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Concentração e Meditação

CONCENTRAÇÃO E MEDITAÇÃO

 

Estudo segundo a Filosofia Rosacruz

 

 

 

Por

F. PH. PREUSS

 

 

 

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

 

Revisado de acordo com:
1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz de São Paulo – SP – 17/12/1965

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

 

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CONCENTRAÇÃO E MEDITAÇÃO

 

 

 

 

 

I – A CONCENTRAÇÃO E A MEDITAÇÃO Nas Escolas Esotéricas

No curso da evolução, nas Escolas Esotéricas, são imprescindíveis a CONCENTRAÇÃO e a MEDITAÇÃO. Destes dois exercícios depende o conhecimento dos planos superiores, como também, o melhor conhecimento da vida em comum no meio em que se vive, seja isto física, social ou intelectualmente. Todas as escolas esotéricas ensinam estes dois exercícios, ainda que outras acrescentem as mesmas a retrospecção, como exercício matutino de meditação.

Em geral, os candidatos infelizmente não se desenvolvem assim como deseja a escola, e por isso as suas faculdades psíquicas não alcançam os resultados almejados, e, portanto, deficientes, pois a maior parte dos candidatos se limita apenas a leitura dos livros. O trabalho de concentração foi ensinado a fim de que o próprio candidato faça suas pesquisas e consiga, com o tempo, seu mecanismo super-consciente para adquirir conhecimentos espirituais.

Devemos salientar, com todo o rigor, que a autolibertação do EGO de seus corpos inferiores não pode se processar sem a aconselhada e devida concentração, bem como a meditação.

Se o candidato não sujeita seus pensamentos à sua vontade, não coordena os mesmos num corolário progressivo e ampliado, de forma harmônica e de beleza geral, desde que a LUZ DIVINA paira sobre todas as coisas as quais se revelam pela atividade meditativa, não pode chegar a consciência dessa luz que deseja se manifestar. As hierarquias astrais-celestiais introduziram em suas escolas esotéricas a concentração, ou seja, a fixação mental de alguma coisa em um único ponto, ou dirigir a Mente em um único ponto de atenção, para depois, automaticamente, passar à meditação, isto é, ampliar aquilo que se tem fixado pela concentração. Sem a devida fixação da Mente do que se deve concentrar não haverá meditação. Esta é, verdadeiramente, a arte de se conhecer pela concentração aquilo em que se medita. Se se concentra numa rosa, não se deve pensar, ao mesmo tempo, em um cavalo, pois, a Mente deve fixar-se na rosa. Deve se conseguir que a MENTE OBEDEÇA A VONTADE, pois sem a devida vontade a Mente fugirá do assunto. O principal objetivo durante a meditação está em que a Mente não se AFASTE DO ASSUNTO QUE O ESPÍRITO DESEJA FOCALIZAR, não o deixando escapar.

Caso haja fuga de pensamentos, o que via de regra acontece aos neófitos por falta de suficiente atenção sobre o caso, pois a vontade ainda não atua sobre a Mente, deve o pensamento ser laçado, assim como se laça um cavalo rebelde. Cada vez que o pensamento foge deve ser laçado, até que se sujeite o mesmo à vontade do EU e, uma vez isso conseguido, não mais escapará e a meditação e a concentração tornam-se uma maravilha na vida do candidato. Este é o segredo na técnica da concentração, mostrando também, o modo de se habilitar as futuras iniciações, adquirindo conhecimento direto sobre a própria natureza, assim como conhecimento geral.

Os alunos perguntam, geralmente, que posição se deve tomar ou qual a melhor para se concentrar. Depende em primeiro lugar, da disposição que se tem para concentrar, pois, às vezes, os nervos não deixam fazê-lo ou quando o estômago esteja sobrecarregado, o mesmo acontecendo quando se pensa em negócios, ou ainda, quando se encontra doente, sofrendo dores.

São estas as contraindicações, pois a concentração só se fará com a exclusão de todos os tipos de fenômenos psíquicos ou patológicos, estes mencionados. Precisa-se deste modo, de muita calma, do abdômen descarregado, do corpo sem dores, etc. Se, porém, deseja-se concentrar não estando doente e se a cabeça estiver quente, deve-se banha-la com água fria tanto tempo até que se ache calma. Para livrar os intestinos dos efeitos produzidos por alimentos queimados deve-se fazer lavagens. Se houver dores, melhor será não se concentrar; mesmo assim pode-se tomar um banho morno prolongado, durante uma hora. Dores em geral diminuem com banho de água morna de 37 graus centígrados. Logo depois, pode-se experimentar a concentração.

Caso esteja cansado, convém tomar um banho de chuveiro frio. Em todo o caso, para o espiritualista é mais importante utilizar-se de banhos ou de higiene em geral à noite, antes de deitar-se, devendo assim proceder sempre que se sentir refrescado e nunca exausto.

A respeito dos cônjuges, deve-se dizer que uma cama em comum para os dois precisa ser evitada, pois, difícil será a concentração em conjunto com o seu par.

Nenhum dos dois poderá concentrar na presença um do outro. Também o trabalho noturno, extra corporal, ficará prejudicado, pois, não somente o Corpo Denso se ligará ao outro pelo mais ligeiro contato, como também a mescla dos corpos etérico (Vital) e de Desejos de ambas as partes será desfavorável ao serviço espiritual. Como os Corpos etérico e de Desejos se alongam para fora do Corpo Denso, penetram nestes reciprocamente em seu companheiro. Obviamente, aí está o perigo, pois pode o corpo etérico não se refazer suficientemente, podendo até mesmo ser atraído pelo componente mais forte, diminuindo assim as qualidades dos corpos superiores, como também do Corpo Denso.

Com essas explicações vê-se porque razão é preciso que se separem os cônjuges para o devido exercício de concentração.
Antes de tudo, deve-se dizer que a concentração não é fácil. É bastante difícil e requer muito tempo até que se apresentem os resultados, existindo mesmo pessoas que se concentram quase uma vida inteira com pouca eficiência, para mais tarde lograr êxito. O aluno deve demonstrar sempre boa vontade, até que consiga resolver este problema, devendo sempre se lembrar de que, numa vida futura, a concentração se tornará mais fácil, devido a ter-se aplicado nesta vida, assim terá mais afinidade em vidas futuras. A persistência é imprescindível.

 

II – FORMA E DURAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO

Para que se possa concentrar é preciso um objeto, sobre o qual se dirija a Mente. Este objeto pode ser visível ou imaginário. Em geral, para o neófito, é mais fácil dirigir-se a um objeto a sua vista. Os olhos devem somente fixar o objeto que se acha a sua frente.

Este é um treinamento não só para a concentração como também para a vontade; se esta faltar, os olhos se afastam gradativamente de seu objetivo. A vontade deve atuar para que os olhos não se desviem e se não a tiver para dirigir os olhos e a atenção sobre o objeto, constantemente a Mente estará ocupada e não poderá conter outros pensamentos através de si, para que o objeto que vê não se desvie. Vale dizer que na concentração existe uma série de fatores que se entrelaçam desfavoravelmente quanto a sua finalidade. Se o candidato conseguir fixar-se num objeto sem desviar os olhos por cinco minutos e não desfocar a atenção, estará bem concentrado.

Outra forma de concentrar é com um objeto imaginário, subjetivo. A concentração sobre uma rosa em nossa frente é o caso objetivo, porém se não tivermos a rosa, á a forma subjetiva. Podemos fechar os olhos e não abandonar mais a imagem da rosa até que a mesma se manifeste ante os nossos olhos internos e quanto mais forte for a nossa imaginação apresentar-se-á em nosso interior a referida flor. Este fenômeno não deve ser confundido por um ignorante em questões metafísicas como uma alucinação ou histeria.

A concentração e meditação foram impostas aos espiritualistas, para criarem em si fenômenos inexistentes na vida material.

Assim é o caso de nossa rosa. Esta pode se criar por si. A nossa vontade é então dirigida para criar uma rosa e logo que se tenha obtido sua imagem interna, podemos meditar sobre ela.

Estes exercícios requerem tempo para atingir, ou melhor, apresentar resultados e temos que praticar a concentração todos os dias, se for possível, na mesma hora e no mesmo lugar, pois, sem praticar não existirá aperfeiçoamento em qualquer ensinamento e, praticando, teremos a satisfação de conduzir nossas faculdades a fim de obter a visão interna.

Muita importância se deve dar aos exercícios e se adverte o seguinte: NÃO EXISTE CONCENTRAÇÃO SEM ATENÇÃO SOBRE O QUE SE CONCENTRA. Inútil é querer se concentrar sem a devida ATENÇÃO naquilo em que se deseja concentrar, não adiantando vontade alguma se a mesma não for persistente, não permitindo mesmo que a rosa em a qual concentramos de repente se transforme em um cavalo e, como já mencionamos, a rosa tem que permanecer rosa e isto só é possível com a devida ATENÇÃO sobre o pensamento que a forma.

Se tirarmos a atenção da forma, a Mente transformá-la-á em outro objeto, pois, esta última não é bastante firme, dando seus pulos espetaculares como cavalos sem freios. Não é possível concentrar-se definitivamente sobre a rosa, se se pensa, ao mesmo tempo, no bolo que se vai comer logo a noite no aniversário de alguém da família. A concentração requer repetimos: – ATENÇÃO SOBRE AQUILO QUE SE CONCENTRA. Esta é a chave e praticamente não há outra. Com atenção o pensamento não se desvia e, se aparecerem outros, serão automaticamente desviados, concentrando-se somente naquilo que é desejado, pois, se desviada a atenção, jamais se formará a visão interna. Com o tempo, o intelecto se sujeita à vontade e se torna um instrumento bondoso e lúcido com o EGO. O candidato, assim exercitando, aprenderá o que é ATENÇÃO, a qual muitas vezes é difícil de fixar, porém, mais tarde apresentar-se-á como sendo de perfeita naturalidade, pois quem presta atenção nas coisas é o EGO e não a inteligência nem o sentimento, os quais são seus meros instrumentos.

Quem aspira, quem ouve e quem vê é o EGO e não os órgãos sensoriais, os quais são comandados pelo mesmo para manifestarem onde e quando for preciso. Existem diferenças entre as funções do organismo, mas quando se pensa que é o EGO que o dirige, verifica-se a união deste com o EGO DIVINO.

 

III – REGULARIDADE, HORA E LUGAR DA CONCENTRAÇÃO – A ABSTRAÇÃO

Realçamos uma vez mais a importância do manejo da concentração, quando dizemos que a nossa Mente deve ser “estéril” para outros pensamentos e ativa apenas para aqueles que iniciamos a pensar. Deve somente ser atendidos aqueles pensamentos que se correlacionam com o objeto em mira.

Um sábio certa vez dissera que a concentração e a meditação são como o óleo que se despeja de um vasilhame a outro. Tem um fluxo constante e igual até que se tenha esgotado, no nosso caso, o material pensante.

Isto quer dizer que se deve prestar muita atenção para que o fluxo não diminua e permaneça constante, de igual intensidade, não intermitente, sem alternâncias de tensão, sempre igual.

É um bom exemplo e deve ser praticado com todo o carinho. Se com o tempo for obtido bom resultado ou êxito razoável em seus esforços, uma vez que o pensamento já não mais se desvia, o tema poderá ser modificado, não precisando permanecer no mesmo, pois, o principal é que quando percebamos a fuga do pensamento, encontremo-lo de novo. Percebendo a referida fuga, devemos pular atrás dele como se fosse um canário escapando de sua gaiola.

O pensamento é rebelde, difícil de domar assim como um cavalo novo e o estudante, por certo, terá grandes dificuldades para domina-lo em seus exercícios. Todas as ciências são aprendidas em tempo regular e normal, e no estudo da matemática, medicina ou engenharia ou tantas outras, obtém-se ao término do curso o diploma, mas, com relação a concentração e meditação, leva-se muitas vezes uma vida inteira para que se possa receber pelo seu esforço o diploma. Cada um deve verificar o seu próprio progresso, pois os outros raramente podem dizer se o candidato conseguiu ou não o seu objetivo e somente ele, o candidato, deverá vencer as dificuldades, uma vez que a Mente já não mais aceita o desvio do pensamento.

Assegura-se, porém ao estudante que isto é possível, dependendo tão somente da aplicação da ATENÇÃO sobre o caso.
A felicidade que se experimenta durante os exercícios e depois deles é indescritível e não poderá ser comparada a nenhuma outra existente no mundo. Sentirá o estudante uma alegria interna além de toda a nossa compreensão, uma vez que a alma recebe as irradiações em toda a sua pureza dos centros espirituais do corpo humano. Pode-se assim demonstrar que a concentração representa a PORTA para o ALÉM e sem os exercícios nunca existirá essa possibilidade.

