cabeçalho4.fw

A Bolinha Marrom

A Bolinha Marrom

Uma noite, no Jardim dos Encantos, onde os espíritos das flores brilhavam como faíscas de luz, a Mãe Natureza chamou seus filhos lírios e lhes disse:

— De todas as minhas filhas flores, vocês parecem ser as mais bonitas. Suas cores são tão radiosas e sua fragrância tão doce, que é difícil escolher a mais formosa. Isso fez com que os lírios ficassem felizes, inclinando-se com respeito.

Mas o lírio vermelho, um dos mais radiosos, era um pouco petulante e comentou audaciosamente:

— Eu sou muito admirado e tido como o favorito pelas crianças da Terra. Se você tiver alguma mensagem para elas, eu a levarei.

A Mãe Natureza sorrindo, disse:

— Sim, eu tenho uma mensagem e você pode levá-la se estiver disposto a perder sua beleza e ser envolto em uma áspera bola marrom para ser atirada e, por fim, colocada profundamente na terra, bem escondida dos olhares admiradores das crianças.

O lírio ficou um pouco mais vermelho e disse:

— Oh! Não, eu não poderia perder a minha beleza nem por um instante. As crianças da Terra me adoram e elogiam e eu gosto disso.

A Mãe Natureza respondeu docemente:

— Então, Lírio Vermelho, você não pode levar a mensagem.

Em grande calma, as luzes das flores flutuavam entre as sombras no Jardim dos Encantados. Dali a pouco um delicado lírio azul sussurrou:

— Mãe Natureza, talvez eu possa levar a mensagem.

 — Você está disposto a deixar de lado suas delicadas vestes e usar um feio envoltório marrom e dormir nas profundezas da terra, para que as crianças da Terra possam aprender, por meio de seu sacrifício, as lições da vida eterna?

— Mas meu vestido é como o azul do céu e as crianças da Terra gostam dele. Não, eu não posso trocar o meu delicado vestido azul por um feio envoltório marrom. E o lírio azul abaixou a cabeça.

O coração da Mãe Natureza sofreu um pouco, porque ela não gostava de ver os seus filhos lírios tão egoístas. Estivera sempre tão satisfeita com eles, entretanto, nenhum estava disposto a fazer um pequeno sacrifício. Mas, mesmo assim, deu-lhes uma outra oportunidade.

— Venham cá, crianças, mais perto de mim, eu vou contar qual é a mensagem. Algumas das crianças da Terra estão com muito medo, medo da morte. Assim, elas devem aprender que todas as coisas adormecem por algum tempo e depois tomam novos corpos. Mais uma vez eu pergunto: qual de vocês irá mostrar que, através do sono, elas poderão entrar numa vida muito mais bela?

Tudo estava calmo e quieto quando uma voz suave murmurou:

— As crianças da Terra dizem que eu sou frágil e branco, Mãe Natureza. Talvez eu não tenha beleza para perder e não me importaria de ficar preso numa bola apertada.

— Querido Lírio, disse a Mãe Natureza, você é uma criança corajosa: vai perder sua beleza por algum tempo, porém esse serviço de amor vai torná-lo ainda mais belo.

Então, a centelha de vida do lírio foi colocada cuidadosamente numa pequena bola marrom. A Mãe Natureza vigiou carinhosamente este momento, esperando até que as crianças da Terra estivessem prontas para receber a mensagem.

Dick e Rosalie estavam jogando bola. De repente, Rosalie deixou-a escapar e ela saiu correndo atrás da bola que rolou pela aleia do jardim. Pegando o que pensou que fosse a bola, jogou-a de volta para Dick.

Você deveria tê-lo ouvido rir, quando ele perguntou a ela:

— Que é isto? Eu joguei para você uma bola de borracha macia e esta bolinha marrom é dura como pedra.

— Deixe-me vê-la, disse Rosalie, e Dick arremessou a bola para ela.

