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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volumes

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 1 – Exatidão da Astrologia – Os Astros são Seres – O Sol – A Lua – Vênus – Mercúrio

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 2 – Marte – Júpiter – Saturno – Urano – Netuno – Plutão

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 3 – O Astrólogo – Mandala Astrológico – Ascendente – 2ª Casa – 5ª Casa – 8ª Casa – Retrogradação

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 4 – Aspectos Adversos – Aspectos Benéficos – Cruz em T e Grande Cruz – Grande Trígono – Interceptações – Relacionamentos

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 5 – Astrólogo como Cientista – Discussão do Governo – Estudo das Polaridades – Experiência Militar – Dádiva de Presentes – Regra de Ouro – Astrólogo Estadounidense

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 6 – O Ponto, a Linha e o Círculo – O Espectro – O Ritmo – O Esquema, A Proposta, O Plano Geral, O Projeto, O Desenho – A Cor – A Arquitetura – A Dança – A Música

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 7 – A Arte Dramática – Filmes Cinematográficos – A Cura – A Fraternidade do Astrólogo, do Artista, do Sacerdote e do Curador – Regozijos Astrais – Retratos de Personagens Shakespearianos – A Faculdade da Intuição – Experiência Animal

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 8 – O Mapa do Casamento – O Casamento – A Paternidade – A Infância – A Adolescência – A Fraternidade – O Signo Solar – O Espectro Genérico – A Atribuição da Sua Vida

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 9 – A Complementação – Segurança – O Diâmetro, O Quadrante e O Decanato – Luz – Luz como Terapia – Luz como Comunicação – Luz como Afluência – Astro-Filosofia examina a Experiência no Hospital – Caminho Astrológico

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 9

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 9 – A Complementação – Segurança – O Diâmetro, O Quadrante e O Decanato – Luz – Luz como Terapia – Luz como Comunicação – Luz como Afluência – Astro-Filosofia examina a Experiência no Hospital – Caminho Astrológico

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

 

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 9

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – A COMPLEMENTAÇÃO

CAPÍTULO II – SEGURANÇA

CAPÍTULO III – O DIÂMETRO, O QUADRANTE E O DECANATO

CAPÍTULO IV – LUZ – PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO V – LUZ – SEGUNDA PARTE

CAPÍTULO VI – A LUZ COMO TERAPIA

CAPÍTULO VII – A LUZ COMO COMUNICAÇÃO

CAPÍTULO VIII – A LUZ COMO AFLUÊNCIA

CAPÍTULO IX – A ASTRO-FILOSOFIA EXAMINA A EXPERIÊNCIA NO HOSPITAL

CAPÍTULO X – O CAMINHO ASTROLÓGICO

 

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – A COMPLEMENTAÇÃO

 

A “Complementação” é a palavra mais importante no estudo dos relacionamentos humanos porque é uma palavra-símbolo do arquétipo do intercâmbio vibratório que faz do relacionamento o que ele é. Sua vida é a polaridade; seus dois macrocosmos básicos são o masculino e o feminino. Todos os padrões básicos de relacionamento humano (conjugal, fraternal, entre pais e filhos etc.) representam um padrão específico de complementação em ação como “ignições” da consciência vibratória humana.

A pessoa cujas qualidades vibratórias não contêm nada que possamos responder com nossos sentimentos subconscientes é a quem somos indiferentes; em tais contatos casuais nos encontramos com tal pessoa somente nas dimensões tempo-espaço. A ausência de ignição vibratória mútua afasta todas as coisas do contato que poderiam resultar em relacionamento. A ignição, da parte de uma pessoa, no corpo vibratório de outra leva essa a reagir com o sentimento subconsciente; por suas reações ela identifica, subconscientemente, o contato por alguma palavra do relacionamento. Faltando mutualidade, a “qualidade do relacionamento” existe somente em seu próprio sentimento.

Contudo, quando meditamos sobre a nossa faculdade de reação subconsciente, reconhecemos uma coisa marcante: nós, como “mecanismos reagentes”, reagimos em alguma medida a quase todos os outros seres humanos. Andando por uma rua movimentada da cidade, cruzamos com inúmeras pessoas; a menos que estejamos grandemente preocupados com alguma imagem mental focalizada, nós reagimos momentaneamente a impressões causadas por rostos, aspectos, corpos, modos de andar, deformidades, beleza e atos dos outros; até mesmo uma grande preocupação pode ser despertada quando entramos no campo vibratório de alguém que coincide com uma de nossas imagens internas de relacionamento de modo marcante – nossa atenção “estala na consciência” de tal pessoa, e então experimentamos uma reação de sentimentos. Esta reação de sentimento é a consciência do relacionamento, porque uma de nossas imagens subconscientes de relacionamento foi, ao menos por um momento, “ligada”. Tal pessoa – por outro lado um perfeito estranho a quem podemos nunca mais ver – é a exteriorização de uma faceta de nosso recurso de relacionamentos subconsciente, e como tal, está relacionada conosco de maneira vibratória. Esse “relacionamento” será agradável ou desagradável, dependendo isto da qualidade básica de nossa “imagem interna”.

Nós nos tornamos acostumados tanto aos nossos padrões básicos de relacionamento que raramente reconhecemos a verdadeira fonte ou qualidade deles. Nós só reagimos, reagimos e reagimos. A Arte do Relacionamento Humano – a maior de todas as artes – é a harmonização de nossas reações às outras pessoas, e de tal modo que somos levados a uma percepção cada vez mais clara do ideal que é o arquétipo de cada pessoa. É verdade que a realidade de qualquer pessoa – para você, em qualquer ponto de sua fase evolutiva – é a qualidade de sua reação a essa pessoa qualquer; mude sua reação e você terá mudado a qualidade do relacionamento, para melhor ou pior.

Isso não é apenas uma teoria; prove-o por si mesmo repassando, mentalmente, suas próprias mudanças de qualidade de reação para com pessoas que participaram significativamente de suas experiências durante essa encarnação. Você já amou alguém profundamente e depois descobriu que sua reação se transformava em um sentimento de desgosto ou aversão? Já não temeu alguém e depois, com melhor compreensão, chegou a considerá-lo um amigo valioso? Você já não experimentou uma desintegração por congestão por chegar a preferir e amar mais a um de seus pais? Ou a um de seus irmãos ou irmãs? Você já não odiou alguém tão profundamente que sentiu o desejo de destruí-lo ou feri-lo, de alguma maneira drástica, e depois experimentou uma mudança tão marcante no coração (frase significativa!) que chegou a um sentimento de profundo respeito e admiração? Você já não foi aparentemente indiferente a alguém que figurou por longo tempo em suas experiências e então passou por tal mudança de sentimento que se enamorou de tal pessoa e com ela casou? Todos esses tipos de mudanças internas representam as realidades da transformação de relacionamentos por “modulação em diferentes oitavas e claves” – e em padrões diferentes. O Amor-Sabedoria nutre o arquétipo da realidade de todos os relacionamentos entre as pessoas.

Nessa discussão sobre a “complementação” não estamos, primeiramente, interessados nas Casas do horóscopo; as Casas são a descrição espacial (física) das experiências e relacionamentos. Interessa-nos as qualidades vibratórias, qualidades genéricas, focalização das qualidades genéricas pelos Astros e os padrões genéricos representados pelos Aspectos astrais. Tente elastecer sua Mente, preparando-a para esse estudo: faça uma cópia de sua Carta Natal sem as cúspides das Casas; ponha simplesmente os Astros em suas posições (relativamente) exatas na roda por Signo e grau (isso é assim para que você possa ter em mente os Aspectos que seus Astros formam entre si).

Agora faça uma lista dos Regentes astrais dos doze Signos: Marte para Áries, Vênus para Touro e Libra, Mercúrio para Gêmeos e Virgem, Lua para Câncer, Sol para Leão, Plutão para Escorpião, Júpiter para Sagitário, Saturno para Capricórnio, Urano para Aquário e Netuno para Peixes. Assimile essa lista de tal modo a ficar perfeitamente familiarizado com ela. É a regência astral do Zodíaco. Além disso, aprenda sobre os dispositores[1] astrais do Zodíaco: todos os Astros em Áries são dispositados por Marte, todos em Touro-Libra são dispositados por Vênus, todos em Gêmeos-Virgem são dispositados por Mercúrio, todos em Câncer são dispositados pela Lua, etc. Em outras palavras, os Astros em determinado Signo são dispositados pelo Regente desse Signo; o Regente astral de um dado Signo disposita todos os Astros que se encontrem nesse Signo. Decore esses pontos.

Agora, para maior clareza, circunscreva com um círculo todos os Astros, em cada um de seus respectivos Signos, na roda “sem cúspides” que você fez. Isso lhe dá a oportunidade de agrupar seus Astros na posição por Signo, não importando a posição deles por Casa; relacione seus Astros na posição por Signo e ponha entre parênteses cada grupo, por dispositor astral; essa lista é a do agrupamento vibratório de seu horóscopo – você deve retê-la muito bem.

Agora, na roda sem cúspides, trace um diâmetro: o ponto de partida será o Regente astral do seu horóscopo natal; o Signo que contém o ponto oposto é seu Signo de complementação; seu Regente (qualquer que seja o Astro) focaliza aquela vibração e é, portanto, a sua vibração complementar essencial.

Vemos, pois que o dispositor do Regente do seu Ascendente e o Regente do Signo oposto àquele que contém o Regente do seu Ascendente são os dois pontos básicos de seus padrões de complementação nessa encarnação. O Signo que contém seu “Astro-complemento” e o Regente dele constituirão a principal vibração qualificativa do seu complemento. Estude o dispositor do Regente do seu Ascendente e o complemento astral dele sob todos os pontos de vista concebíveis; neles se encontram os segredos íntimos da consciência de relacionamento nessa encarnação; eles representam as vibrações focalizadas ou o retrato íntimo do “seu próprio eu” e o retrato íntimo do seu “outro eu”.

Agora é criar a primeira de suas duas “Cartas genéricas”. Isso é derivado diretamente de seu Ascendente natal. Faça uma cópia do seu horóscopo natal, corrija-o em todos os detalhes e use como Ascendente a cúspide em que está o Signo que contém o Regente do seu Ascendente; não mude nada na roda.

O Signo que agora aparece como Ascendente (contendo seu Regente natal na 12ª Casa ou na 1ª Casa) é o seu Ascendente vibratório. O Astro que rege esse Signo é o seu Regente vibratório, e sua posição por Signo, seu trino relativo aos elementos da natureza (Fogo, Terra, Ar, Água), sua cruz estrutural (Cardinal, Fixo, Comum) e seus Aspectos astrais dão a imagem do seu reconhecimento íntimo com você mesmo; seu Regente natal é a sua “aparência externa” de como você pensa conscientemente de si mesmo e de como você, mais diretamente, parece às outras pessoas. Lembre-se de que o Regente do seu Ascendente natal é projetado dentro da roda a partir do Ascendente, e de que por sua posição na Casa ele indica os seus autorreconhecimentos, em termos de espaço/tempo e atividade. O Regente vibratório, contudo, é projetado a partir do Signo que ele rege, e seu relacionamento com o corpo da roda se dá em termos de extensão, desde o seu próprio Signo de Dignificação. Se o Regente vibratório está no mesmo elemento do Signo que ele rege (o Signo Ascendente vibratório), então ele é a expressão do Poder ou do Amor ou da Sabedoria de sua natureza interna que é focalizada para indicar seu poder espiritual básico. Se o Regente vibratório está em um Signo que se refere à mesma cruz estrutural pertinente ao Signo que ele rege, então ele está em “Quadratura” ou “Oposição” ao Signo em que está Dignificado, e isso representa um ponto decisivo de evolução – análogo aos “pontos de contorno” das Quadraturas (“ou “cruzes”) Cardeais, Fixas e Comuns do Grande (ou Abstrato) Mandala.

Agora que se encontra erigida, sua Carta (com o Ascendente vibratório) é a variação “genérica básica” de sua Carta natal. A qualidade genérica do Regente vibratório, o Signo em que ele está, e a qualidade do seu dispositor servirão para identificar a qualidade “genérica básica” de sua Carta natal, uma vez que essa variação é derivada da posição por Signo do Regente do Ascendente natal. Sintetize, cuidadosamente, em referência ao espectro genérico, e lembre-se de que essa variação não é um retrato do seu Ser como “macho” ou “fêmea”; é a masculinidade básica ou a feminilidade básica de sua natureza interior. Já que essa variação é derivada diretamente do horóscopo natal, considere essa questão: que Casa, em sua Carta natal, contém o seu Regente vibratório? Essa Casa, qualquer que seja, representará o foco físico, ou o “espaço-tempo”, desse particular florescimento vibratório. Em outras palavras, representará o “onde e quando, na presente encarnação, você encontrará a perfeição dessa qualidade interna básica de sua natureza”. Relativamente a isso, o que mostra sua Carta?

Se você tem total inclinação filosófica ou psicológica (e é claro que tem, ou não estaria lendo isso), reconhecerá que você e só você é o fator determinante de suas experiências de relacionamento. Os filósofos, por via de regra, não utilizam cegamente suas encarnações cometendo os mesmos antigos erros do mesmo modo anterior, por vezes seguida; eles buscam iluminação no sentido de melhorar suas condições internas e daí aprender como melhorar a qualidade de suas expressões. Os filósofos não desperdiçam seu tempo culpando ou acusando os outros, pois sabem que não são as pessoas, mas sim as suas próprias reações negativas que causam suas dores. Portanto, agora, como filósofos, façamos um estudo da Carta “genérica básica” na medida que ela serve para retratar o “interior” da nossa consciência de relacionamento.

Outra variação: a partir da carta que agora parece como uma “genérica básica”, gire-a (ou faça outra cópia) de tal modo que o Signo oposto àquele que contém o Regente natal situe-se no Ascendente. Esse é o seu – ou o que podemos chamar – “Ascendente complementar”; o seu Regente astral é o seu “Regente complementar”.

Agora esse Astro, seja qual for, é a destilação de sua consciência de relacionamento complementar – muito profunda. É o retrato vibratório essencial do seu “outro eu” e, inversamente, é o retrato do inimigo que você carrega dentro de si próprio; esse “inimigo”, naturalmente, é qualificado pelos Aspectos regenerados formados por esse Astro, mas suas congestões (Quadraturas e Oposições) são, na opinião do autor, mais importantes para se compreender que qualquer outro fator de sua configuração Astrológica, pois cada uma dessas congestões é o “argueiro em seu próprio olho” que lhe faz ver o mal nos outros.

Cada congestão a esse Regente complementar representa, realmente, a profunda e sombria ignorância de um princípio de Vida específico. Os estímulos dessas congestões farão com que “outras pessoas prejudiquem a você de maneira mais intensa” – suas reações a elas, por esses estímulos, e em diferentes ocasiões, é o que você sente quando a Vida, em sua Sabedoria, usa um bisturi para fazer uma pequena cirurgia em suas congestionadas, cristalizadas, condições internas. Enquanto viver reativamente esses padrões, você sofrerá através de suas reações às pessoas representadas pelos Aspectos; mas quando ilumine sua consciência, quanto à natureza do princípio representado por este particular Astro, você reconhecerá que deve se alinhar, conscientemente, para fazer desse princípio uma expressão construtiva em sua vida; na medida em que faça isso, você “dará as mãos ao inimigo em seu interior e fará dele seu amigo”. O Grande Mestre disse: “Não resistais ao mal”[2]; Ele quis dizer: “Eu me levanto preocupado e esgotado sobre o que as pessoas fazem – gastando seu tempo para endireitar sua própria consciência e viver de acordo com ela?”. Por ser esse ponto de particular importância e urgência, sugere-se que você faça um estudo, tão detalhado quanto possível, desse “Regente complementar”. Estude a colocação e significado dele em relação ao Grande Mandala; estude seu significado genérico, seu significado no relacionamento. O que representa ele como um princípio espiritual e sob o ponto de vista destino maduro? O que você fez no passado para criar os atuais Aspectos congestionados? Quantas pessoas (com Cartas em seu poder) têm “pontos” que sincronizam com esse Astro em seu padrão? Qual têm sido a influência e efeito delas sobre você e sua vida? Você tende a culpá-las por “fazerem coisas a você”, e então se voltar e fazer essas mesmas coisas com elas? Em nenhum outro fator Astrológico o estudante precisa manter mais aberto seus pensamentos, sentimentos e reações, de modo justo e honesto, do que nos assuntos relativos a esse Astro em particular.

As cartas, é claro, variam consideravelmente no que concerne à qualidade vibratória. Talvez esse “Regente complementar” não tenha congestões na sua Carta – apenas Sextis e Trígonos; então sugere-se que você compare esse Astro com o seu “Regente vibratório”. Qual o que dá a você a maior “vantagem”, qual o que representa a mais livre expressão de Poder como Amor-Sabedoria, qual o que atua mais efetivamente como um “descristalizador de congestões”, qual o que representa um princípio do qual você está mais claramente a par em seu ser consciente, qual o que representa mais claramente um ideal que você vê externado em outros, ou um ideal que você mesmo externa aos outros? Existem muitas perguntas relativas a estas coisas que você pode fazer ao seu Eu Superior, mas elas devem ser formuladas honestamente – desculpas, autojustificativas e culpar os outros – não cabe nesse tipo de análise. O “Regente complementar” pode, naturalmente, ser estudado a partir de um fator adicional: a qualidade do Astro que o disposita – tal Astro pode estar muito congestionado ainda que o Regente complementar não o esteja; se for este o caso, então aprenda com seus relacionamentos (via a boa expressão das outras pessoas) como lidar com aquela congestão em particular. Você verá algo maravilhoso nas outras pessoas, algo que você mesmo deseja ter; experimente determinar que princípio é esse e ponha-o a funcionar em seu cotidiano. É isso o que realmente significa “o aprendizado da vida”.

Temos, portanto agora o horóscopo natal e suas duas variações genéricas básicas (sugerimos cópias completas de todos os três, para referência). Os Signos Cardeais focalizam a estrutura vibratória do relacionamento, e essa focalização é representada pelas posições por Signo e pelos Aspectos dos Astros estruturais: Marte, Lua, Vênus e Saturno. O agrupamento genérico dos Astros servirá para determinar qual das duas “variações” é a “Carta genérica masculina” e qual é a “Carta genérica feminina”, e a partir dessa síntese você pode determinar a qualidade genérica dos seus padrões básicos de relacionamento. Que relacionamentos focalizam suas expressões masculinas e quais focalizam suas expressões femininas; quais as que focalizam seus padrões de reações; que tipo de padrão de relacionamento serve para lhe proporcionar as lições espirituais mais necessitadas; para qual dos dois você naturalmente contribui melhor em amor e sabedoria?

Uma pessoa chega a entender os valores astrológicos por meio de muito estudo, muita meditação, observação e experiência; é impossível todos esses fatores sutis “postos em palavras” em uma simples sessão. No entanto, quando o estudante de Astrologia é também um filósofo que mantém sua Mente aberta às novas oitavas da percepção, então ele “acende” a sua Sabedoria Interna a pouco e pouco até que níveis profundos de concepção são trazidos à superfície da consciência para aplicação prática. Chegamos a entender que é inútil centralizarmos nossa atenção nas pessoas como sendo elas somente “macho e fêmea” – o “processo de repolarização” tem sido, com efeito, demasiado longo para tornar essa abordagem essencialmente válida. Nós estamos compreendendo que a verdade do relacionamento humano é polaridade cósmica. Masculinidade e feminilidade – “expressão e reflexo” – são expressas por todas as pessoas, não importando seus Corpos físicos e seus propósitos e capacidades geradoras.

Assim, alertando-nos mais claramente para os valores simbólicos de Marte, Lua, Vênus, Saturno, e para os de outros corpos astrais que focalizam os valores genéricos dos Signos zodiacais, nós vemos em todos os horóscopos a masculinidade/feminilidade de todo ser humano. Precisamos aprender – e esse é o nosso principal propósito aqui – os modos de expressar e refletir os Princípios Genéricos da Vida; nossa “escola” é a humanidade; nossas “salas de aula” são a soma total de todas as nossas experiências de relacionamento, como homem e como mulher, em todas as nossas encarnações. Nada menos que isso poderia prover o pábulo para a realização do ideal humano.

 

CAPÍTULO II – SEGURANÇA

 

“Existir” é “estar num estado de movimento”, mas “viver construtivamente” é “existir com a consciência da origem e do objetivo”. Nessa consciência se encontra a raiz da sensação de segurança, não importando as condições das circunstâncias externas. O mandala astrológico representa isso desse modo: trace um círculo com os diâmetros vertical e horizontal; ponha o símbolo de Áries no Ascendente, Capricórnio no topo da roda, Câncer na base; ligue Áries a Capricórnio e Câncer por linhas retas.

Áries é o “Eu Sou” primordial – a consciência do próprio eu individualizado. Porque Vida é Ação, “ser” significa “se expressar”, “projetar”, “atuar e reagir”. Criatividade e Epigênese são, dependendo da oitava evolutiva, os arquiprincípios de ação da Vida porque todas as expressões são irradiantes e afetivas por natureza. Então, Marte é o Princípio da Ação, a “Centelha da Chama Central” que proporciona a toda coisa epigenética a faculdade de movimento projetiva. Contudo, Marte tem de ter um objetivo para onde se mover, sem o qual sua ação carece de propósito ou significado. Suas ações desconcentradas são, portanto, energia perdida. Alguém desperdiçar seu dote de energia é enfraquecer a consciência do “Eu Sou”; o resultado desse esgotamento é uma polaridade da sensação de insegurança.

Ter uma consciência do “Eu Sou” relativamente enfraquecida é estar relativamente descentralizado e, de modo correspondente, relativamente suscetível aos impactos de outras projeções de poder mental, emocional, psíquico e físico. Lembre-se de que, nos exercícios de atingir alvos, o tiro e o arremesso não fazem sentido se não existem alvos a visar; o alvo simboliza, quimicamente, o objetivo de desenvolver a coordenação física para a qual o atirador ou o arremessador pratica. Prosseguir atirando ou arremessando sem mirar o alvo é “Marte sem um objetivo”; tal ação resulta em escasso exercício muscular, senão pouco ou nenhum exercício de coordenação muscular.

Falemos de meninos e meninas em desenvolvimento como “desabrochando a sua jovem masculinidade e feminilidade, respectivamente”: quando não são visados os objetivos do amadurecimento para dar à vida, então o crescimento mecânico, como o arremesso e o tiro a esmo, definitivamente resulta na insegurança do movimento e na energia desperdiçada. “Encarnar” tem como propósito a dádiva da vida, que é a maturidade e que, astrologicamente, é indicada pela Exaltação de Marte em Capricórnio, o Signo de Saturno com o poder de assumir e cumprir responsabilidades. Tais responsabilidades são inerentes ao fato de que a maturidade da consciência implica autogoverno, e a responsabilidade espiritual é a expressão construtiva. Na oitava de expressão genética, a “expressão construtiva” é vida geradora e princípios administrativos daquilo que é gerado, quer seja a encarnação de outros Egos – “nossos filhos” – quer seja o início de um padrão de trabalho – “nosso serviço”.

O crescimento desperdiçado é, em grande parte, uma ação mecânica que resulta em insegurança, quando a pessoa tem idade para a expressão madura, mas é incapaz de funcionar assim. Ela está à mercê das vibrações e poderes das outras pessoas e é incapaz de funcionar desde o seu centro de autogoverno. Marte, saindo de Áries e se deslocando através da roda, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, deve se elevar a partir do ponto de Câncer na base da roda; permanecer atolado na segurança de dependência é evitar o impulso dinâmico para o verdadeiro crescimento elevado. Qualquer pessoa nessa condição tenta funcionar através da fortaleza de outra, pois “não conhece a sua própria”. Permanece fixa na “origem”, mas, por não estar ciente dos objetivos individualizados, não pode evitar o fracasso em realizar o ideal da verdadeira segurança.

Posto que aquilo que cresce precisa de proteção e sustento, a verdadeira segurança de dependência é o cumprimento das legítimas necessidades. O feto precisa de substância maternal, o bebê e a criança em crescimento precisam de comida, agasalho, orientação e amor; o estudante precisa de educação, o trabalhador precisa de emprego e salário. Todas as pessoas que estão evoluindo precisam da sensação de segurança de identidades específicas – ligação familiar, afiliação religiosa, afiliação nacional e afiliação com um povo – até o momento em que a verdade da autonomia seja compreendida. As congestões de segurança de dependência resultam em anormalidade psicológica e sexual, cristalização de opinião, preconceito, intolerância, fixação em expressões químicas como símbolos de segurança, temores e inimizades com povos e nações e, sobretudo, incapacidade para se ajustar às mudanças necessárias ao desenvolvimento e dilatação da consciência.

Uma pessoa “chega” a um ponto específico da sua evolução; quando identifica aquele ponto como “uma realidade” ela fica, em certo sentido, estática por algum tempo para o cumprimento dos requisitos daquele ponto. Se então deixa de se ajustar às mudanças necessárias – permanecendo fixada naquilo com que se familiarizou – ela “morre por dentro”, pois a consciência de si mesma não permitirá que as forças evolutivas da vida se expressem através dela. E aquele “ponto” pode ser uma das inumeráveis coisas com as quais os humanos se identificam durante a sequência de suas encarnações.

O Signo de Câncer no Grande Mandala é o “símbolo do ninho” para a pessoa dependente. Exotericamente ele é a “origem quimicalizada” – útero, mãe, lar, nação e povo. Esotericamente ele é a sua própria base psicológica – as coisas dentro de si mesmo em que se apoia como uma consciência de recurso para expressar sua necessidade individual de uma realização maior. A base psicológica nunca é dependente das expressões químicas da vida; uma vez estabelecida, a pessoa descansa nela e aonde quer que vá, durante sua encarnação. Esse fundamento interno lhe possibilita se ajustar a quaisquer    mudanças externas das circunstâncias; nisso se vê uma representação da Lua – Regente de Câncer – em Exaltação no Signo da sua própria 11ª Casa, Touro. Touro corresponde a Câncer, assim como o Aquário, regido por Urano, corresponde a Áries – o padrão do Signo da 11ª Casa é libertação e impessoalidade.

A pessoa desorganizada – o vagabundo, o marginal e o demente – é assim porque perdeu seu senso de contato com a identidade e o foco interno. O vagabundo certamente tem experiência, mas isso está na natureza do movimento sem rumo através da vida; o marginal perdeu seu senso de direito para com as outras pessoas – ele está em um contínuo estado de protesto contra si mesmo (algo da fonte vibratória da atual encarnação) que ele não entendeu ou percebeu claramente. Em outras palavras, nas Mentes de tais pessoas não existe conexão entre aquilo que elas foram no passado, aquilo que deviam ser agora, e aquilo que podem vir a ser no futuro. Seu passado esquecido e futuro sem perspectiva os detêm no presente sem objetivo.

A pessoa a quem designamos como “avarento” é uma das mais inseguras pessoas, porque não está ciente da fonte de seu extremo apego à matéria – dinheiro – como um símbolo de segurança. Sua ganância e incessante avidez externam a desintegração do seu alicerce interno – ele busca segurança na “posse” de algo cuja identidade essencial é “instrumento de intercâmbio como uma expressão de sentimento acerca de outras pessoas”.

O extremo apego a uma pessoa amada também é uma exteriorização negativa da segurança de dependência, porque a pessoa sofredora identifica outro ser humano como sua base psicológica. O amor devotado e fervoroso não é, por si só, um “mecanismo de congestão”; ele é uma expressão da oitava mais elevada do coração humano. Contudo, o tipo de amor que não pode viver independentemente da proximidade química não é verdadeiramente amor, mas um símbolo de insegurança interior; qualquer um que identifique outro como “segurança” está fora de sua própria base interna – vive continuamente aflito por ansiedades, preocupações e tensões. Tendo “deslocado” a si mesma, a pessoa diz que está ansiosa pelo bem-estar do ser amado, mas é pela sua própria segurança que ela realmente está ansiosa. O verdadeiro amor provê saúde, fortalece a fé, inspira a confiança; o “amor” que é uma dependência tensa e receosa é exatamente o oposto.

Vemos, pois, que a superdependência de coisas externas é a arquirraiz da insegurança. A correção se encontra em compreender o que o externo simboliza e, então, estabelecer a realidade daquele símbolo na consciência e se expressar a partir dessa base psicológica; tal expressão é autogeradora e autodiretora; ela é simbolizada pela linha vertical traçada desde Câncer até Capricórnio, no Grande Mandala. Essa é a imagem da pessoa dependente e imatura que transmuta sua consciência com experiências para alcançar a condição de indivíduo maduro, independente. Em virtude da polaridade ser interativa e retroativa, reconhecemos que o diâmetro Câncer-Capricórnio representa as inseguranças presentes resultantes de não realizações no passado e as seguranças presentes resultantes das realizações, também, no passado. Aquilo que agora é estabelecido como base psicológica de poder sadio e integrado é o pábulo para o exercício do cumprimento das responsabilidades. Estar livre da dependência de coisas externas qualifica para o autogoverno e funcionamento dinâmico eficiente. Muitas pessoas assumem responsabilidades – paternidade, maternidade, trabalho, etc. – mas sua base psicológica desintegrada, com a resultante dependência de coisas externas como segurança, as desqualifica para cumprirem aquilo que assumiram, com êxito e completamente.

Por exemplo – e existem muitos a serem estudados todos os dias – um indivíduo assume a responsabilidade de trabalhar no governo; ele é inseguro devido a sua total dependência do dinheiro como um símbolo de segurança; ele traduz os princípios inerentes às responsabilidades de sua função, e ele “trabalha sob a perspectiva do que é conveniente”, mas falha na fidelidade para realizar seu ilusório símbolo de segurança; em sua próxima encarnação – ou em alguma encarnação futura – sua fé nas outras pessoas será abalada pela falsidade e falta de princípio delas; elas externarão, simplesmente, a grande insegurança dele mesmo, resultado de sua imaturidade espiritual anterior (presente). Este é um ponto importante a considerar: aderir aos princípios de um padrão de trabalho ou de um padrão de relacionamento garante a máxima eficiência no cumprimento das responsabilidades e, correspondentemente, uma eficiência máxima no amadurecimento da base psicológica a ser levada como “sustento fortificante” para a encarnação seguinte. À acumulação de alimento fortificante se soma ao acúmulo do Domínio relativo; a redução do sustento fortificante é a desistência na realização da Idealidade.

A pessoa que assume um padrão de responsabilidade e trai esse padrão por causa da escuridão interior e da falta de princípio desintegra, em certa medida, sua própria base psicológica Tal pessoa se desqualifica para expressar mais poder até que ela tenha recuperada sua consciência, enfrentado e passado nos testes que a Vida (sua própria consciência) lhe impõe para provar o seu valor. Quando você, como astro-filósofo, estudar Cartas para analisar as origens dos problemas de outrem e reconhecer que o sofrimento da pessoa se deve, diretamente, da sua total dependência de coisas externas, saiba então que, em algum lugar do passado, ela se desqualificou, e sua desqualificação foi externada, dessa vez, por sua reação de dependência nas fraquezas dos outros. Ela dirá a você que seus pais nunca lhe deram o suficiente, que nunca motivou quaisquer restrições, que seu patrão nunca a apreciou, que os outros a enganam e tiram vantagem dela continuamente, que está sempre envolvida em acidentes de automóveis, que seus filhos estão sempre doentes, que se divorciou três vezes, que foi traída pelo cônjuge que amava, etc. Tais confissões externam inseguranças terrivelmente profundas, resultado direto da traição a cumprimentos de responsabilidades no passado. Agora, tal pessoa não sabe quem ela é exatamente ou para que está aqui; suas motivações só são percebidas vagamente; desconhece as fontes de seu poder (o sustento fortificante); e sua consciência dos princípios de experiência é, no melhor dos casos, obscura. Ela tem que aprender novamente o que sua identidade é e o que significa compreender os princípios da experiência e os métodos espirituais para se expressar de acordo com o Princípio.

Agora, vamos a um caso de destaque nos dias atuais: a segurança internacional.

Esse termo é um composto da consciência de segurança de todo ser humano agora encarnado. Nos últimos dias chegamos a um reconhecimento, mais claro do que nunca em nossa história, do termo “O Mundo é Um Só”. Reconhecer isso é assumir a responsabilidade de viver de acordo com isso. Não reconhecer – ou não ser capaz de reconhecer – que “O Mundo é Um Só” simplesmente externa apego aos conceitos nacionalistas separatistas; não se pode esperar das pessoas com propensão nacionalista que pensem “internacionalmente”, do mesmo modo que não se deve esperar de uma criança que ame os pais das outras mais do que ela ama aos seus próprios. Contudo – e isso é muito significativo – existem muitos encarnados que professam a “Consciência de que o Mundo é Um Só”, mas que a violam continuamente. Isso nos leva ao tema “Americanismo”:

Encarnar como um cidadão nos Estados Unidos da América é assumir a responsabilidade de viver a “Consciência de que o Mundo é um Só”. Você, eu, e todos os demais cidadãos norte-americanos qualificados para encarnar aqui, devemos justificar essa qualificação, caso contrário reencarnaremos sob uma forma de governo muito menos liberal. Estamos estabelecidos como uma nação sob a diretriz espiritual de “liberdade e justiça para TODOS”[3] – e “TODOS” não significa apenas os Norte-Americanos. Os cidadãos dessa nação derivam principalmente de europeus, asiáticos e africanos, mas, em virtude da qualidade de consciência, nos harmonizamos com os princípios democráticos da vida, sendo-nos, pois, permitido – programado – encarnar sob a forma de governo baseada nesses princípios.

O horóscopo dos Estados Unidos da América mostra o Sol e três Astros no Signo de Câncer – somos verdadeiramente um “ninho” para os seres humanos de toda classe de procedência: racial, nacional e religiosa. O Sol em Câncer é regente da 4ª Casa e, nesse Signo, ele está no Signo de sua própria 12ª Casa – o “padrão da redenção”. Câncer está nas 2ª e 3ª cúspides; o Sol e dois dos Astros estão na 2ª Casa; Mercúrio, Regente de Gêmeos (no Ascendente), e dispositor de Marte e Urano em Gêmeos, está em Câncer e na 3ª Casa. A Lua, regente das 2ª e 3ª Casas, está em Aquário; Saturno, regente das 8ª e 9ª Casas, está em Exaltação em Libra e em Trígono com a Lua. Nossa “base psicológica nacional” (não existem Astros em Leão, Signo da 4ª Casa) está concentrada nesse “agrupamento astral” no Signo de Câncer; poderia ser interpretada como: o intercâmbio de substâncias materiais e de educação de acordo com princípios democráticos de governo, como a fonte espiritualizada da nossa evolução e de nosso progresso nacionais.

Acaso já ultrajamos esses Princípios? O tratamento que temos dado aos cidadãos norte-americanos índios e negros dizem que SIM. Acaso temos desperdiçado nossas fabulosas reservas de recursos naturais? A resposta é SIM. Já permitimos, como nação democraticamente inspirada, a compra e venda de seres humanos? A história da escravização do negro nesse país diz que SIM. Já concorremos para o enfraquecimento de outros povos? A história do descuido no pagamento de dívidas de guerra contraídas com outras nações diz que SIM. Isso em parte é uma repetição, em dezembro de 1950 – os jornais revelaram recentemente como se tem permitido a venda de materiais norte-americanos às mesmas nações contra as quais estamos em guerra – da história da venda de ferro velho aos japoneses durante o ataque desses aos chineses em 1930. Isso, da parte de um governo democrático, é certamente a suprema blasfêmia contra o nosso princípio de “justiça para todos”.

E mais: dizer como alguns que “nada pode ser feito a respeito” é o cúmulo da desmoralizada aquiescência; tais violações de nossos poderes, como princípios administrativos materiais, devem ser impedidos. Posto que uma expressão química somente externa um estado interno, dizer que “tememos os comunistas chineses”, “tememos os russos”, “receamos um bombardeio atômico” é apenas uma meia verdade. Temos medo, sim. Dos resultados de nossas próprias violações de princípios, e o que estamos atravessando agora no Oriente é resultado de como traduzimos esses princípios que inspiraram os alicerces dessa nação. É assunto para se pensar! Que todo norte-americano faça um balanço de como ele vive a sua cidadania. A cidadania americana é uma benção a ser honrada por quem a vivencia – não é “apenas algo despejado em nossos colos” para dela nos aproveitar de maneira esbanjadora e impensada. Na medida em que nos expressamos de acordo com a intolerância religiosa, o ódio racial, a corrupção financeira e a falta de integridade pessoal nós nos desqualificamos para esse privilégio; na medida em que ajudamos os outros a se ajudarem a si próprios, administramos nossos recursos inteligentemente e para o maior bem de todos na Terra, mantemos nossas Mentes abertas para melhor apreciar as qualidades e direitos de todos e nós mantemos nossas qualificações democráticas, Nós, como uma nação, somos uma potência democrática; como indivíduos norte-americanos somos o microcosmos dessa potência, e é nossa responsabilidade espiritual e nosso regozijo pessoal manifestar esse ideal, enquanto estamos encarnados. Isso, e nada menos que isso, garantirá nossa segurança individual e nacional. Devemos, como norte-americanos e terráqueos, funcionar a partir da base psicológica – o “sustento do poder” – ou dos nossos princípios espirituais. A regeneração de Capricórnio e o cumprimento do idealismo democrático é aquilo que “amadurece” a partir da base de Câncer. Realizar esse amadurecimento é o significado de “ser norte-americano” e de “sermos terráqueo democráticos”.

 

CAPÍTULO III – O DIÂMETRO, O QUADRANTE E O DECANATO

 

Para prosseguirmos nesse assunto, uma breve revisão do Espectro Genérico será necessária.

O Zodíaco não é só uma “faixa”; ele é uma emanação de qualidades vibratórias que começam no primeiro grau do Signo Cardeal e de Fogo de Áries; esse ponto é, abstratamente, o começo da circunferência da roda vibratória da ciência astrológica. Esse mesmo ponto é a objetivação – encarnação – dos potenciais inerentes ao ponto central do círculo. O raio do Ascendente – a horizontal esquerda – é a “projeção dos potenciais da subjetividade para a objetividade”. Em qualquer círculo, o mesmo raio é usado para manifestar o círculo, por isso todas as cúspides de Casas na roda são emanações do raio do Ascendente, e elas representam o desdobramento da Consciência genérica na experiência e realização do ideal por meio das transmutações e expressões espiritualizadas.

O mandala que representa a estrutura da qualidade genérica é à roda de doze Casas com os Signos de Áries, Câncer, Libra e Capricórnio nas cúspides das 1ª, 4ª, 7ª e 10ª Casas, respectivamente.

Os diâmetros horizontal e vertical, interceptando-se no centro, formam a cruz da encarnação; as linhas retas que conectam as cúspides Cardinais formam o campo evolutivo no qual a humanidade adquire experiência no relacionamento mútuo. Nesse mandala vemos a bissecção do círculo em dois campos; dois diâmetros criando dois pares de semicírculos. Esses diâmetros representam a dupla expressão da Polaridade; aquilo que gera (Capricórnio-Câncer: o diâmetro dos pais), e aquilo que é gerado (Áries-Libra: o Ascendente e seu complemento). Esse mandala ilustra, em simbologia astrológica, o número magistral vinte e dois. Dois é o único algarismo que dá o mesmo resultado (quatro) quando somado a si mesmo e quando multiplicado por si próprio. Vinte e dois é o número da maestria se expressando na forma – ele é a oitava superior da complementação, e é significativo que todo ser humano deve cumprir a experiência evolutiva por meio da encarnação em ambos os sexos físicos. Os quatros Signos Cardeais, representados nesse mandala, compreendem a maneira de encarnar, pela qual a masculinidade e a feminilidade de todo ser humano evolui por meio da experiência de relacionamentos e destila suas espiritualizações das quais o Ideal é manifestado. Todos os relacionamentos humanos – sejam biológicos ou não – derivam desse alicerce Arquetípico: o gerador bipolar e o gerado bipolar.

Uma vez que os Trígonos dos elementos simbolizam a espiritualização das qualidades genéricas, nosso espectro genérico deriva dos relacionamentos dos Signos de Exaltação e dos Regentes desses quatro Signos. Marte (primogênito masculino e Regente de Áries) está Exaltado – amadurecido – em Capricórnio, regido por Saturno, símbolo do pai; Saturno está Exaltado em Libra, regido por Vênus, e complementa o Signo de Marte, Áries; Vênus está Exaltado em Peixes, terceira oitava da triplicidade de Água, último Signo da sequência zodiacal, e essa triplicidade é iniciada pelo Signo Cardeal de Câncer, regido pela Lua – símbolo da mãe – e complementa o Signo de Saturno, Capricórnio.

Por conseguinte, os Signos de Fogo e de Terra, posto que “iniciados” por símbolos masculinos, são Signos masculinos; os Signos de Ar e de Água, iniciados por símbolos femininos, são Signos femininos. Já que todo ser humano, macho ou fêmea, é bipolar, reconhecemos uma dupla divisão dos Signos masculinos e dos Signos femininos. Os Signos de Fogo formam a primeira metade da metade masculina do Zodíaco, pelo que eles são Signos masculino-machos; seguem-se na sequência os Signos de Terra (Touro segue a Áries), portanto eles são Signos feminino-machos. Os Signos de Ar, iniciados pelo Signo Cardeal de Libra, regido por Vênus, representa a metade masculina dos Signos femininos; os Signos de Água, iniciadas por Câncer, compreendem os Signos feminino-fêmeas. Vemos, portanto, o Zodíaco inteiro representando uma dupla expressão da dupla polaridade; isto desde o primeiro grau de Áries, o ponto mais masculino, até o último grau de Peixes, o ponto mais feminino. Relacione os Signos nessa sequência e guarde-os na memória para uso futuro.

A metade inferior (abaixo do diâmetro horizontal) da roda é iniciada por Áries; a metade superior é iniciada por Libra, como “reflexo” da metade inferior. A nota-chave oculta do primeiro grau de Áries – o ponto Ascendente do Grande Mandala – é “EU SOU”. Nessa linha do Ascendente estão subentendidos todos os potenciais mostrados no desdobramento zodiacal e no conteúdo da roda astrológica. Portanto, segue-se naturalmente que nos trinta graus de Áries estão incluídos os “conteúdos” do hemisfério superior da roda. Esse “conteúdo” está simbolicamente incluído nos últimos quinze graus do Signo. A “cúspide” do décimo sexto grau do Signo é o potencial do diâmetro horizontal completo da roda. Quando o raio horizontal esquerdo é “desdobrado” para formar um diâmetro completo, a “extensão” resulta no que chamamos de cúspide da 7ª Casa – o ponto inicial da metade superior do círculo. Posto que qualquer grau de qualquer Signo pode aparecer como o Ascendente de um horóscopo, reconhecemos que a divisão de qualquer Signo em duas metades de quinze graus cada representa uma imagem simbólica da polaridade desse Signo em embrião, e embora o autor ainda não tenha chegado a qualquer conclusão específica quanto às diferenças significativas de Astros posicionados nos primeiros quinze graus de um Signo e Astros posicionados nos últimos quinze graus, a representação sugere que os Astros posicionados na segunda metade dos trinta graus, se expressos não regeneradamente, são potenciais para destino maduro negativo muito mais “eficaz” – no sentido de que, estando na “metade da polaridade” do Signo, suas expressões negativas implicam a possibilidade de serem refletidas em futuras encarnações por outras pessoas e com as quais o indivíduo terá relacionamentos. Em outras palavras, os segundos quinze graus, por analogia, podem ser denominados “metade feminina” do Signo. “Feminino” significa “que reflete”. Por isso, se queremos evitar sofrimentos futuros, através de reações dolorosas a outras pessoas, compete a nós próprios regenerar os Astros assim posicionados, implicando isso em que, no futuro (desdobramento em Tempo-Espaço), essas vibrações astrais focalizarão nossos padrões de relacionamentos complementar e então, de maneira muito mais definitiva, “reaveremos dos outros aquilo que perdemos nesse momento”. Agora divida cada Casa do Grande Mandala em duas partes iguais; ponha nesta roda as suas posições astrais natais e veja em quais metades dos seus Signos caem os Astros.

Talvez você, como um estudante curioso, possa chegar a uma conclusão sobre esse assunto. Se você tem Quadraturas ou Oposições entre Astros posicionados nos últimos quinze graus dos seus Signos, você se sente mais responsivo as pessoas que expressam qualidades negativas representadas por aqueles Astros, do que aquelas que refletem negativamente seus Astros dos “primeiros quinze graus”? Você sente que, por cuidadosa análise, pode determinar se os Astros dos seus primeiros quinze graus lhe dão maior liberdade de expressão direta do que o fazem os Astros dos últimos quinze graus? Analise suas Quadraturas e Oposições astrais sob esse ponto de vista e veja se o padrão de polaridade implicado ajuda a clarear suas capacidades de reação e expressão.

QUADRANTES: No Grande Mandala, a subdivisão da 1ª Casa – e do Signo de Áries – em quatro quadrantes de 7 ½ (sete e meio) graus cada representa o “estado embrionário” da cruz Cardeal.

Aplicando a Lei de Correspondência, nos relacionamos essa divisão de um Signo com a divisão quádrupla da roda inteira. Começando com Áries e “desenrolando” a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, verificamos que cada quadrante sucedente é iniciado respectivamente por Câncer, Libra e Capricórnio.

A subdivisão de um Signo em duas seções de quinze graus cada é particularmente aplicável ao estudo dos Aspectos de Oposição e, geralmente, de todos os padrões complementares. Contudo, a subdivisão de um Signo em quadrantes se aplica à análise dos Aspectos de Quadratura, já que todo Aspecto desse tipo, fazendo-se concessão à órbita, é um padrão de relação de 90 graus e cada quadrante da roda é uma divisão de 90 graus. A divisão em quadrantes (por graus e minutos) vai de zero a sete graus e trinta minutos; de sete graus e trinta e um minutos a 15 graus, de quinze graus e um minuto a vinte e dois graus e trinta minutos; de vinte e dois graus e trinta e um minutos a vinte e nove graus e cinquenta e nove minutos. O “passo” seguinte nos leva ao zero do próximo Signo.

Existem 3 “cruzes” subentendidas na estrutura dos doze Signos: a Cardeal, a Fixa e a Comum. Na progressão do ciclo a partir do Ascendente do Grande Mandala, as três cruzes aparecem quatro vezes nos quatros quadrantes da roda: Áries, Touro, Gêmeos; Câncer, Leão, Virgem; Libra, Escorpião, Sagitário; Capricórnio, Aquário e Peixes. Cada “iniciação” Cardeal é uma nova maneira de dizer “EU SOU” – como extensões do “EU SOU” básico de Áries; cada cruz representa um padrão de crescimento e desenvolvimento por meio de experiências na dupla expressão da dupla polaridade; nós evoluímos mediante fases como recebedores e doadores de Vida e como machos e fêmeas. As “cruzes” simplesmente representam os processos pelos quais nós destilamos sabedoria de nossas experiências e desenvolvemos os recursos internos de amor para alcançar a realização do ideal. Posto que, num horóscopo corretamente calculado, todo Astro é colocado onde está em virtude de processos da Lei, deve haver uma valiosa chave no posicionamento dos Astros por quadrante. Individualmente, cada Signo do Zodíaco tem seu Regente astral particular como focalizador básico da qualidade genérica do Signo. Contudo, já que trinta graus representam uma sequência de qualidade do Signo, e em virtude da Lei de Correspondência se aplicar à estrutura astrológica como o faz a qualquer outra manifestação, vamos considerar o posicionamento dos Astros por quadrante em termos de regências secundárias. O primeiro quadrante de um Signo Comum é regido pelo Regente astral do Signo; o segundo quadrante é regido secundariamente pelo Astro que rege o próximo Signo desta cruz; o terceiro quadrante é secundariamente regido pelo Astro que rege o Signo seguinte da cruz, e o quarto quadrante é secundariamente regido pelo seguinte.

Por exemplo:

Capricórnio – Regente primário: Saturno

Capricórnio é um Signo Cardeal

Primeiro quadrante – Regente secundário: Saturno

Segundo quadrante – Marte, Regente de Áries

Terceiro quadrante – Lua, Regente de Câncer

Quarto quadrante – Vênus, Regente de Libra

 

Leão – Regente primário: Sol

Leão é um Signo Fixo

Primeiro quadrante – o Sol, Regente de Leão

Segundo quadrante – Plutão, Regente de Escorpião

Terceiro quadrante – Urano, Regente de Aquário

Quarto quadrante – Vênus, Regente de Touro

 

Peixes – Regente primário: Netuno

Peixes é um Signo Comum

Primeiro quadrante – Netuno, Regente de Peixes

Segundo quadrante – Mercúrio, Regente de Gêmeos

Terceiro quadrante – Mercúrio, Regente de Virgem

Quarto quadrante – Júpiter, Regente de Sagitário

 

Note que as extensões dos primeiro e terceiro quadrantes e dos segundo e quarto quadrantes devem representar dois Aspectos da polaridade; esse composto de polaridade é representado na roda horoscópica como os dois diâmetros de cada cruz. Considere cuidadosamente os Aspectos de Quadratura e os Astros envolvidos no seu horóscopo, com relação às regências secundárias; os Regentes secundários atuam como “serviçais” ou “braço direito” dos Regentes principais, sendo que sua influência é eficaz na análise das qualidades das expressões astrais.

DECANATOS: No estudo dos decanatos façamos uma análise de cada Signo sob o ponto de vista de seus potenciais espirituais. Assim como as três cruzes de quatro Signos cada são “desdobradas” a partir do Ascendente do Grande Mandala, igualmente as quatros triplicidades genéricas, de três Signos cada, são “desdobradas” a partir do Ascendente. As divisões de quinze graus e de sete e meio graus prosseguem – como “experiência em desenvolvimento” – através do Zodíaco e no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio partindo do Ascendente; o quadro mostrado é o da humanidade caminhando, através de seus padrões de experiência, no caminho “para a frente e para cima” – de nível a nível, sempre ascendendo por meio dos processos evolutivos. Contudo, no ciclo das triplicidades genéricas, o caminho é no sentido dos ponteiros do relógio – e esse não é um movimento “cíclico”. É uma avaliação dos poderes zodiacais do ponto de vista do potencial espiritual. Como já vimos no começo dessa explanação, ele se baseia nos pontos de Exaltação dos Astros que regem os Signos da estrutura – os ditos Cardeais.

O potencial espiritual da qualidade genérica de cada Signo zodiacal é triplo; as palavras-chave arquetípicas são: 1) Força; 2) Amor; 3) Sabedoria. As segunda e terceira dessas oitavas são os aperfeiçoamentos emocional e mental pelos quais a força essencial de cada Signo Cardeal é liberada, em expressão transmutada. Os decanatos de cada Signo são suas divisões em três grupos de dez graus cada. O segundo e o terceiro decanato de um Signo simbolizam o estágio embrionário dos potencias de Amor-Sabedoria; esses potenciais são expressos na roda pelos dois Signos que correspondem ao decanato; esses dois Signos são os dois outros do mesmo elemento que o Cardeal particular. Nos Signos Fixos e Comuns, vemos em funcionamento a Lei de Correspondência e o Princípio de Recapitulação, pelo que podemos atribuir a cada decanato seu co-Regente apropriado, como segue:

  Primeiro Decanato Segundo Decanato Terceiro Decanato
Signos de Fogo Áries-

Marte

Leão-

Sol

Sagitário-Júpiter
Signos de Terra Capricórnio-Saturno Touro-

Vênus

Virgem-Mercúrio
Signos de Ar Libra-

Vênus

Aquário-Urano Gêmeos-Mercúrio
Signos de Água Câncer-

Lua

Escorpião-Plutão Peixes-

Netuno

A Lei Hermética de Correspondência é, de modo especial, belamente evidenciada por um exemplo nessa análise de decanato. O segundo decanato de cada elemento é o decanato “Signo Fixo”. Quando estendemos os três decanatos de cada elemento na roda de doze Signos, vemos que os decanatos de Signos Fixos vêm a ser o ponto médio de cada quadrante da roda. O “Meio do Signo” se torna, então, por correspondência, o “meio do quadrante do círculo”. O ponto médio de cada Casa (segunda, quinta, oitava, décima-primeira) de Signo Fixo (Touro, Leão, Escorpião, Aquário), quando ligadas por linhas retas, se tornam o símbolo do Aspecto Quadratura – o símbolo por excelência de congestão; uma vez que o decanato Fixo de cada Signo é o decanato do amor, vemos como o mandala astrológico aponta claramente para a liberação espiritualizada das congestões emocionais: a de expressão da consciência do amor.

Cada Signo (não importa sua qualidade genérica) alcança o seu ápice de compressão no ponto médio – a junção dos graus quinze e dezesseis. Essa junção está exatamente no meio do segundo decanato. O decanato Cardinal – os primeiros dez graus de qualquer Signo – externa, pela Lei de Correspondência, o atributo “começo” dos Signos Cardeais, porquanto estes representam os “pontos de contorno” básicos no avanço pela roda. Os terceiros decanatos (os últimos dez graus) externam a “qualidade transitória” dos Signos Comuns, posto que, após o ponto médio do Signo haver sido ultrapassado, as “energias” começam a “retroceder” da qualidade básica do Signo e entrar na modulação para o Signo seguinte. Portanto, os Signos Comuns do Zodíaco formam os pontos transitórios de um quadrante de noventa graus ao quadrante seguinte.

Que valor prático tem tudo isso? – Você pode perguntar. E você tem esse direito. Quando recordarmos que “todo problema contém a sua própria solução” nós podemos estudar Astros afligidos e congestionados do ponto de vista de seus posicionamentos por quadrante de Signo e decanato de Signo, extraindo disso uma abundância de informações sobre as possibilidades inerentes de regenerar as expressões desses Astros. Por exemplo: um Astro congestionado se encontra no 26º grau de Capricórnio, ou seja, no quadrante de Libra, regido secundariamente por Vênus, e no decanato de Virgem, regido secundariamente por Mercúrio. Seu posicionamento no quadrante de Libra (Quarto-quadrante de Capricórnio) é análogo à relação entre Capricórnio e Áries no Grande Mandala – sendo Capricórnio o quarto quadrante de Áries; a palavra-chave é cumprimento da responsabilidade; a sub-vibração de Libra transmite “harmonia de relacionamento” por meio de equilíbrio e intercâmbio correto. O decanato de Virgem (a terceira oitava – Sabedoria) da triplicidade de Terra nos diz que o propósito espiritual das experiências representadas pelo Astro congestionado é o desenvolvimento de maior compreensão; a pessoa precisa querer aprender de sua experiência nesse assunto; na medida em que procure aprender, e mantenha a Mente aberta e receptiva ao ensino e a orientação, ela poderá utilizar seu recurso espiritual para descristalizar a congestão. Se por falso orgulho, obstinação, etc., ela fecha a sua Mente à orientação fecha também a porta para o seu desenvolvimento; a harmonia no relacionamento não pode ser estabelecida e então a congestão se intensifica.

Exemplo: um Astro congestionado no 9º grau de Leão (Signo Fixo, de Fogo, regido pelo Sol).  Esse grau está no quadrante Escorpião do Signo de Leão (segunda divisão de sete graus e meio) e no decanato de Áries (primeiros dez graus). Posto que o Astro é tido como “congestionado” e está num Signo Fixo, reconhecemos que a congestão é intensa – se encontrando num Signo Fixo e no quadrante de Escorpião. Esse Signo, em relação à Leão, é análogo a Câncer em relação à Áries no Grande Mandala; essa relação significa “congestão no relacionamento familiar”, “apego ao ninho”, “complexo de paternidade ou maternidade” e (possivelmente) congestão de recursos do Amor por exigências da natureza de desejo sexual. Contudo, esse ponto se encontra no decanato de Áries – primeiro decanato de um Signo de Fogo – e a espiritualização da vibração de Marte é coragem. Tal pessoa descobrirá que o arrojo subjetivo e a consciência de seus direitos individuais servirão como uma liberação de poderes para descristalizar as congestões do Astro em Leão. A regência principal de Leão pelo Sol faz de uma atitude positiva um “dever” no trato com tais problemas.

E assim por diante, com outros padrões congestionados. Relacione o decanato e quadrante com a representação abstrata do Grande Mandala e você verá que toda variedade de “problemas”, encontrados nas Cartas de seres humanos, contém, por seus posicionamentos, uma pista direta para as soluções vibratórias. As expressões das forças astrais, através das implicações espiritualizadas dos Signos, são o sinal “vá em frente” para o progresso evolutivo e desenvolvimento harmonioso de potenciais.

 

CAPÍTULO IV – LUZ – PRIMEIRA PARTE

 

A “ilumina-ção” é sempre um ato de revelação. Não significa, como alguns supõem, dar algo novo para a coisa sob consideração, ou mesmo dar algo novo à pessoa que está considerando a coisa. É sempre um ato pelo qual, em grau relativo, a verdade da coisa sob consideração pode ser mais claramente compreendida. Tal compreensão nunca pode ser “dada” por uma pessoa a outra, porque o entendimento é sempre uma experiência subjetiva; a pessoa que o experimenta só o consegue quando está apropriadamente condicionada e programada para tal. Seus condicionamentos e programação adequados – sincronia de desejo pela Verdade com a capacidade para utilizar aquilo que é entendido – lhe possibilita reagir aos estímulos da outra pessoa ou à experiência de tal maneira que sua consciência da coisa considerada se abre em grau relativamente mais elevado para a Verdade. Podemos dizer que naquele momento ela “ganhou mais sabedoria sobre a coisa” – sua consciência da natureza da coisa é, então, “mais inteligente” do que era.

Nestes dias de crescente indagação sobre cada faceta da experiência e função humanas, não surpreende realmente que muitas pessoas no mundo estejam abrindo suas Mentes às concepções mais claras sobre a natureza da arte-ciência oculta chamada “Astrologia”. Essa série de artigos sob o título geral de LUZ, dos quais esse é o primeiro, é apresentada para esses investigadores na expectativa de que os que estão agora “adequadamente condicionados e preparados” descobrirão, na leitura atenta, a experiência de conceber mais claramente imagens daquilo que a Astrologia realmente é e como o conhecimento da natureza dela pode ser utilizada mais construtiva e filosoficamente. Seu propósito é totalmente consistente com a sua natureza – seu propósito é iluminar, e sua natureza é a apresentação simbólica da consciência evolutiva da humanidade, em geral ou individualmente.

Às vezes nos tornamos mais vividamente cônscios de uma coisa considerando aquilo que ela não é. Basicamente e essencialmente, a Astrologia não é um estudo de eventos; em termos do horóscopo de uma pessoa não é um estudo “das pessoas em sua vida”; a Astrologia não é uma superstição, embora muitas pessoas a tenham usado de modo tal a evidenciar seu medo supersticioso da vida e das experiências; com certeza absoluta ela não é um estudo de “boa e má sorte”; seu principal propósito não é delinear o cronograma de eventos, passados ou futuros; e – reflita bem sobre isto – não é um “estudo das estrelas”.

Os “nãos” da Astrologia, acima mencionados, podem muito bem ser chamados de “nós”, nos conceitos de Astrologia da maior parte das pessoas. Dois deles são baseados em inverdades, os outros contém suficiente conteúdo de conhecimento ou sabedoria para fazer da Astrologia uma ciência de utilidade construtiva – mas só quando o praticante é motivado pelos elevados ideais de auxílio aos outros, e quando é o tipo de pessoa que está sempre pronta a considerar novas revelações das verdades astrológicas. Nenhuma pessoa, atualmente encarnada e que seja capaz de usar o conhecimento astrológico, é “novata no assunto”; todas essas pessoas estão recapitulando conhecimentos do assunto adquiridos em vidas anteriores e, justificando aquele esforço passado, um reforço é necessário agora para desatar os “nós” dos conceitos congestionados, superstições e meias-verdades, pela expansão da Mente e ampliação do “querer a Verdade”. O nome dessa arte-ciência contém a chave daquilo que ela verdadeiramente é; vamos analisa-lo para uso contínuo durante o estudo dessa série.

O “astr” de Astrologia é uma das muitas centenas de radicais derivados das línguas antigas que tem significado tanto esotérico quanto exotérico. Exotericamente se refere a “estrela” (“star”), e nessa conotação a Astrologia é compreendida como sendo um estudo da influência exercida pelos Astros no caráter e destino humanos, como se nós humanos “tivéssemos de nos importar com o que os Astros dizem para fazer – ou para ser ou pensar – ou desenvolver”. Tal conceito irracional de “influência estelar” tem o desintegrante efeito de intensificar os temores do ser humano concernentes ao “destino”, assim como de sua própria fraqueza e ignorância. No plano do exercício intelectual, até a mais exotérica abordagem pode ajudar, contanto que as pessoas possam se familiarizar com um conjunto especial de símbolos, e o estudo das palavras-chave para interpretação desses símbolos resulte em treinamento da faculdade do pensamento abstrato. Contudo, em virtude de o conhecimento sem utilidade não constituir a razão de ser da Astrologia, devemos examinar mais profundamente a palavra em si para entendermos as verdades do seu propósito.

Esotericamente, o “astr” de Astrologia se refere à luz. Por incontáveis eras, o ser humano viu e vê as estrelas no céu como símbolos da mais pura luz. O astrônomo estuda os corpos celestiais em termos das suas distâncias a que se situam de nós, do seu tamanho, peso, da sua densidade e das suas inter-relações espaciais. O astrólogo estuda o que eles simbolizam como luzes da consciência.

Outra vez esotericamente, existem duas conotações para a palavra “luz”. Uma é aquela forma de luz que possibilita perfeição visual para os que estão encarnados. Em termos da vida manifestada, luz é o poder criador, um atributo de todas as coisas manifestadas que possuem potencial criador ou manifestador. Contudo, antes que tal luz possa “ser” deve haver aquilo que cria a luz visual, e isso é a luz da consciência. A consciência criadora disto a que chamamos “vida” (por falta de uma palavra mais específica), através da consciência criadora “descendente” dos logos galáctico e solar – todos eles em evolução – origina todas e quaisquer formas de luz que possam ser percebidas por todo o universo manifestado. Em outras palavras, a luz perceptível é a polaridade negativa, o reflexo manifestado do atributo criador positivo – a consciência. Na introdução do livro de Gênesis lê-se: “Disse Deus: ‘Haja luz; e houve luz’”[4]. Quer se creia que a palavra “Deus” se refere à essência cósmica criativa ou à vontade e Mente criativas de um Logos Solar, isso não importa nessa conexão; o que deve ser considerado é que a consciência do poder criativo foi estabelecida e que a luz foi o primeiro gesto do ato criativo. A dita “escuridão” se refere ao estado da vida sem forma a que chamamos de “caos”. “Caos” não significa “nada”, como pensam alguns; “caos” é a única essência da vida que deve ser utilizada pelas vontades e Mentes criativas para a manifestação. Luz manifestada é a projeção em manifestação da inteligência criativa. Consciência é aquele grau de percepção – “ilumina-ção” – do poder que é o principal requisito da ação criativa. Um Logos Solar é consciente do poder de criar e manifestar, através do estabelecimento de um Corpo central – “Sol” – e da emanação de outros Corpos – “Astros” – que, em sua totalidade, compreendem seu campo de evolução. O Logos evolui através da evolução de suas miríades ondas de vida e formas que habitam em Corpos planetários; macrocosmo e microcosmo são interdependentes – a evolução de cada um serve, e coincide, com a evolução do outro. Pelo atributo da consciência e faculdade de escolha, os seres humanos exercem seu potencial criativo para adiantar sua evolução. Nós, humanos, não somos “criadores”, mas, tendo o poder de regeneração consciente, revelamos o potencial de criatividade. Como o nosso Logos Solar – Deus – é, assim somos nós destinados a vir a ser por meio do desenvolvimento da percepção – consciência – da nossa verdadeira identidade e dos poderes correspondentes. Então, se a Astrologia não é um “estudo das estrelas”, mas sim um estudo da consciência em símbolos arquetípicos, podemos abandonar nossos errôneos conceitos e examinar os horóscopos – o nosso especialmente! – pelo que na realidade eles são e para o que realmente eles são.

Afirmar que a Astrologia é um estudo da influência do Sol, da Lua e dos Planetas sobre nós – como seres humanos, individual ou coletivamente – não é uma inverdade, mas, para o nosso propósito, existe outra abordagem que mais se aprofunda no assunto e deve, portanto, ser considerada. No que diz respeito ao “efeito dos Astros sobre os seres humanos”, vamos dizer que a Astrologia é o estudo das correspondências entre os poderes vibratórios astrais e os nossos reais poderes em potencial. Nós, como seres humanos, estamos fraternalmente relacionados a todos os outros humanos como expressões do mesmo arquétipo nesse Astro. Somos também – porém mais indiretamente – fraternais a todas as outras expressões de vida nesse Planeta. Nossa habitação – a Terra – é o Corpo manifestado de um Ser que, em sua oitava de funcionamento, é fraternal aos Regentes astrais do nosso Sistema Solar; portanto, em infinidades de níveis de correspondências, todos nesse Sistema estão inter-relacionados. E todos são ideias manifestadas do nosso Criador – nosso Logos Solar, nosso “Deus Pai-Mãe”. Uma vez que os Astros do nosso Sistema são as corporificações dos Seres, cuja consciência de vida os qualifica para aquela função, e posto que cada um tem a sua particular função e efeito evolutivos, no Sistema como um todo ou em qualquer fator dele, nós, como seres humanos e estudantes de Astrologia, estudamos nossos horóscopos para nos conscientizarmos de níveis mais elevados de consciência da vida, por meio do conhecimento ou percepção dos nossos potenciais, em correspondência às qualidades e ao significado destes seres, cuja consciência provê a estrutura e o padrão para o nosso Sistema. Os símbolos Astrológicos do Sol, da Lua e dos Planetas designam aquilo que chamamos de “Regência” de partes dos nossos Corpos, de qualidades da personalidade e do caráter, dos princípios inerentes às nossas capacidades de expressão e reação, das qualificações vibratórias das nossas experiências e dos nossos relacionamentos. Todos esses fatores, juntos ou individualmente considerados, existem para o único propósito de ampliar e purificar a consciência – “iluminando a nós próprios”, ou “servindo para tornar o ‘eu’ mais cônscio da luz do ‘Eu’” – e o “Eu” é o Espírito, que identifica o parentesco e a unidade do ser humano com o seu Criador.

A fim de se estabelecer mais firmemente uma nova abordagem ou um novo entendimento, se descobriu que é muito útil deixar de falar do assunto sobre o assunto em consideração aos padrões habituais que se utilizou durante um longo período de tempo. Existem vários “clichês” que os estudantes de Astrologia aprenderam e usaram, mas, para que aumentemos a compreensão de “Astro-Luz” podemos ter que praticar alguns novos termos e algumas novas referências. Por exemplo:

Achamos muito fácil e natural dizer, nos referindo ao horóscopo de uma pessoa: “Essa pessoa tem um mau Urano”. Veja esta afirmação, por um momento, do ponto de vista de se tornar mais consciente daquilo que ela diz. Em primeiro lugar, ninguém pode “ter” nenhum Astro; em segundo lugar, nenhum Astro é “mau”. E como o poderia, sendo uma criação divina? Vamos revisar isso um pouco: “A consciência de princípios dessa pessoa, simbolizada por Urano, está congestionada, desorganizada, imatura ou pouco evoluída”. Não dizemos, portanto, que pessoa é má, ou que não tem sorte ou que é malvada ou que é uma infeliz. Nós simplesmente queremos dizer que o desenvolvimento dela – por um tempo que ninguém sabe quanto – não incluiu muita atenção regenerativa aos aspectos do Espírito caracterizados pelo símbolo planetário de Urano; queremos dizer que ele reservou, naquele ponto, considerável experiência de crescimento, desenvolvimento e integração a realizar agora. Contudo isso não o faz mal, ou maldoso, ou mesmo um infeliz – isso significa, simplesmente, que ele tem que efetuar um tipo especializado de desenvolvimento em sua conversão evolutiva. O horóscopo é um registro simbólico da consciência – não é um retrato de sombras estáticas, mas seu grande valor está em representar as essências das missões de vida e do relativo estado evolutivo da pessoa.

Dizemos, com frequência (e com tanta frequência!): “Essa posição de Saturno e esse Aspecto faz dessa pessoa uma avarenta”. Espere um momento! Nem todas as hostes celestiais juntas podem “fazer de alguém um avarento”. O registro de Saturno no horóscopo representa uma ação da consciência da pessoa – ou falta de consciência – no que se refere à posse de bens materiais. A avareza é um desequilíbrio de consciência – é atenção exagerada à aquisição para contrabalançar um profundamente arraigado medo de perder. Acabemos com essa atitude injusta para com Saturno – ele tenta, tão arduamente, nos ensinar lições importantes, e uma delas é a utilização inteligente dos meios materiais. Ele diz: “Minha natureza corresponde ao seu potencial para aprender – entre outras coisas – a usar a substância e os meios materiais de maneira inteligente. Até que você introduza em sua consciência a compreensão desse princípio, para o seu próprio crescimento, terei de lhe falar por meio do seu medo de perder; quando aprender a usar, de modo equilibrado, o poder particular de consciência que eu simbolizo, então, você saberá que eu fui sempre seu amigo e seu mestre. Concorde com o que eu represento como um poder e uma qualidade de consciência e sua abordagem à sua própria Soberania será favorecida com a liberdade e a alegria; então, você saberá que não tem mais que me culpar por seus medos e inseguranças”. Nós dizemos – às vezes com um pouquinho de inveja – “Que sujeito sortudo! Ele tem alguma coisa como um Trígono de Júpiter”. Júpiter sorri, de volta para nós, em sua maneira afável e compreensiva e nos diz – talvez um pouco triste por sermos invejosos: “Sou chamado tantas vezes de Planeta da abundância e da boa sorte – posso lhe recordar que eu simplesmente simbolizo a sua própria consciência do seu próprio poder de melhorar, engrandecer, expandir, sua natureza e suas condições; você não “ganha nada de mim” – você expressa meu princípio de engrandecimento e expansão por meio do otimismo, da gentileza, da generosidade e do destemor; aquilo que você dá, em expressão, você atrai de volta; se a consciência que você tem de mim é revelada através de desequilíbrios de extravagâncias, superindulgência, soberba ou ganância, eu não posso ser registrado regeneradamente em sua Carta, pois a consciência que você tem de mim não o qualificou para tal registro conforme o fez para esse sujeito. Você não precisa invejar o desenvolvimento dele. Meu princípio serve para todos. Introduzam-no em sua consciência de vida, faça dele o princípio de você mesmo por boas ações, e então sua consciência de vontade, cedo ou tarde, desenvolverá a compreensão e manifestação daquela forma particular de Luz que eu represento”.

E assim por diante com cada um dos outros pontos astrais. Concluindo, devemos considerar mais um por seu significado especial em nosso horóscopo: o símbolo do Sol, em si mesmo.

O autor sugere a cada estudante de Astrologia, que se sinta inclinado a tanto, começar a prática de colocar o símbolo tradicional do Sol – o ponto circunscrito por um círculo – no centro de cada horóscopo; esse símbolo, por correspondência, é o do nosso Criador, nossa própria essência espiritual, nosso Átomo-semente e a eterna, indestrutível, vontade de viver que caracteriza a consciência por meio de todo o tempo e espaço. Esse é o mais simplesmente construído, o mais perfeitamente focalizado e o mais puramente arquetípico de todos os símbolos astrológicos – é justo que ele deva ser usado para designar a consciência Humana da Fonte, Identidade e do Atributo Divinos. E outro símbolo – o autor sugere um semicírculo sobreposto a uma linha horizontal – pode ser efetivamente e legitimamente usado como Sol no horóscopo, e como um “fator astral” – para reger o Signo Fixo e de Fogo: Leão. Uma vez que esse símbolo está sujeito à padronização e às Aspectos, às qualificações e a movimento como qualquer outro símbolo astral, ele pode ser estudado como representando a evolução da consciência da pessoa, a evolução de sua natureza Solar. A aparência circular do símbolo do Sol (o “símbolo do Espírito”) corresponde à aparência do círculo horoscópico – ambos centralizados pelo mesmo ponto. O “símbolo astral do Sol” corresponde, em aparência, ao semicírculo superior do horóscopo, a linha horizontal corresponde ao diâmetro horizontal do horóscopo – o “EU SOU” da consciência individual e a contraparte do Ascendente pela cúspide da sétima Casa. Corresponde também, como sugere a imagem desse símbolo, ao nascer do Sol no alvorecer – e seu uso no horóscopo e para nos fazer recordar, continuamente, a nossa consciência dos atributos solares, os quais estamos procurando desenvolver por meio da nossa experiência evolutiva.

 

CAPÍTULO V – LUZ – SEGUNDA PARTE

 

Para o propósito de esclarecer a expressão e compreensão desse material, vamos conceituar que a palavra “luz”, iniciada por “l” minúsculo, se referirá à vibração perceptível visualmente; que a palavra “Luz”, iniciada por “L” maiúsculo, se referirá à Consciência; e que a palavra “consciência”, iniciada por “c” minúsculo, se referirá à qualidade humana de estar cônscio.

É uma coisa maravilhosa perceber, após uma reflexão, que por tempos incontáveis o ser humano vem revelando ter a consciência da natureza oculta ou esotérica da luz, quanto a ter sido – e ser – percebida em termos de preto, branco e o espectro de cores. O assunto é colocado, proeminentemente, em programas de ensino e aprendizado filosófico em muitos países e, nos últimos tempos, vem se tornando fator importante nos campos da terapia objetiva e subjetiva. Os que agora defendem e incentivam esse assunto no serviço de cura estão recapitulando um conhecimento adquirido em vidas anteriores. Tal assunto não é “novo”, simplesmente está sendo reformulado para as necessidades espirituais da atual humanidade. A receptividade inspirada na potência da luz natural ou colorida e nas belas cores nas substâncias serve para reavivar a aura – que é sempre vista como cor ou cores, no estudo do clarividente – da pessoa enferma, e de tal forma que essa se torna consciente de um fortalecimento espiritual; a condição da aura – a matriz etérica – é fortalecida e harmonizada em certa medida e, na mesma proporção o corpo físico a acompanha para uma condição mais saudável. Nem todos os humanos conhecem, realmente, algo sobre a aura e seu significado para sua existência, mas se pode dizer, seguramente, que todos, uma ou outra vez, já experimentaram um soerguimento “dentro de si mesmos”, acompanhando uma resposta ao valor espiritual da luz em seus aspectos da cor muitos belos e inspiradores.

Pense – e medite – nisso: a reação à alguma coisa é a evidência da correspondência com essa mesma coisa. Não podemos responder a nada ou a ninguém com que ou com quem não tenhamos algum grau de afinidade negativa ou positiva. O fato incontestável de que um ser humano pode responder ao matiz ou qualidade de uma cor revela que “algo” nele tem afinidade com “algo” na cor, ou no preto ou no branco. O fato igualmente incontestável de que tal resposta pode baixar ou elevar a qualidade de sua condição áurica, corpórea e espiritual revela que a sua consciência da cor tem afinidade com a Consciência que simbolizada pela cor. Poder, em um ou outro grau, é a única coisa que pode mudar qualquer estado vibratório – químico, emocional, mental ou anímico. Por conseguinte, se a condição química, emocional, mental ou anímica de um ser humano é baixada ou reduzida por sua resposta ao preto, ao branco ou à cor, ele revela uma consciência de poder fraca ou imatura dentro de si próprio. Se, contudo, sua condição é melhorada, fortalecida, purificada ou harmonizada, sua resposta ao preto, ao branco ou à cor revela uma afinidade entre seu Espírito e o espírito que o preto, branco ou a cor simbolizam para a sua consciência. Reflita, um pouco, sobre aquelas ocasiões quando sua reação a uma tonalidade particular de verde, vermelho, preto ou a uma combinação de cores lhe provocou uma sensação de náusea, morbidez, desânimo ou irritação; com tal sensação você tinha consciência de alegria, saúde, harmonia, paz? Sua reação infeliz revelou uma falta de domínio interno sobre você mesmo – algo no poder da qualidade da cor estimulou uma qualidade correspondente em sua natureza astral, mental ou anímica. Sua reação, que serviu para “baixar seu tom”, simplesmente revelou a necessidade de você regenerar algum fator de sua constituição interna. Não perca tempo e energia “culpando a cor”. Com uma regeneração interna, por meio de um redirecionamento de forças, sua capacidade de resposta melhorada servirá para lhe revelar o valor e poder da beleza das cores até então não reconhecidos. A regeneração de nossa consciência sempre serve para revelar o Espírito para nós.

Os seres humanos, como indivíduos, variam consideravelmente na capacidade e inclinação para responder com resultados negativos aos estados da luz. Contudo, existe um estado ao qual a humanidade – coletiva ou individualmente – tem respondido com muito mais negativismo que a qualquer outro, por miríades de tempo, e esse é o Preto. No sentido cósmico, o Preto é vida indiferenciada e não manifestada; o Branco é a consciência, a Luz, que torna possível toda a criação e manifestação. Ao contrário, no plano da percepção física, o Preto é a congestão de toda Cor e o Branco é o estado indiferenciado da cor. Entretanto, o Branco simboliza, para os reconhecimentos subconscientes da humanidade, o estado de pureza, a mais alta espiritualidade e a Luz perfeita. O Preto simboliza aquilo que não pode ser percebido em termos de suas partes ou fatores. Posto que os nossos conhecimentos e reconhecimentos dos fenômenos dependem da nossa habilidade para “diferenciar coisas de coisas” nós, no começo da evolução, congestionamos de medo, insegurança e desespero nossa reação à escuridão (nenhuma luz) do período noturno. Essa reação era uma experiência individual e coletiva, e ainda o é até hoje para muitas pessoas. Como seres já conscientes (encarnados e/ou desencarnados) por eras e mais eras não podemos sequer imaginar um estado de “não-ser” ou de “in-existência”. Portanto, como uma “cor”, o Preto simboliza aquelas coisas a que chamamos “morte”, o “desconhecido”, “as congestões de consciência extremamente não regenerada” – em suma, todas aquelas coisas às quais nós respondemos com a sensação de estarmos obstruídos ou ameaçados em nosso progresso por meio da existência. À medida que nos alinhamos ou nos relacionamos a tais estados obscuros, nós intensificamos a nossa incapacidade e inclinação para existir em termos de dádivas de Vida e de expressividade de Vida; enfraquecemos nossa consciência da Luz do Espírito. No entanto, “escuridão” na alma não significa e nem pode significar “cessação de vida” em qualquer sentido absoluto; simplesmente indica um estado de congestionamento que, por sua vez, indica uma necessidade urgente de medidas regenerativas. A Luz sempre é e está para nós; um ser humano pode criar muito destino maduro doloroso por entrar em ação na base de sua relatividade com a escuridão da alma, mas esse destino maduro, por sua vez, lhe proporciona a subsequente experiência que muda o curso para sua regeneração e seu desenvolvimento em direção a novos reconhecimentos da Luz de Deus e da Luz dentro de si mesmo.

No sentido cósmico, novamente, o Branco é a cor-símbolo da pureza da inocência – a consciência até agora indiferenciada ou qualificada por experiência da encarnação. O Branco simboliza a “cor-identidade” dos Espíritos Virginais, antes de sua descida involutiva aos Corpos, como individualidades. No outro extremo, o Branco é a consciência purificada do indivíduo, após completar sua evolução como um ser humano – a compreensão clara e pura da sua verdadeira identidade como uma criação do divino. No princípio ele era a pureza: inconsciente de sua pureza; no fim ele será a pureza realizada. Sua inspirada resposta ao valor oculto do Branco em seu estado evoluinte encarnado é a evidência da onipresença do seu Espírito; lembre-se de que se o ser humano não tivesse dentro de si próprio algo que correspondesse à pura perfeição do Branco, não poderia responder a esse com resultados espiritualizantes. Semelhante atrai – e reconhece – semelhante.

A todos os estudantes que pesquisam os significados esotérico e espiritual da Astrologia fica aqui a sugestão para que se tornem mais concentrada e conscientemente perceptivos do significado para cada um do Preto e do Branco como “tons de cor”, como símbolos da qualidade pessoal e espiritual, como poderes vibratórios que os estimulam de um modo ou de outro, e como figuras de retórica encontradas na poesia, alegoria e lenda. Partindo da vantajosa posição esclarecedora da educação filosófica, que se tornem mais conscientes do que nunca de como o sentimento e a Mente subconsciente coletiva da humanidade têm interpretado esses dois símbolos de luz: o Preto e o Branco – e o conhecimento deles da parte de vocês – significam muito para as suas abordagens espirituais na Astrologia e para a sua crescente habilidade de interpretar horóscopos – os de vocês mesmos ou os de outras pessoas. O simbolismo dessas duas palavras é o mais profundo, ao que voltaremos logo mais.

As cores do espectro são símbolos luminosos das qualidades da alma. Elas se referem à mais espiritualizada consciência do Corpo, da Mente e das emoções que o ser humano já alcançou até aqui ou que pode alcançar algum dia – enquanto está evoluindo na identidade de ser humano. Um homem de grande sabedoria disse certa vez que as cores são os sofrimentos e prazeres na existência da luz, e é de se supor que ele quis dizer que as cores correspondem a – ou tem correspondência com – os estados de sofrimento e de prazer que os humanos experimentam, tanto quanto o ser humano pode perceber a luz e que foi criado pela Luz. Foi-nos ensinado que, além do espectro de cores que agora conhecemos, existe uma infinita variação e ampliação de vibração da luz que só pode ser percebida pela percepção extrassensorial nesse plano ou funcionando em dimensões mais elevadas da existência. Contudo, novamente, devemos ter afinidade com as condições da alma ou da consciência representadas por essas extensões da cor antes de podermos percebê-las.

Posto que a aura de um ser humano é um assunto individual – resultando no grau de realização de sua identidade Espiritual – os tons da cor e as qualidades da cor, que podem simbolizar seu estado espiritual em qualquer ponto do seu desenvolvimento, podem revelar, aqui e ali, uma condição sombria que sugere uma tendência para a “negritude”, em uma ou mais de suas cores; correspondendo, naturalmente, a um estado de relativa congestão, obstrução ou “pequena morte” em sua consciência, devida ao medo acumulado, ao ódio, ou algo correlacionado a isso. Lembre-se de que o negror indica a tendência para a congestão ou o “caos” na consciência humana, mas sua presença na aura, ou na consciência, é útil porquanto revela a necessidade de regeneração. O preto como indicativo atua como um “barômetro da alma” de maneira especializada. Na medida em que a reação da pessoa à cor pura, luminosa e potente se torna cada vez mais uma parte de seu funcionamento natural, vemos as evidências da luta de sua alma, seus desejos de aspirações, seu amor, seu desprendimento, seu idealismo e sua devoção ao estabelecimento do Bem.

A aura de uma pessoa pode revelar uma área cheia de rica e intensa nuance de uma certa cor. Essa qualidade de cor revelará a evidência de considerável esforço e atenção dirigidos a uma certa fase de desenvolvimento. Correspondentemente sua personalidade revelará pronunciada habilidade ao longo daquela linha de esforço, e as características da Mente e emoção a marcarão de maneira muito individual. Sua “alma está forte e focalizada” nesse ponto em particular. Contudo, o desenvolvimento e realização espirituais são indicados pelo grande Corpo-Alma[5], e as cores da aura ao invés de serem profundas e intensas em seus tons tenderão para a qualidade pastel – sendo “carregadas de Branco”. Há uma correspondência muito significativa e interessante que se encontra entre a “tendência para a Brancura” nas auras dos seres humanos, espiritualmente evoluídos, e suas inclinações pessoais para a simplicidade da maneira e pureza de integridade, dos motivos e propósitos. A espiritualização resulta em simplificação e, portanto, com a evolução, as cores que representam à consciência da pessoa tendem para a simplificação da Brancura. Embora o pastel possa ser um tom de cor nas auras dos seres humanos espiritualmente evoluídos, esses encantadores e delicados tons de cor pastel têm grande potência vibratória ou “poder de influenciar”. Frases tais como “água mole (a suave e permanente ação da água) em pedra dura tanto bate até que fura” e “Uma resposta branda aplaca a ira”[6], e “perdoai aos vossos inimigos” são correspondências de poder entre as cores pastel esbranquiçado da aura espiritualizada e a consciência espiritualizada de um ser humano altamente evoluído. Também a presença da “potência pastel” na aura revela o grau de integração da consciência da pessoa em todos os planos de seu funcionamento – os vários aspectos do seu ser e da sua consciência são, gradativamente, unificados e harmonizados entre si.

Todas essas observações concernentes ao Preto, ao Branco e às Cores tem aplicação espiritual direta e prática no estudo dos horóscopos. Quando estivermos prontos para abandonar o uso de falsos conceitos descobriremos que:

O ponto, que deveria ser indicado por uma pequenina marca redonda no centro do horóscopo, é um símbolo – o único válido que temos – do caos, da vida indiferenciada, fora do qual toda manifestação é realizada. Este ponto central, aplicado ao horóscopo do ser humano, é a Ideia (Humanidade) concebida pela Mente Divina do nosso Logos; foi a partir dessa Ideia que nós, como arquétipos terrenos, fomos projetados na experiência individualizada. Um círculo, circunscrevendo esse ponto central, simboliza nossos Logos como uma Consciência criativa individualizada e sua manifestação como o Sol – o corpo central, ou núcleo, do nosso Sistema Solar.

Posto que o ser humano é Espírito, esse símbolo composto de ponto e círculo retrata sua Essência Espiritual, seu Átomo-semente[7] e seu Potencial para aperfeiçoar todos os seus corpos. Então, a partir deste símbolo central emana a linha horizontal esquerda para formar a linha do Ascendente do horóscopo humano individual. Se fosse graficamente possível e prático, colocaríamos os símbolos do Sol (como Regente de Leão), a Lua e os Planetas, bem como os dos Nodos Lunares e Parte da Fortuna, nos pontos apropriados da circunferência da roda inteira; a circunferência é, naturalmente, a emanação completa do raio Ascendente. A representação dos Aspectos feitos pelos pontos astrais poderia ser mostrada pelas linhas retas desde o círculo central até os pontos no raio, o que dá as posições astronômicas para aquela hora e lugar. O ângulo formado por duas quaisquer dessas linhas indica, por grau numérico, o Aspecto criado pelos dois pontos astrais, em relação um ao outro. Todo Aspecto em um horóscopo – como uma “coisa em si” – tem polaridade nos dois corpos, os quais ficam assim relacionados entre si, e polaridade – de qualquer modo ou em qualquer lugar – é a ignição de consciência. A pessoa, a partir do seu centro de consciência como um ser humano, desenvolveu certos inter-relacionamentos entre os fatores da sua consciência humana. Esses são “aspectos” – chame-os ou considere-os como “pontos de vista”, ele olha do centro de sua Carta (essa percepção central) para as condições dela, para as condições de seus ambientes, seus relacionamentos, das suas atividades, suas fraquezas e deficiências, suas aspirações, dos seus ideais e das suas relativas realizações. Cada um desses pontos na circunferência da roda tem correspondência com uma cor que pode aparecer em sua aura, e cada Aspecto entre os pares de Astros, em sua Carta-padrão, corresponderá – basicamente – a uma qualidade de sua cor ou cores áuricas. A brancura de um horóscopo humano é representada não pelo conteúdo da roda (porque esses conteúdos se referem a ele, ou o descrevem, como uma personalidade desenvolvendo a consciência da verdade), mas pela brancura do círculo central da roda – o símbolo central do Sol. Se os fatores da carta tivessem que ser indicados por tons de cores, esse círculo central seria mantido branco – porque ele é o Espírito onipotente, onisciente e onipresente. O Preto é indicado no horóscopo humano só pelo pontinho central, e em nenhum outro lugar mais – e como tal ele simboliza a infinitude, a imensurável e incompreensível subjetividade da vida em si mesma, da qual todos os Logos criadores e suas manifestações são derivados. Em nenhuma parte de um horóscopo a “maldade” (ou o preto no sentido de mal absoluto) é indicada. Os “pontos de vista” a que chamamos Aspectos de “Quadratura” e de “Oposição” são padrões indicativos de tensão, desarmonia, ignorância ou congestão de qualquer tipo, mas eles ainda são registros do Corpo-Alma do ser humano; os pontos que formam cada um de tais Aspectos são poderes divinos, quando diferenciados pela consciência humana evoluinte. Fora do Preto do Caos, o Branco da Consciência Criadora estabelece um campo de evolução em que o programa evolutivo é o que cada horóscopo revela. É através da purificação das Cores áuricas (regeneração dos “Aspectos e pontos de vista”) que finalmente se realiza a identidade com o Branco da Divindade.

 

CAPÍTULO VI – A LUZ COMO TERAPIA

 

A palavra terapia deriva de uma palavra grega que significa “cura[8]”. O verbo “curar” deriva de uma palavra teutônica que, entre outras coisas, significa “reconciliar”. “Reconciliar” provém diretamente das raízes latinas “re” (novamente) e “con” (com) – juntas elas indicam reunir, juntar, reconciliar. Terapia, portanto, significa mais do que “o processo de restaurar uma parte do corpo”. Significa “reunir harmoniosamente a parte afetada com o resto do organismo”. Toda terapia serve ao propósito de restabelecer a consciência de unificação física, mental, psicológica ou espiritual. Cristo Jesus disse: “Meu Pai e Eu somos UM”[9], “Sedes perfeito assim como vosso Pai no Céu é perfeito”[10], e “Amai-vos uns aos outros”[11]. Nessas e em outras palavras semelhantes se encontra a declaração da unidade de cada um com todos e de todos com cada um – a saúde, a harmonia e a beleza da unidade na diversidade. Se a palavra “saúde” é entendida como o funcionamento vital e harmonioso das partes dos corpos físico, emocional e mental, então a consciência de amor é a saúde dos relacionamentos humanos, pois é na consciência do Amor que se efetua a realização das experiências, e os relacionamentos são os agentes da experiência.

O forte desejo ou impulso para realizar ou reconhecer (re-conhecer – conhecer novamente) a unidade em nenhum lugar é melhor ilustrada que naquelas atividades que caracterizam a cura. Se a doença, a má formação e a anormalidade fossem características da verdadeira condição de humano, essas condições seriam aceitas e suportadas sem tentativas de corrigi-las. De fato, com tal atitude jamais ocorreria, a quem quer que fosse, tentar corrigi-las. Mas o ser humano, espírito uno do seu Criador, busca realizar a unidade, que é seu verdadeiro estado. Essa unidade é objetivada ou refletida na harmoniosa inter-relação de todas as suas partes entre si. A “busca por saúde” é a luta, na consciência, para reconhecer e realizar a Luz Branca da unidade.

Parece haver uma ampla divergência, em “estilo”, entre o trabalho do astrólogo espiritualmente inclinado e o do terapeuta. O primeiro estuda um diagrama abstrato numa folha de papel, e o segundo, estuda o corpo humano que respira, o corpo humano vivo. Seus respectivos “materiais de estudo” são polos separados, mas é de capital importância para os estudantes de astrologia compreender que esses dois métodos de estudo do ser humano são fraternais – o astrólogo e o terapeuta são “irmãos espirituais”. Ambos devem exercitar a faculdade da análise, dos símbolos ou das partes e faculdades do Corpo, que é a base da arte de diagnosticar. Ambos esses “irmãos” devem conhecer o significado individualizado de cada símbolo ou de cada parte do Corpo, e de tal conhecimento é extraído a essência pelo estudo focado e especializado. Na experiência do astrólogo, o exercício concentrado da intuição, por meio da meditação, é também um fator muito importante. Aquilo que representa conhecimento essencial adquirido por análises é algo da perfeição inerente da parte individualizada e do significado da relação da perfeição da parte com a perfeição inerente do todo – horóscopo ou corpo. Vemos, assim, que o trabalho de análise é contraposto e completado pelo trabalho da síntese. A esse respeito, a síntese pode ser considerada como sendo aquela forma de estudo pela qual o verdadeiro conhecimento do microcosmo – fatores astrológicos ou partes do corpo – se correlaciona com o verdadeiro conhecimento do macrocosmo – o horóscopo inteiro ou o composto inteiro dos Corpos Denso, de Desejos e a Mente. Essas duas formas de abordagem contêm o mesmo tipo de exercício da consciência. “Exercício de consciência” significa “usar os poderes da luz” (como percepção sensorial para adquirir conhecimentos factuais, por meio da observação e do estudo), e “usar os poderes da Luz” (concepção intuitiva e espiritualizada da Verdade e motivações para o serviço dedicado ao melhoramento e esclarecimento do ser humano). Saúde é como uma forma de manifestar e identificar a unidade do espírito. Curar, por quaisquer que sejam os meios – terapia objetiva ou esclarecimento educativo – é uma ação pela qual se intensifica a consciência de saúde. Isso em essência, abarca o serviço de ambos, o astrólogo e o terapeuta.

Antes de tudo, a astrologia é um estudo dos símbolos da consciência evoluinte da humanidade. Por conseguinte, o intérprete de astrologia que aspira executar serviços de terapeuta deve se familiarizar com o assunto Epigênese. Essa palavra, derivada de duas raízes gregas, significa “construir sobre”. Em sua aplicação oculta ou esotérica, se refere à faculdade humana de construir a qualidade de seus veículos sobre a qualidade de suas consciências. “Como um homem pensa, assim ele é”[12] descreve essa faculdade, que é a faculdade criativa expressa por todos os humanos desde o começo do seu desenvolvimento evolutivo. De encarnação em encarnação, na espiral do desenvolvimento da consciência, os veículos humanos são formulados nos planos etéricos, como matrizes do físico, pelo condicionamento da consciência individual e necessidade do destino maduro. Posto que nenhum humano pode usar a consciência para o outro – no sentido absoluto – isso significa que nós, individualmente, determinamos a futura qualidade dos veículos pelo exercício da consciência atual. Uma vez que tendemos, subconsciente ou instintivamente, a identificar a nós mesmos e as outras pessoas como “corpos”, vamos considerar um horóscopo como o retrato de um corpo: o círculo pode, então, ser usado para representar o revestimento da pele, o “lado de fora do corpo físico”; os pontos astrais são os órgãos vitais, os centros de percepção, e todos os outros conteúdos corporais. Todos os corpos humanos são expressões densas de um plano ou ideia estrutural, e embora o ser humano, ao nascer, pareça estar sem algum fator de percepção sensorial ou estrutura e função orgânica, é importante reconhecer que todos os horóscopos humanos têm o mesmo número e tipo de fatores simbólicos. A falta de um membro do corpo ou de um órgão sensorial por toda uma encarnação não priva nenhum ser humano do quociente total de seus fatores horoscópicos.

Correspondentemente, se durante o curso de uma encarnação a pessoa experimenta a ruptura de uma parte do corpo ou a privação de percepção de um dos sentidos, seu horóscopo ainda permanece inteiro – nenhum Astro ou Signo lhe foi tirado. Isso significa que, como um ser humano vivo e em funcionamento, seus potenciais permanecem intactos. A deficiência veicular, desde o nascimento ou por acidente durante a encarnação, externa uma obscuridade temporária da consciência de potenciais, de modo um especializado. Experimentar uma deficiência física crônica ou incidental é o resultado de um destino maduro ao ter expresso a consciência de tal modo no passado que contribuiu para uma outra deficiência, ou limitação. Ao fazer isso o perpetrador do ato identificou a si mesmo com a obscuridade, com o resultado inevitável que ele, para explorar inteiramente esse fator, deve sofrer a obscuridade em uma experiência encarnado. Se a vontade de sobreviver e se desenvolver for suficientemente forte, a pessoa se esforçará intensamente para compensar a deficiência física; a alma evoluída buscará entender a causa de sua deficiência, além de se esforçar para perpetuar a sobrevivência física. Esses últimos são os tipos de seres humanos nos quais o astrólogo pode melhor atuar como terapeuta, pois no estudo do horóscopo como um registro de consciência ele pode ajudar a pessoa aflita a compreender como ela pode regenerar seus padrões de consciência, de Mente e de emoções.

O caminho da “Astroterapia” é, provavelmente, o mais longo que pode ser trilhado por um astrólogo, pois cada passo nele deve ser dado primeiro na própria consciência do astrólogo. Assim como “a beleza está nos olhos do espectador”, do mesmo modo a saúde ideal deve se estabelecer gradativamente na Mente, nas emoções e na consciência do intérprete de astrologia. O astrólogo que, através de qualquer que seja a imutabilidade ou congestão de atitude, não queira adotar programas de regeneração interna pode muito bem dirigir suas energias e sua atenção para algum outro ramo do assunto, pois ele será detido nesse caminho quase tão cedo quanto o iniciou. O desejo de ajudar outra pessoa a conseguir mais saúde (desenvolver uma maior concepção do ser cheio de saúde) pode ser realizado somente na medida em que o astrólogo abastece sua própria consciência com mais salubridade na forma de regeneração experimentada e subsequentes realizações de verdades espirituais transmitidas pelo simbolismo do horóscopo que ele estuda. A prova do seu desejo é atestada no grau com que ele busca compreender mais claramente as causas por trás das “evidências pouso saudáveis” em sua própria Carta. Se ele não pode “enfrentar suas próprias causas de destino maduro”, como pode ele perceber possivelmente as de outra pessoa? A inclinação para a verdade é a Luz básica que deve ser acesa em sua própria Carta; com tal aplicação, e com sincera motivação e idealismo, ele se qualifica para ajudar os outros. A matéria técnica sobre a Astrodiagnose – a correlação dos símbolos com as partes e condições do corpo – deve ser aprendido primeiro. A Astroterapia começa quando o astrólogo ensina o nativo como ele deve começar a usar sua consciência de modo regenerativo e especializado para descristalizar e transmutar as “obscuridades” mostradas na Carta. O astrólogo usa a Astroterapia, para si mesmo ou para outras pessoas, quando começa a perceber o seguinte, que eu coloco aqui como umas poucas sugestões básicas:

O SOL: a compreensão de que a consciência de poder deve ser acompanhada pelo uso e aplicação correta do Poder; o Poder é para ser bem usado, não para a gratificação egoística; o intenso desejo de viver não é mais uma luta competitiva com outros seres humanos – é a aspiração de realizar a unidade e eternidade da vida; o Sol simboliza a consciência da saúde por meio do autodomínio.

A LUA: é o compreender o significado e a importância do mecanismo da Mente instintiva, como depósito de memórias das vidas passadas; medos, tensões e ódios estimulados por reações ao relacionamento doméstico, paternal, nacional e racial podem ser harmonizados e transmutados por:

  • Uma compreensão mais clara das leis de atração magnética do destino maduro, e
  • Eliminação das expressões de medos e tensões naqueles relacionamentos, substituindo-as por atitudes apreciativas de maior cooperação, mais construtivas, amorosas, amigáveis e sábias.

MERCÚRIO: é o parar de usar o (grande) poder da palavra falada e escrita como um veículo de expressão da crítica destrutiva, da malícia, da inverdade e do preconceito; começar a usar os poderes transmutados do pensamento claro e imparcial para avaliar mais verdadeiramente, para expressar encorajamento e julgamento construtivo; abrir a Mente por boa-vontade para aprender e considerar sugestões úteis; reagir com entusiasmo e alegria às oportunidades de aprender e entender; é sua a prerrogativa treinar sua Mente de qualquer maneira que queira e usá-la para compreender as verdades; também é um direito seu saber que só você pode exprimir sua consciência – com sua obscuridade ou luminosidade – em palavras, e se deseja alcançar um grau maior de saúde mental, você pode consegui-lo usando o poder da palavra para expressar aquilo que é verdadeiro e amorável.

VÊNUS: você não tem que ser indolente, preguiçoso e negativamente passivo; você tem recursos de energia para serem usados, e pode aprender a expressar essa energia de tal modo a tornar a vida mais bela e inspiradora; você pode desenvolver seu senso de beleza disciplinando suas reações emocionais, de tal modo que as suas expressões de consciência contribuam para a harmonia de seus relacionamentos com os outros seres humanos; você pode vir a ser mais cooperador e apreciador das outras pessoas, e ansiará automaticamente por isso quando deixar sua consciência mais a par do bem e da beleza que elas representam.

MARTE: quando a energia representada por esse símbolo é usada para acrescentar potência e eficácia aos esforços construtivos e regeneradores, a crueldade, a malícia, as retaliações temerosas e outros impulsos tais são enfraquecidos; o organismo físico retém suas qualidades magnéticas e vitais por meio da conservação motivada construtivamente, e com tal disciplina interna as realizações de capacidades, autoconfiança e metas convenientes são desenvolvidas.

SATURNO: as tendências para a cristalização e desvitalização são contrárias quando a consciência do alegre e amoroso cumprimento das legítimas responsabilidades substitui a atitude de quem sofre a opressão. No horóscopo individual, Saturno indica – por sua posição e Aspectos – um ponto de muito necessário equilíbrio através de realização adicional; o desequilíbrio implicado tem seu recurso na negligência e no descumprimento, em vidas passadas, nesse particular departamento das experiências. O valor terapêutico de Saturno reside na consciência da justiça imutável da lei espiritual e evolutiva; complexos de culpa e remorso, com seus correspondentes efeitos, corrosivos e cristalizantes no corpo podem ser liberados por meio do reconhecimento de que agora é a hora de fazer aquilo que é certo, e assim fazendo a obrigação do destino maduro é cumprida na consciência das atitudes saudáveis e razoáveis.

JÚPITER: semelhantemente a Marte, esse significa um tipo de energia que precisa de controle e disciplina; em suas implicações negativas ele é o símbolo da ganância e da falsa compensação; a sinceridade de motivos, a palavra e os atos são a espiritualização da consciência representada por Júpiter, pois o poder de uma Mente e de um Coração sinceros é a força que neutraliza a falsidade interna, cuja falsidade estimula o desenvolvimento da ganância e das compensações distorcidas. Júpiter simboliza a realização da verdade e aspiração do ser humano aos julgamentos verdadeiros. Na consciência, a nobreza da sinceridade verdadeira deve suplantar a nobreza ilusória de falsa pretensão, do engrandecimento e da fartura.

NETUNO e URANO: os símbolos das percepções extrassensoriais e das áreas transcendentes da consciência; Netuno é o poder espiritual da , Urano é o do amor impessoal; Netuno é o poder para visualizar internamente e para idealizar – a pessoa que tem fé na existência da saúde pode visualizá-la por si mesmo. Urano é o intenso desejo de libertação, e aquele que se liberta de condições restritivas deve contribuir amorosamente para a libertação de outros.

Use essas interpretações como “alimento para o pensamento”, e saiba que eles são apenas uns poucos exemplos para ilustrar a “terapia da consciência humana pelo poder da Luz”.

 

CAPÍTULO VII – A LUZ COMO COMUNICAÇÃO

Do ponto de vista exotérico, como costumeiramente usamos a palavra, “comunicar” significa um processo pelo qual o conhecimento ou a informação é transmitido de uma Mente para a outra. Entretanto, um estudo e síntese de suas raízes derivativas revelam seu sentido esotérico que nos possibilita, mais verdadeiramente, entender o significado real e o uso correto dessa função de transmissão sensorial, intelectual e espiritual. Sua procedência direta é da palavra latina comunicare, que significa repartir. Nela se encontram duas raízes básicas; “com”, referindo à “com” ou “juntos”, e “um” referindo à “singularidade” ou “unidade”. Assim, vemos que “comunicação” é um meio pelo qual a diversidade de Mentes e de consciências é, em certa medida, unificada através do processo de repartir. Esse ato de repartir é um processo polarizado: o polo positivo se revela nas ações de irradiação, expressão, informação, relatos, escritos, telepatia de projeção e projeção inspirada; o polo negativo se revela nas ações de percepção, reação ao estímulo vibratório, todas as percepções sensoriais, aprendizado, compreensão e concepção. Tudo o que é estabelecido na Mente divina pode ser transmitido a – ou repartido com – as Mentes ou com as consciências diversificadas e individualizadas. A suprema meta evolutiva é a realização da unidade das Mentes diversificadas com a Mente Una do nosso Criador.

