Categoria Esquema, Caminho e Obra da Evolução

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A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

Nossa evolução está muito ligada à nossa capacidade de usar o Corpo Denso. Aliás, o objetivo da nossa permanência neste plano durante muitos renascimentos consiste em aprender tudo sobre este estado peculiar de matéria, dominando-a e utilizando-a em escala de crescente eficiência.

O Corpo Denso é o nosso veículo mais antigo e por essa razão o mais desenvolvido. Nos primórdios da nossa evolução sobre a Terra, a constituição dele era bem diferente da atual. As condições ambientais davam-lhe configuração e sensibilidade peculiar. À medida que as Épocas se sucediam, esse importante veículo se aperfeiçoava ganhando novas e mais dinâmicas faculdades.

Na Época Lemúrica, o Corpo Denso do ser humano conformava-se às altas temperaturas ambientes, pois muitos vulcões encontravam-se em plena atividade. Como a temperatura interna do corpo quase se igualava à do exterior, era-lhe quase impossível reter muita umidade e esse fato tornava muito débil e incipiente a circulação sanguínea. Como o sangue é o elemento através do qual o espírito controla seu corpo, é fácil deduzir quão precário era esse domínio.

Na Época Atlante, as coisas se modificaram. Como a atmosfera passou por um processo de resfriamento o ser humano conseguiu reter mais fluidos no corpo, a produzir mais sangue e através deste a exercer maior domínio sobre seus veículos.

Esse domínio, entretanto, era rudimentar, pois o espírito ainda não conseguia manobrá-lo com eficiência.

Para chegar às condições atuais, nosso veículo Denso teve de passar por muitas transformações. Nossa capacidade de autoconsciência no próprio corpo nunca foi tão eficiente como agora. Contudo, defronta-se o ser humano com o grande perigo que é agir e pensar como se fosse o próprio corpo, confundindo-se com ele e julgando-o a única realidade existente. Nossa missão, agora, é extrair o máximo de benefício possível desse instrumento tão eficaz, sublimando-o e devolvendo-o à sua origem: Deus.

Iniciamos nossa jornada neste Grande Dia de Manifestação pela construção do Corpo Denso. As experiências adquiridas através de sua utilização ensejam a formação da alma, também definida como o alimento do espírito. Se construímos o corpo e formamos a alma, a tríade se completará pela elaboração do Corpo-Alma, sem o qual não poderemos viver na próxima grande etapa da nossa evolução. Todo esforço despendido nessa tarefa não só nos beneficiará, como também ajudará a elevar a raça humana.

(Publicada na revista Serviço Rosacruz – 01/02-87)

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Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Já sopram já mais da metade dos ventos desse ano terrestre. A parte do ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.

Passados mais da metade, para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.

Uns e outros tendem a encarar o ano que virá (novo) sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos de desse ano aqui. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.

Para aqueles a quem a “sorte sorriu”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.

Observa-se, aí, como o ser humano comum é dominado por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.

Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” dessa parte do ano para trás houve apenas sepultamento. O corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.

Felizmente, há quem logre sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, espíritos mais evoluídos, têmperas forjadas na crueza e experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.

Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.

Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho da perfeição é infinito. Conservam a mente aberta e o coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos ensinamentos do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de desdobrar-se em mil caminhos diferentes.

Esses não sepultaram a parte do ano que já passou. Cremaram-no. Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não. Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para servi-lhes de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.

Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!

Nessa abençoada seara que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.

No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.

Estimado amigo, o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)

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Conforme a Necessidade do Tempo e do Lugar, nós renascemos

Conforme a Necessidade do Tempo e do Lugar, nós renascemos

Os Rosacruzes ensinam que, segundo o desenvolvimento de cada indivíduo ou agrupamento humano e as necessidades de cada estágio evolutivo, as Inteligências Superiores têm dado, por intermédio de seus Profetas, os meios adequados de evolução religiosa. Renascemos sempre no tempo e no lugar requeridos por nossas necessidades internas. E assim ocorre a evolução do sentimento religioso.

O Supremo Arquiteto é Onisciente. Ele não daria a um povo uma religião cujos ideais esse povo não pudesse compreender e os meios que não pudesse executar. Segundo eles, Deus nos provê, dentro da Lei de Consequência, conforme as novas necessidades suscitadas por nossa evolução.

Nos primeiros passos da consciência humana (e que ainda ocorre com as tribos selvagens atuais) foi ensinado que Deus era um Ser terrível, vingativo e mau, que retribuía com pragas, fome e terremotos às transgressões dos seres humanos. Só uma tal Divindade poderia ser respeitada.

Num segundo estágio, Deus já amenizou sua ira. Embora continuasse a castigar o “olho por olho dente por dente”, já recompensava os bons atos, pela multiplicação dos rebanhos e abundância nas colheitas. Os seres humanos sacrificavam cordeiros e bezerros por seus pecados, porque não estavam preparados para fazer de si um sacrifício a Deus, pelo domínio de sua natureza inferior.

Num terceiro estágio (o do Cristianismo popular, até agora vigente, com pequenas atualizações), foi o Cristo sacrificado pelo mundo e nunca mais se sacrificaram animais. Cada ser humano deve buscar sua salvação, ou melhor, sua redenção e, embora Deus ainda “castigue” (a Lei de Consequência) já se oferece a recompensa futura de um céu aos que ajam bem.

A natureza humana é ainda muito egoísta. Age por interesse de alcançar o céu e, quando faz a promessa de um sacrifício, ela está geralmente subordinada à condição de receber a graça, o pedido desejado.