Muitos estudantes alegam não ter tempo ou lugar para realizar a concentração. Representa, sem dúvida, uma esfarrapada desculpa. Em hipótese alguma precisamos acreditar que somente em casa pode-se exercitar. São desculpas, porém a verdade é esta: QUEM DESEJA SE CONCENTRAR, SABERÁ ENCONTRAR TEMPO E LUGAR, e se não houver lugar em casa, temos jardins, ruas, um cantinho numa igreja, e se não houver tempo durante o dia, à noite estará a nossa disposição, existindo, ademais, domingos, feriados e dias de festas quando não se trabalha. Pode-se estar fora de casa e pensar sobre a grandeza de DEUS e da natureza que é sua manifestação, estar à beira de um riacho ou de um lago, de um rio, do mar ou de uma montanha ou em qualquer lugar afastado da civilização e comungar com o nosso DEUS, concentrando-se em sua obra, criando-se possibilidades, pois ELE quer que tenhamos vontade e como filhos D’ELE que somos, conversemos com ELE. Percebe-se que nossa Mente procura ao invés, evitar, criar dificuldades, pois a ocasião para se concentrar sempre estará presente se assim desejamos.

Gostamos de mentir a nós mesmos, com evasivas; porém, uma vez mais afirmamos que a concentração representa a porta pela qual nos dirigimos ao além. Max Heindel, em suas dissertações, alegava, razoavelmente, que se deve concentrar não se deixando perturbar mesmo nas mais difíceis circunstâncias, ainda que ocorra nas proximidades uma estrondosa detonação, pois a concentração deve ser tão profunda que não possa mudar sua ação interna.

Pois bem, esta possibilidade só se pode esperar daquele que já tenha atingido a abstração em todas e quaisquer circunstâncias, achando-se em união com Deus. Ter-se-á que trabalhar duramente para alcançar esta possibilidade utilizando os exercícios expostos neste trabalho.

Aquele que sabe se concentrar encontra esta faculdade e como disse Max Heindel, aquele que não chegar a abstração, não conseguirá por outros meios.

Todos os grandes pensadores espiritualistas tiveram a dificuldade da completa abstração e aqueles que se iniciam a instruir-se nessa doutrina, demorarão muito tempo até dominar os pensamentos. Por isso, nenhum candidato deve esmorecer em sua vontade de adquirir a abstração, pois enorme será a recompensa e muito grande a felicidade, ingressando mais cedo ou mais tarde na fonte da vida. Se alguém em vidas passadas tinha por hábito a meditação por pertencer a organizações espiritualistas, nesta vida terá muito mais facilidades para consegui-lo e o candidato de hoje, que inicia estes exercícios, adquire desde já para vidas futuras a possibilidade de sua exaltação espiritual. Digno de louvores o aluno que tem compreendido a razão de sua vida no presente e que faz esforços para vidas futuras. Depende desta vida a quantidade de conhecimentos adquiridos pelo EGO para que seja mais fácil sua autonomia sobre questões espirituais.

 

IV – Condições importantes na concentração: O SILÊNCIO E A HIGIENE (Física e Mental)

Os filósofos dizem que se precisa do silêncio para se conseguir sucesso nos exercícios espirituais. Neste sentido deve o aluno periodicamente afastar-se do meio ambiente costumeiro, viver uma vida pura e, na solidão do silêncio, experimentar a grandeza existente na união de todas as coisas na imensidão do horizonte que se lhe apresenta. Sente no silêncio de seus sentimentos, na inteligência, na espiritualidade e na vontade o que não pode sentir em presença da atual civilização e da pouca cultura comum. O afastamento aconselhado de quando em quando resulta no fortalecimento dos conhecimentos espirituais, os quais mais tarde, mesmo diante das maiores dificuldades da vida civilizada não serão perdidos. Quem nunca se tem entendido com Deus na solidão, não obterá tão facilmente esta divina emanação em meio à perturbadora civilização.

É imprescindível a higiene interna e externa do neófito, ou seja, viver puro interna e externamente. A alimentação vegetariana, ou ainda, se possível, a frugífera, tem papel importante na vida do espiritualista.

O Adepto, que se dedica à evolução humana, fisicamente se alimenta de frutas ou cereais e, mesmo que não se possa exigir de um aluno as mesmas regras exigidas de um Adepto, deve ele cada vez mais aprimorar-se nessa conduta. O aluno de hoje terá amanhã a orientação e responsabilidade daquele, e se hoje se fala das possibilidades para edificar em si o futuro Adepto, razoável será que desde já comece a cumprir as regras, não tão difíceis, mas ao alcance de cada qual.

 

V – O AMOR, A PUREZA E O SONO – Fatores importantes na Concentração

Os sentimentos de amor, uma das mais sensíveis atividades de nossa vida deve ser cultivada de maneira que os sentimentos impuros, inconvenientes, odiosos, enfim, todos os que são desfavoráveis ao coração caiam por terra da mesma maneira como as flechas caem quando atingem um escudo de aço. Somente sentimentos elevados ajudam a concentração, pois assim a Mente permanece calma e sem esta a mesma não obterá resultado. A higiene mental deve ser cultivada, devendo a Mente alimentar-se somente de pensamentos sublimes.

O cérebro necessita alimento assim como o Corpo Denso, enquanto o coração se alimenta de amor e de puros sentimentos, os quais vêm refletir na possibilidade de se concentrar, assim como meditar e mesmo orar.

Para a higiene corporal como fator de evolução, existe mais uma questão importantíssima, a saber, a do dormir. Em primeiro lugar, deve o candidato dormir sozinho a fim de evitar o contato ou de um filho, ou da esposa, ou vice-versa. Deve além do mais, ler livros apropriados, de preferência de autoria de mestres espirituais, assim como ouvir boa música, pois, óbvio é que, quem não se educa permanece na ignorância, que é pecado. O espiritualista deve adquirir conhecimentos em larga escala e em todos os setores da vida e da cultura.

Pois bem, mister se faz que recapitulemos: um organismo cansado e doente não deixa a Mente agir favoravelmente aos exercícios fazendo com que as formas mentais fujam imediatamente, não conseguindo à vontade ligar-se às mesmas, borrando-se consequentemente as impressões. Claro também é que, se durante o dia o cérebro se cansou na luta pela sobrevivência, os pensamentos serão confinados por vibrações destrutivas e isoladas, sem qualidades, prejudiciais à concentração, não se obtendo resultado algum. Se preocupações inundam nossa Mente por motivo de sentimentos de medo ou de aparentes desavenças, o corpo emocional não se acalma, verificando-se de novo prejuízos aos exercícios. Sabe-se que a doença rouba boa parte dos éteres luminoso e refletor necessários ao saneamento do corpo e nesse caso a concentração será inútil. Outras condições também desfavoráveis surgem durante a concentração. Frequentemente pensamentos eróticos, mesclando-se e prejudicando o fluxo de pensamentos aparecem, fazendo surgir quadros sensuais os quais devem ser combatidos com a indiferença, pois também prejudicam a concentração. Os espíritos luciféricos têm interesse em dominar-nos pela sensualidade e sabendo-se disso, imediatamente devem ser desviadas suas maléficas vibrações por meio de pensamentos diferentes, de orações ou mesmo lavar a cabeça com água fria assim como os órgãos genitais. Os espíritos luciféricos não desejam nossa Mente livre de sua bufonaria, mas sim infiltrar sua falsa luz; porém, se nos aplicamos constantemente em uma higiene mental, os aspectos eróticos desaparecerão. Neste ponto deve-se frisar, com ênfase, que a vida conjugal em convivência noturna numa só cama é de acentuada desvantagem, pois não só os corpos físicos ficam diretamente ligados como também os corpos etéricos e de desejos.

 

VI – O OBJETO que deve motivar a Concentração (“sobre o quê” e “no quê”)

Sobre o que se deve concentrar?

Esta é uma pergunta que frequentemente o aluno se faz. Já mencionamos anteriormente alguns esclarecimentos sobre o assunto.

Continuemos, todavia. Deve o aluno orientar-se por quadros internos e o objeto em mira depende da altura do seu temperamento, de sua cultura, da sua profissão, enfim de circunstâncias várias. Uns concentram-se bem sobre objetos à frente de seus olhos por ser mais fácil, outros preferem sentimentos já existentes na alma, havendo ainda os que procuram concentrar-se sobre um pensamento e desenvolve-lo, pela meditação, seguindo-o a fim de conhecer o resultado. Trata-se em verdade de familiarizar-se à concentração, não mais se separando de seu pensamento. Para ilustrar este tema, cita-se um diálogo entre um Mestre de Sabedoria e um discípulo a respeito da meditação sobre um búfalo.

Um discípulo da milenar sabedoria que vivia às margens de um sagrado rio um dia procurou um famoso sábio e pediu-lhe que o instruísse no método da melhor concentração. O sábio respondeu: – “pensa sobre Deus, sua grandeza, sua harmonia, sua luz”. O aluno respondeu: – “Mestre, mui querido Mestre, eu não posso fazer isto, pois é muito difícil para minha cabeça que é tão dura; – dê-me uma tarefa mais fácil”. Falou o mestre: – “não tenha receio, eu lhe darei um caso mais fácil; preste atenção. Coloque uma estatueta do Deus Krishina em sua frente, sentado na posição de lótus (pernas cruzadas, inconveniente para os ocidentais), fixe-a e não veja outra coisa senão a estátua”. Respondeu o aluno: – “Mui querido Mestre; isto é ainda bem mais difícil; se devo cruzar as pernas doem-se os joelhos e os quadris e se penso na dor não posso pensar na estatueta. De que maneira posso ficar quieto, pensando sobre tantos detalhes, se não me é possível pensar em uma só coisa!” Aí falou o Mestre: – “coloque uma fotografia do seu pai em sua frente, sente como quiser e mira-a um só momento”. O aluno retorquiu dizendo: – “Querido mestre; isto também é muito difícil, pois, meu pai sempre me amedronta; é ele um homem mau que me bate duramente e meus pés já começam a tremer no simples pensar sobre ele. Humildemente eu lhe imploro, Mestre, dê-me outra coisa ainda mais fácil que, seguramente, eu conseguirei”. Falou o Mestre: – “então me diga o que você mais estima em sua casa?”. Respondeu o aluno: – “tenho em casa uma fêmea de búfalo a qual criei com todo o meu carinho. Todos os dias me dá ela leite e manteiga; gosto muito dela e penso sempre nela”. O Mestre aconselhou-o: – “entre neste quarto e se encerre nele. Sente num canto do mesmo e pense continuamente em sua vaquinha de búfalo, medite sobre ela e não pense em outra coisa. Comece já!”,

Encantado pelo conselho, cheio de alegria e confiança, voltou o discípulo ao quarto e fez o que lhe aconselhou o Mestre, com verdadeiro arrebatamento. Durante três dias não se mexeu, esquecendo-se até mesmo de comer e de beber. Não estava mais consciente do seu corpo nem do ambiente, completamente absorto que estava na figura do búfalo. No terceiro dia, o Mestre, desejoso de saber o estado do aluno, encontrou-o em profunda e perfeita meditação. Chamou-o em voz alta: – “Como você está se sentindo? Venha cá fora para tomar uma refeição”. Respondeu o aluno: – “meu Mestre, estou muito grato ao senhor, mas acho-me em meditação e não posso sair daqui. Cresceu demais o meu corpo e não poderei com meus chifres sair por essa pequena porta. Eu amo tanto o meu búfalo que nele me transformei”.

O Mestre vendo que o discípulo se achava em completa concentração, chamou-o dizendo: – “você não é um búfalo; muda o objeto de sua concentração e meditação e modifique a forma do animal à sua essência que é a sua própria e verdadeira substância”. O discípulo modificou então o pensamento segundo os conselhos recebidos, tendo assim, alcançado a união perfeita com o espírito, que é o objetivo, o alvo da vida. Verifica-se, pois, por essa narração o que se deve manifestar em nós como o significado da meditação. Deve-se chegar ao ponto de se identificar com a coisa sobre a qual se medita. Se um dia chegarmos a meditar sobre Deus, de que modo Ele se identifica conosco, sentir-nos-emos integrados na essência divina.

Exemplifiquemos algo “sobre o que”, “como” e “no que” se deve concentrar.

Concentrar-nos-emos sobre uma rosa, a qual é um objeto a nossa vista. Fixemo-la. O pensamento dirige a Mente naquilo que se concentra.

A concentração somente se realiza quando se toma a devida atenção sobre o objeto, senão o mesmo foge imediatamente da nossa visão. Se a concentração for perfeita, sentiremos quase palpável a rosa, sua forma, sua cor e seu perfume. Tenhamos em Mente que existindo uma regra quase rígida para se concentrar, mecaniza-se a Mente, a atenção focaliza o pensamento sobre o objeto experimentando-se uma sensação que nada tem a ver com o intelecto. Estaremos impressionados pela beleza da flor, seu colorido, e assim sentiremos algo que está acima do intelectual, algo que inculca à nossa observação uma simples sensação da alma que por sua vez, transmite à consciência uma essência espiritual. Sentiremos, assim, muita felicidade, a qual não é uma sensação da inteligência e sim do espírito. É este o ponto o qual a concentração faz o ser humano sentir-se no espírito, uma vez que este se integrou no objeto, pois deseja sentir-se a sua totalidade, as partes externa e interna. Adquirida pelo EGO esta sensação, forma-se a exaltação, a união com a essência da rosa ou de Deus, ou “Deus da rosa”, que é também o nosso. Sentimo-nos, pois em presença do EGO que nada tem a ver com o “eu inferior” oriundo da emoção do Corpo de Desejos. Tem-se assim, absorvido o intelecto no EGO, bem como a emoção.

