Categoria Esquema, Caminho e Obra da Evolução

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A Conquista da Liberdade impossível de você obter aqui

A Conquista da Liberdade impossível de você obter aqui

Dentro de cada ser humano há um impulso para a liberdade. Pode manifestar-se às vezes como um convite alegre a “subir mais acima” para alcançar mais ansiosamente a liberdade que pode tomar e fazer sua. Esse impulso interno tem sido chamado “o descontentamento divino”, que incita o espírito conquistador a seguir adiante, para cima e para sempre. Esse impulso é também responsável por nosso progresso no caminho espiral da evolução.

Ainda que esse impulso possa estar inteiramente latente, ou talvez embotado pela inércia mental e por forças das circunstâncias, não obstante, está presente, e destinado a vivificar-se e converter-se na força motriz do indivíduo. Provavelmente não há maneira melhor de determinar até onde chegou alguém no caminho espiritual da vida contínua, do que considerando o grau de sua aspiração à liberdade, indicado pelo zelo com que se esforça em sua vida diária a fim de alcançar tal liberdade.

Mas aqui necessitamos decidir exatamente o que queremos dizer com a palavra liberdade. Liberdade de que ou para quê? É uma interrogação lógica. Existem dois pontos de vista principais que podemos usar para obter uma perspectiva satisfatória desse polêmico tema.

Em primeiro lugar está o conceito comumente aceito de liberdade: liberação de fatores externos, tais como um governo ditatorial, uma igreja dominante ou condições sociais escravizantes, de tal modo que o indivíduo possa viver em liberdade de adorar como lhe aprouver, de falar e de escrever livremente sem temor de intimidação e perseguição, de trabalhar em local de sua escolha, sob condições convenientes ao seu próprio respeito e à sua boa saúde; de votar e ser votado para participar num governo “do povo, pelo povo e para o povo”. A luta da humanidade em prol dessas liberdades tem chamado a atenção de pensadores avançados e escrito páginas da história durante os séculos passados e ainda prossegue nos dias de hoje.

Na primeira metade do século VIII, Joseph Addison, um dos grandes pensadores e figuras literárias de seu tempo, afirmou: “Quando a liberdade desaparece, a vida torna-se insípida e perde seu sabor”. Pouco tempo depois, o poeta William Cowper acrescentou: “Liberty, like day, breaks on the soul, and by a flash from heaven fires all the faculties with glorious joy” (“A liberdade, como o dia, amanhece na alma, e como um relâmpago do céu incendeia todas as faculdades com alegria gloriosa”).

Essa “alegria gloriosa”, uma vez provada, não é fácil de ser esquecida. Na perseguição dela, o homem entra na vida ativa, a vida na qual o ser humano é incentivado a demonstrar o que sabe, a pôr em uso cada uma das faculdades que possui, a recusar a tranquilidade física e mental, mediante a qual pode ser reduzido à escravidão. Os seres humanos do mundo que aceitaram esse desafio no passado são os que hoje estão na vanguarda da civilização, porque é óbvio que a causa da liberdade se identifica com a causa do progresso do Espírito humano.

Podemos ler a respeito de alguma fase da luz do ser humano por sua liberdade em praticamente todas as revistas noticiosas publicadas na atualidade; as dificuldades raciais na África e em outras partes do mundo; a tendência para o nacionalismo em países que até o momento estavam subjugados; os esforços para a alfabetização entre milhões de analfabetos vergonhosamente escravos da ignorância e da pobreza; as controvérsias concernentes ao pensamento regimentado nos Estados Unidos e em outras partes; as revoluções agrícolas e econômicas que têm lugar na Índia, África, América do Sul e em vários outros países, quando as pessoas tratam de aprender a prover-se de alimento suficiente e de melhores lugares; as cruzadas contra o crime, os narcóticos, o álcool, etc.

Há, efetivamente, na atualidade, uma intensificação da perseguição do ser humano em prol da liberdade. Toda a humanidade está sujeita à pressão que sempre vem no final de uma era. Estamos agora no final da Dispensação Pisciana e fazendo frente à nova Era de Aquário. Uma melhor ordem de coisas perfila-se no horizonte e a Fraternidade Universal há de ser a característica dominante nessa nova ordem.

Mas há um segundo ponto de vista ao se considerar a liberdade: um ponto de vista interno, ligado à liberação do homem das ataduras do eu inferior. É completamente desejável, neste período de nossa evolução, que cheguemos a ser livres da dominação externa, mas é também essencial que usemos essa liberdade no interesse de todos. Portanto, é necessário que dominemos o maior de todos inimigos: a personalidade, ou seja, o eu inferior. Para isso, requer-se, em primeiro lugar, autoanálise e disciplina.

