Categoria Método e Leis cósmicas que regem a evolução

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Os Pares de Opostos

Os Pares de Opostos

A maioria dos atributos tem natureza dual ou dupla e, quando vistos superficialmente, cada lado ou metade parece contraditório ou até diametralmente oposto ao outro. Quando considerados de maneira mais ampla, porém, eles constituem um todo harmonioso. Esses atributos podem ser descritos como “pares de opostos”.

Podemos dizer que o estudo dos pares de opostos tende ao raciocínio lógico de que não se possa avançar muito longe em qualquer linha de pensamento sem sofrer. Especialmente, é útil para nos ajudar a evitar as armadilhas que nos aguardam, quando estudamos ocultismo ou astrologia. Listaremos alguns dos “pares” para considerar com mais detalhes: astrologia e astronomia; altruísmo e egoísmo; arte e ciência; crença e dúvida; causa e efeito; cosmos e caos; dia e noite; eternidade e tempo; saúde e doença; involução e evolução; alegria e tristeza; macrocosmo e microcosmo; otimismo e pessimismo; riqueza e pobreza; prazer e dor; verdade e erro.

Podemos analisar esses pares de opostos de várias maneiras. Primeiro, da perspectiva das forças antagônicas ou dos poderes de Luz e trevas. Segundo, por assim dizer, partindo dos lados contrários de uma moeda, sendo um diferente do outro e distinto, mas, ainda assim, um é incompleto sem o outro. Terceiro, em termos de astrologia, de características opostas como as exibidas por Júpiter e Saturno: Júpiter é conhecido como o grande benéfico e Saturno, um Planeta mais adverso; no entanto, as influências jupiterianas e saturninas são necessárias para criar um caráter totalmente desenvolvido, útil e poderoso. Alguns astrônomos falam da astrologia com desprezo e escárnio, mas ela é mencionada por seus adeptos como a alma da astronomia, a ciência que nos confere fatos muito valiosos sobre as esferas estreladas; contudo, é a astrologia quem fornece o significado espiritual de tais fatos. A astronomia pode ser comparada ao corpo e a astrologia, à alma; ambos, no entanto, de valor um para o outro. O chamado Planeta mais adverso, Saturno, concede firmeza, resistência, fortaleza, paciência, castidade e consistência de propósito. A opulência e a impulsividade de Júpiter provocariam tumultos, não fosse a influência restritiva das vibrações mais lentas de Saturno.

Portanto, ao sondarmos o exterior ou a superfície das coisas, vemos que tudo no universo seja bom e regido por uma sabedoria infalível. Somente quando nos deixamos influenciar pela personalidade, com seus gostos e desgostos, é que somos perturbados pela conduta de outros ou por circunstâncias desagradáveis. Quando somos grosseiramente empurrados em um ônibus, conversamos de forma suave dentro de uma loja ou encontramos algo desagradável, o que significa? Nada pode nos prejudicar ou perturbar o nosso Espírito, se não PERMITIRMOS; a falha, quando nos tornamos antagônicos às nossas condições, é uma indicação certa de que ainda estejamos vinculados aos pares de opostos; caso contrário, deveríamos saber que tudo o que acontece diariamente seja necessário ao progresso do nosso Espírito e também que ESCOLHEMOS essa encarnação específica. Portanto, não devemos ficar aborrecidos ou perturbados com o que nós mesmos escolhemos experimentar.

Todos nós desejamos e nos esforçamos para conseguir alegria e felicidade, cada um à própria maneira. Esses atributos são considerados os mais desejáveis e o seu oposto, a tristeza, pelo menos nesse sentido, deve ser evitada, se possível. Contudo, a alegria nos ensina muitas lições valiosas? Provavelmente não. Perguntemos a quem já passou por um monte de problemas que estado mais o ensinou e admitirá que a tristeza tenha ensinado tudo o que sabe sobre fortaleza, resistência, simpatia, paciência e compaixão. As lições aprendidas com a alegria são passageiras; entretanto, persistem aquelas que a tristeza ensina. Dessa forma, tanto a tristeza quanto a alegria são boas.

Então, vamos considerar agora os estados de noite e dia, sono e vigília. O Estudante, o filantropo e a pessoa muito ocupada em qualquer área da vida podem, pelo arrependimento, reduzir as horas gastas no sono, esquecendo sua ânsia por ações que ocorrem nesse período, quando o Ego é liberado da escravidão do Corpo Denso e é possível realizar bastante mais trabalho para si e para as criaturas do que nas horas de vigília. Na escuridão e no sono, nossas funções vitais são renovadas. Os venenos do tecido destruído, causados ​​pelas atividades mentais e físicas do dia, são eliminados. Além disso, durante o sono, o Ego leva a Mente e o Corpo de Desejos ao Mundo do Desejo para restaurar seu ritmo e harmonia. Esses dois Veículos, quando fortalecidos, restauram o Corpo Vital que, por sua vez, atua sobre o Corpo Denso, trazendo a ele vida e vigor renovados para as atividades do dia seguinte. Quando o Corpo Denso dorme e o Ego é liberado dos veículos inferiores, muito mais trabalho pode ser feito para curar e confortar os doentes e perturbados, mais do que quando se está acordado. Aqueles que são médicos ou estudam e praticam a arte da enfermagem, se forem desenvolvidos espiritualmente, serão capazes de realizar seu maior trabalho de cura durante o que chamamos de sono. O ato de dormir, então, em vez de desperdiçar muitas horas, deve ser desejado e cultivado tanto para a restauração dos vários veículos do Ego quanto para a ajuda que, através dele, possamos dar à humanidade.

A primeira metade de cada par de opostos corresponde ao princípio positivo e a segunda, ao negativo. Se tomarmos cada par separadamente e meditarmos sobre ele de modo suficientemente longo e sincero, uma série de pensamentos esclarecedores inundará nossa mente. Por exemplo, consideremos a involução e a evolução. Para a mente comum, o termo involução transmite pouco ou nenhum significado, enquanto a palavra evolução está relacionada unicamente ao corpo físico. No entanto, na filosofia esotérica, a involução descreve a fuga ou jornada do Espírito Virginal através de revoluções, períodos, épocas e eras de tempo até que, por fim, alcançou a Terra como a conhecemos agora, ficando enredado no corpo físico. O Espírito, tendo atingido o ponto mais baixo da materialidade, começou então sua jornada ascendente de retorno. Estamos agora no arco ascendente do estágio evolutivo e, por meio de um processo gradual de aceleração, finalmente alcançaremos nosso zênite, onde conseguiremos o conhecimento, a experiência e o poder adicionais adquiridos durante essa jornada longuíssima.

As palavras são sagradas e muitas têm um significado tanto espiritual quanto material. Pares de opostos pequenos e aparentemente insignificantes, como para cima e para baixo, de e para, para frente e para trás, alto e baixo, longe e perto, vazante e fluxo, tipificam, em seu significado esotérico ou espiritual, a involução e a evolução do espírito ou o desenrolar gradual do ser humano de um estado de transe para a estatura de uma divindade.

Por um momento, vamos avaliar a saúde e a doença. Supomos que a saúde seja uma das maiores bênçãos e a doença, um flagelo. Mas na doença, aos trancos e barrancos, com que frequência a alma do sofredor progride! As experiências são adquiridas nos Planos superiores, os quais influenciam todo o restante da vida e ensinam como nenhuma prática terrena poderia. Além disso, aqueles que atendem aos doentes geralmente amadurecem em gentileza e paciência. Portanto, nós não dizemos que a doença seja um mal.

Nós, especialmente aqueles que, até certo ponto, ainda admitem estar comprometidos e presos ao ensino restritivo da primeira infância, costumamos deduzir que o período passado no caos seja de inatividade, de total inutilidade. Mas, à luz de uma revelação maior, sabemos que o cosmos seja a ordem manifesta da Criação e que, quando a Terra atravessa um período de caos, está longe de ficar em um estado de inutilidade e inatividade, pois “o caos é o solo fértil do cosmos”. Certamente, ele permite um descanso à manifestação e é um tempo de assimilação de experiências cósmicas que possibilita à Terra evoluir e emergir em um processo de desenvolvimento mais alto e completo, quando chega o amanhecer do próximo grande Dia Cósmico.

O objetivo e a intenção da vida não são a felicidade, como estamos tão propensos a acreditar; no entanto, é a experiência. Para consegui-la, devemos necessariamente passar por TODAS as fases de emoção e pensamento, por todas as experiências que os pares de opostos trazem. À medida que a planta e o grão são amadurecidos pela interação com o sol e a chuva, o Espírito alcança a perfeição experimentando alegria e tristeza, euforia e depressão, fé e dúvida, verdade e erro. Porém, quando tivermos adquirido toda a experiência que essas forças aparentemente opostas possam ensinar e, assim, pudermos transcendê-las, chegará então o tempo em que não seremos mais esticados na cruz dos pares de opostos. Seremos capazes de rejeitar as condições que acorrentam o Espírito com faixas de ferro e nos libertar para sempre da escravidão da dualidade. Quando acontecer, para nós não haverá mais trevas, porque tudo será luz. A dúvida será absorvida pela crença, a ignorância desaparecerá no conhecimento, a tristeza vai ser fundida e transformada em perfeita alegria, o ódio dará lugar ao amor. Então nos libertaremos da Roda do Destino e nos tornaremos pilares no Templo do nosso Deus, de onde não sairemos mais.

