cabeçalho4.fw

Como não se deve levar a vida à toa: Felícia encontra ‘Cauda Cinza’

Como não se deve levar a vida à toa: Felícia encontra ‘Cauda Cinza’

Perfeito, exclamou o esquilo marrom. Eu mesmo não poderia ter feito melhor.

Felícia, que estava andando na floresta, olhou para cima, com surpresa, ao ouvir a voz alta do esquilinho. Ela teve apenas tempo de vê-lo correr para cumprimentar o esquilo cinza que tinha dado um enorme pulo de uma árvore para outra.

O grande esquilo, que todos chamavam “Cauda Cinza", inclinou-se de uma maneira zombeteira para o impertinente animalzinho marrom com riscas amarelas, e pensou consigo mesmo:

- Gostaria de ver você fazer isso, amiguinho! Algum dia você se encontrará em tal apuro, que precisará de todos os seus amigos para ajudá-lo.

Entretanto, não disse nada em voz alta, pois, como todos na floresta, ele sabia que Billy, o esquilo, se vangloriava de sua esperteza, apesar de, por mais estranho que possa parecer, ninguém o vira até então fazer qualquer coisa importante.

De repente, do ramo da árvore onde estava, “Cauda Cinza” viu Felícia e, por um momento, parecia que estava pronto para dar um outro salto para ir o mais longe possível. Então, fixou em Felícia um olhar espantado, pois reconheceu-a como a garotinha que ele tinha visto no pequeno vale com as fadas. Ela estava parada muito quieta, uma das mãos cheia de frutos que recolhera debaixo da árvore. Até então ela nunca soubera que as criaturas da floresta podiam falar ou, se falavam, que ela pudesse ouvi-las. (Neste momento, tenho certeza que vocês já perceberam que Felícia era uma garotinha afortunada que viu e aprendeu coisas que muitas pessoas nunca souberam).

Muito silenciosamente, um minúsculo camundongo do campo aproximou-se dela e na voz mais baixinha que você pode imaginar, guinchou:

- Por favor, não faça um mau juízo de Billy. Ele é ainda muito pequeno e não sabe muita coisa, mas realmente gostaríamos que ele não se metesse na vida dos outros.

A Senhora Camundongo suspirou um pouco e continuou:

- Ele mete o nariz em todas as nossas coisas, de maneira que tentamos ficar longe dele. Ele conta para todo mundo quando estou construindo um novo ninho, e oh! Como fofoca quando “Cauda-Cinza" visita a bela senhorita esquilo por aí.

Então, ela olhou para Felícia e perguntou:

- Quem é você? Parece muito grande para caber em nossas casinhas.

A garotinha sorriu e explicou que morava numa grande casa fora da floresta e que estava visitando a floresta com seus amigos.

- Você pode ouvi-los dando risada, acrescentou.

- Oh! Exclamou a Senhora Camundongo, nervosa. Espero que não venham até aqui. São muito barulhentos.

Enquanto isso, “Cauda-Cinza”, que estivera escutando Felícia e a Senhora Camundongo, decidiu juntar-se a elas, desceu da árvore e sentou-se perto. Ele enrolou sua bela cauda farta ao redor de seu dorso e olhou para Felícia com olhos brilhantes. Os olhos escuros de Felícia dirigiram-se a ele, em amigável admiração, enquanto pensava:

- Meu Deus, ele é tão formoso e em voz alta comentou: a Senhora Camundongo me disse o seu nome, tentando fazer com que sua voz fosse tão fraca e gentil quanto possível, de maneira que não assustasse as criaturinhas.

Alguns lagartos passaram sem prestar atenção no que acontecia, e as folhas secas ao pé da árvore sussurravam enquanto eles passavam.

- Eu já sei o seu nome, disse “Cauda-Cinza" para Felícia. Eu estava no vale das fadas, quando Brenda deu seu longo gorro verde para você.

- Eu não o vi; onde você estava? Ela perguntou.

- Oh, em cima de uma árvore, de onde podia ver tudo. Nunca pensei, que alguma vez fosse falar com você aqui, acrescentou o esquilo.

- Você gosta de pinhas? Felícia estendeu para “Cauda-Cinza" a mão cheia dos frutos que juntara.

- Gosto mais de nozes e avelãs, respondeu ele, mas essas também são boas quando se está com fome. E continuou: você sabia que as sequoias são as maiores árvores de folhas perenes e são as que têm os menores frutos? Sim, disse com um sorriso divertido, tamanho é uma coisa muito ilusória. Por exemplo, algumas vezes, os maiores oradores nada dizem.

Felícia e a Senhora Camundongo entreolharam-se como se ambas soubessem que “Cauda-Cinza" estava pensando em Billy.

Enquanto o esquilo, que parecia ser um animal muito esperto, estava falando, outros camundongos aproximaram-se e corriam em volta, cheirando aqui e acolá, mas não se atrevendo a aproximar-se muito. Felícia perguntou à Senhora Camundongo o que eles queriam.

- Eles estão sentindo o cheiro da comida que você tem, ela respondeu.

- Oh, eu não tenho nada aqui para eles comerem, disse a garotinha, muito surpresa.

- Oh, sim, você tem, e eu vou mostrar-lhe onde, respondeu, a Senhora Camundongo, enquanto bravamente subiu no colo de Felícia e entrou no bolso de seu avental, de onde retirou algumas migalhas de pão.

O olhar espantado de Felícia fez a Senhora Camundongo e “Cauda-Cinza" morrerem de rir - à maneira deles, naturalmente.

- Quase esqueci que tinha um sanduiche no meu bolso, mas todos vocês sabiam! Exclamou a garotinha.