A tarefa da autoanálise é uma tarefa sutil. Sendo essencialmente egoísta, a personalidade está destinada a obter e possuir coisas materiais, poder e fama. Ela sugere toda classe de desculpas para autojustificar-se, e lança mão de toda classe de recursos ao adotar uma atitude de falsa inocência quando é acusada de ser responsável por condutas indesejáveis. Conduz-nos a lançar a culpa a outros por qualquer coisa que seja má em nossa própria vida e em nosso próprio mundo. Impulsiona-nos à vingança e à revanche contra aqueles a quem culpamos por nossas dificuldades individuais e coletivas. Estimula sentimentos cancerosos, tais como os ciúmes, a cobiça, a inveja, o ressentimento e uma infinidade de outros mais.

Para nos ajudar a vencer esses nocivos dominadores de pensamento e de sentimento, foi-nos dado o exercício de retrospecção. Ensinaram-nos a revisar os acontecimentos do dia, antes de dormirmos à noite, e a examinar nossos pensamentos e ações, louvando-nos ou culpando-nos onde for necessário. E interessante que esse exercício foi recomendado por mestres espirituais dos séculos passados. Várias centenas de anos antes de Cristo, o grande mestre filósofo Sócrates, aconselhava: “Que não caia o sono sobre teus olhos até que tenhas revisado três vezes as ações do dia passado. Em que me apartei da retidão? Que estive fazendo? Que deixei de fazer? Que devia ter feito? Começa, pois, desde o primeiro ato e logo segue adiante; e em conclusão, aflige-te pelo mal que tenhas feito e alegra-te pelo bem”.

Também nos foi ensinado o exercício de concentração para que possamos controlar nossa mente, e não deixar que seja levada daqui para lá pelas incessantes ondas de pensamento e de sentimento que nos envolvem.

Todo aquele que colocou conscientemente seus pés no Caminho que conduz à perfeição de si próprio e à liberação das garras do materialismo sabe que isso não é fácil. A vida disciplinada, a vida autodisciplinada, requer constante atenção e esforço. É a tarefa demasiado difícil? Não, compreendemos que não é, porque o exemplo foi dado por nosso Grande Indicador do caminho, Jesus Cristo. Nos quatro Evangelhos Ele nos deixou as fórmulas para a Iniciação, os sublimes conceitos e preceitos espirituais que nos conduzem para diante, para cima e para sempre.

Quando compreendermos o propósito da vida como para considerá-la como um desafio e nos dermos conta de que, como chispas da Chama Divina, temos ilimitado poder de desenvolvimento dentro de nós, poder potência pronto para ser exibido e exercitado, poderemos considerar a tarefa da autodisciplina com alegria e determinação. A chispa da Chama Divina que habita o corpo humano sempre busca seu direito de nascimento no Reino de Deus. Dá os impulsos para levar uma vida de retidão, uma vida na qual a consciência se identifica com o ser humano real, o Ego; uma vida que não é apenas construtivamente criadora segundo os preceitos de Jesus Cristo, mas que aparece como “uma coisa formosa”, e é verdadeiramente uma “alegria eterna”.

Alexis Carrel, em seu livro O Homem, esse Desconhecido, disse: “A beleza moral é um fenômeno excepcional e surpreendente, ninguém a esquece. Essa forma de beleza é muito mais impressionante que a beleza da Natureza. Dá a todos que possuem seus divinos dons um poder estranho e inexplicável. Aumenta a força do intelecto. Muito mais que a ciência, a arte e os ritos religiosos, a beleza moral é a base da civilização”.

No capítulo 8º do Evangelho de São João, Jesus Cristo usa duas frases que enfatizam a mesma ideia. No versículo 31, fala de “Discípulos verdadeiros”, e logo no versículo 36, de “livres verdadeiramente”.

O discipulado significa uma vida disciplinada, mas não é necessária uma vida limitada por restrições e limitações enfadonhas e irritantes. Existe uma profunda corrente submarina de felicidade e de liberdade sem empecilhos, em uma vida vivida de acordo com os mais sublimes preceitos. Para tanto, o mestre dos Discípulos disse que o propósito de Seu ensinamento era que “vossa vontade seja cumprida” (Jo 16:24).

Um verdadeiro cristão aspirante nunca pode contentar-se com esforços periódicos ou esporádicos por viver segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. Deve haver uma disciplina diária, um esforço constante por “amar a vossos inimigos, bendizer aos que os maldizem, fazer o bem aos que os aborrecem e orar pelos que os usam malignamente”.

