Categoria Relação do Ser Humano com outros Seres

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Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Nossos Mestres Planetários, incluindo o Sol e a Lua

Ao treinar suas crianças (os da onda de vida humana), nosso Criador colocou-as sob os cuidados de sete Mestres, cuja missão é aplicar as leis governando o universo, cuidando para que todo ser humano viva, seguindo-as. Os Planetas são os corpos visíveis desses grandes mestres, ao redor do Trono de Deus ministrando à humanidade sob sua direção suprema. Irradiam-nos influências conforme as merecemos. Não há mal algum no bom universo de Deus. O que assim parece-nos é devido à nossa percepção imperfeita.

Todas as coisas da natureza tendem a um movimento progressivo, para o alto e para a frente, culminando num afastado “Evento Divino”, conforme planejado pelo originador. Um exame do simbolismo dos Planetas e seus mútuos aspectos (a cruz, o quadrado, o compasso, o círculo, o semicírculo) nos revelarão grandes lições quanto à missão dos Planetas relativamente à humanidade. Os Espíritos Planetários lidam com a humanidade através de seus embaixadores; estudaremos resumidamente suas finalidades.

O Sol é o centro e o coração do inteiro sistema, portanto, é análogo ao coração humano. Seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Miguel. Seu símbolo é o círculo, sinal do espírito, indicando nossa natureza essencial. Sua palavra-chave é Vida, e sua missão para o ser humano é proporcionar-lhe individualidade, lembrá-lo de sua ancestral realeza, sua descendência divina, e torná-lo consciente de seus poderes adormecidos, aguardando o toque do mestre a despertá-los para a vida. Ele cria a consciência “EU” e torna-nos donos de nós mesmos e do mundo externo.

O segundo na ordem desde o centro é o belo Mercúrio, tão próximo do Sol que diz estar no colo do Pai. É o Mensageiro dos Deuses, e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Rafael. Seu símbolo é o círculo do espírito com o sinal da alma, um semicírculo em cima, e o sinal da matéria, uma cruz, embaixo. Sua influência é da maior potência na atual fase da evolução humana, como se vê de sua palavra-chave Razão. Sua missão é cultivar no ser humano essa faculdade e assim ampará-lo a emancipar-se dos grilhões da matéria, sob os quais está debatendo-se agora; é ajudá-lo a reunir conhecimento e ganhar crescimento anímico pela observação, evitando, assim, experiências penosas. Desenrola-nos as maravilhas da natureza e de nós mesmos e entrega-nos a chave do armazém da sabedoria do mundo. Ele inicia seus pupilos fiéis nos ensinamentos arcanos sublimes, e treina-nos no cultivo da omnisciência escondida em nós.

Na sequência temos a bela Vênus, cujo embaixador para a Terra é o Arcanjo Anael. O símbolo dela é o do espírito (círculo) sobrepondo-se à matéria (cruz), indicando assim a conquista do evanescente por parte do eterno. É chamada a Deusa do Amor, sua suave influência desperta-nos para a realização da ligação unificadora entre todos os membros da humana família, estejam em quais relacionamentos estiverem. Com laços de seda ela prende homem com homem, e homem com mulher, em traços afetivos. Sua palavra-chave é, portanto, Coalizão. Ela acende e mantém dentro do coração humano o amor que vive querendo servir e aliviar os sofrimentos humanos pela harmonia, beleza e música.

O dominador Marte envia seu raio de fogo desde além da órbita de nossa Terra, tendo-nos dado o fogo e o ferro. Sem ele a humanidade careceria de empreendimento e energia vitoriosa. O orgulho dominante que não se detém diante de obstáculos, e as forças ousadas e batalhadoras construtivas, continuamente realizando tarefas de progresso, devem seu nascer à interferência dos espíritos Lucíferes habitantes de Marte. Seu embaixador é o Arcanjo Samael. O símbolo de Marte é a cruz sobre o espírito, indicativo da sujeição ao chamado da natureza superior, do espírito egoísta, autoafirmativo, do Ego inferior. A palavra-chave é Energia. Ele desperta no ser humano as paixões inferiores: desejos, ira, orgulho e egoísmo, mas contribui para o instinto criador do ser humano.

Circulando em sua órbita, além de Marte está o gigante Júpiter, o dador de presentes, e o Deus favorito de toda humanidade. Seu embaixador é o Arcanjo Zacariel, e seu símbolo é o sinal da alma (semicírculo) sobre a cruz da Matéria mostrando a essência sublimada extraída da experiência na escola da vida. Sua palavra-chave é Expansão. Ele inclina o ser humano a altos ideais, nobreza de caráter, filosofia e religião. É o espírito do otimismo, opulência e generosidade.

Sob seu raio beneficente a humanidade vive em abundância, mas Júpiter é também um refinador. Castiga suas crianças para que sejam mais merecedoras de sua benevolência. Esse aspecto de Júpiter está bem ilustrado por Shakespeare, o grande iniciado-poeta e mestre astrólogo, em seu drama místico Cymbeline. Leonatus Posthumus, condenado a morrer no dia seguinte, dorme em sua cela. Sonha que o Deus Júpiter desce montado numa águia e coloca uma placa em seu peito. Ele ouve uma conversação entre o Deus e seus finados pais, e, em resposta à súplica dos pais no sentido de que fosse libertado o filho querido deles, o Deus responde:

“Quem eu mais amo, puno como dádiva,

Quanto mais tarda, mais deleita.

Estejam contentes;

Vosso abatido filho será erguido pela nossa divindade,

Seus confortos em prosperidade, suas provas bem aproveitadas,

Nossa estrela jovial reinava ao nascer dele”.

O Júpiter é também chamado o Trovejador pela mitologia grega. Com seu potente martelo força a natureza inferior para refinadas formas de amor e compaixão.

