Categoria Elman Bacher

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Livro: Estudos de Astrologia – Elman Bacher

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 1 – Exatidão da Astrologia – Os Astros são Seres – O Sol – A Lua – Vênus – Mercúrio

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 2 – Marte – Júpiter – Saturno – Urano – Netuno – Plutão

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 3 – O Astrólogo – Mandala Astrológico – Ascendente – 2ª Casa – 5ª Casa – 8ª Casa – Retrogradação

2. Para estudar no próprio site:

 

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1953, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

VOLUME 1

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – A EXATIDÃO DA ASTROLOGIA

CAPÍTULO III – OS ASTROS SÃO SERES

CAPÍTULO IV – O SOL: O PRINCÍPIO DO PODER

CAPÍTULO V – A LUA: O PRINCÍPIO DA MATERNIDADE

CAPÍTULO VI – VÊNUS: O PRINCÍPIO DA MANIFESTAÇÃO APERFEIÇOADA

CAPÍTULO VII – O PLANETA MERCÚRIO

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.

CAPÍTULO I – A EXATIDÃO DA ASTROLOGIA

Milhões de palavras impressas ou verbais são usadas como argumentação para saber se a Astrologia é ou não “exata” e “científica”. As pessoas não solidárias à Astrologia (os que não a estudam, os religiosos exotéricos e os que não se aventuram a pensar no assunto) apresentam argumentos que servem, no final das contas, apenas como reflexões depreciativas sobre as habilidades daqueles estudantes que “interpretam horóscopos”. Alegam que, se a Astrologia fosse cientificamente exata, isso seria provado por uma perfeita concordância de todos os astrólogos em qualquer ponto sobre o assunto. Todos esses argumentos são ilegítimos, ilegais e perda de tempo, uma vez que esses não são pertinentes à essência profunda sobre o estudo da Astrologia.

Para aquelas pessoas que são contrárias à Astrologia, se faz necessário esclarecer um pouco mais sobre a “argumentação”, dando a seguinte explicação: todos os cristãos concordam com o significado das mensagens de seu Sacerdote; todos os músicos estão de acordo quanto a “correta” interpretação das sinfonias de Brahms; todos os médicos estão de acordo em relação ao tratamento empregado da paralisia infantil, e todos os pais estão de acordo quanto à maneira “perfeita” de criar seus filhos.

Cada protagonista da Astrologia difere de outros astrólogos em sua capacidade para interpretar horóscopos. Veremos isto na abordagem, na habilidade de entender a simbologia, na exatidão dos cálculos matemáticos, na habilidade de sentir a essência dinâmica do horóscopo, na habilidade de compreender os problemas psicológicos apresentados e de seus potenciais para solução. Chamamos a isto de “alternativa humana”.

A Astrologia é uma ciência exata, porque cada fator encontrado num horóscopo, corretamente calculado, é uma representação simbólica de um efeito exato e imparcial de uma causa específica. Representa a lei cósmica e imutável conhecida como a Lei de Causa e Efeito, que atua nas condições e experiências da vida de um ser humano no seu progresso em muitos renascimentos.

Num horóscopo corretamente calculado não existe acaso, acidente, hereditariedade ou capricho do destino. Cada Posição e Aspecto entre o Sol, Lua e Planetas é um fator do Corpo-Alma[1] do indivíduo, uma fase de sua consciência ou um marco em seu caminho espiritual.

Na medida em que um astrólogo interpreta todas as influências astrológicas de um horóscopo, e identifica com a lei de “aquilo que semeares, colherá”[2], ele estará apto para sintetizar a leitura em seu todo corretamente, quando poderá orientar no sentido de abrandar as causas passadas às condições presentes, e para determinar as soluções em potencial das dificuldades presentes.

 

CAPÍTULO II – A ASTRODINÂMICA

O termo astrologia dinâmica é usado para indicar o estudo do horóscopo sob o ponto de vista das influências astrológicas que diminuem ou aumentam segundo as reações do nativo às suas experiências durante determinada encarnação. As funções cíclicas das forças da vida dão ênfase periódica a cada influência e Aspecto planetário, e na medida em que cada ênfase é utilizada construtivamente efetua-se a transmutação alquímica. À medida que expressamos os pontos negativos estamos enfraquecendo os pontos positivos e nos tornando menos eficientes para o crescimento. Isto pode ser facilmente compreendido se considerarmos que nenhum ser humano jamais poderá separar-se de qualquer parte de seu horóscopo. Não existe nada parecido como “interrupção” de influência astrológica. Mesmo os inibidores e restritivos raios de Saturno seriamente afligidos continuam se “expressando” na consciência da pessoa para que ela possa desta forma expiar seu destino maduro[3].

Uma aplicação prática de astrodinâmica pode ser assim expressada: qualquer pessoa que consulta um astro-psicólogo faz isso porque está “em dificuldades”. Isto porque tem vivido por meio de seus negativos e sem uma abordagem dinâmica para interpretação. O astrólogo pode facilmente se confundir ao interpretar os Trígono e Sextis de um horóscopo como “estaticamente bom”. Um Trígono ou Sextil somente é “bom” se tiver como função a expressão concreta de neutralizante daquilo que é destrutivo ou regressivo na natureza da pessoa. Pobreza, doença, impulsos amorosos não satisfeitos ou distorcidos, temores e coisas do gênero são evidências de que a pessoa não tem aplicado o desejo para que se cumpram às promessas de seus Sextis ou os benefícios de seus Trígonos, mas tem expressado suas energias através das Quadraturas e Oposições, esgotando assim suas possibilidades para o bem no decorrer da vida. Se a pessoa expressa continuamente seus Aspectos negativos, isto resultará no enfraquecimento do desejo de regeneração, criando-se, assim um vínculo mais estreito à Roda da Vida.

O termo usado na linguagem musical para indicar um acorde é “modulação”, que serve como ponte de uma seção a outra em diferentes escalas ou tonalidades. Esse termo também pode ser usado, na terminologia astro dinâmica, para descrever as propriedades dos Aspectos Sextil e Oposição. No horóscopo, esses Aspectos podem ser considerados como os “pontos de transmutação” quando os dois Astros de uma Oposição recebem o Trígono e o Sextil de um terceiro Astro e também quando um Astro com a formação de um Sextil forma Quadratura com um terceiro Astro. Nos dois casos, o Astro que está formando o Aspecto benéfico com o adverso representa o meio pelo qual a pessoa encontra a sua “redenção do mal”. Assim, por meio do exercício dessa energia planetária efetua-se a transmutação, diminuindo-se e neutralizando-se o poder da Quadratura e da Oposição em exprimir discórdia.

As combinações dos Aspectos citados representam a forma “mais fácil” de alquimia espiritual. Contudo, existem outros Aspectos que devem ser considerados: é bem provável que uma Quadratura sem auxílio torna a transmutação muito mais difícil do que qualquer outra experiência na vida. Isto é, dois Astros em Quadratura entre si e sem nenhum Trígono ou Sextil com outros Astros. Superficialmente falando essa configuração representa um Aspecto de “destino maduro grave”, indicando um problema sério por meio do qual o nativo deve aprender uma lição muito importante e necessária. Apesar de saber que cada um destes dois Astros poderá ser ativado por Aspectos favoráveis no seu trânsito de tempos em tempos por lunações, progressões lunares, etc., onde existirá uma porção favorável de “auxílio”. Pelo fato deste Aspecto indicar a possibilidade de grande sofrimento ou dificuldade, o nativo deve ser informado sobre as qualidades básicas e positivas de ambos os Astros. O nativo deve utilizar de atenção, de força de vontade e de muita paciência quando o Aspecto for ativado, por exemplo, uma Quadratura sem auxílio. Seu esforço deverá ser grande para expressar as qualidades positivas dos dois Astros ou no mínimo daquele que está se manifestando mais diretamente. Por outro lado, se os dois Astros em Quadratura estiverem se afetando constantemente, os Aspectos adversos de um intensificarão os Aspectos adversos do outro Astro, e como resultado desta configuração poderá haver um resultado danoso no futuro. Porém, se por disciplina espiritual e/ou psicologia corretiva o nativo se permite apenas expressar as vibrações construtivas (qualidades positivas) de cada Astro, então haverá um estímulo positivo de um sobre o outro, facilitando assim, a transmutação desta configuração e com o tempo, o destino maduro será amenizado ou superado.

No Aspecto Oposição existe um “vaivém” de modo que se um dos Astros é enfatizado à custa do outro, poderá resultar em condição de desequilíbrio, isto é, dificilmente teremos um resultado de harmonia e equilíbrio. Em outras palavras, os Astros tende a bloquear o uso das expressões do outro ou as qualidades adversas de um Astro bloqueia a expressão das características do outro.

Uma coisa de suma importância que o astro-psicólogo precisa ter em mente em relação ao nativo é que na maioria dos casos, esses Aspectos adversos são devidos as expressões adquiridas de vidas anteriores e que a maiorias das pessoas na vida presente não tem ciência da capacidade de realização que elas têm. Pois a humanidade se identifica tanto com seus problemas, receios, maus hábitos, frustrações e sordidez que a maioria encontra uma maneira de se conformar com a situação e muitas expressam desta maneira: “Essa é minha maneira de ser, e não posso fazer nada a respeito”. São atitudes absurdamente errôneas, pois sempre existe uma solução para cada problema humano. O que se taxa de “problema”, nada mais é do que energia mal direcionada do indivíduo. Porém, tendo o horóscopo como ponto de orientação fica fácil encontrar nos Aspectos benéficos os meios para solução do “problema” ou das energias mal direcionadas.

A abordagem dinâmica para interpretação astrológica revela sua obra-prima como uma orientação para as crianças. O Ego recém-encarnado, menino ou menina, vem ao Mundo Físico escolhendo e sendo escolhido por pais que assumem a sagrada responsabilidade de guiá-los. Esses podem ter ideias preconcebidas daquilo que gostariam para seus filhos no futuro, mas se quiserem ser verdadeiros pais deverão orientá-los através de direções e orientações para formar o melhor caráter nesta criança. Isto mostra que os pais deverão atuar como meios neutralizantes nos pontos adversos indicados no horóscopo de seus filhos. Nenhuma mãe, tendo em mãos o horóscopo de seu filho, e certificando que existe um Marte adverso (Quadratura) a Lua do filho jamais deverá irritar-se na presença dele. E sabe por quê? Porque toda vez que isto acontecer a mãe estará enfatizando e fortalecendo a vibração discordante no subconsciente da criança, e a irritabilidade instintiva desta vibração intensificará, e uma “imagem de crueldade” será lançada mais profundamente no padrão vibratório do filho. Sabendo disto e também pelo fato de que toda criança reage a tudo que acontece em sua volta, então, a mãe deverá utilizar-se de toda manifestação de tranquilidade, equilíbrio, afabilidade e consideração para neutralizar parte destes impulsos brutais de Marte em Quadratura com a Lua, dando possibilidade à criança de lidar com esses impulsos muito mais facilmente na medida em que cresce. Assim, ela representará algo bom na vida do filho.

Esse assunto dever ser apreciado pelos Estudantes avançados na prática da Astrologia. Trata-se de um tema que correlaciona os fatores dinâmicos da transmutação alquímica com os cálculos matemáticos e a tabulação dos Aspectos progredidos.

A astrologia dinâmica é resultado da abordagem quando dizemos o “horóscopo jamais deixa de funcionar”. Não existe na Natureza ou no horóscopo a manifestação “do nada”, “do vazio” ou “sem atividade”. O que existem são períodos de quietude, atividade rotineira, e uma calma geral. Podemos observar, contudo, pontos culminantes, experiências intensas, cumprimento de mudanças drásticas e/ou quedas aparentes.

Existe um propósito na astrodinâmica que é estudar os Aspectos progredidos sob o ponto de vista de que esses representam estímulos não apenas a um Astro por vez, mas a uma “área” inteira do horóscopo.

A natureza da vibração astrológica cria um “campo de extensão” que chamamos de “órbita”. Essa esfera de influência para os Planetas: Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão é de 6º graus antes ou depois da culminação deste Aspecto entre dois desses Planetas, porém, em se tratando do luminar Sol e Lua, esta extensão é de 8º graus antes ou depois da culminação entre esses ou com os demais Planetas. Quando os Astros entram nesta órbita dizemos que a “vida” do horóscopo é ativada.

Normalmente, na preparação de uma análise astrológica, deve-se fazer uma lista dos Aspectos progredidos para o ano em curso ou para o ano seguinte, com o propósito de determinar as principais fontes de experiências na vida da pessoa naquele momento. Em astrologia dinâmica fazemos a mesma coisa, exceto que nesta lista utilizamos os Aspectos progredidos por “grupos” ou “áreas”. Esta abordagem é que indica mais claramente as possibilidades para processos alquímicos. Onde se faz um contraste dos Aspectos benéficos e adversos que estão sendo estimulados simultaneamente ou em sequência, e assim poderá determinar quais os fatores disponíveis para a regeneração das emoções e redirecionamento das reações.

Independente dos cálculos matemáticos que possa estar envolvido neste tipo de “tratamento no horóscopo” não é tão compensador como os Aspectos progredidos. É destes Aspectos que faz com que o horóscopo tome outra dimensão, transformando numa representação de algo vivo, brilhante e vitalizante.

Quando o assunto for problema conjugal e um deles pede ajuda, deve-se levantar o horóscopo de ambos, fazendo a tabulação dos Aspectos pertinentes a cada um.  O que requer uma particular atenção quando houver Conjunções mútuas, pois, são elas que formam a base para análise do problema conjugal.

No horóscopo do esposo encontramos Peixes no Ascendente; Mercúrio, Regente da sétima Casa, se encontra a 9º de Aquário e na décima-primeira Casa. Marte está a 12º de Escorpião e na oitava Casa em Quadratura com Mercúrio. Agora descobriremos uma Conjunção mútua unindo os dois horóscopos. No horóscopo da esposa o Planeta Marte está em 10º de Aquário, formando uma Conjunção com Mercúrio dele e Marte em Quadratura com a Lua em Touro e essa forma uma Oposição ao Marte dele em Escorpião. A Conjunção do Marte dela ao Aspecto da sétima Casa dele (Mercúrio) é a chave da difícil situação conjugal, caracterizada pela vibração de Marte não-regenerado (Seu meio alquímico é o Sextil de Vênus a Mercúrio sem Aspecto adverso).

Ao tabular as progressões do esposo, veremos que desde a Data de Cálculo Ajustada (DCA) anterior até a Data de Cálculo Ajustada (DCA) seguinte, a Lua se deslocou treze graus e trinta e oito minutos. A divisão deste resultado (13 graus) por doze mostra que o deslocamento mensal da Lua progredida é de um grau e oito minutos. O DCA é o décimo quinto dia do mês. O deslocamento lunar a cada quinze dias é de trinta e quatro minutos.

Fazendo uma tabela das posições mensais da Lua progredia para o período de um ano – a partir do décimo quinto dia de cada mês – encontraremos nas duas últimas semanas de março de 1947 a Lua progredida formando uma Conjunção exata com o Mercúrio dele. No início de junho formará uma Quadratura exata com seu Marte e no começo de agosto forma um Sextil exato com seu Vênus (procure marcar essas posições lunares na parte externa do Mapa-Exercício. Ponha-os entre parênteses de modo a gravar na mente o fato de que estamos lidando com um “campo de estímulos”).

A Quadratura Mercúrio-Marte mostra que, da segunda metade de março à primeira metade de junho, o problema conjugal vai ser estimulado de maneira decisiva (nesse caso hipotético estamos lidando apenas com o horóscopo do marido e neste caso em particularmente não é necessário concentrar-se no horóscopo da esposa. São as reações dele que estão sendo vistas. O que quer que seja que a esposa possa fazer durante esses meses ligar-se-á ao Aspecto dele). Contudo, pela Conjunção a Mercúrio e o Sextil a Vênus começa a vibrar, simultaneamente, com a Quadratura de Marte, porque Vênus está em órbita dentro de 6 graus formando um Sextil no horóscopo do nativo. Portanto, Vênus é o agente alquímico para que esse homem deva usar durante esse período de, aproximadamente, quatro meses para que possa neutralizar a vibração de Marte (que é muito forte em Escorpião) com o princípio da vibração de Vênus. Esta é a sua redenção para esse período. Se usar estas vibrações persistentemente nestes dias de dificuldades resultará em grande crescimento anímico e o esposo estará mais apto para dirigir sua vida a dois construtivamente à medida que cresce em experiência conjugal.

Veremos agora um resumo do que foi exposto acima. Consideremos agora, que marido e mulher estejam querendo saber sobre seus Temas astrológicos e ansiosos para entender como harmonizar suas experiências conjugais. Sendo assim, levanta o tema dos dois e faça-se a combinação dos Aspectos de ambos e descobre que a esposa tem Saturno em Gêmeos sem Aspecto adverso, formando um Trígono com seu Marte em Aquário e no horóscopo dele o Saturno dela forma um Sextil com Vênus sem Aspecto adverso.

Nesse caso vamos tabular os Aspectos progredidos da esposa por área e para os mesmos meses que fizemos dele. Cada um proporciona ao outro um estímulo adverso de Marte. Porém, cada um tem um agente alquímico ou regeneração com que trabalhar. Isto é, para que haja um entendimento mútuo, os dois precisam usar certa dose de vibração construtiva para neutralizar e harmonizar as discórdias que possam atravessar neste período de tribulação, tendo a certeza de que esta ajuda mútua, consequentemente, trará uma certeza maior de felicidade conjugal.

No horóscopo da esposa, já dito antes, encontramos Marte em Quadratura com a Lua e por isso ela deve, com muita paciência, buscar o equilíbrio de Saturno em Gêmeos, que é transmutar essa tendência de discórdia mental por meio da profunda afeição e efusão amorosa. Cada pessoa encontrará sua própria maneira para lidar com essa disposição violenta, mas pode alcançar esse crescimento mútuo desde que estejam juntos nesta luta.

A ilustração dada neste horóscopo é uma abordagem simples e direta. Entretanto, o procedimento para qualquer complexidade de Aspectos progredidos é o mesmo utilizado. Os princípios de transmutação e alquimia requerem que busquemos soluções para todos os problemas, mas, as soluções podem não ser tão evidentes se considerarmos cada Aspecto progredido como “uma coisa em si mesma”.

 

CAPÍTULO III – OS ASTROS SÃO SERES

A identidade dos relacionamentos através do estudo de um horóscopo é um dos problemas mais sutis e difíceis com que o astrólogo psicológico tem de lidar. Esta dificuldade está no fato de que a realidade do relacionamento entre duas pessoas não é uma coisa física ou de leis estabelecidas, mas da essência de sentimentos de duas pessoas entre si. Quando existir intensa atração ou inimizade entre pessoas mostra que essa “essência de sentimento mútuo” nada mais é do que a continuação de contatos estabelecidos em encarnações passadas e que pode manifestar-se independente de idade, sexo ou relacionamento mundano. Para o ocultista é fácil observar que o primeiro contato destas pessoas aconteceu em vidas passadas e o relacionamento, quer seja, amor ou ódio terá continuidade nesta vida como se nunca tivesse havido uma interrupção no relacionamento.

O objetivo final para qualquer relacionamento entre duas pessoas é o cumprimento. Pelas leis divinas nenhum vínculo de ódio jamais será “pendurado ao vento”, pois isto negaria a Lei do Amor. O sentimento de ódio é “amor ao contrário” ou “amor na contramão”. É a consciência de contato com o Universo que volta para si mesma por meio de outra pessoa. Enquanto não houver uma expressão ou transmutação de energia Superior a consciência continuará expressando tudo aquilo que é negativo e destrutivo.

Mostraremos agora alguns exemplos hipotéticos de relacionamentos e experiências que, sob o ponto de vista de destino maduro, representam fontes de ódio, medo e cobiça. Esses sentimentos estão presentes na vida de homens e mulheres do mundo inteiro e nas mais diversas épocas.

Em qualquer campo de esforço o individualista original e criativo representa uma ameaça à pessoa ortodoxa cristalizada. Esses protótipos podem ser descritos ou simbolizados por Urano e Saturno, respectivamente. Urano pode temer e odiar Saturno porque esse reprime e frustra sua liberdade; Saturno pode temer Urano como uma ameaça ao seu “status quo”. Quando Urano perde a liberdade ou quando Saturno perde a segurança, o resultado é o ódio. E o conflito permanecerá até que cada um possa aprender algo de valor com o outro.

As fases conflitantes da natureza feminina são ilustradas pela “mulher maternal” e pela “mulher namorada”. A velha luta de guerra com o macho da espécie é um objeto de conquista acossado e desnorteado. A senhora Lua-Júpiter-Saturno desenvolve implacável ódio por aquela sapeca senhorita Vênus-Urano e vê uma ameaça à paz do lar e à vida respeitável. Esta última considera sua operosa e deselegante irmã uma pobre antiquada que esqueceu o significado do romance.

Um problema trágico – e existem muitos – é representado pela interferência paterna. A pessoa que no passado negligenciou suas oportunidades pode ser atraída, por destino maduro, para um pai muito egoísta e possessivo. O pai, desconsiderando os anseios intrínsecos do filho, procura torná-lo a sua réplica ou de um parente admirado. Toda a experiência de vida do filho torna-se, então, uma distorção que resulta em frustração. Isto, por sua vez, resulta em ressentimento e ódio amargo ao pai. O pai é nutrido por seu próprio egoísmo possessivo quando faz do filho um escravo de seus anseios. À medida que passa o tempo aumenta a fixação do pai em sua realização vicária através do filho. Neste caso, o filho acaba por ignorar outras fontes de experiências em sua vida, como as amizades que se tornam insignificantes, o afeto e o companheirismo são descuidados e o resultado desta atitude nada mais é do que uma atrofia espiritual, mental e psicológica. E o que poderia ter sido uma fonte de inspiração, entusiasmo e realizações converte-se em um horror mortal.

O filho erra em permitir a outrem viver a sua própria vida. Como foco principal, o pai erra ao usar o poder com o desejo de dominar. Como as emoções negativas e dolorosas apoderam-se cada vez mais dessas pessoas, elas tornam-se incapazes na vida de expressar o bem. E é melhor nem mencionar o destino maduro destes dois, para as próximas vidas.

Na medida em que a validade, a realidade ou a importância de uma experiência depende das reações da pessoa ao evento em questão, e que as nossas experiências vêm a nós como objetivações do que é indicado em nossos horóscopos através do nosso “intercâmbio” com outras pessoas, não é lógico interpretar os Aspectos do horóscopo como seres? Na vibração anímica da outra pessoa é encontrada uma correspondência com algo em sua própria natureza que é indicado em seu horóscopo.

Caso o Aspecto seja adverso (Quadratura ou Oposição) o relacionamento com esta pessoa resultaria em uma reação adversa ou destrutiva. Isto poderia ser chamado de “medo”, “inveja” ou ódio. Qualquer pessoa nessa situação poderia dizer: “tenho medo daquele indivíduo” ou “invejo aquela pessoa” ou “odeio aquele indivíduo”. Porém, à luz da Astrologia, isso não é o que realmente o indivíduo queria dizer. Ele gostaria de se expressar da seguinte maneira: “Aquela pessoa me faz lembrar algo adverso que existe em minha natureza. Sinto que ela pode me fazer algum mal que eu recordo já ter feito a alguém. Meu sentimento é de medo. Sei que a pessoa alcançou algo que eu devia ter alcançado. Meu sentimento é de inveja. O mal que aquela pessoa faz aos outros me lembra a minha própria maldade no passado. Meu sentimento é de ódio”.

Quando descrevemos uma pessoa como o pior inimigo, o horóscopo dela corresponde como o seu pior Aspecto. Esta pessoa, tida como inimiga, pode ser pai, mãe, irmã, irmão, filho, esposo, esposa, amante ou patrão. Do mesmo modo que um diapasão faz vibrar em uníssono outro do mesmo tom, assim também o estado negativo do seu “inimigo” estimula o seu negativo e traze para a sua consciência com dor. Utilize essa reação dolorosa como um barômetro de sua própria condição espiritualEla indica uma lição muito importante. Serve para mostrar a necessidade de dar um passo muito importante no desenvolvimento. O seu “inimigo” não é seu inimigo. Ele ou ela é seu professor. Aprenda por meio desta pessoa, de si mesmo.

Contudo, não devemos parar neste ponto.  Ao identificar seus “inimigos”, por meio de suas reações e pela troca de experiências, você obterá uma perspectiva, a partir de si mesmo, como um fator no círculo de relações e veja como você se torna um “inimigo” dos outros pela expressão dos seus próprios Aspectos adversos. O próximo passo é você se tornar “amigo” de todos. Na medida em que você expressa, cada vez mais, as possibilidades positivas indicadas no horóscopo, você fará de si mesmo um imã para atrair tudo o que é bom e belo latente nos outros.

À medida que você estimular o bem nos outros, no sentido de regeneração, automaticamente eles vão se tornando conscientes da própria natureza benéfica existente neles. Eles gostam de você. Eles admiram você. Eles se sentem confortáveis e felizes com a sua presença. Eles se sentem em sua melhor disposição: mais corteses, mais atenciosos, mais corajosos, mais fortes. Eles dizem que o amam, que você é seu amigo. Isso não significa exatamente o que eles realmente querem dizer. O que eles querem dizer é que seu Eu Superior é atraído à sua consciência por meio do contato com você. Eles realmente não “o amam”. Eles simplesmente se fazem mais conscientes de seu próprio Deus interno, por meio do qual expressam reações harmoniosas e construtivas

O resultado das suas reações com a outra pessoa é que constitui o fator determinante deste relacionamento. Use seus “Aspectos benéficos” para transmutar os “Aspectos adversos” e derrote seus “inimigos” eliminando o “inimigo” que existe dentro de si mesmo.

Desde os primórdios tempos, o artista existente dentro do ser humano tem sido interpretado em versos, canções e telas e seu conceito de vida é tido como uma Grande Batalha. Os escritos mostram a história em símbolos e alegorias dos ataques violentos das Forças das Trevas contra a Fortaleza da Luz; a contenda do Diabo contra Deus pela alma do ser humano; a incessante fricção entre o Mal e o Bem; o Tentador buscando eternamente destruir aquilo que o coração humano aspira.

Os ataques a partir dos pontos de defesa, as escaramuças e os combates até a morte – tudo são fases desse Conflito – são mostrados em cada horóscopo. O Aspirante tem, dentro de si, o campo sobre os quais as demandas do destino lutam contra tudo em sua natureza que o impulsiona para frente e para cima. Para triunfar precisa alcançar uma compreensão, a mais clara possível, da natureza do inimigo que habita em seu subconsciente. Esse inimigo tem como ajudantes de campo as Quadraturas e Oposições, mas seu Quartel General é a décima-segunda Casa. Aqui é onde os planos são arquitetados e as armadilhas preparadas; os grilhões são forjados e as malhas da ilusão são tecidas. A luz do dia dificilmente penetra nessa caverna, pois o inimigo e seus lacaios preferem trabalhar na escuridão. O Aspirante só pode dissipar a sombra com a luz do “autoconhecimento”.

Cada experiência na vida representa um triunfo ou uma derrota, mesmo que seja temporariamente, na batalha.  E toda experiência é fruto do contato com outra pessoa ou pessoas, cujas energias astrais servem para estimular o Regente afligido ou o Astro da décima-segunda Casa do Aspirante. Esse deve estudar esta Casa com seus Aspectos e trabalhar para que suas atitudes objetivem as mais íntimas possibilidades para derrotar a si mesmo. Estas pessoas podem ser qualquer um: os pais, um filho, um amigo, uma namorada, a esposa ou o marido podem se ajustar a esse padrão. O Aspirante, ao usar seu horóscopo como um “mapa” no caminho de sua vida, deve compreender e estudar seu relacionamento com o ponto de vista de sua reação subconsciente e não pela reação mundana que esse tenha. A medida que transmute suas reações, acaba por melhorar a qualidade de seu relacionamento.

O método sugere o seguinte: o Aspirante faz um estudo detalhado das condições de sua décima-segunda Casa, sob o ponto de vista das Conjunções adversas, Quadraturas e Oposições. Então, relaciona, tanto quanto possível, os Temas dessas pessoas que têm influências em sua vida. Estuda particularmente os horóscopos que tenha qualquer Astro ou Ascendente em Conjunção com o Regente afligido ou com o ocupante da sua décima-segunda Casa; neste ponto ele faz um resumo mental de suas experiências com essas pessoas e daí conscientiza-se dos Aspectos adversos em sua própria natureza que foi estimulada pelo contato com elas. Sem levar em conta a severidade e condições dolorosas das experiências, ele então libertará todo o ódio. Dar-se-á conta de que cada uma dessas pessoas serviu para objetivar uma fase de seu próprio subconsciente negativo e não mais pensará delas como “perpetradoras do mal” contra si, mas sim como lições práticas para seu aprendizado e iluminação.

O Sol afligido, Regente da décima-segunda Casa: O Poder é a chave para esta lição de destino maduro. O Aspirante, nesta vida, sofre abusos e injustiças da parte daqueles que possuem autoridade, isto mostra que no passado ele abusou do poder. Usou sua posição e influência para escravizar outras pessoas e por isso deve aprender que o poder precisa ser expresso em termos de justiça e misericórdia. O pai ou um irmão mais velho pode ser o instrumento usado durante a infância do Aspirante para reparar o erro do passado. Mais tarde na vida adulta os chefes ou patrões, já que exercem autoridade sobre ele, podem chamar-lhe a atenção para esta lição de que necessita. O poder expresso em vitalidade física pode ser indicado de forma contrária, isto é, num corpo fraco e ineficiente, atraído nesta vida para um pai muito sujeito a doenças e debilidades físicas.

A Lua afligida, Regente da décima-segunda Casa: Feminilidade é a chave para o problema de destino maduro nesta vida. Representa para esta encarnação o momento de ajustar toda teia do destino não redimido que se originou quando o Aspirante usava um corpo feminino; destino esse, relativo às experiências no lar, às oportunidades para desenvolver, por meio dos sentimentos, uma faculdade maior de simpatia e ternura. A Lua simboliza a polaridade feminina da psique humana, e quer o Aspirante seja homem ou mulher esse Aspecto indica desordens e insuficiências nesta faculdade. “Dificuldades através da mãe” é a interpretação clássica das aflições à Lua. Neste sentido, a mãe do Aspirante é vista como sua “inimiga”. Sendo esse o caso, ele pode dar-se conta de que a influência dela em sua vida é igual à dele mesmo sobre outra pessoa em uma vida passada. Sua grande responsabilidade por ela, nesta encarnação, preenche aquilo que ele deixou de fazer no passado. Sua afeição por ela nunca é adequadamente correspondida, pelo que ele aprende o que significa negar o amor. Ele agora está preso às condições do lar, porque tinha em vista fugir delas no passado. As mulheres o confundem, de modo que ele parece nunca conseguir entendê-las bem. Ele nunca tratou de ser “verdadeira mulher” no passado ou tratou as mulheres com indiferença. O Aspirante pode compreender que as mulheres não são suas “inimigas”. Ele precisa, contudo, cultivar uma simpatia e uma compreensão mais profunda dos elementos básicos da “natureza feminina” se quiser redimir-se dessa condição marcada pelo destino maduro.

Saturno afligido Regente da décima-segunda Casa: O destino maduro é repressão e o “inimigo” é cristalização. As pessoas que representam esta posição são como que nocivas à vida do Aspirante. Elas estimulam sua sensação de insegurança; conduzem-no a veredas de supressão e negação; bloqueiam (aparentemente) o fluxo de Vida. Através do relacionamento com elas recebe a mais severa disciplina e, por meio delas ele cumpre suas responsabilidades mais profundas e gradualmente atrasadas. Elas servem para recordar-lhe tudo em sua natureza que não é prático; elas o detêm na terra enquanto ele anseia por liberdade.

Ele é individualista enquanto elas são fanáticas; ele se inclina para o misticismo, elas são ortodoxas e observantes das formas; ele não dá nenhum significado particular ao dinheiro, elas interpretam tudo na vida em termos financeiros. Sua tendência e o seu desejo instintivo é se libertar delas e escapar dos grilhões de sua influência. A tendência permanecerá até que ele perceba que não pode escapar das suas legítimas responsabilidades; que deve aprender a utilizar inteligentemente as coisas da terra; que o dinheiro, ainda que não tenha poder em si mesmo, todavia é um meio de troca entre pessoas, devendo também aprender a usá-lo apropriadamente. O Aspirante filosófico pode compreender que não está preso a relações difíceis e desapontadoras que ele próprio não tenha criado, mas tratará de dar o melhor de si mesmo a essas condições e aprender daqueles com quem se relaciona tudo o que exista para ser aprendido por ele.

Netuno afligido Regente da décima-segunda Casa: O inimigo é decepção. Esse “inimigo”, em razão de sua sutileza, é difícil de derrotar. A infidelidade, a traição, a confusão mental e a perversão constituem sua armadura. Os oponentes do Aspirante que têm esta posição são dissimulados e furtivos, “não jogam limpo”. Bem… o Aspirante não jogou limpo no passado, e agora precisa aprender o que significa receber tal tratamento. Ele dizia uma coisa e fazia outra; pedia que confiassem nele e traia aquela confiança; pretendia ou usava as coisas espirituais como uma cortina de fumaça para o poder ou ganhos que almejava; traficava – não sabiamente, mas muito bem – com as forças astrais; deturpava e enganava. Os Aspectos a esse Netuno afligido representam os tipos de pessoas por meio das quais se efetua esse retorno para cumprir o destino plantado no passado. Uma pessoa pode influenciá-lo a um hábito destrutivo; outra pode participar com ele de uma maldade – e deixá-lo sozinho com a culpa de tudo; sua fé e seu mais profundo amor podem ser dirigidos a alguém que não merece uma grande consideração de ninguém. As duas melhores armas para o Aspirante combater esse particular “inimigo” são: fé nos princípios espirituais e conhecimento. Com o conhecimento ele pode aproximar-se de um alinhamento mais perfeito com a honestidade espiritual – o melhor corretivo para essa forma de condicionamento subconsciente, que resulta em ilusão e decepção.

O mesmo se dá com os outros Planetas: Urano (desequilíbrio), Júpiter (extravagância e ganância), Vênus (possessão), Mercúrio (pensamento) e Marte (masculinidade e sexo). Cada um como Regente afligido ou como ocupante da décima-segunda Casa indica certo grupo de pessoas que servem, embora inconscientemente, como nossos mais valiosos mestres.

O mecanismo do relacionamento proporciona ao Estudante de ocultismo um perfeito “campo de pesquisas” para o estudo da alquimia. O intercâmbio de relações entre duas pessoas “intimamente ligadas” é o pábulo que ambas ou uma delas pode utilizar para “tecer o Dourado Manto Nupcial”. Do metal básico da mistura subconsciente de atrações e repulsões, cada pessoa pode destilar, por suas próprias transmutações, a essência chamada amor. O Grande Mestre recomendou-nos: “Amai aos vossos inimigos e fazei o bem àqueles que te perseguem”. Por que? Porque Ele sabia que a reação de ódio ou de vingança cria um vínculo entre o que recebe e o que perpetra uma má ação, e que somente quando a reação negativa é neutralizada pelo bem poderá ser dissolvido o vínculo.

Quão verdadeiro é que nós tão frequentemente, mesmo sem intenção, causamos dor àqueles a quem reconhecemos amar, iludimos àqueles que poderíamos ajudar, e prejudicamos àqueles por quem alimentamos as “melhores intenções”! Existem muitas relações nas quais podemos expressar facilmente, tanto nossos Aspectos adversos como os Aspectos benéficos. Geralmente tais relações são das mais íntimas, aquelas em que o contato de outra pessoa estimula várias fases de nossa natureza. O estudo comparativo dos horóscopos de duas pessoas “muito íntimas entre si” revelará o significado da relação a cada uma das pessoas implicadas – as harmonias mútuas, os problemas mútuos e os meios mútuos para transmutação alquímica. Nesta aplicação, a ciência dos Astros oferece, de fato, uma chave à elucidação de mistérios. Nenhuma fase da vida é mais ilusória que o relacionamento; em nenhuma outra coisa se faz mais necessário o olho perspicaz da abnegação para “ver através” das névoas do desejo, do medo, da inimizade e do conflito.

Ao alcançarmos um ponto de vista imparcial e impessoal do relacionamento, nós compreendemos que termos tais como: “marido e mulher”, “pai e filho”, “irmão e irmã” e “amante e amado” são vestimentas que se usa para identificação no plano físico. A essência dessas relações encontra-se no plano suprafísico, isto é, nos planos: mental, emocional e espiritual.

Esta essência, seu propósito e sua realidade encontram-se nas Conjunções mútuas dos dois horóscopos. Dois instrumentos do Espírito encontram suas expressões por meio do mesmo grau, aproximadamente, sendo os horóscopos, portanto, pregados juntamente como duas tábuas, tornando-se um prego para cada Conjunção mútua. Exemplo clássico e perfeito de “alquimia por meio das relações” é aquele em que cada Astro envolvido tem uma Quadratura e um Sextil. Cada um destes relacionamentos entre estas duas pessoas estimula a desarmonia latente que existe na outra, mas, cada uma delas tem dentro de si os meios para transmutar essa desarmonia. A Casa em que se encontra a Conjunção em cada horóscopo indicará, naturalmente, o departamento da vida no qual a relação será expressa e qual dos dois será mais diretamente afetado por ela. Um completo “quadro da desarmonia” obtém-se ao combinar os Aspectos de Quadratura encontrado num horóscopo com suas posições no da outra pessoa. Então o efeito de cada pessoa sobre a outra, por ruim ou infeliz que seja tal efeito, é visto em sua plenitude.

O “quadro alquímico” é obtido, do mesmo modo, no que tange aos Astros que formam Aspectos de Sextis em cada carta e a posição e efeito no horóscopo da outra pessoa. Quando se “utiliza” o Sextil, a Quadratura em cada horóscopo é transmutada até certo ponto, o Sextil no outro horóscopo é estimulado por simpatia e as Casas envolvidas são estimuladas favoravelmente; o relacionamento, como um todo, melhora em qualidade e as possibilidades de se prejudicarem mutuamente ficam, portanto, reduzidas. Pela contínua aplicação deste processo, a relação torna-se cada vez mais uma relação de amor – desde que cada uma das pessoas envolvidas ajude a outra a conscientizar-se de seu Eu Superior.

Porém, quando somente uma das duas pessoas “usa seu Sextil” cria-se uma função de astrologia alquímica de natureza das mais difíceis e intensas. Quando isto acontece, o “mal”, que a outra expressa seguidamente por estímulo da Conjunção mútua, é “enfrentado construtivamente” pelo alquimista na expressão do seu Aspecto Sextil. O “malfeitor” intensifica sua tendência adversa pela repetida expressão do seu Aspecto de Quadratura e o resultado é o enfraquecimento da capacidade para se fazer o bem. Falando em termo médico, esta condição pode ser descrita como uma “Sextil-anemia”. Nada menos que uma tragédia. Isso é trágico para o malfeitor e é a condenação do relacionamento. Chegará o momento em que a pessoa negativa não poderá mais responder às possibilidades do seu Sextil. Então as relações, como intercâmbio entre duas pessoas, não mais poderão existir. O relacionamento se dissolve e cada um segue o seu caminho. O alquimista prossegue na expressão de uma vida superior e a outra pessoa deve enfrentar os resultados de sua maldade.

À medida que as relações se complicam por uma variedade de Aspectos mútuos, podem complicar-se também em suas expressões. Pode haver duas ou três Conjunções mútuas, uma das quais pode ser adversa, outra benéfica e outra mista. Semelhantes relações, como essas, continuam por anos e anos – ou vidas e vidas. Além disso, e desde que nenhuma vida comporta somente uma relação significativa, cada um desses Aspectos em uma Carta representa relações com outras pessoas. O indivíduo que tem de lidar com uma relação complexa com outra pessoa pode, para melhor entendimento, estudar seu “intercâmbio” com outras pessoas representadas por seus vários Aspectos. Ele pode aprender com cada uma delas – e deve – se quiser fazer dessa relação um objeto de completa harmonia. As pessoas representadas pelas Conjunções mútuas benéficas são aquelas por meio das quais “ele se sintoniza” com o melhor de si mesmo e por meio das quais compreende mais e mais claramente que pode contribuir para o relacionamento que contém muitas relações mistas. Seus Trígonos simbolizam expressões do seu Eu Superior – as pessoas que refletem seus Trígonos mostram-lhe sua melhor contribuição para qualquer relacionamento.

É interessante notar que as Casas ímpares do horóscopo terminam na décima-primeira Casa e são designadas “Casas das relações”, e que a décima-primeira Casa é a “Casa dos amigos”. Desde a primeira até a nona Casa nós expressamos as relações “pessoais”, “fraternais”, “pais-filhos”, “conjugais” e “pedagógicas”. Então, a essência cultivada, destilada de todas as nossas relações é mostrada pela nossa capacidade de expressar a décima-primeira Casa.

O amor sem paixão, afeição sem possessividade, intimidade sem sufocar, auxílio e encorajamento sem abuso, cooperação sem dominação nem subordinação, diversões saudáveis sem prazeres loucos; simpatia sem sentimentalismo negativo; intercâmbio mútuo sem qualquer perda da liberdade mútua de pensamento e ação – tais são os atributos de toda relação harmoniosamente praticada. Chamamos de Amizade a essência desses atributos, o impulso para a Fraternidade Universal.

Em virtude da décima-primeira Casa representar nossos impulsos mais altamente espiritualizados com respeito ao relacionamento, ela pode ser estudada como um dos “barômetros espirituais” do horóscopo. Qualquer problema de relações pode ser solucionado na medida em que a décima-primeira Casa seja “benéfica”. Todo problema irmão-irmã, pais-filhos e marido-mulher podem ser “desatado”, até certo ponto, pela aplicação dos impulsos da décima-primeira Casa expressos harmoniosamente.

Pode-se dizer então que a Amizade é a panaceia para as “feridas da relação”.

Essas “feridas” são as frustrações daquelas qualidades essenciais peculiares a cada tipo de relacionamento. As relações, ou irmão-irmã, fraternais são experimentados durante a infância e os anos de formação e representam o primeiro passo para as realizações da décima-primeira Casa. Na intimidade da vida doméstica e guiada pelos pais, meninos e meninas aprendem a cooperar, compartilhar e desfrutar os prazeres em grupo. As reações mútuas entre irmãos e irmãs e seus pais constituem os elementos básicos de suas tendências no relacionamento. Naturalmente, quando as relações fraternais estão repletas de discórdia, medo e ódio na maturidade, as realizações posteriores, muitas vezes, são inibidas e distorcidas.

Muitos homens e mulheres experimentam a miséria e a desarmonia no casamento devido aos negativos subconscientes oriundos das relações fraternais na infância. A competição pelo favoritismo dos pais, a rivalidade em talentos e conquistas, as aversões, os ressentimentos e todas as outras formas de conflito, se não transmutadas podem muito facilmente ser – e geralmente o são – transportadas para padrões conjugais e paternais, causando fracasso no relacionamento mais tarde na vida.

É evidente que as condições variam e assim também acontece nos horóscopos. Um indivíduo pode ter a “terceira Casa difícil” e a “sétima Casa afortunada”. Em outras palavras, suas experiências na infância com os irmãos e/ou irmãs podem ter sido muito infelizes e sua companheira de casamento pode ser a maior bênção de sua vida. Contudo, se mais tarde ele transfere para o seu casamento aquelas reações sombrias, poderá não corresponder à ajuda que sua esposa possa lhe dar.

Outro indivíduo pode desfrutar de um companheirismo do tipo mais harmonioso e produtivo com seus irmãos e irmãs. Não obstante, no casamento enfrenta as suas maiores provações. Todavia, em virtude das relações harmoniosas exercidas na infância, ele conhece muito mais do significado da vida. As imagens do seu relacionamento são pintadas com Alegria, Companheirismo, Dar-e-Receber, Confiança Mútua e coisas do gênero, de forma que por meio da expressão desses poderes espirituais ele pode lidar com os seus problemas conjugais.

Nenhum Estudante de astrologia precisa suportar dor e sofrimento por anos e anos em razão de seu relacionamento infeliz com o irmão ou irmã. Essa infelicidade é resultado apenas de uma coisa: da expressão contínua de uma fase negativa da terceira Casa. Conforme essa fase negativa seja transmutada o relacionamento é melhorado e a dor neutralizada. O relacionamento fraternal é, de todos os relacionamentos, o único que pode ser mais diretamente convertido em Amizade. Uma vez que geralmente não envolve os elementos possessivos da paternidade e nunca envolve o intercâmbio sexual do casamento, a relação contém muito mais do elemento de liberdade.

Num Aspecto o relacionamento fraternal é particularmente importante do ponto de vista psicológico. Referimo-nos à experiência da responsabilidade de destino maduro de uma pessoa por um irmão ou irmã mais jovem ou menos evoluído. Neste caso o relacionamento nos planos internos torna-se o de pai para filho, e as reações negativas da pessoa mais idosa podem ser transmutadas mais eficazmente por meio dos impulsos paternos-maternos do que por meio da décima-primeira Casa. Em outras palavras, os impulsos paterno-maternais constituem o “caminho de transcendência”, ou da “redenção do destino maduro”. Uma lição séria de paternidade é indicada por tal condição – seu cumprimento libertará a pessoa para expressar a verdadeira paternidade com muito mais êxito. Em virtude de sua qualidade sutil e ilusória, esse tipo de “paternidade de destino maduro” geralmente contém muito sofrimento em sua expiação, mas seu cumprimento resulta numa grande recompensa em sabedoria e fortalecimento espiritual – o que, em seu todo, representa vantagens para a pessoa no relacionamento com os seus próprios filhos.

A queda e fracasso das relações pai e filho, quer reais ou esotéricas, deve-se mais ao egoísmo e possessividade dos pais do que a qualquer outra coisa, de maneira que em nenhum relacionamento na vida o ponto de vista impessoal se faz mais vitalmente necessário. Nenhum pai ou mãe pode ser “bom” – no sentido espiritual – a menos que os atributos da amizade sejam expressos no relacionamento. Deve haver reconhecimento do valor intrínseco e tendências do filho. Deve haver disciplina e orientação, mas em termos das necessidades da criança. Nenhum pai ou mãe é bom quando faz da vida do seu filho uma realização vicária de suas próprias frustrações. O pai ou mãe, que é amigo ou amiga, guia seu filho para a melhor expressão do seu próprio padrão de vida.

Observe sua décima-primeira Casa e procure sua “chave da Amizade”. Esta é o Astro que, sem aflição, rege a décima-primeira Casa ou é aquele Astro que forma o melhor Aspecto com o Regente. Os Astros que se encontram na décima-primeira Casa indicam condições que são interpretadas por meio da amizade, mas o Regente é a chave para a expressão de amizade e fraternidade.

O Regente da décima-primeira Casa pode ter muitos Aspectos, tanto harmoniosos quanto desarmoniosos. Neste caso, contudo, se um Astro não afligido forma um bom Aspeto com o Regente, tal Astro representa puramente um canal de “transmutação-de-relação”. Esse é o Astro que, se aplicado, pode anular os obstáculos e desfazer o emaranhamento de qualquer problema no relacionamento. Representa o melhor que você tem a oferecer no intercâmbio espiritual com outras pessoas.

Combine a vibração deste Astro com a do Signo na cúspide da décima-primeira Casa e com a vibração do Regente desta. Esta é à base de sua “Casa dos Amigos”. Ela mostra um composto de como você ama seus amigos, o que deseja fazer por eles, o que pode fazer por eles, e o que eles veem de melhor em você.

As pessoas identificadas por Aspectos mútuos, com os Trígonos nas condições de sua décima-primeira Casa são aquelas que estimulam a sua mais profunda capacidade de amar. É por meio delas que você estabelece contato com o melhor do seu próprio ser e expressa o que há de mais puro em você em todas as relações. Por meio delas é que você encontra seu mais claro reconhecimento da Fraternidade Universal.

As pessoas identificadas por Aspectos mútuos, com as Quadraturas ao Regente da décima-primeira Casa são “inimigos de suma importância”. Elas externam ou objetivam suas reações que frustram ou destroem a amizade. Em virtude dos impulsos transcendentes da décima-primeira Casa, os Aspectos adversos (que representam frustrações e dificuldades) podem manifestar-se como: ódios, temores, e conflitos intensos. Toda relação em sua vida é manchada ou desvirtuada na medida em que essas aflições permaneçam inalteradas. Nenhum Estudante de ocultismo ou de astrologia deve ignorar essas “advertências” do horóscopo.

Concluindo, aqui vai um exemplo que ilustra o inter-relacionamento da Astrodinâmica com “Os Astros são Seres”. Para melhor entendimento, expomos um exemplo bastante simples.

Duas pessoas se conhecem na maturidade da vida, e então se estabelece de imediato uma amizade profunda e feliz entre elas. Cada uma tem uma Quadratura e um Sextil ao Regente da décima-primeira Casa, e o contato é representado pela Lua progredida em Trígono com o Regente da décima-primeira Casa de uma delas, o qual está em Conjunção com outro Astro no “padrão” da décima-primeira Casa da outra pessoa. Em outras palavras, o relacionamento entre as duas “floresce sob as melhores condições”.

Cada pessoa reagiu, durante um período de muitos anos, a todas as fases do padrão de sua décima-primeira Casa, e a força comparativa, naquele período de vida, exercida pelas influências do Sextil e da Quadratura foi um teste perfeito para essa amizade. Na medida em que o Aspecto adverso de uma pessoa seja expresso será dada à outra, oportunidade de transmutação; na medida em que ambas respondem à Quadratura, a amizade pode deteriorar e romper-se e a medida em que cada pessoa transmuta esses Aspectos adversos a outra pessoa será “elevada” espiritualmente.

Este tipo de relacionamento representa uma oportunidade perfeita para a prática da alquimia. Aquilo que seja adversamente inclinado nas relações pode ser neutralizado pelas expressões mais elevadas de ambas as pessoas unidas amorosamente.

Existe expressão de amizade mais perfeita?

CAPÍTULO IV – O SOL: O PRINCÍPIO DO PODER

Considerando a simplicidade da estrutura de um horóscopo, não podemos deixar de impressionarmo-nos pela profundidade de seu simbolismo. Um centro e doze divisões rodeadas por um círculo – isso é o tudo. Isto é a representação do Cosmos. Nada na simbologia representa tanto por tão poucos meios.

A estrutura de um horóscopo simboliza a base da manifestação de qualquer coisa: um ser humano, um evento, uma nação ou um Sistema Solar. Cada objetivação tem seu próprio padrão ou frequência vibratória, e o simples traçado de um círculo com divisões partindo de seu centro pode ser usado para representar o “corpo” dessa objetivação.

Consideremos um Sistema Solar: dizemos que o Logos, tendo selecionado uma área esférica de espaço na aurora da manifestação, verte suas energias no centro, objetivando assim um Sol – ou centro de manifestação. A Vontade do Logos interpenetra essa imensa esfera em todas as suas partes. Partindo do centro – ou Sol – irradiam-se vários campos para a atividade evolutiva. Chamamos a esses “campos” de Astros, sendo que cada um provê um lar para o desenvolvimento de vários tipos de Seres. Cada Astro está em relação ao Criador tanto quanto cada cor está em relação ao Princípio da Luz ou cada tom está em relação ao Princípio do Som. O Sol, como corpo central, é a Vontade do Logos objetivada, e os corpos do sistema são as expressões dessa Vontade em manifestação.

O horóscopo, como um mapa dos céus, deveria realmente mostrar o Sol no centro. Contudo, em relação à Terra, que é nosso campo de evolução, e para propósitos astrológicos, incluímos o Sol na família dos Astros porque, em termos humanos, a expressão da Vontade ainda está para ser desenvolvida pelos processos evolutivos. A humanidade, em sua maior parte, vive negativamente em sentimentos, temores e desejos. Consequentemente, a dominação pela experiência é inevitável. Viver na “consciência Solar” implicaria em uma completa identidade com a Fonte, completo desapego das exigências do sentimento, completo controle e direção de todas as faculdades expressas pelo ser humano. Isto, em outros termos, é Maestria. Em outras palavras um Mestre, mesmo encarnado, determina suas experiências pela irradiação do seu próprio centro, não pela resposta aos impulsos e tendências dos seus Astros. Ele então, e tanto quanto possível, é verdadeiramente um criador – vive em sua consciência Solar.

Mesmo do ponto de vista da mais mundana abordagem à astrologia, usa-se o mesmo traçado. O local do nascimento é o centro do qual se irradiam as várias experiências da vida em termos de pessoas, lugares e coisas. O mesmo traçado é usado para representar o “Ego objetivado”, o Eu Superior – ou o “Deus em potencial” é o centro do círculo, e os diversos estados ou expressões dessa potencialidade são as posições dos Astros e seus Aspectos. Deste modo o horóscopo é visto, seja qual for sua aplicação, como o símbolo de uma manifestação de Deus.

Uma vez que o Sol representa o mais elevado estado de consciência conhecido pelo ser humano, o princípio envolvido é o Poder – o primeiro aspecto do Logos. Como astro-analistas, devemos prestar muita atenção aos Aspectos do Sol no horóscopo, uma vez que esses representam os “graus de consciência de Deus” que a pessoa alcançou até aqui em seu atual ciclo de desenvolvimento. Cada Aspecto benéfico[4] do Sol que indique uma aplicação harmoniosa ou construtiva do princípio de Poder é uma redenção. E cada Aspecto adverso[5] é visto, portanto, como um obstáculo ou perversão do Poder. O Sol é a síntese de todos os Astros, de modo que qualquer Astro identificado com o Sol por Aspecto, por disponente[6], etc., ganha, por conseguinte, em poder e esfera de expressão, quer espiritual ou mundanamente. Os Astros, especialmente os dinâmicos, posicionados em Leão, indicam que sua expressão construtiva deve basear-se no uso correto do poder; as aflições indicam tendências para pervertê-lo.

Um interessante estudo é o de Mapas Natais que têm o Sol sem Aspectos. Tal padrão nos diz que, neste ciclo, o nativo que tem esse mapa natal está iniciando sua consciência de poder. O Signo onde o Sol está nos revela o caminho espiritual ou esotérico desse desenvolvimento. A Casa em que o Sol se posiciona nos revela onde ele começa esse caminho, nesta encarnação. Os Astros e seus Aspectos em Leão indicam por meio dos quais ele procura expressar o Princípio de Poder, e por quais canais será expressa no futuro sua consciência de Poder. O Sol na quarta Casa, quaisquer que sejam os seus Aspectos com os outros Astros, mostra as possibilidades de expressão do Poder na maturidade da vida. Os Aspectos adversos, a esta posição, indicam as pessoas ou experiências e reações que ameaçarão essa realização durante os anos de crescimento.

Fixemos em nossas Mentes a ideia de que os Aspectos adversos que envolvem o Sol representam problemas graves. Os outros Astros podem estar conflitantes entre si, podendo resultar disso muitos problemas, mas quando o crescimento e o propósito da consciência do poder são impedidos, a habilidade da pessoa para lidar com suas dificuldades Astrais fica grandemente limitada. As soluções ficam, portanto, muito mais difíceis de serem encontradas e aplicadas. Em outras palavras, o horóscopo inteiro é enfraquecido, na medida em que a consciência Solar é inibida ou debilitada. E, consequentemente, as aflições dinâmicas no horóscopo ficam com muito maior poder para “afligir dinamicamente”. Força, ou energia de qualquer tipo, deve, numa análise final, ser controlada pelo poder que se irradia do centro. Aclare esta ideia imaginando a posição do Sol como o centro de atividades no horóscopo, irradiando suas energias em todas as direções. As Quadraturas e Oposições ao Sol podem ser vistas como linhas de força dos Astros, que interceptam ou interrompem essas irradiações em ângulos retos ou frontalmente, desde o lado oposto do círculo.

