Categoria Método para Adquirir o Conhecimento Direto

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A Autossuficiência do Método Ocidental Rosacruz

A Autossuficiência do Método Ocidental Rosacruz

“O método Rosacruz difere de todos os outros num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o Aspirante de todas as dependências externas e orienta-o a cultivar a confiança em si próprio ao máximo grau, a fim de que se torne num ponto de apoio e de ajuda aos demais — levando-os a alcançar a mesma desejável condição” (Max Heindel, em O Conceito Rosacruz do Cosmos).

A presença e ação de um orientador espiritual autêntico, longe de impor dependência, promove uma relação essencial do Aspirante consigo próprio. Sua ajuda, como fator externo e relativo, devolve a pessoa a uma mais alta consciência de seu próprio ser. Leva o estudante a desvendar em seu íntimo uma necessidade até ali insuspeitada por ele, libertando-lhe energias e capacidades que, sem esse suscitar, não teriam encontrado aplicação, continuando adormecidas dentro dele.

O orientador Rosacruz guarda-se de ser endeusado. Ele conhece a verdade ensinada pela doutrina psicanalítica: “o indivíduo, uma vez desligado da constelação familiar, esforça-se por estabelecer nos novos meios de relacionamento (a Fraternidade, por exemplo) ligações da mesma ordem. Ele está essencialmente desejoso de reencontrar uma mãe, um pai, irmãos, por causa de uma necessidade regressiva que lhe dá segurança”. De fato, há no neófito inexperiente a tendência de superestimar os dirigentes de um movimento espiritual.

Quando se desiludem, muitas vezes, se afastam e nunca mais voltam a outro esforço dessa ordem. É preciso, pois, que saibam: todos, num movimento espiritual, são estudantes da verdade. Todos objetivam o mesmo fim de realização individual. Se alguns se põem no difícil papel de expositor e orientador é porque não se podem negar à necessidade da difusão e do serviço amoroso e altruísta ao próximo.

O orientador esclarece, desde logo e sempre, que a verdade pertence ao Divino interno. O Cristo Interno é que pode apropriar-se das experiências e ensinos externos, adaptando-os ao grau particular de consciência evolutiva da personalidade pela qual atua. Só o Verbo interno pode instruir. Como disse Descartes: “É preciso tornar as pessoas discípulas da verdade e não sectárias obstinadas do que o expositor ensina”. Há sempre o risco de se corromper essa pura busca da verdade, quando o Aspirante tende a venerar a personalidade do instrutor, em vez de buscar, além da pessoa, a revelação de que ele é simples mensageiro. Se buscássemos a verdade além da pessoa, poderíamos aproveitar o que diz qualquer orador, além das simpatias e antipatias exteriores. O ser humano aberto à verdade, aprende de tudo e de todos, porque a reconhece, independentemente de sua fonte. O Divino sempre traz à nossa experiência aquilo que devemos aprender, mas isso requer que estejamos descondicionados.

Assim, colocamo-nos na vida como aprendizes e mestres, uns dos outros, cada qual contribuindo animicamente pela edificação de todos. A presença, embora necessária do orientador, é ocasional, para provocar relação com a verdade que ele já atingiu em alguma medida. Ninguém nos dá a verdade porque ela já está repousando, em potencial, dentro de nós. No entanto, ela precisa ser suscitada e isso subentende a presença de um intercessor que tenha realizado boa dose da verdade. Contudo, isso não o converte em mestre. Ele, por sua vez, recebeu essa verdade universal dos verdadeiros Mestres da humanidade, aqueles altos Iniciados que, por seu esforço individual, abriram caminho à frente, tornaram-se os vanguardeiros da evolução e alcançaram uma ampla visão da verdade. Por amor, voltaram e no-la revelaram, através de Iniciados menores, como foi o caso de Max Heindel. Tal é a garantia da verdade que recebemos, inicialmente. Depois devemos experienciar essa verdade e torná-la nossa, pela adequação ao nosso nível de ser. Todo orientador aprende dos Mestres que os caminhos são individuais e diferentes, por causa da Epigênese – a chispa criadora interna. Assim, a orientação legítima é encaminhar cada pessoa para que ela seja autenticamente ela mesma.

É um triste exemplo o do orientador que impõe pontos de vista e se compraz na imitação do neófito. O estudante que se esforça em alcançar o favoritismo pela imitação do orientador, amesquinha a si mesmo; e o orientador que o permite, comete deturpação pedagógica, lesa o livre arbítrio do aluno, lhe anestesia a Epigênese e assume uma dívida de destino. Ambos se iludem e se prejudicam.

Max Heindel relata sua experiência com o Irmão Maior e Mestre: sempre que ia procurá-lo em busca de uma solução difícil, Ele apenas lhe indicava o caminho e nada dizia. Os Irmãos Maiores desencorajam toda e qualquer dependência.

Tal é o método cristão-esotérico. Cristo disse: “Se alguém quer ser meu Discípulo, tome sobre si mesmo sua cruz e siga-me”. É o mesmo que dizer: “Eu te mostro a direção, mas deves assumir o teu destino, arrostando tuas dificuldades e realizando tua obra evolutiva a teu modo”.

No seu último dia de vida, Sócrates dirige a seus discípulos uma solene advertência: “Não façais grande caso de Sócrates. Acreditai-me nisto. Levai em conta a verdade de que não apenas eu sou portador”.

Sócrates tinha razão ao esclarecer seus discípulos na hora derradeira. Sua ausência não seria a ausência da verdade, pois ele sabia ser apenas uma interposta pessoa nesse solilóquio de cada um consigo próprio, desvelando o íntimo, que é a terra natal da verdade. Ele nos ensinou que todo o verdadeiro instrutor é um medianeiro de consciência. Por isso permanecia como um parteiro de almas. Ele suscitava e trazia à luz, o conhecimento potencial, pré-existente em cada indivíduo. Por isso reduzia-se, humildemente, à função de um parteiro espiritual, convicto da presença antecipada da verdade do Cristo interno, que deve nascer e crescer. Ele mostrou que a suprema relação é a do ser humano para consigo mesmo; ele revelou que o ser humano não tem outro centro que não seja ele mesmo. O mundo inteiro se concentra nele (no profundo sentido e não egoístico). Desse modo, conhecer-se a si próprio é conhecer a Deus…

Contudo, não se entenda que devamos permanecer na verdade que recebemos; comprazendo-nos em ser discípulos para sempre. Bem disse Kant: “o estudante não deve aprender pensamentos, e sim, aprender a pensar, para que não seja carregado em dependência, mas guiado e, no futuro, seja capaz de dirigir-se por seus próprios meios”.

É claro que o instrutor ajuda muito na abertura, despertar e evolução da consciência, estimulando e suscitando a verdade interna potencial. A evolução humana é uma cadeia de amor. Sempre alguém ajudou outro a subir. Nosso nível evolutivo atual foi ajudado por outros que nos precederam. Há um patrimônio de cultura e de consciência que os mais adiantados vão deixando aos detrás, se bem que a assimilação da verdade é individual e cada um de nós enriquece esse patrimônio com algo de original que os outros não têm.

O importante é que cada um procure superar-se continuamente. Permanecer numa verdade relativa, sem ultrapassá-la para atingir outra mais alta, é retardante. Na escada de Jacó, aquele que não tira o pé do degrau de baixo não pode levá-lo ao de cima, no esforço de constante ascensão.

Só o fanatismo ignorante se detém em alguma coisa, considerando-a como a última palavra. Max Heindel nos adverte continuamente contra isso. Em o Conceito Rosacruz do Cosmos ele diz: “esta obra não é a última verdade. O autor reconhece a possibilidade de haver-se enganado em alguns pontos, motivo por que, quaisquer eventuais falhas não devem ser imputadas aos Irmãos Maiores”. Os próprios Irmãos Maiores — Altos Iniciados — admitem que algumas vezes se enganam. Eles sabem que, em relação à verdade absoluta, todos somos discípulos. Por mais que, espirais muito maiores, Eles busquem assenhorear-se da Verdade, sempre há algo a atingir, porque a verdade é infinita. Daí que a relação deles com a verdade seja uma relação de humildade.