O assustador (aparentemente) Saturno, ou Satã das escrituras, o poderoso ministro da justiça de Deus, paira com ampulheta e foice. Com rigorosa justiça, seu toque de piedade, pontual, ceifa altos e baixos, bons e maus, quando cada um tiver gastado sua areia. É chamado Velha Dama e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Cassiel. É simbolizado pela cruz sobre o semicírculo mostrando as limitações por ele impostas sobre a aspiração humana. Sua palavra-chave é Contração. Toda demora, desapontamentos e derrotas devem ser atribuídas a seu raio. Contudo, detenham-se de maldizê-lo. No livro de Judas, o Anjo Miguel quando tentado a repreender Satã, declara ser ele um poderoso ministro de Deus sendo-lhe devida reverência.

Na imortal obra-prima de Goethe, Fausto, Mefistófeles, a encarnação humana de Satã, declara-se espírito de negação, que embora planejando o mal executa, contudo, o bem. Essa é uma ilustração apropriada de seu caráter. A missão de Satã é pôr obstáculos no caminho da humanidade, a qual, sob a benéfica influência dos outros astros viveria em conforto e luxo, não se aplicando ao cumprimento de suas particulares missões na vida, que são experiências e crescimento anímico. Saturno é o freio da roda suave da vida. Alterando a metáfora, seu chicote desperta o ser humano para o dever, para a verificação das necessidades de seus semelhantes, da natureza evanescente de toda riqueza e glória terrenas. Ele é o amigo dos que renunciam ao mundo. Por suas tendências obstrutivas, ensina-nos: mentalmente – concentração, cautela, previsão e diplomacia; moralmente – autocontrole e castidade; fisicamente – método, ordem e sistema.

Nosso satélite Lua circula-nos próxima e os raios dos já mencionados Planetas hão de por ela passar para chegarem ao nosso contato. Portanto, a Rainha da Noite é o Astro da fecundação. Ela fertiliza, pela geração, as influências benéficas ou maléficas irradiadas pelos deuses superiores. Portanto, sua missão é de grande importância, e a posição por ela ocupada num horóscopo deve ser bem revelada. Seu embaixador é o Anjo Gabriel, cuja missão mencionada nas Escrituras é anunciar o nascimento de Espíritos no plano terrestre. Sua palavra-chave é Fecundação, ela governa a concepção, gestação e nascimento. Todas as funções femininas estão sob sua lei.

Os sete Planetas (considerando-se a Lua) já estudados relacionam-se com o crescimento do ser humano e sua perfeição na escola da vida. São nossos mestres que moldam nosso caráter para conformá-lo aos requisitos das leis evolutivas. O mundo é um enorme disco de polir pelo qual o diamante bruto, o ser humano não desenvolvido, é multifacetado e polido para assim dar brilho em sua glória, irradiando cores belas de seu coração ardente.

Mas após um longo período de submissão às forças externas, ao Espírito do ser humano, escolado e polido em renascimentos sucessivos, aparece-lhe um Mestre superior aos antes conhecidos: seu nome é Urano e seu embaixador para a Terra é o Arcanjo Ituriel. Urano é chamado o Despertador. Seu símbolo é o sinal da alma dupla, juntas por laço indicando a comunhão de Espíritos, que é sua alta missão concretizar. Sua palavra-chave é Altruísmo, o amor altruísta, acima do sexo — amor que é sacrifício, expiação e autoimolação em favor dos outros; amor que dá pelo prazer de dar e sofre pelo bem do semelhante. Urano desperta o Espírito adormecido para a conscientização de sua origem de realeza, nele instila o “Descontentamento Divino”, solicitando-lhe a nova aspiração e empreendimento; depois disso a duração da escravidão para o Ego terminou. Desde a infância espiritual sob a guia de professores, brotou o espírito para “Estado Adulto” espiritual. Não mais está agrilhoado por leis, mas é uma lei em si. Saturno é quem dá as leis, e Urano é mencionado como pai dele. Sob a influência de Urano o ser humano se ressente de toda restrição, hábitos, regras, regulamentos, proporcionados sob o regime de Saturno. Ele torna o ser humano consciente de seu Ego imortal divino. Mostra ser o indivíduo um eterno escolhedor, que dentro dele está a prerrogativa divina, o livre arbítrio, e que nada na natureza pode acorrentá-lo, obstruí-lo ou limitá-lo

Ella Wheeler Wilcox descreve esse estado nos bonitos versos:

“Não há Planeta, Sol ou Lua, fraco

Ou Signo zodiacal que possa controlar

o Deus em nós. Se nos utilizarmos disso

sobre os eventos, os amoldaremos segundo nossa vontade”.

Urano, portanto, é nosso amigo que nos guia da servidão da matéria para a liberdade do espírito; guia-nos do jardim da infância de Deus, a Terra, dando-nos admissão à universidade do universo; guia-nos de sermos os pupilos obedientes de Deus para amigos e iguais. As forças sublimes do Espírito Humano que realizam essas maravilhas são amor e altruísmo. Urano representa o princípio Cristão dentro de nós. Ele é o iniciador do ser humano para o de “ser super-humano”, Mestre e Adepto.

Isto, em resumo, é o papel de nossos mestres planetários, embora em sua atual ignorância, a humanidade não se dá conta das infinitas capacidades latentes em desenvolvimentos à espera. Bom pode o poeta, desperto à sublime consciência de tais capacidades, declamar:

“Senhor de mil mundos sou Eu,

E reino desde o começo dos tempos;

E noite e dia em ciclos passarão

Enquanto Eu assimilo seus feitos,

E o tempo cessará antes que eu encontre libertação,

Pois, Eu sou a Alma do Homem”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – nov/dez/88)

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Uma descoberta arqueológica, mas e os Ensinamentos ocultos?

Uma descoberta arqueológica, mas e os Ensinamentos ocultos?