Antes de tentar uma consideração sobre os significados oculto, de destino maduro e evolutivo da comunicação entre os seres humanos, devemos primeiro considerar a comunicação básica, primordial, ou absoluta entre a Consciência Divina e a consciência humana – o “compartilhamento criativo da Luz”. A Mente Divina se faz a conhecer a nós – “fala conosco” – se manifestando como estados infinitamente variados de vibrações objetivadas – o Mundo natural, Físico. Ela também nos proveu, criativamente, de centros e órgãos de percepção sensorial, no desenvolvimento e exercício dos quais podemos aprender da nossa fonte pela observação da manifestação. Assim, através da visão percebemos e conhecemos a manifestação de Deus como cor; através da audição percebemos e conhecemos a manifestação de Deus como tom; através do tato percebemos e conhecemos a manifestação de Deus como textura e densidade; através do paladar percebemos e conhecemos a manifestação de Deus como mistura química; através do olfato percebemos e conhecemos a manifestação de Deus como emanação ou radiação química silenciosa e invisível. Entendendo-se isso, as formas “transcendentais” de percepção sensorial estão incluídas na clarividência[13], intuição, clariaudiência[14], claricognição[15], telepatia e inspiração. Por intermédio de tais faculdades as apercepções internas do ser humano são reveladas nos reinos que transcendem as “limitações do Tempo e do Espaço”. Todas essas faculdades e poderes sensoriais e extra-sensoriais possibilitam as muitas variedades de ação e exposição detalhada comunicativa entre o Divino e Seus microcosmos sub-humanos, humanos e super-humanos, bem como entre os humanos reciprocamente e seus “irmãos e irmãs” sub-humanos e super-humanos. Aquele que sabe mais (que evoluiu mais consciência), compartilha com aquele que sabe menos (que evoluiu menos em consciência e conhecimento); aquele que conhece menos (que está menos evoluído em consciência e conhecimento), recebe e aprende daquele que conhece mais e é mais evoluído em consciência. A atração magnética das diferenças relativas de consciência e a similitude do desejo intenso cósmico de realizar a unidade e o relacionamento comunicativo entre todas as coisas vivas. Comunicação é fraternidade em ação; a comunicação sincera, construtiva e serviçal é amor fraternal em ação. Agora, passemos à astrologia:

Antes que o ser humano possa se expressar a outra Mente de maneira comunicativa, deve passar por um “processo dentro de si próprio” pelo qual ele formule aquilo que deseja transmitir. De maneira sutil, mas inextinguível, essa formulação é uma interação da Mente subconsciente[16] com as percepções conscientes. Antes que qualquer fato ou realização possa ser transmitido, primeiro precisa ser aprendido e a faculdade particular da aprendizagem ter sido exercitada antes do momento presente. É a Mente subconsciente – astrologicamente simbolizada pela Lua – que atua como um armazém de memórias, as quais são impressões residuais estabelecidas por exercícios de consciência no passado. É a Mente consciente[17] – astrologicamente simbolizada por Mercúrio – que conhece e se expressa de acordo com as necessidades presentes. Pelas qualidades aderente e retentiva da Mente subconsciente, o ser humano continua ligado àquilo que ele foi e expressou no passado, e os conhecimentos e interpretações do seu presente são estabelecidos sobre aquilo que ele recorda como memória ou sensação de memória do seu passado. Vemos, portanto, que o indivíduo sempre se comunica consigo mesmo antes de transmitir ou expressar sua consciência a outrem. Um simples exemplo: alguém pergunta as horas a você – a pessoa precisa desse fator de informação; antes de poder lhe responder, você tem que “receber uma comunicação – por meio visual – daquilo que o seu relógio lhe diz”. Formulando uma cognição, você então está apto a transmitir aquele fato à outra pessoa como uma ação comunicativa. Contudo, antes disso você teve que aprender a ver as horas em um relógio; sua Mente subconsciente reteve a lembrança de você já ter aprendido a ver as horas no relógio em algum ponto do passado. Por conseguinte, “você se valeu do seu passado” para satisfazer a atual necessidade de comunicação do seu amigo. E assim continua eternamente: o passado é o “pábulo” do qual o presente se serve para construir o futuro. No horóscopo individual, a correlação entre a Lua e Mercúrio mostra a “mistura” alquímica do sentimento de memória, estabelecida pelo exercício da consciência no passado, com a percepção pelos sentidos e pelo intelecto sendo exercitada pela consciência no presente. Também, a correlação de Lua-Mercúrio com Júpiter mostra o processo alquímico pelo qual o indivíduo destila a percepção da verdade – a cognição do fato que está acima, e livre de todas as propensões pessoais subconscientes de interpretação pela dor, pelo prazer, preconceito, pela antipatia ou pelo favoritismo. A correlação entre Lua-Mercúrio e Urano mostra a evolução alquímica de tais faculdades como a intuição e a previsão; com Netuno mostra a “gestação” das faculdades de clarividência e clariaudiência (a evidência de coisas invisíveis e inaudíveis), bem como o estabelecimento evolutivo do poder da fé e do poder da comunicação pela oração.

O que se escreveu acima deve ser entendido como sendo uma visão básica geral da natureza da comunicação. Agora, para propósitos básicos astro-psicológicos, vamos nos concentrar no arqui-símbolo básico da comunicação e da faculdade de se comunicar – o Planeta Mercúrio, Regente de Gêmeos e Virgem.

Faça o “mandala de Gêmeos”: a sequência zodiacal colocada em volta de um círculo com Gêmeos como o Signo Ascendente.

Note que Touro-Escorpião, o diâmetro do poder do desejo e gerador, forma o diâmetro das cúspides décima segunda e sexta. Touro se refere ao centro da garganta, o mecanismo pelo qual as criaturas vocais criam som; lembre-se de que tudo que nós ouvimos é percebido como um aspecto da vibração tonal. Escorpião se refere à faculdade de gerar, ou “evocar”, o material para outro corpo físico. Através de Touro nós geramos ou “evocamos” matéria tonal para a incorporação, para a manifestação perceptível de ideias, pensamentos, sentimentos, emoções, conhecimentos, compreensão e realização; no plano da percepção sensorial física é o poder e a faculdade de gerar som que “respalda” (relação da 12ª Casa com o Ascendente) toda ação comunicativa. É o poder de Mercúrio para formular sons, como palavras faladas ou cantadas pela interação da respiração dos pulmões com a mobilidade da língua e dos lábios; é, também, o poder de Mercúrio para usar as mãos para escrever e desenhar imitações de caracteres simbólicos da palavra falada como palavras escritas ou diagramas e de sons como notas musicais. No mandala de Gêmeos o Signo da Lua, Câncer, está na segunda cúspide. Vê-se nisso que a consciência de nacionalidade do ser humano “administra” a evolução de sua faculdade de se expressar e se comunicar pela linguagem. O apego cristalizado a uma nacionalidade resulta em conhecimento limitado e uso da linguagem sistematizada – tal pessoa só pode se comunicar oralmente e por escrito (ou lendo) somente com aqueles que conhecem sua linguagem particular. Contudo, no plano do presente do uso do intelecto, tal apego pode ser descristalizado pelo aprendizado de uma outra língua, ou de outras línguas. Por tal ampliação descristalizante a pessoa pode, correspondentemente, se comunicar com um maior número de pessoas, seu “campo de harmonia humana” é ampliado, sua apreciação do pensamento e modo de viver de outras pessoas é aprofundado, e, consequentemente no plano dos reconhecimentos espirituais ele se acha experimentando um maior grau de unidade com os outros seres humanos. As diferenças de línguas criam barreiras à comunicação só para aqueles que não abandonam o apego cristalizante a uma língua; para os que o “abandonam”, as barreiras se desintegram gradativamente. Nisso nós vemos, outra vez, uma ilustração concreta do fato de que comunicação é fraternidade expressa; na mediada em que cada vez mais se aprendem os meios de comunicação a espiritualização da harmonia e simpatia fraternais será realizada, desfrutada e expressa.

Nessa época que presencia o aparecimento do rádio, da televisão, do avião supersônico e de todos esses mecanismos pelos quais as limitações de tempo-espaço estão sendo cientificamente transcendidas, se observa um paralelismo no campo dos esforços espirituais humanos. Muitas pessoas de todas as nações do mundo, também estão procurando explorar as causas de impedimento no funcionamento individual do ser humano. Esses são pessoas que estão dando um poderoso ímpeto regenerador à evolução humana pelo serviço dedicado às medidas humanitárias, redimindo muito destino maduro criado individualmente em suas vidas passadas e devotando-se a “ajudar outras pessoas e ajudarem a si próprias” a sair de estados de anormalidade e subnormalidade do destino maduro, e de desvio das funções sadias e normais. Prosseguindo no assunto comunicação, espera-se que as seguintes observações sirvam para favorecer uma compreensão “interna” mais profunda das causas do destino maduro que debilitam as faculdades de comunicação no corpo humano; o primeiro ponto a ser considerado é a Epigênese:

Epigênese se refere à faculdade do ser humano de construir a qualidade do seu veículo de acordo com a qualidade e estados de sua consciência (“Epi-gênese” precede de suas raízes que significam “construir sobre”). É a única Faculdade criativa possuída e – consciente ou inconscientemente –exercitada por todos os seres humanos desde a aurora do seu processo evolutivo. Pela Epigênese o ser humano revela sua semelhança criativa com o seu próprio Criador; é a “raiz” que baseia o florescimento, no futuro, de sua verdadeira atividade criativa como consciência de Deus. O princípio ou lei de Causa e Efeito operando na faculdade Epigênese dos seres humanos explica todas as qualidades condicionadas de manifestação física, emocional e mental no veículo humano – congestionado, torto, aleijado ou harmonioso, potente e eficiente. Na presente consideração da faculdade e propósito da comunicação achamos que o mandala de Gêmeos tem muito a nos dizer sobre a causa de destino maduro dos defeitos e impedimentos na fala com os quais os seres humanos nascem ou que “aparecem” durante a encarnação, como resultado de um potencial vibratório congestionado que foi estimulado pelo ato de escolher, julgar, controlar quando alguma coisa deveria ser feita. Tais condições como mudez congênita, fenda palatina, língua anormalmente espessa, gagueira, condições traumáticas que lesam o mecanismo vocal, a língua ou os lábios, etc., são as principais que revelam externamente que, no passado, as pessoas afligidas causaram o impedimento de alguma forma de comunicação. A memória retida subconsciente dos atos e influências destrutivos ou congestivos e o atual corpo físico reproduzem, por Epigênese, o potencial negativo como “retorno de destino maduro”, e de tal modo que a pessoa pode explorar o aspecto negativo da consciência desde “o outro lado da cerca” e aprender, assim, um pouco mais sobre as verdades da faculdade de comunicação e seu uso correto para futuros desenvolvimentos e evolução. Muitos e muitos tipos de atos e influências do passado podem causar deficiência de comunicação na vida atual, mas o mandala de Gêmeos nos dá à pista oculta e básica para a causa da maioria dessas condições deficientes – e as experiências dolorosas:

A posição do diâmetro Touro-Escorpião coincidindo, como o faz, com as cúspides das 12ª e 6ª Casas é o primeiro ponto a considerar. Esse é o diâmetro da consciência de poder como “desejo” ou, colocando de outra maneira, da consciência individualizada do desejo. Sabendo que o desejo é uma potência da consciência que pode abranger, em qualidade, desde as mais desumanas concupiscências, cobiças e retaliações até as formas mais sublimes das aspirações espiritualizadas, compreendemos que o uso correto dessa potência – conforme mostrado nesse mandala – é uma forma de serviço contributivo (Escorpião na cúspide da 6ª Casa) e um construtor da consciência de saúde. Tal exemplo é a expressão do amor mútuo por meio do exercício do mecanismo sexual; outro exemplo é o da conservação disciplinada das energias vital e magnética para uso em esforços e trabalhos construtivos. Tanto para Escorpião na 6ª cúspide: sua mais elevada polarização no plano físico é o Signo oposto, Touro, na 12ª cúspide desse mandala, o qual é o símbolo da criatividade de sons liberados através da palavra falada – a incorporação audível dos sentimentos, pensamentos, das ideias, opiniões e realizações.

Pense nisso: uma pequena palavra – um “sim” ou um “não” – dito em um certo tom de voz, comunicando a uma outra pessoa uma decisão ou sentimento específico, ou uma realização ou reconhecimento, pode mudar o curso de uma vida humana se a pessoa a quem se faz a comunicação reage ao que ouve na palavra. Uma palavrinha, pronunciada como um julgamento para afetar a vida e destino de outra pessoa, pode ser falada de tal modo que a Mente subconsciente daquele que a pronuncia “agarra e segura” uma impressão de maldade ou destrutividade tão forte ao ponto de um retorno de destino maduro, dessa expressão, poder se objetivar numa experiência dolorosa várias vidas mais tarde. Por medo, uma palavra necessária pode ser contida; o poder inerente à palavra não dita será retido como um potencial para sofrimento mais tarde; o conteúdo de dor que acompanha a necessária e subsequente descristalização será proporcional ao bem que poderia ter resultado, se a palavra boa original tivesse sido dita.

Para desenvolver a compreensão ou cognição das causas de destino maduro das dificuldades ou obstáculos à comunicação, é preciso que queiramos ampliar nosso ponto de vista e reconhecer que a causa desses efeitos, manifestados no presente pela Epigênese, pode ter sido estabelecida há muito tempo na subconsciência do sofredor. Usar o poder criativo da palavra falada para prover a canalização das forças da consciência falsa e destrutiva é assegurar uma experiência futura com problema de comunicação. Nos casos extremos de muita repetição, o veículo mental se desintegra a tal ponto e de tal maneira que o resultado, como retorno de destino maduro, são as condições identificadas como “imbecilidade” e “idiotia”, especialmente quando a crueldade deliberada foi a motivação emocional original. A experiência atual de muitos de tais sofredores está sendo auxiliada pelo poder do amor expresso no cuidado e consideração dados por aqueles que buscam ajudá-los – e esse amor é também um retorno de destino maduro, estabelecido a partir de atos da boa intenção e gentileza no passado. Assim, nessas ocasiões podemos ser – pela observação do fato de que os seres humanos estão ajudando a reabilitar até mesmo os mais trágicos casos de ignorância, dificuldades e relativa desintegração – que as únicas barreiras para a comunicação são as que o próprio ser humano cria; o Criador nos dotou com potenciais de Mente e espírito e com a faculdade de assegurar a nossa eventual comunicabilidade com todos os planos da vida. No sentido universal ou absoluto, não existem barreiras para a comunicação. Todas as Mentes individualizadas funcionam sob à lei, e pela liberação e refinamento de potenciais dentro da esfera de abrangência da Mente una – que é a luz una, a consciência una – as sempre-desenvolventes linhas de comunicação de “cada um com todos e de todos com o Uno” são mantidas perfeita e perpetuamente. Pelo uso certo de nossos fatores de Mercúrio reproduzimos a abertura permanente das nossas linhas de comunicação com os nossos companheiros humanos nesse plano.

 

CAPÍTULO VIII – A LUZ COMO AFLUÊNCIA

 

A palavra “afluência” deriva de duas palavras latinas: “ad”, que significa “para” ou “em direção a”, e “fluere”, que significa “fluir”. Geralmente a usamos para se referir a condições que são caracterizadas pela abundância, opulência, fartura de suprimentos e riqueza, mas uma consideração à derivação da palavra nos fornece a pista para seu significado esotérico. Ela não é, basicamente, uma descrição de condições, mas uma qualidade de consciência pela qual a abundância se realiza e se manifesta. Em outras palavras, a consciência humana – a “luz pela qual um ser humano percebe a Luz” – contém um potencial de funcionamento de maneira tão “afluente” que, correspondentemente as condições de abundância, podem fluir em direção aos ambientes e negócios humanos. Assim como o desejo de ter saúde é um dos muitos esforços humanos para perceber a Luz, do mesmo modo é o desejo de ter afluência; é importante considerar como um ser humano pode gerar o tipo de consciência que torna a abundância evidente em sua vida.

Se a consciência de “fome” é indicativo de uma necessidade sentida profundamente, então a “miséria” é uma combinação dessa necessidade com uma convicção de que a necessidade não pode, não poderá, ou não deve ser satisfeita. Miséria é o oposto de afluência – representa uma condição de consciência “cortada”, e que é representada externamente por insuficiência ou relativa falta de coisas essenciais ou desejadas. Nós não nos sentimos “pobres” por não possuirmos alguma coisa para a qual somos indiferentes; “sentir-se pobre” é se sentir privado daquilo para o que temos um forte sentimento de desejo ou necessidade. O complexo de miséria é uma forma de padrão mental, de qualidade congestionada, pela qual um ser humano se priva de conseguir a afluência; essa privação é uma convicção de falta que caracteriza sua vida em geral ou se manifesta em algum fator ou área específico de sua vida. O complexo de miséria é sempre um retorno de destino maduro de abusos ou mal-uso de meios e oportunidades em vidas passadas. É construído essencialmente sobre o medo e a culpa residuais trazidos – como reação no subconsciente – de ações passadas caracterizadas pelo desperdício, pela destrutividade, desonestidade ou desonra. Pelo desperdício nós enfraquecemos a nossa consciência de usar apropriadamente; pela destrutividade nós aplicamos uma força de repulsão no subconsciente que “anula” o nosso desejo de atrair aquilo que agora queremos ou necessitamos; pela desonestidade ou desonra nós privamos os outros daquilo que é deles por direito, daí o resíduo subconsciente, atuando agora como complexo de miséria, ser a essência debilitante e “sem vida” do medo e da culpa. Seja de curta ou de longa duração, o “sentimento de miséria” é sempre uma indicação, transposta para a Mente consciente pela reação do subconsciente, de que se faz necessária uma drástica revisão de consciência. Esta revisão deve ser estabelecida na Mente subconsciente antes que as condições melhoradas possam aparecer externamente. Em outras palavras, o sentimento da pessoa sobre a vida e sobre a si própria deve ser alterado por um processo de “abertura” de tal maneira que, pela expressão de sua consciência, possam “fluir mais livremente em sua vida” e assim as manifestações de abundância “possam fluir livremente em seus negócios”. A água é talvez o símbolo mais perfeito do princípio de afluência da vida; lembre-se de que ela precisa ser liberada de seus estados de suspensão como nuvem, neve e gelo, antes de poder formar rios que fluem distribuindo vida. É a poder do calor que liberta os potenciais da água de seu estado estático como gelo e neve; correspondentemente, alguma forma de calor espiritual deve ser estabelecida no subconsciente da pessoa como um meio de revitalizar sua perspectiva de si mesmo e de suas condições. Como se estabelece essa renovação? Consideremos o que o Grande Mandala Astrológico (o círculo de doze Casas circundado pela faixa zodiacal com o Signo de Áries no Ascendente) tem a nos dizer:

Olhe primeiro os dois Signos que focalizam os dois braços do diâmetro vertical: Câncer, Água Cardinal, está na extremidade inferior; Capricórnio, Terra Cardinal, está na extremidade superior; a linha vertical inteira é a linha da geração ou linha dos pais. A Lua, Regente de Câncer, é o símbolo arquetípico da mãe; Saturno, Regente de Capricórnio, é o símbolo arquetípico do pai. Esotericamente, esses dois Signos, e a linha que eles formam como “emanação” que parte do centro da roda, se referem ao atributo do ser humano para gerar seu próprio destino pelo modo como exercita sua consciência, de encarnação a encarnação. O ser humano qualifica a linha evolutiva de sua existência pelo que ele estabelece em sua Mente subconsciente (Câncer) e pelo modo como externa esses estabelecimentos (Capricórnio). Por sua participação no poder criativo do pensamento, cada ser humano é a mãe e o pai da qualidade de sua própria linha evolutiva. Por seus poderes de reação aos sentimentos, ele se põe a par daquilo que estabeleceu em sua Mente subconsciente; por seus poderes de expressão (em pensamentos, palavras e obras), ele dá corpo àquilo que estabeleceu nos reinos do seu subconsciente. A “convicção de miséria” é uma “sombra no subconsciente” – significa que a pessoa, no passado, se identificou com a privação por algum tipo de ato que representou o mau uso e/ou o abuso de oportunidades e meios. Em resumo, por suas falhas nesses assuntos, ele “apadrinhou” a presente condição ou situação que “identifica como miséria”. A miséria não é uma realidade da vida, mas sim uma interpretação individual de condições baseadas na reação de destino maduro. Pense um pouco: A vida é “atingida pela miséria? ”. Nosso Planeta é “atingido pela miséria?”. Cada ser humano tem o mesmo tipo de complexo de miséria que têm todos os outros humanos? Cada um deve sofrer do complexo de miséria eternamente? A resposta a todas essas perguntas é não. Consideremos agora um indício astrológico e esotérico, muito importante e interessante, dos meios pelos quais o complexo de miséria pode ser descristalizado de tal modo que as energias bloqueadas podem ser liberadas afluentemente.

Este indício se encontra nas Exaltações astrais – poderes anímicos de apercepção espiritual destilados de regeneração consciente em vidas passadas – quando se as representam no Grande Mandala Astrológico: Júpiter, Regente de Sagitário, Exaltado em Câncer; a Lua, Regente de Câncer, Exaltada em Touro; Vênus o princípio do Equilíbrio através do intercâmbio, rege Touro e Libra; Saturno, Regente de Capricórnio, Exaltado em Libra; Marte, Regente de Áries, Exaltado em Capricórnio. Primeiro, Júpiter, Exaltado em Câncer, como a apercepção do poder da “dádiva”:

Se desejamos dominar um complexo de miséria, temos que expressar nossa sinceridade naquele ponto fazendo algo de natureza afluente para manifestar a condição desejada na experiência humana. Esta forma de expressão é aquilo que chamamos “dar”. O dito “mais abençoado é dar do que receber” é muito mais do que um “antigo refrão”. Ele contém uma profunda diretiva metafísica e oculta; o ato de dar é uma benção para a Mente subconsciente do doador. Se você está convencido, em seu subconsciente congestionado, de que um estado desejado ou requerido “não é para você” mas faz algo para possibilitar a realização de outra pessoa naquilo, então você deu o primeiro e mais importante passo para a descristalização do seu próprio complexo de miséria. Se o seu complexo de miséria fosse “total”, você nem mesmo pensaria em tentar tornar evidente à outra pessoa essa coisa particular. O fato de você fazer daquilo uma dádiva grava na Mente subconsciente que você está cônscio da viabilidade daquilo. Com tal ação, praticada com o sincero desejo de ajudar, você começa a liberar as energias subconscientes bloqueadas porque dar é afluência em ação. Por isso mesmo você se abre às possibilidades de realizar a coisa desejada ou necessária em seus próprios negócios e no ambiente. Consequentemente, o resultado é que você tem estabelecido mais luz em sua Mente subconsciente e tal estabelecimento, daí por diante, se torne um ímã para atrair as coisas compatíveis com o seu desejo ou necessidade. Com o sentimento iluminado, resultante do “afrouxamento” ocasionado por sua ação desprendida e consciência mais desprendida, a Exaltação de Marte em Capricórnio torna você mais cônscio daquilo que deve fazer, como disciplina e desenvolvimento pessoal, para tornar este estabelecimento melhorado uma “fixação permanente” de sua consciência anímica. Em outras palavras, a nova abertura leva você a um novo caminho de esforço espiritualizante que tem como meta o estabelecimento integrado, para uso permanente, da nova realização espiritual. Um ato de dádiva sincera e útil inicia o processo afluente; mas Marte exaltado – esforço construtivo e persistente – tem que ser aplicado de tal modo que o complexo de miséria de há muitos anos possa ser completamente dissolvido e as energias pertinentes a ele possam ser completamente convertidas em consciência de Luz. Isto significa que mais honestidade da parte do indivíduo possa ter que ser realizada; coragem e autoconfiança possam ter que ser desenvolvidas: aplicação mais total e consistente possa ter que ser aplicada às condições e esforços em curso; todas as tendências ou inclinações para manter outras pessoas – mental, emocional ou fisicamente – sob qualquer tipo de servidão indevida possa ter que ser abandonada. Lembre-se, você quer se libertar do seu complexo de miséria, portanto deve dar aos outros a dádiva da liberdade; para fazer isso você pode ter que se afastar de certos tipos de temor, pois o destemor é, por si mesmo, um atributo de afluência. Como a água poderia fluir se tivesse medo de se movimentar, ou se o gelo e a neve tivessem medo de se derreter? Temos de querer derreter e dissolver as congestões secretas se nós queremos realizar a consciência – e as evidências – da afluência. Os poderes da Verdade, da Coragem, da Fé, do Amor, do Regozijo e da Liberdade são as “qualidades térmicas” pelas quais o Espírito derrete as constrições paralisantes estabelecidas pelo “ego pessoal” na sua expressão de interpretações não regeneradas.

Se a abundância financeira é o seu desejado e/ou necessário símbolo de afluência, então os dois pontos exaltados nos Signos de Vênus nos dão algumas pistas. A pessoa que exercita um princípio administrativo desorganizado e caótico sobre as presentes coisas materiais – não importa quanto dinheiro tenha – está agindo fora da afluência, pois esse tipo de funcionamento é evidência concreta de fraqueza no trabalho. Pode-se dizer que a Exaltação da Lua em Touro – Signo da 2ª Casa – sugere a palavra-chave: Eu estabeleço agora afluência pelo princípio administrativo correto. No lar, no escritório, em atividades profissionais ou em assuntos comerciais, os seres humanos não podem estabelecer a desordem nos padrões de intercâmbio financeiro e esperar continuar a verificar afluência. Nós impomos fardos aos outros se perpetramos desordem em nossos negócios, de maneira que, cedo ou tarde, temos de corrigir o desequilíbrio. O Signo de Touro é polarizado pelo Signo Fixo e de Água Escorpião, que se refere à consciência do sexo. É fato estabelecido, pela investigação psicológica e metafísica, que a consciência do dinheiro é a contraparte da consciência de sexo. Ambas são aspectos do desejo pela manutenção e perpetuação. Já tem sido determinado que as congestões nas atitudes para com o sexo e/ou para com o dinheiro têm efeito retroativo no oposto. Nesses dias de “rapidez evolutiva” oportunidades para resolver muito destino maduro, de muitas vidas passadas, são dadas aos seres humanos, e o sexo e o dinheiro têm sido os desejos que inspiram muita expressão negativa em nossas experiências passadas.

Considere isso à luz dos programas de impostos pesados com que estamos lidando agora. Também à luz do que está sendo revelado nesses tempos a respeito dos aspectos sexuais da natureza humana – as condições de destino maduro da consciência geradora que estão sendo reveladas em tantas formas complexas. Por conseguinte, uma “consciência do dinheiro carregada de miséria” do ser humano bem poderia ser considerada como tendo suas raízes nas condições psicogenéticas do tipo constritivo, e todas essas condições requerem mais abastecimento pela consciência de amor e/ou boa vontade para com os demais seres humanos. Saturno, Regente de Capricórnio, está exaltado em Libra, Signo da 7ª Casa do Grande Mandala. Na forma astrológica simples, isso é a insígnia da Regra de Ouro – a perfeita realização da experiência através da consciência harmonizada do relacionamento humano e da consciência de justiça espiritual que essa forma de realização inclui. Afluência é a “ação de prover” da Vida para o nosso sustento. Essa “ação de prover” já está estabelecida para nosso uso, mas se a nossa consciência busca de algum modo privar alguém daquilo que por direito é sua realização, então suprimimos o nosso reconhecimento da afluência da Vida; limitamos nossa expressão de afluência; e a miséria se instala.

O símbolo tradicional do Sol – o ponto circunscrito por um círculo – pode muito bem definido, por essa consideração, como o símbolo de todos os potenciais afluentes, o símbolo completo da “ação de prover” da Vida. Daquilo que ele representa emanam todas as coisas necessárias à nossa evolução – assim como tudo representado em um horóscopo “emana” do ponto central. O Sol, como Regente do Signo de Fogo Leão, pode então ser considerado como o símbolo da afluência da luz espiritual – todo Amor, toda Sabedoria, toda Verdade, toda Beleza, toda Idealização que os humanos podem conceber, e também todas as representações materiais que interpretamos a partir da consciência espiritualizada. O Poder, em todos os graus possíveis, é representado pelo Sol, e assim ele representa toda medida possível de poder que um ser humano pode conceber. O Poder é – é parte da nossa “função de vida” desenvolver em nós mesmos o reconhecimento disto.

Uma vez que a miséria é uma ilusão criada pela consciência humana relativamente pouco desenvolvida, não é estritamente verdadeiro, sob o ponto de vista filosófico, que “Saturno é o símbolo da miséria”. Tal interpretação faz injustiça a Saturno. Saturno nos fala, através dos nossos temores e das nossas culpas, das áreas irrealizadas da nossa experiência; quando essas áreas são realizadas, a segurança se estabelece na consciência e, consequentemente, aquela forma de calma interior que gera afluência se instala em nós. Os Aspectos de Quadratura na Carta individual também representam áreas de tensão interna, e cada uma destas pode ser interpretada como um “potencial de miséria”. A regeneração alquímica pela expressão de atributos espirituais dos pontos astrais envolvidos “derreterão o gelo” da congestão interna. A pessoa que sofre do senso de “miséria de educação” deve primeiro curar sua Mente subconsciente realimentando-a com um forte desejo de aprender; o desejo de aprender é o desejo de experimentar a afluência no plano mental, e essa forma de afluência só pode ser experimentada quando se permite abrir a Mente. As tendências para preconceitos, dogmatismo, teimosia e tirania mental devem ser enfraquecidas e a humildade de um verdadeiro aprendiz deve ser estabelecida no subconsciente. Se não há disponibilidade de escola, então o verdadeiro aprendiz abrirá sua Mente para a absorção de outros canais de estudo e aprendizado: biblioteca, livrarias, conferências públicas estão abundantemente disponíveis para todos nos tempos atuais. Se uma escola específica é a coisa desejada, então a pessoa terá de indicar seu desejo sincero a fim de organizar sua vida e seus negócios para atingir a meta. As pessoas podem aprender muito pelo método gratuito de se tornarem mais perceptivas ao mundo à sua volta.

A miséria de amor, de amizade e de companhia é, talvez, a mais trágica de todas as evidências congestivas de destino maduro. As pessoas que sofrem dessas privações bem podem atentar para o fato de que o amor e a amizade são estados de consciência – estabelecê-los na consciência possibilita a expressão afluente e a realização afluente deles no relacionamento. Também é importante reconhecer que muitas pessoas que anseiam profundamente pelos prazeres do relacionamento e pelas realizações do companheirismo não são amigáveis consigo próprias, contudo é possível que se devotem aos outros. O respeito e a apreciação pelo “eu” de alguém, como uma expressão da Vida Divina, e os potenciais de alguém para revelar aquilo que é bom e belo podem ter que ser estabelecidos no lugar do autodesprezo, complexo de inferioridade e coisas tais. A falta de harmonia em tais padrões de relacionamento, como aqueles com um pai ou uma mãe, ou ainda um parente, pode ter que ser transformada expandindo-se a consciência de relacionamento de modo mais universal. Contudo, sempre deveríamos lembrar que a vontade de compreender verdadeiramente os outros pode abrir as áreas fechadas de qualquer relacionamento humano. Devemos ser afluentes em nossa boa vontade para com os outros se quisermos realizar a afluência em nossas experiências.

 

CAPÍTULO IX – A ASTRO-FILOSOFIA EXAMINA A EXPERIÊNCIA NO HOSPITAL

Nós, humanos, somos inclinados a identificar as coisas em termos dos sentimentos que experimentamos quando em contato, ou em relacionamento, com elas. “A Dor, o sofrimento, a dificuldade e o pesar” são as associações que tendemos a fazer quando o “hospital” chama a nossa atenção. Com tais associações em mente e com tais sentimentos, enfatizados através dos anos, não é de admirar que a ansiedade, o receio e o terror tomem conta de nós, quando a experiência de hospital se torna iminente. Reconhecemos e admitimos, dada à evidência de nossas condições, que precisamos de ajuda; queremos, desesperadamente, nos livrar da desarmonia e do desconforto da doença ou do dano; mas, em virtude da nossa limitada compreensão da “verdade do hospital”, tendemos a intensificar a nossa dificuldade. Ficamos muito preocupados com as dores e com o medo de que anestesiemos nossa consciência de saúde e nossa fé na eficácia dos poderes de cura[18]. É verdade que as pessoas podem se livrar das desarmonias físicas, emocionais e mentais por uma ação interna, uma virada na consciência da congestão, na desarmonia para a realização da saúde. Essas pessoas são provas vivas de que a cura é interna. A primordial e instintiva vontade de viver é o meio básico da cura, mesmo para aquelas pessoas que não tem fé consciente na restauração da saúde. Contudo, a intensificação intencional da consciência de saúde e cura não somente apressa a correção da condição particular, como restabelece a saúde em todos os planos de funcionamento. Todas essas formas de serviço que se podem chamar de “caminhos da cura” são, na verdade, meios pelos quais as pessoas ajudam outras pessoas a diminuir seu medo e desespero e a aumentar seus reconhecimentos sobre a natureza do bem-estar. Peixes, o Signo da 12ª Casa do Grande Mandala, é a chave.

Há dois mandalas astrológicos, extraídos do Grande Mandala Astrológico (a roda de doze Casas, tendo a Áries como Signo Ascendente, e os trinta graus de cada Signo zodiacal correspondendo a cada Casa), que podem ser estudados ao se considerar o porquê de as pessoas temem experiências hospitalares. O primeiro deles descreve as causas evolutivas. Isso é traçado indicando os símbolos dos Signos Comuns nas cúspides das 9ª, 6ª, 3ª e 12ª Casas, o símbolo de Sagitário na 9ª cúspide, desenhado em tamanho maior que os outros três, e todas as quatro cúspides ligadas por uma sequência de linhas retas e por dois diâmetros cruzados.

Esse desenho resulta na quadruplicidade Comum e nas suas linhas de forças complementares e internas. O traçado do quadrado deve começar na cúspide de Sagitário, porque esse é o “Signo representante do Fogo” na cruz Comum; como tal, ele simboliza a percepção da verdade. O quarto Signo, em sequência no sentido dos ponteiros do relógio a partir de Sagitário, é Peixes, representante do elemento Água, e assunto desse capítulo. Uma representação mais condensada dessa sequência pode ser vista em uma linha vertical dos quatro Signos Comuns com Sagitário na base, Virgem o próximo acima, Gêmeos o seguinte acima, e Peixes no topo; uma linha vertical ao lado, com a ponta da seta no topo próxima a Peixes, mostrará como (por isso é um “mandala de Quadratura”) “negligenciar Sagitário leva às condições negativas de Peixes”; em outras palavras, a falta de apercepção da verdade leva às condições de destino maduro de Peixes, da 12ª Casa. Em termos de “interpretação dos Aspectos Quadratura e Oposição”, esse mandala revela que os hospitais são locais de limitação, constrição e sepultamento apenas para a consciência que rejeita as oportunidades de reconhecer a Verdade; as condições que fazem necessária a hospitalização são sempre o resultado de se haver expresso inverdades no passado. Todavia, a Verdade é um atributo do eterno “Ser”; está sempre disponível, sempre pronta a servir, e é sempre onipotente na ajuda. Por conseguinte, a necessidade de destino maduro a que chamamos “experiência hospitalar” pode ser considerada como uma oportunidade para se perceber a verdade de ser em um grau tão elevado como nunca antes.

Se nesse mandala da Quadratura Comum, Sagitário representa as negligências passadas no conhecimento e expressão da Verdade, então Peixes – no topo da sequência – representa a exteriorização daquela negligência em termos de necessidade de expiação. Fazemos essa expiação por um processo de focalizar novamente a consciência, e a exteriorização desse focar a consciência novamente é a experiência refreadora de ficar internado em um hospital. Um hospital é um lugar de limitação, encarceramento, sofrimento, dor e dificuldades somente para a pessoa que se recusa a expandir a consciência de si mesma em relação à sua experiência. Para uma pessoa que verdadeiramente busca a verdade, o hospital é um lugar de oportunidade para renovação. A experiência da dor focaliza a grande questão interna do “Por quê?”. Quando o “por quê?” de uma pessoa é sincero, a Verdade sempre e inevitavelmente revitaliza sua consciência e esclarece o significado da experiência. A autocompaixão, a apreensão irracional e a amargura alinham a pessoa com a “Quadratura Comum” – e com todas as suas implicações. O sincero desejo de recuperar a saúde inspira a pessoa que sofre a buscar a verdadeira compreensão das causas de sua condição.

A experiência de hospital de uma pessoa também proporciona oportunidade semelhante a cada um de seus amados, aos quais são dadas a oportunidade para expandir e tornar impessoais nos planos emocionais e mentais. Na piedade não refletida nós enfatizamos os elementos dolorosos da experiência de nossos queridos, porque a nossa atenção está no aspecto doloroso externo, e não no verdadeiro significado da experiência como uma indicação da oportunidade para crescimento, harmonização e realização. Sagitário, como a “raiz” dessa representação da “Quadratura Comum”, diz que há uma compreensão de princípio a ser percebida na experiência; quando a pessoa se ressente da oportunidade e a rejeita, o encarceramento na dificuldade se intensifica; quando a aceita, com a dissolução da autocompaixão e da autojustificação, o espargimento da Verdade não apenas aclara a consciência, mas também fortalece a fé e aprofunda a capacidade para a simpatia pura. A pessoa, então, alcança uma compreensão mais clara e mais verdadeira das dificuldades dos outros, e os poderes do auxílio eficaz são expandidos e reforçados.

O caminho da evolução humana é percorrido por dois “modos” principais. Um é o modo do misticismo; esse é o “Caminho do Coração”, da simpatia, da inspiração, da instrumentação, da devoção pessoal, da oração e da dedicação. É, basicamente, simbolizado por Peixes como Signo da regência de Netuno e Signo da Exaltação de Vênus. O outro modo é o do ocultismo, o Caminho do poder irradiante e da Mente. Ele identifica o caminho dos cientistas, inventores, artistas criativos, mágicos e alquimistas. Todos os seres humanos que servem por meio das atividades de cura se inclinam, basicamente, para um ou outro desses modos, mas ambos os modos são essenciais para a identificação do Mestre Curador.

O caminho místico da atividade de cura é bem ilustrado por pessoas tais como Bernadette Soubirous[19], através de cuja inspirada instrumentação se estabeleceu a Gruta de Lourdes, o Padre Flanagan[20], que fundou a Cidade dos Meninos, e todas as pessoas que oram pela cura da humanidade também ilustram o modo místico. Cientistas pesquisadores, inventores, administradores, cirurgiões e dentistas ilustram o modo ocultista. Florence Nightingale[21], a princípio um exemplo do modo ocultista, foi um maravilhoso exemplo da combinação de ambos os modos.

No tipo do curador, a quem está mais intimamente associado com a correção da doença do paciente, se encontrará o importante indício como a causa do destino maduro dessas doenças. O curador se posta como um representante personalizado de uma expansão de consciência que o paciente precisa efetuar – na verdade, para corrigir a causa de sua doença. A habilidade de um cirurgião (ocultista) pode corrigir o aspecto externo da condição, mas a ternura devotada e carinhosa do enfermeiro ou enfermeira (místico ou mística) pode ser a força que mais completamente inspire o paciente com a renovação de sua consciência da verdade da saúde; o enfermeiro ou a enfermeira descuidado, indiferente e antipático pode desencorajar o paciente e aumentar sua preocupação com seu problema. Seu cirurgião, contudo, pode inspirá-lo pelo conhecimento e habilidade que possui, e essa forma de inspiração pode estimular no paciente um desejo mais profundo do que nunca de conhecer a verdade de sua condição. O autor sente sinceramente que o curador como ocultista é basicamente simbolizado por Netuno Exaltado em Leão, o Signo do Sol e arquissímbolo do poder.

O segundo Mandala da experiência de hospital é o mandala da Triplicidade de Água: um triângulo equilátero formado por linhas retas que ligam as cúspides das 12ª, 8ª e 4ª Casas; os símbolos de Peixes, Escorpião e Câncer colocados apropriadamente; o símbolo de Peixes em tamanho maior que os outros dois, e o símbolo de Netuno colocado na 12ª Casa.

Prepare três desses mandalas. No primeiro, indique o diâmetro Peixes-Virgem; no segundo indique o diâmetro Escorpião-Touro; no terceiro, indique o diâmetro Câncer-Capricórnio. Esses mandalas ilustram a plenitude do significado de cada um dos Signos de Água para a experiência de hospital pela aplicação do Princípio da Polaridade. Os símbolos dos três Signos de Água dispostos em uma linha vertical, com Peixes no topo, Escorpião em segundo e Câncer na base, representarão claramente a sequência apropriada a essa discussão.

Primeiro mandala – Peixes-Virgem:

Esse é o diâmetro da consciência da saúde, cujo enfraquecimento disso torna necessária a terapia ou experiência de hospital. Virgem é saúde como a potência básica que torna possível a atividade do servir; Peixes é a necessitada redenção daquela potência. A pessoa cuja consciência da potência ou habilidade física seja menor que sua plenitude natural não pode expressar a plenitude de sua atividade do servir, mesmo que possa se esforçar heroicamente, apesar de sua limitação. Estes esforços, efetuados como uma expressão de sua vontade, são de fato a redenção do interior, mas se a terapia pode ajudar a desenvolver a expansão da habilidade, então a pessoa “pede ajuda para Peixes” – interna-se em um hospital, “interrompe” temporariamente suas atividades anteriores, aceita a limitação de atividade e, ao mesmo tempo, aceita mais plenamente a oportunidade de melhorar sua condição física e sua capacidade de servir. O edifício do hospital em que ela se interna para auxílio e regeneração é uma exteriorização das forças protetoras da graça divina. Pense nisso.

Ninguém é imune à ação da Lei de Causa e Efeito, mas, ainda que todo indivíduo deva enfrentar e resolver seus resíduos de destino maduro, os poderes da Graça Divina são inerentes a toda atividade pela qual os seres humanos recebem auxílio na resolução de suas dificuldades. A presença da Graça Divina no coração humano é evidenciada por qualquer hospital, desde a pequena tenda no campo de batalha até as gigantescas e complexas instituições das grandes metrópoles; todos os hospitais, do menor ao maior, são permanentemente protegidos e reabastecidos por agentes de cura das dimensões superiores. Os mais inspiradamente dedicados de nossos curadores são, consciente ou inconscientemente, os mais sensitivos aos estímulos diretivos desses Agentes Superiores. Os seres humanos, que só veem a superfície das coisas, interpretam os hospitais como sendo lugares de dor, sofrimento e tristeza. A verdade é exatamente o oposto: os hospitais são focalizações das forças de cura de luz e amor. Quando a humanidade sofredora se dá conta disto, toda sua atitude em relação as suas necessárias experiências de hospital passam por uma drástica e iluminadora mudança. A fé, a gratidão, a esperança e a reafirmação neutralizam os efeitos constritivos da dor, e então ambos, consciência e corpo, se expandem para fazer um ajuste mais eficiente aos tratamentos curativos. O poder da Graça Divina transforma um hospital de um lugar onde os destinos maduros de dor, sofrimento e limitação devem ser sofridos para um lugar onde a redenção e a reconciliação podem ser experimentadas.

Se o primeiro mandala, encabeçado por Peixes, é o “que e onde” da experiência de hospital, então o diâmetro Escorpião-Touro indica os meios pelos quais o serviço hospitalar é levado a efeito e cumprido.

Esotericamente, Escorpião-Touro é o diâmetro do princípio administrativo, o princípio espiritual que é destilado, na consciência humana, por meio das experiências de “posse e prioridade”. Aquilo que está “sob princípio administrativo” no serviço e experiência hospitalares é poder regenerador. Ele se origina nas dimensões superiores e invisíveis, é dirigido por Servidores Invisíveis e canalizado em cada instituição de saúde, por servidores humanos, aos necessitados. Os Servidores Invisíveis trabalham dedicadamente por longos espaços de tempo para dirigir a focalização de poder para as necessidades humanas, e o Signo de Escorpião simboliza muito claramente a consciência dedicada e as habilidades disciplinadas de todos os verdadeiros curadores humanos.

Florence Nightingale, cujo incansável trabalho se estendeu por uma vida de noventa anos, se ergueu como um maravilhoso exemplo humano dos serviços persistentes dos Curadores Invisíveis. Os curadores se disciplinam para se qualificarem, mas nenhum curador “possui” o poder curador – na administração do seu equipamento pessoal ele atua como um “administrador” daquilo que é projetado das Fontes Invisíveis para uso nesse plano. Toda liberação de poder é subsequente à focalização de Poder; o curador que, de modo equilibrado e harmonioso, conserva seus recursos pessoais é aquele que mais efetivamente pode liberar o poder que flui através dele para os seus pacientes; esses recursos são pertinentes aos aspectos físicos, emocional, mental e espiritual do seu ser. Por conseguinte, Escorpião-Touro se refere ao material de poder que torna possível a cura regeneradora através da focalização e liberação; se refere ao Princípio de Administração que opera através da consciência dos curadores invisíveis e visíveis; se refere à Fonte onipresente de Poder, o provimento do Deus Pai-Mãe para a preservação e regeneração das formas evoluintes e microcósmicas. Quem quer que sirva como “curador”, no serviço dedicado, “dá as mãos” aos seus Irmãos Invisíveis e serve como instrumento “embasado” encarnado deles.

A terceira representação desse mandala, enfatizada por Câncer, que é polarizado por Capricórnio, ilustra “aquilo” que inspira ou induz um ser humano a percorrer o Caminho do Serviço Curativo.

É o poder paternal de pura simpatia. Diz-se que “o primeiro hospital foi construído quando um ser humano orou pela primeira vez desinteressadamente e na plenitude da fé pela cura de um semelhante seu”. Esta forma de oração, quando exteriorizada no plano físico é o edifício hospitalar que envolve, assim como o útero envolve o embrião em crescimento, a emergência expansiva da consciência de saúde. Câncer, o símbolo maternal, ilustra as qualidades de simpatia, ternura, misericórdia e compaixão que inspiram os seres humanos a ajudarem na cura de outros; Capricórnio, o símbolo paternal, ilustra a providência da forma material organizada para a proteção e guarda das atividades de cura, correspondendo ao lar material que um pai provê para a proteção de seus filhos. “Embrião no útero” e “paciente no hospital” se correspondem mutuamente no sentido de que cada um está tendo a oportunidade de desenvolver novamente sua consciência de vida, por meio da experiência.

A relação dos administradores e servidores de hospitais com os pacientes tem muitos pontos em comum com a relação dos pais com seus filhos. Todos os terapeutas são “pais” da renovação da consciência de Vida de seus pacientes mediante suas atividades no melhoramento da saúde, e melhoramento de saúde é sempre um meio de liberação. Aquele que quiser se libertar das causas da desarmonia física deve renovar, regenerar e revitalizar sua consciência; aquele que quiser servir, verdadeiramente, no caminho da saúde deve acrescentar ao seu conhecimento e habilidade técnica o aprendizado da importância de ajudar os outros a regenerar suas consciências. A cura é uma coisa espiritual; aqueles que verdadeiramente mais curam são os que servem para revelar a onipotência, a onipresença e a onisciência do Espírito Interior. A oração é a “técnica” para essa revelação; a oração, a habilidade e o conhecimento reúnem os poderes místico-ocultistas no curador. A simpatia, humildade, dedicação à verdade concreta e espiritual, a disciplina pessoal equilibrada e a fé possibilitam, a cada curador, “firmar como uma base” as forças regenerativas dos reinos superiores para uso nos hospitais onde ele serve.

Concluindo, essas três representações do mandala da triplicidade de Água podem ser usadas para se estudar a experiência de prisão. Em sua natureza e propósito essenciais as prisões são hospitais. Em ambos, os resíduos de destino maduro devem ser enfrentados e resolvidos; o mesmo Poder e os mesmos Agentes servem a ambos; o principal objetivo de ambas as formas de serviço é: expiação, e “expiação” significa consciência de unidade elevada, a unificação harmonizada do Corpo, da emoção, da Mente e da Alma com o Espírito.

 

CAPÍTULO X – O CAMINHO ASTROLÓGICO

 

O propósito de apresentar este tema é duplo. É bom que os novos estudantes de Astrologia obtenham uma perspectiva daquilo que esse Caminho requer deles em treinamento mental e o que isso inclui em expansão de conhecimentos e compreensão. Aqueles estudantes que são mais experientes no Caminho deveriam recordar, periodicamente, os requerimentos do Caminho que escolheram e revigorar suas metas, seus métodos e objetivos espirituais. O Caminho Astrológico é longo, contendo muitas complexidades de desenvolvimento; o “ponto-de-vista amplo” e paciência tranquila e inabalável são os principais requisitos para a realização de quaisquer de suas fases. Alguns estudantes, na vida atual, podem estar recapitulando conhecimentos adquiridos por meio do estudo em vidas passadas, agora prontos para começar a aplicar tais conhecimentos e entendimentos; alguns podem, ainda, estar dando continuidade ao seu programa de absorção, e outros ainda podem estar dando seus primeiros passos nesse Caminho. Sem levar em conta o posicionamento atual, todos deveriam ter um conhecimento abarcante do programa global que está envolto nesse estudo complexo, e de tal modo que o ideal e propósito espiritual possam ser mantidos firmemente.

A arte-ciência chamada “Astro-logia” é o estudo das leis universais de como elas se aplicam à consciência que se desdobra evolutivamente; consciência é a única luz primordial e os símbolos das “luzes” – Sol, Lua e Planetas – são usados para designar as faculdades, os veículos e as forças pelos quais a consciência em desdobramento se torna ciente da consciência divina. Assim como o nosso Sistema Solar é um dos sete Sistemas que compreendem um plano cósmico, do mesmo modo, cada uma de nossas “luzes-do-Sistema-Solar” é uma de uma família, inter-relacionada com e interdependente das outras e do Sol central; todas sendo exteriorizações da consciência criadora divina do nosso Logos. A Astrologia, primeiramente, não é um “estudo das estrelas” – isto é função dos astrônomos. O astrólogo é um estudante dos modos de consciência que são externalizados como corpos planetários, solar e lunar do nosso Sistema. Nós, humanos, temos uma correspondência com esses corpos astrais porque nós e eles somos criações da mesma Fonte Divina e a afinidade vibratória nos alinha juntamente a todos nesse Sistema Solar. O astrônomo auxilia o astrólogo provendo-o de dados calculados cientificamente e que dizem respeito às relações geocêntricas e heliocêntricas das “luzes” com as faixas dos Signos zodiacais; esses dados são sincronizados com os princípios de tempo-espaço da encarnação para os cálculos do horóscopo natal que, simbolicamente, representa o atual estado cíclico de uma consciência humana evoluinte. O “astr” da palavra Astrologia se refere à “estrela” somente exotericamente; esotericamente e filosoficamente se refere a aquela luz que é a consciência. É pelo grau e qualidade da consciência evoluinte que todo fenômeno, toda experiência e todo relacionamento são interpretados; isso se refere ao corpo físico, tanto quanto a todos os ambientes, atividades, esforços, lições de destino maduro, aspirações e ideais. Todos esses fatores são representados, simbolicamente, em essência pelo horóscopo natal; a soma total dos “conteúdos” de uma Carta representa as inclinações e tendências básicas da pessoa em perspectiva – o resultado específico do modo pelo qual ela exercitou suas inclinações e tendências nas vidas passadas até a vida presente. Quando o estudante de Astrologia estabelece sua consciência de “caminho Astrológico”, como sendo o estudo da consciência – sempre evoluinte por meio da experiência encarnada e padronizada pelos grandes arquetípicos Princípios do Universo – então ele avaliará, apropriadamente, cada fator do estudo até seu cerne básico, e, assim, mantendo todas as avaliações nas proporções e perspectivas apropriadas. Todo fator em um horóscopo corretamente calculado é um retrato exato dos resultados na consciência a partir das causas na consciência. A regeneração da consciência determina as condições melhoradas, a avaliação das experiências mais verdadeiras e uma apercepção mais clara e perfeita dos poderes – potenciais e reais.

Os antigos eram estimulados, em suas apercepções da Natureza e Consciência Divinas, pela técnica da “personalização”; as modalidades e facetas da Divina Essência eram mostradas como “os deuses e as deusas”[22]. As versões anglicizadas de alguns desses nomes divinos são, agora, aplicadas à nossa identidade dos Planetas – o nome de cada Planeta representando um composto ou síntese de potenciais, princípios e poderes divinos. Portanto, considerando-se as muitas fases do Caminho Astrológico nós também personalizaremos, para concretizar, e, na imaginação, considerar a natureza e as habilidades de alguém a quem chamaremos de “O Astrólogo Mestre”, e a quem identificaremos como o protótipo de todos os astrólogos e estudantes de Astrologia, passados, presentes e futuros. Seu nome será “Astrófilo” (aquele que ama a Astrologia), e é alguém que, através de muitas vidas e durante muitos séculos, tem-se dedicado a uma compreensão cada vez maior dos princípios Astrológicos. Como um Mestre em Astrologia, ele é alguém que agora é capaz de correlacionar todas as fases do aprendizado com o simbolismo Astrológico. Entende-se que ele é o “ideal personalizado” de todos os que trilham o “Caminho dos Astros”.

Astrófilo sempre foi, é agora, e continuará a ser um Aspirante espiritual. Isso significa que ele não permite que seu desejo por conhecimento Astrológico substitua seu desejo de compreender o uso certo desse conhecimento. Ele dedica a aplicação do seu conhecimento ao serviço de iluminação do ser humano, porque sabe que o serviço de iluminação é o propósito básico para a obtenção do conhecimento, em primeiro lugar. Ele sabe que a amplitude máxima do seu conhecimento nada mais é do que um fragmento da sabedoria universal, pelo que, com verdadeira humildade, mantém sua Mente e consciência sempre abertas e sempre adaptáveis à consideração de novas ideias. Ele é tão impessoal e honesto na avaliação de sua própria Carta quanto o é com a Carta de qualquer outra pessoa, pois sabe que somente a total honestidade alimentará seu próprio desenvolvimento e habilidade. Seus esforços intelectual e analítico – extensivos, profundos e cristalinos, o quanto possam ser – são mantidos continuamente pela oração; sempre que sente necessidade, revigora sua consciência e intuição pelos poderes da “Super-Mente”. Todo ato ou esforço em seu serviço Astrológico é dedicado e consagrado por seu amor a Deus e a seu semelhante. Reconhece que é um “Irmão Maior” da maioria da humanidade, provavelmente, mas nunca esquece que ele próprio é um filho do Pai Divino, tanto quanto o é o mais ignorante e pouco inspirado de seus companheiros. Seu cálculo de cada horóscopo é um ato de ritual espiritual pelo qual as forças de sua Mente, de sua consciência e de seu Espírito são focalizadas e reunidas para a realização do seu serviço.

Como um Irmão, Astrófilo é um sincero apreciador dos esforços e aspirações dos seres humanos em todos os caminhos que servem à iluminação e regeneração humanas. Através de suas muitas vidas passadas ele tem compartilhado a absorção de conhecimento com os colegas estudantes que representam todas as linhas de indagação e investigação. E é sempre essencialmente grato a todos os professores e experiências que servem para lhe adiantar a educação astrológica, filosófica e espiritual. Descobrindo uma correlação entre sua Carta e qualquer experiência, ele aprecia a experiência, ainda que dolorosa ou difícil, porque ela serve para lhe ampliar os conhecimentos e o entendimento. Ele lamenta e se ressente da falta de experiências; a adaptabilidade sadia de sua Mente – dedicada à recepção da Verdade – não permite à retenção mórbida de interpretações negativas de experiências, mas, ao contrário, se regozija em cada uma e todas as oportunidades de ampliar sua compreensão e apercepção. Procura sempre evitar atitudes ou pontos de vista tendenciosos, e assim se recusa a reter na consciência essa qualidade de ação mental que gera preconceitos ou a falsa aprovação. Luta para considerar suas próprias experiências com equidade espiritual, e de tal maneira que pode representar mais perfeitamente a equidade da verdadeira iluminação àqueles a quem ele ajuda.

Como um cientista Astrófilo é, antes de tudo, um matemático e um geômetra. Os aspectos técnicos do seu trabalho requerem uma compreensão fluente de todos os princípios aritméticos e de certos princípios revelados pela geometria. Posto que álgebra é a exposição matemática da universal Lei de Correspondência, um conhecimento desse ramo da ciência capacita o Astrófilo a avaliar e tabular quaisquer e todas as equações vibratórias que se encontrem em determinada Carta, ou que formem “padrões de ligação” entre duas ou mais Cartas. No seu treinamento, ainda nos tempos da Atlântida, da Caldéia e do Egito, Astrófilo aprendeu que a exatidão nos cálculos e na compreensão da matemática não somente exteriorizava a apercepção de uma forma da Verdade, mas a aceitação das disciplinas mentais envolvidas no treinamento exteriorizava a sinceridade de sua perseguição à verdade. Acurácia é a verdade exteriorizada; e em virtude da tremenda complexidade das “coisas” estudadas no Caminho Astrológico, a disposição para disciplinar a Mente de tal forma que os resultados corretos sejam obtidos nos esforços matemáticos é um fator importante na dedicação do astrólogo ao seu serviço. Sempre que seja possível fazê-lo, Astrófilo sempre procura determinar a acuidade de todos os dados; ele trabalha com esses dados de tal maneira que a máxima exatidão possa ser conseguida. Em seu trabalho de ensino, Astrófilo encoraja seus alunos de todos os modos possíveis a apreciar o valor do treinamento matemático; ele sabe, por experiência própria, que a humanidade tem um grande débito com as Matemáticas pelo tanto que elas proporcionam em disciplina, harmonia e concentração aos veículos mentais e aos poderes da consciência. Ao se dedicar com sucesso aos esforços matemáticos, ninguém pode ficar satisfeito com nada menos que resultados corretos (verdadeiros)!

É interessante – e significativo – notar quantas formas de exploração visual se podem fazer por meio de uma moldura circular. Nossos dois olhos se focalizam de tal maneira que vemos tudo por uma “janela circular”; o astrônomo olha atentamente por um mecanismo circular para estudar e explorar uma porção do Sistema Solar, uma galáxia ou alguma outra divisão do fenomenal universo fora da Terra; o químico e o biólogo espiam através de um microscópio circular para estudar a “pequenez” do fenômeno material. Em seu trabalho como estudante da consciência humana, Astrófilo também centraliza sua atenção num diagrama circular formado por um certo arranjo da faixa zodiacal, o qual contém um conjunto especializado de símbolos distribuídos de acordo com acurados princípios matemáticos e que transmitem uma revelação de leis espirituais. Astrófilo é um especialista no sentido de que o seu principal objetivo é servir à promoção da iluminação humana, mas os princípios que são inerentes ao seu estudo especializado estão ligados a todas as formas de exploração feitas pelos outros cientistas.

No que tange à área do conhecimento, Astrófilo “dá as mãos” a todos os seus irmãos cientistas; as essências do seu estudo e a exploração se acham representadas de alguma forma ou em certo grau em todos os outros ramos de estudo pelos quais a natureza do universo é revelada e compreendida. Na medida em que a natureza do universo é compreendida, a concepção de unidade com esse universo se desdobra. Astrófilo deve usar o poder de análise do mesmo modo que faz o químico, mas, além disso, ele também deve sintetizar, porque o seu propósito não é ensinar a “separatividade entre o ser humano e o universo”, mas sim revelar a unidade dos seres humanos uns com os outros, com todas as criaturas, e com a fonte divina. O poder de síntese em seu estudo diz respeito ao ser humano como um aspecto individualizado da consciência, com particulares requisitos de destino maduro de experiência e “tendências pessoais” particulares. O poder de síntese é realmente um processo da Mente Superior, pelo qual Astrófilo pode ajudar a pessoa a experimentar uma expansão da consciência de unidade dentro de si mesma pelo desenvolvimento da autonomia espiritual e da consciência da unidade com os outros seres humanos por meio da afinidade do destino comum e das metas evolutivas.

Além de ser um cientista, místico e sacerdote, Astrófilo é também um artista interpretativo. Ele procura encontrar, por meio do estudo das indicações horoscópicas, aquelas modalidades e técnicas pelas quais a pessoa em pauta pode, pela regeneração da consciência, se tornar conscientemente mais e mais familiarizada com as belezas da sua própria consciência espiritual. Todo princípio usado na representação Astrológica tem sua contraparte em uma – ou em todas – das belas artes. Em um exame geral dos fatores Astrológicos, encontramos o desenho, o ritmo, a cor (por envolvimento), a estrutura, a massa (por envolvimento), o espectro e todo aspecto concebível de beleza que pode ser realizado ou exteriorizado pelos seres humanos. Durante os muitos anos e as muitas vidas de sua experiência, Astrófilo desfrutou do contato com artistas e intérpretes artísticos de todos os tipos. Sua afinidade espiritual com tais pessoas se baseava no fator inspirador inerente a todas as expressões artísticas e serviço de iluminação. “Iluminar” pode ser considerado como um processo pelo qual a “luz é lançada na consciência” ou “se revela na presença da luz na consciência”. Qualquer ser humano, seja qual for o modo ou meio, que serve para revelar a harmonia a outras pessoas é um inspirador; a harmonia é a revelação de equilíbrio por todas as partes de uma coisa, e é a reconquista consciente do equilíbrio que caracteriza a nossa meta evolutiva. Foi a partir deste estado que fomos projetados, como individualizações, no começo da nossa experiência como seres humanos. Toda apercepção da Beleza é uma visão de relance do “céu em nossa própria consciência”, e mediante   seu conhecimento de alquimia, Astrófilo é capaz de ajudar as pessoas a compreenderem como elas podem efetuar a regeneração consciente de seus próprios poderes e, desse modo, desenvolverem apercepções mais amplas e mais puras da beleza de sua natureza divina.

Após muitas vidas devotadas à prática de verdades compreendidas e em consonância com os elevados padrões de ética, Astrófilo descobriu um estranho e maravilhoso despertar em sua própria consciência. Isso dizia respeito à cognição de que “os Astros”, que ele havia estudado por tanto tempo nos horóscopos, eram modos pelos quais o divino se revelava a si próprio através da consciência humana. Como um resultado, Astrófilo viu que se tornava cada vez mais consciente da presença de Deus em todos os Aspectos astrais – sendo, portanto, cada Aspecto tido como uma indicação não de “mal absoluto” ou de “bem absoluto”, mas sim do ponto de vista espiritual. Os até então considerados Aspectos “maus” foram então percebidos, verdadeiramente, como representações simbólicas dos métodos de experiência pelos quais um ser humano deve, por fim, conceber sua própria natureza divina. Todos os Aspectos de Quadratura e Oposição registram condições marcadas e qualificadas de destino maduro, pelas quais, por meio da experiência quando encarnado, o ser humano é posto face-a-face com os resultados de pensamentos e ações do passado; ao experimentar esses resultados, ele apreende, em grande medida, aqueles tipos de pensamento e de ação que adiantam, ao invés de atrasarem o desenvolvimento evolutivo e a realização dos mais elevados ideais do Espírito.

Caro Leitor, as coisas ditas aqui sobre “Astrófilo” estão realmente sendo ditas sobre você – agora um estudante de Astrologia, talvez um praticante – que a partir de algum ponto no Caminho pode desenvolver os poderes do veículo mental perfeitamente treinado, o poder alado da intuição e o poder com brilho diamantino da claricognição, por meio da sua contínua e devotada aplicação ao estudo da Astrologia. Possa o Espírito interno conceder a você a fortaleza da paciência, o ânimo do regozijo inspirador e a benção de uma sempre crescente simpatia de seus semelhantes, por meio do estudo de horóscopos, perseguindo a verdade, conforme a necessidade de tal estudo possa lhe chamar a atenção. A vida fornece todas as oportunidades para se realizar no Caminho Astrológico.

 

FIM

[1] N.T.: ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses planetas trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[2] N.T.: Mt 5:39

[3] N.T.: Parte do texto A Promessa de Fidelidade (Pledge of Allegiance) dos Estados Unidos é uma expressão de lealdade à Bandeira dos Estados Unidos e à república dos Estados Unidos da América.

[4] N.T.: Gn 1:3

[5] N.T.: saiba mais sobre Corpo-Alma nesse Capítulo no Livro O Corpo Vital de Max Heindel.

[6] N.T.: Pr 15:1

[7] N.T.: saiba mais sobre o que é o Átomo-semente no Capítulo “Morte e Purgatório” do Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.

[8] N.T.: “healing”, em inglês, que é diferente de “curing”. O problema é que em português traduzimos ambas as palavras por “curar”. Entretanto, o conceito delas é bem diferente. “Curing” significa “eliminar todas as evidências da doença”, “eliminar todos os sintomas” – está mais para remediar; enquanto que “healing” significa curar totalmente: o Espírito, a Alma – aqui restaurar, eliminar a causa suprafísica, pois o Espírito e a Alma nunca ficam doentes (!) – e o Corpo – aqui sim: restabelecer o funcionamento normal da parte afetada, pois essa parte está doente. Quando falamos do Método de Cura da Fraternidade Rosacruz, estamos falando de “healing” (veja aqui: Como curam os Rosacruzes os Enfermos, em português e aqui: How the Rosicrucians Heal the Sick, em inglês). Assim, nesse texto todas as vezes que se lê “cura”, entenda “healing” e não “curing”.

[9] N.T.: Jo 10:30

[10] N.T.: Mt 5:48

[11] N.T.: Jo 13:34

[12] N.T.: Pb 23

[13] N.T.: Capacidade que um ser humano pode desenvolver para “ver” nos Mundos Suprafísicos (Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento).

[14] N.T.: Capacidade que um ser humano pode desenvolver para “ouvir” nos Mundos Suprafísicos (Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento).

[15] N.T.: Capacidade que um ser humano pode desenvolver para “saber sobre eventos ou pessoas” usando os Mundos Suprafísicos (Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento).

[16] N.T.: A Mente Subconsciente ou memória involuntária forma-se assim: do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do Corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte. Atualmente o acesso a ela está fora de nosso controle. Ela se relaciona totalmente com as experiências dessa vida. Consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital. Tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas, conforme veremos na explanação relativa ao perdão dos pecados, algumas páginas adiante. Tais modificações ou erradicações dependem da eliminação dessas impressões do Éter do Corpo Vital.

[17] N.T.: Também chamada memória voluntária deriva de imperfeitas e ilusórias percepções dos sentidos. Atualmente o acesso a ela está sob o nosso controle. Ela se relaciona totalmente com as experiências dessa vida. Também consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital. E, também, tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas, conforme veremos na explanação relativa ao perdão dos pecados, algumas páginas adiante. Tais modificações ou erradicações dependem da eliminação dessas impressões do Éter do Corpo Vital.

[18] N.T.: “healing”, em inglês, que é diferente de “curing”. O problema é que em português traduzimos ambas as palavras por “curar”. Entretanto, o conceito delas é bem diferente. “Curing” significa “eliminar todas as evidências da doença”, “eliminar todos os sintomas” – está mais para remediar; enquanto que “healing” significa curar totalmente: o Espírito, a Alma – aqui restaurar, eliminar a causa suprafísica, pois o Espírito e a Alma nunca ficam doentes (!) – e o Corpo – aqui sim: restabelecer o funcionamento normal da parte afetada, pois essa parte está doente. Quando falamos do Método de Cura da Fraternidade Rosacruz, estamos falando de “healing” (veja aqui: Como curam os Rosacruzes os Enfermos, em português e aqui: How the Rosicrucians Heal the Sick, em inglês). Assim, nesse texto todas as vezes que se lê “cura”, entenda “healing” e não “curing”.

[19] N.T.: Marie-Bernard Soubirous ou Maria Bernarda Sobeirons em occitano (1844-1879) foi uma religiosa francesa. No dia 11 de fevereiro de 1858, em Lourdes – cidade com cerca de quatro mil habitantes – Bernadette disse ter visto a aparição de uma “senhora” envolta em luz na gruta denominada massabielle (“pedra velha” ou “rocha velha”), junto à margem do rio Gave. Outras aparições sucederam até que Bernadette perguntou à “senhora” quem ela era. Segundo seu relato ao pároco local, Pe. Dominique, a resposta foi: “Eu sou a Imaculada Conceição”. O que causou espanto e comoção ao padre, que sabia que a moça não estava inventando: ela não tinha nenhum conhecimento do significado de suas palavras, muito menos conhecimento do termo “Imaculada Conceição”.

A partir daí curas cientificamente inexplicáveis foram verificadas na gruta de “massabielle”. Em 25 de fevereiro de 1858, na presença de uma multidão, surgiu sob as mãos de Bernadette uma fonte – que jorra água até os dias de hoje, cerca de cinco mil litros por dia.

[20] N.T.: Edward Joseph Flanagan (1886-1948). Sacerdote católico irlandês que dedicou toda sua vida à educação de meninos e jovens delinquentes e abandonados. Ele fundou o orfanato conhecido como Boys Town localizado em Boys Town, no condado de Douglas, Nebraska, que agora também serve como um centro para jovens problemáticos. É a maior instituição religiosa americana dedicada ao cuidado de crianças e famílias através do tratamento de problemas comportamentais, emocionais e físicos.

[21] N.T.: Florence Nightingale (1820-1910) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia. Ficou conhecida na história pelo apelido de “A dama da lâmpada”, pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição à Enfermagem, sendo pioneira na utilização do modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Florence, uma anglicana, acreditava que Deus a havia chamado para ser enfermeira. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”) criado inicialmente por William Playfair.

Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação, em 1860, de sua escola de enfermagem no Hospital St. Thomas, em Londres, a primeira escola secular de enfermagem do mundo, agora parte do King’s College de Londres. O Juramento Nightingale feito pelos novos enfermeiros foi nomeado em sua honra, e o Dia Internacional da Enfermagem é comemorado no mundo inteiro no seu aniversário.

[22] N.T.: Os nomes derivam dos deuses da mitologia greco-romana. Mercúrio: mensageiro dos deuses romanos (Planeta mais rápido – completa uma revolução em 88 dias); Vênus: deusa romana do amor e da beleza (é o objeto mais brilhante no céu noturno, depois da Lua); Marte: deus romano da guerra (sua cor vermelha era associada pelas antigas civilizações com o sangue das batalhas); Júpiter: o rei dos deuses romanos (é o maior de todos os planetas em tamanho em massa); Saturno: deus romano do cultivo e agricultura (também pai de Júpiter na mitologia romana); Urano: deus do céu e das alturas (também pai de Saturno na mitologia romana); Netuno: deus romano do mar; Plutão: deus romano do submundo (deus do Mundo dos Mortos era capaz de se tornar invisível – o Planeta é o mais distante do Sol e em constante escuridão).

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Corinne Heline – A Terapia das Cores

O Estudante mediano está familiarizado com a escala diatônica de sete tons e com a escala cromática de doze tons na música.

Ele também está familiarizado com a escala de cores de sete tons conhecida como espectro.

Poucas pessoas, no entanto, sabem que à medida que a visão humana se sensibiliza e se desenvolvem instrumentos mais refinados para a investigação, uma escala de cores de doze tons será revelada.

Aqueles que possuem capacidade de explorar reinos internos veem neles muitas cores bonitas que são, atualmente, invisíveis para os olhos físicos comuns, algumas delas muito requintadas para descrição.

1. Para fazer download ou imprimir:

Corinne Heline – A Terapia das Cores

2. Para estudar no próprio site:

A TERAPIA DAS CORES

Por

Corinne Heline

 

 

Fraternidade Rosacruz

 

 

 

 

 

 

Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1962, Color Therapy – Issued by New Age Interpreter

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ÍNDICE

O ESPECTRO E A AURA HUMANA

O VALOR TERAPÊUTICO DAS CORES

A Aura Protetora

TEMPLOS DE CORES DO FUTURO

A PSICOLOGIA DAS CORES NA VIDA DIÁRIA

A Cor na Roupa e no Lar

As Cores na Educação da Nova Era

As Cores na Indústria

Prognóstico Baseado nas Cores

Meditação Baseada nas Cores

Cor e Música na Nova Era

Equivalentes Tonais de Forma e Cor

A Dança do Arco-íris

Lumia — Uma Nova Forma de Arte

 

O ESPECTRO E A AURA HUMANA

 

O Estudante mediano está familiarizado com a escala diatônica de sete tons e com a escala cromática de doze tons na música. Ele também está familiarizado com a escala de cores de sete tons conhecida como espectro. Poucas pessoas, no entanto, sabem que à medida que a visão humana se sensibiliza e se desenvolvem instrumentos mais refinados para a investigação, uma escala de cores de doze tons será revelada. Aqueles que possuem capacidade de explorar reinos internos veem neles muitas cores bonitas que são, atualmente, invisíveis para os olhos físicos comuns, algumas delas muito requintadas para descrição.

No entanto, o poder e a magia da cor estão no limiar de revelações de longo alcance. À medida que os músicos da Nova Era estão experimentando uma escala musical de doze tons, os artistas, sintonizados com os ritmos da Nova Era, em breve começarão a trabalhar com um espectro de doze tons. O professor Nicholas Roerich[1], possivelmente o principal artista de nosso tempo em razão de sua alta realização espiritual, empregou, como somente um artista mestre poderia, cores astrais anteriormente desconhecidas em suas criações magníficas. Ele colocou a impressão de sua luminosidade em suas telas usando a luz de uma maneira nunca tentada. Para citar suas próprias palavras: “A cor soa o comando do futuro. Tudo de preto, cinza e enevoado já sublima a consciência da humanidade. É preciso refletir novamente sobre as lindas cores das flores que sempre anunciaram as épocas do renascimento”.

Talvez a definição mais profundamente mística de cor seja a dada por Goethe nestas palavras: “As cores são os sofrimentos da luz”. À medida que os ritmos vibratórios da luz branca e pura — que contém todas as cores dentro de si — são reduzidos, as cores se manifestam. Portanto, é definitivamente um fato que as cores nascem através dos sofrimentos da luz.

Existem três cores principais: azul, amarelo e vermelho. É através do azul que Deus-Pai manifesta o Princípio da Vontade, enquanto Cristo manifesta o Princípio da Sabedoria através do amarelo. Vermelho é a cor pela qual o Espírito Santo manifesta o Princípio da Atividade. Portanto, temos uma Santíssima Trindade de cores em toda a Terra.

As cores secundárias do espectro são laranja, verde, roxo e índigo. Laranja é uma combinação de vermelho e amarelo. Verde é uma combinação de amarelo e azul. Roxo é uma combinação de vermelho e azul. Índigo é uma combinação de laranja, verde, azul e roxo. Um estudo das várias combinações de cores em relação ao desenvolvimento físico, mental, moral e espiritual do ser humano é um assunto muito fascinante.

Vermelho

  • Marrom avermelhado indica avareza, ganância, egoísmo.
  • Vermelho-tijolo: raiva.
  • Vermelho escuro profundo: sensualidade.
  • Escarlate revela um excesso de orgulho pessoal.
  • Carmim — um vermelho puro e claro indica força, resistência e elevado estado de perfeição física.
  • Rosa claro e brilhante indica afeição humana que foi suavizada pela tristeza.

Laranja

  • Como observado anteriormente, laranja é uma combinação de vermelho e amarelo. O vermelho tipifica a personalidade; o amarelo, a mentalidade.
  • Tons avermelhados ou alaranjados indicam que as forças da personalidade controlem a Mente.
  • Tons alaranjados revelam o que os praticantes da Ciência Cristã descreveriam como o domínio da Mente sobre a matéria.
  • Todos os tons claros e laranja-dourados revelam um despertar para os valores da verdadeira sabedoria.

Amarelo

  • Amarelo puro indica alta inteligência e sabedoria.
  • Amarelo-dourado luminoso denota adaptabilidade para a recepção e a disseminação da sabedoria.
  • Amarelo-limão dá evidência de uma Mente espiritualizada ou Crística.

Verde

  • Verde é a cor que tipifica equilíbrio e descanso. No espectro, é a ponte, por assim dizer, entre a personalidade representada por vermelho ou laranja e o espírito representado por azul ou roxo. Verde é sereno, restaurador, curativo. É composto, como já foi dito, de amarelo, a cor de Cristo, e azul, a cor atribuída a Deus-Pai.
  • Aquele delicado verde prateado visto em uma floresta após o primeiro sopro da primavera é a cor da vida. Poderia haver uma definição de vida mais bonita do que dizer que ela é concebida pela mistura da Sabedoria Crística com o Amor do Pai?
  • Verde-oliva pálido indica simpatia e compaixão. Os tons de cinza esverdeado revelam pessimismo, pois o cinza pálido indica medo.

Azul

  • O azul está em sintonia com o mistério do preto. Pensamos nele como uma cor nebulosa ou intangível. Está associado a mechas de fumaça azul em espiral acima da chaminé, topos e névoas azuladas envolvendo altas montanhas. É através do azul que nos esforçamos para penetrar nas misteriosas profundezas do mar ou nos confins do céu. Então dizemos que Deus fala ao ser humano a partir do Infinito e através da cor azul.
  • Azul também denota aspirações religiosas e devoção. Se tem um leve toque de lavanda, significa devoção a um ideal elevado e nobre.
  • Azul azulado denota uma alta fase de espiritualidade, um alcance em direção ao Infinito.
  • Azul acinzentado denota sentimentos religiosos motivados pelo medo.
  • Quando o azul é misturado ao marrom avermelhado escuro, as tendências religiosas são estreitas e preconceituosas.

Roxo

  • Para repetir, o roxo é uma combinação de vermelho e azul. Em outras palavras, significa purificação e transmutação da personalidade em espiritualidade. Como esse caminho também é marcado pela tristeza, o roxo tem sido associado a roupas de luto.
  • Roxo claro e profundo indica poder espiritual. Por esse motivo, as roupas púrpuras já foram associadas à realeza e a frase “nascido para a púrpura” sugere majestade, poder de rei.
  • A cor violeta revela uma natureza espiritualizada, tornada nobre pela tristeza. Em muitos países onde é costume usar preto como sinal de pesar pela morte de um ente querido, a cor violeta é frequentemente chamada de cor do “segundo luto”.
  • Lilás indica um amor abrangente pela humanidade.
  • Orquídea é uma cor aquariana — que tipifica o belo idealismo pertencente à Nova Era. Ele ganhará maior destaque quando o idealismo aquariano atingir uma expressão mais ampla na vida da humanidade. Nesse sentido, é significativo notar que um dos mais recentes desenvolvimentos em rosas é um requintado tom de orquídea.

Índigo

  • Repetimos: o índigo é derivado de uma combinação de laranja, verde, azul e roxo.
  • O raio índigo ainda não é bem entendido, portanto não é de uso geral. O ser humano não tem plena consciência do poder concentrado na mistura das cores secundárias. Um maior uso do Raio Índigo se prolonga até algum dia futuro.

Preto

  • O ser humano não entende o grande mistério do preto e, portanto, tende a associá-lo ao mal. Ele deve possuir sabedoria suficiente para rasgar o Véu de Isis, antes que seu mistério possa ser compreendido.
  • Como toda criação é inerente ao próprio Deus, a grande luz branca contém em si todas as cores do espectro. E ela brinca [no original, it plays] diretamente com a divindade dentro do ser humano. Quando sua divindade latente é despertada, ele entra em sintonia com a luz branca como um poder.

Deus, o Pai do nosso universo, manifesta-Se através do Raio Azul; portanto, azul é uma cor infinita. O Glorioso que Se manifesta através do Raio Branco está além de todos os Planetas, estrelas e constelações. Ele, nós identificamos apenas como o Ser Supremo.

 

O VALOR TERAPÊUTICO DAS CORES

 

Do ponto de vista de seu valor terapêutico, os vermelhos são estimulantes e revigorantes para o Corpo Denso do ser humano. Os amarelos vitalizam e aceleram suas atividades mentais. Os verdes são tranquilos e calmantes para o sistema nervoso. Os azuis são inspiradores, dando tom espiritual a toda sua composição. Os roxos aceleram e sublimam todos os processos de seu Corpo, Mente e Espírito. Cada indivíduo possui seu próprio espectro, o índice de cores de seu personagem, conhecido como sua aura.

Uma pessoa de elevado idealismo, cujos pensamentos, palavras e ações são dedicados à melhoria do mundo, não terá em sua aura os vermelhos escuros do sensualismo, os cinzas sem graça do medo e do pessimismo ou os tons escuros e enlameados do ódio e da malícia. Sua aura será luminosa com vermelho claro e brilhante, amarelo claro, azul delicado, roxo vibrante.

A aura humana é um identificador preciso de caráter. Nela não pode haver subterfúgios, hipocrisia, engano. O sábio americano Ralph Waldo Emerson[2], certa vez, escreveu algo nesse sentido: “Eu não consigo ouvir o que você diz porque o que você ‘é’ está gritando muito alto nos meus ouvidos”. Em um estudo da aura humana, podemos parafrasear essa afirmação em: “Não consigo ouvir o que você diz, porque o que vejo em sua aura proclama bem alto o que você realmente é”.

Assim, é evidente que cada experiência e todo evento da vida de um ser humano estejam em sintonia com a cor. O poeta mais requintado da Inglaterra, John Keats[3], escreveu que a vida é uma cúpula de muitas cores iluminada pela luz branca da Eternidade.

A Aura Protetora

Em todas as verdadeiras escolas esotéricas, os Estudantes aprendem uma técnica para criar e manter uma aura de luz como proteção do Corpo, da Mente e da Alma contra todas as influências malignas, sejam elas dirigidas consciente ou inconscientemente. Essa aura é uma armadura eficaz contra todas as formas de ataque psíquico ou invasão. Embora o método seja simples, ele fornece um meio eficaz e poderoso para afastar influências psíquicas adversas, como magnetismo mental malicioso, magia negra e vampirismo psíquico, sendo este último a retirada da força magnética.

O método consiste em formar uma imagem mental de si mesmo cercado por uma aura de pura, clara e cintilante de luz. Essa imagem deve ser alimentada com a determinação de que sirva ao propósito para o qual foi criada. Um pouco de prática nos permitirá sentir que na presença e no poder dessa luz branca esteja realmente a radiação do Espírito Divino — o Espírito que é o mestre de todas as coisas.

Um Mestre disse uma vez: “O ensino oculto mais elevado e mais profundo é o de que a luz branca nunca deve ser usada com a finalidade de um ataque ou ganho pessoal, mas pode ser adequadamente empregada por qualquer pessoa a qualquer momento para autoproteção contra influências psíquicas adversas, independentemente de quem as tenha usado. É uma armadura espiritual e pode ser empregada de maneira construtiva quando e onde for necessária” [4].

 

TEMPLOS DE CORES DO FUTURO

 

Em nossos escritos, tem sido frequentemente afirmado que a religião da Nova Era estará centrada na Iniciação. Tanto a cor quanto a música terão um papel importante em seu trabalho. Haverá Templos de Cores em que os Discípulos e os Iniciados receberão ensinamentos mais avançados do que o público em geral que não está pronto para receber. A instrução espiritual de toda a civilização contém “carne para os fortes e leite para bebês”[5].

Esses Templos de Cores consistirão em sete estruturas com as sete cores do espectro e cada edifício será dividido em sete compartimentos.

O desenvolvimento das cores sempre esteve em harmonia com a evolução humana. O mais primitivo dos povos não tinha senso de cor; ele estava ciente apenas do preto e do branco. Dizem que na época de Homero[6], por volta de 900 a.C., a humanidade se tornou consciente de três cores: vermelho, laranja e amarelo. Também no épico escandinavo, o Edda[7], o arco-íris é referido como tendo apenas três cores. Só na Idade de Ouro da Grécia a adorável luz verde foi claramente percebida. As cores mais altas e espirituais se tornaram visíveis muito mais tarde. Isso não ocorreu até o ser humano ter desenvolvido certas faculdades espirituais que lhe permitissem estudar as leis espirituais.

Entre os Templos de Cores do futuro, haverá um Templo Vermelho que consistirá em sete compartimentos, desde tons fundamentais de vermelho claro até delicados tons de rosa suave. Aí, um Discípulo aprenderá como transformar pureza em poder. Pensamos na pureza como uma virtude, nunca como um poder. No entanto, o Cristo ensinou que somente os puros de coração teriam a capacidade de ver Deus. Dizia-se de Sir Galahad[8], o Cavaleiro perfeito, tinha o poder de dez porque seu coração era puro.

No Templo Laranja será travada a batalha entre a personalidade (vermelho) e a sabedoria (amarelo). Essa será a arena da Grande Superação. Em um compartimento de laranja-ouro ou laranja-ouro luminoso, um Discípulo acabará por compreender o significado das palavras proferidas por Salomão, o grande rei da sabedoria: “Aquele que é lento para irar-se é melhor que o poderoso; e aquele que governa uma cidade, melhor do que aquele que toma uma cidade”.

O trabalho do Templo Amarelo será dedicado em grande parte ao desenvolvimento da Mente. Na pura glória de seu compartimento mais elevado, um Discípulo aprenderá o significado completo de iluminar ou Cristificar a Mente e compreenderá o significado da instrução de São Paulo para seus Discípulos: “Que essa Mente esteja em você, a qual também estava em Cristo-Jesus”[9].

Tanto os Discípulos quanto os Iniciados estudarão as maravilhas da vida no Templo Verde, onde aprenderão a extrair certas forças vitais da natureza e serão ensinados a transferir essas forças vitais para os Corpos Densos através do baço, com o objetivo de rejuvenescê-los e regenerar. Assim, eles serão capazes de superar as doenças e a cristalização agora vistas como os estragos da velhice. Em meio à glória da luz verde prateada que ocupa o compartimento mais elevado desse Templo, um Iniciado estará diante do próprio mistério da vida mesma e compreenderá o profundo significado das palavras do Mestre: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância”[10].

Trabalhos de lei espiritual serão estudados no Templo Azul. As operações dessa lei são hoje consideradas milagres. Banhados nos requintados tons de azul do compartimento mais elevado do Templo Azul, os Iluminados estudarão o funcionamento dessa lei nos reinos mais elevados com os quais o Planeta Terra está sintonizado.

Afirmamos anteriormente nesse texto que todo o poder do Raio Índigo ainda não se manifestou. Nos Templos de Cores da Nova Era, no entanto, esse Raio entrará em pleno funcionamento. Desse modo, os Iniciados viajarão à vontade pelo espaço cósmico para entrar em contato e comungar com os moradores de outros Planetas. Então, Saturno não será mais considerado o Planeta da obstrução como é hoje, mas será visto como o descobridor e o caminho para os Iluminados.

A lei espiritual que governa os reinos mais elevados continuará sendo estudada no Templo Roxo, mas agora essa lei será rebaixada, trazida para o plano terrestre e aqui manifestada. Sensibilizado pelo requintado Raio Orquídea de seus compartimentos superiores, o ser humano se tornará um cidadão autoconsciente de dois mundos. Ele será capaz de passar à vontade da Terra para o Céu e atender pedidos de serviço em qualquer domínio onde for necessário. Ele então se juntará a São Paulo e outras almas emancipadas no canto triunfante: “Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó sepultura, onde está a tua vitória?”[11].

Nesse estudo dos Templos das Cores do futuro, propositadamente, ilustramos os vários passos por meio de citações da Bíblia, porque desejávamos demonstrar quão verdadeiramente a Bíblia é o Grande Livro do Mistério da Vida.

Com tanta frequência ouve-se os Estudantes avançados observar: “Deixei a Bíblia para trás quando deixei a Igreja Ortodoxa. Agora que sou estudante de pensamento oculto ou superior, superei a Bíblia”. Tal declaração evidencia um completo mal-entendido do propósito e da mensagem da Bíblia. Nunca se pode superar esse livro maravilhoso. Quanto mais se desenrola o progresso espiritual, mais a Bíblia revela seus maravilhosos tesouros espirituais.

Para o ser humano, a Bíblia será o livro supremo da vida até o fim de sua evolução nesse Planeta. Não antes da conclusão desse grande ciclo encarnacional, ele compreenderá totalmente o significado da promessa bíblica: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”[12].

 

A PSICOLOGIA DAS CORES NA VIDA DIÁRIA

A Cor na Roupa e no Lar

Pelo pedido da Sabedoria Divina, a Natureza circunda a humanidade com uma variedade infinita de cores, um fato maravilhoso que muitas vezes é dado como certo. A riqueza de cores da natureza é tanto o resultado de um projeto inteligente quanto as cores de uma tela. No entanto, elas nunca foram tão ricas e significativas como são hoje. A evolução pertence a toda a natureza e isso inclui seu esquema de cores, que passou por muitas mudanças desde o primeiro amanhecer da vida neste planeta.

Somente quando o ser humano se torna conhecedor da psicologia das cores ele começa a perceber a beneficência divina que adapta os tons naturais ao seu status no tempo, lugar e na circunstância. A própria humanidade é parte integrante do grande esquema da natureza; ela não é uma coisa à parte e intuitivamente toma para si o que a natureza fornece abundantemente. As tendências das cores usadas na vida cotidiana parecem triviais; mas na realidade, elas têm suas raízes profundas na psique humana.

Toda mulher possui uma afinidade com certas cores. Essas são as cores com as quais ela deve se cercar não apenas usando-as em seu vestuário, mas na decoração de sua casa; e, se possível, no seu escritório ou local de trabalho.

Nunca tenha medo de experimentar cores até encontrar a mais agradável. Ao subirmos a escada da conquista espiritual de modo mental, moral e físico, descobrimos que também estamos elevando nosso grau de sensibilidade à cor e à luz. A escritora certa vez conheceu uma jovem que era bastante materialista em sua visão da vida. Ela se vestia em grande parte com vermelho e tinha o apartamento pintado de vermelho claro. Mais tarde, tornou-se estudante de filosofia, passando a maior parte do dia nas bibliotecas da cidade em que vivia. Ela não sabia qualquer coisa sobre a psicologia das cores naquela época, porém intuitivamente mudou a decoração de sua casa para amarelos dourados e brilhantes. Mais tarde, ela se tornou uma estudante de metafísica e mudou suas cores para o mais suave azul e azul-marinho. Nos seus últimos anos, ela se tornou uma estudante profunda do ocultismo e escreveu muitas coisas sobre as verdades suprafísicas. Foi então que ela viveu, se moveu e se voltou apenas pelo delicado, quase tênues, tons da Nova Era simbolizados pelos tons das orquídeas, de roxo acinzentado passando por rosa púrpura até o roxo avermelhado forte. Tão bonito e espiritual foi a atmosfera do seu apartamento que qualquer um podia quase ouvir a música dos seus acompanhantes angelicais.

À medida que as pessoas percebem cada vez mais a importância de se cercar das cores psicologicamente certas, a decoração de interiores se torna uma profissão mais popular para homens e mulheres. Por exemplo, um decorador pegará uma sala com exposição ao norte e, em vez de paredes brancas ou cinzas que apresentam uma aparência fria e triste em uma luz norte, pintará as paredes de amarelo pálido e brilhante. A luz de um fogo ardente em uma lareira abrirá à sala uma atmosfera tão encantadora e aconchegante que a falta da luz solar direta dificilmente será perceptível.

Uma pessoa nervosa ou que sofra de insônia se beneficiará muito pintando o cômodo ocupado com os suaves tons de verde da floresta no início da primavera. Uma pessoa solitária, que não faz amigos com facilidade e deixa de atrair companheirismo, será beneficiada por um ambiente feito em tons de rosa, variando de matizes brilhantes a entretons de flor de pêssego. Para uma pessoa envolvida em trabalhos criativos ou para um estudante metafísico que fique muito tempo em oração ou meditação, recomenda-se o azul mais suave, uma cor que pareça conter em si a chave do infinito.

As Cores na Educação da Nova Era

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a cada ano tem-se demonstrado um interesse crescente pela experimentação de cores em várias escolas, tanto públicas quanto privadas. Em algumas de nossas cidades americanas, as escolas foram construídas de acordo com especificações elaboradas em conjunto por arquitetos, educadores e psicólogos. Os especialistas posteriores cuidaram para que a cor e a luz fossem adequadamente incorporadas nas estruturas. As lousas eram verdes, o giz era amarelo, as paredes tinham três tons delicados. Almoços infantis eram servidos em pratos de plástico de muitos tons. A luz entra nas salas através de paredes e tetos construídos em grande parte com tijolos de vidro. Assim, a beleza e o brilho estão chegando com o amanhecer de um dia verdadeiramente novo. Durante as próximas décadas, à medida que o ser humano chegar a uma percepção maior da potência da cor nos assuntos humanos, certamente ela será usada cada vez mais nas salas de aula.

O tema da cor seguirá o padrão do espectro solar, mas com a adição da flor de pêssego, do roxo, preto e branco. Nas primeiras séries serão dadas instruções em salas de escarlate claro e brilhante. À medida que as faculdades mentais das crianças sejam despertadas e estimuladas, as séries intermediárias serão ensinadas em salas de amarelo claro ou verde claro. Quando os Estudantes estiverem prontos para estudos científicos e abstratos, estes serão ministrados em salas decoradas com vários tons de azul, índigo e roxo. A essa altura, os estudos sobre percepção extra-sensorial terão se tornado uma parte essencial do currículo escolar regular. Os estudantes que estiverem prontos para estudar assuntos como o desenvolvimento de telepatia, clarividência, clariaudiência e afins receberão instruções em salas de cor malva mais suave e todas as requintadas tonalidades das orquídeas (do roxo acinzentado, passando pela rosa púrpura até o roxo avermelhado forte).

Declarações e sugestões de inovações tão interessantes e de longo alcance ecoaram mais de uma vez através dos tempos. Um poeta do século XI canta:

“Sol, Nuvem e Chuva geram o Arco —

Que moral está chamando aqui?”

 

As Cores na Indústria

As cores estão sendo usadas nas fábricas por seu efeito psicológico nos trabalhadores. Descobriu-se que ambientes mais claros significam maior produção de trabalho de alta qualidade e menos acidentes. Um caso grave de “tristeza” deve-se frequentemente à grande quantidade de cinzas ou marrons deprimentes nos arredores.

Em uma fábrica perto de Londres, a falta entre as mulheres empregadas subiu a um ritmo alarmante. Um especialista em cores foi chamado e percebeu que a iluminação fizesse o rosto das mulheres parecer azul e doentio. Um olhar no espelho e elas sentiram-se doentes. Uma camada de bege quente sobre as serpentinas de cor cinza-ferro neutralizou esse efeito e o problema das ausências foi resolvido.

Os seguintes e interessantes trechos da Revista Popular Science Monthly são ilustrativos da crescente conscientização da indústria sobre o poder e a eficácia das cores:

“As garotas de uma fábrica no centro-oeste com ar-condicionado reclamavam de sentir frio, embora a temperatura fosse mantida em 22,2º C. Quando as paredes verde-azuladas foram repintadas com uma cor quente de coral, no entanto, suas queixas cessaram. Em outra fábrica, os trabalhadores que levantavam caixas pretas de metal, cheias de canos de sarça, reclamavam que doía as costas. Em um fim de semana, o chefe pintou as caixas com um tom de verde pálido. Na segunda-feira de manhã, vários homens comentaram: ‘Essas novas caixas são leves e fazem uma diferença real’”.

Tais evidências dos poderes enganosos e persuasivos da cor não são novidade para a ciência. A pessoa comum subestima a temperatura de uma sala azul e superestima a temperatura de uma sala vermelha, julgando que os objetos de coloração escura sejam mais pesados do que realmente são. Nos últimos dez anos, a ciência da engenharia de cores aplicou esses e outros fenômenos de cor a trabalhos práticos de larga escala.

Enquanto o vermelho induz à ação, o verde — a cor da natureza — parece promover uma sensação de bem-estar. A Ponte Blackfriars[13], em Londres, era famosa por suicídios. Quando o ferro preto foi repintado de verde brilhante, os suicídios da ponte caíram em mais de um terço.

Os proprietários de navio economizam milhões de dólares por causa da descoberta feita pela Scripps Institution of Oceanography de que as cracas, organismos marinhos que sujam os navios ao se prenderem no casco, gostam particularmente de cores escuras e se instalam em número muito menor em cascos verdes claros ou brancos. Uma maneira simples, certamente, de diminuir a “conta de craca” anual de US$ 100.000.000,00 dos navios americanos.

A experiência em tempo de guerra desenvolveu um programa completo de cores para a indústria, com resultados tão impressionantes que centenas de fábricas estão adotando. Os gerentes atribuem aumentos de produção de 15% a 30% apenas à seleção científica de cores.

Prognóstico Baseado nas Cores

A consciência de massa expressa sua percepção das cores sobretudo em roupas, iluminação, decorações e outras mídias. E os eventos também têm seus elementos de cores próprias. Quando são de caráter universal e carregados de profundo significado, rapidamente se traduzem através da consciência humana em cores correspondentes no plano da expressão. As constantes conversas sobre guerra durante 1939 e seu surto real antes do final daquele ano fizeram do vermelho a moda predominante no uso de roupas. À medida que a guerra se espalhou em 1940, o vermelho ganhou popularidade. Chapéus, vestidos, casacos e bolsas escarlates eram visíveis em qualquer grande aglomeração. Isso estava de acordo com as exigências da natureza, pois o vermelho brilhante é a cor relacionada à força, coragem, iniciativa e atividade física. É a radiação do próprio valor, uma qualidade necessária para o êxito do julgamento do conflito.

Vermelho é uma cor marcial. Quando o deus da guerra paira sobre uma nação, ele acena uma bandeira vermelha. Quando pensamentos-formas de guerra envolvem um povo, sua reação psicológica se manifesta como predominância do escarlate no mundo da moda.

À medida que a guerra avançava, era necessário algo mais. O estresse e a tensão de 1942 e 1943 tendiam a quebrar o espírito de luta do ser humano. Os construtores da moral se tornaram outra necessidade. Aqui, novamente, a cor teve um papel indispensável. Os tons mais brilhantes que se possa imaginar vieram à tona; quanto mais flagrantes e vívidos, melhor. Então, seguiu-se uma temporada de roxos reais, fúcsias brilhantes e magentas ricas, frequentemente usados juntos nas combinações mais impressionantes. Alguns eram bastante chocantes e serviam para dar vibração ao espírito humano, elevando-o acima da dúvida e da tristeza, da depressão e do desespero. Eles tiveram o efeito de desviar o olhar mental para a direção do revestimento prateado das nuvens. Tudo isso foi um indicativo dos dias mais brilhantes do outro lado da provação.

O ano de 1944 foi um ano de cor pastel. As combinações de cores brilhantes e climáticas foram sucedidas por tintas requintadamente suaves e macias. A necessidade de seu efeito curativo havia chegado. Após longos meses de guerra, o suspense, a agonia de esperar por notícias e o desgosto evidenciado pela exibição muito frequente de uma estrela dourada — as pessoas não podiam mais tolerar o efeito galvânico de cores vivas. A vitória na frente de batalha já foi concedida, sua realização é só uma questão de tempo. Portanto, em vez de um incitamento contínuo à ação, uma atitude de equilíbrio era essencial para concluir o conflito e fazer as pazes. Essa postura foi a mensagem que os tons pastéis introduziram nesse importante trabalho.

As tonalidades da cor pastel encontraram uma bela expressão nas decorações da época de Natal de 1944. Em algumas de nossas mais famosas lojas de departamento nas grandes cidades, os temas decorativos para as vitrines e os interiores não estavam nos vermelhos e verdes convencionais, nem nos delicados tons de arco-íris. De acordo com essa tendência, houve pelo menos um exemplo importante em que o tradicional Papai Noel foi substituído por Anjos de prata. Comentando a mudança, o gerente de um desses empórios expressou a esperança de que essa inovação em seu esquema de cores diminuísse nos compradores de Natal o estresse e a ansiedade da tensão nervosa.

Com a conclusão da guerra em 1945, os pensamentos estavam sendo direcionados para curar as rachaduras que ela havia trazido e para efetivar unidades maiores entre pessoas e nações. Um Mundo se tornou quase um lema da época. Portanto, embora a necessidade de consolo e cura em matizes de cor pastel ainda estivesse presente e ficasse na vanguarda da moda, a cor que então veio a dominar foi um lindo azul, o azul descrito como azul empoeirado ou cinza. Esta é a sombra suave e enevoada de um céu de junho, a cor que pertence à cura, ao idealismo, aspiração e sonhos de dias melhores em um mundo melhor.

Pode-se dizer que o ano de 1946 viu o nascimento de um novo mundo, pois a bomba atômica soara a morte do antigo. O pensamento principal em muitas Mentes e a palavra em milhares de lábios era que tivéssemos chegado a um ponto de virada em que a escolha era entre um mundo ou nenhum. A consciência do povo estava tão preocupada como nunca com as relações internacionais. E mais uma vez a tendência no pensamento dos seres humanos se refletiu nos modos predominantes da estética. Citamos uma nota de moda daquele dia: “As estampas da primavera contam sua própria história. Existem as viagens de Gulliver e a influência chinesa foi fortemente marcada. Um estilista exibiu uma blusa chinesa com decorações russas para ser usada com uma faixa espanhola.” — Outra evidência de que nos vestimos como sentimos e pensamos.

Como dissemos, o vermelho foi a cor dominante durante os primeiros anos da guerra, o vermelho da destruição. Mas o vermelho também é a cor da iniciativa e da ação; portanto, para a construção de um novo mundo, o vermelho ainda tinha trabalho a fazer e estava em evidência. Agora, porém, ele apareceu em uma combinação apropriada à sua função construtiva. Amarelo dourado é a cor unificadora, aquilo que aglutina. Uma nota da moda nesse período afirma que o vermelho dourado (tomate) estava sendo mostrado extensivamente e fez com que a feira se tornasse extremamente popular. A influência do amarelo fundido com o vermelho se refletiu nos esforços para estabelecer as Nações Unidas como uma organização que funcionasse com sucesso; outra evidência das forças da cor que estão em ação sob a superfície, tornando-se expressamente manifestas em nosso ambiente cotidiano.

Agora, o ouro no coração da humanidade deve transmutar o vermelho da guerra e conquistar o vermelho dourado da estrela do dia em que a humanidade possa “andar na luz como Ele está na luz”[14] e assim ter uma comunhão verdadeira e duradoura, uns com os outros.

Em outubro de 1949 as últimas notas da moda listavam vermelho como a cor mais popular. Mulheres elegantemente vestidas usavam conjuntos completos de vermelho — chapéu, paletó, bolsa e sapatos. Azul marinho, preto e marrom, antes tão amplamente usados no inverno, estavam sendo substituídos pela cor marciana. Foi então lembrado que a última vez que o vermelho foi o decreto da moda foi no inverno de 1940 e 1941; e que, fiel à sua significação, anunciou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, imediatamente após o ataque do Japão a Pearl Harbor. Perguntou-se, então, se um retorno ao vermelho na moda feminina pressagiasse eventos de natureza semelhante ou se fosse apenas uma transferência dos anos sanguinários tão recentemente encerrados. “O tempo dirá” foi a conclusão do artigo.

E assim foi. Em 1950, os Estados Unidos se envolveram em outro conflito sangrento, na Coréia. As cores certamente falam uma linguagem profética, se pudermos interpretá-las corretamente.

Nesses dias de extremo perigo e estresse, se de repente a moda decretar que o vermelho brilhante seja o tom da cor predominante da próxima temporada, à luz dos prognósticos de cor do passado, poderíamos supor que o deus da guerra esteja pairando muito perto.

Meditação Baseada nas Cores

Até que chegue o momento em que algum inventor da Nova Era traga à Terra um verdadeiro órgãos de cores, os Aspirantes considerarão necessário fazer seu próprio trabalho de experimentação, seguindo os passos do músico ou clarividente que possa estabelecer algumas regras básicas e simples. Mostramos em outro lugar as correlações entre os esquemas de cores e atividades de vários tipos. Resta dar uma técnica simples para fazer uso pessoal e direto da cor, uma arte que possa ser combinada com a música que o próprio Aspirante escolher.

É sempre possível comprar lâmpadas coloridas da cor que se deseja usar. No entanto, os Estudantes da Verdade que estejam aprendendo a entender algo dos maravilhosos poderes de concentração e visualização estão começando, criativamente, a partir de “banhos de cores” diários na mediação, pois as cores físicas são as sombras mais simples das formações vitais e poderosas de cores do mundo espiritual.

As cores mais propícias à meditação espiritual estão na faixa entre as cores violeta e ametista; também azul-violeta e azul-escuro profundo do índigo; essas cores correspondem aos centros espirituais de força, na cabeça. Leonardo da Vinci disse que o poder da meditação aumentaria 10 vezes, se ela fosse feita sob os raios de luz violeta que caíam através dos vitrais de uma igreja tranquila.

O azul é uma cor calmante, tranquilizante e, portanto, excepcionalmente boa para meditação, especialmente em assuntos espirituais e altruístas. Incentiva uma tranquilidade mental altamente receptiva à inspiração espiritual. É especialmente a cor do humor devocional e estimula o desejo de exercícios devocionais. É a cor da Madonna – a Virgem Maria com o Menino Jesus.

No trabalho da meditação, o ambiente deve ser tão calmo quanto as condições permitirem e sempre, se possível, deve haver um plano de fundo para música relaxante e tranquila. Deve-se assumir uma postura completamente relaxada, reclinando-se em um sofá ou sentando-se em uma cadeira confortável. Depois que as tensões corporais são relaxadas, devemos visualizar a cor apropriada ao tema escolhido para a meditação e imaginá-la em ritmos suaves, como as ondas do mar. Primeiro, as ondas cobrem os pés; depois, sobem para os joelhos; a seguir, para a cintura, o coração, a garganta; finalmente, elas cobrem a cabeça. Assim, nós nos banhamos e lavamos nessa harmonia de cores por 10, 15, 20 ou mesmo 30 minutos de cada vez, fechando-nos completamente ao mundo exterior e vivendo em um verdadeiro mar de cores. O efeito é estimulante e renovador.

Até que nos familiarizemos completamente com a arte do banho de cor, é melhor manter a Mente completamente inativa. No entanto, depois de ficar à vontade com o processo, ele nos ajudará a meditar sobre algum poema inspirador e favorito ou uma passagem bem amada das Escrituras, como: “Fique quieto e saiba que Eu sou Deus.”[15]; “Ele me leva ao lado das águas tranquilas.”[16]; “Certamente, a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para sempre.”[17].

Esse método de meditação baseado nas cores é aplicável à cura de outras pessoas e de nós mesmos. Pode ser usado em clínicas de cura espiritual onde cada um dos 12 Signos, os nove Planetas (mais a Lua) sejam representados por um Curador que trabalhe com os pacientes cujos horóscopos sejam harmoniosos com o seu próprio[18]. Esses grupos de cura se tornarão centros focais para um influxo de tremendo poder espiritual: um poder tão vasto e um espírito tão poderoso que os que zombam permanecerão para louvar e, talvez, até orar!

 

Cor e Música na Nova Era

Para o esoterista a visão de cores significa que o olho espiritual da Clarividência se tornou consciente das cores vivas, que são um fenômeno básico do Mundo do Desejo. No Mundo do Desejo – emoções, sentimentos e desejos são visíveis em formações objetivas —, nuvens de cores exibem as qualidades da vida da alma de toda a raça humana. Aqui também são vistas as formações de cores criadas pelas emoções cósmicas de Anjos, Arcanjos e outros seres cósmicos, bem como pelos animais e pelos espíritos da natureza que trabalham nos reinos vegetal e mineral.

No mais elevado dos Mundos suprafísicos pelos quais passamos nesse atual momento da evolução, o Mundo do Pensamento, a qualidade básica é o som, pois esse é o reino da Música das Esferas e aqui as canções arquetípicas da criação ressoam no espaço. O Mundo de Desejo e o Mundo do Pensamento não são separados um do outro. Em vez disso, eles se interpenetram e os padrões de cores vistos no Mundo do Desejo são, de fato, “animados” pelas harmonias do Mundo do Pensamento.

