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A Futura Educação da Criança

A futura educação da criança

Segundo a Filosofia Rosacruz, aquilo a que vulgarmente chamamos nascimento é tão só o nascimento do Corpo Denso, visto que, por ter já atrás de si uma longa evolução, chega mais depressa ao termo do seu desenvolvimento, e a um elevado grau de eficiência, que os restantes veículos. Sendo estes de formação mais recente, tardam em atingir o seu estágio de maturidade. Em cada período setenário de vida pós-natal, nasce um dos corpos sutis, começando pelo Corpo Vital, cuja organização se completa por volta dos 7 anos de idade. Seguem-se, depois, o Corpo de Desejos e a Mente, que só completam aos 14 e 21 anos, respectivamente, quando entramos na fase adulta. Do conhecimento desta maravilhosa filosofia, podemos extrair importantes ensinamentos para a formação de um Corpo são e harmonioso e de uma equilibrada personalidade.

O Corpo Denso apresenta-se, na infância, bastante plástico e moldável, em razão de os materiais ainda serem novos e de os Corpos Vital e de Desejos se encontrarem em formação, de cuja luta resultará, mais tarde, como consequência, o endurecimento dos tecidos. Certamente, esta luta (em que a Mente e o Corpo de Desejos nos obrigam a um desgaste permanente de energias e vitalidade, enquanto que a função da contraparte vital é a reconstrução dos tecidos e restauração das forças mantenedoras da vida) não é a única causa de envelhecimento e depauperação do Corpo Denso, mas não duvidamos que seja a mais importante. O ser humano ao conseguir o domínio dos seus veículos sutis conservará até muito tarde a sua juventude, porque lhe traz, necessariamente, grande economia de vitalidade. Este é um problema do conhecimento comum.

Sendo, pois, o Corpo Físico bastante flexível por não estar ainda concluído o processo da ossificação, e as cartilagens e articulações se apresentarem ainda muito brandas, permite-nos em larga medida corrigir ou atenuar certas deformações inatas ou adquiridas na primeira infância (até aos 3 anos), dependendo o grau de correção do defeito e dos métodos ortopédicos ou cirúrgicos empregados. A ginástica desempenha aqui um papel a não ser desprezado.

De igual modo podemos operar sobre os corpos invisíveis se bem que menos facilmente, porquanto a matéria de que são construídos é mais evanescente, menos estável. Se for certo que a constituição física e o caráter que trazemos ao nascer são pouco suscetíveis de profundas alterações, por serem o resultado, a primeira da hereditariedade, e a segunda da quinta-essência das nossas vidas passadas, no entanto, muito se pode fazer no sentido do delineamento das fundações que hão de formar as bases vivenciais da nova existência humana do ego renascente.

Na infância todas as forças que agem pelo polo positivo dos éteres do Corpo Vital estão latentes e inativas; as suas funções realizam-se pelo Corpo Vital “macrocósmico”, que pelos seus éteres, atua durante esse tempo como matriz no amadurecimento do Corpo Vital da criança.

Esse Corpo Vital macrocósmico, de grande sabedoria, orienta a criança no crescimento do seu Corpo e protege-a dos perigos a que mais tarde será exposta, quando o seu incipiente veículo for capaz de realizar, sozinho, sua obra.

Contrariamente, as forças que agem pelo polo negativo dos éteres do Corpo Vital estão extraordinariamente ativas nos primeiros anos. Entre essas funções, mencionaremos especialmente a percepção sensorial, muito aguda, devido às forças negativas do éter Luminoso. Daí que a criança se manifeste muito impressionável: “é toda olhos e ouvidos”. Desta característica resulta a sua notável capacidade de imitação, única via utilizada na aprendizagem, porquanto a Mente se encontra ainda impossibilitada de elaborar pensamentos originais. Mostra viva emoção a mais ligeira contrariedade ou incitamento, mas de duração momentânea. Os seus corpos sutis acham-se em intenso labor, e, por isso, tudo é célere e superficial. Passa repentinamente do choro ao riso, do amuo ao contentamento, “esquecendo” no minuto seguinte tudo quanta sofrera ou gozara antes. Dizemos: “esquecera”, mas não é rigorosamente verdade. Todas as suas experiências boas ou más, agradáveis ou dolorosas, não só deixam impressas no átomo-semente localizado junto ao ápice do ventrículo esquerdo do coração as “marcas” que mais tarde formarão parte do panorama da sua vida post mortem, como ainda se imprimem nos átomos negativos do éter Refletor, constituindo aquilo a que chamamos “mente ou memória subconsciente”.

