Categoria Desenvolvimento futuro do Ser Humano

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Éter: A Nova Fronteira

Éter: A Nova Fronteira

Nesta lição trataremos da Região Etérica do Mundo Físico. Se bem que o Éter não seja visível para a grande maioria das pessoas, pertence, ainda assim, ao plano físico e é considerado como matéria física. O Éter envolve os átomos físicos como uma aura que os rodeia, interpenetra e protege todo o tempo. Os átomos físicos nadam num mar de Éter. Quando os desejos de uma pessoa tenham esgotado a estes átomos, o Corpo de Desejos atrai, do Sol e por meio do baço, a vitalidade necessária para revivificá-los. O Corpo Denso está constantemente sofrendo mudanças e seus átomos necessitam constante renovação. O Corpo de Desejos está sempre em estado cambiante e em rodamoinho, mas os átomos etéricos prismáticos do Corpo Vital assumem uma posição estacionária, permanecendo sempre no mesmo lugar desde o nascimento até a morte, se bem que estejam, ao mesmo tempo, pulsando e enviando suas forças com sua influência protetora através do Corpo Denso inteiro. Acontece o mesmo com relação aos Éteres planetários da Terra, das plantas e dos animais.

O Éter está dividido em quatro estados de crescente vibração, a saber: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, cada um deles desempenhando funções específicas. O Éter Químico, que é o mais denso, pode ser visto como uma bruma azul que rodeia as montanhas. Especialmente é este o caso ao amanhecer e ao anoitecer, quando as forças vitais da Terra são mais fortes. O Éter Químico tem dois polos. O polo positivo atua na assimilação dos elementos nutritivos, no crescimento ou na acumulação de tais elementos no corpo e na conservação da forma. Estas funções involuntárias são executadas sob a direção dos Espíritos da Natureza que têm a seu cargo a construção das formas minerais dos quatro reinos. As forças que trabalham pelo polo negativo controlam a eliminação e a excreção das toxinas e dos catabólitos. O Éter Químico é o construtor e o limpador. Podemos compará-lo à enfermeira, que alimenta, cuida e restaura a saúde, mas também limpa, purifica e elimina todos os detritos. Os Éteres Químicos e de Vida encontram-se e rodeiam as folhas e a vegetação apodrecidas, os corpos mortos do animal e do ser humano, até que a decomposição tenha destruído inteiramente os átomos físicos, que são devolvidos ao reino mineral.

O Éter de Vida é um fator determinante na propagação da espécie. As forças que atuam pelo polo positivo deste Éter, trabalham durante a gestação através da matriz colocada pelos Anjos no útero da mãe, para dar à luz um novo Ego. O sexo é determinado antes de que esta matriz seja colocada no útero. Se a matriz é constituída por átomos etéricos positivos, atraem para si átomos físicos de polaridade negativa, os quais constroem um corpo feminino; mas, se a matriz é feita de átomos etéricos negativos, então constrói um corpo masculino. O polo negativo do Éter de Vida permite ao macho produzir o sêmen.

Os cientistas estão lutando por compreender as leis que determinam o sexo. Até agora têm sido capazes de controlar em certo grau o sexo de várias espécies, mas, ao que se refere à onda de vida humana fica mais difícil. Se bem que seja possível trabalhar com as ondas de vida mais jovens, que estão sob o controle dos Espíritos-Grupo, devemos recordar que o ser humano é um ser individualizado e é o senhor de seu próprio destino. Seu destino, resultado das vidas passadas, está escrito no diminuto átomo-semente, do qual extraem os Anjos Arquivistas (ou Anjos do Destino ou Senhores do Destino) o núcleo para a matriz, que é feito especialmente para acomodar-se a cada Ego particular, quando este está pronto para o renascimento, e o sexo é determinado pela escolha feita quando o Ego está ainda no Terceiro Céu (na Região do Pensamento Abstrato). Portanto, um cientista com o fim de controlar o sexo de qualquer ser humano teria que ser sapientíssimo e poderoso, e começar a controlar as circunstâncias dos mundos internos e ainda das vidas anteriores ao presente renascimento desse Ego.

O Éter Luminoso e as forças que trabalham através do seu polo positivo geram calor e movimento; também controlam a circulação da seiva nas plantas, do sangue nas artérias e veias e do fluido rosado nos nervos motores. As forças que trabalham através do polo negativo fazem funcionar os sentidos, manifestando-se como funções passivas da sensação, audição, visão, olfato e paladar. Também constroem e nutrem os órgãos sensoriais (particularmente o olho) e seus correspondentes nervos. Esta é também a avenida de depósito para os pigmentos e matéria colorante, não apenas do sangue, do cabelo e da pele do animal e do ser humano, mas também das folhas e pétalas das plantas e das flores.

O Éter Refletor é a avenida através da qual a Mente do ser humano se comunica com o cérebro físico. Também registra ou reflete todos os acontecimentos que tenham sucedido, algum dia, nas vidas passadas e presentes do ser humano. Tudo faz uma impressão que é registrada sobre este Éter em forma de memória. Também reflete impressões e formas de pensamentos armazenadas na verdadeira Memória da Natureza, que se encontra nos reinos superiores.  Existem, pelo menos, três principais níveis de memória: a memória subconsciente do Éter Refletor, que tem assento no sangue; a memória consciente no Mundo do Pensamento, mas que também é refletida no Éter Refletor, tratando estas duas classes de memória com a presente vida terrestre, e a memória supraconsciente no Mundo do Espírito de Vida, que pode evitar a Mente e impressionar ao Éter Refletor diretamente em forma de lampejos de intuição, tratando esta última classe de memória, essencialmente  com as atividades das vidas passadas.

Até recentes décadas a Ciência tem conhecido muito pouco a respeito destes Éteres, mas várias de suas especialidades modernas, tais como a Astronomia, a Astrofísica, a Biologia, a Bioquímica, a Física Nuclear e as Ciências do Espaço para citar apenas algumas têm-se esforçado em estudar e compreender coisas tais como a transmissão da luz, a gravidade, as comunicações espaciais, a fotossíntese, a reprodução celular, a engenharia genética, a fusão nuclear, as estruturas subatômicas, e assim sucessivamente, as quais estão sob o ordenado controle dos Éteres. Neste último terço da Era de Peixes a Ciência vai se tornar mais forte e finalmente nos levará a redescobrir a perfeita ordem subjacente no Mundo Físico, revelando a maravilhosa sabedoria de Deus — seu Criador — com Quem logo devemos aprender a trabalhar e viver em harmonia.

Mediante orações repetidas e concentração tem sido atraídos os Éteres superiores ao Templo de Cura de Mount Ecclesia, e agora o banham, com um poder que aumenta a cada dia. Quando nos colocamos em sintonia, atraímos para nós um mar destes Éteres superiores e nos convertemos em poderosos agentes de Cristo e de seu bálsamo curador, para ajudar a humanidade. Assim como os atlantes tiveram que desenvolver os pulmões com a finalidade de respirar acima da atmosfera carregada de névoa, assim nós devemos desenvolver o Corpo Anímico, composto dos Éteres superiores, o que permitirá que nos elevemos sobre a densa atmosfera para flutuar à vontade, através dos Éteres, a fim de ajudar a humanidade que sofre.

Nossos astronautas do presente estão simplesmente indicando o caminho, e à falta de um Corpo-Alma devem colocar-se em um traje espacial. Contudo, quando regeneramos nossas vidas e com alegria nos damos para servir desinteressadamente à humanidade, construímos o novo traje espacial etérico, o Corpo-Alma, o qual rapidamente nos abrirá a Nova Fronteira do Espírito: o Espaço.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ –  Jul/Ago/88)

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A Fraternidade Rosacruz e a Era de Aquário

A Fraternidade Rosacruz e a Era de Aquário

A Fraternidade Rosacruz é uma Escola Filosófica-Cristã que divulga a Filosofia Rosacruz ou Cristianismo Esotérico, tal como foi ensinado a Max Heindel, seu fundador, pelos Irmãos Maiores, Mestres da Ordem Rosacruz. É um movimento aquariano por excelência, acolhendo e selecionando espontaneamente, pelo interesse de cada membro, os futuros aquarianos. Sua mensagem aí está, lançada ao mundo e ao futuro. Uma nova era social se avizinha, à medida que o Sol, em seu movimento precessional, caminha do Signo de Peixes ao Signo de Aquário. O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado e se aproxima, um grau cada 72 anos, do Signo de Ar de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja nota-chave é originalidade e renovação, começa a manifestar-se nas invenções e conquistas do ar, captação e transmissão da eletricidade, da energia solar, da energia atômica, forças essas que estão mudando a história do mundo e impulsionando o homem para rumos imprevisíveis. Muitas passagens dos Evangelhos, as cartas de Paulo e principalmente o Apocalipse, tratam da Nova Era, dizendo que o Cristo, quando vier pela segunda vez, virá nos ares, isto é, ao advento das extraordinárias condições desses tempos futuros dizendo: “Eis que quando entrardes na cidade encontrareis um homem levando um cântaro d’água. Segui-o até a casa em que ele entrar, Lc: 22:10. A casa é símbolo de um dos doze departamentos das doze divisões terrestres. A casa era de um homem rico, pois há riqueza no futuro homem de Aquário: suas oportunidades para avançar no caminho evolutivo são pérolas de grande valor… então, já noite avançada, o Senhor ENTROU NAQUELA CASA E PREPAROU A SEUS DISCÍPULOS para o grande acontecimento cósmico, social, espiritual. ELE JÁ HAVIA DITO que não restaria pedra sobre pedra de todos esses edifícios que vemos à nossa volta.

Porque o grande tempo chegou e uma nova humanidade colocará os cimentos para edificar a Igreja Universal, sem divisões de tribos nem de castas. Ao final da Era de Touro, o touro, há uns 4.000 anos, o “povo de Deus” fugiu do furor que se aproximava quando rumaram para fora do Egito, país dedicado ao culto do touro. Nessa fuga foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravações, aparece adornada com cornos enroscados de carneiro, indicação simbólica de que era o heraldo dos 2.100 anos da Era de Áries durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol coloria de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro, quando passava pelo equador na constelação (não no Signo) do carneiro, Áries. Semelhantemente, quando o Sol, por precessão, se aproximava da constelação de Peixes, os peixes, João Batista submergia aos convertidos à religião messiânica nas águas do Jordão, e Jesus chamou a seus Discípulos de “pescadores de homens”. Olhando para o futuro através da perspetiva do passado, é evidente que uma nova era terá início quando o Sol entrar na constelação de Aquário, o portador de água. Julgando pelos acontecimentos do passado, é razoável supor-se que uma nova fase de religião substituirá ao sistema atual, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.