As qualidades da rosa, sua forma, seu colorido e seu perfume transformam-se em “ESSÊNCIA DA ROSA”, que somente o EGO sente e neste instante desaparece o mundo e se abre o céu, o céu dos Evangelhos que fala: “O REINO DOS CÉUS ESTÁ DENTRO DE VÓS MESMOS”. Este fenômeno é a realização da “UNIÃO COM DEUS”. Reafirmamos que, sem a concentração diária, sem aplicação da meditação, não existe a libertação em Deus.

Expliquemos mais ainda: o EGO deseja ser dono de seus corpos físicos, etéricos, emocionais e do intelecto, subordinando-os a sua ordem e sua vontade, posto que é divino e não humano.

O EGO deseja a unificação com Deus e com o Cosmos e não com o ser humano material, a casca do mesmo. Por estas premissas observamos que para o EGO praticamente não existe a lei de CAUSA E CONSEQUÊNCIA, pois este é sempre divino, sendo inatingível por leis que regem as regras materiais. A lei de CAUSA E EFEITO se manifesta no grosseiro mundo material, sendo anulada na proporção do avanço do EGO neste plano material. A concentração define este fato perfeitamente durante a sua exaltação em Deus, pois o EGO se unifica a Ele. Por outro lado, o EGO que é espírito puro não tem mais controle total sobre o seu corpo inferior nem sobre os átomos do material a sua disposição em nosso globo, mas com o tempo, todos os corpos materiais reagirão a demanda do EGO. Nesta fase alcançaremos aquilo que a bíblia diz: “SEJAIS PERFEITOS COMO VOSSO PAI NOS CÉUS É PERFEITO”, ou “O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS”.

 

VII – A ATENÇÃO – chave mestra na Concentração e na Introspecção – A MEDITAÇÃO – consequente a Concentração

Devemos cuidar de que as imperfeições devem ser eliminadas pelo EGO. A Concentração e a Meditação tendem a expulsar com a ajuda do Homem Divino, o EGO, as imperfeições além de causa e consequência às quais não pertencem aos céus e sim ao Mundo Físico, ao mundo inferior, onde se manifestam devido as transgressões das leis da natureza. Óbvio que, onde não existe transgressão não existe a lei de causa e consequência e se a mesma existisse nos planos espirituais, estaria também o Arquiteto do Universo sujeito à mesma e isto nós sabemos, não é assim, pois se não formarmos mais “destino maduro”, jamais esta lei entrará em ação.

Vamos novamente falar sobre temas de meditação em seus vários aspectos, sobre suas funções e sobre suas diversificações. Voltemos a rosa. Falemos de sua forma, colorido, perfume, enfim, de seu conjunto fenomenal percebidos pelos órgãos sensoriais. Falemos de fatos subjacentes a estes fenômenos, da maneira como a alma os aceita ou sente suas impressões.

Falemos como se processa a exaltação, a nossa união com o corpo do Espírito do Cosmos quando não mais se sente separados de Deus. Falemos que somente pela meditação a alma se separa dos mundos materiais, intelectuais e emocionais, para depois ingressar na sua consciência espiritual, no corpo divino de Deus. Vamos, pois dar um passo mais para frente em relação ao que chamamos exaltação. Que regime deve nortear-nos a esse fim?

Falamos anteriormente da concentração sobre as coisas que vemos, que se formam na imaginação, sobre coisas existentes. Agora temos em mente apenas coisas abstratas, que não se apresentam na vida real, de fenômenos subjetivos, não existentes, formado em nosso interior.

O EGO tem a tendência de criar em nossos sentimentos coisas que lhe agradam, para, assim, obter a sua libertação. O que o EGO faz pode despertar nossa alma, obrigando-a sentir fenômenos tais como TERNURA, AMOR MATERNO, IMAGINAR-SE DENTRO DO CORPO DE CRISTO, DESCER COM CRISTO DA CRUZ, ELEVAR-SE EM SEU CORPO DENSO,
ABENÇOAR A TERRA OU CURAR O CEGO. Estas meditações representam a verdadeira ação do EGO e são alguns exemplos que se propõe à meditação. O aluno poderá encontrar outros bem melhores e mais eficientes, bastando tão somente que sejam reais para a vida espiritual e irreais para a vida física, procurando sempre tirar o máximo proveito da meditação a qual faz a alma sentir-se fora da vida real. Deve procurar algo que seja impalpável na parte sensorial e quanto mais abstrato o tema escolhido, mais eficaz será para o conjunto divino e melhor para a purificação dos corpos. Recapitulemos novamente uma questão essencial que nunca deve ser esquecida. Reprisamos mesmo essa ideia por ser a mesma de máxima importância para a iniciação: “NÃO PERCA NUNCA A ATENÇÃO NAQUILO EM QUE SE CONCENTRA, POIS DE OUTRO MODO, SEU TRABALHO SERÁ EM VÃO”.

ATENÇÃO É A CHAVE DA SUA LIBERTAÇÃO NOS PLANOS SUPERIORES. As retrospecções à noite, bem como a concentração matutina, por sua vez, não terão valor algum caso não seja feito com a devida atenção e, na falta desta, A LUZ DOS SEUS OLHOS

INTERNOS JAMAIS SE ABRIRÃO. A ATENÇÃO forma a introspecção. Assim, mais cedo ou mais tarde resultam em faculdades suprassensíveis, normais, sem necessidade de meditar.

Adverte-se nesta altura que, mesmo que a alma tenha possibilidades de se aplicar, o objetivo somente será alcançado por meio da meditação.

 

VIII – A INTUIÇÃO: o que é – Suas relações com a Concentração e a Meditação

Vejamos mais um capítulo que resulta da prática da concentração.

A Mente se esforça para conhecer as coisas do modo mais claro, sendo a mesma um órgão, digamos, apurador, possuidora que é de um discernimento positivo, não tendo necessidade de calcular, raciocinar ou mesmo de decifrar enigmas que se lhe apresentem, pois, a mesma se torna mais pura e mais poderosa por seu conhecimento imediato. Não há ademais, especulação, suposição ou dúvida, e pela exatidão do conhecimento que resulta de sua iluminação, funde-se a mesma na INTUIÇÃO, a inteligência superior. A meditação leva nossa alma por esta razão do campo meditativo ao conhecimento contemplativo e ainda, ao plano da intuição onde as inspirações fluem ao lado do EGO. A INTUIÇÃO, que está intimamente ligada à inspiração, é contrária à lógica da Mente a qual, apesar de tudo, tem suas limitações, pois haverá sempre um ponto final no sentido da exata lógica pela falta de material sobre que pensar. Na Mente superada, na intuição e na aceitação desta pelas aspirações ou infiltrações de sentimentos espirituais, não haverá limitação, pois encontra-se o espírito na espiritualidade sem limitações.
Daremos agora uma explicação sobre as diferentes qualidades do EGO em presença do intelecto e da intuição.

Vemos que o intelecto está subordinado à vontade do EGO durante a meditação, exercendo esta sua função sobre o objeto mediante a atenção, tornando-se conhecedor das coisas meditadas, caso esteja o intelecto sujeito a ele como um instrumento em seu poder.

Praticamente o intelecto está sendo atraído pelo EGO iluminando-se pela subordinação a ele.

Forma-se então a intuição, abrangendo o hemisfério do EGO e se tona um veículo valioso para as pesquisas suprassensíveis. O intelecto nestas condições se sujeitará cooperando conscientemente com o EGO. Verifica-se isso quando o candidato se encontra fora do seu Corpo Denso, onde as funções serão exercidas com perfeita lógica, inteligência e consciência da situação em que se acha o candidato, podendo dizer para si mesmo: “EU ME ACHO FORA DO CORPO DENSO, POIS VEJO ESTE DEITADO NA CAMA”.

Há ainda outras experiências de lógica que aqui não é preciso descrever. O resultado deste conhecimento é que o EGO consegue levar a Mente inferior as alturas, formando o que poder-se-ia chamar de “inteligência abstrata” no reino da Mente abstrata, enquanto que no mundo da mente concreta funciona a lógica com seus erros, pois a Mente tem os seus chamados “pontos de vista”, seus ângulos de concepções diversas.

Por isso há infrutífera polêmica sobre as coisas e, note-se bem, “ONDE HÁ POLÊMICA A VERDADE NÃO SE FAZ PRESENTE”, pois nos planos onde se revela a vida espiritual, a lógica se apresenta como VERDADE.

Sabemos perfeitamente que somente no mundo existe sombras, enquanto que nos planos superiores existe a luz. As funções sensoriais normais não sabem distinguir o que é luz espiritual; assim o cérebro com sua inteligência não atinge o máximo da VERDADE, podendo-se exemplificar com o seguinte: ao ouvir alguém, música em um auditório, fá-lo com os ouvidos que é função sensorial; porém, se “ouvir” em seu íntimo alçado aos planos superiores, não haverá necessidade de ouvidos sensoriais. Ouve-se com a alma, e todos os alunos do rosacrucianismo experimentam este fenômeno, uns de modo mais perfeito, outros menos por não estarem ainda desenvolvidos.

 

IX – Local e condições físicas propícias a Concentração – Relaxamento nervoso. Respiração. Calma. – Concentração isolada ou junto de outrem – A CASTIDADE – Lugar da Concentração

Frequentemente os alunos perguntam qual seria o lugar ideal para realizar a concentração.

Antes de tudo deve-se dizer que, para que se possa concentrar, o corpo deve estar em condições apropriadas para tal cometimento e um organismo cansado ou nervoso não se presta para este fim. Os nervos perturbados por excesso de trabalho, seja intelectual ou físico, não permitem uma concentração profunda, pois não podem prodigalizar a necessária paz, o que significa necessitar-se da mais absoluta calma. Pode-se obtê-la com diferentes exercícios tais como, respiração bem profunda para que se possa relaxar os músculos tensos e diminuir, pela respiração, o anidrido carbônico aglomerado no sangue, sendo que, com poucas respirações, porém profundas, consegue-se um bom efeito. Somente nestas condições é que se deve pensar na meditação. O lugar deve ser adequado a nossa quietude interna, calmo, onde outras pessoas durante a meditação não tenham acesso. Deve-se meditar sozinho.

Mais tarde, quando se possa isolar intimamente de modo completo, então se pode concentrar na presença de outrem, porém, a meditação solitária, encerrado em um cômodo fechado é, sem dúvida, a melhor. É muito agradável também meditar em um jardim, na presença de árvores e de flores, pois podem aparecer durante a meditação os “espíritos da natureza”, curiosos em saber o que se passa com a pessoa ali presente. Em uma praia, bem cedo, antes mesmo do sol se levantar no horizonte, em um mato onde ainda dormem os pássaros; enfim, na natureza onde só Deus respira é o lugar ideal para aquele que deseja meditar. Em todo o caso, sempre haverá um lugar, um cantinho em casa ou fora, para que se possa isolar dos demais e aprofundar-se em seus pensamentos.

Para se obter resultados positivos na concentração é indispensável também a condição de castidade. Mesmo que não se possa obrigar o aluno a estas condições, deve o mesmo de antemão saber esforçar-se para cumprir com esta obrigação no futuro. Nada pode ser feito forçadamente.

Sempre se precisa de preparações para conseguir esta ou aquela finalidade e assim procedendo, mais tarde a castidade tornar-se-á uma naturalidade. Casados não devem ter camas em comum e o uso de camas separadas ou mesmo de quartos separados é o ideal, caso em que a meditação se torna mais perfeita, pois, se dormem juntos, o corpo etérico, bem como o de Desejos se infundem um no outro, perturbando assim o precioso trabalho noturno fora do seu corpo. Mas não somente por isso devem os cônjuges ter quartos ou camas em separado; a higiene também exige esta condição, pois a mais ligeira aproximação de corpos, principalmente em caso de doença ou de qualquer impedimento de bem-estar, prejudicará o companheiro quando em suas funções superiores. Acontece e isto se deve dizer sem reservas, que um organismo enfraquecido rouba funções vitais do companheiro mais enriquecido de vitalidade. Se um dos cônjuges a noite deseja concentrar-se ou meditar, será logicamente frustrado, pois a atenção que prestaria em não acordar o outro não permitiria realizar os exercícios com a devida perfeição. A fusão dos corpos superiores de ambos os componentes não deixa livre a ação do EGO. Supondo-se e diga, enfaticamente, que um dos cônjuges tem o costume de roncar, como é que se pode concentrar? A mesma ficará prejudicada, podendo dizer, perdida, ou que, representa um retardamento em nossa educação espiritual. Uma vez mais advertimos com severidade: casados, não usem camas em comum, pois são estudantes do Espiritualismo.