O quarto estágio está sendo pregado e realizado pelos Aspirantes Rosacruzes, pelos seguidores do Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro. Nela o indivíduo evolui pelo entendimento e pelo amor, pelo estudo e pelo trabalho, fazendo de si um sacrifício vivo no altar da humanidade.

Em verdade, quando o ser humano chega a compreender a mensagem interna da religião, sobretudo do Cristianismo, ele renuncia à sua natureza inferior, não por medo de castigo, ou por ameaça de inferno. Age bem, não para ganhar o céu, mas porque reconhece que nisso está uma lei natural. É virtuoso porque conhece o bem e o mal e segue, voluntária e espontaneamente, o bem, como sinônimo de Deus, ao qual segue, e que é a expressão do Criador em Si.

Os Rosacruzes sabem que existem essas etapas todas ainda nos dias atuais. Por isso, ensinam o respeito a todas as crenças e convicções religiosas, pois todas são caminhos de aperfeiçoamento religioso, segundo o estágio de cada indivíduo.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 02/1978)

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A Perfeita Paz do Eterno…para isso você deve saber quem é o seu mediador

A Perfeita Paz do Eterno…para isso você deve saber quem é o seu mediador

Pelo endereçamento de nossos pensamentos a Deus — que é, ao mesmo tempo, o Centro do universo e de cada indivíduo – contatamos e vivenciamos a paz, harmonia, ordem e beleza perpétua; encontramos perfeito repouso e segurança. Nessa quietude mora o infinito poder. Nesse divino Centro habitam a Vida Eterna, a Integralidade, a Beleza, a Perfeição e a Saúde. Em tal estado, o nosso poder de realização e de felicidade ultrapassa o entendimento. Mas, Deus é sábio. Pela mesma lei que amadurece gradativamente o fruto, assim Ele nos amadurece internamente para admitir mais e mais luz, à medida que nos aproximamos de Sua Presença. O impacto de toda a plenitude luminosa, num contato pleno com nosso Centro, ser-nos-ia desastroso. Por isso, existem os degraus da escada de Jacó, as etapas, na medida em que nos preparamos, sem recalques, para exprimir mais Deus. Daí que todas as religiões e filosofias procurem conduzir nossas aspirações, vontade, desejos e pensamentos, ao Divino Centro, que Cristo Jesus despertou dentro de nós.

Segundo o esforço que façamos no sentido de uma vida mais pura e altruísta, segundo o que o Mestre dos Mestres nos ensinou, assim também será nosso progresso ascensional em direção a um vislumbre dessa vivência suprema. Por certo que nossa vontade se agigantaria, levando-nos resolutamente a concentrar todos os esforços para alcançar a meta. Mas nem é preciso isso. A promessa de Cristo é muito clara: “Buscai e achareis”; “Batei e ser-vos-á aberta a porta”; “Pedi e recebereis”. Contudo, impôs a condição: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça e todas as demais coisas vos serão acrescentadas”… Vigiemos e oremos, pois, buscando metodicamente, sem preocupações, o reino de Deus em nós. Os que buscam sempre encontram; os que batem à sua porta serão admitidos… Não há outro caminho para Deus. Aqueles que buscam o desenvolvimento interno por métodos ocultos e metafísicos, que deixam o Cristo de fora, correm graves perigos.

Cuidado com eles. Cristo Jesus é único mediador “entre Deus e o Homem”. Basta que sigamos os Seus ensinamentos.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)

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Desenvolvimento Equilibrado: como está o seu?

Desenvolvimento Equilibrado: como está o seu?

No Livro “Ensinamentos de um Iniciado”, Max Heindel afirma que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz concluíram que o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência ante as restrições seriam os “pecados” mais comuns nos tempos modernos.

Uma visão crítica do mundo atual confirma com exatidão essas palavras proféticas. O intelecto tornou-se uma faca de dois gumes. É, sem dúvida, o instrumento mais útil à disposição do ser humano para conquistar e exercer domínio sobre a matéria. Por outro lado, tem sido a causa de muita miséria individual e social. Frio como é, e não raro impermeável ao calor dos sentimentos, o intelecto induz decisões sem o respaldo do amor.

A intolerância e a impaciência ante as restrições são também filhas do intelecto, desse dominador, pronto a se rebelar quando algum obstáculo parece se interpor em seu caminho.

A Mente é o veículo mais recente adquirido pelo ser humano, encontrando-se ainda no primeiro estágio de seu desenvolvimento. Não estando a cargo de outras Hierarquias, deve ser dominada e desenvolvida pelo próprio indivíduo, sem qualquer ajuda externa.

O intelecto gera o egoísmo e o egocentrismo. Fomenta um espírito de superioridade conducente à intolerância em relação a algo de que discordamos ou consideramos intelectualmente indigno de nós mesmos.

Existindo para si mesmo, o intelecto é frio e calculista, procurando reforçar o conhecimento com adicional conhecimento para promover os interesses pessoais do Ego.

Dessa forma chega a ser tanto um instrumento como fonte de incentivo ao egoísmo. O desenvolvimento equilibrado do Coração e da Mente constitui o único meio para neutralizar esse risco. É mister que o amor inerente ao primeiro dirija por canais universalmente construtivos o conhecimento adquirido pelo último. Nossas capacidades mentais e devocionais devem se unir e esse equilíbrio só atinge a perfeição quando o indivíduo atinge o nível evolutivo de um Adepto, conforme nos ensina o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Importante, também, que se faça este esclarecimento: não fazemos nenhuma objeção ao conhecimento em si mesmo. Particularmente nesta época de grande avanço científico é essencial uma diversidade de conhecimentos para que as inovações beneficiem efetivamente a humanidade. O uso que o ser humano faz de seu intelecto é que determina se está seguindo linhas materiais ou espirituais de desenvolvimento.