Nos primeiros tempos da Época Atlante vivíamos nos vales mais profundos da Terra, onde a névoa era mais densa. Respirávamos então, por meio de órgãos semelhantes as guelras dos peixes atuais. No transcurso do tempo, o desejo de exploração causou o invento de barcos aéreos que foram impelidos pelas forças expansivas dos grãos em brotação. A história da “Arca” é uma rememoração corrompida daquele fato. Aqueles barcos realmente funcionavam sobre as cristas das montanhas, nas quais, a atmosfera mais rarefeita permitia-lhes sustentar-se. Hoje, nossos navios e barcos flutuam sobre o elemento em que os antigos barcos atlantes viviam submersos. Utilizamos vários meios de propulsão, permitindo-nos voar às partes mas elevadas da terra que ocupamos atualmente. Tão seguramente como nossos antecessores atlantes fizeram um belo caminho do líquido elemento em que viviam, e se elevaram sobre as águas, para viver em outro elemento, do mesmo modo, nós conquistaremos o elemento ar e nos elevaremos sobre ele, para o elemento recém-descoberto que chamamos Éter.

“A Carne e o Sangue não podem herdar o Reino dos Céus”, como tampouco puderam os seres que respiravam por meio de órgãos parecidos às guelras, os atlantes, viver sob as condições naturais prevalecentes na Era atual em que o “reino do homem” existe. Por conseguinte, nossos corpos terão que mudar antes que o Cristo possa vir.

Quando falamos da “Idade Futura”, do “Novo Céu” e da “Nova Terra”, mencionados na Bíblia, e também da Era de Aquário, a diferença não aparecerá clara nas Mentes dos Estudantes Rosacruzes. A confusão de termos é um dos terrenos mais férteis para a falácia. Os Ensinamentos Rosacruzes procuram e se esforçam para evitá-la por meio de uma nomenclatura determinada. Em nossos escritos diz-se que quatro grandes épocas de desenvolvimento precederam ao presente estado de coisas; que a densidade da Terra, suas condições atmosféricas e as leis da natureza que prevaleceram em uma época determinada foram tão diferentes de outras épocas, assim como a correspondente constituição física da raça humana em quaisquer outras épocas diferia totalmente de uma época para outra. Os corpos de ADM (este nome significa TERRA VERMELHA), a humanidade da incandescente da Época Lemúrica, foram formados do “pó da terra”, daquele barro quente, vermelho, vulcânico e estavam adaptados justamente para aquele ambiente. A carne e o sangue ter-se-iam dissipado com o terrível calor daquela época e, ainda que esteja agora adaptado às condições atuais, São Paulo diz-nos que não podem herdar o “Reino dos Céus”. Antes de que uma nova ordem de coisas possa ser inaugurada, a constituição física da raça humana deve ser radicalmente mudada, sem dizer nada com respeito às condições espirituais.

Milhões de anos serão necessários para a regeneração da totalidade da humanidade e adaptá-la para viver em Corpos Vitais, formados pelos Éteres.

Este é um dos trabalhos que a Fraternidade Rosacruz, por meio de seus Ensinamentos modernos, procura realizar.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 02/1978)

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Psiquismo não é Espiritualismo

Psiquismo não é Espiritualismo

Nos primórdios do desenvolvimento da humanidade, no Período Terrestre, todos eram Clarividentes involuntários. A causa poderia ser encontrada na debilidade ou frouxidão existente entre os Corpos Denso e Vital. Daquela época para cá, esses veículos se interpenetraram e ajustaram-se com rigidez gradativamente mais acentuada. Isso é válido para a maioria, porém, nas pessoas sensitivas o laço é pouco firme. Eis aí a diferença entre aqueles dotados de manifesto psiquismo e os comuns, isto é, aqueles inconscientes de todas as vibrações imperceptíveis aos cinco sentidos físicos. Encontramos as pessoas sensitivas tipificadas em duas classes:

  1. Aquelas ainda não firmemente ligadas à matéria, tais como os nossos irmãos e irmãs que ainda constroem corpos que designamos como para raças inferiores;
  2. Aquelas posicionadas na vanguarda da evolução. São os mais adiantados.

No grupo 2 encontramos uma subdivisão:

  1. Clarividentes voluntários ou ocultistas. Por vontade própria desenvolveram a força vibratória dos órgãos ora unidos ao sistema nervoso voluntário. Os centros sensórios de seus Corpos de Desejos apresentam vórtices tendentes a girar no sentido dos ponteiros de um relógio.
  2. Clarividentes involuntários ou médiuns. São pessoas passivas, de vontade fraca. Nelas, o despertamento do plexo solar e de outros órgãos relacionados com o sistema nervoso involuntário produz um estado de consciência dos planos internos, onde as imagens surgem como que refletidas num espelho. Assemelha-se muitíssimo com a consciência comum à humanidade na Época Lemúrica. Os centros sensórios giram no sentido oposto ao do movimento dos ponteiros de um relógio. São Clarividentes, é verdade, mas não possuem domínio sobre suas faculdades.

Os seres assim classificados, como Clarividentes negativos ou médiuns, muitas vezes tornam-se vítimas de espíritos inferiores, apegados à Região Química do Mundo Físico.

Esses espíritos inferiores, dizendo-se “Guias”, procuram transformar suas vítimas em “médiuns de transe”. Se o elo entre os Corpos Denso e Vital não é muito rígido, desenvolvem-nas como “médiuns de materialização”.

É importante frisar: os espíritos de elevada natureza moral não procuram exercer controle sobre médiuns. Só os espíritos inferiores tendem a fazer essas tentativas. E não raro logram êxito seus nefastos propósitos.

Ao contrário do que pensam alguns, a morte não tem poder de transformação. Não converte o pecador em santo, nem o ignorante em sábio. É patético, para o Clarividente positivo, observar espíritos carentes de experiência controlarem pessoas sensitivas.

Os espíritos mais experimentados procuram exercer controle sobre os órgãos da linguagem e outras partes do corpo, de fora. O espírito sem experiência, contudo, às vezes entra e se apossa do corpo, de tal modo a não poder sair dele quando bem entender.

Em casos dessa natureza, diz-se que o Ego perdeu seu corpo e sua personalidade passa por uma transformação.

Os elementais são uma classe de espíritos sub-humanos. Frequentemente, apossam-se de Corpos de Desejos já abandonados por seres humanos inferiores, agindo, em seguida, sobre os médiuns, como espíritos de controle.

Os estudantes novos sempre demonstram interesse em conhecer como se processa a materialização. Vejamos, então: na materialização de espíritos, o Éter do Corpo Vital do médium é retirado via baço. Atrai partículas de matéria química, tornando possível a materialização, ou seja, a elaboração de uma forma visível. Isso reduz seriamente a vitalidade do médium, prostrando-o em um extremo esgotamento. Essa condição pode se agravar, induzindo-o a viciar-se em drogas e outros estimulantes.

Pode ocorrer que, durante anos, espíritos perversos, assumindo uma falsa e enganadora postura de santidade, consigam ludibriar e dominar suas vítimas. Depois de tê-las dominado durante toda uma vida, podem, quando do desenlace, usurpar-lhes os veículos que contêm a experiência da vida, retendo-os possessivamente durante muito tempo. Assim, atrasam, desgraçadamente, a evolução do Ego. Atentemos bem para a gravidade desse fato, e na medida do possível, dentro do que as circunstâncias permitirem, não nos omitamos em alertar as pessoas para tão grande perigo.

A prancheta é outro meio pelo qual os espíritos desencarnados ou elementais podem dominar as pessoas mal avisadas. Ao empregar esse objeto como divertimento — e muitos o fazem — um indivíduo de natureza negativa é gradativamente controlado: primeiro a mão e o braço usados nessa prática, e finalmente toda a personalidade. A prancheta, também chamada de “ouija” é uma espécie de mesa sobre a qual se espalham as letras do alfabeto. A pessoa que se utiliza dela faz o papel do médium: coloca a mão sobre um copo, ou sobre um pequeno tripé que, deslizando pela mesa, para defronte às letras. O espírito controlador, dominando o braço do experimentador, faz com que empurre o copo em direção a determinadas letras. Formam-se as palavras, isto é, traduz-se a “mensagem do espírito”. Nunca é exaustivo repetir o quanto tal prática é perniciosa e totalmente desaconselhável. Nem por curiosidade deve-se fazer a tentativa.

Como é fácil depreender-se, as condições negativas acima apontadas, se assumidas por um indivíduo, convertem-no em escravo de forças inferiores. Isso pode ser psiquismo, mas jamais poderá caracterizar-se como espiritualismo. Um espiritualista evidencia-se como um ser liberto, emancipado de influências externas, confiante em si mesmo no mais alto grau. Só assim estará em condições de ajudar a humanidade em sua marcha ascensional.

 (De Gilberto A V Silos, Publicado na Revista Rosacruz de fevereiro/1978)

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O Sábio Verdadeiro

O Sábio Verdadeiro

Onde encontrar a sabedoria, se não agasalharmos no coração o amor, a paciência e a humildade? Para fugir da ignorância, e do medo que ela nos traz, é necessário que sejamos pacientes e fraternais.

Onde houver amor, e um pouco de fraternidade, aí está a poesia na sua mais humana significação.

É o nosso orgulho que nos impede, não raro, de sermos menos imperfeitos para apenas transformarmo-nos em perpétuos prisioneiros da ambição de querer ser mais, pensando nos bens alheios, deixando-nos influenciar pelas más doutrinas, só porque prometem satisfazer as nossas ambições de vaidade e fortuna.

São Francisco de Assis disse: “a ciência enfatua, o amor edifica“.

Para que Deus nos envie a verdadeira sabedoria, a sabedoria que ilumina o Espírito e que nos traz os maiores benefícios do Céu, é mister que cultivemos a humildade e o amor. Se assim procedermos, afastaremos de nosso íntimo todas as imagens do ódio e do desespero, agitações inúteis, o medo e o desejo inferior. Tudo isso deixará de existir em nosso pensamento.