Basicamente, a Casa que tem Leão na cúspide mostra o departamento da vida que contém sua fonte de experiência de Poder ou “lição de Poder”. Sejam quais forem às condições adversas indicadas nessa Casa – e podem haver muitas – expressam o seu poder e autoridade nos assuntos dessa Casa que você possui melhores habilidades. Os Astros nela indicam o que você deseja expressar, mas Leão, na cúspide, mostra como você pode expressar melhor esses impulsos. A posição do Sol indica onde procuramos dominar diretamente e governar nossas condições. Por conseguinte, ela é nosso “centro” para esta encarnação. Naturalmente é possível ter uma grande variedade de “condições solares”. Contudo, qualquer Astro em Aspecto favorável com o Sol – e deste modo integrado com poder, até certo ponto – pode ser utilizado como um neutralizador de Aspectos adversos em outras partes do horóscopo. Qualquer que seja esse Astro é automaticamente muito influente no Tema, podendo ajudar a resolver as desarmonias.

Uma consideração sobre os Aspectos adversos do Sol: infunde poder ao Astro que aflige e o faz perceber adversamente; deste modo encontra-se a essência de tais Aspectos.

Sol-Marte – Poder-Desejo: O poder se expressa por meio do conflito, da competição, dominação, conquista sexual, impiedade e crueldade. Marte é auto expressão básica ou primitiva, de maneira que quando se abusa do poder, por meio dele, sua vibração libera uma tremenda energia que tende a resultar em alguma forma de destruição, dores aos outros, ou “dominação a qualquer custo”. O poder se expressa aqui como egotismo. Esses Aspectos adversos simbolizam a polaridade masculina não regenerada. Até certo ponto, o Sol adversamente aspectado em Áries ou em Escorpião contém muito da mesma coloração; também, qualquer aflição ao Sol em Conjunção com Marte, em qualquer Signo. Já que esse Aspecto é tão basicamente masculino em qualidade, sua redenção pode ser encontrada em alguma aplicação construtiva da polaridade feminina: Lua, Vênus ou Netuno.

Sol-Júpiter – Poder-Orgulho: Aqui o poder se expressa em várias formas de auto aprovação negativa ou falsa. Estas formas de “batidinhas em suas próprias costas” podem ser atribuídas ao tipo de consciência que fornece muito valor indevidamente a abundância financeira, à posição social ou profissional, ao conceito da própria família, que se gaba de seus talentos e habilidades e do tipo de benevolência que geralmente é expresso visando o reconhecimento ou os aplausos. Um aspecto de “falsa aristocracia”, símbolo de esnobismo e pretensão. A pessoa assim condicionada tende a exagerar aquilo que supõe valioso em sua própria natureza e condições e reage com raiva ou com ofensas a qualquer insinuação de que ele não é absolutamente o que presume ser. Sob crítica aberta e franca, fecha os ouvidos e a consciência e se retira para a torre de marfim de sua imponente dignidade ofendida; mas se permitam ouvir a ele, indiretamente, que se esperam dele certas coisas boas e ele se voltará para apoiar a bela opinião que aprecia. Em outras palavras, ele vai “derramar seu poder” em melhoria se ele sente que vale a pena o esforço, mas, em sentido inverso, ele vai derramar os mesmos fluxos de poder em seu orgulho, se ele for menosprezado. Ele deve manter sua boa opinião de si mesmo! Tal pessoa não poderia fazer nada melhor para harmonizar suas desarmonias internas do que criar um padrão regular de atos benevolentes – e não falar sobre eles.

Sol-Saturno – Poder-Irrealização: esta é, talvez, o mais “doloroso” de todos os tipos de conjunto de Aspectos adversos ao Sol. Indica uma área de experiência tão carente de realizações que as energias do próprio Centro são exigidas para redenção do destino maduro. Em um horóscopo predominantemente dinâmico, esse conjunto enfatiza fortemente a ambição e na realização de alguma forma. A “ânsia de subir” é sentida intensamente e o poder é utilizado em grande escala para vencer os obstáculos. Aparentemente esse padrão representa um passado em que as oportunidades de desenvolvimento foram negligenciadas ou desperdiçadas. Assim, nessa encarnação, o tempo perdido precisa ser redimido. Num horóscopo predominantemente passivo, esse conjunto é fortemente gravitacional, em seu efeito: as exigências de Saturno prendem a pessoa à Terra. Em tal caso, examine cuidadosamente o horóscopo para ver se descobre qualquer impulso dinâmico que possa proporcionar uma possível liberação de poder nos canais de crescimento. As pessoas representadas por Saturno neste conjunto são aquelas que tendem a reprimir ou inibir a pessoa em questão. Elas ameaçam a própria individualidade desta, e embora ela possa ter que redimir-se de uma experiência de responsabilidade muito necessária, para o bem de seu próprio viver construtivo e saudável, não deve permitir ser tão influenciada por outra pessoa que a sujeite ao desespero, ao enfraquecimento da própria confiança ou a outros possíveis negativos psicológicos.

Sol-Urano – Poder-Ilegalidade: esse é tipo de conjunto de Aspectos adversos ao Sol do anarquista. Em razão da natureza e propósito de Urano, sua Quadratura ao Sol, ou Conjunção adversa é um potencial, em alguma forma, de terrível destruição. Tão grandes são as possibilidades de liberação de energia indicadas por esta combinação que se deve achar e analisar cuidadosamente todo meio de controle. Enorme tendência para cristalizar-se de alguma maneira está automaticamente implicada como um fator concomitante a esse conjunto – examine, cuidadosamente, as condições de Saturno e daí determine em que parte de sua experiência a pessoa tende a rebelar-se com tal intensidade – e possivelmente até com violência. Uma característica de gênio em potencial é indicada por qualquer Aspecto de Urano com Sol, mas a Quadratura e a Oposição parecem indicar a possibilidade de considerável destruição na expressão dessa genialidade. Se “bem aproveitado”, esse conjunto lança tremendas cargas magnéticas e dinâmicas em outros Astros envolvidos e, consequentemente, quando dirigido construtivamente pode resultar em grandes empreendimentos e habilidades.

Sol-Netuno – Poder-Ilusão: esse tipo de conjunto de Aspectos adversos ao Sol é muito sutil e difícil. O poder de visualizar – e sonhar – é intenso, mas desde que esse conjunto indica perpetração de ilusão no passado, demonstra um padrão de desilusão na atual encarnação. O instinto dramático é pronunciado; com efeito, tão pronunciado que às vezes a pessoa vive seu sonho de “coisas como poderiam ser”, ao invés de realizá-las como elas são.

Num artista, particularmente das artes regidas por Netuno – música e drama – esse conjunto é muito inspirador; mas é inspiração sem controle. Quando estimulada, a pessoa pode “sintonizar”, sem esforço, as influências sutis e tornar-se um instrumento. Todavia, o preço pago por um excesso desta “sintonia” é o esgotamento físico, psíquico e nervoso – perda de força, vitalidade e de saúde em geral. A pessoa representada por Netuno neste padrão – em suas fases adversas – são as que podem induzir o indivíduo a hábitos debilitantes e, portanto, enfraquecê-lo quanto aos seus propósitos.

Se o horóscopo for eminentemente passivo em qualidade, com fraca fonte de estímulos ou “impulsos”, esse conjunto, se fortemente marcado, pode indicar um indivíduo que passa a vida sonhando, sem propósitos nem realizações. Cedo ou tarde, ele deverá cair na realidade e, até certo ponto, juntar seus esforços aos canais do viver construtivo. Quando seus sonhos se desfizerem e sua torre de marfim desmoronar, e aqueles a quem amava e admirava se converter em fonte máxima de sua dor, então ele há de encarar essas experiências com uma aplicação construtiva de Netuno – fé, conhecimento espiritual, amor puro e, sobretudo, aprender daqueles que o iludiram. Esses refletiram apenas aquilo que, no passado, foi falso nele. Esse conjunto indica sintonia com forças superiores, ou no mínimo com forças invisíveis, as quais, em expressão negativa, produzem experiências com o raio astral inferior. Para reconstruir seu padrão ele precisa purificar e depurar suas “imagens internas”, por meio de meditações construtivas ou orações – e converter suas inspirações e sonhos em realidades, por meio de alguma forma de trabalho ou realizando propósitos autodirigidos de concretizar ideais verdadeiramente elevados.

Sol-Lua – Poder-Sentimento: pais com inclinação astrológica que tenham um filho com Sol e Lua em Aspectos adversos devem tentar adotar uma atitude impessoal para com ele. Esse conjunto indica que sua Mente subconsciente é muito facilmente impressionável, e que “quadros” de sentimentos negativos, formados na infância, podem obscurecer a consciência de si mesmo e criar-lhe confusão pelo resto da vida. O estudo de tal Mapa Natal da criança revelará aos pais as direções que eles precisam tomar; mas, se em sua excessiva preocupação por cada momento da existência dele, eles o impressionam com essas preocupações, com seus temores e ansiedades, o que podem causar-lhe um grande mal – embaraçando o subconsciente dele com seus próprios Aspectos adversos e afirmando a incapacidade dele em “abrir seu próprio caminho”, enquanto cresce. A criança com esse conjunto deve ser guiada construtivamente para tomar suas próprias decisões, nunca forçada contra sua vontade. Isto se aplica, naturalmente, a coisas relativamente sem importância. É claro que uma criança não pode crescer desenfreada, mas aquelas coisinhas que são de seu interesse pessoal devem ser respeitadas pelos outros para que ela possa, no mínimo até certo ponto, formar consciência do seu pequeno mundo. Tem-se verificado que o impacto de alguma influência na infância sobre o subconsciente da criança causa-lhe um conflito interno que resulta em desarmonia e fracasso na vida adulta. Quando a criança aprende a conhecer o seu próprio poder sem influências impróprias, ou negativas, sobre seu subconsciente, é muito mais capaz de prever, planejar, criar e realizar seus propósitos. Afinal, diz-se que o Sol representa o florescimento da personalidade e da habilidade, de maneira que, a consciência do eu como um criador do bem pode ser melhor estimulada já no começo. Se um adulto, que tenha o Sol em Quadratura ou Oposição à Lua procura solucionar uma tendência desintegradora em sua vida, faça o que pode ser feito para induzi-lo de algum modo à psicanálise, de forma a trazer à superfície de sua Mente consciente as compulsões que podem ter-lhe sido impressas quando era pequeno. Ele deve lançá-las para cima e para fora para limpar seus canais a favor de uma expressão de vida mais construtiva.

 

CAPÍTULO V – A LUA: O PRINCÍPIO DA MATERNIDADE

Quando estudamos as posições do Signo e dos Aspectos da Lua em um horóscopo lidamos com um dos fundamentos da expressão da vida: a base da polaridade feminina. A Lua é uma das pedras angulares de um horóscopo; é a raiz de onde brotam todas as outras variações das fases passivas, receptivas e emocionais da personalidade. O significado mais completo da vibração Lunar só pode ser compreendido quando se entende que cada ser humano possui dentro de si as essências de ambas as polaridades; todo horóscopo tem Sol-Marte, bem como Lua-Vênus, em um ou outro padrão.

O sexo físico, no mundo das formas, é uma ênfase específica de ambas as polaridades para os propósitos de perpetuação. Contudo, nos planos internos das impressões subconscientes, dos sentimentos, das memórias de destino maduro e dos padrões raciais a influência da Lua prevalece. Vê-se assim que a realização dos processos evolutivos se efetua nos aspectos físicos de ambas as polaridades, geralmente se alternando, e desde que o sexo físico se faz acompanhar de uma especialização de experiências, todos os seres humanos precisam conhecer a vida, como ser masculino e como ser feminino. Esta “especialização” não é só de expressão, mas também, e automaticamente, de destino maduro; portanto, certas lições só podem ser aprendidas por meio da encarnação como ser feminino. Em relação a isto, grande parte do destino maduro do ser masculino pode ser atribuída, por causa e efeito, a descumprimentos e desvios dos impulsos femininos em encarnações passadas, sendo a Lua, em tal horóscopo, a chave desses padrões de destinos maduros. O destino maduro que o homem expia através das mulheres é meramente a objetivação de sua própria polaridade feminina não regenerada; ele se manifesta como ser masculino, mas, por reflexo, através de seus contatos e trocas com “a mulher de sua vida” essas desordens internas são manifestadas.

Marte, dinâmico e vitalizante, é a função fecundante, a essência do sexo masculino; a Lua é a que recebe essa energização e converte a semente adormecida em forma. Portanto, a Lua é o elo entre o Ego e um grupo intitulado família. Esse grupo é o agente pelo qual o ser masculino, como macho, projeta-se na corrente de vida.

Portanto, a Lua é vista como o Princípio da Maternidade e, na astrologia mundana ou objetiva, esse é seu significado básico. Por meio da experiência como mãe, a humanidade recebe lições inigualáveis em alcance, profundidade e importância. É como mãe que os potenciais do egoísmo e egotismo, da dominação e destruição de Marte recebem suas primeiras transmutações alquímicas, através da iniciação do auto sacrifício exigido pelas funções da maternidade.

Muito se tem dito, desde épocas passadas, sobre a santidade da maternidade; quão poucas pessoas percebem que o mesmo impulso que leva uma mulher primitiva, semelhante ao animal, a ceder seu corpo à dor para que a corrente de vida possa ser perpetuada é, no microcosmo, idêntico àquele impulso pelo qual um Mestre, por meio de formas de transmutação e alquimia altamente desenvolvidas, “nutre” a vida espiritual da raça. A mulher primitiva responde instintivamente aos apelos do sangue e do desejo; o Mestre realiza suas aspirações transcendentais com amor impessoal. Quando se trata de nutrir a vida de outro – ou de outros – o princípio da maternidade é expresso (Astrologicamente, é claro, a mulher do exemplo acima é Lua-Marte; o Mestre, como uma expressão de Luz espiritual, sintetiza o espectro astral. No caso dele, a Lua é expressa, cosmicamente, como Netuno e Marte é expresso como Urano).

Como, poderia se perguntar, pode cada criança, em uma família grande, ter a Lua em um Signo diferente, uma vez que todos têm a mesma mãe? Em virtude da qualidade de experiência envolvida na maternidade, e das variações de “capacidade”, em níveis psicológicos e emocionais, e em situações domésticas que podem ocorrer durante os anos de fruição, uma mulher, quando mãe de uma sexta criança, não é a mesma que era quando era mãe só da primeira. Cada criança, em uma família, tem um padrão individual, e a sua Lua reflete ou indica um “quadro materno” individual. Consequentemente, ainda que a mãe seja a mesma pessoa, ela é “vista” diferentemente por cada criança, de acordo com a consciência ou subconsciência de cada uma. E isso é muito importante: ela pode ter um tipo diferente de vínculo de destino maduro – alguma expressão de atração ou repulsão básica – com cada filho. Portanto, a Lua de cada criança indica um padrão diferente de reações e sentimentos no relacionamento deles com a mãe.

A posição da Lua no Signo no horóscopo de uma menina – uma mãe em potencial – mostra, basicamente, o tipo de mãe que será ou poderá ser; os Aspectos da Lua descrevem suas experiências básicas de maternidade. No horóscopo de um menino, por reflexo, a Lua descreve a tendência geral de suas experiências domésticas e a essência de suas atitudes para com as mulheres, em geral. Aqui, há um importante ponto a ser levado em conta: em virtude da transição da mãe de uma família, o pai pode ter que tomar seu lugar na vida de seus filhos; sua Lua, então, indica sua habilidade para assumir esta responsabilidade. Em outras palavras, ele deve ser tanto mãe quanto pai, e não apenas seu Sol-Marte, mas também sua Lua recebe toda expressão direta. A recíproca é verdadeira: o Sol-Marte de uma mulher indica sua habilidade para exercer o poder e tomar iniciativas para criar sua prole, se o pai morre. Ambos padrões de polaridade são então sintetizados por meio da vibração de Urano para a transcendência das responsabilidades nas relações e destino maduro de família.

A Lua como um fator mental: ela simboliza os processos da “mente de sentimentos” subconsciente, não do pensamento impessoal separado. Ela é opinião, baseada em padrões familiares ou raciais que podem ou não ter muita relação com a realidade. Em outras palavras, ela é o “pensamento motivado por reações sentimentais”. Aqui a Lua é vista como “ponto de vista pessoal” que certamente se torna evidente quando a pessoa discute com qualquer outra pessoa ou questiona qualquer coisa em um estado de perturbação emocional. Como fator básico da triplicidade mental – Lua, Mercúrio e Netuno – a Lua encontra sua regeneração por meio de processos de disciplina e controle emocional e de desenvolvimento do desprendimento pessoal. Estamos ligados a pessoas e coisas de acordo com a intensidade e de sentimentos que nutrimos por elas. São nossos sentimentos que contribuem para a realidade tanto quanto se referem às relações pessoais. Só quando o sentimento é eliminado, o preconceito suprimido, as influências dos pais e da família transcendidos, e o equilíbrio interno desenvolvido é que “as coisas são vistas” – por meio de Mercúrio – “como são em si mesmas”.

Assim Mercúrio diz: “Este chapéu é azul”. Um fato impessoal. A Lua pode dizer: “Eu penso que esse chapéu é encantador – sua cor é exatamente como a dos olhos do meu bebê”. Sentimento pessoal. Esses são naturalmente exemplos triviais, mas servem para indicar como os sentimentos pessoais podem influenciar a nossa interpretação dos fatos.

Esta artimanha da Lua para perturbar, pelo sentimento, nossas percepções podem se manifestar de modo mais amplo para produzir resultados trágicos. Um rapaz rompe o namoro com sua jovem namorada; ela reage, emotivamente, com grande ressentimento e sofre durante anos com a convicção (subconsciente) de que “todos os homens são enganadores e mentirosos” (Até podemos ver seu rosto tenso e ouvir sua voz estridente). Ela então não está pensando com sua inteligência, mas com o sentimento de decepção, orgulho ferido e solidão. Um indivíduo sofre ofensas e injustiças por parte de outro de etnia ou nacionalidade diferente. Ele reage com amargura e essa recai sobre seus filhos. Um desses filhos absorve essa infeliz impressão, e, em virtude de uma pessoa ter prejudicado seu pai, ele, filho, adota dali por diante uma atitude de prevenção contra as pessoas daquela nacionalidade e sente o forte impulso de condená-las a todas, sem exceção, à desgraça. Neste exemplo fica revelada uma fraqueza na atitude do filho. Aqui ele não usa sua própria habilidade para pensar, mas se permite sujeitar-se inteiramente aos impulsos negativos das emoções perturbadoras do seu pai. E enquanto não fortalecer seu poder de discernir e pensar – conscientemente – ele continuará vitimando a si próprio por meio de seus sentimentos descontrolados nas atitudes relativas a essa particular nacionalidade.

Esta retenção de padrões subconscientes, por meio dos sentimentos, representa, em larga escala, aquilo que é conhecido como “memória” de raça e neste contexto a Lua, como “mãe”, significa a identificação do indivíduo com a sua nacionalidade ou etnia. Marte nos impele a lutar por nosso país, mas por meio da Lua amamos nossa pátria, como um filho ama sua mãe. O simbolismo é exatamente paralelo. Contanto que a consciência de raça seja pertinente aos padrões subconscientes de uma pessoa, ela se encontra na mesma classe de submissão aos seus “sentimentos nacionalistas” que uma criança quando, “presa à sua mãe”, vê na segurança protetora do seu amor a razão do seu viver. Esses estados mentais são idênticos em essência; um é infantilismo com respeito a um indivíduo, o outro é infantilismo com respeito a um padrão de raça. Quando a emotividade amadurece, todas as mães são Mães, as pessoas de quaisquer nacionalidades são Irmãos e Irmãs, e qualquer ou todas as nações podem ser o Lar. Contudo, na escala das coisas, cada padrão racial provê uma “matriz de nutrição” – ou lar – para um propósito específico e evolutivo. Cada uma é “boa em seu próprio tempo e para seu próprio propósito”, justamente como cada mãe é “a mãe certa para cada criança”.

Uma vez que a Lua, como um fator mental, se refere a interpretações do horóscopo sob um ponto de vista psicológico e psiquiátrico, não podendo, portanto, ser tratada detalhadamente aqui, oferecemos alguns pontos de interpretação básica da Lua, como Maternidade, em combinação com os outros Astros.

O grau ou intensidade de capacidade maternal é indicado pelo Signo em que a Lua se posiciona, os “padrões de experiência” pelos Aspectos que a Lua recebe dos outros Astros. No Signo de Câncer a Lua está em sua posição mais maternal; o impulso para nutrir é aqui acentuado ao máximo. Os dois outros melhores Signos para capacidade maternal são: Touro e Peixes. Em Leão, o Signo solar, a Lua brilha com calor e poder, mas com uma qualidade positiva que contrasta com a sua passividade básica de natureza. Em Libra ela se mistura lindamente com a vibração Venusina do Signo das sociedades, o que enfatiza os impulsos da sétima Casa. Em Gêmeos e Aquário ela está em seu mais puro mental; e em Aquário a Lua é tão impessoal quanto ela pode ser – desprendida, científica, e em sentimento é amigável, ao invés de simplesmente maternal. Em Capricórnio ela se mistura com o lado da forma da vida, por meio da vibração de Saturno; aqui ela é prática, capacitada, fidedigna ou confiável, mas algo carente da sensibilidade e simpatia que marcam o instinto maternal. Em Escorpião ela é intensamente emocional e fecunda, mas a vibração de Marte aquático enfatiza a força e a severidade. Esta posição é considerada desfavorável para a Lua, sob o ponto de vista psicológico. No horóscopo de um homem ela não reflete uma “imagem das mulheres” particularmente harmoniosa ou feliz. Em Áries, a Lua definitivamente não é ela mesma. Aqui ela se expressa com uma qualidade dinâmica, egoísta e masculina que é a antítese de sua natureza feminina – a palavra-chave é “autoafirmação”.

Deve-se enfatizar que a Lua focaliza o instinto maternal, mas existem diversas classes de “variação de experiência”. Estas são indicadas pelos Astros que se encontram no Signo de Câncer, regido pela Lua; diz-se que esses Astros estão disponentes[7] pela Lua. Também os Astros que se acham na quarta Casa – não importa o Signo – indicam, em grande medida, o lado objetivo da “consciência doméstica”; é através da “experiência do lar” que esses Astros encontram seus principais canais de expressão e o mais elevado potencial para realização.

A faculdade do instinto é uma das palavras-chaves da função da Lua. A esse respeito, a Lua simboliza o “instinto racial”, a “compulsão biológica”. Ela representa a expressão mais profundamente enraizada da força da polaridade feminina. Embora de natureza passiva e receptiva, a Lua encontra sua regência e seu detrimento em Câncer e Capricórnio, respectivamente, ambos os Signos Cardeais; vê-se assim certa faculdade dinâmica ou geradora na atuação da Lua.

Na medida em que a Lua esteja aliada a Signos que lhe sejam afins, ela expressa, com poderoso impulso, profundas necessidades de realização; quando está aliada a Signos com os quais não tem afinidade, ela deve expressar seus impulsos por meio de qualidades incompatíveis com a sua nota-chave básica; na medida em que esteja bem aspectada, ela promete realizações, harmonia nas experiências de dar-e-receber e saúde; na medida em que esteja com Aspectos adversos, ela indica: “destino maduro feminino”, tanto objetiva quanto subjetivamente, as necessidades para transmutação e regeneração de sentimentos, desarmonias físicas – especialmente nas mulheres; e as indicações de transmutação da expressão feminina são mostradas em qualquer Aspecto adverso da Lua, tanto nos horóscopos dos homens quanto nos das mulheres.

As notas interpretativas que se seguem devem, necessariamente, permanecer básicas e simples, para maior clareza. Lembre-se de que a Lua rege a função da Mente Subconsciente[8], e que qualquer Aspecto adverso representa uma “imagem” negativa que, trazida do passado, está “próxima à superfície da consciência”, podendo manifestar-se definitivamente na infância. A transmutação de um horóscopo começa com a transmutação dos Aspectos adversos da Lua.

Lua-Sol: O impulso maternal é aqui identificado, de algum modo, com o Poder. Afligidos, o sentimento e o propósito entram em conflito – um ou outro tende a predominar; o excesso de influência da Lua tende a determinar a força interna; com excesso de influência do Sol a maternidade se expressa em termos de dominação e tirania. Esse é um aspecto desintegrante porque a pessoa, por meio de “sentimentos sobre si própria”, não é totalmente consciente das capacidades internas, carecendo, portanto, de autoconfiança; para regenerar esse aspecto, o poder, na experiência doméstica, deve ser redirigido para as realizações da Lua, não se expressar apenas por se expressar. Sentimentos e propósitos benéficos são harmoniosos; a experiência maternal é expressa e cumprida com eficiência; certa “positividade” é encontrada, assim indicando a possibilidade de que a mãe seja a “líder” da família. A Lua em bom Aspecto com o Sol é redenção em qualquer horóscopo, pois mostra uma integração básica de polaridade.

Lua-Mercúrio: Com Aspectos adversos, sentimento e interesse maternal entram em conflito com o pensamento; a mãe com esta configuração adversa necessita de disciplina mental porque tende a “interpretar” de acordo com os seus sentimentos do momento, e não de acordo com a realidade. Ela deve se vigiar cuidadosamente quanto às suas palavras, não se permitindo falar demais quando estiver emocionalmente perturbada porque então é capaz de dizer inverdades e cometer injustiças. “Parar para pensar” é uma boa política para redirecionar esse impulso, e, quando esta configuração adversa for encontrada no horóscopo de uma criança, a mãe deve reconhecer que o filho é muito impressionável às suas palavras, ela não deve infligir na Mente dele seus impulsos e pensamentos negativos. Muitas pessoas com esta configuração têm sido, por destino maduro, impressionadas com as expressões negativas das emoções de suas mães, e têm vivido infelizes por muitos anos devido às “imagens” que, na infância, foram impressas em sua Mente Subconsciente. Tanto no caso da mãe quanto no da criança, a disciplina mental e o equilíbrio emocional são da maior importância para criar felicidade e êxito. Estabeleça o hábito de “averiguar os fatos” (Mercúrio), e agindo de acordo com eles, os sentimentos podem ser controlados.

Lua-Vênus: Estas duas formam a base da polaridade feminina realizada, no sentido de que elas indicam as emoções da mulher como mãe e como companheira. Sabendo que Vênus é “cultura e refinamento”, seus padrões discordantes com a Lua indicam falta de sentimento harmonioso; dependendo de qual dos dois está mais fortemente enfatizado na Carta Natal[9], o instinto maternal pode obscurecer a “reação ao outro indivíduo”, ou o impulso estético ou de companheirismo pode obscurecer aos reclamos da maternidade. Esta é uma configuração que simboliza relacionamento desarmonioso com a mãe, em termos de emoção. E na Carta Natal, quer do homem quer da mulher, representa a necessidade de equilíbrio e de completar os padrões femininos. Esse processo pode ser realizado (para a Lua) aproveitando-se as oportunidades para expressar o instinto de criança e (para Vênus) desenvolver a cortesia, a cooperação, o “pensar em termos da outra pessoa”, o que afinal é a base de todo viver civilizado (Vênus). Os Aspectos benéficos entre Lua e Vênus indicam um cultivo básico da natureza emocional. O refinamento e a graça, a cortesia e o bom gosto foram cultivados: estas qualidades podem ser refletidas fisicamente como beleza e encanto. Relações harmoniosas com a mãe, ou com as mulheres em geral, estão prometidas. O cultivo de faculdades estéticas também está indicado, desde que a Mente Subconsciente tenha sido fortemente impressa pelo fator de redenção de “pensar e agir em termos de harmonia”.

Lua-Marte: Como quer que se apresente, esta é uma configuração delicada, uma vez que os dois formam base da “emoção primitiva”. Indica impressionabilidade subconsciente intensa e os sentimentos maternais são sobrecarregados. Se o Aspecto é adverso, especialmente se uma Quadratura, isto significa “violência”, irritabilidade, ciúme e ressentimento. A ânsia de dominar é forte, sendo que estas mães tendem a “comandar seus filhos à sua vontade”. Esse Aspecto indica a possibilidade de ambição e da “ânsia de conseguir” serem estimuladas pela experiência da maternidade – tais mulheres sentem o desejo de “lutar por suas crianças”. Nos Aspectos adversos esse desejo é expresso com grande força; destaca-se então a “lei de unhas e dentes”. Ódios e inimizades em potencial são fortemente evidenciados por Marte afligindo a Lua, já que a Mente Subconsciente é profundamente impressionada pela “ânsia de defender e derrotar”. Padrões harmoniosos de Marte-Lua indicam possibilidades de ação construtiva muito maior – a energia é expressa por meio da ânsia de conseguir, ao invés de fazê-lo pelo impulso de destruir. Esta é a mãe corajosa, intrépida e valente, capaz de viver suas experiências maternais em termos de positividade e trabalho duro. Um Aspecto benéfico de Saturno, Vênus e/ou Júpiter com a Lua – paciência, harmonia e benevolência – são bons corretivos para as aflições Marte-Lua.

Lua-Júpiter: O instinto maternal se expressa por meio da benevolência e da abundância. Com Aspectos adversos a mãe pode se inclinar para um excesso de tolerância – ela busca “superproteger” suas crianças; o Aspecto adverso também indica uma superabundância de preocupação materna, e embora os motivos possam ser absolutamente sinceros e desinteressados, a mãe com a Lua afligida por Júpiter carece da capacidade de julgar – seus sentimentos obscurecem suas avaliações sensatas e tende a enfraquecer suas crianças, por tornar as coisas “demasiado fáceis para eles”. Ela precisa se disciplinar, até certo ponto, disciplinando suas crianças. Deve lhes permitir o privilégio de se desenvolverem por meio do exercício de sua própria iniciativa e do cumprimento de suas responsabilidades. “Libertando-se” deles por esse modo, até certo ponto, ela ganha em perspectiva e em controle emocional. Aspectos benéficos entre Lua e Júpiter formam um belíssimo padrão de amplitude, generosidade, sinceridade, e julgamento equilibrado. Tal mãe expressa a si mesma abundante e saudavelmente. Ela irradia calor e conforto; é uma fonte de bem-estar para a família, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Esse Aspecto é um retrato astrológico de Ling Sao, a mãe no livro “A Semente do Dragão”, obra de Pearl Buck.

Lua-Saturno: Aqui a experiência materna identifica-se com o lado da forma da vida, através da Responsabilidade. A Conjunção de Saturno com a Lua faz da experiência maternal algo como uma crucificação – muito além do significado comum da palavra. A maternidade, neste caso, “crava” a mulher às exigências da vida, e por meio das experiências domésticas ela deve realizar-se através de muitos obstáculos que podem ser reais, mas que também podem não ser, em virtude do seu ponto de vista subconsciente. Esse é um padrão de “estreitamento” – muito tem de ser feito por meio de uma limitação de esfera. Vênus e/ou Júpiter afligindo a Lua em Conjunção com Saturno apresenta um quadro um tanto triste – experiência doméstica vivida mais sem alegrias e em termos de limitação de meios. Saturno e/ou Marte afligindo, a vitalidade e o “ímpeto” ficam enfraquecidos – a realização é alcançada com medidas neutralizadoras de restrições e inibições. Saturno em Quadratura ou Oposição à Lua firma o temperamento e pode resultar em um necessário neutralizador de aflições dinâmicas, mas a influência de Saturno pode ser sentida como impedimento, restrição ou inibição. A posição de Saturno mostrará um canal através do qual o instinto maternal se expressará para o cumprimento de responsabilidade. Os Aspectos benéficos entre a Lua e Saturno indicam controle de sentimento e integração de habilidades práticas. Esta é a mãe forte, competente que vive ordenada e metodicamente. É um pilar de confiabilidade e, se é ou não particularmente emotiva ou carinhosa, ela ainda é confiável e capaz de colocar o lado doméstico de sua vida sobre uma base segura e prática. Talvez algo carente de “expressividade”, ela é, porém, uma mãe leal e devotada, que expressa seu amor materno no desejo de proteger e estabilizar.

Lua-Urano, Lua-Netuno: Nesses padrões há uma indicação pela qual o instinto materno básico pode ser redimido por canais espirituais impessoais, universais ou criativos. Em contato com Urano e Netuno, as indicações da Lua ocupam um espaço que ela não tem com os Astros menores. A Mente Subconsciente é sensibilizada e vitalizada por sintonizar-se com o que pode ser chamado de “padrões cósmicos”, onde a intuição e as faculdades psíquicas podem ser desenvolvidas. A Lua-Urano é muito mais dinâmica e criativa; a Lua-Netuno é mais sensitiva, emotiva, receptiva e compassiva. Contudo, as abordagens interpretativas a estas configurações devem ser feitas a partir da comparação dos Aspectos da Lua com os Astros menores – já que eles constituem os “primeiros degraus da escada”. A Lua em Trígono com Urano e Quadratura com Marte não é tão fácil como quando está em Sextil ou Trígono com Marte. Neste exemplo requer-se muito controle e direção de Marte antes do Trígono de Urano poder se expressar construtivamente. De outro modo, Urano respaldado por Marte desordenado, pode se expressar destrutivamente. A Lua em Trígono com Netuno e Quadratura com o Sol é muito melindrosa, impressionável e psíquica; mas com desordem entre Propósito e Sentimento ou com vitalidade esgotada; a sensitividade de Netuno pode resultar em alguma forma de psiquismo negativo e confusões mentais. Estude os Aspectos Lua-Urano pela síntese da Lua com os outros Astros dinâmicos que ela pode formar Aspectos; Lua-Netuno – compare seus padrões com Vênus e Saturno. Devemos saber como a Mente Subconsciente está alinhada com a polaridade masculina ou com a polaridade feminina – isto nos dá a chave da qualidade subconsciente básica. A Lua em Aspecto com Urano ou com Netuno é um indício de “universalidade latente”, já que esses Aspectos mostram a direção em que os impulsos primitivos, básicos, “carne e sangue” da Lua poderão, com o tempo, ser expressos em termos de realizações impessoais ou cósmicas.

 

CAPÍTULO VI – VÊNUS: O PRINCÍPIO DA MANIFESTAÇÃO APERFEIÇOADA

Vênus, feminina e magnética, é a consciência da harmonia resultante da alquimia de transmutações emocionais.

A harmonia pode ser definida como “consciência de união consumada” – antítese de Ego-separação. Através do primitivo Marte, nós como indivíduos, vivemos em e para o eu; Marte regenerado é aquela expressão do eu que se baseia na coragem da integridade pessoal. Um ser humano não pode “dar aos outros” se não tem uma consciência estabelecida “de que” e “de quem” ele é internamente, uma consciência de suas potencialidades e a determinação de realizá-las. Esse impulso de Marte no sentido da autopreservação é a etapa de que o Ego necessita para identificar-se com as correntes de vida através de “projeção” e do destino maduro resultante. Cada um de nós tem que formar um Corpo-Alma; não podemos formá-lo para outrem, e ninguém pode formá-lo para nós. Cada um de nós tem – em cada encarnação – no mínimo uma etapa do Corpo-Alma para desenvolver; não podemos desenvolver os dos outros e os outros não podem desenvolver o nosso. Isto, em essência, é o propósito da vibração de Marte – consciência da individualidade.

Entretanto, achamos que as experiências são objetivações de nossos próprios estados internos, os quais são “ligados” pelos nossos contatos com as outras pessoas. Quando a vibração de Marte tende a predominar, somos impelidos a usar nossa autoconsciência para interferir na vida do outro, sacudi-lo, para subjugá-lo para os nossos próprios propósitos. Isto é Marte como um rompedor de relações; o relacionamento consumado é a auto expressão que contribui, ao mesmo tempo, para o bem do outro. A vibração de Vênus é a nossa capacidade de agir – de atrair para nós – em termos de intercâmbio harmonioso com outras pessoas, cooperando e ajudando com boa vontade e propósitos construtivos. Deste modo nossas projeções são frutíferas e a mutualidade de desenvolvimento fica assegurada. As correntes de experiência são estimuladas e sustentadas progressivamente.

A palavra “manifestação”, do título, pode ser considerada sob duas abordagens. Saturno é Manifestação como forma física, a objetivação do Espírito. Nos processos do relacionamento, Saturno é visto como “responsabilidade”. Existe uma importante qualidade terrena acerca de responsabilidade que reflete perfeitamente a natureza essencial de Saturno.

Foi observado e psicologicamente provado, que o impulso amoroso proporciona a base mais satisfatória para o cumprimento de obrigações e responsabilidades. Quando amamos, descobrimos recursos de coragem e fé mais profundas, expressões que tendem a “aliviar a carga”. Além disso, o cumprimento é executado de modo muito mais completo e satisfatório quando uma atitude carinhosa, alegre e entusiasmada forma a base do esforço. Daí a derivação do nosso título – a consciência Venusiana como base de aperfeiçoamento do corpo das relações. A exaltação de Saturno no Signo de Vênus, que é Libra, é o correlativo astrológico. Além do mais, a experiência de relacionamento (Vênus) implica, automaticamente, na responsabilidade (Saturno) do cumprimento.

Nós temos dito que “Urano é a oitava superior de Vênus”. A triplicidade emocional é composta de: Marte, Vênus e Urano. Enquanto Marte é a projeção masculina, individualista e Vênus simboliza a transmutação dele em refinamento, por meio dos relacionamentos, Urano é a “fusão” dos dois dentro do indivíduo. Por conseguinte, a frequência vibratória mais elevada de Urano é a mistura das polaridades masculina e feminina conhecida como “Casamento hermético”, sendo que a expressão criativa dessa vibração manifesta sua realização sem necessidade de parceiro. Do estudo deste processo podemos ver que Urano representa a expressão da união suprema, que não depende das ilusões do relacionamento emocional; pois, em relacionamento, o cruzamento de intercâmbio, macho-fêmea é sempre evidente. As polaridades fundidas permitem à pessoa criar, a partir do seu próprio centro, em um nível de consciência emocional mais elevado do que aquele que Marte ou Vênus podem conseguir sozinhos, ou em intercâmbio entre si através de duas diferentes pessoas. Vênus no Signo de Urano, que é Aquário, é uma expressão transcendente de amor baseado no desprendimento e na liberdade.

Vênus está em sua Queda no Signo de Virgem. Virgem é um Signo mental, analítico e crítico. Quando você analisa, desmonta um objeto em partes para observar as partes em separado. Isto, na esfera de experiências de Vênus, serve para dar ênfase às coisas. A afeição é expressa em termos de “certo e errado”, “dever” e “adaptabilidade”, no sentido superficial. Vênus em Virgem é mais amor como “algo a ser feito” do que amor como fonte de experiências vivificantes e enriquecedoras que refrescam o coração e iluminam a Mente.

Uma expressão adicional de Vênus em Virgem pode ser descrita como amor ao seu trabalho, mas em escala menor ou em experiências domésticas em geral, a expressão parece mostrar-se uma preocupação com assuntos práticos da vida cotidiana: casa limpa e bem arrumada, bom talento culinário e fazer coisas graciosas. A redenção de Vênus em Virgem pode ser encontrada no estabelecimento de atitudes harmoniosas (belas) para com outras pessoas. Virgem transmite um talento crítico, mas Vênus impulsiona na expressão do tato e da cortesia; a compreensão simpática deve substituir a inclinação para descobrir e propalar os erros dos outros. Uma casa limpa e bem arrumada é algo belo e admirável, mas uma casa em que também contém uma vibração alegre, confortável e agradável é uma representação cheia de experiência do coração, uma cultura de Vênus.

Vênus, em qualquer horóscopo, é o símbolo da faculdade estética, bem como do amor em potencial. O ritmo, o equilíbrio, a proporção e o gosto são tão evidentes nas relações cultivadas como são nas qualidades das coisas a que chamamos belas.

Vênus é a reação estética instintiva – resultado do refinamento interno que se segue aos processos de transmutações emocionais. Ela é tida como a nossa habilidade inata para perceber e apreciar as cores, contornos, modulações e proporções. Ela é gosto cultivado – avaliação discriminatória.

Netuno, por outro lado, é a nossa reação à beleza não espontânea – em outras palavras, é a nossa capacidade para reagir à arte. Muitas pessoas têm uma sensibilidade aguda para as belezas da Natureza e de outras pessoas, mas sem Netuno elas não podem responder às expressões abstratas ou simbólicas das formas artísticas. Então, existem aquelas que possuem um alto grau de desenvolvimento – grande talento ou talvez até um gênio – ao longo de linhas de alguma arte em particular, que não apreciam a beleza em outras formas e podem demonstrar sua “falta de Vênus”, pela rudeza de sua aparência pessoal, falta de sociabilidade e deficiência de: desenvolvimento emocional e do cultivo de relacionamentos.

Vênus tende a fornecer, à pessoa, uma aparência encantadora; seja por um corpo gracioso, bem proporcionado, seja por uma voz expressiva – elas são belas naturalmente. Netuno é o uso habilidoso de cosméticos que criam a ilusão de beleza, são as lições de dança e de canto, pelas quais as pessoas forjam um grau de beleza maior do que possuem naturalmente. Vênus é o bom-gosto instintivo por meio do qual a mulher se adorna de acordo com os seus próprios requisitos pessoais; é a escolha de roupas que, por seu estilo e cor, combinem com a sua aparência – ela e suas roupas formam um conjunto harmonioso. Netuno é moda, onda e artifício pelos quais as pessoas, sem gosto próprio, seguem um padrão inventado, artificial. Seguir a moda pode ser – embora muitas vezes não seja – sinônimo de bom-gosto.

Netuno é arte – seja qual for a forma, é a invenção de um símbolo para expressar uma ideia ou ideal estético. De todas as formas de arte, a música instrumental e o drama são, de modo particular e peculiarmente, Netunianos. As qualidades especiais de Vênus são evidenciadas nas artes da Dança e do Canto. Isto se diz em referência à “base natural” destas duas artes; ambas são manifestações altamente cultivadas de funções corporais notavelmente desenvolvidas. É necessária alguma combinação ou relação entre Netuno e Vênus para que se verifiquem indicações astrológicas de talento artístico. Algum outro Astro pode indicar uma qualificação especial, mas esses dois formam a “base estética”.

Nos Signos Libra e Peixes, Vênus encontra as expressões mais puras de sua natureza essencial; Libra, o Signo da sétima Casa, é o símbolo do relacionamento, enquanto Peixes é a essência do amor espiritualizado. Em Touro, Vênus encontra a forte expressão de sua potencialidade emocional, porém mais em termos terrenos. Em Gêmeos e Aquário, se misturam com os impulsos de relação fraternal e amor-amizade. Em Sagitário, combinando-se com as qualidades de Júpiter da nona Casa, Vênus é considerado muito favorável, já que implica numa harmonia de espiritualidade e idealismo. Em Câncer é maternal e amante do lar, com intensa receptividade às necessidades daqueles a quem ama. Em Leão resplandece calorosa e dramaticamente – Vênus em Leão é o símbolo superior do amor romântico. Em Escorpião é intensamente magnética; a vibração de Marte é indicativa do amor como expressão sexual. Contudo, esta posição de Vênus é considerada desfavorável – para ela – porque “a parceria fica ameaçada pelo desejo pessoal”, e sob o ponto de vista fisiológico, a respeito do organismo físico feminino, as aflições de Vênus em Escorpião podem ameaçar realizações no inter-relacionamento sexual. Todavia, em pessoas avançadas, esta posição de Vênus pode prometer um potencial para grandes transmutações de emoções por meio da devoção consagrada – isso pode ser muito espiritual. Em Capricórnio, assim como em Virgem, parecem predominar as considerações de ordem material ou prática. Vênus afligido em Capricórnio é relacionamento – ou amor ou seu fingimento – como apoio à ambição e posição. Esta fraqueza de Vênus indica o egoísmo consumado – no sentido frio e calculista da palavra. Em Áries, Vênus é “amor como expressão própria” – exercendo a influência egoística e dinâmica de Marte.

Em um horóscopo, a esfera do potencial de Vênus pode ser encontrada determinando-se os Aspectos harmoniosos, assim como os Astros que estão disponentes[10] por Vênus. Esta última frase é importante porque Vênus pode estar sem Aspectos ou fraco por posição ou afligido por Aspecto; mas os Astros em Touro e/ou em Libra “se expressam por meio de Vênus”, estendendo a influência desta no horóscopo. Uma vez que Vênus é passivo – o resultado de processos transmutativos é afligido – e ela não aflige a outro Astro. As Quadraturas e Oposições a Vênus ou Conjunções adversas representam:

  • Possibilidades de frustração do impulso para a união e para a expressão de amor;
  • Estados de consciência que inibem o desenvolvimento dos impulsos estéticos e sociais.

Vênus em Sextil com um Astro que, pelo contrário, esteja afligido mostra a necessidade de usar Vênus como um agente alquímico para redimir o outro Astro de sua aflição. Os Trígonos a Vênus representam florescimentos da alma; o cultivo de graças internas mentais e emocionais e a capacidade para um viver harmonioso e alegre.

Quando Vênus está sem Aspecto, devemos considerar a Casa onde se encontra no horóscopo como ponto focal do impulso social; o Signo onde Vênus se encontra indica o potencial esotérico da natureza amorosa. Podemos interpretar esse padrão como representando uma encarnação na qual está sendo feita uma preparação alquímica para o futuro. Embora Vênus, neste caso, acene para uma pequena “promessa de recompensa” nesta vida, todavia, se estabelecem padrões de reação pelos quais os impulsos auto isolantes sejam transmutados em atos de dar ou em devoção a um ideal ou, ainda, a uma obra ou ao cultivo de uma compreensão simpática, o processo resultará numa recompensa de Vênus no futuro. A pessoa com Vênus sem Aspecto pode possuir uma disposição particularmente infeliz ou insociável, mas se ela fizer alguma coisa, uma vez ou outra, para tornar alguém feliz ou motivada, ela estará se expressando em termos de Vênus – uma emanação de boa-vontade que, infalivelmente, deve render seu prêmio.

Se Vênus é forte por influência, mas aflita por Aspectos então é “impulso sem cultivo”; o homem sociável que não pode distinguir amigos de conhecidos; a mulher que só gosta de cores bonitas – ela usa um chapéu vermelho, um casaco púrpuro, um vestido amarelo e sapatos cor-de-rosa; o “artista” que cantará ao menor desafio – sua voz irrita a todos os que o escutam; a mulher viciada em colecionar “coisas finas” – seu lar é uma selva de quinquilharias incoerentes. esses são exemplos-caricaturas de Vênus que encontramos em vários lugares e situações. Tais pessoas demonstram uma decidida falta de seleção discriminativa ou de senso de conveniência das coisas. Vênus é sempre “a maneira mais refinada de fazer qualquer coisa”.

Nesse ponto, nós sugerimos um resumo de Vênus com os três “primitivos” – Marte, Lua e Saturno. esses três formam os fundamentos de experiência nos planos emocional, mental e físico, e a relação deles com Vênus nos dá o como e o porquê de sua esfera e influência no horóscopo.

Marte-Vênus: esse é o padrão “amor-desejo”; o impulso sexual e seu refinamento por meio da união; a autoafirmação e sua conclusão através do relacionamento; a projeção do impulso dinâmico e sua realização aperfeiçoada; na experiência conjugal – companheirismo realizado através da integração das polaridades masculina e feminina. A despeito do sexo físico da pessoa, a predominância quer de Marte quer de Vênus no horóscopo indica a tendência da polaridade predominante. Se ambos estão fracos, os potenciais de emoção são baixos, o fogo sexual está ausente, e as expressões de vida puramente mentais ou puramente físicas predominarão nas experiências da pessoa. Se Marte aflige Vênus é necessário comparar, cuidadosamente, a esfera de ação de cada um.

  • Marte forte e Vênus fraco: predominância da masculinidade, dos impulsos dinâmicos, de autoafirmação e desejos sexuais;
  • Marte fraco, Vênus forte: a feminilidade predomina; o ímpeto e o atrativo estão ausentes na personalidade; a sensibilidade estética pode ser altamente desenvolvida, mas há pouco impulso para o trabalho ou esforço; esse padrão não favorece os homens, uma vez que o elemento feminino predomina sobre o masculino. Marte em Sextil ou Trígono com Vênus: promessa de mutualidade sexual e realização de impulsos amorosos; natureza saudável e emocionalmente integrada; capacidade para desfrutar das atividades e trabalhar cooperativamente; tanto nos horóscopos dos homens quanto nas das mulheres esse Aspecto é favorável, já que promete mutualidade entre as fases masculina e feminina da personalidade e do relacionamento.

Lua-Vênus: Esta é a base feminina do horóscopo. A mulher como mãe e como companheira; a polaridade feminina latente no homem indica os seus relacionamentos e experiências com as mulheres em geral. As aflições entre a Lua e Vênus no horóscopo de uma mulher indicam distúrbios fisiológicos, possíveis frustrações dos impulsos maternais e conjugais; irrealizações das capacidades afetivas. No horóscopo de um homem, a Lua afligindo Vênus indica seu destino maduro feminino, desarmonias nas relações com a mãe, esposa e/ou sócias mulheres. esse é o homem que desconhece a maneira de ser do sexo feminino – seus padrões femininos estão em desordem, não regenerado, prometendo desapontamentos e atritos; através da “ignorância do coração” ele cria um doloroso destino maduro para o futuro. esse homem precisa cultivar compreensão e simpatia; até lá, sua consciência permanece rude em certa medida, particularmente se Marte e Saturno estão fortes, independentemente dos Aspectos que formem.

Saturno-Vênus: Aspectados desarmoniosamente, isto indica o prazer sacrificado pela responsabilidade, o amor dominado pelo dever ou o amor debilitado pela introversão, ignorância ou pelo temor; disciplina forçada dos impulsos estéticos ou amorosos como uma retribuição de destino maduro de excessos do passado; Vênus, pelo contrário, se bem aspectado e forte, a Quadratura com Saturno pode indicar limitação de esfera de ação para o aperfeiçoamento da qualidade. Harmoniosamente aspectados entre si, Saturno e Vênus significam expressão do amor por meio da responsabilidade; o cumprimento de responsabilidade é um canal para o florescimento de capacidades amorosas; o amor é visto aqui como uma âncora, um meio de restrição benéfica e direção de energia e trabalho. esse é “o amor que deve ser manifestado” – o sonho que deve ser realmente vivido. Constância e fidelidade são as palavras-chave deste Aspecto – o amor se aprofunda e dura muito. A união serve para estimular talentos práticos e a experiência de amar forma uma base sólida para um viver construtivo e bem-equilibrado.

 

CAPÍTULO VII – O PLANETA MERCÚRIO

É atribuída, simbolicamente, a faculdade do intelecto ao Planeta Mercúrio, por meio do qual interpretamos, identificamos, classificamos, analisamos e avaliamos as coisas da Terra. Como princípio de identificação, ele representa a “denominação”, a “criação de palavras” e a objetivação dos pensamentos em palavras faladas e escritas. É o símbolo da percepção e da comunicação conscientes. É nossa consciência quando estamos livres de congestões emocionais ou perturbações de sentimentos subconscientes.

A substância a que chamamos Mercúrio é pesada, ainda que seu estado, em condições normais, seja líquido; nossos pensamentos, quando desorganizados ou desfocados são também como que líquidos, transitórios, passando rapidamente de uma impressão a outra, “para cima e para baixo”, “sim-e-não”, “ora-quente-ora-frio”. Contudo, quando nossos padrões de pensamento estão organizados, temos a faculdade de decidir definitivamente e de incorporá-los em algum tipo de exteriorização concreta definida, em palavras isoladas ou no prolongamento destas em sentenças. Esta exteriorização é o que chamamos “linguagem” – a faculdade universal de corporificação do pensamento. A qualidade líquida de Mercúrio é vista nas muitas maneiras pelas quais se podem identificar uma coisa específica; sua exatidão pode ser vista na “solidez” com que essa coisa é identificada por uma palavra ou sentença específica.

Mercúrio identifica tanto o abstrato quanto o concreto. É por meio de Mercúrio que compreendemos o concreto, mas é por meio das faculdades dos outros Astros que compreendemos o abstrato. Mercúrio, entretanto, é a raiz básica de nosso desenvolvimento de compreensão, do concreto mais literal ao abstrato mais intangível. Analisemos o símbolo planetário: uma cruz (matéria, manifestação, estrutura, o concreto, encarnação), sobre ela um círculo (perfeição, o completo) que, por sua vez, tem sobre si um semicírculo voltado para cima (instrumentalidade, receptividade de instrução ou inspiração).

Sintetizando esses fatores simbólicos, vemos que pelo exercício da faculdade de Mercúrio aprendemos sobre os princípios da vida por meio de sua expressão na Região Química do universo. Esse símbolo pode ser chamado de “Vênus com os cornos da Sabedoria”, e a dignidade aérea de Mercúrio, Gêmeos, é o Signo da nona Casa (oitava da Sabedoria) do Signo de Libra de Vênus. Foi-nos dito que os Senhores de Vênus e os de Mercúrio foram os Mestres que instruíram a Humanidade incipiente nos princípios da linguagem, dos ofícios, das artes e ciências, pelo que a Humanidade aprendeu a funcionar com eficiência sempre crescente no mundo material. Em suma, Mercúrio é o elo (mensageiro) entre os deuses (princípios) e a humanidade. É por meio de Mercúrio que nós aprendemos, em primeiro lugar, a natureza objetiva e a qualidade das coisas, depois a percepção dos princípios abre nossa consciência para a realidade subjetiva; em ambas as oitavas nós aprendemos, mas na primeira nos integramos através da identificação; na segunda conhecemos através da experiência que a Compreensão proporciona.

Já que o símbolo de Vênus esteja incluído no símbolo de Mercúrio, pode-se supor que todas as expressões artísticas da humanidade estiveram baseadas no desejo de comunicação. O semicírculo voltado para cima, que Mercúrio tem em comum com Netuno, representa uma forma microcósmica da instrumentação, que é um dos principais significados de Netuno.