Dessa maneira, percebe-se quão importante é desenvolver o aspecto devocional da nossa natureza, a caridade e a simpatia, à medida que as faculdades intelectuais são robustecidas.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – set/out/87)

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O Batismo da Consciência e a Iniciação

O Batismo da Consciência e a Iniciação

“Há um Natal humano, esse momento marcado pelo nosso aparecimento num corpo, vindos à luz deste mundo e que consta oficialmente nos registros de nascimento. Há outro Natal, macrocósmico, quando a consciência recebe o seu ‘BATISMO DE FOGO’, ou Iniciação…”

Então todo o ser se transforma, transmutando-se numa Luz humana, viva e transcendente. É uma “inundação” de consciência em que o Neófito ou Iniciante fica impregnado das radiosas energias Crísticas e ingressa no mundo suprafísico, como novo nascido, em amplas esferas espirituais. Torna-se por assim dizer, um auxiliar invisível, um pequeno redentor.

São nove os passos para a Libertação. São também nove os estratos ou camadas da Terra para se chegar ao núcleo central, o Espírito da Terra ou o Raio Redentor do Cristo Cósmico, que vive aprisionado até o dia da manifestação dos Filhos de Deus (INICIADOS). É também nove o número da humanidade, ADM, o Adam-Kadmon, seres bissexuais, hermafroditas, das antigas Épocas Atlante e Lemúrica. São nove também os mundos ou dimensões em que o ser humano evolui, desde que se diferenciou do Grande Ser Cósmico, até ao presente DIA DE MANIFESTAÇÃO.

“Tal como é em cima, é embaixo”, diz o axioma hermético, “para se fazer a unidade entre as coisas”. A lei de analogia que é a mesma tanto para o Macrocosmos, como para o Microcosmo, revela-nos que tudo o que sucede aos humanos sob certas condições, deve também suceder aos seres sub-humanos em condições análogas.

Quando nos aproximamos do Solstício de Dezembro os dias são os mais sombrios do ano, a luz solar incide indiretamente no solo, dado que o sol, o dador da vida, encontra-se nesta época do ano, no hemisfério meridional celeste, no lado sul do céu. O hemisfério norte, frio e lúgubre, espera o dia da manifestação física do sol do novo ano, é então que, na noite mais escura do ano, o sol ascende às regiões do Norte.

A Luz Crística renasce então na terra, alegrando tudo e todos. Por outro lado, em virtude dessa mesma lei, quando o Cristo Cósmico nasce na Terra, ele morre nos céus, nos planos internos…

Desde o nascimento, o espírito do ser humano fica sólida e temporariamente preso num envoltório de carne que o manterá cativo toda a sua vida; assim também o Espírito de Cristo fica ligado à Terra, cada vez que nasce no nosso planeta. Esse divino sacrifício tem início todos os anos, quando soam gloriosos os sinos natalícios e quando os nossos cânticos e atos internos mantêm-se com júbilo, ascendendo em direção aos mundos elevados. No sentido mais literal, o Cristo Cósmico está aprisionado desde a época natalícia até a Páscoa.

“Deus é Luz”, exclama maravilhado, o inspirado discípulo. Quando andamos na luz, o divino acompanha-nos. A Iniciação tem um profundo significado para o discípulo que caminha em direção à Luz do íntimo, à Luz deslumbrante do Verbo, o segundo Aspecto do Ser Supremo, criador e conservador do nosso mundo. Dotado de duas divinas características:  AMOR-SABEDORIA, o Verbo torna-se um com o Novo Iniciado.

Nos antigos Templos de Mistérios do Egito e da antiga Grécia ensinava-se aos candidatos à Iniciação a Ciência do autêntico saber, que englobava a Ciência, Filosofia e a Arte. E desde o século XI, esses são os três pilares em que assenta a civilização ocidental moderna.

Durante a Idade Média, assistiu-se a um recrudescimento gradual do dogmatismo religioso, tendo, como consequência imediata, o surgimento do obscurantismo. Foi a época gloriosa em que dominou a religião cega e sectária, inquisicional, cujo apogeu chegou em fins do século XV, época de transição entre a “doentia” Idade Média, várias vezes denominada por alguns autores como a idade negra da História, e o intelectual século do Renascimento e da Arte, período em que floresceu todos aqueles cambiantes de cores, sons e formas que é a Arte, a Estética e o Belo.

Atualmente, com o advento da Revolução Industrial, nos fins do século XIX, assiste-se a um acentuado domínio da ciência, cujo auge está muito próximo. No dealbar de um novo Período de Manifestação, surgirá a luminosa Era de Aquário, com todas as suas características, entre as quais o Altruísmo, a Fraternidade e o Amor Cósmico.

No mundo ocidental, a palavra ‘Iniciação’ geralmente está associada ao ocultismo ensinado nas religiões orientais e considera-se que é exclusivo privilégio dos seguidores das religiões budista, hinduísta e outras, não tendo, porém, relação alguma com as religiões do Ocidente, nomeadamente com a Cristianismo.

