cabeçalho4.fw

A Luz do Mundo: onde, de fato, ela está?

A Luz do Mundo: onde, de fato, ela está?

Os quatro Evangelhos, que são fórmulas de Iniciação, começam com a narração da Concepção Imaculada e terminam com a Crucificação – ambas, ideais maravilhosos que a humanidade alcançará algum dia, porque cada um de nós é um Cristo em formação, e tem que passar pelo nascimento e morte místicos, tal como se descreve nos Evangelhos. Por meio do conhecimento podemos apressar a chegada desse dia.

O maior drama já representado neste nosso velho Planeta teve lugar há, aproximadamente, dois mil anos. As rodas do destino haviam estado muito ativas durante séculos, reunindo todos os Egos encarnados, que deveriam participar deste drama e cujas vidas serviriam de canais para esta magna realização. Antes dessa época Jeová tinha nosso Planeta a seu cargo e o dirigia de fora. Seu poder o mantinha na órbita e Ele era então o Deus Supremo. Mas isto produziu a separação, e fomentou o egoísmo porque nos deu leis que mantiveram a humanidade refreada. Mas havia chegado o momento na evolução humana em que era necessário algo mais que a obediência à lei. O ser humano havia alcançado a etapa de desenvolvimento em que poderia responder ao amor, alentado pelos impulsos espirituais recebidos diretamente do Sol, em lugar de recebê-los indiretamente de Jeová, refletidos da Lua, que é parte do Corpo Físico de Jeová. Para conseguir esta mudança, era necessário trabalhar com a Terra, de dentro, e temos assim o sublime Mistério do Gólgota que deu à Terra seu Redentor, o Cristo.

Nasceu um menino em Belém, e sua vida afetou toda a vida sobre a Terra, bem como a própria Terra. A fim de prover um corpo de pureza superlativa que pudesse ser usado pelo grande Iniciado Jesus, e mais tarde, durante três anos, por um raio do Cristo Cósmico, foi escolhida a flor da humanidade para ser os pais de Jesus, e este grande privilégio recaiu sobre Maria e José, tal como narram os Evangelhos.

O belo personagem que conhecemos como Maria de Belém, era um alto Iniciado. Durante muitas vidas havia renascido em corpos masculinos, positivos, porquanto os Iniciados geralmente são homens. Por que se lhes permite escolher o sexo? Porque a esta altura espiritual seu Corpo Vital já se tornou positivo, e este, unido a um corpo físico positivo lhes proporciona um instrumento de máxima eficiência. Mas às vezes as exigências do caso exigem um corpo feminino para proporcionar um veículo do tipo mais elevado, que possa alojar um Ego de grau superlativo de desenvolvimento. Nestes casos o Iniciado pode escolher um corpo feminino e passar novamente pelas experiências da maternidade, depois de havê-las dispensado em suas últimas vidas anteriores. Tal foi o caso de Maria de Belém.

José era também um alto Iniciado, e para essa ocasião deixou o caminho do celibato, pois em vidas anteriores há muito tempo atrás, ele havia renunciado a ser pai de família. José foi chamado de carpinteiro, mas isso não significava que ele fosse um trabalhador de madeiras, e sim um construtor num sentido mais elevado. Deus é o Grande Arquiteto do Universo e os Iniciados da Loja Branca são "arche-tektons", — construtores na essência primordial em sua benéfica obra em prol da humanidade. Há muitos construtores (tektons) de diferentes graus de poder espiritual, todos eles empenhados no trabalho de construir "o templo da alma". José não era uma exceção, e quando lemos na Bíblia que Jesus era um carpinteiro e filho de um carpinteiro, devemos entender que ambos eram construtores nas ramas cósmicas. Nessa vida José consagrou-se inteiramente à trilha do ocultismo, e quando chegou o momento para que se encarnasse um grande Mestre, ele foi escolhido para proporcionar a semente fertilizante do corpo desse Mestre.