 

O ser humano primitivo desenhava um pequeno quadro de algo para comunicar seu pensamento a outra pessoa. Partindo desse nível, ele desenvolve um sistema de símbolos para comunicar seus “pensamentos-imagens” – ideogramas, letras e suas combinações em palavras, e destas para sentenças. A expressão que a humanidade dá de seus conceitos, realizações, sonhos e aspirações – destiladas da experiência evolutiva – são o que nós chamamos de BELAS ARTES; todas elas, não importam os materiais ou técnicas usadas, é a faculdade Mercurial tornada extensiva por Vênus-Netuno, como comunicações simbólicas partindo dos recursos da consciência. Nem todos compreendem uma tela, uma peça musical, um poema ou uma escultura; aqueles que compreendem estão simpaticamente sintonizados com a consciência do artista. Todavia, todo aquele que possui um grau normal de mentalidade pode compreender o “simbolismo relativamente literal” da linguagem e expressar-se por ele – pelo menos falando. Aprender a falar é algo que todos temos feito em cada encarnação desde o princípio; fazemo-lo e aprendemo-lo instintivamente. esse instinto é simbolizado pela região da vibração da Lua – aquilo que conhecemos ou aprendemos por meio da faculdade memória subconsciente[11]. Portanto, considera-se o falar tão instintivamente natural quanto andar ou dormir. Ler e escrever, contudo, são extensões da Lua através de Mercúrio. A Mente consciente[12] deve ser treinada para entender a técnica dos símbolos representada pela língua particular com que se nasce. Você aprendeu português na sua infância, mas pode não ter conhecido esta língua em qualquer encarnação anterior. Você aprendeu a falar em português imitando, instintivamente, aqueles ao seu redor, como a recapitulação de uma faculdade que você exercitou em cada encarnação; mas pode ser que somente dentro da esfera de um passado relativamente recente você tenha adquirido fluência na palavra escrita, e pode ser que o português, sua língua vernácula, seja a única em que você tem agora alguma habilidade para ler e escrever. Destacada ilustração da “maturidade” de Mercúrio observa-se no talento natural para aprender a falar, ler e escrever em outros idiomas. A posse desse talento evidencia que a pessoa tem exercido suas potencialidades Mercuriais durante muitas encarnações; sua Mente adquiriu uma receptividade tal que a capacita a compreender uma variedade de técnicas de símbolos; a compreensão de vocabulário, de gramática, etc., tornou-se uma faculdade especializada que está integrada na consciência. A “mercurialidade” de Mercúrio, em nenhum caso, é mais bem ilustrada que a “magia” que ocorre na consciência de uma pessoa para outras pessoas quando aquela aprende a se comunicar na linguagem destas – ou vice-versa. O “espaço psicológico” que tende a existir entre as pessoas desconhecidas é, portanto, em certa medida, desintegrado e uma sensação de “entrosamento mútuo” toma seu lugar. De “Mercúrio como palavra” nós passamos para os “números” e em seguida para os símbolos abstratos. Nesses três estágios a Mente consciente é exercitada em três níveis específicos, sendo os dois primeiros os canais mais concreto e direto para o aprendizado. É verdade que cada Astro tem seu efeito especial sobre as faculdades mentais, mas, além de Mercúrio, outros três Astros referem-se especificamente a “oitavas mentais”. São esses: Lua, Netuno e Júpiter. A Lua, Regente de Câncer, é a Mente “instintiva”; por meio desta oitava nós pensamos pelos “padrões herdados”, “pensamos como pensa a tribo”, pensamos por meio do sentimento, temor, desejo, preconceito e dos padrões instintivos de segurança. Mercúrio é nossa “escolha e seleção individual”, é o “pensamento livre de congestões de sentimentos ou de negativos subconscientes”. Netuno é a Mente psíquica, a Mente telepática; é aquela parte da mentalidade pela qual nos tornamos instrumentos. Júpiter é a Mente da moralidade; é “o pensamento elevado ao nível de conceito”; é a decisão que se baseia não apenas na conveniência, mas na compreensão de princípios. Por meio de Mercúrio nós aprendemos pelo estudo e pela observação; por meio de Júpiter aprendemos pela experiência, da qual destilamos melhoramento e crescimento. Os símbolos Astrais de todos os quatro envolvem o semicírculo, que é o símbolo da Lua.

 

Júpiter é “a Lua posta na cruz da encarnação”; Mercúrio e Netuno têm o semicírculo voltado para cima, mas o símbolo de Netuno não ostenta a cruz – ele é o genuíno símbolo do “cálice”, o “receptáculo perfeito”, a “receptividade baseada na fé” e é o símbolo da faculdade oitava superior que denominamos instrumentação.

Atribuímos a Mercúrio a regência de dois Signos Comuns; Gêmeos e Virgem, de Ar e de Terra, respectivamente. Como Regente de Gêmeos, Mercúrio está exaltado (maduro) em Virgem, porque o conhecimento amadurece ao ser posto em uso; o conhecimento, como tal, permanece em sua infância se não é projetado ou expresso para o progresso da encarnação. Somente por meio do conhecimento pode o serviço ser realizado e os assuntos materiais melhorados. Qualquer coisa que seja “conhecida perfeitamente” pode ser “usada corretamente”; a ignorância é o caminho para o “mau uso” e para a corrupção do serviço.

Mercúrio é a mais plástica de todas as vibrações Astrais. Isto significa que “ele” é o mais facilmente afetado – ou qualificado – pelo Signo em que se encontre. Ambos os Signos de sua dignificação são Signos Comuns; um (Gêmeos) é a feminino-masculino, o outro (Virgem) é o masculino-feminino. Mercúrio, como intelecto, é não-emotivo ou neutro, no que concerne a gênero. Por regência do Signo ele é a raiz dos padrões de relacionamentos fraternais e a androginia de sua natureza é revelada claramente na natureza de Urano, Regente do Signo da nona Casa de Gêmeos que é o símbolo da bipolaridade criativa. O intelecto também é uma faculdade bipolar, posto que ambos os sexos devam exercitá-lo em cada encarnação. No que concerne a “qualidade genérica”, esta faculdade não é nem masculina nem feminina, mas tampouco é peculiar a um ou a outro gênero. Uma das evidências da fusão de polaridades é o desenvolvimento e exercício do intelecto pelos seres humanos encarnados como mulheres; assim como o cultivo da simpatia representa um “aperfeiçoamento” da natureza masculina. A Mente deve ser treinada para coordenar as condições e expressar os poderes de emoção, do sentimento e desejo em todas as oitavas evolutivas.

Como faculdade da razão, Mercúrio representa a raiz na consciência pela qual se aprende a Lei de Causa e Efeito. A Mente consciente observa o mundo material, evoluindo daí uma percepção da exteriorização de causas internas. Na mitologia, o Mercúrio de pés alados era o mensageiro dos deuses para a humanidade. “Os deuses” são simplesmente uma maneira simbólica de referência aos princípios da vida. Quando a humanidade emerge de uma reação puramente de sentimento para a vida e a experiência, ela abre caminho para o desdobramento de sua consciência do mundo material e dos princípios que esse expressa e pelos quais funciona. O ser humano aprende sobre uma ação quando percebe seu efeito; partindo disso, ele aprende sobre a sua própria consciência como sendo ela a fonte de todas as suas ações e expressões. O indivíduo irracional – se é que alguém pode sê-lo inteiramente – é assim porque recusa abrir sua consciência à voz de Mercúrio. Ele não estuda a si próprio em relação aos efeitos que tem causado. Ele não estuda as coisas e as outras pessoas como manifestações da lei, por conseguinte ele não se integra na forma. Permanece em um redemoinho desfocado de reações de sentimento; sem controle, sem padrão e sem rumo. As Quadraturas entre os Astros e Mercúrio representam o potencial do indivíduo para ser irracional. Tenha isto em mente quando analisar um horóscopo – é muito importante. Mercúrio é o meio pelo qual aprendemos a desintegrar congestões e realizar ideais.

Um ponto psicológico que pode ser de interesse: quando a Virgem de Mercúrio está no Ascendente, sua outra dignificação, geralmente, se encontra no Meio-do-Céu. A introversão que, portanto, é frequentemente atribuída a Virgem no Ascendente se descreve assim: o autodesenvolvimento é o foco da realização da ambição. As complexidades da personalidade de Virgem no Ascendente e de Peixes no Ascendente (são os últimos dos Signos de semicírculos inferiores e superiores) são representadas pela polaridade de Capricórnio-Câncer, sincronizando com a quinta e décima-primeira Casa – as Casas do amor criativo. Sempre que Capricórnio-Câncer são focalizados na quinta Casa, percebemos o potencial amoroso misturado com a consciência genealógica; tais pessoas estão, muito provavelmente, sujeitas aos complexos emocionais de natureza do destino maduro nos relacionamentos com seus pais.

 

Mercúrio, variável e impressionável, está à mercê de “excesso de ação”, “excesso de fixidez” e “excesso de adaptabilidade”. Uma vez que esse Astro rege os dois Signos mutáveis básicos (Comuns), seu potencial para integração é amplamente qualificado pelo relativo dinamismo ou condição estática do horóscopo, como um todo. Gêmeos e Virgem iniciam, cada um, um quadrante zodiacal; por conseguinte eles iniciam um quadrante de Casas que totalizam, juntas, um semicírculo inteiro de Casas ou um diâmetro completo da roda. Portanto, qualquer Aspecto de congestão ou de atrito a Mercúrio tem o efeito direto de prejudicar a habilidade da pessoa para aprender das experiências representadas por esses dois quadrantes – onde quer que estejam colocados no horóscopo. A particular localização de Mercúrio, como “focalizador” das vibrações Gêmeos-Virgem, mostra o departamento de experiência que provê o exercício das faculdades mentais para a “reabilitação” das desarmonias e a coordenação da Mente com os sentimentos. O Signo em que Mercúrio se posiciona identifica essa “coloração genérica” particular – expressivo-dinâmica ou reflexiva-absorvente. O fator mais importante na análise dos padrões de Mercúrio encontra-se no Astro que rege o Signo em que Mercúrio se posiciona. Esse Astro é o disponente de Mercúrio e tem muito a ver com o modo pelo qual a pessoa desenvolve – ou deixa de desenvolver – sua capacidade de raciocinar.

“Mente versus emoção” é representado por um Mercúrio descongestionado, disponente por um Astro congestionado. As congestões que envolvem o disponente representam – é claro – problemas que são levantados por reações emocionais negativas para outras pessoas, eventos, etc. Mercúrio limpo, descongestionado, torna relativamente fácil para a pessoa aprender de suas experiências e exercitar o controle racional de suas emoções e reações de sentimentos. Se Mercúrio e seu disponente estiverem descongestionados, você pode estar seguro de uma coisa: não importa que outras dificuldades possam estar configuradas no horóscopo, a pessoa tem uma habilidade natural e impulso para ser prática no aprender como realizar seus ideais e mais profundos anelos, a despeito do que sejam esses ideais ou do que ela, em sã consciência, chama de “realização” ou “êxito”. Seu ideal pode ser abundância financeira, pode ser popularidade e admiração, pode ser realização profissional de um talento, pode ser poder sobre outras pessoas; podem ser centenas de outras coisas, mas um Mercúrio limpo, descongestionado – tanto por Aspecto quanto por vibração – torna-lhe possível ver claramente o caminho para a realização do seu sonho.

Mercúrio congestionado com um disponente descongestionado promete desintegração de uma congestão mental, se o princípio do disponente é exercitado em relação aos problemas de Mercúrio. As “virtudes” do disponente Astral são os “agentes alquímicos” pela qual aquela particular qualidade genérica de Mercúrio pode ser “purificada” e as qualidades mentais harmonizadas e organizadas. Qualquer Aspecto de um Astro a Mercúrio é melhor do que nenhum, porque todo Aspecto é uma “canalização” para o treinamento das faculdades mercuriais. Mercúrio em Signo Cardeal, Fixo ou mutável (Comum) deve ser sintetizado com a cruz que esteja mais fortemente enfatizada no horóscopo, porque, por exemplo, um Mercúrio Cardeal ou Comum pode servir como um neutralizador muito eficaz de muitos Astros em Signos Fixos – e assim por diante. Mercúrio Cardeal enfatiza a expressão; Mercúrio Fixo enfatiza a retenção e Mercúrio Comum ou mutável enfatiza a adaptabilidade.

Para continuarmos com essa matéria vamos usar uma cópia do Grande Mandala – uma roda de doze Casas com os Signos zodiacais em sequência, começando com Áries no Ascendente. Coloque os símbolos Astrais nos Signos e Casas de suas Dignificações. Destaque as terceira e sexta cúspides, porque elas pertencem à Dignificação de Mercúrio em Gêmeos e Virgem.

A natureza andrógina (bipolar) de Mercúrio nota-se em seus atributos de “entrada, aprendizado e rendimento” (expressão do pensamento). Aprender tudo e expressar nada é usar apenas a metade da faculdade de Mercúrio; inversamente, as pessoas mentalmente desorganizadas revelam apenas a “metade de Mercúrio” quando se expressam continuamente sem concentração, reflexão ou entrada mental. Como expressão, Mercúrio não pode produzir nada válido se a entrada não for resultado de uma concentração e esclarecimento dos poderes mentais. Nós nos expressamos para o mundo consoante à imagem mental que temos dele; pontos de vista baseados primariamente em congestões de sentimentos e desejos não “veem” – nem podem ver – o mundo com clareza nem expressar o pensamento com verdade e justiça.

Um Aspecto de Quadratura ou Oposição de um Astro com Mercúrio pode atuar como um estímulo à expressão, mas a expressão em si mesma tenderá a exteriorizar um negativo na consciência. Isso é o que se entende por congestões a Mercúrio. Estados de sentimentos subconscientes baseados na ignorância, desarmonia, e assim por diante, desviam as faculdades mercuriais da verdadeira percepção; consequentemente, o que se expressa por meio de Mercúrio pode ser um “mensageiro falso” para outras pessoas. A respeito do Grande Mandala, vejamos como os potenciais de Mercúrio podem ser distorcidos e corrompidos pela má interpretação de outros princípios Astrais. Interpretação errada significa simplesmente falso conhecimento – portanto, falsa compreensão.

A “criminalidade” tradicionalmente atribuída à Quadratura entre Marte e Mercúrio se deve à coloração mental de egotismo negativo. “Eu primeiro” é a palavra-chave desta combinação. O Grande Mandala nos diz que “EU SOU” (a consciência do Ser individualizado) é a palavra-chave da regência de Marte sobre Áries. A mistura congestiva da vibração de Áries com Mercúrio, como Regente de Gêmeos, é uma representação de “Eu penso em termos do que é conveniente para mim – primeiro e último”. Um indivíduo é criminoso porque não está ciente e nem respeita o “EU SOU” do outro indivíduo. Mercúrio, pois, funciona correspondentemente; ele “avalia os ângulos”, “prepara as cartas” e “joga a partida”, de acordo com a sua limitada compreensão do “EU SOU” e do “EU QUERO”. Esta preocupação negativa com o “EU SOU” sem consideração ao “Você É” cria congestões no pensamento, porque nós estamos aqui para aprender a utilizar os recursos dos três primeiros Signos para a expressão evolutiva. A mente criminosa e antissocial não está ciente do princípio do sexto Signo, Virgem, a dignidade-Terra de Mercúrio, porque Virgem é a aplicação dos poderes mentais, na realização dos padrões de serviço. Por sua vez, o serviço (Virgem) emana do centro do coração de Leão, e Leão é o primeiro Trígono (Aspecto do Amor) da trindade do fogo, iniciada por Áries de Marte. Os Aspectos harmoniosos entre Marte e Mercúrio representam uma integração prática no pensamento. A pessoa pode projetar seus pensamentos na forma e dar-lhes objetividade. Esse é um dos melhores padrões de representação da habilidade de “conseguir que se façam as coisas”, pois o pensamento geralmente está integrado à ação e expressão físicas. Esse padrão enfatiza as áreas masculinas da consciência, porque acrescenta um colorido dinâmico aos processos do pensamento.

Vênus e Mercúrio só podem fazer entre si os Aspectos de Conjunção e Sextil. A vibração de Vênus, por meio do Sextil, atua como uma transmutação refinadora para qualquer congestão de Mercúrio por outros Astros. Uma vez que Gêmeos de Mercúrio e Libra de Vênus estão em Trígono um com o outro, esse Aspecto entre esses dois Planetas aponta, inquestionavelmente, para um recurso vibratório pelos quais as desarmonias de relacionamento podem ser convertidas em intercâmbio construtivo e em benefício de ambos. O Sextil de Vênus indica que a expressão artística também é uma transmutação para a harmonia dos poderes mentais. Vênus-Mercúrio, em Conjunção ou Sextil, acrescenta um toque de refinamento à personalidade inteira, o que pode aumentar com a maturidade espiritual. Desde que o Virgem de Mercúrio é o Signo da décima-segunda Casa de Libra, esse Aspecto entre os dois Planetas indica o melhoramento das experiências de relação, quando se presta serviço e quando a consciência de fraternidade é um dos mais significativos “ajustadores” para todos os tipos de congestão de relacionamento ou dificuldade. Esse Aspecto indica claramente que quando a pessoa procura aprender (Gêmeos) do relacionamento, desenvolve um potencial de fogo certeiro para harmonizar o relacionamento por meio da transmutação da mutualidade. Vênus em Conjunção com Mercúrio e em Quadratura com um terceiro Astro é como aninhar passarinho em um ninho de espinhos. A delicadeza e o refinamento da Conjunção são – até certo ponto – congestionadas em expressão pelo terceiro Astro; esse Astro pode representar um fator ambiental ou um fator de relacionamento, mas o Aspecto em si mesmo indica que a pessoa precisa refinar sua consciência para aquela situação ou relação, devendo redimi-la pela expressão por meio de Vênus. O princípio representado pelo “Astro da Quadratura” deve ser desenvolvido em níveis conscientes pela alquimia do exercício de Vênus-Mercúrio.

A Lua em Quadratura com Mercúrio certamente ativa bastante as faculdades mentais, mas a grande necessidade indicada é concentração. Esse é o Aspecto da distração e do descuido. A referência ao Grande Mandala é muito iluminadora: Gêmeos é o Signo da décima-segunda Casa desde Câncer, por conseguinte o conhecimento e a organização mental são as “redenções” dos “sentimentos instintivos” de Câncer. Um horóscopo que tenha esse Aspecto nos diz que o Princípio da Maternidade é um dos importantes “estudos” para a pessoa nesta encarnação; a qualidade desorganizada de Mercúrio, neste padrão, se deve a uma fragilidade na base psicológica do sentimento subconsciente, ficando demonstrada a necessidade de aprender a lição de disciplina mental contra as investidas de negativos ao sentimento subconsciente. A mãe desta pessoa pode ter um efeito muito pronunciado sobre a Mente e – posto que a Lua é o arquissímbolo da polaridade feminina básica – o Aspecto representa uma forma de pensamento e expressões negativas, por parte da pessoa, em uma encarnação anterior como mulher. Portanto, agora quer seja homem quer seja mulher, com esse Aspecto a pessoa é suscetível às influências mentais da verdadeira mãe ou das pessoas que tomem o lugar da mãe na sua vida. A Lua é também a “mente pública” – a Mente instintiva coletiva das massas de pessoas que são magnetizadas em conjunto por denominadores comuns de nacionalidade, religião, vibração emocional ou atividade mútua. A pessoa com a Lua em Quadratura com Mercúrio que procura se expressar publicamente deve organizar seus pensamentos para ser eficiente. A “mentalidade das massas” é afetada – benéfica ou adversamente – somente pela concentração de poder. Para efetuar tal padrão de trabalho, a disciplina requerida para planejar, organizar, etc., é o meio pelo qual a pessoa é induzida a corrigir a desintegração ou “distração” do Aspecto de Quadratura. Virgem de Mercúrio é o Signo da terceira Casa desde Câncer; então Virgem é Terra – e, portanto, uma expressão mais concreta dos potenciais de Mercúrio – o capítulo de experiência representado pela localização de Virgem no horóscopo, pode ser a canalização mais objetiva para corrigir a Quadratura de Mercúrio. Se Gêmeos é conhecimento, então Virgem é conhecimento posto a serviço de maneira prática. Os instintos representados pela Lua devem ser organizados e focalizados, se o conhecimento é para ser colocado em prática.

O Grande Mandala mostra Capricórnio na cúspide da roda; seu Regente, Saturno, é o Guardião desse portal; ele diz: “Cumpra suas responsabilidades para com você mesmo e para com os outros ou não poderá passar por Aquário e Peixes”. Num horóscopo que mostre Saturno em Quadratura ou Oposição a Mercúrio vemos uma representação de “organize sua Mente nesta encarnação – senão! “. Esse Aspecto é peculiar porque ilustra, talvez, mais claramente que qualquer outro, a bondade intrínseca em um Aspecto “adverso”. Capricórnio é o Signo da oitava Casa desde Gêmeos; a regeneração se efetua por meio da disciplina e da ordem. A frustração que parece ser representada por esse Aspecto é focalizada, evidentemente, nas condições da Casa em que Gêmeos se encontra, porque Gêmeos é o Signo Comum (mutável) de Mercúrio e, por conseguinte, aquele que mais necessita de organização. Esse Aspecto, em um horóscopo que seja basicamente Cardeal ou Comum por posições Astrais, é um foco de organização; ele detém as condições de Mercúrio somente porque estas condições precisam ser mais bem ordenadas e sistematizadas mais claramente. A pessoa Cardeal que só “se expressa sem planejamento” ou a pessoa Comum/mutável que “só flutua”, precisa focalizar-se em pontos de necessários para a realização. A pessoa Fixa que tem Saturno em Quadratura com Mercúrio pode, se quiser, usar seu Mercúrio para aprender sobre os resultados da inadaptabilidade. No passado ela “se enterrou fundo” em padrões de pensamento e reação; consequentemente, no tempo designado para as “coisas novas”, ela tende a resistir e se ressentir da mudança de suas condições. Esta pessoa pode estar – e geralmente está – altamente concentrada, talvez em um admirável foco de mentalidade, mas tende a pensar sobre as coisas ou aprender qualquer coisa, a partir de uma abordagem muito fixa. Com o tempo ela pode adoecer internamente na cristalização de suas condições e assuntos, pelo que buscará expandir-se por meio de mudanças. Saturno em Quadratura com Mercúrio, em um horóscopo fixo, pode representar receio mental ou intelectual e experimentar o desejo de saber mais, o que resultará numa descarga eficaz das congestões mentais e, a partir desse nível, numa melhora das condições psicológicas. Qualquer horóscopo com Saturno em Quadratura com Mercúrio terá que ser sintetizada e analisada cuidadosamente para determinar se o propósito do Aspecto é organizar tendências que inclinam para a dispersão ou observar os resultados de uma hipercristalização. A vida é uma sequência de emanações: o melhor do passado (Saturno) providencia sua contribuição ao melhor do presente. O indivíduo com Saturno em Quadratura com Mercúrio pode inclinar-se a resistir e ressentir-se do passado (o velho, o cristalizado e antiquado) como impraticável e desnecessário. Todavia, se ele usar seu Mercúrio poderá estudar o velho para determinar seu valor construtivo no presente. Isso descristaliza o sentimento de frustração e resulta na conversão dos poderes combinados de Saturno e Mercúrio para um bom proveito.

Além disso, Saturno rege o Signo Cardeal que inicia a trindade de Terra – a terceira oitava da qual é Virgem de Mercúrio. A lição espiritual é esta: desde que “terceira oitava” significa “Sabedoria”, a realização perfeita em qualquer nível se soma ao recurso da sabedoria – uma vez que a sabedoria é destilada da experiência. O conhecimento livresco (Gêmeos) é o primeiro passo para a compreensão, mas toda pretensão de compreensão é posta à prova concreta nos processos do viver. Portanto, nas contribuições válidas ao serviço nós provamos se sabemos ou não daquilo que falamos. Assim, com Saturno em Quadratura com Mercúrio, o conhecimento deve ser demonstrado em um tipo de vida que seja verdadeiro serviço; esta é a evidência da oitava-sabedoria da vibração de Mercúrio.

Urano, Regente de um Signo Fixo é exaltado em outro, quando em Quadratura com Mercúrio acrescenta um toque do que pode ser chamada “implacabilidade”. Urano “inspira” Mercúrio com o gênio inventivo, porque Urano é o símbolo da individualidade que se expressa criativamente. Contudo, esse Aspecto pode significar “maxilar preso” para Mercúrio, porque os processos do pensamento são filtrados por meio de um recurso intenso de emotividade. Uma obstinação inalterável é representada por esse Aspecto – é a representação da Mente fanática. O gênio pode precisar desta certeza profunda para realizar seus grandes propósitos; ele focaliza uma grande realização e não pode, em muitos casos, ser demasiado sensível e deixar-se influenciar pelos pensamentos dos outros. Deve viver e realizar através de sua individualidade não importa quão ortodoxo ou excêntrico que possa parecer. Ele pode ser um tirano ou um déspota, um mestre no crime ou inspirado cientista, mas sua Mente, contudo é revolucionária em seus efeitos; suas expressões mentais são carregadas de poder – para o bem ou para o mal. Todavia, os gênios são poucos e distantes uns dos outros; a pessoa comum com esse Aspecto pode estar desenvolvendo uma potencialidade de gênio, mas a adaptabilidade mental é uma das coisas necessárias aos processos evolutivos – precisamos estar livres interiormente para aprender mais e mais enquanto subimos a escada. Uma pessoa medíocre que tenha Urano em Quadratura com Mercúrio pode sentir “Eu sei tudo, não me diga nada”. A vida, pela ativação de Urano, pode se tornar elástica de maneira radical, efetuando mudanças de forma tão brusca que o mundo da pessoa expande com a vida ou se desintegra pela resistência as mudanças necessárias. Gêmeos é a raiz da consciência fraternal; o Aquário de Urano é a sua oitava espiritualizada; quando os dois Regentes estão em Quadratura temos o possível retrato de uma pessoa cuja experiência nesta encarnação sintoniza-a, pela primeira vez, com o conceito de irmandade universal, e esta é sua oitava de consciência que está bem acima da Mente e do Coração da pessoa comum. Assim, “captando um primeiro vislumbre” a pessoa pode falar de fraternidade além de sua habilidade de entendê-la e vivenciá-la – exceto de maneira “simulada”. Ela pode conseguir muitos partidários para a causa e bater sua cabeça contra a parede dura do conservadorismo. Esse Aspecto é o símbolo, por excelência, do “extremista-aliciador”; é também o símbolo – vamos enfrentá-lo – de uma pessoa que está entrando em contato com o pensamento astrológico ou psicológico pela primeira vez. A vibração de Urano insere novidades nas perspectivas mentais. Podemos ser lançados abruptamente numa vibração de Urano no curso de uma encarnação, mas não nos ajustaremos a essa vibração antes que decorram vários renascimentos. Urano em Quadratura com Mercúrio significa simplesmente que nesta encarnação os poderes mentais e as capacidades intelectuais deparam com uma novidade jamais conhecida antes. Urano em Trígono com Mercúrio é um ajuste mental estabelecido para um padrão impessoal; a individualidade é aqui aprazada para “florescimento”, e a pessoa expressa naturalmente nesta vibração transcendental aquilo que se refere “ao que é progressivo”. Esta pessoa pode aprender da representação universal – pode pensar em termos da raça, não das limitadas condições do grupo local. Esse Aspecto, seja qual for o nível evolutivo, é uma abertura para o gênio em potencial porque, com o Trígono, Mercúrio está organizado para a expressão.

Concluindo, ligue as cúspides da terceira, sexta, nona e décima-segunda Casas do Grande Mandala por linhas retas; o resultado será a Quadratura dos Signos Comuns/mutáveis, as congestões de Mercúrio através das deficiências de Júpiter e Netuno, e as potencialidades negativas de Júpiter e Netuno criados pelas bases de um Mercúrio desorganizado. Se Mercúrio é “falar, dizer e comunicar”, Júpiter é “ensinar” e Netuno é “inspirar”. Nós informamos através de Mercúrio, mas irradiamos sabedoria – destilada de nossas experiências – através de Júpiter para acender a Sabedoria latente de nossos irmãos e irmãs mais jovens. Por meio de Netuno nós “incendiamos as almas das pessoas” e esse incêndio só pode ser irradiado por uma consciência que esteja centralizada na verdadeira percepção; esta percepção, por sua vez, é evoluída pelos exercícios construtivos de Mercúrio. As oitavas superiores de Mercúrio, quando congestionadas, representam potenciais para a “perversão da verdade”; quando elas congestionam Mercúrio, então a faculdade de organização intelectual é “adulterada” sutilmente por falsos conceitos gerados em encarnações anteriores. Todas as condições representadas num horóscopo por Júpiter e Netuno congestionados representam a necessidade de se obter informações verdadeiras de fatos pertinentes àquelas condições e experiências; que significa usar Mercúrio objetivamente, sem emoção e concisamente. Fatos, não crenças; demonstrações, não implicações; provas demonstráveis, não apenas aceitas cegas e credulamente por preguiça mental, são os corretivos de Mercúrio para as congestões de Júpiter e Netuno. A “base” da cruz Comum é formada por dois Signos Mercuriais para dar apoio confiável às autênticas realizações de Júpiter e Netuno; esses, por sua vez, devem fornecer escopo em oitavas cada vez mais abstraídas para o exercício das faculdades de Mercúrio. Nós compreendemos uma imagem literal, depois uma palavra, a seguir um número, então um símbolo, depois um conceito, a seguir um princípio, e depois um ideal. Compreender a natureza dos ideais (Netuno) é o florescimento dos potenciais de Mercúrio, porque nos ideais é que se encontra a realidade esotérica de toda vida manifestada.

[1] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos esses cinco Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[2] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do Corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte.

[3] N.T.: entendendo aqui que são as seguintes Conjunções de Júpiter com: Saturno, Plutão, com Urano – somente se ambos estiverem em Detrimento, em Queda ou afligidos e com Netuno – somente se ambos estiverem em Detrimento, em Queda ou afligidos.

[4] N.T.: somente com Aspectos adversos, ou seja: sem nenhum Aspecto benéfico.

[5] N.T.: Aspecto de menor importância: 30 graus, aqui usado como comparação somente.

[6] N.T.: quando no seu Signo Regente

[7] N.T.: quando próximo do Meio do Céu (MC)

[8] N.T.: quando na 1º, 4º, 7º ou 10º Casa

[9] N.T.: Marie-Bernard Soubirous ou Maria Bernarda Sobeirons em occitano (1844-1879) foi uma religiosa francesa, cujo corpo está incorruptível.

[10] N.T.: Edward Joseph Flanagan (1886-1948). Sacerdote católico que dedicou toda sua vida à educação de crianças e jovens delinquentes e abandonados.

[11] N.T.: Francisca Xavier Cabrini (em inglês: Frances Xavier Cabrini), conhecida como Madre Cabrini que dedicou toda sua vida à educação de crianças órfãs por todo o continente americano.

[12] N.T.: Thomas Woodrow Wilson (1856-1924) foi um político e acadêmico americano que serviu como o 28º Presidente dos Estados Unidos de 1913 a 1921.

[13] N.T.: Thomas Alva Edison (1847-1931) foi um empresário dos Estados Unidos que patenteou e financiou o desenvolvimento de muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial.

[14] N.T.: Henry Ford (1863-1947) foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company, e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo.

[15] N.T.: Albert Schweitzer OM (1875-1965) foi um teólogo, músico, filósofo e médico alemão.

[16] N.T.: Signo Comum

[17] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses planetas trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[18] N.T.: Disposta, quer dizer que está disponente, ou seja: ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[19] N.T.: Criação literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências.

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VOLUME 2

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – MARTE: PRINCÍPIO DA ENERGIA

CAPÍTULO II – JÚPITER – O PRINCÍPIO DO MELHORAMENTO

CAPÍTULO III – A ORDEM DE SATURNO: “TU DEVES CUMPRIR”

CAPÍTULO IV – A ORDEM DE URANO: “LIBERTE-SE”

CAPÍTULO V – NETUNO: O PRINCÍPIO DA INSTRUMENTAÇÃO

CAPÍTULO VI – OS PADRÕES DE NETUNO: A DÉCIMA SEGUNDA CASA

CAPÍTULO VII – NETUNO – ASPECTOS E POSIÇÕES

CAPÍTULO VIII – PLUTÃO – O PRINCÍPIO DO FOGO CONGELADO

CAPÍTULO I – MARTE: PRINCÍPIO DA ENERGIA

Do mesmo modo que o Sol simboliza o centro criador das coisas, Marte representa a energia que flui, como o sangue, através da vida em manifestação, tornando possível todas as formas crescerem, se sustentarem e progredirem. Marte pode ser chamado de “o braço direito” do Sol. Os dois juntos sintetizam a polaridade masculina, e nos tipos primitivos ou não desenvolvidos, que vivem mais pela emoção e pelo desejo do que pela vontade, Marte toma o lugar do Sol até que certas etapas da evolução tenham sido ultrapassadas.

Marte é essencialmente egotista, separatista, friccionável e dinâmico. É a voz do: “Eu sou”, “Eu quero”, “Eu conseguirei”, “Eu me defendo”, “Eu derroto meus inimigos”, “Eu devo sobreviver”. É por meio de sua manifestação que vemos outras manifestações de vida – pessoas, experiências, coisas – como obstáculos a serem superados. Elas, em nossa consciência, representam ameaças à nossa vida, às nossas satisfações e ao nosso progresso.

Por conseguinte, Marte é visto no horóscopo como o centro a partir do qual nós lutamos pela autopreservação – em todos os planos. Ele representa o grau de nossa ânsia de viver, de nossa determinação para prosseguir, de nosso impulso para frente e para cima; ele é o olho de aço enfrentando as coisas desagradáveis que acontecem com você e que você não pode evitar de um destino ultrajante. Marte não regenerado é “Eu terei o que quero custe o que custar”; regenerado, ele é transmutado no ouro resplandecente da coragem – sua principal virtude.

Assim, vemos que Marte é o produtor do destino maduro, porque ele é a nossa projeção na vida. Ele é a base para a ação, mas não para o seu cumprimento. Ele é a objetivação da consciência, porque naquilo que fazemos nós refletimos o que somos. Através de Marte nós vivemos em e para nós mesmos, mas, quando a energia é expressa em termos de união com outros (a vibração de Vênus), Marte encontra sua regeneração.

Marte, como energia, é o princípio do trabalho. Seu grau de expressão indica como damos sabor, entusiasmo, força e impulso àquela forma de experiência que representa a nossa contribuição para a vida e os canais por meio dos quais produzimos para sobreviver. Em termos de consciência, existe uma enorme diferença entre trabalho e labor. No primeiro, nós fazemos as coisas que queremos fazer, como uma forma de auto expressão e liberação psicológica; no segundo, simplesmente fazemos algo em troca de pagamento. Ao primeiro imprimimos um impulso para fazer o melhor que podemos, em termos de ação; quanto ao segundo, a automanutenção material é só o que interessa – uma ocupação automática e rotineira para ganhar dinheiro.

Marte, como princípio de trabalho, não significa necessariamente um tipo de trabalho marciano. Um músico, poeta, filósofo, enfermeiro, professor ou qualquer coisa semelhante pode trazer para sua linha de atividade este princípio de trabalho como realização. Marte mostra quão forte é o impulso para o trabalho, para a auto expressão, para o esforço e desenvolvimento. Qualquer Aspecto aflitivo ou inibitivo com Marte no horóscopo indica um enfraquecimento de impulso, uma dispersão de energia, uma falta de coragem e uma tendência mais para sujeitar-se ao destino do que para lutar por ele.

Não devemos confundir as indicações de talento com as indicações do trabalho da vida. Uma pessoa pode ter todas as indicações para ser um artista talentoso em alguma área, mas se Marte não estiver ligado a esse padrão, a expressão artística não pode ser considerada como padrão vocacional, uma vez que o impulso de Marte não se expressa através desse padrão. Pode usá-lo como um entretenimento ou, de certo modo, como passatempo criativo, mas o padrão de trabalho de sua vida, para ser autêntico, deve incluir uma parcela da vibração de Marte, isso para lhe garantir êxito e a mais completa realização. Qualquer pessoa que exerça, como o trabalho de sua vida, alguma atividade não ligada a potencialidade de seu Marte, realmente não trabalha e nem pode trabalhar – ela só labora e luta, e se deseja saber “por quê” ele não parece avançar, assegurando ainda sua própria infelicidade. Marte como um fator do padrão de trabalho da vida, pode mostrar, por Aspecto direto com outros Astros envolvidos, ser poderoso por si mesmo ou por disponente[1] com outros.

Alinhados com os conceitos atuais de psicologia construtiva, sabemos que muitas desordens são devidas ao mau uso dirigido de Marte, porque Marte é o símbolo primordial do impulso sexual, a motivação criadora de toda vida. Na vibração de Marte a humanidade encontra uma de suas principais fontes de expressão do Ego através do intercâmbio sexual – ou, no dizer das pessoas menos desenvolvidas: da conquista sexual. Em relação à conquista, Marte é visto como uma expressão de egoísmo máximo em que a satisfação da ânsia do desejo é o único objetivo. Somente quando esta ânsia é experimentada em termos de mutualidade é que o “intercâmbio” acontece. Neste caso, Marte, através de Vênus, redime-se ou regenera-se, gradativamente, em expressões cada vez mais elevadas de amor.

Em pessoas não desenvolvidas, Marte encontra sua contraparte feminina na Lua. Um é o impulso para iniciar ou projetar a vida, a outra é o instinto de produzir e alimentar essa vida. O padrão Marte-Lua no horóscopo quer do homem ou da mulher, pode ser descrito como o potencial do desejo; Marte-Vênus é o potencial do amor, e o Sol precisa ser levado em conta na análise do potencial da paternidade. Uma síntese dos padrões de Marte, Lua, Sol e Vênus indicarão as possibilidades de realizações, tendências emocionais predominantes, e os impulsos de polaridade da natureza da pessoa. Uma cuidadosa atenção ao Aspecto aflitivo que exista entre dois de quaisquer desses Astros, e que esteja mais próximo de ser exato em graus, indicará o padrão que contém o potencial mais profundamente arraigado para frustração ou desarmonia na natureza emocional.

O espaço não permite uma discussão completa e detalhada de Marte em seus padrões com todos os outros Astros, mas, em virtude de nos interessarmos principalmente para os fatores psicológicos da astrologia, devemos, a esta altura, oferecer algum material que se refira a Marte e ao instinto sexual. Nos últimos anos o fator sexual da natureza humana tem sido objeto de intensivos estudos da parte de todas as pessoas que buscam ajudar aos outros em seu desenvolvimento, e em relação a isso o astro-analista tem uma grande contribuição a dar. Ele vê no horóscopo uma imagem semelhante de uma radiografia, das potencialidades emocionais, e não apenas como padrões estáticos de reação, mas, referentes ao destino maduro, como expressões da Lei de Causa e Efeito – desde o passado, através do presente e apontando para o futuro. Nós vamos, agora, tratar dos aspectos “aflitivos”.

Marte-Lua: A Mente subconsciente[2] está carregada de imagens sexuais não realizadas e desorganizada; as reações sexuais são estimuladas facilmente, de maneira que, quando expressas, são muito fortes. Se as instruções sexuais, científicas e espirituais forem negligenciadas, grande prejuízo pode resultar disso – as imagens subconscientes devem ser purificadas e reorganizadas. Os pais devem permitir a tais crianças estar conscientes da sexualidade em suas vidas sem receio ou “vergonha”, porque essas falsas atitudes servem apenas para tornar o problema mais difícil. Abordagens naturais, honestas e honrosas devem ser feitas tão logo a criança demonstre interesse pelo sexo. Devem-se lhe dar aplicações construtivas e produtivas às suas energias e, sem reserva ou rigor impróprio, os primeiros anos da criança devem conter certa rotina de atividades que sirvam de modelo aos seus gastos de energia. Exercícios físicos bem equilibrados são muito benéficos, uma vez que o organismo tem, então, oportunidades de se desenvolver por meio da aplicação de energia, podendo-se lhe inculcar um respeito sadio pelo corpo físico. Deve-se ensinar à criança o respeito por seu órgão sexual, e, com essa reorientação de seu subconsciente, atitudes saudáveis podem ser absorvidas. Estes fatores se tornam, comparativamente, mais importantes à medida que Marte seja forte por Signo (Áries e, especialmente, Escorpião e Capricórnio) e/ou se a Lua estiver em Escorpião e a ocupação planetária de Signos de Água for marcante.

Marte-Vênus: Os fogos de Marte (desejo-paixão), quando destilados pela alquimia de Vênus, resultam no florescimento do amor humano porque Vênus é o resultado da energia expressa em termos do outro indivíduo. Vênus no horóscopo pode ser poderoso por Signo, por Aspectos, etc., mas se Marte for fraco então o potencial de amor será fraco. Neste caso Vênus seria identificada como: cultura, habilidades artísticas ou sociais, amor ao belo, etc. O potencial de amor é demonstrado claramente como uma possibilidade de usufruto se Marte e Vênus formam Aspecto entre si – o impulso do desejo tem, então, contato direto com seu agente alquímico, mas uma síntese cuidadosa deve ser feita em relação a possíveis fatores de frustração ou inibição deste processo.

Quando Marte é forte e Vênus fraco, e se os dois formam Aspecto entre si o padrão indica uma possibilidade, nesta encarnação, de desenvolvimento da natureza amorosa. Este padrão indica a predominância do impulso masculino (iniciativa, conquista, etc.), o qual para florescer, precisa ser cultivado harmoniosamente. Quando Vênus é mais forte e Marte se encontra debilitado, então as qualidades receptivas ou femininas predominam, sendo a pessoa atraída subconscientemente para um parceiro mais positivo ou dinâmico. Marte em Quadratura com Vênus é prejudicial à expressão de Vênus, ainda que Vênus possa estar bem aspectado por outro lado, porque neste caso, Vênus não recebe o impulso dinâmico em forma construtiva ou frutífera. O resultado deste aspecto pode se apresentar como: uma profunda ânsia de amar, mas com incapacidade de expressar esse amor; tendência a exprimir amor em termos de afirmação do Ego ao invés de uma expressão do coração; predominância excessiva das qualidades masculinas básicas que criam uma insensibilidade às expressões femininas da vida – ou uma falta de compreensão delas; a pessoa pode preferir viver sua vida mais voltada ao trabalho do que ao amor.

Marte-Urano: No plano emocional é dinamite. O potencial para paixão é muito grande, e, se Vênus estiver relacionado, o amor pode se revelar em uma medida extraordinária. Intensidade é a palavra-chave, qualquer que seja a expressão. Posto que Urano seja a fusão de Marte-Vênus em criatividade, este Aspecto indica uma tremenda ânsia de criar ou inventar, de algum modo, indicando também a necessidade de muito controle e orientação. Inibidas, as energias dinâmicas podem ser acumuladas e reprimidas a tal ponto que há grande perigo de explosões destrutivas, emocionais ou físicas.

As expressões negativas das combinações Marte-Urano indicam que a energia pode ser desperdiçada ou dispersada em medida extrema; nas expressões sexuais da vida este Aspecto indica um padrão de sexo não regenerado como protesto ou desobediência à lei. Este á um símbolo de possível libertinagem – o indivíduo pode descontrolar-se quando movido pelos impulsos; ele não quer ou não pode ser submetido ao que chama de “limitações” ou “escravidão do relacionamento”. Ele é, segundo ele mesmo, uma “alma livre”; tão livre que, emocionalmente, não pode absolutamente manter seus pés parados, mas tem que movimentá-los para cá e para lá. Tal pessoa deve ser avisada de que, se seus impulsos amorosos não forem modelados em formas construtivas e frutíferas, em nada resultará a não ser no desperdício.

Se outras condições permitem, Marte-Urano podem indicar as possibilidades de poderosas sublimações, se as energias forem dirigidas. Uma causa, um ideal, um trabalho de toda vida, quaisquer dessas coisas podem se constituir num canal por meio do qual a pessoa reorienta seus potenciais sexuais para expressões impessoais. Este processo pressupõe uma poderosa força de vontade, e se essa falta no horóscopo o descontrole dessa forte expressão de energia de Marte pode resultar num destino maduro muito difícil e doloroso. Marte-Urano, também, indica a possibilidade de perversão das expressões sexuais por preponderância da polaridade masculina e dificuldade para se conseguir equilíbrio e realização emocional. Este deve ser comparado cuidadosamente com as indicações femininas para que possam determinar as possibilidades de integração emocional.

Marte-Netuno: Neste padrão aflito temos um símbolo de condições muito obscuras e difíceis de identificar, as quais têm sido objeto de pesquisas por muitos anos da parte de psiquiatras e psicólogos. É indicação de um sistema nervoso muito excitável e facilmente afetado, o que, sob certos estímulos, pode resultar em graves desvios do impulso sexual. Podemos descrever este padrão como ilusão sexual.

Acompanhada por um padrão de frustração, esta influência de Netuno pode levar o indivíduo a procurar um escape através das “liberações” da bebida e/ou das drogas. O organismo é sensível a esses estímulos, e como – ou se – o potencial amoroso é fraco, a pessoa anseia encontrar escapes sexuais através de procedimentos falsos e ilusórios. Esses escapes são doentios, destrutivos e, em razão dos contatos repetidos com as vibrações astrais inferiores, muito contaminadoras. As descargas de energia são difundidas em “sonhos” e a saúde emocional retardada – em casos extremos destruída completamente.

Contudo, as reações à bebida e às drogas podem ser corrigidas por meio de terapêuticas; Marte-Netuno pode indicar algo ainda pior – expressar a natureza e impulsos sexuais por meio de símbolos. Nessa forma de patologia surgem imagens subconscientes em que a pessoa não expressa ou não pode expressar absolutamente seus desejos sexuais com outra pessoa – só pode ser estimulada por alguma coisa inanimada que simbolize para o indivíduo um objeto de desejo. Essa forma de perversão só pode ser eliminada por cuidadosa análise e por terapêutica ou por psicologia espiritual. Algo muito “diabolicamente profundo” se converte numa realidade emocional para a pessoa que torce e desvia seus desejos de toda perspectiva normal. Examine o horóscopo cuidadosamente em cada indicação de possível expressão emocional saudável, pela qual os impulsos sexuais da pessoa podem ser adaptados à realidade dos padrões humanos.

O que foi colocado acima diz respeito a condições extremas ou complicadas envolvendo Marte e Netuno, e é claro que outros fatores devem contribuir para a indicação de tais tendências perversas. Todavia, Marte-Netuno indica algumas formas de expressões sexuais que se desviam do normal. Vamos considerar certas possibilidades de regeneração deste padrão:

  • A energia pode ser sublimada por meio da arte criativa, da música ou do drama;
  • O trabalho pode ser relacionado a profissões curativas;
  • A dedicação ao bem-estar humano poderia, de alguma forma, ser excelente medida corretiva para redirecionar a natureza de desejos;
  • O conhecimento e a compreensão do sexo – fisiologicamente, psicologicamente e esotericamente – serviriam, certamente, para clarear as imagens mentais de tal maneira que a pessoa pudesse, em grande parte, entender seu problema;
  • O estabelecimento da higiene, como um fator em seus hábitos físicos, poderia sintonizar sua consciência com o ideal de pureza interna e externa;
  • E, acima de tudo, estabelecer, na consciência, o objetivo do amor pelo qual todos os impulsos de desejos encontrem sua regeneração.

Marte-Saturno: A essência da frustração emocional. Dependendo de quão Marte seja forte por Signo e Aspectos, este padrão de frustração pode criar problemas e dores, e levar a pessoa a desenvolver complexos de toda classe de inferioridade, de auto deficiência e medo. Estude o horóscopo esotericamente para determinar o propósito dessa frustração: por que a pessoa está sendo freada por Saturno? O que ela deve cumprir através de Saturno? Então, quando o cumprimento da responsabilidade tenha sido efetuado, de que avenidas Marte dispõem para um viver construtivo, criativo e saudável? Este Aspecto serve a um sério propósito, aonde quer que se encontre no horóscopo. Marte foi usado incorretamente no passado, e agora deve ser restringido por meio do destino maduro, pois suas energias são necessárias para restaurar um padrão distorcido. Apele para o respeito próprio, para a honra e para a coragem da pessoa – ela precisa compreender que deve lidar e transcender a força inibidora.

 

CAPÍTULO II – JÚPITER – O PRINCÍPIO DO MELHORAMENTO

Quando nós analisamos o símbolo de Júpiter vemos um semicírculo sobrepondo-se, ou sombreando, a cruz da manifestação material. Este semicírculo pode ser interpretado como a Lua – a função de nutrir – ou como um símbolo geral do espírito. Em ambos os casos é transmitida a essência do propósito de Júpiter.

 

No primeiro caso vemos o “princípio de nutrição” permeando toda manifestação física – preservando, curando e ampliando as partes componentes da experiência como encarnação; no segundo caso identifica Júpiter como o agente por meio do qual as forças espirituais se manifestam na consciência terrena.

Júpiter sempre deve trabalhar através da forma; seu escopo está definitivamente condicionado pelos ditames e experiências de Saturno. Ele não é transcendente, como são Urano e Netuno; é uma “sombra antecipada” deles, já que proporciona um canal para a apresentação exotérica das verdades espirituais. Na aplicação psicológica, ele é aquelas qualidades da Mente e do Coração que proporcionam avivamento e exaltação à consciência evoluinte. Ele é o sangue arterial no corpo físico – o fluido fresco, puro e nutritivo que em seu curso efetua um trabalho de renovação e sustento. Ele é a nona Casa do horóscopo – o verdadeiro julgamento e a verdadeira compreensão que são destilados da experiência, e que fornecem o pábulo para o progresso construtivo na vida.

Sempre há uma qualidade a mais na vibração de Júpiter. Ele é “mais do que suficiente”. Ele é grandeza e amplitude em qualquer forma. Ele não é uma vibração especificamente estética, mas sua “personalidade” ressalta claramente na complexidade, magnificência e no esplendor dos cenários, do bailar e da grande ópera. Sua é a extensão da energia de Marte a que chamamos “representação”; ele é o entusiasmado, risonho, progressista e generoso amante da vida.

Se fosse necessário resumir as virtudes de Júpiter em uma palavra, por certo essa palavra deveria ser: benevolência. Júpiter é a nossa capacidade de dar – sincera, abundante e sabiamente. É através de Júpiter que nos misturamos com as vidas dos outros com o pretexto de ajudá-los, irradiando-lhes o melhor do nosso Coração, da nossa Mente e dos nossos recursos materiais. Júpiter é filantropia, ele é a beneficência da religião. Ele é qualquer meio pelo qual nós, individual ou coletivamente, melhoramos as condições deste plano. Júpiter pode ser expresso, é claro, em termos de “eu e só eu”, mas esta não é sua última capacidade. Não importa quanta riqueza um indivíduo adquira ou quão grande seja sua mansão, quão caprichado seja seu guarda-roupa, quão vasta seja sua herança, ou quão extensos tenham sido seus estudos, ele não vive à altura de seu Júpiter enquanto não der algo de sua abundância para melhorar algo fora de si mesmo. É por meio dessa expansão que Júpiter neutraliza possíveis dificuldades causadas pela cristalização de Saturno, devido ao medo de perder. Júpiter e Saturno trabalham de mãos dadas, quando a receita se faz acompanhar de uma despesa beneficente.

Psiquiatras, Psicólogos e Astro-analistas – Atenção! Júpiter nunca demonstra seu poder mais especificamente que quando a “despesa” é feita como uma expressão de gratidão pelo recebimento da “receita”. A gratidão sincera – a uma pessoa ou a Deus – proporciona um tipo de “dilatação” de consciência que a sintoniza mais e mais com o crescimento e com a abundância de expressão. Nenhum aspirante deixa passar um único dia de sua vida sem sentir e/ou expressar gratidão a alguém por alguma coisa. Esta é uma gratidão sincera, jubilosa, positiva; não é um rastejar servil, pelo qual aquele que recebe se degrada a si próprio e insulta àquele que dá. A psicologia de Júpiter – agradecimentos pela dádiva e o desejo de compartilhá-la com os outros – é algo profundo e de longo alcance. É um alimento para a Mente, para o Corpo e para a Alma, infundindo, como ele faz, um fluxo de energias renovadoras quando há condições em que a situação se torna cristalizada, mórbida e insalubre. Nosso Dia Nacional de Ação de Graças é comemorado quando o Sol transita pelo Signo de Sagitário – regido por Júpiter!

Alguns pretendem que Júpiter seja considerado um símbolo do pai – exercendo a versão masculina do impulso de nutrição. Seja como for, de uma coisa podemos ter certeza; Júpiter é o símbolo do professor ou do “pai espiritual”. Júpiter nutre a mentalidade espiritual e, como tal, é representado pelo sacerdote. Todo professor é um pai espiritual – seu trabalho e propósito é guiar a pessoa mais jovem ou menos desenvolvida ao longo de linhas de desenvolvimento não especificamente relacionadas com as necessidades físicas. Saturno é o princípio da Lei, no sentido esotérico; mas a nona Casa é a profissão da lei, como proteção às pessoas. A nona Casa é, também, a Igreja, como instituição protetora e instrutora. Então, a nona Casa, por meio da regência de Júpiter, parece resumir a “consciência do certo e do errado” não no sentido abstrato ou absoluto, mas em termos de ciclo de desenvolvimento da pessoa, de sua origem racial e do molde religioso no qual ele está se manifestando.

Júpiter é nossa expressão externa direta dessa consciência, de maneira que sua posição e seus Aspectos no horóscopo mostram como e por quais meios, se existe algum, nós sentimos o impulso de ensinar às pessoas o caminho (que nós achamos) que devem seguir. Uma nona Casa ocupada por Astros que não estão afligidos ou que o Regente da nona Casa não esteja afligido, indica que a pessoa, nessa encarnação, não terá dificuldade, em geral, para encontrar a religião que realmente necessita e quer. Ela será posta em contato com os mais adequados professores para satisfazer seus anseios espirituais. Se afligida, a nona Casa indica obstáculos para alcançar satisfações religiosas ou filosóficas. Grandes atrasos, confusões, desilusões e desapontamentos são indicados pelas aflições da nona Casa, e as aflições ao próprio Júpiter e mostram como nós, individualmente, precisamos nos disciplinar e exercitar para expressarmos nossa capacidade total como professores ou como líderes morais. Muito destino maduro pode ser entendido por meio das aflições da nona Casa, por dedução de Causa e Efeito; eles são os “desvios” cometidos pelo indivíduo no caminho do seu desenvolvimento espiritual. Este desenvolvimento de consciência e compreensão espirituais certamente comprovam a função de Júpiter como o “Princípio do Melhoramento”.

Uma das mais fascinantes fases da interpretação astrológica encontra-se nos Aspectos adversos ou de destino maduro de Júpiter. Benevolência, elevada compreensão, proteção, abundância, generosidade – como pode tal estelar representar o “mal”? Abundância, meus amigos, abundância!

No que tange a Júpiter ser “dinâmico”, suas adversidades são encontradas, como nos casos do Sol, Marte e Urano, no desequilíbrio, no descontrole e na falta de melhoramento. Quando o desejo de melhorar é pervertido, Júpiter se manifesta por muitos meios desagradáveis, sendo que o principal é interno como:

– FALSO ORGULHO: Isso representa o indivíduo cujos anseios por auto aprovação são tão fortes que ele não pode ouvir os conselhos ou a crítica sincera. Por isso ele não pode e geralmente não melhora a si mesmo por um ou outro processo, mas prossegue mantendo uma avaliação distorcida do seu próprio mérito. O astro-analista que interpreta o horóscopo de uma pessoa com esse Aspecto precisa usar de tática; você não pode ajudá-lo focalizando seus defeitos porque então ele resistirá e se ressentirá de suas observações. Você deve manter uma atitude de aprovação e, sem faltar à verdade, deve lhe adoçar o remédio. Se ele pede a “verdade nua”, lembre-se de que para ele o “disfarce” torna a verdade aceitável. Analise cuidadosamente o horóscopo de modo a encontrar algo em que ele possa sentir-se justificadamente orgulhoso de si mesmo. Ao mesmo tempo você deve verificar que tipo de obstáculo em sua vida leva-o a usar uma máscara de falsa superioridade. Como uma compensação seu orgulho pode centralizar-se na família, na posição, na nacionalidade, nos seus conhecimentos, na posse de dinheiro ou num talento genuíno. Não importa; o que quer que seja valioso para seu eu interior deve tornar-se utilizável para que se tenha valor real.

– ARROGÂNCIA: é uma variação do falso orgulho, causada por uma combinação de Marte com Júpiter aflito; uma qualidade notavelmente desagradável que leva o indivíduo a “forçar suas pretensões”. A pessoa arrogante é essencialmente indelicada – suas atitudes para com outras pessoas parecem conter condescendência, superioridade injustificável, esnobismo e certa crueldade com que expressa seu falso orgulho, não importando quem seja ofendido no processo.