Se a ação dos seres humanos que se dizem cultos, inteligentes e de Espírito elevado fosse uma realidade íntima, o ódio e os anseios de vingança seriam um absurdo. Porque, sendo sumamente justos como se acreditam, jamais alimentariam a iniquidade e a inveja no coração.

Saberiam admirar tudo quanto Deus nos deu com sua infinita bondade, para poder, desse modo, descobrir afinal a quietude, o recolhimento necessário à perfeição da nossa alma e, fartos de amor e caridade, não seriam insensíveis às dores alheias.

Disse ainda São Francisco de Assis: “Verdadeiramente sábio será quem, por amor ao Senhor nosso Deus, se fizer estéril e ignorante”.

O verdadeiro sábio é aquele que, na sua modéstia e simplicidade, procura a sabedoria somente na virtude e na prática do bem.

Esse é o sábio que descobre, em sua sabedoria, como amar verdadeiramente. Eis de novo São Francisco de Assis: “Mestre, fazei que eu não procure ser consolado, mas consolar, que eu não procure ser compreendido, mas compreender, que eu não procure ser amado mas amar, porque é dando que recebemos, é perdoando que vós nos perdoais e é morrendo em vós, Senhor, que nascemos para a Vida Eterna”.

(Publicada na revista Serviço Rosacruz – jan. /70)

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A Verdadeira Sabedoria: demanda tempo e persistência

A Verdadeira Sabedoria: demanda tempo e persistência

Na literatura esotérica, encontramos, reiteradamente, a palavra sabedoria como que a definir uma qualidade superior de alguns seres humanos.

Existem várias definições de sabedoria, mas qualquer uma delas estará incompleta se não contiver o amor. Sem esse ingrediente essencial, a sabedoria quando muito será apenas conhecimento, erudição, aguda percepção das coisas e daí por diante.

O conhecimento pode ser usado tanto para o bem como para o mal. Mas na sabedoria encontramos intrinsecamente o amor, o que por si só indica sua natureza superior e altruísta.

Sem manifestar amor, uma pessoa não pode ser sábia, porquanto somente essa virtude inspira-a a renunciar a seus interesses pessoais e utilizar seus conhecimentos em benefício dos demais.

Diz Max Heindel em Ensinamentos de um Iniciado:  “A verdadeira sabedoria é fruto da união da Mente com o Coração, porque nenhum ensinamento carente desses complementos pode ser chamado de sábio. Porque a natureza do ser humano é complexa, os ensinamentos que devem ajudá-lo a purificá-la e elevá-la devem assumir múltiplos aspectos”.

A sabedoria não pode ser ensinada nem dominada em curto espaço de tempo. Ela se desenvolve por meio das experiências de muitas e muitas vidas. A natureza estabelece que qualquer atributo divino requer, para sua evolução, um longo período de maturação. Algumas plantas crescem da noite para o dia, mas qualquer intempérie mais forte as derruba, tal a sua fragilidade. Outras demoram décadas para atingir a idade adulta, convertendo-se em árvores tão fortes a ponto de manterem-se incólumes a qualquer borrasca.

O mesmo acontece com a sabedoria. Demanda tempo para desenvolver-se, mas, uma vez isso ocorra, torna-se inextinguível.

O desenvolvimento da sabedoria, assim como do conhecimento, entre a humanidade, teve suas origens na “Queda do Homem”. Uma vez que a humanidade tomou a função criadora em suas próprias mãos, acabou por deixar-se dominar pelo sexo. O uso imoderado dessa função cristalizou o ser humano, identificando-o cada vez mais com o plano material. Desse evento surgiram necessidades como: abrigo, alimentação, saúde, segurança. Foi, então, o ser humano obrigado a pensar e agir para satisfazer suas necessidades. Com o tempo aprendeu a pensar no futuro, empenhando-se em prevenir o frio e a fome antes que o ameaçassem. Agora, motivados pela compaixão, alguns indivíduos esforçam-se por auxiliar seus irmãos menos afortunados a se livrarem de tais ameaças. Aplicam, nessa atitude de benevolência, o conhecimento e o coração. Em resumo, utilizam a sabedoria. A verdadeira salvação consiste, no entendimento de Max Heindel, na aplicação do conhecimento temperado com amor. Essa é a verdadeira sabedoria.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jan/fev/88)

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O Processo Alquímico: Corpo e Alma, alma do corpo

O Processo Alquímico: Corpo e Alma, alma do corpo

Os antigos Rosacruzes eram conhecidos como grandes filósofos, curadores e alquimistas. Estes Rosacruzes eram Iniciados na Escola dos Mistérios Rosacruzes, onde eles recebiam as instruções e Treinamento que os faziam sábios. À compreensão das leis que governam as manifestações, tornava possível abandonar seus corpos físicos quando quisessem, contatavam com a Memória da Natureza para qualquer informação de acordo com sua vontade, curavam doenças, e muitos outros milagres que eles faziam em benefício da Humanidade.

Hoje, um mundo de medo do poder material indevidamente usado, muitas pessoas têm se apressado em procurar dentro de si um alívio, para este medo, e procurar refúgio na “paz que ultrapassa toda compreensão”, encontrada no caminho da Iniciação, como ensinavam os antigos Rosacruzes. Infelizmente, muitos não sabem como entrar no caminho, ou estar lá, mas somente sabem usar como vantagem qualquer informação assim que as recebem.

Antes de se tornar membro das Escolas de Mistérios, é necessário saber que o desenvolvimento espiritual é feito de maneira individual. A Fraternidade Rosacruz é uma Escola Preparatória, e dá treinamento e instruções necessárias ao aspirante, para beneficiar o próprio desenvolvimento interior, o qual é a chave para abrir a porta da Verdade da Escola de Mistérios Rosacruz.

Nós sabemos que as leis são ativas em todos os planos do ser. A grande lei é revelada no plano físico através do axioma “Como é em cima, é em baixo”. Isso significa que os princípios que operam nos planos superiores, com certeza, operam de maneira similar nos planos inferiores. Sendo isto uma verdade, podemos também dizer que o inverso também é verdade, assim a partir de nossas observações das coisas nestes planos inferiores, podemos compreender os princípios que operam nos planos superiores.

Nós devemos nos familiarizar com a Região Química do Mundo Físico, a região que nós conhecemos por meio dos cinco sentidos. Portanto, pelo estudo das coisas do nosso dia-a-dia do Mundo Físico poderemos tornar conhecedores das leis das Regiões Espirituais Superiores.

Os antigos Rosacruzes ensinavam conceitos e princípios pertencentes ao desenvolvimento espiritual na estrada da iniciação. Eles encontraram muitos obstáculos porque ensinavam a doutrina que cada indivíduo poderia ser seu próprio sacerdote nas relações com Deus para o perdão dos pecados, e outros ensinamentos considerados não ortodoxos pela igreja da época. Consequentemente, eles perceberam a necessidade de disfarçar suas escrituras e ensinamentos de um jeito que aqueles que possuíam a chave poderiam facilmente entender o que lhes estavam explanando, e ao mesmo tempo estes ensinamentos tornariam não inteligíveis para os que não tivessem a chave.

Por isso, todos os estudantes que estão nos verdadeiros caminhos que conduzem à Iniciação, são também familiarizados com a terminologia da Astrologia, a linguagem das estrelas que eram usadas como código, no qual escreviam e ensinavam as verdades interiores. De qualquer maneira, muitos dos quais não eram merecedores de receber os mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, estavam bem familiarizados com a terminologia astrológica. Assim uma simples expressão de princípio em termos de Astros e Signos, não serviria para disfarce dos ensinamentos. Os Rosacruzes, após isto, usaram sinais astrológicos para os seus objetivos.

Nos escritos dos Antigos Rosacruzes, nas constantes referências às atividades e às leis em um laboratório físico onde diziam que estas pessoas eram tentadas a obter ouro de metais básicos. Esta ideia foi prometida àqueles que não possuíam a chave. A verdade de tudo, é que os antigos estavam falando não na obtenção de ouro físico, mas sim do “ouro espiritual”. Aqui nós encontramos a chave. Os elementos da alquimia, são para ser interpretados como fábricas na construção da “roupa de casamento com Deus”, fora das bases das experiências dos metais do dia a dia.

De acordo com os símbolos astrológicos, as substâncias e os métodos de procedimento na Região Química, cada uma delas está sob uma regência de certo Astro. As condições e métodos de procedimentos em regiões superiores também estão debaixo de regência de certos Astros. Este é o código usado pelos escritos alquímicos. Escritores escreveram sobre substâncias alquímicas e métodos. Isto foi entendido por aqueles que tinham a chave destas substâncias e métodos colocando-os em seus considerados Astros Regentes, e estes determinados, eram para serem interpretados em termos de condições e métodos os quais eles regiam em planos superiores.

De acordo com as normas da química, nós devemos ter um laboratório de reagentes químicos, com os metais básicos e instrumentos. O mesmo é verdade na observância das leis do desenvolvimento espiritual.

De acordo com os símbolos astrológicos, as substâncias e os métodos de procedimento na Região Química, cada uma delas está sob uma regência de certo Astro. As condições e métodos de procedimentos em regiões superiores também estão debaixo de regência de certos Astros. Este é o código usado pelos escritos alquímicos.

Escritores escreveram sobre substâncias alquímicas e métodos. Isto foi entendido por aqueles que tinham a chave destas substâncias e métodos colocando-os em seus considerados Astros Regentes, e estes determinados, eram para serem interpretados em termos de condições e métodos os quais eles regiam em planos superiores.

A contribuição de ensinamentos superiores da Fraternidade Rosacruz: “Os alquimistas sabiam que a natureza moral e física do ser humano se tornou densa e grosseira, de acordo com a paixão apontada pelos Espíritos Lucíferos, e que depois, um processo de destilação e refinação foi necessário para eliminar estas características, e levar o ser humano ao alto, onde o esplendor do Espírito não é seduzido pelas coisas materiais o qual esconde, digo, mantém seus olhos distantes disto. Eles depois disseram, que o corpo é como um laboratório, e falaram de processos espirituais em termos químicos”.

As ferramentas do alquímico são suas capacidades e habilidades mentais, espirituais e emocionais. A história bíblica dos talentos e como são relatadas em Mateus 25:13-31 é uma discussão esotérica das ferramentas, dos processos alquímicos onde está indicado, que todas as ferramentas fornecidas devem ser usadas, e também, para conseguir outras ferramentas para o desenvolvimento.