Foi providenciado desse modo um corpo tão maravilhoso como jamais se viu na terra, antes e nem depois. Era o tipo mais puro e livre de paixão, de acordo com os ensinamentos Rosacruzes, e com as investigações na Memória da Natureza, pois essa era a condição de Maria e José quando foi concebido o corpo formado em volta do Átomo-semente de Jesus. O grande Espírito Jesus veio à vida sabendo que era sua missão preparar seu Corpo da maneira mais pura possível. Deveria pertencer-lhe somente por trinta anos, findos os quais deveria ser entregue a outro Ser muito mais elevado que ele. Já se disse que Maria e José tiveram mais filhos, devido ao fato de que os Evangelhos dizem que "os irmãos de Jesus estavam presentes". Mas quando examinamos a palavra grega que foi traduzida como "irmãos", verificamos que ela significa parentes ou primos.

A Concepção Imaculada, como muitos outros mistérios sublimes, foi arrastada até a baixeza da materialidade.

Quando o ato gerador é efetuado de forma brutal, corrompido pelo desejo e pela paixão, degrada o ser humano ao nível do animal. Quando, pelo contrário, os pais em perspectiva se preparam, por meio da oração e de aspirações elevadas, para o ato da fecundação como um sacramento e não para satisfação própria, a concepção é então imaculada. A virgindade física não é o que importa como uma virtude, já que todas as meninas são virgens; é a pureza e a castidade da alma o que faz a virgem pura no pai ou na mãe; uma pureza que levará seu possuidor ao Sacramento do matrimônio sem mancha de paixão, e que permitirá à mãe levar seu filho em suas entranhas com amor puro, desprovido de sexo. Ter nascido de uma virgem, pressupõe uma vida anterior espiritualizada para a pessoa assim nascida, e nós devemos cultivar caracteres tão puros e incorruptíveis que nos tornem merecedores de nascer em corpos concebidos imaculadamente.

De acordo com os ensinamentos Rosacruzes, é muito importante distinguir claramente entre Jesus e Cristo.

Quando se busca na Memória da Natureza, verificamos que o Ego nascido no corpo de Jesus era muito avançado e puro, era o mesmo Ego que, em uma vida anterior, encarnou como Rei Salomão. Esta grande alma havia alcançado uma espiritualidade sublime através de muitas vidas de santidade e serviço abnegado. Mas quanto ao caso de Cristo, não há testemunhas que indique uma encarnação anterior, pois Ele não pertence à nossa onda de vida.

É um fato contestável que ninguém poderia construir um corpo, a menos que o houvesse aprendido por meio da evolução. Grande e poderoso como é o Espírito Solar Cósmico de Cristo, Ele não poderia construir um Corpo Denso na matriz da mãe, nem mesmo usando os métodos mágicos dos adeptos, visto que Ele nunca havia tido a experiência no Mundo Celeste onde se constroem os arquétipos dos corpos, tampouco havia tido Ele a experiência de construir corpos tal como a teve a humanidade por muitos anos. Ele estava adiantado duas ondas de vida a mais que a humanidade. Ele é o Iniciado mais elevado dos Arcanjos (a humanidade do Período Solar), e cuja evolução na matéria só alcançava o Mundo do Desejo. Por isso Ele não podia construir um corpo de densidade maior que o da matéria do Mundo do Desejo.

Os evangelhos nos relatam muito pouco sobre a infância de Jesus depois de sua visita aos sábios do Templo. Mas a tradição oculta nos diz que Ele passou os primeiros dias de sua infância com pleno conhecimento da missão que devia cumprir nesta vida. Foi colocado aos cuidados dos Essênios, nas margens do Mar Morto. Os Essênios eram uma comunidade de caráter muito devocional. Entre eles o menino Jesus teve seus primeiros exercícios. Mais tarde foi à Pérsia. A escola dos Essênios era um grande centro de sabedoria, e em sua grande biblioteca Jesus absorveu um imenso conhecimento oculto, reavivando o que havia aprendido em vidas anteriores. Aos trinta anos Jesus havia purificado seu Corpo de tal forma que ele pôde ser ocupado pelo grande Ser a que chamamos Cristo.