– RIQUEZA: A abundância financeira é uma das armadilhas favoritas do diabo. Uma vez que o dinheiro é um meio de troca, nada mais nada menos, somente as pessoas que podem usá-lo sem ser escravizadas ou enganadas por ele é que possuem uma consciência financeira bem integrada. A riqueza para certos tipos de pessoas é sinônimo de caráter, de virtude, de espiritualidade, etc. Dizem que o êxito de um casamento é garantido se o marido em perspectiva tem “grana em abundância”. Para esses tipos, o ganho financeiro justifica a perpetração de qualquer tipo de desonestidade, injustiça ou deturpação de responsabilidade. Dizem que “homem de sorte” é o rico, é aquele que tem tanto dinheiro que não precisa trabalhar. Pode comprar tudo o que deseja, seus filhos podem ter tudo o que querem e sua esposa esbanja no luxo e na ociosidade. Ocasionalmente eles dizem que a riqueza pode compensar qualquer sofrimento ou problema nas vidas deles. Tais pessoas não podem aprender por meio de seus sofrimentos, nem podem entender ou lidar com seus problemas. Ao receberem uma herança de milhões, elas podem fazer a viagem mais curta possível para o desastre. Atribuem ao dinheiro um poder que ele não possui e assim esgotam os seus próprios poderes. O descendente de uma família fabulosamente rica, há alguns anos, herdou algo próximo a dez milhões de dólares ao completar seus vinte e um anos. Vivia cercado de luxo desde a infância – e não sabia nada mais. Aos trinta e cinco anos suicidou-se, deixando um bilhete para um amigo, em que dizia: “Restam-me somente quinze mil dólares – não tenho nada por que viver”. Isso é simbólico de um Júpiter possivelmente aflito por Netuno, regendo a casa doze – a ilusão do poder da riqueza como fonte da própria ruína. Deixemos os ricos, com Júpiter afligido, se encarregarem do uso que fazem do dinheiro e do grande poder que lhe atribuem sobre eles próprios. A riqueza implica em grande esfera de utilização – e, desde que “não podemos levá-lo conosco”, podemos ao menos aprender a aplicá-lo como expressão de um viver construtivo e produtivo.

– GENEROSIDADE: Em certos ciclos de evolução as pessoas são provadas na sinceridade com que expressam seus impulsos de dar. Pode-se pensar superficialmente que, se uma pessoa sente um impulso de dar alguma coisa, como pode haver impedimentos? Contudo, há e aqui está um exemplo hipotético: durante a encarnação passada a pessoa viveu gananciosa e miseravelmente – fazia sua doação somente quando era absolutamente necessário ou com o motivo dissimulado de obter algo em troca. Na última parte da vida ele foi alvo de um ato generoso e desinteressado praticado por outra pessoa. Seu sentimento foi de profunda gratidão, de modo que quando faleceu impressionou seu subconsciente com o desejo de viver mais para poder expressar sua gratidão. Na presente encarnação ele vem com aquele anelo à flor da pele, mas a sinceridade desse impulso em virtude de ter-se desenvolvido tardiamente, tem que ser provada para que sua realidade possa se incorporar à sua consciência. Por conseguinte, ele pode ter um pai superindulgente para com ele e que não lhe permita dar nada a ninguém – e então a pessoa vê-se envolvida numa circunstância de atrito. Se ele quer realmente expressar seu sentimento subconsciente de gratidão deve resistir à superindulgência do pai. Se permitir que a influência do pai o afaste de sua via de expressão, então ele falha na prova. À medida que permita que outras influências abafem seus generosos impulsos ele voltará a emaranhar-se, não apenas no próprio interesse, mas num complexo de frustrações muito doloroso. Seu “desejo de dar” representa um impulso de sua natureza superior – a frustração desse desejo causa uma reação especial de autodesprezo e sentimentos de indignidade e autodegradação. Se no exemplo acima, alguém com pais superindulgentes percebe que o ressentimento e o atrito aumentam e transpareça em suas atitudes para com os pais, o filho pode, com abordagens filosóficas, contrariar essa tendência e transmutá-la por meio do sentimento de gratidão aos pais por proporcionarem-lhe uma prova muito necessária, ainda que inconscientemente. Sua atitude deve “salientar-se” cada vez mais consoante seus propósitos de crescimento. Os grandes líderes religiosos ou quaisquer pessoas que “propendem para a competição” são provados dessa maneira. Elas dão o melhor de si mesmas, não importa qual seja o resultado imediato.

– EXPERIÊNCIA E IGREJA: Em seus processos de crescimento em direção ao desenvolvimento da compreensão espiritual, muitas pessoas acham que suas lições advêm do distinguir o “real do irreal” por meio de contatos com outras pessoas em atividades da igreja. Este tipo de destino maduro – Júpiter aflito regendo ou ocupando a casa doze – parece referir-se a pessoas que vieram a presente encarnação com uma “ânsia por religião” forte. Muito de suas transmutações pode ser estimulado pelo contato com hipócritas, fanáticos e por aqueles cujas ostentações espirituais não coincidem com o seu desenvolvimento. Tais pessoas – membros da mesma igreja – são objetivações dos Aspectos aflitivos a Júpiter, e suas “atuações” são por certo uma fonte de grande provação para o aspirante. Ele ama sua igreja, acredita e tem fé nos ensinamentos, procura por todos os meios possíveis estabelecer cooperação e harmonia com os outros para que a igreja possa permanecer acreditada na comunidade e como um modelo de conduta espiritual – e o que ele consegue?  Cada um porfiando e lutando para ser o dirigente deste ou daquele “comitê”; crítica caluniosa o tempo todo; o pároco faz de seus ensinos religiosos flagelo e castigo; o benfeitor ameaça retirar seu apoio financeiro toda vez que seus desejos pessoais e preconceituosos parecem ser ignorados e assim por diante. Você já deve ter deparado com tal situação uma ou várias vezes. Tudo isso é representação de falso orgulho, arrogância, presunção, pretensão, blefe e falsa aparência. Não são imagens bonitas, mas, é Júpiter não regenerado. O indivíduo com a vibração de Júpiter aflito que é lesado e desiludido (provado) por tais pessoas contempla o reflexo de suas próprias experiências do passado. Ele agora é sincero e aspirante, mas nesta encarnação são dadas oportunidades à sua sinceridade, à sua fé e à sua confiança nos princípios espirituais, de ver o que é real, o que é irreal e falso. Ele poderá fracassar em sua prova se permitir que as “sombras” o desviem de seu progresso. Ele deve aprender com as sombras e não ser dominado por elas.

Na linguagem psicológica o termo “mecanismo” é usado para identificar certas tendências subconscientes profundamente arraigadas. Correlacionando isso com a astrologia, nós identificamos o “mecanismo de defesa” como Marte e o “mecanismo de fuga” como Netuno. Júpiter certamente identifica-se como o “mecanismo de compensação”. Todos e cada um de nós estamos em busca de realização, e quando os padrões da roda do destino maduro criam desordens, imperfeições, frustrações e carências sentimos, automaticamente, o impulso de “compensar a nós mesmos” naquilo que sentimos ser a nossa mais profunda perda. Em outras palavras, somos levados a estabelecer “melhoramento” e “benevolência” mesmo que tenhamos de fazê-lo no lugar de outrem. O Aspecto no horóscopo que indique a “carência” ou “frustração” mais fortemente sentida pode, por certo, envolver Júpiter, mas não necessariamente. Todavia, em virtude da própria natureza de Júpiter, não é razoável se supor que a expressão “positiva” dele fornecerá a mais direta e satisfatória “compensação”! É através de Júpiter que nós damos; quando damos abrimos, em consciência, para receber. Não podemos receber a realização de nossas mais profundas necessidades a não ser que – e até que – ponhamos em ação nossa boa vontade de tornar essa coisa possível para outros. Então entremos em “contato” com nosso Júpiter por expressão direta em termos de sua posição por Casa (fator ambiental), de Aspectos benéficos (esfera de ação construtiva) e de Astros com os quais se relaciona por Aspectos benéficos (relacionamentos, atividades). Um Júpiter sem Aspectos indica que “é tempo de começar a dar”. Enquanto pensamos em termos de “auto isolamento” estagnamos e Júpiter se torna cada vez mais obstruído pelas cristalizações de Saturno. Júpiter com múltiplos Aspectos, mas aflito, necessita de vários tipos de controle e orientação; Júpiter nessas condições pode representar muitos complexos psicológicos que a pessoa deve, para compreender claramente, abordar com a razão, os fatos, o discernimento e a análise. Mercúrio-Saturno é o corretivo mais intimamente aplicável às desordens de Júpiter.

Ao sintetizarmos os padrões de Júpiter em um horóscopo, observamos não somente seus Aspectos, a Casa que ocupa e a que rege; mas devemos estudar também correlativamente as condições da nona Casa para obtermos a imagem de Júpiter como significador espiritual. Júpiter é o nível do Espírito nas vidas das pessoas que estão se manifestando na consciência das formas. Como tal, e para isso, ele dispõe em paralelo as vibrações de Urano e Netuno nas vidas das pessoas que alcançaram em certa medida, a consciência da transcendência.

Júpiter amplia qualquer coisa que ele toque. A menos que ele esteja Dignificado – ou seja, em Sagitário – é importante analisar com cuidado as condições do Astro que está “disponente” com ele. Um Júpiter inteiramente afligido ou variável, com um Astro sem aflições e “disponente” com ele, indica que as qualidades construtivas do Astro que está “disponente” com ele podem ser usadas para ajudar Júpiter a se controlar e se disciplinar. Júpiter sem aflições e que tem um Astro afligido que está “disponente” com ele indica que esse Astro pode, em grande medida, ser redimido de suas aflições por meio da expressão das melhores qualidades de Júpiter. Nesse caso, Júpiter deve “limpar a Casa onde mora” – expressões construtivas de sua vibração proporcionam um canal de transmutação para o Astro afligido.

A Conjunção adversa de Júpiter com outro Astro[3] indica tendência desse Astro para se expressar excessivamente – implica numa qualidade de “excessiva confiança”. As expressões da pessoa, no que tange às condições e experiências do Astro em Conjunção, são desviadas, porque Júpiter afligido é “fraco em julgar” (definindo-se “julgamento” como “conhecimento da alma”, destilação de experiência e não o resultado de estudo concreto). Todavia, no caso de tal Conjunção adversa, o poder de Júpiter promete grande recompensa se o Astro em questão for expressado construtivamente; a expressão construtiva de tal Astro só pode ocorrer como resultado da destacada observação associada a uma extensa autodisciplina. A contínua expressão adversa de tal Conjunção – energias sem direção – indica um inevitável esgotamento de recursos.

As “graduações” de Júpiter mostram que suas vibrações se expressam mais puramente em Sagitário, Câncer e Peixes. Ele está em desvantagem nos Signos regidos por Mercúrio (Gêmeos e Virgem) e, na opinião do autor, Júpiter é perfeitamente menos Jupiteriano em Virgem e Capricórnio. Sendo Virgem é analítico, detalhista, meticuloso e crítico – o oposto do magnânimo e generoso Júpiter. Júpiter em Capricórnio é oportunista e tende a dar, porém visando aquilo que pode receber em troca. O impulso religioso, associado com a vibração de Saturno, tende ao formalismo e ao dogmatismo. Se Júpiter forma múltiplos Aspectos em Capricórnio e existe alguma ligação direta com a nona Casa do horóscopo, então, o impulso religioso é amplificado, mas, a pessoa deve estudar as religiões com o propósito de compreendê-las para que possa compreender outras pessoas e não com o propósito de pleitear, discutir ou forçar suas opiniões sobre os outros. Se o indivíduo é um professor, de qualquer tipo, seu Júpiter em Capricórnio enfatiza a tendência para ambição e para a ostentação. Ele deve aprender, de algum modo, a “se identificar com a Mente de seus Estudantes” para que em seus ensinamentos possa ser mais capaz de desenvolver suas capacidades latentes. Sua tendência será de tentar adaptá-los à sua particular maneira de pensar. Júpiter em Capricórnio precisa aprender como dar – e dar sem considerar a possibilidade de um retorno.

Em Leão, Júpiter brilha esplendorosamente, mas quando afligido, a autojustificativa e o amor próprio são fortes. Essa é uma “posição de nobreza”, mas se for pervertido e debilitado ele pode manifestar uma arrogância abrasiva e uma superioridade gigantesca. Em Touro, combinado com a vibração de Vênus, Júpiter se colore de “abundância financeira” – ele expressa suas qualidades em termos de coisas da terra. Em Aquário ele é muito sociável e humanitário; ele busca estabelecer e manter a abundância em seus relacionamentos com os amigos; sendo uma influência benéfica em atividades de grupo e assim com os demais Signos.

Júpiter na segunda Casa: com Aspectos benéficos é garantida abundância financeira se o indivíduo trabalha naquilo para que lhe seja destinado, o trabalho que mais ama e através do qual pode dar o melhor de si mesmo. Em outras palavras, Júpiter só pode “ter recompensa” se for expresso de tal maneira que seja capaz de irradiar o que há de melhor de si. O que levanta esta questão: Que diremos do indivíduo com Júpiter na segunda Casa que só é capaz de realizar um tipo trabalho “rotineiro dia após dia”? Ele não está consciente de amar seu trabalho, o faz para ganhar o suficiente de dinheiro para viver. No entanto, ele pode garantir para si um ganho crescente se esforçar para melhorar sua habilidade e a esfera de expressão de seu trabalho, ainda que dentro das limitações de um emprego rotineiro. Sempre há oportunidades para fazerem-se melhoramentos – e o homem que se esforça para isso, mesmo inconscientemente, contribui de modo geral para o seu emprego. À medida que melhora o trabalho como um todo, também melhora a si mesmo. Júpiter não apenas “ama ao que dá com alegria”, mas estende a mão como ajuda a todo aquele que melhora de algum modo.

Júpiter na terceira Casa: É uma expressão mental do Astro. O estudo torna-se um canal para o melhoramento e a educação uma necessidade. Fluência de expressão está indicada, mas, se aflito Júpiter precisa de método e rotina. Os Aspectos benéficos indicam felicidade através do relacionamento fraternal, o que por sua vez “alimenta” as possibilidades de êxito no relacionamento da maturidade. E geralmente indica capacidade de abundantes recursos mentais com uma Mente fértil em ideias e capaz de reter muito conhecimento. As possibilidades para expressão em público consideram-se incentivos para o estudo e o desenvolvimento intelectual.

Júpiter na quarta Casa: Cria uma condição de abundância na Casa que ocupa. Esta posição, apoiada por Aspectos benéficos promete fartura na última parte da vida e uma espécie de “florescimento” de impulsos superiores aparece como resultado de atividades construtivas durante os anos de desenvolvimento. Qualquer um pode ter que enfrentar toda sorte de dificuldades no decurso de uma encarnação, mas, Júpiter na quarta Casa faz de sua vida cotidiana um santuário. As aflições a Júpiter nesta Casa mostram quanto desgaste pode ser causado pela perda de oportunidades de crescimento e melhoramento, criando-se assim para os últimos anos da vida uma condição em que o círculo do lar torna-se o único refúgio de paz e conforto. É uma indicação de pais ricos ou pelo menos, generosos. O padrão é estampado com um colorido de abundância. A pessoa encontra em sua vida doméstica enriquecimento de coração e de espírito, e, não importa o que possa ser aos olhos do mundo ou em suas atividades profissionais, irradia o melhor de si para sua família. Quando estabelece o seu próprio lar, ela sintoniza com algo em sua natureza que representa o melhor em si mesma. A vibração de Júpiter que se expressa por meio das condições da quarta Casa pinta a imagem de um marido devotado, de um pai generoso e amoroso, e/ou de uma matrona honesta e respeitável.

Júpiter na quinta Casa: Abundante capacidade amorosa; os filhos são considerados como bênçãos da vida. As aflições podem indicar experiências pelas quais o indivíduo, como pai, deve desenvolver compreensão e capacidade de julgar, mas, no geral, ele descobre que sua vida se expande amplamente através do contato com seus filhos. Em virtude de Júpiter ser basicamente masculino, sua posição na quinta Casa no horóscopo de um ser masculino indica prazer que ele encontra na paternidade. Seu amor pelas crianças é ilimitado – ele gostaria de fazer tudo por todas elas. Max Heindel tinha Júpiter em Sagitário e na quinta Casa, era verdadeiramente um “pai espiritual”, sua capacidade para amar com devoção não tinha limites. Júpiter na quinta Casa necessita de disciplina de discernimento. Trata-se do pai que pode facilmente estragar seus filhos por excesso de complacência, ou cuja preocupação excessiva por eles pode levá-lo a protegê-lo demasiadamente. Ele precisa encontrar algum meio de desenvolver uma atitude mais desapegada, mais impessoal para com eles. Júpiter não regenerado na quinta Casa ou regendo esta indica excessivo apego aos prazeres como “mecanismo de compensação”. Trata-se do nativo que não sabe como converter suas habilidades em valores práticos, por isso melhora suas condições financeiras no jogo e na especulação barata. De mistura com a vibração de Marte, os prazeres do sexo podem ser meios usados para “compensar” impulsos amorosos não realizados. Padrões negativos de Júpiter-Netuno envolvendo a quinta Casa podem ser péssimos, uma vez que Netuno é a essência do mecanismo de escape, de modo que se os desejos de prazeres e “alegrias” são excessivos, o apetite exausto pode converter-se em sombrias compensações nas drogas e no excesso de bebidas. Este padrão exerce uma influência de perversão nas experiências do prazer – o artifício, a luxúria e a sensação mórbida podem substituir as coisas que são verdadeiramente sadias e “recreativas”. Uma vibração aflitiva de Júpiter expressando-se através da quinta Casa não pode fazer nada melhor que fixar se possível, respostas às atividades do prazer que conduzem à melhora da saúde por vias naturais. O ar livre, as caminhadas, a natação, a jardinagem, etc., poderiam ser exercitados pelo menos parcialmente, com bons resultados.

Júpiter na sexta Casa: Sem aflição, é um preservativo da saúde. Se os padrões do horóscopo mostram tendência para doenças ou desarmonias físicas, esta posição de Júpiter promete alívio se a pessoa mesma faz o que pode para estabelecer hábitos corretos e construtivos e processos salutares. Ela deve tentar melhorar suas próprias condições físicas. Aplicada ao trabalho, esta posição de Júpiter parece indicar garantia de que o indivíduo “fará o trabalho que gosta de fazer com amor”; ele tem um canal desimpedido para aplicar, em suas experiências de trabalho, seu entusiasmo e determinação para progredir e ser bem-sucedido. Aflito, Júpiter mostra tendências para desarmonias físicas em razão de excessos, e, no trabalho, inclinação para fazer o tipo de trabalho que pode lhe render maior ganho pelo menor esforço. Se a pessoa não dá através do seu trabalho, diminui suas oportunidades e esgota suas capacidades de progredir.

Júpiter na nona Casa: Ou em Sagitário ou “dispositado” por um Astro nesta Casa ou em qualquer outra ligação direta com a mesma Casa, Júpiter enfatiza a “capacidade de aspiração espiritual”. Os padrões profissionais referem-se mais especificamente à lei, à igreja e ao ensino. O próprio Júpiter mostra como expressamos nossas convicções religiosas, sendo que o Astro Regente da nona Casa indica os nossos sentimentos básicos a respeito da religião em geral e nossas atitudes quanto a isso. Uma nona Casa vazia, desocupada e com Júpiter sem Aspectos e o Regente desta Casa insignificante por esfera de ação – mostra que a pessoa ainda não se sintonizou com o lado “compreensão” da vida. Ainda está envolvido com as “coisas como coisas”. Na medida em que Júpiter e a nona Casa disponham de “esfera de ação” os padrões mostram até que ponto a pessoa já destilou compreensão a partir dos seus padrões de experiência, e até que ponto busca compreensão maior. A mentalidade de Júpiter é a Mente que antes de tudo interessa-se mais por princípios do que pelo árido conhecimento concreto. Ela vê as cerimônias e acessórios da igreja como símbolos de verdades internas e se interessa em descobrir a origem desses símbolos externos. A pessoa com uma nona Casa fortificada “buscará até encontrar” o conceito religioso que satisfaça mais plenamente suas necessidades, e quando o encontrar, reconhece-o quase imediatamente.

Quando estudamos um horóscopo do ponto de vista psicológico, é importante obter uma “imagem da habilidade da pessoa para pensar em termos de princípios – porque toda a psicologia corretiva se baseia na harmonização com os princípios do pensamento e da ação. Se a nona Casa é fraca devemos falar à pessoa em termos que ela possa entender – devemos usar “termos terrenos”. Deste modo, o astro-analista realiza seu propósito como uma expressão das faculdades da nona Casa – como um pai espiritual ele, por sua compreensão, guia “seus filhos” mediante conselhos construtivos dados de maneira simples, e sempre com a finalidade de “elevar” e encorajar. O astrólogo liga-se espiritualmente a todas as pessoas que procura de algum modo, melhorar as vidas dos outros. Sugiro ao leitor praticar síntese do Princípio de Melhoramento em relação às outras Casas.

Júpiter na décima Casa: Aflito, indica uma condição sutil que justifica uma análise cuidadosa. Na consciência de tal pessoa, “reputação” é tida como uma fonte de proteção e beneficência não importando quão ilusória seja. O “desejo de melhorar” vê-se expresso aqui como o “desejo de melhorar aos olhos das outras pessoas ou da sociedade em geral”. Esta posição é a essência da simulação, da aparência forçada, planejada e artificial que se usa para ocultar deficiências e indignidades de toda sorte. É o caso do sacerdote mundano que glorifica a Deus com a maior das catedrais e a congregação mais rica para quem a religião é um assunto de publicidade, renome e fama. É o “parasito da sociedade” que se sente feliz e à vontade somente quando visto ao lado das “pessoas de bem” que se preserva por viver na boa impressão que causa naqueles a quem admira e considera “superiores”. Júpiter aflito na décima Casa ou em Conjunção com o Regente da mesma revela muito da mesma qualidade. A reputação parece ser o foco da expressão de Júpiter em ambos os casos. Renome, sua verdadeira conquista ou o desejo de “ir fundo” para alcançá-lo é uma extensão de “reputação”. O grande ser humano pode tê-lo conferido a si sem ter qualquer desejo disso; outra pessoa pode achar que sua capacidade de melhorar a si mesma pode crescer na medida em que seja aclamada por seus êxitos; outra ainda deseja tão fortemente um tipo de auto-aprovação advindo do reconhecimento público que não tem escrúpulos de conquistá-lo a qualquer custo. Com este padrão de Júpiter aflito estude o horóscopo cuidadosamente para identificar as possíveis deficiências que a pessoa tenta encobrir, aquelas coisas que a impelem a compensar através da simulação. Se for orientada para um viver construtivo, o resíduo que atravancam sua Mente e suas reações deve ser removido e suas possibilidades de conseguir êxito verdadeiro precisam chamar-lhe a atenção.

Júpiter na décima segunda Casa: os Aspectos benéficos descrevem Júpiter como um “anjo da guarda” – uma profunda percepção subconsciente de proteção. Isto é evidência de ter “dado sigilosamente” no passado e é promessa de “sorte de último instante” nesta encarnação. Tudo parece estar perdido, então, aprece alguém em cima da hora para salvar a situação. Este é o tipo de pessoa que não deve fazer alarde de suas dádivas – se o fizer corrompe a expressão pura de Júpiter e enfraquece seu poder para fazer o bem. Não importa o Signo em que este Astro se encontre, a Casa doze está associada ao Signo de Peixes, de maneira que Júpiter nesta Casa indica, em certa medida, a posse de uma irradiação de poder curativo para aqueles que estão doentes e reclusos. Nenhuma pessoa com esta posição deve pensar que não exista ninguém que precise dela – há uma abundância delas em hospitais, orfanatos e asilos, onde podem dar o melhor de si mesmas para aliviar aos que sofrem e melhorar suas condições. Dar dinheiro para bons propósitos é muito nobre, mas quando Júpiter se encontra em suas melhores condições impele o indivíduo a dar de si mesmo – seu tempo, seu trabalho e seu interesse.

Júpiter aflito na Casa doze é a “desgraça de si mesmo através do falso orgulho” – uma condição subconsciente que “apaga” a autoperspectiva. Indica também o carma que se pode cumprir pela – ou através da – posse de riqueza, e como o mau uso dessa abundância pode conduzir a uma deterioração interna. A Casa de regência de Júpiter, em termos de experiência e/ou relacionamento é vista aqui como indicativa da condição de limitação que pode ser redimida, se não estiver ocupada pela expressão das qualidades construtivas de Júpiter. Este Astro na Casa doze lança um “manto de segredo” na Casa que tem Sagitário na cúspide, e aflições de outros Astros a Júpiter indicam uma tendência para a clandestinidade, hipocrisia e falsa aparência. Júpiter, para viver em plenitude, “não deve aparecer” – e se suas expressões externas têm que ser experimentadas em segredo ou nos bastidores, então, é melhor que seja expresso com as maiores sinceridade e autenticidade possíveis, caso contrário corrupção pode ser o resultado.

Júpiter na 12ª Casa: os Aspectos benéficos descrevem Júpiter como um “anjo guardião” – uma profunda percepção subconsciente de proteção. Essa é a evidência de ter “feito caridade em segredo” no passado e o compromisso de boa sorte no “último momento” nessa encarnação. Tudo parece estar perdido e surge alguém, justamente no momento crítico para salvar a situação. Essa é uma pessoa que não deve fazer alarde de sua caridade – porque ao faze-la a expressão pura de Júpiter se corrompe e reduz o seu poder para fazer o bem. Independentemente do Signo onde está Júpiter, a 12ª casa é afiliada ao Signo de Peixes, e a posição de Júpiter aqui é indicativa, em certo grau, que a pessoa tende a ter uma radiação de poder para curar definitivamente aqueles que estão doentes e confinados. Nenhuma pessoa com essa posição deve pensar que não exista ninguém que precise dela – há muitos deles em hospital, orfanatos e asilos, para quem ela pode dar de seu máximo e do seu melhor para aliviar o sofrimento e melhor as condições daqueles. Dar dinheiro para um bom propósito é bom, mas quando Júpiter está no seu melhor, ele insiste em dar a si mesmo – em tempo, no trabalho e em interesse. Júpiter afligido na 12ª Casa é a “própria ruína por meio do falso orgulho” – uma condição subconsciente que “apaga” a perspectiva de si mesmo. Demonstra, também, o destino maduro que pode ser experimentado por – ou através da – posse de riquezas e como o mal-uso desta abundância pode conduzir a uma deterioração interna. A Casa que está sob a regência de Júpiter, em termos de experiência e/ou relacionamento, é aqui vista como indicação de uma condição de limitação que pode ser redimida, se desocupada, pela expressão das qualidades construtivas de Júpiter. O Júpiter da 12ª Casa lança um “manto de sigilo” sobre a Casa que tem Sagitário na cúspide, e as aflições que Júpiter sofre dos outros Astros indicam uma tendência para clandestinidade, hipocrisia e falsas aparências. Júpiter, para viver em tudo, “deve sair” – e se suas expressões externas devem ser experimentadas em segredo ou nos bastidores, então, para o melhor, ele deve expressar com a maior sinceridade e genuinidade possível, ou o resultado será a corrupção.

Júpiter na 2ª Casa: com Aspectos benéficos é garantida a abundância financeira, se o indivíduo trabalha naquilo para que lhe seja destinado, o trabalho que mais ama e através do qual pode dar o melhor de si mesmo. Em outras palavras, Júpiter só pode “ter recompensa” se for expresso de tal maneira que seja capaz de irradiar o que há de melhor de si. Isso leva à seguinte questão: que diremos do ser humano, com Júpiter na 2ª Casa, que só é capaz de realizar um tipo trabalho “rotineiro dia após dia”? Ele não está consciente de amar seu trabalho – ele o faz para ganhar o suficiente dinheiro para viver. Ele pode garantir para si um ganho crescente, se se esforçar para melhorar sua habilidade e esfera de expressão de seu trabalho, ainda que dentro das limitações de um emprego rotineiro. Sempre há oportunidades para se fazer melhoramentos – e o ser humano que se esforça para isso, mesmo inconscientemente, contribui de modo geral para o seu emprego. À medida que melhora o trabalho como um todo, também melhora a si mesmo. Júpiter não apenas “ama ao que doa com alegria”, mas estende a mão como ajuda a todo aquele que melhora de algum modo.

Júpiter na 6ª Casa: Sem aflição, é um conservante da saúde. Se os padrões do horóscopo mostram uma tendência para doenças ou desarmonias físicas, esta posição de Júpiter promove o alívio se a pessoa mesma faz o que pode para estabelecer hábitos corretos e construtivos e processos saudáveis. Ela deve tentar melhorar suas próprias condições físicas. Aplicada ao trabalho, esta posição de Júpiter parece indicar a garantia de que a pessoa “fará o trabalho que gosta de fazer com amor”; ela tem um canal desimpedido para aplicar, em suas experiências de trabalho, seu entusiasmo e determinação para progredir e ser bem-sucedida. Se afligido, Júpiter mostra tendências para desarmonias físicas em razão de excessos, e, no trabalho, a inclinação para fazer o tipo de trabalho que pode lhe render maior ganho pelo menor esforço. Se a pessoa não doa por meio do seu trabalho, ela diminui suas oportunidades e esgota suas capacidades para progredir.

Júpiter na 10ª Casa: Se afligido, indica uma condição sutil que justifica uma análise cuidadosa. Na consciência de tal pessoa, “reputação” é tida como uma fonte de proteção e beneficência, não importando quão ilusória seja. O “desejo de melhorar” se vê expresso, aqui, como o “desejo de melhorar aos olhos das outras pessoas ou da sociedade em geral”. Esta posição é a essência da pretensão, um verniz artificial forçado na aparência, que é aplicado para esconder todo tipo de deficiência e indignidade. É o caso de um sacerdote mundano que glorifica a Deus, com a maior das catedrais, e a congregação mais rica, para quem a religião é uma questão de publicidade, renome e fama. Este tipo é o “parasito da sociedade” que se sente feliz e confortável somente quando é visto com as pessoas de bem, que “se preserva” vivendo na boa impressão que ela causa aos olhos daqueles que admira e considera “superiores”. Júpiter afligido na 10ª Casa, ou em Conjunção com o governante dela e afligido, traz muito dessas mesmas qualidades. A reputação parece ser o foco da expressão de Júpiter em ambos os casos. Renome, sua verdadeira conquista ou o desejo de “ir fundo” para alcançá-lo é uma extensão de “reputação”. Uma grande pessoa pode ser investida desse renome sem, particularmente, desejá-lo; outra pessoa pode achar que sua capacidade para melhorar a si mesmo pode crescer na proporção que ela é aclamada por suas realizações; outra, ainda, tem um desejo tão forte por um tipo de auto aprovação, que vem com o reconhecimento público, que ela não tem escrúpulos em alcançá-lo, de uma forma ou de outra. Com este padrão de Júpiter afligido estude o horóscopo cuidadosamente para identificar as possíveis deficiências que a pessoa tenta encobrir, ou seja, aquelas coisas que a impelem a compensar por meio da simulação. Se a pessoa for orientada para um viver construtivo, o resíduo que atravancam sua Mente e suas reações deve ser removido e suas possibilidades de conseguir êxito verdadeiro devem lhe chamar a atenção.

Júpiter na 4ª Casa: Cria uma condição de abundância na Casa que ocupa. Esta posição, apoiada pelo benefício, promete riqueza na última parte da vida, e uma espécie de “florescimento” de impulsos superiores que vêm como resultado da atividade construtiva durante os anos de crescimento. Qualquer um pode ter que enfrentar toda sorte de dificuldades no decurso de uma encarnação, mas, Júpiter na 4ª Casa faz de sua vida cotidiana um santuário. As aflições a Júpiter na 4ª Casa mostram quanto desgaste pode ser causado pela perda de oportunidades de crescimento e melhoramento, criando-se assim, para os últimos anos da vida, uma condição em que o círculo do lar se torna o único refúgio de paz e conforto. É uma indicação de parentes com grandes recursos ou, pelo menos, generosos. O padrão doméstico é carimbado com uma coloração da abundância. A pessoa encontra, em sua vida doméstica, um enriquecimento de coração e espírito, e, não importa o que ela possa ser aos olhos do mundo ou em suas atividades profissionais, irradia o melhor de si para sua família. Quando ela estabelece o seu próprio lar, sintoniza com algo em sua natureza que representa o seu melhor. A vibração de Júpiter, que se expressa por meio das condições da 4ª Casa, pinta a imagem de um companheiro devotado, de um pai generoso e amoroso, e/ou de uma companheira honesta e respeitável.

Júpiter na 5ª Casa: Uma abundante capacidade para amar; as suas crianças são consideradas como bênçãos da vida. As aflições podem indicar experiências pelas quais a pessoa, como pai, deve desenvolver compreensão e capacidade de julgar, mas, no geral, essa pessoa descobre que sua vida se expande amplamente por meio do contato com suas crianças. Em virtude de Júpiter ser basicamente masculino, sua posição na 5ª Casa, no horóscopo de um ser masculino, indica prazer que ele encontra na paternidade. Seu amor pelas crianças é ilimitado – ele gostaria de fazer tudo por todas elas. Max Heindel tinha Júpiter em Sagitário e na 5ª Casa: ele era verdadeiramente um “pai espiritual”, sua capacidade para amar com devoção não tinha limites. Júpiter afligido na 5ª Casa necessita de disciplina de discernimento. Trata-se do pai que pode, facilmente, estragar suas crianças por excesso de complacência, ou cuja preocupação excessiva por eles pode levá-lo a protegê-las demasiadamente. Ele precisa encontrar algum meio de desenvolver uma atitude mais desapegada, mais impessoal para com elas. Júpiter não regenerado[4] na 5ª Casa ou a regendo indica excessivo apego aos prazeres como “mecanismo de compensação”. Trata-se de uma pessoa que não sabe como converter suas habilidades em valores práticos, por isso ela melhora suas condições financeiras por meio do jogo e da especulação barata. Se se mistura com a vibração de Marte, os prazeres do sexo podem ser os meios usados para “compensar” impulsos amorosos não realizados. Padrões negativos de Júpiter-Netuno envolvendo a 5ª Casa podem ser muito ruins, uma vez que Netuno é a essência do mecanismo de escape, de modo que se os desejos de prazeres e “alegrias” são excessivos, o apetite exausto pode se converter em sombrias compensações nas drogas e no excesso de bebidas. Este padrão exerce uma influência de perversão nas experiências do prazer – o artifício, a luxúria e a sensação mórbida podem substituir as coisas que são verdadeiramente sadias e “recreativas”. Uma vibração aflitiva de Júpiter expressando-se por meio da 5ª Casa não pode fazer nada melhor que fixar, se possível, respostas às atividades do prazer que conduzem à melhora da saúde por vias naturais. O ar livre, as caminhadas, a natação, a jardinagem, etc., poderiam ser exercitados, pelo menos parcialmente, com bons resultados.

Júpiter na 3ª Casa: Essa é uma expressão mental de Júpiter. O estudo se torna um canal para o melhoramento e a educação, uma necessidade. A fluência em se expressar está indicada, mas, se afligido, Júpiter precisa de método e rotina. Os Aspectos benéficos indicam felicidade por meio do relacionamento fraternal, o que por sua vez “alimenta” as possibilidades de êxito no relacionamento na maturidade. E, geralmente, isso indica capacidade de abundantes recursos mentais com uma Mente fértil em ideias e capaz de reter muito conhecimento. As possibilidades para expressão em público são vistas como incentivos para o estudo e o desenvolvimento intelectual.

Júpiter na 9ª Casa: Ou em Sagitário, ou com um Astro “disponente” com ele nesta Casa enfatiza a “capacidade de aspiração espiritual”. Os padrões profissionais se referem mais especificamente à lei, à igreja e ao ensino. O próprio Júpiter mostra como expressamos nossas convicções religiosas, sendo que o Astro Regente da 9ª Casa indica os nossos sentimentos básicos e nossas atitudes a respeito da religião em geral. Uma 9ª Casa vazia, desocupada, com Júpiter sem Aspectos e o Regente desta Casa insignificante, por esfera de ação – mostra que a pessoa ainda não está sintonizada com o lado de “compreensão” da vida. Ela ainda está envolvida com as “coisas como coisas”. Na medida em que Júpiter e a 9ª Casa disponham de “esfera de ação”, os padrões mostram até que ponto a pessoa já destilou a compreensão a partir dos seus padrões de experiência, e até que ponto ela busca uma maior compreensão. A mentalidade de Júpiter é a Mente que antes de tudo se interessa mais por princípios do que pelo árido conhecimento concreto. Ela vê as cerimônias e acessórios da igreja como símbolos de verdades internas e se interessa em descobrir a origem desses símbolos externos. A pessoa com uma 9ª Casa fortificada “buscará até encontrar” o conceito religioso que satisfaça mais plenamente suas necessidades, e quando o encontrar, ela o reconhece quase imediatamente.

Quando estudamos um horóscopo do ponto de vista psicológico, é importante obter uma “imagem” da habilidade da pessoa para pensar em termos de princípios – porque toda a psicologia corretiva se baseia na harmonização com os princípios do pensamento e da ação. Se a 9ª Casa é pouca desenvolvida devemos falar à pessoa em termos que ela possa entender – devemos usar “termos terrenos”. Deste modo, o astro-analista realiza seu propósito como uma expressão das faculdades da 9ª Casa – como um pai espiritual ele, por sua compreensão, guia “suas crianças” mediante conselhos construtivos dados de maneira simples, e sempre com a finalidade de “elevar” e encorajar. O astrólogo se liga, espiritualmente, a todas as pessoas que procura de algum modo, melhorar as vidas dos outros. Sugiro ao leitor praticar a síntese do Princípio de Melhoramento em relação às outras Casas.

 

CAPÍTULO III – A ORDEM DE SATURNO: “TU DEVES CUMPRIR”

Esse material é oferecido a todos os Estudantes de astrologia na esperança de que sirva para esclarecer os propósitos da significância mundana das vibrações de Saturno. É de vital importância que todos os astrólogos sejam capazes de apresentar àqueles a quem ajudam um retrato construtivo do porquê e para que este Astro é como é em qualquer horóscopo.

Obstrução, cristalização, desapontamento, pobreza, frustração e coisas semelhantes são os únicos termos pelos quais alguns Estudantes identificam a vibração de Saturno. Permitam-nos perguntar: “Como, em nome de tudo que seja iluminado, podem tais termos serem usados para acalmar os nervos agitados de uma pessoa apreensiva?”. Se o padrão astrológico vai ser estudado para solucionar problemas, cada vibração astral deve ser abordada sob o ponto de vista de sua significação no Espectro Solar e de sua importância na evolução do Ego. Na medida em que possamos entender filosoficamente por que certo Astro está como está no horóscopo sob consideração, estaremos mental e psicologicamente muito melhor capacitados para lidar com os problemas e as condições representados.

Saturno é o símbolo do plano físico, por meio do qual todas as atividades da Mente, da emoção e do Espírito se manifestam com propósitos evolutivos. É a vibração da objetivação e manifestação. Sua posição no horóscopo mostra onde a expressão do Espírito está mais fortemente condensada; mostra o ponto de maior responsabilidade; a área em que não cumpriu no passado, portanto a área de maior esforço espiritual nesta encarnação (A última frase explica a exaltação de Marte – energia – em Capricórnio, Signo da regência de Saturno; Vênus, como beleza, é o princípio da Manifestação Aperfeiçoada e Saturno está exaltado em Libra, Signo da regência de Vênus). Saturno, o posto avançado das vibrações mundanas, estabelece os limites para cada experiência e para cada ciclo de experiência. Por conseguinte, a grande ordem de Saturno é “tu deves cumprir!”.

Medo é uma das palavras frequentemente usadas para indicar uma das principais qualidades de Saturno em relação a sua expressão adversa. O medo é nossa reação a qualquer ameaça à nossa sensação de segurança ou bem-estar. Aquilo que não está cumprido espiritualmente representa insegurança nos planos internos. Por isso Saturno, afligindo, indica aquilo que o Ego, ou Eu Superior, reconhece como sendo o mais incompleto ou o que mais falta para cumprir a sua expressão.

Ajudar uma pessoa a abordar suas expressões sem medo é um dos principais propósitos e deveres do astro-analista. Quando os Aspectos de Saturno são interpretados como representando necessidades de cumprimento, pode-se apelar para o senso de integridade, auto respeito, fortaleza, coragem e competência da pessoa. Ajude-o a se sentir capaz de controlar suas situações de maneira que sua atitude seja construtiva. Estude horóscopo dele cuidadosamente para que você possa descobrir os meios anímicos pelos quais os necessários cumprimentos possam ser levados a efeito com o maior êxito. Um Marte com Aspectos benéficos indica coragem e habilidade para o trabalho árduo; uma Lua bem Aspectada fornece impulso protetor; Júpiter bem Aspectado denota benevolência e abundância; Netuno bem Aspectado representa fé e inspiração, etc. Também, o ponto de vista abrangente é particularmente aplicável para mostrar soluções aos problemas de Saturno. Paciência é uma das chaves para um “Saturno bom” e a paciência, como uma qualidade, é necessária para se cumprir os Aspectos de Saturno – sejam quais forem as naturezas deles. Quando uma pessoa usa as virtudes de Saturno, ela resolve o problema em suas raízes.  Na medida em que Saturno venha a representar, na Mente da pessoa, certas qualidades construtivas internas deixarão de ser confundidas com um fardo ou com uma frustração.

Saturno nunca indica uma negação total de cada fase de sua posição, conforme alguns Estudantes estão inclinados a pensar. Sua posição em qualquer Casa mostra, conclusivamente, que o cumprimento, portanto a experiência em alguma forma, é de suma importância. Existem tantas vias de experiência em cada Casa quanto são os significados da Casa. Se Saturno implicasse em alguma forma de negação, isso indicaria, automaticamente, que o cumprimento dessa Casa deveria ser levado a efeito de outro modo.

Pensar que Saturno frustra a expressão da Casa que ele ocupa ou rege é interpretar de maneira errada o propósito de sua vibração. Ele indica que o não cumprimento deve ser superado pela experiência. O efeito frustrante de Saturno é indicado pelas Conjunções, Quadraturas e Oposições que ele forma com outros Astros. É o outro Astro que deve contribuir para o trabalho de Saturno. A pessoa, nessa encarnação, é compelida, por suas necessidades espirituais, a dirigir as energias do outro Astro, desde a expressão em sua própria Casa, até a Casa ocupada por Saturno. Por isso Saturno tem sido chamado de “o castigo do destino”, “a mão pesada do destino maduro”, etc. Existindo muitos tipos de padrões de Saturno, o efeito “castigo” é mostrado em graus variáveis por diferentes tipos de Aspectos. É importante estudar o horóscopo cuidadosamente sob este ponto de vista para se compreender até que ponto a pessoa está, espiritual e psicologicamente, “presa à Terra”.

Primeiro: a maior de todas as prisões à Terra é a Conjunção de Saturno com um dos Astros dinâmicos (Marte, Sol, Júpiter e Urano) e sem nenhum auxílio de Sextis ou Trígonos. Nesse caso, um Astro que está de fora em expressão é forçado a abandonar a Casa de sua regência e se expressar em termos das exigências de Saturno, para cumprimento das condições de sua posição e regência da Casa. Desse modo o Astro dinâmico é aprisionado, é “escravizado à Terra”.

Segundo: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) em Quadratura ou Oposição à Saturno, sem Aspectos de auxílio; esse tipo de frustração permite muito mais margem para o Astro afligido se expressar do que no primeiro caso, porque tem seguramente, por influência da regência e ocupação da Casa, “espaço para respirar”. Em virtude de nenhum outro contato astral estar “regozijado” pelo Astro dinâmico, sua expressão tem que ser feita em termos das qualidades construtivas de Saturno, para que suas próprias expressões adversas sejam evitadas. Essa mistura de vibrações fornece, então, ao Astro um campo para se expressar em sua própria Casa e na sua Casa de regência, que se por outro lado desocupada, também é ativada. Os requisitos da Casa que Saturno ocupa são cumpridos muito mais satisfatoriamente e construtivamente, à medida que as qualidades construtivas do Astro dinâmico são “despejadas” na Casa de Saturno. Nos planos internos este processo corresponde ao desvio da água de seu fluxo original ou natural para os canais de irrigação. As energias dinâmicas do Astro são como águas vivificantes para Saturno-Terra. Até que esse processo não seja feito conscientemente, por transmutação positiva, a pessoa será obrigada a fazê-lo – inconscientemente – por suas necessidades espirituais, e o resultado será o sofrimento, a que chamamos de frustração. Nos planos internos, Saturno tem a primeira – e a última – palavra. O progresso, em sentido mais amplo, não pode ser alcançado enquanto não forem cumpridas as necessidades de Saturno e não forem aperfeiçoadas suas expressões.

Terceiro: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) com um Sextil e em Quadratura com Saturno, e esse sem nenhum outro Aspecto; nesse caso o Astro dinâmico tem ajuda alquímica do Astro com que forma o Sextil; mas Saturno, não tendo outras expressões, atua como um vampiro, se sustentando do “sangue vital” do Astro dinâmico. Em virtude de ser o Sextil um Aspecto suavizante, e não um Trígono, este Aspecto parece indicar uma condição crônica ou prolongada. Se esse Aspecto não for trabalhado pela pessoa, é fácil perceber a possibilidade de que na próxima encarnação Saturno afligirá, também, o Astro que forma o Sextil, bem como ao que ele aflige agora – um fardo pesado!

Quarto: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) em Quadratura com Saturno e em Trígono com outro Astro; isso repete, até certo ponto, o terceiro exemplo com a vantagem de que o Trígono promete muito mais a favor do Astro em Quadratura com Saturno. Este exemplo também pode indicar uma condição prolongada, mas o Astro dinâmico terá muito mais capacidade de auto expressão e fatores compensatórios para que a Quadratura de Saturno possa ser utilizada para maior felicidade e bem-estar. A pessoa ou pessoas representadas por Saturno serão os meios de restrição e responsabilidade, mas as pessoas que vibram conjuntamente com o aspecto Trígono serão aquelas que compensarão as deficiências induzidas pelos cumprimentos de Saturno. Em cada um desses padrões de Saturno, o desenvolvimento das qualidades positivas deste Astro é o objetivo dos Aspectos.

Quinto: Saturno em Conjunção ou afligindo um dos Astros negativos (Lua, Vênus, Netuno ou o neutro Mercúrio); Saturno, como a Terra, é em si mesmo negativo ou feminino. Contudo, sendo gravitacional, sua função implica ação ou processo (Capricórnio, o Signo de sua regência, é Cardeal, sendo-o igualmente Libra, seu Signo de Exaltação). Nesse tipo de aflição de Saturno, o outro Astro – particularmente Mercúrio, Vênus ou Netuno – precisa do estímulo dinâmico de outro Astro para energizar sua expressão, caso contrário o resultado pode ser uma séria cristalização. Até mesmo um Sextil ao Astro afligido deve ser considerado valioso nesse caso, pois indica um arranco, uma possibilidade de alcance para o Astro afligido.

Saturno nos fornece a mais clara imagem de nossa identidade com a experiência no plano físico, portanto, serve como medida de nosso progresso, no ciclo particular de manifestação em que nós estamos agora. Consideremos exemplos de Saturno como indicador de desenvolvimento cíclico.

Saturno sem Aspectos: o começo de um novo ciclo de experiência terrena; há pouco “lastro” na natureza, a menos que Capricórnio esteja ascendendo ou Saturno esteja na primeira Casa; a esfera de expressão é indicada pelos Astros em Capricórnio ou pelos Astros na Casa regida por Saturno. Se o horóscopo mostra estas últimas condições, a promessa de um Saturno com Aspectos benéficos, em futuras encarnações, é indicada se a Casa que Saturno ocupa e a influência de um Astro disponente forem expressas em termos de qualidades positivas e virtudes saturninas.

Saturno com um semi-Sextil[5]: um começo no caminho estreito; contato foi feito com o horóscopo por meio da expressão direta com um Astro; nascimento de um meio alquímico por meio do Astro aspectado.

Saturno com um Sextil: um membro de boa reputação da família dos Astros; um canal eficaz para transmutação; um meio de restrição se o Astro aspectado é dinâmico e não está aflito; promessa de futuro Trígono.

Saturno com uma Quadratura: já tratado, parcialmente, na primeira parte deste capítulo; um vampiro, sugando energia do Astro aspectado; necessidade de expressar qualidades construtivas duplas por meio da Casa que ocupa; esta condição de Saturno pode indicar uma bênção disfarçada, embora sentida como frustração, se o horóscopo contém muitas aflições em Casas com Signos Cardinais e/ou Fixos – caso em que as exigências de cumprimento de Saturno servem para focalizar e apontar energias que, de outro lado, seriam desordenadas e incoerentes. A pessoa que possui este tipo de configuração pode redimir o Aspecto e a si própria, se amorosa, voluntariamente e corajosamente aceita as oportunidades para trabalhar e viver com seu Saturno, mas, não em conflito com ele.

Saturno com um Trígono: o Astro aspectado vem sendo produtivo e harmoniosamente integrado à Terra; por meio da casa de Saturno a sabedoria vem sendo desenvolvida e o conhecimento pode ser beneficamente expresso a outros; pessoas mais idosas e mais maduras beneficiam ao nativo por meio da casa que Saturno ocupa – elas servem para estimular aquilo que ele já construiu em seu padrão; um neutralizador confiável para as tendências de escapar; um Trígono de Saturno com qualquer outro Astro é um ponto de maturidade para o próprio Astro; neste caso, Saturno é o mais eficiente antagonista das Quadraturas e Oposições do Astro assim aspectado; um Trígono de Saturno significa florescimento das virtudes saturninas.

Saturno com uma Oposição: um Aspecto de fricção que lança as energias do Astro aspectado ao lado oposto do horóscopo; uma polarização por meio da responsabilidade e necessidades de cumprimento; um “intercâmbio de fluxo” é indicado por este padrão – cada Astro precisa das virtudes do outro, isso para cumprimentos mútuos e para o estabelecimento de equilíbrio nos planos internos.

Saturno aflito com vários Aspectos: um desenvolvimento variado das qualidades Saturninas, representando diferentes estágios de crescimento que vem prosseguindo por longo tempo. A pessoa com este padrão está bem adiantada no ciclo, vem aprendendo muito e muito tem ainda a aprender; a integração com a Terra é feita em muitos graus diferentes, e muitos tipos de “experiências de Saturno” são indicadas para esta encarnação; as qualidades dos Astros que recebem os Trígonos e Sextis de Saturno podem ser utilizadas alquimicamente para harmonizar os Astros afligidos. A pessoa assim representada é, em relação a este ciclo, uma “alma idosa” – faça uma cuidadosa análise e considere seus Trígonos a fim de determinar sua habilidade para transmutar as Quadraturas.

Saturno sem Aspectos adversos: Saturno identificado com outros Astros por meio de Sextis e Trígonos indica grande desenvolvimento e poder da alma. Serve como um neutralizador do mal, superado em esfera de ação somente pelo Sol em Trígono com a Lua; é uma panaceia para qualquer Aspecto de fricção no horóscopo, e as virtudes Saturninas podem ser usadas como auxílios em qualquer problema psicológico indicado por outros Astros; se cadente em um horóscopo que contenha muitos Aspectos de fricção em Signos e Casas Cardinais, seu poder pode permanecer latente durante os primeiros anos de vida, mas, como promete muito de valor à vida da pessoa, cedo ou tarde ele será ativado para expressão plena; o Sol ou Marte progredido e em Quadratura ou Oposição a Saturno natal, sem Aspectos adversos, pode indicar o período de ativação – as energias dinâmicas do impulso astral podem despertar Saturno para suas objetivações. Uma pessoa com Saturno desse modo não deve ignorar qualquer responsabilidade que lhe apareça – ela tem o poder de cumpri-la, e deve utilizar essa força para dirigir e dar margem às suas outras condições astrais. O nativo com Saturno sem Aspectos adversos é abençoado com a ajuda das autoridades e daqueles que estão adiantados nos caminhos particulares de expressão de vida dele. Eles são verdadeiramente seus “irmãos em Espírito”, uma vez que ambos têm destilado Sabedoria de suas respostas à ordem de Saturno: “Tu deves cumprir”!

 

CAPÍTULO IV – A ORDEM DE URANO: “LIBERTE-SE”

Como nota-chave a essa argumentação sobre Urano, nós oferecemos a seguinte definição de libertação espiritual: aqueles pontos na evolução quando o Ego, tendo cumprido completa e perfeitamente as exigências de Saturno – relacionamentos, responsabilidades, trabalhos, aproveitamentos – começa, automaticamente, a funcionar em fases de experiências cada vez mais impessoais.

A vibração de Urano provê este processo de “progresso após cumprimento”. Ele é o desintegrador das formas, o antídoto para a cristalização, o abridor de portas. Em virtude das funções intensamente dinâmicas que ele representa no plano emocional, Urano simboliza o alquimista, o mágico e o artista criativo. Representa o astrólogo, cuja sabedoria impessoal é o resultado destilado dos processos alquímicos efetuados durante o curso de amplas e variadas experiências no amor e no relacionamento.

De todos os termos abstratos, a palavra “transcendente” é a que descreve mais concisamente a natureza de Urano. Ele transcende a consanguinidade, porque ele é, em si mesmo, a fusão dos fogos da polaridade que cria o relacionamento na experiência humana (o final da tríade emocional). Ele transcende a materialidade porque seu reino é o da Alma – o “Interno” – e, assim sendo, está além e acima das ilusões da realidade que tantas vezes são atribuídas às fases materiais da vida. Ele transcende a possessividade das coisas e das pessoas, em qualquer forma, pois sua vibração possibilita o tipo de consciência que reconhece o poder da alma como a única posse verdadeira. O florescimento de sua vibração representa a transcendência do medo porque o Amor-Sabedoria, resultado da experiência, elimina o medo.

Paralelamente à síntese das posições por: Signo, Casa, regência de Casa e Aspectos de Urano em determinado horóscopo, existe outro estudo – e muito importante – de sua vibração a ser feito: em relação ou contraste às influências e poderes de Saturno. Os dois Astros, por natureza e propósitos, são opostos. Saturno, afligido, cristaliza, condensa, limita e frustra as possibilidades dos outros Astros. A posição de Saturno indica o caminho para a inércia. Urano, entretanto, proporciona libertação, como o progresso lógico e natural que se segue aos cumprimentos, mas quando existe ameaça de estagnação, ele força a abertura de caminhos que se congestionaram, e seu poder de eletrificar cria uma carga de vida renovadora. É pelo seu efeito aflitivo sobre outros Astros que ele parece atuar como um “demolidor”, um destruidor violento, um desagregador e desorganizador. A pessoa que não se alinha ou não quer se alinhar, com as medidas progressistas de vida, pelas leis do progresso evolutivo, deve ser forçada a tal.

Com esse pensamento em mente, o astro-analista perceberá que Urano não aflige qualquer Astro em um horóscopo, a menos que haja uma tendência de destino maduro para cristalização a ser neutralizada. Urano não nos “sacode”, a menos que precisemos ser sacudidos e livrar de nossa inclinação para “se apegar à forma”, em alguma parte de nossa experiência. Por conseguinte, para interpretar a função de Urano e obter um quadro completo de seu significado num horóscopo, devemos comparar seus padrões com os padrões de Saturno.

O exemplo perfeito desse conflito é visto no Aspecto de Quadratura entre Urano e Saturno, padrão que simboliza o velho contra o novo, a escravidão contra a transcendência, o medo contra a libertação, o instinto de segurança contra a ânsia de aventura, a crença e a raça contra universalidade, a tribo contra o indivíduo, a ortodoxia contra a realização.