Uma escola é autêntica quando tem por alicerces mestres dessa natureza, que através de suas mensagens buscam orientar os estudantes à própria realização. Todos temos direito de despertar para uma verdade maior, sem dependências. Buscar segurança na tutela de um mestre, não é da Escola Ocidental de Mistérios. Seria um parasita o estudante que permanecesse na mesma linguagem recebida do Mestre, repetindo indefinidamente a tradição, receoso de errar, de faltar à fidelidade; incapaz de recriar, como lhe reclama o dom epigenético. Aprender a meditar, a pensar, é saber desmembrar uma verdade básica em todas as infinitas consequências. Se o Conceito Rosacruz do Cosmos é uma exposição elementar da verdade Rosacruz, isto significa: é um mundo de verdades ocultas, manifestado simplesmente no que se lê. Existem abismos de decorrências nas entrelinhas.

Apesar de seu imenso amor, os Mestres ocidentais estão prevenidos para não se apegarem aos discípulos. Só os falsos mestres submetem os incautos alunos à sua tutela, como pais que relutam em compreender e aceitar que os filhos devem ter vida própria quando se tornam adultos. A psicologia fala do “complexo de desmame” e das perturbações que ele produz na família. O mesmo sucede na família espiritual, entre mal preparados instrutores e seus alunos, que se deixam enredar nessas interferências subconscientes, em prejuízo da mútua edificação. Assim como os pais não devem submeter à escravidão os filhos que põem no mundo, também o mestre não deve prender o discípulo que formou — senão ajudá-lo a alcançar a autenticidade e consciência plena de si próprio. Por isso lhe facilita a libertação e compreende quando o discípulo, no esforço de autoafirmação, se volta contra ele, como os rapazes em relação ao pai “quadrado”.

Não se trata de escolher entre o mestre e a verdade. Foi ele quem nos introduziu à verdade. A amizade e gratidão pelo mestre é a mesma amizade e gratidão pela verdade. Somos gratos ao mestre, não pela pessoa dele senão pelo papel de intercessor que exerceu, para desperta-nos a verdade. Não significa que não tenhamos o direito de contradizer e tentar ultrapassar o mestre.

Esse esforço de autorrealização não é contrário à amizade, senão o fruto dela, porque recebemos do mestre a procuração para prosseguir a tarefa de investigação à nossa maneira. O que se passa é que, no esforço de autorrealização, quase sempre o discípulo se envolve na vaidade. Na tradição filosófica da Grécia há trechos lindíssimos de discípulos que se voltaram contra seus mestres, no esforço de serem eles mesmos. É como se cometessem um patricídio, ao consumar o simbólico crime de eliminar a dependência ao mestre, no rito de passagem à própria autonomia.

Mais tarde compreendem que não mataram nada porque a verdade é imortal e só ela é quem esteve presente, relacionando-os, englobando-os e tornando sublimes os seus diálogos. Só então se tornam cônscios da função do mestre e do discípulo. Só então podem atuar corretamente, em relação àqueles a quem, por sua vez, toca ajudar.

Orientador e aluno, cada um desempenha um papel essencial, um em relação ao outro, provisoriamente. É apenas uma fase na vida de cada um deles, na qual o desenvolvimento se cumpre pela verdade em diálogo, cada um exercendo o seu entendimento e buscando o outro, num confronto e desejo de mútua edificação.

Finalizamos com um pensamento de Leonardo da Vinci: “Triste é o discípulo que não se esforça por ultrapassar seu orientador. Triste é o orientador que se indigna por ver os seus discípulos esforçando-se por ultrapassá-lo”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)

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A Necessidade da Devoção para o seu Desenvolvimento Espiritual

A Necessidade da Devoção para o seu Desenvolvimento Espiritual

Em sua Carta aos Estudantes n.º 16, cujo título tomamos para este artigo, diz Max Heindel: “O Conceito Rosacruz do Cosmos foi acolhido no mundo inteiro de forma fenomenal, suscitou tanta admiração e gratidão que eu deveria sentir-me desvanecido por isso. Ao contrário, começo a sentir-me cada vez mais preocupado de que o livro deixe de dar todo o seu fruto e perca a finalidade que os Irmãos Maiores tinham em mira, quando, por meu intermédio, o ofereceram ao mundo. O objetivo do Conceito é satisfazer a Mente – mediante uma explicação lógica do mistério do mundo — para que o lado devocional da natureza do Estudante possa desenvolver-se nos princípios que seu intelecto aprovou. Creio que essa obra atendeu à lógica inquirição do intelecto investigador. Milhares de cartas testemunham que os estudiosos nela encontraram o que de há muitos anos buscavam”.

“No entanto, pelo contato com os Estudantes, sinto que apenas uma minoria é capaz de sobrepor-se ao aspecto intelectual do livro. Ora, a menos que esta obra básica desperte no Estudante um fervoroso desejo de transcender o conhecimento, para ingressar na devoção, o livro constituirá, em minha opinião, um fracasso.”

“Em outra sociedade espiritualista, semelhante à nossa, conheci grupos de Estudantes que se aplicavam, anos a fio ao estudo do átomo, aprofundando-o aos menores detalhes — mas cujo viver era extremamente frio e indiferente ao sofrimento dos demais. Hoje percebo, com profunda pena, o desenvolvimento da mesma tendência entre muitos de nossos Estudantes. Espero que ela possa ser refreada em tempo de não provocar a morte do coração. O “conhecimento infla, mas o amor edifica” — diz São Paulo — o que se aplica em cheio aos guias da referida sociedade, que não poupavam críticas à religião cristã, da tribuna e pela imprensa, dizendo que esta carece de uma concepção intelectual do Universo.”

No melhor dos casos, o intelecto são muletas para ajudar nossas limitadas faculdades. Cabe-nos, através da intuição, conceber a verdadeira ideia espiritual que as palavras desejam comunicar.

A menos que nos esforcemos desse modo, continuaremos sendo como “sinos que soam” friamente, pois, se não temos amor e não o pomos a serviço dos demais, de nada nos valerão os conhecimentos dos mistérios.”

Voltando a Max Heindel: sem amor a inteligência é prejudicial. É o amor que torna o conhecimento em sabedoria.

Distingamos bem entre memorizar conhecimentos e VIVÊ-LOS. Charlatão (de charla, conversa) é o grande palrador. O viver é mais convincente que o falar e é o que dá autoridade à palavra. Só o amor ASSIMILA (tornar semelhante ou incorporar ao ser) o conhecimento, convertendo-o numa parte do caráter.

O melhor modo de testarmos a validade de um conhecimento é na sua aplicação à vida: ali é que ressaltam a validade ou falsidade do pensamento.

Só a vida, pela prática do amor, converte o conhecimento em Alma. Eis o objetivo da espiritualidade, resumido em SERVIR.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)

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Sejamos Persistente no Amor

Sejamos Persistente no Amor

Nesses tempos conturbados, quando a desesperança parece tomar conta dos corações, os espíritos mais lúcidos vislumbram no amor a única força equilibrante. Tanto isso é verdade, que, não fosse o sacrifício anual do Cristo, inundando nosso Planeta com suas poderosíssimas vibrações, viveríamos numa situação caótica e o nosso progresso se frustraria.

A Terra, que há muito sofre os efeitos dos sentimentos egoístas da onda de vida humana – essa carga que pesa, principalmente, sobre o Espírito Planetário – deve ser aliviada agora e eliminada com o tempo.

A expressão do amor universal implica em sofrimento pessoal. Certamente o Cristo sofre em virtude de seu confinamento às limitações da materialidade. Para um Ser de sua envergadura espiritual a ajuda que oferece à humanidade é motivo de grande regozijo, mas ao mesmo tempo representa um inimaginável sacrifício.