Cristo é a mais alta revelação da verdade que já recebemos de Deus. Ele é o Grande Revelador. Ele nos disse: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim". Quando observamos as ocorrências de Seus três anos de Ministério na terra, sabemos que além de serem meios de adiantamento na vida de um ser cósmico, representam também o caminho da alma que despertou e que busca a verdade. Representam, além disso, o caminho que conduz à libertação no Gólgota.

Se alguém tivesse vivido num Planeta distante, e tivesse podido observar clarividentemente nossa Terra, teria observado uma mudança cada vez para pior em seu Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento (Mental) . Esses mundos vinham se saturando cada vez mais de vibrações más e sombrias. O ser humano, em sua infância cósmica não podia dominar seus impulsos, porque o domínio do Corpo de Desejos predominava e, portanto, ao morrer, era obrigado a permanecer no Purgatório a maior parte do tempo entre uma e outra encarnação. O progresso era muito lento porque a vida no Segundo Céu, na Região do Pensamento Concreto, onde aprendemos o trabalho de criar, era quase estéril. Se Cristo não tivesse vindo à Terra como Redentor, teríamos cristalizado o Planeta e a nós mesmos, de maneira semelhante aos habitantes que estão na Lua, que se atrasaram de nossa onda de vida e vão a caminho do caos, onde terão que esperar um novo dia de manifestação, afim de que possam começar novamente. O Clarividente que pode ler na Memória da Natureza, vê que para escapar à esta calamidade foi exercida a influência benéfica de Cristo, de fora da Terra, muito tempo antes de Seu Advento. Ele estava se preparando para atuar como o Espírito Planetário interno de nossa Terra, e assim elevar suas vibrações para purificar sua atmosfera moral.

Cristo se apoderou dos Corpos Denso e Vital de Jesus por ocasião do Batismo, e Jesus então retirou-se deles. Entregou-os ao Espírito de Cristo para que Este os usasse como ponte entre Deus e a humanidade. Por outras palavras, Cristo possuía assim os doze veículos necessários para funcionar nos sete mundos do nosso sistema solar. São Paulo nos esclarece a respeito desse Ser elevadíssimo, dizendo-nos: "Não há outro mediador entre Deus e o ser humano, exceto Cristo Jesus"; só Ele conhece nossas debilidades e nossos sofrimentos e pode levar nossas orações ao Trono do Pai; só o Cristo compreende.

A tradição oculta diz que depois do Batismo, Cristo, foi em busca dos Essênios. Ele, como entidade cósmica, não conhecia muita coisa a respeito de um corpo físico. Este veículo era uma prisão para Seu grande e glorioso Espírito, e teria sido destruído por suas poderosas vibrações, se Ele não tivesse se retirado ocasionalmente dele para deixar os átomos livres de sua acelerada frequência vibratória. A Bíblia fala de seus quarenta dias e quarenta noites de retiro no deserto para ser tentado por Satanás, e também para que as vibrações de seus Corpos Denso e Vital recém adquiridos, fossem ajustados por Aqueles que sabiam fazê-lo (os Essênios). Lemos que durante todos os seus três anos de Ministério "Ele se separava de Seus Discípulos a intervalos periódicos, com este propósito.

