Categoria Constituição do Ser Humano e do Campo de Evolução

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Alcoolismo – Uma Doença Mental

Alcoolismo – Uma Doença Mental

É difícil controlar ou superar uma doença cuja causa é desconhecida. O alcoolismo é uma doença pura e simples, mas não uma doença da moral ou do corpo. É uma doença da Mente.

Todas as pregações de moralidade, condenação eterna, e assim por diante, ou proibir a venda de bebidas alcoólicas ou álcool, poderia ter apenas uma influência superficial no desejo de beber ou na causa desse desejo.

Instrua nossos filhos sobre a causa do alcoolismo e eles olharão para a bebida alcoólica como uma expressão distinta de inferioridade e não desejarão usá-la.

Em três gerações, o consumo de álcool poderia ser reduzido àqueles indivíduos adultos irremediavelmente fracos, que buscam no álcool a necessidade se sentir socialmente em igualdade.

Isso, precisamente, explica a causa do alcoolismo. De fato, a ingestão do primeiro gole pode ser atribuída a um sentimento de inferioridade, não querer ser diferente, não querer ser menos do que o outro sujeito ou querer ser ou fazer tanto quanto ele. Nós desprezamos o primeiro gole com: “Ele bebeu para ser sociável, ou para ser inteligente”. Mas isso não é verdade.

A bebida é ingerida quase sempre para alcançar um nível de igualdade, se não, como no caso do bebedor experiente, para alcançar um estado de superioridade temporária, pelo menos em sua própria Mente.

Algumas bebidas alcoólicas são para afogar os problemas, para esquecer, porque não se tem a coragem para enfrentar seu problema, não importa o que seja, analisá-lo e resolvê-lo com o melhor de sua capacidade individual. A bebida parece dar coragem. Na verdade, se revestem ou se afundam no sentimento de inferioridade. Quando o efeito do álcool desgasta o indivíduo, fica pior do que antes, então bebe novamente até que, eventualmente, tenha desenvolvido uma alcoolfilia ou uma obsessão por bebidas alcoólicas.

O alcoolismo repetitivo ou mesmo o consumo moderado regular de cerveja, vinhos, licores e outras bebidas alcoólicas, mais cedo ou mais tarde, trazem consigo distúrbios da garganta e do estômago, nefrite e cirrose ou endurecimento do fígado. As alterações cardíacas são dilatação, degeneração muscular e hipertrofia ou aumento anormal. —Dr. Jesse Mercer Gehman em Nature’s Path, dezembro de 1939.

Aparentemente, nunca antes foi tão predominantemente a tolerância a bebidas alcoólicas como é agora no mundo. Os jornais, as revistas e os outdoors de rodovias são financiados por propagandas de bebidas alcoólicas; os rádios expõem suas virtudes 24 horas por dia, utilizando imagens que glorificam isso, mostrando atores e atrizes famosos em quase todas as ocasiões.

Para o cientista ocultista essa condição é a mais deplorável, pois ele sabe que até a morte não alivia a garra desse monstro quando ele se apodera de sua vítima.

Depois da morte, aqueles que se intoxicam de bebidas alcoólicas desejam obter seus efeitos da mesma maneira que quando estão encarnados em um Corpo Denso; porque não é o veículo físico que anseia pelo álcool. De fato, em muitos casos, ele fica doente por causa disso e em vão protesta de várias maneiras. É o Corpo de Desejos do alcoólatra que anseia por bebida e força o Corpo Denso a participar dela, para que o Corpo de Desejos possa ter a sensação temporária de prazer resultante do aumento da vibração, e esse desejo permanece após a morte do Corpo Denso. Mas o ser humano, depois da morte, não tem mais a boca física para beber, nem o estômago para conter a bebida física e gerar os desejados gases criados pelo aparato digestivo. Consequentemente, ele aprende a inutilidade de desejar aquilo que não pode obter, e seu desejo por bebida finalmente cessa por falta de oportunidade de satisfazê-lo. Enquanto isso, ele sofre uma agonia indescritível, e o processo de desgaste é muito lento.

(Traduzido da Revista Rays From the Rose Cross – jan./1940)

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As Causas Frequentes do Infarto

As Causas Frequentes do Infarto

Médicos alemães e americanos trabalham atualmente na investigação dos fatores psíquicos que desempenham um papel importante, até mesmo decisivo como causa do infarto do miocárdio. Depois de se terem analisado conscientemente todos os fatores físicos, tais como o excesso de peso, a hiperpressão, falhas da alimentação, nível elevado de colesterina ou o abuso do cigarro, impõe-se cada vez mais nitidamente a convicção de que os fatores psicológicos e sócio-médicos têm de ser tomados em linha de conta nos antecedentes de um infarto e na situação propícia a um infarto.

É cada vez mais evidente, no segundo plano da chamada “doença dos managers”, aparecerem tensões psíquicas invulgares e extraordinárias, na maioria dos casos reações psíquicas inconscientes e fracassos ou a impossibilidade de realizar determinados projetos. Segundo as mais recentes investigações, o infarto do miocárdio não é causado por excesso de trabalho, mas por um determinado conflito resultante da discrepância entre os objetivos estabelecidos e os resultados atingidos efetivamente. O êxito, o fracasso ou reconhecimento dos méritos e o seu desprezo são as mais fortes vivências psíquicas. Esse resultado da análise psicológica não data dos nossos dias. No entanto, adquiriu muito maior importância na atual estrutura sociológica, na qual os êxitos e as realizações adquiriram muito maior peso na aferição do valor do indivíduo.

O especialista de medicina interna da Universidade de Munster, na Vestefália, Professor Werner Hauss, declarou recentemente no Congresso Berlinense de Promoção Médica que “o ser humano suporta o êxito ou os trabalhos coroados de êxito em ordens de grandeza simplesmente inconcebíveis”. Por outro lado, os trabalhos seguidos de decepções conduziriam frequentemente a toda uma série de males e doenças. O Professor Paul Christian, de Heidelberg, complementou essas asserções com uma análise precisa e exata da chamada “frustração”, dos perigosos abalos psíquicos que tão frequentemente são a consequência de fracassos. Segundo esse especialista, o fracasso efetivo ou imaginado é “a solicitação psíquica mais insuportável que nós conhecemos”. Se um indivíduo de grande vitalidade e ambição sofre a frustração em consequência de fracassos, pode ser originado um processo capaz de conduzir até mesmo à morte. Os fracassos induzem frequentemente o indivíduo a redobrar esforços, sendo o abalo psíquico da frustração ainda mais forte se o indivíduo em questão não atingir o objetivo em vista. Os mais recentes inquéritos organizados na Alemanha por médicos indicam efetivamente que cerca de 40% das vítimas de infarto do miocárdio tinham sofrido reveses e fracassos, sentindo-se finalmente incapazes de superarem o conflito psíquico.

O estudo consciencioso das causas psíquicas do infarto do miocárdio levou à convicção que existem indivíduos com uma autêntica predisposição psíquica ao infarto. Os indivíduos com a tendência para o infarto correspondem ao tipo pícnico e atlético. São extrovertidos, realistas, concentrados no seu êxito individual, sempre dispostos a agir e “ávidos de estímulos”. Se essas qualidades atingirem o limite do patológico, o perigo de um infarto é ainda maior. Frequentemente, o indivíduo predisposto ao infarto é também um neurótico, designado pelos psicólogos, de “histérico negativo”. Quando surgem quaisquer males ou doenças, esse indivíduo não as quer conhecer, negando-se até mesmo a consultar um médico. As estatísticas provam que 42 por cento dos pacientes que sofreram, de vez em quando, do coração e foram, finalmente, vítimas de um infarto do miocárdio, não tinham consultado previamente um médico. (Dos jornais).