O que se segue são alguns “indicadores” – sugestões para se ler esse Aspecto em diferentes combinações:

  1. Ambos os Astros sem outros Aspectos: nesse caso os dois Astros devem ser comparados sob o ponto de vista das “fortalezas” comparativas – Essencialmente Dignificado[6], Exaltado, Elevado[7], em Ângulos[8] e por disponente. Depois, qual dos dois Astros ganha em poder quanto ao grau de polaridade sexual (masculina: Sol e Marte; feminina: Lua e Vênus), quanto a polaridade solar-lunar é dinâmica (Urano) ou passiva (Saturno). Isso deve ser verificado mediante cuidadosa síntese da qualidade do Signo e da qualidade do Aspecto. Descobre-se então que o mais influente pode ser Saturno, como pode ser Urano, devendo-se considerar esse mais influente como a “chave” do Aspecto de Quadratura, pelo que será tido como um “barômetro evolutivo” desta encarnação. A pessoa em questão ou se prende ao lado formal da vida, resistindo a mudanças, ou se rebela contra as formalidades, em sua busca por mais amplas experiências e realizações.
  2. Saturno, por outro lado, bem-aspectado: a consciência está bem integrada ao lado formal da vida. As saturninas virtudes: paciência, praticabilidade, utilidade, etc., foram desenvolvidas no passado e o desejo de segurança está fortemente desenvolvido. Urano é visto aqui como uma ameaça aos costumeiros e ordenados processos de vida, como um perturbador da paz, como um “desafiante da moralidade”, não prático, desonrado e indigno de confiança. É isso que uma pessoa de Saturno sente sobre as pessoas de Urano – essas pessoas simplesmente não se ajustam ao seu universo esmerado, tangível, de “2 vezes 2 é igual a 4”. Com efeito, uma pessoa de Urano sente, às vezes, que “2 vezes 2” não constitui grande coisa que interesse realmente.
  3. Urano, por outro lado, bem-aspectado: essa é uma pessoa que “viveu e amou muito”. Liberdade interna é a sua área de compreensão, de independência da Mente e da ação. A Quadratura de Saturno mostra que nesta encarnação ela deve cumprir responsabilidade em certa área. Pelo menos em um sentido ela foi “livre, sem entraves” por muitíssimo tempo. Ela possui habilidades – e deve usá-las; ela tem conhecimento – e deve pô-lo à disposição dos outros; ela tem responsabilidades de relação – e deve aprender a cumpri-las, espontânea e amorosamente. Até que faça isso, Saturno o manterá continuamente em severa escravidão.

As pessoas representadas por Saturno no horóscopo uraniano parecerão, para ele, ser “restritores de seu estilo”, “pedras amarradas ao seu pescoço” e, de modo geral, fardos e crucificações. E assim continuarão a parecer até que ele perceba que elas servem para dar forma aos seus impulsos dinâmicos, para mantê-lo unido à corrente de vida construtiva, para imprimir propósito e direção às suas habilidades.

(Incidentalmente, a Crucificação e Ressurreição de Cristo Jesus simbolizam perfeitamente esse “conflito” de Saturno e Urano. Saturno simboliza a cristalização do medo e a ignorância estabelecida pelo “mundo” que buscou matar o Mestre e destruir Sua influência; Urano simboliza o Propósito Divino de liberação, que deverá, inevitavelmente, libertar a consciência do ser humano de conceitos estagnantes e da ignorância servil).

  1. Ambos os Astros variáveis: após a síntese desse padrão, a melhor abordagem é a do ponto de vista astrodinâmico. Qualquer um dos dois Astros pode ter enfatizado mais fortemente durante os anos de crescimento e de maturidade. Os meios para contrariar os Aspectos aflitivos mostrarão as possibilidades de neutralizações das qualidades não regeneradas de ambos os Astros. Os Sextis a cada um dos dois são particularmente importantes, posto que mostrem vias de desenvolvimento alquímico em potencial.

Urano é elétrico, magnético e o mais dinâmico de todos os Astros. Por essa razão suas “condições” jamais devem ser interpretadas como superficialidades. Sua Conjunção com qualquer Astro intensifica a qualidade de experiência representada pelo Astro, sendo que uma qualidade de “extremismo” é indicada nessa parte da vida.

A posição de Urano no horóscopo mostra a fonte do gênio em potencial; os Aspectos benéficos, as oportunidades para desenvolver essa potencialidade e culminação desses desenvolvimentos. Os Aspectos adversos indicam, basicamente, a necessidade de controle e direção, pois Urano, por natureza, é todo “saliente”, de modo que seus impulsos, se não controlados, podem resultar em desperdício em todos os planos.

Interprete as condições de Urano sob um ponto vista de “grandeza”. Os sofrimentos que ele impinge são agonias de alma; suas punições são catastróficas; seus amores nada têm a ver com as cerimônias e regulamentos feitos pelo ser humano. São vulcões do coração, cuja força pode romper qualquer padrão emocional estabelecido e lançar os amantes em um universo inteiramente novo. Urano representa a fusão intensa da polaridade emocional a que chamamos “poder criador”, e sob estímulo de sua eletrificação novas formas de arte, filosofia, áreas de pesquisa, etc., são projetadas nos assuntos humanos. Continentes são descobertos, conceitos de tempo e espaço são revisados e elaborados, e o ser humano, uma unidade dinâmica em si mesmo, descobre mundos cada vez mais novos em seu interior.

Urano significa nossa resposta àquilo que é novo para nós. Ele é “o caminho que trilhamos para a porta aberta”, nossa habilidade de ver mais longe, mais fundo, mais alto, mais baixo – e de aceitar qualquer forma de mudança (novidade) que surja em nossas vidas. Aquilo que há dez anos eram chamados radicais, extremos, “algo novo”, hoje em dia tem sido despejado no molde da experiência, tornando-se corriqueiro. Realmente novo é aquilo que reconhecemos como uma dilatação de áreas da consciência antes nunca penetradas.

Uma vez que liberação (progresso) é um princípio de vida, e não diz respeito a sexo, Urano se mostra nos horóscopos, tanto de homens quanto de mulheres, como ânsia por liberdade. Sua posição mostra em qual departamento de experiência a pessoa deve ter “amplo campo de ação”; onde a “auto expressão sem limites” é almejada e obtida. Mostra também, desde que é gênio em potencial, como a pessoa procura ajudar aos outros que buscam liberação.

De acordo com o que dissemos acima, os Trígonos com Urano podem indicar canais de precocidade nas crianças. É evidente que muitas crianças, em seus primeiros anos de vida, estão simplesmente cientes de algum conhecimento ou talento que no passado foi desenvolvido até nível muito elevado. Esses jovens nem mesmo têm que esperar a maturidade física ou cronológica – eles simplesmente desprezam a idade e dão vazão a essas surpreendentes habilidades, enquanto ainda usam calças curtas e tranças! Os Trígonos a Urano, sem levar em conta a condição evolutiva da pessoa, indicam que ela está adiante do seu tempo, lugar e da sua experiência.

As Quadraturas e Oposições de outros Astros a Urano mostram até que ponto suas energias precisam ser controladas e dirigidas. Inversamente, as Quadraturas e Oposições de Urano a outros Astros mostram como sua vibração pode descentralizar aos outros Astros, fazendo-os se expressarem de maneira confusa e caótica. Sempre que Urano e Sol, Marte ou Júpiter (os Astros dinâmicos) estiverem em relação discordante, examine cuidadosamente o horóscopo a fim de determinar até que ponto Saturno exerce uma influência controladora no mesmo. Saturno, neste caso, pode formar os padrões de cumprimento nos quais as energias dinâmicas devem ser despejadas.

O Estudante de astrologia ou o astro-analista sintoniza a vibração de Urano todas as vezes que – ele ou ela – estuda um horóscopo. Esse estudo deve ser usado, e a vibração uraniana dirigida, com o propósito de ajudar alguém a entender seus padrões de vida mais clara e impessoalmente. Desse modo a astrologia é usada como um canal de liberação e, como tal, se mantém como uma das mais elevadas expressões dessa vibração poderosa e espiritual.

 

CAPÍTULO V – NETUNO: O PRINCÍPIO DA INSTRUMENTAÇÃO

SEJA FEITA A TUA VONTADE: é por essa frase, ou uma de suas muitas equivalentes, é que o ser humano reconhece ser um instrumento nas mãos das Forças Universais, sejam estas Brancas ou Negras. Numa atitude de adoração ou consagração, ele abdica de sua vontade própria para servir ao seu conceito dos propósitos daquelas Forças. Assim também aqueles que estão qualificados para atuar como agentes de liberação de Poder são levados a fazê-lo por impulsos irresistíveis, embora possam não estar conscientes de sua instrumentalidade.

Um bom exemplo do primeiro grupo é Joana D´Arc, a guerreira-santa da França. Mediante a devoção às suas “vozes” ela se tornou um instrumento nas mãos dos agentes espirituais interessados no desenvolvimento da nação francesa. Um exemplo extraordinário de instrumentação consciente foi Isadora Duncan, a bailarina americana; sua inspirada sensibilidade tornou possível a liberação dinâmica do conceito da arte da Dança nos tempos modernos. Entre as muitas pessoas que nos últimos anos demonstraram instrumentação, podemos considerar Bernadette Soubirous[9], a camponesa francesa cuja mediação tornou possível o estabelecimento da gruta de cura em Lourdes; Max Heindel; o falecido Padre Flanagan[10] e a Madre Cabrini[11] foram “instrumentos” para o estabelecimento de instituições de ensino, regeneração humana e cura.

Bons exemplos do segundo grupo são os filantropos que atuam ao longo das linhas mais seculares do governo, da ciência, da economia, etc. Entre tais podemos mencionar: Woodrow Wilson[12], Thomas Edison[13], Henry Ford[14] e Albert Schweitzer[15].

O símbolo exotérico de Netuno é o “tridente” ou lança aforquilhada do deus dos mares. Esotericamente, contudo, o símbolo representa o cálice de pé, na posição de receber o influxo das energias inspiradoras ou astrais.

 

Além disso, diz-se que Netuno realmente não é um membro de nosso Sistema Solar, mas que funciona como um “transmissor de energias galácticas” para o nosso Sistema. Nessa função de transmissão galáctica, Netuno se equipara, em funções, numa escala vasta e transcendente, à nossa Lua que “atua localmente” entre a Terra e o Sol.

Combinando os fatores acima, nós vemos que Netuno é uma vibração feminina, impressionável, sensitiva, reflexiva, fluídica e receptiva. Como a Lua é “mãe”, no sentido pessoal, com referência a relacionamento, lar e país, assim também Netuno é “mãe”, no sentido universal. A “Mãe Igreja”, que a todos aceita, perdoa e redime, é Netuno; o oceano abrigando, em suas profundezas, milhões de formas em evolução, é Netuno; a virtude da compaixão, que é compreensão pelo amor, não reconhece barreiras à sua expressão – alcança tudo porque tem experimentado tudo – sua universalidade é uma representação perfeita de Netuno. A magia da Arte é Netuno; sintonizando-se com essa vibração transcendente o Ser Humano dá expressão aos impulsos mais elevados de sua consciência por meio da poesia, do drama, da dança, da música, da pintura e da escultura. Por tais meios, o Ser Humano, desde seu começo, tem almejado dar “corpo” aos seus ideais mediante a direção da técnica pela Vontade, incendiado pela inspiração. “Religião” e “Arte” são duas maneiras de dizer: “Expressão do Ser Humano reconhecendo a Divindade”. Por meio dessas duas formas de expressão o Ser Humano prova a si mesmo ser “um instrumento nas Mãos Divinas”. Mediante o exercício das potencialidades de seu Netuno, ele se manifesta como um microcósmico “transmissor de forças superdimensionais” em suas habilidades como artista, curador, mestre e filantropo.

Enquanto Vênus representa a faculdade do Ser Humano de “responder à beleza” por meio de suas sensibilidades e culturas, Netuno representa a faculdade do Ser Humano de “inventar a Beleza” ou “exprimir a Beleza” por meio do exercício de seus talentos e habilidades artísticas; ele usa seus materiais como instrumentos para manifestar seus conceitos, mas por sua vez, ao responder à inspiração, ele é um instrumento por meio do qual as grandes Inteligências falam à humanidade. As duas artes que mais especificamente representam a “instrumentação” de Netuno são a Música e o Drama.

Netuno é o Astro transcendente da triplicidade mental – Mercúrio e Lua são os outros dois. Uma vez que a linguagem ou “a palavra” do plano interno é o tom (vibração rítmica do som), o músico nos “fala em melodia e harmonia tonal”. O músico interpretador atua como um instrumento para manifestar os conceitos do músico criador, o qual, por sua vez, atua como um instrumento para as vozes do plano interno. O improvisador exercitado, por sua reação sensitiva à inspiração musical e pela obediência com que seu equipamento físico responde a essa inspiração, é um canal imediato e direto para a expressão artística. No exercício de seu talento, seu corpo, seu instrumento musical, sua inteligência e sensibilidade musicais, tudo se funde em um instrumento composto através do qual nos falam as vozes do plano interno.

O ator, a partir do conhecimento interno que possui da natureza e experiência humanas, que acumulou em muitas encarnações de intensa experiência emocional, simboliza em cada caracterização certo padrão vibratório ou nível do Corpo-Alma da humanidade. Através de sua inspiração ele transmite o conceito do teatrólogo sobre a natureza humana e assume temporariamente a realidade de certo tipo de pessoa. As melhores atuações requerem, naturalmente, técnicas de observar o tempo, de leitura e de movimentação, mas a qualidade de grandeza espiritual que leva um auditório ao arrebatamento e exaltação é aquela derivada da transmissão do ator de sua própria memória interna (a supra consciente) da experiência. Ele “externa” uma faceta da memória interna de cada pessoa tocada pelo seu desempenho.

O Drama da Vida é refletido, microcosmicamente, pelo drama do teatro. Problemas humanos, relacionamentos, alegrias, amores, sofrimentos, derrotas e triunfos, tudo isso é refletido pela projeção do dramaturgo e pela interpretação instrumental do ator. Quando, como indivíduos, escolhemos fazer de nós mesmos “instrumentos do Divino” desempenhamos um papel em nosso próprio Estágio de Vida que é nobilitante, inspirador, belo e triunfante.

A “instrumentação” é uma liberação focalizada de poder. Quando usadas por pessoas centradas nas mais altas dimensões de consciência, torna-se possível um grande serviço de beleza, cura e realinhamento em todas as fases da vida – humana e subumana. Contudo, o poder não respeita pessoas ou coisas; ele apenas atua conforme é dirigido. Consequentemente, quando liberado por meio de uma consciência não regenerada ou não espiritualizada, a instrumentação se torna um processo pelo qual podem ser expostos negativos indescritíveis. O egotismo, que é auto centralizado e autoglorificação, faz da instrumentação uma coisa má porque por meio dele o Poder é desencadeado para a realização de objetivos limitadores e destrutivos. Relativamente a isto, os efeitos vibratórios de Netuno devem ser compreendidos no estudo de horóscopos de criminosos, delinquentes e psicopatas. Essas pessoas doentes são desorganizadas, as intensidades de seus desejos predominam sobre sua Vontade e/ou inteligência, com a intensidade de Propósito unida à perversão da Idealidade, e todas essas condições de desajuste tendem a desenvolver suscetibilidade às forças astrais destrutivas. Colocar tais impulsos em ação é “instrumentação negra”. A pessoa cuja sexualidade intensa, mas desorientada, a leva a cometer assassinatos e atos de crueldade como uma “válvula de escape”; isto é um instrumento de Magia Negra; o fanático religioso, que em nome do seu meigo e amoroso Mestre, abusa, aprisiona, tortura e escraviza seus semelhantes “para a glória de Deus e de sua Igreja” pode ser perfeitamente sincero em seus motivos, mas com esse tratamento aos outros ele próprio demonstra estar em baixa frequência vibratória.

Neste ponto a Inquisição Espanhola pode ser estudada brevemente, já que a organização foi um “instrumento” da “Mãe Igreja”. Havia, sem dúvida, muitos membros da Inquisição que, fervorosa e sinceramente, ultrajavam os “heréticos” motivados por esforços idealísticos em expressar “glória a Deus”, conforme a igreja deles interpretava. Atos de heroísmo, autos- sacrifício e lealdade cometidos por eles apontam para uma fé inabalável em seu conceito de retidão espiritual. Os meios usados terão de ser respondidos em encarnações subsequentes, mas não há dúvida de que a devoção sincera a um ideal edifica a Pureza nos planos internos.

A perversão extrema da vibração de Netuno é quando uma falsa idealidade é utilizada deliberadamente para o auto engrandecimento, a autoglorificação e o domínio sobre a Mente e o Corpo de outra pessoa. Isso é ilusão mascarando ilusão, é a corrupção da corrupção, uma mentira mentindo a si mesma.

Quando se inicia a regeneração e os padrões de Netuno do passado estão prontos para redenção, as pessoas são “arrastadas às situações mais impossíveis de controlar”. Elas são influenciadas sutilmente para hábitos que as destroem; pedem pão e recebem pedras; assumem amorosamente uma responsabilidade, e essa se converte em pesadíssimo fardo do qual nunca se libertam nesta vida; buscam iluminação espiritual – conseguem uma espécie de magia negra que as arruína; têm impulsos criadores intensos, mas seus esforços para a auto expressão são frustrados a cada tentativa; são dotadas de extraordinários atrativos físicos, mas nunca encontram a realização do amor que buscam acima de todas as coisas. Em cada um desses casos, a realização do Ideal sempre ilude o sofredor com uma tentação para afundá-lo aos níveis negativos do cinismo, da ira e da fúria desesperada contra a Vida, que ele começa a pensar ser algo que já não pode suportar e da qual deve fugir. Netuno negativo é a “fuga da realidade” por meio da bebida, das drogas, da intolerância, da perversão e do suicídio. A “fuga da realidade” é a tentativa de escapar da pressão da Voz Interna, que é a realidade da pessoa; ela não pode enfrentar seus fracassos passados para viver espiritualmente.

Netuno aflito no horóscopo deve ser estudado como uma indicação de destino maduro de que o Princípio foi pervertido no passado. As pessoas que tentam, de um ou outro modo, escapar dos seus problemas, fazem isso somente porque não estão conscientes do princípio que atua para o seu desenvolvimento. Elas fecharam os olhos no passado para a “consciência do Princípio” ao mascararem, deliberadamente, sua própria verdade. Em tais casos, Netuno atua objetiva ou subjetivamente, de mãos dadas com a Causa e Efeito: nublando as vidas das pessoas com ilusões, porque a Ilusão foi perpetrada.

Uma vez que o Netuno de cada pessoa é ativado de algum modo periodicamente, torna valioso para o astro analista saber algo das experiências e reações da pessoa em tais períodos. Uma pessoa que “vive com seu Netuno”, até certo ponto, se lembrará de momentos de intensa inspiração e exaltação; ele se referirá a uma pessoa altamente desenvolvida e de inclinação espiritual com quem travou conhecimento ou a uma experiência de iluminação artística. As pessoas não muitas bem relacionadas com esse Astro podem relembrar experiências que lhes causaram grandes aflições. Elas punham as coisas fora de lugar e as perdiam; os assuntos materiais lhes pareciam caóticos e confusos; coisas aconteciam e eram ditas, cujas causas não podiam ser determinadas; os relacionamentos tomavam um aspecto bizarro e coisas insuspeitadas eram reveladas. Nos planos mais sutis de estranhas experiências despertaram emoções perturbadoras, podendo ter sentido desejos complexos e êxtases peculiares; a força de vontade e o propósito pareciam se dissolver em sensações insólitas de lassidão e indiferença; ideias semelhantes à do transe e sonhos fantásticos podem ter sido experimentados. As pessoas cujos horóscopos dão acentuada ênfase ao elemento Terra ou à vibração de Saturno podem experimentar, na ativação de seu Netuno, algo realmente amedrontador: a expressão material da vida parece se tornar fluídica e todas as perspectivas aparecem fora de foco. Isso é Netuno recordando-lhes a impermanência do plano físico; pode aparecer como uma aberração temporária, mas é na realidade apenas uma mudança momentânea de consciência para um plano mais sutil.

A qualidade de “hiperpassividade” descreve claramente a “personalidade” de Netuno, e como tal enfatiza de maneira pronunciada as potencialidades receptiva e feminina do horóscopo. O Signo de regência de Netuno, Peixes, é do elemento Água e da cruz mutável[16] – o mais puramente impressionável de todo o Zodíaco.

Como a função de Netuno é “canalização”, devemos estudar cuidadosamente os padrões não regenerados dos Astros que fazem Aspectos com Netuno no horóscopo, mesmo que o próprio Netuno esteja sem aflições. Isso é importante porque, embora o “canal” possa ser eficiente em sua função, devemos entender a qualidade “daquilo que vem através desse canal”. Uma pessoa naturalmente dotada de sensibilidade psíquica ou de um elevado potencial de idealismo e devoção pode, em suas expressões não regeneradas, se abrir para todas as formas de influências perversas ou destrutivas. Assim, inundada por ondas de influxo dos planos astrais ela pode submeter seu Coração, sua Mente e sua consciência a agentes que não são nem meritórios nem proporcionadores de saúde. Netuno, mesmo sem aflição no horóscopo, é um potencial para transmutações por meio do Idealismo – ou seja, mediante o exercício da oração, da devoção ativa a elevados ideais que sejam expressões do Princípio dador de vida, da purificação do organismo inteiro por meio da regeneração da saúde física e da reação ao poder terapêutico da música e da arte em geral.

Netuno é o Regente da décima segunda Casa no horóscopo “natural” ou “cósmico”; suas vibrações transmitem uma ou outra classe de condições da décima segunda Casa para Casa que tenha Peixes na cúspide – ou que seja influenciada principalmente por esse Signo. Os Astros em Peixes – em disponente por Netuno – são “potenciais para o desenvolvimento da Consciência Cósmica por meio da redenção de destino maduro pelo Idealismo”; aspectos fricativos aos Astros em Peixes indicam os necessários “ajustes anímicos”.

A Casa que contém Netuno possui o segredo de como você expressa a consciência cósmica e, particularmente por meio de que padrões de experiência; para que fins você é utilizado pelas forças espirituais ou astrais; a fonte de sua consciência de “céu na terra”; a principal fonte ambiental de sua inspiração; o ponto em que você se sujeita mais facilmente a (seu conceito de) vontade de Deus; sua transcendência da separatividade e sua instrumentação para a verdade.

 

CAPÍTULO VI – OS PADRÕES DE NETUNO: A DÉCIMA SEGUNDA CASA

A décima segunda Casa do horóscopo forma o padrão de experiência essencial da vibração e função de Netuno. Quando consideramos um círculo astrológico em branco, vemos que essa Casa se situa no fim de um ciclo de desenvolvimento; como a Vida é um processo contínuo por encarnações, essa Casa também “tem assento atrás da primeira Casa” (a primeira Casa, naturalmente, é o primeiro fôlego da próxima fase ou ciclo em prosseguimento). Nesse “assento”, a décima segunda Casa pode ser tomada para simbolizar o “fardo de pecado” que o viajante deve carregar por algum tempo enquanto prossegue em sua jornada pelo Caminho. É a redenção desse “pecado” que impele a pessoa a encarnar novamente para um novo ciclo de experiências. A décima segunda Casa é o símbolo astrológico da frase bíblica “pecado original”; cada pessoa traz sua própria memória de pecado – ou não regeneração – de sua encarnação anterior. Em relação ao círculo astrológico como um todo, a décima segunda Casa representa o “resíduo acumulado” de um ciclo de experiências; em relação à primeira Casa. Ela representa a essência daquilo que ainda está para ser regenerado mediante o ajuste da consciência individual à Cósmica – por meio de experiências subsequentes.

Durante qualquer encarnação usamos as vibrações astrais como “ferramentas” para o nosso desenvolvimento. Os Aspectos astrais de fricção representam nossa necessidade de lições no uso de nossas faculdades – eles são a maneira da Vida para “nos alertar” sobre as necessidades de desenvolvimento. A décima segunda Casa indica, essencialmente, o que fomos como personalidades no passado. Ela conta a história de como contemplamos a vida na vez passada e até que ponto nós, subconscientemente, tendemos a viver esta encarnação em termos do que fomos no passado. Essa figura, caso a décima segunda Casa esteja ocupada ou seu Regente esteja “atado” por Aspectos de fricção ou gravitacionais, pode ser tomado como uma chave explicativa para a mania de muita gente tender a viver em “termos de retrocesso”. Essas pessoas atravessam as progressivas fases físicas da infância, adolescência e maturidade como todos fazem, mas as fortes figuras de memória do passado tornam quase impossível para elas se expressarem ou compreenderem suas experiências em termos daquilo que é representado por seus Signos Ascendentes – o presente. Consideremos sob esse ponto de vista, os diferentes tipos de padrões do Ascendente na décima segunda Casa para aplicação aos diferentes horóscopos.

Padrão I: O mesmo Signo na cúspide da décima segunda Casa e do Ascendente; Signo subsequente na cúspide da segunda Casa. Isto é análogo ao Estudante perder um ano de escolaridade. Significa que a pessoa está continuando, nesta encarnação, uma fase de experiência ligada diretamente ao seu ponto de vista no passado; sugere que tal pessoa esteve fora de se encarnar por um tempo relativamente curto – e volta exatamente para o que ela foi; no grau em que o Regente da Carta esteja afligido, o indivíduo se torna seu próprio inimigo secreto – uma vez que esse Astro rege também sua décima segunda Casa; por esse padrão a Vida diz: “Dar-te-ei mais uma oportunidade para fazeres o bem”.

Padrão II: O mesmo que o Padrão I, exceto em que o Signo subsequente fica interceptado na primeira Casa: isto sugere que a pessoa esteve fora de se encarnar por um tempo maior que o normal; ela precisa estabelecer seu vínculo com as condições do passado vivendo parte desta encarnação em termos do passado, e de tal modo que, por meio de experiência objetivas, possa ficar ciente de suas potencialidades para a própria desgraça, e assim reconhecer sua necessidade de regeneração e reorientação; o Signo interceptado na primeira Casa é o companheiro de viagem que vai à frente, mas que espera tranquilamente à beira da estrada para que a pessoa do Ascendente o alcance. Quando as experiências que refletem a consciência da vida passada tenham sido vividas e a pessoa levada a uma aparente parada em seu desenvolvimento, a consciência do Signo interceptado é trazida à sua atenção para alertá-la a prosseguir; o Signo interceptado brada ou exclama: “Olá! Estou alegre por me ter encontrado finalmente; dê-me a mão e vamos embora”. Se um Astro se encontra no Signo interceptado, estude-o cuidadosamente por sua qualidade e Aspecto; como “os Astros são seres”, e esse Astro descreverá o tipo de pessoa que possa refletir as qualidades de prosseguimento da pessoa. Esse padrão promete progresso nesta encarnação – a “atração do passado” pode ser superada; se o Signo interceptado não está ocupado, seu Regente por posição e Aspectos servirá para descrever o “companheiro que espera adiante”.

Padrão III: A décima segunda Casa contém um Signo interceptado: é uma combinação muito complexa de “memórias”; os Astros em ambos os Signos da décima segunda Casa objetivarão as condições passadas; dada a intensidade de seus Aspectos de fricção ou gravitacionais, a pessoa enfrentará suas “flores do mal” por meio de experiências dolorosas – as sementes podem ter sido plantadas mesmo antes da última encarnação. Esse padrão significa “prazo de pagamento vencido há muito tempo”; tem a mesma natureza de uma “ordem de despejo” – não redimida nesta encarnação, a conta terá que ser ajustada em um ciclo de experiências futuras.

Padrão IV: O mesmo Signo nas cúspides da décima primeira e décima segunda Casa: qualquer que seja o “nível da espiral”, este padrão vincula o potencial para autodesgraça secreta com as áreas de consciência não redimida pertencentes aos relacionamentos em geral. A décima primeira Casa, em relação a um ciclo, é o ponto culminante da consciência de relacionamento; chamamo-la de “Casa dos Amigos” porque a amizade é a essência do Amor que foi destilado mediante o cumprimento de toda experiência de relacionamento em determinado ciclo. Os Aspectos não regenerados aos Regentes astrais dessas Casas – ou, caso não estejam afligidos, aos seus “dispositores”[17] astrais – indicarão como a pessoa tende a “se bloquear” na consciência de relacionamento; um estudo cuidadoso dos padrões de relacionamento paternal-maternal e conjugal pode revelar o tipo de experiência que a pessoa mais precisa “exercitar” para poder cumprir seu ciclo pelo Amor. Esse padrão tem também a mesma natureza do “dia de pagamento”, já que a décima primeira Casa é o ponto culminante no ciclo.

Padrão V: Aspecto que aflige ao Regente da décima segunda Casa – nenhuma interceptação: é indicação de porquê, o que, como e através de quem a pessoa expressa seu passado não redimido no prosseguimento desta encarnação; significa “o que faz se lembrar do passado”, e um estímulo forte e crucial do Astro pode “arrastar o indivíduo ao seu subconsciente”, mas a regeneração do padrão através dos elementos construtivos do horóscopo garante um prosseguimento direto.

Padrão VI: Um Astro na décima segunda Casa, mas no Signo Ascendente: esse é o mais puro significador de avanço dentre todos os padrões dessa Casa. Existe um “segredo” sobre a expressão ambiental desse Astro, mas, em virtude de sua posição no Signo Ascendente a pessoa tende, automaticamente, a expressar a vibração em termos da consciência de sua atual personalidade. As forças não regeneradas que atuam sobre ou através desse Astro podem naturalmente serem reorientadas em termos do bem essencial próprio do Astro; outro meio de reorientação é garantido pela qualidade regenerada ou Aspectos do Regente do horóscopo, já que ele está disponente com o Astro da décima segunda Casa e é o foco para a expressão e cumprimento da personalidade nesta encarnação. Os Aspectos adversos do Astro da décima segunda Casa e/ou os padrões dos Aspectos adversos pertinentes à Casa que ele rege indicarão as condições e relacionamentos que a pessoa tende, subconscientemente, a considerar “inimigos”, porque focalizados através de seu Signo Ascendente, eles “desafiam seu avanço”; ela tem que usar as forças vibratórias do seu atual Ascendente para redimir ou transmutar essas condições.

Padrão VII: A primeira Casa desocupada, o Regente do horóscopo na décima segunda Casa e no Signo da décima segunda Casa: os Aspectos adversos que afligem ao Regente nesse padrão representam ajustes de destino maduro a serem feitos através de condições ambientais limitadoras e confinadoras; os Aspectos regenerados mostram os potenciais para florescimento das qualidades da personalidade em trabalhos ou atividades ligadas a doentes, reclusos ou “infortunados de modo geral”; é uma aderência ao passado – a pessoa ainda não está pronta para estabelecer uma expressão de personalidade ou progresso; essa pessoa parece ter nascido “atrás de seus contemporâneos” – não é “moderna” em seus pontos de vista. Certas elaborações desse padrão podem indicar que a pessoa, sendo muito dotada de algum modo, expressa no mundo moderno “algo maravilhoso de uma época passada” – a pessoa vive no mundo do “agora”, mas simboliza o mundo daquele “então”.

Padrão VIII: O Regente da décima segunda Casa no Signo Ascendente, na primeira Casa, ou interceptado na primeira Casa: esse é o “não” da astrologia ao ensino de que as condições ambientais dos primeiros anos são a causa básica das dificuldades posteriores. Por essa posição do Regente da décima segunda Casa as influências ambientais dos primeiros anos são vistas como efeitos do passado não regenerado. A pessoa encarna por meio de certos pais, em certo lugar, e vive sob certas condições na infância porque uma área não regenerada de sua consciência precisa desse tipo de começo para avançar nesta encarnação. As “más recordações” são imediatamente objetivadas no princípio da vida; analisar a Carta aplicando “causa e efeito” dará uma pista sobre a razão íntima da pessoa para encarar sob circunstâncias particulares. Esse padrão significa “segredos trazidos à plena luz do dia” – se a décima segunda Casa não está ocupada, o destino maduro secreto manifesta-se na infância da pessoa pelos efeitos combinados da vida doméstica nos primeiros anos, arredores do lar e companheiros. As influências adversas que parecem “desviar a pessoa” são simplesmente objetivações da superfície de seu subconsciente; esse padrão pode apontar para uma atitude de maldade deliberada no passado, e de tal natureza que a pessoa é “arrastada para” o mesmo tipo de quadro tão cedo nesta encarnação que não chega a ter força ou inteligência para combater a má influência: simplesmente “cai nela”.

Padrão IX (cíclico): Quaisquer de duas Casas adjacentes cobertas pelo mesmo Signo, portanto regidas pelo mesmo Astro: onde quer que esteja colocado no horóscopo, esse padrão efetua o princípio “presente em termos do passado”. Qualquer Signo do Zodíaco pode estar na décima segunda Casa; qualquer Signo pode estar no Ascendente. O padrão cíclico da décima segunda Casa em relação ao Ascendente pode ser descrito como: aquela área de consciência não regenerada que impele para a reencarnação; o padrão cíclico do Ascendente em relação à décima segunda Casa pode ser descrito como: o meio progressivo pelo qual o destino maduro regenerado é redimido pela reencarnação. Como padrão composto de símbolo Cósmico, as frases acima podem ser aplicadas a qualquer parte da Carta que mostre uma ligação do passado com o presente.

A respeito desse padrão IX, podemos dizer que a Casa com o maior grau na cúspide representa o departamento de vida a ser cumprido por essa particular vibração astral nesta encarnação; a Casa com grau menor (a anterior) representa uma experiência ou relacionamento que ainda espera cumprimento ou regeneração. Posto que a terceira, quinta, sétima, nona e décima primeira Casa são as Casas dos padrões de relacionamento progressivo (sendo que, a quarta e décima Casa são a Casa dos pais) podemos determinar – no Padrão IX – o que no passado impeliu ao atual relacionamento ou como o relacionamento estabelecido no passado vai ser cumprido nesta encarnação. Mercúrio, Vênus e Marte normalmente regem dois Signos cada; envolvidos nesse padrão e é claro que esses Astros estendem sua influência a uma terceira Casa que serve para “completar seu quadro”; os outros Astros, regendo normalmente uma Casa, podem reger duas no Padrão IX.

Padrão X (cíclico): Um Astro na Casa que rege, mas no Signo seguinte: vemos nesse padrão a “relação da décima segunda Casa com o Ascendente” expressa em termos da vibração própria do Astro, não por posição na Casa. Se o Astro tem um Aspecto adverso, isso indica que a expressão contínua de sua vibração no Signo da cúspide “prende a pessoa no passado aflito” e causa enfraquecimento da expressão construtiva ou regenerada. A indicação ambiental ou modalidade de expressão é a mesma do passado, mas nesta encarnação busca expressão por meio da vibração astral progressista; é claro que esta última se refere ao Astro que está disponente ao Astro em questão. Potencialmente esse padrão significa muito progresso, posto que a pessoa, desde as experiências passadas, está acostumada a expressar o Astro particularmente nessa Casa. Pode indicar também uma grande possibilidade de que o ambiente dos primeiros anos ou a influência dos pais pode tender a enfatizar a expressão do Signo da cúspide; os pais, nesse caso representariam a “atração do passado”. O padrão exige que a pessoa exercite a expressão de sua própria personalidade e integridade para “abrir seu próprio caminho” nesse departamento de sua vida.

Todos os padrões são variações daquilo que foi dito: “… e Ele tomou a semelhança de um ser humano”; “redenção do mundo” (consciência não regenerada a ser redimida pela experiência da encarnação) pelo Espírito (aqueles níveis de consciência que foram harmonizados com a Verdade). Estudemos nossos horóscopos com a renovada consciência de que cada configuração astral nos mostra – em todas as fases de nossas vidas – por que nascemos e como, pela regeneração, podemos conseguir o “segundo nascimento”, que é a superação do passado.

 

CAPÍTULO VII – NETUNO – ASPECTOS E POSIÇÕES

É interessante notar a correlação de Netuno, Regente de Peixes, com os outros dois Signos da triplicidade de Água. Câncer, Signo Cardeal e regido pela Lua, é a água como geradora de força – rios, correntezas, cachoeiras e chuva; Escorpião, Signo Fixo, é o gelo – comprimido e estático – simbolizando recurso para a força; Peixes, Signo Comum, é a água como meio envolvente – névoa, neblina, miasmas e, acima de tudo, o poderoso oceano que circunda todo o corpo da terra.

Câncer é o corpo maternal que gera sustento para a nova encarnação. Escorpião, regido por Plutão, é o “inconsciente coletivo” – o vasto oceano de forças astrais que envolvem o corpo da humanidade. Peixes é o “Grande Eclipse”, a Vida Divina em que nos movemos e temos o nosso ser. Netuno representa a nossa capacidade de nos fazer “receptivo” ou de “sintonizar” com o reconhecimento das Forças Superiores e de descobrir nossa consciência da divindade da Vida. Através da “faculdade de instrumentação” de Netuno, e dependendo de nosso estado de consciência, nós podemos contatar as fontes de inspiração exaltada ou abrir a porta para o reino de Plutão e palmilhar as cavernas das nossas condições não regeneradas.

Esse “eclipse” de Netuno já foi tratado nas interpretações dos padrões que envolvem a décima segunda Casa – o “eclipse” de nossa encarnação passada que deve, até certo modo, ser redimida na presente encarnação. Contudo, a variação pessoal da influência direta de Netuno pode ser vista no horóscopo na Casa que tem o Signo de Peixes na cúspide – ou esse Signo interceptado – e na Casa ocupada pelo próprio Netuno. A Casa que tenha Peixes na cúspide mostra onde a ilusão e a desilusão estão concentradas; mostra o canal de experiência que indica sua necessidade de desenvolver Fé; se Netuno está afligido, a Casa onde está Peixes indica onde e como, no passado, você traiu sua Fé e agora precisa realinhar-se com o Princípio. A Casa de Peixes pode indicar um padrão de relacionamento de profundo valor espiritual ou um padrão que esteja mascarado e encoberto – sua realidade interna não é reconhecida externamente pelos outros. É bom dar-se conta de que a Casa de Peixes no horóscopo será aquela que você mesmo pode compreender menos – suas realidades são mais “ocultas” que objetivas em qualidade e significado. É a Casa em que você pode se enganar, porque ela mostra como, no passado, você enganou aos outros. Em suas dificuldades extremas a Casa de Peixes pode mostrar-lhe o que, mui provavelmente, o impelirá a buscar ajuda Divina; vendo esse capítulo da vida através de óculos escuros, será levado a pedir orientação a Ele, que vê claramente.

A Casa que contém Netuno é a sua expressão direta de consciência espiritual, o departamento da vida em que poderá ser qualificado para conduzir outros à Fé, o ponto focal do próprio idealismo, da capacidade para estabelecer o Céu na Terra. Através da Casa de Netuno, o Divino diz: “Que sejas a voz para as minhas palavras e as mãos para o meu trabalho”. Mostra onde e como se expressa a compreensão de “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”.

Em virtude da afinidade de Netuno com o elemento água e com a quarta, oitava e décima segunda Casas, pode-se compreender que Netuno seja o mais “apropriado” para o posicionamento. Essas virtudes representam o nível emocional e astral de consciência, pelo que, nelas posicionado, a sensibilidade de Netuno é mais definitivamente enfatizada. Os Signos de Peixes e Câncer são considerados os dois “melhores Signos” de Netuno, em virtude de sua qualidade fluídica, emocional. Além disso, consideremos que a Lua e Netuno sejam a “mãe pessoal” e a “mãe universal”, respectivamente; o Signo da Lua corresponde mais a qualidade de Netuno do que qualquer outro, com exceção de Peixes. Portanto, Câncer é considerado o “Signo de exaltação” de Netuno – as qualidades dinâmicas e cardeais do Signo amplificam a mutabilidade sensitiva de Peixes. Netuno nesse Signo se expressa com mais “força” do que em sua própria dignidade.

A marcha lenta de Netuno mostra ser de grande valor do ponto de vista da pesquisa cíclica. Milhões de encarnações ocorrem durante o trânsito de Netuno em qualquer Signo; cada grupo é como uma “onda de vida” em miniatura sintonizada com certas expressões de consciência cósmica. A correlação de Urano com Netuno a esse respeito é de especial valor. Consideremos o seguinte:

Durante os últimos anos do século XVIII ocorreu um evento astral de grande magnitude – a conjunção de Urano com Netuno no Signo de Sagitário. Nasceram novos conceitos, novos ideais, novas visões e foram projetadas novas profecias de uma humanidade liberta no esquema humano evolutivo. Ocorreram revoluções, o velho foi despedaçado por golpes de efeito desintegrador. Essa Conjunção alcançou Capricórnio nos primeiros anos do século XIX. Ensinos de metafísica vieram a público, novos conceitos de arte e moralidade foram promulgados.

Essa ativação por Urano e Netuno teve a natureza de uma “lunação cósmica” – o dinâmico Urano e o espiritualizante Netuno proporcionaram um “novo nascimento” para toda a raça humana. A “Lua Cheia” dessa “lunação” foi a Oposição de Urano em Sagitário-Capricórnio a Netuno em Gêmeos-Câncer durante os primeiros anos do século XX. Uma guerra mundial de significado devastador revelou os níveis de inquietação e de mudanças que haviam estado em “gestação” durante todo o último século. Em outras palavras, Urano havia retornado ao “ponto de lunação” e Netuno, como a Lua Cheia depois da lunação Sol-Lua, havia alcançado o ponto de sua meia-revolução. As pessoas que encarnam durante uma oposição planetária principal fazem-no para uma maior conscientização de certos princípios anímicos; Urano em Oposição a Netuno é conscientização para a família humana inteira – um ponto crítico em nossa evolução.

As pessoas que encarnaram enquanto Netuno estava em Áries foram a geração de pioneiros visionários, especialmente aqueles que tinham Netuno em Áries e Urano em Câncer – almas tumultuosas que se ocuparam em estabelecer um “novo Aspecto” nos assuntos humanos: ensinos de metafísica, direito de voto para mulher, controle da natalidade, e todos os outros meios de libertar a humanidade de conceitos antiquados e cristalizados. Nós, que encarnamos durante a Oposição dos dois gigantes planetários, viemos a um mundo repleto de inquietação e perturbação. Pelo desenvolvimento interno e compreensão, podemos ocupar nosso legítimo lugar no esquema das coisas e oferecer nossa contribuição à Nova Era, ou, por falta de desenvolvimento interno, podemos viver – ou tentar viver – por abordagens que pertencem a uma época passada e assim nos encontrar “em desacordo” com o aspecto mutável das coisas. Estude Netuno nos horóscopos para determinar como as pessoas implicadas podem ser consideradas desta época, não simplesmente estar nesta época. Estude as condições da décima segunda Casa, as condições de Saturno e as aflições a Netuno ou a Netuno-Urano, conseguindo, desse modo, algum tipo de configuração de como a pessoa está – ou não – ciclicamente “à vontade neste século”.

Netuno posicionado na quarta, oitava e décima segunda Casas, respectivamente, transmite certa sensibilidade natural mesmo se estiver sem Aspectos – esse círculo contém a promessa de que algum dia nesta encarnação ocorrerão experiências ocultas, com as quais terão que lidar. Seguem-se naturalmente os Aspectos que afligem a Netuno quando nessas Casas são particularmente agudas.

Netuno sem Aspectos, como qualquer outro Astro sem Aspectos, num dado ciclo é um “viajante iniciando sua jornada”. Se o viajante não é guiado ou instruído apropriadamente, corre o risco de enveredar-se por caminhos errados, dando assim muitas voltas e demorando a alcançar seu destino. Posto que Netuno é a expressão transcendente da “triplicidade mental” (sendo Lua, Mercúrio e Netuno a “triplicidade da transmissão”), o começo de sua nova jornada deve ser preparado por:

(1) disciplina e transmutação de sentimentos subconscientes e “reorientação” dos padrões femininos – simbolizados pela Lua

(2) conhecimentos adquiridos de fatos pertinentes à vida espiritual, como expressão das faculdades intelectuais, simbolizadas por Mercúrio.

Netuno mal dirigido pode resultar em perversão de compreensão, o que pode pôr a pessoa em contato com as forças da magia negra; tais experiências resultam em várias formas de desintegração e perda da “percepção do plano interno”. Isto, por sua vez, produz experiências muito difíceis – em vidas posteriores – pelo fato de que o nativo deve realinhar-se com a Verdade. Estude cuidadosamente a posição nas Casas e a Casa de regência de Netuno sem Aspectos para determinar, tão claramente quanto possível, qual direção deve tomar Netuno para seu desenvolvimento imediato.

Uma vez que a vibração de Netuno é fluídica, feminina e impressionável, estude cuidadosamente o Astro que o “disposita”[18] (Vênus para Touro e Libra; Mercúrio para Gêmeos e Virgem; Lua para Câncer e Sol para Leão) – porque a condição do disponente indicará a essência “do que vem através de Netuno”. Por exemplo, se Netuno está em Câncer – onde é, de qualquer modo, particularmente sensitivo – e a Lua recebe uma vibração que aflige de Marte, a indicação é que o desejo sexual e o potencial para destruição podem ser fortemente estimulados pelas atividades de Netuno nas lunações, nas progressões da Lua etc. Se Netuno está em Touro, e Vênus está sem aspectos adversos, então a pessoa pode ser um ponto focal para uma irradiação amorosa muito espiritual, bem como um instrumento artístico. Sintetize muito cuidadosamente o disponente de Netuno em sua ajuda aos outros; planeje seu “mapa de estrada” de tal maneira que a pessoa possa saber, antecipadamente, quando certas tendências subconscientes serão ativadas e, assim, possa preparar suas defesas internas. Ajude a entender a sutilidade das expressões de Netuno – as pessoas que entram em cena, quando seu Netuno é ativado negativamente, simplesmente objetivam seus próprios níveis subconscientes internos. Tais pessoas podem “tentá-la”, podem experimentar desencaminhá-la para seus próprios propósitos egoístas, ou podem dar-lhe instruções falsas. Portanto, para melhores resultados ela deve “purificar seus pensamentos e reações” e estabelecer consciência do que ela é realmente, porque é, e o que pode vir a ser.

As observações citadas aplicam-se também a Netuno com Sextis, Trígonos e Conjunções benéficas. Esses padrões prometem certa realização espiritual nesta encarnação, mas ainda assim a Lua, Mercúrio e o disponente devem ser estudados. Durante os anos da infância e adolescência muitos negativos subconscientes podem ser intensificados por reação repetida, enquanto a plena expressão de um Trígono a Netuno pode ser que não se realize até mais tarde na vida. Netuno “flutua nas ondas do sentimento e do pensamento” – se as faculdades e capacidades mentais estão indisciplinadas e reações subconscientes não regeneradas têm sido intensificadas, pode prevalecer um estado de consciência que obscureça a plena realização do potencial de Netuno. Para sermos justos com aqueles a quem procuramos ajudar, não podemos tomar por certos os Sextis e Trígonos a Netuno, já que eles são o florescimento de consciência redirecionada.

Netuno, onde quer que esteja posicionado e qualquer que seja o Aspecto que ele forma, exerce decisiva influência nas tendências femininas, ou passivas, do horóscopo. Se existe um “mais” dos elementos Terra e Água e se a Lua e Vênus estiverem em maior evidência que o Sol e Marte, então o horóscopo inteiro leva uma qualidade “hiperfeminina”. Netuno sozinho não atua dinamicamente; somos como padrões de consciência que “atua através de Netuno”; se esses canais estão claros e limpos, tornamo-nos receptivos aos impulsos inspiradores e espirituais; do contrário, ocorre o oposto.

A pessoa que encarna com Netuno no Ascendente atrai, evidentemente, uma experiência difícil. Mesmo tendo os melhores Aspectos, o corpo físico é sensitivo a um grau extremo; suscetível a todas as classes de pensamentos-formas, atmosferas e vibrações emocionais. Essa posição de Netuno é o arqui-símbolo do “instrumentalista”; o veículo pode ser usado formosamente pelas Forças Brancas ou desastrosamente pela Magia Negra. Tal horóscopo deve ser abordado com grande cuidado; é aconselhável descobrir algumas coisas da pessoa para obter-se uma perspectiva do “quadro de Netuno”. Um Ego altamente desenvolvido pode ser representado por essa posição, e as aflições astrais a Netuno poderiam representar as dificuldades que ele pode ter em “manter os pés no chão” para ajustar-se às fases práticas da vida. Esses Aspectos podem contar uma história de destino maduro: as fases da vida humana em que a pessoa pode regenerar por sua própria espiritualidade. Uma vez que “os Astros são Seres”, cada Quadratura ou Oposição a Netuno-Ascendente pode simbolizar as pessoas que precisam de influência que espiritualiza ou aquelas que servem como “provadores” da pessoa de Netuno. Essa pessoa, para neutralizar os efeitos adversos de influências não regeneradas, deve manter-se “animada internamente” por repetidas recargas espirituais. Particularmente difícil é o padrão de Netuno-Ascendente recebendo Quadratura ou Oposição do Regente do horóscopo, seja qual for esse Astro. O Ascendente e seu Regente são “o agora” da personalidade – seu ponto focal de expressão para esta encarnação. Esse padrão apresenta uma imagem do corpo físico sendo por si mesmo especialmente sensitivo às Forças Negras, e indica claramente que só com um treinamento psíquico, do tipo mais espiritualmente elevado, pode ser resolvido isso. Essa pessoa precisa de alinhamento contínuo com as Forças Brancas por meio de serviço dedicado, oração, pureza e meios inspiradores, tais como a música. Se ela escolhe trilhar a senda espiritual nas atividades de sua vida, seus motivos e propósitos devem ser imaculados, devendo alcançar compreensão consciente da natureza psíquica do organismo humano – ela deve chegar a compreender sua própria sensitividade e a responsabilidade que tem perante aqueles que a rodeiam para “ser uma luz”. Sem a compreensão de sua própria natureza e de seus potenciais poderá se desviar para expressões negativas e, eventualmente, se atrasar.

Netuno em Conjunção com a Lua é o arqui-símbolo da sensitividade psíquica – especialmente quando se encontra em horóscopos de mulheres. Se as circunstâncias a permitem, em algum período de suas vidas, as mulheres com essa posição fariam bem em superar as fases puramente pessoais de experiência feminina, se esforçando “de todo coração” para expressar a maternidade em termos de bem-estar daqueles não ligados a elas por relação consanguínea. Essa posição intensifica o impulso maternal, e as qualidades de simpatia e ternura são muito fortes e profundas. Concentrada na esfera relativamente estreita do círculo doméstico ela pode ser muito limitada. Tais mulheres chegaram a um ponto de partida no viver impessoal, de maneira que “todos que precisam de alimentação podem ser seus filhos”. Fortificada por Aspectos fortes, essa Conjunção de Netuno-Lua pode indicar o “médium nato” – a faculdade de viver conscientemente nas dimensões superiores de realização através da clarividência ou clariaudiência. Mas, conforme observado acima, deve-se estabelecer um sólido fundamento – pessoa tão sensitiva não pode arriscar-se com aquilo que é falso e desorientador.

As combinações entre Netuno e Saturno são muito importantes – e muito interessantes. Esses dois Astros representam os “extremos” da polaridade feminina; Saturno é a vibração mais condensada do espectro planetário; gravitacional na função, ele simboliza a vibração da Terra. Netuno, todavia, é o mais sensitivo, o mais etéreo e “menos Terra” do espectro. Os Aspectos Quadratura e Oposição desses dois Astros devem primeiramente ser analisados determinando-se qual dos dois é mais forte por posição, Signo e esfera de influência no horóscopo. Deve-se fazer também uma comparação sob o ponto de vista do qual é o mais “afligido” por outros Astros. Quaisquer dos dois que esteja sem aflições pode ser a chave para a solução do “problema” da Quadratura ou da Oposição, uma vez que, sendo um agente livre, ele serve para neutralizar as negativas do outro. Netuno em demasia, desorientado e indisciplinado, significa “dar o fora deste mundo” – irresponsável, não prático, talvez inspirado, mas provavelmente quase “precioso” demais; Saturno em demasia, com sua mão pesada, “obscurece a luz das estrelas”, a consciência é presa ao mundo das formas e efeitos, o idealismo é estrangulado pelo peso dos fardos a carregar e pelas responsabilidades a serem cumpridas. A Oposição de Saturno a Netuno é muito significativa – indica que esta encarnação proporciona oportunidades para a espiritualização de atitudes que visem o cumprimento de responsabilidades pela Fé e Idealismo e a demonstração de consciência espiritual, como redenção de destino maduro de responsabilidade. Ambas as vibrações devem ser usadas para estabelecer equilíbrio entre essas duas forças – vivendo uma expressão sincronizada de ambas, a melhor pode ser utilizada. Saturno em Aspecto favorável com Netuno afligido, por outro lado, é um maravilhoso antídoto contra um lodaçal de condições astrais; esse padrão promete também uma relação – ou relações – com pessoas que objetivam as admiráveis qualidades de Saturno; elas serão as pessoas que atuam como “agentes estabilizadores” na vida do indivíduo e por meio das quais ele será – ou poderá ser – alertado para a maturidade do cumprimento de responsabilidade. Elas vibrarão harmoniosamente com os Aspectos sérios de sua natureza, e, mediante a associação com elas, as qualidades mais belas de seu caráter poderão ser acrescidas em profundidade e expressão.

Um Netuno sem aflição e em bom Aspecto com Saturno “carregado” é como água fresca num jardim seco. As pessoas representadas por Netuno serão uma fonte de inspiração e refrigério espiritual para o indivíduo, o qual, pelas aflições de Saturno, pode achar a vida muito enfadonha por causa das responsabilidades e de sua própria “consciência de limitação”. Se tal horóscopo está fortemente caracterizado pelas vibrações do elemento Terra, e se Urano não está em grande evidência, o indivíduo pode ter a impressão de que seus amigos de Netuno são muito estranhos – ele pode não ser capaz de entendê-los muito bem, mas reconhecerá que precisa do “toque estimulante” deles em sua vida. Ele precisa da realização que eles têm da vida interna – a sua própria vida interna é tão preocupada com a externa – e, basicamente, o Aspecto promete que, por meio deles, ele pode nesta vida dar os passos no sentido de libertar sua consciência dos pesados grilhões da forma.

Netuno é o clamor da consciência humana por “Shangri-La[19] – o lugar da Paz, a fonte das águas da Vida”. A paz é estabelecida no coração humano quando se vive por meio de devoção as melhores, mais belas e mais perfeitas realizações. O aperfeiçoamento é primeiro sonhado, depois visualizado, e depois abordado mediante processos de transmutação, e, quando a atração da consciência da Terra é superada, abrem-se os portões da verdadeira realização para a Beleza, Paz Interior e o Conhecimento da Verdade.

 

CAPÍTULO VIII – PLUTÃO – O PRINCÍPIO DO FOGO CONGELADO

Esse assunto é apresentado na esperança de que seja uma contribuição útil àqueles Estudantes de Astrologia que se interessam por psicologia, a fim de permitir-lhes compreender melhor os aspectos de desejo da consciência humana. Nós somos malsucedidos na nossa tarefa como “iluminadores”, a menos que façamos um acordo interno para procurar soluções para as emoções complexas e tortuosas resultantes de confusões e frustrações da consciência sexual das pessoas. A evolução é geração e regeneração; fobia, psicose, ideias fixas, etc., e outras coisas semelhantes são termos usados para indicar os níveis de consciência emocional que, devido à falta de liberação construtiva tem permitido a estagnação, cristalização, o congestionamento e “um pé atrás”.

Na aplicação das interpretações astrológicas para as descobertas da moderna psicologia, vemos que nenhum símbolo é mais significativo que o Signo de Escorpião, em seu papel como significador vibratório da oitava Casa do horóscopo abstrato.