(Publicado em Rays from the Rose Cross, e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil, em agosto de 1985)

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O Vício da Limpeza e Higiene Corporal para Sua Saúde

O Vício da Limpeza e Higiene Corporal para Sua Saúde

Foi dito que a Limpeza está próxima da Piedade e todos parecem concordar inteiramente com isso; algumas das antigas Religiões até prescreveram certas abluções do corpo como parte dos Serviços religiosos de cada indivíduo, porque a humanidade, nos primeiros estágios da infância do seu desenvolvimento, não era excessivamente higiênica, comportando-se igual às crianças de hoje em relação ao banho e higiene. Elas preferem andar com as mãos e o rosto sujos, à provação de água e sabão, até que gradualmente adquirem o hábito e, afinal, gostem de água. Como acontece a uma criança, o mesmo ocorreu com o ser humano em tempos antigos. Ele realizou as abluções quando forçado pela ordenança religiosa e temendo a punição, caso isso fosse negligenciado. Portanto, encontramos no Tabernáculo no Deserto – a primeira igreja construída pelo ser humano, como ditada diretamente por Deus -, por exemplo, no mar fundido (ou Altar de Bronze) onde os sacerdotes eram ordenados a se lavar, antes de comparecer ao Serviço do Templo, e a penalidade por negligenciar tal dever era a morte. Ritos semelhantes prevaleceram também em outras religiões.

Mais tarde, tornou-se desnecessário exigir do ser humano a limpeza como dever religioso, porque ele a tornou como uma virtude acima de todas as outras. Com o passar do tempo, a prática se espalhou dos estratos mais altos da sociedade para os mais baixos e a limpeza do corpo tornou-se um fetiche, principalmente no mundo ocidental. Ninguém é respeitado se não tomar banho e/ou se higienizar de maneira regular, em intervalos frequentes. Obtemos respeito apenas na medida em que o nosso corpo esteja bem arrumado e bem vestido; ainda que, por dentro, esteja pior do que um sepulcro caiado e a Mente suja de impurezas.

O cuidado com os dentes também tem recebido atenção crescente e, quanto mais para o oeste, mais frequente é o uso da escova de dentes e de outros apetrechos para a higiene pessoal.

Não se pode negar que o exposto pareça muito louvável. A limpeza tem raízes na Religião e certamente só um pai estranho se alegraria ao ver seus filhos carregando sempre as marcas inevitáveis da sujeira, nas mãos, no rosto e/ou no resto do corpo, sem fazer qualquer esforço para removê-los com sabão e toalha. Também não podemos negar que muitas das doenças das quais a humanidade é herdeira estejam relacionadas a dentes defeituosos e que a falta de limpeza seja a principal causa da cárie dentária. O leitor pode, dessa forma, perguntar-se o que queremos dizer com nosso título: “O vício de limpeza”.

A resposta direta a tal pergunta é que, embora a própria limpeza seja uma virtude, ela se torna, como muitas outras coisas boas, um vício, mediante o exagero. A água é o solvente universal e, ingerida em pequenas doses, é boa; mas ingerida na hora errada, junto às refeições, por exemplo, ou de maneira excessiva, torna-se um veneno: dilui os fluidos digestivos e esfria o estômago de modo que a condição necessária ao tratamento adequado dos alimentos seja desajustada; se o hábito persistir, prejudicará a digestão permanentemente. Do mesmo jeito, quando a água é usada em excesso na parte externa do corpo ou em condições inadequadas, ela pode afetar seriamente a saúde.

Isso foi comprovado muitas vezes em nossa experiência em Mount Ecclesia. Várias pessoas que vieram aqui tinham o hábito, antes da chegada, de tomar banho duas, três e até quatro vezes por dia. Elas estavam, sem exceção, em uma condição muito grave, porque o excesso de água aplicado com toalha ou esponja esgotara a pele de sua substância gordurosa e o sistema vasomotor não conseguia operar adequadamente, fechando ou abrindo os poros conforme necessário.

Contudo, havia outro efeito causado pelo abuso de banhos, não visto ou entendido, a menos que se tivesse o conhecimento oculto necessário e visão espiritual para investigar o assunto apropriadamente. Outros podem conhecer a verdade da seguinte explicação por meio de sua própria experiência ao longo das curas pelo magnetismo.

Todos sabemos que, quando pegamos uma bateria galvânica colocamos um eletrodo dentro de uma bacia com água e seguramos o outro eletrodo com a mão, o fluxo de eletricidade através do nosso corpo torna-se bem mais forte ao pormos a outra mão na água do que quando segurarmos os dois eletrodos sem contato com a água. Quando essa evapora, suas moléculas são quebradas e cada fragmento é recolhido em um envoltório de Éter que atuará como almofada, sendo a base da elasticidade do vapor. Quando a condensação ocorre, o excesso de Éter desaparece e a água se torna líquida.

Embora a água tenha um grande anseio pelo Éter, não pode retirá-lo do ar, assim como não podemos absorver o nitrogênio, embora o respiremos continuamente. O fluido é volátil na proporção da quantidade de Éter que contém e temos um exemplo do intenso desejo da água por Éter na avidez com que ela absorve amônia anidra, um fluido tão volátil que ferve a 26 graus abaixo de zero. Isso mostra a razão por que a água causa um fluxo tão volumoso entre o eletrodo da bateria e o corpo, além de explicar muitos fenômenos, entre os quais o motivo de a umidade prestar um amplo auxílio material na transmissão de magnetismo bom, o fluido vital de quem realiza curas, ao paciente e na retirada de magnetismo ruim do corpo desse. Além do mais, é necessário e útil ao curador lavar-se em água corrente para que o Éter venenoso retirado do Corpo Vital do paciente não lhe prejudique. Quando tomamos banho em circunstâncias normais, removemos uma grande quantidade de Éter venenoso do nosso Corpo Vital, desde que fiquemos uma quantidade razoável de tempo no banho. Depois que nos lavamos, o Corpo Vital torna-se um pouco atenuado e, consequentemente, causa-nos uma sensação de fraqueza, porém se estivermos com boa saúde e não tivermos demorado no banho, a deficiência logo é compensada pelo fluxo de força que flui para dentro do corpo humano através do baço. Quando essa recuperação ocorre, sentimos um vigor renovado e o atribuímos ao banho, sem perceber o ato completo, como indicado acima.

No entanto, quando uma pessoa que não esteja com a saúde perfeita toma banho duas ou três ou até quatro vezes todos os dias (principalmente de banheira), um excesso de Éter é retirado do seu Corpo Vital. O novo suprimento que entra pelo baço também diminui devido à condição atenuada do Corpo Vital. Assim, é impossível que ela se recupere após repetidos esgotamentos e, como consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; ela perde quase toda a força e gradualmente se torna, com certeza, inválida. Nesse estado delicado, ela é incapaz de comer, de assimilar alimentos verdadeiramente nutritivos e, com o tempo, sua condição pode tornar-se muito, muito grave.

É extremamente difícil lidar com esses casos, porque geralmente ocorrem com pessoas que tenham Signos Comuns nos ângulos do seu horóscopo, com muitos Astros nesses Signos ou com o Sol e o Ascendente. Esse tipo de pessoa se ofende com qualquer interferência em sua dieta e hábito de tomar banho, porque acredita que seja um modelo de limpeza, o que aos seus olhos é uma grande virtude. Supõe que não possa viver sem muitos banhos por dia e, como seu apetite é muito leve e delicado, deduz que saiba melhor que todos como cuidar desses requisitos; contudo, estão erradas em ambos os casos, como mostra o que foi exposto acima.

O primeiro passo para a saúde, em situações assim, envolve a cessação total do banho. O banho seco é o restaurador adequado e, para tal fim, é melhor usar um par de luvas grossas feitas de fio de linho retorcido. Isso pode ser adquirido em qualquer farmácia. Com isso, o corpo pode ser esfregado de manhã e à noite, até a pele apresentar um brilho saudável. Por esse processo, a cutícula supérflua é removida, mas o óleo e o Éter permanecem. Assim, o paciente se desenvolverá muito rapidamente, pois quando o Éter Químico aumenta, o poder de assimilação também revive e há um ganho imediato de força corporal. Se necessário, o paciente pode receber um quente e muito leve banho de esponja uma vez por semana, porém não deve tomar um único banho de banheira até que esteja totalmente recuperado.

Apesar de, muitos de nós, termos feito da banheira um ídolo, também adquirimos um fetiche pela escova de dentes. Em certo sentido, não é tão perigoso quanto a banheira, porque cada pessoa tem sua própria escova de dentes e os germes da doença que nela permanecem, apesar da lavagem mais cuidadosa, entram em contato somente com a pessoa a quem pertencem, enquanto os da banheira são uma ameaça para todos os que a usam. Esses organismos são inofensivos para uma pessoa com boa saúde, mas qualquer um que não esteja em pleno vigor e, portanto, suscetível a doenças, pode contrair uma infecção tomando banho em uma banheira, depois de outra pessoa. Por esse motivo, o banho de esponja deve ser preferido ao de banheira, exceto em famílias onde as condições dos integrantes sejam conhecidas e as devidas precauções sejam tomadas.

