cabeçalho4.fw

Regime Vegetariano e Saúde Perfeita

Regime Vegetariano e Saúde Perfeita

“Nossa vida é de curta duração. Deveríamos  perguntar-nos: Que uso posso fazer de minhas forças para delas tirar o melhor partido possível? Como posso contribuir mais para a glória de Deus e o bem-estar dos meus semelhantes? Pois é isso somente que dá valor à vida”.

Nosso desenvolvimento físico depende da nutrição de nosso organismo, consequentemente de nossa alimentação. É de admirar que o ser humano, possuidor de poderosa inteligência, menospreze a influência da alimentação sobre a preservação da saúde. “Não temos o direito de prejudicar nenhuma das funções do nosso corpo, seja ela qual for. Se o fizermos, sofremos seguramente as consequências”.

“Está nas mãos do indivíduo ser o que deve ser. As bênçãos da vida presente e as da vida futura lhe são acessíveis”. Uma personalidade de elite ou uma vida infeliz dependem de nosso procedimento. A alimentação tem influência decisiva na nossa formação física e mental.

“Não obstante as evidências dessa verdade, o ser mais inteligente da Terra come e bebe desordenadamente, sem se preocupar com as consequências decorrentes”. Em virtude disso, “suas paixões o dominam e suas inclinações o destroem”.

Bem alimentado, tem ideais nobres e elevadas aspirações. Uma escritora inspirada afirma que “aqueles que fazem uso de alimentos animais nem sempre têm lúcido o cérebro nem bem ativa a inteligência, porque o uso da carne tende a tornar impuros os tecidos, em detrimento das faculdades intelectuais, predispondo, igualmente, para as doenças”. A carne não é indispensável para a manutenção da força e da saúde. Segundo o Dr. Cappel Brook, (1) os cocheiros noruegueses, que não conhecem o uso da carne, acompanham seus carros que transportam turistas, por estes guiados, correndo três ou quatro léguas ao lado deles.

Desde o século XIX, o vegetarismo vem sendo considerado pelos investigadores insuspeitos e imparciais como regime capaz de proporcionar saúde e força física, bem como acuidade mental e firmeza de caráter.

Apesar de que muitas pessoas praticavam o regime, foi Gleizês o grande apóstolo do vegetarismo do século. Estudando o assunto, do ponto de vista fisiológico e científico, em seu livro Thalisie, assentou as bases do vegetarismo. Sob sua inspiração formaram-se sociedades vegetarianas na Inglaterra, onde os adeptos do novo regime se tornaram numerosos; editaram-se revistas, fizeram-se conferências e usaram-se outros meios de divulgação, tendo o Governo inglês publicado um livro de cozinha vegetariana, com o objetivo de proporcionar à população uma alimentação mais saudável e mais barata. O proselitismo alcançou a indústria. M. Hills, dirigente de vastas oficinas de construções navais em Blackwall, fundou a London Vegetariana Association. A grande maioria do pessoal dessas usinas, tanto operários como intelectuais, seguiram o regime vegetariano, abandonaram o uso do vinho, da cerveja, dos aperitivos, do uísque etc., com grande aproveitamento para a saúde e a eficiência.

Hill montou uma fazenda com o objetivo de dar trabalho aos desempregados, em Wickford Essex, a cerca de vinte e cinco quilômetros de Londres. Muitos pobres aí chegaram em estado de grande miséria. Depois de três ou quatro dias, dormindo na fazenda e nutridos sob regime vegetariano, passaram a ganhar bom salário.

Em relatório ao Congresso Vegetariano, o secretário da Sociedade concluiu, nos seguintes termos: “Temos, portanto, em nossas fileiras, operários praticando os mais rudes trabalhos de forja, laminação, altos fornos, funcionários de escritório, homens velhos e enfraquecidos por privações que, graças ao nosso regime, chegam a recuperar sua atividade e a ganhar a vida facilmente no trabalho da fazenda e das oficinas”.

Muitas sociedades vegetarianas se fundaram em várias cidades inglesas. Um restaurante vegetariano fornecia uma refeição por preço duas e meia vezes menor que o preço de uma refeição que contivesse carne.

Logo, na Alemanha, surgiram sociedades para o estudo e divulgação do vegetarismo. Entre elas se destaca a Deutscher Vegetarier Band que afinal se tornou “pangermânica” e publicou um jornal — o Vegetarische Warte.

Na Áustria e na Hungria os restaurantes vegetarianos tiveram grande popularidade.

Nos Estados Unidos o vegetarismo se instalou, independentemente da influência de Gleizês.

Os adeptos do regime que preconizava o uso do pão integral e arroz não polido foram denominados de “papa-farelo”, e ridicularizados. A Ciência, pouco tempo depois, sancionou a prática. Hoje, há em todo o mundo centenas de fábricas de alimentos não refinados, de base vegetarista, que proporcionam nutrimento saudável. Em todo o mundo milhões de pessoas doentes se recuperam com o uso da dieta vegetariana bem orientada. Com base na mesma orientação, há, no Brasil, hospitais, clínicas e sociedades que difundem esses conhecimentos e os praticam, visando ao aperfeiçoamento da humanidade, tanto do ponto de vista pessoal como coletivo, buscando contribuir para a glória de Deus e o bem-estar de seus semelhantes.

(1) Vegetarisme, Jules Lefèvre.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1967)