Com o ser humano, ao nível microcósmico, ocorre o mesmo. Antes de estarmos preparados para manifestar o amor universal, mesmo que em sua expressão mais elementar, devemos libertar-nos dos desejos pessoais e egoístas, presentemente fatores predominantes em nossas vidas. Isso produz dor, certamente impossível de comparar-se com o sofrimento do Cristo. Porém, é um sofrimento real, que se alivia e desaparece à medida que nos libertamos das expressões inferiores da personalidade. Esse processo não gera resultados da noite para o dia. É um trabalho árduo, persistente, capaz de abalar todas as fibras do nosso ser. Ao longo do tempo, colheremos suas primícias, revestindo-nos de uma profunda sensação de paz e liberdade.

Há outro aspecto no desenvolvimento do nosso, ainda incipiente, amor universal em que provavelmente será mais duradouro. Como é evidente no exemplo de Cristo, os esforços altruístas em favor dos nossos semelhantes são amiúde recebidos com antipatia, ressentimentos ou desdém. Essa incompreensão, às vezes, aflora no seio da própria família, provocando uma dor maior. Temos de agir com paciência, pois mesmo aqueles que não aceitam nossa maneira elevada de ser, pouco a pouco responderão ao transformante e transcendente poder do amor que lhes é dirigido. Contudo, essa resposta quiçá venha a manifestar-se somente após vários renascimentos.

A exemplo de Cristo, não devemos desanimar se nossos esforços amorosos parecem não dar frutos, ou, se em realidade produzem antagonismo. Dois mil anos se passaram e a humanidade aparentemente não saiu do mesmo lugar, tal o grau de crueldade ainda manifesto aqui na Terra. No entanto, o Cristo permanece firme e amoroso em seu trabalho redentor, aguardando sofrida e pacientemente à sensibilização dos corações humanos.

Que catástrofe para a onda de vida humana se o Cristo algum dia renunciasse à Sua Missão, desgostoso e desalentado com nossa evidente omissão ao Seu esforço! Ele sabe, entretanto, “que os moinhos de Deus moem devagar, mas moem sempre”. Alguns séculos mais, quando estivermos vivendo na Era Aquariana, a humanidade colherá abundantemente os frutos da transmutação que promovemos graças à Sua ajuda.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)

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A Teoria do Conhecimento

A Teoria do Conhecimento

A aquisição do conhecimento varia de indivíduo para indivíduo. Há uma gradação no processo humano de conhecer.

Conhecer um objeto é distingui-lo de todos os que se percebem distintos dele e, ao mesmo tempo, relacioná-lo com objetos considerados semelhantes a ele.

Nesse processo há uma série de graus, representando cada um desses graus um processo de generalização cada vez mais alto; ou seja, o conhecimento humano é tanto mais elevado quanto maior é o número de coisas que nele compreendemos.

Há três graus de conhecimento: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.

O conhecimento vulgar, popular ou de primeiro grau, também chamado erroneamente de empírico, é aquele que nos fornece a maior parte dos conhecimentos cotidianos. Pode ser adquirido pela simples observação. Por exemplo, podemos notar que o calor aumenta o volume dos corpos, que a ingestão de certos alimentos produz reações orgânicas. Isso é conhecimento, embora isolado, casuísta, fragmentário, qualitativo, casual.

O conhecimento científico ou de segundo grau é totalmente diverso, porque consiste em um conhecimento sistemático dos fatos e dos fenômenos, colocando uns em relação com os outros de modo que é possível descobrir sua uniformidade e determinar as leis que os regem. É o conhecimento pelas causas, porque conhecer verdadeiramente é conhecer pelas causas e saber sobre uma coisa de modo absoluto é saber sobre a causa que a produziu, reconhecendo que a causa não pudesse ser outra.

A simples troca de posição de uma letra pode mostrar a diferença entre o conhecimento vulgar e o científico, visto que aquele é casual e este é causal.

O conhecimento científico ou pelas causas é constante e pode ser resumido a uma lei, representado por uma fórmula, que tem por finalidade revelar as relações entre causa e efeito. Esse conhecimento distingue-se pela generalidade, porque não existe conhecimento científico do indivíduo, do particular.

O conhecimento filosófico ou de terceiro grau atinge um grau ainda maior de generalização, porque a filosofia representa o complemento ou a integração das ciências particulares. Como a ciência, em relação ao conhecimento vulgar, unifica uma ordem de relações de fenômenos e leis, em filosofia se unifica todo o conjunto das relações de fenômenos e leis em uma lei suprema.

Entre a ciência e a filosofia não existe diversidade de processo cognoscitivo, mas apenas diferença de grau, pois a filosofia representa o último grau de generalização. O conhecimento filosófico abrange e supera os outros dois.

A ciência é o saber parcialmente unificado. A filosofia é o saber totalmente unificado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970)

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Coragem: “aquele que der um começo, já terá feito a metade da coisa”

Coragem: “aquele que der um começo, já terá feito a metade da coisa”

São necessárias cordas durante a descida de algum trecho pequeno, porém escorregadio e rochoso, de superfície escarpada, numa última etapa de um exercício de escalada de montanha.

“Admiro a sua coragem”, observou um espectador ardentemente, quando um dos alpinistas se sentou na relva, descansando um pouco, antes de regressar à sua casa.

O alpinista olhou o seu admirador de forma perturbada e, em seguida, disse-lhe de modo um tanto embaraçado: “Não há de que”. Não conhecia muito bem o seu admirador e mesmo que o conhecesse, seria o caso de lhe dizer que não foi necessário ter coragem alguma para fazer a escalada e a descida? Seria o momento de dizer que isso lhe deu a coragem de adentrar grutas ou qualquer outro espaço reduzido, escuro e fazer a sugestão de que talvez o seu admirador pudesse desempenhar essa exploração de modo igualmente fácil? Muita discussão por um comentário tão simples! Melhor não dizer coisa alguma — pelo menos, nesse instante.

Contudo, chega um momento em que o assunto coragem deve ser explorado muito cuidadosamente pelo aspirante a uma vida superior, caso se considere totalmente zeloso e sincero. Por quê? Mas por que é tão importante a uma vida baseada na Filosofia Rosacruz? Talvez possamos melhor responder a essa indagação após considerarmos a coragem um pouco mais profundamente.

A maioria de nós reconhece de modo vago que o que exige um esforço varia de pessoa a pessoa; mas possivelmente muitos não se detiveram para perceber que a maior parte das pessoas “normais”, existentes atualmente no mundo, realizou, em certa época, esforços enormes. Por exemplo, diz-se que o desejo de locomoção surge antes da capacidade de se movimentar. E as tremendas batalhas que devam ter ocorrido à medida que o ser humano, em sua formação, aprendeu a conduzir os seus veículos de um lugar a outro são vistas de modo telescópico nas primeiras tentativas fracas e desajeitadas de um bebê procurando locomover-se. Do mesmo modo que cada um de nós apresenta melhores rendimentos em certa matéria do que outros, em assuntos escolares, cada qual aprendeu suas lições quanto ao funcionamento nas várias atividades deste mundo de um modo melhor em algumas matérias do que em outras; porém todas as nossas atividades presentes exigiram esforço em certa época — e alguma coragem, quando procurávamos algo novo.

E, se pensarmos um pouco mais, a maioria de nós se apercebe de que uma ação que quase não levamos em consideração em certo momento de nossa vida, ação que até mesmo poderíamos exercer alegremente, poderá, em outros instantes, constituir um supremo ensaio de vontade. Poderá surgir um momento na vida de todos nós em que até mesmo o despertar em uma manhã ou o início de um novo dia poderá exigir muita resistência moral, quando significar a necessidade de encarar novamente problemas ou dores que pareçam difíceis de enfrentar.

