponto de se tornarem, muitas vezes, indesejáveis, especialmente se o pensador mudou sua ideia a respeito do assunto que eles representam. A única maneira de nos livrar de tais pensamentos desagradáveis é por meio da indiferença. Se tentarmos lutar contra eles, a força adicional despendida irá mantê-los vivos e irá trazê-los a Mente com mais frequência.

Pensamento-forma construído pela inveja e cobiça

 

  1. Pensamentos que adquirem uma forma totalmente própria expressando sua natureza inerente. Pensamentos-forma de ódio assumem formas ameaçadoras horríveis; a raiva forma figuras pontudas e afiadas; a avareza e a inveja formam massas de substância iguais a ganchos que se projetam como para agarrar o objeto desejado e puxá-lo para si; o amor se manifesta como nuvens rosadas; a devoção como lindos objetos graduando do azul claro até o branco; a oração cria a forma de um funil voltado para cima, para o espaço. Todos esses pensamentos-forma parecem estar cheios de vida e vibram em um grau intensamente elevado. Naturalmente, todos têm cor e som.

 

Oração e a Resposta ao Alto

Pensamentos-forma dirigidos a um indivíduo produzem um resultado muito interessante. Ou eles encontram entrada na aura do indivíduo, ou ricocheteiam da aura daquela pessoa e retornam ao remetente. Todo pensamento-forma carrega um determinado grau de vibração, e só pode afetar o indivíduo que tenha uma vibração semelhante. Se um pensamento-forma é gerado por um motivo maligno e é enviado a uma determinada pessoa, se não há nenhuma vibração semelhante dentro da aura dessa pessoa, então ela não pode, de maneira alguma, afetar a aruá dela. Consequentemente, ela retorna ao seu criador, ricocheteando com a mesma força com que foi enviado. Todos os impactos externos alcançam o Espírito de um indivíduo através do Corpo Vital, cujos dois Éteres superiores, o Luminoso e Refletor, formam o Corpo-Alma.

É esse veículo que repele todos os maus pensamentos, contanto que esteja suficientemente organizado, pois age como um bumerangue, isto é, reverte para aquele que enviou o pensamento maligno, com o mesmo mal que desejou provocar na pessoa alvejada. Se os frequentadores de certos tipos de salões de dança, de casas de jogos e lugares similares pudessem ver os enxames de pensamentos-forma arremessando-se de um lado para outro, e ouvir os tons barulhentos, sensuais, insinuantes, emitidos por eles, abandonariam tais lugares tão rapidamente como sairiam de um hospital ou de um edifício infectado pela peste bubônica; e esses lugares devem ser evitados, pois essas vibrações pervertidas só servem para instigar o mal e fortalecê-lo.

Capítulo XIV – Desenvolvendo a Eficiência da Mente e do Cérebro

Infelizmente, na atualidade, nenhum de nós é completamente bom, e não podemos esconder de nós mesmos o fato que, muitas vezes, o bem que deveríamos fazer, não o fazemos, e os atos maus que deveríamos evitar, frequentemente os praticamos. Com muito mais frequência, nossas boas resoluções não são cumpridas, e agimos erradamente porque julgamos mais fácil ou mais agradável fazê-lo assim; tudo isso realça o fato de que, até certo ponto, somos todos ativados pelo “eu inferior”; isso abre caminho para que os maus pensamentos nos atinjam e procure nos influenciar. A principal questão a ser lembrada aqui é que todo ato, seja bom ou mau, é dirigido pelo pensamento.

Portanto, cada indivíduo está auxiliando no trabalho executado pelas forças do bem ou do mal. Consequentemente, cabe a nós mantermos uma vigilância constante sobre nossos pensamentos, pois se eles são íntegros, nossos atos serão sempre dirigidos para o bem. Existem quatro maneiras pelas quais a Mente, dirigida pelo Espírito, usa o cérebro como um veículo de expressão do pensamento:

  1. O pensamento é lançado contra o Corpo de Desejos, para impelir a ação.
  2. O pensamento é impresso no cérebro por meio do sangue, por meio da ação do Éter Refletor.
  3. A memória superconsciente, que é inerente ao Espírito de Vida, é capaz de imprimir-se diretamente sobre o Éter Refletor do Corpo Vital, sem a necessidade de se revestir da substância do desejo.
  4. O Espírito de Vida pode transmitir sua mensagem diretamente ao coração que, no mesmo instante, a conduz para o cérebro por meio do nervo pneumogástrico[61].

O cérebro é construído, praticamente, pelas mesmas substâncias que as outras partes do Corpo, com a adição do fósforo que é uma característica peculiar do cérebro. A proporção e variação que essa substância é encontrada é proporcional ao estado e estágio de inteligência do indivíduo, que supra seu cérebro com essa substância necessária. A maioria das verduras e frutas contém uma certa quantidade de fósforo, que também é encontrado nas uvas, cebolas, sálvia, feijão, cravo da índia, abacaxi e nas folhas e talos da beterraba, da cenoura, da linhaça e nas folhas do nabo. O método para assimilar o fósforo em maior quantidade não é pelo metabolismo químico, mas por um processo alquímico de crescimento da alma.

O fósforo no cérebro é a avenida de ingresso do impulso divino. Literalmente, é o portador da luz, mas não a luz propriamente dita, é aquela luz que vem do Espírito. Consequentemente, à medida que nos tornamos capazes de assimilar aquela substância (fósforo), ficamos plenos de luz e começamos a brilhar internamente. Note, no entanto, que o fósforo é somente um meio físico que capacita a luz espiritual a se expressar utilizando o cérebro físico. A luz, propriamente dita, é o produto do Espírito, e se torna mais intensa com o crescimento da alma, que capacita o cérebro a assimilar uma quantidade crescente de fósforo. O crescimento da alma é conseguido por meio do serviço amoroso e desinteressado para com os outros. A Bíblia declara que, “Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz <que o revelará>. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus <por uma consciência iluminada>” [62].

Em seguida, vamos ver como a Mente, que é o elo entre o Espírito e o cérebro, pode ser aperfeiçoada:

  1. A concentração é um dos grandes auxílios, e por meio desse exercício a Mente se torna focada.
  2. Estudos por meio do pensamento abstrato, tal como: a matemática, o estudo dos Períodos, Globos e Revoluções em relação à Evolução terrestre[63]. Isso liberta a Mente da influência do Corpo de Desejos.
  3. Preservando o estado fluídico da adaptabilidade; em outras palavras, mantendo a Mente aberta para que não se torne cristalizada em uma linha de pensamento, mas possa estar sempre pronta para investigar novas ideias.
  4. Estudo sobre religião, que emancipa a Mente da influência do desejo, pois é de suma importância que tenhamos somente os tipos de pensamentos corretos em nossa Mente. Pensamentos de caráter semelhante serão atraídos para nós pelos pensamentos já existentes em nossa Mente, e se a nossa Mente estiver centrada em coisas espirituais, assim como os semelhantes atraem semelhantes, assim também, nossos pensamentos espirituais crescerão e aumentarão e se tornarão um poder para o bem no mundo.

Pensamentos-forma poderosos, sejam bons ou maus, com muita frequência, se tornam animados por elementais[64] que, por sua natureza, atraem o bem ou o mal para nós, causando um efeito realmente poderoso sobre o nosso bem-estar. Na música, os tons maiores expressam júbilos, alegrias, esperança, satisfação, aspiração, etc.; enquanto os tons menores produzem um lamento de tristeza, um gemido de mágoa, um suspiro de depressão, etc. Naturalmente, os elementais brilhantes e alegres são atraídos pelos bons pensamentos-forma, que são sempre simétricos e vivazes em suas colorações; enquanto os elementais de baixa vibração são atraídos por pensamentos-forma melancólicos, insípidos, repugnantes em forma e sombrios na cor.

Então, eles tocam suas notas-chave individuais no interior da nossa aura, enchendo nossa atmosfera imediata com luminosidade e alegria, ou então, com tristeza, temor, malícia, etc., conforme o caso. Além disso, os elementais desprendem um odor muito particular. Os elementais de escala maior exalam certos perfumes semelhantes àqueles desprendidos pelas flores de cheiro doce. Os de tom menor desprendem um tipo de odor depressivo, debilitante similar àquele do gambá, e alguns deles cheiram quase tão mal quanto corpos em decomposição. Nesses momentos, alguns destes pensamentos-forma são vistos nas auras das pessoas e muitos deles já foram sentidos pelo olfato. Eis um fato que vale a pena saber. Pensamentos-forma são mantidos vivos e fortalecidos pela repetição dos mesmos pensamentos, os quais originalmente os construíram.

Pensamento-forma originado por uma bênção

Se os pensamentos não são repetidos, as formas gradualmente se desintegram e os elementais, que os animam, vão para outro lugar onde estabelecerão morada. Portanto, nós temos isso em nosso poder para nos livrarmos de ambos: tanto dos pensamentos-forma como dos elementais que não desejamos que permaneçam ao nosso redor. O medo, a preocupação, a melancolia, as queixas, as manifestações temperamentais, etc., podem encher tanto uma aura com visões e cheiros desagradáveis, que pode tornar uma pessoa um incômodo público. À luz do que foi dito, é fácil compreender porque a presença de algumas pessoas nos encorajam, enquanto outras causam um efeito desanimador aos que entram em contato com elas.

Não devemos pensar que todos os pensamentos-forma que vibram em tons maiores ou menores são animados por elementais, mas alguns deles certamente são e quando um elemental anima um pensamento-forma, se sua própria vibração for maravilhosa, alegre e vibrante, o pensamento-forma vibra em um tom maior. No entanto, se sua vibração for sombria, melancólica, morosa, triste, deprimida, é atraída para pensamentos-forma que vibram em um tom menor. Tudo isso está em harmonia com a lei cósmica de que semelhante atrai semelhante. Assim, é evidente que todo indivíduo tem dentro de si uma galeria de imagens e um instrumento musical muito complexo. Na verdade, ele leva consigo duas distintas galerias de imagens: uma no Átomo-semente do seu Corpo Denso e a outra em sua aura.

A primeira galeria mencionada ele é capaz de esconder dentro de si próprio, mas a segunda está à vista de todos os clarividentes que são capazes de ver as auras e os pensamentos-forma. A qualidade do instrumento musical do ser humano depende do seu estágio de desenvolvimento. Os elementais, como vimos, respondem a um único tom, seja maior ou menor. O ser humano, por outro lado, se tornou capaz de responder a sete tons distintos, representados pelos sete tons da escala musical, ou seja, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, e muitas de suas variações, tanto na escala maior, quanto na menor. Sabemos que a aura é composta dos veículos Vital, de Desejos e Mental. Cada aura tem uma cor básica.

Max Heindel afirma que a cor básica do americano (raça branca) é laranja. A cor, no entanto, varia continuamente de acordo com o estado emocional do ser humano. Por exemplo, tomemos um indivíduo belicoso que está tentando incitar uma greve em uma indústria. Naturalmente, ele está muito excitado, e embora a cor básica de sua aura seja laranja escura, essa cor, naquele momento, irá ser substituída por uma tonalidade escarlate brilhante. O contorno de seu Corpo de Desejos será como o corpo de um porco espinho, com seus espinhos saindo em todas as direções, prontos para atacar. Pensamentos de medo e preocupação dão à aura uma cor cinzenta, semelhante ao aço. Aqueles que possuem tais auras são chamados de homens ou mulheres de aço.

Eles têm medo de milhares de coisas que nunca acontecem, cristalizando uma armadura ao seu redor que parece protegê-los de interferências externas, mas que, na realidade, encerram os próprios pensamentos-forma perturbadores dentro de sua própria aura e lá são alimentados e avivados por cada pensamento semelhante gerado por eles. Tais auras estão afinadas em um tom menor, que soa como uma canção triste que pode ser sentida pelas pessoas sensitivas e, frequentemente, leva algum tempo para que elas se livrem do sentimento de depressão que isso gera. Essa barreira áurica saturnina é tão forte que é preciso um choque violento para rompê-la; às vezes, é até necessário retirar tais pessoas de seu antigo ambiente e colocá-las em outros lugares totalmente diferentes.

Pensamento-forma originado pelo medo

Elas parecem estar dentro de uma concha, por assim dizer, e suas conchas saturninas precisam ser quebradas para podermos ter acesso a essas pessoas e tirá-las de seu estado deplorável. Muitas vezes, um susto repentino pode formar essa concha instantaneamente, como frequentemente acontece durante batalhas terríveis. Então, a vítima entra em estado de choque, o que na verdade é, na maioria dos casos, o repentino medo sofrido pela vítima ofendem certos nervos, resultando em uma ausência do poder de coordenação, necessário para pensar claramente, deixando a pobre vítima tão incapaz de se ajudar, como seria incapaz de fugir se estivesse trancada em uma cela de prisão.

Há ocasiões em que outro forte choque pode quebrar a concha e restabelecer a ordem e o ritmo harmonioso no desordenado sistema nervoso. Mais uma vez, o tempo sabe fazer o ajuste necessário. Toda vez que pensamentos de preocupação e medo são aceitos, eles diminuem a vibração de todos os veículos do indivíduo, o que tende a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a construir uma concha azul de aço, na qual a pessoa que, habitualmente, alimenta o medo e a preocupação, algum dia se encontrará isolada do amor, da compaixão e da ajuda de todo o mundo. Portanto, devemos nos esforçar para sermos bem-dispostos, mesmo sob circunstâncias adversas, caso contrário, estaremos na séria condição descrita acima.

Podemos observar, pelo que foi dito, que existem diferentes graus nos quais esse envoltório da concha pode ser cristalizado e o correspondente alívio pode ser dado; mas a única segurança positiva reside em jamais permitir que isso se inicie. O efeito do medo e da preocupação sobre o Corpo de Desejos é diferente de todas as outras emoções. Geralmente, a emoção tende a excitar o Corpo de Desejos e a formar suas correntes em algum padrão específico, que persistem até que essa emoção cesse. O efeito da preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparado à água que está prestes a se congelar sob uma temperatura em declínio. O medo pode ser comparado a essa mesma água quando congelou, pois, as correntes do Corpo de Desejos estão quase imóveis e é praticamente impossível despertar qualquer outra atividade emocional nelas.

Não há nada mais eficaz quanto uma música alegre para elevar a vibração das vítimas que estão com medo e preocupadas, pois é necessária uma vibração acelerada para dissolver a concha de aço, construída por elas mesmas. Nenhum indivíduo consegue permanecer melancólico por muito tempo, se seu ser estiver inundado por música inspiradora. Outro tipo de pensamentos-forma assustadores de se ver são os criados pela raiva, ódio, ira, fúria, cólera, etc. Esses pensamentos-forma produzem correntes vermelhas sinuosas no Corpo de Desejos, cheias de objetos pontiagudos, semelhantes a adagas que se contorcem e se retorcem, e finalmente explodem na aura, enchendo-a de formas rodopiantes de uma cor vermelha escura e sombria. A raiva desperta a vibração do Corpo de Desejos sem que o veículo tenha controle de si mesmo, causando uma ruptura temporária entre o Ego e a Mente de um lado, e o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e Corpo Denso, de outro.

Todos os tipos de música marcial são dominados pelo ritmo e tendem a excitar o Corpo de Desejos em atividades erráticas. A música onde a melodia e a harmonia predominam são as adequadas para acalmar o Corpo de Desejos, quando esse está recebendo estímulos nocivos e restitui-lo à normalidade. Maus pensamentos-forma, na aura, têm um movimento centrífugo. Bons pensamentos-forma têm um movimento centrípeto. Tanto os bons como os maus, geralmente, são compostos em tons maiores, exceto os de melancolia, depressão, medo, preocupação, tristeza, etc., que são em tons menores, na sua expressão.

Como os pensamentos-forma de cada indivíduo são compostos de acordo com a sua nota-chave particular, tempo virá em que seremos capazes de descobrir o criador de cada pensamento-forma que contatamos, por meio do próprio tom específico. Na verdade, como afirma a Bíblia, as coisas que nos parecem estar ocultas serão proclamadas, não do alto dos telhados, mas da nossa própria aura individual.

Capítulo XV – Os Veículos do Ser Humano, um Instrumento Musical Composto

O pensamento pertence ao mais alto poder do Espírito, que é a vontade. Portanto, à medida que os poderes potenciais da vontade se desenvolvem, assim também acontece com o poder do pensamento; e tempo virá em que o ser humano, por meio do poder de pensamento e da imaginação, será capaz de criar coisas por meio da palavra falada. Todas as coisas na natureza foram criadas por meio da Palavra de Deus, que se fez carne. O som (a música), ou pensamento falado, será a próxima força da humanidade em manifestação, uma força que fará da humanidade seres humanos criadores como Deus.

No entanto, esse passo para frente não pode ser realizado até que o desenvolvimento do ser humano na escola da vida o tenha preparado para usar esse enorme poder para o bem de todos, independentemente do interesse próprio. Portanto, é extremamente necessário que cada indivíduo aprenda, por si mesmo, como realizar esse desenvolvimento da maneira mais rápida e segura. O ser humano tem conhecimento do método, mas depende especificamente dele se colocará isso em prática ou não. Os poderes potenciais do ser humano, o Espírito, são: a Vontade, que é o poder de fazer, instigar a ação; Amor-Sabedoria, que é, conjuntamente, o poder de atração, coesão e união e Atividade, que é o poder da germinação, criação e desenvolvimento.

Um dos maiores auxiliares do Espírito, no desenvolvimento de seus poderes potenciais para a eficiência dinâmica, é a música, pois manifesta esses mesmos poderes de Deus em um estado aperfeiçoado. Seu poder da vontade está expresso na melodia, seu poder de Amor-Sabedoria está expresso na harmonia e seu poder de Atividade está expresso no ritmo. O poder do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com a Vontade, e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de sua vontade. O Espírito de Vida do ser humano está correlacionado com o Amor-Sabedoria e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de suas potencialidades de Amor-Sabedoria.

O poder do Espírito Humano do ser humano desenvolve sua habilidade para criar. O poder ou a Vontade do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com o Corpo Denso, e o poder do Espírito Humano está correlacionado com o Corpo de Desejos. Isso fornece três fontes diretas, das quais o Espírito obtém ajuda no desenvolvimento de seus poderes potenciais. Não há ajuda maior no desenvolvimento dos poderes potenciais do Espírito do que a música, pois ela é composta das três partes, que a correlacionam aos poderes potenciais do Espírito.

A boa música eleva a vibração de cada uma das fontes de desenvolvimento do Espírito, a saber, o Espírito Divino, o Espírito da Vida, o Espírito Humano e o elo da Mente, que conecta o Espírito aos seus Corpos: Denso, Vital e de Desejos. O despertar da vibração dessas sete fontes de poder desenvolve os poderes do Espírito. Porém, a chamada música discordante reduz suas vibrações, e a continuação desse tipo de música resultará na perda de poder e desintegração dos quatro veículos inferiores. Faremos, a seguir, um resumo da causa e de como a música ajuda a desenvolver os poderes potenciais do Espírito: a nota-chave do Espírito Divino é Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior, escrita na escala com cinco bemóis) e qualquer música escrita nesse tom ajuda a desenvolver o poder do Espírito Divino, despertando-o de um estado comparado à dormência.

Os acordes dessa escala são encontrados no Capítulo VI: Abide with Me[65] e Onward Christian Soldiers[66] são dois hinos bem conhecidos e escritos no tom de Si bemol Maior. A nota-chave do Espírito de Vida é Sol sustenido Maior (musicalmente, Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior), escrita na escala com quatro bemóis). A música escrita nessa escala ajuda a desenvolver os poderes do Espírito da Vida, despertando-os para a atividade. Os acordes de Sol sustenido Maior (musicalmente, Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior)) são dadas no Capítulo VI. Já o Corpo Denso ou Físico de cada indivíduo vibra em uníssono com a vibração da onda de vida de Leão. Portanto, a nota-chave do Corpo Denso é Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) e toda a música escrita nesse tom ajuda a desenvolver o Corpo Denso do ser humano.

Os principais acordes de Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) são encontrados no Capítulo VI. Como foi dito anteriormente, o germe do Corpo Denso foi dado à humanidade pela onda de vida de Leão; e como esse germe carregava a vibração da nota-chave de Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) daquela onda de vida, o Corpo Denso ou físico de cada indivíduo vibra em uníssono com a vibração da onda de vida de Leão. Portanto, a nota-chave do Corpo Denso é Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) e toda a música escrita nesse tom ajuda a desenvolver o Corpo Denso do ser humano. O germe do Corpo Vital foi dado à humanidade pela onda de vida de Virgem.