 

X – A ALIMENTAÇÃO – Venenos – O Grande Remédio – A alimentação

É sabido que, muito difícil será ao aspirante desenvolver suas faculdades espirituais alimentando-se inadequadamente, sendo a carne o alimento mais contraindicado. Em primeiro lugar, a pessoa que ingere carne se faz culpada pelo assassínio de seus irmãos menores e o EGO sentirá todos os sofrimentos físicos que o animal sentiu na hora da morte.

Tendo o EGO que se submeter à função assimilativa da alimentação inadequada que não tem justa procedência, embora seu objetivo primordial seja a espiritualização do seu corpo físico, usa deste processo de transformar as células muito sólidas, tornando-as assimiláveis ao seu organismo; assim, ao invés do EGO usar suas funções para evoluir, restringe-se a transformação de corpos com evidente finalidade desfavorável. Se um animal carnívoro se alimenta de outro, devia-se exigir, com o mesmo direito, “que um ser humano se alimentasse de outro ser humano”. O animal é inocente por não ter inteligência e sua vida é de instintos adequados a ele, assim, tem o direito de se alimentar do que é de sua posse e de sua natureza. O ser humano tem inteligência e pode ler em todos os livros sagrados as palavras “NÃO MATARÁS” e, se mata a lei de causa e consequência o castigará certamente assim como o responsabilizará pelo sofrimento que causou a um animal, engendrando em consequência, sofrimento no corpo e carne humanos que é a justa recompensa pela transgressão do mandamento e questão.

Finalmente, o ser humano não é um animal no sentido literal como os cientistas hodiernos gostam de se expressar e sim ser humano, gente, constituído de faculdades superiores à de um animal, dotado de uma inteligência para compreender o sofrimento que se causa a um animal na hora que se destrói o seu corpo. O Espiritualista que une seu íntimo com Deus pela concentração e meditação jamais pode usar na alimentação o corpo que Deus deu a um animal. Todos os profetas disseram a mesma coisa, pois Deus não quer animais sacrificados, deseja-os no coração do ser humano, podendo-se dizer que o próprio Cristo se sacrificou como consequência de que o ser humano deveria sustar a matança de animais, fosse para sacrifica-los a ídolos ou para alimentar-se.

Se fosse justo que os animais se alimentassem da sua espécie, seria lógico que também o ser humano se alimentasse dos seus semelhantes e isto jamais seria possível, jamais poderia haver razão para tal. Assim, a recusa formal de alimentos de carne de animais torna-se imprescindível ao candidato à espiritualidade. O ser humano foi colocado na sua qualidade de humano para proteger os animais que o servem em sua economia. A ética determina que nos sujeitemos às condições de protetores de nosso próximo e o animal também o é.

Cabe-se aqui fazer uma narração em torno de um fato vivido pelo autor. Em uma rua muito acidentada por salientes pedras, quatro animais atrelados tinham dificuldades em puxar uma carroça para frente. O desalmado carroceiro que dirigia batia sem cessar nos animais já exaustos. Em dado momento, o carro chegou a uma elevação da rua, a qual não podia ser ultrapassada, devido ao alto obstáculo que apresentava. O carroceiro, em seu assento, chicoteava sem cessar os pobres animais. Nesta altura, o autor tirou do bolso papel, lápis, fingindo tomar nota do número da carroça, no propósito de defender os animais. Observado que foi pelo carroceiro, este desceu e, virando-se para o autor dirigiu-lhe as seguintes palavras: – “se você não parar de escrever, eu lhe ponho debaixo deste carro”. Embora apreensivo devido as palavras recebidas, percebia o autor que os quatro animais, sem o peso do truculento carroceiro, pois estava ele em discussão com o autor, fizeram um esforço excepcional, tirando a carroça fora do obstáculo.

O carroceiro vendo o sucedido correu atrás dos cavalos e prosseguiu viagem.

Verifica-se por esta curta narração do que é capaz uma boa dose de sentimento de proteção aos pobres animais, que sem mais chicotadas desumanas, conseguiram livrar-se do obstáculo.

A ética do ser humano puro para o oculto reflete na bondade com que trata os animais que necessitam do seu amor, pois lhes falta inteligência para se defenderem de seus adversários e de seus inimigos, especialmente o ser humano.

O discípulo dos ensinamentos secretos abençoa os animais como se abençoasse um familiar seu. Ele ama as criaturas de Deus, não podendo sua carne servir-lhe de alimento. A carne impede ao místico livrar-se facilmente do seu corpo, pois as baixas vibrações da mesma, quando ingerida, não permitem tal fato, uma vez que está intimamente ligada ao espírito-grupo do animal o qual continua agindo sobre a mesma no estômago e intestinos do estudante e sendo estranho para o EGO, procura este transforma-la, como se disse anteriormente. Todo o sistema orgânico deve vibrar em harmonia, em uníssono com o Cosmos e a presença de carne dificulta sobremodo o EGO executar sua ação. O corpo praticamente sofre um envenenamento, o qual o EGO tem que se anular com esforços inauditos, tornando mesmo precária a concentração, devido o referido envenenamento resultante da ingestão de cadáveres bem como impossibilitando a exaltação em Deus.

Cumpre-nos ainda falar sobre o FUMO e o ÁLCOOL. Assim como a carne envenena o sangue (o precioso veículo do EGO), assim também o álcool e o tabaco o envenenam. O EGO fica subjugado ao corpo devido a luta que trava contra os venenos; a circulação nas glândulas superiores (tireoide, pineal e pituitária) que servem ao EGO nos trabalhos espirituais para se afastar do corpo, diminuem consideravelmente, obstruindo sua saída do organismo, pois este amarra o EGO devido as inadequadas condições.

Em geral, os candidatos conseguem a concentração só por um ou dois minutos. Outros dizem que nem sequer chegam à meditação, pois dormem ou os pensamentos tumultuam o cérebro, não podendo fixar os pensamentos por um único momento e isto mostra que o corpo do candidato está envenenado. Se o corpo permanece puro, os pensamentos correm em uma única direção. Deve-se também salientar que não somente com alimentos se envenena o corpo e o sangue, porém, emoções e pensamentos nefastos envenenam o Corpo de Desejos, descontrolando os centros nervosos, impedindo o candidato de pensar por não poder o EGO exercer sua função nos preciosos corpos superiores, falando as emoções e não a inteligência nem o juízo. A moléstia do Corpo de Desejos e do intelecto ocasiona a impossibilidade da coordenação das funções gerais de toda a arquitetura humana, pois o edifício humano se queda abalado em sua estrutura, em seus fundamentos básicos.

É necessário, pois evitar estes envenenamentos e o grande remédio contra estes males é o AMOR, endereçado a tudo e a todas as coisas que se manifestem, pois, sem bondade e sem caridade não existe satisfação na vida em geral, particularmente para aquele que se dirige diretamente a Deus pela meditação. Com o amor ninguém se perde e sim frente à emoção, à crítica ou ao julgamento errado.

 

XI – Outros Recursos de Grande Valia – Leituras Espiritualistas – Música apropriada – A Arquitetura – Outros recursos de grande valia ou complementares

A leitura de textos espiritualistas de mestres do esoterismo cria possibilidades para meditar, uma vez que, automaticamente, o aluno se coloca no mesmo plano daqueles que falam através das palavras. A Bíblia e seus Evangelhos são trabalhos de eminentes pensadores que desejaram demonstrar suas faculdades espirituais obtidas durante suas meditações e em suas exaltações. O amor constante faz o organismo sentir-se melhor, faz sentir que Deus está presente e que ninguém, assim procedendo, falhe em sua caminhada ao Cosmos.

1º Falemos agora sobre a Música. O EGO nasce no mundo embalado pelas harmonias das esferas e jamais poderia o mesmo manifestar-se na matéria se as harmonias não o levassem a este plano. Somos ligados à música celestial nesta nossa existência presente, bem como no passado e no futuro. Verificamos que a música é fator importantíssimo, pois sem a mesma não existiria a CRIAÇÃO e o candidato, quando se afasta do seu corpo em trabalhos espirituais percebe esta música, essa harmonia celestial. Sabendo-se que a música envolve constantemente nosso EGO, pode-se mesmo dizer que a nossa vida se baseia nas sonoridades e é uma verdade que, infelizmente, não está sendo suficientemente acolhida em nossa vida cotidiana. A música faz parte tanto de nossas funções psíquicas como física e isso se pode demonstrar pelo fato de que, em muitas reuniões musicais, os ouvintes se sentem extremamente felizes e os semblantes traduzem os sentimentos obtidos através da música. A vida deveria mesmo dirigir-se por música, o alimento abstrato de nossa alma, sabendo-se que as harmonias a moldam, formando dentro de nós o bem-estar, a felicidade só existente nas regiões onde os compositores se inspiram. Estes são veículos das harmonias, transcrevendo-as inteligentemente nas pautas musicais, a fim de que outros saibam interpreta-las novamente, invocando assim o plano da harmonia do Espírito de Vida, o qual sendo harmonia cósmica dentro de nossa alma, de nosso espírito, de nosso corpo, engendra, pela música, o nosso caráter. O espiritualista procura sempre formar sua alma nas altas camadas divinas e isso fá-lo sentir os sublimes matizes da harmonia, fá-lo exaltar num mar de tranquilidade, a felicidade originada pela música são de ordem transcendental e os compositores conhecidos pelos nomes de Bach, Haendel, Mozart, Haydn, Pergolesi, Vivaldi e muitos outros pertencem, sem sombra de dúvida, a chamada música transcendental ou, como dizem, “música erudita”.

 

2º Em contraste com a essa música que desperta nossa alma, que nos faz sentir superados em nossas emoções, vamos encontrar nas chamadas melodias populares e nas primitivas canções o ritmo provocante e excitante que nos afasta da satisfação espiritual.
São estas as melodias emocionais e sensuais usadas nas baixas camadas de sentimentos egoísticos. A música dos povos primitivos chega ao ponto de não possuir melodias, feitas somente de ritmos, os quais não são transmitidos ou executados por instrumentos de corda ou sopro de tom suave e sim, de preferência, por instrumentos de percussão, utilizados nas religiões primitivas para provocar danças sensuais e delirantes. Em nossos tempos observamos ainda, entre espiritualistas primitivos, o uso da música de percussão ligada a instrumentos de sopro de estridente sonoridade. Ao som dessa música o candidato é conduzido a sensações sexuais e de orgia criadas pelo Corpo de Desejos. Outra forma de música primitiva é a que se ouve entre os povos orientais da Ásia Menor, a qual se caracteriza pela mesma melodia monótona como o deserto, devido ao sol quente e constante, à falta de ar refrescante, triste como o camelo que, no mesmo ritmo, balança sua corcunda, levando o triste beduíno ao próximo oásis. A música oriental é uníssona em conjunto, mas sem harmonização, uma vez que não existe na mesma o sustenido, só o bemol menor. Não há elevação, não servindo mesmo para proporcionar à alma a exaltação. Na península ibérica persistem os remanescentes das melodias dos mouros, encontrando-se ali as mesmas melodias monótonas.

Pode-se mesmo afirmar que, entre os povos ali radicados, quase não há expressão de música clássica, nem no romantismo, nem no lirismo, nem mesmo no classicismo moderno. Existem sim as melodias emotivas, as quais não servem para a espiritualidade. Estas explicações sobre a música são dadas como oportunidade, esperando-se dos leitores que se concentrem nos fatos atrás demonstrados, para que possam formar uma opinião a respeito. A verdade é que, para o espiritualista, não serve QUALQUER MÚSICA e sim a MÚSICA VERDADEIRA. Ainda com relação a música, devemos dizer que, quando transmitida por aparelhos mecânicos, tais como gramofone, rádio, alto-falante, televisão, enfim, toda a sorte de máquinas falantes, não servem ao fim objetivado. Se não houver direta afinidade entre as pessoas que ouvem com ditas máquinas, não existirá emanação psíquica entra o operador e o ouvinte e isso quer dizer que temos que ter em nossa frente o cantor ou o instrumentista para sentirmos a vitalidade da música do mesmo. Se transmitida por uma máquina, o volume da voz ou a sonoridade do instrumento seria admissível, porém, a transmissão por disco ou fita magnética, os quais tiram os valores indispensáveis para sentir a verdadeira essência musical, não é aconselhável.

Sempre foi a direta transmissão do executante ou do cantor para o ouvinte a mais eficaz.

Num orador, por exemplo, poder-se-á melhor avaliar a sua influência sobre os ouvintes, pois a palavra viva emitida, os sentimentos expressados em verbos, a fisionomia que se sujeita aos sentimentos da alma, os gestos percebidos (expressões da vida interna) sensibilizam o auditório enquanto que a transmissão por processos mecânicos será sempre deficiente no que toca à referida sensibilidade sentimental.

 

3º A respeito da mímica ou gestos em relação à música, deve-se dizer alguma coisa.