Contudo, voltando à escova de dentes, como já foi dito, ainda que possamos limpar esse pequeno instrumento com bastante cuidado, é absolutamente impossível torná-lo asséptico e, quanto mais o usamos, pior sua condição. Esse é um fato reconhecido por todos os dentistas e é uma ameaça da maior magnitude para a higiene do corpo, particularmente entre as pessoas que persistam em se alimentar de carcaças em decomposição de animais assassinados. O processo de putrefação, que começa no momento em que o animal é morto é enormemente acelerado pelo ambiente bucal, e as partículas de carne alojadas entre os dentes rapidamente se tornam uma fonte perigosa de infecção. Essas partículas não são removidas pela escova de dentes e são a causa de várias doenças de caráter muito grave. Daí a importância do uso do fio dental.

Todos nós sabemos como a mastigação é essencial para a digestão adequada; portanto, a importância dos dentes sadios não pode ser subestimada e o perigo à vida e à saúde dos dentes, causado por esses pedaços de carne em decomposição, é, logo, uma das mais graves ameaças à existência humana, seu conforto e bem-estar.

Cada dente perdido nos deixa mais sujeitos a doenças e à morte. A habilidade do dentista pode nos dar um dente novo; contudo, até o melhor produto está muito abaixo do padrão da natureza.

Assim que adotamos uma dieta vegetariana, escapamos de uma das mais graves ameaças à saúde: a putrefação de partículas de carne entre os dentes, como dito no parágrafo anterior, e esse não é um dos argumentos menos importantes para a adoção da alimentação vegetariana. Frutas, cereais e vegetais tem uma constituição que se desfaz muito lentamente; cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e doce por um longo tempo, já o Éter que interpenetrou a carne e compôs o Corpo Vital de um animal foi eliminado com o seu espírito, na hora da morte.

Dessa forma, o perigo de infecção por alimentos vegetais é muito pequeno em primeiro lugar, mas muitos deles, longe de serem venenosos, são realmente antissépticos em um grau muito alto. Isso se aplica particularmente às frutas cítricas — laranjas, limões, toranjas e tantas outras, sem contar o rei de todos os antissépticos, o abacaxi, que tem sido usado com muita frequência e sucesso completo como a cura para a temida difteria, que é apenas outro nome dado à dor de garganta séptica.

Portanto, em vez de envenenar o trato digestivo com elementos putrefativos como as carnes fazem, as frutas limpam e purificam o sistema, e o abacaxi é uma das melhores ajudas para a digestão que o ser humano conhece. É muito superior à pepsina e nenhuma crueldade diabólica é usada para obtê-lo. Com esse tipo de alimentação, os perigos da escova de dentes podem ser evitados, pois o seu uso pode ser feito de maneira bem mais adequada, três vezes ao dia – ou todas as vezes que fizer uma refeição – e auxiliada pelo fio dental. E, logicamente, acompanhado sempre de uma boa enxaguada com água limpa.

(da Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1915 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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O Significado Místico da Rosa

O Significado Místico da Rosa

Uma das mais queridas flores que o nosso Criador nos deu foi a Rosa. Por meio do consenso geral ela tem sido escolhida como a mais bonita entre as filhas de Flora. Na história de nossa raça, encontramos a Rosa associada à corrente de mil capítulos e, embora seja considerada nativa do Leste, atualmente participa da universalidade, abrindo suas pétalas ao Sol de praticamente todas as nações.

A sacralidade da Rosa tem sido sentida e reconhecida durante épocas passadas, desde as primeiras inscrições sobre pedras e peles, pelos nossos ancestrais das cavernas, até as inspirações imortais de Dante, Burton e Corelli. Muitos dos antigos encaravam a Rosa como emblema do silêncio, do amor, da alegria e da reserva.

Pode-se dizer que a Rosa representa o ápice do crescimento, da expansão e da evolução no reino vegetal. Através de muitas eras veio a assumir a presente perfeição de graça, beleza e fragrância de tal modo que hoje seja considerada o símbolo da alta espiritualidade — até mesmo do próprio Espírito, como está evidenciado na afirmação do Conceito Rosacruz do Cosmos de que a Cruz é representada com “uma única rosa no centro, simbolizando o Espírito que irradia de si os quatro veículos: o Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, mais o veículo Mente”.

Cada pétala amorosa da Rosa, desprendendo o seu perfume místico, pode ser comparada ao crescimento anímico que surge por intermédio dos desejos, dos anelos, das aspirações e dos sofrimentos do Espírito habitante, vida após vida. A Rosa, assim como o Espírito Virginal, desabrocha e se desenvolve no sentido da perfeição. A fragrância apurada dessa flor encantadora lembra-nos do poder sagrado que se acha dentro do ser humano e que o impele a descobrir a realidade das coisas invisíveis.

Do mesmo modo como a Rosa expõe o seu coração ao Sol físico, assim o ser humano, o Espírito habitante e individualizado, volta-se para a Luz da Verdade espiritual, enquanto tudo ao seu redor denota escuridão e desespero. Na medida em que implora no Umbral Divino, pode-lhe surgir repentinamente aquela iluminação maravilhosa, limpadora e inspiradora.

Todas as perfeições físicas acabam desaparecendo; mas as virtudes divinas são infinitas. Os que forem subordinados à Beleza Espiritual deixarão uma herança duradoura. Assim como a Rosa, com sua beleza e fragrância, trouxe felicidade e alívio ao sofrimento do mundo físico, assim também o Espírito, manifestando-se a partir dos planos invisíveis, trouxe elevados conceitos e ideais para a humanidade. No grande Jardim do Senhor existem infinitas variedades de Suas flores; mas através de toda a variedade de raças, religiões e línguas permanece o fio condutor do progresso em direção ao próprio Ideal.

Cada ser humano é uma Semente no Grande Jardim do universo de Deus e, quando nutrida com amabilidade, desprendimento e compreensão, cresce e floresce até se tornar uma flor humana de estatura divina, não importando quanto tenha sido gravemente ferida pelas tempestades da intolerância, do preconceito e do fanatismo. Dessa maneira está surgindo uma Nova Raça, raça essa que está sendo preparada para viver na Nova Era.

“A rosa, como qualquer outra flor, é o órgão reprodutor da planta. Sua haste verde conduz o sangue da planta, incolor e desapaixonado. A rosa de cor sanguínea revela a paixão que se incorpora ao sangue da raça humana; na rosa, porém, o fluído vital não é sensual: ele é casto e puro. Assim, é um símbolo excelente do órgão reprodutor no estado puro e santo que muitos atingirão quando tiverem limpado e purificado o sangue dos desejos, quando se tornarem castos, puros e iguais ao Cristo.” — MAX HEINDEL

(Publicado na Revista Rosacruz de agosto de 1970)

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A Lei do Renascimento: a Verdade e nada mais que a Verdade

A Lei do Renascimento: a Verdade e nada mais que a Verdade

O renascimento, para muitos, é apenas uma ideia ridícula e fantástica sobre aqueles que faleceram e retornaram em alguma forma grotesca ao reino animal ou vegetal. Isso ocorre, sem dúvida, devido ao antigo ensino de Confúcio que, mais tarde, infelizmente foi mal interpretado. Nenhum verdadeiro seguidor de Confúcio alguma vez acreditou nisso, pois Confúcio nunca ensinou que sua avó pudesse reencarnar em uma vaca, um gato ou repolho. Somente aqueles que, em sua ignorância, riem dele pensam que os “chineses pagãos” admitam tal absurdo. Ele, de fato, acreditava na involução, a transferência de poder para um nível inferior e na evolução; que o mal da humanidade se transformará em seres inferiores e o bem evoluirá para seres superiores.

Toda a criação evoluiu de uma substância — Deus. O fundamento da criação é o átomo da vida. Se toda a criação é construída a partir de átomos idênticos, como podemos explicar as diferentes formas que eles assumem? Em primeiro lugar, porque foi predeterminado pelo Criador. Mas essa explicação dificilmente basta.

Não há qualquer coisa no universo que não tenha vida. Até o pavimento debaixo dos pés tem vida. Se não tivesse, não se desintegraria. Não há nada sem vida, sem vibração; porque vida é vibração e vibração é vida. A taxa de vibração de um determinado átomo depende da variedade de outros átomos que ele atraia para si e, portanto, da forma que ele assuma. Esse fato é comentado de maneira bela e clara por Robert Kennedy Duncan em O Novo Conhecimento, assim:

“Que dança fantasmagórica é essa dança dos átomos! E que tarefa para o Mestre de Cerimônias! Pois, veja bem, a mutabilidade das coisas! Esses mesmos átomos, talvez, ou outros como eles, juntam-se, vibrando, aglomerando, entrelaçando, combinando e daí resulta uma mulher, uma flor, um melro ou um gafanhoto, conforme o caso. Mas amanhã a dança termina e os átomos estarão longe; alguns estarão nos germes da febre que acabaram com a dança, outros serão o último desenvolvimento.

Assim, como um pensamento Divino, um princípio Divino, uma vibração Divina, um átomo Divino, o ser humano foi criado primeiro; contudo, o ser humano como o conhecemos, plenamente desenvolvido, com posse mais ou menos consciente de todos os seus sentidos, faculdades e corpos, como um átomo atraindo para si um certo número de todos os átomos existentes, porque o ser humano é feito à imagem de Deus e Deus é tudo em tudo — tal ser humano foi criado por último do mesmo jeito que a rosa ostenta sua flor por último.