Consequentemente, o Corpo Vital vibra com a nota-chave dessa onda de vida que é Dó natural. Toda música cuja nota-chave é Dó natural ajuda a desenvolver os poderes do Corpo Vital. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI.

O germe do Corpo de Desejos foi uma dádiva da onda de vida de Libra e carrega a vibração de Libra que é sintonizada em Ré maior. Portanto, toda música escrita nesse tom ajuda a desenvolver os poderes do Corpo de Desejos. Os acordes de Ré maior são encontrados no Capítulo VI.

O germe da Mente foi dado à humanidade pela onda de vida sagitariana e, portanto, vibra na sua nota-chave, que é Fá Maior. Toda música escrita na tonalidade do Fá Maior ajuda a desenvolver os poderes da Mente, cujo desenvolvimento é uma das maiores realizações a serem alcançadas durante a presente Época Ária. Muitas das músicas escritas nesse tom, são, particularmente, canções populares e religiosas; duas delas são: Work, for the Night I Coming[67], e America, My Country, ‘Tis of Thee[68]. Os acordes de Fá Maior são encontrados no Capítulo VII. A música contém dentro de si os três grandes poderes primários de Deus: Vontade, Amor-Sabedoria e Atividade; e são esses poderes dinâmicos combinados que têm sido usados pelo Criador desde o início da manifestação.

São João, o grande revelador, cita que no princípio era o Verbo; e Max Heindel afirma que foi o majestoso ritmo da Palavra de Deus que transformou a substância primitiva, Arche, nas numerosas formas que compõem o mundo dos fenômenos; e além disso, que essa Palavra de Deus ainda soa para manter as órbitas em marcha e para impeli-las à frente em seus caminhos circulares; e que a Palavra Criadora continua a produzir formas de eficiência cada vez maiores como um meio de expressar a vida e a consciência. É a enunciação harmoniosa das sílabas consecutivas na Palavra Criadora Divina que marca os estágios sucessivos no desenvolvimento, tanto do mundo quanto do ser humano; e quando a última sílaba for soada e a Palavra completa pronunciada, a humanidade terá alcançado o grau mais próximo da perfeição, tanto quanto é possível no atual esquema de evolução.

Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, fato este conhecido por todos os estudantes ocultistas avançados. Eles percebem que os doze semitons na escala cromática estão correlacionados com os doze Signos do Zodíaco, e que as sete teclas brancas, ou tons inteiros, no teclado do piano estão correlacionados com os Sete Espíritos diante do Trono, comumente designados como: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano, que trabalham por meio das vibrações enviadas por eles mesmos. O ocultista avançado estabelece uma relação entre: os Signos do Zodíaco, a caixa de ressonância da harpa cósmica e os sete Planetas para com as cordas, cujos planetas emitem sons diferentes à medida que passam pelos vários Signos Zodiacais e, portanto, influenciam a humanidade de várias maneiras.

Um fato surpreendente, até desconhecido e não percebido, é que cada indivíduo é, em si mesmo, um instrumento musical, onde várias partes de sua composição total estão correlacionadas, através de tons vibratórios, aos Sete Espíritos diante do Trono e aos doze Signos do Zodíaco, todos os quais são guiados e dirigidos pelo Criador do nosso Sistema Solar. É por essa razão que a música é um fator de grande poder no desenvolvimento das potencialidades do ser humano. Sem isso, não poderia haver manifestação e, portanto, nenhum progresso. Aqui encontramos a razão oculta para a admoestação dos iluminados: “Homem, conhece a si mesmo”. Assim que cada indivíduo chegar à compreensão consciente de sua verdadeira natureza, ele possuirá a chave de todo o progresso futuro.

Quando a Luz sua face radiante revelou,

E, em seu abraço o mundo acalentou,

Quando no espaço os Planetas a girar,

Esta canção o coro celestial cantou:

“Oh sagrada vibração! Oh divina lei!

Todo propósito e todo o poder é vosso,

A vida para sempre vai continuar”.[69]

 

FIM

[1] N.T.: No Mundo do Pensamento

[2] N.T.: Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos.

[3] N.T.: Wolfgang Amadeus Mozart, batizado Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (1756-1791) foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.

[4] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão

[5] N.T.: Franz Liszt (1811-1886) foi um compositor, pianista, maestro e professor e terciário franciscano húngaro do século XIX. Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.

[6] N.T.: Frédéric François Chopin, também chamado Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849), foi um pianista polonês-francês radicado na França e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.

[7]N.T.: É um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918.

[8] N.T.: gênero e forma musical originado por afro-americanos no extremo sul dos Estados Unidos em torno do fim do século XIX. O gênero se desenvolveu a partir de raízes das tradições musicais africanas, canções de trabalho afro-americanas, spirituals e música tradicional. O blues incorporou spirituals, canções de trabalho, canto de campo, ring shout, chant e baladas narrativas simples e rimadas.

[9] N.T.: uma manifestação artístico-musical originária de comunidades de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Tal manifestação teria surgido por volta do final do século XIX na região de Nova Orleans, tendo origem na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam, um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes.

[10] N.T.: é um estilo de jazz que foi muito popular na década de 1930, usualmente arranjado para grande orquestra dançante, caracterizado por uma batida menos acentuada que a do estilo tradicional do Sul dos EUA, e menos complexo, rítmica e harmonicamente falando, do que o jazz moderno.

[11] N.T.: um tipo de dança popularizado nos Estados Unidos no início do século XX, e está associado a vários tipos de danças do balanço, como o Lindy Hop, Jive e Leste Coast Swing.

[12] N.T.: representa uma das correntes mais influentes do Jazz.

[13] N.T.: Benjamin “Benny” David Goodman (1909-1986) foi um clarinetista e músico de jazz norte-americano.

[14] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática; mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes.

[15] N.T.: Harry Aaron Finkelman (1914-1968), mais conhecido pelo nome artístico Ziggy Elman, era um trompetista de jazz americano, associado a Benny Goodman, embora também liderasse seu próprio grupo conhecido como Ziggy Elman e Sua Orquestra.

[16] N.T.: Gene Krupa (1909-1973) foi um influente baterista de jazz e compositor estadunidense, famoso por seu estilo enérgico e extravagante.

[17] N.T.: Localizada nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo.

[18] N.T.: Também conhecido como: Bulbo raquidiano, bolbo raquidiano, medula oblongata, medula oblonga ou simplesmente bulbo é a porção inferior do tronco encefálico, juntamente com outros órgãos como o mesencéfalo e a ponte, que estabelece comunicação entre o cérebro e a medula espinhal. A forma do bulbo lembra um cone cortado, no qual a substância branca é externa e a cinzenta, interna. É um órgão condutor de impulsos nervosos.

[19] N.T.: brancas: teclas brancas do piano; pretas: teclas pretas do piano

[20] N.T.: Ou telencéfalo: conhecido informalmente como o cérebro, que envolve todo o córtex cerebral (fina capa de tecido cinzento, arrugado em estrias e dobras), o hipocampo e os gânglios basais.

[21] N.T.: o piano é o instrumento que preenche quase todo o espectro de frequência, e é um dos únicos!

[22] N.T.: 5+2=7

[23] N.T..: 1+2+4=7

[24] N.T.: 7+2=9

[25] N.T.: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano

[26] N.T.: As notas musicais são: DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI; que na notação inglesa é C – D – E – F – G – A – B, respectivamente.

[27] N.T.: Dó sustenido, Do# ou C#.

[28] N.T.: Dó bemol, Dob ou Cb.

[29] N.T.: Alma Emocional, Alma Intelectual e Alma Consciente, respectivamente.

[30] N.T.: Dó, Réb, Ré, Mib, Mi, Fá, Solb, Sol, Láb, Lá, Sib, Si

[31] N.T.: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si

[32] N.T.: também chamados de Senhores da Chama.

[33] N.T.: de autoria desconhecida, datada de cerca de 1372.

[34] N.T.: de autoria de Edward Perronet (1726-1792), compositor inglês.

[35] N.T. de autoria de Robert Grant (1779-1838) que foi um advogado e político inglês.

[36] N.T.: referindo-se ao hemisfério norte.

[37] N.T.: Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy conhecido como Felix Mendelssohn (1809-1847) foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a suíte Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa marcha nupcial), dois concertos para piano, o concerto para violino, cerca de 100 Lieder, e os oratórios São Paulo e Elijah entre outros.

[38] N.T. Cantam anjos harmonias (Hark! The herald angels sing). Famosa em português: Eis dos anjos, a harmonia! / Cantam glória ao Rei Jesus. / Paz aos homens! Que alegria! / Paz com Deus em plena luz.

[39] N.T.: na notação inglesa: C – D – E – F – G – A – B; e na alemã: C – D – E – F – G – A – H

[40] N.T.: Atlas é a primeira vértebra cervical e também a primeira das 33 vértebras da coluna vertebral.

[41] N.T.: em inglês G sharp major e A flat major, respectivamente

[42] N.T.: em inglês A sharp major e B flat, respectivamente

[43] N.T.: em inglês: C

[44] N.T.: é um termo antigo que já não é usado nos nossos dias, mas que enaltece o médico e cientista que a estudou e descreveu pela primeira vez, Richard Bright. Hoje falamos de insuficiência renal crónica (IRC).

[45] N.T.: em inglês: D major

[46] N.T.: em inglês: E major

[47] N.T.: em inglês: F major

[48] N.T.: em inglês: G major

[49] N.T.: Em inglês: A major

[50] N.T.: Em inglês: B major

[51] N.T.: um hino escrito em Fá maior: Letra de Anna Louisa Walker Coghill (1836-1907) e música de Lowell Mason (1792-1872)

[52] N.T.: um hino escrito por: Ernest W. Blandy, 1890

[53] N.T.: Também conhecida como conarium, Epífise cerebral ou simplesmente pineal.

[54] N.T.: Também é conhecida como Corpo Pituitário, Hipófise e Glândula mestra.

[55] N.T.: um hino cristão do século 19, composto por Sarah Flower Adams, baseado em Gn 28:11-19, a história do sonho de Jacó.

[56] N.T.: um hino cristão de DeWitt Clinton Huntington, de 1873.

[57] N.T.: é o hino nacional dos Estados Unidos. A letra da canção foi escrita em 1814 por Francis Scott Key.

[58] N.T.: um hino cristão escrito por John R. Sweney, 1897.

[59] N.T.: um hino cristão escrito por DeWitt Clinton Huntington, 1873.

[60] N.T.: um hino cristão atribuído a John Francis Wade.

[61] N.T.; também chamado de nervo vago, nervo vagal ou nervo parassimpático. Trata-se de um nervo muito longo e localizado de cada lado do organismo, percorrendo do crânio até o abdômen.

[62] N.T.: Jo 3:20-21

[63] N.T.: do Esquema de Evolução, detalhados no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[64] N.T.: onda de vida sub-humana.

[65] N.T.: um hino cristão criado pelo escocês anglicano Henry Francis Lyte, em 1847.

[66] N.T.: um hino inglês do século XIX, escrito por Sabine Baring-Gould e música de Arthur Sullivan, em 1865.

[67] N.T.: um hino cristão criado por Mrs. Harry Coghill, escrito em 1854.

[68] N.T.: um hino cristão criado por Samuel Francis Smith, escrito em 1832.

[69] N.T.: do poema Song of Life de Edson B. Russell.

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Livro: O Mistério das Glândulas Endócrinas – por um Estudante

A função espiritual das glândulas tal como está exposta neste volume, baseia-se nas extraordinárias informações dadas por Max Heindel.

Muita ajuda vem sendo dada ao indivíduo pelos Grandes Seres por meio das glândulas endócrinas.

As glândulas endócrinas não têm aberturas, tubos, nem condutos para excretar suas secreções. Descarregam nas diretamente no sangue e nos vasos linfáticos que as permeiam. As glândulas de secreção interna são chamadas glândulas endócrinas ou glândulas produtoras de hormônio.

As glândulas e o sangue são manifestações especiais do Corpo Vital. Embora cada uma das glândulas tenha um trabalho específico a realizar, todas elas trabalham em perfeita harmonia quando normais e em boa saúde. As glândulas de secreção interna são de interesse particular para os estudantes do ocultismo, porque podem ser chamadas em certo sentido, “as sete Rosas” na cruz do corpo e por estarem intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da humanidade.

1. Para fazer download ou imprimir:

Por um Estudante – O Mistério das Glândulas Endócrinas

2. Para estudar no próprio site:

O MISTÉRIO DAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

 

Por

Um Estudante

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

The Mystery of The Ductless Glands

1ª Edição em Inglês, 1940, The Rosicrucian Fellowship

O Mistério das Glândulas Endócrinas

1ª Edição em Português, 1973, Fraternidade Rosacruz – São Paulo – SP

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

DEDICATÓRIA

Este pequeno e modesto livro dedico-o ao meu bem-amado mestre, Max Heindel, cujas instruções espirituais o autor tem um débito de gratidão que não pode ser expresso em palavras.

 

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO NORTE-AMERICANA

O conteúdo desse livreto foi enviado pela Fraternidade Rosacruz (The Rosicrucian Fellowship) na forma de lições mensais. Depois de terem se esgotado, inúmeros pedidos foram endereçados à nossa Sede Mundial, razão pela qual a Diretoria resolveu reimprimi-las, juntando-as num só volume, a fim de que se tornasse acessível a todos aqueles que se interessassem pela estrutura, função e significado espiritual das sete glândulas endócrinas aqui estudadas. A função espiritual das glândulas tal como está exposta neste volume, baseia-se nas extraordinárias informações dadas por Max Heindel. Em relação à estrutura fisiológica e funções das glândulas endócrinas, baseou-se nas valiosas informações contidas no livro escrito pelo Dr. Louis Berman, a quem o autor deseja estender seus agradecimentos.

Mt. Ecclesia

Junho de 1940

 

ÍNDICE

DEDICATÓRIA

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO NORTE-AMERICANA

CAPÍTULO I – O DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO

CAPÍTULO II – TIPOS DE PERSONALIDADES PRODUZIDOS PELAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

A PERSONALIDADE DO TIPO SUPRARRENAL

CAPÍTULO III – O BAÇO – TIPOS DE PERSONALIDADE PRODUZIDA POR ELE

CAPÍTULO IV – A GLÂNDULA TIMO – A GLÂNDULA DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 

TIPO DE PERSONALIDADE TÍMICA

CAPÍTULO V – A GLÂNDULA TIREOIDE – A GLÂNDULA DA ENERGIA

COMPARAÇÃO DA TIREOIDE E DA PITUITÁRIA

PERSONALIDADE DE TIPO TIROIDE

CAPÍTULO VI – O CORPO PITUITÁRIO – TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

CAPÍTULO VII – A GLÂNDULA PINEAL – TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

CAPÍTULO VIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – CORRESPONDÊNCIAS ESPIRITUAIS

AS GLÂNDULAS E OS SEUS ASTROS REGENTES

AS SUPRARRENAIS E O MUNDO FÍSICO

O BAÇO E A REGIÃO ETÉRICA

A GLÂNDULA TIMO E O MUNDO DO DESEJO

A GLÂNDULA TIREOIDE E O MUNDO DO PENSAMENTO

O CORPO PITUITÁRIO E O MUNDO DO ESPÍRITO DE VIDA

A GLÂNDULA PINEAL E O MUNDO DO ESPÍRITO DIVINO

 

CAPÍTULO I – O DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO

“Quando vejo os teus céus, a obra dos teus dedos e a Lua e as estrelas que preparastes;

Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?”

Sl 8:4

Antes de iniciarmos essas lições sobre as glândulas de secreção interna, será bom revermos rapidamente a origem e a constituição do ser humano.

Nunca houve e nem há nada no Universo além de espírito puro. Porém, existem duas formas ou polos do Espírito: um positivo, ativo, dirigente e o outro negativo, passivo, receptor, assimilador. Essa substância espírito, com seus dois polos positivo e negativo trabalhando em conjunto, é tudo e produziu tudo que há, desde a terra até Deus. Toda a criação está em modificação constante e tem por meta a perfeição. O polo positivo do Espírito manifesta-se como energia, o negativo age como condutor daquela e os dois produzem a vida e a forma. A forma é produto do Espírito e traduz a sua mais baixa vibração. Ambos, forma e espírito, evoluem lado a lado.

Deus, o criador do nosso Sistema Solar, tem em Si três grandes poderes dinâmicos que, por falta de melhor nome, designamos como: Vontade, Amor-Sabedoria e Atividade. Quando pôs em ação essas forças e as ordenou, Deus criou nosso Sistema Solar e tudo que nele contém.

O fim último a ser atingido pelas Suas criaturas é a reintegração na Divindade. Cada indivíduo trazido à existência por este poderoso Ser, tem, em si potencialmente, todos os poderes do seu Criador, inclusive a Epigênese[1], o poder do Espírito para fazer algo inteiramente novo. O trabalho de cada um consiste em expandir essas potencialidades em forças dinâmicas como as do nosso Grande Progenitor. No ser humano falamos dessas potencialidades como Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, o que não significa que o indivíduo tenha três espíritos, mas que o ser humano como puro espírito tem em si três grandes poderes espírito.

Esses poderes latentes podem ser desenvolvidos por duas maneiras: por meio dos seus próprios esforços e pelo auxílio dos outros, principalmente daqueles Grandes Seres que estão além do ser humano no caminho da evolução.

Tal como é necessário alimento para manter e desenvolver o corpo físico, também é preciso alimentar os Corpos Vital e de Desejos. O Corpo Vital toma seu alimento diretamente do Sol: pelo baço etérico de cada indivíduo é normalmente atraída tanta força vital do Sol quanta seja necessária. No Mundo do Desejo há uma essência correspondente ao fluido vital que sustém o Corpo Vital; desse elixir de vida o Corpo de Desejos satura se enquanto o Corpo Denso dorme.

O TRABALHO INDIVIDUAL DO ESPÍRITO

Não foi possível o Espírito desenvolver seus poderes enquanto não construiu seus três veículos inferiores, os Corpos Denso, Vital e de Desejos. É deles que o Espírito obtém o alimento com o qual nutrirá e desenvolverá seus poderes potenciais. Este alimento essência é chamado Alma.

Do Corpo Denso, o Espírito extrai, automaticamente, a “Alma Consciente” mediante a ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento desenvolve as potencialidades latentes do Espírito Divino em poderes dinâmicos que se manifestam como vontade, inteligência, conhecimento, a força positiva do seu ser, o princípio paterno, o poder fazer.

Pela discriminação em relação ao importante, o essencial, e as coisas reais da vida e o que não é importante, não é essencial nem real, o Espírito extrai automaticamente o alimento essência do Corpo Vital, a Alma Intelectual, com a qual alimentará e desenvolverá, em poderes dinâmicos, as potencialidades do Espírito de Vida que são imaginação, intuição, poder receptor, poder de assimilar, o poder maternal e a natureza do amor.

Pelo domínio dos instintos animais, por meio da devoção guiada por sentimentos elevados e sublimes e pelas emoções geradas pela reta ação e experiências purificadoras o Espírito extrai automaticamente a Alma Emocional o alimento essência do Corpo de Desejos para em seguida nutrir e desenvolver as potencialidades do Espírito Humano, que são poder criador (físico e mental), fecundação, expansão, germinação e crescimento, desenvolvendo se em forças dinâmicas sob o domínio da vontade.

Muita ajuda vem sendo dada ao indivíduo pelos Grandes Seres por meio das glândulas endócrinas a respeito das quais vamos estudar. Uma glândula é formada por uma massa celular; essa é composta por uma substância densa, incolor, gelatinosa, chamada protoplasma. Cada glândula pode ser comparada a um laboratório no qual as células são os operários, e o produto do laboratório é a secreção.