Onde pensamentos e emoções são complexos e altamente civilizados, o som e os padrões de cores são correspondentemente intrincados. Esses padrões do Mundo do Desejo, que variam a partir de simples manchas de cor como pequenas nuvens que, quando agrupadas, assemelham-se a massas ondulantes de nuvens, são nuvens de emoções coletivas que, às vezes, surgem e rolam sobre vastas multidões de pessoas. É nesses blocos de nuvens que os grandes Arcanjos que guiam a evolução das raças e nações podem, de vez em quando, ser vistos dirigindo suas acusações aos da raça ou nação — como muitos videntes os descreveram na literatura sagrada em todo o mundo.

A emocionante música marcial de canções patrióticas envia exércitos para a batalha em uma onda de escarlate, vermelho e dourado combinados com lâminas de luz reluzente e mutável, representando a justa indignação e um forte espírito de autodefesa. Não é de surpreender que essas lâminas de luz, na aura, sejam confundidas com lanças e espadas reais nas mãos de guerreiros sobrenaturais, embora geralmente essas lâminas circundem seus corpos em uma espécie de auréola. Tal é a representação da alta coragem moral, mas não da excitação de raiva mostrada como relâmpagos na aura contra um fundo preto e escarlate.

Onde os processos de pensamento são claramente definidos, como em um intelecto treinado, as formas de pensamento são nítidas e claras. A aura humana também revela essa linha de desenvolvimento, sendo nublada e indefinida nos contornos das pessoas comuns; porém clara de contorno, radiantemente transparente, brilhante e com cores vivas, nas pessoas de cultura superior.

Em um artigo não-assinado e publicado na Revista Rays from the Rose Cross, em outubro de 1915, supostamente escrito por Max Heindel, que era seu editor, lemos: “Quando aprendemos a controlar nosso senso de visão para poder olhar para um ser humano sem ver sua forma física, então sua fotosfera ou aura poderá ser vista em todo o seu esplendor, pois as cores da Terra são opacas em comparação aos fogos vivos e espirituais que cercam todo humano e dele emana. O jogo cintilante da aurora boreal nos dá uma ideia de como essa fotosfera ou sombra age; ela está em movimento incessante, dardos de força e chamas estão constantemente sendo disparados de todas as partes e particularmente ativos ao redor da cabeça; as cores e os tons dessa atmosfera áurica mudam a cada pensamento ou movimento”.

 

 Equivalentes Tonais de Forma e Cor

A pensamento-forma adequada, que tem a ver com ideias dissociadas de um sentimento ou emoção, também mostra que exista uma relação entre a forma (ou o desenho) e o tom, pois os tons arquetípicos soam continuamente no Mundo do Pensamento. Os cientistas ocultos indicam, há muito tempo, que deve haver uma analogia física muito conhecida nesse processo do mundo celestial. Se a areia for colocada sobre uma folha de vidro ou latão e, ao redor da sua borda, for friccionado um arco de violino, o som fará com que a areia forme padrões que, na ciência da acústica, são chamados de “as figuras de Chladni”[19]. As figuras variam quando a placa é curvada em um ponto ou outro.

Nas condições densas e rígidas do Mundo Físico, esses três processos — som, cor e desenho ou forma — são separados um do outro. No Mundo do Desejo, ocorrem simultânea e automaticamente, em consonância com as leis que governam os reinos internos. Assim, pode acontecer que, quando um Auxiliar Invisível estiver acordado no Mundo do Desejo, enquanto seu Corpo Denso dorme na Região Química do Mundo Físico, ele repentinamente pode perceber que a música está fluindo dos objetos a sua volta.

Talvez ele acorde em seu Corpo-Alma e se encontre em uma galeria de arte onde vê belas imagens de Cristo reproduzidas através dos poderes reflexivos do Mundo do Desejo. Enquanto ele as contempla, há uma explosão de música como a de um grande órgão de tubos. Ela é derramada pelas imagens e parece preencher todo o espaço. O que é essa música? É a dimensão mais alta das imagens, o equivalente a elas em termos de som — como é conhecido no céu superior, onde o som domina. Em outras palavras, os quadros de Cristo pintados com música.

Como vivemos o tempo todo não apenas no Mundo Físico, porém nas dimensões superiores da alma que o interpenetram, todos nós temos um profundo conhecimento intuitivo desses fatos sobre o Mundo do Desejo. Isso sempre foi conhecido pelos membros das Escolas de Mistério. Platão ensinou que o amor à beleza é apenas a lembrança da alma, daquilo que ela conhecia antes de ser envolta em carne.

O compositor russo Scriabin[20] estava profundamente interessado no estudo da cor e da música. No momento de sua transição, ele estava trabalhando no que esperava ser sua obra-prima, uma sinfonia na qual as duas seriam misturadas. Sua ideia era colocar uma tela no palco, acima da orquestra. À medida que a sinfonia fosse realizada, as cores apareciam simultaneamente na tela. Sua morte foi uma grande perda para a arte da Nova Era de combinar cor e música, pois ele foi um pioneiro talentoso nesse campo de empreendimento tão fascinante. A tabela a seguir é a correlação de Scriabin entre notas musicais e cores, como ele as viu.

Nota Musical

Cor Relacionada
C Vermelho
C# Violeta
D Amarelo
D# Brilho do Aço
E Azul Perolado e Brilho do Luar
F Vermelho Escuro
F# Azul Brilhante
G Laranja Rosado
G# Roxo ou Púrpura
A Verde
A# Brilho do Aço

B

Azul Suave

 

A Dança do Arco-íris

“Você tem seus olhos, você tem seus ouvidos: olhe com seus olhos para as coisas da Natureza, ouça com seus ouvidos o que acontece na Natureza; o espiritual se revela através da cor e do tom, e quando você olha e ouve, você não pode deixar de sentir como ele se revela neles.”

No rádio, a pergunta foi feita recentemente: “O que é a verdade?”. Um cientista físico respondeu: “A verdade é apenas aquilo que possa ser evidenciado através da percepção sensorial”. Como o ser humano pode ser cego e covarde! Toda a Natureza está se esforçando para lhe revelar algo sobre os maravilhosos milagres que o cercam, mas ele se contenta em viver na estreita prisão de seus cinco sentidos.

As pessoas admiram o arco-íris com os olhos abertos. Contudo se você olhar para o arco-íris com um pouco de imaginação, poderá ver seres elementares. Tais seres elementares estão cheios de atividade e demonstram isso de maneira notável. Aqui, no amarelo, você vê alguns deles saindo do arco-íris, saindo continuamente. Eles se movem e, quando atingem a extremidade inferior do verde, são atraídos para o amarelo novamente. Para quem o vê com imaginação, todo o arco-íris manifesta um fluxo que sai do espírito e, desaparecendo, volta novamente para ele, por dentro. É como uma dança espiritual; de fato, uma valsa espiritual maravilhosa para observarmos. E você também pode ver como os Seres espirituais saem do arco-íris com um medo terrível e como entram com uma coragem invencível. Quando você olha para o vermelho-amarelo, vê o medo se esvaindo e, quando olha para o azul-violeta, sente existir muitíssima coragem e bravura no coração desses Seres.

Agora imaginem para si mesmos: diante de mim não existe um simples arco-íris! Seres estão saindo dele e entrando nele, aparecendo e desaparecendo — aqui, ansiedade e medo; lá, coragem… E agora, aqui o arco-íris recebe uma certa espessura e você será capaz de imaginar como isso dá origem ao elemento Água. Nesse elemento aquoso, os seres espirituais vivem, seres que são na verdade uma espécie de cópia dos Seres da Terceira Hierarquia”.

Todas as manifestações de cores que ocorrem nos reinos interno e externo desse Planeta Terra estão sob a supervisão e direção das três grandes Hierarquias, a saber: Sagitário, os Senhores da Mente; Capricórnio, os Arcanjos; Aquário, os Anjos.

Evidentemente, o poeta Robert Browning[21] havia desenvolvido algumas de suas faculdades ocultas, o que lhe permitiu penetrar nos reinos internos, quando escreveu:

“Apenas a obstrução do prisma mostra corretamente

o segredo do raio de sol:

Quebra sua luz em arco de joias para um cobertor branco.

Assim, pode surgir uma glória de um defeito.”[22]

Lumia — Uma Nova Forma de Arte

Durante as últimas décadas, vários instrumentos foram inventados com o objetivo de sincronizar cores e tons. Entre as mais bem-sucedidas dessas invenções está a do Sr. Thomas Wilfred[23], chamado Clavilux. Muitas pessoas, lendo essas linhas, recordam o interesse agradável com que compareceram às apresentações do Clavilux. A descrição do trabalho do Sr. Wilfred foi obtida com permissão da edição de agosto de 1962 do The Journal of Borderland Research (O Jornal de Pesquisa da Fronteira), conforme abaixo.

“Uma forma de arte completamente nova, chamada Lumia, foi criada para a sala de recepção dos escritórios de Clairol, em Nova York, na Quinta Avenida, nº 666, pelo Sr. Thomas Wilfred. As cores em movimento são projetadas em uma tela de três metros para dar a ilusão de uma pintura abstrata sendo criada no espaço, à medida que os matizes e as formas passam por uma série predeterminada de padrões. As cores vivas, movendo-se lenta e constantemente pela tela, em combinação com tons mais delicados, criam uma experiência visual incomum que possa ser vista por segundos, minutos ou horas. A procissão das constelações de cores está programada para durar um ano, 34 semanas, 22 horas e 10 minutos; em seguida, ela recomeça, repetindo exatamente a composição.

A “luz móvel” é chamada Estudo em Profundidade, Obra 152. O Sr. Wilfred criou anteriormente 151 composições. Essas outras obras estão no Museu de Arte Moderna, no Museu Metropolitano de Arte, no Museu de São Francisco e muitas em coleções particulares. A composição Lumia de Clairol é a maior, terá a maior duração e é a primeira em um escritório”.

Uma composição Lumia registrada em 1955, presente do Sr. e da Sra. Julius Stulman para o Museu de Arte Moderna, em Nova York, é interessante:

“Lumia, a arte da luz, foi desenvolvida por Thomas Wilfred, que fez experimentos por anos, durante o primeiro quarto de século. Em 1921, ele completou seu Clavilux, um instrumento que consiste em vários projetores poderosos com um teclado semelhante a um órgão e que controla a forma, a cor e o movimento projetados em uma grande tela branca. Em 1922, em Nova York, Wilfred apresentou seu primeiro recital Lumia usando o Clavilux e, durante 20 anos, ofereceu recitais de Clavilux pelos Estados Unidos, Canadá e Europa. Em 1930, ele fundou o Instituto de Arte da Luz para o estudo e desenvolvimento desse novo método. O Instituto manteve laboratórios e um recital em Nova York até os anos da guerra.”.

Thomas Wilfred continua seu trabalho com Lumia, criando composições e gravando-as para repetição automática em instrumentos do tipo “Aspiração”, como mostrado no Museu de Arte Moderna. O artista descreve esse trabalho como um tema de 397 variações. Os ciclos de forma e cor têm duração diferente. Assim, toda vez que o ciclo da forma se repete, ele o faz com um tratamento diferente de cores — uma coincidência quase ocorre a cada duas horas e 32 minutos. Toda a composição tem uma duração de 42 horas, 14 minutos e 11 segundos.

Sobre Lumia, a arte da luz, diz Wilfred:

“O ser humano construiu com pedra, esculpiu em mármore, pintou com pigmentos moídos, soprou através de juncos, puxou cordas, cantou, dançou, escreveu e falou. Assim, nossas sete belas artes cresceram junto à nossa civilização. Suas ferramentas e meios de comunicação eram simples e próximos. Um meio, porém, desafiava as tentativas de aproveitamento do ser humano: a Luz, a maior força natural que nossos sentidos podem captar, a fonte e a manutenção de toda vida e crescimento.

Mas, com o advento da eletricidade, um caminho se abriu e agora uma grande e nova época começa na estética. Nasceu uma oitava forma de arte importante para se juntar às sete aceitas: a arte da luz. Foi nomeada Lumia. Aqui, a luz é o único meio de expressão do artista. Ele deve moldá-la por meios ópticos, quase como um escultor molda a argila; ele deve adicionar cor e, afinal, movimento à sua criação.

O movimento, que é a dimensão do tempo, exige que o artista seja um coreógrafo no espaço, um dançarino por procuração, cujo corpo não tem peso e pode assumir a forma desejada. Isso ele consegue manipulando as teclas deslizantes da forma, da cor e do movimento no console (mesa de controle) do órgão de um instrumento Clavilux. Um sistema de notação especial é usado. As teclas acionam combinações ópticas em uma bateria de projeções poderosas e o resultado é exibido em uma grande tela branca.

O compositor do Lumia também pode gravar suas obras para repetição automática em armários independentes que se assemelham a aparelhos de televisão. O objetivo do artista é transformar a tela em uma grande janela com vista para o espaço infinito, um palco imaginário de dimensões astronômicas e, por fim, tocar nesse palco uma música visual e silenciosa feita de forma, cor e movimento.

Mais informações podem ser obtidas com Thomas Wilfred, em West Nyack, Nova York”.

Técnicas de Cura para a Era Aquariana

Talvez os sensitivos sejam os mais beneficiados pelos instrumentos de cores da Nova Era e a quantidade de sensitivos está se multiplicando rapidamente — o que significa que toda a população um dia necessitará da cura diretamente trazida do céu para a Terra dessa maneira. Filhos de anos tenros e aqueles que ainda não nasceram podem ser influenciados por cores que afetem a vida de suas mães. Os poderes latentes em cores e tons têm possibilidades quase infinitas para beneficiar a humanidade. Quando esse fato for largamente aceito, o trabalho com as cores e os tons será o fator mais importante nos programas de tratamento diário de hospitais e escolas. Quando pais, médicos e professores forem sábios o suficiente para empregar os valores construtivos das cores no lugar de tecidos opacos e das tendências atuais e flagrantes da música, uma nova era na cultura, na cura e na educação será aberta a todos, especialmente às crianças. Aqueles de inteligência média se tornarão precoces e os problemas de delinquência diminuirão rapidamente. Uma geração mais sábia e mais responsável abençoará a Terra.

Que a seguinte lista de composições ajude os Estudantes a selecionar músicas para seus períodos de meditação. Meditação de Thaïs de Massenet[24]; Ave Maria, Bach-Gounod[25]; Música do Graal de Wagner[26]; Missas[27] e Evangelhos[28] tocados por vários compositores; hinos favoritos de um humor terno[29].

Azul, azul-violeta, lavanda e roxo devem ser usados com as músicas de fundo devocionais acima mencionadas. A meditação para o desenvolvimento do poder interior exige música iniciática e tons de azul, índigo, violeta, roxo ou ametista. Abaixo, algumas composições sugeridas:

O Ciclo do Anel[30] — Wagner; Parsifal, Lohengrin[31] — Wagner;

Orfeu e Eurídice[32], Alceste[33] — Gluck; A Flauta Mágica[34] — Mozart;

Thaïs[35] — Massenet; Aida[36] — Verdi; as Nove Sinfonias de Beethoven[37];

O Lago dos Cisnes[38], A Bela Adormecida[39] — Tchaikovsky.

Além disso, existem ótimas gravações de leituras dos grandes clássicos da literatura e religião, tanto em prosa quanto em poesia, que sejam úteis à meditação, quando acompanhados de cores e composições musicais adequadas.

FIM

[1] N.T.: Nikolai Konstantinovich Rerich (1874-1947), Nicholas Roerich, na grafia inglesa, foi um pintor, escritor, historiador, poeta e professor espiritual (líder intelectual) russo.

[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

[3] N.T.: John Keats (1795-1821) foi um poeta inglês.

[4] N.T.: Os instrutores da Ordem Rosacruz ensinam a seus Discípulos a se protegerem contra as influências malévolas dos demais, mediante a formação e manutenção de uma “aura protetora”, que é para o Corpo, a Alma e o Espírito uma verdadeira armadura impenetrável contra qualquer influência negativa dirigida consciente ou inconscientemente. Essa Aura proporciona um sensível, mas muito poderoso, meio de proteção contra todo o tipo de ataques ou influências psíquicas maléficas, não importa como nem de onde venham.

A formação desta “Aura Protetora” se realiza mediante um esforço de vontade formando uma imagem mental de si mesmo rodeado de uma Aura pura e clara de luz branca brilhante. A luz branca é o símbolo e a radiação do Espírito, e o Espírito tem absoluta potestade sobre todas as coisas. Com um pouco de prática se chega a sentir realmente a presença e o poder desta “Aura Protetora”.

Um Mestre disse: “o mais alto e mais profundo dos ensinamentos ocultistas é que a luz branca nunca dever ser utilizada para atacar ou para ganhos pessoais, mas ser pode ser usada para proteger a si mesmo contra as influências psíquicas adversas, não importa por quem foram exercidas. Essa é a armadura do Espírito, e pode ser empregada de tal maneira, quando e onde quer que seja necessário”.

O “fogo de Cristo” também tem uma elevadíssima potência protetora e é de grande ajuda quando se percebem presenças indesejáveis, pedindo a Cristo que nos rodeie com Seu fogo purificador e protetor.

[5] N.T. ICor 3:2

[6] N.T.: Homero foi um poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia.

[7] N.T.: Eddas, Edas ou simplesmente Edda, é o nome dado a duas coletâneas distintas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia, e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica: A Edda em prosa e a Edda em verso.

[8] N.T.: Galahad (também conhecido por Galaaz ou Gwalchavad) é um personagem lendário das histórias do Ciclo Arturiano. Galahad era um dos Cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur e um dos três que conseguiu alcançar o Santo Graal. Era o filho de Lancelote e de Helena de Carbonek.

[9] N.T.: ICor 2:16

[10] N.T.: Jo 10:10

[11] N.T.: ICor 15:55-57

[12] N.T.: Jo 8:32

[13] N.T.: é uma ponte rodoviária e rodoviária sobre o rio Tamisa, em Londres, entre a Waterloo Bridge e a Blackfriars Railway Bridge, que leva a estrada A201.

[14] N.T.: IJo 1:7

[15] N.T.: Sl 46:10

[16] N.T.: Sl 23:2-4

[17] N.T.: Sl 23:6

[18] N.T.: Para isso utiliza-se a metodologia de Cura Rosacruz que é praticada nos Departamentos de Cura de Cada Centro Rosacruz autorizado pelo mundo.

[19] N.T.: Os nós de vibração de uma placa elástica fina formam linhas caracteristicas da frequência específica que foi animada. A materialização dessas linhas com um pó, geralmente o pó de lycopodium, forma as figuras de Chladni. O nome das figuras origina-se do físico alemão Ernst Chladni.

[20] N.T.: Alexander Nikolayevich Scriabin (1872-1915) foi um compositor e pianista russo que iniciou com um estilo de composição tonal semelhante à linguagem harmônica de F. Chopin e desenvolveu, de forma independente à Segunda Escola de Viena, mas através de suas crenças espirituais, uma linguagem musical altamente atonal que pode atualmente ser comparada com composições dodecafônicas e serialistas. Ele hoje é considerado uma das figuras mais importantes da escola russa de composição do início do período moderno, tendo influenciado outros compositores como Sergei Prokofiev e Igor Stravinsky.

[21] N.T.: Robert Browning (1812- 1889) foi um poeta e dramaturgo inglês.

[22] N.T.: do poema Deaf and Dumb de Robert Browning.

[23] N.T.: Traduzido do inglês-Thomas Wilfred, nascido em Richard Edgar Løvstrøm, foi músico e inventor. Ele é mais conhecido por sua arte leve, que ele chamou de lumia, e seus projetos para órgãos de cores chamados Clavilux. Wilfred não gostava do termo “órgão colorido” e cunhou a palavra “Clavilux” do latim, que significa “luz tocada por chave”.

[24] N.T.: Thaïs é uma ópera em três atos de Jules Massenet (1842-1912 – foi um compositor francês) para um libreto em francês de Louis Gallet, com base no romance homônimo de Anatole France. Foi apresentada pela primeira vez no teatro da Ópera de Paris em 16 de março de 1894, com a soprano norte-americana Sybil Sanderson, para quem Massenet escreveu o papel-título. Ambientada no Egito durante a época romana, conta a história de Athanaël, um monge cenobita que tenta converter Thaïs, uma cortesã de Alexandria e devota de Vênus, à Cristandade, embora sem muito êxito. A meditação, passagem mais famosa da ópera, é executada como interlúdio entre duas cenas do segundo ato, e faz parte do repertório clássico tradicional, sendo executada normalmente como peça de concerto.

[25] N.T.: A Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto em latim da Ave Maria. A peça é composta por uma melodia do compositor romântico francês Charles Gounod especialmente projetada para se sobrepor ao Prelúdio No. 1 em C maior, BWV 846, do Livro I de J.S. Bach, O Cravo Bem Temperado, escrito cerca de 137 anos antes.

[26] N.T.: da ópera Parsifal, ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no Bayreuth Festspielhaus em Bayreuth no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII).

[27] N.T.: Algumas das mais importantes Missas são a Missa em Si Menor, de Bach; a Missa Nelson, de Haydn; a Grande Missa em dó menor, de Mozart; a Missa Solemnis, de Beethoven; a Petite Messe Solennelle, de Rossini; a Deutsche Messe, de Schubert; a Missa em Fá Maior, de Bruckner e a Missa Glagolítica, de Janáček (esta, de maneira nada ortodoxa, é cantada em eslavo antigo). Compositores como Palestrina, Charpentier, Bach, Haydn, Mozart, Gounod e Bruckner escreveram um grande número de missas. Michael Haydn compôs mais de 40 missas.

Outra espécie de missa é o Réquiem, a Missa de Defuntos (o Requiem, de Mozart, o Requiem für Mignon, de Schumann, o Requiem, de Verdi, o Réquiem Alemão, de Brahms, o War Requiem, de Britten e o Requiem, de Webber).

Além disso, há obras sobre partes da missa ou outros textos litúrgicos, como o Gloria (Vivaldi e Poulenc), o Magnificat (Bach), o Te Deum (Charpentier, Purcell, Haydn, Mozart, Nunes Garcia, Berlioz e Bruckner), o Stabat Mater (Vivaldi, Pergolesi, Rossini e Dvořák) e o Exsultate, jubilate (Mozart), entre outros.

[28] N.T.: Alguns exemplos: A Paixão segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como Paixão segundo São Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus.

Baseado no Evangelho de São João: O Oratório de Natal BWV 248, é um oratório de Johann Sebastian Bach compilado para ser apresentado na igreja durante a época do Natal.

Paixão Segundo São Mateus composta em 1746 por Georg Philipp Telemann.

[29] N.T.: Exemplos: Hinos Rosacruz de Abertura e de Encerramento dos Rituais do Templo e de Cura.

[30] N.T.: Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos) é um ciclo de quatro óperas épicas do compositor alemão Richard Wagner. Elas são adaptações dos personagens mitológicos das sagas nórdicas e do Nibelungenlied.

[31] N.T.: Lohengrin é uma ópera romântica em três atos de Richard Wagner, que também foi responsável pelo libreto. A história de Percival (ou Parsival) e seu filho Lohengrin, o cavaleiro do cisne, provém da literatura medieval germânica, especialmente do Parzival, de Wolfram von Eschenbach, e da sua continuação anônima, Lohengrin, inspirada na saga de Garin Le Lorrain (ou Garin le Loherin), a qual integra a Gesta dos Lorenos, ciclo de cinco canções de gesta dos séculos XII e XIII, escritas em loreno românico.

[32] N.T.: é uma ópera de Christoph Willibald Gluck (1714-1787 – compositor musical alemão) baseada no mito de Orfeu, com libreto por Ranieri de’ Calzabigi.

[33] N.T.: Alceste, Wq. 37, é uma ópera de Christoph Willibald Gluck de 1767. O libreto foi escrito por Ranieri de ‘Calzabigi e baseado na peça Alcestis de Euripides.

[34] N.T.: é uma ópera (singspiel) em dois atos de Wolfgang Amadeus Mozart, com libreto alemão de Emanuel Schikaneder.

[35] N.T.: Thaïs é uma ópera em três atos de Jules Massenet (1842-1912 – foi um compositor francês) para um libreto em francês de Louis Gallet, com base no romance homônimo de Anatole France. Foi apresentada pela primeira vez no teatro da Ópera de Paris em 16 de março de 1894, com a soprano norte-americana Sybil Sanderson, para quem Massenet escreveu o papel-título. Ambientada no Egito durante a época romana, conta a história de Athanaël, um monge cenobita que tenta converter Thaïs, uma cortesã de Alexandria e devota de Vênus, à Cristandade, embora sem muito êxito. A meditação, passagem mais famosa da ópera, é executada como interlúdio entre duas cenas do segundo ato, e faz parte do repertório clássico tradicional, sendo executada normalmente como peça de concerto.

[36] N.T.: é uma ópera em quatro atos, com música de Giuseppe Verdi e libreto de Antonio Ghislanzoni.

[37] N.T.: as nove sinfonias de Ludwig van Beethoven são um dos pilares de sua obra, representando todas as suas fases composicionais e estéticas e sendo também um fundamento de toda a música sinfônica mundial. Sinfonia nº 1, em Dó Maior; Sinfonia nº 2, em Ré Maior; Sinfonia nº 3, em Mi bemol Maior, “Eroica”; Sinfonia nº 4, em Si bemol Maior; Sinfonia nº 5, em Dó menor; Sinfonia nº 6, em Fá Maior, “Pastoral”; Sinfonia nº 7, em Lá Maior; Sinfonia nº 8, em Fá Maior; Sinfonia nº 9, em Ré menor, “Coral” (é uma das mais aclamadas obras da história da música. Finalizada em 1824 após sete anos de composição, sendo a única sinfonia de seu terceiro e último período composicional, a obra prima conclui sua carreira reunindo toda a sua inspiração, criatividade e capacidade. A estreia ocorreu em Viena, regida por Beethoven que, agora plenamente surdo, voltava aos palcos após 12 anos de afastamento. A obra e o compositor foram ovacionados. A orquestração desta sinfonia é a maior de todas, incluindo agora também uma percussão mais encorpada e, é claro, o coro e os quatro solistas vocais. A escolha da poesia “Ode à Alegria”, de Friedrich Schiller, mostra a preocupação de Beethoven a respeito do conteúdo que sua sinfonia deveria oferecer. A poesia, assim como a música, é positiva, esperançosa e repleta de idealismo.).

[38] N.T.: é um balé dramático em quatro atos do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski e com o libreto de Vladimir Begitchev e Vasily Geltzer.

[39] N.T.: é um balé de um prólogo e três atos do compositor russo Tchaikovsky, o libreto de Marius Petipa e Ivan Vsevolojsky, e coreografia de Marius Petipa baseado no conto de fadas do escritor francês Charles Perrault.

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 8

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 8 – O Mapa do Casamento – O Casamento – A Paternidade – A Infância – A Adolescência – A Fraternidade – O Signo Solar – O Espectro Genérico – A Atribuição da Sua Vida

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

 

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 8

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – O MAPA DO CASAMENTO

CAPÍTULO II – O CASAMENTO

CAPÍTULO III – A PATERNIDADE

CAPÍTULO IV – A INFÂNCIA

CAPÍTULO V – A ADOLESCÊNCIA

CAPÍTULO VI – A FRATERNIDADE

CAPÍTULO VII – O SIGNO SOLAR

CAPÍTULO VIII – O ESPECTRO GENÉRICO

CAPÍTULO IX – A ATRIBUIÇÃO DA SUA VIDA

 

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – O MAPA DO CASAMENTO

 

Esse capítulo sobre Mapas de Casamentos é oferecido como uma tentativa de esclarecer aos Estudantes Rosacruzes de Astrologia os processos e significados da união de duas pessoas que se juntam para uma experiência mútua no casamento. Por algum tempo, o autor sentiu que erigir um Mapa para o momento em que está programado o início da cerimônia do casamento não é realmente válido. Por isso, aqui é apresentado um pequeno subsídio para se pensar quanto ao momento válido para se erigir um Mapa do casamento.

De acordo com o que diz a filosofia oculta sobre a evolução humana, por meio dos processos de reencarnação, “ser nascido” significa realmente “reaparecer na carne”. Uma vez que todos nós temos sido envolvidos no processo de reencarnação por muito tempo, se casar significa realmente “se casar outra vez”. É extremamente improvável que qualquer pessoa, agora encarnada, nunca tenha se casado antes. Todos nós já dissemos o equivalente a “Eu aceito” em várias línguas, vários países e várias épocas – e seja em voz alta ou em voz baixa. Uma vez que o “esposo-esposa” é uma identidade especializada de “homem-mulher”, o duplo “Eu aceito” e o pronunciamento final do oficiante (ou seu equivalente) é realmente uma variação do “EU SOU”; em outras palavras, é o nascimento de uma nova identidade, no que se refere a essa encarnação. Existe um paralelo notável entre o “nascimento do esposo-esposa” e o nascimento do indivíduo, como uma expressão física. Consultemos o Grande Mandala:

Um círculo com os diâmetros vertical e horizontal; os quatro Signos Cardeais (Áries, Capricórnio, Libra e Câncer) nos pontos à esquerda, acima, à direita e abaixo, respectivamente (as cúspides do Ascendente, da décima, da sétima, e da quarta Casas); partindo do ponto médio da linha de Câncer, através dos pontos médios de Libra-Capricórnio, e descendo até o ponto médio de Áries, trace uma linha curva que resulte em três quartos de um círculo; conecte, com uma linha reta, os pontos das cúspides de Áries-Câncer (os pontos onde as linhas das cúspides tocam o círculo).

Para não perder a oportunidade e por um momento vamos explicar o simbolismo da linha reta Áries-Câncer: até você chegar no ponto que representa o meio do caminho quando você anda ou dirige em um túnel você estará entrando no interior da montanha ou da colina; o ponto exato da metade do túnel marca a mudança de sua relação com o interior, contando que você prossiga do interior para a saída, e quando passar por ela, você deixará seu interior. Nos planos internos, entre renascimentos, há um “ponto de inflexão” que é determinado por sua prontidão para reencarnar. A vibratória atração gravitacional de seus ideais não realizados ocorre, então, e começam a ser ativados seus preparativos para o renascimento. Em outras palavras, a partir desse ponto você deixa o interior da subjetividade – que é a “saída” da qual é seu primeiro contato com seu futuro veículo a ser concebido.

Enquanto você ainda se encontra no estado subjetivo, mas se preparando para a reencarnação, eventos importantes e relacionados acontecem no plano objetivo. Por exemplo, aqueles que vão ser seus pais podem terem se encontrado recentemente, podem ter reconhecido uma atração amorosa mútua e um desejo de união também recentemente, podem também terem se preparado para a cerimônia do casamento, estabelecido o seu lar, ter efetuado a intimidade de sua união, entre outras coisas. Ou, ainda, se outro filho ou filhos vierem antes de você, esse preparativo externo pode ser simplesmente a decisão mútua de seus futuros pais de realizarem seu desejo de mais experiência paterno-maternal e, como resposta a tal desejo, eles efetuam a sincronização emocional e física que resulta na concepção de seu veículo. De um jeito ou de outro, a preparação é sincronizada em ambos os estados, o interno e o externo. No momento rigorosamente certo para o que você necessita, a semente de seu corpo é acesa na expressão, e então, seu veículo começa sua própria individualização. No fim do período pré-natal você “nasce” – o que, simplesmente, significa que você é “individualizado fisicamente”. Seu corpo é, a um só tempo, a expressão quimicalizada de um objeto de desejo sobre o qual seus pais vão exercitar seus recursos de Amor-Sabedoria, individual e mútuo, e o seu desejo de evoluir através de novas expressões de seus potenciais.

O quadrante no Mandala representado por Áries-Câncer é o preparo subjetivo de sua reencarnação; Câncer é a concepção; Libra é a objetivação do futuro sexo fixo e a subjetivação da futura complementação; Capricórnio é a solidificação do organismo; Peixes, se fosse mostrado na décima segunda cúspide, é o símbolo condensado dos resíduos não cumpridos das três cruzes; Áries, no fim das três cruzes e no fim dos três quadrantes pré-natais é o símbolo do seu reaparecimento, no nascimento, na individualidade física – re-objetivação do seu “EU SOU” nesse plano. Daí em diante, e até a transição de volta a subjetividade, o seu “EU SOU” desdobra os seus potenciais por meio de vários intercâmbios de relacionamentos com outros seres humanos. Pense e reflita mais sobre isso – é a “representação humana” de um padrão cósmico.

Com essa analogia em mente e o Mandala nas mãos, vamos agora traduzir esse padrão em termos do assunto em pauta – o significado da cerimônia de casamento como o estabelecimento de uma nova identidade de dois seres humanos.

O “ponto de inflexão subjetivo” é o momento em que cada pessoa age sob um pensamento, um sentimento ou uma oportunidade, de tal modo que o encontro das duas é o resultado inevitável. Exemplos, cada um deles:

  • aceita um convite para jantar na casa de um amigo em comum na noite seguinte;
  • desfruta de um passeio ao campo com amigos de ambos no próximo mês;
  • vai a uma exposição de arte chinesa em determinado dia do mês do próximo janeiro, ou – se ambos são astrólogos – para abençoá-los;
  • palestram numa convenção da “Star-lit Stargazes, Inc.” em West Blubber, Groenlândia, em 1968.

O recebimento do convite marca o ponto de inflexão; a aceitação é o ato que as conduz, dia após dia, da “subjetividade da vida de solteiro” para a “objetividade de uma nova identidade como esposo-esposa”. O elemento tempo é, naturalmente, uma variável individual, ou seja, alguns casais precisam esperar muito tempo antes de se encontrarem, enquanto outros se encontram e se sentem atraídos mutuamente de maneira repentina, deliciosa e inesperada. Os “amigos em comum” – ou o Conselho Diretor da “Star-Lit Stargazers, Inc.” – são os agentes quimicalizados do magnético poder do Amor que serve para efetuar o contato entre as duas pessoas.

O primeiro encontro entre as duas pessoas conclui a fase “subjetiva”, e esse “ponto no tempo” é análogo ao “ponto de concepção” do mandala. Agora, sua união é estabelecida fisicamente e o intercâmbio vibratório é, consciente ou inconscientemente, inaugurado.

De Câncer a Libra, no mandala, o elemento tempo está entre os encontros das duas pessoas e seu reconhecimento do amor recíproco. Quando isso acontece (o “amadurecimento da consciência de polaridade da adolescência”), a subjetividade do gênero, que coincidiu com a objetividade do sexo no período pré-natal presente, é acesa mutuamente pela ação da vibração simpática; cada um deles vê o outro como o símbolo ideal quimicalizado das qualidades genéricas subjetivas – ou a “contemplação” em todos os planos. Eles não “se apaixonam” (palavra horrível!); eles se elevam um ao outro na consciência pela fusão mútua do melhor de suas qualidades. Essa “fusão mútua de vibração” é o arquétipo daquilo que se expressa quimicamente na ação a que chamamos relação sexual. Essas duas “fusões” são liberações de tremendos recursos, e são acompanhadas por realizações “mais intensas do que nunca antes”, da condição de ser ideal, emocional, mental e espiritual. A fusão vibratória organiza o reconhecimento consciente, por ambos, da “necessidade mútua”. Na mutualidade, isso conduz, eventualmente – consoante a inclinação pessoal – à decisão de se casarem; a isso se segue, e também de acordo com as inclinações pessoais, o anúncio da intenção. A decisão e o anúncio são simbolizados no mandala por Capricórnio, no ponto culminante da roda – símbolo do concreto, da organização e da condensação – da polaridade de Câncer.

O estado emocional objetivado pelo anúncio estabelece a identidade de “noivos”, e deve-se acrescentar que, nessa explanação do “pré-natal”, o Signo de Leão e a quinta Casa – seguindo-se a Câncer – simbolizam o amor individualizado de uma pessoa pela outra. Leão é a irradiação de amor – um assunto individualizado; não é o intercâmbio de amor, e todos os “pontos de identidade” do mandala Cardeal são isso, porque eles se referem ao “relacionamento por complementação”; uma “mãe” é isso, em relação ao seu “filho ou filha”, e um “irmão ou irmã” é isso, em relação ao seu outro irmão ou irmã; o Capricórnio desse símbolo é a identidade objetivada de Leão-Libra individual e mútuo, a condição de “amar e ser amado”. Em nossa tradição o homem dá um anel à mulher como uma “dramatização” de sua elevada consciência de idealidade, cujo poder é simbolizado pela resplandecente beleza da joia – geralmente um diamante, que é a joia-símbolo do Sol. Esse anel e o que se usa – às vezes os dois – na cerimônia do casamento jamais é, como pensam alguns, um símbolo de servidão ou escravização da mulher pelo homem; é sempre um círculo, o símbolo da realização perfeita do intercambio perfeito na união perfeita. A decisão mútua, a apresentação e a aceitação do anel, o anúncio formal e o primeiro planejamento de hora e local para a cerimônia de casamento são reunidos no ponto de Capricórnio. O Aquário desse quarto quadrante a partir de Áries simboliza: a irradiação de convites às pessoas que amam, que são amadas e apreciadas pelo casal de noivos; a extensão de amor aos membros da família e aos amigos; os pais podem sentir que estão “perdendo seus filhos”, mas na realidade eles estão, pela fraternidade de Aquário, ganhando um “irmão mais novo” e uma “irmã mais nova”. Pelo casamento, o jovem casal se torna membro da fraternidade dos maridos e esposas e, subsequentemente, da fraternidade dos pais e mães – da qual seus próprios pais são “membros veteranos”.

A última fase desse período “pré-natal” do matrimonio é o Signo de Peixes em seu significado regenerado – o símbolo da fé e da idealidade. Casar significa uma afirmação da própria realização do bom e belo da vida, e significa também uma boa vontade de contribuir para a Vida com os próprios recursos do Bom e do Belo. O Signo de Peixes do mandala simboliza a cerimônia de casamento como um símbolo dramatizado de uma das mais profundas e sinceras realizações do regozijo humano, da inspiração e amabilidade humanas. A confecção artística das roupas e do vestido de noiva, as flores e a música significam o desejo da humanidade de alcançar e expressar realizações de eterna beleza – a manifestação aperfeiçoada. Em nossa tradição, a cerimônia geralmente começa com a primeira nota do prelúdio musical ou da própria marcha nupcial. Enquanto “prosseguimos através” de Peixes, a cerimônia continua nos pontos de oração, meditação, música e recitativo de pensamentos espirituais relativos ao significado interno do matrimônio. O oficiante simboliza, em sua pessoa, o intermediário entre a personalidade e realidade de cada uma das duas pessoas. Quando ele diz “agora vos declaro marido e esposa”, o movimento através de Peixes – como a cerimônia simbólica – se encerra em Áries, e a entrada em Áries simboliza a nova identidade do casal como “marido e esposa” em relação um ao outro e em relação, como indivíduos, ao seu padrão de vida individual. Grandes explosões de música – e tal música deve ser irradiante e estática em qualidade – e o casal caminha junto, pela primeira vez, em sua nova identidade. E que Deus os abençoe sempre.

Frequentemente se faz algo nas cerimônias de casamento que realmente não está de acordo com o simbolismo da cerimônia; é o caso do oficiante declarar o casal – no fim do serviço – “homem e esposa”. Um “homem” é um ser humano adulto e masculino; como tal, antes mesmo que possa considerar o casamento, ele deve, por necessidade, funcionar por alguns dias, semanas, meses ou anos como um “ser humano masculino adulto”. A identidade recém-estabelecida é “marido”, e assumida essa identidade, o homem “encarna”, em sua nova oitava de consciência do seu “EU SOU”, como um símbolo de sua capacidade e disposição para se desdobrar e expressar novos níveis de consciência, recursos e poderes.

Com a expressão da palavra “esposa” na afirmação acima, a declaração da nova identidade fica completa e integrada; o “período pré-natal” está terminado e o relacionamento material encarnado. O autor tem a convicção sincera e amadurecida de que o instante em que o oficiante diz “esposa” é o momento que deve ser usado para o Mapa do Casamento. A despeito das programações, horários e editais, o casamento não “nasce totalmente” até que seja concluída a declaração. O choro do bebê recém-nascido e o pronunciamento do oficiante do casamento são, ambas, expressões do poder da palavra – a estampa vibratória vivente de uma nova identidade; com isso, o bebê recém-nascido e o marido-esposa recém-nascido “coisas-em-si-mesmas” individualizadas; estão, por assim dizer, “por conta própria”.

Se você tem os Mapas da noiva e do noivo, identifique seus Regentes astrais nesse Mapa do casamento para determinar qual o fator nele é “a personificação” por cada um. O Mapa do casamento não é um “composto de duas pessoas”; antes é o padrão astrológico de uma experiência especializada. Atente para isso ao correlacionar, tanto quanto possível, cada padrão astral dos indivíduos com o Mapa do casamento, isso para o estudo dos agrupamentos vibratórios. Aplique, então, o Mapa de cada pessoa, o Regente e as posições astrais do Mapa do casamento; isso é para se estudar os significados essenciais – para cada um dos dois – da experiência como um fator muito importante na sequência de experiências da vida. Tendo-se um ou ambos os Mapas individuais completos, impõe-se naturalmente a necessidade de se estudar os Aspectos progredidos, especialmente os da Lua – para análise da ação individual. Se não se tem a hora do nascimento, você não pode ter os Mapas perfeitos, mas ainda pode agrupar as posições astrais pelas cruzes (Cardeal, Fixa e Comum) e pelos Trígonos genéricos (Fogo, Terra, Ar e Água), e então compará-los com os agrupamentos astrais do Mapa do casamento. Em ambos os casos, uma vez que todo acontecimento ocorre entre duas junções, aplique o último eclipse solar aos Mapas individuais (não o Mapa do casamento, porque o matrimônio ainda não havia “nascido” por ocasião do eclipse) e relacione os Aspectos que tal eclipse e sua resultante Lua Cheia produziram. Se o casamento ocorreu um mês após o eclipse, então observe também os efeitos da lunação que precedeu as bodas nos Mapas dos noivos. Note os efeitos – em todos os três Mapas – do eclipse solar que ocorreu primeiro após a cerimônia; preste especial atenção ao “ponto” (caso este exista) em que este eclipse estimula nos três Mapas e observe o lapso de tempo entre este e o eclipse seguinte. Esse padrão de eclipse que estimula todos os três Mapas revela a primeira maior prova das pessoas no casamento, e do casamento em si, a partir de um composto de fraqueza das duas pessoas, como indivíduos e como um casal. Também, para leitura básica, relacione também todos os “pontos em comum” nos três Mapas; todos esses Astros nos Mapas das pessoas, estando em Quadratura ou Oposição, indicam que – em virtude de sincronização com um Astro no Mapa do casamento – a experiência matrimonial fornece, às pessoas, uma “oportunidade extraordinária” de perceber as congestões na consciência; inversamente, todos os Astros que estão em Sextil estimularão o exercício da transmutação autodirigida, e todos os que estiverem em Trígono representarão a “habilidade matrimonial” de “abençoar as pessoas”, por meio das quais eles experimentarão super-realizações de sua idealidade. Em outras palavras, todos esses padrões são experiências focalizadas especialmente no matrimônio. A “singularidade” do Mapa do casamento focaliza a singularidade individual e mútua das pessoas.

Quando você estudar o Mapa do casamento, preste muito mais atenção aos diâmetros das cúspides das Casas separadas. Casamento é polaridade humana objetivada, e os diâmetros representam os fundamentos da “condição-de-dois-em-um” de todas as experiências humanas; em outras palavras, os fundamentos da polaridade. A administração das finanças é segunda-Casa-oitava-Casa. Os filhos são quinta-Casa-décima primeira-Casa, etc. A sétima Casa do Mapa do casamento, com suas Quadraturas e Oposições, resume o poder vibratório que desafia a integridade da união.

Tudo isso constitui um excelente exercício de sua habilidade de sintetizar, como um intérprete, uma importante fase de seu serviço e um delicioso estímulo a tudo em sua natureza que o faz amar a astrologia.

Mais uma sugestão: experimente ler seu próprio horóscopo natal como se ele fosse um Mapa do casamento. Filosoficamente falando – você sabe – isto é exatamente o que ele é!

 

CAPÍTULO II – O CASAMENTO

 

Para o prosseguimento desse tema, façamos os seguintes mandalas:

  • Um Grande Mandala – o Horóscopo Abstrato com Áries no Ascendente, incluindo as triplicidades de Fogo e de Ar: Áries, Leão, Sagitário e Libra, Aquário, Gêmeos, respectivamente;
  • Um mandala com o Signo de Gêmeos no Ascendente;
  • Um mandala com o Signo de Libra no Ascendente.

Enquanto “complementação” é a palavra-símbolo que se refere ao intercâmbio vibratório em geral, “casamento” é a forma especializada de complementação que inclui intercâmbio com uma pessoa de sexo físico oposto. Em sua expressão mais completa – vibratória e fisicamente – o intercâmbio gerador se desenvolve; contudo, muitas vezes o relacionamento homem-mulher não implica, ou pode não implicar, nesse intercâmbio físico; mesmo assim, reconhecemos nosso “outro ‘eu’” naquelas pessoas que nos complementam de modo mais pleno, pelo que nossos relacionamentos com elas são, talvez, as mais intensamente “focalizadas” de todos os nossos padrões de relacionamentos e experiências.

A qualidade de regozijo natural espontânea que se encontra no relacionamento e alimentada pela fraternidade entre duas pessoas, uma com a outra. Pela qualidade de nosso ser vibratório, em qualquer ponto particular ao longo de nossas vidas, atraímos, para nós mesmos, pessoas que não apenas nos complementam – “nós precisamos delas e elas de nós” – mas existe uma “simplicidade” inerente a cada uma e que é recíproca. Essa simplicidade se evidencia em um tipo de “familiaridade natural”, um “reconhecimento fácil”, que é muito diferente do “constrangimento” instintivo que as pessoas sentem uma pelas outras quando sua fraternidade não é reconhecida (o não “reconhecimento” é “indiferença”, e nenhum relacionamento resulta do contato). O ser humano tende a recear e detestar aquilo que conscientemente ignora; por esse tipo de reconhecimento ele vê os outros como “separados dele” e é a tendência natural para “se defender daquilo que não é compreendido” tomar forma de antagonismos e atritos instintivos. Quando nós percebemos a fraternidade vibratória, mesmo com as pessoas mais estranhas, nós experimentamos uma atração fácil que pode florescer rapidamente em amizade e em intercâmbio feliz e benéfico.

O mandala com as triplicidades de Fogo e de Ar descreve a essência dessa qualidade.

Esse mandala ilustra uma expressão duplicada da trindade dinâmica; o abstrato dessa trindade é a triplicidade de Fogo; a existência como poder se expressando com amor e sabedoria; sua contraparte e a triplicidade de Ar, iniciada por Libra como a polaridade de Áries; as duas, juntas, formam os seis “pontos” do Aspecto Sextil – o mecanismo para descristalizar congestões. Pense um pouco nesse “símbolo do Aspecto Trígono” como uma expressão espiritualizada. Passemos, agora, ao nosso segundo mandala – a roda com o Signo de Gêmeos no Ascendente. Ligue esse Ascendente à quinta cúspide (Libra), ligue a quinta à nona (Aquário), e a nona ao Ascendente, criando assim o mandala da fraternidade – uma vez que Gêmeos, como Signo Ascendente, é o Signo que se refere à terceira Casa do Horóscopo Abstrato e é a “raiz” da consciência de Amor fraternal da Humanidade.

Nesse mandala da fraternidade vemos a imagem da irmandade básica como o ponto inicial do florescimento do Amor-Sabedoria; irmãos e irmãs, companheirinhos das brincadeiras e colegas da escola na infância; companheiros de estudos de qualquer idade, pessoas semelhantes nos interesses vocacionais ou nas ocupações aleatórias, indivíduos semelhantes nos objetivos espirituais, aqueles que desfrutam das mesmas coisas e os que estão aprendendo as mesmas lições da vida. Quando entramos em contato com os nossos “irmãos e irmãs vibratórios”, nós os reconhecemos; à medida que nos livramos das congestões, estabelecemos facilmente, e às vezes rapidamente, bons entendimentos com eles; nós temos uma “afinidade” com eles que torna possível esse “bom reconhecimento vibratório”.

A experiência de “se apaixonar” é uma intensificação dessa afinidade vibratória. No mandala de Gêmeos, Libra está na cúspide da quinta Casa – vê-se agora o aspecto Amor da triplicidade como sendo a complementação do casamento e esse reconhecimento vibratório compõe a mais completa realização da qualidade do “outro ‘eu’”. Vê-se aqui a fraternidade de irmão-irmã em uma forma ampliada de complementação intensamente focalizada de um homem e uma mulher cuja fraternidade entre si é necessária para experiência no relacionamento conjugal. Aqui o “casamento” é visto como uma dupla irradiação de amor e um duplo estímulo pela força do amor. É também a imagem do intenso regozijo dos amantes – a complementação é uma ignição da mais alta oitava emocional de que cada um é capaz nos momentos particulares de suas vidas. Verdadeiramente, o regozijo do amor dos amantes é uma irradiação de luz formosa e inspiradora – enche os corações de todos com a sua imagem ideal (estude seu Mapa com a cúspide de Gêmeos como Ascendente).

Examinemos, novamente, o Grande Mandala – Áries no Ascendente – com especial atenção para o diâmetro Gêmeos-Sagitário. Gêmeos – a raiz da fraternidade – é o Signo da décima-segunda Casa de Câncer, o Signo da mãe; é o Signo da nona Casa de Libra, o Signo da esposa; Sagitário é o Signo da décima-segunda Casa de Capricórnio, o Signo do Pai e o Signo da terceira Casa (Fraternal) de Libra e nona Casa de Áries, o Signo do marido. Vamos interpretar os padrões Casa-Signo desse modo:

Posto que Áries-Libra – o diâmetro horizontal – inicia as metades inferior e superior do círculo, considera-se o diâmetro Gêmeo-Sagitário a modulação para a divisão vertical da roda, representada pelo diâmetro vertical Câncer-Capricórnio. Virgem-Peixes é a modulação para frente e para a próxima expressão de Libra-Áries. Mercúrio, pela Regência de ambos os Signos Comuns Gêmeos e Virgem, é o Planeta-chave da modulação e adaptabilidade às novas oitavas. Mercúrio, sob o ponto de vista genérico, é andrógino, ou seja, é “neutro” no sentido de que não é especificamente masculino nem feminino, mas inerente a ambos. O quadrante iniciado pelo másculo Marte é modulado por Mercúrio-Gêmeos (Signo feminino, gênero masculino) ao próximo quadrante, Câncer, que é regido pela Lua, e, sendo de Água, é fêmea-feminino; através de Virgem (Signo masculino, gênero feminino) Mercúrio modula o segundo quadrante e o semicírculo inferior ao terceiro quadrante e semicírculo superior, através do Cardeal Libra, regido por Vênus, que é complemento de Áries-Marte. A “masculinidade” dos Signos de Ar, iniciados por Libra, representa simplesmente as “qualidades positivas da natureza da mulher”, o gênero masculino se expressando no sexo feminino ou a iniciação às oitavas superiores de consciência pela percepção do reflexo ideal de um indivíduo por outro. Libra em sua Casa – a sétima – é o portal do templo da alma. Áries – a primeira Casa – é o portal para nova experiência através da encarnação e pelo estabelecimento de uma nova oitava de autoconsciência. Em Áries nós dizemos “EU SOU”; em Libra estendemos nosso “EU SOU” ao “NÓS SOMOS” – a transformação da autoconsciência separatista pelo poder do Amor-Fraternidade; o Amor-Fraternidade dissolve os “espaços” entre nós e os outros seres humanos; nós – e eles – alcançamos vibratoriamente uns aos outros, e as “lacunas são preenchidas”, de sorte que nós – e eles – combinados para ser uma única pessoa. A consciência de individualidade é, por conseguinte, ampliada em novas e mais elevadas oitavas de realização.

É opinião pessoal do autor – aqui representada como “assunto para se pensar” – que Plutão, como Regente de Escorpião, está Exaltado em Gêmeos, Signo-raiz do Amor-Fraternidade (“exaltação” é “maturidade genérica”). Quando respondemos a uma ignição de nossa sabedoria interna e percebemos a nossa fraternidade com outra pessoa, nossa Mente subconsciente[1] começa, automaticamente – assim como o fogo queima para cima, também de maneira automática – a descristalizar as congestões de inveja, ciúme e ódio, capacitando assim “jogar fora o lastro negativo” e nós, como um resultado, nos elevamos em qualidade vibratória (essas qualidades negativas são propiciadas por intensas congestões de poder do desejo reprimido). Além disso – vejamos o Mandala de Escorpião – a décima-segunda Casa é coberta por Libra, iniciador da triplicidade de Ar da qual Gêmeos é a terceira (Sabedoria) oitava; Vênus, Regente de Libra, está “amadurecida” em Peixes, o Signo da décima-segunda Casa do Grande Mandala, regido pelo princípio da idealidade de Netuno. A qualidade de desejo intensamente comprimida de Escorpião – como a “coisa encarnada” nesse mandala – foi impelida à “encarnação” pela complementação matrimonial de Libra – harmonia através do perfeito intercâmbio vibratório é a redenção dos potenciais intensamente reprimidos da vibração de Escorpião. A “oitava de sabedoria” de quaisquer das quatro triplicidade elementares (genéricas) é “aquilo que se aprende sobre a Vida a partir da experiência” – em contraste com o padrão do Signo da terceira Casa (que se reflete a Gêmeos no Grande Mandala), o qual é “aquilo que se aprende por meio do exercício intelectual”; o padrão da terceira Casa é integração do intelecto; o padrão da nona Casa é a integração da consciência por meio da experiência, e “EXPERIÊNCIA” significa RELACIONAMENTO, uma vez que somente por meio do relacionamento é que a experiência tem qualquer significado especial para nós; nada mais identifica uma experiência, a não ser o modo pelo qual nos sentimos em relação a outras pessoas e reagimos a elas.

Portanto, a Fraternidade é a essência destilada daquilo que se aprende mediante o Relacionamento do Amor; quando os potenciais intensos de Escorpião são liberados construtivamente, cedo ou tarde (mesmo se levar anos de encarnações) nós somos alertados para a irmandade de toda relação complementar. A dolorosa e terrível reação a que chamamos “ciúme” não é outra coisa senão Fraternidade que “ainda não viu sua própria face”; ela é uma atração fraternal do Amor que, até o momento, só vê diferenças, não semelhanças. A dor dessa reação emocional – uma liberação de Plutão-Escorpião – tem alcance profundo. Nenhuma reação de ciúme deve ser considerada como TRIVIAL ou INSIGNIFICANTE – porque ela representa uma oportunidade para maior desenvolvimento do Amor fraternal; até que se faça um ajuste de consciência – quer como um “recebedor” ou um “dador” – o subconsciente reterá o “padrão da dor”. O Mandala de Escorpião – com Libra como Signo de sua décima-segunda Casa e Touro (também regido por Vênus) como Signo de sua sétima Casa, nos diz como lidar com essas intensas reações dolorosas: aprenda a perceber e apreciar o que há de melhor no outro; aprecie-o por sua luz e aprenda a emular alguma coisa de suas qualidades regeneradas – pois, em algum lugar ao longo do caminho, ele está “no alto”, enquanto você ainda está “em baixo”; ele já desenvolveu algo que você ainda tem que desenvolver – sua dolorosa reação é um lamento de fome insatisfeita de seu subconsciente, o qual deseja que você liberte algo de seus potenciais e se expresse mais extensivamente.  Não perca tempo invejando; admire, aprecie e aprenda da pessoa para com a qual você tende a ter essa reação; quer ela saiba ou não, ele é seu irmão “mais velho” de quem você pode aprender algo de grande importância para a realização do seu eu ideal.

Devemos focar na sétima Casa, em nome da clareza, nessa discussão, ainda que existam diversas maneiras de analisar um Mapa no que diz respeito à “complementação”. A sétima Casa é sua experiência matrimonial e, em um horóscopo natal ela deve, por sua própria natureza, representar seu relacionamento com uma pessoa – ou pessoas – do sexo físico oposto. Os Astros em sua sétima Casa representam a focalização de princípios representados pelos Signos que eles regem, os quais encontram a sua mais completa expressão no campo do relacionamento complementar. Nem todos se casam realmente, no sentido de se tornarem marido ou esposa; mas todos têm uma sétima Casa com uma focalização particular de princípios da Vida e com qualidades vibratórias representadas.

Os Astros na sétima Casa que se encontram no Signo dessa Casa, ou nela Interceptados, são os enfoques mais definidos das qualidades vibratórias com que se deve lidar na relação conjugal. Esses Astros representaram uma condensação de suas necessidades de experiências e, consequentemente, representarão uma compulsão relativamente forte para o casamento. Os Astros na sétima Casa, mas no Signo da oitava Casa, são um pouco diferentes; esses Astros representam qualidades que você precisa regenerar – e a “ignição” dessa necessidade interna chega a você em alguma maneira de relacionamento intensamente focalizado – o qual pode ou não ser uma pessoa do sexo oposto ou com uma do mesmo sexo. Muitas vezes as pessoas são alertadas para suas necessidades de regeneração mais imperiosas, por meio do contato com uma outra pessoa do mesmo sexo – e até que ocorra essa regeneração, a outra pessoa “parecerá uma inimiga” para tal assunto.

O primeiro passo na análise vibratória da sétima Casa como indicadora da experiência conjugal é entender os dois Signos no diâmetro horizontal do horóscopo. Esse diâmetro é a polaridade de “você e seu complemento”, e todo estudante de Astrologia deveria “basear-se” em uma abordagem filosófica aos diâmetros que se acham nos doze Signos – um de nossos passos mais importantes. Vamos, então, aos Astros que regem o Ascendente (e Signo interceptado na primeira Casa, se o há) e a sétima cúspide (e seu Signo interceptado, se existe algum).

Determine a qualidade genérica desses Regentes: SIGNOS MACHOS: Fogo e Terra; SIGNOS FÊMEAS: Ar e Água; SIGNOS MASCULINOS: Fogo e Ar; SIGNOS FEMININOS: Terra e Água. Compare a qualidade genérica desses Regentes de Casas com os sexos físicos, seu e de seu par, para determinar qual dos dois é basicamente o mais masculino e o mais feminino; compare a qualidade genérica geral de ambos os Mapas ao sintetizar as qualidades genéricas (qualidades básicas) de todos os Astros nos mesmos Mapas; o valor relativo de ambos esses Mapas, até onde os Aspectos congestionados (Quadraturas/Oposições) sejam representados, e o valor relativo dos Aspectos regenerados; determine qual Astro, em cada Mapa, é o mais intensamente congestionado, e veja como o outro Mapa alivia esse Astro congestionado. Faça isto com todos os outros padrões congestionados para determinar como cada um pode ajudar ao outro a se elevar em qualidade vibratória.

Uma dica mais importante é dada pela posição de seu Regente astral no Mapa de seu par, e o dele ou dela em seu Mapa. Seu Regente está em um determinado Signo, tendo uma certa qualidade genérica. A posição dos Regentes dos Mapas, no Mapa da outra pessoa, fornecerá indícios dos focos de influência que cada um tem sobre o outro. Se seu Regente astral está em Conjunção com um Astro no Mapa de seu par, então sua influência é grandemente acentuada para o bem ou para o mal – porque esse Astro no Mapa do seu par é sua identificação pessoal na vida dele ou dela, e você pode, pela maneira de expressar seu Regente, “causar-lhe o sucesso ou o fracasso” pelo modo de você se identificar quanto a essa particular influência astral. Aplique, também, o Regente dele ou dela ao seu Mapa e veja se ele forma Conjunção com algum Astro em seu Mapa; se forma, estude esse Astro com o máximo de empenho; a regeneração desse Astro é o propósito pelo qual você foi atraído para o seu par – se o Planeta estiver congestionado. Se não, então sua expressão por parte de você se torna possível uma “canalização” de efeito construtivo nele/nela, e a imagem mostrada disso é a de que aquela particular vibração astral “condensará sua necessidade de você”. Por conseguinte, cabe a você exercitar suas regenerações para que sua Luz, não sua “escuridão”, seja o “presente” que você dá a sua experiência conjugal.

Então, naturalmente, sincronize os dois Mapas de modo a poder determinar todas as Conjunções astrais mútuas. Essas são as “casas de força” nas quais a luz é gerada em seu relacionamento de casamento. Estude as qualidades genéricas representadas pela posição do Signo dessas Conjunções para determinar que fase de polaridade esteja sendo exercitada por vocês dois conjuntamente e estude o Astro que disposita[2] cada Conjunção – isto é muito importante porque o Astro que disposita, tal uma Conjunção, representa o princípio de vida focalizado naquilo que vocês dois são, juntos, “trabalhando” por meio de uma Conjunção mútua.

Lembre-se de que seu Mapa é seu Mapa, sendo, portanto, um retrato de sua consciência. Sua sétima Casa é o retrato íntimo de seu casamento; assim, reconheça o valor de conceber o ideal representado pelo Regente de sua sétima Casa; ele é o princípio para o qual você deve ser alertado por seu par, e é o ideal que, no seu Ser Interno, você busca sinceramente realizar.

Vamos concluir com um breve exame do mandala de Libra – a abstração da humanidade como um refletor daquilo que é da alma.

O retrato feminino básico da humanidade – a faculdade que todo homem e mulher têm de refletir, para os outros, suas realizações ideais pela percepção da luz interna deles. Virgem está na décima-segunda Casa, portanto, serviço é a palavra-chave redentora do casamento; o serviço executado pelo cumprimento da parceria é a liberação de luz pela regeneração de nossas reações mútuas e reações às nossas experiências juntas. A posição de Gêmeos na nona Casa é uma palavra-chave que diz que o recurso de sabedoria do casamento está na fraternidade mútua. “Fraternidade” é “paralelismo”; quando, em sã consciência, nos mantemos lado a lado com nossos parceiros, ao invés de assumirmos posições de “superiores e inferiores”, verdadeiramente nós “nos damos às mãos em companheirismo amoroso”, e então cada um pode, com relativa facilidade, aprender da luz do outro.

Aqueles que têm realizado a experiência conjugal estão muito mais cônscios da verdadeira Amizade – Leão está na décima-primeira cúspide desse mandala. A força do amor pessoal é – ou pode ser – liberada com grande efeito da fonte de um coração amoroso e realizado para as extensões das relações impessoais. Aquário, na quinta Casa, nos diz que a criatividade do amor, no casamento, tem seu significado impessoal; não devemos convidar Egos à encarnação fazendo deles “imagens esculpidas”; se quisermos que o casamento se cumpra por meio da paternidade, devemos fazê-lo com amor, não pensando somente em você e considerando você o melhor e mais importante que qualquer outro e nem com possessividade. Como pais, a humanidade cumpre sua obrigação auxiliando o rebento a encontrar a realização de sua própria individualidade e – havendo conseguido isso com integridade e pureza de percepção – ele deve ser liberado para suas próprias realizações e experiências. Os filhos crescem e tomam seus caminhos, mas os pais que se amam mutuamente permanecem juntos. Sua fraternidade como marido-esposa-irmão-irmã permanece íntegra pelo amor-sabedoria, e eles são intimamente livres para deixar que seus filhos busquem sua maturidade na expressão da individualidade em todos os planos. O esposo e a esposa realizados se erguem, de mãos dadas, como um símbolo vivo da fraternidade entre homens e mulheres – como filhos amorosos e amados de nosso Deus Pai-Mãe.

CAPÍTULO III – A PATERNIDADE

 

Essa dissertação, pertinente à identidade humana especializada, será tratada considerando uma correlação de mandalas. Vamos precisar de três:

  • O Grande Mandala – Áries no Ascendente;
  • O mandala da Força do Amor – Leão no Ascendente;
  • O Mandala de identidade da Paternidade arquetípica – Capricórnio no Ascendente.

Aplique em cada um destes mandalas os símbolos dos Signos zodiacais em sequência, símbolo circular do Sol no centro e o símbolo pessoal do Sol (a linha horizontal e o semicírculo do Sol nascente) em cada Casa de Leão.

Primeiro – considerar o significado da identidade da Paternidade como um fator no padrão do Grande Mandala, o horóscopo do arquétipo, a humanidade. Capricórnio, o superior dos dois Signos na linhagem dos parentescos (o diâmetro vertical) é o Signo de Exaltação do princípio masculino, Marte. Exaltação, vibracionalmente falando, é a maturidade – e a maturidade da confiança própria – e a qualidade separativa de Marte se acha na assunção e no cumprimento das responsabilidades legítimas. A responsabilidade implicada em Capricórnio, como um dos dois fatores do diâmetro Câncer-Capricórnio, é a de prover forma como uma expressão do Poder do Amor. O diâmetro Câncer-Capricórnio é a polarização do Princípio da Matriz; é, em termos humanos, o modelo essencial, ou padrão, que identifica a forma humana.

O arquissímbolo da matriz é, naturalmente, o Signo maternal de Câncer; ele é a Mãe que provê a semente essencial da qual é emanada a força humana na gestação. A polarização deste arquiprincípio de Capricórnio é a impregnação da semente da forma pelo aspecto masculino do Princípio de Geração da Forma. Como tal, a identidade humana é o Pai – a personificação masculina daquilo que representa, para o gerado, a segurança da Forma reconhecível. A insegurança é uma das suas arquirraízes do condicionamento negativo; Aspectos de atritos e congestionados que envolvem a Lua e Saturno são, na astrologia, padrões de insegurança. Saturno, Regente de Capricórnio, é o iniciador da triplicidade Terra (Capricórnio, Touro e Virgem) – o princípio que identifica esse Trino é a administração da forma gerada. Isso se refere à geração e orientação dos filhos (Capricórnio), sustento da vida pelo intercâmbio material (Touro), e expressão pelo trabalho (Virgem). Lua-Câncer é o símbolo da segurança do humano imaturo; os imaturos encontram segurança na nutrição, proteção e afeição simpática representada pela Lua, como símbolo instinto maternal. Saturno-Capricórnio é o símbolo da segurança do ser humano maduro; os amadurecidos assumem e cumprem responsabilidades, aperfeiçoam sua expressão de potenciais em atos de contribuição relativos à grande família, que é a Sociedade.

Se Câncer simboliza nossa tendência para nos apegar àquilo que nos protege externamente, Capricórnio e a vibração de Saturno simbolizam o nosso desejo de estabelecer a nossa própria segurança individual, pela regeneração da consciência e expressão a partir desta base. Por meio de Câncer nós somos os cidadãos de um grupo de família; por meio de Capricórnio nós somos cidadãos de uma família maior, a família do estado, da nação e da raça; o arquétipo dessa cidadania é, naturalmente, nossa identidade como Terráqueos – coabitantes desse Planeta do Sistema Solar.

Todo mundo – seja masculino ou feminino – tem Lua-Câncer e Saturno-Capricórnio em algum lugar do Mapa. Esses retratam a segurança combinada dois em um da humanidade. Em cada encarnação especializamos o nosso arquétipo; nós trazemos conosco memórias instintivas subconscientes de experiências como sexo oposto de uma encarnação para outra; nós, também, trazemos a aspiração de realizar a unidade, tudo por meio da sequência de nossas encarnações. Aquilo em que falhamos numa encarnação, por ignorância e congestão de desejos, voltamos a experimentar na próxima, ou em uma sequente encarnação. Uma mulher pode aprender muito sobre os princípios da paternidade por meio de suas experiências como filha, esposa ou mãe no relacionamento com homens que apresentam as falhas de paternidade dela no passado. O homem recapitula ativamente a essência de passadas falhas na paternidade (começa em cada encarnação com isso) por suas reações subconscientes ao seu pai, quando ainda se encontra no estado imaturo, impressionável. Somos atraídos aos nossos pais pelo composto de diferenças e semelhanças com eles. Em outras palavras, nossa consciência individualizada (ignorância ou sabedoria) dos princípios da paternidade é o que faz nossa particular relação com os pais ser o que é em determinada encarnação. Nós não criamos nossos pais, mas nossa consciência é o fator condicionante que determina a qualidade de nosso relacionamento com nosso pai. A consciência sempre determina a qualidade da relação.

Agora o mandala com Leão no Ascendente. Esse é o mandala arquetípico do Poder do Poder do Amor, que é o recurso de toda reação e expressão emocional. É a fonte básica de toda a identificação emocional do relacionamento, como o aspecto criador do Deus Pai-Mãe, é o único amor do qual todos nós participamos, por meio das nossas encarnações, e que aspiramos continuamente realizar e expressar em nosso relacionamento com a vida humana e sub-humana.  Referindo-nos ao assunto em pauta, vemos que esse poder é “apadrinhado” em nossa consciência pela força geradora chamada desejo; o diâmetro Escorpião-Touro é a vertical desse mandala. A sexualidade do masculino e feminino dá forma encarnada ao reaparecimento nesse plano de um focalizador humano do poder solar. O desejo pessoal dos pais por uma união mútua mascara a aspiração regeneradora arquetípica que, enraizada por Escorpião na quarta cúspide desse mandala, começa como expressão de sexo, mas floresce como expressão de amor.

O Capricórnio, com identidade da fraternidade, é o Signo da sexta Casa desse mandala. O diâmetro do qual ele é a polarização masculina (Capricórnio, Câncer) forma o diâmetro da sexta Casa – Décima-segunda Casa desse mandala, e é análogo ao diâmetro Virgem-Peixes do Grande Mandala (com Áries no Ascendente). Esse diâmetro é o Princípio da Redenção, por meio do serviço pessoal (Virgem) e do serviço impessoal (Peixes). Uma vez que o Poder do Amor é a “coisa encarnada” nesse mandala, todo fator nele é um aspecto do Amor. O posicionamento do Capricórnio-Paternidade na sexta cúspide é, na especialização da consciência masculina, a expressão humana do Amor Divino por assumir, voluntariamente, as responsabilidades (vibração de Saturno) de servir ao progresso da vida humana (sexta Casa) pela expressão masculina de um gerador da forma. São José, o pai humano de Jesus, é uma personificação da pureza da paternidade humana espiritualizada. Seu Serviço e devoção paternais foram expressões de uma consciência de amor único para instrumentar a geração de uma forma humana perfeita. Um exercício devocional de grande poder tem sido efetuado por milhões de seres humanos que, com reverência, se ajoelham diante das imagens e representações dessa benigna Vibração, pois, como símbolos, elas transmitem um senso da vivência da administração da paternidade amorosa e protetora, como o microcosmo da paternidade do Logos Solar. Essa Consciência santificada, em forma masculina, tem transmutado o desejo pessoal, genético e possessivo numa oitava de serviço epigenético espiritualizado; por meio dos tempos, ele e seus protótipos simbolizam, para o saber interno da humanidade, o Amor especializado na identidade da paternidade; sua pureza e devoção são arquetípicas da verdadeira segurança que todos os imaturos procuram receber de seus pais, e que todos os pais deveriam realizar neles próprios, e que todos os humanos, cedo ou tarde, devem admitir ser um aspecto de um atributo divino. Pais: girem seus Mapas de tal modo que sua cúspide de Leão se torne o Ascendente; estudem esse como sua especialização do mandala de Leão com referência às condições indicadas pela vibração de Saturno. Qual é a sua consciência de paternidade como um Serviço de Amor? Como está representada sua consciência do amor de seu próprio pai? Você tende a repetir, em sua experiência, o que você interpretou como padrões em si? De que maneira você o honra em seu próprio coração e procura ser honrado por seus próprios filhos?

Oferecemos aqui, para variar, sugestões de leituras pertinentes a retratos literários de consciências paternas altamente evoluídas; como estudante de astrologia, você pode aproveitar o estímulo do seu conhecimento interno considerando essas personalidades arquetípicas imaginárias para correlacioná-las com o presente estudo dos princípios de paternidade: John Evered em “Strange Woman”, de Ben Ames Williams[3]; Ling Tang em “Dragon Seed”[4], de Pearl Buck; Stephen Sarrel em “Sorrell and Son”, de Warwick Deeping[5]; Phillip Gordon em “Well of Loneliness”, de Radclyffe Hall[6]; Lavrans Bjørgulfsson em “Kristin Lavransdatter”, de Sigrid Undset[7]; David Naughton em “Claudia”, de Rose Franken[8]. As qualidades de masculinidade altamente desenvolvidas combinam-se com sabedoria e força protetora nesses personagens, sendo elas a nota-chave do tipo de pai evoluído.

Outra consideração a Capricórnio no mandala de Leão revela que ele (Capricórnio) é o Signo da nona Casa do Meio-do-Céu – Touro – e é, portanto, o aspecto da Sabedoria do princípio da Administração das coisas materiais. Desde os tempos primitivos o homem, em sua grande maioria, tem sido o “ganha-pão” da família humana. Em tais experiências todos os Egos – que encarnam periodicamente como homens – destilam uma concepção mais clara dos princípios espirituais envolvidos na administração material da Vida. Esse mandala mostra claramente que em todas as famílias da qual o pai é o apoio material, uma das responsabilidades básicas deste é ensinar os princípios do intercâmbio justo nos assuntos materiais.

Este dever se torna uma focalização do seu propósito de pai nessa encarnação. Na medida em que ele esteja inconsciente de tais princípios, a mãe ou outras pessoas terão de cumprir essa responsabilidade. O intercâmbio justo é um aspecto da verdadeira segurança e, como tal, é evidenciado em toda a maturidade psicológica e espiritual. Na medida em que o pai seja espiritualmente informado desse assunto, incumbe-lhe guiar seus filhos e filhas no preparo espiritual das experiências prática e profissional deles. E na medida em que ele esteja livre de congestões por desejo-de-posse-das-coisas (um trismo cristalizante na consciência de administração das coisas materiais) estará qualificado para ensinar de fato. Isso é sabedoria iluminando os capítulos de experiência prática da vida humana, e ninguém que funcione como um homem adulto pode ser considerado um pai evoluído se ignora esse Princípio.

Agora o Mandala de Capricórnio: o horóscopo abstrato de identidade da paternidade; quarto aspecto do Grande Mandala e primeiro aspecto baseado no Elemento Terra como Ascendente. Em virtude desse mandala ser o de uma identidade arquetípica, consideramo-lo sob um ponto de vista um pouco diferente daquele horóscopo natal. O diâmetro vertical se torna “ancestralidade arquetipicalizada”. Em outras palavras, ao invés da identidade derivar de pais masculino e feminino, ela deriva de um instinto arquetípico – um impulso evolutivo. A paternidade e sua polaridade, a maternidade, “nascem do” instinto evolutivo de transformar os dois “EU SOU” dos separatistas Áries e Libra no composto “NÓS SOMOS” do diâmetro Áries-Libra, aqui representado como diâmetro vertical. Devido a que nosso tema é uma especialização masculina, consideremos o significador masculino desse diâmetro. Áries, Signo de Marte, é a matriz do Princípio Masculino, o símbolo arquivibratório da consciência individualizada do ser. Paternidade, primitivamente falando, resulta de uma ação do masculino para expressar seu instintivo impulso genético e relaxar tensões. Em estágios primitivos de consciência o “intercâmbio amoroso” é desconhecido – o acasalamento é uma fusão de impulsos instintivos egoístas. Contudo, pela repetição, por meio de muitas encarnações, a consciência conjugal é destilada.  O “NÓS SOMOS” da condição de se tornar marido e esposa destila, por sua vez, a consciência regenerada dos princípios da ancestralidade – as leis do Cosmos segundo se especializam através da experiência na paternidade e maternidade humanas. Se Marte, como regente desta quarta Casa (a base psicogenética) é o símbolo da qualidade masculina básica, o Signo de sua Nona Casa – Sagitário – na cúspide da 12ª Casa é a “matriz” da redenção espiritual da identidade de pai. Observa-se essa redenção na qualidade expressivamente generosa do Regente de Sagitário, Júpiter. Por trás de todo pai se encontra o Aspecto Sabedoria de sua consciência individualizada. Ele encarnou como homem, se incumbiu da experiência de pai como adulto para se redimir por meio da sabedoria. “Aquilo que foi muito bom para mim deve sê-lo para meus filhos” é uma atitude totalmente antiquada – é paternidade congestionada. O desejo de melhorar as condições de seus filhos – esotericamente ou exotericamente – é o progresso evolutivo se especializando na consciência do pai. Igualmente, a Exaltação de Júpiter no Signo da Lua – Câncer – representa a polarização masculina do Princípio da Nutrição; a ternura, generosidade e a transbordante bondade de Júpiter identificam o pai como dador – de proteção, de guia e de bens materiais. O homem primitivo, como a maioria dos animais, de modo geral, não se importava com seus filhos como indivíduos. Júpiter, na natureza paterna, é uma destilação de compaixão, simpatia e interesse nos filhos – resultado de expressão epigenética por meio de muitas encarnações.  Se Júpiter representa uma expressão de amor paternal do homem, como uma especialização do Amor Solar, Saturno representa o símbolo arquetípico da identidade e princípio da paternidade da humanidade; ele que dá forma como expressão de amor contribuinte, que personifica, para o Gerado, o Princípio protetor, que externa a vibração masculina madura, que externa as não regenerações e regenerações da consciência individual do Princípio do Pai, e que personifica a pedra angular masculina da estrutura social. O pai não regenerado é o cidadão não regenerado, o professor incompetente, cego para os seus atributos essenciais como um focalizador e manifestador do Poder do Amor. O pai regenerado, o “Saturno de Luz Branca”, dá e sustenta encarnação no serviço de Amor, exemplifica em sua pessoa e caráter aquilo sobre o que a família e a sociedade podem construir uma estrutura melhor, expressa uma consciência das verdades orientadoras da Vida. Ele influencia e guia pelo princípio, não pelas congestões pessoais, e conhece a verdade do Amor nos relacionamentos humanos.

Portanto, Saturno em um horóscopo natal é a representação paterna instintiva ou subconsciente – um aspecto do impulso de segurança que é a consciência da permanente proteção do Deus Pai-Mãe. O Mandala de Capricórnio tem a “matriz do Amor” de Leão na oitava cúspide. A paternidade espiritualizada é a expressão sexual elevada à oitava consciência de amor. Não é uma expressão “a esmo” – é espiritualmente inspirada, espiritualmente planejada, espiritual e formosamente expressa como uma liberação do poder solar (Os ensinamentos ocultos dizem isso repetidamente). O exercício espiritual de paternidade planejada (autodirigida) se sincroniza, perfeitamente, com as essências da oitava Casa – o Signo de Leão – e o poder de Saturno, como uma carga de experiência geradora, da parte do homem, com o máximo recurso do Poder do Amor.

 

CAPÍTULO IV – A INFÂNCIA

 

“INFÂNCIA” significa simplesmente “estar em um estado de involução” – em qualquer oitava de experiência ou desenvolvimento.

Não há muita poesia, mas há muita verdade no dito “a criança é pai do homem”[9]. O ser humano é o resultado de todos os processos de involução que emanam, sequencialmente, desde o momento da concepção até a mais completa maturidade encarnada. Naturalmente que todas as involuções são fases da única direção da vida: a evolução. São momentos para organização e enfoques de faculdades; elas culminam nos “pontos” em que as faculdades podem ser conscientemente usadas e dirigidas. “Direção consciente” é apenas outro modo de se dizer “Maturidade”.

Antes de tentarmos uma abordagem técnica para analisar Mapas de crianças, devemos obter um quadro daquilo que são as nossas várias “infâncias”; a estrutura do Grande Mandala será usada para ilustrar a involução – e a evolução – da condição de ser humano. A Lei de Correspondência[10] será aplicada aqui da seguinte maneira: de Espírito Virginal por meio de encarnações, até a liberação da forma, corresponde desde a semente Virginal através da encarnação até a transição. Da virgindade – ou inocência – em qualquer oitava de Vida, nós prosseguimos através de uma sucessão de emanações a que chamamos “infância” até as maturidades cíclicas. Um exemplo concreto é o processo da educação: nele se observa que os estudantes no primeiro dia de jardim de infância, no primeiro ano, no nono ano e no primeiro ano da faculdade são “espíritos virginais” em relação à fase em que estão entrando; os “mais virgens” são, naturalmente, os estudantes do jardim de infância – eles não têm absolutamente experiência educativa nessa vida. Porém, todas elas são “crianças”, porque ainda estão no processo de se tornarem educados. A “infância da de ser educados” cessa quando a pessoa põe em uso, pela primeira vez, aquilo que aprendeu; ao entrar nessa fase, ele entra na “infância” de suas experiências de trabalho; quando aplica aquilo que aprendeu, ele “emana para” sua maturidade como um trabalhador.

Assim sendo, lembremos que infância é o processo entre pontos relativos de maturidade em qualquer (ou em todas as) oitava (s) de expressão da Vida, assim como o de desenvolvimento de potenciais é o processo entre pontos relativos de felicidade.

O começo de sua encarnação foi o momento que determinou o fim de suas necessárias experiências nos planos internos. A partir daquele ponto, qualificado inteiramente por suas exigências de destino maduro[11], as coisas que começaram a acontecer serviam ao propósito de remover sua consciência da subjetividade para a objetividade. A semente, núcleo de seu veículo em perspectiva, estava madura dentro do corpo materno; novamente, no momento exato e necessário em que a semente recebia o efeito da impregnação paterna e a fase subjetiva de sua encarnação terminava, a fase objetiva começava. Nova infância.

Começa, agora, a involução, no veículo composto, período chamado de pré-natal. Essa é a primeira de suas “infâncias objetivas”. Para ilustração desenhe um círculo grande, acrescentando-lhe os diâmetros horizontal e vertical; coloque os símbolos dos Signos Cardeais, conforme estão no Grande Mandala: 4º Casa: Câncer, 7º Casa: Libra, 10º Casa: Capricórnio e 1º Casa: Áries. A partir de um ponto na linha de Câncer, perto do centro, trace, através de pontos comparáveis, uma linha circular para cima, através de Libra e até Capricórnio, e deste ponto para baixo até Áries (se obterá três quartos de um círculo).

Esta é a “linha do período de gestação” – nove meses de tempo simbolizados por nove Casas e Signos astrológicos – três quadrantes. Isso é o acúmulo e enfoque da consciência genérica na matriz etérica e sua condensação física. O fim dessa linha de gestação (pré-natal) em Áries encerra essa “infância” particular por seu “amadurecimento” ao nascer. Agora o veículo composto é objetivado como uma expressão individualizada da ideia arquetípica – “humanidade”. Não é um “novo ser humano”, mas sim “um ser humano que reaparece novamente”.

Do ponto na linha de Áries, onde termina a “linha da gestação”, mova um pouco a ponta do seu lápis para fora – afastando-se do centro. Partindo desse ponto, trace um quarto de círculo para baixo até o ponto correspondente na linha de Câncer.

Nova oitava – nova dimensão. Esse quadrante é a involução ao uso consciente do veículo físico – a infância física individualizada. Astrologicamente, esse período é representado pelas “viagens paralelas” da Lua progredida e Saturno em trânsito (os construtores da forma), de suas posições natais para a primeira Quadratura. Esse quadrante termina na última vez que Saturno transitando, em movimento direto, forma Quadratura com sua posição natal. Mais sobre este assunto ainda falaremos depois.

Mova um pouco a ponta de seu lápis para baixo, na linha de Câncer, e trace um quarto de círculo até o ponto equivalente na linha de Libra.

Esse quadrante é a infância do exercício mental – o treinamento representa o aprendizado obtido pela criança nos anos da escola primária. Ela dá seus primeiros passos no aprendizado para entender os símbolos a que chamamos letras e números, que tem o propósito (básico) de coordenar e organizar suas faculdades mentais; portanto, uma nova e mais vital “infância”. Esse ponto na linha de Libra simboliza a aurora da adolescência, a emanação da consciência de sexo e da percepção de polaridade. Na linha da gestação, esse ponto representa o momento do período pré-natal, quando as características sexuais da encarnação em perspectiva foram objetivadas e as do sexo oposto foram subjetivadas. Na adolescência o corpo físico manifesta a quimificação da consciência de sexo; a consciência sexual subjetiva é manifestada pela resposta vibratória da pessoa para as pessoas, em sua grande maioria, de sexo físico oposto (mais sobre este assunto no capítulo seguinte). Essa “emanação” subconsciente de consciência de polaridade representa a “infância do amor entre casais”. O padrão astrológico básico é: a Lua progredida em Oposição a si mesma na posição natal e Saturno transitando em Oposição a si mesmo na sua posição natal. Agora mova um pouco a ponta do lápis para fora, na linha de Libra, e trace um quarto de círculo até a linha de Capricórnio; três quadrantes da roda e a segunda Quadratura da Lua progredida e de Saturno em trânsito às suas posições natais.

Nesse ponto – o segundo na linha de Capricórnio – a primeira maturidade após o nascimento é alcançada. A pessoa evoluiu no uso de seu corpo físico, de sua mentalidade consciente e de suas forças eróticas, geradoras.

Agora ela está qualificada, no que tange a equipamento, a deixar sua condição de recebedor de vida e passar a de dador de vida. Em outras palavras, ela agora pode se tornar um pai ou uma mãe. Ela não somente pode prover substância corpórea para a encarnação de outrem, mas deve estar qualificada para assumir e cumprir as responsabilidades acarretadas por essa expressão. Qualquer um com equipamento físico, força de desejo e uma parceira pode se tornar um pai ou uma mãe, mas ser um pai ou uma mãe envolve o exercício da força do amor, da força da sabedoria, bem como da força do desejo. Portanto, no quarto quadrante após o nascimento, a pessoa entra na infância da maturidade culminante. Essa “infância” é representada se movendo a ponta do lápis um pouco para cima na linha de Capricórnio e traçando-se o restante quarto de círculo para baixo até a linha de Áries, completando desse modo um círculo desde o nascimento.

Esse período é a “infância” psicológica-espiritual – fusão de todos os elementos da personalidade – físicos, genéricos e mentais. Na roda isso inclui a 10ª Casa, a 11ª Casa e a 12ª Casa. Posto que a 12ª Casa simboliza, abstratamente, o que foi idealizado e não cumprido, aqui ela simboliza a hora de provas dos: vigésimo oitavo, vigésimo nono e trigésimo anos. Esse período marca o fim do primeiro ciclo: a Lua progredida e Saturno em trânsito (direto) em Conjunção com suas posições Radicais. Durante o tempo deste “supernascimento” os elementos fundamentais do horóscopo inteiro são focalizados intensamente. Em sua oitava, assemelha-se ao grande esforço do bebê para sair do corpo materno. Somente isso significa a emergência de consciência da atração gravitacional de negativos psicológicos (pisco-emocional-mentais), não a luta de um corpo físico contra outro. Os Aspectos formados pelo primeiro eclipse solar, após a Conjunção da Lua progredida consigo própria na posição natal, são muito mais importantes para indicar o foco de prova, até que Saturno haja completado seu ciclo.

É verdade que, do ponto de vista das condições de destino maduro, o período de gestação do corpo do bebê pode ser acompanhado por condições vibratórias muito difíceis em razão de aflições, emoções negativas e tensões dos pais, especialmente da mãe. Contudo, e dado que a encarnação se efetua por atração vibratória a pais e ambientes específicos, essas condições são exteriorizações de padrões vibratórios. As condições não são as “causas”; são de fato efeitos específicos de causas que a própria “criança” produziu pelo modo com que exercitou sua consciência no passado. Quando reconhecemos que paternidade e ambiente são efeito e não causas, reconhecemos também que podemos redimir a qualidade de nossos relacionamentos com nossos pais e a qualidade das imagens de nosso ambiente primitivo descristalizando os pensamentos e sentimentos causadores de tensão ao substituí-los por padrões de pensamentos e sentimentos baseados no Amor-Sabedoria. Isso não é, em essência, um dos principais significados da frase “a Arte de viver”?

No fim do período marcado pela Conjunção da Lua progredida e Saturno em trânsito com suas próprias posições natais – que coincide com o Trígono, por trânsito direto, de Urano com a sua posição Radical (natal) – o ser humano emerge das “emanações” de suas seis “infâncias” – uma subjetiva e cinco objetivas. São elas: a infância subjetiva é a preparação nos planos internos, para a encarnação, que é objetiva:

  • A primeira infância objetiva é o período pré-natal, em que ocorre a involução dos veículos físico e etérico, culminando no nascimento;
  • A segunda infância objetiva, que incidi do nascimento aos sete aos de idade, sendo a involução ao uso do veículo físico;
  • A terceira infância objetiva que é a involução ao uso das faculdades mentais, e ocorre dos sete aos quatorze anos.
  • A quarta infância objetiva se dá no próximo período setenário, que é dos quatorze aos vinte e um anos, em que há a involução da consciência de polaridade, consciência de sexo e o despertar da natureza erótica;
  • A quinta infância objetiva ocorre entre as idades de 21 a 28 anos: se completa o primeiro ciclo da Lua progredia, culminando por Saturno em trânsito – no último movimento direto – que forma uma Conjunção com sua própria posição radical e pelo Trígono de Urano a sua própria posição também radical; os dois últimos ocorrem nos: vigésimo nono e trigésimo anos. Esse período é a “síntese” da infância total da encarnação, as provas que servem para solidificar a consciência para os anos de maturidade, as lutas íntimas pelas quais provamos quanto foi aprendido dos Princípios de Vida até ali, quando a ação de Urano provê uma medida de libertação para emanação de progresso.

Como a recapitulação é um princípio nas emanações evolutivas, o período seguinte, que termina com a terceira Quadratura da Lua progredida e de Saturno em trânsito com as suas posições natais (primeira Quadratura do segundo ciclo) perto do trigésimo sexto ano, é um período de recapitulação em que a vida nos dá a oportunidade de aprender dos resultados da hora das provas – dos: vigésimo oitavo ao trigésimo ano, e de redimir, pelo menos em parte, o que precisa ser redimido. A vida não quer que passemos de uma oitava a outra extenuados completamente por fardos de congestões acumuladas – a vibração de Urano é uma provisão da Natureza para nos garantir liberdade interna, em certa medida, e essa liberdade deriva diretamente de tudo o que temos aprendido em nossas provas. Afinal, a congestão que chamamos de “ignorância” só pode ser descristalizada segundo o sábio ensinamento: “…e a verdade vos libertará”[12]. Esse é o período para “consertar o que precisa ser consertado” dos primeiros trinta anos, e então emergimos, após o trigésimo sexto ano, tendo aprendido as coisas que precisamos aprender – na fase seguinte (comparável ao período erótico da adolescência), que até aqui é o período de maior criatividade. Nossas forças de polaridade – oitava superior das forças sexuais – despertam agora para um fulgor de expressão por meio do amadurecimento do equipamento físico, mental, emocional e espiritual.

No fim desse período, que é o sexto quadrante, chega-se à modulação para a mais completa maturidade da encarnação; uma tripla ação vibratória ocorre dos quarenta e dois até perto dos quarenta e cinco anos; a Lua progredia e Saturno em trânsito formam a segunda Oposição a si próprios nas posições natais, e Urano, em trânsito, forma uma Oposição a si mesmo na posição natal. Esse período é uma outra “luta para nascer” e de grande significado oculto: é a luta da consciência entre a “cristalização retardadora” de Saturno e a “descristalização progressista” de Urano – Morrer versus Viver. O autor está convicto de que esse “esforço enérgico para se libertar da contenção ou da resistência” e seu resultado têm muito a dizer sobre o “fundamento psicológico” e o “estado evolutivo” da encarnação seguinte. Nesse período, por nossas reações e expressões, nós provamos se pretendemos nos tornarmos inertes ou permanecermo-nos dinâmicos. Nesse período, tudo o que em nossa consciência tenda a se congestionar e impedir o progresso é abalado até suas raízes. Se por temor nos apegamos ao velho e não mais necessário, nós nos enclausuramos na inércia; se nos ajustamos às mudanças necessárias construímos em direção ao progresso, que resulta num radiante novo nascimento da consciência espiritual. Depois desse período escalamos o cume da montanha de nossa vida – o mais completo amadurecimento de nossos últimos anos.

Agora, um pouco de estudo técnico. Seis séries de cálculos pormenorizados:

  • Os meses em que a Lua progredida forma sua primeira Quadratura, primeira Oposição, segunda Quadratura, segunda Conjunção, terceira Quadratura, e segunda Oposição a si mesma na posição Radical;
  • Correlacione a cada uma das datas acima a do eclipse solar que cai (após o Aspecto da Lua progredida) em Conjunção, Quadratura ou Oposição com a Lua Radical (o eclipse solar subsequente “abre” – revela – os padrões da Lua);
  • As datas em que Saturno, por seu último trânsito direto, forma sua primeira Quadratura, primeira Oposição, segunda Quadratura, segunda Conjunção, terceira Quadratura e segunda Oposição;
  • Correlacione, com cada um dos Aspectos acima (do 3)), a lunação mais próxima da data do Aspecto que forma Conjunção, Quadratura ou Oposição a Saturno na posição natal. Essas lunações “acendem” os Aspectos de Saturno em correlação com os eclipses solares, nos seus relacionamentos com os Aspectos da Lua progredida (se suas efemérides o provê);
  • O período em que Urano, por seu primeiro e último trânsito direto, faz uma Oposição à sua posição natal. Determine as datas dos eclipses solares que formam Conjunção, Quadratura ou Oposição com Urano nesse período. Este é o ápice da hora de “sacudir” – Urano retumba e ruge ante tudo o que lhe desagrada sobre Lua-Saturno;
  • Uma lista composta de tudo no período de dois pontos acima mencionado de Urano-Oposição-à-Urano que acende Urano na posição natal por Sextil ou Trígono. Isto é, a própria Lua progredida, os eclipses solares e suas Luas-Cheias, os padrões de lunação e suas Luas-Cheias, e a maioria dos trânsitos astrais que representem estímulos de Urano de acordo com os seus poderes para estabelecer liberações internas e progresso. Além disso, o estudo de Urano-Oposição-à-Urano requer uma síntese cuidadosa do contraste entre Urano na posição natal e Saturno, também na posição natal, para avaliar as forças relativas de gravidade e de progresso na Mapa individual.

Sugere-se, também, que se preste atenção especial aos Aspectos da Lua progredida nesse modo: faça uma lista dos meses em que a Lua progredida forme Aspectos sucessivos com cada Astro que faça Aspecto legítimo à Lua na posição natal no horóscopo. Cada um dos “pontos críticos do quadrante” é focalizado pelos Aspectos da Lua progredida e Saturno em trânsito com suas posições natais, mas os Aspectos da Lua no Mapa natal são especializações pessoais dos princípios lunares, e todos esses Aspectos têm importante significado nos “pontos críticos”.

Quando você estiver lendo o Mapa de qualquer pessoa, preste atenção em qual “infância” essa pessoa se encontra; analise o Mapa por seus valores básicos, mas considere o “equipamento” apresentado no momento da experiência que você esteja estudando.

Concluindo, o “primeiro quadrante” do astrólogo está no aprender os cálculos – o corpo do estudo astrológico. Todas as suas outras “infâncias” como um artista da interpretação, coincidem com suas várias etapas de desenvolvimento espiritual.

 

CAPÍTULO V – A ADOLESCÊNCIA

 

A palavra “adolescência” significa “continuar a crescer”. Em sua aplicação à involução e evolução humanas, ela se refere aos períodos em várias oitavas que se sucedem a cada novo momento decisivo. É o processo durante o qual se manifestam os potenciais após ter sido estabelecida a nova identidade. Abstratamente, a “adolescência” é uma parte da “infância” da oitava; não é maturidade; é o desenvolvimento em direção à maturidade da oitava. Na música, cada nota “Dó” inaugura uma nova oitava tonal – um “momento decisivo” no espectro tonal; a “adolescência” da oitava musical seria todos os tons entre essa nota “Dó” e o próximo – acima ou abaixo dele – dependendo da direção da passagem musical.

Abstratamente, a “infância” das oitavas da experiência humana poderia ser designada como “estando nascendo”, “início da escolaridade”, “se tornando um adolescente”, “se tornando um pai ou uma mãe, ou um trabalhador ou um mestre”. Todas essas designações se referem a novos pontos de experiência. O homem que só tem um filho – com poucos anos de idade – é um “adolescente” na experiência de pai. Outro homem que tenha vários filhos, todos adultos, ou até casados e com filhos, está na maturidade da experiência de pai. O pai mais jovem está no processo de amadurecimento da paternidade; o mais velho já alcançou a maturidade especificamente nessa experiência. “Paternidade-maternidade”, como um novo momento decisivo de identidade, é estabelecida quando nasce o primeiro filho; as experiências entre esse momento e a idade adulta do último filho da família é o “crescimento da paternidade e da maternidade”. Quando o “bebê” da família alcança condições de adulto autossustentável, o pai e a mãe alcançam sua maturidade como pais. O nascimento de cada filho no seio da família é, por sua vez, uma “variação” da identidade paterna e materna básica, porque cada filho traz consigo um padrão vibratório diferente sobre o qual os pais devem exercitar, nos anos que se seguem, seus potenciais de Amor-Sabedoria. O desenvolvimento de cada filho é coincidente com uma diferente “adolescência” dos pais, como um “time” fraternal marido-esposa.

Exercite-se, mentalmente, um pouco sobre a palavra “adolescência”. Volte sua atenção para as muitas fases da Natureza e observe os processos de “crescimento”: o crescimento de plantas e árvores e o amadurecimento de suas flores e frutos; o desenvolvimento de jovens animais e aves; até o desenvolvimento do dia e da noite que se seguem ao aparecimento do Sol e da Lua no horizonte oriental. O aparente “arco” que o Sol e a Lua descrevem em suas trajetórias pelo céu, de horizonte a horizonte, é um símbolo natural da “manifestação da: infância”, “adolescência”, “maturidade”, “declínio” e, com o desaparecimento dos Luminares no horizonte ocidental, da “transição”. Esse é um símbolo natural da Beleza Cósmica porque simboliza o padrão essencial de todas as expressões da Vida em seus desenvolvimentos de potenciais, maturidade e, finalmente, de recesso para a subjetividade.

O tema dessa dissertação é a aplicação concreta da palavra “adolescente”, no que se refere a uma fase especializada da experiência humana. É o momento para manifestação da essência Bipolar do indivíduo; ele manifesta um novo amadurecimento de seu organismo físico, de seus potenciais emocionais, e a mais significativa evidência do seu destino maduro[13] (para simplificar, usaremos o pronome masculino “ele” para o sujeito; mas “ele” se referirá a qualquer adolescente, seja rapaz ou moça).

O primeiro mandala a estudar é muito simples: um círculo com o diâmetro horizontal; o símbolo de Áries no ponto esquerdo, o símbolo de Libra no ponto direito. Sob o ponto de vista do “progresso” da vida do indivíduo, esse mandala é o arquissímbolo da polaridade, da qual o diâmetro Capricórnio-Câncer é a primeira variação básica.

Esses dois Signos são “masculinos” no sentido de que eles representam a individualidade dinâmica – “capaz de iniciar causas” – do homem e da mulher, respectivamente. Entretanto, em relação a Áries, Libra é “feminina”, pois “ela” simboliza o efeito (ou reflexo) de causas que foram expressas pela Individualidade.

Os dois raios que compreendem esse diâmetro – e que parecem “uma só linha” – são os arquétipos dos dois semicírculos. Todos os potenciais das seis primeiras Casas (da roda de 12 Casas) estão implicados no raio de Áries; os das seis Casas superiores estão implicadas no raio de Libra. Os semicírculos são, simplesmente, o desenvolvimento de recursos iniciados por esses dois Signos Cardeais. Por conseguinte, fica demonstrado, de maneira tão simples, quase decepcionante, que o diâmetro horizontal em si compreende o potencial de polaridade do círculo inteiro.

Como um resultado da ação geradora dos pais (Capricórnio-Câncer), essa linha é um efeito: horizontal, feminina, resultante, matéria, o gerado. Contudo, como um símbolo de expressividade dinâmica do ser humano individual, ela é uma causa – cujo efeito é o diâmetro Capricórnio-Câncer, que simboliza a maturidade do indivíduo, durante a encarnação, na paternidade ou em qualquer outra expressão “dadora de vida”.

Portanto vemos agora a “mágica” da simbologia: o Princípio Cósmico de Causa-e-Efeito, na expressão bipolar (ambas, abstrata e genérica) representadas por uma só e mesma linha. Medite muito sobre isso no que se refere a sua própria experiência como um ser humano. Suas expressões, como indivíduo, são simbolizadas por Áries; sua consciência de reação emocional para com seu complemento é Libra. Contudo, suas expressões e reações estão todas em você; seus complementos são símbolos vivos daqueles elementos no seu ser físico e genérico que ainda não foram realizados por sua individualidade.

Agora, em relação aos quatro quadrantes, o ciclo de vinte e oito anos da roda, o período que designamos como “adolescência” é o terceiro quadrante – contando a partir de Áries e no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, o quadrante iniciado por Libra. Os elementos genéricos que foram subjetivados no período pré-natal são agora objetivados por novas oitavas de consciência emocional e externados por outros seres humanos. Nesse “novo nascimento”, o “EU SOU” é transposto para “NÓS SOMOS” – assim como um músico transpõe para um tom diferente. O indivíduo vagueia no tempo e espaço e percebe “partes de si mesmo” refletidas pelas pessoas de padrões de polaridade complementar. O desdém, o acanhamento, as antipatias, etc., que os adolescentes mostram para os adolescentes do sexo oposto não devem causar ansiedade nos pais; medo é reação normal e natural do ser humano, quando se vê face a face com algo que não compreende. Contudo, quando rapazes e moças respondem à força da atração mútua, em casais bipolares, nós testemunhamos encantadoras atitudes cômicas de “coisas jovens” tentando se orientar nas divertidas e fascinantes dimensões de novas oitavas emocionais. Tantas dramatizações, tantas peças, tantas risinhos e chorinhos, tantos sonhos – ambos, diurnos e noturnos – tantas novidades em autoconfiança e coragem seguidas de seu completo esvaziamento, tantas vaidade e verdadeira beleza, tantas esperanças e desapontamentos, tantas céus estrelados e noites de luar, tantas irritações e distrações, tantas fantasias e tantas ideais e venerações!

E não só as “coisas jovens” atravessam o trabalho dos “novos começos” nesse período – seus pais também! A consciência do sexo segue da necessidade de compreendê-lo; como os pais, individualmente ou em conjunto, podem lidar com essa fase (não é essencialmente um “problema”, exceto em suas próprias Mentes) de crescimento de seus filhos como indivíduos e deles próprios como pais? A polaridade de família realmente entra em uma fase em que tudo é feito com muito entusiasmo ou intensidade: o filho (e sua namorada), a filha (e seu namorado), o pai que é marido-pai (bem como é o “irmão mais velho” de seu filho, porque ele próprio passou pela mesma experiência), e aquela que é esposa-mãe e “irmã mais velha”, estão todos em processo de união com suas não realizações – individualmente, como casais e como um grupo-família.

A educação sexual, como qualquer outra fase do processo educativo, é simbolizada por Gêmeos e 3ª Casa, no sentido de que qualquer criancinha pode aprender os nomes e propósitos das “coisas relativas ao sexo”, muitos anos antes de se tornarem adolescentes. No terceiro quadrante da roda o processo educativo transcende a “mera denominação das coisas”.

Quando a criança se torna consciente de sua natureza sexual, sua educação deve abranger um aprendizado para entender os princípios da sexualidade, conforme se manifestam em seu ser e em toda a Natureza. Quando os pais, devida a “congestões de ignorância”, limitam suas instruções sobre o sexo simplesmente a nomes (às vezes, pateticamente nem mesmo isto) estão falhando em sua responsabilidade para com seus filhos e filhas adolescentes. Atentemos para o terceiro quadrante do mandala: três Signos – Libra, Escorpião e Sagitário – estão representados; acrescente ao mandala os símbolos dos dois últimos.

Libra é o momento decisivo, a nova consciência do “Nós Somos”; Escorpião, Fixo e de Água, é o desejo de sustentar o “Nós Somos” como seu complemento, Touro, é o desejo de sustentar a individualidade. “Viajando por meio de Escorpião” está a libertação de recursos geradores na puberdade, nas mudanças físicas, nos processos magnéticos da atração sexual e nos desejos instintivos de fazer com que o “Nós Somos” se manifeste quimicamente na união física. Escorpião simboliza o recurso da mais intensa aspiração para realizar o ideal de unir a personalidade à alma. Qualquer um que ame e que chame a pessoa amada de “minha alma” não está sendo emocionalmente tolo, mas está pondo em palavras o reconhecimento de que a natureza vibratória da pessoa amada acendeu a consciência de identidade espiritual da pessoa que ama.

A adolescência é o “período pré-natal da paternidade e da maternidade” e, como tal, é a época para ignição da ignorância e da sabedoria internas da pessoa, quanto aos princípios da geração e da relação de polaridade. E nessa “ignição”, facetas muito importantes do “destino maduro secreto” se manifestam; resíduos de destino maduro de padrões de relacionamentos não cumpridos são “expostos”, após a letargia da infância. A paternidade própria latente no adolescente emerge, agora, como um efeito de suas expressões como marido-pai em sua última encarnação masculina; o mesmo se dá com a moça – sua condição anterior de esposa-mãe reaparece agora para mais cumprimento. Uma vez que o pai e a mãe foi, até aqui, os símbolos vivos de “homem com mulher”, o despontar da adolescência pode intensificar os padrões afetivos dos sentimentos da criança para com um ou ambos os pais, ou pode surgir agora uma animosidade latente. O rapaz se tornou consciente da “fêmea” como um símbolo da Vida, portanto é de se esperar que seus sentimentos para com sua mãe e irmã se intensifiquem – de acordo com seus elementos genéricos – e um mais profundo senso de afeição e camaradagem para com o pai e o irmão ou uma crescente sensação de rivalidade para com os mesmos (como “companheiros machos”) podem se manifestar. Também podem ocorrer “transferência de afeição” de marido para filho ou de esposa para filha, nos padrões emocionais dos pais porque o “novo macho adulto” pode representar para a mãe ou a “nova fêmea adulta” pode representar para o pai um símbolo de novo amor.  Muitas vezes a mãe tenta compensar suas frustrações conjugais transferindo seu amor de esposa para seu filho adolescente, o mesmo podendo fazer o marido para sua filha. Tais transferências não precisam, absolutamente, significar coisa “má”, mas quando acontecem elas são evidências – efeitos – de se haver expressado repetidamente, conforme as congestões emocionais. As trágicas congestões de intenso sentimento mútuo de pais de família entre si, muito vistas frequentemente, são evidências de relacionamentos passados de um tipo profundamente emocional – as pessoas estão “pregadas uma na outra” pela atração magnética de forças de desejo não redimidas. Se essas atrações não se descristalizarem pelo exercício do respeito mútuo da individualidade, então os relacionamentos tomam a coloração a que chamamos “complexos genéricos” e a fase adolescente, em tal caso, resulta em uma congestão de velhos padrões, ao invés de uma liberação para uma realização mais ampla.