Essa ideia, prova-se, não tem o mínimo fundamento. Na antiguidade, o Tabernáculo do Deserto (símbolo do nosso Templo Interno) representava, no seu simbolismo, o caminho do progresso, partindo da nata ignorância ao Supremo Conhecimento. Os “Vedas” foram o veículo que levou a luz aos ferventes fiéis das margens do Ganges; os “Edas” foram a estrela que conduziu o povo das montanhas da Escandinávia que procuravam a luz na antiga Islândia, através dos mares gelados, onde vogavam as naus dos bravos Vikings. “Arjuna” comprometida na nobre luta do “Mahabharata” ou Grande Guerra, permanentemente sustentada entre o Eu Superior, o Espírito Interno, e o eu inferior, a natureza viciosa, não difere um único ponto do mito nórdico da alma “Siegfried”, cujo sentido é “que atingiu a Paz, após longas lutas e privações”. Ambos representam o Candidato à Luz suprema, passando pelas provas da Iniciação; não obstante as suas experiências nesta grande aventura interna variarem em certos aspectos, tomando em conta a diferença de temperamentos entre os povos setentrionais e os meridionais e respectivos Ensinamentos, os principais traços são semelhantes e o objetivo comum é o de atingir a luz do Conhecimento Macrocósmico. Espíritos de eleição têm caminhado através da Luz, no interior dos Templos deslumbrantemente iluminados da Pérsia antiga, onde o DEUS-SOL, no seu Trono de Fogo, era o símbolo da Luz e do Conhecimento, tal como a presença mística fortemente iluminada, difundida pela aurora boreal, nos mares gelados do Norte. Na realidade, a verdadeira Luz do Conhecimento Esotérico mais profundo, tem existido através de todas as épocas e mesmo nos séculos mais obscurantistas, no âmbito moral e intelectual.

No antigo Egito, os Sacerdotes eram Altos Iniciados e Hierofantes dos Mistérios Menores. Os Candidatos eram iniciados separadamente do povo comum; era-lhes dado um novo nome, aliás como tem sucedido em outras épocas, e em diversas outras Escolas de Iniciação e modelo da Iniciação, os passos para a Realização integral era o que hoje denominamos de Pirâmide de Quéops, a grande Pirâmide. Erradamente se tem dito que o colosso servia de simples túmulo a um Rei Sacerdote, o Faraó Quéops. Investigações recentes demonstram que de fato havia demasiada coincidência para que a Pirâmide de Quéops tenha sido utilizada unicamente como receptáculo dos restos mortais de Quéops. Provou-se, então, que esse imponente edifício de pedra era um autêntico Centro de Iniciação dos antigos herdeiros do povo Atlante — o povo egípcio.

Os verdadeiros Aspirantes ao Conhecimento Divino vivem num constante aperfeiçoamento de si próprios até uma absoluta maturação interna em que o Cristo Interior manifesta-se pela primeira vez. Tal como a criança nascente tem necessidade do alimento físico, o Cristo interior que nasceu em nós — Batismo de Fogo — necessita do alimento espiritual até o momento em que atinge a estatura adulta. Assim como o corpo físico desenvolve-se através de uma contínua assimilação de materiais provenientes da Região Química (Sólidos, Líquidos e Gases), o Cristo em crescimento faz aumentar os dois Éteres Superiores (o CORPO-ALMA), que formam uma nuvem luminosa (a Aura) à volta daqueles que são suficientemente elevados para se dirigirem aos Mundos Suprafísicos. Notada pelos clarividentes exercitados, essa aura luminosa reveste o Aspirante de uma luz transcendente. É assim que ele “caminha na Luz”, em toda a sua acepção do termo.

Existem vários graus de clarividência, ou visão espiritual (adquirida com a Iniciação). O primeiro grau outorga ao Iniciado a possibilidade de perceber o Éter, vulgarmente invisível aos olhos físicos. Outros graus, mais elevados, tornam o Iniciado apto a “ver” o Mundo do Desejo e o Mundo do Pensamento, a partir do Mundo Físico.

A Iniciação, sendo o pleno despertar da consciência às realidades internas circundantes, eleva o Candidato aos mais elevados Mundos Internos, Pátria do Altruísmo e sede dos Arquétipos modeladores e conservadores de tudo quanto existe na Terra.

O novo Iniciado renasce “nos Céus”, após um período de busca, de sacrifícios e privações, como Siegfried, o Herói Místico da doutrina escandinava.

“Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece” é um axioma infalível. Quando o Espírito tiver formado, com o auxílio de bons atos, dos sacrifícios (sacro-ofícios) e do serviço diário, a CATEDRAL MÍSTICA e Interna, unindo a sua mente à intuição (o coração puro), então a Luz manifesta-se (Mestre) e nascerá um filho (o Cristo Interno) ou seja. A INICIAÇÃO ou BATISMO DE FOGO; essa é a verdadeira intuição, o Guia Interno. A partir desse momento, o Iniciado sabe guiar-se, sem ajuda de meios exteriores, até os Mundos Internos, pois é o Mestre interior, o Cristo Interno, o Cristo Cósmico do Ser Humano-Iniciado que o guia.

(Publicado na revista “Serviço Rosacruz” – jul-ago/87)

 

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A Economia da Nova Era

A Economia da Nova Era

Consta como definição no dicionário que economia “é a ciência que investiga as condições e leis relacionadas com a produção, distribuição e consumo da riqueza”, i.e. de bens e serviços.

A economia, porém, é mais do que, simplesmente, um estudo da produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A economia tem uma relação simbiótica com a religião e a filosofia.