As glândulas endócrinas não têm aberturas, tubos, nem condutos para excretar suas secreções. Descarregam nas diretamente no sangue e nos vasos linfáticos que as permeiam. As glândulas de secreção interna são chamadas glândulas endócrinas ou glândulas produtoras de hormônio. Endócrina é, com efeito, a palavra mais conveniente, por se referir tanto à secreção como para a glândula, mas a palavra hormônio se refere especificamente à secreção interna e não à glândula. O hormônio é uma substância formada em um órgão do corpo que é levada por intermédio do sangue a outro órgão onde produz um efeito estimulante. A palavra deriva-se do verbo grego, cujo significado é estimular ou pôr em movimento. Sem suprimento do fósforo endócrino, fornecido pela glândula tiroide, nenhum cérebro funcionaria. A pulsação do coração cessaria no momento em que deixasse de ser suprido com a secreção das suprarrenais. Tem havido casos de pessoas com corações considerados “mortos” e que, depois de estimulados por hormônios das suprarrenais, pulsaram novamente com ritmo regular.

O estudo científico das glândulas de secreção interna foi iniciado há menos de cinquenta anos, e a maior parte dos conhecimentos que delas temos foi adquirido durante os últimos vinte anos. Todavia, o que os cientistas ainda não descobriram é que as glândulas de secreção interna, em princípio, não pertencem ao corpo físico. São expressões do Corpo Vital, diferenciadas e cristalizadas até a densidade apropriada para desempenharem certa espécie de trabalho. As glândulas e o sangue são manifestações especiais do Corpo Vital. Embora cada uma das glândulas tenha um trabalho específico a realizar, todas elas trabalham em perfeita harmonia quando normais e em boa saúde. As glândulas de secreção interna são de interesse particular para os estudantes do ocultismo, porque podem ser chamadas em certo sentido, “as sete Rosas” na cruz do corpo e por estarem intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da humanidade.

As principais glândulas de secreção interna são: a pineal[2], a pituitária[3], a tiroide, a timo, o baço e as duas suprarrenais. As suprarrenais, o baço e a timo pertencem à personalidade, ao passo que a pituitária e a pineal se relacionam com o lado espiritual da natureza humana. A tiroide constitui o elo entre os dois grupos de glândulas.

AS SUPRARRENAIS

Iniciaremos o estudo das glândulas com as suprarrenais. São duas glândulas com o formato aproximado de barrete frígio cobrindo a parte superior dos rins. Identificam se facilmente pela sua gordura amarelada. Por séculos essas importantes glândulas não foram reconhecidas como partes ou órgãos separados dos rins. Na infância e na juventude são relativamente maiores, mais proeminentes que no adulto. Em qualquer idade, a quantidade de sangue que passa pelas suprarrenais é muito grande comparada com o seu tamanho. O grande valor dessas glândulas não pode ser subestimado, a sua importância na economia do corpo será melhor compreendida quando verificamos que a morte ocorre imediatamente após a possível ablação.

Cada suprarrenal tem uma constituição dupla, composta de um córtex ou camada exterior e uma medula ou camada interna. O córtex é constituído do mesmo tecido existente nos órgãos masculinos e femininos de reprodução. O mesoderma que forma a camada média da célula embrionária é o folheto ancestral comum, o que demonstra quão intimamente estão relacionadas as suprarrenais e os órgãos de reprodução.

A medula ou porção interior dessas glândulas é desenvolvida a partir do ectoderma, camada ou folheto exterior da célula que forma o embrião. Esse é o mesmo tecido que forma o sistema nervoso simpático. O tamanho das suprarrenais é variável, porém de um modo geral em relação a sua dimensão é de mais ou menos 7,5 cm de comprimento, 3,75 cm de largura com um peso de 7 gramas. Em relação aos seres humanos o seu córtex (camada exterior) é maior do que a dos animais.

O córtex da suprarrenais contém bastante substâncias geradoras de fósforo da mesma espécie existente no sistema nervoso cérebro espinal, mais do que em qualquer outra glândula ou tecido não nervoso do corpo. Durante a vida intrauterina as suprarrenais são maiores e distintas. Na primeira metade do segundo mês são duas vezes maiores do que os rins. Esse tamanho relativamente grande (que se verifica apenas no feto humano e não nos animais) é devido a expansão do córtex. Se essa predominância do córtex sobre a porção medular não ocorresse no feto humano, isto é, se a proporção permanecesse como nos animais, o cérebro não se desenvolveria convenientemente e seria gerado um monstro sem nenhuma capacidade de entendimento.

A secreção do córtex é chamada cortina ou corticoesterona[4]. Esta secreção estimula um crescimento sadio do cérebro e das células sexuais, desenvolve grande concentração mental e vigor físico, gerando uma vigorosa constituição muscular e nervosa. Atua sobre a pigmentação da pele diminuindo sua sensibilidade à luz. Em certas doenças do córtex das suprarrenais a pele torna se escura, pigmentada ou bronzeada, o que caracteriza a conhecida enfermidade de Addison. A cortina neutraliza os ácidos formados no corpo durante a digestão. Se tais ácidos não fossem neutralizados a vida dos tecidos terminaria rapidamente.

A remoção do córtex de suprarrenal influi profundamente na química do sangue, notadamente no conteúdo dos cloretos do ácido fosfórico solúvel e íons ácidos (um íon compõe se de um ou mais átomos e transporta uma carga unitária de eletricidade ou força vital).

O córtex suprarrenal tem íntima relação com a massa cinzenta do cérebro, com o sexo e a química do sangue. Um córtex defeituoso significa um cérebro e um sistema nervoso deficientemente desenvolvidos. Tão íntima é a relação entre o cérebro e o córtex que nunca se desenvolve um cérebro humano normal sem um córtex suprarrenal normal. Note se que o córtex está também correlacionado ao sistema nervoso voluntário.

A medula ou parte interna das glândulas suprarrenais, contém numerosas células idênticas às do sistema nervoso involuntário ou simpático.

A secreção da medula é uma substância nitrogenada chamada Adrenalina, que é um poderoso estimulante do coração com efeitos restauradores sobre o corpo. A porção da Adrenalina contida na medula, no sangue saldo das suprarrenais e na circulação em geral é mínima, na proporção de uma para vinte milhões, ao passo que a porção armazenada nas glândulas em reserva, é cerca de cem mil vezes maior. As emoções, profundas causam abaixamento da adrenalina nas glândulas e aumento no sangue. O desgosto, a irritação, especialmente o medo e a cólera, ocasionam uma descarga das glândulas na circulação. O aumento de Adrenalina no sangue determina um enorme aumento de vigor e tensão do sistema nervoso. As células nervosas tornam se mais sensíveis ao estímulo, o fígado envia mais açúcar ao sangue, e maior número de glóbulos vermelhos no sangue entram na circulação vindo do fígado e do baço. Provoca também uma redistribuição de toda massa sanguínea; grande quantidade de sangue é retirado das vísceras e mandada ao cérebro e aos músculos ligados ao esqueleto. O coração pulsa mais forte, os olhos podem ver melhor, a audição se apura, a respiração fica mais rápida, a temperatura sobe e a pele fica úmida e gordurosa. Em caso de medo os pelos se eriçam e os cabelos ficam em pé.

Esta Adrenalina extra no sangue produz uma ação reforçadora das propriedades nutritivas do sangue, do tônus dos músculos e da atividade do cérebro e do sistema nervoso simpático.

Enquanto as suprarrenais estimulam os músculos externos, produz se efeito oposto nos órgãos digestivos: a digestão paralisa se, porque toda atenção do Ego fica inteiramente concentrada em outra linha de ação. Aliás, é suspensa a atividade de tudo que não tenha relação com aquilo em que, nesses momentos, o Ego se focaliza.

Em certas pessoas de meia idade uma elevada pressão sanguínea acompanhada de grande capacidade para o trabalho são consequências de um super-desenvolvimento do córtex da suprarrenal. As glândulas suprarrenais, também chamadas as “Glândulas de combate” são masculinas nas suas manifestações. Na mulher em que se desenvolveu excessivamente o córtex da suprarrenal há certo grau de masculinidade que, em maior ou menor grau, neutraliza a influência especificamente feminina da secreção interna dos ovários. Tais mulheres tem vigor e energia acima do normal e dominam posições de responsabilidade na sociedade, não apenas entre as mulheres, mas também entre os homens. Têm probabilidade de se tornarem políticos profissionais, advogados, banqueiros, capitães de indústria e diretores de negócios.

Em presença de uma crise, as suprarrenais funcionam como glândulas de combate. Quanto mais combativo for o indivíduo ou o animal, tanto maior atividade suprarrenal terá. As suprarrenais são glândulas da energia, das emergências, da disposição.

A Adrenalina, a secreção da medula, é substância muito usada para a mobilização imediata da energia do corpo. Tem ação reforçadora sobre toda a organização física: aumenta o vigor, o estado de alerta, as atividades físicas e mentais, dá força no combate e rapidez no ataque.

A ação da Adrenalina é tão poderosa que em solução de 1 por 1 milhão, produz reação fisiológica. Seu efeito nos pequenos vasos sanguíneos é tão intenso que uma solução fraca, aplicada localmente, faz parar rapidamente uma hemorragia. É usada frequentemente em pequena cirurgia para prevenir excessiva perda de sangue, devendo as injeções ser repetidas por ser passageiro o seu efeito. Sendo a atividade da Adrenalina regulada pelo sistema nervoso simpático ou involuntário, a estimulação daqueles nervos ao longo da coluna vertebral aumenta a sua secreção. A repetida excitação, emoção, cólera, etc. podem exaurir a reserva de Adrenalina. Se, ante uma secreção insuficiente, não houver para as glândulas se recuperarem um intervalo de tempo entre as solicitações de secreção, resultará deficiência temporária ou crônica das glândulas. Em pessoa assim afetada, aparece a fadiga, sensibilidade ao frio, mãos e pés frios (alguns pontilhados de vermelho azulado) perda de apetite, de gosto pela vida e instabilidade caracterizada por indecisão, tendência a inquietação e para chorar à menor provocação.

A deficiência nervosa pode, algumas vezes, ser atribuída à falta de resposta das suprarrenais às necessidades da vida diária. Em certos casos, perde se totalmente a elasticidade mental e física, e o menor esforço em qualquer direção causa tanto cansaço que se torna inútil. Algumas vezes em tais sofredores, obcecados pela ideia de que perderam completamente seus nervos, os acontecimentos mais triviais causam lhes enorme temor. Este estado vacilante da Mente é tão penoso que às vezes traz pensamentos de suicídio.

Em determinadas perturbações das glândulas suprarrenais, especialmente quando existem tumores que abastecem o sangue com doses maciças de secreção, aparecem fenômenos sexuais peculiares bem como anomalias e irregularidades no desenvolvimento geral. Se a doença está presente no feto, manifestando se antes do nascimento, pode desenvolver se a condição de pseudo-hermafroditismo (a pessoa, aparentemente, não realmente é hermafrodita. Isto se observa nos animais que têm glândulas de um sexo enquanto os caracteres genitais opostos, no todo ou em parte, estão presentes). O indivíduo pseudo-hermafrodita, se mulher, apresenta em maior ou menor extensão, caracteres físicos e hábitos de outro sexo, o que faz ser tomado por um homem, embora, na realidade, seus órgãos geradores sejam os ovários, muitas vezes são só descobertos quando examinados durante uma operação ou autópsia.

Se o processo mórbido do córtex da suprarrenal surge depois do nascimento, a simetria e harmonia dos órgãos sexuais primários e das características sexuais secundárias não são afetadas. Dá se, porém, uma curiosa aceleração da maturidade do corpo e da Mente provocando uma puberdade precoce e outros espantosos efeitos. Uma menina de dois, três ou quatro anos de idade, dentro de poucos meses após o aparecimento da doença, começa a manifestar crescimento e aparência de uma moça de 14 ou 15 anos. Desenvolvem se o físico, as qualidades mentais e os atributos de uma adolescente   uma criança enfeitiçada em púbere, por assim dizer.

Um garoto de 6 ou 7 anos pode tornar se rapidamente um homenzinho no decorrer de poucas semanas ou meses. Robusto, embora pequeno e atarracado, com bigode, com força muscular e capacidade sexual de um homem, com pensamentos de adulto. Um caso desses sucedeu com o menino Clarence Kehr de Toledo, Ohio. As Glândulas tiroide e suprarrenais entraram em atividade da noite para o dia e transformaram no de um menino comum em um jovem Sansão. Clarence nasceu em setembro de 1924 e até os 3 anos de idade foi aparentemente normal. Então, de um dia para outro, sua voz mudou de agudo infantil para barítono roufenho e seu corpinho começou a tomar aparência madura. Em breve tempo, começou a considerar como crianças seu irmão de 7 anos e sua irmã de 8, e procurava na vizinhança a companhia de rapazes de 14 e 15 anos. Clarence tinha enorme prazer por ter assim crescido, ter de se barbear, ser anormalmente forte a ponto de levantar 200 libras (90 quilos) de peso.

Os psiquiatras da Universidade de Michigan fizeram um estudo meticuloso do caso desse menino. Depois de lhe radiografarem a cabeça mais de uma dúzia de vezes e de sujeitá-lo à mais rigorosa observação durante vários dias, os cientistas chegaram à conclusão de que o estado do rapaz era devido “a alguma perturbação das glândulas de secreção interna”.

Eis o resumo do estudo feito pelo Dr. Gordon Manac:

“Clarence Kehr, de 4 anos de idade, foi observado em nossa clínica e concluímos que esta criança é uma rara anomalia…. Os estudos radiográficos revelam que seus ossos têm a estrutura dos de um rapaz bem mais velho. Suas condições físicas aparentemente são excelentes. De acordo com nossos psiquiatras, tem inteligência acima da média…. Acreditamos que o estado desse rapaz é devido a alguma perturbação das glândulas de secreção interna”. Durante a reunião dos doutores, Clarence estava no anfiteatro da Academia de Medicina. Para mostrar sua força, levantava facilmente grandes pesos e, enquanto os cientistas discutiam, distraia-se empurrando um grande piano no anfiteatro.

O Dr. Louis Berman discutindo casos semelhantes disse:

“Tudo se passa como se em um meio ou solução fermentescível, deixássemos cair um pouco de levedo que transformasse a calma quietude da sua superfície em uma agitação borbulhante, efervescente”.

“Parece, ao mesmo tempo, que a transformação da criança em homem ou mulher pode ser devida ao derramamento, no sangue e nos fluidos do corpo, de alguma substância que atue como o fermento na solução fermentescível. O córtex suprarrenal é uma fonte de secreções internas ‘produtoras de maturidade’”.

“Seja agora o caso da perturbação das suprarrenais começar depois da puberdade. Aparecem fenômenos semelhantes aos descritos, mas de ordem diferente. Se, por exemplo, uma mulher de 30 anos for afetada, lenta ou rapidamente seu corpo cobre se com abundantes cabelos; no rosto aparecem barba e bigode; a voz torna se grave e profunda; os músculos endurecem e mostrará capacidade para trabalhos físicos pesados. A menstruação cessa. Parece ter mudado de sexo, predominando em seu todo a masculinidade. Terá de barbear se regularmente e não se incomodará pela perda dos atrativos femininos porque a mudança da sua organização física tornou a imune aos desejos femininos. A causa de tal transformação, em uma mulher antes normal, pode ser devida a tumor no córtex das suprarrenais”.

 

CAPÍTULO II – TIPOS DE PERSONALIDADES PRODUZIDOS PELAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

 

No caso do tipo puro, uma glândula particular exerce influência dominante nos traços do indivíduo, seja em virtude de uma atividade insuficiente ou excessiva da mesma. Devido a esse fato, dita glândula convertem-se em agente diretor, de maneira que todas as outras se acomodam sob seu domínio. Como é a principal entre todas, ela determina o crescimento e desenvolvimento das funções normais, sustentando o equilíbrio da energia; apresenta-se dominante em cada emergência por sua fortaleza ou debilidade, criando desta maneira o tipo próprio de indivíduo com as características e atributos que correspondem a si mesmo. As glândulas chamadas do tipo puro são: as suprarrenais, a tireoide, a pituitária, a pineal e a timo.

Com um pouco de prática pode-se identificar um tipo glandular com facilidade, observando-se o cabelo, o temperamento, o peso, suas inclinações sociais, e a tendência para uma determinada enfermidade. Os vários tipos diferem entre si da mesma forma em que diferem os aspectos de animais de uma mesma espécie, pois ninguém confundirá um mastim com um buldogue, ou um fox-terrier com um dachshund[5]. Cada um tem um tamanho e forma distintos, traços característicos, constituídos e dispostos da mais eficiente maneira no sentido de desempenhar seu próprio destino. Graças a isso é legítimo se falar de pessoas de um tipo glandular.

As diferenças são menos acentuadas entre os tipos mistos e, por essa razão, mais difíceis de classificarem. Neles há como que um conflito e, naturalmente, a ação conjunta das diferentes glândulas, dá origem a uma considerável modificação das características primárias. Em alguns casos não somente duas, mas mesmo três glândulas de secreção interna esforçam-se pela supremacia, cujas atividades conjuntas determinam uma modificação na aparência glandular primitiva. Uma acomodação então torna-se necessária. Também é possível que um indivíduo esteja sob a regência de uma glândula durante um período de sua vida e, mais tarde, sob o domínio de outra. Em tais casos a glândula que regeu primeiramente, deixará seus traços em desenvolvimentos posteriores, ao passo que novos indícios mostrarão a influência mais recente. Algumas combinações glandulares são possíveis, a saber: tipo suprarrenal-tireoide, tipo pituitário-suprarrenal, etc.

A PERSONALIDADE DO TIPO SUPRARRENAL

O rosto suprarrenal é, amiúde, escuro com sardas, tendendo a ser largo e irregular e a cabeça quadrada. Em virtude da linha da região dos cabelos serem baixa, a fronte aparece baixa, sendo considerável a quantidade de pelos que crescem nas maçãs do rosto. A pele é uma das principais características da personalidade suprarrenal. A epiderme é sempre mais ou menos pigmentada, em virtude da existência de matéria marrom escura existente na pele de intensidade variável. É fato bem conhecido que a pele pigmentada tem uma relação com a reação que a luz exerce sobre o organismo, especialmente em raios ultravioletas e a radiação do calor e, portanto, com a produção e dispêndio fundamentais de energia pelas células. O cabelo do tipo suprarrenal é profuso, espesso, duro e grosseiro, mais proeminente no peito, no abdômen, e nas costas com tendência a carapinha, tendo muitas vezes cores incomuns, isto é, num italiano pode ser amarela, num norueguês preto azeviche. Os indivíduos do tipo suprarrenal têm dentes marcadamente caninos. Com uma cooperação acentuada da tireoide e pituitária, a personalidade suprarrenal estará de posse de um vigor surpreendente, de energia e persistência, chegando por isso a possuir uma personalidade progressiva, e um lutador triunfante que raramente deixa de atingir seus objetivos.

Entre as mulheres o “tipo suprarrenal” é sempre masculinizado. Se uma dessas mulheres é fisicamente feminina, devido reações femininas adequadas da parte de outras glândulas, demonstrará pelo menos qualidades viris de domínio. Há algumas poucas décadas passadas, tais mulheres teriam reprimido seus desejos inerentes de ocupar posições públicas, porém, atualmente, elas estão começando a desempenhar cargos de responsabilidade que lhes proporcionam salários elevados; eis porque o Dr. Berman sugere que a primeira mulher a se tornar presidente será, provavelmente, uma do tipo suprarrenal. Certamente os indivíduos desse tipo são bons trabalhadores e diretores eficientes. São bem-sucedidos pela razão de que têm dentro de si uma força que os impele, que os incita a avançar em direção daquilo que desejam. O Presidente Harding[6] foi tipicamente um suprarrenal masculino, e Carrie Nation[7] um exemplo excelente do tipo feminino.

Exemplo de uma pessoa predominante suprarrenal masculino: presidente do EUA Harding

O tipo suprarrenal insuficiente é formado ao longo das mesmas linhas que o suprarrenal normal, e facilmente pode ser confundido com este, porém contrasta e difere notavelmente sob a superfície ou aparência. É talvez a mais frequente variedade do neurastênico. É débil, preguiçoso e irritadiço, pouco desejo de se alimentar, e carente de reações de toda espécie de estímulo. A indecisão crônica é um dos traços proeminentes. Entre seus principais dissabores situam-se a fadiga, proveniente da baixa pressão sanguínea e insuficiente temperatura corporal, acrescidos da incapacidade subnormal de utilização do açúcar para fins de combustão interna. As crianças que têm suprimento insuficiente das suprarrenais não podem aprender com facilidade; seu crescimento é lento, não podendo ser impelidas ou apressadas. Muitas vezes aqueles que carecem da secreção da suprarrenal, antes da puberdade, despertam a boa energia quando as outras glândulas endócrinas se desenvolvem, especialmente as glândulas sexuais. Portanto, as perspectivas para esses desafortunados não são de desesperanças.