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Ora, e o que é a frustração? O sentimento de malogro, a decepção pelo fracasso, o recalque inibitório por não suceder algo que se esperava ardentemente ou por que tenha lutado muito e não tenha chegado ao desejado resultado. Isso é comum. Bem entendido, é comum aos seres humanos comuns. Um indivíduo bem preparado espiritualmente não se deixa levar pela frustração ou outros fatores negativos semelhantes. E, por bem preparado queremos significar, não o espiritualista ilustrado, intelectualizado, senão o amadurecido, aquele que fundamentou uma razão superior para todas as coisas, que concilia a experiência e a observação com as leis superiores, o que tem fé incondicional no amor e justiça de nosso Criador.

Todos nós comprometemos parcialmente nossa liberdade com as dívidas do passado, ainda não regeneradas. Se não chegamos a um resultado, em nossos esforços, é porque, (para nosso próprio bem) não era justo o que pretendíamos, ou porque não fizemos os esforços naturais que nos tornariam dignos de sua posse ou ainda porque estamos resgatando algo que anteriormente infligimos a outrem. De toda maneira, o malogro não deve desesperar ninguém. Aprendemos mais com nossos fracassos do que com nossos êxitos, desde que saibamos extrair-lhes a lição que nos destinavam. E essa lição, para ser dos amorosos guias de nossa evolução, não pode encerrar vingança nem justificar desonestidade. No complexo mecanismo das relações humanas, há sempre um propósito superior: o de ensinar-nos a integração numa verdadeira fraternidade.

Ainda que a lição, amarga para nós, tenha vindo por intermédio de um semelhante nosso, que agiu com má-fé, precisamos compreender que ele apenas foi um instrumento, para ensinar-nos a prudência, para fazer-nos sentir algo que no passado forçamos outrem a experimentar, para provar-nos a convicção nos ideais superiores e a força de nosso amor.

Idealismo que se esboroa ao primeiro impacto de revés é idealismo puramente intelectual, justaposto, não assimilado, não interiorizado. E a maneira de chegar a sentir e viver realmente o ideal é ir sublimando essas manifestações negativas, pela razão, é persistir no estudo e compreensão das leis superiores que a Fraternidade Rosacruz oferece.

Avaliem, pois, a importância do Movimento Rosacruz. Ele veio, mercê da previdência e amor daqueles que anteviam esse estado de coisas, no progressista mundo ocidental. Eles anteviram a insuficiência do cristianismo popular no preparo interno dos que se deixam engolfar pela ambição, dos que se escravizam pela máquina e invenções modernas, cujo fito imaturo ainda é o de enriquecer minorias em detrimentos de legítimos direitos da maioria. Mas a transição e mudança de coisas devem provir do íntimo de cada ser humano. Quando as internas necessidades humanas reclamam condições melhores, elas naturalmente vêm.

Outra conclusão importante que podemos tirar da notícia acerca da causa mais frequente do infarto é a influência e inegável ação dos pensamentos e das emoções sobre a saúde.

Depreendemos, também, que a mesma influência e ação negativas são verdadeiras quanto à nossa felicidade. Aquele que alberga sentimentos e pensamentos pessimistas, rancorosos ou desonestos está, em primeiro lugar, conspurcando a si mesmo, comprometendo seu destino, manchando o templo divino do seu corpo, rasgando a trilha de hábitos daninhos que se alargarão pelo repetir, em estradas desoladoras de sofrimentos — a consequência lógica assegurada pela Lei de Causa e Efeito.

A Fraternidade Rosacruz franqueia amorosa e desinteressadamente a todos os de bom senso, a filosofia da felicidade, o entendimento de que só a Verdade, a Beleza e a Bondade, harmoniosamente conjugadas na ação humana, podem restituir-nos os direitos e vivências superiores que nós, como Espíritos, Filhos de Deus, temos de um dia alcançar. Resta-nos escolher se pelo caminho da dor, ou pela observação e consonância voluntária às Leis superiores.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1967)

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Somos Espíritos!

Somos Espíritos!

Amigo leitor: somos espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.

Desde que o ser humano completou sua instrumentação com a Mente, com a razão, começou a dirigir-se sozinho. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores de elevação. É bom pensar muito bem nisso. Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em sua vida, não os atribua a Deus. Antes, deve encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo o desejo do Pai: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial”. Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?

“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.

Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.

Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.

Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às leis naturais, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?

Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.

No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Eu poderia desfiar agora mesmo uma série delas, as mais importantes e prováveis ao seu caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso me permito sugerir-lhe: vá conhecer a Fraternidade Rosacruz e a maravilhosa filosofia de viver que ela oferece.

Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a humanidade, por meios cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.

Não lhe exigirão nada, nem compromissos. Não há esforço de proselitismo na Fraternidade. Mas tudo lhe oferecem para que você mesmo encontre a felicidade de seu viver: entrevistas, cursos, revistas, livros, palestras públicas, folhetos informativos, etc. Há até cursos por correspondência ou por e-mail, para os que dispõem de pouco tempo, baseados em sua obra mestra “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, onde você encontrará respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual.

Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.

Reafirmamos que não desejamos convencer ninguém. Apenas, como disse São Paulo Apóstolo: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o”. Nós lho oferecemos. E para isso não precisará sair de sua crença. Como alguém que entra para estudar numa Faculdade qualquer, sem que essa lhe afete a crença religiosa, a Fraternidade Rosacruz também não aconselha a ninguém que abandone o lugar em que está.

Nem é necessário. Seja homem ou mulher, a Filosofia Rosacruz lhe ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios cristãos.

E conforme esses princípios mesmos é que nos dirigimos ao Amigo, oferecendo-lhe de graça o que de graça recebemos. Somos Irmãos, porque filhos de um Pai comum – Deus, em Quem “vivemos, nos movemos e temos nossa existência”. É um simples dever que um Irmão faça pelo outro o que lhe estiver ao alcance. Em nosso caso, fazemo-lo com amor.

Em nome do Senhor aqui me despeço, até próxima oportunidade.

 (De David Dias dos Santos – Publicado na revista Serviço Rosacruz –10/66)

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O Órgão da Percepção da Verdade e que Instrumento temos que ter

O Órgão da Percepção da Verdade e que Instrumento temos que ter

Quando mais órgãos tiver um corpo para a recepção, o desenvolvimento e a propagação de diversas influências, mais certamente sua existência será rica e perfeita, porque terá um maior potencial de vida; mas, muitas forças para as quais não temos órgãos podem estar adormecidas em nós, e, por conseguinte não podem agir. Essas forças latentes podem ser despertadas, isto é, nós mesmos podemos nos organizar, para que elas se tornem ativas em nós.

O órgão é uma forma na qual age uma força; mas toda forma consiste na direção determinada das partes – ligadas à força atuante. O organizar-se para a ação de uma força quer dizer simplesmente: dar às partes uma tal forma ou situação que permita que a força possa agir nelas. É nisso que consiste a organização. Assim como para um ser humano que não tem órgãos, nem olhos para a luz, ela não existe realmente para ele, enquanto todos os outros que têm esse órgão gozem dela, assim também muitos indivíduos podem não gozar de coisas que outros gozam. Eu quero dizer que um ser humano poderá ser organizado de tal maneira que sentirá, escutará, verá e apreciará coisas que um outro não poderá sentir, nem ouvir, nem ver, nem apreciar, porque lhe falta o órgão de percepção.

Assim, neste caso, todas as explicações lhe seriam inúteis, porque ele juntaria sempre as ideias que teria de receber por seu órgão particular às ideias de outrem, não podendo apreciar e compreender senão o que se aproximasse das suas próprias sensações.

Assim como formamos todas as nossas ideias pelos sentidos e todas as operações da nossa razão são abstrações de impressões sensíveis, assim também não podemos fazer nenhuma ideia de muitas coisas, porque ainda não temos um órgão adequado.

Daí parece estar demonstrado que os indivíduos organizados para o desenvolvimento das forças superiores não podem dar aos que não estão organizados para isso nenhuma ideia da verdade superior, a não ser muito vagamente.

Assim, todas as nossas controvérsias e nossos escritos de pouco servem. Os seres humanos devem, primeiramente, se organizar para a percepção da Verdade.