Nos ritos antigos das religiões do Egito, Grécia e Roma, a dança fazia parte das cerimônias sagradas. Ouvia-se a música e, no mesmo instante, a interpretação da mesma pelos dançarinos que, com gestos e movimentos dos braços e pernas ou de todo o corpo, pretendiam demonstrar a alma da música, a qual transmitia inspirações às bailarinas que por sua vez, transformavam os sentimentos em movimentos de seus belos corpos. Pelos seus gestos percebia-se o entusiasmo transfigurando-se em halos de espiritualidade.

Os orientais têm, por excelência, o costume de fazer-se entender por palavras acompanhadas de gestos de suas mãos ao mesmo tempo. Não se devem confundir gestos de crianças que aprendem na escola quando recitam versos. Percebe-se que não são espontâneos e as crianças assim ensinadas, não tem entusiasmo próprio para que possam demonstrar sua vida íntima, a exemplo do que acontece com os adultos. Seria melhor não ensinar as crianças os movimentos artificiais de expressão anímica.
4º Relativamente à interação da palavra e da música, podemos dizer que nunca se vai ouvir em uma universidade, em um senado ou em um ministério, um discurso antes gravado em uma fita cassete, assim como nunca se vai à igreja ouvir missa gravada em discos, nem nunca se ouve em qualquer ambiente antes de qualquer cerimônia, tocar discos para a sua preparação ou para se isolar do exterior. E por quê? Devido a inviabilidade de se conseguir resultados seguros a respeito.

 

Arquitetura

Falemos por fim sobre a Arquitetura. Quando a Mente ingressa em um plano da geometria, na estética e no poder inerente da construção, observando-se uma pirâmide, um templo grego ou romano, sentimos a grandeza do idealizador dessas construções.
Se admiramos noventa e nove colunas em um templo da antiguidade, um verdadeiro mar de colunas, mostrando a arquitetônica divina, somos arrebatados por essa grandiosa expressão de força e dinâmica existente em monumental edifício. Mostra a vontade e o trabalho do intrépido arquiteto que desejou dessa maneira, mostrar que Deus é Infinito. De uma robusta base sobem colunas aos céus e sobre essas pousam os capiteis, tornando-se, novamente, colossal a base de pedras que finalizam a obra. Sem a devida meditação não teria sido feita essa construção identificada com o vigor, com o poder e a infinita força de Deus. Observando-se as enormes mesquitas, as igrejas e catedrais do Cristianismo romano, o gótico da renascença e do barroco, novamente, encontramos a fabulosa força consubstanciada em tais monumentos, oriunda de uma concentração e meditação silenciosas. Não temos suficientes palavras de admiração àqueles pensadores que, se sabiam se concentrar nas construções aqui no Mundo Físico, melhor o faziam no mundo espiritual.

 

XII – CONCLUSÕES – O plano das Hierarquias – O EGO e a Divindade

Tudo que aqui foi dito mostra que a meditação e a concentração são exigências das Hierarquias Superiores. Lembremo-nos que a humanidade se perdeu em um tortuoso labirinto, do qual não sairá tão depressa. Ela se deteve no materialismo, verdadeiro beco sem saída. Sendo o dever da humanidade evoluir de acordo com as leis do Cosmos, os mestres superiores sabem como educar cada indivíduo, assim como a coletividade. Os pensadores mais lúcidos e perfeitos fazem com que a coletividade cresça em sua função intelectual, moral, física e social. O Cosmos aplica naqueles que tem afinidades com as ideias superiores sua qualidade infinita.

Na hora da concentração e meditação estas forças superiores se fazem sentir, brotando a harmonia das flores espirituais em seu filho Ser Humano.

Devemos pensar, constantemente, sobre nós mesmos, não sentir a nossa essência, o Ego, à parte de Deus e sim junto a ELE. Por essa razão, o espiritualista, em sua meditação, pergunta: – QUEM SOU EU? E, como resposta, encontrará o conhecimento das significativas palavras: – TU ÉS INFINITO, ETERNO E IMORTAL.

Assim nas constantes pesquisas das ideais advindas do Cosmos, O EGO se encontra no seio desta grandeza, sente sua existência infinita no corpo de Deus, integrando-se no mesmo, em profunda consciência espiritual em sua exaltação divina.

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Livro: O Testamento de João Batista

Francisco Phelipp Preuss publicou o livreto abaixo em 1974. Em 1930 estabelece um Grupo de Estudos Informal e depois passando para Formal Rosacruz, obtendo autorização da Sede Mundial da The Rosicrucian Fellowship. Em maio de 1955, forma com outros irmãos e irmãs, o Centro Rosacruz de Santo André-SP e em setembro de 1955, também com a colaboração de outros irmãos e irmãs, funda o Centro Rosacruz de São Paulo – SP.

1. Para fazer download ou imprimir:

Francisco Phelipp Preuss – O Testamento de João Batista

2. Para estudar no próprio site:

 

 

O TESTAMENTO DE JOÃO BATISTA

Por

F. PH. Preuss

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz de Santo André – SP – 1974

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

O TESTAMENTO DE JOÃO BATISTA

“Conheço tua conduta: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, nem frio nem quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3:15-16).

O autor deseja, antes de mais nada, dirigir algumas palavras ao prezado leitor, a respeito da severidade com que são feitas certas afirmações no decorrer deste artigo. Elas não se destinam a nenhuma organização religiosa, e sim a todos aqueles que sinceramente desejam seguir a Ordem de Melquisedeque, isto é, a Ordem Sublime do Cristo Espiritual.

A separação dos Mundos Espiritual e Material acentua-se cada vez mais. Soa, pois, a hora da decisão final, contra ou a favor de Cristo que neste final dos tempos, encaminha suas ovelhas a pastos Espirituais, isto é, a um outro Reino, que não é deste mundo. Jesus bem o disse: “Meu Reino não é deste mundo”. E este anúncio do Novo Reino foi perfeitamente compreendido por João Batista, último Profeta em Israel, que servia de arauto da Nova Era, preparando e endireitando as veredas do Senhor dos Exércitos Espirituais. Pela sua boca falava o Espírito Santo, assim como sucedeu a todos os profetas surgidos até então. Em João cerravam-se as portas do passado, do Velho Homem, tendo início a alvorada do Novo Homem. Estes acontecimentos estão bem representados pelas figuras de João e de Jesus. João, como preparador das veredas para o Novo Homem, pregava no deserto, batizando para o arrependimento com as seguintes palavras:

“Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”[1].

As páginas que se seguem, portanto, têm como finalidade trazer, a visão interna do leitor, a diferença entre estes dois batismos a que João se refere. Esta diferença deve, portanto, ser esclarecida, trazida à luz da razão e da lógica. Assim, se surgirem durante os esclarecimentos que desejamos fazer a respeito deste acontecimento, já tão discutido pela massa, palavras um tanto severas, isto não significa que seja, mas, sim, que existe em nós o desejo de cooperar para um melhor entendimento da missão de Cristo em sua atividade libertadora, bem como do trabalho de João Batista, que veio para preparar os caminhos do Senhor da Terra. Da missão transcendental de João, Ele mesmo dá testemunho chamando-o de muito mais que profeta (Mt 11:9). Portanto, ser muito mais que profeta, é estar acima da humanidade, e também daqueles que anteriormente foram chamados para suas respectivas missões como profetas. Convém frisar que aquele que dá testemunho de João é o próprio Senhor, em quem depositamos inteira confiança. Os anais místico-esotéricos revelam que João é o próprio Elias reencarnado, e, portanto, um Ser de grande evolução espiritual no círculo cósmico. Elias, segundo o Velho Testamento, cerca de 800 anos antes de Cristo, subiu aos céus num redemoinho de fogo, ante os olhos estupefatos de seus Discípulos. E esse mesmo Elias foi de novo enviado para preparar o caminho do Senhor, que viria para batizar com Fogo e Espírito. Se retornarmos ao Evangelho de Lucas cap. 12 vers. 49 podemos complementar esse fato, com as seguintes palavras de Cristo: “Vim lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder”.

E nos versículos 50 e 51 lemos: “Tenho, porém, um Batismo, com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até o mesmo se realize. Supondes que vim para dar paz a Terra? Não, eu vo-lo afirmo, antes vim trazer divisão”.

Se imaginarmos a profundidade do momento em que foram pronunciadas tais palavras, que inspiram força e domínio espirituais sem par, e procurarmos senti-las ecoando em nosso íntimo, em nosso próprio espírito, poderemos compreender perfeitamente este instante supremo da mudança dos tempos, da substituição do velho batismo pelo novo batismo de fogo e do espírito, ocorrido logo após o singular batismo pelo qual o Senhor, antes, haveria de passar: o Batismo de Sacrifício no Gólgota. Somente após este Sacrifício tornou-se possível o batismo prometido por Cristo, quando o FOGO DE SEU ESPÍRITO JORROU SOBRE O UNIVERSO. Eis aí então, o lançamento sobre a Terra de Seu Fogo Espiritual, que vem para separar o joio do trigo, ou, segundo outras palavras do evangelho, “os bodes das ovelhas”. Todo estudioso do ocultismo sabe perfeitamente, que somente através do sacrifício de sangue é possível a salvação, a libertação da matéria. Assim, Jesus, o Senhor, projetou sobre a humanidade, o Fogo do Espírito, sendo o primeiro ressurreto de sangue. Portanto, todo aquele que passa pelo batismo do Fogo e Espírito, é estigmatizado, recebe os sinais do sacrifício de sangue. Muitos se admirarão de nossas palavras e julgá-las-ão obscuras. Outros nos tacharão de temerários por estarmos revelando segredos que devem ser mantidos em sigilo, e que somente devem ser reservados aos poucos escolhidos. Nós, porém, dizemos: OS TEMPOS SÃO CHEGADOS.

Muito do que estava em oculto será revelado; Cristo rasgou o Véu do Santo dos Santos, abrindo o caminho para todo aquele que queira vir e herdar a Sabedoria dos Tempos.

As religiões hoje em dia perdem cada vez mais sua força e valor efetivos, assim como sucedeu as religiões do passado. Isto aconteceu devido ao avanço e a evolução das várias filosofias e ciências conquistadas, pela humanidade, até o presente. Conceitos, rígidos, dogmáticos, foram despejados de bordo do navio evolutivo por serem um lastro inútil que vinha pesando sobre a força mais lúcida em avanço. A espiral da sabedoria cada vez mais toca alturas fecundas no que se refere aos conhecimentos gerais, e mais se aproxima de verdades maiores, deixando de admitir conceitos obsoletos e ultrapassados. Os conceitos rígidos e dogmáticos estão sendo repelidos pela marcha inexorável da evolução. O Cristianismo, desde o seu início, vem sofrendo os impactos destruidores da inteligência humana, em detrimento da elevada posição espiritual oferecida a toda humanidade desde o advento do Novo Batismo. O intelecto humano, com suas mil e uma acrobacias, conseguiu arrastar em seus trilhos a quase totalidade dos seres humanos, numa direção totalmente antidivina, corrupta. O que revelaremos mais adiante neste humilde trabalho vem propor aos seres humanos uma mudança completa no conceito do batismo. Uma mudança que venha mostrar, positivamente, que é possível arrancar a humanidade deste beco sem saída onde se embrenhou. E para tanto, afirmamos, não falta auxílio da Hierarquia Espiritual, presidida por Cristo desde o seu sacrifício, de modo a inverter a marcha degenerescente para um sentido regenerador.

Infelizmente, como bem atestam os fatos históricos, após o supremo sacrifício de Cristo, teve início a divisão da Cristandade. O ensinamento Universal foi dividido por uma Igreja que se denomina Cristã Oriental e outra Ocidental. A cisma protestante, por sua vez trouxe a divisão da Igreja Ocidental em inúmeras outras igrejas que, em nome de Cristo se digladiaram em sangrentas guerras religiosas, desde o século XV e XVII. E assim o Filho de DEUS teve o seu ensinamento esfacelado, desvirtuado de seu verdadeiro sentido libertador. Dogmas, os mais diversos, dos quais Cristo jamais falou ou ensinou, foram inventados. Foi introduzido no conceito religioso o paganismo e a astúcia dos seres humanos, que malevolamente desejavam a todo custo dominar as massas, pretendendo fechar as portas dos Céus a todos àqueles que insistissem em seguir os puros ensinamentos do Cristo, em troca de um céu imaginário por eles inventado.

Nós, particularmente afirmamos que é chegado o tempo de abolir o batismo da água, já na época de Cristo julgado insuficiente e transitório conforme atestam as próprias palavras de João: “Eu vos batizo com água para arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu: cujas sandálias não sou digno de levar; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com Fogo” (Mat. 3:11). Tornou-se necessário passar pelo batismo do Novo Ser Humano (Fogo e Espírito) porquanto as velhas coisas encontravam-se no princípio do fim.

Os doutores da lei mosaica, convertidos apenas superficialmente ao cristianismo, reintroduziram o batismo da água, aplicado pelos Israelitas no Mar Morto (Essênios).