O temor e a ira excitam as glândulas endócrinas desnecessariamente, e a indulgência frequente, em relação a qualquer dessas emoções, debilita a eficiência delas. Daí, então, se um esforço não se fizer a fim de dar-lhes uma oportunidade para recuperação, essa condição anormal eventualmente desenvolver-se-á num estado de insuficiência suprarrenal permanente, ficando o indivíduo na mais penosa condição física e mental. O otimismo, o bom humor e a fé em Deus, vivificarão e fortalecerão as glândulas suprarrenais, imbuindo-as de poder e suficiência.

Em relação à atividade das glândulas endócrinas, Max Heindel diz: “A ciência está gradualmente aprendendo as verdades que previamente foram ensinadas pela ciência oculta. Sua atenção está sendo mais e mais dirigida para as glândulas endócrinas, as quais dar-lhe-ão a solução para muitos mistérios. Porém, não parece que esteja ainda consciente da existência de uma conexão física entre o corpo pituitário, o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento, e as suprarrenais que eliminam o supérfluo e assimilam as proteínas. Estas estão também conectadas com o baço, a timo e a tireoide. Sob o ponto de vista astrológico é significativo que o corpo pituitário é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regente do plexo solar, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Dessa maneira, Vênus guarda o portal do fluido vital que vem diretamente do Sol através do baço, ao passo que Urano é a sentinela do portal onde penetra o alimento físico. É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural”.

 

CAPÍTULO III – O BAÇO – TIPOS DE PERSONALIDADE PRODUZIDA POR ELE

O baço é a maior das glândulas endócrinas. Está situado do lado esquerdo ao lado da grande curvatura do estômago, entre este e o diafragma. Tem o formato de uma fava de cor vermelho azulado escuro. Têm 180 a 200 gramas de peso, uns 13 cm de comprimento e 8 cm de largura. É macio, esponjoso e frágil. Normalmente, com os movimentos da respiração desloca se dentro de certos limites. Pode aumentar muito de tamanho em certas doenças como febre tifoide ou malária, ou em doenças do próprio órgão como a leucemia, afecção em que o número de corpúsculos brancos do sangue aumenta enormemente bem como o baço. O aumento do baço nas crianças é devido à sífilis, o que se dá, muitas vezes, na idade de dois a três meses. O baço sempre se dilata durante a digestão. Essa glândula é alimentada pela artéria esplênica e suas veias desembocam na veia porta que por sua vez descarrega no fígado.

No embrião, o baço forma-se mais ou menos na 51ª semana, a partir do mesoderma, ou o folheto médio da célula embriônica. É quase inteiramente circundado pela membrana do peritônio e é mantido em posição por dois envoltórios desse tecido. É envolvido por duas membranas, uma externa úmida e fibrosa e outra interna, elástica. A membrana externa é delgada e lisa. A secreção do baço é chamada hemolisina, que é a controladora da destruição dos elementos do sangue e tem efeito estimulante no movimento normal dos intestinos, havendo casos de constipação crônica que se curam pelo uso dessa secreção. Os vasos sanguíneos, linfáticos e os nervos entram e saem de uma depressão da parte interna do baço, chamada “hilo”.

O baço fabrica os corpúsculos brancos do sangue, armazena o ferro e tem grande influência no sistema nervoso (controla a absorção do fluido vital do açúcar que percorre os nervos), auxilia a digestão absorvendo o fluido vital do Sol durante esse processo. A remoção do baço não é fatal. Depois da remoção realiza-se um desenvolvimento das glândulas linfáticas que tomam a si o trabalho físico do baço. O baço etérico não se desintegra simultaneamente com o órgão físico amputado, mas permanece e desempenha suas funções vitais como antes. O baço é a porta de entrada das forças solares que vitalizam o Corpo Denso. Sem esse elixir da vida nenhum ser pode viver. A partir do baço essa força solar é enviada ao plexo solar, onde se encontra com o Éter que foi extraído do sangue no coração, o qual tão logo tenha sido extraído flui ao longo do cordão prateado para o plexo solar onde o Átomo-semente do Corpo Vital está localizado. Esse Átomo-semente parece ter o mesmo efeito sobre o Éter como um prisma tem em relação à luz, porque o fluxo etérico refrata-se nas três cores primárias: o vermelho, amarelo e o azul. Nas pessoas que vivem apenas a vida material predomina o vermelho, mas à medida que o indivíduo avança espiritualmente toma se notável o amarelo e, depois, o azul. O fluxo vermelho mistura se com o fluxo solar incolor que constantemente aflui para ao plexo solar por intermédio do baço. É o agente que muda esse fluido solar incolor naquela cor rosa pálido que dá ao Corpo Vital esse tom delicado da flor do pessegueiro recém-aberta. Do plexo solar esse fluido energético flui ao longo dos filamentos que compõem o sistema nervoso e desse modo ele permeia cada parte do corpo físico, energizando cada uma das células com a sua vida força.

Quando uma pessoa está com boa saúde, essa vida energia é especializada pelo baço e extraída do sangue em tão grande quantidade que, não podendo ser usada pelo organismo, irradia-se pelos poros da pele em linhas retas. Essa força irradiante excessiva arrasta consigo os gases venenosos, os micróbios inimigos e as substâncias inúteis, contribuindo, dessa maneira, para a conservação da saúde do corpo físico, evitando, ainda que exércitos de germes de enfermidades que enxameiam a atmosfera penetrem no Corpo Denso. Assim o fluido entérico cumpre um alto e benéfico propósito mesmo após ter sido usado ao retomar a seu estado primitivo.

O Clarividente treinado muitas vezes observa uma curiosa e surpreendente visão quando, ao observar as partes expostas do corpo, tais como o rosto e as mãos, vê começar a fluir por elas um facho de estrelas, cubos, pirâmides e grande variedade de outras figuras geométricas. Cada uma dessas figuras afasta-se a pouca distância do indivíduo e logo desaparece. Sua cor é azul ametista (arroxeado).

Após as refeições a força vital atraída pelo baço é consumida pelo organismo em grandes quantidades. Os dois Éteres inferiores, o Químico e Vital, contêm o elemento estruturador que as forças da natureza (os Espíritos da Natureza), os chamados mortos, os espíritos Lucíferos e os Mestres das mais elevadas Hierarquias Criadoras empregam no processo de assimilação do alimento pelo Corpo.

Quando a alimentação é pesada ou excessiva, o fluxo do fluido vital diminui perceptivelmente. Então a limpeza do veículo Denso não é feita tão apropriadamente como quando a alimentação foi completamente digerida, nem o fluxo vital que se liberta do corpo é suficientemente poderoso para evitar o ataque de germes de enfermidades, o que explica por que as refeições copiosas tornam a pessoa mais sujeita a resfriar-se ou a adoecer. Na doença, o baço fornece ao Corpo Vital muito pouca energia solar. Nesse estado parece que o corpo físico se alimenta do Corpo Vital, tornando o mais transparente e extenuado, resultando para o corpo físico um estado de fraqueza e emaciação. É fácil aparecerem complicações doentias, pois as condições vitais de limpeza estão quase inteiramente ausentes durante a enfermidade.

Quando alguma parte do corpo ou qualquer órgão são removidos, deixando de haver uso da contraparte etérica, desintegra-se gradualmente essa parte do Corpo Vital. Entretanto, no caso da ablação do baço, tal consequência não se dá, cabendo a essa glândula a tarefa de cumprir um grande trabalho. Por isso, se o corpo físico deve viver, o baço etérico precisa permanecer intacto a fim de continuar o seu serviço, isto é, atrair força ou energia solar para o veículo denso.

As glândulas são produtos do Corpo Vital, mas o Corpo de Desejos apropriou-se do baço e nele produz os corpúsculos brancos. Esses corpúsculos brancos são destruidores, e são usados pelo Corpo de Desejos, levando-os por intermédio do sangue por todo o corpo físico. Ao atravessarem as paredes das artérias e das veias nos momentos de aborrecimento e especialmente nos de grande irritação, a impetuosidade das forças no Corpo de Desejos dilata as artérias e as veias, abrindo caminho aos corpúsculos brancos, através das finas paredes desses vasos sanguíneos dilatados, para os tecidos do corpo, onde formam bases de matéria terrosa destruidoras do veículo Denso. O Corpo de Desejos constantemente está destruindo os tecidos do corpo físico que o Corpo Vital reconstrói. Dessa luta entre eles resulta a consciência no mundo físico. As forças etéricas no Corpo Vital agem de modo a converter, tanto quanto seja possível, o alimento em sangue, o mais elevado produto do Corpo Vital.

Os corpúsculos vermelhos do sangue são discos, côncavos em ambos os lados, não tendo núcleos. Têm a missão de oxigenar todo o organismo, ao passo que os corpúsculos brancos são de formato irregular, nucleados, com movimento parecido ao das amebas.

A forma pela qual o Corpo de Desejos opera na formação dos corpúsculos brancos do sangue, no baço, é a seguinte: maus pensamentos, o medo e a cólera interferem na atividade e vaporizadora no baço, daí então o Corpo de Desejos aproveita a oportunidade para formar uma partícula de plasma, material viscoso de uma célula animal, a qual se torna o fundamento do corpúsculo branco. Este é imediatamente atraído por um pensamento Elemental que dele se apropria, forma um núcleo e nele se incorpora. Depois, o elemental inicia uma vida de destruição, unindo-se a produtos nocivos e a elementos em decomposição onde quer que se encontre no corpo, fazendo dele um cemitério em vez do templo de um Espírito interno. Cada corpúsculo branco formado e apossado por uma entidade exterior é, para nosso Espírito, uma oportunidade perdida. Quanto mais oportunidades perdidas existam no corpo físico, tanto menos esse veículo estará sob o controle do Ego. Os corpúsculos brancos estão sempre presentes em grande número em todas as enfermidades.

A PERSONALIDADE DO TIPO BAÇO

O baço não tem uma personalidade típica. Contudo, considerando-se o fato que às refeições é atraída uma considerável quantidade de força solar, bem como durante a digestão, o “gourmand” pesadão e gordo, poderia ser tomado como um tipo representativo a desenvolver-se, se o apetite não for controlado. Contudo, se houver controle do apetite por parte da pessoa, um tipo superior, forte e potente, poderá desenvolver-se.

 

CAPÍTULO IV – A GLÂNDULA TIMO – A GLÂNDULA DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

A glândula timo está situada no peito, entre os dois pulmões, e por trás do esterno. Projeta-se para baixo, cobrindo a parte superior do coração, envolvendo os grandes vasos na parte de cima. É uma massa pardacenta que, ocasionalmente, quando é cortada, tem a aparência de uma moela.

Situa-se sobre a traqueia, aparecendo como um crescimento da terceira bolsa da faringe (uma cavidade tubular no canal alimentício que começa na parte anterior da boca). Alcança seu maior tamanho no início da puberdade, pesando na ocasião do nascimento 14 g. Sua largura é de 3,75 cm e o comprimento é de 5 cm. Atinge o ponto de dissecação aos vinte e um anos. Seu desaparecimento gradual, subsequentemente, é assinalado pela perda da estrutura glandular que é substituída por um tecido fibroso e adiposo. Vestígios do tecido característico timo, entretanto, persiste bem como certas células segregado sãs que assim permanecem durante toda a vida.

No passado, acreditava-se que a glândula timo se atrofiava na puberdade, porém atualmente sabe-se que suas células secretoras continuam em manifestação durante toda a vida. Quando tais células são muito numerosas a glândula se torna de cinco a dez vezes maior do que a normal e um número de outros aspectos faz-se proeminente, dotando o indivíduo com características extraordinárias, fazendo-a vítima do “estado tímico”. Tal fato será exposto na série de lições que trata da “personalidade timo”. É exato que o timo é a glândula que faz as crianças pueris e, por vezes, os adultos infantis. Entre as artérias que nutrem a glândula timo há ramos das artérias mamárias, o que indica a estreita relação existente entre a mãe e o filho. Os minúsculos nervos vêm do sistema nervoso simpático e do 10º nervo craniano ou nervo pneumogástrico.

Durante a infância, o timo é o órgão que promove o crescimento dos ossos, porém, na puberdade, o decrescimento inicia-se, admitindo-se que as glândulas sexuais, despertadas nesse período, exerçam sobre o timo uma influência refreadora.

Crê-se que a secreção da timo que se chama timovidina seja responsável pelo crescimento das crianças. Quando o timo com um tamanho acima do normal apresenta-se num recém-nascido, o processo de respiração, isto é, a introdução do oxigênio contido no ar, na criança, torna -se algo difícil e prolongado. Tais crianças nascem azuis, como se diz. Durante dias a respiração é ruidosa, com um tom sibilante, normalizando por algum tempo, para, posteriormente, surgirem espasmos respiratórios ou sintomas de asfixia, acompanhados de manchas azuis na pele e ameaça de morte.

Há casos em que esses espasmos aparecem depois de a criança parecer perfeitamente saudável. Tal situação prende-se ao fato de o timo avolumar-se, o que poderá ser aliviado pela aplicação de Raio X ou pela ablação cirúrgica de uma de suas partes.

Quando o corpo de uma criança sofre de desnutrição, produz-se um rápido declínio no peso do timo, o que prova que o tamanho e demais particularidades do timo de uma criança são índices do seu estado de nutrição. Nesse sentido provou-se que, mantendo a subalimentação durante 4 semanas, o timo se reduziu de 1/3 do seu tamanho normal.

A glândula timo parece agir como um órgão de armazenagem e reserva, oferecendo alguma proteção contra a limitação do crescimento devido à falta de alimentação. É fato interessante que, no caso de enfermidades esgotadoras e depauperadoras, o peso dessas glândulas desce muito mais rapidamente que o de qualquer outra glândula. Há casos comprovados de crianças que crescem alguns centímetros e expandiram suas condições mentais ao serem tratadas com timovidina, quando outras providências falharam. Na França foi feito um estudo em mais de quatrocentas crianças idiotas possuidoras de glândulas tiroides normais. Verificou-se que mais de 3/4 do número desses infelizes não tinham glândulas timo.

A secreção do timo controla de forma definida o crescimento dos ossos e o metabolismo muscular durante o período infantil. Essa glândula tem influência particular no desenvolvimento do córtex da suprarrenal (a parte exterior dela) na glândula pineal, na tiroide e na Próstata. A injeção de timovidina alivia notoriamente a fadiga dos músculos voluntários.

A remoção da glândula timo de um animal jovem e pequeno interfere em seu crescimento normal, surgindo um anão e consequente alteração no desenvolvimento do esqueleto, idêntica à que caracteriza o raquitismo. Os ossos ficam moles, vergadiços e fraturam-se facilmente. Entretanto, no caso de regenerarem-se pequenos pedaços do timo que tenham ficado da operação, os aludidos sintomas desaparecem e o animal volta à normalidade.

O timo cresce rapidamente durante os primeiros dois anos de vida da criança. Razão disso é que a criança é então amamentada e o Éter de Vida contido no leite materno especialmente favorece o crescimento desse órgão. A glândula timo das crianças amamentadas com leite humano é sempre de maior tamanho do que a das crianças amamentadas com leite animal. Constata-se também que as crianças amamentadas com leite humano respondem mais ao controle da sua nutriz do que ao controle de qualquer outra pessoa. Após o desmame, os átomos da glândula timo que se desintegram circulam na corrente sanguínea, e como estão impregnados pelo Éter de Vida da mãe, obtido durante a amamentação, a íntima ligação entre eles permanece até que se dê a diminuição sensível na glândula. As crianças alimentadas com leite humano têm maior vitalidade do que as alimentadas com leite animal, porque o Éter animal não é absorvido permanentemente pela glândula timo tal como é o Éter humano.

A criança não fabrica os próprios corpúsculos vermelhos de sangue, como fazem os adultos. A razão disso é que o polo positivo ou a energia do Corpo de Desejos da criança é comparativamente inativo; consequentemente, esse veículo não atua como uma via para as forças (Marcianas) que tomando o ferro do sangue transformam-no em Hemoglobina (a substância de coloração vermelha dos corpúsculos sanguíneos). Para compensar essa inatividade, existe na glândula timo da criança uma essência espiritual que é tomada dos pais no ato da concepção. Essa substância completa a alquimia do sangue temporariamente para a criança até que o seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo, o que se dá por volta dos quatorze anos de idade.

A glândula timo controla o crescimento físico das crianças, cujo máximo é atingido aproximadamente aos 14 anos. Durante esse tempo, essa glândula mantém as outras glândulas inativas, retarda a puberdade e estimula o desenvolvimento normal do cérebro. Há casos, contudo, em que, devido à enfermidade das suprarrenais, o cérebro e os órgãos geradores amadurecem em poucas semanas ou meses, antes que o corpo se desenvolva normalmente. A paralisação do crescimento deixa o corpo pequeno, de pequena estatura, todavia simétrico. Podem surgir casos excepcionais, entretanto a glândula timo evita o aparecimento de tais fenômenos.

Quando a ação da glândula timo persiste depois da puberdade em tempo demasiado, chegando a ser de 5 a 10 vezes maior do que o normal, estamos perante um caso de “status thymicus” que é uma condição interessante em que a pessoa, se masculina, tende a exteriorizar a expressão feminina e, se feminina, a expressão masculina. Em outras palavras, causa uma suspensão da masculinidade ou da feminilidade, conforme seja o caso, algumas vezes resultando o peculiar complexo do homem desejar mais a associação com homens do que com mulheres e, vice-versa, as mulheres preferirem a associação com mulheres, em vez de homens. Isto levado a extremos pode converter se em narcisismo, o amor por si mesmo. Tais pessoas usam continuamente o pronome “eu”, gostam de se mirar nos espelhos, deleitam-se em admirar suas mãos, seus pés e todo seu corpo, podendo ser vistas, com frequência, acariciando-se ternamente e sorrindo docemente para sua própria imagem refletida. Por vezes, têm irresistível desejo de vestir roupas do sexo oposto. Algumas satisfazem-se com uma ou outra peça de vestuário, mas outras substituem todos os seus trajes e passam como membros do sexo oposto. Essas pessoas não são pseudo-hermafroditas porque têm desenvolvimento sexual perfeitamente normal. Cita se o caso de um homem que, tendo vivido 48 anos vestido com vestes masculinas, mudou para vestes femininas até sua morte, 35 anos depois. Durante todo este segundo tempo de sua vida foi aceito na sociedade como mulher. Somente a autópsia revelou que, sexualmente, “ela” era realmente “ele”, um homem normal. Esse tipo de indivíduo é incompreendido e mal julgado. São geralmente desajustados na sociedade, de que resulta tornarem-se muitas vezes desanimados e sem coragem, entregando-se ao uso do álcool ou aos entorpecentes e eventualmente praticam o suicídio. Entretanto, há indivíduos desse tipo que depois de uma vida tempestuosa pela casa dos vinte anos, adaptam-se ao seu ambiente pelos trinta anos, porque a pituitária e a tiroide tornaram-se mais predominantes, dando maior estabilidade mental e equilíbrio. Em alguns em que o timo é o centro de direção, combinam o brilho com a instabilidade, tornando-se aventureiros famosos e incansáveis experimentadores.

O coração do tipo tímico é pequeno e os vasos sanguíneos notadamente frágeis. Isso, numa emergência, pode limitar o afluxo do sangue e, em consequência, tais pessoas podem morrer subitamente de ruptura de vasos, causada pelo excessivo afluxo do sangue a vasos débeis. Um choque súbito, um susto ou a administração de um anestésico podem produzir um colapso que, as mais das vezes, termina em morte.

 

TIPO DE PERSONALIDADE TÍMICA

Ao tempo do aparecimento dos dentes permanentes, o timo é a glândula dominante e é de notar que a forma física das crianças, em ambos os sexos, é muito semelhante. Depois disso há uma diferenciação gradual, sem distinção física acentuada até a puberdade. Iniciada esta, a função do timo diminui gradativamente e outras glândulas aumentam de atividade. Porém, muitas vezes, a ação da glândula não cessa, casos em que os indivíduos têm toda a vida dominada por essa glândula. Tais pessoas pertencem ao tipo tímico centralizado. Suas formas continuam redondas e infantis. As crianças pertencentes a esse tipo são bem proporcionadas, perfeitamente formadas com feições delicadas. A pele é transparente e cora com facilidade; o cabelo é longo e sedoso. Tais crianças são a incorporação da beleza. Crianças angelicais admiradas por todos, mas, não estando aptas para enfrentar os ásperos conflitos da vida, geralmente morrem jovens.