Mesmo que nós explicássemos tudo a respeito da luz, os cegos não a veriam mais claro. É necessário que eles adquiram, primeiramente, o órgão da visão.

Eis a pergunta: em que consiste o órgão da percepção da Verdade? O que dá ao ser humano a capacidade de a perceber?

E eu responderei: “A simplicidade do coração”. Porque a simplicidade coloca o coração numa situação ajustada para receber o raio puro da razão, e esse raio prepara o coração para a percepção da luz. “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”.

E que instrumento é necessário para isso? E eu responderei: o Corpo-Alma!

 (Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jan/fev-87)

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O Guardião do Umbral: uma entidade criada por você mesmo

O Guardião do Umbral: uma entidade criada por você mesmo

Sempre ressaltamos e insistimos no que representa a retidão no bem servir, desde o ponto de vista espiritual e também material, do estudante que está no caminho do desenvolvimento e isto se deve a muitas razões que existem para que esta nossa insistência tenha justificação. Quiçá um dos pontos ou temas mais analisados, uma vez que estamos imbuídos do que representa o transitar pela senda, seguindo uma vida espiritual, mediante o conhecimento que nos brindam os Instrutores da Filosofia Rosacruz, ou seja, o tema do Guardião do Umbral.

Como seres eternos que somos, viemos desenvolvendo através do tempo, experiências diferentes, umas boas outras más, e tem uma implicância grandiosa no desenvolvimento evolutivo do ser humano, sendo que os resultados dessas ações sejam passadas ou presentes, o que constitui o Guardião do Umbral, o qual analisaremos à luz dos conhecimentos que nos proporciona à Filosofia Rosacruz, e a maneira como tratá-lo, por assim dizer.

O Guardião do Umbral é um elemental evidentemente. E uma entidade criada por nós mesmos, com nossos maus pensamentos, com nossas más ações, incluso também com ações que pertencem à vida atual.

Seu principal alimento constitui-se de nossas más ações e estará presente como um grande obstáculo no momento quando, conscientemente, queiramos ingressar nos planos suprafísicos, tratará de deter-nos, querendo evitar nossa elevação espiritual.

Seu alimento também se constitui do temor que sempre estamos lhe acrescentando ao invés de diminuir-lhe. Queridos irmãos: eis aqui o motivo pelo qual sempre estamos inculcando a eliminação do temor, porque o mesmo, não conduz a nada de bom, e vencê-lo é uma das chaves para que o Estudante consiga um triunfo positivo nesta senda. Outros alimentos deste elemental também constituem de nossas dúvidas, nossas maldades — sejam pequenas ou grandes — o egoísmo, a hipocrisia e todas as circunstâncias negativas em que vivamos ou que simplesmente sejam pensamentos.

Uma vez que estamos conscientes de que o Guardião do Umbral é um elemental criado por nós mesmos e que está sendo alimentado para sua existência, por nossas más ações durante vidas e vidas, podemos fazer o contrário para ir diminuindo sua força pouco a pouco até eliminá-lo por completo, através do equilíbrio e com muita força de vontade, para, desta forma permitir-nos chegar até o “Anjo Guardião”, que é produto de todas as coisas boas que temos feito, sendo este Anjo o que nos guiará pelas maravilhosas experiências dos mundos espirituais de forma consciente.

O trabalho da eliminação deste elemental negativo, é muito árduo, mas é uma tarefa que todos teremos que realizar algum dia, quando chegar o momento indicado, diz Max Heindel.

Falar da transmutação ou da redenção desta entidade elemental, implica num trabalho que se inicia neste plano físico, sendo impossível o acesso aos mundos suprafísicos se não começarmos aqui, na materialidade. Talvez o mais difícil é cuidar de nossas emoções, cuidar de nossos sentimentos, porque controlar o Corpo de Desejos, é sumamente trabalhoso, por isso nos fala nosso instrutor de equilíbrio, de força de vontade. Equilíbrio para que, chegado o momento de ascender à espiritualidade, estejamos preparados para enfrentar à situação delicada que indubitavelmente se nos apresentará, e força de vontade para transmutar as circunstâncias. Esta força de vontade a obteremos aqui neste plano físico mediante nosso trabalho cotidiano como Auxiliares Visíveis, trabalhando com as coisas que elevam o espírito.

Como sabemos, todo desenvolvimento espiritual do estudante ocidental, se inicia no Corpo Vital, que está composto por Éteres superiores e inferiores. À vida material e social, sem dedicá-la à parte espiritual, desenvolve unicamente os dois Éteres inferiores, ou seja, o Éter Químico e o Éter de Vida. Isto não é ruim, mas desde o momento que iniciamos o esforço de ingressar a espiritualidade, temos a necessidade de desenvolver os outros dois Éteres, que são o de Luz e o Refletor.

Nesta parte, cabe prevenir um pouco ao estudante, de que quando chegue a desenvolver a vida espiritual e se sinta seguro com seus benefícios, não deve, no entanto, abandonar a vida material, porque aqui deve seguir atuando como Auxiliar Invisível, desenvolvendo os dois Éteres Superiores e criando assim seu Corpo-Alma, desempenhando assim um grande papel a serviço da humanidade.

Então aqui também devemos manter o equilíbrio e cuidar da vida espiritual, sem abandonar nenhuma delas, e assim como alimentamos nosso Corpo Denso, também alimentar a sensibilidade despertada no plano espiritual, tendo em conta por outro lado, que as ações espirituais constantes desgastam o corpo físico, pela crescente sensibilidade do sistema nervoso, que pode ocasionar enfermidades. Para evitar isto, devemos apelar sempre para o equilíbrio para cuidar dos requerimentos de ambos os planos, porque é errôneo, em detrimento de nossa vida material, que elevemos nosso potencial espiritual.

Um dos maiores problemas do estudante e de todos os que escolheram o caminho da espiritualidade, é o egoísmo, sendo este o maior alimento que recebe o Guardião do Umbral, mas temos a opção de transmutá-lo. Talvez alguns pensem que não são egoístas, e o primeiro que devemos buscar, é reconhecer nosso egoísmo. Para isto é necessário a autoanálise, e autocrítica, para que vejamos sinceramente em que ponto estamos colocados, para logo melhorarmo-nos, porque se nós mesmos não o reconhecermos, então não poderemos melhorar. O assunto não se trata de ler livros e mais livros e fazer orações e logo gozar a vida, como se diz. O assunto é de suma responsabilidade, mais ainda quando já tem algum conhecimento espiritual.

Por tudo isto, dizemos que o caminho espiritual é para as almas fortes e decididas, e só os fortes e decididos tratam de buscar o caminho superior e ascender um pouco mais a cada vida. Daí meus queridos irmãos, que devemos juntar ao equilíbrio e à força de vontade, outra virtude mui especial que é a persistência. Podemos nos enganar e cometer erros, mas devemos levantar e continuar o caminho, devemos persistir sem descanso, e não dizer de um irmão: “para 99 quedas, 100 levantadas”, e ter presente que o mestre Jesus, o Cristo, sempre nos acompanha, diariamente, apoiando nossos esforços e mais ainda, devemos ter presente que há uma legião de seres espirituais, de Irmãos Maiores e de entidades superiores, que simpatizam e tratam de nos levar adiante, que se regozijam com nossos sucessos e se entristecem com nossos erros, e que chegam a atormentar-se muito mais, quando veem que não nos levantamos da queda quando esta acontece.

Tendo em conta o que antecede, recomendamos aos estudantes que ponham muita força na parte devocional, a parte anímica, porque aí está o “alimento” para o “Soma Psuchicon”, esse Corpo-Alma ao que, nos conhecimentos meramente mentais e materiais não lhe serve de nada. Devemos fortalecer devocional e animicamente por meio da devoção ao mais elevado, ao bem e ao espiritual.

Se dão conta então porque há tão poucas pessoas que uma vez no caminho, progridem pouco ou não avançam? Porque abandonam a parte devocional, muito útil para ir deixando “sem alimento” o Guardião do Umbral. Pois então, deverá dar a real transcendência, a nota chave que nos levará adiante, ou seja, a devoção, o poder anímico, que está na oração, no perdão, no positivismo, em todo ato que eleva a alma.

