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A Genealogia do ser humano Jesus

A Genealogia do ser humano Jesus

São Lucas apresenta a genealogia em ordem inversa, começando de Jesus, para trás, até Deus, em quem fomos diferenciados ao início de nossa peregrinação evolutiva, para dinamizar nossas potencialidades latentes e alcançarmos a consciência de nós mesmos.

Para comparar com São Mateus, pô-la-emos em ordem direta, mostrando as diferenças:

Genealogia de Jesus

São Lucas dá uma lista de 77 gerações; a de São Mateus mostra 41 gerações. Mas, no versículo 17 São Mateus faz referência a 3 séries de 14, isto é, 42 gerações. Neste caso teríamos de considerar o nome de Maria à sua série.

Os nomes divergentes estão sublinhados em São Mateus.

Na ordem direta em que pusemos, São Lucas inicia com Deus, enquanto São Mateus começa a sua série com Abraão, ou seja, no 22° nome da lista de São Lucas (deixando 21 nomes que omitiu).

Há divergências em o número de gerações, nos nomes, na ordem em que se apresentam. Como explica-las?

Do ponto de vista histórico há falhas. Se tomarmos as 3 divisões de 14 gerações, citadas em São Mateus, veremos que de Abraão (1921 AC) a David (1078 AC) há 843 anos; de David (1078 AC) ao cativeiro da Babilônia (606 AC) há 472 anos; e do cativeiro da Babilônia até Jesus 606 anos. É muita diferença de anos entre esses períodos de 14 gerações. Se quisermos explicar essas diferenças, lembrando que antigamente viviam mais, mostraremos, também, que Adão viveu 912 anos e Matusalém, muito depois, viveu 960 anos. Além disso, esses patriarcas não viveram pessoalmente tantos anos. A explicação esotérica é que naqueles tempos havia a endogamia, ou seja, o casamento em família. Através dessas uniões tão íntimas, no mesmo sangue, as imagens das experiências dos ascendentes passavam, pelo sangue, aos descendentes. Estes viviam na memória estas experiências e se "sentiam" como uma continuação da vida deles. Eis porque os patriarcas aparecem na "cabeça" de uma linhagem: eles absorviam seus descendentes, que eram simples continuadores de memória sanguínea. Depois veio o casamento fora da família e da tribo e, pela mescla de sangue, essa "memória" foi desaparecendo. Diz-se, então, que morreram. Alguns exegetas querem justificar essas diferenças dizendo que São Lucas reproduziu a genealogia de Maria. Mas, então, como explicar que ele não tenha mencionado no fim o nome de Maria? Ademais, São Mateus suprimiu diversos nomes que constavam das "listas oficiais" dos rabinos e mesmo do texto bíblico.

Por tudo isso se vê, embora se tomassem nomes históricos, o sentido simbólico é que prevalece. A Bíblia é um livro de "chaves" e mistérios. Em nada ela difere de todos os livros sagrados das antigas religiões, que tinham uma parte pública e outra esotérica. Paulo nos adverte que até o dia de hoje, na leitura do Antigo Testamento, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo ele é tirado; contudo, até hoje, sempre que leem a Moisés, está posto um véu sobre o coração deles; mas todas as vezes que algum deles se "converter" ao Senhor, o véu lhe é tirado" (II Cor. 3:14-16) . E isso porque somos "ministros não da letra, mas do espírito, pois a letra mata mas o espírito vivifica" (II Cor. 3:16). Mostremos, pois, nessas aparentes contradições, o sentido oculto nas entrelinhas, "o espírito da letra".

A genealogia nos fala do esquema evolutivo, tão bem exposto em "O Conceito Rosacruz do Cosmos" de Max Heindel. Não quer dizer que Jesus tenha encarnado anteriormente nesses personagens todos. Encarnou muito mais: todos nós tivemos milhares de encarnações, em corpos masculinos e femininos, alternadamente, colhendo as experiências próprias de cada sexo e cada época, através de melhorados graus de consciência e corpos gradativamente aperfeiçoados.