Para ser verdadeiramente livres devemos ser capazes de seguir; devemos servir de boa vontade e amorosamente onde quer que apareça a oportunidade; devemos ser capazes de nos esquecermos de nós mesmos e pensarmos antes de tudo em nossos próximos. Devemos chegar ao ponto em que nos arrependamos, nos restituamos e nos reformemos, com alegria e boa vontade em nossos corações. Essa é a vida de autoconquista, a vida que nos desafia, como peregrinos sobre a Terra, a viver em constante vigilância para responder unicamente aos impulsos superiores.

Como Espíritos, nosso verdadeiro lugar está nos Mundos celestes, e tão logo aprendamos as lições desta escola da vida, levaremos à realidade um mundo pacífico no qual a Fraternidade Universal seja um fato e mais rápido nos livraremos da cruz de nossos corpos. Esse deve ter sido o tipo de liberdade que Emerson tinha em mente quando disse: “Meu Anjo, seu nome é Liberdade, me escolheu para ser vosso rei; Ele abrirá caminhos no oriente e no ocidente, e os protegerá com sua asa”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – jul/ago/ 88)

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Valorizar a Sua Vida aqui na Terra

Valorizar a Sua Vida aqui na Terra

Trabalho dos mais complexos é o que o Ego executa nos planos internos no intervalo entre duas existências objetivas, ou seja, duas encarnações aqui na Terra.

Na Região do Pensamento Concreto, também denominada Segundo Céu, a vida é extremamente dinâmica. O Ego, além de assimilar o valor educativa das experiências de sua última manifestação no plano físico, prepara o arcabouço dos veículos a serem utilizados no próximo renascimento. E mais: prepara o ambiente de sua nova manifestação. É lógico, não realiza seu trabalho sozinho, nem a seu bel prazer. Outros Egos também participam desse processo, pois de uma forma ou de outra os destinos dos seres humanos se interligam. O clima, a flora, a fauna, as variadas condições da Terra são alteradas pelos seres humanos sob a direção de elevados Seres. O mundo é um reflexo do nosso trabalho individual e coletivo.

Na Região do Pensamento Concreto desenvolve-se todo esse maravilhoso processo que nos desperta a mais profunda reverência. Tudo se desenrola sob a égide da Inteligência Cósmica Criadora.

O ser humano, como microcosmos, é parte integrante dessa Inteligência Cósmica Criadora. Seu destino é converter-se também em Inteligência Criadora. Sendo assim, na Região do Pensamento Concreto ele se ocupa ativamente em aprender a construir um corpo que seja o melhor meio para expressar-se. Ninguém pode habitar um corpo mais eficiente do que aquele que é capaz de construir. Aprende-se primeiramente a construir o corpo, e, depois, aprende-se a viver nele.

Todos os seres humanos durante a vida antenatal trabalham inconscientemente na construção de seus corpos, até chegar o momento em que a retida quintessência dos veículos anteriores seja neles amalgamada. Além disso, realiza, também, um pequeno trabalho original, isto é, sempre se acrescenta algo novo.

É importante lembrar que na Região do Pensamento Concreto encontram-se os arquétipos de todas as formas existentes no Mundo Físico. Os arquétipos não são simples modelos ou desenhos das formas que vemos ao nosso redor. São modelos viventes, vibrantes. Preexistem às formas e quaisquer modificações que estas sofram ocorrem primeiramente nos arquétipos.

O Ego, logicamente, antes de renascer forma o arquétipo de seu futuro Corpo Denso. Toda e qualquer deficiência no corpo indica um arquétipo igualmente deficiente. Isto nos traz à mente um importante ensinamento oculto: é possível prolongar a vida acrescentando vitalidade ao arquétipo.

Todas as nossas ações produzem um efeito direto no arquétipo do nosso corpo. Se pensamos, sentimos e agimos em harmonia com as leis cósmicas; se entendemos os verdadeiros objetivos da vida e procuramos contribuir conscientemente para o avanço da raça humana, os Seres Exaltados que dirigem nossa evolução se interessarão em prolongar nossa vida. Assim, o arquétipo será vitalizado com o consequente prolongamento da nossa existência. Isso é sumamente importante, pois aprenderemos mais e adquiriremos valiosas experiências.

Como Estudantes da ciência esotérica cabe-nos viver de acordo com esse ensinamento oculto, valorizando ao máximo nossas vidas aqui na Terra.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09_10/88)

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Renovação: os 4 Princípios

Renovação: os 4 Princípios

É sempre possível encontrar uma melhor maneira de fazer qualquer trabalho. A renovação e o aprimoramento constituem os alicerces do progresso. Quando o ser humano se estagna e já não encontra novas motivações para suas atividades, quando não exercita seu poder criador epigenético, não só deixa de progredir, como retrocede.

