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O Saco de Ouro Mágico

O Saco de Ouro Mágico

Num lindo e distante país, morava um bondoso e amável rei. Ele tinha muitos filhos e, à medida que cada um deles ia ficando preparado para enfrentar o mundo e buscar sua fortuna, o rei dava-lhe uma sacola cheia de ouro mágico.

Essa hora chegou para o Príncipe Jolly e para a Princesa Prudence. O rei chamou os dois, deu-lhes a sacola de ouro mágico e disse:

— Meus filhos, essa sacola de ouro tem poderes mágicos; se for usada com finalidade boa, a sacola nunca ficará vazia; mas se for usada para coisas erradas ou egoístas, ela logo estará vazia e nunca mais poderá ser preenchida. E aqui está um novelo de fios de prata, que também tem poderes mágicos. Quando vocês estiverem em apuros, é só dar um apertãozinho de leve e terão ajuda imediatamente. Mas, em hipótese alguma, quebrem o fio, pois se não for quebrado, ele os conduzirá de volta para casa. E agora eu os abençoo. Na volta, tragam-me um presente.

— Oh, muito obrigado, papai! Os dois disseram.

Depois pegaram a estrada, conversando alegres e contentes sobre as coisas maravilhosas que iriam fazer e ver. No caminho, Prudence viu um passarinho que havia caído do ninho e quebrado sua asa. Pegou-o cuidadosamente e exclamou:

— Oh, irmão, veja, sua asinha está quebrada. Venha, ajude-me a curá-la.

Sem muita vontade, o príncipe ajudou a preparar uma tala para fixar a asa quebrada. Com alguns galhos e um pouco de grama, Prudence fez um novo ninho e colocou lá a pequenina ave, sem sacudi-la. De quando em quando, ela lhe dava um pouco d'água para beber.

— O que você vai fazer com o passarinho? Perguntou o Príncipe Jolly.

— Cuidar dele até que possa voar. Ele, um dia, encontrará uma companheira para formar um lar, respondeu Prudence.

Dias depois, eles encontraram uma criancinha chorando amargamente.

— Você, pobre queridinha, o que aconteceu? Perguntou a Princesa Prudence.

— Eu estou com fome, soluçou a criança.

— Onde você mora? Perguntou Prudence.

A criança apontou para uma pequena cabana perto dali abandonada numa floresta de árvores enormes.

— Irmão, disse a Princesa, vamos até a cabana. Nós poderemos ajudar as pessoas que estiverem lá; certamente estão com problemas.

— Se você for parar para ajudar todo pássaro, animal ou pessoa que encontrarmos, nunca chegaremos a parte alguma. Eu quero conhecer o mundo e me divertir! Reclamou o Príncipe Jolly.

— Só esta vez, por favor, Jolly, pediu Prudence.

— Oh, está bem, mas esta é a última vez.

Prudente pegou na mão da criança e disse docemente:

— Leve-nos até a sua casa, querida, e nós vamos ver o que podemos arranjar para você comer.

Em poucos minutos, eles chegaram à cabana, que só tinha um cômodo grande e um “puxado” para a cozinha. Havia uma mulher deitada na cama, muito pálida, com um bebê doente nos braços. Prudence chegou perto dela, com os olhos cheios de compaixão.

— O que posso fazer por você? Você está sozinha? Ela perguntou.

— Sim, respondeu a mulher. John, meu marido, foi ao médico ontem e ainda não voltou. O bebê adoeceu e eu estou doente demais para fazer alguma coisa para Jeanette. Ela está com fome, mas é muito pequena para fazer alguma coisa sozinha; ela só tem cinco anos. Deve ter sido Deus que mandou você aqui, eu rezei muito pedindo ajuda. Seus olhos encheram-se de lágrimas.

— Agora, não fale mais nada, disse Prudence. Eu farei alguma coisa para Jeanette.

A menininha seguiu Prudente com os seus grandes olhos castanhos e sentou-se na cama perto da mãe.

Prudence encontrou pão, leite, manteiga, frutas e ovos. Ela fez uma jarra de chá para a mulher e, enquanto a água esquentava para o banho da criança, alimentou Jeanette. Enquanto a mãe estava comendo, Prudence deu banho no bebê. Jeanette assistiu a tudo isso com os olhos arregalados. Depois de entregar o bebê limpinho e cheiroso para sua mãe, Prudence foi até onde o Príncipe estava sentado, com ar carrancudo, e disse-lhe:

— Jolly, eu vou ficar aqui até que essa mulher fique forte o suficiente para poder trabalhar. Você vai para a cidade e tente encontrar o Senhor White e um médico. A mulher está muito doente.

— Eu não vou voltar, pretendo ver o mundo e me divertir, disse Jolly, saindo sem dizer mais uma única palavra.

Prudence olhou tristemente para ele e depois entrou na cabana.

— Jeanette, você quer alimentar o passarinho enquanto eu limpo a casa? Ela perguntou.

— Meus Deus! O que aconteceu com ele? Perguntou Jeanette ao ver a asa enfaixada.

Prudence contou-lhe o que havia acontecido e mostrou-lhe como dar ao pássaro uma gota de água de cada vez, e uma migalha de pão ou uma semente. Quando a casa já estava toda em ordem e a cama da Senhora White arrumada, Prudence sentou-se e elas começaram a conversar.