Como Signo Fixo de Água, Escorpião se assemelha ao gelo comprimido e imóvel. Como significador emocional expressa sentimento na mais intensa forma. Ele é o grande oceano do poder-desejo que move a humanidade inteira e a leva a extrair o pábulo, para ser transmutado por meio do amor para a regeneração da Vida (Fisiologicamente, Escorpião representa todas as funções excretoras do corpo – a liberação dos materiais em estado fluídico, que durante o estado de saúde, deve sair do Corpo, de modo que os processos transmutativos e regenerativos do Corpo funcionem).

A referência ao Amor citado acima poderá ser mais bem compreendida se adotarmos um desenho ilustrativo. Façamos um círculo em branco e coloquemos o símbolo de Áries na cúspide da primeira Casa, e Touro na cúspide da segunda Casa. Esse é o retrato do “EU SOU” – a expressão da consciência do ser – e do “EU TENHO” – o reconhecimento da relação com as coisas da Vida por meio da consciência de posse. Touro, cujo Regente é Vênus, Signo de Terra e frutífero, simboliza a manutenção e sustentação da vida física; é, pois, nossas “raízes na Terra”, por meio das quais, pelo sentido de ter, mantem nosso apego na vida de experiências. Nos níveis primitivos, a segunda Casa não – e não precisa – necessariamente, implicar a consciência de relacionamento com outras pessoas, senão apenas um “sentimento” ou “emoção” de propriedade, pela qual esculpimos nosso destino, de acordo com nossa consciência de “avaliar as coisas da Terra”.

Acrescentemos em nosso desenho o símbolo de Libra na cúspide da sétima Casa. Isso mostra que o “EU SOU” da primeira Casa, Áries, encontra sua realização, ou transcendência, em o “NÓS SOMOS” da associação, do matrimônio ou outro qualquer relacionamento. O conhecimento isolado da primeira Casa se amplia por meio da mutualidade da experiência “união com outras pessoas”.

A sétima Casa é a primeira Casa do hemisfério superior do horóscopo, a iniciação nos níveis da consciência anímica, por meio do amor-reconhecimento, do amor que se comunica mediante os mecanismos do relacionamento. A manutenção e sustentação da sétima Casa, por sua vez, alicerça-se na oitava Casa, a “polaridade da consciência anímica” da segunda Casa. É, como já foi dito, a “mola do desejo”, os “fogos da polaridade de troca”.

Coloquemos o símbolo de Escorpião na cúspide da oitava Casa, para completar a figura da expressão individual nos níveis evolucionários da experiência por meio do poder do amor para a transmutação e regeneração da consciência dele (sugerimos que todos os Estudantes de Astrologia meditem nesse desenho; é o quadro simbólico do Jardim do Éden, o nascedouro da consciência do sexo e da iniciação do matrimônio. A interpretação pervertida dessa alegoria, através de milhões de anos de experiência humana, tem sido causa de mais tragédias e sofrimentos do que qualquer outro fator. “Eva” é a consciência anímica ou a consciência do hemisfério superior do horóscopo. “Ela” surge da necessidade de cada indivíduo transcender as condições da primeira Casa (isolamento para automanutenção, inocência ou ignorância). Cada ser humano real é um composto vibratório de “Adão e Eva”; o sexo é mera especialização da polaridade expressa em termos físicos durante uma dada encarnação para as necessidades específicas da geração evolutiva. Não há superioridade de macho sobre a fêmea, todos nós, em consciência e subconsciência, somos ambas as coisas. Os Astrólogos devem compreender isso).

Nós iremos, agora, criar outro desenho em nosso estudo do Signo de Escorpião.

Em um círculo em branco conecte os pontos médios das Casas Fixas – 2ª, 5ª, 8ª e 11ª – usando linhas retas. Temos a forma geométrica perfeita de uma “Quadratura estática”, repousando na sua base (Esse é o símbolo com que representamos o Aspecto da Quadratura – um relacionamento adverso entre dois Astros que se encontram dentro de uma órbita de noventa graus, um do outro). Considerando que os significadores vibratórios dessas Casas são todos Signos de poder emocional, estudaremos o relacionamento-polaridade desses Signos, aos pares. Conectando o ponto mediano da 5ª Casa com a 11ª Casa, temos a polaridade Leão-Aquário, que exprime o poder do amor criador pessoal, conducente ao relacionamento entre pai e filhos, sendo espiritualmente realizado dentro da vibração do poder-amor impessoal de Aquário, no qual estão incluídos todos os padrões de relacionamento, nas expressões de amizade e de fraternidade. Esses dois Signos são poder-amor como radiações. Já o padrão Touro-Escorpião representa recursos de poder-amor que se expressam como “desejo de posse de coisas” e do “desejo de posse da experiência amorosa”.

A “Quadratura estática” que traçamos aqui nos dá a chave para o significado real do “Aspecto Quadratura” que nós usamos na Astrologia. Padrões de fricção mostrados em um horóscopo simboliza potencialidade para sofrimento – “problemas” – devido às frustrações e/ou expressões não espiritualizadas do poder-desejo. Explicamos:

Nossos problemas se agitam na consciência – como dor – pelo contato que fazemos com outras pessoas e por meio da nossa reação vibratória perante os padrões de consciência dessas pessoas. Isso só pode ser possível por meio de experiências delineadas pela 7ª e 8ª Casas, pois ambas constituem o “setor vibratório da troca”. Nossos estados não regenerados de consciência ou os desejos não expressos, sincronizam-se com um padrão complementar da outra pessoa e nossa experiência-relacionamento se realiza. Considerando que essa fase de vivência nos vem sempre por meio de outra pessoa, examinemos o desenho da Quadratura estática, começando com Escorpião.

O círculo, como sabemos, é uma figura abstrata dos processos evolucionários por meio de sucessivos renascimentos. O nascimento físico é simbolizado, em cada reencarnação, pelo Ascendente, a cúspide da primeira Casa. Contudo, em cada encarnação, um “segundo nascimento” é iniciado pela primeira reação à conscientização do sexo: o reconhecimento do complemento de alguém, o “outro eu” de alguém, o símbolo de vida do cumprimento desejado e necessário. Então, podemos pensar no círculo como iniciando suas revoluções desde o momento em que a humanidade – no abstrato (Adão e Eva) – tornou-se consciente do desejo de realização mediante o processo da polaridade de troca. Aí começou a troca vibracional da experiência de todos os estágios de desenvolvimento de trocas mentais, criadoras e de relacionamentos biológicos e não biológicos.

Então, Escorpião é visto como um recurso vibratório do poder-desejo para essa entidade que chamamos humanidade, e da qual todas as coisas viventes derivam as suas expressão e perpetuação criativas. Como somos apoiados por muitas, muitas encarnações de termos expressado esse poder de certas maneiras, podemos pensar que cada ser humano se assemelha, simbolicamente, a um iceberg que mostra acima da superfície apenas uma pequena fração de todo o seu volume. Cada um de nós possui “uma grande área” de potencial desejo submergida ou não reconhecida nesse grande depósito de nosso passado evolutivo. E os nossos depósitos acumulados constituem o que muitos pensadores chamam de “inconsciente coletivo”. Cada ser humano em dado momento, por afinidade, vibra dentro de certo nível desse “Corpo de Desejos coletivo” (Similar – ou devemos dizer análogo – à relação de qualquer vibração específica de cor com todo o espectro, ou a de qualquer tom para o “corpo da vibração tonal”.)

Em termos e pontos de vista tradicionais e ortodoxos, poderíamos dizer que Escorpião representa a “fonte do mal”. O demônio é o eterno tentador, o eterno impulsionador para a direção errônea; a eterna armadilha para o incauto; o arquidestruidor; o inimigo do bem; o adversário do ser humano, e um “fedor nas narinas do Altíssimo”. Não queremos discutir com os ortodoxos, mas essas frases representam as atitudes simplistas das pessoas que veem a vida – e seus capítulos – como “preto ou branco”, “essencialmente bom ou essencialmente mal”, o “alto ou o baixo”, “dia ou noite”, e assim por diante. Esses conceitos têm sido e ainda são necessários porque servem como definidos indicadores de conduta da humanidade comum em evolução. Deve haver moldes de algum tipo em que o ser humano encha com suas expressões de si mesmo, senão toda a vida em evolução seria caótica e sem sentido. O desejo, em si, não teria nenhum propósito evolutivo para ajudar além da satisfação das necessidades mais primitivas.

No entanto, um processo alquímico funciona ao longo da evolução de qualquer indivíduo ou par ou grupo de indivíduos pela espiritualização da consciência do amor e pelo desenvolvimento e expressão da inteligência. O amor próprio se torna amor de companheiro e progênie; a autoproteção torna-se a devoção à família, tribo e ao estado; as forças da sexualidade são criadas em qualidade vibratória para se estenderem em níveis de criatividade e poder mental. Por meio de tudo, a consciência do indivíduo amadurece em desejo de melhoria, expansão em um conhecimento mais vasto e amplo com o universo de outras pessoas e, em última instância, para sabedoria e realização de ideais. Assim, Escorpião, por meio dos padrões da oitava Casa, possibilita a extensão da experiência nas expressões transcendentes das Casas: nove, dez, onze e doze. Escorpião é maligno apenas para a mente que vê o mal como uma “entidade estática”. No entanto, a partir das abordagens feitas pela realização dinâmica, Escorpião é a fonte de todo amor, toda aspiração e, através do cumprimento da relação-experiência, a fonte de toda a sabedoria.

Uma vez que o Escorpião é um Signo Fixo de grande poder em potencial, os posicionamentos Astrais ou padrões envolvendo sua vibração podem ser interpretados como sendo apoiados por recursos intensos, e o resultado de uma “compressão de longo prazo” da força do desejo naquele ponto. Padrões de Escorpião – e tipos de Escorpião – nunca são superficiais ou insignificantes. Dê uma atenção especial a qualquer Aspecto natal relacionado a este Signo, porque os seus potenciais são muito grandes, “grandes para o bem ou grandes para a adversidade”. O desejo está concentrado lá e sua liberação e expressão construtiva é um “algo a mais” nesta encarnação. O destino doloroso e insuficiente é assegurado para o futuro. Nenhuma inibição emocional pode comparar com Saturno em Escorpião por intensidade de medo ou fixação; sem potencial propósito é mais inabalável do que o Sol em Escorpião. Marte em Escorpião pode representar o desejo sexual em sua mais estridente necessidade de expressão. Mercúrio em Escorpião deve observar suas expressões – apoiadas por impulsos não regenerados de ciúmes, frustração, medo, etc. Suas palavras podem ter um efeito devastador sobre as Mentes e os sentimentos de outras pessoas. Lua e Vênus in Escorpião intensificam, em alto grau, os padrões que pertencem especificamente aos níveis de consciência feminina de qualquer um, masculino ou feminino. Há, ou pode ser, uma certa implacabilidade, crueldade ou tendências para “expressar através da dominação” quando esses fatores não são liberados satisfatoriamente. Todas essas posições Astrais exigem a expressão transmutada através de libertações tornadas possíveis pela consciência amorosa da reciprocidade no relacionamento, relação sexual satisfatória e geração frutífera ou, em níveis impessoais, em um serviço de trabalho amoroso ou criatividade de algum tipo. Estes são incêndios que não podem, indefinidamente, permanecerem em um estado reprimido; eles devem ser autorizados a “lançar chamas como Fogos de Vida”.

Já que estamos à procura de compreensão, há um fator psicológico envolvido na vibração de Escorpião que devemos considerar como algo desagradável. Esse fator, e é um estado emocional individual e coletivo, é o resultado essencial da incapacidade de liberar, de forma construtiva, os desejos mais intensos. Porque o corpo físico é uma expressão externa do interior, vamos ver como esse problema se manifesta no plano físico.

Como dissemos anteriormente, Escorpião representa todas as funções de excreção do corpo físico. Quando se falha em fazer isso de maneira necessária se produz a condição de congestionamento com todas as suas possibilidades de desarmonia física.

Quão difícil é remediar o congestionamento da natureza do desejo. Qualquer Estudante pode, por meio de alguns momentos de reflexão, reconhecer as condições de congestionamento de desejo em si mesmo ou nas naturezas daqueles que conhece bem. Às vezes, essas congestões tomam formas muito trágicas e devemos aprender a reconhecê-las.

A tragédia básica essencial de um Escorpião não libertado é a frustração do desejo generativo. A partir desse congestionamento particular deriva uma miríade de males emocionais, nervosos e mentais que afligem a humanidade em quase todas as fases do desenvolvimento. É verdade que há algumas pessoas que a nenhum momento não exigem essa forma particular de liberação, mas essas pessoas são poucas e distantes. É natural e saudável que as pessoas, em geral, vivenciem o cumprimento do desejo de acasalamento relacionamento amoroso. Na falta dessa realização, quando sua necessidade é sentida profundamente, se apresenta uma imagem horrível de sofrimento e perpetuação de erros nos outros. Escorpião não cumprido – onde quer que seja colocado no tema astrológico – nos dá uma imagem da possibilidade do nativo ceder à expressão de crueldade, desonestidade, assassinato e toda a destruição como satisfação substitutiva da sua natureza de desejos.

Como o corpo físico pode entrar em erupção com furúnculos devido a condições tóxicas inéditas, do mesmo modo a consciência pode entrar em erupção com todos os tipos de impulsos negros a fim de obter alguma forma de liberação. A história do desenvolvimento da humanidade, como organismo sexual, está repleta de capítulos de medo, perversão, doenças e loucura devido a tantos seres humanos “concordarem” em viver, emocionalmente, por padrões totalmente ausentes de processos de experiência natural e satisfações saudáveis e amorosas.

O casamento, que deve ser uma resposta natural de duas pessoas, um para o outro, em termos de relacionamento emocional, é uma ferramenta para servir os interesses familiares, a aquisição de propriedade, fortuna, poder temporal, dinastia e sabe lá o que mais. Toda forma religiosa se baseava na atitude de que o ser humano, sendo um verme e digno de um castigo eterno, não tinha direito ao prazer espontâneo e ao cumprimento de seus desejos e sua vida. Essa “filosofia” manchou as Mentes e as emoções de milhões de pessoas por muitas centenas de anos. Estamos, nestes tempos, começando a ter raízes dessas doenças emocionais e, ao estudá-las, somos forçados a concluir que a vida não pode ser vivida, a não ser que seja baseada em uma filosofia de vida saudável, construtiva, amorosa e de felicidades liberadas.

Alguns resultados onde Escorpião foi instrumento para desviar a vida emocional e a felicidade dos outros:

Pessoas cujas vidas parecem estar consagradas ao sofrimento devido à falta de experiência amorosa; matrimônios em que os cônjuges parecem viver em permanente atrito – antiga inimizade; filhos são fontes de contínua ansiedade e cuidados em virtude de doenças mentais ou físicas – ou deficiências essenciais de caráter; mulheres persuadidas a se casarem com homens que as mantêm em contínua escravidão aos seus impulsos de desejos, sem resultados frutíferos; homens que não se livraram das amarras psicoemocionais da mãe; crianças que nascem de pais que não as desejam e não as tratam com afeição e consideração; pessoas que passam uma encarnação inteira com medo da própria sexualidade, envergonhando-se até de pensar em “fazer algo a respeito”.

E assim segue: o tormento, a dor, o medo, os sentimentos de inferioridade, a crueldade, a dominação, a autodestruição e até a loucura: todas evidências da congestão da natureza de desejos. O remédio se encontra na educação esclarecedora e espiritualizada, somada a determinação vitalizada em viver sadia, expressiva, bela e amorosamente no relacionamento consigo mesmo e com as demais pessoas. Assim o recurso de desejo é transmutado e expresso em termos que contribuem para a evolução, bem como para a redenção de padrões de destino maduro que se convertem em consciência espiritualizada.

Achamos que a meditação sobre um Signo ou um Astro que se relacione com o “horóscopo abstrato” é uma base confiável para todo estudo da ciência astrológica interpretativa. Por “horóscopo abstrato” queremos significar uma roda astrológica com Áries na cúspide da primeira Casa, Touro na cúspide da segunda Casa, e assim por diante em torno da roda. Isto coloca os trinta graus de cada Signo na sua Casa correspondente. O posicionamento dos Astros nos Signos e Casas de suas Dignificações completa o quadro.

Na primeira parte deste capítulo nós consideramos o Signo de Escorpião em sua “relação de Quadratura” com os outros três Signos Fixos – os Signos do “recurso de poder emocional”, que constituem a sustentação dos Signos Cardeais que os precedem.

Agora devemos considerar Escorpião em sua relação com os outros dois Signos de seu elemento – Água. Nosso desenho será um círculo em branco com Câncer na cúspide da quarta Casa, Escorpião na cúspide da oitava Casa e Peixes na cúspide da décima segunda Casa. Ligue estas cúspides por linhas retas, de maneira que formem um triângulo equilátero. Dos três Signos de Água e respectivas Casas, a quarta Casa está no hemisfério inferior ou hemisfério de consciência do Ego; as outras Casas (8ª e 12ª) estão no hemisfério de consciência anímica.

Consideremos agora a quarta Casa: o segundo aspecto da consciência Cardeal é “EU SOU”; é o “EU SOU” em termos do relacionamento do Ego com heranças, familiares, consciência racial e identificação com as correntes da Vida. Câncer, Signo Cardeal-Água, é gerador no sentido de que é a nossa consciência de “formação de lar”; é a base (o ponto mais inferior do círculo) a partir da qual nos levantamos através de sucessivos padrões evolutivos.

Escorpião e a oitava Casa sustentam a sétima Casa, que é o ponto focal de nossa mais intensa consciência de relação no matrimônio (amor) ou na inimizade (amor não realizado). Consequentemente, o intenso poder emocional concentrado de Escorpião – através do impulso sexual e de suas derivações – é necessário aqui. Escorpião é geração e suas espiritualizações por meio da regeneração no amor.

Peixes e a décima segunda Casa simbolizam a Água como um meio envolvente. Considerado abstratamente, é a essência do passado trazido para o presente. Todos os Signos Comuns e respectivas Casas são “modulações” de um quadrante vibracional ou ambiental ao quadrante seguinte. Assim, a décima segunda Casa é a modulação de uma encarnação para a encarnação que se segue ou – considerado inversamente – é a chave essencial para se compreender o que, no passado, impeliu à encarnação presente. Simboliza a emotividade dos Signos de Água em seus aspectos. Mais transcendentes e impessoais da universalidade do Amor, da Simpatia e da Compaixão-Compreensão. Câncer é identificação emocional com a família; Escorpião é identificação emocional na parceria; Peixes é identificação emocional com as causas mundanas, bem-estar universal e progresso evolutivo como expressões das faculdades e consciência mais espiritualizadas.

Os Signos de Água em conjunto simbolizam as nossas faculdades como “placas de ressonância”; nossa “reação vibratória aos padrões vibratórios de outras pessoas”; “sentimentos familiares subconscientes instintivos”, “impulsos de desejo subconscientes” e “recordações subconscientes de encarnações anteriores”.

Uma vez que a base de toda interpretação astrológica é “Conhece-te a ti mesmo”, sugiro-lhe familiarizar-se com o padrão do Signo de Água girando o desenho que fizemos de modo que o seu Ascendente fique na cúspide da primeira Casa. Mesmo que seu horóscopo Natal tenha Signos interceptados, este giro da roda mostrará um quadro de como, em geral, a consciência do Signo aquoso se aplica à sua variação astrológica individual. Estude cuidadosamente, dando ênfase à cúspide que comporta Escorpião para prosseguimento desta discussão. Aborde-o desta maneira: “Escorpião indica a concentração da minha consciência de desejo em tal e qual Casa em tal e qual quadrante do mapa astrológico”. Medite retrospectivamente sobre suas experiências passadas que se relacionem com este padrão. Aplique esta técnica colocando Escorpião de outro modo, em todas as cúspides da roda. Prolongue sua abordagem mental aplicando o Trígono dos Signos de Água e a Quadratura dos Signos Fixos às doze possíveis posições abstratas.

Nossa próxima consideração sobre o Signo de Escorpião será a sua relação com Libra, o Signo Cardeal que o precede. Em uma roda astrológica em branco ponha Libra na cúspide da sétima Casa e Escorpião na cúspide da oitava Casa. Partindo do centro da roda escureça as linhas que representam as cúspides das sétima e oitava Casas, e então, sombreie estas mesmas Casas de modo a se destacarem das outras Casas. Isto é feito com o propósito de alertá-lo para o intenso significado emocional destes setores das duas Casas e dois Signos na roda.

Libra, Cardeal-Ar, é a correspondência vibratória da primeira Casa do hemisfério da consciência anímica; ela inicia o terceiro setor da roda pela ação dinâmica da atração magnética entre duas pessoas.

 

O egoísta, individualista, “EU SOU” – Adão – da primeira Casa, prolongado até o “Eu sou uma unidade no relacionamento familiar” da quarta Casa, converte-se na sétima Casa em “Eu sou um dos dois fatores complementares de um padrão de experiência emocional intensamente focalizado”. Vênus, como Regente de Libra, é o símbolo abstrato da “consciência de Eva” de todo ser humano, o meio de redenção do egoísmo isolador inerente em todos nós, e o canal essencial pelo qual todos nós encontramos a fonte de nossos melhoramentos e refinamentos através de intercâmbios na mutualidade – em todas as fases e níveis.

Escorpião, seguindo-se a Libra é o alimento do desejo pelo qual essa experiência é sustentada, e a oitava Casa é o processo de geração, regeneração, renovação e transmutação pelo qual o Entendimento é destilado – levando da oitava Casa às transcendências das quatro Casas restantes da roda. Acrescente ao nosso desenho uma linha reta desde a nona cúspide até o Ascendente, abarcando as últimas quatro Casas. Este setor de quatro Casas é a consciência resultante de expressões transmutadas da natureza de desejos; espiritualizações sendo possível pelo amor.

 

Aplique este desenho ao seu próprio mapa para meditação. Vá além: estude este desenho aplicando-o às doze posições possíveis do horóscopo abstrato. Utilize a abordagem da palavra-chave básica para os setores e Casas individuais, tendo em mente que Escorpião transmite:

  • a intensidade da natureza de desejos;
  • o ponto focal da consciência sexual;
  • o capítulo de experiência que requer o máximo de seus poderes para regeneração e transmutação;
  • os níveis de sua consciência emocional que buscam o melhoramento da qualidade vibratória pelo amor;
  • e o melhoramento da expressão pela ação construtiva.

Mantém-se aqui o ponto de vista de que Plutão é o Regente de Escorpião; Marte é o co-Regente como expressão ativa de Plutão. E por estas razões:

  • As qualidades essenciais da “natureza espiritual” de um Planeta devem coincidir com as qualidades essenciais do Signo que ele rege. Marte não é somente o Princípio da Energia, mas também é a expressão dessa energia na ação. Seu Signo é Áries – o passo inicial da roda, a “nova vida”, a consciência de Ser e Fazer. Sua essência é dinâmica de qualquer modo: impelindo, energizando, impregnando e vitalizando. É a abstração da personalidade individual combatendo com a Vida e suas partes componentes como coisas a serem vencidas através do instinto de autopreservação e auto expressão.
  • Plutão, remoto e lento, é a essência abstrata da natureza fixa, congelada e comprimida de Escorpião – o mais rígido de todos os Signos (Leão, Fixo e de Fogo, brilha com poder e resplendor; Touro Fixo e de Terra é fértil e expressivo; Aquário, Fixo e de Ar, é a vibração do gênio – transcendente e inventivo; dos Signos de Água, Câncer é o suscetível e taciturno; Peixes é extremamente impressionável e sutil). Escorpião, ardendo com a compressão de seus fogos internos de sentimentos intensos, raras vezes se expressa ao máximo, mas quando o faz é com grande e notável eficácia. Como um vulcão, essas expressões ocorrem quando o impulso para se expressar excede a consciência de se conter e a liberação de energia se faz para efeitos e resultados de longo alcance.

Voltemos ao desenho de Libra–Escorpião com a linha traçada da nona cúspide ao Ascendente. O que transmite essencialmente este desenho?

Em retornos periódicos – volta após volta da roda – o desenho simboliza a necessidade de reencarnação para maior espiritualização da consciência, devido a fracassos ou não cumprimento dos padrões de regeneração por parceria da encarnação anterior ou ciclo de encarnações. O Ascendente carrega nas costas o setor completo de quatro Casas que inclui a nona, a décima, a décima primeira e a décima segunda Casa. Plutão, como Regente de Escorpião, coloca-se no portal da vida espiritual, em qualquer fase, de relacionamento a relacionamento – e isso é significativo – da essência de relação do passado ao presente e do presente ao futuro. As últimas quatro Casas da roda representam o “Vinho do Espírito”, destilado de todas as relações cumpridas.

Agora, se no começo da encarnação o Ego é incapaz de afirmar “EU SOU”, de que vale a encarnação? O fato de que a encarnação se efetua é prova de que a Centelha da Consciência eterna e indestrutível estando buscando mais espiritualização, não importa quão limitada possa ser a capacidade de auto expressão. O deficiente congênito, o cego, o deficiente mental e todas as pessoas com defeitos semelhantes são personificações da expressão do hemisfério inferior da roda – considere isto cuidadosamente – liberação sem amor dos fatores geradores e regeneradores. O progresso da vida é regeneração; aquelas vidas que parecem retroceder são elas próprias objetos de devoção, sacrifícios e amor por parte dos pais ou de outros, que necessitam de medidas extremas para liberar seus recursos de conhecimento, compaixão e simpatia; assim os processos de melhoramento e regeneração são mantidos e perpetuados. As nona, décima, décima primeira e décima segunda Casa não apenas representam pessoas que vivem uma consciência espiritualizada, mas que também representam padrões de trabalho ou serviço prestados àqueles que personificam um mau destino em suas aflições de sofrimento e ignorância. Em outras palavras, aqueles que aprenderam as lições da oitava Casa destilam, para serviço a todos, os poderes espiritualizados pelos quais as aflições e sofrimentos podem ser e são redimidos. Por conseguinte, as pessoas iluminadas consideram toda encarnação significativa e valiosa; seus pontos de vista estendem-se além do superficial e transitório; elas percebem as Leis da Vida se expressando e reconhecem que há possibilidade de regeneração em qualquer e em todas as fases da existência humana.

A abordagem feita pela moderna psicologia corretiva – permita nos referir outra vez ao nosso desenho – é para ajudar as pessoas que estão aflitas física, emocional, mental e psiquicamente a restabelecer sua habilidade de dizer “EU SOU” em termos de:

(1) cura física e melhoria da capacidade física;

(2) compreensão de seus padrões emocionais de fixação, medo, frustrações ou inibições de forma que seus complexos e compressões internos possam ser liberados e se estabeleça um despontar de autoconfiança, saúde sexual-emocional, reajuste de relacionamentos, otimismo, alegria e amor;

(3) disciplinas e diretrizes para uma percepção mental mais forte e mais eficiente de modo que a pessoa possa ajustar-se melhor com as coisas e pessoas que o rodeiam. Todos esses fatores apontam diretamente para um nível mais elevado de consciência do “EU SOU”. Não há outra base para viver a vida em termos construtivos e frutíferos.

Devemos considerar agora que de encarnação a encarnação começa uma vida interna com cada despontar da consciência sexual e com o reconhecimento da experiência sexual. Mais destino pode ser criado a partir do padrão de uma experiência conjugal do que de qualquer outro fator isolado no desenvolvimento humano. Todos os fatores essenciais são envolvidos: intercâmbio sexual, criação de filhos, problemas econômicos, complicação no relacionamento, etc., formando-se assim um conjunto de padrões de reação emocional bastante complexo. Como todos somos individuais, a despeito de quão íntimos ou ligados aos nossos cônjuges possamos nos sentir, não podemos, no final das contas, e nem devemos tentá-lo pôr de lado a consciência de “EU SOU”. Até mesmo o tentar efetuar esta divisão interna causa, até certo ponto, o naufrágio da integridade, o enfraquecimento da autoconfiança e o esgotamento das expressões de habilidade. O “EU SOU” de Marte-Áries seria – e consequentemente deve ser – assunto de autoconsciência honesta, integridade e saúde emocional. Até que esse trampolim se torne a base de nosso “salto à vida” arriscamos a atolar nos pântanos da indecisão, da falsidade, e em todas as formas de complicações trágicas. Plutão, como Regente de nossa intensa capacidade de desejo, libera-se através de Marte quer como meio de destruição, dominação, ganância, crime, perversão e doença querem como uma expressão de coragem, autoconfiança, atividade e trabalhos construtivos, ardor de impulso amoroso e verdadeiro, mutualidade sexual sadia e recompensadora, e como centelha luminosa pela qual a vida se expressa com calor e luz, alegria e progresso.

Quando sua vida parece chegar a um ponto de estagnação e, através de uma sensação de inércia ou enfraquecimento, sentir que desconhece novas direções e novos caminhos de crescimento, mas quer continuar progressivamente, olhe seu mapa astrológico e detenha sua atenção na cúspide que tem Escorpião, isto para alertar a você mesmo seus recursos. Então, considerando a Casa em que encontra Áries e o potencial indicado por seu Marte, descubra como posso dizer “EU SOU” em termos mais grandiosos e melhores do que até então. Este é o processo nos planos internos:

Você está consciente de um forte desejo de adiantar sua vida de algum modo. O desejo não liberado e não expresso se acumula até estabelecer-se uma congestão; esta congestão resulta em desejos e ciúmes dos outros, autocompaixão e diminuição do autor respeito e autoconfiança. Recorre então a futilidades e superficialidades para preencherem o “vazio doloroso”, e sua vida prossegue vagueando por toda sorte de (realmente indesejáveis) caminhos secundários e desvios. Assim, pois, você sabe que deve fazer algo por você mesmo a partir do seu centro de consciência. Seu começo de qualquer coisa é feito com a consciência de seu Áries e/ou sua primeira Casa; uma consciência ampliada ou dilatada do potencial de seu Áries-Marte é a chave para uma maior liberação do seu desejo de progredir. Não é o que alguém pense que você possa fazer, deve ou não deve fazer, mas vale o que diz seu horóscopo sobre seu padrão de progresso. Sem fugir às legítimas responsabilidades ou maltratar injustamente a quem quer que seja, responderá à primeira oportunidade que sincronize com o seu propósito progressista. Sua resposta será em termos de um “bom Marte” – ansiosamente, entusiasticamente, corajosamente e positivamente. Você diz, com efeito, “Eu desejo liberar algo de melhor que tenho a oferecer para a minha própria vida e para minhas relações com as outras pessoas – algo dos recursos profundos, ocultos, de minha consciência e de minhas habilidades. Estou determinado a fazer disto uma contribuição valiosa e construtiva a ser expressa e realizada com honestidade, integridade e coragem”. Por tal atitude e sentimento íntimo, os recursos de Plutão, o Corpo de Desejos coletivo, são liberados na vida através de ti, servindo para estimular as vibrações espirituais e a consciência de todos os que entram em contato contigo. Isto, em suma, é a redenção do relacionamento, a essência da experiência amorosa.

[1] N.T.: O Corpo-Alma não é um extrato, como o é a Alma. É um dos veículos do Espírito, ou um dos seus Corpos. É composto dos dois Éteres Superiores do Corpo Vital: Éter Luminoso e Éter Refletor. O Corpo-Alma é construído por meio de uma vida abnegada de Amor e Serviço em favor da humanidade. Essa vida abnegada é que atrai e aumenta os Éteres Superiores. Com a união do Pensamento, poder do Amor, a ação correta e da constante repetição estamos realmente construindo e revestindo-nos com o Dourado Traje Nupcial, o qual ainda não pode ser visto pela maioria dos olhos mortais. Nenhum conceito humano nos pode dar uma ideia aproximada do que é o Corpo-Alma.

[2] N.T.: Gl 6:7

[3] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[4] N.T.: Trígonos, Sextis e algumas Conjunções.

[5] N.T.: Quadraturas, Oposições e algumas Conjunções.

[6] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[7] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[8] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do Corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte.

[9] N.T.: Horóscopo

[10] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[11] N.T.: A memória subconsciente, involuntária, ou Mente subconsciente. Ela é impressa sobre o nosso Corpo Vital. O Éter contido no ar que nós respiramos registra a cada instante de tudo que nos acontece e tudo que nós desejamos, sentimos e pensamos. Essas imagens passam pelo sangue, por intermédio dos pulmões e são impressas no Éter Refletor do Corpo Vital. Todas as nossas ações, nossos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos são, assim, fielmente conservados. Após a morte, eles determinarão nossas condições de existência no Purgatório e no Primeiro Céu.

[12] N.T.: A memória consciente, voluntária ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos.

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VOLUME 3

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – O ASTRÓLOGO

CAPÍTULO II – O MANDALA ASTROLÓGICO

CAPÍTULO III – A ASTROLOGIA DA LUZ BRANCA

CAPÍTULO IV – O ASTRÓLOGO TRATA SOBRE O ENSINAMENTO

CAPÍTULO V – O ASCENDENTE

CAPÍTULO VI – A SEGUNDA CASA

CAPÍTULO VII – A QUINTA CASA

CAPÍTULO VIII – A OITAVA CASA

CAPÍTULO VIII – A RETROGRADAÇÃO PLANETÁRIA

CAPÍTULO I – O ASTRÓLOGO

O astrólogo pertence a um desses muitos grupos de pessoas que, motivadas por amor impessoal, procuram acrescentar melhoramentos às condições humanas. Ele chegou a um ponto de desenvolvimento em que seus recursos internos, destilados de encarnações passadas, são de tal qualidade e esfera de ação que precisam ser externadas; em outras palavras, uma parte de sua consciência não pode mais encontrar satisfação nos níveis de experiência puramente pessoais – ou biológicas (É claro que seu serviço impessoal é uma expressão do seu desenvolvimento e experiência como um ser humano; mas seus propósitos são dirigidos para todos os seres humanos).

Consideremos o astrólogo à luz dos “desenhos astrológicos”:

Em um círculo em branco trace os diâmetros horizontal e vertical.

A cruz formada por essas duas linhas simboliza a natureza humana do Astrólogo: um homem – ou uma mulher – encarnado com propósitos de desenvolvimento e tendo de enfrentar problemas, provas e tentações como qualquer outro; talvez sujeito a uma ou a muitas formas de provas através do sofrimento.

Tudo isso diz respeito à sua parte pessoal, mas quando acrescentamos a esse “padrão de cruz” a cúspide da nona Casa vemos o astrólogo emergir da limitação de um mero ser humano.

O símbolo de Júpiter colocado na nona Casa desse esboço, nos dá a sua identidade essencial: ele é “irmão mais velho” e mestre.

Em sua natureza humana neste plano ele é irmão de todas as pessoas que o buscam para orientação. Reconhece que palmilha as mesmas trilhas que as outras pessoas percorrem, mas o que o diferencia dos outros é um composto em que entram: sua qualidade amorosa impessoal, sua abrangência de compreensão das condições humanas e suas faculdades mentais abstratas. Esse composto eleva sua consciência a um nível que transcende as motivações biológicas básicas do pensamento e do sentimento; ele vê através dos conceitos de raça, religião, castas, modelos de famílias, padrões de relacionamento físico, e mesmo através do sexo, por si só. Sua aproximação aos “seus irmãos e irmãs mais jovens” se baseia no estudo e na compreensão dos seus padrões vibratórios – em outras palavras, baseia-se no nível de consciência deles.

Seu estudo fundamental é o da natureza vibratória da entidade que chamamos humanidade em sua miríade de expressões e variações, manifestadas por subconscientes impressões e sensações, gostos emocionais, atritos e condições físicas, e padrões de reação a todos os departamentos de experiência e relacionamento comuns a todos os seres humanos em seu processo evolutivo. A humanidade não é somente uma família; é uma coisa única, um padrão particular de expressões da vida.

O astrólogo, naturalmente, é uma faceta dessa totalidade; mas, pela percepção e compreensão, ele está em relação à maioria das outras facetas da totalidade como a pessoa no topo de uma montanha está para aqueles que estão subindo a mesma montanha ou para aqueles que ainda permanecem lá em baixo, no vale. Em seu particular nível evolutivo ele já destilou algo daquilo que as pessoas que estão escalando a montanha e os que se encontram no vale ainda estão destilando: consciência dos princípios universais e sua expressão por meio dos processos da vida humana. Ele, por sua vez, ainda tem montanhas à frente, e há outros que alcançaram culminâncias mais altas do que aquela que ele agora ocupa. Mas a consciência impessoal é o denominador comum de todos eles. Essa é a essência da fraternidade que o relaciona àqueles que ainda estão subindo e àqueles que estão à frente dele. Para os primeiros, ele é um irmão mais velho, para os que estão adiante dele é um irmão mais novo. Mas todos eles são irmãos mais velhos para aqueles que permanecem nos vales da consciência puramente biológica e materialista.

Em nosso traçado, a nona Casa simboliza o conhecimento ou aspecto sabedoria do astrólogo; seu aspecto amor é indicado pela décima primeira Casa. Acrescentamos ao mesmo o Signo de Aquário na cúspide da décima primeira Casa e coloquemos o símbolo de Urano nessa Casa; sombreie a nona e décima primeira Casas de maneira que elas se destacam na roda; “conecte” essas duas Casas acrescentando as linhas das cúspides das terceira e quinta Casas, indicando assim um composto de dois padrões de polaridade:

  1. O conhecimento elevado à sua transcendente expressão de sabedoria destilada da experiência;
  2. O amor pessoal, como expressão criativa, elevado ao seu espiritualizado nível de amor impessoal e ilimitado à humanidade – não importando os níveis de manifestação ou desenvolvimento desse último.

O aspecto amor da consciência do astrólogo – indicado pela décima primeira Casa e pela essência vibratória de Urano – é a culminância de todas as Casas de relacionamento e a mais espiritualizada expressão dos Signos de Ar. A décima primeira Casa é Relacionamento Humano, em sua expressão mais multiforme. É a destilação de todos os padrões de relacionamento – o poder do amor em sua expressão como as “águas da vida”, a panaceia de toda experiência emocional, a última meta de todo amor humano. Chamamos a esse estado: “Amizade” – a essência do melhor que pode se derivar da convivência de pessoas, não importa quem ou o que possam ser como indivíduo.

Esse aspecto do amor é, por sua própria natureza, a essência fundida dos aspectos de amor de ambos os sexos – ou polaridades. O astrólogo, por meio de sua experiência intensificada em encarnações passadas, tem destilado, até certo ponto, a compreensão das características emocionais relativas aos atributos masculinos e femininos. Para cumprir seu trabalho ele deve ser capaz de penetrar nos problemas tanto do homem quanto da mulher e perceber os rumos para a regeneração e correção.

A consciência do astrólogo, em relação a esse aspecto do amor, pode ser delineada mais claramente por outro traçado (o que estivemos considerando se refere mais particularmente aos rumos evolutivos ou caminhos que devem ser percorridos por aquele que busca prestar serviço por meio da interpretação astrológica). O florescimento da consciência amorosa do astrólogo é indicado por uma roda em branco em que as cúspides da terceira, sétima e décima primeira Casas são ligadas por linhas retas, formando um triângulo equilátero.

Interessante é que um ponto desse triângulo – a cúspide da terceira Casa – está no hemisfério inferior, ou consciência do Ego; a cúspide da sétima Casa marca um ponto de equilíbrio, sendo oposto ao Ascendente; a cúspide da décima primeira Casa, representando o ponto mais alto da consciência de relacionamento, está no hemisfério superior, ou consciência anímica. Existe um elemento – um denominador comum – “de fraternidade”, ligando essas três Casas entre si. A terceira Casa, em níveis biológicos, é “irmãos e irmãs”; em expressão mais impessoal ela é “parentes e vizinhos”; em expressão mais impessoal ainda, ela é “companheiros de estudo” – pessoas de qualquer idade ou condição que estão aprendendo na mesma fonte de conhecimento, ou pessoas que estão se espiritualizando pela mesma interpretação religiosa ou filosófica. A sétima Casa é a relação fraternal de uma pessoa – ou consciência – com uma expressão complementar – sexual ou vibratória. A “fraternidade do matrimônio” pode ser descrita deste modo: um homem e uma mulher contribuem juntos para a continuação da vida na experiência amorosa e na procriação. Marido e mulher, nesse serviço à vida, são verdadeiramente irmão e irmã como uma expressão de consciência da terceira Casa, intensificada pelos poderes compostos da atração do desejo e da liberação do amor. A décima primeira Casa, no hemisfério da consciência anímica, é a transcendência das duas primeiras, uma vez que ela é a consciência de amor expressa para a entidade total a que chamamos humanidade, e não é limitada em sua expressão por se confinar a uma só parte – ou a partes selecionadas – dessa entidade como seu objetivo.

Portanto, o astrólogo, espiritualmente motivado, deve ser como um símbolo vivente desse amor que não reconhece barreiras nem limitações de qualquer espécie à sua expressão.

Consideremos agora um traçado que pode representar um retrato simbólico do astrólogo em seus fatores compostos de consciência humana e consciência espiritual. Usando uma roda em branco com as Casas, sombreie as primeiras seis Casas com uma cor escura, marrom ou azul, etc.; dê um colorido vermelho às sétima e oitava Casas – o vermelho simbolizando os “fogos” do relacionamento e de regeneração; as restantes quatro Casas permanecerão em branco – símbolo da consciência espiritualizada.

O retrato resultante é o de um ser humano cujos elementos vibratórios e ambientais são essencialmente os de qualquer outra pessoa; ele tem experimentado muito desenvolvimento por meio da transmutação de suas vibrações inferiores pelos poderes espiritualizantes do idealismo, amor, serviço, sacrifício, da autodisciplina e do cumprimento de responsabilidades. Ele tem sido muitas coisas – como trabalhador; tem cumprido a maioria dos padrões de experiência na relação de amor – como macho e fêmea; ele é – ou tem sido – algo assim como um artista porque suas percepções mentais incluem a compreensão do simbólico e do abstrato. Está cônscio do drama da vida, e é sensível às nuanças dos pensamentos e sentimentos humanos quando se apresentam nos problemas que ele estuda. Ele conhece o mal, mas sua Mente e seu Coração se fixam no bem. Ele estuda os problemas para cumprir o propósito de achar suas soluções. Sendo sua motivação amorosa, ele irradia encorajamento, neutraliza o medo, ilumina a consciência de seus irmãos e irmãs ao alertá-los para a força e poderes que possuem. Ele é – e se dá conta de que é – uma “porta aberta” através da qual todos os que queiram podem passar da escuridão de seus padrões não regenerados para a luz do conhecimento de si mesmo. Não aprova nem desaprova qualquer coisa que vê em qualquer Carta – mantém seus sentimentos pessoais fora do quadro – porque reconhece que cada Carta é uma representação do bem em formação.

Em relação à pessoa que pede a sua ajuda, vemo-lo representado por este desenho: uma roda astrológica com as primeiras seis Casas coloridas ou sombreadas, e com as seis Casas superiores deixadas em branco.

Nesse desenho, as Casas inferiores sombreadas representam a pessoa com o seu problema; as Casas em branco representam o astrólogo e sua consciência espiritualizada. Todos os problemas humanos são originados nas expressões não regeneradas das seis primeiras Casas; eles são trazidos ao seu foco mais intenso por meio da ação conjugada da sétima e da oitava Casas, e as soluções são encontradas nos poderes regeneradores das quatro últimas Casas. Nessa representação o astrólogo reflete os potenciais de regeneração da pessoa. A ação magnética do poder do amor atrai a pessoa ao astrólogo, que espera ajudar a todos os que precisam dele e, pelos poderes destilados de sua consciência regenerada, está apto a estudar a Carta da pessoa, lançando-lhe um facho de luz nos recantos obscuros e percebendo o corretivo espiritual necessário à consciência da pessoa para o seu problema.

Em contato com a pessoa, o astrólogo tem a responsabilidade de pôr de lado todos os padrões de perturbação pessoal quando assume a tarefa de ler-lhe a Carta. Ele deve ser o hemisfério branco, e na eventualidade de estar lidando com uma perturbação pessoal profunda parece que seria melhor protelar a leitura até que possa estabilizar seu equilíbrio interno. Reconhecendo a qualidade impessoal do seu serviço, ele sabe que é um instrumento pelo qual o bem da pessoa é trazido a manifesto, e que realmente não tem o direito de impor a já perturbada ou preocupada pessoa os seus próprios atritos íntimos. Sua responsabilidade é a de refletir luz – clara, forte e firmemente.

Como todas as formas de serviço impõem certos padrões característicos de prova para os aspirantes, pode ser bom considerar algumas das principais provas que são, cedo ou tarde, enfrentadas por todos os astrólogos.

A grande responsabilidade do astrólogo é manter seu ponto de vista livre de toda falsa pretensão, de orgulho e cobiça de poder. Tais tentações são muito sutis, de maneira que pode ser muito difícil percebê-las conscientemente. O ser capaz de ler um horóscopo com sensibilidade coloca nas mãos do astrólogo um certo poder sobre a Mente ou sobre as emoções da sua pessoa; esse, sendo até certo ponto dependente do astrólogo, pode tender a sentir e expressar uma certa reverência ao astrólogo, o que pode ser muito lisonjeiro à sua humana consciência. O astrólogo deve manter respeito à sua própria instrumentação; se assim faz não cairá na armadilha de permitir que a sua habilidade se converta numa fonte de estímulos às vaidades latentes; ao invés disso, ele a conservará como uma “candeia ardendo brilhantemente no altar do serviço espiritual”.

O astrólogo serve melhor se pode manter o rendimento de seu serviço livre de todos os reclamos limitadores de remuneração financeira. Em suma, o astrólogo que mantém seus canais de serviços abertos e livres é o que serve melhor, mais completamente, mais felizmente e mais espiritualmente.

 

CAPÍTULO II – O MANDALA[1] ASTROLÓGICO

Um mandala é um desenho abstrato utilizado por um artista criativo como um foco para concentração e meditação. O mandala esboça a essência de um conceito artístico; meditando sobre ele o artista concentra suas faculdades inspiradas, às quais, posteriormente, dá forma por meio da pintura, escultura ou de qualquer outro meio que use para se expressar.

O astrólogo é um artista interpretador cujo mandala essencial é o desenho comumente conhecido como horóscopo natural. Ponha nas cúspides de uma roda astrológica, e na devida ordem, os símbolos dos Signos Zodiacais, começando naturalmente por Áries na cúspide do Ascendente, Touro na segunda cúspide e assim sucessivamente. A seguir, ponha os símbolos do Sol, da Lua e dos Astros nos Signos e Casas de suas Dignificações; Marte em Áries e Escorpião, nas primeira e oitava Casas, respectivamente; Vênus em Touro e Libra, nas segunda e sétima Casas, respectivamente; Mercúrio em Gêmeos e Virgem nas terceira e sexta Casas, respectivamente; a Lua em Câncer, na quarta Casa; o Sol em Leão, na quinta Casa; Plutão em Escorpião, na oitava Casa; Júpiter em Sagitário e Peixes, nas nona e décima segunda Casas, respectivamente; Saturno em Capricórnio e Aquário, nas décima e décima primeira Casas, respectivamente; Urano em Aquário, na décima primeira Casa; Netuno em Peixes, na décima segunda Casa.

O desenho resultante da colocação desses símbolos em volta e dentro de um círculo com doze secções iguais é considerado, pelo autor, o maior mandala criado pela Mente humana. É o símbolo composto da natureza vibratória da entidade a que chamamos humanidade. O horóscopo calculado para a encarnação de qualquer ser humano é uma variação desse mandala; os mesmos elementos essenciais são encontrados em todos os horóscopos dos seres humanos, qualificados em cálculos somente pelas diferenças de datas, horas e locais de nascimento.

Esse “Grande Mandala”, como o chamaremos, é um símbolo composto de tal magnitude e complexidade que a imaginação se embaraça quando o contempla. É bom formar o mandala passo a passo, desde o começo:

  1. Use uma folha de papel em branco; calcule exatamente o centro e ponha nele um ponto. Esse ponto é o símbolo da Consciência que torna possível a manifestação de uma galáxia, um Sistema Solar, ou a encarnação de um ser humano. Ele é o símbolo essencial da “existência” em todos os planos;
  2. Trace uma linha vertical do comprimento do papel e que passe pelo ponto; essa linha representa o princípio dinâmico, energizante da Natureza – o símbolo da geração cósmica, da “existência” no processo de tomar forma, o símbolo essencial do sexo masculino.
  3. Agora trace outra linha que passe pelo ponto, desta vez horizontal e da largura do papel; essa linha é o aspecto subjetivo da “existência”, o símbolo essencial da forma em si, o princípio feminino da Natureza – aquele que é energizado ou sobre o qual atua.

A figura, até então, representa uma irradiação de um ponto central – a Consciência, um composto dos princípios dinâmico e subjetivo, as linhas essenciais de força pelas quais a manifestação se realiza, o padrão da cruz que é o símbolo eterno da “existência objetivada”. Essa parte do desenho – um abstrato geométrico – pode ser chamada de mandala básico e pode ser usada para meditação por todos os astrólogos. É o esqueleto de toda a estrutura horoscópica, a representação da Paternidade-Maternidade de Deus e o símbolo essencial do sexo cósmico, que resulta na manifestação física.

Existe uma indefinição acerca da aparência do mandala básico descrito acima; as linhas originadas no ponto central podem prolongar-se indefinidamente – pelo que é transmitida uma impressão de caos, ou de algo sem forma. Uma vez que a manifestação (encarnação) serve ao propósito da evolução, e as forças evolutivas sempre necessitam formas específicas como seus instrumentos, vamos dar agora o próximo passo para criar, em nosso mandala básico, um campo de propósitos evolutivos:

4. Com a ponta de um compasso no ponto faça um círculo; a circunferência resultante interceptará, naturalmente, as linhas vertical-dinâmica e horizontal-subjetiva duas vezes. Desde que todos os pontos na circunferência de um círculo são equidistantes do centro, criamos agora, simbolicamente, um campo perfeito designando um instrumento para as forças evolutivas; cada um dos quatro setores do círculo é igual ao outro em área, como são iguais os hemisférios inferiores e superiores e os dois hemisférios laterais ou verticais;

5. Agora apague as linhas levemente traçadas fora do círculo; intensifique a circunferência e as linhas vertical e horizontal dentro dela.

O resultado pode ser chamado “Mandala da Encarnação”. Sua forma é definida – uma coisa fechada em que certas especificações das forças evolutivas podem atuar. Esse Mandala da Encarnação pode ser utilizado como um ponto focal para meditação sob dois pontos de vista:

  1. de dentro para fora;
  2. de fora para dentro.

O astrólogo deve flexibilizar tanto sua habilidade interpretativa que nunca perca de vista o significado espiritual de qualquer Carta que estude.

  1. De dentro para fora: a Vontade criadora de Deus se expressando através de uma manifestação; a centelha Divina inerente à consciência de cada e todo ser humano, irradiando em todos os fatores da experiência individual.
  2. De fora para dentro: o Amor Divino e a Sabedoria Divina protegendo e interpenetrando cada ponto de manifestação; a manifestação sendo “cingida pelos Braços Divinos e sempre à vista dos Olhos Divinos”; o ser humano busca encontrar, em sua consciência, a origem de suas condições e os canais para se expressar melhor; ele volta a se conscientizar  de seus poderes e potenciais; sua consciência é refletida por sua condição externa – as irradiações a partir do Centro – mas o Centro permanece eternamente como origem de tudo o que ele experimenta. A “Vida” de um horóscopo está dentro da circunferência, não fora dela; portanto nós não achamos nossas soluções essenciais fora de nós mesmos, mas sim em nossa particular expressão da Consciência Eterna e em nossa compreensão cada vez mais profunda desse fato.

Simples como parece, o círculo com sua divisão em quadrantes por duas linhas retas é um mandala de enorme complexidade. Se considerarmos que o círculo em si é ativado ao ser bi seccionado pela linha horizontal, os dois hemisférios que resultam dessa bissecção são em si indiferenciados e inativados; sua ativação se torna possível pela linha vertical.

Cada bissecção simboliza o Princípio Cósmico de Dualidade – a duo-unidade. O “Dinâmico” e o “Subjetivo” são atributos inerentes a qualquer parte de qualquer manifestação. Como tais, essas duas palavras, em conjunto, são expressas pela palavra “sexo” quando se referem à Vida encarnada. Sexo ativado é geração e regeneração – o “prosseguimento” da Vida. Qualquer dos dois pares de hemisférios, justaposição, resulta no composto Único; nenhum dos pares pode representar a Vida funcionando criativamente sem a ignição fricativa do outro par. Para meditação, trace círculos em que estejam representadas individualmente essas bissecções; cada par de hemisférios pode ser tomado para representar uma expressão de geração cósmica.

À representação plana, bidimensional do círculo dividido em quatro será dada agora, abstratamente, uma dimensão adicional.

O Mandala da Encarnação é uma matriz essencial; mas a encarnação implica em expressão dessa matriz em forma física. Os termos comprimento, altura e profundidade são normalmente considerados expressões diferentes das dimensões físicas. Quando consideramos que toda manifestação física é tridimensional compreenderemos que comprimento, altura e profundidade são três atributos de uma dimensão essencial: a dimensão da manifestação física. Cada um dos quadrantes do Mandala da Encarnação é um nível especializado de Consciência e, correspondentemente, de experiências. Uma vez que a experiência é refletida na dimensão da manifestação física e interpretada pela consciência, aplicaremos o princípio de três dimensões em uma ao Mandala da Encarnação.

Partindo do centro do círculo, ou por meio de mais quatro diâmetros de polaridade, subdividido cada quadrante em três secções iguais. Isto constitui a divisão duodecimal da roda que usamos como Casas ambientais do horóscopo. As três dimensões de cada setor não são comprimento, altura e profundidade, mas são, em termos de Signos, dimensões de consciência refletidas pelas Casas como dimensões de experiência.

A dimensão da primeira Casa de cada quadrante (primeira, quarta, sétima e décima Casas) é a declaração do Ser – o “Eu Sou”: primeira Casa, eu sou um indivíduo; quarta Casa, eu sou um aspecto individual de uma entidade chamada grupo de família ou consciência de família; sétima Casa, eu sou um dos dois fatores de um padrão de relacionamento emocional intensamente focalizado; décima Casa, eu sou um aspecto individual da entidade chamada humanidade.

A dimensão da segunda Casa de cada quadrante (segunda, quinta, oitava e décima primeira Casas) é a posse do recurso emocional pelo qual a vida da Casa cardeal anterior é sustentada. Segunda Casa: minha vida física é sustentada materialmente pelo exercício da minha consciência de posse e capacidade administrativa e por intercâmbio com outras pessoas; quinta Casa, minha consciência de família é sustentada pelas liberações de meu recurso de amor criador; oitava Casa, minha consciência de relação é sustentada pela transmutação de minhas forças de desejo mediante o  exercício da minha consciência amorosa no intercâmbio emocional com meus complementos; décima primeira Casa, minha identidade como um aspecto da entidade universal – chamada humanidade – é sustentada por meio do exercício de minha consciência amorosa impessoal, espiritualizada.

A dimensão da terceira Casa de quadrante (a terceira, sexta, nona e décima segunda Casas) é a destilação impessoal das duas Casas anteriores. Terceira Casa: faculdades intelectuais pelas quais eu identifico o mundo das formas; sexta Casa: minha criatividade expressa como serviço à vida por meio do melhor que possa como trabalhador; nona Casa: sabedoria – compreensão espiritual – destilada da regeneração do desejo mediante a relação de amor; décima segunda Casa: minha consciência de servir universalmente, minhas redenções necessárias da encarnação anterior que me impeliu à presente, o grau de consciência cósmica destilada do cumprimento perfeito de todas as responsabilidades por meio do amor espiritualizado.