Da mesma forma operou-se a introdução do paganismo no seio das igrejas, por meio de incenso e imagens mortas de Deus, feitas de pedras e de madeiras, sinal inequívoco de regressão a idolatrias já condenadas pelo Velho Testamento! O “Não façais imagens de escultura e pedra, do Senhor”, e, depois pelo Novo Testamento: “Deus é Espírito e Verdade, e assim deve ser adorado”. Cristo não ensinou a aplicação de saliva ao adulto ou recém-nascido durante o batismal, levado a efeito entre os pagãos de Roma, pelas sacerdotisas conhecidas como Sibilas (Adivinhas da Mitologia Greco-Romana). Nos tempos atuais, quando se prega o ecumenismo (sem dúvida uma outra farsa das Igrejas Ortodoxas) atuais fariseus e escribas, interessados na separação por ideias e atitudes personalistas, demonstram cabalmente que, o que realmente buscam não é o único e verdadeiro Deus. Eis aí o grande Mal de todos aqueles que desejam dominar a humanidade. Devemos lembrar-nos que no tempo de Jesus, um Único Sumo-Pontífice dirigia o Sinédrio como todo-poderoso dos Judeus. E hoje, quantos pseudo-pontífices existem nesta variedade de Sinédrios, intitulados cristãos?

Se dizemos tudo isso aqui, o fazemos com profunda dor e anelo intenso de ver acabarem-se por completo os erros e intrigas entre os que se chamam cristãos. Cristo trouxe, pelo Batismo do Fogo, novas condições atmosféricas e espirituais, a fim de limpar todo rebento da velha árvore, para que dê novos frutos. Portanto, insistimos em considerar apenas válido o BATISMO DO FOGO, preconizado por João e consumado em Cristo. Este batismo foi sofrido por Paulo de Tarso no caminho de Damasco quando, consoante o relato nos Atos, ele foi ofuscado até a cegueira completa durante dias, pela Luz de Cristo.

No Pentecostes deu-se a mesma coisa. A mesma Luz que brilhou sobre Paulo envolveu os Apóstolos em seus corações, ensinando-lhes a presença de Deus em seu interior.

No acima exposto não desejamos, absolutamente, condenar aqueles que se deixam batizar na Santa Trindade de Deus, e nem tampouco aqueles que conferem este batismo, utilizando em seus processos mágicos a água. Todas as religiões têm pleno direito de fazer uso de seus poderes mágico-ritualísticos em favor da fé que confessam. Assim, o batismo nas congregações cristãs, mesmo com alguma modificação ritualística (referimo-nos a nossos irmãos católicos e protestantes), tem o seu valor como base de salvação e santificação. O batismo apenas representa um valor a ser adquirido pelo batizando, isto é, a sua introdução na Igreja Santa e Una, a Igreja Invisível, tão bem conhecida pela massa como CORPUS CHRISTI, a Santa Comunhão dos Eleitos. Daí poder-se falar de uma vida verdadeiramente Cristã.

Na realidade, as diferentes Igrejas pretendem, cada qual a seu modo, possuir as chaves de um reino de bem-aventurança, em perfeita união com Deus. Um leigo simples e inteligente ao ouvir tais declarações lança a seguinte pergunta: “Sendo assim, deve-se considerar totalmente impossível uma comunhão com o Criador sem a interferência da Igreja?” Será necessário, para tanto, a intervenção episcopal?

Isto nos leva novamente ao tema do batismo, o qual é considerado como o bálsamo supremo para aliviar o ser humano de suas penas e salvá-lo de suas maldades, ou melhor, da maldade cometida por seus primeiros pais, Adão e Eva, no Jardim do Éden. A existência cerimonial do batismo explica-se por aquilo que se denomina exorcismo do diabo, o qual, a partir da queda do ser humano, passou a dominar o mundo.

Já dissemos anteriormente que as Escrituras apresentam dois diferentes batismos: o primeiro pode ser definido como Arrependimento, segundo as próprias palavras de João, o Batista. (Mt 3:11). Assim como João, os Israelitas Essênios no Mar Morto batizavam com água para o arrependimento dos pecados.

Logo em seguida vemos Jesus sendo batizado por João aos 30 anos de idade, tornando-se, a partir daí o Cristo, Aquele que não mais batizaria com água e sim com Fogo e Espírito, de acordo com o testemunho de João.

Assim o Fogo do Espírito Santo foi aplicado a toda a humanidade para salvação, e não mais para arrependimento. Esta é a grande diferença entre o Batismo da Água e o Batismo do Fogo e Espírito. Podemos dizer que o Batismo da Água provoca o conhecimento do mundo espiritual por sufocação, enquanto o Batismo do Fogo e Espírito Santo leva a uma comunhão direta com o Fogo do Cosmos do Espírito Universal. Esperamos que o amado leitor nos tenha acompanhado atentamente até aqui, não em espírito de aceitação ou negação daquilo que vimos expondo, mas, investigando juntamente conosco, desbravando corajosamente, sem quaisquer prejuízos, este grande emaranhado de erros e superstições em torno do Evangelho. Isto equivale a uma libertação de todo elemento estranho à verdade, venha ele de onde vier.

No Evangelho segundo Mateus, Cap. 3, versículo 11 encontra-se escrito, como já mencionamos:

“Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”.

Este pronunciamento vem de João Batista; eis que, de maneira alguma poderá ser modificado ou torcido, tão positivo ele é. Dizemos: água é água e fogo é fogo! Alguns dos leitores bem poderiam inquirir a respeito da idoneidade de João. O Profeta Isaías, 748 anos antes de Cristo, fala no Capítulo 40, versículo 3, as mesmíssimas e célebres palavras de João Batista, isto é, proclama a vinda de um precursor:

“Uma voz clama: ‘No deserto, abri um caminho para o Senhor; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus”.

Completam-se estas mesmas palavras, após quase 750 anos, no Evangelho de Mateus, Capítulo 3, versículos 1, 2 e 3 com o seguinte:

“Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizendo: ‘Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo’. Pois, foi dele que falou o profeta Isaías, ao dizer: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas”.

Dessa maneira bem podemos compreender que, assim como chegava o REINO DOS CÉUS com a vinda do Senhor, haveria, naturalmente, uma mudança dos tempos, o que de fato se deu. Como prova disto, passamos novamente à palavra do Santo Livro, a Bíblia, que no Evangelho de São Mateus, Capítulo 3 e versículos de 13 a 17, diz o seguinte:

“Nesse tempo, veio Jesus da Galileia ao Jordão até João, a fim de ser batizado por ele. Mas João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’. Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar por enquanto, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’. E João consentiu. Batizado, Jesus subiu imediatamente da água e logo os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele. Ao mesmo tempo, uma voz vinda dos céus dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’”.

Pelo diálogo acima, entre João e Jesus, damo-nos conta de que ambos tinham conhecimento do Batismo vindo das Alturas. Logo já sabia, antes, do Batismo de Fogo que sucederia ao Batismo de Água. Por isso testemunhou visualmente este Batismo, quando viu abrirem-se os Céus e o Espírito Santo (Fogo) desceu como pomba, com o propósito de tocar o Mestre. Logo, impõe-se historiarmos as duas formas de batismos, isto é, o de Água e o de Fogo, pois se trata de dois mundos; ou estados de consciência diferentes. O cristianismo popular até agora falou apenas da necessidade da água, tendo-a sempre utilizado em seus ritos. Entre os ocultistas, principalmente entre os maçons e Rosacruzes, a hierarquia esotérica católica é conhecida como Filhos da Água, ou de Seth, ao passo que o Maçom místico e esotérico recebe o nome de Filho do Fogo, ou de Caim.

O exposto nos suscita a seguinte pergunta: qual a razão do Batismo da Água, desde que já se havia anunciado o advento daquele que batizaria com Espírito? Em verdade, trata-se de dar ao candidato dos mistérios o conhecimento de seu estado espiritual. Os israelitas Essênios que formavam uma comunidade à parte, a qual pertencia João Batista, filho de Isabel e Zacarias, sabiam que, quando se submerge alguém na água, os seus corpos sutis, por falta de condições biológicas de respiração de ar abandonavam, em parte, o veículo denso (corpo físico), da mesma forma como acontece num afogamento. Antes de o indivíduo afogar-se completamente, o espírito encontra-se consciente dentro de seu nível interno, conhecendo-se a si mesmo como um ser espiritual entre outros seres semelhantes, que se encontram em seu nível, estando só parcialmente ligado ao seu corpo. Acontece, porém, que esse quase afogamento, sem dúvida, era uma operação um tanto brutal, causando algum sofrimento. Os Essênios conheciam perfeitamente o ponto exato em que o candidato aos mistérios podia ser novamente levado para fora da água, enriquecido com os conhecimentos obtido nos planos superiores. Dessa forma, o candidato tinha plena certeza da existência de uma vida espiritual, o que o levava a morrer para tudo quanto é material. Ele era um morto para o mundo, e nascido para os Céus. Esclarecido isto, pudemos agora dizer algo a respeito do Batismo do Fogo e Espírito, ao qual João se refere. Saibamos, outrossim, que não somente o iluminado João Batista falava pelo Espírito Santo, como também todos os profetas do Antigo Testamento.

Vimos que, na ocasião do Batismo do Senhor Jesus, os Céus se abriram, e o Espírito Santo desceu como Pomba sobre Ele. Aquilatamos este acontecimento com uma maior compreensão espiritual: João tinha visão espiritual, tendo visto, portanto, a descida do “FOGO ESPIRITUAL DO ESPAÇO UNIVERSAL” como uma pomba, o que esotericamente compreendido significa: PAZ, REINO DOS CÉUS. Nesse mesmo instante foi conferido o Verbo a Jesus, e esse mesmo Verbo diz: “ESTE É O MEU FILHO BEM AMADO, EM QUEM ME COMPRAZO”.

Cientificamo-nos da grande importância da manifestação pela luz, conforme relata o primeiro Capítulo do Evangelho de João. O Verbo-Deus manifestando-se como Luz ao mandato: FIAT LUZ (Faça-se a Luz), pronunciado pela essência do Fogo-Luz, O VERBO ABSOLUTO. Marquemos profundamente em nossas mentes essa abstração, pois é a chave para muitos mistérios.

Sabemos perfeitamente que Jesus, em existências anteriores, vivera na personalidade de Salomão, na Judeia, e como Krishina, na Índia, sendo ali conhecido como um Salvador. Nestas duas personalidades habitava a Fogo do Espírito Santo, não havendo, porém, a manifestação mais abundante, plena, do Espírito do verbo, o que se deu na personalidade de Jesus de Nazaré, que se transformou, por isso, em Salvador do Mundo. Cristo, o Princípio da Criação, desde esse instante, passou a guiar a humanidade por força da essência do Fogo (Luz), do qual era portador puríssimo o sangue de Jesus, que posteriormente foi derramado e infuso no globo terrestre. Ele é a Luz e o Amor do Pai, para que, auxiliados por essa Luz e Amor infinitos, os seres humanos de boa vontade dessem início ao seu trabalho de construção do novo Templo da humanidade, tendo Cristo como Pedra Angular. A presença do Cristo Solar garantia dessa maneira a Terra e a Humanidade, o regresso ao Sol, a sua origem. Essa atuação irradiante da Luz Cósmica era decisiva, peremptória, não havendo, portanto, outra via, pois, o Céu se havia movido a favor da Salvação da humanidade. O Mundo não haveria de perecer, mas seria salvo, e desse modo a ESSÊNCIA DO FOGO, O VERBO, conferia a Jesus o Raio de sua excelsa atuação, a fim de que todos aqueles que cressem em Jesus, o Cristo, pudessem receber o Batismo do Fogo, com a finalidade da regeneração espiritual. Assim, todos morriam em Jesus, o Senhor, para renascer pelo Fogo do Espírito Santo em Cristo. Todo, pois, que aceita o sacrifício da Luz Universal, o Verbo por meio do Sangue de Jesus, traz em si, devido a esse derramamento de Sangue-Espírito, o sinal do Batismo do Fogo. Aquele que não traz esse Sinal encontra-se ainda preso às águas do Mar Morto do Velho Testamento, tal como ainda hoje se encontram as Sinagogas e Igrejas, que se dizem orientadas pelo Espírito Santo (Jeová) e para simbolizá-lo mantêm sempre acesas luzes vermelhas em seus Altares. Cristo, porém, não mais se manifesta por meio de luz externa alguma; Ele está presente nas almas de todos os seres humanos como Luz Salvador-Interna, atuando verdadeiramente em todos aqueles que vivem consoante a Lei de Deus, o Senhor do Verbo.

Segundo as palavras do próprio João Batista, o Batismo da Água vigorou até a vinda do Messias (Salvador). Ele havia sido empregado, cerimonialmente, para o arrependimento, desde a passagem dos israelitas no Mar Morto, até às águas do Jordão, como já mencionamos. Tudo não passava apenas de um Ritual, de uma confirmação do pacto feito entre Deus e o povo de Israel (Cor. I. Cap. 10, vers. 1-4). As palavras de João no Batismo de Jesus são totalmente radicais em sua oposição ao Batismo da Água, pois, como foi dito, Cristo liberta os seres humanos por um processo exclusivamente interno, coabitando, como Espírito Universal, como Energia Cósmica Irradiante, com toda a humanidade. Desde o seu advento, alimenta-se a humanidade então, pelo constante batismo de Luz e Fogo, que desce em ondas rítmicas, como Pomba (Paz) nas almas dos seres humanos, à semelhança do que se deu no Jordão, quando um Raio da Luz de Deus penetrou a alma do homem Jesus.