Cercou-se de grande repercussão a notícia veiculada por jornais do mundo sobre a descoberta realizada por um grupo de arqueólogos norte-americanos nas profundezas da baía de Cádis, Espanha. Em suas pesquisas submarinas, encontraram os destroços de uma civilização antiquíssima; isto é, colunas, objetos e até estradas sulcadas no solo submerso. Segundo alguns membros da equipe, seriam ruínas de Atlântida, o lendário continente invadido pelas águas. Essa notícia, obviamente, ocupou as manchetes e as primeiras páginas das revistas e jornais. Naturalmente, as indagações e especulações começaram a surgir.

Logo em seguida, um dos líderes da expedição concedeu uma entrevista na qual salientou a precipitação de alguns de seus colegas, ao afirmarem pertencer à Atlântida as ruínas encontradas.

Arqueólogos espanhóis questionam a suposta descoberta e as autoridades marítimas locais proibiram os mergulhadores de voltar ao lugar. Asseveram que os restos encontrados são de origem fenícia ou romana.

Como se observa, o assunto gerou polêmicas e controvérsias. Qualquer ponto de vista conclusivo sobre a questão ainda é temerariamente prematuro. Somente estudos acurados poderão levar à verdade.

Porém, quanto ao fato de Atlântida ter existido, os ensinamentos ocultos não deixam dúvidas. Max Heindel, em “O CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, provê os leitores de informações preciosíssimas a respeito do continente atlante. Expõe de forma inteligível as características predominantes naquela remota época, as particularidades físicas e anatômicas da humanidade de então, as sete raças que a formaram (com seus traços marcantes), as condições ambientais e seu estertor, quando do grande dilúvio.

Enfim, uma descrição bem pormenorizada da civilização atlante, que foi obtida pela leitura da Memória da Natureza, a mais segura fonte de estudo e informações existente, à qual Max Heindel teve acesso devido à sua condição de Iniciado.

Além disso, algumas lendas e manuscritos antigos fazem alusão ao continente outrora situado onde hoje se localiza o Oceano Atlântico.

Platão, em uma de suas obras, cita o continente desaparecido. Uma lenda conhecida há séculos no norte da Europa foi musicada por Wagner com o título de “O Anel dos Nibelungos”. Nibelungo quer dizer “filho da névoa” (nibelungen). Por suposto é o “homem atlante”, vivendo sob uma névoa densa, úmida e quase aquosa que, mais tarde, viria a liquefazer-se, inundando aquela terra.

Como se vê, alguns fatos, lendas e ensinamentos de diversas escolas de mistério convergem para a mesma verdade. Quanto às recentes descobertas, só mesmo aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1973)

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Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Vida Una: Aquele que é a Única Realidade existente

Há no universo um só Poder — uma só Energia — uma só Força.

E esse Poder, essa Energia e essa Força é a manifestação da Vida Una.

Não pode haver outro Poder, porque nada há fora do Uno, donde o Poder possa provir. E não pode haver manifestação alguma de Poder a não ser o Poder do Uno. Porque outro Poder não pode existir.

O Poder do Uno nos é visível em suas manifestações, nas leis naturais e nas forças da natureza — a que chamamos Vontade Criadora.

Essa Vontade Criadora é a interna força motriz, o impulso e o movimento por detrás de todas as formas e manifestações de vida. No átomo e na molécula; na célula, na planta, no peixe, no animal, no ser humano — o Princípio da Vida ou a Vontade Criadora está constantemente em ação, criando, conservando e propagando a vida em suas funções.

Podemos chamar a isso instinto ou natureza, mas não é senão a Vontade Criadora em ação. Essa Vontade está por detrás de todo Poder, Energia ou Força — seja força física, mecânica ou mental. E toda força que aplicamos, consciente ou inconscientemente, provém da grande e única Fonte do Poder.

Se pudéssemos ver claramente, haveríamos de perceber que, por detrás de nós, está o Poder do Universo, aguardando até que dele façamos uso inteligente sob o domínio da Vontade do Todo.

Nada há que nos possa assustar, pois somos manifestações da Vida Una, da qual procede todo o Poder, e o Eu Real está acima do efeito, porque é parte da causa.

Em cima e em baixo, por detrás de todas as formas de ser, matéria, energia, força e poder, está o Absoluto — sempre calmo, sempre tranquilo, sempre contente.

Sabendo isso, devemos manifestar esse espírito de absoluta fé, esperança e confiança na bondade e final justiça d’Aquele que é a Única Realidade existente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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Propósito renovado: um ótimo momento para tal

Propósito renovado: um ótimo momento para tal

Naftali, um dos símbolos de Capricórnio, é o veado perdido, um dos filhos de Jacó, o Sol, que, de novo, dispara a fim de percorrer mais uma jornada anual. Começa 2020.

Embora, aparentemente, todos os anos sejam iguais, porque são medidos pela marcha da Terra em torno do Sol, a translação, sabemos, à luz da Astrologia espiritual, que nada se repete. Espirais dentro de espirais, recapitulações sem conta, mas sempre sob novas condições. Na contínua e harmoniosa marcha dos Astros em suas respectivas órbitas, o quadro dos céus se renova constantemente, de minuto a minuto. Somente após 25.920 anos comuns, a contar de uma configuração determinada, a posição dos Astros, no céu, volta a formar o mesmo quadro. Contudo, mesmo assim esse quadro repetido nos céus realiza-se sob novas condições, em uma espiral acima. A humanidade e os demais reinos se encontram então com novas condições internas e reagem diferentemente. Nada se repete, em realidade. A vida é movimento e renovação constantes, mesmo nos aparentes repousos.

Começa um ano NOVO exotérico, de fato. Começa pela experiência saturnina adquirida no passado. Renova-se pelo revolucionador Urano; reveste-se racionalmente de novas aspirações aquarianas; infunde-se da religiosidade de Peixes; galvaniza-se com a energia de Áries; firma-se na calma e persistência de Touro; empreende os voos inquiridores de Gêmeos; lança a semente germinadora e imaginativa de Câncer; acrescenta o calor e a coragem de Leão; concebe os grãos de realização de Virgem; dá o equilíbrio e a beleza de Libra; o dinamismo e a emoção de Escorpião; o idealismo e a bondade de Sagitário e, assim, termina mais uma obra anual. É uma escola admirável. Temos de frequentá-la dia após dia, ano após ano com as capacidades que trouxemos das vidas e anos anteriores, modificando sempre nossas reações às influências estelares. Enquanto houver dor, sofrimento, tristeza, angústia, neurose, ódio, violência, é sinal seguro de que o “fermento” dentro de nós encontra matéria reativa de defeitos, de ignorância. Temos de chegar ao ponto em que nenhuma qualidade negativa dos Signos ou dos Astros encontrem reação e sintamos como o Cristo — “não resistir ao mal”.

Lenta e seguramente, o altruísmo ganha terreno e o ser humano interno se converte em um Hércules, o ousado filho dos deuses capaz de vencer as doze tarefas; isto é, capaz de formar em si, de forma alquímica, as qualidades positivas dos corpos macrocósmicos e se converter em uma réplica dos céus, um eco de Deus, uma partícula individualizada do Cosmos.

Desejamos que cada tropeço, dor ou alegria, no decorrer do ano que inicia, seja encarado pelo Aspirante Rosacruz de forma segura, positiva e compreensiva, como correções e elogios que o Mestre põe nas sabatinas de seus alunos. 365 páginas em branco para preenchermos com nossos atos. Por eles é que o Senhor avaliará o nosso avanço. O Aspirante sincero e humilde medita muito sobre cada correção e advertência, para que não a repita mais, porque sabe que mais profundamente aprende com os erros do que com os êxitos.

E persiste, cheio de esperança no futuro, não apenas para passar pela vida ou “passar de ano”, mas para aprender o melhor possível aquilo que lhe é ensinado; persiste não para obter um diploma, porém com o amoroso propósito de melhor servir a seu próximo, à semelhança dos invisíveis Mestres que agora o ensinam.

Nessa ordem de ideias é que, muito sinceramente, desejamos a todos que renovem seu propósito para uma vida melhor e mais alta no decorrer do ano de 2020, perseguindo aquele ideal enunciado por nosso Sublime Mestre: “Que sejamos perfeitos como nosso Pai Celestial é perfeito”.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ!

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As Atividades do Irmão Maior Jesus de Nazaré

As Atividades do Irmão Maior Jesus de Nazaré

Durante os últimos 2000 anos, o Mundo Ocidental vem celebrando o nascimento do Cristo-Menino, o nascimento do Menino Jesus. Anualmente, inúmeros seres humanos relembram esse maravilhoso acontecimento que marcou a aurora de uma nova era. O fim de uma velha ordem de coisas, o começo de um novo regime.

Desde o início, observada à luz da sabedoria material, essa nova Religião foi vítima de perseguições. Nem o próprio nascimento pôde ter lugar em um ambiente humano e normal. Esse Espírito brilhante, essa joia da coroa da humanidade, “ao entrar no cenário de Sua provação e agonia, não teve sequer os menores confortos de um modesto lar camponês”.

O perigo rondou Sua vida infantil, Herodes tentou O matar; mas apesar de todos os obstáculos, esse Ego escolhido levou avante, de forma resoluta, o trabalho que devia executar.

A atenção de todos os que respondem aos Raios do Cristo tem sido concentrada nos incidentes da infância de Jesus. E, particularmente pelo Natal, tais incidentes tornam-se profunda realidade na consciência do Mundo Ocidental. Tal consciência é retrospectiva. É uma percepção, por intermédio do estudo da vida do nosso grande Irmão Maior, Jesus, da distante mudança que deverá ter lugar antes que qualquer progresso real possa ser feito durante Seu regime. Mais ainda, por esse estudo, temos um vislumbre do que vem sendo feito por Jesus atualmente para nos auxiliar, Sua atividade nos negócios da complicada vida e evolução humanas.

Poucos Egos existem no Plano Terrestre que estão além da massa humana. Esses poucos desenvolveram poderes e faculdades além da compreensão da maioria não-desenvolvida. À frente desse grupo de pioneiros está nosso Irmão Maior, Jesus, O Exemplo da nossa onda de vida. Tais pioneiros, com seus poderes e faculdades adquiridos por sua aplicação ao serviço, podem atingir os Planos nos quais Jesus age. Devido a esse contato, eles conhecem o trabalho levado a efeito e obedientemente transmitem seus conhecimentos aos Estudantes sinceros que trilham o Caminho.

Desde o sacrifício do Gólgota, Jesus tem continuado o ministério de curar os doentes e de ensinar a humanidade pecadora. Seu auxílio nunca foi negado.

Muitas pessoas conhecem o quadro intitulado “O Companheiro Branco”. Descreve um campo de combate de Flandres durante a guerra de 1914, pejado de cadáveres. Um soldado ajuda seu companheiro ferido. Ao seu lado está Jesus, branco e glorioso, olhando com sublime compaixão para a vítima do ódio humano. Realmente, o artista mostrou conhecer algo do serviço realizado por nosso Irmão Maior.

Jesus visita os hospitais e irradia amor e compaixão a todas as almas que sofrem. Ele sente a dor que as abate, pois estão pagando as dívidas que contraíram pela violação das leis de Deus e Seu compassivo coração pulsa forte, ao testemunhar tanta agonia. Na verdade, está onde a necessidade é maior. No entanto, caminha sem ser visto.

O Natal é a ocasião especial para Jesus entrar em contato com Seus fiéis seguidores. Como a Noite Santa veste-se de paz e os seres humanos e Anjos cantam “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”, lá, no ambiente do primeiro aniversário do cristianismo, abre-se aos nossos olhos uma visão gloriosa, se realmente pudermos “ver”.