Um estudo cuidadoso de nossa própria carta natal, mostra nossas ferramentas que possuímos, e também, pontos e direções, em quais os esforços podem estar vantajosamente expedidos, para o desenvolvimento de ferramentas adicionais. O grande Criador, está construindo, mas ele não faz isto sozinho, ele deve ter a ajuda de muitas hierarquias espirituais e que nós como Espíritos Virginais, somos como uma hierarquia e estamos ajudando nas atividades da grande construção. Como toda obra requer muitas atividades, muitos tipos de trabalhos como uma larga variedade de ferramentas, assim na grande construção espiritual, nós temos diversos tipos de trabalhadores com diversos tipos de ferramentas.

O químico deve ter certos reagentes químicos, para fazer desejadas reações nos metais básicos, os quais ele está trabalhando. Os antigos alquimistas constantemente diziam que quatro eram os reagentes químicos, a saber, o mercúrio, nitrogênio, sal e o enxofre, os alquimistas dizem, que o ângulo da Lua é que regem as correntes salinas, com o elemento sal; e os Espíritos Lucíferos de Marte o enxofre, e os Mercurianos de Mercúrio o metal mercúrio. Eles também falaram de um quarto elemento, denominado Azoto, um nome composto da primeira e última letra de nosso clássico idioma, que intenciona conduzir a mesma ideia, do Alfa e o Ômega, que inclui tudo. Esta referência como conhecemos agora, como o raio espiritual de Netuno, que é também a oitava superior de Mercúrio, é essência sublimada do poder Espiritual. Eles sabiam na seção simpática da espinha dorsal, que governa as funções que tem que ser feitas particularmente com a SUBLIMAÇÃO ou REFORMA, e o bem-estar do corpo, os Anjos Lunares eram especialmente ativos, e este segmento foi depois designado como elemento sal. O segmento que governa os nervos motores que libera a energia motora, do corpo, pelos alimentos, viram que estavam claramente debaixo da regência dos Espíritos Lucíferos marcianos, e depois eles o chamaram de enxofre. O segmento restante, o qual, registra e marca as sensações, trazidas pelos nervos, foi chamado Mercúrio, porque era dito que estavam sobre regência dos Espíritos de Mercúrio. O nervo espinhal, ao contrário que os anatomistas dizem, não é preenchido por fluído, mas por um gás, que é igual a um vapor, o qual, pode ser condensado quando exposto na atmosfera, mas que pode ser superaquecido, pelas atividades vibratórias do Espírito, e de acordo com estas vibrações, tornar-se-á cada vez mais brilhante, como de aparência de um ardente fogo, o fogo da purificação e da regeneração. Este é o campo de ação da grande hierarquia de Netuno, e denominado de Azoto pelos alquímicos.

Os antigos alquimistas também fizeram referência sobre sete metais, os quais, seriam para ser usados para fazer o ouro desejado. Estes sete metais básicos sem impurezas, a saber: o ouro, a prata, o cobre, o mercúrio, ferro, chumbo e o estanho. Agora seguindo as regras de interpretação que foram ditas, nós determinaremos os Astros que regem estes metais básicos: O Sol, o ouro; a Lua, a prata; Mercúrio, o mercúrio; Marte, o ferro; Júpiter, o estanho; Vênus, o cobre; Saturno, o chumbo.

A “VESTIMENTA DE CASAMENTO COM DEUS”, que já falamos anteriormente, é chamada de alma do corpo (Corpo-Alma), na linguagem Rosacruz. Novamente as contribuições de certos ensinamentos Rosacruzes vem a coincidir com o que São Paulo disse: “carne e sangue não pode herdar o Reino dos Céus”, mas ele também nos mostra que nós temos uma SOMA PSUCHICON, que quer dizer, o Corpo-Alma. Este é feito de Éter, que é mais claro ainda que o ar, e de qualquer forma capaz de levitar. Essa é a VESTIMENTA DE CASAMENTO COM DEUS, a pedra filosofal, ou a pedra da vida, e escritas pelos, digo, por alguns filósofos da antiguidade, como diamantes da alma, e por este ser luminoso, e resplandecente, luzente, brilhante, pedra inestimável, se constrói similarmente aos nossos bons feitos, durante a vida e seu crescimento em volume é tão bom que o feito mais espiritualizado, lustra-o e resplandece em beleza esculpida, pelas obras e serviços altruístas. Eventualmente, essa alma do corpo é transmutada em alma do interior do espírito. Nós adicionamos em nossa alma as experiências vividas durante toda vida, e depois de termos vividos muitas vidas, particularmente se elas tiverem sido bem vividas, nós seremos ricos em alma.

Todas as experiências de nossas vidas diárias, estão sendo utilizadas durante o processo de evolução, e consta dentro de nossas almas para nosso uso em vidas futuras, também em planos superiores.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)

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O Significado Esotérico de Fausto

O Significado Esotérico de Fausto

Comecemos pelo autor: em 28 de agosto de 1749, nasce em Frankfurt, Alemanha, aquele que é considerado universalmente um dos maiores vultos da literatura de todos os tempos: JOHANN WOLFGANG VON GOETHE. Seu pai era um advogado bem-sucedido e sua mãe filha do prefeito de Frankfurt. Após uma infância e adolescência dedicada ao estudo de Bíblia, dos clássicos, de italiano, hebraico, inglês e música, Goethe, em 1765, passou a estudar Direito na Universidade de Leipzig, tendo completado o curso em 1771, em Estrasburgo. Nessa época começou a sua brilhante carreira, escrevendo peças teatrais, sendo que Werther foi seu primeiro grande sucesso.

Em 1775, já bastante conhecido, transferiu-se para a corte de Weimar, onde permaneceria até o fim de seus dias. Lá teve a oportunidade de elaborar trabalhos maravilhosos tais como Ifigênia em Táurida, Torquato Tasso, Egmont, etc. Mas, a obra máxima de sua vida foi Fausto, iniciada em 1774, tendo sua primeira parte sido publicada em 1808. Em 1824 Goethe voltou a trabalhar na segunda parte de Fausto, cuja íntegra completou-se em 1832.

Goethe era um classicista na mais lídima expressão da palavra. Dedicou-se às letras, ao teatro e à investigação científica. Sua magnífica obra literária inspirou dois grandes movimentos estéticos em sua terra natal e em vários países da Europa. Tanto Werther como Gotz inauguraram um movimento literário conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Tensão).

Em suas obras encontramos uma grande preocupação em transmitir aos leitores o otimismo, a esperança, a fé, a crença na vida e que o esforço humano tem um significado. Sua literatura é eminentemente universalista, ultrapassando os problemas nacionais e pessoais. As obras de Goethe não dizem respeito a um povo ou época em particular, mas, representam os anseios do ser humano de um modo geral.

Não só no mundo das letras viveu Goethe. Seu interesse abrangeu também a ciência, particularmente à anatomia. Em 1784 descobriu a existência, no ser humano, de um osso intermaxilar, em forma rudimentar, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento das teorias evolucionistas. Fez também estudos interessantes no campo da Botânica e da Ótica.

A figura de Goethe aproxima-se, mais do que qualquer outro ser humano, daquele ideal clássico de perfeição, por identificar-se com a razão, a lógica, com a luz, e não com os instintos, com os arrebatamentos irracionais, com as contradições e os extremos. Foi um exemplo vivo de equilíbrio, lucidez, cultura, amor ao próximo. Os ensinamentos esotéricos referem-se a Goethe como um iniciado. Veio a desencarnar em 1832, pouco depois de completar Fausto.

Fausto é uma obra de conteúdo profundamente humano, onde de tudo se encontra um pouco. Nela sobressai desde o raciocínio filosófico mais profundo até o sentimento mais delicado que possa fazer vibrar a alma. Fausto surgiu de uma longa meditação, muitas vezes interrompida e reencetada. Foram quase sessenta anos com novas ideias se sucedendo no retratar multivariado de psicologias, tipos, ambientes, através da magia do verso.

Em Fausto não só despontam os conflitos entre os personagens como ponto principal do enredo, mas também uma comovente preocupação com a natureza, um desejo incontido de devassá-la. Assim, Goethe descreve montanhas, vales, penhascos, o céu e a terra indevassáveis aos seres humanos.

A influência de Goethe na Alemanha de seu tempo foi imensa e acabou se alastrando para outros países principalmente devido à excelência de Fausto. O povo alemão amava as obras desse grande poeta. Diz-se que “os jovens as declamavam e aos domingos desciam das montanhas com as canções de Goethe nos lábios e o amor de Margarida no coração”.

Castilho e Ornelas são os autores das traduções de Fausto mais conhecidas na língua portuguesa e embora nem sempre se mantenham coerentes com o texto original no idioma alemão.

Há centenas de edições de Fausto em todas as línguas. O poema vem empolgando a humanidade desde a sua primeira aparição. Goethe iniciou O primeiro Fausto em 1774 e só o terminou em 1806. O segundo Fausto é obra da idade madura, terminado em 1832. A figura lendária do Dr. Fausto perde-se no tempo e foi objeto de outras obras de menor expressão. Essa obra tem um conteúdo profundamente humano, como já afirmamos no início, mas o que lhe confere dignidade e grandeza é justamente sua natureza mística.

Segundo alguns comentaristas, Goethe, na elaboração da obra, modificou profundamente o teor das lendas que envolvem a figura do doutor Fausto, mago astrólogo e quiromante do século XVI.

Muita gente conhece Fausto através da ópera de Gounod. Porém, nessa peça musical, a estória de Fausto parece ter um enredo muito folhetinesco e maniqueísta, próprio para filmes ou telenovelas. Um homem sensual atraiçoa uma donzela ingênua e à abandona posteriormente deixando-a à mercê das funestas consequências do seu excesso de confiança. A magia e bruxaria de algumas cenas conferem mais intensa emotividade ao drama. Quando Fausto é conduzido aos infernos por Mefistófeles, e Margarida ascende aos céus nas asas angelicais, para muitos essa é a moral mais conveniente para concluir dignamente a obra. Isso, é correto para aqueles poucos afeitos ao significado esotérico do poema. Entretanto, para quem estuda a obra em sua verdadeira essência, é inegável que o significado é bem diferente: Fausto é um mito tão antigo como a humanidade e aborda a luta entre a Maçonaria e o Catolicismo.