A tríplice dimensão é expressa em relação à roda como um todo pelos “grandes Trígonos”; os triângulos equiláteros formados pela ligação das cúspides: 1) a primeira, quinta e nona Casas; 2) a segunda, sexta e décima Casas; 3) a terceira, sétima e undécima Casas; e 4) a quarta, oitava e duodécima Casas. Esses Trígonos referem-se, respectivamente, aos quatro elementos: 1) Fogo: Espírito; 2) Terra: Consciência da avaliação das formas; 3) Ar: Identificação da consciência de relacionamento; 4) Água: Resposta emocional – o princípio da vibração simpática.

Sugerem-se aqui alguns padrões básicos do mandala:

  1. Doze rodas, cada uma das quais tem os Signos nas cúspides em sequência, cada uma com o Ascendente diferente; cada um desses mandalas pode ser utilizado para meditação sobre as Quadraturas entre os Signos Cardeais, Fixos e Comuns, e os Trígonos entre os Signos de Fogo, de Terra, de Ar e de Água e os setores de Fogo-Ar e Terra-Água.
  2. Mandala Astral ambiental – um princípio Astral que se expressa por meio de uma Casa em particular – pode ser encontrado em dez grupos de doze rodas cada: cada grupo refere-se à colocação de cada um dos dez Astros (Sol, Lua e os oito Planetas) em cada uma das doze Casas, desprezando-se a colocação dos Signos.
  3. Os mandalas astrais relativos à vibração podem ser criados por rodas com os Signos nas cúspides – colocando-se o Astro sob consideração em cada um dos doze Signos e estudando-se o Astro, não importando a Casa em que se posicione.
  4. Síntese dos itens 2 e 3, acima: mandalas para meditação sobre a regência do Ascendente: doze rodas, com os Signos em sequência, para cada um dos dez Astros como regente do Ascendente. O regente deve ser colocado em cada uma das doze Casas.
  5. Elaboração do item 4 acima em termos de meditação sobre o regente do Ascendente e seu posicionamento por setor:
    • as primeira, segunda e terceira Casas;
    • as quarta, quinta e sexta Casas;
    • sétima, oitava e nona Casas;
    • as décima, décima primeira e décima segunda Casas.

Mandalas simples e complexos podem ser abstraídos de qualquer horóscopo natal. Aqui estão algumas sugestões pelas quais o estudante pode concentrar sua habilidade para sintetizar:

  1. Separe todos os Astros Dignificados de determinada Carta numa roda com Signos natais posicionados nas cúspides; medite sobre a localização dessas essências vibratórias concentradas em termos de: sua Casa de regência, Casa em que se localiza e posicionamento por setor ou quadrante.
  2. Tome de determinada Carta natal qualquer Quadratura ou Oposição específica e qualquer um de seus meios regeneradores (Astro formando um Trígono ou um Sextil com qualquer um dos Astros afligidos);
  3. Sugere-se separar o mandala de Saturno de toda Carta natal sob estudo colocando-se Saturno e todos os Astros que formam Aspectos com ele em uma roda com os Signos natais nas cúspides. Interprete Saturno como o princípio do cumprimento de responsabilidades e medite sobre o seu significado na Carta em todas as abordagens.

Os mais importantes de todos os mandalas abstraídos de um horóscopo natal são os que dizem respeito à décima segunda Casa. Em conjunto, eles dão as chaves dos porquês e para quê da presente encarnação. Sugere-se um mandala para ser aplicado a uma roda com os Signos natais nas cúspides para todo fator isolado que se refira à décima segunda Casa do horóscopo natal: posicionamento vibratório e ambiental de cada Astro que forma Aspecto ao Regente; cada condição referente a qualquer Astro na décima segunda Casa, e, por último, um mandala composto dos Signos na cúspide da décima segunda Casa e na do Ascendente e a colocação dos seus Regentes astrais.

CAPÍTULO III – A ASTROLOGIA DA LUZ BRANCA

A essência do serviço espiritual de qualquer tipo é executada pela pessoa que transmuta as áreas negativas de sua própria subconsciência, fortalece e disciplina suas faculdades mentais, mantém viva sua consciência de coração pelo poder do amor e procura sempre perceber o melhor nos outros. A percepção do bem real ou em potencial nos outros é um estímulo que, cedo ou tarde, possibilita a expressão desse bem. A essência do progresso evolutivo é a sempre crescente consciência do Bem; nós, como indivíduos, contribuímos para o progresso da raça como um todo quando, pela consciência regenerada, somos capazes de levar os outros a reconhecerem os seus mais altos potenciais para a realização de talentos e habilidades, saúde, amor e sucesso em qualquer campo de esforço.

O termo “luz branca” é uma expressão simbolizada dessa consciência. Branco é a composição de todas as refrações das cores; em sua forma mais pura, a cor branca se ergue como um símbolo da vibração da consciência que se centraliza em Deus. Suas refrações podem referir-se a, ou serem consideradas como qualidades anímicas, correspondendo espiritualmente às variações encontradas nos espectros das cores. Cada uma dessas cores manifesta o princípio da diversidade como uma expressão de unidade, em que cada qualidade tem seu âmbito vibratório desde os aspectos mais primitivos, não regenerados, até seus aspectos mais regenerados e altamente espiritualizados. Quanto maior o grau de pureza e luminosidade do composto branco, melhores as expressões vibratórias visuais como símbolo da consciência aperfeiçoada.

O astrólogo, quando estudando horóscopos de seres humanos, na realidade: estuda, analisa, sintetiza e interpreta padrões vibratórios de qualidades anímicas que representam todos os possíveis campos de desenvolvimento e seus reflexos no mundo das formas, como padrões de experiência. A consciência artística do pintor, por exemplo, é refletida por aquilo que se encontra em suas telas; a do músico manifesta-se naquilo que sai do seu instrumento.

O astrólogo, também um artista-intérprete, expressa a sua consciência pela maneira como interpreta os horóscopos dos outros; os horóscopos são seus instrumentos – correspondentes ao pincel, às tintas e telas do pintor, e ao violino do músico. A consciência do bem do astrólogo corresponde ao composto de percepções artísticas do intérprete da consciência da estética. A inspiração é a ignição de todas as consciências que se harmoniza com a verdade e com a beleza; para o astrólogo essa ignição é possibilitada quando ele carrega sua consciência com o desejo de interpretar um horóscopo consoante o melhor de toda a sua potencialidade. Isto significa que ele faz de sua meta final de interpretação o alertar o nativo para o reconhecimento daquilo que há de melhor e de mais belo nos tons e cores anímicas dele.

A impessoalidade do serviço do astrólogo torna imperativo que, quando esteja em seu trabalho, ele tire sua consciência dos padrões inferiores de sentimento e emoção pessoais. Sugerimos, como técnica preparatória para o desenvolvimento dessa faculdade, meditar sobre o seguinte mandala; um círculo em branco, mas com um ponto exatamente em seu centro. Esse mandala é a representação mais perfeitamente impessoal de um horóscopo que é possível fazer.

Ele não transmite nenhum padrão de experiência, nenhum padrão de emoção, nem atrito, sofrimento ou dificuldade. O ponto no centro pode significar o propósito da tarefa do astrólogo. É de um só ponto, condensado, e não diferenciado. Esse ponto deve ser uma fonte de iluminação espiritual para o nativo, e quando a meditação sobre esse propósito é, por si, focalizada e concentrada, as coisas inferiores pessoais se desvanecem na consciência do astrólogo. Desse modo o astrólogo faz “luz branca” em si mesmo; seu próximo passo é “iluminar de branco” o nativo. Isso ele faz acrescentando ao mandala acima os diâmetros vertical e horizontal; o resultado é o retrato mais abstrato e impessoal que pode ser feito de um ser humano.

Esse mandala é uma figura composta da consciência espiritual – o ponto central; o estado de encarnação física é a cruz formada pelas linhas retas, e o envolvimento pelo círculo perfeito é o poder divino, o amor divino e a sabedoria divina. O mandala retrata um ser humano que está cônscio de sua origem espiritual e da espiritualidade da encarnação. Da meditação sobre esse retrato revela-se a consciência de luz branca do astrólogo para o nativo.

O próximo passo do astrólogo no desenvolvimento da consciência de luz branca é acrescentar os outros diâmetros ao mandala acima, completando-se assim a roda horoscópica duodécupla.

O mandala apresenta agora a imagem do nativo como sujeito aos mesmos padrões gerais de experiência e relacionamento comuns a todos os outros seres humanos. Essas doze “casas” são os “aposentos” em que vive a entidade Humanidade durante a encarnação. Cada uma é tão necessária quanto as outras; cada uma tem seu significado particularizado na experiência e cada uma é uma oficina para criação de maior bem em todos os planos de expressão e realização humanos.

O mandala, tal como se encontra agora, é o padrão essencial de todos os horóscopos. A meditação sobre ele, como uma representação da vida humana, pode ser feita por todos os astrólogos de tal maneira que a percepção do propósito evolutivo da vida humana possa se tornar mais profunda e mais clara a cada dia. Todo horóscopo percebido como uma “expressão de variação” de seu mandala significa uma oportunidade muito melhor de ser interpretado sensitiva e intuitivamente; sem esse preparo da “Iluminação Branca” do padrão básico”, o astrólogo corre o risco de confusão mental diante de todos os fatores complexos de um horóscopo natal. Além do mais – e isto é importante – uma vez que os horóscopos representam pessoas, o astrólogo desenvolve automaticamente a reação de “iluminação branca” às pessoas, quando com essas contata em seu dia-a-dia. Isso é um desenvolvimento natural de sua meditação diária de luz branca sobre o mandala astrológico, porque ele emite para as pessoas uma consciência que se focaliza cada vez mais nas perfeições.

Partindo do desenho abstrato, começamos agora a aplicar a técnica da luz branca às variações pessoais; pomos de lado o padrão universal e passamos a considerar os padrões particulares.

A velha advertência: “A caridade começa em casa” pode ser aqui repetida desta forma: o desenvolvimento da técnica luz branca começa com a meditação do astrólogo sobre a própria Carta. Ele, um ser humano, tem o mesmo padrão essencial de qualquer outro ser humano. Mas seus particulares diferem até certo ponto dos de qualquer outro.

O fato de ser astrólogo não o exime automaticamente dos padrões de sentimentos pessoais em forma de pré-julgamentos, ressentimentos, falso orgulho, inveja, etc. Entretanto, ser astrólogo lhe impõe a responsabilidade de superar esses negativos tão cedo, e tão completamente, quanto possível. Seus negativos podem se congelar e se cristalizar exatamente como os de qualquer outra pessoa, portanto ele, o astrólogo, deve voltar sua consciência impessoal para si mesmo, o ser humano. Isto é verdade: na medida em que o astrólogo permanece fixado em padrões de reação negativos ele limita suas habilidades para interpretar. Nesse estado ele transfere seus próprios negativos para padrões semelhantes que pode achar na Carta de outrem. Por exemplo: um astrólogo masculino tem-se fixado num padrão de aversão relativo a uma específica expressão feminina na vida humana. Ele tem, para essa expressão, um profundo sentimento subconsciente de desagrado ou de animosidade – resultado de sua reação à experiência de um problema algum dia em seu passado. Nunca libertou seu subconsciente desse sentimento fricativo. Agora perguntamos: como pode ele interpretar adequadamente e resolver espiritual e psicologicamente uma condição análoga que encontra na Carta de outro homem? Existem astrólogos que, motivados por profundos impulsos de autodefesa e autojustificação, falham em interpretar corretamente certos padrões em suas Cartas, o que outros podem ver num relance. Faz-se necessário, e urgentemente, um pouco de luz branca nesse ponto.

Nós, astrólogos, geralmente, não encontramos dificuldade em “iluminar de branco” as doze Casas da Carta. As Casas se erguem como representações de padrões básicos de experiência e, como tais, transmitem mais diretamente um significado impessoal. Mas parece que alguns de nós temos, para si, que isso se deva a certos Astros e/ou Aspectos astrológicos. Por quê? Porque os Astros são os enfoques da consciência, e alguns dos padrões que formam nos relacionamentos entre si retratam os atritos e testes dos padrões de consciência. Tendemos a considerar como ruim, mal ou infeliz qualquer padrão de experiência que estimule nossos níveis não regenerados de consciência, levando-nos assim a experimentar reações dolorosas. Aqueles que estimulam nossos níveis regenerados de consciência nós interpretamos como benéficos, afortunados e felizes. O composto simbólico a que chamamos negro – mau, doloroso ou ruim – deve ser trabalhado e transmutado naquilo a que chamamos branco. Por que então não aprendermos a perceber a brancura inerente a todas as qualidades e relações astrais? Isto busca a fase interpretativa da astrologia de luz branca.

A brancura de qualquer Astro é o princípio de vida simbolizado por esse Astro. A diversidade de expressão de qualquer Astro é apenas outro modo de dizer: a diversidade de expressão da consciência humana. De acordo com a sua falta de desenvolvimento você desconhece o sentido e significado deles. O propósito de iluminar de branco qualquer coisa é torná-la mais consciente de seu sentido espiritual.

Contudo, por mais claramente que você, como astrólogo, possa delinear e compreender a Carta de outra pessoa, sugere-se que adote um plano pelo qual você se torne mais perceptivo de sua própria brancura. Esse plano envolve meditação sobre vários mandalas extraídos de sua própria Carta; um mandala para cada um dos seus Astros. Estes mandalas não implicarão no uso de quaisquer números, porque número implica em limitação e a brancura é ilimitada. Não se permita usar uma única palavra-chave negativa, degradante, nessas interpretações. Use somente palavras que transmitam níveis de consciência espiritualizada.

O mandala para a posição do seu Sol pode ser um círculo com Casas: o símbolo de Leão na cúspide de Leão; ponha o símbolo do Sol na Casa e Signo onde você o tem; coloque o símbolo do seu Signo solar na cúspide própria dele.

Essa é a imagem concentrada do seu Sol vista com luz branca. Sintetize em palavras-chaves espirituais cada fator desse quadro – ele é a essência espiritualizada de sua consciência solar, de sua força de vontade e propósitos; é a radiação do amor criador.

Mandala de seu Vênus: uma roda como a mencionada acima com os símbolos de Touro e Libra nas cúspides próprias de sua Carta; ponha o símbolo de Vênus – símbolo abstrato da consciência feminina realizada, refinamentos da alma, consciência estética, capacidade de cooperação etc. – na Carta e Signo onde você o tem; ponha o símbolo do Signo que contém a Vênus na cúspide apropriada para a sua Carta.

E assim por diante – um mandala para cada um dos outros Astros.

A impressão transmitida por cada um dos seus mandalas astrais é a de uma cor pura, uma luz brilhando sem interferências. Não existem implicadas complicações ou limitações à habilidade do Astro de irradiar no seu máximo.

Seu horóscopo de luz branca é o composto de todos os seus mandalas astrais: uma roda com seus Signos nas cúspides, seus Astros colocados de acordo com as Casas e Signos em que você os tem. Utilizando os princípios mais espirituais como palavras-chaves, interprete agora sua Carta como um retrato do mais elevado e melhor que você é capaz de experimentar e realizar nesta encarnação. Sua Carta, desse modo, é um retrato astrológico do seu eu ideal.

O próximo passo é extrair um mandala de luz branca, pelo mesmo modo descrito acima, para cada um dos Aspectos de Quadratura e/ou Oposição; chamaremos a esses padrões mandalas dos Aspectos. Não coloque os graus astrais no mandala de Aspectos, mas medite com palavras-chaves espirituais sobre os dois Astros envolvidos. Desde que cada Astro em um mandala de Aspectos brilha com a mesma pura luz essencial com que brilha em seu próprio mandala, você está agora exercitando a faculdade de síntese no iluminar de luz branca um padrão duplo.

Siga o mesmo plano na aplicação aos seus Aspectos compostos (que envolvem três ou mais Astros).

Após os preparativos de a luz branca terem sido efetuados, as Quadraturas e Oposições em sua Carta natal serão vistas clara e verdadeiramente como o processo de experiência e reações à experiência pelo qual você regenera a sua vida em todos os planos. Concluindo, oferecemos este aforismo à sua consideração espiritual: a regeneração da consciência não é para o propósito de fazer Trígonos para o futuro, mas sim para o propósito de desdobrar a consciência de Deus por meio da expressão de seus Astros de acordo com os princípios espiritualizados de luz branca deles.

CAPÍTULO IV – O ASTRÓLOGO TRATA SOBRE O ENSINAMENTO

Júpiter, como o Regente abstrato da nona Casa, é o símbolo astrológico da pessoa que ensina. Como o desenho, ou “a expressão por meio da figura”, facilita a compreensão de assuntos abstratos como este, sugerimos que o leitor faça quatro desenhos para melhor fixação deste tema.

O primeiro desenho será um círculo com as Casas numeradas. Coloque o símbolo do Signo de Sagitário e do Planeta Júpiter na nona Casa. A observação desse desenho nos nós achamos nosso ponto de concentração que está no hemisfério superior do horóscopo, ou, melhor dizendo, na expressão da consciência anímica do esquema da vida.

É a expressão transcendente de sua polaridade inferior: a terceira Casa. Nós poderíamos falar sobre a nona Casa e permanecer “lá no alto” para sempre, se nós não “arraigamos a nós mesmos” na consideração da terceira Casa, que é regida, abstratamente, por Mercúrio, por meio do Signo de Gêmeos.

Ao nosso desenho original, adicionemos o Signo de Gêmeos na cúspide da terceira Casa e coloquemos o símbolo de Mercúrio.  Nós temos, assim, estabelecido um “projeto de polaridade, já que um ponto na metade inferior da roda é dirigido para a metade superior. Esse desenho simboliza um “caminho da evolução”, significando um aspecto da “consciência de separatividade” que ascende para a fase da consciência “anímica” ou “impessoal”.

A primeira Casa é “EU SOU” – o reconhecimento consciente da individualização do Ser. A segunda Casa tem sua expressão identificadora é “EU TENHO” – é uma identificação emocional com a Vida, por meio da consciência de “conexão da posse”. A terceira Casa é a “consciência da vida”, pelo exercício da faculdade do intelecto não emocional. Como regentes abstratos da primeira e segunda Casas, Marte e Vênus, respectivamente, são “expressões emocionais”. Mercúrio, como regente abstrato da terceira Casa, é mesmo em níveis primitivos a primeira expressão de percepção consciente do impessoal e do não emocional.

Mercúrio representa nossa capacidade de “identificação não emocional”. Por meio do seu exercício nós damos nomes às coisas, tanto concretas como abstratas. Também identificamos as coisas em termos de medida, qualidade e função. Mercúrio não é um meio pelo qual nós nos identificamos com a Vida, mas sim o meio pelo qual relacionamos as objetivações da Vida com nós mesmos para nossas utilizações e comunicações.

Considerado sob este ponto de vista, Mercúrio (como regente da terceira Casa do primeiro quadrante, ou “quadrante da colheita”, da roda) é o símbolo de todo aprendizado. É a faculdade pela qual fatos são transmitidos da mentalidade de uma pessoa à mentalidade de outra. Correspondentemente, ele é a faculdade pela qual os fatos são entendidos pela mentalidade que recebe a instrução ou a informação. Mercúrio é linguagem, expressada corretamente na palavra falada, nos gestos ou nas imagens; abstratamente, pela palavra escrita. Ele é o símbolo do relacionamento universal das pessoas entre si em termos de harmonia mental. É o símbolo de todos os estudantes, e, como tal, simboliza esotericamente a essência de todos os relacionamentos fraternais (a despeito das relações externas, todos nós andamos lado a lado uns com os outros – fraternalmente – porque somos todos aprendizes das experiências da vida).

Uma consideração a mais sobre esse desenho mostrará que todo ensinamento tem suas raízes no aprendizado, e que o desenvolvimento da habilidade como um mestre é dependente de manter viva a faculdade da aprendizagem. As correntes de polaridade (na consciência) entre os hemisférios inferior e superior devem ser mantidas sob estímulo para que as capacidades da metade superior possam florescer. Nunca estamos separados de qualquer parte do nosso horóscopo; mesmo que possamos despender vinte horas por dia na profissão do ensino, as correntes de “admissão” não devem ser enfraquecidas ou negligenciadas. Aprender é um estímulo à percepção dos fatos e identificações; pode ser comparado a uma inalação na respiração. Quem quer que esteja verdadeira e fortemente motivado para ensinar manterá viva essa “faculdade da terceira Casa”. Em outras palavras, não desperdiçará nenhuma oportunidade para aprender mais. Obstruir a “admissão” é garantir uma eventual interrupção, uma cristalização, da habilidade de ensinar (E aqui fica uma lição de sinceridade e humildade: pessoas dedicadas a ensinar tenham isso em consideração).

Se Mercúrio é o símbolo da “admissão mental”, então Júpiter – vital, radiante e dinâmico – é a abstração da “exalação”: transmissão de conhecimento ou estímulo de percepção intelectual ampliada e enriquecida pela maturidade da compreensão espiritual. Conhecimento dos fatos mais consciência dos Princípios. Em relação a isso devemos acrescentar outro fator ao nosso desenho: o Signo de Virgem na cúspide da sexta Casa, criando assim uma cruz em “T”, dois braços da qual ficam no hemisfério inferior, regido por Mercúrio.

Aqui o símbolo abstrato dos “colegas estudantes” é expresso de forma ampliada para representar a “fraternidade dos trabalhadores”. Trabalho, espiritualmente considerado, é mais que labor físico – é o serviço que cada pessoa pode prestar como contribuição ao melhoramento da Vida para todos.

Virgem, como Signo de Terra, tem uma conotação destacadamente prática: “Eu trabalho para ganhar dinheiro para sustentar minha vida física e a daqueles a quem amo”. Enquanto a atitude para com o serviço de ensino for “Eu aprendo algo para que possa ensinar algo e assim ganhar dinheiro”, o Aspecto Quadratura entre Gêmeos e Virgem ameaçará o desenvolvimento das capacidades daquele que ensina por mantê-lo identificado, em consciência e no despertar, por atrito, das “considerações práticas”. A redenção desse padrão de Quadratura se encontra no fato de que a sexta Casa é a última do hemisfério inferior e é a “modulação” para o hemisfério superior de regeneração emocional e consciência espiritual. Ela segue a quinta Casa, que é a do poder do Amor; quando a consciência de “trabalho para ganhar dinheiro” é abastecida com a criatividade do Amor e expressa como Serviço para o melhoramento da Vida, se converte em expressões de redenção. Mediante as experiências no serviço amoroso nós alcançamos tal compreensão do nosso assunto que, por comparação, faz do mero aprendizado em livros parecer uma concha sem vida. Essa compreensão é aquilo que a pessoa que verdadeiramente ensina irradia para aqueles que ela estiver ensinando.

Completemos, agora, esse desenho acrescentando o símbolo de Peixes na cúspide da décima segunda Casa e o símbolo de Netuno nessa mesma Casa: a cruz dos Signos Comuns.

Por meio do primeiro braço, Gêmeos, Mercúrio simboliza o “aprendiz”; sua “exalação” é Júpiter como abstração da nona Casa. Mercúrio, por meio de Virgem, é o “aprendiz” da experiência de Serviço; sua “exalação” é Netuno, como abstração da décima segunda Casa. Logo trataremos disso.

Para considerar o assunto mais concretamente, tenhamos em conta alguns dos problemas que, cedo ou tarde, são enfrentados por aqueles que experimentam o anelo de ensinar.

Uma vez que, em primeiro lugar, o ensino é uma expressão dinâmica de sabedoria, o motivo deve ser o de iluminação. Quem quer que responda ao impulso de iluminar deve aceitar um desafio daqueles padrões de consciência que representam a escuridão: cristalização mental, formalismo rígido de opinião e atitude, preconceito, o tipo de ignorância que forma uma base de indiferença às necessidades impessoais ou espirituais dos estudantes. Este padrão de experiência serve como um desafio à integridade e coragem da pessoa que ensina.

O anseio de realizar um serviço impessoal será testado, cedo ou tarde, pela própria consciência de fatores econômicos da pessoa. Esse teste é um dos pontos mais significativos na evolução de qualquer um que aspire à espiritualidade em qualquer padrão de trabalho. Considerando, novamente, o desenho com os Signos Comuns vemos que os Aspectos de Oposição estão “enraizados” por Mercúrio mediante Gêmeos e Virgem. Mercúrio não regenerado, em sua aliança com o primeiro setor da roda, é “praticidade”, “conveniência”, “aderência à construção concreta de algo” e “avaliação superficial”. Essas palavras-chaves se referem a níveis de consciência que, até o momento, não alcançaram o impessoal. As pessoas motivadas para a profissão do ensino e que permanecem nessa expressão de Mercúrio são aquelas cuja atitude básica é a do interesse próprio. “Qual o emprego que paga mais?”, “Qual o emprego que abre caminho para um maior prestígio acadêmico?”, “aposentadoria mais cedo”, “pensão maior”, “ambiente mais divertido”, e assim por diante. Tais considerações são mantidas por todos durante algum tempo em seu progresso evolutivo, mas o ponto de que tratamos aqui é que eventualmente a atitude, perante o trabalho, deve ser regenerada no Serviço Amoroso. Até que sejam dados esses passos, a função pedagógica não pode ser verdadeiramente cumprida. Astrologicamente, o que foi acima mencionado pode ser traduzido deste modo: enquanto o interesse próprio não for transcendido, o ciclo que começa com Mercúrio-Gêmeos não poderá encontrar sua realização espiritual em Netuno-Peixes, por meio de Júpiter-Sagitário.

Uma vez que Júpiter, como símbolo daquele que ensina, se encontra no hemisfério superior da roda, as provas para aquele que ensina, verdadeiramente motivado, são muito mais “internas” que “externas”. Seus problemas mais significativos são os problemas de alma. Algumas dessas provas surgem da necessidade de regenerar o que pode ser chamado de qualidades de um Júpiter adverso, tais como:

Orgulho intelectual, pelo qual aquele que ensina se fixa em níveis egotistas devido à sensação de ter superioridade sobre aquele a quem ensina. Essa tendência pode ser corrigida por uma “virada de consciência”, mediante a qual aquele que ensina intensifica sua percepção do que ele não é, nem nunca pode ser, um repositório de todo o conhecimento de sua matéria em particular; mas que é, de fato, um irmão mais velho para aqueles a quem ensine – e que qualquer deles pode ser seu superior inato em sabedoria essencial. Ele reconhece que é um precursor do desenvolvimento daqueles a quem ensina, e que serve como um “ponto de modulação” pelo qual eles passam dos níveis de inocência para os níveis de percepção de sua própria sabedoria. Ele jamais deve esquecer que, uma ou outra vez, tem percorrido a mesma trilha do aprendizado e, em termos do seu próprio desenvolvimento pessoal, deve ser ainda um aprendiz. Em outras palavras, em relação ao seu trabalho de ensino ele deve manter uma atitude fluídica e dinâmica – expandindo-se, melhorando-se e ampliando-se. Portanto, ele utiliza as palavras-chaves regeneradoras de Júpiter para evitar as cristalizações causadas pelo orgulho.

O engrandecimento próprio por meio do desejo de reconhecimento e elogios é uma expressão de Júpiter, como vaidade e cobiça. Nesse nível, aquele que ensina busca, continuamente, sobressair entre seus colegas para compensar a inveja que sente deles. Ele deseja adulação daqueles a quem ensina; serve-se de seu trabalho para conquistar a boa opinião das pessoas. A ânsia de melhorar sua habilidade e ampliar sua esfera de ação é motivada, basicamente, por seu desejo de que se tenha o bom conceito. Essa perspectiva “introvertida” contém as sementes de sua própria desintegração, já que resulta, automaticamente, em uma experiência que servirá para destruir a motivação fixa e limitadora.

O propósito do ensino não é o engrandecimento de si próprio, mas a iluminação da consciência dos outros. Aquele que ensina que adota uma atitude baseada em sua integridade, como um trabalhador, possui aquilo que pode ser chamado de humildade sadia – ele respeita o trabalho que está fazendo; ele cultiva sua habilidade para que o trabalho seja melhorado; ele agradece todas as sugestões que lhe são apresentadas, desejoso de dar às mesmas a sua consideração. Sua atitude para com os seus colegas é a de apreciação do valor deles para o trabalho, não o de competição, visto reconhecer que cada pessoa que ensina tem a dar a sua própria contribuição exclusiva. Ele ajuda a cada um quando pode, e se dispõe a aprender de cada um deles quanto pode. Em outras palavras, ele se utiliza da palavra-chave jupteriana “melhoramento” e mantém suas motivações espiritualizadas e regeneradas.

A legítima atitude daquele que ensina para com aqueles a quem ensina nunca é a de “exercer poder sobre eles”. É verdade que ele o exerce, já que eles são suscetíveis às suas palavras e influência, mas sua motivação é “alertá-los” para uma consciência dos seus próprios poderes e habilidades e para as maneiras e meios pelos quais eles podem expressar seus melhores potenciais. Motivado pelo amor, sua atitude para com a quem ensinam é a de benevolência; seu prazer é o progresso deles. Ele aprecia o significado da passagem daqueles a quem ensinam de um nível de compreensão para outro mais elevado. Seu desejo é ajudar a crescer – nunca “manter em submissão”. Seu “rendimento”, como uma pessoa que ensina, é respaldado pela avaliação amorosa daqueles a quem ensina – como estudantes e como pessoas – as quais, por sua vez, contribuirão para o adiantamento do trabalho que é o objeto de mútua devoção deles – o altar em que ele e eles acendem suas candeias.

O símbolo do caminho daquele que ensina, em suas expressões mais sutilmente espiritualizadas, se encontra no quarto quadrante da cruz Comum: de Júpiter na nona Casa à Netuno na décima segunda Casa. Esse é o padrão de experiência do Irmão Maior – o iluminador de Almas, a irradiação da Sabedoria das Filosofias e Artes; universal em sua esfera de poder redentor. Nesse setor de desenvolvimento, o conhecimento intelectual já foi abarcado e transcendido. Aquele que é ensinado está voltado para os Princípios da Vida e suas aspirações – não seus desejos ou ambições – são inflamadas pelo contato com a Inteligência iluminada e a consciência espiritualizada daquele que ensina.

Mais um desenho: Áries na primeira cúspide, Leão na quinta Casa e Sagitário na nona; Marte na primeira Casa, o Sol na quinta, e Júpiter na nona. Essa é a trindade dos Signos de Fogo. Marte diz: “EU SOU uma expressão manifestada do Uno”. O Sol diz: “EU SOU o poder irradiante do Amor”. Júpiter diz: “EU SOU a irradiação da Sabedoria”.

Esse desenho triangular demonstram a consciência dinâmica; Júpiter como aquele que ensina simboliza aqui paternidade espiritual: o pai que guia o desenvolvimento e ilumina a consciência evoluinte de seus “filhos”, seus “irmãozinhos e irmãzinhas”. Em termos humanos, Júpiter é visto aqui simbolizando as responsabilidades espirituais da paternidade – e a responsabilidade de todos os pais de prover alimento tanto espiritual quanto material para aqueles que encarnaram por meio deles.

Nos níveis impessoais, ele mostra a inerente paternidade espiritual de todos os que ensinam para aqueles a quem ensinam, os quais, em níveis mentais, são seus filhos. Os pais devem ser aqueles que ensinam; todos aqueles que verdadeiramente ensinam irradiam para os que são ensinados o poder do Amor, o que faz do seu Serviço de Ensino a realização mais completa.

 

CAPÍTULO V – O ASCENDENTE

Estudantes, essa é uma discussão de vocês.

A linha horizontal esquerda da roda horoscópica, que vai do centro até a circunferência, é a sua saída dos planos internos – como uma expressão da ideia que chamamos Humanidade – para objetivação da encarnação; o ponto Ascendente é seu aparecimento neste plano, no momento do seu nascimento.

Quando você emitiu seu primeiro grito, disse: “Olha, Mundo, aqui o EU SOU novamente!”. Aquele grito foi sua “aurora”, sua Luz aparecendo no mundo de outras Luzes humanas, como já apareceu muitas vezes no passado. Você veio para expressar uma qualidade mais brilhante e mais clara de sua Luz que jamais expressou antes, e aqueles que lhe deram as boas-vindas, com Amor assim o fizeram, realmente, por causa da promessa inerente à sua Luz, promessa de melhoramento da Vida humana durante os anos de sua encarnação. Cada encarnação é uma expressão de amor e fé da Humanidade na Luz que é sua Origem e sua Habitação.

Sua encarnação foi marcada, vibratoriamente, com uma nota-chave pelo Signo zodiacal que cobre o ponto Ascendente de seu Horóscopo. Cada um dos doze Signos é um dos três aspectos (Existência, Amor, Sabedoria) da dimensão de Polaridade (Positivo-Negativa) em termos de Gênero (Masculino/Feminino). E o principal propósito vibratório de um ser humano na encarnação é realizar, com o melhor de que seja capaz, o potencial do Signo Ascendente por meio do capítulo de experiência e situação vibratória do Astro que rege o Signo Ascendente (Por “situação vibratória” queremos significar o Signo em que esse Astro se situa; a qualidade de expressão é indicada pela natureza do Astro que o “disposita[2]”; o Regente estando em Touro ou Libra é “dispositado” por Vênus; em Aquário é “dispositado” por Urano, etc.).

Faça três mandalas, um para os Signos Cardeais, um para os Signos Fixos e outro para os Signos Comuns. Isso é feito traçando-se três círculos; cada um tem os símbolos de uma dessas três classes tal como aparecem na sequência zodiacal; os pontos dos Signos são ligados por linhas retas, o que nos dá três variações de uma Quadratura.

Os Signos Cardeais são os pontos decisivos quando circundamos a roda partindo do ponto Ascendente; eles representam os quatro pontos básicos das mudanças de estação no decorrer do ano e também representam os quatro pontos básicos da estrutura do relacionamento humano; os masculinos-femininos dos pais (Capricórnio/Câncer) e os masculino/feminino daquilo que é gerado pelos pais (Áries/Libra). As pessoas com um Signo Cardeal no Ascendente (a menos que haja interceptações e o Signo Ascendente também esteja na cúspide da décima segunda Casa) vieram desta vez para tomar uma “nova direção” em sua evolução – seu Signo Ascendente abre um novo quadrante do Zodíaco, o quadrante das três primeiras Casas (aquelas cujos Signos Ascendentes Cardeais abrangem também as cúspides da décima segunda Casa estão simplesmente continuando aquilo que foi inaugurado como ponto decisivo na encarnação anterior).

Cada um dos quatro Signos Cardeais é o aspecto “Existência”, do elemento ao qual pertence: Áries-Fogo; Câncer-Água; Libra-Ar e Capricórnio-Terra. Áries e Capricórnio são os “Signos machos”, dos quais Áries é o masculino e Capricórnio é feminino; Câncer e Libra são os “Signos fêmeas”, dos quais Libra é a masculina e Câncer a feminina.

Os Signos Fixos são o “aspecto Amor” dos elementos – sendo cada um o quinto Signo a partir do Cardeal do seu elemento. Em paralelo:

Áries-Leão[3];

Capricórnio-Touro;

Câncer-Escorpião e

Libra-Aquário.

Como todo horóscopo é o resultado do exercício da consciência na encarnação passada, e nós realmente damos “voltas e mais voltas na roda”, através de nossas encarnações, vemos que, sob um ponto de vista da evolução, Leão é o primeiro Signo Fixo, Escorpião o segundo, Aquário o terceiro e Touro o quarto. Em um mandala com os doze Signos em ordem – em volta da roda e a partir de Áries – trace quatro linhas retas, como segue:

1) de Áries a Leão (cúspide da primeira Casa à cúspide da quinta);

2) de Câncer a Escorpião (cúspide da quarta Casa à cúspide da oitava);

3) Libra a Aquário (cúspide da sétima à cúspide da décima primeira Casa);

4) Capricórnio a Touro (cúspide da décima à cúspide da segunda Casa).

Deste modo vemos um “filme” da ligação entre uma encarnação e a próxima, uma vez que a linha que liga Capricórnio a Touro retrocede ao ciclo zodiacal através da décima, décima primeira, décima segunda e primeira Casa. Na realidade nós não giramos repetidamente “em torno de um círculo”; nós nos desenvolvemos através de um processo em espiral que vai de uma “oitava” a outra oitava superior; cada “oitava” nos traz cada vez mais perto do “retorno ao Centro”, que é o nosso “Éden perdido”; de fato, nós somos, em consciência, reabsorvidos pela nossa Origem.

Os Signos Comuns são os do aspecto da Sabedoria dos elementos, porque cada Signo Comum é o nono Signo a partir do seu Cardeal inicial[4]. Traçaremos agora no mandala acima mais quatro linhas retas, como segue:

1) de Leão a Sagitário, cúspides da quinta e nona;

2) de Escorpião a Peixes, cúspides da oitava e décima segunda;

3) de Aquário a Gêmeos, cúspides da décima primeira e terceira; e

4) de Touro a Virgem, cúspides da segunda e sexta.

Temos agora a ilustração dos quatro elementos em seus aspectos de Trígono: Existência, Amor e Sabedoria das duas “expressões” de Polaridade, e as quatro “combinações” de Gênero. Aplique essa fórmula ao seu Signo Ascendente para obter uma imagem clara da “qualidade Trígono” e da “qualidade gênero” de seu Signo.

Seu Astro Regente é o significador do enfoque e, expressando a vibração do seu Signo Ascendente e seu Princípio, representa a função básica que você vai cumprir nesta encarnação. Contudo, você tem um outro Regente, o qual está correlacionado ao seu Regente astral: é o Astro que “disposita” o seu Regente; podemos denominar este Astro de “Regente vibratório” de sua Carta, já que sua qualidade de gênero é aquela através da qual seu Regente astral deve se expressar (a menos, é claro, que o Regente astral esteja em seu próprio Signo de Dignificação – caso em que é “duplo” Regente).

O requisito ambiental para o desenvolvimento e realização de seus potenciais de personalidade é indicado pela Casa em que seu Regente astral está posicionado. As palavras chaves de cada Casa devem ser dominadas pelo estudante de astrologia, caso este queira saber onde sua “essência” pessoal há de ser cumprida progressivamente. Não importa aonde vamos neste plano, levamos conosco nosso horóscopo inteiro, e dentro de nós mesmos, pela simples razão de que o horóscopo é a imagem da nossa consciência, e dela nunca podemos fugir. Podemos, todavia, permanecer firmados nos requisitos do nosso Regente astral se percebermos que qualquer lugar, ou ligação com qualquer grupo de pessoas, contém possibilidades de exercitar os potenciais do Regente astral. O ser humano deve utilizar o plano físico. Ele não deve ser utilizado pelo plano físico; mas ficará congestionado e limitado nele se não firmar sua consciência própria representada pela combinação de qualidades do Signo Ascendente, do Regente astral, qualificado por seu “dispositor”, e seu significado por posicionamento em determinada Casa.

O desenho astrológico nos mostra uma coisa estranha e maravilhosa – conhecida como “base psicológica” – a cúspide da quarta Casa natal. Esta cúspide, sob o ponto de vista oculto, pode ser estudada pela Lei de Causa e Efeito como a significadora de uma condição que liga esta encarnação a encarnação passada – mostrando-nos, assim, como poderemos fortalecer nosso sentido de “continuidade” da corporificação passada para o presente.

Lembremo-nos, primeiramente, de que nós encarnamos sem nenhuma percepção consciente de nossa procedência; o supra consciente[5] detém todas as nossas lembranças do passado, e a “revivificação” dessas lembranças é que nos possibilita “contatar”, conscientemente, com certo nível de nosso ser vibratório que está intimamente ligado às nossas memórias de progresso, alcançado na encarnação passada. Vejamos agora a representação abstrata disso como um Princípio de Vida:

Um mandala que contenha apenas as cúspides da décima segunda e primeira Casas; coloque o símbolo de Peixes na décima segunda e o símbolo de Áries na primeira; ligue os dois pontos na circunferência por uma linha reta.

Essa é a imagem essencial do resíduo de ideais não realizados que fez necessária a presente encarnação. Agora acrescente a vertical inferior – a cúspide da quarta Casa – e coloque nessa cúspide o símbolo de Câncer; ligue esse ponto, por linhas retas, às cúspides da décima segunda e primeira.

A “linha de Áries” na presente encarnação é a involução ao ponto onde se estabelece identidade com a família e a herança vibratória – o senso de “ocupação do ninho” – e a identificação de relação com a qualidade vibratória dos pais (a quarta cúspide é, naturalmente, a metade da linhagem completa dos ancestrais que, para completar, se estende até a vertical superior, ao Signo de Capricórnio, a cúspide da décima Casa).

A linha de Peixes, no mandala acima, é a matriz espiritualizada: uma das três linhas e dois dos três pontos da triplicidade de água de Câncer, Escorpião e Peixes. Por conseguinte, como o primeiro ponto “de subida” no ciclo desde o Ascendente é a cúspide da quarta Casa, vemos que a matriz espiritualizada, derivada do melhor de nós próprios no passado, é representada diretamente no melhor de nossa herança vibratória. Conhecer somente o pior de nossos pais é, em termos humanos, se tornar mais intensamente cônscios do pior em nós mesmos, porque nós encarnamos através deles pelas Leis de Causa e Efeito e de Simpatia Vibratória. Permanecermos fixados em nossos piores sentimentos acerca de nós mesmos, como “expressões” de nossos pais, é permanecermos congestionados no passado negativo. Não podemos conseguir progresso espiritual e vibratório a menos que reconheçamos nossos potenciais para progredir; alcançar tal progresso implica na necessidade de nos tornarmos cônscios de nossos recursos espiritualizados.

Agora traduza esse mandala para os termos de sua própria Carta natal – os Signos nas cúspides de suas: décima segunda, primeira e quarta Casas. A não ser que haja a complicação de interceptações em certos arranjos, os Signos nas: décima segunda e quarta Casas representarão dois aspectos de um dos quatro Trígonos elementares. Uma análise detalhada – pelos valores genérico e espiritual – desses dois Signos em relação ao Regente da Carta nos dá uma ideia de como o melhor do nosso passado deve prosseguir nesta encarnação como “pábulo” para a expressão progressiva e ascendente do Regente astral.

Gire sua Carta natal de tal maneira que a quarta cúspide se situe no Ascendente – um quarto de volta no sentido horário. A (aparente) décima segunda Casa é, na realidade, a terceira Casa da Carta natal e é a nona Casa a contar da sétima natal – a “nona Casa” representando o “aspecto Sabedoria”. Essa é a representação do recurso de sabedoria da última vez que você encarnou no sexo físico oposto ao de sua atual expressão. A terceira Casa da Carta natal é o presente desenvolvimento intelectual, mas é também, conforme visto acima, uma chave para compreender algo do melhor de sua polaridade complementar, porque reflete uma das “oitavas superiores” de você próprio expressando o sexo oposto. Sua habilidade para aprender agora está condicionada e qualificada por sua destilação de sabedoria nas encarnações passadas (aprender é, na maior parte, “recordar”), e o que você “aprendeu por experiência” (Sabedoria), no passado, tem agora uma relação direta com suas habilidades mentais.

Vemos, portanto, que a quarta Casa do horóscopo natal contém muita informação concernente ao melhor de nós mesmo, traduzida do passado para o presente. Negamos a nós próprios se ignoramos este potencial; mas se o utilizamos começamos a escalada para a maturidade psicológica.

As condições horoscópicas acima descritas se referem à Carta individualizada – o “você mesmo” de seu retrato vibratório. Mas existe outra maneira de aprender a dizer “EU SOU”, e essa maneira se encontra na consideração do fato de que, não importam quais possam ser o verdadeiro Ascendente e Regente astral, todo horóscopo tem o diâmetro Áries-Libra em algum lugar e Áries, através de sua regência pelo dinâmico e expressivo Marte, é a abstração de “EU SOU”. Em níveis primitivos de consciência, o “EU SOU” da humanidade é afirmado em termos de atrito, resistência, contenda, autodefesa e destruição daquilo que é temido porque não é compreendido. O ser humano tem lutado por sua sobrevivência – tanto contra o mundo como contra outras pessoas e condições. Na realidade ele tem resistido à exposição de sua própria ignorância dos Princípios de Vida – ele nunca lutou contra outras pessoas, mas sim contra seu medo delas, posto que elas, suas “inimigas”, nunca foram mais que espelhos para os seus negativos. Quando amar verdadeiramente aquilo que ele realmente é, e seu amor seja uma expressão daquele amor, então seus “inimigos” desaparecerão e todas as pessoas serão reconhecidas como seus irmãos, irmãs e amigos.

Marte, através de sua regência a Áries, é o Regente abstrato do horóscopo da humanidade. Mediante essa vibração nós dizemos não apenas “EU SOU”, mas “EU ESTOU determinado a sobreviver e perpetuar minha existência”. O potencial de Marte em todo horóscopo é o “sangue vermelho” da consciência, a sensação vital de Existência, a masculinidade essencial da vibração genérica, a capacidade de vitalizar, estimular, impregnar (em qualquer plano), de lidar com os arranjos internos e externos e, finalmente, por meio de suas destilações espirituais, é coragem nascida da fé – a aspiração do Espírito de progredir e viver em oitavas sempre ascendentes da consciência da Vida Una, do Amor Uno e da Sabedoria Una.

O significado da cúspide com Áries em sua Carta mostra que, não importa seu sexo físico, o pleno cumprimento dessa experiência requer o exercício da mais vital qualidade genérica masculina; você deve aprender a exercitar a coragem, deve desenvolver a autoconfiança, deve enfrentar os seus temores, aprender a entender a origem deles em sua consciência e vencê-los, mediante transmutações e expressões construtivas; você deve desenvolver e exercitar a qualidade básica Marciana da iniciativa – referente à “arrancada” de Áries como primeiro Signo do Horóscopo Abstrato; neste ponto você deve aprender – e eventualmente aprenderá – o que significa impelir a si mesmo sem esperar por sugestões, incitamentos ou encorajamentos dos outros; por meio da Casa com seu Áries na cúspide você é o “passarinho” que salta do ninho protetor e exercita sua capacidade de voar; uma vez no ar e fora de sua Casa ele voa ou cai no chão; ninguém e nada pode mantê-lo no ar, exceto sua força e sua adaptação ao elemento que vai ser seu campo natural para viver e mover-se.

Como a cúspide de Áries pode estar em qualquer lugar na roda e o potencial de Marte em qualquer Carta pode ser pequeno ou grande em esfera de ação, existe uma possível variedade infinita de “Marcialidade”. Na medida em que o seu Marte esteja “congestionado” por Aspectos de Quadratura ou Oposição, e na medida em que os Astros em Áries (dispositados por Marte) estejam congestionados, você terá de aprender a exercitar a virtude da coragem como uma expressão de seu Amor-Sabedoria interno; para lutar, não por resistência a pessoas que você pense serem “inimigas”, mas lutar irresistivelmente pelas expressões transmutadas de sua consciência; para se firmar em suas convicções (se forem autênticas) como uma expressão de sua integridade e, sobretudo, respeitar o direito de outras pessoas de se expressarem consoante seu recurso vibratório. Um Marte sadio e integrado nunca tenta congestionar, inibir, limitar ou deter a realização de outrem, mas procura sempre encorajar, com seu Amor-Sabedoria, a ignição de seus melhores e mais belos potenciais em todos os planos. A pessoa que conhece o Amor-Coragem e a Sabedoria-Coragem conhece verdadeiramente o que significa “EU SOU”; todos nós, cedo ou tarde, precisamos nos dar conta desse senso espiritualizado de identidade com nossa Origem – nosso Deus Pai-Mãe.

 

CAPÍTULO VI – A SEGUNDA CASA

As condições pertinentes à segunda Casa da roda horoscópica focaliza muito daquilo que o astrólogo, em seu trabalho, é chamado a interpretar. Uma vez que cada fase do horóscopo tem seu princípio particular, é sugerido que ampliemos nosso conceito da segunda Casa mais além da abordagem tradicional que a vê como dinheiro e posses.

Em primeiro lugar, para pôr a segunda Casa no esquema das coisas, consideremos um mandala feito com uma roda e nela as Casas: coloque os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem nas seis primeiras cúspides; trace uma linha reta da cúspide da primeira à cúspide da quinta; trace outra linha da cúspide da quinta à cúspide da sétima.

O setor das quatro primeiras Casas corresponde ao ensino fundamental (1º grau), que todos nós cursamos na infância como base para nossa experiência educacional. O setor adicional das quinta e sexta Casas poder-se-ia considerar correspondente ao ensino médio (2º Grau), iniciado como é pelo impulso vital da quinta Casa. O condicionamento interno indicado por essas seis primeiras Casas encontra sua expressão no hemisfério superior, iniciado pela sétima Casa, a Casa da consciência de parceria; isso é análogo à experiência no mundo em que entramos após completarmos nossa educação formal – pomos nosso conhecimento para funcionar. O composto dessas seis Casas é o que trazemos a toda experiência da maturidade para regenerar e aperfeiçoar, assim como trazemos para as nossas experiências da maturidade como adultos todo o treinamento, condicionamento e cursos que fizemos em nossos anos de crescimento. As expressões não espiritualizadas das seis Casas – particularmente das quatro primeiras – indicam a raiz quadrada essencial de todos os nossos problemas.

Quando consideramos que a consciência humana primitiva se manifesta através da quinta Casa como expressão instintiva – como um recurso da quarta Casa – ao invés de criatividade consciente, não é de admirar que a humanidade tenda a funcionar amplamente na consciência das cinco primeiras Casas. Para a maioria das pessoas, até a sexta Casa é uma expressão de sustento material, ao invés de uma expressão de contribuição impessoal em serviços. Há tanto da consciência de relacionamento humano, primariamente arraigada na consciência de identidade da quarta Casa com a família e raça, que as decisões são tomadas em termos de sentimento grupal, ao invés de sê-lo pelos requerimentos de desenvolvimento pessoal e desejo de expressar a consciência de integridade pessoal. Como a consciência física é o reino nos quais as pessoas tendem a viver, a segunda Casa focaliza muito de seus padrões de experiência e padrões de problemas, porque a segunda Casa é o símbolo essencial da consciência de sustento para toda a roda, concentrado por seu significado no setor das quatro primeiras Casas. As três primeiras Casas podem ser chamadas apropriadamente de quadrante da colheita – representando os processos do plano interno pelos quais nós nos integramos com a tríplice dimensão da manifestação física.

“Posse” e “propriedade” são palavras que identificam a consciência da maioria das pessoas com a expressão de sua segunda Casa. Contudo, o princípio real da segunda Casa se revela quando consideramos o ponto filosófico de que nós não possuímos, nem somos donos de nenhuma coisa física. A única coisa que possuímos é a consciência. A qualidade dessa posse se encontra em nossas reações a qualquer fase da vida; a regeneração depende da nossa capacidade de administrá-la. A vida da humanidade é uma coisa interna – a expressão material é seu veículo. Portanto, aquilo que chamamos “desejo de possuir coisas” é a maneira primitiva de dizer que desejamos experiências pelas quais possamos exercitar nossa faculdade de administração das formas físicas e o progresso proporcionado pela regeneração.

Uma vez que cada fator encontrado na roda horoscópica é uma coisa necessária na vida da humanidade, não existe fator que seja “errado” ou “mau”. A segunda Casa – como um capítulo de experiência e um nível de consciência – tanto quanto qualquer outra Casa é um símbolo do Espírito. Ela transmite essencialmente a consciência emocional, ou de desejo, pela qual a humanidade procura conseguir as coisas necessárias ao seu sustento. Dizer “Eu Tenho” é uma extensão da consciência da primeira Casa, a consciência de “Eu Sou”. O impulso subjacente do “Eu Sou” é sustentar a si próprio – é ser capaz de continuar dizendo “Eu Sou” e perpetuar essa consciência no mundo da forma. Para algumas pessoas, “meus filhos” ou “minha esposa” são ditos com o mesmo grau de consciência de posse que dizem “meu dinheiro”. Ambas as frases implicam em autoperpetuação e auto expressão.

A essência de qualquer fator astrológico se encontra na consideração do princípio espiritual inerente ao fator. Como a segunda Casa tem sua “espiritualidade” particular, vamos considerar três mandalas abstraídos da Carta natural ou arquetípica. (Esta é uma roda com os trinta graus de cada Signo na Casa apropriada, começando com Áries na primeira cúspide; os regentes astrais são relacionados às Casas e Signos de sua dignificação).

O primeiro mandala será uma roda em branco, exceto para as cúspides das quatro primeiras Casas que formam o primeiro quadrante. Os símbolos de Áries, Touro e Gêmeos são postos nas cúspides das três primeiras Casas, respectivamente. Nossas frases-chaves serão:

  • Primeira Casa: Eu sou uma consciência individualizada;
  • Segunda Casa: Eu desejo sustentar minha consciência nas dimensões físicas;
  • Terceira Casa: Eu aprendo como tornar possível esse sustento.

Esse quadrante de “colheita” representa nossos processos de “fincar raízes” em qualquer ciclo de evolução.

Vênus, Regente de Touro é Regente abstrato da segunda Casa; é o princípio da atração; seu significado relativo à nossa segunda Casa é o impulso de atrair para nós mesmos os meios de sustento material, ou atrair o fluxo de abundância material. De nenhum outro modo é mais evidente a afirmativa de que nós não ganhamos dinheiro. Na realidade fazemos algo em troca de dinheiro. Isso chama a nossa atenção para o arqui-princípio da vibração venusiana: equilíbrio por meio da troca. Visto como uma expressão desse arqui-princípio, o dinheiro é uma troca material entre as pessoas; não uma posse material; em outras palavras, é algo recebido como retorno de algo feito. Nesse ponto a essência do uso correto do dinheiro é o cumprimento perfeito do acordo mútuo. O Mandamento “Não furtarás” foi dado como uma regra de procedimento contra a tentação de se violar a expressão material de um princípio universal.

Para ampliar nossa apreciação da segunda Casa, vamos ligá-la agora à outra Casa que é regida abstratamente por Vênus através de Libra – a sétima Casa.

O mandala será: a roda de doze Casas; os símbolos de Touro e Libra nas cúspides das segunda e sétima Casas, respectivamente. O símbolo de Vênus em ambas as Casas; sombreie levemente essas Casas de modo que elas se destacam das demais na roda.

Temos aqui o arquétipo do mandala de Vênus – o retrato abstrato do foco de influência da deusa sobre a experiência de vida da humanidade. A segunda Casa ilustra o Princípio de Atração na consciência do ser humano para atrair material para o sustento próprio; a sétima Casa é a união de pessoas que se complementam mutuamente. Em outras palavras, a Vida, nos processos de relacionamento humano, alcança o equilíbrio mediante o intercâmbio amoroso entre os complementares.

Abstratamente, a sétima Casa identifica todos os pares dos que dão e dos que recebem. O empregado dá seu trabalho – o empregador dá o pagamento. A vida física do empregado é sustentada pelo uso do dinheiro que recebe; a vida da empresa do empregador é sustentada pelos esforços daqueles que trabalham para ele. Quando a mutualidade do bem é mantida em tais relacionamentos, todas as pessoas envolvidas se beneficiam, umas às outras através de trocas justas. Quando os princípios de qualquer dos fatores são violados, os resultados são desarmonia e desequilíbrio. Isso se evidencia em todos os planos – entre indivíduos, entre dois grupos, ou entre duas nações.

Devemos ter em mente que o dinheiro – nosso símbolo de posse material – é na realidade um “fluído”, no sentido de que alguma forma de troca entre as pessoas acontece em toda parte e a toda hora. É como o sangue circulando pelo corpo físico para sustentar a vida física. Cesse o fluxo de sangue e você cessará a expressão da vida individual. Cesse ou congestione a circulação de dinheiro na vida econômica e observe os resultados. Serão evidentes em qualquer lugar.