O tipo tímico é essencialmente feminino. O corpo, algumas vezes de estatura média e outras vezes alta, é todo graciosamente conformado, de membros roliços. A pele é fina, delicada e aveludada, cabelos macios e sedosos. Pouca ou nenhuma barba, feições delicadíssimas, magnificamente proporcionadas, olhos azuis ou castanhos, longas pestanas, lábios finos e o rosto oval. Por vezes, no adulto, o queixo não é bem formado, os dentes têm a brancura do leite, são finos e translúcidos com bordos serrilhados ou com a forma de crescente lunar.

Esse tipo de indivíduo, reiteramos, não tem grande resistência, e, portanto, deve ter o máximo cuidado com seu corpo físico.

 

CAPÍTULO V – A GLÂNDULA TIREOIDE – A GLÂNDULA DA ENERGIA

 

A glândula tireoide[8] consiste de duas massas de cor marrom, situada na parte superior da traqueia e junto à laringe, ligada logo abaixo ao pomo de Adão por um estreito istmo do mesmo tecido. A tireoide surge do mesmo tecido e quase do mesmo ponto que o lóbulo anterior do corpo pituitário, pesando aproximadamente 28,4 g. Cada lóbulo da tireoide tem em torno de 5 cm de comprimento, 2,5 cm a 3,75 cm de largura e 1,9 cm de espessura. Essa glândula é um dos primeiros órgãos a distinguir-se no embrião humano, começando primeiramente como um sulco no fundo da boca por volta da terceira semana de vida do feto. Ao alcançar 0,62 cm no embrião, o tecido da tireoide se separa e o sulco fecha-se.

A importância da tireoide é acentuada pela riqueza de sua circulação. Essa glândula recebe aproximadamente quatro vezes mais sangue, em proporção ao seu tamanho, do que os rins, os quais se destacam pelo seu alto grau de atividade funcional. É mais pesada na mulher do que no homem, tornando-se maior durante a excitação sexual, na menstruação e na gravidez. De acordo com uma notável autoridade, Gaskill[9], a tireoide foi uma glândula sexual. O Dr. Berman diz: “Tanto nos vertebrados inferiores como nos invertebrados superiores os tecidos dessa glândula estão intimamente conectados com os condutos dos órgãos sexuais. São na verdade órgãos sexuais acessórios, glândulas uterinas, satélites do processo sexual. Do Petromyzon (lampreia)[10] para cima, seu relacionamento se perde. A tireoide emigra mais e mais para a região da cabeça, a fim de se tornar o grande elo entre o sexo e o cérebro”.

Max Heindel diz: “Durante os primeiros estágios da Época Hiperbórea, quando a Terra ainda estava unida ao Sol, as forças solares eram o suprimento do homem, o qual, inconscientemente, irradiava o excesso dessas forças recebidas, para fins de propagação”.

“Quando o Ego entrou em seus veículos, tornou-se necessário usar uma parte dessa força para construir o cérebro e a laringe que era originalmente uma parte dos órgãos geradores. A laringe foi construída enquanto o Corpo Denso era encurvado numa forma de bolsa como já foi descrita, a qual é ainda a forma do embrião humano. Quando o Corpo Denso se tornou reto, parte do órgão criador permaneceu na parte superior do corpo tornando-se mais tarde a laringe”.

“Assim a força criativa dual, que num determinado tempo foi usada somente numa direção, para criar outro ser, dividiu-se. Uma parte dirigiu-se para cima para criar o cérebro e a laringe, por meio dos quais o Ego é capaz de pensar e comunicar seus pensamentos a outros seres”.

“Como resultado dessa transformação, somente uma parte da força essencial para a criação de outro ser ficou de posse para um indivíduo, daí a necessidade de cada indivíduo procurar a cooperação de outro que possuísse a parte da força procriadora que carecia”.

“Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do mundo exterior à custa da metade de seu poder criador. Anteriormente a esse tempo ela usava internamente ambas as metades ou partes desse poder para exteriorizar outro ser, porém, como resultado dessa modificação, desenvolveu o poder de criar e expressar o pensamento. Antes disso ela era um criador no Mundo Físico somente, desde então tornou-se apta a criar nos três Mundos”.

Uma comparação das descobertas feitas pelos modernos cientistas e daquelas realizadas pelos investigadores ocultistas, acima expostas, revelam uma pasmosa corroboração relativa à recente formação dos órgãos procriadores da raça humana. Max Heindel disse no Conceito Rosacruz do Cosmos que o ocultista acolhe com júbilo as descobertas da ciência moderna, porque invariavelmente corroboram o que a ciência oculta há longo tempo vem ensinando, sendo um fato digno de nota que quase diariamente um estudante esmerado lê algo a respeito de uma descoberta científica que vem provar uma afirmação particular registrada há longo tempo nos escritos dos nossos mais adiantados cientistas ocultistas.

É crença dos mais eminentes biologistas que a tireoide desempenhou uma parte importantíssima na transformação das criaturas marítimas em animais terrestres. Experimentalmente a tireoide foi usada para transformar uns em outros. Há uma pequena Salamandra que vive n’água e que respira por meio de guelras. Alimentando-se esse animal com glândula tireoide, opera-se uma mudança rapidamente, surge de uma Salamandra da água, uma Salamandra terrestre.

Tanto a tireoide como sua secreção, são usadas na medicina. A secreção dessa glândula é chamada Tiroxina. Trata-se de uma substância gelatinosa contendo uma grande porcentagem de Iodina, bem como Arsênico e Fósforo. A Tiroxina depende da Iodina para sua atividade. Há outras substâncias na secreção da tireoide com funções próprias, porém as atividades delas são secundárias e obscuras. A Tiroxina produz resultados em pacientes em doses extremamente pequenas comparadas com a quantidade da glândula toda. Além disso, uma dose de Tiroxina parece permanecer num organismo necessitado dela por um período de tempo maior, ao passo que a totalidade da glândula tem de ser administrada continuamente.

A tireoide é uma glândula de energia. Sua secreção é a controladora do ritmo do viver, de tal modo que quanto menor seja a quantidade de secreção tanto menor será o nível de atividade. E, por assim dizer, a rapidez com que se produzem as reações químicas que constituem os processos da vida dependem da tireoide. Quando as reações se aceleram, o oxigênio e a matéria alimentar se oxidam, portanto, libertam mais energia e o indivíduo pode pensar e sentir, ver e atuar mais rapidamente. A tireoide parece mesclar mais oxigênio com as células alimentares e ao mesmo tempo libertar energia para ser usada como calor, movimento e outras necessidades. O Dr. Plummer[11] demonstrou que um aumento de Tiroxina dobra o aumento de energia numa determinada unidade de tempo. Isso nos dá uma ideia do poder dessa secreção interna e de sua importância para a vida normal. Para ser exato, um miligrama de Tiroxina aumenta a ação do metabolismo em dois por cento. Quando a Tiroxina é administrada em apenas uma dose, observa-se uma diminuição lenta de absorção dela pelos tecidos, assim mesmo não alcança o máximo efeito senão no décimo dia. Seu efeito continua por mais dez dias, aproximadamente. Daí então haverá uma diminuição de intensidade por outros dez dias. De acordo com a extensão do tempo uma simples dose de Tiroxina atua no organismo, aproximadamente, durante três semanas. Qualquer perturbação na secreção da tireoide em quantidade maior ou menor ou ainda em relação à qualidade, isto é, uma mudança anormal em sua composição química, produz severos transtornos, os quais se tornam uma carga para si mesmo e para os outros.

Não é somente o grau de tensão da energia nas células do organismo que é controlado pela tireoide, mas a mobilidade dessa energia, pois sem a secreção dessa glândula, o rendimento de grandes e rápidas flutuações de energia, a sua elasticidade, flexibilidade e mobilização para a execução de um rápido ato muscular, numa emergência, seria completamente impossível.

A Glândula tireoide é a mais importante glândula do corpo, pela razão de que ela controla o crescimento do veículo denso, o desenvolvimento mental e está intimamente relacionada com as outras seis glândulas que estamos considerando. É o grande elo entre o cérebro e os órgãos geradores, nela se processando a secreção necessária ao equilíbrio do cérebro.

Duas das principais doenças relacionadas com a glândula tireoide são o cretinismo e o mixedema. Ambas são causadas por conexão imperfeita entre o cérebro e o Corpo Vital, a qual impede a tireoide de secretar a Tiroxina que a conectaria com o cérebro e os órgãos geradores. O cretinismo é o idiotismo infantil. A mesma doença é chamada de mixedema, no adulto.

Uma criança pode nascer cretina como resultante de uma deficiência de Tiroxina ou pode desenvolvê-la em qualquer tempo depois do nascimento. Uma criança pode nascer aparentemente normal, com exceção do nariz que será um pouco mais achatado do que o comum. Pode ter sonolência anormal, maior do que as crianças normais, durante o primeiro ou segundo mês, e não acordar espontaneamente para comer. Depois de alguns meses, nota-se que não acompanha o crescimento normal, física e mentalmente. Ao exame, revela-se um curioso engrossamento dos rebordos dos dentes. Então a língua se torna anormalmente espessa e proeminente, sobressaindo da boca continuamente, dificultando a respiração quando a criança está deitada. A boca está sempre cheia de saliva, a pele adquire um amarelado ou cor de cera, é seca, áspera escamosa e tumefeita. Os olhos lacrimejam e as pálpebras engrossam, o achatamento do nariz se pronuncia e suas asas engrossam; as orelhas são grandes e eretas; o cabelo afina; as sobrancelhas e as pestanas escasseiam e, por vezes desaparecem; as unhas ficam curtas, finas e quebradiças; os dentes demoram a aparecer, limitando-se, por vezes, a meras e poucas pontas curtas, e irregulares que rapidamente caem. Todo o crescimento é lento e desproporcionado. O tronco, bem pequeno se comparado com a cabeça, parece maciço se comparado com as diminutas dimensões das extremidades. As costas se acorcovam, arqueando-se na região lombar; o abdômen salienta-se como um pequeno balão, havendo às vezes hérnia umbilical. Os pés e as mãos são desajeitados, largos e grossos, os dedos rijos, curtos e finos, e os artelhos recobertos de sólida pele e separados. Esses desafortunados manifestam fome e sede por meio de grunhidos, de sons inarticulados ou gritos. Não sorriem nem tossem. A circulação é pobre, o corpo frio, a pressão sanguínea é baixa, porém nem todos os cretinos têm as mesmas peculiaridades; há muitos graus e variedades de acordo com a severidade da doença. Note-se que no cretino ou no mixedematoso[12], estando fechada a porta da tireoide, que fornece a força criadora para o cérebro e os órgãos geradores, ambos começam a atrofiar-se. Em ambos os casos, a vítima é apática, indiferente, suja e desalinhada, um lastimável idiota.

Num adulto poder-se-ia suspeitar alguma causa para tão abominável enfermidade, mas numa inocente criança, por qual razão surge?

Para encontrar-se a causa da aflição, devemos observar os órgãos afetados, o cérebro e os órgãos geradores. A força criadora, a força que produz o crescimento está praticamente ausente.

O abuso da força criadora, usada para gratificação dos sentidos, é o pecado contra o Espírito Santo, que não é perdoado, mas que deve ser expiado pelo viver em veículos deficientes, como, por exemplo, o acabado de descrever. É uma terrível lição a aprender, uma lição que só é dada a um Espírito, quando não seja possível lhe dar de outra maneira.

Os cientistas, ao retirarem a Tiroxina do desamparado reino animal, para aplicá-la ao homem doente, estão, ignorantemente, tentando burlar o trabalho que a grande Lei de Causa e Efeito realiza por meio do renascimento. Mas Deus não pode ser ludibriado: o que um homem semeia isso colherá. A Tiroxina animal aplicada num cretino ou em um mixedematoso jamais efetuará uma cura real, apenas retarda a aplicação da Lei até outra oportunidade. O caso é análogo ao emprego do hipnotismo para curar alcoólatras da atração pelas bebidas. O que o hipnotizador faz é apenas sobrepor a própria vontade à do alcoólatra. Enquanto os dois viverem, o hipnotizador e o hipnotizado, a cura parece ter sido completa; mas se o hipnotizador morre antes do viciado, como o poder da vontade deste último não é mais controlado, o apetite desperta, e o viciado retorna ao antigo e infeliz hábito. É somente quando nos sobrepomos a um mau hábito pelo poder da própria vontade, que passamos a ter domínio sobre ele. O mesmo sucede no cretinismo e no mixedema.  A vítima pode tomar tiroxina durante toda a vida que jamais ficará “curada”. Apenas retardará até outra vida o pagamento de uma dívida do destino. Quando voltarem, a Lei cobrará o débito.

O primeiro êxito aparente na cura do mixedema deu-se com uma mulher inglesa de 42 anos de idade. A doença produziu-lhe crescimento do rosto e das mãos e tornou-a lenta no falar e no andar, sensível ao frio, de espírito lânguido, fisicamente deprimida, a ponto de não poder andar sozinha.

A injeção hipodérmica do extrato de glândula tireoide de carneiro, duas vezes por semana, produziu uma melhora imediata, maravilhosa e contínua. Verificou-se que a melhora pode ser mantida usando a glândula por via oral. As feições e a pele retornaram ao normal e a mulher pôde voltar a andar por seus próprios meios. Viveu até a idade de 74 anos. Entre os 42 e 74 anos foi necessário administrar-lhe Tiroxina regularmente. A mulher consumiu 270 gramas de Tiroxina, extraída das glândulas de 870 carneiros.

Quando se dá Tiroxina a uma criança cretina, a circulação melhora e o calor do corpo aumenta. Cerca de uma semana depois o estado de embrutecimento desaparece. A pequena criatura começa a sentir suas melhoras, logo reconhece seus pais, sorri e brinca. A face pálida toma a aparência normal e todo o corpo começa a crescer. Surgem todos os maravilhosos efeitos do crescimento. Por exemplo, podem aparecer 20 dentes dentro de 6 meses. O cabelo áspero e seco torna-se fino, macio, sedoso e, às vezes, ondulado. A pele fica úmida, macia e rosada, a altura, cada mês, poderá aumentar de alguns centímetros. A criança torna-se alegre e ativa, e começa a falar. Deu-se uma evidente transformação. Mas, apenas cesse a administração da secreção da tireoide, é inevitável, quase imediatamente, a reversão às condições primitivas. Pouco tempo depois de diminuída a administração do medicamento a criança falará somente quando falarem com ela, ficará sentada quieta, durante todo o dia e agirá como se estivesse semianestesiada. A pele e o cabelo, gradualmente, retornam ao estado primitivo e o completo tipo do cretino se desenvolverá. Se de novo aplicamos a secreção, a transformação rapidamente se repetirá. Os médicos estão atônitos em relação ao destino que poderá sobrevir   para essas criaturas recuperadas, uma vez que a administração de Tiroxina foi feita apenas a uma geração, pelo que não há dados sobre o caráter dos filhos ou netos. Os casos que a medicina conseguiu registrar parecem normais, as crianças nas escolas e os adultos como trabalhadores ativos, aos interesses comuns da infância, nas ocupações adultas ou nos círculos sociais. Intelectualmente, a única dificuldade é a matemática. Normalmente, fora da família, ninguém sabe que são cretinos. Em dez casos, o observador mais sagaz de nada suspeita em nove.

Além das anomalias, no sangue e nos tecidos, por insuficiência da secreção da tireoide, também há casos de sofrimento por excessos.  Quando a superatividade da tireoide atinge o estado patológico, tal condição manifesta-se como Bócio Exoftálmico. De modo geral, essa enfermidade é acompanhada pelo aumento da glândula, podendo manifestar-se de forma aguda ou crônica.

Os casos agudos, na maioria das vezes, são provocados por grande desgosto ou grande medo. Frequentemente desaparecem em poucos dias sem tratamento. Na forma crônica, a enfermidade é séria, é preciso prestar-se ao paciente o melhor cuidado. Entre os principais sintomas estão: movimentos cardíacos excessivamente rápidos, pulsações entre 90 e 100, hiperexcitabilidade nervosa[13], aumento da pressão sanguínea, respiração rápida e pouco profunda, traduzindo uma hiperreação de todo organismo. Os olhos, brilhantes e proeminentes, parecem saltar das órbitas e as pálpebras muito abertas conferem uma expressão espantada, assustada.

A pessoa afligida por essa enfermidade tem uma coloração viva, quente, não repousa, dorme mal. Emagrece e permanece magra, por muito que coma, chegando, em alguns casos, à emaciação. O bócio pode ser muito grande, por vezes é moderado. São conhecidas 21 espécies de Bócio. O Bócio exoftálmico é curável na maioria dos casos, sem operação, mas há casos que requerem o uso do bisturi.

A causa do Bócio é a carência de iodo na secreção da tireoide. Há abundante iodo na água do mar e em pequenas quantidades nas fontes e vertentes de algumas regiões. Porém, em alguns lugares montanhosos e em outras regiões bastante afastadas do mar, não há, praticamente, presença de Iodo para suprir a tireoide. Ela então, na tentativa de produzir adequadamente a secreção, aumenta de tamanho em consequência do esforço funcional desenvolvido para adaptar-se às condições existentes, isto é, à falta de iodo. Iodo na forma de iodato de sódio, em pequenas doses, é preventivo do Bócio. Todavia, os meios mais eficientes para curar essa enfermidade são o descanso prolongado físico, mental e emocional, e a supressão de toda a inquietação e excitação. Em último recurso, só a operação cirúrgica valeria, mas em nenhuma hipótese a tireoide pode ser totalmente removida: a morte seria certa.

Essa misteriosa glândula que dá equilíbrio ao cérebro, auxilia a digestão, mescla o ferro com as substâncias alimentares, secreta o Iodo que combate os venenos do corpo, coopera também no controle da quantidade de gordura no organismo, e de forma algo misteriosa, previne e cura o Bócio. Quanto mais tireoide, mais enérgica é a pessoa; quanto menos tireoide menos enérgica e mais preguiçosa a pessoa é.

Foi quase que definitivamente provado que os prisioneiros recolhidos na prisão de San Quentin por crime de assassinato têm glândula tireoide anormal. Isso foi demonstrado pelo Dr. Ralph Arthur Reynolds que, com a cooperação do Dr. Leo Stanley, médico da prisão, estudou durante dois meses tais prisioneiros.

Disse o Dr. Reynolds que seus estudos o convenceram de três fatos fundamentais:

1º. todo assassino, potencial ou atual, mostra supersecreção da glândula tireoide;

2º.  um assassino mostra subsecreção da glândula pituitária e

3º. todo desajustado social apresenta perturbação da secreção de alguma glândula.

Falou de um assassino jovem que, sem razão aparente, atacou outros prisioneiros com certo objeto que tinha à mão e, como consequência disso, passou 180 dias no calabouço. Sobre o jovem, que tinha uma glândula tireoide anormal, o Dr. Reynolds disse: “operamo-lo e reduzimo-la ao que pensamos ser normal. Hoje é um prisioneiro completamente tratável”. Em outros 16 casos que tratou pessoalmente, os resultados foram ótimos.

O que se segue faz parte de interessantes conclusões feitas pelo Dr. Louis Berman[14] que mostra assim, notáveis conhecimentos sobre as glândulas endócrinas e suas funções no corpo humano.

“Se um crime é uma anormalidade cientificamente estudável e controlável como o sarampo, devem ser radicalmente transformados os tribunais e as prisões. Há, agora, espalhado por todo o mundo, um grupo de pessoas que estuda e aplica métodos científicos para diagnosticar e tratar crime. São eles os pioneiros que a história lembrará como companheiros daqueles outros que transformaram o comportamento do mundo para com os loucos e o modo de tratá-los, outrora condenados e tratados como criminosos mesmo nos países mais civilizados”.