No entanto, após reconhecermos que os atos de coragem significam diferentes coisas a pessoas diferentes, ou coisas diversas em tempos diversos para a mesma pessoa, eventualmente encobriremos a verdade de que haja certas lições básicas e gerais quanto à coragem, lições que todos nós deveremos aprender, se formos aspirantes sinceros a uma vida superior, da mesma forma que houve certos atributos físicos que tivemos de desenvolver para podermos viver a nossa atual vida física. Aqui estão algumas dessas lições básicas, sendo que o leitor provavelmente desejará acrescentar outras mais.

1 — A coragem de reconhecer e aceitar os próprios traços indesejáveis e em seguida fazer o máximo para transmutá-los. Cada um de nós tem pelo menos uma tendência indesejável ativa ou abrandada e a mantemos, provocando embaraços de modo sabidamente errado ou, pelo menos, em desarmonia com nossa capacidade mais elevada e, lutando contra essas tendências retrógradas, pode obter fortaleza. Por exemplo, há necessidade de muita coragem para nos dizermos honestamente, algumas vezes, que o que gostamos de apreciar como sendo exteriorização é, na realidade, um mau temperamento e, parcialmente, um ressentimento sepultado. Poderá também ocorrer que haja alguma falta ou área congestionada em nosso caráter que não possamos honestamente perceber. É aqui onde um amigo de confiança, que seja um astrólogo competente, poderá ser muito valioso: mesmo se nós próprios conhecermos a astrologia, poderá ser muito fácil passar por cima de algumas indicações negativas de nossos horóscopos.

Mas após termos erguido as nossas faces, banhadas de lágrimas, dessas questões soluçantes, talvez nos perguntemos qual seria o melhor modo de combater todos os pontos negativos que tenhamos acumulado. A resposta dada por Max Heindel é que não devamos fazer isso diretamente. Em harmonia com o sentimento da velha canção que nos exorta a acentuarmos o positivo, ele nos diz para praticarmos a virtude oposta à falta que desejarmos eliminar. Trata-se de outra aplicação daquilo que aprendemos a respeito do Mundo do Desejo: a atenção de toda espécie, agradável ou desagradável, causa uma grande atividade no sujeito e na coisa agradável ou desagradável. Porém a indiferença mata, de modo que devamos ignorar a falta e procurarmos aumentar a virtude oposta, amando-a e praticando-a. Assim, se percebermos que estejamos inclinados à tristeza, não devemos nos recriminar por não sermos eufóricos, porque assim ficaremos rapidamente muito mais ansiosos e angustiados. Ao contrário, se praticarmos a jovialidade, ela se tornará eventualmente uma parte de nós próprios e sentiremos realmente o otimismo, suas vantagens e os benefícios de nos empenhar duramente nesse método na tradução original, “duramente para encontrar nossas vizinhanças”. Até mesmo nos males físicos esse princípio opera a nosso favor: em uma certa espécie de artrite, um dos melhores medicamentos é a movimentação deliberada das partes enrijecidas e doloridas. Certamente que isso exige esforço! Mas é disso que estamos tratando.

2 — A coragem de apreciar a morte como um princípio. Atualmente não temos a caça às feiticeiras, que culminava na queima dos corpos em praça pública; nem mais se crucifica uma pessoa como nos tempos bíblicos, em virtude de ofensas triviais das quais se pudesse ser acusado, como hoje em dia — falsamente. Não há igreja que nos jogue na prisão para definhar e torturar, pelo menos não neste país. Como então essa espécie de coragem seria, na atualidade, algo que não fosse mais do que mero interesse acadêmico?

Neste século tem havido oportunidades aos que vivem em certos lugares para exercitar este tipo de coragem, manifestando-se contra as injustiças e procurando corrigi-las. A Alemanha nazista constituiu um lugar onde alguém poderia correr risco de vida pela defesa de um princípio; hoje em dia, Espanha e Portugal são outros.

Porém, as Forças Superiores sempre encontram meios de provar os estudantes em certo momento de suas vidas, nesse aspecto de coragem e talvez o meio mais comum em nosso país, atualmente, seja através da enfermidade.

Você talvez tenha estado doente durante longo tempo, acamado na maior parte desse tempo, de modo que se encontre bastante enfraquecido. Os médicos meneiam suas cabeças e mostram suficientemente, pelos seus comportamentos, que acreditem terem feito tudo o que pudessem; os amigos forçam conversações prazenteiras através de semblantes sombrios. Você mesmo está quase resignado quanto à desesperança de seu caso. Então, começa a sugestão. Trata-se de fazer algo que há muito decidiu ser nocivo a seu corpo e sua alma. Mas após tudo isso, dizem seus amigos, experimentou-se tudo mais e imaginam o quanto de bem poderão fazer após conseguirem a cura! O choque mais cruel de todos surge quando até mesmo seus melhores amigos, ligados à Filosofia Rosacruz, induzem-lhe a esse curso de ação errado para salvar a sua vida, conforme dizem.

No entanto, silenciosamente, você diz a si próprio: “Sei que me encontro agora próximo da morte. Todavia, não desejo ir, porque há muita coisa que gostaria de fazer. Porém, se tomar essa atitude que eu saiba ser errada e recuperar a saúde, haverá sempre aquele senso atormentador que assim agi fazendo algo errado e nunca mais estarei em condições de trabalhar, segundo o mais expressivo e o melhor de minhas capacidades, em virtude daquele espectro que fica observando por trás de meus ombros. Tentei tudo o que sabia estar em harmonia com meus princípios. Se tiver de morrer agora, morrerei de qualquer modo, não importa o que eu faça”.

Dessa forma, você se certifica de que os seus negócios se encontrem em ordem e repousa em seus travesseiros para exalar o último alento exausto, porém contente…

Contudo, algo acontece. Alguém chega, pousa as mãos em você e, no dia seguinte, você já se ergue e sai, após ter estado na cama durante meses. Ou você simplesmente melhora gradualmente, embora não faça algo diferente. Mas, em primeiro lugar, você terá de mostrar aquilo que realmente deliberou durante a noite tempestuosa em que tomou a decisão há longo tempo, em um pacífico dia ensolarado.

3 — Coragem para desafiar qualquer elemento físico, quando necessário.

O que você teme neste Mundo Físico? O fogo? As alturas? Inundações? As crianças? As pessoas idosas? A eletricidade? Serpentes? Se houver neste mundo algo que desperte em nós o desejo de nos afastar, eis um problema que deva ser encarado completamente, agora, uma vez que, quanto mais o medo for encoberto, tanto mais se inflama, desenvolve e suas raízes se aprofundam muito mais, no decorrer do tempo.

Familiarize-se, por meio da leitura, com os aspectos da constituição e da estética de tudo aquilo que você teme é adequado, de forma que passe a dispor de uma riqueza de informações alusivas ao assunto, porque muitas vezes tememos mais o que nos é estranho, desconhecido e inominado. Em seguida, familiarize-se de primeira mão. Se você teme a água e não sabe nadar, tome lições de um instrutor competente. Se você teme as alturas, faça caminhadas pelas colinas e depois pelas montanhas. Primeiramente, aprecie a vista da parte baixa de um penhasco. Gradualmente, faça-o cada vez mais próximo do topo. Tire em seguida o seu bacharelado, encabeçando algumas escaladas.

4 — A coragem de arriscar cometer algum engano, quando for necessária alguma ação. Quantas vezes desistimos de realizar até ações mais simples, com receio de dizer ou fazer coisas erradas ou pelo medo de parecer enlouquecidos? E quantas vezes nos mantivemos na retaguarda por não termos feito algo e, assim, perdido uma possível oportunidade de experimentar aquela sensação extraordinária de crescimento e expansão?

“Mas o erro que poderíamos cometer seria monumental”, você poderia dizer. “Poderia”, sim; porém você não tem a certeza disso. E mesmo se você tivesse feito algo radicalmente impróprio, sabemos que as Hierarquias criadoras, bem acima de nós em matéria de evolução, também cometem erros: os cometas são o resultado de uma tentativa de criação no cosmos que, por alguma razão, não “se gelificou” e atingiu a órbita adequada, de forma que eles vêm e vão, malogros divinos perdidos na face da profundidade.

Desse modo, devemos provar a nossa fé através de obras: obras significam experiência concreta e a experiência deve envolver alguns erros.

Max Heindel nos diz que o mundo necessita de seres humanos que façam e não que sonhem ou leiam. Em suma, será feito na terra de nossos corpos o que acontece no Céu de nossos Espíritos.

5 — A coragem de estar só. Nós a temos na mais alta autoridade, a do Próprio Cristo; em certa época de sua carreira esotérica, o estudante de ocultismo sincero deve estar completamente só, fisicamente, para enfrentar sua sorte e seus problemas. Os parentes estão disseminados e não compreenderiam. Os amigos também parecem estar muito longe, física, mental e espiritualmente. Não parece possível receber ajuda de ser vivente algum. Cristo, que é o Precursor em um sentido muito literal, sentiu essa desolação no Jardim do Getsemani, quando perguntou amargamente se nenhum de Seus discípulos adormecidos poderia velar com Ele.

Porém, quando nós bravamente tomarmos a nossa cruz, seja ela pequena ou grande, existirão amigos em ambos os lados do véu prontos para auxiliar-nos a carregá-la. Descobriremos que a solidão, como tudo mais que seja apenas desta vida, foi somente temporária. Goethe, o poeta Iniciado, escreveu:

“Aquele que nunca come o seu pão na amargura

 e jamais passa por horas tenebrosas,

pranteando e aguardando o amanhecer,

não conhece os Poderes Celestiais”.

6 — A coragem de continuar tentando. De acordo com T. S. Eliot, somos “unicamente derrotados porque tentamos”. Isso poderá ser um pequeno consolo para alguém que tenha um pertinaz problema de saúde, que há muito esteja suportando um pesado encargo familiar ou talvez venha tentando há muitos anos romper um mau hábito, como modificar um traço inadequado da personalidade ou do caráter. Mas a Filosofia Rosacruz nos diz que, se persistirmos no rumo certo, mesmo que não possamos ver os resultados, eles ali estarão. Isso porque as imagens de nossas circunvizinhanças incluem as condições que estejam dentro de nossa própria aura. Se tivermos criado em nossas mentes a imagem de uma coisa que desejemos obter e tivermos revestido essas imagens mentais com um intenso desejo de ser bem-sucedido, a mente modificada e o desejo impulsor ativo eventualmente tornarão o Corpo Vital muito mais fixo e resistente, o qual, por sua vez, acarretará quaisquer modificações necessárias no veículo mais sólido a ser modificado, o Corpo Denso. Assim, mesmo se intimamente trabalharmos durante toda uma existência em um problema sem resultados tangíveis no mundo físico, teremos a promessa de que esses resultados se mostrarão na próxima vida, uma vez que os corpos mais elevados desta vida determinam a qualidade dos mais baixos, na outra. E, quem sabe? Poderemos não ter de trabalhar durante toda uma existência nesse problema. Ajuda-nos também a lembrança de que a hora mais obscura é comumente anterior à alvorada.

Existem pelo menos duas coisas que devamos manter em mente, relacionadas com todas as espécies de coragem que mencionamos. A primeira é uma advertência. A coragem sem previsão e discriminação não é coragem, mas, sim, temeridade, insensatez e um trágico desperdício de energia valiosa. Devemos nos lembrar de que as forças negativas estejam sempre prontas para tentar e enredar, particularmente o estudante sincero. Trata-se de um fio de navalha sobre o qual devemos andar. O segundo ponto importante a refletir constitui uma ajuda ao nosso desenvolvimento em matéria de coragem. Trata-se daquilo que João nos diz em sua primeira epístola: “o perfeito amor afasta o temor”. Isto não significa necessariamente que devamos aprender a amar o que tememos, porque o que tememos pode ser verdadeiramente mau. Porém o amor por alguém ou por um princípio e os atos desempenhados a favor desse amor poderão dissolver completamente todos os nossos temores precedentes.

Agora que falamos de algumas das modalidades de coragem que nós, como estudantes de ocultismo, precisaremos desenvolver em alguma época de nossas carreiras, talvez estejamos em posição melhor para compreender por que nós as necessitamos e por que necessitamos de qualquer espécie de coragem, pelo menos. Se não nos esforçarmos e tentarmos transmutar as características indesejáveis em nós próprios, então estaremos simplesmente colocando-nos por detrás do caminho evolutivo lento e laborioso daqueles que aprenderão apenas pela experiência e não estaremos realmente entre os que conquistarão o Céu por assalto. Se não estivermos prontos a lutar por um princípio, então o mesmo não nos terá qualquer significado e não poderemos esperar ser os depositários de verdades e poderes maiores; dessa forma,  até mostrarmos o aspecto de coragem física, faríamos melhor se o desenvolvêssemos, até porque nas expressas palavras de Max Heindel, quando explanava sobre o Tannhauser, o estudante sincero deve “perceber que deva possuir as mesmas virtudes requeridas de um cavalheiro, uma vez que sobre a senda espiritual também existam perigos e lugares onde é necessária a coragem física”. Se não tivermos a coragem de agir quando devemos, mesmo se a ação signifique um possível erro, então não estaremos agarrando as oportunidades de progresso e estaremos provavelmente nos chocando contra as ondas. Se não pudermos, em momento algum, sentirmo-nos plenamente sós, então não estaremos desejosos de partilhar de modo algum da vida do Cristo. Se não tivermos a coragem de continuar tentando, então mostraremos que realmente não temos fé na verdadeira filosofia em que dizemos acreditar, filosofia que explica por que um esforço nunca é desperdiçado. Finalmente, uma coisa muito importante: necessitamos de coragem de todas as espécies a fim de sobrepujarmos o Guardião do Umbral. Se formos estudantes sinceros, deveremos certamente nos encontrar com essa entidade algum dia.

Shakespeare disse em Rei Lear que “a coragem emerge com a ocasião”. Esperemos que assim seja, porque há muitas ocasiões nesse período de nossa história. As condições internas são espelhadas extrinsecamente pelo microcosmo e macrocosmo: o mundo e sua aura estão em agonias de batalhas monumentais, envolvendo todas as espécies de forças. Se você não se sentir necessitado de modo algum, fechará os seus olhos e ouvidos.

De forma que, coragem, caro coração! E relembre-se, com o poeta Horácio, de que aquele que der um começo, já terá feito a metade da coisa.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1970)

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O Bem que podemos fazer

O Bem que podemos fazer

Os males que você não pode remediar são infinitos. Porém, os que pode remediar são tantos que, balanceando o que tem feito em um ano, por exemplo, verá que o bem praticado exigiu um labor enorme para suas forças, parecendo-lhe um sonho o que realizou.

Também um grão produz uma espiga.

A capacidade de fazer o bem de que cada alma humana dispõe é extraordinária pela sua grandeza.

O poder de fazer o bem, que nos foi concedido, é de uma enormidade de nos causar pasmo. Vemos seres humanos desprovidos de todos os recursos realizarem milagres de caridade; seres humanos que alteram a organização das sociedades; pessoas que arrancam o mundo de seu estado natural e o renovam.

Causa assombro pensar no que seria nosso Planeta se todos os seres humanos estivessem educados para o amor em vez de o estarem para o egoísmo e até para o ódio. O eixo moral do mundo seria como que perpendicular ao plano da eclíptica do dever e uma divina primavera reinaria na morada dos seres humanos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970)

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A Única Salvação é o Conhecimento Aplicado

A Única Salvação é o Conhecimento Aplicado

A preocupação dominante nas grandes metrópoles é encontrar meios de humanizá-las. Nos vastos centros urbanos emergem as mais contraditórias paisagens, os mais chocantes contrastes, os mais intrincados e aparentemente insolúveis problemas. Por suposto, seus reflexos fazem-se sentir nas pessoas, traumatizando-as, neurotizando-as, gerando toda sorte de enfermidades.

Deverá ser eternamente assim? Não haverá uma saída? Vejamos. Se a vida nas palpitantes urbes apresenta uma série de inconvenientes, em contrapartida oferece uma gama valiosíssima de experiências, impossíveis de serem encontradas em outros lugares. À experiência traz consigo um conhecimento real, comprovado, não haurido livrescamente. A fonte maior dessas experiências é o relacionamento humano. Através do relacionamento promove-se um importante e rico intercâmbio de valores culturais, morais e espirituais.

Só assim tomamos conhecimento e sentimos mais intimamente os problemas dos outros. O contato com os seres humanos faz-nos recordar sempre a humanidade existente dentro de nós mesmos. Não podemos prescindir disto, a menos que sejamos frios e duros blocos de concreto, como os que compõem a paisagem cinzenta das megalópoles.

No Livro: “O Conceito Rosacruz do Cosmos” Max Heindel assinala que “a única salvação é o conhecimento aplicado”. Se a cidade grande enseja multivariadas experiências — e decorrente conhecimento — por que não aproveitamos as mesmas para humanizá-la, tornando-a um lugar aprazível, mais habitável? Podemos e devemos fazê-lo.

O ser humano isolado é uma impossibilidade. Não podemos fugir à interdependência no relacionamento diário. Este enfatiza a necessidade de amar ao próximo, mormente porque o próximo dos outros somos nós mesmos. À competição desenfreada, o temor de ser passado para trás, a pressa em fazer alguma coisa ou chegar a algum lugar, tão característicos dos grandes centros, produzem angústia devoradora. Afinal, o ser humano é uma vítima da cidade, ou de si mesmo?

O ser humano descarrega sua insatisfação acusando uma cidade de ser desumana, quando, realmente, ele é que a torna assim pela sua vivência egoísta. Nós a envolvemos com nossos sentimentos e pensamentos, e estes, em sentido coletivo, imprimem-lhe características básicas, gerando inclusive seu destino. A cidade em que vivemos, é, de certo modo, uma soma do que somos. A menos que, pensemos e ajamos sempre visando o bem comum, continuaremos a fazer parte da “indesejável” paisagem do lugar em que vivemos.

Uma comunidade urbana é, em essência, algo maravilhoso. É o campo de evolução onde os seres humanos coexistem em torno de necessidades, de ideias e ideais. As experiências que ensejam devem, antes de mais nada, apurar a sensibilidade de seus habitantes em relação às suas belezas e aos anseios do próximo. A experiência deve conduzir o ser humano à maturidade. Mas é mister identificar este termo no seu sentido mais profundo. “Alcançar a maturidade”, como definiu Weissman, “não significa envelhecer. É passar da arrogância, cavadora de abismos, para a humildade unificadora; da indiferença para o amor: da inveja para a gratidão; da insegurança para a tranquilidade. É aumentar em si os impulsos construtivos, livrando-se dos sentimentos destrutivos”.

Assim, a maturidade há de acompanhar a purificação do sentimento, tornando-nos verdadeiramente cristãos na vida comunitária. Amemos nossas cidades, amando e servindo seus habitantes.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)

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Propósitos e Condições Favoráveis para o seu Desenvolvimento Espiritual

Propósitos e Condições Favoráveis para o seu Desenvolvimento Espiritual

Mais revelações espirituais são oferecidas ao Aspirante, conforme ele gradativamente fornece provas de que está, fortemente, percorrendo o caminho da realização espiritual. Caberá a ele estar atento para observar e compreender os ensinamentos oferecidos.

Qualquer comportamento humano consciente e direcionado necessita de um propósito subjacente que guie ou forneça sentido para as ações. Por exemplo, um empresário que objetiva tornar seus negócios bem-sucedidos poderá permanecer meses, anos, até mesmo a vida toda, com esse objetivo que fornece sentido para todas as demais ações. O fato desse empresário ficar todos os dias até tarde no escritório, passar finais de semana planejando e executar ações para melhorar os rendimentos da empresa, terá sua explicação se conseguirmos enxergar o propósito que ele acredita ser o correto de buscar. Outro exemplo seria a pessoa que deseja fazer uma aquisição material qualquer, mas não possui o dinheiro imediato para comprar.  Ela procurará um segundo emprego ou realizará horas extras no trabalho para conseguir o dinheiro. Com o tempo e sacrifício, conseguirá acumular o dinheiro e concretizará seu desejo.

Desse modo, verifica-se que é o propósito subjacente que faz uma pessoa elaborar diversas estratégias e ações para concretização dele. Sem o propósito, não haverá sentido para as ações. Caso o propósito esteja ausente na consciência, não haverá motivação necessária para um indivíduo agir em uma determinada direção, mas apenas respostas automáticas a estímulos ambientais. Isto é claramente verificado em pessoas que sofrem de algumas demências ou de doenças que tem como sintoma a abulia.

O maior propósito que um Aspirante sincero à vida superior tem é aquele de cumprir os preceitos Esotéricos do Cristianismo em sua vida diária. É exatamente esse propósito que fornece sentido às ações que normalmente pratica em seu cotidiano. Dentre as ações, destacamos aquelas relacionadas a sacrifício do eu inferior, de retidão, perdão, serviço desinteressado ao próximo, vigília e oração. Ele não se preocupa com a redenção particular ou seu desenvolvimento pessoal, pois seu objetivo prioritário é o auxílio ao alheio. Se um terceiro conseguir enxergar esse propósito subjacente, compreenderá o sentido pelo qual um Aspirante sincero realiza todos esses atos tão “sem sentidos”, de acordo com os parâmetros materialistas e individualistas comumente observados no atual contexto que vivemos.

É exatamente a não observação ou compreensão desse propósito, pelas pessoas que não estão percorrendo o caminho, que gera o julgamento equivocado e que contribui para o Aspirante caminhar cada vez mais sozinho. Apesar de aparentemente sozinho, conforme se torna uma fonte de água da vida (que jorra sem parar, não importando quem se aproxima para dela beber), novos horizontes e novas companhias de propósito lhe aparecem automaticamente.

Cada evento vivenciado é, então, observado cuidadosamente sob a direção dos propósitos espirituais que escolheu para sua vida. O Aspirante deverá, então, utilizar suas faculdades tais como: percepção, atenção, inteligência, aprendizado vicário (aprendizado por observação) e sua experiência prévia, para realizar o discernimento necessário para agir. Além disso, deve também contar com sua força de vontade para conseguir concretizar, no Mundo Físico, aquilo que julga ser correto. Desse processo, ocorre a evolução ou produção de poderes anímicos.

Além de sua vontade e propósito espiritual, há, durante o todo o ano, condições propícias para que o Aspirante consiga amalgamar poderes dinâmicos ao seu Espírito. É também sobre essas condições que o presente artigo objetiva descrever.

De modo a concentrar forças e ter uma maior eficácia no processo de produção de poderes anímicos, os Estudantes Rosacruzes de todo o mundo da Fraternidade Rosacruz se reúnem, todos os dias, atendendo suas aspirações espirituais e oficiam o Ritual do Serviço do Templo. Essa reunião tem o objetivo de gerar pensamentos-formas de amor, de fraternidade e de cura. Os pensamentos-formas gerados são concomitantemente envolvidos com sentimentos de igual natureza, que fornecem a força necessária para que os pensamentos-formas cheguem ao seu propósito. Essa é a primeira condição favorável que o Aspirante pode unir aos seus propósitos espirituais, para conseguir maior eficácia em seu trabalho no mundo.

Uma segunda condição favorável ocorre quando a órbita da Lua atravessa o raio de vibração de uma Hierarquia Criadora Cardinal (Signos Zodiacais cardinais ou cardeais). Nessa situação, há favorecimento de produção de pensamentos-formas e sentimentos direcionados à CURA e é o dia para oficiar o Ritual do Serviço de Cura. É como se houvesse um forte vento a favor, e se aproveitarmos esse vento que sopra para a direção da cura, nossas orações serão muito mais eficazes e, consequentemente, a produção anímica também. Todo aquele que quiser contribuir para esse serviço, automaticamente também recebe a cura que necessita, seja física ou mental. Mas a recompensa particular desse trabalho não deve ser prioridade para o Aspirante, mas sim, a certeza de que irmãos que buscam esse auxílio estão recebendo essas bênçãos.