O verdadeiro Ministério de Cristo começou depois da Transfiguração. A Transfiguração é um processo alquímico por meio do qual o corpo físico, que é formado por processos químico-biológicos, é convertido em um diamante vivo, tal como se menciona na Revelação. No atual estado de nossa evolução, o Corpo Denso obscurece eficazmente o resplendor do espírito morador interno. Mas podemos derivar esperança ainda da ciência química, que não há nada na terra de tão raro e precioso como o rádio, o extrato luminoso do denso mineral negro chamado pechurana, ou seja, o óxido natural de urânio. Tampouco nada há de mais raro que o precioso extrato do corpo humano; o radiante princípio Crístico. Foram os veículos de Jesus os que se transfiguraram provisoriamente pelo Espírito morador interno de Cristo. Mas embora reconhecendo o enorme poder de Cristo para efetuar a Transfiguração, é evidente que Jesus forçosamente deve ter sido um personagem sublime, único entre os seres humanos, pois a Transfiguração como pode se ver na Memória da Natureza, revela seu corpo de uma cor branca deslumbrante, o que demonstra sua dependência do Pai, o Espírito Universal.

Podemos ver um dos incidentes mais significativos do Ministério de Cristo na Última Ceia. Ela tinha um significado mais profundo do que a de uma última refeição com seus amados Discípulos. Ele sabia que entregando Sua vida no Calvário ganharia a entrada no centro da Terra, e poderia assim difundir Sua própria vida em tudo o que vive nela. O pão que comemos cada dia é Seu próprio corpo. "Se meditarmos sobre essa vida que se derrama anualmente na primavera, dar-nos-emos conta de que se trata de algo de gigantesco e imponente; uma torrente de luz que transformou num instante uma terra morta de frio em uma vida rejuvenescida. A vida que se difunde na germinação de milhões e milhões de plantas, é a vida do Espírito Planetário da Terra (Cristo). Dele vem, ambos, o trigo e a uva. Eles são o corpo e o sangue do Espírito aprisionado da Terra, dado à humanidade para seu sustento durante a presente fase da evolução. Devem-se comer estes alimentos dignamente, do contrário serão comidos debaixo da dor, da enfermidade, ou mesmo da morte".

Quando Cristo se ajoelhou no Getsemani, com a dor do mundo sobre as espáduas, este mundo que Ele veio salvar da destruição, produzida pela cristalização, e que O desprezou, foi para que Ele compreendesse a agonia e a aflição da humanidade quando tudo haja culminado naquilo que o Getsemani representa. Se Ele não tivesse provado deste cálice, não teria compreendido a dor e a solidão das almas que morrem diante de sua Crucificação. Se Ele nos tivesse falhado como falhamos nós tão frequentemente, não teria havido o amanhã da Ressurreição. O destino da humanidade para este ciclo, estava vinculado ao Seu.

Na Crucificação vemos que o mistério do Gólgota não foi um acontecimento humano, mas cósmico. Cristo era um ser Único, cósmico até esta época, e que através do mistério do Gólgota se vinculou à evolução da Terra. Era um Ser que em Seu próprio Reino nunca havia conhecido a morte. Desceu à terra para dar um impulso espiritual à vida evolucionante, e para salvar tantos atrasados quanto Lhe fosse possível, elevando as vibrações do Corpo de Desejos da Terra. Desde então Ele vive nas almas humanas. Por seu grande sacrifício, adiantou-se para uma etapa superior de Sua própria evolução. Quando no Calvário, o sangue fluiu das feridas em Suas mãos, pés e flanco, o grande Ser Cristo saiu do corpo de Jesus, difundiu-se por toda a Terra e converteu-se no Espírito Planetário e Morador Interno. A libertação do Espírito Solar Cristo do corpo de Jesus, produziu uma grande luz deslumbrante que, não obstante, produziu uma sensação de escuridão, da mesma forma, quando alguém fixa a vista numa luz brilhante, entra rapidamente num quarto escuro e tudo lhe parece negro. A sensação de escuridão deveu-se a libertação do glorioso Espírito de Cristo que cobria a terra, mas tão logo a Terra absorveu Suas vibrações, tudo voltou às suas condições normais. As vibrações assim iniciadas, contudo, purificaram e puseram em ordem rítmica os Mundos Superiores, e deram um impulso espiritual que não teria sido possível ser dado de outra maneira. Foi este impulso que lavou e tirou os pecados do mundo, e é esta influência continuada, ainda trabalhando no ser humano, que está trazendo o espírito de amor e altruísmo cada vez mais para o coração da humanidade.

