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Cartas de Max Heindel: Movimentos Cíclicos do Sol

Movimentos Cíclicos do Sol

As notícias que diariamente os jornais publicam nas primeiras páginas em grandes manchetes, e que parecem de importância e interesse vital para todos, são rapidamente esquecidas, e os jornais que as publicaram são em seguida lançados ao fogo. Do mesmo modo, a canção que está hoje em voga e nos lábios de todos é rapidamente relegada ao arquivo do esquecimento. Até os seres humanos que são lançados, como meteoros, na ribalta da popularidade são esquecidos juntamente com os fatos que motivaram a sua rápida fama - por isso, citando Salomão, dizemos: "Tudo é vaidade".

Mas, entre as mudanças caleidoscópicas que alteram constantemente o estado do mundo em seus aspectos moral, mental e físico ocorrem certos acontecimentos cíclicos que, ainda que sejam periódicos em sua natureza, têm entre si uma causa permanente, e uma estabilidade que distingue o método macrocósmico do microcósmico em conduzir os fatos.

Na primavera, pela ocasião da Páscoa (Hemisfério Norte), quando o Sol cruza o equinócio oriental ou vernal, a Terra desperta do seu repouso do inverno, sacudindo a branca camada de neve que a cobriu, como se fosse um manto de pureza imaculada. A voz da natureza começa a ouvir-se quando os pequenos regatos murmuram ao deslizar suavemente pelas encostas das montanhas em direção ao oceano. Essa voz também é ouvida quando o vento sussurra a canção do amor por entre as folhas recém-brotadas nas árvores dos bosques, o que impulsiona o botão e também a flor que produz o pólen, e este é levado por meio de asas invisíveis ao companheiro que o espera. Essa voz é ouvida nas canções de amor quando do acasalamento dos pássaros, e nas chamadas dos animais às suas fêmeas. Ela ressoa em todas as manifestações da natureza até que o nascimento de novas vidas compense as destruídas pela morte.

Durante o verão (no Hemisfério Norte começa em junho), Amor e Vida trabalham incessantemente num sentimento de plena alegria. São os Senhores que batalham pela existência, enquanto o Sol está exaltado nos céus do norte no máximo de sua força no Solstício de Junho. No entanto, o tempo prossegue e chega outro ponto decisivo com o Equinócio de Setembro. Acalma-se o canto nas florestas; cessa o chamamento amoroso dos animais e dos pássaros e a natureza retorna ao silêncio. A luz decai à medida que crescem as sombras da noite, até que, no Solstício de Dezembro, a Terra prepara-se para o seu profundo sono, pois precisa da noite de repouso após as atividades extenuantes do dia precedente.

Mas, da mesma forma que a atividade espiritual do ser humano é maior enquanto o seu corpo está adormecido, assim também, pela Lei de Analogia, podemos compreender que a chama espiritual na Terra é mais radiante nesta época do ano, e é esta a ocasião propícia para o melhor desenvolvimento da alma, para a investigação e estudo dos mais profundos mistérios da vida. Cabe-nos aproveitar esta oportunidade e utilizar o tempo da melhor maneira possível. Não precisamos ter pressa nem ansiedade, mas trabalhar paciente e devotadamente, sem esquecer que entre todas as coisas que mudam no mundo, esta onda grandiosa de luz espiritual permanecerá conosco nas estações de inverno pelos anos que virão. Será cada vez mais brilhante à medida que a Terra e nós próprios evoluirmos, atingindo graus mais elevados de espiritualidade. Estamos trabalhando como precursores para difundir os Ensinamentos Rosacruzes, que ajudarão a iluminar o mundo durante os séculos que se seguirão ao atual. Existe uma lei que diz: "Receberás na proporção que deres". Esta estação do ano é a mais propícia para dar e receber. Assim, procuremos que a nossa luz brilhe na grande árvore cósmica do Natal, para que seja vista pelos seres humanos e possa atraí-los para as verdades que sabemos serem de importância vital para o desenvolvimento dos nossos semelhantes.

Concluindo esta carta, quero agradecer a cada um dos estudantes por sua cooperação nos trabalhos do ano passado.

Oxalá possamos juntos fazer um trabalho melhor e mais proveitoso no próximo ano.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 61)