Como já dissemos, Fausto é um mito, e, como tal, contém uma gama de símbolos velados de importantes verdades cósmicas. O mito de Fausto descreve a evolução da humanidade na época presente, ensinando como os filhos de Caim e os filhos de Seth desempenham seu trabalho na obra do mundo.

Quando Pitágoras menciona a “Música das Esferas” não alude simplesmente a uma fantasia. Trata-se de uma realidade. O cosmos mantém-se graças a essa harmonia universal. Mas, a harmonia constante é desagradável, tornando a música monótona e desprovida de encanto. Isso realmente ocorreria se a intervalos não houvesse uma dissonância. Com a “Harmonia das Esferas” sucede o mesmo.

A chamada “Queda do Homem” foi uma nota dissonante ocorrida em nosso esquema de evolução, um desvio da linha de progresso prevista originalmente. Os Lucíferos, os Anjos caídos, provocaram a Queda e todos os sofrimentos consequentes, mas dê uma certa forma tornaram-se, também, responsáveis pela nossa evolução. Nunca chegaríamos à individualidade sem a discórdia divina. No livro de Jó, Satã é designado como um dos filhos de Deus. Lúcifer foi o emissor da nota dissonante. As experiências são muito mais significativas que os ensinamentos meramente teóricos. É necessário a escuridão para percebermos a existência da luz. A guerra com toda a sua carga de sofrimentos é que nos ensina o valor da paz. Deus também cresce. Nele nos movemos, vivemos e temos o nosso ser, a nota dissonante emitida por Lúcifer, Ele também ressoa.

Fausto representa a alma que procura o significado da vida e da evolução seguindo o caminho positivo do conhecimento e da ação. É um verdadeiro filho de Caim, decidido e voluntarioso. Margarida, ao contrário, é uma filha da água, discípula dos filhos de Seth quando trilha o caminho da fé e da devoção.

Fausto era um homem essencialmente bom. Idealista, pesquisador, aspirava atingir os píncaros da espiritualidade, mas faltava-lhe vivência. Desejava ardorosamente o crescimento anímico, porém, nessa busca cometeu o equívoco de começar de cima. Pretendia chegar à iniciação apenas pela aquisição de conhecimento, fazendo uso daquilo que apenas superficialmente logrou obter.

Nessa ânsia Incontida, começou por abordar o Ser Supremo, o Macrocosmos. Fracassou. Depois invocou o Espírito da Terra, sendo pelo mesmo repelido. Ainda não estava preparado além do que deveria começar de baixo principiando pelo degrau inferior. É um árduo trabalho cujo êxito depende de muita paciência e perseverança, Fausto não se encontrava no caminho natural da iniciação, razão porque não conseguiu conquistar a admiração dos Mestres Espirituais.

Toda uma vida dedicada ao estudo não pôde proporcionar a Fausto nenhum conhecimento verdadeiro. As fontes de sabedoria convencionais são insuficientes para conduzir o indivíduo à realização espiritual. Como afirma Max Heindel, “o homem de ciência quanto mais investigar a matéria tanto mais deparará com mistérios em seu caminho. Por fim ver-se-á forçado a renunciar às suas investigações ou a crer em Deus como um Espírito, cuja Vida penetra cada átomo da matéria”. Fausto chegou a este ponto. Afirmou não trabalhar por riquezas ou honrarias mundanas. Lutou por amor da investigação, chegando a ponto de perceber que o mundo espiritual rodeia a todos. Por meio deste mundo, pela magia, aspira agora à um conhecimento superior àquele contido nos livros.

Para adquirirmos conhecimentos elevados primeiramente é necessário assimilarmos aqueles mais rudimentares. Na escala da evolução sobe-se degrau por degrau. Fausto erroneamente começou pelo degrau mais alto, invocando o Espírito da Terra. E, ao lhe pronunciar o nome abriu sua consciência à essa presença que tudo interpenetra.  Acabou saindo repelido porque sua atitude revelava uma incrível impaciência além do que aquela porta não era para lhe ser aberta, pelo menos naquele estágio de seu desenvolvimento.

Essa frustração terrível esmagou Fausto a ponto de conduzi-lo ao desespero. Ante a perspectiva de uma existência material comum decide recorrer ao suicídio. Era a manhã de Páscoa e os sinos repicam anunciando a Ressurreição. Fausto, sensibilizado, desiste de seu propósito.

Apesar de toda sua erudição, Fausto ainda era carente de amadurecimento. Em seu interior travava-se uma encarniçada luta entre as naturezas superior e inferior, com os equívocos se sucedendo. Só mesmo as duras experiências podariam abrir-lhe as luzes de um novo caminho. É assim mesmo. Enquanto damos um caráter mundano às nossas vidas vivemos em paz. Mas, quando sentimos o chamamento do Espírito a paz desaparece. Fausto, equivocadamente, crê que alguns espíritos podem lhe conceder o poder da alma, sem imaginar que isso representa uma conquista individual. Nesse afã de recorrer a outrem está fadado ao desengano. À autoconfiança é uma das chaves do desenvolvimento, pois a ninguém que alimente esse objetivo, é lícito apoiar-se em mestres.

Fausto tão ansioso estava que acabou atraindo um espírito indesejável: Lúcifer. Há uma diferença capital entre as pessoas que casualmente entram em contato com os habitantes dos mundos suprafísicos e aqueles que investigam diligentemente, e vivem a vida até chegarem a uma consciente iniciação nos segredos da natureza. Os primeiros não sabem como empregar inteligentemente esse poder, transformando-se em joguetes de qualquer um. Os últimos, pelo contrário, dominam sempre as forças que manejam.

Fausto atrai Mefistófeles, um espírito luciférico. Este descreve quadros maravilhosos da vida, excitando a imaginação de seu interlocutor. Fausto decide celebrar um pacto com ele. Aqui na terra Mefistófeles servi-lo-á, satisfazendo-lhe os desejos. Mas, quando sentir-se realizado alcançando a plenitude as coisas se inverterão, isto é, quando se encontrarem no além, Fausto será o servo.

Mefistófeles exige de Fausto a assinatura do pacto com sangue. Esse quadro contém um profundo ensinamento oculto. Fausto quer saber qual a razão dessa exigência e Mefistófeles responde astutamente: “O sangue é a mais peculiar das essências”.

O ferro é um metal regido por Marte. A combinação desse elemento com o sangue torna possível à oxidação. O espírito só consegue manter-se no corpo através do sangue a uma determinada temperatura. Nos estados febris muito intensos a pessoa acaba delirando porquanto a temperatura do sangue eleva-se em demasia perturbando a ação do espírito. O sangue é um elemento muito utilizado nas operações de magia. Quem domina essa essência de uma pessoa, possui um forte laço de união com a mesma. Lúcifer exigiu a assinatura com sangue para manter Fausto cativo e impossibilitado de fugir ao compromisso.

Em toda sua ansiedade de adquirir poder rápida e facilmente, Fausto recorre a forças externas, chegando deste modo, a um ponto crítico. O poder da alma é uma conquista individual e interna através de uma paciente persistência em fazer o bem. Fausto não entende assim, recorrendo, equivocadamente, a falsos mestres. Estes, não vacilam em barganhar com suas vítimas, satisfazendo-lhes os desejos mais inferiores. Logicamente, acabam por cobrar de alguma forma essa “ajuda”. Lúcifer também se oferece a servir Fausto, mas estabelece uma terrível condição.

Com o auxílio de Lúcifer, Fausto conhece os extremos da paixão humana. A dor e o prazer, a alegria e a tristeza, o amor e o ódio, ensinam-lhe tudo o que os livros e as longas meditações não puderam oferecer-lhe durante muitos anos. Vivendo a vida intensamente logrou passar por uma infinidade de experiências que lhe excitaram e fustigaram a alma.

Isso tudo, porém, trouxe benefícios. É importante lembrar que à intervenção dos Lucíferos no esquema de evolução da nossa onda de vida, se por um lado causou todos os pesares e sofrimentos do mundo, por outro despertou à individualidade humana. O ser humano, dessa maneira, libertou-se da tutela dos Anjos, procurando, apesar de todos os percalços, trilhar o seu próprio caminho. Fausto, igualmente, com a ajuda de Lúcifer é levado a percorrer caminhos não-convencionais e deste modo se individualiza.

Fausto é um “filho do fogo”, guiado pela mente e pela ação. No pacto que celebra com Lúcifer encontramos uma réplica da lenda maçônica, onde os protagonistas são os “filhos de Caim” — pupilos e descendentes de Lúcifer — e os “filhos de Seth” ou “filhos de água” — a casta sacerdotal — representados por Margarida. Chega, pois, o tempo em que o confronto entre esses dois tipos de humanidade, ali representados por Fausto e Margarida, se tornaria inevitável.

Fausto observa Margarida na rua e, de imediato, vê-se tomado de intensa paixão por aquela meiga donzela, Lúcifer conduz Fausto ao laboratório de magia onde beberá do elixir da juventude, para que, rejuvenescido, seja desejável aos olhos de Margarida.

Algum dia a alma aspirante terá de entrar no laboratório de magia a exemplo da Fausto. Então, ficará só para encontrar-se com Margarida no jardim, para tentar e ser tentado, para escolher entre a pureza e a paixão, para fraquejar como Fausto ou tornar-se campeão da pureza como Parsifal, na famosa lenda musicada por Wagner.

Fausto insiste com Mefistófeles para que este facilite seu acesso aos aposentos de Margarida. Para conquistar seu afeto uma rica joia é introduzida sorrateiramente naquele local. O irmão de Margarida está ausente, combatendo pela pátria. A mãe de Margarida leva à joia à igreja para que o sacerdote a aconselhe que destino lhe dar. Este é daqueles que apreciam mais as riquezas do que as almas confiadas aos seus cuidados.

Para chegar até aos aposentos de Margarida, Fausto a induz a oferecer uma poção sonífera à sua mãe. Acontece que a poção causa sua morte. Margarida é responsabilizada pelo crime e condenada à morte.

Os Lucíferos — os Anjos caídos necessitam de sensações e emoções intensas para evoluir. Para tanto, excitam ao máximo as paixões humanas mais baixas, impelindo os seres humanos ao derramamento de sangue, aos conflitos. São, aparentemente, verdadeiros demônios. Na realidade constituem decisivos fatores da evolução humana pelas experiências que ensejam.  Sob a ação luciférica a pura e delicada Margarida veio a conhecer o pecado. A consequência dessa transgressão foi funesta, mas a inocência deu lugar à virtude. Virtude de quem sabendo pela experiência distinguir o bem do mal, optou pelo bem.