Ele é uma forma radiante que ultrapassa qualquer descrição terrestre; Sua voz soa como a música das esferas, ressoa nos Éteres do espaço e o grupo de almas enlevadas em adoração experimenta viva alegria e harmonia.

Aos corações ansiosos, Ele envia uma mensagem: “Bem-aventurados vós, que trilhais os caminhos das penas e misérias terrenas; vós que estais engajados na batalha entre o bem e o mal; vós que tendes lutado na luta aparentemente desigual, por vezes permanecendo eretos e outras vezes caídos no pó da humilhação e do fracasso, mas que levantais de novo e travais o combate interminável pelo vosso objetivo. O caminho que agora trilhais, Eu o percorri há muitos anos. Conheço vossas tristezas e sofro convosco”.

“Vossa paciência foi provada ao máximo, mas permanecestes firmes, firmes até a morte. Mas agora o tempo de provações acabou. A vitória das Hostes de Deus desponta no horizonte. Coragem e paciência são as palavras de passe. Os Poderes da Luz juntam-se para a destruição final daquilo que impede a vinda do Reino de Cristo. Sedes calmos e equilibrados para que as sutilezas do inimigo não vos confundam. Esperai em prontidão para que, quando vier o chamado, estejais prontos para responder.”

“As infalíveis leis de retidão e de justiça dirigirão o curso de todos os acontecimentos e dessa escuridão e dessa tristeza surgirá a aurora de um NOVO DIA.”

Que as bênçãos de Deus e a paz do Natal possam renovar em vós a força para ganhardes a batalha.

(Traduzido de “Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 12/1971)

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Torne-se um Especialista em esquecer

Torne-se um Especialista em esquecer

Exercitar a arte de esquecer tem notável poder no afrouxamento da tensão e no alívio do cansaço. Há pessoas que se queixam de dificuldades em relação à memória. Muitas mais têm dificuldades em relação a esquecer.

De vez que muitos esgotamentos nervosos são resultados de sobrecarregar a mente com lembranças infelizes de fracassos ou frustrações. O processo de descarregá-la através do esquecimento torna-se de tremenda importância.

Muitas pessoas permanecem deitadas em suas camas, à noite, recordando o que alguém disse a respeito delas, ou o que alguém lhes fez. Ficam agitadamente obcecadas pela recordação de algo que não foi feito ou foi mal feito. Como resultado de tais cogitações desagradáveis, suas mentes tornadas desgraçadamente nervosas, começam a sondar o passado esquecido e demoram-se desagradavelmente na recordação de velhos pecados, velhos desgostos, velhos infortúnios. Assim, a mente salta, inquieta, de um centro de desgosto para outro, tal uma abelha — com a diferença de que não apanha mel de flores bonitas ou dos episódios agradáveis, mas suga insatisfação das ervas más de experiências passadas.

Um auxiliar superlativo da saúde mental é a declaração bíblica: “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3:13-14)

Repita isso para você mesmo, várias vezes, quando sua mente tender a demorar-se em coisas infelizes. Isso ajudá-lo-á a esquecer. E, até o ponto em que conseguir a habilidade de esquecer, você gozará um sono sem perturbações e um repouso que lhe renovará as energias.

Esquecer, entretanto, não é um processo negativo, mas positivo. É a expulsão eficaz de algo destrutivo que está nos pensamentos, por um processo de desalojamento. Isso é realizado com a técnica de substituir pensamentos infelizes por todos os incidentes ou ocorrências agradáveis que puder recordar. Quando forçar seus pensamentos para que se focalizem em coisas boas e felizes, as coisas más e infelizes irão paulatinamente se apagando da consciência, já que foram desalojados.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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O Espírito Planetário da Terra

O Espírito Planetário da Terra

Cristo é o mais alto Iniciado do Período Solar e como tal tem a Sua morada no Sol. Ele é o sustentador e o preservador da totalidade do Sistema Solar e, em certo sentido, é correto julgarmos que habite o nosso Planeta como uma chispa, embora isso não expresse a ideia exata daquilo que é a realidade. Essa, talvez, possa ser compreendida por meio de uma ilustração.

Comparemos o Grande Espírito no Sol com um refinador de metais, reunindo em sua fornalha um certo número de cadinhos com metais em fusão. O calor funde esses metais e o refinador remove a escória, purificando a matéria incandescente. De forma análoga, processa-se a ação do Cristo, purificando a Terra, expurgando seus componentes deletérios.

Similarmente, podemos ver que o Cristo dirige a Sua atenção de um Planeta a outro e, ao voltar-Se para nossa Terra, por exemplo, sobre ela reflete Sua imagem. Contudo, não é uma imagem inerte, mas a de um ser vivente, sensível, consciente, tão plena de vida e de sentimento que não podemos, em nosso presente estado evolutivo, vivendo em corpos terrenos, ter pelo menos uma ligeira ideia daquela faculdade possuída pelo Espírito Interno do Planeta em que vivemos.

Tal imagem interna, que não é uma imagem no sentido comum da palavra, é a contraparte, uma parte do Cristo Solar que, por seu intermédio, tudo sabe e percebe, pois embora verdadeiramente no Sol, o Cristo Cósmico tudo sente daquilo que ocorre na Terra como se realmente estivesse presente. Isso é o que em realidade significa onipresença. Não obstante o Cristo seja o Espírito Interno do Sol, também é o da Terra e assim deverá continuar essa tarefa de auxílio, tudo suportando daquilo que acontece, permanecendo como um agente eficaz para possibilitar a nossa salvação.

A solidificação da Terra começou no Período Solar, quando éramos incapazes de vibrar numa média tão elevada quanto a necessária para permanecermos no Sol Central. Assim, gradualmente surgiram as condições que provocaram a nossa ejeção para o espaço.

A média de vibração foi caindo paulatinamente até meados da Época Atlante. Dessa maneira, nós mesmos imprimimos tais condições à Terra e se não houvesse um auxílio superior, seríamos incapazes de nos livrar das malhas da materialidade.