Consequentemente, devemos guardar em nossa memória os três pontos necessários para avançar no caminho: o Equilíbrio, a Força de Vontade que nos permitirá ascender ao terceiro ponto, que é a Persistência.

(Traduzido da Revistas Joyas Espirituales e Publicado na revista Serviço Rosacruz – 03 e 04/87)

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A Mente é o “Mensageiro de Deus”

A Mente é o “Mensageiro de Deus”

Algumas lições antigas da Fraternidade chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.

O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” ao ser humano, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes da Filosofia Rosacruz trabalham com seu Corpo Denso; os Probacionistas com o Corpo Vital; os Discípulos com o Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos com o Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.

Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que o cérebro predomina sobre o coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu coração aquilo que o intelecto sancionou e passam a viver uma vida religiosa.

Quando a humanidade se desviou do esquema original da evolução sob a influência de Lúcifer, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que a humanidade se tornasse menos egoísta.

Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de cristãos místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.

Astrologicamente, Mercúrio é o educador mental da humanidade. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre o Espírito e o corpo em suas manifestações.

Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas pode se elevar ao mundo do Espírito sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.

Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/86)

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Os Átomos-semente nos Futuros Períodos Mundiais

Os Átomos-semente nos Futuros Períodos Mundiais

Investigamos a evolução dos Átomos-semente através dos três Períodos Mundiais involucionários e todo o presente Período Terrestre, até seu final. O que sucederá a esses Átomos-semente nos períodos subsequentes: o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano?

A primeira Grande Iniciação “dá o estado de consciência que será alcançado, pela humanidade comum, ao final do Período Terrestre; a segunda, o que todos alcançaremos ao final do Período de Júpiter; a terceira dá a extensão de consciência que será alcançada ao final do Período de Vênus; a última confere ao Iniciado o poder e a omnisciência que toda a humanidade alcançará somente ao final do Período de Vulcano”.

No final de cada grande Período, o Corpo que tenha chegado à perfeição, é convertido em suas forças essenciais e agregado ao seguinte veículo superior. Assim é como, no final do Período Terrestre, as forças do Corpo físico aperfeiçoado serão agregadas ao Corpo Vital, o que tem, então, todos os seus próprios poderes mais os do corpo físico. Estes poderes amalgamados serão agregados ao Corpo de Desejos, no final do Período de Vênus e estes, por sua vez, serão agregados à Mente ou Corpo Mental, no final do Período de Vulcano.

Cada Corpo foi dado como um “germe”, que era também um “pensamento-forma”, como temos indicado. São as forças arquetípicas de cada Corpo, elevadas à perfeição, as que são os poderes de cada Átomo-semente que são agregadas ao seguinte veículo superior, quando termina o Período Mundial.

Paralelamente a esse desenvolvimento, observamos o pleno florescimento do Tríplice Espírito e de seus três poderes: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano (os três juntos constituem o Ego).

Max Heindel escreveu: “Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras ajudaram o ser humano a pôr em atividade o Tríplice Espírito, o Ego, a construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, no sétimo dia (para usar a linguagem da Bíblia), Deus descansa. O ser humano deve trabalhar pela sua própria salvação. O Tríplice Espírito deve completar o trabalho e a execução do plano começado pelos deuses. O Espírito Humano, que foi despertado durante a involução, no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos do Espírito, na evolução do Período de Júpiter, que é o Período correspondente no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, que foi posto em atividade no Período Solar, manifestará sua principal atividade no correspondente período de Vênus e, as particulares influências do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, porque foi vivificado no correspondente Período de Saturno”.

“Todos os três aspectos do Espírito são ativos, todo o tempo, durante a evolução, mas o aspecto espiritual de cada um será desenvolvido nestes Períodos particulares, porque o trabalho a ser feito é seu trabalho especial”. Assim como o polo negativo do Tríplice Espírito era o que estava ativo durante Involução, agora é o polo positivo o que está ativo durante a Evolução, à medida que o Ego ascende à Divindade, saindo da materialidade”.

A Tríplice Alma é também, durante este tempo que o Ego está evolucionando e saindo da matéria, assimilada pelo Tríplice Espírito.

Quando o Corpo for plenamente aperfeiçoado e suas forças agregadas ao Corpo Vital, a “Alma Consciente” será assimilada pelo Espírito Humano. Isto não é instantâneo. Dura por todo o ciclo do “Dia” de Júpiter e é apenas na sétima Revolução do Período de Júpiter, quando a Alma Consciente é, assim, assimilada pelo seu progenitor, o Espirito Divino.

Sob a Lei de Analogia e a causa de que a evolução se acelere à medida que se aproxima o final, a Alma Intelectual é assimilada pelo Espírito de Vida, na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Intelectual é a essência do Corpo Vital e sua assimilação pelo Espírito de Vida requer todas as seis revoluções do Período de Vênus.

Finalmente, na quinta Revolução do último Período, o de Vulcano, em que a Mente será aperfeiçoada, a Alma Emocional será assimilada pelo Espírito Humano, na Região do Pensamento Abstrato.

Esta assimilação da essência do Corpo de Desejos nutre o terceiro aspecto do Tríplice Espírito, conduzindo-o até a perfeição e, o processo de assimilação requer todos as primeiras cinco revoluções do Período de Vulcano.

Restam duas revoluções mais, deste Período, nas quais o Espírito Virginal assimilará, na Mente, todos os poderes do Tríplice Corpo e, as essências anímicas também serão completamente assimiladas ao Tríplice Espírito. Conforme cada Globo Mundial se dissolve no caos, o aspecto do Espírito correspondente a esse Globo é atraído pelo mais elevado dos três aspectos, o Espirito Divino. No final do Período de Júpiter, o Espirito Humano será absorvido pelo Espírito Divino. No final do Período de Vênus, o Espírito de Vida será absorvido pelo Espírito Divino. E, ao final do Período de Vulcano, a Mente aperfeiçoada, incorporando todas as maravilhosas glórias assimiladas durante os passados sete Dias Mundiais, será absorvida pelo Espirito Divino.

Max Heindel comenta: “Não existe contradição entre estas e outras afirmações que dizem a Alma Emocional será absorvido pelo Espírito Humano, na quinta Revolução do Período de Vulcano, porque o último estará, então, dentro do Espírito Divino”.

Depois disto, vem o “grande intervalo de atividade subjetiva, durante o qual o Espírito Virginal, que agora tem absorvido em si mesmo todos os três aspectos, ou poderes e todos os frutos da evolução se fundirão em Deus, de Quem vieram, para reemergir na aurora de outro Grande Dia, como um de Seus gloriosos colaboradores”.

Durante sua passada evolução, suas possibilidades latentes têm sido transmutadas em poderes dinâmicos. Tem adquirido Poder Anímico e uma Mente Criadora, como fruto da peregrinação através da matéria.

Tem avançado da impotência à Onipotência, da inconsciência à Onisciência”.

Isto é, quando o Espírito Virginal reemerge da união com a Divindade, aparecerá como um deus-auxiliar, capaz de projetar no espaço, na Substância Raiz Cósmica, os “Átomos-semente”, ideias germinais e suas forças arquetípicas e pensamentos-forma, pertencentes a um novo esquema de evolução, como membro de uma Celestial Hierarquia, como a que nos ajudou em nossa própria evolução “desde o barro até Deus”.

Assim, do mesmo modo em que as Hierarquias Celestiais são nossos verdadeiros progenitores, cuja “semente” foi o modelo de nossa evolução, nós, por nossa vez, chegaremos a ser os progenitores divinos de novas raças, em novos sistemas evolucionários, quando emergirmos naquela aurora cósmica, sobre as asas do poder e da sabedoria, para ajudar a inaugurar um novo mundo – uma galáxia, um universo – e o fazer flutuar como uma rosa que se abre corrente abaixo nas ondas do espaço.