“Os laboratórios de criminologia adjuntos às Cortes de Justiça, como já existe em várias cidades, tendem a tornarem-se universais. Como já foi demonstrado, a maior parte dos criminosos, são mental e moralmente anormais (deficiência de secreção da tireoide). Para explicar essa anormalidade, os criminologistas fizeram e continuam fazendo investigações sobre a hereditariedade e o ambiente passado do criminoso, sua educação e ocupação, as influências sociais e religiosas às quais esteve sujeito, e os testes do quociente intelectual. As condições do Sistema Vegetativo (involuntário ou simpático) e o estado endócrino do prisioneiro ocuparão, sem dúvida, lugar proeminente em qualquer interpretação do crime”.

A observação introspectiva do estado mental pré-criminal nas chamadas pessoas normais revela uma diminuição da razão e do poder da vontade; em outros, uma exaltação enorme, quase histérica. O que é isso senão estados endócrinos de células, experimentalmente reproduzíveis pelo aumento e decréscimo da influência da tireoide, das suprarrenais e da pituitária?

Os crimes passionais podem ser atribuídos, em não poucos casos, a distúrbio da tireoide. Um psicólogo de um tribunal da cidade de Pittsburg (Pensilvânia), interessado no assunto, encontrou tireoide aumentada em mais de 90% de moças delinquentes”.

Antes de o homem assumir a posição vertical, era bissexual, e toda a força criadora estava centralizada nos órgãos de reprodução. Nesse tempo, a tireoide era pura e simplesmente uma glândula sexual. Max Heindel disse que quando os sexos foram separados, metade da força criadora de cada indivíduo foi dirigida para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. O cérebro foi construído para dar ao Ego um instrumento para adquirir o conhecimento e criar no Mundo Físico; é a mesma força que ainda hoje o alimenta e o constrói. A laringe foi feita, por sua vez, a fim de que o homem pudesse ter um órgão para expressar seus pensamentos em palavras.

A perversão ou o sexo maníaco é uma prova da afirmação dos ocultistas de que uma parte das forças sexual construiu e sustenta o cérebro e a laringe, e que há uma conexão entre esses órgãos e a força expressa pelos órgãos geradores inferiores. O infortunado pervertido torna-se um idiota, incapaz de pensar, porque desperdiça a parte negativa ou positiva da força sexual (conforme seja homem ou mulher) normalmente utilizada pelos órgãos de reprodução para a propagação, e também porque dissipa sexualmente a parte da força sexual que deveria ascender e ser usada na construção do cérebro, impedindo o pensar. Daí sua deficiência mental. Pelo contrário, se o indivíduo é dado a pensamentos espirituais, a tendência para usar a força geradora para a propagação é pouca. Portanto, toda a força não utilizada sexualmente ascende e é transfigurada em poder espiritual.

COMPARAÇÃO DA TIREOIDE E DA PITUITÁRIA

Novamente é interessante notar que essa mesma glândula tireoide, que uma vez foi uma glândula sexual, surge no embrião do mesmo tecido e quase no mesmo ponto em que aparece o lóbulo anterior do corpo pituitário (ou glândula pituitária), sendo a tireoide uma excrescência do tecido e a pituitária o desenvolvimento posterior dele. “O lóbulo anterior do corpo pituitário é chamado a glândula da intelectualidade”, significando a capacidade da Mente em controlar, em seu meio ambiente, conceitos e ideias abstratas. Tudo isso confirma as declarações feitas por Max Heindel que a natureza da força geradora é tal que tanto pode se manifestar por meio do cérebro como pelos órgãos de reprodução.

A glândula tireoide está mais diretamente vinculada com as paredes internas e externas do corpo, a pele, a coberta externa das glândulas, o cabelo, as membranas mucosas e a sensibilidade nervosa. A pituitária atua mais sobre a estrutura do corpo, o esqueleto, e dos mecanismos de sustentação e de movimentos do corpo. A tireoide altera o nível energético do cérebro e de todo o sistema nervoso. A pituitária estimula as células cerebrais mais diretamente. A tireoide facilita a produção de energia, ao passo que a pituitária, o seu consumo. A tireoide ocupa-se especialmente com a regulação da forma ou contornos e terminações dos órgãos, de acordo com seus arquétipos.

A força vital, indispensável para criar tanto o pensamento como as formas físicas, vem do Sol e da Força Crística anual que aportam à Terra. Essa força é atraída ao indivíduo pela glândula tireoide, e a força solar espiritual contida na Tiroxina é que proporciona o equilíbrio cerebral e a vida nos órgãos de reprodução. A secreção dessa glândula é tão necessária à própria atividade mental e à reprodução das espécies como o Éter o é para a transmissão da eletricidade. Sem essa essência espiritual não poderia haver formação de hábitos, energia respondente para definir situações, complexidades de pensamentos, nenhuma possibilidade de aprendizado e, consequentemente, de educação, bem como nenhum desenvolvimento de faculdades e funções físicas. Não haveria ainda reprodução de qualquer espécie, nenhum indício de adolescência na idade apropriada e, subsequentemente, nenhuma demonstração de tendências sexuais.

PERSONALIDADE DE TIPO TIROIDE

Durante a infância normal esse tipo individual de tireoide é saudável, delgado, robusto, enérgico, ativo, bem conformado, olhos grandes e algo saliente, nariz reto e bem talhado, dentes firmes e bem talhados com um translúcido e nacarado esmalte. As crianças normais desse tipo estão sempre ativas, nunca parecem cansadas e, por isso, não precisam dormir muito. São singularmente imunes às doenças. Contrairão sarampo, possivelmente, mas, em geral, nenhuma das outras doenças da infância. Sua adolescência é vibrante, apaixonada, cheia de episódios, mas eles se ajustam às mudanças consideráveis que se processam no seu íntimo e que, muitas vezes, se apresentam como um intenso peregrinar, isso, naturalmente, em virtude de que as células de seus corpos estão tão carregadas de energia vital que deve se expandir em qualquer forma de atividade ou então explode.

O jovem desse tipo é como um circuito carregado de eletricidade, irradiando vitalidade e magnetismo em qualquer grupo. Contudo, ele é facilmente abalado por acontecimentos súbitos e inesperados, a morte de um parente amado, ou o malogro de uma ambição afagada. Nesses casos, um desequilíbrio em outras glândulas poderá advir rapidamente e, daí fraqueza e, até, invalidez estacionária ou curável, mas que, em alguns casos, pode transformar-se na pior forma de deficiência Tiroidiana. Essas atrativas e agradáveis crianças do tipo tireoide, necessitam ter o mais cuidadoso amparo.

Durante a maturidade, o tipo tireoide caracteriza-se por um corpo delgado. Seus traços são bem conformados, cútis clara, cabelos abundantes, feições levemente coradas, sobrancelhas largas e longas, os olhos grandes brilhantes, penetrantes, a boca bem conformada, com dentes regulares e bem desenvolvidos. O rosto de Shelley[15] é um bom exemplo do tipo tireoide masculino, a sua forma oval, bela configuração de traços, sobrancelhas espessas e altas, grandes olhos vivos e salientes, ativa vitalidade, boca sensível tudo pertence a esse tipo. Dele disse Matthew Arnold: “Um belo e ineficaz anjo que em vão bate no vácuo suas asas luminosas”.

A rainha Elizabeth da Inglaterra foi um exemplo excelente da mulher tipo tireoide. Sexualmente esse é bem diferenciado e impressionável. Emotividade notável, percepção pronta e vontade rápida, impulsividade e tendência a crises de expressão explosiva fazem partes de seus traços característicos. Sua energia, aparentemente inesgotável, faz deles trabalhadores infatigáveis. Levantam-se cedo, deitam-se tarde da noite, planejam o seu trabalho e o de outros para o dia seguinte e queixam-se de insônia.

Shelley tinha apenas 30 anos quando se afogou, mas o número de suas obras literárias era maior do que o de muitos escritores que passaram a vida entregues a essa mesma espécie de trabalho. O reinado da Rainha Elizabeth foi caracterizado pela atividade intelectual e pelos empreendimentos comerciais. A humanidade deve muito a essas pessoas incansáveis e enérgicas; em certo sentido elas são o fermento que energiza o mundo.

 

CAPÍTULO VI – O CORPO PITUITÁRIO – TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

O corpo pituitário, ou hipófise, é uma massa de tecido do tamanho aproximado de um grão de ervilha, quase exatamente situado no centro da cabeça, na base do cérebro, para trás da raiz do nariz. Pende, suspenso, da parte inferior do cérebro tal como uma cereja pende do galho da cerejeira. É de cor cinza-amarela, aumentando em tamanho até a idade dos trinta anos, pesando no adulto cerca de 5 gramas. Durante a gravidez a glândula aumenta em tamanho. Ela situa-se numa depressão parecida com uma sela no osso esfenóide, chamada “sela túrcica”, envolvida por um tecido membranoso chamado “dura mater”. O corpo pituitário pode ser assinalado desde as mais primitivas formas de vida até o ser humano. Em seu desenvolvimento da água do mar, a humanidade trouxe consigo essa glândula e o sal do sangue até o estado atual.

O corpo pituitário é um veterano do sistema de glândulas endócrinas. Seu nome deriva-se da palavra latina “pituitária”. Foi-lhe dado esse nome porque se supunha que a glândula segregava um fluido que lubrificava a garganta.

Cria-se que a secreção se filtrava através do poroso osso etmoide que se situa entre a pituitária e a cavidade nasal.

Se a “sela túrcica”, ou berço dessa glândula, é demasiadamente pequena, haverá um subdesenvolvimento do senso moral e intelectual. As pessoas afetadas dessa forma podem ser chamadas mentirosas patológicos. Tais infortunados não têm senso da verdade, portanto são absolutamente inconscientes de que dizem mentiras. Tal aflição é muitas vezes encontrada nos débeis mentais.

O corpo pituitário é composto de duas partes aparentemente independentes, distintas em sua origem, história, função e secreção. No estudo do embrião humano encontramos o início da manifestação pituitária como uma saliência na cavidade bucal, na área dos sentidos do gosto e do olfato. Esse crescimento adquire a forma de uma bolsa que gradualmente se estende para o cérebro. No final da quarta semana essa bolsa contata um crescimento do cérebro chamado infundíbulo. Daí então essas duas partes desenvolvem-se, constituindo a glândula pituitária adulta. O crescimento da cavidade da boca forma o lóbulo anterior da pituitária e a parte do “infundibulum” representa o crescimento da parte mais antiga do sistema nervoso involuntário, ou simpático, e desenvolve-se no lóbulo posterior, ou post-pituitário da glândula. Há um espaço entre as paredes das partes anterior e posterior da glândula o qual persiste durante toda a vida como uma fissura da glândula.

Em certo estágio da vida do embrião, a glândula pineal projeta-se através do cérebro e o corpo pituitário forma uma abertura na boca, ligando-se também com ela a cavidade do canal espinhal. Por este meio, o Espírito, prestes a nascer no mundo físico, está ainda em íntimo contato com o mundo espiritual, enquanto está em construção a casa prisão de carne ao seu redor. Quando outras aberturas do corpo se fecham, notadamente o “foramen ovale”, a corrente sanguínea fetal é desviada do seu primitivo caminho livre, através das aurículas do coração, diretamente para os centros espirituais da cabeça já mencionados, e o sangue é forçado pelos ventrículos do coração para os pulmões onde entra em contato com o Éter no ar. Esse Éter contém um acurado e detalhado retrato de tudo que cerca o Ego, não somente das coisas materiais, mas de todas as condições existentes em cada momento dentro da aura do indivíduo. Todos esses quadros são injetados e, por isso, ocasionam uma obstrução dos centros espirituais, perda da visão espiritual e, daí, a consciência do Ego gradualmente vai-se enfocando no mundo físico.

No início do estudo sério da glândula pituitária, cria-se que ela era apenas uma glândula que produzia somente um hormônio ou substância. Posteriormente verificou-se que ela tinha duas partes distintas e cada uma delas produzia hormônios diferentes, descobrindo-se ainda que aquilo que se considerava ser um hormônio consistia em dois ou mais hormônios diferentes. Atualmente, crê-se que a pituitária produz nada menos do que oito hormônios diferentes.

O lóbulo anterior da pituitária, chamado pré-pituitária, é composto de uma coleção de sólidas colunas rodeadas por espaços sanguíneos, nos quais, indubitavelmente, a secreção celular é lançada diretamente. O lóbulo posterior consiste de células secretoras que produzem uma substância vítrea que se junta ao fluido espinhal que banha o sistema nervoso.

Há uma substância química na secreção da pré-pituitária que estimula o crescimento dos tecidos, particularmente do ósseo e outros, e que influencia os órgãos sexuais e a atividade sexual. Um dos extratos da pré-pituitária tem efeito definido sobre a massa vermelho-amarelada que preenche a bolsa de óvulos nos ovários, estimulando-lhes o crescimento excessivo. Um cientista que enxertou pequenos pedaços da pré-pituitária em animais jovens e imaturos, despertava-lhes a puberdade, sexualidade e acasalamento e todos os instintos reprodutores.

À luz do exposto, torna-se evidente que a pré-pituitária não é somente uma das principais controladoras do crescimento, mas também controladora do misterioso processo que, no desenvolvimento humano, é chamado puberdade.

Provou-se pela experimentação que o funcionamento normal da pré-pituitária é necessário durante o período de crescimento e desenvolvimento e provavelmente durante o período de maturidade para que evoluam e funcionem apropriadamente as glândulas tiroide e suprarrenais. Quando a pré-pituitária é prejudicada em animais jovens e em desenvolvimento ocorre um retardamento do crescimento e da atividade da tiroide e das suprarrenais, bem como das glândulas sexuais. Substituindo-se artificialmente a secreção interna da pré-pituitária, ativam-se as glândulas tiroide, suprarrenais e sexuais.

As secreções internas da pituitária indubitavelmente têm efeito sobre a produção de energia, especialmente a energia do Sistema nervoso central, a matéria cinzenta do cérebro e a da medula espinhal. Uma hiperprodução de energia no corpo pode ser devido a uma quantidade excessiva de secreção interna da pituitária circulando no sangue e nos tecidos.

Sumarizando: O lóbulo anterior, ou pré-pituitária, que produz o crescimento do esqueleto e dos tecidos conjuntivos, causa o desenvolvimento normal dos órgãos criadores e da atividade sexual, estimulando o bem-estar e a ação da tiroide e das suprarrenais. A secreção do lóbulo anterior da pituitária, chamada Prolactina, é essencial para a produção do leite nos animais fêmeas.

O lóbulo posterior do corpo pituitário segrega vários hormônios importantes, dois dos quais são de uso frequente. Um deles, chamado Pitucina, tem poderoso efeito estimulante sobre o útero grávido e é usado frequentemente no parto lento e ineficaz. O outro hormônio,chamado Pituitrina, controla a to-nicidade dos tecidos da musculatura lisa e involuntária dos vasos sangüíneos e dos órgãos contráteis do corpo, tais como os intestinos, a bexiga e o útero. Injetado, eleva lentamente a pressão sanguínea, mantendo-a elevada por certo tempo, aumenta o fluxo de urina dos rins e o leite dos seios. Produz intensa e contínua contração da bexiga e do útero. Parece controlar o conteúdo do sal do sangue, do qual dependem a condutividade elétrica desse último e outras propriedades. Normalmente, há certa proporção de sais no sangue, mantida inalterável como sucede na água do mar. Recentemente foi provado que a elevação da pressão sanguínea é devido a uma secreção interna da post-pituitária e a propensão contrátil é devido a outro constituinte da secreção.

Entre a pituitária anterior e a posterior há uma estrutura intermediária que segrega um hormônio chamado Intermedina. Essa secreção tem efeito definido no tratamento da diabetes insípida.

A importância vital da pituitária é demonstrada pela posição extraordinariamente bem protegida da glândula, sua persistência durante a vida e seu abundante suprimento de sangue. Nenhuma outra glândula de secreção interna é capaz de substituí-la adequadamente. A ablação total da glândula significa a morte em dois ou três dias, com uma peculiar letargia, insegurança no andar, perda de apetite, emaciação e queda da temperatura tão acentuada que o animal fica com o sangue frio, à mesma temperatura do ambiente em que se encontra. Se é retirada apenas parte do lóbulo anterior, ocorre uma acentuada degeneração do indivíduo. Obesidade, com tendência a inversão sexual, sonolência invencível, pele seca, queda de cabelo, mentalidade obtusa, por vezes manifestações epiléticas e notável desejo por doces.

A remoção de parte do lóbulo anterior de um cachorrinho dá origem a retardamento acentuado do crescimento (os cachorros anões são criados artificialmente). Os patologistas vêm demonstrando que em inúmeros anões humanos verdadeiros a pituitária é rudimentar ou mal desenvolvida. Tudo isso evidencia que o esqueleto está diretamente subordinado à pituitária.

Notam-se efeitos singulares relacionados com a pituitária e fenômenos periódicos do organismo, tais como a hibernação, o sono e a insônia. Uma pituitária ativa produz estado de alerta, enquanto a cansada ou esgotada produz sonolência e indolência geral. Na hibernação, ou sono de inverno, o animal passa a um estado cataléptico no qual passa a respirar mais profundamente, porém mais vagarosamente do que desperto, não mostrando indício algum de vida consciente. Nesse estado é baixa a pressão arterial e existe insensibilidade à dor e aos estímulos emocionais.

Preliminarmente a esse estado, há um armazenamento de amido no fígado e de gordura nos depósitos de amido do corpo.

Tudo isso acontece quando é removida parte do corpo pituitário, o que torna inevitável a comparação dos dois estados. A queda do metabolismo, comum às duas situações, pode ser sanada por meio da injeção de um extrato pituitário. A elevação da temperatura é imediata.

Nos animais que hibernam há mudanças em todas as secreções internas das glândulas, mas a mudança é mais acentuada na pituitária, cujas células amortecem como se também estivessem dormindo ou descansando. Quando despertam, no equinócio vernal (Primavera), as células da glândula pituitária voltam a ser normalmente ativas. Alguns cientistas admitem que a hibernação pode ser atribuída à inatividade periódica da pituitária. Em certas partes da Rússia, onde há escassez de alimentação durante os meses do inverno, os camponeses passam semanas inteiras em sonolência profunda, levantando-se apenas uma vez por dia para fazer escassa refeição.

Atualmente há no mundo numerosas pessoas parcialmente hibernadoras. Muitas delas estão realmente num estado que poderíamos chamar de subpituitarismo, que traduz algo de anormal em suas glândulas pituitárias: são lentas, obtusas, sexualmente inativas e, por vezes, estéreis. As vezes são altas, mas muito mais , são anãs e parece serem sujeitas à epilepsia.

A hiperatividade do corpo pituitário manifesta-se em todos os graus, tendo o poder peculiar de agir como estimulante do crescimento dos ossos e dos tecidos conectivos, tais como os tendões e ligamentos.

Se o excesso de secreção da pituitária começa antes da puberdade, ocasiona o aumento dos ossos, resultando o gigantismo. Gigantes normais, pessoas excepcionais em estatura e livres de qualquer deformidade física ou mental, são raras. Entretanto, há pessoas portadoras de hiperpré-pituitarismo que possuem os mais elevados poderes mentais, eis que em tais indivíduos há um aumento da atividade do lóbulo posterior associado com aumento e hiperfuncionamento do lóbulo anterior.O crescimento deles é menos marcante, são magros e têm acuidade mental. O gigante comum é o que tem a pituitária em degeneração depois de demasiada ação do lóbulo anterior e pequena atividade do lóbulo posterior. Frequentemente é responsável por isso algum tumor ou outro processo doentio da glândula.

Se a hiperatividade da pituitária vem depois da puberdade, depois dos ossos terem atingido o máximo de tamanho, um crescimento anormal do rosto e de algumas partes do corpo ocorre, especialmente das mãos, dos pés e da cabeça. O nariz, as orelhas, a língua, os lábios e os olhos ficam maiores e mais grosseiros. Sendo tais pessoas grandes e pesadas, seu aspecto é agressivo, sobrancelhas caídas, queixo largo, volumosas, balofas, sofrendo, por vezes, lancinantes dores de cabeça, grande desalento e um sentimento de infelicidade que tira todo o prazer pela vida. Até certo ponto, são notavelmente alertas e muito capazes. Quando conscientes da enfermidade que sofrem, enfrentam-na com corajoso otimismo; entretanto, em relação a mulheres, tal aflição leva-as ocasionalmente ao suicídio. Nos semihibernados que lembram a atitude do gado ou no tipo gigante, que lembra o antropóide, dá-se uma acentuada diminuição da vida sexual.