Essas mudanças repentinas são próprias da criança, e constituem uma excelente defesa do Ego e da sua personalidade em formação, pois os seus estados psíquicos, não sendo duradouros, roçam apenas a superfície do ser, deixando geralmente impressões pouco nítidas e profundas. É sempre motivo de cuidados quando se verifica certa permanência de estados nesta idade (Nota: Essas mudanças repentinas são próprias da criança, mas os pais devem estar atentos tanto para casos de permanência (não oscilação) como excesso e intensidade das oscilações). Denota uma precoce cristalização de movimentos anímicos, que ocasionará seguramente desequilíbrios do caráter pela formação de nódulos e, que, em consequência disso, parecem ser causas ou gênese de muitas neuroses.

Sempre que uma criança não seja toda expansão, vivacidade, plena de movimentos físicos e anímicos, apresentando sintomas de indolência, é uma criança doente. Há que tratá-la com todo o zelo, procurando o mal que a estiola, a qual geralmente se encontra nos defeituosos métodos educativos. Devemos observar-lhe o funcionamento das glândulas endócrinas, a alimentação, o metabolismo basal, as funções de excreção, integrá-las em uma vida ao ar livre para se retemperar, e, sobretudo, consultar um médico espiritual competente (problema cruciante no nosso país), porque a desarmonia funcional pode não residir no Corpo Denso, mas nos veículos sutis ou espirituais.

Os pais não devem, nunca, esquecer-se de que a sua função primordial é imprimir a vivência da criança a mais conveniente orientação, de harmonia com as suas melhores tendências e características genotípicas, e segundo adequados métodos da moderna psicopedagogia. Toda a limitação ou restrição da atividade infantil é perniciosa: o que importa não é contrariar a natureza, mas favorecer o que nela há de bom e de belo.

Ouvimos frequentemente perguntar porque é que os chamados meninos “prodígios”, ou precoces, quando adultos manifestam, em geral, uma mentalidade abaixo da normal. Quase sempre o fato provém de uma educação errada. Os pais, no desejo egoísta de ver os seus filhos “brilharem” e sobreporem-se as outras crianças da sua idade, forçam-nos a seguir cursos ou estudos próprios para adultos. Daí o enorme desgaste nervoso e mental de um corpo que não possui reservas suficientes, e de cujo esforço se ressentirá para vida afora. Há como que um “ingurgitamento” mental, uma indigestão ou embotamento intelectual, causado pela saturação. Estas crianças devem ser entregues ao seu natural pendor, no que se refere à aprendizagem, sem apressar a aquisição do conhecimento. Forçar o desenvolvimento mental é fazer-lhes perder o equilíbrio, ainda pouco estável.

Todavia, há um fato contra o qual os pais devem estar prevenidos: à medida que avançamos na evolução e nos aproximamos de uma nova época, a Idade Aquariana, a precocidade e a perfeição, tanto no aspecto físico como no intelectual, vão-se tornando mais frequentes. Aqueles dos nossos leitores que estão familiarizados com a Filosofia Rosacruz compreenderão facilmente a razão disto. A Idade de Aquário, em cuja órbita de influência já entramos será caracterizada pelo desabrochar de faculdades extraordinárias, psíquicas e mentais, predominando a intuição, a fraternidade, a compaixão, o amor altruísta. A clarividência tornar-se-á um estado de visão normal, cujas consequências para a medicina e cirurgia, e para a investigação científica, em geral, será o de uma repercussão incalculável.