(Publicado no ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)

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Servir a Divina Essência em cada um de Nós

Servir a Divina Essência em cada um de Nós

O lema “Servir à divina essência em cada um de nós” merece um estudo profundo para que seu expressivo conteúdo não fique limitado por uma análise e compreensão superficiais. Inicialmente devemos compreender o que é “divina essência”, pois, do contrário, não poderíamos servi-la convenientemente. As palavras “divina essência”, por si, revelam ser de caráter abstrato e subjetivo e só por esse meio poderá o espiritualista penetrar-lhe o sentido. Realmente, os processos comuns, intelectivos, não podem atingir os planos abstratos.

A frase “servir a divina essência” faz parte do ritual rosacruz. E julgamos conveniente, neste ponto, explicarmos o que é um ritual: é uma cerimônia introdutória e preparatória de um culto. Todos os cultos usam rituais, inclusive as Ordens Místicas. E por que é importante esta preparação? O ritual é um conjunto de palavras mui significativas, tanto para o celebrante como para os ouvintes, pois leva o VERBO, recriado por aquele, a estes. O Verbo assim pronunciado é transmitido ao íntimo do ouvinte e nele ressoa o valor vital do espírito da palavra, levando o estado de espírito de quem o escreveu, no momento em que se encontrava nos planos superiores (falamos de um verdadeiro ritual, como o da Rosacruz). Realmente, se revivemos, se relembramos, se recapitulamos, por exemplo, as orações de Cristo e de seus elevados Discípulos, experimentamos o mesmo estado em que se achavam, em sua exaltação, esses magníficos personagens; e de certo modo nos ligamos a eles.

Se dizemos: “Deus é Amor e quem vive em amor, vive em Deus e Deus nele”, acontece justamente o que descrevemos, isto é, pela repetição das mesmas palavras sentir-nos-emos, como o Autor, em união com Deus.

Esta forma de cerimônia, portanto, eleva os ouvintes preparados às alturas de quem exprimiu aquela inspiração; ao conhecimento cósmico donde deriva a Força Universal de Deus. Pois é a esse plano universal que nos guindamos ao pronunciar com alma, no ritual rosacruz, essa expressiva frase: “Servir à Divina Essência em cada um de nós”.

Mas, voltando ao exame da frase proposta, perguntemos: o que é “divina essência?”. O verdadeiro ocultista, afeito ao abstrato e deduções lógicas, conclui que a “divina essência” é parte do Espírito Universal, infinita como sua Origem, e que constitui nosso Ego. Vemos assim que o Ego, mesmo aparentemente isolado no indivíduo está intimamente ligado ao Espírito Universal, e este, poderoso na ilimitação de sua universalidade, confere à centelha que d’Ele emana a mesma ilimitação dentro do Universo. Do exposto deduzimos que, sendo essencialmente chispas infinitas de Deus, a Ele estamos vinculados, como também, inversamente, Deus está conosco. É uma verdade insofismável, pois nosso Ego se reflete, como aprendemos, por atributos microcósmicos do Uno, que constituem a triúna centelha do Ego: Espírito Divino (Pai), Espírito de Vida (Filho) e Espírito Humano (Espírito Santo).

Assim, as qualidades com que o Espírito Universal se exprime em nós, são: “Vontade” – “Amor” e “Sabedoria”.

Deus possui estes atributos e o Ego também os possui. Daqui concluímos que a “divina essência” em cada um de nós é a própria natureza divina.

Essas três qualidades abstratas ou atributos, Vontade, Amor e Sabedoria, fundem-se na essência Egóica, e por elas o Ego opera individualmente, exercendo sua capacidade epigenética, pois em nosso Ego reina o Poder de Deus, sujeitando-se a este o “eu” inferior (intelectualidade e desejos), buscando sua libertação dentro de Deus. A pouco e pouco o Ego sublima a inferioridade em superioridade, ou seja, em elevados sentimentos e verdadeira inteligência, passando a reconhecer-se individualmente, dentro do poder de Deus, perfeitamente identificado com o Pai.

Assim o ser humano fará a Vontade de Deus, conforme Cristo o explica ao dizer: NÃO SOU EU QUE FAÇO AS OBRAS, E SIM AQUELE QUE ME ENVIOU. Este fato mostra que a Vontade de Deus agia em Cristo, não sendo Ele, portanto, o autor das obras. Cristo, pela vontade que reinava em Si, dava livre acesso ao seu corpo, para que o Pai executasse as obras, segundo Sua Vontade, em perfeita correspondência espiritual.

O Poder do Pai estava infuso em Cristo e também em seu corpo, a parte humana de Jesus. Assim a VONTADE estava presente em Cristo e Seus veículos, numa prova inequívoca de que o PODER DIVINO tem Seu reino na Humanidade e o Pai estava no Filho como Este no Pai. Tanto isto é verdade que o espírito constantemente se expressa em matéria. Como disse Heindel: “matéria é espírito cristalizado”. Cristo fez sentir esta evidência aos fariseus ao dizer-lhes: “acreditai em Mim, ao menos pelas obras que eu faço, pois não sou eu que faço as obras, mas Aquele que me enviou”. Daí podemos concluir que não conhecemos o Pai, porque não damos ainda livre acesso ao Poder de Sua Vontade em nós. Se nos tornássemos canais, como o foi Jesus, poderia Deus fazer através de nós as Suas obras. Atualmente impedimos essa divina expressão porque desviamos as forças superiores nas atividades inferiores que os maus hábitos impõem. No “Pai Nosso” exprimimos o desejo de alcançar esse estado futuro, quando nosso Espírito Divino se dirige ao Pai, dizendo “Seja feita a Tua Vontade, na Terra como nos Céus”. Quando o alcançarmos, seremos as varas ligadas à Videira, na parábola do Evangelho.

-oOo-

Até aqui estivemos tratando do primeiro aspecto divino no ser humano: Vontade. Prossigamos, abordando o segundo aspecto, que é Amor.

Essa divina e transcendental qualidade flui eternamente em todo o Universo. Todos os mundos entoam o cântico de Amor que Vibra como parte mesma de toda a imensidão do infinito. Os mundos foram feitos de Amor. As harmonias das esferas, experimentadas pelo iniciado Pitágoras, são hinos de Amor que vibram com indescritível formosura e colorido. Singular a harmonia do amor: Deus ama constantemente Sua criação e fez vivê-la por obra de Seu Amor, porque “Deus é Amor e quem vive em Amor vive em Deus, e Deus nele”. Este é o segundo aspecto de Deus em nós. Quando, no “Pai Nosso”, o Espírito de Vida se dirige à Sua contraparte, o Filho, diz: “Venha a nós o Teu Reino”, anelando a possibilidade de exalar através de nós o perfume do Amor que d’Ele recebemos constantemente. E Deus nos amou de tal maneira que nos deu o Seu Filho Unigênito para que através d’Ele todos nos salvemos. E este nos dignificou ao chamar-nos Seus amigos e ensinando-nos a “amar o próximo como a nós mesmos”. Portanto, o Amor liberta o ser humano de suas próprias limitações para que em seu Ego se manifeste o Pai, como este se manifestou no Filho. E, como segundo aspecto de Deus, o Seu Filho em nós se manifesta, como único salvador, compassivo, amando-nos até a última gota de Seu sangue.

Passemos, em seguida, ao terceiro aspecto de Deus, e também de nosso Ego, que é a Sabedoria. Desejosos de Servir à divina Essência, procuramos dar passagem Aquele que tem sabedoria, a Omnisciência, o conhecimento puro. Como em Deus, também em nosso Ego existe essa maravilhosa panaceia. Existimos por Sua Sabedoria, vivemos por e em Sua Sabedoria e, portanto, também a possuímos. Sua Sabedoria está sempre presente em nós, porque é Omnipresente. Mas devemos aprender a dinamizá-la em nós e, por isso, no “Pai Nosso”, dirigindo-se à sua contraparte, o Espírito Santo, diz nosso Espírito Humano: “Santificado seja o Teu Nome”. Em sua meditação o Aspirante sincero poderá achar essa fonte através do seu Ego, porque vive a Divindade em Si, por Si mesma e nas Suas criaturas.