A hipersecreção ou a subsecreção do lóbulo anterior pode interferir no próprio funcionamento do lóbulo posterior, cuja secreção é a tônica tanto para o cérebro como para as células sexuais. Nos casos em que a cavidade óssea é ou se torna demasiadamente pequena para conter a pituitária anormalmente aumentada, além da obesidade, da pequena estatura etc., desenvolve -se uma notória inferioridade moral e intelectual. As pessoas sofrem de falta de controle próprio e manifestam desejos impulsores de agir de acordo com qualquer idéia que penetre em sua Mente, seja boa ou má. Têm pouco ou nenhuma iniciativa e são instintivamente imorais. Devem ser tratadas com cuidado.

As secreções da pituitária agem sobre a estrutura dos ossos, dos ligamentos, dos músculos e dos tendões, difundindo-se diretamente no fluido que banha o sistema nervoso, estimulam beneficamente e ajudam o organismo a remover os resíduos daninhos. A secreção da pituitária estimula as células cerebrais direta, natural e normalmente, de forma análoga ao estímulo artificial da cafeína ou da cocaína. A pituitária colabora na conversão e consumo da energia, particularmente do sistema cerebral e sexual. Trabalha diretamente com as forças criadoras, tanto no cérebro como nos órgãos reprodutores, facilitando-lhes o surto da energia. É a glândula do esforço continuado. A incapacidade de manter um esforço é sinal de que a glândula está destruída ou há insuficiência de hormônio para desempenhar seu trabalho normal. O crescimento do corpo normal e acima ou abaixo do normal depende do funcionamento normal da pituitária, relativamente ao cérebro e aos órgãos reprodutores.

A pré-pituitária:

  • estimula o crescimento do esqueleto e tecidos suportadores;
  • influencia os órgãos reprodutores e sua atividade;
  • estimula o crescimento excessivo dos óvulos nos ovários;
  • promove a puberdade;
  • retarda o crescimento na juventude, quando de algum modo afetada.

A post-pituitária:

  • Segrega a Pituitrina, que controla o tônus (vigor) da musculatura lisa da bexiga e do útero;
  • eleva a pressão sanguínea;
  • aumenta o fluxo da urina e do leite;
  • tonifica as células cerebrais e sexuais;
  • aumenta a contração cardíaca mas diminui a força da sístole.

TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

O corpo pituitário é uma glândula feminino-masculina. O tipo feminino pituitário é dominado pelo lóbulo post-pituitário da glândula, e o masculino pelo lóbulo anterior da glândula em foco. O tipo pituitário feminino expressa emoções ternas e sentimentos refinados. A pele é suave, úmida, rosada ou cremosa, com ausência de pelos, enrubescendo facilmente. As sobrancelhas são altas, os olhos grandes e proeminentes. Essas pessoas são carinhosas com as crianças e de modo feminil. São de estatura mediana, bem formadas, mãos e pés de tamanho médio, voz bem modulada, amantes da boa poesia e da música, face sensitiva, demonstrando, ainda, grande interesse pelo bem-estar da humanidade. São femininas sugerindo, porém, influência varonil. Maria, mãe de Jesus, é um ótimo exemplo do tipo feminino pituitário bem equilibrado, bem como Florence Nightingale que também pertence a essa classe.

Uma glândula post-pituitária superpredominante numa mulher determina uma pessoa que anela o excitamento, as mudanças contínuas e novos prazeres a cada instante. Essas mulheres são dementes pela excitação e descontroladas emocionalmente.

O tipo masculino pituitário tem um cérebro superlativo pelo seu tônus e atividade, um bom desenvolvimento mental e habilidade para dirigir. Geralmente é alto, com aproximadamente seis pés[16] de altura, tipo viril ideal, com um sistema ósseo forte e bem desenvolvido, músculos fortes, mãos e pés bem proporcionados. A cabeça é grande, a face aguda e bem delineada, as sobrancelhas espessas, os olhos proeminentes e separados, algo, um do outro, o nariz algo espesso e comprido, o queixo proeminente e firme bem como as maçãs. Tais pessoas têm grande poder cerebral, grande facilidade em aprender e autocontrole. São eles os senhores de seus instintos inferiores, regendo-os, bem como aos seus ambientes. A esse grupo pertencem os homens cerebrais, práticos e teóricas, os filósofos e criadores de novo pensamento. Homens como Lincoln, Júlio César e George Bernard Shaw pertencem a essa classe.

Quando ocorre a predominância da post-pituitária no homem, produz-se um tipo curto, atarracado e forte, a cabeça aparecendo maior em proporção ao corpo, com uma distribuição escassa de pelos nas extremidades e no tronco, mas abundante no crânio e na face. Cedo, no adulto, uma bolsa abdominal. Exibem tendências femininas e com frequência demonstram interesse quase mórbido pela poesia e pela música. Na verdade, um grande número de poetas e musicistas classificam-se como tipos pituitários femininos. Frequentemente são excelentes caracteres, porém de um modo geral faltam-lhes firmeza e se deixam dominar pela esposa. São maridos que devem ser compreendidos e não intimidados.

Se o lóbulo pituitário anterior é dominante na mulher, produz-se um tipo masculino que obstaculiza a tendência feminina natural, inclinando-a ser de estatura alta, delgada e ossuda. Dá-lhe queixo proeminente, dentes largos, pele espessa, pelos no corpo e mãos e pés amplos. Contudo, isso lhes dá um intelecto brilhante, que, muitas vezes, causa perturbações nas Mentes de seus associados masculinos. Tais mulheres tornam-se tipo agressivo, substituindo o homem nos negócios do mundo. Elas necessitam compreensão e não a ridicularização e o sarcasmo que usualmente lhes são dirigidos.

Três vezes sejam abençoados os homens e mulheres que têm as glândulas pituitárias normais e equilibradas.

 

CAPÍTULO VII – A GLÂNDULA PINEAL – TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

 

A glândula pineal por sua natureza é a mais surpreendente. Como está implícito em seu nome, é um corpo cônico, em forma de pinha (Conarium pinealis, cone de pinha). É de cor avermelhada, com mais ou menos 1,2 cm em de comprimento, isto é, pouco maior do que um grão de trigo. Está situada na parte inferior do terceiro ventrículo do cérebro. Pesa cerca de 0,13 gramas. Está oculta na base do cérebro (ao qual se acha ligada por uma haste oca pineal) numa diminuta cavidade atrás e acima do corpo pituitário. Está composta, em parte, de células nervosas, que contêm um pigmento idêntico ao das células da retina que é uma expressão do nervo ótico, o que sustenta o argumento em favor da antiga função de ter sido um olho. A parte inferior da glândula aponta para trás. A secreção da glândula pineal, chamada pinealina, age como restritor em todas as glândulas de secreção interna. Sua atividade moderadora sobre as outras glândulas endócrinas, dá à criança, durante os dois primeiros anos de existência, condições para crescimento. Durante esse período a criança quadruplica seu peso de nascimento. A pineal age como uma espécie de supervisora em relação a outras glândulas.

Os anatomistas do século XIX, não acreditando em qualquer finalidade da glândula pineal admitiam que fosse vestígio de alguma estrutura outrora importante. Durante longos tempos, realmente, até há poucas décadas, não havendo nenhum conhecimento de nenhuma função, não se lhe admitia nenhum papel. Todos repeliam a ideia de que fosse uma glândula endócrina. Observações posteriores relacionaram a pineal à função muscular. Há uma doença deformadora dos músculos conhecida como “distrofia progressiva”, cuja causa vem sendo um mistério insolúvel para a classe médica. Mas estu-dos realizados por meio de Raios X, mostraram que, nessa doença, a pineal se apresenta com calcificações, isto é, incrustada de sais de cálcio, o que significa que no caso da glândula enfraquecer ou deixar de funcionar, os músculos não recebem a quantidade necessária de nutrição.

Mais tarde, descobriu-se que a pineal regula a cor da pele, fazendo variar o grau de reação aos raios luminosos, isto é, controla a ação da luz sobre o pigmento da pele. É a luz interna que reflete a luz externa.

A pineal também contribui para o desenvolvimento normal físico e mental das células cerebrais e das células dos órgãos de reprodução. o abundante suprimento de sangue que a pineal recebe indica mais o índice de seu funcionamento ativo do que apenas a sua presença como vestígio de um órgão que durante a evolução perdeu seu uso original.

Resumindo, a secreção da pineal:

  • evita, na criança, o desenvolvimento sexual prematuro, promovendo uma puberdade normal;
  • favorece a atividade da força criadora, que tende a desenvolver normalmente tanto o cérebro como os órgãos de reprodução;
  • dá vigor e tonaliza os músculos;
  • influi sobre o corpo variando o grau de reação aos raios de luz, isto é, controla a sensibilidade da cor à luz;
  • influi no pigmento da pele provocando sua transparência devido à contração das células pigmentadas.

TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

Geralmente falando, a glândula pineal é masculina, mas algumas mulheres estão sob sua regência, como veremos quando fizermos o estudo das atividades espirituais desse órgão.

O tipo pineal espiritual típico é alto, é bem modelado. Ombros largos, o corpo afinando gradualmente para os pés. A testa é alta e grande, as sobrancelhas são quase retas, mas bem conformadas. Os olhos, grandes, expressivos, bem abertos, são comumente azuis escuros, e, não obstante a cor, emitem um clarão de fogo divino. O nariz é quase o de perfil grego. Os lábios, meio carnudos, têm ligeira curvatura. o queixo é bem formado, bastante proeminente, mostra real força de caráter, o que harmoniza bem com outros aspectos. O pescoço é médio, sobre ombros fortes e bem modelados. O cabelo, em geral castanho claro, é abundante e possui brilho acentuado. Como um todo, o rosto é varonil com algo de encanto feminino.

O artista Rafael[17] foi um perfeito exemplo do tipo pineal espiritualmente desenvolvido. Era tão grande sua beleza, diz-se, com um quase imperceptível traço feminino, que, ao passar pelas ruas, os que o viam paravam para admirá-lo. Em pessoa era tão bonito como um Anjo. Sua disposição era amável, bondosa, doce e gentil. Nos modos e na palestra era encantador. Foi célebre pela nobreza e generosidade de sua natureza.

O nome deste homem invulgar ainda permanece o maior na arte da pintura. No seu quadro “A Transfiguração”[18], os olhares discernidores descobrem o mistério da sua grandeza. Está aí, plenamente revelado, seu conhecimento e seu contato direto com os reinos sobrenaturais. Esse quadro maravilhoso, cuja beleza deve ser não só vista mas sentida, é para o pintor o “canto do cisne” de Rafael. Ele o pintou enquanto morria. Ao observarmos esse maravilhoso quadro, ficamos maravilhados e pensando que talvez ele tenha pintado aquele belo, feliz e compassivo rosto de Cristo exatamente da maneira como o estava vendo, no Éter, aguardando para levar ao paraíso o Espírito desse nobre homem que tanto fez pela glória do Cristianismo, quer pelas felizes e não ultrapassadas telas que pintou, quer pela vida nobre e altruísta que levou.

 

CAPÍTULO VIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – CORRESPONDÊNCIAS ESPIRITUAIS

 

Consideremos agora a conexão espiritual que as glândulas endócrinas têm com o desenvolvimento das potencialidades latentes do Ego. Lembremos que as principais glândulas endócrinas são sete, a saber: duas suprarrenais, o baço, o timo, a tiroide, a pituitária e a pineal. Max Heindel nos informa que essas glândulas têm um interesse muito grande e particular para o estudante esotérico, uma vez que elas podem ser chamadas as Sete Rosas na Cruz do Corpo Vital, porque estão elas intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da Huma­nidade.

Tudo o que vemos ao nosso redor, em nosso Sis­tema Solar, foi criado pelo Verbo, o qual é Som‑Música, a Voz de Deus. Foi essa Palavra primordial que levou ou falou à existência, na matéria mais sutil, todos os diferentes mundos com suas miríades de formas, as quais, desde então, vem sendo re­produzidas e trabalhadas detalhadamente por inu­meráveis Hierarquias Criadoras, principalmente por aquelas que mais se relacionam com nosso Sistema Solar – os Sete Espíritos Planetários ante o Trono, isto é, Urano (X), Saturno (W), Júpiter (V), Terra(@), Marte (U), Vênus (T) e Mercúrio (S).

A Palavra de Deus soa por intermédio dos Sete Espíritos Planetários, formando todos variadíssimos tipos que mais tarde se cristalizam nas inúmeras coisas que existem no Mundo Físico.

Assim, vemos que o Verbo manifesta‑se em sete grandes tons soados pelos Sete Espíritos Planetários. Cada Planeta tem sua própria nota‑chave, emitindo um som que difere dos outros. Estes tons são construtores. Toda a música no mundo está baseada nesses sete tons, emitidos pelos sete Espíritos Planetários e todas as formas são criadas por eles, as quais depois de criadas eles assistem o Ego interno em seu trabalho de desenvolvimento de suas po­tencialidades latentes que nesse princípio são aque­les poderes Divinos em embrião, assistência essa que se processa amplamente por intermédio das glândulas de secreção interna.

Cada glândula de secreção interna possui uma nota‑chave que está adormecida dentro de si mes­ma. Quando despertada, desenvolverá certas poten­cialidades do Ego. Cada uma dessas notas-chaves está tonalizada com um dos Espíritos Planetá­rios. O soar da nota‑chave de um determinado Es­pírito Planetário, gradualmente irá despertando a nota‑chave da glândula correspondente. Quando a nota‑chave da glândula é despertada, desenvolvem-­se no Ego energias especificas que o Espírito Pla­netário expressa. Essas energias são forças que o Ego deverá aprender a controlar e dirigir que, conforme sejam usadas, manifestam‑se como bem ou como mal. Lembremos que todo mal é um bem mal dirigido.

AS GLÂNDULAS E OS SEUS ASTROS REGENTES

 

pineal Netuno
pituitária Urano
tiroide Mercúrio
timo Vênus
baço Sol
suprarrenais Júpiter

AS SUPRARRENAIS E O MUNDO FÍSICO

As glândulas suprarrenais são regidas por Júpiter. A energia expressa por Júpiter manifesta-se principalmente como benevolência, visão, expansão, otimismo, filantropia, cortesia, generosidade, cordialidade, habilidade para compreender o funcionamento da lei cósmica, a ideação, ou seja, o poder de formar e relacionar ideias e o entendimento religioso.

Quando alguém se põe em contato com a nota-chave de Júpiter sente-se claro, pleno, inequívoco e expansivo. Parece que todo o seu poder envolvente toma conta do indivíduo, despertando-lhe um senso de confiança, segurança, a possibilidade e o desejo de sair ao mundo para transformar os abomináveis deslizes da semiadormecida humanidade em criações de beleza e de valor intrínseco. Com sua visão iluminada observa com alegria as alturas a serem escaladas, os maiores poderes espirituais a serem desenvolvidos; reconhecendo em cada um de seus semelhantes outra parte de si mesmo, procurando e lutando para obter uma compreensão verdadeira do enigma da vida; inflama-se, desejoso de proporcionar urgentemente àquelas crianças desafortunadas, filhas do grande Pai, o serviço desinteressado e altruísta que lhes revelará, desde o mais elevado ao mais inferior, que o real propósito da vida em relação a cada indivíduo é o desenvolvimento de suas potencialidades latentes em poderes divinos dinâmicos.

Uma vez obtido esses poderes, torna-se possível para o indivíduo fazer mau uso deles, o que representa um dos maiores crimes que poderá ser cometido. O mau uso do poder espiritual é magia negra que poderá levar o indivíduo a tal ponto, que o elo (a Mente) que liga o Espírito com sua personalidade, rompe-se. Daí, depois de algum tempo, o Espírito automaticamente gravitará em direção ao Planeta Saturno, onde deixará um registro de suas vidas passadas e, depois de dissolução de seus veículos, será propelido para o Caos, através de uma das luas de Saturno, onde aguardará a aurora de um novo dia de criação para recomeçar seu trabalho.

O mau uso dessas energias manifesta-se principalmente por meio da excessiva confiança, da extravagância, da autoindulgência, da prodigalidade, do exibicionismo, afetuosidade, dissipação, morosidade e libertinagem. Tudo isso submerge o Ego em profunda aflição, dores e sofrimentos, porém, no devido tempo, a lição do uso reto dos poderes espirituais será aprendida. Quando esta lição for dominada, por meio das dores e das lidas, o Ego na verdade estará apto para dar mais um passo no caminho da evolução. Correspondentemente às suprarrenais, as Duas Rosas na Cruz do Corpo Vital desabrocharão.

A energia que as suprarrenais subministravam para expressar-se em beligerância, agressão e luta, doravante manifestar-se-á nascida do poder espiritual puro e contrito   em benevolência, visão, expansão e filantropia.

O conhecimento que o bem de todos é o bem de cada um desenvolve-se na consciência do Ego, essa chispa individualizada de Deus. Será reconhecida a unidade que existe entre todos os seres criados e a união com o grande Criador do nosso Sistema Solar. Em conformidade com isso, a fraternidade entre os seres humanos será uma realidade.

Presentemente, o trabalho de Júpiter em relação a nossa humanidade diz respeito ao plano físico. Por intermédio do poder espiritual gerado pelas suprarrenais, o Ego aprovisiona-se com a força necessária para aperfeiçoar seu Corpo Denso e conquistar o Mundo Físico, completando assim sua evolução dentro da esfera mundana. O centro espiritual das suprarrenais vibra em azul.

O BAÇO E A REGIÃO ETÉRICA

 

O baço é a porta de entrada das forças solares, especializadas pelo indivíduo. Essas forças circulam pelo Corpo físico como um fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. O baço é regido pelo Sol, que é a origem de toda vitalidade. As energias desse grande Astro manifestam-se como: vontade, vitalidade, individualidade, autoridade, coragem, generosidade, dignidade, lealdade, fidelidade, instinto paternal, liderança e responsabilidade.

Quando a grande nota-chave do Espírito Planetário do Sol, que contém em si todas as tonalidades astrais, põe em ação a nota-chave correspondente no baço: a Terceira Rosa na Cruz do Corpo Vital floresce.

O desenvolvimento dessa Rosa eleva a tal ponto a consciência do indivíduo que o torna apto a entrar em contato com a Região Etérica, a qual é uma corrente de vida de fluxo vibrante. Aí, ele vê realmente a atividade que é levada a efeito por uma classe de entidades invisíveis que trabalham por meio dos Éteres Químico, de Vida, Luminoso e Refletor. Vê as forças vitais que dão vida às formas minerais, vegetais, animais e humanas, realmente fluindo em suas formas. Vê o trabalho das forças que produzem a assimilação no Corpo, o processo extrativo dos diferentes elementos nutritivos do alimento e sua incorporação nos Corpos da planta, dos animais e do ser humano. Observa também como essas forças expelem do Corpo as matérias incapazes de serem usadas. Aprende, assim, que esses processos independentes da vontade do ser humano, como muitos outros, são sábios e seletivos. Vê como as atividades das forças da natureza agem no Éter de Vida tornando possível aos pais trazerem crianças a este mundo. Entra em contato com a grande onda de vida dos Anjos e observa como eles trabalham com esta mesma força vital criadora o modo de colocarem o Átomo-semente do Corpo Denso dos Egos em vias de nascerem, em novos Corpos físicos, na força criadora dos respectivos pais. Aprende como as forças da natureza no Éter Luminoso produzem o calor do sangue e como dirigem os órgãos dos sentidos tornando se capazes da visão, da audição, do tato, do gosto e do olfato.

O desenvolvimento em questão habilita o indivíduo a entrar em contato com o Éter Refletor e assim ver as imagens nele contidas. Em contato com esse Éter descobre que é por meio da atividade de certa classe de espíritos da natureza que o Ego é capaz de fazer a impressão do pensamento sobre o cérebro humano. No exame desse Éter, entra ainda em contato com aqueles poderes sutis do Espírito conhecidos como Mentes consciente e subconsciente[19] e, com o tempo, aprenderá como fortificar a primeira e ler os registros contidos na segunda.

Enquanto explora a Região Etérica, o indivíduo entra em contato com os Egos que fazem a revisão do seu panorama do após morte aprendendo, de maneira definida, esse processo de revisão.