Se é para este período resultar em avanço espiritual, os pais devem exercitar seu Amor-Sabedoria como jamais exercitaram, e o adolescente deve se esforçar para aprender mais sobre os princípios da geração e dos relacionamentos mais do que nunca. Os pais se tornam professores, e os filhos estudantes; essa é uma das maneiras da Natureza encorajar a impersonalização dos apegos emocionais dentro da organização familiar. É “Urano em ação” descristalizando as congestões do passado de Escorpião-Touro. Os recursos emocional e de desejos do rapaz e da moça adolescentes devem ser encorajados a se estender às oitavas do amor individual sadio dos namorados. O pai ou a mãe que procura desencorajar esse desenvolvimento gera amargo destino maduro. Os pais que “exercitam essa repressão” fazem isso porque permitem que seus próprios impulsos frustrados (desejos intensos) convertam o interesse protetor normal e natural em um “algo” voraz composto de possessividade, egocentrismo e medo. Aqui reside uma das mais importantes responsabilidades dos pais como seres pensantes. A mulher que faz do seu filho um símbolo-substituto de “marido”, e ao mesmo tempo mantém a condição de “esposa” do homem com quem casou está desviando a realidade de sua identidade conjugal para algo que lembra uma terrível ilusão. O mesmo se passa com o homem que, para compensar os desapontamentos conjugais, usa afeto e a devoção feminina de sua filha. Tais confusões de relacionamentos são trágicas e a “tragédia humana” se resume em “congestão de desejo-ignorância”. A transmutação da “tragédia” é a libertação da congestão.

Quando o “Nós Somos” – a individualidade conjugal – do conjunto marido-pai-esposa-mãe é mantido em Amor-Sabedoria mútuo, a individualidade do filho e da filha é automaticamente respeitada, uma vez que nenhum dos pais tem necessidade de “símbolos-substitutos emocionais”. Então o ensino a respeito de “fatos e princípios do amor, do casamento e da geração” podem ser dados e assimilados naturalmente, inteligentemente e inspiradamente. Partindo disso o adolescente está ritmicamente condicionado para entrar na área de Sagitário do terceiro quadrante, enquanto ele ou ela se abre naturalmente para novas realizações da velha sabedoria. Com isso ele ou ela se prepara, em consciência, para “alcançar o Meio-do-Céu” e entrar no quarto quadrante como um adulto – um “contemporâneo mais jovem”, como homem ou mulher, dos pais. Ensinar e absorver o ensino é cumprir a linha Capricórnio-Câncer – cumprindo a responsabilidade de pais e cumprindo os requisitos da paternidade por vir.

(Se “aprender a calcular” é a infância do astrólogo, então sua “adolescência” é o estudo dos símbolos em seu significado individual e coletivo; a “maturidade” consiste em se transmitir aquilo que foi aprendido; como consultor, escritor, conferencista e professor, o astrólogo é um “pai ou mãe espiritual” e tem seu lugar na classe dos servidores do Mundo; e nesse serviço ele está na “adolescência” de sua condição de “futuro irmão mais velho”).

TÉCNICA: sugere-se, da experiência do autor, que o estudo da Mapa do adolescente seja feito desse modo:

  • Análise cuidadosa de cada Aspecto da Lua radical; das Quadraturas e Oposições aos Astros em Câncer (regido pela Lua) e seus corretivos;
  • Análise das Quadraturas, Oposições e corretivos dos Aspectos ao Astro que “disposita” (rege o Signo em que a Lua se encontra) a Lua;
  • Análise da sétima Casa do horóscopo como recurso do “Eu Sou” que surge na adolescência como “Nós Somos”; aquilo que vai ser cumprido principalmente nos relacionamentos conjugais;
  • Relacione – por meio de cálculos cuidadosos e em sequência: todos os Aspectos formados pela Lua progredida aos Astros que ela forma Aspectos legitimamente na Mapa Natal, antes e depois de fazer Oposição a sua própria posição radical pela primeira vez – aproximadamente aos quatorze anos de idade; “padronize” essa lista de tal modo que você se aperceba de cada corretivo para cada Aspecto congestionado; é necessário saber até que ponto a pessoa é capaz de descristalizar suas congestões de desejo;
  • Inclua nesta lista todo Eclipse Solar que ocorra nesse período da “Lua progredida em Oposição a sua posição Radical” – mesmo se a lista dos Aspectos da Lua progredida vá além da data em que a Lua faz Oposição à Lua – e isto pode acontecer;
  • Inclua a data em que Saturno, por seu último trânsito direto, faz Oposição a sua própria posição radical; isso é a Oposição da Lua progredida à sua própria posição Radical é o foco vibratório do período da adolescência – o mecanismo vibratório “embutido”.

Sugerimos o uso de mandalas com focos de concentração para libertar sua consciência interpretativa dos potenciais genéricos do nativo.

 

CAPÍTULO VI – A FRATERNIDADE

 

Fraternidade é o paralelismo nas relações humanas. No nosso esforço para descristalizar nossas congestões de “ser diferentes das outras pessoas”, vamos focalizar, agora, nossa atenção em “como realmente parecemos ser às outras pessoas”, por meio de meditações no Grande Mandala chamado Horóscopo Abstrato: uma roda de doze Casas com os símbolos dos Signos nas cúspides, começando com Áries no Ascendente, e os símbolos dos Astros colocados nas Casas correspondentes aos Signos de sua Dignificação.

A fraternidade entre todos os seres humanos está ilustrada aqui, uma vez que ela é a completa simbologia astrológica essencial de todos os seres humanos. É interessante – e iluminador – notar que o sexo físico, o desenvolvimento evolutivo absoluto e “a nacionalidade, o credo e a cor” não estão representados nesse desenho. Tais qualificações são níveis temporários de expressão pelos quais o ser humano se separa de seus companheiros, por meio de seus sentimentos de inferioridade ou superioridade, de ser melhor ou pior, de ser superior ou inferior e, em geral, de ser “diferente”. O ser humano difere de seu semelhante, em qualquer sentido real, somente na dimensão do tempo; alguns de nós deixam o nível da primitividade um pouco mais cedo do que os outros, sendo que, correspondentemente, alguns alcançam a libertação mais cedo, também.  Contudo, todos nós viajamos pela mesma estrada e preenchemos os mesmos requisitos evolutivos como expressões da ideia: “humanidade”. Quando nos damos conta, claramente, de que nossas reações de medo e ódio contra um “malfeitor e suas más ações” são simplesmente – repito simplesmente – estímulos da memória às mesmas más ações que praticamos no passado, então reconhecemos que a condenação de um “malfeitor, nosso semelhante” é a perversão daquilo que deveria ser amor fraternal; ele é fraternal a nós tanto quanto ele – e nós somos – é mutuamente paralelos no exercício negativo da consciência – a libertação dos nossos recursos vibratórios por ignorância de princípios.

De fato, não é “a condenação de um malfeitor” um protesto da consciência por ser levada a ver uma exteriorização de sua “infância desobediente”? Tendemos a nos culpar, às vezes, quando recordamos erros ou tolices que cometemos nos tempos passados; não é, então, a consciência que “culpa a si mesma” quando manifestamos uma reação de forte sentimento negativo contra algo feito por outra pessoa? Nossa consciência é uma com a de nossos irmãos – recurso essencial para a expressão do amor uno e da sabedoria una de nosso Deus Pai-Mãe. Somos paralelos uns aos outros, ao sermos expressões de uma ideia da nossa paternidade ou maternidade bipolar; o masculino-feminino de cada ser humano é, realmente, o que está significado pela irmandade da humanidade.

Nós somos paralelos com outros seres humanos em nossos padrões de semelhança no sofrimento. Define-se “sofrimento” como “o modo pelo qual descristalizamos involuntariamente nossas congestões na consciência”.

Nós não cultivamos conscientemente o sofrimento – o impulso integral da natureza humana é para evitar ao máximo a dor e os problemas da vida; mas, uma vez que não exercitamos conscientemente a nossa capacidade de crescimento e desenvolvimento, a Vida tem seu modo – através de estímulos rítmicos de nossos padrões vibratórios – de nos alertar sobre os corretivos de que precisamos para uma melhor liberação de nossos potenciais espirituais. O sofrimento é o estímulo de uma congestão vibratória e um paralelismo de condicionamento vibratório se encontra entre “aquele que pratica uma má ação” e aquele que reage com dor a essa má ação; o primeiro funciona dinamicamente, e o último reflexivamente; ambos, em conjunto, representam o masculino-feminino do padrão congestionado. O “paralelismo no sofrimento” não deveria ser a base sobre a qual estabelecemos a nossa mais profunda simpatia com o nosso semelhante? Que dizer da pessoa que exige vingança como represália a um “mal praticado contra ela”? Estará essa pessoa realmente “balanceando a conta com justiça”? Seu compromisso da mesma – ou semelhante – ação a liga, em paralelismo, àquela através de quem ela experimentou sua mágoa – a congestão é intensificada e ambos são “aprisionados”, mais ainda. A condição negativa na consciência básica é, desse modo, enfatizada, e ambos terão de enfrentar uma “recristalização” mais drástica no devido tempo, até que o paralelismo seja mutuamente harmonizado por meio do Amor-Sabedoria.

Os estudantes perguntam: “Por que, pelo amor de Deus, a 3ª Casa é chamada a Casa dos Irmãos”? Vejamos o que duas cópias do Grande Mandala têm a dizer:

Gire uma delas de tal modo que a quarta cúspide (Câncer) esteja no lugar do Ascendente; gire a outra de tal modo que a décima cúspide (Capricórnio) esteja no lugar do Ascendente.

Na primeira, Gêmeos é o Signo da 12ª Casa; na segunda, Sagitário é o Signo da 12ª Casa. A palavra-chave básica do padrão do Signo da 12ª Casa é redenção de ideais não realizados; Gêmeos é o Signo da 9ª Casa – Sabedoria – de Libra, o símbolo da complementação feminina; Sagitário é o Signo da 9ª Casa de Áries, símbolo da complementação masculina. Quem torna a encarnação possível? A mãe (Câncer) e o Pai (Capricórnio), como uma expressão geradora bipolar da vida. Em outras palavras: por que uma mulher se torna uma mãe e um homem se torna um pai?

  • Para colaborar na redenção da vida humana, ao possibilitar a encarnação de mais “Luzes”;
  • Para ampliar sua esfera de conhecimento e de compreensão mediante sua administração sobre aqueles foram gerados;
  • Nas expressões masculina e feminina atuais, para “acender” os recursos de conhecimento derivados da sabedoria, quando cada um esteve encarnado como sexo oposto;
  • Para experimentar a “retribuição de destino maduro” – meio de redenção – cumprindo os padrões de relacionamento via destino maduro por meio da experiência da paternidade e/ou maternidade – flexibilizando, dessa maneira, a expressão de seus recursos de Amor-Sabedoria através de uma variação de polaridade e gênero, em uma extensão (desde o passado) da dimensão do Tempo.

Posto que a 3ª Casa é a “12ª Casa da 4ª Casa”, vemos que os irmãos e irmãs (em parte, réplicas da masculinidade-feminilidade de ambos os pais) nos planos internos resguardam as sementes embrionárias no corpo materno. A ação fecundante do pai torna possível essa “ignição por contato” e aqueles “na 3ª Casa” emergem (Câncer-Capricórnio são Signos Cardeais) do invisível para o visível por meio da encarnação.

No Grande Mandala, o Signo de Gêmeos é a “raiz” do diâmetro fraternal, estando no primeiro quadrante da roda. Seu Regente, Mercúrio – a faculdade intelectual – é neutro no que se refere ao gênero; o Signo é o terceiro da trindade de Ar iniciada por Libra, “reflexivo”, portanto, em qualidade.  O mitológico Mercúrio transmitia mensagens dos deuses para os seres humanos; não são nossos irmãos e/ou irmãs mensageiros do Deus Pai-Mãe para nós? É mediante nossos relacionamentos infantis com os irmãos e irmãs – no sentido físico – que recebemos nossas primeiras “mensagens” ou paralelismo em relacionamento e familiaridade com o sexo oposto. “Irmãos e irmãs” também significam “companheiros de estudo”, “colegas de brincadeiras” e “companheiros de infância”: a “vida em comum das crianças”, nos primeiros anos da encarnação, é a raiz da “vida em comum de homens e mulheres” na vida adulta; o relacionamento de nós próprios com os nossos irmãos físicos é uma expressão focalizada, de destino maduro, desse paralelismo. Também: a qualidade “neutra” – ou “andrógina” – de Mercúrio como Regente de Gêmeos é simbólica da qualidade desapaixonada (em sua maior parte) de nossas afeições pelos companheiros de infância; meninos e meninas brincam juntos e se associam simplesmente como crianças – as “diferenças entre masculino e feminino” não são percebidas, de maneira acentuada, até o surgimento das qualidades passionais na adolescência e do reconhecimento do sexo oposto.

Agora, uma abordagem extensiva à 3ª Casa (referente ao Grande Mandala). A primeira Casa de relacionamento no ciclo da roda começa com o Ascendente; ela representa nossos “relacionamentos de infância”, em qualquer nível de experiência. Somos crianças enquanto somos novos em um padrão de experiência; não importa quão idosos possamos ser cronologicamente. Uma pessoa que comece a estudar qualquer coisa é uma “criança” nesse esforço particular. Adultos que tenham congestões na 3ª Casa, do Signo de Gêmeos e do Planeta Mercúrio, são pessoas com dificuldade em se ajustar a novos horizontes mentais – e muito provavelmente experimentam dificuldades em se ajustar aos relacionamentos com seus companheiros de estudo. Na idade adulta pode haver um “acúmulo de negativos” (rigidez de opiniões, falso orgulho, invejas e ciúmes, complexos de inferioridade ou de superioridade, etc.) que tenha desenvolvido durante os anos de crescimento. Quando tal adulto, por qualquer razão, é levado a “começar um novo aprendizado”, esses negativos acumulados emergirão de seu subconsciente, por meio de seu “contato fraternal” com os companheiros de estudo; ele pode achar seu progresso “um pouco difícil” por causa de suas reações negativas aos outros e, consequentemente, achar também difícil o verdadeiro exercício mental. Ele pode culpar sua idade ou fato de não ter estudado nada ao longo do tempo, mas o contato com outras pessoas é a ignição dos negativos, e uma cuidadosa observação pode servir para provar que seus sentimentos “não fraternais” são, realmente, a raiz de sua dificuldade (A experiência do autor na guerra – ao lado de muitos outros homens – confirma isso: certa vez, foi lhe ordenado realizar uma missão que lhe era completamente nova e desconhecida; a congestão na 3ª Casa de Gêmeos e Mercúrio  trouxeram sentimentos e reações de grande perturbação e desagrado contra os companheiros de missão; isso fez os ajustes para tocar o novo trabalho se tornarem muito difíceis; entretanto, quando a adaptação aos outros foi estabelecida, na base da amizade, familiaridade e irmandade, a adaptação ao cumprimento do dever se tornou realmente harmoniosa e prazerosa.).

O exercício de nossas faculdades da 3ª Casa é focalizado no exercício mental; consequentemente, a abordagem impessoal pode ser um corretivo notável para o desagrado mediante o contato com pessoas com quem nos associamos em experiência tanto de estudo (Gêmeos) quanto de trabalho (Virgem) – ambos os Signos regidos por Mercúrio. Deixar mentalmente que todos os outros colegas de estudo e de trabalho realizem seus padrões de acordo com seus equipamentos é uma das mais eficazes descristalização psicológica do falso orgulho, da inveja e do complexo de inferioridade. Quando fazemos do nosso objetivo o melhor do nosso próprio aprendizado e trabalho, libertamos os outros do desagrado dos nossos negativos e libertamos a nós mesmos de mal-estares íntimos, resultando isso em maior eficiência no geral. Não podemos ter sentimentos pessoais sobre o conhecimento e trabalho, posto que Gêmeos e Virgem são “raízes” dos nossos florescimentos impessoais – Gêmeos é a polarizado pela sabedoria de Sagitário – 9ª Casa; Virgem é a “modulação” entre o semicírculo inferior e o semicírculo superior, através do Signo Cardeal de Libra. Perceber e apreciar as habilidades e potenciais dos colegas estudantes e dos companheiros de trabalho é energizar as experiências de estudo e trabalho com o brilho do Amor-Poder, pelo que as congestões se dissolvem automaticamente. Não podemos ter sentimentos pessoais acerca de conhecimento e trabalho, posto que Gêmeos e Virgem são “raízes” de nossos florescimentos impessoais – Gêmeos é a polarizado pela sabedoria de Sagitário – Casa Nove; Virgem é a “Modulação” entre o semicírculo inferior e o semicírculo superior através do Signo Cardeal Libra. Perceber e apreciar as habilidades e potenciais dos colegas estudantes e dos companheiros de trabalho é energizar as experiências de estudo e trabalho com o brilho do Amor-Poder, pelo que as congestões se dissolvem automaticamente.

Quais são alguns dos resultados de se manter as congestões de Mercúrio-3ª Casa-6ª Casa-Virgem-Gêmeos? Faça o mandala da cruz Comum: uma roda com as cúspides das 3ª, 6ª, 9ª e 12ª Casas cobertas pelos símbolos de Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes, respectivamente. Ligue esses pontos por linhas retas, formando a Quadratura Comum. Destaque os diâmetros Gêmeos-Sagitário e Virgem-Peixes.

Uma coisa significativa: os “pontos inferiores” da Quadratura Comum nos dão uma pista para um notável “composto genérico” através da regência de Mercúrio. A polaridade masculina é Gêmeos (fêmea) e Sagitário (macho); a polaridade feminina é Virgem (macho) e Peixes (fêmea). Aqui se vê que Mercúrio é o único Astro que “enraíza” o espectro genérico inteiro da dupla qualidade de dupla polaridade, pelo que fica aí representada completamente a natureza andrógina de Mercúrio.

Vários tipos de congestão de Mercúrio podem ser classificados, como segue:

  1. Gêmeos: falta de foco mental, organização e concentração; isso resulta na indagação supérflua, fútil e indecisão mental; caso permaneça “infantil”, Mercúrio é “atividade mental, mas sem propósito”; é estudar sem entender o que estuda; é pensamento sem sabedoria; é falar e escrever sem padrão ou técnica; o melhor que se pode dizer desse padrão é a “aquisição de fatos”, mas a absorção de conhecimento é difícil ou despropositada, e a expressão, sem sabedoria, pode carecer de veracidade, o que, por sua vez, se constitui a evidência da imaturidade. A primeira linha da cruz Comum corta, obliquamente, o Signo Cardeal de Câncer, iniciador do segundo quadrante (a “família”) e o de Leão, recurso da força do Amor, até o segundo Signo Comum: Virgem;
  2. Virgem – Signo da 9ª Casa da triplicidade de Terra, iniciada por Capricórnio – símbolo do serviço como o aspecto de sabedoria do elemento Terra e da libertação de potenciais do amor criativo como uma contribuição à vida; Virgem congestionado é um “serviço por retribuição material”, e “trabalho sem conhecimento ou sabedoria”; o slogan “Patrão (o capital) versus Empregado (trabalho)” é um símbolo arquetípico de “congestão da 6ª Casa”; ambos, capital e trabalho, são obreiros do mundo e somente por meio da fraternidade o slogan pode ser reformulado para “Capital e Trabalho” como o composto do verdadeiro serviço – cada um cumprindo sua parte com equidade, com cooperação e a melhor contribuição pessoal possível ao padrão do trabalho; “Capital versus trabalho” é serviço congestionado e enfraquecido pela falta de conhecimento técnico e (muito importante) de seu princípio: a sabedoria concernente aos valores humanos. Assim como os compostos fraternais se encontram em combinações, tais como pai-mãe, marido-mulher, etc., do mesmo modo capital-trabalho é a identidade composta do serviço. De Virgem, a segunda linha corta obliquamente o Signo Cardeal de Libra (complementação reflexiva) e seu recurso emocional, Escorpião, até alcançar: Sagitário;
  3. Sagitário – Signo da 9ª Casa a partir de Áries, terceiro aspecto da triplicidade de Fogo, a polaridade de Gêmeos; a irradiação do conhecimento como sabedoria, a fraternidade dos pais e a fraternidade dos nossos irmãos e irmãs mais velhos – nossos professores, os pais dos nossos Espíritos. Congestionada, a 9ª Casa é teoria e abstração apresentadas sem nenhum propósito prático; é sabedoria não demonstrada no viver diário; é a religião que enfatiza as formalidades, as distinções e diferenças; é um ponto de prova sutil nas oitavas superiores do desenvolvimento, porque a congestão a que chamamos “orgulho” se evidencia, aqui, em nossas condescendências para com aqueles que escolhemos para serem “inferiores” ou “menos sábios” que nós; é a sabedoria utilizada para canalizar expressões de gratificação do poder pessoal, frustrando assim seu próprio propósito em razão de estar desalinhado com o seu próprio princípio; sua essência, por estar congestionado, é o fracasso em aprender da experiência, em razão da consciência não perceber os princípios envolvidos nos padrões das experiências. Assim como a desarmonia e a contenda entre os pais podem resultar na inflição de mágoa dolorosas nas Mentes e Corações dos filhos em crescimento, do mesmo modo – e com efeitos muito mais drásticos – podem o ciúme, a inveja, a competição e os sentimentos não fraternos nos Corações dos nossos professores, educadores, líderes religiosos e artistas infringirem duplas mágoas em nossas Mentes e Corações, porque desse modo o trabalho espiritual do mundo fica congestionado, se desvia e enfraquece; assim como, às vezes, os filhos tendem a sentir que “competem entre si pelo amor dos pais”, e os colegas de trabalho (Capital OU Trabalho) “competem entre si pelos salários”, do mesmo modo nossos irmãos e irmãs mais velhos podem lutar uns contra os outros por prestígio, aplauso, fama, pelo poder e pela influência; em verdade eles devem se conduzir como símbolos vivos de fraternidade espiritual para que a consciência dos “mais jovens” possa ser elevada com mais segurança e certeza em compreensão e percepção; se eles devem “patrocinar” nossos Espíritos, então que se encarreguem de fazê-lo com sabedoria que canalize o poder de seu amor. Partindo de Sagitário, a quarta linha corta obliquamente o ápice da roda no Signo de Capricórnio (cumprimento restante) e o “quadrante da Alma” até alcançar: Peixes;
  4. Peixes e a 12ª Casa, polaridade de Virgem de Mercúrio e Signo de “redenção dos ideais não realizados”; a fraternidade da alma é representada por esse Signo transcendente, regido por Netuno; aqui enfrentamos as exteriorizações de nossas mais graves expressões de “falta de fraternidade” – nossas violações contra o divino no ser humano, e através dele, por retribuição do destino maduro, somos postos face a face com a nossa “fraternidade com o pior que existe no indivíduo” – o prisioneiro, o perseguido, o traidor de ideais e o adorador de imagens esculpidas; a 12ª Casa congestionada é o “Judas” em cada um de nós – através de suas representações vemos a “areia” que temos atirado nos olhos de nossos irmãos, cegando-os com ilusões; Netuno congestionado reúne o pior daquilo que é inaugurado por Mercúrio e Júpiter congestionados; somente as mais drásticas revisões de consciência – mediante a realização e vivência dos ideais – podem levar esses padrões a um realinhamento construtivo; a 12ª Casa e o Signo de Peixes são interpretados como “auto-anulação” (a própria pessoa não pode desfazer) porque neles nós caímos nas armadilhas que preparamos no passado para nossos irmãos e fazemos de nós próprios “mensageiros das trevas”, ao invés de “mensageiros dos deuses”.

Gêmeos (abstratamente) e sua 3ª cúspide (concretamente) é o Signo da 9ª Casa de Libra (Signo abstrato da complementação) e sua 7ª Casa (concreta); o “Signo da 9ª Casa” transmite o “aspecto da sabedoria”; a sabedoria que adquirimos em nossa última encarnação, no sexo oposto, se manifesta no amor que agora recebemos – e a felicidade desfrutada – dos irmãos daquele sexo; e este recurso de sabedoria torna possível maiores desenvolvimentos nessa encarnação, por meio de nossos novos capítulos de fraternidade.

O primeiro Trígono a partir de Gêmeos é mesmo Libra– o aspecto amor da fraternidade intensamente focalizado; nosso marido/esposa é verdadeiramente nosso irmão/irmã e o “prolongamento” seguinte para Aquário, Signo da 11ª Casa, é a representação da fraternidade em sua oitava mais extensamente prolongada – a oitava da amizade, da vibração do amor, em paralelismo, que nos une em consciência a todos os nossos irmãos, transcendendo todas as barreiras de classificação e diferença dos relacionamentos. Em última análise, pois, a fraternidade é o padrão de relacionamento arquetípico da humanidade, posto que todos nós devemos preencher todos os padrões de inter-relacionamento mútuo para realizarmos a manifestação do ideal humano nesse plano.

 

CAPÍTULO VII – O SIGNO SOLAR

 

Esse assunto é apresentado como uma tentativa para responder a perguntas formuladas frequentemente por estudantes de Astrologia, tais como: por que, na Astrologia, o Sol pode ser considerado e tratado como um “Planeta”? O que significa, realmente, “aflições” ao Sol? Qual o significado do Sol, na consideração astrológica, para os problemas psicológicos? Como pode o Sol – Fonte Criadora do nosso Sistema Solar – ser tratado como um símbolo de “mau destino maduro”?

Olhando o diagrama da roda astrológica sem suas linhas de cúspides, ficamos impressionados pela sua exata semelhança com o símbolo que usamos para o Sol – um ponto central circunscrito por um círculo perfeito. Assim como os poderosos raios do Sol envolve o Sistema Solar inteiro, igualmente o símbolo do mandala astrológico corresponde ao símbolo do Sol. Acrescentando-se as linhas das cúspides desenhando-as como irradiações a partir do centro, reconhecemos que a Lei de Correspondência é aqui representada por uma ação: o Sol ou o ser humano são vistos como vitalizantes de todo fator que seja reflexo da consciência de cada um. Em outras palavras, o Sistema Solar com o Sol e o corpo do ser humano são objetivações dos potenciais inerentes aos atributos de cada um. Antes de haver a vitalização como “energia”, havia a vitalização como “Luz”. LUZ é o fiat criativo arquetípico, através do Cosmos em todas as oitavas criadoras. A criatividade expressa Luz; Luz é aquilo que é revelado pela Epigênese; na Luz toda manifestação é; pela Luz ela vive. Deus é Luz, e em Astrologia o Sol simboliza a consciência que tem o ser humano de sua origem divina. A unidade que é representada no símbolo do Sol – é o mais concentrado dos símbolos astrológicos – retrata a consciência focalizada que existe para se expressar. A unidade da consciência do Mestre é o resultado de sua transcendência das trevas, das congestões e da ignorância, por meio da ação epigenética em muitas encarnações, e de tal modo que ele condicionou a si mesmo a se tornar, relativamente, perceptivo à Luz Una. A difusão da consciência de uma pessoa pouco evoluída é “não-Mestre”; as trevas da congestão servem para espalhar e difundir a expressão de potenciais, e as “nuvens e tormentas” resultantes obscurecem sua percepção de Luz. Ele fica à mercê de sua tendência para reagir às nuvens e trevas dos outros – exteriorização de suas próprias trevas; o Mestre repousa serenamente em sua percepção da Unidade da Luz, que é Luz e Amor.

Para a sua consideração, um exemplo de simbolismo manifestador originado pelo autor e que diz respeito ao assunto em pauta: um semicírculo superior cujas extremidades apoiam-se numa horizontal que se projeta um pouco para fora em ambos os lados.

Como uma imagem, essa figura representa um semicírculo do Sol se erguendo acima no horizonte; como símbolo é uma metade (a parte superior) do círculo tanto do símbolo do Sol quanto da roda do horóscopo. A posição do tradicional símbolo circular do Sol no centro do horóscopo humano, e o uso desse novo símbolo no horóscopo como o Regente, Leão, poderia esclarecer para os estudantes as diferenças entre o Sol, como a fonte criadora de nosso sistema planetário, e a consciência da humanidade evoluinte no que tange ao princípio inerente ao Signo de Leão. Em outras palavras, achamos que o Sol é o focalizador do Signo de Leão, o atributo Amor do Deus Pai-Mãe. Contudo, o novo símbolo (a “metade do Sol”) poderia transmitir, muito mais facilmente, a compreensão relativa do Princípio Central sustentado individualmente pelo ser humano evoluinte. É colocado no mapa humano (não horário) simplesmente como se colocaria o tradicional símbolo do Sol, aspectado pelos outros Planetas, como se ele fosse mais um Planeta.

De fato, os Planetas, como focalizadores dos princípios do Signo, simbolizam em suas posições e agrupamentos a consciência dos princípios de vida pelo ser humano evoluinte, mas o Sol Central reside na Fonte emanante de tudo o que está representado dentro da roda. As Casas e Signos do semicírculo superior do mandala astrológico representam a “parte diurna” da aparente viagem do Sol em torno da Terra a cada dia; ocultamente, esses Signos e Casas se referem a consciência anímica da humanidade; as seis Casas e Signos inferiores se referem a “parte noturna” da consciência – a do indivíduo aparentemente separado de seus companheiros.

É através dos poderes vibratórios dos seis Signos superiores (iniciados por Libra de Vênus) que entramos na consciência de unidade através da vida de relacionamentos; quando a “excursão” pelo Zodíaco se completa em Peixes, o resultado é um círculo completo – o microcosmo daquilo que é representado pelo círculo do Sol Central. A essência de seu horóscopo, no total, é a sua percepção da unidade na diversidade; à medida que você se focaliza na consciência da luz una, seu horóscopo dissolverá suas “partes separadas” e emergirá – cada vez mais próximo – de sua representação essencial – o círculo indiferenciado, perfeito e uno: um só amor, uma só sabedoria, como expressões do poder que é Luz. O novo Símbolo do Sol (a imagem da irradiação da Luz a cada nascer do Sol) transmite, de modo prático, a verdade de que cada expressão regenerada de um ser humano é um “nascer do Sol em sua consciência” e uma revelação da Luz a todo aquele que com ele tem contato. O esplendor, a beleza e a verdade de nossa identidade como filhos do Deus Pai-Mãe se torna evidente a cada passo evolutivo.

Posto que os humanos, sendo humanos, não são criadores, mas epigenéticos, esse novo símbolo do Sol poderia representar a essência da Epigênese perfeita – a oitava do Poder Criador que, em nosso arquétipo, corresponde ao (não “é paralelo ao”) poder do Logos Solar. No horóscopo individual, o novo símbolo é a Centelha da Luz Solar; o símbolo tradicional, colocado no centro do horóscopo, é a Fonte Divina de todas as Centelhas da Luz, ou focalizador de Poder do arquétipo humano nesse Planeta. Todas as vezes que você olhar para esse novo símbolo em seu horóscopo você impregnará sua Mente subconsciente[14] com a verdade de que você é um ser evoluinte, que está revelando sua luz interna, que está se elevando para uma oitava superior de percepção de sua divina fonte e de sua identidade divina.

O desorganizado, incoerente, atabalhoado, congestionado, medroso, odioso e ignorante ser humano é assim porque foca na difusão de seus padrões astrais, ele se vê a si próprio separado de todos os outros seres humanos; ele não vê um denominador comum em seus padrões de experiência; as manifestações da vida estão, em suas reações e sentimentos, fora dele (e contra ele); por conseguinte, vivendo em seu microcosmo interior ele expressa o mínimo de seus potenciais e todas suas possíveis congestões.

O Sol é o Senhor desse sistema. Um Mestre humano é isso porque ele é focado, coordenado, harmonizado, simplificado, refinado e centralizado em sua percepção de identidade como “gerado do Deus Pai-Mãe” (Vê-se aqui a explicação para a Exaltação do Sol no primeiro Signo zodiacal, Áries, Signo da 9ª Casa de Leão e Signo da 5ª Casa de Sagitário. Para referência queira consultar seu Grande Mandala).

Ele está totalmente ciente de que é um focalizador do poder solar, e sabe que seu propósito de existência nesse plano é expressar aquele poder de acordo com as mais altas de suas capacidades epigenéticas. Sua consciência está fundida, suas ações são harmoniosas e eficientes, seu Amor transcende todas as barreiras autocriadas na natureza de pessoas menos evoluídas. O segredo de toda maestria é (corresponde à essência da Fonte Solar) UNIFICAÇÃO.

A esse respeito, estude o Sol em seu Horóscopo e reconheça (ainda que tenha de descristalizar um hábito mental de muitos anos) que o Sol não pode ser afligido. Eis que ele reside no centro de seu horóscopo, macrocosmo de todo fator do horóscopo; ele irradia suas divinas bênçãos por todo o conteúdo da roda. Mas seu “Sol pessoal” (como qualquer Astro) pode formar “Quadratura” ou “Oposição”, e isso significa que, em tais casos, sua consciência de Poder da Luz como Amor e Sabedoria tende a ser limitada, embotada e ineficaz, até certo ponto. A cúspide de sua Carta com o Signo de Leão (como “matriz” da Luz em sua consciência) lhe dirá a história das pessoas que servem para alertá-lo da existência de sua Luz; a posição do “Sol pessoal” por Signo aponta para a vibração astral microcósmica (a menos que o Sol esteja em Leão), da qual você tende a destilar sua consciência de Luz; a posição por Casa de seu Sol pessoal é a ordem do Altíssimo (dentro de você mesmo) para expressar luz nesse particular capítulo de experiência – ou capítulo de relacionamento – durante essa encarnação.

Nesse departamento de sua vida, se seu Sol pessoal forma Quadraturas ou Oposições, você será desafiado (esteja certo disto!) pelas forças vibratórias de outras pessoas, a fim de estimular sua atenção a se focalizar na existência de seus Atributos Divinos. Algumas dessas pessoas podem ser tirânicas por natureza. Você precisa aprender a manter sua Luz viva e irradiante a despeito de tudo o que elas – aparentemente – tentem a fazer com e para você. Outras podem ser inclinadas a tirar vantagens de suas fraquezas visando usá-lo para seus propósitos. Você deve estudar a si próprio e aprender como transmutar suas energias de desorganização e fraqueza em fortaleza (pessoas que você saiba não terem Quadraturas ou Oposições a seus Sois pessoais poderão ser os melhores objetos de estudo e os melhores professores para ajudá-lo a aprender como unificar e focalizar seus potenciais). Se você se desvia daquilo que sabe ser seu propósito de vida, então você desobedece ao Comando Divino. Se seu Sol pessoal não tem Quadraturas ou Oposições, então as congestões do Astro que o disposita são enfoques para “exercício do Sol”. Mediante a crescente unificação e focalização dos poderes positivos, da disciplina de expressão, da purificação dos apelos do desejo e do esclarecimento da sua consciência de Identidade Espiritual, você está pronto para lidar com os problemas representados por essas “aflições astrais”. Os Aspectos de atrito envolvendo Astros no Signo de Leão devem ser redimidos pelas transmutações da congestão egoísta através de expressões de Amor radiante – por meio dos nossos pontos de Leão devemos nos tornar contribuidores do Bem, da Verdade e da Beleza para o progresso da Vida. Transcendência da separatividade difundida é a ação da Maestria; irradiação de Poder concentrado como Amor e Sabedoria é o serviço da Maestria.

O “primeiro grau” da expressão do Poder é “poder sobre coisas e pessoas”. A luxúria para dominar outras pessoas, para limitar suas ações e pensamentos é um exercício de poder, mas baseado na ignorância daquilo que o poder realmente é. Temos o atributo – porque somos causadores – para influenciar as pessoas se elas nos correspondem, mas não podemos influenciar ninguém que nos seja indiferente ou que seja mais perfeitamente focalizada e organizada do que nós. Afirmar “eu tenho poder” é congestionar a consciência do Sol pessoal com os apelos da natureza de desejos. Essa é uma ilusão que provoca a perpetração de inumeráveis injustiças e crueldades do ser humano contra o ser humano. “Eu tenho poder” implica em “eu tenho o direito de exercer meu poder de qualquer modo que eu quero (desejo)”. A verdade da questão é que “Eu SOU Poder”, ou “Eu SOU um focalizador do Poder Solar”; a responsabilidade concomitante a essa identidade é SER o melhor focalizador possível do Poder Solar. O Poder NÃO é uma posse – é um Atributo Divino, e suas expressões (irradiações) como Amor e Sabedoria, por meio da consciência humana individualizada, testifica a onipresença do Divino nesse plano. Retire “Eu tenho” de sua abordagem astrológica ao Sol pessoal; substitua por “EU SOU”. Lembre-se de que a abordagem “Eu tenho poder” é Leão como o Signo de Fogo iniciador da cruz Fixa[15] – os quatro Signos que simbolizam o máximo da compressão e congestão dos potenciais do desejo. “EU SOU PODER” é Leão como o Signo Fixo (recurso centralizado, focalizado e organizado), Signo da triplicidade de Fogo dos Atributos Divinos; como tal é o aspecto Amor criativo do Deus Pai-Mãe e o recurso de todo esforço aspirante da humanidade para realizar o ideal do Amor como a verdade de todos os relacionamentos. Não podemos TER algo que, por sua natureza, não seja uma posse; nós só podemos aspirar SER aquilo que a nossa Divina Fonte ordena que sejamos. A irradiação aperfeiçoada (ação epigenética) é a vivência dessa Identidade Verdadeira em termos humanos.

O Mandala de Leão: uma roda com doze Casas, Leão como Ascendente e os demais Signos em sequência – o tradicional símbolo circular do Sol no centro, e o novo símbolo do “Sol pessoal” na primeira Casa.

Esse é o retrato astrológico abstrato da humanidade como epigenitores – irradiadores do Poder Solar focalizado e expressores desse Poder como Amor. O diâmetro do desejo de Touro-Escorpião aparece, nesse mandala, como o diâmetro filiado – a sexualidade dos pais masculino e feminino provê a reencarnação para uma focalização humana do Poder Solar. A polaridade dessa focalização (o Signo uraniano e aéreo de Aquário) é liberação. Toda ação epigenética regenerada é a liberação do que não é mais necessário. A lagarta precisa de seu casulo, mas só quando ela sai de dentro dele é que estabelece sua identidade como “borboleta”. A mãe humana nutre e depois libera o corpo de seu filho ou de sua filha; ambos os pais cumprem suas experiências no relacionamento com seus filhos, depois, em respeito à individualidade deles como companheiros humanos, eles os liberam para que tenham suas próprias experiências. Esse mandala não demonstra que o padrão de parentesco está enraizado na possessividade? Leão está “casado com” Aquário (o Amor que não libera para um desenvolvimento maior, e a expressão não é amor – é desejo a exprimir poder sobre os outros, ao mantê-los estáticos e restringidos fisicamente, mentalmente e emocionalmente); devia ser a aspiração para expressar o poder do Amor para os outros.

O Amor de Leão individualizado de cada um dos pais pelo outro, e expresso através da intensa fusão de Touro-Escorpião, possibilitou a liberação de outro Ego dos planos internos para que ele pudesse progredir em sua evolução pela reencarnação. Ele, por sua vez, é ainda mais liberado quando sua irradiação epigenética se funde com a de outra pessoa. Vemos, portanto, nesse mandala que o “aspecto possessividade” de Touro-Escorpião é a congestão do progresso humano; sua regeneração é o aspecto não personalizado da administração. O parentesco espiritualizado (autodeterminado) é a administração inteligente, amorosa, do crescimento individual do ser gerado e o respeito ao direito pelo ser gerado para realizar o melhor de sua individualidade.

Os padrões dos Signos por Casa do Sol pessoal, conforme indicado nesse mandala de Leão são: Leão, 1ª; Virgem, 2ª; Libra, 3ª; Escorpião, 4ª; Sagitário, 5ª; Capricórnio, 6ª; Aquário, 7ª; Peixes, 8ª; Áries, 9ª; Touro, 10ª; Gêmeos, 11ª; Câncer, 12ª (Para maior clareza, correlacione esse mandala com uma cópia do Grande Mandala (Áries no Ascendente) e perceba como os princípios arquetípicos dos Signos são expressões, quando Leão é o Ascendente do horóscopo.

Por exemplo, o Sol pessoal em Virgem é prático, não apenas por Mercúrio ser Regente de Virgem, mas porque nesse Signo o Sol pessoal está no Signo da sua própria 2ª Casa, princípio da administração, correspondente à relação Touro-Áries do Grande Mandala. E assim por diante).

Exotericamente, o Sol pessoal envolvido em padrões de Quadraturas e Oposições representa o destino maduro resultante da ignorância do verdadeiro significado do Poder. “Os Astros são Seres” – e o Sol pessoal em Quadratura ou Oposição representa os desafios à sua integridade, partindo de pessoas que externam sua ignorância desse princípio no passado. Pelo próprio significado do Sol pessoal, como um símbolo astrológico, você deve descristalizar todas as “reações de inimizade” a tais pessoas;

  • Aprendendo do exemplo negativo delas o que não deve fazer,
  • Transmutando seu relacionamento colorido negativamente com elas pelo fortalecimento de seus propósitos internos, de sua integridade pessoal e de sua consciência de amor e irradiando essa oitava superior de consciência a elas.

Essa é a maneira astrológica de dizer: “Amais aos vossos inimigos”. O contrário de uma expressão anterior sobre Leão cabe bem aqui: NÓS NÃO TEMOS INIMIGOS; nós (pela congestão dos potenciais) SOMOS inimigos do nosso melhor e mais elevado bem. A Luz que é simbolizada pelo Sol Central é microcosmicamente refletida no Sol pessoal de cada ser humano; esse e sua polaridade, Aquário –Urano, são os arquidescristalizadores de todas as “inimizades”.

Nos textos acima se encontra uma resposta às indagações dos estudantes a respeito do valor psicológico do símbolo do Sol em Astrologia: na medida em que você permanece desfocalizado, suas fraquezas serão desafiadas pelos impulsos do poder-autoridade  do desejo dos outros; na medida em que você desdobre a consciência de sua verdadeira identidade como um focalizador do poder solar e expresse essa consciência por meio do amor, no qual não pode haver nenhuma sombra, você melhora epigeneticamente a qualidade de toda a sua base psicológica. A terapia do Sol é ALEGRIA – a posição por Casa do seu Sol pessoal, nessa encarnação, é onde você escolheu para afugentar as sombras pela radiância de sua natureza de amor purificado. Você criou as sombras, no início – as Quadraturas e Oposições ao seu Sol pessoal; somente você, como um focalizador do poder solar, pode redimir essas energias congestionadas e transformar a expressão delas pela Epigênese construtiva. Com reverência e alegria, se identifique com a sua fonte – saiba que o Seu Poder transcende o de qualquer outro poder negativo e externo. Essa é a terapia que nos foi dada por todo Mestre-Professor e em seu horóscopo (cedo ou tarde), se você bate à porta, o segredo de sua identidade solar será “aberto a você”. Seu propósito não é “ser submergido”, mas amar, expressar, irradiar, ser um testemunho vivo para o divino no arquétipo humano.

 

CAPÍTULO VIII – O ESPECTRO GENÉRICO

 

Nos últimos anos do século XVIII e mais ou menos nas duas primeiras décadas do século XIX ocorreu um dos fenômenos mais notáveis estelares da história moderna: a Conjunção de Urano com Netuno, em Sagitário e Capricórnio. Esta “superlunação” foi “plantio de semente”, em termos de poderes vibratórios cósmicos desses dois gigantes – Regentes dos dois últimos Signos do cinturão zodiacal.

Como uma Conjunção de quaisquer dois Astros implica o padrão da lunação Sol em Conjunção com Lua (com suas extensões de “primeira Quadratura”, “Trígono”, “Oposição”, etc.), assim também se deu com essa Conjunção; durante os anos do século XIX e até os quatorze anos (aproximadamente) do século XX Urano e Netuno se moveram, em relação ao “ponto da Conjunção” e em relação um ao outro, para formar padrões de Aspectos que representam um momento decisivo na evolução vibratória da raça humana.

O “padrão Lua Cheia” desse tremendo Aspecto foi representado pela Oposição de Urano e Netuno; esse padrão prevaleceu quando Urano retornou a Sagitário e Capricórnio, e Netuno havia percorrido metade da roda até Gêmeos e Câncer. Esse crescendo de forças vibratórias da parte de Netuno incluiu os últimos quatro Signos da sequência zodiacal (de Sagitário até Peixes) e os quatro primeiros Signos (de Áries até Câncer). O clímax objetivado, logo depois do período de Oposição exata na metade dos graus entre Capricórnio e Câncer, foi a primeira Guerra Mundial – o vomitar brutal de energias congestionadas e putrefatas de parte das nações em todo o mundo e a imaginação de uma fase de desenvolvimento nova em todos os planos.

Consideremos essa grande Conjunção em termos de padrões dos Signos por Casas: o começo dessa Conjunção ocorreu no abstrato Signo da Nona Casa Sagitário, regido por Júpiter, significador da mentalidade abstrata, das ideias, dos conceitos, do entendimento e da filosofia. Júpiter é o Princípio do Melhoramento e da Expansão. Em Sagitário, Urano – Regente de Aquário, o Signo da 11ª Casa – estava em seu próprio Signo da 11ª Casa, onde a palavra-chave é a liberação por meio do Poder do Amor universal ou impessoal. Essa posição de Urano tinha o efeito de uma eletrificação da consciência humana na forma de vitalização da necessidade humana por maior liberdade em todos os planos; Essa posição de Urano teve o efeito de uma eletrificação da consciência humana na forma de uma vitalização da necessidade da humanidade de maior liberdade em todos os planos; houve revoluções como bem diferente das conhecidas até então – pela guerra real e por protestar contra o efeito de séculos de atrito espiritual e intelectual por poderes temporais; houve uma “explosão” nos horizontes do conhecimento e pensamento para que as capacidades mentais e espirituais da humanidade pudessem encontrar “novas pastagens”. Novas filosofias e formas religiosas surgiram de todos os lados para que a necessidade da humanidade por uma compreensão mais ampla pudesse ser satisfeita.

Netuno em Sagitário estava em seu próprio Signo da 10ª Casa por sua Dignificação em Peixes; ele havia alcançado as três quartas partes de seu próprio ciclo e chegado a um ponto análogo a Capricórnio em relação a Áries. Este foi o momento certo para uma nova liberação das forças que atendem os propósitos de redenção; aquilo que havia de ser “redimido outra vez” era o efeito de muitos séculos precedentes durante os quais a idealidade do ser humano havia se congestionado ao ponto de asfixia, isto pela corrupção e perversão de ideais.

Em Capricórnio, Urano alcançou seu próprio Signo da 12ª Casa, a última posição no ciclo, por sua Dignificação em Aquário: nesse Signo a influência de Urano era para desintegrar as formas antiquadas e abrir caminho para novas formações em todos os planos. Em Capricórnio, Netuno alcançou seu próprio Signo da 11ª Casa; uma “onda” de Egos (Irmãos e Irmãs Maiores) encarnou durante esse período, Egos esses que serviram para atuar como “instrumentos” (Netuno é o princípio da instrumentalidade) da difusão de tremendos poderes espirituais para reanimar a consciência espiritual da humanidade.

Durante os anos do século XIX, Egos de grande notável desenvolvimento encarnaram, digamos, em “exames”; filósofos e religiosos, músicos, artistas e escritores, cientistas e matemáticos, curadores e médicos. Essas pessoas, quaisquer que fossem seus campos específicos de atividade, serviram para aproximar ainda mais os seres humanos entre si pela tremenda esfera de sua influência. Uma abertura particularmente significativa ocorreu pela ocasião do advento – no mundo ocidental – das ciências pertinentes à psicologia e à psicanálise; durante esse período encarnaram algumas grandes mentes determinadas a investigar os princípios relativos à sexualidade humana, à emotividade e à função da Mente subconsciente. Temos um débito impagável para com essas pessoas. Elas foram pioneiras em um campo de pesquisas até ali escassamente explorado, e permaneceram fortes e inabaláveis contra os poderes de cristalização, a ignorância e o preconceito, a fim de proporcionar ao ser humano uma “nova Luz” para uma maior compreensão.

Em nosso assunto do título – o “espectro genérico” – trataremos, por meio da simbologia astrológica, com um dos mais importantes fatores pertinentes à “natureza interna” da constituição do ser humano: o fator da bipolaridade.

A “experiência como homem” e a “experiência como mulher” são representadas, abstratamente, pela divisão da roda por qualquer diâmetro; o arquissímbolo desse padrão é naturalmente o diâmetro Áries-Libra do Grande Mandala – a roda abstrata ou “natural”, que tem os trinta graus em cada Casa de cada Signo começando com Áries, como Ascendente, e se movendo na direção contrária ao dos ponteiros do relógio até Peixes, na 12ª cúspide.

A cúspide de Áries é o “EU SOU” da consciência humana; é a projeção de todos os potenciais que partem do centro da roda para a circunferência – o “ponto de encarnação” ou “a objetivação no plano físico”. Todos os raios da roda são simplesmente emanações dessa linha Ascendente, uma vez que qualquer círculo só comporta um raio.

O horóscopo, em sua totalidade, é o composto de toda a consciência do indivíduo, e isso significa o composto de todos os potenciais masculino e feminino. O relacionamento está “dentro”, não está essencialmente “fora do indivíduo”. Isso pode ser provado facilmente pela consideração do fato de que quando você modifica sua reação para com uma pessoa, modifica também seu relacionamento com essa mesma pessoa. O aspecto externo do relacionamento é sua representação em espaço-tempo no plano físico – o reflexo de estados internos estabelece pelas suas expressões na forma. A “masculinidade” e a “feminilidade” dos seres humanos servem para focalizar qualidades genéricas, na expressão e por reflexo. Certos padrões de experiência na vida física real são peculiares aos homens, outros são peculiares às mulheres; cada um à sua maneira é uma imagem de destino maduro, uma vez que por lei encarnamos nas dimensões de espaço-tempo e com as expressões físicas do gênero: o sexo.

Já que nossa bipolaridade essencial ainda não se realizou totalmente, a Natureza possibilita, pela faculdade da reação emocional, um reconhecimento dos nossos estados genéricos latentes. Esse reconhecimento é encontrado em nossos relacionamentos com outras pessoas, e nós as identificamos – aparentemente fora de nós mesmos – pelo estímulo que elas provocam no nosso ser vibratório. Devido a qualidade do nosso padrão de relacionamento residir na nossa consciência, nós reconhecemos, agora – quando nosso ponto de vista se destaca suficientemente – que cada ser humano é seu próprio pai/sua própria mãe, seu próprio esposo/ sua própria esposa, seu próprio irmão/sua própria irmã, seu próprio filho/sua própria filha. Nosso ser genérico serve para identificar outros seres humanos como fatores em um ou mais desses padrões básicos de relacionamento – e suas muitas variações – de acordo com nossos padrões genéricos e nossos congestionados ou regenerados níveis de consciência. Nós não temos inimigos; nós próprios somos a origem daquilo que interpretamos como “inimizade”. A regeneração da nossa faculdade de reação emocional melhora a qualidade de nosso ser vibratório e, portanto, melhora a nossa consciência de relacionamento com as outras pessoas. Esta é a única maneira pela qual podemos “derrotar nossos inimigos” e redimir nosso destino maduro sobre relacionamentos.

Na consideração desse assunto, é sugerido que cada estudante tente um pouco o “ajuste interno”: pare de pensar em você como “macho” ou como “fêmea”; pense em você – e isso pode requerer considerável “elasticidade” – como um composto de masculino e feminino. Reconheça que você, como uma expressão individual da ideia “humanidade”, contém em seu ser vibratório tudo que é significado pelas palavras “homem” e “mulher”. Você está simplesmente se especializando como macho ou como fêmea nessa encarnação; você pode ter sido o oposto na encarnação anterior, e pode ser o oposto na próxima. Se você é homem, seus padrões femininos serão, em sua maior parte, objetivados por reflexo nas “mulheres em sua vida”; a recíproca é verdadeira para as mulheres. Mas – e isso é muito importante – a bipolaridade do nosso ser chega a uma manifestação mais clara à medida que evoluímos através do exercício de nossos potenciais de Amor-Poder e Sabedoria-Poder – um dos notáveis fenômenos resultantes da Conjunção e Oposição Urano-Netuno durante os últimos anos do século XVIII e mais ou menos as duas primeiras décadas do século XIX. O estudo dos relacionamentos humanos não está mais tão centralizado nas diferenças entre os sexos como o está nas semelhanças entre homens e mulheres como mecanismos bipolares. Estamos chegando a uma realização de que “sexo oposto” significa realmente “qualidade genérica latente”, que é “acesa” pelo contato com pessoas cujo ser vibratório complementa o nosso, em algum grau ou padrão.

O astrólogo, ao realizar seu serviço, funciona – ou deveria funcionar – como uma consciência bipolar. Se ele/ela trabalha para compreender os problemas dos outros, ele precisa se valer das memórias de suas experiências como homem e como mulher, a fim de perceber as raízes vibratórias dos problemas e potencialidades dos outros. O astrólogo, funcionando desse modo, não é neutro; ele/ela é um composto de seus elementos vibratórios como um raio de Luz, focado no branco, para iluminar a consciência do outro e clarear a consciência da origem dos problemas e os corretivos inerentes a estes. “Masculinidade” e “feminilidade” não são palavras de opróbrio, quando aplicadas aos homens e as mulheres, respectivamente. São palavras que se referem à dupla expressão de nosso ser vibratório que, no final das contas, é a expressão básica de vida da nossa natureza interna. Pode-se dizer que Causa (masculino) e Efeito (feminino) designam a expressão de Vida – polaridade – do Cosmos.

O astrólogo que não funciona com a consciência de sua realidade bipolar não pode justificar seu trabalho como um analista dos problemas de relacionamento e de sexo. Ele/ela deve ser capaz de perceber a masculinidade/feminilidade combinada de qualquer um, cuja Carta seja estudada, para ajudar a pessoa a reconhecer mais claramente a fonte interna dos problemas de relacionamento. O homem que não conhece ou reconhece sua própria feminilidade não vai perceber a “parte mulher” do indivíduo cujo Mapa interprete. Em verdade nosso “irmão humano” é o elemento masculino da natureza humana; nossa “irmã” é o elemento feminino, não importa o envoltório físico que ela use. Cada astrólogo deveria aplicar seus poderes analíticos no sentido de uma compreensão mais clara de seu próprio relacionamento pessoal e ver, com os Olhos da Luz Branca, como ele/ela afeta e é afetado (a) por cada pessoa com a qual se associa intimamente. É necessário analisar a Carta do ponto de vista genérico para determinar a masculinidade/feminilidade relativa que é representada. Oferecemos agora, como alimento para o pensamento, uma análise genérica dos doze Signos.

Use uma cópia do Grande Mandala sem os símbolos planetários – apenas os símbolos dos Signos na parte externa da roda. Observe que os primeiros quatro Signos – Áries, Touro, Gêmeos e Câncer – representam de per si um dos elementos genéricos: Fogo, Terra, Ar e Água, respectivamente; dois deles, Áries e Câncer, são “pontos de estrutura” Cardeais.

Uma vez que o ritmo é o arquétipo do movimento (no tempo-espaço), reconhecemos que o avanço em torno da roda, através dos doze Signos, é um progresso rítmico; o ritmo básico mais simples é aquele a que chamamos “dois por quatro” – dois compassos, cada um dos quais tem um tempo para baixo e um tempo para cima. O tempo para baixo é a “iniciação” masculina do compasso, o tempo para cima é a libertação – ou complementação feminina – do tempo para baixo.

Nesse setor de quatro Signos vemos duas metades de dois tempos rítmicos completos; o “primeiro compasso” é Áries-Touro – o tempo para baixo é Áries, o tempo para cima é Touro. O “segundo compasso” é Gêmeos-Câncer – Gêmeos é o tempo para baixo e Câncer é o tempo para cima. Cada compasso, então, tem sua qualidade genérica dupla, e o setor quádruplo tem sua qualidade genérica dupla em sua divisão de dois compassos completos. Áries-Touro é, portanto, o masculino tempo para baixo do setor; Gêmeos-Câncer é o feminino tempo para cima, ou complementação; Áries e Gêmeos são os masculinos tempos para baixo de cada um dos dois compassos; Touro e Câncer são os femininos tempos para cima de cada um dos dois compassos.

A realização ideal da natureza vibratória da humanidade se encontra na espiritualização de todas as qualidades genéricas: o “Grande Homem” é a perfeição do composto masculinidade-feminilidade. Vemos assim como essa espiritualização é representada em Astrologia: a circunferência da roda é os segundos, minutos e graus da sequência dos doze Signos. Existem quatro grupos de triplicidades, cada um representando os Aspectos Poder-Amor-Sabedoria de um dos elementos. Cada elemento, em três oitavas, cobre a roda e cada um é uma especialização de qualidade genérica. As triplicidades são iniciadas pelos quatro Signos Cardeais, cada um dos quais é uma afirmação genérica básica do “EU SOU”, e cada qual representa um dos pontos estruturais no padrão total do relacionamento humano: o homem como esposo e pai; a mulher como complemento – esposa e mãe.

Numere os Signos em torno da roda, como segue: Áries – 1, Leão – 2, Sagitário – 3, Capricórnio – 4, Touro – 5, Virgem – 6, Libra – 7, Aquário – 8, Gêmeos – 9, Câncer – 10, Escorpião – 11 e Peixes – 12.

Pouse a ponta de seu lápis em Áries e desloque-a pelo Zodíaco deste modo: de Áries a Leão, de Leão a Sagitário, de Sagitário a Áries, de Áries a Capricórnio; de Capricórnio a Touro, de Touro a Virgem, de Virgem a Capricórnio, de Capricórnio a Libra; de Libra a Aquário, de Aquário a Gêmeos, de Gêmeos a Libra, e de Libra a Câncer; de Câncer a Escorpião, de Escorpião a Peixes, e de Peixes a Áries. Esse “passeio” pelo Zodíaco começa com o mais masculino dos Signos machos e termina com o mais feminino dos Signos fêmeas: cada Signo Cardeal é o mais masculino de seu elemento, cada Signo Comum é o mais feminino e ajustável. Áries (onde Marte está Dignificado) se une ao elemento Terra em Capricórnio (onde Marte está Exaltado); Capricórnio (onde Saturno está Dignificado) se une ao elemento Ar em Libra (onde Saturno está Exaltado); Libra se une ao elemento Água em Câncer (onde a Lua está Dignificada), como iniciador da triplicidade de Água, terceira oitava da qual é Peixes, Signo de Exaltação de Vênus, Regente de Libra; a Lua, Regente de Câncer, está Exaltada em Touro: Dignificação terráquea de Vênus e segunda oitava – ou oitava do poder do amor – da triplicidade  de Terra, iniciada pelo complemento da Lua, Saturno, Regente de Capricórnio. Peixes, a Exaltação de Vênus, é regido por Netuno e representa a idealidade. A Exaltação de Vênus, nesse Signo superfeminino, simboliza o reflexo aperfeiçoado do melhor na consciência da humanidade; a “renúncia” implicada na vibração pisciana é a de abandonar as reações negativas do sentimento, não regeneradas, em favor da percepção do ideal inerente – que é a bondade, a verdade, e a beleza.

Temos agora o Zodíaco inteiro “delineado” pela qualidade genérica; a faixa dos doze Signos representa, pela divisão em triplicidades, o poder curador do ritmo três por quatro – cada elemento representando assim uma nota-chave espiritualizada em que a música da consciência humana pode ser tocada. Cada Signo, pela tríplice divisão em decanatos, compõe seu elemento. Agora você pode relacionar suas próprias posições astrais por qualidade genérica, sintetizá-las com seu Ascendente e Regente, e avaliar sua lista por comparação com os gêneros dos Astros. Sugerimos Marte, Sol, Júpiter, Saturno (símbolo do pai) e Urano como Astros masculinos; a Lua, Vênus e Plutão (Regente de Escorpião – a “matriz” do poder do desejo comprimido) e Netuno como Astros femininos. Mercúrio, o intelecto, é neutro – ou melhor, andrógino; Mercúrio, como Regente de Virgem (Signo masculino), é masculino; como Regente de Gêmeos, é feminino. Este Astro se adapta ao Signo em que se posiciona, dando ênfase à qualidade genérica representada pelo Signo.

Aplique essa lista a muitas Cartas, além da sua própria. Aprenda a “dimensionar” os valores genéricos dos gráficos para a análise prática dos problemas de relacionamento. Preste especial atenção a todos os Astros que estejam Dignificados por posicionamento em Signo; um Astro Dignificado é uma posição vibratória de “1ª Casa” – o “início” de um novo ciclo de Aspectos-padrões a serem formados por tal Astro em futuras encarnações. Preste também muita atenção aos “Regentes estruturais”: Marte, Lua, Vênus e Saturno como respectivos Regentes dos Signos Cardeais (estruturais); também aos Astros colocados nos Signos Cardeais – porque serão dispositados[16] pelos Regentes estruturais. Caso você queira, pode lhe ser útil relacionar os Astros de determinada Carta por suas “qualidades de macho e qualidade de fêmea” (Fogo-Terra, Ar-Água) bem como por suas “masculinidade e feminilidade” (Fogo-Ar, Terra-Água). Examine o elemento – ou agrupamento – (isso é muito importante) que contenha o máximo de Astros não congestionados, ou qualquer Carta que não esteja congestionada. Nesse fator vemos um registro de espiritualização definitiva da qualidade genérica – de significado importante para a liberdade interna. Examine, também, o Astro estrutural (Marte, Lua, Vênus e Saturno) que esteja mais congestionado e o que esteja mais regenerado. Estude esses dois Astros não somente por seus padrões de Aspectos, mas também em termos de congestão e regeneração do Astro que está dispositado. Nós devemos conhecer a qualidade genérica que cada Astros está focalizado, e sua “dispositividade”, dado a nós como a chave.

 

CAPÍTULO IX – A ATRIBUIÇÃO DA SUA VIDA

 

O verbo atribuir é definido como “demarcar”, “salientar especificamente”, “separar para uma pessoa ou para um propósito especial”. Essas definições implicam em se entender que “atribuir” é uma ação seletiva pela qual “alguma coisa” é indicada como apropriada ou necessária para alguém se incumbir dela, trabalhar com ela, trabalhar nela ou realizar com ela. O ato de atribuir é feito por alguém para alguém, ou é assumido por ele mesmo; em quaisquer dos casos, aquilo com que se vai lidar é conhecido ou reconhecido como um fator legítimo de esforço ou experiência, uma parte necessária de um plano total ou de um objetivo.

Quer imposta ou assumida, a aceitação da atribuição sempre é uma decisão para sair de um estado de relativa inércia ou de equilíbrio relativo. Essa aceitação procede de uma percepção ou reconhecimento de que algo mais ou alguma coisa nova, real ou recapitulativa deve ser feita. Toda ação ou “feito” é uma extensão daquilo que já foi feito ou alcançado. A evolução de um ser humano durante o lapso de uma encarnação é exteriorizada como uma sequência de ações procedentes de decisões qualificadas por reações aos efeitos de decisões anteriores e consequente ações. A regeneração da reação residual trazida do passado à presente vida é a atribuição básica de qualquer ser humano para qualquer vida. A atribuição arquetípica para todos os seres individualizados, através dos lapsos inteiros de seguidas encarnações, é a reconquista consciente do equilíbrio perfeito, o estado de onde fomos enviados, ou fomos criativamente projetados, como Espíritos inocentes. Essa projeção se tornou possível por uma decisão criativa de Deus – n’Ele nos movemos e temos o nosso Ser, através de nós Ele se move e tem a Externalização; nós nos complementamos n’Ele. Ele se complementa em nós.

O macrocosmo é exteriorizado por miríades de microcosmos que têm uma similaridade correspondente com ele. Essa verdade de criatividade e manifestação é transmitida pelo axioma Hermético “como em cima é em baixo; como em baixo é em cima”. Em geometria esse axioma é ilustrado por figuras tais como círculos, quadrados e triângulos. O tamanho de figuras correspondentes pode variar infinitamente, mas sua natureza, aspecto geral e plano de construção são idênticos. Círculos, quadrados e triângulos equiláteros são microcosmos gráficos das ideias estruturais macrocósmicas de círculo, quadrado e triangulo equilátero, respectivamente.

Todas as atribuições são microcosmos da atribuição da ideia essencial ou macrocósmica, que se refere basicamente à aceitação, por cognição ou reconhecimento, daquilo que é necessário ser feito para uma completa realização. As atribuições da vida do ser humano são reveladas e percebidas em uma infinita variedade de significados relativos, em termos de necessidade imediata, objetivo imediato, fatores de relacionamento, ideais, etc. Entretanto, há uma equação dupla que se aplica a todos: o grau de dificuldade no cumprimento é diretamente proporcional ao grau de regeneração necessitada; o grau de facilidade no cumprimento é diretamente proporcional ao grau de equilíbrio alcançado conscientemente. Na medida em que perde o equilíbrio, o ser humano perde a consciência da capacidade de cumprir suas atribuições com eficiência, inspiração e regozijo; na medida em que sente o equilíbrio dentro de si, ele é capaz de redobrar ou recarregar seus esforços com os poderes de seu Espírito. O recarregamento pelo poder do Espírito traz a revelação do equilíbrio no Corpo, na Mente[17], na emoção, no relacionamento e nos esforços. Uma vez que um ser humano é um composto de muitas faculdades, corpos, inclinações, habilidades e objetivos, é necessário, através de uma dada encarnação, que ele ou ela se especialize nesta fase ou naquelas fases de desenvolvimento que sejam mais diretamente consistentes com as exigências do destino maduro; a encarnação se faz por lei vibratória em termos de tempo, lugar, linhagem e ambiente que são apropriados para o início das atribuições autoimpostas e autoassumidas.

Os Aspectos astrais por si só não representam a “atribuição da vida”. Cada Aspecto representa um inter-relacionamento entre qualidade básicas e poderes de consciência, retratando, portanto, um modo pelo qual as atribuições devem ser cumpridas. A tabulação dos Aspectos numa determinada Carta dá um resumo de como a pessoa tem usado os poderes da consciência no passado, como ela tende a usá-los nessa vida e como pode tender a usá-los no futuro. O cumprimento de uma atribuição necessita de equipamento, assim como de objetivo e, no estado encarnado, o ambiente é um fator tão inevitável quanto importante, como o é a consciência. Todos os fatores ambientais e de relacionamento correspondem à experiência individual humana, assim como a própria Terra corresponde à evolução da humanidade. Por conseguinte, a correlação da posição por Casa dos Aspectos com os fatores vibratórios representados pelos Astros e Signos é necessária para a avaliação das atividades da vida como “atribuições”.

Já que existem doze Casas que indicam a padronização ambiental para os Aspectos formados pelos dez pontos astrais (Sol, Lua e Planetas) haverá, em toda Carta, algumas Casas desocupadas. As Casas simbolizam a externalização dos Signos, assim como os pontos astrais representam a focalização dos Signos como poderes expressivos. Aquelas Casas que contêm os pontos astrais representam a padronização exterior em termos de relacionamentos e lugares das atividades da vida. Parte da “atribuição evolutiva global” de todos os seres humanos é aprender a relacionar sabiamente o próprio “eu” com o ambiente, e de tal maneira que o ambiente seja corretamente entendido e corretamente usado como uma “ferramenta”, mas que nunca permita se tornar uma escravidão para a pessoa ou um impedimento para ela se desenvolver. Cada relacionamento e cada ambiente exterioriza princípios particulares de consciência e responsabilidade espiritual, e o objetivo a ser alcançado pela experiência num relacionamento ou num ambiente é a percepção da Verdade da Vida. Todos os fatores de Princípio, Poderes, e Externalização devem ser correlacionados para avaliação.

Uma vez que a transcendência regenerativa do passado é a atribuição assumida por cada ser humano em cada encarnação, é uma ideia prática começar seu estudo do Aspecto astral de uma Carta pela avaliação relativa. Isso é feito tabulando os vários tipos de Aspectos e computando a órbita de cada um, começando por aquele que está mais próximo de 90º. Evite se concentrar nesse Aspecto como sendo “o Aspecto mais adverso da Carta”. Em vez disso, estude sob o ponto de vista do que ele diz sobre a consciência e tendência da pessoa: é o padrão que indica a maior necessidade para a regeneração da consciência, que indica o ponto de mínimo equilíbrio interno e máxima tendência de resistir à evolução. Portanto, ele representa aquelas experiências – ou aquele tipo geral de experiência – em que a pessoa terá de aplicar o máximo esforço interno para aprender sua lição espiritual e evolutiva.

Esclarecer a pessoa a respeito do sentido e significado de sua Quadratura quase exata é um serviço da mais alta relevância que você pode lhe prestar, pois, na medida em que ela compreenda como manejar os estímulos resultantes do Aspecto, ela terá força e sabedoria para lidar com os outros Aspectos “menos fechados” em sua Carta. Seu estudo do Aspecto requer meditação concentrada porque é necessário que você entenda as implicações evolutivas dele como representando fases de poder, amor e verdade a serem ainda admitidas pela consciência da pessoa. Uma Quadratura ou Oposição de órbita maior será ativada por um tempo relativamente mais longo, mas tal espaço da órbita maior permite que condições atenuantes (Trígono e Sextis à posição radical formados por Trânsitos, Lua Nova, etc.) atuem ao mesmo tempo. A regulagem dos estímulos de uma Quadratura quase exata focaliza e concentra o “potencial de dor” bem como o elemento tempo. A dor que experimentamos através dos estímulos de nossas Quadraturas é proporcional a uma tendência inerente de resistir às exigências evolutivas. Lembre-se sempre de que o Aspecto Quadratura num horóscopo é evidência de que a consciência da pessoa está baseada de um modo especializado nessa vida com o objetivo de aprender uma urgente lição; evidencia ter negligenciado essa lição ou feito o mau uso dessa oportunidade no passado e surge a oportunidade presente para remediar essa negligencia nessa vida.

Toda manifestação é projetada a partir de um plano ou padrão ordenado, e já que todas as atribuições da vida do ser humano, segundo o grau de cumprimento, manifestam a evolução de consciência e refinamento da natureza é necessário que se dê especial atenção a outros fatores que têm muitas coisas importantes a dizer ao intérprete e ao tema do Mapa. Um desses é a Lua, símbolo da natureza instintiva. Os Aspectos e a posição da Lua num Mapa nos dão as mais diretas pistas daquilo que, em consciência, é trazido para essa vida e que provém das experiências passadas. Indicam as tendências e hábitos mais pronunciados do passado que, quando enfatizados na vida atual, externalizam as condições caóticas. A faculdade de reação sentimental (que representa um aspecto da polaridade feminina da consciência) procura sempre fornecer, à nossa percepção consciente, aquelas modalidades e qualidades de pensamento que temos implantado nela. Desse modo, a Mente instintiva é reconhecida como um mecanismo de produção e um mecanismo de reprodução. Se, pelo reconhecimento não gostamos daquilo que a Mente instintiva produz através de nossa faculdade de reação sentimental – os acontecimentos, ambientes, e as pessoas – então temos de mudar a qualidade da nossa faculdade de reagir; isso só pode ser feito melhorando-se e refinando-se a qualidade de nossas reações. Esse processo se utiliza das essências regeneradoras ou espirituais de todos os pontos astrais, especialmente daqueles que estão aspectados “não regeneradamente” com a Lua, no Mapa natal. Quando regeneramos essas “essências astrais”, implantamos uma qualidade vibratória melhorada, mais ordenada e refinada na Mente instintiva.

Os fatores da atribuição de vida que se referem à vibração de Saturno são aqueles que têm como meta evolutiva a consciência da segurança verdadeira. Saturno é o princípio do cumprimento de responsabilidade, e é somente pelo cumprimento de todas as atribuições e responsabilidades assumidas que a forma de equilíbrio, que identificamos como “segurança”, é realizada. É muito importante, devido à influência que as palavras e interpretações do astrólogo exercem na consciência do nativo, que uma compreensão psico-filosófica construtiva de Saturno seja alcançada. Saturno é o símbolo da forma densa que serve como veículo à consciência evoluinte; é a tendência pela qual os seres humanos identificam “segurança” como sendo certo tipo de estado material – sem o qual o ser humano experimenta aquilo que identifica como “medo”, “insegurança” e “incerteza”. Se Saturno – no sentido cósmico – simboliza a forma densa, então sua correspondência na consciência humana evoluinte é “dificuldade e sofrimento por ter feito mau uso da foram no passado” ou é “a realização da verdadeira segurança interna por ter usado a forma de maneira plena e correta como uma ferramenta ou veículo do Espírito”. Saturno é o Princípio cósmico da Gravidade; sua vibração em nossa consciência tende a “nos conduzir às raízes e à essência de nossos estados ainda irrealizados” para que nossa ascensão evolutiva possa ser meticulosa e completa. Alguns Mapas têm Saturno aspectado por Quadraturas e Oposições – chamam de “Mapas terrivelmente afligidos”. Se há, na verdade, alguma “aflição” representada, é apenas uma indicação de que a pessoa, nessa vida, precisa recapitular muita coisa do passado, redimi-la e cumpri-la com Amor e Inteligência antes que ela possa progredir. Os Aspectos em si não são “maus” – são simplesmente indicações astrológicas de um certo tipo de necessidade evolutiva. As qualidades Espirituais implicadas na vibração de Saturno são profundidade, precisão, paciência (o uso do Tempo como elemento construtivo), e devoção concentrada à ação reta (o Signo de Saturno, Capricórnio é o Signo de Exaltação de Marte, o princípio da energia e ação).

Torna-se cada vez mais evidente que as atribuições de vida das pessoas aspirantes, de Mente progressista, incluem graus de participação naquelas medidas ligadas ao estabelecimento na Nova Era[18]. Como humanos, nós estamos sendo sintetizados nessa Era mais do que nunca em nossa história, e aquelas pessoas que estão aceitando alegremente as oportunidades de estudo, atividade, trabalho e recreação para expandir seu conhecimento fraternal dos companheiros humanos estão expressando seu alinhamento espiritual e evolutivo com os princípios da Nova Era. Essa tendência evolutiva é astrologicamente indicada pelo Planeta Urano, Regente de Aquário e pela polarização do Signo do Sol, Leão. O estabelecimento da Nova Era é um inevitável resultado do progresso espiritual da consciência humana – individual ou coletiva; o estudo e a realização intuitiva do fator Urano nas Cartas se tornou uma porção vital do serviço do intérprete astrológico. Muitas pessoas, nesse momento atual, estão encontrando as maiores dificuldades para se ajustarem à rápida expansão do pensamento, do conhecimento e da compreensão do que está se verificando agora. A resistência interna àquilo que é novo ou ainda que não é compreendido pode ser uma indicação de muito medo residual, inflexibilidade de Mente, preconceito ou tendência à inércia. Algumas pessoas parecem não poderem “perdoar a Vida” para “se reorganizar”, “remover de si as coisas”, “agitar a sua vida rotineira” ou “se tornar tão incertas”, e então o intérprete astrológico é chamado, frequentemente, para ajudar tais pessoas por meio do esclarecimento espiritual e filosófico. A regeneração da consciência só se torna possível através da descristalização e redistribuição das energias internas, e a adaptabilidade de Mente é a chave para toda expansão de compreensão. Como um intérprete, você buscará compreender o fator Urano numa Carta para ajudar a pessoa implicada a cumprir melhor as atribuições dessa sua vida, por meio de uma compreensão mais clara das grandes correntes evolutivas que prevalecem agora e da sua razão de ser. Urano sempre atua desbaratando e descristalizando o “não-mais-necessário”, para que o progresso em todos os planos possa ser revelado e realizado em sua plenitude.

Toda coisa viva é composta de uma hierarquia de partes e funções pela qual a experiência orgânica da coisa é perturbada. O horóscopo humano é um retrato de uma consciência viva, e todas as suas partes (Signos, pontos astrais, Casas, posições, Aspectos, ativações por Trânsito e Progressão) compreendem uma hierarquia de indicações pertinentes à atribuição da vida. Se um fator pode ser designado como o mais importante em qualquer Carta, ou em todas elas, tal fator certamente é o Sol e seu correlativo Signo de Leão. Diz-se que o Sol, por precessão, estava em Leão no momento em que começou a presente manifestação; como um ponto astral, o Sol representa pura criatividade e pura percepção da vontade divina, à qual a “vontade pessoal” do indivíduo deve eventualmente se ajustar. Por conseguinte, quaisquer e todas as “atribuições de vida em separado” são partes de uma Hierarquia de atribuições evolutivas, cujo ápice, indicado pelo Sol, é o alcance consciente da realização da vontade, amor e sabedoria divina, o alcance consciente do equilíbrio perfeito e o alcance consciente da unidade com a fonte divina.

No estudo de qualquer horóscopo para “determinar a atribuição de vida” lembre-se de que “conhecer a si mesmo” é o principal objetivo inerente. O Sol, como fator astral, pode receber Quadraturas ou Oposições de todos os outros pontos, menos de Mercúrio e Vênus; mas como um fator astral, o Sol representa o fracasso relativo do indivíduo ou o sucesso relativo da identidade, propósito e função espirituais realizadas. Os Aspectos que envolvem o Sol indicam relativa incapacidade ou habilidade para expressar autonomia (autodomínio); no sentido mais completo, e como hierarquia máxima das atribuições evolutivas, o Sol representa, por alinhamento consciente com a realização do Divino, a “regra do eu pelo eu”. O “eu” de um ser humano é sua divina essência, e é por graus ascendentes, através da evolução, do exercício de realização da natureza divina que ele cumpre mais efetivamente cada “atribuição de vida” e cada designação de vida.

[1] N.T.: Também chamada de memória involuntária está atualmente fora de nosso controle. Do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. A memória (também chamada Mente) subconsciente – ou involuntária, relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital.

[2] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma, frequentemente, uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[3] N.T.: do romance homônimo de Ben Ames Williams (1889-1953), escritor prolífico, autor de mais de 30 romances e mais de 200 contos. O livro foi lançado em 1941. O filme do diretor Edgar George, no Brasil Flor do Mal (também lançado com o título de Estranha Mulher). John Evered é o capataz do marido de Jenny Hagger, a protagonista. Ela tenta deixa-lo alucinado de desejo.

[4] N.T.: do livro de 1942 de Pearl Sydenstricker Buck, nascida Pearl Comfort Sydenstricker (1892-1973), também conhecida por Sai Zhen Zhu foi uma sinologista e escritora estadunidense. Filme de 1944. No Brasil: O Estirpe do Dragão. Ling Tang (Walter Huston) e sua família vivem em uma próspera fazenda ao sul da China e ainda não sentiram o impacto das invasões japonesas que estão atacando o norte do país. Os dois filhos mais velhos de Tang, já são casados e trabalham duro nas lavouras da família, enquanto o filho mais novo, mantém-se rebelde. A filha única de Ling, Jade (Katharine Hepburn), é casada com o comerciante Wu Lein. Quando a guerra se torna iminente na região do sul e os filhos de Ling vão sendo perdidos para as batalhas, Wu covardemente alia-se ao inimigo para tentar sobreviver. Mas a jovem Jade não admite o sofrimento pelo qual todo o seu povo está passando, e num ato de coragem que desafia toda a cultura de seu povo, ela resolve disfarçar-se de homem e liderar os homens da região na luta contra os invasores.

[5] N.T.: de George Warwick Deeping (1877-1950), novelista e cronista inglês, do livro Sorrell and Son de 1925. Um filme de 1927, no Brasil: Lágrimas de Homem, dirigido por Herbert Brenon. O grande chamativo de Sorrell and Son é o controverso tema da eutanásia. Herói da Primeira Guerra Mundial, Stephen Sorrell retorna para casa e descobre que sua esposa vai deixá-lo por outro homem. Para conseguir criar Kit, o filho pequeno, ele se torna porteiro de um hotel e com isso propicia a Kit se tornar competente cirurgião. Mais tarde, Stephen adquire um câncer e Kit tem de tomar uma difícil decisão.

[6] N.T.: de Radclyffe Hall (1880-1943), nascida Marguerite Radclyffe-Hall, foi uma poetisa e romancista inglesa. The Well of Loneliness (no Brasil: O Poço da Solidão) é um livro de ficção lésbica, originalmente publicada em 1928. A obra conta a história de Stephen Mary Olivia Gertrude Gordon, uma mulher inglesa de família de classe alta cuja “inversão sexual” (entenda-se homossexualidade) é aparente desde tenra idade. Ela se apaixona por Mary Llewellyn, que ela conhece em seu serviço como motorista de ambulância, durante a Primeira Guerra Mundial. Porém, a felicidade delas é afetada pela rejeição e pelo isolamento social, o qual Hall descreve como tendo um efeito debilitante sobre seu amor. O romance ainda retrata a homossexualidade como algo natural, uma condição outorgada por Deus e faz uma súplica explícita: “Dê-nos o direito de existir”.

[7] N.T.: Sigrid Undset (1882-1949) foi uma escritora norueguesa. Kristin Lavransdatter é uma trilogia de romances históricos. Os romances individuais são Kransen (The Wreath), publicado pela primeira vez em 1920, Husfrue (A Esposa), publicado em 1921, e Korset (A Cruz), publicado em 1922. Kransen e Husfrue foram traduzidos do original norueguês como The Bridal Wreath e A Senhora de Husaby, respectivamente, na primeira tradução inglesa de Charles Archer e JS Scott. Descrevem detalhadamente a vida do Norte durante a Idade Média. Seu trabalho é muito admirado por sua precisão histórica e etnológica.

[8] N.T.: Rose Franken (1895-1988), foi uma escritora e dramaturga americana. O título em português: Claudia e Davi. Nesse livro, uma menina de 18 anos, Claudia, que sonha em ser atriz até que ela e David Naughton, um jovem arquiteto sete anos mais velho que ela, se apaixonam à primeira vista. Eles se casam rapidamente. Claudia, ainda encantadoramente ingênua e um pouco nervosa, está lutando com as responsabilidades do casamento e da paternidade em sua cidade rural de Connecticut. O ciúme se insinua no relacionamento quando Elizabeth começa a consultar David em um projeto de construção, enquanto Claudia está atraindo as atenções indesejadas de Phil que por acaso é casado. O filme Claudia and David é de 1946.

[9] N.T.: frase é do poeta inglês William Wordsworth (1770-1850).

[10] N.T.: também conhecida como Lei de Semelhança: semelhante atrai semelhante.

[11] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[12] N.T.: (Jo 8:32)

[13] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[14] N.T.: A Mente ou memória subconsciente, involuntária é impressa sobre o nosso Corpo Vital. O Éter contido no ar que nós respiramos registra a cada instante de tudo que nos acontece e tudo que nós desejamos, sentimos e pensamos. Essas imagens passam pelo sangue, por intermédio dos pulmões e são impressas no Éter Refletor do Corpo Vital. Todas as nossas ações, nossos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos são, assim, fielmente conservados. Após a morte, eles determinarão nossas condições de existência no Purgatório e no Primeiro Céu.

[15] N.T.: cruz formada pelos Signos Fixos.

[16] N.T.: Dispositado ou estudar a dispositividade está relacionado com a ocorrência de quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[17] N.T.: a Mente é o mais novo dos nossos veículos. É ainda uma espécie de nuvem, mas estabelece uma ligação entre o Espírito e seus outros Corpos. Graças a ela, chegamos à condição de seres humanos e nos tornamos capazes de expor o nosso pensar e raciocinar. Infelizmente, a Mente é frequentemente dominada pelo Corpo de Desejos e ela está a serviço da natureza inferior. A Lei das Religiões de Raça foi criada para libertar a Mente das garras do desejo.

[18] N.T.: O termo Nova Era se refere à Era de Aquário, a próxima Era. Atualmente estamos na Era de Peixes, mas já na órbita de influência da Era de Aquário.

poradmin

Livro: A Teia do Destino

Esse livro se refere ao nascimento místico e à morte do grande Espírito Cristo, abordados sob o ponto de vista de um Clarividente.

O mais pronunciado materialista deve se convencer da divindade do ser humano, após ler as revelações do autor sobre o significado profundo do Cristo e os princípios por Ele proclamados.

Esperamos que a leitura cuidadosa e atenta desse volume sobre a vida sagrada de Cristo incentive uma maior veneração pela Religião Cristã, tornando-a mais aceitável à razão por meio da obra inspirada desse autor, cujo principal objetivo, enquanto viveu, foi o de trazer o ideal de Cristo e a vida simples de servir mais próximo dos corações das pessoas.

1. Para fazer download ou imprimir:

Max Heindel – A Teia do Destino

2. Para estudar no próprio site:

 

 

A TEIA DO DESTINO

 

Como se tece e destece

Também

O Efeito Oculto das Nossas Emoções

A Oração – uma Invocação Mágica

Métodos Práticos de se Alcançar o Sucesso

Por

Max Heindel

(1865-1919)

Uma Série de Lições sobre o Lado Oculto da Vida, Mostrando as Forças Ocultas que Moldam o Nosso Destino

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1920, The Desire Body, editada por The Rosicrucian Fellowship

2ª Edição em Inglês, 2011, The Desire Body, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO EM 1911

A série de dezessete lições impressas nesse volume é parte das noventa e nove lições mensais enviadas pelo autor a seus Estudantes, durante os últimos anos de sua vida no corpo. Elas são, agora, publicadas pela primeira vez em forma de livro.

Uma série já foi publicada sob o título “Maçonaria e Catolicismo”, como é visto por trás do cenário.

Esses livros contêm os tesouros inestimáveis das últimas investigações desse grande místico, e levam uma mensagem de amor Cristão impregnada de sabedoria divina, que somente um Iniciado nos mais profundos mistérios poderia nos transmitir.

Esperamos que essas lições sejam o meio de reintegrar muitas pessoas de volta à Deus e de fortalecer sua reverência e seu amor por Cristo.

Os Santos Sacramentos, Cristo e Sua Missão, A Significância Oculta das Óperas de Wagner e outros assuntos muito interessantes serão publicados mais tarde.

 

 

ÍNDICE

A TEIA DO DESTINO

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA

PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTO-CRIADOS – ELEMENTAIS

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL

 

A TEIA DO DESTINO

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA

Embora muitos esclarecimentos e muita informação foram fornecidos sobre esse assunto no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras nossas obras, temos recebido muitas cartas de Estudantes nos pedindo mais esclarecimentos sobre alguns pontos, tais como obsessão, mediunidade, insanidade, condições anormais do caráter, etc. Isso tem dado ao autor uma motivação para investigar o assunto mais profundamente que antes. A máxima que diz que “a prática leva à perfeição” pode se aplicar, com a mesma propriedade, tanto aos reinos espirituais como para as coisas físicas. Assim, esperamos que a luz derramada sobre estes assuntos, nas páginas que se seguem, possa ajudar o Estudante a perceber, com mais clareza, as causas que produzem os efeitos observados nessa vida.

A fim de que possamos compreender perfeitamente o problema, será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação. No momento exato em que o espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente. Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido. Se esta ação for física, isto é, realizada pelo espírito em um Corpo físico, a reação deverá ser, forçosamente, também física. Se é assim de fato, é evidente que devemos renascer neste Mundo, de tempos em tempos, pois é um fato comprovado que, quando geramos causas nesse Mundo, na existência diária, e essas causas não apresentam uma reação adequada, e, também, quando não nos é possível colher o que tivermos semeado, devemos necessariamente voltar em um Corpo novo; do contrário, a lei seria invalidada. Se a lei de Causa e Efeito é verdadeira, então o renascimento periódico é uma consequência lógica de absoluta necessidade. Assim, pois, tanto se o compreendermos ou não, tanto se nos agrade ou não, estamos encerrados dentro de um círculo, e, devido as nossas próprias ações do passado, constrangidos a que estas ajam e reajam sobre nós, até que desenvolvamos uma força superior à que agora nos subjuga. O que é esta força, Goethe, o grande místico alemão, nos revela em poucas palavras:

“De todas as forças que encadeiam o mundo,

 o ser humano se liberta quando adquire o domínio de si mesmo”.

E, como o conhecimento é poder, é evidente que quanto mais completo seja o nosso conhecimento, em relação a cada detalhe e não superficial ou parcial, de como operam as leis gêmeas de Consequência e do Renascimento, mais facilmente encontraremos o caminho da libertação, mais facilmente nós encontraremos o caminho da libertação, e também melhor saberemos como ajudar aos demais.

A ciência deve ser muito elogiada pelo talento, pela paciência e a persistência que ela exibe na invenção de instrumentos para descobrir os segredos da natureza. Porém, enquanto isso se consegue com êxito no que concerne à matéria, os segredos da vida e do espírito são um livro fechado para o sábio, segundo diz Mefistófeles, com fina ironia ao Estudante que bate à porta de Fausto, solicitando admissão a sua escola:

“Qualquer pessoa que quiser conhecer e tratar com alguma coisa viva,

Busque, primeiro, o espírito vital que a anima.

Pois tem somente em suas mãos fragmentos inertes,

A ele falta, ai!, o alento do espírito vital”.

Há somente um instrumento adequado para investigar as coisas do espírito, e este, é o próprio Espírito. Assim como é necessário preparar um ser humano para a pesquisa científica aqui no mundo material, também é necessário um longo e lento processo para adaptá-lo às investigações do Mundo espiritual. Do mesmo modo como o cientista deve pagar o preço de seu conhecimento com meses e anos de trabalho constante e tenaz, o investigador místico também deve sacrificar muitos anos de sua vida para compreender e se capacitar a respeito das suas investigações espirituais.

Como você sabe, o que agora é o nosso Corpo Físico foi o primeiro veículo que o ser humano adquiriu como pensamento-forma, tendo sobre si um imenso período de evolução e organização até chegar ao que é agora, ou seja, o esplêndido instrumento que tão bem lhe serve conquanto seja pesado, difícil de governar e de agir com ele. O veículo adquirido logo após, foi o Corpo Vital, que também atravessou um longo período de desenvolvimento, até se condensar e tomar consistência etérica. O terceiro veículo, o Corpo de Desejos, foi adquirido, relativamente, muito mais tarde, achando-se ainda em estado fluídico. Por último, o ser humano tomou posse da Mente, que é apenas uma nuvem informe e não merece ainda o nome de veículo, servindo, entretanto, de união ou de laço entre os três veículos mencionados e o espírito.

Estes três veículos, o Corpo Denso (o físico), o Corpo Vital e o de Desejos ligados à Mente, são os instrumentos do espírito em sua evolução. E, ao contrário da crença geral, a habilidade do espírito para investigar os planos superiores, não depende tanto dos Corpos mais sutis, como depende do mais denso de todos. A prova dessa asserção é evidente e está ao alcance de nossas mãos, e, sem dúvida alguma, todo aquele que quiser tentar com seriedade, poderá confirmá-la por si mesmo. E terá resultados imediatos se seguir certas determinações para mudar as condições de sua Mente. Suponhamos que uma pessoa formou certos hábitos de pensamento que ele não gosta. Talvez, após uma experiência religiosa, ele percebe que, a despeito de todos seus desejos, esses hábitos de pensamentos não o deixam. Porém, se ele decidir limpar completamente a Mente de forma que só contenha pensamentos bons e puros, ele poderá conseguir o que pretende simplesmente recusando admitir pensamentos impuros. Notará então que, depois de uma ou duas semanas de esforços, sua Mente está, notadamente, mais pura do que quando começou tal esforço; que isso se mantém se preferir e procurar gerar pensamentos de caráter religioso nela. Até uma Mente a mais anormal ou degenerada pode ser totalmente purificada em poucos meses de esforço. Este resultado já foi comprovado por muitos que fizeram isso, e, qualquer pessoa que o deseja e seja suficientemente tenaz para tentá-lo pode ter a mesma experiência e gozará de uma Mente pura e limpa, em muito pouco tempo.

Entretanto, enquanto os nossos pensamentos purificados nos fazem avançar consideravelmente no caminho da perfeição, as emoções e os desejos do nosso Corpo de Desejos não são dominados com tanta facilidade, por ser este veículo muito mais desenvolvido do que a Mente. Enquanto a Mente regenerada está pronta a aceitar a ideia de que devemos amar a nossos inimigos, a natureza passional e emocional do Corpo de Desejos anseia pela vingança, com todas as suas forças, aferrando-se ao “olho por olho e dente por dente”. Algumas vezes até depois de anos e anos de luta, quando supomos que a serpente adormecida foi realmente dominada e que nós temos, finalmente, obtido o domínio sobre isso e, que isso não poderá mais transtornar a nossa paz, inesperadamente ela desperta, desvanecendo as nossas esperanças; e, arrebatada por um acesso de raiva, pode morder-nos, clamando vingança por qualquer agravo real ou imaginário. Então, será necessário empregar todo o poder da natureza superior para dominar esta parte rebelde do nosso ser. Isso, acha o escritor, é o espinho da carne sobre o qual São Paulo suplicou ao Senhor três vezes e recebeu a resposta: “Minha graça é suficiente para ti”[1]. Certamente se necessita toda a graça que se possa conceber, para vencer, e, como uma vigilância permanente é o preço da segurança, vamos “vigiar e orar”[2].

O Corpo de Desejos é o responsável por todas as nossas ações, quer sejam boas, más ou indiferentes. Por esta razão, os filósofos orientais prescreveram algumas instruções a seus discípulos com o objetivo de matar o desejo, ensinando-os a se absterem de agir, bem ou mal, dentro do possível, com o objetivo de se libertarem da lei do nascimento e da morte. Porém, esses mesmos arroubos que constituem tão séria ameaça quando nos dominam, podem ser muito eficazes para o serviço, se forem conduzidos sob nossa própria orientação. Jamais pensaríamos em tirar o gume de uma faca, pois ela nada cortaria. O temperamento do Corpo de Desejos deve ser controlado, mas nunca, de nenhum modo, ser morto. O poder dinâmico do movimento e da ação no Mundo invisível está armazenado no Corpo de Desejos e, a menos que este permaneça intacto não podemos nos controlar, do mesmo modo que um transatlântico, cujas máquinas estiverem funcionando mal, não poderia enfrentar os embates numa tempestade. Existem certas sociedades que ensinam métodos negativos de desenvolvimento, e uma de suas primeiras instruções para o aluno é afrouxar o maxilar e se tornar perfeitamente negativo. Qualquer pessoa que se dirigir do Mundo material ao Mundo espiritual equipada com tais métodos estará como uma tábua abandonada em pleno oceano, ao sabor das ondas, joguete de toda a espécie de correntes. E, como acontece aqui, existem, nos Mundos internos, seres que nada tem de bondosos e que estão dispostos a se aproveitarem de quem se aventure ao seu Mundo sem estar devidamente preparado para se proteger deles. Vemos, assim, que é de primordial importância sujeitar nossos desejos ao domínio do espírito aqui nesse mundo e reforçar o Corpo de Desejos antes de tentarmos penetrar nos Mundos internos. Aqui está, em grande medida, mantido sob controle pelo fato de que ele é interpolado dentro do Corpo Denso e, portanto, não pode nos jogar de um lado para outro, da mesma forma quando se liberta da prisão física.

Porém, ainda assim, o governo do Corpo de Desejos, mesmo sendo difícil de conseguir, não servirá para tornar o ser humano consciente nos Mundos invisíveis. Isso porque o Corpo de Desejos ainda não evoluiu até o ponto em que possa servir como um instrumento de consciência. Na grande maioria dos seres humanos se encontra, ainda, em estado informe e nebuloso. Existem nele somente uma quantidade de vórtices como centros de sentidos ou centros de consciência; esses não estão suficientemente desenvolvidos para que possam servir a um propósito, sem qualquer ajuda extra. Portanto, é necessário trabalhar sobre e educar o Corpo Vital para que possa ser utilizado nos voos da alma. Este veículo, como já sabemos, é composto de quatro Éteres. É pela ação deste Corpo que podemos manipular o mais denso dos nossos veículos, o Corpo físico, que geralmente supomos constituir o ser humano, como um todo. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz dos nossos Corpos físicos. Cada molécula do Corpo físico está submersa numa rede de Éter que a interpenetra e lhe infunde vida. É por meio destes Éteres que as funções do corpo, tais como a respiração e outras, se realizam, e, a consistência e densidade destas matrizes de Éter determinam o estado da nossa saúde. Porém, a parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres Superiores, o Éter Luminoso e o Refletor, constituem o que em nossa doutrina denominamos de CORPO-ALMA; isto é: é mais intimamente ligado com o Corpo de Desejos e com a Mente e é mais sensível ao contato espiritual do que os dois Éteres inferiores. É o veículo do intelecto, responsável por tudo o que faz o ser humano verdadeiramente um ser humano. Nossas observações, aspirações, caráter, etc., são devidos ao trabalho do espírito sobre os Éteres Superiores que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e de nossos hábitos. Assim como o Corpo Denso assimila partículas de alimento, ganhando sustância física, os Éteres Superiores também assimilam as boas ações durante a vida, aumentando, consequentemente, de volume. Desta forma, em harmonia com os nossos atos durante a vida terrestre, aumentamos ou diminuímos a bagagem que trazemos ao nascer. Se tivermos nascido com um caráter doce, expressado pelos Éteres Superiores, não nos será fácil mudar esta condição, porque o Corpo Vital já se consolidou durante os milhares de anos em que tem durado a sua evolução. Por outro lado, se temos sido preguiçosos e negligentes, se fomos muito indulgentes com os hábitos considerados prejudiciais, se formamos um mau caráter em nossas vidas passadas, também nos será muito difícil dominar devido à natureza do Corpo Vital, e serão necessários vários anos de esforço constante. Para mudar a sua estrutura. Esta é a razão dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmarem que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.

 

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA

 

Há muitas pessoas associam espiritualidade com um grande show de emocionalismo, mas, como vimos no capítulo anterior, esta ideia não tem nenhum fundamento; ao contrário, o tipo de espiritualidade que é desenvolvida e associada à natureza emocional do Corpo de Desejos é extremamente enganadora; esse é um dos tipos que é gerada em reuniões de revivificação, onde o emocionalismo é elevado ao seu mais alto grau, provocando em uma pessoa grande fervor religioso, que logo se desfaz e a deixa exatamente como era antes, para desconsolo dos revivalistas e outras pessoas empenhadas nos trabalhos evangélicos. Mas, o que mais podiam esperar? Eles se propõem a salvar as almas ao som de tambores e cornetas, com cânticos rítmicos revivificantes, com invocações feitas em um tom de voz que se eleva e abaixa em ondas harmônicas, e que têm sobre o Corpo de Desejos o mesmo poder efetivo das tormentas que encrespam o mar e depois se acalmam. O Corpo Vital é muito mais consistente, e ele é afetado somente quando a conversão se firma e permanece no homem ou na mulher durante toda a vida. Aqueles que possuem verdadeira espiritualidade não se consideram salvos em um só dia, nem se sentem no sétimo céu de êxtase, para, em seguida, se sentirem deprimidos e miseráveis pecadores incapazes de serem perdoados; isso porque a sua religião não está apoiada sobre a natureza emocional que provoca tais reações, mas sim enraizada no Corpo Vital, que é o veículo da razão, sempre firme e persistente no caminho escolhido. Assim como as formas novas são propagadas por meio do segundo Éter do Corpo Vital, o EU SUPERIOR, o CRISTO INTERNO é formado por intermédio desse mesmo veículo de geração, o Corpo Vital, em seus aspectos mais elevados, incorporados nos dois Éteres superiores.

No entanto, da mesma forma que uma criança necessita de nutrição ao nascer neste mundo, assim também o Cristo, que nasce internamente, é como uma bebê e precisa ser nutrido para que alcance o desenvolvimento característico de adulto. E como o Corpo físico cresce mediante a assimilação contínua de matérias pertencentes à Região Química – sólidos, líquidos e gases – assim também, à medida que o Cristo cresce, os dois Éteres superiores aumentam em volume e formam uma nuvem luminosa em torno do homem ou da mulher suficientemente esclarecidos, que olham em direção do céu; isso revestirá o peregrino com uma luz tão brilhante, que ele, na verdade, “caminha na luz”. Por meio dos exercícios dados pela Escola Ocidental de Mistérios dos Rosacruzes, se torna possível, com o tempo, separar os dois Éteres superiores e, então, o ser humano poderá sair de seu Corpo físico, deixando-o momentaneamente revestido e vitalizado somente pelos dois Éteres inferiores; ele é, então, o que nós chamamos de um AUXILIAR INVISÍVEL.

Há vários graus de visão espiritual. Um deles habilita o ser humano a ver o Éter, normalmente invisível, com as miríades de seres que habitam esse reino. Outros e mais elevados graus lhe proporcionam a faculdade de ver o Mundo do Desejo e até o Mundo do Pensamento, permanecendo, não obstante, no seu Corpo físico. Entretanto, essas faculdades, ainda que valiosas quando se exercem sob o controle da vontade humana, não são suficientes para se ler na “MEMÓRIA DA NATUREZA” com absoluta exatidão. Para que isto seja possível e também para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo físico e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, o qual já dissemos é formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Desse modo, o investigador se achará na posse total de suas faculdades; ele sabe tudo que conheceu no Mundo físico e tem a habilidade de trazer novamente à consciência física, as coisas que aprendeu fora. Quando ele obtém essa capacidade, deve aprender também a se examinar, para compreender as coisas que vê do lado de fora, para que fica claro o seguinte: não é suficiente ser capaz de abandonar o Corpo para entrar em outro mundo e ver o que lá existe; nós não nos tornamos oniscientes por esse fato, nem sabemos o uso de tudo, ou como tudo funciona aqui nesse mundo físico, só porque vivemos aqui, dia após dia, ano após ano. Necessita-se de muito estudo e aplicação para se familiarizar com os fatos do Mundo invisível, da mesma maneira que com os fatos do mundo em que estamos vivendo com nossos Corpos físicos. Por isso, o livro, a “Memória da Natureza”, não é fácil de ser lido à primeira ou à segunda tentativa, porque, da mesma forma que uma criança necessita empregar muito tempo para aprender a ler nos livros escolares, muito esforço e tempo são necessários para aprender a decifrar esta maravilhosa película.

É um fato conhecido por todos Estudantes de ciência, que a história da Terra está escrita em caracteres inconfundíveis sobre as rochas e geleiras; sobre cada pedra se encontra algum sinal que guia o investigador treinado a decifrar sua mensagem concernente ao desenvolvimento da Terra nas épocas passadas e é maravilhoso ler nos livros que tratam deste assunto, o modo como os investigadores científicos são capazes de reconstruir a história, se valendo desses muitos indícios. Da mesma forma, é sabido que cada movimento individual que fazemos, deixamos, atrás de nós, vestígios que podem ser reconhecidos, ainda que sejam invisíveis a nós mesmos. A grande capacidade dos índios em perseguir e descobrir amigos ou inimigos através da selva virgem, guiados por arbustos quebrados etc., segundo citações de Fenimore Cooper[3] e de outros, é superada extraordinariamente pelos cientistas atuais, os quais são capazes de identificar criminosos pelas impressões digitais. As façanhas aparentemente fantásticas de Sherlock Holmes estão comprovadas mediante as atuais experiências de averiguação criminal. Os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores; e, assim, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza. Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho. No que se refere ao indivíduo, este registro começa no momento exato em que ele emite sua primeira respiração, prosseguindo até que o último sopro de vida tenha esvaziado as artérias do sangue. Nós sabemos que todo o universo vibra com vida, que cada objeto emite, constantemente, ondas vibratórias que revelam sua natureza e sua presença. Também sabemos que, quando um recém-nascido efetua sua primeira respiração, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame oval é fechado e o sangue é forçado a circular através do coração e dos pulmões. Dessa forma, entra em contato com o ar que tem a imagem do ambiente que o cerca. Então, o sangue, que é o veículo do Ego, absorve pelos pulmões essa imagem completa do mundo exterior. Quando passa através do ventrículo esquerdo do coração, imprime os acontecimentos sobre o diminuto Átomo-Semente situado no ápice, o que corresponde a um filme da câmara fotográfica. Não devemos duvidar de ser possível se imprimir tão grande quantidade de imagens sobre uma superfície tão pequena. Quando consideramos que a imagem da Lua, que vemos em nossa retina, é menor do que cinco centésimas partes de cada centímetro de diâmetro, concluímos que uma pequena imagem pode ser muito clara, pois mesmo dentro desse pequeno espaço notamos na Lua, a olho nu, grande número de montanhas e vales. A imagem de um homem, à distância de trinta e um metros, segundo fonte autorizada, não chega à centésima parte de um centímetro e, no entanto, nessa diminuta imagem podemos distinguir a expressão do rosto, o traje do homem, etc. Analogamente, existe sobre este pequeno Átomo-Semente uma imagem de todas as ações realizadas, de todas as cenas em que tomamos parte durante a nossa vida, desde o nascimento até a morte. George du Maurier[4] e Jack London[5] descrevem em “Peter Ibbetson” e em “The Star Rover”, como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas. Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato, como está provado pelos médiuns. Porém, enquanto se pode ler os acontecimentos recentes e atuais com relativa facilidade, se torna, gradualmente, mais difícil fazê-lo à medida que retrocedem. Isso porque os registros gravados no Éter são pouco nítidos, quando comparados com os que se encontram nos planos superiores, e, por isso, se desvanecem gradualmente.