A partir daí, teve início o grande plano de redenção. Na Santa Ceia evidencia-se a vitória desse plano iniciado e em pleno andamento, a vitória da transformação, quando os doze Apóstolos recebem Pão e Suco da Videira (N.T. – não havia vinho, mas apenas pão, um produto vegetal, e o fruto da videira, outro vegetal. O suco recém-extraído da uva não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, mas é um alimento vegetal puro e nutritivo), à semelhança do Corpo e Sangue de Deus. É de lamentar-se, no entanto, que a maior parte dos que se dizem batizados não tenham sentido ainda esta grande verdade, continuando, portanto, presos às águas do Mar Morto. Ressaltamos bem o fato, como já foi uma vez explicado, que o ESPÍRITO UNIVERSAL modificou, abruptamente, as condições cósmicas. O Céu se deu num amplo amplexo à Terra obscura. A continuidade do Batismo da Água, somente poderia trazer como efeito da extremada subordinação à lei e à letra, a separação da Cristandade em várias seitas.

Dessa forma a humanidade perdeu-se por caminhos ilusórios. Ao invés de preparar em si mesma, em sua alma, os caminhos do Senhor, continuou a crer mais na água morta que na espiritualização da mente e da alma. O Monte da Transfiguração tinha que ser alcançado na alma dos homens, assim como aconteceu com Cristo, pois a iluminação interna provém DELE para todos. Chame-se esta Luz como quiser, dê-se-lhe o nome que se queira dar. Não importa. É a mesma Luz da Sabedoria de Deus, o “FILHO BEM AMADO”. Deus deseja residir na alma do ser humano, internamente e para tanto, não precisa cerimonial externo algum. A humanidade deve assemelhar-se a Deus. E Deus é amor! Dessa forma, reconhecemo-nos uns aos outros na Luz e no Amor de Deus, para sermos reconhecidos no espírito que é de Deus. Todo aquele que confesse ter vindo Jesus-Cristo a sua carne, a sua alma, faz-se divino e nasce em Deus, e todo aquele que nega ter vindo Jesus-Cristo em sua carne e não libertado, o princípio espiritual divino, adormecido em seu interior, não é de Deus. Em verdade não há sinal externo que possa demonstrar a presença de Deus. Contudo acumulamos forças sobrenaturais facilmente reconhecíveis, se realmente pretendemos acompanhar a Deus em seus caminhos, em nossa alma, com aquela simples, quase infantil, compreensão de que DEUS É AMOR, e quem vive em amor, está em Deus e Deus nele (IJo 4:16).

Este amor sempre nos acompanha onde quer que estejamos. “E ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, não temeremos mal algum, porque Tu estás conosco (Sl 23) mais próximo do que nossas mãos e pés”. À noite adormecemos com Ele, sonhamos com Ele, despertamo-nos com Ele, falamos cada palavra junto d’Ele. Em todos os nossos serviços, fazemo-Lo acompanhar-nos, numa constante transmissão de Amor, em inalterável serenidade e paz. Em tudo isso, reconhecemos a Sua Presença. E se nos amamos uns aos outros, conforme o seu mandamento, não tenhamos dúvida: Ele estará em nós, conferindo-nos o seu Batismo de Fogo e Espírito. A Água Viva brota de nosso interno Santuário, em transbordante amor para com tudo e com todos, trazendo-nos um vivo sentimento de união com todas as criaturas. Nessa universalidade divina, não há mais tempo, nem espaço, nem criatura, nem criador, nem razão, mas apenas UNIDADE, o ETERNO “EU SOU”, existência absoluta no Absoluto. Participamos deste elevado estado como Filhos de Deus, e como Novas Criaturas. Trazemos em nossas testas o Sinal do Filho do Homem, isto é, o Triângulo ígneo representativo do Pai, Filho e Espírito Santo, que se manifesta como Amor.

Percebe-se em volta de todo aquele que se confessa a esse Amor Crístico, algo como que auréola, plena das mais santas vibrações transmitidas em forma de grande compaixão e amor-sacrifício por onde caminhem a dor, a miséria e o sofrimento. Lembremo-nos dos Profetas, Apóstolos e dos verdadeiros benfeitores da humanidade: Platão, Sócrates, Hipócrates, Francisco de Assis, Santo Agostinho, Jacob Boehme, Max Heindel e tantos outros grandes idealistas, que através de seus ensinamentos fizeram ecoar nas fibras dos mais empedernidos corações o eterno hino do Amor. Através de todos eles circulava o Fogo do Espírito de Deus, pois do contrário não poderiam, com tanta energia proclamar a Presença Divina. Os escribas, pelo contrário, jamais puderam fazer vibrar os corações, pois não falava neles a Divina Luz, e sim a inteligência fundamentada apenas na lógica humana.

Nunca houve possibilidade de determinar o que é a Verdade. Pode-se apenas dizer que ela é uma constante criação de novas perspectivas pelo Grande Todo. Portanto, impossível de ser conhecida apenas pelo raciocínio humano. Por isso, mesmo Cristo não respondeu a Pilatos quando este o interrogou: “Que é a Verdade?”.

Neste instante defrontam-se o tempo e a eternidade, o brilho da dialética do mundo e o eterno fulgor de outro mundo, pois não disse Jesus: “O meu reino não é deste mundo”? (Jo 19:36). E depois, o que adiantaria falar-lhe (a Pilatos) a respeito da Verdade se não estava interiormente amadurecido para reconhecê-la? E nos tempos atuais, de que nos adiantaria especularmos a respeito da verdade ou de Deus, se O reconhecemos em nós mesmos? A ingratidão, o mal e a miséria cravaram tão fortemente suas espadas nos corações dos seres humanos, que estes não mais podem sentir a pulsação constante do Amor Infinito, que desce em ilimitada compaixão até nós, desde os planos do SER UNIVERSAL.

Para total infelicidade do gênero humano, este Divino Amor encontra sempre a oposição do Amor: humano, egoísta e auto conservador. E assim a humanidade assemelha-se a um rebanho de cegos conduzido por um guia cego. Originalmente, ela foi criada como moradora do Jardim do Éden. Cintilava sua veste como pedras preciosas. Era ungida como Querubim, parecendo como pedra afogueada entre as estrelas do firmamento, palavras estas pronunciadas pelo Profeta Ezequiel (28:13 e 14). Devem ser lidas muitas vezes estas dramáticas acusações! Originalmente, a humanidade foi criada para andar pelas mãos de Deus, numa perfeita ligação de amor. Nesta santa intimidade não é possível conhecer-se o mal, a separação e a dor, mas constantemente o sentimento da felicidade e a paz. Não se trata aqui, absolutamente de uma exaltação ou de arroubos místicos. Este encontro com Deus é permanente. É Deus reconhecendo-se a Si mesmo em sua criatura, e esta se encontrando a si própria no seu Criador. “Lumine de lumine, lumine de lumine. . .! ” Esta sensação de intimidade entre Deus e o ser humano não pode ser explicada, pois ela se realiza no mais recôndito, onde a percepção se torna sublime, transcendental e imaterial. Não é possível reconhecer a presença de Deus por meio de palavras, nem formular regras para conhecê-lo em nosso espírito, pois o cálice transborda de alegria. Qual o santo que alguma vez se expôs a uma sabatina de tal espécie? Isto seria blasfêmia. Conhecer a Deus, somente é possível àquele que prova em si a Sua Presença.

No entanto, saibamo-Lo ou não, Ele nos envolve em Sua Eterna Luz, à espera de nossa manifestação em sentido de orientador superior, a fim de que a Sua Plenitude e o Seu Espírito possam penetrar em nossa aura, em nossa individualidade, em nossa inteligência. Este e o Seu eterno anseio. E quando a criatura conhece a dor, o sofrimento, estes não são causados por um afastamento de Deus, e sim pela própria criatura. Muitas vezes ouve-se alguém dizer: “Por que Deus permite isto ou aquilo?’. Então encontramos a única resposta: “Os homens cerraram a passagem à Luz que tem como único objetivo alimentar as suas almas, a fim de que não mereçam, mas tenham a Vida Eterna”. Afirmamos veementemente: a criatura que se volta novamente a Deus, o Fogo do Amor Divino não tardará com o Seu Batismo. Assim, o Batismo do Fogo é sempre renovado, até que o derradeiro se cumpra, culminando no total renascimento da criatura para o Reino dos Céus. O Fogo trazido a Terra por Cristo está a arder e toda criação geme como em dores do parto à esperada manifestação do Filho de Deus.

–o0o—

 

II

Esclarecimentos à parte

No 4º Capítulo, nos versículos 1 e 2 do Evangelho de São João (o Discípulo que Jesus amava) lemos o seguinte:

“Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido que Ele fazia e batizava mais Discípulos que João” (se bem que não era Jesus que batizava, mas seus Discípulos), e no versículo 9 o diálogo entre a mulher samaritana e Jesus dizendo-lhe:

“Como sendo tu Judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” (Porque os Judeus não se comunicavam com os samaritanos).

E logo o vers. 10, diz:

“Jesus respondeu-lhe: ‘Se tu conheceras o dom de Deus e quem é que te pede: ‘dá-me de beber’ tu lhe pedirias e ele te daria ‘água viva’’”. (Nesse caso “Água Viva” não se deve compreender como um rio em movimento).

Nos versículos 13, 14, 20, 21 e 22, Cristo ensina Sua eterna vida:

“Qualquer que bebe dessa água (do poço de Jacó) tornará a ter sede”.

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der, se fará nele uma fonte d’água a jorrar para a vida eterna”.

“Nossos pais adoraram neste monte, e tu dizes que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.

“Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me, que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai”.

“Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (dos Iniciados em espírito que trazem em si a Paz do Espírito do Pai, que reinará com seus filhos na cidade luminosa de Jerusalém, com Cristo sendo o Sumo Pontífice, o “REI DE SALEM”).

Entende-se o termo judeu e israelita no sentido de o iluminado pela água da vida para toda eternidade. Falava Cristo à mulher de Samaria, de uma água morta a qual jamais poderia matar a sede, referindo-se ao mesmo tempo a água que Ele oferecia, isto é, o Espírito da Vida que eliminava a sede para toda eternidade. Esta água não teria nada que ver com aquela de que os homens e animais bebem, e sim com a Água corrente do Fogo do Espírito Santo com que o Salvador batizava, atuante no CORPO DE CRISTO. Sabemos destarte, que esta água é a portadora da VIDA ETERNA, transmitida por Cristo. Assim, tendo bem compreendido o que foi dito acima, torna-nos lógico que Cristo não necessitava de Batismo algum, pois, bem diz o Evangelho segundo São Mateus, no Capítulo 3, versículo 15, ao se aproximar Jesus para ser batizado por João:

“Eu é que preciso ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?”.

Evidentemente não necessitava do Batismo, pois era o Senhor do Mundo! Em verdade, sempre houve entre os sumo-sacerdotes, desde a existência do Tabernáculo no Deserto, o Lavabo (pia batismal) no qual se purificavam, antes de entrar no departamento onde brilhava a Glória da Shekinah, a luz vermelha, representativa do Espírito Santo, com quem entrava em contato. Note-se que se tratava aí de COMUNHÃO COM O SENHOR DEUS, quando eram recebidas as ordens para o povo. Neste momento, havia entre aquele que se havia purificado (batizado), e Deus, uma estreita relação, mesmo que o Pontífice não conhecesse a face do Espírito Santo. Como havia passado pela água do lavabo, exposta às forças cósmicas durante as lunações em que Jeová dominava, resultara a purificação dos corpos inferiores, estabelecendo-se a comunhão entre Jeová e o sumo-sacerdote, e assim o Verbo que saía da boca do Senhor não era desvirtuado.

Neste ponto convidamos o leitor a deixar-se levar pela própria intuição, a fim de apreciar maiores conhecimentos espirituais que se seguem.

O ponto máximo dessa purificação pela água deu-se com o povo israelita, quando da travessia do Mar Vermelho. Ali, como uma manada humana, passando pelas Águas, foram guiados por uma coluna de fogo, provocando uma purificação em massa.

Este acontecimento, bem o explica Paulo de Tarso, na primeira carta aos Coríntios, Cap. 10, 1:4, com as seguintes palavras:

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos passaram pelo mar”.

“Tendo todos sidos batizados assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”.

“Todos eles comeram de um só manjar espiritual”,

“E beberam da mesma fonte espiritual”;

“Porque bebiam de uma Pedra Espiritual que os seguia”.

“E a Pedra era CRISTO”.