Finalizando, podemos resumir que as três virtudes estão presentes na ação de Deus. Que:

  • Manifestação da Essência Divina: Vontade, Poder, Querer;
  • Manifestação da Essência Divina: Amor, Caridade, Fraternidade;
  • Manifestação da Essência Divina: Sabedoria, Conhecimento, Princípio do Poder Criador.

Essas três potências, inerentes ao Ego, fazem-nos semelhantes a Deus, conforme nos ensina a Bíblia: que Ele nos criou a Sua Imagem e Semelhança.

(de F. Ph. Preuss – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/1964)

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A Tríplice Alma: um procedimento oculto para o aperfeiçoamento de si mesmo

A Tríplice Alma: um procedimento oculto para o aperfeiçoamento de si mesmo

Pouco antes de me ter sentado para estudar numa dessas tardes, premi o botão elétrico e imediatamente a luz inundou o quarto. Apanhei o livro e abrindo-o deparei com um trecho que tratava do trabalho executado pelos Adeptos – os iluminados que podem pronunciar a Palavra Criadora.

Veio-me então à mente o desejo de tornar-me idêntico a eles, servir como fazem os Irmãos Maiores, levando a luz à consciência da Humanidade.

O que deveria fazer para tornar-me igual a eles?

Pensativamente contemplei a lâmpada próxima a mim: a pressão sobre o botão não a criou; ele meramente pôs o dispositivo (a lâmpada) apta a transmitir a luz, contatando-o com certos dispositivos (arames, ligações, cabos) os quais transportam a energia elétrica gerada pela fonte central (dínamo). O que seria se a lâmpada fosse feita de madeira? Quando eu premisse o botão poderia inundar de luz o meu quarto? Poderá o meu ser físico, tal como agora é, transmitir a luz de Deus?

Se as linhas elétricas fossem defeituosas, a minha pressão sobre o botão poderia proporcionar luz perfeita em meu quarto? Terei eu uma conexão apropriada com a fonte de energia espiritual para torná-la usável? Ou o que daria se o dínamo funcionasse imperfeitamente? Para que serviriam os arames, os cabos, as ligações, as lâmpadas ou outros quaisquer dispositivos para a produção da luz, se o dínamo não produzisse energia? Estarei em uma célula no Grande Corpo de Deus, produzindo e libertando a energia para as mais altas funções de meus veículos?

Essa autopesquisa conduziu-me a uma revisão sobre o procedimento oculto ensinado pela Filosofia Oculta para o aperfeiçoamento de si mesmo no sentido de se tornar um “canal consciente” para o trabalho daqueles Elevadíssimos Seres, de modo a poder aplicar-me com renovado zelo no trabalho indispensável ao crescimento da alma. O moto “Serviço amoroso, altruísta e desinteressado” me veio à mente como linha de conduta para ser sempre observada e lembrada. Ao mesmo tempo recordei-me de certas instruções específicas para a espiritualização de nossos veículos e, consequentemente, do crescimento da alma. O que me ocorreu vai a seguir:

A filosofia oculta ensina que o ser humano é um Tríplice Espírito que possui uma Mente através da qual governa o Tríplice Corpo, os quais ele emanou de si mesmo para obter experiências. Esse Tríplice Corpo ele transmuta na Tríplice Alma, da qual ele se nutre a fim de sair da impotência para a onipotência: o Espírito Divino emana de si mesmo o Corpo Denso, extraindo como pábulo a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana o Corpo Vital, extraindo a Alma Intelectual; o Espírito Humano emana o Corpo de Desejos, extraindo a Alma Emocional. Nosso problema como aspirantes espirituais é então planejar e controlar nossas atividades diárias de modo que, por meio delas, possamos extrair maior quantidade de poderes conscientes, intelectuais e emocionais, de nossos Corpos. Uma vez que nossos veículos estão intimamente inter-relacionados, a melhora de um, automaticamente gera a melhora dos demais. Porém, certas atividades afetam determinado Corpo mais definidamente do que os outros.

O Corpo Denso é um maravilhoso instrumento mecanizado para a ação no plano material; é por meio das experiências que obtemos por seu intermédio, pelas nossas retas ações em relação aos impactos externos e pela observação acurada que o transmutamos em Alma Consciente. Quanto mais ativos formos e mais retas forem nossas ações, maior crescimento de Alma Consciente alcançaremos. Basicamente, para a reta ação tornam-se necessários a higiene, o exercício, o ar fresco, uma dieta simples constante de alimento integral, bem como o altruísmo, o desejo de ajudar e a boa vontade. Em relação à observação correta ensina-nos a Filosofia Rosacruz: É da mais alta importância ao nosso desenvolvimento que observemos os fatos e as cenas em nosso redor acuradamente. Do contrário as impressões em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos subconscientes. O ritmo do Corpo Denso perturba-se na proporção da falta de acuidade de nossa observação durante o dia. Na proporção em que aprendemos a observar acuradamente, ganharemos em saúde e longevidade e necessitaremos menos de descanso e de sono. O Aspirante, sistematicamente, deve tudo observar, tirar guia mais seguro e certo em qualquer mundo. Ao praticarmos esse método de observação, devemos sempre ter em Mente que ele deve ser usado apenas para reunir fatos e não com o propósito de criticismo, pelo menos o acre criticismo. A crítica construtiva que assinala defeitos e dá os meios de remediá-los é a base do progresso.

O Corpo Vital, o veículo do hábito, é o armazém da memória consciente e subconsciente, é composto de quatro Éteres: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter de Luz e o Éter Refletor.

Os dois primeiros constituem a matriz na qual o Corpo Denso é construído. A repetição é a nota-chave desse Corpo Vital. Daí o valor da repetição dos impactos espirituais do estudo, dos sermões, da conferência e leituras. Também a arte e a religião são de primeira importância no refinamento do Corpo Vital, bem como o cultivo da memória, da discriminação particularmente efetivos na geração da Alma Intelectual.

A memória liga as experiências passadas às as experiências presentes e os sentimentos por elas engendradas, criando “simpatia” e a “antipatia” que de outro modo não poderiam existir.

A discriminação é a faculdade por meio da qual distinguimos aquilo que não é importante, não essencial, separando o real da ilusão, o duradouro do evanescente.

Na vida comum pensamos de nós mesmos como se fôssemos o Corpo. A discriminação orienta-nos no sentido de que somos Espíritos e que os nossos Corpos são temporariamente lugares residenciais, instrumentos de uso. Pela discriminação aprendemos a considerar o Corpo como um servo na medida em que se torna dócil às nossas ordens. Assim considerando, veremos ser possível fazermos muitas coisas que de outro modo pareciam impossíveis.

Os dois Éteres do Corpo Vital, o Luminoso e o Refletor, são os que compõem o Corpo-Alma e em cada vida são renovados por meio do “serviço amoroso, altruísta e desinteressado aos outros”. A quinta essência desses atos, do bem, deles extraídos, determina a qualidade dos átomos estacionários prismáticos de que são compostos os dois Éteres inferiores na vida seguinte. Esse Corpo-Alma é a parte do Corpo Vital que o Aspirante imortaliza como Alma Intelectual.

O Corpo de Desejos é nosso veículo dos desejos, das emoções e dos sentimentos. Durante o estado de vigília ele se encontra constantemente em luta com o Corpo Vital. O Corpo Vital constrói e suaviza, ao passo que o Corpo de Desejos cristaliza e destrói. Por meio da devoção persistente aos suaves ideais da vida superior, dominamos nossos instintos animais, eliminando os traços indesejáveis do hábito e do caráter resultantes da geração e do desenvolvimento da alma emocional. A importância do cultivo da faculdade da devoção, dificilmente enfatizada por muitas pessoas, deve ser considerada, assim é que um dos melhores sistemas de desenvolvimento desse poder é a retrospecção, o exercício noturno ensinado pela Escola Rosacruz, por meio do qual nos lembramos em ordem inversa dos acontecimentos do dia, cuidadosamente louvando e reprovando quando é devido.