Quando um vidente observa uma pessoa que está para adoecer, percebe que o Corpo Vital vai se tornando mais tênue, e quando este atinge um ponto de fragilidade em que já não é possível sustentar o Corpo físico, os sintomas da enfermidade começam a se manifestar. Da mesma forma, antes de se constatar o restabelecimento físico, o Corpo Vital começa a adquirir mais densidade, e aí começa o período de convalescença. Sabemos que as vítimas de acidentes não sofrem tanto quando acabam de ser acidentadas, como vão sofrer logo depois; isso acontece porque o Corpo Vital, no momento do acidente, permanece ileso e, portanto, o efeito total não se nota até que esse veículo se tenha tornado mais tênue e incapaz de manter o processo vital. Assim, podemos ver que existem mudanças no Éter de um ser humano e, de acordo com o axioma místico “Como é em cima, assim é embaixo” e vice-versa, existem também mudanças no Éter planetário, que constitui o Corpo Vital do Espírito Terrestre. Como a Memória consciente dos acontecimentos recentes, que é intensa no ser humano, esmaece gradualmente, assim também o registro etérico, que é o aspecto mais inferior da Memória da Natureza, esmaece com o tempo.

Na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, justamente na linha divisória entre o espírito puro e a matéria, se efetua uma impressão das coisas e dos acontecimentos deste mundo mais límpida e duradoura que a do registro etérico; porque, enquanto as ocorrências inscritas nesse registro etérico se desvanecem em manchas no decurso de algumas centenas de anos, e até os acontecimentos importantes podem durar somente mil ou dois mil anos, o registro impresso na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto permanece durante o Período Terrestre. Enquanto as imagens gravadas no Éter Refletor podem ser lidas por alguém destituído de treinamento, mas que possui um pouco de visão espiritual, é necessário passar por várias Iniciações antes que seja possível, a quem quer que seja, ler as imagens conservadas na elevada Região citada acima. Compreenderemos facilmente a relação que existe entre este registro e o impresso no Éter, e também entre as recordações absolutamente permanentes inscritas no Mundo do Espírito de Vida, se examinarmos o Diagrama N° 1 do “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

Paracelso chama o registro feito no Éter de Luz Sideral, e Eliphas Levi, o grande cabalista, fala dessas gravações como as que estão conservadas na Luz Astral. Esta é uma definição verídica, pois, mesmo que não tenha nada a ver com as estrelas, como se poderia interpretar pelo seu nome, as impressões se acham na Região Etérica, fora da atmosfera da Terra. O médium ou a vítima hipnótica, que abandona o corpo por um método negativo sob controle alheio, levita por essas regiões tão naturalmente como nosso Corpo físico gravita na Terra.

Como já dissemos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” com referência à constituição de nosso Planeta, o caminho da Iniciação passa através da Terra, da periferia ao centro, um estrato de cada vez, e, mesmo que nossos Corpos físicos sejam impelidos naquela direção pela força de gravidade, sua densidade evita que a trespassemos, assim como eficazmente faz a força de levitação que repele a classe despreparada, citada acima, dos recintos sagrados. Somente quando, pelo poder de nosso próprio espírito, nós tenhamos deixado o nosso Corpo Denso, instruídos por, e em consequência da reta maneira de viver, seremos capazes de ler o registro etérico com proveito. Em um ponto mais avançado do progresso, o “estrato aquoso” da Terra será aberto ao Iniciado, que se colocará num estado conveniente para ler o registro dos acontecimentos passados, impressos permanentemente na substância vivente da Região das Forças Arquetípicas[6], onde o tempo e espaço praticamente não existem, e onde tudo é um eterno Aqui e Agora.

 

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA

 

Enquanto estivermos estudando este Livro “A Teia do Destino, Como se Tece e Destece”, será conveniente dedicarmos alguma atenção ao misterioso “Guardião do Umbral”, um assunto que é tão mal compreendido. Nossas investigações sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio da Fraternidade Rosacruz para se livrar da assim chamada obsessão, provaram que seus problemas são devidos a uma fase que foi chamada, equivocadamente por investigadores anteriores, de “O Guardião do Umbral”. Quando esses casos são examinados simplesmente por meio da visão espiritual ou pela leitura dos registros etéricos, se pode cair, facilmente, em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que analisamos esses casos nos registros imperecíveis que se encontram na Região das Forças Arquetípicas[7], o assunto se esclarece imediatamente, e as conclusões tiradas dessas investigações podem ser assim resumidas:

No momento da morte, quando o Átomo-semente no coração é interrompido, e que contém todas as experiências da vida que acaba de findar em um quadro panorâmico, o espírito abandona o Corpo físico[8], levando consigo os veículos mais sutis. Ele flutua, então, sobre o Corpo Denso, que agora está morto, como assim dizemos, por um período de tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante desta variação de tempo é o vigor do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma[9] de que fala a Bíblia. Há, em seguida, uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, desde a morte até o nascimento, e as imagens são impressas sobre o Corpo de Desejos, por meio do Éter Refletor neste Corpo Vital. Durante esse tempo a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital, ou pelo menos deveria ser assim, e por isso nada sente deste processo. A imagem que foi impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, é a base do subsequente sofrimento no Purgatório, em consequência das más ações, e também a base do regozijo que sentiremos no Primeiro Céu, em virtude do bem praticado na vida passada.

Esses foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte, na época em que lhe foi dado conhecer os primeiros ensinamentos, e quando foi levado, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam atravessando as portas da morte, mas investigações posteriores vieram revelar um fato adicional, isto é, que existe outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Uma grande parte deste veículo, que pode ser chamado “alma”, se une aos veículos superiores e forma a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao Corpo físico e flutua sobre a tumba, na maioria dos casos, como já foi explicado no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Essa separação do Corpo Vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter de quem estiver passando para o além. Em casos extremos, essa divisão varia muitíssimo dos considerados casos normais. Esse ponto importante nos levou a pensar, em muitos casos que foram investigados pela Sede Mundial, em suposta obsessão de espíritos; de fato, foram esses casos que desenvolveram descobertas assombrosas e de alcance extraordinário, efetuadas em nossas investigações mais recentes, relativas à natureza da obsessão sofrida pelas pessoas que nos procuraram. Como seria esperado, logicamente, a divisão, em tais casos, indicou uma preponderância do mal; efetuaram-se, então, grandes esforços para descobrir se havia outra classe de pessoas com uma divisão diferente, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma satisfação reconhecer que assim acontece e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los uns com os outros, podemos fazer uma descrição correta das condições observadas e suas razões:

O Corpo Vital procura sempre construir o Corpo físico, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que produz a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de modo que o Corpo tenro da criança vai se tornando, com os anos, cada vez mais rígido e encolhe na velhice, seguindo-se a morte. A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções atuam de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando a devoção aos ideais elevados é a mola principal de ação, onde a natureza devocional pôde se manifestar durante anos, livre e frequentemente, e, sobretudo, quando isso foi acompanhado dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, há uma diminuição gradual da quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animais desaparecem, e se manifesta um aumento progressivo dos Éteres Luminoso e Refletor. Como consequência, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho superior, como entre aqueles em que a satisfação das paixões inferiores atrai os Éteres Químico e o de Vida, conforme a extensão e a natureza dos vícios, com exclusão parcial ou total dos dois Éteres superiores.

Várias consequências muito importantes relacionadas com a morte acompanham esse acontecimento. Como é o Éter Químico que consolida as moléculas do Corpo Denso, para que permaneçam em seus respectivos lugares e as conservam nele durante toda a vida, quando existe somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, depois da morte, com certeza é muito rápida. Isso o autor não pôde comprovar porque foi muito difícil encontrar seres humanos de vocação espiritual elevada que tivessem falecido na ocasião, mas parece que deve ser assim pelo fato registrado na Bíblia referente ao Corpo de Cristo, que não foi achado na tumba quando o povo foi buscá-Lo. Como já dissemos em relação a este assunto, Cristo espiritualizou o Corpo de Jesus tão altamente, tornando-o tão vibrante, que lhe era quase impossível conservar as partículas no lugar durante o seu ministério. Esse fato já era do conhecimento do autor por meio dos ensinamentos dos Irmãos Maiores e das investigações feitas, por ele mesmo, na Memória da Natureza, porém, a conexão desse fato sobre a morte e a existência “post-mortem”, não era, até então, do seu conhecimento, até recentemente.

O verdadeiro “Guardião do Umbral” é uma entidade elemental criada nos planos invisíveis por todos os maus pensamentos e obras que não se transmutaram durante todo o período passado de nossa evolução. Este “guardião” está guardando a entrada dos Mundos invisíveis e desafia nosso direito para neles penetrar. Esta entidade deve ser, finalmente, redimida ou transmutada. De nossa parte, devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para enfrentá-lo, antes que possamos entrar, conscientemente, nos Mundos suprafísicos.

Como já dissemos, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Da mesma forma, uma pessoa que leva unicamente uma assim chamada “vida pura” e sem excessos, tem uma saúde melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último constroem um Corpo Vital composto, principalmente, dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico e, portanto, o seu instrumento se torna cada vez mais flexível, nervoso e delicado, uma condição sensível que, gradualmente, impulsiona para as coisas do espírito, mas que se torna uma tarefa difícil, do ponto de vista físico.

Na maior parte das pessoas há uma tal preponderância de egoísmo e um desejo de extrair o máximo da vida que, ou estão empenhados em afastar as adversidades de sua porta ou se acham acumulando posses e cuidando delas, e assim elas têm muito pouco tempo ou inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro sucesso na vida. Muitas vezes, o autor as ouvia dizerem que se elas pagassem o ministro para estudar a Bíblia durante os seis dias e no sétimo dia lhes fazer um resumo, então teriam tudo que é necessário para adquirirem um bilhete para o céu. Elas se filiam às igrejas, fazem as coisas normalmente consideradas nobres e retas; no resto do tempo se divertem. Consequentemente, é tão pouco os que persistem, em cada vida, e a evolução é tão desesperadamente lenta que, até que possam ver o ato da morte das regiões superiores do Mundo do Pensamento Concreto e, por assim dizer, olhar para baixo, parece que nada se salva do Corpo Vital. Esse Corpo parece que retorna completo ao Corpo físico, flutuando sobre a tumba até se desintegrar simultaneamente com o último. Na verdade, uma grande parte adere aos veículos superiores e segue com eles até o Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, durante a passagem pelo Purgatório e pelo céu, geralmente permanecendo aí até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às forças da natureza, no esforço de criar, para si mesmo, um novo ambiente. Nessa ocasião, já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo espírito, e qualquer coisa que ali permaneça, de natureza material, desaparecerá rapidamente. Desse modo, a personalidade da vida passada se desvanece e o espírito não voltará a encontrá-la em suas vidas futuras nessa Terra.

Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que apreciam a vida gasta em vícios e práticas degeneradas, vidas brutais, e até se deleitam em fazer sofrer. Algumas vezes, chegam a cultivar artes ocultas com propósitos malignos, para poderem ter maior domínio sobre suas vítimas. Suas artes demoníacas, suas práticas imorais resultam no endurecimento do seu Corpo Vital.

Em tais casos extremos, em que a vida animal predominou; quando na vida terrena precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital, de que falamos antes, não pode ocorrer com a morte, uma vez que não existe linha divisória. Assim, se o Corpo Vital gravitasse de volta ao Corpo Denso e ali se desintegrasse gradualmente, o efeito de uma vida perversa não teria consequências tão sérias, mas, infelizmente, em tais casos existe uma algema interna entre os Corpos Vital e o de Desejos, que evita a separação. Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento do inferior. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Devíamos entender que a vida do Corpo de Desejos não se acaba com a partida do espírito, pois permanece um resíduo de vida e de consciência. O Corpo Vital também é capaz de sentir levemente as coisas durante alguns dias após a morte (daí o sofrimento causado pelo embalsamento, pelas autópsias etc. logo após a morte), porém, quando uma vida grosseira o endureceu e o robusteceu grandemente, ele possui uma tenacidade para se aferrar à vida, e uma habilidade para se nutrir dos odores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes, tal como um parasita, se alimenta das pessoas com quem se põe em contato, como se fosse um vampiro.

Assim, um ser humano que é mau pode viver, invisivelmente, entre nós durante muitos e muitos anos, e tão junto que estará mais perto do que nossas mãos e nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que um criminoso em Corpo físico, porque tem meios para impelir outras pessoas a praticarem atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido e castigado pela lei.

Semelhantes seres são, portanto, uma das maiores ameaças para a sociedade. São culpados de terem causado a prisão de muitos, de dissolver muitos lares e do haver provocado uma quantidade incrível de infelicidades. Sempre abandonam as suas vítimas quando estas caem nas garras da justiça. Saboreiam a dor e a desgraça delas, constituindo isso parte do seu esquema diabólico. Há outras classes que se deleitam em adotar uma postura “angélica” nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam a elas práticas imorais. Os denominados “Poltergeist”[10], que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, levantar os chapéus das cabeças de uma plateia que se deleita, e fazer outras brincadeiras dessa natureza, também estão incluídos nesta classe. A força e a densidade do Corpo Vital de tais seres lhes facilitam essas manifestações físicas muito mais do que para aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo; de fato, os Corpos Vitais desta classe de espíritos são tão densos que quase se aproximam do estado físico, e constitui um mistério para o autor que as pessoas que foram enganadas por tais entidades não as tenham visto. Se pudessem ver seus rostos perversos e assustadores, a ilusão de que fossem anjos logo se dissiparia.

Existe ainda outra classe de espíritos que pertencem a esta mesma categoria e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual fora da linha espiritualista, sugerindo serem mestres individuais, e dão às suas vítimas uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Eles jogam com a credulidade de suas vítimas de uma maneira inacreditável e, mesmo que guardem suas intenções secretas durante anos, algum dia se mostrarão com sua verdadeira aparência. Por conseguinte, nunca será demais repetir que não devemos aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se amoldem, ainda que no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética. É muito perigoso confiarmos em pessoas deste mundo e lhes dar nossa total confiança; nós sabemos disso por experiência e agimos de acordo com nossos princípios. Portanto, nós devemos ser mais cuidadosos quando a questão se refere aos assuntos da alma e não confiar tão importante matéria, como é o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos, pelo menor, ver ou julgar, adequadamente. Há muitos espíritos que não têm aptidão para fazer grande mal às suas vítimas, se contentando em rondá-las durante anos, sem resultados particularmente nefastos. Contudo, a autoconfiança é a virtude essencial a ser cultivada neste estágio de nossa evolução; a máxima mística: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que desejam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos conduzir sempre a nossa vida sem medo e sem ajuda de qualquer espírito.

Quando se pesquisa o passado na Memória da Natureza é espantoso encontrar o quanto tem prevalecido, através de séculos e de milênios, esta ligação dos Corpos Vital e o de Desejos. Nós percebemos, logicamente, de uma forma abstrata, que quanto mais regredimos na história dos seres humanos, mais selvagens os encontramos, contudo, na própria história atual, a selvageria tem sido tão comum e tão brutal que seu poder tem representado a medida indiscutível do que seja o certo, e essa verificação constitui para o autor uma experiência chocante. Já disse que o egoísmo e o desejo foram decididamente estimulados, sob o regime de Jeová, para dar incentivo à ação. Isso com o transcurso do tempo endureceu de tal modo o Corpo de Desejos que, quando o advento de Cristo aconteceu, não existia quase ideia da vida celestial no seio da humanidade daquela época, mas o autor, pessoalmente, não havia percebido o significado desse fato, até que deu início às recentes investigações da “A Teia do Destino”.

Os povos antigos não se contentavam em fazer somente todo o mal possível na vida e seguir adiante, mas eles tinham também que matar seus cavalos de guerra, colocar suas armas em seus esquifes, fazendo tudo para que se conservassem ali, porque o Éter desses instrumentos de guerra que lhes havia pertencido durante a vida, exercia uma atração sobre eles e era um meio de mantê-los presos à esfera terrestre. Isso os permitia assombrar, porque, na verdade, eles vagavam pelos castelos por muitos e muitos anos e, logicamente, essas entidades não pertenciam somente à classe dos ricos ou de guerreiros, mas de outras classes também. Em caso de brigas sangrentas, nas quais as pessoas se matavam uns aos outros, os fantasmas incitavam seus familiares vivos para que os vingassem, permanecendo a seu lado e os ajudando a finalizar os feitos sangrentos. Dessa forma, se perpetuava a maldade, e o mundo permanecia em constante agitação, com sangue e luta; ainda essa condição não se dissipou, inteiramente, em nossos dias, no chamado tempo moderno. Quando morre uma pessoa que manteve em seu coração ódio e maldade, estes sentimentos entrelaçam os Corpos de Desejos e o Vital, a convertendo numa séria ameaça para a comunidade que ninguém que não investigou pode imaginar. Portanto, mesmo que não houvesse outras razões, a pena de morte devia ser abolida, para que não se mantivessem sobre a comunidade essas entidades de características tão perigosas, capazes de incitar os seres humanos moralmente fracos, a seguir as suas pegadas.

 

PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTO-CRIADOS – ELEMENTAIS

 

Os espíritos apegados à Terra, como já foi dito, gravitam nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, o qual interpenetra o Éter, e ficam em constante e estreito contato com pessoas da Terra que se estão em situação mais semelhantes para ajudá-los nos seus maus desígnios. Permanecem nessa situação durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, porém, têm-se visto casos extremos em que tais pessoas permanecem assim durante séculos. Com referência às descobertas do autor até o presente, parece que não há limite para o que eles possam fazer, ou quando deixarão de fazê-lo. Porém, vão amontoando sobre si uma carga horrorosa de pecados, a qual não poderão escapar sem sofrimento, pois o Corpo Vital reflete e grava profundamente no Corpo de Desejos um registro de tais maldades, e quando, finalmente, abandonam a vida errática e entram na existência purgatorial, eles encontram a retribuição e o castigo que merecem. O seu sofrimento será, naturalmente, de uma duração proporcional ao tempo em que permaneceram em suas práticas perniciosas depois da morte do Corpo Denso – o que vem provar mais uma vez que, “os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem”.

Quando o espírito abandonou o CORPO DE PECADO, como chamaremos este veículo para contrastá-lo com o Corpo-Alma, a fim de ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente como acontece com o invólucro deixado para trás, como acontece, normalmente, com as pessoas; isso porque, nele, a consciência se acha aumentada por uma dupla composição, isto é, sendo composto de um Corpo Vital e de um Corpo de Desejos tem uma consciência individual ou pessoal muito marcante. Não pode raciocinar, mas existe uma astúcia inferior que faz com que pareça ter o aspecto de um espírito, um Ego, e isso lhe facilita viver uma vida separada por muitos séculos. Entretanto, o espírito que partiu entra no Segundo Céu, porém, não tendo efetuado nenhum trabalho na Terra que o faça merecer uma prolongada estada ali ou no Terceiro Céu, permanece nesses lugares somente o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si e, então, renasce muito antes do tempo normal, para satisfazer seu desejo de coisas materiais que tão intensamente o atraem.

Quando o espírito retorna à Terra, seu Corpo de Pecado é atraído, naturalmente, para ele e, geralmente, permanece a seu lado toda a sua vida, como um demônio. As investigações demonstraram que esta classe de criaturas sem alma existiu em abundância nos tempos bíblicos e foi a elas que o nosso Salvador se referia como demônios, sendo a causa de diversas obsessões e enfermidades corporais a que se refere a Bíblia. A palavra grega “daimon” os descreve com precisão. Ainda hoje, numa parte do sul da Europa e do Oriente, eles perturbam, sendo que esta situação aflitiva se encontra mais agravada na Sicília, Córsega e Sardenha. Tribos inteiras da África, nas quais prevalece a prática a magia Vodu, têm esses espectros horrorosos; os indígenas dos Estados Unidos da América e os negros do Sul desse país estão, também, sujeitos a eles.

Infelizmente, o mal não está só confinado a essas chamadas raças inferiores ou atrasadas. Mesmo aqui, entre os habitantes que chamamos de países civilizados, no norte da Europa e nas Américas do Norte e do Sul, vemos que possessões demoníacas estão longes de não ser frequentes, mesmo que, logicamente, sua forma não seja de natureza tão miserável como nos casos acima citados, em que a ação demoníaca é acompanhada, frequentemente, de práticas abomináveis e repulsivas.

Em certa época, o autor esteve muito apreensivo com o efeito que a guerra poderia ter no entrelaçamento do Corpo Vital e o de Desejos, pensando que pudesse produzir o nascimento de legiões de monstros que afligiriam as futuras gerações. No entanto, é com grande alegria que reafirmo que não devemos temer por isso. Somente quando o ser humano é, premeditadamente, mau e vingativo, e persistentemente nutrem esse desejo, sentimento e propósito focado em alguém; somente quando tais desejos e emoções são cultivados, estimulados e mantidos é que produzem o endurecimento do Corpo Vital e criam uma ligação interna entre esses veículos. Sabemos, pelos registros da grande guerra, que as tropas não alimentam tais sentimentos umas contra as outras, contudo os adversários se relacionam como amigos, entrando, muitas vezes, em contato e se confraternizando. Ainda que a guerra seja responsável por uma tremenda mortalidade, e, em consequência, acarretando uma deplorável mortalidade infantil em idade futura, não pode ser acusada pelas doenças terríveis engendradas pela obsessão, nem pelos crimes sugeridos por esses demoníacos Corpos de Pecado.

Os Corpos de Pecado abandonados, a que nos referimos anteriormente, habitam, de preferência, as regiões mais inferiores do Éter e se condensam muito próximo à linha da visão física. Algumas vezes, podem fazer uso de alguns constituintes do ar, tornando-se perfeitamente visíveis para as pessoas a quem costumam molestar, embora suas vítimas tenham sempre muito cuidado para evitar que alguém perceba essa presença demoníaca à sua volta, isto é, pelo menos no mundo ocidental; parece não haver tal sutileza na parte sul da Europa.

Seguindo investigações anteriores, o autor tentou várias experiências com espíritos que se encontravam nos reinos superiores do Éter e que acabavam de morrer e, também com pessoas que haviam estado no Mundo do Desejo, por um tempo curto ou longo, e que estavam quase prontos para passar para o Primeiro Céu. Muitos espíritos que haviam partido desta vida procuraram cooperar, bondosamente, sobre o assunto. O objetivo destas experiências era determinar até que ponto lhes seria possível se revestirem nos materiais das regiões etéricas inferiores e mesmo das regiões gasosas. Foi comprovado que aqueles que acabavam de morrer podiam aguentar facilmente as vibrações etéricas inferiores, e, embora sendo seres de bom caráter, não se sentiam satisfeitos em lá permanecer mais tempo do que o necessário, pois aquela situação lhes era desconfortável. Porém, ao fazer a experiência com espíritos vindos das sucessivas regiões superiores do Mundo de Desejo e do Primeiro Céu, notamos que se tornou cada vez mais difícil para eles se envolverem no Éter ou penetrar nele. A opinião geral foi que sentiram uma sensação semelhante a descida ao interior de um poço profundo, chegando até à asfixia. Também se comprovou que foi absolutamente impossível às pessoas do Mundo Físico avistá-los. Tentamos, por todos os meios de sugestão, dar uma sensação da nossa presença às pessoas congregadas em salões que visitávamos, mas não percebemos resposta às nossas manifestações, embora, em alguns casos, as formas que condensamos parecessem ao autor tão escuras como as das pessoas físicas cuja atenção desejávamos atrair. Colocamos nossos elementos experimentais entre as pessoas físicas e a luz, mas, mesmo assim, não obtivemos nenhum êxito, tanto com aqueles que procediam das regiões superiores, como com os que acabavam de morrer e podiam permanecer, durante um tempo considerável, na posição e na densidade que lhes foram dadas.

Além disso, entre as entidades já mencionadas anteriormente, e que moram em um Corpo de Pecado construído por elas mesmas e, por isso, sofrem intensamente durante o período de expiação, encontramos duas classes que, em certo sentido, são iguais entre si, embora, em outros, sejam completamente diferentes. Além das Hierarquias Divinas e das quatro ondas de vida dos espíritos que se acham agora evoluindo no Mundo Físico, por meio dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem outras ondas de vida que se manifestam nos vários Mundos invisíveis. Entre elas há certa classe de espíritos sub-humanos que são chamados elementais. Ocorre, algumas vezes, que um desses elementais se apossa do Corpo de Pecado de alguém de uma tribo selvagem, e, deste modo, acrescenta a tal ser, uma inteligência extra. No renascimento daquele espírito que gerou esse Corpo de Pecado, a atração natural os une; porém, devido ao elemental que anima o Corpo de Pecado, o espírito se torna diferente dos outros membros da tribo e daí o vermos atuando entre os seus como curandeiro ou outras ocupações semelhantes. Estes espíritos elementais que animam os Corpos de Pecado dos indígenas, também atuam como espíritos de controle sobre o médium e, alcançando poder sobre ele durante a vida, quando este morre, estes espíritos de controle elementais expulsam-no dos veículos que contém a sua experiência de vida e, como consequência, o espírito do médium pode se atrasar em sua evolução durante eras, porque não há poder capaz de obrigar os elementais a abandonar suas presas sobre quem obtiveram total controle. Portanto, mesmo que a mediunidade não produza efeito maléfico visível no curso de uma vida, existe um grande perigo, depois da morte, para a pessoa que permitiu que seu corpo fosse assim possuído. O espiritismo prestou ao mundo um serviço necessário. Foi provavelmente o principal meio para provar o materialismo absoluto da ciência, e trouxe consolo a milhares de almas sofredoras que lamentavam a perda de seus entes queridos; fez, também, com que muitos céticos acreditassem numa existência superior. Não temos intenção de menosprezar os militantes deste credo, mas não podemos deixar de emitir nossa advertência, pois acreditamos ser um dever apontar o enorme perigo em que se encontram aqueles que, habitualmente, permitem ser controlados por espíritos que não podem ver e de quem absolutamente nada sabem.

 

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS

 

É um fato curioso como os elementais sub-humanos, algumas vezes, agregam-se a determinadas pessoas, a uma família ou até a sociedade religiosas; mas em tais casos, tem-se visto que os veículos usados por eles não consistem de um corpo de pecado endurecido, composto pela ligação dos Corpos Vital e de Desejos, mas tais veículos são obtidos por meio da mediunidade praticada por uma pessoa normalmente de bom caráter, e o Éter desse veículo estava em estado de desintegração. Para preservar e prolongar o seu domínio sobre tal veículo, pedem àquele a quem servem, que lhes ofereçam regularmente alimento e lhes queimem incenso; ainda que não possam, naturalmente, assimilar o alimento físico, podem e vivem dos vapores e do cheiro que eles exalam, assim como da fumaça do incenso.

Essa é mais uma ilustração de que os motivos, por mais puros que sejam, não nos protegerão quando agimos contra as leis de Deus, assim como não podemos deixar de queimar as mãos se as pusermos no fogo, não importa a razão porque o fizemos. Entretanto, temos observado que quando um médium se deixa dominar por motivos puros ou por uma elevada devoção religiosa, é muito difícil a essas entidades malignas sustentarem a possessão do Corpo Vital por muito tempo; cansam-se depressa do esforço e vão procurar outra vítima mais de acordo com a sua natureza. Sabe-se que no sul da Europa e no Oriente distante existem elementais que se apossam dos Corpos Vitais de uma família por gerações seguidas, deixando um Corpo por outro, realizando certos serviços para a família, como compensação pelo alimento que lhes é dado regularmente. Alguns desses elementais são demasiado malignos para se satisfazerem com simples alimentos e exigem sangue, até sangue humano, sendo responsáveis por tribos como as dos caçadores de cabeças das Filipinas e a dos estranguladores da Índia, que cometem assassinatos como um rito religioso. Isso, também, é a base do Culto aos Antepassados no Oriente.

Estes elementais, assim como os corpos de pecado que não são animados por uma inteligência externa, são denominados “OS GUARDIÃES DO UMBRAL”, devido ao fato de que quando a pessoa, por quem este demônio foi originalmente gerado, renasce esse demônio se agrega a ela e se torna um tentador e um espírito do mal para ele em toda sua vida. Frequentemente se verifica que uma pessoa, que em uma vida gerou tal demônio, mas aprendeu as lições na existência purgatorial, e quando renasce se esforça com o máximo empenho para viver uma vida pura, honesta e decente, ainda assim encontrará ao seu lado esse corpo de pecado para atrapalhá-la. Muitas pessoas torturadas desse modo eram tão sinceras em seus desejos de reforma que entraram para mosteiros e praticaram mortificações severas em seus Corpos, acreditando que o demônio que as rodeava e de cuja presença estavam conscientes, era o próprio diabo ou um dos seus emissários.

Diz-se, na verdade, que o menino é o pai do homem. Similarmente, nossas existências anteriores são progenitoras de nossa vida presente e futura. E é muito certo que, pelo menos nesse sentido, “os pecados dos pais recaiam sobre os filhos”. Não podemos negar a justiça desse fato, pois, as crueldades praticadas pelas pessoas que deram origem a formação dos corpos de pecado foram, geralmente, da natureza mais atroz que se possa imaginar.

Você, provavelmente, já ouviu falar que quando um cachorro buldogue prende uma vítima com seus dentes, não quer largá-la. Isso implica em dizer que o animal tem o poder de fazer o que quiser. O mesmo não acontece com uma cobra; seus dentes são virados para o fundo da boca e, uma vez que os tenha enterrado na carne de sua vítima, não pode desprendê-los e terá, forçosamente, que engolir a presa. Por curioso que nos pareça, acontece algo semelhante com a obsessão.

Lembram-se que o autor tem dito sempre que os espíritos de controle estão do lado de fora do Corpo de sua vítima e por detrás dela, manipulando o órgão da voz ou todo o Corpo, segundo o caso, através do cerebelo e da medula oblongada, onde a chama da vida arde com um som duplo e sibilante, composto de dois tons que indicam a resistência do Corpo às manipulações do intruso. Nossas últimas investigações, entretanto, revelaram o fato de que o espírito de controle que atua pelo lado de fora da vítima, é da classe dos argutos que se acautelam para não serem apanhados numa armadilha. Enquanto estão fora podem abandonar a presa a qualquer momento, e permitem que suas vítimas sigam a própria vida como desejarem, como eles também o fazem. Porém, existem outros espíritos que não são tão sagazes, que são talvez mais arrojados ou que estão ansiosos por penetrar no mundo material e por isso põem de lado qualquer precaução. Penetrando no Corpo de suas vítimas, acham-se quase na mesma situação de uma presa nos dentes de uma cobra; o Corpo de suas vítimas os mantêm firmemente presos e não podem se livrar em circunstâncias normais. Nesses casos, a obsessão se torna permanente e a personalidade da vítima se transforma totalmente.

Se o espírito obsessor for uma entidade elemental ou sub-humana, que não é capaz de usar a Mente ou a laringe, uma vez que esses órgãos foram as últimas aquisições humanas, a pessoa assim obsidiado se converte num lunático irremediável, não raro de natureza perversa, cuja faculdade de linguagem frequentemente se torna danificada. É quase impossível desalojar tal entidade, uma vez que ela tenha entrado. Investigações de vidas anteriores indicam que tal aflição é geralmente o resultado de um desejo de fugir às experiências da vida, pois, aqueles que estão obsidiados, frequentemente, foram suicidas em uma existência anterior. Tiveram um Corpo que desprezaram e, em uma vida posterior, a mentalidade se debilitou como resultado de alguma doença física, de um grande choque ou mesmo de uma obsessão. Em quaisquer desses casos, o espírito foi expulso do seu Corpo, pairando à sua volta ansioso por possuí-lo, mas incapaz de fazê-lo devido à falta da Mente, por meio da qual poderia focar o pensamento sobre o cérebro, ou devido à obsessão de uma entidade alheia.

A dor e o desapontamento são causas frequentes do suicídio, e, muitas vezes, uma grande tristeza foi o motivo para arruinar a Mente; entretanto, o espírito é capaz de compreender e enfrentar a situação, ainda que não seja capaz de usar seus veículos devido ao escasso foco da Mente. Porém, no caso que se tenha desejado fugir da situação pelo suicídio, o indivíduo aprende, pela maneira já descrita, a conhecer o valor de um Corpo e de suas ligações, não havendo no futuro causa suficiente para decidi-lo a romper o Cordão Prateado. Algumas vezes, a dor vem para tentar uma pessoa que cometeu suicídio em vida anterior; e, quando ele resiste à prova, mostra que já está imune à tentação. Sob o mesmo princípio, o alcoólatra de vidas anteriores é tentado a beber para testar sua estabilidade de caráter, ao rejeitar conscientemente a bebida.

É curioso como a perpetração do suicídio em uma vida e consequente sofrimento post-mortem ao tempo em que ainda existe o arquétipo, frequentemente gera no suicida um medo mórbido da morte na próxima vida, assim, quando a morte chega, no decurso normal, os suicidas parecem frenéticos depois de abandonar o Corpo e tão ansiosos de voltar ao mundo material que, com frequência, cometem o crime da obsessão da forma mais tola e irrefletida. Entretanto, como nem sempre há pessoas negativas sujeitas à obsessão (e ainda que as houvesse, não é fácil à pessoa que acaba de morrer, e que procura uma oportunidade de voltar, encontrar alguém que a possa abrigar), uma coisa estranha e horrível acontece: o espírito expulsa o verdadeiro possuidor de um Corpo animal e passa a animar este veículo. Acha-se, assim, na horrorosa contingência de viver uma existência pura e simplesmente animal. Se o animal está sujeito a crueldades por parte do dono, o espírito humano obsessor sofre como sofreria o espírito animal; se o animal é sacrificado para prover alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende os preparativos para o abate, vendo-se obrigado a passar pelas horrorosas experiências relacionadas com isso. Casos dessa natureza não são tão raros como se poderia supor; ao contrário, ocorrem frequentemente, como uma visita a alguns dos grandes matadouros da América do Norte, onde o autor tomou conhecimento disso; e compreendeu a situação, chegando à mais dolorosa convicção da necessidade de educar o ser humano com respeito à grande verdade de que a morte, assim como o nascimento, é somente um acontecimento frequente na vida eterna do espírito imortal.

Uma fé total nessa doutrina eliminaria incontáveis misérias da humanidade, e devemos fazer tudo que esteja ao nosso alcance para ajudar a divulgar este Evangelho de Vida.

Algumas vezes, também, um ser humano perverso incorpora um animal feroz e sente um prazer diabólico em aterrorizar uma comunidade. Quando Cristo andou na Terra, casos de obsessão animal por espíritos humanos aconteciam diariamente, e os exemplos registrados na Bíblia não são, em absoluto, mitos ou loucuras para aqueles que são dotados de visão espiritual e capazes de ler na Memória da Natureza, pois veem que essas coisas ocorreram realmente; com efeito, os antigos videntes que observaram essa entrada de pessoas de caráter baixo e vil nos Corpos de animais, ao abandonarem seu próprio Corpo na morte, pensavam que isso era o curso normal da natureza, ao invés de ser uma condição anormal. Daí terem formulado a doutrina da Transmigração.

 

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS

 

É um fato evidente, depois de uma simples observação, que enquanto os animais atuam de modo semelhante, sob as mesmas circunstâncias, por estarem sendo guiados por um Espírito-Grupo, o ser humano não age assim. Na humanidade há tantas espécies quantos são os indivíduos, sendo que cada um é uma lei em si mesmo; e ninguém pode predizer as ações de um ser humano, ou como um outro agirá em circunstâncias análogas; o mesmo indivíduo pode agir distintamente, e provavelmente o fará, diante de condições idênticas e em ocasiões diferentes. Por essa razão, é muito difícil tratar ou elucidar devidamente um assunto como o da “A Teia do Destino”, quando nós, seres humanos, ainda que possuamos Mentes presentemente com capacidade reduzida. Para compreender totalmente esse assunto precisaríamos da sabedoria de grandes seres como são os Anjos do Destino, que têm a seu cargo este intrincado departamento da vida.

No entanto, não se deve pensar que o autor esteja dando, nesse livro, uma ideia superficial de como se faz ou desfaz o destino. Cada ato de cada indivíduo produz uma determinada vibração no universo, que incide sobre ele e sobre os outros ao seu redor; e simples Mente humana não pode ver ou calcular os resultados dessas ações e reações que se produzem em poucos meses, anos ou vidas. Tivemos a oportunidade de ver, graças ao quadro geral impresso em nossa Mente quando desenvolvíamos este tema, o modo de classificar as causas geradas no passado, segundo se nos apresentam, e seus efeitos na vida atual. No decurso desse estudo investigamos centenas de pessoas e, em alguns casos, retrocedemos três, quatro e até mais vidas, com o objetivo de chegar à raiz da questão e determinar como as ações do passado reagem para criar as atuais condições de nossas vidas presentes. Embora tenhamos feito o melhor possível, pedimos aos Estudantes que não considerem isso como uma conclusão definitiva sobre o assunto, mas antes como um início, que confiamos possa ajudá-los a resolver determinados problemas.

No que concerne ao ambiente, parece-nos que as pessoas que são de natureza difícil de conviver com outras e que têm diante de si uma vida árdua, nascem frequentemente entre estranhos, dos quais não receberão simpatia e onde seus sofrimentos não despertarão, nas pessoas do mesmo sangue, nenhum sentimento de apoio apreciável; às vezes, ficam órfãs, ou são abandonadas pelos pais, ou fogem de casa na tenra idade. Quando é esse o caso, essa alma, muitas vezes, anseia pelo afeto que ela recusou dar aos outros em vidas anteriores. Também vimos casos em que determinados indivíduos cometeram atrocidades no passado e levaram a desonra e a vergonha a seus familiares, os quais sofreram muito devido ao grande amor que dedicavam a esses depravados. Quando tal alma errante se dispõe a se emendar e purgar os erros do passado, encontrar-se-á em um ambiente totalmente hostil, com fome e sede por um amor que desprezou anteriormente; então isso lhe causa agora uma vida tão difícil. Se o ser humano não aprendeu a lição em uma só vida, muitas outras vidas com experiências semelhantes lhe ensinarão a ser amável com aqueles que o amam, bem como a agir correta e honestamente com os outros.

Também observamos que, muitas vezes, uma alma que viveu erradamente em vidas passadas, não teve uma assistência bondosa por parte de sua família, que lhe devia ter dado atenção, apoio e amor. Naturalmente, a falta deste ambiente afetivo não foi uma justificativa para os seus erros perante a lei, e a pessoa foi obrigada a expiá-los em vidas posteriores. No entanto, em tais casos, os papéis foram, normalmente, trocados; a família, que em vidas passadas a repudiou, agora a amou profundamente e, então, sentiu intensamente toda a mágoa e todo sofrimento que ela teve que passar por conta de seu passado. Assim, a família também expiou suas ações do passado dando a pessoa o que faltou em simpatia e bondade.

Esses são casos extremos, e, naturalmente, não podemos tirar conclusões definitivas de casos pouco nítidos, pois quanto mais nebulosos eles forem, mais fácil será tabulá-los. A lei aplicada nos casos extremos também se aplica aos de menor importância, com as modificações necessárias às diferenças de ambiente.

Os fatos relatados acima indicam, de forma clara, que somos realmente os guardiães de nossos irmãos e que convém que todos nós exteriorizemos muita simpatia e bondade aos desafortunados, tanto da nossa família como aos demais. Mesmo que vendo as coisas superficialmente e olhando a vida somente sob o ponto de vista da nossa encarnação atual, pode parecer que não temos responsabilidade alguma pelas ações de nossos infelizes familiares; no entanto, se pudéssemos ver mais amplamente o sentido da vida, ver por trás do véu, provavelmente descobriríamos que nós mesmos os ajudamos a se afundarem na degradação.

Frequentemente ouvimos a expressão que uma pessoa é o “pesadelo” em uma certa família; e nós podemos, muito de perto, sempre considerarmos que essa pobre alma é uma estranha entre gente estranha, devendo estar ali por algum desajuste praticado no passado. O “sangue é mais espesso que a água”, diz um velho provérbio; na verdade, o laço de sangue não traz consequências, a menos que as pessoas de uma família estejam unidas entre si pelo amor ou pelo ódio do passado, os quais determinam as verdadeiras relações da vida atual. Uma alma pode nascer em determinada família, pode se sentar à sua mesa, ter o direito legítimo de herança e ser, entretanto, tão estranha a ela como qualquer mendigo que lhe chegue à porta pedindo um prato de comida. Recordemos que Cristo disse: “Eu estava faminto e vós Me destes de comer; Eu estava sedento e Me destes de beber; Eu era um estranho e Me admitistes ao vosso lado”[11]. Depois: “Tudo o que fizestes em favor do menor de meus irmãos, a Mim mesmo o fizestes”[12]. Quando nós encontrarmos tal tipo de alma, “estranha”, solitária e estrangeira em seu meio ambiente, é nosso dever, como cristãos, imitar o exemplo de nosso Senhor; nós devemos nos esforçar para que essa alma estrangeira se sinta em casa e aplique seus conhecimentos pelo amor de Cristo, sem tomar em conta suas excentricidades.

As deficiências que afetam a humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. As perturbações mentais, quando congênitas, são especialmente consequências do abuso da força criadora, com uma só exceção que veremos depois. Pode-se incluir no caso as debilidades dos órgãos vocais. Isso é lógico e compreensível. O cérebro e a laringe foram construídos com a metade da força criadora pelos Anjos, assim, o ser humano, que antes da aquisição desses órgãos era bissexual e capaz de criar por si mesmo, sozinho, perdeu essa faculdade quando esses órgãos foram criados e, agora, depende da cooperação de alguém do outro sexo ou polaridade oposta, a fim de gerar um veículo novo para um espírito que renasce.

Quando usamos a visão espiritual para observar um ser humano na Memória da Natureza, durante a época em que ainda estava em formação, vemos que, onde quer que agora exista um nervo, existia antes uma corrente de desejos; que pelo próprio cérebro foi feito, de início, de substância de desejos, bem como a laringe. Foi o desejo que primeiramente enviou um impulso motivador por meio do cérebro e criou tais correntes nervosas para que o Corpo pudesse se mover e dar ao espírito qualquer gratificação que fosse indicada pelo desejo. A linguagem, da mesma forma, é utilizada com o propósito de obter um objeto ou alcançar uma finalidade desejada. Por meio dessas faculdades, o ser humano alcançou certo domínio sobre o mundo e, se pudesse voar de um Corpo a outro, não teria fim o abuso de seu poder para satisfazer qualquer capricho ou desejo. Porém, sob a Lei de Consequência, ele leva com ele, em um Corpo novo, as faculdades e órgãos semelhantes àqueles que utilizou em Corpos precedentes.

Quando a paixão arruinou o Corpo em uma vida, isso fica gravado no Átomo-semente. Na descida para o próximo renascimento, é impossível para este espírito juntar material puro com o qual possa organizar um cérebro de construção estável. Nesse caso, renasce geralmente sob um dos Signos Comuns[13] e, muitas vezes, os quatro Signos Comuns se acham nos ângulos; porque, através de tais Signos, o desejo passional encontra dificuldade para se manifestar. Em consequência, este poderoso impulso que anteriormente regeu seu cérebro e que poderia ser usado agora com o propósito de renovação, acha-se ausente; ele tem falta de incentivo na vida e, com isso, se converte em um inútil, uma tábua sobre o oceano da vida, e, frequentemente, um insano.

Porém, o espírito não é insano; ele vê, conhece e tem um desejo veemente de utilizar seu Corpo, embora ser uma impossibilidade, pois, muitas vezes, não pode nem sequer enviar um impulso adequado aos seus nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão sob o controle de sua vontade. Isso é devido à falta de coordenação que faz com que o maníaco tenha tão lamentável aspecto. Assim, o espírito aprende uma das mais duras lições da vida, pois é muito pior do que a morte se achar sujeito a um Corpo vivo e ser incapaz de se expressar por meio dele. Isso porque a força de desejos necessária para realizar o pensar, o falar e o se mover, foi dilapidada em uma vida de depravação no passado, deixando o espírito sem a energia necessária para manipular seu atual instrumento.

 

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA

Ainda que as incapacidades mentais, quando congênitas, sejam em geral produzidas pelo abuso da função criadora em vidas passadas, há uma notável exceção a essa regra, como nos casos mencionados no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras partes de nossa literatura, e descritos a seguir: quando um espírito que tem diante de si uma vida particularmente penosa está prestes a renascer, e sente, no momento de entrar no útero materno, que o panorama da vida futura que lhe é exibido naquele momento marca uma existência dura e infeliz demais para ser suportada, algumas vezes tenta fugir à escola da vida. Nessa ocasião, os Anjos do Destino, ou seus agentes, já fizeram no feto em formação as conexões necessárias entre o Corpo Vital e os centros sensoriais do cérebro; portanto, o esforço do espírito para fugir do útero materno é frustrado, mas, o deslocamento produzido pela torção dada pelo Ego, altera a conexão entre os centros sensoriais etéricos e físicos, daí o Corpo Vital não ficar em posição concêntrica com o físico, fazendo com que a cabeça etérica sobressaia do crânio físico. Resulta disto a impossibilidade do Espírito usar seu veículo denso, achando-se ligado a um corpo sem Mente que não poderá utilizar, e o renascimento será inútil.

Temos casos em que uma grande comoção durante a vida faz com que o espírito tente escapar do Corpo com os veículos invisíveis. Como consequência da torção, se produzem emoções iguais nos centros sensoriais etéricos do cérebro e esse choque desorganiza a expressão mental. Provavelmente todos já devem ter experimentados uma sensação semelhante ao receber um susto; há uma agitação como se algo se esforçasse para escapar do Corpo Denso; se trata do Corpo de Desejos e do Corpo Vital, que são tão velozes em seus movimentos, que um trem expresso comparado a eles pareceria uma lesma. Estes Corpos sentem o perigo e se enchem de temor antes que o medo se transmita ao inerte e lento Corpo físico, ao qual estão ligados e do qual não podem fugir em condições normais.

Às vezes, como já dissemos, o susto e o choque são suficientemente fortes e podem atuar com tal impulso que os centros sensoriais etéricos se desorganizam. Isso ocorre mais frequentemente com as pessoas que nasceram sob Signos Comuns, que são os mais fracos do Zodíaco. Tal como um ligamento que foi distendido e rompido pode recuperar gradualmente uma relativa elasticidade, assim também é mais fácil restaurar as faculdades mentais nesses casos do que naqueles onde a insanidade congênita, acarretada por vidas passadas, ocasionou uma conexão indevida.

Comprovou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer são o resultado de tendências errôneas de uma vida passada. Observou-se que muitos indivíduos, que haviam sido quase maníacos na satisfação de sua lascívia em vidas anteriores, possuíam ao mesmo tempo uma natureza altamente devota e religiosa; e em tais casos, parece que o Corpo físico gerado na vida presente era de saúde normal, havendo unicamente incapacidade mental; enquanto que em outros casos onde a indulgência com a natureza passional estava unida a um caráter maligno e a um grande desrespeito aos semelhantes, a epilepsia, o raquitismo, a histeria e uma deformação corporal foram os resultados desses erros, assim como o câncer, em especial no fígado e no seio.

Nessa conexão, entretanto, sentimos o dever de advertir os Estudantes que não tirem conclusões apressadas de que as manifestações citadas anteriormente representem regras fixas e inflexíveis. As muitas investigações levadas a efeito, embora tenham sido árduas para um só investigador, são ainda escassas para que sejam conclusivas e onde estão envolvidos milhões de seres humanos. De qualquer modo, estão em harmonia com os ensinamentos contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” ministrados pelos Irmãos Maiores, que exemplificaram os efeitos do materialismo como produtor do raquitismo, isto é, o amolecimento de uma parte do corpo que deveria ser dura e da tuberculose que endurece tecidos que deviam permanecer moles e flexíveis. O câncer é essencialmente semelhante em seus efeitos; e quando consideramos que o signo de Câncer é regido pela Lua, o Astro da geração, estando a esfera lunar sob o controle de Jeová, o Deus da reprodução, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus, nós compreendemos facilmente que o abuso das funções geradoras pode causar tanto o câncer como a insanidade nas mais variadas formas.

Portanto, com respeito às anormalidades e deformidades físicas, parece ser regra geral que, assim como a indulgência física com as paixões atua sobre o estado mental, os abusos dos poderes mentais em uma vida conduzem à incapacidade física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz que “uma mentira é ao mesmo tempo assassina e suicida no Mundo do Desejo”. Os ensinamentos dos Irmãos Maiores, contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, explicam que sempre que um incidente ocorre, um determinado pensamento-forma gerado no Mundo invisível registra o acontecimento. Cada vez que se fala e se comenta o caso, cria-se uma nova forma de pensamento que se funde com o original e o robustece, desde que ambos possuam a mesma vibração. Se não se diz a verdade acerca do sucedido, então as vibrações do original e da reprodução não serão idênticas e o resultado é que investem uma contra a outra, destruindo-se mutuamente. Se o pensamento-forma verdadeiro e bom for suficientemente forte, conseguirá o domínio da situação e aniquilará os pensamentos-forma baseados na mentira; consequentemente, o bem vencerá o mal. Ao contrário, se os mais fortes forem os pensamentos mentirosos e maliciosos, estes podem vencer o pensamento-forma verdadeiro, destruindo-o. Depois haverá discórdia entre eles e, um a um, todos serão aniquilados.

Deste modo, a pessoa que leva uma vida pura, se esforçando por obedecer às leis de Deus e lutando ardentemente pela verdade e pela justiça criará pensamentos-forma de natureza semelhante; sua Mente trilhará caminhos em harmonia com a verdade; e quando chegar o momento de criar seu próprio arquétipo para a vida futura, essa pessoa, pela força do hábito adquirido em sua vida terrestre anterior, estará pronta, e, intuitivamente, colocar-se-á com as forças da retidão e da verdade. Tais linhas, uma vez somadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos novos veículos e a saúde será a consequência natural em sua próxima vida. Por outro lado, aqueles que formaram uma visão distorcida das coisas em suas vidas anteriores, que desprezaram a verdade, exercitando a astúcia, o egoísmo exagerado e a desconsideração pelo bem-estar dos outros, se acham impelidos, no Segundo Céu, a ver também as coisas de modo oblíquo, já que este é o seu habitual modo de pensar. Consequentemente, o arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e de falsidade; e, consequentemente, ao renascer, vários órgãos de seu Corpo serão fracos, quando não todo o seu organismo.

Novamente advertimos aos leitores que não tirem conclusões apressadas destas regras experimentais. Não é nossa intenção insinuar que todo aquele que possua um Corpo aparentemente sadio tenha sido um exemplo de virtude em sua vida passada, nem que aquele que sofre alguma anomalia ou incapacidade física foi um crápula ou um inútil. Nenhum de nós está capacitado atualmente para dizer “a verdade completa e nada mais que a verdade”. Podemos nos enganar porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa aparenta ser mais estreita à distância, quando em realidade tem a mesma largura, tanto no lugar onde estamos colocados como a um quilômetro de distância. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando estão próximos do horizonte do que quando se encontram no zênite, porém, nós sabemos que, na realidade, não aumentam de tamanho ao descer no horizonte, nem diminuem chegar no zênite. Na verdade, estamos sempre retificando e corrigindo a ilusão de nossos sentidos e também em referência a muitas outras coisas do mundo. O que nos parece certo nem sempre o será, e o que hoje é verdade com respeito às condições da vida, poderá mudar amanhã. É impossível conhecermos a verdade final sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.

Somente quando entramos nos reinos superiores, especialmente na Região do Pensamento Concreto, é que nos apercebemos das verdades eternas; eis porque é natural que uma ou outra vez nos equivoquemos, apesar de nossos mais sinceros esforços em colocar-nos sempre em condições de conhecer e dizer só a verdade. Por tal razão, nos é impossível construir um veículo totalmente harmonioso. Se fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e nós sabemos que a imortalidade na carne não é o desígnio de Deus, pois segundo São Paulo: “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”[14].

Contudo, nós sabemos que, atualmente, apenas um número muito reduzido de pessoas está disposto a viver em harmonia com a verdade, a confessá-la e professá-la diante dos outros, por meio do serviço e de uma vida inofensiva e reta. Nós, também, entendemos que isso aconteceu com muito poucos ao retrocedermos na história, quando o ser humano não havia ainda desenvolvido o altruísmo iniciado em nosso Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus. Nesse tempo, os padrões de moralidade eram muito inferiores e o amor à verdade quase insignificante, para a maior parte da humanidade, a qual estava focada em acumular riquezas e adquirir tanto poder e prestígio quanto fosse possível. Eles desconsideravam os interesses dos demais e dizer uma mentira não parecia um ato censurável, pelo contrário, muitas vezes era admitida como meritória. Consequentemente, os arquétipos estavam cheios de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo atual estão prejudicadas em um grau bastante elevado, porque, particularmente, os Corpos ocidentais estão se tornando mais sensíveis à dor devido ao crescimento da consciência do espírito.

 

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO

 

A assimilação dos frutos de cada vida passada acontece antes que o espírito renasça e, consequentemente, o caráter gerado é totalmente formado e se expressa de imediato na sutil e móvel matéria mental da Região do Pensamento Concreto, onde o arquétipo do Corpo Denso é construído. Se o espírito que procura renascer é amante da música, tentará construir um ouvido perfeito, com os canais semicirculares devidamente situados e com o tímpano mais delgado e sensível à vibração; tentará construir dedos compridos e finos com os quais possa executar os acordes celestes captados por seus ouvidos. Se não aprecia a música, e, em sua vida anterior fechou os ouvidos aos acordes da alegria ou ao pranto da dor, e desejou se afastar da companhia dos demais, isto fará com que se esqueça de construir o arquétipo de seu ouvido e, como consequência, esse órgão será defeituoso em proporção ao grau de negligência exercida em sua existência anterior.

De maneira similar ocorre com os outros sentidos; aquele que bebe de uma fonte de conhecimento e se esforça em compartilhar seu saber com os que o rodeiam, estabelece as bases para adquirir a faculdade da oratória em sua vida futura, porque o desejo de comunicar seu conhecimento vai induzi-lo a prestar atenção especial à formação e fortalecimento de seu órgão vocal, quando estiver construindo o arquétipo de seu futuro corpo. Por outro lado, aqueles que se esforçam para ganhar acesso aos mistérios da vida por simples curiosidade ou para satisfazer o orgulho de seu próprio intelecto, deixam de construir o órgão adequado para sua expressão e ficam sujeitos a debilidades na voz ou a impedimentos da palavra. Deste modo, vem-lhes o reconhecimento de que a expressão é um bem valioso. Embora o cérebro de um indivíduo, assim afligido, não possa compreender a lição, o espírito aprende que somos considerados somente pelo uso que fazemos de nossos talentos e que devemos pagar a dívida, algum dia, em algum lugar, se descuidarmos de transmitir a palavra de Vida para iluminar nossos irmãos e irmãs no caminho, sempre que estivermos, pelo conhecimento, qualificados para isso.

Com respeito à cegueira ou distúrbios do órgão da visão, é de longa data que os investigadores sabem que é o efeito de extrema crueldade praticada em vidas passadas. Investigações recentes vieram demonstrar que muitas afecções dos olhos, agora comum entre os seres humanos, são devidas ao fato de que nossos olhos estão mudando; esses órgãos, de fato, estão se tornando mais sensíveis a uma oitava superior da visão, porque o Éter que rodeia a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade principalmente como o sul da Califórnia e outros certos lugares do mundo. É digno de nota saber que a Aurora Boreal está se tornando cada vez mais frequente e seus efeitos mais poderosos sobre a Terra. Nos primórdios da Era Cristã, esse fenômeno era quase desconhecido, mas, com o decorrer do tempo, com a onda de Cristo descendo para o interior da Terra durante uma parte do ano, infundindo mais e mais Sua própria vida na amortecida e pesada massa terrestre, os RAIOS ETÉRICOS VITAIS vão se tornando cada vez mais visíveis. Posteriormente, eles se tornaram mais e mais numerosos e, agora, já começam a interferir com as atividades elétricas, especialmente com o telégrafo que, por vezes, não funciona bem, devido a essas correntes de irradiação.

É, também, digno de se observar que tais distúrbios estão limitados aos fios que vão para leste e oeste. Se o leitor quiser recorrer ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”, no capítulo II – Os Quatro Reinos[15], poderá entender que existem raios ou linhas de força dos Espíritos-Grupo dos vegetais que irradiam em todas as direções desde o centro da Terra até a periferia e depois para fora, passando através das plantas ou árvores, subindo até suas copas.

Já as correntes de força dos Espíritos-Grupo animais, por outro lado, rodeiam a Terra. As correntes relativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo dos vegetais e os poderosos raios de força gerados pelo Espírito de Cristo, agora se tornando visíveis como a Aurora Boreal, têm sido até aqui quase da mesma natureza que a eletricidade estática, enquanto que as correntes, geradas pelos Espíritos-Grupo animais que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica que deu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Atualmente, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas dão inaugurará uma nova era, e os órgãos dos sentidos que o ser humano possui hoje deverão se adaptar à tal mudança. Em lugar dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem à retina a imagem refletida, o chamado “ponto cego” será sensibilizado e veremos através do olho diretamente sobre a própria imagem, em vez desta se refletir sobre a nossa retina. Assim, não somente veremos a superfície do objeto, como também seremos capazes de ver através dele, da mesma forma que fazem os que já têm cultivada a visão etérica.

À medida que o tempo passa e Cristo, com Seus benéficos ensinamentos, atrai cada vez mais e mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital da Terra mais luminoso, nós estaremos caminhando como se andássemos sobre um mar de luz e quando aprendermos a abandonar nossos modos egoístas e egotistas, por meio do constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo, também nós nos tornaremos luminosos. Então, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos será de utilidade alguma, assim é que está começando a mudar e estamos experimentando os incômodos inerentes a toda reconstrução. Com referência à Aurora e aos seus efeitos sobre nós, podemos dizer que estes raios são irradiados para todas as partes da Terra, a qual é o Corpo de Cristo, desde o centro a periferia, mas, nos pontos povoados do mundo, tais raios são absorvidos pela humanidade, da mesma forma que os raios dos Espíritos-Grupo dos vegetais são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interno”, que está lenta, mas seguramente impelindo a humanidade a adotar uma atitude altruísta. São os raios fecundantes que fertilizam a nossa alma e, algum dia, se manifestará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Quando todos estivermos perfeitamente impregnados por esses raios, a luz de Cristo começará a se irradiar de nós. Então, caminharemos na luz como Ele na Luz está, e seremos fraternais uns com os outros.

Para terminar estas lições, diremos algumas palavras sobre o destino coletivo:

Além do destino individual gerado por nós mesmos em cada vida, existe também um destino coletivo, ao qual estamos sujeitos por sermos membros de uma comunidade ou nação. É bem sabido que as comunidades, algumas vezes, atuam como um todo, tanto para o bem como para o mal, e é compreensível que estas ações coletivas tenham também um efeito coletivo em vidas futuras sobre os membros de tais comunidades ou nações que tomaram parte nelas. Observou-se que, quando tais atos são maus, a dívida assim contraída é geralmente liquidada no curso dos chamados acidentes de grandes proporções. Também já se explicou que não existem acidentes, salvo nos casos em que o ser humano, que tem prerrogativa divina de iniciar causas novas, intervenha na vida de outros, produzindo mudanças em suas condições, ou quando, por negligência, tira a vida de um semelhante. Isso sim, em muitos casos, constitui um acidente. Porém, os grandes cataclismos como os que presenciamos na Sicília, o terremoto em São Francisco, a Grande Guerra Europeia, etc. não são acidentes, mas atos causais da comunidade envolvida ou o resultado de tais atos em vidas anteriores. Conhecendo a lei de mortalidade infantil, podemos compreender por que centenas de milhares de pessoas, vítimas da Grande Guerra, ao passarem dos campos de batalha para o além, não puderam gravar o panorama da vida que findou e, por isso, precisam morrer durante a infância na próxima existência, e como poderá acontecer esta espantosa mortalidade de crianças no futuro, senão por meio de alguma epidemia ou algum cataclismo? Baseados em tal hipótese, podemos ver no terremoto da Sicília, na destruição de São Francisco, na “epidemia” de fome da Irlanda e da Índia e em outras catástrofes nacionais similares a ação do destino vinda do passado, trazendo, à cada nação, os frutos de suas vidas ações passadas, como uma comunidade.

O que foi dito é simplesmente uma indicação de como se faz e desfaz o destino. Por favor, lembremos que as poucas centenas de casos examinados não podem dar base adequada para um ponto de vista geral da ação da Lei, e o Estudante está exposto a encontrar incongruências em casos individuais acerca do que foi dito. Algumas questões indubitavelmente se apresentarão em relação a esse, àquele ou a outro caso específico, e enquanto é relativamente fácil investigar casos individuais e especificar que causas em uma vida produziram certos efeitos em outra vida da mesma pessoa, é diferente quando procuramos estabelecer uma lei geral, como vimos tentando fazer nessa obra. Para desempenhar essa missão de forma perfeita, são necessários conhecimentos e sabedoria super-humanos, e o presente esforço pode talvez ser considerado um caso de ímpeto tolo, onde até os Anjos teriam medo de pôr as mãos. Pessoalmente, o autor conquistou mais conhecimentos do que tem sido capaz de comunicar e confia que estas revelações possam servir de alguma utilidade ao Estudante, no que se refere ao grande mistério da vida.

Que esses estudos na “Teia do Destino” possam suscitar em cada Estudante um intenso desejo de viver, dia após dia, de modo a contribuir para que haja mais paz na Terra e boa vontade entre os seres humanos.

 

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO

 

Aqueles que estão familiarizados com o estudo deste assunto, conhecem os desastrosos efeitos que um sentimento agudo de medo ou de ansiedade que produz sobre o Corpo físico. Sabemos como essas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo, na eliminação dos detritos e, em suma, transtornam todo o sistema, com o resultado que, em alguns casos, a pessoa se vê forçada a ficar de cama por maior ou menor espaço de tempo, conforme a importância da crise e do poder de resistência de sua constituição. Contudo, existe um efeito oculto que pode ser tão sério ou até pior, e que geralmente não é compreendido, e, portanto, pode ser um benefício considerável estudar o efeito oculto do equilíbrio e da paixão, da ira e do amor, do pessimismo e otimismo.

Do estudo do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, aprendemos que nosso Corpo de Desejos foi gerado no Período Lunar. Se você deseja obter uma imagem mental do modo que as coisas se pareciam, veja a figura do feto, como mostrado em qualquer livro de anatomia. Nele há três partes principais: a placenta, que está cheia do sangue da mãe; o cordão umbilical, que conduz esta corrente vital, e o feto, que é nutrido, desde o estado embrionário até o amadurecimento, por aquela corrente. Imagine, agora, naqueles tempos idos, o firmamento com uma imensa placenta da qual pendiam bilhões de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Por toda a família humana, então em formação, circulava a única essência universal do desejo e da emoção, gerando em todos, os impulsos necessários para a ação, que agora se manifesta em todas as fases do trabalho do mundo. Estes cordões umbilicais e apêndices fetais eram moldados de uma úmida substância de desejos pelas emoções dos Anjos Lunares, enquanto as correntes ígneas de desejos que se esforçavam em animar a vida latente da humanidade, então em formação, eram geradas pelos ígneos e marcianos Espíritos Lucíferos. A cor da primeira e lenta vibração que eles puseram em movimento, naquela matéria emocional de desejos, foi o vermelho.

Enquanto aquela coloração de movimento (pois assim é realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que, sem pausa e sem paz, impulsiona os seres humanos) se achava circulando em nosso interior, o Planeta em que nós habitávamos também circundava um sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância que compõe nosso atual universo solar, e nós, por sua vez, circundávamos o globo sobre o qual morávamos, da luz às trevas, do calor ao frio. Deste modo, éramos trabalhados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa consciência adormecida. E houve uma resposta, pois, ainda que nenhum dos espíritos parcialmente separados, habitando uma bolsa fetal individual, pudessem sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de bilhões de espíritos semelhantes eram sentidas como um som do universo, um grito cósmico – a primeira nota da harmonia das esferas – tocada em uma única corda. Entretanto, foi bastante expressiva e adequada aos impulsos latentes e às aspirações da incipiente raça humana daqueles dias distantes.

Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído; o ígneo e marciano substrato de paixão e as bases aquosas lunares da emoção se tornaram capazes de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções vêm mudando a matéria móvel de desejos em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, corredeiras e vórtices que parecem uma torrente no momento em que essa se acha na maior agitação – sendo muito raro ficarem num descanso relativo. Essa matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, foi respondendo a cada uma das sete vibrações astrais emanadas do Sol, de Vênus, de Mercúrio, da Lua, de Saturno, de Júpiter e Marte. Durante aquele tempo, cada Corpo de Desejos individual tem sido tecido sob um único modelo e, como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre o tear do destino, este modelo está sendo aumentado, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tecelão realiza seu trabalho no avesso do tapete, estamos também tecendo o desenho supremo, sem compreender realmente e sem ver a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto a nós o lado oculto da natureza.

Porém, para que possamos compreender melhor, tomemos alguns destes emaranhados fios de paixão e emoção para vermos o efeito que têm neste modelo que Deus, o Mestre Fiandeiro, deseja que teçamos.

Os mitos antigos sempre espalham um brilho luminoso sobre os problemas da alma e nós podemos, com proveito, levar em consideração certa parte da lenda maçônica. Os maçons são uma sociedade de construtores, “tektons” em grego – a mesma sociedade a que pertenciam José e Jesus, pois a eles a Bíblia grega chamava de “tektons” – construtores – e não carpinteiros, segundo a versão ortodoxa. Os maçons, sob Salomão, foram os construtores deste templo místico projetado por Deus, o Grande Archetekton ou Mestre Construtor, construído sem ruído de martelo, a respeito do qual o personagem Manson fala na maravilhosa peça “O Servente da Casa”[16]. Este nos diz que “o templo não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma coisa vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado, isto é, se você tem ouvidos; se você tem olhos, poderá agora ver o próprio templo, um mistério de formas e sombras indistintas, projetando-se verticalmente do solo à cúpula. Ele está ainda sendo construído e reconstruído; às vezes, a obra segue sob escuridão profunda, outras vezes, sob luz ofuscante”. Todo verdadeiro maçom sabe o que significa esse templo e se esforça por construí-lo. A antiga lenda maçônica nos conta que quando Hiram Abiff, o mestre de obras encarregado da construção do templo de Salomão, um edifício de Deus construído sem ruído de martelo, estava terminando os preparativos para executar sua obra mestra, o “mar fundido”, ele reuniu material de todos os recantos da Terra, pondo-os em um forno ardente, porque era um descendente de Caim, um filho do fogo, o qual, por sua vez, era um filho de Lúcifer, o espírito do fogo. Hiram se propunha a fazer uma liga de metais de claridade cristalina, capaz de refletir toda a sabedoria do mundo. Porém, segundo diz a história, houve entre os trabalhadores alguns traidores – espiões do Filhos de Seth – os quais, por meio de Adão e Eva, eram descendentes do Deus lunar Jeová, que tinha afinidade pela água e odiava o fogo. Esses traidores jogaram água na matriz no qual o mar fundido, a Pedra Filosofal, ia ser moldado. No momento do encontro do fogo com a água se produziu uma grande explosão. Hiram Abiff, o mestre de obras, sendo incapaz de harmonizar os elementos em luta, assistiu com indescritível aflição a erupção destruidora de sua obra mestra. Enquanto se achava observando a luta dos espíritos da água e do fogo, Tubal Caim, seu antecessor, apareceu e o convidou a se atirar na massa fervente. Foi, então, levado ao centro da Terra, onde encontrou seu primeiro antecessor, Caim, que lhe deu uma palavra nova e um novo martelo que o tornariam capaz, uma vez que se tornasse proficiente no seu uso, de misturar os elementos antagônicos e extrair deles a Pedra Filosofal, a mais alta aquisição humana possível.

Há nessa história simbólica mais sabedoria do que a que podemos obter em livros que dizem respeito ao desenvolvimento da alma humana. Se o Estudante ler nas entrelinhas e meditar sobre as diversas expressões simbólicas, ganhará muito mais do que podemos dizer, uma vez que a verdadeira sabedoria é gerada interiormente e a missão dos livros é apenas dar um indício.

Desde aqueles dias distantes, os Anjos lunares se encarregaram, principalmente, do aquoso e úmido Corpo Vital, composto dos quatro Éteres e que se relaciona com a propagação e nutrição das espécies, enquanto os Espíritos de Lúcifer se encarregaram, especialmente, do seco e ígneo veículo de desejos. A função do Corpo Vital é a de construir e manter o Corpo Denso, enquanto que a do Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Assim, há uma guerra constante entre os Corpos de Desejos e Vital, e é essa guerra no céu que produz a nossa consciência física na Terra. Durante inumeráveis vidas temos atuado em todos os tipos de climas e de lugares e, de cada vida, extraímos certa quantidade de experiência, reunida e armazenada como força vibratória nos Átomos-sementes de nossos diversos veículos. Por conseguinte, cada um de nós é um construtor, construindo o templo do espírito imortal sem ruído de martelo; cada um de nós é um Hiram Abiff reunindo material para o desenvolvimento da alma e jogando-o no forno da experiência de nossa própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo. Devagar, mas seguramente bem feito, todo o material está sendo expurgado em cada existência purgatorial e a quintessência do crescimento da alma está sendo extraída através de muitas vidas. Dessa maneira, cada um de nós está se preparando para a Iniciação – nos preparando, quer o saibamos ou não, a aprender a amalgamar as paixões do fogo com as mais suaves e gentis emoções. O novo martelo, com o qual o mestre trabalhador dirige seus subordinados, é agora uma cruz de sofrimento e a nova palavra é o autocontrole.

 

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO

 

Vejamos agora como o Corpo de Desejos se modifica sob a ação de variados sentimentos, desejos, paixões e emoções, para que possamos aprender a construir, sabiamente e bem, o templo místico que vamos habitar.

Ao estudarmos uma das ciências físicas, seja anatomia ou arquitetura, que tratam de coisas tangíveis, nossa tarefa é facilitada pelo fato de termos palavras com que descrever as coisas de que tratamos, mas ainda assim, o quadro mental que envolve o significado de uma palavra é diferente para cada indivíduo. Ao falar de uma “ponte”, alguém pode mentalizar uma ponte construída em ferro no valor de um milhão de dólares e outra pessoa pensará numa simples prancha atravessando um córrego. A dificuldade que sentimos em produzir impressões adequadas do que queremos dizer, aumenta logo que tentamos exprimir ideias referentes às forças intangíveis da natureza, tal como a eletricidade. Medimos a intensidade da corrente em volts, o volume em ampères e a resistência dos condutores em ohms, porém, na realidade, tais termos servem somente para encobrir a nossa ignorância sobre a matéria. Todos sabemos o que é um quilo de café, porém, os maiores cientistas do mundo não têm uma concepção mais acurada do que sejam os volts, ampères e ohms – sobre os quais tão sabiamente discorrem – do que a de um Estudante de uma escola que escuta esses termos pela primeira vez.

Não nos surpreendemos quando os assuntos suprafísicos são frequentemente descritos em termos vagos e desorientadores, pois não possuímos palavras, em qualquer linguagem física, para descrever claramente esses assuntos, e temos de confessar a nossa impotência e perplexidade por não encontrarmos termos adequados para expressar-nos a respeito deles. Se fosse possível projetar sobre uma tela cinematográfica, os quadros em cores do Corpo de Desejos e mostrar como esse incansável veículo muda de contorno e de cor conforme as emoções, nem assim seria compreensível para aquele que não é capaz de ver essas coisas por si mesmo. Isso porque os veículos de qualquer ser humano diferem dos demais na medida em que respondem a certas emoções. Aquilo que induz alguém a sentir um intenso amor, ódio, raiva, medo ou qualquer outra emoção, pode deixar um outro absolutamente insensível.

Inúmeras vezes, o autor observou as multidões para estabelecer comparações a este respeito, e encontrou sempre algo surpreendentemente novo e diferente do que havia observado antes. Certa ocasião, um demagogo se esforçava em incitar um sindicato de trabalhadores à greve; ele mesmo se achava vivamente exaltado e, ainda que a cor básica laranja escuro fosse perceptível naquele momento, estava quase obscurecida por uma cor escarlate de matiz mais brilhante e o contorno de seu Corpo de Desejos era quase como o de um porco-espinho com as pontas eriçadas. Existia um potente elemento de oposição naquela reunião e, à medida que falava, podia-se distinguir claramente as duas facções pelas cores de suas respectivas auras. Um grupo de homens mostrava o escarlate da raiva, porém, no outro grupo, esta cor estava mesclada com o cinza, a cor do medo. Era também digno de nota o fato de que, ainda que os homens da cor cinza estivessem em maioria, os outros eram ressaltados, porque cada medroso se acreditava sozinho ou pelo menos com poucos defensores e, por conseguinte, temia defender sua própria opinião. Se alguém que pudesse perceber esta condição estivesse presente, e tivesse se dirigido a cada um que manifestava em sua aura os sinais de dissensão, e assegurado que eles eram a maioria, o curso das coisas caminharia em direção oposta. Muitas vezes isso acontece nos assuntos humanos, já que, atualmente, a maioria das pessoas é incapaz de ver além da superfície do corpo físico e, desta maneira, perceber a verdadeira condição de pensamentos e de sentimentos dos demais.

Noutra ocasião, o autor foi a uma reunião de revivificação, onde milhares de espectadores estavam presentes para ouvir um orador de reputação nacional. No princípio da reunião era evidente, pelo estado das auras das pessoas, que a maior parte delas tinha vindo com o único propósito de passar alguns momentos agradáveis e ver algo divertido. Os pensamentos, sentimentos e emoções da vida comum de cada um eram plenamente visíveis, se bem que, em alguns, a cor azul escuro revelasse uma atitude de preocupação; era como se tivessem sofrido alguma desilusão na vida e estivessem muito apreensivos. Ao aparecer o orador, deu-se um curioso fenômeno: sabemos que os Corpos de Desejos estão usualmente num estado de movimento constante, porém, naquele momento, toda aquela vasta audiência reteve a respiração em atitude de expectativa, e as cores variadas dos Corpos de Desejos individuais cessaram, e uma cor básica, laranja, foi perfeitamente perceptível, por alguns momentos; logo depois, cada um voltou às suas atividades emocionais anteriores, enquanto o prelúdio estava sendo tocado. Em seguida, começou o cântico de hinos e esse fato revelou o valor e o efeito da música, pois todos se uniram, cantando as mesmas palavras e no mesmo tom, e pareciam ser envolvidos pelas mesmas vibrações rítmicas em seus Corpos de Desejos, tornando-os, momentaneamente, quase um ser único. Um bom número deles estava sentado em atitude céptica, se recusando a cantar e a se unir aos demais. À visão espiritual pareciam como homens de aço, vestindo uma armadura daquela cor, e, de cada um deles, sem exceção, desprendia-se uma vibração que expressava mais do que poderiam dizer por palavras: “Deixem-me em paz, vocês não me comoverão”. Algo interior os havia arrastado até ali, porém sentiam-se mortalmente amedrontados de entregar-se e, por conseguinte, toda a sua aura expressava a cor acinzentada do medo, que é uma armadura da alma contra interferências externas.

Terminado o primeiro canto, a unidade de cor e a vibração desapareceram quase imediatamente e cada um revestiu-se de sua atmosfera habitual de pensamentos e, se nada mais tivesse sido feito, cada pessoa teria voltado à sua vida interior habitual. Porém, o evangelista, ainda que incapaz de ver isso, por experiência sabia que seu auditório ainda não estava preparado, e, por conseguinte, uma sucessão de cânticos se elevaram com acompanhamento de palmas, bater tambores e gesticulações do líder, ajudado por um coral treinado. Isso reuniu outra vez as almas dispersas em um laço de harmonia; gradualmente, as pessoas foram dominadas pelo fervor religioso e se estabeleceu a unidade necessária para o trabalho seguinte. Pela música, pelas palmas do regente e pelo apelo dos cânticos, aquela vasta audiência se havia transformado em uma só. Os homens de aço, os céticos de tom cinzento, que se acreditavam demasiado sábios para serem enganados (quando, em realidade, sua emoção era realmente medo) eram agora uma parte insignificante naquela vasta congregação. Todos os outros estavam afinados, da mesma forma que as diversas cordas de um grande instrumento, e o evangelista que se erguia diante deles era um soberbo artista tocando com as emoções. Incitava-os do riso às lágrimas, do pesar à vergonha. Grandes ondas de cores correspondentes pareciam cobrir toda a assistência em um quadro magnífico e assombroso. Vieram, a seguir, as invocações de costume: “Levantai para receber Jesus”; a solicitação para os “que se lamentam”, etc., e cada um desses chamados extraía de toda a audiência uma resposta emocional determinada, mostrada plenamente nas cores dourada e azul. Seguiram-se mais cânticos, mais palmas e gesticulações que, momentaneamente, trouxeram a unidade e deram àquela assembleia uma experiência parecida com o sentimento de fraternidade universal e a realidade da Paternidade de Deus. As únicas pessoas sobre quem a música não surtiu efeito foram os indivíduos revestidos da armadura azul de aço do medo. Esta cor parece ser impenetrável a qualquer emoção e, ainda que o sentimento experimentado pela grande maioria fosse relativamente fugaz, as pessoas se beneficiaram com a revivificação, excetuando aqueles homens de aço.

Pelo que o autor pôde aprender, a sensação interna do medo de se render à emoção – o medo é saturnino em seus efeitos e irmão gêmeo da preocupação – parece exigir um choque, o qual afastará de seu ambiente aquela pessoa que o experimentar e o transportará para um novo lugar, em novas condições, antes que as antigas condições possam ser dominadas.

A preocupação é uma condição na qual as correntes de desejos não circulam em grandes linhas curvas em alguma parte do Corpo de Desejos, porque o veículo está cheio de redemoinhos – só redemoinhos, em casos extremos. A pessoa assim afetada não se esforça por atuar em coisa alguma; vê calamidades onde não existem e, em vez de gerar correntes que a levem à ação para evitar o que lhe produz medo, alimenta pensamentos inquietantes que produzem um redemoinho em seu Corpo de Desejos e, em consequência, ela nada faz. Essa condição de preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparada à água que está próxima do congelamento sob uma temperatura baixa; o medo, que se expressa como ceticismo, cinismo e pessimismo, pode ser comparado a esta mesma água quando já congelada, porque o Corpo de Desejos dessas pessoas está quase sem movimento e nada do que se possa dizer ou fazer terá poder de alterar essa condição. Para usar uma expressão comum que traduz exatamente essa condição, diremos que estão “presos em uma concha” e essa concha saturnina deverá ser rompida antes que se possa chegar a esses indivíduos e ajudá-los em seu deplorável estado.

Essas emoções saturninas de medo e de preocupação são comumente causadas pela apreensão dos que sofrem dificuldades econômicas ou sociais. “Talvez tenha prejuízo nesse investimento que acabo de fazer, pois pode baixar a cotação ou até desvalorizar-se totalmente; posso perder meu emprego e me encontrar subitamente na miséria; tudo o que empreendo parece dar errado; meus vizinhos falam mal de mim e tratam de prejudicar minha posição social; meu marido (ou esposa) não se preocupa mais comigo; meus filhos se mostram displicentes comigo”; e uma centenas de outras sugestões parecidas se apresentam sempre à sua Mente. Ele deveria se lembrar que, cada vez que um desses pensamentos é gerado e introduzido em seu interior, estará ajudando a congelar as correntes de seu Corpo de Desejos e a construir ao seu redor, uma concha de aço de cor azul em que pessoa, que habitualmente alimenta o medo e a preocupação, se encontrará, algum dia, encerrada e isolada do amor, da simpatia e da ajuda de todos. Por conseguinte, devemos nos esforçar por ser alegres, ainda que em circunstâncias adversas, a menos que queiramos correr o risco de permanecer em tristes condições aqui e na vida futura.

“É muito fácil estar contente

Quando a vida flui como uma canção,

Mas o ser humano digno e valente

É aquele que sorri,

Quando tudo é provação”[17].

 

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES

No início da Grande Guerra[18] as emoções na Europa foram se tornando horríveis, primeiro entre os chamados “vivos” e depois entre os que foram mortos – quando despertavam. Esse despertar levava muito tempo devido às detonações dos grandes canhões e, conforme a Guerra corria, mais tempo ainda. Toda a atmosfera dos países envolvidos fervia em correntes de ira e ódio, igual a uma nuvem vermelha-escura que pairasse sobre os seres humanos e sobre a região. Depois, apareceram faixas negras semelhantes a mortalhas, que parecem se gerar sempre em crises de desastres súbitos, quando a razão não trabalha e o desespero domina o coração. Isso, sem dúvida, ocorreu quando os povos envolvidos perceberam que aquela catástrofe era de tal magnitude, que eles não eram capazes de compreender o que estava acontecendo. Os Corpos de Desejos da maioria giravam em alta velocidade, em grandes ondas de pulsações rítmicas que falavam mais alto do que as palavras: “Matar, matar, matar”. Quando dois ou três indivíduos ou uma multidão se encontravam e começavam a discutir sobre a guerra, as pulsações rítmicas, indicando o firme propósito de agir e desafiar, cessavam e os pensamentos e sensações de excitação gerados pela discussão ou conversa tomavam a forma de projeções cônicas, que rapidamente cresciam a uma altura de quinze a vinte centímetros, então, estouravam e emitiam uma língua de fogo. Alguns indivíduos geravam grande número dessas estruturas vulcânicas de uma só vez, outros geravam uma ou duas ao mesmo tempo. Enquanto prosseguia a discussão e quando uma dessas bolhas estourava, aparecia outra em alguma parte do Corpo de Desejos, e as chamas que delas emergiam iam colorir de escarlate a nuvem sobre a região entorno. Quando uma multidão se desagregava ou os amigos se separavam, depois de uma discussão, o borbulhar e as erupções diminuíam e se tornavam menos frequentes, cessando, finalmente, para dar lugar de novo às grandes pulsações rítmicas acima mencionadas.

Essas condições são agora muito raras, se é que são vistas ainda; a ira explosiva para com o inimigo, conforme foi demonstrado, já é uma coisa do passado, pelo menos no que concerne à grande maioria. A cor alaranjada básica da aura dos povos ocidentais é novamente visível, e tanto os oficiais como os seres humanos parecem que se fixaram na guerra como se fosse um jogo; cada um anseia superar o outro e excedê-lo em astúcia. A guerra não é mais do que um canal para a sua habilidade; porém, alguns dos Irmãos Leigos da Ordem Rosacruz creem que a condição de ira voltará a aparecer em uma forma modificada, quando cessarem as hostilidades ativas e começarem as negociações de paz.

A esta forma de emoção podemos chamar de ira abstrata e difere amplamente do que se observa no caso de duas pessoas que se enraivecem entre si, na vida privada, quer comecem a brigar fisicamente ou não. Vistas do lado oculto da natureza, há hostilidades antes que os golpes sejam desferidos. Formas de desejos, em formatos de adagas pontudas, se projetam umas contra as outras como lanças, até que a fúria que as gerou se esgote. Nos casos de ira envolvendo o patriotismo não existem um inimigo pessoal e, por conseguinte, as formas de desejos são mais bruscas e explodem sem abandonar o indivíduo que as gerou.

Os “homens de aço”, tão comuns na vida privada, onde a preocupação por mil e uma coisas, que nunca ocorrem, cristalizam uma armadura ao seu redor, permitindo que o velho Saturno os aprisione, estavam e estão totalmente ausentes. No entanto, o autor crê na hipótese de que a tensão de seu meio-ambiente os forçou a se alistarem e o choque deve ter rompido a concha; então, a familiaridade com o perigo chegou a agradá-los. É certo que essas pessoas se beneficiaram grandemente com a guerra, pois nenhum estado é tão obstrutor para o desenvolvimento da alma do que o medo e a preocupação constante. É um fato igualmente notável que, embora os seres humanos arrastados pela guerra sofram pavorosas privações, a maior parte deles está cultivando um matiz azul celeste pálido que significa esperança, otimismo e um nascente sentimento religioso, dando um toque altruísta ao caráter. Isso vem indicar que aquele sentimento de fraternidade universal, que não reconhece distinção de credo, cor ou nação, está crescendo no coração humano.

No começo da guerra, os Corpos de Desejos dos combatentes giravam a uma espantosa velocidade, e se notava que, enquanto as pessoas que morriam por enfermidade, velhice ou acidentes comuns recobravam sua consciência em curto lapso de tempo, variando de poucos minutos a alguns dias, os mortos na guerra permaneciam na inconsciência por várias semanas e, ainda que pareça estranho, os que foram estraçalhados despertavam muito mais depressa do que os milhares que sofreram somente ferimentos insignificantes. Esse enigma não foi decifrado por muitos meses. Antes de estudarmos as causas que motivavam esse fenômeno, devemos nos recordar que nos primeiros tempos de guerra, quando as pessoas que morriam cheias de ira e despertavam no Mundo invisível, queriam reiniciar suas pelejas com o inimigo, e até que o grande trabalho educativo iniciado pelos Irmãos Maiores e seus Auxiliares Invisíveis produzisse frutos, essas pessoas peregrinavam errantes pelo espaço com seus corpos mutilados e cheios de amargura, sentindo a falta dos seres queridos deixados para trás. Agora, tais acontecimentos são extremamente raros e prontamente solucionados, pois todos aprenderam que o pensamento criará um novo braço, membro ou rosto; o ódio patriótico desapareceu e os “inimigos” que sabem falar a língua do outro, frequentemente, se confraternizam, com proveito para ambos. A nuvem vermelha de ódio está desaparecendo, o véu negro do desespero acabou; não há explosões vulcânicas de paixão, nem nos vivos nem nos mortos, e, até onde o autor pôde ler os sinais dos tempos na aura das nações, existe um propósito determinado por fim a esse jogo. Mesmo nos lares despojados de vários membros, isso parece ser aceito. Existe uma saudade profunda pelos amigos que foram para o além, mas não há ódio pelos inimigos terrenos. Essa saudade é compartilhada pelos amigos invisíveis, e muitos estão atravessando o véu, pois a intensidade de sua saudade desperta no “morto” o poder de se manifestar, atraindo uma quantidade de Éter e gás que, frequentemente, é extraída do Corpo Vital de um amigo “sensitivo”, da mesma maneira que os espíritos materializantes usam o Corpo Vital de um médium em transe. Deste modo, os olhos cegos pelas lágrimas são, muitas vezes, abertos por um coração saudoso, de maneira que os seres queridos, agora no Mundo espiritual, são vistos novamente face a face, coração a coração. Este é um método da natureza para cultivar o sexto sentido que, futuramente, capacitará todos a saber que o ser humano é um espírito imortal e que a continuidade da vida é um fato na natureza.

Para compreender a lentidão com que os mortos durante a guerra recobravam a consciência no Mundo espiritual, devemos antes de tudo empreender um estudo mais apurado dos quatro Éteres, como descrito no “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

Os átomos dos Éteres Químico e de Vida, reunidos em torno do núcleo do Átomo-semente[19], situado no plexo solar, têm a forma de prismas. Todos estão situados de tal maneira que, quando a energia solar penetra em nosso Corpo, através do baço, o raio refratado é vermelho. Essa é a cor do aspecto criador da Trindade, chamado Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital que vem do Sol e que penetra no corpo humano por meio do baço, toma a cor rosa pálida, frequentemente notado pelos videntes, quando o fluído corre ao longo dos nervos, como a eletricidade corre pelos fios de um sistema elétrico. Assim carregados, os Éteres Químico e de Vida são as avenidas da assimilação, que preservam o indivíduo, e da fecundação, que perpetuam a raça.

Durante a vida, cada átomo vital prismático penetra em um átomo físico e o faz vibrar. Para se ter uma ideia dessa combinação, imaginemos um cesto de arame em forma de pera, cujas paredes de arame torcido em espiral correm obliquamente de polo a polo. Esse é o átomo físico; sua forma é aproximadamente a da nossa Terra; e o átomo vital prismático se introduz por cima, o qual é a parte mais larga e corresponde ao polo norte da Terra. Desta maneira, a ponta do prisma penetra no átomo físico pelo seu ponto mais estreito, que corresponde ao polo Sul de nossa Terra, e o todo se parece a um pião girando, balançando e vibrando. Desse modo, nosso Corpo adquire vida e é capaz de se movimentar (É conveniente notar que nossa Terra é, de modo semelhante, permeada por um corpo cósmico de Éter, e que aquelas manifestações a que chamamos Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéricas circundando a Terra, do polo ao Equador, como fazem as correntes dos átomos físicos).

Os Éteres de Luz e Refletor são avenidas de consciência e de memória. São um pouco atenuados nos indivíduos comuns e ainda não tomaram uma forma definida; interpenetram o átomo como o ar interpenetra uma esponja, e formam uma ligeira atmosfera áurica no exterior de cada átomo.

Com a morte acontece uma separação; o Átomo-semente[20] se retira do ápice do coração ao longo do nervo saturnino pneumogástrico, através dos ventrículos, saindo pelo crânio (Gólgota). Todos átomos do Corpo Vital ficam libertos da cruz do Corpo Denso, pelo mesmo movimento em espiral que desprende cada átomo prismático de Éter do seu envoltório físico.

Esse processo se verifica com maior ou menor violência, conforme a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade declinou lentamente, pode dormir e, ao despertar se achar do outro lado do véu sem a menor consciência de como ocorreu a mudança; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela oração e meditação para ingressar no além, poderá se desligar facilmente; aqueles que morrem de frio encontram o que o autor acredita ser a mais fácil das mortes por acidente, seguindo-se à do afogado.

Porém, quando um indivíduo é jovem e saudável, especialmente se inclinado ao ateísmo e irreligiosidade, o átomo etérico prismático se acha tão estreitamente envolvido pelo átomo físico, que requer um puxão considerável para se separar do Corpo Vital. Quando a separação do Corpo físico dos veículos superiores foi efetuada e o indivíduo morre, como dissemos, os Éteres de Luz e Refletor são separados dos átomos prismáticos. É essa matéria, como se descreve no “Conceito”, que molda as imagens da vida passada e as grava no Corpo de Desejos, o qual, então, começa a sentir tudo que havia de dor ou prazer na vida. A parte do Corpo Vital composta de átomos prismáticos dos Éteres Químico e de Vida retorna ao Corpo físico, flutuando sobre a sepultura e se desintegrando sincronicamente com ele.

Agora chegamos ao âmago da nossa explanação. O Éter é matéria física e enquanto os que morreram por armas menores em combates de menor importância podem, algumas vezes, serem vistos perambulando, aturdidos, mas conscientes, as aterradoras detonações dos grandes canhões, tão extensamente usados, têm o efeito de transformar inteiramente os átomos etéricos prismáticos e destroçar (não esparramar) o invólucro áurico dos Éteres de Luz e Refletor, que são a base do sentido da percepção e da memória. Até que isto seja explicado dentro da sua relatividade original, o ser humano permanece aturdido, numa condição comatosa que perdura, muitas vezes, por semanas. Sob tais condições, essa matéria sutil etérica não pode ser utilizada para a formação das imagens da vida passada – em sua grande parte está congelada.

 

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE

 

Quando o Ego caminha para o renascimento através da Região do Pensamento Concreto, do Mundo do Desejo e da Região Etérica, toma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, baseado no princípio de que o “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade depende do volume da matéria necessária pelo arquétipo construído por nós mesmos no Segundo Céu. Os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica utilizando a quantidade de átomos etéricos prismáticos apropriados por um determinado espírito, que, então, é colocada no útero da mãe e, gradualmente, envolvida de matéria física, formando o Corpo visível da criança recém-nascida.

Somente uma pequena porção de Éter apropriado para um determinado Ego é assim utilizada, e o restante do Corpo Vital da criança, ou melhor dizendo, o material com o qual este veículo será posteriormente feito, fica fora do Corpo Denso. Por esta razão, o Corpo Vital de uma criança sobressai da periferia do Corpo Denso muito mais do que o do adulto. Durante o período do crescimento, essa reserva de átomos etéricos é aplicada para vitalizar os acréscimos dentro do Corpo, até que, quando for atingida a idade adulta, o Corpo Vital sobressai somente 2,5 a 4 centímetros da periferia do Corpo Denso.

A ciência física confirmou que os átomos em nosso Corpo Denso estão mudando constantemente, de maneira que todo o material que compõe nosso veículo no presente desaparecerá dentro de poucos anos; contudo, é um fato conhecido que as cicatrizes e outras manchas de nascença se mantêm da infância à velhice. A razão disso é que os átomos etéricos prismáticos, que compõem nosso Corpo Vital, permanecem imutáveis do berço ao túmulo. Estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos etéricos prismáticos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos nunca chegam às mãos, às pernas ou a qualquer outra parte do Corpo, pois permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados a princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica numa impressão idêntica nos átomos etéricos prismáticos. A nova matéria física, modelada sobre eles, continua a tomar forma e textura semelhantes à que possuíam originalmente.

As observações precedentes se aplicam somente aos átomos etéricos prismáticos, que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico, pelo fato de adotarem uma certa forma definida que eles preservam. Além disso, cada ser humano nesse estado de evolução possui também determinada quantidade de Éteres de Luz e Refletor, que são os veículos dos sentidos da percepção e da memória, mesclados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases de nosso Mundo Físico; talvez a melhor descrição que podemos fazer do Éter Refletor é lhe dar o nome de hiper-etérico. É uma substância vazia, de cor azulada, semelhante em aparência ao núcleo azul de uma chama de gás. Parece transparente, como se revelasse tudo o que contém dentro dele, entretanto, esconde todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele está contido um registro da Memória da Natureza. Os Éteres de Luz e Refletor são de natureza exatamente opostas aos estacionários átomos etéricos prismáticos. São voláteis e migratórios. Uma pessoa pode possuir pouco ou muito desse material, no entanto, ele constituirá sempre um fator de crescimento, como resultado de suas experiências na vida. Dentro do Corpo se mistura com a corrente sanguínea e, à medida que cresce por meio do serviço e do sacrifício da pessoa na escola da vida, e já não pode quase ser contido no Corpo, é visto do lado de fora como um Corpo-Alma azul e dourado. O azul revela o tipo mais elevado de espiritualidade e, por conseguinte, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul de uma chama de gás, enquanto que a matiz dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo da chama de gás. A cor azul não aparece no exterior do Corpo Denso, salvo nos casos dos maiores santos – somente o amarelo é geralmente observado nele. Com a morte essa parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o panorama da vida que ela contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida se imprime, então, no Átomo-semente como consciência ou virtude, que nos levará a evitar o mal e a fazer o bem na próxima vida terrestre. É assim que se altera a qualidade do Átomo-semente de uma vida a outra. A quintessência do bem, extraída da parte migratória do Corpo Vital numa vida, determina a qualidade dos átomos etéricos prismáticos estacionários na próxima vida terrestre. O mais elevado em uma vida será o mais baixo na seguinte e, assim, gradualmente, nós nos elevamos pela escada da evolução até a divindade.

Do que foi dito, se torna evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais deveriam saber que durante os sete primeiros anos da infância, quando esse veículo está sendo gestado, é que as crianças adquirem um hábito atrás do outro. A repetição é a nota-chave do Corpo Vital, assim como os hábitos dependem dessa repetição. Isto é diferente em relação ao Corpo de Desejos, pois ele é o veículo dos sentimentos e das emoções que estão variando constantemente; mesmo que se diga que o Éter que forma nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento comparado com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos até afirmar que o Éter se move como um caracol, comparado com a luz.

O que dissemos anteriormente pode ser assim resumido:

  • A matéria de desejos se move com rapidez inconcebível, comparável somente com a luz.
  • Os dois Éteres superiores viajam também com grande velocidade, embora mais lentamente do que a matéria de desejos.
  • Os átomos etéricos prismáticos que entram na composição dos Éteres inferiores são estacionários, mas possuem um alto grau de movimento vibratório.
  • Os átomos densos permanecem tão estacionários como o cristal na rocha.

Não importa o que as pessoas falem de nós ou para nós; suas palavras carecem de poder intrínseco para ferir – é nossa própria atitude mental com relação ao que elas disseram que determina o efeito de suas palavras sobre nós, para o bem ou para o mal. São Paulo, ao se defrontar com a perseguição e calúnia, afirmou que “nenhuma destas coisas me comove”. Todos que esperam avançar espiritualmente, devem cultivar um estado de equilíbrio, pois, sem ele, o Corpo de Desejos correrá desenfreado ou se congelará, conforme a natureza das emoções geradas pelas relações com os demais, seja preocupação, raiva ou medo. Sabemos que o Corpo Denso é o nosso veículo de ação, que o Corpo Vital dá a ele o poder para agir, que o Corpo de Desejos fornece o incentivo para a ação e que a Mente foi dada como um freio para os impulsos. Aprendemos no Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” que os pensamentos-forma, dentro e fora do nosso Corpo, estão sendo projetados continuamente sobre o Corpo de Desejos, em um esforço para despertar o sentimento que conduzirá à ação, e que a razão deve reger a natureza inferior, deixando que o Ego superior alcance a expressão de suas tendências divinas. Sabemos igualmente que um pensamento habitual tem o poder de modelar inclusive a matéria física, pois a natureza do sensualista é tão facilmente perceptível em seus aspectos vulgares e grosseiros, como são delicados e finos os de uma Mente espiritualizada. O poder do pensamento é ainda maior em sua potência para modelar as vestimentas mais sutis. Acabamos de ver como os pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos da pessoa que seja indulgente com esse hábito, e é igualmente certo que cultivando um estado mental otimista, sob qualquer circunstância, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos a qualquer posição que quisermos. Depois de um tempo isto se tornará um hábito. Admitimos que é difícil sujeitar o Corpo de Desejos sob uma linha definida, porém, pode ser conseguido e essa tentativa deve ser feita por todos os que aspirem o avanço espiritual.

Quanto ao efeito dessa polarização, sob o ponto de vista oculto, podemos aprender muito sobre certos costumes das chamadas sociedades secretas. Como sabemos, tais organizações colocam sempre à porta um guardião com instruções para proibir a entrada daquele que não saiba a palavra-passe e os sinais, e isto surte muito bom efeito até com as pessoas que funcionam unicamente em seus Corpos físicos. No entanto, os chamados segredos dessas organizações não são, em hipótese alguma, segredos para aqueles que são capazes de entrar nesses lugares de reunião em seus Corpos Vitais. De forma muito diversa ocorre numa verdadeira ordem esotérica como, por exemplo, a dos Rosacruzes. Nenhum guardião impede a entrada ao Templo quando é celebrada a Missa Mística da Meia-noite, todas as noites da semana. A porta está escancarada para todos aqueles que aprenderam a pronunciar o “abre-te-sésamo”. Porém, esta não é uma senha falada; o Iniciado que deseja comparecer deve saber como sintonizar seu Corpo-Alma ao grau de vibração particular mantido naquela noite. No entanto, essa vibração difere todas as noites da semana, de maneira que aqueles que aprenderam a se harmonizar com a vibração mantida aos sábados à noite, quando se reúne o primeiro grau, tem sua entrada efetivamente barrada ao Templo quando se reúnem aqueles que executam seu trabalho aos domingos, na segunda-feira, na terça-feira etc., como qualquer outra pessoa comum.

A lei cósmica, sob a qual atua o que foi dito, tem também sua aplicação para o controle e efeito de nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Bem disse São Paulo quando manifestou que nós somos o templo do Deus vivo (nosso Eu Superior). Também criamos uma aura sutil em torno de nós sob a salvaguarda das Divinas Hierarquias que regem os sete Astros: Saturno, Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter e Vênus. O Universo, ou o grande mundo, é chamado misticamente a lira de sete cordas de Apolo. Nosso organismo individual, ou microcosmo, é uma réplica ou imagem de Deus, e devemos despertar em nós um eco dessa música das esferas. Muitos de nós aprendemos a responder bastante às vibrações saturninas de pesar, tristeza, medo e preocupação que congelam nossos Corpos de Desejos e seria um benefício duradouro se tratássemos de cultivar as vibrações espirituais do Sol, enchendo nossas vidas de otimismo e de luz solar que dissipariam a tristeza e o desalento saturninos, impedindo que tais pensamentos penetrassem em nossa aura no futuro.

A primeira necessidade para o adiantamento é o estado de equilíbrio. Todos os que aspiram devem adotar o lema de São Paulo: “Nenhuma dessas coisas me comove”.

 

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS

 

Como existem muitos Estudantes Rosacruzes que praticam os exercícios aconselhados pelos Irmãos Maiores para o desenvolvimento progressivo da alma, mas que ainda não se sentiram inclinados a penetrar no Caminho, nos parece conveniente considerar o efeito oculto das emoções geradas por esses exercícios.

No exercício de Retrospecção quando o Aspirante à vida superior revê os acontecimentos do dia em ordem inversa e chega a um incidente no qual injuriou alguém, deixou de ajudar outro ou não se comportou como crê ser o ideal de conduta, ele aprende a cultivar um intenso remorso pelo que fez de mal, com o objetivo de erradicar esse registro do Átomo-semente do coração, onde ficou impresso aquele ato e onde permanecerá até ser apagado pelo sofrimento no Purgatório, a menos que, previamente, tenha sido eliminado por outros meios, sendo um desses meios esse exercício de Retrospecção.

No Purgatório, o processo de purificação é efetuado pela força centrífuga da repulsão que arrasta e destroça a matéria de desejos, na qual o quadro é formado por cima de sua matriz de Éter, fora do Corpo de Desejos. Nessa ocasião, a alma sofre como fez sofrer os outros, por causa da condição própria das regiões inferiores do Mundo do Desejo, onde está localizado o Purgatório. Alguns videntes, incapazes de contatar as regiões superiores, falam do Mundo do Desejo como ilusório, e estão certos no tocante às regiões inferiores, porque ali todas as coisas aparecem invertidas como nós as vemos em um espelho. Essa particularidade não foi feita sem propósito – nada no Reino de Deus o é; todas as coisas servem a um fim sábio. Essa inversão coloca a alma daquele que errou na posição de sua vítima, de maneira que, quando se desenrola na tela uma cena da sua vida passada, em que fez mal a alguém, a alma não permanece apenas como simples espectadora contemplando a cena representada, mas se torna, naquele momento, a vítima do erro, sentindo a dor do injuriado, já que a força centrífuga de repulsão exercida para destruir o quadro do Corpo de Desejos do pecador, deve, ao menos, igualar ao ódio e à raiva da vítima que imprimiu a cena sobre o Átomo-semente no momento da ocorrência.

Durante a Retrospecção, o Aspirante se esforça por reproduzir essas condições; experimenta visualizar as cenas em que fez algo de errado, e o remorso que procura sentir deve, pelo menos, se igualar ao ressentimento sofrido por aquele que prejudicou. Produz-se, então, o mesmo efeito do apagar o registro da ofensa, como o faz a força centrífuga de repulsão que efetua a erradicação do mal no Purgatório, com o propósito de extrair dali a qualidade de alma que conhecemos com o nome de Consciência, e que age como um dissuasivo na hora da tentação. Assim usada, a emoção do remorso limpa profundamente e purifica o Corpo de Desejos das ervas daninhas e do joio, deixando livre o terreno e favorecendo o desenvolvimento de todas as virtudes que florescem no avanço espiritual e oferecem as maiores oportunidades para o serviço na vinha do Senhor.

Contudo, assim como a força latente da pólvora e substâncias explosivas similares podem ser utilizadas para impulsionar os maiores objetivos da civilização ou para levar a efeito os piores atos de barbarismo, também a emoção do remorso pode ser utilizada de tal maneira que passa a ser um obstáculo e um prejuízo para a alma, em vez de constituir um auxílio. Quando nos entregamos ao remorso diariamente e de hora em hora, estamos desperdiçando um poder imenso que pode ser utilizado para os mais nobres objetivos da vida, já que uma constante mania de se lastimar afeta o Corpo de Desejos, em uma maneira similar à que causam os banhos excessivos no Corpo físico, como já descrevemos em “Vício de Excessiva Limpeza”, um artigo publicado em nossa revista “Rays from the Rose Cross”. Afirmou-se nesse artigo que a água tem grande afinidade com o Éter, absorvendo-o avidamente como se demonstrou em vários exemplos; afirmou-se também que ao tomar um banho em condições normais, expulsamos boa quantidade de Éteres venenosos e miasmáticos de nosso Corpo Vital, desde que permaneçamos na água por pouco tempo. Depois de um banho, o Corpo Vital enfraquece ligeiramente e, por conseguinte, sentimos uma sensação de fraqueza, mas, se gozamos de boa saúde e não permanecemos demasiado tempo na água, aquela deficiência se modifica imediatamente em uma corrente de força que flui para o nosso Corpo por meio do baço. Quando esse influxo de Éter fresco tiver substituído a substância prejudicial levada pela água, sentimos novo vigor que atribuímos ao banho, sem nos darmos conta dos fatos como são detalhados aqui.

Entretanto, quando uma pessoa que não goze de perfeita saúde e adquire o hábito de se banhar todos os dias, inclusive duas ou três vezes por dia, extrai de seu Corpo Vital um excesso de Éter. A provisão que entra pelo baço diminui igualmente pela falta de tonificação do Átomo-semente colocado no plexo solar e pelo enfraquecimento do Corpo Vital. Dessa maneira, é impossível a tal pessoa se recuperar entre tão repetidas abluções e, em consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; perde continuamente as forças e se predispõe a ser um inválido.

“Como é em cima assim é em baixo, e como é em baixo assim é em cima”, diz o aforismo hermético, explicando a grande lei da analogia que é a chave mestra de todos os mistérios. Ao utilizar a força centrífuga do remorso, durante o exercício noturno de Retrospecção, para erradicar de nossos corações as faltas cometidas, o efeito é semelhante à ação da água que remove o venenoso Éter miasmático de nossos Corpos Vitais durante o banho, deixando lugar para um influxo de Éter puro e saudável. Depois de queimarmos os erros cometidos no sacrifício do fogo do remorso, a substância tóxica assim extirpada deixa lugar para um influxo de matéria de desejos, que moralmente é mais saudável, e deixa terreno mais propício para praticarmos as ações nobres. Quanto mais exaustivamente nos purguemos pelo remorso, tanto maior será o vazio produzido e melhor será o grau de material novo que atrairemos para os nossos veículos mais sutis.