Descartes, o filósofo francês, o Iniciado inspirado pelos Irmãos Maiores da Rosacruz, deixou a propósito da ordem, da disciplina e da racionalização quatro princípios interessantes.

1 — Princípio da Evidência — Só se deve aceitar algo como verdadeiro, se realmente o for. Para o exame é mister que se evitem as ideias preconcebidas. Só assim podemos estudar os fenômenos e fatos, sejam quais forem.

2 — Princípio da Análise — Divida-se cada uma das dificuldades que se examine, em um número de parcelas que sejam possíveis e exigidas para a sua completa solução. (O impossível é divisível por pequenos possíveis).

3 — Princípio da Síntese — Devemos estudar e ordenar os fatos em nosso pensamento, partindo dos mais simples e mais fáceis para os mais complexos. Quando não encontrarmos, naturalmente indicada, certa ordem de sucessão, entre esses elementos deveremos estabelecê-la, embora ficticiamente, de modo a permitir uma orientação racional ao nosso pensamento.

4 — Princípio da Numeração — Faça-se, em tudo e por toda parte, enumeração tão completa e revisões tão gerais até que se esteja certo de nada haver sido omitido.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970)

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Pelas Veredas do Nosso Esquema de Evolução atual

Pelas Veredas do Nosso Esquema de Evolução atual

Constitui incontestável verdade que “EM DEUS VIVEMOS, NOS MOVEMOS E TEMOS O NOSSO SER”. Somos espíritos, partes integrantes do Grande Corpo Divino.

Temos, em forma latente, embrionária, todas as possibilidades do nosso Pai Celestial. O desenvolvimento de nossas potencialidades divinas conduzir-nos-á a um estado de onisciência, inconcebível às nossas limitações atuais.

Segundo os Rosacruzes, no início de cada manifestação, Deus diferencia dentro de Si mesmo (não de Si mesmo) uma plêiade de espíritos virginais, como chispas de uma Chama. Esses espíritos virginais converter-se-ão também em Chamas, pela expansão de suas faculdades latentes. Esse processo se realiza através da EVOLUÇÃO. Esta, entretanto, representa apenas uma das partes do esquema. Na realidade, o progresso do espírito assenta-se sobre um tripé: involução, evolução e Epigênese.

Involução é o espaço de tempo dedicado à aquisição da consciência individual e à formação dos veículos, através dos quais o espírito se manifesta. Dá-se o nome de evolução à fase da existência durante a qual o ser desenvolve sua consciência até convertê-la em onisciência.

Involução e evolução, porém, são insuficientes para garantir o desenvolvimento do espirito ao nível de seu Divino Pai. Um terceiro fator surge como uma autêntica força motriz, empurrando, acelerando, despertando faculdades recônditas, rumo às alturas da perfeição: é a Epigênese. Ela faz a evolução de cada indivíduo diferir da dos demais, por fornecer-lhe a capacidade de criar sempre algo novo, original, inédito. Toda habilidade criadora provém da Epigênese.

Pelo que sabemos, somente a Filosofia Rosacruz tem a Epigênese como fator de progresso do espírito. Muitos estudiosos esoteristas tendem a admitir a evolução como sendo um mero desdobramento ou desenvolvimento de qualidades latentes. Para eles, todo progresso gira em torno do binômio causa-efeito. Numa linguagem que de simplista resvala até ao rudimentar pode-se dizer que a maioria das pessoas julga que “o que atualmente existe é o resultado de algo anteriormente existente”. Se assim fosse, não haveria margem para novos e originais esforços, capazes de promover novas causas. Tudo não passaria de repetição. É a Epigênese, portanto, o único fator suscetível de explicar satisfatória e convenientemente o sistema a que pertencemos.

Todo esse progresso se realiza através dos cinco Mundos, em sete grandes Períodos de Manifestação, durante os quais, da profunda inconsciência à onisciência, as vidas em evolução se convertem primeiramente em homens e depois em Deus. Esses sete Períodos, renascimentos sucessivos da Terra, são os seguintes:

  1. Período de Saturno
  2. Período Solar
  3. Período Lunar
  4. Período Terrestre
  5. Período de Júpiter
  6. Período de Vênus
  7. Período de Vulcano

Os Períodos de Saturno, Solar e Lunar pertencem ao passado. Encontramo-nos, agora, vivendo as condições da metade mercuriana do Período Terrestre. Findo esse último, passaremos, sucessivamente, aos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano.

Através dos três e meio Períodos passados adquirimos nossos veículos e desenvolvemos nosso atual estado de consciência. Nos três e meio Períodos restantes aperfeiçoaremos ao máximo esses veículos. Concomitantemente nossa consciência se expandirá à onisciência.