Depois dos acontecimentos do Gólgota, a humanidade foi dotada da faculdade que a capacita a levar consigo, através do umbral da morte, aquilo que salva o ser humano do isolamento no mundo espiritual. Aquilo que aconteceu na Palestina, foi o aspecto central, não somente da evolução física humana como também da evolução nos outros mundos. Depois de consumada a Crucificação, Cristo apareceu no Purgatório, onde moram as almas depois da morte, e fixou um limite ao poder da morte. Desde esse instante, a região a que os gregos chamaram de "as regiões da sombra", foi iluminada pela Luz do Seu Espírito, indicando a seus moradores que a "Luz" haveria de vir. O grande sacrifício levou luz até aos mundos espirituais.

O que fluiu na evolução humana com a aparição de Cristo, atuou como uma semente, e as sementes amadurecem lentamente. No passado remoto a conexão entre o ser humano e os mundos espirituais se mantinha ativa por meio dos Mistérios. Por meio destes, os Iniciados em condições peculiares de alma, podiam receber a revelação do Mundo Espiritual.

Não fora por Belém, por Getsemani, pelo Calvário e pelo que eles representam, nossa humanidade enganada, mal dirigida por Lucífer, teria demorado uma eternidade para atingir o presente grau evolucionário. A maior parte da nossa onda de vida teria possivelmente perdido a sua evolução.

A morte é o grande revelador, e a morte de Cristo Jesus revelou Sua vida. Em alguma etapa da evolução do ser humano, quando por meio da Iniciação ele aprende a pronunciar o nome deste grande Espírito Planetário, sua consciência se abrirá à Sua Presença Onipenetrante. Um dos revelados à nossa consciência pela Iniciação, é a realidade vivente do Espírito Planetário, o Cristo. Mas nós estaremos sempre cegos à Sua presença e surdos à Sua voz, até que despertemos nossa natureza espiritual latente. Contudo, uma vez que tenhamos despertado, essa natureza nos revelará o "Senhor do Amor" como uma realidade. Por isso Cristo disse: "Eu Sou o Bom Pastor e conheço minhas ovelhas e sou conhecido por elas". No passado a humanidade esteve buscando uma luz externa, mas hoje chegamos a condição em que devemos buscar o Cristo interno e imitá-lo, convertendo-nos em sacrifícios vivos como Ele o está fazendo. Na Escola Rosacruz, quando se desenvolve a percepção interna dos Mistérios através do conhecimento, os resultados serão estéreis a menos que sejam acompanhados por constantes atos de amor. A expressão intensa desta qualidade, aumenta a luminosidade fosforescente e a densidade dos dois Éteres Superiores de nosso Corpo Vital. À medida que transcorre o tempo, Cristo, por Seu Ministério benéfico, atrai cada vez mais a luz e o Éter Refletor interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital da Terra mais luminoso. Com o tempo, estaremos caminhando em um mar de luz, e quando tenhamos aprendido a abandonar nossos hábitos egoístas e nosso personalismo, por meio do contato persistente com estas vibrações benéficas de Cristo, nos tornaremos também luminosos.

A Páscoa da Ressurreição, é o ato final do drama cósmico que envolve a descida do raio Solar de Cristo para dentro da matéria do Planeta Terra. A Ressurreição foi o cumprimento da missão de Cristo. Os ensinamentos Rosacruzes nos dizem que durante os três dias que ficou no túmulo, o Corpo Físico de Jesus, que foi usado pelo Cristo, foi desintegrado pelas poderosas vibrações celestiais. Os dois Éteres Superiores do Corpo Vital vibraram mais intensamente que os dois Éteres Inferiores. Quando o ser humano, por meio de pensamentos e atos espirituais, atraiu para si um grande volume destes éteres, que passam a fazer parte de seu Corpo Vital, a vibração do Corpo Denso se tornou mais intensa, e quando o abandona ao morrer, desintegra-se mais rapidamente.