Contudo, por outro lado, se nos entregarmos ao remorso e aos pesares durante as horas de vigília, como fazem alguns, excederemos o nosso Purgatório e, ainda que esse tempo seja dedicado à extirpação do mal, a consciência de cada quadro volta, e este já foi extirpado pela força de repulsão. Aqui, devido a conexão entre os Corpos de Desejos e Vital, podemos reviver o quadro mentalmente tantas vezes quanto o desejarmos e, enquanto o Corpo de Desejos se dissolve gradualmente no Purgatório pela expurgação do panorama da vida, uma porção determinada é acrescida durante a existência no Mundo Físico para substituir a que se expulsou por meio do remorso. Quando nos entregamos ao remorso e ao pesar excessivos, se produz o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos que o banho excessivo sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam destituídos de força devido a excessiva limpeza profunda e, por esta razão, é tão perigoso para a saúde moral e espiritual se entregar, indiscriminadamente, aos sentimentos de pesar e remorso, como é fatal ao bem-estar físico o se banhar demasiado. O discernimento deve imperar em ambos os casos.

Quando nós praticamos o exercício de Retrospecção, devemos nos entregar ao sentimento de pesar e remorso com toda a nossa alma; devemos procurar verter lágrimas de fogo que queimem até o mais íntimo de nosso ser; devemos fazer o processo purificador da maneira mais profunda e completa possível, com o objetivo de poder crescer em graça até ao máximo possível. Porém, uma vez terminado o exercício, devemos fazer o mesmo que se faz no Purgatório – considerar os incidentes do dia liquidados e esquecê-los completamente, salvo em casos que necessitem restituição, desculpas ou atos subsequentes que a consciência nos aponte. Resgatada assim a dívida, nossa atitude deve ser de um inquebrantável otimismo. “Ainda que vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão tão brancos como a neve[21]. “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?[22]. Por aquela atitude morremos diariamente para a vida passada, para renascer a cada dia para caminhar em uma nova vida espiritual, já que nossos Corpos de Desejos são assim renovados e preparados para servir a um fim mais elevado na vida, do que o do dia anterior.

E porquanto nós discutimos sobre o pesar e o remorso aplicados ao problema do crescimento da alma, com seu efeito sobre os nossos Corpos sutis, podemos, vantajosamente, também mencionar o efeito do pesar voltado para outras direções. Há pessoas que vivem com o pesar como um companheiro agradável, levam-no para a cama a noite e despertam com ele pela manhã; levam-no ao trabalho, às compras ou à igreja; sentam-se com ele à mesa e tratam-no com cuidado como se fosse a coisa mais preciosa que possuíssem, e deixariam até de viver, mas não de manifestar seu pesar por essa, aquela ou outra coisa.

Como um vampiro que suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, os pensamentos perpétuos de pesar e de remorso, concernentes a determinados fatos, se tornam um elemental de desejo que age como um vampiro e extrai a vida da pobre alma a quem deu forma, e, em virtude da atração do semelhante pelo semelhante, alimenta a continuidade desse mórbido hábito de pesar.

Não será com nossos remorsos que ajudaremos os seres queridos que partiram dessa vida e, embora pensemos que os ajudamos com nossa fidelidade, na verdade, estamos prejudicando-os. Eles abandonaram a esfera atual de experiência e seguem adiante para outros reinos, onde existem outras lições a aprender, e nós os detemos em seu caminho com nossos pensamentos, porque eles nos sentem mais profundamente depois que passaram para o além, e nós temos que considerar um dever lhes dirigir pensamentos de carinho e amor, em lugar do pesar egoísta que os prejudica tanto quanto a nós. O pesar é destrutivo para o desenvolvimento espiritual, porque, enquanto o assim criado pensamento elemental permanece agarrado a nós como um vampiro, não podemos nos elevar pelo escarpado caminho.

Repugnantes como o abutre, que se alimenta de restos decompostos e hediondos dos mortos, são os vãos remorsos que vivem na mórbida contemplação do passado e de seus erros. É nosso dever expulsá-los de nosso ambiente mental como expulsaríamos de nosso lar o primeiro abutre que nele tentasse penetrar.

Ao invés disso, cultivemos sempre e em tudo, uma atitude de otimismo, pois todas as coisas trabalham juntas para o bem – Deus está no leme e nada pode sair realmente errado, e tudo sairá certo, dentro do tempo de Deus.

 

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR

O assunto Oração deve merecer uma profunda atenção e estudo por todos aqueles que aspiram à espiritualidade, e confiamos que as explicações que se seguem possam ajudar nossos estudantes em seus esforços neste sentido.

Há uma só força no Universo, nomeada o Poder de Deus, que Ele enviou através do espaço em forma de uma Palavra; não uma simples palavra, mas o fiat criador, cuja vibração sonora amalgamou milhões de átomos caóticos em uma infinidade de figuras e de formas, desde a estrela do mar à estrela do firmamento, do micróbio ao ser humano, tudo o que constitui e habita o Universo. À medida que as sílabas e os sons dessa Palavra Criadora foram sendo emitidos, uns após outros no transcurso dos tempos, espécies foram sendo criadas e as mais antigas desenvolvidas, tudo de acordo com o pensamento e o plano concebido pela Mente Divina, antes que a força dinâmica da energia criadora fosse enviada para fora, para o abismo do espaço.

Isso, então, é a única fonte de poder na qual real, verdadeira e literalmente vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, tão certo como os peixes vivem na água. Não podemos escapar ou nos afastar de Deus, do mesmo modo que o peixe não pode viver e nadar na terra seca. Não era um mero sentimento poético quando o salmista disse: “Para onde ir, longe do teu sopro? Para onde fugir, longe da tua presença? Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito no túmulo, aí te encontro. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é tua mão que me conduz, e tua mão direita me sustenta.”[23].

Deus é Luz, e nem mesmo o mais potente telescópio moderno, que pode alcançar milhões de quilômetros no espaço, conseguiu descobrir os limites da luz. Contudo, nós sabemos que, se não tivéssemos olhos para perceber a luz e ouvidos que registrassem as vibrações do som, caminharíamos pela Terra em eterna escuridão e silêncio; similarmente, para perceber a Luz Divina, que sozinha pode iluminar nossa escuridão espiritual, e para ouvir a voz do silêncio, que é a única voz que poderá nos guiar, devemos cultivar nossa visão e audição espirituais; e a oração, a verdadeira oração científica, é um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma.

Preparação para a Oração – Ora et Labora

Devemos estar cientes de que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. A menos que nossa vida inteira, tanto despertos como em sono, seja uma oração para a iluminação e santificação, nossas preces jamais penetrarão na Divina Presença, e nem trarão até nós um batismo do Seu Poder. “Ora et labora” – ora e trabalha – é um preceito oculto a que todos os aspirantes devem obedecer ou terão sucesso muito pequeno. Nesse sentido, uma antiga lenda de São Francisco de Assis confirmará o que dissemos. Ela demonstra a luz derramada sobre alguém cuja vida foi inteiramente consagrada ao serviço de Deus.

Um dia, São Francisco se aproximou de um jovem monge no mosteiro, com o convite: “Vem, irmão, vamos à cidade e a pregar ao povo”. O jovem monge aceitou o convite com entusiasmo, radiante com a perspectiva de um passeio com o santo padre, pois sabia que fonte de elevação espiritual isto seria. Caminharam para a vila, subindo e descendo por várias ruas e praças, absorvidos o tempo todo em uma interessante conversa espiritual, e finalmente regressaram ao mosteiro. Só então o jovem monge percebeu que haviam estado tão profundamente absorvidos na conversa que esqueceram por completo o objetivo de sua ida à vila. Delicadamente lembrou a omissão a São Francisco, ao que esse respondeu:  “Filho, enquanto estávamos caminhando pelas ruas da vila, as pessoas nos observavam, ouvindo trechos da nossa conversa e constatando que falávamos do Amor de Deus e de Seu Filho querido, nosso Salvador; eles notaram nossas carinhosas saudações e as palavras de ânimo e de consolo aos aflitos que encontrávamos, e até o nosso traje lhes falava a linguagem e o chamado à religião; assim, estivemos pregando durante todo o tempo de nossa presença entre eles, de um modo mais efetivo do que se lhes tivéssemos discursado horas e horas em praça pública”. São Francisco não tinha outro pensamento senão Deus e fazer o bem em Seu nome, portanto, estava em grande harmonia com a vibração divina, e não nos devemos surpreender que quando ele fazia suas orações regulares se tornava um poderoso ímã para a Vida e Luz divinas, que se difundiam por todo o seu ser.

Nós que estamos empenhados no trabalho secular do mundo e forçados a fazer coisas que nos parecem mesquinhas, muitas vezes sentimos que estamos afastados e impedidos de sentir a Luz Divina; porém, se “fizermos todas as coisas como se fossem para o Senhor” e “formos fiéis nas coisas pequenas” veremos que, com o tempo, se apresentarão oportunidades como jamais havíamos sonhado. Assim como a agulha magnética, momentaneamente afastada do Norte por uma pressão externa, volta instantaneamente e ansiosamente à sua posição natural quando se liberta da pressão, também nós devemos cultivar tal anseio por nosso Pai, que fará com que nossos pensamentos se voltem imediatamente para Ele ao terminarmos nosso trabalho diário no mundo e ficarmos livres para agir segundo nossa própria inclinação. Devemos cultivar um sentimento similar ao que anima os jovens enamorados quando, depois de uma ausência, voltam a se encontrar e correm para se abraçarem em um êxtase de felicidade. Essa é uma preparação absolutamente essencial para a oração e, se voarmos em direção ao nosso Pai da maneira indicada, a Luz de Sua presença e a doçura de Sua voz nos ensinarão e nos animarão muito além de nossas mais ardentes esperanças.

O próximo ponto que requer consideração se refere ao lugar da oração, e isso é de vital importância por uma razão geralmente desconhecida, até mesmo pelos estudantes de ocultismo. Toda oração, quer falada ou não, todo canto de louvor e toda leitura das passagens da Sagrada Escritura que ensinam ou exortam, se são feitas por um leitor cuidadosamente preparado, que ama e vive o que lê, derrama e difunde a graça do Espírito tanto sobre aquele que ora, quanto sobre o lugar da oração. Desse modo, com o tempo, se constrói uma igreja invisível em torno da estrutura física, a qual, no caso de uma congregação de devotos se torna tão bela que transcende toda imaginação e dispensa descrição. O personagem Manson no livro “Servente da Casa”[24] nos dá um sutil vislumbre do que é isso, quando ele diz ao velho Bispo:

“Eu receio que você não considere esse templo de grande importância. Ele deve ser visto de certo modo e sob determinadas condições. Algumas pessoas nunca o veem na sua totalidade. Você deve compreender que ele não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma COISA VIVENTE. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado. Escute-o bem, e você aprenderá que esse som é feito pelo palpitar de corações humanos, de música não nominadas das almas dos seres humanos, isto é, se você tem ouvidos para ouvir. Se você tem olhos, logo verá o próprio templo, um enorme mistério de muitas formas e imagens, projetando-se verticalmente do solo à cúpula, a obra de um extraordinário construtor. Suas colunas se levantam como vigorosos troncos de heróis; a delicada matéria humana de homens e mulheres é modelada em torno de seus fortes e inexpugnáveis baluartes. Em cada pedra fundamental, rostos sorridentes de crianças; seus espantosos vãos e arcos são as mãos unidas dos companheiros e; em cima, nas alturas e espaços, acham-se inscritas as inumeráveis meditações de todos os idealistas do mundo. Ele se acha ainda em construção e a construção continua. Às vezes, a obra segue sob escuridão profunda – outras vezes, sob luz ofuscante – ora, sob o peso de indizível angústia, ora, com a música de sonoras risadas e aclamações heroicas como o ribombar do trovão. Às vezes, no silêncio da noite, se pode ouvir o suave martelar dos companheiros trabalhando na cúpula, os companheiros que chegaram no alto”.

Contudo, esse edifício invisível não é um lugar meramente fascinante como um castelo de fadas no sonho de um poeta; é, como disse Manson, uma coisa vivente, vibrante com a força divina de imensa ajuda para os fiéis, porque os auxilia no ajuste das caóticas vibrações do mundo que permeiam sua aura quando eles entram em uma verdadeira “Casa de Deus”, em atitude apropriada de oração. Desse modo, são ajudados a se elevarem em aspiração ao trono da graça divina, para oferecer ali seu louvor e adoração, solicitando do Pai uma nova efusão espiritual e recebendo a amorosa resposta: “Este é meu Filho amado em quem Me comprazo”[25].

Tal lugar de adoração é essencial ao crescimento espiritual pela oração científica, e aqueles que são tão afortunados para ter acesso a tal templo deveriam sempre ocupar o mesmo lugar nele, porque este fica impregnado com suas vibrações individuais e eles se adaptam àquele ambiente mais facilmente do que em qualquer outra parte e, consequentemente, lograrão melhores resultados.

No entanto, tais lugares são raros, porque para a oração científica é necessário um verdadeiro santuário. Não deve haver nele, nem em suas proximidades, qualquer rumor ou conversa profana, porque esses fatos alteram as vibrações; as vozes devem ser contidas e as atitudes reverentes; cada um deve ter em mente que está em um lugar sagrado e agir de acordo com ele. Por esta razão, nenhum lugar aberto ao público será apropriado.

Além disso, o poder da oração aumenta imensamente com cada nova pessoa que ali ora. O crescimento pode ser comparado a uma progressão geométrica, se os que ali oram estiverem devidamente harmonizados e habituados à oração coletiva; acontecendo exatamente o contrário se não o estiverem.

Talvez o seguinte exemplo esclareça esse princípio. Suponhamos que um certo número de músicos que jamais tenham tocado com juntos e que não possuam ainda domínio suficiente do seu instrumento fossem solicitados para tocar em um concerto; não é necessária uma imaginação perspicaz para compreender que seu primeiro esforço seria marcado por muita desarmonia, e o mesmo aconteceria se um amador se dispusesse a tocar com eles, ou mesmo com uma orquestra já formada, não importando quão sério e intenso fosse seu desejo, ele, inevitavelmente, estragaria a música. Idênticas condições científicas governam a prece coletiva; para que seja eficaz, os participantes devem estar igualmente preparados, como já explicamos no capítulo anterior; devem ter as mesmas influências harmoniosas em seus horóscopos. Quando um aspecto adverso em um tema astrológico se encontra no Ascendente do outro, estes dois seres não poderão tirar nenhum proveito da oração em comum; eles devem dominar seus Astros e viver em paz, se são almas evoluídas, mas carecem da harmonia básica, que é absolutamente essencial para a oração coletiva. Só a Iniciação remove esse obstáculo.

 

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX

Ficou claro na primeira parte eu há determinadas razões ocultas que não aconselham a oração coletiva, exceto em circunstâncias especiais.

O conhecimento dessas dificuldades foi que levou Cristo a advertir seus Discípulos para que não fizessem suas preces diante de outras pessoas e os aconselhou que, quando necessitassem ou quisessem orar, se recolhessem a seus aposentos. Não podemos ter, individualmente, um edifício bonito e grande para as nossas devoções, nem o necessitamos; com muita frequência, a pompa e a exibição fazem com que afastemos os nossos corações de Deus. Porém, a maioria de nós pode, perfeitamente, dedicar uma pequena parte de nosso aposento para a devoção, o separando com uma cortina ou com um biombo do resto da habitação, ou ainda podemos transformar um cômodo em um santuário completo. Não importa o tipo das paredes que o separem; é a separação e a invisível Casa de Deus que construímos com nossas orações, e a graça divina que recebemos como resposta de nosso Pai que são importantes. Pode-se colocar na parede uma imagem de Cristo e o símbolo da Rosacruz, se o desejarmos, porém isso não é o essencial. O Olho que Tudo Vê é o preferido por alguns ocultistas avançados que conhecemos, como um símbolo do Pai. Porém, recordemos as palavras de Cristo: “O Pai e Eu somos um”, e mesmo não tendo uma imagem autêntica de Cristo, podemos utilizar a que tivermos, já que sabemos que os nossos pensamentos não se perderão por falta de autenticidade. Cristo é o Senhor dessa era; mais tarde, naturalmente, o Pai tomará este lugar, mas agora Cristo é o mediador dos povos.

Cremos ser desnecessário dizer que não importam as dimensões do lugar de oração, pois qualquer cômodo ou habitação do aspirante fiel acha-se compenetrado por uma atmosfera de santidade, pois todos os pensamentos que ele gerou legitimamente, depois de haver cumprido religiosamente suas obrigações com o mundo, provêm do Pai Celestial, assim que o lugar reservado ao santuário logo se encherá de supremas vibrações espirituais; entretanto, qualquer aspirante que pretenda seguir o método científico de oração deve procurar, antes de tudo, um lugar permanente de residência, porque, se se mudar de um lugar para outro, sofrerá uma perda importante e terá que voltar a formar as mesmas vibrações. O templo invisível que ele constrói se desintegra gradualmente quando a adoração cessa.

As Asas e o Poder

É uma máxima mística que “todo o desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital”. Esse é o mais próximo em densidade ao nosso Corpo Denso, sua nota-chave é a repetição, e é o veículo dos hábitos, sendo assim difícil de modificá-lo ou influenciá-lo, mas, uma vez que alguma mudança se tenha operado e um hábito tenha sido adquirido pela repetição, sua atuação se torna, até certo ponto, automática. Essa característica é boa e má com respeito a oração, porque a impressão registrada nos Éteres desse veículo impulsionará o aspirante ao fiel cumprimento de suas devoções nas datas marcadas, ainda que possa ter perdido o interesse no exercício e suas preces sejam meras fórmulas. Se não fosse por esse hábito formando tendências no Corpo Vital, os aspirantes não se fariam conscientes do perigo no momento exato em que o verdadeiro amor começasse a diminuir e não seria fácil recuperar a perda e permanecer no Caminho. Portanto, o aspirante deve se examinar cuidadosamente, de tempos em tempos, para ver se ainda possui as asas e o poder com os quais possa se elevar segura e rapidamente ao nosso Pai que está nos Céus. As asas são duas: Amor e Aspiração são seus nomes, e a força irresistível que as move é um intenso anseio. Sem eles e uma compreensão inteligente para dirigir a invocação, a prece é uma tagarelice, enquanto que bem realizada é o mais poderoso método conhecido para o crescimento da alma.

A Posição do Corpo

A posição do corpo importa pouco para a oração individual; a melhor é aquela que nos proporciona a concentração mais completa; mas, na oração coletiva, os ocultistas experientes têm o costume de permanecerem com a cabeça inclinada e as mãos enlaçadas de maneira apropriada. Isso forma um circuito magnético que une todos espiritualmente, desde o princípio dos exercícios. Em comunidades não tão avançadas, se observa que o canto de hinos feitos de pé, da maneira acima mencionada, produz um grande benefício, desde que todos participem.

A Invocação

Oração é uma palavra da qual se tem abusado tanto, que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos referimos. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário devemos ir como o amante que vai ao encontro de sua amada; nosso espírito deve voar à frente de nosso lento corpo, em ansiosa antecipação das delícias que nos estão reservadas, e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos de adoração que nos ocorrem no caminho. Isso é literalmente verdadeiro; o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante para a sua amada. “Como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus!”[26] é uma experiência real daquele que verdadeiramente é amante de Deus. Se não tivermos esse espírito, podemos cultivá-lo por meio da oração, e uma das mais autênticas orações que deveríamos pronunciar constantemente, é a seguinte: “Aumenta meu amor por Ti, ó Deus, para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. Faze que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis à Tua presença, ó Senhor, minha Força e meu Redentor”[27].

As invocações usadas para pedir coisas temporais são magia negra; pois temos a promessa de: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”[28]. Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso, quando ensinou Seus discípulos a dizer: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos nos resguardar de ultrapassar esse limite na invocação científica. Mesmo quando oramos por bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta, o que destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos testemunharam seus dias de obscuridade, e a consequente depressão, quando o divino Amante oculta a Sua face. Isso depende da natureza e da força da nossa devoção: amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que O seguia pelo alimento que Ele havia fornecido, e agora, como naquele tempo, é necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude para que nos ajoelhemos envergonhados e arrependidos. Felizes somos nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade firme, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam a visão da sua amada estrela.

Dissemos que não devemos orar por coisas temporais e que devemos ter muito cuidado até em nossas orações por dádivas espirituais; portanto, é autêntica esta pergunta: Qual deve ser o objetivo da nossa invocação? E a resposta é, geralmente, louvar e adorar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigimos a nosso Pai Celestial devemos Lhe pedir alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo momento nos pedindo coisas? Entretanto, não podemos imaginar que Deus se desgoste por nossas importunas petições, nem devemos esperar que Ele nos conceda tudo o que pedimos porque, muitas vezes, nos prejudicaria. Por outro lado, quando oferecemos ações de graças e orações, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração, estamos em um estado receptivo no qual poderemos receber uma nova descida do Espírito do Amor e da Luz e, deste modo, ficaremos mais perto do nosso ideal adorado.

O Clímax Final

Não é necessário que a invocação, audível ou não, seja mantida durante todo o tempo da oração. Quando nas asas do Amor e da Aspiração, impelidos pela intensidade de nosso zelo, aproximamo-nos do Trono do nosso Pai, chegará o momento da doce, mas silenciosa comunhão, mais deliciosa do que qualquer outro estado ou condição; é algo análogo ao contentamento dos enamorados que ficam sentados horas e horas, um ao lado do outro, sem romper o silêncio, pois se acham em um estado que transcende, em muito, o estágio onde precisam da fala para se entreterem. Assim também é no clímax final, quando a alma descansa em Deus, com todos os desejos satisfeitos pela sensação de comunhão expressa pelas palavras de Cristo: “Meu Pai e Eu somos Um”[29]. Quando atingimos este clímax, a alma terá provado a quintessência da alegria, e não importa quão sórdido possa parecer o mundo ou quão triste seja o destino que tenhamos de enfrentar, o amor de Deus, que sobrepassa toda a compreensão, é uma panaceia para tudo.

Entretanto, este clímax final só é obtido em toda a sua plenitude em intervalos muito raros. Pressupõe não somente a intensidade de propósito, para se elevar ao divino, como também um fundo de reserva para permanecer fixo naquele ponto, o que a maioria de nós nem sempre consegue. É muito conhecido o ditado de que nada de valor se alcança sem esforço. Tudo o que o ser humano fez, o ser humano poderá fazer, e se começarmos a cultivar o poder da invocação ao longo de linhas científicas aqui especificadas, dia chegará em que colheremos resultados com os quais nem sequer sonhamos.

Que Deus nos Céus abençoe os nossos esforços!

 

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL

É tão impossível alcançar um sucesso verdadeiro e duradouro sem viver em harmonia com as leis da vida, como é para o criminoso viver em paz na sociedade cujas leis ele desrespeitou. E, da mesma forma que ele é castigado, encarcerado e reprimido devido a seus hábitos predatórios, a natureza também nos castiga, encarcera e restringe quando desobedecemos às suas leis. Essa restrição se chama doença e é inimiga da felicidade, pois ninguém pode ser feliz, não importa quão rico seja ou que posição ocupe no mundo, quando se encontra fisicamente enfermo. Então, é preciso termos em conta que uma das condições vitais que deve ser adquirida pelo homem ou pela mulher que aspira a felicidade e o êxito na vida, em sua plenitude, é a saúde, incluindo o vigor, pois somente com boa saúde poderemos ser, suficientemente, otimistas, alegres e vigorosos para alcançar o sucesso que procuramos.

A Bíblia nos diz que a morte e a enfermidade vieram ao mundo por termos comido da “árvore do conhecimento” e ainda que, sob o ponto de vista materialista, isso possa parecer pueril, não desprezemos a história sem a estudarmos profundamente. Poderemos comprovar que se acha em perfeita harmonia com os fatos científicos mostrados atualmente. Consideremos, em primeiro lugar, o significado da árvore do conhecimento, por meio dos seguintes princípios: “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Abel”; “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Seth”, e as palavras de Maria ao Anjo: “Como poderei conceber, se não conheço nenhum homem?”. Por essas e por muitas outras observações semelhantes, se conclui evidentemente que a árvore do conhecimento era uma expressão simbólica do ato gerador. A humanidade foi, como diz a Bíblia, concebida em pecado e, portanto, sujeita à morte da qual não haveria maneira de escapar.

Devemos relembrar que a evolução é uma realidade na natureza; que o ser humano atual é o resultado de um passado distante e que o presente estado não é o ponto final de uma meta de perfeição, mas que existem maiores alturas à nossa frente. Assim, todos estamos em um estado de desenvolvimento perpétuo; não existem paradas ou descansos, pois o caminho é tão ilimitado como a idade do espírito. O que somos hoje é o resultado do que fomos ontem, portanto, o que seremos amanhã, dependerá do modo como utilizarmos, atualmente, as nossas faculdades. Examinemos, pois, o passado, para que, ao conhecermos o que temos sido, alcancemos um vislumbre do que haveremos de ser.

De acordo com a Bíblia, a humanidade foi hermafrodita antes de ser separada em dois sexos distintos como homem e mulher. Ainda temos entre nós hermafroditas que, como pensamos atualmente, têm essa formação anormal para provar a verdade dessa afirmação Bíblica; e fisiologicamente, o órgão do sexo oposto se acha latente em todos nós. Durante o período em que o ser humano esteve assim constituído, a fecundação devia ocorrer dentro de si mesmo; isto não difere muito do que sucede com muitas plantas hoje em dia.

Vejamos, segundo nos diz a Bíblia, qual o efeito da autofecundação nos dias primitivos. Existem dois fatos principais que são muito significativos: o primeiro, havia gigantes na Terra naqueles dias; o segundo, os patriarcas viveram centenas de anos; e essas duas características, grande desenvolvimento físico e longevidade, muitas plantas as possuem atualmente. O tamanho das árvores e a duração de suas vidas são fatos maravilhosos; elas vivem séculos, enquanto o ser humano vive um número reduzido de anos. Daí nos ocorre perguntar:  qual a razão da vida efêmera do ser humano e qual o remédio? Examinemos primeiro os motivos desta razão, e o remédio aparecerá.

É bem sabido pelos horticultores que as plantas param de crescer durante um florescimento muito prolífero. Uma roseira, ao florescer intensamente, pode morrer; por essa razão, o jardineiro sábio poda os brotos da planta para que a força se manifeste, parcialmente, em crescimento, em vez de dar somente flores. Desse modo, conservando a semente dentro de si mesma, guarda a força necessária para o crescimento e a longevidade. Esse é o segredo da altura e da longa vida das raças primitivas, como também é o segredo do tamanho e da longevidade das plantas atuais.

Que a essência criadora na semente é uma substância espiritual é evidente, quando comparamos a intrepidez e impetuosidade do touro e do garanhão, com a docilidade do boi e dos animais castrados. Além disso, sabemos que os libertinos e os degenerados se convertem em estéreis e fracos. Quando esses fatos se fixam em nossa consciência, não nos é difícil entender a verdade da Bíblia quando diz que o fruto da carne, que nos põe sob a lei do pecado e da morte, é antes de tudo e principalmente a fornicação, enquanto que os frutos do espírito, que conduzem à imortalidade, ainda segundo a Bíblia, são especialmente a continência e a castidade.

Consideremos também a criança e como a força criadora empregada internamente e para ela própria, produz um extraordinário desenvolvimento durante os primeiros anos, mas, na puberdade, o nascimento da paixão começa a dominar o desenvolvimento; então a força vital produz a semente com objetivo de alcançar o desenvolvimento e a expressão em outra direção, sendo que, desde aquele momento, termina o crescimento. Se continuássemos crescendo, como acontece na infância, seríamos gigantes, como o foram os divinos hermafroditas do passado.

A força espiritual gerada desde a puberdade e através da vida, pode ser usada com três propósitos: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolheremos; mas a escolha que fizermos terá uma influência importante sobre toda nossa vida, porque o uso dessa força não está confinado ao momento ou à ocasião em que é empregada. Abrange todos os momentos de nossa existência e determina a nossa atitude em cada uma das fases da vida entre nossos semelhantes; com a forma de como enfrentaremos os problemas da vida; se seremos capazes de agarrar as oportunidades ou as deixarmos escapar; se seremos saudáveis ou doentes; e se nós vivemos nossa vida com um propósito satisfatório; tudo isso depende da forma de usar nossa força vital. Esta força é a fonte de toda a existência, o elixir da vida.

A parte da força criadora que é legitimamente sacrificada, sobre o altar da paternidade e maternidade, é tão pequena que pode ser completamente desprezada nessas considerações. Não há razão, sob o ponto de vista espiritual ou físico, para que deva ser imposto o celibato em uma ordem religiosa, e nem essa imposição se encontra em qualquer passagem da Bíblia. A mera supressão da atração sexual não é virtude em si mesma; de fato pode até ser um vício muito sério, pois não há dúvida que milhares de pessoas que foram proibidas ou impedidas de buscar a satisfação natural, acabem caindo nos vícios mais inconfessáveis. Ainda que se abstenham do ato sexual, seus pensamentos serão de tal índole que as converterão em sepulcros caiados, horríveis por dentro, mesmo que externamente possam parecer puros e brancos. O próprio São Paulo, embora não na condição mencionada, disse: “É preferível se casar do que se abrasar”; essa expressão natural é, de longe, preferível ao estado acima descrito.

Embora existam poucas pessoas que defendam o abuso da função geradora, existem muitos indivíduos que, mesmo seguindo os preceitos espirituais em outros aspectos, mantém a crença de que a frequente satisfação dos desejos nos prazeres sexuais não é prejudicial; e existem outros que julgam que esse ato é tão necessário como qualquer outra função orgânica. Isso está errado por duas razões: primeiro, cada ato criador exige e consome uma certa dose de força e o organismo deve ser reabastecido com uma quantidade extra de alimento. Isso fortalece e aumenta o Éter Químico. Segundo, como a força propagadora atua por meio do Éter de Vida, esse constituinte do Corpo Vital também aumenta a cada gratificação dos sentidos. Deste modo, os dois Éteres inferiores do Corpo Vital se fortificam dirigindo a força criadora para baixo, para satisfazer o nosso prazer; e as ligações assim formadas e que oprimem os dois Éteres superiores que formam o Corpo-Alma, vão se tornando mais compactas e mais poderosas com o tempo. Como a evolução dos poderes anímicos e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis dependem da separação que se efetua entre os Éteres inferiores e o Corpo-Alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em vista, retardando o desenvolvimento pela satisfação da natureza inferior.

Se dirigirmos novamente nossa atenção para o jardim, obteremos uma demonstração palpável e luminosa dos resultados em seguir o conselho do Apóstolo, quando disse: “guardai a semente dentro”, considerando as qualidades das diversas variedades de frutas sem semente. As frutas sem semente são maiores e de um sabor mais agradável do que as que possuem sementes, porque naquelas toda a seiva é empregada com o único propósito de tornar a fruta deliciosa e suculenta. Similarmente, se nós, em vez de desperdiçarmos nossa substância, vivermos castamente e dirigirmos a nossa força criadora para a regeneração, refinaremos e eterizaremos nossos Corpos físicos, ao mesmo tempo que fortaleceremos nosso Corpo-Alma. Desse modo, poderemos materialmente prolongar a nossa vida e, como consequência, aumentar nossas oportunidades para o crescimento anímico e avançar no Caminho de forma mais marcante.

Quando tivermos compreendido que o sucesso não consiste em acumulação de riquezas, mas no desenvolvimento anímico, se tornará evidente que a continência é um fator importante para o êxito na vida.

[1] N.T.: IICor 12:9

[2] N.T.: Mt 26:41

[3] N.T.: James Fenimore Cooper (1789-1851) foi um político e popular escritor dos Estados Unidos do início do século XIX.

[4] N.T.: George du Maurier (1834-1896) – cartunista e autor franco-britânico.

[5] N.T.: Jack London foi o pseudônimo de John Griffith Chaney (1876-1916), autor, jornalista e ativista social norte-americano, pioneiro no que era, então, o novo mundo das revistas comerciais de ficção.

[6] N.T.: nome da quarta divisão ou Região do Pensamento Concreto.

[7] N.T.: Quarta Região do Mundo do Pensamento

[8] N.T.: o Corpo Denso

[9] N.T.: Também chamado de: Vestes de Bodas; Vestidos de Bodas, Veste Nupcial, Traje Nupcial. São Paulo chama de soma psuchicon (ICor 15:44).

[10] N.T.: do alemão: poltern (barulho), e geist (fantasma), também chamado por alguns parapsicólogos como Psicocinesia Recorrente Espontânea (em inglês: Recurrent Spontaneous Psychokinesis, RSPK), é um tipo de evento paranormal que se manifesta em um ambiente no qual existem ocorrências físicas, tais quais, chuva de pedras, movimentação, aparecimento e desaparecimento de objetos, sons, pirogenia, luzes, entre outras. Pode envolver até ataques físicos.

[11] N.T.: Mt 25:25

[12] N.T.: Mt 25:40

[13] N.T.: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes

[14] N.T.: ICor 15:50

[15] N.T.: Leia a partir da seguinte sentença: “As relações das plantas, dos animais e do ser humano com as correntes de vida na atmosfera terrestre são representadas simbolicamente pela cruz…”

[16] N.T.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano.

[17] N.T.: do poema: Worth While de Ella Wheeler Wilcox (1850-1919), escritora e poeta estadunidense.

[18] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

[19] N.T.: Átomo-semente do Corpo Vital.

[20] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.

[21] N.T.: Is 1:18

[22] N.T.: Rm 8:31

[23] N.T.: Sl 139:7-10

[24] N.T.: do livro: The Servant in the House por Charles Rann Kennedy

[25] Mt 3:17

[26] N.T.: Sl 42:2

[27] N.T.: Oração do Estudante Rosacruz

[28] N.T.: Mt 6:33

[29] N.T.: Jo 10:30

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 7

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 7 – A Arte Dramática – Filmes Cinematográficos – A Cura – A Fraternidade do Astrólogo, do Artista, do Sacerdote e do Curador – Regozijos Astrais – Retratos de Personagens Shakespearianos – A Faculdade da Intuição – A Experiência Animal

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 7

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – A ARTE DRAMÁTICA

CAPÍTULO II – FILMES CINEMATOGRÁFICOS

CAPÍTULO III – A CURA

CAPÍTULO IV – A FRATERNIDADE DO ASTRÓLOGO, DO ARTISTA, DO SACERDOTE E DO CURADOR

CAPÍTULO V – REGOZIJOS ASTRAIS

CAPÍTULO VI – RETRATOS DE PERSONAGENS SHAKESPEARIANOS

CAPÍTULO VII – A FACULDADE DA INTUIÇÃO

CAPÍTULO VIII – A EXPERIÊNCIA ANIMAL

 

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – A ARTE DRAMÁTICA

 

O instinto de representar é tão primordial à natureza humana como o é qualquer outro instinto. Considere a tendência natural de todas as pessoas para enfatizar ou intensificar a comunicação pela fala com gestos e expressões faciais. Essa ênfase natural é aquilo que é cultivada pelo treinamento intensivo na arte dramática, do mesmo modo que a beleza natural da voz falada é cultivada na arte de cantar. Dramatizar significa intensificar – em qualquer forma ou meio. Consequentemente, a dramatização é um dos atributos arquetípicos de todas as artes – a expressão organizada de um “ponto” especializado da reação emocional, do pensamento ou da realização. Até a execução de uma ou três oitavas de uma escala musical no piano (geralmente não considerada particularmente bela) pode ser dramatizada pelo uso de dinâmicas tonais, de tal maneira que sua identidade mecânica como uma “escala” se transforma em um “ponto” de musicalidade expressiva. Às vezes a habilidade técnica pode se prestar para produzir a obra de arte universalmente tida como medíocre. Essencialmente a arte medíocre é produzida sem inspiração. A inspiração, qualquer que seja sua forma – e existem muitas maneiras pelas quais pode ser experimentada – é a forma mais altamente dramatizada da experiência humana; em nenhuma outra maneira nós experimentamos a reação e a realização com maior intensidade. Assim como Marte e Lua são impregnação e receptividade em “oitava inferior”, do mesmo modo, Sol e Netuno são impregnações e receptividades em “oitava superior”. O cálice de Netuno recebe a torrente de poder solar na “semente da alma” (o pequeno círculo na base do símbolo de Netuno)[1], o símbolo da impregnação espiritual ou psíquica que, em qualquer forma, é inspiração; e inspiração é sempre uma designação da resposta do poder do amor solar – o Signo de Leão, do Grande Mandala. O Peixes de Netuno é a oitava superior da triplicidade de Água, iniciada pelo Signo Cardeal de Câncer, que é o princípio trino da resposta vibratória simpática. O Sol e Netuno são (quando combinados) a identidade astral da Divindade Pai-Mãe da humanidade.

A arte dramática teve seu começo na cerimônia, que por sua vez era a maneira do ser humano personalizar, por atos simbólicos, suas realizações espirituais. A cerimônia e o mito são dois modos de dizer a mesma coisa: tornando exotérico, pela ação e pela lenda, aquilo que representa a verdade dos conceitos humanos dos princípios da vida: “a verdade da Vida contemplada num espelho”; o espelho é o estado evolutivo da consciência emocional dos seres em evolução. A arte de representar é a mais completamente personalizada de todas as formas de arte interpretativa – usando como instrumentos a voz do cantor e o corpo do dançarino. O dançarino se movimenta em ritmos especializados, o cantor “fala” em tons especializados e o ator (por meio do movimento e da fala) tem algo de ambos. O grande ator funde dois talentos grandemente especializados: o da pantomina que é, literalmente, uma “dança”, e o da interpretação de textos que é, literalmente, um “canto”. A grande atuação formaliza certos princípios estéticos exatamente como o faz a grande prosa; os movimentos do dançarino e a expressão vocal do cantor correspondem à atuação, assim como a poesia corresponde à grande prosa.

Tendo em mente que “dramatizar” significa “intensificar”, vamos agora considerar o significado do diâmetro Leão-Aquário, Signos da quinta Casa de Áries-Libra, como o símbolo arquetípico do princípio da expressão dramática. Esse diâmetro é a polarização daquilo que é essencialmente simbolizado pela quinta Casa do Grande Mandala – a irradiação individualizada dos poderes emocionais. Leão, Signo Fixo e de Fogo, é o Signo que inicia a cruz Fixa, análogo a Áries e Sagitário das cruzes Cardeal e Comum, respectivamente.

É o aspecto amor do EU SOU, arquetípico, e em virtude da posição ordenada é a liberação daquilo que está estabelecida na quarta Casa. A palavra-chave de Leão é Eu libero; ele é pábulo não apenas para os outros três Signos da cruz Fixa, mas para a expressão ativa do Sol no horóscopo.

A geração está para Escorpião – oitava Casa – assim como a liberação individualizada está para Leão – quinta Casa – polarizada espiritualmente, e para o gênio por meio de Aquário – décima primeira Casa. Devemos ter em mente que o poder, como Princípio do Sol, não tem nenhum propósito a menos que, e até que, seja liberado e irradiado. Todo amor no coração humano, todo dom criativo, todo gênio criador ou intérprete inspirado, tudo isto é relativamente sem sentido se não for expresso, e é por meio de Leão-Aquário e Sol-Urano que nos expressamos criativamente, até onde os seres humanos podem ser criativos. É através do atributo amor de Leão que nós contribuímos com vitalidade emocional para os relacionamentos e para o nosso trabalho. Por meio dele encontramos o recurso para aquilo que é uma contemplação enfocada, a geração e regeneração de Escorpião. Leão é o arqui-símbolo da alegria natural, espontânea, o atributo dinâmico, cuja realização passiva e transitória é chamada de “felicidade”. Somente por meio da alegria é que amamos verdadeiramente, criamos ou interpretamos de verdade e servimos sinceramente. Mesmo com “sangue, suor e lágrimas” a alegria é um fator inevitável na consciência do artista; não ser alegre é não ser amoroso nem não radiativo, no sentido criativo da palavra. As tristezas de Leão-Sol têm suas raízes na falta de oportunidade ou na congestão da habilidade para exercitar a irradiação amorosa a outras pessoas ou ao trabalho. As agonias de Aquário-Urano têm suas raízes na falta de habilidade para enfrentar os desafios gravitacionais de Lua-Saturno e nas “dores de parto” da expressividade bipolar. A consciência humana não individualizada é representada pela sequência dos quatros primeiros Signos zodiacais – Áries, Touro, Gêmeos e Câncer. A qualidade não radiativa dessa oitava de consciência primitiva está no Signo de Escorpião, Signo da quinta Casa de Câncer-Lua – o instinto de gerar formas como uma liberação dos recursos do desejo. Todavia, com a individualização a pessoa se move na sequência evolutiva um passo mais à frente do diâmetro Leão-Aquário, e sua irradiação de desejo se transforma, pelo menos, num aspecto primitivo da consciência amorosa e da consciência de poder individualizada. A consciência de poder individualizada é o primeiro “deve” no desenvolvimento e cumprimento do talento artístico criador ou interpretador. Por conseguinte, o artista deve saber que ele é um poder, e que a integração pessoal deve ser efetuada antes que a consciência de poder possa ser expressa. Agora, vamos falar sobre o dramaturgo e o ator:

O dramaturgo é uma especialização do prosador e do poeta (de cada um ou de ambos). No entanto, pelas especializações de sua arte, ele é essencialmente mais poeta que prosador, mesmo que não escreva (e a maioria dos dramaturgos não o fazem) especificamente em versos. A composição das peças envolve não somente uma afinação instintiva com o princípio do ritmo, mas também com a musicalidade inerente aos valores vocais. Em virtude da atuação ser pantomima e ação, bem como fala, ele deve conhecer algo dos valores dos movimentos inerentes à dança. Um sentido de “proporção de tempo” é tão necessário à sua obra como o senso de “proporção de espaço” o é ao pintor e o senso de “proporção de tom” o é ao compositor. A consciência de tempo é o que chamamos de consciência de sequência de reação e realização. As “reações e realizações humanas” são aquilo que o dramaturgo apresenta de forma esteticamente organizada e “dramatizada”. Realmente, a “ação” que é representada no palco é a objetivação de sequências de reações e realizações individualizadas. No palco ou na vida real, essa “ação” é sempre uma exteriorização de estados internos. E a mentalidade multiforme ou entendimento do dramaturgo lhe torna possível construir a ação de sua peça, consoante um profundo “conhecimento interno” da consciência do tempo individualizada. O dramaturgo pode ou não procurar apresentar uma mensagem em sua obra; mas o que ele apresenta, seja como “mensagem” ou “ drama puro”, é a organização de seu conceito de arquétipos refletido através da consciência humana individual ou composta. Leia qualquer peça digna de ser mencionada como arte dramática e você encontrará, em algum momento, um “ponto emocional” que é o arquétipo da peça inteira, por mais complexa que possa ser sua estrutura. A arte do drama expressivo (a dramaturgia) é a organização harmoniosa e expressiva de elementos que são focalizados nesse ponto emocional, assim como a árvore se focaliza em sua semente.

O Grande Mandala Astrológico com Áries no Ascendente, os pontos estruturais Cardeais conectados e formando um quadrado, os Signos de Água conectados em um triangulo é o retrato simbólico daquilo que toda arte busca interpretar.

Eis aqui a família humana – o macho e a fêmea dos “pais e filhos”, o macho e a fêmea nos estados imaturo e maduro, e o quádruplo intercâmbio das polaridades física, genérica e evolutiva. O trino dos Signos de Água é o princípio da vibração simpática pelo quais os manifestadores e os intérpretes “se afinam” com os arquétipos a serem expressos através de conceitos individualizados no meio estético.

A segunda apresentação do Grande Mandala é com os Signos Fixos nos pontos estruturais, Leão no Ascendente, Escorpião como base.

Esse é o mandala de todos os artistas manifestadores (criadores), irradiando de seus recursos de poder criador, polarizado pelo gênio de Aquário, para realizar uma redenção de destino maduro[2] inspiradora da consciência de grupo da humanidade. A posição de Câncer como Signo da décima segunda Casa desse mandala nos mostra que o potencial de irradiação do Ascendente Leão deriva de um profundo recurso de simpatia, cujo arquétipo é a “paternidade/maternidade”. Nenhum dramaturgo verdadeiramente grande produz suas melhores e mais inspiradas obras movido pelo desejo de ganhar milhões em dinheiro ou de alcançar fama e aplausos. Ele as cria porque não pode impedir a si mesmo de fazê-lo e viver, mais do que as pessoas verdadeiramente maduras o podem (no verdadeiro sentido da palavra), sem contribuir para vida. O dramaturgo, ou outro artista criador, é um pai espiritual, um “epigenitor” de seu arquétipo. A base Escorpião desse mandala aponta para a base psicológica de intenso poder de desejo reparador. Nenhum grande artista de qualquer classe é um “covarde psicológico”; em todos eles existe uma profunda percepção, uma profunda compreensão, uma forte sexualidade, emoções intensas e, consciente ou inconscientemente, uma ardente aspiração.

A terceira apresentação do Grande Mandala é com Sagitário no Ascendente, Signos Comuns nos pontos estruturais e Peixes na base.

Esse é o mandala do artista interpretativo que se afina com o conceito do manifestador e faz de si mesmo um veículo para a incorporação desse conceito. Pode ser chamado como retrato abstrato do artista interpretativo, o “mandala da instrumentação individualizada”. O artista interpretativo disciplina, desenvolve e organiza suas habilidades e faculdades para poder se qualificar para o exercício inspirador. Há um número de artistas nos campos do drama, da dança e da música qualificado para o título de manifestador e intérprete. Quanto aos artistas interpretativos existem dois tipos básicos:

  • Um é aquele da personalidade arquetípica da qual existem – e tem existido – diversos notáveis no campo da atuação cinematográfica. Esse tipo é representado, no cinema mudo e no falado, por artistas tais como: Rodolfo Valentino[3], Theda Bara[4], Mary Pickford[5] (como a “Namorada da América” dos anos idos), Douglas Fairbanks[6], pai, Mae West[7], Clark Gable[8] e outros. Exemplo marcante da personalidade arquetípica nos dias atuais é “Bing” Crosby[9] (1951) – o “Trovador do Mundo”.
  • O segundo tipo é o do verdadeiro intérprete dramático, o ator ou atriz, cuja personalidade e equipamento pessoa são estímulos para afinamento com o conceito do criador. Todos os grandes artistas dramáticos são desse tipo, e os tais, pessoalmente ou por sua influência, estão entre os mais eminentes “inspiradores” da raça humana. O Ascendente em Sagitário do “mandala do intérprete” retrata o sacerdócio esotérico (ou psicológico) de toda representação dramática. Pelo poder do ator, a essência das vibrações da personalidade humana é representada nos papéis que ele desempenha; esses padrões de vibração de personalidade são considerações dos princípios de vida que se expressam por meio do arquétipo humano. A projeção inspiradora do ator, fundida com a habilidade e conhecimento do dramaturgo, contribui para a vitalização da percepção humana de sua própria experiência e identidade como uma expressão de vida. O ser humano sempre busca realizar as verdades de seu arquétipo e, mais que nenhuma outra arte, o drama tem o poder de “incendiar” pontos desta realização. Realmente nós não nos vemos como indivíduos nos desempenhos dos grandes atores; vemos sim “pontos do eu” exteriorizados. Nossa resposta ao impacto do grande desempenho do drama trágico tem o efeito de levantar nossa consciência da “dor localizada de nossos sofrimentos pessoais” para uma vasta participação nas penas e sofrimentos da humanidade evoluinte. O ator e a atriz são intermediários entre a nossa consciência do eu separado e nossa consciência de identidade com a individualidade do nosso arquétipo, a humanidade. Pense um pouco em suas respostas aos espetáculos da grande atuação. Você recorda a sensação de “expansão do eu” pelo estímulo à sua simpatia, a sua coragem, a sua fé, ao seu amor e as suas inspirações?

Pode-se mencionar aqui alguém que, em seus dias, foi considerada pela maioria o maior no campo da arte dramática, e cujo desempenho de seu dote artístico representou um dos maiores desenvolvimentos da arte teatral: Sarah Bernhardt[10]. A carreira dessa grande atriz francesa (ela nasceu em Paris e era nativa de Escorpião) nos palcos do mundo abrangeu o período de uns sessenta anos, e sob um ponto de vista de completa “quantidade de expressão”, bem como de qualidade, foi um fenômeno de proporções estonteantes. Ela não só interpretou os principais papéis de repertórios clássicos, melodramáticos e líricos, mas tão grande foi o poder de sua vibração que chegou a inspirar a produção de um grande número das mais belas peças de seu tempo – por autores tais como François Coppée[11], Victor Hugo[12], Edmond Rostand[13] e muitos outros. Essa mulher foi verdadeiramente uma sacerdotisa da arte dramática, consagrada com todas as fibras do divino para os deste plano. Leia uma boa biografia de sua vida. Isto reabastecerá sua consciência com uma renovada fé no poder da beleza existente no arquétipo humano.

Em relação à leitura astrológica, a essência simbólica da habilidade dramática é Vênus, Júpiter e Netuno, os Signos de Peixes e Leão e a quinta Casa. A “carreira dramática” poderá envolver certas configurações favoráveis com a Lua (como símbolo do público) e também da sexta e décima Casa (os sucessos prodigiosos de Madame Bernhardt são indicados pelo Sol em Escorpião em combinação com uma Conjunção de Júpiter e Urano; é possível que ela tivesse tanto a Lua quanto Netuno em Peixes – 12ª Casa – com Áries no Ascendente).

O astrólogo representa? Se sim, qual é o seu teatro e de quem é o texto que ele lê? Um fator na ética do serviço astrológico requer que o astrólogo domine seus sentimentos pessoais, evitando assim infligir vibrações negativas ao nativo e para que possa ser efetuada uma clara afinação com o horóscopo. A esse respeito, ele faz exatamente o que o ator tem que fazer. O astrólogo, pessoalmente e por vibração, deve dramatizar serenidade, amizade, iluminação, encorajamento e amor. Isso não é “hipocrisia”, embora a palavra “hipócrita” significa essencialmente “alguém que desempenha um papel”. O hipócrita representa mal por uma falsidade de natureza; o astrólogo representa por meio das verdades da natureza humana.

O astrólogo “lê os textos” da natureza humana como uma explicação dos princípios de vida funcionando por meio de um arquétipo particular. Seu palco é qualquer lugar onde ele apresente, reservada ou publicamente, verdades astrológicas para a iluminação da consciência de outras pessoas. O astrólogo serve para dramatizar o bem essencial da pessoa para quem ele lê, e nessa função, prova sua identidade como irmão espiritual do artista dramático.

 

CAPÍTULO II – FILMES CINEMATOGRÁFICOS

 

O desenvolvimento dos filmes cinematográficos como uma arte de entretenimento é um dos fenômenos mais notáveis dessa época. Eles trouxeram o drama, a comédia, a música, a cor, a dança, as viagens, as notícias, o avanço educacional e uma influência cultural pronunciada em suas melhores formas às vidas de milhões de pessoas que, de outro modo, não poderiam realmente ter experimentado tais coisas. Interessa-nos, nesse comentário, não o desenvolvimento técnico, mas o significado oculto da atuação dos filmes cinematográficos e seu efeito nas Mentes e consciências das pessoas de hoje. Como em qualquer outra arte, existem os pioneiros que ousaram marcar a trilha que leva a um avanço cultural mais amplo. Então surgem aqueles que adaptam as descobertas desses pioneiros e desenvolvem-nas em escala mais ampla e mais perfeita à medida que o tempo passa. E, então, existem aqueles produtores cinematográficos que não se interessam particularmente pelo avanço cultural ou nem mesmo tem consciência disso, os quais “dão ao público o que esse deseja” em termos de manter aquilo que tem sido estabelecido como padrões de valor do entretenimento. O último grupo é o que mais conspicuamente “alimenta a tendência escapista do público”; os dois primeiros grupos prestam-se a melhorar, ampliar e regenerar o gosto e a apreciação do público, e são eles que, em sua maior parte, respondem pela mais alta qualidade do valor artístico encontrado nesse trabalho.

Frequentemente o filme cinematográfico é mencionado como “um mecanismo de escape”, uma “panaceia” para ajudar as pessoas a esquecerem de si próprias e de suas dificuldades. Tal interpretação mostra uma falta de compreensão. A arte cinematográfica não é essencialmente um mecanismo de escape, ainda que, algumas pessoas a utilizem como tal. Uma abordagem psicológica a esse “subterfúgio” da natureza humana deve recair sobre o fator humano, não sobre o fator dos filmes cinematográficos. Astrologicamente falando, a vibração de Netuno não regenerado, em combinação com qualquer Aspecto de Quadratura ou Oposição é um potencial para o mecanismo de escape. Os Aspectos de Quadratura e Oposição são pontos de divisão interna, congestão de potenciais, tendência para desintegração, pontos de ignorância, confusão de identidades, falta de consciência de si mesmo, falta de confiança própria, inibições por meio do medo e do ódio, etc. A não regeneração de Netuno é, entre outras coisas, nosso potencial para dar força às ilusões. E, de uma forma ou de outra, todos nós fazemos isto até que a consciência seja inundada pela luz do entendimento e da percepção esclarecida como resultado de aprendizado por meio da desilusão. Quando sofremos de qualquer dessas condições negativas e não sabemos por que sofremos, tendemos a identificar as verdades internas com alguma coisa ou com alguém fora de nós mesmos. Isso é o que o “mecanismo de escape” significa essencialmente – a tentativa para escapar da dor de congestões e das confusões internas.

Se pode ser dito que a humanidade é motivada por um objetivo comum, tal objetivo é certamente a realização de ideais. O ideal é a música a que, uma vez ouvida, não se pode resistir. A busca para realizar esse ideal é a grande onda evolucionária; nós temos seguido essa “música”, consciente ou inconscientemente, desde que nos manifestamos pela primeira vez. A realização do ideal é o cumprimento, por meio da expressão regenerada, dos potenciais. Até que realizemos a nós mesmos como indivíduos, tendemos a buscar sua exteriorização em alguém ou alguma outra coisa. Evolução depende de expressão; “não se expressar” ou “não fazer” é “não evoluir”. Até a pessoa que vive em termos do que chamamos “criminalidade” está evoluindo, porque está expressando seus potenciais; ele cria causas que reagirão como retorno do destino maduro, do qual ele mesmo pode, por último, aprender mais sobre os princípios. A posse de dinheiro é, para muitas pessoas, símbolo do maior bem da vida, e nada as detém para realizar esse ideal; contudo, no devido tempo e por meio da experiência, eles aprendem sobre o que o dinheiro realmente é, e então são condicionadas a ajustar sua consciência e suas ações de acordo com um esclarecimento de princípios em suas próprias Mentes. Gibran[14] disse: “Até a palavra tropeçante fortalece a língua fraca”; cessar de buscar o ideal é morrer na consciência; continuar a expressar como um meio de buscar aquilo que é mais valioso e apreciado, é evoluir.

Nossa reação emocional a uma outra pessoa a identifica como um símbolo para nós. Se a reação é a inveja, o ciúme, ódio, medo, etc., ela serve para estimular uma de nossas congestões, confusões ou irrealizações internas; a pessoa a quem “odiamos” (queremos destruir) serve, pelos estímulos de sua vibração, para nos recordar um erro do passado, erro muito grave e ainda não corrigido. Nós jamais “odiamos” a outra pessoa; podemos odiar somente as nossas irrealizações e só podemos destruí-las pela expressão regenerada. Se nossa reação a outrem é de harmonia, prazer, amor, admiração, inspiração, etc., então, seja quem for ou que quer que a pessoa possa ser, sua vibração serve para nos recordar nossas próprias regenerações internas. Isso explica o porquê as pessoas amam fervorosa e profundamente aqueles que podem maltratá-las e ofendê-las; o laço magnético de destino maduro fornece o algo amoroso com o “sustento” sobre o qual verte o seu amor. Nós amamos o ideal que a outra pessoa representa para nós, e esse “ideal personalizado” é sempre um padrão do nosso próprio profundo “sonho da perfeição”. O criminoso experiente e financeiramente bem-sucedido pode ser um “ideal” para o mais jovem e inexperiente que decidiu se exercitar naquilo que chamamos de “conduta criminosa”. Ainda mais, em seus atos antissociais, destrutivos e sem princípios, ele expressará, no profundo desejo de emular, o símbolo do indivíduo mais velho e experiente. Para sermos justos com os ignorantes e pouco evoluídos, lembremo-nos que a pessoa a quem chamamos de “criminosa” pode expressar uma profunda devoção àqueles para quem ou com quem trabalha, e, dentro de suas limitações particulares de consciência, pode lidar honrosamente com as de sua “profissão”, podendo ainda se utilizar muito de seus “ganhos mal havidos” para ser verdadeiramente prestimoso. Ninguém é inteiramente criminoso, porque todos buscam realizar um ideal. Aquele que “não faz nada”, o parasita, é pior tradutor de sua própria natureza que o criminoso ativo. O ladrão ou coisa semelhante pode possuir pelo menos um pouco de coragem. O “não faz nada” não tem nem mesmo isso, e, pela sua própria natureza, não é colaborador. Ele terá que se esforçar intensamente no futuro para compensar suas deficiências no presente.

Portanto, a pessoa, cujos potencias não estão sendo expressos satisfatoriamente ou que tem se condicionado fora de linha com seu ideal íntimo, pode se voltar – e o faz com frequência – para o filme cinematográfico e para aqueles que trabalham com isso a fim de conseguir um contato, mesmo que superficial, com seus ideais pessoais. Não é objetivo desse comentário criticar ou julgar o trabalho daqueles que trabalham com isso especificamente, exceto como uma avaliação pertinente a esse assunto; mas certas pessoas que trabalham com isso serão mencionados por causa da notável qualidade arquetípica de personalidade e aparência física, mais um certo nível de habilidade técnica, pelas quais eles exercitam o poder do simbolismo vivo na consciência de indivíduos ou de grupos. Dos muitos que têm exercido influência duradoura na subconsciência do público consideraremos quatro, de tipos contrastantes, cujo trabalho nos filmes cinematográficos americano representa exemplos notáveis da personalidade arquetípica simbólica: Lon Chaney[15], Bing Crosby[16], Rodolfo Valentino[17] e Clark Gable[18].

Lon Chaney, cujo trabalho no cinema mudo o classificou como o maior artista da maquiagem e um dos maiores pantomímicos do teatro americano, realizou, como arquétipo, o impulso universal e instintivo da humanidade de desejar transcender a enfadonha monotonia da “experiência cotidiana”. Suas caracterizações eram, quase sem exceção, de corpos deformados e personalidades distorcidas. Ele dava aos auditórios uma satisfação de suas atrações subconscientes para o fatídico e para o horripilante. Suas caracterizações resultavam em grande impacto emocional, já que tinha grandes poderes de projeção, sendo que os seus melhores desempenhos, tal como o Quasimodo de O Corcunda de Notre Dame foram experiências dramáticas inesquecíveis. Ele resumia os “ardis do Destino” pelos quais a humanidade sofre por causa de deformidades físicas e frustrações terríveis de desejos normais e naturais. Em suma, seu propósito oculto era levar aos auditórios das salas de cinema a consciência do trágico na arte dramática. Ele não foi absolutamente um “entretenedor”, quer de propósito quer em tipo de caracterização. Haver respondido verdadeiramente e de todo o coração ao trabalho notável de Lon Chaney significou uma intensificação de consciência do patético do sofrimento humano. Seu propósito oculto visava estimular diretamente a compaixão no coração humano.

Há muito tempo o autor percebeu que o trabalho de Bing Crosby na tela é uma das mais notáveis influências espirituais no mundo (1951). Atualmente com tantas religiões organizadas em um estado de inquietação e mudanças, a vibração e talento desse homem trazem, por meio de canções e de comédias rápidas, um estímulo “expresso suavemente”, mas de longo alcance para o ideal humano de bondade simples e amizade natural. Sua vibração, de um ponto de vista astrológico, é fortemente venusiana – tendo Libra como Ascendente, o Sol em Touro e a Lua em Trígono com Mercúrio e Vênus. E quem personifica mais perfeitamente o ideal de não-resistência construtiva? Exercitando uma (possivelmente) analogia fantasiosa, ele pode ser chamado de “São Francisco de Assis do século vinte”, tão competente é a bondade e sinceridade do arquétipo que representa. Palavras são escritas e ações são planejadas, mas ele tem em si mesmo a especialização de consciência que projeta essa qualidade arquetípica. Outros atuam e cantam, são divertidos e impõem respeito ao público, mas existe um só BING CROSBY, o “trovador do mundo” e, arquetipicamente, o amigo de todos a quem contata. Quem não gostaria de possuir o poder da amizade que ele simboliza? Ele enternece os corações mais duros, e com sua absoluta tranquilidade – suas atuações são as mais naturais – simboliza a personalidade descongestionada expressiva, gentil e persuasiva ao invés de arrogante, com uma percepção do bem inerente a todos. Se as pessoas que assistem a seus filmes reconhecessem que, como indivíduos, precisam apenas emular esse arquétipo e descristalizar resíduos de malícia, inveja, ciúme, impulsos maléficos etc., não só desfrutariam ainda mais das atuações dele como também estariam guardando seu exemplo no coração. Bing Crosby personifica verdades da natureza humana regenerada – seu trabalho é uma série de sermões por meio da atuação e do canto. Pessoas do mundo inteiro o amam porque ele externa delas as melhores potencialidades internas do coração e do espírito. Você considera Bing Crosby – na tela – como uma “ficção imaginária” completamente longe de você e de sua vida, ou reconhece que ele empunha um espelho que reflete aspectos de suas próprias gentilezas, amigabilidade e harmonias inatas? Pense nisso com muito cuidado.

Rodolfo Valentino, um latino-europeu de aparência extraordinariamente bela, personificou em seu tempo um ideal romântico que superou em poder a de qualquer outro ator de sua classe. Psicologicamente se poderia dizer muito sobre a influência que esse homem exercia na consciência das mulheres americanas. Por desagradável que seja dizê-lo, é verdade que o miasma do puritanismo é uma mancha como influência nas Mentes e Corações do povo por muitos anos, e essa influência tem impedido as pessoas – milhões delas – de realizarem o ideal de cumprimento espontâneo do relacionamento no amor. O arquétipo representado por Rodolfo Valentino foi a completa antítese dessa “filosofia” falsa, materialista, corrupta e subnormal. A combinação de fatores tais como o fogoso temperamento latino, rosto e psique bonitos, mais uma grande habilidade em projetar a intensidade do magnetismo sexual, tornou possível para esse ator efetuar um arquétipo focalizado da personalidade masculina que externava, para o subconsciente feminino, o ideal de complementação do amor. Sob o encanto de sua vibração as mulheres reencontravam sua feminilidade básica e instintiva – o desejo de serem conquistadas, protegidas e transfiguradas pelo poder de projeção do homem habilidoso e culto. Nada na vibração e personalidade desse homem era absolutamente “americano”; ele representava um tipo de personalidade da graça, da cortesia e da habilidade de amar masculina e o fascínio cultivado de uma civilização passada. Pode ou não haver hoje na tela outros que se comparem favoravelmente com a vibração e habilidade especiais desse homem, mas ele foi a seu tempo o arquétipo daquilo que muitas mulheres, se não a maioria delas, buscavam como o parceiro amoroso ideal. Ninguém sugere que qualquer homem modele sua vida pela de Rodolfo Valentino, mas o que ele simbolizou poderia ser considerado e aprendido por muitos homens que permitem a congestão de seus conceitos de relacionamento homem-mulher pela falta de graça, ignorância, puritanismo – com seus complexos de culpa – e pela falta de percepção daquilo que é beleza verdadeira da mulher. Em suas representações na tela, Rodolfo Valentino prestou homenagem ao ideal de beleza feminina. Por vaidade pessoal muitas mulheres buscam forçar a homenagem dos homens por meio de adornos e artifícios, mas o homem, em última análise rende homenagem aos seus próprios ideais, nunca às máscaras e artifícios. Há uma lição a ser aprendida pelos homens na consideração do trabalho desse ator. O propósito oculto do seu trabalho na tela foi para que o homem percebesse, e inflamasse pela percepção, a verdadeira beleza da mulher e de tal modo que essa pudesse se converter na beleza que inspira.

Clark Gable, uma personificação do tipo Marte-Saturno-Mercúrio, é provavelmente a melhor réplica americana daquilo que Rodolfo Valentino representou como europeu. Ele tem sido designado, e com justiça, o maior arquétipo da personalidade masculina da atualidade na tela. Ele e todos os homens para toda gente – sua Lua em Câncer – indica sua faculdade oculta de “estimular o subconsciente coletivo”, e suas atuações são assistidas tão entusiasticamente pelos homens quanto o são pelas mulheres. É fácil imaginá-lo, em suas representações na tela, cumprindo uma forma de “sacerdócio”, até onde um sacerdote seja considerado a personificação de princípios de vida na religião cerimonial. Incrível como possa parecer o princípio, o significado oculto do trabalho desse ator é profundamente religioso, pois desperta na subconsciência das pessoas uma percepção intensa dos princípios masculinos da personalidade.

Os estudantes podem não ver qualquer ligação entre as palavras “religiosa” ou “espiritual” e os papéis de valentão, brigão, grosseiro e mundano interpretados por Clark Gable; mas sua pessoa e sua vibração transmitem um símbolo de recursos, tolerância, autoconfiança, força física, agradável e bom humor e, sobretudo, a qualidade coragem, que é a qualidade arquetípica regenerada da vibração de Marte (ele tem Marte no Signo Ascendente formando quatro Aspectos maiores, dispositado[19] pelo Regente da Carta e em Trígono com Júpiter e Saturno). As pessoas tendem, às vezes, a “adoecer internamente” por suas próprias futilidades, incompetências, fraquezas e com as daqueles que as cercam. Clark Gable apresenta a essas pessoas a realidade dos padrões de grande fortaleza física, mental e de caráter. Sua vibração estimula certamente um padrão de idealismo, posto que a coragem, a confiança própria, a resistência à força física são arquétipos de Marte, e como tal representam qualidades que todos procuramos realizar em nós mesmos. A trindade Lua-Marte-Saturno é a base astral de cada ciclo evolutivo; Lua-Saturno, como regentes do diâmetro estrutural Câncer-Capricórnio, representam a fonte paterno-materna do “Eu Sou” de Marte bem como seu cumprimento na maturidade. Uma maturidade forte e bem integrada pressupõe um Marte bem integrado, e as qualidades dinâmicas fortemente individualizadas do arquétipo de Marte que Clark Gable simboliza é uma essência vibratória que todos nós, seres humanos, temos com um potencial a ser cumprido e expresso. O apelo universal de suas caracterizações está retratado na combinação de dois padrões distintos em sua Carta: Câncer-Lua e Capricórnio-Saturno, com o Sol e o regente em Aquário e em Sextil com Urano; a posição de seu Marte no Ascendente e na 12ª Casa nos dá uma chave para o significado oculto de sua vibração como um símbolo da personalidade arquetípica.

Se você é alguém que se sente “compelido” a “se encontrar por meio das atuações cinematográficas”, e deseja se livrar dessa prisão simbólica, faça uma cópia de sua Carta sem os números dos graus; isso é o que o autor chama de sua “Carta de Luz Branca” – é o retrato simbólico de você próprio como um arquétipo. Estude-a com o propósito de determinar quais são seus pontos focais vibratórios (esqueça Quadraturas e Oposições nesse estudo) e comece a fazer algo para organizar sua vida de tal modo que você possa dar expressão mais completa e mais livre aos seus potenciais vibratórios essenciais. Estude o trabalho do ator e da atriz cuja atuação na tela “fascine” você, e então reconheça que alguma coisa na personalidade ou vibração deles também está em você. É seu direito e dever encontrar a sua verdade como uma expressão individualizada do arquétipo humanidade. Ao começar essa reorganização você se verá gradualmente livre de compulsão de se identificar por meio de outrem – e então seu prazer pela arte teatral e pelo entretenimento será mais sincero, pois você será cada vez mais capaz de desfrutá-lo e apreciá-lo por ele mesmo. A arte de viver é descobrir quem imaginamos ser e o que imaginamos de nós próprios.

 

CAPÍTULO III – A CURA

 

A arte de curar é uma extensão impessoal do amor bipolar dos pais (pai e mãe). A preservação do corpo gerado é um dos fatores envolvidos na responsabilidade dos pais; a sabedoria, que é o conhecimento destilado da experiência por meio das encarnações, é acrescentada ao instinto amoroso básico da paternidade para formar a essência das artes de curar pelas quais a humanidade, servindo, preserva e protege o composto de suas miríades de corpos. Consideremos um mandala básico indicativo dessa extensão:

Primeiramente, um círculo com o diâmetro vertical, os Signos de Câncer e Capricórnio nos pontos inferiores e superiores, respectivamente.

Isso é o mandala essencial da paternidade/maternidade – o maternal e paternal do abstrato “EU SOU” do Ascendente. Em estados primitivos, a humanidade funcionava instintivamente na paternidade/maternidade, obedecendo ao apelo do instinto gerador como a realização de um desejo expresso intensamente – talvez com um pouquinho do que poderia ser chamada “afeição”. Com a concepção, criação e conservação dos filhos ao acaso, a humanidade primitiva cumpria a responsabilidade de gerar a forma. Contudo, com a evolução e o desenvolvimento do potencial de amor, os pais desenvolveram também uma consideração aos filhos como indivíduos, e com essa consideração nasceu o desejo de compreendê-los. Pode-se dizer que as artes de curar nasceram com o primeiro ser humano que exercitou seu pensamento e sua engenhosidade, como expressão de uma instintiva proteção paternal, para preservar a vida de outrem. Essa pessoa hipotética, quem quer que fosse, projetava do potencial amor-sabedoria uma imposição da Mente e Vontade, sobre o fenômeno da Natureza, para realizar o início do desejo de serviço amoroso impessoal. O ser humano sempre tende a ampliar o relacionamento de sangue no desenvolvimento de seus potenciais. Primeiro seus pais, irmãos e irmãs, cônjuge e filhos; a seguir membros do clã ou da tribo a que pertença; depois membros de outro clã, e assim por diante – até que ele alcance uma oitava de consciência em que perceba um vislumbre de seu relacionamento com todas as pessoas. Ele “cuidava” primeiro de seus animais porque dependia deles para trabalhar e comer; no entanto, com o “vislumbre do relacionamento da vida” ele percebia que está relacionado com seus animais tanto quanto com seus parentes e outros seres humanos; em consequência, ele ampliava seus conhecimentos de cura para beneficiar não apenas a vida de pessoas, mas também a de animais. O universalista é descristalizado a tal ponto que o que quer que tenha de potencial de serviço amoroso se irradia para todas as criaturas que dele necessitem.

Acrescente agora ao mandala acima o diâmetro Peixes-Virgem; os pontos equivalentes a Câncer-Peixes e Capricórnio-Virgem são ligados por linhas curvas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.

Vemos, desse modo, um filme cinematográfico composto do diâmetro Câncer-Capricórnio voltado aos nove Signos, vindo e repousando nos Signos que representam a oitava de sabedoria da paternidade. “A Sabedoria que nasce da experiência evolutiva” é o significado arquetípico de qualquer padrão de Signo da nona Casa. Um pai devotado, mas não esclarecido, pode envidar todos os esforços para curar um filho amado, mas a sabedoria resulta na arte de se fazer qualquer coisa, de acordo com os princípios essenciais. Portanto os médicos especialistas, os clínicos, os cirurgiões, as enfermeiras, os dentistas, os ginecologistas, as dietistas, os homeopatas, os veterinários, os psiquiatras, etc., constituem a grande fraternidade de terapeutas, dos “pais e mães impessoais” que consagram seus esforços à manutenção da saúde interna e externa de todas as criaturas. O mandala do curador exotérico é o do diâmetro Virgem-Peixes polarizado por Gêmeos, regido por Mercúrio e a terceira Casa a partir de Áries. Gêmeos é conhecimento concreto, e compreensão derivada da observação dos fenômenos físicos e do estudo de fatos e dados registrados. A abordagem exotérica às artes terapêuticas se baseia em um conceito de que o corpo por si mesmo é a fonte de seus próprios males e, assim sendo, foi o meio através do qual o ser humano foi levado a se familiarizar com a estrutura e funções do seu veículo físico. Em seus primeiros estágios de evolução ele só conhecia o que via ou percebia por meios físicos; sua consciência e apreciação da vida se focalizava em sua reação ao mundo objetivo ao seu redor. Por conseguinte, ele estudava seu corpo observando o que acontecia a ele sob certas condições e experiências. Aprendeu os diferentes tipos de reação à dor de que era capaz quando seu corpo era afetado por forças ou agentes externos de maneiras específicas. Por ser essencialmente objetivo, este, “mandala de cura”, polarizado por Gêmeos, é o mandala de toda arte diagnóstica pertinente a qualquer ramo de cura interna ou externa. Diz respeito também às artes da cirurgia e tratamento médico que se aplicam diretamente à condição física.

O ser humano começou a aprender sobre seus efeitos externos bem cedo nas etapas evolutivas, mas não tardou muito para que ele percebesse como suas condições internas afetavam seu bem-estar físico. O (hipotético) primeiro ser humano a se dar conta de que uma condição emocional ou mental tinha influência direta na condição de seu corpo, como causa de uma anormalidade, foi também o primeiro terapeuta esotérico. Foi o primeiro a reconhecer a coexistência da vida subjetiva com a vida objetiva. Suas observações foram a origem daquelas que se desenvolveram a seguir e relativas à causa subjetiva de toda anormalidade ou desarmonia física – ferimentos, assim como doenças. Em suma, tais observações se referem à causa de destino maduro das desarmonias físicas (a obra “O Faraó Alado”, de Joan Grant[20], fala-nos de como os grandes sacerdotes-curadores do antigo Egito percebiam, por meio do exame clarividente, as causas internas das desarmonias físicas). O imortal Paracelso[21] pode ser mencionado como uma “síntese” (na história relativamente recente) desse “primeiro terapeuta esotérico”. Acrescentemos agora a este mandala o símbolo de Sagitário, polarizando a Gêmeos, formando assim a cruz Comum da instrumentação, a extensão do mandala do curador exotérico, a imagem do ser humano como um instrumento para a sua própria cura.

A principal congestão envolvida é a congestão na ignorância, a “cegueira quanto aos princípios”, que é a causa última de toda doença e lesão física. O ponto inicial dessa cruz é o Signo de Fogo Sagitário – correspondente a Áries da Cruz Cardeal. A identidade é: “Eu sou um curador”.

Agora, para ficar mais claro, “construa” o mandala de Sagitário como segue: Sagitário na horizontal esquerda; Virgem na vertical de cima; Gêmeos na horizontal direita; Peixes na vertical de baixo.

A cura, radiação de preservação de Sagitário, é polarizada pelo conhecimento de Gêmeos; o diâmetro dos pais é o diâmetro do serviço abstrato Virgem-Peixes. O instinto primitivo maternal de Câncer é mostrado aqui como sendo a maternidade universal do compassivo Peixes; o instinto primitivo paternal de Capricórnio, exaltação do princípio masculino, Marte, é mostrado aqui como a governança do elemento de Terra, por meio de Virgem, como sabedoria se expressando por meio do serviço amoroso. Agora acrescente a quinta e nona cúspides e os Signos apropriados, Áries e Leão, respectivamente; ligue os três pontos de Fogo por linhas retas formando o Trígono da individualização dinâmica que caracteriza todos os grandes curadores esotéricos; cada um desses, pela própria natureza de seu propósito e cumprimento de responsabilidade, é um precursor no que diz respeito a que cada um acrescenta um ponto de compreensão que serve para transcender as limitações do conhecimento puramente exotérico.

Todo curador, não importa a que ramo de arte pertença, que aplique uma percepção inspirada das causas internas das lesões e doenças é um curador esotérico; somente aqueles que só se focalizam no corpo devem ser considerados “puros exoteristas” das artes de curar.

O potencial de amor (quinta cúspide) desse mandala focaliza a arquirregeneração da coragem e todo curador esotérico deve expressar essa virtude para poder trabalhar na cura. A maioria da humanidade é, e como sempre tem sido, “exotericamente propensa” – congestionada nas aparências externas e cega para as realidades internas. Remover o véu da ignorância de tal modo que o ser humano possa ser alertado para o fato de que “ele mesmo é a causa de suas próprias desarmonias” requer uma coragem intrépida e um zelo ardente da parte dos grandes curadores. O instintivo “medo do desconhecido”, que caracteriza a ignorância, sempre foi o maior desafio à integridade pessoal dos curadores, e esse desafio tem de ser enfrentado com o exercício do mais dinâmico impulso representado por Áries, de Marte. Leão, na nona cúspide desse mandala, focaliza a vibração de “poder e autoridade” do Sol na Casa que diz respeito à compreensão e ao ensino. Quem, nas artes de curar, poderia presumir ou ousar apresentar especulações como verdades concernentes à cura subjetiva, isto é, sem a autoridade da verdadeira compreensão dos princípios envolvidos? Vemos, nesse ponto do mandala, o “reinado da verdadeira compreensão”, a “nobreza das percepções iluminadas”. As verdades do externo, importantes e significantes como são para o desenvolvimento das artes da cura, são imagens refletidas das verdades do interno. O Leão da nona Casa é a “sabedoria que irradia amor”, e a expressão de verdades percebidas do interno é a essência da cura em qualquer plano; essa sabedoria é uma contribuição vitalizante às experiências humanas sob qualquer aspecto.

Assim, como Câncer é o símbolo daquilo que impele a consciência da mulher a sacrificar sua matéria corporal para a encarnação de Egos, do mesmo modo Peixes, como Signo da quarta Casa do “mandala do curador”, é o sacrifício espiritual, feito por todos os verdadeiros curadores. A “matéria” desse sacrifício é a idealidade de todos os curadores, homem e mulher, oferecida continuamente para que o ideal de saúde possa se manifestar na experiência humana. Assim como a mulher primitiva amava instintivamente seu bebê, do mesmo modo, a polaridade feminina em todos os seres humanos ama o que é jovem, o que é desamparado, o que é não desenvolvido. E “não desenvolvido” significa “ignorante”. O sacrifício oferecido pelos curadores por meio da idealidade é, com frequência, infinitamente pior que qualquer sofrimento físico. Ter uma visão de uma humanidade radiantemente saudável comprometida continuamente pelas forças congestionadas e sombrias do materialismo, do preconceito, da estupidez e da inveja é, para o espírito, uma crucificação que pode ser – como tem sido – um degrau insondável. O coração maternal de todos os curadores suporta essas lacerações em serviço do mesmo modo que a mulher, em grau diferente, suporta a dor da gestação e do parto. Portanto, esse é o quadro que se apresenta a todos os que podem ser curadores: estarem dispostos a neutralizar as forças da congestão por uma expressão contínua de sua idealidade e de seus impulsos simpáticos. Nesse serviço de caráter universal, tudo em sua natureza que é, ou tem sido, “Mãe” alcança múltiplas oitavas de consciência a fim de que todos se beneficiem da expressão de seus impulsos compassivos e simpáticos.

Se o desejo de curar deriva da essência maternal, feminina, então o verdadeiro trabalho de cura é derivado da essência paternal como uma universalização ampliada do princípio inerente ao Trígono de Terra, iniciado por Capricórnio de Saturno, mas focalizado nesse mandala por Virgem de Mercúrio, a “posição masculina” desse Planeta mental. Toda simpatia no mundo pode ser, do ponto de vista vibratório, um meio de cura, mas a totalizada das artes de cura é tão complexa e os fatores com que lidam são tão variados que, nos processos evolutivos, se impõe a aplicação de muito estudo e observação. A polarização de Sagitário por Gêmeos e de Peixes por Virgem nos mostra que o conhecimento real de todos os planos de existência, em termos humanos, representa a conclusão ou o cumprimento (complementação) do impulso ou instinto básico pelo qual o ser humano busca fazer de si um instrumento para os poderes curativos. Todo o estudo e aprendizado pela experiência serve, por fim, ao propósito de alertar a consciência do curador para a compreensão de que a saúde é um atributo universal. Um pai humano e inteligente não concebe que sua responsabilidade abarque o “fazer tudo pelo filho ou filha”: ele sabe que sua responsabilidade é guiar e alertar o filho ou filha para exercitar seus potenciais individuais. Do mesmo modo, o curador, como um “pai universalizado”, estuda a enfermidade e as lesões com o propósito de alertar o paciente (seu “filho ou filha”) para que esse se torne consciente da própria responsabilidade no assunto. O “coração de pai” do curador diz: “Meu filho, você precisa aprender porquê você está nessa condição, e deve se exercitar para clarear o entendimento dos princípios do seu corpo”.

O curador, um ser humano evoluinte com problemas como qualquer outro, pode – e às vezes acontece – se congestionar e “escorregar para trás” no cumprimento do seu serviço universal. Ele é, como qualquer outro, um aspecto do Grande Mandala que fornece pistas sobre certos perigos especiais se o curador opera a partir de uma base de congestões na consciência.

O Signo de Câncer simboliza não apenas “o lar e a vida privada”, mas é arquetípico da consciência de apego a uma raça, nacionalidade ou religião em particular. Todos esses fatores fazem parte da nossa “consciência de ninhada” e servem de “modelos evolutivos”. O curador “congestionado em Câncer” é alguém que pode se empenhar ao máximo em ajudar a outra pessoa “de sua própria classe”, mas que pode se recusar a ajudar alguém que, em relação a ele, está “fora do cercado”. Perícia ou habilidade à parte, tal ação mostra ignorância dos princípios das artes curativas. O Signo de Capricórnio, focalizado por Saturno, é ortodoxia, organização e normas convencionais. É através da vibração de Saturno, em certos padrões, que a individualidade do curador é desafiada por “aquilo que foi estabelecido como normas e éticas profissionais”. Todos os grandes curadores são grandes por causa de sua individualidade e pela bravura de suas convicções inspiradas. A avidez por dinheiro, aplausos e “reputação”, que caracteriza curadores cristalizados, é uma força composta que frequentemente desafia a integridade do indivíduo. Se esse vence tal desafio, sua Luz continua ardendo brilhante e puramente; se ele sucumbe a qualquer fator dessa força sua Luz, cedo ou tarde, enfraquece e se dispersa. O curador não pode “vender sua Luz rio abaixo” cedendo àquilo que é cristalizado e sem princípios e esperar mantê-la clara e iluminadora. A contemplação de Sagitário por Gêmeos, não regenerado é congestão na conquista intelectual à custa do impulso espiritual. Se um curador reage aos desapontamentos e dificuldades com uma atitude de cinismo e antipatia crescente, ele pode ser tentado a procurar consolo “voltando-se para os livros e se afastando das pessoas”. Um curador existe, como tal, por causa das necessidades de outros seres viventes e não por aquilo que está nos livros. O conhecimento deve “casar-se” com o ideal espiritual para completar, tanto quanto possível, o serviço amoroso, que é a razão de ser do curador.

Qualquer estudante de astrologia que deseje inaugurar um período de estudos pertinentes a Cartas de curadores ou a fatores astrológicos relativos a “habilidades para cura” deve preparar sua Mente para tal estudo lendo, em primeiro lugar, biografias de grandes curadores, isso para “sintonizar” o espírito com a natureza humana, sintonia essa que faz os curadores. Ele deve se familiarizar “mercurialmente” com os passos significativos dados no sentido de se desenvolverem nas artes de curar por meio da evolução humana. No plano intelectual, isso é comparável à “meditação sobre mandalas”, uma vez que a Mente é, desse modo, sensibilizada à vibração dos curadores. Sugiro também que leia a extraordinária Canção de Bernadette – de Franz Werfel[22] – como “um imperativo” a todos os estudantes que desejem sensibilizar sua percepção da instrumentação dos grandes curadores e dos meios ocultos pelos quais se estabelecem os grandes centros de cura. A literatura teosófica e Rosacruz é, naturalmente, um insondável manancial de conhecimentos relativos ao assunto cura.

Umas poucas observações gerais: as artes cirúrgicas são caracterizadas pela vibração de Marte; as de tratamento medicamentoso e diagnósticos, pelas de Mercúrio. A Lua e Vênus são relevantes nos padrões que se referem às especializações femininas; Saturno, para a quiroprática e ortopedia. Uma pessoa dotada de poder vibratório de cura, geralmente, tem um Sol fortemente aspectado e claro, com ênfase nos Signos Fixos, especialmente Escorpião e Leão. Os Signos de Peixes e Câncer e o Planeta Júpiter são “básicos” nas Cartas de cura. Se o curador é autêntico, ele é um preservador – e Júpiter é o princípio de preservação e do melhoramento. A 12ª Casa – a casa do cumprimento do destino maduro de responsabilidade para aqueles que estão limitados – deve ser configurada nas Cartas dos que servem em hospitais ou outras instituições de saúde. Vênus pode ou não ser relevantes em tais Cartas, mas a Lua deve sê-lo, uma vez que é o símbolo da simpatia maternal instintiva e também o da necessidade pública. Uma forma de cura inspirada pode ter lugar na consciência de qualquer um que estude o assunto cura – e o astrólogo, “irmão gêmeo” do curador esotérico, deve irradiar cura por amigabilidade, percepções e amor impessoal. Ele funciona como um “curador da psique” por alertar a consciência da humanidade para as verdades dos princípios de vida.

 

CAPÍTULO IV – A FRATERNIDADE DO ASTRÓLOGO, DO ARTISTA, DO SACERDOTE E DO CURADOR

 

Pode-se definir “relacionamento” como “o sentido, propósito e significado de uma coisa relativamente à sincronização de sua consciência com a de outra coisa para a qual é atraída pelas leis de vibração simpática”; todas estas leis são inerentes à Lei de Causa e Efeito e aos princípios de criação e Epigênese.

Existem apenas dois padrões básicos de relacionamento, cada um dos quais manifesta-se por meio da difusão em inúmeras oitavas por todo o Cosmos. O primeiro destes é o relacionamento criador – a relação mútua entre o macrocosmo e o microcosmo. O primeiro aspecto deste relacionamento é o do Incognoscível para o (que poderia ser chamado) Logos da arquigaláxias. O composto de arquigaláxias em qualquer ponto no tempo é o Cosmos total manifestado; cada arquigaláxia é um “ponto estrutural” do Corpo Cósmico, O segundo aspecto (ou oitava) deste relacionamento é o do Logos de cada arquigaláxia com os Logos de suas galáxias; o terceiro é o relacionamento entre o Logos galáctico e os Logos de seus sistemas solares; o quarto é o relacionamento entre cada Logos Solar em uma galáxia nos Logos planetários do sistema dele. Resumindo: a identidade macrocósmica (da unidade para os logos solares) está para a identidade microcósmica (logos subsolares) assim como a criatividade (função da vida) está para a Epigênese. Em termos humanos, já que os humanos não são criadores, mas sim epigenitores, a oitava mais transcendente do seu padrão de relacionamento é a do regenerador universal para superconsciente, consciente e subconsciente coletivo do arquétipo Humanidade; a oitava mais densa é a do relacionamento biológico (Epigênese sexual) de pais e filhos entre si.

O segundo padrão de relacionamento é o da fraternidade, que pode ser definido como “O relacionamento dos macrocosmos entre si e dos microcosmos entre si pelo paralelismo da faculdade criadora ou epigenética”; além disso, uma vez que toda manifestação é “microcosmo” relativo ao Incognoscível, fraternidade é o relacionamento das coisas entre si por atração magnética através de sincronização das similaridades e dissimilaridades dos estados vibratórios. A esfera mínima de fraternidade é uma coisa de relação a outra; em todas as relações fraternais as duas coisas implicadas têm pelo menos um ponto de similaridade em um ponto de dissimilaridade mútuas. O ponto de dissimilaridade mútua torna possível a ação epigenética na vida do relacionamento. A ação criadora é irradiação partida de uma fusão auto desejada de poderes de polaridade; a ação epigenética é irradiação de potenciais de polaridade partida da resposta ao estímulo de poder de uma oitava superior. Pense nisso. Um ser humano relativamente atrasado em um ponto particular de consciência é estímulo epigeneticamente pelo contato vibratório com outro que é relativamente evoluído nesse ponto. O ponto em comum é o ponto na consciência ou ponto da faculdade que uma procura cumprir; ambos caminham de mãos dadas no cumprimento dessa particular aspiração. O “ponto de dissimilaridade” ´w o contraste entre o cumprimento relativo de um e o descumprimento relativo do outro. O primeiro irradia para o último; este absorve do primeiro. Por conseguinte, e uma vez que o relativamente maduro deve dar e o relativamente imaturo deve receber, cada um serve para proporcionar o avanço do outro.

O Incognoscível não tem fraternidade com nenhuma outra coisa; Ele é o Uno, o Tudo o que é., mas o que poderia ser chamado de “energia essencial” é a essência bi-una, a polaridade. Na polaridade encontra-se a oitava arquimacrocósmica da fraternidade; sua bi-unidade (dualidade na unidade) manifesta-se como:

1) Vontade: positiva, projetante, impregnante, masculina, macho.

2) Imaginação: negativa, magnética, receptiva, reagente, feminina, fêmea.

A interação desta bi-unidade torna possível toda função criadora e epigenética em todas as oitavas e ciclos por todas as identidades específicas. O significado do número dois pode dar muito o que pensar. Ele não é realmente “dois uns”: na realidade é a exteriorização dos potenciais de polaridade do um. Se polaridade é a “energia essencial” bi-una do Cosmos (a vida interna da unidade), então o dois é o arqui-símbolo da difusão dos potenciais da polaridade. A “Humanidade” é um aspecto da unidade porque é um arquétipo; a dualidade deste arquétipo é a “difusão” a que chamamos homem e mulher. Sexo (macho ou fêmea) é a representação física da bi-unidade; gênero (masculino e feminino) é a difusão bi-uno do gênero; o masculino deste atributo é a expressividade, o feminino é a reatividade. Estas duas palavras, por sua vez, compões o que poderia ser chamado de “atributo de aptidão para experiências” e experiência é, humanamente falando, Epigênese – o desenvolvimento evolutivo de potenciais. As quatro palavras (dois e dois) macho, fêmea, masculino e feminino são os pontos estruturais de nosso ser epigenético; pela nossa consciência delas, nós identificamos a nós mesmos e aos outros com0o fatores na família humana arquetípica, e por elas manifesta-se nossa consciência individualizada de todo possível padrão de relacionamento humano, contanto que pertençamos ao arquétipo “humanidade”. O propósito de nossa evolução é o cumprimento perfeito de consciência por meio das experiências como fatores de relacionamento.

No sentido absoluto, toda manifestação no Cosmos tem fraternidade com cada uma e todas as outras, porquanto todas são “filhas do Incognoscível”. Se escolhemos fazer o esforço, possivelmente nós humanos poderíamos experimentar um sentimento de fraternidade com os habitantes dos Planetas de outros Sistemas Solares assim como com os do nosso próprio sistema. Podemos, contudo, por analogia, perceber intelectualmente a fraternidade das oitavas superiores da Vida considerando a inter-fraternidade das fontes criadoras em ordem descendente até a identidade a que chamamos “Logos Solar”. Isto representa o aspecto exotérico do relacionamento fraternal arquetípico – o paralelismo por identidade através da similitude do atributo criador. Em ordem descendente, denominaremos as fraternidades de: Logos arquigalácticos, Logos galácticos, Logos Solares, regentes Planetários, regentes dos Satélites e, em termos terreno, os membros de cada onda de vida específica, cada arquétipo, cada espécie de cada arquétipo. A fraternidade dos mamíferos, por exemplo, inclui todos os humanos, gatos, baleias, roedores, etc., mas cada uma dessas espécies é em si mesma uma fraternidade. Existem também duas fraternidades em cada arquétipo, a dos machos e a das fêmeas. Este aspecto exotérico de fraternidade refere-se à forma, identidade, padrão de estrutura, padrão de instinto, e potencial criador ou epigenético. E o “quem e o que” da fraternidade manifestada. Dilate um pouco sua mente para considerar este “agrupamento fraternal” das formas de Vida.

O aspecto esotérico de fraternidade tem a ver com a inter-relação por paralelismo do desenvolvimento evolutivo à fonte criadora – em nosso caso, nosso Logos Solar. Como habitantes da Terra, nós somos fraternais aos habitantes de todos os Planetas do nosso Sistema Solar – todos derivam da mesma fonte criadora. Em sentido mais condensado, nós (como o mais elevado desenvolvimento epigenético nesse Planeta) temos uma fraternidade mais intima com o mais elevado desenvolvimento de cada um dos outros Planetas do nosso Sistema Solar. Outra condensação subjetiva: nós, neste Planeta, somos muito mais intimamente fraternais com todos os outros cujos cumprimentos e descumprimentos de identidade são semelhantes (paralelos) aos nossos. Esta fraternidade transcende em significado todas as outras que se referem ao sexo, raça, nacionalidade, etc. É uma fraternidade das oitavas de consciência, e todos os membros de fraternidades de almas magnetizam-se entre si por meio da atração entre suas similaridades e dissimilaridades para desenvolvimento epigenético. Todos os músicos, por exemplo, do mais primitivo ao mais culto, são fraternais entre si porque todos os que pertencem a esta fraternidade têm em comum a similaridade da expressão estética – não importa o grau de diferença na esfera deles. A arquifraternidade dos operários tem sua difusão bi-una no empregador e no empregado, mas todos os membros de ambas as classificações (em geral ou especificamente) são paralelos entre si no tipo de serviço que prestam ao progresso da vida humana. Esta fraternidade, pouco evoluída, vive congestionada no conceito de que “o motivo para se trabalhar é o dinheiro”; na condição de evoluída, seu conceito é que “o dinheiro é uma avaliação externa e uma expressão de intercâmbio entre as pessoas – e que o serviço amoroso é o ideal a ser realizado”. Em cada fator da experiência humana um princípio une as pessoas em grupos pelo inter-relacionamento – o princípio do “interno” da atividade do trabalho; a ação externa é o meio pelo qual a realização do princípio evolui. Cada princípio de vida abriga ou protege (como o faz o Grão-Mestre de uma loja ou organização espiritual) toda fraternidade humana em que ou através da qual a realização da verdade é destilada.

Considerando, portanto a natureza da fraternidade damo-nos conta claramente do fato de que aquilo que chamamos “entidade” é uma designação do nosso sentimento acerca de alguém; não é, nem pode ser jamais, a designação de uma identidade específica. Os sentimentos de entidade são congestões da consciência de amor, congestões dos poderes epigenético, etc., que sentimos quando nossos descumprimentos são estimulados pela vibração de outro. Nenhuma parte do horóscopo humano representa uma delineação de “inimigos, declarados ou secretos”, porque nenhum ser humano é “inimigo” de qualquer outro. As partes do horóscopo que nos ensinaram a delinear deste modo (filosoficamente falso) são aqueles que, quando estimulados por pontos semelhantes na Carta de outrem, levam-nos a dar-nos conta de nossos sentimentos de culpa, frustração e insegurança. Até nos conscientizamos de nosso paralelismo com a pessoa, nós identificamos estes sentimentos por palavras tais como ódio, medo, antipatia, desgosto, etc. Dizemos então, que odiamos, tememos, detestamos a pessoa. Isto não é realmente verdadeiro; nós odiamos nossa ignorância, nossas congestões e nossos falsos ideais; não odiamos pessoas.  No momento em que nos cientificamos da verdade de que algo nessa pessoa corre paralelo a algo em nós, começamos a vislumbrar nossa fraternidade (união) com ela; algo em nossa consciência que deseja (aspira) se descristalizar e evoluir, imediatamente começa a atuar nesse ponto para nos conscientizar de nosso paralelismo regenerado com tal pessoa. Um exemplo de misericórdia na vida, nada menos. Na opinião do autor, dada em um artigo anterior, as intensas congestões resumidas pelo Signo Fixo Escorpião, regido por Plutão, encontram sua arqui-descristalização no Signo Gêmeos – porque este Signo é o símbolo astrológico da essência da consciência de fraternidade.

Tendo em mente que (simbolicamente falando) as linhas retas são abstrações das curvas, considere o fato de que o símbolo deste Signo de Ar e Comum é o único dos doze formando por quatro linhas – duas horizontais e duas verticais. Assim sendo, eles são as abstrações dos quatro semicírculos iniciados pelos pontos estruturais cardeais do Grande Mandala Astrológico. Representa também, sob outra abordagem, a “quadruplicidade” do que é inerente aos diâmetros vertical e horizontal do Grande Mandala – o quádruplo composto de gênero-sexo da família humana arquetípica: duplo Gerador, duplo Gerado – macho e fêmea, ambos como expressores e como reatores. Isto retrata a essência do paralelismo entre pais e filhos no sentido de que todos os pais já foram filhos e de que todos os filhos têm o potencial epigenético de se tornarem pais, ou “dadores de vida”. Portanto representa o paralelismo de todas as manifestações porque todos os criadores foram epigenitores e todos os epigenitores têm os potenciais para se tornarem criadores. Para o epigenitor o criador é “irmão mais velho”; para o criador o epigenitor é “irmão mais novo”. Aquele que está mais próximo da unidade é o “mais velho” em qualquer arquétipo. Observa-se a fraternidade do casamento na similaridade do poder epigenético do macho e da fêmea humanos sincronizando com a complementação da dissimilaridade da função física. A ação fundida de duas unidades sexuais humanas provê a quádrupla sincronização (expressiva) reativa de macho e fêmea – a fraternidade epigenético da transmissão de vida. Esposo e esposa são “irmão e irmã” no serviço amoroso da paternidade. Pense nisto quando se sentir inclinado a lançar toda a culpa por sua infelicidade matrimonial (se é seu caso) em sua companheira. Talvez você precise lembrar-se da fraternidade que é profunda e intrinsecamente inerente ao relacionamento. Aos que podem estar congestionados por maus sentimentos contra um dos pais: lembram-se de que vocês e seus pais são fraternais por serem membros da mesma família; suas similaridades e dissimilaridades foram o que os atraiu uns aos outros para cumprimento mútuo. Conheça-se estudando e percebendo tais similaridades – vocês não dispõem de melhor fonte de ensino.

Relativamente ao assunto em pauta, a fraternidade do astrólogo, do artista, do sacerdote e do curador envolve a fraternidade dos regeneradores epigenético. Em relação à fonte, estes são representados pela cruz mutável – os difusores dos canais de sabedoria e poder regenerador. E como tais eles são, neste plano, os “irmãozinhos de Deus”. Mas em relação aos ignorantes, congestionados, cristalizados, etc., eles são representados pela cruz fixa, iniciada pelo Signo de Fogo Leão, um símbolo daquilo que corresponde à nossa Fonte Criadora, a “humanização da Divindade”. Os inspirados Irradiadores de Poder neste plano são os “reis da Terra”; embora Capricórnio-Câncer represente abstratamente o princípio da “paternidade das formas”, Leão-Aquário representa o princípio da “paternidade dos Espíritos”, pois é por este diâmetro que o poder criador solar libera-se através desta manifestação (dizem os ensinamentos ocultos que nosso Sistema Solar teve seu começo – ou iniciou sua manifestação – quando o Sol por precessão estava no Signo de Leão, o Signo da fonte irradiante). Touro-Escorpião é o aspecto desejo da faculdade criadora, e é o símbolo bipolar de nossa qualidade criadora como epigenitores. Leão-Aquário, contudo, é a Fonte do poder epigenético – é o atributo amor em que, e por meio do qual, encontramos nosso Centro Divino. Antes de haver o sexo havia o amor, e a fraternidade dos regeneradores é a que revitaliza a consciência espiritual XXX a partir de suas liberações da mescla do poder Sol-Urano. Como tais, os regeneradores são nossos irmãos e irmãs mais velhos e fraternais com nossos Espíritos, do mesmo modo que nossos pais e mães o são para nossa expressão como corpos neste plano.

Os grandes Regeneradores deste Planeta podem parecer, e às vezes parecem, deuses para os menos evoluídos. Eles conhecem sua fonte de poder e têm destilado a sabedoria para irradiar esse poder consoante os princípios do cumprimento. Possuem extensões de nossos próprios atributos que os fazem assemelharem-se a super-homens. Tornam patente nossa Idealidade Interna, a de nós próprios como individualizações de nosso conceito de Deus. Suas irradiações de poder como iluminação por sabedoria, amor, beleza e cura alcançam o mais íntimo do melhor de nós mesmos – eles acendem um fragmento do Eu que habita eternamente dentro de cada um de nós; em consequência, por seus serviços alcançamos uma percepção de nossa divindade inerente – experimentamos uma transfiguração de consciência que nos faz parecer habitantes de um mundo celestial. Porque é de nossa natureza personalizar nossas reações e sentimentos, dizemos que amamos a estas pessoas: amamo-las sim, mas o que realmente queremos significar com isto é que, como resposta à sua ignição de nossa consciência, nós percebemos, mais claramente que nunca, esse amor que é Deus, a glória transcendente, transfiguradora, transformadora, a qual é nossa sintonia – ao menos por pouco tempo – com aquilo que nossas vidas realmente devem ser. É parte implícita de nosso serviço como humanos manter viva essa “magia” e, através de sua regeneração de nossa consciência, irradiar a inspiração, a alegria e o amor, que cura aos de nosso círculo imediato de relações e conhecidos. Nós também podemos ser “canais” para os poderes mágicos do Bem, cada um do seu próprio modo e de acordo com seu desenvolvimento e aspiração.

Lembremo-nos de que (embora semelhantes a deuses) mesmo os mais evoluídos desta Fraternidade de Regeneradores são humanos neste plano, E é perfeitamente possível que cada ou qualquer um deles possa congestionar-se em algum fator específico de sua consciência pessoal. Ainda que devotados e relevantes, devemos fazer concessões, até mesmo aos mais profundamente amados, a que eles próprios como indivíduos cometam seus “erros humanos” e exercem o direito de aprender dos resultados desses erros. Quando amamos ao ponto de sermos sinceramente gratos pelos serviços inspiradores prestados, e liberamos as dores da desilusão e do desapontamento por os nossos “mais velhos” revelarem ter pés de barro, nós elevamos e purificamos a qualidade de nossa resposta vibratória e, liberando-as das congestões pessoais, lhes possibilitamos ficarem livres para regenerarem e curarem a si próprios. A “liberação” que oferecemos na forma de devoção amorosa verdadeira é a essência daquilo que eles têm visado ensinar-nos; evolução regeneradora é o processo de libertar-se das congestões, e, quer seja por meio de resposta às artes, ao ensino religioso ou filosófico aos meios de cura, ou por coisas semelhantes, nós experimentamos liberação em toda resposta a agentes regeneradores. O regenerador que se congestiona no falso orgulho, na ânsia por aplausos e aclamações, na cristalização intelectual, enfraquecendo suas forças irradiantes ao usá-las como um substituto para a frustração pessoal e não para o serviço amoroso, está simplesmente reagindo com algo em seu ser que se refere à sua parte “ainda humana”. O astrólogo, o sacerdote, o artista e o curador podem deparar (e deparam) com estes pontos em suas experiências; a tendência de permitirem aos desapontamentos pessoais tirarem-nos de linha, a tentação de se congestionarem no auto isolamento, na obstinação e no preconceito, os desafios do mundo material das finanças e dos meios materiais, etc., são todos, para os membros desta fraternidade, pontos críticos de experiência; muito depende deles – tanto há que ser enfrentado – para que esse clareamento de canais e força irradiante possa ser mantido. O astrólogo deve buscar sempre as verdades da vida tal como são representadas em sua Carta; ele não pode realmente perceber os valores totais na Carta de outrem a menos que deseje ver os seus próprios com desprendimento e discernimento. Esta é a primeira de suas responsabilidades ocultas; da qualidade de sua determinação para cumpri-la enquanto avança pela vida dependerá a qualidade do seu serviço amoroso e sábio aos outros.

Concluindo, um pensamento fraternal a todos os regeneradores que escolheram o caminho da orientação astrológica: que a flor do lótus de sua alma desenvolva a perfeição do seu branco e dourado nas águas serenas da ilimitada e verdadeira simpatia; que a rosa vermelha do amor e da coragem inspiradora floresça na Cruz de suas identidades e a glorifique.

 

CAPÍTULO V – REGOZIJOS ASTRAIS

 

A polaridade de nossas ações físicas é um estudo muito fascinante. Por exemplo: na COMUNICAÇÃO: o masculino fala; o feminino ouve; na INSTRUÇÃO: o masculino ensina; o feminino aprende; na NUTRIÇÃO: o masculino mastiga e engoli; o feminino digeri e assimila; no SER FÍSICO: o masculino é ação e expressão conscientes; o feminino, reação e reflexo. E assim por diante. No primeiro desses mostramos as qualidades e atributos de nossa polaridade projetora, o segundo mostra nossos níveis reativos e subconscientes de ser humano. A consciência espiritualizada tem “regozijo” como polaridade masculina, e “felicidade” como a feminina, polaridade reativa. “Felicidade” é aquilo que resulta, como reação, das ações e expressões jubilosos. “Regozijo” é a qualidade do Espírito que impele nossas expressões de Amor e Sabedoria.

Isso pode ser colocado deste modo: nós nos movemos por meio da experiência no regozijo da felicidade para a felicidade. A experiência é, naturalmente, a sequência de nossas ações e reações através das nossas encarnações. O regozijo não é diferente da “faculdade” – ela é um poder da consciência. O que chamamos de “dor” é uma reação a algo estabelecido pelo “descontentamento” – expressões de energias congestionadas no desejo negativo e na ignorância. A “dor” (como uma qualidade de nossa faculdade reativa) pode ser chamada de “gestação e dores de parto da felicidade” – é a felicidade “gritando para ser reconhecida”.

Na simbologia astrológica o Aspecto Sextil é o mecanismo que transfere o “potencial da dor” para o “potencial de felicidade”. Quando um ser humano exercita regozijamente os poderes dos seus Sextis, ele está transferindo mais rapidamente suas energias congestionadas para aquilo que se registrará da próxima vez – ou em futura encarnação – como Trígono. Os Aspectos de Trígonos são padronizações de consciência que registram os resultados de exercícios espiritualizantes anteriores, e são “contas bancárias” para uma futura e maior exercitação espiritual. Todo Astro, como um “órgão no corpo vibratório” é, em potencial, uma liberação da consciência de regozijo, pois cada Astro, como um “focalizador” de um Signo zodiacal, é um “ponto distribuidor” das expressões do espírito. Cada Astro em determinada Carta deve ser entendido desse modo, a fim de que o leitor e intérprete astrológico possa determinar, intuitivamente, as espiritualizações que as necessidades evolutivas da pessoa requerem dela nessa encarnação.