Tal como se apresenta em seu evangelho, a genealogia de São Lucas principia com Jesus e termina em Deus. E o número das gerações é simbólico e cabalístico: 77, para mostrar que este assunto se refere aos 7 períodos evolutivos, tendo cada período 7 revoluções ou recapitulações. Parece estranho que ele apresente os personagens bíblicos na ordem inversa como apareceram: primeiro Jesus e por último Adão. Mas isto é para mostrar a sublimação do Ser humano, até que ele chegue "ao último Adão" mencionado por Paulo, isto é, até que possamos transcender nossa condição humana, através das 9 iniciações menores e mais tarde, vencendo as 4 iniciações maiores, integrarmo-nos novamente em Deus, com as riquezas animicas conquistadas durante a jornada evolutiva.
Em palavras esotéricas, é como se São Lucas dissesse, em sua genealogia: "Com referência ao esquema evolutivo (77), tendo em conta, ó Teófilo (ó filho de Deus), que deveis tomar como modelo o que vos apresento como a biografia de Jesus. Buscai nas entrelinhas o vosso caminho de volta a Deus".

São Mateus omite 21 nomes em relação a São Lucas, no começo da relação. Isto quer dizer que ele não deseja considerar o período involutivo (3 períodos de 7 revoluções = 21) para começar o seu plano evolutivo a partir de Abrão, desenvolvendo esse esquema por 42 gerações (ou seja: 2 x 21 ou 6 x 7 = 42) ele se refere ao início da raça semita, a 5ª Raça Atlante (e passaram-se 3 raças até terminar a 7ª) e, posteriormente, às 3 Revoluções que ainda nos esperam para vencermos esta segunda metade do período Terrestre, no desenvolvimento das 9 Iniciações menores: 21 + 21 ou 3 x 3.

É significativo mostrar que o nome hebraico ABRAHM significa "Pai da exaltação", isto é, o ser humano como coroamento dos 4 reinos em evolução. Posteriormente passou a ABRAHAM, isto é, "Pai da multidão", o ponto inicial do estado humano, quando alcançamos a Mente, em meados da Época Atlante. Oportuno também relacionar: dividindo a palavra: A-BRAHM, temos o radical BRAHMA (o Pai, no hinduísmo); e dividindo: AB-RHAM, temos o significado de PAI RAHM, o conhecido RA dos egípcios.

A segunda série de 14, de São Mateus, inicia-se com DAVID. As letras hebraicas de David somam 14: (4+6+4). Refere-se ao período de desenvolvimento e disciplina do Corpo de Desejos, para alcançar a sublimação das paixões e chegar à época da razão. De fato, David (o bem-amado) foi primeiramente PASTOR (que lidava com os animais, que cuidava dos instintos), mas no fim da vida foi o autor lírico dos Salmos (homem intelectualizado).

A terceira série de 14 gerações de São Mateus se inicia pelo cativeiro da Babilônia. Babel significa confusão. Na nomenclatura oculta, Babilônia designa o hemisfério esquerdo do cérebro humano, a parte mais ativa atualmente, onde existem os centros do egoísmo humano. Esta é a simbologia bíblica da Torre de Babel que os seres humanos queriam edificar até os céus. Mas não é com a confusão humana que se alcança o céu, mas com a paz. Por isso, os trabalhadores da torre começaram a falar línguas diferentes e não se entendiam (a linguagem do egoísmo, que faz com que cada indivíduo cuide apenas de si e não considere nem busque entender aos demais e suas necessidades). Este período fala, então, da necessidade de transcendermos o egoísmo mental (o Judas da Mente concreta ou carnal) e alcançarmos a Mente espiritual, a Nova Jerusalém, mencionada no Apocalipse, que desceu dos céus como noiva ataviada, ou seja, a condição em que o Ser humano alcança a paz, pela comunhão com o Divino em si (pois, Jerusalém significa "onde haverá a paz": JER-U-SALÉM). Jerusalém é o nome ocultista do hemisfério cerebral direito, para onde o sangue circulará em quantidade maior, ativando os centros do altruísmo, à medida que o ser humano for cultivando o altruísmo, o serviço amoroso e desinteressado, o gosto pelas coisas finas e elevadas, consagração ao estudo das verdades espirituais, etc.

Então poderemos triunfantemente entrar em Jerusalém, montados num burrinho (governando os instintos), morrendo para o mundo (ultrapassando o estado humano comum) e nascendo para a vida espiritual (ressurreição).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – Fraternidade Rosacruz – mar/76)