Quando Cristo apareceu Ressuscitado a Seus Discípulos, atraiu para Si, por meio de Sua vontade, matéria física suficiente para revestir-Se de um Corpo Físico. Foi assim possível a seus Discípulos tocá-Lo e apalpá-Lo. Auxiliares Invisíveis Iniciados que já passaram pelas portas da morte, aprenderam a atrair ou a repelir matéria física à vontade, e podem materializar-se, a despeito do fato de que o arquétipo de seus corpos já tenha deixado de funcionar.

O Cristo está, naturalmente, à frente de Seres desta categoria, e lhe foi fácil passar através da parede em Seu Corpo Vital, e uma vez no interior, materializar Seu Corpo Denso por meio de Sua vontade. Cristo usou o Corpo Vital de Jesus até o momento da Ascensão. Depois disso ele foi entregue aos Irmãos Maiores. Este Corpo está guardado no interior da Terra onde só os Iniciados podem penetrar. Uma guarda constante cuida desse Corpo precioso, pois se ele fosse destruído estaria também destruída a única via para Cristo sair do centro da Terra, e Ele ficaria prisioneiro na Terra até o final deste Dia de Manifestação, quando a Noite Cósmica dissolvesse a Terra no Caos.

Domingo de Ressurreição é um símbolo anual que fortalece nossas almas, para continuarmos em nosso trabalho de regeneração, a fim de que surja em nós o Dourado Manto Nupcial, que nos fará filhos de Deus no sentido mais elevado e mais sagrado. Este Corpo Alma é construído aumentando os Éteres Luminoso e Refletor de nosso Corpo Vital. Quando esta substância dourada nos envolver com suficiente densidade, estaremos preparados para imitar o Sol da Ressurreição, e elevar-nos a esferas mais altas.

A vinda de Cristo à Terra foi o princípio de um novo reinado que perdurará. A preparação para este reinado começou há 12.000 anos atrás quando o Sol, por precessão, estava no Signo de Libra. Cristo trouxe à humanidade amor espiritual que é independente da carne e do sangue.

O sacrifício de Cristo não foi um acontecimento que, tendo lugar no Gólgota, se efetuou em umas poucas horas, de uma vez para sempre. Os místicos nascimentos e mortes de Cristo são eventos cósmicos contínuos. Este sacrifício é necessário para nossa evolução física e espiritual durante a presente fase de nosso desenvolvimento, até que um número suficiente de seres humanos se tenha espiritualizado o bastante para manter a Terra em levitação, em sua órbita, libertando este grande Espírito de Sua Crucificação anual. Como diz Max Heindel em relação a esta ocorrência anual: "No decorrer da noite mais escura do ano, quando a Terra dorme profundamente na época de inverno, quando as atividades materiais estão em seu ponto mais baixo, uma onda de energia espiritual traz em sua crista a Divina Palavra Criadora, desde os Céus até a Terra, no nascimento místico do Natal. Como uma nuvem luminosa, este impulso espiritual envolve e penetra o mundo que não o conheceu". Esta divina Palavra criadora tem uma mensagem e uma missão: "Nasceu para amar o mundo e dar Sua vida por ele, e é necessário que sacrifique Sua Vida para levar a cabo o rejuvenescimento da Natureza. Gradualmente se espalha dentro da Terra e começa a infundir sua energia vital entre as milhões de sementes que jazem dormentes no seio da Terra. Sussurra o alento de vida, a Palavra Criadora, nos ouvidos das aves e dos animais, até que este Evangelho de boas novas tenha alcançado toda a criatura vivente".