A ciência frequentemente chama nossa atenção e força a convicção onde os pensamentos mais elevados não conseguem. Vamos pegar como exemplo sua última descoberta, o elemento químico rádio, para ilustrar o princípio do renascimento.

A força do rádio não está no próprio rádio, mas na emanação, ou gás, que a ciência extraiu dele. O ser humano é um átomo como o rádio; um átomo composto. Ele é composto em maior grau apenas porque tem mais tempo de evolução, pois o rádio também é composto. Se o rádio não fosse composto, as emanações não poderiam ser separadas dele. Um processo natural no universo, a separação dos corpos superiores do ser humano do Corpo Denso, a chamada morte, pode ser comparada à separação do rádio, pela ciência, das suas emanações.

O rádio, do qual as emanações foram inteiramente extraídas, não seria diferente do chumbo, a substância mais inerte e ‘cabelos verdes da sepultura’ essa expressão deve ser uma gíria e seu significado este tradutor ignora, e de outras substâncias químicas que são sopradas nos antípodas pelos ventos do oceano. Eis a mutabilidade das coisas e da mesma forma as lágrimas das coisas: por uma coisa após a outra,

Como a neve sobre a Face empoeirada do Deserto, o Relâmpago de uma ou duas horas — acabou,

E a eterna dança em constante mudança permanece.”.

Da inclinação do polo de um átomo (toda vida tem polo positivo e negativo) depende sua taxa de vibração. E a inclinação de seu polo depende do tempo que empregou em sua evolução. Portanto, os átomos que compõem o reino mineral tiveram o menor tempo em evolução e os do reino humano, o ser humano, o mais longo. Contudo, a Bíblia nos diz que o ser humano foi criado por último. Verdadeiro. Não há qualquer coisa na Bíblia que não seja verdadeira, e literal, quando interpretada de maneira inteligente. A Bíblia e a afirmação de que o ser humano foi criado primeiro não estão em desacordo. Ambas estão corretas.

No início da primavera, plantamos o bulbo do açafrão. Em algumas semanas ele cresce, floresce, cai e murcha; mas a rosa que deve florescer aproximadamente um mês depois do açafrão nós devemos plantar no outono anterior. Portanto, a rosa é criada primeiro porque nós a damos à terra primeiro e é criada por último, nasce, porque é quando atinge sua plenitude material. Tal substância o rádio, abandonada à natureza, iria se desintegrar e tornar-se os elementos químicos que o constituem.

A isso pode ser comparada a desintegração do Corpo Denso do ser humano.

Contudo,o rádio, diferentemente dos corpos físicos, é precioso demais para ser abandonado à desintegração. A ciência o usa repetidamente, com novas emanações de átomos de vida regressando a ele. A ciência nunca fez e nunca poderá fazer algo fora dos limites naturais ou que seja contrário às leis da natureza. Mas demonstra leis desconhecidas. Assim, provou conclusivamente o retorno da vida à matéria. Dessa forma, o princípio superior do ser humano deve ser renovado em e por um Corpo Denso.

Mas o que acontece com os vapores ou átomos de vida, depois que eles saem do rádio? Eles se unem ao éter planetário. Os corpos superiores do ser humano vão para o Mundo Celestial. O ser humano espiritual tem a mesma relação com os gases de rádio, no Mundo Celestial, que o ser humano físico tem com os minerais de rádio, no mundo material.

Assim, o Criador está desenvolvendo TODA a criação para a perfeição suprema; as mesmas leis da natureza, certas, inalteráveis e predeterminadas, governam um único átomo de vida ou um universo, o rádio ou um ser humano, um sapo ou borboleta, um riacho ou as pedras sobre as quais ele balbucia. Cada um e todos têm o seu valor relativo e, como tal, todos e cada um devem alcançar sua perfeição relativa. Infelizmente, isso é difícil para algumas pessoas compreenderem — seu Senhor da Criação fazendo leis apenas para quebrá-las por favoritismo ou falta de normas, influenciando Sua soberania. O final deste parágrafo é obscuro e provavelmente se refira aos crentes que, de modo irracional, reconheçam uma divindade partidária, ilógica e volúvel.

Todas as religiões ou doutrinas religiosas credenciadas, sejam antigas ou modernas, incorporam o princípio do renascimento; no entanto, originalmente divino, ele tem sido desvirtuado para atender às necessidades de credos e dogmas criados pelo ser humano.

A moderna doutrina ortodoxa referente ao Dia do Julgamento é um bom exemplo. Aqui encontramos o princípio da ressurreição, mas ele não convence as Mentes lógicas e racionais de que, ao som de trombetas, os corpos que se tornaram pó do pó sejam restaurados inteiros e perfeitos para as almas dos mortos neles reentrarem; nem convence de que, de uma vasta multidão concebida em pecado e com apenas uma chance de se redimir, Deus salvará uns poucos escolhidos para habitar eternamente uma Terra glorificada, jogando o restante na escuridão externa e no tormento eterno. Uma concepção assustadora de um Pai amável e gentil! E um equívoco terrível de uma grande lei fundamental da natureza.

Aqueles que realmente mostram o caminho para sairmos da ignorância e das trevas e chegarmos até o conhecimento e a luz não pedem a qualquer pessoa íntegra e racional que a alma humana aceite algo apenas pela fé ou por alguém ter afirmado. A Verdade, toda a Verdade e nada mais que a Verdade pode ser CONHECIDA se, por livre arbítrio, for buscada para poder ser vivida.

(Traduzida da Revista Rays From The Rose Cross de agosto de 1915)

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Vida, Vida, Vida…não existe a morte!

Vida, Vida, Vida…não existe a morte!

Mês de novembro. Aqueles que professam o Cristianismo popular reverenciam pungentemente seus mortos. Nós, Estudantes da Filosofia Rosacruz, tributamos nosso respeito a essa atitude; porém não a imitamos. Compreendemos o significado da chamada “morte”. Sabemos que seja um processo natural dentro do fluxo evolutivo.

Sob o ponto de vista oculto, somos, antes de mais nada, Espíritos, partes integrantes de Deus, células divinas. Sendo assim, encontramo-nos dotados, em forma latente, de todos os atributos divinos. Assim como uma gigantesca árvore encontra-se potencialmente numa minúscula semente, da mesma forma Deus está em nós e nós, NELE. Possuímos, entretanto, essa energia ainda em fase estática. Cumpre-nos dinamizá-la para emergirmos da impotência para a onipotência.

Um axioma científico assevera que a função cria o órgão. Os atributos inerentes ao Espírito necessitam ser despertados e exercitados. Além disso, todo crescimento anímico é promovido através da experiência. Eis porque, como Espíritos, procuramos meios para expressar e desenvolver nossas divinas faculdades. Os meios aludidos são os nossos veículos e dentre eles aquele que presentemente nos é mais útil é o Corpo Denso, formado de matéria química.

A “morte”, dentro do conceito popular, diz respeito ao fenômeno da paralisia total e definitiva do Corpo Denso e sua posterior decomposição, após o sepultamento.

Esse fato, encarado com horror pela maior parte da humanidade, é um processo natural. O veículo denso, como meio de expressão do Espírito na Região Química do Mundo Físico, presta relevantes serviços à causa evolutiva; porém, com o decorrer dos anos ele paulatinamente se cristaliza, até chegar a um estado em que se torna praticamente inútil, deixando de proporcionar as experiências requeridas pelo ser em evolução. A Chispa Divina é obrigada a abandoná-lo, adentrando então nos Planos internos da natureza (imperceptíveis aos sentidos físicos), onde durante muito tempo assimilará o valor educativo da última encarnação. O corpo, despojado das forças que o animavam, dissolve-se, retornando à economia da natureza. Esse retorno periódico da matéria à substância primordial habilita o ser a evoluir. Se o processo de cristalização prosseguisse indefinidamente, ofereceria um terrível obstáculo à evolução do Espírito. Quando a matéria se cristaliza a ponto de tornar-se demasiada pesada e dura, o ser espiritual, não podendo manejá-la livremente, retira-se para recuperar a energia exaurida. No entanto, retornará futuramente acrescido de novos conhecimentos e experiências, ocupando novas formas, recomeçando seu período de aprendizado no Plano terrenal.

A frase “quanto mais amiúde morremos, tanto melhor viveremos” considera-se um axioma. Goethe, o poeta Iniciado, disse: “Quem não experimenta morrer e nascer para a vida, sem interrupção, sempre será um hóspede triste sobre esta terra infeliz.”. São Paulo afirmou: “Eu morro todos os dias”.

Neste mês em que se pranteia os chamados “mortos”, lembremo-nos mais uma vez: a morte não existe.