No Período de Saturno, recebemos, dos Senhores da Chama, o germe do nosso atual Corpo Denso. Esse, portanto, é o nosso veículo mais antigo, o mais aprimorado atualmente, e o mais útil como meio de obtenção de consciência. A consciência da vida em evolução era semelhante à do mineral, transe profundo. Nesse longínquo Período, os Senhores da Chama tornaram-se novamente ativos na metade da sétima revolução, com o propósito de despertar o princípio do Espírito Divino nos Espíritos Virginais.

No Período Solar, recebemos o germe do Corpo Vital, graças ao trabalho de uma Hierarquia denominada Senhores da Sabedoria. Contudo, quem nos despertou o segundo princípio espiritual, ou seja, o Espírito de Vida, foram os Querubins. O estado de consciência predominante era o de “sono sem sonhos”, análogo aos dos atuais vegetais.

No Período Lunar, houve, uma vez mais, uma mudança nas condições ambientais. A característica marcante do Período de Saturno pode ser representada pelo termo “calor”. No Período Solar, pelo termo “luz”. Já no Período Lunar as condições prevalecentes resumem-se em uma palavra: “umidade”. Nesse Período, por intermédio do trabalho desenvolvido pelos Senhores da Individualidade, adquirimos o germe do Corpo de Desejos. Dá-se o nome de Serafins à Hierarquia responsável pelo despertamento do Espírito Humano nos seres humanos. A peregrinação através das condições do Período Lunar corresponde à fase de existência análoga à dos animais. O estado de consciência do homem era o de “sono com sonhos”, uma consciência pictórica.

Na Época Atlante, do Período Terrestre, recebemos, por obra dos Senhores da Mente — a Hierarquia de Sagitário — o germe da Mente. Foi o marco da nossa individualidade. Passamos, então, ao estado de consciência de vigília, conhecendo perfeitamente o mundo exterior.

O Período Terrestre é a atual fase do nosso desenvolvimento. Os Rosacruzes chamam-no de Marte-Mercúrio. Dos grandes Dias de Manifestação surgiram os nomes dos dias da semana:

Dia                           Correspondente ao                                Regido por

Sábado ………………. Período de Saturno ……………………… Saturno

Domingo ……………… Período Solar………………………………… Sol

Segunda-Feira. …………Período Lunar…………………………….. Lua

Terça-feira… ………..1ª metade do Período Terrestre ………. Marte

Quarta-feira …………2ª metade do Período Terrestre …….. Mercúrio

Quinta-feira. …………… Período de Júpiter. …………………….Júpiter

Sexta-feira. …………….. Período de Vênus ………………………. Vênus

O Período de Vulcano, não incluído no quadro acima, é o último do atual esquema de evolução. Nas seis primeiras Revoluções desse futuro Período, extrair-se-á, por recapitulação, espiral após espiral, a quintessência de todos os Períodos precedentes. O Período de Vulcano corresponde, portanto, à semana com todos os sete dias.

 

Os astrólogos afirmam, com fundamento, que os dias da semana são regidos pelo astro particular que indicam. Um estudo cuidadoso das mitologias mostra como os “deuses” eram associados aos dias da semana. Assim, o dia de Saturno é sábado (Saturday); o domingo (Sunday) relaciona-se com o sol, e a lua, com segunda-feira (Monday). A terça-feira está relacionada com Marte — o deus da guerra —, tanto que os romanos chamavam-na de “Dies Martis”. O nome Tuesday (terça-feira) deriva de “Tirsdag”, “Tir” ou “Tyr”, o deus escandinavo da guerra. Wednesday (quarta-feira) dizia respeito a Wotanstag de Wotan, entidade mitológica do norte da Europa. Os romanos denominavam-nos de “Dies Mercurii”, o dia de Mercúrio. Thursday ou Thorstag (quinta-feira) deriva de “Thor”, deus do trovão, chamado pelos latinos de “Jove” ou Júpiter, donde “Dies Jovis”. De “Freya”, divindade da beleza, temos Friday (sexta-feira). Era o “Dies Veneris”, o dia de Vênus, para os romanos.

É mister esclarecer que os nomes dos Períodos nada têm a ver com os Planetas ou Astros físicos. Referem-se a encarnações passadas, presentes e futuras da Terra. O macrocosmo, tal como o microcosmo, também tem as suas encarnações. Segundo a ciência esotérica há 777 encarnações. Isto não significa que a Terra sofra 777 metamorfoses. Significa que a vida evolucionante faz 7 Revoluções em torno dos 7 Globos dos 7 Períodos. Vários diagramas do CONCEITO elucidam esse assunto, não obstante reconheçamos tratar-se de um tema bem abstrato, capaz de oferecer alguma dificuldade na compreensão de alguns pontos. Apesar de tudo, estudá-lo constitui algo fascinante, capaz de orientar o estudante pelos meandros da nossa longa jornada evolutiva.