"Este sacrifício atinge sua consumação no Domingo da Ressurreição. Cristo, dessa forma, morre na cruz da Terra nesta data - em um sentido místico — enquanto lança seu último grito triunfante, "Consumado está". A criação inteira faz eco à esta canção celestial, e uma legião de línguas a repete sem cessar. As pequenas sementes do seio da Terra-mãe começam a germinar, e seus rebentos a sair em todas as direções. Das tribos de animais e aves, a palavra de vida ressoa como uma canção de amor que as incita a multiplicarem-se. Geração e multiplicação estão por todas as partes. O espírito elevou-se para uma vida mais abundante".

Esta onda anual de vida leva consigo toda a consciência do Cristo Cósmico. A conexão entre a morte do Salvador na cruz da terra por ocasião da Páscoa, e a energia vital que se expressa tão profusamente na Primavera, é "a chave" de um dos mais sublimes mistérios encontrados pelo espírito humano em sua peregrinação, desde seu estado mais rudimentar até Deus.

Quando o ser humano alcança a etapa em que deseja a total libertação da dor, mais que nenhuma outra coisa, e começa a trilhar o caminho da pureza e do sacrifício próprio, é instruído nos Mistérios do Gólgota, no Cálice do Graal, no Sangue Purificador, e na Cruz de Rosas. Cristo, em Sua última reunião com Seus Discípulos, tomou o Cálice como um símbolo do Novo Testamento. Ele não é uma taça comum na qual se possa verter qualquer líquido, nem foi o líquido em si que possuía a potência para ratificar o novo convênio. O grande Mistério está no fato de que o cálice e seu conteúdo, eram partes integrantes e indispensáveis de um Todo Sublime. A palavra alemã para cálice é "kelch"; a latina "calix"; ambas representam a envoltura exterior da semente e da flor. A palavra grega para cálice é "potarion", que significa receptáculo. As palavras inglesas potente e impotente, significativas da posse ou da falta de virilidade, nos mostram o profundo significado da palavra grega que obscurece nossa evolução de ser humano a super-homem.

A humanidade está sofrendo de uma ferida que não cicatriza, uma ferida feita pelo abuso de energia espiritual criadora. O ser humano perdeu este poder devido aos excessos de sua natureza baixa. Desde os tempos de Adão e Eva— a humanidade — comeu da árvore do conhecimento (geração sexual), e o uso errôneo deste poder criador tem sido a causa da fraqueza do ser humano. Toda a carne foi concebida em paixão e pecado.

A geração da planta, pelo contrário, é pura e imaculada. A flor perfumada, especialmente a rosa vermelha, se destaca simbolicamente em oposição direta à carne apaixonada. A flor é o órgão gerador da planta. Ela nos diz que a Concepção Imaculada em amor e pureza, é o caminho para a paz, para a felicidade e para o progresso. A paixão animal nos afasta do caminho, e foi o conhecimento da necessidade absoluta de castidade por parte daqueles que tiveram um despertar espiritual (exceto quando a procriação seja necessária), que ditaram as palavras de Cristo ao dar o Cálice como um símbolo da Nova Dispensação. O Cálice representa o recipiente da flor onde se conserva a essência da vida, a semente. A Taça do Graal representa o ser humano e seu poder criador sem mancha. É o ideal através do qual o místico que despertou, aprende a respeito do "Sangue Purificador de Cristo". São Paulo, o Apóstolo, afirmou que todo aquele que participa do cálice da comunhão indignamente, sem viver uma vida de pureza, está em perigo de doença e morte.

O sagrado mistério deste Cálice da Nova Dispensação é a chave para o Mistério do Gólgota. Quando tivermos aprendido através do sofrimento e da dor, a beber deste cálice dignamente, encontraremos a "Luz" dentro de nós mesmos, "Luz" que nos guiará ao Senhor do Amor. "Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, à qual ninguém pode fechar" (Apo 3:8).

(Revista 'Serviço Rosacruz' - 07/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)