Utilizemos os mandalas para esclarecer esse pensamento: trace dois círculos. Ponha em um deles os grandes Trígonos entrelaçados representando os pontos de cúspide dos Signos de Fogo e de Ar do Grande Mandala.

Esse desenho começa pela qualidade projetora e dinâmica de Áries no Grande Mandala ou pelo Signo Ascendente do horóscopo natal. Esse é o mandala do regozijo humano, para machos e fêmeas; é o potencial de todo ser humano para expressar, pela identidade, como um “filho do Deus Pai-Mãe”, as irradiações de Amor e Sabedoria. Qualquer Signo pode ser o Ascendente, portanto qualquer Astro pode ser o focalizador vibratório dessa energia espiritualizada.

No segundo círculo, coloquem os grandes Trígonos entrelaçados correspondentes aos Signos da Terra e de Água.

Esse desenho é a faculdade de ambos, macho e fêmea, reagirem às expressões espiritualizadas partindo de recursos de uma consciência espiritualizada. É o mandala da felicidade – a faculdade de reagir e realizar em termos das oitavas superiores de consciência. Em virtude da vertical (Capricórnio-Câncer) ser a linha dos ancestrais fica demonstrado que o ser humano reage com felicidade naquilo que ele mesmo construiu (“propiciou”) pelas expressões de sua própria consciência. A “verticalidade” é reproduzida no mandala Fogo-Ar nas linhas Leão-Sagitário e Aquário-Gêmeos. Essas linhas verticais “encerram” ou “padronizam” a dupla “irradiação” de Fogo e Ar Cardeais para Fogo e Ar Fixos e Comuns.

Interpretado: a IDENTIDADE (macho expressivo e fêmea expressiva) irradiando poder Divino como amor e como sabedoria. Esses dois Trígonos dinâmicos simbolizam a polaridade expressiva das mais altas oitavas da consciência humana individualizada; representam, abstratamente, as “sínteses das virtudes na expressão”. A horizontal do mandala Fogo-Ar é reproduzida nos Trígonos do Terra-Água pelas linhas Touro-Virgem e Escorpião-Peixes. Uma vez que a horizontal Áries-Libra, em relação a Capricórnio-Câncer, simboliza “aquilo que é gerado”, as horizontais dos Trígonos Terra-Água “padronizam” as irradiações para os Fixos e Comuns a partir dos dois pontos Cardeais da linhagem. O horizontal Touro-Virgem é a base do símbolo que usamos na astrologia para o Aspecto Trígono. Dos quatro triângulos, esse é o mais perfeitamente estático – e o que simboliza os resultados mais perfeitamente.

Um estudo dos três Signos da triplicidade de Terra nos revela que esse Trígono é gerado (iniciado) pelo Signo de Capricórnio, o qual, esotericamente falando, é o poder de assumir e cumprir responsabilidades – o emblema da consciência humana amadurecida. Esse ponto inicial é o ponto de exaltação de Marte: a expressão autodirigida e o controle autoiniciado da potência da energia. A irradiação de Capricórnio a Touro, Fixo-Terra e Signo da quinta Casa de Capricórnio, “conecta” ou “canaliza” o princípio e poder do cumprimento da responsabilidade ao princípio administrativo e intercâmbios equilibrados. Touro é regido por Vênus, o princípio do equilíbrio, e neste Signo está o ponto de exaltação da polaridade astral de Capricórnio – a Lua, Regente de Câncer.

Touro, além disso, é o Signo da décima primeira Casa de Câncer da Lua, e a liberação do gerado para seus cumprimentos individualizados é a Iniciação por meio do princípio administrativo. A segunda “irradiação” de Capricórnio é para Virgem, abstraindo dois terços do círculo representados pelo arco que vai de Capricórnio a Virgem passando por Touro. Virgem é a dignidade de Terra de Mercúrio, e é a oitava de sabedoria (Signo da nona Casa) do poder do cumprimento da responsabilidade de Capricórnio. Essa responsabilidade, canalizada por meio do poder de Mercúrio, é aquela de pôr em uso reto e serviço correto, aquilo que foi aprendido. A Dignificação[23] de Ar de Mercúrio é Gêmeos, a polaridade feminina do diâmetro da educação (Sagitário-Gêmeos) e, como tal, é o princípio do Aprendizado, da “inalação do conhecimento” e da “resposta ao estímulo do saber interno”. Conforme falamos, o autor está convicto de que Mercúrio, como Regente de Virgem, está Exaltado no Signo de Ar-Fixo de Aquário, a oitava do amor da triplicidade do Ar iniciada por Libra, Signo Cardeal e de Ar regido por Vênus. Como tal, a consciência de fraternidade da triplicidade de Ar está correlacionada e sintetizada com a triplicidade de Terra, quanto à responsabilidade espiritual para cumprir os relacionamentos humanos por meio do poder do amor como “fraternidade”, a essência do regozijo no relacionamento humano e o sumário das mais elevadas aspirações do coração do ser humano.

Nesse estudo estamos lidando com a astrologia de seres humanos enquanto estão encarnados – “consciência fundida com o universo material”. Usamos o triângulo baseado horizontalmente como nosso arquissímbolo da consciência humana espiritualizada, porque é aqui nesse plano que percebemos as exteriorizações de nossos esforços alquímicos do passado e temos a responsabilidade de expressá-los ainda mais no relacionamento com nosso semelhante. Entretanto, na representação da triplicidade de Terra está implicada a triplicidade de Fogo – assim como Capricórnio, ou qualquer outro Signo da cúspide, está implicado nos potenciais do Ascendente abstrato, Áries. A triplicidade de Fogo foi expressa, em certa medida; a triplicidade de Terra é a destilação resultante na consciência e nas condições externas de Capricórnio, como um Signo de Exaltação, tem inerente os poderes de Marte amadurecidos pela “associação” com os poderes de Saturno.

O Aspecto Trígono entre dois Astros implica a condição de um grande Trígono em formação. Todos os grandes Trígonos são “altas marcas d’água evolutivas”, pois três pontos de um elemento (Fogo, Terra, Ar e Água) são padronizados ou “estruturados” como resultado de expressões regeneradas anteriormente. Um Trígono entre dois Astros é (por analogia) a nota de cem por cento em sua folha de exame para determinada matéria durante o período escolar; um grande Trígono é a nota de cem por cento em seu exame final e que o qualifica para a promoção com honras. A implicação é que, havendo destilado o grande Trígono, você está qualificado para expressar aqueles poderes, não apenas para “gozar a promoção com honras”. Qualquer Carta que apresente um grande Trígono mostra o pábulo espiritual para ser usado na regeneração de congestões no Mapa. É por isso que alguns astrólogos dizem: “Não gosto de ver um grande Trígono numa Carta; a pessoa sempre tenta considerar as coisas demasiadamente fáceis – e por isso não se esforça”. Isso só acontece porque a pessoa (representada pela Carta) ainda não aprendeu que os estados de desenvolvimento são poderes que precisam ser usados. Qualquer um que apenas desfrute de seu grande Trígono e ignore as medidas corretivas é como aquele que se gradua com distinção, mas não aplica aquilo que aprendeu quando ingressa nos negócios ou na vida profissional – vivem simplesmente “vangloriando-se de suas notas altas”. Os Trígonos e grandes Trígonos não implicam em maestria – somente maestria relativa em termos do status evolutivo. O horóscopo de um habitante das selvas de Bornéu[24] poderia registrar um Trígono, mas isso significaria somente que a pessoa possuiria uma qualidade superior em comparação com os outros silvícolas. Aqui se aplica os princípios básicos sem consideração à identidade externa, mas algum conhecimento dessa identidade ajuda o astrólogo a interpretar a qualidade evolutiva dos Aspectos Trígonos.

Os Astros, em relação um ao outro, ou são “Dignificados” ou “dispositados”. Se eles estão Dignificados, eles se encontram nos Signos que regem; se eles estão dispositados, eles se encontram nos Signos regidos por outros Astros. Um Astro Dignificado que esteja em Trígono (quer o “simples” ou o “grande”) nos indica que a pessoa terá, nessa encarnação, uma grande variedade de experiências nas coisas a que o Astro se refere. Um Astro   Dignificado está em um Signo na primeira Casa; sua “condição de Trígono” informa que nesta encarnação a pessoa vai expressar, dinamicamente, um resíduo profundo de poderes destilados em muitas encarnações passadas. Ela, no que tange a esse Astro, “retornou às suas bases após uma excursão pelo Zodíaco”, estando agora qualificada, pela indicação do Trígono, a irradiar com grande efeito – e para um grande bem – em termos dos princípios do Astro. Tal pessoa estará provida de muitos objetivos, na direção dos quais pode “irradiar”, bem como de muitos “meios reflexivos”, por reação aos quais poderá desfrutar a realização dos resultados de suas expressões espiritualizadas passadas. Um Astro Dignificado que esteja sob um grande Trígono é um dos fatores mais importantes a estudar na Carta. Tal Astro e um “arquipoder” para ajuste regenerador da roda inteira. Um Astro Exaltado sob grande Trígono representa a máxima expressão astral na astrologia humana. Tal posição indica frutificação de Iniciação espiritual no passado; um Astro exaltado e sob Trígono simples indica o mesmo, mas em uma oitava inferior.

Isso é, no entanto, um poder tremendo que, se expresso correta e progressivamente, faz a pessoa aparecer no mundo dos outros humanos como uma personificação da luz branca. Os Astros Dignificados e Exaltados (com Trígonos e grandes Trígonos) representam, geralmente, uma notável amplitude nas circunstâncias externas, porque esses padrões e poderes representam nossa consciência da infinitude do poder e do amor de Deus. Portanto, uma certa abundância de bem pode ser percebida nas circunstâncias externas. Outro “padrão de Trígono”, que é merecedor de muito estudo, é o do posicionamento de Astros em seus próprios Signos da quinta e nona Casa. Chamemos de “um” o Signo da Dignificação do Astro, e em cada caso conte em volta da roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio (ou no sentido zodiacal) e verifique se quaisquer dos seus Astros estão assim posicionados em relação aos seus Signos de Dignificação. O autor crê que todos os Astros assim posicionados, não importa a colocação dos Signos ou os Aspectos astrais, tem um certo significado espiritual especializado, pois na “excursão zodiacal” do Astro ele alcançou aqueles “pontos” que representam os momentos de expressar seus princípios em termos de poder do amor e poder da sabedoria. Exercite muita elasticidade utilizando a abordagem das palavras-chaves nesse estudo. É complicado, mas cedo ou tarde a intuição deve entrar para se encarregar daquilo que o intelecto não pode alcançar. O uso de mandalas simplificadas é uma técnica esclarecedora que torna possível ao seu intelecto e intuição focalizar nos pontos específicos.

Clarificando sua percepção das diferenças básicas entre as palavras “regozijo” e “felicidade” o resultado é uma elastização de sua abordagem aos Aspectos de Trígono que produzem resultados notáveis. Assim como o nascimento no plano físico marca uma culminação (do processo de gestação), do mesmo modo ele marca o início da encarnação com suas possibilidades de crescimento, expressão e realização. Podíamos falar do regozijo da união amorosa (expressão mútua) e da felicidade experimentada pelos pais quando seus filhos nascem normais e saudáveis; ou do regozijo dos exercícios e treinamento musical e da felicidade pelo êxito do primeiro recital. E assim por diante – há muitos exemplos semelhantes que podem ser considerados como representativos do Aspecto Trígono exteriorizando em termos de registro ativo e passivo.

Assim, pois, o regozijo cria a felicidade. Mesmo o esforço intensivo, a luta, a agonia da Mente e da Alma, e todos esses estados de grande emoção podem gerar, basicamente, intensas sensações de alegria. É o regozijo que nos faz cumprirmos o que nos é exigido a despeito de todos os aparentes obstáculos externos ou internos. No regozijo nós vitalizamos nossas expressões com o máximo do nosso: poder de amor, poder da devoção, poder da fidelidade, poder do melhoramento, poder da harmonia, poder da estética, poder da simpatia, poder da inteligência, poder físico, etc. Os grandes seres humanos desse mundo, a despeito de quão “infelizes” nos pareçam suas vidas, são basicamente intensos em suas sensações de alegria, porque os Poderes Divinos do Amor e da Sabedoria são canalizados por meio deles. Seus “elementos pessoais” podem registrar descumprimento de muitos modos, mas as pessoas VERDADEIRAMENTE GRANDES são muito mais que “apenas gente com lares, esposas, maridos e cargos”. Eles, e o que fazem para expressar suas consciências, são atitudes do divino para esse plano – os grandes terapeutas, artistas, escritores, professores, humanistas, todos testificam do invencível poder do regozijo para se cumprir a realização dos ideais. Eles não pensam na vida em termos de “alguma coisa para ser regozijada”, no caminho fácil como a maioria de nós pensa. Eles abordam a vida como sua oportunidade para expressar ao máximo o mais elevado e melhor que existe neles – para cumprirem seus padrões especializados da lei e do progresso evolutivos.

Os “que não expressam regozijo” são mental e emocionalmente apáticos, desatentos, indiferentes, desleixados; eles existem ema ações cujas respostas para as coisas estão em si mesmos onde, a maior parte, não compreendem. Os que expressam o regozijo são conscientes – profundamente conscientes – e, naturalmente, objetivos; expressam seus recursos e cumprem seus objetivos com um foco de poder, inteligência e devoção que os qualifica a mudar o rumo da evolução humana para cima e para frente. Em qualquer época existem relativamente poucos gênios encarnados, mas todo ser humano pode aprender a viver regozijamente, no sentido de que todos que querem sê-lo podem se tornar mais claramente cônscios de sua identidade divina e de seus recursos divinos. Quando consideramos a nós mesmos como “vermes aos olhos de Deus” é que nos separamos de nossa identidade de “Seres em regozijo”. Em verdade nós somos “centelhas da chama de Deus”, e os atributos da centelha são luz, calor e movimento para cima.

Reconhecer que qualquer Astro pode ser o Regente de um horóscopo e que todo Signo tem seu lugar no símbolo do Trígono nos ajuda a conhecer que nenhum ser humano está excluído do privilégio de viver regozijamente. A velha “imagem” de que “a miséria é nosso fardo” só é verdadeira quando nos expressamos miseravelmente, limitada, temerosa e congestionamente, sem reconhecer os potenciais divinos e os objetivos espirituais. Toda ação que executamos, toda reação que experimentamos, toda expressão emocional e todo pensamento que alimentamos tem uma qualificação vibratória particular, e isso significa que todas essas coisas podem ser traduzidas em oitavas superiores de regozijos na expressão e felicidade na reação, se escolhemos fazê-las assim.

O Signo de Leão, regido pelo Sol e como Signo da quinta Casa do Grande Mandala, será utilizado nessa exposição como o arquétipo da consciência do regozijo. Quando uma percepção mais clara de nossa identidade solar e poderes solares se revela gradativamente, por meio de uma alquimia em andamento, reconhecemos uma maior amplitude de capacidades e objetivos. Nosso Pai Solar é a Fonte de TUDO o que somos, temos ou podemos alcançar em nossa condição de humanos, e a percepção de nossa unidade com essa Fonte nos alinha, em consciência, com a presença e disponibilidade da abundância solar em todos os planos. Uma pessoa de coração verdadeiramente regozijado é assim porque se dá conta, até certo ponto, da disponibilidade dessa abundância – ela está relativamente livre dos receios constritores que, na maioria de nós, minimiza a quantidade e qualidade das nossas expressões e reações enquanto atravessamos uma encarnação. Pelo exercício da consciência Solar se pratica o autoconhecimento e a auto-orientação, que são as raízes de toda segurança; os resultados são estudados e os erros aprendidos, e isto é a essência de toda verdadeira educação. A expressão da consciência Solar significa uma maior amplitude do dar, que é o contrário ao instinto natural de “receber” da pessoa limitada e insegura. Com a neutralização dessas limitações e inseguranças, a consciência de amor floresce como a rosa vermelha em seu ramo – a percepção do bem essencial, nos outros seres humanos, toma cada vez mais o lugar do preconceito, da represália, do ciúme e do medo. O tempo é percebido como um “aliado” e não como uma limitação; as responsabilidades legítimas são vistas como canais para o amadurecimento e não como fardos pesados e degradantes. Todos os poderes astrais são derivados do Poder Solar; consideremos cada um por sua vez como um canal – singularmente qualificado – para a expressão do regozijo.

MARTE – Regente de Áries: regozijo como ação física e desenvolvimento físico; o regozijo de enfrentar desafios internos e externos com coragem; a boa esportividade pela qual o instinto de competição serve para estimular mais e melhores esforços; o regozijo da infância – o interesse e a consequente atitude para as “coisas novas”; o regozijo do pioneirismo e de “entalhar novos caminhos”; em uma consciência mais elevada esse regozijo é a coragem moral dos poderes dinâmicos expressos por meio da integridade pessoal para assegurar o direito, tal como é entendido pelos indivíduos; é esta qualidade no aspirante que o capacita a “enfrentar o inimigo em si mesmo” e a vencer este “inimigo” por meio de uma vida regenerada; é o instinto de autopreservação convertido no “regozijo de proteger os seres amados, um trabalho amado ou ideais amados”; é a coragem como um canal para expressão do amor.

VÊNUS – Regente de Touro: regozijo como o senso de “identificação com a natureza”; a autoexpressão em termos de satisfazer as próprias necessidades físicas por meio de intercâmbios corretos com a natureza e com as outras pessoas; amor pelas coisas da terra, cultivo da vida vegetal por sua utilidade e beleza; o uso correto dos serviços da vida animal; o regozijo como a expressão da boa-vontade nos negócios financeiros – expressar o coração por meios financeiros; a devoção ao princípio da reta administração em todos os planos e de tal maneira que o equilíbrio seja mantido; o regozijo como forma de expressão pelas quais nossas contribuições aos aspectos físicos da vida humana são feitos em termos de valores e padrões estéticos.

MERCÚRIO – Regente de Gêmeos: regozijo como o exercício de uma Mente aberta nas funções do aprendizado; o regozijo da comunicação pela palavra escrita e falada; os intercâmbios de pensamentos e ideias pela fraternidade das línguas em que as Mentes se unem na mutualidade e as diferenças externas são minimizadas; o regozijo em expressar aquilo que foi aprendido pelo estudo da Lei de Causa e Efeito – base de toda educação espiritualizada; as ações baseadas na resposta para todas as oportunidades de aprender – exotérica ou esotericamente; a arquioitava dessa vibração é o regozijo da comunicação, que é fraternidade ativada.

LUA – Regente de Câncer: regozijo como qualidade do coração que nos impele a expressarmos em termos de nutrição, conforto e proteção; esse regozijo é baseado primitivamente no autossacrifício – a “alimentação da vida pela renúncia do ‘eu’”; é o regozijo do amor materno, e em sua qualidade se vê o regozijo arquetípico de dar; as verdadeiras dádivas, nutrição e proteção dependem de uma sintonia simpática com as verdades, e o regozijo da dádiva sacrificial é elevado a níveis cada vez mais altos, quando se exerce o discernimento de tal modo que o bem dos outros é o que nos leva a alimentá-los. Simpatizar com as verdadeiras necessidades de outrem estimula as nossas melhores expressões por meio desse regozijo – quando, então, nós somos alertados das nossas capacidades máximas de prover certo grau de satisfação para a necessidade que se apresenta. O sacrifício – em qualquer nível – que se faz em resposta à compulsão pode ser notavelmente completo, mas verdadeiramente regozijado é o sacrifício voluntário, de iniciativa própria, porque tal expressão se baseia na integridade. Essa vibração é a base essencial de toda contribuição em alimentos para o bem-estar e progresso da família, nacional e internacional. Aqueles que dão à raça pela raça muitas vezes são crucificados por suas dádivas, mas para o coração regozijado e “possível oportunidade de crucificação” não diminui a qualidade da contribuição oferecida.

SOL – Regente de Leão: regozijo da irradiação pura, sem mácula, do poder do Amor, não importa a resposta ou retribuição; administração do poder em termos de equidade e honra; esse é o verdadeiro regozijo da hospitalidade, que se expressa por meio daquilo que foi estabelecido em Câncer; a qualidade particular do regozijo é o que caracteriza todos os grandes comediantes – cujas expressões de talento habilita-nos a reagir com risadas e consequente alívio de tensões. Leão é, essencialmente, regozijo como ampliação, de qualquer tipo, da expressão.

MERCÚRIO – Regente de Virgem: regozijo como utilização daquilo que foi aprendido; tais expressões resultam em serviço verdadeiro – exercício do conhecimento com discernimento. Por meio de Virgem começamos a “tocar o impessoal”, porque ele é a modulação dos seis Signos inferiores para os seis superiores do Grande Mandala. Ele é o regozijo de se fazer o trabalho de que se gosta e é também o regozijo de se amar aos colegas de trabalho – quer sejam patrões, companheiros ou empregados; essas pessoas são fraternais a nós de modo especial e impessoal. Virgem é o regozijo do treinamento especializado físico, mental e psicológico que nos prepara para o cumprimento relativamente perfeito do serviço que escolhemos na vida e para o “entusiasmo total” com que efetuamos esse cumprimento.

VÊNUS – Regente de Libra: regozijo de se expressar a consciência de “nós somos” – extensão, por polaridade, do EU SOU individualizado; o regozijo de aspirar incluir o bem dos outros em nossos planos e as expressões como amplificação dos nossos desejos de realizar nosso bem individual. Esse é o regozijo do intercâmbio amoroso – expressão mútua e reflexo mútuo da percepção do ideal humano; é o nosso regozijo de ser de tal forma que a beleza do arquétipo humano possa, até certo ponto, ser percebido em nós pelos outros, isso para que seus profundos sonhos de beleza possam ser, ao menos relativamente, gratificados. O regozijo de Libra é aquela expressão de poder da alma que chamamos de cooperação; é uma das arquivirtudes, e as pessoas que, com largueza e generosidade, exercitam o poder da cooperação são aquelas para quem o regozijo é um companheiro para a vida toda; a integridade dos corações verdadeiramente bons faz soar uma nota-chave simpática nos corações dos outros com um “poder de soerguimento”. Como resultado, a canção “nós somos” é cantada cada vez mais formosamente.

PLUTÃO – Regente de Escorpião: sem amor e sem beleza a prática geradora é uma compulsão frenética, autocentralizada, mas como uma expressão de amor mútuo ela se torna um regozijo intenso, transfigurante e cooperativo; como tal, ela é uma expressão dinâmica da liberação de profundos recursos de poder vibratório a fim de que os “ideais de parceria”, de cada pessoa envolvida, possam ser mais vividamente realizados; como expressão do amor, é a “Vida dando vida a si mesma” – as duas pessoas implicadas se identificam com o atributo procriador do Cosmos para a geração de novos veículos de vida ou para a geração de consciência de amor mais profunda de um para o outro.  Nos planos subjetivos, Escorpião representa as expressões dos mais profundos alcances de potencial e de consciência – as devoções e consagrações mais intensas. É o regozijo do mártir, do devoto e do asceta – de qualquer um em quem os fogos do desejo personalizado foram transmutados em oitavas superiores de amor impessoal. Tal pessoa não é somente o sacerdote – ela é seu próprio altar e sua vida é sua Missa. Suas regenerações são os sacrifícios que oferece, diariamente, para que a vida vá mais para frente e mais para cima. O regozijo de Escorpião é êxtase, pois suas expressões são liberadas a partir de nossas potencias e aspirações mais intensamente comprimidos e focalizados.

JÚPITER – Regente de Sagitário: regozijo de ensinar; esse Planeta é a polaridade de Gêmeos de Mercúrio e, como tal, é a irradiação da sabedoria; sua posição como Signo da nona Casa do Grande Mandala e Signo da quinta Casa de Leão nos diz que todo verdadeiro ensino é uma expressão de amor. O estudante (Mercúrio-Gêmeos), sendo amado, é ensinado; o mestre (Júpiter-Sagitário), sendo amado, ensina. Júpiter significa o regozijo de todo os exercícios, de todas as cerimônias, de todos os rituais e festivais religiosos – a dramatização simbólica que alinha a consciência humana com as percepções mais elevadas dos princípios de vida. Exaltado no Signo da Lua, Câncer, Júpiter representa o regozijo da mais pura iniciativa própria no ato de dar – a verdadeira dádiva, livre de motivos dissimulados. Ele é o regozijo de todas as expressões autênticas pelas quais os miasmas e as distorções da ignorância são dissipados pelo poder do verdadeiro ensinamento; a instrução relativa à existência e natureza da Lei de Causa e Efeito representa o regozijo, na sua mais forma básica, do ensino de Júpiter.

SATURNO – Regente de Capricórnio: regozijo “sem palavras” do legítimo cumprimento de responsabilidade; os poderes de uma consciência amadurecida que capacita o ser humano a funcionar como uma “pedra angular” da família, nação e raça. O regozijo de planejar por meio do exercício da Mente amadurecida e de executar o plano eficiente e completamente, passo a passo, até que se realize. O regozijo de perceber a capacidade para assumir, sem compulsão externa, aquilo que deve ser cumprido. O regozijo de viver na retidão que não “confina nem inibe” – isso amadurece a consciência para o progresso evolutivo. Esse regozijo é profundamente paternal em essência; é o regozijo do pai, em termos humanos – e o do Redentor, nas oitavas superiores da consciência.

URANO – Regente de Aquário: quando o ser humano integrou a sua consciência por meio de muitas encarnações de aderência à Lei Espiritual, o regozijo de Urano brota como regozijo da alma libertada; tal ser “dança onde quer, mas sem pisar nos pés dos outros”. Esse é o regozijo do gênio criador e da profecia; é “Amor que percebe a Alma de outrem” – não é mais “amor que idolatra o corpo”. É o regozijo de toda cooperação impessoal ao grupo – e a irradiação do companheirismo, que é a fraternidade estendida a uma esfera sem limites. É a “criatividade” ou “qualidade de manifestação” pelas quais as belas verdades do arquétipo humano são reconhecidas e compreendidas. Essa vibração é o regozijo da revolta do ser humano contra aquelas coisas, em si mesmo, que o impedem de realizar a verdadeira fraternidade; é o regozijo do exercício alquímico pelo qual as congestões e inibições são liberadas a oitavas de maior expressão; é o regozijo de todas as ressurreições – a “transcendência de todos os túmulos”.

NETUNO – Regente de Peixes: o regozijo da oração dinâmica; o “suspiro de Amor do Eu Superior nos Éteres”; a expansão da consciência que resulta de meditação concentrada e a resultante percepção mais clara dos ideais. O regozijo de toda expressão artística inspirada – particularmente a do músico e a do ator. É o regozijo de se sintonizar na inspiração – e a da mais profunda e mais pura reverência do coração. Em virtude da exaltação de Vênus aqui, esse é o regozijo de se amar a vida e de se amar tudo o que a vida expressa. É esse amor que cria a beleza e o regozijo de se perceber as mais sutis e mais puras belezas perdidas da vida. É a verdadeira percepção por meio da qual todo o inferno é redimido – por meio dela, santos e salvadores curam definitivamente as feridas do Corpo, da Mente e do Espírito. É o regozijo de renunciar ao que “já não é necessário” para “abraçar o que é requerido agora”. É a fé com a qual se dão todos os verdadeiros passos de avanço – uma fé que se torna possível porque o amor à vida revitaliza a consciência e transforma as agitações do medo, ódio e da insegurança, na serenidade da paz e da sabedoria por meio do regozijo.

 

CAPÍTULO VI – RETRATOS DE PERSONAGENS SHAKESPEARIANOS

 

Do conjunto dos recursos de sua imaginação e de seus conhecimentos, o dramaturgo escolhe aqueles elementos do espectro da personalidade e experiência humanas, que são apropriados à sua concepção de um tema, e organiza tais elementos em forma dramática para serem interpretados por atores, atrizes e todos os demais que atuam em um teatro. Todas as formas de arte são representações destiladas da consciência humana; as obras de arte, como se fossem espelhos, refletem à humanidade representações intensas de si mesma e de suas experiências. O dramaturgo lida com a consciência, com a emoção e com a experiência humana em termos de expressões objetivas da humanidade; os temas dramáticos são apresentados e interpretados por seres humanos em termos de padrões de aparência, personalidade, atividade e relacionamento reconhecíveis objetivamente. Em suas atuações, os atores e atrizes são microcosmos simbólicos da própria humanidade – cada papel representado por um ator ou por uma atriz simboliza um fragmento da consciência humana de identidade e existência nesse plano.

Portanto, nas criações de um verdadeiro gênio como foi Willian Shakespeare[25] (ou quem quer que haja escrito usando tal nome!) uma qualidade multiforme de habilidade e compreensão artística tornou possível as caracterizações dramáticas que refletem o arquétipo humano, localizado por nome, sexo, período e nacionalidade, mas que realmente simboliza padrões universais da natureza e das experiências humanas. Cedo ou tarde todos nós nos encontramos face a face com Hamlet[26], com Cordelia[27], com Otelo[28], com Lady Macbeth[29], com Romeu e Julieta[30] em nós mesmos. Choramos ou rimos em resposta a essas e outras caracterizações, porque algo em nosso profundo conhecimento subconsciente de nós próprios é estimulado, quando vemos uma grande atuação em que se interpretam as concepções criadoras de um dramaturgo genial. Nossa própria existência – passada ou presente – é revista, em certa medida. As velhas lembranças, há muito esquecidas, de sofrimentos e alegrias são despertadas. Nossa consciência (do eu individualizado em muitas encarnações) é despertada outra vez, e aquilo que vemos no palco somos nós mesmos, condensados e focalizados pelos requerimentos dramáticos do tema que está sendo interpretado. Nós somos homem-mulher, somos todas as profissões, todas as nacionalidades, todo tipo de relacionamentos, todas as lutas, todos os fracassos, todos os prazeres e todos os sofrimentos. O dramaturgo, por meio dos princípios estéticos inerentes à arte dramática criativa e os atores, por meio dos princípios estéticos, inerentes a arte dramática interpretativa, reativam nossa consciência de todo o nosso ser, de toda nossa identidade como indivíduos e de todo nosso relacionamento com todos os outros indivíduos.

Estudantes de astrologia: preparem uma cópia do Grande Mandala astrológico, em círculo de doze Casas com Áries no Ascendente, os demais Signos em sequência – trinta graus para cada Casa; o Sol, a Lua e os outros Planetas nos Signos e Casas de sua Dignificação.

Meditem um pouco sobre esse mandala como o retrato composto simbólico da humanidade. É desse desenho e arranjo de símbolos que derivam todos os horóscopos humanos e representa a totalidade daquilo que é interpretado, criativamente ou não em todas as belas artes. É a imagem das identidades e experiências da consciência humana. Agora, sobre a arte dramática em especial, “personalizem” o Sol, a Lua e os Planetas como personagens no Drama da Vida Humana; deixem suas Mentes abarcarem a esfera dessas “personalidades” imaginando cada Astro (focalizador vibratório) em cada um dos Signos zodiacais, em cada uma das Casas ambientais, cada um aspectado (por Conjunção, Sextil, Trígono, Quadratura e Oposição) com todos os outros. Acrescentem os fatores de: ambos os sexos, todas as idades, todas as nacionalidades, todos os períodos históricos, e vocês vislumbrarão o tremendo espectro daquilo que é dar ideias para que o dramaturgo siga em frente com o assunto. Vocês e eu estamos nesse quadro – assim como somos, como temos sido e como seremos, enquanto a nossa identidade for “ser humano”. Agora vocês desempenham o papel que a consciência da vida de cada um criou. Os humanos, em sua vida terrena, são tanto dramaturgos quanto atores – cada um usa sua consciência para interpretar a vida.

A Arte do Teatro, mais diretamente que qualquer outra forma de arte, possibilita estímulos às lágrimas e risos no coração humano. Chorar e rir são duas maneiras pelas quais a vida nos possibilita descristalizar as tensões e congestões do plexo solar. Em resposta às agonias, sofrimentos, anseios e desesperos projetados na tragédia dramática, somos levados a chorar em memória às nossas próprias agonias e sofrimentos. Em resposta à palhaçadas, sátiras e caricaturas, nossos intelectos são “tomados de comichões” de tal modo que somos levados a gargalhadas incontroláveis diante dos reflexos de nossos despropósitos, constrangimentos e embaraços. Quando assistimos um drama romântico (do tipo final feliz) nós vibramos com emoções intensas, amor profundo, aspirações, esforços e pela percepção de ideais. O propósito oculto do drama trágico é induzir os sentimentos de simpatia por outros seres humanos – não a intensificação da autocompaixão. O da comédia e da sátira é para descristalizar as congestões na ostentação, na autojustificação, na hipocrisia e no excesso de seriedade – sacudindo-nos do nosso convencimento. O drama romântico tem seu propósito interno na intensificação de nossa consciência “do tom, da cor e do desenho” do nosso viver – para avivar a percepção de nossa maior capacidade para o amor, a devoção, o esforço e a aspiração. O “final feliz” das peças românticas é o simbolismo dramatizado da aspiração de todos os humanos para realizar ideais e evoluir por meio da regeneração e da transmutação. O “final feliz” nos recorda a bondade da vida.

A poesia e a nobreza da dramaturgia shakespeariana sustentam um espelho imenso em que a humanidade pode se contemplar. Desfrutemos o prazer de considerar algumas das caracterizações shakespearianas na medida em que elas representam “pontos focalizados” da natureza humana e padrões de experiência humana correlacionados com o simbolismo astrológico básico e simples.

ROMEU e JULIETA: do ponto de vista do Renascimento, esse drama teria sido verdadeiramente muito mais trágico em tom e efeito se os dois “infelizes amantes” houvessem permitido que uma adesão cristalizada aos preconceitos de família evitasse ou desfizesse sua união amorosa. O “Romeu e Julieta” em cada ser humano é aquilo que anseia pela polarização total chamada de Matrimônio Hermético; mas essa “união interna do eu com o ‘Eu’” só pode ser realizada pelo cumprimento das uniões e padrões do relacionamento por meio do amor. As “casas de Montague[31] e de Capuleto[32]” são “ídolos esculpidos” do preconceito de família e posição social, representados astrologicamente pelo diâmetro Câncer-Capricórnio e pelos Aspectos congestionados à Lua e a Saturno. Todos nós derivamos nossa encarnação de um padrão de família ao qual somos atraídos pelas leis de simpatia vibratória e pelo destino maduro. Entretanto, e no devido tempo, cada um precisa descristalizar as congestões desse padrão, de oitava a oitava, por uma expressão de amor mais puramente individualizada. Romeu “pulou o muro” para estar com sua Julieta; esse “pulo” é Urano descristalizando ou transcendendo os limites estabelecidos por Saturno, símbolo da “congestão das formas”. Personalizando um pouco: Romeu e Julieta foram designados, evolutivamente falando, para provar o poder do seu amor recíproco; seus desafios foram por meio da inimizade, da rivalidade e do preconceito de suas famílias. Embora morressem, a tragédia deles foi atenuada por sua devoção mútua – ao invés de sê-lo por receio à “imagem de família”. Todos nós, de vez em quando, temos uma encarnação em que deparamos com a oportunidade de provar a sinceridade das mais elevadas aspirações e ideais do nosso coração. E para tal, temos que usar os poderes representados abstratamente pelo diâmetro Leão-Aquário para transcender as fixações de Câncer-Capricórnio. Permanecer fixo em Câncer-Capricórnio é retroceder nos poderes evolutivos que trabalham para a libertação e para o progresso. A poesia luminosa da “Cena do Balcão”[33] representa a pureza radiante da retomada do verdadeiro amor; Romeu e Julieta amavam um ao outro desde uma encarnação passada, assim como nós amamos nosso “eu” ideal por meio de todas as nossas encarnações. A beleza inspiradora da peça – como poesia – tipifica o esplendor interno que acompanha o reconhecimento de nossos ideais.

O REI LEAR: esse drama é a tragédia do julgamento corrompido pela cobiça de aprovação – duplamente trágico porque quando a verdade é percebida, os negativos internos estão demasiadamente gravados para que se possam contrariá-los por um esforço construtivo ou regenerador. A compreensão da hipocrisia e desonra das duas filhas mais velhas, a quem havia valorizado demais, e a sinceridade e fidelidade de Cordelia, a quem ele subestimava e desprezava, fizeram Lear reagir de tal maneira que acabou enlouquecendo. Astrologicamente, parece que Lear é um retrato de “Júpiter afligido”. Ele baseava sua estima às filhas mais velhas nos protestos de devoção e afeto da parte delas – indício de que uma falta de sinceridade da própria natureza de Lear se refletia na falsidade de suas filhas. A cobiça delas por terras, dinheiro e maridos de altas posições eram reflexos da cobiça dele por aprovação. Nós podemos chorar – e choramos – diante da dolorosa tragédia do rei demente em seu excesso de autorrepulsa, porque nós também nos movemos pelo desejo e pela cobiça de sustentar o falso e desprezar o verdadeiro. O perceber que tal avaliação é erroneamente dirigida causa um dos mais terríveis tipos de desilusão, o tipo que pode desintegrar nosso autocontrole se formos incapazes de aprender da experiência decepcionante. Lear adorava a falsa imagem de si mesmo, sincronizada, até certo ponto, com a falsidade de suas duas filhas. Uma vez que podemos ser Lear, compete-nos contrariar os padrões negativos de Júpiter pela discriminação, pela sinceridade e pelo afastamento dos símbolos de crenças subconscientes e compensações. Cordelia personifica a sinceridade da autoavaliação – o conhecimento completo do que é verdadeiro e real. Quando desprezamos Cordelia nós nos escravizamos ao falso, às imagens traiçoeiras; quando amamos e valorizamos Cordelia, nós repelimos o falso e aderimos ao puro e verdadeiro.

OTELO: esse estudo dramático da destrutividade do ciúme justifica um pouco de consideração psicológica. Nós nunca – no verdadeiro sentido da palavra – sentimos ciúme de outra pessoa. O ciúme é ódio de si mesmo baseado em uma inferioridade real ou imaginária que, por sua vez, se baseia em alguma fase de discernimento de um potencial, ou em alguma faceta descolorida da autoavaliação. Otelo, se o personalizarmos um pouco, pode ter sentido inferioridade por causa de sua pele negra, especialmente em relação à sua esposa branca, Desdemona, que verdadeiramente o amava. Iago simboliza a astúcia e duplicidade da autojustificação – a falta de inclinação para exercitar a própria honestidade. O assassinato de Desdemona por Otelo simboliza o “assassinato que cometemos na consciência” quando, incitados por intensas racionalizações e justificativas negativas, “assassinamos” a verdadeira autoavaliação. Pelo exercício dessas racionalizações negativas, conferimos verdade a uma mentira e então trilhamos um caminho traiçoeiro até cairmos. As qualidades de nobreza que Desdemona amava em Otelo representam aquelas virtudes nos seres humanos que inspiram amor e honra; mas Otelo, cego pelo negativo interno, não podia perceber e valorizar a verdade em si mesmo. Iago, símbolo da aversão de Otelo por si mesmo, enfatizava a mentira – representando a Desdemona como tendo sido infiel. Otelo, sob pressão do negativo psicológico, preferiu acreditar na mentira. Incitado, além do suportável, pela pressão interna ele assassinou a coisa que mais amava – a verdade do seu casamento com Desdemona. Marte, como corregente de Escorpião, é a ação assassina destrutiva pela qual expressamos as liberações de nossos negativos escorpianos intensamente comprimidos – os níveis e áreas de desejos e poderes emocionais não transmutados. A salvação de Marte é a transmutação por expressões construtivas e inteligentes na ação. Otelo se traiu duas vezes: ao dar ouvidos à sugestão de Iago, e logo pondo em ação aquilo que representava seu desejo de “matar” o que Iago o induziu a crer. Um homem nobre, digno de amor e honrarias, jogou tudo fora por se concentrar em seu falso “eu”, ao invés de se focalizar em sua Realidade. Nós “matamos” quando pomos em ação nossa crença em uma mentira sobre nós mesmos. Um tema verdadeiramente trágico.

CLEÓPATRA: a morte de Cleópatra por suicídio não neutraliza, de modo nenhum, a força da peça Antonio e Cleópatra como um exemplo de drama romântico superior. Cleópatra, como personagem feminino, simboliza a combinação dos elementos Sol e Vênus na natureza humana. De acordo com a representação histórica e a de Shakespeare, ela era magnificamente dotada dos atributos de beleza e magnetismo físicos, inteligência, cultura e habilidade: uma mulher tão cônscia dos poderes internos que vivia sempre em termos de grandeza. Possuía uma riqueza enorme, que usava sem restrições. Tinha uma grande capacidade para amar – e se entregou de maneira magnífica e completa ao amor. Quaisquer que tenham sido seus pecados, não havia nada em sua natureza que fosse ignóbil, mesquinho, sórdido ou vulgar. Uma grande atriz – tal como Katherine Cornell[34] – projetaria essas qualidades de caráter e personalidade de tal maneira que o auditório experimentaria uma reativação do seu desejo e de sua aspiração de “viver pomposamente” – em termos de poder, riqueza, beleza, cultura, inteligência e habilidade, ao invés de continuar vivendo sob a desonra do aprisionamento e da degradação, Cleópatra escolheu terminar sua vida pelas próprias mãos; simbolizando, assim, AQUILO na natureza humana que deseja aprender para viver em termos de dignidade e respeito próprio. Alguns de nós nos arrastamos, de quando em quando, ao longo do medo ou dos sentimentos de inferioridade; mas isso não nos agrada, de modo que, cedo ou tarde, nos rebelamos contra o negativo interno. A “Cleópatra em nós” simboliza nosso desprezo pelo que é mesquinho e ignóbil; “ela” é aquilo em nós que nos faz anelar por experiências fulgurantes, enfrentadas e cumpridas com a coragem e confiança em nossas habilidades. Todos nós temos talentos, ambições, aspirações e anseios; a vibração do Sol – como Regente do Signo real de Leão – é aquilo que usamos como poder de autodeterminação e que é silenciado pela degradação dos “sentimentos e pensamentos mesquinhos”.

BEATRIZ E BENEDITO: “Muito Barulho por Nada” é uma das comédias mais agradáveis e encantadoras. Ela apresenta, de maneira alegre e espirituosa, a “velha história da batalha entre os sexos” – fonte de grande parte do que é apresentado no drama cômico através dos séculos. As posturas, artimanhas e invenções artificiosas que os homens e as mulheres adotam e se aplicam, mutuamente, em seu relacionamento são representadas por uma meia-volta do diâmetro horizontal no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio – Áries-Libra do Grande Mandala. Esses dois Signos representam a polarização da individualidade expressiva da humanidade – como “macho” e como “fêmea”. Cada um dos dois Signos desse diâmetro simboliza facetas de personalidade que são peculiares à masculinidade e à feminilidade, mas juntos eles formam um diâmetro; parecem ser “diferentes”, mas cada um é contraparte do outro. O drama Cósmico, em relação a esse assunto, torna possível para nós chegar a uma apreciação mais saudável de nossa polaridade subjetiva por meio do riso. Os humanos são inatamente bipolares – todos temos muita experiência no sexo oposto ao que nos expressamos agora. Quando reconhecemos que “sexo oposto” é simplesmente nosso “eu subjetivo”, podemos desfrutar e apreciar nosso “eu oculto” tal como somos representados no cenário cômico. Com o riso relaxamos os sentimentos subconscientes de tensão, e quando gargalhamos, rugimos e gritamos com as palhaçadas dos atores e atrizes de comédia que estão– às vezes de modo ridículo – interpretando os homens e as mulheres em seu mútuo relacionamento, refrescamos nosso ponto de vista sobre a polaridade humana. Beatriz e Benedito são os protagonistas da humanidade destinados a se enamorarem e terem experiências juntos – a despeito de preconceitos tolos, falso amor-próprio, e “imagens de desafeto”. A vida trabalha continuamente para nos inclinar um para o outro em favor do nosso desenvolvimento mútuo e do cumprimento dos potenciais simbolizados por Áries-Libra. Benedito é Marte que vê em Beatriz o encanto e amabilidade de Vênus; Beatriz é Vênus que precisa do “beijo de Marte” para despertá-la para uma apreciação clara de seu valor como mulher. Existe um pouco de Benedito e Beatriz em cada um de nós – podemos brigar e discutir por algum tempo, mas cedo ou tarde Benedito-Marte e Beatriz-Vênus conduzem a peça – de nossa experiência de relacionamento – a um final feliz por meio de sua união.

 

CAPÍTULO VII – A FACULDADE DA INTUIÇÃO

 

A intuição: nosso sentido interno e alado, o mágico poder perceptivo pelo qual um ser humano, após muitas e muitas vidas de regeneração, purificação e simplificação conscientes, está apto a captar instantaneamente um fato ou uma lei espiritual inerente a qualquer expressão de fenômeno, experiência ou relacionamento. A presença desse poder de percepção ou faculdade na consciência de um ser humano é evidência de sua dedicada perseguição da verdade e dedicado esforço para espiritualizar sua autonomia (autodomínio) por meio do Amor.

Os Egos que desenvolveram essa faculdade aparecem em muitos lugares através da história humana, mas agora eles estão encarnando em maior número que antes. Essas pessoas representam, até certo ponto, uma vanguarda no preparo evolutivo para a Nova Era; elas trazem de seus desenvolvimentos em vidas passadas a evidência do potencial de Intuição possuído por todos os humanos que, eventualmente, vão desenvolver e expressar. A presente expansão na exploração científica e na invenção exterioriza “o advento dessa Nova Era”, porque a capacidade humana para inventar mecanismos e instrumentos se baseia na percepção intuitiva dos princípios. Considere, por um momento, o mecanismo que exterioriza mais perfeitamente a faculdade de intuir: a calculadora eletrônica. Esse mecanismo fornece, quase instantaneamente, a solução acurada de combinações e problemas matemáticos tão complicados que pessoas altamente treinadas gastariam horas para resolvê-los. Reconheça, por correspondência, que a intuição humana em ação se baseia no mesmo poder de síntese e de acurada percepção que essa fabulosa máquina exterioriza.

A palavra “intuição” é derivada diretamente de dois radicais latinos que, juntos, significam olhar para dentro. Pela ação sincronizada dos dois olhos – expressão física polarizada da percepção visual – nós olhamos as coisas. Mesmo o estudo de uma radiografia revela somente aquele aspecto do Corpo físico que está por baixo da superfície externa. É pela ação do único olho da percepção autêntica, exteriorizada no Corpo físico pela Glândula Pituitária, que percebemos intuitivamente aquilo que está dentro do físico, aquilo do qual procede ao físico. Todo mecanismo singular já inventado pelos seres humanos representa a exteriorização de uma percepção intuitiva de um princípio do cosmos. Imagine a genialidade possuída pelo ser humano que pela primeira vez percebeu, intuitivamente, o princípio da roda e o reproduziu em forma física! Ou o princípio do barco, ou o uso do fogo, ou o princípio do rádio, da cinematografia; todos esses inventos, do mais simples ao mais complexo, foram percebidos como aplicações de princípios cósmicos à forma, e a percepção, em cada caso, foi experimentada internamente como função intuitiva. Em verdade se diz que o ser humano não pode inventar um aparelho ou mecanismo cujo princípio não corresponda a uma faculdade real ou potencial do ser humano. A recíproca pode ser: o poder interno dos humanos pode descobrir maneiras e meios de exteriorizar cada um e todo princípio do cosmos que corresponda às potencialidades do ser humano. O velho provérbio continua verdadeiro: “Não há nada de novo debaixo do Sol”[35]; há, apenas, diferentes modos de exteriorizar o que é percebido “debaixo do Sol”, e o perceber sempre é ação intuitiva, em certa medida. Somente as faculdades mais elevadas tornam possível a percepção daquilo que é “novo”, e de todas elas a Intuição é a única que mais diretamente evidencia a “regeneração do ‘eu’ pelo ‘Eu’”.

Uma das correlações mais perfeitamente puras que se pode achar em todo o âmbito da Astrofilosofia está entre a faculdade Intuição com o Planeta Urano. Há uma correspondência completa em todos os pontos dessa dupla identificação. Urano é o princípio libertador no cosmos.  A Intuição é a faculdade mais completamente liberada do Ego; Urano é o princípio da síntese; a faculdade da Intuição provê o Ego com a mais completa percepção sintetizada das coisas sob consideração; Urano simboliza a pureza do amor impessoal. A Intuição é este poder puro do Ego, quando está completamente livre das influências dos preconceitos – aprovação e desaprovação pessoais; Urano, no reino da consciência genérica, simboliza o perfeito equilíbrio polárico do verdadeiro andrógino (homem-mulher). A Intuição é aquele poder do Ego de extrair os recursos de conhecimento e compreensão profundamente escondidos e derivados de muitas encarnações passadas como homem e como mulher; Urano, como Regente de Aquário, simboliza a apoteose da consciência de fraternidade; a Intuição torna possível para um ser humano perceber verdadeiramente as similitudes e correspondências entre suas próprias experiências e àquelas de outro ser humano; Urano simboliza a percepção clara do Amor sem constrangimentos e sem restrições, da verdade inerente a qualquer fase de fenômeno ou experiência. De todos os Astros em nosso Sistema Solar, Urano representa a tendência para atuar, ou para afetar, com a máxima rapidez, a transcendência das limitações do tempo; a Intuição atua com uma rapidez que se designa como “instantânea” – quando surge na consciência para cumprir os requisitos da atenção dirigida, ela “simplesmente acontece”, e não há palavras em nossa linguagem que possa descrever a “instantaneidade” de sua ação. Somente a própria experiência pode servir para descrevê-la. A Intuição, como espiritualização do amor unida ao poder perceptivo da Mente, pode revelar todas as coisas, assim como o Amor cumpre todas as coisas.

O estudo de um horóscopo natal, no que tange a determinar o poder ou inclinação intuitiva, deve incluir uma correlação de Urano, símbolo da própria faculdade, com os equivalentes mentais dos outros Astros em termo de padrão de Aspecto e seus disponentes[36]. Todos os pontos astrais têm equivalentes mentais, do mesmo modo que possuem equivalentes físicos, astrais e espirituais; cada ponto astral designa um certo “tipo de pensamento”, porque cada um descreve tipos de coisas sobre as quais uma atenção mental de um ser humano pode ser focalizada, seja sobre algum objeto do mundo material, uma pessoa, um ambiente, um acontecimento ou um relacionamento.

Dos outros nove pontos astrais, três são especificamente representativos das faculdades mentais, os outros seis podem ser entendidos, em termos de equivalentes mentais, como representando atributos mentais. Os três “Astros das faculdades mentais” são Lua, Mercúrio e Netuno. A Lua simboliza a Mente instintiva, o reservatório de memórias de vidas passadas, o mecanismo de produção da faculdade mental. Mercúrio simboliza a Mente consciente, a correlação entre cérebro e percepções sensoriais pelas quais o ser humano obtém informações do Mundo externo, o poder mental de identificar especificamente, de calcular, de examinar, de estudar e de se comunicar oralmente e por escrito. Netuno simboliza a faculdade da Mente que inspira; ele é o especial princípio mental que caracteriza o artista criativo e o artista intérprete; é a sutil faculdade mental pela qual um ser humano recebe e entende comunicações dos Planos Superiores. Esses três Astros podem ser considerados a triplicidade mental que caracteriza a ação comunicativa: a Lua, como a Mente instintiva, comunica os segredos do passado para a consciência do presente ao produzir efeitos que correspondem às memórias armazenadas; Mercúrio, como Mente consciente, comunica os segredos do Mundo externo à consciência mental da pessoa e representa intercomunicação entre pessoas; Netuno, como o símbolo da Mente que inspira, é a faculdade mental que identifica a canalização entre o relativamente superior e o relativamente inferior.

Em relação aos Aspectos dos Trígonos como representantes da relativa realização do desenvolvimento intuitivo, a Lua em Trígono com Urano identifica a percepção intuitiva das necessidades e sua satisfação, a percepção de como o progresso dos grupos humanos pode ser adiantado, a percepção da consciência dos princípios da vida doméstica na “nova era”, e da provisão e proteção; mais do que qualquer outro Aspecto isolado, a Lua em Trígono com Urano é a marca astral da “emancipação das mulheres”, da libertação da consciência coletiva da ignorância, do preconceito e da brutalidade, da reforma eletrizante da consciência instintiva pessoal pela apercepção interna.

Mais que qualquer outro Aspecto, o Trígono de Mercúrio a Urano identifica o conhecimento intuitivo do gênio científico; ele é a base na Mente, para aquilo que possibilita todas as descobertas e invenções. As crianças com esse Aspecto, frequentemente, revelam grande habilidade em suas disciplinas escolares. Isso é evidência de conhecimento especializado trazido de estudos e pesquisas em vidas passadas. Tais pessoas exercitaram uma grande independência de espírito em suas atividades intelectuais no passado. Muitas vezes revelam grande habilidade em línguas estrangeiras, em cujos casos se evidenciam que em seus estudos atuais eles estão realmente recapitulando – “trazendo à superfície” – muitos conhecimentos de línguas adquiridos no passado.

Os Aspectos entre Urano e Netuno precisam ser avaliados pela correlação com a Carta inteira; esses Aspectos são cíclicos ou “de época” por natureza, de forma que somente por meio de uma análise cuidadosa e síntese com as tendências básicas da Carta, como um todo, pode ser determinada a predominância das habilidades mentais intuitivas ou inspiradoras. Todos os humanos que vem com o Aspecto de Trígono entre Urano e Netuno compreendem uma onda de vida que, em sentido geral, está mais sintonizada com os efeitos das forças superiores. Como um grupo universal, eles representam uma ênfase cíclica da consciência relativamente progressista e espiritualizante. As mais altamente evoluídas dessas pessoas – não importa o momento histórico da encarnação – dão uma grande contribuição ao progresso da raça humana, por meio de seus poderes reveladores e inspiradores. Os altamente desenvolvidos que vem quando Urano está em Quadratura ou em Oposição a Netuno são transpositores evolutivos, e seu momento de encarnação os traz quando a raça humana precisa da dissolução daquilo que está obsoleto e cristalizado. Esses momentos são sempre caracterizados por condições de sublevação, revolução, tensão e conflitos terríveis, mas o fator Urano das pessoas altamente evoluídas identifica-as como “formadoras para o futuro”. Tais pessoas apercebem-se daquilo que há de ser e, como possuem iluminação intuitiva, trabalham para iniciar esses passos, métodos e procedimentos que resultarão nas novas manifestações que caracterizam o futuro.

Há três outros Planetas que, quando correlacionados a Urano, representam características marcantes intuitivas: Júpiter, Saturno e Vênus. Urano correlacionado com Júpiter, ou com a influência da nona Casa, proporciona um alto grau de gênio artístico interpretador; é intuitivo e imaginativo, qualidades espirituais possuídas pelo Guru, Mestre, Intérprete das leis espirituais e, em grau muito amplo, pelo Curador que cura o Corpo, a Alma e o Espírito. Urano em Trígono com Júpiter evidencia o desenvolvimento mais elevado da Mente abstrata, a percepção intuitiva clara do simbolismo e do princípio. Urano-Saturno identifica a clariaudiência e aquela qualidade da intuição que possibilita reformas necessárias na vida social, política e financeira da humanidade. Urano-Vênus, uma das insígnias do gênio artístico criativo ou interpretador, é percepção intuitiva clara dirigida particularmente para a compreensão do relacionamento; Urano em Trígono com Vênus evidencia o poder de perceber os valores impessoais do relacionamento e a habilidade de responder a uma qualidade muito elevada de afinidade espiritual no relacionamento; é uma das insígnias, talvez a principal, do “amor bi-uno” ou “casamento de almas”.

Considerando Marte como corregente de Escorpião – ação que libera os recursos escorpianos do poder do desejo – podemos considerar o Aspecto de Urano em Trígono com Marte como sendo, primordialmente, uma evidência da grande capacidade de ação pelas quais as tendências intuitivas são dirigidas à realização de um empreendimento. Marte “pensa” em termos de “como, o que, onde e quando posso fazer”; por conseguinte, Urano em Trígono com Marte bem poderia ser entendido como: representar uma percepção intuitiva da ação reta. Se Plutão pode ser considerado como o Regente de Escorpião, então o Trígono de Urano a Plutão indica a faculdade intuitiva a ser “respaldada” por um enorme recurso de poder do desejo e força emocional. Esse é um Aspecto que poderia ser considerado como a “insígnia astral” de um mago – negro ou branco. Na Carta de um ser humano altamente evoluído, inclinado para o espiritual, Urano em Trígono com Plutão poderia representar alguém cujo poder reformador é tremendo, tanto em relação à sua própria regeneração pessoal quanto em relação ao poder que pode dirigir para regenerar ou transformar outro indivíduo ou a sociedade como um todo. Exteriorizado, esse Aspecto poderia ser considerado como a explosão da primeira bomba atômica, iniciando uma nova era na experiência humana, referente ao conhecimento e uso das oitavas de poder percebidas recentemente.

Consideremos de modo especial Urano e Sol, porque o Grande Mandala Astrológico (a roda de doze Casas com Áries no Ascendente, os Astros nos Signos e Casas de sua Dignificação) nos dá a chave da raiz evolutiva essencial e o significado espiritual da faculdade Intuição como um potencial possuído por todos os humanos. O Grande Mandala Astrológico é o significado Astrológico abstrato da humanidade terrena, e qualquer ponto de faculdade ou experiência que os humanos tenham em comum pode ser estudado nesse desenho. Faça uma cópia do Grande Mandala Astrológico, acentue o diâmetro Leão-Aquário, trace linhas retas ligando as cúspides Leão-Áries e Aquário-Escorpião.

Nenhum Signo do Zodíaco pode ser muito bem compreendido sem uma consideração ao seu oposto, do mesmo modo que dois seres humanos de sexos opostos se apercebem de sua polaridade subjetiva pelo relacionamento íntimo em uma forte atração magnética. Assim, para “conhecermos Aquário” temos, também, que “conhecer Leão”, o Signo de Fogo regido pelo Sol, símbolo da vontade, do propósito, da irradiação e anatomia individual. Se o Sol é irradiação de amor, Urano é a qualidade libertadora e transformadora da irradiação de amor; se o Sol é o poder da Mente, Urano é a forma de individualismo pela qual a independência do pensamento tem evoluído; se o Sol é o potencial de Maestria, Urano é o potencial realizado em e por meio de todos os relacionamentos por uma espiritualização crescente e regeneração da natureza emocional. Aquário, como amor espiritualizado, polariza e “redime” o amor egoísta de um Leão não evoluído; Aquário, através de seu Regente Urano, como intuição, polariza e redime a “Mente concentrada em si mesma” de um Leão não evoluído. Quando se considera o Sol e Urano em suas Exaltações – Áries e Escorpião, respectivamente – vemos a apoteose simbólica do ser humano como um Filho de Deus, e o potencial do ser humano para realizar sua identidade espiritual por meio da regeneração interna, a “magia divina”, a “alquimia criadora”, a transmutação pela qual a escória do Ego pessoal é transformada na Luz Branca do Ser Espiritual. A busca inequívoca da Verdade, a disciplina e refinamento autodirigidos e as faculdades emocionais e mentais, a expansão do poder do Amor através da impersonalização, e a concepção cada vez mais clara da verdadeira identidade espiritual são os passos pelos quais o Poder Mestre da Intuição é focalizado, evoluído e aperfeiçoado na consciência humana. O astrólogo olha os símbolos e números de um horóscopo, mas intuitivamente ele olha dentro da Carta para captar as verdades da consciência da pessoa. O estudo astrológico com a finalidade de servir e para a iluminação humana é uma das principais formas pelas quais a Faculdade da Intuição se desenvolve no ser humano.

 

CAPÍTULO VIII – A EXPERIÊNCIA ANIMAL

 

Esse tema é apresentado para a consideração dos estudantes que, em seus estudos, frequentemente se perguntam a respeito de “horóscopos de animais”. Claro que essas indagações são perfeitamente legítimas – sendo pertinentes a um fator familiar de experiência de vida, a qual é de grande interesse para muitas pessoas.

Devido a Astrologia ser essencialmente um estudo da consciência, como uma ciência vibratória ela se aplica a qualquer forma ou plano de vida e à consciência que anima e instrui essa vida. Se o nosso conhecimento de Astrologia fosse, por si mesmo, grandemente estendido além de sua presente esfera, poderíamos – sendo todos os outros fatores iguais – fazer o horóscopo de animais individuais, conforme o fazemos de indivíduos humanos; poderíamos fazer os horóscopos dos Astros, dos Sistemas Solares e das galáxias, assim como daquelas minúsculas formas de vida que habitam esse Planeta. Quando a Astrologia é compreendida como sendo o estudo daqueles princípios ou leis pelos quais toda consciência evolui, então sua aplicação útil à vida por todo o cosmos pode ser percebida pela correspondência com a vida que conhecemos como humana.

Contudo, e aqui é o nó da questão, para compreendermos a Astrologia de outras formas e ondas de vida precisamos conhecer a consciência pertinente a aquelas formas e ondas. Podemos observar e estudar as evidências de outros tipos de consciências diferentes da nossa, mas sendo “particular e peculiarmente Humanos Terrestres”, nós não podemos compreender os planos de consciência com os quais outras formas, sub-humanas e super-humanas, estão alinhadas. De fato, muitos humanos têm apenas uma observação turva e distorcida da consciência do seu semelhante humano! A vida Animal é animada a partir de um centro diferente do nosso – sendo nós humanos muito mais autônomos, e estando os animais muito mais sob um guia especializado.

Diz-se que as linhas evolutivas sub-humanas, as que agora constituem os mamíferos, alcançarão sua evolução máxima por meio do padrão humano. Assim, não somente é de interesse, mas de grande importância que aprendamos a espiritualizar nossa consciência dos membros do reino animal e nossa relação com eles; eles são fraternos conosco, como habitantes desse Planeta, e nós, como a expressão evolutiva mais elevada, temos uma responsabilidade decisiva para com eles tal como a têm os irmãos e irmãs mais velhos para com os mais novos em uma família – a correspondência no relacionamento é quase exata.

Por conseguinte, embora não possamos “fazer as Cartas Astrológicas” dos animais, podemos estudar nossas próprias Cartas em relação às nossas experiências com a vida sub-humana e nossos sentimentos acerca dela, expandindo, desse modo, nossa consciência de evolução nesse Planeta. Usando os fatores astrológicos que costumamos usar, uma Carta calculada para a hora de nascimento, por exemplo, de um gatinho ou um cachorrinho representaria o significado do animal para nossa experiência; o mesmo se aplicaria à hora de nossa decisão de trazer para o nosso lar um novo animal de estimação ou qualquer outro animal, para nossa experiência pessoal. No último caso, a motivação e o propósito representariam as notas-chaves da leitura astrológica; essa Carta, correlacionada com a nossa Carta Natal, representaria os fatores inter-relacionados da experiência que poderíamos ter com o animal. Uma Carta calculada para a hora em que escolhemos o animal poderia indicar os pontos básicos referentes à conformidade do animal ao nosso propósito. Muitas pessoas acham que seu relacionamento com um animal inicia uma experiência significativamente notável, e essas possibilidades de experiência são o que estudaremos.

A consciência humana individual de relacionamento não faz acepção de pessoas ou coisas. Um homem pode amar sua esposa e seus filhos com ternura, solicitude e devoção, mas se sua consciência de relacionamento contém uma área de ódio, medo ou preconceito de e para com outro homem – ou outras pessoas – que sejam por acaso de outra raça ou nacionalidade, sua consciência de relacionamento não é clara ou pura. Uma mulher pode preencher os requisitos de seu trabalho profissional com um escrúpulo inabalável, mas se sua atitude para com seus colegas de trabalho – ou uma colega – é manchada com a inveja ou falsa superioridade, então sua consciência de relacionamento para com sua profissão fica correspondentemente manchada.

Muitas de tais ilustrações hipotéticas podem ser consideradas; o ponto a se considerar é esse: nosso relacionamento com outra pessoa é qualificado primeiramente por nosso sentimento acerca dele ou dela; essa área do sentimento é acesa pelo contato vibratório com a pessoa. Em outras palavras, outras pessoas simbolizam qualidades de consciência para nós porque, pela ação da simpatia vibratória, qualquer pessoa pode servir para estimular qualquer ponto de sentimento em nossa consciência de relacionamento. Até que alcancemos uma verdadeira compreensão, nós tendemos a identificar a pessoa com a qualidade estimulada em nossa consciência de relacionamento; quando tenhamos alcançado a sabedoria do relacionamento, saberemos que nossas reações de natureza desagradável devem ser transmutadas em potência espiritual de boa vontade (Amor). Por conseguinte, todos os pontos na consciência de relacionamento que identificamos como ódio, inveja, despeito, medo, falsa superioridade, tirania, etc., podem ser compreendidos como “materiais” para se usar no exercício transmutador. O fato de que muitas pessoas provaram a lei da boa vontade por meio de seus esforços transmutadores pode ser verificado em uns poucos minutos de reflexão sobre o assunto.

Qualquer foco magnético de atração no relacionamento pode ser utilizado para intensificar negativos existentes na consciência ou para alimentar as qualidades regeneradas já desenvolvidas. E “relacionamento” é seu ponto de vista de você mesmo em alinhamento vibratório com qualquer outra pessoa, criatura, coisa, atividade, acontecimento, esforço ou ambiente. Seu horóscopo natal desempenha seu maior serviço ao representar para você suas tendências básicas de ponto de vista na consciência de relacionamento. Compreender, verdadeiramente, essas tendências e as maneiras de usá-las retamente é conseguir a chave mestra de todas as outras fases do estudo de sua Carta. A evolução da consciência da humanidade é adiantada em proporção direta à medida que cada ser humano aprende a se alinhar corretamente no relacionamento com os seus semelhantes humanos e seus semelhantes animais.

Preste atenção, cuidadosamente, às últimas quinze palavras do parágrafo acima. Aquilo que agora é, foi determinado por aquilo que era; aquilo que há de ser, será determinado por aquilo que agora é. Cada ser humano do atual período de manifestação na Terra esteve alguma vez no “status animal”; cada animal é agora potencialmente um humano. Em nenhum sentido absoluto um humano é “superior” a um animal; a diferença está simplesmente no tempo de evolução. A veracidade dessa asserção será percebida instantaneamente se considerarmos o fato de que todos os Iniciados, Mestres e Adeptos – a vanguarda espiritual da atual humanidade – servem ao inspirarem e encorajarem nosso desenvolvimento e progresso espiritual. Se eles, usando uma hipótese absurda, se relacionassem conosco por meio de uma “superioridade absoluta”, por que razão seríamos incentivados, de todos os modos, a “trilhar o caminho que eles trilharam”? Se nós nos relacionassem com os animais por meio de uma “superioridade absoluta”, não haveria impulso no coração humano para melhorar as condições deles, não haveria o inspirado ímpeto para amá-los. No entanto, muitos humanos amam os animais com simpatia e abnegada devoção. Isso por si só não é uma prova de que nós sabemos intimamente que os animais trilharão o caminho que trilhamos agora? O ser humano ao se tornar totalmente consciente de sua confraternidade com os animais atinge um clímax no curso de sua jornada evolutiva; é uma tremenda expansão de sua consciência de Amor, e nesse ponto essa experiência é, inevitavelmente, acompanhada de uma compreensão maior da natureza do amor divino.

Toda posição e Aspecto em sua Carta Natal podem ser estudados como representando uma fase ou tendência de sua consciência de relacionamento. Portanto, suas atitudes e seus sentimentos para com a vida sub-humana também são representados por esses fatores do horóscopo. Uma vez que o relacionamento com a vida sub-humana está entrelaçado, intimamente ligado, na textura da experiência evolutiva humana, vamos considerar esse assunto tal como é representado pelo Grande Mandala Astrológico. Para referência à parte, faça uma cópia dele: o círculo de doze Casas tendo ao centro o símbolo tradicional do Sol; Áries como Signo Ascendente, e os trinta graus de cada Signo para cada Casa; os Regentes astrais dos Signos colocados aproximadamente nas Casas que “regem”.

_____________

N.T.:

Isso é o horóscopo abstrato da humanidade, do qual o seu horóscopo natal é uma variação individualizada.

Para penetrarmos no sentido mais profundo da confraternidade entre humanos e animais, consideremos primeiramente o diâmetro Sagitário-Gêmeos, os Signos da nona e terceira Casas do Grande Mandala que são regidos por Júpiter e Mercúrio, respectivamente. Júpiter, no sentido cósmico, é o Princípio da Função Orgânica e o Princípio de Hierarquia. É o poder da Mente Divina pelo qual todo fator de um arquétipo é concebido em perfeito relacionamento com todos os outros fatores, para função, expressão e uso (É opinião considerado do autor que Vênus, como regente de Libra está Exaltado em Sagitário; sua Exaltação em Peixes deriva de sua regência de Touro). Como o Princípio da Função Orgânica, Júpiter representa o crescimento de partes de uma coisa em termos de seu propósito e em termos do inter-relacionamento com as outras partes da mesma coisa. Como Princípio de Hierarquia, Júpiter representa a função inter-relacionada das coisas em termos de inteligência relativa ou suscetibilidade relativa às forças da inteligência.

Nesses termos, vê-se a colocação das partes de uma coisa em relação a outras partes correspondendo à afinidade com a inteligência diretiva. Sagitário é polarizado por Gêmeos; o terceiro Signo do Grande Mandala contado a partir de Áries e no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, sendo o significador zodiacal da raiz da consciência fraternal; e consciência fraternal é aquela percepção clara de “paralelismo” ou “similitude correspondente” no relacionamento. Todas as células do seu corpo são fraternais uma com as outras, sendo parte celulares do mesmo corpo; mas as células dos seus dois olhos são fraternais por especialização. Todos os habitantes desse Planeta são fraternais uns com os outros, mas todos os mamíferos são fraternais por especialização, entre si os humanos também são “especialmente fraternais”, os quadrúpedes são “especialmente fraternais” entre si, as aves são “especialmente fraternais”, etc. Cada especialização tem uma especialização adicional, mas todas as especializações são agrupadas na unidade: os Habitantes Terrestres. Os Planetas do nosso Sistema Solar são “fraternais uns com os outros”, e o nosso Sistema é especialmente fraternal com os outros seis Sistemas que compreendem nossa galáxia imediata. Em qualquer plano de dimensão que você considere, a função orgânica em termos de hierarquia e fraternidade está ilustrada. Isto significa que a consciência de fraternidade do ser humano não está completa até que ele se conscientize do valor dessa convivência inter-relacionada, nesse Planeta, com todas as outras criaturas, sub-humanas e super-humanas. Uma questão, naturalmente, surge desse ponto: o que nós humanos podemos fazer, e o que precisamos fazer, relativamente aos nossos sentimentos acerca dos habitantes de outros Planetas? Essa pergunta pode ser respondida por cada ser humano, por si mesmo, no devido tempo.

O serviço é também uma coisa de “reciprocidade”; aquele que deseja ser bem servido deve, por sua vez, servir bem. A vida animal é utilizada para servir aos humanos, e com abuso dos princípios do serviço, por épocas incontáveis e nesse abuso de princípios do serviço o ser humano gera muito destino maduro indesejável. A sexta Casa e o Signo de Virgem simbolizam a consciência humana do princípio do serviço; esse é exteriorizado pelas experiências do ser humano como um servidor e por seus relacionamentos com aqueles que o servem, sejam animais ou humanos. A vida animal tem sido e é sacrificada para servir de alimento ao reino humano, mas o que dizer do ser humano que abusa do serviço (inconsciente) da vida animal pela destrutividade insensível e arbitrária? A sexta Casa é polarizada pela Casa doze e pelo Signo de Peixes; você pode ver a possibilidade de muitos humanos, por meio de um ato de paixão descontrolado nessa vida, passarem muitos anos confinados em prisões como um resultado de destino maduro de destruição malvada de vidas sub-humanas, ou danos a elas, em uma encarnação anterior?. A maldade e a destrutividade estão na consciência, e quer sejam elas dirigidas contra os humanos ou contra os sub-humanos, isso não invalida a potência do destino maduro.

A vida, de uma maneira ou de outra, impõe restrições àqueles que, por seus atos, provaram não estar qualificados para desfrutar de liberdade. Portanto, se você tenciona comprar animais – ou outro meio de admiti-los em sua experiência – para o serviço, inclua em seu projeto dar bom serviço aos que vão servi-lo. Se você depende deles para a realização de atividades de trabalho, correspondentemente eles dependem de você quanto a cuidados e proteção. Se sua atitude para com seu servidor sub-humano é a de respeito – que é Amor – você não estará fugindo à sua responsabilidade e ele estará capacitado a executar o máximo de serviço para você. Além disse, pela experiência mútua no Amor, você adiantará a evolução do animal pelo treinamento e ele adiantará suas necessidades mundanas, sem que você gere um destino maduro punitivo.

Muitas pessoas cuidam devotadamente de seus companheiros animais e, ao mesmo tempo, adotam atitudes muito limitadas e constrangedoras contra seus companheiros humanos. Parece que o destino maduro relativo ao mundo animal está sendo expiado por esse tipo de programa de vida. Essas pessoas estão sendo focalizadas, na presente vida, numa especialização da consciência de vida e amor; é possível que somente expressando amor e dando serviço aos seus “companheiros animais” possam essas pessoas polarizar espiritualmente sua consciência de relacionamento de modo a desenvolver, subsequentemente, apercepções mais ricas e mais elevadas de respeito e boa vontade para com os humanos. Essa faceta da experiência humana poderia ser ilustrada pelo diâmetro Leão-Aquário, sendo polarizado em cruz pelo diâmetro Escorpião-Touro. A regeneração dos resíduos emocionais negativos, representada por Escorpião, sendo exteriorizada pela mordomia da vida animal, representada por Touro, é a maneira pela qual a consciência de Amor Leão-Aquário, temporariamente restringida, é repolarizada internamente para melhor liberação posterior.

Concluindo: consideraremos o significado do Trígono de Ar para o relacionamento dos humanos com os animais. Libra, Signo Cardeal e de Ar regido por Vênus, é a apercepção da relatividade, o cerne básico, essencial da consciência de relacionamento; é a apercepção que possibilita a qualquer humano realizar relacionamentos com as vidas subumanas, humana e super-humana. Aquário, Signo Fixo e de Ar, regido por Urano, é o recurso da consciência de amor impessoal, transcendental, pelo qual o humano realiza o impulso e a capacidade para amar a vida mesma através de quaisquer de suas formas externas. Aquário ilustra o amor sentido por Luther Burbank[37] pela vida das plantas, o laço de amor que une um ser humano cego ao seu cão-guia; é a consciência de amor regenerada que une os humanos em grupos para fomentarem o bem-estar do sub-humano. Gêmeos, Signo Comum, de Ar e regido por Mercúrio e nono Signo a partir de Libra, é a apercepção do relacionamento como fraternidade – essa sábia consciência de similitude pelos quais os humanos percebem sua união com os outros humanos e com quaisquer ou com todas as outras formas de vida. São Francisco, o inspirado místico que amava a vida, chamava de “irmãos” ou “irmãs” a todos os seres viventes; ele sabia que era um “irmão mais velho” daqueles que se arrastavam ou voavam e, amando-os como os amava, entendia o amor de Deus por ele. Que a Luz e o Amor interpenetrem a consciência que temos de todos os nossos companheiros na vida.

[1] N.T.:

[2] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.

[3] N.T.: Rodolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina D’Antonguolla (1895-1926), conhecido profissionalmente como Rudolph Valentino, foi um ator italiano radicado nos Estados Unidos, que estrelou em vários filmes mudos de sucesso, incluindo Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, The Sheik, Sangue e Areia, The Eagle e O Filho do Sheik. Ele foi um dos primeiros ícones pop, e um símbolo sexual da década de 1920, que era conhecido em Hollywood como o “amante latino”, ou simplesmente como “Valentino”. Sua morte prematura, aos 31 anos, causou uma histeria em massa entre seus fãs, e impulsionou ainda mais seu status de ícone cultural do cinema.

[4] N.T.: Theda Bara (1885-1955), nascida Theodosia Burr Goodman, foi uma atriz norte-americana do cinema mudo. O seu nome artístico seria um anagrama de “Arab Death” (“Morte Árabe”). Justificou-o no filme que a consagrou: “A Fool There Was” (Escravo de uma paixão) (1915). Na verdade, “Theda” era uma alcunha da infância para Theodosia, e “Bara” era aparentemente uma forma encurtada de seu sobrenome materno, Baranger. Bara era uma das atrizes mais populares do cinema de sua era, além de ser um símbolo sexual dos mais adiantados do cinema. Seus papéis de mulher fatal deram-lhe a alcunha de “Vamp”, que logo transformou-se em termo popular para uma mulher de ares predatórios. Junto com a atriz francesa Musidora, popularizou a personalidade vamp nos primeiros anos do cinema mudo e logo foi imitada pelas atrizes rivais tais como Nita Naldi e Pola Negri.

[5] N.T.: Mary Pickford (nascida Gladys Marie Smith – 1892-1979) foi uma atriz e produtora estadunidense, nascida no Canadá. Conhecido como a “Queridinha da América”, “Pequena Mary” e “A moça com os cachos”, ela foi uma das pioneiras do Canadá no começo de Hollywood, e uma figura importante no desenvolvimento dos filmes de ação.

[6] N.T.: Douglas Fairbanks (1883-1939) foi um ator de cinema norte-americano. Estreou em 1914, dirigido por D. W. Griffith, criando um personagem valente e sedutor. Foi um dos fundadores da United Artists, juntamente com Mary Pickford e Charles Chaplin. Ele era mais conhecido por seus papéis em filmes mudos de capa e espada como The Thief of Bagdad, Robin Hood, e The Mark of Zorro, mas no início da sua carreira, estrelou comédias

[7] N.T.: Mary Jane “Mae” West (1893-1980), foi uma atriz, cantora, dramaturga, roteirista, comediante e sex symbol norte-americano.

[8] N.T.: William Clark Gable (1901-1960) foi um ator estadunidense. Em 1999 o prestigioso Instituto Americano do Cinema nomeou-o a sétima maior estrela masculina do cinema de todos os tempos

[9] N.T.: Bing Crosby (1903-1977) foi um cantor e ator norte-americano. Bing imortalizou a canção “White Christmas” e sua voz se transformou em sinônimo de Natal.

[10] N.T.: Henriette Rosine Bernardt (1844-1923), conhecida mundialmente por Sarah Bernhardt, foi uma atriz francesa, considerada por alguns como “a mais famosa atriz da história”. Bernhardt fez sua reputação nos palcos da Europa na década de 1870, e logo passou a ser exigida pelos principais palcos do continente e dos Estados Unidos. Conquistou uma fama de atriz dramática, em papéis sérios, ganhando o epíteto de “A Divina Sarah”.

[11] N.T.: François Edouard Joachim Coppée (1842-1908) foi um poeta e romancista francês.

[12] N.T.: Victor-Marie Hugo (1802-1885) foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.

[13] N.T.: Edmond Eugène Alexis Rostand (1868-1918) foi um poeta e dramaturgo francês, cuja fama se deve, principalmente, pela autoria da conhecida peça Cyrano de Bergerac.

[14] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883-1931), foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe. Citação do livro “O Profeta”.

[15] N.T.: Leonidas Frank Chaney, mais conhecido como Lon Chaney (1883–1930), foi um ator norte-americano, filho de pais surdos-mudos. Este ator especializou-se em representar personagens monstruosos, atormentados e grotescos, extremamente bem caracterizados, tendo ele próprio inventado uma técnica de maquiagem. Ficou sendo chamado pelos críticos de cinema da época de “O homem das mil faces”.

[16] N.T.: Bing Crosby (1903-1977) foi um cantor e ator norte-americano. Considerado um dos maiores cantores populares do século XX. Nascido Harry Lillis Crosby, o apelido de Bing foi dado por ele mesmo inspirado na personagem Bingo. Bing imortalizou a canção “White Christmas” e sua voz se transformou em sinônimo de Natal.

[17] N.T.: Rudolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina D’Antonguolla, conhecido como Rudolfo Valentino (1895-1926) foi um ator italiano radicado nos Estados Unidos.

[18] N.T.: William Clark Gable (1901-1960) foi um ator estadunidense.

[19] N.T.: Um Astro está “dispositado” quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[20] N.T.: Joan Marshall Grant Kelsey (1907-1989) foi uma escritora inglesa de romances históricos e sobre reencarnação. Seu romance Winged Pharaoh (1937) foi o mais famoso, no qual contou a história de Sekeeta, filha de um faraó – a qual alega ter sido uma de suas reencarnações de vida passada. O que ela conta sobre o Antigo Egito parece corresponder bem com o que os arqueólogos sabem, e inclusive adiciona novas descobertas que ainda não haviam sido feitas. Apesar disto, a história antiga é incerta e esta não pode ser utilizada como uma prova de que ela viveu em tempos antigos.

[21] N.R.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.

[22] N.T.: Franz Viktor Werfel (1890-1945) foi um romancista, dramaturgo e poeta austríaco. A Canção de Bernadette (1941) é um romance sobre as visões da Santa Bernadette de Lourdes, que posteriormente se tornou filme homônimo.

[23] N.T.: Quando o Astro está no seu Regente. Também chamamos de Essencialmente Dignificado. Exemplo: Sol em Leão; o Sol está no seu Regente, ou Dignificado ou Essencialmente Dignificado.

[24] N.T.: Bornéu é uma grande ilha localizada na Ásia, na região das grandes Ilhas da Sonda. A ilha é dividida em três partes. A maior parte pertence à Indonésia. A segunda maior pertence à Malásia e a menor parte pertence ao Brunei.

[25] N.T.: William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. Segundo Max Heindel, no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos, “A grande controvérsia sobre as obras de Shakespeare (que fez sujar tantas penas de ganso e gastar tanta tinta, muito melhor empregadas em outros propósitos) nunca teria vindo a lume se fosse conhecido que a semelhança entre Shakespeare e Bacon é efeito da influência exercida sobre ambos, por um mesmo Iniciado”.

[26] N.T.: The Tragedie of Hamlet, Prince of Denmarke (A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca), geralmente abreviada apenas como Hamlet, é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

[27] N.T.: filha mais jovem e favorita de Lear, rei da Grã-Bretanha (da obra Rei Lear (King Lear, em inglês), uma tragédia teatral de William Shakespeare, considerada uma de suas obras-primas. No argumento da obra, inspirado por antigas lendas britânicas, o rei enlouquece após ser traído por duas de suas três filhas, às quais havia legado seu reino de maneira insensata). Após o Rei Lear oferecer a ela a oportunidade de professar seu amor a ele, que em retribuição ela teria um terço de todas as terras do reino, ela se recusa, pois se revolta contra o fingimento das demais irmãs, e é banida do reino.

[28] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma obra de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados – racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais, e ainda é muito popular.

[29] N.T.: um dos principais personagens da tragédia Macbeth, escrita c. 1603-1606. Ela é a esposa do protagonista da obra, o nobre escocês Macbeth. Após convencê-lo a matar o rei Duncan, o casal Macbeth torna-se rei e rainha da Escócia, mas ela acaba severamente atormentada pela culpa. Morre na parte final da obra, aparentemente por suicídio.

[30] N.T.: (no original em inglês Romeo and Juliet) é uma tragédia escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. A peça ficou entre as mais populares na época de Shakespeare e, ao lado de Hamlet, é uma das suas obras mais levadas aos palcos do mundo inteiro. Hoje, o relacionamento dos dois jovens é considerado como o arquétipo do amor juvenil.

[31] N.T.: ou Montéquio (ou, ainda: Montecchios): nome de família de Romeu.

[32] N.T.: nome de família de Julieta.

[33] N.T.: Ato II- Cena II – O mesmo – Jardim de Capuleto – Entra Romeu

Romeu: Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo

Julieta aparece na janela

Mais silêncio! Que luz ecoa agora da janela? Será Julieta, o sol daquele oriente? Surge formoso sol, e mata a Lua cheia de inveja, que se mostra pálida, e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela. Deixa, pois, de servi-la.

Ela é invejosa.

Somente os tolos usam sua túnica de vestal, verde e doente; joga-a fora. És minha dama. Oh, sim! É meu amor! Se ela soubesse disso! Ela fala; contudo não diz nada. Que importa? Com o olhar está falando. Vou responder-lhe.

Não, sou muito ousado, não se dirige a mimas duas estrelas do céu, as mais formosas, tendo tido qualquer ocupação, aos olhos dela pediram que brilhassem nas esferas até que elas voltassem.

Que se dera se ficassem lá no alto dos olhos dela, e em sua cabeça dois luzeiros? Suas faces nitentes (resplandecentes, brilhantes) deixariam corridas às estrelas, como o dia faz com a luz das candeias, e seus olhos tamanha luz no céu espalhariam, que os pássaros, despertos, cantariam. Vede como apoia o rosto à mão.

Ah! Se eu fosse uma luva dessa mão para poder tocar naquela face!

Julieta: Ai de mim!

Romeu: Oh! Falou! Fala de novo, anjo brilhante, porque és tão glorioso para esta noite, sobre a minha fronte, como o emissário alado das alturas, poderia ser para os olhos brancos dos mortais atônitos (espantados, pasmados, estupefatos), que, para vê-lo, se reviram, quando montado passa nas ociosas nuvens e veleja no seio do ar sereno.

Julieta: Romeu! Romeu! Por que és tu, Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome, ou então, se não quiseres, diga ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.

Romeu (à parte): Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?

Julieta: Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és se Montecchio tu não fosses. Que és Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos de rosa sob uma outra designação teria igual perfume. Assim, Romeu, se não tivesses o nome de Romeu, conservaria a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.

Romeu: Sim. Aceito a tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante, não serei Romeu

Julieta: Quem és tu, que encoberto pela noite, entras em meu segredo?

Romeu: Por um nome, não sei dizer-te quem eu seja. Meu nome, cara santa, me é odioso, por seu teu inimigo: Se estivesse diante de mim, escrito, o rasgaria.

Julieta: Minhas orelhas ainda não beberam cem palavras de tua boca, mas reconheço o tom. Não és Romeu, um dos Montecchios?

Romeu: Não bela menina, nem um, nem outro, se isto te desgosta.

Julieta: Dize-me como entraste e por que vieste, muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto, a própria morte, se és quem atendermos-caso fosses encontrado por um dos meus parentes.

Romeu: Do amor as lestes asas me fizeram transpor o muro, pois barreira nenhuma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor, tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.

Julieta: No caso de seres visto, poderão matar-te.

Romeu: Ai! Eu teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes.

Olha-me com doçura, e é o quanto basta para me deixar à prova do ódio deles.

Julieta: Por nada neste mundo, desejara que fosses visto aqui.

Romeu: A capa tenho da noite, para deles ocultar-me. Basta que me ames, e eles que me vejam. Prefiro ter cercada logo a vida, pelo ódio deles, a ter morte longa, faltando o teu amor.

Julieta: Com quem tomaste informações para até aqui chegares?

Romeu: Com o amor, que a inquirir me deu coragem; deu-me conselho, e eu lhe empreste olhos. Não sou piloto, mas se te encontrasses tão longe quanto a praia mais extensa que o mar mais longínquo banha, aventurara-me para obter tão preciosa mercancia.

Julieta: Sabe-lo berma máscara da noite me cobre agora o rosto; do contrário um rubor virginal me pintaria, de pronto, as faces pelo que me ouviste dizer neste momento.

Desejara- Oh! Minto! -Retratar-me do que disse. Mas, fora! Fora com as formalidades….

Amas-me? Sei que vais dizer “sim”, e creio no que dizes. Se o jurares, porém, talvez te mostres inconstantes, pois os perjúrios dos amantes, dizem. Jovem sorri. Ó, meu gentil Romeu, se amas, proclama-o com sinceridade; ou, se pensas, acaso, que foi fácil a minha conquista, vou tornar-me ríspida, franzir o sombrancelho, e dizer “não”, porque me faças novamente a corte. Se não, por nada, nada, neste mundo.

Belo Montecchio; é certo, estou perdida, louca de amor, daí poder pensares que meu procedimento é assaz leviano, mas podes crer-me cavalheiro, que hei de mais fiel mostrar-me do que quantas tem bastante astúcia para serem cautas.

Poderia ter sido mais prudente, preciso confessá-lo. Se não fosses teres ouvido sem que eu percebesse, minha veraz paixão. Assim, perdoa-me, não imputando à leviandade, nunca, meu abandono pronto, descoberto tão facilmente pela noite escura.

Romeu: Senhora, juro pela Santa Lua, que acairela de prata as belas frondes de todas estas árvores frutíferas…

Julieta: Não jures pela Lua, essa inconstante, que seu contorno circular altera todos os meses, porque não pareça que o teu amor também é assim, mudável.

Romeu: Por que devo jurar?

Julieta: Não jures por nada, ou jura, se o quiseres, por ti mesmo, por tua nobre pessoa, que é objeto de minha idolatria. Assim te creio.

Romeu: Se o amor sincero deste coração….

Julieta: Para! Não jures, muito embora seja a minha alegria, não me alegra a aliança desta noite, irrefletida, foi por demais, precipitada, súbita, tal qual como o relâmpago que deixa de existir antes que dizer possamos. Ei-lo! Brilhou! Boa noite, meu querido, que o hálito do estio amadureça este botão de amor, porque ele possa, numa flor transformar-se, delicada, quando outra vez nos vimos. Até a vista; Boa noite. Possas ter a mesma calma que nesse instante, se me apossa da alma.

Romeu: Vais deixar sair malsatisfeito?

Julieta: E que alegria querias esta noite?

Romeu: Trocar contigo o voto fiel de amor

Julieta: Antes que me pedisses já te dera, mas desejara ter de dá-lo ainda

Romeu: Desejas retirá-lo? Com que intuito, querido amor?

Julieta; porque mais generosa, de novo te ofertasse. No entanto, não quero nada, afora o que possuo. Minha bondade é como o mar: Sem fim, e tão fundo quando ele.

Posso dar-te sem medida, que muito mais me sobra, ambos são infinitos.

-A Ama chama dentro-

Julieta: Ouço bulha dentro de casa. Adeus, amor. – Ama, vou já- Sê fiel Doce Montecchio. Espera um momentinho, volto já.

-Retira-se da janela-

Romeu: Que noite abençoada. Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro, em demasia para ser realidade.

– Julieta torna a aparecer em cima-

Julieta: Romeu querido, só três palavrinhas e boa noite outra vez.

Se esse amoroso pendor for sério e honesto, amanhã cedo uma palavra, pelo próprio que eu te mandar: em que lugar pretendes realizar a cerimônia, que a teus pés deporei minha ventura, para seguir-te pelo mundo todo, como senhor e esposo.

Ama (dentro): Senhorita!

Julieta: Já vou, já vou! -Porém se não for puro o teu pensamento…

Ama: Menina!

Julieta: Já vou, já vou! Neste momento…que não sigas com tuas insistências, e me deixes entregue à minha dor. Amanhã cedo te mandarei recado por um próprio.

Romeu: Por minha alma…

Julieta: Boa noite vezes mil

-Retira-se-

Romeu: Não. Má noite, sem a tua luz gentil. O amor procura o amor como um estudante que para a escola corre: num instante. Mas ao afastar-se dele, o amor parece que se transforma em colegial refece (vil, ordinário, miserável)

-Faz menção de retirar-se-

-Julieta torna a aparecer na janela-

Julieta: Psiu! Romeu, psiu! Oh! Quem me dera o grito do falcoeiro, porque chamar pudesse este nobre gavião! O cativeiro tem voz rouca; não pode falar alto, senão eu forçaria a gruta de eco, deixando ainda mais rouca do que a minha, a sua voz aérea à força de cem vezes o nome repetir do meu Romeu.

Romeu: Minha alma é que chama pelo nome. Que doce som de prata faz a língua dos amantes à noite, tal qual música langorosa (fraco, débil, lânguido), que ouvido atento escuta?

Julieta: Romeu!

Romeu: Minha querida?

Julieta: A que horas devo mandar alguém para falar-te?

Romeu: Às nove horas

Julieta: Sem falta. Só parece que até lá são vinte anos. Esqueci-me do que tinha a dizer.

Romeu: Deixa que eu fique aqui parado para que te recordes

Julieta: Esquecê-lo-ia, se ficasses aí parado, recordando-me de como adoro a tua companhia.

Romeu: E eu ficaria para que esquecesses, deixando de lembrar-me de outra casa que não fosse esta aqui.

Julieta: É quase dia. Desejaras que já tivesses ido, não mais longe, porém, do que travessa menina deixa o passarinho, que das mãos ele solta – tal qual pobre prisioneiro na corda bem torcida-para logo puxá-lo novamente pelo fio de seda, tão ciumenta e amorosa é de sua liberdade.

Romeu: Quisera eu ser teu passarinho.

Julieta: O mesmo, querido, eu desejara, mas de tanto te acariciar, podia até matar-te.

Adeus, calca-me a dor com tanto afã (cuidado), que “boa noite” eu diria até amanhã

Romeu: Que aos teus olhos, o sono baixe, e ao peito. Fosse eu o sono e dormisse desse jeito! Vou procurar meu pai espiritual, para um conselho lhe pedir leal.

[34] Katharine Cornell (1893-1974) foi um atriz, escritora, teatróloga e produtora estadunidense.

[35] N.T.: Ecl 1:9

[36] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.

[37] N.T.: Luther Burbank (1849-1926) foi botânico e horticultor, pioneiro na ciência agrícola. Ele desenvolveu mais de 800 linhagens e variedades de plantas ao longo de sua carreira, que durou de 55 anos. Suas criações incluíram frutas, flores, grãos, ervas e legumes. Os maiores sucessos de Burbank incluem a margarida Shasta, a papoula Fogo, o pêssego Elberta julho, o Santa Rosa ameixa, nectarina o ouro flamejante, a ameixa Wickson, o pêssego Freestone, e o BlackBerry branco. Uma variante genética natural da batata Burbank com pele de cor castanho-avermelhado mais tarde se tornou conhecido como a batata Russet Burbank. Essa batata, de pele morena e polpa branca, tornou-se predominante no mundo do processamento de alimentos.

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Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 6

A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.

Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.

Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

1. Para fazer download ou imprimir:

Elman Bacher – Estudos de Astrologia – Volume 6 – O Ponto, a Linha e o Círculo – O Espectro – O Ritmo – O Esquema, A Proposta, O Plano Geral, O Projeto, O Desenho – A Cor – A Arquitetura – A Dança – A Música

2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

ESTUDOS DE ASTROLOGIA

 

Por

Elman Bacher

Volume 6

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

Studies in Astrology

2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship

Estudios de Astrología

3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

PREFÁCIO

Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.

Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.

Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.

 

ÍNDICE

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO

CAPÍTULO II – O ESPECTRO

CAPÍTULO III – O RITMO

CAPÍTULO IV – O ESQUEMA, A PROPOSTA, O PLANO GERAL, O PROJETO, O DESENHO

CAPÍTULO V – A COR

CAPÍTULO VI – A ARQUITETURA

CAPÍTULO VII – A DANÇA

CAPÍTULO VIII – A MÚSICA

 

INTRODUÇÃO

A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.

Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.

A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.

Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!

Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.

A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.

Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.


CAPÍTULO I – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO

 

Por muito tempo é uma das mais profundas convicções pessoais do autor a de que a Astrologia é a suprema arte interpretativa da humanidade. “Suprema” porque seus elementos de estrutura e simbolismo compõem os elementos estruturais e simbólicos das outras artes. Ela é a representação simbólica dos princípios cósmicos “expressando-se humanamente”; como tal, representa tudo o que a própria humanidade busca expressar nas belas artes. Ela é o padrão de ações e reações, e essas duas palavras juntas são o macrocosmo do que chamamos “experiência humana”, a qual, por sua vez, é a “destilação da consciência espiritual”. A arte, em qualquer forma, serve para intensificar e vivificar a consciência do Ser Humano, consciência de si próprio, de outras pessoas e do mundo em sua volta.

A simplicidade fundamental do simbolismo Astrológico tem o efeito de alcançar profundamente a nossa consciência por causa de sua qualidade arquetípica; por isso suas mensagens – por meio dos Astros, Signos, Casas e Aspectos – nos alcançam continuamente enquanto nós próprios desenvolvemos nossos recursos de sabedoria e percepção. Todos os artistas, tidos universalmente como grandes, são considerados assim por causa de um alto e excepcional desenvolvimento em pelo menos um ramo de sua arte em particular; o grande astrólogo é aquele que tem efetuado uma harmoniosa integração do intelecto com o amor e com a intuição. Ele é, por causa da natureza do seu talento, um instrumento, um estimulador e um refletor, um pai, uma mãe e um irmão. Conhece a escuridão, mas sua consciência está centrada na Luz; ele serve para iluminar a consciência dos outros a despeito da real identidade deles como expressões da Lei de Causa e Efeito, que é a polaridade cósmica em ação por meio do arquétipo humano.

Esta dissertação introdutória sobre “o ponto, a linha e o círculo” tem o propósito de preparação mental para consideração das analogias entre as belas artes e a Astrologia. Qualquer obra de arte é uma organização “quimicalizada” de elementos, abstratos e concretos, que serve para incorporar uma ideia arquetípica. A concepção da ideia é ação da polaridade feminina do artista; representa seu funcionamento como um focalizador de poderes inspiradores e um preceptor do arquétipo, por intuição. Pelo exercício da força de vontade e da destreza técnica (polaridade masculina) ocorre uma fusão vibratória que torna possível a gestação da incorporação – o arquétipo é condensado e objetivado através do meio artístico particular – e a perfeição inerente ao arquétipo é proporcionalmente manifestada em tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, palavras, etc. A fusão da intuição com a vontade é o exercício da bipolaridade – o artista é, a um e ao mesmo tempo, o “pai-mãe” de sua obra. Os seres humanos não CRIAM – nem podem criar – tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, etc. Temos, contudo, a faculdade de nos fazer cientes da existência e natureza dos arquétipos, e nossos talentos nos permitem manifestar nossos conceitos dos arquétipos, os quais habitam, e sempre habitaram na Mente Divina. Nós, como indivíduos, simplesmente damos expressões individualizadas a eles. A transcendente qualidade da obra de um autêntico grande gênio artístico tem seu recurso na clareza com que ele percebe o arquétipo e a eficiência com que lhe dá expressão. Pense sobre isto em relação àquelas obras de arte que você mais ama e que o tem inspirado mais intensamente. Elas vivem sempre em sua consciência e servem para simbolizar realidades internas para você. Sua resposta a elas é parte e quinhão do seu Corpo-Alma; a essência delas viverá nele enquanto você existir. Elas são, em qualquer forma, manifestações vibratórias da verdade. A “criatividade” do manifestador artístico é a originalidade com que ele incorpora o arquétipo.

Alguns poucos exemplos – para ilustrar a qualidade arquetípica da grande arte: a música de Johann Sebastian Bach[1]; o canto de Marian Anderson[2]; o balé artístico de Isadora Duncan[3], Vaslav Nijinsky[4] e Mary Wigman[5]; as atuações de Eleonora Duse[6] e John Barrymore[7]; os dramas de Shakespeare[8]; a escultura de Rodin[9]; as novelas de Pearl Buck[10], a arquitetura do Egito antigo; a poesia de Verlaine[11], etc.

Sem “o ponto, a linha e o círculo” não pode haver representação astrológica. Sem compreendermos o significado arquetípico desses três não podemos entender o significado arquetípico nem de uma obra de arte, nem de um horóscopo. No composto “ponto, linha e círculo”, como uma sequência, se vê o símbolo da emanação – macrocósmica e microcósmica, divina e humana. Você já se perguntou sobre o que fazer para criar um símbolo do “nada”? Bastante simples. Você subsiste por meio da palavra, e não faz nada. Deixe em branco uma folha de papel. A partir do momento em que indicar qualquer coisa nesse papel você terá dado incorporação a “algo”. O fator mais fascinante na simbologia é o estudo do ponto – porque o ponto é o começo de toda exteriorização. Você pode traçar uma linha “de imediato”? Não – você tem que começar com um ponto. Contestar dizendo: “mas eu posso usar um carimbo e traçar a linha imediatamente” é um equívoco; o carimbo (feito para traçar a linha) foi propriamente feito pelo processo de um ponto.

As pessoas, em sua grande maioria tendem a pensar que um zero (círculo) é símbolo de “nada”. O simples fato de que o zero é uma “coisa traçada” invalida automaticamente tal interpretação (“Um e Zero” – escritos – não é “um”, mas sim “dez”). Consideremos a natureza do “círculo do zero” sob o ponto de vista de como ele é essencialmente feito; a partir disso, talvez possamos conseguir uma percepção mais clara do que ele simboliza essencialmente (Note que, na soma e na multiplicação, nossos “resultados numéricos” emanam para a esquerda – do mesmo modo que a linha do Ascendente “emana” do centro do Grande Mandala em espaço-tempo específico. O número mais afastado para a esquerda no resultado aritmético é análogo ao ponto do Ascendente).

No momento em a ponta do seu lápis toca o papel você estabelece o ponto. Pela sequência de movimento no espaço-tempo, você traça a linha desde aquele ponto. Então o ponto é a origem da linha, quanto à representação. A polaridade é representada assim: sua vontade e sua mente se impõem sobre as substâncias materiais do lápis e do papel; o pensamento de traçar a linha é sua ação subjetiva; o traçado é a ação objetiva que resulta na manifestação da linha. Dos dois instrumentos, o lápis é masculino porque sua substância é qualificada para fazer a marca; o papel é feminino porque sua natureza é a de “receber” a impressão da ponta do lápis e refleti-la como imagem de sua ideia. Por correspondência você, nessa ação, é Deus; o lápis e o papel são a matéria, e a linha é o resultado específico da ação de sua vontade sobre a substância material; novamente por correspondência – assim como Deus Pai-Mãe (Vontade e Imaginação criadoras) utiliza o universo o material para manifestar arquétipos – e estes arquétipos podem ser a “humanidade”, o “gato”, o “carvalho” ou o “beija-flor” (humanos, quadrúpedes, vegetais ou aves). A ação da ponta do lápis no papel é análoga à ação da polaridade cósmica sobre e através do universo material, resultando em uma manifestação especializada.

Do mesmo modo que você, como uma “emanação” do Deus Pai-Mãe, é a fonte de suas expressões, assim também o ponto que você fez é a fonte de todas as linhas, todos os planos e (teoricamente) sólidos que podem, ou poderiam emanar dele. Assim sendo, ele é o símbolo abstrato da subjetividade infinita; a partir desse ponto as linhas podem ser traçadas no espaço infinito e no tempo infinito. Porque a linha “viva” é evidente que o ponto existe; porque somos sustentados na manifestação, fica evidente que nossa fonte existe. A linha, então, é o efeito específico de uma causa específica; o traçado dela é um processo “quimicalizante”; o comprimento dela é o exercício de sua vontade para manifestar, perfeitamente, o arquétipo em sua Mente (uma linha indefinida é manifestação não realizada do arquétipo; uma linha com medida é, definitiva e especificamente, qualificada como uma exteriorização arquetípica). Na realidade, o ponto é um “pequenino círculo”; abstratamente, e agora estamos tratando de abstrações, ele simboliza o composto puro de todas as dimensões. Reflita muito sobre a palavra “arquétipo” – ela poderia ser matéria de estudo de uma vida inteira, porque é uma das palavras mais fascinantes e iluminadoras.

Vemos agora que o ponto – como um símbolo abstrato – é o arquétipo da origem: Deus, a causa, a essência subjetiva, o núcleo, a semente, etc. Correspondentemente, a linha é a primeira emanação da fonte em potencial porque nenhuma outra linha foi, até o momento, traçada a partir do ponto. Quando a linha é completada por uma medida, então ela está completamente “quimicalizada”, sendo, pois qualificada, por seus atributos de “linearidade”, para emanar planos e sólidos (do mesmo modo que um filho, “emanado” por seus pais, possui os atributos de se tornar, ele próprio, um pai quando alcança a maturidade; sua maturidade, de corpo e emoção, o qualifica para uma identidade específica – paternidade – assim como a medida da linha a qualifica especificamente).

Aplicando-se ao texto dessa dissertação, o ponto é a ideia arquetípica do artista. O traçar da linha é a ação de manifestação do arquétipo. A linha medida, completa, é a obra terminada e agora qualificada por seus atributos para ser vista, ouvida e apreciada – para ser respondida. No Grande Mandala Astrológico o ponto central é a Divindade inerente ao arquétipo humanidade; a linha traçada para a esquerda é o Ascendente abstrato, Áries, o “EU SOU” de todos os seres humanos. No horóscopo individual do ser humano, o ponto central é sua “centelha de Deus”, sua “porção” individualizada de Divindade, a “quimicalização” da qual é a linha traçada horizontalmente para a esquerda a partir do ponto; o contato dela com a circunferência do círculo é seu nascimento físico – a objetivação de seu “EU SOU”. Como só existe um raio em cada círculo, esta “linha do Ascendente” é o composto das quatro identidades básicas do ser humano: macho e/ou fêmea; complementação (e esses dois compreendem a identidade sexual); gêneros masculino e feminino (esses dois compreendem as identidades de ser Causadores e Efeitos de Causas ou Expressores e Reatores).

A palavra “Arte” corresponde à palavra “Artista”, assim como a palavra “Humanidade” corresponde a palavra composta “Homem-Mulher”. Existem muitas formas de expressão da Arte, assim como existem vários tipos de seres humanos. Arte, como uma palavra arquetípica, significa: a manifestação de arquétipos por meio do tom, da cor, da substância, da palavra, do movimento e dos elementos abstratos do desenho e do ritmo. “Humanidade” significa: a manifestação, nesse Planeta, de uma ideia arquetípica de Pai-Mãe Deus; ela é expressa por meio dos dois sexos, masculino e feminino, que aparecem nas “dimensões evolutivas” do descumprimento e do relativo cumprimento dos potenciais Divinos. Agora, trataremos as emanações da linha como uma “fonte” (origem) em si mesma.