(de Gilberto A V Silos – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de Janeiro/1978)

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A relação entre a Água e as Emoções

A relação entre a Água e as Emoções

No Evangelho Segundo São Mateus 8:23-27 lemos:

“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”

No Evangelho Segundo São Mateus 14:22-33:

“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.

Nessas passagens desse Evangelho observamos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas. Ele não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, ventos e ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura ocultista a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.

À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo cuja substância encontra-se em constante movimento. Max Heindel afirma em suas obras que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou Pedro no capítulo 14 de São Mateus.

Pedro deixou o barco (o corpo) e aventurou-se na região das emoções. Porém, ainda não conseguia manter-se sereno para lá permanecer, tendo assim que receber a ajuda do Cristo. Caminhar sobre as águas é dominar os elementos do Mundo do Desejo.

Max Heindel diz no Conceito Rosacruz do Cosmos: “A lei que rege a matéria da Região Química é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que se mova um corpo em repouso ou para deter um que esteja em movimento. Tal não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades”.

No Conceito Rosacruz do Cosmos lemos: “A característica principal dos globos lunares pode-se descrever como ‘umidade’. Os ocultistas-cientistas chamam ‘água’ aos globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea”.

No mesmo livro dessa obra básica dos Ensinamentos Rosacruzes, Max Heindel afirma que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés, etc.

O domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.

Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, você cruzou o Jordão.

A arca de Noé, esotericamente interpretada representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.

As Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento água: o batismo com água nas igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.

Na próxima Era — Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em um homem, o aguador, despejando a água do seu cântaro.

Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Apocalipse: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeiro terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – mar/abr – 88)

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Os Mundos: formação de um “Cosmos”

Os Mundos: formação de um “Cosmos”


Comparemos a escolha da porção do espaço para a criação de um Sistema Solar com a construção de uma casa.
Escolhe-se o terreno, faz-se o projeto adequado para os espaços, colocam-se móveis e objetos necessários aos que nela habitarão.
Assim também, Deus escolhe um lugar no espaço, preenche-o com sua “Aura” e compenetra cada Átomo da “Substância Raiz Cósmica” desse espaço com Sua vida.
O Espírito Universal Absoluto cria através de dois Polos: do Polo Negativo (expresso pela Substância Raiz Cósmica) ; e do Polo Positivo (que faz parte Dele mesmo).
Portanto, tudo no Mundo é espaço cristalizado através desses dois Polos.
As formas são, assim, cristalizações em torno do Polo Negativo (Substância Raiz Cósmica).
Sobre a matéria que será constituída, Deus atrai sua esfera imediata, tornando-a mais densa que o espaço exterior (entre os Sistemas Solares). A seguir, organiza essa esfera  com Sua Consciência, diversificando cada parte dessa esfera, na qual a Substância Raiz Cósmica é posta em vibração a diversos graus, e assim fica diferenciado cada setor da esfera.
Da mesma forma que dividimos os ambientes de uma casa, para cada função da vida dos moradores, assim os diversos Mundos são projetados e adaptados para cada propósito do esquema evolutivo.
Existem sete Mundos, cada qual com um grau diferente de vibração. Como exemplo, podemos citar a extrema rapidez do Mundo do Desejo (o mais próximo do Mundo Físico).
Esses Mundos não estão como os Planetas, separados no Espaço; eles são estados de matéria, com variadas densidades e vibrações.
Também não são criados ou aniquilados em um único Dia de Manifestação. Deus vai diferenciando em Si mesmo, um Mundo após o outro, conforme as necessidades da evolução.
Portanto, todos os sete Mundos vão se diferenciando gradualmente uns dos outros.
Os Mundos Superiores são criados em primeiro lugar, e durante a Involução – quando a Vida que evoluciona habitando esses Mundos e aprendendo as lições que necessitam em um processo de evolução – vão se condensando gradualmente; então Deus vai diferenciando novos Mundos (O elo entre Ele e os Mundos que se consolidam). No tempo adequado, esses Mundos chegam ao mais denso em materialidade, e a vida, que está evoluindo usando esses Mundos como campos de evolução, começa então a ascender para os Mundos mais sutis.
Os Mundos mais densos vão se despovoando, e, quando não têm mais serventia, Deus retira deles a atividade que os trouxeram à existência.
Assim, os Mundos Superiores são os primeiros a serem criados, e os últimos a serem aniquilados.
De onde se conclui que os três Mundos mais densos em que, atualmente, nós, onda de vida humana dos Espíritos Virginais, estamos evoluindo, quais sejam, o Mundo Físico, o Mundo do Desejo e o Mundo do Pensamento, são, na verdade, extremamente fugazes no processo evolutivo.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ!