Os novos poderes desenvolvidos pelo indivíduo capacitam-no a ver os Gnomos que trabalham com o solo, as Fadas que trabalham com as flores; vê como essas pequenas criaturas extraem a substância corante do Éter Luminoso e a depositam nas várias flores um instante antes de que elas estejam prontas a desabrochar. Vê também os Silfos no ar e acompanham o processo que usam para fazer as brisas e as ventanias. Vê as Salamandras, que ateiam todos os fogos, e observa como produzem relâmpagos e como estes são lançados em ziguezagues flamejantes nos céus.

Resumindo: os poderes desenvolvidos por influência do Sol sobre o baço abrem ao indivíduo toda a Região Etérica; permitem-lhe entrar em contato consciente com todos os habitantes desse plano e ver o trabalho que ali fazem, bem como o que eles estão fazendo na Terra.

Os indivíduos que desenvolvem esses poderes tanto podem usá-los para o bem como para o mal.   Alguns podem ficar de tal modo enamorado de si mesmo que se tornam arrogantes, ostentadores, altivos, soberbos, dominadores, verdadeiros déspotas. Se assim fizer, colherão o pior: tristezas, sofrimentos sem fim, até que humildes e arrependidos, se transformem em valiosos servidores, desejosos e prontos para utilizar seus conhecimentos no melhoramento do mundo.

O centro espiritual do baço vibra em amarelo ouro.

A GLÂNDULA TIMO E O MUNDO DO DESEJO

Vênus controla a glândula timo. As emoções são desenvolvidas pelo raio amoroso de Vênus. A sede das emoções é o Corpo de Desejos e esse Corpo liga o indivíduo com o Mundo do Desejo. Quando a no­ta‑chave de Vênus põe em atividade a nota‑chave da glândula timo, o indivíduo desenvolve a mais alta forma de amor, habilidade artística, alegria, atração, cooperação e união.

O mau uso desses poderes exprime‑se como sen­sualidade, dissolução, vulgaridade, preguiça, sen­timentalismo, vaidade e inconstância.

Novamente avisamos que os poderes espiri­tuais, uma vez desenvolvidos, podem ser usados pa­ra o mal, e que o resultado disso é sempre infalível desastre. A tentação para usar os poderes espiri­tuais em benefício próprio é muito sutil e quase imperceptível.

A nota‑chave do Espírito Planetário de Vênus é suave e clara. Traz, ao que com ela se sintoniza, um sentimento de inexplicável felicidade, semelhan­te àquela experimentada em uma reunião familiar onde toda discórdia foi esquecida e somente prevalece a alegria da renovada companhia. Parece, em tal pes­soa, que os anos se afastam, sente‑se jovem, alegre e feliz.

A gradual vibração da nota-chave de Vênus, en­focada na nota‑chave da glândula timo, desperta os poderes dessa glândula, fazendo florescer a Quarta Rosa na cruz do Corpo Vital. Tal vibração, rapidíssima, põe o indivíduo em contato com as mais elevadas regiões do Mundo do Desejo, onde a vida anímica se exprime na beleza das cores vivas, nas formas perfeitas, na harmonia do movimento, na primo­rosa harmonia do som; onde a luz anímica revela ao amor a sua oitava superior – o altruísmo, e onde o poder anímico se manifesta em atividades filan­trópicas.

Aí, o indivíduo também entra em contato com a onda de vida dos Arcanjos, que tem Cristo como o mais elevado iniciado. Aprende a conhecer as atividades deles, particularmente as relativas ao trabalho dos diferentes Espíritos‑Grupo e Espíritos de Raça que, embora invisíveis, são íntimos participan­tes das atividades do animal e do ser humano. Vê em ação as duas grandes forças de atração e de repul­são, o poder ativo do interesse e o efeito não vitali­zante da indiferença. Aí, aprende uma verdade de valor inapreciável: “nada sobreviverá, a não ser o bem”. Isso é, toda energia despendida em qualquer propósito que não seja o bem, não é só desperdiçada na própria ação, como também reage desastrosa­mente sobre que se atreve a utilizá‑la para o mal.

O centro espiritual na glândula timo vibra em amarelo.

A GLÂNDULA TIREOIDE E O MUNDO DO PENSAMENTO

A glândula tireoide é regida pelo Espírito Planetário de Mercúrio. Quando os poderes desse Grande Ser são despertados no ser humano, manifestam-se principalmente como razão, raciocínio, intelecto, meditação profunda, boa memória, aplicação ao estudo, inteligência rápida, eloquência, destreza, expressão própria, oral e escrita, riqueza de conhecimento por meio do raciocínio e domínio próprio. O mau uso desses poderes exprime-se principalmente em astúcia, falta de escrúpulo, falta de cuidado, de princípios, preconceito, fanfarronice, desonestidade, indecisão, nervosismo.

Quando a nota-chave de Mercúrio soa clara e forte no indivíduo, desperta anseio de saber a razão de tudo:   por que estamos aqui?   De onde viemos?  Para onde vamos?   Quem é Deus?   Quais são os segredos referentes às Suas poderosas Criações? A tireoide é a Quinta Rosa na cruz do Corpo Vital. Ao ser despertada, o indivíduo entra em contato com o Mundo do Pensamento, em harmonia com a música das esferas. Vê, conscientemente, os arquétipos de tudo que existe no Mundo Físico, e aprende como a sua vida futura é traçada pelos Anjos Arquivistas[20]. Obtém informações definidas sobre os Senhores da Mente de cuja onda de vida o Pai é o mais alto iniciado. Aprende a natureza da ideia germinal que produz a forma dos reinos mineral, vegetal, animal e humano; descobre a ideia germinal da vida que se manifesta nas plantas, nos animais e no ser humano, e, outrossim, a ideia germinal que origina os desejos e emoções dos animais e do ser humano. Vê o modo como todas as ideias germinais se constituem em arquétipos ou modelos, na Região do Pensamento Concreto, de tudo quanto existe no Mundo Físico. Nada se manifesta no mundo antes da criação do seu arquétipo no Mundo do Pensamento pelo poder rítmico da música das esferas. Aprendendo o valor real do pensamento, recebe clara demonstração do seu poder para o bem ou para o mal. Verifica, enfim, como é necessário ao Espírito obter o controle da Mente para dirigir suas atividades de acordo com o plano divino que dirige a evolução.

Constata plenamente que a própria força criadora é um poder de Deus, nele implantado pelo divino Criador, e que toda parte dessa essência espiritual não usada na construção de corpos para Egos que estejam para renascer deverá ser dirigida conscientemente para o cérebro e aí consumida na formação de ideias germinais que, tornadas realidades concretas, são de eterno valor; seus amigos, seus semelhantes, as aproveitarão para transmutar seus próprios poderes divinos em energia espiritual dinâmica tão necessária à conquista do mal e à promoção do bem.

Nesse ponto o indivíduo adquiriu o controle de sua Mente e equilibrou seu poder nos órgãos de geração e no cérebro. O Espírito rege agora o eu inferior, estando apto a dirigir todas as atividades para empreendimentos produtores de verdadeiro crescimento espiritual.

O centro espiritual na glândula tireoide vibra em violeta.

O CORPO PITUITÁRIO E O MUNDO DO ESPÍRITO DE VIDA

O corpo pituitário está sob a regência de Urano. A nota-chave desse Grande Espírito Planetário expressa-se no plano físico como originalidade, universalidade, amor à liberdade, compaixão, engenho, independência, reforma, progresso, inventiva, decisão, clarividência, misticismo e altruísmo.

Todas essas expressões prostituem-se na excentricidade, na boêmia, fanatismo, licenciosidade, irresponsabilidade, inconstância, ação espasmódica, anarquia, perversão e impaciência. A celestial nota-chave de Urano, de maior elevação do que a de Vênus, desperta a Sexta Rosa na cruz do Corpo vital, abrindo suas pétalas douradas. A elevada vibração dessa glândula exalta a consciência do indivíduo até o elevado Reino do Espírito de Vida onde todos os filhos de Deus algum dia formarão unidade com Ele e vê essas Forças de Vida de Deus penetrando toda a criação e unindo cada um com todos. Essa é a Região do puro altruísmo.

Nesse elevado Reino encontra-se um registro de tudo o que aconteceu desde a aurora da criação e a esse grande armazém de conhecimento o indivíduo está apto a ter acesso. Dele o indivíduo poderá obter informações definidas sobre a evolução do nosso próprio mundo e também de todos os outros planetas do nosso sistema solar. Também entra em contato consciente com sua Mente Supraconsciente a qual lhe revelará a história de todas as suas vidas passadas, desde o tempo que foi concebido no grande Corpo do Deus Pai Mãe, até o dia presente.

Nesse Reino o indivíduo se relaciona com os grandes Senhores da Forma que têm sob especiais cuidados a evolução durante nosso Período Terrestre e deles aprendemos o verdadeiro significado da dinâmica energia espiritual e como usá-la para criar formas.

O corpo pituitário é um dos elos da cadeia espiritual que conecta o homem com o Grande Espírito de Cristo que comumente funciona em seu veículo Espírito de Vida. Todos os órgãos e elementos que são usados pelo Espírito de Vida para sua manifestação neste plano físico, como o coração, o corpo pituitário, o éter luminoso e o próprio planeta Urano, bem como a Alma Intelectual, são utilizados pelo indivíduo em seu esforço para desenvolver o Cristo Interno que é o seu verdadeiro Espírito de Vida. O corpo pituitário é o primeiro assento do Espírito de Vida e o coração, o segundo. Esses apoios constituem o meio pelos quais o homem trabalha no desenvolvimento das potencialidades latentes de seu próprio Espírito de Vida, o qual é o polo feminino de seu ser, a energia de seu Espírito que é imaginativa, nutritiva e a sua energia mãe protetora. A cor do Espírito de Vida é amarela, que também é a de Urano. A cor do Éter Luminoso é amarela, que é também de um amarelo brilhante quando a glândula pituitária desperta.

O corpo pituitário está intimamente relacionado com o principal caminho que conduz à Iniciação.

Assim está perfeitamente claro que o despertar do corpo pituitário é um dos mais importantes processos que há de levar a cabo para desenvolver os poderes femininos Amor Sabedoria do Espírito.

A GLÂNDULA PINEAL E O MUNDO DO ESPÍRITO DIVINO

A glândula pineal é regida por Netuno, o portador do Sol espiritual que é o Pai. A natureza desse Planeta é oculta, profética e espiritual. A intelectualidade regida por Mercúrio sobrepõe o ser humano à condição animal e fez dele o ser humano. Mas a espiritualidade regida por Netuno o elevará do estado humano ao divino.

Em sua manifestação no plano físico, Netuno se revela como sabedoria e governa os contatos com entidades suprafísicas de todos os graus, a espiritualidade, a inspiração, a clarividência, a profecia, a devoção, a habilidade de sintonia com a música das esferas, a ideação, a vontade, o ocultismo em geral, a filosofia, a divindade; enfim, ele pode ser considerado como o iniciador.

Mas, se a sua expressão normal é prostituída, passará a manifestar-se como condição mental caótica, ilusão, morbidez, incoerência, insegurança, vazio, obsessão, intriga, magia negra etc.

Quando a nota-chave do Planeta Netuno é sentida pelo indivíduo, sua indescritível formosura e poder despertam-lhe uma verdadeira sabedoria em relação a Deus e Seu propósito. Ele vê seu divino poder em ação.

A glândula pineal é a Sétima Rosa sobre a cruz do Corpo Vital. Quando sua nota-chave se desperta pela vibração do Espírito de Netuno, a consciência do indivíduo se eleva ao Mundo do Espírito Divino, onde entra em contato com os Grandes Seres conhecidos como os Senhores da Individualidade, que nos assistiram em nosso trabalho involuntário durante o Período Lunar e que agora estão operando com o Espírito de Vida do ser humano. Pelo Mundo do Espírito Divino o ser humano se relaciona com outros Sistemas Solares e alguma coisa aprende a respeito de outros Deuses, dos mundos e seres que têm sido criados por Eles.

O Mundo do Espírito Divino é a região da pura Vontade. Ali a energia positiva de Deus se expressa como motivo poder que mantém toda a criação em ação.

O caminho oculto do desenvolvimento está intimamente ligado com a atividade intelectual desenvolvida pela Lua e por Mercúrio, a glândula pineal e Netuno. O raio de Netuno leva aquilo que os ocultistas conhecem como o Fogo do Pai, a luz e a vida do Espírito Divino, que expressa a si mesmo como Vontade. A cor do Fogo do Pai é azul; a Luz de Netuno é azul, o Éter Refletor relacionado com o Pai é azul translúcido. Quando a glândula pineal entra em ação, sua cor vibra num azul deslumbrante.

O despertar dessa glândula é da maior importância para o desenvolvimento positivo do poder masculino do Espírito.

O despertar das notas chaves das glândulas de secreção interna está intimamente associado com a Iniciação e é um dos valiosos auxílios para o Espírito em sua preparação para receber o trabalho iniciativo.

Três grandes lições foram dadas ao ser humano para ajudá-lo em sua evolução. A primeira foi-lhe dada na forma de imagens e quadros que representavam a natureza dos poderes físicos a serem desenvolvidos pela humanidade, a fim de conquistar o mundo material. A segunda foi dada por Jeová Deus ao povo por intermédio de Moisés que a corporificou em leis na forma dos Dez Mandamentos que operavam diretamente sobre o Corpo de Desejos, a fim de ajudar o ser humano a obter controle sobre ele. A terceira lição é a Iniciação que nos veio por intermédio do Espírito de Cristo, o Senhor do Amor. O trabalho que conduz à Iniciação é feito sobre o Corpo Vital que é o veículo do amor. As glândulas de secreção interna pertencem ao Corpo Vital e suas atividades espirituais são uma poderosíssima ajuda para o indivíduo na sua preparação para alcançar os vários graus de iniciação.

Para o progresso espiritual, torna-se imperativo que o indivíduo obtenha controle sobre a Mente, o que somente poderá ser conseguido por meio da eterna vigilância. Sabemos que na maioria das pessoas a Mente e o Corpo de Desejos estão intimamente relacionados. Porém, a Mente deveria estar sob controle do Espírito e assisti-lo no domínio dos desejos; então tornar-se-ia uma poderosa força para o bem. A concentração persistente é o poder que o indivíduo deverá usar para controlar a Mente. Quando concentrado, o Espírito tem seu poder de vontade focalizado na Mente, dirigindo-a para um certo ideal. Quanto mais o Espírito possa manter a Mente centralizada, mais controle o indivíduo mantém sobre ela e, consequentemente, mais prontamente ela seguirá seus ditames.

Quando a Mente não está ocupada no trabalho cotidiano, deve ser constantemente vigiada e dirigida para coisas que tenham valor espiritual, tal como a análise do que constitui a beleza, o que realmente é a caridade, o que é a bondade, a gentileza, a justiça e a verdade. Porém, o Espírito não poderá controlar a Mente simplesmente por meio de um pequeno esforço; trata-se de uma batalha generalizada com o Corpo de Desejos, a fim de conquistá-lo. Porém, o Espírito é o mais forte e o mais sábio dos dois, e, assim sendo, ele pode vencer.

A Mente é o elo entre o Espírito e seus veículos e por meio dela ele obtém o alimento espiritual necessário para desenvolver suas potencialidades latentes. Por isso, enquanto o Espírito não obtiver controle sobre a Mente, não poderá haver verdadeiro progresso espiritual.

No futuro, as glândulas de secreção interna estão destinadas a desempenhar um importante papel, pois seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, porque, embora seus efeitos sejam muito importantes fisicamente, serão da mais alta importância mental e fisicamente.

FIM

[1] N.T.: A cadeia de causas e efeitos não é uma repetição monótona. Há sempre um influxo contínuo de causas novas e originais. Esta é a espinha dorsal da evolução – a única realidade que lhe dá sentido e a converte em algo mais que a simples expansão de qualidades latentes. É a “Epigênese” – o livre arbítrio, a liberdade para inaugurar algo inteiramente novo e não uma simples escolha entre dois cursos de ação. Esse importante fator é o único que pode explicar de modo satisfatório o sistema a que pertencemos. A Involução e Evolução por si mesmas são insuficientes, mas juntas com a Epigênese formam uma perfeita tríade de esclarecimento.

[2] N.T.: ou epífise neural ou simplesmente pineal é uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios.

[3] N.T.: glândula pituitária ou Hipófise: pequena glândula com cerca de 1 cm de diâmetro. Aloja-se na sela túrcica ou fossa hipofisária do osso esfenoide na base do cérebro. Está localizada abaixo do hipotálamo.

[4] N.T.: Atualmente, além da corticoesterona, estão identificados outros hormônios do córtex. De modo geral, eis os principais: a deshidro corticosterona, a hidrocortisona, a cortisona, a desoxicorticosterona e a aldosterona.

[5] N.T.: raças de cães: Mastim – cão grande – fisicamente pode chegar aos 70 kg e medir até 77 cm na cernelha; sua cabeça é a maior entre todas as raças caninas. Sua personalidade é descrita como leal, apesar de sua face carrancuda; paciente e dócil. Buldogue – cão médio para grande – narinas grandes, amplas e pretas, vermelha ou marrom. O focinho é curto e largo, curvando-se para cima e muito profundo do canto do olho ao canto da boca. O pelo é de textura fina. Sua personalidade é descrita como brincalhona e afetuosa, apesar da face brava. Tendência a ser preguiçoso. É teimoso e possessivo. São excelentes animais para famílias com crianças, pois são sociáveis e sem traços de agressividade. Fox-terrier – cão médio-pequeno – forte, inteligente, teimoso, persistente, destemido, ativo, afetuoso e, acima de tudo, muito amigo e protetor de seu dono. Dachshund – cão pequeno – “salsicha” – cães leais, protetores, ciumentos, valentes, brincalhões, conhecidos pela sua propensão em caçar pequenos animais e pássaros.

[6] N.T.: Warren Gamaliel Harding (1865-1923) foi o 29º Presidente dos Estados Unidos entre 1921 e 1923.

[7] N.T.: Carrie Amelia Moore Nação (primeiro nome também escrito Carry, nascida Carrie Amelia Moore; 1846-1911) era uma mulher americana; membro do movimento radical de temperança, que se opôs ao álcool antes do advento de Proibição. Ela é particularmente notável por atacar estabelecimentos que serviam álcool com uma machadinha.

[8] N.T.: também grafado como tiroide.

[9] N.T.: Harold V. Gaskill

[10] N.T.: Lampreia é o nome comum dado a diversas espécies de peixes ciclóstomos de água doce ou anádromos, com forma de enguias, mas sem maxilas, pertencentes à família Petromyzontidae.

[11] N.T.: Henry Stanley Plummer (1874-1963), endocrinologista Americano.

[12] N.T.: que sofre de mixedema, que é uma infiltração cutânea causadora de edema firme e elástico nos tecidos, especialmente do rosto e dos membros, acarretada por diminuição da atividade da tireoide (hipotireoidismo).

[13] N.T.: é uma alteração no limiar de funcionamento cerebral, ou seja, o cérebro fica excitado além de seu normal, isso ocorre por exemplo nas convulsões, o cérebro fica tão excitado que entra em choque.

[14] N.T.: químico biólogo americano

[15] N.T.: Percy Bysshe Shelley (1792-822) foi um dos mais importantes poetas românticos ingleses.

[16] N.T.: em torno de 1,83 metros

[17] N.T.: Rafael Sanzio (em italiano: Raffaello Sanzio (1483-1520), frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Também é conhecido por Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino ou Rafael Sanzio de Urbino. Junto com Michelangelo e Leonardo Da Vinci forma a tríade de grandes mestres do Alto Renascimento.

[18] N.T.: A Transfiguração é uma pintura, considerada a última e uma das mais importantes obras de Rafael Sanzio (1483-1520), baseada na Transfiguração de Jesus, descrita no Novo Testamento da Bíblia, no Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 17, versículos 1 a 13.

[19] N.T: A memória consciente, voluntária, ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos. A memória subconsciente, involuntária, ou Mente subconsciente. Ela é impressa sobre o nosso Corpo Vital. O Éter contido no ar que nós respiramos registra a cada instante de tudo que nos acontece e tudo que nós desejamos, sentimos e pensamos. Essas imagens passam pelo sangue, por intermédio dos pulmões e são impressas no Éter Refletor do Corpo Vital. Todas as nossas ações, nossos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos são, assim, fielmente conservados. Após a morte, eles determinarão nossas condições de existência no Purgatório e no Primeiro Céu.

[20] N.T.: Ou Anjos do Destino, Senhores do Destino, Anjos Relatores.