Então, Rosalie riu também e disse:

— Não é uma bola, é um bulbo. Espere, eu vou colocá-lo no chão e procurar a nossa bola.

Ela colocou o pequeno bulbo marrom na terra, encontrou a bola de borracha e eles continuaram a jogar.

A bolinha marrom sentiu-se só na escuridão, embaixo da terra, impedida de ver a luz do Sol. De repente, ouviu-se um zumbido e um voz que disse:

— Olhe! Aqui está um recém-chegado. Vamos ajudá-lo, pois ele não pode ficar aí enterrado desse jeito.

Então, o lírio do jardim perguntou.

— Quem são vocês?

— Somos os pequenos Espíritos da Natureza e trabalhamos com as flores. Você é um bulbo de lírio, não é? Você precisa esticar seus braços e suas pernas e nós o ajudaremos.

— Mas eu não tenho braços, nem pernas, disse a bolinha marrom.

— É, ainda não, mas você terá logo, se fizer o que nós mandarmos.

Um estranho sentimento tomou conta do bulbo.

— Ora, que será isto? Perguntou-se o lírio.

— Venha, chamou o Espírito da Natureza, não precisa ter medo de nós.

Aquele tremor era medo? Ele não tinha vindo ensinar às crianças da Terra a não ter medo? Sim, ele iria fazer o que os Espíritos da Natureza mandassem.

— Venha agora, e eu o ajudarei a sair de si próprio, chamou o duende.

Snap! Alguma coisa rachou.

— Dê-me sua mão e estique-a. Muito bem!

— Oh, exclamou o lírio, eu nunca soube que tivesse mão.

— Bem, se você deixar que nós o ajudemos, logo estará pronto para dar a mensagem, disse o duende.

— Você sabe sobre a mensagem? Perguntou o lírio.

— Claro, disse o duende, todos os filhos da Mãe Natureza sabem o segredo.

Uma voz vinda de algum lugar ordenou:

— Estique seu pé para baixo, assim. Não ligue para o escuro. Isto, muito bem! Agora tente de novo.

Snap, crack!

— Oh, exclamou o lírio, eu tenho tantos pés!

Então, os Espíritos da Natureza ajudaram o lírio a se esticar até que todos os pezinhos estivessem firmemente cravados na terra e as mãozinhas estendidas para cima, rumo aos raios de Sol. Todos os dias, os suaves pingos de chuva, os raios dançantes do Sol e os Espíritos da Natureza ajudavam o lírio a sair de si mesmo, até que, finalmente, longos talos verdes cresceram na direção do Sol. E, um dia, o lírio abriu seu coração de ouro — um bonito lírio branco.

Passos leves foram ouvidos pelos caminhos do jardim. O lírio prestou atenção. Depois ouviu alguém exclamar alegremente:

— Oh, que lindo lírio branco! Exclamou Rosalie. Que flor mais formosa! Sua alma deve ser muito bonita para ter esse perfume tão doce!

Depois, ela exclamou:

— Ora, duende, que você está fazendo aqui?

— Estou ajudando este lírio a dar a mensagem da Mãe Natureza para vocês, crianças da Terra, respondeu o duende. Este lindo lírio é a bolinha marrom que você, brincando, jogou para Dick. Ele sacrificou sua beleza, por algum tempo, para fazer uma nobre ação.

A Mãe Natureza frequentemente dá lições de vida por meio de suas flores. As flores e os Espíritos da Natureza lembram o que as crianças da Terra, às vezes, esquecem: que a cada ano o grande Espírito da Terra deixa seu Reino de Felicidade e dá Sua vida para que toda a Natureza tenha vida. Então, durante a bonita estação da primavera, quando Seu trabalho está terminado, Ele volta para o Reino da Felicidade. As brisas da primavera, o trigo balançando ao vento, o canto dos pássaros, as flores alegres e as crianças felizes, todos se juntam numa canção de louvor ao Senhor da Vida, cujo Amor permanece com eles, dando esperança, alegria e felicidade a todas as crianças da Terra.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV - Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)