Margarida é um exemplo de como os filhos de Seth têm um caráter negativo, sofrendo as consequências de seus erros. “O salário do pecado é a morte”. Margarida foi recolhida à prisão por crime de matricídio, pois a Lei, inexorável tem que ser cumprida.

A meiga donzela encontra-se privada de toda a ajuda terrena. Mas, por essa mesma razão nunca esteve tão próxima de Deus. Entretanto, apesar de sua devoção e contínuas preces a tentação ainda a ronda. Fausto e Lúcifer tentam tirá-la do cárcere e conduzi-la a uma vida desonrosa. Margarida, porém, mantém-se firme, preferindo a morte a viver uma vida pecaminosa em companhia daqueles dois. Agindo dessa forma conseguiu vencer a prova fazendo por merecer o Reino de Deus.

Fausto usa os poderes que lhe foram conferidos e cria uma terra ideal onde os seres humanos poderiam viver em paz e realizar suas mais nobres aspirações. Sente-se realizado por fazer o bem e essa plenitude marca o fim da servidão de Lúcifer.

Pelas condições do pacto celebrado as forças do inferno libertam-se do seu domínio e subjugam-no, pelo menos aparentemente. As forças angelicais travam violenta batalha contra as hostes luciféricas. Quando Mefistófeles tenta arrebatar a alma de Fausto as milícias angelicais salvam-no, conduzindo-o para o Reino de Cristo.

O Fausto do mito difere do Fausto da ópera. O drama que principia no céu quando Lúcifer recebe permissão para tentar Fausto, assim como ocorreu com Jó na narrativa do Velho Testamento, termina também no céu quando a tentação foi vencida e a alma volta ao Pai. Esse mito encerra um significado semelhante ao da parábola do Filho Pródigo.

Fausto entre tantos simbolismos, simboliza principalmente o anseio humano de transcender seus limites físicos e espirituais. É da essência do ser humano o eterno impulso para ir além de si mesmo. É, também, o símbolo do abismo a que o ser humano se expõe nessa eterna busca.

(Publicado na revista Serviço Rosacruz –  09/86)

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A Pureza, Base do Nosso Desenvolvimento Espiritual

A Pureza, Base do Nosso Desenvolvimento Espiritual

A pureza é a essência espiritual que nos permite clarear o cristal de nosso foco de consciência, para que sejamos capazes de penetrar na verdade do Espírito, donde não existe a ilusão.

Por que dizemos que a pureza é a base do desenvolvimento espiritual? Porque o espiritual só pode ser descoberto por meios espirituais, e esse meio espiritual se chama pureza, a qual tem vários graus, de acordo com o nível evolucionário que tenhamos alcançado.

Ademais, cada Aspirante à vida superior está capacitado para responder a certo grau de pureza, pelo fato de transitar pelo Caminho Espiritual.

Na medida em que nós nos esforcemos por adquirir este valioso atributo, nessa mesma medida estaremos capacitados para descobrir as grandes verdades ocultas na Filosofia Rosacruz, na Bíblia ou em qualquer outro livro de edificação espiritual.

Por meio da Lei de Jeová estávamos na situação de servir egoisticamente, na certeza de receber maiores benefícios. As Religiões de Raça têm sido passos necessários para a humanidade, a fim de prepará-la para o advento do Cristo. O ser humano deve primeiramente cultivar o “Eu” (uma individualidade) antes que possa chegar a ser realmente desinteressado.

Logo, do Sacrifício de Cristo em converter-Se no Espírito Interno de nossa Terra, possibilitou-nos estar desenvolvendo esse “EU”, esforçando-nos em servir desinteressadamente a nossos irmãos. Desta maneira, estamos nos transformando em homens e mulheres cada vez mais bondosos.

A essência ou o extrato do serviço desinteressado está desenvolvendo nossa tríplice alma, e à esta colheita espiritual podemos chamar “Pureza”.

Assim como a Lei conduz ao serviço desinteressado, para ficar dentro deste último, assim também o serviço desinteressado conduz à Pureza, para logo ficar dentro desta. Por isso, onde há pureza, há Serviço, porque nós terminamos exteriorizando o que levamos dentro.

Max Heindel nos diz que toda a miséria do mundo se deve ao fato de que lemos a Bíblia com o intelecto e não com o coração. É a Pureza a que nos permite ler com o coração e nos colocar em contato com a verdade oculta em qualquer sentença (da Bíblia).

“Os Puros de coração verão a Deus”, disse Cristo, querendo significar que a pureza é a única chave com a qual podemos abrir a porta que conduz à Deus. Isto é, chegar ao conhecimento de Deus Interno, o conhecer-se a Si mesmo; o encontrar a mulher ou homem dentro de Si mesmo, segundo o caso.

Nas portas dos templos da Grécia liam-se as palavras: “Homem, conhece-te a ti mesmo”, as quais, ao ser analisadas, são sinônimos de “Rosacruz”, segundo nos disse Max Heindel.

Quando o aspirante espiritual, através dos anos de luta no Caminho, logrou adquirir certo grau de pureza em seus veículos, se dará conta que seu desenvolvimento espiritual se acelera de tal maneira, que ganhos espirituais que lhe tinham custado vidas de esforço, outros mais elevados foram obtidos em poucos anos. Logicamente, que isto não é mais do que o produto acumulado dos esforços do passado.

O desenvolvimento espiritual que obtemos através da Pureza nunca é unilateral, porque todos os nossos veículos contribuem nesse sentido, à paulatina aquisição do que se conhece como: “Visão e Percepção Espiritual”.

O ser humano é um Tríplice Espírito, que possui um veículo Mente, que governa um Tríplice Corpo, o qual (espírito) fez emanar de si mesmo (espírito) para adquirir experiência. Este Tríplice Corpo se transforma em uma Tríplice Alma, da qual se nutre, elevando-se assim da impotência para a omnipotência.

Sendo essa a trajetória divina que nos conduz para Deus, é lógico, que sendo a Mente o foco através do qual se verifica esse processo, seja possível fazer todos os esforços para purificar nossos pensamentos, seja qual for o lugar em que estivermos colocados, pois desta forma, saltamos infinidades de obstáculos no Caminho Espiritual.

Estamos nos aproximando da Era de Aquário, cujo principal trabalho será a elevação do polo feminino no homem e o polo masculino na mulher, ou seja, um acesso mais próximo ao equilíbrio entre os dois princípios.

Se quisermos ser verdadeiros Precursores da Era de Aquário, não devemos esquecer que o que determina uma Era, são as condições mentais, as quais são exteriorizadas no tempo e espaço.

Os avanços dos tempos modernos que têm lugar em todos os regulamentos da vida, constituem à cristalização das condições mentais anteriores. Portanto, é lógico deduzir que as condições mentais atuais determinaram as condições que prevalecerão na Era de Aquário.

É importante fazer notar, que o materialismo que Max Heindel nos menciona tão prevalecente a princípio do século, ficou para trás praticamente, como o vemos nas tendências da humanidade para o científico e para o religioso, cuja união será uma realidade para Aquário.

Em virtude disso, podemos afirmar sem lugar de equívoco, que o mundo é aquilo que nós fazemos dele, e será no futuro o que dele estamos fazendo atualmente.

São Paulo nos disse: “Reforma-os pela renovação de vosso entendimento” (pensamento), e se meditamos um momento nos parágrafos anteriores, veremos a importância que tem para nós o purificar de nossos pensamentos.

“Ainda a Mente do mais degenerado pode ser totalmente limpa em alguns poucos meses. Isto foi experimentado por muitos que o tentaram, e qualquer um que o deseja e seja o suficiente tenaz, pode alcançar o mesmo e gozar de uma Mente pura e limpa em muito pouco tempo”, afirma Max Heindel.

Notamos a importância de purificar nossos veículos, quando lemos no Serviço de Cura: “Se desejarmos ser verdadeiros auxiliares na Obra que os Irmãos Maiores iniciaram, devemos transformar nossos corpos em instrumentos adequados, devemos purificar-nos por meio de uma vida pura, porque um vaso sujo não pode conter água limpa (pura) e saudável, nem uma lente manchada pode dar uma imagem nítida”.

No caminho espiritual não há lugar de descanso: avançar ou retroceder é a lei: mas é bom ter presente que os “retrocessos” acontecem durante uma ou várias vidas, dependendo do caso. Muitos hão que estão tratando de “tirar o navio das rochas”, que tinham encalhado em suas vidas passadas.

Se desejamos avançar a passo seguro para a purificação de nossos veículos, devemos tratar por todos os meios de praticar o exercício de Retrospecção a cada noite antes de dormir. Não importa a luta que tenhamos que enfrentar, a ajuda requerida será prestada a seu devido tempo a todos aqueles que persistam no esforço de dominar a si mesmos.

“Está a vida de pureza fora do alcance de alguns de nós? Não nos desencorajemos por isso, não se construiu Roma em um dia. Somos melhores homens e mulheres por haver pecado e sofrido, até que tenhamos despertado para o conhecimento de que o ‘o caminho do transgressor é mui doloroso’, e de que tenhamos chegado ao caminho da virtude, no qual só se encontra a paz Interna.

“Semelhantes homens e mulheres estão em um nível espiritual muito superior que aqueles que viveram vidas de pureza porque se achavam em situação privilegiadas. Isso foi evidenciado por Cristo quando disse que “Haverá mais alegria por um pecador que se arrepende, que por noventa e nove que não necessitam arrependimento”.