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A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

A Elevação da Raça Humana via o Corpo-Alma

Nossa evolução está muito ligada à nossa capacidade de usar o Corpo Denso. Aliás, o objetivo da nossa permanência neste plano durante muitos renascimentos consiste em aprender tudo sobre este estado peculiar de matéria, dominando-a e utilizando-a em escala de crescente eficiência.

O Corpo Denso é o nosso veículo mais antigo e por essa razão o mais desenvolvido. Nos primórdios da nossa evolução sobre a Terra, a constituição dele era bem diferente da atual. As condições ambientais davam-lhe configuração e sensibilidade peculiar. À medida que as Épocas se sucediam, esse importante veículo se aperfeiçoava ganhando novas e mais dinâmicas faculdades.

Na Época Lemúrica, o Corpo Denso do ser humano conformava-se às altas temperaturas ambientes, pois muitos vulcões encontravam-se em plena atividade. Como a temperatura interna do corpo quase se igualava à do exterior, era-lhe quase impossível reter muita umidade e esse fato tornava muito débil e incipiente a circulação sanguínea. Como o sangue é o elemento através do qual o espírito controla seu corpo, é fácil deduzir quão precário era esse domínio.

Na Época Atlante, as coisas se modificaram. Como a atmosfera passou por um processo de resfriamento o ser humano conseguiu reter mais fluidos no corpo, a produzir mais sangue e através deste a exercer maior domínio sobre seus veículos.

Esse domínio, entretanto, era rudimentar, pois o espírito ainda não conseguia manobrá-lo com eficiência.

Para chegar às condições atuais, nosso veículo Denso teve de passar por muitas transformações. Nossa capacidade de autoconsciência no próprio corpo nunca foi tão eficiente como agora. Contudo, defronta-se o ser humano com o grande perigo que é agir e pensar como se fosse o próprio corpo, confundindo-se com ele e julgando-o a única realidade existente. Nossa missão, agora, é extrair o máximo de benefício possível desse instrumento tão eficaz, sublimando-o e devolvendo-o à sua origem: Deus.

Iniciamos nossa jornada neste Grande Dia de Manifestação pela construção do Corpo Denso. As experiências adquiridas através de sua utilização ensejam a formação da alma, também definida como o alimento do espírito. Se construímos o corpo e formamos a alma, a tríade se completará pela elaboração do Corpo-Alma, sem o qual não poderemos viver na próxima grande etapa da nossa evolução. Todo esforço despendido nessa tarefa não só nos beneficiará, como também ajudará a elevar a raça humana.

(Publicada na revista Serviço Rosacruz – 01/02-87)

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Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Já sopram já mais da metade dos ventos desse ano terrestre. A parte do ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.

Passados mais da metade, para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.

Uns e outros tendem a encarar o ano que virá (novo) sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos de desse ano aqui. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.

Para aqueles a quem a “sorte sorriu”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.

Observa-se, aí, como o ser humano comum é dominado por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.

Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” dessa parte do ano para trás houve apenas sepultamento. O corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.

Felizmente, há quem logre sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, espíritos mais evoluídos, têmperas forjadas na crueza e experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.

Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.

Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho da perfeição é infinito. Conservam a mente aberta e o coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos ensinamentos do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de desdobrar-se em mil caminhos diferentes.

Esses não sepultaram a parte do ano que já passou. Cremaram-no. Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não. Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para servi-lhes de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.

Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!

Nessa abençoada seara que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.

No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.

Estimado amigo, o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)

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Conforme a Necessidade do Tempo e do Lugar, nós renascemos

Conforme a Necessidade do Tempo e do Lugar, nós renascemos

Os Rosacruzes ensinam que, segundo o desenvolvimento de cada indivíduo ou agrupamento humano e as necessidades de cada estágio evolutivo, as Inteligências Superiores têm dado, por intermédio de seus Profetas, os meios adequados de evolução religiosa. Renascemos sempre no tempo e no lugar requeridos por nossas necessidades internas. E assim ocorre a evolução do sentimento religioso.

O Supremo Arquiteto é Onisciente. Ele não daria a um povo uma religião cujos ideais esse povo não pudesse compreender e os meios que não pudesse executar. Segundo eles, Deus nos provê, dentro da Lei de Consequência, conforme as novas necessidades suscitadas por nossa evolução.