Estas palavras fundamentais de Paulo mostram e explicam bem que a unidade deveria ser mantida pela relação existente entre a comunhão israelita e a posterior consagrada à crucifixão de Jesus-Cristo. Tanto antigamente como na atualidade, os candidatos à purificação recebem o Pão e Suco da Videira, símbolos da presença do Alimento Divino para salvação. A esta altura relembramos que tanto as sinagogas como as igrejas ostentam em seus altares a mesma Luz Vermelha, símbolo da presença do Espírito Santo. Bem diz São Paulo, que o Cristo se achava na nuvem, na coluna fogosa na passagem dos israelitas pelo Mar Vermelho. Isto nos mostra cabalmente a perfeita Unidade de Deus, mesmo quando se fala em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O Espírito Universal é UM, e não três nem cinco nem dez! Visto dessa forma o assunto torna-se claro. O Batismo da Água valorizava os preceitos e ensinamentos dados por Moisés através do Espírito Santo. E logo depois, quando o Cristo passou com o povo escolhido através do Mar, impôs-lhe o conhecimento do espiritual Fogo Invisível. O espiritualista, em seus corpos purificados, reconhece a mesmíssima coluna fogosa em sua própria coluna espinhal, o Fogo Sagrado do Espírito Santo.

Notemos que, em tempos remotos, tudo se manifestava externamente, de forma inconsciente, devido ao estado involutivo da criatura. Esta, com o passar dos tempos, foi, paulatinamente, tomando consciência de uma vida externa. E assim sendo, a vida espiritual encontrava-se em quase completa escuridão, sendo desvendada por alguns poucos vanguardeiros que iam desenvolvendo órgãos de percepção espiritual. Semelhantemente, nos dias atuais, este reconhecimento interior de Deus encontra-se velado para a maioria dos seres, por não possuírem ainda órgãos aperfeiçoados necessários para tal finalidade. Deus fala hoje como antigamente as almas dos seres humanos. Mas a virtude de Deus não alcança aquele que não aceita, que não a cultiva em si mesmo. Falta-lhe a devida fé, falta-lhe o devido amor incondicional, falta-lhe a devida força para uma entrega total de si mesmo a este AMOR MAIOR, sem a qual não se pode viver e nem se consegue a divina ascensão do próprio ser.

Nessa prospecção lembramo-nos de ter falado a respeito da atuação externa de Cristo, quando da passagem do povo judeu pelas águas do Mar Vermelho, o que equivaleu a um Batismo Externo. Após muito vagar pelo deserto, surgiu o amadurecimento tão esperado, que lhe permitiu receber o Batismo Interno ministrado por Cristo. A fim de atingir este amadurecimento, foram necessários longos anos de penúrias e de sofrimentos constantes, de contendas e perseguições, de reedificações do Tabernáculo e Templo de Jerusalém. Os Macabeus, organização militar da Judeia, já não mais resistindo aos exércitos bem mais fortes, inclusive os de Roma, não encontravam outra solução senão evadir-se pelo suicídio nas montanhas da Palestina. Estas tremendas provas porque passaram, somente podia levá-los a uma seleção, a uma depuração, a uma preparação para o advento de Jesus, posteriormente Jesus-Cristo, que os conduziria a libertação por meio de um Batismo mais extraordinário. E esta libertação, ou seja, Salvação, somente podia ser lograda dentro do sangue da humanidade, por meio do sacrifício de Jesus. Vejamos, porém, mais de perto este importante acontecimento. O purificado sangue de Jesus era algo preciosíssimo, pois era cheio da força do Espírito Santo, e deste modo, o ESPÍRITO UNIVERSAL podia penetrar, perfeitamente, em todas as camadas da Terra, purificando-a. Assim, Jesus trazia às almas humanas o Batismo da Salvação, o Batismo do Sangue, sangue de Jesus no sangue do ser humano. As forças divinas puderam penetrar até o âmago da natureza humana, e Cristo fez-se um de nós! A partir de então, tornou-se possível receber as vibrações do Sol diretamente, pois o sangue de Jesus servira de veículo entre a humanidade e as forças solares. Verdadeiramente a Luz não mais seria recebida por intermédio do regente da Lua, ou seja, JEHOVAH, e sim do Arcanjo Solar, o CRISTO que, manifestando-se pelos corpos físicos de Jesus, na Terra, sofreu derramamento de sangue no Gólgota; e através do sangue penetrou nosso Globo e se tornou Espírito Planetário da Terra.

Na Santa Ceia este mesmo Espírito testemunha pelos lábios de Jesus:

“Tomai, comei; isto é o meu corpo”.

Note-se que Ele não disse: “isto representa o meu corpo”, e sim: “Tomai, comei; isto é o meu corpo”.

Da mesma forma tomando o cálice e dando graças deu-o aos Discípulos, dizendo:

“Bebei todos dele; porque isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos para remissão dos pecados”.

Estas passagens o leitor poderá encontrar no Evangelho segundo São Mateus, Capítulo 26, versículos 26, 27 e 28.

Deste momento em diante, a fase final da história da Salvação precipitava-se. O símbolo da Eucaristia é um dos mais belos e mais santos dentro dos mistérios. O pão que Cristo tomara, e que apontara como sendo o seu corpo, e o cálice da nova aliança representam neste sublime rito, a Terra e tudo que ela contém (neste caso o pão feito de trigo, e o suco de todas as frutas). Eles receberiam, no ato final do grande Sacrifício Cósmico de Cristo, a vitalidade e a Luz do Mundo do Espírito de Vida, não somente do exterior como do interior da Terra. Deste modo o globo terráqueo vem passando por uma alquimização constante, efetuada pela Luz de Cristo. Assim como Cristo penetrou nos corpos dos Discípulos por meio do Pão e do Suco da Videira, tem penetrado também em todos aqueles que chegaram a compreender e aplicar a ciência da transmutação em seus corpos. (Transmutação por meio do Amor espiritual – impessoal).

Tal alquimia não admite fermento estranho na massa, pois, a própria vida-luz que o discípulo traz interiormente é suficiente para o seu crescimento. Na velha dispensação os israelitas tinham de entregar o pão ázimo, isto é, não fermentado. Este ensinamento significa que em tudo quanto há fermentação, existe o signo da morte. Da mesma forma, Cristo entregou (como os judeus na Páscoa) o pão não fermentado. Nisto entendemos que, aquele que toma o pão e suco da videira não fermentado – O CORPO DE CRISTO – jamais perecerá. A pureza do corpo espiritual jamais poderá fermentar. Entendemos assim, que Cristo não somente na ocasião da Páscoa fez a entrega do pão ázimo (SEU CORPO), mas o faz constantemente, até que o Espírito se faça presente em toda plenitude num corpo não fermentado.

As águas da morte haviam passado, e a pura espiritualização pelo fogo tomou o lugar de tudo aquilo que fermentava. O FOGO DA RESSURREIÇÃO NASCERIA EM TUDO QUE CONTINHA A PODRIDÃO DO FERMENTO. Na crucifixão foi entregue o FOGO DO ESPÍRITO TRIUNO, para que a pureza pudesse ser extraída da impureza; o ouro puro, da escória. Verificamos, assim, a constante presença de Deus, quando diariamente partimos o pão em memória d’ELE. Em cada partícula que tocamos com nossas mãos e ingerimos com devoção a ELE, recebemos o Batismo do Fogo, em virtude de seu Sangue Purificador. Unimo-nos a Ele todos os dias, a todo instante, pois o Espírito não fermenta e assim temos a Vida Eterna como ele nos prometeu.

Afirma-se daí, que a criatura jamais deveria pensar em si mesma como sendo apenas um ser feito de carne e osso e sim, participante do Espírito, jamais exposto à fermentação ou deterioração. Depende apenas de si o deixar-se fermentar ou não, o viver na luz da vida eterna ou nas trevas da corrupção, quer física, quer etérica ou emocional e intelectualmente. Os nossos corpos superiores recebem sempre poderes de qualidades divinas por força da Ordem Divina, reinante em todo o Cosmos. Na parábola da videira encontramos referência sobre esta afirmação (Evangelho Segundo São João 15:1-5).

“Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor; (…) vós sois os ramos; aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto”.

Daí se infere que vivemos sob constante influxo de Forças Divinas que nos envolvem e interpenetram. Asseveramos, portanto, que a única condição para permanecermos nestas Forças Divinas (no Cristo) é o desejo, o anelo sempre continuo de sermos, tais como ramos de uma árvore alimentados por Sua vida. Assim como o Pai preserva a videira, com toda a certeza preservará os ramos que nela permanecem.

Por essa verdade absoluta tão bem explicada por Cristo ao transmitir o conceito da Eternidade do ser humano em Deus, existindo na Eterna Unidade, ou no Verbo Infinito, deve o candidato saber, e por fim sentir, o plano espiritual em seu EGO como Batismo do Fogo e Espírito, de maneira concisa e exata, para não mais desviar-se da profunda base existente na videira, no Fogo do Pai, do Filho e da constante criação do Espírito Santo em seu próprio Ego, Cristo no Ser Humano. Saibamos que o Fogo do Espírito Universal jamais conhecia limitações em qualquer extensão material, intelectual ou mesmo em si, como elemento do ABSOLUTO. O ser humano que é incluído em todas as partes divinas por causa de sua divina descendência reconhece, assim como Deus mesmo, a sua ilimitação. Ressaltamos, porém, que existem limitações apenas para quem não consegue, em sua meditação espiritual ou em sua alma, conviver com a sua ilimitação. Esta frustração resulta de sua Mente não acessível ao ambiente em sua extensão iluminada, ainda não suficientemente aplicada ou aplicável em atividades puras. Todo espiritualista sabe perfeitamente que cada pensamento representa uma onda de “luz”, movimento luminoso que é qualidade da divina onipotência.

Esta linguagem encontramos em todos os livros sagrados, na música, literatura e na escultura, em que o Espírito de Deus é fator cooperante. É de suma importância a criatividade na obra artística, pois se percebe quanta força divina tem atravessado, ou tinha possibilidade de se manifestar na alma do artista e, com poder interno, podia expressar-se na pauta musical, na tela, ou na pedra de mármore.

Adicionemos ainda algumas palavras ao mesmo assunto, pois se trata do “ESPÍRITO SANTO” em nossa individualidade. Se pertencemos, como “EGOS”, a substância de Deus, mesmo afastados da Luz Central existimos em qualidade espiritual nos corpos divinos do Sistema Solar, como participantes de todos os sistemas e de suas qualidades, desde o mais sutil-abstrato, “ONISCIÊNCIA DE DEUS”, até o material mais grosseiro do mundo Planetário-Estelar.

Com estas reflexões entendemos pertencer ao princípio das coisas, a Deus, ao Caos, em exata harmonia com as leis coordenadoras do mesmo, embora sejam imensuravelmente elevadas à nossa compreensão mental. Porém, pelo pensamento abstrato, podemos compreender muito bem onde o nosso ser interior tem a sua função sublime e absoluta.

A esta altura esperamos que o prezado leitor haja alcançado o sentido de “O BATISMO DO FOGO E ESPÍRITO” através de nossas explicações. Atentemos, a seguir, as palavras de Cristo quando nos ensina: “ANTES QUE EXISTISSE A TERRA, EU ERA”. A palavra de Cristo é verdade que conduz à totalidade da criação. Portanto, pertencemos a qualidade dos poderes de Cristo. Facilmente vislumbramos nestas palavras a nossa origem, coincidindo com Aquele a quem Ele pertencia, ou seja, Criador do Universo e, em particular, a evolução do sistema Solar ao qual pertence o nosso globo terreno.

Devemos ainda exigir esclarecimento para retificar um erro grave que os dogmas cometem quando dizem que, após a crucificação, Cristo desceu ao Inferno ou, a mansão dos mortos, ressuscitando no terceiro dia. Compreendamos que isto jamais aconteceu, pois Cristo incorporava em Si qualidades celestiais, mercê das quais jamais precisaria descer a um inferno ou mansão dos mortos! Ele era o Senhor da vida! A, palavra inferno tem o sentido etimológico de “o mais inferior”, designativo de um estado vibratório lento, que deve ser acelerado no processo de espiritualização dos veículos. Eis o que deve acontecer aos seres humanos, pois a Terra e a sua humanidade deverão ser salvas.

O Batismo pelo Fogo e Espírito deveria realizar-se para que não sucedesse ao nosso Globo e corpos a extrema condensação que a Luz sofreu. Entendamos que o Fogo deveria permear e sutilizar a Terra que perigava devido a sua vibração demasiado lenta. A Terra e seus habitantes foram salvos da destruição devido a poderosa atividade Solar incorporada no próprio Cristo. Analogamente devemos também acreditar na constante reaparição do Globo Terreno, pois ele reencarna ciclicamente, tal como o nosso espírito. Não é possível imaginarmos quantas vezes e em quantos sistemas solares o globo que habitamos já tem existido, pois se trata de uma constante evolução. As Galáxias estão a nossa disposição. Devemos lembrar-nos, de uma vez para sempre, que a Luz Divina (DEUS É LUZ) representa uma constante circulação, como se fosse o SANGUE DO ESPÍRITO DO TODO UNO, indestrutível, eterno e de total potência. Existe sim, uma constante ação criadora da qual nos beneficiamos e que podemos chamar: a consciência do Batismo do Fogo e Espírito.


[1]N.R.: (Mt 3: 11)