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Normas Alimentares básicas, afinal: nosso maior erro dietético é comer demais

Normas Alimentares básicas, afinal: nosso maior erro dietético é comer demais

Antes de tudo, é um grande erro sentar-se à mesa e comer um prato substancioso, quando se está cansado. É igualmente errado começar a comer quando se está com pressa.

O comer depressa é sempre perigoso.

Se estivermos nervosos, irritáveis ou cansados, é aconselhável comermos pouco. O estômago acha-se sob uma tremenda influência nervosa enquanto está digerindo a comida; de maneira que, quando estivermos cansados, tomemos algum alimento simples, leve, talvez algum líquido, ou uma fruta com biscoitos, ou ainda uma fatia de pão com manteiga.

Um ou dois copos de leite constituem um excelente alimento nesses casos.

Estando-se fatigado, o melhor é reclinar-se e descansar, deixando o comer para depois. Em geral, as pessoas de tendência nervosa sofrerão depois de tomarem uma refeição pesada e completa, estando cansadas. Tenho ajudado muitos de meus clientes que sofriam de indigestão nervosa, recomendando-lhes que descansassem na cama, durante meia hora antes de comer e uma hora depois.

Uma vez, curei uma senhora neurótica, que sofria de indigestão crônica, fazendo-a tomar, ao meio-dia, a refeição pesada que costumava tomar à noite. Seus nervos eram tão delicados que, geralmente, a oprimiam de cansaço à tarde, e sempre estava esgotada quando se sentava para cear. Prescrevi-lhe que transferisse a refeição mais substanciosa para o meio-dia, recomendando-lhe que, à noite, tomasse pouco alimento — principalmente líquidos, frutas e outras comidas simples — e antes de três semanas, começaram a desaparecer suas perturbações gástricas.

Quando uma pessoa adoece, precisa, muitas vezes, seguir uma dieta especial; mas, os que têm saúde, não necessitam de sistemas especiais de alimentação. O que devem fazer é comer uma quantidade normal de alimentos comuns e não pensar, então, na digestão.

Devem confiar na natureza, e ela terminará o trabalho.

Seja-me permitido dizer que não deve haver repreensões ou censuras durante o comer. Conheço uma mãe de família, aliás bem-intencionada, que estava arruinando a saúde dos seus filhos por tratar de corrigir-lhes as faltas à hora da refeição. A família é numerosa, de seis filhos, e a hora da refeição é a única ocasião de que dispõe para os ter todos juntos.

Então, se considerava as faltas de Maria e os defeitos de João. Este mau costume estava perturbando a digestão do pai, e tornando-o mal-humorado. Ele começou, também, a falar em seus negócios à hora de comer. Se essa boa senhora não pusesse termo a isso bem depressa iria destruir a saúde e a felicidade de toda a família. Três de seus membros já se achavam atacados de indigestão nervosa.

A primeira coisa que aprendemos acerca do efeito que exerce um ânimo perturbado sobre a digestão, deduzimo-la da observação nos animais mediante o Raio X.

Se quisermos ter boa digestão, devemos aprender a comer com alegria. À hora da refeição é que devemos nos alegrar e rir. A livre conversação das crianças favorece a digestão. A atmosfera da sala de jantar deve ser de jovialidade e esperança. Falemos de nossas próximas férias; relatemos, à mesa, incidentes alegres e que provoquem riso.

Tive, recentemente, muitas dificuldades com certa cliente, de idade madura, que desde há muito sofria de indigestão. A princípio, parecia-me ser um caso de dispepsia nervosa; mas, essa paciente não era neurótica, e não parecia egocêntrica. Finalmente, pedi-lhe que me desse a lista de todos os pratos de cada refeição, indicando, mais ou menos, a quantidade de cada um. Assustei-me ao notar que, no meio-termo, comia até doze diferentes pratos em cada refeição.

Algumas semanas depois, havendo limitado seu regime a três pratos variados em cada refeição, estava curada de seus transtornos gástricos.

Muitas pessoas sofrem de indigestão em virtude da multiplicidade dos manjares. Provam um pouco disto e um pouco daquilo, e não parecem compreender que é difícil, para a natureza, segregar sucos gástricos capazes de digerir tantos alimentos diferentes de uma só vez.

O estômago segrega, para cada alimento, uma espécie adequada de suco. As experiências feitas com um cão têm demonstrado que, se estamos acostumados a um regime de pão e leite, sofreremos indigestão ao mudarmos repentinamente para um regime cárneo. Certo investigador descobriu que se requer 21 dias para se acostumar o estômago de um cão a uma mudança radical de regime. Há uma espécie de suco gástrico para o pão e para o leite; e uma outra espécie para a carne; e essa é, provavelmente, a razão porque temos dificuldades com nosso estômago quando ingerimos quinze pratos diferentes numa só refeição.

E agora, falando do primeiro prato de um almoço comum — a sopa — direi que a recomendo. Por quê? Por duas razões:

Primeira: um líquido dessa espécie, ingerido ao princípio da comida, favorece a secreção do suco gástrico; e, em segundo lugar, creio que é conveniente tomar sopa, porque ajuda a encher o estômago e contribui, assim, para evitar que se coma em excesso.

Um erro muito comum é a ingestão de sopa ou outros alimentos quentes. Não só prejudica o paladar e os tecidos da língua e da boca, como também o estômago.

Creio que os alimentos demasiado quentes são realmente debilitantes para o estômago, e algumas autoridades consideram que a ingestão deles predispõe certas pessoas a úlceras e mesmo ao câncer. A sopa é, também, melhor quando contém pedaços de pão tostado ou biscoito, de modo a precisar alguma mastigação, para ser ingerida.

As bebidas geladas são também prejudiciais à maioria das pessoas. A temperatura do estômago deve alcançar certo grau para que possa verificar-se a digestão; e quando se ingerem bebidas ou sobremesas muito frias, como sucede nos casos dos gelados, reduz-se a temperatura estomacal, ficando perturbada, por um momento, a digestão. Sob o ponto de vista dos nervos, há também inconveniente em beber grande quantidade de água gelada em um dia de muito calor.

O hábito de comer entre as refeições pode ser, para você, uma das causas da perda de apetite, perturbações de digestão e má saúde, especialmente entre as que são nervosas. Para outros, não. Procure se autotestar.

Ensinem as crianças, desde os cinco ou seis anos, a comer três vezes ao dia, em horas fixas. Pode ser que para ela o comer entre as refeições estraga o apetite, isto é, diminui diretamente a força dos sucos gástricos. Para outras, não. Procure observar!

Cada qual deve determinar, por sua própria experiência, o número de refeições de que necessita. Experimentem, com prudência, e descubram o que mais lhe convém.

Creio que o nosso maior erro dietético é comer demais. Há, naturalmente, alguns que comem deficientemente. Esses são enfermos, ou anêmicos, e não desejaria que tais, ao lerem este artigo, empreendessem um jejum de dez dias, para debilitarem-se ainda mais.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – 01/1978)