No universo de Deus só há uma realidade absoluta: VIDA, VIDA, VIDA…

(De Pereira dos Santos, publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)

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Reencarnação: verdadeira em todos os sentidos

Reencarnação: verdadeira em todos os sentidos

A reencarnação para mim é a única explicação lógica da existência física. Não só nos dá uma concepção lúcida das várias discrepâncias da vida, mas também, fornece um objetivo ou um propósito para a humanidade, sem o qual todo o esquema evolutivo se tornaria inútil e irrisório. Ninguém que, testemunhando as gloriosas maravilhas da natureza, poderia imaginar que um Criador com uma visão de amplitude e magnitude em projetar um universo tão vasto, o povoaria com pequenas marionetes cuja única percepção d’Ele seria o medo, e o único tempo de vivência na terra seria meros, mais ou menos, setenta anos; na verdade, na maioria dos casos consideravelmente menos tempo ainda. E tão pouco Sua única “Palavra” poderia ser um registro que está inserido em alguns livros de escritores, chamado Bíblia (na forma atual comumente conhecida). É certo, não obstante, que encerra muitos conhecimentos ocultos inestimáveis. Estes conhecimentos se acham, em grande extensão ocultos, devido às interpolações, e obscurecidos pela supressão arbitrária de certas partes julgadas “apócrifas”; sendo que foram traduzidos muitos textos dos originais[1], nenhum dos quais existe agora. Essas traduções não podem ter escapado do duvidoso reconhecimento da mutilação nas mãos da Igreja e do Estado; embora, essas traduções foram e são agora pregadas literalmente pelos irmãos devotos de inúmeras seitas, e que são consideradas inquestionavelmente autênticas pelas multidões, que não têm a inclinação de estudá-las por vontade própria. É de admirar que o objetivo dessa existência física seja perdido no pântano do mal-entendido? E que o credo de que só o mais forte e o que teve mais sucesso se salvará é o fator dominante da civilização moderna?

Como podemos esperar que milhões de pobres trabalhadores, labutando seu dia dentro e fora de casa por um salário insignificante, que mal dá para cobrir suas necessidades corporais, desgastadas pelas doenças e enfermidades, possa amar e reverenciar um Deus que, por intermédio de suas igrejas, não dá uma resposta satisfatória ao seu grito eterno de “Por quê”?

Eles são orientados a orar, mas eles são ensinados como orar? Não; e a única resposta dos responsáveis pela direção desses tipos de movimentos espirituais aos buscadores sinceros é: “É a vontade de Deus; não devemos questionar isso”. Assim, podemos imaginar que as pessoas se voltem apenas aos prazeres materialistas para se consolar, e se submergem nas alegrias superficiais que as invenções modernas podem lhes oferecer? No entanto, a explicação é tão simples – as leis gêmeas de Causa e Efeito – que até mesmo a mentalidade mais infantil pode entender, e a seguindo pode ganhar paz mental e quietude. Essa verdade irá sufocar os rebeldes dissabores que assediam nossas Mentes e nos conduzem silenciosa, mas seguramente ao longo do caminho rumo à perfeição.

A vida não é mais do que uma escola na qual os Egos se manifestam através de um conjunto de veículos, aprendendo lições que, com o tempo, se tornam dignos de pertencer ao Pai. É somente renascendo e renascendo novamente nessa esfera física que podemos acumular experiências empíricas que resultam em um completo desenvolvimento físico, mental e espiritual. Seria possível prever que um indivíduo fizesse isto num corpo de 60 anos? Não seria razoável que ele esperasse e levando em consideração as limitações do ambiente, potencialidades mentais, etc., é impossível. Contudo, aqui é onde a verdade do renascimento é capaz de provar, conclusivamente, sua argumentação de autenticidade. Há um velho provérbio que diz: “Como semeastes, assim colhereis”, e é exatamente isso que significa a Lei de Causa e Efeito. Nenhum ser humano pode receber da vida nada mais além daquilo que deposita, e assim, todo o indivíduo descansa inteiramente nas condições e circunstâncias que deverá reencarnar: como ele semeou nessa vida, assim ele colherá na próxima.

Quando um ser humano herda um veículo físico defeituoso, não é necessário culpar seus antepassados, pois ele só pode criar seu habitat em um corpo que ele mesmo aprendeu a construir e controlar. Os pais fornecem os materiais que ele precisa e os utiliza da melhor maneira possível. Se ele constrói um veículo com um mecanismo defeituoso para essa vida, podemos concluir que os erros de uma vida anterior o limitaram a isso, de uma mentalidade pobre, físico fraco ou é mostrada qualquer que seja a falta. Nada é feito sem uma causa justa, pois essa Lei é muito precisa e não conseguiremos ludibriá-la. Qualquer esforço colocado em determinada coisa, colherá sua recompensa; agora ou mais tarde; portanto, hábitos vividos e pensados erroneamente também terão sua avaliação a semelhantes casos.

Assim, podemos ver do que foi exposto, que as condições do mundo de hoje são o resultado de nossos esforços coletivos passados, e o que está por vir, está sendo criado agora por nós. Nós, e somente nós somos os únicos culpados pelas circunstâncias angustiantes que a humanidade está passando, e quando percebermos esse fato, mesmo que por razões egoístas, o incentivo virá como segurança coletiva no futuro.

“Eu sou um Deus justo”, afirma a Bíblia, e a reencarnação é vista a partir da concepção, sendo ela verdadeira em todos os sentidos. A culpa recai sobre nós, cujo ponto de vista é tão estreito que requer uma ideia restrita do grande plano, e vendo somente uma parte dele, erroneamente concluímos que não há justificativa para as nossas provações e tribulações, ou mesmo aceitar nossas misérias ou alegrias sem questionar.

Esse é apenas um breve esboço dessa grande verdade, concluindo me permita dizer que até que o conhecimento da reencarnação seja compreendido e aceito, a Fraternidade Universal só pode ser um ideal abstrato, em vez de uma realidade concreta.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1940 – traduzida pela Fraternidade Rosacruz Campinas-SP)

[1] Original hebraico

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O Ressentimento e o Perdão Terapêutico

O Ressentimento e o Perdão Terapêutico

A personalidade “tipo fracasso”, quando procura uma desculpa ou bode expiatório para seu malogro, quase sempre culpa a sociedade, o “regime”, a vida, a sorte. Ela se ressente com o êxito e a felicidade dos outros porque constituem para ela uma prova de que a vida a está defraudando, que ela está sendo tratada injustamente. O ressentimento é uma tentativa de suportar seu próprio fracasso explicando-o em termos de tratamento injusto, parcial. Mas, como bálsamo para o malogro, o ressentimento é uma cura pior do que a doença. É um veneno mortal para o espírito, torna a felicidade impossível, consome tremenda dose de energia que poderia ser utilizada em realizações. E um círculo vicioso quase sempre se estabelece: o homem ou a mulher que traz consigo uma mágoa não é um companheiro ideal nem um agradável colega de serviço. Quando seus companheiros a evitam ou o chefe tenta apontar suas deficiências, ela vê aí motivos adicionais para ressentir-se.

O ressentimento é também um “meio” de fazer-se vítima importante. Ela sente uma perversa satisfação em sentir-se “injustiçada” e, considerando-se tratada iniquamente, sente-se moralmente superior aos causadores da injustiça.

O ressentimento é ainda um “meio”, ou tentativa, de atestar ou erradicar uma injustiça real ou imaginária que já tenha sido praticada. A pessoa ressentida está, por assim dizer, tentando defender a sua causa no tribunal da vida. Se ela puder sentir-se suficientemente ressentida e, por esse meio, “provar” a injustiça, algum processo mágico a recompensará, fazendo com que “se anule” o acontecimento ou circunstância geradoras do ressentimento. Nesse sentido, o ressentimento significa voltar a lutar, emocionalmente, contra alguma coisa do passado. Ora, a vítima jamais poderá vencer, porque está tentado o impossível — alterar o passado. E quando o ressentimento é muito forte e o caráter defeituoso, a vítima, percebendo essa impossibilidade, parte para a vingança, em que ela própria se imola nas consequências.

Cristo via e ensinava a ver o lado bom e belo de todas as coisas, porque sabia dos benéficos efeitos que isso produziria em nosso interior.

De fato, o ressentimento, mesmo quando baseado em injustiças reais, não é a maneira de vencer. Ele em pouco tempo se transforma em hábito emocional. E quando habitual, conduz invariavelmente à autocomiseração, que é o pior hábito emocional que alguém possa adquirir. Se esses hábitos chegaram a criar raízes, o indivíduo já não se sente mais natural ou “certo” quando eles (os hábitos) estão ausentes! A pessoa começa então a, literalmente, procurar por “injustiças”. Disse alguém que tais pessoas só estão bem quando se sentem desgraçadas.

Lembre-se o leitor que, em verdade, seu ressentimento não é causado por outras pessoas, acontecimentos ou circunstâncias, mas é resultado de suas próprias reações emocionais.

Você, só você, tem poder sobre isso. Só você pode dominar tais reações, convencendo-se de que o ressentimento e a autocompaixão não constituem caminho para a felicidade e o êxito, e sim para o fracasso e a infelicidade. A pessoa ressentida, sem o saber muitas vezes, confia aos outros as rédeas de sua vida. São os outros que ditam como ela se deve comportar ou sentir; tal qual um mendigo, ela depende totalmente dos demais. Faz, aos que a cercam, pedidos e exigências descabidas — principalmente aos que a feriram — e se todos se dedicarem à tarefa de a tornar feliz, ela se ressentirá quando isso não acontecer. Quando sentimos que as outras pessoas nos devem eterna gratidão, imorredoura apreciação ou contínuo reconhecimento pelo nosso imenso valor, experimentamos ressentimento quando esse “débito” não é pago.

O ressentimento é, portanto, incompatível com a busca de objetivos criadores. Na busca desses, você é o autor, não o recipiente passivo. Você é que deve estabelecer seus alvos. Ninguém lhe deve coisa nenhuma. Você persegue seus próprios objetivos. Você se torna responsável pelo seu próprio êxito e felicidade. O ressentimento não se enquadra nessa imagem e é, por isso, um “mecanismo de fracasso”. E como consequência vem o vazio interior. A vítima pode, apesar da frustração, da agressividade mal dirigida, do ressentimento, alcançar êxito aparente, conquistar símbolos externos de sucesso, mas quando vai abrir o longamente sonhado baú de tesouros, seja num outro amor, na fortuna, na fama, no poder, encontra o vazio, porque, ao longo do caminho percorrido, perde a capacidade de apreciar a vida e as pessoas.

Posso perdoar mas não posso esquecer — dizem alguns. O perdão, quando é completo, verdadeiro e esquecido — constitui o bisturi que remove o pus de velhas feridas emocionais, cura-as e elimina o tecido cicatricial. O perdão parcial ou tíbio não dá resultados. Também o perdão concedido como “dever” não é eficaz. Devemos perdoar e depois esquecer o fato e o ato de perdoar, porque o perdão que é lembrado, mantido no “pensamento, infecciona de novo a ferida que se pretende cauterizar. Se você se sente orgulhoso de seu perdão ou o relembra constantemente, isso é porque, com certeza, acha que a outra pessoa lhe deve alguma coisa por você a ter perdoado. Você perdoa-lhe a dívida, mas ao fazê-lo ela incorre em outra com você, mais ou menos como acontece com as reformas de promissórias. Há muitas ideias erradas sobre o perdão e um dos motivos por que seu valor terapêutico não tem sido devidamente reconhecido é que o verdadeiro perdão raras vezes é posto em prática. De nada vale orarmos diariamente, “perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos a nossos ofensores” se achamos que devemos perdoar para ser bons ou porque nossa posição de espiritualistas o exige como dever. Em verdade, os moralistas que têm ensinado esses conceitos deveriam haver dito: “devemos perdoar para ser felizes”. O perdão terapêutico extirpa, cancela, erradica a ofensa como se esta jamais houvesse existido, não porque decidimos ser generosos ou fazer um favor à pessoa que nos ofendeu nem porque lhe sejamos moralmente superiores. Cancelamos o “débito”, demos “quitação” dele, não porque ela nos quisesse pagar mas porque chegamos à conclusão de que a dívida não tinha razão de ser. O verdadeiro perdão ocorre somente quando conseguimos ver e emocionalmente aceitar, o fato de que não há, nem nunca houve, nada que perdoar. Que não devíamos ter condenado ou odiado a outra pessoa. Se perdoamos é porque condenamos, porque chegamos a odiar.

Não se diz nos evangelhos que o Cristo perdoou a mulher adúltera, porque também a não condenou. Apenas lhe disse: Vai e não peques mais. Erramos quando odiamos alguém por causa de seus erros, confundindo o espírito com seu comportamento transitório; erramos quando mentalmente estipulamos uma dívida que a outra pessoa deve pagar para voltar a gozar de nossas boas graças ou voltar a ser emocionalmente aceita por nós. Será feliz, terá mais saúde e paz interior quem praticar o perdão terapêutico ensinado por Cristo naquela frase do “Pai nosso”. Essa é a única forma de perdão que realmente “dá certo”.

Finalizando, queremos considerar que não somente recebemos ferimentos emocionais de outros, como também de nós próprios. E então, se somos negativos, nos flagelamos pela autocondenação, o remorso e o arrependimento com excessivos sentimentos de culpa. Passados dos limites do reconhecimento racional, o remorso e o arrependimento são uma tentativa de viver no passado, uma tentativa de corrigir o passado, de vez que seus efeitos nos dificultam reagir adequadamente ao nosso ambiente atual. Devemos saber também perdoar-nos, esquecendo o fato passado e dele extraindo apenas a experiência, em forma de consciência, para corrigir no presente e no futuro as mesmas tendências. Nunca diga de si mesmo: “sou um fracasso”, “não valho nada”, ou: “a vida não presta”. Não se confunda com os erros. Como espíritos estamos ensaiando, raciocinando e aprendendo. “O único pecado que existe é a ignorância e o único fracasso é deixar de lutar”. Quando você afirma ser um fracasso é o mesmo que considerar seu espírito um fracasso. Ora, nosso espírito é algo feito à imagem e semelhança do Criador, com todas as virtualidades latentes de Deus para serem desenvolvidas, assim como a semente contém em si as possibilidades de tornar-se numa árvore. Você não é seus erros. Você comete erros porque é humano e imperfeito. Os erros não fazem você. Se a ciência não aceitasse a evidência de novas e mais altas verdades, ainda que modifiquem todas as anteriores, ela estaria destinada ao fracasso. Também nós, assim. Portanto, nossa atitude correta deve ser esta:

1) Façamos a relaxação das tensões negativas, para evitar a formação de cicatrizes daremos exercícios nesse sentido;

2) Realize o perdão terapêutico para remover cicatrizes antigas;

3) Dote a si mesmo de entendimento para formar uma camada protetora à sua hipersensibilidade, à sua facilidade de magoar-se (mas não uma carapaça de indiferença!);

4) Viva criativamente, procurando realizar algo construtivo, de acordo com suas inclinações;

5) Não receie ser ferido e com isso evitar os demais. Disponha-se a ser um pouco vulnerável. A indiferença ou o isolamento não fazem crescer a alma.

6) Tenha aspiração presente e confiança no futuro;

7) Extraia a essência de bem do passado, dele não guardando nenhum ressentimento.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1967)

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Onde está o Templo de Deus

Onde está o Templo de Deus

O rei David louvava a Deus pela maravilhosa obra que Ele, o Pai, ajudou ao ser humano realizar, dizendo: “Louvar-te-ei porque Tuas obras são formidáveis e maravilhosas. Estou deslumbrado e minh’alma o sabe muito bem. Não foi encoberto de Ti o meu corpo, quando no oculto foi feito e entretecido nas profundezas da Terra”. O corpo humano, “o Templo de Deus” referido por São Paulo apóstolo, é o mais valioso instrumento do ser humano, porque por meio dele o Espírito (nós), como manifestação da Chispa divina, obtém experiência.

Entretanto, o que faz a maioria dos homens e das mulheres, deste divino Tabernáculo? Transformam-no em um covil de vícios, maus hábitos e baixos desejos. Muitos ignoram a sublimidade de sua origem e o elevado custo de seu desenvolvimento passado e, cegados pela ilusão dos sentidos e convicções materialistas buscam tirar dele o que chamam de proveito e embrutecem-no lamentavelmente! Outros, entretanto, sabem o que ele representa, como obra divina, como laboratório cuja perfeição de funcionamento sabem que não se deve a automatismos, senão à ação de Inteligências Superiores e regência de leis naturais imutáveis. No entanto, abusam conscientemente, em desafio a essas mesmas divinas leis, cuja desobediência suscita enfermidades e todo um cortejo de dores. Aliás, os sinais dessa desobediência podem ser devidos a transgressões dessa vida ou de existências anteriores.

Segundo os Rosacruzes, a saúde total abrange não só o físico, senão também e, principalmente, o comportamento emocional e mental, donde geralmente afloram as causas dolorosas de nossas enfermidades. Nesse amplo sentido, todos somos enfermos, em maior ou menor grau e se desejamos recuperar a saúde e conservá-la, precisamos conhecer e respeitar esses princípios fundamentais e regular, por eles, os nossos hábitos todos.

O Adorável Mestre Cristo-Jesus ressaltou bem a origem de nossas enfermidades ao paralítico já curado por Ele: “Eis que já estás são. Vai e não peques mais para que te não suceda alguma coisa pior”.

Note-se que até o próprio Senhor não ousava quebrar as leis naturais e não podia assegurar saúde permanente, se aquele que a recebesse não deixasse os maus hábitos e vícios transgressores da harmonia cósmica, essa harmonia presente tanto nos Astros como no corpo humano, no macro e no micro e na relação entre toda a criação.

A Fraternidade Rosacruz nos leva a conhecer essas leis, tornando-se, com todo o respeito que tem à liberdade individual, um luminoso caminho de regeneração humana. Por isso recomenda adoção de uma dieta racional, rica em frutas, legumes, verduras, nozes, cereais integrais, leite, queijo, ovos. Alimentação isenta de elementos prejudiciais (carnes de toda a espécie) sem excesso de massas, senão equilíbrio de vitaminas, sais minerais e proteínas, formas saudáveis de preparo, quantidade e qualidade condizentes com o tipo físico, tipo de atividade, clima etc.. Uma alimentação cheia de elementos prejudiciais mostra os efeitos nocivos da ira, da apreensão, da angústia, do medo, da crítica ferina, da inveja, do ciúme, do orgulho e de todas as demais ramificações irmãs dessa hidra tenebrosa que generalizamos pelo nome de egoísmo. Não apenas tudo isso nos prejudica a saúde e a paz interior como, por decorrência, retarda nosso avanço espiritual.

A Filosofia Rosacruz nos leva a compreender nossa verdadeira identidade, como Espíritos, herdeiros de Deus, cidadãos celestiais, em peregrinação e aprendizagem nesse plano, ao qual não nos devemos apegar e cujos elementos têm apenas utilidade transitória, como fatores de experiência, aprendizagem e crescimento interno, que se converterão em faculdades criativas em nossas condições superiores do futuro.

Reconhecendo as manhas e dificuldades impostas por nossa natureza inferior, embora de existência transitória, mas que pode nos atrasar perigosamente no Caminho, ensina-nos o mecanismo de nossas emoções e pensamentos e dá-nos um método racional e seguro de libertação, pela disciplina desses corpos e domínio de nós mesmos.

Conheça, pois, caro leitor, essa formosa e lógica filosofia que a todos nós tem trazido imensos benefícios e a qual desejamos estender a tantas pessoas que nos seja possível alcançar, de modo a suscitar-lhes os pendores naturais bons, espirituais, que jazem adormecidos em seu íntimo e armá-los com discernimento e amor para a luta e gradativa vitória contra a tenebrosa natureza inferior, rumo ao alvorecer de um novo e radioso dia, à realização de um novo homem e uma nova mulher, identificados com a luz, com a eterna e verdadeira fonte de que promanaram. Como diz o Novo Testamento: “Deus é Luz. Quem anda na luz está com Deus e Deus nele”, “E já não será mais ele que vive, senão o Cristo em seu interior” o qual se dará sem medidas e por ele fará as mesmas obras e maiores ainda do que as que realizou na Terra”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1968)

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A Missão Rosacruz na época moderna

A Missão Rosacruz na época moderna

Há pouco tempo, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de ler um exemplar do informativo “Echoes” de Mount Ecclesia, publicado pela Fraternidade Rosacruz, Oceanside, Califórnia, EUA. O que nos despertou mais a atenção, afora o noticiário sobre os trabalhos e atividades, foi a seção onde são publicadas as cartas enviadas à Sede Mundial por estudantes Rosacruzes de todas as partes do mundo. Lendo e analisando profundamente aquelas palavras repletas de gratidão e entusiasmo, pudemos verdadeiramente aquilatar quão imensos são os benefícios físicos e espirituais auferidos por aqueles que se interessam e se dedicam aos ensinamentos Rosacruzes. Em cada frase notamos um sentimento de alívio, de otimismo, de renascimento de esperanças, e o que é assaz importante, um sentimento de libertação.

Se a liberdade física é um sagrado e inalienável direito do ser humano, quanto mais a liberdade do espírito, o qual constitui o ser real. Mas, grande parte da humanidade ainda permanece agrilhoada a preconceitos obsoletos, a ideias estacionárias e os problemas sócio-espirituais tornam-se cada vez mais complexos e intrincados.

Justamente nesse aspecto é que realçamos a missão da Fraternidade Rosacruz, num mundo onde cada indivíduo procura desesperadamente, além de si, aquilo que em si mesmo possui, isto é, a força espiritual capaz de despertá-lo desse sono mortal, de torná-lo consciente de que é uma parcela viva do macrocosmo, e como tal, transpor os obstáculos que os erros humanos procuram erguer.

É nobre e de grande responsabilidade a obra encetada por Max Heindel, mormente na época atual, em que o ser humano, escravo das próprias imperfeições, procura solver seus problemas utilizando meios inadequados, tristes paliativos para uma triste situação. É necessário sacudi-lo, para que ele inicie verdadeiramente a espiral da evolução, consciente da realidade espiritual, de que a morte do corpo físico não exprime a realidade, de que o aquém e o além não existem: existe o todo. É mister que ele venha a compreender e integrar-se nas leis da criação, pois somente assim seu espírito viverá na luz da verdade, admitindo ser uma célula atuante no corpo maravilhoso que é a comunidade universal.

E a Fraternidade Rosacruz deve ser vanguardeira nessa luta, usando como armas, o próprio lema, a própria tônica e os maravilhosos ensinamentos Rosacruzes, essas joias de inestimável valor que Max Heindel nos legou.

A Fraternidade Rosacruz deve tornar-se a precursora de uma nova era, e, para tanto, é necessário que cada estudante contribua com algo de si mesmo para o êxito dessa dignificante missão. Cada qual pode colaborar de múltiplas maneiras, pois o essencial é o sentimento que dinamiza essa cooperação. Um esforço sincero e impessoal, por menor que seja, sempre terá o seu valor.

Paralelo ao esforço conjunto, deve prosseguir o crescimento individual, por meio do estudo, da meditação, do aprimoramento da razão e da compreensão das leis que regem o universo, pois, quanto mais belas forem as pérolas, tanto mais belo será o colar.

Todos os Estudantes da Filosofia Rosacruz, cônscios do papel a desempenhar nesse movimento de regeneração espiritual, devem empregar o máximo de suas energias e faculdades a fim de que o objetivo em mira seja alcançado, pois assim, irmanados pelo desejo de servir a humanidade, um dia poderão ver todos os seres humanos empunhando a taça da harmonia.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de novembro/1966)

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O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual

O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual

Nos ensinamentos que promulga, a Fraternidade Rosacruz leva acima de tudo a liberdade humana. Sua mensagem é, sobretudo, de libertação. Como o hipnotismo representa um cerceamento e violência a essa liberdade, a Fraternidade Rosacruz o desaprova terminantemente. Porque o hipnotismo é um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual, explicaremos no decorrer desta exposição.

Muitas pessoas, ao tomar seu primeiro contacto com a Fraternidade e receber as instruções preliminares, estranham que vedemos a inscrição a hipnotizadores, médiuns, videntes, quiromantes e astrólogos profissionais. Explicamos: são práticas que agridem a liberdade do espírito interno, que mercantilizam e prostituem forças divinas. Isso dizemos porque a realidade mesma, observada dos planos internos, nos autoriza a proteger a boa fé e ignorância de muita gente a respeito desses assuntos.

Do ponto de vista da ciência materialista, o ser humano é considerado simplesmente como algo físico, um corpo organizado, não um ser espiritual a manipular uma complexa instrumentação mental, emocional, etérica e química. Esses conceitos materialistas são divulgados tanto nos livros e escolas que, ao atingirmos a fase adulta e começarmos a estudar o ocultismo, surpreendemo-nos muitas vezes com a insidiosa influência dessas ideias, gravadas em nós desde a infância. Sabemos da Bíblia, aprendemos catecismo em pequenos, ouvimos muitas vezes as inúmeras e claríssimas asserções de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, de que a vontade de Deus é que atinjamos a perfeição, de que as coisas que o Cristo fazia nós as faremos também e maiores obras ainda, além de um sem número de afirmações, segundo as quais vemos que somos seres espirituais, herdeiros das promessas divinas. No entanto, passemos os olhos ao nosso redor. Vejam quanta gente agitada, convulsionada, nervosa, lutando desesperadamente numa competição muitas vezes injusta, anticristã, no afã de quê? Ficar rico? “Gozar” a vida? “Assegurar” o futuro? Onde a fé, onde a confiança em Deus, onde a convicção de que, à morte, tudo deixamos aqui, levando apenas a essência do que tenhamos FEITO de bom ou de mau?

É lógico que ninguém poderá fazer as coisas que o Cristo fez e obras maiores ainda, segundo nos afirmam os Evangelhos, se não for pelo renascimento, que permite o aperfeiçoamento gradativo, pois ninguém pode realizar esse gigantesco intento em uma só existência. É lógico que, se há “céus”, se há um plano imaterial, suprassensível, um mundo invisível aos nossos olhos físicos, esse mundo que é a origem de tudo, o mundo das causas, nenhum assunto poderá ser inteiramente considerado e compreendido, se não for abordado em seus aspectos físico e espiritual, devendo haver entre ambos os aspectos inteira coerência, pois no reino de Deus não existe contradição.

Com esse preâmbulo, voltemos ao tema do hipnotismo.

Que é ele?

Consiste em, por meio de passes à cabeça ou por meio de toques em certos pontos vitais, EXPULSAR o éter da cabeça da vítima, introduzindo ali, em substituição, por meio da vontade, o próprio éter (do hipnotizador). Nessa condição, fica o paciente privado de consciência, do crivo da razão, que o torna ser humano, ser racional, capaz de analisar, rejeitando ou aceitando o que lhe é proposto. No transe hipnótico, temos de obedecer ao que nos for ordenado. Depois a “ordem” ficará gravada através de um pequeno resíduo do Corpo Vital do hipnotizador na medula oblonga da vítima, como elos, como cordéis pelos quais o hipnotizador poderá atuar na vítima enquanto viver. O hipnotismo é perigoso, mormente nas mãos de pessoas inescrupulosas. Difundido como está, infelizmente até por certas escolas ditas espiritualistas, pode ser um instrumento de domínio, de exibição de falsos poderes, com propósitos egoístas, dando geralmente causa à idiotia em vida futura. Muitos Egos, privados numa vida de seu livre arbítrio, vinculados e aprisionados num corpo demente, de cérebro deformado, sem possibilidade de expressão natural, mostram as causas de sua enfermidade nos maus aspectos de Netuno, que rege as faculdades espirituais. Embora não seja uma forma grave de magia negra, traz essa consequência num destino maduro. Contudo, por isso não devemos concluir que todos os casos de idiotia congênita se devem a essas práticas em vidas anteriores, porque existem outras causas.

Para se ter uma ideia próxima de como se desloca a parte etérica, tomemos o exemplo de um fenômeno comum, como o do adormecimento de um braço ou de uma perna. Uma posição forçada, dificultando a livre circulação do sangue e do fluido vital, provoca o deslocamento do Éter. Em tais casos, vemos o braço ou a perna etéricos flutuando sobre o braço ou a perna material, respectivamente, até que, pela normalização da circulação do sangue, os pontos vitais de novo se introduzem no membro, dando causa, com sua entrada, àquela sensação de “formigamento”. No caso da hipnose, não se dá o formigamento porque a parte vital retirada da cabeça é substituída imediatamente por éter do hipnotizador, durante o transe.

Muitos objetam, embora, sabendo disso, que em certos casos o hipnotismo se justifica, como, por exemplo, na medicina ou em odontologia, para tirar o dente, sem dor, de pessoas que têm alergia por injeções, que têm males de coração, etc. As correntes médicas especializadas no assunto se dividem, pró e contra sua aplicação. A maioria dos psicanalistas já condenou o seu emprego nas sessões, para descobrir a causa dos traumas. Julgam eles, mui acertadamente, que o paciente deve ter consciência da causa e por si mesmo, com orientação do médico ou sem ela, erradicar o trauma.

Do ponto de vista oculto, é evidentemente errado tratar de curar um hábito, como o da bebida alcoólica, pelo hipnotismo. Encarado do ponto de vista de uma só vida (daí a ciência material e as igrejas cristãs populares muitas vezes concordarem com o hipnotismo) o tratamento pela hipnose pareceria justo e eficiente. Senta-se o paciente numa cadeira, faz-se-o dormir e dão-se-lhe certas sugestões. Desperta-se-o e quando se põe de pé, já está curado de seu mau hábito. De alcoólatra que era, converte-se num cidadão respeitável, que cuida bem de sua esposa e filhos e segundo todas as aparências o benefício obtido é inegável.

Mas se contemplamos as coisas do ponto de vista mais profundo, o do ocultista, que vê os dois planos e contempla esta vida como uma dentre muitas, que toma em consideração o efeito causado nos veículos invisíveis dessa pessoa, então o caso é completamente diferente. Quando se submerge uma pessoa no sono hipnótico, na forma já descrita, além de privá-la da livre escolha, impõe-se-lhe uma ordem, não uma simples sugestão e o paciente não tem outro remédio senão obedecer, mormente quando se repetem os transes, porque fica um resíduo do manipulador, para agir dentro do indivíduo. É como que, para usar uma comparação, uma pequena parte do magnetismo infundido num dínamo elétrico, que nele fica sempre e com o qual pode ser posto em movimento. Assim, o resíduo etérico do hipnotizador, dentro da vítima, cresce em proporção e poder, com a repetição dos transes a que for submetido pela mesma pessoa. Concluímos, pois, que a vítima de um hipnotizador não vence um mau hábito por sua própria vontade e força, senão pela imposição da vontade de outra.

Quando regressa à terra, em próximo renascimento, terá as mesmas debilidades que não venceu e terá de novamente lutar consigo mesmo, até vencer-se.

Alguém poderá contestar que uma sugestão não prejudica, pois, a vida inteira passamos a receber sugestões por meio de livros, de cinema, de pessoas, etc. Mas é um caso muito diferente, porque em tais circunstâncias a pessoa está de posse de sua razão, com direito de aceitar ou rejeitar a sugestão. Se se trata de uma pessoa de forte personalidade, diante de outra, de vontade débil, essa sugestão poderá assumir quase o caráter de uma imposição. Mas essa influência a moverá somente quando atender-lhe à natureza. Uma pessoa comum, numa assembleia onde todos estejam vibrando em uníssono numa mesma ideia, ou num comício onde um líder consiga inflamar a maior parte dos ouvintes com suas ideias, ou numa parada patriótica onde se exaltem os sentimentos de patriotismo, poderá afetar-se momentaneamente, deixar-se levar pela força da egrégora. Mas depois, consigo mesmo, voltará à tônica de seu modo de ser. No hipnotismo é diferente: fica uma influência, uma imposição estranha.

Por oportuno, lembremos o que diz Max Heindel em “O Conceito Rosacruz do Cosmo”, obra básica da Filosofia Rosacruz: “O método Rosacruz difere de todos os outros métodos num ponto especial: procura, desde o princípio libertar o aspirante de todas as limitações internas e externas, ajudando-o a conquistar o pleno domínio de si mesmo, pois só em tais circunstâncias poderá “efetivamente ajudar os demais”. Já soubemos de outras organizações com nome de Rosacruz, (não a de Max Heindel, ligada aos Irmãos Maiores da Ordem), que facilitam meios de exercer poder sobre os semelhantes. Do ponto de vista oculto e do Bem, é repreensível, mas os Irmãos Maiores têm isso a seu cuidado, como guardiães e vigilantes de tudo o que é perigoso na evolução humana. Cumprimos nosso dever, esclarecendo quando necessário, deixando o mais a cuidado desses excelsos Seres,  vanguardeiros Guias da Onda humana.

Foram os próprios Irmãos Maiores que, no tempo que julgaram oportuno, anunciaram indiretamente ao mundo a força do pensamento e deixaram entrever o mecanismo do subconsciente, muito antes de Freud. Foram eles que mandaram Mesmer, o qual foi tremendamente ridicularizado pelos postulados que pregava. Só quando os materialistas, trocando o nome da forca descoberta por Mesmer, deram ao mesmerismo o nome de “hipnotismo” é que se tornou “científica”. Em verdade, resta ainda muito a aprender e desaprender aos atuais indivíduos da ciência materialista. Podem eles lutar até o último momento contra o que, zombando, qualificam de “ideias ilusórias” dos ocultistas. É só questão de tempo; terão de aceitar e admitir todas as suas verdades, uma a uma.

“Os pensamentos são coisas”, é uma força atualmente incalculável. À medida que a razão se for desenvolvendo, controlando mais e mais os impulsos do Corpo de Desejos e o altruísmo for assegurando um legítimo emprego a todos os poderes latentes do ser humano, alcançaremos o mérito de utilizar esse poder maravilhoso, mas sempre para o bem e sem imposição a ninguém.

Siegfried, símbolo da alma avançada, na mitologia nórdica, estava armado para a batalha da vida com a espada “nothung” (a coragem do desespero) com a qual combateu e venceu os dois dragões da cobiça e do credo. E tinha outra arma, que nos tempos modernos podemos chamar de poder hipnótico: Tarcap, o capacete da ilusão, que permitia a quem usasse aparecer aos outros na forma que desejasse. E para fazer uso desse poder lhe foi dado também, por Brunhilde, o espírito da verdade, seu cavalo alado, Grane, o discernimento, graças ao qual podemos distinguir o erro da ilusão. Aí está porque nós devemos tornar primeiramente merecedores, por nossa formação moral, de utilizar esses e outros poderes do espírito. Eis, também, porque não podemos aceitar em nosso seio aqueles que propositada e egoisticamente fazem deles uso pervertido.

Para finalizar, damos um meio de empregar legitimamente a força do pensamento, em casos de pessoas que precisam de auxílio extra. Tal auxílio é prestado durante o sono natural, quando o Ego, envolto pela Mente e o Corpo de Desejos sai do corpo físico e geralmente flutua sobre ele ou permanece em sua vizinhança, ligado pelo cordão prateado, enquanto os Corpos Denso e Vital se restauram, no leito. Nessa oportunidade é possível influenciar a pessoa adormecida, inculcando-lhe no cérebro pensamentos e ideias que lhe queremos comunicar. Contudo, não se pode conseguir que ela faça algo ou que acolha qualquer ideia que não esteja de acordo com suas próprias tendências habituais. É impossível ordenar-lhe que faça algo ou obrigá-lo à obediência porque durante o sono natural seu cérebro está interpenetrado por seu próprio Corpo Vital e tem perfeito controle de si mesmo. Não há, aí, desrespeito ao livre arbítrio da pessoa. Já no sono hipnótico, os passes do hipnotizador lançam fora do cérebro o Éter da cabeça, que fica então sobre os ombros da vítima como um colar. Então o cérebro está aberto ao Éter do Corpo Vital do hipnotizador, que toma o lugar do Corpo Vital da vítima. De sorte que no sono hipnótico a vítima não pode escolher nem quanto às ideias, nem quanto aos movimentos de seu corpo, porque é o cérebro que dirige os nervos e músculos voluntários e então, está manipulado por Éter estranho. No sono natural, o Ego é o agente completamente livre. Na realidade, esse método de sugestão durante o sono é sumamente importante para as mães que têm filhos rebeldes e refratários e para as esposas de viciados rebeldes, de vontade fraca. Para tratar dessas pessoas, assenta-se ao lado da pessoa adormecida e (se possível, tomando-lhe uma das mãos) fala-se suave e audivelmente com ela, inculcando-lhe no cérebro as sugestões convenientes. Ao despertar e principalmente com a repetição (há mais facilidade, naturalmente, com as pessoas de sono pesado) verá que muitas dessas ideias lançaram raízes no subconsciente, de uma forma eficaz, porque muitas pessoas detestam conselhos e reprimendas e desse modo se lhes faculta seguir a própria deliberação. Igualmente se pode tratar assim de pessoa enferma, quando carece de otimismo, coragem, fé e outros valores importantes na cura. Sabemos que isso pode ser usado para o mal, mas não mantemos o segredo porque acreditamos que o bem que se pode realizar com esse método sobrepassará em muito o prejuízo que uma ou outra pessoa malvada possa ocasionar. Além do mais, a lei de causa e efeito se incumbe de pôr os irresponsáveis, pela dor, no devido caminho.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz de maio/1966)