Levou dois dias para o Senhor White voltar, trazendo o médico e muita comida. Prudence sabia que isso era obra de seu irmão, mas o Príncipe Jolly não voltou e ela só o tornaria a ver novamente muitos anos mais tarde.

Prudence ficou na cabana por três semanas e depois seguiu seu caminho, sempre ajudando os outros, fazendo tudo o que podia para alegrar e confortar as pessoas tristes e alimentar os que tinham fome, e ficava emocionada vendo sua sacola sempre cheia, por muito que gastasse. Ela falava sempre de sua casa e de quando voltaria para lá.

Muitos anos se passaram. Prudence já estava cansada e queria voltar para junto de seu Pai. Como estava contente ao ver seu novelo de prata brilhando intacto, o saco mágico ainda cheio de ouro e o presente que levava para seu Pai. No começo, ela não estava muito satisfeita com o seu presente. Queria ter sido uma grande musicista ou pintora ou escritora de lindos poemas e histórias que alegrariam os corações dos homens, mas seu presente era só uma vida de serviços amorosos. Parecia muito pouco comparado com o dos outros, mas ela sentia que seu Pai ficaria satisfeito.

A Princesa Prudente percorreu seu caminho, sem pressa, quando um dia viu um velhinho andando de bengala, curvado e quase aleijado por causa do reumatismo. Ele parecia tão triste e abandonado que ela correu para ele para consolá-lo e, para sua surpresa, reconheceu nele seu irmão, o Príncipe Jolly.

— Oh, meu irmão, como eu estou contente em vê-lo! Ela exclamou.

— Prudence! É você? Como está jovem e bonita! E a sua sacola ainda está cheia! Exclamou Jolly.

— Sim, duas vezes os ladrões tentaram roubá-la de mim, mas eu dei um puxãozinho no fio de prata e papai mandou-me ajuda imediatamente, contou-lhe a Princesa.

O Príncipe Jolly suspirou tristemente:

— Minha sacola está vazia há muito tempo. Na minha ânsia de me divertir, eu esqueci tudo o que papai nos disse.

— Você aproveitou a vida, Jolly? Perguntou docemente a Princesa, olhando com pena para aquele homem arruinado na sua frente.

— Durante um certo tempo eu aproveitei, mas o ouro acabou tão rápido, que logo eu fiquei sem nada. Procurei trabalhar, mas não tinha saúde e os outros tinham que tomar conta de mim. Lágrimas de autopiedade caíam dos olhos do Príncipe enquanto ele falava.

— Por que você não me avisou, Jolly? Perguntou sua irmã. Eu o teria ajudado com prazer.

Jolly enrubesceu ao responder:

— Eu ouvi dizer muita coisa sobre suas boas ações e fiquei com vergonha.

— Oh, sinto muito. Mas, irmão, estou vendo que seu fio de prata está estragado e aqui há um lugar em que o fio está quase partido. Que aconteceu? Perguntou a Princesa.

O Príncipe Jolly baixou os olhos, envergonhado, sem conseguir encarar a irmã.

— Meu irmão, disse Prudence gentilmente, você não fez isso de propósito?

O Príncipe balançou a cabeça e murmurou:

— Eu estava doente, não tinha para onde ir, não tinha dinheiro nem amigos. Já o tinha quase cortado quando me lembrei da recomendação de papai: “Em hipótese alguma corte o fio; puxe-o devagar e eu atenderei seu pedido”. Então, eu dei um puxãozinho e alguém me achou e me levou para o hospital. Depois de algum tempo, consegui emprego por uma ninharia, mas tentei realmente ajudar os outros e uma vez até impedi que alguém cortasse o fio.

— Estou tão contente. Sei que papai vai perdoá-lo e dar-lhe uma nova oportunidade, disse a Princesa animando-o.

— Mas, irmã, eu não estou levando nenhum presente para ele, suspirou Jolly.

— Oh, sim, você o tem em suas mãos. A vida que você salvou da destruição, a comida e o médico que você mandou para a Senhora White e seu marido. Se não fosse você, querido, ela teria morrido. Lembra-se? Perguntou Prudence.

— Você acha que papai aceitará esse presente? Perguntou o Príncipe ansiosamente, com um novo brilho nos olhos.

— Tenho certeza que sim, respondeu a Princesa.

“Nossos presentes podem parecer pequenos aos nossos próprios olhos, mas não sabemos como eles parecerão aos olhos dele”.

Enquanto os dois viajavam, Prudence ajustou seus passos aos de seu irmão, bem mais lentos e finalmente eles chegaram à casa do Rei, o Pai, que os veio receber.

Para o Príncipe Jolly ele disse, tristemente:

— Filho, você não foi muito bem desta vez, mas depois de um longo descanso e uma completa purificação de sua alma, você irá novamente e sei que se sairá melhor. Seu presente lhe rendeu esta oportunidade.

Gentilmente, o pai colocou sua mão sobre os olhos cansados do Príncipe e o fez dormir.

Para Prudence ele disse:

— Filha, você realmente se saiu muito bem e é merecedora de uma tarefa maior. Entre para as alegrias do reino. Seu presente é muito valioso para mim.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV - Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)