A economia pode ser melhor definida como aquela área do pensamento filosófico na qual se baseia a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A ideia de que a economia possa existir, divorciada quer da filosofia, quer da religião é um engano. As ideias filosóficas e religiosas moldam o pensamento econômico. A filosofia econômica duma pessoa não é mais do que o reflexo de sua filosofia de vida, quer seja política, religiosa ou materialista.

Para entender melhor a economia, devemos primeiro adquirir a compreensão das três filosofias de vida básicas, das quais a economia é dependente.

A Teoria Materialista sustenta que a vida é uma viagem do ventre à tumba; que a Mente é um produto da matéria; que o ser humano é a mais elevada inteligência no Cosmos; e que essa inteligência morre quando o corpo se dissolve, na morte.

A Teoria Teológica afirma que em cada nascimento, uma alma recém-criada por Deus, entra na arena da vida; que no fim do breve espaço de tempo de uma vida material passa pelo portão da morte para o além invisível, para lá ficar; e que sua felicidade ou desdita no além é determinada para toda a eternidade, em função das crenças que mantinha enquanto vivo.

A Teoria do Renascimento ensina que cada alma é uma parte integrante de Deus, que abriga todas as potencialidades divinas, assim como a semente tem em si a planta; que, por meio de repetidas existências num corpo terreno, gradualmente aperfeiçoável, desenvolve lentamente aqueles poderes latentes, em energia dinâmica; que ninguém se perde, mas que todos os Egos atingirão, por fim, o objetivo da perfeição e reunião com Deus.

Algumas teorias econômicas diferentes foram produzidas em consequência dessas filosofias de vida. A teoria de vida materialista gerou o capitalismo, o comunismo, o socialismo e o fascismo. Um grande número de pessoas que mantém a Teoria da Teologia na base de sua filosofia de vida, também se sentiram inclinadas a adaptar uma das acima mencionadas teorias econômicas.

Voltemos à ideia de que a filosofia econômica duma pessoa não é mais do que o reflexo de sua filosofia de vida. Infelizmente, poucas pessoas têm uma ideia clara do que seja a sua filosofia de vida e muito menos do que deva ser sua filosofia econômica. Muitos de nós aceitam cegamente, como Verdade, aquilo que nos foi ensinado na infância. A aceitação do que nos foi ensinado significa que também aceitamos a filosofia de vida na qual esses ensinamentos foram baseados. Se, por exemplo, nos ensinaram coisas dum ponto de vista materialista, aceitamo-las inconscientemente, e vivemos o nosso dia a dia usando um dos sistemas econômicos nutridos por aquele sistema filosófico. Apesar de tudo, sentimo-nos frustrados e inquietos. Só quando descobrimos que há outras filosofias de vida, encontramos esperança no futuro, mas, muito frequentemente, esta esperança desvanece-se.  Concluímos que mesmo que mudemos nossa filosofia de vida, continuamos sentindo inquietude e frustração. Isso é devido ao fato de que, embora tenhamos mudado a nossa filosofia de vida, digamos, de materialista para espiritualista, ainda continuamos a seguir a filosofia econômica materialista no nosso viver e pensar quotidianos. Fazendo assim, realmente continuamos sendo materialistas, embora tentemos seguir a senda espiritual. Não admira que nos sintamos inquietos e frustrados.

Devemos desenvolver uma filosofia econômica espiritual que se ajuste com a nossa filosofia de vida espiritual. Somente então nos sentiremos mais à vontade e venceremos os nossos sentimentos de frustração.

Achamos que é possível para alguém mudar de uma filosofia materialista de vida para, digamos, uma visão teológica de vida, ao mesmo tempo que conserva as suas velhas ideias sobre economia, sem, no início notar qualquer conflito. Mesmo aqueles que adaptaram a Teoria do Renascimento como sua filosofia de vida, em muitos casos conservaram suas velhas ideias materialistas no que se refere à economia. Todavia, se se é sincero quer no ideal teológico, quer no ideal espiritual adaptados, tem que surgir uma situação de constrangimento, porque não podemos servir a Deus e a Mamon simultaneamente.

Tanto o materialista como a teológica são capazes de viver com suas filosofias econômicas, até certo ponto. Quanto mais conscientes forem de suas filosofias de vida e econômica, mais susceptíveis estarão de se se sentir frustrados, ter uma sensação de inquietação e um sentimento de insatisfação. O materialista sente-se frustrado, porque cedo aprende que o dinheiro não se constitui na solução de seus problemas.

O dinheiro não compra felicidade. Alguns que seguem a filosofia de vida teológica chegam à conclusão de que não podem confinar os seus sentimentos religiosos às práticas dominicais. Descobrem que uma vida espiritual tem que ser vivida vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana. Muitos sentem-se frustrados quando intentam reconciliar seus ideais religiosos com o viver diário. São confrontados com o antigo conflito de servir a Deus ou a Mamon. Esse conflito e sua consequente frustração resultam do fato de que sua filosofia econômica está baseada numa filosofia de vida materialista. A desarmonia dessas filosofias conflitantes produz frustração.

Esses sentimentos são também compartilhados por aqueles que adaptam, ao mesmo tempo, a Teoria do Renascimento e uma das acima mencionadas Filosofias econômicas materialistas.