Para finalizar, não esqueçamos que, ao sermos admitidos como estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, percorrendo conscientemente o Caminho que conduz à Iniciação, é o maior privilégio que pode obter um homem ou mulher em seu propósito de “tomar o céu por assalto”. Em uma análise final, tudo depende da sinceridade de nosso propósito, e a força de nossa vontade.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05-06/87-SP)

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O Desprendimento é a Qualidade de Alma Necessária

O Desprendimento é a Qualidade de Alma Necessária

Nesta época em que as vibrações do Cristo Solar se fazem sentir mais amplamente na esfera pesada da Terra, se formos meditar sobre o Seu imenso sacrifício de Amor renovado em cada Natal, chegaremos infalivelmente ao Desprendimento. Porque é pelo desprendimento de Si mesmo que o Adorável Espírito desce anualmente do Seio do Pai, para revitalizar nosso planeta, e, será também pelo desprendimento, que chegaremos um dia, com Ele, ao Trono do Pai. Portanto, nesta época solene, será oportuno pensarmos um instante no que seja o Desprendimento; será interessante considerarmos que se trata de uma força interna que nos ensina a viver na carne uma vida separada, independente, liberta de todas as coisas e de todos os seres. O desprendimento faz, realmente, o ser humano sentir-se em si mesmo, mas desapegado de si mesmo como ser humano, liberto da sua própria tirania e da tirania de todas as coisas que o cercam, das coisas que possam escravizá-lo a qualquer sentimento transitório. Ele poderá, assim, realizar as coisas do mundo sem preocupação com essas mesmas coisas, desligado das decepções, dos desafetos, das traições e das maldades. Viverá aplicando a lei de causa e efeito, e compreendendo que os efeitos e as causas estão no coração de cada ser humano.

O desprendimento desperta a individualidade, leva o ser humano à libertação dos apegos a que a personalidade costuma cingi-lo. Na verdade, o ser humano desprendido não sente necessidade de perdoar os males que lhe fazem, porque ele começa a perceber que o perdão é o resultado do nosso próprio egoísmo, que o ser humano que perdoa as ofensas que lhe fazem, está apenas satisfazendo a si mesmo, procurando agradar ao seu “eu” muito humano. Isso porque, para chegar ao desejo de perdoar, teve que atravessar, em maior ou menor escala, o caminho do ressentimento. Quem não se ressente e não odeia, nada terá a perdoar de ninguém. O próprio Cristo, no momento supremo do Seu martírio, ao ouvir, do alto da cruz, os apupos da multidão, não disse: “Eu vos perdoo! ”, mas, “Pai perdoai-lhes, não sabem o que fazem! ” Isso prova que só Deus tem direito de perdoar. O perdão humano é resultado de um julgamento, e o ser humano não tem capacidade para julgar o próprio ser humano. Mesmo no Pai Nosso, o perdão aos nossos devedores a que se referiu Jesus Cristo quando ensinou a sublime oração a Seus discípulos, quis significar que não devemos imputar dívidas aos nossos semelhantes, quando nós próprios não estamos livres de contrair essas mesmas dívidas. Se formos mesmo refletir um pouco, veremos que as dívidas dos outros para conosco são realmente nossas próprias dívidas, porque tudo o que nos sucede é sempre fruto do nosso próprio merecimento: que o ser humano nada terá que perdoar a outro ser humano; terá, sim, que pedir perdão a Deus por merecer ainda que alguém o ofenda, que a vida lhe seja madrasta, que o mal o persiga na forma de seres ou de acontecimentos adversos.

E, quando chegar a viver sob esse entendimento, o ser humano acabará encarando todas as coisas com naturalidade. Nada lhe causará espanto ou admiração, nada o amedrontará ou há de assustá-lo jamais. Será igualmente equilibrado, tanto na dor, como no prazer, de modo que nada poderá abalar a sua segurança íntima. Manterá uma atitude de completa serenidade, porém, não ficará alheio ao que se passa em torno. Pelo contrário, a todos procurará ajudar com carinho e atenção. Apenas manterá a sua aura fechada a qualquer incursão estranha à própria vontade.

O ser humano desprendido ama seu irmão, sua família, seus amigos, mas não deixa de conservar, mesmo dentro desse amor, a própria individualidade. Será capaz de agir e de pensar, de amar e de viver pelos que lhe são caros, mas viverá sem entregas, para ajudá-los a viver, para minorar-lhes os pesares, para confortá-los na mágoa, para dar-lhes felicidade. Isso será justamente o que há de importar mais ao seu coração: dar felicidade, tornando mais fácil e mais bela a vida do seu semelhante. E não só no ambiente do lar, mas a todos os seres com quem entrar em contato, ele estenderá os seus propósitos de Amizade. Será bom, amigo, correto com todos, compreensivo e tolerante, mas tolerante no sentido mais puro, porque a tolerância mal compreendida pode ser uma espada de dois gumes. Tanto poderá resultar de um sincero desprendimento de alma, como do egoísmo dos seres humanos. Isso porque, muitas vezes o ser humano pode tolerar por medo, ou para beneficiar-se, ou para se engrandecer aos olhos do mundo, e não por amor ao seu semelhante e a Deus nele. Para saber tolerar com amor, compreendendo os erros dos outros através da lei de causa e efeito, o ser humano tem que ser desprendido, e desprendido até da própria tolerância. Esse desprendimento tem que vir de dentro, do seu foro íntimo, da sinceridade dos seus pensamentos, do seu equilíbrio de sentimentos.

Para chegarmos ao desprendimento, devemos procurar sentir a todos como irmãos em nossos corações, respeitando igualmente tanto uns como outros; eliminando as preferências, procurando ser igualmente gentis com todos, jamais deixando romper a barreira de nosso próprio “eu” diante de nenhuma pessoa, por mais afins que sejamos com ela, por mais que a estimemos ou a prefiramos dentre outras. Respeitaremos a nós mesmos diante de qualquer criatura, evitando a entrega de nossos pensamentos, de nossas ideias, de nossos sentimentos. Não externaremos nossos pensamentos com frouxidão de palavra, não diremos de nossas qualidades, nem de nossos defeitos, senão em circunstâncias muito especiais, quando servir para ajudar alguém. Devemos sentir pelos outros o mesmo respeito que sentimos por nós mesmos. Poremos de lado as intimidades, jamais dizendo mais a um do que a outro, procurando não sentir mais de um do que de outro.

Não esqueçamos que o desprendimento é a qualidade de alma necessária para que possamos enfrentar um dia, com equilíbrio, o nosso guardião do umbral. Não esqueçamos que, em qualquer circunstância, para viver na terra entre os seres humanos, em nosso corpo de carne, ou para prosseguir na vida além do véu, é o desprendimento a chave mestra que nos abrirá as portas do nosso próprio céu, permitindo, num futuro grandioso, que atinjamos a glória de nosso Pai Celeste.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1978)

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Os Raios Astrais Entrelaçados em nossos Exercícios Esotéricos

Os Raios Astrais Entrelaçados em nossos Exercícios Esotéricos

Com relação à Concentração da manhã e Retrospecção à noite – dois dos nossos Exercícios Esotéricos – surge frequentemente a seguinte pergunta: qual é o melhor método para se conservar na condição física adequada e desperto na concentração, e para ter certeza que estamos avançando de maneira positiva no desenvolvimento interno?

Os Estudantes Rosacruzes não estão tão interessados no rápido progresso como no tipo de progresso que estão fazendo. Os resultados almejados determinarão a classe de Irmã ou de Irmão Leigo que o Estudante será no futuro. Um exemplo: se agora almejamos fazer um trabalho positivo e escolhemos o caminho mais fácil, como é que poderemos ser firmes, quando chegarem as nossas provas?

Recordemos que o Conceito Rosacruz do Cosmos nos ensina sobre duas correntes que rodeiam a Terra, a saber, uma horizontal e a outra vertical. A corrente horizontal é negativa e a vertical positiva, sendo que nosso pensamento se efetua mais facilmente na posição vertical.

O reino animal, desde a criatura mais inferior, está na corrente horizontal (à exceção de poucos) e sob o controle dos Espíritos-Grupo. Sabemos que a posição horizontal de suas colunas nos mostra que assim é de fato (Conceito). Quando deitamos sobre nossas colunas estamos também na posição horizontal e, portanto, nas correntes negativas, podendo assim mais facilmente sairmos de nossos corpos, sendo que nós, Estudantes positivos, desejamos construir a ponte que conduz o conhecimento consciente quando fora do Corpo Denso.

E assim é que trabalhamos para o controle positivo da corrente negativa.

Nossa preparação fundamental é, assim, a concentração, a observação, o discernimento, a contemplação e a adoração.

Uma das primeiras obrigações em nossa Filosofia é assumir a responsabilidade por cada ato nosso. Devemos julgar a nós próprios. Não temos sacerdotes, portanto, de grande importância é para nós a Retrospecção. Quando executamos nosso trabalho, consultamos o horóscopo em busca de intuições sobre o que fizemos em vidas passadas. Quanto nos ajudaria se estudássemos o horóscopo para o método de Retrospecção?

Dividindo um problema em partes sua solução fica mais fácil. Tomando o problema da Retrospecção levantado acima, num horóscopo, vejamos como poderíamos dividi-lo. Os números místicos são geralmente mais atrativos para esse trabalho, assim, dividamos nosso problema no número doze, anotemos o número nove, e para completar tendo os números mais importantes, adicionemos quatro, ficando treze. Somemos quatro e dois para obter seis.

Sabemos que o Sol a cada ano caminha através dos doze Signos e a Terra se deixa influenciar por seus raios, mudando suas características de acordo com cada Signo. Os raios solares são dirigidos a doze setores de nossas vidas nos doze meses do ano e que a Lua, o minuteiro do relógio do tempo, passa através desses doze departamentos a cada mês.

Mensalmente ocorrem duas Lunações, muito importantes para o Estudante esotérico. Na Lua Cheia olha-se para trás, para o mês passado, e observa-se o progresso entre uma Lua Cheia e outra. Na Lua Nova olha-se para o futuro mês, e planeja-se o trabalho mais próximo em relação ao trabalho que já se realizou. Cada passo da Lua nos Signos Cardeais ou impulsivos (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é o período em que se realiza o melhor trabalho de cura. Nessa época é muito importante meditar sobre a virtude do Signo no qual a Lua transita. Cada um de nós têm um ponto alto em nosso próprio horóscopo, denominado ângulo, que é cruzado pela Lua quatro vezes ao mês. Não importando como estejam aspectados, todos nós temos nove Astros a considerar em nossas vidas.

Agora vejamos o problema e associemos os números mencionados:

12 – Doze Signos

2 – Duas Lunações

4 – Quatro Pontos Cardeais

4 – Quatro Ângulos no horóscopo Individual

9 – Novo Astros em cada horóscopo

Somando tudo temos: 31

Existem trinta é um dias a considerar; assim temos o material suficiente para iniciarmos.