Relativamente à clarividência, e dentro do tema que nos ocupa, desejamos fazer uma ligeira referência. O assunto foi, não obstante, mais de uma vez versado pelo excelso fundador da Fraternidade Rosacruz, Max Heindel, em alguns dos seus trabalhos.

A embriologia e a psicologia genética afirmam que o ser humano, desde a sua concepção até o estado adulto, reproduz sumariamente, em linhas gerais, todas as grandes fases evolutivas por que passou a humanidade desde os tempos mais recuados até ao ser humano atual. Neste ponto, a ciência concorda com a nossa filosofia.

Na Época Lemúrica, o ser humano era altamente espiritual, um mago, e reconhecia-se com o um descendente dos deuses. Dotado de inocência imaculada, pura de intenção, possuía uma percepção interna que lhe proporcionava uma visão dos mundos suprafísicos. Analogamente, a criança, nos primeiros anos, recapitula uma fase correspondente a essa época: dotada de pura inocência, e em virtude de serem muito ativas as forças que atuam pelo polo negativo do éter Refletor, pode “ver” os habitantes do Mundo do Desejo ou mesmo da Região Etérica, com as quais mantem frequentes conversações, chegando até a elegê-los para companheiros de brinquedos. Na sua simplicidade, a criança, não raro, fala “dessas coisas”, mas os adultos, na sua ignorância, castigam-na ou proíbem-na de dizer “tolices”. Ela, vendo-se ridicularizada ou ofendida, retrai-se, guarda silêncio e cala-se. É verdadeiramente deplorável a atitude a primeira causa da introversão em muitas crianças, e da sua perda de confiança nos genitores.

A educação científica – e hoje não se pode educar conscientemente uma criança de outra forma – exige dos pais e educadores um conhecimento suficiente da psicologia genética e evolutiva e da pedagogia, a fim de estimular a floração de uma personalidade integral. E seria ideal se possuíssem o discernimento necessário para visualizar a sua progressiva estruturação à luz de um espírito clarividente, pois que a educação da Nova Era cuidará mais dos corpos sutis que do corpo físico.

Quando a criança nasce, os órgãos físicos estão já formados, mas durante os primeiros sete anos determinam-se as linhas de crescimento. Se elas não se definem bem durante esse período, criança, que nasceu robusta, pode converter-se num ser débil e enfermiço. Na determinação dessas linhas de força, seremos muito ajudados pela astrologia. Se se levantar o horóscopo do bebê logo após o nascimento, possuir-se-á um útil instrumento de informação. Mas, pelo seu caráter reservado, este trabalho deve ser executado pelos pais.

Segundo Max Heindel, o pai ideal deve ser também astrólogo. Se, todavia, os pais desconhecem a astrologia – e é este o caso – em circunstância alguma devem consultar um astrólogo profissional, daqueles que prostituem, por dinheiro, essa divina ciência. Recorrerão, por isso, a um astrólogo espiritual, ainda que o seu encontro possa demorar algum tempo, pois estes não abundam em nosso país. O tema natal permite diagnosticar, com bastante exatidão, os pontos fortes e as debilidades de caráter e temperamento, e prognosticar o futuro da criança, ainda que conjenturalmente, pois os estelares apenas assinalam as tendências, às vezes bastante poderosas, e não um destino inexorável, porquanto acima de todas as tendências, instintos e hábitos paira a Vontade do Ser Humano, que terá de ser cultivada. Com esse conhecimento, os pais se encontram em melhores condições de escolher os métodos educativos mais apropriados ao fortalecimento e desenvolvimento das boas qualidades, que deverão opor-se ou neutralizar as más tendências reveladas no tema natal, antes destas se transformarem em realidades. Só assim podem, efetiva e conscientemente, ajudar seus filhos a vencer, em certa medida, os seus defeitos congênitos e construir um bom destino, corrigindo-o se for necessário.

(ASG – Artigo da Revista Serviço Rosacruz de 3/72 – Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP)