Categoria Método para Adquirir o Conhecimento Direto

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Saber Ceder mantém a sua Mente arejada

Saber Ceder mantém a sua Mente arejada

A arte de saber ceder é uma das mais difíceis, pois requer um sacrifício das ideias próprias, já arraigadas, em favor do algo novo. Se nos aferramos, intransigentemente, a padrões e conceitos extremamente arcaicos, como poderemos evoluir?

Segundo Max Heindel, a palavra-chave da evolução é ADAPTABILIDADE. Isso vem colocar-se num plano diametralmente oposto à cristalização. O verdadeiro buscador da verdade há de ser como a água, que toma sempre a forma do recipiente que a contém, sem, contudo, deixar de ser água. Há de ter sempre a Mente arejada, admitindo inicialmente todas as coisas como possíveis, até chegar o momento da comprovação.

Essa atitude não rara lhe acarreta aborrecimentos em face ao julgamento da maioria, que muitas vezes poderá considerá-lo um louco visionário, etc. Cristo também assim foi considerado pelos fanáticos de seu tempo.

A época vindoura, a Era de Aquário, caracterizar-se-á pela renovação, pelo arejamento e libertação da Mente. Já notamos essa influência em todos os campos. Uma nova geração surge e reage desenfreadamente nos influxos dessa época de transição que atravessamos. Esses jovens podem e devem ser orientados, porém não podemos coagi-los a aceitar padrões que de há muito pedem para ser reformulados. Com descabida intransigência, só faremos aumentar o abismo entre a velha e a nova geração. Procuremos ceder um pouco, compreendendo, estimulando, orientando com amor. Não nos assustemos. Só os meios mudarão. As verdades serão as mesmas, apenas trocarão de vestes, mais condizentes com à realidade atual. Portanto, ceder em favor das novas luzes da verdade é adaptar-se às condições Aquarianas, já às portas!

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/70)

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Intensidade: cada minuto da sua vida é sagrado

Intensidade: cada minuto da sua vida é sagrado

À medida que tentamos progredir no caminho do viver certo, uma das coisas mais difíceis de conseguir é a conciliação dos ensinamentos de pureza e bondade que recebemos da Filosofia Rosacruz, com o nosso esclarecimento, os nossos contatos humanos de cada dia. Isso porque, quanto mais nos embrenhamos na senda da espiritualidade, mais distanciados vamos ficando dos pontos de vista comuns e da maneira de viver da humanidade em geral, no corre-corre do dia a dia. No entanto, existe uma semelhança bem grande naquela espécie de força compulsiva que predomina na vida das pessoas personalistas, com o nosso estímulo espiritualista, com a nossa própria vontade de acertar. A essa força podemos chamar de intensidade, pois é ela que leva o indivíduo à realização de alguma coisa, tanto à concretização de suas coisas materiais como à realização de si mesmo.

Entretanto, essa intensidade, mesmo quando dirigida para o Certo, como força positiva em nosso íntimo, seja no que for que fizermos, deve ser bem dosada e estar sob o nosso próprio controle. Isso porque, essa força, mesmo possuindo um valor positivo de acordo com o nosso modo de viver, não deve predominar, sob risco de desgastar-se.

Haja vista o que acontece quando se fala demais de determinado assunto que nos empolgue no momento — possibilidades novas, vitórias conquistadas, até nossas próprias frustrações — o assunto “vira”, o acontecimento se transforma, passando então a ocorrer completamente ao contrário do que afirmáramos antes. É que houve uma espécie de dissipação de força, que precisa ser reajustada, por um novo esforço de autorrecuperação.

Por isso, se é bom sentirmos animação por algo que desperte o nosso interesse, melhor ainda será acertarmos nossa intensidade por coisas que provenham do Dever, coisas que partam mais das nossas obrigações do que dos nossos interesses. Porque não podemos esquecer que vamos ter que pagar pelo nosso próprio empolgamento, até mesmo se permitirmos que o entusiasmo exista apenas em nosso íntimo, como um revérbero silencioso. Temos que ser ponderados em nossa animação, seja ela qual for, até para nós mesmos, procurando pesar e medir os reais valores de qualquer aquisição, de qualquer merecimento. Todo o excesso de vibração, quer no falar, no sentir, mesmo no pensar, corre o risco de enfraquecer-se, desgastando-se com o atrito de nosso próprio excesso mal controlado.

Assim, é obrigação nossa manter-nos alertas diante de nossa própria intensidade, porque, em tudo o que fizermos na vida, até nas ações aparentemente triviais, é por intermédio dessa intensidade que vamos realizar-nos em nossa divindade, em cada momento do dia.

Nesse particular, aliás, existe uma atenuante: se essa intensidade estiver sendo aplicada erradamente, por ignorância, mas se for forte e sincera em si mesma, conservará o próprio valor, que será incorporado no Certo, no momento em que girar em seu próprio eixo, engrenando no Bem e identificando-se com ele. Por isso, cada minuto de vida é sagrado e deve ser aproveitado com cuidadoso empenho, com amorosa atenção, procurando vivê-lo dentro dos padrões que regem a nossa vida, ou melhor, dentro das normas que decidimos seguir, porque as aceitamos como certas. E só essa intensidade equilibrada é que poderá levar-nos à comprovação em nós mesmos e por nós mesmos, da exatidão dos ensinamentos admitidos como certos. Só a fé ativa naquilo em que acreditamos como verdade dentro do Bem é que nos conduzirá à própria verdade existente em nós mesmos. Porque intensidade também é fé, fé inteligente que conduz à ação. E melhor ainda à realização.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1973)

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Adaptabilidade, a Chave do Seu Progresso

Adaptabilidade, a Chave do Seu Progresso

A presente condição desequilibrada do mundo de hoje deve sua origem a uma causa principal, a saber, inadaptabilidade por parte do indivíduo com relação a aprender as lições apresentadas a ele pelos vários instrutores a cargo da evolução, sendo dadas todas com o objetivo de desenvolver os divinos poderes latentes do ser humano. Os poderes de Deus, latentes dentro de cada ser criado, são três em número, separados e distintos em suas naturezas intrínsecas, e, não obstante, positivamente necessários com o fim de produzir a manifestação.

O primeiro poder de Deus é a VONTADE, que se expressa como o poder de originar e de destruir, o poder de guiar toda a criação, o poder de dirigir e de projetar ideias e formas de pensamento na Mente, e o poder de expressar controle através do intelecto, em todos os aspectos, tais como o raciocínio, o juízo, o conhecimento, a indução, a dedução, a compreensão, etc.

O segundo poder de Deus é AMOR-SABEDORIA, e se expressa como atração, coesão, receptividade, imaginação, sentimento, intuição, memória, conservação, proteção, alimentação, nutrição e concepção.

O terceiro poder de Deus é a ATIVIDADE, que se expressa como a força de movimento que impede a inércia e produz germinação, desenvolvimento, crescimento, ação, dinamismo, expansão, originalidade, fertilidade, reprodução, Epigênese e criação.

Quase desde o princípio, uma classe de pessoas avançou lenta, mas persistentemente no desenvolvimento dos poderes da VONTADE, combinados com os da ATIVIDADE. Esta combinação produziu os gigantes intelectuais do presente, os homens e mulheres teimosos que põem o “eu” antes de tudo e cruelmente deixam de lado qualquer coisa que apareça diante deles como um obstáculo, sem ter em conta o que ou quem possa ser, amigos, família, inimigos, tudo deve desaparecer, tudo o que não faça promover seus logros. Os membros desta classe se encontram no campo das finanças, grandes associações de negócios e de companhias industriais e corporações multinacionais, seja em menor ou maior escala, dependendo da capacidade do indivíduo. Aquele que não ajude a esta classe de pessoas é para elas um estorvo, e deve ser eliminado.

São talentosos, espertos e usualmente afortunados, mas temidos por todos os que se põem em contato com eles com a suficiente intimidade como para descobrir suas cruéis e dominantes características. Seus brilhantes e faiscantes intelectos podem ser admirados, seu fenomenal êxito invejado, mas os indivíduos por si mesmos não são nunca verdadeiramente queridos, nem honradamente respeitados. Nem tampouco, por regra geral, são lembrados por muito tempo, e suas fortunas, algumas vezes massivas, nunca são realmente apreciadas pelos parentes, geralmente gastando o dinheiro obtido deles, pródiga e rapidamente depois de sua morte.

Uma segunda classe, ao começo de seu caminho evolutivo, desenvolveu os segundo e terceiro poderes que se manifestam como AMOR e ATIVIDADE. Com desprezo do primeiro poder, a vontade, que inclui a razão, o juízo, etc. Aqui temos aquelas pessoas que se omitem em todas as formas de convenção no que se refere ao coração, sacrificando tudo pelo ser amado, seja justo ou injusto, sem analisar aquele que é objeto de seus afetos, ou quantos são prejudicados por suas ações. O amor, para essas pessoas, é desculpa suficiente, com o fim de satisfazer seus urgentes desejos e qualquer quantidade de raciocínio por parte dos amigos, tem pouco ou nenhum efeito. Nunca estão realmente contentes, a menos que estejam realmente próximos do objeto de seus afetos, que pode ser um amigo, uma criança, um marido ou uma esposa. Contudo, eles não são realmente tão maus como parecem sendo débeis no poder da vontade, creem que o amor, a urgência que sentem tão fortemente, é uma excelente desculpa para fazer as coisas que outros consideram como delitos de menor importância. Frequentemente o encantador lado atrativo de tais pessoas os ajuda a obter muitas coisas que em outros menos sedutores não seria tolerado. Estas pessoas têm muito a ver com a corrupção da sociedade, desbaratando amizades, lugares, sociedades, até governos, e despertando emoções nos outros que em muitos casos são difíceis de controlar. Lançam-se a toda classe de satisfação sensual sem usar o juízo, e com pouca discrição. Para eles o presente basta. Para que se preocupar com o que o futuro possa deparar. Para eles o pensar produz danos, e não gostam da sensação de dor.

A terceira classe de pessoas são aquelas que desenvolveram seus PODERES de VONTADE, e a NATUREZA DE AMOR em prejuízo de seus poderes de atividade. A essa classe pertencem os sonhadores do mundo. Possuem tanto o intelecto como a imaginação bem desenvolvidos, mas carecendo de incentivo em grau considerável; passam o tempo imaginando toda classe de projetos que, se fossem postos em ação, seriam de grande benefício para a humanidade. Mas, como são inimigos de ir ao mundo e materializar seus planos, preferem passar a maior parte do tempo evocando novos planos. Esta classe de pessoas é raramente perigosa para a sociedade, mas são geralmente esquivados pelos seus semelhantes, em razão de sua aparente indolência. Seus amigos se cansam de ouvir o que lhes parece mais ou menos como contos de fadas para adultos, de modo que estas pessoas levam uma vida um pouco solitária, até que despertem, por assim dizer, e começam uma honrada investigação das causas de tudo.

Ao princípio, praticamente, as mesmas experiências sucederam a todos por igual. Mas, logo, devido a NÃO ADAPTABILIDADE, as experiências se fizeram mais variadas, até que no tempo presente são quase inteiramente individuais. Não obstante, em todos os casos tais experiências são ideadas para satisfazer as necessidades especiais daqueles a quem são dadas, seja em massa ou separadamente. Terremotos, tornados, fome, seca, epidemias e guerras, são exemplos das experiências em massa, enquanto que os vários sucessos de nossa vida diária contêm especiais e necessárias lições. Muitas vezes estas experiências podem parecer quase triviais, mas se as considerarmos atentamente, revelarão os pontos débeis de nosso caráter que necessitam ser fortalecidos. Então devemos permanecer adaptáveis e consentir em fazer esforços.