Todos os estudantes de Astrologia sabem que o dia em que ocorre um Aspecto é a ocasião mais propícia para a ação. Assim, o dia em que a influência de Vênus estiver mais forte, será provavelmente a data em que compraremos um traje novo. Se isso é certo, então o dia em que a Lua está em determinado Signo é o tempo para meditar sobre as qualidades desse Signo, não nos esquecendo de que a Lua leva dois dias e meio para passar através de um Signo. Vejamos alguns exemplos:

Vamos supor que a Lua esteja em Peixes. Qual é a natureza desse Signo? É um Signo místico, reservado e generoso; dá oportunidades para meditar sobre as verdades subjetivas da vida, porque Peixes rege os pés, simbolizando o conhecimento do corpo e, num plano mais profundo, esclarece sobre as ações e reações do Destino (Lei de Consequência). Consideremos agora o lugar do Peixes num horóscopo, e vejamos se a Casa é angular ou não. Em caso positivo, então, precisamos meditar sobre nossa própria posição no assunto, ou seja, as qualidades do Signo. Perceberemos, então que muitos assuntos, que para nós poderiam ser de pouca importância, em tais ocasiões assumem grandes proporções, devido às influências dos ângulos existentes.

Perguntamos agora: como uso essas qualidades em minha vida?

Supondo-se que a Lua esteja passando por Libra, por exemplo, e considerando a nota-chave de Libra, o Equilíbrio, refletiremos assim: equilibrei hoje minhas ações, quando os acontecimentos previstos na Lei de Consequência ocorreram?

Mais à frente, a Lua se translada para o agressivo Signo de Áries. As Luas Cheias, quando em Áries, são muito importantes. Devem ser assim consideradas porque iniciam um novo ciclo de Lua Cheia visto astrologicamente, pois Áries é o primeiro Signo do Zodíaco. Nessa fase, devemos considerar como tem sido o nosso mês, e também devemos nos analisar a respeito de que obra positiva temos iniciado.

Se a passagem da Lua pelos Signos Cardeais é muito importante, o quanto não será o da passagem do Sol, o dador da vida, pelos mesmos Signos? Assim, quando o Sol está transitando pelos Signos Cardeais é o tempo em que precisaríamos estar em sagrada comunhão com nossos “Eu’s Superiores” para os próximos três meses, ou seja, desde o atual Signo Cardeal até o próximo.

Meditações semelhantes também encontram campo quando o Sol transita pelo Signo do Equilíbrio (Libra), da Regeneração (Escorpião), e da Aspiração (Sagitário).

Esses períodos que citamos acima, do ingresso do Sol, deveriam ser observados unicamente em relação ao exercício de Retrospecção e da oração, pois o poder desses serviços é grande e está escrito que é por nosso próprio risco que tomamos o pão e o vinho – (ICor 11:23-30).

Nossa preparação espiritual para o trânsito do Sol em Capricórnio, no mês de Dezembro, deve ser feita de maneira cuidadosa e intensamente devocional, já que esse é usualmente o tempo em que geralmente se realiza o trabalho do Discípulo, não nos esquecendo, contudo, que a época mais propícia é no Solstício de Junho, pois no caso do exercício de Retrospecção será sempre mais produtivo para o Discípulo dar seus passos quando o Mundo externo está evocando as forças físicas em nós, ou seja, quando as forças espirituais estão como que estáticas no mundo e o Cristo está com o Pai.

Passemos agora a considerar os Planetas. Vejamos alguns exemplos: alguns de nós temos o Planeta Urano em Libra: assim, de acordo com os Aspectos que tenha, podemos ler exatamente que tipo de provas podemos esperar, enquanto a Lua e o Sol transitam por esse Signo. Você sabe que um Astro não afligido se interpreta de um modo, e que o que está afligido de outro.

O original, altruísta e elétrico Urano nos dá oportunidades para operar com os bons Aspectos, sendo que, além disso, nós todos também temos em nossos horóscopos muitos outros Aspectos, dando um colorido às nossas ações. Agora, se temos alguma aflição que possa levar-nos a tirar vantagem da porta que se nos abre pelo trânsito da Lua sobre um Urano bem aspectado, devemos então vigiar cuidadosamente nossos exercícios de Retrospecção, procurando julgar com acerto. Acontece também, às vezes, que um Astro bem aspectado, digamos Júpiter, pode fazer com que expressemos alguma tendência negativa nossa, como por exemplo o egoísmo, devido ao poder de agregação desse Astro.

Lembremo-nos que somos nossos próprios sacerdotes, sendo nossa Retrospecção o nosso confessionário; por isso, em ocasiões críticas devemos vigiar e analisar os acontecimentos tal como realmente ocorreram em nossas vidas. Nossas provas não costumam apresentar-nos cartão de visitas, para que possamos identificá-las, mas pelo contrário, quando nos chegam, vêm revestidas com nossas inferioridades e são tão disfarçadas que permitimos que entrem e ainda lhes damos o melhor lugar na mesa, por assim dizer.

A Lua, em sua progressão ao redor de cada Astro que temos e os ativando, põe em ação os vários Aspectos e como que se se nos estivesse fazendo as perguntas a respeito de como estamos fazendo uso das vibrações. Faz as mesmas perguntas a cada sete anos, e cada vez revestida de uma nova forma de fazê-la. Primeiramente, põe-se frente ao Aspecto, logo passa por ele e lhe sussurra quando faz a Conjunção, prossegue depois seu caminho e, olhando para trás, produz uma Oposição, de onde mira desde o ápice do problema. Em cada Aspecto faz a mesma pergunta e nos faculta crescer nos anos intermediários para que tenhamos assim, a cada vez que a pergunta for feita, uma resposta diferente.

O discernimento é uma das qualidades que precisamos desenvolver, e não há melhor oportunidade de desenvolvê-lo do que quando vemos a pergunta que a Lua nos faz e formulamos a resposta. Mais à frente, aprenderemos a analisar as Quadraturas, e perceberemos que no que diz a respeito às lições que estão sendo aprendidas, seu poder é muito maior do que qualquer outro Aspecto que tenhamos. Quando chegar o tempo e nossas aquisições se converterem num real saber, então sentiremos que temos algo a oferecer como serviço aos Irmãos Maiores. Então, quando chegarmos a esse ponto, necessitaremos fazer nosso inventário para averiguar tudo o que realmente precisamos para prestar o Serviço.

Vamos supor, agora, que iremos fazer esse pequeno exercício. Começaria de forma, mais ou menos, semelhante à esta:

  • CONCENTRAÇÃO: Quanto posso fazer na concentração? Fiz bem minha última tarefa, ou descuidei de algum detalhe, somente porque alguma pessoa interveio? O quanto conheço a respeito das Artes? Posso fazer um problema de álgebra? Conheço algo de química? Se fosse à Sede Central trabalhar, seria de algum valor para o serviço? Possuo melindres? Suporto a crítica? Gosto do estudo?
  • MEDITAÇÃO: Quantos livros li este ano? Quantos eram uma biografia? Quantos foram ficção? Passei algum tempo sozinho? Que acho dos problemas? Gosto de ficar quieto?
  • OBSERVAÇÃO: Posso entrar num quarto e depois recordar a posição dos móveis? Como seremos capazes de funcionar nos mundos internos, se não conseguirmos realizar aqui esta pequena tarefa? Aqui, onde as coisas são mais ou menos permanentes?
  • DISCERNIMENTO: Quantas vezes tiramos conclusões erradas das coisas e depois averiguamos que alguém mais estava certo? Quantas vezes fracasso na escolha entre um bem maior e um menor? Quantas vezes faço algo simplesmente para agradar alguém, em vez de fazer o que seria justo?
  • CONTEMPLAÇÃO: Sei ler os sinais dos tempos para compreender as profundas operações que estão por trás dos acontecimentos? Alguma vez pego um objeto e trato de ver nele a obra de Deus? Fico em casa às vezes e sozinho, ficando quieto e assim perceber o desenvolver-se do plano divino? Posso obter um sublime e belo êxtase ao ver abrir-se uma rosa?
  • ADORAÇÃO: Toma nossa adoração o antigo hábito de cair de joelhos para adorar o desconhecido, ou tratamos de penetrar nos mistérios para termos maior reverência perante nosso Deus, de modo que consigamos saber de coisas maiores que possamos realizar em Seu Nome?

Sabemos que a luz branca contém toda a gama do espectro e também que Deus é Luz, e que “se andamos na Luz, como Ele na luz está, seremos fraternais uns com os outros”.

Cada Astro possui uma cor distinta e cada um deles recebe um certo tipo de raio do Sol. Conforme cada um dos Astros recebe mais e mais desta luz, reflete algo da própria cor para mesclar tudo de novo nele mesmo. Somos algo parecidos a isso: quando recebemos um pouco desse maravilhoso conhecimento, crescemos e começamos a emitir “Um raio para o mestre, que é quem verá esta radiação, e também não importa onde estaremos, daremos o próximo passo em nosso progresso sempre e quando estejamos preparados para dá-lo. Muitas provas encontraremos em nosso caminho, e muitos fracassos teremos nesta grande preparação, mas o glorioso é poder dizer que estamos abrindo, ou teremos aberto, outra porta para nosso caminho no progresso, sabendo perfeitamente bem que a senda se faz mais estreita conforme passa o tempo e nossas responsabilidades se fazem maiores. Em verdade, se perdermos o senso comum, também se perde nossa utilidade. O grande dom é manter a habilidade de conservar nossos amigos, mesmo estando realizando esse trabalho. Muitos de nossos conhecidos penetraram o trabalho interno e se descuidaram de conservar os contatos sociais que são necessários para nos mantermos a um nível normal. Devemos vigiar essa tendência, porque nossa utilidade para o Mestre pode ser justamente a de que devemos ser capazes de atrair alguma outra pessoa, e não lhe teríamos acesso caso nos achássemos incultos, grosseiros ou, então, incapazes de um relacionamento em qualquer sala de recepção de pessoas. A sociedade é um produto já pronto dessa era no aspecto material. Aqui é onde se reconhece a arte onde pode ser obtida cultura. Nossos governos estão necessitados de ideais tais como o que nós podemos lhes oferecer. Quem de nós se dispõe a deixar as distrações e adentrar àquelas salas levando seu conhecimento espiritual, o que muito contribuiria para o avanço espiritual da Terra.

Venham, amigos que estejam preparados! Vamos dar uma nova arrancada para a frente!

(“Rays from the Rose Cross”, publicado na revista Serviço Rosacruz – 02/86)