Jeová, de fora, tentou nos ajudar por meio das leis. Conhecer a lei e segui-la foi durante algum tempo nosso meio de salvação, contanto que fizéssemos um esforço indispensável. Contudo, como nenhum ser humano é justificado pela lei, um novo impulso será sentido, o qual deverá inscrever a lei no coração dos seres humanos, pois há uma grande diferença entre aquilo que devemos fazer por temor a um senhor externo, o qual concede uma justa retribuição a cada falta cometida, e o impulso que surge do íntimo e nos impele a fazer o bem porque é certo. Reconhecemos o que é lícito quando a lei está inserida em nossos corações e, assim, obedecemos aos seus ditames de maneira inquestionável.

Dessa forma e coletivamente, somos espíritos sobre a Terra e algum dia deveremos guiá-la. Cristo veio como Salvador, amparando-nos até que chegue o tempo em que o desabrochar da natureza-amor dentro de nós seja suficiente para poder fazer flutuar a Terra. Futuramente será nosso privilégio executar a tarefa do Cristo e guiar o nosso Planeta. O aumento da força vibratória já tornou a Terra menos densa, mais leve e tempo virá em que ela se tornará etérica como outrora. Então, ela se tornará viva no amor.

(Por Max Heindel – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro de 1966)

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Uma lembrança ao Irmão Maior, Jesus de Nazaré

Uma lembrança ao Irmão Maior, Jesus de Nazaré

 

Com a aproximação do Natal, quando os corações mais de perto se aconchegam em busca de calor humano, sentimos que toda uma ambientação peculiar às comemorações se faz presente: multiplicamos as luzes noturnas, numa profusão multicolorida; enfeitamos as lojas; decoramos a cidade; apressamos nossos passos; compramos presentes; formulamos votos e bons desejos, felicitações são retribuídas.

É Natal. É festa. É alegria.

Contudo, nossos corações se voltam ao passado para reviver as cenas cujo simbolismo estamos habituado a comemorar e cujo sentido mais profundo aprendemos a conhecer na Fraternidade Rosacruz.

Rememoramos não mais o artificialismo das luzes em seus variados matizes, mas a iluminação interior daquele amoroso Ser e dos Seus seguidores diretos, que almejamos alcançar.

Relembramos não mais os enfeites das vitrines, porém o luminoso semblante daqueles que hoje representam os verdadeiros Amigos sinceros, dadivosos, simples, cheios de entendimento cristão e coerentes na prática de sagrados princípios não apenas em uma época especial do ano, mas dia após dia, hora após hora, numa expressiva e ininterrupta oração.

Recordamos não mais as compras de presentes custosos e materiais, mas a dádiva de ajudar os semelhantes com todos os nossos valores físicos, emocionais, mentais, anímicos e espirituais, no sagrado labor desta causa Rosacruz, na convicção de que o fazemos para Ele.

Evocamos, acima de tudo o que nos relembra esta data, a figura inesquecível de nosso amado Irmão Maior, Jesus de Nazaré, que tornou possível o maior trabalho de redenção já realizado neste mundo. E, por associação, a figura luminosa do Cristo, cuja volta anual a nosso planeta regalvaniza em escala ascendente as suas vibrações purificadoras; dá novo alento vital aos seres vivos; enxameia de altruísmo os corações das pessoas na proporção de sua afinidade, mas buscando sempre dissolver a crosta de seu egoísmo e transformá-la na branca, na brilhante joia em que um dia se tornará.

Invocamos a Sua mensagem unificadora, desfraldada como Verdade, Beleza e Bondade acima de todas as limitações e preconceitos, cobrindo todos os povos e condições, espraiando-se na forma do Caminho único de ascensão a Deus, cada vez mais encarecido e evidenciado pelas lutas, discórdias e sofrimentos da humanidade.

E nos dispomos, então, não mais à pressa enganosa dos passos que não conduzem a lugar algum; contudo, ao andar resoluto e bem orientado de quem já conhece o Caminho.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro de 1966)

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O Serviço pelo Exemplo: a verdadeira forma do Serviço prestado

O Serviço pelo Exemplo: a verdadeira forma do Serviço prestado

Servimos muito mais pelo exemplo que damos. A nossa alegria, a nossa fé, a nossa devoção, a nossa compaixão e a nossa conduta geral estão constantemente à vista do mundo e, não importa o que dissermos ou até mesmo fizermos, é essa própria conduta — no contexto em que nossas palavras forem proferidas e as nossas ações forem praticadas — que, a longo prazo, mais influenciará as pessoas com as quais entrarmos em contato.

Todos tivemos a experiência de termos sido influenciados pelo entusiasmo, pela exaltação, a alegria e a boa vontade de uma pessoa otimista e nos termos apercebido de estarmos, pelo menos durante o período imediatamente seguinte ao nosso contato com tal pessoa, alegres ou até mesmo enlevados e capazes de executar nossas tarefas com êxito maior do que costumeiramente. Tivemos também a experiência de estar deprimido, desanimado ou irritado por um pessimista ou por alguém que se tenha recusado a suportar sua parte nos encargos. As vibrações negativas emitidas por essas pessoas são rapidamente intensificadas e multiplicadas, e nossas reações em relação a elas variam sempre do ressentimento e do enfado até uma atitude desanimada. Como resultado, os nossos tristes estados de alma obstruem o nosso trabalho e se revelam prejudiciais ao nosso bem-estar geral e dos demais.

Quando, à luz desses exemplos, pensamos acerca do quanto podemos influenciar outras pessoas para o bem ou para o mal, a magnitude de nossa responsabilidade a esse respeito se torna óbvia, quando não assustadora. Desse modo, é certo que “nenhum homem é uma ilha” e há uma acentuada e contínua possibilidade de que o modo como cumprirmos nossas tarefas, até mesmo as mais mundanas, servirá de exemplo para alguém.