Uma explosão temperamental é detrimento para o crescimento da alma; é a dissipação em larga escala da energia que pode ser proveitosamente usada. Tal fato envenena o Corpo, deixa-o alquebrado, e impede enormemente o seu desenvolvimento. O Aspirante deve sistematicamente controlar todas as tentativas do Corpo de Desejos, o que poderá ser feito pela concentração em altos ideais, que fortalece o Corpo Vital e é muito mais eficiente do que as orações comuns usadas nas igrejas. Quando ditada pela devoção pura e altruísta a altos ideais, a oração é muito mais superior do que a fria concentração.

Em nossos esforços para transmutar o Corpo de Desejos em poder de Alma, devemos também nos lembrar de que o Espírito Humano, que está correlacionado com o Corpo de Desejos, era contraparte do Espírito Santo – a energia criativa na Natureza, a qual o aspirante deve aprender a usar nos processos superiores mentais e emocionais para regeneração. Ao vivermos castamente, a força criadora sobe, pelo trabalho mental e espiritual, refinamos e eterizamos nossos Corpos físicos, e ao mesmo tempo fortalecemos nossos veículos superiores. Dessa maneira alargamos materialmente nossa vida e aumentamos nossas oportunidades de crescimento de alma, avançando em graus definidos.

É-nos ensinado que a Mente é o elo entre o Espírito e seus Corpos, sendo também real que a Mente é o instrumento mais importante que o Espírito possui. Um dos principais alvos da nossa evolução durante este período é aprender a controlar o pensamento, o que será conseguido por meio do exercício do Princípio de Vontade do Espírito. Possuindo a prerrogativa divina da livre volição, podemos treinar habitualmente a pensar como quisermos. Dessa forma, se persistentemente continuarmos em nossos esforços de espiritualização de nossos Corpos pela reta ação, de sentimento e de pensamento, tempo virá no qual seremos auxiliares altruístas de nosso próximo e guardiães do poder do pensamento. Tendo-nos, então, adaptado ao uso desse tremendo poder para o bem de todos, indiferentes ao interesse próprio, estaremos aptos a formar ideias acuradas que se cristalizarão em coisas úteis. Por meio da laringe perfeita falaremos a Palavra Criadora e assim atingiremos ambicionado lugar na escada evolucionária.

(Traduzido da Revista Rays from Rose Cross – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/67)

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Há Rachaduras na Terra?

Há Rachaduras na Terra?

NATURA

O globo terráqueo, é fácil distinguir,

Está envolto no mistério de nove capas.

Ainda que os videntes incapacitados não possam

Desvendar o segredo do seu coração,

Deus palpita no peito vibrante

Da Natureza e, desde o leste ao poente

Tudo é claridade e beleza.

O Espírito que ronda em cada forma

Atrai os espíritos de sua classe;

Os átomos brilham na sua luz

E lhe sugerem o prescrito futuro,

(Ralf Waldo Emerson)

Da prolífica pena e do iluminado coração do grande vidente Max Heindel saíram volumosos escritos, cheios de inspiração, relativos a Deus, ao ser humano e ao mundo.

A ciência, e bem assim a Religião, pouco a pouco, estão confirmando muitos dos sublimes trabalhos desse homem excepcional. O estudante Rosacruz que procura se manter a par dos acontecimentos do mundo pelos jornais, revistas científicas, rádio, televisão, etc. ficará maravilhado ao verificar, em cada momento que passa, que as revelações ou descobertas científicas eram por ele conhecidas e até descritas muito tempo atrás.

Num homem que escreveu sobre tão diversos tópicos, que abarcam virtualmente todas as fases da vida, há um ponto interessante: em nenhum escrito de Max Heindel encontramos nada de apocalíptico, sombrio ou dramático. Todavia, quanto às poucas predições de importância que ele fez, poderia demonstrar-se quanto têm sido exatas e como se têm cumprido no transcurso dos últimos tempos.

O presente artigo reporta-se unicamente a uma das suas muitas observações de importância mundial.

Como iniciado, Max Heindel tinha a mística faculdade de funcionar conscientemente nos mundos internos e a capacidade de trazer ao plano físico as suas observações daqueles mundos.

Um dos fatos que mais chamou a sua atenção e durante muito tempo lhe despertou o maior interesse, foi a forma de moldar, no Mundo do Pensamento, a substância mental do arquétipo ou matriz de uma Nova Terra; o ser humano, tal como é dito no Conceito Rosacruz do Cosmos, no post-mortem, trabalha sobre a flora e a fauna e ajuda a construir um desenho ou molde espiritual, de matéria mental, para a Nova Terra, aquela que substituirá a presente. Então, esgotado o arquétipo da Terra atual, o Grande Arquiteto infundirá sua vida naquela matriz e a Nova Terra irá surgindo na forma correspondente ao novo arquétipo.

Há muitos séculos que se está processando a construção dessa forma mental; Max Heindel calculou que estaria terminada por volta de 1950 e que por essa altura, e posteriormente, começariam a irromper tremores de terra, erupções. Tal como o ser humano, afirma a Filosofia Rosacruz, a Terra é um Ser evolucionante. Seu Corpo Denso está destinado a perder densidade, tornando-se mais leve, cada vez mais etérico. A Nova Conformação da Terra, por outro lado, facilitará ao ser humano, na sua ronda de mortes e nascimentos, maior variedade de experiências, quando voltar de novo a esta Escola de Vida.

Tudo que existe no mundo, incluindo a própria Terra, tem um arquétipo exato, espiritual, que moldou esse Mundo Físico átomo por átomo, molécula por molécula. Esses arquétipos ou moldes são, todavia, coisas vivas, são a causa invisível de tudo que vive e tem forma na Terra. Tais arquétipos recebem certa natureza de Vida e são destinados a necessárias etapas dela. Quando um arquétipo particular deixa de emitir o seu canto de vida, a forma morre. No caso particular da Terra, seu arquétipo deve ser alterado antes da Terra ser modificada. O que Max Heindel viu foi o arquétipo da futura Terra.

A propósito das profecias de Mother Shipton, feitas cinquenta anos antes da descoberta da América e agora recolhidas no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Max Heindel, a respeito de uma pergunta sobre as possibilidades de concretização dessas profecias, disse que ocorreriam cataclismos na crosta terrestre e que terremotos e crateras vulcânicas surgiram durante largos períodos de tempo. E que por volta de 1950 estaríamos assistindo aos sinais dessas transformações. E, em comentários mais amplos sobre as mesmas profecias, Max Heindel fez referências ao fim do mundo em 1991, no sentido de que um terrível cataclismo ou explosão sacuda o mundo inteiro, de tal modo que justifique a sua profecia. Logicamente, uma forma de expressão, visto que ele não acreditava que isso possa ser o fim do mundo.

Recentemente, os seres humanos de ciência, no campo da geologia, têm feito espantosas predições relativas a terremotos que podem irromper ao longo das grandes linhas de fratura da Terra. Também têm sido reportados como muito abundantes a atividade vulcânica e os terremotos.

Contudo, a mais alarmante revelação jamais ouvida no mundo proveio de uma tese cientifica, que afirma que a Terra está se fendendo gradualmente. Há cinco anos, uma jovem cartógrafa, Maria Tharp, notou que se estava formando uma série de terremotos perto de grandes fendas submarinas. Explorações feitas durante a maré alta localizaram essas trincheiras e uma grande linha de enormes fendas se descobriu por todo o globo. Tais fendas ou trincheiras submarinas têm uma profundidade de cerca de 3.500 metros e a largura de 46 quilômetros, ladeadas por montanhas de 2.000 metros de altura. Esses dados foram reportados pelos geólogos na Universidade americana de Columbia.