Os sentimentos de frustração, inquietude e insatisfação do materialista e do teólogo resultam do fato de que suas teorias econômicas são baseadas em teorias de vida falsas. Portanto as suas ideias sobre economia são também falsas. Podemos ver agora por que muitas pessoas que adaptaram simultaneamente as ideias do renascimento e uma das filosofias econômicas materialistas sentem-se frustradas, inquietas e insatisfeitas: elas estão tentando viver com duas filosofias ao mesmo tempo. Estão tentando seguir uma vida espiritual e ao mesmo tempo trilhar um caminho materialista.

Os sistemas econômicos correntes, criam, alimentam e encorajam a cupidez. Os estudos espirituais têm a finalidade de desenvolver o altruísmo. Em qualquer época de sua vida terão que escolher um ou outro.

Por que é que aquelas teorias econômicas correntes são incapazes de resolver os nossos problemas do dia a dia, para não falar nos nossos problemas mundiais? A razão é simples. O pensamento econômico corrente é baseado na teoria materialista que criou as seguintes ilusões; a prosperidade universal é possível; sua consecução é possível na base da teoria materialista de “Enriquecei-vos”; este é o caminho para a paz… A ênfase da teoria econômica corrente repousa em bens materiais e prosperidade material.

Como E. F. Schumacher no seu livro “Small is Beautiful” diz: Qual o significado de democracia, liberdade, dignidade humana padrão de vida, autoafirmação, realização? É uma questão de bens ou de pessoas? É claro que é uma questão de pessoas…, mas as pessoas só podem ser elas próprias em pequenos grupos abrangentes. Portanto temos que aprender a pensar em termos de uma estrutura articulada que possa abrigar uma multiplicidade de unidades de pequena escala. Se o pensamento econômico não pode compreender o significado disso, é inútil. Se não pode ir além de suas vastas abstrações, a receita nacional, a taxa de crescimento, a taxa de rendimento de capital, análise de absorção de capital e rendimento, rotatividade de mão de obra, tome contato com as realidades humanas de pobreza, frustração, alienação, desespero, ruína, crime, escapismo, fadiga, fealdade e morte espiritual, e então joguemos fora a economia e recomecemos de novo.

Voltemos à ideia de que a filosofia econômica é o produto da filosofia de vida. Verificando que tanto o conceito de vida materialista como o teológico, em virtude de seus ensinamentos errados no que concerne à vida e à morte, produziram filosofias econômicas incapazes de resolver os nossos problemas pessoais ou mundiais, voltamo-nos para o renascimento na esperança de encontrar uma filosofia econômica sólida. A Teoria do Renascimento, como é ensinada pela Fraternidade Rosacruz, é uma filosofia de vida espiritual, baseada em ensinamentos cristãos. Mediante essa filosofia de vida, encontraremos uma política econômica pela qual possamos guiar as nossas vidas.

Se, na verdade, o pensamento econômico é o resultado do pensamento filosófico, então para mudar as políticas econômicas do mundo, teremos que mudar os pensamentos filosóficos dominantes no mundo atual.

Teremos que nos voltar para uma filosofia fundamentada não no materialismo ou no objetivo limitado da dialética teológica, mas para uma filosofia que ofereça uma esperança de solução para todas as angústias da humanidade.

Todas as correntes econômicas atuais fazem convergir a atenção do ser humano para o mundo material. A tudo se confere um preço. Pensamos em termos de propriedade, de compra e de venda. Andamos em busca de empregos com melhores salários, de carros mais caros, e de lazer mais sofisticado e dispendioso. Nossa atenção está concentrada no mundo material.

Para que sobrevivamos, temos que compreender que a existência material é somente uma pequena parte de nossa peregrinação evolutiva. Temos que equilibrar a nossa atenção entre as nossas necessidades espirituais e materiais. Temos que refrear os nossos Corpos de Desejos, mantendo-os sob controle; devemos concentrar-nos nas reais necessidades da vida e não em todos os nossos desejos caprichosos. Devemos encarar o trabalho como um meio de desenvolver as nossas faculdades. A tecnologia deve servir ao ser humano — não o indivíduo a tecnologia. Devemos encarar as oito horas de trabalho como oito horas de vida e saber que a vida de um homem é tão valiosa como a de seu semelhante.

Os nossos novos programas de economia devem brotar de meditações sobre o renascimento e a Vida de Nosso Mestre e Senhor, Cristo Jesus.

Somente encarando a humanidade através do alcance do progresso espiritual sem limites e usando a Vida de Cristo como nosso ideal, teremos alguma esperança de encontrar, algum dia, uma solução para todos os problemas de frustração, alienação, desespero e aniquilamento espiritual.

“Procura primeiro o Reino de Deus e todas as coisas te serão dadas, por acréscimo”.

 (Traduzido da Revista Rays from The Rose Cross e Publicado na revista Serviço Rosacruz –9/49)

 

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A Paciência e o que ela tem a haver com a Sabedoria

A Paciência e o que ela tem a haver com a Sabedoria

Há muitos e muitos anos vivia em uma cidade, cujo nome não me lembro, um jovem que, apesar de sua grande instrução, não estava satisfeito com os conhecimentos que possuía e queria aumentá-los ainda mais.

Um dia, falando com um viajante que chegara de outras terras, este lhe dizia que em uma aldeia muito longe vivia um sábio que era a pessoa mais virtuosa do mundo e que, apesar da fama que possuía, trabalhava humildemente como ferreiro, ofício que também havia sido o do pai e o do avô.

Ahmed, assim se chamava o jovem, quis logo colocar-se sob a proteção daquele homem virtuoso, imitá-lo, escutar-lhe os conselhos. Num belo dia, tomou as sandálias, o alforje, o bordão e se encaminhou para o país, rapidamente, ansioso por adquirir a sabedoria do humilde ferreiro que, segundo o viajante, era o assombro das gentes, que o consideravam como a um ser superior devido às virtudes que possuía.