Assim como o número Arquetípico é “um”, do mesmo modo só existe um centro e um raio para qualquer horóscopo – embora, consequentemente, dois diâmetros. O artista possui – manifesta e/ou interpretativamente – um dote artístico, que é sua habilidade para perceber arquétipos e manifestá-los. Mas pode haver muitas maneiras pelas quais ele pode exercitar seu “EU SOU” artístico – tanto por participação em diferentes formas de arte quanto em diferentes fases de uma forma particular. Existem na Astrologia três expressões das quatro identidades básicas já mencionadas anteriormente. Em cada uma dessas doze identidades o ser humano expressa seus potenciais especializados; em cada uma das fases do dote artístico (gêneros dos quais – masculino e feminino – são o manifestador e o intérprete, respectivamente) ele expressa seus potenciais artísticos especializados; o dramaturgo expressa por meio de várias formas dramáticas, e a atriz aprende a interpretar vários tipos de papéis; o músico lida, ou pode lidar, com diferentes instrumentos e formas musicais; o arquiteto e o escultor aprendem a adaptar diferentes substâncias para dar corpo a suas ideias. O artista realiza o “raio da roda” em cada demonstração satisfatória de seu dote manifestador e/ou interpretativo; o ser humano como indivíduo realiza “seu raio” quando se conscientiza dos princípios espirituais envolvidos em seus padrões de experiência e expressa aquela realização em seu viver diário. Como é o “fim” de tudo isto que é simbolizado? Consideremos a realização do ponto – o círculo:

A inefável beleza de um círculo perfeito é o símbolo humano supremo da realização espiritual e da realização perfeita de potenciais. Após a realização e cumprimento dos potenciais, vem a liberação perfeita da escravidão à forma no tempo certo. A “forma” pode significar um relacionamento específico, um padrão de experiência específico ou uma oitava particular, um estado específico de manifestação, ou um ciclo evolutivo específico. Para ilustrar:

Desenhe numa folha de papel a seguinte forma geométrica mais simples – um triângulo equilátero. Os pontos médios dos lados são os três pontos mais próximos do centro (da figura). À medida que se move ao longo do triângulo, a partir de qualquer um desses três pontos, você se afasta do centro até alcançar o próximo ponto angular. Faça o mesmo com o quadrado – os pontos médios de seus lados são os quatro pontos mais próximos do centro, sendo que os pontos angulares ficam mais distantes do centro. Todas as figuras fechadas de três ou mais lados são símbolos do cristal – representam estados estáticos. O movimento em volta delas, embora rítmico em figuras equiláteras, não é constante em relação ao centro.

A este respeito o círculo difere de todas as outras figuras fechadas. Percorra com a ponta do seu lápis, a partir de qualquer ponto de um círculo perfeito, a circunferência da roda até chegar novamente ao ponto de partida: a ponta de seu lápis esteve à mesma distância do centro em todos os momentos. Por conseguinte, a “perfeição espiritual” do círculo e sua perfeição estética (um “fluxo” contínuo, perfeitamente controlado, a partir de determinado ponto) representam o ideal de expressão rítmica e harmoniosa de potenciais e de suas perfeitas realizações no Amor-Sabedoria.

Uma vez que o triângulo equilátero – o “Grande Trígono” – é o próximo símbolo espiritual mais significativo (em virtude da “proximidade” dos seus pontos médios ao centro), temos nele a imagem da perfeição relativa do ser humano exercitando, de tempos em tempos, o mais elevado e melhor dos seus atributos. Sendo humano, ele não permanece nesses pontos elevados (os mais próximos do centro, e que têm certa analogia com os pontos médios de um diâmetro horoscópico); ele tende a se afastar do seu centro em direção ao próximo ponto angular – que simboliza uma nova identidade para mais liberação de poderes do Amor-Sabedoria. Estude os quatro Trígonos genéricos, cada um encerrado em um círculo, com os pontos médios ligados ao centro – para representar a “proximidade”. Os pontos angulares, sendo os mais afastados do centro, são, em cada um dos quatro símbolos, os tríplices poderes da identidade (Cardeal) a ser expresso e realizado através do amor (Fixo) e da sabedoria (Comum). O encerramento de um círculo menor pelos três pontos médios representa o “retorno” da individualização (Adão-e-Eva) à unidade (Paraíso) pela redenção através do Amor-Sabedoria (Cristo). Continuando esse processo de criar círculos menores da mesma maneira reduziria eventualmente, do ponto de vista abstrato e simbólico, o círculo original ao seu ponto Central original, o término das experiências de um arquétipo manifestado: “da Subjetividade à Objetividade e de volta à Subjetividade”. Concluindo:

O círculo não é um “símbolo químico”. É a manifestação da perfeição inerente a uma expressão “quimicalizada”. Ele é o ideal da objetivação perfeita e da realização perfeita. É o infinito do efeito perfeito assim como o ponto central é a perfeição infinita do arquétipo. O círculo da roda horoscópica é o arquétipo humano a ser manifestado (Maestria); é a verdade, a bondade e a BELEZA – o poder inspirador – da obra de arte realizada. Ele é a consciência refinada e sensibilizada do artista como manifestador-intérprete – e “intérprete” significa “instrutor”, bem como “representador” – e o cumprimento de seu sagrado dote como um instrumento espiritual. O ponto central do círculo é a fonte divina de manifestação – em todos os planos, oitavas e ciclos.

 

CAPÍTULO II – O ESPECTRO

“Espectro” é uma das mais importantes palavras arquetípicas envolvidas em um estudo de expressões da arte; a palavra, na aplicação arquetípica ou concreta, é derivada de uma palavra em latim que significa “olhar para”. “Emanação” é o processo pelos quais os potenciais de uma coisa se põem em manifesto: “espectro” é o resultado – o total de potenciais, qualidades, e partes PERCEPTÍVEIS. Geralmente usamos a palavra “espectro” para designar a aparência de um raio de luz que foi refratado em suas cores (partes) componentes, e isso é um excelente exemplo para os propósitos desse estudo porque a Astrologia, em si mesma, é percebida visualmente. O arco-íris é um exemplo concreto perfeito. Ele é um espectro natural; porém é mais que isso – ele é um símbolo perfeito do “espectro” como uma palavra arquetípica. O raio de luz solar é macrocosmo, o arco-íris é microcosmo; o arco-íris como um espectro é macrocosmo para cada uma de suas cores designáveis, seus “microcosmos”; “Espectro”, como uma palavra arquetípica, se aplica a cada uma das cores como “macrocosmo” de cada um de suas tonalidades ou das gradações ou qualidades. Em outras palavras, ele é o produto da luminosidade e refração; suas características básicas são as “cores designáveis”; essas, por sua vez, são qualificadas por gradações e matizes que também podem ser designados por palavras específicas.

No que se diz respeito ao nosso Sistema Solar, o espectro original está na imaginação criadora do Deus Pai-Mãe. A Mente Divina, sendo a Fonte de cada arquétipo (ex.: o arco-íris) manifestado neste Sistema, é a fonte de todos os “espectros em manifestação” (exe.: o total e as cores em separado, e suas gradações, de cada arco-íris). Por analogia, então, a Mente Divina corresponde ao raio de luz solar em nosso exemplo; um arquétipo é o arco-íris (uma manifestação de Luz); um sub-arquétipo é uma das cores designáveis que se encontram no arco-íris.

A manifestação arquetípica da Mente Divina (a imaginação criadora do Deus Pai-Mãe) é percebida como nosso próprio Sistema Solar. O “espectro de emanação” vem a ser a gradação dos Planetas, desde o tempo em que o primeiro foi emanado até a emanação do último. O espectro de suas qualidades ocultas seria a gradação evolutiva dos Logos Planetário do Sistema, análogo às cores diferenciadas do arco-íris. A cor tem um espectro de frequência vibratória (tonalidades específicas) e também um espectro de qualidade vibratória (brilho relativo ou ausência de brilho). O espectro de qualidade vibratória do Sistema Solar inteiro vem a ser a soma total de gradações de todos os habitantes do Sistema em termos de exercícios de consciência espiritualizada do “máximo ao mínimo” (ou do “mínimo ao máximo”). A mesma classificação deveria designar o espectro de qualidade vibratória dos habitantes de qualquer Planeta em particular e, por sua vez, o agrupamento deles por raça e/ou nação. Essa analogia também é aplicável ao tom do arquétipo – material essencial para o manifestador e intérprete musical.

O tom é o arquétipo de todos os sons, uma vez que, por sua natureza, é vibração rítmica percebida audivelmente. “Fraterno” com a cor, o tom tem um duplo espectro: frequência vibratória (baixa e alta) e qualidade vibratória; o espectro de qualidade vibratória tonal também é duplo: o Dinâmico (suave e forte) e o Potente (monótono e brilhante). O espectro da “frequência tonal” é a manifestação completa da escala tonal desde a velocidade mais baixa vibratória (a mais lenta) até a mais alta (a mais alta). Essa “escala total” é dividida em “oitavas”, assim como o arco-íris é dividido em “cores” (as cores são simplesmente as “oitavas” em um raio de luz). Assim como cada cor do arco-íris é, em si mesma, um “espectro de tons”, do mesmo modo cada oitava tonal é um “espectro”. Cada tom perceptível e designado para uma cor específica, soma total dos quais é a “matriz” da cor específica, é análogo a cada harmônico da nota musical; os harmônicos de uma nota musical específica, em conjunto, são as “matrizes” da nota, assim como o envoltório do ser humano, dos animais, das plantas e dos minerais é sua matriz. O tom, em relação aos seus harmônicos, e “expressão vibratória condensada” – um fator específico de um sistema musical.

O espectro dinâmico da cor é sua gradação do branco até a máxima densidade; o espectro dinâmico do tom é a gradação que representa o “suave e forte”. O espectro de potência de ambos, cor e tom, é a gradação desde a “mínima força aplicada” (monotonia) até a “máxima força aplicada” (brilho da qualidade transportada). Um grande pianista, mediante a ação controladora da mão, do punho ou do dedo ao comprimir totalmente uma tecla, pode criar um “pianíssimo” de delicada suavidade, cuja potência alcançará os lugares mais remotos do auditório. Outros, menos habilidosos, podem tocar o mais potente possível que os sons produzidos soarão ásperos ou sem vida. A analogia disso com a “monotonia” ou com o “brilho” do Astrólogo na interpretação de princípios, quando representados em um horóscopo, é uma das coisas para as quais você deveria levar em grande consideração; a analogia é exata.

O artista manifestador usa um espectro de meios para suas expressões. Esse espectro abrange do meio abstrato mais concreto (desenho) ao meio abstrato mais evanescente (o ritmo). Inclui também os três meios concretos: tom, cor e substância. A linha é o meio abstrato entre o desenho e o ritmo. A linha é o símbolo arquetípico do “processo de manifestação”. O traçado de uma linha pode ser “espaçado” (ritmado), e dela derivam todas as formas (desenhos) incorporadas (envolvidas); assim como a própria linha emanou de sua fonte, o ponto.

Letra e palavra; tom e acorde; linha e desenho (incorporação bidimensional) e massa (desenho tridimensional) compõem os meios de o artista exteriorizar seus conceitos de arquétipos, quer de modo manifestador quer do modo interpretativo. O ritmo, espaçamento de sequência ou de manifestação sequencial, é um “denominador comum” de todas as formas de arte, porque o ritmo é o arquétipo da natureza de todo movimento.

A analogia do “espectro na Astrologia” com o “espectro na arte” é fascinante em virtude de sua clareza. O recurso arquetípico de ambas as formas de interpretação é a consciência humana; o propósito arquetípico de ambas é interpretar a natureza dos arquétipos divinos por meio dos conceitos manifestados desses arquétipos; a ação arquetípica de ambas é intensificar, vivificar e iluminar a consciência que o ser humano tem em si mesmo, de outras pessoas e do mundo ao seu redor; a reação arquetípica a ambas partes é da combinação do sentimento instintivo do ser humano com o conhecimento instintivo.

A palavra “artista” é arquetípica; suas duas principais “emanações” são o: artista manifestador (criador) e artista intérprete. O primeiro ser humano que moveu ou posicionou seu corpo de certa maneira para dar expressão a um estado emocional específico foi o “primeiro” dançarino manifestador. O primeiro ser humano a reconhecer que “o ponto, a linha e o círculo” poderiam ser utilizados para simbolizar o ser, a consciência e a existência da humanidade – ou do ser humano – foi o “primeiro” astrólogo manifestador (nesse caso se pode observar que “ponto, linha e círculo” são os “ingredientes” arquetípicos dos símbolos astrais bem como do desenho estrutural da roda). O astrólogo manifestador – à semelhança do artista manifestador – incorpora seu conceito de arquétipo por meio de um símbolo concebido originalmente; o símbolo é sua forma de exteriorizar a natureza, o propósito e a objetivação de um princípio cósmico. O astrólogo intérprete estuda e percebe, intuitivamente, os significados dos símbolos já manifestados; ele cumpre sua função aplicando sua compreensão desses símbolos à interpretação do horóscopo. Como exemplo, o autor sugere considerar o seguinte como um símbolo “manifestador” para o Planeta Plutão: um círculo envolvendo a seta apontada para cima usada no símbolo de Marte; a seta é a expressão da energia potencial; o círculo é o subconsciente coletivo da humanidade – a força arquetípica do desejo como um “fluido congelado” à espera de liberação mediante a expressão; é a concepção do autor do significado da Regência de Escorpião por Plutão e da co-Regência do mesmo Signo por Marte (A letra P é uma inicial).

A palavra arquetípica espectro tem polaridade. A polaridade masculina é “espectro de qualidade vibratória”; a polaridade feminina é “espectro de formas manifestadas”, que é a cristalização do desenho arquetípico. Essas duas polaridades de espectro são vistas em Astrologia desse modo: a polaridade masculina (subjetividade) é toda a “extensão vibratória” dos doze Signos zodiacais, desde o primeiro segundo de Áries até o último segundo de Peixes. Esse é o espectro da consciência, humanamente falando; e é o espectro dos poderes cósmicos, divinamente falando. Do ponto de vista da polaridade quando se manifesta nos atributos da natureza humana, ele é o espectro da qualidade genérica – um composto de “atividade” e “reatividade” do qual todo ser humano, masculino ou feminino, participa. Compõe a essência de nossa projetividade e de nossa reflexibilidade, nossa expressão e nossa percepção. Como a polaridade é um composto, reconhecemos que esse aspecto “masculino-subjetivo” da roda é uma “extensão de pontos”, quaisquer dos quais é um potencial pelo qual nos expressamos de acordo com as nossas percepções e percebemos de acordo com a nossa capacidade de expressar. Expressão é o processo pelo qual a individualidade é manifestada; percepção é a polaridade experimentada. Essas ações ocorrem numa sequência de tempo, mas sua fonte é uma unidade – a consciência.

A polaridade objetiva “negativa” ou “feminina” do espectro astrológico é a sequência das doze Casas, da primeira à décima segunda, no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio. Essas descrevem designações de experiências específicas nas quais, e através das quais, a consciência tanto é expressa quanto percebida. Elas se referem à “objetividade” da Vida. Cada Casa é um “mecanismo” para focalizar (como a paternidade focaliza a identidade de uma criancinha) as expressões de nossas percepções dos princípios específicos de vida. Cada Casa é um sub-arquétipo da palavra-arquétipo “matriz”; ela nutre nossa experiência e crescimento, assim como o corpo materno nutre internamente a gestação da criança e o poder do pai proporciona externamente o bem-estar da mãe e da criança. Assim, esses doze padrões de experiência “patrocinam” nosso desenvolvimento espiritual no tempo-espaço. Na congestão (expressão não regenerada da percepção cristalizada) nós permanecemos “atados” à matriz da experiência; através da expressão regenerada de percepções descristalizadas obtemos domínio sobre o ambiente do mesmo modo que, com a maturidade, obtemos “domínio” sobre nossas dependências de nossa matriz bipolar: pai e mãe. Assim nos capacitamos para funcionar mais e mais com a consciência individualizada de princípios, ao invés de em conformidades repetitivas da limitação das aparências. Lembre-se de que esse “espectro de Casas” é uma polaridade do arquétipo da experiência humana; por conseguinte, nada dele é “mau” ou “mal”. As Casas, em combinação, são materiais a serem usados; elas são designações de princípios que devemos aprender – assim como o estudo das cores nos ajuda a entender a natureza da luz.

Os Astros são focalizadores dos Signos que eles regem; eles são posicionados especificamente, pela Lei de Causa e Efeito, nas duas representações do espectro Astrológico – Signo e Casa. Assim como cada cor tem suas próprias gradações e cada tom tem seus próprios tons harmônicos, do mesmo modo cada Astro tem um “espectro pessoal” de dupla natureza. Uma é o “espectro do padrão” – todos os Aspectos possíveis com todos os outros Astros; a outra é o “espectro de foco” – todos os posicionamentos possíveis nos Signos e nas Casas como especificações dos “pontos” genéricos significativos no horóscopo individual. Um Astro sem Aspecto é como um tom “surdo” em música – tem pouco “poder de influir”. Uma congestão da relação do Astro com outro é como qualquer problema técnico em qualquer arte – a pessoa tem de “aprender os princípios” envolvidos, do mesmo modo que o artista tem de vencer sua ignorância ou sua incapacidade para manifestar ou interpretar mais perfeitamente seus conceitos dos arquétipos. “Superar seu problema”, da parte do artista, é análogo à pessoa com um Aspecto congestionado se tornando ciente dos princípios envolvidos no seu particular padrão de experiência e entrando em ação a partir da base de uma consciência dilatada.

O principal espectro do “padrão astrológico” é duplo: o sub-espectro das três Quadraturas (Cardeal, Rixa e Comum) e o sub-espectro dos quatro Trígonos genéricos (Fogo, Terra, Ar e Água). A tríplice Quadratura, em quatro variações, é o símbolo primitivo do atributo Deus Pai-Mãe a tomar forma. O quádruplo Trígono, em três variações, é o símbolo primitivo do potencial divino inerente a toda forma (manifestação ou identidade). A Conjunção de dois Astros é realmente o símbolo arquetípico do Casamento; dois Astros se “fundem” para iniciar uma série inteira de relacionamentos de Aspectos mútuos durante muitas encarnações seguintes (do mesmo modo que no matrimônio, duas pessoas se “fundem” para uma série de relacionamentos mútuos durante os anos seguintes. Pense nisso.). Em outras palavras, o Aspecto Conjunção é análogo ao ponto central do círculo porque o ponto central “emana” os potenciais para o Ascendente; o Aspecto Conjunção vai emanar uma série de Aspectos astrais enquanto a pessoa progride ao longo de sucessivas encarnações.

Todos os Aspectos astrais têm “espectro”, do modo seguinte: pela significância da “órbita” dois Astros formam Aspecto exato entre eles, ou estão se aproximando do Aspecto ou não formam Aspecto entre si. Isso é o espectro de “espectro exato” – a exatidão de um Aspecto determina a intensidade de seus efeitos, por congestão ou expressão. O Aspecto Quadratura tem polaridade no sentido de que ele, em si mesmo, simboliza arquetipicamente congestão de expressão (masculina) ou congestão de percepção (feminina). A Quadratura, o Sextil (alquimia, regeneração dinâmica), a Conjunção (fusão de forças) e a Oposição (focalização astral de um diâmetro) têm espectro somente no sentido de que quaisquer Signos, Casas ou Astros podem aparecer nesses padrões. O símbolo do Trígono tem um duplo espectro de polaridade:

Usamos aqui o triângulo equilátero que repousa em sua base horizontal (os três Signos de Terra do Grande Mandala) como símbolo do “Aspecto Trígono”.

Usamos os Signos de Terra porque essa é a representação mais estática do Trígono; essa é realmente a polaridade feminina do Trígono; é o resultado de se ter exercitado relativo amor-sabedoria no passado, e isso é uma outra maneira de se dizer “Maestria relativa”. A pessoa com um Aspecto Trígono desfruta de certa harmonia, ou abundância ou integração nessa encarnação devido a seus esforços no passado. A polaridade masculina do Trígono é o Trígono de Fogo: Áries-Leão-Sagitário. Esse é o exercício dinâmico da consciência espiritualizada e é a oitava superior do Aspecto Sextil. Em virtude de causa e efeito terem a mesma origem, podemos ver que esta representação dupla da polaridade do Trígono nos diz: “Sim, goze os frutos desse Aspecto, mas lembre-se de que você está evoluindo; você também deve usar o Trígono como um poder dinâmico para elevar a qualidade de sua Mestria relativa para maiores percepções no futuro.

Seu horóscopo terá mais “brilho” e “resplendor” se você pensar nele em termos de espectros, do mesmo modo que sua apreciação da arte se aprofunda ao ponto de você se tornar consciente dos valores e belezas de seus diversos atributos e essências. “Veja” os quatro Trígonos genéricos se desdobrarem a partir dos pontos estruturais Cardeal, Fixo e Comum; “veja” a conversão química do espírito em objetivação desdobrando as quatro cruzes estruturais a partir dos três Signos de: Fogo, Terra, Ar e Água. Pense em espectro a respeito de tudo que chame sua atenção – arquétipos, sub-arquétipos e assim por diante. Você desenvolverá, ao mesmo tempo, uma notável esfera de percepção dos valores das posições Astrológicas e padrões. “Pensar em espectro” é pensar arquetipicamente. “Pensar arquetipicamente” é exercitar a Mente ritmicamente.

 

CAPÍTULO III – O RITMO

Nesse estudo sobre Ritmo vamos tentar compreender a natureza e essência do mais intangível e evanescente atributo da manifestação cósmica. Discutiremos esse assunto de um ponto de vista tanto quanto possível arquetípico; é necessário fazermos assim para que nós percebamos o significado desse atributo tão essencial às artes.

Movimento é a palavra arquetípica que significa a ação da alquimia cósmica. As manifestações do universo estão continuamente em um estado de mudança de uma forma para outra, de um grau, tamanho para outo, de uma qualidade para outra, de um volume, ciclo para outro e de uma oitava para outra. Nenhuma coisa manifestada permanece exatamente a mesma de um ano para o outro – ou mesmo de um dia para outro. Tudo responde à essência dinâmica das forças evolutivas em direção à meta em que as potencialidades inerentes serão liberadas e cumpridas. Seu corpo cresce em tamanho e capacidade para se expressar ou se deteriora e diminui em capacidade; qualquer que seja a direção, você, em seu veículo, muda de um estado para outro. Sua consciência “move” de um estado para outro, e esse movimento está diretamente dependente de duas coisas:

  • Sua reação a uma experiência específica,
  • Sua ação subsequente sobre o estimulador de sua reação.

Quando sua repetição de uma reação negativa é manifestada em expressão pela ação correspondente, você produz uma outra causa negativa e então você se movimenta para trás. Isso é assim porque os padrões de experiências se manifestam em sequência; se você deixa de aprender de um efeito anterior de uma causa específica e novamente age com ignorância, sua “linha de vida” retrocede ao invés de avançar. Uma repetição de uma reação negativa contrariada pela ação construtiva do exercício da inteligência move sua direção evolutiva para frente e para o alto. Pense sobre isso em termos de seu movimento de consciência ao longo de sua encarnação. A liberdade completa de se mover para frente a partir de um aspecto específico de um padrão de experiência específico significa que você aprendeu a aplicar o princípio inerente ao padrão de experiência em termos de sua posição no ciclo.

Ritmo é a lei cósmica de causa e efeito trabalhando por meio do movimento. No ritmo todos os efeitos ocorrem em intervalos naturais. Pelo ritmo, toda emanação específica “nasce” no tempo condizente com os seus atributos.

A referência à “Alquimia Cósmica” é aplicável ao corpo humano desse modo: respiração é a inalação que torna possível a oxidação; exalação é a expulsão do resíduo desnecessário. O batimento do coração possibilita ao Corpo inalar para alimentar e refrescar seus tecidos pela ação arterial; a ação venosa retira aquilo que é desnecessário. Essas duas ações do Corpo, além da “inalação” de materiais alimentares e da “exalação” dos resíduos, são exemplos primordiais da ação rítmica na alquimia do Corpo. Embora o corpo seja programado para o cumprimento de suas necessidades, nós comemos e bebemos de acordo com ações conscientes; a respiração e o batimento cardíaco são dirigidos pelo subconsciente – eles “continuam” automaticamente. Pense um pouco sobre os ritmos naturais de sua vida física – alquimia é o propósito que está sendo cumprido por esses processos programados. A humanidade tem outros modos de ser alertada para os ritmos do universo. Consideremos alguns exemplos das evidências do ritmo no mundo natural:

Aquela indicação métrica na música que chamamos de ritmo “dois por quatro” – dois tempos completos para cada compasso (um-e-dois-e) – não somente ilustra a polaridade do tempo, mas também o arquétipo de toda ação rítmica. O tempo “um” é macho-masculino, o “e” é a conclusão feminina do tempo; o tempo “dois” é feminino-masculino, seu “e” é a conclusão feminina (o masculino-feminino de macho-fêmea é a polaridade cósmica em expressão quádrupla – o Universal “Adão-e-Eva”). Nessas circunstâncias:

  • A RESPIRAÇÃO: O tempo “um” é o começo da inalação; “e” é a conclusão da inalação; o tempo “dois” é o começo da exalação; seu “e” é a conclusão da exalação.
  • AS ONDAS: Tempo “um”, a “inalação, é o “ajuntamento das forças aquosas”, quando elas recuam da costa; “e” é a subida para frente até o máximo da onda; tempo “dois” é o impacto da onda; “e” é o ponto mais distantes alcançado pela onda em sua ação de avançar contra a costa. Isso ilustra a “respiração” da onda, mas a música da onda é contada pela “pulsação” do seu som; tempo “um” é a rebentação – o som alto do impacto; “e” é a subida para frente até o ponto mais alto da costa; o tempo “dois” é o “ruído da coleta”; seu “e” é a subida para a frente até o pico da onda. O ruído do “impacto” é análogo ao da rebentação do tempo “um” no compasso musical, o “acerto” mais forte.
  • OS DIAS: O espectro dos dias do ano tem polaridade rítmica de vários modos. Uma é a polaridade do dia (existência consciente), outra é a polaridade da noite (existência subconsciente). Tempo “um” é o nascer-do-sol; seu “e” é o meio-dia; tempo “dois” é o pôr-do-sol; seu “e” é a meia-noite. Quanto às estações, o Equinócio de Março – Áries – é análogo ao nascer-do-sol; Câncer é análogo ao meio-dia; Libra é análogo ao pôr-do-sol; Capricórnio é análogo à meia-noite (essa analogia não se refere ao Grande Mandala, que tem Câncer no ponto da meia-noite e Capricórnio no ponto do meio-dia; é uma analogia dos poderes da luz do sol durante cada dia com seu significado oculto durante as sequências no ano).
  • O CICLO DE VIDA: Uma ilustração perfeita do ritmo “dois por quatro”; tempo “um” é o nascimento; “e” é a adolescência; tempo “dois” é a maturidade; “e” é a transição. Esse “processo” é, naturalmente, um padrão cósmico; é a ação da Vida manifestada em Si Mesma.
  • O AMOR HUMANO: Tempo “um” é o reconhecimento de amor mútuo; “e” é a geração; tempo “dois” é o cumprimento das responsabilidades assumidas; “e” é a realização dos princípios envolvidos na experiência (cumprimento do Relacionamento).
  • A EDUCAÇÃO: Tempo “um” é a ação que inicia uma experiência de estudo; “e” é o processo do aprendizado; tempo “dois” é a ação de aplicar aquilo que foi aprendido intelectualmente; “e” é o aprendizado mediante o trabalho e/ou mediante a aplicação do que foi aprendido intelectualmente. Se “dois por quatro” é o arquétipo rítmico da marcação de tempo, “três por quatro” é o sub-arquétipo básico. “Dois por quatro” e “três por quatro” são as indicações métricas das quais derivam todas as outras medidas. O ritmo “dois por quatro” é simbolizado em Astrologia pelo símbolo arquetípico da cruz, quatro para cada um dos Signos Cardeais, Fixos e Comuns.

A cruz é a conversão alquímica da consciência por meio da reação à (ou de interpretação da) experiência encarnada.

O ritmo “três por quatro” é simbolizado pelo símbolo arquetípico do Trígono, que é o potencial espiritual inerente; esse potencial é liberado é expresso pelo Sextil à – e na – Quadratura, que é a cruz congestionada. Os seis raios – três diâmetros – do símbolo Sextil, que representam os seis Signos de Fogo e de Ar, descrevem o Cardeal, Fixo e Comum desses Signos masculinos, o macho do qual é o Fogo, a fêmea do qual é o Ar.

O Sextil, portanto, é “dois três”; cada um desses “três”, na forma fechada, é o triângulo equilátero, metade do grande Trígono duplo, o poder-amor-sabedoria do macho ou da fêmea individualizados. Os quatro pontos da Cruz arquetípica são os relacionamentos humanos básico: macho e fêmea como “dadores”, macho e fêmea como “recebedores”; ou macho e fêmea como “iniciadores de causas”, e macho e fêmea como “reatores aos efeitos de causas”. Esse grande símbolo representa as identidades da interação e do intercâmbio entre todos os seres humanos. O Trígono (fechado) é um potencial de irradiação espiritual individualizada; esse potencial é o “fruto” daquilo que foi “fermentado” pela cruz, congestionado pelo medo-ignorância, descristalizado pelos opositores do Sextil e resultando no resíduo puro do poder, do amor e da sabedoria espirituais. O Trígono é “aquilo que a alma tem guardado após a inalação da experiência e ter sido efetuada a descristalização das congestões”. Pense na analogia entre o Corpo físico e o Corpo-Alma – cada um “inala e se alimenta”, “alquimisa-se, lança fora o que não é necessário e retém a essência do que precisa”.

O significado oculto do Trígono tem muito a dizer sobre o poder místico de cura definitiva do ritmo “três por quatro”. A Astrologia ilustra isso na sequência dos Signos Cardeal-Fixo-Comum. Cada Signo “abarca” três decanatos e cada elemento “abarca” três Signos. Os Trígonos de elemento genérico são ritmos cósmico “três por quatro” se expressando a partir das quatro identidades básicas; isso ilustra o “abarcamento” da roda horoscópica assim como a divindade abrange o universo. Por conseguinte, o ritmo “três por quatro” transmite ao nosso conhecimento instintivo a recordação da eterna Presença do Divino. Há uma sutil, quase indescritível, graça e charme no ritmo “três por quatro” que os ritmos “dois por quatro” e “quatro por quatro” não têm. O significado oculto dos dois últimos é estrutural; até no ritmo “três por quatro” as frases são construídas basicamente em grupos de dois ou quatro compassos, excluindo assim a associação do Trígono à cruz. Na musicoterapia o ritmo “três por quatro” tem provado possuir um poder maior para aliviar e acalmar. O ritmo “três por quatro”, na estrutura arquetípica das frases de quatro compassos, é o poder divino em manifestação.

Quando aplicamos os significados ocultos do ritmo à Astrologia-em-ação vemos coisas notáveis. A respiração básica da ação vibratória é o tempo para baixo e o tempo para cima da Lunação e sua Lua Cheia. Essa ação é análoga à inalação-exalação de ar pelo ser humano; é a conversão alquímica de vibração no corpo arquetípico inteiro – a humanidade – assim como a oxidação e o comer é composto dos processos alquímicos físicos individuais. De acordo com a nossa consciência, nossos Corpos “se movimentam”, harmoniosamente ou não, com as ações de se sustentar. Correspondentemente, nossas almas se desenvolvem (se movimentam) com nossas respostas à ação da vibração. Uma extensão da “Lunação-respiração” se vê no estudo do eclipse solar, que é macrocósmico para a Lunação microcósmica. Um padrão de eclipse solar é o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal por dois eclipses separados por seis meses (seis Signos). Tal padrão cobre um ano; um ciclo de eclipse solar (duas vezes o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal) cobre um período de dois anos e é notavelmente análogo à uma completa composição musical – no ritmo “três por quatro”.

O tempo “um” é o primeiro eclipse; os tempos “dois” e “três” desse primeiro “compasso” são as duas Lunação que se seguem; o tempo “um” do segundo compasso é “ponto médio” da Lunação que forma uma Quadratura com o ponto do eclipse; os tempos “dois” e “três” são as Lunações que se seguem ao “ponto médio”; o tempo “um” do terceiro compasso é o próximo eclipse; as cinco Lunações seguintes repetem a sequência dos dois primeiros compassos; o total dos dois eclipses e suas dez Lunações compreende um “padrão”; o “ciclo” se completa com os dois eclipses seguintes e suas dez Lunações – perfazendo uma composição vibratória completa; a Lua Cheia do quarto eclipse de um ciclo ocorrerá em Conjunção aproximada com o primeiro eclipse. Resumindo: um ciclo de dois estímulos a dois Signos de um diâmetro zodiacal; cada eclipse tem seu “ponto médio da Lunação”; em música isso é análogo a vinte e quatro compassos no ritmo “três por quatro” – duas frases de oito compassos, quatro frases de quatro compassos. O “e” de cada “tempo separado” é, naturalmente, a Lua Cheia de cada eclipse ou Lunação.

Exemplo:

  • Eclipse nos 20º de Escorpião em novembro de 1947;
  • Ponto médio da Lunação os 20º de Aquário, em fevereiro de 1948;
  • Eclipse nos 19º de Touro, em maio de 1948;
  • Ponto médio os 13º de Leão em agosto de 1948.

As Lunações em Virgem e Libra, em setembro e outubro de 1948, completam o “padrão” na primeira metade do “ciclo”, Escorpião-Touro.

  • Eclipse nos 9º de Escorpião, em novembro de 1948;
  • Ponto médio da Lunação nos 9º de Aquário em fevereiro de 1949;
  • Eclipse nos 9º de Touro, em maio de 1949, seguida por cinco Lunações após o eclipse em Libra (Touro-Libra regido por Vênus – estímulo de uma vibração astral) em outubro de 1949, que foi seguido por cinco Lunações ao eclipse nos 28º de Peixes em março de 1950, o qual, por sua vez, iniciou um outro “ciclo de música vibratória” intitulada “Peixes-Virgem”;

Esse ciclo levará a 1952 dois eclipses em Peixes, dois em Virgem, com seus pontos médio das Lunações.

Como você reagiu aos estímulos à sua Carta no ciclo de Escorpião-Touro? Como está se preparando para enfrentar as condições representadas em sua Carta pelos quatro eclipses em Peixes-Virgem? Estamos agora (agosto, 1950) terminando a primeira metade do primeiro padrão desse ciclo; o segundo padrão será iniciado no dia 12 de setembro pelo eclipse nos 19º de Virgem. Como você está tocando a sua “música”? Está praticando arduamente?

Concluindo, umas poucas observações sobre o ritmo quando aplicado a outras artes. A música e dança são as duas artes em que o atributo ritmo se manifesta mais concreta e obviamente. A música é a percepção de arquétipos pela audição intuitiva e pela manifestação dessa percepção em artifícios tonais. A dança é a conversão alquímica de posturas corporais arquetípicas por meio do ritmo, isso como manifestação de percepção de arquétipo; é a pintura (ou desenho) e a escultura “mobilizadas”, em razão de que a escultura é um “ponto congelado”. A pintura é manifestada, basicamente, por linhas. Reconhecemos que o lineamento que coordena o tema básico de um retrato a seus fatores secundários é ritmo exteriorizado, porque a linha, em um desenho ou pintura, é emanação de pontos estruturais – exatamente como em Astrologia. O tema de um quadro é, naturalmente, o arquétipo que o artista procura manifestar. Objetivamente, contudo, o “tempo para baixo” de uma pintura é o ponto focal da expressão interpretativa. O “movimento rítmico” em uma pintura está na gradação das direções das linhas e na gradação da distribuição das cores. A sequência (movimento) das harmonias inter-relacionadas do desenho e da vibração compõem a essência do “ritmo na pintura”. A arte dramática tem ritmo no compasso da leitura das linhas, saídas e entradas (movimentos “para dentro e para fora”), atuações no palco, e o elemento tempo proporcionado na relação mútua entre as cenas (de cada ato) e entre os atos. A escultura e a arquitetura têm ritmo do mesmíssimo modo que a pintura e o desenho, exceto que a harmonia na relação de massa, em vez da harmonia na relação de cor, é o fator importante.

Belas ilustrações de ritmo em Astrologia são vistas no “espaçamento” das cúspides das doze Casas e seu agrupamento em sequências de quadrantes e semicírculos; o “dois por quatro” dos Signos alternados e Signos opostos – também do padrão de Lunação e Lua Cheia; o “três por quatro” das cúspides em cada quadrante e dos Signos em cada Trígono; o “quatro por quatro” dos pontos de cada cruz e o grande padrão de ação de “Conjunção, Sextil, Quadratura e Oposição” da Lua progredida e dos Astros em Trânsito.

Existe a dança do Sol a cada ano, e da Lua a cada vinte e oito dias, e de cada um dos Planetas em seus próprios “compassos” através do Zodíaco; as poderosas “marcações” do dia-e-noite, do diâmetro zodiacal e da Dignidade-e-Detrimento dos Astros.

Os poderosos Urano, Netuno e Plutão conduzem o influxo de grandes ondas de vida vibratórias de seres humanos que encarnam na entrada – e passagem através – dos Signos zodiacais e seus decanatos pela alquimia rítmica desses Poderes Magistrais.

Naturalmente que existe a sua própria entrada rítmica em cada padrão básico de experiência durante sua encarnação; os “espaçamentos” dos Aspectos em sua Carta Natal conforme são ativados ritmicamente desde a hora do seu nascimento.

Abra seus olhos, mais do que nunca, para a sua percepção sobre o significado rítmico harmonioso da simbologia astrológica; ele é, em forma especializada, a representação da beleza da polaridade cósmica padronizada em ação.

 

CAPÍTULO IV – O ESQUEMA, A PROPOSTA, O PLANO GERAL, O PROJETO, O DESENHO

No Capítulo I desse tomo nós discutimos sobre o ponto, a linha e o círculo como os três fundamentos da arte simbólica. O ponto é subjetividade infinita; por correspondência ele pode ser o irreconhecível; pode ser o Deus Pai-Mãe e pode ser o potencial de Divindade do ser humano individual. A linha horizontal para a esquerda, desde o ponto, é o processo de tornar químicos os potenciais do ponto. O fim da linha simboliza o estado de máxima expressão dos princípios químicos correspondentes à máxima densidade da matéria no Universo, do nosso Sistema Solar ou do total do Corpo físico do ser humano: a soma total de seus potenciais manifestados. O círculo é símbolo da perfeição infinita da objetividade. Lembre-se de que a linha horizontal tem polaridade; suas terminações são dois pontos dos quais pode ocorrer a emanação. Na simbologia astrológica, o primeiro Ponto (o Centro) inicia a emanação pelo processo de tornar químico; o segundo ponto (a extrema esquerda da linha) inicia a emanação pelo processo de realizar os potenciais do centro. O traçado da linha horizontal para a esquerda, a partir do centro, simboliza a involução; o traçado do círculo, usando aquela linha como raio, simboliza a evolução; o círculo completo simboliza as perfeições inerentes a todos os potenciais do ponto central em manifestações realizadas; ele simboliza a essência da idealidade que o ser humano procura perceber em todas as suas experiências evolutivas; o círculo, em sua beleza perfeita, simboliza a manifestação realizada de um arquétipo – no caso de nosso assunto, aquele arquétipo é a humanidade. Estes três símbolos são (como símbolos) arquétipos; deles são derivados todos os outros símbolos arquetípicos.

O esquema é a Lei da Ordem cósmica aplicada ao formato e a estrutura das manifestações. O formato é a aparência externa, a condensação da forma da matriz; a Estrutura é o inter-relacionamento das partes e fatores etéricos e físicos de uma manifestação. A Estrutura é o resultado total das emanações do centro-matriz e forma é aquilo que se percebe visualmente da estrutura.

Todos os fatores de uma manifestação são projetados pelo motivo de que cada fator é significativo para os propósitos da manifestação total. Em outras palavras, o esquema de todas as partes está de acordo com as leis da natureza essencial da manifestação; o esquema de uma manifestação completa é a aparência externa objetivada do arquétipo subjetivo. Pense sobre o “esquema das partes” e sobre o “esquema externo” do mamífero (ser humano, cavalo, baleia – sendo o “mamífero” um arquétipo). Em que se assemelham seus esquemas internos e externos? Pense nos quadrúpedes (leopardo, castor, antílope, iaque); nas aves (águia, pato, avestruz, beija-flor); nos répteis, insetos, peixes, etc. Considere o tremendo significado do esquema no mundo natural. As flores é um belo assunto para esse tipo de estudo, porque a beleza dos seus esquemas inclui a forma, a cor e a fragrância; a fragrância da flor faz parte de seu esquema, tanto quanto o fazem sua forma e cor: Toda vida animal tem um esquema em seu programa de reprodução e gestação; a vida humana tem esquemas de: relacionamentos e atividades de trabalho, desenvolvimento intelectual e iluminações espirituais. Divirta-se pensando sobre os múltiplos esquemas pelos qual a vida expressa seus poderes.

Em virtude de ser a astrologia o tema principal de nosso estudo, limitaremos por uma arte pictórica (gráfica) nossas observações sobre desenho às analogias entre a astrologia e a arte de pintar que tem, como abstração, a arte de traçar linhas. O esquema se evidencia por toda parte nas artes da música, dança, poesia, do drama, etc. – mas, para sermos breves, devemos nos limitar a essas duas artes, que correspondem mais diretamente à astrologia.

Se pudéssemos nos imaginar exercitando a faculdade da visão pela primeira vez, e estando totalmente inconscientes das identificações e propósitos das coisas materiais nesse Planeta, nós veríamos, tanto quanto nos permitisse nossa consciência, pedaços disformes de cores. Nós “vemos tridimensionalmente” só porque temos exercitado a visão por muitas encarnações e, excetuando o breve período da infância em que nos orientamos a nós mesmos no plano, estamos acostumados às perspectivas. Mas, hipoteticamente por enquanto, estando absolutamente desacostumados às perspectivas, veríamos tudo em termos de duas dimensões. Olhando seu quarto você vê o que reconhece como “grande ou pequeno”, entre vidraça, roupas, móveis, etc. Esquecendo identidade e perspectiva, a única “substância” que você vê é a cor manifestada pelas formas delineadas das coisas que percebe. A cor é inerente à substância, mas o esquema da substância dá forma a cor ou cores.

Passemos agora ao esquema em astrologia, que é uma matéria muito atraente!

Como um fator na essência pictórica do simbolismo astrológico, o círculo do mandala astrológico é a estrutura daquilo que o astrólogo estuda. Lembre-se de que a estrutura de nossas percepções visuais é a extensão circular da esfera de ação dos nossos olhos. Nós não vemos através de uma moldura quadrada ou retangular – o formato dos nossos olhos torna possível vermos tudo através de um círculo.

O “ver” ocorre em dois modos – ou em duas “oitavas”. Uma é a “visão física” – a percepção das coisas físicas pelo exercício de uma faculdade física, que é o foco de dois órgãos semelhantes sobre uma coisa ou um “ponto”. A outra é a visão “intuitiva” ou “espiritual”, que se efetua pelo foco da “bipolaridade”, sendo que o círculo da roda astrológica é também o símbolo da “estrutura” dessa “visão”. O astrólogo olha para o horóscopo com um enfoque de ambos de seus elementos genéricos – esse enfoque é o único olho da compreensão; ele se vale de seus recursos intelectuais para calcular a Carta e estudar seus elementos sob um ponto de vista técnico, mas conta também com os recursos da sua memória de experiências em encarnações passadas, como homem e como mulher, para perceber os valores espirituais dos fatores contidos na Carta. Um astrólogo funciona como um composto de ambas as polaridades quando suas percepções intuitivas são acesas pela concentração em uma Carta; ele entende a consciência de ambos os sexos, e assim é capaz de avaliar apropriadamente as indicações astrológicas. Leste-Oeste, Norte-Sul, devem ser estudados em qualquer Carta de qualquer ser humano. Todos somos causadores e reatores aos efeitos de causas – e sempre o temos sido. O astrólogo, focalizando a bipolaridade – o Ponto Central – de sua consciência, é capaz de perceber as avaliações objetivas e subjetivas das colocações e padronizações astrológicas; em outras palavras, ele percebe, através do círculo de seu discernimento espiritual, as tendências da pessoa, cuja Carta está sendo estudada do ponto de vista dele como “Causador” e um “Reator” para efeitos das causas”. O astrólogo deve conhecer a vida do Espírito tão bem quanto a vida do corpo (Consciência e Ação) – “vida subjetiva” e “vida objetiva”.

Devido a um horóscopo ser o que é (uma representação simbólica de interpretação dos princípios da vida por uma consciência individualizada na encarnação), nós não fazemos horóscopos de pessoas desencarnadas ou de arquétipos sub-humanos. Grave em sua Mente esse pensamento: o círculo não é o desenho básico do horóscopo; a cruz dos diâmetros vertical e horizontal sim. O círculo é somente porque o raio do Ascendente é, e o raio do Ascendente é porque o ponto é. O círculo é, de fato, o último fator no simbolismo astrológico, porque representa as perfeições manifestadas inerentes aos potenciais do ponto. Um círculo em branco não mostra a ação da bipolaridade, pelo que não pode ser considerado o esquema básico. O esquema deve preencher o propósito de indicar a ação da bipolaridade, pois tal ação é o que a vida é. Com todos os outros fatores ao alcance, pode-se fazer um horóscopo sem traçar um círculo; mas para se ter qualquer horóscopo completo, o grau do Ascendente se faz imperativo – dispondo do grau do Ascendente você dispõe automaticamente da cúspide da sétima Casa. Tendo-se esses dois fatores, o quadro da complementação básica se apresenta, e tal fator, mais que qualquer outro, é o esquema da bipolaridade essencial da consciência individualizada – a essência vital da própria vida.

Por ser uma linha, o diâmetro horizontal não é em si mesmo – e nem pode ser – um esquema; mas porque suas extremidades tocam a circunferência do círculo ele serve para criar um esquema dentro da roda. Esse desenho de dois semicírculos é o arqui-símbolo da simetria, e a simetria é a bipolaridade do esquema; “macho-fêmea” é a simetria do sexo, e “masculino-feminino” ou “dinâmico-receptivo” ou “expressivo-reflexivo” são as simetrias do GÊNERO. A linha horizontal, que serve para “ativar” os potenciais contidos no interior do círculo, é o símbolo de todas as diferenças entre as expressões polares do universo ou, correspondentemente, da natureza humana. Um diâmetro de um círculo não “divide” o círculo em “duas coisas”; ele ativa a polaridade de tudo o que é representado pelo conteúdo do círculo, que são, por sua vez, emanações do ponto central. E mais: o diâmetro, que é o aspecto duplo do raio do Ascendente, é a representação da bipolaridade do ponto central “desdobrada” na maneira mais simples e direta possível. Os semicírculos inferior e superior são, por conseguinte, a expressão cumprida de cada polaridade – os dois, reunidos, formam o círculo completo, que é composto total da polaridade. “Macho e Fêmea” são as palavras que simbolizam a “quimicalização” das diferenças de polaridade no plano gerador do ser. Consideremos agora o esquema da bipolaridade de cada polaridade; tenha sempre em mente que todas as coisas representadas num horóscopo é emanação do ponto central.

O relacionamento entre dois Astros que identificamos pelo ângulo de noventa graus é a Quadratura – arqui-símbolo da congestão de potenciais. Em sua aparência, conforme a usamos, ela repousa sobre uma base horizontal, e seus dois lados são verticais – variações do símbolo arquetípico da Cruz – “comprimidos” dentro das limitações impostas pela circunferência do círculo.

Esse registro do desenho da Quadratura é chamado “mau” por alguns, porque representa uma tendência de permanecer “inexpressivo” – portanto “morto”, que significa “anti-Vida”. A “dor” implicada nesse registro é a ignição de potenciais pelas forças evolutivas que atuam por meio da consciência humana, com o objetivo de que os potenciais de vida possam ser liberados contra uma inércia “embutida”. Essa Quadratura, aplicada ao conteúdo de um círculo, toca este círculo em quatro pontos (que correspondem aos pontos médios da segunda, quinta, oitava e décima primeira Casas), os Signos Fixos[12] do Zodíaco, os recursos de poder do amor-desejo.

A regeneração desses recursos é a grande “mágica integral” da alquimia – o pico do esforço espiritual. Mas sendo esses pontos os “pontos médios”, eles não coincidem com as cúspides que, por sua vez, são emanações do “EU SOU” do raio do Ascendente. Só existe uma representação do símbolo da Quadratura que não apenas coincide com as cúspides das Casas, mas também é estruturalmente simétrica e equilibrada: a Quadratura cujos pontos angulares são as cúspides da primeira, quarta, sétima e décima Casas – os Signos Cardeais[13] do Grande Mandala, os quais são os pontos estruturais do relacionamento humano básico.

E a “inércia” e a “contra-ativa-a-inércia” (a polaridade dos processos de vida) são representadas nessa Quadratura de forma incrivelmente iluminadora, uma vez que trata diretamente da “humanidade do relacionamento”.

Marque um ponto exatamente no centro de uma folha de papel. Partindo desse ponto, trace uma linha horizontal de aproximadamente 5 centímetros de comprimento para a esquerda; retroceda ao ponto e trace outra linha do mesmo comprimento, essa verticalmente para cima; retroceda ao ponto. Escreva a palavra “macho” no lugar superior da horizontal e no lado esquerdo da vertical. Agora, partindo do ponto, trace uma linha de 5 centímetros para a direita, retroceda ao ponto e trace uma linha vertical de duas polegadas para baixo; volte ao ponto; você acaba de criar as “linhas de força” no esquema do relacionamento humano básico. Ponha os símbolos dos Signos Cardeais de modo apropriado, de acordo com o Grande Mandala. Agora o ângulo formado por cada par de linhas sucessivas a partir do ponto é um ângulo reto, o mesmo que se encontra nos pontos estruturais do quadrado dos Signos Fixos. Áries e Capricórnio representam “inércia” e “ação” nesse modo: Áries é o “macho gerado”; Capricórnio é o macho gerador.

Pense cuidadosamente nisto: a “tendência para o mal”, simbolizada pelo desenho da Quadratura, significa isso: a tendência para continuar se expressando em um nível de inércia espiritual prolongada. Quando não crescemos nem nos desenvolvemos, nós voltamos a uma situação anterior, pior do que estamos – degeneramos – e a degenerescência é a suprema blasfêmia porque representa uma oposição aos cumprimentos da vida. Os potenciais estáticos da imaturidade precisam ser liberados e cumpridos, e a “imaturidade” é o relativo NÃO-cumprimento em qualquer nível, oitava ou ciclo. Vamos olhar novamente nosso desenho, os ângulos e linhas de força na figura Cardeal e na Quadratura dos Signos Fixos:

Na figura Cardeal trace um pequeno arco próximo ao ponto que liga as linhas que representam Áries e Capricórnio; trace outro pequeno arco ligando a horizontal superior e a vertical esquerda da Quadratura fixa. Estes dois arcos envolvem duas expressões de “ângulo reto”; o Cardeal é “aberto”, o Fixo é “fechado” – pelo menos até onde as relações estão ligadas ao desenho inteiro. O ângulo reto Áries-Capricórnio forma o quadrante superior esquerdo de sua roda; o ângulo reto da Quadratura Fixa focaliza o quadrante superior esquerdo de sua roda. Você vê como o desenho do Aspecto Quadratura, em sua natureza essencial, retrata o potencial para desenvolvimento e o potencial para congestão? Trace em ambas as figuras arcos análogos a estes dois, relacionando Capricórnio-Libra com o quadrante superior direito do quadrado Fixo, Libra-Câncer com o quadrante inferior direito e Câncer-Áries com o quadrante inferior esquerdo; cada ângulo reto central aberto da “cruz” Cardeal tem seu potencial para congestão mostrado nos ângulos correspondentes do quadrado (ou Quadratura) Fixo arquetípico. Estes dois Aspectos (polaridades) do desenho da Quadratura mostram o “contragolpe” recíproco das tendências dinâmicas e de inércia da consciência humana. Toda “imaturidade” (“infantilidade”) de consciência deve transcender a tendência inercial para se realizar no simbolismo do círculo. Os “ângulos”, dinâmico e congestivo nessas duas figuras – posto que cada ângulo seja um relacionamento de dois fatores dos potenciais do ponto – é o eterno impulso da polaridade cósmica por meio da consciência do relacionamento humano para realizar os potenciais do arquétipo “humanidade”.

O estudo dos símbolos astrológicos como imagens é um exercício mental e estético fascinante. Esses símbolos, em sua maior parte, têm sido usados desde os tempos antigos como delineações de concepções dos princípios de vida. Esse raciocínio diz respeito à essência geométrica desses símbolos, como eles podem ser correlacionados com os valores geométricos da Arte Gráfica do Desenho, a abstração da Arte da Pintura.

Após havermos experimentado muitas encarnações, nós temos uma reação subconsciente ou instintiva aos desenhos geométricos como representações de princípios, ações, processos Cósmicos – e suas cristalizações na Forma. Os desenhos essenciais que o artista usa para apresentar seus conceitos de arquétipos são eles próprios arquetípicos. Como uma arte gráfica, a astrologia retrata a consciência do arquétipo “humanidade” – o recurso básico de toda a conceituação humana. A qualidade arquetípica do simbolismo astrológico (“simplismo”) é tal que os significados dos princípios representados por eles se tornam basicamente mais compreensíveis, enquanto a consciência do ser humano é esclarecida pelas alquimias da regeneração. Esse esclarecimento resulta em uma destilação de poder que, através da manifestação ou interpretação artística, serve para estimular, vivificar e iluminar a consciência de pessoas menos evoluídas. Assim como a consciência do artista fica “impregnada” por se sintonizar com as forças inspiradoras, do mesmo modo o poder de sua consciência, liberado através de seu trabalho artístico, “impregna” a consciência (conhecimento interno) dos indivíduos; o resultado, em ambas as oitavas, é o “nascimento” de um novo nível de realização. A resposta do artista e dos indivíduos ao impacto das forças inspiradoras é a alquimia de um tipo sutil, mas muito poderoso. É uma magia intimamente afim à magia do amor porque, em ambas os arquétipos, são percebidos até certo ponto. A inércia do auto-isolamento é descristalizada e o divino é vislumbrado. Cada experiência semelhante de uma pessoa respondendo ao poder inspirador da beleza manifestada é um grau de “Matrimônio Hermético” – realização da “(re)união com o Eu Superior”.

Em virtude dos desenhos emanarem da linha, consideremos o gênero das linhas retas, que são as abstrações das linhas curvas. A vertical é dinâmica e estimulante; a horizontal é imóvel e receptiva. Como tais, as duas simbolizam causa e reação a, ou efeito de causa respectivamente. A diagonal que liga a vertical à horizontal é o reflexo duo-genérico de ambas (o gênero das linhas curvas é determinado pela qualidade da linha reta que liga as duas extremidades). A vertical, por si mesma, estimula o quê? A horizontal, por si mesma, reage a quê ou é afetada por quê? Quando os lados de um triângulo retângulo são uma vertical e uma horizontal a hipotenusa (diagonal) é oposta ao ângulo reto e reflete aquilo que é gerado pela junção das duas linhas. Assim sendo, ele é análogo à relação de uma criança com seus pais e reflete, até certo ponto, as qualidades de ambos, pai e mãe. Toda linha reta encerrada num círculo incendeia os potenciais dos conteúdos do círculo; portanto, os diâmetros vertical e horizontal incendeiam os conteúdos do círculo de maneira quádrupla – os quadrantes iniciados pelos Signos Cardeais; cada semicírculo é, portanto, “incendiado” de modo duplo, o que resulta no quadro da vibração simpática que atrai e junta Pai-Mãe-Filho-Filha para formar o “recinto” do padrão da família humana. Dois tipos de vertical e horizontal são qualificados pelas quatro diagonais, assim como “homem-mulher” está qualificado como “paternidade/maternidade” pelos filhos que geram.

Os desenhos e formações de linhas não somente implicam em formato e forma, mas também em ação, liberação, congestão, involução, estática, radiação, gravitação e muitos outros tipos de ação da vida. Estar estático significa “se estabilizar entre os movimentos precedentes e os movimentos sucedentes” – e movimento é alquimia cósmica. Nada na vida manifestada é eternamente estático, mas essa condição de estabilidade ou equilíbrio é justamente tão importante quanto o movimento, porque a radiação de poder se segue ao foco de poder. O Universo tornado químico é o meio da Natureza enfocar seus poderes, assim a palavra “estático” significa realmente “focalização”; não significa nem pode significar “morte” ou “ausência de vida”. Partindo desse ponto de vista, consideremos uns poucos símbolos astrológicos “estáticos”.

Todos os símbolos simétricos carregam uma impressão de serem estáticos por serem lateralmente equilibrados, mas existe um mundo de diferença entre os símbolos simétricos abertos e os ditos fechados. Os símbolos astrológicos mais estáticos são os do Aspecto Quadratura e o do Astro Sol.

Desses dois, o Aspecto Quadratura é o mais estático porque carece completamente de curva ou de diagonal. Esse quadrado, com a base horizontal, é “todo para cima e para baixo, cruzando direto” com ângulos “inflexíveis” e com uma completa falta de fluidez ou estabilidade. Ele é a solidificação de quatro ângulos retos inerentes ao ponto central, de forma que sua “personalidade” pode ser descrita como: compressão, rigidez, poder contido, implacabilidade, peso, imobilidade, cristalização, presunção de retidão, obstinação, preconceito, ignorância do medo, “letra da Lei”, e insipidez. Uma vez que seu significado astrológico, como um símbolo, é congestão de potenciais, nós temos uma impressão de “força” do Aspecto Quadratura, mas ele sugere força que não está sendo utilizada, músculos e inteligência que não estão sendo exercitados. O potencial de amor desgastado pelo ódio e pelo interesse próprio (do tipo errado). A Quadratura é “precisa” e “nítida”, assim como seus efeitos. Quando experimentamos o estímulo de nossos Aspectos de Quadraturas (as forças da vida tentando nos fazer lutar para nos libertarmos das congestões da inércia e imaturidade), a Quadratura nos fala por “seu” modo brusco, violento e intransigente. “Inativo” é como uma “pessoa quadrada” que se expressa com precisão e muita eficiência verbal, mas com falta de tato ou graça. A Quadratura é a imagem do “dois-vezes-dois” – a essência da estrutura formal e, portanto, a essência daquilo que é conhecido como “classicismo” na arte. A arte clássica se preocupa com a simetria da estrutura e com a clareza do contorno, qualquer que seja seu meio. A arte clássica medíocre é “congestão na forma” e “ausência de poderes inspiradores”; a grande arte clássica, felizmente, junta as duas. Aspectos, arte, natureza humana ou no que quer que seja, Quadradura é poder em um estado de relativa inércia; estude os traçados focalizados no desenho da Quadratura; qual a sua reação a eles?

Os desenhos circulares, por sua natureza essencial, são de dois tipos principais; a circular estática é radiativa e a circular móvel é convoluta. Os três símbolos astrológicos arquirradiativos são os do Sol, da própria Roda Astrológica e do Aspecto Sextil; os dois primeiros são fechados, o terceiro é aberto.

Dos três, o Sextil é o mais radiativo, porque seus “raios” não estão confinados. Somente o ponto no centro do símbolo do Sol o faz sugerir radiação; o círculo do símbolo é, na realidade, uma representação do desempenho dos potenciais de um arquétipo específico. A Roda Astrológica é um “símbolo do Sol em grande escala” – as linhas de força da qual são as doze oitavas básicas do “Eu Sou” que, por sua vez, é o potencial “quimicalizado” do ponto central. Os três diâmetros, ou seis raios, representados no símbolo Sextil são a Trindade Espiritual dos Signos de Fogo e Ar – a polaridade masculina dos sexos masculino e feminino da humanidade. E representa, por sua “iluminação”, a universalidade da alquimia centralizada no Incognoscível, no Deus Pai-Mãe ou no ser humano individual. O efeito do desenho radiativo é de impacto e iluminação – a “sensação” que acompanha o exercício alquímico. Quando você experimenta o “impacto” de um esforço alquímico, seu plexo solar é análogo ao centro do símbolo Sextil, em relação ao seu corpo. A emanação proveniente de sua consciência vitalizada ou regenerada pode se estender indefinidamente ao mundo de outras pessoas e condições. Se você focaliza sua consciência vitalizada em uma coisa ou em uma condição, então você “as circunscreve num círculo”. Olhe para o Sol, a Lua a as estrelas quando estão brilhando com luz plena; olhe para o rosto das pessoas quando sorriem; o que fazemos para expressar um cumprimento amistoso? Nós irradiamos ao estendermos uma mão para outra pessoa, que a segura e aperta. Isso é o entrelaçamento dos Trígonos de Fogo e Ar das linhas de força do Sextil para criar um duplo intercâmbio magnético. O desenho radiativo nos alcança a partir do centro de seu tema assim como as pessoas nos alcançam e nós as alcançamos. Um desenho radiativo que representa um assunto extremamente desagradável pode nos repelir assim como as pessoas desagradáveis nos repelem e nós repelimos quando somos desagradáveis. Quando o assunto em si é de natureza inspiradora a “irradiação do Sextil” pode nos fortalecer com um impacto de beleza e inspiração que transmite uma sensação de exaltação e renovação. Estude os desenhos radiativos em quadros. Permita-se sentir os arquétipos deles.

O desenho circular convoluto simboliza a ação recorrente em torno do ponto central. Ele é mais “móvel” que o tipo radiativo, e seu significado interno apresenta um arquétipo totalmente diferente. Na astrologia temos dois desenhos circulares convolutos básicos: o Signo de Câncer e o Aspecto de Oposição.

Esse tipo de desenho talvez seja o único que transmita mais claramente a impressão de “graciosidade” – é muito feminino em qualidade, é rítmico e inteiramente curvo. O símbolo original de Câncer foi o símbolo Tauista chamado “Yin e Yang”; o envolvimento das duas figuras curvas por um círculo o faz o símbolo da bipolaridade da semente (aquela encerrada no útero, ou na matriz), a palavra-mãe arquetípica; Câncer, Cardeal e gerador, é regido pela Lua, cujo símbolo básico é um semicírculo vertical; a linha que liga suas extremidades é a vertical das quarta e décima Casas astrológicas – “linha de parentesco”. O desenho circular convoluto, embora sugira movimento, também transmite uma impressão de monotonia – recorrência contínua para o centro e a partir do centro. Não é congestão, como na Quadratura; em uma figura fechada como a do “Yin e Yang” ele é a latência de energias ainda não expressas, ou o fluxo e refluxo Cósmico a partir do centro e de volta a ele através de oitavas evolutivas, como no símbolo do Aspecto Oposição. A essência desse tipo de desenho transmite à nossa percepção interna a rítmica “volta ao repouso” – que é uma transição, ou sono, que é uma “pequena transição”; é calmante em seu efeito, se estendendo para fora, mas se curvando eternamente em si mesmo em graciosas “dobras” de linha.

O símbolo do Aspecto Oposição tem algo da mesma monotonia do símbolo Yin-e-Yang com o acréscimo de um fator dinâmico; a “linha básica” desse símbolo é a diagonal para cima, pelo que está implicado o “germe da aspiração”. Como um fator astrológico, esse desenho focaliza-se em três pontos: os pontos médios das segunda e oitava Casas e o ponto central da Roda; seu significado essencial é: escolha entre as expressões não regeneradas e as regeneradas, ou transmutação dos dois polos do diâmetro do desejo (Touro-Escorpião). Esse símbolo, por seu “fluxo” contínuo a partir do ponto central para as segunda e oitava Casas, implica em repetição de padrões de experiência, em oitavas cada vez mais elevadas, até que a regeneração da natureza de desejos seja destilada. Esse símbolo, como um desenho artístico de dois círculos tangentes entre si no ponto central, representa as transmutações, por pessoas de ambos os sexos, do desejo de posse por meio da capacidade de administrar os bens materiais (Touro-segunda Casa); e por meio do amor (Escorpião-oitava Casa); cada um desses pontos representa uma oitava do potencial de desejo e do atributo de amor – esse diâmetro é polarizado pelo diâmetro complementar Leão-Aquário, Signos que são as oitavas pessoais e impessoais do Poder-Amor. Pense numa película cinematográfica de uma pessoa em um balanço: “duas balançadas para cima” e “duas balançadas para baixo” – começando e terminando no centro gravitacional; existe um ritmo e pulsação no “sobe-e-desce” desse tipo de símbolo; é o eterno impulso aspirativo da humanidade, “irrompendo” do “começo” estático de cada oitava.

O mais dinâmico de todos os desenhos circulares é a espiral vertical; esse é um desenho linear da essência do círculo perpetuado no tempo, no espaço e na consciência.

Ele é aberto, simétrico, rítmico e, mais que qualquer outro desenho, transmite a sensação de progresso eterno. É o mais estático de todos os símbolos porque (e quando o estudarmos nós veremos isso) simboliza a ação eterna do fogo cósmico, involutiva e evolutivamente. O “pir” de “pirâmide” significa “fogo”, e a pirâmide equilátera é a forma “quimicalizada” do triângulo equilátero.

Esse, por sua vez, é o formato essencial daquilo que é representado pelas espirais involutivas e evolutivas em representação bidimensional. Imagine uma pirâmide: quatro triângulos equiláteros, cujas bases são os lados de um quadrado; um círculo circunscrevendo o quadrado pode ser tido como o primeiro nível básico da espiral.

Em sua imaginação, do topo da pirâmide olhe para baixo: esse ponto de vista do topo da pirâmide apresenta um ponto central, o quadrado dinâmico dos Signos Cardeais do Grande Mandala, com suas quatro linhas diagonais bipolares. Os quatro ângulos retos desse quadrado são os reflexos inclusos dos ângulos centrais da Roda formados pela intersecção dos diâmetros Touro-Escorpião e Leão-Aquário; eles correspondem aos quatro ângulos do quadrado estático, que são os reflexos inclusos dos ângulos centrais formados pela intersecção dos diâmetros Áries-Libra e Capricórnio-Câncer. Você reconhece a Roda Astrológica nesse “ponto de vista”? A partir de qualquer um desses pontos de estrutura Cardeais (filho, filha, pai e mãe – macho e fêmea de causador e reator imaturos e maduro aos efeitos de causas) a “gerada de Deus” – a humanidade incluída, encarnada – começa seu retorno ao seu “Éden perdido”, o ponto central do círculo, o topo da pirâmide. A humanidade, em seu Corpo Manifestado, evolui por meio do exercício do Amor-Sabedoria destilado, não para um “ponto evanescente”, mas para a realização da fonte, que é ser perfeito. A linha espiralada contínua, encarnação após encarnação, volta após volta, através dos padrões de relacionamento humano, através de sucessivos ciclos de experiência e de oitavas de consciência – mas sempre para o alto e a partir do círculo básico que circunscreve o quadrado básico. Enquanto os círculos espiralados se afastam da diferenciação do quadrado básico vão se tornando cada vez menores – prosseguindo continuamente em direção à unidade indiferenciada do ponto apogeu, o ponto central do círculo. Trace uma espiral circular, começando no que corresponderia ao ponto do Ascendente de um horóscopo; reconheça, à medida que “evolui” a linha espiral em direção ao ponto central, que você está se libertando da separatividade “quimicalizada” e se tornando cada vez mais consciente de sua origem espiritual, sua “Deidade”. Na representação “quimicalizada” nós não vemos o círculo básico ou linha espiral. Olhando a pirâmide “de frente”, o que vemos? O triângulo da identidade e atributo espirituais – o poder-amor-sabedoria inerente a cada uma das identidades humanas básicas, de que todos partilham em nossa jornada evolutiva em espiral.

Por conseguinte, verticalidade, horizontalidade, diagonalidade, radiatividade, convolução, estática, congestão, abertura, estática espiralada e todas as outras muitas qualidades sugeridas ao nosso conhecimento interno, pelas direções de todas as emanações a partir dos pontos estruturais do desenho, são os atributos daquilo que o artista-que-desenha e o astrólogo-que-interpreta exercitam suas habilidades manifestadoras e interpretativas.

Estude novamente os símbolos astrológicos com a “consciência aberta”, para se conscientizar melhor da qualidade do desenho deles. Sua percepção astrológica se tornará cada vez mais sensível e iluminada. Você descobrirá, com o tempo, que está desenvolvendo uma percepção sensitiva dos desenhos cósmicos inerentes à personalidade, experiência e relação humanas e a todos os processos pelos quais ocorrem as realizações espirituais. Seu próprio viver, no dia a dia, será visto como um recurso para expressão de sua consciência da beleza. Outras pessoas, representadas pelos horóscopos que você estuda, passarão a ter, em sua consciência, uma beleza e um valor mais intensos.

 

CAPÍTULO V – A COR

A cor é o atributo da Manifestação da Perceptibilidade. Uma vez que o Universo manifestado é o veículo ou instrumento do Espírito, ele tem de ser concebido e então percebido antes que possa ser posto em uso; nós como “centelhas do Espírito” em forma manifestada, nos tornamos conscientes desse instrumento pela nossa faculdade de visão. Os outros sentidos são meios pelos quais nós completamos nossa percepção, mas é por meio da visão que “damos o primeiro passo”.

Portanto, como “perceptibilidade” (vemos as coisas como “retalhos de cores”), a cor tem um grande significado em relação à natureza oculta da manifestação. Se estamos aqui para desenvolver a consciência dos princípios da vida, devemos aprender sobre as funções das coisas materiais e também sobre o que elas significam como “quimicalizações” de arquétipos. Entender a natureza de uma coisa material, bem como sua função, é entender o propósito de seu arquétipo; entender o propósito de um arquétipo é entender, em certa medida, um princípio de vida. Os arquétipos, em conjunto, são as manifestações primárias da vida; a vida do arquétipo é o “ciclo de vida” de sua “quimicalização” manifestada. “Arquétipo e manifestação” é a referência mais direta que podemos fazer à Lei Cósmica de “causa e efeito”.

Após centenas de encarnações estamos tão acostumados a ter como certas as cores do mundo que tendemos a nos esquecer (se é que já o conhecemos) o significado desse atributo no ciclo de vida das coisas manifestadas. Uma vez que todas as coisas afetam e são afetadas por todas as outras coisas, será possível que a cor possa representar um aspecto da natureza do intercâmbio vibratório universal? As cores são emanadas e se responde a elas; afetam as coisas que reagem a elas e são afetadas pelas coisas que atuam sobre suas formas “quimicalizadas”. Portanto, se tivermos “olhos para ver” podemos estudar esse aspecto de emanação vibratória das coisas manifestadas e aprender sobre a natureza e significado de seus arquétipos – suas realidades.

O estudo da cor sempre teve um lugar naquelas abordagens pelas quais os seres humanos têm almejado entender a natureza interna e externa de seu próprio arquétipo, a humanidade, e naquelas das outras oitavas de manifestação. Pode-se dizer, com alguma justificação, que o estudo da vida é o estudo da vibração, a qual é a ação essencial da vida. Os Grandes Seres são os que nos ensinam servir para acender em nossa consciência a percepção da vibração, pois eles sabem que a matéria não é uma “coisa morta”, mas sim a manifestação de algo que está eternamente vivo, pulsando ritmicamente, sempre liberando e cumprindo seus potenciais, mas nunca mudando em essência.

Uma vez que nos ocupamos aqui, nesse estudo, com a cor como um fator na expressão da arte, com a simbologia astrológica e com as verdades concernentes à natureza do arquétipo Humanidade, vamos recordar, em parte, o que tem sido dado como instrução pertinente às cores da aura humana. O autor, não estando ainda qualificado, nunca teve a experiência de perceber a aura humana, mas vários conhecidos seus, e talvez muitos de vocês, estudantes, têm essa percepção. O único fato destacável na informação transmitida por essa experiência é o atributo cor deste corpo vibratório. Não importando tamanho, brilho ou embotamento se entende que a cor é vista em toda aura. De fato, sem o atributo da cor a aura não poderia ser vista absolutamente, muito menos estudada e analisada; embora seu poder possa ser “sentido” por pessoas sensitivas, por meio das reações dessas à qualidade vibratória da “aura-pessoa”. Em outras palavras, aquilo que é “sentido” (por reação de sentimento) é aquilo que se vê pela clarividência como cor da aura.

O composto dos Corpos Vitais da constituição humana é uma das muitas formas do estado arquetípico “matriz”; uma outra forma de “matriz” é o ar, que envolve a todos nós; outra, ainda, é a água (gestação), lugar das manifestações geradoras. O ar e a água, como se diz, são “incolores”. Contudo, se o ar e a água não possuíssem, em certa medida, o atributo de vibração da cor, como poderia a luz ser dirigida através deles? Como poderiam eles, refletirem as cores? Como poderiam as cores ser percebidas através deles? Diz uma máxima oculta que, para se manifestar em qualquer plano, um veículo apropriado é necessário; então, como pode a cor se manifestar em e através do ar e da água se estes, como “elementos”, não possuíssem em sua natureza essencial aquilo que corresponde à natureza da cor? Será que a qualidade “incolor” do ar e da água é o único branco verdadeiro que existe, e que aquilo que designamos como “branco puro” corresponde à qualidade “incolor”, assim como o Corpo físico corresponde à matriz etérica? Ou como qualquer manifestação realizada corresponde a seu arquétipo, como uma rosa na plena formosura de sua perfeita maturidade corresponde ao “arquétipo da rosa”, ou como o tipo mais altamente evoluído de uma espécie animal pode corresponder ao seu arquétipo grupal? (Alimento para o pensamento!). A cor é verdadeiramente um dos mistérios da manifestação porque, por ela, a divina essência das manifestações é percebida de modo especializado. A cor corresponde ao desenho, assim como a verdade filosófica corresponde à cerimônia ou ritual que a transmite simbolicamente ao conhecimento interno da humanidade; como o amor entre esposo e esposa corresponde à encarnação de um filho; como a aspiração corresponde ao serviço.

Precisamos usar analogias:

Se pudermos considerar a qualidade “incolor” do ar e da água como o branco arquetípico (e, como tal, a “cor-símbolo” do Incognoscível, do Infinitamente Subjetivo), então o mais puro daquilo que chamamos “branco” é o branco em manifestação. Esse, por sua vez e por correspondência, é a cor do Deus Pai-Mãe em sua essência e em suas duas expressões: de “Espírito Virginal” e de “Consciência Aperfeiçoada” (por que associamos “branco” com pureza?). Pureza é “não diferenciação”; inocência é “não refratado pela experiência”; perfeição é realização de unicidade (unidade). Qualquer coisa que descrevemos como “aperfeiçoadas” é consumada, harmoniosa e completa no relacionamento de suas partes entre si e com o total. O branco é a “inocência antes da refração da luz” e a “re-unidade aperfeiçoada após a refração”. Em seu relacionamento com as cores do espectro, o branco simboliza a relação entre a consciência aperfeiçoada e a diferenciação das qualidades anímicas que designamos por palavras tais como coragem, paciência, integridade, etc. Em seu relacionamento com o preto, o branco é a fonte espiritual e o preto é o máximo de “quimicalidade” das emanações provindas da fonte. Considere essa analogia: o branco arquetípico é causalidade universal; o branco em manifestação é a bipolaridade universal; o preto é a mais densa “quimicalidade” universal. O preto é um assunto muito interessante para se pensar e estudar, e um fascinante assunto para meditações filosóficas. Tem sido usado (coitado) por séculos para simbolizar os conceitos humanos de inferno, morte e mal – resumindo: a cor-símbolo do Demônio. Nada menos que uma injustiça. O preto, como uma “cor” no universo material, é a compressão do marrom (composto de todas as cores do espectro), e o marrom é a cor-símbolo da terra produtiva – nosso lar na encarnação. O preto então é a congestão de forças de vida produtivas, mas congestão não significa morte no sentido absoluto – congestão é uma pequena morte que pode, que deve, e que será descristalizada (“redimida”). Uma cor que simbolizasse a morte absoluta teria de corresponder ao branco arquetípico, assim como o preto corresponde ao branco em manifestação. E tal “cor” não existe, porque o preto é o “ponto médio” entre branco e branco. O Aspecto Quadratura (congestão) entre dois Astros em um horóscopo representaria duas cores que, por sua relação, têm o efeito de “denegrir” o tom de cada uma delas – você conhece o “vermelho escuro”, ou “verde escuro”, não é?  Esses tons representam graus de congestão de potencial de cor em direção a um ponto comum de “estática”. O preto não é reconhecível como o “vermelho” ou como o “verde” ou como qualquer outra cor – ele é a densidade MÁXIMA (a mais baixa vibração) de todas as cores, assim como o branco em manifestação é a descristalização máxima dos poderes da cor. No “Inferno” da Divina Comédia, de Dante, a região mais inferior desse lugar infeliz é descrito como o lugar do “perdido para sempre”, “sem esperança”, “impossível de redimir”, “absolutamente sem potência, “negação total” e “completamente sem vida”. É verdade, nos diz a filosofia oculta, que existem uns poucos membros das ondas de vida que se congestionam a tal ponto que não podem progredir com os outros na “onda” que pertence; mas também nos é ensinado que, embora possam se atrasar bastante, eles finalmente começam de novo em outra “onda” e assim avançam para a realização. Por conseguinte, o “inferno”, como o lugar do totalmente perdido, é uma ilusão, um falso conceito de vida. Cremos que a “misericórdia da vida” (ou do Deus Pai-Mãe) se expressa na verdade de que todos os potenciais vão ser redimidos totalmente – ninguém, nem nada é “separado e descartado para sempre”. A “cor” preta poderia, naturalmente, simbolizar o estado de “congestão a tal ponto que o progresso é interditado por certo tempo”, mas o eventual progresso será representado pela liberação (em um novo ciclo) dos potenciais congestionados do preto. Seus Aspectos Astrológicos se aproximarão do “negrume da cor” na medida em que as Quadraturas se aproximem dos noventa graus exatos e não sejam aliviadas pelo auxílio de Sextis ou Trígonos.  Na medida em que as Quadraturas sejam afastadas dos noventa graus a cor delas será mais evidente. E na medida em que seus Astros formem Trígonos suas cores astrais brilharão com esplendor, poder e beleza.

O autor não tem a presunção em apresentar “verdades absolutas” nessas simbólicas representações da cor; contudo, nós, como estudantes de astrologia, nos acostumamos tanto a ver a arte astrológica apresentada pelos “riscos pretos no papel branco” que esquecemos o valor de “pensar cromaticamente”. Já que estamos lidando com os espectros de desenhos e vibrações, nós devemos, de vez em quando, exercitar nossas Mentes nas cores implicadas nos símbolos traçados; essas “cores implicadas”, por sua vez, simbolizam os espectros da consciência e da experiência humanas, e devemos perceber “gradativamente” se estamos desenvolvendo nossa compreensão de “qualidades de posicionamento”, “qualidades de relacionamento” e da “natureza arquetípica” dos Astros, como focalizadores dos Signos zodiacais. Um pouco mais de alimento para o pensamento: o branco arquetípico como se “manifesta” nas cinco oitavas de cor das três oitavas do ponto, da linha e do círculo da simbologia astrológica.

As cinco oitavas manifestadas do branco arquetípico são:

  • O Branco Manifestador;
  • O Cinza (neutro);
  • As Cores do Espectro;
  • O composto das Cores do Espectro, o Marrom;
  • A congestão do Marrom, o Preto.

As três oitavas do ponto, da linha e do círculo são:

  • A Cósmica (o Incognoscível);
  • A Solar (o Deus Pai-Mãe);
  • A Humana (o Grande Mandala do Arquétipo, a Humanidade, e o mandala pessoal do horóscopo individual).
  • Cósmica – o ponto, a linha e o círculo da ideação cósmica; o centro é o branco arquetípico; a linha do Ascendente é o branco manifestador e o ponto do Ascendente é o cinza neutro, a abstração do marrom e do “composto” dos extremos do branco manifestador e do preto. Não podemos saber a extensão daquilo que é manifestado pelo Incognoscível, portanto sua “aparência” no ponto Ascendente deve ser o indefinido, o neutro, o “ilimitado”, do cinza. O cinza é “sem limites”; ele combina e se mistura com todas as cores e é, mais que qualquer outro “tom”, o que pode transmitir uma sensação de manifestação indefinida e infinita, não focalizando nada, mas simbolizando “Tudo que é”.
  • Solar – a ação Manifestadora do Deus Pai-Mãe; o centro é o branco manifestador; a linha do Ascendente modula desde o branco manifestador, através do cinca e do marrom (composto de todas as cores do espectro) até o ponto do Ascendente que é preto; o ponto Ascendente preto simboliza a total manifestação “quimicalizada”, ao mais denso grau, desse Sistema Solar; no preto se encontram todas as expressões de cor simbolicamente inerentes às naturezas de todos os seres desse Sistema e que vão ser “liberadas” como símbolos específicos de cores de gradações de consciência durante a evolução desses seres em ciclos de encarnações.
  • Humana:
  1. a) O Grande Mandala Astrológico do arquétipo, Humanidade; o centro é o branco manifestador, a linha do Ascendente modula a partir do branco e através do cinza e do marrom; o ponto do Ascendente, o “Eu Sou” do arquétipo individualizado, é vermelho, a primeira cor cardeal que corresponde ao primeiro Signo Cardeal do mandala – Áries. As três variações do “Eu Sou” da Humanidade são as cúspides das décima, sétima e quarta Casas (no sentido dos ponteiros do relógio); o total desses quatro “Eu Sou” é o Eu Sou da família humana básica: geradores macho e fêmeo; gerado macho e fêmeo; macho e fêmea de causa e macho e fêmea de reação a/ou efeito de causa”. Como os cientistas que estudam e analisam a cor nos dizem que existem quatro cores primárias básicas (vermelho, amarelo, verde e azul), atribuiremos cada uma delas a um ponto cardeal do Grande Mandala: o vermelho a Áries; o amarelo a Capricórnio; o verde a Libra (complemento de Áries) e o azul a Câncer (complemento de Capricórnio e iniciador do último Trígono do espectro genérico). O Trígono de Fogo será representado pelas gradações desde o vermelho puro até o laranja; o amarelo da Terra, passando por seus tons mais escuros, até o ar; o verde, modulando até a água; o azul, prosseguindo até completar o espectro em Peixes, a púrpura, cor símbolo das qualidades divinas e última cor da sequência básica do espectro. Esta é uma das abordagens. Você pode descobrir outra ou muitas outras, mas descubra alguma coisa!
  2. b) o horóscopo pessoal de um ser humano individual: na humanidade pouco evoluída o centro é vermelho do sangue; na humanidade evoluída é o vermelho do “Eu Sou” individualizado mesclado com a redenção do branco; a linha do Ascendente modula através do cinza e da cor do raio até a cor que pode ser identificada com o regente astral do Signo Ascendente. Essa cor representa a variação temporária (para essa encarnação) do vermelho-branco do centro. A cor do raio é uma cor “básica” para cada ser humano durante a totalidade de seu progresso evolutivo na encarnação. O conhecimento filosófico ou oculto revela, cedo ou tarde, a natureza do raio de alguém e a cor que lhe pertence. Pode-se supor que, nos casos de seres humanos pouco evoluídos, a cor do ponto do Ascendente pode ser o marrom da Terra, que será “descristalizado” ou diferenciado como pessoa que inicia sua evolução espiritual. Nas Cartas individuais de seres humanos, o negrume pode estar implicado, conforme observado antes, em Aspectos astrais congestionados, mas nunca no ponto do Ascendente.

Provavelmente existem tantas “soluções” para esse estudo da cor na simbologia quantas são as pessoas que a estudam. Contudo, quando nos livramos das limitações da reação do sentimento pessoal às cores ficamos mais capacitados para focalizar nossa consciência das cores como fatores na simbologia abstrata – para correlacionar a essência da vibração da cor com o essencial das figuras simbólicas. Uma outra abordagem ao estudo das “cores básicas” em um horóscopo individual é sintetizar as posições astrais pela “dispositariedade”[14] – e criar uma composição das posições astrais por posicionamento em Signo. Em tal síntese, todos os Astros Dignificados transmitirão um sentido de maior pureza de cor; aqueles em Detrimento (opostos ao Signo de sua Dignificação) são neutralizados até certo ponto e suas cores tenderão para uma mistura com o cinza. Para correlacionar a cor com o desenho, estude também a sua Carta do ponto de vista de ver como os seus agrupamentos astrais formam padrões específicos – uma grande cruz, um grande Trígono, uma Quadratura com a “alquimicalização” de um Astro por um terceiro com o qual forma Sextil, e assim por diante. Seu horóscopo, em qualquer forma ou arranjo e em branco e preto, é a abstração de um retrato pintado – em símbolos. Olhe os Astros que estão mais ao norte, ao sul, a leste e a oeste – eles são pontos estruturais em seu “Astro-retrato”; os Aspectos de Oposição são “verticais, horizontais e diagonais” em seu retrato, etc. Contudo, se permita se conscientizar mais da importância de “colorir” mentalmente os símbolos astrológicos – é o mais valioso e benéfico exercício de seus poderes intuitivos.

 

CAPÍTULO VI – A ARQUITETURA

A arquitetura é, em essência, arte manifestadora como expressão da consciência humana que tem a qualidade ou função de proteção cósmica.

O que quer que o ser humano construa, se expressando nessa arte, é um símbolo do seu desejo instintivo de rodear, envolver e proteger aquilo que ele aprecia. Essa arte difere das outras artes tridimensionais – a dança, a escultura e o drama – naquilo que ela preenche e encerra espaços. Há uma certa utilidade na natureza essencial dessa arte que também a diferencia das outras artes. As edificações, para cumprirem sua razão de ser, devem ser ocupadas por alguma coisa ou habitadas por alguém. Assim, de todas as artes, a arquitetura é a menos abstrata, a mais útil, e a mais básica às necessidades da humanidade.

Uma analogia: o azul do céu e o marrom da terra são o teto e o assoalho da morada do ser humano nesse Planeta, a vasta casa do nosso viver físico provida como expressão criadora de Deus. Em virtude de todos compartilharem desse teto e desse chão, o ser humano tem uma individualização de consciência e, como uma “centelha do Fogo Divino”, deve reproduzir microcosmicamente esse padrão como uma expressão de sua Deidade. Portanto, ele constrói “teto e assoalho” para abrigar o coração de suas criações (lar e trabalho) e a de sua reverência, a igreja. Como lar e igreja simbolizam o âmago da consciência de relação do ser humano para com a espécie humana e para com Deus desde tempos imemoriais, essas “edificações” perduram como os dois fundamentos essenciais do esforço arquitetônico.

A Deidade da espécie humana é o Átomo-semente permanente que perdura através dos ciclos de encarnações. A primeira casa construída para ele está dentro do corpo materno, antes do nascimento. O corpo materno é o envoltório que tem a função e qualidade de proteção como alimento para o Ego encarnante. A matriz etérica é o “corpo externo” em que vivemos durante a encarnação, e nosso corpo carnal físico possui os envoltórios da pele, do esqueleto e da estrutura orgânica em que o Átomo-semente é enclausurado como num santuário. O pai funciona em correspondência com sua companheira proporcionando segurança ao lar para proteger seus dois “seres amados”; e o lar é uma especificação de espaço em que se perpetua a vida do relacionamento das pessoas atraídas reciprocamente por específicos requerimentos vibratórios. Todas essas “construções” (a matriz etérica, o útero, o envoltório físico e o lar) são a “humanidade” daquilo que é “arquitetura” na arte manifestadora. O ser humano nunca construiu só para si mesmo – ele sempre construiu, como Deus constrói, como uma expressão de sua oitava com Função e Qualidade de Proteção Cósmica. Assim como a água e, subsequentemente, o ar foram os “lares” originais em que vivemos como involuções físicas, do mesmo modo o grande “mar de magnetismo elétrico” é o “lar” de nossa consciência de relacionamento, e “lar” é a expressão química individualizada da consciência de relação do ser humano focalizada na oitava geradora do ser. Durante a encarnação, o ser humano habita, ou pode habitar, em muitas casas, mas o relacionamento com outros seres humanos é a “vida doméstica” de sua consciência. Sentimo-nos “no lar” (e isso não é uma figura de retórica) com aqueles que amamos; sentimo-nos “fora de (nosso verdadeiro) lugar” com aqueles de quem não gostamos. Com aqueles a quem amamos nós “construímos facilmente” os cumprimentos do relacionamento – qualquer que seja a oitava de experiência ou de consciência. Construir belamente é expressar amor. “Construir sem beleza” é enfatizar (empilhar) as congestões do desejo-ignorância na consciência; as edificações resultantes são “santuários da fealdade”. O ser humano expressa “o melhor de sua arquitetura” quando constrói (qualquer coisa) como uma expressão do mais elevado e melhor que existe em seu Coração e em sua Mente. Os arrojados pináculos dos templos e catedrais são figuras que simbolizam as aspirações espirituais do ser humano voltadas para o seu “Éden perdido” – para o qual ele retorna nas espirais ascendentes do progresso evolutivo. Esses pináculos são variações do desenho básico da pirâmide, que discutiremos nesta dissertação.

Aquilo que para nós é intimamente externo é o reflexo exterior da edificação interior. Consciência – e nada mais – é o material que usamos para edificar qualquer coisa em qualquer oitava, ciclo ou dimensão. O resultado da construção material é o efeito da maneira com que o ser humano impôs sua Mente, seus talentos e suas habilidades nas substâncias maleáveis; e Mente, talento e habilidade são todas oitava de consciência. Ele impõe sua consciência nos “materiais de arte” para incorporar seus conceitos de arquétipos na obra de arte manifestadora; ele impõe sua consciência nos “materiais de relacionamento” como suas “incorporações de consciência de relação”, isto para envolver, proteger e perpetuar aquilo que está não regenerado ou regenerado nos relacionamentos humanas. Podemos construir “tocas para chacais e covis para ladrões”, assim como podemos construir “lares para os que amamos e santuários para o que adoramos”. Tudo isso, em suas miríades de expressões, são construções com os materiais da consciência.

Uma vez que cada ser humano é uma consciência individualizada, nós somos os construtores de tudo que é manifestado em nossas vidas. Pela encarnação servimos para construir uma nova identidade para nossos pais, já que eles foram instrumentos na construção de um veículo para nós. Cada criança contribui como material e experiência de relacionamento para a “construção” de seus pais como indivíduos e como casal. Ela expressa sua consciência, os pais reagem; estes expressam, aquela reage nos anos de seu desenvolvimento e enquanto dure o relacionamento com seus pais. A criança foi atraída aos seus pais pela lei, e eles constroem a qualidade particular de consciência de paternidade por seus exercícios como pai e como mãe nas encarnações passadas. Em outras palavras, seus pais são uma expressão “quimicalizada” de sua consciência de “pais”; eles, em certo sentido e em relação a ela, são algo que ela próprio construiu. Cada ser humano é, portanto, o arquiteto de sua própria ascendência. Concretamente isso é representado no horóscopo pelo diâmetro vertical das cúspides das quarta e décima Casas. A “paternidade” do arquétipo humanidade é o diâmetro zodiacal Capricórnio-Câncer focalizado pelos arquitetos astrais, Lua e Saturno, os “construtores da forma” de nosso arquétipo vibratório. Esse diâmetro é, obviamente, complementado pelo de Áries-Libra, já que o diâmetro vertical de um horóscopo é complementado pelo diâmetro horizontal do Ascendente e sétima cúspide.

Mais uma ilustração astrológica: podemos considerar a Carta como a planta de um edifício, de modo que a parte arquitetônica sejam os símbolos.

Um círculo de diâmetro vertical e horizontal; os símbolos dos Signos Cardeais nos pontos estruturais, Áries como Signo Ascendente. Ligue os pontos estruturais com linhas retas formando uma Quadratura. Os quatro ângulos retos são as “envolturas” dos ângulos formados no centro pelos diâmetros dos pontos médios das Casas Fixas (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); os ângulos retos das Quadraturas dos Signos Fixos são as envolturas do ângulo central formado pelos diâmetros vertical e horizontal. Os lados das duas Quadraturas têm o mesmo comprimento. Os pontos cardeais formam uma bissecção com quatro semicírculos; os pontos Fixos formam uma bissecção com quatro quadrantes.

O círculo é, a um e ao mesmo tempo, a ideia perfeita de “Humanidade” na Mente Divina, a manifestação perfeita daquela ideia na forma, as objetivações perfeitas de todos os potenciais inerentes no Ponto Central; pela perfeição de sua beleza ele é o símbolo arquetípico do Dourado Manto Nupcial que será usado pelo arquétipo humanidade no alvorecer da libertação dessa manifestação, ou que é usado por cada indivíduo no tempo de sua libertação. O Dourado Manto Nupcial é a morada perfeita do Átomo-semente – todos os humanos têm uma matriz etérica, mas nem todos vestem uma matriz formosa; é o embelezamento perfeito e a pureza dessa matriz que identifica o Dourado Manto, resultado de toda a nossa construção na encarnação.

Já se fez referência à convicção do autor de que o círculo que circunscreve a Quadratura Cardinal e suas “linhas de força” (a Cruz Cardinal), em combinação com o Ponto Central, é uma “visão de pássaro” (olhada de cima para baixo) de uma pirâmide. O arquétipo humanidade evolui da inocência – estado do Espírito Virginal – para o máximo de “quimicalização” por um processo espiralado para baixo desde o ponto, em voltas circulares cada vez mais largas (separativas). O perfeito potencial essencial permanece do princípio ao fim, mas o ser humano, encarnado e novo nesse plano, só vê a “quimicalidade” da vida e da sua própria natureza. Ele não conhece sua unidade com a vida, sentindo-a apenas vagamente em suas sensações de convivência instintiva com outros seres humanos, aos quais ele está intimamente ligado por laços de sangue ou por afiliação de clã. Ele está consciente da maior parte das diferenças entre ele próprio e seu pai, sua mãe e outras pessoas: mais forte e mais fraco, mais velho e mais novo, masculino e feminino, etc., mas suas semelhanças com outras pessoas, não importando a aparência externa, não são reconhecidas até que os processos evolutivos tenham sido efetuados. Conhecer o relacionamento é perceber o “interior” da vida humana, e essa percepção é o começo da sabedoria. A consciência da humanidade não está ciente do formato circular essencial do facho de luz em que ela está viajando; ele é sempre circular, mas quando “atinge a tela da materialidade” a consciência humana não desenvolvida vê somente o quadrado – as enganadoras diferenças entre as pessoas, não a unidade pela qual todas estão afiliadas em espírito.

As duas representações da Quadratura simétrica em nosso mandala simbolizam a estrutura da família humana e o material com o qual se constrói aquela estrutura. A família é externamente o macho e a fêmea da manifestação geradora humana; internamente é o masculino e feminino da consciência genética. Os pontos estruturais da Quadratura dos Signos Fixos simbolizam as focalizações dos diâmetros desejo-amor, que são a substância alimentícia da totalidade de nosso relacionamento humano na vida – o equipamento que usamos para construir cada lar no intercâmbio de relações. Os pontos estruturais Cardeais são os quatro enfoques da identidade humana – madura e imatura do macho e da fêmea – Pai, Mãe, Filho e Filha; também o macho e a fêmea como causadores dos, e reatores aos efeitos de causas. Partindo dessa Cruz da Polaridade de Identidade, e alimentada pelos recursos do desejo-amor dos diâmetros dos Signos Fixos distribuídos pelos diâmetros assimétricos das oitavas de sabedoria da cruz Comum, começa a espiral ascendente da evolução. Enquanto precisar encarnar, o ser humano participa dessas três cruzes; mas na medida em que a identidade separativa é transmutada em unidade, o desejo em amar, e a ignorância em sabedoria, as Quadraturas se tornarão cada vez menores, se aproximando continuamente da semelhança com o círculo, o qual, por sua vez, é a perfeita representação pictórica do menor de todos os círculos, o ponto. Você pode obter uma imagem desse desaparecimento do quadrado traçando um círculo suficientemente grande para envolver o quadrado Cardinal. Trace um círculo dentro do quadrado, e dentro desse círculo trace outro quadrado, e assim por diante até que as figuras fiquem tão pequenas que você não possa traçar nenhuma menor.

Lembre-se de que o “quadrado” é um desenho arquetípico; que a “Quadratura Cardinal”, a “Quadratura Fixa” e a “Quadratura Comum” são três variações de um só desenho; que o Fixo e o Comum são sub-arquétipos do Cardinal, como desenho arquetípico da identidade e dos relacionamentos humanos. Portanto, traçando esses quadrados cada vez menores dentro de círculos cada vez menores, você está representando realmente, em essência, todas as três formas do quadrado em todas as oitavas evoluintes. Quando você traçou o primeiro círculo para essa ilustração (com a Quadratura Cardinal envolvida) você representou a humanidade pronta para evoluir; cada sucessivo quadrado e círculo menores, em pares, representam uma oitava mais alta – como os pavimentos de um edifício de formato piramidal. Se você pode traçar ou imaginar uma pirâmide cortada por planos horizontais sobrepostos, você obterá a essência de como cada nível, em forma de espiral do círculo-e-cruz, é análogo aos andares de um edifício, tendo cada andar muitos aposentos onde ocorrem diferentes atividades – ou nos quais têm lugar diferentes expressões de Consciência. Nesse desenho indique “primitivo” no primeiro nível e designe os diversos níveis da pirâmide, cortada por planos, como representando diferentes períodos da história em que os seres humanos alcançaram notável progresso evolutivo.

Em cada nível, a cruz Cardinal do intercâmbio dos relacionamentos humanos, a cruz fixa do recurso do desejo-amor e a cruz Comum de destilação da sabedoria se encontram em Conjunção, ou sincronizadas, com o eterno ideal que as envolve e interpenetra. Aproximando-se do ponto do vértice (o ponto central da roda astrológica, como sabemos) o amor e a sabedoria se fundem cada vez mais, e as quatro identidades perdem sua qualidade separativa e são absorvidas cada vez mais pelo ideal de relacionamento da fraternidade, que é o que nosso relacionamento de uns com os outros realmente é. Todos nós somos fraternais uns com os outros porque somos “filhos e filhas” do Deus Pai-Mãe; nossa qualidade de “filho” e de “filha” é nossa natureza essencial bipolar – “macho e fêmea” pertencem à nossa natureza somente quando estamos encarnados, e nas oitavas superiores do ser isto se aplica somente ao nosso estado gerador espiritual, e os poderes de bipolaridade se fundem quando o aperfeiçoamento de consciência do “amor único” é alcançado. Somos conscientes dos “amores” enquanto estamos nos níveis inferiores da espiral ascendente – identificamos a existência do amor com a existência de outras pessoas em nossas vidas e experiências. Realmente, o amor é um aspecto do círculo e é onipresente em perfeita pureza em todos os níveis do ser. Na medida em que o cume da pirâmide se aproxima, a “separatividade dos amores” é transcendida e o ponto no topo da pirâmide – fim da espiral ascendente – é a consciência aperfeiçoada da “uni-dade” do amor como Atributo Divino. Na medida em que a sabedoria é destilada das experiências na espiral, as congestões de medo e de ódio são dissipadas pela luz da razão e da compreensão, as quais, por sua vez, são as iluminações da Mente pelo poder do amor e da inspiração da beleza.

Faça uma cópia da roda de doze Casas, ligue os pontos das cúspides em sequência por linhas retas formando doze triângulos isósceles.

Cada um desses triângulos é metade de um triângulo equilátero, cujos lados são cúspides de Casas alternadas. Existem dois grupos desses equiláteros: o das triplicidades do Fogo e do Ar e o das triplicidades da Terra e da Água. Pense no “equilátero de Áries” como sendo: “Áries masculino e Touro feminino”, e assim por diante em volta da roda. Esses equiláteros, três de cada elemento genérico, tendo polaridade pela divisão em duas partes iguais, são as Casas básicas reais da roda no que tange à consciência genérica. Em virtude de cada uma das doze Casas mundanas focalizarem os princípios de um dos Signos zodiacais, reconhecemos que elas são especializações das secções genéricas duplas de cada triplicidade. Obtenha essa imagem desenhando quatro rodas e destacando em negrito cada um dos três Signos de um elemento e o Signo seguinte (há muito em que pensar nessa representação das Casas como divisões genéricas de experiência). A aparência regular das doze Casas ilustra uma representação muito mais objetiva de experiência por ciclos durante os anos de encarnação. Elas são, qualquer que seja sua forma, apartamentos em um andar particular do edifício de sua vida. Na medida em que os elementos vibratórios de sua Carta ficarem congestionados, você estará “vivendo em um andar mais baixo do edifício de sua vida”.

Considere seu horóscopo como uma planta de um andar da mansão evolutiva (edifício) em que você reside agora. Sua Carta representa, simbolicamente, seu potencial para ser um arquiteto espiritual; os conteúdos de sua roda representam os materiais anímicos que você está usando para construir sua pirâmide – seu Dourado Manto – o composto do melhor de sua consciência destilado de todos os níveis anteriores de experiência e realização. Torne-se mais consciente que nunca da beleza da arte arquitetônica – permita-se apreciar os valores estéticos dos lindos edifícios e, filosoficamente, se conscientize mais que nunca do seu significado para a experiência humana.

 

CAPÍTULO VII – A DANÇA

Dançar é expressar, pelos movimentos rítmicos do Corpo, nossa consciência de participar no mundo da Natureza. Dançar é fazer do corpo físico um instrumento para manifestação de arquétipos como expressões de estados emocionais e de conceitos espirituais. Esses estados emocionais são pontos focais de consciência espiritual de tal intensidade que devem “se exteriorizar” por meio da instrumentalidade do corpo físico.

Assim como o ser humano se dedicou a manipular as substâncias materiais para expressar, pela construção, sua oitava de “proteção envolvente” para abrigar aqueles que amavam e veneravam, do mesmo modo ele dança para expressar a vida interior daquilo que seu corpo encerrava – sua consciência e seu coração com seus sonhos, temores, amores, desafios, aspirações e entendimentos. “Viver” não é só se mover através do tempo e do espaço, de um lugar para outro. É se mover em consciência, de um ponto a outro, através da evolução. Dançar significa se identificar com o movimento cósmico, que é a ação alquímica da vida, pelas sequências rítmicas das posturas corporais arquetípicas. Dançar não significa, como pensam alguns, “exteriorizar música”. O ser humano moveu seu corpo físico nesse plano bem antes de ter inventado um instrumento musical; a música e o vestuário são acompanhamentos vibratórios que servem para intensificar e clarear as expressões do artista da dança, as quais são, por sua própria natureza, extremamente pessoais. Contudo, a dança expressa essencialmente através de seus próprios méritos – ela não precisa de outros complementos para preencher seu propósito básico. A dança é vista em toda parte no mundo natural; particularizemos um pouco estudando alguns exemplos:

A dança natural das expressões de vida é a sequência de desenvolvimento que se segue ao nascimento e que termina na transição. Todo fator manifestado no mundo natural tem seu tempo para desenvolvimento de potenciais e quando esse desenvolvimento se realiza sem interferência artificial, a planta ou o animal alquimicaliza sua forma física através de todos os estágios de experiência consoante o ritmo de seu padrão básico. O mesmo se dá com os seres humanos; nós temos um “padrão de tempo” para o desenvolvimento de nossos potenciais nos estágios de crescimentos, mas as qualificações individuais variam de tempo para o preenchimento de padrões de experiência. Contudo, humanos ou sub-humanos, todos nós dançamos através dessas fases de desenvolvimento do crescimento natural.

Se pensamos na “dança” como movimentos de um organismo físico, então nós vemos sua evidência por toda parte no mundo da Natureza. Os galhos de uma árvore se movem, para um lado e para o outro, respondendo às forças do vento que atuam neles – então dizemos que a árvore está executando belos movimentos com seus braços. As ondas do mar dão a impressão de dançarem por seus intermináveis avanços para a praia e recuos em sequências de movimentos pulsantes, se assemelhando cada onda a uma linha de dançarinos atravessando um palco para frente e para trás. A Lua executa à noite, cruzando o céu, um longo “bourrée[15]” (sereno e constante). O esportivo golfinho salta da água em arcos graciosos; quem pode dizer que ele não sente a mesma “alegria de viver” que os meninos e meninas que “dançam” ao correr e pular em brincadeiras de rua. Pular e saltar são movimentos arquetípicos que simbolizam o desafio à gravidade e, como símbolos de movimento, representam impulsos de aspiração. Os rodopios no ar e quedas em espirais das folhas do outono são ótimos exemplos dos movimentos de dança – se arrastando, deslizando, flutuando, se agitando e parando no chão para um descanso momentâneo, e então se levantam outra vez em novas espirais e novos arcos. As nuvens ondulantes dançam uma eterna dissolução e remodelação de formas, à medida que o vento as dirige pelo palco do céu; as nuvens são expressões perfeitas das mudanças alquímicas – silenciosas e suaves, elas se fundem umas com as outras passando de um a outro aspecto em uma incomparável beleza de movimento. Uma galáxia de flores coloridas, se curvando e se balançando em seus ramos, é um “corps-de-ballet[16]” natural. Pense nos muitos tipos de movimentos dos animais e aves; o desfile orgulhoso do pavão; o deslizar circular do peixe e da foca dentro d’água; o voo saltitante da borboleta; os passos fluídicos dos gatos e o saracoteio viril dos cavalos.

Como os seres humanos dançam? Todos nós dançamos de acordo com o plano cósmico para o desenvolvimento de nossos potenciais físicos e psíquicos através das várias fases do nosso crescimento como organismos. Entretanto cada indivíduo dança de acordo com a qualidade de sua consciência. Algumas pessoas, harmoniosamente integradas, dançam na vida com extraordinária beleza de ritmo. Elas aceitam a experiência como essa se apresenta, lidam com ela e dela aprendem o melhor em favor de suas habilidades; então, sendo esperançosas por natureza, elas passam ritmicamente a novas experiências. Exercitam um mínimo de congestão interna e um máxim