Juntamente a esses serviços, o Aspirante busca, onde quer que esteja, ser útil como canal de amor e de trabalho. Por mais trabalhoso e árduo que esse tipo de vida parece ser, ele o faz porque compreendeu que os demais propósitos oferecidos pela vida material são estéreis – “…Senhor, para quem iremos? Só tu tens as palavras de vida eterna” (Jo 6:68). Cada trabalho que consegue realizar nesse sentido produz materiais invisíveis que alimentam três pessoas diferentes: a (as) pessoa (as) envolvida (as) que recebeu (eram) o produto desse trabalho; a si próprio (pois esse material invisível para seus olhos fará parte do radiante Dourado Manto Nupcial, seu Corpo-Alma) e, finalmente, o Cristo, que aguarda pelo dia de Sua Libertação (Segunda Vinda) – “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mt  25:40).

Como sabemos, o exercício de Retrospecção representa o momento do dia em que realizamos nosso Purgatório e Primeiro Céu. Mas há um período em cada mês, que é propício para que o Aspirante possa realizar essa alquimia espiritual, ou seja, transformar cada ato de serviço acumulado durante o mês em poderes dinâmicos utilizáveis instantaneamente pelo Aspirante. É o período de Lua Cheia e ela está a leste no céu. No entanto, a menos que o Aspirante tenha acumulado material para realização do processo, ele não poderá fazer a alquimia. O tempo de acúmulo se dá nos 15 dias precedentes à Lua Cheia.

Analogicamente, a posição da Lua durante o período de Lua Cheia, a Sala Leste do Tabernáculo do Deserto continha toda a parafernália para o desenvolvimento da alma. Havia nela os pães da proposição, o candelabro de sete braços e o altar com o incenso. Assim, nesse dia de Lua Cheia, o Aspirante entra na Sala Leste do Tabernáculo, e assimila todo o produto dos ensinamentos que a mesma sala o ensinou a praticar fora dela.

Nos dias procedentes, a Lua vai gradativamente tornando-se escura no céu. Quando ocorre de ficar totalmente escura, também fica a Oeste no céu. Nessa data, ocorre a noite mais escura do mês. Apesar da escuridão física, esse período encerra momentos de maior espiritualidade de todo um mês. O Aspirante então fica mais próximo dos Mundos Internos, se souber aproveitar essa corrente favorável. Mas deverá estar preparado com os requisitos necessários para poder aproveitar essa maré de força espiritual. Do contrário, pouco resultado alcançará.

Analogicamente, a Sala Oeste do Tabernáculo do Deserto era totalmente escura fisicamente. Mas havia nela uma Luz Espiritual. Essa era a sala conhecida como o Santo dos Santos, que continha a Arca da Aliança. Sobre a arca, havia um FOGO INVISÍVEL ou a presença de Deus manifestada entre os homens.

Há, portanto, um período em cada mês, que é propício para que o Aspirante possa ficar conscientemente em maior contato com os Planos Internos devido à forte corrente espiritual presente nessa época do mês. É exatamente o período em que a Lua fica escura ou Nova no céu. O requisito para se por em contato com essa corrente é a produção prévia de luz interna, pois há muita obscuridade exterior. A luz interior é gerada pelo acúmulo de serviço amoroso que realizamos no Serviço de Lua Cheia, que transformou os materiais invisíveis de serviço em Corpo-Alma. Assim, o Serviço de Lua Cheia é requisito para o Serviço de Lua Nova.

Desse modo, há 12 ou 13 (depende do ano) oportunidades anuais de realização do Serviço de Lua Cheia, e 12 ou 13 (depende do ano) oportunidades de Serviço de Lua Nova. Mas, o Aspirante deve gravar em sua memória que esses períodos constituem a culminação de processos que devem ser realizados diariamente. Sem esse requisito (serviço diário e Retrospecção), não há como aproveitar esses momentos abençoados que ocorrem durante a Lua Cheia e a Lua Nova.

Vê-se, portanto, que há muitas oportunidades dadas para que o Aspirante possa se desenvolver com maior eficácia. Mas, como já mencionado no início deste artigo, deve estar atento para observar e compreender os ensinamentos oferecidos e as condições mais favoráveis.

Possa o Aspirante aproveitar todas essas oportunidades que lhe são constantemente apresentadas.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

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Os Exercícios Noturno de Retrospecção e Matutino de Concentração

Os Exercícios Noturno de Retrospecção e Matutino de Concentração

Exercício Noturno – Retrospecção

Muitos Estudantes Rosacruzes têm dificuldade em realizar convenientemente os exercícios da Noite e da Manhã. Vamos, por essa razão, indicar um bom método a seguir. Começaremos pelo exercício da Noite.

É errado supor que deveis pensar minuto por minuto durante vossa retrospecção a tudo quanto tendes feito durante o dia que passou, controlando assim todos os atos automáticos e todas as ações diárias. Tendo uma tal concepção desse exercício, descobrireis que o sucesso é nulo ou que perdereis um tempo precioso. Há Estudantes Rosacruzes que desejam voluntariamente fixar seu pensamento sobre ideais elevados, a fim de que a passagem seja tão harmoniosa quanto possível. É muito prosaico, ou indesejável, que vosso exercício noturno se detenha sobre o fato de ter comido uma fatia de pão com goiaba ou de ter amarrado vosso calçado.

O êxito de vosso exercício noturno depende de uma vida diária consciente e do poder de pensar de maneira abstrata. Uma vida diária consciente é uma condição e pensar de maneira abstrata não toma quase tempo.

Deveis refletir sobre a beleza deste método, ele justifica-se por si mesmo; o exercício Noturno não pode tornar-se um meio para atingir a Iniciação a não ser que esse mesmo exercício se torne a este respeito, um serviço diário. Se esse último ponto não for atingido milhões de exercícios não darão nenhum resultado.

Um Estudante Rosacruz sério desempenhará conscientemente toda ação diária; ele será igualmente consciente de suas palavras, pensamentos, atos, baseando-se sempre sobre a lei Santa para o Estudante Rosacruz. Esse fundo místico de toda sua manifestação torna-se semelhante a uma segunda natureza e ele notará sem demora que, cada erro em palavra, ato ou pensamento, toma imediatamente sua desforra e que a consciência de sua falta se impõe imediatamente. É por essa razão que alguns Estudantes Rosacruzes sérios que realmente vivem a vida, dizem: “o exercício noturno é para mim um serviço diário”, o que prova que se acham “no caminho”. Entretanto, quando tiverdes feito essa experiência, não deveis cometer a falta de crer que o exercício da Noite é supérfluo. Assim seria se o exercício da Noite não fosse mais do que um meio para atingir o conhecimento de si mesmo; ele é igualmente um dos meios dados pelos Irmãos Maiores para chegar à Iniciação.

Consideremos agora o exercício na suposição que vós o fazeis como um serviço diário.

Depois de entrar no leito, tomai uma posição a mais confortável possível e estendeis o corpo. Fixai vosso pensamento sobre o emblema da Rosacruz e deixai aproximar-se de vós mais e mais a Cruz com as Rosas até que ela se imponha a vós de maneira luminosa. Depois disso examinai rapidamente tudo o que se passou durante o dia (o que é fácil pelo pensamento abstrato). Isso supera o trabalho do cérebro e vereis como as experiências importantes e notáveis do dia se apresentarão com a rapidez do relâmpago tocando vosso coração e vossa cabeça, conforme sejam as experiências de natureza mística ou intelectual.

Seguem-se primeiramente sensações de alegria e de paz ou sensações de tristeza e desespero (pelas boas ou más ações). Em seguida, pelo choque ocasionado, importantes órgãos latentes do corpo material recebem vibrações mais elevadas graças às quais o caminho da liberação desenha-se de mais em mais. (Quando a Cruz luminosa se acha diante de vós, podeis pronunciar uma pequena prece antes de começar a retrospecção).

Depois do exercício que não dura mais do que alguns instantes, elevai-vos no abstrato, e depois de um certo tempo vos será possível passar conscientemente ao estado de sono, onde o outro Mundo vos acena. Estamos persuadidos de vos ter dado uma outra visão desse serviço bem conhecido do Estudante Rosacruz. Temos refletido muito tempo para saber se podíamos falar disso; os numerosos pedidos a esse respeito nos indicaram que o tempo era chegado.

Esperamos que compreendereis bem o que foi explicado acima; nós rogamos para que nossos Estudantes Rosacruzes possam rapidamente franquear a porta de ferro do Serviço diário para ir ao verdadeiro exercício da Noite que é de ouro. Assim vós transformareis o ferro em ouro e vos tornareis um alquimista da Rosacruz.

Exercício Matutino – Concentração

Em nosso artigo precedente nós vos demos esclarecimentos sobre o exercício Noturno.

Muitos Estudantes Rosacruzes que antes quebravam a cabeça para preencher o exercício da noite acham-se capacitados agora de se submeterem harmoniosamente ao plano estabelecido pelos Irmãos Maiores para nos auxiliarem em nossos esforços para atingir uma consciência mais elevada.

Esperamos poder vos auxiliar igualmente, submetendo-vos uma nova perspectiva sobre o exercício da Manhã.

Sabeis que o exercício da Noite, depois que o neófito atingiu a prática do serviço diário, é uma penitência para desenvolver uma mais alta vibração em certos órgãos do corpo físico. É a Glândula Pituitária que é mais especialmente atingida pelo exercício da Noite. O exercício da Manhã age por sua vez sobre a Glândula Pineal, excitando-a a mais elevadas vibrações.

Não há nenhuma razão em se abster de um dos exercícios e de crer conveniente realizar o outro. Um exercício feito sem o outro é perfeitamente inútil e mesmo prejudicial. Trata-se de um só exercício com dois aspectos. Uma metade é feita antes de dormir, a outra, depois. Trata-se de poder evadir-se conscientemente da chamada consciência de vigília para o inconsciente e de poder voltar conscientemente para poder em seguida, como bem vos parece, ir de um mundo a outro.

Antes de falar do segundo aspecto desse importante exercício mágico, nós chamamos novamente vossa atenção sobre o “serviço diário”. Reledes o que temos dito acima; economizaremos tempo.

Quando o Estudante Rosacruz vive verdadeiramente a vida e na mais elevada expressão da palavra, toda sua vida, suas idas e vindas, todas suas ações estarão em concordância com o Fim Essencial de toda existência humana e tudo o que ela deve atingir; e dessa maneira, todo pensamento se dirigirá para esse Ideal. Cada dia ele vê diante de si sua vocação crescer em natureza, com todas as consequências relativas.

Podeis, pois, facilmente imaginar que um tal Estudante Rosacruz não tem falta de assuntos de reflexão para seu exercício matinal, esse exercício baseando-se sobre a verdadeira vida. Não deve perder-se nas origens de um palito de fósforo, de um vestido ou de qualquer outro objeto empregado, pois quando vós aspirais à realidade do ato em todas as coisas o fato de ser pioneiro pode levar a situações grotescas nas quais nós podemos nos perder. Agora o método!

Depois da penitência consciente que levou o trabalho do fogo purificador ao Estudante Rosacruz, ele terá uma noite de atividade intensa, não obstante o Estudante Rosacruz novato não se lembrar de nada disto, a lembrança virá mais tarde.

Assim passam-se as horas da noite até o momento de despertar. Voltamos lentamente ao inconsciente na vida material. Cada um conhece esse estado passageiro. A vida que se aproxima traz-nos seus conflitos, suas necessidades e suas forças, em relação aos deveres diários; o Estudante Rosacruz experimenta fora dessa multidão de coisas que se defrontam o que se acha em relação com sua tarefa particular, sua vocação e é isso que ele estuda durante esses momentos encantadores que precedem o despertamento real. Resulta disso um movimento oscilatório, um movimento ritmado; um retorno ao sono depois a aproximação do despertar. Depois vê uma formidável visão sobre seu trabalho, sua tarefa, sua vocação; um transporte da verdadeira essência espiritual sobre a personalidade toda, inteira, um verdadeiro banho espiritual, um afastamento de fronteiras.

Qual é, pois, o resultado de tudo isso? A glândula pineal foi levada pelo processo descrito a uma atividade intensa. A ação radiante desse órgão se amplifica e ele vibra em uníssono e entra em contato com a ação radiante do corpo pituitário. É um turbilhão de forças agindo o fluxo e o refluxo: é uma união contínua devida a uma reação constante; de onde resulta segundo a perspectiva idealizada um alargamento de consciência.

É o que há de mais importante no exercício da manhã. Tenhais presentes nossas observações que nós resumimos abaixo.

Não deveis separar nunca o exercício da Manhã do da Noite. Colocai-vos na vida real e vosso exercício da Manhã se tornará igualmente uma pluralidade de realidades. Ele vos sustenta na vida e vos dá as mais altas possibilidades.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mai-jun/88)

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O Eterno Momento: viver aqui e agora

O Eterno Momento: viver aqui e agora

A linha é uma sucessão de pontos; a vida, uma sucessão de agoras.

Vivo conscientemente e bem o aqui e agora, pois nisso vejo toda a ciência do viver.

Não me volto ao passado. Apenas lhe conservo a experiência. Só me preocupei com ele quando era infeliz, complexada, insatisfeita. Então me voltei, rebusquei-o muito bem para encontrar as causas de minhas condições e as desarraiguei para sempre, à luz da Filosofia, dos Ensinamentos Bíblicos e da Astrologia Rosacruz. Depois disso “tomei do arado e não mais olhei para trás”. Quando me assalta a vontade, lembro-me da mulher de Lot, transformada em estátua de sal ao voltar os olhos para a cidade destruída por Deus.

Realmente: reviver coisas desagradáveis só nos reacende sentimentos indesejáveis e cristalizantes. E mesmo as coisas agradáveis. Que proveito há em rememorar nossos triunfos? Não será vaidade? Devemos partir para conquistas mais altas.

Conservo as experiências. Elas são a essência, a Fênix renascida das cinzas de tudo que queimei. Elas me permitem relacionar as causas aos efeitos e deduzir atos progressivamente melhores. Este conhecimento me evita sofrimentos desnecessários, quando pela Vontade, aplico-o a novas ações.

Quanto ao futuro, também não me preocupa. Os devaneios roubam agoras preciosos que poderiam ser preenchidos com realizações. Os momentos passados edificaram minhas atuais condições; igualmente, meus agoras continuarão a edificar o meu caráter. E caráter é destino.

O futuro depende do agora. Assim, penso, sinto, ajo, no agora.

“A cada dia os seus cuidados”, “Não faço planos”. Muitas vezes os fiz e quase sempre tudo veio diferente…. Sei o que me convém, como ser espiritual, e ajo de forma a realizá-lo. Porém, é Cristo, em mim, quem vai dispor os tijolinhos de meus esforços diários; Ele é o Arquiteto do Templo que lhe edifico silenciosamente.

Desligo-me de toda ansiedade e preocupações. Atenta e responsável a tudo que me incumbe e me é possível, não deixo pendências que me perturbem depois. Tenho inteira confiança nas Leis de Deus, ativas no Micro e no Macro. Entrego-me à direção de meu verdadeiro Ser, sobreposta que estou aos pensamentos negativos e sentimentos de medo e restrição. “Quem deseja salvar sua alma é quem a perde”.

Aqui e agora busco a Deus e seu Reino no íntimo de todas as coisas e pessoas. Aqui e agora, sou feliz!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1970)