Talvez isso fique mais claro pelo modo como as crianças são influenciadas por qualquer um de nossos atos diários. As crianças, realmente, são eminentemente passíveis de serem ensinadas e abertas à sugestão e ao exemplo. Nisso é provavelmente onde reside a nossa maior responsabilidade e, caso desempenharmos todas as nossas obrigações como se crianças estivessem presentes e desejássemos que elas tirassem proveito de nossa conduta, deveremos cumprir o melhor nisso tudo. Os pais, os professores e outros que estejam em estreito contato com as crianças precisam estar cientes do fato de que se encontram “em exibição”. A mínima discrepância no “modo convencional” de comportamento — seja uma melhoria ou uma debilitação desse modo — será entendida, por parte das crianças, como digna de ser imitada. Pode-se estar certo de que, quando as crianças estiverem nas proximidades, até mesmo as reações, atitudes e atos mais corriqueiros serão perfeitamente ponderados pelos menores, desejosos e prontos a crer que é assim que a coisa deva ser feita.

Os adultos, certamente, não são tão permeáveis ao ensino quanto as crianças e a maior parte deles não é tão influenciável. Mas a analogia com as crianças ainda se mantém num ponto e existem, sem dúvida, alguns adultos — surpreendentemente muitos, na realidade — que sejam pouco determinados ou “inseguros” o bastante para fazer com que sejam alterados pela menor modificação, pressão ou exemplo exterior. Nunca saberemos quando essa pessoa estará perto; sendo assim, novamente é importante que estejamos desempenhando a nossa “melhor conduta” a todo momento.

Até mesmo quando não nos sentimos alegres, efusivos ou serenos, devemos, para beneficiar os que estejam em torno de nós, fazer todo o esforço para alevantar o nosso espírito ou, pelo menos, estabelecer uma frente de otimismo, calma ou entusiasmo, conforme se fizer necessário. Tal conduta será benéfica aos nossos companheiros e, ademais, poderemos ficar surpresos ao descobrir que, ao fazermos o esforço para parecer positivos diante dos outros, realmente começaremos a nos sentir mais otimistas e esperançosos dentro de nós mesmos.

Isso, naturalmente, é especialmente verdadeiro em momentos de crise, mas é importante também em todos os outros momentos. Durante as crises, é imperioso que todos nós mantenhamos as nossas condutas mais calmas e os semblantes mais otimistas — procurando e proclamando o bem em tudo o que possamos defrontar e fazendo todo o possível para que os nossos amigos e companheiros não sucumbam aos aspectos negativos desse confronto. Não importa o quanto estivermos desanimados: é de nossa responsabilidade tentar distrair os outros que possam estar deprimidos e, pelo exemplo e pela sugestão, levá-los a fazer todo o possível para ajudar a si próprios a superarem quaisquer problemas ou desventuras. Quanto mais nos dedicarmos desse modo, mais serviremos realmente pelo exemplo e menos tempo teremos para pensar a respeito de assuntos negativos de quaisquer espécies.

A importância do servir pelo exemplo é revelada até mesmo nos assuntos mais triviais. O simples ato de um homem, num ônibus, o ato de levantar-se para oferecer o seu lugar a uma mulher, poderá ser o catalizador para induzir outros a fazerem o mesmo. Certamente, isso ficará gravado na consciência de todos os cavalheiros e em circunstâncias futuras eles oferecerão também os seus lugares.

Até mesmo o ato de entrar numa sala ou caminhar por uma rua sorrindo, ao invés de ostentar um semblante deprimido ou expressões distraídas, tão comuns a muitas pessoas com quem nos encontramos diariamente, poderá ter um efeito animador e surpreendente nos que virem o sorriso ou a expressão de felicidade. É certo que esse ato iluminaria a fisionomia, pelo menos momentaneamente, e o efeito provavelmente seria um tanto mais duradouro. Quem, às vezes, em algum lugar, não teria visto, de passagem, a face radiante de uma pessoa feliz e ficado soerguido por essa mesma expressão? Não importa que não saiba a causa da alegria da pessoa — o que importa apenas é que viu e sentiu a sensação de alegria em alguém mais e a transferiu, a seu próprio modo, para si. Isso o fortaleceu rapidamente ou, talvez, tendo observado e sentido a coisa, tenha se capacitado a contribuir com algo de dentro de si em benefício dessa sensação e, assim, retendo o seu benefício durante um período mais longo. Devido a isso, alguns momentos — possivelmente muitos — no dia dessa pessoa foram iluminados, ficando possibilitada de comportar-se melhor, mesmo por apenas um breve período.

O serviço por meio do exemplo, inclusive, apresenta possibilidades de crescimento cíclico. A pessoa cujo sorriso vier a alegrar um transeunte provavelmente não terá meios de saber que a satisfação resultada na pessoa do transeunte, por sua vez, vá se comunicar a alguém mais e assim por diante. (A mesma característica de proliferação, de fato, também ocorre na transferência de emoções e sentimentos negativos, de uma pessoa em relação a outra). Isso é verdade em qualquer forma de comportamento ou ação: se uma pessoa for persuadida a imitá-lo, essa mesma pessoa, por sua vez, poderá muito bem servir de “influenciador” para outras mais e assim por diante, até que talvez inúmeras pessoas se comportem ou procurem agir da mesma forma que o primeiro indivíduo do ciclo. Em outras palavras, nunca saberemos até onde irão os efeitos de qualquer coisa que carreguemos emocional, verbalmente ou por intermédio da ação.

