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Uma Cura Espiritual

Uma Cura Espiritual

Era uma vez dois garotos que se chamavam Roberto e Carlos. Roberto tinha oito anos, Carlos nove.

Eram dois meninos que não se separavam, embora não fossem irmãos. Os pais de ambos eram vizinhos, e se davam muito bem. Roberto e Carlos iam à escola juntos, diariamente e voltavam contentes. Nunca foram vistos brigando, discutindo ou com brincadeiras impróprias. Havia ocasião até que um dormia na casa do outro.

Era uma amizade sincera que encantava a todos, pela atitude exemplar de ambos e pelo respeito mútuo.

Os pais de Carlos eram mais pobres do que os de Roberto, porém, isto não afetava a amizade daqueles bons vizinhos, até a fortificava devido ao exemplar convívio dos dois filhos e cooperavam entre si nos momentos difíceis.

Certo dia Carlos ficou acamado. Roberto, que era um garoto de bons princípios e um tanto realista, não ficou desesperado. Seus pais, cujas conversas eram elevadas, amparavam fortemente o espírito do menino, ajudavam-lhe de forma mental e moral, o que muito contribuía para que o filho ficasse tranquilo.

Ofereceu- se Roberto para fazer companhia ao seu amiguinho, enquanto acamado.

E com Carlos ficava o tempo todo, ora lendo belas histórias, ora pondo-o a par das lições do dia, para que Carlos não ficasse alheio aos pontos dados pela professora.

Era maravilhoso verificar a abnegação existente entre os dois amiguinhos.

Já havia passado quinze dias e Carlos nada de se levantar nem apresentar melhoras. A doença dele deixava os médicos titubeantes, sem atinar com o que dificultava a cura.

Uma noite lá pelas dez horas, quando todos estavam ocupados na casa de Carlos, Roberto, sem dizer nada, fechou a porta do quarto e ajoelhou-se, junto a cama do enfermo que dormia, e se pôs a orar, pedindo a Jesus, Médico Divino, que inspirasse os médicos ou que fizesse um milagre, curando a seu colega. Enquanto estava concentrado, fazendo sua prece, aconteceu-lhe um fato singular, para ele que desconhecia o fenômeno.

Viu, sem estar assustado, um ovoide de tamanho regular, brilhante aproximar-se da cama. Seu coração encheu-se de alegria. Sua oração fora ouvida!

Continuou orando, quieto, quando Roberto acordou. Assim que o seu amigo abriu os olhos, falou-lhe: "Você vai ficar bom. Jesus vai atender ao meu pedido; você vai ver"!

- Mas, eu já estou bom – respondeu Carlos. Vi um médico entrar no quarto. Colocou as mãos dentro de meu estômago, e depois que as tirou disse que já estava curado.

- Mas como é que eu não vi médico nenhum aqui? – disse Roberto.

- Porém, eu vi um homem de avental branco, dizendo que eu não precisava me preocupar; que eu ficaria na cama mais sete dias de convalescença e depois voltaria a ir à escola. Disse mais, que estava atendendo a um pedido feito de coração, do meu melhor amigo, que é você.

Roberto ao ouvir isto, não pode se conter. Chorou não de tristeza, mas de reconhecimento a Jesus e aquele médico, auxiliar invisível que viera recuperar o seu bom amigo Carlos.

Quando Roberto e Carlos contaram este fato a seus pais, estes se entreolharam, como a dizer: - Deus se esconde dos grandes, mas se revela aos pequeninos que são mais puros de coração.

(Publicada na Sessão Infantil da Revista Serviço Rosacruz de fev/67)