Depois de andar muitos dias, chegou, enfim, à cidade e perguntou onde ficava a casa do sábio ferreiro. Indicaram-na e lá se foi Ahmed.

Chegando à presença do ancião, beijou-lhe a fímbria do manto, como prova de respeito.

— “Que desejais, filho meu?” — Perguntou, com afabilidade o ferreiro.

— “Aprender, mestre…” respondeu o jovem, inclinando-se novamente. “Disseram-me que sois sábio e quero que me guies”.

O ferreiro, como resposta, fez o rapaz entrar na ferraria, pôs-lhe a corda da forja nas mãos e lhe disse que a pusesse em função.

Ahmed, obediente e sem protestar, pôs mãos à obra. Nela persistiu dias, semanas, meses sem que o mestre ferreiro e seus discípulos — que também desempenhavam rudes tarefas — se queixassem delas e, o que é mais estranho, sem que ninguém lhe dirigisse a palavra, como se o ignorassem inteiramente.

Assim transcorreram cinco anos. Ahmed ia todos os dias à ferraria e, terminadas as horas de trabalho, se recolhia ao albergue, sem ter nenhuma distração.

Uma tarde, por fim, encorajou-se a falar:

— “Mestre! ”

O ferreiro, suspendeu o trabalho e seus discípulos, ansiosos o imitaram.

– “Que queres? ” – Perguntou o sábio.

— “Ciência! ” — Pediu Ahmed.

“Continua puxando a corda da forja” — retrucou o ferreiro, voltando à tarefa.

Assim transcorreram outros cinco anos, durante os quais, da manhã à noite e sem que nada falasse, Ahmed continuou puxando a corda grossa da forja, sem queixar-se, com a maior resignação. Dava exemplo de laboriosidade incansável e de interesse por aquele trabalho monótono que a outro aborreceria.

Um dia, finalmente, o velho ferreiro, que durante todo aquele tempo parecia não notar sua presença, acercou-se dele e tocou-lhe o ombro.

— O jovem sentindo uma agradável emoção, soltou a corda e o Mestre lhe disse:

— “Filho meu, já podes voltar à tua Pátria com a certeza de levar em teu cérebro e em teu coração a ciência do mundo e da vida”.

— “Oh Mestre! ” — Retrucou Ahmed, cheio de assombro. “Será possível que eu possua a ciência da vida? Não posso crer, não posso ser a pessoa de admiração que me inspiram vossas sábias palavras!”

— “Sim, filho meu, não duvides nem te admires” — insistiu o sábio ferreiro – “Conseguiste toda a ciência do mundo e da vida ao adquirir a virtude da paciência”.

E, dando-lhe um beijo na testa, como em um filho, o despediu atenciosamente.

E Ahmed voltou para seu país levando em sua alma uma grande serenidade, uma paz incomparável e viveu feliz, pensando que o velho ferreiro tinha razão, pois a paciência é a suprema sabedoria.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz em junho/1967)

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Um Pouco de Culpa em Todos

Um Pouco de Culpa em Todos

Muitos dizem que deveríamos orar constantemente para melhorar o mundo; e assim o fazemos quando vamos aos templos e escutamos benéficos sermões, ouvimos missas, etc., mas o que ocorre na vida prática é que nos esquecemos do que ouvimos e do que aceitamos intimamente, ainda que algo assim, grandemente marcante, atinja nosso sentimento.

O pensamento criador que é essência divina, poderá melhorar o que lamentavelmente hoje ocorre com grande frequência, como às guerras que estamos vivendo, assim como as inumeráveis perturbações saciais.

Vamos esclarecer melhor:

Pode-se dizer sem vacilação alguma que é verdade que em nossos dias uma maioria extraordinária continua lutando para defender e acumular mais e mais bens e riquezas materiais, sem preocupar-se muito, às vezes nem um pouco, da Lei Divina. Crentes e ateus, todos tentam defender sua bolsa e seu dinheiro, enquanto milhares de seres padecem de fome ou sede espiritual, fome que poderia ser saciada com a doação do pouco daquilo que, os que muito têm, lhes sobra; ou sede que poderia ser aliviada pela fé no senhor. O egoísmo humano se assenhoreou tanto dos corações, que quando se medita nos fatos de nossa vida, compreende-se com facilidade que nem ainda os crentes, que dizem amar a Deus, não se deram conta dos conselhos do Divino Mestre Jesus Cristo, de suas máximas puras e perfeitas que poderiam salvar o mundo do caos que segue precipitando-se por sua loucura egoísta.

Sabemos que existe uma minoria que pode gozar dos benefícios espirituais que produz o amor, o serviço e a caridade, mas muitíssimos são os que se somam ao número da indiferença, esquecendo quase com naturalidade os ensinamentos de Jesus Cristo, porque nem todas as religiões seguem fiéis aos verdadeiros postulados, ensinando e praticando, essencialmente a verdade de Cristo; e religiões que tergiversaram os verdadeiros ensinamentos de Cristo, que de nada servirão seus alardes e cerimônias cheias de ostentação, se não se decidem a retificar sua conduta e fazer com que o ser humano recupere a fé, por seus bons conselhos e pelas boas ações. A falta de fé consciente trouxe à sociedade males gravíssimos, precipitando-a a uma das piores sendas: “A Guerra”.

A verdade é que todos temos um pouco de culpa deste momento difícil de hoje. Vivemos nos enganando uns aos outros, e esta cruel barbaridade nos situou neste ambiente que asfixia por todo lado. Nem políticos, nem religiões que não cumprem com os mandamentos podem salvar esta situação; não é um problema de uns poucos seres humanos de boa vontade, é uma solução que devem achá-la todos os homens e todas as mulheres. Precisa-se, pois, reconhecer a verdade que Jesus Cristo ensinou e que hoje está falsificada pelo egoísmo. Rompamos a cadeia de indiferença e voltemos ao caminho da espiritualidade, mas entremos decididos a trabalhar e a estudar.

O rosacrucianismo de Max Heindel é um excelente curso de verdades que revelam a existência eterna de nosso destino: se nós decidimos a estudar e a praticar seus ensinamentos, compreenderemos com facilidade a grande missão de Jesus Cristo e de outros enviados para libertar a humanidade de seus sofrimentos, e a nossa missão a cumprir.

Se somos bons e fiéis discípulos do Mestre, a resposta será, caminhar pela senda espiritual, onde levemos a Deus em nosso coração e em nossas obras. Se a maioria se interessa por buscar a Paz no mundo, a Paz que desejamos para a felicidade dos povos, na medida de nossas forças, devemos colaborar nesta conquista sublime da humanidade. E não duvidemos, pois, nosso esforço contribuirá com algo, para que nosso Senhor, o Cristo, volte a reinar, estabelecendo a ordem e “Paz na terra aos homens de boa vontade”; não são só palavras, mas sim essencialmente verdades.

Para criar aquela poderosa Fé tão necessária teria que aceitar a imortalidade do espírito e saber o que é a Vida que para defini-la Max Heindel anotou em seus livros: “Se se pergunta a um indivíduo de ciência qual é a origem da Vida, começará a falar de protoplasma, prótons ou qualquer outra coisa de natureza parecida, mas isto só concerne à forma, não importa quão insignificante, pequena ou simples seja essa forma: é uma forma, e do ponto de vista do ocultista, a pergunta está mal formulada, porque o espírito é, sempre será.

Disse Sir Edwin Arnald em seu formoso poema ‘A Canção Celestial’:

‘Nunca nasceu o espírito e nunca deixará de ser.

Nunca houve tempo em que ele não fosse, pois princípio e fim são só sonhos

O espírito permanece sempre sem nascer, nem morre, e a morte não pode afetá-lo absolutamente.

Assim como alguém tira a roupa já usada e pegando outra diz: ‘Colocarei essa hoje’, assim também o espírito deixa sua roupa de carne e vai em busca de outra nova’.

É a vida que constrói as formas e as emprega por um certo tempo para progredir com sua ajuda, e quando sua utilidade estiver terminada a vida se vai, então as formas que deixam ficam mortas. De maneira que a vida é e não tem origem nem fim. A morte? Pois ela é apenas um parêntese”.

(Publicado na revista serviço Rosacruz de jan.fev/87)

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A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

Nossa evolução está muito ligada à nossa capacidade de usar o Corpo Denso. Aliás, o objetivo da nossa permanência neste plano durante muitos renascimentos consiste em aprender tudo sobre este estado peculiar de matéria, dominando-a e utilizando-a em escala de crescente eficiência.

O Corpo Denso é o nosso veículo mais antigo e por essa razão o mais desenvolvido. Nos primórdios da nossa evolução sobre a Terra, a constituição dele era bem diferente da atual. As condições ambientais davam-lhe configuração e sensibilidade peculiar. À medida que as Épocas se sucediam, esse importante veículo se aperfeiçoava ganhando novas e mais dinâmicas faculdades.

Na Época Lemúrica, o Corpo Denso do ser humano conformava-se às altas temperaturas ambientes, pois muitos vulcões encontravam-se em plena atividade. Como a temperatura interna do corpo quase se igualava à do exterior, era-lhe quase impossível reter muita umidade e esse fato tornava muito débil e incipiente a circulação sanguínea. Como o sangue é o elemento através do qual o espírito controla seu corpo, é fácil deduzir quão precário era esse domínio.

Na Época Atlante, as coisas se modificaram. Como a atmosfera passou por um processo de resfriamento o ser humano conseguiu reter mais fluidos no corpo, a produzir mais sangue e através deste a exercer maior domínio sobre seus veículos.

Esse domínio, entretanto, era rudimentar, pois o espírito ainda não conseguia manobrá-lo com eficiência.

Para chegar às condições atuais, nosso veículo Denso teve de passar por muitas transformações. Nossa capacidade de autoconsciência no próprio corpo nunca foi tão eficiente como agora. Contudo, defronta-se o ser humano com o grande perigo que é agir e pensar como se fosse o próprio corpo, confundindo-se com ele e julgando-o a única realidade existente. Nossa missão, agora, é extrair o máximo de benefício possível desse instrumento tão eficaz, sublimando-o e devolvendo-o à sua origem: Deus.

Iniciamos nossa jornada neste Grande Dia de Manifestação pela construção do Corpo Denso. As experiências adquiridas através de sua utilização ensejam a formação da alma, também definida como o alimento do espírito. Se construímos o corpo e formamos a alma, a tríade se completará pela elaboração do Corpo-Alma, sem o qual não poderemos viver na próxima grande etapa da nossa evolução. Todo esforço despendido nessa tarefa não só nos beneficiará, como também ajudará a elevar a raça humana.

(Publicada na revista Serviço Rosacruz – 01/02-87)