Muitos de nós, especialmente, talvez, na juventude, tivemos a experiência de ouvir alguém fazer apreciações em detrimento de outra pessoa, seja na presença ou não desse alguém e então percebido que quase todos ao derredor tenham concordado com o detrator ou, pelo menos, tenham permanecido passivos. Em seguida, notamos que alguém tenha falado em defesa da pessoa indigitada, dizendo ou afirmando com ênfase que o primeiro orador foi injusto em seu julgamento ou, um tanto mais amavelmente, que estivesse “mal informado”. O segundo orador assinalou as boas qualidades do indivíduo em questão e, gradualmente, os que se portaram veementemente em sua concordância com o primeiro orador começaram a concordar, ao contrário, com o segundo orador. O exemplo desse, aparecendo presumivelmente no momento certo, serviu para dirigir os pensamentos de todas as pessoas através de melhores canais, sendo que as vibrações que esse grupo particular passou a emitir foram muito melhores do que foram enquanto estava falando o primeiro orador. O seu exemplo e a sua franqueza na defesa do indivíduo caluniado melhoraram bastante, em relação a todos, uma situação que se tornara desagradável graças ao exemplo oferecido pelo primeiro orador. Esse desviou as pessoas para uma direção negativa, fazendo com que elas se prejudicassem e prejudicassem a pessoa de que falavam. O segundo orador modificou completamente a situação em torno de si e do grupo e fez com que todos os envolvidos melhorassem a si próprios, acentuando o bem ao invés do mal, quanto ao tema de seus pensamentos. Assim, pelo seu exemplo de corajosa refutação dos comentários difamatórios a respeito de outrem, o segundo orador foi útil tanto ao caluniador quanto aos circunstantes, que foram muito apressados em concordar com os sentimentos negativos, antes que suas melhores tendências e, o mais provável, suas consciências fossem convocadas. Ademais, os benefícios que advierem ao próprio orador, como resultado de sua ação, são, de fato, óbvios.

E, assim, vemos que o verdadeiro serviço, por sua própria natureza, quase sempre assume a forma de exemplo às outras pessoas. Naturalmente, muitos atos específicos de serviço podem e devem ser executados sem alarde ou até mesmo anonimamente. A conduta ostentatória ou a proclamação dos atos “altruísticos” de alguém altera imediatamente a atividade e isso se transforma não em um verdadeiro serviço, mas num exercício que visa a mostrar as características “generosas” ou “prestativas” de seu autor.

Entretanto, uma pessoa que viva tranquilamente uma vida de sincero serviço espiritual dedicado a outrem não poderá deixar de ser um constante exemplo inspirador para seus colegas. Esses poderão estar completamente despercebidos dos detalhes do serviço que ele faz ou em benefício de quem. Em razão de sua espiritualidade e bondade interiores, que prontamente o levam a se compadecer e a prestar serviços, boas vibrações permeiam quase completamente a atmosfera ao seu redor; os que com ele entrarem em contato sentirão as suas finas qualidades e a elas reagirão, cada qual a seu modo. A sua verdadeira aura “toca” a de outras pessoas, resultando que elas, mesmo que momentaneamente, sejam fortalecidas e elevadas graças a isso e, frequentemente, tornem-se mais compassivas e prestimosas.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro-1970)

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Apelo aos espiritualistas

Apelo aos espiritualistas

Fazendo-se um retrospecto para se comparar o passado com o presente deparamos com uma diferença impressionante que abrange todos os setores do viver.

Se houve evolução por um lado, o que é inegável para uma pequena elite, por outro tem havido muita involução.

Na ciência da tecnologia, por exemplo, o avanço é verdadeiramente grande; na medicina, idem; na indústria, e assim, em vários aspectos podemos dizer o mesmo, mas, em se tratando da espiritualização das pessoas, bem poucas são as que se aperceberam da grande necessidade que temos de cultivar o espírito, pois este é eterno e a vida, escola de aperfeiçoamento.

Se conturbado e violento anda o mundo, a culpa cabe unicamente a essa falta de luz que se faz sentir. Mata-se o semelhante por qualquer ninharia, sem considerar que a vida é bênção divina e ai daqueles que a exterminam! Quantas vezes, criaturas cheias da graça da saúde e da esperança têm perdido a vida por essa inescrupulosidade horrenda dos dias que passam!

Crianças e velhos indefesos, jovens cheios de otimismo, são sacrificados e violentados por essa onda selvagem e avassaladora de criminosos que vagueiam pelo mundo envoltos em trevas! Trevas da mais profunda ignorância! Contudo, não se desanimem nunca os que olham o mundo com fé, pois dias melhores nos aguardam, aqui ou alhures. A semente do amor, da confiança em Deus há de frutificar um dia, ainda que para cultivá-la muita lágrima tenha que regá-la. O pranto se converte em sorriso da mesma forma que de um espinheiro, muitas vezes, surge a rosa. A treva se transforma em luz, por isso mantenhamos firmes a força da fé que levantará um dia a humanidade desunida de hoje.

Alimentemos cada vez mais a esperança em dias de paz, pois essa força há de triunfar. Uma coisa, porém, se faz imperiosa: que lutem os espiritualistas, os que têm certeza da sobrevivência da alma para a espiritualização do mundo. É preciso divulgar pela Terra que todo sofrimento se reverte em bênção para o espírito, pois que nos levam eles a sérias reflexões e facilmente concluímos que é isso incontestável verdade. Do contrário, como purgaríamos a alma dos erros que contraímos em existências anteriores? Bem sei que de inúmeros materialistas está cheio o mundo, mas faço aqui um apelo aos espiritualistas: que não haja esmorecimento nessa hora difícil e, a despeito de sarcásticas ironias, prossigamos confiantes, cada qual procurando acender no próximo pequena luz que seja, pois esta, aos poucos, há de crescer e se tornar um luzeiro!

Lembremo-nos sempre de que até os mais crédulos serão testados e eis que os tempos são chegados. Coragem, porque unidos venceremos!

Não é sem lágrimas que vejo os distúrbios por que atravessa a Terra, mas na alma tenho acesa a chama da esperança de que essas mesmas lágrimas vão sorrir um dia, quando o mundo sorrir comigo pela paz que haveremos de conquistar. Façamos, pois, imensa força de pensamento positivo e encaremos com otimismo o futuro que a tudo responderá.

Deus está conosco!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)