A circulação do sangue no corpo físico começa com “produção”; o “retorno” é feito quando o impulso inicial completa seu trabalho. A circulação do dinheiro entre as pessoas, começa, quando, primeiramente, algo é feito para que ele seja dado como pagamento. A humanidade, para funcionar com êxito financeiro, deve aprender a ter boa vontade para apresentar o melhor rendimento possível na qualidade do serviço a ser prestado. A sexta Casa forma o primeiro Aspecto de Trígono com a segunda Casa; a sexta Casa introduz a sétima, símbolo do abstrato da experiência de relacionamento.

O sucesso no ganho de dinheiro começa pela retidão mútua na consciência de troca e na consciência de serviço. A deficiência ou obscuridade dessas consciências garante eventualmente “problemas financeiros” na forma de remorso subconsciente, perda de confiança própria, desconfiança dos outros (lembranças de desonestidades passadas), avareza, e o tipo de extravagância que é toda “produção” sem levar em conta o equilíbrio da troca. Esses quadros financeiros negativos são resultados de ultrajes perpetrados no passado contra o Princípio de Intercâmbio Mútuo e são manifestações de desamor ao próximo. Esses quadros atuam como imãs para experiências negativas, perdas, limitações, e, até que sejam regenerados pelo princípio, asseguram a experiência contínua de negativos financeiros.

O mandala de Vênus é a ilustração astrológica do dito: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Não ao dinheiro em si; porque o dinheiro por si mesmo não tem poder. Mas quando a consciência de uma pessoa está “enraizada” na segunda Casa sua consciência de amor está enraizada no apego às suas posses.

Portanto, a alquimia do Amor no relacionamento dele com outras pessoas é impedida e por isso, com o tempo, se congestiona a tal ponto que qualquer coisa ou pessoa será vista como uma ameaça aos seus bens. Sua ganância, desconfiança, avareza, medo, etc. levam-no a criar imagens mentais muito deformadas das pessoas, e o leva automaticamente a afastá-las cada vez mais de si. O mal cresce a tal ponto que nossa consciência nos separa dos demais. Vemos, portanto que o dinheiro não é apenas um meio de troca material, mas pelo modo como é usado, dá uma indicação direta da consciência amorosa da pessoa.

A pessoa pode gostar mais de possuir bens do que amar e respeitar as pessoas ou em certos padrões de relacionamento – pais, esposa, filhos, etc. – pode exercitar uma bela consciência amorosa, mas nos negócios ter a consciência de um pirata; ou sua consciência pode estar integrada na finalidade de manter equilibrado e harmonioso o relacionamento com todas as pessoas. Ou servimos a Deus, exercendo o redentor poder do Amor, ou servimos a Mamon, escravizando-nos à ilusão de possuir as coisas. Enquanto essa ilusão dominar a consciência nós atrairemos experiências do tipo negativo e doloroso.

Tão logo a atitude correta para com outras pessoas e o relacionamento correto para com elas se torne o ponto focal da consciência, as correntes do poder do Amor iniciam um processo alquímico que liberta da escravidão de “ser possuído pelas posses”. A despeito do que qualquer outro faça, cada ser humano deve, no devido tempo, dar-se conta do valor espiritual do reto uso do dinheiro. Quando chega esse tempo, se torna manifesta a certeza de relacionamento correto entre as pessoas. A honestidade é um florescimento do coração humano pelo qual a consciência é capaz de interpretar as coisas da Vida pelo que elas realmente são. Um homem honesto ou uma mulher honesta veem às coisas como elas são quanto ao princípio e como expressões desses princípios. Elas, as pessoas verdadeiramente honestas, não precisam ser “legisladas” na ação honesta por leis ou pela ameaça de castigo; elas funcionam na consciência da troca respeitosa com outras pessoas, de todas as maneiras.

O processo envolvido na leitura astrológica pode ser enunciado deste modo: primeiro, uma sólida compreensão do significado abstrato ou espiritual de cada fator na Carta astrológica; então a aplicação da compreensão abstrata aos pormenores da Carta sob consideração. Isso porque cada horóscopo humano é uma variação do Horóscopo Arquetípico, que é, o Grande Símbolo Vibratório da entidade que chamamos Humanidade. Esse arquétipo é a roda de doze Casas, com os símbolos dos Signos colocados nas cúspides, começando com o grau zero de Áries na primeira, zero de Touro na segunda, e assim sucessivamente com os outros dez Signos e Casas. Completa-se o Arquétipo com a colocação dos Astros nas Casas e Signos de suas dignificações.

Cada fator é justamente tão importante quanto qualquer outro fator, uma vez que todos são expressões de consciência na encarnação. Todos são espirituais, todos são bons e todos são necessários. Todo astrólogo deve se fundamentar nessa compreensão, se deseja desenvolver a habilidade para perceber os potenciais espirituais delineados na Carta que estuda, assim como as causas e propósitos a serem descobertos.

Desvendar os segredos da segunda Casa é um dos mais significativos serviços que o astrólogo pode prestar porque a humanidade, em sua maior parte, vive escravizada ao desejo de posses. A consciência de posse é o nível primitivo do princípio da segunda Casa; o princípio em si é a capacidade administrativa – a responsabilidade do uso certo e das trocas justas. Quando um horóscopo é lido do ponto de vista das posses, o fator acúmulo é enfatizado – ou pode ser enfatizado – na Mente do nativo. O astrólogo não deve se descuidar da oportunidade de alertar nativo para o princípio. É o conhecimento do princípio que abre a consciência para as soluções e reorientações.

A faculdade da segunda Casa pode ser vista claramente ao se considerar o seguinte mandala: uma roda de doze Casas; os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos nas cúspides da primeira, segunda e terceira Casas, respectivamente; uma linha reta liga as cúspides da primeira e quarta Casas, circunscrevendo assim as três primeiras Casas.

A segunda Casa transmite uma implicação emocional: o desejo de sustentar a vida física. A terceira Casa é mental: o processo de aprender como efetuar esse sustento. Nós sustentamos a vida física mediante o uso das coisas da Terra, não por nos apegarmos a elas. Em análise final, não podemos nos apegar a qualquer coisa física, mas o uso que fazemos das coisas físicas – inclusive o dinheiro – retrata nossa consciência de escravidão ao sentido de posse ou à liberdade íntima para usar as coisas da Terra com juízo e inteligência.

A leitura de qualquer Carta pode ser um assunto complicado. Classifiquemos os fatores que podem pertencer aos padrões da segunda Casa, considerando-os em sequência. Essa classificação envolverá a criação de vários mandalas de luz branca. Use somente as posições astrais por Signo e Casa, não os números dos graus; vamos tentar perceber o funcionamento do princípio por meio dos padrões da segunda Casa, e não queremos limitar nossa percepção pelo efeito, psicologicamente negativo, de impressionar nossas Mentes com os “maus” Aspectos.

Primeiro mandala: o símbolo do Signo da segunda Casa sobre a segunda cúspide; ponha o símbolo de seu Regente astral em seu correspondente Signo e Casa.

Esse é o “mandala essencial da segunda Casa” de qualquer horóscopo; ele transmite, pelo Signo na cúspide, a consciência da pessoa em relação ao dinheiro e às posses; a posição do seu Regente indica onde e em que capacidade essa consciência vai achar sua mais completa realização do poder de atrair os meios terrenos por meio do exercício da troca perfeita. Isso serve também para delinear o departamento de experiência que focalizará o melhor da consciência financeira da pessoa e, essencialmente, mostra até que ponto o nível espiritual de capacidade administrativa é expresso – ou pode ser expresso pela pessoa. Mostra também se a pessoa tende a expressar possessividade ou o uso da posse.

Segundo mandala (ou grupo): um mandala para cada Astro na segunda Casa e no Signo da segunda Casa. Ponha os símbolos dos Signos nas cúspides das Casas regidas por esses Astros.

Tais Astros focalizam a consciência de posse muito mais intensamente que qualquer outro padrão, pois o capítulo de experiência se sincroniza com o padrão da consciência. Esse mandala enfatiza muito fortemente as experiências financeiras; tais experiências podem incluir finanças em propriedades, finanças em investimentos – em suma, todo tipo de experiências que sejam focalizações da consciência financeira. A regeneração das Casas regidas pelos Astros depende, definitivamente, da regeneração da consciência de posse.

Terceiro mandala: um mandala para cada Astro no Signo da segunda Casa, mas na primeira Casa.

Esta é uma fase da consciência financeira em formação. O desenvolvimento pessoal – ou desenvolvimento da personalidade – nesta encarnação é preparar experiência financeira para o futuro. A habilidade financeira é vista mais com um ponto de avaliação pessoal do que como a faculdade de aquisição por si mesma.

Quarto mandala: Astros na segunda Casa, mas no Signo da terceira Casa: a educação e o desenvolvimento mental são focalizados por meio de experiências financeiras.

Disciplinas mentais vão ser encontradas em experiências relacionadas com o ganhar dinheiro. Em tal padrão a abordagem tende a ser colorida pela qualidade do desejo de obter e reter. Os terceiros e quarto mandalas são padrões de repercussão, pois os Astros assim colocados estão em Casas que precedem aquela a que estão relacionados por Signo. O quarto mandala nos informa que a pessoa ainda não está – até certo ponto – puramente integrada na mentalização abstrata ou impessoal; ela tende a “pensar em termos de seus desejos de posse e avaliação financeira”.

Esses quatro mandalas focalizam os padrões de experiência da segunda Casa. O desenvolvimento harmonioso desse fator, em nossa experiência terrena, fica demonstrado a ser de enorme significância para o crescimento anímico, quando recordamos que a segunda Casa é o primeiro passo na formação do Grande Trígono do Elemento Terra. A base desse Trígono é a horizontal que liga a cúspide da segunda Casa à cúspide da sexta Casa; a implicação simbólica é que o Princípio do Serviço Perfeito (uma fase da consciência impessoal) depende diretamente do exercício justo da consciência monetária. O ápice do Trígono de Terra é a décima Casa – a Sociedade e suas expressões aperfeiçoadas como uma entidade universal. Os defeitos da segunda e da sexta Casa asseguram defeitos na décima. A frase “Capital (segunda Casa) versus Trabalho (sexta Casa)” é tão negativa quanto qualquer coisa pode sê-lo. Deve se converter “Capital e Trabalho”, funcionando juntos na troca perfeita entre todos os fatores para que o ápice de qualquer sociedade ou civilização possa alcançar o melhor. A regência natural – ou abstrata – da décima Casa por Saturno e a exaltação desse em Libra – Signo regido por Vênus, e que também abstratamente rege a segunda Casa – é algo sobre o que todos nós podemos meditar. Ela ilustra o sentido essencial da palavra civilização: “Relacionamentos civis entre todas as pessoas em seus procedimentos com as coisas terrenas e em todas as trocas pertinentes a estas”.

Não obstante o Signo na segunda cúspide e os Astros envolvidos, devemos ter em mente que Vênus é o símbolo arquetípico da segunda Casa, como um fator de consciência espiritual. Nesse ponto é apropriado dizer que os Regentes naturais, ou abstratos, dos Signos e Casas condensam – ou concentram – o sentido esotérico das Casas como capítulos de nosso desenvolvimento. Por conseguinte, nossa consideração sobre a leitura da segunda Casa não pode ser completa sem estudarmos as posições e padrões de Vênus; além disso, devemos intensificar nossa consciência do significado de Vênus como o “Princípio do Equilíbrio” (Harmonia e Equilíbrio) mediante as trocas.

Quinto mandala – o mandala de Vênus: Touro na segunda cúspide, Libra na sétima cúspide.

Estude esse mandala girando a roda de tal maneira que cada cúspide, por sua vez, se torne o Ascendente. Observe como os dois Signos – formando o Aspecto de 150º – se relacionam à roda como um todo nessas diferentes posições. Touro e Libra compõem a “consciência do dinheiro” e a “consciência de relação”. O princípio, conforme dito antes, é “Equilíbrio através da mutualidade de dar e receber” – o Princípio do Matrimônio. Medite sobre o mandala de Vênus de qualquer Carta que lhe peçam para interpretar do ponto de vista financeiro, para chegar às raízes da consciência básica de troca do nativo. As posições de Vênus por Casa e Signo – não importando seus Aspectos – dar-lhe-ão um indício sobre as razões esotéricas para a manifestação de falta ou insuficiência de dinheiro. Os Astros que afligem Vênus devem ser regenerados se a raiz da consciência de pobreza tiver de ser removida. As aflições a Vênus mostram somente como a pessoa, em suas encarnações anteriores, expressou desequilíbrio e desarmonia em suas relações com outras pessoas. As condições referentes à segunda Casa são especialmente para esta encarnação, mas Vênus é o símbolo arquetípico do relacionamento certo em todas as fases e em todos os planos. Ajude o nativo a se tornar mais cônscio da verdade desse princípio. Fazer isso é uma de suas maiores responsabilidades.

Concluindo esta exposição: utilize as palavras-chave espirituais dos Astros quando eles expressem as condições de regência ou ocupação da segunda Casa; isso assegura a percepção do propósito esotérico do dinheiro nesta encarnação de nativo. Não o enfraqueça tomando decisões financeiras por ele – fazer isso é uma violação do seu próprio Princípio de Serviço. Alerte-o para a sua própria consciência do Princípio, e encoraje-o a tomar o seu próprio caminho (financeiro), seguir nos caminhos do exercício de sua inteligência financeira o melhor possível, com boa vontade, honestidade, e perfeito intercâmbio com todas as pessoas.

 

CAPÍTULO VII – A QUINTA CASA

A quinta Casa do horóscopo abstrato é o segundo ponto de Quadratura do Signo Fixo e do Signo de Fogo. A descarga de seus potenciais proporciona uma canalização muito grande para o avanço espiritual.

A quinta Casa está abaixo do horizonte – no hemisfério norte – e à direita da vertical da roda, a oeste. Ela é a Casa central do quadrante iniciado pela quarta Casa; esse quadrante é chamado – ou pode ser tido como – o setor da família. Estando abaixo do horizonte, a quinta Casa fica no hemisfério que pertence à consciência do eu separado. Situando-se a oeste, ela está no hemisfério “predestinado” – aqueles capítulos de experiências que a Vida nos traz para que as vivamos da melhor maneira possível; nós não exercitamos autodeterminação nesses padrões quanto o fazemos – ou podemos fazer – com aqueles do hemisfério leste.

Os quatro Signos Fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) e suas correspondentes Casas (segunda, quinta, oitava e décima primeira) são Signos e Casas de recursos e sustentação pelos quais são “alimentados” os quadrantes iniciados pelos Cardeais. A primeira Casa inicia a consciência de “EU SOU um indivíduo”; a quarta Casa diz: “EU SOU um fator individual em um padrão de família, herança e aparência”. Os recursos possibilitados pela quinta Casa capacitam a Humanidade a convencer-se de que: “Eu tenho o poder de contribuir para a corrente da vida por meio do exercício de minha consciência de amor e para sustentar minhas criações pelo meu próprio recurso de poder amoroso”. O Sol, que rege abstratamente a quinta Casa do Signo de Leão, é o símbolo essencial do Poder de qualquer classe, exatamente como, de modo literal, o Sol é a fonte irradiante de vida para o nosso Sistema Solar, sua criação. Assim pela ação desse recurso nós somos impelidos a liberar energias fornecedoras de vida mediante o exercício do amor paterno e proporcionamos encarnação a outros Egos que nos chegam como filhos. Nós também damos vida às expressões impessoais na criatividade nas Artes. Biológica ou impessoal, amando nossos filhos ou amando a nossa criatividade e o trabalho a que nos devotamos, todas essas liberações são expressões do aspecto criador do poder do amor.

Em virtude dos recursos do imenso potencial significado pelos quatro Signos Fixos e suas Casas, os padrões não regenerados pelos envolvidos implicam numa correspondente intensidade do destino maduro. A palavra-chave essencial implicada em um Leão não regenerado é: uso indevido do poder por meio do exercício do egotismo (por “Leão não regenerado” se entenda: padrões de fricção concernentes a Astros em Leão ou ao próprio Sol, onde quer que esse se localize na Carta). O símbolo que usamos para o “aspecto Quadratura” – um quadrado com base horizontal – quando aplicado à roda fica de tal modo que os ângulos coincidem com os pontos médios da Casas fixas; o segundo desses – o ponto médio de Leão – é o ponto de convergência para cima quando percorremos a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio com início no Ascendente.

Nessa figura somos alertados da importância de se regenerar a quinta Casa; até que o potencial seja regenerado, a consciência permanece fixa nos níveis da posse e do egotismo – nas segunda e quinta Casas, ambas abaixo do horizonte. Se pudermos imaginar a Quadratura fixa sendo “detida” na sexta cúspide e tendo suas correntes “cortadas”, as energias que – simbolicamente – tentassem subir para o quadrante do relacionamento, acima do horizonte, seriam frustradas, agitando-se violentamente para frente e para trás dentro das cinco primeiras Casas, e o EU SOU da primeira Casa permanece fixo na expressão limitadora do desejo de posses e do desejo de poder; as posses se convertem em objetos da consciência de amor e as pessoas que deveriam ser amadas e sustentadas pelo amor se convertem em objetos da consciência de poder, para serem dominadas e utilizadas como o são as posses, inanimadas. Esse padrão de frustração apresenta um grande símbolo: a história da desumanidade do ser humano para com a humanidade; o aprisionamento do Ser humano por si próprio.

Quando o ser humano identifica suas posses como símbolo de poder, e as crianças mais como objetos de poder do que de amor, vemos a consciência do egotismo atropelando por meio da experiência humana. Essa consciência, ativada pelas quatro primeiras Casas e sustentada – se podemos chamar a isso sustentação – por níveis não regenerados da quinta Casa, ilustra de forma simbólica o conceito de dinastia: grupos de indivíduos unidos vibratoriamente por meio de um padrão de família ou de um padrão nacional, os quais aderem a um modelo de família como uma expressão de poder e egotismo. O indivíduo e seus direitos essenciais são desprezados – na melhor das hipóteses, um penhor – na manutenção desse plano fixo, rigidamente organizado. O matrimônio é baseado na posição, na herança e nas posses; a religião é uma conformação a rituais e dogmas pela qual o poder e a supremacia do padrão são continuamente enfatizados; a educação é um instrumento para a modelagem das mentes, consoante a conveniência do plano. Com efeito, a terceira Casa, nesse símbolo, está empalada entre a primeira Casa e a quinta Casa. Não havendo liberação além da quinta Casa, a educação permanece simplesmente como uma coisa de rotina, tradição e repetição de uma organização intelectual limitada. A história se repete uma e outra vez; todos têm atravessado fases em que funcionamos como – e nos sentimos como – cifras em uma família ou padrão nacionalista; isso é realmente uma expressão da consciência tribal da humanidade. Como tal isso preenche uma necessidade evolutiva e, portanto, é bom. Contudo, e no devido tempo, deve ser superado para que a raça evolua. Aqueles que reconhecem, até certo ponto, seus próprios poderes, mas permanecem não regenerados, são os que agem como tiranos, déspotas e autocratas de famílias, grupos e nações; são os que “dão as ordens” e os que “manejam o chicote”. Aqueles que permanecem nas quatro primeiras Casas, e ainda não se deram conta de seus poderes, são as vítimas dos outros; são os supersticiosos e os crédulos, são os indivíduos servis e os escravos. Eles vivem em sua consciência superficial, em seus desejos e necessidades físicas, em sua subserviência a qualquer coisa que receiem ou que não entendem. Resumindo, eles ainda não se conscientizaram de que são recursos de poder e de autodeterminação. Estão escassamente cientes do potencial individual. Eles existem como fatores de um padrão superabrangente que existe como um modelo para suas experiências.

Quando pessoas chegam ao ponto de se sentirem insatisfeitas, inquietas e aborrecidas com os padrões cristalizados em que vivem, e desejosos de encontrar uma liberação mais satisfatória e mais ampla de suas energias, então estudarão a seu horóscopo visando analisar os potenciais da quinta Casa. Tal análise deve naturalmente incluir um estudo do Sol, porque o Sol é o símbolo abstrato da habilidade para a autodeterminação. Muitas pessoas se cristalizam porque situam suas vidas em canais que elas próprias não querem realmente; em outras palavras, elas se desviam para a artificialidade do padrão e, sendo alimentados com seu próprio erro anseiam voltar para seus “Eus” verdadeiros e começar a viver construtivamente e felizes consoantes os melhores potenciais de suas Cartas. Algumas dessas pessoas se desviam por causa de uma reação de medo, ou de subserviência, a uma vontade mais forte que visa forçá-las a errar, devido à ignorância ou a uma falta de simpatia na percepção de suas necessidades. Pode-se dizer que a autodeterminação é um aspecto da coragem – a quinta Casa é uma autoexpressão respaldada pelas qualidades regeneradas da primeira Casa. Contudo, quando o propósito é eletrificado na consciência, ocorre uma liberação de esperança, de coragem, de entusiasmo renovado, e então a pessoa sente que verdadeiramente “nasceu de novo”. Ela deve saber o que quer fazer de sua vida, e se continua a cumprir seus padrões de responsabilidade tem todo direito de determinar seu avanço para o alto. Ao lidar com uma Carta semelhante faça mandalas de cada Aspecto do Sol; determine até que ponto a pessoa pode redirecionar um novo curso de vida, e ajude-a a entender por que ela foi impelida a se desviar do caminho certo, para que possa enfrentar, no futuro e com maior êxito, os desafios de seus aspectos de consciência.

Em relação aos padrões de ficção que envolvem a quinta Casa, um em particular pode ser tratado aqui: a ajuda que o astrólogo, como amigo filósofo, pode prestar a pais chocados pelo que talvez seja a forma mais patética de sofrimento humano: sua reação de dor ao passamento de uma criança amada ou de um bebê amado. Todos os serem humanos encarnam por meio de seus pais, especificamente, pela Lei de Simpatia Vibratória. As pessoas que, como marido e mulher, convidam amorosamente outro Ego para encarnar podem ter atrás de si uma história de possessividade e dominação paternal sobre seus filhos no passado. A Mente consciente[6] pode não reconhecer isso – e geralmente não reconhece – mas se uma nova encarnação é “interrompida”, os pais, sob o ponto de vista filosófico, não precisam sentir que a sua experiência de pais foi frustrada. Essa transição foi feita pela Lei, exatamente como o foi a encarnação.

A explicação oculta é que muitos Egos encarnam por pouco tempo para restabelecer contato com esta dimensão, isso para que seu avanço possa se efetuar mais completamente. Tais crianças vêm a pais que, por alguma razão íntima, devem aprender a deixar ir. Em algum lugar no passado houve demasiada subjugação como uma expressão de autoridade ou poder dos pais, e talvez por isso o progresso da criança no passado tenha sido inibido ou frustrado. Além disso, quando um Ego efetua a transição de maneira súbita ou violenta e o corpo físico é destruído, a pessoa pode voltar a estabelecer seus elos, e então, não pretendendo permanecer por um período inteiro de experiência de encarnação, prossegue em seu progresso. Se você puder, encoraje uma dilatação de ponto de vista nas Mentes de tais pais; anime-os a renovar, se possível, a expressão de seu poder de amor em alguma forma. Estimule-os sobretudo a neutralizar tendências para prolongar a dor, o pesar tristonho e desintegrador, mostrando-lhes que enquanto estiverem encarnados não precisam suprimir todas as expressões de seu potencial de amor. Em outras palavras, tente ajudá-los a manter viva e expressiva a consciência deles respectiva quinta Casa. Manter viva a quinta Casa significa manter vivo o coração.

No mandala dos Signos de Fogo liguemos as cúspides das primeira, quinta e nona Casas, formando um triângulo equilátero, a linha “ascendente” que é a vertical da quinta à nona.

Quando o aspecto de poder da quinta Casa é ampliado pela consciência de amor o emblema simbólico vai da potencialidade ao regozijo. A sugestão nesse ponto é que nós consideramos o regozijo muito mais significativo que um simples sentimento – geralmente temporário – de bem-estar ou de satisfação. O regozijo é um estado de espírito em que – ou pelo qual – o Eu Superior da Humanidade é capaz de expressar sua liberação construtiva a despeito das condições e assuntos externos, porque alegria é um dos atributos da consciência de amor. Ela possibilita a liberação de poder para maior bem de todos os envolvidos porque o amor clareia as percepções para uma consciência do bem inerente a todas as pessoas e do melhor potencial e significado de qualquer experiência.

O melhor de Leão – e da quinta Casa – é o “coração alegre”, o entusiasmo irradiante e transbordante de espíritos elevados que animam a vida humana – e os relacionamentos – de amabilidade, alegria de viver e encanto. É o emblema do prazer e da magnificência pelo qual a consciência do ser humano expressa sua compreensão de amplitude – interna e externa. É a “Casa dos hobbies”, já que um hobby, no sentido verdadeiro da palavra, é o escape criador de um grande interesse, um querido passatempo, uma atividade recreativa e que se harmoniza. Uma nova orientação psicológica pode ser dada às pessoas que estagnaram por demasiada preocupação com a rotina, com o cumprimento de responsabilidades e com as coisas práticas. Todas podem achar uma canalização para a liberação de impulsos criativos e recreativos, se desejam muito organizar devidamente suas vidas. Repetidas vezes a psicologia tem provado o poder de um hobby vibracionalmente sincronizado para infundir na vida humana uma nova consciência de alegria, de entusiasmo e de bem-estar, em todos os planos.

A primeira Casa é autoconsciência; a quinta Casa é auto expressão criadora; a nona Casa é o aspecto criador de sabedoria destilada da experiência. A primeira Casa é o ser (Eu Sou); a quinta Casa é o ser alegre (Eu Amo) a nona Casa é o ser sadio (Eu Compreendo).

A quinta Casa é o amor em sua expressão mais particularizada. É uma irradiação da consciência individual, que é uma liberação de poderes para a pessoa de quem eles emanam, e um calor e estímulo para aqueles que o recebem. A quinta Casa é tradicionalmente chamada de “Casa dos filhos”. Essa interpretação, contudo, é um derivado. Na Carta de um indivíduo específico a quinta Casa é o emblema do seu potencial de amor criador: ela pinta o quadro de sua consciência dos filhos como um fator em sua consciência de relação – é seu potencial como um amoroso dador de vida.

O Amor pelo qual nós procriamos outros Egos é nosso nível dessa expressão de Amor Divino pelo qual um Sistema Solar é encarnado. Daí poder-se ver por que o egotismo da parte dos pais e daqueles que ensinam pode ser um agente mortífero para as vidas dos filhos e dos alunos. O egotismo é retroativo; retrocede violentamente para os níveis da autoglorificação e do interesse próprio. O Amor se interessa pelo verdadeiro bem-estar e progresso daqueles a quem dá vida. Kahlil Gibran[7] se refere aos pais que amam verdadeiramente como “arcos dos quais partem flechas” – para continuar seu desenvolvimento e cumprir seus próprios propósitos e destinos.

Vamos apreciar, mais que nunca, essa expressão de Amor que torna possível nossa encarnação. Aprendemos sobre amor de pais daqueles que o foram antes de nós, e reconheçamos que nosso avanço se tornou possível porque, ao liberarem amor, eles aproveitaram a oportunidade para liberar vida. E devemos reconhecer também que quando nós, sejamos pais ou não, criamos uma beleza maior para todos, estamos liberando nossos recursos de jovialidade; fazendo isso, pelos processos de vibração simpática, nós realmente criamos a alegria na consciência de todas as pessoas que entram em contato conosco. Queremos viver a vida em termos de alegria, corajosa, generosa e formosamente. Para isso devemos expressar o centro do coração e viver amorosamente.

 

CAPÍTULO VIII – A OITAVA CASA

A experiência da transição da dimensão física para os planos invisíveis é uma experiência que a humanidade, em sua maior parte, considera como uma sensação de ansiedade, medo e, em certos casos, de absoluto terror. Em nenhuma fase do trabalho astrológico se exige do astrólogo ser mais sensível, mais impessoalmente compadecido, e mais verdadeiramente simpático que naquelas ocasiões em que é chamado para interpretar um Mapa Astrológico de alguém cuja reação de abatimento pela transição de um ser amado neutralizou temporariamente sua capacidade de prosseguir. Uma vez que cada Casa na roda tem seus princípios básicos – como um padrão de experiência – este assunto é apresentado na esperança de que possa ajudar a todos os estudantes e praticantes de astrologia a alcançarem uma consciência mais clara da mais oculta das Casas, e assim aumentar sua capacidade de lidar com pessoas que estão “palmilhando caminhos escuros”.

O princípio da oitava Casa é regeneração; e cabe neste ponto uma palavra de esclarecimento.

Certo homem que o autor conhece demonstrou magnificamente o poder do ponto de vista regenerador diante de uma separação avassaladora. Sua esposa terminou esta encarnação no momento em que se encontrava no auge da fama e da prosperidade, amada e respeitada por muitas pessoas. Poderíamos dizer que ela tinha tudo para viver; ainda assim a Vida a levou deste capítulo sob circunstâncias drásticas e calamitosas. Há pouco mais de um ano o Mapa Astrológico dessa excelente mulher foi posta à disposição do autor, que visava desvendar o segredo daquela experiência especial de transição. Focalizando a análise do Mapa Astrológico nos padrões das sétima e oitava, e décima segunda e primeira Casas, chegou a esta conclusão: acima e além de qualquer fama mundana que tenha alcançado, essa mulher foi verdadeiramente uma grande alma que, num gesto de serviço amoroso, escolheu fazer sua transição de maneira violenta para que uma grande redenção pudesse acontecer. É muito possível que esse feito heroico lhe tenha proporcionado a possibilidade de grandes realizações no futuro. Este Mapa Astrológico é um maravilhoso exemplo do elo entre padrões de relacionamento do passado e seu cumprimento na presente encarnação. O desafio à coragem e integridade de espírito do marido foi enfrentado com galhardia e, em consequência, ele foi levado a um gesto de serviço que, tendo sido cumprido, já provou ser uma fonte de regeneração e de renovação por seu notável trabalho.

Para obter a essência da oitava Casa prepare o seguinte mandala: uma roda em branco com doze Casas; numere a primeira, a segunda, a sétima e a oitava Casas; realce o diâmetro formado pelas cúspides das segunda e oitava Casas.

Isto é uma ilustração simples da oitava Casa e de sua polaridade, a segunda Casa. Gire a roda de tal maneira que a oitava cúspide situe-se no Ascendente; desse modo a sétima Casa aparece como a décima segunda.

Os significadores essenciais da décima segunda Casa de qualquer coisa são:

  • O elo entre a encarnação passada e a presente.
  • A necessidade de redenção que impele à presente encarnação.

Assim, nessa perspectiva, o significado da oitava Casa da presente encarnação é visto como a regeneração das imagens de desejo, que são as memórias ocultas de reações às experiências matrimoniais e de relacionamento na encarnação passada. Essas imagens de desejo têm suas raízes nos instintos sexuais e na consciência de posse, que, no relacionamento matrimonial ou sexual, alcançam um pico de intensidade maior que os alcançados mediante qualquer outra fase de experiência.

Em referência ao mandala original: a polaridade ou posição criada pelo relacionamento mútuo entre a oitava e segunda Casas pode ser interpretada deste modo: o inimigo (Aspecto de Oposição) da regeneração (oitava Casa) é o apego (fase primitiva da segunda Casa); o inimigo (Aspecto de Oposição) do princípio administrativo (segunda Casa) é o fracasso em regenerar o desejo (oitava Casa negativa). O princípio administrativo é o “uso certo dos materiais” – entrada e saída proporcionais, equilibradas; apego aos materiais é: tudo só entrando e nada saindo; um estado de desequilíbrio pelo qual a consciência se torna, no final, “presa à Terra” por sua preocupação com valorizações materiais.

Os negativos de ambas as Casas “se alimentam reciprocamente”. Desejo sem Amor, sexo sem fruição, permanecem fixos na possessividade; o desejo intenso por dinheiro e coisas, sem uma saída equilibrada pela troca, congestiona as imagens da entrada, resultando isso em um tipo de paralisia, devido às demandas sempre crescentes da natureza de desejo. A pessoa amada é considerada como uma posse; o enfoque no dinheiro ou nas posses com a exclusão do relacionamento pessoal correto neutraliza, gradualmente, o potencial de amor, e, em qualquer dos dois casos, o resultado é congestão, a qual, por sua vez, cria todo tipo de males em todos os planos da consciência humana. Os poderes simbolizados pela oitava Casa são os que produzem a descarga dessas congestões da natureza de desejos. Essa descarga é simbolizada pela vibração dinâmica de Marte: ação construtiva; através de Vênus: mutualidade.

A transição que costumamos chamar de morte é, na realidade, uma expressão do Princípio de Regeneração em larga escala que, por sua vez, é a essência da espiral, para frente e para cima, de qualquer expressão da Vida. Quando no estado de saúde, nossos Corpos são continuamente renovados e regenerados; a congestão – ou “descontinuidade” – é algo que resulta em doença. No plano da reação emocional, congestão é qualquer reação que resulte na incapacidade ou não inclinação da pessoa para se manter adaptável, sensível, receptiva e entusiástica para as novidades das experiências. Se nos apegamos, em sentimento, às coisas que já não participam de nosso viver construtivo, nós nos congestionamos de algum modo. Contudo, se nos mantemos receptivos e sensíveis ao significado das novidades, acolhemos o advento de outros moldes às nossas vidas, nos quais podemos despejar nossos potenciais.

A congestão, como uma reação à transição de um ser amado, resulta em manifestações tais como a autocompaixão, pesar mórbido sobre o passado, ressentimentos e tendência para o auto isolamento. Isso, por sua vez, acumula as energias em montanhas de pó de misantropia, desespero, tendência para fugir e confusões neuromentais. Quando nos apegamos àquilo que a vida provou ser obsoleto, nós não estagnamos, mas retrocedemos. Ou estamos com a vida na geração e regeneração, ou estamos contra ela, na degeneração congestionada. A transição da pessoa que nativo amava não é o problema do nativo; o problema dele é destampar as fontes de poder interno que resultarão na neutralização de seus padrões de reação declinantes. Uma parte importante de sua responsabilidade é ajudar tal pessoa a compreender que “a morte não existe, só existe a vida”. Fixe em sua consciência a “existência eterna” da vida e a importância de nossa responsabilidade de nos adaptar às mudanças de circunstâncias e liberarmos o melhor de nossas possibilidades de prosseguir.

Converse com essa pessoa de maneira tal que ela seja completamente uma dadora de vida; nunca prediga a morte nem mesmo tente descrever os meios pelos quais ela pode ocorrer. Não se deve satisfazer a curiosidade mórbida sobre esse assunto (De qualquer modo, e sob um ponto de vista puramente astrológico, não é sábio tentar esse tipo de interpretação; o mesmo padrão indicativo da morte indica também o despontar do novo, transmutado do velho durante a encarnação).

Você, como astrólogo, deve ter uma perspectiva clara, limpa, sobre a transição e seus significados, se quiser ajudar de algum modo. Não pode permitir que o medo da morte se aloje em seu subconsciente, se você vai se encarregar de “lançar Luz na consciência anuviada de alguém”. Firme-se completamente na consciência da continuidade eterna da vida, e se sempre experimenta uma tendência a reagir com comoção, medo ou ansiedade diante do quadro de uma morte, exercite-se em neutralizá-lo imediatamente pelos meios mais eficientes (filosóficos e psicológicos) ao seu dispor.

Podemos efetuar outra abordagem à oitava Casa se percebermos que ela fornece uma chave para solucionar todos os tipos de problemas que podem estar indicados no Mapa Astrológico. Um problema resulta de energia mal dirigida; em virtude da intensidade de qualidade implicada no padrão da oitava Casa, um pequeno redirecionamento, nesse ponto, poderia ter um notável efeito na reorientação de quase todas as outras condições negativas indicadas no Mapa Astrológico. De fato, todos os nossos padrões de relacionamento são agora sequências do passado e estão, em última análise, arraigados em nossa consciência de desejos, desde muitas encarnações de experiências de relacionamento. Nossos desejos alcançam o teclado inteiro: autopreservação e automanutenção; obsessões de todos os tipos; poder sobre coisas materiais e sobre pessoas; gratificação sexual e possessividade mútua de duas pessoas entre si; propriedade e prestígio perante o mundo; fama e renome, e assim por diante – todos esses quadros de desejos e as impressões e memórias nos têm impelido a padrões específicos de relacionamento com outras pessoas o tempo todo; congestões em quaisquer desses pontos são “mortes internas”, das quais temos precisado nos libertar, de um modo ou de outro.

Há algo no coração humano que busca, continuamente, por iluminação, de modo que quando o astrólogo precisa lidar com um “problema de aflição” ele reconhece que a sua primeira e principal responsabilidade é estimular a capacidade da pessoa desolada para a coragem e para a adaptabilidade inteligente. Quando nos damos conta de que a oitava Casa também é chamada a Casa da experiência do sono é que reconhecemos o valor do nosso período diário de sono como um meio regenerador. Melhor que continuar no miasma do medo, enquanto enfrenta o “desconhecido” (que, casualmente, tem sido enfrentado muitas vezes por todos nós no passado) é qualquer pessoa desolada buscar instintivamente compreender seu padrão de experiência de modo mais claro do que já havia conseguido antes; ela de fato continuará em sua busca até encontrar a resposta, ou nesta encarnação ou na décima a partir desta. Por conseguinte, ajude-a a ver a transição do seu ente querido sob a luz mais misericordiosa possível; relembre-o das ocasiões em que estava tão exausto, pelo esforço físico ou pela dor, que desejava umas poucas horas de sono mais que todo o ouro da terra. Então lhe apresente a imagem da consciência do ente amado (que tem se manifestado por milhões de anos) como precisando de algumas horas de sono, antes de retomar a próxima fase de experiência. Faça sua consciência conhecer a “morte” como uma fase de experiência rítmica, natural e necessária. Aí volte sua atenção para a oitava Casa do nativo, porque ele ainda está aqui e deve prosseguir em sua vida. Sugere-se que você “ilumine de branco” o regente da oitava Casa dele e, consequentemente, a posição desse regente por Signo e Casa. Isso é sugerido porque se trata de sua oportunidade de alertá-lo para o melhor de suas possibilidades de prosseguir – e você deve circunscrever esta parte do Mapa Astrológico dele do modo mais abrangente possível.

Em tais interpretações, não cometa o erro de inserir sua própria reação pessoal à interrupção do padrão de relacionamento dele. Reconheça que uma mulher pode amar a seu marido acima de todas as outras pessoas, acima até de seus filhos; um homem pode amar a sua mãe mais que a qualquer outra pessoa, mesmo sua esposa. Lembre-se de que não importa quão profundamente o nativo amava o falecido, a transição desse último proporciona mais espaço na vida do nativo para ele estender seus potenciais de amor em outras direções, e é evidente que tal extensão é necessária nesse momento. Estude os Aspectos dos eclipses solares formados antes da transição; se o eclipse ocorreu em Conjunção com um Astro, isso indicará que uma nova prova severa se manifestará entre esse eclipse e o próximo. Mas lembre-se também de que o eclipse anterior pode ter formado um Trígono ou um Sextil com algum Astro no Mapa Astrológico do nativo; isso promete uma “experiência nova” muito significativa. A transição pode ter tornado possível essa novidade de experiência.

Os Aspectos da Lua progredida no momento da transição (no Mapa Astrológico do nativo) devem ser observados bem de perto. O que ele põe em ação, durante um Aspecto da Lua progredida, produz fruto muito significativo. Se sua reação à transição o impele à ação retrógrada, ele imprime na consciência uma impressão desse Aspecto mais profunda que nunca. Portanto, nós afirmamos novamente: as pessoas devem ser encorajadas a se libertarem em ações construtiva.

 

CAPÍTULO VIII – A RETROGRADAÇÃO PLANETÁRIA

A retrogradação planetária, conforme estudado em astrologia, é uma atividade periódica, rítmica, que ilustra o grande princípio evolutivo de recapitulação.

No uso mundano corrente, retrogradação é considerada sinônima de retrocesso, que implica um processo de declínio, degeneração, e seguindo para a inércia, devolução ou contra evolução. Essa interpretação, contudo, é erradamente usada quando aplicada à vida dentro da forma ou ao movimento orbital dos Planetas. É verdade que, quando um veículo da manifestação cumpriu o propósito para o qual foi criado, sua substância, forma e função orgânica entram num processo de retrogradação; a retirada das forças de Vida inicia um processo de desintegração do veículo. Mas a essência da Vida, que não pode morrer ou se desintegrar, aguarda um veículo novo e adequado a sua expressão e experiências evolutivas adicionais.

Quando observamos e consideramos, em sua inteireza, o grande princípio de recapitulação reconhecemos que ele é um padrão ou método pelo qual a Natureza garante a perfeição do processo evolutivo. Aquilo que foi alcançado em uma etapa de um dado ciclo é recapitulado ou revisado na retomada da nova atividade para que a integridade completa dos poderes orgânicos possa ser estabelecida. Quando a recapitulação se completa, aquilo que foi estabelecido se torna a base daquilo que está por se estabelecer; desse modo, o programa evolutivo do organismo ou entidade se torna contínuo, sem embaraços ou interrupções. Esse princípio é a grande segurança da Natureza para um processo evolutivo completo e perfeito. No plano da mentalidade humana, esse princípio se revela na faculdade da memória; no plano do funcionamento orgânico ele se revela no padrão cíclico do nascimento, crescimento, maturidade e transição a que se submete toda entidade evoluinte em cada encarnação ou ciclo de manifestação. Max Heindel faz a mais maravilhosa exposição deste princípio em seus escritos sobre os grandes períodos que marcam a involução e a evolução do nosso Planeta e da vida que ele nutre. No começo de cada novo Período, o Período anterior é recapitulado para que a integridade da função possa ser estabelecida.

Na atividade da oração o princípio de recapitulação é defendido por muitas escolas espirituais. Repassar na memória os pensamentos, palavras e atos do dia que se finda não significam que o aspirante anda para trás ou retrograda; ele repassa honestamente suas experiências em pensamentos, palavras e atos para obter a essência do valor espiritual. Ele analisa, compara e avalia não somente seus pensamentos, palavras e atos, mas também seus motivos; quando se dá conta de que um motivo foi impuro, ele expulsa esse motivo de sua consciência pela percepção real; a clareza da percepção real tornar-se-á alquimicamente uma força do Espírito pela qual, no futuro, ele evitará repetir isso e agir com essa particular motivação. Ele retrocede ao fazer sua revisão espiritual? Pelo contrário, ao fazer da revisão uma coisa construtiva ele avança, mesmo que a recapitulação possa incluir um exame minucioso de algo muito desagradável – até repugnante – à sua delicadíssima sensibilidade. A palavra “reconhecimento” significa “conhecer de novo”, de forma que o reconhecimento poderia muito bem ser identificado como o propósito básico de todos os processos de recapitulação. O reconhecimento, pela recapitulação, é garantido pela Natureza para todos os planos, modalidades e graus de consciência evoluinte.

De início, um ponto deve ser esclarecido. A astrologia não ensina que os Planetas de nosso Sistema Solar retrocedem de vez em quando. A ação retrógrada dos Planetas é um movimento periódico aparente devido à rotação axial e orbital da Terra – não é real. Todavia, em virtude das mudanças relativas de observação – relativas no sentido de que os Planetas na astrologia geocêntrica são observados zodiacalmente da Terra, em vez de o serem do Sol – cada um dos Planetas parece recuar, periodicamente, em seu percurso zodiacal, permanecer estacionário por certo tempo e então avançar novamente pela área retrocedida e daí para frente em nova área.

Como a Terra e cada Planeta têm a sua própria distância e velocidade orbital em torno do Sol, esses períodos de retrogradação e de estar estacionário obedecem a um plano rítmico de sequência regular não diferente, por exemplo, dos períodos humanos de atividade consciente no estado de vigília e de atividade subconsciente durante o sono, ou do plano rítmico das mudanças de estações, através dos anos. Devemos lembrar que todo princípio ilustrado pela astrologia tem suas correspondências na vida do universo, pois este é a criação da Consciência e a astrologia é o estudo simbólico da Consciência. A imagem de cada fator em um horóscopo natal humano é uma imagem do Princípio, ou Lei, revelado; se uma encarnação adicional se faz necessária para a evolução de um ser humano, então a encarnação é submetida às leis entendidas como Espaço e Tempo. A regulagem da hora, data e local da encarnação, que pode incluir o registro de um Planeta “retrógrado” no horóscopo natal, diz ao intérprete algo sobre a evolução de consciência da pessoa, assim como o fazem seu Signo Solar, Signo Lunar, Ascendente ou qualquer Aspecto astral.

O mais pleno significado do Princípio de Recapitulação pode ser coletado considerando-se que a evolução da consciência é representada como um processo em espiral. A mudança é a única coisa constante a ser vista através da vida e a espiral representa o composto do “para o alto, para frente e sempre” que caracteriza todos os processos da vida. A involução, que é a necessária fase preparatória, tanto quanto a evolução, é uma parte do “para o alto” – exatamente como os estudos, lições e exercícios são a fase preparatória da formação de um talento artístico ou profissional. Em qualquer linha de esforço, ou expressão de vida orgânica, os programas e objetivos involutivos e evolutivos sempre contêm áreas periódicas de recapitulação, mas o começo da primeira recapitulação é sempre uma extensão do ponto inicial e cada recapitulação seguinte é uma extensão das anteriores que lhe correspondem. Assim se formam e se integram os elos; a espiral se forma com continuidade ininterrupta, enquanto a consciência individualizada ganha consciência crescente de seu Eu por meio da experiência orgânica.

Uma questão pode ser levantada sobre esse ponto: o que dizer dos atrasados? Não estão eles retrogradando para a inércia? O fenômeno da consciência individualizada incapaz de acompanhar os passos dos companheiros da sua onda de vida deve ser considerado também sob um ponto de vista relativo. Essas entidades se atrasaram ou adiaram seu programa evolutivo por um tremendo período de tempo, mas como foram individualizados em alguma época, devem, algum dia, retornar em consciência à sua fonte. Desde sua individualização com outros de sua onda de vida, elas prosseguiram, por algum tempo, no programa evolutivo – elas têm tido alguma experiência evolutiva. Por conseguinte, quando começarem novamente, sua recapitulação inicial irá avançá-las mais rapidamente do que avançaram em sua primeira tentativa. Essas entidades não estão “perdidas para sempre”; elas são canais para a Luz e a Vida do seu Criador como o são todas as outras; elas estão retrogradando somente em relação ao processo dos seus irmãos evoluintes. Elas estão tendo a experiência certa para elas, e terão sua individualização, recapitulações e passos progressivos no devido tempo. Lembre-se: na função orgânica e na consciência, a retrogressão ou retrogradação é relativa, não absoluta.

Do ponto de vista da observação geocêntrica, o Sol e a Lua são sempre vistos em movimento “direto”; nenhum dos dois jamais faz a retrogradação periódica, que caracteriza a ação aparente dos Planetas. O Sol transita o Zodíaco uma vez por ano, e recapitula sua posição natal a cada aniversário do indivíduo; a Lua, por trânsito, recapitula sua posição natal a cada vinte e sete dias e oito horas; por progressão, a cada vinte e sete anos e quatro meses, aproximadamente. Movendo-se para a frente, a partir de sua posição natal, no fim de sua primeira volta ao Zodíaco, por progressão, ela entra no segundo ciclo e recapitula, dessa maneira, todos os Aspectos formados ao nascimento, combinados com os fatores adicionais de um “arranjo” diferente de Aspectos de Astros progredidos, trânsitos e eclipses solares.

A recapitulação solar e lunar também é revelada nos padrões formados pelos eclipses solares e Luas Cheias deste modo: por exemplo, um eclipse solar ocorrido em agosto de 1952, nos 28 graus de Leão; uma Lua Cheia em fevereiro de 1954, nos 28 graus de Leão. Esse padrão abrangeu dezoito meses, e a Lua Cheia recapitulou o eclipse. Em tal caso, os Aspectos dados na Carta natal pelo eclipse fornecerão a nota-chave da experiência da pessoa, durante esse subsequente espaço de muitos meses, e na ocasião da Lua Cheia recapitulante o astrólogo de Mente espiritualizada fará bem em revisar a avaliação de sua experiência, tirando a essência do valor construtivo, e desse modo construir seu Corpo-Alma. Os períodos caracterizados pela recapitulação de um eclipse solar, por uma Lua Cheia, geralmente cobrem um período de dezoito ou vinte e quatro meses; o eclipse solar de julho de 1953, no Signo de Câncer, foi recapitulado pela Lua Cheia no Signo de Câncer em janeiro de 1955.

O Sol e a Lua revelam um movimento de retrocesso constante deste modo: o Sol, por precessão, move-se para trás através do Zodíaco, podendo-se observar que as sucessões de eclipses, Luas Novas e Luas Cheias ocorrem em posições “contra-zodiacais”. Só os Planetas revelam o movimento periódico “recuo-estacionário-para frente”.

Todos sabemos de casos de estudantes que foram reprovados na escola devido ao que parecia ser uma dificuldade insuperável com certa matéria ou fase de alguma matéria. A necessidade de tal reprovação não indicava que a criança fosse basicamente limitada, anormal ou “má”. Indicava sim que ela ainda não estava devidamente preparada para preencher o requisito dessa aprovação nessa matéria, em particular. Portanto, já que lhe requeriam dominar esse aprendizado específico, era necessário deixá-la recapitular, voltando à fase anterior da matéria, estudando-a e assinalando-a novamente, e assim se qualificando para o progresso por ter se preparado.

Nossa experiência de encarnados é escolaridade evolutiva. Assim como não podemos assimilar toda uma dada matéria de uma só vez, do mesmo modo não podemos penetrar em todas as fases da experiência humana em uma só vida. Tudo o mais à parte, o fato de sermos organicamente polarizados como machos e fêmeos impossibilitaria a experiência total. Todavia, em virtude de uma longa sequência de encarnações durante a qual podemos encarnar como macho ou fêmea, consoante a necessidade evolutiva e a exigência do destino maduro[8], nós temos a oportunidade de cumprir todas as fases de experiências pertinentes ao gênero. Visto que a concentração de pensamento e de esforço é necessária para o êxito e realização de nossos talentos e esforços profissionais, nós usamos cada encarnação para nos especializar e poder focalizar nossa consciência, extraindo assim o máximo benefício e desenvolvimento do que fazemos no trabalho ou em outras atividades e esforços. No entanto, assim como a individualização da consciência exige eventual cumprimento evolutivo, do mesmo modo qualquer aceitação de experiência exige cumprimento. E muitas vezes o Princípio da Recapitulação deve ser utilizado quando, após aceitarmos e vivermos certa fase de experiência, deixamo-la por um pouco para focalizar nossa atenção em outras fases. Aquilo que foi deixado em suspenso não foi esquecido; antes se permitiu que ele permanecesse adormecido, esperando ser assumido e resolvido no futuro. Aqui se encontra uma chave filosófica para o estudo interpretativo da retrogradação planetária.

Retrógrado natal, permanecendo retrógrado por toda a vida: as condições indicadas pela Casa regida por este Planeta são de importância secundária para o cumprimento da presente missão de vida. Contudo, visto que todos os fatores planetários têm propósito espiritual e evolutivo e devem ser usados pela entidade, parece que alguma forma de cumprimento indireto é indicada por esse tipo de retrogradação. Em uma vida futura a plenitude de expressão significada por esse Planeta representará um fator principal da missão de vida. Na presente vida, o fator experiência, representado pelo Planeta e Casa que ele rege, é mantido em relativa suspensão, de modo a que os fatores que envolvem a principal missão evolutiva para esta vida possam ser nela concentradas.

Retrógrado natal, estacionário por progressão no fim da vida: é indicação de que a missão de recapitulação ativa será assumida na vida seguinte; o período de suspensão termina nesta vida, e a próxima encontrará a pessoa qualificada para reassumir, por recapitulação, aqueles fatores de experiência que foram mantidos em suspenso por várias vidas talvez; esse tipo de progressão indica que a pessoa assumirá um fator novo de grande significação na missão da próxima vida, sendo um que ele começou e interrompeu em alguma fase de sua vida passada; tal fator terá considerável conteúdo de destino maduro, resíduo de um passado distante, pelo que talvez possam ser necessárias várias vidas para cumprir essa missão.

Retrógrado natal, por progressão estacionária e depois direta nesta vida: indicação de que a missão de recapitulação ativa deve ser assumida na presente vida; termina o período de suspensão; a experiência representada pelo Planeta torna-se o principal fator evolutivo da atual missão de vida quando o Planeta se desloca para frente em movimento direto, a partir do período estacionário. O intérprete astrológico prestará cuidadosíssima atenção à marcação de tempo do movimento direto progredido, relacionando-o com os Aspectos astrais progredidos do momento, ciclo atual de eclipse solar, e com o quadrante da Lua progredida. Do ponto de vista evolutivo, esse tipo de progressão planetária é um dos mais importantes, pois marca a segunda tentativa da pessoa nos assuntos relacionados à Casa regida pelo Planeta, e o que seja feito nos restantes anos desta vida, a respeito disso, criará muito destino maduro obstrutor ou regenerador a ser utilizado no futuro. Esse tipo de progressão marca um principal ponto evolutivo na história cíclica da consciência individualizada.

Retrógrado natal, por progressão estacionário, direto, depois em Conjunção com o radical: fim do período de suspensão e recapitulação subjetiva, o florescimento de recapitulação ativa e expressão real, direta e criadora do poder planetário; participação direta no padrão de relacionamento e fatores de experiência representados pelo Planeta, sua Casa de regência e Casa em que se posiciona. O ponto particular ou fase da consciência anímica “alcança a si mesma”, e cada Aspecto radical de qualidade regeneradora – Sextil ou Trígono – indicado pelo Astro promete uma onda de grande alegria. As Quadraturas ou Oposições, apresentadas pelo Planeta no radical, trarão provas nesse período de vida, mas em termos de uma maior habilidade da pessoa de manejá-las, fazendo uso de todos os recursos de poder espiritual para as necessárias resoluções. Quando um Planeta está direto no radical, mas se torna retrógrado por progressão, e assim permanece, isso indica que nesta vida assistirá a uma “remoção” dos fatores representados pelo Planeta; isso parece indicar que a pessoa vai focalizar sua atenção, evolutivamente falando, em outros fatores. Se esse Planeta, retrógrado por progressão, alcança a Conjunção com a sua posição radical na presente vida, isso indica cabalmente que os fatores astrais especiais não serão de grande importância na próxima vida.

 

[1] N.T.: Mandala, substantivo masculino, é um diagrama, geralmente circular e com formas geométricas.

[2] N.T.: Ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses planetas trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[3] N.T.: Áries é Cardeal e do elemento Fogo. Leão é também do elemento Fogo. Contando a partir de Áries (inclusive) a Leão temos 5: 1º: Áries; 2º Touro; 3º Gêmeos; 4º Câncer; 5º Leão.

[4] N.T.: Áries é Cardeal e do elemento Fogo. Sagitário é também do elemento Fogo. Contando a partir de Áries (inclusive) a Sagitário temos 9: 1º: Áries; 2º Touro; 3º Gêmeos; 4º Câncer; 5º Leão; 6º Virgem; 7º Libra; 8º Escorpião; 9º Sagitário.

[5] N.T.: Refere-se à memória supra consciente. Essa é o repositório de todas as faculdades e conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores, ainda que às vezes só latentes na presente vida. Esse registro é indelevelmente gravado no Espírito de Vida. Comumente se manifesta, embora não em toda extensão, como consciência e caráter, que anima todos os pensamentos-forma, umas vezes como conselheiro e outras compelindo à ação com força irresistível, mesmo contrariando a razão e o desejo.

[6] N.T.: memória consciente, voluntária, ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos.

[7] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883-1931), também conhecido como Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.

[8] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.