- Isso não é novidade para nós, disse ”Cauda-Cinza”, nós temos um senso muito aguçado do olfato, o que nos ajuda a encontrar comida.

Felícia meditou:

- Eu nunca imaginei que uns pedacinhos tão minúsculos de comida pudessem ser úteis para alguém.

Ela prometeu a seus amiguinhos que nunca mais desperdiçaria até mesmo o menor pedaço de comida, e disse-lhes que, no inverno, colocaria comida no seu jardim, para os passarinhos.

- Cuidado para não a colocar onde os gatos possam pular sobre os passarinhos! Lembrou ‘Cauda Cinza’.

- Tudo bem, ela concordou, e antes de ir embora vou esvaziar todas as sobras da cesta de piquenique para vocês.

Os camundongos franziram seus narizes pontudos com satisfação, enquanto o esquilo gentilmente abanou sua cauda, em agradecimento. Felícia disse à Senhora Camundongo que voltaria brevemente para revê-los.

- Tudo bem, Felícia, o esquilo e o camundongo disseram juntos, estaremos aguardando você.

- Mas, como vocês saberão que virei? Ela perguntou.

- Oh, isso é fácil, riram os animais. Billy está sempre por dentro de tudo, você sabe.

Não muito tempo depois, Felícia voltou e aproximou-se da árvore sequoia, trazendo consigo uma sacola grande com restos de alimentos. Para os passarinhos, ela trouxe pão, que eles tanto gostavam.

Ela sentou-se e imediatamente um tímido som perto dela anunciou a presença da Senhora Camundongo.

- Oh, meu Deus! Exclamou Felícia, ela trouxe todos os seus parentes. Bem, de qualquer forma, tenho o suficiente para eles.

Um alegre assobio veio da árvore e "Cauda-Cinza” chegou, seguido por alguns de seus amigos, enquanto um bando de passarinhos já estava esperando nos galhos.

Felícia espalhou parte da comida, guardando alguma para os atrasados. Os pequenos animais e os passarinhos começaram a comer. Por alguns minutos, só se podia ouvir o barulho das mordidas. Então, um pequeno grito agudo os assustou. Os animais pararam de comer, pois todos perceberam que Billy deveria estar em grandes apuros, ali por perto. A garotinha ficou de pé, esparramando o resto da comida e perguntou ansiosamente.

- Onde ele está!

- Lá, respondeu “Cauda-Cinza", que já estava a meio caminho do esquilo.

Felícia e o resto chegaram a ele num segundo e, com seus olhos atônitos, viram Billy, suspenso numa corda grossa que estava amarrada fortemente em volta de seu corpo, no topo de um fino galho de uma árvore, mais ou menos a meio metro do chão. Lá estava ele pendurado, agitando seu traseiro e sua cauda, desesperadamente, num terrível esforço para libertar-se. Felícia sentiu muita pena do animalzinho que continuava a guinchar na sua vozinha fina, mas “Cauda-Cinza” o advertiu severamente para ficar quieto, que eles o ajudariam.

A garotinha inclinou-se imediatamente com suas mãos já estendidas para afrouxar o laço, mas o “Cauda-Cinza” deu um beliscão na sua perna. Ela parou surpresa, mas imediatamente ele pediu a ela que se abaixasse de maneira que pudesse sussurrar algo em seu ouvido.

- Desculpe-me por mordê-la, Felícia, mas eu precisava detê-la imediatamente. Por favor, não ajude Billy, ele continuou em voz baixa. Todos nós sabemos que você pode livrá-lo, mas ele vai pensar que tudo é muito fácil e não vai aprender esta lição. Nós precisamos fazê-lo entender como ele foi tolo e como isto poderia ter sido muito mais sério e perigoso para ele.

Então, Felícia entendendo que ele estava certo, afastou-se para deixar-lhe o trabalho de libertar Billy. “Cauda-Cinza" ficou apoiado em suas pernas traseiras e começou a roer a corda em torno do esquilo que chorava. Muitos dos camundongos, com seus dentes afiados, começaram a roer o galho da árvore, até que ele caiu ao solo. Então, foi mais fácil para o esquilo roer a corda. De repente, ela cedeu e Billy caiu ofegante, mas livre!

Billy, disse "Cauda-Cinza" numa voz muito severa, o que você andou fazendo para cair na armadilha? Você já foi advertido muitas vezes sobre isso.

Billy tentou dizer alguma coisa, explicando que tinha visto o laço quando se dirigia à festa de Felícia e decidiu dar um salto direto através dele. Mas perdeu o alvo, de maneira que, quando tocou a corda, ela o prendeu e, ao mesmo tempo, o galho subiu.

- O-o-o-h! Estou com uma terrível dor de barriga, lamentou-se.

- Bem, você tem sorte de ter somente uma dor de barriga, resmungou “Cauda-Cinza", que estava realmente irritado com o esquilo bobo. Levaremos você para casa e lhe daremos comida até que seja capaz de sair sozinho.

Os esquilos ajudaram a carregar Billy, enquanto Felícia se despedia dele; mas ele sentiu-se muito infeliz para responder.

A Senhora Camundongo dirigiu-se à garotinha dizendo:

- Não se preocupe com Billy. Ele estará bom em alguns dias - talvez mais esperto, também. Volto para vê-la novamente.

Ela mexeu seu longo rabinho fino, já que não podia dar as mãos à sua amiguinha, e esgueirou-se atrás de “Cauda-Cinza”, através dos pinheiros.

Felícia parou um momento, até que não mais se ouviu o som dos minúsculos pés se movimentando e, muito pensativa, voltou para casa.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II - Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)