Àqueles que “cobiçam o êxito” lhes serão dadas oportunidades, seja para acumular ou para dar, quando seja necessária ajuda aos demais. Geralmente tais pessoas sofrem por sentir e dar. Se sua lição é aprendida, depois da devida meditação, aprenderão a dar com compaixão, e ao fazê-lo assim, estarão estabelecendo um equilíbrio entre a cabeça (Vontade), o coração (Amor) e a ação (Atividade).

Àqueles que creem que o amor é uma desculpa legítima para toda classe de delitos morais, ser-lhe-ão dadas oportunidades de “pensar retamente e bem”, antes de sucumbir à tentação de roubar aos demais, seus seres amados que legitimamente lhes pertencem. Com o fim de aprender esta lição, essas pessoas inspiradas pelo coração devem desenvolver o poder da razão, o que lhes dará o necessário equilíbrio para vencer a tais tentações.

Àquelas pessoas que gostam de “sentar e sonhar” em grandes coisas para ser realizadas mais tarde, quando creem que estão se esforçando, encontrarão suas lições na privação de todas as coisas que mais veementemente desejam e com desprezo, ainda que seja parcialmente velado sentido por seus associados. A fome, o sofrimento e a vergonha finalmente os compelem à ação, e a atividade assim desenvolvida, com o tempo lhes proporcionará o necessário equilíbrio que tão desesperadamente necessitam. Quando nos tornamos conscientes de que algo vai mal conosco e começamos seriamente a averiguar a causa, necessitamos somente examinar os acontecimentos diários de nossa vida para chegar à raiz de tudo, que é o desequilíbrio. Então, se formos prudentes, cultivaremos novos hábitos e começaremos a trabalhar diligentemente para desenvolver os poderes que nos faltam.

Gradualmente, perceberemos que é mais fácil nos adaptarmos às novas circunstâncias e a vida se tornará mais simples de viver, porque terá seu centro do Tríplice Espírito.

Quando isto for conseguido por um número considerável de pessoas, as guerras cessarão. Estas pessoas saberão que unicamente o RETO PENSAR (Vontade), o RETO SENTIR (Amor) e o RETO ATUAR (Atividade) podem trazer paz duradoura a todas as nações da Terra.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – mai/jun/88)

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O “EU” Universal: como nos expandir

O “EU” Universal: como nos expandir

O grande universo está sempre aberto para nós, mas estaremos nós sempre abertos para ele? Estaremos livres para nos expandirmos, para aspirarmos grandes alturas, para nos elevarmos em pensamento além dos limites materiais sobre os quais devemos construir a nossa presente vida? Ou estaremos tão ligados a problemas relativamente inconsequentes do cotidiano aos quais damos tanta importância que não percebemos a grandeza que existe além deles?

A resposta a essas perguntas depende inteiramente do grau com que for regida a nossa personalidade superior ou inferior. Se for a personalidade inferior que comanda, estaremos tão presos às suas reivindicações que muito tempo e muitos talentos preciosos serão desperdiçados.

Em cada ato egoísta afundamo-nos um pouco mais no pântano material tornando, às vezes, difícil sairmos dele. Estamos, na verdade, olhando para baixo, desviando nossa visão dos mundos elevados, sem saber que tesouros eles escondem.

Se, porém, nossa personalidade superior estiver nos controlando, tudo o que diz respeito ao egoísmo não nos influenciará. Estaremos no processo de construir nossos corpos espirituais utilizando os dois Éteres superiores. Portanto, o desejo vulgar, forte e possessivo, característico do egoísmo e do mal não se encontrará em nós e nos sentiremos mais leves do que quando estávamos ainda presos à Personalidade Inferior. Olhamos para cima e para fora e, por vezes, achamos que realmente estamos “no Mundo (Físico), mas não pertencemos a ele”.

Há um universo interno e um externo aos quais podemos nos apegar, mas não alcançaremos nenhum se não estivermos soltos para “voar alto”.

O universo externo abrange o infinito. O universo interno é aquele que aparece quando o Cristo, dentro de nós, desperta.

A pessoa que só pensa em si não tem ideia do que perde, até que comece a abandonar sua maneira egoísta de ver as coisas. Ao invés de se preocupar só com problemas pessoais, que cerceiam a própria liberdade, procurar voltar sua atenção para problemas amplos e gerais e ficará, muitas vezes, surpresa ao ver até que grau seu horizonte se abre. Toma conhecimento da beleza que a cerca, tanto na Natureza, como em muitos dos seus companheiros. Vê cenas que lhe são familiares com novos olhos e começa a ver ao seu redor coisas que jamais havia percebido antes.

O pôr-do-sol, apreciado com admiração, torna-se significativo como uma evidência da grandeza do Criador, assim como flores, árvores e pássaros. A pessoa começa a ver qualidades em alguns velhos conhecidos e a “divina chama interior” vai crescendo nela.

Há um interesse cada vez maior em ajudar as pessoas e isto faz com que utilize e aumente seus talentos muito mais do que quando os usava para seu próprio benefício. À medida que a pessoa desperta para ser útil, seu potencial criativo e seu círculo de influência aumentam. Em resumo, a pessoa cresce e ao fazê-lo seu universo interior se expande e ela se torna mais ligada ao universo externo.

Depois que tivermos aprendido as lições através de muitos outros Períodos de Manifestação, teremos nos tornado semelhantes a Deus e capazes de construir os nossos próprios Sistemas Solares. Embora muitos e muitos anos tenham que se passar e um incrível grau de progresso humano tenha que ser alcançado antes que possamos atingir esse estágio, não é tão difícil poder começar a levá-lo em consideração, no atual ponto de nosso desenvolvimento. É, afinal, nossa meta, para a qual estamos trabalhando — ápice da perfeição humana como foi imaginada para um futuro Dia de Manifestação.

Como podemos esperar construir e manter um Sistema Solar nosso, se não começarmos agora a responder criativamente àquele no qual vivemos? Como seremos capazes de compreender as dificuldades para aguentar o nosso Sistema Solar se não dominarmos, primeiro, os enigmas do dele?

Podemos discutir isso agora desde que, no desenrolar natural dos acontecimentos, ao término do Período de Vulcano, tenhamos aprendido o que deveríamos aprender. Logicamente nesse trajeto muitas lições profundas serão aprendidas e cuja essência pertencem aos ainda distantes Períodos de Júpiter, Vênus ou Vulcano, porém, não seremos capazes de trabalhar em nenhum desses Períodos se não tivermos, primeiro, absorvido e dominado nossas lições terrenas.

A lição terrena que mais devemos avaliar e a que parece a mais difícil de se aprender, é o cultivo daquele sentimento de amor e fraternidade universal — o verdadeiro Cristianismo Esotérico. Amor é a essência do universo — o fator base que une tudo que existe. Uma vez que o ditado hermético diz “como é em cima é embaixo”, conclui-se que qualquer que seja a natureza do nosso Sistema Solar, é inevitável que ele se baseará também no princípio do amor absoluto.

Para cultivar esse amor temos que sair dos “casulos” do interesse próprio que tecemos ao nosso redor e tomar conhecimento do que existe além disso, esforçando-nos para penetrar na “divina chama interior” e todo nosso conceito de humanidade se desenvolverá. Talvez estejamos amedrontados e com razão, pelos danos causados pela poluição em nosso meio ambiente e no próprio Planeta, mas, agindo com força e coragem e juntando-nos a outros que pensam da mesma maneira, possamos ainda mudar o curso das coisas e consertar muito do que foi feito erroneamente. Talvez estejamos deprimidos ao ver a pobreza e o sofrimento em que vivem tantos dos nossos irmãos, mas, devemos olhar para o futuro ajudando e sobretudo orientando cada ser a trabalhar conscientemente de modo a garantir melhorias de ordem material e também maturidade espiritual, no entendimento da missão evolutiva de cada um.

Quanto mais nos expandirmos além do pequeno e pessoal “eu”, mais amplos serão nossos horizontes e mais certos estaremos da redução das limitações anteriores de nossa capacidade de aprender, conquistar, compreender, discriminar, interpretar, julgar e concluir.

Aumentaremos e refinaremos nossos pontos de vista e nossa compreensão à medida que formos capazes de “sair para fora” de nós mesmos e abandonarmos aquele pequeno “eu'” cheio de problemas e solicitações pessoais.

Para nossa alegria e certeza em Deus, surgirá aquele “eu” completo, de dimensão universal, para o qual estamos destinados.

(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)

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Efeitos da Oração

Efeitos da Oração

A oração é sempre seguida de um resultado, desde que feita em condições convenientes. “Nunca homem algum orou sem aprender alguma coisa.”, escreveu Ralph Waldo Emerson. No entanto, o orar é considerado pelos homens modernos um hábito que caiu em desuso, uma superstição ou um resto de barbarismo. Por isso, ignoramos quase que completamente os seus efeitos.

Quais são, de fato, as causas dessa ignorância? Em primeiro lugar, a raridade da oração. O sentido do sagrado está prestes a desaparecer entre os civilizados, sendo provável que o número dos franceses que oram não vá além de 4 ou 5% da população. Depois, a oração é muitas vezes estéril, visto que a maior parte dos que oram seja egoísta, mentirosa, orgulhosa e farisaica, incapaz de fé e de amor. Por último, os seus efeitos, quando se chegam a produzir, escapam-se muitas vezes. A resposta aos nossos pedidos e ao nosso amor é dada usualmente de forma lenta, insensível e quase inaudível. A débil voz que murmura essa resposta, no mais íntimo de nós, é facilmente abafada pelos ruídos do mundo e os próprios resultados materiais da oração são obscuros, pois são confundidos geralmente com outros fenômenos. Poucas pessoas, mesmo entre os padres, têm tido ocasião de observá-los de forma precisa. Os próprios médicos, por falta de interesse, deixam muitas vezes sem estudo certos casos que se encontram ao seu alcance.

Por outro lado, os observadores ficam muitas vezes desnorteados pelo fato de que a resposta esteja, em muitos casos, longe de ser aquela que se esperava.

Assim, aquele que implora a cura de uma doença orgânica, continua doente, mas sofre uma profunda e inexplicável transformação moral. No entanto, o hábito da oração, embora seja uma exceção no conjunto da população, é relativamente frequente nos agrupamentos. E é nesses agrupamentos que se torna ainda possível estudar a sua influência. Entre os seus inumeráveis efeitos, o médico tem a oportunidade de observar, sobretudo, aqueles que se chamam psicofisiológicos e curativos.

São os efeitos curativos da oração que, em todas as épocas, têm despertado principalmente a atenção dos homens. Hoje ainda é corrente, nos meios em que se reza, ouvir-se falar de curas obtidas graças às súplicas dirigidas a Deus e aos seus Santos. Mas, quando se trata de doenças suscetíveis de se curarem espontaneamente ou com ajuda de medicamento vulgar, é difícil saber qual foi o verdadeiro agente da cura.

Apenas em casos em que a terapêutica é inaplicável ou em que ela não produziu efeitos é que os resultados da oração podem ser verificados de forma segura. A repartição médica de Lourdes tem prestado grande serviço à ciência, demonstrando a realidade dessas curas. A oração tem, por vezes, um efeito que poderemos chamar de explosivo. Há doentes que têm sido curados quase que instantaneamente de afecções tal como o Lupus facial, o câncer, as infecções renais, a tuberculose pulmonar, a tuberculose óssea, a tuberculose peritoneal e tantas outras doenças. O fenômeno produz-se quase sempre da mesma maneira: uma grande dor e, em seguida, a percepção de que se esteja curada. Em alguns segundos ou, quando muito, em algumas horas, os sintomas desaparecem e as lesões orgânicas cicatrizam-se.

O milagre é caracterizado por uma extrema aceleração dos processos normais de cura. E nunca tal aceleração foi observada, até o presente, no decorrer de experiências feitas por cirurgiões e fisiologistas.

Para que esses fenômenos se produzam não há necessidade de que o doente ore, pois foram curadas em Lourdes criancinhas que ainda não falavam e até pessoas descrentes; alguém, porém, orava por elas. A oração feita por outrem é sempre mais fecunda do que a feita pela própria pessoa. É da intensidade e da qualidade da prece que parece depender o seu efeito. Em Lourdes, os milagres são muito menos frequentes do que eram há 100 anos. É que os doentes já não encontram aquela atmosfera de profundo recolhimento que reinava outrora: os peregrinos tornaram-se turistas e suas preces são ineficazes.

Tais são os resultados da oração de que eu tenho um conhecimento certo. No entanto, ao lado desses, há muitos outros. A história dos Santos, mesmo dos mais modernos, relata-nos muitos fatos maravilhosos e não há dúvida de que a maior parte dos milagres atribuídos, por exemplo, ao Cura d’Ars, sejam absolutamente verídicos. Esse conjunto de fenômenos conduz-nos a um novo, cuja exploração não foi ainda iniciada, mas que será fértil em surpresas. O que já sabemos, de forma segura, é que a oração produza efeitos palpáveis. Por muito estéril que isso nos possa parecer, devemos considerar como verdadeiro: quem pede, recebe; a porta sempre se abre a quem bate.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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As Possibilidades

As Possibilidades

A vida se assemelha a uma imensa área cheia de possibilidades. Ou melhor, a um rio enorme cheio de possibilidades.

Não é temerário querê-lo inteiro. A essa formidável corrente, onde estão as causas e os efeitos, não custa mais encher uma ânfora grande do que uma pequenina.

Tanto as mais extraordinárias como as mais insignificantes coisas podem ser encontradas nessas crespas ondas que brotam da fonte misteriosa do Ser e a ela voltam, fecundando o universo infinito.

Revela, pois, grande desconhecimento da magnitude da vida e grande mesquinhez de espírito aquele que, por desconfiança, nega que uma coisa lhe possa vir simplesmente porque é muito bela. Longe de ser perfeita, porém, é progressiva e pouco a pouco avançamos até nossa meta, a qual, esperamos, um dia possa ser apresentada ao mundo como um meio prático e eficaz de sair do caos atual, nascendo para uma nova vida mais harmoniosa e mais verdadeira.

É incontável, é formidável e pasmosa a quantidade de coisas belas que são diariamente outorgadas ao mundo e às quais o mundo não costuma prestar atenção, distraído, atormentado por vis ansiedades e tristes egoísmos.

“As coisas”, disse um pensador, “parecem-nos impossíveis enquanto não se realizam”. Portanto, jamais creia que a excelência de um bem seja condição negativa para a sua consecução.

Para a possibilidade de receber esse bem, abra com sua confiança todas as capacidades do seu espírito. Não consinta que, fechadas pelas chaves do ceticismo, a suas portas interiores chegue a suma felicidade que lhe cabe, mas não pode entrar… e se afasta para sempre.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro de 1970)

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A Autossuficiência do Método Ocidental Rosacruz

A Autossuficiência do Método Ocidental Rosacruz

“O método Rosacruz difere de todos os outros num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o Aspirante de todas as dependências externas e orienta-o a cultivar a confiança em si próprio ao máximo grau, a fim de que se torne num ponto de apoio e de ajuda aos demais — levando-os a alcançar a mesma desejável condição” (Max Heindel, em O Conceito Rosacruz do Cosmos).

A presença e ação de um orientador espiritual autêntico, longe de impor dependência, promove uma relação essencial do Aspirante consigo próprio. Sua ajuda, como fator externo e relativo, devolve a pessoa a uma mais alta consciência de seu próprio ser. Leva o estudante a desvendar em seu íntimo uma necessidade até ali insuspeitada por ele, libertando-lhe energias e capacidades que, sem esse suscitar, não teriam encontrado aplicação, continuando adormecidas dentro dele.

O orientador Rosacruz guarda-se de ser endeusado. Ele conhece a verdade ensinada pela doutrina psicanalítica: “o indivíduo, uma vez desligado da constelação familiar, esforça-se por estabelecer nos novos meios de relacionamento (a Fraternidade, por exemplo) ligações da mesma ordem. Ele está essencialmente desejoso de reencontrar uma mãe, um pai, irmãos, por causa de uma necessidade regressiva que lhe dá segurança”. De fato, há no neófito inexperiente a tendência de superestimar os dirigentes de um movimento espiritual.

Quando se desiludem, muitas vezes, se afastam e nunca mais voltam a outro esforço dessa ordem. É preciso, pois, que saibam: todos, num movimento espiritual, são estudantes da verdade. Todos objetivam o mesmo fim de realização individual. Se alguns se põem no difícil papel de expositor e orientador é porque não se podem negar à necessidade da difusão e do serviço amoroso e altruísta ao próximo.

O orientador esclarece, desde logo e sempre, que a verdade pertence ao Divino interno. O Cristo Interno é que pode apropriar-se das experiências e ensinos externos, adaptando-os ao grau particular de consciência evolutiva da personalidade pela qual atua. Só o Verbo interno pode instruir. Como disse Descartes: “É preciso tornar as pessoas discípulas da verdade e não sectárias obstinadas do que o expositor ensina”. Há sempre o risco de se corromper essa pura busca da verdade, quando o Aspirante tende a venerar a personalidade do instrutor, em vez de buscar, além da pessoa, a revelação de que ele é simples mensageiro. Se buscássemos a verdade além da pessoa, poderíamos aproveitar o que diz qualquer orador, além das simpatias e antipatias exteriores. O ser humano aberto à verdade, aprende de tudo e de todos, porque a reconhece, independentemente de sua fonte. O Divino sempre traz à nossa experiência aquilo que devemos aprender, mas isso requer que estejamos descondicionados.

Assim, colocamo-nos na vida como aprendizes e mestres, uns dos outros, cada qual contribuindo animicamente pela edificação de todos. A presença, embora necessária do orientador, é ocasional, para provocar relação com a verdade que ele já atingiu em alguma medida. Ninguém nos dá a verdade porque ela já está repousando, em potencial, dentro de nós. No entanto, ela precisa ser suscitada e isso subentende a presença de um intercessor que tenha realizado boa dose da verdade. Contudo, isso não o converte em mestre. Ele, por sua vez, recebeu essa verdade universal dos verdadeiros Mestres da humanidade, aqueles altos Iniciados que, por seu esforço individual, abriram caminho à frente, tornaram-se os vanguardeiros da evolução e alcançaram uma ampla visão da verdade. Por amor, voltaram e no-la revelaram, através de Iniciados menores, como foi o caso de Max Heindel. Tal é a garantia da verdade que recebemos, inicialmente. Depois devemos experienciar essa verdade e torná-la nossa, pela adequação ao nosso nível de ser. Todo orientador aprende dos Mestres que os caminhos são individuais e diferentes, por causa da Epigênese – a chispa criadora interna. Assim, a orientação legítima é encaminhar cada pessoa para que ela seja autenticamente ela mesma.

É um triste exemplo o do orientador que impõe pontos de vista e se compraz na imitação do neófito. O estudante que se esforça em alcançar o favoritismo pela imitação do orientador, amesquinha a si mesmo; e o orientador que o permite, comete deturpação pedagógica, lesa o livre arbítrio do aluno, lhe anestesia a Epigênese e assume uma dívida de destino. Ambos se iludem e se prejudicam.

Max Heindel relata sua experiência com o Irmão Maior e Mestre: sempre que ia procurá-lo em busca de uma solução difícil, Ele apenas lhe indicava o caminho e nada dizia. Os Irmãos Maiores desencorajam toda e qualquer dependência.

Tal é o método cristão-esotérico. Cristo disse: “Se alguém quer ser meu Discípulo, tome sobre si mesmo sua cruz e siga-me”. É o mesmo que dizer: “Eu te mostro a direção, mas deves assumir o teu destino, arrostando tuas dificuldades e realizando tua obra evolutiva a teu modo”.

No seu último dia de vida, Sócrates dirige a seus discípulos uma solene advertência: “Não façais grande caso de Sócrates. Acreditai-me nisto. Levai em conta a verdade de que não apenas eu sou portador”.

Sócrates tinha razão ao esclarecer seus discípulos na hora derradeira. Sua ausência não seria a ausência da verdade, pois ele sabia ser apenas uma interposta pessoa nesse solilóquio de cada um consigo próprio, desvelando o íntimo, que é a terra natal da verdade. Ele nos ensinou que todo o verdadeiro instrutor é um medianeiro de consciência. Por isso permanecia como um parteiro de almas. Ele suscitava e trazia à luz, o conhecimento potencial, pré-existente em cada indivíduo. Por isso reduzia-se, humildemente, à função de um parteiro espiritual, convicto da presença antecipada da verdade do Cristo interno, que deve nascer e crescer. Ele mostrou que a suprema relação é a do ser humano para consigo mesmo; ele revelou que o ser humano não tem outro centro que não seja ele mesmo. O mundo inteiro se concentra nele (no profundo sentido e não egoístico). Desse modo, conhecer-se a si próprio é conhecer a Deus…

Contudo, não se entenda que devamos permanecer na verdade que recebemos; comprazendo-nos em ser discípulos para sempre. Bem disse Kant: “o estudante não deve aprender pensamentos, e sim, aprender a pensar, para que não seja carregado em dependência, mas guiado e, no futuro, seja capaz de dirigir-se por seus próprios meios”.

É claro que o instrutor ajuda muito na abertura, despertar e evolução da consciência, estimulando e suscitando a verdade interna potencial. A evolução humana é uma cadeia de amor. Sempre alguém ajudou outro a subir. Nosso nível evolutivo atual foi ajudado por outros que nos precederam. Há um patrimônio de cultura e de consciência que os mais adiantados vão deixando aos detrás, se bem que a assimilação da verdade é individual e cada um de nós enriquece esse patrimônio com algo de original que os outros não têm.

O importante é que cada um procure superar-se continuamente. Permanecer numa verdade relativa, sem ultrapassá-la para atingir outra mais alta, é retardante. Na escada de Jacó, aquele que não tira o pé do degrau de baixo não pode levá-lo ao de cima, no esforço de constante ascensão.

Só o fanatismo ignorante se detém em alguma coisa, considerando-a como a última palavra. Max Heindel nos adverte continuamente contra isso. Em o Conceito Rosacruz do Cosmos ele diz: “esta obra não é a última verdade. O autor reconhece a possibilidade de haver-se enganado em alguns pontos, motivo por que, quaisquer eventuais falhas não devem ser imputadas aos Irmãos Maiores”. Os próprios Irmãos Maiores — Altos Iniciados — admitem que algumas vezes se enganam. Eles sabem que, em relação à verdade absoluta, todos somos discípulos. Por mais que, espirais muito maiores, Eles busquem assenhorear-se da Verdade, sempre há algo a atingir, porque a verdade é infinita. Daí que a relação deles com a verdade seja uma relação de humildade.

Uma escola é autêntica quando tem por alicerces mestres dessa natureza, que através de suas mensagens buscam orientar os estudantes à própria realização. Todos temos direito de despertar para uma verdade maior, sem dependências. Buscar segurança na tutela de um mestre, não é da Escola Ocidental de Mistérios. Seria um parasita o estudante que permanecesse na mesma linguagem recebida do Mestre, repetindo indefinidamente a tradição, receoso de errar, de faltar à fidelidade; incapaz de recriar, como lhe reclama o dom epigenético. Aprender a meditar, a pensar, é saber desmembrar uma verdade básica em todas as infinitas consequências. Se o Conceito Rosacruz do Cosmos é uma exposição elementar da verdade Rosacruz, isto significa: é um mundo de verdades ocultas, manifestado simplesmente no que se lê. Existem abismos de decorrências nas entrelinhas.

Apesar de seu imenso amor, os Mestres ocidentais estão prevenidos para não se apegarem aos discípulos. Só os falsos mestres submetem os incautos alunos à sua tutela, como pais que relutam em compreender e aceitar que os filhos devem ter vida própria quando se tornam adultos. A psicologia fala do “complexo de desmame” e das perturbações que ele produz na família. O mesmo sucede na família espiritual, entre mal preparados instrutores e seus alunos, que se deixam enredar nessas interferências subconscientes, em prejuízo da mútua edificação. Assim como os pais não devem submeter à escravidão os filhos que põem no mundo, também o mestre não deve prender o discípulo que formou — senão ajudá-lo a alcançar a autenticidade e consciência plena de si próprio. Por isso lhe facilita a libertação e compreende quando o discípulo, no esforço de autoafirmação, se volta contra ele, como os rapazes em relação ao pai “quadrado”.

Não se trata de escolher entre o mestre e a verdade. Foi ele quem nos introduziu à verdade. A amizade e gratidão pelo mestre é a mesma amizade e gratidão pela verdade. Somos gratos ao mestre, não pela pessoa dele senão pelo papel de intercessor que exerceu, para desperta-nos a verdade. Não significa que não tenhamos o direito de contradizer e tentar ultrapassar o mestre.

Esse esforço de autorrealização não é contrário à amizade, senão o fruto dela, porque recebemos do mestre a procuração para prosseguir a tarefa de investigação à nossa maneira. O que se passa é que, no esforço de autorrealização, quase sempre o discípulo se envolve na vaidade. Na tradição filosófica da Grécia há trechos lindíssimos de discípulos que se voltaram contra seus mestres, no esforço de serem eles mesmos. É como se cometessem um patricídio, ao consumar o simbólico crime de eliminar a dependência ao mestre, no rito de passagem à própria autonomia.

Mais tarde compreendem que não mataram nada porque a verdade é imortal e só ela é quem esteve presente, relacionando-os, englobando-os e tornando sublimes os seus diálogos. Só então se tornam cônscios da função do mestre e do discípulo. Só então podem atuar corretamente, em relação àqueles a quem, por sua vez, toca ajudar.

Orientador e aluno, cada um desempenha um papel essencial, um em relação ao outro, provisoriamente. É apenas uma fase na vida de cada um deles, na qual o desenvolvimento se cumpre pela verdade em diálogo, cada um exercendo o seu entendimento e buscando o outro, num confronto e desejo de mútua edificação.

Finalizamos com um pensamento de Leonardo da Vinci: “Triste é o discípulo que não se esforça por ultrapassar seu orientador. Triste é o orientador que se indigna por ver os seus discípulos esforçando-se por ultrapassá-lo”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)

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A Necessidade da Devoção para o seu Desenvolvimento Espiritual

A Necessidade da Devoção para o seu Desenvolvimento Espiritual

Em sua Carta aos Estudantes n.º 16, cujo título tomamos para este artigo, diz Max Heindel: “O Conceito Rosacruz do Cosmos foi acolhido no mundo inteiro de forma fenomenal, suscitou tanta admiração e gratidão que eu deveria sentir-me desvanecido por isso. Ao contrário, começo a sentir-me cada vez mais preocupado de que o livro deixe de dar todo o seu fruto e perca a finalidade que os Irmãos Maiores tinham em mira, quando, por meu intermédio, o ofereceram ao mundo. O objetivo do Conceito é satisfazer a Mente – mediante uma explicação lógica do mistério do mundo — para que o lado devocional da natureza do Estudante possa desenvolver-se nos princípios que seu intelecto aprovou. Creio que essa obra atendeu à lógica inquirição do intelecto investigador. Milhares de cartas testemunham que os estudiosos nela encontraram o que de há muitos anos buscavam”.

“No entanto, pelo contato com os Estudantes, sinto que apenas uma minoria é capaz de sobrepor-se ao aspecto intelectual do livro. Ora, a menos que esta obra básica desperte no Estudante um fervoroso desejo de transcender o conhecimento, para ingressar na devoção, o livro constituirá, em minha opinião, um fracasso.”

“Em outra sociedade espiritualista, semelhante à nossa, conheci grupos de Estudantes que se aplicavam, anos a fio ao estudo do átomo, aprofundando-o aos menores detalhes — mas cujo viver era extremamente frio e indiferente ao sofrimento dos demais. Hoje percebo, com profunda pena, o desenvolvimento da mesma tendência entre muitos de nossos Estudantes. Espero que ela possa ser refreada em tempo de não provocar a morte do coração. O “conhecimento infla, mas o amor edifica” — diz São Paulo — o que se aplica em cheio aos guias da referida sociedade, que não poupavam críticas à religião cristã, da tribuna e pela imprensa, dizendo que esta carece de uma concepção intelectual do Universo.”

No melhor dos casos, o intelecto são muletas para ajudar nossas limitadas faculdades. Cabe-nos, através da intuição, conceber a verdadeira ideia espiritual que as palavras desejam comunicar.

A menos que nos esforcemos desse modo, continuaremos sendo como “sinos que soam” friamente, pois, se não temos amor e não o pomos a serviço dos demais, de nada nos valerão os conhecimentos dos mistérios.”

Voltando a Max Heindel: sem amor a inteligência é prejudicial. É o amor que torna o conhecimento em sabedoria.

Distingamos bem entre memorizar conhecimentos e VIVÊ-LOS. Charlatão (de charla, conversa) é o grande palrador. O viver é mais convincente que o falar e é o que dá autoridade à palavra. Só o amor ASSIMILA (tornar semelhante ou incorporar ao ser) o conhecimento, convertendo-o numa parte do caráter.

O melhor modo de testarmos a validade de um conhecimento é na sua aplicação à vida: ali é que ressaltam a validade ou falsidade do pensamento.

Só a vida, pela prática do amor, converte o conhecimento em Alma. Eis o objetivo da espiritualidade, resumido em SERVIR.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1976)

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Sejamos Persistente no Amor

Sejamos Persistente no Amor

Nesses tempos conturbados, quando a desesperança parece tomar conta dos corações, os espíritos mais lúcidos vislumbram no amor a única força equilibrante. Tanto isso é verdade, que, não fosse o sacrifício anual do Cristo, inundando nosso Planeta com suas poderosíssimas vibrações, viveríamos numa situação caótica e o nosso progresso se frustraria.

A Terra, que há muito sofre os efeitos dos sentimentos egoístas da onda de vida humana – essa carga que pesa, principalmente, sobre o Espírito Planetário – deve ser aliviada agora e eliminada com o tempo.

A expressão do amor universal implica em sofrimento pessoal. Certamente o Cristo sofre em virtude de seu confinamento às limitações da materialidade. Para um Ser de sua envergadura espiritual a ajuda que oferece à humanidade é motivo de grande regozijo, mas ao mesmo tempo representa um inimaginável sacrifício.

Com o ser humano, ao nível microcósmico, ocorre o mesmo. Antes de estarmos preparados para manifestar o amor universal, mesmo que em sua expressão mais elementar, devemos libertar-nos dos desejos pessoais e egoístas, presentemente fatores predominantes em nossas vidas. Isso produz dor, certamente impossível de comparar-se com o sofrimento do Cristo. Porém, é um sofrimento real, que se alivia e desaparece à medida que nos libertamos das expressões inferiores da personalidade. Esse processo não gera resultados da noite para o dia. É um trabalho árduo, persistente, capaz de abalar todas as fibras do nosso ser. Ao longo do tempo, colheremos suas primícias, revestindo-nos de uma profunda sensação de paz e liberdade.

Há outro aspecto no desenvolvimento do nosso, ainda incipiente, amor universal em que provavelmente será mais duradouro. Como é evidente no exemplo de Cristo, os esforços altruístas em favor dos nossos semelhantes são amiúde recebidos com antipatia, ressentimentos ou desdém. Essa incompreensão, às vezes, aflora no seio da própria família, provocando uma dor maior. Temos de agir com paciência, pois mesmo aqueles que não aceitam nossa maneira elevada de ser, pouco a pouco responderão ao transformante e transcendente poder do amor que lhes é dirigido. Contudo, essa resposta quiçá venha a manifestar-se somente após vários renascimentos.

A exemplo de Cristo, não devemos desanimar se nossos esforços amorosos parecem não dar frutos, ou, se em realidade produzem antagonismo. Dois mil anos se passaram e a humanidade aparentemente não saiu do mesmo lugar, tal o grau de crueldade ainda manifesto aqui na Terra. No entanto, o Cristo permanece firme e amoroso em seu trabalho redentor, aguardando sofrida e pacientemente à sensibilização dos corações humanos.

Que catástrofe para a onda de vida humana se o Cristo algum dia renunciasse à Sua Missão, desgostoso e desalentado com nossa evidente omissão ao Seu esforço! Ele sabe, entretanto, “que os moinhos de Deus moem devagar, mas moem sempre”. Alguns séculos mais, quando estivermos vivendo na Era Aquariana, a humanidade colherá abundantemente os frutos da transmutação que promovemos graças à Sua ajuda.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)

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A Teoria do Conhecimento

A Teoria do Conhecimento

A aquisição do conhecimento varia de indivíduo para indivíduo. Há uma gradação no processo humano de conhecer.

Conhecer um objeto é distingui-lo de todos os que se percebem distintos dele e, ao mesmo tempo, relacioná-lo com objetos considerados semelhantes a ele.

Nesse processo há uma série de graus, representando cada um desses graus um processo de generalização cada vez mais alto; ou seja, o conhecimento humano é tanto mais elevado quanto maior é o número de coisas que nele compreendemos.

Há três graus de conhecimento: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico.

O conhecimento vulgar, popular ou de primeiro grau, também chamado erroneamente de empírico, é aquele que nos fornece a maior parte dos conhecimentos cotidianos. Pode ser adquirido pela simples observação. Por exemplo, podemos notar que o calor aumenta o volume dos corpos, que a ingestão de certos alimentos produz reações orgânicas. Isso é conhecimento, embora isolado, casuísta, fragmentário, qualitativo, casual.

O conhecimento científico ou de segundo grau é totalmente diverso, porque consiste em um conhecimento sistemático dos fatos e dos fenômenos, colocando uns em relação com os outros de modo que é possível descobrir sua uniformidade e determinar as leis que os regem. É o conhecimento pelas causas, porque conhecer verdadeiramente é conhecer pelas causas e saber sobre uma coisa de modo absoluto é saber sobre a causa que a produziu, reconhecendo que a causa não pudesse ser outra.

A simples troca de posição de uma letra pode mostrar a diferença entre o conhecimento vulgar e o científico, visto que aquele é casual e este é causal.

O conhecimento científico ou pelas causas é constante e pode ser resumido a uma lei, representado por uma fórmula, que tem por finalidade revelar as relações entre causa e efeito. Esse conhecimento distingue-se pela generalidade, porque não existe conhecimento científico do indivíduo, do particular.

O conhecimento filosófico ou de terceiro grau atinge um grau ainda maior de generalização, porque a filosofia representa o complemento ou a integração das ciências particulares. Como a ciência, em relação ao conhecimento vulgar, unifica uma ordem de relações de fenômenos e leis, em filosofia se unifica todo o conjunto das relações de fenômenos e leis em uma lei suprema.

Entre a ciência e a filosofia não existe diversidade de processo cognoscitivo, mas apenas diferença de grau, pois a filosofia representa o último grau de generalização. O conhecimento filosófico abrange e supera os outros dois.

A ciência é o saber parcialmente unificado. A filosofia é o saber totalmente unificado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970)