Nos primeiros passos da consciência humana (e que ainda ocorre com as tribos selvagens atuais) foi ensinado que Deus era um Ser terrível, vingativo e mau, que retribuía com pragas, fome e terremotos às transgressões dos seres humanos. Só uma tal Divindade poderia ser respeitada.

Num segundo estágio, Deus já amenizou sua ira. Embora continuasse a castigar o “olho por olho dente por dente”, já recompensava os bons atos, pela multiplicação dos rebanhos e abundância nas colheitas. Os seres humanos sacrificavam cordeiros e bezerros por seus pecados, porque não estavam preparados para fazer de si um sacrifício a Deus, pelo domínio de sua natureza inferior.

Num terceiro estágio (o do Cristianismo popular, até agora vigente, com pequenas atualizações), foi o Cristo sacrificado pelo mundo e nunca mais se sacrificaram animais. Cada ser humano deve buscar sua salvação, ou melhor, sua redenção e, embora Deus ainda “castigue” (a Lei de Consequência) já se oferece a recompensa futura de um céu aos que ajam bem.

A natureza humana é ainda muito egoísta. Age por interesse de alcançar o céu e, quando faz a promessa de um sacrifício, ela está geralmente subordinada à condição de receber a graça, o pedido desejado.

O quarto estágio está sendo pregado e realizado pelos Aspirantes Rosacruzes, pelos seguidores do Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro. Nela o indivíduo evolui pelo entendimento e pelo amor, pelo estudo e pelo trabalho, fazendo de si um sacrifício vivo no altar da humanidade.

Em verdade, quando o ser humano chega a compreender a mensagem interna da religião, sobretudo do Cristianismo, ele renuncia à sua natureza inferior, não por medo de castigo, ou por ameaça de inferno. Age bem, não para ganhar o céu, mas porque reconhece que nisso está uma lei natural. É virtuoso porque conhece o bem e o mal e segue, voluntária e espontaneamente, o bem, como sinônimo de Deus, ao qual segue, e que é a expressão do Criador em Si.

Os Rosacruzes sabem que existem essas etapas todas ainda nos dias atuais. Por isso, ensinam o respeito a todas as crenças e convicções religiosas, pois todas são caminhos de aperfeiçoamento religioso, segundo o estágio de cada indivíduo.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 02/1978)

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A Perfeita Paz do Eterno…para isso você deve saber quem é o seu mediador

A Perfeita Paz do Eterno…para isso você deve saber quem é o seu mediador

Pelo endereçamento de nossos pensamentos a Deus — que é, ao mesmo tempo, o Centro do universo e de cada indivíduo – contatamos e vivenciamos a paz, harmonia, ordem e beleza perpétua; encontramos perfeito repouso e segurança. Nessa quietude mora o infinito poder. Nesse divino Centro habitam a Vida Eterna, a Integralidade, a Beleza, a Perfeição e a Saúde. Em tal estado, o nosso poder de realização e de felicidade ultrapassa o entendimento. Mas, Deus é sábio. Pela mesma lei que amadurece gradativamente o fruto, assim Ele nos amadurece internamente para admitir mais e mais luz, à medida que nos aproximamos de Sua Presença. O impacto de toda a plenitude luminosa, num contato pleno com nosso Centro, ser-nos-ia desastroso. Por isso, existem os degraus da escada de Jacó, as etapas, na medida em que nos preparamos, sem recalques, para exprimir mais Deus. Daí que todas as religiões e filosofias procurem conduzir nossas aspirações, vontade, desejos e pensamentos, ao Divino Centro, que Cristo Jesus despertou dentro de nós.

Segundo o esforço que façamos no sentido de uma vida mais pura e altruísta, segundo o que o Mestre dos Mestres nos ensinou, assim também será nosso progresso ascensional em direção a um vislumbre dessa vivência suprema. Por certo que nossa vontade se agigantaria, levando-nos resolutamente a concentrar todos os esforços para alcançar a meta. Mas nem é preciso isso. A promessa de Cristo é muito clara: “Buscai e achareis”; “Batei e ser-vos-á aberta a porta”; “Pedi e recebereis”. Contudo, impôs a condição: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça e todas as demais coisas vos serão acrescentadas”… Vigiemos e oremos, pois, buscando metodicamente, sem preocupações, o reino de Deus em nós. Os que buscam sempre encontram; os que batem à sua porta serão admitidos… Não há outro caminho para Deus. Aqueles que buscam o desenvolvimento interno por métodos ocultos e metafísicos, que deixam o Cristo de fora, correm graves perigos.

Cuidado com eles. Cristo Jesus é único mediador “entre Deus e o Homem”. Basta que sigamos os Seus ensinamentos.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)