Segundo os ensinamentos Rosacruzes, a Terra tem nove capas ou estratos e um coração ou núcleo central.

Sob o Estrato Mineral, aquele sobre o qual vivemos, encontra-se o Estrato Fluídico, menos sólido que a crosta terrestre, não líquido, antes, uma pasta compacta. Tal estrato tem grande poder de expansão, tal como um gás altamente explosivo. É mantido no seu lugar pela enorme pressão e solidez da camada externa. Se esta camada externa se quebrasse, o Estrato Fluídico lançar-se-ia no espaço, produzindo uma catastrófica explosão. Ora, se as fendas da Terra se aprofundarem, é lógico supor que se produzam violentas reações pela libertação do Estrato Fluídico. Aliás, sabemos que, no passado, a Terra suportou muitos cataclismos e modificações e terá que sofrer muitos outros no futuro.

Tudo isto nos revela que nada mais somos que hóspedes temporários na superfície da Mãe Terra e que devemos ter regozijo em que o Espírito da Terra se esteja aliviando, pouco a pouco das suas cadeias físicas. É o mesmo que está sucedendo conosco, ao subirmos progressivamente, de condições materiais para estados mais espirituais. Temos, portanto, o dever de nos mantermos ao nível dos tempos que passam e preparar-nos, em todos os sentidos, para qualquer eventualidade da vida.

Há Rachaduras na Terra?

NATURA

O globo terráqueo, é fácil distinguir,

Está envolto no mistério de nove capas.

Ainda que os videntes incapacitados não possam

Desvendar o segredo do seu coração,

Deus palpita no peito vibrante

Da Natureza e, desde o leste ao poente

Tudo é claridade e beleza.

O Espírito que ronda em cada forma

Atrai os espíritos de sua classe;

Os átomos brilham na sua luz

E lhe sugerem o prescrito futuro,

(Ralf Waldo Emerson)

Da prolífica pena e do iluminado coração do grande vidente Max Heindel saíram volumosos escritos, cheios de inspiração, relativos a Deus, ao ser humano e ao mundo.

A ciência, e bem assim a Religião, pouco a pouco, estão confirmando muitos dos sublimes trabalhos desse homem excepcional. O estudante Rosacruz que procura se manter a par dos acontecimentos do mundo pelos jornais, revistas científicas, rádio, televisão, etc. ficará maravilhado ao verificar, em cada momento que passa, que as revelações ou descobertas científicas eram por ele conhecidas e até descritas muito tempo atrás.

Num homem que escreveu sobre tão diversos tópicos, que abarcam virtualmente todas as fases da vida, há um ponto interessante: em nenhum escrito de Max Heindel encontramos nada de apocalíptico, sombrio ou dramático. Todavia, quanto às poucas predições de importância que ele fez, poderia demonstrar-se quanto têm sido exatas e como se têm cumprido no transcurso dos últimos tempos.

O presente artigo reporta-se unicamente a uma das suas muitas observações de importância mundial.

Como iniciado, Max Heindel tinha a mística faculdade de funcionar conscientemente nos mundos internos e a capacidade de trazer ao plano físico as suas observações daqueles mundos.

Um dos fatos que mais chamou a sua atenção e durante muito tempo lhe despertou o maior interesse, foi a forma de moldar, no Mundo do Pensamento, a substância mental do arquétipo ou matriz de uma Nova Terra; o ser humano, tal como é dito no Conceito Rosacruz do Cosmos, no post-mortem, trabalha sobre a flora e a fauna e ajuda a construir um desenho ou molde espiritual, de matéria mental, para a Nova Terra, aquela que substituirá a presente. Então, esgotado o arquétipo da Terra atual, o Grande Arquiteto infundirá sua vida naquela matriz e a Nova Terra irá surgindo na forma correspondente ao novo arquétipo.

Há muitos séculos que se está processando a construção dessa forma mental; Max Heindel calculou que estaria terminada por volta de 1950 e que por essa altura, e posteriormente, começariam a irromper tremores de terra, erupções. Tal como o ser humano, afirma a Filosofia Rosacruz, a Terra é um Ser evolucionante. Seu Corpo Denso está destinado a perder densidade, tornando-se mais leve, cada vez mais etérico. A Nova Conformação da Terra, por outro lado, facilitará ao ser humano, na sua ronda de mortes e nascimentos, maior variedade de experiências, quando voltar de novo a esta Escola de Vida.

Tudo que existe no mundo, incluindo a própria Terra, tem um arquétipo exato, espiritual, que moldou esse Mundo Físico átomo por átomo, molécula por molécula. Esses arquétipos ou moldes são, todavia, coisas vivas, são a causa invisível de tudo que vive e tem forma na Terra. Tais arquétipos recebem certa natureza de Vida e são destinados a necessárias etapas dela. Quando um arquétipo particular deixa de emitir o seu canto de vida, a forma morre. No caso particular da Terra, seu arquétipo deve ser alterado antes da Terra ser modificada. O que Max Heindel viu foi o arquétipo da futura Terra.

A propósito das profecias de Mother Shipton, feitas cinquenta anos antes da descoberta da América e agora recolhidas no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Max Heindel, a respeito de uma pergunta sobre as possibilidades de concretização dessas profecias, disse que ocorreriam cataclismos na crosta terrestre e que terremotos e crateras vulcânicas surgiram durante largos períodos de tempo. E que por volta de 1950 estaríamos assistindo aos sinais dessas transformações. E, em comentários mais amplos sobre as mesmas profecias, Max Heindel fez referências ao fim do mundo em 1991, no sentido de que um terrível cataclismo ou explosão sacuda o mundo inteiro, de tal modo que justifique a sua profecia. Logicamente, uma forma de expressão, visto que ele não acreditava que isso possa ser o fim do mundo.

Recentemente, os seres humanos de ciência, no campo da geologia, têm feito espantosas predições relativas a terremotos que podem irromper ao longo das grandes linhas de fratura da Terra. Também têm sido reportados como muito abundantes a atividade vulcânica e os terremotos.

Contudo, a mais alarmante revelação jamais ouvida no mundo proveio de uma tese cientifica, que afirma que a Terra está se fendendo gradualmente. Há cinco anos, uma jovem cartógrafa, Maria Tharp, notou que se estava formando uma série de terremotos perto de grandes fendas submarinas. Explorações feitas durante a maré alta localizaram essas trincheiras e uma grande linha de enormes fendas se descobriu por todo o globo. Tais fendas ou trincheiras submarinas têm uma profundidade de cerca de 3.500 metros e a largura de 46 quilômetros, ladeadas por montanhas de 2.000 metros de altura. Esses dados foram reportados pelos geólogos na Universidade americana de Columbia.

Segundo os ensinamentos Rosacruzes, a Terra tem nove capas ou estratos e um coração ou núcleo central.

Sob o Estrato Mineral, aquele sobre o qual vivemos, encontra-se o Estrato Fluídico, menos sólido que a crosta terrestre, não líquido, antes, uma pasta compacta. Tal estrato tem grande poder de expansão, tal como um gás altamente explosivo. É mantido no seu lugar pela enorme pressão e solidez da camada externa. Se esta camada externa se quebrasse, o Estrato Fluídico lançar-se-ia no espaço, produzindo uma catastrófica explosão. Ora, se as fendas da Terra se aprofundarem, é lógico supor que se produzam violentas reações pela libertação do Estrato Fluídico. Aliás, sabemos que, no passado, a Terra suportou muitos cataclismos e modificações e terá que sofrer muitos outros no futuro.

Tudo isto nos revela que nada mais somos que hóspedes temporários na superfície da Mãe Terra e que devemos ter regozijo em que o Espírito da Terra se esteja aliviando, pouco a pouco das suas cadeias físicas. É o mesmo que está sucedendo conosco, ao subirmos progressivamente, de condições materiais para estados mais espirituais. Temos, portanto, o dever de nos mantermos ao nível dos tempos que passam e preparar-nos, em todos os sentidos, para qualquer eventualidade da vida.

(Traduzido da Revista Rays from The Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1971)